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Especial Cobertura da NAB 2005

televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 14_#149_maio2005

Expansão territorial Produtoras desenvolvem unidades de negócio para serviços internacionais

POLÍTICA Como a Casa Civil pensa a nova lei de comunicação

MERCADO O investimento das universidades em parques de produção


N達o disponivel


(editorial ) por André Mermelstein

a n d r e @ t e l a v i v a . c o m . b r

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Mudanças à vista

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contece no final deste mês de maio o IV Fórum Brasil de Programação e Produção, promovido por TELA VIVA e sua publicação-irmã PAY-TV. O evento já se consagrou como um dos mais importantes momentos de reflexão e debate da indústria brasileira do audiovisual e da televisão. A edição deste ano tem como tema “As Novas Fronteiras da Televisão”. E que fronteiras são essas? São várias. Há a fronteira tecnológica, com o advento da digitalização. A NAB deste ano mostrou, como ilustra matéria desta edição, que a TV digital e a produção em alta definição encontraram de vez seu espaço no mundo, sobretudo nos Estados Unidos. O HD não é mais uma tendência. É uma realidade irreversível. Mesmo quem opte por não transmitir ou não publicar seu resultado final em HD certamente realizará suas produções em high-definition, simplesmente porque os recursos estão disponíveis, os preços vêm caindo e a qualidade é incomparável. É preciso finalmente discutir o que será da TV digital no Brasil, não apenas no aspecto tecnológico, mas sobretudo no aspecto político e de negócios. Causou estranheza, aliás, a ausência do Ministério das Comunicações e do CPqD, timoneiros do SBTVD, nos debates e exposições da NAB. Outra fronteira é a de negócios. A publicidade vem mudando de forma e migrando para novos formatos, dividindo verbas e atenção com modelos non-advertising, como ponto-de-venda e assessorias de comunicação. Além disso, as mídias tradicionais têm que disputar mais e mais seu espaço com alternativas como os games, o celular e a Internet. Como fica a TV (e o cinema) neste cenário de multiplicidade de meios? Finalmente, mas não menos importante, a fronteira geográfica, pois o Brasil começa a abrir os olhos (e as portas) para o mercado internacional do audiovisual. Isso se dá através das emissoras, vendendo seus produtos no exterior, mas também das produtoras, que vêm investindo e apostando em co-produções para TV e nos serviços internacionais de produção para a publicidade, tema de nossa matéria de capa. Até onde vão estas fronteiras e como cada um pode tirar proveito desta evolução dos cenários é o que tentaremos descobrir neste evento. Aguardamos você lá.

ilustração de capa: carlos fernandes/gilmar

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Ano14 _149_ mai/05

(índice)

(cartas) OAB Agradeço o envio do exemplar da revista TELA VIVA, edição de abril de 2005. Parabéns pelo excelente trabalho! Luiz Flávio Borges D`Urso, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil,SP

Além das fronteiras

Closed caption Gostaríamos de felicitá-los pelo brilhante trabalho realizado na esclarecedora matéria sobre o panorama do closed caption no Brasil (Tela Viva nº 148) aproveitando, ainda, para registrar o excelente desempenho dos profissionais na apuração, pesquisa e clareza na transmissão das informações. Temos a certeza de que o profissionalismo e a dedicação de todos vocês consolidam ainda mais o prestígio, a seriedade, a isenção e o conceito de liderança absoluta no segmento publicações especializadas no setor audiovisual pelo Grupo Glasberg. Marcelo Camargo, Drei Marc

Produtoras brasileiras apostam na prestação de serviços para o mercado internacional

scanner figuras legislação

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Governo estuda nova lei de comunicação

NAB 2005

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A consagração do high-definition

mercado

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Universidades investem em equipamentos de produção

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making of educativas

exibição digital Caros, Gostaria de sugerir uma matéria sobre os diferentes padrões de exibição digital de cinema disponíveis no mundo. Só no Brasil, já existem dois em operação. No futuro, teremos apenas um formato?

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Como a TVE Brasil espera se capitalizar

televisão

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Shop Tour, a nova TV aberta em UHF

artigo

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O cinema digital, por Luiz Gonzaga de Luca

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pós-produção

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O passo a passo de uma floresta virtual

Jairo Santos, Blumenau

upgrade agenda

Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários e sugestões para cartas@ telaviva.com.br.

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Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

telavivanews www.telaviva.com.br 

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( scanner ) Programetes publicitários A Estação 8 produziu duas séries de programetes para Walita e Philips. No da primeira, uma executiva, um personal trainer e uma mulher madura protagonizam o filme para comunicar a nova linha de liquidificadores da marca. Os programetes, de 60”, foram dirigidos por Lu Teófilo e vão ao ar durante a programação dos canais Globosat. A modelo e apresentadora Ana Hickman é a âncora de três programetes de 45”, criados para o Satinelle, depilador da marca Philips e dirigidos por Stela Rizzo.

Condecine bate recorde

fotos: divulgação

Cota de tela A Ancine divulgou no mês abril números prévios sobre o cumprimento da cota de tela em 2004. Segundo a agência, em 2004, do total das 1.987 salas existentes no Brasil, cerca de 9% demonstraram o cumprimento da cota de tela estabelecida pelo preenchimento correto dos questionários solicitados e, pelo menos, 15% demonstraram o não cumprimento do mecanismo. Estão sob averiguação 41% das salas que enviaram relatórios, e 35% das salas não remeteram à agência os relatórios solicitados. O erro cometido pela maioria das salas que estão com seus relatórios sob averiguação foi ter classificado como sendo nacionais filmes que não tinham o Certificado de Filme Brasileiro - CPB.

O2 nos EUA A O2 negociou com a norteamericana Palm Pictures para distribuir a série “Cidade dos Homens” para TVs abertas e por assinatura e DVDs nos EUA. Os negócios foram intermediados pela Buena Onda, agente de vendas internacional da O2 Filmes. Em 2005, “Cidade dos Homens” entra em sua quarta temporada e, para o próximo ano, a O2 Filmes produzirá um longametragem baseado na série.

cinema no parÁ

A arrecadação da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional, Condecine, teve um salto de 37% em 2004, em relação ao que foi arrecadado no ano anterior, atingindo a marca de R$ 26,6 milhões. A informação foi divulgada no início de maio pela Ancine. A receita é proveniente do registro de todas as obras audiovisuais, publicitárias e não publicitárias, nacionais ou estrangeiras, conforme especifica o Art. 32 da MP 2228.1. Para 2005, a Superintendência de Desenvolvimento Financeiro da Ancine prevê um crescimento de 70% em relação a 2004, chegando a R$ 45 milhões. Somente no primeiro trimestre de 2005 já foram arrecadados R$ 7,8 milhões.

Nova composição

de 10 a 16 de junho acontece o II festival de belÉM DO CINEMA BRASILEIRO, QUE TERÁ UMA MOSTRA DE FILMES PARA O Público infantojuvenil e uma restrospectiva de cinema francês. o festival tem ainda uma mostra itinerante durante todo o ano.

Foi instalada no dia 28 de abril, com nova composição, a subcomissão de Cinema, Teatro e Comunicação Social da Comissão de Educação do Senado Federal. A comissão será dirigida pelo senador Sérgio Cabral (PMDB/RJ), como presidente, e pelo senador Demóstenes Torres (PFL/GO), como vice. Participam ainda da subcomissão os seguintes senadores: Aelton Freitas (PL/MG), Cristovam Buarque (PT/DF), Geraldo Mesquita (P-SOL/AC), Hélio Costa (PMDB/MG), Leonel Pava (PSDB/SC), Marcelo Crivela (PL/RJ), Papaléo Paes (PMDB/AP), Roberto Saturnino (PT/RJ), Sérgio Zambiasi (PTB/RS) e Valdir Raupp (PMDB/RO).

Sorine na mídia A OgilvyHealthcare criou a campanha de Sorine Infantil, dos laboratórios Aché, que consumiu investimentos de R$ 5 milhões. Essa é a primeira vez que o produto, que existe desde 1968, faz publicidade. Com estréia marcada para dia 15 de maio, a campanha é composta por filmes, anúncios impressos e material para ponto-de-venda. O comercial, que será veiculado nacionalmente em TVs aberta e fechada, cinema, Internet e outras mídias alternativas, é da Cinema Centro, com som da Lua Nova. Finalizado com a tecnologia Smoke, o filme utilizou imagens reais e efeitos em 2D e 3D, criados pela Laruccia Animação e Efeitos. 

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Tema bimestral

Batucada na Espanha Carlinhos Brown foi contratado pela Schweppes Espanha para estrelar a nova campanha, “Sensaciones”. Com direção de criação de Manu Diez, da Vinizius Young & Rubicam Barcelona, o filme é uma grande batucada comandada por Brown no mar de Arraial do Cabo, usando a nova garrafa como instrumento de percussão. O diretor foi Oscar Rodrigues Alves, da Academia de Filmes. A campanha será veiculada apenas na Espanha.

O Festival do Minuto ganha este ano uma versão permanente, com temas propostos a cada dois meses. A idéia é explorar o hábito da sociedade de eleger alguns assuntos e discutí-los exaustivamente por alguns dias, propondo a realização de obras de um minuto sobre esses temas. Além dos temas bimensais, o evento poderá lançar temas surpresa de acordo com a pauta do que se estiver discutindo naquela quinzena no mundo ou na cidade. A cada bimestre, três trabalhos são premiados. Além disso, os assinantes da Vivo poderão assistir aos trabalhos selecionados em seu aparelho celular, e poderão criar vídeos de 1 minuto utilizando a câmera embutida em seu telefone móvel. Regulamentos e ficha de inscrição do Festival Mundial do Minuto VIVO estão disponíveis no website www.festivaldominuto.com.br.

Celular no telejornalismo A TV Alterosa, de Minas Gerais, está usando celulares com recursos de vídeo para tornar mais ágil suas transmissões. O projeto “Repórter Celular” é possível graças a uma associação com a Telemig Celular e permite que vídeos de até 30 segundos sejam enviados em até três minutos para a redação, sendo colocados no ar até dez minutos após a gravação. Os flashes podem ser transmitidos de qualquer ponto do estado com cobertura GSM. As imagens ocupam um quarto da tela. Atualmente, 15 aparelhos estão sendo utilizados.

Núcleo de Videoclipes A Cia de Cinema acaba de inaugurar seu Núcleo de Videoclipes, tendo à frente o diretor de cena Johnny Araujo, recém-contratado pela produtora. O novo núcleo surge para atender principalmente os filmes publicitários que buscam a linguagem dos videoclipes dirigidos por Johnny. O primeiro trabalho foi para o novo disco da banda CPM22, cujo clipe “Um minuto para o fim do mundo” já está entre os de maior audiência da MTV.

Novidades na Made

Cultura Filmes

A Made to Create reestruturou seu site (www.made.art. br), que agora oferece o novo serviço Made Online. Na nova seção estão disponíveis todas as informações referentes aos jobs em andamento na produtora, permitindo que os clientes acompanhem e aprovem os filmes. Na versão em inglês, foi criado o novo link Production Services, para apresentar os serviços de produção da Made to Create para o mercado internacional. A produtora foi responsável por vários filmes dos grandes anunciantes no mês de abril. Para a Quartzolit, fez um comercial com Rolando Boldrin, dirigido por Paulo Gama. A produtora fez também o primeiro comercial da campanha anual de Marisa, com Fabio Assumção. O comercial tem direção de Willy Biondani e Luiz Villaça. Paulo Gama também dirigiu o filme “Rex”, para a Aspirina +C. Com criação da Almap BBDO. T ela

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A TV Cultura está investindo alto em cinematografia digital. A emissora fechou, durante a NAB, um pacote de cerca de US$ 6 milhões com a Grass Valley que incluiu a compra de duas câmeras de cinema digital Viper Filmstream e um telecine Specter. No pacote também estão equipamentos para a produção de programas em HDTV, como 11 câmeras LDK-6000, além de VTs, switchers e equipamentos para uma unidade móvel HD. A Cultura também investiu cerca de US$ 1 milhão em equipamentos Sony, incluindo câmeras, monitores e um sistema de storage. A compra é o início da concretização de alguns novos projetos da Cultura: a digitalização do acervo, a modernização do parque de produção e a cinematografia digital. Conforme anunciou em entrevista publicada na TELA VIVA de abril, Marcos Mendonça, presidente da TV Cultura, quer investir na co-produção de telefilmes. •

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( scanner ) Co-produções francesas A brasileira Grifa Mixer fechou acordo de co-produção com a Gedeon, uma das maiores produtoras da França, para produzir um documentário de 52 minutos sobre o preguiça gigante (foto), animal pré-histórico que habitava todo o continente americano. A produção misturará captações in loco, com a participação de três cientistas, um brasileiro, um francês e um canadense, com recriações do animal em computação gráfica. A direção será dividida entre os franceses Dominique Lecuivre e Didier Dutheil e os brasileiros Mauricio Dias e Tulio Schargel. A produtora fechou também outra co-produção com a França, desta vez com a Marathon. Será uma série de quatro programas sobre cidades-fantasma. As cidades são Fordlândia, na Amazônia brasileira; Hamberstone e Santa Laura, no Chile; Kolmanskop, na Namíbia; e Khatanga, na Sibéria.

Maquete eletrônica O Estúdio Preto e Branco desenvolveu uma tecnologia para tornar possível uma ação promocional criada pela Bullet E-ventos para a Philips, com o objetivo de incentivar a degustação de alguns dos produtos da fabricante. Até dia 12 de junho, haverá maquetes de um loft no Shopping Morumbi, em São Paulo. O público toca botões para selecionar uma das quatro cenas inspiradas nos sitcoms americanos, envolvendo o casal Camila e Diego com produtos da marca. Através da nova tecnologia é possível ver as imagens de Camila e Diego interagirem com objetos reais da maquete e entre si. A impressão que o olho registra é próxima a de holografias. Pode-se ver através das imagens de Camila e Diego e é possível distinguir entre o real e o virtual; no entanto, têm-se a sensação de que os atores estão transitando pela maquete. O princípio de funcionamento da maquete eletrônica interativa é a ilusão de óptica, onde reflexão e transparência se combinam de forma que o público visualiza uma perfeita interação dos atores gravados em vídeo e projetados em miniatura, na mesma escala da maquete construída e instalada numa estrutura metálica.

Na garagem Em abril a Cine produziu novos filmes para a Ford. São dois filmes, um para divulgar a linha de produtos e marca e outro para lançar a Ford Ranger com motor 3.0 L turbo diesel eletrônico. As duas campanhas da montadora foram desenvolvidas pela JWT em parceria com a Zero Filmes e com a Cine.

Ação multimídia Para promover o lançamento do carro off-road CrossFox, a Volkswagen encomendou uma campanha de marketing viral à Almap/BBDO. O projeto está baseado no site www.legendofomaha.com.br, no qual um suposto zoólogo é convidado a ir à Tanzânia pesquisar babuínos. Aparentemente, o site registra as pesquisas do tal Dr. Maxwell Adams. Dentro do site é possível acessar o primeiro capítulo, em vídeo, do trabalho do zoólogo na Tanzânia. Com 70 segundos de duração, o filme foi produzido pela Cine, com pósprodução da Digital 21. As imagens foram capturadas em película, mas toda a direção de arte foi baseada nos antigos documentários sobre animais exibidos nas décadas de 60 e 70. Foram mais de dez dias de pesquisas. Apesar de ter sua exibição restrita à Internet, o filme foi todo feito como se fosse para TV e cinema. O pesquisador começa a falar sobre os babuínos, mas muda de assunto para dizer que sua descoberta mais radical foi o novo veículo off-road, criado no Brasil.

“Cidade Baixa” em Cannes O filme “Cidade Baixa”, de Sérgio Machado, foi selecionado para a Mostra Un Certain Regard, na seleção oficial do Festival de Cannes 2005. O longa conta com roteiro de Sérgio Machado e Karim Ainouz, com a colaboração de Adriana Rattes e Gil Vicente Tavares, e produção executiva de Mauricio Andrade Ramos e Walter Salles. No elenco estão Wagner Moura e Lázaro Ramos.  •

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(figuras) Raridade no acervo Foto: arquivo

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uem freqüenta os festivais de cinema de São Paulo provavelmente já se encontrou com José Maria Pereira Lopes, o Zé Maria. Responsável pelo acervo do Museu da Imagem e do Som de São Paulo e também da TV Cultura, ele ainda responde pela conferência das cópias de filmes exibidos nos festivais de Curtas-Metragens de São Paulo e É Tudo Verdade. E pelo burocrático processo de liberação das cópias na alfândega. Faço todo o desembaraço alfandegário para retirar as cópias da Receita Federal. Nascido em Parnaíba, no Piauí, Zé Maria veio para São Paulo aos seis anos. Estudou topografia e agrimensura (medição das terras), numa época em que os cursos técnicos eram bastante completos e longos. Enquanto estudava, trabalhava como mimeografista na TV Tupi, emprego conseguido por intermédio de um parente que trabalhava na produção. Rodava as cópias dos scripts das novelas para os atores. Conheci nessa época todo o elenco de “Beto Rockefeller”, “Mamãe Dolores”. E fui aprendendo um pouco de cinema também. Com o passar do tempo, começou a montar as matérias jornalísticas, que chegavam em película, com som magnético, e exigiam trabalho de montagem em moviola. Saí do mimeógrafo e virei auxiliar de tráfego de cópias, depois auxiliar de montagem até que virei montador. A formação em agrimensura ficou por isso mesmo. Não conseguiu estágio na área, e já que trabalhava na televisão prestou vestibular para jornalismo. Entrei, mas fiquei só três meses. A vivência na TV já era suficiente, era época da ditadura, a gente vivia com o censor do lado, tentando driblar a censura. Achei que o curso não tinha muita coisa

Zé Maria pra ensinar. Um de seus companheiros de trabalho nessa época — final da década de 60 e começo de 70 — era o repórter Gugu Liberato. Ele fazia entrevistas com portugueses para um programa que se chamava “Caravela da Saudade”. Passava aos domingos e era eu que montava. Me lembro de uma conversa, pouco antes da Tupi fechar. Ele me disse que tinha recebido um convite do Silvio Santos e eu dei uma força, já sabia que a Tupi não ia durar muito. A Tupi foi então lacrada pelo governo militar e Silvio Santos ganhou sua concessão de TV. Por contrato, tinha de absorver os funcionários da Tupi durante dois anos. Zé Maria então passou dois anos na então TVS (atual SBT) como montador. Lá reencontrou Gugu. Quando o contrato acabou, saiu mas foi chamado de volta. Só que nesse momento Ivan Isola, que dirigia o MIS, o chamou para cuidar do acervo. Logo em seguida, entrou também na TV Cultura, como auxiliar de filmoteca. Depois se tornou filmotecário e hoje é pesquisador do acervo. Um de seus grandes orgulhos hoje é

ter ajudado a criar o acervo do museu, que hoje tem 20 mil filmes. É ele quem cataloga, restaura cópias e faz pesquisas para o público externo — que vai de estudantes de escolas públicas a acadêmicos e diretores de cinema. Esse museu tem uma grande parte da história de São Paulo, do Brasil e da própria televisão brasileira. Toda a história do curtametragem brasileiro também está aqui. O que a gente precisa agora é de patrocínio para digitalizar o acervo. Não é à toa que participa da equipe do Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo desde a sua criação, há 16 anos. Há dez anos, foi a vez do festival de documentários É Tudo Verdade. O melhor de tudo é que eu adoro o que faço, gosto de pesquisar profundamente, ver todas as opções, todas as bitolas. Gosto de estar perto de um pedacinho da cultura de São Paulo.

