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4 ISSN 1981-0237

SINDICATO DOS BANCÁRIOS DE CURITIBA E REGIÃO • FEVEREIRO DE 2009 • Nº 34 • ANO VlI

Crise: Trabalhadores exigem garantia de emprego

Historiador da UFPR analisa reação desmedida de Israel em Gaza

Greve dos vigilantes desmascara postura arbitrária dos patrões


DIRETORIA GERAL Alessandro Greco Garcia - Banco do Brasil Ana Luiza Smolka - Banco do Brasil Ana Maria Marques - Itaú Anselmo Vitelbe Farias - Unibanco Audrea Louback - HSBC Carl Friedrich Netto - Banco do Brasil Carla Francielle Faust - HSBC Claudi Ayres Naizer - HSBC Edson Correia Capinski - HSBC Edna do Rocio Andreiu - HSBC Elize Maria Brasil - HSBC Erie Éden Zimmermann - Caixa Eustáquio Moreira dos Santos - Itaú Genésio Cardoso - Caixa Genivaldo Aparecido Moreira - HSBC Hamilton Heffo - HSBC Ilze Maria Grossl - HSBC Jefferson Tramontini - Caixa João Batista Melo Cavalcante - Caixa Jorge Antonio de Lima - HSBC José Carlos Vieira de Jesus - HSBC José Florêncio Ferreira Bambil – Banco do Brasil Karin Tavares - Santander Karla Cristiane Huning - Bradesco Kelson Morais Matos - Bradesco Leonardo André de Araújo - Caixa Lílian de Cássia Graboski – ABN/Real Luceli Paranhos Santana - Itaú Maeve Luciane Vicari - Bank Boston Salete Aparecida Santos Mendonça Teixeira - Caixa Sidney Sato - Itaú Ubiratan Pedroso - HSBC Valdir Lau da Silva - HSBC Vanderleia de Paula - HSBC

CONSELHO FISCAL Efetivos Luiz Augusto Bortoletto - HSBC Ivanício Luiz de Almeida - Itaú Denise Ponestke de Araújo - Caixa Suplentes Deonísio Schimidt - HSBC Tania Dalmau Leyva - Banco do Brasil Bras Heleison Pens - Itaú

FILIADO À

As matérias assinadas são de inteira responsabilidade dos autores.

DIRETORIA EXECUTIVA Presidência Otávio Dias – Bradesco (otavio@bancariosdecuritiba.org.br) Secretaria Geral Carlos Alberto Kanak - HSBC (kanak@bancariosdecuritiba.org.br) Secretaria de Finanças Antonio Luiz Fermino - Caixa (fermino@bancariosdecuritiba.org.br) Secretaria de Organização e Suporte Administrativo Marco Aurélio Vargas Cruz – HSBC (marco@bancariosdecuritiba.org.br) Secretaria de Imprensa e Comunicação Sonia Regina Sperandio Boz - Caixa (soniaboz@bancariosdecuritiba.org.br) Secretaria de Formação Sindical Marcio Mauri Kieller Gonçalves – Itaú (marciokieller@bancariosdecuritiba.org.br) Secretaria de Igualdade e da Diversidade Denívia Lima Barreto – HSBC (denivia@bancariosdecuritiba.org.br) Secretaria de Assuntos Jurídicos Coletivos e Individuais Marisa Stedile – Itaú (marisa@bancariosdecuritiba.org.br) Secretaria de Saúde e Condições de Trabalho Ademir Vidolin - Bradesco (ademir@bancariosdecuritiba.org.br) Secretaria de Políticas Sindicais e Movimentos Sociais André Castelo Branco Machado - Banco do Brasil (andre@bancariosdecuritiba.org.br) Secretaria de Cultura Herman Felix da Silva - Caixa (herman.felix@bancariosdecuritiba.org.br) Secretaria de Mobilização e Organização da Base Júnior César Dias - Unibanco (junior@bancariosdecuritiba.org.br) Secretaria de Assuntos de Políticas Sociais e estudos Sócio-Econômicos Pablo Sérgio Mereles Ruiz Diaz - Banco do Brasil (pablo@bancariosdecuritiba.org.br) Secretaria de Assuntos das Demais Categorias do Ramo Financeiro Margarete Segalla Mendes - HSBC (margarete@bancariosdecuritiba.org.br)

Secretário de Esportes e Lazer Selio de Souza Germano – Itaú (selio@bancariosdecuritiba.org.br) Rua Vicente Machado, 18 - 8º andar, CEP 80420-010 • Fone (41) 3015-0523 Presidente: Otávio Dias (otavio@bancariosdecuritiba.org.br) Secretária de Imprensa: Sonia Boz (soniaboz@bancariosdecuritiba.org.br) Jornalista Responsável: Patrícia Meyer (5291/PR) Colaboração: Fábio Souza e Renata Ortega • Diagramação: Mainardes.com Impressão: Maxigráfica • Tiragem: 15 mil • ISSN 1981-0237


Revista Bancári@s: Edição 34 Fevereiro de 2009 Capa: Fabio Souza Impressão: Maxigráfica ISSN 1981-0237

ÍNDICE Bancos

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HSBC e Santander-Real demitem funcionários e Itaú-Unibanco não se compromete a assegurar empregos. BB adquire Banco Votorantim e se prepara para novas aquisições. Sindicato promove seminário sobre papel dos bancos públicos

Vida Sindical

Jovens trabalhadores discutem sobre crise mundial e empregos. Falta de bom senso dos sindicatos patronais prevalece na campanha salarial dos vigilantes

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Cidadania

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Conjuntura

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Crise Econômica Mundial

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Bancários discutem sobre rumos do sistema financeiro no Fórum Mundial Social, em Belém

Historiador comenta sobre confronto entre Israel e o grupo islâmico Hamas e sobre um possível desfecho para o conflito Intransigência dos banqueiros impede o fechamento da cláusula de assédio moral

Formação Evento realizado pelo Sindicato irá aprofundar discussão sobre gênero e previdência

Qualidade de vida

20 22

LER/Dort ainda são maioria dos casos de acidente de trabalho. Saiba quem são os bancários mais propensos a desenvolver as doenças

Opinião Os perigos das LER/Dort

Cultura Sindicato é um dos candidatos a sediar Ponto de Cultura

Jurídico Com a derrubada da liminar, HSBC volta a ser impedido de demitir lesionados. Caixa não pode realizar desconto das horas não compensadas

Aconteceu Espaço do Leitor e Recomendamos Memórias da Luta

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Assessoria dos Vigilantes

EDITORIAL EDITORIAL

Greve dos vigilantes fechou por três dias dezenas de agências bancárias em Curitiba. O Sindicato apoiou a paralisação, pois acredita que estes trabalhadores merecem melhores condições de trabalho e que isto se reverte em maior segurança para bancários e clientes.

2009: um ano de desafios

Bancári@s

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O que fazer para que os bancos liberem o dinheiro que estão recebendo dos governos em todo o mundo? Como agir para que os trabalhadores não paguem a conta da crise econômica mundial? Mostra-se urgente a regulamentação do Sistema Financeiro Nacional, mas esta não é a única solução que precisa ser pautada e entrar na agenda de lutas dos movimentos sindicais e sociais Brasil afora. Esta crise demonstra que os bancos precisam urgentemente repensar o papel que possuem na sociedade, especialmente quando observamos a dificuldade que o governo está enfrentando até mesmo para exigir que os bancos públicos federais baixem as taxas de juros. Os bancos privados então, cruzam os braços, reafirmam sua prepotência e se negam a baixar o spread, impedindo o crescimento de todo o país.

Simultaneamente, realizam demissões, as justificando com a crise econômica, quando o cenário ainda é muito favorável a eles. Estes são apenas alguns dos desa-fios que a classe trabalhadora está enfren-tando e terá que vencer em 2009. O Sindicato se mostra, mais uma vez, neste momento, um forte aliado dos bancários. As ações sindicais são essenciais para mostrar o poder de luta e organização da categoria, para expor as atrocidades que estão sendo cometidas pelos bancos e principalmente, para buscar evitar novas demissões. O primeiro trimestre de 2009 traz consigo três datas muito importantes: Dia de Prevenção às LER/Dort, Dia da Mulher e 67 anos do Sindicato dos Bancários de Curitiba. A entidade irá marcar todos estes momentos com a atenção que cada um merece, assim como, não esquece da saúde, cultura e do entretenimento de seus filiados. O Espaço Cultural e

Esportivo na Rua Piquiri continua à disposição dos trabalhadores. O Sindicato empreendeu no início deste ano uma importante caminhada para se tornar um dos Pontos de Cultura de Curitiba. Outra forte bandeira neste início do ano, foi, novamente, a segurança bancária. Este tema foi evidenciado com a greve dos companheiros vigilantes. Ao realizar sua estratégia de greve em cima do fechamento das agências, os vigilantes reavivaram o forte desejo das duas categorias de unificação das datasbase. Os trabalhadores vigilantes e bancários almejam que a data-base seja em 1º de setembro, e fortalecidas, as duas categorias consigam ainda mais avanços. Aproveito para convidar à todos para participar dos eventos que serão promovidos no mês de março. Boa leitura! Otávio Dias Presidente do Sindicato


bancos

CAIXA

Entidades exigem tíquete-alimentação PARA TODOS OS APOSENTADOS DA CAIXA No último dia 6, as entidades associativas e sindicais dos empregados e aposentados da Caixa lançaram, durante o encontro nacional de dirigentes, a Campanha “Fome de justiça – tíquete na aposentadoria”. Fomentado pela Fenae em parceria com a Fenacef e a Contraf/CUT, o movimento exige o cumprimento imediato da cláusula 35 do acordo coletivo de 2008, que prevê o compromisso da empresa de “concluir estudos em andamento e apresentar proposta de acordo extrajudicial ou judicial com empregados que ingressaram antes de 1995 e venham a se aposentar e se desligar da Caixa, para conciliação de demandas relacionadas ao benefício do auxílio-alimentação”. O tíquete alimentação para trabalhadores aposentados da Caixa foi um

direito conquistado pelo movimento associativo em 1975. Porém, em fevereiro de 1995, o então governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso – que tinha como política o desmonte e a privatização dos bancos públicos – suprimiu o benefício. Diante da pressão permanente das entidades associativas e sindicais, convictas de que o tíquete era um direito de todos que ingressaram na Caixa antes de sua extinção, e empresa restabeleceu, em 2005, o direito ao benefício a todos os que se aposentaram até 1995. Aos aposentados que recorreram à Justiça, foi feito o pagamento retroativo do benefício. Já à aqueles que não ingressaram com ação judicial, o tíquete voltou a ser pago apenas a partir daquele momento. Pressionada mais uma vez pelas

representações dos trabalhadores, em 2008, a Caixa se comprometeu, na cláusula 35 do Acordo Coletivo, a apresentar uma proposta para quitação da pendência com todos os empregados que ingressaram na empresa até a data de 8 de fevereiro de 1995. E é para que esta cláusula seja cumprida que foi deflagrada a Campanha “Fome de justiça – tíquete na aposentadoria”. Sendo assim, a mobilização visa garantir o direito ao auxílio-alimen-tação para os cerca de 15 mil empregados que se aposentaram nos últimos 15 anos, assim como para os outros 37 mil trabalhadores que ainda não chegaram à aposentadoria, mas que já estavam na empresa em 1995. Com informações da Fenae.

