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NAB 2004................ 14 O que esperar do maior show de equipamentos

Evento......................... 24 Seminário mostra possibilidades do conteúdo móvel

Incentivos............... 32 Os planos do MinC para a Lei Rouanet

Gestão......................... 34 Os softwares que ajudam a administrar a produção

Sempre na Tela Editorial������������������������������������������������ 3 News ���������������������������������������������������� 4 Scanner������������������������������������������������ 6 Figuras ������������������������������������������������ 8 Upgrade ������������������������������������������� 12 Making of ��������������������������������������� 30 Videoshop ��������������������������������������� 37 Agenda �������������������������������������������� 38

Ajuda insuficiente Recursos públicos virão, mas não bastam para todos e criam racha nas TVs Pág. 16

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editorial No próximo mês de maio TELA VIVA realiza em São Paulo, pelo quinto ano, seu Fórum Brasil de Programação e Produção. É o único evento independente a reunir no mesmo espaço, para debater as questões comuns, representantes de todos os elos da cadeia de produção e distribuição de conteúdo audiovisual do País: emissoras de TV, andrémermelstein produtoras de TV independentes, produtoras de publicidade e de cinema, prestadores de andre@telaviva.com.br serviços, fornecedores de equipamentos, canais de operadoras  de TV por assinatura, analistas e governo. O foco central do evento é a discussão sobre os caminhos que levarão à criação de uma indústria brasileira do audiovisual. E isto passa por vários aspectos. Inicialmente, o político: a visão do governo sobre o audiovisual, a criação da Ancinav, o projeto de regionalização da TV entre outras questões. Depois, questões de mercado, como a presença da produção independente na TV, a evolução dos acordos de co-produção para TV e cinema, a questão da distribuição de conteúdos e um tema que vem ganhando muita força: a exportação de produtos e serviços. Sabemos que há, no meio de produção, interesses antagônicos, e isso fica claro cada vez que há uma questão polêmica no ar, como a da matéria de capa desta edição, sobre a ajuda do BNDES às empresas de mídia, que vem causando discórdia entre os radiodifusores e reações de diversos setores da sociedade organizada. Por outro lado, há uma questão maior que todas estas, que é o interesse comum de todo o setor audiovisual de que se criem no Brasil as condições para que o audiovisual deixe de ser uma atividade quase artesanal (com honrosas exceções) e que ganhe profissionalismo e sustentabilidade.

Boas notícias chegam da parte de alguns fornecedores de equipamentos de produção.  O mercado começa a perceber um reaquecimento nas vendas neste primeiro trimestre,  com orçamentos na praça, tanto da parte de produtoras quanto de emissoras de TV.  Reflexo não apenas do começo de um ano eleitoral, mas também do crescimento,  em 2003, de 15,4% nas verbas de publicidade para TV aberta.

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Editora de Projetos Especiais Sandra Regina da Silva Redação Fernanda Pressinott (Repórter); Lizandra de Almeida e Márcia Amazonas (Colaboradoras) Sucursal Brasília Carlos Eduardo Zanatta (Chefe da Sucursal), Raquel Ramos (Repórter)

Arte Clau­dia G.I.P. (Edi­ção de Arte, Pro­je­to Grá­fi­co e Capa), ­­Rubens Jar­dim (Pro­du­ção Grá­fi­ca), Geral­do José Noguei­ra (Edi­to­ra­ção Ele­trô­ni­ca). Depar­ta­men­to Comer­cial Almir Lopes (Geren­te), Ale­xan­dre Ger­del­mann (Con­ta­to), Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te)

Editor Fernando Lauterjung Webmaster Marcelo Pressi Webdesign Claudia G.I.P.

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Acompanhe aqui as notícias que foram destaque no último mês no noticiário online Tela Viva News.

Sub­sí­dio ao cine­ma euro­peu A Comis­são Euro­péia resol­veu esten­der até junho de 2007 a reso­lu­ção ado­ta­da em setem­bro de 2001 sobre a ajuda do Esta­do ao setor audio­vi­sual. A medi­da ori­gi­nal, váli­ da até junho de 2004, pre­via finan­cia­men­ tos esta­tais à pro­du­ção de cine­ma e TV. A exten­são é resul­ta­do de pes­qui­sa feita junto aos gover­nos dos paí­ses euro­peus e pro­fis­ sio­nais da indús­tria cine­ma­to­grá­fi­ca. Segun­ do o docu­men­to divul­ga­do pela Comis­são Euro­péia, o audio­vi­sual é um setor “par­ti­cu­ lar­men­te impor­tan­te em ter­mos cul­tu­rais, tendo papel fun­da­men­tal no desen­vol­vi­men­ to de uma iden­ti­da­de euro­péia, mas está sob con­si­de­rá­vel pres­são exter­na”.

Lei Jan­di­ra Ter­mi­nou sem uma posi­ção con­sen­sual a reu­nião da Comis­são de Regio­na­li­za­ção do Con­se­lho de Comu­ni­ca­ção ­Social (CCS), que deve­ria votar um rela­tó­rio sobre o Pro­je­to de Lei 59/2003. Trata-se da pro­pos­ta da depu­ta­ da Jan­di­ra Feg­ha­li (PC do B/RJ), que regu­la­ men­ta o arti­go 221 da Cons­ti­tui­ção Fede­ral. O impas­se prin­ci­pal está rela­cio­na­do com a obri­ga­to­rie­da­de de exi­bi­ção de pelo menos um longa-metra­gem nacio­nal por sema­na nas emis­so­ras de tele­vi­são. Os repre­sen­tan­ tes das empre­sas de radio­di­fu­são no CCS não acei­tam esta obri­ga­to­rie­da­de, ale­gan­do a incons­ti­tu­cio­na­li­da­de da pro­pos­ta. Segun­do a con­se­lhei­ra Assun­ção Her­nan­des, repre­sen­tan­te do setor de cine­ma no CCS, na nego­cia­ção rea­li­za­da na Câma­ra che­gouse a um meio-termo que não era o “pro­je­to dos ­ sonhos de nin­guém”, não sendo pos­sí­ vel, por­tan­to, abrir mão de mais este ponto, con­si­de­ra­do pelo setor como “o míni­mo dos míni­mos”. De seu lado, o con­se­lhei­ro Paulo Macha­do de Car­va­lho Neto (pre­si­den­te da Abert), repre­sen­tan­te das emis­so­ras de rádio no CCS, em parte apoia­do pelo con­se­lhei­ro Rober­to Wag­ner, repre­sen­tan­te das emis­so­



tela viva abril de 2004

ras de TV no CCS, argu­men­tam que não exis­te nenhu­ma garan­tia por parte do setor de cine­ma de que have­rá pro­du­tos com qua­li­da­de e preço que pos­sam ser obri­ga­to­ria­men­te vei­cu­la­dos na tele­vi­são bra­si­lei­ra. O resul­ta­do foi uma troca de acu­sa­ções. ­Daniel Herz, dire­tor da Fenaj e con­se­lhei­ ro do CCS, que não é espe­ci­fi­ca­men­te da comis­são de regio­na­li­za­ção mas par­ti­ci­ pa­va do pro­ces­so de nego­cia­ção sobre o PL, infor­mou que a Abert não se dis­pôs a dar pros­se­gui­men­to às con­ver­sas, por­ que não con­cor­da em hipó­te­se algu­ma com a ques­tão da obri­ga­to­rie­da­de de um filme nacio­nal por sema­na. Herz diz ter rece­bi­do da Abert a infor­ma­ção de que não seria dado pros­se­gui­men­to ao esfor­ ço con­jun­to para ela­bo­rar uma pro­pos­ta de subs­ti­tu­ti­vo para o texto do PL nº 59. A Abert, em res­pos­ta, diz que a enti­da­de tem par­ti­ci­pa­do ati­va­men­te das dis­cus­ sões e audiên­cias públi­cas pro­mo­vi­das pelas Comis­sões Per­ma­nen­tes da Câma­ ra e do Sena­do e, mais recen­te­men­te, pelo Con­se­lho de Comu­ni­ca­ção ­Social.

Venda da Embra­tel Fonte de nível minis­te­rial infor­ma que o con­tro­la­dor da Tel­mex, Car­los Slim, quan­ do ligou para auto­ri­da­des bra­si­lei­ras para infor­mar sobre a com­pra da Embra­ tel, esta­be­le­ceu o com­pro­mis­so de dar ao gover­no uma par­ti­ci­pa­ção deci­si­va na Star One. Desde o iní­cio falou-se que essa par­ti­ci­pa­ção seria feita median­te uma gol­den share, que dá ao gover­no o direi­to de veto. Essa hipó­te­se de uti­li­za­ção de uma gol­ den share é con­si­de­ra­da mais fac­tí­vel por ­ alguns espe­cia­lis­tas do mer­ca­do. O gover­no garan­ti­ria o con­tro­le no pro­ces­ so deci­só­rio em uma área con­si­de­ra­da mili­tar­men­te estra­té­gi­ca sem ter que desem­bol­sar recur­sos para a repo­si­ção de saté­li­tes.

Nova pro­gra­ma­do­ra nacio­nal A polê­mi­ca em torno do Canal Bra­sil, sua obri­ ga­to­rie­da­de ou não para as ope­ra­do­ras de TV a cabo, a falta ou não de alter­na­ti­va a ele e o poder exces­si­vo ou não do canal na aqui­si­ção de con­teú­do audio­vi­sual nacio­nal inde­pen­den­te, ganha um novo ingre­dien­te. Foi publi­ca­da no Diá­rio Ofi­cial da União do dia 22 de março, a Por­ta­ria nº 1/2004, da Secre­ta­ria para o Desen­vol­vi­men­to das Artes Audio­vi­suais do Minis­té­rio da Cul­tu­ ra, cre­den­cian­do a empre­sa Con­cei­to A em Audio­vi­sual, de Tere­za Traut­man, como pro­ gra­ma­do­ra para o sis­te­ma de TV a cabo, com o obje­ti­vo de “desen­vol­ver pro­gra­ma­ções para exi­bi­ção de obras cine­ma­to­grá­fi­cas e audio­vi­suais bra­si­lei­ras de pro­du­ção inde­ pen­den­te”. Até a edi­ção da por­ta­ria, o Canal Bra­sil, dis­ tri­buí­do pela Glo­bo­sat, era o único canal cre­ den­cia­do para preen­cher a exi­gên­cia da Lei do Cabo de vei­cu­la­ção de um canal de con­ teú­do 100% nacio­nal pelas ope­ra­do­ras de cabo. Esta regu­la­men­ta­ção é a que obri­ga as ope­ra­do­ras a terem um canal dedi­ca­do exclu­si­va­men­te ao con­teú­do cine­ma­to­grá­fi­ co in­de­pen­den­te.

Kas­sab pre­si­di­rá Comis­são de Comu­ni­ca­ção Em ses­são espe­cial rea­li­za­da na tarde de 23 de março, foram elei­tos o pre­si­den­te e os três vice-pre­si­den­tes da Comis­são de Ciên­ cia e Tec­no­lo­gia, Comu­ni­ca­ção e Infor­má­ti­ ca (CCTCI) da Câma­ra dos Depu­ta­dos, mesa que deve­rá con­du­zir os tra­ba­lhos até o final deste ano. Por indi­ca­ção do colé­gio de líde­ res, foram elei­tos o depu­ta­do Gil­ber­to Kas­ sab (PFL/SP) para a pre­si­dên­cia e os depu­ ta­dos Wil­son San­tia­go (PMDB/PB), pri­mei­ro vice-pre­si­den­te; Júlio Semeg­hi­ni (PSDB/SP), segun­do vice-pre­si­den­te; e Dr. Helio (PDT/SP), ter­cei­ro vice-pre­si­den­te.

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VJs ani­ma­dos

Rumo ao Méxi­co

A série de ani­ma­ção “Mega Liga MTV de VJs Pala­di­nos”, que ­ estreou no ano pas­sa­do com dese­nhos de dois minu­ tos cada, agora ganha vida pró­pria na pro­gra­ma­ção da MTV. Todos os VJs e apre­ sen­ta­do­res da MTV ganha­ ram seu for­ma­to cari­ca­to, seus super­po­de­res e seu gran­de chefe, Cazé. Duran­te o ano pas­sa­do foram 11 epi­só­dios que mos­tra­ram como cada um con­se­guiu seus super­po­de­res e, com isso, pas­sou a inte­grar a “Mega Liga MTV de VJs Pala­di­nos”. Neste ano, cada epi­só­dio terá 30 minu­tos de dura­ção e con­ta­rá uma his­tó­ria dife­ren­te a cada sema­na. A série será apre­sen­ta­da às segun­das-fei­ras, 23h, inter­ca­la­da com as ­outras atra­ções de ani­ma­ção.

A Moons­hot Pic­tu­res , braço da TeleI­ma­ge, ­ fechou um acor­do de US$ 2 ­ milhões com a pro­du­to­ra mexi­ca­na Rio Negro, de Mat­thias Ehren­berg, de “Sexo, Pudor e Lágri­mas”. O inves­ti­men­ to será feito no filme “Elia­na em O Segre­do dos Gol­fi­nhos”, com fil­ma­gens no Bra­sil e na Rivie­ra Maia (Méxi­co). O longa-metra­ gem entra em pro­du­ção neste mês de abril e tem ­estréia pre­vis­ ta para janei­ro de 2005.

Pira­ção da Digi­tal 21 Car­rei­ra inter­na­cio­nal O dire­tor Sér­gio Rezen­de home­na­geia o gran­de cine­ma com seu novo filme, “Onde Anda Você”, que já faz car­rei­ra lá fora. Após ser exi­bi­do no Fes­ti­val de Miami, foi con­vi­da­do por outro, o Fri­bourg Inter­na­tio­nal Film, da Suíça. O filme, foto­gra­fa­do por Guy Gon­çal­ves, reme­te ao uni­ver­so de Fel­li­ni, mas em cená­rios nor­des­ti­nos. Se­gun­do o dire­tor, o filme é reple­to de refe­rên­cias ao cine­ma ita­lia­ no. A ­estréia em ter­ri­tó­rio nacio­nal acon­te­ceu no iní­cio de abril.

A Digi­tal 21 foi a res­pon­sá­vel por toda a comu­ni­ca­ção ­ visual do qua­dro “Pira­ção”, do pro­gra­ma “Elia­na na Fábri­ca Malu­ca”, da Rede ­ Record. A vinhe­ta, que tem dez segun­dos de dura­ ção, come­çou a ser vei­cu­la­da em março, sem­pre antes da aber­tu­ra do qua­dro coman­da­do pelo repór­ ter Celso Caval­li­ni. Esta é a pri­ mei­ra vez que a Digi­tal 21 faz um pro­je­to do gêne­ro para um pro­gra­ ma da Re­de ­Record. A equi­pe da pro­du­to­ra tra­ba­lhou cer­ca de dois me­ses no pro­je­to que ori­gi­nou a cria­ção de dois per­so­na­gens: os ado­les­cen­tes De­min e Atal.

Pau­lis­tas do peru A 3­marias Pro­du­to­ra Cul­tu­ral, de Ame­ri­ca­na/SP, come­ça em junho, no Peru, a pré-pro­du­ção do docu­men­tá­rio “Os ­ Filhos do Sol”. Com dura­ção de 52 minu­tos, o docu­men­tá­rio tem o obje­ti­vo de des­ven­dar os mis­té­rios da cul­tu­ra inca, estu­dar a civi­li­za­ção inca pela ópti­ca da astro­no­mia e suas con­tri­bui­ções para o conhe­ci­men­to oci­den­tal con­tem­po­râ­neo. A pro­du­ção tem como eixo prin­ci­pal a famo­sa tri­ lha inca para Machu Pic­chu.



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Inte­res­ta­dual ­ streou em março nas TVs do Sul do E País a cam­pa­nha “Tes­te­mu­nhais Pou­ pex”, pro­du­zi­da pela Casa­no­va Fil­mes e diri­gi­da por Sér­gio Glas­ berg. O filme, que pro­mo­ve a Pou­ pan­ça Pou­pex exclu­si­va­men­te para os con­su­mi­do­res da ­ região, é uma pro­du­ção inte­res­ta­dual. Expli­ca-se: a Casa­no­va está sedia­da no Rio Gran­ de do Sul; a agên­cia res­pon­sá­vel pela conta é de Bra­sí­lia - a Nossa Agên­cia Comu­ni­ca­ção; o dire­tor do filme vem de São Paulo; e a peça é estre­la­da pelo ator glo­bal - e tam­ bém pau­lis­ta - Paulo Gou­lart. Fotos: Divul­ga­ção


O assun­to é Zafi­ra

Da ­África ­ streou em março, na grade do canal GNT, o docu­men­tá­rio “Arte da E ­África”, pro­du­zi­do pela Fuzo Pro­du­ções. Com dire­ção de Ber­nar­do Pal­mei­ro, traz regis­tros de ima­gens de obras-pri­mas da arte afri­ca­na e entre­vis­tas com artis­tas e inte­lec­tuais, além de espe­tá­cu­los e per­for­man­ ces de gru­pos tea­trais, mos­tran­do a con­tri­bui­ção do con­ti­nen­te afri­ca­no à cul­tu­ra uni­ver­sal. Tudo isso fruto da expo­si­ção Arte da ­África, que ficou em car­taz, entre os meses de outu­bro e dezem­bro de 2003, no Cen­tro Cul­tu­ral Banco do Bra­sil, do Rio de Janei­ro. A mos­tra que­brou recor­des de públi­co e ­atraiu mais de 750 mil visi­tan­tes, tor­nan­do-se uma das mais bem-suce­di­das dos últi­mos tem­pos.

Mari­nhei­ros sedu­to­res ­ ntrou no ar no dia 1º de E abril, pa­ra arre­ba­tar o co­ra­ ção das con­su­mi­do­ras de cal­dos da marca Knorr, o comer­cial “Barco”. O filme foi rea­li­za­do com mari­nhei­ ros pro­fis­sio­nais, no lito­ral de San­tos, pela pro­du­to­ra O2. Seis pes­ca­do­res num barco de pesca, em altomar, comen­tam as sau­da­ des que sen­tem de casa, enquan­to fazem uma refei­ção pre­pa­ra­da por um deles (ape­ nas o cozi­nhei­ro é ator). A cada colhe­ra­da de uma sopa, feita com o caldo Knorr de gali­nha, o barco se move com mais velo­ci­da­ de. Este é o pri­mei­ro filme do ano da marca Knorr­Ci­ca e tam­bém é o pri­mei­ro de uma linha de pro­du­tos ­depois da anun­cia­da união entre as duas mar­cas, em março do ano pas­sa­do. A verba de mar­ke­ting de Knorr­ Ci­ca para este ano é de R$ 25 ­ milhões, o que ­inclui a mídia TV, anún­cios em revis­ta, pro­mo­ções e mate­rial de ponto-de-venda. O comer­cial foi diri­gi­do por Nando Oli­val, com foto­gra­fia de Ricar­do Della Rosa, ceno­gra­fia de Fred Pinto e mon­ta­gem/edi­ ção de Deo Tei­xei­ra.

