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Otávio Dias ∞ Bradesco

Presidência otavio@bancariosdecuritiba.org.br Carlos Alberto Kanak • HSBC

Antonio Luiz Fermino • Caixa

Secretaria Geral kanak@bancariosdecuritiba.org.br

Secretaria de Finanças fermino@bancariosdecuritiba.org.br

Marco Aurélio Vargas Cruz • HSBC

Sonia Regina Sperandio Boz • Caixa

Secretaria de Organização e Suporte Administrativo marco@bancariosdecuritiba.org.br

Secretaria de Imprensa e Comunicação soniaboz@bancariosdecuritiba.org.br

Marcio M. Kieller Gonçalves • Itaú Unibanco

Denívia Lima Barreto • HSBC

Secretaria de Formação Sindical marciokieller@bancariosdecuritiba.org.br

Secretaria de Igualdade e da Diversidade denivia@bancariosdecuritiba.org.br

Ademir Vidolin • Bradesco

Margarete Segala Mendes • HSBC

Secretaria de Assuntos Jurídicos Coletivos e Individuais ademir@bancariosdecuritiba.org.br

Secretaria de Saúde e Condições de Trabalho margarete@bancariosdecuritiba.org.br

André C. B. Machado • Banco do Brasil

Genésio Cardoso • Caixa

Secretaria de Políticas Sindicais e Movimentos Sociais andre@bancariosdecuritiba.org.br

Secretaria de Cultura genesio@bancariosdecuritiba.org.br

Júnior César Dias • Itaú Unibanco

Pablo Sérgio M. Ruiz Diaz • Banco do Brasil

Secretaria de Mobilização e Organização da Base junior@bancariosdecuritiba.org.br

Secretaria de Ass. de P. Sociais e E. Socioeconômicos pablo@bancariosdecuritiba.org.br

Anselmo Vitelbe Farias • Itaú Unibanco

Selio de Souza Germano • Itaú Unibanco

Secretaria de Assuntos do Ramo Financeiro anselmo@bancariosdecuritiba.org.br

Secretaria de Esportes e Lazer selio@bancariosdecuritiba.org.br

Alessandro Greco Garcia - Banco do Brasil Ana Luiza Smolka - Banco do Brasil Ana Maria Marques - Itaú Unibanco Audrea Louback - HSBC Carl Friedrich Netto - Banco do Brasil Claudi Ayres Naizer - HSBC Edson Correia Capinski - HSBC Edna do Rocio Andreiu - HSBC Elize Maria Brasil - HSBC Erie Éden Zimmermann - Caixa Eustáquio Moreira dos Santos - Itaú Unibanco Genivaldo Aparecido Moreira - HSBC Hamilton Reffo - HSBC Herman Felix da Silva - Caixa Ilze Maria Grossl - HSBC

João Batista Melo Cavalcante - Caixa Jorge Antonio de Lima - HSBC José Carlos Vieira de Jesus - HSBC José Florêncio F. Bambil - Banco do Brasil Karin Tavares - Santander Karla Cristiane Huning - Bradesco Kelson Morais Matos - Bradesco Lílian de Cássia Graboski - ABN/Real Luceli Paranhos Santana - Itaú Unibanco Marisa Stedile - Itaú Unibanco Salete A. Santos Mendonça Teixeira - Caixa Sidney Sato - Itaú Unibanco Ubiratan Pedroso - HSBC Valdir Lau da Silva - HSBC Vanderleia de Paula - HSBC

Efetivos

Suplentes

Luiz Augusto Bortoletto - HSBC Ivanício Luiz de Almeida - Itaú Unibanco Denise Ponestke de Araújo - Caixa

Deonísio Schimidt - HSBC Tania Dalmau Leyva - Banco do Brasil Bras Heleison Pens - Itaú Unibanco


SEEB Curitiba

06 Campanha já começou

SEEB Curitiba

Calendário com os principais eventos preparatórios para a Campanha Salarial 2010 já está definido. Participação ativa de todos os bancários é fundamental.

10 Sindicato faz 68 anos CUT-PR

Pensando no futuro, entidade fortalece ações de comunicação e relacionamento com a categoria bancária para consolidar seu papel de representante dos trabalhadores.

08 Direitos do trabalhador

EveryStockPhoto

O presidente da CUT-PR, Roni Anderson Barbosa, discute as principais bandeiras de luta da classe trabalhadora para o ano de 2010.

14 A legalidade das cotas Debate sobre políticas afirmativas nas universidades exige posicionamento do Senado e STF. Para alguns setores, cotas são consideradas discriminação reversa.

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Cartas do leitor Editorial Bancos Entrevista Capa Cidadania Vida sindical Formação Opinião Qualidade de vida Cultura Jurídico Aconteceu Memórias da luta Humor maio 2010

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Pesquisa da Revista Em 2010, a Revista Bancári@s foi graficamente reformulada para se tornar mais moderna e atrativa ao leitor. Feitas as mudanças, o Sindicato quer saber o que você achou. Por isso, já está no site (www.bancariosdecuritiba.org.br) uma pesquisa de opinião. Os bancários que participarem concorrem a 5 convites para a feijoada (com acompanhante) e a 5 vales de um mês de atividade física gratuita no Espaço Cultural e Esportivo dos Bancários. Leia abaixo as críticas e sugestões dos bancários que já responderam a pesquisa: “A mudança deixou a revista mais atrativa, mas ainda não está 100%. Quanto ao conteúdo, a publicação deve apresentar mais reportagens sobre leis, aposentadoria dos bancários, mudanças na esfera bancária e demais novidades.” Bancário do HSBC

Os anos heróicos Autor: Roberto Elias Salomão Páginas: 241 Editora: Edição do PT-PR

O livro resgata a primeira década dos 30 anos de história do Partido dos Trabalhadores no Paraná. A história é contada através de fatos políticos do país e do estado e foi reconstruída com entrevistas de militantes e materiais históricos.

“Considero que, visualmente, a revista ficou melhor. Mas quero lembrar que esta é uma revista sindical e não acadêmica, por isso, penso que ela poderia ser mais instigante e ter uma ‘cara’ mais sindical.” Bancária do Itaú Unibanco e dirigente sindical “As matérias devem ser mais sucintas, visando a leitura de toda a revista.” Bancária da Caixa

O sal da terra Gênero: Drama Tempo de duração: 90 min Ano de lançamento: 2007

Tomando as rodovias brasileiras como cenário principal, o filme relata as andanças de um padre caminhoneiro junto a personagens itinerantes que povoam as estradas. A trama explora a dimensão religiosa católica e mergulha na diversidade humana.

A revista Bancári@s é uma publicação bimestral do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, produzida pela Secretaria de Imprensa e Comunicação. Presidente: Otávio Dias • otavio@bancariosdecuritiba.org.br Sec. Imprensa: Sonia Boz • soniaboz@bancariosdecuritiba.org.br Rua Vicente Machado, 18 • 8° andar CEP 80420-010 • Fone 41 3015.0523 www.bancariosdecuritiba.org.br Os textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores.

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maio 2010

Conselho Editorial: Carlos Kanak, Júnior Dias, Marcio Kieller, Marco Aurélio Cruz, Otávio Dias, Pablo Diaz e Sônia Boz Jornalista responsável: Patrícia Meyer (5291-PR) Redação: Patrícia Meyer e Renata Ortega Projeto gráfico: Fabio Souza e Renata Ortega Diagramação: Fabio Souza • Capa: Fabio Souza Revisão: Maria Cristina Périgo Impressão: Multgraphic • Tiragem: 8.000 Contato: imprensa@bancariosdecuritiba.org.br


CUT-PR

No 1° de maio, a CUT-PR realizou um evento político e cultural, em Araucária, para celebrar o Dia Internacional do Trabalhador. Os bancários de Curitiba e região participaram ativamente das comemorações, sendo responsáveis por embasar o debate sobre a Previdência Social, que contou com a presença da economista Denise Gentil.

Começa mais uma Campanha Nacional Parafraseando o compositor Paulinho Moska, o que a revista Bancári@s traz nesta edição é “tudo novo de novo”. É esta a sensação que a categoria tem quando renova as suas expectativas e começa a preparação para uma nova campanha salarial. Há os mais pessimistas e os mais otimistas, os céticos e os idealistas e há aqueles que, como o Sindicato, apostam na mobilização. Para estes trabalhadores, a revista apresenta um calendário das movimentações da Campanha Salarial 2010. São encontros que irão construir a minuta que será entregue para a Fenaban, momento que marca o início de mais um período de disputa com os banqueiros. Há também a consulta que será encaminhada para todos os bancários da base. Pesquisas como estas são realizadas

em todo o país e é o primeiro passo na definição das reivindicações. Por vezes, no cotidiano dos bancos, esquecemos que o que permeia as negociações por condições mais dignas de trabalho e remuneração é uma luta de classes: patrão versus empregado. Visão política que é esvaziada pelo discurso do endomarketing dos bancos, que propaga a harmonia e sinergia no ambiente de trabalho. O que os bancos fazem é maquiar a relação de trabalho com termos empresariais como 'liderança', 'emprendedorismo' ou 'desempenho'. Por isso, foi tão importante o envolvimento da categoria nas comemorações do 1º de maio. O Dia do Trabalhador, organizado pela CUT, enfocou a mais primária reivindicação: o trabalho decente. Ao refletir

sobre isso, nos damos conta do quanto os bancos no Brasil estão afastados de cumprir esta bandeira elementar. O Sindicato dos Bancários trouxe para o evento a discussão sobre a previdência social, com a economista Denise Gentil. Por fim, a capa da edição traz a comemoração dos 68 anos de fundação do Sindicato (27 e 31 de março de 1942). Aproximadamente 17,5 mil bancários são representados pela entidade. A direção está dando continuidade a um projeto que visa resgatar as memórias do Sindicato com a produção de um livro relatando as histórias e desafios destas sete décadas de enfrentamento aos patrões banqueiros e pela construção de uma sociedade mais justa. A Direção maio 2010

