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INSPETORIA SANTA CATARINA DE SENA

Inspetoria Santa Catarina de Sena

| Ano 40 | n° 51 | setembro outubro novembro e dezembro | São Paulo | SP

Mazzarello entre nós!


Editorial

Feliz e abençoado 2018! Prezados Leitores, Ao chegar o final de mais um ano, é louvável parar, refletir e contemplar as maravilhas, graças e bênçãos recebidas do Alto no decorrer de cada dia. Por tudo, dai graças ao Senhor! Dom Bosco costumava repetir aos seus jovens: “Uma das mais belas virtudes é a gratidão”. Saber agradecer é próprio de quem ama, sentimento e gesto do coração humilde que reconhece o Criador como Senhor da vida e da história; sabe que tudo provém de Suas mãos, “Em tuas mãos tudo se afirma e tudo cresce” (Cr 29,12). No Brasil, é o Ano Jubilar Mariano que termina e certamente podemos dizer: termina o ano cronológico, mas não termina o ano “Kairós”. Maria continua muito viva e presente em nossas vidas e na vida do povo. Assim como o discípulo amado, levemos Maria, todos os dias, para as nossas casas tanto material como espiritual. Ela é Mãe que acompanha e guia nossos passos em direção ao seu Filho, “É Ela que nos conduz” (DB). E o ano de 2018 abre as suas portas. Diante do cenário nacional e mundial, que estamos vivendo, sejamos sensíveis às palavras do Papa Francisco na sua videomensagem ao povo brasileiro por ocasião dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida: “Não se deixem vencer pelo desânimo”. É preciso esperança e... muita esperança! Dom Bosco e Madre Mazzarello nos ensinam a ser pessoas da espera e da esperança! Maria, Mãe da esperança, eduque os nossos corações para a esperança e assim, cada dia do novo ano será rico de fé e vida para todos! Feliz Natal! Abençoado 2018! Fraternalmente, Ir. Helena Gesser Redação, produção e distribuição Ir. Maria de Lourdes Macedo Becker, Andréa Pereira Projeto gráfico Andréa Pereira Capa : Banco de Imagens Revisão Ir. Maria de Lourdes Macedo Becker, Fotos Inspetoria Santa Catarina de Sena Colaboração Irmãs e Comunidades da Inspetoria Santa Catarina de Sena

Contato editorial@fmabsp.org.br

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EM FAMÍLIA | Ano 40 | nº 51

Centro de Comunicação Marinella Castagno Rua Três Rios, 362, Bom Retiro 01123-000 São Paulo | SP Tel. 55 11 3331 7003 www.salesianas.org.br Em Família é uma publicação formativa que divulga e informa sobre o cotidiano das comunidades das Filhas de Maria Auxiliadora na Inspetoria Santa Catarina de Sena, e suas frentes de trabalhos.


Sumário

VISITA DA MADRE YVONNE

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Alegria Salesiana marca visita da Madre a Inspetoria Santa Catarina de Sena

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VISITA CANÔNICA

Visita Canônica de Ir. Silvia Boullosa

Relembre e fique sabendo o que aconteceu em nossas comunidades nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro programe-se para as próximas atividades. Divirta-se, emocione-se, Em Família.

VISITA DO X SUCESSOR DE DOM BOSCO

Pe. Ángel Fernández Artime

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ENEM 2017

A realidade educacional do surdo no Brasil

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Editorial Capa Artigo Registro É Festa Poema

Cartas Obrigada! Amei ver a entrevista com Irmã Rosalba! Um abraço Ir. Maria Américo Rolim – Inspetora BBH Que trabalho bonito, competente, gostoso de ler... Obrigada pelo compartilhamento! Ir. Luzinete Obrigada pela revista, está muito bonita e agradecemos de coração. Fervoroso mês missionário, abraço fraterno! Ir. Terezinha.

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Está lindo o Em Família. Muitas matérias superinteressantes e pertinentes. Parabéns!!!! Cada vez melhor!!!! Grande beijo. Ir. Adair Sberga

Grazie. Che bello leggere nelle pagine della Revista Em Familia tante belle testimonianze e notizie. Mi è piaciuta molto l’intervista a Suor Rosalba. Grazie di questa condivisione. Ti auguro ogni bene ti mando un abbraccio grande... brasileiro. Com o meu carinho. Suor Chiara Cazzuola

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Alegria Salesiana marca visita de Madre Yvonne Reungoat Por Irmã Maria de Lourdes M. Becker

No dia 23 de outubro, a Madre e as nove Inspetoras brasileiras, que retornavam do Retiro no México, foram acolhidas, com muito carinho, no aeroporto internacional de São Paulo, pelas Irmãs Dorcelina Fátima Rampi, Ecônoma Inspetorial e Diretora da Comunidade Religiosa do Colégio de Santa Inês, Célia Maria Moreli, Ecônoma da Comunidade do Santa Inês, Claudia Regina Correia Ribeiro, Coordenadora da Pastoral Juvenil Inspetorial e Maria Bernardina Gonçalves, responsável pela Animação Vocacional da Inspetoria. O clima no Colégio de Santa Inês, sede da Inspetoria Santa Catarina de Sena, era de expectativa: toda a Comunidade Educativa, contagiada pela alegria e carinho das Irmãs, aguardava a comitiva que traria a sucessora da 4 | Em Família

Madre Mazzarello, seguindo o percurso com as notícias vindas pelo whatsapp, e se animava ainda mais conforme os carros se aproximavam da nossa Casa. Madre Yvonne foi acolhida, na entrada do Colégio por Irmã Sílvia Boullosa, Irmã Rosalba Perotti, Irmãs e representantes dos vários setores da Escola e da Inspetoria. No pórtico central, os alunos, com balões coloridos, a recepcionaram com cantos e duas crianças da Educação Infantil, caracterizadas como Dom Bosco e Madre Mazzarello, entregaram flores enquanto os demais estouravam os balões. Madre Yvonne, com sua alegria habitual, brincou, abraçou e tirou várias fotos com os jovens e com os pequenos Dom Bosco e Madre Mazzarello. No seu “bom-dia”, dirigido


Capa principalmente aos adolescentes e às crianças presentes, afirmou: “Estou muito feliz de estar aqui, com vocês, e gostei de ver a alegria de todos! Vê-se que estou numa Casa salesiana!” e, despedindo-se disse, em francês: “Bon jour !Je vous aime beaucoup”. À tarde, a Madre participou, juntamente com as Irmãs presentes, da Celebração Eucarística, presidida pelo capelão, Padre Antenor Velho, sdb. 24 de outubro e 25 de outubro – Encontro da Madre com as Inspetoras da CIB e com os Grupos de Trabalho sobre o processo de nova configuração das Inspetorias do Brasil No dia 24 de outubro, dia dedicado a Maria Auxiliadora e aniversário de três anos da reeleição de Irmã Yvonne Reungoat, o Encontro da Madre com as Inspetoras do Brasil e com os Grupos de Trabalho sobre o processo da nova configuração das Inspetorias do Brasil, enriquecido pelas presenças de Irmã Alaíde Deretti, Conselheira Geral para as Missões e referente para a CIB, e das Conselheiras Visitadoras, Irmã Silvia Boullosa e Irmã Paola Battagliola, teve início com um abraço de acolhida entre as participantes e uma dinâmica de apresentação. Irmã Ana Teresa Pinto, Presidente da CIB, em sua fala inicial afirmou que “(...) O Brasil FMA não é o mesmo desde agosto de 2013” quando a Madre lançou para as Inspetoras brasileiras o desafio de uma nova configuração para o Brasil FMA e, aos poucos, “(...) o assunto foi ficando familiar, a linguagem comum, novas ideias surgindo e falar em Nova Configuração das Inspetorias do Brasil passou a ser um assunto de casa. Sentia-se que o

Brasil passou a ser uma Casa única e agora (...) queremos contar para a Senhora, Madre, e para as Conselheiras presentes a caminhada feita, os passos dados como Inspetorias do Brasil em conjunto e cada uma em sua realidade, os desafios que encontramos e as metas a que nos propomos (...) Estamos abertas, creio que assim posso dizer, em nome de minhas Irmãs, para ouvi-la e acolher sua palavra que certamente iluminará nossas escolhas, nossa trajetória.” Por meio de uma caminhada-orante, precedida pelo vídeo “Um olhar de esperança”, retratando o contexto sócio-culturaleconômico e cultural do País, foi feita a memória do importante momento para o Brasil FMA, na perspectiva da passagem evangélica de Emaús, ícone que tem acompanhado todo o processo da ressignificação do carisma em terras brasileiras. Em seguida a Madre, dirigiu a

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palavra às Irmãs, agradecendo a significativa introdução à memória do processo de ressignificação de nossas Inspetorias, por meio da Palavra e da oração. Lembrou-nos que a nova configuração do Instituto no Brasil “nasce da intenção de ressignificar as presenças, unificando, reduzindo, melhorando a sua qualidade, para dar nova vitalidade ao carisma. Não é sinal de morte, mas de inteligência e audácia, de grande amor ao Instituto e à própria vocação. Esta, pela sua natureza, é um apelo ao êxodo, deixar territórios conhecidos para avançar por terras inexploradas, onde Deus nos espera. É um caminho para requalificar a nossa missão, reposicionando ou reduzindo algumas presenças, unificando os serviços e algumas estruturas de coordenação para que sejam estruturas de comunhão ao serviço de toda a nossa realidade no Brasil. Certamente a constatação das nossas forças que diminuem e envelhecem e das novas vocações FMA, insuficientes em termos de necessidades, são a verdadeira razão que dá origem a uma reflexão e inicia o processo, mas não é o principal motivo, ao contrário. Ele é dado pela qualidade da nossa missão entre os jovens, especialmente 6 | Em Família

os mais pobres, de acordo com o projeto carismático”. Em sua fala, Madre Yvonne enfatizou: a necessidade da mudança de mentalidade onde o envolvimento e a corresponsabilidade são fundamentais e o modo de viver e de exercer o serviço de animação são a chave para a promoção da mudança; a importância do ‘entrar em rede’ que exige o saber entrar em relação; a reflexão sobre as presenças missionárias como um bom sinal que pode abrir as portas para um futuro vocacional promissor; a necessidade da reflexão sobre a qualidade das relações, pois o espírito de família tem potencial para melhorar as diferenças culturais e geracionais e assim aprendermos a nos comunicar de forma nova e profunda entre nós, com os leigos e jovens; a coordenação para a comunhão em que todas se sentem corresponsáveis por tudo; o papel dos leigos como atores e corresponsáveis conosco da missão que nos foi confiada; a formação específica para os vários períodos da formação inicial, permanente e a das diretoras e o cuidado com as Irmãs mais velhas e doentes; enfatizou ainda a fundamental necessidade de ouvir os jovens no processo de ressignificação, pois nos consagramos a Deus por eles. Concluindo, a Madre afirmou “estou confiante no caminho que realizam” e continuou: “Se as Irmãs perceberem, em primeiro lugar, a complexidade da estrutura inspetorial e apego afetivo, a nova configuração terá colocado apenas um remendo num vestido velho. Vocês, pelo contrário, têm um forte desejo de que o Brasil tenha uma estrutura de comunhão, onde, no centro, esteja o Senhor Jesus e a sua Palavra que alimenta as relações interpessoais de reciprocidade e impulsiona com audácia o desejo de ser missionárias do amor, alargando os


Capa horizontes para abraçar o mundo”. Encerrando sua fala, a Madre lançou um novo desafio, estabelecendo um prazo para a concretização do processo: em 2020! Na segunda etapa do dia, Irmã Adair Aparecida Sberga (BSP) apresentou a Memória do processo da Nova Configuração das Inspetorias do Brasil seguido por um rico e esclarecedor diálogo com a Madre. No final da tarde, apresentamos ao Senhor, durante a Celebração Eucarística, presidida pelo Inspetor salesiano, Pe. Edson Donizetti Castilho, o sonho de ressignificar o carisma salesiano feminino em nossa Pátria. Os trabalhos do dia 25 de outubro foram precedidos pela Celebração Eucarística, presidida pelo salesiano Padre Antenor Velho, capelão da Comunidade do Colégio de Santa Inês O segundo dia de discernimento e condivisão foi aberto com o “bom-dia” da Madre que inicialmente assim se expressou: “Agradeço a Deus pelos passos dados até hoje. Que o Espírito Santo continue a soprar sobre vocês e que Maria peça a Jesus que nos ajude a transformar a água em vinho novo para os jovens, as crianças, aos pobres e pequenos.” Falando sobre as rápidas mudanças da sociedade, alertou-nos sobre o perigo de vivermos em função das emergências que nos dão a sensação de sufocamento e de não estarmos sendo fiéis à nossa vocação de consagradas salesianas, apontando a necessidade de mudanças por meio de percursos que nos fazem ver além das emergências, sustentando a esperança. Um meio importante para o discernimento do que unifica é a oração e todo o processo deve ser um caminho espiritual. Na visão da Madre, a Nova Configuração é oportunidade de caminhada pastoral, de abertura, para amar e apaixonar-se pelo Carisma. Vocês não precisam

de muito esforço, pois já são apaixonadas. A Nova Configuração nos pede deixar coisas e abraçar outras que respondam as necessidades de hoje. Terminou desejando que a Ressignificação possibilite novas presenças no Brasil e que abra caminhos aos jovens e aos pobres, portanto, não percam a “capacidade do sonho. Que Maria as acompanhe neste caminho! Bom dia!” Em seguida, as Inspetorias apresentaram, para a Madre e as Conselheiras presentes, os passos concretizados em cada Inspetoria. No início das atividades do período da tarde, as Conselheiras Gerais presentes expuseram seus pareceres sobre o processo vivido pelas inspetorias do Brasil e levantaram pontos importantes a que deveremos dar atenção para melhor compor o novo redesenho do Brasil FMA. Após a partilha do trabalho em grupos, solicitando sugestões para continuidade dos GTs, a Madre concluiu o trabalho dos dois dias, agradecendo a possibilidade de participar e viver a experiência do processo em ato, recomendando que jamais nos esqueçamos a meta: ressignificar o carisma, deixando-se interpelar pelos novos apelos, pelos jovens e pelos pobres, com olhar positivo para ouvir a história. Suas últimas palavras foram: “Vão à frente com Maria!” Dia 26 de outubro – Peregrinação ao Santuário Nacional de Aparecida O dia 26 de outubro amanheceu sob uma forte chuva. Mas, as peregrinas partiram alegres para a Casa da Mãe Aparecida, o Santuário Basílica, situado na cidade paulista, no Vale do Paraíba, para homenagear, agradecer a sua maternal proteção, no ano em que são celebrados os 300 anos da aparição a imagem no Rio Paraíba. Participaram da Celebração Eucarística das 9h, televisionada e irradiada para todo Pais. A presença da Madre Yvonne foi anunciada às milhares de pessoas que acompanham diariamente, pelos MCS, as Missas setembro | outubro | novembro e dezembro 2017