Para lan­çar o mode­lo Flex­po­wer da van Zafira, da Chevrolet, foram cria­ dos dois fil­mes pela ­ McCann-Erick­ son ins­pi­ra­dos no mundo ani­mal. Os fil­mes com­pa­ram o cui­da­do da mãe no trans­por­te dos filho­tes com o veí­ cu­lo no trans­por­te de pas­sa­gei­ros. A pro­du­ção é da Jodaf, com dire­ção de ­ Michel Tikho­mi­roff, e dire­ção de cria­ção de Mar­ce­lo Luca­to. A empre­sa tam­bém já pre­pa­ra o lan­ça­ men­to do mode­lo 2005 do carro, e para dar iní­cio às ações con­tra­tou a CorpE Even­tos Cor­po­ra­ti­vos para orga­ni­zar um megas­how. Uma peça de tea­tro foi escri­ta e inter­pre­ta­da com exclu­si­vi­ da­de pela famí­lia Gou­lart, e um show com as can­to­ras Gal Costa, Simo­ne e Danie­la Mer­cury home­na­gea­ram os 90 anos de Dori­val Caym­mi. O even­to foi dire­cio­na­do para con­ces­sio­ná­rios do Bra­sil e da Argen­ti­na.

Empreen­de­do­ris­mo A dire­to­ra Dai­na­ra Tof­fo­li, da O2Dois, assi­na a dire­ção da nova cam­pa­nha da Gio­van­ni,FCB para o ­ Sebrae Nacio­nal. O filme, inti­tu­la­do “Facha­da”, está sendo vei­cu­la­do no inter­va­lo do pro­gra­ ma “Peque­nas Empre­sas Gran­des Negó­cios” e mos­tra uma loja vazia que vai sendo preen­chi­da até se trans­for­mar em um ver­da­dei­ro negó­cio. A cria­ção é de Hum­ber­to Jun­quei­ra, com dire­ção de cria­ção de Adil­son ­Xavier, Cris­ti­na Amo­rim e o pró­prio Hum­ber­to.


Gilberto Miranda O dire­tor de cena Mau­ri­ cio Eça, ex-Cine­ma Cen­tro,

é o mais novo con­tra­ta­do da Open Films. Eça diri­ge fil­ mes publi­ci­tá­rios há cerca de cin­co anos, perío­do em que tra­ba­lhou para clien­tes como Ges­sy Lever, Nes­tlé, Mi­nis­ té­rio da Edu­ca­ção, Fer­re­ro ­Rocher, Tele­fô­ni­ca e Uni­med. Este ano, rece­beu meda­lha de Prata no Fes­ ti­val de Nova York pela pro­du­ção rea­li­za­da



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Em sua casa em Cotia (SP), Gilberto Miranda tem um leão, uma tigresa e um chimpanzé, além de muitos cachorros, gatos e aves. Não se trata de um zoológico particular, mas de um elenco de primeira linha. Seus animais são estrelas de muitos filmes publici­ tários e de ficção. O chimpanzé Jimmy, por exemplo, aparece ao lado de Ana Paula Arósio nos recentes filmes de Embratel. A pai­xão de Gil­ber­to por ani­mais foi her­da­da da mãe. Desde peque­no, quan­do ainda vivia em Ube­ra­ba, Minas ­Gerais, sem­pre teve cães em casa. Com sete anos, a famí­lia se mudou para Santo André, em São Paulo. Ele então deci­diu com­prar um cachor­ro com seu pró­prio dinhei­ro e, para isso, arru­mou um empre­go numa pada­ria, tra­ba­lhan­do desde a madru­ga­da. Com­prou a pas­to­ra Keith. Pouco ­depois, com 11 anos, leu uma maté­ria no jor­nal sobre a arte de trei­nar cães. O entre­ vis­ta­do, José Fran­cis­co Dias Filho, era um dos maio­res trei­na­do­res da ­região. Gil­ber­to deci­ diu pro­cu­rá-lo e pedir um empre­go. Na hora em que me viu, ele disse que não. Disse que eu era muito peque­no e que não con­se­gui­ria agüen­tar o tran­co. Res­pon­di que tra­ba­lha­ria de graça, no horá­rio que ele qui­ses­se. Para me tes­tar, ele pediu que eu esti­ves­se lá no dia seguin­te às sete horas da manhã. Às seis, eu já esta­va na porta. Duran­te um ano, Gil­ber­to fez de tudo, sem poder dar ­ordens aos cães. Eu lim­pa­va, cui­da­va do canil, fazia comi­da para os cachor­ros. Ele me fez ralar para ver se eu desis­tia. Mas, para sua sur­pre­sa, pas­sei no teste. Gil­ber­to con­ti­nuou tra­ba­lhan­do lá por qua­tro anos, até o fale­ci­men­to do trei­na­dor. Nunca parei de estu­dar e, assim que pude, come­cei a via­jar para conhe­cer as téc­ni­cas.

Aos 17 anos, já era dono de uma esco­la de ades­tra­men­to. Aos 20, cur­san­do peda­go­gia, come­çou a tra­ ba­lhar numa empre­sa de trei­na­men­to de exe­cu­ti­vos. Duran­te ­vários anos man­te­ve os dois tra­ba­lhos, até que em 1987 foi con­vi­da­do pelo dire­tor Ugo Gior­get­ti para tra­ba­lhar no cine­ma publi­ci­tá­rio. Lar­ guei o tra­ba­lho com os exe­cu­ti­vos e come­cei a me dedi­car full-time ao cine­ma. Então fui a ­outros paí­ses apren­der as téc­ni­cas, prin­ci­pal­men­te em rela­ção a ­outros ani­mais, já que

para a cam­pa­nha do ener­gé­ti­co Hot Power, cria­da pela J. W. Thomp­son de Bue­nos Ai­res. Na área de video­ cli­pes, Eça já rea­li­zou tra­ba­lhos para ar­tis­tas e con­jun­tos como o CPM22, Rodox, Clau­dio Zoli, Ro­ber­to Car­ los, Jair­zi­nho Oli­vei­ra, Fre­jat, Racio­ nais MC’s e En­ge­nhei­ros do Hawai. Além de atuar como dire­tor da Open, Eça está fi­na­li­zan­do o docu­ men­tá­rio “Uni­ver­so Pa­ra­le­lo” e come­çan­do a for­mu­lar o ro­tei­ro de um longa-metra­gem.

A Cine­mark do Bra­sil pas­­sou por uma rees­tru­tu­ra­ção or­ga­ni­ za­cio­nal, crian­do novos car­gos e pro­mo­ven­do ­ alguns de seus prin­ci­pais exe­cu­ti­vos. Entre as prin­ci­pais novi­da­des está a cria­ ção das dire­to­rias de mar­ke­ting, pro­gra­ma­ção e ope­ra­ções, que esta­rão sob a res­pon­sa­bi­li­da­de de Adria­na Caca­ce, Ricar­ do Szper­ling e Paulo Rego, res­pec­ti­va­men­te.

Fotos: Gerson Gargalaka (Gilberto Miranda) e Divul­ga­ção


só conhe­cia bem o mane­jo de cães. Come­cei a apren­der a téc­ni­ca de cine­ma, estu­dar a lin­gua­gem.

O trei­na­men­to con­sis­te em fazer com que os ani­mais ­fiquem à von­ta­ de dian­te das câme­ras e da gran­de quan­ti­da­de de pes­soas de um set de fil­ma­gem. Em geral, cachor­ros são mais ­fáceis de trei­nar. Feli­nos cos­tu­mam ser mais inde­pen­den­tes e, por isso, menos obe­dien­tes. O limi­te deles é menor e, mesmo que ­ fiquem dias sem comer, às vezes não é só com a comi­da que eles obe­de­cem. Se não qui­se­ rem, não vão fazer. E a gente pre­ci­sa ter cer­te­za de que vão res­ pon­der. Isso acon­te­ce, na ver­da­de, com a maio­ria dos ani­mais sel­va­gens. Tenho que pen­sar com a cabe­ça do ani­mal, pen­sar como o leão, por exem­plo, vai se por­tar dian­te de toda aque­la gente e pas­sar toda a con­fian­ça.

Ana Paula Ime­nez é a nova geren­te da Buena Vista Home Enter­ tain­ment. Res­pon­sá­vel pelo mar­ke­ ting dos lan­ça­men­tos em DVD e VHS da Walt Dis­ney Bra­sil, Ana tem pas­sa­gens pelas equi­pes da War­ner, Top Tape e Colum­bia. Sua nova equi­pe é for­ma­da por Fer­nan­ da Valen­ti, Carla Perei­ra e Wil­son Mon­tei­ro.

No caso de inse­tos e aves, as téc­ni­cas ­incluem o conhe­ci­men­to das subs­tân­cias que podem ­atrair os ani­mais. Seria levia­no dizer que é pos­sí­vel trei­nar mos­cas, abe­lhas, sem que ata­quem as pes­soas. Temos que des­co­brir os fero­mô­nios, as subs­tân­cias que aju­dam a con­tro­lá-los.

Se o ani­mal não faz parte de seu plan­tel, Gil­ber­to pre­ci­sa pas­sar algum tempo com ele para se conhe­ce­rem. E é claro que ele não tem todos os tipos de ani­mais, mas já esta­be­le­ceu con­ta­tos em todo o Bra­sil. No filme Caran­di­ru, por exem­plo, pre­ci­sá­va­mos de cava­los boni­tos e ades­tra­dos. Fui bus­car uns anda­lu­zes, do maior cria­dor bra­si­ lei­ro. Tra­ba­lhan­do com esses ani­mais, sabe­mos que as pes­soas podem che­gar perto sem se machu­car.

Uma das prin­ci­pais estre­las do cas­ting de Gil­ber­to foi o bor­der col­lie Nicky, que fale­ceu em feve­rei­ro. Ele foi o ­melhor amigo que já tive, e foi o pri­mei­ro bor­der col­lie que veio para o Bra­sil, há 15 anos.

Com mais de cem tra­ba­lhos no cur­rí­cu­lo, incluin­do fil­mes, nove­las e comer­ciais, Nicky já tem netos e bis­ne­tos no “show busi­ness”. ­Alguns até fazem coi­sas mais ousa­das, mas ­ nenhum tinha a manei­ra de agir do Nicky.

A pai­xão que her­dou da mãe pro­va­vel­men­te será lega­da aos ­filhos. O peque­no Gui­lher­me, com três anos, con­vi­ve muito bem com as feras que tem em casa. Na esco­la, porém, nin­guém acre­di­ta­va que tives­se esses ani­mais. Tirei uma foto do Gui­lher­me em cima

Novidades no atendimento e no planejamento da Giovanni, FCB em São Paulo. Oleg Loretto é o novo executivo de contas de Sabesp; Débora Squassoni, que vem da WG Comunicação, é a executiva de contas da InteligTelecom; Renata Capurso, recém-saída da Grey Brasil, também será executiva de contas, de Nívea; e Rodrigo Gonzáles, da Lowe NY, é o novo assistente de planejamento.

Adria­na Sama­ra mudou-se para a Aca­de­mia de Fil­mes Curi­ti­ba. Adria­na, que está na Aca­de­mia de São Paulo desde 1999, agora inte­gra o grupo de aten­di­men­to lide­ra­do por João Pedro Albu­quer­que. A pro­fis­sio­nal assu­miu em Curi­ti­ba no iní­cio do mês de março. Na sua tra­je­tó­ria estão pas­sa­gens pela MPM:Lin­tas, Lin­tas:NY, ­McCann-Erick­son, Espi­ral Fil­ mes, Pro­du­ções Cine­ma­to­grá­ fi­cas ABA e Lux Fil­mes.

da tigre­sa e man­dei para a esco­la. Agora todo mundo sabe que ele não está men­tin­do...

Rena­to Lima é o novo dire­tor asso­cia­do da Can­vas. Lima tra­ba­lhou por sete anos na MTV, diri­ gin­do pro­gra­mas como “MTV na Estra­da”, “MTV Sport”, “Casa na Praia”, entre ­ outros. Além disso, ele tem pas­sa­gens pela Globo (“Socie­da­de Anô­ni­ ma”) e na ­ Record (“Role­ta Russa”). Atual­men­te Lima está desen­vol­ven­do dois pro­je­tos na Can­vas e ainda diri­gin­do o “Penei­ra 90”, pro­gra­ma pro­mo­cio­nal da Nike na MTV.

A Cine­gra­fi­ka está reno­van­do seu aten­di­men­to. Foram con­tra­ta­ das pela casa Danie­la Bian­co­li­ni e Jal Guer­rei­ro. Danie­la vem da pau­lis­ta­na Estú­dio Preto & Bran­co e Jal vem da uni­da­de cario­ca da Casa­blan­ca.

Luciano ­ Cal­le­ga­ri dei­xou a supe­rin­ten­dên­cia artís­ti­ca e de pro­gra­ma­ção da ­Record e Del Ran­gel saiu da dire­to­ria de tele­dra­ma­tur­gia da rede. A emis­so­ra diz que o cargo ocu­ pa­do por Cal­le­ga­ri fica­rá vago e as fun­ções que ele exer­cia na emis­so­ra serão dis­tri­buí­das entre as dire­to­rias que com­põem o orga­no­gra­ma desta ins­ti­tui­ção. Cal­le­ga­ri ainda não anun­ciou se vol­ta­rá para o SBT, nem se irá para outra emis­so­ra. Quan­to à saída de Del Ran­gel, a ­Record infor­ma que a deci­são foi con­ sen­sual entre as par­tes. Ele foi con­tra­ta­do em abril de 2001 e seu con­tra­to esta­va fir­ma­do para três anos.


N達o disponivel


N達o disponivel


Demonstração digital Vale a pena reservar um tempinho para ver a demonstração da Dalsa com os testes da câmera de cinema digital Origin. O material a ser apresentado inclui cenas do curta-metra­ gem “Le Gant”, que também será apresentado, desta vez integralmente, nos festivais de Sundance e Cannes. A demonstração contará com comparações entre imagens digitais e analógicas, já que o filme foi captado, simulta­ neamente e lado-a-lado, na Origin: primeiras projeções câmera digital e em película. A em público e comparação demonstração acontecerá no com película. dia 17, no Digital Cinema Sum­ mit da NAB 2004. Apresentada pela primeira vez na NAB 2003, apenas como protótipo, a Origin conta com um CCD de 8 megapixel (4k x 2k) com uma janela de área igual à do filme de 35 mm. Graças ao tamanho físico do sensor, a câmera é compatível com as lentes “prime” usa­ das nas produções em película, usando encaixe de lentes 35 mm PL. Além disso, pode ser usado um viewfinder óptico.

Recuperação de filmes

Kit de produção

A Thomson mostra na NAB o seu novo Grass Valley HD Production Kit. Para captação multiforma­ to, o kit HD inclui a câmera LDK 6000 mk II WorldCam. A câmera conta com três CCDs de 9,2 milhões de pixels e pode captar imagens HD com varredura progressiva em múltiplos formatos e frame rates. O kit também vem com o switcher multiformato Kayak HD 1 M/E. O equipamento é um lançamento da fabri­ cante que suporta material em alta definição 1080i e 720p e conta com 16 entradas. Além disso, o switcher pode trabalhar em HD e em SD, suportando tanto o formato SDI 525 (NTSC) quanto o 625 (PAL). O pacote vem ainda com o roteador Concerto, que, por ser facilmente expansível, permite trabalhar com formatos analógicos e digitais de áudio e vídeo. Ainda, com o processador Kame­ leon, também incluso, é possível fazer a up conversion e a down conversion do sinal. Para controlar todos os módulos do pacote, o kit vem com o sistema de con­ trole baseado em ethernet Newton. Já o armazenamento é feito por um servidor PVS 3000 Profile XP Media Platform, que pode dar saída tanto em SD quanto em HD. O kit completo é composto por: duas Kayak HD (acima) e LDK 6000 (no câmeras LDK 6000; um switcher digital alto) fazem parte do novo pacote Kayak HD; um roteador Concerto, que inclui da Thomson, o Grass Valley HD ainda controle de sistema Prelude e um painel Production Kit. de controle Encore; um processador Kameleon, que é composto por dois conversores SD-para-HD e um conversor HD-para-SD; um painel de controle Newton; e um servidor PVS 3000 Profile XP Media Platform com capacidade de 730 GB.

A Da Vinci Systems lançará no evento em Las Vegas a nova versão do sistema de recuperação de filme Revival. Esta é a quarta versão do sistema, que traz várias melhorias. Entre elas estão um upgrade nos controles de auto balance do módulo color enhancement, além de melhorias no automatic scratch (que tira arranhões dos filmes) e fer­ ramentas de estabilização. O módulo color enhancement agora permite manter o balanceamento de cores en­ quanto são feitos os ajustes de ganho e gama. Outra novidade é a possibili­ dade de customização de atalhos para teclado. Da Vinci Revival chega à quarta versão.

12 tela viva abril de 2004

Fotos: Divulgação


Novidades em todas as áreas A Sony apresentará uma série de novos produtos na NAB 2004. Entre eles está a câmera compacta HDC-X300. Trata-se de um equipamento com­ MFS-2000, switcher pacto, ideal para produtores e multiformato indicado radiodifusores que buscam por na transição para o HD. uma câmera “de entrada” na tecnologia HD. A nova câmera conta com três CCDs HD (1080 x 1440), conector Fiber para controle a distância e pode gravar a 24 quadros por segundo com varredura progressiva. Outra câmera que será lançada no evento é a BRC-300, um modelo compacto robotizado que combina três CCDs de alta definição e a possibilidade de controlar a distância pan, tilt e zoom. A BRC-300 pode fazer o movimento pan de até 340 graus e tilt em 120 graus. Usando lentes com foco automático, a câmera conta com zoom de até 48 vezes (12 vezes óptico e quatro vezes digital). A imagem pode ser captada tanto em aspecto 4:3 quanto em 16:9. Para controlar a câmera, a Sony lança o controle remoto RM-BR300, que usa o protocolo proprietário da Sony VISCA. Na área de acessórios para câmeras, a Sony apresenta um novo sistema de transmissão wireless. Voltada principal­ mente para a produção de notícias e cobertura de eventos, a nova tecnologia é lançada através de transmissores, o WLL-CA55 e o WLL-CA50, em que são conectadas câmeras e camcorders compatíveis da Sony, além do receptor WLL-RX55, equipado com dois tuners. Os transmissores e o receptor contam com, respectivamente, encoder e decoder MPEG-2, e trabalham com freqüência de 2,4 GHz. Além da tecnologia MPEG, o novo sistema wireless é compatível com os forma­ tos 525/60 e 625/50. Seguindo uma tendência de mer­ cado, a Sony lança um switcher multiformato para aqueles que estão começando a migrar para a alta definição. Com um preço acessível, o switcher MFSAnycast Station: um estúdio resumido em laptop.

