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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 15_#163_ago2006

o império do conteúdo

Entrada das teles na TV paga domina os debates na ABTA 2006, mas quem reina neste cenário são os programadores.

cinema

Curtas conquistam nova janela com lançamento de coletâneas em DVD

TV DIGITAL

Cronograma da transição sai ainda este mês


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Foto: marcelo kahn

(editorial ) Diretor e Editor Diretor Editorial Diretor Editorial Diretor Comercial Diretor Financeiro Gerente de Marketing e Circulação Administração

André Mermelstein

a n d r e @ t e l a v i v a . c o m . b r

Rubens Glasberg André Mermelstein Samuel Possebon Manoel Fernandez Otavio Jardanovski Gislaine Gaspar Vilma Pereira (Gerente), Gilberto Taques (Assistente Financeiro)

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enhum assunto tem sido tão debatido nos últimos meses quanto o movimento de entrada das operadoras de telecomunicações, sobretudo as de telefonia fixa, no mercado de distribuição de vídeo. O tema não se restringe ao Brasil. Nos EUA começa a haver competição real entre operadoras de TV a cabo e teles pelo provimento do chamado triple-play, a oferta em uma única plataforma de serviços de vídeo (TV por assinatura e video-on-demand), voz (telefonia local e longa distância) e dados (acesso banda larga à Internet). As redes de cabo, com sua grande penetração no mercado norte-americano, vêm comendo receita das telefônicas. Estas, por sua vez, investem pesado para levar mais banda à casa dos assinantes. Na Europa a TV por redes de banda larga (IPTV) é realidade há alguns meses, principalmente na Espanha, França e Itália. E na América Latina a Telefônica já opera o serviço de DTH (TV por satélite) em alguns países. No Brasil, os fatos recentes expõem o despreparo da regulamentação para lidar com esse fenômeno global. A Telefônica optou pelo caminho mais fácil, pedindo uma licença de DTH à Anatel. Dificilmente será barrada, pois a regulamentação do DTH, muito mais flexível, é completamente diferente da de TV a cabo, como se fossem serviços que não concorrem no mesmo mercado. Já a Telemar fez o que no jargão jornalístico se chama de “balão de ensaio”. Comprou uma operadora de cabo pequena (a Way Brasil, de Minas Gerais), para ver como a Anatel reage. Está nas mãos da interpretação da agência (sujeita, aliás, a todo o tipo de pressão), o entendimento que pode mudar definitivamente a cara do setor. A legislação tem tantas brechas e sobreposições que a luta se dará não na arena do mercado, mas nas bancas de advogados. A falta total de disposição do governo em avançar em uma nova lei de comunicação, contemplando os serviços convergentes, só agrava a situação. A entrada de investidores e novos players, sejam eles as teles ou qualquer outro, pode ser boa ou ruim. Se a entrada for para competir lealmente, pode ser um impulso para toda a indústria. Se for para fazer dumping e desvalorizar todo o serviço para garantir a fidelidade do assinante, será trágico para o setor. Depende, sobretudo, das regras do jogo, com a liberdade de iniciativa dos novos entrantes respeitando a legalidade e o direito de quem já investiu pesado no negócio.

ilustração de capa: carlos fernandes | gilmar

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Ano15 _163_ ago/06

(índice ) ABTA 2006

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scanner figuras mercado

6 16 38

radiodifusão

44

no ar audiência cinema

50 54 56

making of evento

60 62

tecnologia

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upgrade agenda

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Com a entrada de novos players, programadores mostram que têm posição de destaque na TV paga

Presidente da Sky diz que quer parceria com as teles, mas pede regulamentação Mesmo após a escolha do padrão, TV digital continua gerando discussões acaloradas

Curtas ganham janela de distribuição com coletâneas em DVD

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cartas

Broadcast&Cable mostra as ferramentas para a digitalização da TV HD ENG - Como fazer jornalismo em alta definição

SescTV Muito obrigado pela cobertura de nosso trabalho aqui no SescTV. Eu e toda a equipe apreciamos muito a matéria. Um grande abraço. Válter Sales, SescTV Animação Gostaria de agradecer em nome de todos aqui do estúdio a nota sobre a nossa série “MTV Mobbed” na última edição da revista. É muito gratificante ver nosso trabalho publicado em um periódico sério e respeitado como a TELA VIVA. Esperamos poder fazer parte das notícias de vocês muitas vezes! Obrigado e um abraço, Paulo Manuel de Souza, Birdo Studio

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68 Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários e sugestões para cartas@telaviva.

Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

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‑foto: arquivo

Incentivos em discussão

Alta velocidade

O presidente Lula sancionou no dia 25 de julho a Lei nº 47, do deputado Francisco Dornelles (PP/RJ), prorrogando o Artigo 1º da Lei do Audiovisual até o ano de 2010. Mas vale lembrar, além do vencimento desse artigo, no dia 31 de dezembro de 2006, os incentivos da Lei Rouanet para a produção de longas também vence, no dia 1º de janeiro de 2007. O governo já havia enviado ao Congresso um Projeto de Lei (PL 7.193/2006) prorrogando o mesmo Artigo 1º, criando ainda um mecanismo que substitui o da Lei Rouanet para longas e uma série de outros mecanismos para fomentar o setor, como a criação do Fundo Setorial do Audiovisual. Segundo o diretor da Ancine Manoel Rangel, o projeto sancionado não é concorrente daquele mais abrangente que tramita na Câmara dos Deputados. Pelo contrário, ajuda a mobilizar o Congresso para aprovar o pacote de incentivos. Manoel Rangel, diretor Esse proda Ancine. jeto do governo, estranhamente, começou a ser discutido no Senado antes mesmo de sair da Câmara dos Deputados. No dia 2 de agosto, a subcomissão de Cinema da Comissão de Educação do Senado Federal realizou uma audiência pública para discutir o projeto de lei. A audiência deve influir nas possíveis mudanças que o projeto deve sofrer na Câmara, e como afirmou o senador Wellington Salgado (PMDB/MG), “permitir que o projeto já chegue no Senado ‘redondo’ e pronto para votar”. Apesar de algumas divergências em relação aos mecanismos de controle propostos, o projeto tem mais apoio que dissenso. Na opinião do senador Sérgio Zambiasi (PTB/RS), mesmo considerando que o projeto foi apresentado com urgência constitucional, as dificuldades de tramitação durante o período eleitoral podem exigir que ao final deste ano o governo apresente uma Medida Provisória com o mesmo conteúdo do Projeto de Lei.

A linha de biscoitos recheados Marilan Turmix, que traz como tema o longa de animação da Disney/Pixar “Carros”, ganhou um novo comercial, em julho, com criação da Quest Comunicação Total e produção da Dínamo Filmes. A criação da campanha ficou por conta de André Maciel, Adriano Dorini e Mauro Sérgio de Morais. Dirigido por José Furlan, o “Zezão”, o comercial voltado ao público infantil mostra uma corrida de carros disputada entre crianças. No final, os vitoriosos recebem pacotes de biscoito Turmix dos organizadores da corrida. Além dos biscoitos, dentro dos pacotes as crianças encontram figurinhas com personagens de “Carros”.



fotos: Divulgação

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Corrida infantil em comercial para biscoito da Marilan, com tema do filme “Carros”.

Contrato de cinema O objetivo de muitos produtores brasileiros, de conseguir apoio para a realização de longas-metragens e a garantia de distribuição, foi alcançado pela O2 Filmes, que assinou um contrato com a Universal Pictures e a Focus Features. Pelo acordo, com duração de três anos, a produtora brasileira receberá financiamento para montar uma equipe de profissionais para selecionar e realizar longas-metragens. A equipe será dedicada à leitura de roteiros, formatação e desenvolvimento de longasmetragens, em grande parte, de diretores estreantes. Além de apoiar a realização, os parceiros internacionais serão responsáveis pela distribuição dos trabalhos no Brasil e no mercado externo. Fernando Meirelles, sócio da O2 Filmes, será o produtor dos projetos; e Chris Riera, que colaborou no roteiro de “O Jardineiro Fiel”, será o coordenador da equipe. Estão previstos cinco projetos dentro do acordo com a Universal. A estimativa é que o valor do financeiro seja de R$ 7,5 milhões por filme. O primeiro deles deve entrar em produção no primeiro semestre de 2007.

Comemoração pública A Dicico, rede de lojas de construção, comemora o seu aniversário de 88 anos com uma nova campanha, desenvolvida pela QG Propaganda. Composta por dois filmes, mídia impressa e comunicação em pontos de venda, a campanha recebeu investimento total de R$ 2 milhões. Os filmes são marcados pelo bom humor: procurou-se eliminar a janela de ofertas, usada em filmes de varejo e incorporar as ofertas como parte da história. A produção dos filmes é da CaradeCãoFilmes, com Dicico comemora aniversário com campanha bem-humorada. direção de Lilá Rodrigues.

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Mercado na África O canal internacional da TV Globo tem em Angola o seu maior mercado, com 95 mil assinantes. O país superou os Estados Unidos, onde o canal é oferecido em pacotes étnicos de grandes operações, como a Dish (DTH) e Comcast (cabo), além de outras duas independentes, totalizando 90 mil clientes. Na Europa, onde a própria Globo assumiu a distribuição do canal via sistema pago, a migração dos cerca de três mil assinantes do canal para o novo satélite está em fase de finalização. De acordo com Marcelo Spínola, diretor da TV Globo Internacional, há no momento uma lista de espera de 2,5 mil clientes interessados em assinar o sinal internacional da Globo no continente - o serviço não cobre Portugal.

Tubarões nacionais na Discovery O Discovery Channel exibiu em 9 de agosto o documentário “Rebelião de Tubarões”, uma co-produção do canal com a produtora brasileira Canal Azul, que contou com recursos do Artigo 39 da lei da Ancine. A produção será exibida na nova faixa de documentários “Discovery Hoje”, bloco criado apenas na América Latina, que traz documentários sobre temas da atualidade. A faixa terá cerca de 50% de seu conteúdo produzido localmente (na América Latina). Antes de estrear no Brasil, “Rebelião de Tubarões” foi exibido no Discovery norte-americano, dentro de sua semana temática sobre tubarões (“Shark Week”). Além dos Estados Unidos, o documentário brasileiro também terá exibição nos canais Discovery pelo mundo: na Europa, Ásia e América Latina. O documentário foi filmado em lugares como Recife (PE), Bahamas e Flórida (EUA), com a direção de Rodrigo Astiz e Malcolm Rall. Lawrence Wahba assina a produção-executiva, apresentação e fotografia sub-aquática. Há participação de especialistas de universidades do Brasil e Estados Unidos para abordar o caso dos ataques de tubarões a banhistas no litoral pernambucano. Segundo Michela Giorelli, diretora de produção e desenvolvimento da programadora para a América Latina, é essa combinação entre assuntos locais e sua relevância internacional que dá visibilidade a uma produção regional em outros mercados. Essa combinação foi uma das exigências apontadas pela Discovery para produzir com o canal, apresentada durante um workshop promovido pela programadora, em parceria com a ABPI-TV, durante o mês de julho, em São Paulo. Os executivos do grupo contaram aos produtores brasileiros quais as condições e os meios para apresentar projetos ao canal e disseram que o objetivo da Discovery não é comprar produtos “de prateleira”, mas sim investir em projetos desde o começo. Michela disse que um projeto com bom potencial pode ser apresentado aos canais Discovery de outras regiões (como EUA e Europa), e eventualmente ser distribuído globalmente. A Discovery pode também, segundo Michela, investir no desenvolvimento de projetos, desde que a análise da idéia justifique o gasto. Outras duas produtoras brasileiras que têm projetos em andamento com a Discovery “Rebelião de Tubarões”: documentário nacional realizado em co-produção com são Grifa Mixer e Rex Filmes. A primeira faz uma série com dicas de lua-de-mel na América o Discovery Channel. Latina, e a segunda produz um documentário sobre a economia do etanol.

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foto: eliane rodrigues/divulgação

foto: henk nieman/divulgação

O Central Park e o complexo Tribeca Cinemas, em Nova York, tornaram-se palco para o cinema brasileiro, entre os dias 6 e 13 de agosto. Ali, aconteceu o 4° Festival de Cinema Brasileiro de Nova York, durante o qual foram exibidos 19 longas-metragens, entre eles “Anjos do Sol”, de Rudi Lagemann, até então totalmente inédito. Os homenageados deste ano foram o ministro da Cultura, Gilberto Gil, e o secretário do Audiovisual, Orlando Senna. Além da mostra de filmes, acontece pela primeira vez no Festival o “MarketPlace”, evento que promove painéis e seminários, com o objetivo de atrair distribuidores e compradores de TVs e cinemas dos Estados Unidos, Europa e América Latina, que possam se interessar pelo cinema nacional.

fotos: Divulgação

Nova York recebe brasileiros

“Winscape” e “Palitoman”, novos títulos do Nick.

Animação nacional ganha espaço O canal Nickelodeon estréia em 18 de agosto o “Animatônicko”, um bloco de animação totalmente brasileiro. O bloco fará parte do programa “Nick Tônicko”, produção nacional com uma hora de duração, exibido uma vez por semana. O bloco apresenta inicialmente as animações “Winscape” e “Palitoman”. A primeira a ser exibida, “Winscape”, cujos personagens são feitos de massa de modelar, surgiu de um curta-metragem que acabou sendo dividido em seis episódios de um minuto. O curta foi criado por Camila Cardoso de Almeida (produtora e animadora) e Douglas Bello Jr (diretor e roteirista), e produzido durante um curso de mestrado realizado na Universidade de Wismar, na Alemanha. Assim, a animação passou a ser considerada germanobrasileira, e contou com o apoio das brasileiras Zeeg2 na trilha sonora, e da Academia de Filmes, com o empréstimo do equipamento para a finalização. “Palitoman”, criada e produzida por Deivison Carascosa, surgiu no site do diretor (Supergibi. com.br) e mostra as aventuras de um homem de óculos escuros que ama desafios. Os quatro episódios de um minuto que serão exibidos foram feitos exclusivamente para o canal, já que aqueles que estão no site tinham um conteúdo mais violento. “A série deve ter a linguagem do canal”, lembra Giuliano Chiaradia, gerente sênior de produção e programação da Viacom Networks Brasil. Além dessas, Chiaradia lembra que o canal procura outras séries para exibir durante este bloco. A idéia é encontrar produtos já prontos, de animadores estreantes, com o objetivo de incentivar a animação nacional. “Não estamos fechados a casas mais experientes, mas nosso objetivo é incentivar novos talentos”, diz. Chiaradia lembra também que existe a possibilidade de, no futuro, veicular séries como “Palitoman”, com episódios de um minuto de duração, feitos em flash, também na Internet e no celular.

Bastidores do programa “Mothern”

Idealizadoras do blog que deu origem ao programa: Juliana Sampaio e Laura Guimarães



Blog de sucesso no GNT O canal GNT estréia em 19 de agosto a sua primeira série de dramaturgia brasileira, realizada em co-produção com a RadarTV Mixer e dirigida por Luca Paiva Mello. “Mothern” aborda reflexões, problemas e situações enfrentadas por quatro mães modernas que tentam encontrar o equilíbrio em suas vidas e o melhor caminho para criar os seus filhos. A série foi inspirada no blog de mesmo nome, de Juliana Sampaio e Laura Guimarães, que reúne dicas e comentários sobre a maternidade destinado às mães do século 21. O sucesso do blog deu origem a um livro das mesmas autoras “Mothern — Manual da Mãe Moderna”. A primeira temporada tem 13 episódios, de 30 minutos cada, com uma narrativa que também traz depoimentos reais sobre os assuntos abordados em cada episódio. Para a realização de “Mothern”, o GNT contou com a participação de um pool de patrocinadores, que não investiu apenas em mídia, mas também na produção da série. São eles: Bristol Myers-Squibb, Johnson & Johnson, Nestlè e Unilever.

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( scanner ) e-Commerce

fotos: Divulgação

Maluco imortal Um brasileiro morto há 17 anos ainda consegue vender 300 mil discos por ano. Trata-se do Maluco Beleza Raul Seixas, que conta com um público fiel em sua geração e ainda é capaz de atrair os jovens com sua música. É claro que a indústria cinematográfica Raul Seixas: não poderia deixar isso pas300 mil CDs sar em branco, até porque não por ano e existe um único DVD do cantor nenhum DVD disponível para seus fãs. A AF Cinema, de Alain Fresnot, prepara um documentário sobre o antigo parceiro do mago Paulo Coelho e do roqueiro Marcelo Nova. O projeto, desenvolvido pelo produtor executivo Denis Feijão, encontrou dificuldades no início: foram 18 meses de negociação com as herdeiras de Raul Seixas até que um contrato fosse assinado, no início deste ano. Segundo o produtor, além do documentário com lançamento em cinema e em DVD, haverá ainda um disco só de extras, já que o material disponível é vasto. Para isso, a AF já negocia com a Globo Filmes e com as distribuidoras majors e tem apoio de co-produção com o Megacolor, a LocAll e a TV Cultura. O projeto deve custar entre R$ 1,8 milhão e R$ 2,2 milhões e sua produção terá início em janeiro próximo, para lançamento no final de 2007. Pelo menos 25% do orçamento deve ser gasto apenas na restauração e digitalização de material de arquivo. Denis Feijão destaca que, apesar de ter um custo relativamente alto para um documentário, por conta da aquisição de direitos pertencentes a familiares, emissoras de TV, gravadoras e terceiros, trata-se de um filme comercial, com público em todas as classes sociais e diferentes faixas etárias. Ainda com título provisório (“Raul Seixas - O início, o fim e o meio”), o documentário abordará toda a trajetória do cantor, sócio número um do primeiro fã clube de Elvis Presley no Brasil. “Queremos abordar a relação com os parceiros, de Paulo Coelho a Marcelo Nova, o vício em drogas e o alcoolismo e até o período em que passou necessidade após deixar a Bahia, mas sem cair para o depressivo”, diz Denis Feijão. A produtora tem ainda contrato de primeira opção para a produção de um longa-metragem biográfico de Raul Seixas, projeto que será tocado logo após o documentário. A idéia é lançá-lo em 2009, no aniversário de 20 anos de morte do roqueiro. Projetos A AF Cinema toca ainda o projeto de dois longas, que serão dirigidos por Alain Fresnot. O primeiro é “Xique no Úrtimo”, que já conta com co-produção da Globo Filmes, da Play Arte e da Quanta. Orçado em R$ 3,5 milhões, o longa está em pré-produção e conta com a consultoria artística de Daniel Filho. O lançamento deve ser Denis Feijão, produtor execu- no primeiro semestre de 2008. tivo do documentário O outro projeto é “Histórias do Cais”, que contará com casting internacional. A produtora busca co-produtores internacionais para o longa, que deve custar cerca de US$ 1,5 milhão.

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A agência de modelos e-Booker inaugurou um sistema inteligente de seleção e contratação de modelos e atores. Diferentemente da maioria dos sites de agências de modelos, o portal de eBooker na web não conta apenas com fotos de seus representados. Através da Internet, os clientes podem ver todo o perfil dos atores e modelos, fotos, vídeos, fazer comparações (altura, cor dos olhos etc) e ainda ver a disponibilidade do ator em determinada data. Após essa fase de eliminação, é possível, enviar o roteiro, agendar um teste com o ator/modelo ou mesmo fazer a contratação. Para o sócio da agência, João Leão, isso diminui não só o tempo total do processo de casting, como também reduz a praticamente zero os erros de seleção que incorrem em custos e desgastes desnecessários.