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Organização da campanha já começou SÃO MUITOS OS PREPARATIVOS NECESSÁRIOS PARA PROPORCIONAR A PARTICIPAÇÃO DOS BANCÁRIOS DE TODO O PAÍS NA CONSTRUÇÃO DA MINUTA DA CAMPANHA SALARIAL 2010

O Sindicato dos Bancários de Curitiba e região e a FETEC-CUT-PR estão, desde março, tomando as providências necessárias para possibilitar um democrático processo de decisão da categoria em Além dos encontros relação às reivindicações estaduais e nacionais, que irão compor a minuta a ser apresentada à Fenaban. os bancários podem “As reivindicações reparticipar, via Internet, fletem os anseios dos enviando correios bancários, para isso, são realizadas pesquisas de opieletrônicos ou nião, eventos e muitas visiopinando e debatendo tas aos locais de trabalho”, explica Otávio Dias, presino blog ou twitter." dente da entidade. “É dever do Sindicato estimular a participação dos trabalhadores em todos os fóruns de discussão”, complementa. Além dos encontros estaduais e nacionais, os bancários podem se informar sobre o andamento

da Campanha Salarial em www.bancariosdecuritiba. org.br, enviar dúvidas e sugestões via correios eletrônicos (sindicato@bancariosdecuritiba.org.br) ou opinar e debater as questões pertinentes no blog ou no twitter (twitter.com/bancariosctba). “O Sindicato está sempre ampliando seus canais de comunicação na tentativa de estabelecer um diálogo efetivo com os trabalhadores. Queremos dar oportunidade para que todos possam participar da forma com que se sentirem mais confortáveis”, explica Sonia Boz, secretária de Imprensa do Sindicato. Posicionamento e mobilização Os encontros promovidos pelo Sindicato têm o caráter de apresentar os principais entraves e temáticas em discussão com os bancos, coletar novas reivindicações com os trabalhadores e preparar estratégias de atuação junto aos patrões para alcançar as conquistas. Confira abaixo o calendário preparatório para a Campanha Salarial 2010 e venha fazer parte desta luta.

Calendário de Lutas ∞ Campanha Salarial dos Bancários 2010 15/05/2010

19/06/2010

26 e 27/06/2010

Encontro Estadual BB e Caixa

Conferência Regional (Curitiba)

Conferência Estadual (Curitiba)

Tem a finalidade de discutir as pautas prioritárias nos bancos públicos federais com intuito de levar reivindicações para os congressos nacionais. 28, 29 e 30/05/2010

Conecef e Congresso BB São congressos nacionais que reúnem representantes dos trabalhadores bancários para definir as pautas que serão discutidas nas negociações permanentes.

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maio 2010

As conferências são realizadas por região para permitir a participação dos bancários desde o princípio do processo. A conferência do Vida, no dia 05, contempla Apucarana, Arapoti, Cornélio Procópio e Londrina. Já a conferência do Pactu contempla Campo Mourão, Guarapuava, Paranavaí, Toledo e Umuarama, e será dia 12. Curitiba e região têm uma conferência própria. As conferências regionais levantam os assuntos que serão tratados em âmbito estadual e nacional.

A conferência define um índice e uma pauta de reivindicações que serão discutidos nacionalmente. 23, 24 e 25/07/2010

Conferência Nacional (Rio de Janeiro) A conferência determina a minuta e o índice com representantes dos bancários de todo o Brasil. 10/08/2010

Lançamento da Campanha Salarial


Tecnologia a serviço da domesticação do bancário POR SI SÓ, AS INOVAÇÕES NÃO SÃO NEGATIVAS. MAS QUANDO ELAS SERVEM ESTRATEGICAMENTE PARA ASSEGURAR OS INTERRESSES DO BANCO, OS TRABALHADORES SOFREM

A revista Exame anunciou, no final do mês de abril, uma inovação tecnológica na área de transações financeiras. Um relógio de pulso foi apresentado ao mercado de produtos e serviços do segmento de cartões eletrônicos. Segundo a publicação, o pagamento por meio do acessório funciona como com um cartão de crédito ou débito, sem a necessidade de contato físico, e a leitura dos dados contidos no relógio ocorre apenas pela aproximação a um leitor. A ideia é que, além de tornar as operações mais rápidas, a nova forma de pagamento acompanhe o usuário o tempo todo, em uma peça que já está presente no cotidiano. Os representantes da novidade informaram que há um banco no Brasil em processo de negociação para trazer o acessório, que também possui a funcionalidade de controle de acesso para funcionários. “O que deve ter chamado a atenção deste banco é a possibilidade de ter uma nova tecnologia à sua disposição para controlar os funcionários”, ironiza o dirigente sindical Pablo Diaz, trabalhador do BB. Diaz, que também é economista, lembra que a tecnologia – que significa em muitos cenários a facilitação da vida cotidiana, libertação do esforço humano, mais conforto e até mesmo prolongamento da existência –, nas instituições bancárias, é utilizada para “se servir do humano”, ao invés de “servir o humano”. As reflexões de Diaz são semelhantes ao estudo sobre o emprego bancário, realizado na Bahia, em 2002. Os pesquisadores enfatizaram a radical reestruturação no trabalho bancário resultante da automação, desde a implantação dos caixas automáticos, até o home banking. Além das demissões, a pesquisa aponta que a implantação das inovações tecnológicas não implicou em melhorias nas condições de trabalho, ao contrário, intensificou o volume de atividades profissionais e o controle das gerências sobre o ritmo e produtividade. Os ban-

queiros criaram sistemas e métodos para medir as metas, transformaram bancários em vendedores, e, muitas vezes, não há qualquer treinamento e preparação para que os funcionários possam se adaptar às mudanças. A instabilidade e a vigilância passaram a reger a profissão de bancário. “A tecnologia nos bancos não está sendo aplicada apenas em sistemas para os clientes, mas especialmente em centros de controle e vigilância dos trabalhadores bancários”, explica Pablo Diaz. “É como um Big Brother, os funcionários sentem-se permanentemente vigiados, como o conceito de panóptico de Foucault”. O termo é empregado para designar um centro penitenciário que permite a um vigia observar todos os prisioneiros sem que estes possam saber se estão ou não sendo observados. Aplicado pelo francês Foucault, em Vigiar e Punir, denomina o possível controle exercido pelos novos meios de informação sobre seus usuários. Diaz lembra que outra forma de aprisionamento dos bancários são os equipamentos como token para acesso à Intranet dos bancos em qualquer computador, smartphones ou notebooks, cedidos pelas empresas para manter o funcionário atuando mesmo fora do horário de expediente. “Isto não é relação de trabalho, é quase uma domesticação”, denuncia Diaz. maio 2010

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Na defesa dos direitos dos trabalhadores RONI BARBOSA, DA CUT-PR, DISCUTE AS PRINCIPAIS BANDEIRAS DE LUTA DA CENTRAL

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No dia 1° de maio, a Central Única dos Trabalhadores do Paraná (CUT-PR) preparou uma grande comemoração para a classe trabalhadora (leia mais nas páginas 20 e 21). Mais do que exultar o Dia Internacional do Trabalhador, o evento pretendeu reafirmar as bandeiras em defesa do trabalho decente, da liberdade de organização sindical e da solidariedade nas lutas do operariado. Ao provocar tal reflexão, a CUT-PR quis chamar a atenção de todos para a importância dos trabalhadores terem força de representação, principalmente para defender seus direitos junto aos patrões. “As tentativas de flexibilização de direitos dos trabalhadores não são novifazem parte da disUm dos desafios para dades, puta de classe, da relação entre o capital e o trabalho. 2010 é aumentar a Cabe ao movimento sindirepresentação dos cal continuar a luta para não trabalhadores nos retroceder e sempre avançar conquistas da classe traespaços públicos de nas balhadora”, afirma o predecisão para fazer sidente da CUT-PR Roni Anderson Barbosa. Em envaler a opinião trevista à Revista Bancári@s, da maioria da Barbosa destaca algumas das sociedade brasileira.” prioridades da Central para os próximos períodos. Bancári@s: Em 2009, a CUT se manteve firme na defesa dos trabalhadores, mesmo diante da argumentação da classe patronal que apontava a ‘crise financeira’ como justificativa para a redução de direitos. Na sua avaliação, como está o atual cenário econômico para os trabalhadores brasileiros? Roni Barbosa: Durante a crise financeira de 2008 e 2009, o Brasil sofreu com os impactos iniciais, mas logo se recuperou e conseguiu manter a massa salarial e o nível do emprego. A decisão do governo Lula de adotar uma política semelhante a que reivindicavam os sindicatos – com redução de impostos em maio 2010

áreas vitais para a economia – possibilitou o aumento do emprego em alguns setores, como a construção civil (o que, em parte, compensou o baixo rendimento gerado no segmento industrial). Em um balanço geral, mesmo com o impacto da crise, a economia interna do Brasil, por meio da circulação de mercadorias e salários, diluiu o impacto maior. Já nas nações que optaram pela continuidade da política neoliberal de estrangulamento do crédito, os mercados internos sofrem até hoje as consequências da herança deixada pela crise. Bancári@s: Dentro do propósito de continuar avançando com a agenda dos trabalhadores, uma das prioridades da CUT é a luta pela aprovação no Congresso Nacional da PEC, que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas, sem diminuir salários. Qual a importância desta bandeira? R. B.: Defendemos a redução da jornada constitucional sem redução de salário, em primeiro lugar, porque a rentabilidade obtida com o crescimento da economia possibilitou a apropriação de ganhos que precisam ser repartidos. Segundo, porque os trabalhadores necessitam de mais tempo para estudo, qualificação e lazer, o que é incompatível com jornadas extensas. Por último, mas não menos importante, porque essa medida vai possibilitar a geração de cerca de 2,2 milhões de novos empregos, segundo estudo do Dieese, distribuindo a renda no país. E trabalhador com renda significa que as famílias vão consumir mais e potencializar a economia, criando um ciclo virtuoso de crescimento e desenvolvimento do país. Bancári@s: No rol de lutas, consta ainda a campanha em defesa da soberania nacional sobre o petróleo, com um novo marco regulatório que garanta a utilização dos recursos para o resgate da dívida social do país. O que isso representa para os trabalhadores brasileiros? R. B.: A mobilização e participação dos trabalhadores nas discussões sobre o marco regulatório do


