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Persistência

Seis anos de ganho real Fenaban foi obrigada a ceder à pressão e apresentar proposta com aumento real Os banqueiros foram teimosos e a categoria se mostrou persistente. A razão estava com aqueles que acreditaram na força da mobilização dos bancários. É verdade que os patrões fizeram tudo que estava ao seu alcance para desmobilizar: interditos proibitórios, correios eletrônicos e telefonemas convocando para o trabalho, investimento em tecnologia para que os bancários executem suas atividades profissionais sem sair de casa, táxi aéreo e muita pressão. “Os patrões já chegaram à negociação convictos de que este ano não haveria ganho real e tiveram a cara de pau de dizer que o que conquistamos nas últimas campanhas já havia sido muito”, relata Otávio Dias, presidente do Sindicato. A indignação se tornou ainda maior quando, após oito dias de greve, a Fenaban deixou todo o Comando a postos, por dois dias, em negociação, sem apresentar proposta. Apostaram na desmobilização. A resposta veio com o acirramento da greve em todo o Brasil. Em Curitiba e região, 285 agências, das 444 existentes, ficaram sem expediente. Ganho real – A persistência dos bancários não se mostrou infrutífera e arrancou proposta que contempla um novo ganho: a ampliação da licençamaternidade em todos os bancos, avanços em rela-

ção à igualdade de oportunidades, uma cláusula permanente de parcela adicional da PLR e a manutenção do teto de distribuição da PLR em 15% (os banqueiros insistiam em apenas 5,5%). Além disso, com mobilização, os trabalhadores estão recuperando o poder de compra dos seus salários nos últimos seis anos. O piso da categoria já acumula 17,8% de ganhos acima da inflação medida pelo INPC desde 2003, segundo o DIEESE. Dez mil funcionários para o BB – Ampliação do quadro de funcionários do BB, reajuste de 3% no Plano de Cargos e Salários (PCS) e o comprometimento da empresa em propor um PCCS foram os fatores que mobilizaram os trabalhadores do BB, presentes na assembleia no dia 08, a aceitar a proposta e encerrar a greve. Dias parados – Os dias parados podem ser compensados até o dia 15 de dezembro e não serão descontados. A compensação será limitada a 2 horas por dia e não pode recair no fim de semana ou feriados, nem incidir sobre horas extras feitas antes da assinatura do acordo. Caixa fechada – Na assembleia (8), os trabalhadores se mostraram descontentes com a proposta e mantiveram a greve em um cenário de acirramento de conflito com a empresa.

Nesta edição

Greve continua na Caixa Os empregados da Caixa entraram na última sexta (9) em seu 16º dia de greve. A decisão foi tomada em assembleia no dia 08. Leia na página 02.

Nova conquista em 2009 Greve garantiu ampliação da licença-maternidade e um adicional à PLR que assegura distribuição linear de 2% do lucro líquido. Leia na página 03.


Banco do Brasil

Proposta foi aprovada por pequena margem de votos PCCS: categoria resolveu dar um “voto de confiança” ao BB O compromisso do Banco do Brasil em implantar o Plano de Carreiras, Cargos e Salários (PCCS) gerou polêmica na assembleia dos trabalhadores bancários de Curitiba e região, no dia 8 de outubro. Muitos desconfiam do BB e acreditam que a empresa não irá cumprir com a promessa de discutir e concluir uma proposta nos prazos apresentados. A categoria, porém, por pequena diferença de votos, resolveu “dar um voto de confiança” para o banco, especialmente diante de alguns avanços apresentados na proposta específica. Dentre eles, a geração de 10 mil novos empregos (5 mil em 2010 e 5 mil em 2011), manutenção do formato da PLR, reajuste de 3% no Plano de Cargos e Salários (PCS) e avanços na isonomia. “Quem não está contente, que procure outro emprego” – O Sindicato dos Bancários de Curitiba e região pediu instauração de processo investigatório junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT) em relação as reuniões nas agências do BB realizadas nos últimos dias de greve. A frase do título foi de uma bancária que assumiu postura de “patrão”. As reuniões foram determinadas a partir de um correio eletrônico que solicitava o retorno dos funcionários ao trabalho, burlando o direito de greve. Na audiência, realizada no dia 09, ficou evidente que as reuniões tinham como intuito constranger os trabalhadores e questionar sua decisão em se manter em greve.