“Bicho Estranho”: computação gráfica e muita maquiagem para mostrar angústias do homem

Diversificação A banda Homem do Brasil escolheu o diretor Robério Braga, da Maria Bonita Filmes, para a realização do clipe da sua música de trabalho “Bicho Estranho”, que marca o lançamento do CD da banda. A música trata das atuais angústias do homem, o que fez com o que o diretor optasse pelo uso de computação gráfica 3D, muita maquiagem e filmagem em estúdio. A Casablanca ficou responsável pela finalização. Com o clipe, a Maria Bonita mostra que busca a diversificação de sua produção, que além de comerciais também investe na produção de conteúdo.

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( scanner ) Parceria em TV e cinema

Carla Camurati e Marcello Coltro, da MGM.

A MGM e a diretora Carla Camurati estão juntos em uma parceria que deve trazer resultados tanto para o canal quanto para a produtora de Carla, a Copacabana Filmes. O canal MGM traz de volta o bloco “Director’s Choice”, no qual um diretor brasileiro escolhe e comenta filmes do catálogo da MGM antes de sua exibição no canal. Carla Camurati foi a escolhida para a tarefa, não só para os comentários, como também para a produção dos programetes por meio de sua produtora. Serão 18 programetes, de cerca de 15 minutos cada, exibidos mensalmente antes dos filmes escolhidos. A estréia está prevista para janeiro de 2007. A primeira série de comentários contou com a participação de Bruno Barreto. A parceria da MGM com Carla Camurati estende-se também para os projetos da diretora. É o caso do longa-metragem “Sete Tempos”, que tem a participação da MGM com recursos do Artigo 39.

Janelas em estudo

O jornalista Paulo Pons vendeu o seu carro, entrou em contato com atores de teatro e pessoas interessadas em trabalhar com cinema, emprestou equipamento e realizou o filme “Dono do Jogo” com um orçamento de cerca de R$ 10 mil (não incluída a finalização, que está em curso no momento). Ao perceber que era possível realizar filmes sem ter orçamentos milionários, Pons criou o programa Pax, com o objetivo de fazer filmes de baixo orçamento, utilizando câmeras digitais e equipe de iniciantes no cinema. Além de Pons, outros dois participantes coordenam o projeto: o ator Leandro Firmino da Hora (que interpretou o personagem Zé Pequeno, em “Cidade de Deus”) e Alceu Passos, dono da editora Zap, que vai financiar os próximos quatro filmes do projeto. Pons diz que o objetivo é fazer filmes, mas não necessariamente para a janela cinema. Por isso, tem investido especialmente no suporte digital. “O filme tem que contar uma boa história e ter uma boa equipe”, diz. A distribuição em meios alternativos à sala de cinema, como a Internet, também faz parte dos planos do cineasta, que no momento negocia com portais a estréia exclusiva dos filmes. Inicialmente, o grupo propõe a realização de dez filmes, com orçamento total de R$ 500 mil (R$ 50 mil para cada um), no período de 18 meses. Pons conta que o dinheiro — que não será buscado em leis de incentivo, apenas por meio de patrocínio — será usado principalmente para o pagamento dos profissionais, já que a produtora está montando uma estrutura própria, com kits para a produção — com equipamentos para som (externo), captação, edição e fotografia. Segundo Pons, a idéia é comprar quatro kits do gênero para poder produzir quatro filmes simultaneamente. Além dos filmes, o projeto prevê um programa de TV, chamado “Os Realizadores” que vai mostrar os bastidores dessas produções, no estilo “reality show”; e a publicação de dois livros sobre a produção de filmes com baixo orçamento. O modelo de patrocínio contemplará pacotes de filmes a serem produzidos simultaneamente em dezembro, a equipe parte para a Europa, onde realizam o 1º longa do Programa “Geração Perdida”.

Com o intuito de embasar a criação de regras para os lançamentos de filmes, a Ancine colocou em seu site (www. ancine.gov.br) um estudo sobre os intervalos entre as janelas, abordando apenas os lançamentos nas janelas cinema e home video. O estudo aborda os anos de 2004 e 2005 e mostra que após o lançamento em cinema, a maior parte dos títulos no Brasil leva entre quatro e seis meses para ser lançada em vídeo. Em 2004, 55% dos títulos tiveram um intervalo de quatro a seis meses entre as duas janelas; em 2005 a porcentagem subiu para 57%. Em 2004, apenas 19% tiveram um intervalo menor (entre zero e quatro “O Guia do Mochileiro das Galáxias” meses); em 2005, 21%. O título lançado em 2005 que teve o menor intervalo entre as janelas foi “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, distribuído pela BVI (Buena Vista International) para cinema e pela Buena Vista para o mercado de vídeo, com um intervalo de 32 dias. Em 2004, o menor intervalo foi de 75 dias, com o título “Eu, Robô”, distribuído pela Fox em ambas as janelas.

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fotos: Divulgação

Cinema barato

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“Eu, Robô”.

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Nova campanha e reconhecimento Jeff Chies, da Dínamo Filmes, dirigiu um segundo comercial para a Sony, das câmeras Cyber-Shot série T, com criação da DPZ, para ser veiculado na televisão e nos cinemas. A idéia é mostrar que a câmera consegue tirar fotos mesmo em movimento. Para isso, o Comercial das câmeras Cyber-Shot é o comercial segundo de Jeff Chies para a Sony. mostra um turma de amigos tentando tirar fotos enquanto o carro chacoalha na estrada. Quando chegam a um lugar seguro, percebem que as fotos ficaram boas, mesmo com o carro em movimento. O filme é o segundo feito por Chies para a marca. O primeiro, “Agente Secreto”, recebeu o prêmio “Personal Imaging Product Advertising Award”, no dia 10 de junho, durante o FY05 International Ad Contest, evento promovido pela Sony Japão.

Portal e “mobisodes” da Fox no Brasil Depois de trazer para o Brasil, em meados do ano passado, a minissérie “24 Conspiracy”, com 24 “mobisodes” (episódios para telefones celulares) de um minuto de duração, a Fox Latin American Channels prepara para setembro o lançamento do portal “My Fox” no País. O vice-presidente da Fox Latin América, Gustavo Leme, adiantou que o portal, que já está disponível nos mercados do México e Argentina, será lançado no Brasil primeiramente com a TIM, operadora com a qual as negociações estão mais avançadas, mas adiantou que também negociam com Vivo, Claro e Oi. Além do site na internet (www.myfox.tv) que permite a compra de ringtones, wallpapers e vídeos dos principais programas da Fox, o portal também terá sua versão Wap. Entre as principais atrações do My Fox estão os episódios originais de “24 Horas”, condensados em vídeos de dois minutos para serem baixados no celular. Leme promete a entrega de todos os conteúdos do canal Fox, com exceção de “Os Simpsons”, cujos direitos autorais ainda não foram negociados. A adaptação dos conteúdos para os telefones móveis e a integração com as operadoras é feita pelo desenvolvedor Proteus. Programação Além das novas temporadas de séries dos canais Fox e a estréia de novos programas, o grupo planeja, para o final do segundo semestre de 2006, a produção no Brasil de programetes para o canal FX, voltado ao público masculino, com a utilização de verba do artigo 39 da


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Maranhão, Recife, Rio, NY...

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Foto: divulgação

ascido no Maranhão, Ananias Caldas se mudou para Recife com 21 anos. Já tinha trabalhado em vários espetáculos e produções, mas ainda tinha na cabeça a fala da mãe: “Procure um trabalho de gente, com carteira assinada, que nessas coisas você nunca ganhou em centavo”. Foi isso o que fez quando chegou no Recife. Mas mesmo sem planejar nada, não teve jeito. Acabou trabalhando em cinema mesmo, e fez de tudo, até se especializar em produção de arte. Quando cheguei no Recife tinha uns quatro anos de experiência. Claro que não estudei nada, só metia a cara, porque não tinha nada que estudar no Maranhão. A primeira oportunidade surgiu no Recife, quando um amigo que era produtor de televisão telefonou perguntando se ele conhecia alguém que pudesse ir buscar uns objetos e levar para a produção. Também ia precisar escolher um ator para fazer a cena. Era um amigo que morava no mesmo condomínio e eu nem sabia direito o que ele fazia. Quando ele ligou, respondi: ‘Espera aí que tô pegando um táxi pra levar as coisas’. Daí comecei a fazer estágio numa produtora, fui conhecendo as pessoas. Nunca premeditei nada, nunca levei meu currículo em lugar nenhum. Na produtora, fazia de tudo. Eram dois sócios e eu era boy, guardava as coisas, limpava. Vi então que dava pra sobreviver disso e que não precisava arrumar o emprego que minha mãe queria pra pagar o aluguel. A produtora foi crescendo, com ela o número de comerciais, e o trabalho foi diversificando. Pediu então para trabalhar na produção, e foi promovido a assistente de um dos diretores. Fiquei uns dois ou três anos e depois comecei a fazer produção

ananias caldas para vários programas da Globo Nordeste. Nunca trabalhei mesmo na emissora, era sempre um trabalho externo. Não tenho esse perfil de ficar parado dentro de um lugar. Na produção de publicidade e televisão foi conhecendo outras pessoas, que o apresentaram para o cinema. Fez então vários curtas. Curta a gente faz até

“Se pensar como produtor, não realiza. Então tem que pensar como artista mesmo.” sem cachê, mas é muito bom produzir, fazer acontecer. Fiz um monte de filmes pernambucanos, projetos de amigos, na base da guerrilha mesmo. A garra e o empenho do pessoal de Pernambuco é o máximo, porque nunca tem orçamento. Se pensar como produtor, não realiza. Então tem que pensar como artista mesmo. Vai para a locação, dá um jeito, faz o melhor sem ser detalhista. Tem que esquecer o que 16

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não se lê na tela. Sua primeira experiência em longa-metragem foi em “Amarelo Manga”, de Cláudio Assis. O orçamento do departamento de arte era quase inexistente e administrar um longa é uma responsabilidade enorme, ainda mais sem prática. Até entender direito... mas foi muito agradável, uma equipe harmoniosa, valeu muito como primeiro exercício. Em seguida, fez “Lisbela e o Prisioneiro”, de Guel Arraes, ao lado do diretor de arte Cláudio Amaral Peixoto. Foi quando se mudou para o Rio e, também com Cláudio, fez “Cazuza — o Tempo não Pára”. Agora se prepara para uma nova produção em Natal, com o diretor de arte Clovis Bueno. Minha casa é Recife, mas minha mãe tinha uma certa razão, porque ainda não consegui comprar um apartamento. Vai comprar em Recife? Ah, talvez em Nova York... (Lizandra de Almeida)


Foto: carlos lázaro/divulgação

Departamento renovado

Internacional

A Rede Telecine reestruturou a sua área de marketing. Além da nomeação de Sóvero Pereira como gerente de marketing, a empresa contratou Flavia Hecksher para assumir a gerência de trade marketing. Flavia é formada em economia pela UFRJ, com especialização em marketing de serviços e MBA Executivo pela Coppead. Em seu currículo, constam passagens pela Shell, Banco Boavista, Net, Sky, Ig e Kimberly-Clark, onde gerenciou a área de inteligência de marketing, antes de

A Globo TV International tem um novo diretor de vendas. Raphael Correa Netto substitui Helena Bernardi, que se desliga da empresa após Raphael quatro anos de trabalho. Netto, Correa Netto que se reporta diretamente a Ricardo Scalamandré, diretor de negócios internacionais da TV Globo, fica responsável pelas operações de licenciamento de conteúdos e desenvolvimentos de outros negócios da empresa para mais de 130 países nos Maria cinco continentes. Netto trabAlejandra Moreno alha na Globo TV International desde 2000. Ainda na Globo, Maria Alejandra Moreno assume a gerência de marketing na divisão de negócios internacionais. Suas responsabilidades incluem atividades de marketing para três linhas de negócios: Globo TV International,TV Globo Internacional e Globo TV Sports.

Reforço no atendimento A Brasileira Filmes contratou Renato Chabuh para a direção de atendimento da produtora. Ex-Companhia de Cinema e S Filmes, onde atuou no atendimento durante os últimos cinco anos, Chabuh terá entre os seus desafios intensificar o relacionamento da produtora com o mercado publicitário no Brasil e no exterior.

Fotos: divulgação

chegar à Rede Telecine.

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Diretor exclusivo Maurício Eça chega à Mixer para aumentar o time de diretores exclusivos da produtora. Com experiência na área de comerciais, videoclipes e dramaturgia, ele chega para atuar como diretor de todas as bandeiras. Ele acumula passagens em produtoras como Chroma, Side, Movi&Art, Cinemacentro e Open Filmes (onde também era um dos sócios); e em agências como JWT, Que/Next, ALMAP, BBDO, Ogilvy e NBS. Eça também dirigiu cerca de cem videoclipes, além de ter participado de direção e produção de curtas e longas-metragens.

FotoS: divulgação

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Produção

Novos negócios

A Margarida Flores e Filmes tem um novo produtor executivo: Fernando Carvalho. O publicitário, ex-Conspiração Filmes, terá sob sua responsabilidade a coordenação geral da produção da Margarida.

Luciano Traldi chega à Republika Filmes para assumir a área de novos negócios, sendo responsável pelo relacionamento com agências de publicidade e órgãos federais. Ele fará parte do board operacional da empresa junto a Paula Manga, Mércia Lima e MC Fernandes. Traldi trabalhou, nos últimos quatro anos, como diretor de operações da Open Films, onde atendeu agência como a AlmapBBBO, Ogilvy, Que/Next, JWT, McCann e DPZ RJ.

Quem não se comunica... A TVA renova a sua publicidade, com a contratação e a promoção de profissionais e a definição de um novo plano de atuação. Andréa Blank assume a área de publicidade, após nove anos no deparAndréa Blank tamento comercial da empresa. Entre as suas responsabilidades, ela deve definir o desenho da estratégia de atuação e aumentar o faturamento de publicidade em 2006 da companhia. Marcelo Leite Cardoso chega para gerenciar a equipe comercial, formada por seis contatos que atuam nas grandes e médias agências: Carla Pires, Priscila Silva, Lucilene Fantucci, Mauricio Sanches, Sergio Lopes, Ricardo Ian. Novos profissionais também vão atuar na área de projetos, novos produtos, marketing publicitário e atendimento a agências. Fazem parte da equipe Paulo Yoshida, Vander de Paula, Suzan Corsi e Priscila Santinello. Além disso, a TVA apresenta um novo plano de atuação, que consiste em formatar pacotes cross-media com o Canal TVA. Nele, será possível fazer programas exclusivos para as marcas que queiram estar na TV, a exemplo do programa “Veja São Paulo Recomenda”.

Aposta no conteúdo

Investimento em broadcast A RFS Brasil, fabricante mundial de soluções para comunicação sem fio, contratou o engenheiro eletrônico José Roberto Elias para gerenciar o seu novo departamento de broadcast, criado para atender a uma demanda resultante da digitalização. Elias será responsável pela implantação da nova unidade de negócios, além de divulgar os produtos da empresa para o segmento de radiodifusão, tanto no Brasil quanto na América Latina. O engenheiro acumula 22 anos de experiência na área de telecomunicações e radiodifusão, trabalhando em empresas como Embratel, CPqD e Comsat. 18

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Lili Boiajion assumiu a área comercial do núcleo de conteúdo (Entretenimento e Brand Entertainment) da Bossa Nova Films. A contratação é resultado de uma crença da produtora no crescimento dos negócios nessa área. Lili iniciou a sua carreira no mercado de propaganda e marketing há mais de 25 anos, na Globotech e na Fundação Roberto Marinho, e atuou prioritariamente na área de atendimento. Ela tem passagens por diversas agências, entra elas Leo Burnett, NewcommBates (hoje Y&R) e Taterka.

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Foto: marcelo kahn

Promoção

A Fox Latin American Channels anunciou duas mudanças importantes em relação a seus executivos. Gustavo Leme foi promovido a vice-presidente do grupo no Brasil. Além das áreas de distribuição para as afiliadas, publicidade, marketing e Gustavo finanças, Leme está no comando Leme da implantação de duas novas divisões: a On-Line, para gerenciar o conteúdo voltado à Internet, e a My Fox, que irá distribuir os conteúdos dos canais para telefones celulares. Com 25 anos de carreira, Leme já passou pela Globosat, TVA e Jovem Pan 2, além de ter sido vice-presidente de programação da ABTA e diretor na ABPTA. Além dele, Marcello Leão Braga foi contratado pela Fox para ocupar o cargo de diretor de marketing, antes exercido por Cláudio dos Anjos, que deixou a empresa. O executivo assume toda a área de marketing, incluindo publicidade, relações públicas com afiliadas e consumidor. Com quase dez anos de experiência na área, Braga chega à Fox após experiências nos grupos Caoa, Effem-Mars e iBEST.

Talento exportado O cineasta brasileiro André Kapel vai colaborar com os efeitos especiais e com a maquiagem de efeito de uma produção norte-americana. Trata-se do filme “The Gainesville Ripper”, que narra a vida do serial killer Danny Rollings. As cenas de assassinatos contam com os efeitos especiais de Kapel, responsável por dirigir curtas do gênero “gore” e por efeitos e maquiagem de filmes como “Amarelo Manga”. A direção do longa-metragem é de Josh Townsend. As gravações terão inicio no final de 2006, em Gainesville, na Flórida, com produção da Loaded Gun Empty Bottle.

Mudanças na Net A ex-gerente de comunicação da Net Roberta Godoi foi promovida a diretora comercial de aquisição, em substituição ao executivo Sérgio Wainer. Roberta terá sob sua responsabilidade as áreas de comunicação, planejamento comercial e canais de vendas (televendas, varejo, agentes autorizados e vendas pessoais). Wainer deixa a empresa para voltar ao mercado de telecom (o executivo tem passagem pela Telemar): vai para a Telefônica.


