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Nº107

julho 2001

www.telaviva.com.br

GOVERNO MEXE NA LEGISLAÇÃO DE

RACIONAMENTO NA PRODUÇÃO

RADIODIFUSÃO E DO AUDIOVISUAL

DE TV, CINEMA E PUBLICIDADE


N達o disponivel


w w w . t e l a v i v a . c o m . b r

E D I T O R I AL

G u i a T ela V iva F i c h a s técnicas de comerciais E d i ç õ e s anteriores da Te la V iv a L e g i s l ação do audiovisual P r o g r a mação regio nal Í N D I C E SCANNER

4

CAPA

Broadcast & Cable 2001

12

LEGISLAÇÃO

Lei de radiodifusão e

18

RACIONAMENTO

As medidas das produtoras e

PRODUÇÃO

Selvagens inocentes

audiovisual

emissoras de TV

MAKING OF

20

24

26

CINEMA

Cine Ceará 2001

28

FIGURA

Idê Lacreta

30

CONTEÚDO

Preservação da identidade e do

32

idioma nacional

PROGRAMAÇÃO REGIONAL

Rio Grande do Norte

34

PUBLICIDADE

Jota Xis Órbitas

38

FIQUE POR DENTRO

41

AGENDA 

42

A radiodifusão nacional, relegada por um bom tempo a atriz coadjuvante no palco das comunicações, reaparece em cena como prima dona. De repente, o Ministério das Comunicações, a Anatel, a Casa Civil e o Congresso resolveram jogar suas luzes sobre a veterana fonte de informação e entretenimento da maior parte da população brasileira. Todo mundo resolveu por a mão no segmento e a confusão está instalada. O ministro Pimenta da Veiga escreveu às pressas um roteiro para a peça que será representada nos próximos anos. O demagógico projeto colocado em consulta pública é inconsistente e retrocede a práticas que deveriam ser abolidas do cenário, como o poder político de concessão de emissoras. Diante de um público perplexo com a ingerência governamental, a atitude do ministro pode ser interpretada como a criação de salvaguardas para que membros do atual elenco tenham condições de pleitear (ou trocar?) votos para 2002. A separação constitucional continua criando o clima de suspense da encenação intitulada “Quem manda na radiodifusão”, protagonizada pelo Minicom e pela Anatel. A agência segue gerindo o processo de transição digital aos trancos e barrancos, pressionada politicamente. A defesa pela produção e distribuição de conteúdo genuinamente nacional está virando fanatismo. A Casa Civil está concebendo uma xenofóbica Medida Provisória, em favor do cinema brasileiro, que está deixando radiodifusores, mercado publicitário, programadores e estúdios internacionais, além de operadoras de TV paga de cabelo em pé. A criação de uma política de incentivo à produção e distribuição de conteúdo audiovisual, de defesa de valores culturais brasileiros (como a própria língua portuguesa) e de todas as formas de expressão regionais e locais é imperativa para qualquer país. Só que essa política não pode surgir de apenas meia dúzia de cabeças (mesmo que privilegiadas) e ser implantada através de uma canetada. Será que opiniões ou meros interesses pessoais de poucos devem prevalecer sobre o de milhões de brasileiros? A falta de projeto consistente de FHC e seus ministros está gerando peças desse nível, ilógicas e incoerentes. Tanto falamos na convergência tecnológica e de serviços para termos uma perspectiva promissora nas áreas de mídia e telecomunicações. Que tal um pouco de convergência governamental para não termos de assistir a espetáculos tão desconexos quanto os que o Planalto vem colocando em exibição? Edylita Falgetano


PAGU EM VÍDEO A partir da adaptação da obra de Lúcia Maria Teixeira Furlani, a musa modernista Patrícia Galvão - a Pagu - ganha um vídeo biográfico. Quem assina a direção é o crítico e professor de cinema Rudá de Andrade, filho de Pagu e Oswald de Andrade, em parceria com Marcelo Tassara. O vídeo é baseado no livro “Pagu: livre na imaginação, no espaço e no tempo”, que conta suas passagens pelo jornalismo, política, artes e literatura. Com uma produção espalhada pelos principais jornais de 1929 a 1962, quando faleceu vítima de câncer, Pagu tinha um espírito libertário que até hoje causa certa admiração e incômodo. O vídeo foi lançado no Museu da Imagem e do Som de São Paulo em 25 de junho e tem texto e narração da própria autora do livro e contou com a parceria de produção da Universidade Santa Cecília (Unisanta), de Santos. Lúcia é professora e pesquisadora na área de Psicologia na Unisanta. As fotografias que aparecem no vídeo são de Araquém Alcântara. O filme já está selecionado para o Festival de Tróia, em Portugal, e se apresentará em todo o circuito nacional e internacional, além de ter despertado o interesse de emissoras de televisão.

s c a n n e r JORNALISMO ENXUTO A produção do BandNews dispensa

24 horas diárias de transmissão ao vivo

o uso de fitas de vídeo. O núcleo do

do canal. “Ao todo 65 pessoas inte-

canal de notícias da Bandeirantes,

gram as equipes formadas por jornal-

incluído no line up da TVA, DirecTV

istas e técnicos”, explica Humberto

e NeoTV, é um vídeo servidor da

Candil, editor chefe do BandNews.

Leitch, com quatro canais de entrada e quatro de play out, que recebe todo o material enviado por satélite, agências internacionais e das fitas produzidas localmente e tem capacidade de armazenar 90 horas (1,5 Tb). O sistema RAID-3 tem 90 discos, cada um com 50 Gb, e foi usado pela Bandeirantes durante as Olimpíadas 2000. Todo o ingresso de material usa a infra-estrutura da Band.

A montagem do canal e o treinamento dos jornalistas e técnicos ocorreram simultaneamente entre dezembro passado e março deste ano, quando o canal entrou no ar. “Como as ferramentas são outras, as cabeças também precisam mudar. Tem de haver uma integração muito boa entre a redação e a operação. E esse convívio tem se mostrado saudável e muito produtivo”, avalia Sebastián Burone

O sinal de transmissão sobe pelo uplink

Lorente, gerente de planejamento de

do Morumbi, em São Paulo, para o

engenharia da Rede Bandeirantes.

Intelsat B3, digital em MPEG-2.

Como nada é estático, principalmente

Três câmeras, duas fixas e uma no

em TV, Burone pretende implementar

trilho operada por controle remoto,

o sistema incluindo a nova versão de

três ilhas de edição, um switcher de

browser ENPS, que possibilita ao

estúdio e um master, e uma ilha de

jornalista visualizar na tela do PC o

efeitos gráficos, compõem a emissora,

material bruto a ser editado e pen-

instalada numa área de aproximada-

sando em usar um servidor

mente 200 m2, toda envidraçada. Sete

RAID-1 para espelhamento. “Apenas

âncoras (o oitavo está sendo contrat-

por pura segurança”, comenta o

ado) fazem o revezamento para veicu-

engenheiro, com 41 anos de TV e

lar quatro jornais por hora, durante as

desde 1975 na Bandeirantes.

PRODIGO



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VINHETAS A Digigraph foi a responsável pela vinheta “BR no Cinema”, que faz parte do projeto de apoio ao Cinema Nacional da BR Petrobras. A produtora carioca já havia produzido duas outras vinhetas para a BR, para patrocínio de programas veiculados pelo Canal Brasil. Todas as três tiveram direção de Jean Benoir Crepon (JB).

Fotos: Divulgação

Fabiano Liporoni uniu-se ao time de diretores da Prodigo, comandada por Adriano Civita, Cao Quintas e Doca Corbett. Liporoni já trabalhou em diversas produtoras, entre elas a Salatini, EB e Espiral. Atuou também como produtor na MTV e TVA. Seu último trabalho foi na Lux Films, de onde saiu para assumir os desafios propostos pela Prodigo, onde além da direção de filmes publicitários, Liporoni já está finalizando a produção do curta “Watermellon”.


s c a n n e r NOVELA O SBT inicia a produção de “Píncara sonhadora”, a primeira novela em parceria com Televisa. Trinta textos (mexicanos ou não) da rede mexicana serão traduzidos e adaptados para serem gravados nas instalações do complexo da Anhangüera durante os cinco anos previstos no contrato. As novelas representam atualmente 12% do faturamento do SBT e a intenção do grupo liderado por Silvio Santos é chegar a 15%. A novidade é um novo modelo de merchandising a ser comercializado pela emissora. Durante o intervalo comercial, uma “família” irá comentar os produtos e serviços evidenciados durante o capítulo da trama e fazer o “comercial”. Os personagens que irão interagir entre a cena e o break serão fixos e contratados pelo SBT, minimizando assim os custos de produção para o anunciante.

PARCERIA DIGITAL A Silicon Graphics (SGI) e a Discreet estão reforçando acordo de parceria para o atendimento do mercado de mídia digital na América Latina. O acordo irá gerar negócios no segmento de entretenimento no Brasil e na América Latina. Com essa parceria as duas empresas pretendem abrir novas oportunidades de negócios para as áreas de digital asset management, pós-produção, servidores de vídeo e Internet/ intranet streaming.

COMANDADOS Para expandir sua atuação no mercado broadcast e lançar a nova linha de edição não-linear, utilizando o hardware VS 200, a 4S acaba de contratar Ricardo Chrispim. A Ricardo, Guilherme, equipe, que já Vania e Armando contava com o atendimento de Vania Lúcia Pauli, também foi reforçada com a entrada de Guilherme Ptelz. O comando da linha de frente da empresa catarinense é de Armando Moraes.

COTONETE O comercial “Cotonete” foi criado pela DM9DDB para a Telefônica. Com o filme, a empresa pretende mostrar o trabalho de seus funcionários na recuperação e modernização dos telefones públicos de São Paulo. A agência usou a higiene pós-banho dos ouvidos para ilustrar o conceito. Nele, um ator representa um funcionário da telefônica, que ao limpar os ouvidos após o banho, lembrase de seu trabalho de manutenção dos orelhões. O filme teve criação de Fábio Victória e direção de criação de Jáder Rossetto e Pedro Cappeletti. Produção da Cia de Cinema, finalização da Casablanca e trilha da Junk.

BALANÇO A TV Globo teve um faturamento de US$ 237 milhões no primeiro trimestre de 2001, cerca de 9% a menos do que no mesmo período de 2000. Os números estão no balanço da holding Globopar referente aos três primeiros meses do ano. A queda da TV Globo é decorrente, segundo analistas de mercado, da desaceleração do mercado publicitário. Ainda assim, segundo a análise do Banc of America, é uma queda de faturamento menor do que de outras emissoras, como Bandeirantes (35%) e RBS (16%).

NOJO O filme “Nojo”, de Alexandre Dacosta, é o grande vencedor do mês de maio do Pulga - I Festival Permanente de Curtas pela Internet, da Cidade Internet. O filme, que venceu a terceira fase do mês, foi escolhido o melhor pelo cineasta e diretor da Mostra do Audiovisual Paulista, Francisco Cesar Filho, Chiquinho. O filme de Dacosta concorreu com mais três trabalhos: “Homens, mulheres, gays, lésbicas e os Beatles”, do gaúcho Michel Bruschi; “Supermegalooping”, de Frederick Montero, de Campinas; e “Carlitos no final do século XX - uma homenagem”, de Wilton Araújo e Francisco Caldas, mineiros de Juiz de Fora. Em oito minutos filmados em Beta, “Nojo” conta como um hipocondríaco celibatário engole suas próprias secreções para tentar imunizar seu corpo. O filme ainda pode ser visto no www.cidadeinternet.com.br/pulga. O internauta também já pode assistir e votar nos melhores curtas da segunda etapa do festival, onde estão participando exclusivamente os filmes da Mostra do Audiovisual Paulista. TELA VIVA JULHO DE 2001




N達o disponivel


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s c a n n e r

TUDO CERTO

O congresso teve mais de 900 inscrições de todo o Brasil e contou com as presenças dos ministros Pimenta da Veiga, das comunicações; Paulo Renato Souza, da educação; e Francisco Weffort, da cultura, dos governadores Geraldo Alckmin, de São Paulo e Anthony Garotinho, do Rio de Janeiro, do presidente da Anatel, Renato Guerreiro, além de diversos secretários de Estado e deputados.

foco Alexandre Gracce está no comando da Digiarte e-broad, nova empresa ligada à Line Up voltada à mídia digital. Segundo o diretor da empresa, “nascemos com a missão de ocupar uma lacuna do mercado, em streaming media”. “Queremos proporcionar uma solução para o cliente focando a comunicação corporativa incluindo a transmissão, captação, digitalização e distribuição de áudio e vídeo pela Internet ou uma Intranet.” 

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ESTÁDIO LOTADO

PATROCINADORES

O filme “Futebol”, criado pela Carillo Pastore Euro RSCG para o lançamento do Peugeot 206 1.0 16V, foi filmado durante uma partida de futebol entre dois times fictícios. Para lotar o estádio, foram necessários mais de mil figurantes. O filme foi produzido pela Jodaf, com direção de João Daniel Tikhomiroff, tem trilha da Play it Again e finalização da Casablanca Finish House.

Responsável pela comercialização de publicidade na TV Cultura, a Connect TV Businesses fechou com a Peugeot um novo acordo comercial para a programação da emissora. O anunciante atrela sua marca ao programa dominical “Cartão verde”, apresentado por Flávio Prado. O pacote inclui o patrocínio no quadro “A imagem que não sai da cabeça”, que substitui o “Imagem da semana”. O contrato foi fechado para os meses de julho a setembro.

BAIXO CUSTO

A Telefônica também renovou o patrocínio ao programa “Conversa afiada”, apresentado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim. A operadora de telefonia fixa alia sua marca à atração desde março de 2000.

A Pinnacle Systems anunciou o lançamento no mercado brasileiro do DV200, sistema para edição e captura de vídeo digital com recursos profissionais que se destaca pelo baixo custo. A solução inclui placa FireWire de captura e a versão completa do software Adobe Premiere 6.0 O produto está sendo distribuído no

Fotos: Divulgação

Trabalho foi o que não faltou nos dois últimos meses para Izabel Rezende, que coordenou o 22º Congresso Brasileiro da Abert, do 14º Congresso Estadual da Aesp e da 19ª Exposição Nacional de Equipamentos, realizados no Hotel Transamérica (SP) entre 11 e 13 de junho passado, e promovidos pela Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (Aesp). A assessora das Organizações Globo também é membro da Comissão de Marketing e Eventos da Abert e liderou toda a logística, inscrição de participantes, recepção de palestrantes, montagem da área de exposição, contratação de serviços etc. dos eventos. No final, uma só frase: “Deu certo!”.

Brasil pela BraSoft/PiEditora desde a primeira semana de junho.

ERRATA Na edição 105 de Tela Viva, de maio de 2001, na matéria “Placas de captura: conversoras de sinais de vídeo” cita-se erroneamente a empresa Videomart como exclusiva representante da Matrox Video Products Group no Brasil. Entre outras empresas, a TekStation Vídeo e Áudio Profissional Ltda também é representante autorizada da Matrox no Brasil.

Peixelétrico

SUINGUE PRAIANO A produtora JX Filmes assina a produção do primeiro clip do grupo de forró e reggae Peixelétrico. Roteiro e direção são compartilhados por Homero Olivetto e Marcus Vinicius Baldini. As filmagens foram realizadas em 16 mm, com a participação de cerca de 150 figurantes e o uso de três barcos. A locação é a Prainha Branca, aldeia de pescadores perto de Bertioga, no litoral norte de São Paulo.


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BAGAGEM Eunice Dornelles, que trabalhou na Central Globo de Comunicação durante 27 anos, acaba de integrar a equipe da RCL Comunicação e Idéias, dos sócios Rui Xavier e Leila Reis, onde atenderá toda a imprensa. “Mas não estarei limitada a um assunto especifico.” Durante toda sua estada na TV Globo, Eunice, ganhou muitos amigos com sua simpatia ao tratar com a imprensa. Seu trabalho de maior destaque, segundo ela, foi um boletim diário da programação da emissora para imprensa e agências publicitárias. “Cuidava de toda a produção desse boletim, e começou a crescer tanto que tive de deixar a faculdade de filosofia no terceiro ano.” A RCL tem clientes como Ibope e Governo do Estado de Alagoas e ainda edita o Coisas do Comércio, com dicas para o comércio varejista, encartado em jornais de 51 municípios paulistas. Xavier não dispensa elogios à sua contratada. “Ela nos trará toda essa bagagem, e nosso trabalho conjunto crescerá muito mais.”