2000 conta com tecnologia desenvolvida para as famílias MVS8000/DVS-9000, mas em tamanho mais compacto. Voltado para os mercados broadcast, corporativo e educacional, e com aplica­ ções de pós-produção ao vivo e unidades móveis, o equipamento conta com três opções de controle. O primeiro controle conta com configuração 1 M/E e 12 botões; o segundo é 1.5 M/E e também oferece 12 botões; o terceiro também é 1.5 M/E, mas com 20 botões. O processador fica insta­ lado em uma caixa de três RU (unidade de rack). Com opcionais como o plug-in DME de canais, que inclui efeitos não-lineares e corretor de cores RGB, elimina a necessidade do uso de hardware adicional de efeitos. Alem disso, o switcher conta com um painel touch-screen e fonte redundante de força. Uma solução que chega para Nova câmera robotizada BRCfacilitar a vida daqueles que 300, de alta definição, e seu controle remoto, o RM-BR300 produzem eventos ao vivo e on (abaixo). site é o sistema Anycast Station. Trata-se de um equipamento com switcher de seis entradas; mixer de áudio de seis canais; gera­ dor de efeitos especiais; monitor de preview; controle remoto de pan, tilt e zoom para câmeras robotizadas compatíveis com a interface Sony VISCA; saída em RGB para visualização de conteúdo em um PC ou proje­ tor; e um encoder e servidor para webcasting e streaming. Tudo isso em um equipamento do tamanho de um laptop. Além disso, o Anycast Station aceita diversos tipos de mídia, podendo variar o formato e a definição.


NAB 2004

Digital para todos

P

Feira está recheada de opções

Pro­du­to­ras e emis­so­ras de TV come­çam a esquen­tar os moto­res para a pró­xi­ma NAB, que acon­te­ce de 17 a 22 de abril em Las Vegas, EUA. A feira deste ano acon­te­ce em um momen­to em que o mer­ca­do bra­si­lei­ro de equi­pa­ men­tos e sis­te­mas para pro­du­ção come­ça a expe­ri­men­tar um certo rea­que­ci­men­to, moti­va­do, entre ­outras coi­sas, pela aber­tu­ra da tem­po­ra­da elei­to­ral em todo o País. Além disso, a digi­ta­li­za­ção de pro­ces­sos, espe­cial­men­te nas emis­so­ras de peque­no e médio porte, come­ça a ficar mais viá­vel gra­ças à queda nos pre­ços de equi­pa­men­tos. Segun­do Danie­la Souza, dire­to­ra comer­cial da AD Line, este é o ano do HD. Tanto os fabri­can­tes de câme­ ras quan­to os de sis­te­mas de supor­te, como equi­pa­men­tos de edi­ção, redes, sto­ra­ge e ­outros, vêm pra­ti­can­do pre­ços bem mais em conta. Ela cita como exem­plo o sis­te­ma ­Liquid Chro­me HD da Pin­na­cle, que tra­ba­lha com alta defi­ni­ção e sai por menos de US$ 40 mil, um valor ini­ma­ gi­ná­vel há um ano. Ou então a ver­são HD do ­padrão DV, outra novi­da­de, que tra­ba­lha na pro­por­ção de tela do HD, com uma qua­li­da­de muito supe­rior à do DV nor­mal. Para os fina­li­za­do­res, a expec­ta­ti­va tam­bém é gran­de em rela­ção ao HD. O dire­tor téc­ni­co da Link Digi­tal, Aarão ­ Marins, diz que espe­ra ver este ano as novas tec­no­lo­gias para cine­ma digi­tal. Segun­do ele, o mer­ca­do cada vez mais busca por ser­vi­ços de fina­li­za­ção em HD e em dados. Entre os equi­pa­men­tos que quer ava­liar no even­to estão os mode­los HD de trans­fer, tele­ci­nes, além das ver­sões mais recen­tes do Fire e do Smoke. Para as emis­so­ras o digi­tal, mesmo em stan­dard defi­ni­tion, tam­bém come­ça a se mos­trar uma opção van­ ta­jo­sa. Os sis­te­mas inte­gra­dos de ser­vi­do­res de vídeo, edi­to­res de news, gera­do­res de carac­te­res e TP e sis­te­mas de arma­ze­na­men­to e exi­bi­ção aca­bam sendo mais eco­nô­ mi­cos, no médio prazo, que o gasto atual com pes­soal e

Evolução da DTV nos EUA ainda é lenta Domicílios com TV Domicílios com TV paga Domicílios com TV digital

14 tela viva abril de 2004

Fonte: FCC e NAB

111 milhões 94 milhões (85%) 9 milhões (8%)

para produtoras e emissoras, a preços cada vez melhores.

mate­riais, sem falar na agi­li­da­de que os sis­te­mas per­mi­ tem, expli­ca Danie­la, da AD Line. Como em todos os anos, a SET (Socie­da­de Bra­si­lei­ra de Enge­nha­ria de Tele­vi­são e Tele­co­mu­ni­ca­ções) pro­ mo­ve, nos dias 19, 20 e 21, sem­pre às 7h30 da manhã, o encon­tro SET e Trin­ta. Segun­do Olím­pio Fran­co, coor­de­na­dor do encon­tro, o des­ta­que este ano serão as apre­sen­ta­ções dos repre­sen­tan­tes dos três ­padrões de TV digi­tal ter­res­tre, que fala­rão do está­gio atual de desen­vol­ vi­men­to da DTV em cada bloco, EUA, Euro­pa e Japão. Pelos EUA, a apre­sen­ta­ção será de ­ Michael Petri­co­ne, vice-pre­si­den­te de polí­ti­cas públi­cas da CEA (Con­su­mer Elec­tro­nics Asso­cia­tion), a asso­cia­ção dos fabri­can­tes de ele­trô­ni­cos de con­su­mo, que dará um pano­ra­ma da venda de recep­to­res HDTV no país. O repre­sen­tan­te da NHK fará a apre­sen­ta­ção “Digi­tal Terr­res­trial Broad­cas­ ting Sta­tus in Japan”, sobre os pri­mei­ros pas­sos da DTV no país asiá­ti­co, onde o pro­ble­ma vem sendo a pouca cober­tu­ra dos ­ sinais, ainda não dis­po­ní­veis a toda a popu­la­ção. Final­men­te, pelo bloco euro­peu, o enge­nhei­ ro Peter McA­vock, do DVB, expli­ca­rá as novi­da­des do ­padrão, em espe­cial o GEM (Glo­bally Exe­cu­ta­ble MHP), espe­ci­fi­ca­ção padro­ni­za­da pela ETSI para tele­vi­são inte­ ra­ti­va, e o DVB-H, espe­ci­fi­ca­ção do ­padrão para uso em dis­po­si­ti­vos ­móveis. Foto: Arquivo


andrémermelstein* andre@telaviva.com.br

Fique de olho Confira os temas que devem render mais  novidades na NAB 2004 Cinema digital Rádio digital Storage e archiving Integração de sistemas Evolução do DVB e ATSC Barateamento do HD Câmeras sem fita (captação em disco rígido, CD ou cartões de memória)

Have­rá ainda expo­si­ções de diver­sos fabri­can­tes de equi­pa­men­tos e pres­ta­do­ res de ser­vi­ços, que expo­rão seus últi­mos lan­ça­men­tos em ses­sões exclu­si­vas para os enge­nhei­ros bra­si­lei­ros, como Thom­ son, PanAm­Sat, Tand­berg, Loral, Star One, Sony, Libor e Embra­tel. Para o pre­si­den­te da SET, Rober­to Fran­co, a NAB é uma opor­tu­ni­da­de

espe­cial para se tro­car expe­riên­cias, ver cases e conhe­cer apli­ca­ções ino­va­do­ras de todo o mundo. Den­tre os assun­tos que valem a pena ser obser­va­dos ele men­ cio­na o desen­vol­vi­men­to da TV digi­tal no mundo e a con­ver­gên­cia com ­ outras ­mídias, como o celu­lar. Con­fi­ra ­ alguns lan­ça­men­tos da NAB 2004 na seção Upgra­de espe­cial pré-NAB, à pági­na 12. Na marra Como nos anos ante­rio­res, um dos assun­tos domi­nan­tes entre os broad­cas­ters norte-ame­ ri­ca­nos é o ainda lento desen­vol­vi­men­to da TV digi­tal no país. A polê­mi­ca pro­me­te ser quen­te este ano, pois há uma amea­ça de que os radio­di­fu­so­res sejam for­ça­dos a des­li­gar seus ­sinais ana­ló­gi­cos antes do prazo espe­ ra­do, por pres­são de ­Michael ­Powell, chair­ man da FCC. Pela regra da tran­si­ção para a TV digi­tal nos EUA, os broad­cas­ters de uma loca­li­da­de

devem aca­bar com a trans­mis­são ana­ló­gi­ca quan­do 85% daque­le mer­ca­do for capaz de rece­ber os ­sinais digi­tais, seja pelo ar ou por ­outros meios. A idéia que ­ Powell está sub­me­ten­do ao Con­gres­so dos EUA é per­mi­tir que as ope­ ra­do­ras de cabo con­ver­tam os ­sinais digi­tais para ana­ló­gi­cos. Desta forma, seus assi­nan­ tes con­ta­riam para o total de domi­cí­lios capa­ zes de rece­ber a DTV, ace­le­ran­do em tal­vez ­alguns anos até a che­ga­da à cota de 85% (veja os núme­ros no box à pág. 14). Hoje só são con­ta­dos os espec­ta­do­res que ­tenham recep­to­res digi­tais, não impor­ta o meio pelo qual rece­bam os ­sinais. Obvia­men­te, a rea­ção dos radio­di­fu­so­res não podia ser pior, pois estão amea­ça­dos de per­der milha­res de espec­ta­do­res. Além disso, os assi­nan­tes de cabo não rece­be­riam a pro­gra­ma­ção em HDTV e mul­ti­cast, na qual as emis­so­ras vêm inves­tin­do há anos.

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* Colaborou Fernando Lauterjung


Chegou a hora O governo decidiu que vai ajudar as empresas de comunicação em crise financeira. Por trás de um discurso estratégico, abre-se uma guerra entre as emissoras e surgem as frustrações com uma aparente “política imediatista”.

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abril de 2004

Tudo come­çou com uma frase dita por José Dir­ceu duran­te o perío­do de tran­si­ção, logo após a vitó­ria de Lula nas urnas: “o setor de comu­ni­ca­ção é uma ques­tão de Esta­do”. A frase de Dir­ceu resu­mia o que já naque­la época esta­va na cabe­ça dos líde­res do gover­no e foi o pre­ nún­cio do que nos pró­xi­mos meses se con­cre­ti­za­rá como o pri­mei­ro pro­gra­ma de ajuda finan­cei­ra esta­tal ao setor de mídia. Serão R$ 4 ­bilhões do BNDES a três ­linhas de finan­cia­men­to para as empre­sas de comu­ni­ca­ção: uma para inves­ti­men­tos, uma para a com­pra de papel e uma ter­cei­ra (a mais polê­mi­ca) para reca­pi­ta­li­za­ção das empre­ sas e paga­men­to de dívi­das. Mas, ao con­trá­rio do que se pode­ria supor no momen­ to em que José Dir­ceu deu a senha para que o gover­no aju­das­se o setor de comu­ni­ca­ção, não exis­te um pro­je­ to polí­ti­co de rees­tru­tu­ra­ção do setor de comu­ni­ca­ção ­social (veja maté­ria na página 22). Ban­dei­ras de anti­gos pro­gra­mas de gover­no do PT e rei­vin­di­ca­ções his­tó­ri­cas dos movi­men­tos liga­dos ao par­ti­do como demo­cra­ti­za­ção dos meios, plu­ra­li­da­de, incen­ti­vos ao con­teú­do nacio­nal etc. estão, apa­ren­te­men­te, guar­da­das para um segun­do momen­to. O que está em curso é um pro­gra­ma de ajuda finan­cei­ra, e ponto final. O pro­je­to do BNDES é um pro­gra­ma expres­si­vo para as ­linhas do banco. Maior, por exem­plo, do que os R$ 3,6 ­bilhões que estão sendo desig­na­dos pelo banco como parte da recém-anun­cia­da polí­ti­ca indus­trial no tocan­te à aqui­si­ção de bens de capi­tal, insu­mos para fabri­ca­ção de remé­dios e finan­cia­men­to para desen­ vol­vi­men­to de soft­wa­res, tidos como prio­ri­tá­rios pelo gover­no. Mas é pouco perto do tama­nho das dívi­das e neces­ si­da­des do setor de comu­ni­ca­ções. Só as dívi­das dos

gru­pos Globo, Abril, RBS, OESP, Ban­dei­ran­tes e Folha de S. Paulo (os seis maio­res) somam mais de R$ 8,6 ­bilhões. Soman­do-se as ­ outras dívi­das, chega-se a R$ 10 ­bilhões. E os R$ 4 ­bilhões que o BNDES tem para empres­tar para o setor ainda serão divi­di­dos entre as três ­linhas. A pala­vra-chave em toda essa dis­cus­são é “estra­té­gi­ co”. Os gru­pos de comu­ni­ca­ção colo­cam-se como estra­té­ gi­cos, o gover­no enca­ra o setor como estra­té­gi­co e, par­tin­ do-se desse prin­cí­pio, bus­cou-se a via­bi­li­za­ção do pro­gra­ ma. “É um dos maio­res ‘­abacaxis’ que o BNDES já teve que des­cas­car”, reco­nhe­ce um alto fun­cio­ná­rio do banco. Há quem diga den­tro do pró­prio BNDES que o pro­gra­ma de ajuda à mídia deman­dou a che­ca­gem completa (e, em ­alguns casos, revi­são) das ­regras vigen­tes para que fosse via­bi­li­za­da, espe­cial­men­te a parte de refi­nan­cia­men­to de dívi­da das empre­sas, uma moda­li­da­de até hoje não aten­ di­da pelo banco esta­tal. Estra­té­gia “Assu­mi­mos em 2003 e detec­ta­mos que havia uma crise no setor de comu­ni­ca­ção, que até então havia con­se­gui­ do cami­nhar muito bem sem a ajuda do Esta­do. É um setor estra­té­gi­co que agora pre­ci­sa de ajuda. Nosso papel é dar às empre­sas nacio­nais de capi­tal nacio­nal con­di­ ções de cres­ce­rem. O BNDES tem pro­gra­mas espe­ciais para ­alguns seto­res. São seto­res em que con­vi­da­mos as empre­sas a entra­rem e par­ti­ci­pa­rem. E isso será feito para as comu­ni­ca­ções”, expli­cou Darc Costa, fun­cio­ná­ rio de car­rei­ra e vice-pre­si­den­te do BNDES, ao jus­ti­fi­car no Sena­do Fede­ral o pro­je­to do banco para o setor de comu­ni­ca­ções. As ­linhas ­gerais do que o gover­no con­se­guiu dese­ Fotos: Arquivo


do $O$ à mídia samuelpossebon samuca@paytv.com.br

nhar estão nas novas polí­ti­cas ope­ra­cio­ nais do BNDES publi­ca­das com algu­mas alte­ra­ções no dia 1º de março deste ano. Lá, está dito cla­ra­men­te que o setor de comu­ni­ca­ção pode con­tar com a ajuda finan­cei­ra do banco. E está dito tam­bém que essa ajuda tem que ser indi­re­ta, ou seja, atra­vés de ban­cos repas­sa­do­res. Essas polí­ti­cas são o rotei­ro a ser segui­do pelo BNDES. Não deve haver, por­tan­ to, nenhu­ma sur­pre­sa. Ima­gi­nou-se, por exem­plo, que o banco exi­gi­ria con­tra­ par­ti­das ­sociais ou ana­li­sa­ria o per­fil da pro­gra­ma­ção de uma rede de TV antes de deci­dir pelo emprés­ti­mo, prio­ri­zan­do, por exem­plo, aque­las com maior per­cen­ tual de con­teú­do nacio­nal. O emprés­ti­ mo do BNDES não será con­di­cio­na­do a deter­mi­na­dos tipos de pro­gra­ma­ção, nem serão exi­gi­das cotas para pro­du­ção

regio­nal, jor­na­lís­ti­ca, cul­tu­ral ou infor­ ma­ti­va. Segun­do Alan Fis­chler, geren­te de tele­co­mu­ni­ca­ções do banco e um dos res­pon­sá­veis téc­ni­cos pela cha­ma­do “Pró-Mídia” (codi­no­me do pro­je­to), exis­ tem ­outros ­fóruns mais apro­pria­dos para que esses pon­tos sejam deba­ti­dos. “Não cabe ao BNDES, e nem faz parte de suas polí­ti­cas, defi­nir, sub­je­ti­va­men­te, o que é ou não mais ade­qua­do.” Papa­gaio O ponto crí­ti­co do pro­gra­ma de ajuda do BNDES às empre­sas de comu­ni­ca­ção não é mais téc­ni­co, não está nas ­regras do banco nem em difi­cul­da­des no Con­gres­ so Nacio­nal. Tam­pou­co vem da opi­nião públi­ca que, aliás, pra­ti­ca­men­te não rece­ be infor­ma­ções sobre o Pró-Mídia dos ­órgãos da gran­de impren­sa. O epi­cen­tro

da tur­bu­lên­cia vem do rela­cio­na­men­to entre os pró­prios gru­pos de comu­ni­ca­ção. ­Record, SBT e Rede TV! são “fron­tal­ men­te, radi­cal­men­te” con­tra a ajuda do BNDES para refi­nan­cia­men­to das dívi­das das empre­sas de mídia. As pala­vras des­ ta­ca­das são de Mar­ce­lo Fra­ga­li, vice-pre­ si­den­te da Rede TV!. Pela lógi­ca das três redes, a Globo, que é a mais endi­vi­da­da e, por­tan­to, seria a mais bene­fi­cia­da, endi­vi­ dou-se para ter o mono­pó­lio. Ajudá-la a pagar essa dívi­da seria aju­dar a man­ter a con­cen­tra­ção das ver­bas publi­ci­tá­rias e a atro­fia dos gru­pos con­cor­ren­tes. A Globo reba­te: “Nós não esta­mos con­tan­do com o dinhei­ro do BNDES para pagar nos­sas dívi­das. Esta­mos con­tan­do ape­nas com a nossa com­pe­tên­cia. A rene­go­cia­ção com nos­sos cre­do­res está indo muito bem no que se refe­re ao ree­qua­cio­na­men­to espa­cial do endi­vi­da­men­to”, diz Evan­dro Gui­ma­rães, vice-pre­si­den­te de rela­ções ins­ti­tu­cio­nais da TV Globo. “Se uma empre­sa tem dívi­das e pre­ten­de pagá-las, cer­ta­men­te vai dei­xar de inves­tir por um tempo para poder acer­tar com seus cre­ do­res. Quem não tem dívi­da, vai inves­tir seu lucro e com isso pode se apro­xi­mar de quem é líder. É bom que haja con­cor­rên­ cia, e dese­ja­mos que isso se faça den­tro de ­regras cla­ras, den­tro da lei”, com­ple­ta Gui­ma­rães. A opo­si­ção das três redes que dis­cor­ dam dos pla­nos do BNDES é gran­de. Vêem aí a chan­ce de ­ganhar algum espa­ ço, de tirar da Globo uma par­ce­la dos 78% das ver­bas publi­ci­tá­rias para TV con­ tro­la­das pelo grupo da famí­lia Mari­nho.