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( capa | especial abta 2006)

Da redação

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Em terra de teles, quem tem conteúdo é rei No momento de maior ebulição da indústria de TV paga nos últimos anos, programadores ocupam a posição mais confortável

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omo mostram as matérias a seguir nessa reportagem especial sobre o mercado de TV por assinatura, preparada durante e após a ABTA 2006, que aconteceu em São Paulo no início de agosto, há um momento de ebulição na indústria. Isto ocorre em função da concretização de serviços convergentes e da entrada de novos players, sobretudo empresas de telecomunicações. E se existe alguém que pode se dar bem com este momento de ebulição é o setor de programação, o setor que fornece os conteúdos para a indústria de TV paga. Nada do que acontecerá no futuro, seja com novos serviços, seja com empresas de telecomunicações, poderá dispensar o conteúdo, quer na forma de canais, na forma de portais, ou na forma de programação sob demanda. Dizer que “o conteúdo é rei” é um chavão que já tem mais de uma década, mas que soa mais atual do que nunca. Afinal, nem as teles nem as operadoras de cabo são as donas do principal ativo entregue. Durante o Congresso ABTA 2006, as teles vieram, pela primeira vez, explicar suas estratégias para a entrada no mercado de TV paga. Fora dos holofotes, tiveram reuniões com programadores, discutiram modelos e analisaram a indústria. E estas mesmas empresas de telecomunicações que chegam com um discurso novo se dão conta que os desafios na área de conteúdo são grandes e que as conversas demoram a se transformar em negociações, ou, melhor, em contratos. Há modelos já implantados 22

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“Desde que exista um novo operador de TV paga, com as aprovações necessárias, temos todo o interesse em negociar.”

há mais de uma década na TV por assinatura que parecem não estar sendo flexibilizados para o novo mundo que se abre. Tanto que as teles já sinalizaram até que poderiam participar de agremiações ou associações para fins de negociação de conteúdo. Sugerem, como disseram Gilberto Sotto-Mayor, diretor de desenvolvimento de negócios da Telefônica e responsável pelo projeto de DTH da empresa, e Alberto Blanco, que tem a mesma função na Telemar, que gostariam de aumentar o lobby junto às empresas de TV paga para baixar o custo de programação. As empresas de telefonia, como se sabe, têm pouca experiência na área de conteúdo, mas já estão envolvidas com isso, seja na área de telefonia celular, seja nos portais banda larga ou mesmo investindo em empresas produtoras de programação. Blanco, da Telemar, notabilizou-se no mercado ao criar formatos de conteúdos diversos para a operação móvel da operadora, a Oi. Nenhum novo player até agora falou em criar novos conteúdos — o máximo que se fala é em novos serviços, com o DVR e o vídeo sob demanda (VOD). Por outro lado, todos os grandes programadores com atuação no Brasil afirmam que estão sendo procurados pelas teles para negociações. Todos esperam, obviamente, um crescimento do mercado, sobretudo os que hoje têm

Como diz Vera Buzanello, VP sênior de distribuição dos canais Discovery para a América Latina e Ibéria, há interesse em estar disponível nas novas plataformas, desde que: 1) a questão regulatória seja resolvida; 2) haja uma preocupação de longo prazo na parceria. Segundo ela, o programador tem como preocupação saber como será o trabalho do novo operador, onde o produto estará e, principalmente, a questão do valor percebido. “Tem de haver transparência e, sobretudo, coerência”, afirma a executiva. Em tempo: a Discovery, diferentemente de muitos programadores pan-regionais, até a feira da ABTA não havia fechado nenhum contrato com a Telefônica, no Chile, muito embora já integre o seu serviço de IPTV na Espanha, o Imagênio. Outros grandes na área de conteúdo para TV por assinatura como Fox, Bandeirantes, Turner, Net Brasil (canais Globosat), HBO e DLA (Digital Latin America) também mantêm conversas com as teles. A operação brasileira de satélite da Telefônica busca soluções, a exemplo dos acordos já fechados com a tele espanhola para as operações de TV paga no Peru e no Chile. “Não

Fernando Ramos, da Net Brasil

menos espaço de crescer na atual conformação da TV paga, com predomínio de grandes programadores. Há muita cautela no ar do lado de quem sabe o valor do produto que tem; afinal, os programadores recebem hoje em torno de 25% a 30% das receitas dos operadores e não querem arriscar perder as boas parcerias existentes. Os detentores dos ditos conteúdos relevantes representam, individualmente, os maiores gastos das empresas operadoras de TV por assinatura - o que não deve ser diferente quanto aos players de telefonia que resolvam oferecer vídeo. As teles já perceberam o tamanho da briga e tateiam o terreno.

ABTA 2006: público recorde Durante a ABTA 2006, 11 mil pessoas passaram pela feira e pelo congresso. O evento, que aconteceu entre os dias 1º e 3 de agosto, em São Paulo, reuniu os principais líderes da indústria e profissionais diretamente envolvidos no dia-a-dia do setor. Paralelamente aos debates, foram realizados os Seminários de TV por Assinatura (STAs), voltados aos profissionais de nível operacional. O Congresso contou com 750 pessoas e os STAs reuniram 3 mil profissionais. Foram ainda 350 profissionais de mídia presentes, entre jornalistas, fotógrafos, equipes de TV e assessores de imprensa.

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>> fotos: marcelo kahn/alessandro kusuki/ramedE felix

Condições Os grandes programadores da TV por assinatura, os que detêm os canais capazes de atrair assinantes em peso para o serviço, não querem ver seu produto depreciado, ser vendido a preço de banana ou de graça no caso de as teles entrarem para valer dando o conteúdo de TV como “brinde”, um dos temores dos atuais operadores de cabo, MMDS e DTH.

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( capa | especial abta 2006) Estande da Buttman na ABTA 2006: produtora erótica negociou 30 horas de programas para o video-on-demand da Brasil Telecom

negociação complicada, até porque não vamos quebrar o padrão de negociação que temos com as operadoras de TV por assinatura”, garante o vice-presidente da Fox Latin America, Gustavo Leme. E a parceria da Fox com a Telefónica não pára por aí. Os canais da Fox, de acordo o vice-presidente sênior da Fox Latin America, Carlos Martinez, também farão parte da operação de IPTV que a tele lançará no Chile entre os meses de setembro e outubro. O Grupo Bandeirantes, que já é parceiro das teles em suas operações de celular, também conversa para ter seus canais BandNews, BandSports, Play TV e Terraviva com a prestadora espanhola, além de uma efetivamente fechado adaptação dos conteúdos para ser oferecido pelas dos canais da Band (em teles. Exceção é a Buttman, formato de co-produção), tradicional produtora de para distribuição nas conteúdos adultos mas nem operações de DTH e tão tradicional no mercado IPTV da Telefónica na de TV paga. Segundo Marcelo América Latina. Gomes, diretor da empresa, “Ainda não há uma já há um contrato com a BrT negociação formal, mas para o fornecimento de 30 desde que exista um horas de vídeos adultos para o novo operador de TV teste de vídeo sob demanda. paga, com as aprovações Sotto-Mayor: opção da “O contrato vale para todo Telefônica pelo DTH é parte da necessárias, a Net tem o nosso acervo de DVD, que estratégia regional da tele. todo o interesse em será disponibilizado para esta negociar os canais da primeira fase de video-onGlobosat”, afirma o diretor geral da demand e também para a segunda fase do Net Brasil, Fernando Ramos. projeto de IPTV da BrT, que prevê grade de Já no jantar promovido pela HBO programação, mas que ainda depende de com operadoras de TV por assinatura regulamentação da Anatel”, conta Gomes. durante a ABTA 2006, pela primeira O canal de TV da Buttman já está sendo vez havia uma mesa reservada para distribuído pelas operadoras uma operadora de telecomunicações: de TV a cabo Vivax, Big TV, a Telefônica. Cabo Mais, TV Show e estreou A DLA, empresa que empacota em julho na Way TV, recém e entrega conteúdos para videoadquirida pela Telemar. on-demand e pay-per-view, Se a Brasil Telecom além de alguns conteúdos para a (BrT) conseguir cumprir o programação regular de operadoras cronograma estabelecido para digitais, também confirma estar em o piloto de IPTV, a tele deverá negociações com a Telefônica, para estar pronta para lançar o Brasil e Estados Unidos, informa serviço comercialmente ainda Antônio Barreto, CEO da empresa. em dezembro deste ano, É claro que há pouco conteúdo espera a programadora. 24

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A partir do mês de setembro, a BrT terá 500 set-top boxes testados em Brasília para avaliar a usabilidade dos serviços de video-on-demand. Sem mudar Os programadores, de forma geral, tampouco admitem que baixariam seus próprios custos para chegarem à classe C — ninguém gosta de admitir que pode integrar um pacote barato, embora já tenham canais perfeitos para este público. Os programadores, principalmente para o mercado de publicidade, vangloriam-se de ter no seu target majoritariamente o público A/B. Há também muita resistência por parte dos provedores de conteúdos nas tentativas de popularização do serviço de TV paga — tome-se de exemplo o caso dos antenistas no Rio. O acordo envolvendo a Net, antenistas da comunidade de Vila Canoas e a Anatel regulariza, pela primeira vez, a oferta de um sistema de TV paga a comunidades carentes, mantendo a responsabilidade da concessionária de cabo. No momento, a sua maior barreira de crescimento envolve programadores, que resistem em oferecerem seus canais e este tipo de serviço, popular e barato por natureza. Do outro lado, carece de interesse ao usuário um pacote sem nenhuma marca importante. Enfim, o conteúdo top desfruta hoje da confortável posição de poder estudar cautelosamente para quem, em que condições e a quanto aceita se vender. Enquanto não houver um fato novo no segmento, que traga alternativas de qualidade e comercialmente viáveis aos atuais players da programação, são eles que vão reinar neste negócio, ditando as regras para quem quer que os carregue.

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Alberto Blanco, da Telemar, chegou a sugerir que as teles e operadoras de cabo se unam para negociar programação.


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( capa | especial abta 2006)

Novos vizinhos

Telefônicas apresentam na ABTA suas estratégias para o mercado de TV, mas enfrentam resistência dos operadores atuais

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ABTA 2006 foi um evento para que as empresas de TV por assinatura mostrassem os crescentes números de penetração dos serviços triple-play, o avanço da banda larga, os pacotes digitais, as perspectivas de crescimento da Sky e da DirecTV após a fusão, o fim da exclusividade de programação... Tudo isso estava lá, mas o que realmente marcou a edição deste ano pode ser resumido em uma frase do diretor de desenvolvimento de negócios da gigante Telefônica, Gilberto SottoMayor, que participou de debate no evento: “Para ganhar tempo, decidimos partir para tecnologias consolidadas de TV por assinatura”. Sotto-Mayor referia-se à estratégia da Telefônica de entrar no mercado de TV paga neste segundo semestre com um serviço de DTH. Mas a sua colocação poderia muito bem ter sido feita pelo diretor de desenvolvimento de negócios da Telemar, Alberto Blanco, presente na mesma mesa de debates. No caso da Telemar, a opção foi pela “tecnologia consolidada” do cabo. A empresa, como se sabe, adquiriu, no final de julho, a Way TV, uma operadora

Francisco Valim (Net Serviços), Chris Torto (Vivax), Samuel Possebon (TELA VIVA), Leila Loria (TVA), Ricardo Knoepfelmacher (Brasil Telecom) e Luiz Eduardo Baptista (Sky/DirecTV) no painel de abertura da ABTA. Para Valim, telefônicas trazem ameaça de desvalorização do serviço de TV por assinatura. Knoepfelmacher, da BrT, lembrou que a própria Net já é ligada a uma tele (a Telmex).

de TV a cabo mineira que atua nas cidades de Belo Horizonte, Poços de Caldas, Uberlândia e Barbacena. Assim, a tônica da ABTA 2006, aquilo que se comentou nos corredores do evento, aquilo que saiu com grande destaque na imprensa foi, simplesmente, “as teles chegaram ao mundo da TV por assinatura”. Os significados disso são grandes para o universo da televisão. São novos investidores, com grande apetite, novos compradores de programação, novos compradores de equipamentos, novas empresas contratando mão de obra. Mas, por outro lado, e isso também teve grande destaque na ABTA 2006, a chegada das teles pode significar riscos reais de sobrevivência para as empresas até então estabelecidas em função da sua agressividade competitiva. Afinal, o mercado de TV paga tem por trás uma indústria que fatura, no Brasil, cerca de R$ 5 bilhões ao ano (estimativa para 2006). O mercado de telecom gira mais de 26

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R$ 100 bilhões. Só a Telemar deve faturar este ano cinco vezes mais do que a TV por assinatura fatura como um todo. A compra da Way TV, realizada por R$ 132 milhões, significa menos do que um terço do lucro da tele no primeiro semestre. “Tenho convicção de que elas (teles) praticarão dumping”, disparou Francisco Valim, presidente da Net Serviços, logo na abertura do evento. O presidente da Brasil Telecom, Ricardo Knoepfelmacher, que foi o interlocutor de Valim para a frase acima, disse que as empresas de TV por assinatura não são mais “semiquebradas”. E lembrou que a própria Net Serviços tem como acionista uma empresa de telecomunicações, a Embratel. “Portanto, esse discurso não cola mais. É um discurso que valia para a velha Net, não para a nova Net, pós-Telmex. O jogo mudou. Sempre haverá espaço para empresas boas”, defendeu-se. Knoepfelmacher acredita que a entrada das teles vai permitir que o mercado se desenvolva. “Ao invés de imaginar que vamos competir, a entrada das teles vai ampliar o mercado para todo mundo”, disse ele.


Independente­mente destas discussões, Telemar e Telefônica, que estão mais avançadas, preparam as suas estratégias. A Telefônica quer lançar o seu DTH até o final do ano, ainda de forma experimental. “A estratégia está dentro da oferta do triple-play e independe do arcabouço regulatório”, disse o responsável pelo projeto, Gilberto SottoMayor. A oferta é pan-regional, parte de uma estratégia em cinco países, o que garante escala. “A Telefônica está desenvolvendo um plano de negócios para determinar os focos geográficos da oferta”, disse Sotto-Mayor, sem revelar se a tele atuará fora do Estado de São Paulo. Por enquanto, a operação deve ser centralizada em cada país, assim como é hoje no Chile e no Peru, onde a empresa já atua em TV paga. “Mas buscamos a maximização das redes e a idéia é utilizar a escala”, disse o executivo. Outras opções Entrar no DTH, contudo, não invalida nem muda a estratégia da empresa de investir em serviços de IPTV, por redes de banda larga. A estratégia está mantida, sobretudo para serviços de video-on-demand. Já sobre a possibilidade de implementar uma rede de fibras ópticas até a casa do assinante, como acontece nos EUA, Sotto-Mayor avalia que isso não deverá acontecer no médio prazo no Brasil, cuja realidade das redes está mais próxima à da Europa. “Nos Estados Unidos a

telefonia fixa é mais antiga, por isso optou-se redes, ficar restrita ao HFC, tecnologia pela tecnologia Fiber to the Home (FTTH). utilizada pelas operadoras de cabo. Na Europa as redes de telecomunicações são “Mesmo em Belo Horizonte, a idéia é mais recentes, o que fez que se disseminasse integrar redes e oferecer serviços também mais rapidamente o IPTV sobre ADSL, assim por meio como faremos no Brasil”, afirmou. “Hoje a de plataformas de IPTV, por exemplo, onde realidade brasileira é ADSL, fio de cobre e for necessário”. DTH”, completou. Ricardo Knoepfelmacher, da Brasil A Telemar tem como prioridade, por sua Telecom, vê as parcerias com empresas vez, a oferta de serviços em redes de cabo, de conteúdo, satélite, e TV por assinatura pelo menos em Belo Horizonte e demais como fundamentais para a oferta de cidades operadas pela Way TV. A explicação IPTV. “Nossa oferta será conjunta. Não para a estratégia de comprar descartamos nem mesmo uma operadora pronta vem de parcerias com empresas Alberto Blanco: “Resolvemos que oferecem DTH (TV por o problema da concorrência satélite)”, disse o executivo. em Belo Horizonte e vamos ter A empresa não descarta uma experiência prática para comprar empresas de TV por modelos e para a operação”. assinatura, como Ele criticou abertamente a fez a Telemar. política de preços dos serviços “Dentro da nossa região de TV paga existente no Brasil. não surgiu nenhuma Disse que é um produto de operadora de TV à venda. Se elite, que chega à classe A e aparecer, nós analisaremos B apenas. “Acredito que com o ativo”, informou o diretor Annenberg, da ABTA: melhor financeiro e de relações a competição, a exemplo do cenário é o das parcerias, com que aconteceu com a telefonia cada empresa fazendo aquilo com os investidores da celular, os modelos vão mudar que conhece melhor. BrT, Charles Putz, durante e os custos, cair”, disse, dando a teleconferência para entender que a Telemar terá uma estratégia analistas de mercado no começo do voltada para um outro público, mas sem mês. Mas mesmo colocando-se como dar detalhes. compradora, a Brasil Telecom pretende, em Ele reconhece, contudo, que não será pouco tempo, lançar serviços de videofácil mudar certos paradigmas de custo, on-demand pela plataforma IPTV sobre como os de programação. “Proponho até redes ADSL. Recorde-se que a empresa tem que nós e as empresas de cabo trabalhemos um acordo de revenue share com a NEC, em conjunto para reduzir os custos dos fornecedora da plataforma de IPTV, o que canais”, disse, em tom de brincadeira. reduzirá o tempo para se atingir o break A Telemar não pretende, em relação às even nesse novo negócio.

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( capa | especial abta 2006) Parcerias O discurso das parcerias também sai da boca de Luiz Eduardo Baptista (Bap), presidente da Sky/DirecTV (leia entrevista à pág. 38). Para ele, esse é o caminho natural, ainda mais para uma operadora de DTH. “A experiência na venda de serviços de televisão é das empresas de TV paga, e fazer bem uma coisa é melhor do que fazer três coisas diferentes e nenhuma delas direito”. Alexandre Annenberg, diretorexecutivo da ABTA, foi outro que temperou seu discurso com palavras de parceria e receptividade para empresas de TV paga. Segundo Annenberg, empresas de televisão aberta, empresas de TV paga e empresas de telecomunicações têm, cada uma, virtudes e deficiências. Na oferta de serviços convergentes, as qualidades de cada uma podem se somar para compensar as deficiências do outro. “As empresas de telecomunicações não sabem como vender conteúdos para o assinante. Nós não temos numeração, por exemplo. São coisas que se complementam”. Leila Loria, diretora geral da TVA, também mantém, pelo menos em discurso, uma linha de convergência de interesses com as empresas de telecomunicações. “A questão do tamanho das empresas (de telecomunicações e TV paga) é de fato preocupante, principalmente quando se pensa em competição. Mas, resolvida esta questão, vejo interesses que se somam. As empresas de TV pagas, por exemplo, estão muito mais adiantadas na forma de tratar e dialogar com o consumidor”. Mas o maior player do mercado de TV por assinatura, com o maior poder de fogo e, naturalmente, com mais espaço a perder, é muito mais duro em relação à chegada das teles. Para o presidente da Net Serviços, Francisco Valim, “com essa legislação (de TV a cabo) não existe parceria possível”. A legislação. Este promete 28

O ministro Hélio Costa (Comunicações) durante a feira: Ministério criará grupo de trabalho para estudar as divergências.

ser o ponto central das discussões entre a Telemar e a Net Serviços nos próximos meses. A ABTA, nas palavras de Alexandre Annenberg, promete fazer um levantamento sobre as condições jurídicas para a entrada das teles e, havendo necessidade, ir à Justiça para barrar os entrantes. Mas outros operadores de TV por assinatura ligados à associação consideram que esta briga é, no longo prazo, inútil. Concordam que não existe razão lógica para impedir a entrada de um investidor, preservadas as condições de competitividade. Para tentar barrar a Telemar, a Net baseia-se no Artigo 15 da Lei do Cabo, que apenas libera às “concessionárias de telecomunicações” a autorização para operar o serviço “no caso de desinteresse de empresas privadas”. Há ainda no contrato de concessão das teles um item complicado para a Telemar: a cláusula 14.1, parágrafo 1º do contrato diz que “ressalvadas as hipóteses previstas em lei específica, concessão ou autorização de Serviço de TV a Cabo (...) não será outorgada nem transferida pela Anatel à concessionária, suas coligadas, controladas ou controladora, até que seja expressamente revogada tal vedação”. Mas existem fatos a serem considerados. Primeiro, o fato de que a Lei do Cabo foi feita ainda em um ambiente em que concessionárias de telecomunicações eram estatais. Depois, o fato de que a Lei Geral de Telecomunicações prega que, em serviços Conselheiro José Leite, da Anatel. Para analistas, tendência é que a agência autorize a compra da Way Brasil pela Telemar.