BANCO DO BRASIL Aprovados reivindicam prorrogação do concurso de 2007 Os aprovados no concurso do Banco do Brasil promovido em 2007 estão apreensivos com a notícia veiculada no site Globo.com (09/01) que afirmou que o Banco do Brasil prevê realização de novo concurso no segundo semestre deste ano. A notícia provocou a reação imediata dos aprovados em 2007, que solicitam a prorrogação do concurso por mais

dois anos, ou seja, ao invés de outubro de 2009, que a validade termine em outubro de 2011. O Sindicato dirigiu um ofício a GEPES PR para obter informações e reiterando apoio aos aprovados no concurso no pleito de prorrogação. A resposta ao oficio foi recebida no dia 02 de fevereiro. David de Aquino

Filho, gerente geral da Gestão de Pessoas de Curitiba, informou que não há informações sobre a prorrogação. Os aprovados se organizaram e fizeram um abaixo assinado com intuito de evitar que o Banco do Brasil realize novo concurso. Para mais informações, acesse ao site do Sindicato.

SANTANDER

Nenhum representante do Banco Santander compareceu à mesa redonda convocada pela Superintendência Regional do Trabalho no dia 8 de janeiro. A intervenção da Superintendência foi solicitada pelo Sindicato, por meio da

Secretaria de Saúde, após várias denúncias de que os trabalhadores do banco espanhol estariam adoecendo. O Santander, por sua vez, estaria desrespeitando as leis trabalhistas e obstruindo os direitos dos bancários aos benefícios

previdenciários. A política de recursos humanos do banco é reconhecida entre a categoria bancária como uma das piores no país. Sendo assim, o Sindicato já está tomando todas as providências cabíveis para enfrentar a postura arbitrária do Santander.

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Bancári@s

Descaso com trabalhadores


bancos

AQUISIÇÕES

Sindicato exige garantia de emprego no BV

Valter Campanato/ABr

O Banco Votorantim

Bancári@s

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Enquanto Mantega enfatiza que não se trata de estatização, movimento sindical está preocupado com demissões no Votorantim e com o papel de banco público do BB. A compra de metade do Banco Votorantim (BV) pelo Banco do Brasil, anunciada em 9 de janeiro, trouxe grandes preocupações para os trabalhadores bancários. Para os trabalhadores do BV há o temor de um processo de demissões, tendo em vista que não há garantias de manutenção de empregos na negociação entre as empresas. Além disso, não existe para os trabalhadores do BV nenhuma garantia de estabilidade de emprego ou de que as conquistas dos funcionários do BB serão estendidas aos trabalhadores do BV. “A defesa dos empregos e da isonomia dos direitos devem ser as bandeiras dos trabalhadores em 2009”, afirma André Machado, dirigente sindical e trabalhador do Banco do Brasil. Cenários para os trabalhadores - Para os trabalhadores do BB, a compra do BV também representa insegurança. Não há certeza sobre a saúde financeira do Votorantim ou mesmo em relação à

rentabilidade do negócio. A compra de uma empresa privada, onde o BB é minoria nas decisões, também pode significar mais um instrumento de pressão contra direitos e conquistas dentro do banco público. O temor do movimento sindical é de que a aquisição do BB sirva mais aos interesses do Grupo Ermírio de Moraes do que aos de todo um país, que é o fortalecimento dos bancos públicos federais. “Nossa luta vai ser pela manutenção de postos de trabalho no BV e pela defesa do BB como um banco público”, afirma André Machado. Estatização - Sobre os rumores do mercado de que o governo quer estatizar os bancos, o ministro Guido Mantega foi taxativo: “Não estamos fazendo estatização”, afirmou em entrevista ao anunciar a compra do BV. “Se fosse uma estatização seria melhor, pois o Estado se fortaleceria e os empregos seriam garantidos. Mas com a injeção de dinheiro na iniciativa privada, prevalece o interesse do capital e as incertezas”, afirma André Machado. O negócio - O Banco do Brasil leva, com a aquisição da metade do capital do banco Votorantim (BV) por R$ 4,2 bilhões,

A instituição financeira emprega 990 funcionários e tem 16 agências em São Paulo, Rio, Porto Alegre, Curitiba e Campinas, uma filial em Nassau (Bahamas), além de um escritório de representação em Londres e uma corretora em Nova York. O negócio do BV está concentrado no financiamento de veículos, especialmente usados. O Banco Votorantim, pertencente à família Ermírio de Moraes, é parte integrante do Grupo Votorantim, um conglomerado industrial e financeiro com mais de 90 anos de existência. Ela está presente – sendo em alguns casos líderes nacionais – nos setores de cimento, mineração e metalurgia, papel e celulose, suco de laranja concentrado e especialidades químicas. Com informações do jornal Folha de São Paulo e Assessoria de Imprensa do Banco Votorantim.

uma carteira de financiamento de veículos composta basicamente de operações com usados. Segundo informação do Votorantim, 95% de sua carteira de financiamento de veículos é de carros usados. Desde que o país começou a sofrer os efeitos da crise econômica mundial, em setembro, os preços dos carros usados já tiveram uma retração superior a 20%. Em entrevista, José Ermírio de Moraes Neto, acionista do banco Votorantim, negou que a venda de metade do banco tenha a ver com a crise financeira. O banco negou que estivesse enfrentando problemas de falta de liquidez, como ocorre com as instituições pequenas e médias. Balancete divulgado pelo BC, porém registra queda de R$ 5,825 bilhões nos depósitos a prazo no Votorantim, que passou de R$ 22,457 bilhões em setembro para R$ 16,632 bilhões em outubro. Coincidência ou não, a negociação de


First Rand para criar uma financeira para atuar em veículos. Nesse negócio, o BB teria 75% de participação e, portanto, fatia maior nos lucros. A crise financeira fez os sul-africanos desistirem do negócio. Gestão - O BV passará a ser presidido por Wilson Massao Kuzuhara, atual vicepresidente do banco. O Conselho de Administração da empresa será dividido igualmente entre os grupos, sendo presidido por Antonio Francisco de Lima Neto, atual presidente do BB, e pelo vice José Ermírio de Moraes Neto, então p re s i d e n t e e x e c u t i v o d o B a n c o Votorantim.

lados estão avaliando o negócio. O BB também pretende adquirir o Banestes (Banco do Estado do Espírito Santo). Segundo informações do jornal Folha de São Paulo, caso feche a compra de um dos dois, o BB ultrapassará o Itaú/Unibanco. Em 2008, o BB já adquiriu a Nossa Caixa por R$ 5,386 bilhões e o BESC por R$ 685 milhões.

CAIXA ECONÔMICA

Trabalhadores exigem um melhor Plano de Cargos e Carreiras (PCC) Em fevereiro foi composta a comissão de trabalhadores que irá debater e formalizar uma proposta para o plano de cargos e carreiras (PCC) dos bancários da Caixa Econômica, a ser aprovada no Conecef 2009. “Esta comissão tem o desafio de nos próximos meses analisar os grandes temas que envolvem o PCC, levantar os elementos a serem negociados e apresentá-los”,

Caixa mantém

intransigência

explica Jair Pedro Ferreira, coordenador da Comissão Executiva de Empresa dos empregados da Caixa. O Paraná indicou o bancário Herman Félix da Silva para representar os trabalhadores da Caixa. A empresa se comprometeu a apresentar uma proposta até dia 30 de junho. “Precisamos de um PCC que realmente incentive o trabalhador e lhe dê perspectiva”, conclui Jair.

Uma demanda de 2008 ainda resta na pauta dos trabalhadores da Caixa Econômica Federal. Infelizmente, mesmo perdendo em liminares em todo o pais, como em Curitiba, Criciúma, Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Ceará, São Paulo e Sergipe, a direção da Caixa manteve seu posicionamento e não revogou a CI 107. Desta forma, a empresa está construindo um passivo trabalhista para si e agindo de forma contrária as cláusulas assinadas por ela mesma no Acordo e Convenção Coletiva de Trabalho. Não é a toa que a Caixa ocupa o segundo lugar no ranking de número de processos no TST com 10.495 processos, e lidera com folga quando disputa apenas com as instituições bancárias. As liminares proíbem a Caixa de descontar eventual saldo de horas nãocompensadas na folha de pagamento do mês de janeiro, em função da greve da categoria bancária. “Ao invés de ingressar em uma nova batalha judicial, a Caixa deveria estar ocupada com os desafios que a sociedade brasileira apresenta neste momento”, destaca Jair Pedro Ferreira, coordenador da Comissão Executiva de Empresa dos empregados da Caixa. Mais informações na editoria jurídico, na página 26.

