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Otávio Dias ∞ Bradesco

Presidência otavio@bancariosdecuritiba.org.br Antonio Luiz Fermino • Caixa

Carlos Alberto Kanak • HSBC

Secretaria Geral fermino@bancariosdecuritiba.org.br

Secretaria de Finanças kanak@bancariosdecuritiba.org.br

Audrea Louback • HSBC

André C. Branco Machado • Banco do Brasil

Secretaria de Organização e Suporte Administrativo audrea@bancariosdecuritiba.org.br

Secretaria de Imprensa e Comunicação andre@bancariosdecuritiba.org.br

Genésio Cardoso • Caixa

Cristiane P. Zacarias P. • HSBC

Secretaria de Formação Sindical genesio@bancariosdecuritiba.org.br

Secretaria de Igualdade e da Diversidade

Karla Cristine Huning • Bradesco

Ana Maria Fideli Marques • Itaú

Secretaria de Assuntos Jurídicos Coletivos e Individuais karla@bancariosdecuritiba.org.br

Secretaria de Saúde e Condições de Trabalho anafideli@bancariosdecuritiba.org.br

Marcio M. Kieller • Itaú

Ana Luiza Smolka Lima • Banco do Brasil

Secretaria de Políticas Sindicais e Movimentos Sociais kieller@bancariosdecuritiba.org.br

Secretaria de Cultura anasmolka@bancariosdecuritiba.org.br

Júnior César Dias • Itaú Unibanco

Pablo Sérgio M. Ruiz Diaz • Banco do Brasil

Secretaria de Mobilização e Organização da Base junior@bancariosdecuritiba.org.br

Secretaria de Ass. de P. Sociais e E. Socioeconômicos pablo@bancariosdecuritiba.org.br

Lilian de C. Graboski • Santander

Genivaldo A. Moreira • HSBC

Secretaria de Assuntos do Ramo Financeiro *Aguardando liberação

Ademir Vidolin - Bradesco Alessandro Greco Garcia - BB Ana Paula Araújo Busato - BB Anselmo Vitelbe Farias - Itaú Armando Antonio Luiz Dibax - Itaú Carlos Francisco Liparotti Deflon - Caixa Claudemir Souza do Amaral - Santander Claudi Ayres Naizer - HSBC Clovis Alberto Martins - HSBC Darci Borges Saldanha - Itaú Davidson Luis Zanette Xavier - BB Débora Penteado Zamboni - Caixa Denívia Lima Barreto - HSBC Edison José dos Santos - HSBC Edivaldo Celso Rossetto - HSBC Eustáquio Moreira dos Santos - Itaú Gerson Laerte da Silva Vieira - BB

Secretaria de Esportes e Lazer

Herman Felix da Silva - Caixa João Paulo Pierozan - Caixa Jorge Antonio de Lima - HSBC José Carlos Vieira de Jesus - HSBC José Carneiro Ferreira - HSBC Karin Tavares - Santander Kelson Morais Matos - Bradesco Nilceia Aparecida Nascimento - Bradesco Orlando Narloch - HSBC Rodrigo Pilati Pancotte - BB Sélio de Souza Germano - Itaú Sidney Sato - Itaú Sonia Regina Sperandio Boz - Caixa Tarcizo Pimentel Junior - HSBC Ubiratan Pedroso - HSBC Valdir Lau da Silva - HSBC Vanderleia de Paula - HSBC Vandira Martins de Oliveira - Itaú

Efetivos

Suplentes

Ivanício Luiz de Almeida - Itaú Unibanco Denise Ponestke de Araújo - Caixa Margarete Segalla Mendes - HSBC

Tânia Dalmau Leyva - Banco do Brasil Edna do Rocio Andreiu - HSBC Carolina M. Mattozo - Banco do Brasil


Gráfico: Mariana Kaminski

06 Dívida pública

Contraf-CUT

Secretário de Políticas Sociais do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, Pablo Diaz, analisa as taxas de juros praticadas no Brasil e a dívida pública.

16 Campanha Nacional O Nacional

Neste ano, bancários de todo o país querem emprego decente, com estabilidade, remuneração justa, saúde e mais segurança, além do fim dos correspondentes bancários.

12 Correspondentes

SEEB Curitiba

O advogado e assessor jurídico do Sindicato, Nasser Ahmad Allan, comenta as implicações das resoluções publicadas pelo CMN/BC.

08 Demissões no Itaú Apesar da promessa de Roberto Setúbal na época da aquisição do Unibanco, Itaú segue demitindo uma média de 100 bancários por dia no país.

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Cartas do leitor Editorial Conjuntura Bancos Entrevista Formação Capa Cultura Saúde Cidadania Opinião Jurídico Aconteceu Memórias da luta Humor agosto 2011

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Denuncie o assédio moral Já está disponível no site do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região o formulário, previsto no Acordo Coletivo de Trabalho Aditivo para Prevenção de Conflitos no Ambiente de Trabalho, para denúncias de assédio moral. As denúncias informais chegam diariamente à entidade, mas para que seja possível pressionar os bancos contra a violência organizacional é preciso formalizar as reclamações.

“Os funcionários estão sendo massacrados com dezenas de torpedos enviados para seus celulares, com metas absurdas e com o ranking de vendas diário de cada colega. Os que não aparecem no ranking são indiretamente humilhados. Não bastasse isso, até nos domingos somos infernizados com e-mails.” Bancário do Banco do Brasil

Coleção Plenos Pecados: O clube dos Anjos - Gula Autor: Luís Fernando Veríssimo Páginas: 132 Editora: Objetiva

Veríssimo fala sobre o pecado capital da gula. O livro conta a história de dez amigos que se reuniam para comer picadinho de carne na adolescência e, mais velhos, em jantares mensais, em que mostram suas falhas e fraquezas.

“Sou caixa há 10 anos e nunca sofri uma pressão como essa. Além de termos que cumprir as metas ultrapassando os 150%, temos que passar nossos pontos conquistados todos os dias. Não consigo mais dormir, tenho muitas dores nos braços e pavor de pensar em assaltos. Nunca trabalhei em nenhuma outra empresa que visa só o lucro e não se importa com os clientes.” Bancária do Itaú Acesse www.bancariosdecuritiba.org.br, clique no banner na lateral direita e preencha o formulário. O sigilo é garantido pelo Sindicato. Não se omita, denuncie!

Os falsários Gênero: Drama/Guerra Tempo de duração: 98 minutos Ano de lançamento: 2007

O falsificador judeu Salomon Sorowitsch é transferido pelos nazistas para um campo de concentração, onde se torna responsável por um grupo de prisioneiros que faz a maior falsificação de dinheiro da história.

A revista Bancári@s é uma publicação bimestral do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, produzida pela Secretaria de Imprensa e Comunicação. Presidente: Otávio Dias • otavio@bancariosdecuritiba.org.br Sec. Imprensa: André Machado • andre@bancariosdecuritiba.org.br Rua Vicente Machado, 18 • 8° andar CEP 80420-010 • Fone 41 3015.0523 www.bancariosdecuritiba.org.br Os textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores.

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agosto 2011

Conselho Editorial: Ana Smolka, André Machado, Carlos Kanak, Antonio Luiz Fermino, Marcio Kieller e Otávio Dias Jornalista responsável: Renata Ortega (8272-PR) Redação: Flávia Silveira, Paula Padilha e Renata Ortega Projeto gráfico: Fabio Souza e Renata Ortega Diagramação: Fabio Souza e Mariana Kaminski Colab.: Cícero Bittencourt • Revisão: Maria C. Périgo Impressão: Maxigráfica • Tiragem: 8.000 Contato: imprensa@bancariosdecuritiba.org.br


SEEB Curitiba Contraf-CUT

Na noite do dia 17 de junho, a diretoria eleita do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região tomou posse, em uma cerimônia festiva que contou com a participação de mais de 400 convidados. Na ocasião, a nova direção da FETEC-CUT-PR também foi oficialmente empossada.

A realidade bancária Desde 2008, a grande mídia tem se ocupado em noticiar a crise financeira mundial: primeiro, a quebra no sistema imobiliário norte-americano e, mais recentemente, a hecatombe que assola a economia dos Estados Unidos e demais países afetados. Neste mesmo período, todas as mobilizações e reivindicações da classe trabalhadora, sobretudo daqueles ligados ao setor financeiro, foram lincadas, pela imprensa, à instabilidade econômica internacional. Por outro lado, o que temos observado é que o Brasil vive um momento propício de crescimento econômico, o que pode ser comprovado pelos resultados positivos obtidos pelo setor financeiro. Só no primeiro semestre de 2011, o Itaú Unibanco lucrou R$ 7,13 bilhões; o Banco do Brasil, R$ 6,25 bilhões; e o Bradesco, R$ 5,48 bilhões. Diante de tamanha rentabilidade, você deve estar se perguntando quais os benefícios que os verdadeiros responsáveis por estes lucros, os bancários, estão ganhando. Respondo: sobrecarga de trabalho, falta de segurança, cobrança pelo cumprimento de metas e adoecimento, entre outros. Não lhe parece justo? Pois é. Para entender do que estou falando,

primeiro, é preciso destacar a desmedida rotatividade promovida pelos bancos. Os dados Caged referentes ao primeiro semestre de 2011 apontam que, somente no Paraná, foram 1.121 demissões no setor financeiro (seguidas da contratação de 1.645 trabalhadores no mesmo período). Apesar do saldo positivo, esse processo tem acarretado em uma brutal redução na massa salarial da categoria. É evidente que os bancos procuram demitir os bancários com mais altos salários para contratar novos pagando apenas o piso. Além disso, dados nacionais mostram que as condições de saúde e segurança da categoria bancária estão cada vez mais precárias. Segundo a pesquisa encomendada pela Contraf-CUT ao Dieese, dos 1.200 bancários afastados mensalmente em todo o país, 50% deles apresentam transtornos mentais, fruto da pressão diária pelo cumprimento das metas estabelecidas. Já as estatísticas divulgadas pelo Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e região informam que, somente nos primeiros seis meses do ano, ocorreram 838 ataques a bancos e caixas eletrônicos no Brasil, estando o Paraná em terceiro lugar. Para completar o cenário desgastante, na tentativa de legislar em favor do setor

financeiro, o Banco Central, através do Conselho Monetário Nacional, publicou neste ano as Resoluções 3.954 e 3.959, que ampliam a atuação dos correspondentes bancários e flexibilizam ainda mais as terceirizações. O resultado imediato das decisões é a precarização das condições de trabalho da categoria. Por fim, soma-se a tudo isso o discurso que vem sendo adotado pelos representantes da Fenaban de que a tendência da inflação é de queda e que, por isso, as negociações deveriam levar em conta a inflação projetada (futura) e não a acumulada no período. A entidade patronal esquece que a inflação dos últimos 12 meses já pesou no bolso dos trabalhadores. Feita esta avaliação, aproveito para lembrar que os bancários de todo o Brasil já deram exemplo em 2010, realizando a maior campanha salarial dos últimos 20 anos. E, não faremos diferente. Neste início de Campanha Nacional dos Bancários 2011, conclamamos todos a participar da organização e mobilização da categoria. Não existe conquista sem luta! Otávio Dias Presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região agosto 2011