VISITA Luis Pinievsky, diretor da Orad, e Amir Shargal, da OradNet, uma joint-venture entre a Orad e a Intel, estiveram no Brasil para demonstrar os sistemas TOPlay e Cyberplay utilizados na transmissão de eventos esportivos por TV ou Internet. As apresentações paulistanas foram realizadas na sede da Videodata, que representa as empresas no Brasil, e contou a presença de profissionais de agências de publicidade e portais de Internet. No Rio, a apresentação foi feita na sede da Rede Globo. 10 TELA VIVA JULHO DE 2001

s c a n n e r RECORDE As inscrições para o programa Rumos

Bruno Vianna e Francisco Cesar Filho

Itaú Cultural Cinema e Vídeo

e dos programadores Paulo Biscaia

bateram um recorde este ano, com 540

(Cinemateca de Curitiba), Alexandre

projetos de 18 estados. Uma novidade

Veras (Espaço Alpendre, de Fortaleza)

foi o apoio de canais de televisão,

e Roberto Moreira Cruz (Itaú Cultural

principalmente o educativo TV Cultura

Belo Horizonte) em sua comissão

e o por assinatura GNT. Visando

julgadora. Os projetos concorrem

justamente esse mercado, a maioria dos

em três categorias: Desenvolvimento

projetos tem duração de 52 minutos. A divulgação dos projetos selecionados estava prevista para 3 de julho.

de Projetos (apoio à pesquisa e formatação, no valor de até R$ 15 mil); Produção (realização, até R$ 100 mil);

Em sua terceira edição, o programa

e Jovens Realizadores (para diretores

conta com a participação dos cineastas

com até 25 anos de idade, até R$ 8 mil).

PARA ADULTOS O Centro Técnico Audiovisual da Funarte (CTAv) está lançando em vídeo no Animamundi uma seleção de cinco curtas-metragens “para adultos” na coletânea

Brasil em Curtas XIV: Animação para Maiores. A fita reúne alguns filmes premiados “Almas em chamas” nos últimos anos, com temática “não recomendada para os baixinhos”. Os polêmicos “Deus é Pai” e “Os idiotas mesmo”, do diretor Allan Sieber; “Almas em chamas” e “Amassa que elas gostam”, respectivamente de Arnaldo Galvão e Fernando Coster, que tratam do relacionamento homem-mulher com uma dose de erotismo; e “Os irmãos Williams”, de Ricardo Dantas, que parodia grupos musicais de gosto duvidoso.

MERGULHO NA REDE A AV Produções acaba de lançar seu novo website, agora com novo endereço (www.avproducoes.com). “O novo site se encaixa em uma estratégia maior de reposicionamento, juntamente com o novo logotipo, novos produtos e outras ações que ainda se encontram em desenvolvimento”, conta Celso Antunes, diretor de criação do escritório paulistano da produtora. No site podem ser encontrados slideshows em flash e breves descrições de alguns dos trabalhos mais recentes realizados pela produtora. Também é possível fazer o download de uma apresentação em vídeo da produtora, no formato QuickTime. O website foi totalmente desenvolvimento com recursos internos. A equipe está se empenhando na produção de TV executiva, que tem entre os trabalhos a “TV Ponto Frio”, programa quinzenal veiculado em TV aberta.


s c a n n e r

NO VALE

PARCERIA INTERNACIONAL A V Filmes, dos diretores e roteiristas Wiland Pinsdorf e de Rinaldo Lima, associou-se ao Caesar Photo Design, estúdio baseado em Los Angeles, nos EUA, com escritório também em Roma, na Itália. O primeiro trabalho em conjunto foi a produção do curta-metragem “Olhar deserto”, filmado em 35 mm no deserto de Mojave, na Califórnia. A captação foi feita em vídeo digital, em LA, e a edição e finalização em São Paulo. As peças foram aprovadas simultaneamente nos EUA e na Itália, através de arquivos QuickTime, enviados pela Internet. A produtora paulistana foi a vencedora de dois prêmios Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial) em sua versão 2001. Os prêmios foram nas categorias Vídeo de Comunicação Interna, com o institucional “Embraco global”, e Memória Empresarial, com documentário realizado para a Multibrás.

ORDEM NA CASA Com o objetivo de moralizar o mercado

de regulamentação do setor. Entre

das agências de modelo brasileiras,

as regras discutidas em encontro

que hoje exportam beldades

realizado em São Paulo no início de

tupiniquins para o mundo inteiro, foi criada a Associação Brasileira das Agências de Manequins e Modelos (Abamm). A associação

junho, estão a profissionalização das agências, a implementação de um código de ética, a criação de um disque denúncia contra agenciadores

agências internacionais atuantes no

ilegais, um serviço de apoio jurídico às

Brasil e está desenvolvendo um projeto

modelos e uma central de informações.

ANIMADO

Fotos: Divulgação

tem representantes das principais

A Start Desenhos Animados está

executiva e Rafael foi

lançando o longa “O grilo feliz”, que

o responsável pelas

deve estrear nas salas de cinema

cenas em computação

no dia 20 de julho. Esse é o primeiro

gráfica 3D e acompan-

longa do diretor e animador Walbercy

hou a pós-produção

Ribas, que teve a idéia de fazer o filme

digital. O filme, com

em 1980 para seus filhos Juliana e

82 minutos de duração,

Rafael, na época com seis e quatro

foi criado com a ajuda de uma equipe de

anos respectivamente. As diversas

70 ilustradores, intervaladores, cleaners

dificuldades encontradas pelo diretor

e coloristas. Os desenhos foram cria-

para a execução da obra - captação de

dos na prancheta e colorizados em

recursos, distribuição etc. - fizeram

estações SGI com o software Toonz e

com que as “crianças” pudessem tra-

a pós-produção contou com os soft-

balhar no filme. Juliana é a produtora

wares Alias, Marados e Maya.

“O grilo feliz”

Fernando Moreira, diretor da Univap TV, que produz programas para a Rede Vida, TV Nova Canção e TV Setorial, afiliada à TVE Brasil, foi nomeado coordenador do curso de Publicidade e Propaganda da Univap - Universidade Vale do Paraíba. “Nosso curso envolve cerca de 500 alunos e neste novo desafio procuraremos trazer a realidade do mercado para eles. Estamos investindo US$ 250 mil em um estúdio.” Também estão sendo comprados equipamentos digitais Sony e Philips para a produtora. Fernando participou da Conferência Virtual Educa, em Madri, Espanha, onde apresentou o projeto do uso de novas tecnologias na Univap. O evento organizado pelo governo espanhol discutiu assuntos em torno da educação à distância e seu uso em universidades e centros de pesquisas. A Univap TV, que contava com as jornalistas Celeste Marinho, Vânia Braz e Roberta Baldo, acaba de contratar outro profissional, Jaide de Menezes, que trabalhou nas áreas de engenharia e produção da TV Vanguarda, afiliada à TV Globo em São José dos Campos (SP), e agora responde pela supervisão técnica da produtora. O programa “Espaço Univap”, veiculado pela Rede Vida durante quatro anos, deu lugar ao “Vida e cidadania”, um programa com um formato diferente do anterior e que conta com apresentadores estudantes do curso de comunicação da Universidade Vale do Paraíba. Também é produzido em parceria com a União Brasileira de Escritores (UBE), o “Página aberta”, um programa de literatura, além do “Qualidade empresarial” em parceria com a empresa Isonet, veiculado na TV Bandeirantes do Vale do Paraíba. TELA VIVA JULHO DE 2001 11


C A P A Emerson Calvente e Edylita Falgetano

FEIRA DE NEGÓCIOS As últimas novidades sobre a TV digital ano passado: cerca de dez mil pessoas. Discussões sobre o modelo e a escolha do padrão tecnológico No 15º Congresso Técnico da SET, de negócios para TV digital de transmissão a ser adotado pelo a tecnologia digital tanto para rádio País serão os principais temas do quanto para TV promete dominar terão destaque na Broadcast evento SET 2001 - Broadcast & Cable. a maioria das palestras (veja box). & Cable 2001. Equipamentos De 1º a 3 de agosto próximo, o Entretanto, o tema será abordado Centro de Exposições Imigrantes, em sob um prisma diferente dos anos para atender às São Paulo, será a sede do evento anteriores. Como o grupo Abert/SET que integra a Feira de Tecnologia já indicou o ISDB-T como o padrão necessidades de atualização em Equipamentos e Serviços para de DTV que considera mais adequado das emissoras é o que não Engenharia de Televisão e o 15º ao Brasil, as discussões deverão Congresso Técnico da SET - Sociedade centrar-se no tema dos negócios no vai faltar na exposição. Brasileira de Engenharia de Televisão novo sistema. O SET 2001 analisará e e Telecomunicações, organizado pela delineará procedimentos de business, Certame Eventos Promocionais. criação, distribuição e gerenciamento A realização do evento por dois anos consecutivos de transmissão eletrônica de conteúdo multimídia, para em São Paulo vem quebrar a tradição de realizá-lo os segmentos de mercado de Internet, indústria, rádio, alternadamente nesta cidade e no Rio de Janeiro. Em TV aberta, telecomunicações, TV por assinatura e relação ao ano passado, o evento deve aumentar em produção, integrados e interfaceados pela aplicação da pelo menos um terço a quantidade de expositores, que tecnologia da TV digital. ocuparão uma área de 12 mil m2. A Certame calcula que A maioria dos fornecedores e distribuidores o número de empresas expositoras chegue a 200, 50 a pretende anunciar e demonstrar produtos baseados mais do que em 2000. As estimativas de público apontam na tecnologia digital. Confira a seguir o que estará para um número pelo menos igual ao de visitantes no em destaque nos estandes da feira.

A Tecnovídeo iniciou em 1999 uma parceria comercial com a Leitch através de seu escritório no Brasil. Em outubro de 2001, a Leitch adquiriu a DPS, empresa norte-americana na área de soluções em pós-produção. Segundo Sady Ros, gerente de marketing e vendas da Tecnovídeo, “2001 é o ano da solidificação da parceria Tecnovídeo com Leitch Technology”. Além da JVC, a Tecnovídeo irá promover a apresentação ao mercado brasileiro das soluções que a DPS mostrou na NAB deste ano. A solução de edição em tempo real dpsVelocity já vem sendo comercializada

12 TELA VIVA JULHO DE 2001

e deverá ter um upgrade para a versão 7.6. Novas facilidades foram adicionadas, como a integração direta da time line com o DFX+ (Digital Fusion) da Eyeon, software de composição e efeitos. Além disso, também foi incorporado o SpruceUp, software de autoria em DVD, flexível e intuitivo. Para concorrer em mercados de maior desempenho, será mostrado o dpsQuattrus, que apresenta playback de quatro layers de vídeo simultaneamente - em qualquer combinação de vídeo com ou sem compressão - e seis streams de gráficos dinâmicos. Um módulo opcional Quad 3D DVE adiciona quatro

canais de efeitos 3D em tempo real. Outra novidade é o dpsNetStreamer. Ele pode produzir simultaneamente múltiplos streams em formatos RealNetworks, RealVideo, Microsoft Windows Media, QuickTime e, dependendo dos parâmetros utilizados, pode oferecer seis web streams simultâneos. Totalmente controlado remotamente com entradas e saídas flexíveis. Vídeo componente e composto, áudio (balanced/ unbalanced) são standard. SDI, DV, AES/EBU e Embedded SDI áudio são opcionais. Com grande aplicação em eventos esportivos, será mostrado o dpsWhiplash2, solução para replay em slow motion, trabalhando


em baixa compressão (1.3:1). Esse produto, com duas unidades de rack, baseado em solução de hard disk, oferece um número ilimitado de pontos de entrada durante a gravação, que podem ser instantaneamente “chamados” ao toque de um botão, sem ter de rebobinar ou esperar. Permite gravar e reproduzir simultaneamente. A linha da JVC conta com uma câmera de estúdio com baixa taxa de utilização, para utilização em afiliadas das grandes redes, por exemplo. Até o surgimento da GY-DV550, essas emissoras deveriam comprar diferentes câmeras para estúdio e para captação externa. A GYDV550, concebida na consagrada plataforma da GY-DV500, tem uma interface de 26 pinos que possibilita seu controle através de CCU (Camera Control Unit). Basta conectar o cabo. É possível ainda adicionar outros acessórios, como viewfinder de 4” e controles de zoom e foco. A GY-DV700W é o mais novo produto da linha Professional DV, oferecendo camcorder com processamento digital de 14 bits, três CCDs de 2/3” (3 x 480.000 pixels). Foi desenvolvida com relação de aspecto 16:9 nativo, podendo ser chaveada para o modo 4:3. “A possibilidade de captar em 16:9 faz desta câmera um atrativo para o crescente mercado de produção de cinema independente, o qual despertou fortemente com o sucesso do projeto ‘A bruxa de Blair’”, comenta Ros. Oferece ainda Full Auto White, Black Stretch, Genlock e LoLux. Outros produtos da linha D-9, 4:2:2 - 50 Mbs, serão demonstrados, como as câmeras DY-70, DY-90 e os VTs BR-D52/D92 e BR-D560/860. Entre os produtos da Alias|Wavefront, a Tecnovídeo anuncia a versão 4.0 do Maya, um dos principais softwares de animação 3D. O Maya ganha agora nova interface, facilidades de rendering e animação, tornando-se mais prático e completo. Entre os aprimoramentos, destaca-se o render, que apresenta aumento significativo de qualidade, além de ser aproximadamente 15% mais veloz em cenas “pesadas”, com retracing e uso de partículas. Novas ferramentas foram acrescentadas para animação não-linear, como por exemplo, criação de efeitos de musculatura e gordura corporal. O Paint Effects apresenta 35 novos brushes, pintando e renderizando. A versão 4.0 está disponível nas plataformas Windows, Linux, Irix, e agora em Mac OSX e permite ao usuário escolher entre as várias placas gráficas disponíveis no mercado. Os produtos Sennheiser e Neumann serão expostos no estande da Eurobrás e da Debetec.

Alexandre Algranti, gerente para o Brasil da Sennheiser Electronic Corporation, tem uma boa expectativa para o evento deste ano. Entre os lançamentos da Sennheiser para a B&C 2001 está o microfone dinâmico MD 46 para jornalistas, com as seguintes características: padrão polar cardióide, resposta de freqüência entre 40 Hz e 18 kHz, cabo longo para melhor fixação do flag identificador da emissora, cápsula com sistema de amortecimento, corpo construído em liga de zinco extra-resistente e resposta de freqüência estendida. O transmissor plug on SKP 30 é outra novidade: extremamente robusto, potência de 30 MW, 1.280 freqüências, resposta de freqüência entre 60 Hz e 18 kHz, alimentação com bateria de 9 V, entrada de áudio balanceada eletronicamente, phantom power para uso com microfones condensador, botão mute, que silencia o microfone sem cortar a portadora e mostrador de carga da bateria com transmissão do aviso de baixa carga equipado com o sistema de redução HiDynPlus, compatível com receptores das séries 3000 e 5000. O lançamento da Neumann é o microfone condensador KMS 105, padrão polar supercardióide, resposta de freqüência entre 20 Hz e 20 kHz, spl máximo (0.5% THD) 145 dB SPL e voltagem de operação de 47 V. O KMS 105 está disponível com acabamento em preto fosco e prateado.

acordo com Luis Sergio Correa, engenheiro da Panasonic, “iremos destacar a nossa linha de produtos DVCPRO50, direcionada a produtoras e emissoras na área de produção. Esperamos alavancar um volume de vendas maior, em relação ao ano passado”. Entre os produtos confirmados para exibição está o VTR de baixo custo AJ-D250, da série PV, com interface RS232C, o VTR MiniDV AG-DV1000, com terminal IEEE 1394 Firewire e a digital camera/recorder AG-DVC200, com 800 linhas de resolução horizontal e CCD de 1/2” com 410 k pixels. Segundo José Y. Ito, gerente comercial da área de broadcasting, “a NEC do Brasil vai mostrar o transmissor-receptor Série 3500 MKII”. Esse equipamento melhor se aplica em sistemas de interligação de média capacidade, conectando cidades ou vilas, ou como ramificação de um tronco principal. Pode ser utilizado também como tronco principal de média capacidade ou em backbone de telefonia móvel celular. Operando na faixa de 6 GHz a 8,5 GHz o equipamento tem sua unidade transmissora disponível nas versões indoor e outdoor possibilitando assim a sua instalação em locais onde as condições de espaço e ambiente são desfavoráveis.