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Tal­vez por isso a ­ Record tenha dedi­ ca­do 40 minu­tos de sua pro­gra­ma­ção, em horá­rio nobre, no dia 1º de abril, a um pro­gra­ma sem inter­va­los comer­ ciais em que ata­ca­va vio­len­ta­men­te o Pró-Mídia. “O uso de recur­sos do erá­rio públi­ co para sal­dar dívi­das é inad­mis­sí­vel. O tama­nho das dívi­das que estão aí é pro­por­cio­nal ao mono­pó­lio exer­ci­do por quem tem o maior endi­vi­da­men­ to”, diz Den­nis ­ Munhoz, pre­si­den­te da Rádio e Tele­vi­são ­Record S/A. “A Globo, ape­sar de sua indis­cu­ tí­vel qua­li­da­de, fez dum­ping com a com­pra de direi­tos, por exem­plo. Dis­ cor­da­mos que esse finan­cia­men­to seja usado para pagar dívi­das”, diz Mar­ce­ lo Fra­ga­li, da Rede TV!. “Hoje a prin­ci­pal emis­so­ra tem 50% da audiên­cia e 80% da verba publi­ci­ tá­ria. Somos todos obri­ga­dos a viver com os 20% que ­sobram. É essa situa­ ção desi­gual que impe­de que as ­demais redes se lan­cem a novas ini­cia­ti­vas de pro­du­ção. Mas essa é uma ques­tão de mer­ ca­do que pode­mos recor­rer ao Cade. O ano pas­sa­do foi pés­si­mo para o setor, mas a Globo diz ter tido lucro de R$ 600 ­ milhões na TV. Quem tem esse lucro não pre­ci­sa de finan­cia­men­to”, diz Luiz Sebas­tião San­do­val, pre­si­den­ te do SBT. Novos tem­pos Usar o dinhei­ro do BNDES para pagar dívi­das é algo polê­mi­co, sem dúvi­da. Mas é ver­da­de tam­bém que hoje o BNDES vive um momen­to muito dife­ren­te de ­alguns anos atrás: o banco pre­ci­sa lidar não só com neces­si­da­des de inves­ti­men­ tos, mas tam­bém com o fato de que a maior parte das empre­sas está ten­ tan­do dige­rir os tom­bos cam­biais, as con­tas adqui­ri­das duran­te a eufo­ria do cré­di­to fácil da segun­da meta­de da déca­da de 90 e da reces­são mun­dial do come­ço dos anos 2000. Dizer que o BNDES vai pela pri­mei­ra vez, com a ajuda ao setor de mídia, aju­dar empre­sas a pagar dívi­das não é ver­da­de. O mesmo tipo de ajuda está sendo dado a empre­sas do setor elé­tri­co, com a dife­ren­ça que lá mui­tas delas tive­ram ajuda do pró­prio banco para inves­ti­rem.

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Para Alan Fischler, do BNDES, um dos problemas para formatar a operação são as garantias exigidas pelo banco.

“A eco­no­mia só se movi­men­ta se tiver cré­di­to. Cré­di­to gera pou­pan­ça. É assim que o capi­ta­lis­mo avan­ça. Paga­ men­to de dívi­da tam­bém é cré­di­to. Eu acre­di­to nisso, acre­di­to que não exis­te capi­ta­lis­mo só com ­ equity”, diz Darc Costa, ao defen­der os moti­vos que estão levan­do o banco a abrir essa linha de cré­di­to polê­mi­ca. Segun­do Darc Costa, a não ser que o Con­gres­so se mani­fes­te de manei­ra dife­ren­te, os finan­cia­men­tos serão repas­ sa­dos de forma indi­re­ta, ou seja, por meio de ins­ti­tui­ções inter­me­diá­rias, para que seja uma rela­ção mais trans­pa­ren­ te e inde­pen­den­te entre as empre­sas de mídia e o banco. Além disso, dei­xou claro que a linha para refi­nan­cia­men­ to de dívi­das terá um custo mais alto do que as ­demais, por se tra­tar de uma situa­ção excep­cio­nal. O finan­cia­men­to indi­re­to, por um banco repas­sa­dor, traz em si dois pro­ble­ mas ime­dia­tos: o custo do emprés­ti­mo sobe, por­que há um inter­me­diá­rio, e as garan­tias exi­gi­das podem ser maio­ res, já que os ban­cos segui­rão suas ­linhas nor­mais de aná­li­se de cré­di­to. Falar em garan­tias para empre­sas de comu­ni­ca­ção é com­pli­ca­do. Uma emis­ so­ra tem câme­ras, swit­chers, estú­dios, trans­mis­so­res, que pouco valem sem o esfor­ço de pro­du­ção e comer­cia­li­za­ção por trás. Aliás, é esse o drama dos cre­do­res da

Glo­bo­par. A hol­ding do grupo Globo, por meio da qual a maior parte da dívi­da de quase US$ 2 ­ bilhões foi adqui­ri­da, deu como garan­tia o Pro­jac. É o maior cen­tro de pro­du­ção audio­vi­sual do hemis­fé­rio Sul, uma fábri­ca de onde saem nove­las, minis­sé­ries, tele­jor­nais, pro­gra­mas de audi­tó­rios, rea­lity-shows... Mas o Pro­ jac não vale muito sem a pró­pria Globo por trás. Alan Fis­chler, do BNDES, reco­nhe­ ce que um dos prin­ci­pais pro­ble­mas hoje enfren­ta­dos por empre­sas que que­rem recor­rer ao banco é a ques­tão das garan­ tias exi­gi­das, prin­ci­pal­men­te no caso de empre­sas peque­nas. Fis­chler res­sal­tou que esse ponto está sendo con­si­de­ra­do, que já exis­tem algu­mas alter­na­ti­vas, como os fun­dos de aval, mas que ­outras solu­ções pre­ci­sa­rão ser bus­ca­das. Três ­linhas Sobre as três ­linhas de cré­di­to que estão sendo dese­nha­das, Costa expli­cou que cada uma delas tem carac­te­rís­ti­cas espe­ ciais. “A linha de finan­cia­men­to para inves­ti­men­tos é mais sim­ples e envol­ve tam­bém a ques­tão dos fabri­can­tes de equi­ pa­men­tos, inclu­si­ve para TV digi­tal. A linha para com­pra de papel envol­ve uma polí­ti­ca de nacio­na­li­zar o papel usado pelas empre­sas. E a linha de refi­nan­ cia­men­to de dívi­da é mais com­pli­ca­da, envol­ve cre­do­res, estru­tu­ras socie­tá­rias dife­ren­tes.” As asso­cia­ções Abert, ANJ e Aner, repre­sen­tan­do os seto­res de radio­di­fu­ são, jor­nais e revis­tas, res­pec­ti­va­men­te, ao apre­sen­ta­rem seu pedi­do de cria­ção de uma linha espe­cial ­ pediam que o BNDES não colo­cas­se um inter­me­diá­rio nos emprés­ti­mos para paga­men­to de dívi­ da. Isso por­que, se hou­ver um ter­cei­ro, cria-se uma situa­ção seme­lhan­te à de ­alguém que quer pagar um car­tão de cré­di­to usan­do outro car­tão. Mas tudo indi­ca que o BNDES não vai aca­tar esse pedi­do, pois seria difí­cil dar garan­tias de trans­pa­rên­cia ao pro­ces­so se as nego­cia­ ções fos­sem dire­tas entre o banco esta­tal e as empre­sas. Um ponto que ainda não foi colo­ ca­do, pelo menos publi­ca­men­te, em dis­cus­são pelo BNDES e que pro­me­te esquen­tar o deba­te diz res­pei­to à ges­


tão das empre­sas. Darc Costa come­ çou sua fala ao Sena­do, em março, lem­bran­do que os gru­pos de comu­ni­ ca­ção são, tra­di­cio­nal­men­te, geri­dos por estru­tu­ras fami­lia­res que dão muito mais impor­tân­cia a aspec­tos artís­ti­cos do que admi­nis­tra­ti­vos, e que está aí uma das cau­sas da crise. Não quis neces­sa­ria­men­te dizer que o BNDES vai exi­gir ges­tão pro­fis­sio­nal das empre­sas. Mas quem já tomou dinhei­ro do banco sabe que audi­to­rias são exi­gi­das e, em caso de par­ti­ci­pa­ ção socie­tá­ria, tam­bém assen­to em con­se­lhos e até em dire­to­rias. Os cre­do­res da Globo e da Ban­dei­ ran­tes, por exem­plo, já colo­ca­ram esse pro­ble­ma para as empre­sas em diver­ sas oca­siões. No caso das empre­sas de radio­di­fu­são, os car­gos de dire­ção têm que ser regis­tra­dos no Minis­té­rio das Comu­ni­ca­ções. A Cons­ti­tui­ção manda que ape­nas bra­si­lei­ros natos ou natu­ra­ li­za­dos sejam res­pon­sá­veis por deci­sões de pro­gra­ma­ção. Tudo isso impõe res­tri­ ções a mudan­ças na ges­tão das empre­ sas e, por­tan­to, pode difi­cul­tar o pro­gra­ ma de ajuda do gover­no às empre­sas de mídia. Vale lem­brar que a pri­mei­ra coisa dita por Darc Costa às empre­sas de comu­ni­ca­ção, ao rece­ber o pedi­do de ajuda, foi jus­ta­men­te sobre as garan­tias de que as empre­sas não come­te­riam os mes­mos erros geren­ciais. Um dos argu­men­tos colo­ca­dos pela ­Record na sua bata­lha para que o BNDES não finan­cie a dívi­da das empre­sas de comu­ni­ca­ção (nesse caso,

enten­da-se Globo) são jus­ta­men­te esses supos­tos erros geren­ciais. Como o de pagar US$ 240 ­milhões pelos direi­ tos da Copa do Mundo de 2002, quan­ do o Méxi­co pagou US$ 18 ­milhões. O grupo, sem­pre que é colo­ca­do con­tra esses argu­men­tos, se defen­de: a TV Globo é uma empre­sa lucra­ti­va e que depen­de da sua qua­li­da­de de pro­du­ção para man­ter o mar­ket share, e isso custa. Para cre­do­res e ana­lis­tas de inves­ti­men­tos (e, even­tual­men­te, para o BNDES), as prio­ri­da­des são ­ outras. Aliás, vale lem­brar que quan­do o BNDES topou par­ti­ci­par, como cre­dor e acio­nis­ta, do pro­ces­so de reca­pi­ta­li­ za­ção da então Globo Cabo (Net Ser­vi­ ços) ­ganhou poder de veto sobre todas as ques­tões que envol­ves­sem com­pra de pro­gra­ma­ção pela ope­ra­do­ra. Intri­gas Mas a briga entre as emis­so­ras em torno do pro­gra­ma de ajuda do BNDES tem ­ outras nuan­ces, mais dis­cre­tas. Como rea­ção, Globo e Ban­dei­ran­tes (as mais ata­ca­das) devem colo­car ao gover­no que dívi­das com impos­tos e con­tri­bui­ções ­ sociais tam­bém devem ser leva­das em conta. Segun­do o sena­ dor Hélio Costa (PMDB/MG), há pelo menos uma emis­so­ra com R$ 200 ­milhões de con­tas com o gover­no para serem pagos pelo Refis em 100 anos. Pro­va­vel­men­te, ele fala em refe­rên­cia a uma supos­ta dívi­da da ­Record. No Senado, ­ Johnny Saad, pre­si­den­ te do grupo Ban­dei­ran­tes, ques­tio­nou vela­da­men­te a ori­gem do finan­cia­men­to de algu­mas emis­so­ras. Pro­va­vel­men­te, refe­ria-se aos recur­sos pro­ve­nien­tes de doa­ções de cari­da­de rece­bi­das por gru­ pos reli­gio­sos. Com essa posi­ção, que já era públi­ca, Saad defen­de a cobran­ça de impos­tos sobre esses recur­sos quan­do usa­dos para fins comer­ciais. É uma alfi­ ne­ta­da na ­Record. Mas pode ser tam­bém no grupo Sil­vio San­tos, que tem tam­bém car­nês e tele-lote­rias como forma de finan­cia­men­to. O fato é que os gru­pos de comu­ni­ ca­ção que defen­dem a pro­pos­ta atual do BNDES con­tam com apoio em

Johnny Saad, presidente da Band, questionou velada­ mente a origem do financiamento de algumas emissoras.

massa do Sena­do e, pro­va­vel­men­te, terão apoio da Câma­ra nessa bata­lha. O docu­men­tá­rio da ­ Record con­tra a ajuda do BNDES só con­se­guiu voz con­trá­ria junto a Heloí­sa Hele­na, João Fon­tes e Lucia­na Genro, exradi­cais do PT expul­sos do par­ti­do. Jef­fer­son Perez (PDT/AM) tam­bém se mani­fes­tou cau­te­lo­so com rela­ção ao Pró-Mídia: “Temo que, ao se tor­na­ rem deve­do­ras do gover­no, as empre­ sas de mídia per­cam o senso crí­ti­co”, disse o sena­dor à peça da ­ Record. O tom de cau­te­la tam­bém saiu da boca do sena­dor Eduar­do ­Suplicy (PT/SP), mas sem maio­res res­tri­ções. Na pri­ mei­ra audiên­cia rea­li­za­da no Sena­do, todos os sena­do­res apoia­ram a ini­cia­ ti­va, ape­nas com res­tri­ções pon­tuais. Garan­tia dos empre­gos, inte­res­ses estra­té­gi­cos do País, cul­tu­ra nacio­nal, tudo isso ser­viu de argu­men­to para ­apoios de todas as ­linhas ideo­ló­gi­cas. De sena­do­res como Rober­to Satur­ ni­no Braga (PT/RJ), que em ­ outros tem­pos foi con­si­de­ra­do ini­mi­go de Rober­to Mari­nho (ele foi em 1970 o rela­tor da CPI da Time-Life, que inves­ti­gou o acor­do entre o grupo de mídia norte-ame­ri­ca­no e a Globo) a Romeu Tuma (PFL/SP). “No pas­sa­do, o então BNDE não

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tinha como prio­ri­da­de a ques­tão ­social. Era um banco de desen­vol­vi­men­ to eco­nô­mi­co. A inclu­são do S (de ­social) na sigla foi uma evo­lu­ção. O banco está mos­tran­do uma nova e impor­tan­te evo­lu­ção ao se preo­cu­ par com a ques­tão da cida­da­nia, da pre­ser­va­ção da cul­tu­ra nacio­nal. O setor de comu­ni­ca­ção é estra­té­gi­co e é um impor­tan­te pro­je­to para que o BNDES ­amplie suas atri­bui­ções”, disse Satur­ni­no Braga. Mas o dis­cur­so mais reve­la­dor da sin­to­nia entre os sena­do­res e os gru­ pos de comu­ni­ca­ção é o de Hélio Costa, duran­te o deba­te sobre o pro­ je­to de ajuda do BNDES no Sena­do: “Lamen­ta­vel­men­te, há uma desu­nião (entre as empre­sas). Hoje a con­cor­ rên­cia pelo mer­ca­do publi­ci­tá­rio é gran­de. Além disso, temos no hori­ zon­te as empre­sas de 3G, que é a

“Nós não estamos contando com o dinheiro do BNDES para pagar nossas dívidas.” Evandro Guimarães, da TV Globo

ter­cei­ra gera­ção de tele­fo­nia celu­lar e que em ­alguns anos ofe­re­ce­rão con­

teú­do de tele­vi­são, vão dis­pu­tar esse mer­ca­do sem terem rece­bi­do outor­ ga de TV e sendo con­tro­la­das por empre­sas estran­gei­ras. Ou, ainda, o Sr. (Rupert) Mur­doch pode vir aqui e com­prar tudo. Essa indús­tria é pro­ fun­da­men­te estra­té­gi­ca”. Ele apro­vei­ tou ainda para pas­sar a bola para a Globo. “Por que, se vocês pre­ci­sam de dinhei­ro, não ven­de­ram 30% de seu capi­tal para empre­sas estran­gei­ ras?”. Evan­dro Gui­ma­rães res­pon­ deu sem difi­cul­da­des: “Não ven­de­ mos por­que enten­de­mos que exis­tem sal­va­guar­das ­ sérias que exi­gem que o con­tro­le do con­teú­do per­ma­ne­ça nas mãos de bra­si­lei­ros. Defen­de­mos isso. Não há hipó­te­se de ven­der­mos par­ti­ci­pa­ção a empre­sas que não ­tenham inte­res­se nacio­nal. Isso só será feito em caso fatal”, disse Gui­ ma­rães. Foi o reca­do final.

Chance perdida?