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Dívida pública e interesses ocultos ECONOMISTA EXPLICA AS ARMADILHAS DAS TAXAS DE JUROS DO PAÍS

Os números da dívida interna começam a preocupar tanto no que diz respeito à sua totalidade (acima de R$ 2 trilhões), como, principalmente, pela sua dinâmica. O grande oxigênio da dívida governamental é a taxa de juros mais elevada do planeta (juros reais igual juros nominais menos inflação). O Brasil paga ainda as taxas mais caras do mundo no curto prazo (leia-se até 90 dias). Enquanto qualquer país com administração competente e saudável das contas públicas paga juros menores no curto prazo em relação ao longo prazo, o Brasil mantém convenientemente para alguns (bancos, fundos e endinheirados) a taxa de curto prazo maior que a de longo prazo. Qualquer um sabe que quanto maior o juro, maior a prestação e maior a dívida. A evolução da dívida como demonstra o gráfico ao lado comprova esta lógica. O que isto tem a ver comigo? Ocorre que, anualmente, os governos estabelecem um orçamento que destina recursos para educação, saúde, segurança, aposentadorias e investimentos em infraestrutura, entre outros. No Brasil, em 2010, o governo destinou 44,93% de todo o seu orçamento para rolagem da dívida, seja por meio de amortizações, seja para refinanciamento ou para pagamentos simples de juros. Somente em juros, o Brasil gastou R$ 172 bilhões, que representou 5,72 vezes mais do que aplicado no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que teve valor de R$ 29,9 bilhões, ou 13,13 vezes os recursos para o Programa Bolsa Família (R$ 13,1 bilhões). Com relação a isso, a mídia conservadora e, em grande parte, financiada pelas gordas verbas publicitárias dos bancos, nada falou, escreveu ou mostrou. Silêncio total. Já quando se trata de alguma distorção

no Bolsa Família, vira abertura de telejornal e capa de revista semanal. Quanto ao “bolsa-juros”, silêncio total. Todos os governos falam em cuidar da educação, saúde, segurança, transportes, moradia, infraestrutura, ciência e tecnologia, sendo impossibilitados pela camisa de força dos juros internos. Tem a ver com a falta de recursos para a tão propalada “cidadania”: Há números ainda mais expressivos e caros para o futuro do país, como ciência e tecnologia com míseros 0,38%. Não estamos pensando no futuro do Brasil, mas de sua eterna elite, que apenas se transmuta de geração em geração, agregando novas forças políticas, cooptando dissidências e mantendo o status quo. Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), descreve que 20 mil famílias vivem do “bolsa-juros” no país. Logo, abocanham grande parte dos recursos públicos para a manutenção de seus privilégios. Seria o furto do futuro? O gráfico ao lado mostra nas mãos de quem está a dívida pública interna. A crise europeia que se alastra ilustra bem as possibilidades futuras de países que são sequestrados pela banca mundial. O exemplo mais relevante é o da Grécia, que está à beira de um colapso e ameaça a própria existência da União Europeia e do euro. Para resolver o problema dos bancos, o governo de “esquerda” propôs um pacote consensual com a “direita”, com cortes nos salários e nas aposentadorias, aumento de impostos e redução do funcionalismo, privatização das empresas públicas e até mesmo das ilhas do país. Alguns acreditam que o Brasil está “imune” a essa crise. Mas não esqueçamos que essa era a crença na Argentina, que entrou numa espiral de miséria, perdendo do dia para noite 25% de sua riqueza para os “credores internacionais” – agiotas repaginados com nova terminologia. Um cartaz se tornou emblemático


nas favelas de Buenos Aires naqueles tempos de crise: “Bienvenida classe media”.

Gráficos: Mariana Kaminski

O detento controla o carcereiro A expectativa na eleição de Dilma, do PT, era acabar com essa ditadura econômica que amarra os governos aos juros da dívida e ao superávit fiscal. Contudo, não vai haver soberania e o “efeito Grécia” não tardará a chegar em nosso país com a manutenção da política adotada nesses seis primeiros meses de governo, com cortes no orçamento público, a retomada de privatizações, juros altos e câmbio flutuante. Esse modelo arrasta o país ao desastre, aumentando a desindustrialização, o desemprego, a falta de perspectiva de vida e a violência, favorecendo apenas os bancos Ao mesmo tempo, os empresários culpam os salários pelo aumento da inflação e exigem medidas para diminuir o “custo do trabalho”. O governo, cedendo a essa pressão, lança um “pacote industrial” que protege somente o lucro dos empresários e não os empregos e os direitos dos trabalhadores, desonerando a folha de pagamento e ameaçando a Seguridade Social. Ironicamente, 70% da inflação vem dos preços “administrados” pelas agências reguladoras do governo, que, ao invés de regular, são “reguladas” pelas grandes empresas e bancos. “O detento controla o carcereiro”. É necessária outra política, que enfrente os bancos e proteja os trabalhadores. Como pode ser possível em nosso país um banco como o Itaú, que lucrou R$ 7,13 bi nesse primeiro semestre de 2011, demitir cerca de 100 trabalhadores por dia nos últimos dois meses? E, pior, nada ser feito? A Contraf-CUT está reivindicando do governo a realização de uma Conferência Nacional do Sistema Financeiro para discutir essas questões e enfrentar o poder dos bancos. Além do mais, nossa campanha salarial deste ano tem como eixos centrais a defesa do emprego, o aumento real dos salários e o combate às terceirizações. Está na hora do governo ouvir sua base social e adotar um rumo que evite o desastre anunciado.

Pablo Diaz, secretário de Políticas Sociais e Estudos Sócioeconômicos

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Setúbal: um homem sem palavra AO CONTRÁRIO DO QUE PROMETEU O PRESIDENTE, ITAÚ DEMITE NO BRASIL INTEIRO

O que o Itaú Unibanco tem para você, bancário? Demissões, falta de respeito e péssimas condições de trabalho. Ao mesmo tempo em que vende uma boa imagem, com belas propagandas, ostentando um questionável prêmio que o considera uma empresa sustentável, o banco não valoriza aqueles que realmente o fazem o maior banco do hemisfério sul: seus trabalhadores. Em entrevista à revista Exame, Roberto Setúbal afirmou que a empresa passa por mudanças de mercado e que é hora de cortar. “O Itaú teve um lucro de R$13 bi em 2010, foi o campeão. O que os bancários ganham em troca? Desrespeito e demissões”, afirma Otávio Dias, presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região. Na base do Sindicato, são 378 bancários demitidos desde 2009, ano da aquisição do O Itaú teve um lucro Unibanco. Só em 2011, 122 trabalhadores já perderam de R$13 bi em 2010, o emprego (15 dessas defoi o campeão. O que missões foram revertidas pela os bancários ganham entidade via liminar judicial). Diante desta situação, em troca? Desrespeito bancários de todo o país estão se mobilizando. No dia 19 de e demissões.” julho, Dia Nacional de Lutas do Itaú Unibanco, ocorreram manifestações no Brasil inteiro. No Paraná, os trabalhadores fecharam 21 agências, oito delas só em Curitiba. Os representantes dos trabalhadores pediram o apoio da população, que também é afetada. “O banco cobra tarifas abusivas e precariza o atendimento. Os clientes estão pagando para se autoatender”, reforça Júnior Dias, dirigente do Sindicato. Cada um por si Na capital paranaense, o clima de medo impera sobre a Superintendência de Desenvolvimento Industrializado de Sistemas (SDIS) e o Centro de Processamento de Serviço de Agência (CPSA).