“na tupi eu mimeografava os scripts das novelas para os atores.”

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Lizandra de Almeida


A Republika Filmes contratou o diretor Alexandre Sorriso, recém-chegado de Portugal onde morou nos últimos nove anos. Sorriso começou sua carreira como assistente de produção na 5.6, em seguida tornou-se assistente de direção de Wellington Amaral. Em Portugal, trabalhou como produtor executivo da Elástica Centro de Produção e começou a dirigir filmes publicitários. Lá dirigiu comerciais para Audi, Nestlé, Danone, Kellogg’s, Banco Espírito Santo e programas infantis para a RTP.

foto: eug nio novaes

fotos: divulgação

Diretor na Republika Novidade na Lew,Lara Hamilton Leão é o novo integrante da Lew,Lara, agência de Jaques Lewkowicz e Luiz Lara. Com passagens anteriores pela Neogama BBH e DPZ, Leão faz parte agora da equipe de atendimento do Banco Real, Comgás, Jornal Agora e das ONGs Empresários pelo Desenvolvimento Humano (EDH) e Obra do Berço.

Mantido na Anatel O presidente substituto da Anatel, Elifas Gurgel do Amaral, foi indicado presidente da agência com mandato até 3 de novembro deste ano, quando também se encerra o seu mandato de conselheiro. A indicação foi publicada no início do mês no Diário Oficial da União. Amaral é homem de confiança do ministro das Comunicações, Eunício de Oliveira. Com o fracasso da possível reforma ministerial, que acabou mantendo o ministro Eunício no cargo, pode-se prever que em novembro próximo Amaral seja reconduzido ao conselho da agência para um mandato completo de cinco anos, e não apenas para completar o mandato de Guilherme Schymura. Pode-se prever ainda que, mantida a atual composição política de apoio ao governo do presidente Lula, Elifas também seja reconduzido à presidência da Anatel e para um mandato de três anos, conforme determina a Lei Geral de Telecomunicações.

Roteirista na Estação 8 A Estação 8 contratou o jornalista e roteirista André Rodrigues para o seu departamento de desenvolvimento de projetos. Rodrigues foi repórter do jornal Folha de S.Paulo e também editor da Revista da Folha. Seu currículo traz passagens pelos canais SBT, Record, TV Cultura e Disney Channel. Foi redator-chefe e supervisor de textos e criação dos programas “Zapping Zone” e “Popstars”, entre outros. Antes de aceitar o convite da Estação 8, André era o roteirista do programa “Clube do Fã”, da Band. O profissional trabalhará assinando sinopses, roteiros e projetos especiais. Paralelamente, está escrevendo um roteiro para longa-metragem e uma peça de teatro.

Âncora esportivo A Band contratou como âncora o jornalista esportivo Roberto Avallone. No final de abril, ele estreou no comando de dois programas na emissora: “Show do Esporte Interativo” (aos domingos, 20h) e “Esporte Total” (de segunda a sexta-feira, às 22h). Avallone tem quase 40 anos de profissão e já trabalhou no jornalismo impresso, em rádios e em televisão.

Vendas e distribuição A Autodesk nomeou Miguel Rodríguez para o cargo de gerente geral de vendas da divisão Media and Entertainment na América Latina. O executivo tem como atribuições o planejamento e a supervisão das atividades de vendas e distribuição, bem como a coordenação da equipe de executivos da divisão na região. A divisão assumida por Rodríguez é a exDiscreet, responsável por soluções de edição e pós-produção de vídeo como o Flame e o Inferno.

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China e América Latina

De volta aos pampas

Ernesto Araoz assumiu a direção da unidade da fabricante chinesa Dayang para a América Latina. No Brasil, a empresa é representada pela catarinense 4S. •

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Depois de trabalhar sete anos fora e passar pelas produtoras Yes Filmes e Caradecão, o publicitário gaúcho Deko Schmidt retorna à capital gaúcha para assumir o cargo de diretor de atendimento da TGD Filmes no Rio Grande do Sul.

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( legislação)

por Samuel Possebon

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Mais um round?

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e existe um ponto em que o setor de comunicação diverge é sobre a idéia de que é preciso ter uma legislação única, nova e abrangente. Há os que defendem a idéia e os que a repudiam, como as empresas de televisão. Mas é exatamente isso que o governo diz que pretende fazer. Com a publicação, no final de abril, de um decreto criando um grupo de trabalho justamente para elaborar uma proposta de lei, foi dado o primeiro passo. Serão nove ministérios, mais convidados e mais um comitê consultivo. Depois da indicação dos nomes, são pelo menos 180 dias de debate, prorrogáveis por mais 90 dias. Em dezembro, ao resfriar o projeto da Ancinav após pressões diversas, o presidente Lula argumentou com a necessidade de uma Lei de Comunicação. Percebeu também que o assunto envolve mais gente do que apenas a pasta das Comunicações ou da Cultura, por isso colocou o tema sob a coordenação da Casa Civil, que catalisará todas as discussões, que já acontecem no governo, relacionadas ao tema. O coordenador dos trabalhos é André Barbosa, um acadêmico ligado ao setor de comunicações e que hoje é assessor especial do ministro José Dirceu. Qual o maior desafio para o projeto de lei? Ele responde: “Nenhum país do mundo chegou a um bom termo em relação ao conflito entre telecomunicações e comunicação. As plataformas estão em desenvolvimento. Cada governo tem um interesse em desenvolver um determinado nicho de indústria, uma determinada área de exportação.

fotos: eugênio novaes

Governo cria grupo de trabalho para projeto de Lei de Comunicação e aposta que a necessidade fará a televisão aceitar o debate.

André Barbosa, da Casa Civil.

Vivemos o momento da complexidade”. Em entrevista à revista Tela Viva, Barbosa tocou em assuntos delicados, principalmente na questão da resistência que as emissoras de TV têm a qualquer discussão desse gênero. “Acho que as empresas de comunicação têm motivos para estarem preocupadas com o cenário que está se desenrolando. Estavam acostumados com mudanças mais espaçadas e não imaginavam que o modelo de negócios agora precisa ser alterado a cada cinco ou dez anos. Hoje é preciso adaptação constante à realidade, e muita gente tem dificuldade de aceitar isso.” André Barbosa admite que a dificuldade de lidar com interesses e demandas diferentes no nível de uma organização legal é muito grande. Para 12

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ele, a idéia de separar conteúdo e plataforma em legislações diferentes, como se colocou na época da Ancinav, é polêmica. “A proposta da Ancinav deu grandes passos, mas com repercussões catastróficas”, diz. “Muita gente não leu a proposta”, completa. “É importante que os radiodifusores queiram discutir a comunicação como um todo nesse momento da convergência tecnológica. Não creio que eles estejam enxergando da mesma forma que nós, mas isso tem que acontecer.” O diagnóstico feito pela Casa Civil, até o momento, é simples: há uma parede entre telecomunicações e radiodifusão colocada na Constituição. “Naquela época isso fazia sentido, mas hoje não dá para pensar nesse caminho, é preciso pensar na confluência, não na separação”, explica André Barbosa. “No meu ponto de vista, manter essa separação pode ser a morte de um modelo de negócios que está engessado no passado.” Ao criar o grupo de trabalho sem a pressão de um projeto já pronto para ser enviado ao Congresso e com prazo flexível, o governo quis abrir diálogo. Sabe que não dá para enfrentar os interesses dos grupos de comunicação na marra, mas vai tentar dobrar aos poucos. “O que vai fazer as pessoas discutirem em conjunto não é a posição do governo ou a pressão política de um lado ou de outro, é a necessidade de sobrevivência. Definir essas relações no futuro é o que nos faz pensar em uma legislação comum. Ninguém vai ter que assinar em baixo de idéia nenhuma, mas aposto que todos vão sentir necessidade de discutir.”

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Abrangência Um complicador do projeto do governo com o grupo de trabalho para a Lei de Comunicação Social é a abrangência. André Barbosa explica que tudo terá que ser tratado nessa lei, sob o risco de que não se atendam a todas as demandas.”Se quisermos um ambiente normativo sólido para TV digital, por exemplo, teremos que pensar em um ambiente normativo sólido para todo o resto. Como é que vamos falar em TV digital sem falar do que acontece na telefonia celular, nas tecnologias wireless, nas tecnologias IP? Cada coisa que aparecer vai ter uma regra específica? Não dá. É inteligente um Estado moderno diminuir o número de leis e criar um ordenamento flexível.” Nesse novo ordenamento jurídico, diz o assessor da Casa Civil, deverão estar pontos tão díspares como TV digital, demandas sociais da comunicação, desenvolvimento do audiovisual e políticas de comunicação. “São todos tópicos que terão que ser feitos dentro de um ordenamento comum, eventualmente uma lei que não diga o que vai ser, mas diga apenas o que não pode ser. A forma nós não sabemos ainda.” Ele explica que o governo vê isso como uma tendência mundial e que esse parece ser o melhor caminho a seguir. “Mas para isso teremos que mudar a cultura do setor, convencer que as regras de convivência são importantes para contemplar os acordos comerciais que serão demandados no futuro”, diz Barbosa. E quem serão os grupos que serão chamados ao debate? Oficialmente, todos quanto for possível serão chamados à mesa de negociação. De exploradores de radiodifusão comunitária às redes de televisão, passando por produtores de conteúdo, universidades e indústria. E que peso terá a Globo no processo? “Ninguém pense que a Globo vai ficar fora de uma discussão como essa. Ela vai participar sim, e outras também vão, assim como outros participantes da indústria. Mesmo

entre radiodifusores há visões divergentes, e a maior prova é que há duas associações de televisão”, diz ele. Os esboços de debate sobre uma legislação mais ampla para as comunicações que surgiram no Brasil em outros momentos sempre esbarraram na questão do direito adquirido. Perguntado se o governo entende que as TVs tenham direitos adquiridos que não devem ser tocados, Barbosa dá uma resposta política: “Essa é uma questão-chave. No modelo capitalista, pensando que a economia avança com o desenvolvimento, um direito meramente adquirido pode ser um engessador. Mas existe uma discussão do ponto de vista político e institucional que também precisa ser feita, e é isso que os radiodifusores querem”. Em entrevista à Tela Viva, em janeiro, Roberto Irineu Marinho, presidente das Organizações Globo, foi enfático ao tratar a questão da concentração do mercado, ponderando que a sua emissora

nesse projeto. Por outro lado, sabe que as empresas de comunicação temem o avanço das empresas de telecomunicações sobre o universo da comunicação social. “Em economias predadoras, grupos estão engolindo os outros nesse processo. Aqui a idéia é não deixar isso acontecer de forma descontrolada. Será que não podemos criar possibilidades com oportunidades para todos? Há grandes geradores de conteúdos no Brasil e há muitas redes ociosas no mundo das telecomunicações que podem ser aproveitadas para dar vazão a essa produção”. Existe também o problema, ainda a ser enfrentado, da qualidade da programação, dos abusos e excessos em busca da audiência, dos limites entre o que é informação e o que é apelação. “A questão da limitação de conteúdos tem que ser feita

“No modelo capitalista, um direito meramente adquirido pode ser um engessador. Existe uma discussão política e institucional que precisa ser feita”. conquistou o seu quinhão por mérito e competência. “É verdade que a Globo tem uma posição invejável de mercado, tem uma máquina de produção, administração e uma estrutura comercial incomparáveis. Conseguiu tudo isso, antes de tudo, por méritos próprios, isso não se pode negar nem tirar. Por outro lado, outras redes existem e outros querem entrar, e uma situação de hegemonia pode criar distorções. Por isso, o ambiente da televisão também tem que ser olhado do ponto de vista concorrencial, é preciso criar mecanismos para que outros cheguem lá”, diz André Barbosa. “Parte da discussão está aí. Na difusão de informação no Brasil, devemos priorizar grupos nacionais ou não? Devemos avaliar quem são esses grupos ou devemos considerar a informação algo essencialmente sem fronteira? São questões longas que estarão sobre a mesa a partir de agora”, conclui. André Barbosa defende a ampliação das fontes de distribuição de conteúdo e entende que as novas tecnologias desempenham um papel preponderante

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pela sociedade, sem censura. Mas algumas balizas podem ser discutidas nesse período de formulação de um ambiente normativo novo”. TV digital As primeiras discussões já estão acontecendo, é verdade, na questão do projeto para o Sistema Brasileiro de TV Digital, um assunto que André Barbosa acompanha de perto. “Ninguém é mais gênio aqui do que lá fora. A diferença é que a gente quer desenvolver alguma coisa em cima das deficiências dos outros padrões. Temos que ter a opção da mobilidade, portabilidade, robustez, possibilidade de upgrade, alta definição, definição padrão etc. Feito o protótipo, vamos chamar os americanos, europeus, japoneses, chineses, todos virão olhar o que fizemos e poderão desenvolver coisas em cima deles. Essa é a idéia”. Os radiodifusores, por exemplo, se opõem. Querem que a transição 13

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( legislação) para a TV digital traga o mínimo de de política industrial que não se sabe se impactos sobre o modelo já existente dará certo, mas soa bonito: “O middleware e que o ritmo, forma e conteúdo que está sendo desenvolvido precisa sejam ditados pelos players já ser híbrido, não só para SDTV, mas com existentes do mercado. Há até quem interatividade, com HDTV. Isso não existe. diga que o governo quer inventar um Pode até encarecer um pouco o produto elefante branco, caro e ineficiente. final, mas atende aos diversos modelos que “Será que o SBTVD precisamos. Tudo leva a crer vai mesmo dificultar que vamos conseguir isso”, para a população o diz Barbosa, que completa: acesso à tecnologia, “queremos ser um pólo de como eles dizem? Não, exportação de software porque o modelo de para conteúdo de TV digital, implantação disso queremos criar uma ‘creative também está sendo industry’ aqui”. A idéia de discutido. Quem usar a TV digital para criar disse que não vamos uma política mais ampla vai subsidiar o set-top, ter que ser feita ao mesmo como fizeram os tempo em que se desenvolve italianos? O governo uma política que contemple pensa nessa hipótese, as demandas de pluralidade e por isso precisa e democratização da trabalhar em conjunto informação, inclusão digital e com os produtores de “Como vamos falar em TV digital sem falar na conteúdo, que são os grandes interessados telefonia celular, nas tecnologias IP?” nisso”. André Barbosa Há ainda a desconfiança do mercado em outras demandas concretas, diz o assessor relação ao projeto governamental da Casa Civil. de desenvolvimento de uma Perguntado se o País já não teria tecnologia. Segundo André Barbosa, perdido tempo demais nessa discussão “os radiodifusores dão a entender sobre TV digital, André Barbosa foi taxativo: que as universidades brasileiras não “Os países todos estão adiando o switchtêm capacidade de desenvolver o off, não é portanto preciso definir isso trabalho. Elas têm e têm de sobra. tudo de forma açodada. Há o interesse O que falta é dinheiro para isso. O da radiodifusão, mas há o interesse projeto do SBTVD está amarrando das universidades e da indústria, para essa gente. Com os R$ 38 milhões não falar nas políticas públicas. Então, que foram colocados, pelo menos se definir TV digital ou rádio digital é algo começou a desenvolver a capacidade. importante, até urgente, e por isso estamos Isso já valeu a pena”. Ele explica trabalhando, mas não é algo que tenha que o objetivo central do trabalho é que ser feito sem ponderação”. desenvolver uma plataforma aberta, Outro ponto que o governo quer não-proprietária e que contemple a colocar no mesmo tacho é o da criação de possibilidade de incluir digitalmente uma rede pública de televisão. a massa da população. “É claro que “O Brasil ainda não tem uma TV pública vamos ter que usar muitas patentes no modelo em que a sociedade é sócia, que não dá para escapar, como MPEGmantenedora e gestora. Não existem 2 e 4, como as patentes de áudio, mas sequer mecanismos de financiamento. quanto menos tivermos que pagar, Essa figura da TV pública terá que estar melhor”. presente em um ambiente regulatório Mais do que isso , o projeto de mais amplo”, explica Barbosa. TV digital do Brasil, no discurso do Ele levanta um outro ponto polêmico, governo, traz escondido um projeto que é o financiamento das emissoras 14

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de televisão. “A gente sabe que existem grupos com apoio religioso e que não vivem de publicidade. Sabemos que existem educativas com publicidade. São situações que estão tortas e que precisamos melhorar”. Uma das propostas recentes do governo nessa área foi o desenvolvimento da figura das emissoras institucionais (RTVI), criadas por decreto este ano, mas logo houve um recuo. “As RTVIs são um exemplo de uma situação difícil. O poder público municipal não necessariamente representa a produção cultural naquela sociedade. Mas do jeito como estava colocado, corria-se o risco de que o uso desse horário fosse usado para outros fins. Por isso adiamos isso, porque tem que ter desenvolvimento local, mas não fazendo dessa maneira”. E a bandeira do conteúdo nacional, tão colocada pelos radiodifusores? “Essa questão, na minha visão pessoal, não deve ser o foco do debate por si só. Não é preciso ser panfletário. Conhecimento e intelectualidade vêm de informação de todas as fontes. A realidade brasileira demanda o conteúdo local, então isso não precisa ser a bandeira. O que tem que ser a bandeira é a produção no Brasil”. Fica claro que as pretensões do governo com a Lei de Comunicação são amplas e não dá para dizer que ela sairá do papel. André Barbosa concorda com esses desafios. “É um projeto complicado para ser feito, um projeto de Estado que não vai ser concluído este ano e nem no ano que vem. O próximo governo vai ter que enfrentar isso certamente, e a questão sempre vai voltar. Os radiodifusores dizem que a gente não vai ter coragem de discutir isso. Claro que vamos. Não vamos tirar nada de ninguém e ninguém pode pedir ao governo para não pensar no futuro. Se não o fizermos, a conta vai ser cobrada pela sociedade no futuro”. Então, anote-se.