CUT-PR

Pré-sal têm o objetivo de garantir que essa riqueza seja utilizada em benefício do povo brasileiro, a fim de resgatar a dívida social do país, com destinação dos recursos a setores estratégicos, como educação, moradia, reforma agrária, saúde, entre outros. Infelizmente existem no Brasil setores da sociedade que são entreguistas, que querem a volta do projeto neoliberal de estado mínimo. O governo de FHC acabou com o monopólio estatal do petróleo e permitiu que empresas privadas, sobretudo transnacionais, comprassem áreas com alto potencial de extração a um preço irrisório. A campanha do petróleo pretende restabelecer o monopólio estatal e garantir que toda essa enorme riqueza seja utilizada para realizar uma transformação social no país, beneficiando a todos os brasileiros de hoje e também de gerações futuras. Então, defender o petróleo do povo brasileiro representa lutar por um país melhor para todos. Bancári@s: Qual a importância das ratificações das Convenções 151 e 158 da Organização Internacional do Trabalho? R. B.: Caso sejam aprovadas, essas duas medidas representarão enorme avanço nas relações trabalhistas no país. As relações entre capital e trabalho nunca foram fáceis, os patrões insistem no velho dis-

curso sobre os altos custos da força de trabalho no Brasil, apelando para a lógica de que os gastos prejudicam a competitividade das empresas. A possível ratificação da Convenção 158 da OIT é um enorme avanço se comparada à atual legislação, na qual o trabalhador pode ser demitido por qualquer ou sem nenhum motivo. Ela acaba com a demissão imotivada, ou seja, para dispensar um trabalhador, o empregador deverá apresentar justificativas. Isso acabaria com a alta rotatividade do mercado de trabalho, instrumento utilizado pelos patrões para demitir trabalhadores com anos de ‘casa’ para contratar outro com salário menor. No caso da Convenção 151, ela corrige uma antiga injustiça imposta pelas forças conservadoras. Até hoje os servidores públicos nunca tiveram o direito à negociação coletiva, sendo vítimas da truculência de vários governos, que sequer recebem os sindicatos do setor para discutir as suas demandas. A 151 visa, sobretudo, garantir o direito à sindicalização, definir os mecanismos para solução de conflitos via negociação coletiva e a concretização da democracia nas relações de trabalho no setor público. Bancári@s: Por fim, considerando que 2010 é um ano decisivo para o futuro não só político, mas sobretudo econômico

A campanha do petróleo pretende restabelecer o monopólio estatal e garantir que essa riqueza seja utilizada para uma transformação social no país, beneficiando os brasileiros de hoje e também de gerações futuras."

e social do Brasil, a quais fatores os trabalhadores devem estar atentos ao fazerem suas escolhas e exercerem sua cidadania? R. B.: O próximo presidente, independentemente de quem seja, terá o desafio de manter o mesmo nível de diálogo de Lula com os movimentos sociais. Este modelo de governo, que ouve as reivindicações de diversos setores da sociedade, demonstrou eficácia, haja vista os resultados econômicos e sociais obtidos, com evidente melhoria na renda dos trabalhadores e desenvolvimento econômico do país. O principal desafio que os trabalhadores têm pela frente é a consolidação do projeto popular e democrático para o país. As políticas de privatização do patrimônio público e de estado mínimo comprovaram ineficiência, pois aumentaram a concentração de renda, deixaram os trabalhadores mais pobres e quase faliram com o país. Portanto, é preciso ter clareza que existem dois projetos de governo em disputa nessas eleições. Outro desafio é aumentar a representação dos trabalhadores nos espaços públicos de decisão para fazer valer a opinião da maioria da sociedade. O que temos hoje são parlamentos abarrotados de representantes de empresários e ruralistas, que defendem os interesses do capital em detrimento aos direitos dos trabalhadores. maio 2010

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Resgatando memórias para contar a história

Fotos: SEEB Curitiba

SINDICATO COMEMORA 68 ANOS VALORIZANDO O PASSADO E PENSANDO NO FUTURO

Festa realizada no dia 09 de abril, no Espaço Cultural e Esportivo, reuniu bancários e representantes de demais entidades sindicais.

Fotos: Arquivo SEEB Curitiba

Por onde se começa a escrever a história de uma entidade que representa os trabalhadores? Pelas lutas empreendidas ou enumerando cada uma das vitórias? Pelo número de profissionais aos quais representa ou diante da representatividade política e da influência em negociações de outras categorias? Nos dias 27 e 31 de março, o Sindicato completou 68 anos, aniversário que foi comemorado em abril. “Fazer parte do Sindicato representa exercício da cidadania”, defende Marcio Kieller, diretor da entidade. “Acre-

ditamos que a participação política é fundamental para que se avance cada vez mais num projeto de sociedade diferente, em que esteja no horizonte dos trabalhadores não apenas avanços econômicos, mas também melhorias em termos de consciência social, cultural e de lazer”, acrescenta. Diante da importância da história da entidade, a atual diretoria do Sindicato quer recontá-la, resgatando as memórias dos que a construíram e as realizações cotidianas em prol da categoria. Para isso,

‹ 1986 • Trabalhadores de Curitiba e região representam a categoria em Encontro Nacional dos Bancários. 1987 • Assembleia de encerramento da greve lotou uma das principais ruas da capital paranaense.›


está em andamento o projeto Quem Luta Conquista. “O projeto para comemoração das sete décadas da entidade está a pleno vapor”, destaca Otávio Dias, presidente do Sindicato. “Ele contempla um trabalho de resgate histórico, coordenado pela Secretaria de Formação e, principalmente, um modelo de gestão destinado a atender com efetividade todas as demandas do trabalhador bancário”, acrescenta. Nesse sentido, o Sindicato está fortalecendo suas ações de comunicação, estreitando o relacionamento com os bancários, implantando diversas ferramentas, promovendo reuniões, cursos e encontros frequentes com trabalhadores da base, diretores liberados e não liberados, assim como delegados sindicais. “Apenas para citar algumas ações, desde o início deste ano, tivemos o curso CPA10, reunião com delegados sindicais do Banco do Brasil, reuniões com bancários

da Caixa para debater ações judiciais essenciais para estes profissionais, seminários de formação e nossa festa de 68 anos. A partir de maio, temos o início da movimentação para a Campanha Salarial 2010”, destaca Otávio Dias. É evidente o esforço dos diferentes departamentos do Sindicato para consolidar uma prestação de serviços efetiva aos trabalhadores afiliados à entidade. A Secretaria de Assuntos Jurídicos envolveu grande parte da diretoria e dos funcionários para o atendimento dos exbanestadenses contemplados pela ação da URP (leia mais na página 25); os bancários “boleiros” estão disputando para ver qual dos times leva a taça da Copa dos Bancários, organizada pela Secretaria de Esportes; e as Secretarias de Finanças e Geral são as responsáveis, por exemplo, pelo bom funcionamento no processo de devolução do Imposto Sindical, restrito à ‹ 1993 • Após ganhar eleição, direção cutista assume o Sindicato dos Bancários de Curitiba e região. 1996 • Na defesa dos direitos dos trabalhadores, Sindicato conquista reintegração de bancário do Banespa.›

categoria bancária. De acordo com levantamento realizado pelo Sindicato, 4.643 bancários solicitaram a devolução neste ano de 2010. “Há todo um empenho da diretoria do Sindicato em manter as três sedes em funcionamento para que os bancários filiados possam usufruir”, comenta Otávio Dias. São poucas as entidades sindicais que possuem uma estrutura física tão completa. Os bancários dispõem de quadra coberta, café, auditório, vestiários, academia e atividades como dança de salão, pilates e massoterapia no Espaço Cultural e Esportivo, muito bem localizado, no bairro Rebouças. Há também uma sede Campestre, em Piraquara, região metropolitana de Curitiba, com churrasqueiras, campos de futebol e amplos salões de festa. E todo o atendimento administrativo do Sindicato é realizado bem no centro de Curitiba, em frente à