“O

“O gover­no perde uma gran­de opor­tu­ ni­da­de de ins­ti­tu­cio­na­li­zar o setor de comu­ni­ca­ções neste momen­to. Perde uma chan­ce de esta­be­le­cer ­regras para que o setor fun­cio­ne de forma mais efi­cien­te, trans­pa­ren­te, com­pe­ ti­ti­va e para que a socie­da­de possa acom­pa­nhá-lo e fis­ca­li­zá-lo”, diz o pes­qui­sa­dor de polí­ti­cas de comu­ni­ ca­ção e pro­fes­sor de comu­ni­ca­ção da Uni­ver­si­da­de de Bra­sí­lia (UnB) Muri­lo Ramos. Não é a pri­mei­ra vez que Ramos defen­de essa posi­ção. “A cria­ção des­sas ­regras, de um ‘marco ­regulatório’, para usar o termo usado para ­ outros seto­res, é não só uma ques­tão de inte­res­se públi­co. É uma ques­tão eco­nô­mi­ca, é uma forma de fazer o mer­ca­do fun­cio­nar direi­to”, defen­de o pes­qui­sa­dor, ao comen­ tar a briga entre as emis­so­ras pela forma como a ajuda do gover­no está sendo cria­da. “O gover­no pode criar meca­nis­ mos para uma com­pe­ti­ção mais equâ­ ni­me, mais trans­pa­ren­te, que é o que algu­mas empre­sas estão deman­dan­do, ainda que de forma limi­ta­da e, em ­alguns casos, erra­da. Uma legis­la­ ção só virá em decor­rên­cia de uma

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polí­ti­ca seto­rial, e isso apa­ren­te­men­te não exis­te.” As crí­ti­cas de Muri­lo Ramos são, curio­sa­men­te, per­fei­ta­men­te com­pa­ tí­veis com as pala­vras dos sena­do­ res, de Darc Costa e com algu­mas decla­ra­ções dos donos dos gru­pos de mídia. ­Johnny Saad, da Band, foi claro aos sena­do­res: “O impor­tan­te é que o gover­no tenha uma per­cep­ção estra­té­gi­ca do setor. Comu­ni­ca­ção é um pro­je­to do País. Somos favo­rá­ veis ao pro­je­to de finan­cia­men­to do gover­no, desde que os gru­pos con­tem­ pla­dos este­jam den­tro das ­regras de con­cor­rên­cia, desde que apre­sen­tem seus resul­ta­dos e se enqua­drem nos limi­tes de pro­prie­da­de cru­za­da do Decre­to-Lei 236/69. Enfim, desde que os cri­té­rios sejam téc­ni­cos”. Paulo Macha­do de Car­va­lho Neto, pre­si­den­te da Abert, tam­bém já mani­ fes­tou no Con­se­lho de Comu­ni­ca­ção ­Social sua preo­cu­pa­ção com a neces­ si­da­de de ­regras mais cla­ras para o setor de comu­ni­ca­ção ­ social, dado o avan­ço das empre­sas de tele­co­mu­ ni­ca­ções nesse setor. E a pró­pria Globo per­ce­be uma amea­ça na falta de ­regras. Só não exis­te ação polí­ti­

ca nesse sen­ti­do. O Fórum Nacio­nal pela Demo­ cra­ti­za­ção das Comu­ni­ca­ções, que é um dos movi­men­tos de base que tra­di­cio­nal­men­te apóia o PT e que con­tri­buiu muito para os pro­gra­mas de comu­ni­ca­ção do par­ti­do, che­gou a publi­car uma carta aber­ta ao gover­ no e a levar à Secom uma série de con­si­de­ra­ções ao pro­gra­ma de ajuda do gover­no à mídia. O Fórum pediu ao gover­no que se preo­cu­pas­se com as con­tra­par­ti­ das ­sociais da ajuda às empre­sas de comu­ni­ca­ção, sem tra­tar “as ini­cia­ti­ vas que ado­ta­rá em rela­ção à deno­ mi­na­da ‘crise da ­mídia’ com sen­ti­do ime­dia­tis­ta ou mera­men­te con­jun­ tu­ral”. Pediu, por exem­plo, que, ao aju­dar as empre­sas de mídia, o gover­ no tives­se em mente a neces­si­da­de de atuar para a cria­ção de meios de demo­cra­ti­za­ção das comu­ni­ca­ções, com faci­li­ta­ção do aces­so aos meios mais diver­si­fi­ca­dos, como a TV por assi­na­tu­ra, jor­nais e revis­tas, fomen­ to à regio­na­li­za­ção, com­ba­te ao cará­ ter polí­ti­co de ­alguns veí­cu­los entre ­outros pon­tos. Pelo visto, isso tudo, se vier, virá para ­depois.

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Nova jane­la

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Semi­ná­rio sobre as apli­ca­ções para celu­lar reúne ope­ra­do­res de tele­fo­nia móvel e pro­du­to­res

As novas apli­ca­ções para tele­fo­nia móvel des­per­tam de con­teú­do para dis­cu­tir a aten­ção tanto das ope­ra­do­ras, que vêem nessa nova as opor­tu­ni­da­des desta nova mídia. moda­li­da­de uma chan­ce de aumen­tar o trá­fe­go de dados em suas redes e, sub­se­qüen­te­men­te, aumen­tar seu fatu­ra­ men­to, quan­to dos desen­vol­ve­do­res de con­teú­do, que vis­ no even­to a dimen­são do pro­ble­ma: se as ope­ra­do­ras de lum­bram uma nova opor­tu­ni­da­de de negó­cios. Esse foi o tele­fo­nia celu­lar fize­rem algo que se pare­ça com comu­ni­ca­ tema do Semi­ná­rio Tela Viva Móvel, rea­li­za­do nos dias ção ­social ele­trô­ni­ca, pre­ci­sam ­seguir prin­cí­pios da Cons­ 17 e 18 de março em São Paulo com a pre­sen­ça de desen­ ti­tui­ção que nunca foram obser­va­dos pelas teles, como os vol­ve­do­res de apli­ca­ti­vos, pro­du­to­res de con­teú­do, ope­ra­ arti­gos 221 e 222, que colo­cam ­regras para o con­teú­do do­res, legis­la­do­res e repre­sen­tan­tes da (regio­na­li­za­ção, valo­ri­za­ção da cul­tu­ra tele­vi­são. Como “novas apli­ca­ções para nacio­nal etc.) e para o geren­cia­men­to tele­fo­nia móvel” enten­de-se qual­quer das empre­sas (pro­prie­da­de nas mãos tipo de ser­vi­ço de valor agre­ga­do (VAS, de bra­si­lei­ros natos, por exem­plo). Se em ­inglês) pres­ta­do pelas ope­ra­do­ras de forem ofe­re­cer ser­vi­ços audio­vi­suais celu­lar, desde men­sa­gens SMS e MMS sob deman­da, pre­ci­sam obser­var um (mul­ti­mí­dia) até con­teú­do audio­vi­sual, con­jun­to de ­regras exis­ten­tes para o pas­san­do por jogos e ring­to­nes (­toques setor de TV por assi­na­tu­ra. Pre­ci­sam de celu­lar, que podem ser bai­xa­dos de ainda ­seguir toda a com­ple­xa e anti­ga um ser­vi­dor). legis­la­ção de direi­to auto­ral no Bra­ Os núme­ros ­atuais e as pro­je­ções de sil. “Por exem­plo, as ope­ra­do­ras estão recei­tas atra­vés dos VAS são oti­mis­tas. sujei­tas a ações do Ecad (Escri­tó­rio Em 2003, foram trans­fe­ri­dos para apa­ Cen­tral de Arre­ca­da­ção de Direi­tos), re­lhos celu­la­res no Bra­sil mais de 100 que pode­ria resol­ver ­cobrar o uso das mil jogos, sete ­ bilhões de SMS e foram “O usuário assistirá à TV obras fono­grá­fi­cas sobre ring­to­nes”, bai­xa­dos por down­load três ­ milhões de digital em um aparelho diz Bitel­li. ring­to­nes por mês. Mesmo assim, os VAS portátil, e a interatividade “Este pro­ble­ma de con­ver­gên­cia de repre­sen­tam, por enquan­to, ape­nas algo será pela rede celular.” ­re­gras está cada vez maior e as ope­ra­ entre 2% e 3% das recei­tas das ope­ra­do­ do­ras de tele­co­mu­ni­ca­ções rara­men­te Fernando Bitttencourt, da Globo ras. Em paí­ses da Ásia essa pro­por­ção se dão conta do tama­nho do pro­ble­ pode che­gar a até 20% ou 25% da recei­ta. As pro­je­ções ma”, disse a advo­ga­da espe­cia­li­za­da em tele­co­mu­ni­ca­ções apon­tam para um mer­ca­do glo­bal de US$ 7 ­ bilhões em Regi­na Ribei­ro do Valle, do escri­tó­rio Toz­zi­ni, Frei­re, jogos para celu­la­res em 2008. Tei­xei­ra e Silva. “Como solu­ção, a única saída que eu vejo No que se refe­re ao con­teú­do audio­vi­sual e aos ser­vi­ é uma legis­la­ção única, uma Lei Geral de Comu­ni­ca­ção”, ços de comu­ni­ca­ção de massa, essa nova moda­li­da­de gera diz a advo­ga­da. dis­cus­sões aca­lo­ra­das sobre legis­la­ção e mer­ca­do: quem Mesmo den­tro do gover­no o tema está ainda sendo pode car­re­gar sinal de vídeo e quem não pode, a que tipo estu­da­do. Segun­do ­ Manoel Ran­gel, asses­sor espe­cial do de ­regras as ope­ra­do­ras esta­riam sujei­tas etc. Minis­té­rio da Cul­tu­ra e res­pon­sá­vel jus­ta­men­te pelo tra­ Ao fazer um ser­vi­ço de comu­ni­ca­ção de massa, e não ba­lho de ela­bo­ra­ção de um novo arca­bou­ço regu­la­tó­rio ape­nas de comu­ni­ca­ção móvel pes­soal, as ope­ra­do­ras de para o setor audio­vi­sual, a visão do gover­no é a de tra­tar tele­fo­nia celu­lar podem se sujei­tar a um gigan­tes­co e con­ a ques­tão audio­vi­sual como um meca­nis­mo de afir­ma­ção fu­so ema­ra­nha­do de leis e ­regras que hoje regem o setor e pre­sen­ça do Bra­sil fren­te a ­ outros paí­ses, o que deve de comu­ni­ca­ções e que, em geral, nunca foram ­ sequer ser tra­ta­do estra­te­gi­ca­men­te. “Esta­mos aten­tos a essa obser­va­das pelos pla­yers desse novo mer­ca­do. O advo­ga­ neces­si­da­de de tra­tar o con­teú­do audio­vi­sual em ­ vários do espe­cia­li­za­do em comu­ni­ca­ção Mar­cos Bitel­li expôs meios dife­ren­tes, inclu­si­ve o celu­lar. Esta­mos tra­ba­lhan­ Fotos: Gerson Gargalaka


do em uma pro­pos­ta de Lei Geral do Cine­ma e do Audio­vi­sual que deve tra­tar disso. Mas o pro­ble­ma é muito gran­de e é pre­ci­so saber exa­ta­men­te em que peça mexer”, diz Ran­gel. Para ele, o Bra­sil pre­ci­sa ter uma agên­cia para regu­lar as pla­ta­for­mas de dis­tri­bui­ção e outra para regu­lar os pro­ve­do­res de con­teú­do. Mais além, Ran­gel diz que, segun­do a visão do Gover­no Fede­ral, as pla­ta­for­mas de dis­tri­bui­ ção deve­riam tam­bém ­ganhar uma legis­la­ção mais abran­gen­te, como a que está sendo ela­bo­ ra­da para o cine­ma e o audio­vi­sual.

isso”, diz Costa. rais.” Segun­do Shen, é pre­ci­so Bit­ten­court des­ta­ che­gar a um mode­lo que via­bi­li­ cou que TV e celu­lar são ze a dis­tri­bui­ção por down­load. ­mí­dias com­ple­men­ta­res Ele con­clui que a dis­tri­bui­ção e a con­ver­gên­cia no do sinal de TV pela rede de apa­re­lho será bené­fi­ca tele­fo­nia móvel, entre­tan­to, está para os dois lados. Por muito mais pró­xi­ma do video fim, lem­brou que hoje strea­ming do que a TV digi­tal. já exis­te recep­ção gra­tui­ ta de sinal de rádio em A rea­li­da­de apa­re­lhos e que já exis­ Outra ques­tão levan­ta­da foi tem hand­sets no Japão a dis­po­ni­bi­li­da­­de tec­no­ló­gi­ca. “Se as operadoras fizerem comuni­ que cap­tam sinal de TV A base ins­ta­la­da de apa­re­lhos cação social, TV na mão aber­ta. celu­la­res que são capa­zes de O papel da tele­fo­nia celu­lar na difu­são de Segun­do o geren­te estarão sujeitas aos rece­ber ­ví­deos e dados em alta con­teú­do audio­vi­sual gerou dis­cus­sões entre de pla­ne­ja­men­to de enge­ princípios constitucionais.” velo­ci­da­de ainda é pe­que­na, o a Globo e a Vivo, que têm posi­ções con­fli­tan­ nha­ria da TV Globo, Marcos Bitelli, advogado que difi­cul­ta o inves­ti­men­to tes quan­to à con­ver­gên­cia entre TV e apa­ Car­los Brito, já há um por parte dos desen­vol­ve­do­res re­lhos celu­la­res. A Globo acre­di­ta ser uma estu­do, jun­ta­men­te com a Uni­ver­si­da­de Mac­ de con­teú­do. Para o dire­tor de novos negó­ ten­dên­cia natu­ral o sur­gi­men­to de hand­sets ken­zie, para o desen­vol­vi­men­to de um pro­ cios da Abril é neces­sá­rio atin­gir uma massa capa­zes de rece­ber ­sinais de TV digi­tal aber­ tó­ti­po de recep­tor do que seria a TV por­tá­til crí­ti­ca. “Temos de nive­lar a tec­no­lo­gia por ta, a exem­plo dos apa­re­lhos que hoje rece­bem (ou Palm TV). Para Brito, o viá­vel é que as bai­xo para con­se­guir­mos atin­gir uma base ­sinais de rádio FM. Mas essa recep­ção não duas redes — móvel e de TV — ope­rem de maior”, diz Shen, “o núme­ro de usuá­rios uti­li­za­ria a rede de ERBs da ope­ra­do­ra celu­lar forma com­ple­men­tar. Assim, por exem­plo, que usam a tec­no­lo­gia Brew ainda é muito e o ser­vi­ço seria gra­tui­to, pois seria feita por todo o con­teú­do que o usuá­rio dese­jar que pe­que­no, se com­pa­ra­do ao núme­ro de apa­ um tuner pró­prio. “Assis­tir à TV dire­ta­men­ seja per­so­na­li­za­do pode­rá ser dis­tri­buí­do pela re­lhos que podem tra­ba­lhar com SMS”, te no celu­lar aumen­ta­rá a inte­ra­ti­vi­da­de do ope­ra­do­ra mó­vel. com­ple­ta. usuá­rio com os pro­gra­mas tele­vi­si­vos. E essa Já outro dos gran­des gru­pos de mídia bra­ Mar­cos Galas­si, da pro­gra­ma­do­ra de inte­ra­ti­vi­da­de, sim, usa­ria a rede celu­lar e, si­lei­ros, a Abril, de­fen­de a ado­ção do mode­lo ­canais por assi­na­tu­ra Clax­son, con­cor­da. por­tan­to, gera­ria recei­ta para as teles”, expli­ de TV paga na tele­fo­nia móvel. Para o dire­tor Segun­do o exe­cu­ti­vo, a empre­sa man­te­rá o cou Fer­nan­do Bit­ten­court, dire­tor da Cen­tral de desen­vol­vi­men­to de no­vos negó­cios da foco no con­teú­do em vídeo e mul­ti­mí­dia, Globo de Enge­nha­ria. Abril sem Fio, Yen Wen Shen, o tele­fo­ne mas, como a maio­ria dos apa­re­lhos ainda A Vivo não pensa da mesma forma. celu­lar é ape­nas mais um canal de dis­tri­bui­ não está habi­li­ta­da a rece­ber vídeo, não há “Con­cor­da­mos que haja ção de con­teú­do, e o mode­ massa crí­ti­ca para um gran­de inves­ti­men­to uma con­ver­gên­cia de con­teú­ lo de TV paga é ajus­tá­vel por parte da Clax­son neste momen­to. Mesmo do, mas não que o apa­re­lho à dis­tri­bui­ção por celu­lar. assim, a empre­sa anun­ciou, por meio de sua passe a rece­ber gra­tui­ta­men­te Shen lem­bra que a dis­tri­ divi­são de banda larga, o El Sitio DC (ESDC), si­nal das TVs aber­tas”, dis­se bui­ção de con­teú­do já está o lan­ça­men­to ofi­cial de seus con­teú­dos para Omar­son Costa, ge­ren­te de dis­po­ní­vel tanto em video tele­fo­nia celu­lar no Bra­sil. Mar­cos Galas­si par­ce­rias da Vivo. Se­gun­do strea­ming quan­to para res­sal­tou que este mer­ca­do, jun­ta­men­te com ele, os ­ sinais de ví­deo digi­ down­load. “Para o mode­ banda larga, é a prio­ri­da­de da empre­sa para tal ­ seriam trans­por­­ta­dos pela lo basea­do em video strea­ este ano. rede da tele celu­lar. Até hoje, ming, o mode­lo de negó­ Por enquan­to, a empre­sa não tem ­nenhum a deci­são dos recur­sos que são cios é sim­ples”, afir­ma. teste no Bra­sil, mas está nego­cian­do a ofer­ta colo­ca­dos no apa­re­lho passa “É como o sinal de rádio, de suas pla­ta­for­mas, que ­incluem jogos e pela ope­ra­do­ra, já que é ela ouve-se e aca­bou. Agora, o ­vídeos, com todas as ope­ra­do­ras celu­la­res. quem sub­si­dia esse tipo de que falta é defi­nir como é “O ideal seria que con­se­guís­se­mos ­fechar um pro­du­to. “O nosso mode­lo é “Estamos atentos a essa neces­ que fica o down­load, on­de acor­do com algu­ma tele móvel que aten­des­se o da TV a cabo. Nós somos sidade de tratar o con o usuá­rio rece­be o pro­du­­to toda a Amé­ri­ca Lati­na, o que aumen­ta­ria os pro­ve­do­res de rede, tra­fe­ga­ teúdo audiovisual em vários e pode arqui­vá-lo. A par­­tir nossa siner­gia”, disse Galas­si. mos con­teú­do dos pro­ve­do­res meios, inclusive o celular.” daí é que de­ve ser de­fi­ni­da Mesmo defen­den­do uma pos­tu­ra muito de con­teú­do e cobra­mos por Manoel Rangel, do MinC a ques­tão dos direi­tos auto­ dife­ren­te da defen­di­da pelas ope­ra­do­ras, a