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privados, a “liberdade é a regra”. E ainda o fato de que o contrato de concessão das teles, ainda que um ato voluntário, impor uma limitação que não foi submetida ao Conselho de Comunica­ ção Social, como manda a Lei do Cabo. Há ainda “exceções” a serem consideradas, nas palavras do conselheiro da Anatel José Leite Pereira Filho. Por exemplo, o fato de que há, no Brasil, concessionárias de telecomunicações que são, em suas áreas de concessão, também concessionárias de cabo. É o caso da operação de TV a cabo da CTBC Telecom, na cidade de Uberlândia (MG), operação esta que justamente concorre com a concessão da Way TV. A Anatel mal começou a analisar o assunto, mas é forte a tendência dentro da agência de permitir a entrada da Telemar sob o argumento de que isso representaria maior possibilidade de competição no setor. A agência sabe que uma decisão favorável à tele neste caso será o precedente necessário para permitir a participação de empresas de telecomunicações em futuros processos de licitação para novas outorgas. De qualquer maneira, devem surgir polêmicas, e parte delas terá, eventualmente, que ser tratada em um contexto de atualização da legislação existente. Nessa linha foi a manifestação do ministro das Comunicações, Hélio Costa, que esteve no evento. Ele propôs que se crie um grupo de trabalho para resolver as questões polêmicas. “O novo grupo de trabalho deve envolver o Ministério das Comunicações e a Casa Civil, estudando o assunto para que não se cometam injustiças”, disse o ministro. “Se não resolver a questão, pelo menos discutir”, completou, lembrando que ela deve se inte­grar a uma discussão para um projeto de Lei de Comunicação que o governo pretende apresentar ao Congresso Nacional em 2007.

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( capa | especial abta 2006)

Momento de colheita

TV por assinatura vive melhor momento da história recente, com crescimento principalmente na base de assinantes de múltiplos serviços.

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nquanto a perspectiva de entrada das empresas de telecomunicações no setor de TV por assinatura gera discussões sobre os modelos de negócios resultantes, sobre as possibilidade de expansão ou concentração do mercado e sobre o interminável problema regulatório, a ABTA 2006 também foi o evento em que a indústria mostrou os maiores avanços em termos de alternativas de produtos e novos serviços em sua história. Chris Torto, presidente da Vivax e do conselho da ABTA, tratou de dar a mensagem de otimismo: “a TV por assinatura é o segundo maior segmento entre os mercados de mídia, perdendo apenas para a TV aberta. Somos, portanto, um setor vencedor”, disse, ao abrir o evento. Pela primeira vez, por exemplo, as operadoras mostraram a realidade da oferta de serviços triple-play. Já são mais de 70 mil assinantes de pacotes combinados, banda larga, voz e, é claro, vídeo. A experiência já se expressa em números. As três maiores operadoras de TV a cabo, por exemplo, estão registrando percentuais significativos de vendas de pacotes combinados, que incluem além da TV paga, serviços de banda larga e eventualmente voz. No caso da Net Serviços, segundo Leonardo Pereira, diretor financeiro da empresa, 10% das vendas da empresa hoje já correspondem aos três serviços combinados. A Vivax, segundo Gilson Granzier, diz que 35% de suas vendas são de pacotes combinados de TV paga e banda larga. Já a TVA, segundo Eduardo Malagoni, já tem cerca de metade de suas vendas combinando voz e dados.

Chris Torto, presidente do Conselho da ABTA: “TV por assinatura é o segundo maior segmento da mídia. Somos, portanto, um setor vencedor”.

Em relação aos custos de aquisição, todas estão com parâmetros muito semelhantes: cerca de R$ 500 por assinante digital, R$ 400 para banda larga e cerca de R$ 300 por assinante analógico. A Net também comentou, em sua participação no evento, a experiência da oferta combinada. “A cultura da oferta de serviços triple-play teve que ser cuidadosamente trabalhada dentro da empresa. Um exemplo bom é a questão das redes internas. Tivemos, por exemplo, que desenvolver know-how na instalação de redes de par trançado na casa do assinante, porque essa é a rede que o serviço de voz usa. É uma tecnologia simples, mas representa um esforço de atendimento que Segundo Leonardo Pereira, diretor financeiro da Net Serviços, 10% das vendas atuais já são de serviços triple-play.

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não se vê no caso das teles, por exemplo, que delegam ao próprio assinante a instalação das redes internas”, explicou Nicola Santos Dutra, consultor da operadora, que apresentou a experiência da empresa durante a ABTA. “O que as empresas de TV por assinatura sabem é que o cliente irá recorrer à operadora para resolver qualquer problema, desde a pilha do controle remoto até um problema na rede. Somos doutores em atendimento do usuário. Acho que as teles ainda não concluíram seus estudos nessa área”, diz Virgílio Amaral, diretor de tecnologia da TVA. Temas tradicionais da realidade das empresas de TV paga também não ficaram de fora. Alexandre Annenberg, da ABTA,

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( capa | especial abta 2006) voltou a levantar a questão tributária ao fazer um pedido para o prefeito da cidade de São Paulo, Gilberto Kassab, presente na abertura do congresso. Annenberg pediu apoio do prefeito à proposta de emenda constitucional aprovada no Senado pela qual a TV paga passa a recolher ISS, e não mais ICMS. “É uma proposta de imensa importância para o setor e de grande valor para os municípios, como São Paulo”. Outro ponto relevante foi a referência feita pelo presidente da Anatel, Plínio de Aguiar Jr., à parceria feita entre a Net e a operadora TJ, que atende à comunidade carente de Vila Canoas. “É uma iniciativa muito importante no sentido de popularizar a TV por assinatura. Mas eu faço um pedido às empresas de TV a cabo: levem a estas comunidades também a banda larga”.

crescimento, o fato é que todos esperam que a TV por assinatura no Brasil cresça um pouco acima de 10% este ano em termos de base total de geral que hoje as empresas assinantes, mantendo a boa média estão com condições de dos últimos dois anos. Na banda atrair mais investidores, o larga, as estimativas de crescimento que já se pode notar desde passam dos 60%. o começo do ano, com a Diante disso, o futuro da abertura em bolsa da Vivax, indústria foi pintado com cores a venda da Way TV para a fortes no principal evento do setor. Telemar, os bons resultados Para Antônio João Filho, COO da financeiros da Net Serviços e assim por Vivax, não existe a necessidade de diante. Todos os olhos dos analistas nenhuma mudança de rumo. estão voltados agora para a TVA, única “A disputa no futuro será por quem das operadoras que ainda não fez algum entrega a melhor banda larga movimento novo na área financeira. para o usuário. E por banda larga Especula-se que a empresa analise a entenda-se também o serviço de abertura de capital em bolsa, vídeo, que requer mas também há quem aposte muita capacidade que, com a entrada do sócio da rede. Fica claro sul-africano na Abril, o grupo que o modelo de Nasper, que investiu TV por assinatura é US$ 422 milhões na empresa competitivo, a ponto e tem hoje 30% do capital de atrair as teles para da controladora da TVA, ele. Já temos redes de haja a possibilidade de altíssima capacidade. investimentos de outras Sem esforço naturezas na empresa. praticamente nenhum, O grupo Nasper é muito podemos oferecer forte e familiarizado com a hoje conexões a realidade da TV por assinatura, Virgílio Amaral, da TVA: “Somos velocidades de 40 principalmente na Europa. doutores em Mbps, por exemplo. atendimento ao usuário.  Então, não somos E independentemente Acho que as teles ainda de novos financiamentos e não concluíram seus nós que temos que alternativas de alavancar o estudos nessa área”. mudar”. A disputa será por quem entrega a melhor banda larga para o usuário, incluindo aí o serviço de vídeo, diz Antonio João Filho, da Vivax.

Bons ventos Nos debates que trataram da conjuntura econômica, analistas e diretores das áreas financeiras das MSOs foram unânimes em apontar o bom momento vivido pela indústria em relação ao mercado de investimentos. É consenso quase

STA: a força da qualificação Mais uma vez a Feira e Congresso da ABTA abrigou os STA - Seminários de TV por Assinatura, série de sessões de treinamento e qualificação dos profissionais da indústria patrocinada pelo Seta (o sindicato das empresas de TV paga). Os 3 mil participante puderam aumentar seus conhecimentos técnicos, sobretudo na área de multiserviços, e gerenciais, com palestras de profissionais especializados. Houve muito espaço também para a descontração, como na palestra-show da Tradicional Jazz Band (foto) e na grande final da primeira fase do concurso Dê a Dica, que incentiva os profisisonais do setor a conhecer melhor o conteúdo dos canais.

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( capa | especial abta 2006)

Fornecedores apostam na convergência

Expositores da feira demonstraram equipamentos e soluções para a digitalização das pequenas redes e IPTV.

Público da feira pôde conhecer as novidades em tecnologia.

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ntre os expositores de tecnologia e equipamentos na feira ABTA 2006, o assunto era exatamente o mesmo do Congresso ABTA: a entrada das teles na TV por assinatura e, em igual medida, a digitalização das redes de cabo e MMDS, sobretudo das pequenas operadoras. Além disso, os fornecedores fazem uma outra aposta para aumentar suas vendas: novas tecnologias como o DVR (digital video recorder). Uma análise superficial dos produtos demonstrados mostra ainda que os equipamentos estão convergindo e diferentes tecnologias ficam cada vez mais parecidas. A ScientificAtlanta, que já participou da feira no estande da Cisco, empresa para a qual foi vendida recentemente, apresentou no evento uma família de set-top boxes que, à primeira

vista, pareciam iguais, mas que na verdade tinham versões para trabalhar com cabo digital ou IPTV. Estavam no estande os decoders da linha média, com um sintonizador embutido e DVR, e os da família mais avançada, com dois sintonizadores, DVR e até três saídas para TV, que podem enviar sinais diferentes para cada aparelho. O engenheiro da fabricante Luiz Fattinger explica que essa tecnologia permite que cada casa tenha apenas um decoder/DVR instalado, capaz de alimentar todos os televisores da casa, funcionando assim como um media center. Para selecionar os canais, usa-se um controle remote baseado em radiofreqüência, permitindo trocar o canal em um televisor que não está no mesmo cômodo onde está o decoder. Toda a linha pode ser SDTV ou HDTV, trabalhando com compressão MPEG-2 ou MPEG-4. A linha apresentada, segundo Fattinger, 34

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é a primeira da Scientific-Atlanta baseada em padrões abertos. Chamava atenção ainda na feira uma linha nova de equipamentos, o OnlyTV, demonstrado pela Nextvision. São aparelhos convergentes, capazes de integrar serviços de TV por assinatura e TV aberta, DVR, uma central de mídia pessoal e serviços IP, como video on demand e VoIP. O equipamento é quase um computador pessoal, mas com a facilidade de uso de uma TV. Por enquanto, é capaz de sintonizar os canais abertos ou de decoders conectados a ele. A fabricante negocia ainda com parceiros de TV por assinatura para que a caixa possa ser usada como decoder também. Além disso, o serviço sob demanda usa uma rede IP convencional para receber conteúdo de “locadoras


virtuais” instaladas nos aparelhos. Graças à interface IP, é possível ainda ler e enviar e-mails e fazer ligações VoIP, usando um aparelho de telefone digital ligado a uma das portas USB do equipamento. O disco rígido interno pode ser usado para gravar o conteúdo da TV (DVR) ou mesmo armazenar dados importados do PC, permitindo acesso a músicas, vídeos e fotos. Segundo Marcos Galassi, diretor da empresa, a Nextvision deve iniciar a distribuição no varejo, com pelo menos duas mil caixas, antes mesmo de ter acordo fechado com alguma operadora de TV por assinatura. A Globaltech, também presente à feira, aposta na digitalização do cabo e do MMDS para distribuir seus equipamentos que, segundo Bruno Tombi, da área de vendas da empresa, são de baixo custo. Além disso, a empresa apresentou uma caixa para IPTV baseada em compressão Windows Media 9, capaz de receber sinais SD e HD.

Marcos Galassi, da Nextvision, começa a distribuir no varejo caixa convergente que pode unir TV aberta, por assinatura e IPTV

A demonstração feita no estande do fabricante contava com transmissão de dados a 6,4 Mbps. Acesso A holandesa Irdeto aposta suas fichas na TV digital para crescer no Brasil com sua plataforma de acesso condicional e de soluções de proteção de conteúdo. O diretor de vendas para América Latina e Caribe da Irdeto, Giovani Henrique, explica que mesmo a TV digital aberta precisa proteger o conteúdo com alta definição de áudio e vídeo, porque se trata de uma rede controlada. Foi pensando na oportunidade de mercado que se abre com a implementação da tecnologia no País que a Irdeto fechou parceria com a Visiontec, uma empresa brasileira que apresentou ao Ministério das Comunicações um protótipo de set-top box de TV digital ao custo de R$ 80, de acordo com as especificações do governo. “Com a parceria, todos os set-top boxes de TV digital produzidos pela Visiontec terão o acesso condicional da Irdeto”,

conta Henrique. A Conax, além das soluções de acesso condicional, mostrou uma tecnologia para compra de conteúdo pay-per-view usando o celular como canal de retorno, enviando uma SMS para a operadora de TV por assinatura. Com o uso da tecnologia, não é necessário investimento na compra set-top boxes sofisticados. A Tecsys apresentou na ABTA 2006 uma linha de produtos para operadores e programadores que conta com com soluções de acesso condicional, conversor e encoder, “tudo nacional”, orgulha-se Marcos Freire Martins, diretor geral da empresa. O executivo explica que seus encoders permitem transmitir três canais em um link de 20 Mbps, e comemora as exportações de alguns de seus equipamentos. Segundo ele, o modulador TS-5050 tem 58% da produção exportada. Outro nicho importante explorado pelo fabricante é o de TVs corporativas. Sergundo ele, Wal-Mart e Sam’s Club, Magazine Luiza e as escolas Wizard usam a tecnologia em suas TVs, além de canais como TV Asa Branca, TV Rá Tim Bum e Buttman.


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(mercado)

Edianez Parente

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Um novo líder no céu Dirigente da nova empresa que surge com a fusão de DirecTV e Sky, Luiz Eduardo Baptista quer parceria das teles, mas pede regulamentação. fotos: marcelo kahn

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uiz Eduardo Baptista, conhecido no mercado de pay TV brasileiro por Bap, é o executivo do momento no DTH nacional. Ele esteve à frente da DirecTV nos últimos três anos, tendo anteriormente atuado na Optiglobe Telecomunicações. Mas foi antes disso na TVA, onde chegou a COO, que o executivo construiu sua carreira no segmento da TV por assinatura. Bap, 45, é o dirigente da nova operação de DTH que surge a partir da fusão das operações de DirecTV e Sky no Brasil - empresa cuja criação só foi possível após aprovação da autoridade concorrencial brasileira (Cade) e que começa a operar para valer a partir de agora. Esta entrevista foi concedida a TELA VIVA durante a ABTA 2006, no calor dos debates acerca da iminente entrada das operadoras de telefonia como players da TV por assinatura. Neste aspecto, a DirecTV/ Sky (a marca da operação ainda não estava definida até o fechamento desta edição) é de cara a primeira a ser afetada, já que a Telefônica entrou com pedido na Anatel para ingressar no mercado exatamente na mesma tecnologia, o DTH (TV via satélite). Mas isto não parece ser motivo de maiores preocupações para o executivo. Bap é conhecido no mercado por opiniões fortes e polêmicas. Agora, não poderia ser diferente. Por exemplo, ele acha é obrigação do governo regular, sim, a entrada das teles no negócio de TV paga, para garantir a sobrevivência dos “pequenos” e assegurar competitividade no mercado — exatamente os mesmos argumentos

Luiz Eduardo Baptista

dos que se opunham no Cade à fusão no DTH que ele agora comanda. Mas no que tange às questões de conteúdo, Luiz Eduardo Baptista não acha que o programador nacional mereça qualquer privilégio só pelo fato de ser brasileiro. “O conteúdo tem de ser bom para ser carregado”, diz, e para ele o único programador nacional que conta é o grupo Globo — um dos acionistas da empresa. A seguir, as opiniões do executivo sobre tópicos relevantes neste momento da indústria. Teles Bap bate forte nas teles, alertando para a possibilidde de elas oferecerem o 38

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serviço de vídeo até de graça para manter assinantes. “Há problemas no mundo inteiro, pois o setor de telecomunicações é monopolista e destrói o valor do produto que tem. Em telefonia, eles entram no mercado, detonam o preço e depois dizem que está caindo a receita. Mas quem baixou o preço? Não tem nada de errado com empresas de R$ 10 bilhões perderem 5%. Do ponto de vista concorrencial, o que se tem de fazer é regulamentar o mercado com a flexibilidade para entender que o mundo está mudando, protegendo os menores da fúria dos grandes. O exemplo dado pelo Valim (Francisco Valim, CEO da Net Serviços) de que no Chile as empresas de telecom estão dando conteúdo de graça é muito sério. Quando se cria um conceito de que o que levamos 15 anos para construir não tem valor e pode ser dado de graça, é muito sério. Acho que isso é questão de regulamentação. A concorrência deveria ser aberta na área de telecom mais rapidamente. Tem de ser estruturado de uma forma que todo mundo possa competir. Acho que o governo poderia estimular fortemente as parcerias, com algum tipo de incentivo. Seria uma coisa inteligente”, diz o executivo. Way-TV Em relação à entrada da Telemar no mercado, ainda não aprovada pela Anatel, Bap diz: “com a disponibilidade de recursos que as empresas de telecom têm, acho que eles vão comprar onde eles tiverem oportunidade, como aconteceu com a Telemar. Pensaram: ‘Surgiu uma


oportunidade e vamos brincar disso aqui. Tenho muito dinheiro, pago um prêmio de 30% do valor e vamos aprender com isso’. Acho que a Way TV foi um caso de oportunidade.” Serviço O executivo marca a dificuldade que as operadoras de telecom podem ter ao prestar serviços tão diferentes do seu negócio tradicional. “O nosso desafio é revolucionar a maneira de se interagir com a TV. Eu acho que já estamos fazendo isso nos EUA. Telefonia, com todo o respeito, é commodity. A gente precisa se comunicar e ponto. Televisão é entretenimento, é sonho, é glamour, é experiência, interatividade, e isso aí a gente tem experiência”, diz Bap, e ironiza: “Talvez a gente não saiba fazer, mas temos uma larga experiência de como não fazer”. O call center de quem faz TV não é o mesmo da telefonia, lembra. “Telefonia diz quanto custa a conta. No call center de TV paga, o cliente liga e pergunta sobre o filme HBO. Então, o que se responde? A conversa é muito mais abstrata do que um atendimento normal. O papel aceita qualquer coisa; botar no papel o que se vai fazer é uma coisa; conseguir fazer é outra. Vai levar muito tempo para eles aprenderem a lidar com isso. Ainda mais uma máquina que fatura R$ 15 bi totalmente focada para

telefonia... Imagine o problema com telefone que acontece na casa do cliente na sexta-feira. A solução só chega na segunda-feira, e isso foi desenvolvido ao longo de 70 anos de monopólio. Agora, imagine um problema na sexta-feira com a TV por assinatura. Experimenta falar pro assinante que ele vai ficar sem TV no fim de semana? A cultura é outra, a mão de obra é outra, a maneira de lidar com o cliente é outra. É um animal diferente. Vejo dizerem que é fácil, mas não é assim!”, conclui.

que isso é um começo. Qualquer casamento começa com uma aproximação. A proteção vem por meio de contratos, para se precaver do assédio de um eventual parceiro que pode vir a ser o teu algoz”, diz. “Definitivamente, a posição de achar que se pode fazer tudo e que o outro não pode, acho conceitualmente difícil de defender. O caso não é como pode ser feito, mas sim como permitir. Nesse aspecto, pode-se montar um comitê para avaliar em que condições isso poderia Parcerias se dar. Todos no “Entendo que, se eu mercado de pay TV quiser levar telefonia a querem se defender “Telefonia é locais mais distantes e das empresas de commodity. há um operador de cabo telecom e as teles que esteja lá, pode ser acham que isso vai A gente fala e feita a parceria. Falta no resolver o problema pronto. Brasil um planejamento de imagem delas. Televisão é para o crescimento. Mas Basta olhar para o não precisa estimular as entretenimento, nosso faturamento parcerias em São Paulo. é glamour, e isso e o deles: se eles A Anatel lista operações de acharem que o vídeo aí a gente tem cabo em 400 cidades e, se vai mudar a vida continuar assim, daqui a deles, no Brasil, não experiência.” dez anos vamos continuar vai”, conclui. a ter cabo nas mesmas 400 Ele não descarta cidades. Não dá retorno sair desses lugares a prestação de serviços combinados se não houver algum tipo de incentivo”, com as telefônicas, a exemplo do que diz Bap. acontece nos EUA e já aconteceu no Em determinadas regiões, lembra o Brasil entre o DTH e a banda larga executivo, a empresa de telecom fornece das teles: “A DirecTV/Sky tem 36% de desconto do produto dela ao assinante e share do mercado de TV paga, mas a operadora de TV oferece desconto no estamos espalhados. O satélite, por produto dela. “É igual ao code share que mais curioso que isso pareça, é o mais algumas companhias aéreas faziam. Acho democrático dos sistemas. Quando se

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( mercado) fala em universalização, o satélite está em 5,4 mil municípios brasileiros. É caro fazer telefonia por satélite? É. É caro fazer broadband via satélite? É. Vamos ter de buscar outras alternativas. Quais seriam? Vamos ter de fazer parceiras ou vamos ter de comprar outros players. Nos EUA, a DirecTV tem 14 milhões de assinantes — e há a parceira com as ‘baby bells’ (operadoras fixas locais) — e lá está funcionando. Acho que o exemplo americano, pela nossa dimensão de mercado, é o que vai acabar vingando. A diferença vai ser o ‘timing’, o ritmo com que as coisas vão acontecer. O modelo será o americano”. Telefônica no DTH Como a DirecTV/Sky enfrentará a entrada de um concorente com alto poder de fogo? “Acho que a Telefônica vai atuar preferencialmente onde está a sua rede física. O tal do ‘filé mignon’. Em Pirapora do Norte, ninguém vai querer. Acho, sim, que vai acirrar a concorrência em regiões já sabidamente com oferta de competidores. A Telefônica está em São Paulo e vai brigar pelo assinante de SP. Ela não vai democratizar o acesso nos cantões do Brasil. Acho que eles querem aprender como este negócio funciona e, pelo marco regulatório, seria o caminho menos encrencado para eles entrarem, por não haver restrição ao capital estrangeiro; foi onde houve a oportunidade”, conta Bap.