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A SDIS é oriunda da antiga equipe de Tecnologia da Informação do Banestado, privatizado no ano 2000. Na época, a área era composta por cerca de 500 funcionários. Após a privatização, o número foi reduzido para 200 analistas. Com o tombamento dos sistemas, sobraram apenas 54 pessoas. Vale lembrar o valor desta equipe: a área já foi considerada referência nacional, permitindo que todas as agências trabalhassem on-line com suas bases de saldos atualizados em tempo real, mesmo em transições interagências. Contudo, os responsáveis por criar um sistema inovador, e que é, até hoje, utilizado por praticamente todos os bancos do Brasil, estão sendo descartados. Em maio de 2011, eles foram avisados da súbita extinção da área. “Já se passaram meses e o banco não deu nenhuma solução que contemple o anseio dos trabalhadores. Trabalhamos em pânico, muitos estão movidos a remédio tarja preta ou já afastados por adoecimento”, conta Sidney Sato, diretor do Sindicato e funcionário do SDIS. Até então, de concreto só existe a demissão de 10% do contingente do SDIS. No CPSA, a situação não é muito diferente. A mudança na compensação de cheques, agora feita por imagem, a terceirização da expedição e a extinção do COR criam tensão entre os bancários. “Chegamos preocupados ao trabalho, sem saber se vamos estar empregados até o final do dia. É um clima terrível”, relata Reinaldo Cavalcante de Oliveira, diretor da FETEC-CUT-PR e funcionário do CPSA. O CPSA era formado por cerca de 110 pessoas. Agora, são aproximadamente 70 trabalhadores. Alguns funcionários estão sendo treinados em outras agências, mas não têm certeza de que serão efetivados, já que não há garantia de vaga. Após o treinamento, o bancário é sujeito a uma entrevista com os gerentes do banco. “Se o gerente não vai com a cara deste bancário, que já está no banco há décadas, o que acontece? Ele não é efetivado”, ressalta Reinaldo.


Sindicato cobra atitude do HSBC JULHO FOI MARCADO POR ATOS, REUNIÕES COM O BANCO, DEBATE DE DEMANDAS, MAS HSBC CONTINUA PRESSIONANDO FUNCIONÁRIOS

da superintendência. Não se respeita o histórico dos funcionários e são cobradas metas absurdas”, afirma Carlos Kanak, coordenador da COE Nacional. Problema sem fim Os funcionários reclamam de falta de tempo para as atividades exigidas, de diferenças salariais e da utilização do CDP para penalizar os funcionários com demissões e assédio ao invés de cumprir seu papel como instrumento de avaliação. Outro problema trazido pelos bancários é a pressão para redução dos dias de férias. Os gestores querem que os funcionários fiquem somente 10 dias fora, para que não haja cumprimento de metas. Durante reunião realizada em julho, o superintendente Ademir Correia se comprometeu a acompanhar as escalas de férias. Os funcionários do HSBC não aguen-

tam a pressão que estão passando e o reflexo disso é o número de desligamentos a pedido: de janeiro a julho deste ano, 137 bancários pediram demissão. O Sindicato já homologou 330 desligamentos em 2011 no HSBC, sendo 180 demissões sem justa causa. Fim das demissões No final de julho, o HSBC anunciou 30 mil demissões no mundo e os bancários exigiram um posicionamento no banco. Em reunião com a direção do HSBC, realizada em São Paulo no dia 4 de agosto, os representantes do banco inglês garantiram que no Brasil não haverá demissões e que novos postos de trabalho serão criados. A Contraf-CUT e os Sindicatos dos Bancários de todo o país cobraram, ainda, o fim da rotatividade e emprego decente.

SEEB Curitiba

Dia após dia, dirigentes sindicais do HSBC estão travando uma batalha para que a Superintendência Regional do banco inglês respeite os bancários, auxilie no combate ao assédio moral, que já virou rotina nos locais de trabalho, e combata a forte pressão por metas cobrada pelos gestores nas agências da regional administradas por Jorge França. Uma sequência de ações em benefício dos trabalhadores foi realizada pelo Sindicato. As reclamações dos bancários foram discutidas numa reunião do Coletivo Estadual de dirigentes liberados do HSBC, que debateram as demandas e promoveram um ato em uma das agências. Como resultado da mobilização, a superintendência do HSBC aceitou conversar com o Sindicato, em reunião que aconteceu no Palácio Avenida. “Cobramos mudanças imediatas da atual gestão

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A equação que não fecha BANCO DO BRASIL ANUNCIA INÍCIO DAS OPERAÇÕES DO BANCO POSTAL EM 2012

Em julho, o Banco do Brasil anunciou mais uma péssima notícia para a segurança bancária e os direitos adquiridos da categoria: a ampliação de sua rede de atendimento, principalmente nos pequenos municípios do país, com o início das operações do Banco Postal. “A partir de janeiro de 2012, começam a funcionar 6.195 novos postos de atendimento, vendendo produtos e serviços do BB, mas sem qualquer funcionário do BB”, esclarece André Machado, dirigente sindical. Com a desculpa de ampliar o acesso bancário, as instituições financeiras anunciam os correspondentes bancários como se fosse uma ótima opção para os clientes. Mas esquecem de destacar o péssimo negócio para os funcionários contratados. Essa é uma equação que não fecha, pois o banco reduz o valor investido; nos correspondentes bancários não existem exigências mínimas de segurança, como a contratação de vigilantes e a utilização de câmeras, por exemplo; economizam com o salário e benefícios dos funcionários, que irão prestar serviços que já são realizados em agências bancárias convencionais, mas não terão a obrigação de pagar o piso da categoria nem toda a remuneração indireta negociada e convencionada 10

(auxílios refeição, creche, alimentação, transporte, plano de saúde, etc.).

e lotéricas, com a presença de vigilantes, mas está parado na Câmara Federal.

Diferença Salarial Os atendentes das agências dos Correios, que são responsáveis pelos serviços nos Bancos Postais, têm piso salarial de R$ 827. Já o piso no Banco do Brasil é R$ 1.600. “A gente já trabalhava como Banco Postal para o Bradesco, mas agora quem vai assumir é um banco público, o que gera uma expectativa de unificação das lutas e de que o governo federal resolva os problemas de segurança, de jornada, de salário”, diz Silvério Luiz Burkater, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR). O Sintcom-PR destaca que o principal problema nos Bancos Postais é a falta de segurança. A entidade explica que recebe denúncias de assaltos diários nas unidades, mas que não existe um controle oficial, o Correio não monitora, e o Sindicato depende que os funcionários procurem a instituição. Silvério Burkater informou, ainda, que o Projeto de Lei nº 7.190/10, do deputado federal Vicentinho (PT-SP), tramita na Câmara e pretende reduzir a jornada dos atendentes para 6 horas e aumentar a segurança nos bancos postais

Banco público ou privado? O Sindicato dos Bancários defende o fim dessa postura do Banco do Brasil, que há alguns anos copia o modelo dos bancos privados e adota uma política de segmentação e expulsão dos mais pobres das agências tradicionais. “O acordo com o Banco Postal, com o argumento de “bancarização”, irá amplificar esse modelo excludente adotado pelo BB”, finaliza André Machado. O BB está em 3.307 municípios, com 42.139 pontos de atendimento, entre agências convencionais e correspondentes bancários (BB Mais). Os Correios, que assinaram o acordo com o BB, possuem 6.195 agências do Banco Postal, localizadas em 95% dos municípios brasileiros. Correspondentes bancários Em 2011, o Banco Central publicou duas resoluções (nº 3.954 e nº 3.959) que ampliam as atividades que podem ser realizadas pelos correspondentes bancários, sem qualquer definição sobre segurança ou direitos trabalhistas já conquistados pela categoria.


Reunião por local de trabalho DIRIGENTES CONVERSAM COM BANCÁRIOS SOBRE CAMPANHA SALARIAL E NEGOCIÇÕES PERMANENTES

Em julho, o Sindicato dos Bancários de Curitiba e região deu início às visitas por local de trabalho nas agências da Caixa Econômica. A primeira visita foi à agência Carlos Gomes, a maior da Caixa na base do Sindicato, no dia 13 de julho. Na visita, os dirigentes conversaram com os bancários sobre assuntos que fazem parte do dia a dia da Caixa, com informes das negociações permanentes, da campanha salarial que se aproxima e de problemas como a marcação correta no Sistema de Ponto Eletrônico (Sipon). “Queremos ori-

entar para preservar a saúde do bancário da Caixa. Relembramos a todos sobre o acordo de combate ao assédio moral, assinado pela Caixa em aditivo”, conta Herman Felix, dirigente do Sindicato. Também foi falado sobre as ações judiciais em andamento e as que ainda serão protocoladas, com o Sindicato representando os funcionários sempre que algum direito trabalhista está em jogo. No final da visita, os participantes responderam uma pesquisa sobre as condições de trabalho na agência.

Pauta aprovada no 27º Conecef

• Fim dos correspondentes bancários e luta contra as terceirizações; • Fim do voto de minerva no Conselho Deliberativo da Funcef; • Realização de um próximo Conecef até abril de 2012; • Realização de um campanha nacional para a marcação correta do ponto e para fazer valer a conquista de intervalo para todos os empregados.

Presidente do Bradesco ganha R$ 10,4 mi VALORIZAÇÃO DOS PISOS DEVE ACONTECER PARA DIMINUIR AS DESIGUALDADES

Luiz Trabuco, presidente do Bradesco. Rendimento em 2010? R$10,4 milhões em salários e bônus. Um bancário do Bradesco que ganha o piso da categoria recebe, no ano, R$26,4 mil, incluídos salários, regra cheia da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), tickets refeição e alimentação. Sendo assim, o presidente do Bradesco recebe 394 vezes a mais do que um funcionário com os menores salários do banco. Estes valores foram declarados pelo banco à Comissão de

Valores Mobiliários (CVM), que obriga companhias abertas a divulgarem os salários de seus principais executivos. Minuta engavetada O Bradesco recebeu a minuta específica de reivindicações dos trabalhadores no dia 10 de junho e a primeira reunião com o banco aconteceu apenas no dia 29 de julho, quando foram cobradas melhorias no Saúde Bradesco. Os bancários querem a ampliação da cobertura em es-

pecialidades como psicologia, psiquiatria e fonoaudiologia, além de aumento da rede credenciada, garantia de atendimento de qualidade em todas as cidades do país, inclusão dos pais como dependentes no plano e extensão após a aposentadoria. Na minuta, os bancários também pedem igualdade de oportunidades e fim de discriminações, treinet dentro do horário de trabalho, mais investimento em segurança, fim do assédio moral e metas abusivas, entre outros pontos. agosto 2011

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Correspondentes e a precarização Bancos utilizam resoluções do Banco Central sobre correspondentes bancários para redução de custos