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( capa )

por Lizandra de Almeida

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Produtoras para exportação O aumento das exportações brasileiras ajudou a projetar nossa imagem lá fora. As produtoras audiovisuais aproveitam o momento para prestar serviços a produtoras internacionais que vêm gravar no Brasil.

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esde a posse do presidente Lula, o governo federal tem incentivado as empresas brasileiras a exportar. Esse aumento no fluxo de produtos brasileiros para o exterior não está repercutindo apenas na indústria, mas também está ajudando a tornar a imagem do Brasil mais conhecida lá fora. Com essa visibilidade, um novo nicho de mercado está sendo criado para a área de produção audiovisual: a prestação de serviços de produção para produtoras estrangeiras, atividade conhecida

como production services. “Depois do filme ‘Cidade de Deus’, o mundo começou a olhar para o cinema brasileiro com outros olhos”, acredita Anna Martinez, produtora executiva da área internacional da Made to Create. Não se trata de uma atividade nova, mas com as condições favoráveis existentes atualmente a atividade já está representando parcela significativa do faturamento de muitas empresas. “A economia cresceu com as exportações, mas não significa que o mercado interno tenha crescido. Os grandes filmes institucionais hoje são esporádicos, pois a publicidade trabalha com outras ações, 16

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com um mix de mídias diferente. Então a abertura para o mercado externo foi muito importante para o faturamento das produtoras”, afirma Paulo Schmidt, sócio da Academia de Filmes. A principal característica dos production services é que a produtora brasileira é contratada por outra produtora, e não por uma agência. De fora vêm, em geral, o diretor de cena e o diretor de fotografia, e uma trupe de criativos e clientes. Todo o resto da equipe é formado por profissionais brasileiros. Outro aspecto importante, com o qual a maioria das produtoras não está acostumada a lidar, é o orçamento aberto. “Não é fácil administrar um orçamento em que o cliente só paga o que consome. Nas produções nacionais existe um custo fechado e depois, no final, a produtora vê o que sobrou. Nas produções internacionais a administração é diária, o que exige uma estrutura e um controle muito maiores”, explica Alex Mehedeff, diretor da Jodaf Mixer Internacional. A escolha do Brasil como país homenageado na França este ano também nos colocou mais em evidência. “O Brasil está na moda”, afirmam os produtores, sem exceção. Assim, muitas produtoras internacionais têm demonstrado o desejo de filmar no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro. Com o câmbio ainda favorável, os custos também compensam. Em geral, produtoras da Europa e dos Estados Unidos conseguem triplicar o número de diárias e ainda enviar ao Brasil várias pessoas — interessadas não só em acompanhar o trabalho,


fotos: divulgação

A Jodaf Mixer Internacional, em parceria com a Smuggler, filmou “Doors” na rua 7 de Abril, no centro de São Paulo, para a campanha da Coca-Cola (acima). Já com a FM Rocks, gravou o comercial de Bacardi (à esq.).

afirma Alex Mehedeff, que já atuou também no exterior. Uma das mais recentes produtoras a entrar nesse mercado, a Jodaf Mixer Internacional em um ano produziu 37 projetos — um verdadeiro recorde. Mas ainda faltam pessoas — especialmente chefes de equipe — que dominem línguas estrangeiras. “A Apro está tentando firmar uma parceria com o Senac para criar cursos de línguas voltados para o setor, com a terminologia específica”, diz Paulo Schmidt, que também é diretor da Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais. A Academia de Filmes começou a atuar no setor há dois anos, quando a Apro lançou no festival de Cannes de 2003 o projeto Film Brazil. Um caderno em inglês foi distribuído no Festival, com informações sobre as produtoras capacitadas a prestar serviços de produção. Atualmente, cerca de

Essa característica torna o mercado de production services sazonal. A maior parte dos trabalhos acontece entre setembro e abril. Quando chega o inverno por aqui, as produções param. A competência dos técnicos brasileiros também não deixa a desejar. Os produtores concordam que, mesmo com a barreira da língua, as equipes brasileiras sempre dão conta do recado. “A falta de recursos faz com que nossos profissionais apresentem as soluções mais inteligentes. Lá fora as soluções existem, mas são sempre muito caras. Os estrangeiros se impressionam com a construção de cenários e com o trabalho de equipe”,

foto: arquivo

mas também em conhecer nosso exotismo. O câmbio é importante, mas o País tem também uma série de qualidades que atraem a atenção dos produtores internacionais. A diversidade de locações é uma delas. De praias a cidades coloniais, de dunas a grandes metrópoles, o Brasil tem todas as paisagens possíveis — com exceção de montanhas nevadas. “Nesse quesito, Argentina e Chile, que têm estações de esqui, se saem melhor”, explica Karin Stuckenschmidt, da área internacional da Film Planet. Com filiais em São Paulo, Buenos Aires e Rio de Janeiro e parcerias em Los Angeles e Santiago do Chile, a produtora tem uma experiência de nove anos na área de production services. “Já filmamos aqui como se fosse Caribe, Nova York, Dubai”, conta João Roni, produtor e sócio da Ocean Films. “O Rio de Janeiro é a locação mais procurada, porque as pessoas querem ir passear e também porque é mais organizado. São Paulo é bastante requisitada, mas está cobrando taxas altíssimas e demora demais para dar autorização”, afirma João Roni. Com sede em Florianópolis, a produtora do paulista João Roni e do argentino Cristian Marini se especializou em prestar serviços de produção internacional. Em média, realizam 12 projetos por ano. “Queremos manter a capacidade de atender bem e acho que estamos conseguindo, porque as produtoras estrangeiras sempre retornam. Não temos interesse em aumentar demais o número de filmes produzidos”, conta Roni. A variedade de etnias e de tipos humanos também atrai a atenção dos estrangeiros. No Brasil, é possível encontrar pessoas para compor um casting que se pareçam praticamente com qualquer povo do mundo. O fato de estarmos no hemisfério Sul também é crucial, já que as produções estrangeiras costumam ser feitas com antecedência.

“O Brasil só perde em diversidade de locação no quesito montanhas nevadas.”

Karin Stuckenschmidt, da Film Planet

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( capa) “O País tem de resolver a questão das alíquotas de importação de equipamentos”

de equipamentos e produtos, e para a obtenção de vistos de trabalho temporários para os profissionais que vêm de fora. Cada um deles tem exigências específicas, com encargos sociais e papeladas. “Existe um sistema de carnê na Europa, do qual muitos países são associados — incluem-se aí até Tanzânia e Nigéria — que facilita muito a vida. A produtora paga uma taxa que equivale ao seguro pelo pagamento dos impostos e pode trazer o que precisa”, explica Paiva. Paulo Schmidt também conhece o sistema e faz eco às reclamações de Paiva. Ele pondera que, com a criação da Ancine, os vistos de trabalho já ficaram

Andréa Barata Ribeiro, da O2 Filmes

10% do faturamento da produtora vem dos production services. A mesma cifra é citada por Andréa Barata Ribeiro, da O2 Filmes, que começou na mesma época. Pedras no caminho Ao lado de todas as vantagens brasileiras e do momento favorável que o mercado oferece, as produtoras também convivem com algumas dificuldades. Segundo Carlos Paiva, sócio-diretor da Zohar Cinema, o trabalho ainda é bastante complicado pela burocracia brasileira. Produtora pioneira nesse tipo de atividade, a Zohar está no mercado de production services há 15 anos e é o grande exemplo para quem hoje se tornou concorrente. Mas apesar de toda a experiência, ainda esbarra nas dificuldades impostas pela legislação brasileira de importação temporária

um pouco mais rápidos. Para ele, o surgimento da Ancine e a criação da Condecine (taxação sobre produtos audiovisuais) foram fundamentais para regulamentar a importação de filmes prontos, um recurso que costumava ser utilizado quando o mercado interno estava em baixa. Em vez de contratar produtoras nacionais, as agências traziam filmes de fora e simplesmente dublavam e trocavam o packshot. “Hoje, um comercial importado paga R$ 105 mil (de Condecine), fora os custos de nacionalização. Então é mais fácil refazer o filme aqui, às vezes com o mesmo roteiro, do que nacionalizar”, explica. O resultado é mais trabalho para nossos técnicos e produtoras. Mas acredita, por sua vez, que outra questão a ser discutida é a remessa de dinheiro. “Temos que pagar as pessoas e há um monte de impostos incidindo sobre o dinheiro enviado para fora”, conta. Em momentos de pico, quando as produções internacionais coincidem com filmagens de longas-metragens e outros produtos audiovisuais, o mercado ainda se ressente da falta de equipamentos. “O Brasil tem de resolver a questão das alíquotas de importação de equipamentos. São produtos sem similar nacional, a demanda está crescendo e a taxação ainda é absurda. Se isso não se resolver logo, o mercado vai ficar sucateado e saturado”, acredita Andréa, da O2 Filmes. A pequena quantidade de A praia de Barra do Sahy, em São Paulo, foi o local escolhido para as filmagens do primeiro projeto internacional que a Made to Create produziu para a Enormous Films, da Itália.

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profissionais capacitados a atender a esse mercado crescente é o que preocupa Alex Mehedeff. “Quando o mercado está aquecido falta gente. E como esses projetos são muito rápidos e a exigência é muito grande, é difícil conseguir treinar pessoas. A demanda por filmes rodados no Brasil é ainda maior do que podemos atender. Já estamos recusando trabalho, porque o mercado não tem profissionais suficientes.” O Brasil também enfrenta a concorrência de países como Argentina, cujo câmbio é ainda mais favorável, e também África do Sul, Austrália e Nova Zelândia. Todos no hemisfério Sul, oferecem muitas vantagens parecidas com as nossas. Mas para Mehedeff, o Brasil está sendo descoberto e não será esquecido depois que a moda passar. “As produtoras estrangeiras estão se dando conta de que existe essa

O filme “Tribord” (acima), para a Decathlon, foi produzido pela Zohar com o diretor de fotografia Philippe Piffetau . Outro trabalho da produtora foi para o Kmart (à dir.), dirigido por Marcus Nispel .

capacidade, que existe esse mercado aqui também. Não acho que seja só uma questão de custo, porque o câmbio está sempre oscilando. Existe realmente um reconhecimento.”


( NAB 2005)

por André Mermelstein, de Las Vegas

foto: Divulgação

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Momento de colheita

Após algumas edições marcadas por lançamentos revolucionários, a NAB 2005 foi um evento de consolidação de tendências, especialmente do high-definition e dos formatos tapeless.

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NAB acontece em ondas. Há anos turbulentos e anos mornos. Anos de revolução e anos de evolução. Cada evento tem um mote, e logo nas primeiras horas percebe-se, nas conversas e na observação, qual será o “leitmotiv” daquela edição. A NAB 2005 foi um destes eventos de consolidação, de evolução das tendências apresentadas recentemente, nos anos anteriores. Mas não teve nada de morna. Foi a NAB mais animada e movimentada desde os ataques terroristas de 2001. Os temas predominantes foram, nesta ordem, a alta definição (HD), que tomou conta definitivamente do mercado norte-americano e estava presente em todos os discursos; as tecnologias de transmissão de vídeo sobre redes de dados, com o amadurecimento do MPEG-4 e das plataformas de vídeo sobre IP; e, em 20

menor escala, a mobilidade, impulsionada pelo desenvolvimento, no último ano, do DVB-H, e também das tecnologias de transmissão para celulares. No plano da produção, segue a disputa para ver que filosofia sairá vencedora na questão dos formatos “tapeless”, de gravação (e pós-produção) sem fita. No páreo estão a Sony e seu disco óptico, a Panasonic com seu cartão de memória em estado sólido, e alternativas como a gravação em hard disk. E, claro, o formato HDV, que começa a ganhar corpo, embora ainda com poucos equipamentos disponíveis, mas com a promessa de mudar a cara do mercado de equipamentos para produção em high-definition. Aliás, o que mais se viu nesta NAB foram os equipamentos de transição. São câmeras, switchers, sistemas de edição que trabalham tanto com HD quanto com SD, de forma transparente, ou seja, têm entradas e saídas para os dois tipos de sinal, sem que o usuário precise se •

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preocupar com o que está utilizando. No plano político, os assuntos centrais que preocupam a indústria de mídia eletrônica nos EUA (com reflexos em todo o mundo) são a indecência na programação (discute-se a autoregulamentação do setor, para evitar que o governo acabe impondo regras muito fortes a esse respeito); e a entrada de novos players, sobretudo as empresas de telecomunicações, no negócio de distribuição de conteúdos. Estes foram os assuntos da tradicional abertura feita por Eddie Fritts, presidente da National Association of Broadcasters pelos últimos 23 anos, e que agora deixa o cargo. Ele fez um vigoroso elogio ao serviço de radiodifusão dos EUA (“o melhor do mundo”, segundo ele), e lembrou as vezes em que o setor foi defendido pelo lobby da NAB junto ao governo e às autoridades neste período, citando conquistas do


23,4 mil internacionais (de fora dos EUA). É um crescimento significativo (cerca de 7%) em relação a 2004, quando houve 97,5 mil visitantes, sendo 22,3 mil internacionais.

programação, uma vez que a maior parte das grandes redes transmite pelo menos seu prime time em HDTV, e muitas vezes até uma fatia maior da programação. O desafio agora é fazer cumprir o cronograma de desligamento das transmissões analógicas, o que ainda depende em grande parte da adoção do público à TV digital, pois pelo plano do governo americano, isso só deve acontecer nas cidades em que pelo menos 80% da população esteja apta a receber os sinais digitais. No dia 18 de março, a NAB enviou um ofício à FCC, agência reguladora das comunicações dos EUA, pedindo ao órgão que rejeite o pedido da CEA (Consumer Electronics Association) que, segundo os radiodifusores, atrasaria esta implantação da TV digital. A CEA pediu à FCC que eliminasse o requerimento de que pelo menos 50% dos aparelhos de TV fabricados após julho de 2005 tenham receptores de DTV embutidos. A NAB pede que a FCC considere, em lugar do pedido da CEA, a possibilidade de obrigar que 100% dos aparelhos tenham o receptor a partir de julho de 2006.