“O assinante da DirecTV vai contar com a melhor oferta possível, porque temos interesse em fazê-lo migrar para a estrutura da Sky.” Vamos começar um beta-teste, fazendo mil migrações, e avaliar o impacto. Aprenderemos com isso — se a pessoa tem dificuldade com o novo controle remoto, por exemplo. Agora vamos ver o componente humano, pois muda-se o paradigma, por causa das funções do controle remoto. Vou ter de reeducar o cliente. Estamos preparados para fazer até 50 mil serviços/mês”.

Fusão Perguntado se considera que o atraso na aprovação da fusão Sky/ DirecTV prejudicou a empresa, Luiz Eduardo Baptista diz que não: “O que as autoridades regulatórias no Brasil nos tiraram em relação ao ‘timing’ para ir ao mercado, nós ganhamos em planejamento - o que não é uma coisa muito normal do Brasil - e o planejamento foi muito bem feito. O primeiro teste foi feito e os acionistas resolveram esperar.

Pacotes A seguir, o diretor da nova operadora explica como ficarão os pacotes de programação: “Serão colocados ao longo de agosto. O conceito básico é fazer com que o assinante que era da DirecTV receba o conteúdo adicional que ele sempre quis e nunca teve. Estamos fechando detalhes com a 40

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Globosat e com a Net Brasil, para que possamos ter um rol de ofertas atrativas. Em meados de agosto, começamos a oferecer isso, com pacotes para fins específicos de migração. O assinante da DirecTV vai contar com a melhor oferta possível, porque temos interesse em fazê-lo migrar para a estrutura da Sky. Não vou dar conteúdo de graça para ninguém porque o conteúdo da Globo tem qualidade e não é barato. Mas a combinação que os nossos assinantes terão seguramente será de longe muito mais atrativa do que as existentes no mercado. De graça não vamos dar, até porque o assinante tem a opção de permanecer com o pacote DirecTV. O assinante da DirecTV vai receber uma proposta única para migrar para a plataforma da Sky. Não vamos fazer hoje nenhuma proposta para os assinantes da Sky”, diz o executivo. E complementa, explicando o que acontecerá com os pacotes de futebol: “O assinante poderá ter o futebol se comprar o pacote da Sky. Na hora em que aponto a antena para o satélite da Sky, posso vender futebol, pay-perview, e só posso fazer isso se for afiliado Net Brasil. Este é o conceito. Se não, vai criar um problema com a Globosat sobre os contratos existentes com outros operadores”. Em relação aos novos assinantes, o executivo explica que a princípio não muda nada do que tem na Sky. “O modelo de vendas que vai prevalecer é o da Sky. O serviço e conceito de atendimento de cliente será o da DirecTV”. Rede Globo “Eu pretendo expandir os sinais abertos da TV Globo. Pretendo pegar espaço no satélite e botar pelo menos em mais sete ou oito regiões”, conta Bap. É um plano para os próximos meses para as cidades onde a operadora tem mais assinantes, explica. “É uma questão de prospecção de mercado. O problema é que a Globo tem

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( mercado) 50 sinais e 50 slots no satélite — o que corresponderia a disponibilizar terço do espaço”, conclui. Produção local “O canal 605 (de produção nacional na DirecTV) na verdade depende de conteúdo. Seu ‘driver’ é a existência de conteúdo de qualidade que precise de uma janela especial para ser mostrado. Pode ter, sim, mas não temos mais o dinheiro da Ancine (art. 39). Agora, se a Globo quiser lançar uma freqüência experimental para um conteúdo dela em qualquer nova linha, por que não? A questão é ter um bom conteúdo para mostrar. Se houver, acha-se um lugar entre mais de cem canais no satélite!” Uma coisa que vai acontecer necessariamente no Brasil, diz Bap, é o fim “daquela história de ter conteúdo latino por conta da compra pan-regional”. Se os canais não estão entre os 30 mais assistidos, ele afirma, não faz a menor diferença; “é um desperdício carregar um monte de canais. Tem de fazer um trabalho de oxigenação, ter dinâmica. Há coisas clássicas e outras que não são. Nesse aspecto, acho importante ter o conteúdo nacional de qualidade”, diz. E continua: “Vejo os meus amigos da Band falando: ‘Ah, o conteúdo nacional!’. Parece que falamos do índio cor-de-rosa. Cadê o índio? Ele não existe. Só quem faz conteúdo nacional com constância e consistência é a Globo. Quem

mais? Tem gente que não consegue 24 horas de programação em rede aberta, vende seis ou oito horas para a igreja! Não consegue botar um canal de 24 horas no ar e como é que se pode pensar no mundo digital? Tem que ter conteúdo. Não adianta vir com a conversa: ‘Você aí me dá uma freqüência para eu colocar meu conteúdo porque eu sou brasileiro.’ Não tem de haver reserva de mercado

“Só quem faz conteúdo naciona com consistência é a Globo. Tem gente que não consegue botar um canal 24 horas no ar, como quer pensar no mundo digital?” só por ser brasileiro. Faça um conteúdo decente que, seguramente, terá espaço. Sou contra cotas e reserva de mercado. Se tiver conteúdo bom, todo o mundo quer comprar. Você paga satélite, paga estrutura de atendimento e tem de fazer benemerência com o dinheiro do acionista só porque o cara é brasileiro? Acho que isso não é política de incentivo e de estímulo ao crescimento do setor. Política é deixar quem financia o projeto descontar imposto de renda, dar incentivo, linha de crédito para isso. Ao longo dos anos,

cria-se um círculo virtuoso — como o bebê: depois de um tempo, anda com as próprias pernas.” O tiroteio se expande para os canais latinos: “Do meu ponto de vista, conteúdo ruim não tem de estar no ar, seja ele nacional ou internacional. Conteúdo que é bom para o latino que o brasileiro não gosta tem de sair. Tirei alguns conteúdos latinos do ar e recebi cumprimentos. Há 50 pessoas que parabenizam e dez que reclamam. Se tenho meio milhão de clientes, tenho compromisso de atendê-los. Contratar um canal é que nem casamento: pensa que vai ser muito legal, vai tudo dar certo, vai ser um eterno namoro, vai sempre ter novidade... mas na vida como ela é, não é assim que acontece. Quando se começa a ver que a audiência do canal cai, é da vida. Não é só do processo de empacotamento.” Marca “Qual marca ficará? Esta é a pergunta de um milhão de dólares!”, brinca Baptista. “Vamos decidir nas próximas semanas. Eu ficaria muito surpreso se viesse uma marca nova. Somos latinos: se desaparecer com a Sky e DirecTV, haverá viúvas chorando dos dois lados. Há o sentimento de perda percebido da DirecTV, que é maior. A Sky tem mais assinantes. Começa-se a entrar numa área emocional. Temos de tomar cuidado porque há que se manter o valor para o acionista.”


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( radiodifusão)

Samuel Possebon

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Entre polêmicas, TV digital anda Ainda há muita discussão sobre as fórmulas que o governo pode adotar para democratizar a televisão brasileira. Enquanto isso, avançam os trabalhos para especificar aspectos técnicos. Cronograma também está para sair.

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TV digital continua gerando polêmicas e discussões acaloradas nos bastidores. A mais intensa delas surgiu em debate durante o Congresso ABTA 2006, que acabou discutindo as decisões do governo em relação à TV digital. Protagonizaram a discussão André Barbosa, assessor especial da Casa Civil, e Gustavo Gindre, pesquisador da área de comunicação e militante da causa da democratização das comunicações no país, ligado ao Coletivo Intervozes. O foco da polêmica, se é que ela pode ser resumida, em poucas linhas, é: o que o governo pode efetivamente fazer para democratizar a comunicação brasileira diante dos termos colocados no decreto de transição da TV digital (Decreto 5.820/2006)? Na visão de Gindre e outros, o governo não está dando nenhuma garantia de que o mercado que se abre com a TV digital será explorado por alguém além das próprias emissoras comerciais aí estabelecidas. Ao permitir a multiprogramação e não colocar claramente as regras de como estes canais serão ocupados, o governo abriria a porta para a perpetuação do modelo atual de produção e distribuição que vigora na TV aberta brasileira, onde a mesma entidade é responsável pela programação e meios de distribuição. Na leitura do governo, manifestada por André Barbosa, houve sim um avanço considerável no momento em que o mesmo decreto previu a criação de quatro canais digitais de acesso público em todas as cidades, que serão ocupados com conteúdos para

educação, cultura, ações do Executivo e para não tem representantes da sociedade questões ligadas ao que está sendo chamado civil. De qualquer maneira, até 9 de genericamente de “cidadania”. dezembro os trabalhos da Câmara A forma de uso destes canais, segundo precisarão estar concluídos para que Barbosa, será inovadora porque permitirá o seja, então, instalado o compartilhamento das freqüências (várias Fórum de TV Digital, um organismo universidades poderiam, por exemplo, permanente de desenvolvimento criar programação para um desses canais). do SBTVD-T. Segundo Barbosa, é intenção do governo Já para o final de agosto é criar, até o final do ano, o Fórum para a esperado o cronograma de transição, TV Pública, que disciplinará a ocupação em que o governo deve colocar os deste espaço na TV digital aberta. Pela prazos em que as emissoras receberão idéia do governo, é possível se pensar em seus canais consignados de migração um modelo de TV pública de qualidade e iniciarão suas transmissões. Não que integre as fundações e deve haver surpresas: emissoras educativas existentes as cidades mais Fórum será hoje. Esta rede pública seria a importantes (em criado até melhor forma de democratizar população) começam a comunicação em sua visão. antes. A expectativa o final do Mas a Casa Civil não parece ano para disci- é saber como será a disposta a ir além disso. Idéias já regra para cidades plinar tentadas em outros momentos, menor porte que o uso dos ca- de como vincular o financiamento eventualmente queiram nais públicos acompanhar os da televisão independente à da taxação das emissoras abertas trabalhos de migração comerciais ou à exigência de para o digital de suas TV digital cotas para a veiculação de cabeças de rede. Outra programação independente expectativa diz respeito estão, tudo indica, descartadas. às eventuais sobras de espectro. Com Alguns pontos desta polêmica estão os quatro canais públicos previstos, manifestados nos dois artigos a seguir, um mais TV Câmara e TV senado, mais escrito pela pesquisadora Cosette Castro e eventuais ajustes técnicos, como outro por Gustavo Gindre. a desocupação da faixa do VHF Do ponto de vista normativo, a alto, pode não sobrar freqüências, novidade é a criação da Câmara Executiva sobretudo na cidade de São Paulo, que elaborará as especificações para que a para novas outorgas de radiodifusão. indústria incorpore as inovações brasileiras Também fica a expectativa sobre como ao padrão ISDB-T, base do sistema a ser o governo deve tratar as emissoras que adotado no Brasil. A Câmara é mais um eventualmente estejam em situação capítulo polêmico, pois tem representantes de irregularidade mas que queiram dos fabricantes de transmissores, receptores, participar do processo de transição. software, radiodifusores e academia, mas 44

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( radiodifusão) Cosette Castro*

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TELA VIVA publica a seguir dois artigos de pesquisadores ligados à área de comunicação social, com visões distintas sobre o processo de adoção do novo sistema brasileiro de TV digital terrestre.

Vale a pena apostar num modelo híbrido de TV digital a partir do padrão japonês?

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e há apenas um ano alguém perguntasse minha preferência sobre o modelo de TV digital terrestre (TVD-T) mais adequado para ser adotado no país, como doutora em Comunicação e pesquisadora na área de mídias digitais não teria dúvida em apontar — como realmente apontei em alguns artigos — o modelo europeu. Em defesa do DVB havia vários fatores. Entre eles, a possibilidade do uso do código aberto, do modelo standard de TV digital, da possibilidade de interatividade ou do uso da multipro­gramação. Contra o padrão europeu pesava o fato de estar relacionado com as telefônicas, que passariam também a produzir conteúdos para mídias digitais, concorrendo diretamente com as empresas de radiodifusão brasileiras. Pesava também o fato de não terem conseguido comprovar a robustez desse sistema no Brasil. Nesse aspecto, o modelo japonês começou a ganhar terreno e se mostrou mais potente. O Japão abriu a possibilidade de uso dos dois padrões: standard e de alta definição (HDTV), além do uso de um sistema operacional em código aberto. Segui defendendo a postura que o modelo de TVD brasileiro a ser escolhido deveria ser híbrido, como acabou acontecendo no Decreto n º 5902, de 29/06/2006, já que não temos condições tecnológicas de desenvolver todos os aplicativos. Isso significaria preservar e divulgar a pesquisa tecnológica nacional, incluir seu uso no modelo final, além de garantir o intercâmbio de pesquisas e pesquisadores a partir do padrão escolhido, que poderia tornar-se

referência para outros países, como os latino-americanos. O governo federal apostou na capacidade de nossos expertises em desenvolver diferentes tecnologias para TV digital, algo que nunca havia sido feito até então em tamanha proporção envolvendo cerca de 1,5 mil pesquisado­res de todo o país. A aposta na área tecnoló­gica foi a de garantir o desenvolvimento da indústria nacional de semicondutores. O primeiro passo foi dado com o acordo nipo-brasileiro de TVD-T através de um projeto de cooperação que vai permitir a capacitação de recursos humanos, a ampliação de centros de pesquisa e desenvolvimento, assim como a revitalização do parque industrial eletroeletrônico, até então relegado a simples condição de montador de equipamentos importados. O Japão, por exemplo, deverá aproveitar a tecnologia para TVD terrestre produzida no país, como o middleware brasileiro Ginga, que harmoniza os diferentes middlewares existentes nos sistemas de TV digital (europeu, norteamericano ou japonês) ou os filtros corretores de erros que melhoram os sistemas de modulação/codificação de canais na camada de transmissão/ recepção de sinais para TV. Finalmente, mas não menos impor­ tante, está o fato do decreto brasileiro de televisão digital híbrida contemplar um sistema operacional em código aberto, universal, que prevê acessibilidade e portabilidade (pode ser usado em carros e celulares); permite a interatividade e a produção de conteúdos para TV e também a convergência digital (celulares, TV na internet), possibilitando que o país exporte produtos culturais agora também para a TV digital e não apenas para a TV analógica, como ocorria até então. Além disso, o decreto presidencial dá prazo de 46

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sete anos para que o sinal digital cubra todo o território brasileiro e 10 anos de prazo para que toda a transmissão passe a ser digital no país. Ao final desses 10 anos, as concessões de canais analógicos deverão ser devolvidas à União pelos operadores privados. Isso significa que elas não poderão multiplicar o número de canais, sendo obrigadas por lei a devolver os sinais analógicos para o governo. Isso significa que está tudo OK e a luta pela democratização dos meios de comunicação, pela inclusão digital e pela transparência nas negociações sobre TVD se encontram em outro patamar? Não. Mais do que nunca a sociedade brasileira, em seus diferentes níveis - empresários, ONGs, academia, pesquisadores ou instituições da sociedade civil - precisam estar presentes e participar das próximas etapas do processo de TVD-T híbrida. Somente assim será possível garantir sua implantação através dos novos canais culturais, do uso da multiprogramação, da intera­tividade e da produção de conteúdos digitais nacionais de forma descen­ tralizada das grandes empresas de radiodifusão. Enfim, ainda há muito trabalho pela frente principalmente se pensarmos que, para além da TV digital, ainda precisam ser definidos os critérios para implantação do rádio digital no País.

*Autora dos livros “Mídias Digitais, inclusão social e convergência tecnológica” (com Takashi Tome e André Barbosa Filho) e “Reality shows, a sedução das audiências”. É doutora em Comunicação pela Universidade Autônoma de Barcelona e pesquisadora sobre mídias digitais. Prepara novo livro sobre mídias digitais para 2007.