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Bancári@s

BB se prepara para novas aquisições O presidente do Banco do Brasil (BB), Antonio Lima Neto, afirmou no dia 9 de janeiro, que a instituição vai decidir se vai levar adiante ou não a proposta de compra do Banco Regional de Brasília (BRB). Ele limitou-se a dizer que o BB continua negociando com o governo do Distrito Federal, que é controlador da instituição, e que os dois

DIAS PARADOS

Fenae

compra de parte do BV pelo Banco do Brasil iniciou-se logo após o Grupo Votorantim divulgar um prejuízo de R$ 2,2 bilhões com operações com derivativos de câmbio. “Esta aquisição não pode significar uma tábua de salvação para o Votorantim e um grande tombo para o BB”, afirma André Machado. Segundo jornal Valor Econômico, com a operação, o BB passa a administrar R$ 553 bilhões em ativos, ficando R$ 22 bilhões atrás da soma de Itaú e Unibanco. Até o final do primeiro trimestre do ano deverá ser concluído um estudo para decidir o que acontecerá com a marca do Banco Votorantim – se, por exemplo, será associada ao logotipo do BB. O BB tinha anunciado, no ano passado, parceria com o banco sul-africano


bancos

ITAÚ E UNIBANCO

Bancos não se comprometem a assegurar os empregos Mesmo diante da insistência do movimento sindical, a nova empresa Itaú/Unibanco não assinou um acordo formal que reafirme a declaração, na entrevista coletiva que anunciou a aquisição, de que não realizará demissões. A suspensão das demissões decorrentes do processo de fusão dos dois bancos é a principal reivindicação dos trabalhadores e os sindicatos lamentam a postura incoerente adotada pelos banqueiros. Em reunião, os bancos acataram algumas das exigências dos sindicatos, como a suspensão de novas contratações – os trabalhadores querem que preferencialmente sejam aproveitados todos os profissionais que já estão nos

bancos, suspensão de novos contratos de estágios e do programa m e n o r - a p re n d i z , p o d e n d o s e r incorporados ao quadro alguns estagiários. Os bancos também se comprometeram em criar um centro de realocação para reaproveitar os trabalhadores dentro das instituições financeiras e de reduzir as horas extras gradativamente. As negociações e a pressão do movimento dos trabalhadores serão mantidas. O movimento sindical propôs ainda diversas iniciativas para que os trabalhadores do banco não sejam prejudicados pela aquisição. Dentre elas o fim das dispensas imotivadas (Convenção 158 da OIT), redução da jornada

de trabalho, suspensão de horas extras e das terceirizações, manutenção da rede de agências com ampliação de 20% dos postos de trabalho para absorver funcionários da área administrativa, internalização de áreas, construção de programa de incentivo à aposentadoria e manutenção dos direitos observando as condições mais vantajosas. Caixas foram integrados dia 29 de janeiro- O Itaú e o Unibanco integraram 28 mil postos de atendimento automático. De acordo com os bancos, os clientes podem, desde o final do janeiro, fazer saques e consultas a saldos em contas correntes e de poupança, mantendo os cartões e senhas já existentes.

BRADESCO

Bancári@s

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Os trabalhadores do Bradesco estiveram reunidos, em fevereiro, para o Encontro Nacional de dirigentes. O evento realiza o levantamento das demandas para a negociação permanente. Também se definem as estratégias para pressionar o banco. Em relação ao Bradesco, que fechou o ano com lucro de R$ 7,620 bilhões, 4,87% abaixo dos R$ 8,010 bilhões obtidos em 2007, as discussões abordaram o impacto das fusões e aquisições, auxílio-educação, plano de saúde, PLR, a troca de presidente – que não altera a política de recursos humanos adotada pela empresa – e avaliação da postura do banco nas últimas campanhas salariais. Os dirigentes expuseram pesquisa realizada com a categoria sobre o plano de saúde que recebeu avaliações distintas nos grandes e pequenos centros. Também foi discutido junto ao banco um valor complementar para a

Contraf/CUT

Encontro define estratégias de atuação

PLR, cuja nomenclatura ainda será definida. Crescer organicamente – Após a fusão do banco Itaú e Unibanco, que fez o Bradesco perder a liderança de mercado no ranking de ativos, representantes da diretoria afirmaram que não há interesses em aquisição. “Mas a liderança está em nosso DNA”, afirmou

Márcio Cyrpriano, então presidente do Bradesco, na apresentação dos resultados trimestrais. Ele afirmou que não vê dificuldade em recuperar a liderança, por meio de crescimento orgânico, em um prazo de cinco anos. Segundo o banco, em 2008, foram inauguradas 196 agências próprias e 8,2 mil pontos terceirizados. Para 2009, a expectativa é de abertura de 174 agências. “Estaremos fiscalizando o banco para que este crescimento signifique mais contratações e não se mostre simplesmente uma política de sobrecarga de trabalho, aumento de metas e de pressão no ambiente de trabalho”, afirma Joseph Sonego, representante na Comissão de Empresa do Bradesco.


ITAÚ

Sindicato quer que dinheiro da

Cabep volte para os trabalhadores Em 2001, quando o banco Itaú retirou administração dos planos de saúde de seus funcionários do Funbep, a diferença entre receitas e despesas gerou uma sobra de dinheiro que foi depositada na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banestado (Cabep). Atualmente, estima-se que o montante seja de aproximadamente R$ 50 milhões, valor que se encontra sob responsabilidade administrativa do Itaú. No entanto, o Sindicato entende que estes recursos pertencem aos trabalhadores que continuam filiados ao Funbep, tanto ativos quanto aposentados. Por isso, o Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, juntamente com a Fetec-CUT-PR e os

demais sindicatos do interior filiados à CUT, propõe que o dinheiro que está depositado na Cabep seja utilizado mensalmente para diminuir os custos do Plano de Saúde Itaú. “Como estes recursos pertencem aos trabalhadores originários no Banestado, sua utilização se restringiria ao custo mensal dos planos de saúde daqueles que ainda trabalham no banco ou que estão aposentados, em ambos os casos, vinculados ao Funbep”, explica José Altair Monteiro Sampaio, dirigente sindical da Fetec e trabalhador bancário do Itaú. A proposta é subsidiar o custo básico mensal por unidade familiar. Ou seja, no caso de trabalhadores da

ativa, subsidiar os custos do Plano Especial, e no caso dos aposentados e pensionistas, os do Plano Básico p a d r ã o e n f e rm a r i a . S e g u n d o Sampaio, essa medida representaria um ganho real tanto para quem continua trabalhando quanto para quem já recebe do Funbep. De acordo com os critérios defendidos pelo Sindicato, o resgate dos recursos equivaleria a importância mensal de R$650 mil do fundo da Cabep, ou ainda, R$7,8 milhões por ano. Assim, mesmo sem contar a remuneração mensal de juros no período, estariam garantidos recursos para pagar o custo mensal dos planos de saúde por cerca de 6 anos e 5 meses.

9 Durante o encontro nacional de dirigentes do Santander/Real, realizado pela Contraf/CUT de 9 a 11 de fevereiro em São Paulo, a defesa dos empregos dos trabalhadores e as demissões injustificadas voltaram a ser

debatidas. Com informações da Folha de S. Paulo.

Bancári@s

Contrariando as previsões de que não haveria demissões em massa, o Santander anunciou, no dia 15 de janeiro, a dispensa de 400 funcionários. Os cortes, que aconteceram cinco meses após a fusão com o Real, aparentemente não tiveram relação com a crise, mas com a integração das duas instituições. Os bancários dispensados pertenciam aos centros administrativos dos bancos. Em resposta às demissões, os trabalhadores de ambos os bancos e o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região realizaram manifestações em prol da manutenção dos empregos e dos direitos. Além dos protestos, o Sindicato paulista cobrou do Governo Federal o cumprimento da Convenção 158, que proíbe dispensas imotivadas em empresas lucrativas.

SP Bancários

“Fusão” Santander-Real resulta em demissões


bancos

VERGONHA!

HSBC nega reintegração dos trabalhadores

Bancári@s

A já tradicional onda anual de demissões no HSBC em 2009 teve novas data e desculpa: dia 16 de janeiro e a crise econômica mundial. Como forma de retaliação, o Sindicato organizou manifestações nas sedes Kennedy e Xaxim, mantendo as unidades fechadas durante todo o dia 19 de janeiro. O banco manteve a intransigência e não quis reverter as demissões. Por outro lado, diante da pressão do movimento sindical, os trabalhadores conseguiram a extensão do plano de saúde por mais 3 meses além do período assegurado pela Convenção Coletiva de Trabalho – que varia de acordo com o tempo de serviço de 2 até 9 meses (cláusula 38º), e a extensão por 4 meses do vale-alimentação e refeição a serem pagos no desligamento do trabalhador. “Os bancos não podem sugar o 10 trabalhador e depois simplesmente descartá-lo sem explicações. A crise não justifica as demissões que o HSBC promoveu”, afirma Marco Aurélio Cruz, trabalhador do HSBC e dirigente

sindical. “É um absurdo o HSBC continuar sustentando a mentira de que as dispensas visam adequar ao nível de atividade econômica nesse começo de ano enquanto divulga um gasto de 30 milhões de reais com publicidade”, conclui Marco Aurélio. A política adotada pelo HSBC é simples: pouca transparência com seus

trabalhadores – que só souberam das demissões pelo Sindicato e por boatos; instaurar um clima de insegurança – para sobrecarregar, aplicar metas abusivas, punir por meio do medo e restringir a liberdade de manifestação; e assim, impedir prejuízos a sua imagem. Esta sim não merece contenção alguma de despesa...


ENCONTRO REGIONAL BB E CEF

Curitiba promove evento

sobre o papel dos bancos públicos Apesar destas vitórias, o governo ficou devendo a regulamentação do Sistema Financeiro Nacional, uma política mais rápida e incisiva para promover a isonomia e não poupou os trabalhadores de alguns dissabores como o fim das substituições no Banco do Brasil, os processos de terceirização, lentidão e silêncio diante da urgente necessidade de revisão e novas propostas de planos de cargo e salários e a ameaça de desconto dos dias parados na Caixa. É este o cenário que permeará a realização do Encontro Regional dos trabalhadores da Caixa e do Banco do Brasil, no dia 16 de março, a partir das 9 horas, no Hotel Rayon (Visconde de Nácar, 1424), em Curitiba. O evento trará especialistas e personalidades atuantes nos bancos públicos para debater o papel destas instituições e seus trabalhadores no momento de crise econômica pelo qual o país atravessa. Fica evidente, no cenário atual, que são justamente as instituições financeiras públicas que estão evitando um impacto ainda maior da crise no Brasil. A análise é compartilhada pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e comprovada

Desde o princípio de seu governo, Lula evidenciou que, para o Estado Brasileiro, BB e Caixa são essenciais e que elas precisam ter uma função genuinamente

pela ação mundial de estatizar bancos privados. A programação completa está disponível e sendo atualizada periodicamente na página do Sindicato na Internet. As inscrições também podem ser realizadas pela Internet, em www.bancariosdecuritiba.org.br. O evento é gratuito e as vagas são limitadas. Haverá emissão de certificado de participação.