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da Basílica. A Madre, após a Celebração, teve oportunidade de conhecer a Basílica decorada pelo artista plástico e homem de fé, de estilo limpo, puro, nítido, Claudio Pastro, falecido em 2016. Da Casa da Mãe Aparecida, a Madre e as Irmãs do GT da Nova Configuração, seguiram para a primeira Casa das FMA no Brasil, Colégio Nossa Senhora do Carmo, em Guaratinguetá, que comemora 125 anos. As Redes Sociais do Colégio assim espalharam a alegre notícia: “Recebemos, no histórico 26 de outubro, a visita de nossa querida Madre Geral, Ir. Yvonne Reungoat. Foi um dia muito abençoado e repleto de alegria. Juntamente com a Madre, vieram Inspetoras e Irmãs de todo o Brasil. Nossos estudantes, Irmãs e Educadores fizeram uma calorosa acolhida a todas (...) na frente do Colégio, por um grande corredor humano, formado por alunos, educadores, Irmãs e colaboradores e com a apresentação da “Fanfarra Monsenhor Filippo”. Após o festivo almoço, as peregrinas seguiram para Lorena. As Irmãs e a Comunidade Educativa do Instituto Santa Teresa aguardavam, com expectativa e alegria, a chegada da Madre que foi recepcionada com palmas, cantos e vivas e pelo entusiasmo dos alunos. Na capela, depois de uma pequena encenação a Madre dirigiu 8 | Em Família

breves palavras, mas cheias de esperanças e encorajamento aos presentes. Para os jovens universitários, pois, no Instituto Santa Teresa, funciona o Centro Universitário Santa Teresa, UNIFATEA, deixou uma mensagem gravada. Continuando as visitas, o grupo seguiu para a Casa Maria Auxiliadora também localizada em Lorena. A Casa Maria Auxiliadora é uma Casa especial, pois, é um lugar de muita oração, oferta, uma Casa abençoada por Deus e por Maria: Casa de Repouso. É difícil descrever a expectativa, a alegria, o carinho com que todas aguardavam a Madre Yvonne, a sucessora de Madre Mazzarello. Depois dos abraços, das fotos, a Madre falou: da alegria de estar com as Irmãs mais idosas e perceber que estão bem, alegres e animadas e, juntamente, com os colaboradores leigos recebê-


Capa la como uma família grande e feliz; agradeceu presença-orante e a importância de da oração para o Instituto e para sua missão. Às 20h, a Madre estava novamente de volta ao Colégio de Santa Inês. Dia 27 de outubro – Dia de encontro exclusivo com as Inspetoras Dia 28 de outubro – Celebração dos 125 anos da presença das FMA no Brasil, em Guaratinguetá, na primeira Casa brasileira: Colégio Nossa Senhora do Carmo Do Colégio de Santa Inês parte às 7h30 a caravana de dois carros e um ônibus em direção à primeira Casa das FMA no Brasil, Instituto Nossa Senhora do Carmo, Guaratinguetá. Percurso bom, com clima agradável. Na chegada, acolhida festiva e lanchinho gostoso para as que vieram das várias Casas da Inspetoria. Abraços, reencontros e a presença sorridente da Madre. Às 11h, Celebração Eucarística, na Capela Centenária, presidida pelo salesiano, Pe. Alexandre Luís Oliveira, diretor do Instituto Salesiano de Lorena. Pe. Alexandre Luís Oliveira que, antes da bonita homilia sobre as “Bodas de Caná”, manifestou seu grande carinho pelas Irmãs, com as quais se sente em grande fraternidade e muito honrado por presidir a Eucaristia com Madre Yvonne, Madre Mazzarello para o nosso tempo. Antes da conclusão foi cantado: “O qual sorte” e nos unimos em um grade circulo, dentro da Capela, mais que centenária, com muita emoção. Da capela passamos para o corredor da portaria, onde seria a inauguração da “Sala da Memória” toda completamente renovada. Antes da entrada na sala, as Noviças cantaram: “Tralci di una vite forte”. A sala é totalmente adornada com fotos antigas e modernas que mostram a evolução dos tempos. Na parece central há um grande quadro

de Madre Mazzarello e. em um canto da sala, uma réplica do poço, com água corrente. Da sala, passamos ao pátio, onde foi feita a foto com a Madre e as Irmãs participantes. Em seguida, nos encaminhamos para a residência onde estava preparado o “churrasco”, num reparado do sol, com tendas e mesinhas. O almoço foi alegre e fraterno, a Madre sempre bem disposta e serena. No momento da sobremesa foram cantados parabéns ao Carmo, que completa 125 anos e a uma Irmã que fazia aniversário. Ao final, Ir Helena Gesser, Inspetora, ofereceu à Madre uma linda imagem artística, de Nossa Senhora Aparecida e Ir Dorcelina Rampi, ecônoma inspetorial, uma camiseta dos 300 anos, que a Madre vestiu. Em seguida, a Madre agradeceu a linda festa, enfatizando a circunstância de já ter participado 5 anos atrás, em Aparecida e no Carmo, dos 120 anos do Colégio (as Irmãs lhe pediram que viesse também no ano de 2020!). Para terminar a Madre, com a imagem que havia recebido, deu a bênção de Nossa Senhora, enquanto espontaneamente todas se uniram no canto “Dai-nos a bênção ó Mãe querida, Nossa Senhora Aparecida”! A Madre ainda agradeceu a festa lembrando-se de todos os detalhes, a Comunidade, sentindo o belo clima de família e simplicidade que reinava, recordando a primeira comunidade de 12 missionárias vindas do Uruguai cujo sacrifício e espírito de fé, deu abundantes frutos. A tônica missionária ficou clara em todas as falas da Madre. Pelas 15h30, começou a volta das Irmãs, e as de São Paulo partiram, chegando de volta à Casa Inspetorial, pelas 18h. Após o jantar, a Madre encerrou o dia, cheio de festa e alegria com a Boa Noite cujo tema foi: devemos ser sinal de agradecimento a Deus e ao Instituto não só com palavras, mas cada uma de nós deve ser ela mesma, um agradecimento, com a sua vida.

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Dia 29 de outubro – Encontro da Madre com as/os jovens da AJS: Articulação Juvenil Salesiana Aos poucos, o silêncio das manhãs de domingo do Colégio de Santa Inês foi interrompido pela chegada das e dos jovens provenientes de todas as nossas Casas para o encontro com a Madre Yvonne. Às 9h, foi celebrada a Eucaristia, em ação de graças pela presença de Madre Yvonne, presidida pelo salesiano Padre Roque Sibione, vigário da Inspetoria Nossa Senhora Auxiliadora. Na acolhida, Pe. Roque falou da alegria de poder ter presente Madre Mazzarello, na pessoa de sua sucessora, convidando todos a saudá-la com uma salva de palmas. Referiu-se também à participação de Irmã Sílvia Boullosa, nossa Visitadora, e da Inspetora Irmã Helena Gesser. Ao concluir a Celebração, Pe. Roque disse que ao ver Madre Yvonne distribuir a Eucaristia aos 10 | Em Família


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jovens, lembrou-se de Madre Mazzarello que também entregou Jesus às jovens de seu tempo e pediu ao Senhor para que possamos também continuar levando Jesus aos jovens de nossos dias. Após a Missa e um intervalo para o lanche e para as tão desejadas fotos, Madre Yvonne foi recebida, no salão de festas do Colégio de Santa Inês, com o canto “Mazzarello da gente” e com muitas palmas e vivas. Depois da calorosa acolhida, foi-lhe apresentada a origem, a organização e a atuação do Conselho Inspetorial da Articulação Juvenil Salesiana, AJS, que encontra na frase de Madre Mazzarello, “Alegria é um sinal de um coração que ama muito o Senhor”, inspiração e motivação. Os jovens organizadores do Encontro escolheram a ‘entrevista’ como uma forma de estabelecer um diálogo com a Madre por meio das perguntas: *O quê a motivou a ser religiosa e a Senhora havia pensado que teria tanta setembro | outubro | novembro e dezembro 2017


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responsabilidade? - *Qual foi a sua sensação ao ser eleita Madre Geral? - *Qual a sua mais forte experiência religiosa antes de ser eleita Madre Geral? *Qual o maior desafio que a Senhora encontra em sua vocação? – *Qual é a grande provocação de sua vocação e como a Senhora nos pode ajudar no nosso projeto de vida? - * Qual a sua visão sobre a juventude mundial e brasileira nos aspectos sócio-político-econômico-cultural e religioso? -*Como a AJS – Articulação Juvenil Salesiana – poderia atuar para que suas ações não se restrinjam somente às Casas salesianas, mas que responda ao apelo do “em saída” do Papa Francisco? - *Como viver o carisma salesiano em todos os ambientes? - *Qual a importância que a Senhora atribui ao Voluntariado? - *Que recado deixaria para a AJS? Por meio destas questões, a Madre, com vivacidade e clareza, abordou temas importantes, insistindo na necessidade de convicções profundas para que os jovens sejam dinâmicos, 12 | Em Família


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motivados, motivadores, críticos, que saibam dialogar com as diferenças, procurando em Deus o sentido para a própria vida para que possam ir ao encontro dos jovens que não fazem parte da AJS, escutando suas necessidades. Encerrando, Madre Yvonne felicitou por tudo que fazem nos Conselhos locais e no Conselho Inspetorial da AJS e recomendou que cultivem os corações para que possam ter horizontes grandes, pois a nossa Família Salesiana é grande como o mundo e abraça o mundo inteiro. Fez ainda votos para que sejam jovens de relações a partir de uma relação viva com Jesus que está sempre presente e que escolheu cada um, cada uma para comunicar a Sua presença. Que da AJS devem brotar vocações! Se as vocações dos salesianos e das FMA não vêm da AJS, de onde virão? Terminada a ‘entrevista’, os jovens da Casa Betânia de Guaratinguetá, Obra Social, encenaram o encontro da pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do Rio Paraíba, seguida pela setembro | outubro | novembro e dezembro 2017


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entrega de lembranças à Madre como expressão do carinho das e dos jovens da Inspetoria Santa Catarina de Sena. No agradecimento, a jovem Ana Clara Caetano, coordenadora do Conselho Inspetorial AJS, agradeceu e fez um pedido à Madre: ensina-nos a ser amor, ultrapassar os muros, estar ‘em saída’ e ter nossa casa sempre aberta.” No início da tarde, a Madre reuniu-se com as Diretoras Pedagógicas de nossas Escolas: Irmã Lucia Maistro, Irmã Teresa Cristina Pisani Domiciano e as leigas Professoras Suely Aparecida Lima Fernandes, Mirian Schomoeller Prado Rodrigues, Mirian Rosane Benatti Godinho, Liamar Nunes de Freitas. Laura Leo Ferreira e Bernadete De Lourdes V. Castro, acompanhadas pela Inspetora, pelas Presidente da Associação de Escolas das Irmãs Salesianas de São Paulo e sua Diretora Pedagógica respectivamente Irmã Célia Regina Querido e Prof. Olivia Maria Labriola de Campos Negreiros. 14 | Em Família


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A Madre falou da alegria de poder encontrarse com pessoas que condividem conosco a missão e as agradeceu, em nome do Instituto. Em sua fala, referiu-se: à importância da confiança recíproca; ao indiscutível papel da educação como chave para a transformação do mundo e para a cultura da paz; à insistência do Papa em relação à vocação laical; aos desafios decorrentes das novas correntes antropológicas, da situação sócio-política-econômica-cultural e religiosa; aos problemas provindos da família; à necessidade do saber acolher os desafios e da reflexão sobre eles; à urgência da pedagogia do ambiente; à certeza de que somos uma grande família; à integração com a Igreja; ao cultivo da unidade que gera confiança. As Diretoras leigas agradeceram a possibilidade do encontro e falaram à Madre sobre a importância da presença e do acompanhamento das Irmãs e o investimento feito na formação pedagógica e salesiana de cada uma. setembro | outubro | novembro e dezembro 2017


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Concluindo a Madre, enfatizou a importância do caminhar juntas para que possamos encontrar soluções educativas para as e os jovens de hoje e fez votos que Nossa Senhora Aparecida acompanhe cada uma e prometendo orações. No “boa-noite” às Irmãs da Comunidade do Colégio de Santa Inês, Madre Yvonne descreveu o dia vivido com os jovens da Articulação Juvenil Salesiana como um dia de esperança e futuro. Dia 30 de outubro – Visita às Comunidades Casa Santa Teresinha e ao Noviciado Interinspetorial Casa Nossa Senhora das Graças As duas Comunidades vizinhas partilharam a alegria de receber Madre Yvonne, na manhã do dia 30 de outubro, para a Celebração Eucarística e para um encontro que marcou os corações das Irmãs que já percorreram um longo caminho de doação e de fidelidade e das jovens noviças que iniciam a aventura do seguimento de Jesus Cristo. Com as noviças, depois do café da manhã, servido num clima de espontaneidade própria da juventude, Madre Yvonne referiu-se ao noviciado como um tempo de muita profundidade, tempo de potenciar o relacionamento com Jesus para 16 | Em Família

que Ele prepare as futuras FMA para a doação, para a missão que lhes confia como sinais visíveis da sua presença entre as crianças, adolescentes e jovens. Recomendou a disponibilidade interior e abertura para com as Constituições porque são a síntese do carisma e nos indicam como viver a vida de FMA; a viver bem a castidade, um amor doado aos outros, que nos faz crescer na capacidade de amadurecer, de doar-se, como também a pobreza ou seja a escolha de viver do essencial e a obediência que pede a abertura à vontade de um outro que é Deus. No decorrer de sua colocação, a Madre tocou em pontos fundamentais como: oração, missão, vida comunitária, confiança, medo, centralidade em Jesus, vocação para educar, anunciar a boa notícia, alegria, abertura, a importância do conhecimento da história do Instituto. Na conclusão, a Madre disse com o coração: “(...) eu rezo por vocês. Agora rezarei ainda mais porque tinha os seus nomes, mas agora conheço o rosto de vocês, e as recordarei em minha oração, pois, para mim, vocês são muito importantes. Que Jesus as ajude e à comunidade das Irmãs, que as acompanham, a descobrirem e viverem, pouco a pouco, um passo após o outro, esta aprendizagem em preparação à vida


Capa consagrada (...). Uma vida que é bela, exigente porque o amor nos pede tudo, nos pede sempre mais. Eu dizia: não pensar que, com a primeira profissão ou a profissão perpétua tudo termina, não, porque Jesus nos pede sempre mais, não nos pede menos. Quando nos pede menos, significa que estamos tranquilas e devemos nos preocupar. Quer dizer que talvez não estejamos mais escutando Jesus, pois Ele sempre nos pede algo mais. (...) Desejo que sejam felizes, alegres por fora e alegres por dentro, crescendo em profundidade e na capacidade de se doarem. Amém.” Na comunidade da Casa Santa Teresinha, a Madre acolheu, ouviu, abençoou todas as Irmãs que a esperavam com grande expectativa e visitou, nos quartos, as que se encontram acamadas. Ainda antes do almoço a Madre dirigiu-se às Irmãs agradecendo a acolhida fraterna e porque sabe que, todos os dias, rezam e oferecem as dores, os sofrimentos e a vida inteira por ela e pelas intenções de toda a Congregação, expressando que também reza por todas as Irmãs do Instituto. Afirmou também que Deus trabalha, em cada uma, como o oleiro que vai modelando sua obra de arte e todo dia dá um toque de bom oleiro. E assim até o último dia da vida terrena. Tenham sempre a convicção de que nossa verdadeira identidade está sempre em construção. Disse que a Inspetoria necessita de vocações e sugeriu que a comunidade faça a novena de Maria Auxiliadora pelas vocações e o esforço, que será lembrado pela Diretora, e por cada uma das Irmãs de não cometer nenhuma falta contra a caridade fraterna. Insistiu na importância da oração pelas noviças vizinhas e valorizou bastante o fato da comunidade ser vizinha à do noviciado: grande riqueza para ambos os lados. Antes de abrir para perguntas, a Madre pediu as bênçãos de Nossa Senhora Auxiliadora para cada Irmã e, mais uma vez, agradeceu a caminhada feita na Casa Santa Teresinha, ao lado do noviciado.