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( radiodifusão) Gustavo Gindre*

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Da política pública à reeleição O correto seria o governo brasileiro ter feito como os governos da União Européia, dos EUA, Canadá, Japão e Austrália, que primeiro criaram um no­vo ambiente regulatório (capaz de li­dar com fenômenos como a digita­li­zação e a convergência) e somente de­pois introduziram a TV digital aberta. Mas, mesmo sem cumprir o melhor roteiro, o Decreto Presidencial 4.901/03 (que criou o Sistema Brasileiro de TV Digital - SBTVD) sinalizava com uma política de Estado, que previa o financiamento de pesquisas e princípios como a democratização da informação e a inclusão social. Com o passar do tempo, contudo, e o enfraquecimento do governo Lula, o Minicom foi entregue a um radiodi­ fusor e antigo aliado das Organizações Globo. O Decreto Presidencial 5.820/06 (que busca implementar o SBTVD) é a consagração desta virada do governo que, em ano eleitoral, buscou solidificar sua aliança com os radiodifusores privados. Desde o final de 2005, o ministro Hélio Costa não mais convocou o Comitê Consultivo (formado por representantes da sociedade civil) e se recusou a responder aos pedidos de audiência feitos por diversos movimentos sociais. Enquanto isso, a imprensa noticiava reuniões a portas fechadas com os seus colegas radiodifusores. O Decreto 5.820/06, portanto, não leva em conta as demandas da sociedade civil, expressas, por exemplo, no documento “TV Digital: princípios e propostas para uma transição baseada no interesse público”, produzido pelo Coletivo Intervozes e entregue em mãos à chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff. O Decreto 5.820/06 determina

que a TV aberta brasileira irá adotar a tecnologia de modulação digital japonesa (ISDB), negando o fato de que tanto o Inatel quanto a PUC-RS desenvolveram alternativas nacionais. O decreto também não define nenhuma obrigatoriedade quanto à adoção de outras tecnologias nacionais, deixando a discussão para um fórum ainda a ser criado. Nem mesmo impõe regras de transferência de tecnologia a serem seguidas pelas empresas japonesas (a única forma de evitar que se instalem no Brasil simples “maquiladoras”). Os japoneses ganharam o que pediram e ficaram de discutir depois as demandas brasileiras. Interatividade Ainda que o decreto apresente a interatividade como uma das características da TV digital, este recurso não pode ser utilizado com a atual legislação, que define a radiodifusão como um serviço a ser “recebido” (portanto unidirecional). Mas, afirmações posteriores de membros do governo deixaram claro que, quando vier, a interatividade será um serviço para aqueles que puderem pagar. Assim, o governo abre mão de usar a TV digital como um instrumento de inclusão. Segundo o Modelo de Referência produzido pela Fundação CPqD, com cerca de R$ 350 milhões (menos de 10% do Fust) seria possível montar uma rede nacional de acesso banda larga via WiMax, que servisse como canal de retorno para a TV digital. Isso permitiria levar à população de baixa renda serviços como educação à distância, tele-medicina, governo eletrônico e e-mail. Pela proposta do governo, teremos um paradoxo. De um lado, os excluídos da TV interativa. E, de outro, aqueles que já possuem Internet e que não se vêem motivados a pagar pela TV aberta. A farsa da consignação O governo sabe que, com a atual legislação (de 1962), seria impossível fazer

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o necessário simulcasting, já que uma emissora não pode deter mais de um canal na mesma região. Sabe, também, que novas outorgas devem passar pelo Congresso Nacional. A fim de garantir o pleito dos radiodifusores antes das eleições, o governo optou pela farsa das “consignações de faixas extras de espectro”. Assim, cada geradora e retransmissora ganhará um novo canal inteiro de 6 MHz. E como o decreto não menciona a proibição à multiprogramação, nada impede que os radiodifusores ocupem este espaço com várias programações simultâne­ as. Ao invés de termos um canal ocu­ pado por novas emissoras, teremos apenas mais do mesmo. Porque, para piorar, não existe no Brasil qualquer obrigação para a compra de progra­ mação independente e para a regio­ nalização do conteúdo audiovisual. Com isso, também se cria uma barreira de entrada para novos players, uma vez que, durante o período de transição, haverá pouco espaço para novas emissoras nos principais centros urbanos (segundo dados do Plano Básico de Distribuição de Canais de Televisão Digital — PBTVD - da Anatel). Conclusão De uma limitada, mas interessante, política de Estado para a radiodifusão, o governo Lula gravitou para atender a todos os pleitos dos radiodifusores, justamente no momento em que tenta se reeleger. E à sociedade civil cabe o papel de lutar contra estas medidas por todos os meios legais possíveis e informar que a luta está longe de acabar.

*Membro do Coletivo Intervozes (www.intervozes.org. br), editor do Boletim Prometheus (www.indecs.org. br), membro eleito do Comitê Gestor da Internet no Brasil (www.cgi.br) e mestre em comunicação e cultura pela ECO-UFRJ.


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Edianez Parente

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No les gusta Não foi desta vez que o canal cubano Cubavision entrou no mercado brasileiro de TV. Os responsáveis pela distribuição do canal lamentaram durante a ABTA 2006 a falta total de interesse dos operadores brasileiros pelo seu produto. Já os venezuelanos do Telesur tiveram melhor sorte. Embora também não tenham conseguido emplacar o canal, o fato de funcionarem como agência de notícias possibilitou acordos para fornecimento de material para algumas redes. FOtoS: divulgação

Novo discurso A longa espera — foram quase dois anos — para conseguir colocar o canal TV Rá Tim Bum na Net Brasil, onde entra no pacote digital — fez com que mudassem os planos da Fundação Pe. Anchieta sobre novos canais para os sistemas por assinatura. A TV Cultura, que anteviu a possibilidade de lançar toda uma gama de canais (musical, documentários, de acervo esportivo entre eles) trata agora o assunto com mais cautela, centrando esforços na melhoria do canal infantil e na oferta de produtos licenciados (como os DVDs dos infantis e musicais).

“Movix”: nova atração da TV Rá Tim Bum.

Estética

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Da audi ê Sky nas ncia da onde a praças ofereceoperadora Globo o sinal da emisso vai para a ra do Botânic Jardim o.

Demorou O Television Família, novo canal programado para os sistemas por assinatura, que teve estréia anunciada para julho e postergada para agosto, diz agora que sua chegada ficou para setembro. Motivo: o canal estava sendo formatado para o público geral, mas agora descobriu que precisa centrar foco nos jovens.

Velhinhos de cara nova

Ficaram pequenas as salas de aula montadas no SBT para que seus profissionais tivessem aulas de estética televisiva, no curso “Formação do Olhar”, capitaneado por Gabriel Priolli. Com duração de cinco semanas, o curso atraiu 80 pessoas. Também dão aulas Marília Franco (professora da USP) e Marcos Romiti (diretor de fotografia). A idéia é “calibrar” o curso e oferecer a outras emissoras, “provavelmente começando pelas afiliadas do próprio SBT”, afirma Priolli. Ele ocupa a presidência da TAL-Televisão América Latina - canal cultural pan-regional com estréia prevista para o final do ano. O convite para o curso no SBT veio de Ricardo Valladares, conselheiro da emissora.

O TCM Classic Hollywood é o primeiro canal da Turner na América Latina mais descentralizado em termos de produção em relação à matriz da programadora, em Atlanta/EUA. Assim, seu empacotamento, on-air e customização tanto para o Brasil quanto para os demais países latinoamericanos estão baseados em Buenos Aires. O canal que ainda é transmitido sem publicidade nos intervalos comerciais, e tem na grade atrações como “Agente 86” (foto), traz novos seriados clássicos na sua grade: “O Besouro Verde”, “O Túnel do Tempo”, “Além da Imaginação” e “A Ilha dos Birutas”, entre outros. Vale lembrar que, com a distribuição mínima que restou ao canal Retro no Brasil, o TCM Classic Hollywood é bastante único no seu gênero.

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“Agente 86”

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o os É quant DVR nos com TV clientes omem mais , ns EUA co ção aos demais a m em rel rdo co do de aco o uisas levantament to de pesq u . instit Nielsen

Sci-Fox Deve mesmo sair apenas em 2007 o novo canal do grupo Fox, o Sci-Fox, que reunirá tanto conteúdos atuais desta faixa no canal como outras do parceiro da programadora na América Latina, o Universal Channel. O canal da Universal, que no Brasil tem outro sócio local (Globosat), está fora desta parceria com a Fox, mas já trabalha com a hipótese de não ter mais na sua grade atrações desta linha — leia-se “Star Trek” e seus derivados. Nos últimos anos, o Universal vem diversificando sua programação de filmes e séries, rumando mais para o campo das variedades do que para a ficção.

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Já tem canal colocando conteúdo de vídeo gratuito na web. A novidade é que agora chegam também estréias. É o caso do “Rock in Rio: Lisboa”, atração de agosto na TNT, tanto na TV quanto no portal do canal na Internet. O canal, aliás, líder de audiência e alcance no mercado brasileiro desde que o Ibope começou a medição, ainda não tem endereço com domínio brasileiro; é necessário acessar a página pan-regional da rede (www.tntla.com).

Você sabia que:

oA estrutura da TV Globo Internacional, que cuida do canal oferecido em sistemas de TV por assinatura no exterior, está de mudança para São Paulo? A equipe, capitaneada pelo diretor Marcelo Spínola, ocupará espaço na sede paulistana da emissora, na região da av. Berrini. n O Sexy Hot virou livro? A Globosat levou a um livro a história de sucesso do seu canal de sexo explícito, cujo case de reposicionamento o fez faturar o prêmio Marketing Best em 2005.

Mais Euro

oContrariando uma das lendas dos novos tempos na TV, quem contrata o serviço de VOD (video-on-demand) continua a comprar DVDs nas lojas? É o que diz estudo da Forrester Research. No entanto, o aluguel nas locadoras, por sua vez, despenca 11%.

O presidente do Eurochannel, Gustavo Vainstein, vai expandir a marca “Euro” no Brasil. Quer trazer um novo canal a partir de seu rico conteúdo de shows, quase todos de “Europa música jovem, Paulistana” batizado Eurochannel Music. Também, a programadora negocia representar o jornalístico EuroNews no País. Em produção local, vem aí a primeira atração brasileira feita pelo canal e viabilizada com recursos do art. 39 da Ancine, o programa “Europa Paulistana”, sobre europeus que fizeram história em Sampa.

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Na TV e na web

Brasileira na Discovery Tem brasileira fazendo bonito na programação dos canais Discovery. Depois de dedicar-se exclusivamente ao Animal Planet em nível mundial, Peach Gibson assumiu a vice-presidência de criação e desenvolvimento para a Discovery Networks Latin America / Iberia. No cargo, ela é responsável por todas as campanhas criativas de on-air e off-air, além da imagem e percepção dos canais da programadora.

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nAté o “Linha Direta” já chegou ao DVD? É uma edição especial da Globo “As Cartas de Chico Xavier e Outras Histórias Misteriosas”, com os episódios “As Cartas de Chico Xavier”, “Experiência de Quase-Morte” e “Zé Arigó”. O lançamento, em disco único, tem a grife Globo Marcas e Som Livre.

“Noss investiro interesse (hoje P na GameC em lay orp desenvTV) foi para. olver inter nossa atividade n pl a celulaataforma de para ar. Já a ida negóci TV é do o deles Alberto ”. Blanc o, diret de est or desenv ratégia e olvimen to da Tele mar


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(audiência - TV paga) Dados excluem 37 canais na Sky; Ibope normaliza medição em agosto

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m carta de 13 de julho, o Ibope Mídia comunicou tardiamente aos seus clientes que assinam o serviço de medição de audiência da TV por assinatura que houve um problema técnico com a aferição. Desde abril último, nos 35 domicílios com assinatura da Sky que compõem a amostra para a medição de audiência, 37 emissoras do line-up da operadora ficaram de fora da aferição. São eles: A&E, Animal Planet, AXN, BBC World, Bloomberg, Boomerang, Cartoon Network, Cinemax, CNN, CNN Español, Deutsche Welle, Discovery Channel, Discovery Home & Health, Discovery Kids, E! Entertainment, ESPN, Euro Channel, Fox, Fox News, FX, HBO, HBO Plus, Jetix, Max Prime, MGM, NHK, Nickelodeon, People + Arts, Playboy TV, RAI, Sony, The History Channel, TNT, TV5, TVE Brasil, TV Espanha e Warner Channel. O Ibope Mídia tem instalados meters em 547 domicílios (em seis mercados), com a

participação da Sky representando 6,4% sobre o total da amostra. O Ibope informou na carta que as audiências dos canais acima citados estão subestimadas e que “infelizmente não há como dimensionar as perdas de cada emissora”. Segundo o Ibope Mídia, a situação se normalizará a partir dos dados de agosto, uma vez que o instituto importou e instalou um lote de equipamentos que serão utilizados nos domicílios Sky e também nos da DirecTV que fizerem a migração que compõem a amostra. Reveladas tais circunstâncias e suas devidas ressalvas, TELA VIVA mantém a publicação mensal do ranking de alcance dos canais, tanto entre o público adulto como o infanto-juvenil, por entender que este ainda é o único indicador deste mercado feito por empresa independente das empresas programadoras ou distribuidoras de TV por assinatura.

entre o público acima de 18 anos nas seis praças (Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Distrito Federal) mostra que, entre os canais medidos, os canais da TV por assinatura apresentaram um alcance diário médio de 56,6% ou 2,4 milhões de pessoas por dia, com um tempo médio diário de audiência de 2 horas e 18 minutos. No público adulto, os canais TNT, Sportv e Multishow apresentaram, nesta ordem, o melhor alcance diário médio. Para o público de 4 a 17 anos, os canais Cartoon Network, Nickelodeon e Discovery Kids foram, respectivamente, os que apresentaram o melhor alcance. Neste público e nas mesmas praças citadas, os canais pagos tiveram um alcance diário médio de 58,6% ou 563 mil pessoas por dia, com um tempo médio diário de audiência de 2 horas e 17 minutos.

Junho O levantamento de junho do Ibope Mídia

(edianez parente)

alcance e tempo médio diário 

Total canais pagos TNT SporTV Multishow GloboNews Universal Channel AXN Discovery Warner Channel 9,6 SporTV 2 Sony Cartoon Network National Geographic Fox GNT ESPN Brasil Telecine Premium HBO Nickelodeon People+Arts Discovery Kids

De 4 a 17 anos* 

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 56,6 2.467 2:18:11 15,3 668 0:30:01 13,2 577 0:54:54 10,8 471 0:17:47 10,8 470 0:24:34 10,3 449 0:29:34 10,1 439 0:19:41 9,7 424 0:21:37 416 0:30:53 0:30:53 8,8 384 0:17:34 8,3 361 0:24:51 8,0 350 0:32:53 8,0 350 0:18:27 7,8 338 0:17:00 7,7 335 0:15:15 7,1 308 0:59:11 6,8 297 0:26:36 6,2 271 0:28:27 6,2 269 0:21:51 6,1 267 0:19:25 5,4 236 0:47:15

*Universo 4.351.000 indivíduos

Total canais pagos Cartoon Network Nickelodeon Discovery Kids TNT Multishow SporTV Jetix Discovery Disney Channel Boomerang SporTV 2 Warner Channel 5,7 Fox Universal Channel AXN Telecine Premium People+Arts Sony GloboNews National Geographic *Universo 967.800 mil indivíduos

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(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 58,6 563 2:17:24 24,6 236 0:54:56 17,4 167 0:52:27 12,7 122 1:00:44 11,7 112 0:41:50 11,6 111 0:27:00 9,6 92 0:29:23 8,6 82 0:47:47 7,6 73 0:17:04 7,3 70 0:54:52 7,0 68 0:50:26 6,9 67 0:15:51 55 0:23:20 5,6 54 0:16:32 5,6 54 0:17:30 5,6 53 0:13:28 4,8 46 0:30:45 4,7 45 0:20:43 4,5 43 0:15:56 4,2 40 0:11:44 4,1 39 0:11:41

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Fonte: Ibope Telereport - Tabela Minuto a Minuto - junho/2006

Acima de 18 anos*


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( cinema )

Lizandra de Almeida

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Uma nova janela para o curta Quatro coletâneas de curtas-metragens foram lançadas em DVD no mercado brasileiro desde o final do ano passado. E seus produtores não estão reclamando do resultado.

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fotos: Divulgação

em só a festivais se último Festival de Brasília.” Sem verba restringe a carreira do para o marketing, Alexandre produziu mil curta-metragem. unidades e já vendeu 600. O DVD pode O DVD também está ser encontrado em suas lojas e também começando a fazer na 2001 Vídeo, em São Paulo, e nas parte das janelas de exibição do unidades da Livraria Cultura. formato curto, quando o assunto “Acredito no potencial desse tipo é ampliação de público. Desde de produto. O curta está para o conto o final do ano passado, quatro assim como o longa está para o romance. coletâneas de curtas foram lançadas Tem público para todos os formatos.” em DVD para venda a locadoras e Diante disso, já inscreveu um projeto na público em geral. E os resultados Lei Rouanet para produzir o segundo estão superando as volume, esperando não ter de expectativas de investir o que desembolsou seus produtores. no primeiro. “Não acredito que O primeiro vá vender muito, mas acho lançamento aconteceu que atende um nicho, um em novembro do público específico.” ano passado e foi Foi acreditando também na uma iniciativa da viabilidade comercial do curta rede de locadoras de e no interesse do público que o Brasília Cult Vídeo. Seu diretor Romeu di Sessa começou proprietário, Alexandre a pensar na coletânea lançada Costa, inscreveu o em São Paulo no final de julho. projeto no edital O DVD paulistano, porém, foi Curta Brasília foi da Fundo da Arte e inteiramente financiado pela produzido com verba da Cultura (FAC) da distribuidora Europa Filmes. “Em pública e investimento de locadora de vídeo. Secretaria de Cultura 2001 comecei a tentar viabilizar a do Distrito Federal e idéia de colocar o curta no mercado recebeu parte da verba necessária sem nenhum apoio estatal. Minha intenção para a produção. O resto, investiu sempre foi fazer com que a iniciativa do próprio bolso. “Percebi que havia privada investisse no produto.” procura nas lojas e curtas a serem Desde aquela época, distribuídos, mas que não havia Romeu procurou várias produtos”, explica Alexandre. empresas e autoradoras de Surgiu então o DVD Curta Brasília, DVD. Levou opções de filmes, com cinco curtas locais. conversou com realizadores Com cinco lojas espalhadas pela e passou até a fazer parte capital federal, a locadora Cult da diretoria da ABD-SP em Vídeo tem um acervo especializado função do projeto. Há dois em filmes nacionais, clássicos e anos, depois de fechar o independentes. “Por isso, acabei acordo com a Europa Filmes, conhecendo vários diretores e dando começou a produzir o DVD apoio a várias produções. Resolvi e seus extras. “A princípio, então fazer o DVD e lançamos no reunimos oito filmes de São 56

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Paulo pela facilidade de acesso aos diretores. Fizemos entrevistas com todos eles, falando sobre a realização dos filmes e o trabalho em cinema, sem chororô. A idéia não é ter os oito melhores filmes, mas filmes de interesse para o público, com histórias boas e bem desenvolvidas. São filmes de entretenimento, não estamos pensando em vender só para iniciados.” A aceitação nas locadoras de São Paulo tem sido maior do que a esperada e por isso deve render novos volumes. A venda acontece nas próprias locadoras. “Essa nova forma de distribuição do curta traz alguma renda para o diretor e, no nosso caso, parte da receita também vai para a ABD-SP. É uma forma também de mostrar que não é só discurso, nem lamentação nos balcões estatais”, afirma Romeu. Pensando em divulgar sua imagem no mercado brasileiro e internacional, a Casa de Cinema de Porto Alegre reuniu 34 filmes em uma caixa com quatro DVDs. O investimento foi todo próprio e os maiores gastos foram em legendagem. “Fizemos legendas em espanhol, inglês e francês”, explica Luciana Tomazzi, uma das sócias da Casa de Cinema. “O DVD para nós é também uma ferramenta de Coletânea paulistana não contou com incentivos. Distribuidora bancou o projeto.