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Bancári@s

Ao assumir o governo, o presidente Lula se mostrou empenhado em construir uma nova proposta para os bancos públicos federais do país. Lula se contrapunha a um modelo político e econômico que havia suspendido as contratações, promovido o sucateamento e havia contido os investimentos das instituições financeiras em áreas essenciais para o desenvolvimento do país. O Banco do Brasil estava sendo preparado para a privatização e na Caixa proliferavam normativos internos que retiravam direitos, criavam duas classes de trabalhadores dentro da mesma empresa e puniam os funcionários. Desde o princípio de seu governo, Lula evidenciou que, para o Estado Brasileiro, BB e Caixa são essenciais e que elas precisam ter uma função genuinamente social, sem deixar de disputar mercado. O presidente retomou os concursos, nomeou representantes dos trabalhadores para funções essenciais e promoveu a revitalização dos bancos públicos federais, que se tornaram mais competitivos e essenciais para as decisões do governo neste momento de crise financeira.


Vida Sindical

CUT/PR

CUT realizou Encontro Estadual da Juventude em dezembro

“Nós jovens trabalhadores não vamos pagar por esta crise e estaremos unidos para defender nosso futuro”, diz documento final aprovado no Encontro. Jovens militantes do Paraná estiveram reunidos nos dias 19 e 20 de dezembro no 1º Encontro Estadual da Juventude da CUT. Cerca de 100 jovens participaram do encontro e dos debates sobre a crise econômica mundial, defesa dos direitos e dos empregos. O evento teve como objetivo

organizar os jovens (até 35 anos) de diversas categorias, como petroleiros, bancários, construção civil, servidores públicos municipais e estaduais, trabalhadores da saúde e rurais e professores, para consolidar o Coletivo Estadual da Juventude da CUT. “Precisamos organizar a juventude, pois o futuro das próximas gerações está em risco”, afirma Carl Friedrich Netto, trabalhador do BB e dirigente sindical. Para André Machado, trabalhador do BB e dirigente sindical, o resultado

do encontro foi bastante satisfatório. “O objetivo era organizar a juventude cutista para a defesa de direitos e dos empregos. Contamos com a presença de representantes de aproximadamente 18 cidades do Paraná. Agora, o Coletivo da Juventude da CUT se tornou uma realidade. 2009 é um ano de luta e ação, de colocar em prática as atividades aprovadas no encontro”. Dentre as atividades realizadas, houve a socialização das diferentes experiências de ação política e sindical da juventude. O encontro aprovou a realização de uma campanha de assinaturas em defesa do Pré-Sal e manifestações conscientizando que o trabalhador não pode pagar a conta da crise econômica internacional. Sindicato participou intensamente das atividades - Além de enviar participantes para o evento, os trabalhadores André Machado e Marco Aurélio Cruz, dirigentes do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, organizaram o encontro. O economista Pablo Diaz e Gustavo Erwin, coordenador da CMS/PR, também atuantes na entidade, integraram a mesa sobre história do movimento operário, conjuntura e papel da juventude trabalhadora.

“O Pré-Sal é do povo!” Bancári@s

Uma das decisões do Encontro Nacional da Juventude foi a aprovação do apoio à campanha nacional “O petróleo é do povo brasileiro e a Petrobrás também!”, em prol do controle 12 social das riquezas geradas pela produção nacional de petróleo. Com a concessão dos blocos petrolíferos às empresas privadas, permitida pela Lei 9.478 de 1997, 40% das reservas localizadas na área do Pré-Sal já foram leiloadas e

encontram-se, atualmente, nas mãos dessas empresas. Ou seja, o Brasil não tem nenhum controle sobre o destino dessas riquezas. A campanha tem como objetivo, portanto, conscientizar a população sobre a importância estratégica do controle das reservas brasileiras e, principalmente, lutar por uma legislação que garanta ao Estado brasileiro o planejamento de onde serão investidos os recursos oriundos do Pré-Sal. O primeiro

passo é a realização de um abaixo assinado para ser apresentado ao Congresso Nacional. Para participar, baixe o documento de divulgação da campanha no site www.pre-sal.org.br e envie o formulário preenchido para o Sindipetro PR/SC (Rua Lamenha Lins, 2064 – Rebouças/Curitiba-PR).


Impasse na campanha salarial evidencia mau caratismo dos patrões Após apresentar a minuta de reivindicações em novembro e ver as possibilidades de negociação esgotadas no mês de janeiro, os representantes dos vigilantes iniciaram, no dia 2 de fevereiro, greve por tempo indeterminado em todo o estado. A greve afetou o funcionamento de dezenas de agências bancárias de Curitiba e como o movimento também se estendia os trabalhadores de transporte de valores, o auto-atendimento também foi afetado. A mesma entidade, o Sindicato dos Vigilantes, agrega as duas atividades profissionais, mas realiza a campanha enfrentando um sindicato patronal de cada segmento. Após três dias úteis de greve, o TRT agendou uma primeira audiência com a entidade representativa dos trabalhadores e o sindicato das empresas de segurança patrimonial. Com mediação do magistrado, a audiência se encerrou com uma proposta de 10% de reajuste, uma média entre a reivindicação dos trabalhadores (7% de reposição e 5% de aumento real) e dos patrões (apenas 7%). Em assembléia, os trabalhadores acataram a proposta. Os empresários negaram. Em seguida, na audiência com os representantes das empresas de transporte de valores, novo absurdo. Em uma

reunião conturbada, os patrões se negaram a discutir índice enquanto a greve não fosse suspensa. Mais do que isso, atrelou a retirada da redução de direitos da sua proposta, à suspensão da greve. Os empresários querem diminuir o piso salarial e o retorno da compensação de horas. Só com a suspensão da greve se abriria uma possibilidade de discutir o reajuste. O impasse na campanha salarial dos vigilantes demonstra a falta de bom senso do empresariado brasileira que não medem esforços para que os trabalhadores paguem o preço da crise econômica mundial. A crise tem sido justificativa para abrir um triste precedente de retrocesso nas negociações salariais. A resistência se mostra como a única arma dos trabalhadores contra as atrocidades cometidas pelos patrões, mesmo frente a frente com o Poder Judiciário. A segurança é prioridade para o Sindicato dos Bancários - Embora a paralisação não fosse dos bancários, as unidades ficaram impedidas de funcionar por causa da Lei nº. 7.102, de 20 de

Assessoria Vigilantes

GREVE DOS VIGILANTES

junho de 1983, que determina um contingente mínimo de dois vigilantes para o funcionamento das agências. Mesmo antes do início efetivo da greve dos vigilantes, o Sindicato encaminhou um ofício à Polícia Federal, solicitando a fiscalização das instituições financeiras – visando o cumprimento da legislação –, já que a responsabilidade por fiscalizar as exigências de segurança das agências é atribuição da PF. Durante o período de paralisação, além de apoiar a luta por condições mais dignas de trabalhos, o Sindicato também fiscalizou as agências da capital, exigindo condições mínimas de segurança para bancários e clientes. As agências que descumpriram a Lei nº. 7.102 foram denunciadas à PF. Em entrevista a imprensa local, o presidente do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região e da Federação dos Vigilantes do Estado, João Soares, lamentou que a greve prejudicasse a população devido a alteração na rotina bancária. No entanto, Soares afirmou que, infelizmente, os bancos e as empresas de segurança se encontram mais preocupados com o dinheiro de seus clientes do que com a vida e a segurança dos trabalhadores e dos cidadãos.

Bancári@s

Assessoria Vigilantes

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cidadania

Fórum Social Mundial discute necessidade de

Bancári@s

De 27 de janeiro a 1° de fevereiro, o Fórum Social Mundial 2009 (FSM) reuniu 150 mil pessoas, de 142 países diferentes, em Belém, no Pará. Além de sindicalistas e intelectuais, estiveram presentes inúmeras lideranças de movimentos sociais, trabalhadores rurais e indígenas da Amazônia. As discussões centrais desta edição, que foi considerada uma das maiores do FSM, abordaram, principalmente, a atual crise econômica e o combate à globalização neoliberal. Diante do cenário atual caracterizado pelas conseqüências da especulação financeira, que acabou gerando uma dívida que está sendo paga por todos, trabalhadores do setor financeiro 14 ocuparam um espaço importante na pauta do encontro. A Contraf /CUT apresentou, no dia 29 de janeiro, a oficina “O Sistema Financeiro Nacional e as pessoas”, que teve como objetivo caracterizar o Sistema Financeiro Nacional (SFN), seu marco institucional

e a necessidade da regulamentação do Artigo 192 da Constituição Federal, bem como de debater a atual crise financeira mundial e suas repercussões nos empregos do setor bancário. Nas discussões, os bancários participantes argumentaram que regulamentar o SFN seria uma das únicas saídas para combater a concentração de ativos financeiros nos bancos e ampliar o crédito voltado para o desenvolvimento sustentável. Tal regulamentação está prevista na Constituição Nacional de 1988 (artigo 192), mas nunca aconteceu. Desde então, a única alteração foi a retirada do limite de 12% da taxa básica de juros da economia. O momento atual também foi considerado propício para criar alternativas e construir políticas públicas que garantam mais autonomia aos países emergentes, já que eles são a grande esperança na retomada do crescimento econômico. Entre as sugestões propostas

Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

regulamentação do SFN pelos participantes da oficina estão ainda a limitação da autonomia do BC; a liberação de crédito conforme as necessidades de desenvolvimento econômico nacional ou regional; e a exigência de manutenção dos empregos em contrapartida a qualquer incentivo ou socorro financeiro por parte do governo. Segundo informações da Contraf/CUT, centenas de bancários estiveram presentes no Fórum, bem como as federações de bancários de São Paulo, Centro-Norte, Nordeste e Rio Grande Sul, além dos sindicatos do Pará/Amapá, São Paulo, Paraná,Porto Alegre, Brasília, Ceará, Pernambuco, Cuiabá e Petrópolis. Com informações da Contraf/CUT


conjuntura

INTERNACIONAL

Israel comete excessos afirmando legítima defesa O mundo reagiu com intensidade contra o sofrimento do povo da Palestina e a resposta exagerada aos atentados do Hamas avaliar. A guerra visava realizar uma série de ataques terroristas contra o povo e a sociedade palestinas para os levar a se dissociar do governo do Hamas. Não há dúvida que a ação israelense, pela primeira vez, logrou forjar um relativo consenso entre os judeus. Nunca se viu tão pouco apoio à população palestina dent ro de