“Eu rezo por vocês. Agora rezarei ainda mais porque tinha os seus nomes, mas agora conheço o rosto de vocês, e as recordarei em minha oração, pois, para mim, vocês são muito importantes. Que Jesus as ajude e à comunidade das Irmãs, que as acompanham, a descobrirem e viverem, pouco a pouco, um passo após o outro, esta aprendizagem em preparação à vida consagrada (...)” Conforme o depoimento da Comunidade, o encontro com a Madre foi momento especial para todas. Momento de “reavivar o fogo”. A Madre, no final, da tarde, retornou à Comunidade do Colégio de Santa Inês e a comunidade, mais uma vez, teve a alegria de compartilhar a mesa, o recreio e o boa-noite com a 9ª. sucessora de Madre Mazzarello. Dia 31 de outubro – Partida para Roma Na oração da manhã, a Comunidade agradeceu o presente que Deus nos concedeu: a presença da Madre durante uma semana, pedindo a Maria Auxiliadora que a acompanhe em sua missão de animar e de fazer, cada Irmã, sentir que é querida e amada de um modo especial. A manhã passou rapidamente e às 14h, Madre Yvonne, acompanhada por Irmã Helena Gesser, Inspetora, Irmã Dorcelina Fátima Rampi, Diretora e ecônoma inspetorial, e Irmã Célia Maria Moreli, ecônoma da Comunidade do Colégio de Santa Inês e motorista, dirigiu-se ao aeroporto de Guarulhos, deixando-nos a certeza de que somos amadas por Deus que nos deu a graça da vocação FMA. Volte, Madre! setembro | outubro | novembro e dezembro 2017


Artigo

Visita Canônica de Ir. Silvia Boullosa Por Irmã Maria de Lourdes M. Becker

No dia 14 de agosto próximo passado, Irmã Helena Gesser, em nome da

desafios, sonhos de nossa vida e missão. Tudo o que

Inspetoria Santa

nos foi dito, ouvimos com o coração aberto e com

Catarina de Sena, disse à Irmã Silvia Boullosa: “Bem-

o sincero desejo de transformar em vida as suas

vinda! Esta é tua casa!

palavras e propostas para que possamos ser para a

Nesta Casa, o Senhor a acolhe! Maria a acolhe!

juventude de hoje sinais de esperança e de alegria.

Nós, suas Irmãs, a acolhemos com muito carinho,

Durante as andanças pela Inspetoria, Irmã Sílvia

amor e alegria!

foi percebendo o que, às vezes, os nossos olhos

Irmã Sílvia, como Maria a Isabel, você vem

acostumados não conseguem ver. E apesar de

trazer, para nossa Inspetoria, boas notícias de vida,

enxergar os desafios que precisamos transformar

de entusiasmo, de sonhos que, certamente nos

em oportunidadeas, no final da visita, assim nos

ajudarão a ser mais missionárias de esperança e de agradeceu: “Obrigada por cada partilha pessoal alegria.” E assim, iniciamos um tempo de Kairós e, nestes

e pelos encontros comunitários. Volto para Roma transformada por esses encontros (...) Rezarei

meses, pudemos conversar, partilhar conquistas, sempre por vocês! (...) Muito obrigada, Irmã

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Artigo Helena, por me deixar entrar na “Terra Sagrada” da

todos os detalhes e por me fazerem sentir em casa,

Inspetoria, onde encontrei clima de fé, tolerância

em todas as Casas”

e alegria vocacional; muito trabalho no meio de

Obrigada, Irmã Sílvia! Obrigada por ser Irmã entre

realidades não fáceis. Obrigada ao Conselho, ao nós, por anunciar o amor de Deus-Trindade! Que GREI e a todas as Comunidades por tudo o que

Maria a acompanhe sempre, em sua missão!

prepararam para o êxito da visita. Obrigada por

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Reitor Mor visita Irmãs da Inspetoria Santa Catarina de Sena Por Irmã Rosalba Perotti

No dia 14 de outubro próximo passado, o Reitor Mor, Dom Angel Fernández Artime, após ter participado do FEST, veio ao Colégio de Santa Inês, onde o aguardavam Irmãs, vindas dos quatro cantos da Inspetoria. Desde o primeiro momento de sua chegada percebemos o grande carinho pelas Irmãs Salesianas, expresso em gestos e palavras. Entrando no Santa Inês, dirigiu-se logo à capela para uma breve oração, seguido pelo Inspetor, Padre Edson Donizetti Castilho,pelo Conselheiro Regional para o Cone Sul, Padre Natale Vitali e pelo seu secretário Padre Horácio Adrián López e demais sacerdotes salesianos, participou de um alegre antepasto, servido no pórtico, seguido pelo festivo jantar. Após a sobremesa, tendo recebido 20 | Em Família


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de Irmã Dorcelina de Fátima Rampi, em nome de Ir. Helena Gesser que se encontrava, no México, no Retiro das Inspetoras com a Madre, uma preciosa imagem de Nossa Senhora Aparecida, ele agradeceu de forma muito simpática e cordial. Dom Angel afirmou que, em quatro anos de Reitorado, visitou 68 países e, em todas as visitas, recebeu demonstrações de carinho, amizade, percebendo o espírito de família das Filhas de Maria Auxiliadora que torna todos os encontros sempre muito cordiais e especiais. “Digo, com sinceridade, que sempre, sempre em todos os lugares em que vou, encontro as FMA. Afirmo que, sem desmerecer os demais grupos da Família Salesiana, as FMA são o grupo que está mais perto de nós. É um vínculo forte porque partilhamos mais de perto o sentido de pertença e isso acontece em qualquer lugar onde chegamos. (...) é um reconhecimento, ou seja: a realidade de que nos queremos muito: não porque o Reitor Mor hoje é Angel, antes foi Pascual, Vecchi, Viganò...É o vínculo da comunhão, a pertença à grande Família Salesiana, seja quem for. Somos na Igreja, o grupo religioso mais numeroso. Este espírito faz com que cada Casa nossa seja Valdocco e Mornese porque nela o espírito de Dom Bosco e de Madre Mazzarello estão vivos. Por isso, não temos que nos angustiar, nem nos deixar abater pelas dificuldades. Percorrendo o mundo , vemos o bem imenso que nossa Família faz: onde se vive Valdocco e Mornese há alegria, expansão e a vida flui. Nossa Senhora Aparecida vai nos acompanhar e ajudará a manter esse espírito.” Por fim, Dom Ángel agradeceu, mais uma vez, a acolhida, o gostoso jantar, a fraternidade, o carinho, os abraços à brasileira! Esse encontro inesquecível nos confirmou que Deus e Nossa Senhora nos querem muito bem e continuam em nossas Casas onde queremos viver sempre melhor o espírito de pertença à grande Família Salesiana para que nossas Casas tenham hoje o espírito que animou os nossos Fundadores. setembro | outubro | novembro e dezembro 2017


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Continuando a Reflexão da CF|2017, em tempos de Advento A visitação: um longo

caminho com e para a terra Por Padre Gregory Kened, sj

Caminhar é mais que encurtar distância; melhor dizendo, caminhar é contemplar. Melhor ainda, caminhar é consagrar. Assim foi com Maria, rumo à casa distante de Isabel, a personificação da Terra estéril que, por uma inesperada colaboração divina-humana, se fez fértil. Caminhando, Maria também se consagra ao cuidado da vida milagrosa em seu ventre, uma vida que, por sua parte, santificaria a Terra inteira.

En la casa escondida En el gozo silencioso Espera la vida nueva En el camino corriendo En un cuerpo comprensivo Se echa la vida nueva La tierra se levanta Y sale afuera de prisa La tierra se levanta Y se abraza a sí misma 22 | Em Família

Los que tengan oídos Que escuchen Que se agachen Que coloquen Su cabeza al lado del suelo Para sentir los saltos De la nueva vida En la ternura torturada Del viejo vientre.


Artigo Maria: com a Terra “Então Maria se levantou e se dirigiu apressadamente à região montanhosa, a uma cidade da Judeia” (Lc 1,39). Aceleradamente, depressa, como um raio, ao escutar a boa nova acerca de sua parenta Isabel, Maria não tardou a pôr-se a caminho, com ardor, rumo às montanhas. Nós, acostumados ao transporte rápido, possível pelo motor de combustão interna, imaginamos Maria, apressada, sainda a toda velocidade de Nazaré para chegar a uma cidade comum e pequena da Judeia, entre o pó e com as rodas rangindo. Quando lemos em Lucas a palavra “apressadamente”, bem sabemos de que se trata, e que habitamos um mundo sumamente acelerado. Porém, torna-se problemático projetar nossa própria realidade na de Maria, ou qualquer outra. Se vamos ao caso, não se sabe ao certo qual era a cidade de Isabel, porém se calcula que podia ficar no mínimo a 100 km de Nazaré. Quer dizer, mais de dois dias caminhando a passos rápidos. A chegada, quase instantânea, que imaginamos a partir de nossa perspectiva motorizada, na realidade prolongou-se dezenas de horas. Isso ofereceu a Maria bastante tempo para refletir, maravilhar-se e admirar-se (por não falar em se expor ao sol) de tudo o que se passava. Temos de olhar Maria caminhando com uma certa calma, porque a pressa inicial de saída deve ter diminuído depois de várias horas a caminho. Então a encontramos contemplando campos dourados de trigo, cruzando povoados adormecidos, saudando camponeses agachados no ato de colher, curtindo o corpo saudável em pleno movimento. Sempre com os olhos voltados para a bela extensão de montanhas que passo a passo ia se aproximando. Para não cair na armadilha de projeção equivocada, neste caso, o romantismo, temos

de ter em conta também o difícil da viagem. O cansaço, a sede, a fome; o temor de ser uma jovem desprotegida e meio forasteira dentro de uma sociedade machista e punitiva para as mulheres. Apesar de tais aspectos penosos, não se pode negar a alegria que impregna o relato de Lucas. Ao chegar Maria, Isabel e seu bebê, in útero, manifestam uma alegria fora do comum, que contagia a recém-chegada. Se a viagem tivesse sido puramente desagradável, e insuportável, é pouco provável que o primeiro encontro tivesse sido tão jubiloso. Ao contrário, conclui-se que Maria caminha com ansiedade, mas sem a pressa com que hoje em dia vivemos. Sem contato corporal com a terra, sua paciência frente à distância, que não se deixa apagar de maneira fácil e sem esforço físico, sua abertura espiritual de ser levada no caminho pelos pequenos e fascinantes eventos naturais (uma revoada de pássaros elevando-se de um conjunto de arbustos, com seus gorjeios estridentes; uma nuvem com a forma de um camelo, transformando-se lentamente em um peixe; um rebanho de ovelhas cruzando a estrada) que acontece em todos os momentos, porém quase sempre fora da nossa atenção, tornam Maria contemplativa, uma mística capaz de festejar Deus. O artista da misericórdia ocupa-se de exaltar os humildes seres, sejam humanos ou não. Assim se pode entender o Magnificat – este cântico “revolucionário, porque, ao refletir as convicções de uma alma livre e disponível, convida também a uma autêntica libertação; libertação de umas estruturas injustas que por e em nome de Deus mantêm o povo abatido na discriminação, fome e abandono” – não como uma exclamação contempletamente espontânea e sem precedentes, mas como a expressão de uma crença bem pensada e desenvolvida durante setembro | outubro | novembro e dezembro 2017


Artigo extensos desafios de reflexão, tempo concedido por longas caminhadas campestres. A experiência mística de Maria a caminho da casa de Isabel reforça uma convicção minha de que o mundo seria muito mais pacífico, prazeiroso, próspero, compassivo e inclinado a uma convivência sadia com o criado se caminhássemos com mais freqüência e com menos aborrecimento e tédio. O corpo humano está feito para caminhar, e funciona melhor, física, mental, psicológica e espiritualmente quando desfruta a oportunidade de pôr em prática sua natureza. No ato de andar, unem-se integralmente todos os componentes de nosso ser; o transcendental e o terreno se juntam, vão lado a lado, corpo-espírito, deixando de lado o dualismo nocivo entre os dois, inventado por uma falsa filosofia sedentária. A conjunção material-espiritual que é o caminhar também é a influência temporal-espacial. Da mesma forma, o Papa Francisco expõe o “primeiro princípio para avançar na construção de um povo: o tempo é superior ao espaço. Este princípio permite trabalhar a longo prazo, sem obsessão por resultados imediatos... Dar prioridade ao espaço leva-nos a proceder como loucos para resolver tudo no momento presente, para tentar tomar posse de todos os espaços de poder e autoafirmação. Por muito sugestiva que seja esta afirmação, o caminhar nos ensina que não é tão certa. Em efeito, caminhando nos damos conta de que o tempo e o espaço são inseparáveis e se promovem mutuamente. Não existe melhor escola que o caminhar para transmitir a sabedoria “de não ser obsessivo por resultados imediatos”. Pois, caminhar sem pressa, mas com propósito, nos faz compreender que toda chegada exitosa implica um processo. São os carros e aviões os que nos ensinam que podemos conseguir nosso destino de uma vez sem negociar com a distância e as dificuldades. É o motor de combustão interna, sem dúvida uma potência poderosa e útil, o que nos faz imaginar que podemos “ter tudo resolvido no presente”, porque vence o espaço de um só golpe duro, sem deixarnos assimilar corporalmente as mudanças associadas com o deslocamento. Como prova de aliança e paridade primordial entre o tempo e o espaço, se apresentam o desespero e a fúria, geradas pelos 24 | Em Família