Praça Osório. “Estas são apenas algumas das razões pelas quais podemos afirmar que temos muito que comemorar nestes 68 anos. Mas a comemoração também implica em compromisso, para que o Sindicato continue neste processo de consolidação da otimização dos recursos financeiros, investimentos e transparência”, reafirma o presidente da entidade. Bancários têm muito que comemorar O pioneirismo sempre foi uma característica dos trabalhadores que atuam em bancos em todo o país. A categoria conquistou a jornada de seis horas em 1933 e foi a primeira a assinar acordo nacional, em 1992, mesmo ano de fundação da Confederação Nacional dos Bancários (CNB). Na busca por uma remuneração mais digna, a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) se tornou realidade em 1995. A luta contra a discriminação no ambiente de trabalho passou a ser contemplada na convenção de 2001, com discussões mais sérias e incisivas sobre igualdade de oportunidades. Três anos depois, 2004 ficou marcado como palco da primeira campanha nacional unificada entre funcionários públicos e privados. Muitas dessas conquistas, especialmente as da década de 1990, foram em cenários adversos, em que o movimento sindical bancário lutava pela manutenção dos empregos. Assim como hoje, um cenário de fusões deixava a categoria apreensiva. Em 2006, os bancários passaram a ser representados pela ContrafCUT (leia mais na página 30), entidade que estruturou a organização sindical do ramo financeiro, abraçando trabalhadores que exercem atividades bancárias, mas são excluídos da Convenção Coletiva. Em 2007, há a conquista da 13ª cesta-alimentação e, nos anos subsequentes, melhorias consideráveis no pagamento da PLR e a ampliação da licença-maternidade para 180 dias. “Resgatar a memória e a história dos trabalhadores bancários é fundamental para que nós sempre tenhamos em mente que nossas conquistas não ‹ 1997 • Banestadenses realizam assembleia contra o fim das horas extras impostas pelo banco. 2000 • Muitas passeatas foram realizadas na tentativa de impedir que o Governo privatizasse o Banestado.›


são benesses dos bancos ou dos governos, mas sim fruto da luta e da organização dos bancários.”, lembra Marcio Kieller. “Precisamos conscientizar os bancários desta realidade, principalmente os mais jovens, que por vezes se encantam com a oferta do banco e desconhecem este cenário de disputa de classes”, conclui Otávio Dias. “Há outro elemento essencial: nossas conquistas não apenas significam melhorias para os bancários, mas tornam-se referência para os trabalhadores de outras categorias”, lembra Sonia Boz, dirigente sindical e secretária de Imprensa da entidade. Festa de 68 anos Para celebrar seu aniversário, este ano, o Sindicato convidou os professores Luciana Salles Worms e Wellingtom Borges da Costa, além do músico João Higashiro, para contar a história do Brasil e da classe trabalhadora. “Foi uma apresentação muito rica de informações e, ao mesmo tempo, muito bonita, com belas canções nacionais, que refletem todo o conhecimento dos professores e a paixão deles pela música”, comenta Sonia Boz, secretária de Imprensa. A comemoração foi no dia 9 de abril e contou com bancários sindicalizados, dirigentes sindicais, o deputado estadual Tadeu Veneri, representantes de outras entidades sindicais e também da CUT, FENAE, FETEC-CUT-PR e Contraf-CUT. A proposta foi de aliar um ambiente de alegria e confraternização, resgatando a verdadeira motivação para a festa: as lutas travadas e as vitórias alcançadas pelos trabalhadores. “Quem tem conhecimento da história real de nosso país, principalmente durante os ditos ‘anos de chumbo’, percebe a imensa importância de ter sobrevivido todo este tempo”, destaca Herman Felix, diretor do Sindicato. O diretor Eustáquio dos Santos concorda: “Comemorar 68 anos significa que, felizmente, as entidades de classe, apesar das grandes dificuldades, sobreviveram”. A apresentação buscou ainda sensibilizar a categoria para o trabalho de reconstrução

da história do Sindicato, que já está sendo realizado e resultará na edição de um livro de memórias. O projeto Quem Luta Conquista, em andamento desde meados de 2009, já entrevistou bancários e dirigentes sindicais que marcaram a história do Sindicato. “A cada nova entrevista uma pequena parte destes 68 anos é recontada, reconstruída. O objetivo, ao final, é produzirmos um relato de valor histórico não só para a categoria bancária, como para o mo-vimento sindical paranaense”, resume o dirigente Márcio Kieller, secretário de Formação, que está coordenando os trabalhos de pesquisa docuDiante das conquistas mental. “Como afirma o da categoria bancária, slogan do aniversário da entidade, estamos valoritemos inúmeras razões zando o passado, lutando para afirmar que há no presente e pensan-do no futuro”, comenta o muito o que comemopresidente do Sindicato.

rar nestes 68 anos. Mas comemoração também implica em compromisso, para que o Sindicato continue neste processo de consolidação.”

Campanha de Sindicalização 2010 Para atrair mais afiliados e fortalecer a luta da categoria, o Sindicato está promovendo mais uma campanha de sindicalização nos moldes da realizada no ano passado. Os bancários que se associarem à entidade concorrerão a prêmios, que serão sorteados em três oportunidades: na Conferência Estadual dos Bancários, no Dia do Bancário e no final do ano. Em 2009, a campanha, que somou indicações e sorteios, conquistou 788 novos trabalhadores para a entidade. Acesse www.bancariosdecuritiba.org.br para saber mais detalhes sobre a Campanha de Sindicalização de 2010. O regulamento, assim como a escala de indicações necessárias para conquistar os prêmios, está à disposição para consultas.

‹ 2001 • Bancários se unem a outras categorias na defesa da não privatização da Copel. 2004 • Bancários fazem uma das mais longas greves da história do movimento sindical, 28 dias parados.›


Discriminação reversa ou reparação? POR VEZES ESQUECIDA, A POLÊMICA SOBRE AS POLÍTICAS AFIRMATIVAS CONTINUA PERMEANDO DISCUSSÕES

Em um país de muitos rostos, cores e jeitos como o Brasil, em um primeiro momento parece controverso falar em políticas afirmativas para combater racismo. Deveria causar estranhamento, a qualquer um que desconhecesse alguns fatos e estatísticas, que neste país, construído pelo trabalho de uma maioria negra e marcado por miscigenação racial, exista a necessidade de criação de políticas públicas para permitir o acesso desta população aos bancos escolares do ensino superior. Entretanto, o Brasil é uma sociedade marcada pelo racismo, e que legou ao esquecimento esta população ao dificultar e restringir as oportunidades de ascensão profissional. Assim, as cotas nas universidades é uma forma de diminuir a discriminação ao assegurar ao negro o acesso a ensino superior público e de qualidade e tentar reparar o que a história fez aos negros. Entende-se por políticas ou ações afirmativas medidas temporárias, com o objetivo de eliminar desigualdades historicamente acumuladas, garantindo a igualdade de oportunidades e tratamento, bem como de compensar perdas provocadas pela discriminação. Segundo dados divulgados em abril pelo deputado Luiz Alberto Silva dos Santos, do PT/BA, 52

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mil alunos foram beneficiados até hoje pela política de cotas raciais nas universidades públicas. Segundo seu artigo “Outra opinião, um reparo histórico”, publicado no jornal O Globo em 05 de abril: “São 52 mil profissionais que disputarão em igualdade de condições os melhores postos de trabalho. Esse debate chegou ao Brasil com mais de um século de atraso, e evidencia que a falta de diversidade nas instituições de ensino apenas mostra as consequências do nosso passado escravo. Políticas afirmativas ajudam a promover o combate ao racismo e às desigualdades”. Segundo o DIEESE, em Salvador, a taxa de desemprego entre os negros é 45% maior que entre os não negros. O debate sobre as cotas raciais nas universidades está no Supremo Tribunal Federal. O ministro Ricardo Lewandowski é relator de duas ações que questionam a legalidade das cotas da Universidade de Brasília (ADPF 186) e Federal do Rio Grande do Sul (RE 597285). Lewandowski acredita que ainda neste ano o plenário pode decidir se a política afirmativa de cotas


das universidades conflita ou não com a Constituição. Há setores que afirmam que as cotas raciais são contrárias ao princípio da igualdade presente na Lei. Também está em tramitação no Senado um processo que estabelece cotas em universidades públicas e escolas técnicas (PLC 180/08) com base em critérios raciais, econômicos e sociais. A relatora da matéria é a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT). Na última atualização de tramitação do processo, ele está com a senadora para emissão de relatório. O projeto direciona 50% das vagas das universidades públicas e das escolas federais de ensino técnico para alunos egressos da escola pública. As vagas reservadas a estes alunos devem ser preenchidas por estudantes negros, pardos e indígenas na proporção de cada segmento na população do estado onde está localizada a instituição de ensino. Para esse cálculo, será levado em consideração o último censo populacional do IBGE. Desconstruir o mito de raça Por outro lado, uma questão que permeia essa discussão é: quem é negro neste país? Que características físicas determinam que um indivíduo seja ou não negro? Ou, como afirma Demétrio Magnoli, não existe o conceito de raça, e ele é apenas demarcado para fins políticos. Segundo o

sociólogo, as leis raciais tentam criar critérios administrativos para um conceito de raça que está sendo recriado pelo que ele denomina de “política de discriminação reversa”, ou seja, uma discriminação contra os não negros. Junior César Dias, diretor do Sindicato, discorda. “É imprescindível o investimento na qualidade do ensino público no Brasil, entretanto, enquanto não houver esta melhoria substancial, as cotas raciais se mostram necessárias para trazer equidade de oportunidades”, defende Junior. “Até mesmo porque é evidente que não se trata apenas de discriminação social. Não podemos mascarar o problema racial, afirmando que se trata apenas de uma questão social. É preciso amenizar a distorção e reparar a herança desfavorável aos negros”. Para ilustrar este fato, Junior resgata a pequena quantidade de negros que atuam em bancos, por exemplo. “Nos bancos, os negros são admitidos por concurso público ou estão atuando na retaguarda ou na periferia de Curitiba. Há como dizer que não existe discriminação racial?”, lamenta. Equalização de oportunidades A Constituição de 1988 assegura aos cidadãos brasileiros o direito à educação, entretanto, o que os defensores das políticas afirmativas argumentam é de que no

ensino superior público não são todos os que podem exercer este direito. Uma das heranças do modelo de escravidão adotado em nosso país, é que são poucos os negros que têm acesso a uma faculdade, e o número dos que conseguem as disputadas vagas nas universidades públicas é ainda menor. O objetivo do processo não é apenas colocar esse estudante na universidade, mas dar a ele condições de ascender socialmente. Há setores contrários às políticas de cotas raciais nas universidades que argumentam também que ao garantir uma porcentagem de vagas para os negros se está ferindo o princípio de meritocracia, já que são excluídos das vagas aqueles estudantes que estão mais qualificados para ocupá-las. Também defendem que as cotas nas universidades alimentam sentimentos de revanche e ressentimento racial. Senado e STF estão como juízes de uma disputa ideológica que não tem data para findar e que envolve toda a sociedade. Mantido o atual cenário, na UFPR as cotas raciais estarão vigentes até 2014. Na UTFPR há apenas cotas sociais. O tema expõe marcas históricas que precisam ser cicatrizadas. Como afirma o deputado Luiz Alberto, “uma nação que viveu 400 anos de exploração da mão de obra africana e indígena e perpetua o abandono não fica impune”. maio 2010