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Mesmo defen­den­do uma pos­tu­ra muito dife­ren­te da defen­di­da pelas ope­ra­do­ras, a Globo tam­bém mos­trou que já apos­ta na alian­ça com a tele­fo­nia móvel. Uma amos­ tra de como a alian­ça pode ser bem-suce­di­ da é a trans­mis­são do áudio do “Big Bro­ ther Bra­sil” via tele­fo­ne celu­lar, contou Fer­nan­do Bit­ten­court. Trata-se do ser­vi­ço Big Spy, lan­ça­do em par­ce­ria com a Oi em janei­ro, para­le­la­men­te à entra­da dos ­atuais BBB no pro­gra­ma da Globo. Desde então, foram regis­tra­dos 12 ­ milhões de minu­tos con­su­mi­dos de usuá­rios ouvin­do os mora­do­res da casa. A ope­ra­do­ra e a emis­so­ra têm um acor­do de com­par­ti­lha­ men­to de recei­ta, mas nenhu­ma das par­tes reve­la deta­lhes. Comen­ta-se que a Globo fique com 80% da recei­ta, mas a infor­ma­ ção não é con­fir­ma­da. Quan­do for lan­ça­da a TV digi­tal, a remu­ne­ra­ção dos par­cei­ros de con­teú­do será a publi­ci­da­de, afir­mou Bit­ten­court. No caso de envio de men­sa­gens via celu­lar (SMS), a Globo tem acor­do com todas as ope­ra­do­ras ­ móveis. Os pró­xi­mos con­teú­ dos a serem lan­ça­dos são: “Fama”, um rea­lity-show, pro­va­vel­men­te em julho; e

o Cam­peo­na­to Bra­si­lei­ro de Fute­bol. Os dois con­teú­dos estão em nego­cia­ção com as ope­ra­do­ras. A Globo tem ainda outra par­ce­ria com a Oi, que já car­re­ga sinal em vídeo do BBB. A ope­ra­do­ra lan­çou o Mundo Oi, um ser­vi­ço mul­ti­mí­dia asso­cia­do a um novo mode­lo de celu­lar para aces­so à Inter­net via GPRS sem a cobran­ça do aces­so. O clien­te paga­rá ape­nas pelo vídeo bai­xa­do, que custa R$ 1,99, e que pode­rá ficar arma­ ze­na­do no apa­re­lho para ser visto quan­tas vezes qui­ser. Estão dis­po­ní­veis mais de cem ­ vídeos por meio de par­ce­rias com diver­sos pro­du­to­res de con­teú­do, como os flas­hes dos momen­tos mais inte­res­san­tes do “Big Bro­ther Bra­sil”. ­Outros con­teú­dos for­ne­ci­dos por par­cei­ros são trai­lers de fil­mes, notí­cias dos ­ canais Band­News e BandS­ports, ­ vídeos de espor­tes radi­cais com par­ce­ria da revis­ta Fluir, ­ making of das Garo­tas Moran­go e ­ vídeos da Sexy, entre ­outros. A expec­ta­ti­va da dire­ção da Oi é con­quis­ tar 100 mil novos clien­tes em dois meses com esse ser­vi­ço e ­fechar o ano com um total de 5,4 ­ milhões de usuá­rios ante os

a­ tuais qua­tro ­milhões. A ope­ra­do­ra de tele­fo­nia celu­lar TIM Bra­ sil tam­bém pre­ten­de lan­çar, ainda neste semes­tre, a TV Mobil (strea­ming de vídeo com ima­gens de TV quase em tempo real) e a TIM Box, caixa pos­tal que reu­ni­rá men­sa­gens de voz, texto (SMS), con­teú­do mul­ti­mí­dia (MMS) e fax. De acor­do com o dire­tor de desen­vol­vi­men­to de pro­du­to de VAS da ope­ra­do­ra, Vicen­zo Di Gior­gio, a empre­sa já rea­li­za con­ta­tos com emis­so­ras bra­si­lei­ras de TV para a gera­ção de con­teú­ do para a TV Mobil, que vai ope­rar sobre pla­ta­for­ma de dados em GPRS. Ele não reve­la por enquan­to quais ­ seriam estas emis­so­ras, nem a data pre­vis­ta para o lan­ça­men­to. A outra novi­da­de pre­vis­ta, a TIM Box, pos­si­bi­li­ta­rá ao usuá­rio aces­sar a par­tir de seu ter­mi­nal ou de qual­quer micro­com­ pu­ta­dor conec­ta­do à Inter­net todas as men­sa­gens de voz e dados envia­das, além de fax. Neste últi­mo caso, o con­teú­do pode ser des­car­re­ga­do do ter­mi­nal para micro­ com­pu­ta­do­res, com o obje­ti­vo de se obter cópia via impres­so­ra. Da reda­ção

Cria­ção bra­si­lei­ra além das fron­tei­ras

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Além de ser uma jane­la para o con­teú­do tra­di­cio­nal de vídeo, o celu­lar tam­bém vem se mos­tran­do uma opor­tu­ni­da­de para desen­vol­ve­do­res de con­teú­dos digi­tais, que podem, por exem­plo, com­ple­men­tar o port­fo­lio de uma pro­du­to­ra. Para­le­la­men­te ao semi­ná­rio Tela Viva Móvel, ­ várias empre­sas demons­tra­ram con­teú­dos e apli­ca­ti­vos para ser­vi­ços ­móveis. Essas empre­sas em geral pen­sam, for­ma­tam e apre­sen­tam o con­teú­do para a ope­ra­do­ra ou para um bro­ker (que agre­ga e empa­co­ta con­teú­dos). As ope­ra­do­ras não cos­tu­mam ban­car pro­je­tos e os con­ tra­tos são por “reve­nue share” (repar­ti­ção de recei­tas). São raros os casos de exclu­ si­vi­da­de de con­teú­do, por enca­re­cer os valo­res de paga­men­to para o seu cria­dor. A maio­ria des­sas empre­sas tem menos de cinco anos de exis­tên­cia e mui­tas delas já ven­de­ram pro­du­tos para o exte­rior. Na área de expo­si­ção do semi­ná­rio foi pos­sí­vel con­fe­rir o que está pron­to e o que exis­te em pro­ces­so de desen­vol­vi­men­to.

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O que mais exis­te são games, mas há tam­ bém car­tões vir­tuais, infor­ma­ções sobre cine­ma e até ope­ra­ções finan­cei­ras. Foca­da no desen­vol­vi­men­to de apli­ ca­ções dis­tri­buí­das, apli­ca­ções ­ móveis e games mul­ti­pla­yer, a Tempo, empre­sa nas­ci­da den­tro da incu­ba­do­ra Cia­tec, de Cam­pi­nas (SP), expôs ­ alguns jogos Java para celu­la­res. Eram eles: Ice­Post (jogo de aven­tu­ra com “temá­ti­ca eco”), Pro­Goal (de fute­bol), Ultra­Ra­ce (de cor­ri­da) e Lâmi­na (de luta de espa­das mul­ti­pla­ yer). “Os gran­des des­ta­ques da Tempo são o Pro­Goal e o Lâmi­na, que é um mul­ ti­pla­yer por tur­nos”, expli­ca André Gon­ti­ jo Penha, dire­tor exe­cu­ti­vo da empre­sa. A Tempo já dis­tri­bui games para ope­ ra­do­ras norte-ame­ri­ca­nas e agora nego­cia para inse­rir pro­du­tos em ope­ra­do­ras bra­ si­lei­ras, reve­la Penha. Atual­men­te com capa­ci­da­de de inves­tir para ter pro­du­tos de pra­te­lei­ra, a Tempo pre­ten­de se focar no desen­vol­vi­men­to de jogos mul­ti­jo­ga­do­ res para PC ou celu­lar. A deci­são de pro­du­

zir ini­cial­men­te mul­ti­pla­yers por tur­nos é por estes se adap­ta­rem ­melhor à estru­tu­ra de envio atual. De acor­do com Penha, isso é um ótimo negó­cio para as ope­ra­do­ras, pois geram recei­ta com trá­fe­go. Entre os lan­ça­men­tos pre­vis­tos para este mode­lo estão ­xadrez, damas e ­alguns jogos de car­ tas e dados. O pró­xi­mo passo será o desen­ vol­vi­men­to de games mul­ti­jo­ga­do­res em tempo real. “A difi­cul­da­de hoje vem da latên­cia da rede GPRS — um bit demo­ ra para tra­fe­gar de um celu­lar a outro. Uma pos­sí­vel solu­ção seria imple­men­ tá-los uti­li­zan­do blue­tooth, mas isso não gera­ria recei­ta de trá­fe­go para as ope­ra­do­ras e, por­tan­to, é um pouco menos pro­cu­ra­do por elas”, com­ple­ta. Hoje, a Tempo é a única pro­ve­do­ra de SVA (Ser­vi­ço de Valor Adi­cio­na­do) den­ tro da Cia­tec, mas uma outra de suas incu­ ba­das está com pla­nos de atuar nesse seg­ men­to. Trata-se da Des Affai­res, que tem um game dife­ren­cia­do: edu­ca­ção de finan­ ças para crian­ças. Além desse pro­du­to,


humor com profissionalismo em con­jun­to com a RCA­Soft, a Des Affai­res exi­bia no semi­ná­rio a marca eitv (edu­ca­ção Entre os pre­sen­tes ao even­to, pelo me­nos “Cas­se­ta”, mas há um empe­ci­lho: “O con­teú­ inte­ra­ti­va em TV). A empre­sa está desen­vol­ um se des­ta­cou pela sua popu­la­ri­­da­de: do tam­bém é da Globo”. Isso sig­ni­fi­ca que ven­do uma solu­ção de edu­ca­ção (e-lear­ning) Clau­dio ­ Manoel dos San­tos, hu­­mo­ris­ta do para lan­­çar pro­du­tos é ne­ces­sá­rio che­gar com ver­são para três ­mídias: celu­lar, Inter­ grupo Cas­se­ta&Pla­ne­ta. Ele é um dos dire­ a um acor­do com a emis­­so­ra. No quiz, por net e TV digi­tal. ­ Amaury Ara­nha, da Des Affai­res, conta que a ver­são para TV digi­tal to­res da Taba­net, em­pre­sa que desen­vol­ve exem­plo, a Glo­bo é par­cei­ra. Outra al­ter­­na­ está em estu­dos e que está sendo mon­ta­do a dis­tri­bui­ção dos con­teú­dos do grupo em ti­va seria se­­pa­rar o con­teú­do. um emu­la­dor do PC para a TV, visan­do os dife­ren­tes ­mí­dias. San­tos conta que a Taba­ Neste momen­to, a empre­sa pre­pa­ra o lan­­ tes­tes ini­ciais do pro­du­to. net sur­­giu com o site do grupo, em par­ce­ria ça­men­to do “tor­pe­do com som de pei­do, A Dev­works tam­bém demons­tra­va com a ISM, empre­sa de auto­ma­ção espe­cia­ crazy tones com a voz da gente e o game jogos. A espe­cia­lis­ta em games atua em qua­ lis­ta na cria­ção de fer­ra­men­tas pa­ra publi­ Gos­to­so­na Hun­ter”, adian­ta San­­tos. De tro ver­ten­tes: desen­vol­ve jogos para Sega; ca­ção na web, e com o Grupo Cas­se­ta&Pla­ acor­do com ele, cada um dos inte­gran­tes jogos para web per­mi­tin­do comu­ni­ca­ção ne­ta, Bion­do Mul­ti­mí­dia e ­outros. do Cas­se­ta&Pla­ne­ta cui­da de uma mídia, entre os joga­do­res; para PC, seja para o mer­ Há pouco mais de dois anos, foi cria­do um bati­za­das como “mi­nis­té­rios”. “Meu minis­ ca­do publis­her (CD-Rom) seja para agên­cias quiz para a tele­fo­nia celu­lar. O as­si­nan­te té­rio é a TV. Ain­da não foi cria­do o minis­té­rio (adver­ga­me, com con­teú­do publi­ci­tá­rio); e da Vivo e da Oi envia de te­le­­fo­nia”, iro­ni­za, vol­ mais recen­te­men­te para mobi­le. Neste últi­ men­sa­gem de texto tan­do a assu­mir o pa­pel mo, a Dev­works já for­ne­ceu para Sie­mens, para o nú­me­ro 49000 de exe­cu­ti­vo quan­do Nokia e Moto­ro­la. O jogo Bata­lha Naval, da e re­ce­be no celu­lar diz que es­se mer­ca­do ope­ra­do­ra Oi, por exem­plo, foi feito por ela pia­das, pen­sa­men­ ainda está sendo dese­ para a Sie­mens, de acor­do com Jorge Abdal­ tos, notí­cias, jogos e nha­do e por enquan­to la Filho, busi­ness deve­lo­per. A atua­ção inter­na­cio­nal tam­bém está a o pró­prio quiz. Co­mo é tudo muito in­ci­pien­ todo vapor: a Dev­works acaba de acer­tar, ho­mem de negó­cios, te. “Mas será expo­nen­ duran­te even­to em Can­nes, acor­do de for­ Clau­dio Manoel crê cial e quem não esti­ver ne­ci­men­to de games para China, Irã, Egito que ha­ve­ria deman­da Claudio Manoel, em nes­sas novas tec­no­lo­ e Rús­sia, além de estar nego­cian­do com a pa­­ra diver­sos con­­­­teú­ cena do filme “A Taça gias vai estar fora do ope­ra­do­ra celu­lar euro­péia Oran­ge, para a dos com a marca do do Mundo é Nossa”. mer­ca­do.” ope­ra­ção fran­ce­sa. Antes disso, já esta­va com pro­du­tos no Chile, Méxi­co e Repú­bli­ca Domi­ni­ca­na, atra­vés das dis­tri­bui­do­ras de con­teú­do para PDAs Han­dan­go e Onli­ne m-pay­ment, que per­mi­te o paga­men­to de con­ não dis­po­ní­vel”, expli­ca ele. Com um leque bas­tan­te amplo, a nTime tas atra­vés do celu­lar. A outra é a mean­ti­me, Tech, ambas dos EUA e liga­das à Nokia. na ver­da­de hoje uma empre­sa inde­pen­den­te, apre­sen­tou o quiz, jogo de per­gun­ta e res­pos­ já sepa­ra­da da incu­ba­do­ra, que tem entre ta, e como esse con­teú­do se com­por­ta e evo­ Expec­ta­ti­vas “O mer­ca­do ainda está enga­ti­nhan­do e vai seus pro­du­tos games, cal­cu­la­do­ra finan­cei­ra lui nas dife­ren­tes tec­no­lo­gias (SMS, WAP, cres­cer muito”, prevê Abdal­la Filho. De e con­ver­so­res de moe­das. Duran­te o semi­ Sim­Card, Brew, Smart­Pho­ne e telão/TV). acor­do com ele, a expec­ta­ti­va ini­cial era de ná­rio, a Claro anun­ciou a par­ce­ria para Outro pro­du­to era o Chat TV, apli­ca­ção de ­dobrar o fatu­ra­men­to em 2004 em rela­ção jogos fecha­da com a mean­ti­me, que já vinha inte­ra­ti­vi­da­de em tempo real entre usuá­rios ao ano ante­rior, mas os resul­ta­dos podem for­ne­cen­do para a Oi, além da Veri­zon, dos de celu­lar e tele­vi­são. Duran­te a pales­tra ser melho­res, pois duran­te os pri­mei­ros EUA, e Cing­tel, de Sin­ga­pu­ra, entre ­outras de Mar­ce­lo Sales, pre­si­den­te da nTime, no 60 dias deste ano o volu­me arre­ca­da­do atra­vés de publi­­s­hers na Euro­pa e na Ásia. pai­nel “As ten­dên­cias em con­teú­do”, foi pos­ cor­res­pon­deu a 60% do fatu­ra­men­to Ricar­do Men­don­ça, geren­te de negó­cios do sí­vel ­enviar uma men­sa­gem do celu­lar para a total do ano de 2003. Para Mar­ce­lo C.E.S.A.R., des­ta­ca, entre os jogos nes­sas tela da apre­sen­ta­ção. “Este tipo de apli­ca­ Nunes de Car­va­lho, soft­wa­re engi­neer da ope­ra­do­ras, o Sea Hun­ter e o Gold Hun­ter, ção é ino­va­dor e per­mi­te que a inte­ra­ti­vi­ Dev­works, “há uma bre­cha para o entre­ além do que­bra-cabe­ça do Cas­se­ta&Pla­ne­ta, da­de seja real com as tec­no­lo­gias ­atuais”, afir­mou Leo­nar­do Sales, do depar­ta­men­to te­ni­men­to móvel” e agora é a opor­tu­ni­da­de este últi­mo ape­nas na Oi. de mar­ke­ting e comu­ni­ca­ção da nTime. tam­ apre­sen­ta­va C.E.S.A.R. o even­to, No de ­atrair esse usuá­rio ­casual. “O Chat TV é um exem­plo de uma série de Com­pu­ting), Net­work (Vir­tual VNC a bém A par­tir de outra incu­ba­do­ra, o pro­je­tos que envol­vem mídia inte­ra­ti­va. um de GPRS, via remo­to, aces­so per­mi­te que C.E.S.A.R. da Uni­ver­si­da­de Fede­ral de Per­ ­Outros mos­tra­dos duran­te o even­to foram exem­plo, por escri­tó­rio, num ins­ta­la­do PC nam­bu­co, em Reci­fe, duas empre­sas estão o Txt2­Screen (envio de men­sa­gens para a o assu­mir pos­sí­vel “É Men­don­ça. conta desen­vol­ven­do pro­du­tos para celu­lar. A tela da TV) e o quiz TV (jogo de per­gun­tas Tratacelu­lar. pelo máqui­na da con­tro­le e-cap­tu­re, espe­cia­lis­ta em pro­ces­sa­men­to de e res­pos­tas apre­sen­ta­do na TV e joga­do ainda cor­po­ra­ti­va, apli­ca­ção uma de se tran­sa­ções ele­trô­ni­cas, criou um sis­te­ma de