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Já são quase quatro décadas de surgimento dos correspondentes bancários. Durante a ditadura militar, em 1973, eles surgiram para suprir a falta de agências bancárias em municípios menores e bairros afastados dos grandes centros. Neste ano, o Banco Central publica duas resoluções, nº 3.954 e nº 3.959, que tratam da possibilidade de contratação de correspondentes bancários pelos bancos. Antigamente, os bancos terceirizavam apenas serviços de limpeza e de vigilância. Aos poucos, foram terceirizados o repasse do processamento de envelopes Evidentemente, a dos caixas eletrônicos, a retapopulação sofre com guarda de agências e o setor estas medidas. Afinal, de compensação. A falta de uma legislação clara sobre a preocupação com terceirização acaba facilitanmelhor atendimento do este processo, já que no Enunciado 331 do Tribunal aos clientes, Superior do Trabalho (TST), de 1993, consta que a concom segurança, tração de trabalhadores por constituíram objeto empresa interposta é ilegal, de medidas legislativas mas permite que se contrate e para atique não são dirigidas temporariamente vidades-meio. aos correspondentes Um levantamento feito pelo IBGE mostrou que habancários.” via no Brasil, no ano 2000, 5.507 municípios, 16.396 agências e 13.731 correspondentes. Dez anos depois, o número de municípios subiu para 5.565 e o de agências para 19.813. Já a quantidade de correspondentes passou pelo inacreditável aumento de 1.103%, e até 2010 havia 165.228 correspondentes no país. Dados da Fenaban mostram, ainda, que 35% dos municípios não possuem agências e 26% têm apenas uma. Saem perdendo trabalhadores, que, enquanto coragosto 2011

respondentes, desempenham atividades de bancários, mas não possuem os mesmos direitos e benefícios, além de estarem em locais menos seguros que as agências. E sai também perdendo a população, principalmente a mais pobre, que é expulsa das agências, que cada vez mais se especializam no atendimento a clientes “VIPs”. Quem tem menos dinheiro é segregado e transferido aos correspondentes bancários. Na visão do advogado Nasser Ahmad Allan, assessor jurídico do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, em relação às condições de trabalho dos empregados, o grande erro não está nas resoluções do Banco Central. Segundo Nasser, o que buscam as resoluções é a fiscalização do trabalho realizado pelos correspondentes. Para ele, quem extrapola são os bancos, que deturpam as resoluções e as utilizam como instrumento para aumentar o número de correspondentes e diminuir seus custos. Bancári@s: Qual a relação dos correspondentes bancários com os bancos? Como são contratados os serviços pelo banco? Nasser Ahmad Allan: Os correspondentes bancários são prestadores de serviços aos bancos. A contratação, normalmente, ocorre mediante ajuste das condições gerais em contrato de prestação de serviços entre a empresa tomadora (banco) e a terceirizada (correspondente bancário). Trata-se de um contrato de natureza civil. Bancári@s: Os correspondentes surgiram para suprir uma necessidade de cidades menores que não tinham agências, mas este papel mudou. Como a atuação dos correspondentes passa a ser danosa para a população? N.A.A.: Inicialmente a ideia da utilização dos serviços de correspondentes bancários era oferecer prestação de serviços nas pequenas cidades do país, onde dificilmente as instituições financeiras se interessam em estruturar uma agência bancária. Nada


SEEB Curitiba

justifica, sob a ótica comercial ou jurídica, a contratação de correspondentes indiscriminadamente nas médias e grandes cidades, para prestar serviços bancários. Evidentemente, a população sofre com estas medidas. Afinal, no passar das décadas, a preocupação com melhor atendimento aos clientes, com segurança, constituíram objeto de medidas legislativas que não são dirigidas aos correspondentes bancários. Por exemplo, a lei estadual que obriga os bancos à instalação de porta de segurança nas agências, a lei federal que impõe a presença de, ao menos, dois vigilantes para permitir a abertura das agências bancárias, a proibição de uso de telefone celular dentro dos bancos, tempo máximo de espera em filas, entre outras. Estas medidas não são aplicáveis aos correspondentes bancários, ocasionando prejuízos à população e aos trabalhadores. Bancári@s: A Súmula 331, do TST, sobre terceirização é um tanto confusa. O que é permitido e o que não é? N.A.A.: Como regra, o Direito do Trabalho no país proíbe a contratação de trabalhadores por intermédio de empresa interposta (terceirizada). Assim, normalmente a empresa que necessita da mão de obra deve empregá-la, sendo ilícita a terceirização. Quando constatada

a ilicitude do contrato de terceirização, a consequência jurídica imediata é a constituição de vínculo de emprego entre o trabalhador e a empresa que se valeu de sua força de trabalho, ou seja, a tomadora dos serviços. A Súmula, inicialmente, afirmará que a regra é a ilegalidade da terceirização e a formação de vínculo de emprego com o tomador. Depois tratará de suas exceções. Pode-se afirmar que no direito brasileiro há duas hipóteses legalmente previstas para terceirização, as quais seriam a contratação de trabalhador temporário (Lei 6.019/74) e de serviços especializados de vigilância e transporte de valores (Lei 7.102/83). A Súmula 331 do TST traz outra que é a contratação de empresa especializada para desenvolvimento de atividade-meio, ainda assim, ressalvando que o trabalhador terceirizado não pode constituir relação pessoal e subordinada diretamente com o tomador dos serviços, sob pena caracterizar a ilicitude da terceirização. Bancári@s: As resoluções 3954 e 3959 do Banco Central flexibilizam a atuação dos correspondentes. O Banco Central tem poder de legislar este tipo de coisa? N.A.A: Não. O Banco Central pode flexibilizar a contratação de correspondentes bancários pelos bancos, no que

As normas 3.954 e 3.959 não podem interferir nas relações de emprego, pois é competência privativa da União legislar em matéria trabalhista.”

se refere à fiscalização que desenvolve sobre este setor. Entretanto, tais normas não podem interferir nas relações de emprego. Acredito que possamos dividir as resoluções do BC em duas frentes. No âmbito trabalhista, devemos afirmar que elas não podem interferir na avaliação da licitude ou ilicitude de um contrato de terceirização entre banco e o correspondente bancário. Se a Justiça do Trabalho entender que a resolução tem esta amplitude, isso será inconstitucional, pois não cabe ao BC legislar em matéria trabalhista. Bancári@s: Os funcionários dos correspondentes bancários podem exigir os mesmos direitos dos bancários? Qual o processo? N.A.A.: A análise da licitude ou ilicitude da terceirização deve ocorrer a partir da legislação indicada e pelas hipóteses retratadas na Súmula 331 do TST. Isso significa dizer que será ilícita a terceirização de atividade considerada como final dos bancos ou, mesmo, atividade-meio se presentes subordinação e pessoalidade com o tomador dos serviços (os bancos). Havendo isso, o vínculo se formará com o banco, o que induzirá aos direitos relativos aos bancários, tais como: jornada de 6 horas; vale-alimentação; vale-refeição; PLR; piso salarial e demais direitos. agosto 2011

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O preço da "democracia" ESTUDO REALIZADO PELO SINDICATO DOS BANCÁRIOS MOSTRA O PODER DE FOGO DA ARRECADAÇÃO EM CAMPANHAS ELEITORAIS

As eleições de 2010 ficaram para trás e agora, você eleitor, está se perguntando como seus eleitos estão atuando, se seu voto valeu seus temas de interesse, se os políticos estão atuando em benefício da sociedade. Para clarear um pouco suas ideias, a Secretaria de Políticas Sociais e Estudos Sócioeconômicos do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, dirigida pelo economista Pablo Diaz, pesquisou os deputados estaduais eleitos no Paraná. Os dados de arrecadação e declaração de renda, ao serem expostos nesta análise, vão originar mais um questionamento na cabeça dos eleitores: “por que você reclama do preço do leite mas A democracia que vota no dono da vaca?” De acordo com Pablo vivemos neste país Diaz, o objetivo dessa pestem limite e esse quisa de dados, realizada limite é o poder de através de consulta a dados disponibilizados fogo de arrecadação públicos pelos Tribunais Eleitorais que os políticos (TRE e TSE), é mostrar aos bancários a relação exiseleitos têm.” tente entre poder político e poder econômico. “A democracia que vivemos neste país tem limite e esse limite é o poder de fogo de arrecadação que os políticos eleitos têm”, explica o dirigente sindical. Radiografia da Assembleia Os campeões em arrecadação para as eleições 2010, declarada oficialmente no TSE, entre os deputados estaduais eleitos são Ney Leprevost (R$ 1,7 milhão), Alexandre Curi (R$ 1,4 milhão), Stephanes Junior (R$ 831,8 mil), Rasca Rodrigues (R$ 749,8 mil) e Artagão Júnior (R$ 712,5 mil). O deputado que obteve o menor valor arrecadado foi Gilson de Souza,