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Contra os escândalos na Assembleia Assim como os estudantes do Paraná, as entidades e centrais sindicais, organizações profissionais e demais movimentos sociais estão impulsionando a campanha “Caça-fantasmas”, que exige a investigação e punição dos personagens dos escândalos que envolvem a Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP). Em reuniões realizadas no final de abril e início de maio, os representantes da sociedade civil organizada apontaram as diretrizes do movimento, assim como um calendário de atividades, com intuito de envolver os cidadãos paranaenses em forte mobilização em prol da moralização. O movimento exige devolução do dinheiro roubado aos cofres públicos, investigação séria e punição dos deputados envolvidos com o esquema de corrupção, pois até o momento somente os funcionários foram presos. Segundo dados divulgados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a investigação encontrou indícios de que há desvio de dinheiro público na Assembleia desde 2002. Somente envolvendo familiares e protegidos do funcionário João Leal de Mattos, lotado na diretoria-geral e já detido pela polícia, estima-se um desvio de R$ 20 mi. “Com o decorrer das investigações, é necessário a identificação e prisão dos favorecidos e mandantes deste desvio, inclusive deputados”, destaca André Machado, dirigente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região. “Por isso, entendemos que a mesa diretora da Assembleia precisa ser afastada, para que 16

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CUT-PR

SINDICATO DOS BANCÁRIOS JUNTO COM MOVIMENTOS SOCIAIS PRETENDEM FORTALECER A CAMPANHA “CAÇA-FANTASMAS" E EXIGIR PUNIÇÃO, REFORMA POLÍTICA E CONCURSO PÚBLICO NA ALEP

A ALEP deve defender os interesses da maioria dos cidadãos. Por isso, o movimento "Caça-fantasmas" também exige uma reforma política efetiva.

os fatos sejam apurados pelo Ministério Público e Polícia Federal de forma efetiva”, complementa. Para Sonia Boz, também dirigente do Sindicato, os escândalos que envolvem dinheiro de desvio público, contratação de funcionários fantasmas, sonegação fiscal, formação de quadrilha e pagamento de salários acima do teto do Legislativo não podem ficar restritos às páginas dos jornais. “Cada eleitor também é responsável pela má gestão no Legislativo do Paraná. Afinal, é um mau voto ou a omissão nas urnas que elege esse perfil de homem público. O momento é de

identificar, punir e adotar uma nova postura de cidadão”, comenta. Já o dirigente Pablo Diaz resgata que a ALEP é uma instituição guardiã da democracia e que as denúncias de corrupção evidenciam a necessidade de reforma política. Os representantes dos movimentos sociais também querem pautar uma ampla discussão que contemple a exigência de concursos públicos para provimento de cargos, democratização do acesso para manifestações no prédio da ALEP, assim como a aprovação de projetos que efetivamente sejam de interesses dos trabalhadores e da juventude paranaense.


Agência Petrobras de Notícias

A luta por uma nova lei energética para o país CIDADÃOS E ENTIDADES ESTÃO MOBILIZADOS PARA APROVAR LEGISLAÇÃO QUE ASSEGURE UMA EXPLORAÇÃO DO PETRÓLEO QUE BENEFICIE O POVO

O país descobriu nas reservas do Présal uma chance de alavancar seu desenvolvimento. Mais do que a autossuficiência, as reservas podem transformar o Brasil em um grande produtor de petróleo. Mas, para isso, é essencial a revisão do marco regulatório do setor. Sem regulamentar a exploração do chamado “ouro negro”, os brasileiros possivelmente não irão ver investimentos em educação, saúde e melhorias nas condições de vida dos cidadãos. Também não haverá garantias de uma exploração comedida, de acordo com as necessidades da nação. A campanha “O petróleo tem que ser nosso” é uma reedição da forte mobilização popular em defesa desta riqueza 18

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natural realizada na década de 1950. O monopólio conquistado em 1953, com a criação da Petrobras, foi extinto 44 anos depois pela Lei 9.487/1997, no governo FHC. “Quando foi criada a fatídica lei, a Petrobras, na sequência, abriu seu capital, que na época era de 84% da União, para permanecer com apenas 32% em 2000”, resgata Anselmo Ernesto Ruoso Jr., secretário de Relações Internacionais da Federação Única dos Petroleiros (FUP). “O modelo implantado foi o contrário do que países produtores de petróleo já haviam verificado a partir da década de 1970, que era preciso maior controle e garantia de propriedade do petróleo”, destaca. Os movimentos sociais pressionam para que a mudança na legislação sobre

a exploração do petróleo não se restrinja à área do Pré-sal. Defendem também que as áreas leiloadas deveriam ser retomadas e querem o retorno do cumprimento do artigo 177 da Constituição. O artigo prevê que a União detém o monopólio da pesquisa, extração, refino, importação e exportação do petróleo, mas ela foi revogada pela Lei 9.487. Assim, o marco em vigor é contraditório com a Constituição, pois permite que a Agência Nacional do Petróleo realize leilões, inclusive para empresas estrangeiras e, a partir da concessão, que a empresa detenha a propriedade sobre o petróleo (artigo 26, Lei 9.487). “Assim faz a Shell na bacia de Campos, com uma produção diária de 70 mil barris”, lembra Anselmo Ruoso Jr.


“O Brasil, apesar de uma condição invejável na composição de sua matriz energética – possui 45% dela renovável, enquanto a média mundial é de 12,9% –, ainda depende do petróleo e derivados. É evidente que o petróleo gera guerras e tentativas de golpe de Estado em todo mundo e é fácil perceber que as multinacionais agradecem o atual modelo regulatório do petróleo brasileiro”, critica. Uma riqueza estratégica O governo propõe um modelo que tenta conciliar os diferentes interesses em disputa: quem defende a soberania nacional, em contraposição a quem é favorável aos lucros do petróleo nas mãos do setor privado. Trata-se do modelo de partilha, em que a petroleira fica responsável pela exploração e produção em área específica, recebendo um valor que se destina a cobrir seus custos. O restante do combustível é dividido entre Estado e empresa. “A proposta é aquém do ideal porque o regime de partilha está previsto apenas para as áreas referentes ao Pré-sal, não revendo leilões já ocorridos nesta área, que somam 28% do Pré-sal nas mãos de indústrias petroleiras privadas, a maioria multinacional”, explica Anselmo. “Contudo, o modelo representa, sim, um grande avanço em relação ao atual. Isso porque retoma a propriedade do petróleo, pelo menos na área do pré-sal, ou parte dela, bem como a gestão através da criação da Petrosal, empresa pública para atender essas finalidades. Não restam dúvidas que o pior é permanecer o atual modelo da Lei 9.478.” A FUP, assim como as demais entidades que compõem a campanha, reforça que apenas a exploração de petróleo por uma empresa pública permite a exploração na escala correta e controle em benefício do interesse público. E a Petrobras possui estas condições. Os movimentos sociais apresentaram um projeto de lei (PL 531/2009) que visa o retorno do monopólio estatal brasileiro, com a Petrobras tendo 100% do capital pertencente à União. Mas, segundo Anselmo Ruoso Jr., apesar de estar em trâmite no Senado, os debates da proposta do governo ofuscam a iniciativa. Outra questão é que, embora o projeto do governo esteja na pauta do Congresso, ainda assim são grandes as chances de não ser votado neste ano. Este cenário é o pior, pois continuaria em vigor o péssimo sistema que a atual lei impõe. “Apenas o monopólio estatal garante a efetividade, garantia e uso do petróleo brasileiro em benefício do povo brasileiro”, defende. maio 2010

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Bancários debatem sistema previdenciário

Fotos: CUT-PR

NAS COMEMORAÇÕES DO 1° DE MAIO, ORGANIZADAS PELA CUT-PR, A ECONOMISTA DENISE GENTIL REAFIRMOU A FALSA CRISE DA PREVIDÊNCIA BRASILEIRA

Segundo economista, o sistema previdenciário nacional é financeiramente saudável. O problema é o desvio sistemático das verbas para outros usos.

Em um ano decisivo para o futuro do país como 2010, a sociedade brasileira precisa estar atenta aos rumos que serão dados à administração pública, bem como à gestão da seguridade social. Foi por isso que, na comemoração do Dia Internacional do Trabalhador, organizada pela Central Única dos Trabalhadores do Paraná (CUT-PR), em Araucária (leia mais no quadro ao lado), a categoria bancária pautou a discussão sobre o Sistema de Previdência Social. Contando com a presença da economista e diretora de Estudos e Políticas Macroeconômicas do IPEA, Denise Gentil, o debate centrou-se na falácia da crise previdenciária. Denise Gentil reafirmou que a previdência nacional é financeiramente saudável e que a tão alarmada ‘crise’ divulgada pela imprensa é falsa. “Os dados comprovam que nem o sistema previdenciário brasileiro, nem 20

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o sistema de seguridade social instituído pela Constituição de 1988 são deficitários. Pelo contrário, ambos apresentam superávit expressivo. O que acontece é que essas verbas vêm sendo sistematicamente desviadas para outros usos”, explicou a economista. Segundo a diretora do IPEA, considerar apenas a receita de contribuição ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) que incide sobre a folha de pagamento dos trabalhadores, diminuindo desta receita o valor dos benefícios pagos, é uma simplificação dos cálculos. Na verdade, há outras fontes de receita da Previdência que não são computadas neste cálculo como, por exemplo, a COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) e a receita de concursos de prognósticos.