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atra­vés do celu­lar)”, com­ple­tou Sales. pro­du­tos. De acor­do com ele, a empre­sa No estan­de da empre­sa, ­outros pro­du­ pre­pa­ra ­ vários lan­ça­men­tos ainda para tos, já dis­po­ni­bi­li­za­dos em ope­ra­do­ras, este pri­mei­ro semes­tre, em res­pos­ta à eram demons­tra­dos. Um deles era o pró­ expec­ta­ti­va atual do mer­ca­do. “Não é prio quiz, com con­teú­dos de pro­ve­do­res só a base de usuá­rios de apa­re­lhos celu­ como Abril, Cas­se­ta&Pla­ne­ta, Cine­Click e la­res que está cres­cen­do, mas tam­bém o TopS­Ports, nas ope­ra­do­ras Vivo, Claro, Oi, per­cen­tual des­tes que uti­li­zam o celu­lar Tele­mig-C e Ama­zô­nia-C, dis­po­ní­veis nas efe­ti­va­men­te em apli­ca­ções de dados.” tec­no­lo­gias SMS, WAP, Brew, Sim­Card. Em março últi­mo, ­ estreou na Rede TV Limi­ta­ção o “Quiz do Espor­te Inte­ra­ti­vo”, pro­gra­ A par­tir da expe­riên­cia do site www. ma de trans­mis­são de even­tos espor­ti­vos, vir­tual­cards.com.br de envio de car­tões exi­bi­do no inter­va­lo da trans­mis­são dos vir­tuais e ani­ma­dos, pela web para ende­ jogos. Outro jogo mos­tra­do foi “Senhor da re­ços de e-mails, a Vita­le­Web deci­diu Guer­ra” (de estra­té­gia basea­do em racio­ ­ampliar sua atua­ção, dis­po­ni­bi­li­zan­do o cí­nio lógi­co), dis­po­ní­vel na Claro e na envio de car­tões de celu­lar para celu­lar e Oi (em SMS e Sim­Card), que pro­por­cio­na de Inter­net para celu­lar. Bruno Mar­cius do inte­ra­ti­vi­da­de entre usuá­rios e for­ma­ção de Prado Vita­le reve­la que recen­te­men­te foi comu­ni­da­de. fecha­do acor­do com a ope­ra­do­ra Vivo, mas o Mas as atra­ções não eram ape­nas jogos. envio só é pos­sí­vel para celu­la­res com MMS Um dos gran­des des­ta­ques (Mul­ti­me­dia Mes­sa­ging é o por­tal do Cas­se­ta&Pla­ Ser­vi­ce), exclu­si­va­men­ ne­ta. É um por­tal de te para apa­re­lhos com entre­te­ni­men­to, via tele­ capa­ci­da­de para rece­ber fo­ne celu­lar da Vivo e fotos. Não ape­nas para da Oi (por SMS), con­ car­tões, mas a expec­ta­ ten­do pia­das, pen­sa­men­ ti­va é gran­de para 2005 tos, quiz, entre ­ outros. de todos os tipos de con­ A nTime for­ne­ce para teú­do, prin­ci­pal­men­te Vivo e Claro o Mobi­le aque­les que exi­gem que Mail, fer­ra­men­ta de lei­ ima­gens sejam envia­das tu­ra e envio de e-mails a para os apa­re­lhos celu­ par­tir do celu­lar, nas tec­no­ la­res. “O ritmo de cres­ lo­gias WAP, SMS, Brew e ci­men­to é cons­tan­te e a Ricardo Mendonça, do C.E.S.A.R.: expec­ta­ti­va é que 2005 Sim­Card. Para o mer­ca­do cor­ incubadora de seja um ano bom”, ava­ po­ra­ti­vo, a Vivo dis­põe Recife, teve games lia Cris­tia­ne Rut­chii, da do Escri­tó­rio Móvel, da premiados no exterior. Cine­click Digi­tal. Isso nTime, para WAP e SMS. por­que, expli­ca ela, os Trata-se de uma fer­ra­men­ta para, atra­vés apa­re­lhos esta­rão mais desen­vol­vi­dos no do celu­lar, ler e ­enviar e-mails, aces­sar a aspec­to tec­no­ló­gi­co e os pre­ços de celu­la­ agen­da de con­ta­tos e de com­pro­mis­sos e res, mais aces­sí­veis. ainda arqui­vos do seu com­pu­ta­dor. A Cine­click ofe­re­ce con­teú­do vol­ta­do Cria­da em 2000, a nTime vê, como para cine­ma. Cria­da há cerca de qua­tro prin­ci­pal desa­fio para este ano, “a inte­gra­ anos, a empre­sa tinha como obje­ti­vo ção das ­mídias celu­lar e TV”, conta ­Rafael se tor­nar um site com con­teú­do pró­prio Duton, dire­tor exe­cu­ti­vo da empre­sa. “Há de cine­ma, seguin­do ten­dên­cias ­ atuais, muita siner­gia para que diver­sas apli­ca­ções mas aca­bou detec­tan­do um espa­ço para ser sejam imple­men­ta­das, e aos pou­cos já uma empre­sa licen­cia­do­ra de con­teú­do para come­ça­mos a ­ colher resul­ta­dos”, con­ti­ qual­quer tipo de mídia, conta Cris­tia­ne. O nuou. Além disso, disse Duton, as tec­no­ for­ne­ci­men­to de con­teú­do para tec­no­lo­gias lo­gias mais moder­nas como Brew, J2me e ­móveis é uma das atua­ções. Para a TIM, por MMS per­mi­tem o apri­mo­ra­men­to dos exem­plo, entre­ga com exclu­si­vi­da­de dicas apli­ca­ti­vos ­atuais da nTime, assim como de fil­mes de ­ estréia e slide shows, o que a explo­ra­ção de diver­sos novos tipos de exige apa­re­lhos com MMS.

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evento abril de 2004

Já sem exclu­si­vi­da­de, há o quiz sobre cine­ma, dese­nho, Oscar etc., este em par­ce­ria com a nTime, como bro­ker, e dis­po­ní­vel nas ope­ra­do­ras Claro, Vivo, Tele­mig e en­tran­do agora na Oi, todas via SMS. Tam­bém em SMS, a Vivo TCO ofe­re­ce aos seus as­si­nan­tes notí­cias de cine­ ma, como sinop­ses de fil­mes e pro­gra­ma­ção. Via WAP, a Oi é for­ne­ci­da com todo o con­ teú­do do site da Ci­ne­click adap­ta­do para essa tec­no­lo­gia. A empre­sa acaba de ­fechar um acor­do, tam­bém com a Oi, para dis­po­ni­ bi­li­zar trai­lers de fil­mes para apa­re­lhos de 2,5G, mas a data ainda não está mar­ca­da, tendo a PMo­vil co­mo bro­ker. Cris­tia­ne conta ainda que há ­ vá­rios pro­je­tos de quiz para o exte­rior, ini­cial­­men­te na Amé­ ri­ca Lati­na (Peru e Chile). Leque maior A Tiaxa, por sua vez, foi cria­da há cerca de qua­tro anos com foco na cria­ção de con­teú­do dire­to para ope­ra­do­ras, mas aca­bou amplian­do um pouco seu leque de atua­ção. Ao mesmo tempo que cria games, atra­vés de SMS (ou seja, não para down­loads), a Tiaxa tem agora uma rede SMS por onde tra­fe­ga con­teú­do e infor­ma­ ção para as ope­ra­do­ras, ou seja, pas­sou a ser tam­bém uma pres­ta­do­ra de ser­vi­ço nos mol­des de bro­ker ou de inte­gra­dor. Assim, for­ne­ce para as celu­la­res o con­teú­do de gran­des por­tais, de ­outras empre­sas de con­ teú­do, de mídia entre ­outras, infor­ma Ann Wil­liams, dire­to­ra da Tiaxa. Entre seus pro­du­tos, estão o quiz com con­teú­do da MTV e a Xuxi­nha Vir­tual, ambos para a Oi. Nes­ses casos, o con­teú­do é exclu­si­vo para a ope­ra­do­ra, além de o pró­prio apa­re­lho celu­lar ser espe­cí­fi­co para cada um dos con­teú­dos. No final do mês pas­sa­do, esta­va pre­vis­to o lan­ça­men­to no por­tal de três jogos — Per­fil, Super Trun­ fo e Conhe­cen­do a ­Bíblia —, a par­tir de acor­do com a Grow Brin­que­dos. Ann frisa que o suces­so nesse nicho de mer­ca­do está basea­do no mode­lo co­mer­­cial a ser ado­ta­do. “Há um novo mo­de­lo, atra­vés do qual a exclu­si­vi­da­de não é o mais impor­ tan­te, e sim ter uma empre­sa de mídia com um per­so­na­gem ou marca ven­de­do­ra e que tam­bém invis­ta em divul­ga­ção”, con­clui a dire­to­ra da Tiaxa.

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san­dra­re­gi­na­sil­va


N達o disponivel


­m aking of VI D E O­PAL­ C OS A pro­du­ção de shows atual­men­te conta com recur­sos de vídeo de últi­ma gera­ção, não só para a cap­ta­ção e pos­te­rior repro­du­ção — seja na TV ou em DVD —, mas tam­bém como recur­so de pro­du­ção. Em mui­tos casos, o vídeo serve como cená­rio e inte­ra­ge com os pró­prios artis­tas. Foi para criar um espa­ço cêni­co dife­ren­cia­do que o Estú­dio Preto e Bran­co foi con­tra­ta­do pelo Ins­ti­tu­to Ayr­ton Senna, que pro­du­ziu em março o show Senna in Con­cert, em home­na­gem aos 44 anos do pilo­to, fale­ci­do há dez anos. O show mis­tu­rou ima­gens das crian­ças aten­di­das pelo ins­ti­ tu­to com fotos e ­vídeos do pilo­to ao longo de toda a sua vida, apre­sen­ta­ções musi­cais ao vivo — de artis­tas como Cae­ta­no Velo­so, Gil­ber­to Gil, Sandy e ­Júnior, Ivete San­ga­lo e ­outros

—, e depoi­men­tos gra­va­dos e ao vivo. Por trás de todas as atra­ções, esta­va uma com­po­si­ção de 15 telas de pro­je­ção, dis­pos­tas em cinco filei­ras hori­zon­tais por três filei­ras ver­ti­cais. As telas exi­biam ­vídeos cria­dos pela pro­du­to­ra para dar supor­te às atra­ções, for­man­do uma só ima­gem ou com­po­si­ções que uti­li­za­vam as telas inde­pen­ den­te­men­te. O show foi cap­ta­do pela Rede Globo, que exi­biu um com­pac­to na tele­vi­são. A equi­pe da pro­du­to­ra acom­pa­nhou as gra­va­ ções ao vivo e gos­tou do resul­ta­do. “A Globo con­se­guiu um equi­lí­brio entre a luz do palco e da pro­je­ção, e o resul­ta­do foi que nenhu­ma delas ficou pre­ju­di­ca­da”, conta Luiz de Fran­co Neto, um dos ­sócios da pro­du­to­ra.

Composição de telas Cada tela media 2,5 x 3,3 ­ metros. Atrás de cada uma, dois pro­je­to­res envia­vam as ima­gens. A pro­du­to­ra usou dois pro­je­to­res por tela para garan­tir que a qua­li­da­de da ima­gem não dimi­nui­ria dian­te da ilu­mi­na­ção do show, e tam­bém por pre­cau­ção, no caso de haver algum tipo de falha. Com isso, as ima­gens fica­ram muito níti­das e pude­ram ser vis­tas em todo o está­dio do Pacaem­bu, mesmo quan­do os artis­tas se apre­sen­ta­ram ao vivo. As ima­gens eram for­ma­das de ­vídeos cap­ta­dos espe­cial­men­te para o even­to e tam­bém de com­ po­si­ções de foto­gra­fias da infân­cia de Ayr­ton Senna, ima­gens em Super-8 do arqui­vo da famí­lia, ima­gens ins­ti­tu­cio­nais e depoi­men­tos de ­ outros atle­tas. Todas as ima­gens foram com­pos­tas e ani­ma­das em After ­ Effects, em 15 ­layers dife­ren­tes. Cada layer cor­res­pon­dia a uma tela, e foram dis­pos­tos um ao lado do outro e não em sobre­po­si­ção. Dessa forma, era pos­sí­vel ter ima­gens dife­ren­tes em cada tela, o que não seria pos­sí­vel com um video­wall. A reso­lu­ção de ima­gem tam­bém ficou com ótima qua­li­da­de, sem as ­linhas tra­di­cio­nais Cliente Instituto Ayrton Senna • Agência do vídeo. Sight. Mo­men­tum • Vídeo Cenário Estúdio Dois ban­cos de ima­gem gera­vam as pro­je­ções, Preto e Branco • Di­re­ção Geral José Possi para for­mar a ima­gem com­ple­ta, a par­tir de Neto • Cenografia Viabrasil • Pro­dução dois com­pu­ta­do­res sin­cro­ni­za­dos. “Os com­pu­ Executiva Luiz de Franco Neto e Maurício ta­do­res fun­cio­nam de forma quase inde­pen­ Mo­reira • Cria­ção Estúdio Preto e Branco den­te, geran­do as ima­gens simul­ta­nea­men­te e • Direção de Arte Marlise Kieling • pra­ti­ca­men­te sozi­nhos”, expli­ca Luiz. Direção Técnica Murilo Celebro­ne • Vídeo

f icha téc­ni­ca

30 tela viva abril de 2004

Designers Léa Carvalho, Márcia Caram, Mar­­cos Cintra, Igor Smolli, Mitsuko Bolanho • Finalização Orlando Neto • Assistente de Edição Melissa Pi­caz­­zio • Produtoras Cláudia Vieira e Isis Albuquerque • Projeção Ponto Media


lizan­dra­deal­mei­da lizan­dra@tela­vi­va.com.br

Efei­tos volu­mé­tri­cos Além de mos­tra­rem ima­gens e ser­vi­rem como cená­ rio, as telas tam­bém se trans­for­ma­vam em mini­pal­cos ao longo do show. Das cinco colu­nas de telas, três se movi­men­ta­vam para a fren­te e para trás, for­man­do ­nichos onde foram fei­tas apre­sen­ta­ções de dança e de onde con­vi­da­dos como Gal­vão Bueno fize­ram seus depoi­men­tos. Esses movi­men­tos tam­bém eram con­tro­la­dos por com­ pu­ta­dor, resul­tan­do numa movi­men­ta­ção suave e quase imper­cep­tí­vel, até que o des­lo­ca­men­to esti­ves­se com­ple­to. Os movi­men­tos tam­bém inter­fe­riam nas pro­ je­ções de vídeo, que foram cria­das levan­ do-se em con­si­de­ra­ção os efei­tos volu­mé­ tri­cos das telas. “Nossa espe­cia­li­da­de é pro­je­tar ima­gens de forma volu­mé­tri­ca, em super­fí­cies onde nin­guém pro­je­tou antes”, expli­ca Mau­rí­cio Morei­ra, outro sócio da pro­du­to­ra.

Da maquete para o palco O pro­je­to foi dese­nha­do para uti­li­zar equi­pa­men­tos dis­po­ ní­veis no Bra­sil e come­çou a ser rea­li­za­do efe­ti­va­men­te em janei­ro. O pro­ces­so ­incluiu a cons­tru­ção de diver­sas maque­ tes, até que se che­gou à com­po­si­ção de módu­los ­ móveis final.Qual­quer que seja o pro­je­to envol­ven­do a pro­je­ção de ima­gens, é pre­ci­so levar em conta a área de pro­je­ção e a dis­ tor­ção nas ima­gens. Nesse caso, como as ima­gens ­vinham de trás, foi pre­ci­so iso­lar as áreas por onde pas­sa­riam as pes­soas para che­gar aos mini­pal­cos, de modo que não fizes­sem som­ bra nas pro­je­ções.A com­po­si­ção das ima­gens tam­bém foi feita pen­san­do nessa dis­tor­ção. A dire­to­ra de arte e sócia da pro­du­to­ra Mar­ li­se Kie­ling conta que a com­po­si­ção dos ­ vídeos em ­layers per­mi­tia que a pro­por­ção se man­ti­ves­se e a dis­tor­ção fosse com­pen­sa­da de acor­do com o posi­cio­ na­men­to das telas.