Com um estande duas vezes maior que no ano passado, a EVS Broadcast Equipment do Brasil apresentará muitas novidades no evento deste ano, além dos produtos LSM para replay e slow motion. Carl J. Christiaens, gerente A Philips Broadcast foi recentemente geral da empresa, acrescenta: “A EVS assinou comprada pela Thomson Multimedia , integrando a nova divisão Broadcast e Network dois contratos com a ISB (International Sports Broadcasting) e a HBS (Host Broadcast Services) Solutions. Para a B&C 2001, a Thomson trará para fornecer as máquinas LSM para os Jogos ao Brasil a câmera LDK 6000HD, exibida Olímpicos de Inverno de Salt Lake City (19 na NAB deste ano. A LDK 6000HD é uma máquinas) e para a Copa do Mundo de Futebol de câmera muito leve, de alta definição, com 2002 (30 máquinas)”. O SportNet, uma solução CCDs de 2/3” com 9,2 milhões de pixels por em rede para produção externa em tempo real, é CCD. Permite alternar entre formatos (1080I um dos produtos que estarão sendo apresentados e 720P) ao toque de um botão, garantindo na feira. Os servidores de replays LSM, com até flexibilidade e liberdade. Outro destaque seis canais, podem agora ser ligados em rede é a série de switchers DD35. A linha de produtos DD35 abrange desde o DD10, um para formar um sistema de produção esportiva switcher pequeno e compacto com um único ou jornalística totalmente integrado. Qualquer clip gravado em qualquer máquina da rede fica M/E, até o DD35-4LX, com quatro bancos disponível para todos os outros operadores da M/E. Todos os produtos têm as mesmas características operacionais e elétricas e são rede, sem nunca interromper a gravação. A interface física segue o formato padronizado compatíveis entre si. SDTI, permitindo a utilização de cabos A Panasonic espera melhorar as vendas e comuns BNC/75 ohm. O DVB-Assist, é um ambiente multicanal e está com uma nova estrutura no Brasil, com multiuso para os servidores MPEG-2 DVB um laboratório para atender às revendas. De

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da EVS. O DVB-Assist gerencia o vídeo e cria facilmente as grades diárias. É construído numa base multilingual e inclui aspectos administrativos como sistemas de arquivos, logging e gerenciamento de direitos de usuários. O AirBox, é um servidor de produção com automação integrada, combinando o controle de VTR, a edição de clips e o gerenciamento dos playlists. O Dispatcher/Insider, permite que as novas mídias sejam detectadas desde o momento que são importadas no servidor MPEG2-DVB e recodificadas para um formato bit rate baixo para navegação numa Intranet. Qualquer jornalista, editor ou apresentador pode então navegar entre todos os itens com qualquer PC a partir de qualquer ponto na Intranet. O DVB Delay 2000 é uma solução simples e econômica para aplicar um delay TS, seja SPTS ou MPTS, através de uma simples interface Windows NT, utilizando uma seleção de ferramentas avançadas como o MPTS Demultiplexing. Ideal para os operadores de cabo ou os providers de bouquets digitais que precisam aplicar um delay nos programas digitais para compensar as diferenças de horário ou criar um delay múltiplo para video-ondemand ou pay-per-view. O BOW, Browsable On-Air Witness, é um gravador único com discos rígidos para monitoração das emissões no ar com facilidades integradas para navegação HTML. Um número virtualmente ilimitado de BOWs podem ser conjugados para permitir uma monitoração multicanal contínua. O SuperSplit, é um gerador de display mosaico para canais Barker e informação. O suporte gráfico é estendido para 16 milhões de cores, e outras novidades incluem o Text Scrolling e o controle remoto por Internet. O FAR, o parceiro de aúdio da EVS, apresentará pela primeira vez no Brasil, uma seleção de seus últimos monitores broadcast profissionais: o AV-6, um monitor ativo 2-way de tamanho médio, que oferece alta sensibilidade e muita potência a um preço razoável e o subwoofer LBE 11A, desenvolvido para sistemas médios surround 5+1. A última geração de controle remoto FAR, o RC-U, também será apresentado. A Exec Technology tem como foco principal a integração de sistemas e projetos tanto para broadcast quanto para os mercados de produtoras e finalizadoras. Além das parcerias com a Discreet, Thomsom Multimedia, SGI, Alias|Wavefront, a empresa assinou recentemente um contrato 14 TELA VIVA JULHO DE 2001

para representar a Ascentis. Na área de edição e composição em HDTV o Smoke e o Flame estarão em demonstração editando compondo imagens em alta resolução em plataforma SGI Octane2. O Frost, para a construção de cenários virtuais e grafismos, permite a atualização em tempo real através de um banco de dados, como, por exemplo, em uma corrida em circuito oval onde é quase impossível, após as paradas nos boxes, saber a posição de um carro, quantas voltas ele já deu, onde se encontra no momento dentro do circuito. Como esses carros têm um aparelho tipo GPS, essas informações alimentam o sistema que, em tempo real, pode ser mostrada na tela da TV a critério do diretor de imagens. “Estaremos mostrando imagens e cenários já previamente contruídos”, conta Ayrton Stella, diretor da Exec. A versão 6 do software Edit e o gerenciador JobNet também têm presença garantida no estande da empresa. De hora em hora haverá apresentação do Smoke, Flame e Edit em um pequeno auditório para 15 pessoas aproximadamente. As demonstrações do Frost precisarão ser agendadas. A Videodata estará apresentando soluções para gerenciamento e arquivamento de conteúdo digital para televisão e Internet. A versão mostrada na NAB 2001 do sistema de armazenamento centralizado aplicado para jornalismo do Grass Valley Group incluindo a integração do ProfileXP 1100 e do editor não-linear Vibrint; os distribuidores de vídeo digital Serie 8900 E Serie 2000 que podem ser controlados remotamente via web; e a tecnologia de codificação de vídeo para stream de Internet utilizada no Aqua, são alguns dos destaques do estande. A Ascential, ex-Informix, traz os recentes lançamentos do sistema Media360 integrado ao Virage, para gerenciamento de conteúdo e catalogação de mídia, incluindo a versão AudioLogger em português. A Harris Automation Solution, ex-Louth Automation, apresenta no Brasil o seu mais recente lançamento, o CLARO, um sistema de pequeno porte dedicado a pequenas e médias emissoras de TV. A Harris Automation mostra também as suas inovações aplicadas para o uso em sistemas automatizados de jornalismo. A Orad mostra a evolução de seus sistemas para uso em aplicações de interatividade com Internet, com principal destaque para o TOPlay para uso em esportes e o ClickAble Vídeo. Gráficos 3D em tempo real para programas ao vivo e esportes.


Novas tecnologias apresentadas para uso de Cenários Virtuais em 2D e 3D com interatividade para Internet também são destaques garantidos na feira. A ADTEC , empresa dedicada para o mercado de cabo e MMDS, apresenta os seus mais recentes lançamentos de player MPEG-2 com saídas analógicas e digitais, que permitem inserção de programação e comerciais locais. Todo o controle de gerenciamento e transporte de mídia pode ser feito remotamente. A Image Vídeo traz pelo segundo ano consecutivo ao Brasil soluções de controle inteligente de monitoração de imagens para estúdios, central técnica e unidades móveis. A Broadata/Inviso apresenta os últimos lançamentos para transporte de vídeo, áudio e dados por fibra óptica. A Debetec atua há dez anos no mercado brasileiro de broadcast e há cinco é representante exclusiva da Canon Broadcast no Brasil. Há dois anos implantou um laboratório ópticoeletrônico especializado para suporte técnico dos produtos da multinacional japonesa. Durante seu quinto ano consecutivo de participação na B&C estará dando suporte e fornecendo lentes para os estandes de empresas fabricantes de câmeras profissionais como Sony, Ikegami, Panasonic e Thomson. A principal novidade da Canon é a lente Digi Super 86, com zoom de 86 vezes e alcance de 1.600 mm, ideal para uso em estúdios, eventos especiais e esportivos. Fabricada no padrão high definition, com abertura de tela na proporção de 16:9, possibilita o uso no sistema convencional 4:3 através de um sistema de conversão Crossover além de sistema exclusivo Canon de estabilização de imagem. Outra atração é a linha de lentes HD, versão ENG e EFP e Cine Style (Eletronic Cinematography). Serão expostas também lentes SDTV e Pro-Vídeo bem como acessórios ópticos. Além das lentes alguns produtos de outras representações da empresa estarão no estande, como da Telemétrics, especialista em automação e robótica para câmeras, com a exibição do Televator, um pedestal de elevação provido de pan and tilt, comandados por sistema remoto, e que pode acomodar câmeras com teleprompters. Teleprompters profissionais e institucionais da Listec Vídeo, microfones da In Line e filtros e adaptadores para lentes profissionais completam a exibição. Neste ano, a Video Systems apresenta algumas novidades de suas representadas para o mercado

brasileiro. A mais nova câmera de HDTV da Hitachi, a SK3100P, tem características multipadrão e pode trabalhar com saídas analógica e digital, juntamente com a saída de HDTV, que pode ser comutada via software para os formatos 1080I ou 720P. As características técnicas são: CCDs de 2/3” com 2,2 milhões de pixels, 1.000 linhas de resolução em HDTV e 900 linhas em NTSC. Sensibilidade F8, DSP com processamento de 38 bits, conversor analógico digital de 12 bits, saída HD-SDI na cabeça da câmera, setup de controle separados para HDTV e SDTV. Ideal para produção em estúdio, externa e cobertura de eventos esportivos. A câmera SK555 para o formato SDTV é ideal para emissoras de médio e pequeno porte. Essa câmera tem como características técnicas: CCDs de 2/3” com 640.000 pixels, 850 linhas de resolução no formato 16:9 e 800 linhas no formato 4:3, sensibilidade F11, DSP com processamento de 20 bits a 30 bits, conversor analógico digital de 12 bits,ajustes de dyna-chroma, auto-knee, matriz linear e correção de cor a seis vetores, flesh tone masking, automatic flesh tone detail, special gamma, gray scale automatic setup, automatic shading e troca de filtro remota. A solução para transporte de vídeo da Barco via rede ATM é composta basicamente do encoder MPEG-2 chamado Pyxis, das interfaces ATM chamadas Alcor e do decoder MPEG-2 chamado Stellar. Essa solução tem como objetivo tornar mais eficiente a troca de informações entre as emissoras e suas afiliadas, além de ter um custo mais reduzido quando comparado aos sistemas de satélite. O equipamento para transporte de vídeo em redes de banda larga chamado iLynx tem capacidade de transportar até 16 canais STM1 (2,48 Gbps), com informações de vídeo, áudio, Internet, telefonia etc., através de uma única fibra óptica. A nova versão do Kaleido, sistema de multiimagem da Miranda, é capaz de exibir até 16 imagens em uma única tela, podendo as interfaces de entrada serem de diferentes formatos, tais como: NTSC, SDI e SVGA. Além disso, tem under monitor display, tally e VU de áudio para cada uma das imagens exibidas. Também será apresentado o Kaleido-QC, que além de ter as mesmas características técnicas do Kaleido, integra equipamentos de medição como waveform

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e vectorscope. Ideais para aplicação em salas de monitoração ou SE T 2 0 0 1 centrais técnicas. Estarão sendo mostradas as novas PROGRAMAÇÃO PRELIMINAR versões da série picolink, tais como 1° de agosto HD e Cinema conversores HDTV e transmissores 09h00 às 11h00 15h00 às17h00 de fibra óptica, além do novo frame Cerimônia de Abertura Painel: Rádio para distribuidor de áudio e vídeo da 11h30 às 13h30 Painel Interativo: Internet Miranda chamado Densité, que pode Painel: Rádio - Broadband integrar tanto placas de distribuição Tutorial: COFDM Painel Interativo: de SDTV como também de HDTV. 15h00 às 17h00 Produção O Duet-LE é o mais novo modelo de Tutorial: Rádio 3 de agosto gerador de caracteres da Chyron. Tutorial: V/A Stream 09h00 às 11h00 2 de agosto Painel: TV Digital Baseado no sistema Windows NT, é 09h00 às 11h00 Painel: Rádio capaz de realizar playback de textos Painel: Media Asset 11h30 às 13h30 e mensagens criadas em outros Management em TV Painel Interativo: TV sistemas, além de ter interface de rede. Painel: Telecom MO/ Digital Trabalha em tempo real, independente Sat/FO Painel: Energia do processador do PC. Ideal para Painel: Produção para Painel: Produção em aplicações em estúdios de televisão. Internet Áudio Digital A nova versão de software do 11h30 às 13h30 15h00 às 17h00 Affinity, da Àccom, unidade de Painel Interativo: Media Painel: Interatividade edição não-linear sem compressão e Asset Management em Painel Interativo: Som do com efeitos em tempo real (trabalha Internet Carnaval: Trio Elétrico e com DVE frame-based Abekas), sem Painel: RF para TV Escolas de Samba necessidade de rendering para até Tutorial: Produção em cinco streams (vídeo, background, SET 2001 - Informações e Inscrições background+key, overlay, Tel.: (21) 2512-8747 - Fax: (21) 2294-2791 overlay+key) será apresentada no e-mail: set@set.com.br - site: www.set.com.br estande da Video Systems. Para completar a exposição, sistemas satélite, assim como operações de novas mídias. da Encoda , empresa especializada A 4S trás novidades para as emissoras de TV. A em soluções para gerenciamento primeira é o novo Servidor de Vídeo (VS 200) com de bens que criam fluxos de acesso frontal para os discos rígidos e gravação nos trabalho integrados para todo tipo formatos MJPEG ou DV/DVCAM, DVCPRO, DVCPRO50 de instalação, tais como: estações e MPEG-2, com capacidade de nove HDs de 18 Gb simples, grupos broadcast, redes, ou 36 Gb ou seis HDs de 50 Gb ou 72 Gb, chegando operações multicanal para cabo e

até 120 horas de armazenagem em qualidade broadcasting (8 Mbps). Outra novidade são os exibidores low cost para atender às emissoras que buscam preços mais acessíveis sem perder a qualidade de exibição. Ao lado do Digimaster, o sistema de automação e exibição de comerciais que incorpora a partir de uma única operação no master switcher, as funções auto-logo, PIP, relógio, fast insert e gerador de caracteres, estará sendo demonstrada a linha de editores não-lineares com integração total com os exibidores, o que possibilitará uma série de aplicações diferenciais dos editores tradicionais. A Sony irá apresentar os VTRs digitais da série HDW, que trabalham com mídias HDCAM, digital Betacam, MPEG IMX, Betacam SX e Betacam SP. Os VTRs contam com conversores de HD para SD e vice-versa. Na área de câmeras, a empresa mostrará a HDCAM HDW-750. Para captação em HD, a câmera pode fazer um down conversion (com uso de um kit) e trabalha com sinal HD-SDI sem a necessidade de qualquer tipo de adaptador. Outro produto de destaque no estande da Sony é o servidor de vídeo MAV-70XGI, que trabalha baseado em MPEG-2 e comporta até 252 Gb nos discos RAID-3 e conta com seis slots I/O para placas opcionais.


N達o disponivel


legislação Edylita Falgetano e Samuel Possebon

LEIS CASUÍSTICAS O governo coloca em discussão a Lei de Radiodifusão e esboça uma legislação em favor do cinema nacional. As duas iniciativas estão sendo consideradas polêmicas e extemporâneas pela maioria dos profissionais do mercado.

O governo está tocando em diferentes esferas diferentes assuntos referentes às comunicações, e aparentemente estas esferas não estão se falando. TV digital, por exemplo, é algo que está sendo conduzido pela Anatel, mas o ministro das comunicações, Pimenta da Veiga, chama para si esta responsabilidade no projeto de Lei de Radiodifusão que está em consulta pública. Esse mesmo projeto de lei trata da questão do conteúdo e incentivo ao audiovisual nacional, e remete a questão para uma regulamentação posterior a ser elaborada pelo Ministério das Comunicações. Mas a Casa Civil conduz justamente uma regulamentação sobre audiovisual e cinema, e ainda deve criar uma agência de cinema independente do Ministério da Cultura. Para não falar nas ações isoladas existentes no Congresso. O projeto que foi colocado em consulta pública no dia 21 de junho não tem quase nada de inovador (leia box). Está baseado na legislação vigente e, portanto, não considera a possibilidade de participação do capital estrangeiro na radiodifusão, que depende da alteração do Artigo n° 222 da Constituição. A

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proposta revoga o Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei 4.117/62), Decreto-Lei 236/67, Lei 5.785/72, Lei 6.606/78, Lei 9.612/98, além de mexer na Lei Geral de Telecomunicações. O texto proposto por Pimenta da Veiga estabelece diversas diretrizes para a questão do conteúdo nacional. Pelo projeto, radiodifusão continua sendo um serviço diferente de telecomunicações e nenhuma responsabilidade sobre rádio e TV é passada à Anatel, a não ser a fiscalização. Os radiodifusores ainda estão estudando a proposta e preferem, por enquanto, não fazer comentários. Mas deixam claro que será muito difícil comentar a proposta, uma vez que os percentuais e condições de itens como a composição da grade de programação, por exemplo, serão estabelecidas posteriormente, em regulamento complementar do Minicom. Se o projeto de Pimenta passar, acaba a limitação do número de concessões que uma mesma pessoa física pode ter, ou melhor ninguém pode ter mais de uma emissora de televisão em uma mesma localidade (a regra não vale para rádio, onde há percentuais de controle de no máximo 20% dos canais disponíveis). Entre outros pontos que constam

do anteprojeto está a cargo do Minicom: • disciplinar as diretrizes de exploração do serviço de radiodifusão digital (rádio e TV); • elaborar o Plano de Distribuição de Canais para a migração do serviço analógico para o digital; • definir os critérios de licitação. Destacam-se ainda pontos como: • a ausência de interferência nas relações entre cabeças-de-rede e afiliadas de TV; • dramaturgia nacional será obrigatória em rádio e TV; • TVs educativas e rádios comunitárias continuam sendo distribuídas conforme a vontade ou os interesses do ministro das comunicações e poderão ter receita publicitária em caráter institucional; • o acesso à Internet será considerado serviço de valor adicionado ao serviço de radiodifusão, mas não especifica se o serviço poderá ser cobrado, já que radiodifusão, pela própria definição do texto de lei, é necessariamente gratuita; O projeto de Pimenta para a Lei de Radiodifusão prevê quatro modalidades de outorgas de rádio e TV: as comerciais, as educativas, as comunitárias (apenas rádios são contempladas nesta modalidade) e as institucionais. A novidade é a modalidade institucional, que se destina às emissoras de rádio e TV que poderão ser pleiteadas por órgãos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário nos âmbitos federal, estadual e municipal. É exigida a exibição de filmes e desenhos animados nacionais. Aliás, o projeto faz inúmeras menções à defesa dos interesses e conteúdo nacionais.

estado de alerta Que o Brasil vive atualmente, pelo menos nas esferas políticas, uma onda de valorização do conteúdo nacional, isso não é novidade.