Denise explicou que a maior eficiência financeira do sistema previdenciário – o que é desejável – não depende de corte de benefícios, restrições de direitos ou maior tributação. A questão fundamental para dar sustentabilidade para um sistema previdenciário é o crescimento econômico, pois as variáveis mais importantes de sua equação financeira são o emprego formal e a renda média do mercado de trabalho. “Por isso, não há outra saída que não continuarmos lutando por empregos decentes

e pela manutenção dos direitos dos trabalhadores, responsáveis por contribuir mensalmente com a previdência”, destaca Otávio Dias, presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região. Diante desse cenário, o movimento sindical defende que, para que os trabalhadores brasileiros consigam viver mais e melhor – e usufruam com dignidade do sistema previdenciário para o qual contribuem –, é preciso que exista crescimento econômico, o que só é possível com ge-

ração de empregos formais, investimento social e redução de juros. “Não há dúvida que o governo Lula trouxe avanços nas áreas social e econômica, principalmente com a valorização do salário mínimo e os diversos projetos sociais”, salienta o presidente do Sindicato. “Por esses motivos, é tão importante que os brasileiros reflitam sobre a necessidade da consolidação do projeto popular e democrático no país. E façam suas escolhas conscientes durante o ano de 2010”, finaliza Otávio Dias. Aconteceu no 1° de maio

Mobilização por trabalho decente A CUT-PR, juntamente com os movimentos sociais, investiu em cultura e formação dos trabalhadores em sua comemoração no dia 1º de maio. O evento, realizado em Araucária – e não em Foz do Iguaçu como em quatro ocasiões anteriores –, teve 12 oficinas temáticas, apresentação da bateria da Escola de Samba Mocidade Unida do Jardim Santa Rosa, de Paranaguá, e shows com a banda Blindagem e Rastapé. A opção por realizar o evento em Araucária foi porque a cidade é sede da Repar/Petrobras e as obras de ampliação da refinaria acolhem aproximadamente 18 mil terceirizados. Em 2009, uma intensa mobilização desses trabalhadores envolveu seis entidades sindicais filiadas à CUT. O lema do Dia do Trabalho organizado pela central sindical foi “Trabalho decente; liberdade de organização sindical; e solidariedade nas lutas da classe trabalhadora”. Nas oficinas ou tendas temáticas foram apresentados e debatidos temas como reforma agrária e agroecologia, a campanha em prol da estatização das reservas e da exploração do petróleo, gênero e raça, segurança, saúde pública, mobilidade urbana e

previdência social. “O Dia do Trabalhador já é comemorado há 121 anos. Além da confraternização entre os trabalhadores, trata-se de um momento de reflexão, por isso a importância desse amplo debate organizado pela CUT-PR”, complementa Otávio Dias. O encerramento das comemorações ficou a cargo do presidente estadual da CUT, Roni Barbosa: “Nossa manifestação do dia do trabalhador foi marcada por importantes debates, porque o 1º de

maio é dia de comemoração, mas acima de tudo é uma data de reflexão sobre a história e a situação dos trabalhadores. Nossa luta prioritária neste ano é pela redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem redução de salários. Nada mais justo que os lucros gerados pelo aumento da produtividade sejam repartidos com os trabalhadores. Portanto, neste dia, reafirmamos a necessidade da unidade de classe em torno desta bandeira de luta”, discursou. maio 2010

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‘Um fim de semana de meninos’

Sônia Boz, secretária de Imprensa e Comunicação do Sindicato 22

No último dia 08 de março (mais um Dia Internacional da Mulher), quando eu era cumprimentada pela data, respondia prontamente que meu objetivo para aquela semana era conquistar, como mulher, ‘um fim de semana de meninos’. Com isso, eu tentava explicar que os finais de semana para mim, assim como para a maioria das mulheres, continuam sendo de ‘trabalho’: organizo a casa, as contas, faço supermercado, penso no cardápio da semana, lavo parte da roupa (além de todos os cuidados pessoais). Tudo isso já que, durante a semana, eu encaro uma dupla e feroz jornada para cuidar da família e ser eficiente no trabalho, resumindo, somos ótimas administradoras, economistas e cuidadoras. Ah, mais um detalhe importantíssimo: temos que estar “em forma”, senão, é sinal de relaxo ou falta de amor próprio. No meu imaginário, ‘um fim de semana de meninos’ é composto de afazeres mais prazerosos e menos desgastantes, como lavar o carro, jogar uma pelada com amigos, tomar uma cerveja, sair para a “balada”. Afinal, é preciso relaxar, pois domingo é dia de acordar para assistir a corrida, quem sabe ir ao mercado municipal buscar uma garrafa de vinho para o almoço, assistir TV ou simplesmente esperar a semana começar. Como seria nossa vida se largássemos todas as responsabilidades ou assumíssemos, como mulheres, somente a parte que nos cabe? Será que eu estaria menos estressada? Ou estaria enlouquecendo com as consequências do não feito? Para mim, o mais difícil de toda a enfadonha rotina feminina são os atributos a que somos submetidas pelos nossos pares e, algumas vezes, inclusive, pelos próprios filhos: chata, perfeccionista, autoritária, alguém que pensa que pode exigir tudo, intrometer-se em tudo – isso só porque pedi para arrumar a cama ou propus uma alternativa diferente para o trabalho a ser executado. Quando não me coloco à disposição, não estou sendo solidária com o projeto maior; já quando me disponho a assumir um papel diferente, estou sendo

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pretensiosa e não tenho acúmulo suficiente; preciso ser mais humilde e esperar, me capacitar mais e melhor. Ainda que proporcionalmente e estatisticamente, na educação formal, as mulheres sejam maioria, persiste o argumento de que falta experiência. Então, penso eu cá com meus humildes botões, quando e como vamos conseguir mudar este nosso destino? Mesmo com todos os programas de equidade, tem sido sempre, no mínimo, duplamente difícil para nós, mulheres bancárias, conquistarmos um espaço ou lugar ao sol. Com meus filhos deixei de ser complacente, entendo seus arroubos de juventude e sua pífia rebeldia, mas não ‘deixo por menos’, vão ter que arrumar a cama, sim; vão ter que participar da divisão de tarefas domésticas de maneira mais equilibrada, para entenderem que a funcionalidade do ambiente doméstico depende de todos, coletivamente (para que assim todos tenhamos mais tempo livre). No mundo profissional, é mais complexo. Precisamos, como mulheres, ser mais solidárias umas com as outras; raciocinarmos que somente coletivamente conseguiremos avançar na conquista dos postos de chefia no mundo do trabalho e na esfera política, que ainda é majoritariamente masculina e na qual o preconceito de gênero está profundamente arraigado. Por outro lado, o “estar em forma” deve passar a ser uma questão de saúde física e mental, estado de espírito e não um quesito a mais para disputa; que idade também seja fator de valorização da experiência e não apenas um prazo de validade que está se expirando. E, por fim, que o nosso trabalho seja reconhecido, que não tenhamos que ser tão severas ou enérgicas para que a “casa” fique em ordem, ou tenhamos que gritar para sermos ouvidas. Que como administradoras, economistas e cuidadoras podemos sim dirigir bancos, empresas e o país. Mas que, acima de tudo, confiemos umas nas outras, afinal, nós, mulheres, somos ‘triplamente’ capazes. Assim, quem sabe, possamos sair no sábado para “bater uma bolinha” como os meninos.


Bancários exigem mais segurança Na última reunião da Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada, realizada em março, os bancos foram multados em mais de R$ 1,5 milhão por descumprimento das leis de segurança. Na avaliação do movimento sindical, esse fato comprova que, apesar dos altos lucros, as instituições financeiras continuam desvalorizando os planos de segurança. “Infelizmente, os bancos ainda colocam a defesa de seu patrimônio acima da vida e do bem-estar de seus trabalhadores e clientes”, analisa o diretor da FETEC-CUT-PR Carlos Alberto Copi. O descaso em ampliar os investimentos em prevenção, somado ao aumento gradativo do número de assaltos, sequestros e extorsões, têm preocupado os representantes dos bancários. Por isso, para discutir o tema, visando em primeiro lugar a proteção da vida, foi retomada neste ano a mesa temática sobre segurança bancária (que significa também o prosseguimento das reuniões da Comissão de Segurança Bancária, prevista na cláusula 42ª da Convenção Coletiva de Trabalho 2009/2010). As estatísticas apontam que, diariamente, clientes, bancários e vigilantes estão expostos à violência e têm suas vidas colocadas em risco. Para o movimento sindical, a morte de trabalhadores, além de muitos feridos e traumatizados, exigem ações imediatas e eficazes. “Desta forma, num primeiro momento, apresentamos aos representantes dos bancos as medidas reparatórias necessárias para as vítimas de assaltos e sequestros, como

Contraf-CUT

COM A RETOMADA DA MESA TEMÁTICA, TRABALHADORES PROPÕEM MEDIDAS QUE VISAM AUMENTAR A QUALIDADE DE VIDA E REDUZIR A INSEGURANÇA BANCÁRIA

Após três anos de espera, mesa temática de segurança bancária foi retomada. No mês de abril, foram realizadas duas reuniões em São Paulo.