Artigo congestionamentos de trânsito de nossas cidades. Poucas coisas nos enfurecem como ficar trancados em um carro presos numa fila estancada e infinita. Isso é insuportável, exasperante, enlouquecedor. Por quê? Primeiramente, porque a solidariedade primitiva entre o espaço e o tempo foi desfeita. Nesse caso, o tempo segue, mas o espaço permanece estático. A alma quer correr, mas o corpo encontra-se acorrentado. Bem, divididos entre o desejo e a impotência, começamos a crer que o espaço é inimigo do tempo, e que o corpo somente frustra a alma. Em vez disso, não é assim quando caminhamos. Ao contrário, o espaço e o tempo avançam juntos uma vez empreendida a caminhada. Tal reanimação da convergência originária entre o tempo e o espaço nos ajuda a suportar com paciência situações difíceis e adversas, ou as mudanças de planos que impõe o dinamismo da realidade. Por ser uma caminhante muito prática em sua terra, Maria cultivava uma paciência celestial que permitia viver com calma e fé várias adversidades inacreditáveis, inclusive o assassinato aterrador de seu próprio filho. Maria: para a Terra A visitação deve nos chamar a atenção não somente pelo modo do deslocamento optado por Maria, mas também pelo seu destino. Maria não se lançou a andar meramente para um passeio contemplativo. Sua meta era fixa, a saber, a pessoa de Isabel. Dita pessoa havia sofrido muito por não ter filhos (Lc 1,7-25). Sua suposta esterilidade a havia tornado um objeto de pena, desprezível e rejeitada. Não servia como esperava a sociedade machista, era inútil, não produzia bens (herdeiros machos) que o patriarcado exigia. Apesar da fidelidade a seu marido e a Deus, vivia em humilhação constante. Semelhante

personagem, já resignada à sua posição marginal e piedade periférica, não se costumava visitar. Para quê? Para recordar o amargor da vida? Para presenciar o fracasso? Para patilhar lágrimas apenas? Não, melhor guardar uma distância saudável. No entanto, Maria se levantou e dirigiuse apressadamente a Isabel, mesmo que a notícia da gravidez ainda permanecesse desconhecida do público. Confiando na vida, uma vida que contradiz toda evidência racional, Maria se atreveu a crer em uma fecundidade ilógica e se apressou a cuidar dela. Muitas outras pessoas teriam desqualificado o anúncio do anjo como um mero sonho e o teriam deixado aí, enquanto Maria se pôs a caminhar. Todas essas horas a pé sob o sol e a lua, essa longa aproximação, porém emocionante, iam preparando Maria para celebrar a vida prometida a Isabel. Efetivamente, ia-se aclarando ao longo da caminhada que Isabel, a velha estéril, é Terra, já que todo desprezo e abuso sofridos pela mulher infecunda, também sofre a Terra. De fato, é o frenesi de fazê-la produzir que a vai esterilizando. Tanta pressão, tantas expectativas exigentes, tantas demandas de produção por parte da sociedade patriarcal resultavam contraproducentes a respeito de Isabel, e não menos a respeito de sua irmã Terra. A ansiedade e a rejeição social somente serviam para incapacitar mais o útero frágil de Isabel. Da mesma forma, estamos aprendendo, infelizmente tarde, que os fertilizantes petroquímicos, os pesticidas tóxicos, a monocultura, as queimadas, que a agroindústria submete todas as espécies nativas, geneticamente não modificadas, acabam por secar e fechar a útero da Terra. Tanto Isabel, como Maria, aceitam uma fecundidade inesperada, imprevisível. Uma anciã e uma adolescente solteira não deveriam estar grávidas; não cabiam nos esquemas de produção setembro | outubro | novembro e dezembro 2017


Artigo da sociedade. Porém, o Espírito, pouco cortês quanto aos costumes e regras humanas, arrasou os esquemas estabelecidos, para dar à luz do dia novas possibilidades teimosamente negadas pelo status quo. O mesmo Espírito, porém, mal-educado, hoje nos lança ao rosto e interroga, se nós, os consumidores globais, temos fé suficiente para crer e criar modelos econômicos e produtivos inéditos baseados na cooperação e na competência; no bem comum, não no proveito privado; na ternura generosa, não na exploração enganosa. Somos capazes, como Maria e Isabel, de afirmar o que parece absurdo e inviável a partir da perspectiva da sociedade atual? Ou seja, em nosso caso, a cultura capitalista-extrativista, que interpreta o mundo como se fosse não mais que uma grande despensa de recursos para explorar. É aqui onde temos de escutar o famoso “sim” de Maria, já não como uma resposta pontual, dada somente uma vez ao anjo Gabriel no momento decisivo, mas, bem mais, ela ia pronunciando o sim ao longo do caminho, em direção às montanhas, onde morava Isabel. Porque, em seu próprio corpo, jovem e vigoroso, sentia as sementes de uma nova forma de viver na Terra, uma forma sumamente criativa e amorosa, que se trata da convivência do próprio Criador com sua criação. Maria continuava dizendo “sim” a cada passo, neste convite divino de colaborar no criar e cuidar do mundo. Por isso, Maria saiu com tanta pressa visitar sua parenta idosa, para cuidar da vida que brotava nela. O coro do “sim”, cantado por Maria e Isabel, é um hino que dá a conhecer uma nova relação com a Terra. Esta relação principiante se destaca pela nova atitude humana que se semeia na Terra. Ao contrário 26 | Em Família


Artigo da atitude agressiva, antropocêntrica e altiva, cimentada na cultura patriarcal, a atitude de Maria é afetuosa e encaminhada às necessidades da outra. Não esperava Isabel que Maria chegasse, mas Ela fez o esforço de ir encontrá-la onde estava. Ali se dedicou a cuidar dela, aliviá-la e colocar em ordem a casa para que ficasse mais favorável ao florescimento da vida. Vista assim a cena da Visitação, com seu lado sonoro da canção do “sim”, nos mostra como nós também devemos atuar ante a promessa da vida plena que o Espírito não para de nos dar em sua maneira surpreendente, ou melhor dito, original. Não podemos ficar passivos, esperando até que a criação se conserte. Temos de sair ao encontro da criação, passar tempo com ela, cuidando dela. Nosso encontro com ela pode ser uma horta, um jadim, uma árvore, um edifício construído para “servir outro tipo de beleza: qualidade de vida das pessoas, sua harmonia com o ambiente, o encontro e ajuda mútua” Ao mesmo tempo, nós, como coletivo cultural, também temos de sair ao encontro deixando atrás as comodidades de nosso domicílio consumidor, que temos mobiliado com muitas coisas desnecessárias. Encontarmo-nos com a velha Terra Isabel, para cuidar da vida nova se formando nela, nos obriga a sair da presunção do direito de possuir qualquer coisa que podemos nos permitir. Visitar Isabel, a Terra, é nos adaptar a ela, como é agora e como quer ser mais adiante. Infelizmente, levamos demasiado tempo oprimindo-a para que se ajuste a nosso gosto.

formação. Se queremos ser portadores, como Maria, do amor divino, não podemos deixar de caminhar na Terra, literalmente, com afeto, amor, carinho. Caminhando, ou seja, reconciliando o falso antagonismo entre o espaço e o tempo, fazemonos terra terna e paciente, para receber a encarnação redentora. Por outra parte, se queremos colaborar na proclamação da redenção, se queremos celebrar a vida nova prometida, não podemos deixar de estar com a Terra, a querida anciã cheia de criatividade. Depois do mais, ela é nossa familia: partilhamos o mesmo sangue. Enfim, não há conclusões. Não se pode concluir. Porém, sim, é preciso caminhar. É preciso visitar a vida pouco verossímil, trazendo uma fé que aceita que o Criador se fez parte da criação e que jamais deixa de soprar seu Espírito renovador no ventre da Terra. Sim, é preciso cantar “sim” sem cessar a uma iniciante solidariedade criacional até que o novo céu e a nova terra deem à luz. Fonte: Revista CLAR. CONVERSÃO ECOLÓGICA. Bogotá: Editorial Kimpres. Ano LIV – Número 4/ Outubro – Dezembro, 2016, p. 36-43. Tradução: Ir. Lauro Daros

Conclusão Não há conclusão: nem o caminho para a Terra velha grávida com vida nova, nem a própria Visitação, da qual ficamos perto para cuidar e celebrar essa promessa digna de reverência em setembro | outubro | novembro e dezembro 2017


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Uma reflexão importante: a realidade educacional do surdo no Brasil a partir do tema da redação o ENEM 2107 Por Professora Luana Helena Ribeiro | Instituto São José

O tema da redação do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) deste ano trouxe a tona uma importante discussão: a realidade educacional do surdo no Brasil. Pensar a educação para a pessoa surda é também refletir sobre o papel de cada indivíduo da comunidade escolar comprometido com a inclusão. Mesmo sendo de extrema importância, o assunto surpreendeu muitos estudantes, especialmente aqueles que não têm contato com este tipo de deficiência, e gerou polêmica acerca do uso dos termos para se referir aos surdos. Os candidatos ficaram inseguros quanto ao uso, por exemplo, de ‘’deficiência auditiva’’, receosos de que pudessem ter uma pontuação mais baixa ou até mesmo a 28 | Em Família

anulação do texto. Calma! Isso não vai ocorrer. Os corretores aceitarão esse e outros sinônimos, pois, infelizmente, a devida terminologia não é de conhecimento geral. A dificuldade em discorrer sobre o tema, por ignorância ou preconceito, fez com que jovens do Brasil todo procurassem saber mais após a prova e, ainda que minimamente, adquirissem um conhecimento significativo. Nas redes sociais, os principais comentários foram sobre a diferença entre a surdez e deficiência auditiva e as dificuldades enfrentadas pela comunidade surda ao realizar o próprio ENEM. A discussão deu voz a um grupo pouco mencionado nas políticas públicas educacionais.


Artigo A língua portuguesa é um idioma rico em vocabulário e semântica, servindo assim a diversos interesses ao comunicar uma ideia de forma direta, clara, honesta ou repleta de mensagens implícitas e preconceituosas. A utilização da linguagem e termos adequados a cada situação é uma competência a ser trabalhada em sala de aula por professores de todas as disciplinas, pois promover uma prática linguística inclusiva é responsabilidade de toda a comunidade escolar. Mas será que sabemos nos referir de forma adequada e respeitosa a todos os grupos sociais? Certamente não. Por isso, é necessário humildade e disposição para ouvir a perspectiva do outro e, assim, aprender a dirigir-se corretamente. Segundo o linguista José Luiz Fiorin, no artigo A linguagem politicamente correta, devemos utilizar uma linguagem que não fere o outro e nem perpetua ideias preconceituosas. Referir-se a alguém como surdo, com devido respeito e inserido em um contexto adequado, não é uma ofensa. É muito comum utilizar palavras no diminutivo e eufemismos para tentar minimizar e demonstrar piedade. Não é necessário apiedar-se das pessoas com deficiência. A deficiência é apenas uma característica e não resume a sua existência. Surdinho, mudinho, ceguinho... Quantas vezes você já ouviu e, até mesmo, utilizou essas expressões? Elas não são adequadas. Reportar-se às pessoas com deficiência como portador de deficiência ou portador de necessidades especiais - necessidades especiais surgiu como um eufemismo para tentar, sem sucesso, amenizar o peso da palavra deficiente nos anos 90 - é, de mesmo modo, incompatível. O verbo portar pressupõe que trazemos algo do qual é possível desfazer-se, como uma sacola ou um copo plástico, o que não se aplica às deficiências. De acordo com o manual de comunicação da Secom, secretaria do governo responsável pela comunicação e mídia, os termos surdo, pessoa surda, pessoa com deficiência auditiva ou deficiente auditivo são os mais apropriados. Contudo, não é suficiente ser politicamente

A língua portuguesa é um idioma rico em vocabulário e semântica, servindo assim a diversos interesses ao comunicar uma ideia de forma direta, clara, honesta ou repleta de mensagens implícitas e preconceituosas. correto no uso da linguagem, urge oferecer condições igualitárias de acesso à educação, saúde e outros direitos básicos a grupos que se encontram à margem do que a sociedade aceita e privilegia. Assim, mais do que adequar a linguagem utilizada, devemos adequar as nossas atitudes e cobrar de nossos governantes melhores políticas públicas que contemplem as pessoas com deficiência.

Fontes: http://www.letras.ufscar.br/linguasagem/edicao01/ artigos_alinguagempoliticamentecorreta.htm http://diversa.org.br/artigos/como-chamar-pessoasque-tem-deficiencia/ http://www2.camara.leg.br/a-camara/programasinstitucionais/inclusao-social-e-equidade/acessibilidade/ como-falar-sobre-as-pessoas-com-deficiencia https://www12.senado.leg.br/manualdecomunicacao/ redacao-e-estilo/estilo/linguagem-inclusiva https://www.selursocial.org.br/terminologia.html https://www.selursocial.org.br/porque.html

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Educação para a Justiça e a Paz com a Força Profética do Sistema Preventivo Por Celene Couto Rodrigues | noviça Vivemos em um mundo marcado por profundas transformações no campo da tecnologia que desencadearam mudanças significativas nas relações pessoais, políticas, econômicas, culturais e também com o transcendente. A compressão do espaço pelo tempo coloca em voga um imediatismo relacional, cada vez maior, gestando e reproduzindo uma sociedade em “tensão para o agora”. Bermman afirma que vivemos um momento em que “tudo o que é sólido se desmancha no ar” e, por isso, podemos observar a liquidez das relações, dos sonhos e planos para o futuro. É exatamente esse ponto que toca os jovens. Cronologicamente, a juventude é a fase da vida que se caracteriza por seu jeito específico de falar, se expressar, de se vestir e de agir. Tempo de projetar, sonhar e se arriscar. Os jovens são vistos, 30 | Em Família

de forma geral, como aqueles que querem e podem transformar o mundo. Neles, constatamos grandes ideais, a força física e o tempo para colocar em prática todos os seus anseios interiores. Eles vivem com a leveza e a liberdade pois sabem que para a sociedade, têm o direito de errar, por serem novos e também em formação. Assim, arriscamse com maior facilidade e tranquilidade para tão somente depois de vivida, avaliar a experiência. No que tange a formação, a vivência de experiências e a avaliação, são direcionados a um itinerário que deve ser percorrido por meio da educação. Apenas a educação permite formar para a sensibilidade social e política e para o despertar das potencialidades de cada pessoa, podendo assim, no momento oportuno, fazer escolhas significativas para a vida.