Proposta BB Item

Valor (em R$)

PLR*

Manutenção do formato atual, com distribuição semestral Veja o valor a receber em alguns cargos: Demais gerentes: 1,56 salário Escriturário: R$ 2.890 1º Gestor de rede: 1,84 salário Caixa: R$ 3.189 Comissionado resp. níveis 2 e 3: 2,28 salários Ass. negócios: 1,46 salário

Condições de trabalho

10 mil novos empregados (5 mil em 2010 e 5 mil em 2011)

Assédio moral

Criação de Comitês Regionais de Ética compostos por representantes eleitos pelo funcionalismo (trabalho será acompanhado pelo Sindicato local)

Pisos

Reajuste em mais 3% o VP do E1, corrigindo todo o PCS no mesmo valor (o que garante reajuste de 9% a todos os níveis do PCS)

PCCS

Discussão a partir de 1º novembro e a conclusão de proposta até 30 de junho de 2010

Isonomia

Venda e acúmulo de cinco dias de faltas abonadas aos bancários que ingressaram no BB a partir de 1998

Lateralidade

Pagamento das substituições nas agências com menos de 7 funcionários, na ausência do comissionado. Nas dependências da rede com mais de 7 funcionários, apenas a substituição do gerente geral será remunerada.

Licença adoção

Ampliação da licença de 5 dias para 30 dias aos pais solteiros ou casais homoafetivos

* No pagamento do primeiro semestre de 2009 o valor será cerca de 6% menor que o do primeiro semestre de 2008 em virtude do montante a ser distribuído ser equivalente, mas ter aumentado em cerca 9.300 funcionários, elevando o número de beneficiários. Com informações do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região.

Proposta rejeitada

Bancários da Caixa continuam em greve O banco propôs apenas 6% de reajuste, uma PLR rebaixada e mais truculência no tratamento com os seus trabalhadores Uma proposta que não garante a distribuição integral da regra de PLR apresentada pela Fenaban, que não traz avanços no Plano de Funções Gratificadas (PFG), nem valorização dos pisos da categoria. Foi isso que a Caixa Econômica apresentou aos seus trabalhadores na última negociação específica, que aconteceu em 08 de outubro, em São Paulo. O banco apenas reafirmou que seguirá o reajuste de 6% proposto pela Fenaban e anunciou a contratação de 3 mil bancários para 2010. Indignados, os bancários da Caixa de Curitiba e região deliberaram em assembleia pela manutenção da greve. Nos últimos anos, a empresa tem desempenhado papel importante como agente das políticas públicas do governo federal. “E é por contribuir com esse importante papel social que os trabalhadores merecem ser valorizados e recompensados por sua dedicação e empenho”, acrescenta Otávio Dias, presidente do Sindicato.

Clima tenso – Nesta Campanha Salarial 2009, além do descaso nas negociações específicas, ficou evidente que os trabalhadores da Caixa estão, ano a ano, sendo tratados com mais truculência pela em-

presa. Nunca se viu tanta prepotência por parte do banco, que adotou práticas como postar contingente de seguranças nas portas das agências e conseguir na Justiça interdito proibitório.


Fenaban

Mobilização garante a manutenção do ganho real e mudanças nas regras da PLR Desde o dia 10 de agosto, data da entrega da minuta, a Fenaban apresentou apenas duas propostas na Campanha Salarial 2009: uma que apenas contemplava a reposição da inflação (4,5%) no dia 17 de setembro; e agora, no dia 06 de outubro, uma proposta de 6% de reajuste, o que significa 1,5% de ganho real. O avanço foi fruto de muita luta e de uma greve nacional de 15 dias que forçou os bancos a reverem sua postura. Afinal, os patrões haviam prometido não ceder às reinvindicações da categoria e barrar a conquista do aumento real, uma vitória dos trabalhadores desde 2004. A principal conquista – A participação dos bancários que atuam na iniciativa privada, considerada surpreendente pelos dirigentes e bastante entusiasmada neste ano, garantiu ainda avanços em relação ao pagamento do valor adicional à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), que agora está assegurado na CCT.