atendimento médico, psicológico e segurança ao bancário e sua família”, explica Copi, que também representa o Paraná na mesa temática de segurança. Em caso de assaltos, consumados ou não, e outros delitos, os dirigentes sindicais defendem o atendimento médico e psicológico a bancários e familiares, além de tratamento e medicamentos custeados pelos bancos. Propõem também, quando necessário, segurança individual e acompanhamento jurídico no reconhecimento de suspeitos na polícia. “Reivindicamos a emissão da CAT para quem presenciou o delito e o fechamento da agência no dia da ocorrência, até que as condições de segurança sejam restabelecidas”, destaca o diretor da Contraf-CUT e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança

Bancária, Ademir Wiederkehr. “Propomos ainda a comunicação dos ataques à Cipa e ao sindicato local, como forma de agilizar o apoio às vítimas”, acrescenta. Uma nova reunião da mesa temática de segurança está agendada para junho. Na ocasião, os trabalhadores irão aprofundar o debate sobre as medidas reparatórias e colocar em pauta também a indenização e o adicional de risco de vida, além de medidas preventivas de segurança nos estabelecimentos bancários. “Chegou a hora das instituições financeiras considerarem a segurança como uma questão de responsabilidade social”, pontua Carlos Alberto Copi. “Diante da boa vontade de ambas as partes – bancários e banqueiros –, vislumbramos boas chances de avançarmos na negociação”, avalia. maio 2010

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Jogos da Copa 2010 no Espaço Cultural

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CATEGORIA PODERÁ ASSISTIR JOGOS QUE SE INICIAREM A PARTIR DAS 15H30 DURANTE A SEMANA NO CAFÉ DOS BANCÁRIOS

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No dia 11 de junho, terá início a 19° edição da Copa do Mundo de Futebol, um dos maiores eventos esportivos do planeta. Em 2010, a competição será realizada pela primeira vez no continente africano, na África do Sul, e irá reunir 32 seleções, classificadas através de processos eliminatórios disputados nos últimos 3 anos. Na primeira fase, a seleção brasileira (grupo G) enfrentará os times da Coréia do Norte, Costa do Marfim e de Portugal. No Brasil, os jogos serão transmitidos oficialmente por dois canais abertos de televisão, a Rede Globo e a Bandeirantes (além das redes de TV por assinatura). Contudo, o melhor da Copa é justamente o sentimento de nacionalismo e união que o campeonato suscita, reunindo pessoas em torno de uma paixão nacional, o futebol. Por isso, o Café dos Bancários do Espaço Cultural e Esportivo da categoria irá transmitir todos os jogos que forem disputados às 15h30, durante a semana, independente do time que entrar em campo. A partir deste horário, o bar funcionará normalmente para que os bancários, amigos e familiares possam torcer juntos pela seleção brasileira e acompanhar os demais jogos. A primeira partida que o Brasil disputa, contra a Coréia do Norte, está marcada para o dia 15 de junho, às 15h30. “Todos os bancários estão convidados para

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vir se juntarem a nossa torcida, no Café dos Bancários”, convida Otávio Dias, presidente do Sindicato. No terceiro jogo, que acontece no dia 25 de junho, contra Portugal, a seleção brasileira entra em campo a partir das 11h e a abertura do bar estará condicionada à definição do Banco Central sobre o funcionamento das instituições financeiras nesta data. “Teremos que aguardar para saber qual será o horário de atendimento bancário. Mas os trabalhadores podem ficar atentos, pois disponibilizaremos a programação do Café dos Bancários no site www.bancariosdecuritiba.org.br mais próximo da data”, completa Genésio Cardoso, secretário de Cultura do Sindicato. Café dos Bancários O bar fica no Espaço Cultural e Esportivo dos Bancários, localizado na Rua Piquiri, 380, bairro Rebouças, e funciona de terça a sexta-feira, das 17h às 22h, e aos sábados a partir das 12h. Além de ambiente agradável, os bancários podem desfrutar de um cardápio variado, com porções de frango a passarinho, calabresa, filé de frango, alcatra, batata e mista (frango, calabresa e alcatra) e diversos tipos de sanduíches. Durante a Copa, o bar abrirá também para a transmissão dos jogos, a partir das 15h30. Venha torcer conosco!


Sindicato ganha ação judicial de R$ 28 mi ATUAÇÃO DA ASSESSORIA JURÍDICA DA ENTIDADE GARANTE PAGAMENTO DA URP PARA BANESTADENSES. OUTRAS AÇÕES TAMBÉM ESTÃO EM ANDAMENTO

Após 19 anos de espera, no mês de março, finalmente, o Sindicato dos Bancários de Curitiba e região pôde comemorar juntamente com os trabalhadores do Banco Banestado, privatizado em 2000, uma grande conquista: a vitória na ação da Unidade de Referência de Preço (RT 5053/1992 - URP), que postula o pagamento das diferenças salariais decorrentes do incorreto repasse de reajustes aos salários dos trabalhadores (os valores correspondem a 6% dos reajustes não repassados referentes aos meses de abril, maio e junho de 1991). O Sindicato ingressou com a ação de substituição processual em 1992. O pleito foi julgado favorável em 2000, mas em razão do grande número de substituídos, da complexidade dos cálculos e da antiguidade dos documentos necessários para a elaboração da conta, os cálculos só foram apresentados e homologados pelo perito em 2005. Depois disso, ainda foi preciso uma revisão dos valores, que continham incorreções. Assim, o processo de execução só chegou ao fim no início deste ano. A ação contempla quase 3 mil bancários, que receberão um montante que totaliza R$ 28 milhões. “Longos 19 anos se passaram desde o ingresso da ação, período em que o Sindicato se manteve atuante na defesa dos direitos destes trabalhadores e fez todo o possível para agilizar o processo judicial. Finalmente, neste ano de 2010, a Justiça vai permitir que os bancários recebam seus direitos referentes à ação da URP”, comemora o secretário de Assuntos

Jurídicos da entidade, Ademir Vidolin. Desde a saída da decisão favorável aos bancários, o Sindicato está reunindo os dados dos contemplados para viabilizar o pagamento da ação. No entanto, a entidade esclarece que a efetivação do pagamento será feita pela Secretaria da 11° Vara do Trabalho. Antes disso, porém, há um longo processo de verificação e organização das informações dos bancários. Por esse motivo, não há previsão de quantos dias ainda vai demorar para o valor da ação chegar às mãos dos trabalhadores banestadenses, o que deve acontecer em breve. Gratificação semestral Além da URP, outras ações de substituição processual encontram-se em andamento, como, por exemplo, as ações de 7ª e 8ª horas trabalhadas mas não pagas com extra para os trabalhadores do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O Sindicato também substitui os bancários do Banestado na ação de Gratificação semestral (RT 5121/1993), que se refere aos salários não pagos a título de gratificação no período imediatamente anterior a 1993. Devido a quantidade de contemplados e a complexidade dos cálculos, somente no início de 2010 o perito concluiu a fase inicial de cálculos. Assim, o juiz da 4ª Vara do Trabalho marcou audiência para o mês de junho. “Por se tratar de uma ação em que os valores são muito elevados, o Sindicato acredita que o banco vai se utilizar de todos os recursos legais possíveis para protelar o pagamento”, pondera Vidolin.

Colabore com a Assessoria Jurídica do Sindicato

Embora 2 mil bancários já tenham repassado seus dados ao Sindicato, ainda há mais de 800 trabalhadores contemplados pela ação da URP que não entraram em contato com a entidade. Por isso, está disponível em www.bancariosdecuritiba.org.br uma lista com os nomes dos procurados. Acesse o site e confira se seu nome não está lá ou se você não conhece alguém.

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01.03.2010

SEEB Curitiba

Bancários se preparam para certificação CPA-10 De 01 a 25 de março, o Sindicato promoveu, para os bancários sindicalizados, o curso preparatório para o exame de certificação profissional série 10 (CPA-10). Com duração de 60 horas, as aulas foram ministradas pelo assessor financeiro Roberto Sevalli e pelo professor e mestre em Economia Rodrigo Kremer, no Espaço Cultural.

Preocupado com a formação e o aperfeiçoamento da categoria bancária, o Sindicato busca ofertar anualmente o curso preparatório CPA-10, considerado uma ótima oportunidade de qualificação e ascensão na carreira profissional. Neste ano, além de promover o curso, a entidade custeou grande parte do valor da inscrição.

03 e 04.03.2010

SEEB Curitiba

Sindicato debate organização do trabalho Discutir a organização do trabalho a partir das disparidades geradas pelas transformações modernas, que opõem a ditadura profissional da reclusão à condições humanizadas. Foi essa a temática do 1° Ciclo de Debates do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, realizado nos dias 03 e 04 de março, no Espaço Cultural.

O evento, que reuniu mais de 200 trabalhadores e demais interessados no assunto, contou com a participação do especialista em assédio moral Roberto Heloani, do perito em ações judiciais Alceu Graczkowski e das professoras Ângela Araújo e Nanci Stanki. Um dos destaques foi o debate sobre diversidade e gênero no mercado de trabalho.

13.03.2010

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Cicloturismo: aventura sobre duas rodas

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maio 2010

O terceiro passeio do Cicloturismo dos Bancários, promovido pelo Sindicato no dia 13 de março, foi, mais uma vez, garantia de diversão e aventura. O encontro, que vem ganhando mais adeptos a cada nova edição, reuniu cerca de 30 trabalhadores, amigos e familiares. Desta vez, o percurso foi de Garuva a Vila da Glória (SC). Depois da pedalada, os par-

ticipantes desfrutaram de um saboroso almoço no Restaurante do Zinho, um dos mais tradicionais da região. Os bancários que já participam dos roteiros ciclísticos ou aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de fazer parte desta aventura devem ficar atentos, pois um novo passeio, por um percurso diferente, já está sendo preparado.