A novidade é que a TAP (associação dos programadores da América Latina) e a MPAA (Motion Picture Association of America) resolveram entrar na briga. Em cartas enviadas às principais autoridades brasileiras (ministros da Cultura, Comunicações, Casa Civil, Desenvolvimento e Fazenda), ao embaixador do Brasil em Washington e ao órgão de comércio norte-americano, a USTR, os canais pagos internacionais e os grandes estúdios manifestam preocupação com a forma com que o governo vem tratando a política de audiovisual, pedem para serem ouvidos nos debates sobre o assunto e ameaçam, se não forem ouvidos, sair do Brasil, parar de vender programação aqui e ainda recorrer à Organização Mundial do Comércio. Toda essa movimentação é porque o governo brasileiro elabora na Casa Civil um conjunto de regras para a política do audiovisual no

PRAZO O texto da Lei de Radiodifusão fica em consulta pública até 20 de julho. A íntegra pode ser acessada pelo site do Minicom (www.mc.gov.br) ou no endereço www.paytv.com.br/arquivos/lei_radio.pdf. País. O foco central do governo é a indústria cinematográfica, mas outros setores serão afetados. Ninguém sabe ao certo como serão as medidas, que devem sair por medida provisória até o final de julho. O projeto é mantido em segredo pelo governo e não é colocado em consulta pública. Mas para bancar o incentivo ao cinema e ao audiovisual nacional o governo acena com a criação de uma agência nacional de cinema e de um fundo que seria sustentado pelo aumento das taxas existentes de importação de conteúdo estrangeiro, taxação sobre conteúdo via satélite e taxação de publicidade produzida no exterior e exibida no Brasil. Além

disso, haveria um percentual imposto por lei de horas dedicadas pelas operadoras de TV paga ao conteúdo nacional e os radiodifusores precisariam reinvestir parte de sua receita em produção cinematográfica. São alguns dos pontos que, comenta-se, estariam no pacote, e são estes pontos que os programadores e estúdios temem. Quem está assessorando o governo, mas apenas para dar opiniões sobre pontos isolados, é o Gedic (Grupo de Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica). O Gedic não é um órgão oficial e, portanto, apenas pessoas convidadas podem participar. A TAP pleiteia, justamente, ser ouvida sobre o assunto.


racionamento Lizandra de Almeida

sobretaxaram o valor do aluguel, o que deu margem a investimentos, mas nós preferimos não aumentar.” Na Loc.All, outra locadora de equipamentos, a quantidade de pedidos também cresceu, especialmente para as áreas de eventos, cinema e TV. A empresa conta com quatro equipamentos, com potência máxima de 90 kVA.

estagnação

IDÉIAS NA PENUMBRA Racionamento de energia

porárias, que os produtores chamam de festivas, podem comprometer elétrica começa a afetar muitas produções, especialmente de produção de cinema e curtas-metragens. A solução, em muitos casos, vem publicidade. As emissoras de TV do aluguel de geradores. Até agora, as empresas que alugam esse tipo adotam medidas para reduzir o de equipamento viram seus pedidos consumo sem afetar a produção aumentarem. A Quanta, por exemplo, está com as reservas de locação e a transmissão de programas. de geradores esgotadas até agosto. “Fomos solicitados por bancos, indústrias, organizadores de shows e O ano começou bem para a produção eventos. Mas preferimos não alugar, de filmes publicitários para privilegiar nossos clientes de e nada indicava que seria ruim cinema”, explica a diretora da emprepara a produção brasileira de cinema. sa, Edina Fujii. Mas a crise energética A Quanta tem 18 geradores, divididos está trazendo um sabor amargo, con- entre suas filiais de São Paulo e Rio, e hecido de muita gente do mercado todos estão comprometidos. Diante da audiovisual. Um gosto parecido incerteza, o FestRio reservou um equicom o de tantas crises econômicas, pamento de setembro a novembro, de falta de incentivo, de descaso e conta Edina. Segundo ela, a empresa esquecimento. preferiu não investir em novos equiNo caso da produção comercial, o pamentos, pois decidiu manter seus mercado estagnou a partir de junho. preços. “Achamos que o investimento Em relação ao cinema, o problema não valeria a pena. Algumas empreé um pouco diferente. As restrições sas que fornecem geradores para impostas aos pedidos de ligações tem- todos os tipos de cliente realmente

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Para Edina Fujii, porém, a demanda por geradores não é a principal preocupação. “O movimento de produção de comerciais é que caiu assustadoramente depois do anúncio do apagão”, afirma. Ingrid Raszl, coordenadora de produção da JotaXis Filmes, concorda. “Não chegamos a ter trabalhos cancelados, mas houve uma boa freada no último mês. Também temos de levar em conta que isso aconteceu às vésperas do Festival de Cannes, quando normalmente a produção cai um pouco, mas acredito que essa crise está contribuindo. É uma pena, o primeiro semestre foi ótimo”, lamenta. João Daniel Tikhomiroff, sócio da Jodaf, também viu a quantidade de orçamentos cair no mês passado. Ele conta que já costuma usar geradores em suas produções e que este custo faz parte de seus orçamentos. Mas acredita que as agências estejam repensando suas verbas de mídia, o que está se refletindo na quantidade de produção. Na área de cinema, as implicações da crise de energia são muitas e de diferentes naturezas. Em geral, filmagens na rua exigem a solicitação de ligações provisórias de energia, que agora estão mais restritas (veja box). Além do custo extra imposto sobre as próprias ligações, outras produções podem necessitar de geradores, o que deve inflacionar ainda mais o orçamento. Mas há complicações ainda maiores. O diretor Milton José Bíscaro Jr. está enfrentando dificuldades para viabilizar o curta-metragem “A brincadeira” em função do racionamento. Isso porque a principal locação


do filme é a montanha russa de um parque de diversões. “Solicitamos o apoio do parque, mas ao fazerem a conta de quanto gastariam para ligar o brinquedo para as filmagens, em um dia fora de seu programa normal, concluíram que o consumo excederia a meta imposta pelo governo”, explica. “E o consumo da montanha russa exige uma potência de 720 kVA, muito acima da carga da maioria dos geradores”, completa. O filme está sendo produzido com recursos do Prêmio Estímulo de Curta-Metragem, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Diante das dificuldades, as filmagens foram adiadas de julho para agosto, quando o consumo do parque é menor, mas ainda não estão confirmadas, já que não se sabe o que virá em termos de racionamento. Na pior das hipóteses, a produção pode pedir uma ampliação de prazo. “Nosso cronograma atual garante que o filme estará pronto no prazo exigido pela secretaria, marcado para novembro deste ano. Mas se tivermos de esperar o fim do racionamento para começar a filmar, vamos precisar de um pouco mais de tempo”, acredita. Para o produtor executivo Fabiano Gullane, o racionamento pode “furar” qualquer planejamento de produção. “Uma produção de cinema já é complicada normalmente. Muita gente vai deixar de autorizar a filmagem para não exceder a meta. Os prédios de escritórios, por exemplo, já estão trabalhando com várias luzes apagadas, deixando elevadores desligados. Certamente uma filmagem prejudicaria sua cota.” Sem contar o custo adicional que o aluguel de um gerador pode ter. “Para muitas produções, a única saída será contratar um gerador. Mas em produções de baixo orçamento, esse fator pode aumentar os custos”, afirma Gullane. As emissoras de televisão estão se armando contra o racionamento e a maioria das medidas adotadas é impercep-

C O M O

F I CA M

O S

E V EN T O S

A primeira determinação do governo em relação aos pedidos de fornecimento provisório, que se aplicam tanto à produção audiovisual quanto a shows e circos, foi de cancelamento total. Diante das pressões, a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica - já conhecida como Ministério do Apagão - retrocedeu e estabeleceu parâmetros, que estão presentes na Resolução nº 6 de 23 de maio de 2001. A partir dessa resolução, ficou definido que ligações provisórias não podem exceder 75 kVA. Segundo o ouvidor da Eletropaulo, Wanderley Aparecido Campos, mesmo solicitando o teto máximo, o consumo não deve exceder 80%. Ou seja, o produtor paga por 75 kVA mas só leva 60. Quem ultrapassa, pode ser multado. Além disso, os produtores também estão sob o sistema de metas. Devem apresentar os pedidos das últimas três solicitações de energia para estabelecer sua meta de consumo. E só poderão consumir 80% dessa meta, que tem de estar abaixo dos 75 kVA. A resolução determina que, caso o produtor não consiga recuperar esse histórico, o consumo será calculado com base em outras solicitações semelhantes.

TRANSMISSÃO ECONÔMICA tível para quem está do outro lado da telinha. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), em carta ao ministro das comunicações no mês passado, manifestou sua preocupação com o fato de a maioria dos transmissores de rádios e TVs em todo o País dependerem exclusivamente da rede pública de energia. As emissoras são proibidas por lei de cortar o sinal ou reduzir a potência irradiada, de modo que a necessidade de economia ou a falta de energia pode ser complicada para o setor. Durante o 22º Congresso Brasileiro da Abert e o 14º Congresso Estadual da Aesp, realizado no Hotel Transamérica (SP) entre 11 e 13 de junho, promovidos pela Abert e a Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (Aesp), o presidente da Anatel, Renato Guerreiro, anunciou a permissão para a redução de até 30% da potência de transmissão para diminuir o consumo de energia elétrica, para que as empresas possam alcançar as metas previstas nas

Edylita Falgetano*

normas do racionamento de energia. A medida beneficia especialmente as pequenas emissoras, que normalmente não dispõem de geradores. Segundo Guerreiro, a redução de potência deve afetar pouco a cobertura das emissoras, com diminuições do alcance de sinais de apenas 3% a 9% nas áreas limítrofes. Os horários de redução serão de escolha das emissoras. Além disso, a Abert fez um pedido formal ao Ministério das Comunicações solicitando que as emissoras, principalmente de pequeno porte, possam reduzir o tempo de programação em determinados horários, para melhor se adequarem às regras do racionamento, e ainda firmou um convênio com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a realização de seminários com profissionais de radiodifusão com o objetivo de prepará-los para lidar e retransmitir informações relativas

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racionamento

ao racionamento de energia elétrica.

mudança de hábito Outra preocupação dos broadcasters e também dos operadores de TV paga é que seus telespectadores deixem de assistir televisão em função do racionamento de energia. Um aparelho de televisão consome em média 14,4 kWh/mês. Individualmente, parece quase nada, porém, ao multiplicarmos por aproximadamente 50 milhões de televisores, esse número passa a ser significativo. Em muitas residências o hábito de deixar ligados vários televisores ao mesmo tempo já foi extinto para se adaptar ao novo cotidiano onde um watt vale ouro. Segundo Dora Câmara, diretora comercial do Ibope, “os hábitos estão mudando, as pessoas estão aprendendo a utilizar melhor a energia”. O instituto divulgou uma pesquisa sobre o comportamento do público durante o racionamento. Os números apontam que o hábito de ligar a televisão logo cedo está sendo sacrificado e desde o início do racionamento de energia houve uma redução de 10% de audiência na televisão, nos períodos matutino e vespertino. No horário nobre não houve alterações significativas. As emissoras estão aguardando os números oficiais do primeiro mês do racionamento para negociar uma forma de compensação para os anunciantes. Entretanto não acreditam que haverá uma diminuição de inserções devido à crise energética e estimam que os telespectadores irão privilegiar o período da noite e passarão a assistir aos programas em grupos e não individualmente como acontece hoje nas classes A e B. “A televisão é um meio de entretenimento muito acessível, pessoalmente, não acredito que esses números deverão cair mais. O que as pessoas poderiam fazer, já fizeram”, avalia Dora. O problema da transmissão dos jogos noturnos de futebol já foi

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resolvido. Caso vingasse a alteração inicialmente proposta para o horário vespertino as emissoras teriam de rever os planos de patrocínio previamente vendidos, em função do valor de uma inserção vespertina ser muito inferior à de

As emissoras estão aguardandoosnúmeros oficiais do Ibope do primeiro mês do racionamento paranegociarumaforma decompensaçãoparaos anunciantes.

uma noturna. “Os geradores são de responsabilidade dos estádios, que já estão providenciando a estrutura necessária”, explica o diretor técnico da RedeTV!, Wagner Victória.

alinhamento A TV Globo montou um Grupo de Gestão de Energia para identificar e implementar medidas para a redução do consumo e elaborar um plano de trabalho para se alinhar às medidas definidas pelo Conselho Nacional de Política Energética do Governo Federal, de forma a não afetar a programação da emissora. Até o final do mês de maio, as primeiras medidas adotadas pela TV Globo visando a racionalização do uso de energia já apresentam resultados importantes e a meta atualmente definida permanecerá em vigor até o final do ano. O grupo está iniciando estudo para geração de créditos, nos endereços contingenciados (que têm gerador), que seriam eventualmente utilizados nos meses mais quentes, e com maior dificuldade para atingir as metas. No Grupo Bandeirantes (TV Bandeirantes, Canal 21, BandNews

e emissoras de rádio) todos os funcionários estão participando de um programa de treinamento, composto de vídeos e palestras, para que haja a maior economia de energia elétrica possível nas instalações durante os turnos de trabalho. “Esperamos com essa campanha de reeducação interna reduzir em 30% o nível atual de consumo”, acredita Ricardo Dias Pereira, vice-presidente administrativo e financeiro da Band. Para atender ao programa de racionamento de energia anunciado pelo governo, a Fundação Cásper Líbero - mantenedora da TV Gazeta, Gazeta FM e jornal A Gazeta Esportiva, além da Faculdade Cásper Líbero - tomou medidas para reduzir do consumo em sua sede da Avenida Paulista. Foi montado um plano de infra-estrutura, dando atendimento a todos os veículos através de geradores com capacidade para suprir as prioridades de produção e programação, além de uma redução de 25% na iluminação de algumas áreas do edifício como corredores e escadas, e a eliminação do uso de ar-condicionado e aquecedores. Na Rede Gazeta os funcionários estão sendo orientados a descerem dos 3º e 2º andares para o térreo utilizando as escadas. Nos endereços mais críticos da Rede Globo, as ações iniciais - que envolveram o uso de aparelhos de ar-condicionado, redução de iluminação, uso de elevadores e geradores, entre outras - já resultaram na redução nos níveis de consumo em todos os prédios. O consumo projetado para junho, em relação ao consumo do mês de abril deste ano, indica queda de 30% na emissora carioca; 24% no prédio da Lopes Quintas (Rio); 32% no prédio da Jardim Botânico (Rio); 16% no Sumaré (Rio); 43% no prédio da Pacheco Leão; 46% no prédio da J. Carlos; e 34% na sede paulistana. O trabalho de acompanhamento do nível de consumo está sendo realizado duas vezes por semana em cada endereço.