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com R$ 58 mil. O volume de dinheiro arrecadado em campanha torna-se mais impressionante quando comparado com o valor do patrimônio pessoal declarado pelos então candidatos: o deputado Leprevost, que teve o maior valor arrecadado, tem patrimônio declarado de R$ 389 mil. A relação entre patrimônio e arrecadação é de 437,74%. “Essa diferença demonstra o comprometimento que o político eleito terá na defesa dos interesses do doador de campanha”, analisa Pablo Diaz. Destes R$ 1,7 milhão arrecadados por Ney Leprevost, R$ 1 milhão foi doado por somente três pessoas físicas. O maior valor doado por pessoa física foi de R$ 500 mil, para o já citado Ney Leprevost. Já o maior valor arrecadado por um deputado estadual eleito, no pleito de 2010, doado por pessoa jurídica, foi de R$ 130 mil, para o deputado Artagão Júnior. Essa mesma empresa ainda repassou mais uma doação de R$ 100 mil para o mesmo deputado e outro repasse de R$ 110 mil para o deputado Nelson Luersen. São comuns também doações por pessoas jurídicas em nome de comitês dos candidatos, empresas de engenharia, imobiliárias ou CNPJ de empresas denominadas como “participações e empreendimentos”. Financiamento Público Um dos itens em discussão no Senado e na Câmara Federal entre as propostas da Reforma Política no Brasil é o financiamento público de campanha, defendido pelos movimentos sociais e entidades sindicais. “Os políticos não querem financiamento público, porque irá prejudicar o favorecimento pelo poder econômico”, explica Pablo Diaz. O financiamento público, se aprovado, iria baratear as campanhas políticas e proporcionar condições iguais de disputa entre os candidatos. O partido rece-


beria um valor para esse fim e iria promover o debate de ideias durante as campanhas eleitorais. Vinculado ao voto em lista fechada, definida pelos partidos, o eleitor poderia escolher entre um partido e outro, sem personificar seu voto. “Da forma como as eleições são financiadas, com doações de pessoas físicas e jurídicas, quem recebe mais doações pode investir mais em propaganda e aumentar a chance de ser eleito pelo poder econômico. Com o financiamento público, o debate de ideias seria o foco das discussões”, avalia Pablo Diaz. As doações e as consequências Em uma rápida busca no Portal da Assembleia Legislativa do Paraná sobre os Projetos de Lei pretendidos por um dos deputados já citados, encontram-se os seguintes temas em pauta: propaganda publicitária; declaração de utilidade pública em determinadas instituições; isenção de impostos; nome de rodovias; e destinos turísticos no calendário oficial. Outro deputado propõe legislação para criação de selo; muitas proposições para declaração de utilidade pública; e título de cidadão benemérito. Informações declaradas nas eleições de 2010 para Deputado Estadual

Maior valor arrecadado Ney Leprevost - R$ 1.702.880,40 Menor valor arrecadado Gilson de Souza - R$ 58.054,00 Maior patrimônio declarado Alexandre Curi - R$ 8.732.608,60 Menor patrimônio declarado Marla Turek - R$ 50.000,00 Maior valor doado para Ney Leprevost - R$ 500.000,00 Os dados sobre patrimônio declarado de cada candidato foram apurados no site Políticos do Brasil (www.politicosdobrasil.com.br), do Portal UOL e no do Tribunal Superior Eleitoral (www.tse.gov.br). A íntegra da pesquisa realizada pela Secretaria de Políticas Sociais e Estudos Sócioeconômicos do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região já está disponível no site www.bancariosdecuritiba.org.br.


Por uma sociedade justa

EM 2011, BANCÁRIOS LUTAM POR EMPREGO DECENTE, COM REMUNERAÇÃO JUSTA, SAÚDE E SEGURANÇA, E PELO FIM DOS CORRESPONDENTES

SEEB Curitiba

No Relatório de Inflação de junho de 2011, o Banco Central enfatizou o impacto dos reajustes dos salários na inflação, considerando como ‘muito importante’ o risco que os aumentos representam para a dinâmica dos preços. Na contramão do que se vem observando, o documento assinalou que o aquecimento no mercado de trabalho pode levar à concessão de ganhos reais em níveis não compatíveis com o crescimento da produtividade e que a moderação salarial é o elemento-chave para um ambiente macroeconômico

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com estabilidade de preços. Falácia! Segundo órgãos importantes de pesquisas de preços, como o Dieese, o aumento da inflação está relacionado à elevação dos preços de produtos alimentícios, as chamada commodities, e aos preços administrados. E quem determina os valores dos produtos é quem produz e vende, ou seja, os empresários, e não quem consome. “Está mais que claro, como afirmam os especialistas, que ganho real não gera inflação. Pelo contrário, aumenta o poder de compra dos trabalhadores e gera empregos”, responde o presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, Otávio Dias. Ainda de acordo com o Dieese, a demanda agregada (consumo das famílias, taxas de investimentos e gastos governamentais) não é, atualmente, um fator em descontrole capaz de provocar desequilíbrios econômicos. Além disso, há que se considerar que os ganhos de produtividade são muito superiores ao que é efetivamente repassado aos salários. “Quanto ao descompasso entre o faturamento do setor financeiro e o reajuste que os bancários vêm recebendo nos últimos anos, é evidente a injustiça. Enquanto o lucro agregado destas instituições atingiu R$ 45,4 bilhões em 2010, um avanço de 39,3% sobre os ganhos de


Fotos: Contraf-CUT

2009, a categoria conquistou, com muita luta, um reajuste salarial de 7,5%”, acrescenta Otávio Dias. “Mais que isso, o setor financeiro já provou que, com ou sem crise, os seus resultados são sempre estratosféricos. Lucro este obtido por meio da exploração de trabalhadores e também de toda sociedade”, completa. Soma-se à má-distribuição dos lucros a alta rotatividade que vem sendo praticada pelas instituições financeiras e que contribui para a redução da massa salarial da categoria. Tornou-se prática comum os bancos demitirem trabalhadores com tempo de serviço para contratar novos bancários, o que significa deixar de remunerar altos salários para pagar apenas o piso. Segundo dados do Caged, no primeiro semestre de 2011, somente no Paraná, foram 1.121 demissões no setor financeiro, seguidas da contratação de 1.645 trabalhadores no mesmo período. Apesar do saldo positivo de 524, o achatamento salarial é evidente. Nacionalmente, a Pesquisa de Emprego Bancário, realizada pela Contraf-CUT e pelo Dieese com base nos dados do Caged, revelou que em 2010 os bancos que atuam no país desligaram 33.418 bancários (7% da categoria), com remuneração média de R$ 3.504,78, e contrataram 57.450 trabalhadores, com ganho mensal médio de R$ 2.187,86 – uma redução remuneratória de 37,57%. A rotatividade explica o fato de a categoria ter conquistado 17,26% de aumento real de salário entre 2004 e 2010, enquanto o salário médio dos bancários cresceu apenas 3,66% (passando de R$ 4.278,61 para R$ 4.435,41) nesse mesmo período. agosto 2011

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É diante deste cenário, impregnado por um discurso oficial que privilegia o patronato em detrimento à classe trabalhadora, que a categoria definiu, durante a 13ª Conferência Nacional dos Bancários, que, em 2011, irá lutar por emprego decente e pelo fim do correspondente bancário. “Ao exigir emprego decente estamos falando de remuneração justa, estabilidade, segurança, saúde e qualidade de vida. Não Mais que isso, o setor podemos deixar a rotatividade promovida pelos banfinanceiro já provou cos como forma de aumentar que, com ou sem a sua rentabilidade”, declara crise, os seus resulta- o presidente do Sindicato. “Desde já, estamos conclados são sempre estra- mando todos os bancários do tosféricos. Lucro este país a fazer uma grande mobilização para que tenhamos obtido por meio da a melhor campanha salarial exploração de traba- que já fizemos”, acrescenta.

lhadores e também de toda sociedade".

Conferência Nacional A 13ª Conferência Nacional dos Bancários foi realizada nos dias 29, 30 e 31 de julho, em São Paulo. Os 695 delegados eleitos e observadores de todo o Brasil que participaram do evento decidiram as principais reivindicações para 2011: reajuste que contemple a reposição da inflação mais 5% de aumento real; PLR de três salários mais R$ 4.500; piso da categoria igual ao salário mínimo do Dieese; mais contratações

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e estabilidade no emprego; além de melhorias na segurança bancária e combate às metas abusivas, ao assédio moral e à terceirização. Os bancários decidiram ainda intensificar a campanha pela inclusão bancária, que assegure prestação de todos os serviços financeiros a toda a população, realizada em agências e PAB’s por profissionais bancários. O objetivo é assegurar atendimento de qualidade, respeitando as normas de segurança e protegendo o sigilo bancário.Também ficou definido apoio total ao Projeto de Decreto Legislativo 214/2011, do deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP), que revoga as resoluções do BC que ampliaram a atuação dos correspondentes bancários. Além disso, a categoria reivindica do governo a convocação de uma Conferência Nacional sobre o Sistema Financeiro. O encontro nacional dos bancários foi o ponto culminante de um processo democrático de discussão com a categoria em todo o país, que passou por as-


sembleias, consultas dos sindicatos junto às suas bases, pesquisa nacional, encontros estaduais e conferências regionais. “O evento foi um sucesso. As correntes políticas apresentaram suas propostas para os delegados do país inteiro, avaliando e escolhendo as pautas mais representativas. A pauta de reivindicações foi discutida em todos os sotaques do Brasil”, destaca o Secretário de Finanças da Contraf-CUT, Roberto von der Osten (Betão). A minuta foi entregue à Fenaban no dia 12 de agosto. Participaram do encontro nacional os 33 delegados e observadores eleitos durante a Conferência Estadual dos Bancários do Paraná, realizada nos dias 02 e 03 de julho, em Londrina. Bancos públicos Além das reivindicações gerais que compõem a minuta da Campanha Nacional dos Bancários 2011, os trabalhadores do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal irão lutar por bandeiras específicas. O 22º Congresso Nacional dos Funcionários do BB e o 27º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef) foram realizados nos dias 09 e 10 de julho, em São Paulo, e definiram as principais demandas dos bancários de bancos públicos.