Israel como neste conflito, nem tampouco tamanho apoio à destruição terrorista promovida pelas forças armadas de Israel. É óbvio que tudo isso levará a uma futura radicalização mútua. Bancári@s: Como você avalia a atuação da ONU? Dennison: A ONU fica paralisada ia aos ataques israelenses contra a infra-

pelo veto contínuo que os EUA promove a qualquer sanção a Israel. É importante notar a ação enérgica e decisiva dos funcionários, envolvidos no socorro à população civil, e do secretário geral daquela organização, que fez questão de visitar as áreas sob conflito. O secretário Ban Ki Moon surpreendeu o mundo com sua atuação corajosa em defesa da população palestina, à revelia da paralisia institucional que acomete a ONU. Não só foi enfático na denúncia aos ataques israelenses contra a infra-estrutura de socorro aos palestinos, como exigiu um cessar-fogo unilateral por parte de Israel. Trata-se de uma notável mudança de atitude e uma feliz surpresa – para todos que esperavam ver em Ban Ki Moon um simples fantoche a serviço dos EUA e seus aliados na ONU. Bancári@s: O que se pode esperar do futuro próximo da Faixa de Gaza? Dennison: Gaza está se transformando rapidamente em um gueto, destinado ao confinamento sem futuro e esperanças das populações palestinas que se tornaram apátridas com a criação do Estado de Israel. As periódicas incursões promovidas como retaliação contra aquela população por Israel prometem ser um capítulo do que pode vir a se tornar a "solução final" para o problema palestino. Não há salvação fora da imediata criação de uma nação para os palestinos, que seja um território economicamente viável, socialmente justo e politicamente respeitado por seus vizinhos.

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Bancári@s

O Estado Israelense sofreu fortes críticas pela violência empreendida ao 1,5 milhão de habitantes da Faixa de Gaza como resposta aos atentados com os foguetes do Hamas. Em números, divulgados pela Carta Capital, chegamos ao seguinte cenário: 3 mil foguetes disparados contra Israel entre 2001 e 2008, que provocaram 15 mortes; no mesmo período, 5 mil palestinos foram mortos por forças israelenses. A Bancári@s entrevista, nesta edição, o pesquisador e historiador Dennison de Oliveira, professor da UFPR e doutor em Ciências Sociais, que expõe sua visão do conflito. Bancári@s: Estima-se que o confronto entre Israel e o Hamas fez 1,3 mil mortos e mais de 4 mil feridos e mutilados no território palestino. Em Israel, foram 9 soldados e 4 civis. Isso foi uma guerra ou um massacre? Dennison de Oliveira: A relação de baixas divulgada por ambos os lados é absolutamente desproporcional. Para cada baixa israelense houve 331 baixas palestinas. A título de comparação, as tropas nazistas que ocupavam a Europa durante a 2ª Guerra tinham ordens de matar, em represália, uma centena de civis para cada soldado seu que fosse morto pela guerrilha de resistência à ocupação alemã. Então, é óbvio que não cabe falar em guerra, mas sim um autêntico genocídio do povo palestino. Bancári@s: Há os que consideram que a ofensiva foi um desastre. Como você vê o Hamas depois do confronto? Dennison: Ainda é cedo para


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Crise Econômica

Lágrimas de crocodilo

em Davos

Trabalhadores exigem que medidas adotadas pelos países garantam a segurança no emprego e não apenas a rentabilidade do setor financeiro e produtivo

Bancári@s

Deu até para sentir pena. Realizado em paralelo ao Fórum Social Mundial em Belém, o Fórum Econômico, realizado em Davos, foi uma espécie de “muro de lamentações”. Foi “quase inevitável” que os representantes dos movimentos sociais, sindicais, partidos de esquerda, indígenas, população local e organizações do terceiro setor, que estavam no Pará, estendessem ironicamente um lenço para secar as lágrimas dos 2,5 mil participantes na Suíça – que voltaram para seus países sem uma solução que considerassem “plausível” para a crise financeira. Se a pretensão era de construir um novo sistema financeiro “inquebrável”, a decepção deve ter sido ainda maior. Segundo a imprensa, os participantes temem que a crise arraste o crescimento econômico ao nível mais baixo desde 1945. Estimativas indicam que o mundo deverá ficar estagnado em 2009 e o saldo de desempregados poderá ultrapassar os 50 milhões. Fato é que a crise fez com que os astros do setor financeiro e empresarial passassem a apostar na regulação do Estado na economia. Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico disse: “Somos todos responsáveis por não reconhecer os riscos de um mundo totalmente desequilibrado. Deveríamos ter prestado mais atenção nas pessoas que conseguiram prever os sinais e falaram destes riscos”. Planos e investimentos “sassaricam” mundo afora buscando salvar os 16 bancos. No Brasil, a liberação de depósitos compulsórios, dinheiro que os bancos são obrigados a deixar depositado no Banco Central, chegou a R$ 99,2 bilhões desde o agravamento da crise econômica, em setembro de 2008,

até o final de janeiro deste ano. Em fevereiro, o novo pacote de estímulo à economia dos EUA, defendido pelo presidente Obama foi aprovado pelo Senado, gerando um investimento de US$ 838 bilhões. Republicanos e democratas acirram as discussões sobre o pacote especialmente em um ponto: para a oposição, o projeto não criará empregos. Obama defende que o plano resultará entre três e quatro milhões de novos postos. Enquanto isso, no Brasil, o governo procura incentivar o crédito, mas não implementou proposta para assegurar o emprego dos trabalhadores. Há analistas taxativos em afirmar que a liberação do compulsório só beneficiou o Itaú, que realizou um dos mais importantes negócios a nível mundial, a aquisição do Unibanco. Independente de fusão ou aquisição, fato é que a negociata só beneficia as famílias Setúbal e Moreira. Em fevereiro, o governo anunciou a ampliação do seguro-desemprego em mais dois meses para os trabalhadores demitidos dos setores mais afetados pela crise econômica. As parcelas deixaram de variar entre três a cinco meses para cinco a sete meses. Segundo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, a medida é temporária e ficará restrita apenas aos setores que estão sofrendo mais com a crise. Lupi anunciou também que, se a situação piorar, o governo poderia editar uma medida provisória para ampliar o seguro desemprego para até dez meses. É muito pouco. “O movimento sindical cutista é taxativo e defende que a crise não pode se traduzir em precarização do trabalho, redução de salários e direitos ou demissões”, afirma Otávio Dias, l


Capa

Crise Econômica

presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região. “O governo federal afirma que liberou recursos para apoiar as empresas e que esta é uma das maneiras de enfrentar a crise, mantendo a atividade econômica. Completam esta afirmação com declarações em que dizem ser justo e essencial que os empresários contribuam para preservar os empregos. Sendo essencial, o governo não pode esperar simplesmente a contribuição dos empresários e usar de medidas paliativas. É hora de exigir a garantia de emprego adotando uma real postura em prol dos trabalhadores”, defende. Para o presidente da CUT, Artur Henrique, o emprego e redução dos juros são imprescindíveis para o desenvolvimento econômico. “É necessário construir a mais ampla unidade dos movimentos sindical e social em defesa do desenvolvimento do mercado interno, e isso se faz com emprego e renda", diz.

Bancári@s

Desemprego - A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou relatório, no final de janeiro, em que prevê que o número de desempregados deve aumentar entre 18 e 30 milhões em 2009, podendo chegar a 50 milhões devido à crise econômica. A Organização também divulgou uma projeção de 2,4 milhões desempregados na América Latina. O diretor geral da OIT, Juan Somavia, declarou que os dados apresentados no relatório não são alarmistas. “Enfrentamos uma crise de emprego de alcance mundial. Muitos governos são conscientes da situação e estão tomando medidas, mas é necessário empreender ações mais enérgicas”. Em janeiro, a economia americana perdeu quase 600 mil empregos e a taxa de desemprego subiu para 7,6% no país todo. Calcula-se que desde o início da atual recessão (dezembro de 2007), o país já perdeu 3,6 milhões de empregos. Apesar dos economistas afirmarem que o cenário do desemprego é mais 18 drástico nos países denominados desenvolvidos, o Brasil anunciou a perda de 650 mil vagas em dezembro de 2008 e a possibilidade de uma estatística ainda pior para janeiro de 2009. Desregulamentação financeira é a vilã da crise em 1929 e 2009 – “A

crise é uma segunda punição ao trabalhador”, afirma Pablo Diaz, economista e dirigente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região. Segundo ele, independente deste momento de crise, a situação do trabalhador é de exploração no local de trabalho e pelo Sistema Financeiro. “Nos tempos de 'fartura' para empresários, banqueiros e especuladores, grande parte dos recursos foi 'dormir' em paraísos fiscais, onde estão acomodados até hoje. Sem aumentar os salários dos trabalhadores, matou-se a base do crescimento do sistema, e neste m o m e n t o d e c r i s e há a segunda punição com as demissões e ameaça de flexibilização de direitos”, analisa. Para Diaz, o capital especulativo produziu a crise e tenta dissimular sua responsabilidade, lançando na mídia sucessivas mentiras. Obviamente, a autodenominada 'grande imprensa' não irá criticar a lógica de seus maiores veiculadores de propaganda como bancos e montadoras. “É um jogo de cartas marcadas no qual a culpa sempre é do mordomo, no caso, do assalariado”, critica Diaz. “Existe uma clara semelhança em relação à origem dos distúrbios que resultaram na Grande Depressão (1929) e os que estão por detrás da presente convulsão”, destaca o economista e professor da Unicamp, Frederico

Mazzucchelli, em um de seus artigos. Segundo ele, em ambos os casos a crise foi precedida pela fragilidade da regulação e pelo relaxamento na percepção dos riscos, o que redundou em uma febre especulativa de conseqüências desastrosas. “A inevitável proliferação de operações financeiras de lastro duvidoso, alavancadas pela expansão desmesurada do crédito, é um traço comum dos dois momentos históricos”, acrescenta. A postura do governo - Em fevereiro, a ministra Dilma Rousseff procurou refutar as críticas de que as medidas adotadas pelo governo visam solucionar apenas questões imediatas como recuperar o crédito e apoiar o setor produtivo. Segundo ela, as medidas do governo têm dois lados: o primeiro faz frente aos efeitos da crise, enquanto o segundo pretende aumentar a presença do Estado na economia, multiplicar os investimentos públicos, fortalecer as políticas de distribuição de renda, gerar mais empregos formais e incorporar as classes populares ao mercado consumidor. "Um bom governo combate a crise. Um governo excepcional aproveita as oportunidades da crise", afirmou Dilma. Até agora, apenas o lobby do empresariado surtiu efeito no governo Lula.


formação

GÊNERO E IGUALDADE DE OPORTUNIDADES

Mulher e Previdência serão temas

de evento no Espaço Cultural Previdência, que foi muito elogiada pelo público presente. O Seminário também será um espaço para outras discussões sobre o futuro da Previdência Social, questões de gênero e igualdade de oportunidades. Homenagem - Após os debates, os participantes serão convidados a desfrutar de um coquetel e a assistir à apresentação da cantora Naína.