Adicionalmente, no Rio, nos endereços Jardim Botânico, Lopes Quintas e casas satélites o serviço de limpeza noturna foi transferido para o horário diurno e foi extinto o terceiro turno e organizadas folgas nos fins de semana. Em breve, elevadores, salas e microcomputadores receberão adesivos indicando como economizar energia nestes locais de trabalho. As áreas técnicas (estúdios, redações, ilhas de edição etc.) da Rede Globo já começaram a implantar medidas de racionalização, que englobaram o desligamento de monitores/luz fora dos horários dos jornais, desligamento dos equipamentos do sistema de TV não essenciais no período noturno, adequação da iluminação cênica de programas e operação dos sistemas e aparelhos de ar-condicionado, via gerador, em períodos determinados durante a semana. Na Rede TV! as gravações dos programas estão sendo remanejadas para fora dos horários de pico, de acordo com informações do diretor técnico da emissora, Wagner Victória. No plano de economia de energia da Rede Gazeta, elaborado por Ângela Esther de Oliveira, superintendente patrimonial, em situações emergenciais, contarão com toda a equipe de segurança e o auxilio dos bombeiros, além de estarem disponibilizado dois veículos para uma eventual prestação de socorro aos

freqüentadores do edifício. As torres da transmissão da TV Bandeirantes e do prédio da TV Gazeta, na Av. Paulista, tiveram suas iluminações decorativas desligadas mantendo somente a sinalização aeronáutica sacrificando o visual que

Racionalizaçãodousode energiaelétricanasáreas administrativasetécnicas, somadaàgeraçãoprópria, garantem a produção e a transmissãodesinaldas emissoras.

se tornou cartão-postal da capital paulista. Com 212 metros de altura, a torre da TV Bandeirantes é a maior da América Latina. “Esse é um ato emblemático e simbólico do grupo, de incentivo ao uso racional de energia”, afirma Dias.

geração própria Na Globo, desde o início deste ano, está em funcionamento a Central de Co-geração de Energia a Gás na Central Globo de Produção, em Jacarepaguá, com capacidade

para suprir toda a demanda de energia elétrica e térmica do complexo, hoje estimada em 4,5 MVA. No Jardim Botânico, dispõe de 1,4 MVA em grupo diesel e a sede da empresa em São Paulo de mais 2 MVA também em grupo diesel. Outro grupo diesel com capacidade de 0,5 MVA atende ao consumo do Sumaré para a distribuição do sinal para todo o Brasil. Outros centros de gravação estão sendo equipados com geradores alugados para não interromper as atividades essenciais de produção. Segundo a assessoria de imprensa da TV Record, nenhum projeto da emissora será adiado por conta da crise energética, tudo continuará como antes. Diariamente, há dois anos, a emissora paulista trabalha com geradores próprios, no período das 17h30 às 20h30, proporcionando uma economia significativa ao sistema. Em caso da falta de energia da rua, o Complexo Anhangüera, onde pulsa o SBT, poderá continuar funcionando por dois dias, através dos seus três geradores a diesel, importados da Irlanda. A energia produzida seria suficiente para abastecer uma cidade com 25 mil habitantes. * Colaborou Felipe Catão

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produção Mônica Teixeira

SELVAGENS INOCENTES Uma corajosa iniciativa de produção independente colocou no ar do canal local da Net em Porto Alegre uma novela de 26 capítulos exibidos semanalmente.

Quinhentos atores e figurantes, explosivos, cavalos, motoqueiros, aviões e índios... tudo isto numa produção independente feita com pouco dinheiro em Porto Alegre. Assim começou a novela “Selvagens inocentes”. Uma abertura apoteótica que daria o que falar nos próximos 26 capítulos. A produção que estreou no dia 28 de outubro do ano passado, e foi exibida pelo Canal 20 da Net da capital gaúcha, vangloria-se de ser a “primeira telenovela totalmente gaúcha, produzida e representada por atores do Rio Grande do Sul”. Mas antes do primeiro capítulo, é bom lembrar a abertura não menos 24 TELA VIVA JULHO DE 2001

marcante. Ao som de um canbombe uruguaio chamado “Sinfonia de tambores”, bailarinos dançam, gesticulam encaram a câmera. Mulheres saem da água com roupas colantes e coloridas que fazem lembrar aquela velha abertura do “Fantástico”, da Rede Globo. O sotaque latino dessa produção não se restringe à trilha sonora da abertura. O idealizador da novela é um uruguaio que vive no Brasil há 21 anos. Juan Carlos Sosa foi convidado a criar uma central de TV na PUC de Porto Alegre, mas veio para cá com outro sonho na cabeça: fazer cinema. A maior dificuldade era encontrar bons atores. “Nas novelas da Globo tem quatro ou cinco atores bons, 12 médios e o resto é o resto”, dispara Sosa. Aliás, criticas não faltam em seu discurso. Resolveu, então, formar atores. Há dez anos criou um curso que ensina a atuar em televisão que deu origem a uma escola. Hoje, o Instituto de Ciências e Artes do Brasil, em Porto Alegre, ocupa uma bela casa numa rua sossegada e tem cerca de 200 alunos. Alguns dos pupilos do mestre

Sosa já fizeram ou fazem parte do elenco global. Ele se lembra de uma seleção de atores para “Malhação”. De duas mil concorrentes, quatro seriam selecionadas. “Nós levamos três. E as três foram escolhidas. Este prestígio atrai pessoas de todos os lugares para estudar aqui”. Com atores formados por ele, surgiu então a idéia de fazer uma telenovela. Eles montaram uma cooperativa e cada integrante passou a ser um ator-produtor. Na prática, os atores participam de tudo, inclusive da busca de patrocínio. “O cinema começou assim”, argumenta Sosa.

jogo de cintura As gravações de “Selvagens inocentes” começaram em novembro de 1999. Quando estreou, em outubro de 2000, só dois capítulos estavam editados. Mas todo sábado, à uma da tarde, o telespectador sabia que poderia contar com as novas cenas do drama urbano com fortes doses de crítica social. Cada capítulo da novela, com 55 minutos de duração, custou R$ 5 mil. Como? Com uma equipe técnica de apenas cinco pessoas, uma única câmera, apartamentos de atores usados como locação e muito jogo de cintura. Darci Thomassim, assistente de direção, lembra-se de muitas dificuldades: uma cena gravada em uma floricultura que, de tão pequena, mal tinha espaço para o cinegrafista; de uma sala cheia de espelhos onde toda a equipe teve de ficar abaixada durante a gravação para não aparecer o reflexo no espelho. Quando as gravações eram na rua, os vizinhos sempre colaboravam, cedendo tomadas. Para a cena de abertura, feita no alto de um morro em Porto Alegre, foi preciso esticar 300 m de cabo morro acima para levar energia ao set. “Mas a cena que deu mais trabalho foi numa rua sem saída. Nós pedimos autorização para usar a fachada de um prédio como escritório de um personagem.


Depois de tudo montado, descobrimos que a rua não era sem saída e que por ali passava até ônibus.” A gravação foi feita mesmo assim, ora a equipe parava o trânsito para rodar a cena, ora a cena parava para o trânsito passar. Apesar das adversidades, cada capítulo foi gravado em uma semana. Para quem está acostumado às novelas da Globo e acha que tudo o que foge à estética global é trash, então este é o caso de “Selvagens inocentes”. Apesar das dificuldades técnicas e da pouca experiência dos atores, criticar seria destruir uma iniciativa pioneira e de muita coragem. A interpretação, às vezes exagerada, teatral, assemelha-se à das novelas mexicanas exibidas pelo SBT. Mas Sosa nega qualquer influência e despreza o tom negativo que se dá a essas produções. Ele expõe o seu conhecimento sobre a história da televisão dizendo que os textos de “Irmãos Coragem” e de “O direito de nascer” eram mexicanos.

desdobramentos Apesar da falta de recursos, algumas cenas são bem produzidas, com boa iluminação e até recursos de imagem bem criativos. Sosa gosta de destacar o conteúdo, a crítica social implícita em cada diálogo dos personagens. Tudo escrito por ele mesmo, como por exemplo, uma cena em que o mordomo vê a patroa desmaiada na banheira e, pensando que ela estivesse morta, cai em prantos dizendo: “Eu preciso de alguém a quem servir”. “O reflexo é enorme na sociedade”, diz o diretor. Depois da exibição de um novo capítulo, eles recebiam cerca de 300 telefonemas de telespectadores. O site da novela (www.selvagensinocentes. com.br) recebe 1,5 mil visitas mensais. A novela acabou, mas o trabalho não. “Não estarei satisfeito nunca. Mas estou orgulhosíssimo disto. Quando eu dizia que ia fazer uma novela, as pessoas diziam que eu estava louco.”

O telespectador pode, agora, rever os melhores momentos num programa de variedades feito pela mesma equipe chamado “Ser ou não ser”. Sosa prepara a reedição de “Selvagens inocentes” para ser exibida em um canal aberto que ainda não pode ser divulgado. E já escreve a segunda telenovela, “Inveja e luxúria”, uma co-produção com o Uruguai, com 40 capítulos, atores brasileiros contracenando com uruguaios, falada em espanhol e em português, que deve estrear até o final do ano. “Estamos trabalhando para fazer um pólo do Mercosul”. E para o futuro, o diretor afirma que já tem acordos com a Alemanha, para uma novela sobre a chegada dos alemães ao Rio Grande do Sul, e também com Portugal, para a quarta telenovela. Os sonhos de Juan Carlos Sosa não param por aí. Ele quer construir uma cidade cenográfica em Viamão, na Grande Porto Alegre, cidade que foi a primeira capital do estado, e onde o cenário urbano é rico em prédios históricos. Há negociações em andamento com a prefeitura para a doação da área onde serão construídos um estúdio com capacidade para 30 cenários, restaurantes, dois dormitórios com capacidade para 150 pessoas cada e depósitos. “Queremos descentralizar a produção”, diz Thomassin. “E se não descentralizarmos, que pelo menos se crie uma identidade.” “E com recursos próprios”, complementa Sosa. “Sem receber recursos do governo e das leis de incentivo, que são mentirosas.” - “Devemos nos conformar com o que somos?”, diz um personagem no último capítulo de “Selvagens inocentes”. - “Isso nunca”, responde o outro. E conclui: “Devemos abrir a boca sempre e nos inconformarmos com as injustiças. Se não alcançamos tudo que lutamos, nossa consciência fica tranqüila. Pronta para lutar por outros sonhos, outras utopias”. Assim terminou “Selvagens inocentes”.

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( making of )

Lizandra de Almeida

Nojo Real Muitos espectadores podem até imaginar que a barata do filme de Mizuno foi construída em computação gráfica. Afinal, ensinar truques para uma barata parece não ser tarefa fácil, mesmo para os mais experientes treinadores de animais. O efeito, porém, não deixa

dúvidas: o bicho é tão nojento quanto na vida real. Para divulgar o novo sistema de absorção do impacto incorporado pelos tênis Mizuno, a equipe de criação pensou em uma solução bem simples. Um praticante de Cooper corre pelas ruas

da cidade quando depara com a tal cucaracha. Calçado com o produto, tenta matar o inseto várias vezes, mas não consegue. Por fim, disposto a exterminar de vez a barata, o homem descalça o tênis e pisa fundo, de meia mesmo. O filme criado por Wilson

Mateos e Itagiba Lages foi indicado como preferido do público e do júri organizado pela Casablanca na festa “Cannes Predictions”, realizada às vésperas do Festival de Cannes deste ano e estava entre os selecionados pelo festival.

ficha técnica barata

Cliente Alpargatas Produto Mizuno Wave Agência Almap BBDO Direção de criação Marcello Serpa e Eugênio Mohallem Criação Wilson Mateos e Itagiba Lages Produção Jodaf Direção João Daniel Tikhomiroff Fotografia Leonardo Crescenti Produção Executiva Sergio Tikhomiroff Montagem Zeca Sadeck e Lucas Trilha Sax So Funny Efeitos 3D Luiz Adriano Frare Carvalho Finalização Casablanca

N A

L I N H A

Segundo Wilson Mateos, a criação se baseou em um estudo que revela que quando uma pessoa corre, seu pé recebe um impacto três vezes maior do que o normal. “A criação partiu justamente para o exagero inverso, criando uma pessoa cujo corpo simplesmente não tem impacto por causa do produto”, explica. “Assim, conseguimos demonstrar o benefício do produto.” O redator revela que este novo filme ainda se inclui na campanha da marca, sempre realizada com filmes em preto e branco, mas começa a abrir espaço para um novo posicionamento. “O foco da Mizuno sempre foi o atleta, o esportista de alto nível. A estratégia era mostrar quem estava no topo para chegar a quem corre na rua. Agora, a partir de pesquisas, concluímos que podemos trabalhar com pessoas comuns nos filmes. Mas para não sermos abruptos demais, resolvemos manter essa linha de filmes, sem diálogo, em preto e branco, com a mesma sofisticação dos anteriores.” A campanha começou, na verdade, com outro filme, cujo personagem é um cão que sofre para acompanhar o pique do dono. “Para mim, o filme tem uma grande idéia, que consegue demonstrar o produto e não simplesmente fazer uma piadinha”, acredita o diretor João Daniel Tikhomiroff. “Alguns filmes são lembrados, mas o espectador nunca consegue identificar a piada com o produto.”

2 6 T E L A V I V A julho D E 2 0 0 1


P R O P O R Ç Ã O Para viabilizar a idéia, o filme exigiu

Em um dos planos, tínhamos um

recursos de computação gráfica e

close da barata, por isso tivemos de

alguns cuidados de produção. Em

nos preocupar com a proporção dos

primeiro lugar, o uso de um negativo

elementos em cena. Colocamos um

contrastado, para garantir a quali-

objeto de tamanho semelhante no

dade da imagem filmada em cor e

chão, como referência”, conta.

descolorida no telecine. Na hora

Algumas tomadas foram feitas em

da filmagem, explica João Daniel,

ângulo próximo ao chão e para isso a

foi preciso estabelecer pontos de

câmera foi acoplada a um quadrici-

motion tracking na imagem para que

clo, movimentado sobre pneus e não

depois a barata pudesse ser apli-

sobre trilhos. “Às vezes usamos uma

cada. “Desenhamos tudo no shooting

cameracar para fazer planos frontais

board e discutimos com a equipe

em movimento, mas neste caso o

de computação para garantir que

personagem estava em uma posição

os movimentos estavam de acordo.

mais difícil”, comenta o diretor.

P R E O C U P A Ç Õ E S O realismo do inseto foi

próximo possível da realidade e chegamos até a

conseguido a partir de

escanear uma asa de verdade”, conta.

um modelo mais sim-

Só que tanto realismo poderia enojar demais

plificado, que já tinha

o público, acredita Mateos. Por isso, a agência

sido desenvolvido pela

preferiu dar uma simplificada no bicho, evitando

equipe da Casablanca.

aquele aspecto tão peculiar. “Chegamos a um

“Era um esboço para ser

resultado muito próximo do real, criando uma

visto de longe”, explica

barata grande e cascuda. Os movimentos também

Luiz Adriano Frare Car-

davam um ar mais nojento ainda, porque para

valho, responsável pelos

andar, a barata se ergue sobre as patas. Depois,

efeitos 3D. A partir daí,

quando pára, ela agacha. É claro que isso não é

Luiz Adriano começou

fácil de ver normalmente, mas na cena ao nível do

a pesquisar em livros e

chão isso ficava claro”, lembra Luiz Adriano.

vídeos, para ver a tex-

Além da preocupação com estômagos fracos, a

tura e os movimentos

criação também se preocupou em não criar um

do asqueroso inseto. “A

inseto que pudesse ser visto como um person-

barata tem seis patas e isso faz com que ande

agem, algo lúdico ou que despertasse simpatia.

de um jeito específico. Além disso, tem pêlos em

“A barata não poderia ser o herói do filme, afi-

alguns lugares das patas. Tentamos fazer o mais

nal ela morre no final.”

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cinema Paulo Boccato

CINE CEARÁ GANHA NOVO FORMATO Festival agora tem competição nacional de longas e exibições itinerantes.

O Cine Ceará está de cara nova. Em sua 11ª edição, realizada em Fortaleza entre os dias 22 e 28 de junho, um dos mais importantes festivais de cinema e vídeo do País contou, pela primeira vez, com uma competição de longas-metragens restrita aos filmes brasileiros. Desde 1997, o evento, que começou em 1991 como uma mostra de vídeos locais, vinha abrigando uma competição internacional de longas que, a partir de agora, deixa de existir. “Sentimos que o formato anterior não dava conta da diversidade de cinematografias internacionais apresentadas e que deveríamos nos voltar com mais força para o cinema brasileiro”, explica o cineasta Wolney Oliveira, diretor da Casa Amarela Eusélio de Oliveira, ligada à Universidade Federal do Ceará e uma das promotoras do festival. A parte internacional transformou-se em uma mostra retrospectiva dedi-

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cada a cinematografias pouco conhecidas no país - este ano, o tema é Cuba; no próximo, será o Peru. A mudança de perfil reflete uma grande transformação na política audiovisual do estado nordestino. Em 1997, o cinema brasileiro vivia um momento de euforia, com o auge do que se chamou “a retomada”, e o Ceará era um dos principais focos deste sentimento. Na ocasião, o estado lançou um plano ambicioso de tornar-se o maior centro de formação e produção audiovisual da América Latina.

messianismo O projeto do Instituto Dragão do Mar, uma escola de cinema estruturada como poucas no Brasil; o lançamento do Pólo de Cinema do Ceará, que pretendia atrair grandes produções de todo o País e viabilizar mais de uma dezena de longas-metragens anualmente; e a criação da Lei Estadual de Incentivo à Cultura faziam parte desse projeto, no qual o Cine Ceará funcionava como vitrine. Badalado, o evento reunia a nata dos produtores, cineastas e atores brasileiros, de olho nas benesses do novo pólo, que tinha uma face mais ligada ao turismo do que à cultura.