Alta definição Nos EUA, a TV digital demorou a decolar, mas agora está “bombando”. E lá, TV digital é praticamente sinônimo de HDTV. Quase a totalidade dos domicílios com TV no país (99%) já é atingida por pelo menos um sinal de HDTV, e 88% dos domicílios são cobertos por cinco ou mais emissoras transmitindo alguma programação em alta definição. Isso não quer dizer que todas as residências destas regiões assistam os sinais digitais. É apenas um indicativo de cobertura. Para receber a TV digital, as casas precisam foto: arquivo

setor como o must-carry (obrigação das transmissões de canais locais pela TV a cabo), incluído no Cable Act de 1992, ou a transmissão dos canais locais pelo DTH, além do processo de transição obrigatória para a TV digital. Em relação ao futuro, ele mencionou quatro itens com os quais a TV aberta dos EUA deve se ocupar a partir de agora: a revisão do Telecommunications Act, prevista para este ano; a etapa final da conversão para a TV digital; a transição do rádio para o digital em alta definição; e a questão da indecência na TV. A importância da convergência e a presença inevitável das teles na área da comunicação ficou evidente com o nome convidado para fazer o discurso de abertura do congresso da NAB: Ivan Seidenberg, CEO da Verizon, uma das maiores operadoras de telefonia fixa e móvel dos EUA. Ele enalteceu a chegada da convergência, principalmente através do celular, e falou sobre dois projetos já em implantação pela gigante: redes EV-DO, de dados em alta velocidade para celulares, e o projeto FiOS, de implantação de fibra óptica nas residências, que segundo ele permite até 100 Mbps no dowstream em 15 Mbps no upstream para serviços de vídeo. Em tom conciliador, Seidenberg disse que as emissoras de TV serão parceiras nesse negócio, pois proverão o conteúdo necessário. Mas a visão das emissoras apenas como programadoras e produtoras não agrada exatamente aos broadcasters. Seidenberg procurou minimizar o desconforto, dizendo que reconhecia o valor da propriedade intelectual e afirmando que sua rede era, na verdade, uma forma segura (contra a pirataria) de distribuir os conteúdos digitais. E pediu aos radiodifusores que o ajudassem a derrubar as barreiras legais para que ele pudesse fazer a transmissão de vídeo em sua rede. A NAB 2005 atraiu um público de 104,43 mil participantes, sendo

Mobilidade O representante europeu no debate, David Wood, da EBU (European Broadcast Union) enfatizou a possibilidade da transmissão móvel, com o advento do DVB-H. Segundo ele, é pouco provável que os serviços móveis de vídeo sejam gratuitos como a TV terrestre. Ele diz que provavelmente o DVB-H combinará a recepção aérea com conteúdos pagos, para financiar o subsídio aos handsets. Quanto à alta definição, Wood contou que os serviços HD via satélite começarão no final deste ano e no início de 2006, com serviços pagos como BSkyB, TPS, CanalPlus e Premiere. Já o broadcast deve começar a transmitir em HD apenas a partir de 2008, ou até 2012 em alguns casos. Há tanta animação com a mobilidade que a Harris, um dos

Transmissões em alta definição já atingem 99% dos lares americanos. Falta agora aumentar a penetração dos receptores, diz John Flaherty, da CBS.

de receptores ou set-top boxes digitais. Estima-se que em 2006 os EUA terão mais de 44 milhões destes aparelhos instalados. Os números são de John Flaherty, VP de tecnologia da rede norte-americana CBS, que participou do seminário Set e Trinta, organizado pela Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão e Telecomunicações (SET) durante a NAB 2005. Segundo ele, já há também uma grande oferta de

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no país. O Japão tem ao todo 48 milhões de domicílios, servidos por três a nove emissoras abertas por região, incluindo dois canais públicos (NHK), divididos em cinco grandes redes e algumas emissoras independentes. A transição digital começou em 2003, e segue O Anycast, estação portátil da Sony que engloba switcher, mixer, edição e efeitos em uma pequena unidade similar a um laptop, também evoluiu, um cronograma com upgrade de software e novas portas de entrada e saída, inclusive SDI, que já vem como standard. Uma saída lateral permite soltar vídeos direta- detalhado de implantação por mente para streaming. áreas, que deve principais fornecedores de culminar com transmissores no padrão ATSC, a transição total no final de 2011. que nunca se preocupou A cobertura prevista da TV digital particularmente com a terrestre, partindo de 18 milhões de mobilidade, agora aposta no lares cobertos em 2004, é de 27 milhões DVB-H para oferecer transmissão de lares no final de 2005 (57% do total) móvel de sinais de vídeo e 37 milhões de lares em 2006 (79% digitais. Aliás, a empresa, do total). Segundo Asami, a média do conhecida principalmente por tempo de transmissão em HDTV é acima seus transmissores, está se de 50% do tempo total de transmissão caracterizando como uma empresa para a maioria das emissoras digitais, de transporte de vídeo ponta a e todos os broadcasters já produzem ponta, apostando em uma linha de equipamentos de rede chamada H-Class Content Delivery Platform. Na NAB também se viram soluções para o gerenciamento dos conteúdos no celular, uma preocupação dos detentores de direitos. A Nagravision mostrava a solução Lysis Mobile, que gerencia tanto o conteúdo quanto as transações. O interessante é que a aquisição (e o licenciamento) do conteúdo pode ser desvinculada do download. Ou seja, o usuário pode baixar um conteúdo e até repassálo para outros aparelhos, mas só poderá assisti-lo quando receber uma autorização digital do servidor. O diretor de tecnologia de broadcast do Ministério do Interior e Comunicações do Japão, Hiroshi Hiroshi Asami, do Ministério das Comunicações Asami, também fez um quadro da japonês: País começa a estrada para o desligamento implantação da TV digital terrestre do analógico em 2011. 22

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alguma programação em alta definição (a NHK, diz, produz 90% de seus programas em HD. As redes comerciais, cerca de 60%). Como demonstração de que a alta definição não é apenas para grandes grupos e grandes orçamentos, Asami deu o exemplo da KNB, emissora regional que cobre uma área com apenas 1,1 milhão de habitantes, com faturamento anual de US$ 60 milhões. A emissora produz 95% de sua programação local em high-definition, cerca de 14,5 horas semanais. Segundo o diretor, a estratégia japonesa para promover a TV digital baseia-se de um lado na obrigatoriedade do fim das transmissões analógicas em 2011, com a realocação das bandas para serviços de comunicação móvel, e por outro lado em uma colaboração entre governo, emissoras e indústria para facilitar a disponibilidade dos equipamentos de recepção e de programação digital. Com isso, o Japão já tem uma penetração de receptores digitais da ordem de 2,43 milhões de aparelhos, entre set-top boxes e receptores integrados com display. O preço dos receptores oscila entre US$ 1 mil e US$ 2 mil para telas CRT de 24” a 35” e US$ 2 mil a US$ 5 mil para telas LCD de 25” a 40”. A preferência dos consumidores, diz Asami, tem recaído sobre os displays acima de 30”, com tela plana (e não CRT), com suporte a HDTV e recepção de informações digitais (datacasting). Ele mencionou ainda os serviços de vídeo móveis, que devem ser lançados no início de 2006. Os fabricantes, conta, estão trabalhando nos protótipos dos receptores, que devem usar a compressão MPEG-4 AVC (H.264). Não haverá necessidade de uma licença adicional, no caso de transmissões simultâneas. Infelizmente não havia na NAB nenhum representante do Ministério das Comunicações ou do CPqD, responsáveis pelo projeto brasileiro de TV digital terrestre.

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( NAB 2005) para diversas funções de uma rede. Uma discussão que se abre, agora que o padrão está mais maduro, é se o Brasil não deveria olhar para uma solução MPEG-4 em seu desenvolvimento da TV digital terrestre. Segundo Lisa Hobbs, diretora sênior de marketing da Tandberg, uma das principais fornecedoras de encoders digitais, o MPEG-4 já está sendo instalado no mundo, não muito para contribuição entre afiliadas e cabeça-derede, já que não há uma grande oferta de receptores, mas principalmente para distribuição de sinais, pois existem no mercado vários modelos de set-top boxes aptos a decodificar os sinais. Na

IPTV O MPEG-4 não é exatamente uma novidade. O padrão, que comprime o sinal de vídeo com uma eficiência muito maior que o MPEG-2, está por aí há algum tempo. Mas foi na NAB 2005 que se viu pela primeira vez uma oferta considerável de equipamentos baseados no padrão, sobretudo os encoders, que apresentam agora maior robustez. Entre as emissoras brasileiras ouvidas por TELA VIVA, há quem ainda ache cedo para confiar totalmente no padrão, e prefere esperar que ele esteja um pouco mais amadurecido, com implantações espalhadas pelo mundo, e há quem acredite que ele já pode ser adotado

própria NAB podia-se ver algumas destas opções. Ela diz que até o fim deste ano devemos ver surgir serviços de distribuição de vídeo usando o MPEG-4, provavelmente sobre redes ADSL, das empresas telefônicas. Neste caso, o vídeo trafega sobre a rede IP. O padrão também é bastante adequado para o DTH, já que sua compressão permitiria uma grande economia de banda de satélite. Operadores brasileiros estiveram na feira pesquisando a tecnologia. Segundo um deles, eventualmente valeria a pena até substituir os IRDs atuais, uma vez que só a economia em transponders de satélite cobriria o custo da operação rapidamente.

Momento de transição

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mbora não tenha surgido nenhuma revolução conceitual nesta NAB, houve como sempre um grande número de lançamentos. O traço em comum entre a maior parte deles foi o hibridismo, a operação multiformato. Ou seja, são equipamentos pensados para uma fase de transição, para produtores que não querem se comprometer de cara com novos formatos (que podem ou não vingar) e também que querem preservar os investimentos já feitos, podendo aproveitar seus materiais legados. A Panasonic apresentou na feira a AG-HVX200, sua primeira camcorder HD com a tecnologia P2, de gravação em cartões de memória de estado sólido (semelhantes aos cartões PCMCIA dos computadores). A câmera prima pela versatilidade, pois pode captar tanto em SD quanto em HD, e em múltiplos formatos e frame rates. A câmera comporta dois cartões de 8 Gb (capacidade aproximada de oito minutos em HD ou 30 minutos em SD cada) e também trabalha com fitas DV, para atender aos usuários em transição para os sistemas tapeless. A empresa anunciou o lançamento do cartão P2 de 8 Gb de capacidade, que segundo o presidente da empresa nos EUA, John Baisley, custará o mesmo que o cartão de 4 Gb no ano passado. Segundo a Panasonic, cerca de 150 emissoras no mundo (60 só nos EUA) já adotaram em alguma medida a captação e o workflow (tráfego de arquivos) sem fita, com a tecnologia de cartões P2. A empresa lançou também a unidade portátil 24

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Set-top box do serviço MovieBeam, da Disney, que distribui filmes diretamente para o usuário, que pode assistir a partir do HDD do aparelho. O sistema de gerenciamento de direitos e acesso é da Nagravision. O (re) lançamento está previsto para setembro.

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( NAB 2005) de disco AS PCS060, que transfere o conteúdo de um cartão P2 de 4 Gb em apenas quatro minutos. Também foi anunciada a compatibilidade entre o formato de gravação utilizado no P2 e o sistema Final Cut Pro, da Apple. Assim, usuários do Final Cut poderão descarregar seus clipes diretamente do P2 em seus sistemas de edição e composição. A Panasonic lançou também a câmera HD AW-E860, que capta nos dois aspectos (4:3 e 16:9) e o VT AJ-SD255, que conta com porta FireWire e ocupa apenas meia unidade de rack.

seis meses de comercialização do formato. A empresa assinou durante a NAB contratos com diversas emissoras, quase todos incluindo câmeras e VTs do sistema XDCam. Além dos tradicionais switchers, praticamente todos com capacidade HD já Dentre os clientes incorporada, a Ross lançou uma nova linha de 16 placas de processamento recentes do sistema e distribuição de vídeo em HD e SD, também um novo gabinete (foto), com alimentação redundante, dez slots e um frame controler, que permite o gerenestão a TV Cultura; ciamento de todas as placas automaticamente. A entrada e saída de SD e HD é o SBT (que também transparente, o usuário pode acoplar qualquer equipamento e a placa reconadquiriu câmeras hece o tipo de sinal. BVP e monitores LCD da linha Luma); Highway”, o VT HDW-5280 agora Disco óptico a RPC, que também adquiriu produtos da também faz gravação (antes apenas A Sony anunciou que o sistema linha network solutions, de automação de reproduzia), e pode ser adaptado XDCam (de gravação em discos jornalismo; a RBS, que está digitalizando para trabalhar em 24p. O mesmo ópticos) chegou a 250 unidades 18 emissoras no Sul do Brasil; e a Globo, acontece com o VT SRW-5500, vendidas no Brasil. Até o final de 2004 que já utilizava o XDCam e adquiriu mais que grava e reproduz em HDCam havia 180 unidades instaladas, o que equipamentos, além de monitores Luma e e HDCam SR, podendo trabalhar indica uma venda de 70 unidades sistemas de edição Xpri. em 24p, sendo usado com a linha apenas no primeiro trimestre deste Como exemplo da filosofia de CineAlta, de cinematografia digital. ano. No mundo há seis mil unidades transição plena para o high-definition, As boas novidades ficaram instaladas, em pouco mais de sintetizado pela Sony no slogan “HD mesmo na ampliação da família XDCam, que mostram o comprometimento da Sony com o formato, lançado há cerca de O filme está (bem) vivo dois anos. Um dos lançamentos é o sistema de armazenamento Em um esforço para demonstrar que o vídeo de alta definição não decretará o robotizado PDJ-C1080, que comporta fim da película, a Kodak apresentou na NAB 2005 o negativo Super-16 mm Vision 80 discos ópticos e até quatro VTs 2 HD System. Na verdade o sistema todo é composto pela película em si e por um (pode armazenar cerca de 2 Tb, processador digital, que funciona acoplado ao telecine, e que permite uma série considerando os discos atuais de 23 de ajustes na imagem captada. Mb. A capacidade pode aumentar Arri quando forem lançados discos de Ainda na linha do maior volume). Foi lançado cinema, a Arri trouxe ainda um drive externo para à NAB a nova câmera XDCam, o PDW-D1, que pode Arriflex 235, desenhada ser ligado ao sistema de especialmente para uso edição via i.Link (FireWire) e em situações exterfuncionar como um VT com nas, no ombro ou em alguns recursos a menos. As steadycam. Trata-se de portas i.Link, aliás, viraram item uma câmera MOS (sem Nova Arriflex 235, mais leve e ergonômica. de linha em praticamente todos os sound sync) menor e equipamentos, inclusive nas câmeras. mais leve que os modelos anteriores, e mais barata, se comparada com modelos semelhantes: 32 mil, sem as lentes e o magazine de filme. Segundo a empresa, já Também foi apresentado no foram vendidas cem unidades desde o lançamento, em janeiro. estande um protótipo de XDCam Outra novidade na área da cinematografia são as lentes Master Primes, da HDTV, que a empresa promete Arri, um conjunto de 12 objetivas com grande abertura de íris, de alta velocidade lançar no ano que vem. Também (T1.3). São lentes para o formato Super 35 nos tamanhos 16 a 100. está prometido um drive XDCam interno para computadores. E para o 26

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final do ano a Sony deve lançar seu servidor MediaVenue, que trabalhará com todos os formatos de vídeo HD e SD indiscriminadamente, além de arquivos MXF. Na linha DVCam, os modelos DSR-400 e DSR-450 substituem a linha 390. Ambos vêm com CCDs de 2/3” e a 450 tem formato widescreen nativo. O dado interessante é que as novas câmeras utilizam o mesmo chassis da XDCam, e podem trabalhar em 24p com a adição de uma placa específica. Isso reflete a filosofia de que qualquer produto pode ser “upgraded” para HD no futuro. As câmeras custarão em torno de US$ 11 mil e US$ 15 mil, respectivamente. Na linha IMX, a MSW-970 substitui a MSW-900, e também aceita a placa 24p. Entre as câmeras HD, a HDC1500 e a HDC-1550 vêm substituir os modelos HDC-900 e 950, com a vantagem de trazer um CCD mutiformato, que faz 720/50p e 60p, 1080/50i e 60i, e ainda 24p e 30p. As câmeras vêm em versão estúdio e docável, com uma característica interessante: podem ser encaixadas no suporte de lente sem cabos, através de um conector interno, podendo ser muito facilmente colocada e retirada a qualquer

Lannuzel, da Grass Valley: estratégia agressiva de financiamentos e aposta no HD para ganhar mercado.

momento. Para a linha Betacam digital a novidade é a DVW-970, que também pode ter a placa 24p opcional. Na linha de acessórios, uma boa novidade é o sistema wireless para câmeras, que agora é totalmente bidirecional, permitindo o controle remoto de funções da câmera e a comunicação com o operador. Também foi lançado um sistema de “life logging”, que permite à câmera transmitir os proxys (clipes em baixa resolução) para o editor durante a captação de um evento, permitindo uma

pré-edição do material, que pode depois ser retransmitida à câmera, de onde sairá no final um material bruto já marcado para a edição final. HDV profissional A maior atração no estande da JVC na NAB deste ano é a camcorder GY-HD100, câmera no formato HDV que custa cerca de US$ 6 mil FOB. A câmera foi desenhada desde o início para uso profissional, inclusive com lentes intercambiáveis. O modelo standard vem com lente Fujinom de 16 mm. A camcorder capta em 720/24p ou 30p, e reproduz também em 60p. Também grava em SD 480, e funciona nos aspectos 16:9 e 4:3. O interessante é que a fabricante exibia no estande uma versão da câmera HDV feita para estúdio, com saída triax (HD SDI 720/60p). Dentro da linha ProHD (que não é um formato, apenas uma linha de produtos), outro destaque é a câmera GY-DV5100U, evolução da GY-DV5000, que pode funcionar com uma unidade de disco rígido (HDD) acoplada, totalmente integrada. Isso quer dizer que o drive HDD da Focus Technologies, o DR-DV5000, funciona como um VT ligado à câmera. Pode gravar sozinho ou

A NAB apresentou um modelo de casa digital, onde o som ambiente, o clima e até as persianas são controlados eletronicamente, e o conteúdo circula em uma rede local.

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( NAB 2005) Confira os vencedores do III AIM Pelo terceiro ano, os participantes da NAB puderam votar nos lançamentos que mais se destacaram em três segmentos: Produção, Gerenciamento e Distribuição de conteúdos. Os vencedores do Awards for Innovation in Media em 2005 foram: Produção de Conteúdos Apple Final Cut Pro 5 Avid Media Composer Adrenaline HD 2.1 Avid Symphony Nitris JVC GY-HD100U 3-CCD ProHD Camcorder Sony HDCAM SR/HDCAM

Seção de treinamento no estande da Apple. Fabricantes de software foram destaque na feira, com seus lançamentos voltados à pós-produção em HD.

Gerenciamento de Conteúdos Apple QuickTime Broadcaster Global Microwave Systems High Definition Messenger Transmitter (HDMT) NewTek TriCaster Omneon Spectrum Media Server Smart AV Smart Console

que tem um HDD embutido e grava e reproduz MiniDV e DVD, além do VT BRHD50U, que reproduz HDV, SD, DVCam e 24p. Pode dar saída direto para o Avid ou outro editor não-linear, e conta com um downconverter embutido, ou seja, pode gravar em HD e dar a saída em SD. A Ikegami lançou na NAB deste ano seu primeiro switcher, o modelo HSS-3000, compatível com HD e SD, que tem 4 M/E, e conta com um modelo de 1 M/E para rack. Nas câmeras, a novidade é a HDN-X10, da linha Editcam HD, com previsão disponível para o final do ano. Com sensor CMOS de 2/3”, a câmera poderá gravar em HDD ou memória RAM.