Artigo A precariedade do sistema educativo sinaliza, para nós, um olhar mais atento para as “bandeiras” levantadas pelos jovens na atualidade, as causas e motivações pelas quais estão doando suas vidas. Um processo educativo falho resulta em uma sociedade sem sonhos transformados em projetos, e por conseguinte, sem realizações pessoais. Já compartilhando dessa visão, nos anos 1800, Dom Bosco exortava os seus salesianos: “Quereis fazer uma coisa boa? Educai a juventude. Quereis fazer uma coisa santa? Educai a juventude. Quereis fazer uma coisa santíssima? Educai a juventude. Quereis fazer uma coisa divina? Educai a juventude” (EDEBE,2012). A preferência, urgência e escolha de Dom Bosco em educar a juventude se dá pelo fato de enxergá-los como um pequeno grão de mostarda que, ao ser plantado e cultivado, produz grandes frutos. Ele acreditava na força da semente, ou seja, acreditava no potencial de cada jovem, para se tornarem bons cristãos e honestos cidadãos e assim transformar e construir um novo mundo com as próprias mãos: a Civilização do Amor. Por meio da educação ocorre a transmissão de valores, ideias, conhecimentos e percepções de uma determinada sociedade. Não obstante, podemos afirmar que uma vida que convive com a ausência da educação é sem arte, sem conhecimento, sem ordem,

sem religião e condenada a viver sem o entusiasmo de transformar o mundo. Torna-se urgente educar para a cidadania por meio da preocupação realmente autêntica de mudanças na estrutura social, em seu sentido cívico e político, para uma cultura do encontro, discernindo os sinais dos tempos. Educar, hoje, significa ensinar a se auto educar sem se deter ou permitir paralisar num ambiente cultural fluído e numa sociedade em constante evolução. A educação deve servir à formação, isto é, à conformação da vida, portanto deve ser “ um lugar de encontro e dos empenhos comuns em que aprendemos a ser sociedade, e, que a sociedade aprenda a ser sociedade solidária. Temos de aprender novas formas de construir a cidade dos homens” (PAPA FRANCISCO, 2012), por isso não pode consistir apenas em palavras, mas, deve tocar toda a existência. Partindo da premissa de seu grande desejo de buscar o bem espiritual dos jovens e sua salvação, foi que Dom Bosco desenvolveu o Sistema Preventivo, sem intenções teóricas mas, sim, para responder às necessidades dos jovens de sua época. É esse o princípio inspirador da caridade pastoral que tem como base teológica Cristo, o Bom Pastor, que leva a pastorear os jovens, ouvir e cuidar de suas necessidades, acompanhá-los e proporcionar

a cada um deles uma formação integral fundamentada em três pilares: Razão, Religião e Amorevolezza. Sendo assim, o Sistema Preventivo de Dom Bosco apresenta características próprias, pois tem por base o “jeito de Dom Bosco”: ensinar e evangelizar. Para ele, educar é prevenir o mal por isso artisticamente potencializa o bem, fazendo emergir a força libertadora do amor educativo, exprime diferentes formas de racionalidade baseando-se sempre na fé e na bondade que está dentro de cada ser humano. Somente quem faz a experiência de afeto e familiaridade, e, tem com quem e onde partilhar alegrias, dificuldades e dores, consegue ter um olhar de esperança sobre o futuro. A experiência de ser amado é fonte primeira para tornar a pessoa capaz de amar sem interesses. Por isso, Dom Bosco manifestava seu desejo de que “os jovens não só devem ser amados, mas devem saber que são amados” (DOM BOSCO, 2012). Pois, somente vivendo, com gratuidade, seus afetos, conseguem sentirse livres para assumir quem realmente são: aceitando-se a si mesmos, acolhendo e amando as manifestações da vida, realizando a arte de viver numa abertura, cada vez maior, aos outros e na busca de sentido para a própria vida pautada na experiência fundante e transformadora com o Transcendente. setembro | outubro | novembro e dezembro 2017


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A educação deve servir à formação, isto é, à conformação da vida, portanto deve ser “ um lugar de encontro e dos empenhos comuns em que aprendemos a ser sociedade, e, que a sociedade aprenda a ser sociedade solidária. Para Madre Mazzarello, na sua experiência concreta de relacionamento com as jovens, educar era dar condições para que nelas amadurecessem decisões livres e responsáveis. A intencionalidade pedagógica, em Madre Mazzarello, pode ser percebida por meio do cuidado para com as meninas. O cuidado, característica tipicamente feminina, exprime sua personalidade de educadora sábia e a forma como personalizou o Sistema de Dom Bosco para sua realidade. Cuidar é acolher a vida sem reservas, sem a dimensão de posse pessoal, simplesmente pela alegria de ver o outro crescer. “Estou pronta a fazer tudo pelo bem de vocês” (C10), escreve em uma de suas cartas. É uma autoridade educativa que se torna, por cargo e por missão, fonte vital de crescimento para outros. Tanto em Dom Bosco como em Madre Mazzarello, mais do que de método educativo, parece mais adequado falar de estilo. De fato, compreende um conjunto de atitudes, de escolhas, de atuações intencionais e oportunas, das quais emergem, nítida e claramente suas próprias personalidades como educadores. Como educadores, não se descuidavam nada do que fazia parte de uma harmoniosa 32 | Em Família

formação humana. O testemunho e a vivência dos valores evangélicos fazem com que o Sistema Preventivo se desenvolva como ação educativa pastoral que educa evangelizando e evangeliza educando. Diante da busca pelo respeito das diversidades, melhor qualidade de vida, acesso à educação, à cultura e à comunicação, à reconfiguração e valorização do papel da mulher na sociedade, valorização do trabalho e do tempo livre, o novo interesse pelo fato religioso, a experiência de vida comunitária, a revalorização da tolerância e do pluralismo, a redescoberta e a reconfiguração familiar, o diálogo entre gerações, a atenção aos diversamente hábeis e à aspiração universal à paz e a concórdia, percebemos as sedes de nossa sociedade. (BERGOBLIO,2011) E hoje, qual é a nossa resposta à partir da leitura conjuntural da sociedade que nos permite perceber as necessidades e anseios dos jovens? Nossa identidade carismática nos leva a responder tais anseios e prospectivas, percebendo que a defesa dos direitos humanos surge como exigência e sinal de libertação. A valorização e vivência dos valores evangélicos, vividos por Jesus de Nazaré, sobretudo a justiça e a paz, nos trazem a urgência de se educar para o princípio da unidade, para a corresponsabilidade, a liberdade e o respeito a todos indistintamente. Como a globalização é inevitável devemos “globalizar” os direitos humanos, a solidariedade, a justiça e paz como nos exorta Papa João Paulo II no documento Novo Milenium. Compreender, discernir e transmitir esses valores é uma tarefa nossa, só assim estaremos reatualizando o “da mihi animas cetera tolle” e o “a ti as confio” a nós deixados como herança e vividos por nossos fundadores. Só assim, estaremos respondendo ao grito do nosso tempo: formar pessoas capazes de, com competência, se colocar a serviço do bem comum. No processo educativo, além de uma formação técnica, regular conforme os currículos comuns de educação legislados em cada país, o jovem trilha um itinerário personalizado de maturação vocacional, tornando-se capaz de fazer escolhas significativas


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para sua vida. Vivendo esse processo, com entusiasmo e idealismo característico da juventude, poderá livremente oferecer uma nova esperança para o mundo. (BENTO XVI, 2012) Como Instituto FMA, que evangeliza educando e educa evangelizando, realizamos nossas ações educativas para o desenvolvimento como expressão concreta da cooperação missionária na Igreja e a manifesta por meio do carisma salesiano por meio de uma visão antopológica que está na base do nosso modo de entender a cooperação para o desenvolvimento (FMA, 2007). Como portadoras do carisma salesiano, nossa identidade apostólica consiste em educar e evangelizar por meio da promoção integral do jovem que o leva a experienciar o fundamento da liberdade e dignidade por meio do anúncio explícito da Boa Nova de Jesus Cristo que o faz perceber que a seguridade dos direitos não deve ser apenas para ele, mas, sim, passa a se enxergar como um meio para garantir tais direitos a outras pessoas. Temos aqui uma educação para a cidadania evangélica que se dá por meio do empenho pelo bem de todos e de cada um, ou seja, a vivência da justiça e da paz. Papa Francisco, no capítulo IV da Evangelii Gaudium, apresenta a justiça e a paz como aspectos sociais da evangelização. Ao confrontarmos a vida com o

Evangelho, percebemos que ele não apenas propõe uma relação pessoal com Deus, mas, também, uma vida social impregnada de fraternidade e de dignidade para todos, pois, uma fé autêntica, “nunca é cômoda ou individualista, mas sim traz em si um grande desejo de mudar o mundo, transmitir valores e deixar o mundo um pouco melhor depois que passamos por ele”(EG,2014). Nesse contexto, o Sistema Preventivo, como método educativo e espiritualidade, embasa nossas propostas e caminhos a serem trilhados para a educação e evangelização dos nossos jovens, pois, Dom Bosco afirmava que “o apostolado dos jovens é um dos meios mais eficazes para transformar o mundo dos adultos” (DOM BOSCO,2012) A urgência de trabalharmos e despertarmos nossos jovens para uma justiça social que diz respeito aos aspectos sociais, políticos e econômicos, as dimensões estruturais dos problemas e também soluções, para que membros atuantes da sociedade possam conseguir aquilo que tem direito, ou seja, transformar a sociedade para o bem comum tendo por base os valores evangélicos. Ensinar os caminhos de uma cidadania plena é ensinar a ter fome e sede de justiça para poder ser saciado e assim ser bem aventurado, como nos exorta Jesus, no Sermão das Bem-Aventuranças setembro | outubro | novembro e dezembro 2017


Artigo (Mt5,6). Serão saciados apenas, porque têm fome e sede de relações justas com Deus, consigo mesmo, com os outros e com a criação inteira (BENTO, 2001). Tornar-se um cidadão justo é fazer um caminho de solidariedade, remando contra a maré dos valores que a sociedade impõem. É levantar a bandeira e viver a justa divisão dos bens e saberes, a remuneração equitativa dos trabalhadores, no empenho por uma ordem mais justa ao acesso e posse de moradia e aos serviços fundamentais ao todo ser humano. É perceber que o desenvolvimento econômico deve ser global e solidário e, para que isso aconteça, precisa ter ações concretas na vida de cada um, perpassando pelo campo das escolhas pessoais. Uma educação que conscientize a forma e as razões do consumo, educa para a justiça, pois contribui para canalizar as sedes não para as coisas materiais, mas, para a essencialidade do existir, ajuda na diminuição da quantidade de lixo do planeta, contribuindo para melhor qualidade de vida para as próximas gerações. Tantos outros benefícios poderiam ser elencados. Por isso, nossas ações e propostas educativas devem estar voltadas para a opção preferencial pelos pobres, pois são os mais fragilizados que precisam ser fortalecidos e ajudados a terem voz e vez. Quando propomos aos jovens experiências de Voluntariado e da Semana Missionária, por exemplo, estamos possibilitando a vivência de experiências que pedem empenho, com paixão e perseverança,

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no desenvolvimento integral do homem e pela preservação da criação e assim, fazer uma experiência verdadeira, com Jesus Cristo, de modo assumir a Sua causa como causa própria: a busca e expansão do Reino de Deus (FMA, 2006). É por isso, que a educação para a paz precisa começar a ensinar que em Deus é possível paz, quer na vida pessoal, entre amigos e até nações com crenças diferentes. Podem assim fazer a experiência de paz quando se encontram com pessoas reconciliadas, quando não há vingança e na ausência de violência. Eis o desafio para todos os educadores, transmitir o evangelho da paz em palavras e ações para assim criar sempre novos inícios para uma paz autêntica. Em nossa missão, como educadoras, devemos comunicar aos jovens o apreço pelo valor positivo da vida e suscitar em cada um deles o desejo de consumir suas vidas, “como velas que queimam no altar” (1989), a serviço do bem. Olhá-los, com esperança e confiança, e buscar encorajá-los para a procura da verdade, a defenderem o bem comum e ajudá-los a descortinarem seus olhares afim de perceber, sentir e experienciar o amor incondicional de Deus por cada um. O que exige uma nova forma de ir ao encontro do outro, pois, mesmo com a existência das diferenças, cada um deve ser uma presença de paz. Onde está um cristão, aí deve estar a paz. A paz para todos nasce da justiça de cada um e ninguém pode se esquivar de lutar pelo bem comum. “Felizes são os pacificadores porque serão chamados filhos de Deus” (Mt5,9) .


Artigo A educação de valores é uma construção, um itinerário que pode ser trilhado, desde a educação infantil até o final da vida, importante é que a cada etapa esses valores possam ser experienciados e confrontados com o cotidiano. Educar para o conhecimento de si para assim poder ser dom para os outros, como Jesus de Nazaré. Temas como violência, guerras, diminuição da maioridade penal, genocídios, comercialização de armas e drogas, tráfico humano, armas de destruição em massa, terrorismo, entre outros temas, não podem estar de fora de nossos programas educativos. Mas, a discussão das temáticas devem perpassar pelo modo como a Igreja entende esses temas e quais as razões para esse entendimento. Aqui é imprescindível o conhecimento dos educadores sobre a Doutrina Social da Igreja, afim de contribuir para a formação da consciência dos nossos jovens à partir de valores profundamente evangélicos. A urgência educativa para a compaixão, a solidariedade, o perdão, a colaboração e a fraternidade permite despertar e formar consciências e corações desapegados do egoísmo e voltados para o outro, não se anulando, mas dando um sentido ao seu processo de maturação que é o projeto de felicidade que Deus sonhou para cada um. Indubitavelmente, as palavras de Dom Bosco na Carta de Roma (2001), continua ecoando em nós e para nós ainda hoje: “ que os jovens ao estarem em nossas obras alcançarão sempre uma melhora, apresentarão mudança de índole e caráter e tornar-se-ão amparo para sua família e honra para o lugar onde moram”, pois foram despertadas a sensibilidade e abertura ao outro juntamente com o desejo e a certeza de que podem e devem trabalhar na construção de uma nova sociedade: a civilização do amor. Tornar os jovens bons e salvos eternamente, livres do perigo da condenação eterna, utilizando a educação como um meio para fazer o bem na sociedade. O Evangelho é dom de Deus e deve ser partilhado por meio do rosto salesiano na Igreja: O Sistema Preventivo. Sua força profética deve ser a nossa referência e estratégia pedagógica para

reconstruirmos a sociedade, a partir dos jovens, e com eles descobrirmos novas formas de levar o evangelho por todo o mundo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BENTO XVI . XLV DIA MUNDIAL DA PAZ 2012, EDUCAR OS JOVENS PARA A JUSTIÇA E A PAZ. 2012 BERMAN, MARSHALL. TUDO QUE É SÓLIDO DESMANCHA NO AR. A AVENTURA DA MODERNIDADE. RIO DE JANEIRO: COMPANHIA DAS LETRAS, 2007. BÍBLIA – BÍBLIA DE JERUSALÉM. SÃO PAULO: PAULUS, 2002. CELAM. CIVILIZAÇÃO DO AMOR – PROJETO E MISSÃO – ORIENTAÇÕES PARA UMA PASTORAL JUVENIL LATINOAMERICANA. BRASÍLIA: CNBB, 2012; UNESCO. PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. 2001 CONCÍLIO VATICANO II. CONSTITUIÇÃO PASTORAL “GAUDIUM ET SPES”, 1965. EDEBE. DOM BOSCO. CARTA DE ROMA. 2012 EDEBE. FONTES SALESIANAS: SISTEMA PREVENTIVO E EDUCAÇÃO DA JUVENTUDE. 2012 EDEBE. FONTES SALESIANAS: SISTEMA PREVENTIVO E A EDUCAÇÃO DA JUVENTUDE EM RISCO. 2012 INSTITUTO FILHAS DE MARIA AUXILIADORA. CARTAS DE MADRE MAZZARELLO .CARTA Nº10 INSTITUTO FILHAS DE MARIA AUXILIADORA. PARA QUE TODOS TENHAM VIDA E VIDA EM ABUNDÂNCIA. LINHAS ORIENTADORAS DA MISSÃO EDUCATIVA DAS FMA. TURIN: ELLEDICI, 2006. INSTITUTO FILHAS DE MARIA AUXILIADORA. EDUCAR OS JOVENS PARA A JUSTIÇA E A PAZ.2011 INSTITUTO FILHAS DE MARIA AUXILIADORA .COOPERAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO. ORIENTAÇÃO PARA O INSTITUTO DAS FMA, EMI, BOLOGNA 2007. PAPA FRANCISCO. EVANGELII GAUDIUM. EXORTAÇÃO APOSTÓLICA. VATICANO: LIBRERIA ED. VATICANA, 2013. PAPA FRANCISCO. LAUDATO SI. CARTA ENCÍCLICA. VATICANO. 2015 PAPA FRANCISCO. O VERDADEIRO PODER É O SERVIÇO. EDITORA AVE MARIA.2011 JOÃO PAULO II, CARTA APOSTÓLICA NO TÉRMINO DO GRANDE JUBILEU DO ANO DOIS MIL: NOVO MILLENNIO INEUNTE N. 43 (6 JANEIRO 2001), IN ENCHIRIDION VATICANUM/20, BOLOGNA, DEHONIANE 2004, 85. setembro | outubro | novembro e dezembro 2017