incentivos

Mudanças à vista

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32 tela viva abril de 2004

MinC quer melho­rar dis­tri­bui­ção e

con­tro­le sobre recur­sos incen­ti­va­dos. Duran­te o ano de 2003, o Minis­té­rio da Cul­tu­ra rea­li­zou uma série de semi­ná­rios em todo o Bra­sil para dis­cu­tir as leis de incen­ ti­vo à cul­tu­ra. O obje­ti­vo final era ­incluem as leis de incen­ti­vo. ­colher sub­sí­dios para que o MinC Uma das pri­mei­ras medi­das a serem pudes­se pre­pa­rar uma pro­pos­ta de toma­das este ano é a defi­ni­ção de limi­tes mudan­ça nas leis, prin­ci­pal­men­te na de inves­ti­men­to para cada Esta­do. Com Roua­net. Mas após as dis­cus­sões isso, o MinC pre­ten­de incen­ti­var inves­ti­ cons­ta­tou-se que, além de ­falhas nas men­tos fora do eixo Rio-São Paulo. Mas leis, era pre­ci­so rea­va­liar pro­ce­di­men­ Sér­gio ­Xavier ga­ran­te que isto será feito tos inter­nos do pró­prio minis­té­rio de modo a não pre­ju­di­car os inte­res­ses que pode­riam estar impe­din­do um dos dois Esta­dos. Para isso, o minis­té­rio ­melhor apro­vei­ta­men­to das leis de tra­­ba­lha com a idéia de ­dobrar o teto de incen­ti­vo cul­tu­ral. isen­ção que hoje é de R$ 160 ­ milhões A par­tir das dis­cus­sões tra­va­das para R$ 320,5 ­ mi­lhões. “Se fizer­mos duran­te esses even­tos, Sér­gio ­Xavier, isso, os recur­sos já inves­ti­dos no Rio e secre­tá­rio de Fomen­to e Incen­ti­vo em São Paulo ficam garan­ti­dos e cria-se à Cul­tu­ra do MinC, resu­me em três um espa­ço para inves­ti­men­tos em ­outros pon­tos as prin­ci­pais mudan­ças que luga­res”, expli­ca o secre­tá­rio do MinC. pre­ci­sam ser fei­tas para apri­mo­rar Além disso, o minis­té­rio quer criar um o pro­ces­so de dis­tri­bui­ção de recur­ limi­te para isen­ção fis­­cal das empre­sas sos públi­cos para pro­je­tos cul­tu­rais: que inves­tem na moda­li­da­de mece­na­to. 1) aumen­tar o aces­so de algu­mas ­regiões (como Norte e Nor­des­te) aos recur­sos pro­ve­nien­tes das leis de Xavier: mudanças por decreto para Loca­li­za­ção Outra mudan­ça que deve ser rea­li­za­da incen­ti­vo; 2) garan­tir aos empreen­de­ aprimorar a Lei Rouanet. pelo minis­té­rio é des­vin­cu­lar o lugar de do­res mais faci­li­da­de para a cap­ta­ção onde é o pro­po­nen­te do lugar em que o de recur­sos; e 3) pro­mo­ver um maior pro­je­to é de fato rea­li­za­do. Ou seja, se um pro­po­nen­te con­tro­le por parte do minis­té­rio dos resul­ta­dos dos bene­ de São Paulo pro­du­zir no Mara­nhão, será con­si­de­ra­do fí­cios con­ce­di­dos por lei. inves­ti­men­to no Mara­nhão e não em São Paulo. Atual­ Ainda este semes­tre o MinC deve pro­por algu­mas men­te, o que acon­te­ce é que o inves­ti­men­to é regis­tra­ mudan­ças na Lei Roua­net, mas, antes disso, a pre­si­dên­cia do de acor­do com o ende­re­ço da pro­po­nen­te. Segun­do da Repú­bli­ca deve edi­tar ­alguns decre­tos para que os pro­ X ­ avier, isto causa dis­tor­ções na hora de se apu­rar o total ble­mas diag­nos­ti­ca­dos ao longo do ano pas­sa­do pos­sam ser de inves­ti­men­tos rea­li­za­dos em cada ­região. resol­vi­dos. Esta opção se deve ao fato de que uma mudan­ Para faci­li­tar a cap­ta­ção de recur­sos, o Minis­té­rio ça na lei demo­ra muito mais tempo para ser feita, já que da Cul­tu­ra pensa em lan­çar ­ vários edi­tais. Eles ­ seriam as duas casas legis­la­ti­vas (Câma­ra dos Depu­ta­dos e Sena­do divi­di­dos em áreas (audio­vi­sual, patri­mô­nio his­tó­ri­co, Fede­ral) pre­ci­sam apre­ciar os pro­je­tos. Além do fato de tea­tro etc.) e o MinC fica­ria res­pon­sá­vel por anga­riar este ser um ano par­la­men­tar “mais curto” por causa das empre­sas par­cei­ras e sele­cio­nar os pro­du­to­res cul­tu­rais elei­ções, o gover­no já defi­niu suas prio­ri­da­des, que não Foto: Eugenio Novaes


raquelramos

raquel@paytv.com.br

Lei Rouanet

Captação por região em 2003 (em R$ milhões)

Crescimento da captação por região em 2003 Com relação à média de 1999 a 2002

aptos a par­ti­ci­par de cada uma das ati­vi­da­des. Segun­do ­Xavier, os edi­tais devem melho­rar a qua­li­da­de dos pro­je­tos, demo­cra­ ti­zar o aces­so aos recur­sos, faci­ li­tar a cap­ta­ção e garan­tir que haja inves­ti­men­tos em seto­res con­si­de­ra­dos prio­ri­tá­rios pelo gover­no. O ter­cei­ro ponto do qual o MinC quer cui­dar é do geren­cia­ men­to dos pro­je­tos bene­fi­cia­dos pelas leis de incen­ti­vo. “Pre­ci­ sa­mos criar ins­tru­men­tos que garan­tam um ­ melhor geren­cia­ men­to dos pro­je­tos em curso. Hoje há uma total falta de con­ tro­le sobre eles”, ava­lia ­ Xavier. Uma das pri­mei­ras pro­vi­dên­cias será cen­tra­li­zar todas as con­tas em ape­nas um banco, para faci­li­ tar a ges­tão. ­Outras medi­das são a cria­ção de um cadas­tro único e a inte­gra­ção com ­outros meios de incen­ti­vo, como as leis esta­ duais e muni­ci­pais. Outro meca­nis­mo que deve ­sofrer algu­mas modi­fi­ca­ções é o Fundo Nacio­nal de Cul­tu­ra. O minis­té­rio quer criar meca­ nis­mos mais cla­ros para que os inves­ti­men­tos sejam auto­ri­za­dos. Segun­do Sér­gio ­ Xavier, nos últi­ mos anos o fundo tem inves­ti­do

recur­sos em pro­je­tos que pode­ riam ser finan­cia­dos pela ini­­cia­ti­ va pri­va­da. Núme­ros De acor­do com os núme­ros con­ so­li­da­dos pelo MinC, o total cap­ ta­do pela Lei Roua­net em 2003 foi de R$ 385 ­ milhões. Quem apre­sen­tou a maior cap­ta­ção foi a ­região Sudes­te. Para se ter uma idéia da dife­ren­ça que sepa­ra o total de recur­sos cap­ta­dos pela Lei Roua­net entre o eixo Rio-São Paulo basta com­pa­rar os núme­ ros obti­dos pela ­região Norte e pela Sudes­te. Na pri­mei­ra, onde houve um cres­ci­men­to de 510% no total cap­ta­do, che­gou-se a R$ 5,1 ­ milhões. A ­região Sudes­te, cres­cen­do ape­nas 24% (menor taxa de cres­ci­men­to entre as ­regiões), cap­tou R$ 293,5 ­ mi­ lhões. A ­região Cen­tro-Oeste cres­­ceu 101% e cap­tou R$ 17,1 ­mi­lhões; ­região Nor­des­te cres­ceu 67% e cap­tou R$ 27,3 ­ milhões; e a ­região Sul cres­ceu 47% e cap­ tou R$ 41,8 ­milhões. Mas ­Xavier lem­bra que nes­tes núme­ros pode ha­ver algu­mas dis­tor­ções uma vez que há enti­da­des bene­fi­cia­ das lo­ca­li­za­das em um esta­do e que pro­du­zi­ram em outro.

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ges­tão ales­san­dra­me­lei­ro tela­vi­va@tela­vi­va.com.br

Tec­no­lo­gia desde a pré-pro­du­ção

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Os pro­du­to­res bra­si­lei­ros vêm con­ti­nua­men­te imple­men­ tan­do ini­cia­ti­vas para aumen­tar a pro­du­ti­vi­da­de de suas ati­vi­da­des, redu­zir os tem­pos das fil­ma­gens e dimi­nuir cus­tos. Essas ini­cia­ti­vas fre­qüen­te­men­te estão asso­cia­das à cria­ção de uma infra-estru­tu­ra tec­no­ló­gi­ca. O uso de uma fer­ra­men­ta que auxi­lie o geren­cia­men­to e a exe­cu­ção dos pro­ces­sos buro­crá­ti­cos de uma pro­du­ção é uma mão na roda para qual­quer tipo de pro­je­to, mas par­ ti­cu­lar­men­te impor­tan­te nos casos de pro­du­ções que usam incen­ti­vos fis­cais, uma vez que a cor­re­ta exe­cu­ção e pres­ ta­ção de con­tas é jul­ga­da com rela­ção ao cum­pri­men­to do que foi orça­do, e que o dinhei­ro rece­bi­do só pode ser gasto den­tro dos limi­tes dos itens devi­da­men­te apro­va­dos. O cui­ da­do­so pla­ne­ja­men­to deve-se tam­bém ao fato de não mais haver nas pla­ni­lhas de orça­men­to das leis de incen­ti­vo do Minis­té­rio da Cul­tu­ra o item “impre­vis­tos” — gas­tos ines­ pe­ra­dos em loca­ções, equi­pa­men­tos etc. Mas, ao pla­ne­jar pro­je­tos com cla­re­za e pre­ci­são, o pro­du­tor pode res­pon­der a deman­das ines­pe­ra­das com gran­de agi­li­da­de. Uma fer­ra­men­ta muito uti­li­za­da por pro­du­to­res exe­

Programa do MinC: bom, mas não permite integrar pro­ cessos de administração do projeto.

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O uso de softwares pode ajudar na viabilização de um projeto, em sua formatação, elaboração do orçamento, inscrição nas leis de incentivo, enfim, da administração como um todo.

cu­ti­vos é o Pro­gra­ma de Apre­sen­ta­ção de Pro­je­tos Cul­tu­ rais do Minis­té­rio da Cul­tu­ra (na ver­são 2.0.1, dis­po­ni­bi­ li­za­da em 1998 e pro­du­zi­da pela Coor­de­na­ção Geral de Moder­ni­za­ção e Infor­má­ti­ca do Minis­té­rio da Cul­tu­ra). O pro­gra­ma foi ela­bo­ra­do tendo em vista a padro­ni­za­ção dos pro­ce­di­men­tos de regis­tro, acom­pa­nha­men­to e con­ tro­le de pro­je­tos cul­tu­rais ins­cri­tos nas leis Roua­net e do Audio­vi­sual. Ape­sar da boa inten­ção, esse pro­gra­ma tor­nou-se uma dor-de-cabe­ça para pro­du­to­res, uma vez que não per­mi­te inte­grar pro­ces­sos de admi­nis­tra­ção do pro­je­to já exis­ten­tes com o pro­gra­ma ­padrão. Para ten­tar agi­li­zar a tra­mi­ta­ção dos pro­je­tos, o pro­ gra­ma apre­sen­ta uma pla­ni­lha ­padrão para o orça­men­to físi­co-finan­cei­ro (com itens como pro­fis­sio­nais, ser­vi­ços, equi­pa­men­tos e mate­riais usual­men­te pre­vis­tos em pro­je­ tos cul­tu­rais apre­sen­ta­dos ao Minis­té­rio da Cul­tu­ra) que não é fun­cio­nal para o pro­du­tor. Seu uso é difun­di­do por­ que a pla­ni­lha que con­tém o orça­men­to do pro­je­to é a base para sua apro­va­ção no Minis­té­rio da Cul­tu­ra. As fer­ra­men­tas orga­ni­za­cio­nais mais uti­li­za­dos para a orga­ni­za­ção da pro­du­ção, desde a infor­ma­ti­za­ção das bases de pro­du­ção, são os pro­gra­mas do paco­te Offi­ce, da Micro­soft — o Word, o Excel e o banco de dados ­Access, prin­ci­pal­men­te. “Quan­do come­cei na pro­du­ção, na déca­da de 80, os orça­men­tos eram dati­lo­gra­fa­dos e cal­cu­lá­va­mos em cal­cu­la­do­ra; a tec­no­lo­gia para banco de dados e pla­ni­ lhas che­gou ­ depois. O pri­mei­ro banco de dados que eu tra­ba­lhei foi o DBase e con­se­gui fazer todo o geren­cia­men­ to e o acom­pa­nha­men­to das pes­soas sele­cio­na­das atra­vés do banco de dados. ­ Depois tra­ba­lhei numa pro­du­to­ra de comer­ciais com pla­ni­lhas de orça­men­to e come­cei a pen­sar for­mas oti­mi­za­das de geren­ciar pla­ni­lhas”, diz ­Lilian Solá

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soas sele­cio­na­das atra­vés do banco de dados. ­Depois tra­ba­lhei numa pro­du­to­ra de comer­ciais com pla­ni­lhas de orça­men­to e come­cei a pen­sar for­mas oti­mi­za­ das de geren­ciar pla­ni­lhas”, diz ­Lilian Solá San­tia­go, que atuou na área de pro­du­ção em lon­gas como “Lati­tu­de Zero” (Toni Ven­tu­ri), “Os Mata­do­res” (Beto Brant), “Ed Mort” (Alain Fres­ not), “Alô” (Mara Mou­rão) e “A Hora Mági­ca” (Gui­lher­me de Microsoft Project: maior vantagem é Almei­da Prado). trabalhar conjuntamente ao pacote Office. O banco de dados é uma fer­ ra­men­ta fun­da­men­tal para a pro­du­ção no sen­ti­do de geren­ciar con­ gens nos EUA. Seu dife­ren­cial é tra­ba­lhar ta­tos (qual o está­gio atual de con­ta­tos com um gran­de volu­me de infor­ma­ções rea­li­za­dos), man­ter uma agen­da atua­ de forma inte­gra­da, per­mi­tin­do o aces­so li­za­da que seja aces­sí­vel para todo o a dados que antes ­seriam dis­tri­buí­dos em depar­ta­men­to de pro­du­ção ou ainda diver­sas pla­ni­lhas do Excel. Vinte pla­ni­ veri­fi­car os melho­res orça­men­tos de lhas do depar­ta­men­to de arte, por exem­ for­ne­ce­do­res. Quan­to maior o tama­nho plo, podem estar em uma só lista. da pro­du­ção, mais impor­tan­te torna-se Trata-se de uma fer­ra­men­ta de extre­ essa fer­ra­men­ta. ma uti­li­da­de para assis­ten­tes de dire­ No caso do pro­du­tor não ter um soft­wa­re ção, uma vez que per­mi­te aos mem­bros espe­cí­fi­co para a pro­du­ção é neces­sá­rio de uma equi­pe divi­dir conhe­ci­men­tos, criar/pla­ne­jar as liga­ções entre Excel e tra­ba­lhar em con­jun­to para a toma­da ­Access para que for­ne­çam pla­ni­lhas de de deci­sões e res­pon­der rapi­da­men­te a acor­do com sua neces­si­da­de. mudan­ças. Exis­tem, porém, algu­mas res­ tri­ções em sua uti­li­za­ção no Bra­sil: para Sob medi­da que os assis­ten­tes de cada depar­ta­men­to Den­tre os pro­gra­mas espe­cí­fi­cos para (dire­ção, pro­du­ção, arte, foto­gra­fia, ceno­ geren­cia­men­to de pro­du­ção encon­tram- gra­fia etc.) ali­men­tem dados é neces­sá­rio se o Movie Magic Screen­wri­ter, da Write que toda a pro­du­ção este­ja infor­ma­ti­za­da Bro­thers; e o Pro­ject, da Micro­soft. e inter­li­ga­da no set. O Movie Magic Screen­wri­ter foi cria­do O pro­gra­ma tam­bém dis­po­ni­bi­li­za infor­ para uso na pro­du­ção de lon­gas-metra­ ma­ções pre­ci­sas de cus­tos, como valo­res de ­cachês de téc­ni­cos, loca­ção de equi­pa­ men­tos ou infor­ma­ções como tele­fo­nes e ende­re­ços úteis para uma pro­du­ção. E outra res­tri­ção é que os dados são somen­te de cida­des ame­ri­ca­nas. Ao inse­rir o rotei­ro no pro­gra­ma é pos­sí­ vel obter a lista de per­so­na­gens, loca­ções e um cro­no­gra­ma e pla­nos de fil­ma­gem de uma forma oti­mi­za­da. No caso de alte­ ra­ções no cro­no­gra­ma, o pro­gra­ma auto­ ma­ti­ca­men­te indi­ca qual a nova ­ melhor data. Mas aí vem outra res­tri­ção para seu uso por aqui: o rotei­ro, assim como todas as ­outras infor­ma­ções, deve ser inse­ri­do em ­inglês. O Screenwriter trabalha com grande número de informações de forma integrada.

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Efi­ciên­cia na pro­du­ção Fer­ra­men­tas para o geren­cia­men­to de fil­ mes vêm sendo uti­li­za­das por pro­du­to­ras como a Aca­de­mia de Fil­mes, per­mi­tin­do

maior efi­ciên­cia nos pro­je­tos e um cro­no­gra­ma rea­lis­ta segun­do o orça­men­to dis­po­ní­vel. “Soft­wa­ res de geren­cia­men­to per­mi­tem cal­cu­lar a mar­gem de lucro da pro­du­to­ra den­tro de um pro­je­to, con­ver­sar entre os depar­ta­men­ tos, ter aces­so ao esto­que da pro­ du­to­ra, da con­tra-regra­gem e do esto­que de pelí­cu­las e fitas. A pro­du­ção comer­cial, a dire­ção de pro­du­ção, a pro­du­ção exe­cu­ti­va e a admi­nis­tra­ção ficam todos conec­ta­dos”, diz ­Lilian. Um pro­gra­ma muito uti­li­za­do para pro­du­ções que neces­si­tam de forte coor­de­na­ção, como lon­gas ou docu­men­tá­rios, é o Pro­ject, da Micro­soft. Com ver­sões em ­inglês e por­tu­guês, ele per­mi­te pla­ne­jar e admi­nis­trar pro­je­tos, orga­ni­zar tare­fas e recur­sos para man­ter os pro­je­tos den­tro do cro­no­gra­ma e do orça­men­to. O Pro­ject pode ser padro­ni­za­do para cada tipo de filme e sua van­ta­gem é poder ser inte­gra­do com todo o paco­ te Offi­ce, per­­mi­tin­do que infor­ma­ções do pro­je­to pos­­sam ser apre­sen­ta­das em ­outros pro­gra­mas ou con­ver­ten­do pla­ ni­lhas já exis­ten­tes e cria­das no Excel ou no ­ Outlook em pla­nos de pro­je­to. Ele per­mi­te conec­tar ­ vários mem­bros da equi­pe e tem uma estru­tu­ra que deve ser ali­men­ta­da sema­na a sema­na: “Com o Pro­ject fecha­mos o fi­nan­cei­ro e acom­ pa­nha­mos o cro­no­gra­ma de rea­li­za­ção e a evo­lu­ção de cus­tos sema­nal­men­te, que é a estru­tu­ra ame­ri­ca­na de pro­du­ção”, diz o pro­du­tor Wag­ner Car­va­lho, que pro­du­ziu lon­gas como “O Ho­mem que Virou Suco” (João Batis­ta de An­dra­de) e “Cida­de Ocul­ta” (Chico Bote­lho). Ainda é pos­sí­vel resol­ver con­fli­tos de tare­fas ou de orça­men­to, veri­fi­car se o pro­je­to está den­tro do orça­men­to e do cro­ no­gra­ma ava­lian­do o impac­to de pos­sí­veis mudan­ças de agen­da ou recur­sos, além de garan­tir atua­li­za­ções que per­mi­tem iden­ ti­fi­car prio­ri­da­des e melho­res esco­lhas. O pro­gra­ma, no entan­to, não impe­de que o orça­men­to às vezes saia do con­tro­le devi­do à polí­ti­ca eco­nô­mi­ca do gover­ no, como afir­ma Car­va­lho: “Mesmo com extre­mo con­tro­le da pro­du­ção dos fil­mes, acon­te­ceu algu­mas vezes de estou­rar­mos o orça­men­to. Em épo­cas de alta infla­ção con­tra­ta­va-se um ser­vi­ço e 20 dias ­depois o preço já havia subi­do”.

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Revista Tela Viva - 137 - Abril 2004  
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