Distribuição de Conteúdos Avid DNxchange Leitch X75 HD Multipath Converter and Synchronizer Leitch NEXIO HD Sony Anycast Station Sundance Digital NewsLink

sozinho ou paralelamente à fita, e tem capacidade para 173 minutos na versão 40 Gb. O HDD é removível, pode ser substituído para gravações mais longas, e tem porta FireWire, podendo ser descarregado diretamente no sistema de edição, em formato nativo dos principais editores não-lineares, como Avid, Pinnacle, Matrox etc. O deck com o HDD custa cerca de US$ 2,5 mil. Outro lançamento da JVC, que também demonstra o caráter híbrido de vários produtos exibidos na NAB, é o combo rack SR-DVM60,

Prosumer Um dos temas discutidos na feira foi o de uma eventual canibalização dos equipamentos high-end, profissionais, pela chamada linha “prosumer”, ou Pro-AV, de equipamentos com características muito próximas às dos profissionais, mas preços significativamente menores. O próprio formato HDV é um exemplo, por oferecer alta qualidade de imagem a preços da ordem de seis ou sete vezes menores que o dos equipamentos high-end. Embora os fabricantes e alguns grandes produtores e broadcasters 30

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afirmem que cada produto se destina a um nicho diferente, e que os sistemas profissionais ainda não podem ser substituídos, por suas características de qualidade, versatilidade e robustez, vários produtores de menor porte e até mesmo radiodifusores de fora dos grandes centros, ouvidos por TELA VIVA, acreditam que o formato substituirá, sim, os equipamentos high-end. “Pelo custo e pela qualidade, certamente vale a pena adotar esta solução HDV em várias aplicações da TV”, disse um radiodifusor do interior de São Paulo. Entre o final deste ano e o início de 2006 a Grass Valley (Thomson) lançará uma linha de equipamentos voltados ao mercado Pro-AV. Segundo o gerente geral da empresa para a América Latina, Arnault Lannuzel, alguns produtos já podem ser considerados como Pro-AV, como a câmera robotizada, usada principalmente por igrejas, ou o switcher Kayak. Mas nos próximos meses será lançada uma linha completa. A Grass Valley, aliás, vem ganhando espaço no mercado latino-americano, baseada em uma


política forte de financiamento. Um exemplo foi o pacotão de equipamentos fechado com a TV Cultura (veja nota na seção Scanner). Segundo Lannuzel, a empresa cresceu 2,5 vezes na América Latina entre 2003 e 2004, e no Brasil o crescimento foi ainda maior, da ordem de quatro vezes. “Mas esse número não deve ser considerado, pois 2003 foi um ano particularmente ruim”, diz Lannuzel. Para 2005, o executivo prevê um crescimento no Brasil da ordem de 100%, principalmente puxado pela produção HD. Mas até para se proteger de uma eventual “comoditização” do hardware de produção, a Grass Valley vem partindo para uma estratégia global de prestação de serviços. A fabricante comprou em 2004 o centro de produção Corinthian, na Inglaterra, e assumiu a operação de centro de produção da Disney no Japão. A empresa ganhou a licitação para transmitir a Copa de 2006, na Alemanha, em HDTV, e será a responsável pelo serviço, subcontratando produtoras para realizar os jogos. Guerra dos softwares O Pavilhão Sul do Las Vegas Convention Center já se consagrou como o pólo onde se concentram as principais novidades da feira. Não é para menos. Se no piso superior ficam estandes de empresas como Sony e Grass Valley, é no piso inferior que se concentram os fabricantes de sistemas de edição, composição e finalização. Dominado por empresas vindas da área da computação, como Apple, Adobe, Avid, Pinnacle (ainda como empresa independente, mesmo após sua aquisição pela Avid), Discreet (agora Autodesk) e ainda Microsoft, Sun, IBM, SGI e outras...

EUA acertam padrão de rádio digital

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NRSC (National Radio Systems Comittee), órgão da indústria de radiodifusão que assessora a FCC, aprovou durante a NAB 2005, um padrão do tipo IBOC (In-band/on-channel) de rádio digital terrestre para os Estados Unidos. No sistema IBOC não há necessidade de canais adicionais para o rádio digital, a transmissão é feita sobre as freqüências AM e FM existentes. A adoção do padrão, denominado NRSC-5, deve acelerar a implantação do rádio digital terrestre no país. Embora tecnicamente seja possível, com o rádio digital, transmitir-se mais de um canal por freqüência, os broadcasters americanos têm preferido, por entender que esta é a vontade do mercado, usar a tecnologia para transmitir rádio de alta definição, com recursos como o surround 5.1. O rádio digital também permite a transmissão de dados (datacasting). A tecnologia adotada pelo NRSC foi a da empresa iBiquity, resultado da fusão da Lucent Digital Radio e da USA Digital Radio. A NRSC é financiada pela NAB e pela CEA, a associação dos fabricantes de eletrônica de consumo. No Brasil Segundo fonte do setor de radiodifusão ouvida por TELA VIVA, as emissoras brasileiras poderiam a qualquer momento adotar a transmissão de rádio digital pelo sistema IBOC, pois não há necessidade de novas freqüências. “Em nenhum momento está dito que as concessões de rádio não podem ser usadas para a transmissão digital”, diz a fonte. “É apenas uma questão empresarial, de decidir quando é o momento de investir”. Mas fontes do governo, sobretudo na Casa Civil e no Ministério das Comunicações, não acham que a questão seja tão simples. Entende-se que, apesar de não ser o caso de se pensar em desenvolver um padrão nacional de rádio digital, é necessário ainda testar e conhecer os padrões existentes, que ainda não estão homologados e completamente estabelecidos. O Brasil já firmou convênio, por exemplo, com o padrão Europeu (DRM - Digital Radio Mondiale) para testes, e pretende fazer o mesmo com os demais padrões. Mas não se sabe como o governo reagirá se alguma emissora tentar partir para a digitalização sem o sinal verde das autoridades.

O evento foi marcado por dois importantes anúncios: a Avid, que já havia adquirido a M-Audio, anunciou dias antes da NAB a compra da Pinnacle. É um passo da fabricante em busca do mercado consumidor, um dos que mais crescem no mundo todo. Por sua vez, a Adobe anunciou a compra da Macromedia, empresa especializada na criação de conteúdos interativos e de Internet. A Apple marcou sua presença definitiva no mundo do vídeo e anunciou o

lançamento da versão 5 do Final Cut Pro HD, e também a antecipação do lançamento do sistema operacional Mac OS X Tiger. O Final Cut Pro 5 será parte do pacote Final Cut Studio, que engloba soluções para todas as etapas de uma produção, da edição à autoração de DVD. A empresa também anunciou que o QuickTime 7 tem suporte ao padrão H.264, a nova geração do MPEG-4 part 10, e permite transmissão de vídeo HD a 8,5 Mbps.

Veja mais novidades e detalhes dos lançamentos da NAB na seção Upgrade, à página 50 T ela

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por Sandra Regina da Silva

s a n d r a @ t e l a v i v a . c o m . b r

Universidades se equipam para produzir É crescente a demanda por equipamentos de produção para os estúdios e laboratórios de rádio e televisão ligados aos cursos de comunicação.

A

seu diretor geral. Inicialmente bancada pela PUC, ela recentemente atingiu o break even e já gera uma pequena receita para a universidade. A TV PUC se posiciona como uma produtora de vídeo, especializada em produtos culturais, principalmente da área universitária. Ela produz programas para o canal universitário paulista e para o mercado. Quando está diante de uma produção mais sofisticada, a produtora aluga o equipamento que precisa e também terceiriza a mão-de-obra especializada para aquele produto. “Nossa política é de tercerizar tudo que é possível.” Dessa forma, diz Priolli, não é necessário empatar capital na aquisição e nem ter custos de manutenção e atualização do parque tecnológico. Priolli define a TV PUC como “um escritório de criação e concepção, com equipamentos e mão-de-obra

contratados no mercado”. Em casa, ela dispõe de quatro câmeras, sendo duas Beta analógicas (DXC30) e duas DV (DSR250), da Sony; uma mesa de corte portátil; uma ilha Beta de corte seco; e um equipamento de finalização digital Avid. O Mackenzie, que também faz parte do pool que produz para o canal universitário de São Paulo, está em fase de implantação de novas estruturas. A idéia inicial é separar o laboratório que atende os alunos da instituição dos estúdios que produzem para o canal universitário, mas na prática dificilmente essa divisão existirá. “É caríssimo montar estúdio. A TV não gera lucro algum para a universidade, apesar de ajudar

fotos: gerson gargalaka

s universidades são hoje grandes compradoras de equipamentos de produção audiovisual. A aquisição de equipamentos e reforma de instalações são destinadas, principalmente, aos laboratórios dos cursos de comunicação, mas há também uma demanda, apesar de menor, para equipar estúdios de TVs universitárias. Em sua maioria, as universidades justificam seus investimentos com o principal objetivo de colocar seus formandos mais preparados no mercado. No entanto, não dá para ignorar o aumento da fiscalização, por parte do Ministério da Educação, da infra-estrutura física e tecnológica que as faculdades devem colocar à disposição dos alunos. Independente das razões, o fato é que cada universidade acaba encontrando sua própria fórmula para equipar seus estúdios, de acordo com os recursos financeiros disponíveis. Há aquelas que mantém o mínimo de equipamentos, locando outros conforme necessite; e outras que preferem dispor de tudo o que os alunos possam vir a precisar. Estas últimas ainda podem comprar o que há de mais moderno ou encontrar soluções criativas, mais baratas, mas que permitem resultado final semelhante e podem atender melhor a demanda por parte dos alunos. A TV PUC de São Paulo, por exemplo, foi uma das que optou por ter o básico, para “produzir o arroz e feijão”, como diz Gabriel Priolli,

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José Ferraz Canto mostra uma das câmeras Sony com TP, no estúdio menor da São Judas. Todos os equipamentos de áudio (à esq.) e de vídeo (abaixo) são digitais.

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a captar novos alunos”, diz Claudinei Foganholi, supervisor técnico do Centro de Rádio e Televisão do Mackenzie. Além disso, há ociosidade nos laboratórios tanto da TV quanto da universidade, que pode ser aproveitada, ora pelos alunos, ora pelos profissionais da TV Mackenzie, respectivamente. Ou seja, “haverá otimização dos custos”, diz ele, e os estúdios serão complementares. Redação-estúdio Uma das novidades do Mackenzie é um estúdio de telejornalismo integrado à redação, no formato do canal BandNews, que está em implantação. Com sistema digitalizado, fitas somente as que vêm de externa. Internamente, as ilhas de edição e o sistema de exibição estão interligados via servidor. “Instalamos seis aparelhos de TV no campus, que exibem o telejornalismo feito pelos alunos ao vivo. E há um ponto de link na praça de alimentação, com tráfego bidirecional”, conta Foganholi. Estão sendo importadas três câmeras digitais Hitachi, com conexão SDI para o estúdio e há uma camcorder para externa no link, com saída composta. A universidade também terá em breve um laboratório, em fase de finalização. Switcher SDI híbrida com saída digitalizada e sistema de playlist rodado no servidor completam a infra-estrutura do jornalismo. O estúdio mais antigo do Mackenzie é direcionado para os alunos de publicidade e propaganda. Conta com três câmeras DVCam e switcher Sony, além de área com ilha de edição. Atualmente, a TV Mackenzie utiliza esse estúdio, mas terá em breve um novo espaço, com 190 m2, sendo 95 m2 para o estúdio e pé direito de 9 m. Ele será completo, com áreas para ilhas, central técnica, áudio, switcher, redação, produção, administração, sala de gerência e anexos, como o de copiagem. “A infraestrutura está pronta, incluindo piso, grid... Faltam os equipamentos, como dimmer, mesa de controle, switcher etc.”, detalha Foganholi, completando

DV domina nos canais universitÁrios De acordo com Gabriel Priolli, que também é presidente da Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU), é possível encontrar os diferentes tipos de tecnologia naquelas que produzem para canais universitários brasileiros: desde Super VHS e Beta analógico até captação digital em DV. “Mas as principais compras atuais são em DV”, diz. Em alguns locais, o projeto de TV universitária é um braço dos cursos de comunicação e, nesses casos, a preferência é por Super VHS e DV, mais viáveis que o Beta, pelo custo da mídia. “Operar Beta é caro, enquanto a fita DV tem mais capacidade”, afirma Priolli, que desconsidera haver demanda pelo HDV, cujo custo é muito elevado para as instituições. Na opinião de Priolli, muitas emissoras universitárias não estão investindo em tecnologia, pois ainda confundem os termos digitalização de produção com digitalização de transmissão, resultando em posturas cautelosas no aguardo da definição do padrão digital. “A maioria não atingiu um grau satisfatório de profissionalização. Então, não existe muita renovação do parque tecnológico, apenas as compras de acordo com necessidades imediatas. Em muitas dessas emissoras, não há um planejamento, uma política de renovação, de investimento.” Atualmente, existem 66 canais universitários no Brasil, envolvendo 104 instituições de ensino superior. A transmissão digital é uma preocupação generalizada. Todas as universidades que produzem conteúdo para canais universitários estão atentas ao investimento que será necessário. “Defendemos que a TV digital interessa não só pela melhoria de qualidade de imagem, mas porque poderá

que a maior parte do investimento será no decorrer de 2005, mas que só deverá estar completo em 2006.

do curso. Neste momento, está sendo montado um circuito interno com seis monitores no campus, para exibir produções dos alunos. São dois estúdios (um de 10,5 m x 13,4 m e outro de 7,8 m x 7,3 m), com computador para TP e dois com Internet e sinal de TV a cabo, além de sistema de luz com refletores Fresnel e Set Light, luz plana fria e dois canhões de efeitos. Para os estúdios, existem três câmeras DSR390 da Sony (ela tem gravador incorporado e serve como ENG/externa), uma DSR300, três DXC35 (sendo duas com TP). A São Judas tem também uma PD170 — portátil com tela digital — para externa. Ao todo, há 25 microfones de todos os tipos (de mão, de lapela, com e sem fio).

Digitalização Também integrante do canal universitário de São Paulo, a Universidade São Judas mergulhou fundo na digitalização. “Em 2004, investimos em equipamentos de ponta”, conta José Ferraz Canto, responsável operacional pelo laboratório da instituição. Todos os equipamentos são operados por profissionais da casa e atendem aos alunos de jornalismo, propaganda e publicidade e rádio e TV. Entre os profissionais, há até um cenógrafo e todos os cenários são feitos numa marcenaria instalada na própria universidade. A produção da TV São Judas utiliza a mesma infra-estrutura

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trafegar multimídia, dados, vai permitir que o telespectador navegue, faça downloads, ou seja, possa operar mais informação além do que vai receber pela TV. E tudo isso é importante para uma TV educativacultural”, afirma Priolli. Para isso, no entanto, será necessário investir em compra ou desenvolvimento de softwares, em mais computadores, treinamento de pessoal etc. “Outra de nossas preocupações é como financiar isso.” A preocupação se justifica: a maioria das emissoras é mantida pelas próprias universidades. “E muitas vezes com sacrifício. Para se ter uma idéia, a TV PUC gasta por mês em produção mais do que um ano de curso de comunicação”, conclui Priolli. Diante da digitalização, surge um outro problema: o manejo do acervo. “A TV PUC está fazendo copiagem de todo o seu acervo em DVD. Não é o ideal, mas é o economicamente viável neste momento”, conta Priolli, que completa: “A digitalização do acervo é uma preocupação tão grande quanto a compra de equipamentos de produção”. A ABTU participa do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), com o objetivo principal de garantir espaço para os canais universitários na TV aberta digital. Além disso, a associação defende o multicasting, para que muitos canais possam passar pelo espectro de radiofreqüência. Não significa que o HD seja considerado carta fora do baralho para a ABTU, mas hoje ainda há uma limitação do sistema de compressão de sinal, o que reduz o número de canais que podem trafegar na faixa de freqüência. “O fato de estar confinado no cabo limita nosso crescimento. Por isso, também defendemos a oferta de pacotes mais baratos, para popularizar o acesso da TV a cabo.”

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( mercado) fotos: divulgação

A infra-estrutura dispõe de central técnica, para os dois estúdios, e área de copiagem. São três CCUs que comandam a câmera, mesa de pósprodução e dois gravadores digitais nos formatos MiniDV e DVCam. A mesa de áudio é digital com 24 canais. Na área de pós-produção, as ilhas de edição não-linear são Matrox e Media 100, com After Effects, Premiere Pro e Photoshop, além de outra ilha linear no formato DV, com editor, switcher, mesa de áudio e computador de GC. A São Judas conta ainda com área de locução e decupagem, mais câmeras hi-end (pequenas para externa) e seis Hi-8 da Sony.