16.03.2010

Seguindo a orientação nacional, o Sindicato realizou, em 16 de março, um ato no CPSA do Itaú Unibanco. O objetivo foi pressionar a nova direção de Recursos Humanos do banco, que não pagou a regra da PLR integral a todos os trabalhadores. O local da mobilização também foi escolhido em função de outros problemas, como o corte do

lanche e as más condições de trabalho. Durante a paralisação, os membros da COE/Itaú Unibanco, os presidentes do Sindicato, Otávio Dias, e da FETECCUT-PR, Elias Jordão, e a representante da CUT-PR, Marisa Stedile, discursaram. “Esperamos uma solução para a PLR, caso contrário, teremos que intensificar as manifestações”, afirmou Otávio Dias.

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Sindicato realiza paralisação no Itaú Unibanco

20.03.2010

A tradicional Copa Bancária de Futebol Suíço “68 anos de luta”, promovida pelo Sindicato, já começou e vem reunindo semanalmente os trabalhadores bancários na Sede Campestre da entidade, em Piraquara. Os primeiros jogos aconteceram no sábado, 20 de março. Ao todo são 10 equipes inscritas, que disputam as partidas semanalmente,

conforme o sorteio das chaves. Neste ano de 2010, a exemplo da edição anterior, além de promover integração, diversão e qualidade de vida, o campeonato faz uma homenagem aos 68 anos do Sindicato e vai possibilitar que os bancários conheçam e debatam as bandeiras de lutas e as conquistas da categoria.

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Copa Bancária agita fim de semana dos bancários

31.03.2010

Os associados da Cooperativa de Crédito Mútuo dos Trabalhadores do Sistema Financeiro de Curitiba e região (Coopcrefi) estiveram reunidos em assembleia, no dia 31 de março, no Espaço Cultural. Eles deliberaram sobre a reforma estatutária, a composição da diretoria, a prestação de contas e o balanço do exercício 2009, entre outros

assuntos de interesse. Segundo a diretoria da Coopcrefi, foram aprovadas as contas referentes ao ano passado e as sobras foram encaminhadas ao fundo de reserva. Também foram feitas as alterações necessárias no estatuto para adequação à nova legislação das cooperativas, além da eleição de um novo conselho fiscal.

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Assembleia aprova mudanças na Coopcrefi

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31.03.2010

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Sindicato promove Páscoa solidária Uma Páscoa solidária e mais alegre para crianças que nem sempre têm a oportunidade de receber a visita do ‘coelhinho’. Foi esse o objetivo da entrega dos ovos de chocolate realizada pela Sindicato, na tarde do dia 31 de março. A ação foi promovida pelo grupo de Ajuda Mútua de Terapia Comunitária (AMU) – composto por bancários

afastados pelo INSS – juntamente com a Secretaria de Saúde da entidade. Os bancários distribuíram coelhinhos artesanais, doces e chocolates para as mais de 50 crianças assistidas pela Casa de Apoio Pequeninos de Cristo. Além da entrega das guloseimas, foram feitas atividades recreativas, gincanas e demais brincadeiras.

07.04.2010

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Postura da Gepes gera manifestação no BB Na manhã do dia 07 de abril, o Sindicato realizou, em Curitiba, um protesto contra a atuação insatisfatória e a postura burocrática que vem sendo adotada pela Gerência Regional de Pessoas do Banco do Brasil (Gepes). Ao seguir a política nacional de recursos humanos ditada pela Diretoria Relações com Funcionários e Responsabilidade Socioam-

biental (Dires), segundo os dirigentes sindicais, a gerência tem tido seu real papel sistematicamente anulado. A mobilização enfatizou ainda a postura insatisfatória que o banco vem assumindo, dominada por uma lógica que valoriza os números e as metas em detrimento à ética, inclusive no tratamento com os bancários.

Lançamento da Campanha de Isonomia/SEEB Curitiba

08.04.2010

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maio 2010

Bancários protestam contra reestruturação na Caixa O processo de reestruturação de algumas áreas-meios da Caixa vem gerando mobilizações em todo país. Em Curitiba, os bancários estiveram reunidos, em 08 de abril, para deliberar sobre o ingresso de duas ações judiciais: uma de irredutibilidade salarial e outra de fechamento de unidades e transferência. O objetivo é resgatar o respeito para com

o trabalhador e evitar que os bancários passem por situações desconfortáveis no momento da realocação. Na avaliação do movimento sindical, as mudanças empreendidas pela empresa têm desrespeitado inclusive os normativos internos no que diz respeito às nomeações e realocações por meio de processos seletivos internos.


13.04.2010

Tendo em vista o estado de alerta gerado pela gripe Influenza A (H1N1) no ano passado, o Sindicato realizou, no dia 13 de abril, uma reunião com os representantes dos bancos e as Secretarias Estadual e Municipal de Saúde. O objetivo foi informar sobre as medidas preventivas que as instituições financeiras devem tomar para combater a pro-

liferação do vírus. Na ocasião, o epidemologista João Luis, representante da Secretaria Estadual de Saúde, prestou esclarecimentos sobre como o vírus é transmitido, que tipo de população compõe o grupo de risco, a eficácia da vacina e a importância de vacinar os trabalhadores que atuam no atendimento ao público.

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Sindicato realiza reunião sobre Gripe A

15.04.2010

Durante todo o dia 15 de abril, os delegados sindicais do Banco do Brasil de Curitiba e região estiveram reunidos com os dirigentes sindicais no Espaço Cultural e Esportivo dos bancários. Durante a manhã, o Sindicato realizou um debate formativo, com foco na lógica empresarial. O objetivo foi desconstruir o discurso e as meias-verdades dissemi-

nadas e impostas pela ideologia capitalista, valorizando o papel dos trabalhadores e de seus representantes. Na parte da tarde, os bancários se reuniram com o administrador da Superintendência Regional do banco para dar encaminhamento às principais demandas de deficiências da rede de atendimento bancário de Curitiba e região.

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Delegados sindicais do BB se reúnem

30.04.2010

No dia 30 de abril, o Sindicato realizou um protesto em frente à agência Centro Cívico do Itaú Unibanco. O objetivo do ato, que retardou a abertura da unidade em uma hora, foi chamar a atenção da sociedade e da direção do banco para as péssimas condições de trabalho a que os funcionários estão submetidos, devido às mudanças de bandeira e pa-

dronização das agências. “Um bancário desta agência já havia sido encaminhado ao hospital com problemas respiratórios, por causa da grande quantidade de poeira no local. A direção do Itaú Unibanco tem se mostrado, no mínimo, negligente em não preservar a saúde e a segurança dos trabalhadores”, relatou o dirigente sindical Júnior César Dias.

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Péssimas condições de trabalho no Itaú Unibanco

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‘Quem é quem’ no movimento sindical NACIONALMENTE, OS TRABALHADORES BANCÁRIOS SÃO REPRESENTADOS PELA CONTRAFCUT, ENQUANTO, EM NÍVEL ESTADUAL, ESTA REPRESENTAÇÃO CABE À FETEC-CUT-PR

FETEC e Contraf. Estas são algumas das siglas que permeiam o universo do sindicalismo e que, para muitos bancários, são incompreensíveis. Nas campanhas salariais, todos os anos, elas se tornam ainda mais recorrentes, afinal as conferências nacional e estadual são organizadas respectivamente pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT) e pela Federação dos Bancários da CUT do Paraná (FETEC-CUT-PR). Como o Sindicato é o responsável pela atuação direta junto aos trabalhadores, participando do cotidiano de conquistas e problemas dos bancários, por vezes, a categoria fica sem entender quais são as atribuições destas entidades de representação estadual e nacional. A ContrafCUT está sediada em São Paulo e também possui escritório em Brasília. Os membros de sua diretoria, dirigentes sindicais bancários de todas as partes do país, representam a categoria nas negociações permanentes, na campanha salarial (junto aos representantes locais), no cenário político – fazendo a defesa da categoria bancária e da classe trabalhadora em projetos de Lei que tramitam no Congresso Nacional – e também internacional30

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mente. Atualmente, o presidente da Contraf-CUT é o bancário Carlos Cordeiro, que também está à frente da UNI Américas Finanças, organização internacional dos trabalhadores do setor financeiro nas Américas. Já a FETEC-CUT-PR tem sede no centro de Curitiba (XV de Novembro, 270, conjunto 510). Como o nome afirma, a entidade representa os trabalhadores do ramo financeiro em nível estadual. Tem um papel essencial na união e organização dos sindicatos aos quais representa, consolidando e fortalecendo as lutas coletivas dos bancários. Ambas nasceram orgânicas à CUT, ou seja, mais do que filiadas à Central Única dos Trabalhadores, são vinculadas estatutariamente à central sindical. Histórico A Contraf-CUT é curitibana. A assembleia que criou a confederação, que substituiu a Confederação Nacional dos Bancários (CNB), foi em janeiro de 2006, na capital paranaense. Já a FETEC-CUT-PR foi fundada em congresso realizado em Londrina, em 1992. Participaram da fundação da FETEC os Sindicatos de Bancários de Apucarana, Assis Chateaubriand, Campo Mourão, Cornélio Procópio, Londrina, Toledo e Umuarama. Nos dois anos após sua fundação, a Federação atuou com destaque nas lutas da categoria bancária e, por este motivo, conquistou os Sindicatos de Bancários de Paranavaí e Curitiba, e participou da fundação do Sindicato em Arapoti. Já a CUT-PR foi fundada em 1985 e, desde então, conta com membros da categoria bancária em sua diretoria executiva. Como era proibida a constituição de centrais sindicais, a CUT e todas as suas instâncias funcionavam juridicamente como Instituto Nacional de Formação (INF). Atualmente, a CUT-PR representa 147 entidades sindicais e mais de 500 mil trabalhadores na base.


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Bancári@s  
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Revista do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região - maio 2010

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