Como o modelo anterior do adicional era condicionado ao crescimento do lucro em pelo menos 8%, este ano praticamente nenhum banco o pagaria. Aqui surge a grande vitória de 2009: um novo modelo para o adicional, conquistado após 15 dias de greve, e que garante a distribuição de 2% do lucro líquido de forma linear a todos os trabalhadores, com teto de R$ 2.100, tenha o lucro crescido ou não. O valor não pode ser descontado dos programas próprios. “Conseguimos um importante avanço, pois asseguramos o pagamento do adicional de forma perene, incluído na CCT, sem que esteja vinculado ao crescimento do lucro dos bancos. Tivemos a ampliação da licença-maternidade de quatro para seis meses, beneficiando as bancárias de todo o país. E com muita briga, mantivemos o ganho real. Este é o saldo positivo da Campanha Salarial 2009,” afirma Otávio Dias, presidente do Sindicato. Confira abaixo em detalhes a proposta aprovada pelos trabalhadores em bancos privados:

Proposta Fenaban Item

Valor (em R$)

Reajuste salarial

6%

PLR*

90% do salário + R$ 1.024 (com teto de R$ 6.680)

Adicional à PLR**

2% do lucro líquido distribuído linearmente para todos (com teto de R$ 2.100)

Piso (após 90 dias): Portaria

R$ 748,59

Piso (após 90 dias): Escriturário

R$ 1.074,46

Piso (após 90 dias): Caixa

R$ 1.501,49

Auxílio-refeição

R$ 16,88

Cesta-alimentação

R$ 289,31

Auxílio-creche/babá

R$ 207,95

Requalificação profissional

R$ 831,28

13ª Cesta-alimentação

R$ 289,31

Adicional Tempo de Serviço (ATS)

R$ 16,59

Licença-maternidade

6 meses

* Caso o valor distribuído para os bancários fique abaixo de 5% do lucro, o banco deverá aumentar a PLR de cada bancário até completar este percentual, com limite para cada bancário de 2,2 salários ou R$ 14.696, o que for atingido primeiro. ** Os valores não poderão ser compensados dos programas próprios de remuneração. Com informações da Contraf-CUT.

Comunicado

Contribuição assistencial será descontada em novembro O valor de R$ 55 foi aprovado em assembleia. Bancários podem protocolar oposição Além das propostas da Fenaban e do Banco do Brasil, os trabalhadores bancários de Curitiba e região aprovaram, na assembléia do dia 08 de outubro, a taxa de contribuição assistencial de R$ 55. O valor, que será descontado em folha de pagamento no mês de novembro, é necessário para cobrir gastos com a estrutura da Campanha Salarial 2009. Quando o acordo coletivo de trabalho é fechado, os bancários contrários ao desconto da taxa podem protocolar sua oposição. As datas e horários para o protocolo são as seguintes: 13, 14, 15,16 e 19, 20, 21, 22 de outubro, das 9h às 17h, no Espaço Cultural e Esportivo dos Bancários (Rua Piquiri, 380 – Rebouças). No sábado, 17 de outubro, o horário de atendimento será das 9h às 12h. “O Sindicato defende que sua manutenção deve ser feita com a contribuição espontânea dos trabalhadores, por meio da sindicalização. A contribuição assistencial é um valor que garante a infra-estrutura da campanha salarial, que conta com muitos itens, como carro de som, faixas, cartazes e organização diária de assembleias, entre outros”, justifica Otávio Dias, presidente do Sindicato.


Orgão de divulgação do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região Av. Vicente Machado, 18 - 8º andar • Fone: (41) 3015-0523 • Fax: (41) 3322-9867 Presidente: Otávio Dias • Sec. de Imprensa: Sônia Boz • Jornalista: Patrícia Meyer (5291/PR) Colaboração: Renata Ortega • Diagramação e Arte final: Fabio Souza • Impressão e Fotolitos: Maxigráfica Tiragem: 17.000 exemplares sindicato@bancariosdecuritiba.org.br www.bancariosdecuritiba.org.br

13.10.09  
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Folha bancária

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