Evolução vertiginosa O parque técnico da Unesa (Universidade Estácio de Sá) totaliza cerca de R$ 8 milhões, espalhados pelas unidades de Florianópolis, Belo Horizonte, Vitória, Juiz de Fora e Fortaleza, além das seis unidades no Rio de Janeiro, estado que abriga a maior parte dos equipamentos, ou aproximadamente R$ 5 milhões. A opção também foi pela DVCam, apesar de ainda ter cerca de 50% Beta no Rio de Janeiro e algumas MiniDV nas demais cidades. Quanto às ilhas, 80% são Power Mac G5, com Final Cut Pro HD. “Já contamos com ilhas turn key Liquid Edition da Pinnacle”, afirma Marcus Allen, coordenador técnico do Centro de Produção em Rádio e TV do curso de comunicação social da Estácio de Sá. O parque teve evolução vertiginosa. Quando assumiu o cargo em 1999, Allen encontrou duas ilhas lineares, um Avid e duas câmeras Beta para atender 886 alunos de comunicação no Rio. Em 2005, estão matriculados cerca de 6,2 mil alunos. A TV Estácio gera conteúdo para canais universitários no Rio, Juiz de Fora e Belo Horizonte, como por exemplo documentários, curtasmetragens, revista eletrônica de entretenimento e um talk-show de cultura para a UTV do Rio. Seu maior orgulho, porém, é

ter desde janeiro último o bloco diário ao vivo “Jornalista do Futuro”, feito por alunos formados e a pauta por estagiários, dentro do telejornal “Notícias RJ”, exibido pela Rede TV! para a Grande Rio. Um link — ainda em teste — de fibra óptica de 2 Mb, num percurso de aproximadamente 10 km, liga a Estácio, no bairro do Rio Comprido, à sede da Rede TV!, em Botafogo. “Estamos estudando agora a DVCam, para termos conteúdo de streaming e exibir audiovisual digital”, diz Allen. O projeto da rádio e da TV por Internet está em testes. Em cada uma das unidades da Estácio, há um estúdio de em média 80 m2, blimpado, com sistema de iluminação fria, switcher e câmeras. Conta ainda com laboratórios Mac e de edição linear e não-linear, para os alunos de comunicação social (jornalismo e publicidade). Na filosofia da universidade, os alunos podem lidar com os equipamentos, mas também contam com profissionais para operá-los. “Estamos começando com XDCam, um novo formato que tem disco rígido de 23 Gb e pode ser regravado 150 mil vezes sem perda”, acentua. A Estácio conta com cerca de seis câmeras Betacam, o dobro de DVCam e cerca de dez MiniDV, sendo 34

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Mesa de áudio e laboratório de Macintosh (no alto) e os estúdios do Centro de Produção da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro (acima).

que 80% desses equipamentos estão no Estado do Rio. “A vantagem é que elas trabalham em estúdio e externa. Um dos grandes méritos é conseguir extrair o máximo dos recursos dos equipamentos.” Os alunos do curso de cinema contam com outra estrutura, formada por estúdios, sala de projeção de 16 mm e 35 mm com 150 lugares, além de câmeras de 35 mm, MiniDV e DVCam. A parte de cinema da Estácio ingressa agora em HDV. Reestruturação O laboratório da Anhembi Morumbi passou por uma grande reestruturação. As obras no campus no bairro do Brás, em São Paulo, iniciadas há três anos, devem ficar totalmente prontas até o meio deste ano, com a instalação de todos os equipamentos já adquiridos. A universidade decidiu apostar numa solução diferente. Optou pelo

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Celso dos Santos Viviani (acima, de camisa vermelha) acompanha as produções do Centro de Rádio e TV da Anhembi Morumbi, que optou pelo formato DVCPro.

formato DVCPro da Panasonic. A escolha, segundo Celso dos Santos Viviani, coordenador do Centro de Rádio e TV da instituição, levou em conta o custo menor do DVCPro diante do DVCam, da Sony; pelo formato ter mais fornecedores; e pelo equipamento da Panasonic ler DVCam, enquanto o da Sony não lê DVCPro. “Nosso temor era quanto à durabilidade, a robustez do equipamento”, diz Celso Viviani. No momento de aquisição da câmera de estúdio, foi adotada novamente uma solução da Panasonic. Compraram uma pan tilt, controlada por controle remoto, extremamente compacta, mas com boa resolução. A universidade adquiriu também um kit, que converte-a para câmera de estúdio. “O entrave é a manipulação. Por ser muito leve, é bastante sensível. É uma questão de o técnico se adaptar ao peso.” No lugar dos tradicionais monitores de 14’’, foi preciso instalar monitores de LCD, mais leves e finos,

para disponibilizar o teleprompter. Uma das vantagens da solução é que trabalha com transferência em sinal digital (SDI), chegando puro ao VT, sem perda de qualidade. Essa solução foi feita para o estúdio de 240 m2, além de outros 50 m2 no mezanino. “Esse estúdio foi montado para atender a demanda de programas de auditório e até mesmo teledramaturgia, pois tem espaço para montar vários cenários”, afirma Celso. Ele dispõe de passarela para a montagem das luzes, tem 72 pontos demerizáveis de luz, mesa digital entre outros equipamentos. Há também uma grua de 6 m com girocam (operada por controle remoto), além de uma steadcam. As instalações da Anhembi Morumbi/unidade do Brás contam ainda com dois estúdios de áudio, com cabine e com software Pro Tools, que serve para sonorizar curtas, documentários etc. Há quatro ilhas (três com Final Cut 4, rodando em Mac G5, e um com Media 100); switcher DFS500, da Sony, que também serve como ilha de edição. Completa a infra-estrutura uma central de cópias 36

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(que passa para DVCPro, MiniDV, Beta analógico, DVD e Super DV). Ao todo são três estúdios de vídeo (dois com switcher e um para produção livre e artesanal direcionado mais para publicidade). Além de contarem com duas minigruas e um traveling, todos têm dimmer, mesa de luz etc. A intenção é comprar duas novas câmeras de estúdio. No final de março, a instituição começou a produção de “Inovações Jurídicas”, programa do Canal Comunitário de São Paulo. “Temos outros projetos de negócio em andamento”, diz Celso Viviani, sem dar muitos detalhes, mas não descarta que um desses projetos é o de locar os estúdios para o mercado. Atualização sempre A cada três ou quatro anos, a FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado) faz investimentos em upgrade e substituição de equipamentos, com o objetivo de manter sua estrutura técnico-operacional sempre atualizada com o que existe no mercado de trabalho. “Há mais ou menos seis anos que não se compra nada analógico”, conta o professor Vagner Matrone, coordenador da Faculdade de Rádio e TV da FAAP. O cuidado começou com a instalação de uma gaiola de RF em todas as estruturas, porque as emissões externas invadiam as instalações da FAAP, localizada no bairro do Pacaembu, em São Paulo. Toda a infra-estrutura de estúdios e de equipamentos é de uso exclusivo dos alunos. Os equipamentos são operados por profissionais técnicos de rádio e TV (são 22 de manhã e 22 à noite), incluindo cenógrafo. “O curso é conceitual; preparamos produtores, autores, roteiristas, e não técnicos. O aluno se dedica à criação e à realização. São eles que comandam o trabalho dos técnicos, através da assessoria dos professores. Isso diminui o problema de manuseio e aumenta a qualidade da realização”, explica Matrone.

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N達o disponivel


( mercado) A FAAP está há pouco mais de um mês com uma rádio corporativa na Internet, ainda em fase experimental. Permite 500 conexões simultâneas com capacidade para 128 k cada. Em meados de maio, dá início à TV FAAP, inicialmente em circuito interno para atingir as 12 mil pessoas da instituição. Via rede wireless, estarão instalados 40 monitores de plasma de 42’ ou de LCD. A TV terá enfoque institucional, com produção acadêmica e cultural, como curtas-metragens, programas de TV e rádio, seminário, palestras, teatro e até mesmo produção fora dos muros da FAAP, mas que sejam de professores e alunos. Depois de uma fase experimental internamente, a TV vai para a Internet e o objetivo é que vire um canal de TV a cabo. “Com a digitalização do cabo, vai sobrar espaço.” Totalmente com tecnologia digital, a TV contará com servidores para alocar a programação, além de ter algumas entradas ao vivo. “A principal dificuldade de um canal é alimentar a grade. E a FAAP tem estrutura técnica e profissionais para isso.” O último grande investimento da FAAP foi em outubro de 2004, quando houve a troca de equipamentos e a compra de todos os equipamentos para a rádio e TV coportativas. A infra-estrutura já adquirida da futura TV FAAP conta com switcher, teleprompter, mesa de áudio, controle mestre, teste de softwares de geradores de caracteres. Há um pequeno estúdio de apoio; central técnica, com servidores de áudio e vídeo com memória em HD (faz o playlist para montar a grade); sala de produção para apoio às emissoras; além do estúdio e controle mestre exclusivo da rádio. Fora dessa área da TV e da rádio corporativas, os alunos de comunicação contam com dois estúdios, com equipamentos de iluminação Arri Flex Studio 2000 ou luz fria; dois switcher, com bitola DVCam da Sony, mesa de som craft

Captação Estúdio

Switcher — corte câmeras/ilha corte seco

Captação Áudio/Estúdio

Captação Externa

Pós-produção não-linear

Decupagem

Projeto esquemático para um pequeno estúdio.

projetos a partir de US$ 70 mil A ADLine, percebendo o aumento da demanda, criou um segmento de universidades há cerca de cinco anos. “Começamos a oferecer projetos, principalmente de baixo custo para as instituições”, conta Daniela Souza, diretora executiva da empresa. A maior dificuldade, de acordo com Daniela, é a carência das universidades de profissionais que dêem consultoria. “Nós desenvolvemos projetos, indicamos equipamentos e soluções.” De uma forma geral, 60% do faturamento da ADLine é proveniente de São Paulo, mas quando é considerado o nicho educacional o percentual é mais pulverizado. Em 2004, as vendas para universidades e faculdades brasileiras

profissional e router (para puxar recursos de outros locais); estação gráfica com softwares 3DS Max, Combustion e Photoshop, para aberturas e vinhetas; sala de pós-produção linear; três salas de pós-produção não-linear em real time (para finalização e pós-produção de áudio); e outra ilha de edição Avid Media Composer (para editar projetos mais sofisticados). Além disso, há um pequeno laboratório com quatro computadores (há também na FAAP outros 160 computadores ligados à Internet e a impressoras para os alunos); laboratório técnico de áudio e vídeo para as manutenções e almoxarifado. 38

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representaram 22% sobre o faturamento de 2004 da empresa. Para montar um laboratório de produção audiovisual do zero, é preciso um investimento que varia de US$ 70 mil a US$ 300 mil, sem considerar obras civis necessárias. Para um laboratório, são necessários pelo menos um estúdio, áreas de switcher, de pós-produção de vídeo e de áudio. Já para produzir conteúdo para canais universitários, a instituição vai precisar também de central técnica, roteadores para maior segurança, master para controlar o que é exibido. Além disso, há toda a parte de transmissão (RF). Para se ter uma idéia, para um uplink de satélite é preciso um investimento de mais cerca de US$ 100 mil (FOB).

Ao todo, a FAAP tem seis câmeras CPD 150 e duas DSR 200, além das novas câmeras dos estúdios, que são três D50, também com cam mate (acionada por controle remoto) e seis D30. Completam a infra-estrutura duas máquinas G4 para montar com Final Cut; e três estúdios de rádio. Separada da área de rádio e TV, há outro espaço para os alunos de cinema e publicidade e propaganda, com duas moviolas, sala de projeção, central de pós-produção, vários estúdios, setor multimeios e salas de PC e Mac.

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( making of )

por Lizandra de Almeida

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Atrás do “Ricardão”

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ais do que divulgar um produto, o novo filme do tênis Rainha System 3000 quer reforçar a marca e mostrar sua atitude. O resultado parece que vem sendo conseguido: não é todo dia que uma agência consegue levar ao ar um filme protagonizado por um homem correndo de cueca pela cidade, com uma trilha tão irreverente. No caso, o forró “Zé Vigia”, da dupla Caju & Castanha. O filme mostra o tal do homem de cueca e tênis correndo, perseguido por outro homem de terno e sapatos. Quando o rapaz de cueca emparelha com o outro, ele fala: “E já são três voltas de vantagem em cima do marido corno!” Para completar, a música fala de um guarda noturno que sempre chega em casa no fim da festa. “A música surgiu no meio da produção. A gente não queria só uma música incidental e, quando recebemos essa sugestão, achamos perfeita. Nunca vemos uma música falando sob a perspectiva do ‘corno’”, comenta Eduardo Lima, diretor de criação. Por incrível que pareça, um dos elementos que deu mais trabalho à equipe do filme foi a cueca do protagonista. “É uma peça muito importante, não poderia ser qualquer cueca. Não podia ser samba canção”, diz Eduardo Lima. “Chegamos a pensar na possibilidade de fazer a cueca. Recusei umas dez opções. Eu queria uma cueca dessas antigas, usadas, com aquelas aberturas na frente que ninguém sabe para que serve”, conta o diretor Claudio Borrelli. As filmagens aconteceram em um final de semana em Higienópolis e no Centro de São Paulo. “Higienópolis é um bairro residencial, mas tem alguma coisa de central. E o Centro é neutro, gráfico. Nosso desafio era fazer conversar as imagens de cada um. Filmamos no domingo no Centro,

Como a câmera estava sempre em movimento, acompanhando a corrida, era preciso que os atores realmente corressem — e rápido.

pensando que seria a filmagem mais fácil, mas tivemos alguns problemas, como um helicóptero sobrevoando durante uma hora e meia. Na cena em que o ator fala com o outro, precisávamos do som direto e tivemos de esperar um tempão”, diz Borrelli. Para isso, Borrelli usou a estratégia que costuma desenvolver em todos os seus filmes. “Fui para as locações com a minha câmera fotográfica, selecionei os lugares, imprimi as imagens e desenhei o filme por cima. O planejamento já foi feito em 40

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cima dos horários, para ter o sol certo. Assim não precisamos trabalhar muito na pós-produção.” Da seleção do casting, explica Borrelli, dependia o tom do filme. “De acordo com os atores que escolhêssemos, o filme poderia ter um tom mais grosseiro ou até bobo. Procuramos pessoas que tivessem caras normais. O homem que corre não poderia ser fortão, o ‘corno’ não podia ser um tipo engraçado, baixinho ou careca. O roteiro pedia uma linha intermediária.” Além da aparência, o filme exigiu uma dose extra de boa vontade dos atores. Como a câmera estava sempre em movimento, acompanhando a corrida, era preciso que os atores realmente corressem — e rápido. “Se eles não fossem realmente rápidos, a lente zoom daria a impressão de que estavam muito lentos. Foram dois dias de correria e no final os dois estavam com os pés detonados, sangrando. O entusiasmo e disposição dos dois foram muito importantes.” Ao trabalhar com a atitude da marca em vez de explorar apenas as características do produto — como costuma ser feito em filmes desse tipo de produto — foi possível evitar o tradicional packshot. “Mostramos o tênis como é, sendo usado, na situação do filme.” ficha técCliente Produto Agência Direção de Criação Criação Produtora Direção Fotografia Montagem Trilha Pós-produção

Rainha System 3000 F/Nazca Fabio Fernandes e Eduardo Lima Fábio Fernandes, Eduardo Lima e Luciano Lincoln Cia. de Cinema Claudio Borrelli Ted Abel Marcelo Cavalieri Tesis Tribbo / Sandra Castro


Sou mais eu

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epois da bem-sucedida campanha que ficou marcada pelo slogan “Não é assim uma Brastemp”, a marca volta ao ar com uma abordagem totalmente diferente. Nos três filmes criados pela Talent, o mote agora é “Seja autêntica”. Os filmes mostram a consumidora satisfeita, e não mais as pessoas frustradas dos filmes anteriores. Em “Mulher do chefe”, uma mulher de personalidade decide comprar uma geladeira Brastemp depois de receber a visita da perua, que só usa imitações. Em “Vestido”, a protagonista usa o mesmo vestido, aprovado pelo marido, em diversas situações, graças à eficiência da máquina de lavar roupas Brastemp. Até que ele questiona porque ela usa tanto o vestido, e ela decide levá-lo para comprar outro. O terceiro filme, “Não seria eu”, mostra uma mulher em diversas situações. Ela se imagina mudando a cada ano de time de futebol, comprando roupas iguais às das amigas e até se casando por conveniência. “Mas não seria eu”, afirma. A partir daí, as situações se repetem, só que no lugar da atriz há um balão de gás que explode. Os filmes mantêm a mulher sentada, como nas poltronas dos filmes anteriores, mas abusa das

Cada filme tem um enquadramento ousado e um tom de cor forte, como o vermelho adotado na peça “Vestido”. As cores usadas nos outros dois filmes foram azul e verde.

cores para conferir um ar mais moderno às peças. “São outros enquadramentos, bem mais ousados, e cada filme tem um tom forte: azul, verde ou vermelho”, explica Waldemar Tamagno, diretor de atendimento da Cine. “A direção de arte usou elementos dessas cores nos cenários.” Para selecionar os atores dos três filmes, foram testadas quase 300 pessoas. “Não são pessoas tão bonitas, mas a idéia é dar um ar de gente normal, mostrar a realidade”, conta. Todos os filmes foram rodados em estúdio e apenas o packshot usou recursos de computação gráfica.

fichatécnica Cliente Produto Agência Direção de Criação Criação Produção Direção Fotografia Montagem Trilha Pós-produção

Não disponivel

Multibrás Brastemp Sexto Sentido Talent João Livi João Livi, Guigo Oliva, Fábio Rodrigues Cine Clóvis Mello Ralph Strelow João Branco, Clóvis Mello Zeeg2 Digital 21


( educativas )

por Fernando Lauterjung

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Em busca do orçamento

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uando foi transformada em organização social, em 1998, a então Fundação Roquete Pinto, mantenedora da TVE, perdeu seu orçamento anual de R$ 80 milhões e, através de um contrato de gestão com o governo federal, conseguiu uma verba de R$ 12 milhões. “A TVE foi esquecida no governo anterior”, afirma a atual presidente da Acerp (Associação de Comunicação Educativa Roquete Pinto), Beth Carmona. Desde que assumiu a presidência da Acerp, no início de 2003, Beth veio batalhando por verbas mais próximas à realidade de uma geradora de TV, chegando a um contrato de gestão com o governo federal de R$ 35 milhões. Sem dúvidas, a verba atual destinada à TVE é bem melhor que os R$ 12 milhões iniciais, mas ainda é muito baixa. “Trata-se de uma emissora criada pelo governo federal para ser uma espécie de ‘cabeça de rede’ educativa”, lembra Beth Carmona. A saída encontrada pela atual gestão e pelo próprio governo foi buscar recursos junto à iniciativa privada. Mas a TVE encontrou problemas regulatórios para isso, visto que o Tribunal de Contas da União nunca aprovava o orçamento levantado através de publicidade. “Pela Lei de Radiodifusão, não poderíamos vender cotas de patrocínio”, explica Beth. Para isso, foi assinado o Decreto 5.396, de 21 de março de 2005, autorizando as emissoras de rádio e televisão educativas constituídas como organizações sociais a receberem recursos e a veicularem publicidade. Mesmo podendo captar no mercado, só podem ser vendidas

FOTO: ARQUIVO

TVE Brasil anuncia nova estrutura e investe em busca do patrocínio da iniciativa privada, sem abrir mão de seu papel educativo e cultural.