O Sindicato promove, no dia 6 de março, às 18h30, o II Seminário “Mulher, Gênero e Previdência: o desafio continua”. A intenção é aprofundar o debate realizado em 2008, trazendo à tona polêmicas como a manutenção da diferença de cinco anos de idade a menos para a aposentadoria das mulheres e a

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extensão do direito à aposentadoria para as mulheres que realizam tarefas domésticas. A economista Denise Gentil, da UFRJ, já está confirmada no evento. No seminário realizado no ano passado, Denise brindou os participantes com uma ampla apresentação sobre o tema

Retrospectiva - Para lembrar o Dia da Mulher em 2008, o Sindicato promoveu o I Seminário “Mulher, Gênero e Previdência: barreiras a superar”. O Seminário contou com a presença de Luci Choinacki, Mirian Gonçalves, Marília Gomes de Carvalho, Gleisi Hoffmann e Rose Marie Muraro. O evento é gratuito, mas é imprescindível a confirmação de presença pelo telefone (41) 3015-0523. Mais informações em www.bancariosdecuritiba.org.br


O Dia da Mulher nasceu das mulheres socialistas

Por Vito Giannotti

Confira trecho do texto “O dia da mulher nasceu das mulheres socialistas”, retirado da página da Internet do Núcleo Piratininga de Comunicação (www.piratininga.org.br), que conta a “maternidade” do dia 8 de março. Giannotti afirma que a greve na verdade é fictícia, um mito originado de uma confusão de fatos e datas, o que não retira a importância da data. “O que a história 'oficial' não conta é que, no começo do século passado, o Dia da Mulher se caracterizou como um dia de luta socialista. As duas guerras mundiais, a burocratização da União Soviética e o avanço do capitalismo e da social democracia européia contribuíram para o esquecimento do caráter socialista do 8 de Março. A origem do mito - Tradicionalmente, trabalhadoras do mundo inteiro homenageiam no Dia da Mulher 129 operárias mortas em uma greve numa fábrica de tecidos, em 1857, em Nova Iorque. As trabalhadoras foram trancadas em uma sala de trabalho que haviam ocupado e morreram queimadas em um incêndio provocado pelos donos da fábrica. De acordo com Vito Gianotti, a primeira menção a essa greve aparece no jornal do Partido Comunista Francês L ´Humanité, às vésperas do 8 de Março de 1955. A fixação da data, no entanto, aparece em 1966, em um boletim da Federação Internacional Democrática das Mulheres, na República Democrática Alemã. O artigo no boletim das trabalhadoras alemãs fala rapidamente do incêndio de 1857 e depois diz que, em 1910, durante a 2.ª Conferência da Mulher Socialista, Clara Zetkin, dirigente do Partido Social-democrata Alemão, teria proposto o 8 de Março como data do Dia Internacional da Mulher, em homenagem às tecelãs mortas em Nova Iorque. A confusão acabou sendo feita porque o L'Humanité não falou das 129 mulheres queimadas. As grevistas mortas começaram a ser

mencionadas apenas na publicação da Federação das Mulheres Alemãs, alguns anos depois. Esta história, segundo Gianotti, fictícia, teria origem em duas outras greves ocorridas na mesma cidade de Nova Iorque. A primeira, “uma longa greve real, de costureiras, que durou de 22 de novembro de 1909 a 15 de fevereiro de 1910”. A segunda greve foi em 29 de março de 1911, quando foi registrada a morte de 146 pessoas, em sua maioria mulheres, durante um incêndio causado pela falta de segurança nas péssimas instalações de uma fábrica têxtil. “Esse incêndio foi descrito pelos jornais socialistas, numerosos nos EUA naqueles anos, como um crime cometido pelos patrões, pelo capitalismo”, explica Gianotti, afirmando que as dezenas de operárias mortas na greve de 1911 nos dariam a pista para o nascimento do mito da greve de 1857, na qual teriam morrido 129 operárias num incêndio provocado propositadamente por seus patrões. “E como se chegou a criar toda a história de 1857? Por que aquele ano? Por que nos EUA? A explicação, provavelmente, é a combinação de casualidades, sem plano diabólico pré-estabelecido. Assim como nascem todos os mitos”, comenta. Segundo Gianotti, a canadense Renée Côté pesquisou, durante dez anos, em todos os arquivos da Europa, EUA e Canadá e não encontrou nenhum traço da greve de 1857. Pouco a pouco, o mito da greve das 129 operárias queimadas vivas se firmou e apagou da memória a histórica luta de mulheres e de homens em greves e congressos socialistas reais que determinaram o Dia das Mulheres, a sua data de comemoração e o seu caráter político. Como diz o próprio Gianotti, “derrubar o mito de origem da data 8 de Março não implica desvalorizar o significado histórico que este adquiriu. Ao contrário, significa voltar às origens do ideal socialista da maioria das mulheres que lutavam por um mundo novo sem exploração e opressão do homem pelo homem e especificamente d a m u l h e r pelo homem.”


qualidade de vida

Todos os anos, no mês de fevereiro, o Sindicato dos Bancários de Curitiba e região lança uma campanha para prevenção da LER/Dort. Infelizmente, não é a entidade que é repetitiva. É o adoecimento em conseqüência do trabalho que ainda não deixou de ser uma triste realidade característica do setor bancário. O Sindicato não se cansa de alertar. Embora algumas pessoas ainda acreditem que o sofrimento no trabalho é possível apenas para os trabalhadores que atuam em atividades denominadas “braçais”, em locais insalubres e que exigem menos anos de formação, a verdade é que em um dos mercados mais competitivos, o setor bancário, manifesta-se com freqüência uma forma mais lenta, mas não menos cruel de adoecimento. “É urgente que o bancário pare de pensar: 'isso nunca vai acontecer comigo'. Em nossas conversas com os trabalhadores adoecidos, que buscam o Sindicato para obter ajuda, percebemos que são exatamente aqueles que 'vestem a camisa' e não medem esforços em suas atividades profissionais que adoecem”, comenta Ademir Vidolin, dirigente sindical e secretário de saúde na entidade.

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Invisíveis e silenciosas, as LER/Dort têm uma decorrência trágica na vida dos trabalhadores. Adoecidos, os bancários perdem capacidade produtiva e se percebem inúteis para ações simples do dia-a-dia como pentear o cabelo ou apanhar um pote em um armário alto, por exemplo. A tendência é que sejam afastados e demitidos e com isso, vêem extintas suas perspectivas de ascensão profissional, justamente em decorrência da produtividade e sobrecarga exigidas em seu ambiente de trabalho no banco. Impactos sociais e econômicos O Brasil perde, por ano, o equivalente a 4% do PIB por causa dos acidentes de trabalho, segundo o Ministério da Previdência. O cálculo inclui os gastos da Previdência Social, do Ministério da Saúde e os prejuízos para a produção. Os benefícios previdenciários decorrentes de acidentes de trabalho e de atividades insalubres representaram custo de R$ 10,7 bilhões para a Previdência Social, em 2007. Foram R$ 5,075 bilhões em pagamento de auxílios por doença, por acidente e suplementar,

e também com aposentadorias por acidentes e doenças ocupacionais. Nas estatísticas da Previdência, a maioria dos casos de acidentes do trabalho estão no grupo das LER/Dort. O número de casos registrados aumentou em 2007, em relação ao ano anterior, fruto do combate à subnotificação. "Os dados revelam que esta questão não é meramente previdenciária ou de saúde. As doenças decorrentes da atividade profissional executada pelo indivíduo são um problema social. Precisamos que o país adote políticas públicas para inibir que as empresas imponham aos seus funcionários péssimas condições de trabalho, que realizem programas de prevenção e promoção à saúde e que o Governo fiscalize com rigor para que estas iniciativas realmente surtam efeito”, analisa Ademir Vidolin.


Alguns bancários desenvolvem LER/Dort e outros não, por quê? Por Roseli Paschoal, assistente Social do Sindicato dos Bancários

Em relação à faixa etária, quando pensamos em trabalhadores lesionados, logo imaginamos pessoas que exerceram atividades bancárias por um longo período. Mas não é essa realidade. Diariamente, no sindicato, encontramos trabalhadores que apresentam lesões após terem permanecido por um curto tempo no banco e muitos jovens, especialmente aqueles que atuam nas centrais de atendimentos e dos centros de serviços.

Até mesmo a forma com que estes bancários utilizam seus corpos para se comunicar demonstra existir uma tensão muscular em seus membros superiores. Observa-se com mais clareza essa tensão quando os trabalhadores relatam as condições do ambiente de trabalho, suas rotinas, o relacionamento com os colegas e a chefia, a falta de reconhecimento profissional, as dores, as limitações e o não reconhecimento de suas dores.