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( cinema )

fotos: Divulgação

trabalho, uma forma de mostrar a demais”, diverte-se foi legendado e, pela imagem da Casa para o mercado André Kapel, diretor do Internet, está sendo externo, pensando em parcerias no curta “Seis tiros”, presente vendido também para médio e longo prazo.” na coletânea, e co-produtor a Europa. Com vários Luciana acredita que o produto é do DVD. “Nosso público é extras, tem making ofs um bom negócio, desde que o único específico, underground. e outros vídeos dos objetivo não seja o lucro. “Lançamos A capa foi feita para atrair mesmos realizadores. 2 mil caixas e vendemos mais de 1,5 esse público.” No Curta Brasília, mil em quatro meses”, afirma. Cerca “A gente sabe que o também foram de 90% das vendas foram feitas pela curta é perecível, que acaba incluídas entrevistas Internet. Como pontos de venda, se esgotando nos festivais. com os diretores e apenas as lojas da 2001 Vídeo e da E no Brasil quase não há Alexandre Costa fez Livraria Cultura. “Se só quiséssemos espaço para esse tipo de questão de creditar A Mutilation Records produziu DVD o lucro, não teríamos feito as várias filme, nem mesmo nos todos os integrantes com curtas de terror. Realizadores ganham R$ 1 por cópia. versões de legenda. E temos certeza festivais. A gente também das equipes dos curtas de que só é possível fazer esse sabe que é muito difícil em um menu especial. produto tendo os curtas prontos recuperar o investimento. Não dá para “O DVD acaba sendo também um — não daria para esperar que a venda vender para a TV Cultura nem pro Canal registro histórico desses filmes. de um DVD bancasse um novo curta.” Brasil, não vai passar na TV aberta. Então Os filmes de Brasília percorrem os A distribuição da caixa da Casa perdemos dinheiro, mas com o DVD pelo festivais, muitos ganham prêmios e de Cinema obedece uma estratégia. menos a gente sabe que mais pessoas estão as pessoas daqui nunca têm acesso. Agora os DVDs começam a ser vendo.” Mas na relação custo-benefício, é Depois os filmes desaparecem. A divulgados em livrarias essa coletânea que leva divulgação agora é maior, porque a internacionais, onde a melhor. De cada cópia coletânea também está sendo exibida devem ser colocados vendida, o realizador em bares, nas unidades do Sesc”, os exemplares ainda ganha R$ 1. O filme mais afirma. existentes em estoque. caro dos três, porém, Nesta primeira edição, No ano que vem, os DVDs exigiu investimentos os diretores receberam uma começam a ser vendidos de R$ 3,5 mil. Sem remuneração fixa, independente individualmente. “Sabemos nenhum dinheiro estatal da vendagem, para facilitar o que esse produto não é envolvido. processo contábil. “Foi como um ‘pop’, é para um público “A idéia não é ganhar adiantamento de royalties, para que específico que faz dinheiro, mas divulgar não tivéssemos que prestar contas propaganda boca-a-boca. mesmo. O DVD tem o tempo de tempos em tempos. São Mas nossa loja virtual vende um preço unitário, mas cinco pessoas e ainda não temos todos os dias”, completa. quem compra mais de estrutura para isso. De qualquer A própria produtora pagou pela A Internet também é 55 unidades ganha um forma, a venda da primeira tiragem caixa com quatro DVDs. o canal de distribuição da bom desconto. Já tem só cobre mesmo os nossos custos.” coletânea Três Cortes, que muita gente revendendo, A próxima etapa é também inclui três filmes de terror. Produzida é só dar uma busca nos blogs e no Orkut”, começar a vender pela Internet e pela distribuidora de discos de heavy conta Kapel. “São pessoas que colecionam levar os curtas de Brasília para outros metal Mutilation Records, instalada e querem ver filmes sem censura.” O DVD pontos do Brasil. nas Grandes Galerias, no Centro de São Paulo, o DVD atinge em cheio Programas sob medida o nicho que procura. Lançado em Até pouco tempo, a produção brasileira de curtas (e também de documentários e programas espefevereiro na sessão Cine Comodoro, ciais) ampliava seu acesso com a distribuição de fitas de vídeo de coletâneas feitas pelo Centro Técnico que o diretor Carlos Reichenbach Audiovisual (CTAv) da Funarte. A coleção já conta com 105 fitas, de todos os gêneros. Essas fitas ainda promove mensalmente no CineSesc, estão em muitas locadoras e também são um registro histórico e cultural da produção brasileira. a primeira prensagem, de 1,5 mil A produção desse material e a distribuição do estoque ficaram paralisados devido a mudanças unidades, está praticamente vendida. no perfil jurídico do CTAv, mas a partir de 2007 o projeto deve continuar. Enquanto isso, a Funarte, a Secretaria do Audiovisual e a Cinemateca Brasileira programam o lançamento da Programadora Brasil, “Só estamos vendendo pela Internet um projeto de distribuição por meio do aluguel gratuito de fitas VHS e DVDs para instituições sem perfil e na loja da Mutilation nas Galerias. comercial, explica o gerente do CTAv José Araripe Jr. Não conseguimos colocar em muitas Não serão coletâneas ou filmes distribuídos individualmente, mas coleções com um eixo curatorial locadoras porque fizemos uma de 200 programas, compilados por Eduardo Cerveira. embalagem um pouco explícita 58

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( making of )

Lizandra de Almeida

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24 fotos por segundo

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fotos: divulgação

rapaz está no parque e se movimenta por uma trilha sem mexer os pés. Observa um elefante e se senta num banco, onde está um senhor oriental. Surge então um pássaro, que recolhe uma avelã jogada pelo oriental. Enquanto isso, o rapaz encontra um carrinho e um boneco de Playmobil antigos. O carrinho começa a se movimentar pelo parque, onde está a garota — que se movimenta de patins também sem mexer os pés. Ela tromba numa árvore e cai, e em seguida o carrinho encosta. O rapaz encolheu e sai de dentro do cabelinho do Playmobil. Um médico (que é o mesmo oriental) atende a moça e o rapaz consegue entrar na seringa para ser injetado no coração dela — bem na hora em que a banda canta “Quero estar em seu coração”. O rapaz então volta a ser criança e reencontra a moça — os dois rodam num gira-gira e ela também fica criança. Muito rapidamente, esta é a história do novo clipe da banda de Recife Mombojó — uma viagem surreal, construída com mais de 18 mil fotos digitais. “Fizemos a animação a partir das fotos, no princípio do cinema: são praticamente 24 quadros por segundo, só que a partir de fotos tiradas com câmera digital, fixa num tripé”, explica o diretor Fernando Sanches. “As fotos foram tiradas como se fosse um filme de stop motion: o ator fazia um movimento, clicávamos, ele se movia, clicávamos novamente. Os movimentos de câmera foram refeitos em pós-produção.” O clipe mostra um rapaz tentando reviver um amor perdido no tempo e, enquanto isso, surgem vários personagens surreais, todos interpretados por um mesmo ator. “Os movimentos truncados ajudaram a aumentar o clima estranho e a reforçar o mundo mágico que queríamos criar.

O uso do stop motion mesclando atores e objetos, complementado com computação gráfica, deu ao clipe um clima surrealista. Imagens foram feitas com uma câmera digital.

O personagem oriental onipresente é como se fosse o ‘terapeuta do casal’”, diz o diretor. As imagens foram captadas em um parque em Santo André, no ABC Paulista, e sofreram a interferência da luz natural. Por isso, a luz muda de quadro para quadro — outro recurso que aumenta o clima do clipe. “Tentamos reinterpretar a música para criar o conceito do clipe. Cada um que assiste agora traz novas interpretações”, continua o diretor. Algumas imagens são realmente surreais, outras são transposições literais de trechos da música. O resultado contribui para representar o clima melancólico da música. “Optamos por contar uma história, sem mostrar a banda em momento algum. Como a música diz ‘não quero ser o mais vendido’, a banda também não quis aparecer no clipe.” Além das imagens captadas por foto, várias cenas exigiram recursos de computação gráfica. Um elefante que aparece logo no começo do filme, representando a idéia da memória, foi 60

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totalmente construído em 3D, assim como o pássaro que rouba a avelã. Quando o pássaro derruba a noz, ela se abre e de dentro sai uma árvore — que cresce rapidamente também em 3D. No final, todos os personagens parecem ter encolhido — já que aparecem só as patas gigantescas do elefante. Entendeu? ficha técnica Música Banda Disco Gravadora Produtora Direção Direção de Fotografia Produção Executiva Dir. de Arte Edição Produção

“O mais vendido” Mombojó Homem-Espuma Trama Dínamo Digital Fernando Sanches, Ricardo Carelli, Chrystie Lira Paulo Paiva Fatima Latorre e Raquel Polato Adriana Faria Beto Araujo e Fernando Sanches Rafaela M. A. Costa, Ricardo Wately, Carol Latorre


A abóbora que não virou suco

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uma fazenda interiorana, frutas disputam a primazia de serem selecionadas para fazer parte do suco Minute Maid Mais. Uma abóbora inconformada tenta de todas as maneiras entrar na linha de produção, mas é sempre rejeitada. Com um sotaque caipira carregadíssimo, a abóbora lamenta seu destino. É claro que o suco, produzido pela Coca-Cola, deve ter uma linha de produção bem diferente da criada pela equipe da AD Studio no filme, mas o resultado é um dos comerciais mais divertidos do ano. Grande parte do mérito está na locução impagável do músico Mauricio Pereira, parceiro de André Abu-

jamra na extinta banda Os Mulheres Negras. “Inicialmente, o locutor contaria a história da abóbora em terceira pessoa. Foi idéia do próprio Mauricio criar um sotaque caipira e falar o texto em primeira pessoa”, explica o produtor executivo do filme, Aguinaldo Rocca. A intenção do filme era mostrar como as frutas são selecionadas cuidadosamente, e para isso criar um ambiente mais artesanal. “Fomos atrás de uma locação em uma fazenda e encontramos a Fazenda Ipanema, um local tombado em Sorocaba, interior de São Paulo. A maioria das fazendas hoje só tem grandes silos. Aí encontramos um galpão onde pudemos montar toda a traquitana que simula a linha de produção do suco”, continua Aguinaldo. Uma esteira rolante foi montada incluindo várias etapas, da lavagem à seleção manual final. “Queríamos que fosse um processo contínuo, que uma coisa levasse à outra como na abertura do programa ‘Castelo Rá-TimBum’. Usamos 700 caixas de mangas, porque A locação em uma fazenda e o uso de luz natural deram o tom artesanal do filme. A produção usou frutas reais, com um mínimo de efeitos especiais.

fizemos nós também uma seleção para que todas tivessem a mesma aparência, bem amarelas.” Com uma fotografia em tons quentes e muito contraste de luz e sombra, a direção de fotografia aproveitou os recursos do próprio galpão. “Havia várias aberturas, que facilitaram a colocação da luz do lado de fora. O dia estava bonito, então o sol também ajudou. Mas colocamos muita luz nos vãos para criar os raios que entravam sobre a linha de produção”, conta Aguinaldo. O clima também foi criado com a fumaça produzida por Rambo. “Ele é especialista nisso e criou uma traquitana que fazia com que a fumaça entrasse pelos vãos, dando uma idéia de neblina. Tinha muito vento, então precisávamos filmar rápido logo depois que ele soltava a fumaça, porque ela se dissipava.” O filme quase não usou recursos digitais, com exceção de alguma correção de cor no telecine e de um mínimo efeito de computação gráfica. “No final, a abóbora acaba se conformando e suspira. Ela infla um pouco e volta ao normal. Foi a única computação gráfica que usamos.”

ficha técnica Agência Dir. de Criação Criação Produtora Direção Diretor de fotografia Produção executiva Dir. de arte Trilha Sonora Computação Gráfica Montador Finalizadora

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PPR - Profissionais de Publicidade Reunidos André Lima e Pedro Feyer André Lima, Marcello Noronha e Renato Jardim AD Studio Jarbas Agnelli Adrian Teijido Aguinaldo Rocca Jarbas Agnelli Waldo Denuzzo (AD Música) Equipe AD Studio Equipe AD Studio AD Studio


( evento)

Fernando Lauterjung

f e r n a n d o @ t e l a v i v a . c o m . b r

A vez dos engenheiros Escolha do padrão de TV digital deve agitar a edição 2006 da Broadcast&Cable, reunindo radiodifusores e produtores em busca de novas tecnologias. Nakonechnyj; e “Interatividade no Mundo - Midleware e Aplicativos”, coordenado por Celso Hatori. Outras questões mais técnicas da transição estarão em debates como “Compressão de Vídeo e o padrão H.264/MPEG-4 AVC” e “Gerenciando e Protegendo Direitos no Mundo Digital”, enquanto questões mercadológicas importantes serão debatidas em “Cenários da TV Aberta:os Novos Paradigmas na Pós-Convergência”, “Novos Serviços: IPTV, Fttx, IMS,VoIP e outros”.

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grupo de estudos SET/Abert apontou o padrão japonês como o melhor para o Brasil, no ponto de vista dos radiodifusores, em 1999. De lá para cá, fornecedores de equipamentos e tecnologia e engenheiros de televisão vêm debatendo e pesquisando as soluções disponíveis para a transição. Finalmente, chegou a primeira feira e congresso de tecnologia pós-definição, a Broadcast & Cable, que acontece em São Paulo entre os dias 23 e 25 de agosto. A boa notícia é que as tecnologias digitais já estão baratas, tendo atingido uma economia de escala. Além disso, sete anos de debates deixaram os radiodifusores bem embasados no tema. Mesmo assim, o Congresso da SET (Sociedade dos Engenheiros de Televisão),

que acontece paralelamente à feira de equipamentos, levanta questões ainda não resolvidas para o período de transição, apesar do grande número de painéis dedicados a fornecedores defendendo suas tecnologias. Alguns painéis mais “antenados” devem explicar e debater importantes mudanças na radiodifusão brasileira, sobretudo no ponto de vista tecnológico, mas também mercadológico. Questões práticas da transição serão debatidas em painéis como “Implantação do SBTVD” e “TV Digital no Mundo - Japão e América Latina”, coordenados pela engenheira da TV Globo Liliana

Tecnologia Na feira Broadcast & Cable, vale a pena ficar atento às novidades, já mostradas na NAB, em Las Vegas, em abril deste ano, e outros lançamentos mais recentes. As soluções para pós-produção sempre contam com novas versões, justificando uma olhada na nova estação da Apple (leia Upgrade à pág. 68) e nos lançamentos da Avid e Discreet. O novo software Movimento, da CAD Technology, estará pela primeira vez na feira, que contará com a presença de Luc Robert, CTO da RealViz, fazendo demonstrações da solução. O profissional foi o responsável pelo desenvolvimento do algorítimo núcleo do MatchMover (software de câmera tracking que foi adotado pela Discreet para compor a solução

serviços Paralelamente à Broadcast&Cable acontece a 1ª Fiicav - Feira Internacional da Indústria do Cinema e do Audiovisual. A feira contará com prestadores de serviços da área como distribuidoras de cinema, finalizadoras e laboratórios, assistência técnica, locadores de equipamentos, fornecedores para salas de exibição, festivais e mostras, escolas e faculdades de cinema etc.

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( evento ) de tracking do Inferno). O algoritmo foi utilizado para produzir filmes como “Sin City”. Robert fará uma palestra no Congresso da SET. Na linha de equipamentos de produção, estarão na feira os principais fabricantes de câmeras. Quase todos apresentaram novas linhas de produtos este ano, que devem finalmente aportar por aqui para os olhares curiosos brasileiros. Boa parte da produção brasileira já é feita de forma digital, mas a produção em alta definição ainda é pequena. A demanda internacional por conteúdos HD e a iminente transição da TV brasileira para a transmissão digital devem esquentar o mercado de equipamentos. Soluções como a linha ProHD, da JVC, e as linhas HDV da Sony, da Panasonic e da Canon despertam desejo principalmente nos mercados de produção independente de documentários e pequenas emissoras. Entre os lançamentos mais interessantes está a camcorder AG-DVX 200, da Panasonic, que grava em fitas DV ou ainda em cartões P2. Na última edição do evento, em 2005, a Panasonic trouxe um protótipo ainda não funcional do equipamento, que conta com gravação nos formatos 1080/60i, 1080/24p, 1080/24pA, 1080/30p e 720p (com frame rate variável). A Sony traz a nova linha de produtos HDV profissionais, na qual se destacam dois novos VTRs: HVR-M25N e HVR-M15N. Os novos decks oferecem recursos de gravação e reprodução HDV1080i, DVCAM e DV SP, grantindo uma fácil migração de produções padrão para HD. Ambos são compatíveis com fitas DV de tamanho padrão e mini, funcionando tanto em 60 Hzquanto em 50 Hz (NTSC/PAL). Os VTRs completam a família HDV, liderada pela camcorder HVR-Z1N, mostrada na última edição do evento. Um lançamento interessante da Grass Valley é o mixer Indigo AV, que traz funcionalidades broadcast

ao mercado audiovisual. O equipamento permite, em uma unidade compacta, unir vídeo, imagens de computação gráfica e controle de áudio, podendo trabalhar com sinais analógicos e digitais, em definição standard e HD.

de cinema. As duas camcorders - modelos PDW-F330 e PDWF350 - apresentam características como a gravação real em 24P em SD ou HD, intervalo de gravação e obturador lento. A PDW-F350 oferece, adicionalmente, capacidade de gravação com real taxa de quadro variável. Demais integrantes da família, os decks PDW-F70 e PDWF30 possibilitam a transferência de dados em alta velocidade entre dispositivos não-lineares compatíveis. Ambos os modelos convertem o conteúdo de definição padrão XDCAM gravado no formato DVCAM para uma alta definição 1080i na saída. O destaque da Grass Valley fica por conta da linha Infinity, que grava em diversas mídias, em praticamente todos os formatos e resoluções HD, e conta ainda com uma série de portas de comunicação. No caso das camcorders, as mídias são os discos RevPro, cartões de memória Compact Flash e ainda dispositivos USB ou FireWire, podendo ser discos rígidos externos e até mesmo memory keys, usando os formatos de gravação DV, MPEG-2 e JPEG2000. As portas disponíveis são Gigabit Ethernet, USB 2.0 e FireWire.

Para poucos Brinquedos para crianças maiorzinhas (leia-se, as cabeças de rede e maiores afiliadas) também devem estar na feira, como todas as famílias de equipamentos sem fita, ainda bem fresquinhas. Já estão no mercado os equipamentos HD para gravação em diferentes mídias. A Sony apresenta a combinação da tecnologia de disco óptico com a resolução HD na linha de camcorders e decks XDCAM HD. A família inclui duas camcorders e dois decks. A mesma mídia de disco profissional utilizada na versão de definição padrão do sistema XDCAM também é compatível com a nova versão HD. Agora, os usuários profissionais podem gravar até duas horas de conteúdo de alta definição. A linha se presta também à produção

Transmissão Para os radiodifusores que querem começar a transmissão digital assim que permitido pelo governo federal, a feira contará com fabricantes apresentando soluções de transmissão digital. A Kathrein Brasil apresentará suas antenas banda larga em VHF e UHF para sistemas compartilhados em radiodifusão, que permitem transmitir diversos canais simultaneamente. A RFS - Radio Frequency Systems participa pela primeira vez do evento, expondo soluções de suporte e análise de alternativas de sistemas irradiantes, painéis de interconexão, switch-frames e combinadores de sinais em FM e TV.

cinema digital Durante o evento, a Sony fará demonstrações de soluções para exibição de cinema digital. A fabricante conta com os projetores SRX-R110 e SRX-R105, os primeiros projetores 4K do mundo, capazes de projetar imagens com resolução de 4096 x 2160 e níveis de contraste de 1800:1. A principal diferença entre os dois modelos é o brilho das imagens projetadas. O SRX-R110 apresenta um brilho de 10.000 ANSI lumens e o SRX-105 oferece 5.000 ANSI lumens. O desempenho dos projetores se dá graças ao chip SXRD (Silicon X-tal Reflective Display), que permite a projeção de imagens com uma resolução quatro vezes maior do que os atuais aparelhos de TV de alta definição (HDTV). A resolução obtida é compatível com os padrões da especificação DCI (Digital Cinema Initiative) dos EUA.

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( tecnologia)

George Maier

c a r t a s @ t e l a v i v a . c o m . b r

Copyright Broadcast Engineering 2006

HD ENG: estamos prontos?