Artigo

Conselho Inspetorial AJS/FMA Comunicação do Conselho Inspetorial da AJS – FMA SP

O Conselho da Articulação Juvenil Salesiana, AJS, da Inspetoria Santa Catarina de Sena é composto por jovens representantes das presenças FMA no Estado de São Paulo. Em 2016, vários encontros foram realizados para a constituição dos Conselhos Locais e, por decorrência, o Inspetorial. As Escolas e Obras Sociais passaram a levar jovens para as reuniões de pastoral, em âmbito inspetorial, promovendo o encontro da juventude que se reconhece e deseja ser unidade diante das diferentes realidades locais. Assim, surgiu o desejo da criação de um Conselho que une as Casas e as necessidades em comum, representando nossas presenças e o protagonismo juvenil presente no coração salesiano de cada um. As presenças, Colégios e Obras Sociais, começaram o trabalho interno de estruturação dos Conselhos Locais e a indicação dos Coordenadores 36 | Em Família

para formação do Conselho Local. Em 2017, algumas Presenças já haviam dado esse passo, e outras, iniciavam a formação, possibilitando assim a criação de um Conselho que representasse a Inspetoria de São Paulo. E, assim, no dia 08 de abril, durante o encontro de Conselhos Locais foram empossados os Conselheiros eleitos. Nesse dia, os jovens tiveram a oportunidade de conhecer a história, os objetivos e a missão da AJS, permitindo-lhes assumir com maior consciência a responsabilidade como Conselheiros. Nesse mesmo dia, foram eleitos e empossados, os jovens que passariam a representar a nossa Inspetoria: Pedro Francisco Giovani do Instituto São José (São José dos Campos), Danielle Santos Cruz do Colégio Santa Inês (São Paulo), Isadora Lina do Instituto Nossa Senhora do Carmo (Guaratinguetá), Ana Clara


Artigo Mota do Instituto Santa Teresa (Lorena), Gabriel Brito Guirão do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora (Riberão Preto), Bruno Ultramari do Centro Universitário Teresa D’Ávila (Lorena), Henrique Ieck do Instituto Coração de Jesus (Santo André), Luciana Righi, posteriormente substituída por André Piccagli do Instituto Nossa Senhora Auxiliadora (Araras), Kelvin do Cemari (Lorena), Ághata da Casa Bethânia (Guaratinguetá), e Júlia, que substituiu Gabriele, do Instituto Maria Mazzarello (São Paulo). Ainda no dia 08, foram escolhidos os Conselheiros para compor a Coordenação do nosso Conselho: Ana Clara Caetano (IST) na Coordenação, Pedro Francisco Giovani (ISJ) na Vice Coordenação, Gabriel Brito Guirão (CNSA) como Secretário, Isadora Lina (INSC) na Comunicação e Danielle Santos Cruz (CSI) como Tesoureira. No ano corrente, o principal projeto foi a participação no Congresso Nacional da AJS, realizado em Brasília, entre os dias 25 e 27 de agosto. Nossos jovens representaram a Inspetoria, no Congresso, celebrando os 20 anos da AJS no Brasil, participando da inauguração da cripta de Dom Bosco e encontrando-se com diversos jovens de outras inspetorias, unidos pelo carisma de nossos fundadores. Foram muitas camisetas vendidas,

O desejo para criação do Conselho surgiu para unir as Casas e as necessidades em comum, representando nossas Presenças e o protagonismo juvenil presente no coração Salesiano de cada um. da Imagem de Nossa Senhora Aparecida. Foi um ano muito produtivo e de grandes conquistas. Tornamos-nos uma unidade, um só coração que pulsa pelas necessidades e desejos de uma juventude, por nós representada. Mais do que um Conselho, nos tornamos uma família que se uniu na graça da Salesianidade e permanece na alegria de ser amigos. Para 2018, já temos novos projetos e objetivos, como a AJS Cup, nossa primeira copa de esportes, a ser realizada em abril do próximo ano, e que vai reunir jovens de toda a Inspetoria para competir e fazer uma grande festa com o coração oratoriano. Agradecemos Ir. Claudia por toda a orientação e

rifas e bastante trabalho para arrecadar fundos

confiança, as Irmãs e Assessores de nossas Casas por

para a viagem de nossos jovens que, por sua vez,

nos permitir representá-los, e especialmente, Ir. Nice

aproveitaram cada momento dessa experiência rica

que, à frente do Conselho Inspetorial, nos direcionou

de de Salesianidade.

e acompanhou para que conquistássemos tantas

Além disso, o Conselho se encarregou de

coisas lindas. Nossos sinceros agradecimentos!

organizar eventos, em âmbito Inspetorial, como

Que a Mãe Auxiliadora nos guie nessa caminhada e

o encontro com a Madre Geral, em outubro; o abençoe nossa missão de ser jovem que evangeliza FEST, que recebeu o Reitor Mor, também no mês

e protagoniza vitórias com o coração salesiano

de outubro, e dividir momentos como a Semana

pulsante.

Missionária que celebrou os 300 anos do encontro setembro | outubro | novembro e dezembro 2017


Artigo

O Natal que temos e o Natal que devemos ser Por Profº João Carlos Teixeira

As festas de final de ano se aproximam e, com elas, um clima diferente do que, via de regra, se vive em outras épocas do ano. Neste sentido, cartinhas de crianças carentes enviadas aos correios são adotadas por anônimos, jogadores de futebol organizam partidas beneficentes e famílias e amigos de trabalho se reúnem em torno de brincadeiras do tipo ‘amigo secreto’, etc. Para um cidadão 38 | Em Família

de hábitos convencionais, sem grandes intercorrências nem aprofundadas reflexões sobre o sentido de festas religiosas, este período do calendário tem um sabor todo especial. E tem! Embora a mediocridade da vida média ordinária nos conduza à cultura da superficialidade e do imediatismo, e embora também o mesmo cidadão de hábitos convencionais não se dê conta disto.

Nem bem findou o dia das crianças, o comércio começou a se aquecer . A ABRASCE (Associação Brasileira de Shopping Centers) divulgou em meados de novembro a estimativa de uma alta de 7% nas vendas de fim de ano em relação a 2016. Indubitavelmente um alívio para os comerciantes que, após anos seguidos de crescimento, viram a demanda cair vertiginosamente nos últimos dois anos com a


Artigo grave recessão que o país enfrenta. Não obstante os otimistas números da economia, a data que se anuncia, tem a magnitude de ser a Encarnação de um Deus presente na história, interessado em refazer sua Aliança definitiva com nossa condição humana errante e se revelar na humildade do simples, do pouco, do frugal, e, todo ano, o 25 de dezembro parece se afastar mais de seu sentido inicial, e mesmo o impulso de contribuição com o próximo, presente nos exemplos citados no início deste texto, são, no geral, esvaziados da lógica cristã, porque resumidos a um momento datado de nossas rotinas. Sem uma profunda sensibilidade de misericórdia e amor ao próximo, a entrega de presentes, na época referenciada, se torna mera formalidade que, em boa parte, atende à necessidade de anestesiar-se diante de um mundo injusto e desigual, como se o ‘fazer o bem a alguém, ainda que por uma ocasião’ nos redimisse do peso na consciência de saber que 7milhões de brasileiros não tem acesso regularmente à alimentação , quiçá a uma ceia de Natal. Cristo nasce diariamente nas manjedouras de favelas no Brasil e ao longo do mundo, e na mesma proporção morre crucificado pela perversa configuração de um sistema já introjetado em nós mesmos, que não comporta a todos com o mesmo direito ao básico. Se não enxergamos este Jesus no próximo, no outro, então não enxergamos senão uma oportunidade de fazer média e galgar um espaço no céu ou algo que o valha. Não se trata também, aqui, bradar contra a o comércio. Qualquer afirmação neste sentido não será capaz de não ser anacrônica, mas o que estas meras linhas pretendem é que, quem celebra o surgimento do Filho de Deus, que esteja em consonância com a beleza do fato, para que, na pior das hipóteses, não se esteja sendo hipócrita ou incoerente. Isso não significa boicotar lojas e eventos sociais já encrustados em nossa cultura, mas, ressignificá-los, limpar as diversas e robustas camadas que historicamente se associou ao evento natalício e conectar-se com o trivial, aquilo que não há promoção que oferte, que é a esperança e compromisso com a construção do Reino. Urge que ouçamos a voz de João Batista que, no advento, já prenuncia a necessidade de se ‘preparar os caminhos para o Senhor’, pois uma ocorrência desta estirpe, capaz de zerar a contagem dos anos no ocidente, e em seguida no mundo, não pode se resumir à satisfação pelas uvas passas, panetones e o especial do Roberto Carlos na Globo. setembro | outubro | novembro e dezembro 2017


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Encontro de Mestras

Encontro Internacional de Formação para e com as Mestras das Noviças, com o tema: “Na raiz de uma vitalidade perene”. As Constituições, projeto de vida que forma e transforma.

Irmã Rosângela Maria Clemente, participou, na Casa Geral das FMA, em Roma, de 1º a 20 de outubro de 2017, do Encontro Internacional de Formação para e com as Mestras das Noviças, com o tema: “Na raiz de uma vitalidade perene”. As Constituições, projeto de vida que forma e transforma. O encontro animado pelo Âmbito da Formação teve como objetivo buscar e compartilhar o ‘caminho’ para ajudar as Noviças a conhecerem, assumirem vitalmente e terem gosto pelas Constituições, Projeto de vida que forma e transforma, orienta e sustenta o crescimento da identidade carismática das FMA. O encontro permitiu a cada Mestra: viver a experiência de encontro que forma, transforma e qualifica o próprio ministério de discernimento, acompanhamento e guia do caminho de formação das Noviças; habilitar-se para, no contexto atual, acompanhar as noviças na compreensão do sentido 40 | Em Família

de estarem unidas em comunidade em nome do Senhor e enviadas para as jovens no espírito do ‘da mihi animas’; assumir a responsabilidade da autoformação em um processo de formação continuada para formar-se e formar para a ‘docibilitas’; elaborar Fichas que orientem na transmissão das Constituições, para favorecer, no inteiro Instituto, um caminho unitário e ao mesmo tempo diferenciado, conforme o contexto sociocultural. Participaram 26 FMA, vindas dos cinco continentes. Este encontro-laboratório foi o terceiro, após o Encontro das Mestras, realizado em abril de 2013, em resposta à necessidade levantada, na ocasião, de encaminhar um processo de reflexão sobre como transmitir, como ajudar a passar o tesouro do carisma com essencialidade, profundidade, com todo o seu valor profético às jovens de hoje, para que seja assimilado vitalmente.


Registro No encontro, realizado em 2015, foi encaminhado o processo com a elaboração das Fichas sobre a identidade da FMA (C 1-7). Em 2016, segunda etapa do percurso, foram formuladas as fichas sobre a Vocação de FMA, a partir da releitura dos artigos das Constituições 8-35. Finalmente o deste ano teve como tema:Unidas em comunidade em nome do Senhor e mandadas para os jovens no espírito do ‘da mihi animas’, no horizonte de um processo de formação continuada, com a releitura dos artigos 36-76 das Constituições”. Ir. Nieves Reboso, Conselheira do Âmbito da Formação, na abertura assim se expressou : «Que seja para cada uma, um encontro com o Deus Trino, que confia em cada pessoa, que faz brotar o melhor que trazemos dentro de nós e que Ele mesmo nos deu. Que nos faça reconhecer, por um lado a grandeza da missão que nos confia e, por outro, nos faça experimentar, na verdade, a nossa pequenez. Faça-nos sentir sempre acompanhadas por sua Palavra que nos encoraja e sustenta: Não tenha medo...eu estou com você! Seja uma forte experiência de comunhão para continuar o caminho escancarando o coração à ação do Espírito e das mediações». Vários foram os relatores, com muita riqueza de conteúdos: O horizonte da vida consagrada hoje. Unidas em comunidade e mandadas para os jovens em nome do Senhor.(Pe. Rino Cozza csj); Aspecto antropológico-teológico da oração (Pe. Jesús Manuel Garcia sdb);Aspecto Carismático da oração (Ir. Piera Cavaglià, fma); A vida fraterna em comunidade. Dinâmicas psicopedagógicas (Ir. Milena Stevani, fma); Aspecto Bíblico-teológicocarismático da vida fraterna (Ir. Linda Pocher e Ir. Piera Cavaglià); Novas abordagens da formação inicial. O noviciado: coração e centro da formação inicial (Facilitadora: Ir. Rosemary Howarth ssnd); A comunidade formativa (Pe. Beppe Roggia, sdb); Fundamento bíblico-teológico da missão (Pe. Rossano Sala sdb); Fundamento carismático pedagógico da missão(Ir. Piera Ruffinato); A Mestra

em ação: contexto, tomada de consciência e identidade; relações, discernimento e experiência vocacional (Pe. Juan Crespo, sdb). A etapa foi ritmada pelo alternar-se de momentos de reflexão pessoal, de confronto em grupos e de assembleia, espaços em que cada uma teve a possibilidade de exprimir ideias e pontos de vista. Todo o grupo participou de um encontro organizado pela UISG. Um sinal de abertura do Instituto à intercongregacionalidade, ao compartilhamento de experiências para uma aprendizagem recíproca. Os temas foram motivos de estudo e reflexões, de diálogo e confronto, de busca conjunta com metodologia laboratorial para a elaboração de fichas que orientem a assunção vital das Constituições, favorecendo no Instituto um caminho unitário e inculturado. Muito esperado foi o encontro com a Madre Geral, Madre Yvonne Reungoat, que, solicitada por algumas perguntas, dirigiu sua atenção para a dimensão comunitária e o sentido de pertença ao Instituto, elementos indispensáveis para um autêntico discernimento e acompanhamento vocacional. As participantes também tiveram a alegria de viver a experiência de um dia de aprofundamento da espiritualidade franciscana em Assis. O trabalho continuou, nos dias que se seguiram, com a proposta de outros núcleos temáticos: A comunidade formativa (Pe. Beppe Roggia, sdb); Fundamento bíblico-teológico da missão (Pe. Rossano Sala sdb); Fundamento carismático pedagógico da missão (Ir. Piera Ruffinato); A Mestra em ação: contexto, tomada de consciência e identidade; relações, discernimento e experiência vocacional (Pe. Juan Crespo, sdb). Também esta etapa foi ritmada pelo alternar-se de momentos de reflexão pessoal, de confronto em grupos e de assembleia, espaços em que cada uma teve a possibilidade de exprimir ideias e pontos de vista. Fonte: Insituto FMA setembro | outubro | novembro e dezembro 2017