Os eixos definidos para a campanha específica da Caixa foram: isonomia, recomposição do poder de compra dos salários, melhorias no Saúde Caixa, fim do voto de minerva na Funcef, pagamento do vale e da cesta-alimentação para todos os aposentados e pensionistas e o fim da discriminação aos empregados do REG/Replan não saldado. Os bancários também aprovaram a campanha unificada e a manutenção da atual formação da CEE Caixa. Será realizada também uma campanha nacional para marcação correta do ponto, atacando os problemas enfrentados pelos trabalhadores com o Sistema de Ponto Eletrônico (Sipon). Outra campanha será feita para fazer valer a conquista de intervalo para todos. Já a pauta específica dos bancários do BB inclui melhorias no Plano de Cargos Comissionados e no Plano de Cargos e Remuneração, fim de voto minerva na Previ, fim imediato das terceirizações e dos correspondentes bancários, intensificação do

combate ao assédio moral e às metas abusivas, combate ao descomissionamento e fim do fator previdenciário. É preciso também reforçar o caráter público do BB para ampliar o crédito produtivo sem discriminar os clientes de baixa renda e lutar pela jornada de 6 horas para todos.

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Fotos: Ronaldo Duarte

Cultura na rua: Curitiba não está preparada PREFEITURA REPENSA EVENTOS AO AR LIVRE

Curitiba vive um impasse. Ao mesmo tempo em que há uma população com sede de manifestações culturais, há um lado que reprime as reuniões de pessoas em espaços públicos, alegando tumulto. “Sempre houve muita cultura em Curitiba, mas guardada em nichos específicos. As pessoas estão manifestando a vontade de sair de casa, dos estúdios, e irem para as ruas, mas a cidade não comporta, os moradores se incomodam e acabam com a diversão dos demais”, afirma André Wlodarczyk, coordenador do Fórum Permanente de Música do Paraná (FPM-PR). Segundo a Fundação Cultural de Curitiba (FCC), a cidade busca promover os artistas locais por meio de editais que contemplam as mais diferentes áreas, como cinema, literatura, música e artes visuais. A assessoria da FCC lembrou, no entanto, que os eventos realizados ao ar livre precisam seguir regras e levar em consideração os limites de decibéis permitidos e a limpeza e conservação dos locais públicos, podendo haver multa para os organiza-

dores que desrespeitarem estas normas. Em julho, representantes da Prefeitura e moradores da região central criaram uma comissão formada pelas secretarias municipais de Urbanismo e Meio Ambiente e a Regional Matriz, que discutirá o futuro dos eventos realizados no centro de Curitiba e, principalmente, no Centro Cívico. A assessoria da Secretaria de Urbanismo informou que ainda está estudando o caso, mas que a preocupação maior dos moradores é com os horários das programações “mais barulhentas”. Não é descartado que sejam proibidos os eventos na Praça Nossa Senhora de Salete, principal alvo de reclamações, caso os moradores entrem com processo judicial. Por enquanto, existe negociação por se tratar de um espaço público. Vale lembrar também do caso da Pedreira Paulo Leminski, que é considerada por importantes artistas um dos melhores locais para shows do mundo. A Pedreira está fechada desde 2008, quando 134 moradores tiveram uma liminar a-

colhida pela Justiça e o espaço foi interditado. Com isso, a capital paranaense já perdeu uma incontável quantidade de espetáculos. “Quando a Pedreira surgiu como espaço para shows, aquela era uma região com poucas residências. A população chegou ali depois, com o inchaço da cidade. É falta de planejamento”, pensa André Wlodarczyk. Para Wlodarczyk, Curitiba não está preparada. Até existem regiões que concentram bares e casas noturnas, com música madrugada adentro. “A pessoa pensa duas vezes antes de comprar uma casa na região porque sabe que os bares serão seus vizinhos. Se a prefeitura revitalizasse áreas próximas do centro, como o bairro São Francisco, quem frequentaria estas ruas seriam as pessoas interessadas”, acredita. Ele reforça que a população aumentou e o número de produtores de cultura cresceu. “Ao invés da cidade investir em espaços, promover e ajudar nas manifestações culturais, faz o contrário”, finaliza. agosto 2011

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Bancos lucram e bancários padecem INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS CRESCEM E A CATEGORIA ADOECE

Para o psicólogo Roberto Heloani, especialista na área trabalhista e professor da Unicamp, o homem está cada dia mais sendo substituído por máquinas. A Secretaria de Saúde do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região acompanha diariamente o sofrimento de trabalhadores que buscam ajuda ou alguma resposta para os sofrimentos que têm suas origens no próprio local de trabalho. “Nesse mundo pluralista que fazemos parte, e que não temos como fugir, o homem é coisificado, enquanto a “coisa” (máquina) ganha vida. O objeto criado ganha mais valor que seu criador”, observa a assistente social do Sindicato, Roseli Paschoal. O grande paradoxo desta realidade, na opinião de Roseli, é que os bancos demitem com a justificativa da lógica pós-moderna (“funding”) de que em momentos de turbulência é necessário o enxugamento do quadro funcional. “E nesse quadro, são demitidos os ‘dinossauros’, que têm salário alto, para que sejam contratados funcionários jovens, graduados, qualificados, com perfil polivalente que possam se adaptar às mudanças pluralistas da nossa era”, diz a profissional. Neste patamar, alguns bancários denunciaram ao Sindicato que ouviram de um diretor de banco que a instituição “não é uma ONG para ficar com parasitas”. Expansão dos lucros Os lucros dos maiores bancos que atuam no país, acumulados no exercício financeiro de 2010, são destaque na mídia. E somente no 1º trimestre de 2011 as três 22

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maiores instituições do Brasil oscilaram de R$ 2,71 bi a R$ 3,53 bilhões. Em 2010, o Itaú Unibanco lucrou R$ 13 bi, mais de um bilhão por mês de lucro líquido. “Será que existe alguma justificativa da ‘empresa enxuta’ pelos bancos, ou que eles não são ONGs para ficar com parasitas? Será que são os funcionários ‘dinossauros’ que são parasitas? Se avaliarmos a etimologia da palavra parasita chegaremos à conclusão que parasitas não produzem. Então, quem está gerando esses lucros assombrosos para os bancos?”, questiona a secretária de Saúde do Sindicato Ana Fideli Marques, bancária do Itaú. O bancário deve refletir. Sabe-se que o desemprego cresce de forma assustadora, em nível mundial, devido ao processo de globalização, abertura econômica e ajustes macro e microeconômico. E os bancários não podem fechar os olhos para essa realidade. Se os bancos estivessem de fato preocupados com a responsabilidade social do país, eles saberiam que é “perfeitamente possível manter uma taxa de lucro sem a ‘enxuta’”, como declarou Roberto Heloani. Responsabilidade social O desemprego é uma responsabilidade social, porque com ele vem uma avalanche de mudanças e mazelas sociais. Nesse novo ambiente de trabalho, forjado pelas mudanças, pressões e demissões, as queixas de episódios depressivos e ansiedade aumentam, principalmente quando os bancários veem seus colegas sendo demitidos. Antes era mais fácil se recolo-

car. Hoje, quem perde o emprego enfrenta um mercado reduzido. Na opinião da assistente social Roseli Pachoal, até mesmo quem diz encarar a demissão “numa boa”, não está isento da tensão emocional. “Alguns até se sentem aliviados com a demissão, pois não suportavam mais tanta pressão no trabalho e, num primeiro momento, optam por cuidar de suas famílias. Mas esse alívio não isenta da preocupação com o amanhã”, diz. A realidade que se apresenta ao Sindicato no dia a dia da Secretaria de Saúde, após a demissão, é o medo do mercado de trabalho e pelo trabalhador estar doente. “O número de funcionários que se qualificam em outra área, fora do ramo financeiro, ainda é bastante tímido, devido à falta de tempo, pois o banco suga todo o tempo e também a energia de seus trabalhadores”, explica a assistente social. Alerta aos bancários O Sindicato recomenda a todos os bancários que reflitam, que a saída (demissão) de um trabalhador não pode ser encarada como algo individual, ela precisa ser vista de uma maneira coletiva. Se o “sujeito” que trabalhava tanto quanto você, às vezes 12 horas por dia, para dar conta de algum projeto e cumprir as metas, mesmo que ele não tenha conseguido superar as metas absurdas estabelecidas pelo banco, ele é alguém que estava contribuindo com os lucros exorbitantes do banco, então, não tem justificativa para sua demissão.


A energia que veio das ruas EM 2011, A LUTA CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA COPEL COMPLETA DEZ ANOS

Entre julho e dezembro de 2001, o Paraná passou por uma das maiores batalhas políticas de sua história, que levou movimentos sociais, partidos políticos e sociedade civil a se unirem por uma causa única: a não privatização da Companhia Paranaense de Energia, a Copel. Esta luta completa uma década em 2011 e merece ser revisitada. A proposta de venda partiu do então governador do Paraná, Jaime Lerner. Ele apresentou um projeto à Assembleia Legislativa que previa a venda da empresa por um custo bem abaixo do mercado, sob a justificativa de perda de competitividade e liderança até 2004. Diante disso, os paranaenses se uniram e criaram o Fórum Popular Contra a Venda da Copel, que contava com 426 entidades. O Fórum apresentou, em junho daquele ano, um projeto de iniciativa popular com um abaixo-assinado com mais de 120 mil assinaturas, coletadas em todo Paraná, na tentativa de barrar o projeto de

Lerner. O Fórum também realizava mobilizações nas ruas, debates parlamentares, palestras em universidades, visando informar a população sobre o que acontecia. O projeto de iniciativa popular seria votado no dia 15 de agosto. A seção apreciativa já acontecia desde o dia anterior e quando os deputados ameaçaram votar pela rejeição do projeto, milhares de manifestantes ocuparam a Assembleia, onde permaneceram até a manhã seguinte e impediram a votação. “Foi um momento histórico, uma data que ficou marcada nessa luta”, lembra o secretário de imprensa do Sindicato, André Machado, que na época participou das mobilizações. No entanto, a votação do projeto aconteceu alguns dias depois, sob forte proteção da Polícia Militar. O projeto foi recusado por apenas um voto. Em setembro de 2001, Lerner, ignorando a movimentação da população, anunciou o preço mínimo para leilão: R$4,324 bi, quase nove vezes menos do que o Fórum Popular acredi-

tava que valia a Copel (R$35 bi). Então, a briga continuou com uma série de liminares suspendendo leilões e anulando decisões. Por fim, a desistência, em série, dos possíveis investidores acabou tornando o processo de privatização da Copel um fracasso. Passaram-se dez anos desta luta histórica, mas o fantasma da privatização continua rondando. Em julho deste ano, o governador Beto Richa encaminhou à Alep um projeto que propõe a ampliação da atuação da Agência Reguladora de Serviços Públicos. Vale lembrar que as agências reguladoras são um subproduto direto das privatizações ocorridas nos anos 1990 e enfraquecem o Estado e seu poder efetivo de regulação, visto casos como a Anac, Anatel e Aneel. Devido ao projeto de Beto Richa, o Fórum Popular Contra a Venda da Copel será reativado a partir de agosto de 2011. As ações serão informadas em reuniões em todo Paraná e terá o apoio do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região.