Menos de meia década depois, o quadro é outro, mas não se pode dizer que não aponte caminhos positivos para o cinema do estado. “O projeto anterior era uma utopia. É claro que o Ceará não tinha e não tem condições de tornar-se o maior centro produtor da América Latina. Todo mundo queria fazer um filme aqui, por motivos óbvios: os produtores vinham, traziam sua equipe, rodavam três seqüências e pegavam R$ 800 mil em recursos locais. Só que deixavam muito pouco em contrapartida”, analisa o cineasta Rosemberg Cariry, cujo último longa, o documentário “Juazeiro, a Nova Jerusalém”, foi exibido na abertura do 11º Cine Ceará. “Não se trata de xenofobia, mas sinto que, naquela época, o cinema cearense ficava em segundo plano”, compara. Oliveira, um dos articuladores da política cinematográfica local, faz a autocrítica. “Eu apostei no Pólo de Cinema como possibilidade de criação de uma indústria e defendi que os filmes de outros estados viessem para cá como forma de abrir o mercado local. Mas percebi que, no Brasil, é muito difícil falar em indústria e mercado. A experiência foi positiva - no mínimo, gerou vários filmes interessantes e o Instituto Dragão do Mar continua funcionando bem - mas acho que, atualmente, os recursos estão sendo muito melhor aplicados, fortalecendo a cinematografia local, tanto em formação profissional, quanto em produção e difusão”, raciocina.

vitalidade No festival atual, a produção cearense ocupa um espaço privilegiado: com um longa-metragem (fora de competição), quatro curtas e quatro vídeos em competição, 39 curtas e vídeos recentes na mostra “Olhar do Ceará”, além de uma retrospectiva com 11 trabalhos em vários formatos, produzidos entre 1984 e 1999. “Após São Paulo e Rio de Janeiro, o Ceará


rivaliza com os gaúchos como centro de produção audiovisual”, aposta Oliveira. O longa “Juazeiro, a Nova Jerusalém” documenta a cultura dos romeiros da região nordestina, centrada na figura do Padre Cícero. O diretor Cariry conta que teve a idéia para o filme em 1987, após a realização de “O caldeirão de Santa Cruz do Deserto”, para dar continuidade a uma tetralogia sobre a religiosidade no Nordeste - que o cineasta pretende completar com “Pelos caminhos de Conselheiro” e “Padre Mestre Ibiapina”. A captação de imagens começou em 1989 e foi feita em grande parte com recursos próprios, mesclando vários formatos: Super-8, 16 mm, 35 mm, VHS, S-VHS, U-Matic, Beta, DV, imagens de arquivo e até fotos lambelambe trabalhadas digitalmente. Custou, no total, cerca de US$ 100 mil. “É uma produção totalmente doméstica. Só a transferência para película foi feita em São Paulo (nos EstúdiosMega). Acho que é um dos longas mais baratos já feitos, mas houve um tempo aqui no Ceará em que esse tipo de trabalho não interessava”, diz Cariry. A finalização foi possível graças a aportes de recursos do MinC, de uma fundação francesa e da Secretaria de Cultura do Estado. Cariry, que em 1996 realizou “Corisco e Dadá”, prepara agora as filmagens de seu próximo longa de ficção, “Nas escadarias do palácio”, que começa a ser rodado em agosto. É a história de Lua Cambará, matriarca escravagista que imperou no sertão dos Inhamuns no final do século XIX. Com orçamento de R$ 1,5 milhão, dos quais R$ 700 mil já foram captados, o filme terá Dirá Paes, Chico Diaz, Nelson Xavier e Via Negromonte no elenco. É um dos dois longas cearenses realizados em 2001 - o outro, “As tentações de Seu Sebastião”, de José Araújo, diretor do premiado “Sertão das memórias”, está sendo finalizado em Nova York. Além disso, Wolney Oliveira pre-

para o lançamento de “Milagre em Juazeiro” (1998), já exibido comercialmente em São Paulo e Rio de Janeiro, em outras cidades do País, e capta recursos para “Minerva é nome de mulher”, a ser rodado em 2002.

aposta no futuro Alguns curtas e vídeos cearenses exibidos na Mostra Competitiva Nacional (“Maracatu Fortaleza”, de Petrus Cariry, e “O prisioneiro”, de Eric Laurence, na categoria Vídeo; “Guerra dos bárbaros”, de Júlia Manta; “Patativa”, de Ítalo Maia; e “Adeus Praia de Iracema”, de Iziane Mascarenhas, na categoria Curtas) são resultado de um concurso estadual para a produção instituído no ano passado. O Prêmio Ceará de Cinema e Vídeo está sendo repetido este ano e contemplará dez projetos de vídeo com R$ 15 mil, dez dias de equipamento Beta e 150 horas de edição linear para cada um; dois curtas de ficção em 35 mm, com R$ 70 mil cada; e dois curtas de animação e dois documentários, com R$ 50 mil cada. Na parte de formação profissional, o Ceará ganha, em agosto, novos equipamentos para o Núcleo de Cinema de Animação da Casa Amarela. No setor de difusão, está prevista a inauguração do Cine Benjamin Abrahão, sala comercial com 160 lugares e características de cineclube, e o lançamento do projeto Cinema Pé na Estrada, de exibições itinerantes. O projeto dá continuidade a outra importante mudança implementada pelo Cine Ceará: as mostras Cinema nos Bairros e Cinema no Interior, que leva filmes brasileiros a populações que normalmente não têm acesso às salas. “Essas mostras foram criadas porque vimos que restringir o Festival ao Cine São Luiz, com seus 1,2 mil lugares, era muito pouco. Queríamos que o festival chegasse ao maior número possível de cearenses”, conclui Oliveira.

C I NE M E I R O Um dos convidados do Cine Ceará atende pela alcunha de Zé Sozinho. José Raimundo Cavalcanti vive no pequeno município de Caririaçu, próximo a Juazeiro do Norte, e dedica-se, desde 1970, a exibir longas pelas cidades do Sertão nordestino com seu pequeno projetor 16 mm. “Compro as cópias em Fortaleza ou Recife e saio exibindo. Já criei cinco filhos vivendo assim. Eu vi meu primeiro filme em 1954 e decidi que queria trabalhar com isso. Eu amo o cinema”, diz Zé Sozinho. O apelido surgiu porque o “cinemeiro” (ou “romeiro de cinema”, como ele diz) não trabalha com assistente: leva seu projetor nos braços, de carro ou no lombo de burros. “Já andei dez quilômetros com o projetor na cabeça para fazer uma sessão”, conta. Ele chega nas cidades, aluga um lugar qualquer - pode ser até uma igreja - e cobra ingressos pelas sessões, “sempre lotadas”. Os gêneros exibidos são populares: filmes de kung-fu, bang-bang à italiana, faroestes brasileiros, filmes “de porrada” americanos e longas do cantor gaúcho Teixeirinha, que foram grande sucesso nos cinemas do País nos anos 70. “Só Mazzaropi que eu não passo. Exibi uma vez um filme em que ele trabalhava numa carrocinha e um bêbado queria quebrar o projetor porque não gostou de ver um filme cheio de cachorros. Aí decidi não passar mais nada desse camarada”, recorda. Mas Zé do Caixão - aliás, homenageado no Cine Ceará com uma retrospectiva - é sucesso certo. “Já mostrei ‘À meia-noite levarei sua alma’ 864 vezes. Eu contei”, garante. Quando repete muito um filme, Zé Sozinho costuma ir mudando o título, “para não cansar”. O longa de Zé do Caixão, por exemplo, já foi mostrado numa capela, no interior da Paraíba, em plena Quinta-Feira da Paixão, com o sugestivo nome “O homem que morreu porque comeu carne crua na Sexta-Feira da Paixão”.

TELA VIVA JULHO DE 2001

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Foto: Gerson Gargalaka

F I G U R A Lizandra de Almeida

ID  LACRETA:

QUEBRA-CABEÇAS EM MOVIMENTO

O

ritmo e a música sempre estiveram presentes na vida da montadora Idê Lacreta. O que ela não podia imaginar, quando terminou a faculdade de Ciências Sociais, é que os movimentos da dança a conduziriam para a montagem cinematográfica. Idê nasceu em São Paulo e ainda na faculdade resolveu retomar seus estudos de música e dança, que a levaram a dar aulas para crianças em uma escola de arte. Logo que se formou, decidiu morar no Rio de Janeiro e, para ampliar o trabalho que desenvolvia com as crianças, resolveu usar imagens para falar de conceitos e narrar histórias. O vídeo ainda não estava disseminado, mas Idê conseguiu uma câmera Super-8 e, com a ajuda de um amigo, fotógrafo, começou a filmar o primeiro episódio de uma série sobre os quatro elementos. No último momento, meu amigo

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precisou viajar. Ele tinha ficado de fazer a montagem comigo e eu fiquei com um monte de rolinhos de filme, uma coladeira e um editor Super-8. Resolvi ir em frente. O editor tinha um visor mínimo, acho que de uns 14 por 12 centímetros, e a velocidade era conseguida manualmente, por uma pequena manivela. Rodava, olhava onde queria fazer o corte, cortava, emendava com o durex próprio, que já vinha com as perfurações. Era preciso acertar os buraquinhos do durex com os buraquinhos da película e - imagine - aqueles micropedacinhos de filme na minha mão, que eu testava de vez em quando em um projetor, iam se transformando em alguma coisa com dinâmica própria.

A partir dessa primeira experiên-

cia, Idê descobriu que ali havia alguma coisa de que gostava muito. Quando eu saí da faculdade, apesar de pensar em me especializar em Antropologia, sabia que não era esta a carreira que queria seguir. Mas nunca pensei em ser montadora, era uma atividade que mal conhecia. Acredito que um pouco da noção de ritmo veio justamente da minha experiência com a dança, com a música.

- Nessa época, a irmã de Idê, Rose Lacreta, começava o processo de montagem do longa que tinha dirigido, “Encarnação”. O montador era Gilberto Santeiro, com quem Idê conseguiu uma vaga de assistente de montagem. Foi o primeiro de uma série de trabalhos. Daí em diante, ela viria a montar com Mair Tavares, Amauri Alves e Eduardo Escorel. Corria a década de 70 e Idê passou a Com um pé na montagem


montar trabalhos da Mapa Filmes [produtora de Zelito Vianna] e da L.C. Barreto. Até aquela fase, os diálogos do cinema brasileiro eram sempre dublados. Nessa época, porém, os produtores começavam a se preocupar mais com a qualidade do áudio. A partir de “Dona Flor e seus dois maridos” [1976], de Bruno Barreto, o produtor Luiz Carlos Barreto decidiu adotar o som direto e convidou a editora de som francesa Emanuelle Castro para vir ao Brasil. Na época, Idê trabalhou com ela. Toda a experiência que adquiriu foi prática. Tive a oportunidade de trabalhar com ótimos montadores e diretores, minhas principais noções de montagem aprendi com eles. Não eram só procedimentos técnicos ou o método de trabalho, mas também o prazer da busca e o objetivo de fazer o melhor possível, para que, no final, houvesse poucos erros.

Dois trabalhos de assistência de montagem que marcaram sua carreira foram “A lira do delírio”, de Walter Lima Jr. [1978], montado por Mair Tavares, e “Cabra marcado para morrer”, de Eduardo Coutinho [1984], com montagem de Eduardo Escorel. Em ambos, entrou no final do processo, mas a experiência criativa proporcionada por esses trabalhos ficou para sempre. Depois começaram suas próprias montagens, que incluíram “Cabaret mineiro” [1981], de Carlos Eduardo Prates Correia, seu primeiro longa. O filme arrebatou os principais prêmios do 9º Festival do Cinema Brasileiro de Gramado, incluindo o de melhor montagem. Também recebeu os Kikitos de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator para Nelson Dantas, Melhor Fotografia para Murilo Salles, Melhor Trilha sonora para Tavinho Moura e Melhor Atriz Coadjuvante para Tânia Alves. A parceria com Prates continuou em “Noites do sertão” [1984], que também levou o prêmio de Melhor Montagem na 12ª edição do

Festival de Gramado, entre outros. Nessa época, Idê decidiu voltar a morar em São Paulo. Ao chegar, montou “A hora da estrela”, de Suzana Amaral [1985], um dos marcos da cinematografia nacional. O filme recebeu mais de dez prêmios no Festival de Brasília de 1985, incluindo Melhor Montagem e os prêmios da Crítica e do Júri Popular. Mas na segunda metade da década de 1980, início dos anos 1990, o cinema brasileiro tinha pouca ou nenhuma produção. Com a devastadora passagem de Collor pela Presidência, trabalhei na assessoria especial de cinema da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e depois integrei a equipe da área de cinema do MIS [Museu da Imagem e do Som], produzindo com outros profissionais de cinema, sob a coordenação de Zita Carvalhosa, algumas mostras e festivais. Enquanto isso, montava um ou outro curta-metragem.

- Em 1996, Idê foi convidada para montar “Um céu de estrelas”, primeiro longa de Tata Amaral e um dos primeiros a utilizar a montagem digital. Com a chegada do Avid, os montadores tiveram de se adaptar à tecnologia, que exigia uma nova organização. Naquela época, Idê ainda não operava o Avid, mas depois fez questão de aprender. Da moviola para o Avid

Em vários momentos do trabalho, tenho necessidade de estar em uma relação direta com o filme, checando meus tempos e minhas percepções, fazendo eu mesma os cortes do filme, como no tempo da moviola. A montagem, para mim, está diretamente ligada à emoção, então é muito mais difícil racionalizar antes para poder passar para um operador executar.

Além das mudanças impostas

ao montador, o trabalho do assistente de montagem também ficou bem diferente. Para mim, o assistente de montagem hoje tem quase o perfil de um finalizador. Ele tem de conhecer a linguagem do computador e também precisa entender as indexações que se estabelecem entre a câmera, a claquete e o som desde a filmagem. Isso porque ele acompanha desde a preparação do negativo para a telecinagem até o carregamento do computador, assegurando que todos os procedimentos técnicos estejam corretos. Porque a montagem que fazemos no computador é completamente virtual, e no final do processo tem de ser transferida para os negativos de imagem e de som.

Se surgiram complexidades com as novas tecnologias, também não deixaram de aparecer facilidades. Desde que o material do filme esteja bem organizado, o clicar de um botão permite acessar qualquer sobra ou plano do filme, sem falar na enorme agilidade com que você pode experimentar diferentes opções de corte ou mesmo de articulações na estrutura do filme. Além do acesso mais rápido a todo o material bruto, outra vantagem do novo processo é o enriquecimento do áudio. Com a edição digital, o som ganhou em qualidade e riqueza. O principal problema da atuação do montador atualmente, para Idê, não é mais a questão técnica ou tecnológica, mas a maneira como este profissional está inserido nos novos processos de realização de um filme. Difícil, hoje em dia, é conseguir assegurar o tempo de reflexão e maturação que um bom trabalho de montagem exige. Como diz uma amiga, também montadora, ‘cada vez mais os filmes têm a finalização que podem ter, e não a que deveriam ter’. De qualquer maneira, o momento atual, para Idê, é de renovação. A chegada de novos equipamentos digitais de baixo custo e qualidade cada vez melhor estão tornando o processo de montagem ainda mais fácil e acessível. Esses equipamentos estão promovendo uma democratização dos meios de produção e do fazer cinematográfico, o que possibilita a revelação de novos talentos em todas as áreas.

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C O N T E Ú D O Fernando Lauterjung*

PRODUTO BRASILEIRO A valorização do conteúdo nacional e a invasão do produto estrangeiro foram temas discutidos em seminário em São Paulo.