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O que se sabe é que existem outras causas além daquelas relacionadas aos esforços biomecânicos. Na tentativa de se encontrar alguma resposta, adotamos uma abordagem no atendimento da Secretaria de Saúde do Sindicato que supre algumas de nossas dúvidas. Perguntávamos-nos, por exemplo, se o fato de um trabalhador ser mais forte do que o outro implicaria em maior ou menor propensão de desenvolver uma lesão. Ou ainda, se problemas psicológicos, familiares ou pessoais poderiam tornar um indivíduo mais suscetível. O que se pode observar nos atendimentos - O que podemos destacar, em relação ao perfil dos portadores, é a faixa etária e o período em que tornam incapazes de exercer com normalidade suas atividades profissionais; geralmente no auge da carreira. A maioria era considerada excelentes profissionais, que apresentavam grandes resultados para banco. Esses bancários realizam atividades desgastantes, física e mentalmente e se acostumaram a cumprir jornadas de trabalho extensas e intensas, com ausência de pausas. Normalmente, apresentam o agravante de terem iniciado suas vidas profissionais muito cedo.


opinião

Os perigos das LER/Dort Vale sempre lembrar que a prevenção a esta doença é sempre o melhor remédio Nunca é demais tratar do tema LER/Dort ou lesões por esforço repetitivo/ distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho. São doenças relacionadas ao excesso de uso do sistema osteomuscular nas atividades profissionais, ou seja, a prática do mesmo movimento por horas seguidas sem haver tempo de recuperação do membro atuante. Diversas patologias fazem parte, dentre elas a tendinite (inflamação nos tendões), bursite (inflamação na bursa localizada no ombro ) e a tenossinovite (inflamação na bainha dos tendões ). Apesar de ser inegável os benefícios que o computador trouxe ao trabalho e famílias, um dos grandes causadores das LER/Dort é o uso contínuo destas máquinas. Estima-se que 70% dos trabalhadores que usam o computador em sua atividade profissional possuem a lesão em algum nível. Infelizmente, não é apenas quem faz uso intenso do computador que pode vir a ter estes problemas. Outras condições de trabalho restringem muito esta “imunidade”, como alto nível de estresse, baixa temperatura no local do trabalho, movimento e força, entre outras. Nas estatísticas do Ministério da Previdência divulgadas por meio de seu anuário de2007, grande parte dos casos de acidentes do trabalho estão no grupo das LER/Dort, passando de mais de 9 mil em 2006 para 22 mil casos no ano seguinte. As doenças que acometem os ombros foi de 7 mil em

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Por Ronny Witzke, professor de Ed. Física que atua na academia do Espaço Cultural e Esportivo

2006 para 18,8 mil casos em 2007. As LER/Dort são as que mais atingem os bancários e são responsáveis por longos afastamentos do trabalho para tratamento médico. O aumento registrado é reflexo do Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTE). O NTE prevê a concessão automática de auxílio-doença por acidente de trabalho quando o empregado apresentar uma das doenças classificadas nas listas de doenças que acontecem com mais freqüência em determinadas categorias profissionais. Empresa e trabalhador devem fazer

um esforço unificado e contínuo de prevenção. Quanto mais o profissional puder administrar suas horas de trabalho em relação ao esforço praticado, realizando pausas, menor a chance de se lesionar. É interessante também estar atento para os sinais da doença como dor, formigamento, dormência, e a fadiga precoce. Também é essencial que o tratamento seja abrangente, com acompanhamento médico, e posteriormente de fisioterapeuta no tratamento, podendo ser indicados ainda outros profissionais, dependendo do nível ou estágio que se encontra a lesão. A maioria das lesões é nos membros superiores, portanto, recomenda-se a caminhada como forma de auxílio ao tratamento. Esta atividade é recomendável por ser de baixo impacto e promover a liberação de endorfina responsável pelo alívio da dor e pelo relaxamento do corpo. A atividade física deve ser realizada de preferência com a orientação de um profissional de Educação Física. Um espaço para a saúde – O Sindicato disponibiliza diversas atividades no Espaço Cultural e Esportivo com intuito de auxiliar na prevenção das doenças ocupacionais, estresse e demais enfermidades decorrentes de um pesado cotidiano profissional imposto pela rotina de trabalho nas instituições financeiras.


cultura

Sindicato pleiteia ponto de cultura Espaço Cultural dos Bancários é um dos candidatos explica Téo Ruiz, produtor cultural que desenvolveu o projeto apresentando pelo Sindicato. Atualmente, já estão em funcionamento mais de 650 Pontos de Cultura espalhados pelo país, dos quais 35 no Paraná. Eles não possuem um modelo único de instalações físicas, de programação ou de atividades. O que os une é a transversalidade da cultura e a gestão compartilhada entre poder público e a comunidade. Para Herman Félix, dirigente sindical e secretario de Cultura e Esportes do Sindicato, tornar-se um Ponto de Cultura será a oportunidade de ampliar a atuação cultural do Sindicato, aproximando a entidade da comunidade e oferecendo ainda mais atividades ao sindicalizados. No projeto enviado ao MinC estão propostas oficinas literárias, audiovisual, de teatro e produção sonora oferecidos à jovens e crianças carentes e/ou em situação de risco; palestras anuais com temas sociais

relevantes; festivais de música em escolas públicas de diferentes regiões de Curitiba; shows profissionais no Espaço Cultural dos Bancários; mostra itinerante de cinema local, entre outros. “Um ponto extremamente relevante do projeto é a digitalização do acervo familiar do poeta Paulo Leminski, um dos principais ícones da cidade. Além disso, propomos a organização de uma exposição do material no Espaço Cultural dos Bancários que será aberta à população curitibana”, complementa Téo Ruiz. O projeto que pleiteia um dos Pontos de Cultura foi enviado à Fundação Cultural de Curitiba – conveniada ao MinC – no final de janeiro e deverá passar, nos próximos meses, pela análise de documentação, avaliação técnica e análise de mérito. As expectativas são de que o resultado saia no mês de abril.

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Bancári@s

Fomentar a cultura sempre foi uma das metas do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região. Preocupação esta que gerou e continua gerando diversos eventos e atividades culturais (ver quadro). E foi por acreditar na importância do desenvolvimento artístico-cultural e continuar incentivando sua produção que, no inicio deste ano, a entidade apresentou uma proposta para sediar um dos 30 Pontos de Cultura que serão implantados em Curitiba nos próximos anos. Os Pontos de Cultura fazem parte do Programa Cultura Viva e são parcerias entre a sociedade civil e o Ministério da Cultura (MinC), responsáveis por articular ações envolvendo arte, educação, cidadania, economia solidária e cultura. “A intenção é fomentar as diversas manifestações do país, contemplando áreas carentes, com pouco acesso à cultura, criando uma verdadeira rede nacional com os milhares de pontos”,


jurídico

Sindicato derruba liminar

obtida pelo HSBC No dia 17 de dezembro de 2008, os trabalhadores do HSBC obtiveram mais uma conquista: a 1ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho revogou a liminar concedida ao HSBC que suspendia a decisão da 7ª Vara do Trabalho de Curitiba. O banco havia ingressado com uma ação em Brasília, obtendo liminar para que não fossem aplicados os efeitos da sentença que favorecia os trabalhadores lesionados. A decisão da 7° Vara obrigava a emissão da CAT em caso de suspeita de doença do trabalho e a suspensão das demissões até a avaliação do INSS de trabalhadores que

apresentem queixas de DORT na homologação da rescisão do contrato. Diante disso, o banco inglês utilizou o argumento de que estava impedido de praticar demissões. O Ministro Walmir Costa – relator do processo – sensibilizou-se com os fundamentos e deferiu a medida liminar. Imediatamente, o Sindicato apresentou defesa e pediu a reconsideração da decisão do ministro. Em sessão de julgamento no dia 03 de dezembro, Walmir Costa apresentou relatório e manteve a decisão que favorecia ao HSBC. No entanto, o Ministro Luiz Philippe Vieira de Mello

Filho apontou divergência e retirou os autos de pauta. O julgamento foi retomado no dia 17 de dezembro, quando o Mello Filho formulou seu voto em sentido contrário ao proposto pelo relator. O desempate foi favorável ao Sindicato e derrubou a medida liminar obtida pelo banco. Apesar da decisão da 7ª Vara do Trabalho de Curitiba limitar a possibilidade de dispensas do HSBC, suspende a demissão apenas dos bancários lesionados e que tivessem a incapacidade reconhecida pelo INSS. Porém, embora a derrubada da liminar represente uma grande vitória dos

Dias parados: Sindicato conseguiu liminar em novembro

Bancári@s

O Sindicato conseguiu uma importante vitória política e 26 judicial. Se contrapondo a decisão de outras entidades de representação dos trabalhadores bancários, o Sindicato não assinou o aditivo da CCT e ingressou com ação contra a

Caixa. No dia 28 de novembro de 2008, os efeitos da CI107 foram suspensos. A circular interna, que tratava da compensação das ausências decorrentes da greve da campanha salarial deste ano, contraria o acordo assinado com a empresa. A decisão

judicial anula os efeitos do documento. Com a decisão do juiz Felipe Augusto de Magalhães Calvet, da 8ª Vara de Trabalho, a Caixa ficou impedida de realizar o desconto das horas não compensadas até o dia 15 de dezembro e o trabalho aos sábados, denunciado diversas vezes ao Sindicato, foi suspenso.


ACONTECEU

PASSEIO ECOLÓGICO

Lazer e contato com a natureza Com o objetivo de incrementar a qualidade de vida e o convívio social, o Sindicato realizou, no dia 29 de novembro, o Passeio Ecológico da Primavera. Ao longo de todo o dia, os bancários puderam desfrutar da paisagem da Chácara Tapera Velha, na Serra do Mar, além de participar de caminhadas, atividades recreativas e de um saboroso almoço. O passeio foi uma oportunidade de praticar atividades físicas e ter momentos agradáveis com a família e os amigos.

Assembléia aprova reforma do Estatuto e do Regimento interno do Sindicato

bancários aposentados, além de realizar ajustes e correções no texto de artigos relacionados a alterações de prazo para publicação de editais, realização das conferências de planejamento, assembléia de prestação de contas entre outros. Confira algumas

Bancári@s

Em assembléia realizada no dia 26 de novembro de 2008 os bancários aprovaram a Reforma do Estatuto e do Regimento Interno do Sindicato. As principais alterações têm como objetivo modernizar as atribuições da Diretoria Executiva e atender os

das mudanças aprovadas: - A Diretoria Executiva do Sindicato passa a ser constituída por 15 diretores ao invés de 14; - Foram criadas duas Secretarias: de Assuntos Políticas Sociais e estudos Sócio-Econômicos e da Mobilização e Organização da Base; - A Secretaria de Cultura foi desmembrada da Secretaria de Esportes e Lazer e passa a ter responsabilidades mais específicas; - As Comissões de Empregados (COEs) ficam garantidas estatutariamente; - São implantadas medidas para melhorar, garantir e manter o relacionamento com o trabalhador aposentado sindicalizado, estabelecendo-se 27 estatutariamente o pagamento de um valor teto anual, novos prazos e que o aposentado mantenha seu endereço atualizado junto ao cadastro da entidade.