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Programas próprios e inapropriados ‘Colaborar’, ‘compartilhar’ e ‘construir’ são verbos que fazem parte da boa educação, os quais trazemos para o nosso ambiente de trabalho. Estes nos acompanham, mas não fazem parte de qualquer prática patronal. No ano de 2004, o Sindicato negociou com o banco Itaú a implementação do Programa de Redução de Despesas e o êxito do mesmo garantiu o pagamento de uma participação nos resultados adicional. O conjunto de trabalhadores bancários à época respondeu prontamente àquelas metas negociadas entre as partes. E, ao nos aproximarmos da campanha salarial, surgiu o boato de que teríamos o pagamento completo da remuneração negociada. Porém, para a indignação de todos, logo após o encerramento da campanha, veio a surpresa: o patrão gerou contabilizações que estavam fora do controle dos trabalhadores e isso comprometeria o pagamento do bônus acordado. A nossa luta garantiu o pagamento da remuneração, o resto faz parte da nossa história de construção do conglomerado Itaú. Este é um exemplo que mostra o espírito de colaboração que existe entre os trabalhadores no banco Itaú, independente da sua origem funcional. Vale lembrar o pronto atendimento da massa trabalhadora para cumprir a missão, na época negociada entre o Sindicato e o banco (a de reduzir as despesas). Inovamos na remuneração recebida ao longo dos anos e compartilhamos o recebimento do Programa de Participação Complementar nos Resultados (PCR) igual para todos, sem que a mesma seja descontada de qualquer programa próprio permitido pela Lei 10101/2000. Aliás, é nosso desejo que qualquer pagamento a título de participação em lucros ou resultados não seja descontado da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) da Convenção Coletiva dos Bancários. Isto faz parte da atual minuta de reivindiJosé Altair cações remetida aos patrões no dia 12 de agosto (ArMonteiro Sampaio tigo 30, parágrafo 2º). Saiba mais acessando www. dirigente da bancariosdecuritiba.org.br. FETEC-CUT-PR 24

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O abuso das metas Nestes últimos anos, o nosso patrão fala em inovação. Mas, ao que parece, o termo refere-se à maneira de impor metas e pagar o menos possível. É o programa AGIR, a tal cultura de performance, o “Nosso Jeito de Fazer”, o novo programa Gestão de Performance e, agora, a Meritocracia do Itaú. Enquanto isso, metas e mais metas a cada dia, como é o caso da área operacional das agências, que se vê obrigada a vender produtos para completar a pontuação do “Gestão de Performance”. Sem contar que as metas mensais do “AGIR-negócios” têm sido informadas na segunda quinzena do próprio mês. Dois absurdos. Aonde vamos parar com estes programas que não se definem e com o abuso na forma e na quantidade das metas impostas pelo Itaú Unibanco? Sob metas, estamos todos calejados. Poucos são os trabalhadores que recebem mais que a PLR da Convenção Coletiva. A Conferência Nacional dos Bancários definiu que o cumprimento de metas deve estar ligado ao pagamento justo deste trabalho, bem como a meta não pode ser abusiva. Neste próximo período, além de renovarmos as nossas energias para a campanha salarial, precisamos nos atentar para a conjugação “Nosso Jeito de Fazer” e “Meritocracia”, terminologias que pregam o individualismo em oposição ao coletivo que compõe cada uma das unidades de trabalho (agências ou departamentos). A “Meritocracia” traz em sua natureza a competição, algo contrário ao espírito de compartilhamento que nos une no dia a dia. Como diz o próprio banco: “A meritocracia é uma das principais crenças do Itaú Unibanco e, dessa forma, entendemos que sua prática ampla é um direito e um dever de todos”. Isto posto, um novo tempo nos aguarda. Para enfrentar este cenário, é fundamental que cada um de nós compreenda a importância da nossa união e do nosso Sindicato. Lembre-se, qualquer abuso deve ser denunciado!


Sindicato representa bancários judicialmente BANCÁRIOS SÃO BENEFICIADOS EM AÇÕES JUDICIAIS PROTOCOLADAS PELO SINDICATO

Serviço acumulado, desvio de função, aumento de jornada sem a contrapartida salarial, pressão por metas. Além das já conhecidas lutas diárias dos bancários durante a jornada de trabalho, o Sindicato atua em defesa da categoria para que injustiças trabalhistas sejam corrigidas através de ações judiciais. A Secretaria Jurídica do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região e os advogados trabalhistas contratados pela entidade representam os bancários sindicalizados que são parte em ações judiciais que podem corrigir distorções nas relações de trabalho. Horas extras A jornada dos bancários foi convencionada em 6 horas diárias para cargos técnicos ou que não sejam de gerência. Para compensar essas perdas dos funcionários que trabalham 8 horas diárias por determinação dos bancos, diversas ações judiciais contra a Caixa e o Banco do Brasil foram protocoladas para que a 7ª e 8ª horas sejam pagas como extras. Novos lotes de ações foram protocolados em 2011 e outros já tiveram ganho de causa para os bancários.

Outra ação envolvendo bancários do BB também beneficiou os trabalhadores na decisão em primeira instância: a Vara do Trabalho garantiu o direito dos incorporados do Besc de serem beneficiados pelo mesmo atendimento médico dos demais, através da Cassi. O banco tem o direito de recorrer, mas esta decisão é comemorada por estes bancários, que dependem do atendimento do SUS enquanto o impasse judicial não é resolvido, já que o BB não aplica a isonomia de direitos neste caso. Desvio de função Duas ações, também contra o Banco do Brasil, procuram garantir a isonomia entre os bancários que são prejudicados com o desvio de função. A primeira, busca a isonomia entre os atendentes A e B na Central de Atendimentos (CABB), já que existem diferenças salariais entre os dois segmentos. A outra, também de desvio de função, busca a garantia de recebimento de verbas salariais como analistas para funcionários do Centro de Serviço de Logística (CSL) que atuam como pregoeiros no setor de licitações. Ambas ainda aguardam uma decisão do judiciário.

CTVA Os bancários da Caixa que estão em vias de se aposentar e que possuem REG/ Replan não saldado ou que efetivaram o saldamento são parte em duas ações que pedem a integração dos valores do Complemento Temporário Variável de Ajuste de Mercado (CTVA) para complementação da aposentadoria. A ação ainda não foi julgada. Denúncias ao MPT A diretora da Secretaria Jurídica do Sindicato, Karla Huning, informa aos bancários que todas as denúncias que chegam à entidade sobre o assédio moral estão sendo reunidas em um documento que será apresentado para o Ministério Público do Trabalho e na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego para que seja convocada reunião com os seis maiores bancos que atuam no país. “O Sindicato está instruindo diversas ações junto ao MPT e SRTE com as denúncias recebidas de assédio moral praticado nos bancos, sempre preservando o anonimato do denunciante”, garante Karla. O Sindicato irá cobrar medidas contra a prática de assédio moral na categoria bancária. agosto 2011

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01.06.2011

SEEB Curitiba

Bancários elegem delegados sindicais para BB e Caixa Entre os dias 01 e 09 de junho, os bancários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal votaram para eleger novos delegados sindicais. Os eleitos são representantes do Sindicato nos locais de trabalho e têm mandato de um ano. As eleições foram realizadas em todas as agências da base de Curitiba e

região. Os delegados sindicais são os responsáveis por informar ao Sindicato as reivindicações nos locais de trabalho e possuem estabilidade no emprego durante o mandato. Também são os delegados sindicais que repassam aos bancários as informações dos debates que ocorrem nas reuniões do movimento sindical.

17.06.2011

SEEB Curitiba

Nova gestão do Sindicato e da FETEC tomam posse Foi realizada na noite do dia 17 de junho, no Espaço Cultural, a solenidade de posse da diretoria do Sindicato para o triênio 2011-2014, sob presidência de Otávio Dias. Na ocasião, também foi empossada a nova direção da FETECCUT-PR, que reconduziu Elias Jordão à presidência da entidade. O evento foi conduzido por Roberto von der Osten,

o Betão, e teve a presença de Carlos Cordeiro, da Contraf-CUT, e dos diretores das regionais da FETEC no Paraná Damião Rodrigues e Neil Emídio Junior. Também participou da solenidade o presidente do Sindicato do Rio de Janeiro, Almir Aguiar. Mais de 400 bancários e familiares se reuniram no Espaço Cultural para celebrar.

18.06.2011

SEEB Curitiba

Encontros Estadual e Nacional BB e Caixa

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agosto 2011

No sábado, 18 de junho, os bancários do BB e da Caixa do Paraná participaram de encontro preparatório para a Campanha Nacional dos Bancários 2011. Os trabalhadores debateram as reivindicações específicas das negociações com os bancos públicos, que foram encaminhadas para o Encontro Nacional dos trabalhadores dos dois bancos.