A diversidade cultural brasileira e o papel da televisão na preservação da identidade e da língua nacional foram os temas que se destacaram no 22º Congresso Brasileiro da Abert e o 14º Congresso Estadual da Aesp, realizado no Hotel Transamérica (SP) entre os dias 11 e 13 de junho. O deputado federal Aloízio Mercadante (PT-SP) traçou um paralelo histórico para chamar atenção sobre a importância de se preservar a produção cultural do País. “O Brasil foi batizado a partir do nome do primeiro de seus produtos que foi explorado pelos colonizadores. Brasileiros eram aqueles que vinham para retirar o pau-brasil e vendê-lo para os países europeus. Nós nos chamamos pelo nome daqueles que primeiro exploraram nossas riquezas. A despeito disso, construímos uma identidade ao longo dos últimos cinco séculos e temos de cuidar para que

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ela não seja atropelada pela revolução científico-tecnológica que acontece nos meios de comunicação.” Mercadante declarou-se preocupado com os desafios tecnológicos que vêm pela frente. “A obrigatoriedade constitucional da propriedade de brasileiros sobre os veículos de comunicação cairá por terra com o advento da banda larga”, lembrou. Isso porque os meios de transmissão de dados não estão enquadrados na restrição legal. “Temos de equilibrar modernização e regulamentação, pois não havendo esta última, muitos de nossos radiodifusores desaparecerão”, advertiu. Mercadante propõe que sejam criados órgãos de gestão para a matéria, buscando “valorizar e induzir a produção nacional, buscando também sua inserção no mercado internacional”, e adiantou que está encaminhando projeto de lei no qual propõe a obrigatoriedade da participação de brasileiros não só na propriedade de veículos de comunicação mas também na parte editorial das emissoras. A intenção é proteger a indústria nacional de comunicação da concorrência de canais, rádios e outras mídias totalmente produzidas no exterior e apenas transmitidas ao

Brasil. “É preciso haver reciprocidade. Se eles querem entrar aqui tem de se abrir também para a nossa produção.” Essa proposta encontra o projeto de constituição de um Conselho de Comunicação Social já em discussão, que também cuidaria do controle de conteúdos abusivos. “Sobre essa questão, existe a alternativa do Conselho, mas também acho que o setor deve buscar a auto-regulamentação, a exemplo do que já ocorre, com sucesso, no mercado publicitário - através do Conar (Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária)”, afirmou o deputado. O Ministro da Educação, Paulo Renato Souza ressaltou que “temos de pensar a radiodifusão como o instrumento mais forte de preservação de nossa cultura, aqui e lá fora. Internamente, temos estabelecido ações concretas nas áreas de TV educativa e educação através do rádio. Para o mercado exterior, devemos ter em mente que a cultura brasileira tem valores que o mundo todo procura hoje e, portanto, temos de explorar isso com uma técnica apurada e um conteúdo nosso”.

tecnologias O ministro vê de forma otimista a chegada das novas tecnologias - cita o exemplo da Internet. Entre suas propostas, estão a criação de escolas técnicas na área de radiodifusão, com a parceria da Abert, com cursos de nível médio para a formação profissional de pessoal especializado em produção audiovisual e o maior envolvimento nos acordos internacionais envolvendo a área cultural. Paulo Renato acredita que o conteúdo produzido no Brasil tem excelente qualidade e é apreciado no exterior. “O Brasil esteve pouco envolvido nas discussões de acordos internacionais no setor. Precisamos participar mais, garantindo a reciprocidade das decisões”, concluiu. O comunicador Marcelo Tas comemora que, em meio a tantos neologismos criados pela chegada de novas tecnologias, uma velha palavra esteja, como nunca, na


F REN T E

S U P RA P AR T I D Á R I A

Os deputados federais Luiz Piauhylino (PSDB-PE), Eduardo Campos (PSB-PE) e Aldo Rebelo (PCdoB-SP), respectivamente coordenadores das frentes de Apoio à Cultura Popular Brasileira, Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Natural Brasileiro e Defesa da Língua Portuguesa, estão requerendo ao deputado Aécio Neves (PSDB-MG), presidente da Câmara dos Deputados, autorização para a realização, nos dias 28 e 29 de agosto próximo, de um seminário para “desenvolver e articular ações de defesa da identidade e cultura brasileiras”.

moda: conteúdo. “Os veículos estão finalmente descobrindo que o conteúdo brasileiro dá certo, mas parece que as pessoas continuam duvidando disso. Tendemos a esquecer rapidamente exemplos positivos, como o que tem ocorrido na emissora onde trabalho, a TV Cultura, que, mudando o conceito de uma TV oficialesca para um canal que aposta no conteúdo nacional de qualidade, cresceu muito e ganhou grande respeitabilidade”, diz Tas, que participou da produção do “Castelo Rá-TimBum”, para a TV Cultura. Tas acredita que não há motivo para temer as novas tecnologias, encaradas pelo apresentador do “Vitrine” como exemplos de democratização, não apenas do acesso ao recebimento da informação, mas também à sua divulgação. “Tivemos, recentemente, um exemplo muito interessante: um internauta que coleciona discursos de políticos descobriu que o discurso de renúncia do ex-senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) era plágio de um feito por Afonso Arinos na década de 50. Ele colocou isso na rede e, no dia seguinte, todos os principais veículos do País noticiavam o fato”, afirmou Tas.

idioma nacional O ministro da cultura, Francisco Weffort, declarou-se “preocupado com a predominância do caráter econômico e empresarial na escolha dos conteúdos veiculados pela radiodifusão brasileira”, centrando seu discurso na defesa do idioma

nacional. “Se queremos assegurar a produção nacional, temos de garantir, pelo menos, que o nosso idioma seja tratado de forma construtiva pelos veículos”, declarou, sem citar exemplos. Ressaltou, no entanto, que é contrário a qualquer controle oficial sobre a questão. O abuso de estrangeirismos e a falta de atenção dada à língua portuguesa pelos meios de comunicação são os temas do projeto de lei do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoBSP), que visa preservar o idioma brasileiro através de uma fiscalização e de punições aos abusos cometidos pela mídia em produtos informativos (programas jornalísticos). Rebelo considera importantíssima a influência da radiodifusão na formação dos brasileiros e por isso defende que tais meios eliminem o emprego de palavras estrangeiras que tenham equivalentes em português. O projeto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e falta ser aprovado no Senado para entrar em vigor. O presidente da Academia Brasileira de Letras, Arnaldo Niskier, vê com bons olhos o projeto do deputado Aldo Rebelo. “Há momentos que pedem uma linguagem coloquial ou culta, mas em momento algum precisamos adotar estrangeirismos”, diz Niskier. “Há falta de seriedade na comunicação do rádio e da TV, os maiores comunicadores no País”, cutucou o presidente da ABL. E sugeriu que “a Abert deveria elaborar código sobre a língua portuguesa”. * colaboraram Paulo Boccato e Andrea Manna

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p r og r a m a ç ã o r e gio n a l Paulo Boccato

RIO GRANDE DO NORTE O Rio Grande do Norte tem 2,6 milhões de habitantes, divididos em 166 municípios. A capital, Natal, concentra cerca de 700 mil habitantes, as quatro geradoras potiguares ligadas às grandes redes nacionais de televisão e a TV Universitária, gerida pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. No total, o estado tem aproximadamente 600 mil domicílios com TV e um Índice de Potencial de Consumo (IPC) de 1,193%. TV CABUGI (Natal, canal 11)

Afiliada da Globo, a TV Cabugi foi criada em 1987. Antes disso, o sinal da rede chegava ao Rio Grande do Norte por link terrestre a partir da geradora de Recife. A área de alcance da emissora é de 144 municípios, com um total de 2,59 milhões de habitantes, sendo 2,43 milhões de telespectadores potenciais. São 591 mil domicílios com TV e um IPC de 1,014%. Na região coberta estão cidades como Mossoró, onde há uma unidade com departamentos comercial e de telejornalismo, Parnamirim, CearáMirim, São Gonçalo do Amarante, Caicó, Macaíba, Açu, Currais Novos e João Câmara. A grade fixa de programas locais é formada pelos telejornais da praça (“Bom dia RN” e duas edições do “RN TV”), pelo “Globo esporte” e pelos semanais “Cabugi comunidade” e “Santa Missa em seu lar”, veiculados aos domingos. Mas a emissora exibe também programas especiais nas temporadas do Carnatal (novembro/dezembro) e nas festas juninas - no último mês de junho, foram três programas, sendo um totalmente local e outros dois em parceria com as afiliadas da Globo na Bahia e no Maranhão, sempre veiculados nas noites de domingo (após o “Sai de baixo”) e nas tardes de sábado, no horário optativo. Nessas ocasiões, flashes ao vivo são transmitidos ao longo de toda a programação. TV PONTANEGRA(Natal,cana13)

TV CABUGI Programas Bom dia RN RN TV - 1ª edição Globo esporte - bloco local RN TV - 2ª edição Santa Missa em seu lar Cabugi comunidade

Dias de exibição Seg-sex Seg-sáb Seg-sáb Seg-sáb Domingo Domingo

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Horário 6h45 a 7h15 11h50 a 12h40 12h40 a 12h45 18h50 a 19h10 6h00 a 7h00 7h00 a 8h00

A TV Ponta Negra é afiliada do SBT desde sua fundação, em 1987. Sua área de cobertura atual inclui 116 municípios, com um total de 1,94 milhão de habitantes. Só na Grande Natal, são 163 mil domicílios com TV atingidos pela emissora. Há uma retransmissora da Ponta Negra em Mossoró, com programação idêntica à da capital potiguar. A programação local é fortemente centrada no telejornalismo ao vivo, com os programas “Patrulha policial”, no estilo “Cidade alerta”; “60 minutos”, mistura de revista eletrônica de variedades com jornalismo comunitário; “Jornal do dia” e “Jornal do SBT”, ambos no estilo hard news, mais tradicionais. Nos finais de semana, o canal investe no entretenimento, com os programas “Mais”, de auditório, com competições entre escolas, games e apresentação de artistas; “Top mix”, com a cobertura das festas e baladas voltadas para o público jovem; e “Sala VIP”, de colunismo social. Apenas um programa de produção independente compõe a grade local, o “TV cooperativa”.

TV PONTA NEGRA Programas Patrulha policial 60 minutos Jornal do dia Jornal do SBT TV cooperativa Mais Top mix Sala VIP

Dias de exibição Seg-sex Seg-sex Seg-sex Seg-sex Sábado Sábado Sábado Sábado

Horário 11h30 a 12h00 12h00 a 13h00 13h00 a 13h40 19h00 a 19h15 10h40 a 11h40 12h30 a 13h30 13h30 a 14h00 14h00 a 14h30

TV POTENGI (Natal, canal 03)

A TV Potengi está no ar desde 1990 como afiliada da Bandeirantes. Em sua área de cobertura, estão situados municípios como Parnamirim, Ceará-Mirim, São Gonçalo do Amarante, Macaíba e João Câmara. No total, são 1,57 milhão de habitantes, com 355 mil domicílios com TV, 72 municípios e IPC de 0,765%. Sua programação local é dividida em dois núcleos: telejornalismo e projetos especiais. No primeiro, estão programas da grade fixa em vários estilos, como o matinal “Abrindo o jogo”, de entrevistas voltadas principalmente para as questões políticas; o “Barra pesada”, de tom sensacionalista; o “Linha dura”, que alinhava notícias, variedades, apresentações de artistas e jornalismo comunitário; e o “Acontece”, na linha mais tradicional. Além disso, o núcleo cuida do semanal


“Empresas & empresários”, direcionado ao mundo dos negócios. A grade do núcleo de projetos especiais é mais flexível - seu único programa fixo, o “Garagem”, que apresenta bandas locais, entrevistas, clips e shows, eventualmente dá lugar a programas de temporada. O primeiro a surgir nessa linha foi o “Viva verão”, formatado em conjunto com uma série de eventos promovidos no estado pelo departamento de marketing da emissora. Exibido nos meses de janeiro e fevereiro, o “Viva verão” conta com veiculações diárias durante a semana e um resumo aos sábados - justamente no horário do “Garagem”. Traz, a cada edição, a cobertura de eventos gravados em diferentes praias do estado, com shows, competições esportivas, apresentações culturais e jogos. Um dos eventos esportivos gerados pelo “Viva verão”, o rali “Trilha do sol”, ganhou um programa especial próprio com o mesmo nome, dividido em quatro etapas: em junho, julho, setembro e novembro. Esse programa é exibido aos sábados e domingos e, na semana que precede sua realização, conta com boletins diários de 15 minutos. No período junino e no mês de novembro, o “Garagem” pára de novo: entram, respectivamente, os especiais “Rela bucho” e “De olho na folia”, ambos seguindo também o esquema de edições diárias nos dias de semana. Esse último, transmitido dos shoppings da cidade,

TV POTENGI Programas Dias de exibição Horário Abrindo o jogo Seg-sex 7h00 a 8h00 Barra pesada Seg-sex 12h30 a 13h30 Linha dura Seg-sex 13h30 a 15h00 Acontece Seg-sex 19h00 a 19h30 Empresas & empresários Segunda 22h00 a 22h30 Garagem Sábado 11h00 a 12h00 Viva verão Seg-sex 13h30 a 13h45 (janeiro e fevereiro) Sábado 11h00 a 12h00 Trilha do sol (uma semana, nos meses Seg-sex 13h30 a 13h45 de junho, julho, setembro e novembro) Sábado 19h00 a 19h30 Domingo 20h00 a 20h30 Rela bucho (só em junho) Seg-sex 13h30 a 13h45 Sábado 11h00 a 12h00 De olho na folia Seg-sex 13h30 a 13h45 (só em novembro) Sábado 11h00 a 12h00

com reportagens, shows, competições entre bandas e dicas para curtir o Carnatal, também pode ser visto, como o “Viva verão”, no site www.nataltem.com. br. O núcleo ainda cuida da produção de flashes ao vivo durante o período carnavalesco. Seu conceito é trabalhar uma linguagem mais informal, com a participação de profissionais recém-saídos das faculdades de comunicação.


TV TROPICAL(Natal,canal08)

A emissora surgiu em 1987 como afiliada da extinta Manchete. Em 1998, passou para a Rede Record. Seu sinal alcança 1,69 milhão de habitantes espalhados por 51 municípios, entre os quais estão Mossoró, Parnamirim, Ceará-Mirim, São Gonçalo do Amarante, Caicó, Açu e Currais Novos. São 382 mil domicílios com TV e Índice de Potencial de Consumo de 0,856%. A Tropical tem sete programas locais em sua grade fixa, todos de produção própria. No departamento de jornalismo, estão o sensacionalista “Caso de polícia”; o comunitário “Natal alerta”; o “Tropical comunidade”, que, com entrevistas e debates, faz um balanço crítico dos problemas da região; e as duas edições diárias do telejornal “Tropical notícias”. Completam a grade o “Programa Toinho Silveira”, que mescla colunismo social a quadros sobre arquitetura e design, saúde, moda e beleza, e a agenda cultural “Poucas & boas”, apresentada pela drag queen Danuza D’Sales.

TV TROPICAL Programas Caso de polícia Natal alerta Tropical notícias - 1ª edição Tropical comunidade Poucas & boas Programa Toinho Silveira Tropical notícias - 2ª edição

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Dias de exibição Seg-sex Seg-sex Sábado Seg-sex Sábado Seg-sex Sábado Seg-sex Seg-sex Sábado Seg-sáb

TV UNIVERSITÁRIA (Natal,canal05)

A TV Universitária é a mais antiga emissora potiguar, estando no ar desde 1972. Ligada ao Ministério da Educação e Universidade Federal do Rio Grande do Norte, alcança atualmente 90% do estado, com retransmissoras em diversas cidades do interior, entre as quais Mossoró e Caicó. Seus programas locais são o telejornal diário “TVU notícias”; o semanal “TVU esporte”; o “Grandes temas”, programa de debates voltado para política, cidades e atualidades em geral; o “Por dentro do campus”, que mostra as realizações dos professores da UFRN; o “Clip ciência”, sobre educação; e o “Projeto seis e meia”, que exibe shows gravados em teatros da capital, realizados em convênio com o governo do estado.

TV UNIVERSITÁRIA Programas

Dias de exibição

Por dentro do campus

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Horário 12h00 a 12h30

TVU notícias

Seg-sex

18h30 a 19h00

Clip ciência

Segunda

19h00 a 19h05

Horário 12h00 a 12h25 12h25 a 12h40 11h25 a 11h45 12h40 a 13h10 12h30 a 13h00 13h10 a 13h40 11h45 a 12h30 13h40 a 13h45 13h45 a 14h00 10h45 a 11h25 18h50 a 19h10

Seg-sex

Quarta

11h55 a 12h00

TVU esporte

Segunda

19h05 a 20h00

Grandes temas

Segunda

20h30 a 22h00

Projeto seis e meia

Sábado

18h30 a 19h30

GERADORAS RIO GRANDE DO NORTE CIDADE

EMISSORA

CABEÇA-DE-REDE

CANAL

Natal

Potengi

Bandeirantes

03

Natal

Universitária

Educativa

05

Natal

Tropical

Record

08

Natal

Cabugi

Globo

11

Natal

Ponta Negra

SBT

13


N達o disponivel


publicidade Letícia de Castro

CASTING CERTINHO A proposta da Jota Xis Órbitas é desenvolver um trabalho peculiar na área de pesquisa e casting. As principais diferenças em relação às produtoras tradicionais de casting estão no processo e na intenção do trabalho.

Há dez anos teve início a parceria entre a diretora Paula Trabulsi, sócia de Júlio Xavier na Jota Xis Filmes, e o produtor Roberto Straub. A campanha era a do sabonete Dove e Paula queria um filme diferente, que trouxesse o testemunho de consumidoras sobre o produto que chegava ao mercado. Para garantir credibilidade ao filme, nada de atores ou depoimentos forjados. A equipe saiu à procura de mulheres comuns, donas de casa, trabalhadoras, profissionais liberais, enfim, todo tipo de mulher que pudesse acrescentar um testemunho sobre o produto. Para o árduo trabalho de encontrar as mulheres, reais e expressivas, que garantissem a credibilidade da campanha, foi chamado Roberto Straub, então consultor de empresas 38 TELA VIVA JULHO DE 2001

na área de treinamento. “Sempre lidei com gente, me interessei pelas histórias que as pessoas tinham para contar. A Paula já conhecia o meu trabalho, por isso me chamou para a campanha de Dove”, lembra Straub, que realizou todas as entrevistas com as mulheres no processo de seleção para o comercial. A partir desse trabalho, o então consultor Roberto Straub começou a freqüentar com mais assiduidade o mundo da publicidade, desenvolvendo um trabalho peculiar na área de casting, nunca realizado antes no Brasil. “Eu não faço castings convencionais, com os tradicionais testes de VT impessoais. Passamos por um enorme processo de trabalho antes de chegarmos ao vídeo”, comenta. Cada pessoa que grava depoimentos durante a fase de seleção de um comercial comandado por Straub passa antes por pelo menos duas entrevistas, ou melhor, conversas informais. “O primeiro contato é por telefone. Conversamos com a pessoa, para conhecermos melhor seus interesses, seu perfil. Depois é marcado um encontro, geralmente aqui na produtora, com mais uma conversa informal.