ACONTECEU

Sindicato realiza

ato contra demissões

Jantar beneficente arrecada dinheiro para catarinenses Por meio das Secretarias de Cultura e Esportes, o Sindicato realizou, no dia 12 de dezembro, um jantar beneficente em prol dos desabrigados e das vítimas das enchentes em Santa Catarina. O valor arrecadado foi de mil reais e o dinheiro foi depositado na conta corrente da Defesa Civil do Estado de Santa Catarina no dia 18 de dezembro.

Casa abrigo “Pequenos de Cristo" ganha presente de Natal Certos de que os trabalhadores não podem pagar a conta da crise econômica mundial, o Sindicato promoveu, nos dias 10 e 11 de dezembro de 2008, manifestações contra as demissões. Diante do cenário negativo para os

trabalhadores bancários – que, além da crise econômica, enfrentam as consequências de processo de fusões de aquisições – os atos tiveram como objetivo protestar contra a postura parasita assumidas pelos bancos.

Fenae

Dirigentes da caixa debatem sobre desafios ao movimento dos empregados

Sindicatos de bancários de todo o

Bancári@s

28 país estiveram reunidos, nos dias 6 e 7 de fevereiro, no Encontro Nacional da Caixa para discutir sobre os futuros desafios do movimento. A pauta do encontro incluiu questões relativas ao plano de assistência médica dos

empregados (Saúde Caixa); o restabelecimento da promoção por merecimento na Caixa; a elaboração do Plano de Funções Comissionadas (PFC – antigo PCC – cuja implantação está pre-vista para o final de junho); a isonomia de direitos entre empregados novos e anti-gos; a democratização dos órgãos de ges-tão da empresa; e a organização e a pauta do 25º Conecef, a ser realizado em abril. O encontro foi marcado ainda pela disposição de intensificar a luta por soluções para os problemas dos trabalhadores da ativa e dos aposentados. Para isso, foi lançada s campanha “Fome de justiça – tíquete na aposentadoria”, que tem como objetivo assegurar a imediata implementação da cláusula 35 do acordo coletivo 2008.

No dia 19 de dezembro, as crianças carentes da Casa Abrigo "Pequenos de Cristo" foram presenteadas como uma bonita Festa Natalina, realizada pelo Sindicato em parceria com os funcionários e dirigentes da entidade, trabalhadores bancários e demais doadores. Os pequenos foram recebidos na Sede Campestre e, além de saborear um delicioso lanche, puderam participar de diversas atividades recreativas, como oficinas de pintura, colagem, massinha e gincanas. A surpresa ficou por conta do Papai Noel, que distribuiu presentes e guloseimas.


Contraf/CUT

Encontro Nacional define mesas temáticas para negociação com o BB Entre os dias 8 e 10 de dezembro foi realizado, em São Paulo, o encontro Nacional dos dirigentes sindicais do Banco do Brasil, Besc e Nossa Caixa, organizado pela Contraf/CUT para

definir a pauta das negociações permanentes de 2009. Foram aprovadas cinco mesas temáticas: PCCS, saúde, previdência, terceirização e fusões e incorporações. As negociações seguem

as com o debate permanente sobre condições de trabalho – o que inclui assédio moral, metas abusivas e lateralidade, entre outros temas – e devem ser concluídas até o início de março.

4ª Reunião de Redes de Bancos Internacionais

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Bancári@s

Visando promover a integração das ações sindicais internacionais entre Américas e Europa, dirigentes sindicais se reuniram na sede da Contraf/CUT, em São Paulo, nos dias 20 e 21 de novembro, para a 4ª Reunião Conjunta das Redes Sindicais de Bancos Internacionais. O foco das discussões foi a proteção ao emprego e aos direitos dos trabalhadores frente à crise financeira internacional. Participam representantes de Itaú, Santander-Real, HSBC, Unibanco, BBVA e Banco do Brasil.

Contraf/CUT

debate proteção ao emprego


E

Recomendamos

Es

p

r o t i o a ç d o le

Ampliação Faço musculação no sindicato e gosto muito, mas não me atrevo a divulgar muito porque o espaço destinado para a academia é pequeno. Que tal levar adiante o projeto de uma academia maior e mais completa no andar de cima? Afinal, o andar atual está dividindo espaço com o Café dos Bancários. Aposto que vai valer a pena e o espaço atual ficaria para um happy hour bem mais movimentado! Pensem nisto! Mirian, bancária. Mirian, a atual gestão 2008/2011 do Sindicato tem planos de ampliar o Espaço Cultural e Esportivo da Rua Piquiri. Para isso, porém, precisamos muito da colaboração de todos, inclusive a sua, divulgando SIM as atividades já promovidas no Espaço, desde as aulas de yoga, pilates, dança de salão e a musculação, e mesmo aquelas de entretenimento, como os jantares especiais e a feijoada. Só movimentando muito o Espaço é que vamos justificar este investimento junto à base e assegurar que isto beneficie a todos.

Livro: O Filho Eterno Autor: Cristóvão Tezza Gênero: Romance Páginas: 223 Ano de Lançamento: 2007 Um escritor sem muito sucesso, que na ansiedade do primeiro filho, é surpreendido por uma criança portadora da Síndrome de Down. Assim é “O filho eterno”, romance autobiográfico de Cristóvão Tezza, em que o autor expõe aberta e francamente os dissabores e as pequenas vitórias da convivência entre pai e filho. Temperado com um pouco da crueldade auto-irônica de Machado de Assis e com a tensão emocional vivida pelos personagens de Graciliano Ramos, o livro ganhou o Prêmio Jabuti de melhor romance do ano 2008 e o primeiro lugar do Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa.

Divulgação

Bancári@s

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O escritor Leandro França é bancário do BB e publicou em dezembro de 2008 seu terceiro livro “Trama das Nuvens”, pela editora Juruá. O romance, de 138 páginas, pode ser adquirido através da página da editora na Internet. Os seus primeiros livros foram "Ária Primeira Variação do Fim de Tudo" e "Ensaio de uma Vida Ban-dida", também pela Juruá.

O sindicato agradece os correios eletrônicos enviados. Continuem encaminhando seus comentários sobre a revista. E-mail: imprensa@bancariosdecuritiba.org.br

Filme: Adeus Lênin! Gênero: Comédia Tempo de duração: 121 minutos Ano de Lançamento: 2003 Christiane Kerner dedica sua vida a criação dos filhos e ao partido comunista na Berlin Oriental. Quando se recupera de um coma, que a manteve ausente durante as transformações da queda do muro, seus filhos, Alex e Ariane, se desdobram para que ela não descubra a unificação das Alemanhas, já que a emoção poderia ser fatal. O longa de Wolfgang Becker foi nomeado para a categoria de melhor filme no Globo de Ouro em 2003, e venceu o prêmio de melhor filme para a Academia Européia de Cinema.


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Memorias da

Lei garante

a t lu

igualdade entre mãe adotiva e biológica

to, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação". Este dispositivo legal, entretanto, não estava sendo cumprido, com relação aos filhos adotados, uma vez que não estendia às trabalhadoras – mães adotantes, o direi-to da licença gestante, nem tão pouco dava à segurada da Previdência Social adotante, o salário-maternidade. Foi esta deficiência que a Lei 10.421supriu.

A adoção no Brasil - Se a gestação biológica dura nove meses, a espera por uma criança na fila de adoção pode ser de três anos ou mais. Isto, apesar de 80 mil crianças, segundo a Associação dos Magistrados do Brasil, viver em abrigos. Alguns fatores tornam este número tão assustador: o primeiro é a dificuldade de estipular critérios para destituição do poder familiar que atrela o destino da criança a um de seus parentes consangüíneos. Por isso, apenas 8 mil, ou seja, 10% deste total de crianças estariam prontas para adoção. O segundo são as exigências dos adotantes, a maioria deseja bebês (menos de um ano) e de pele branca. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou, em abril de 2008, o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), que integrou as listas de crianças que podem ser adotadas e de candidatos a

adotá-las, existentes nas Varas da Infância e da Juventude de todo o país. O objetivo foi de aproximar crianças que aguardam por uma família em 6 mil abrigos brasileiros e pessoas de todos os estados que tentam uma adoção. O sistema também deseja reduzir a burocracia, pois uma pessoa considerada apta à adoção em sua cidade, ficará habilitada a adotar em qualquer outro lugar do país. Entretanto, o sistema não reduz o preconceito que dificulta a adoção de crianças maiores, grupo de irmãos, negras ou com problemas de saúde. Sindicato defende campanha pela licença de 180 dias – O Sindicato dos Bancários defende que todas as mulheres têm direito à ampliação da licença maternidade para seis meses e propõe que os trabalhadores e trabalhadoras que desejam lutar por esta bandeira na próxima campanha salarial se manifestem para que esta conquista se torne 31 uma prioridade no movimento sindical. Escreva para:

comunicacao@bancariosdecuritiba.org.br

Bancári@s

Na última edição da revista Bancári@s tratamos da importância da licença-maternidade e da luta das trabalhadoras para a ampliação deste direito. Não mencionamos, entretanto, que a lei 10.421, de 15 de abril de 2002, estende para as mães adotivas este direito, o que foi um grande avanço, não apenas para as mulheres que se tornam mães desta forma, mas especialmente para as crianças, que possuem, pelo Estatuto da Criança e Adolescente, o direito a uma família e é essencial a proximidade da mãe trabalhadora nestes primeiros momentos de inserção e adaptação. A lei determina que: Toda empregada que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança terá direito à licençamaternidade durante os seguintes períodos: a) até 1 (um) ano de idade - licença de 120 (cento e vinte) dias; b) a partir de 1 (um) ano até 4 (quatro) anos de idade - licença de 60 (sessenta) dias; e c) a partir de 4 (quatro) anos até 8 (oito) anos de idade - licença de 30 (trinta) dias. Relembrando os direitos da mãe adotiva - A mulher que adota ou que recebe uma criança sob guarda judicial para fins de adoção também tem direito ao salário-maternidade, ainda que já tenha havido pagamento de benefício semelhante à mãe biológica. Nossa Constituição Federal de 1988 diz no § 6º do artigo 227 – que trata do tema família – que "os filhos, havidos ou não da relação de casamen


Bancári@s - 02/09  
Bancári@s - 02/09  

Revista editada pelo Sindicato dos Bancários de Curitiba - Fevereiro/2009

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