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assunto de captação de imagens em alta definição nas captações externas (HD ENG, ou Highdefinition Electronic News Gathering) está em voga hoje em dia. O interesse pela produção de esportes e notícias em HD nas emissoras locais vem ganhando força desde a NAB de 2005. Entre os fatores que contribuem para isso estão: • Câmeras de campo HD a preços razoáveis. • Novas e melhores mídias e equipamentos de gravação. • Sistemas portáteis de edição em alta definição. • Transmissores de microondas que comportam altas taxas de dados. • Aumento de receptores HDTV nos lares (nos EUA). • Necessidade de diferenciação da programação nos mercados competitivos. A implementação de fato da alta definição para ENG vem se dando em ritmo lento, mas deve crescer a partir deste ano, à medida em que as grandes redes de TV comecem a padronizar seus equipamentos. Algumas emissoras dos EUA que já deram o salto e fazem sua captação externa totalmente em HD são a WRAL-TV de Raleigh, Carolina do Norte; a KUSATV de Denver, Colorado; e a WSL-TV, de Chicago, Illinois.

imagens feitas do helicóptero da emissora. As imagens aéreas ainda são feitas com a câmera na mão, mas a emissora pretende evoluir para um sistema giroscópico estabilizado até o final deste ano. A saída HD-SDI da câmera leva a um encoder HD da JVC que alimenta o transmissor COFDM Channel Master da Nucomm. A operação de ENG HD da KUSA começou em meados de 2004, com a câmera HDC-950 da Sony montada sobre um giroestabilizador Cineflex HiDEF em seu helicóptero. O sistema de microondas inclui um encoder HD da NTT Electronics, que envia o sinal para um transmissor Strata COFDM da MRC. A WSL também está instalando HD em seu helicóptero. Ela usa um encoder Tandberg, que leva o sinal para o transmissor Chanel Master, com receptores MRC CodeRunner em terra.

No campo A WRAL começou a transmitir noticiários com geração em HD no estúdio em 2000. Desde então, a emissora colocou mais de duas dúzias de câmeras DVCPro HD no campo. Em novembro do ano passado, a cobertura HD ao vivo chegou até às

Câmeras Nos últimos anos, o preço das câmeras HD vem caindo consistentemente, e a flexibilidade dos equipamentos vem aumentando. A compatibilidade entre os equipamentos no entanto ainda é um problema, uma vez que cada fabricante adotou um formato de gravação próprio.

Super Bowl: ABC usou câmeras Grass Valley LDK 6000 HD equipadas com transmissores COFDM.

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No geral, todas as câmeras contam com saídas HD-SDI, componente ou composit, que podem ser conectadas a um encoder HD em um veículo de ENG ou SNG (Satellite News Gathering, veículo com link direto ao satélite). Além disso, à medida em que os fabricantes de câmeras avançam rumo às plataformas sem fita, as mídias de armazenamento ganham nova importância. Muitas câmeras ainda usam fitas, mas as opções agora incluem a gravação em hard disks, memórias Flash RAM e discos ópticos. A conexão entre a câmera e os dispositivos de armazenamento e edição podem ser por USB 2.0, IEEE 1394, 100BASE-T ou Gigabit Ethernet. Cada uma tem seus próprios atributos. Microondas A safra atual de sistemas digitais de microondas para ENG inclui uma variedade de interfaces que suportam 270 Mbps SDI em encoders on-board ou dados ASI de decoders externos. Até recentemente, a única maneira de o sistema suportar HD era através de um encoder externo a taxas de até 20 Mbps. As limitações de banda foram impostas pela capacidade inerente do DVB-T COFDM, que aguenta no máximo 30 Mbps. Na realidade, o COFDM tem que ser operado nas áreas mais robustas do espectro para sobreviver em um ambiente “hostil” como uma área metropolitana, que derruba o limite para no máximo 20 Mbps. Embora seja possível obter-se um bom sinal HD a taxas de 20 Mbps, a maioria concorda que o ideal são taxas de 30 Mbps a 50 Mbps. Para agüentar estas taxas elevadas, a Nucomm


e a MRC incorporaram opções de modulação single-carrier em seus sistemas de ENG. A Nucomm adotou a tecnologia ATSC 8VSB, que pode variar a taxa do VSB. A MRC usa um modulador QAM de taxa variável, similar aos usados há tempos pelos rádios digitais. Qualquer que seja o método, o resultado é uma saída a taxas bem mais altas do campo, mas com perdas na resistência a multipercurso, o que os torna aplicáveis apenas em condições favoráveis. A visão da Nucomm de uso de single-carrier é que isto seja uma medida temporária, mas necessária até que o MPEG-4 esteja desenvolvido a ponto de ser economicamente viável. A companhia aposta que o poder de processamento superior do MPEG-4 tornará as taxas necessárias à transmissão HD tão baixas que o COFDM será o único formato necessário. A MRC por sua vez parece acreditar que os broadcasters demandarão cada vez taxas mais elevadas, mesmo com tecnologias de encoding mais avançadas. O novo decoder e demodulador para ENG MRX4000 inclui DVB-T COFDM e single-carrier QAM, bem como a capacidade de transferir arquivos de vídeo em alta velocidade por IP, usando USB, IEEE 1394 ou Ethernet. Encoders HD Um dos itens mais caros em um sistema de ENG de alta definição é o encoder MPEG. no entanto, os preços vêm caindo, e com eles as barreiras de entrada. As primeiras vans com ENG digital a cair na estrada em 1999 usavam caros encoders MPEG-2 de rack, que geravam o ASI para ser enviado via um link de microondas COFDM até o estúdio. Com o tempo, os encoders MPEG-2 reduziram em tamanho e custo, ao ponto de hoje a maioria dos transmissores COFDM trazerem estes encoders integrados. Com os primeiros sistemas de ENG HD chegando ao mercado, o

Interfaces de armazenamento • PCMCIA • IEEE 1394 • Proprietária

Mídias de armazenamento • Fita • Hard disk • Memória Flash • Disco óptico

Saídas HD/SD tempo real Transmissor • SDI/HD-SDI ENG • Composit • Encoder SD/HD • Componente • Entrada ASI • Y, Pb, Pr • S-Video • NTSC Saída encoder MPEG Saídas comprimidas DV, DVCPro, HDV, etc Entrada IP • USB 2.0 • IEEE 1394 USB 2.0 ou Ethernet

Playback • VTR digital • Leitor de cartão • Leitor de disco

RF

Editor por-

Figura: as opções de camera, gravação e transmissão para as ENG HD.

cenário parece ser o mesmo em relação aos encoders. Como prova da redução de tamanho, tanto a Link Research quanto a Global Microwave Systems apresentaram na NAB 2005 transmissores COFDM com encoders HD integrados. Na NAB 2006, a Nucomm adicionou um modelo SD/HD, e todas as empresas mostraram uma variedade de receptores. A atual geração de encoders HD deve proliferar. Mas serão necessários? Em relação ao gráfico acima, o vídeo é captado pela câmera ENG HD (à esquerda na figura) e pode ser transmitido ao vivo pelo link de microondas ou gravado para uso posterior. Para a transmissão ao vivo, o sinal HD-SDI alimenta o encoder MPEG do transmissor da ENG. Uma cena gravada pode ser transferida da mídia de armazenamento da câmera para um laptop através das portas de comunicação IEEE 1394 (FireWire, ou i.Link), USB 2.0 ou Ethernet, e uma versão totalmente editada ou só com os cortes básicos pode ser transferida pela rede IP para o estúdio. A transmissão pode ser em tempo abaixo ou acima do tempo real, dependendo da situação. A mudança de paradigma que parece tomar corpo na mente dos engenheiros e produtores seria a capacidade de conectar o encoder interno da câmera diretamente no link de microondas, para cenas ao vivo. A taxa de transmissão requerida para T el a

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isso varia de acordo com o formato de compressão de cada câmera, que vai de 25 Mbps no HDV até 145 Mbps na Editcam HD, da Ikegami, com paradas intermediárias na XDCam HD, da Sony, DVCPro HD, da Panasonic, e outros formatos. Quando os fabricantes incorporarem o MPEG-4 às câmeras, estas taxas cairão. Uma forte evidência desta tendência de trabalho câmeraencoder pode ser vista nos produtos apresentados pela Miranda e pela Computer Modules. Estes equipamentos fazem uma ponte entre um sistema HDV com IEEE 1394 e a interface ASI. Ambos conseguem pegar um sinal HDV em protocolo IEEE 1394 e produzir uma saída ASI a uma fração do custo de um encoder HD. Se isso funcionar adequadamente, podemos esperar novas versões deste tipo de equipamento para breve. Não há dúvida que o HD está ganhando espaço na produção de notícias e esportes, e a maior parte do hardware e software está pronta e funcionando. Ainda assim, é recomendável olhar com cuidado as tendências e equipamentos, e conversar com alguém que já fez isso antes. Felizmente, a lista está crescendo. 67


( upgrade )

Família completa Apple lança desktop com dois processadores Dual Core e maior flexibilidade de configuração. Com o lançamento, a fabricante termina a migração para processamento Intel.

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quatro discos rígidos, totalizando 2 TB de armazenamento. A instalação de discos rígidos, aliás, também foi redesenhada, não utilizando cabos. O gabinete conta com quatro baias onde simplesmente se encaixa o HD. Além disso, há espaço para até dois drives ópticos para simultaneamente ler e/ou gravar CDs e DVDs. Há ainda três slots de expansão PCI Express e um slot para placa gráfica de duplo barramento PCI Express, para a instalação de placas gráficas com duplo barramento sem sacrificar múltiplos slots. O Mac Pro ganhou ainda mais portas de comunicação. Na frente do gabinete há uma porta FireWire 800, uma porta FireWire 400 e duas portas USB 2.0. Na traseira há ainda uma porta FireWire 800, uma porta FireWire 400 e três portas USB 2.0. Além disso, o computador inclui duas portas Gigabit Ethernet, entrada e saída de áudio óptico digital, entrada e saída de áudio analógico e suporte opcional para AirPort Extreme e Bluetooth 2.0+EDR. Todo Mac Pro vem, por padrão, com a placa NVIDIA GeForce 7300 GT com 256 MB de memória de vídeo, que aceita dois monitores. Mas há ainda outras duas placas compatíveis: a ATI fotos: Divulgação

Apple, no início de agosto, lançou o novo Mac Pro, uma estação de trabalho desktop de 64-bit com dois processadores Dual Core Intel Xeon com velocidades de até 3 GHz. Com o lançamento, a Apple completa a transição de sua linha de hardware para os novos processadores Intel, transição que também já está completa na linha softwares profissionais da empresa. Como era de se esperar, a Apple não apenas trocou o processador central da estação, mas criou uma arquitetura que, segundo a fabricante, consegue uma performance até duas vezes mais rápida que o modelo antecessor, o Power Mac G5 Quad. Além disso, o modelo conta com maior capacidade de expansão e personalização e melhor performance gráfica. Segundo a Apple, são 4 milhões de opções de configuração disponíveis. A máquina vem equipada com dois processadores Dual Core, criando uma “quad-workstation”. São três opções de processadores, a 2 GHz, 2,66 GHz ou 3 GHz, cada um com 4 MB de memória cache L2 compartilhada e barramento frontal independente de 1,33 GHz. Com memória de 667 MHz DDR2, o Mac Pro também utiliza uma arquitetura de memória de 256-bit. Pode-se instalar até

A “quad-workstation” pode ser equipada com processadores de 2 GHz a 3 GHz.

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Radeon X1900 XT (512MB), e a NVIDIA Quadro FX 4500 (512MB). Podem ser instaladas até quatro placas gráficas PCI Express para um total de até oito monitores ao mesmo tempo para visualização avançada e paredes de monitores. Software O Mac OS X versão 10.4.7 Tiger, que vem instalado em todo novo Mac Pro, conta com uma tecnologia de tradução de software chamada Rosetta, que permite aos usuários rodar a maioria dos aplicativos do Mac OS X para PowerPC sem dificuldade. Além disso, usuários de Macs com processadores Intel já têm à disposição mais de 3 mil aplicativos, incluindo os da própria Apple para usuários domésticos e profissionais, incluindo o Final Cut Pro, que já conta com uma base instalada no Brasil bem considerável. A configuração básica do equipamento, que estará disponível no Brasil no início de setembro, inclui dois processadores Dual Core Intel Xeon de 2,66 GHz; 1 GB de memória RAM de 667 MHz DDR2 ECC; NVIDIA GeForce 7300 GT com 256 MB de GDDR2 SDRAM; disco rígido de 250 GB Serial ATA rodando a 7200 RPM; superdrive de 16x com suporte a dupla camada; quatro slots PCI Express; um double-wide e três full-lenght; Mighty Mouse e teclado Apple.


Pequenas e versáteis Canon aumenta sua linha de camcorders HDV de três CCDs.

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Canon está expandindo sua linha de camcorders HDV com 3 CCDs com os modelos XH A1 e XH G1. Versáteis, destinamse aos mercados de radiodifusão, cinema e produção independente como soluções de baixo custo para alta definição. Para uso em estúdio ou externo, os dois modelos trabalham com frame rate variável e resolução 1080i. A XH A1 e a XH G1 contam com lentes zoom HD Canon de 20 vezes, com estabilização óptica de imagem. As camcorders são equipadas com três CCDs de 3 e 1/3 polegadas, com captação nativa em proporção 16:9 e resolução de 1440 x 1080 pontos. O frame rate pode ser 60i, 30p, e 24p, selecionável pelo usuário. A 30 frames por segundo, é possível captar a imagem de objetos em alta velocidade, mantendo a claridade de imagem. A opção de 24 fps é voltada a cineastas ou profissionais de vídeo buscando um “film look”. Já a opção 60i é a melhor para aplicações como ENG

ou reality TV. Há ainda a opção (paga) de enviar a câmera para a Canon para um upgrade que permite trabalhar também em 50i, adequando o equipamento para o formato PAL europeu. XH A1: resolução 1080i e frame rate variável.

Óptica avançada As lentes das duas camcorders, como é esperado em um equipamento de um fabricante tradicional da área óptica, chamam a atenção. São produzidas com fluorite e elementos de vidro UD (Ultra-Low Dispersion), permitindo boa performance em todo o range do zoom. A distância focal é o equivalente a 32,5 mm a 650 mm em câmeras de 35 mm, sendo uma boa opção para documentaristas e uso em jornalismo. Além dos anéis de foco manual e de zoom, as lentes contam com um anel para regular a íris. O sistema de estabilização de imagem usa dois métodos de detecção de movimento (por giro e vetorial) para perceber vibrações causadas pelo uso da câmera na mão ou em veículos, compensando o movimento para proporcionar uma imagem mais suave. Por ser ótico, o estabilizador não resulta em perda de definição, como acontece nos estabilizadores digitais. A tecnologia Instant AF, de foco automático, usa um sensor externo em combinação com o sistema

de autofoco tradicional da Canon, reduzindo, segundo a fabricante, significativamente o tempo para o equipamento encontrar o foco ideal. Design A XH A1 e a XH G1 são desenhadas para as mais variadas situações, contando com um monitor LCD widescreen de 2,8”. A manopla conta com controles adicionais para iniciar e parar uma gravação e zoom. Conta ainda com controles deslizantes para ganho, barra de cores e controle de branco. Para garantir o tamanho compacto, as camcorders contam com compartimentos internos de bateria. Ambas contam com dois terminais XLR e suporte externo para microfone. As camcorders permitem até 23 configurações diferentes de imagem, incluindo controle de ganho e ganho RGB. Até nove configurações podem ser gravadas em um cartão SD para uso posterior, inclusive em outras câmeras. O modelo XH G1 conta ainda com os terminais profissionais da Canon que permitem dar saída em HD-SDI/SD-SDI e entrada e saída de timecode SMPTE. Para captação com várias câmeras, o modelo permite ainda sincronizar o timecode de todos os equipamentos. O modelo XH A1 deve começar a ser distribuído no final de outubro, enquanto a XH G1 só estará nas lojas em meados de novembro.

XH G1: suporte à gravação multi-câmera.

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( agenda ) AGOSTO 23 a 25 Set 2006 — Congresso de Tecnologia de Rádio, Televisão e Telecomunicações e Broadcast & Cable — Feira de Equipamentos e Serviços, São Paulo, SP. Tel.: (21) 3974-2000. Web: www.set.com.br e www.broadcastcable.com.br 24 a 2/9 Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3034-5538. Fax: 3815-9474. E-mail: spshort@kinoforum.org. Web: www.kinoforum.org. 30 e 1/9 BCWW 2006 (BroadcastWorldwide 2006), Seul, Coréia Web: www.bcww.net

SETEMBRO 5 a 9 II Curta Canoa — Festival LatinoAmericano de Curtas-Metragens, Canoa Quebrada, CE. Tel.: (85) 3231.1624. Web: www.curtacanoa.com.br 6 a 10 Festival Tudo Sobre Mulheres, Chapada dos Guimarães, MT. Tel.: (11) 3672-7849. E-mail: producao@ tudosobremulheres.com.br. Web: www. tudosobremulheres.com.br 7 a 12 IBC. Amsterdam RAI, Amsterdã, Holanda. Tel.: (44-20) 7611-7500. E-mail: registration@ibc.org. Web: www.ibc.org.

21 e 22 Seminário Satélites 2006, Rio de Janeiro, RJ. Tel. : (11) 3120-2351. E-mail: info@convergeeventos.com.br. Web: www.convergeeventos.com.br. 21 a 5/10 Festival do Rio, Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (21) 2543-4968. E-mail: info@estacaovirtual.com. Web: www.festivaldoriobr.com.br. 22 a 28 5º Ecocine - Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, São Paulo, SP. Tel.: (12) 3892-1439/4186. Web: www.ecocine.com.br 25 a 29 IV Curta Santos. Santos, SP. Tel.: (013) 3219-7456. E-mail: curtasantos@gmail.com. Web: www.tvtribuna.com/curtasantos

OUTUBRO

11 a 14 Festival Nacional de Cinema, Vídeo e Televisão de Pacoti, com foco no meio ambiente. Pacoti, Ceará. Tel.: (85) 3221-5416. Web: www.festcinepacoti.oi.com.br. 13 Encerramento do prazo de inscrições para a 6ª Mostra do Filme Livre — MFL, Rio de Janeiro, RJ. Tel. : (21) 2539-7016. E-mail: curadoria@ mostradofilmelivre.com. Web: www. mostradofilmelivre.com 13 a 22 MostraMundo — Festival da Imagem em Movimento, Recife, PE. Tel.: (81) 3426-9797, r. 213. E-mail: mostramundo@aeso.br. Web: www.mostramundo.com.br

7 e 8 Mipcom Junior. Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: justask@reedmidem.com. Web: www.mipcomjunior.com.

26 a 29 Festival Fuse Movies 2006, Suzano, SP. Tel: (11) 4726-1644. E-mail: info@fusemovies.com.br. Web: www.fusemovies.com.br

9 a 13 Mipcom. Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: justask@reedmidem.com. Web: www.mipcom.com.

20 a 2/11 Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3141-2548. E-mail: info@mostra.org. Web: www.mostra.org.

10 a 15 6ª Goiânia Mostra Curtas, Goiânia, GO. Tel.: (62) 3218-3780. E-mail: icumam@icumam.com.br. Web: www.goianiamostracurtas.com.br

NOVEMBRO 1° a 8 AFM — American Film Market. Santa Monica, Califórnia, EUA. Tel.: (1-310) 446-1000. E-mail: Afm2005@ifta-online.org. Web: www.ifta-online.org.


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Revista Tela Viva 163 - agosto 2006  
Revista Tela Viva 163 - agosto 2006  

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