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Câmara concede medalha Mérito Social à presidente da Obra Magnificat A Câmara Municipal de São José dos Campos concedeu medalha de Mérito Social à Irmã Alice de Souza Sant’Anna, presidente e fundadora da Obra Social e Assistencial Magnificat, na noite dia 08 de novembro 2017, pelo trabalho social desenvolvido na cidade. A homenagem foi proposta pelo vereador Lino Bispo (PR) por meio do projeto de decreto legislativo (PDL 20/2017), aprovado por unanimidade em 14 de setembro. Fundada há 33 anos no bairro do Putim, a obra social promove cursos profissionalizantes, oferece apoio a dependentes químicos e familiares, apoio alimentar a crianças com risco de desnutrição e famílias em vulnerabilidade social, além de atividades culturais com jovens da comunidade. 42 | Em Família

A entidade também desenvolve o projeto Maria Gestante que atende mães de primeira gestão. A solenidade teve a presença do arcebispo emérito de Passo Fundo (RS), Antônio Carlos Altiere, e de vários párocos de São José. Também estiveram presentes o presidente da Câmara, Juvenil Silvério (PSDB), e os vereadores Cyborg (PV) e Juliana Fraga (PT). O vereador Lino Bispo, que presidiu a sessão solene, destacou a determinação da homenageada para manter a obra social Magnificat. “A Irmã Alice tem um trabalho grandioso e incansável pelo bemcomum. É uma gigante em tudo que faz. A nossa cidade deve muito a ela”, afirmou. Irmã Lúcia Maistro, diretora do Instituto São José, em nome de Irmã Helena Gesser, Provincial


Registro da Inspetoria Santa Catarina de Sena, falou sobre a trajetória de Irmã Alice, de sua generosidade e dedicação aos mais necessitados, concluindo de modo carinhoso: “Parabéns, portanto, querida Ir. Alice, pela tenacidade e pela ternura com que vem coordenando pessoas e projetos de ação, em verdadeiro espírito evangélico, de serviço despretensioso no coração da Diocese, no coração do Reino, em benefício dos irmãos mais necessitados de auxílio e compreensão. Como diz a Palavra Bíblica: “Aqueles que ensinarem a muitos o caminho da justiça, da santidade, brilharão quais estrelas por toda a eternidade”. No firmamento de Deus, sua coragem, Irmã Alice, sua persistência, sua generosidade e fidelidade ao apelo do Espírito hão de fazê-la brilhar como estrela, atraindo corações generosos para o serviço samaritano em favor dos irmãos, na Igreja de Deus. Com carinho, eu lhe trago, em nome da nossa Provincial e de nossas

Irmãs Salesianas, a renovada expressão do nosso apreço e de nossa fraternidade, admiração e oração. Nossa Senhora Auxiliadora, Mãe de Misericórdia, seja, hoje e sempre, a Auxiliadora de seu caminho de entrega e doação, querida Ir. Alice. Ela abençoe seus passos de “Pastora de Projetos”, de Animadora de Comunidade Missionária e Evangelizadora.! Irmã Alice de Souza Sant’Anna destacou a ajuda e o trabalho voluntário das pessoas que colaboram com a manutenção do trabalho social. “Se estivesse sozinha, nada disso teria acontecido. É um grande número de pessoas que se unem a nós para a realização de todas as tarefas. Com a ajuda de todos a nossa obra cresce e permanece”, afirmou. Ressaltou também o papel da Paróquia Santa Luzia no trabalho da obra social Magnificat. Trajetória: Irmã Alice, 83 anos, pertence à Congregação das Filhas de Maria Auxiliadora. É formada em Pedagogia, Administração Escolar e Orientação Pedagógica. Em 1970, foi transferida para São José como diretora do Colégio Auxiliadora. Sete anos depois, criou um grupo de oração para trabalhar na periferia. Desse trabalho embrião foi criada, em 1984, a Obra Social e Assistencial “Magnificat” com o objetivo de prestar serviços de assistência social na região do Putim.

Fonte: Câmara Municipal de São José dos Campos

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Primeiro Anúncio Por Irmã Teresa Cristina Pisani Domiciano

Primeiro Anúncio significa falar em ordem cronológica, mas da qualidade do anúncio. É primeiro, não porque o ouvimos pela primeira vez, trata-se daquele momento ímpar, acendendo uma faísca em quem escuta: uma descoberta, um interesse pela pessoa de Jesus. É necessário, porém, um ambiente, uma atmosfera que suscite o desejo de conhecer Jesus. Portanto, o Primeiro Anúncio não tem a intenção de explicitar quem é Jesus, mas, sim, de como conduzir o outro ao encontro com Jesus. Provocar o fascínio pela sua Pessoa e sua mensagem e assim aderir à fé. Falar de Primeiro Anúncio na cidade é ter presente algumas questões como: mobilidade humana, migrações, secularismo, mundo digital, anonimato, exclusão, individualismo e outros fenômenos que caracterizam as grandes cidades hoje e interpelam a nossa ação pastoral. Mais que fazer coisas, o Primeiro Anúncio aponta para o Ser, aponta-nos um estilo de vida, um testemunho autentico de abertura, de acolhida e de esperança. A cidade não é ateia, lá Deus está. Nossa missão é revelar o rosto de Deus que já está na cidade. Como afirma o Papa Francisco, no documento A alegria do Evangelho: “Na cidade, o elemento religioso é mediado por diferentes estilos de vida, por costumes ligados a um sentido do tempo, do território e das relações que difere do estilo das populações rurais. Na vida cotidiana, muitas vezes os citadinos lutam para sobreviver e, nesta luta, esconde-se um sentido profundo da existência que habitualmente comporta também um profundo sentido religioso.” (EG 72) Portanto, é preciso um “olhar contemplativo, isto é, um olhar de fé que descubra Deus que habita nas suas casas, nas suas ruas, nas suas praças. A presença de Deus acompanha a busca sincera que indivíduos e grupos efetuam para encontrar apoio e sentido para a sua vida. Ele vive entre os cidadãos promovendo a solidariedade, a fraternidade, o desejo de bem, de verdade, de justiça. Esta presença não precisa ser criada, mas descoberta, desvendada. Deus não Se esconde de quantos O buscam com coração sincero, ainda que o façam tateando, de maneira imprecisa e incerta.” (EG 71) Desafios e oportunidades para o Primeiro Anúncio Muitos são os desafios que clamam a nós cristãos a dar uma resposta concreta se desejamos ser 44 | Em Família


Registro evangelizadores de fato. É importante pensar também, que para cada desafio Deus nos aponta oportunidades. Podemos elencar algumas neste contexto de evangelização nas cidades. Nas cidades encontramos muitas vezes pessoas isoladas e infelizes, vivendo no anonimato. Nosso desafio é tornar as cidades felizes onde as pessoas sejam abertas ao futuro e tenham esperança. Uma oportunidade poderia ser a promoção da pastoral da escuta que seja capaz de compreender o outro, acolher a sua diversidade, o seu ponto de vista: “Dar sentido às palavras do outro”. Fazer silêncio interior para que o outro possa entrar. Ser espaço de acolhida. Alargar a tenda do nosso eu para que o outro possa sentir-se em casa. “Da escuta sincera nasce o diálogo que não é um espaço para convencer o outro, mas um modo para construir uma relação nova através da força do Espírito”. Também a criação de espaços de acolhidas e convivências nos grandes centros urbanos gerando relações de fraternidade podem ajudar a vencer o isolamento e o individualismo. A escuta é a condição para o Primeiro Anúncio, para o encontro com Jesus. O encontro é Kairós, é o “momento no qual Deus se revela na sua multiplicidade. O diferente, o estrangeiro, o outro, são momento privilegiado onde Deus se manifesta no ser humano”. Promover a cultura do encontro, como nos pede o Papa Francisco, é promover a dimensão comunitária da fé. Outro desafio é o consumismo exagerado a que nos convidam os grandes centros urbanos. Muitas vezes o consumo exagerado revela o vazio interior que precisa ser preenchido e um certo “culto ao supérfluo”. O sempre querer mais e mais, a troca, a troca desenfreada, o descartável revelam o exagero do possuir e que também pode ser levado ao âmbito das pessoas e das relações. Hoje se pode descartar, “deletar” facilmente as pessoas de nosso convívio. A oportunidade que encontramos seria refletir sobre as necessidades reais e os valores necessários, promovendo sempre o consumo consciente. “O consumidor consciente, já no ato da compra, deve decidir o que consumir, porque

A missão de todos nós cristãos é fundamental porque “Jesus quer derramar nas cidades vida em abundância”. consumir, como consumir e de quem consumir. Ele deve buscar o equilíbrio entre a satisfação pessoal e a sustentabilidade global. Deve refletir a respeito de seus atos de consumo e como eles irão repercutir não só sobre si, mas em suas relações sociais, na economia e na natureza”. Nosso contexto, hoje transformado pelas tecnologias digitais, requer uma nova postura de cada um de nós. O grito que ecoa hoje dentro e fora de nossas instituições é uníssono: Precisamos de Educomunicadores de fé e da fé, ou seja, que tenham a capacidade de viver e anunciar a fé em todos os espaços, especialmente nos chamados “não-lugares”, que se apresentam a nós no ambiente digital. Esse novo continente recria a maneira como nos relacionamos uns com os outros, por isso, devemos torná-lo possível de humanização e fortalecimento de laços seguros de amizade e compartilhamento do bem. Atualmente 52% da população vive nas cidades, em 2050 serão cerca de 70%. Os cristãos são chamados a ser “Sal e Luz” em um contexto que necessita de redenção. Não é por nada que a Igreja do Brasil lança o Documento nº 105 sobre o cristãos leigos e assume o ano de 2018 como o ano do laicato. A missão de todos nós cristãos é fundamental porque “Jesus quer derramar nas cidades vida em abundância”. setembro | outubro | novembro e dezembro 2017


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Projeto Mornese | Vida que se expande Por Irmã Celia Regina Pinto e Irmã Nilza Fátima de Moraes

O Projeto Mornese, realizado entre os dias 07 de outubro a 04 de novembro de 2017, foi uma experiência de encontro com nossas raízes e fontes carismáticas, no ano em que celebramos os 140 anos da primeira Expedição Missionária das FMA e o bicentenário do nascimento do salesiano Dom Domenico Pasquale Pestarino, o grande diretor espiritual de Madre Mazzarello e da primeira comunidade. Foi um tempo de reavivar a alegria da vocação, da consagração. Éramos um grupo de 11 FMA de língua portuguesa, provenientes de três países: Timor Leste, Moçambique e Brasil, coordenado pelas Irmãs brasileiras Lúcia Nair Tironi, BPA e Ana Clébia Palheta Lima, BMA e Ir. Carmen Figueroa, 46 | Em Família

de Porto Rico, Coordenadora Geral do Projeto Mornese, atualmente fazendo parte da comunidade de Mornese. Tivemos a alegria da presença e participação do brasileiro, Pe. Sérgio Ramos de Souza, SDB, que nos acompanhou na etapa de Mornese. A nossa vocação nasce de um profundo sentido de vida eclesial como o de Dom Bosco e de Madre Mazzarello. Esta certeza nos levou a renovar o compromisso de consolidar a nossa inserção numa Igreja local, nesse momento especial em que somos convocadas, pelo Papa Francisco, a estar em saída e a entrega da nossa vida aos jovens mais pobres como o fizeram Dom Bosco e Madre Mazzarello. Da forte vivência eclesial, em Roma, partimos


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para as fontes carismáticas do Instituto, onde aprofundamos e redescobrimos os valores essenciais da nossa espiritualidade e missão. Sentimos uma grande emoção em perceber o quanto Dom Bosco é vivo e atual e como Madre Mazzarello soube acolher as inspirações do Espírito Santo que a preparava para o mesmo sonho carismático em favor das jovens. Os dois intuíram as reais necessidades dos jovens e souberam dar respostas adequadas e antecipadas ao próprio tempo, vivendo intensamente a filiação a Nossa Senhora Auxiliadora que, desde o período da infância dos nossos fundadores, indicou-lhes caminhos para que se tornassem instrumentos de salvação para a juventude empobrecida. O Dom, recebido pelos nossos pais fundadores, ultrapassou os mares e se difundiu para todos os Continentes com o forte impulso missionário, dimensão essencial do nosso carisma.

Nós, Filhas de Maria Auxiliadora, sentimos a alegria de seguir Jesus Cristo que nos envia a abrir caminhos, juntamente com os jovens e leigos, como fizeram Dom Bosco e Madre Mazzarello e tantas nossas Irmãs. Portanto, fica o empenho em renovarmos continuamente a paixão e o compromisso para com a missão educativa evangelizadora em nossas várias realidades, a fim de que os jovens sejam “bons cristãos e honestos cidadãos”. Agradecemos fraternalmente o nosso Instituto, nossas Inspetorias e as comunidades por onde passamos Casa Geral, Sacro Cuore, Turim, Maria Auxiliadora 35, Chieri, Mazzarelli, Colégio em Mornese, os salesianos de Genova e as Irmas de Nizza, por esta oportunidade de revisitar nossas fontes. Concluimos, agradecendo mais uma vez, as orações e todos aqueles que acompanharam direta ou indiretamente o nosso Projeto Mornese. setembro | outubro | novembro e dezembro 2017


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A inspiração de Madre Mazzarello Por Irmã Metka Kastelic

Gostaria de partilhar, com o EM FAMÍLIA, algumas reflexões feitas pelos SDB, estudantes de Filosofia, após uma tarde de estudo sobre Madre Mazzarello, na UNISAL de Lorena. No final do encontro, foram presenteados com a terceira edição das “Máximas de Santa Maria Domingas Mazzarello” de autoria de Ferdinando Maccono. “No último de outubro, mês das missões, nós, pós-noviços do 1º ano de filosofia, tivemos a oportunidade de conhecer, um pouco mais das Filhas de Maria Auxiliadora, FMA. Irmã Metka Kastelic, missionária da Eslovênia, partilhou o seu despertar vocacional, seu ardor pelas missões e nos apresentou os momentos fortes da vida de Madre Mazzarello. Ir. Metka fez memória das primeiras 48 | Em Família

expedições missionárias na Congregação, espaço privilegiado do carisma salesiano. A jovialidade das primeiras salesianas e dos primeiros salesianos missionário chamou minha atenção. Hoje, de maneira especial, com a vinda do Reitor Mor e da Madre Geral, que nos animam na missão e na vocação, somos todos chamados a fazer a experiência missionária.