Só depois vamos para a frente da câmera, quando a pessoa já está descontraída e nós já conquistamos sua confiança”, explica Straub.

em órbita Ao longo de seus dez anos na publicidade, Straub especializouse em filmes testemunhais, com a participação de pessoas comuns ou atores desconhecidos. Dove, Omo, Natura, sabonetes Shield e o sabão Vanish foram alguns dos clientes que solicitaram esse novo método de trabalho, que culminou com o lançamento de uma nova produtora parceira da Jota Xis, a Órbitas. “Eu estava precisando de uma estrutura maior para desenvolver esse trabalho, por isso a parceria veio na hora certa”, comenta o produtor. Lançada oficialmente ao mercado no último dia 18 de maio, a Jota Xis Órbitas desenvolve um trabalho independente das outras parceiras (Jota Xis Filmes, Jota Xis Gama, Jota Xis +), podendo trabalhar em campanhas realizadas por outras produtoras. “A tendência é que trabalhemos mais com os diretores da casa, com quem já temos afinidades, mas se acontecer de alguma


agência solicitar nosso trabalho para outra produtora, não haverá problema nenhum”, diz Straub, que nos últimos dez anos fez uma única campanha para outra produtora, a da Natura para a Made to Create. Ao lado de Straub nessa empreitada estão outras três produtoras de casting: Beth Lopes e Suely Straub (irmã de Roberto), donas da Retrato Real, e Vera Podboy Monfort. Com o crescimento da demanda de trabalho, elas ficaram responsáveis pela execução das entrevistas durante toda a fase de seleção, enquanto Straub fica apenas coordenando os trabalhos e fazendo a intermediação com a agência e os clientes. A cada novo trabalho a equipe aumenta, tendo às vezes oito produtores participando do processo. Os mais jovens e inexperientes ficam responsáveis geralmente pelos contatos telefônicos, deixando o vídeo para Vera, Suely e Beth. As principais diferenças da Órbitas para os castings tradicionais estão no processo e na intenção do trabalho. Quando realizam casting, os produtores estão menos preocupados com a aparência e muito mais ligados no comportamento e estilo de vida dos candidatos. As pessoas emprestam suas experiências e testemunhos para as campanhas publicitárias. O processo de casting acaba dando subsídios para a formatação do filme e até da campanha como um todo. Ao longo de seus dez anos de estrada, Straub reuniu uma agenda com cerca de 15 mil telefones. Todas as pessoas contatadas para as campanhas chegam através de alguma indicação, o que facilita o contato. “Nós contamos muito com a boa vontade das pessoas, porque ninguém recebe nada durante o processo de pesquisa ou de seleção para o filme. Só recebem cachê os selecionados. Por isso temos muito cuidado e dedicamos uma atenção especial para aqueles que se dispõem a participar”, afirma Vera Monfort, que largou sua carreira de administradora de empresas há três anos para trabalhar com Straub. “Eu ficava superfrustrada em não poder ficar amiga dos clientes, adoro conversar e conhecer as pessoas. Por

isso eu resolvi mudar”, comenta.

grande virada O trabalho desenvolvido por Roberto Straub e Paula Trabulsi começou a mudar em 1999, com a campanha para o sabonete Dove Light, destinado a adolescentes. “Fomos chamados ainda na fase de criação para desenvolver uma pesquisa entre o públicoalvo do produto. Não havia um briefing de como seria o filme e o meu trabalho foi o que acabou orientando a agência no desenvolvimento da campanha”, comenta Straub. Durante sete meses de trabalho, envolvendo centenas de entrevistas e bate-papos por telefone, pessoalmente e gravados, a equipe comandada por Roberto Straub percebeu que as garotas (o público-alvo do produto) estavam mais preocupadas com o efeito que o uso do sabonete causaria nos seus respectivos namorados. “Nós escolhemos um grupo de garotas e conversamos com quase todas as pessoas ligadas a elas: mães, amigas, mas notamos que quem realmente importava eram os namorados”, afirma o produtor. As garotas usaram o produto durante uma semana, sem contar aos namorados. Eles foram orientados a prestar atenção nas meninas, sem saber o que havia de novo. “Todos perceberam que havia algo com a pele delas, estava mais macia etc. Então nós usamos esses testemunhos para compor o filme”, explica Straub. Essa foi a primeira campanha para a qual Roberto Straub foi chamado ainda na fase de criação. O trabalho foi tão bem-sucedido que agora o produtor está sendo recrutado para trabalhar ainda na fase de desenvolvimento de produtos. Só no ano passado, ele coordenou três pesquisas voltadas para o desenvolvimento do produto. “Desde o início, nós dávamos subsídios para as agências desenvolverem ou redirecionarem as campanhas, mas nem sempre nossas sugestões eram aceitas. Hoje temos total liberdade com a equipe que nos contrata TELA VIVA JULHO DE 2001

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P U B L I C I D A D E

e geralmente conseguimos participar do processo de criação”, observa Straub. Desde 98 Roberto Straub vive entre São Paulo e outro países da América Latina, como Chile, México e Argentina. O sucesso das campanhas brasileiras de Dove foi tamanho que a agência responsável, a Standard Ogilvy, passou a recrutar os trabalhos de casting também para esses países. A diretora Paula Trabulsi sempre fez as campanhas de Dove em toda a América Latina, mas até 98 o casting era realizado em cada país, da maneira tradicional. Uma equipe saía às ruas com uma câmera de vídeo, abordava as pessoas, fazia rápidas entrevistas e, para as mais interessantes, entregava o produto para um teste. Uma semana depois essas pessoas eram chamadas para uma entrevista mais aprofundada, gravada em estúdio e, a partir dessa etapa, eram escolhidos os protagonistas da campanha.

para produzir o casting de testemunhais em outros países, é importante ter uma equipe local que conheça as particularidades culturais.

A evolução do trabalho de Straub no Brasil chamou a atenção da agência, que solicitou a ele que passasse a coordenar o casting também nesses outros países. Foram cerca de dois meses em cada país procurando pessoas com o perfil adequado para dar continuidade a seu trabalho. Hoje, há entre cinco e sete pessoas em cada país desenvolvendo o mesmo trabalho que é feito no Brasil, tudo sob a supervisão de Straub. “A cada nova campanha, eu viajo para acompanhar tudo de perto”, comenta. Nos últimos dois anos, ele coordenou pelo menos duas campanhas em cada país, todas da marca Dove. “É muito importante ter uma equipe formada em cada país, porque eles me mostram as particularidades de cada cultura,

Quem lê TELA VIVA...

o que é fundamental para o desenvolvimento desse trabalho.” Mas não é só pela América Latina que Straub está ampliando seu horizonte. Além da publicidade, o produtor tem desenvolvido trabalhos em outras áreas, como o terceiro setor e documentários. Em 1999, ele e sua equipe realizaram um vídeo para a ONG (organização não-governamental) Gestão para Organizações da Sociedade Civil (Gesc), que treina profissionais de entidades sociais. “Nós fomos atrás das pessoas que já tinham passado pelo curso para saber como essa experiência havia mudado a vida deles”, comenta Straub. Agora, a equipe da Órbitas está desenvolvendo, em parceria com os diretores da JX Filmes, uma série de documentários sobre qualidade de vida.

... E você que não lê.

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FIQUE

POR

BRASIL E ALEMANHA

DENTRO TUDO EM COMPUTAÇÃO GRÁFICA

O Instituto Goethe São Paulo e a Levine Film realizarão, entre os dias 29 e 31 de outubro no Instituto Goethe de São Paulo, o Encontro para  Co-produções Brasil-Alemanha. O objetivo é discutir as possibilidades oferecidas pelo novo acordo Brasil-Alemanha de co-produções na área do audiovisual e identificar projetos que nele se enquadrem. Durante o encontro será apresentado o acordo e serão avaliados e discutidos os projetos previamente enviados dos interessados em coprodução. O interesse é por longas-metragens e documentários, tanto para o cinema quanto para a televisão, preferencialmente, projetos que enfoquem temas contemporâneos e locais para o público internacional. Os interessados em coprodução podem enviar, até o dia 1º de agosto, seus projetos para a Levine Film, que se encarregará de encaminhá-lo para Berlim, para uma primeira apreciação. Os projetos devem ser enviados em inglês com as seguintes documentos: conteúdo e descrição do projeto (uma página), curriculum vitae do diretor e da firma de produção, plano de financiamento incluindo o valor da verba de co-produção pretendida, fact sheet (budget, key people), apresentação do status do projeto (roteiro, confirmação de financiamento e de distribuição). Levine Film  Rua Antonina, 207 - 01255-010 - São Paulo - SP. E-mail: levinefilm@uol.com.br. Tel.: (11) 3864-7263 Fax: (11) 3868-4413. Internet: www.levinefilm.com Goethe Institut SP Rua Lisboa, 974 - 05413 - São Paulo - SP. E-mail: fischli@saopaulo.goethe.org.

De 12 a 17 de agosto, acontece em Los Angeles a 28a edição do Siggraph, Conferência Internacional de Computação Gráfica e Técnicas Interativas. Este ano, a conferência será chefiada por Lynn Pocock, do Instituto de Tecnologia de Nova York e estará sediada no Los Angeles Convention Center. A previsão é de 40 mil participantes. A exposição comercial acontece de 14 a 16 de agosto. A programação inclui a apresentação de trabalhos, painéis, cursos, projetos e aplicações, em diversos programas e atividades. Entre eles, há a Art Gallery, um espaço para a exibição de peças artísticas digitais. Outro destaque é o Festival de Animação por Computador 2001, mostra de filmes e vídeos com recursos inovadores de computação gráfica. Vários debates discutem filmes consagrados à luz da tecnologia. É o caso da sessão especial “2001 em 2001: como um filme completamente analógico inspirou a revolução digital”, na qual veteranos da indústria cinematográfica vão discutir a obra de Stanley Kubrick. A ampla programação está disponível no site http://helios.siggraph.org/s2001/ e as inscrições podem ser feitas pelo telefone (1-312) 321-6830.

MIX BRASIL Até o dia 6 de setembro, a organização do Mix Brasil 2001 - 9o Festival da Diversidade Sexual está recebendo inscrições de filmes e vídeos que tratem da diversidade sexual. O festival acontece de 13 a 25 de novembro em São Paulo e depois segue em turnê por outras cidades. Entre elas, Brasília já está confirmada e em fase de confirmação estão Buenos Aires, Rio de Janeiro, Búzios, Porto Alegre e Salvador. O regulamento completo e outras informações estão no site do Mix Brasil - www.mixbrasil.com.br

PERIFERIA NO CURTA Considerado um dos mais importantes festivais do gênero em todo o mundo, o 12º Festival Internacional de CurtasMetragens de São Paulo inaugura este ano as Oficinas Kinoforum de Realização e Produção Audiovisual, que vão levar à periferia de São Paulo filmes e oficinas de captação e edição em vídeo. Com início marcado para 6 de julho, as oficinas serão realizadas no Centro Cultural Monte Azul (zona sul), Espaço Cultural Cohab Raposo Tavares (zona oeste) e Casa de Cultura da Freguesia do Ó (zona norte), nesta ordem. As inscrições para as oficinas que acontecerão no Centro Cultural Monte Azul e no Espaço Cultural da Cohab Raposo Tavares já estão encerradas. As inscrições para as oficinas da Casa de

Cultura da Freguesia do Ó e Centro Cultural São Paulo acontecerão respectivamente entre os dias 23 e 27 de julho e 6 e 15 de agosto. Cada oficina receberá até 20 inscritos, com idade entre 17 e 25 anos. Os participantes desenvolverão argumentos e terão aulas práticas sobre a utilização de câmeras digitais, edição e finalização. Os melhores trabalhos serão selecionados para exibição nos centros culturais. A Associação Cultural Kinoforum, que organiza o festival e as oficinas, nomeará uma comissão julgadora para selecionar trabalhos a serem exibidos durante o evento, que acontece entre os dias 23 de agosto a 1º de setembro. Mais informações no site www. kinoforum.org ou pelo telefax (11) 3062-9601. T E L A V I V A julho D E 2 0 0 1

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23 a 27 Curso: “Especialização em Vídeo Produção”. Espaço Cultural AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (11) 5573-4069. E-mail: cursos@advideotech.com.br.

23 a 30 Curso: “Edição Linear c/ GC e Efeitos”. Espaço Cultural AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (11) 5573-4069. E-mail: cursos@advideotech.com.br.

25 a 29 IV Anima Mundi (São Paulo) - Festival Internacional de Cinema de Animação. E-mail: info@animamundi.com. br. Internet: www.animamundi.com.br.

31 a 3/8 Curso: “After Effects”. Espaço Cultural AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (11) 5573-4069. E-mail: cursos@advideotech.com.br.

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1 a 3 SET/Abert - Broadcast & Cable 2001. Centro de Exposições Imigrantes São Paulo - SP. Fone: (21) 524-2229. E-mail: b&c@certame.com.br. Internet: www.broadcastcable.com.br.

06 a 21 Curso: “Edição em 3 máquinas - Beta”. Centro de Comunicação e Artes do Senac - SP, São Paulo, SP. Fone: (11) 3872-6722.

7 a 10 Curso: “Adobe Premiere 5.1”. Espaço Cultural AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (11) 5573-4069. E-mail: cursos@advideotech.com.br.

12 a 17 Siggraph 2001. Los Angeles Convention Center, Los Angeles, California. 401 North Michigan Avenue Chicago - USA - 60611. Fone: (1-312) 644-6610.

Fax: (1-312) 245-1083. E-mail: media-s2001@siggraph.org. Internet: www.siggraph.org.

Diretor e Editor: Rubens Glasberg Diretor de Internet: Samuel Possebon

13 a 17 Curso: “Básico de Iluminação”. Espaço Cultural AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (11) 5573-4069. E-mail: cursos@advideotech.com.br.

13 a 17 Curso: “Adobe Premiere 5.1”. Espaço Cultural AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (11) 5573-4069. E-mail: cursos@advideotech.com.br.

13 a 30 Curso: “Produção para TV/ Vídeo”. Centro de Comunicação e Artes do Senac - SP, São Paulo, SP. Fone: (11) 3872-6722.

23 a 01/09 XII Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo. R. Simão Álvares, 784/2 - São Paulo - SP - 05417-020. Telefax: (11) 3062-9601. E-mail: info@kinoforum.org. Internet: www.kinoforum.org.

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14 a 18 IBC 2001. RAI Centre, Amsterdam, Holanda. Fone: (44-20) 76117500. Fax: (44-20) 7611-7530. E-mail: show@ibc.org. Internet: www.ibc.org.

19 a 21/10 XIII Videobrasil - Festival Internacional de Arte Eletrônica. R. Fernandes de Abreu, 31 11º andar 04543-070 - São Paulo - SP. Fone: (11) 3845-8454. Fax: (11) 3849-2377. E-mail: info@videobrasil.org.br. Internet: www.videobrasil.org.br.

Diretor Adjunto de Redação: André Mermelstein Editora Geral: Edylita Falgetano Editora de Projetos Especiais: Sandra Regina da Silva Coordenador do Site: Fernando Lauterjung Colaboradores: Emerson Calvente, Letícia de Castro, Lizandra de Almeida, Mônica Teixeira, Paulo Boccato Sucursal de Brasília: Carlos Eduardo Zanatta, Raquel Ramos Arte: Claudia Intatilo (Edição de Arte e capa), Edgard Santos Jr. (Assistente), Rubens Jardim (Produção Gráfica), Geraldo José Nogueira (Edit. Eletrônica) Website: Marcelo R. Pressi (Webmaster), Celso Ricardo Rosa (Assistente) Diretor Comercial: Manoel Fernandez Gerente Comercial: Almir B. Lopes Gerente de Contas Internacionais: Patrícia M. Patah (Escritório de Miami] Publicidade: Alexandre Gerdelmann e Wladimir Porto (Contatos), Ivaneti Longo (Assistente) Gerente de Marketing: Mariane Ewbank Administração: Vilma Pereira (Gerente), Gilberto Taques (Assistente Financeiro) Serviço de Atendimento ao Leitor 0800-145022 Internet: www.telaviva.com.br E-mail: telaviva@telaviva.com.br Tela Viva é uma publicação mensal da Editora Glasberg - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001 Telefone (11) 257-5022 e Fax (11) 257-5910 São Paulo, SP. Sucursal: SCN - Quadra 02, sala 424 - Bloco B - Centro Empresarial Encol CEP 70710-500 Fone/Fax (61) 327-3755 Brasília, DF Escritório comercial de Miami: 1550 Madruga Avenue 305 Coral Gables, FL- 33146 USA - Fone (1-305) 740-7075 Fax (1-305) 740-7062 Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Impressão Ipsis Gráfica e Editora S.A Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A.

Filiada à Associação Nacional

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N達o disponivel


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Revista Tela Viva 107 - julho 2001  
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