O Conecef e o Congresso do BB foram realizados em São Paulo, nos dias 9 e 10 de julho, e aprovaram a minuta de reivindicações para a campanha salarial deste ano. A pauta inclui melhorias nos planos de carreiras, isonomia, melhorias nos planos de saúde, recomposição do poder de compra dos salários, entre outros.


19.06.2011

A final da Copa Bancária foi entre dois times de bancários do Banco do Brasil: Boleiros do BB e Órfãos do Dida. Os Boleiros foram campeões pelo placar de 3 a 1 nos pênaltis, depois do empate em 1 a 1 no tempo normal. O terceiro e quarto lugares foram para os times Fusão e AABB, respectivamente. A disputa pelo terceiro lugar

terminou em 7 a zero. A competição, promovida pelo Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, também premiou o artilheiro Marcelo Martins, do time campeão; o goleiro menos vazado foi Flávio Ortega, do mesmo time; e o troféu Fair Play foi entregue para o time formado pelos bancários do HSBC Xaxim.

SEEB Curitiba

Boleiros do BB é o time campeão da Copa Bancária

27.06.2011

Em reunião realizada na sede do Sindicato, no dia 27 de junho, os dirigentes da Coopcrefi, a Cooperativa de Crédito Mútuo dos Bancários, fizeram um balanço das atividades do 1º semestre e deliberaram encaminhamentos. Entre as deliberações, os dirigentes definiram o apoio da entidade ao fomento do cooperativismo e à econo-

mia solidária, através da participação em seminários promovidos pela Cescoper. Outra deliberação foi pela realização de Assembleia Geral Extraordinária, prevista para agosto, com a convocação dos cooperados. A reunião teve a presença de representantes da Cescoper Serviços (Cooperativa de Economia e Crédito Solidário), que prestou assessoria ao encontro.

SEEB Curitiba

Reunião da Coopcrefi define assembleia extraordinária

02.07.2011

Foi realizada em Londrina, nos dias 02 e 03 de julho, a Conferência Estadual dos Bancários do Paraná, com debate dos eixos temáticos da campanha salarial. Durante o encontro, foram definidas as prioridades dos bancários do Paraná para emprego e remuneração, saúde e condições de trabalho, segurança bancária e Sistema

Financeiro Nacional, com base na pesquisa preenchida pelos trabalhadores de todo o estado. A pauta foi encaminhada para a 13ª Conferência Nacional dos Bancários, realizada entre 29 e 31 de agosto, em São Paulo. A Conferência Regional do Sindicato foi realizada no dia 19 de junho para a base de Curitiba e região.

SEEB Londrina

Reivindicações dos bancários do Paraná são aprovadas

agosto 2011

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06.07.2011

CUT-PR

Sindicato mobilizado no Dia de Lutas da CUT Trabalhadores de diferentes categorias se mobilizaram em Curitiba, no dia 6 de julho, pelo Dia Nacional de Lutas da CUT. Os protestos foram pelo fim do imposto sindical, fim do fator previdenciário e contra as terceirizações, que estão em pauta em medida provisória que pode ser aprovada nos Correios, além de duas resoluções do Banco Central de

2011. As medidas regulamentam as atividades dos correspondentes bancários e precarizam o trabalho da categoria, sem os direitos e a segurança adquiridos dentro das agências. O Dia de Lutas também teve intensa mobilização da APP Sindicato por melhores condições de trabalho e salários para os professores.

07.07.2011

SEEB Curitiba

Dirigentes liberados do HSBC debatem demandas Os dirigentes liberados do HSBC de todo o Paraná se reuniram no Espaço Cultural para debater temas prioritários da categoria: emprego, remuneração, saúde e condições de trabalho. Em pauta, a preocupante situação dos trabalhadores do banco inglês que sofrem diariamente com pressão e assédio moral, que geram insatisfação, grande número de

demissões a pedido, alta rotatividade e o medo dos bancários de denunciar. Em todo o Estado, os bancários do HSBC também estão sofrendo com a pressão e assédio para cumprimento das metas. Os dirigentes também debateram sobre as constantes reclamações dos funcionários do HSBC com o Programa Próprio de Remuneração (PPR).

11.07.2011

SEEB Curitiba

Divulgada pesquisa de ataques a bancos

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agosto 2011

O Sindicato dos Bancários de Curitiba, a Contraf-CUT, o Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e a Confederação dos Vigilantes (CNTV) divulgaram, durante Coletiva de Imprensa, no dia 11 de julho, a 1ª Pesquisa Nacional de Ataques a Bancos. Os dados foram apurados em casos divulgados pela imprensa, através de dados oficiais das secre-

tarias estaduais de segurança pública e com a colaboração dos sindicatos. Foram 838 ataques em todo o país, sendo 301 assaltos às agências abertas ao público e 537 arrombamentos de caixas eletrônicos, incluindo os casos de explosões ou com o uso de maçaricos. Somente no Paraná foram 56 casos, o terceiro maior número de ataques.


13.07.2011

Após receber denúncias de assédio moral e pressão para atingimento de metas, o Sindicato paralisou a agência do HSBC localizada na Cidade Industrial de Curitiba. Os trabalhadores do HSBC CIC têm reclamado com frequência da pressão para cumprimento de metas dentro da agência e também das atitudes de Jorge França, superintendente

regional do banco. “Exigimos respeito com os bancários, que trabalham muito e são os verdadeiros responsáveis pelos resultados do banco. O Sindicato não compactuará com esta postura desrespeitosa”, afirma Carlos Alberto Kanak, dirigente do Sindicato e Coordenador Nacional da COE/HSBC.

SEEB Curitiba

Sindicato paralisa agência do HSBC na Cidade Industrial

16.07.2011

O Sindicato promoveu, no dia 16 de julho, mais uma edição da tradicional Festa Julina dos Bancários, reunindo centenas de trabalhadores, familiares e amigos para uma tarde de diversão no Espaço Cultural. A festa foi celebrada com decoração e comidas típicas, jogos e brincadeiras para divertir a garotada, além

de muita animação. Foram servidos pinhão, quentão, cachorro quente, algodão doce. As crianças puderam participar de brincadeiras como pescaria, boca do palhaço, acerte na lata, além de cama elástica, touro mecânico e piscina de bolinhas. Participe você também das atividades do Sindicato!

SEEB Curitiba

Festa Julina anima família bancária

19.07.2011

Em ato realizado na Boca Maldita, os bancários de Curitiba e região alertaram a população sobre o descaso do Itaú com seus funcionários e clientes. Com o grande número de demissões, que este ano chegam a 100 por dia na média nacional, as consequências sobram para a população que precisa de atendimento bancário. “O banco cobra tarifas

abusivas e precariza o atendimento. Em agências com dois caixas, o banco irá disponibilizar apenas um. Vocês pagam para se auto-atender”, alertou Junior Cesar Dias, dirigente do Sindicato. Oito agências do Itaú localizadas no Centro de Curitiba foram fechadas durante a manhã. O atendimento ao público foi normalizado ao meio-dia.

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Itaú demite e bancários atrasam abertura de agências

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SEEB Curitiba

Sindicato promove encontro emocionante PROJETO MEMÓRIA E HISTÓRIA RESGATA LUTAS DO SINDICATO DOS BANCÁRIOS DE CURITIBA E REGIÃO

Para comemorar os 79 anos, o Sindicato dos Bancários convidou os personagens dessa história de mobilizações e conquistas para homenageá-los e reunir seus depoimentos, que serão publicados em um livro, com lançamento em 2012, nos 80 anos do Sindicato. Na noite de 6 de julho, 15 ex-presidentes e dirigentes que estiveram à frente do Sindicato desde a década de 1940 se reencontraram no Espaço Cultural dos Bancários (foto). O encontro proporcionou a emoção, pela simples homenagem ainda em vida, pelo futuro do movimento sindical bancário, pela valorização do coletivo. “Lembro que a luta sindical é plural e coletiva. Estávamos fadados ao esquecimento e hoje fomos lembrados”, rememorou Roberto von der Osten, expresidente. “Nós ex-dirigentes somos homenageados, mas sem os novos dirigentes sindicais, nossa luta teria ficado no agosto 2011

meio do caminho”, relatou Vitor Horácio Costa, dirigente nos anos 1960. Ideais do movimento Alguns também falaram sobre seus ideais, que andavam lado a lado com a luta sindical por melhores condições de trabalho nos bancos. “O ideal nascido na Revolução Francesa, de Liberdade, Igualdade e Fraternidade sempre renascerá no coração das pessoas enquanto houver a exploração do homem pelo homem”, bradou Wilson Previdi, militante na década de 1950. “Tenho orgulho de ser sindicalista e comunista. Nós primamos pela honestidade”, emocionou-se Sérgio Athaíde, que esteve à frente do Sindicato na década de 1970. O ex-presidente mais antigo a prestar depoimento foi Nilo Biazetto, de 89 anos, que participava da direção do Sindicato desde 1945. Em depoimento gravado, disse estar orgulhoso de ser parte

dessa história. Também participaram da solenidade os ex-dirigentes Tristão Fernandes, Paulo José Zanetti, Yara D´Amico, Claudio Ribeiro, Luis Carlos Saldanha e Tadeu Veneri. 79 anos de lutas A solenidade foi conduzida pelo dirigente sindical Márcio Kieller, que é o coordenador do projeto. A ex-presidente Marisa Stédile, que conduziu o Sindicato de 2003 a 2008, e Otávio Dias, presidente do Sindicato, também foram homenageados. Marisa salientou a importância de lembrar exdirigentes que faleceram, como Roberto Pinto, Arlindo, Leitão e outros. Otávio Dias falou da emoção de participar do processo de recontar a história do Sindicato e encerrou retomando as atuais bandeiras de luta da categoria e de toda a sociedade. “Tivemos muitos avanços no país, mas é preciso muito mais”.


agosto 2011

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Revista Bancari@s  
Revista Bancari@s  

Revista do Sindicato dos Bancarios de Curitiba e regiao

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