Registro sempre admirei o modo com que as Filhas de Maria Auxiliadora se dedicam vivendo o carisma da Congregação; o carinho com que cada uma delas se reporta à vida de Madre Mazzarello, por isso, essa fonte carismática nunca cessa de jorrar água viva em abundância, rejuvenescendo o carisma dado por Deus à Igreja. Santa Maria Mazzarello, rogai por nós!” Padre Osmar Padovan, Inspetoria Salesiana Nossa Senhora Auxiliadora.

Como consagrados devemos ser sinais e portadores do amor de Deus aos jovens, de modo particular, àqueles que estão longe de Deus. Que possamos, cada vez mais, conhecer os nossos Fundadores São João Bosco e Maria Domingas Mazzarello, para melhor viver nossa vocação e assim apresentá-la como testemunho, aos outros”. Diogo Daniel da Silva, Inspetoria Salesiana Nossa Senhora Auxiliadora

“A abertura, a entrega e a confiança, são as características que mais me chamam a atenção em Main. Apesar de suas limitações, sendo analfabeta, empenhou-se totalmente no serviço a Deus. Nela vejo aquele homem que recebeu poucas moedas, porém, diferente dele, ela confiou e foi generosa, partilhando seu espírito vivo e o com seu árduo trabalho abriu caminho para a graça de Deus, tornando-se uma grande líder. Na verdade, talvez não pudesse ser de outro jeito, a nova congregação deveria nascer a partir da humildade e da confiança de uma jovem, que deu o seu o “sim”, como Maria. Nas dificuldades da nossa limitação, perante tão grande missão, peço somente o que um dia guiou o coração dessa santa: confiança, humildade e força de vontade.” Victor Sermarini, Inspetoria Salesiana Nossa Senhora Auxiliadora.

“Mazzarello, que viveu a vida dura de seu povo, fazei com que saibamos encarar as dificuldades das nossas vidas, com serenidade e paciência, sempre voltando nossos olhos para Deus.” Gabriel Silva, Inspetoria Salesiana São Luiz Gonzaga. “Em toda minha caminhada religiosa

“Em Lucas 10,21 está escrito: ‘Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos’. Esta passagem pode ser aplicada à vida de Mazzarello: jovem de pouca instrução que aprendeu a escrever junto com as meninas para comunicar-se setembro | outubro | novembro e dezembro 2017


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A vida de Madre Mazzarello é repleta da presença de Deus que a inspirou e a motivou a estar sempre aberta ao próximo, conforme os ensinamentos de Jesus Cristo. com as Irmãs. De seus poucos escritos, percebe-se sua grande espiritualidade e união com Deus: o que mais admiro em sua pessoa.” Pedro Xavier, Inspetoria Salesiana São Luiz Gonzaga. “Assim como na vida de Dom Bosco, a vida de Madre Mazzarello é repleta de admiráveis acontecimentos. Nascida em Mornese, de família simples, soube viver profundamente a entrega de si mesma em favor dos mais necessitados, em especial, às meninas. Uma entrega firme e sustentada pela fé a um Deus que a inspirava a buscar, continuamente viver a missão como Dom Bosco. ‘Sem Jesus, eu não saberia viver’, dizia ela. A figura paterna de Dom Bosco e a figura materna de Madre Mazzarello são pilares sólidos e harmonicamente unidos, e devemos – como família Salesiana – no espelhar e nos apoiar. Conhecer e aprofundar suas histórias são caminhos seguros para uma ação mais eficaz e de acordo com a inspiração divina que os motivou e motiva-nos todos os dias. Ademilson Gonçalvez, Inspetoria Salesiana Nossa Senhora Auxiliadora. A vida de Madre Mazzarello é repleta da presença de Deus que a inspirou e a motivou a estar sempre aberta ao próximo, conforme os ensinamentos de Jesus Cristo. Ao entrar em contato com sua história de vida, chamaram-me atenção seus grandes sacrifícios para estar sempre na presença de Deus. Um fato que comprova isso era o grande esforço diário para poder participar da missa e, o contemplar a Eucaristia, da janela da 50 | Em Família


Registro sua casa, na Igreja. Acredito que a nossa doação a Deus será sempre na medida em que nos relacionarmos com Ele, portanto, quanto mais eu O buscar, mais Dele serei. Como salesiano consagrado encontro, no trabalho com os jovens essa relação e entrega. Que a exemplo de Madre Mazzarello, outros jovens sintam-se provocados a buscar estar cada vez mais próximos de Deus, para que assim inspirados, entreguem suas vidas a serviço do próximo e dos mais necessitados.” Guilherme Freitas, Inspetoria Nossa Senhora Auxiliadora. Meu nome é Carlos Giovanni Sosa Amarilla, sou seminarista da Arquidiocese de Assunção, Paraguai, e, atualmente, encontro-me no primeiro ano de formação, com os Salesianos, na cidade de Lorena. Conheci a vida de Madre Mazzarello somente depois de fazer parte da vida salesiana e motivou-me bastante um dos seus tantos pensamentos, expostos no livro “Máximas de Santa Maria Domingas Mazzarello” do salesiano Ferdinando Maccono, que diz: ‘Compreendo o seu sofrimento, mas este seu mal não é nem mesmo um dos pregos de Nosso Senhor, nem a coroa de espinhos que lhe fincaram na cabeça, nem um espinho que lhe penetrou nas têmporas’. (II-17-8). Mazzarello observa que a angustia, a tristeza, a desesperação, a ansiedade ou qualquer outra aflição que se possa chegar a ter, apenas aproximam-se as de Cristo. Ao dizer isto, não quer desvalorizar a experiência pessoal, mas despertar a consciência de que o não sofremos sozinhos e sem sentido algum: Deus, que nos amou primeiro e por nós se humilhou, acompanha o homem e orienta seus sacrifícios para um objetivo: ser feliz. Todavia, a felicidade não pode ser concebida como a exclusão do sofrimento, mas, como soma de sofrimento e momentos alegres. Portanto, nas situações difíceis, é conveniente lembrar que Deus, por amor, está perto de todos nós, sem distinção alguma.” Carlos Giovanni Sosa Amarilla, Arquidiocese de Assunção – Paraguai. setembro | outubro | novembro e dezembro 2017


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VIDES completa 30 anos de missão Por Irmã Metka Kastelic

O “VIDES Internazionale” completou 30 anos da sua missão no dia 05 de dezembro 2017. Os 30 anos da historia são um grande motivo de gratidão para nós, Filhas de Maria Auxiliadora, e para muitos jovens que, em diversos lugares do mundo, envolveram-se em prol da vida, educação, solidariedade, justiça e paz. Em nosso agradecimento para esta proposta lembramos a querida Madre Marinella Castagno que teve esta intuição profética, lembramos a Ir. Maria Grazia Caputo, a fundadora do VIDES, a Ir. Leonor Salazar, a delegada que marcou o VIDES nos últimos 10 anos, e estendemos a nossa lembrança calorosa a Ir. Annecie Audate que recentemente assumiu a animação desta associação. Confiamos a missão do VIDES sob a proteção da Beata Maria Romero, patrona do VIDES. O VIDES SÃO PAULO celebrou esta data jubilar dentro da uma proposta concreta de SOLIDARIEDADE 2017: “EMBARQUE NESSA VIAGEM SOLIDÁRIA” que foi lançada no dia de 14 de Novembro e concluída dia 5 de Dezembro – Dia internacional do Voluntariado. Gostaria desde agora AGRADEÇER a cada uma de vocês pela adesão, animação e generosidade na contribuição desta campanha de solidariedade em prol da nossa Inspetoria missionária Santa Terezinha. 52 | Em Família


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Mensagem para o novo Inspetor Pe. Justo Ernesto Piccinini As FMA da Inspetoria Santa Catarina de Sena acolhem o novo Inspetor e renovam a fraternidade e amizade por meio das palavras de Irmã Helena Gesser Prezado Pe. Justo, Quando você era teólogo, sua tia, Ir. Colombina, e eu morávamos na comunidade do noviciado de Porto Alegre. Com muita frequência, nos momentos de oração, ela rezava por você. Um dia eu lhe disse: “Esse Justo deve se tornar um bom padre graças a tantas orações que a senhora faz por ele”. Ela sorriu! E hoje, posso dizer: um bom salesiano, um bom padre e, se Deus quiser, um bom e santo Inspetor! Na missa de Dom Bosco, cantamos: “Deu-lhe o Senhor, a prudência e o saber, um coração generoso e tão vasto como as areias das praias do mar!” Em nome de toda a Comunidade da Inspetoria Santa Catarina de Sena, desejo que você tenha: • O coração de Cristo – bom pastor – coração capaz de discernir, em cada momento, as exigências do amor. Coração grande, aberto, cheio de misericórdia para amar todas as ovelhas que lhe foram confiadas;

ao encontro de seus irmãos de caminhada, dos formandos, dos integrantes da Família Salesiana e dos leigos em busca dos mais necessitados, empobrecidos e esquecidos de nossa sociedade, sobretudo, as nossas crianças, adolescentes e jovens. Dom Bosco, o grande pastor dos jovens, o acompanhe nesse novo serviço de animação, lhe dê muita força e coragem, sabedoria e discernimento para que você possa realizar a missão, sendo portador do amor de Deus a todas as pessoas. E assim “pertencer mais a Deus, mais aos irmãos, mais aos jovens”. Maria Auxiliadora, a divina Pastora, o sustente e o proteja na delicada missão de pastorear o rebanho da Inspetoria Nossa Senhora Auxiliadora de São Paulo. Ir. Helena Gesser

• O olhar de Cristo - olhar positivo, otimista e intuitivo de Bom Pastor capaz de perceber e acolher com ternura as necessidades de quem está ao seu lado; • Os ouvidos do Bom Pastor - capaz de escuta atenta e sensível aos apelos da Igreja, da Inspetoria, da realidade, das comunidades educativas e de cada pessoa; • As mãos solícitas, acolhedoras e sempre estendidas do Bom Pastor, capazes de ajudar, socorrer, cuidar, proteger e abençoar; • Os lábios do Bom Pastor que pronunciam palavras sábias de entusiasmo, coragem e incentivo, buscando sempre e acima de tudo a verdade e a comunhão; • Os pés de quem caminha, como o Bom Pastor, setembro | outubro | novembro e dezembro 2017


É Festa

Celebrando a vida - Aniversariantes DEZEMBRO 03. Odair de Abreu 04. M. Guadalupe Lara 06. Mathilde Orlando 11. Célia Regina Pinto 13. Maria Luzia Dantas 16. Therezinha Caffer 19. Rosa Maria Valente 20. M. Conceição Gomes – Aldiana Moreira Cordeiro (nov.BMT) 24. Maria Antonieta Momenso 26. Cecília Fauza – Ruth Cardoso 27. Celina Carraturi – Ana Luiza da Silva Medeiros 28. Maria das Graças Alves 29. Adair Sberga – Francisca Rosa da Silva 31. Chantal M’ ukase (Conselheira Visitadora) JANEIRO

03. Dorcelina de Fátima Rampi 04. Márcia Mucci 05. Luzia Maria de Morais (Miziara) 06. Maria Auxiliadora Magalhães 08. Maria Luiza Miranda – (Cons. Geral – Família Salesiana) 14.Yvonne Reungoat- Madre Geral 16. Iolanda Pilotto 19. Isaura Chereguini 21. Teresinha Vicente 22. Dulce Mirian Hirata – Maria das Graças Rodrigues 27. Diomira Marcolin – Maria Lucília G.Fernandes Relva 29. Maria Auxiliadora Barros

FEVEREIRO 02. Elza Aparecida Rodrigues 03. Ana Alves de Jesus Marinho 04. Heloisa Monaco do Nascimento 05. Margarida Santos 09. Teresa Crist. Pisani Domiciano – Maria de Lourdes Fidelis dos Santos 11. Maria Tereza de Jesus Rodrigues Ramos 14. Ruth Wittlich 15. Violeta Horvath 22. Maria Nair de Souza 25. M. Eunice Wolff – Valentina Augusto – M. L. M.Becker 27. Asilé Elcy Fachini MARÇO 02. Helena Maria César Marcondes 05. Olga Leme 06. Sílvia Boullosa – Cons. Visitadora 07. Olympia Dias 10. Sílvia Irene Pela 14. Maria Martha de Lima 17. Zilá Maria de Godói 18. Maria José Aparecida dos Santos 19. Maria do Carmo de Souza 20. Maria da Glória de Paula 22. Anna Aparecida da Conceição Monteiro 24. Martha Mansur 25. Ap. Bernardete V. Florentino 27. Olga de Sá 29. Elena Sadler (Alicia Lydia Sadler) 30. Giuseppina Ronchi 31. Maria Isabel Salles

LEMBRANÇA + 06 de novembro, João Batista Macedo Becker irmão de Ir. Maria de Lourdes Macedo Becker + 16 de novembro, a Senhora Margarida Camargo Genaro, irmã de Irmã Bernadette Camargo.

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Poesia de Natal

Por Irmã Olga de Sá

Disseram que um Menino nos foi dado. Fui visitá-lo. Ele não estava lá. Maria e José aflitos, pensando na espada, o boi e o burro, espantados. Fugira o Menino. Para onde? Antecipara 12 anos, a escapada para o Templo. Brincava com os filhos dos pastores apesar de ser recém-nascido. Podia, pois era Deus. Não queria só receber presentes. Ele sabia brinquedos, que só Deus sabe. As crianças corriam e riam, Chamando outros pobrezinhos pra brincar. Maria e José o encontraram e Ele voltou, depressa, para a manjedoura. De lá, espiava os pastorzinhos que vieram, contentes, rodeá-lo. Cansado, adormeceu. E houve Paz na terra para os homens de Boa-Vontade. Não houve paz, para Herodes, a raposa. O sono fugira de seus olhos, trazia neles o sinal da morte,. O Menino não compreendeu esse Mistério. Ainda não conhecia a Injustiça, nem a Maldade escancarada do Poder. Hoje, Ele dorme na manjedoura. Amanhã, a tristeza da cruz, depois de amanhã, o túmulo vazio, a surpresa da Ressurreição.

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Revista em Família nº51  
Revista em Família nº51  

Informativo das Filhas de Maria Auxiliadora

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