“É evidente que precisamos do apoio da iniciativa privada, mas ela precisa entender no que está investindo.” Beth Carmona, da TVE Brasil

cotas de publicidade institucional. Não só pelo que diz a nova lei, mas também pela visão da TVE, que não acredita que as educativas deveriam poder vender publicidade indiscriminadamente. “É evidente que precisamos do apoio da iniciativa privada, mas ela precisa entender no que está investindo”, explica Beth Carmona. “Se eu posso captar no mercado publicitário como as comerciais, não se justificaria a verba destinada pela União”, enfatiza a presidente da Acerp. Através da parceria com a iniciativa privada, Beth espera engordar em mais R$ 50 milhões o orçamento da TVE. Nova identidade, nova estrutura Encontrado o remédio que deve resolver o problema de orçamento da 42

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TVE Brasil, a emissora corre atrás de seu público e de uma programação condizente com sua condição de educativa. A emissora está fazendo uma campanha no Rio de Janeiro, para mostrar sua nova identidade visual. A campanha está nos metrôs, nos ônibus, nas paradas de ônibus, em outdoors etc. Além, é claro, de ser veiculada também durante a programação do canal. Outra medida importante da TVE Brasil é a troca de seu transmissor no Rio de Janeiro para melhorar a cobertura e a qualidade do sinal, que chega fraco mesmo nos pontos onde a atual cobertura atende. A infra-estrutura do canal também passará por mudanças. A TVE comprou um novo prédio, que pertencia ao banco Itaú, situado a poucos metros da atual sede, que ficará dedicada aos estúdios e ao jornalismo. Toda a parte administrativa e os departamentos de produção irão para o novo prédio, que já está passando por reformas. Após a mudança para o novo endereço, serão feitas as reformas do prédio atual. Programação A grade de programação da TVE Brasil também passa por mudanças. Para isso, a educativa vem buscando acordos internacionais. Pela primeira vez, a América Latina participará do Item Exchange, promovido pela European Broadcast Union. Trata-se de um “banco de troca” de emissoras educativas de todo o mundo. Cada participante leva um número de programas e pode escolher entre os programas oferecidos pelos outros participantes. Participam da

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América Latina o Brasil, através da TVE, que coordena todo o programa no continente; o Canal 13, do Chile; a TV Antióqui, da Venezuela; o Canal 11, do México; e a TV Ciudad, do Uruguai. Juntos, levarão 12 programetes e trarão mais de 50 para suas grades de programação. São todos programas para crianças na fase pré-escolar com até sete minutos de duração e sem palavras, o que confere o caráter universal dos programetes. Os temas são histórias para crianças, natureza e animais e “como fazer”. Do Brasil serão levados três programetes, sobre futebol infantil, maracatu e capoeira. Outra ação da TVE na área de programação foi o acordo realizado

Expectativa é que o Decreto 5396/05 ajude na capitalização da emissora educativa.

com a National Geographic. Através desse acordo, a TVE Brasil veicula no País programas do canal estrangeiro e ainda co-produz com ele uma série sobre o Brasil. A série que está sendo produzida é a “100% Brasil”, feita pela Giros, com direção de Belisário Franca e patrocínio da Petrobrás. Trata-se de uma revista, com episódios de 30 minutos de duração, que visa mostrar a potencialidade do Brasil. Na área infantil, a TVE tem uma série de projetos, como o Curta Criança, feito em parceria com o governo federal para fomentar a produção de curtas-metragens

infantis. Além de um projeto mais ambicioso: uma série baseada no livro “O Menino Maluquinho”, do cartunista Ziraldo. Trata-se de uma produção própria da TVE com roteiro de Ana Muylaert. O projeto original tinha Cao Hamburguer como diretor, que deixou o projeto para se dedicar a outros projetos. A produção será feita com estúdio e equipamentos locados. “É estratégico para uma TV pública cuidar da programação infantil e juvenil”, diz Beth Carmona. A executiva lembra ainda que o dever das TVs públicas é atender fatias da população que não são atendidas pela TV comercial. Como exemplo disso, a TVE Brasil faz o “Programa Especial”, que mostra um lado mais otimista para deficientes, exibindo projetos de inclusão. Além disso, a TVE Brasil é a TV nacional que mais tem programas com closed caption, comemora Beth Carmona.


( televisão )

Casa própria Como o Shop Tour virou uma emissora de TV e expande sua rede informalmente pelo Brasil.

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m vendedor nato cria um modelo de programação que combina o conteúdo com os produtos anunciados, um casamento entre vendas e entretenimento. O formato dá certo, ele cresce e acaba criando sua própria emissora de televisão. Se a história lembra a do megacamelô eletrônico Silvio Santos, ela também começa a se encaixar na biografia de Luiz Antonio Cury Galebe, criador do Shop Tour, transformado em emissora de TV aberta em UHF no início de abril, com a inauguração de sua retransmissora em São Paulo, com antenas na Av. Paulista. História rápida: Galebe criou o formato para ajudar um amigo lojista em dificuldade. Tinha comprado um horário na TV, gravou ele mesmo o comercial e pôs no ar. O sucesso foi grande. Começou então a alugar blocos de horários em canais UHF, que ganharam força com a transmissão via TV a cabo. Recentemente, ocupava praticamente todo o horário do CBI, canal do empresário João Carlos di Gênio. Agora vai retransmitir em São Paulo o sinal de sua geradora em Cachoeira do Sul (RS). A inauguração foi complicada. No dia marcado, uma das válvulas do transmissor italiano de 40 kW queimou. Conseguiu-se às pressas uma substituta de apenas 10 kW, e o canal foi ao ar. Apenas duas semanas depois chegou dos EUA uma válvula nova, e o canal entrou com a potência máxima.

País “cortam” a programação e inserem o sinal do canal disponível no satélite. Galebe diz que não incentiva a prática, que é irregular (retransmissoras não podem interferir na programação, muito menos inserir publicidade), mas que também não a coíbe. “Não autorizo e nem desautorizo. A Anatel é quem deve fiscalizar isso, não eu.” Ele conta que muitas vezes os retransmissores cortam inclusive o sinal do próprio Shop Tour para inserir comerciais locais, mas ele diz não se importar com isso, porque no fim a maior parte do sinal dele acaba sendo retransmitida “informalmente” para diversos municípios. E como ficam as obrigações constitucionais, agora que o Shop Tour é uma emissora aberta, sujeita aos artigos 221 e 222 da Constituição Federal e

uma concessão. É um absurdo um grupo que não tem nada a ver com a televisão ser dono de uma concessão federal e simplesmente revender esse espaço para terceiros”, diz Galebe.

“Não autorizo e nem desautorizo a retransmissão.” Luiz Galebe

sua regulamentação? “Nossa programação tem tudo o que a lei obriga. Somos um canal de cultura de consumo”, afirma Galebe. “Temos jornalismo, mas é às 5h da manhã, meu pior horário de vendas. Estas normas estão antiquadas”, diz. Ele sugere até que se reveja a forma de concessão de outorgas de TV. “As concessões deveriam ser dadas para quem tem aptidão para fazer TV. Poderiam ser dadas em frações, para grupos de produtoras independentes, por exemplo, que individualmente não têm como bancar

Informalidade O Shop Tour está criando uma verdadeira rede nacional de maneira um tanto “informal”. Muitas retransmissoras em todo o 44

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Marketing Embora o formato Shop Tour, de um apresentador engravatado anunciando ofertas em lojas ou restaurantes, pareça simples e já tenha sido até bastante copiado, há por trás do sistema de vendas uma estratégia bem elaborada. Uma das ferramentas que o canal vem usando com intensidade é a Internet. Este ano foi criado o Clube Shop Tour, um banco de dados nos quais os espectadores do canal se cadastram para receber ofertas por e-mail e presentes da emissora, como ingressos de cinema grátis. Em troca, Galebe tem um relatório instantâneo do perfil e do comportamento de seus usuários. “Para mim o importante não é o Ibope, mas sim quanto o meu anunciante consegue vender. Esse é meu sucesso. Se ele vender bem, volta a anunciar. Com essa ferramenta consigo criar anúncios totalmente focados, mostrando ao anunciante

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quantos clientes potenciais ele tem para um certo produto, os hábitos destas pessoas etc.”, conta. Ele chega a mandar por e-mail vídeos de comerciais que atendam aos perfis de compra prédeterminados pelos internautas. Além disso, ele garante que em menos de um ano 100% dos clipes do canal estarão disponíveis para visualização on-demand pela web. A tecnologia também está por trás de outros serviços do canal, como o “pay-per-show”. Como toda a circulação de clipes dentro da emissora é “tapeless”, ou seja, em arquivos dentro de servidores, o Shop Tour consegue alterar a programação com até três segundos de antecedência. “Um cliente pode ligar a qualquer momento e pedir para inserir seu comercial imediatamente, ou programar para que seja exibido no intervalo da novela, quando muitos espectadores zapeiam a TV”, conta Galebe. O sistema foi desenvolvido especialmente para a emissora pela Floripa. A única etapa com fitas ainda é a captação, feita em Beta analógico. Galebe está esperando para dar um salto direto às tecnologias tapeless (particularmente a gravação em cartões de memória) quando for digitalizar a captação. Para programetes e vinhetas que exibe no canal (além dos comerciais), ele contrata free lancers com câmeras Mini DV. “A digitalização é ótima. O barateamento dos equipamentos premia o talento, o intelecto, em lugar da capacidade de adquirir um

equipamento”, resume. Projeto Com o Shop Tour estabelecido, Galebe está partindo para uma nova investida, com características bem diferentes: uma rede regional, com conteúdo jornalístico focado em cerca de 200 municípios do Sul de Minas Gerais. Batizada de “Mundo Minas”, a rede não terá nada de televendas. Galebe, que tem uma geradora educativa na região (na cidade de Três Corações), pretende colocar no ar cinco minutos de jornalismo semanal de cada município da região. “Já temos mais de 200 horas só de imagens aéreas da região. A programação será de alto nível técnico, com todos os recursos de computação gráfica etc. Queremos que a população se identifique e tenha orgulho do canal”, conta Galebe. A produção será própria, mas contratada pelas prefeituras, que pagarão cada uma R$ 10 mil mensais. Galebe adverte que não pode haver conteúdo político-eleitoral, e que o prefeito não poderá ocupar mais que dois minutos semanais no ar. A idéia é veicular notícias sobre os municípios, sem noticiário estadual ou nacional. Foi feito também um acordo com uma igreja católica e uma evangélica em cada local, para que os clérigos tenham 30 segundos cada dentro da programação, para mensagens espirituais (“não pode pedir dinheiro”, assegura o empresário). A região tem cerca de três milhões de habitantes. Para cobri-la, a rede disporá de cerca de 20 videorepórteres. A estrutura de edição e uplink será a mesma usada hoje pelo canal Shop Tour, em São Paulo.

fotos: arquivo e divulgação

andré mermelstein

Próximo projeto é uma rede regional no Sul de Minas Gerais, com programação local.

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( artigo )

por Luiz Gonzaga de Luca*

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foto: arquivo

O cinema digital e um novo modelo de negócios

* Diretor de relações institucionais do Grupo Severiano Ribeiro, doutor em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e autor do livro “Cinema Digital - Um Novo Cinema?”

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a última Showest, a grande feira de equipamentos para a exibição cinematográfica, diversas marcas anunciavam aparelhos e tecnologias que atendiam aos requisitos que a DCI (Digital Cinema Initiative), uma comissão formada pelos sete grandes estúdios de Hollywood, impusera como padrões para a exibição de seus filmes nos cinemas. Em fevereiro de 2003, a DCI declarara que a resolução da imagem dos filmes deveria estar compreendida entre 2K e 4K, provocando mal-estar aos fornecedores de equipamentos que tinham instalado cerca de 200 cinemas em diferentes países, operando em HD - High Definition (1,3K). A segunda demanda, apresentada pela DCI em março de 2004, que determinava o JPEG 2000, como padrão de compressão de imagens, também estava atendida. Viam-se, nos estandes e nos auditórios da feira, imagens com 2K de resolução em aparelhos de diferentes marcas e tecnologias. A Sony anunciava um aparelho com 4K de resolução, que poderá ser comercializado muito em breve. O cinema digital se mostra pronto para ser implementado, oferecendo diversidade no fornecimento, o que evitará a formação de monopólios e a conseqüente cobrança de preços exorbitantes dos equipamentos. Na linha oposta à euforia dos fabricantes de equipamento, existem informes da NATO (North American Theatre Owners), o sindicato norteamericano do setor de exibição, afirmando que, até 2010, menos de 40% das salas norte-americanas estarão utilizando a nova tecnologia. Na Europa, fala-se em melhor definir os •

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padrões antes de se fazer novas experimentações. Um confronto de posições tão acentuado causa estranheza. De um lado, os fabricantes de equipamentos e softwares se mostram apressados em atender aos requisitos mais sofisticados e, do outro, tem-se a posição conservadora dos estúdios e exibidores, que não têm pressa alguma em instalar os equipamentos, embora se saiba que a implementação poderá resultar numa economia prevista entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões por ano. O que, de fato, conduz a perspectivas tão diferentes? Os exibidores afirmam que, para o espectador, a projeção digital não faz diferença. O filme 35 mm é uma tecnologia com mais de cem anos, que se aperfeiçoou com técnicas avançadas como o som digital e a baixa granulação, que permite projetar em enormes telas. Os equipamentos estão depreciados e possuem uma longa vida útil. As possibilidades de exibir outros conteúdos mostram-se distantes, visto que não há oferta de tais materiais e sequer existem distribuidores habilitados a oferecêlos. Ademais, o espectador está habituado a ir ao cinema apenas para ver filmes, exigindo uma alteração comportamental de longo prazo para que lá se assista a jogos, shows, palestras... O aumento do faturamento publicitário pode ser obtido com equipamentos simples e baratos, como comprovam as práticas da Promocine, no Brasil, ou da AMC, nos Estados Unidos. Os distribuidores, que são


os braços operacionais dos grandes estúdios formadores da DCI, preocupam-se com a estruturação econômica da mudança tecnológica, que consumirá, na mais conservadora proposta, valores próximos a US$ 10 bilhões, destinados à compra dos equipamentos de projeção, dos sistemas de transmissão, das centrais de processamento e ao controle/fiscalização da circulação dos conteúdos. Sendo a parte privilegiada pela queda de gastos em cópias e de seu tráfego, é evidente que os distribuidores serão os principais financiadores da mudança tecnológica. Janelas Os futuros investimentos não são, contudo, os únicos problemas dos estúdios. A atual estrutura da indústria cinematográfica é baseada nas carências dos prazos de exibição entre as diversas “janelas de exibição”. A oferta de um filme nos veículos hoje existentes segue a seguinte seqüência: theatrical, video-home, pay-per-view, pay TV e TV aberta. Estabelece-se um prazo de exclusividade para cada um deles, de forma que, enquanto não se cumprir o período previsto, o veículo subseqüente não terá o material disponível. Essa mecânica tem sofrido pressões para que se reduzam os prazos de cada elo da seqüência, em decorrência do aumento da pirataria. No Brasil, por exemplo, vive-se uma intensa discussão, visto que alguns distribuidores não estão respeitando o prazo de 150 dias entre o lançamento do filme no cinema e o video-home, chegando a lançá-los em 90 dias. A tendência é de que as carências entre “janelas” reduzamse cada vez mais. A forma de se explorar rapidamente um filme será ofertá-lo em um maior número de salas. Parece muito simples e eficiente, mas, na realidade, embute um problema muito sério: sendo o

filme ofertado em maior escala, haverá uma sensível queda na arrecadação proporcional por cópia, prejudicando, em especial, as salas com maiores freqüências e preços de ingressos mais altos. Os distribuidores serão obrigados a alterar as remunerações vigentes, reduzindo sua participação. Ao mesmo tempo, os riscos aumentarão, já que os gastos promocionais são os principais investimentos nesta etapa de comercialização que é a vitrine do sistema, o ponto de partida que determinará o sucesso ou fracasso de um filme nos outros veículos. Este processo pode ser resumido da seguinte forma: um filme será lançado em um número muito maior de salas do que hoje se faz; ficará em cartaz por um período mais curto; exigirá uma recuperação dos investimentos mais rápida e com maior risco; e os

no mercado cinematográfico. Pelo que se apresenta, passaremos por um período de fusões e incorporações tão intenso que alguns autores afirmam que não haverá mais que cinco ou seis grandes operadoras no sistema de informação e entretenimento. Viabilização É claro que dentro desse macrouniverso sobram espaços para atividades regionais ou limitadas a segmentos de mercado. A tecnologia digital pode viabilizar a exibição de filmes com menor potencial comercial, como os filmes de arte e as cinematografias regionais, que têm dificuldades em circular num mercado fortemente concentrado, em que os grandes estúdios norte-americanos possuem mais de 80% da arrecadação mundial e no qual as 20 maiores bilheterias do ano atingem até 60% das freqüências computadas. Neste sentido, a Rain Networks, com mais de 60 cinemas no Brasil, é uma importante colaboradora na circulação de filmes que dificilmente chegariam às grandes telas. A implantação do cinema digital é um aspecto importante, mas não urgente para a indústria cinematográfica. Fará parte do vasto repertório de decisões que a indústria cinematográfica, em especial as majors, terão que tomar acerca das políticas de comercialização e das especializações de cada meio e veículo, ficando subordinada a interesses em que os aspectos técnicos serão as determinantes que menos pesam. Por outro lado, a dilatação dos prazos e a contínua evolução técnica dos equipamentos farão com que a exibição pública digital tenha um perfil bastante diferenciado, mesclando interatividade, realismo propiciado por captações em 3-D e uma qualidade de imagem que a distanciarão do cinema doméstico de alta definição.

A implantação do cinema digital é um aspecto importante, mas não urgente para a indústria cinematográfica. distribuidores/pro­dutores terão suas participações reduzidas. E, ainda, deverão arcar com grande parte dos investimentos bilionários da implantação da tecnologia digital. Nada alentador Há de se convir que o acima apresentado não é muito alentador aos grandes estúdios e que são muito bem-vindas as vozes que afirmam que, quanto mais se conseguir postergar tais decisões, mais adequadas e amadurecidas serão, permitindo, também, que se solucionem questões como a oferta de filmes pela Internet ou as tentativas de entrada de fortes corporações informáticas (como a Microsoft) ou de empresas de telefonia

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( pós-produção )

por Ellen Wolff

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Floresta virtual

Copyright Video Systems 2005

O passo a passo da criação de um comercial que utiliza vários cenários criados exclusivamente em computação gráfica.

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Matte World Digital, de Novato, na Califórnia, é bem conhecida por criar ambientes virtuais, com uma lista de filmes no portfólio que incluem “O Último Samurai”, “Como Cães e Gatos” e “O Anel”. É um repertório que o fundador e supervisor de efeitos visuais Craig Barron não hesita em mostrar a seus potenciais clientes. Quando a agência The Richards Group, de Dallas, apresentou o storyboard para a série de comerciais “Extreme Decks”, para a loja de móveis e utensílios domésticos Home Depot, ele viu que os filmes pediam backgrounds que iam de florestas tropicais a desertos e paisagens de gelo. O objetivo dos spots de 30 segundos era mostrar como os decks de madeira vendidos pela Home Depot podiam resistir a temperaturas e condições extremas, e a estratégia de Barron foi mostrar estes ambientes usando apenas técnicas de cenários virtuais. “Inicialmente, eles ficaram preocupados que os cenários não fossem realistas o suficiente, o que prejudicaria a credibilidade do produto”, conta Barron. “Levou algum tempo para convencer o cliente de que poderíamos fazer a cena parecer real em computação gráfica. O que ajudou foi mostrarmos uma série de fundos e ambientes 3D que havíamos criado para o cinema. Depois disso ficou claro que podíamos criar qualquer coisa, desde que o produto apresentado em primeiro plano na cena fosse real”, conclui. O comercial começa com a câmera abrindo caminho entre as plantas para revelar uma varanda de uma casa isolada, quase escondida, em estilo havaiano. Um casal relaxa em sua rede, cercado por uma exuberante floresta

tropical, completada por uma cachoeira. os atores em uma varanda verdadeira. O maior desafio, conta Barron, “é que “Captamos em filme, e mantivemos a precisávamos de informação de cores muitas camadas de 16-bit durante todo (layers) em 3D para o processo”, conta imitar o mundo real Barron. “Decidimos na medida em que a telecinar o negativo câmera se movesse. com o Cineon 2K e Caso contrário, o fazer a correção de espectador perderia cor depois, no Flame. a visão espacial Quando você faz a Captação dos atores com fundo verde, em que seria esperada correção de cor, é bom um deck verdadeiro. caso a câmera ter latitude para fazer estivesse navegando algumas experiências, em um ambiente de e não correr o risco de floresta real”. a cena ficar ‘pastel’ se A Matte World você tentar alguma começou o trabalho coisa diferente.” criando um animatic Mesmo que a em 3D usando o 3DS maior parte dos Max, para determinar componentes da cena Animatic da cena feito em 3DS Max, o movimento usado como guia para o movimento de câmera em volta da varanda de câmera e a tenha sido pensada e a composição. composição. “Isso para ser virtual, virou um molde, Barron movimentou um template para o a câmera entre filme, e à medida que folhas verdadeiras na as cenas iam sendo seqüência de abertura. gravadas, elas iam “Isso trouxe alguma sendo adicionadas a realidade à cena. Então ele. É uma etapa acrescentamos umas que fazemos dez plantas virtuais A renderização por radiosidade feita pelo VRay em volta da varanda, freqüentemente em permitiu uma iluminação total da cena. filmes, mas não em feitas em 3DS Max. Elas comerciais”, conta. foram animadas para Como o animatic se mover levemente revelou claramente com o vento. Criamos que quase todas esta geometria para as cenas gravadas dar uma sensação de precisariam de algum profundidade através efeito visual, Barron do ambiente, mas não foi encarregado tanto quisemos fazer mais das gravações ao vivo Composição final, com as tochas acesas do que aquilo que quanto da supervisão e a cachoeira ao fundo. seria perceptível para dos efeitos. o espectador, porque O animatic foi usado como guia isso deixaria o render muito lento.” durante a gravação em fundo verde, com A eficiência do render era essencial 48

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em um filme com múltiplos ambientes, e a Matte World usou um sistema de renderização com mapeamento de radiosidade chamado VRay, do Chaos Group. “Foi desenvolvido por um búlgaro chamado Vladimir Koylazov”, conta Barron. “Nós o chamamos de ‘Vlad the Renderer’”, brinca (N. do T.: Radiosidade (radiosity) é a capacidade de simular o efeito real da luz incidindo sobre os objetos, inclusive sua reflexão e o efeito luminoso causado por um objeto sobre os outros). “O VRay é um excelente render, que descreve a luz em um ambiente. Não é verdadeiramente um render de radiosidade. Ele usa alguns truques. Você pode aplicar a radiosidade em um ambiente, e depois mover a câmera sem ter que renderizar novamente todos os frames. Estamos sempre interessados em soluções de iluminação para 3D, porque queremos o máximo possível descrever o que a luz estaria fazendo em uma situação real”, afirma ele.

Barron pesquisou o enorme catálogo de texturas da Matte World para criar os backgrounds usados no filme. “Temos um arquivo de elementos reais guardados em formato digital, incluindo uma variedade de céus. O Photoshop foi usado intensivamente para fazer o mapeamento e manipular as imagens e texturas em 2D para os fundos”, explica. Para dar vida às camadas 2D de desenhos de floresta, a equipe de Barron filmou uma cachoeira real do Norte da Califórnia, não longe do estúdio. “A cachoeira introduz um elemento de realidade, sem um custo computacional muito alto para ser colocada em cena. Inserimos a imagem em um cartão, de modo que se movesse corretamente durante a cena. Isso evitou a necessidade de renderizar a água caindo em partículas 3D, embora tenhamos animado algumas camadas de gotas e neblina, para mesclar a imagem da cascata com o fundo 2D.” Fotografias de chamas também foram usadas para criar um efeito de fogo real nas tochas que rodeavam a varanda. Barron

queria evitar a presença de chamas reais cintilando no set. “Não queríamos o fogo oscilando em frente ao fundo verde”, explica. “Então fotografamos uma tocha acesa em close-up e então animamos a chama dentro da cena com o RealViz MatchMover.” A Matte World roda o 3DS Max em Windows, mas para a composição utiliza o Shake rodando em Macs. “O ideal seria ter apenas um sistema, mas a verdade é que há certas estratégias econômicas adotadas pelos softwares que nos obriga a ter múltiplas plataformas”, diz Barron. Finalmente, ele faz uma observação: “Sempre achei importante manter as coisas flexíveis o suficiente para que você possa usar novas tecnologias e não ficar tão preso a seu conhecimento atual, para que você não possa aproveitar e agarrar boas idéias que surgem”. Barron avalia que a arte da recriação virtual é, afinal, como contar uma mentira. “Fazemos qualquer coisa para chegar ao efeito final.”


( upgrade ) Linha completa HD A Leitch, após uma série de aquisições de empresas especializadas no mercado, conseguiu levar para a NAB 2005 uma linha expandida, muito mais completa, de equipamentos HD. Entre os destaques estava o servidor de vídeo Nexio HD, que recebeu o prêmio de inovação em mídia da NAB, na categoria distribuição de conteúdo. Lançado na IBC 2004, o produto ganhou algumas melhorias e uma linha de equipamentos para garantir um bom fluxo de trabalho em ambientes HD, como o editor de notícias portátil Nexio XNG, o editor VelocityNX HD/SD e uma nova versão SD/HD do Ingest Control Manager (ICM). Baseado em dois processadores de 64-bit, o novo servidor tem dois canais de saída em alta definição ou um canal de entrada e outro de saída, que podem trabalhar com formatos 720p e 1080i. Entre os equipamentos que completam o ambiente Nexio, está o novo ICM, que inclui dispositivos que processam conteúdo HD, enquanto oferecem suporte também a formatos SD. Desenvolvido especificamente para ambientes de notícias e de transmissão, o ICM se comunica diretamente com o servidor Nexio oferecendo controles de até 16 canais, para roteadores e VTRs. Ainda na família Nexio, a Leitch anunciou que os servidores Nexio TXS e ITS e o sistema de edição NewsFlash agora suportam a tecnologia de memória em estado sólido da Panasonic P2. Com o novo VelocityNX, um editor HD/SD para ambientes Nexio, agora é possível editar material em formato nativo da Leitch HD e SD em arquivos diretamente armazenados no servidor. Finalmente, o Nexio XNG traz à família a possibilidade de editar em ambientes remotos. Baseado na interface do Velocity, o editor portátil foi desenhado para uso na produção de jornalismo. O equipamento será capaz de usar o conteúdo disponível nos servidores Nexio e, quando usado remotamente, permite enviar para o servidor apenas os clipes necessários, reduzindo a uso de banda para transmissão.

A linha de servidores Nexio HD ganhou editor de notícias portátil e o novo VelocityNX HD/SD.

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Final Cut Pro HD 5 A Apple mostrou na NAB 2005 a quinta versão do Final Cut Pro HD, que agora trrabalha, em tempo real, no formato nativo DVCPRO HD, além de oferecer suporte em tempo real para DV e SD. O software pode trabalhar usando apenas a porta IEEE 1394 para capturar e dar a saída de conteúdo HD com qualidade broadcast, sem a necessidade de nenhum hardware adicional. O Final Cut Pro HD 5 permite fazer o playback de até quatro streams de vídeo em formato DVCPRO HD, ou, usando um Xserve RAID, até 10 streams em qualidade de preview. Graças ao suporte nativo em DVCPRO HD, não é necessário fazer nenhum tipo de conversão, preservando a qualidade obtida na captação com a câmera. Além disso, traz a possibilidade de editar conteúdo no formato até mesmo em uma ilha portátil, usando um PowerBook. A solução da Apple permite dar saída em formatos usados em fitas cassete ou codificar em arquivos MPEG-2, MPEG-4 e QuickTime. Entre os features do Final Cut Pro HD estão o corretor de cores e o controle de imagem avançados em tempo real; edição de áudio com mixagem multi trilha e saída em multicanal. Usando o RT Extreme, o Final Cut Pro HD oferece mais de 150 filtros sem a necessidade de renderização, efeitos e transições. O software vem ainda com o LiveType 1.2, para geração de textos independente da resolução; o Soundtrack 1.2, para criação de músicas em loop; Compressor 1.2, para codificação em HD encoding; e o Cinema Tools, para trabalhar com película em 35mm ou 16mm. O Final Cut Pro HD pode ser usado de forma integrada aos outros produtos da Apple, como o Motion, o DVD Studio Pro 3, o Shake 3.5 e o Logic Pro 6. O Final Cut Pro HD já está disponível para usuários registrados do Final Cut Pro 4.

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Portátil e sem fita

A Panasonic lançou na NAB 2005 a AG-HVX200, a primeira camcorder portátil multiformato sem o uso de fitas. Nos formatos HD, o equipamento grava em DVCPRO HD a 100 Mbps. É possível usar HD nos seguintes formatos: 1080/60i, 30p e 24p; e 720/60p, 30p e 24p. Além disso, a camcorder pode gravar também nos formatos DVCPRO50, DVCPRO ou DV. Como grava todo o conteúdo em cartões de memória em estado sólido P2, a AG-HVX200 permite maior agilidade no tráfego de conteúdo, uma vez que o vídeo é gravado em formato amigável a ambientes de TI, permitindo que os arquivos sejam facilmente transferidos para um servidor ou um ilha de edição sem a necessidade de esperar pela transferência da fita. Ou ainda, é possível editar diretamente dos cartões P2, através das portas IEEE 1394 ou USB2. No novo cartão P2 de 8GB é possível gravar 32 minutos de vídeo no formato DVCPRO ou DV; 20 minutos em 720p/24; 16 minutos em DVCPRO50; e oito minutos em 1080i/60 e 720p/60. A camcorder conta com dois slots para cartão P2 e permite trocar um dos cartões sem interromper a gravação no outro, para gravação contínua. A camcorder conta com três CCDs capazes de captar vídeo 16:9 com varredura progressiva de forma nativa. Além disso, vem equipada com lentes zoom Leica Dicomar com anel de foco manual e dial para configuração de abertura. A AG-HVX200 vem com viewfinder 4:3, que mostra o conteúdo gravado em 16:9 em letterbox. Isso permite que o operador do equipamento possa ver as informações sobre a operação nas áreas pretas da tela, sem interferir no vídeo em si. Já o monitor LCD, de 3,5”, pode ser usado para ver o que está sendo gravado e também para visualizar e selecionar thumbnails de clipes, para agilizar a edição. É possível ainda mudar a ordem dos clipes dentro da câmera, também através do monitor LCD, criando assim uma espécie de roteiro dentro da câmera. A camcorder grava até quatro canais de áudio digital sem compressão (48KHz/16-bit) nos formatos DVCPRO HD e DVCPRO50, e dois canais em DVCPRO e DV. A Panasonic mostrou em Las Vegas sua primeira câmera HD com gravação em cartões de A HVX200 vem ainda carregada de interfacmemória em estado sólido, a AG-HVX200. es, oferecendo duas interfaces de sistema (IEEE 1394 e USB 2), duas entradas de áudio XLR, saída de vídeo componente, entrada e saída de vídeo composto e de S-video, entrada e saída de áudio RCA e saída para headphone. O equipamento oferece ainda três botões configuráveis e pode guardar até oito configurações da câmera em um cartão SD. A AG-HVX200 estará disponível no segundo semestre a um preço sugerido para o mercado norte-americano de US$5995,00. T ela

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Monitores “tudo em um” A Sony apresentou na NAB 2005 uma evolução de alguns de seus monitores de cristal líquido da linha Luma, que agora também são apresentados em única peça, com o painel de controle incorporado. Na linha de 14” estão o LMD1410 e o LMD1420, para uso em aplicações SD. Ambos contam com definição 640x480 dpi e apresentam imagens com alto contraste e grande ângulo de visualização. As entradas disponíveis são de vídeo analógico composto, componente, RGB e Y/C. Além disso, os monitores podem trabalhar com vídeo nas proporções 4:3 e 16:9. O modelo LMD1420 traz ainda um painel anti-reflexo, zoom 4:3, sync externo e um adaptador opcional para entrada em SDI. Na linha de 20” estão o LMD2010 e LMD2020, sendo que só este último apresenta a entrada opcional SDI e o painel anti-reflexo. Os monitores da linha Luma agora usam um processo batizado de ChromaTru, que garante mais fidelidade na reprodução de cores, especialmente os pretos, que ainda são um problema na maioria dos monitores LCD. 51


( agenda ) > MAIO

> JUNHO

23 a 28 12º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá. Cuiabá, MT. E-mail: videocuiaba001@terra.com.br. Web: www.cinemaevideocuiaba.com.br.

8 a 12 4º Ecocine - Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental. Costa do Sauípe, BA. Web: www.taoproducoes.com.br.

31 a 1º/6 VI Fórum Brasil de Programação e Produção. Os principais executivos das maiores redes de TV aberta do Brasil confirmaram presença no debate de abertura do VI Fórum Brasil de Programação e Produção, em São Paulo. Participarão da sessão inaugural o diretor geral da Rede Globo, Octavio Florisbal; o presidente da Record, Alexandre Raposo; o presidente da Bandeirantes, João Carlos (Johnny) Saad; e o superintendente do SBT, Guilherme Stoliar. Antes do debate, o sócio diretor da consultoria Accenture, Henrique Washington, fará uma apresentação sobre o mercado mundial e brasileiro de televisão. O tema do Fórum este ano é “As novas fronteiras da televisão”, e serão discutidos aspectos como o mercado publicitário, a TV digital, a produção independente, as novas mídias e a regulamentação das comunicações. Produção para fora No segundo dia, o Fórum debate as oportunidades para a produção brasileira no mercado internacional, com a presença de Jaques Gibout, diretor geral do MipTV, MipCom e MipDOC, principais mercados mundiais de conteúdo audiovisual; e Claude Joli-Coeur, do National Film Board do Canadá, além de outros convidados internacionais. Serão debatidos ainda temas como a produção regional e a nova etapa da relação entre cinema e TV. O VI Fórum Brasil de Programação e Produção é promovido pelas revistas TELA VIVA e PAY-TV e acontece no ITM Expo, em São Paulo. Informações pelo telefone (11) 3120-2351, pelo e-mail info@convergeeventos.com.br ou pelo site www.convergeeventos.com.br.

17 a 23 27º Guarnicê de Cinema. São Luís, MA. Inscrições até 31 de março. E-mail: festivalguarnice@yahoo.com.br. Web: www.festivalguarnice.ufma.br. 23 a 26 49° Painel Telebrasil. Costa do Sauípe, BA. Tel.: (21) 2266-9150. E-mail: telebrasil@jz.com.br. Web: www.scae.com.br/telebrasil/.

> JULHO 8 a 17 Anima Mundi - Festival Internacional de Cinema de Animação. Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (21) 2543-8860 / 2541-7499. E-mail: info@animamundi.com.br. Web: www.animamundi.com.br.


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Revista Tela Viva 149 - maio 2005  
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