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Editorial

“ A literatura antecipa sempre a vida. Não a copia, amolda-a aos seus desígnios.” Oscar Wilde

Mais uma edição da FANTÁSTICA se apresenta e nosso entusiasmo com o projeto continua crescente. A cada nova edição aprendemos como melhorar em todos os aspectos, sempre visando trazer matérias interessantes e divertidas. Nosso objetivo maior de criar um meio forte na literatura nacional parece-nos a cada dia mais próximo e real. A FANTÁSTICA é uma união de pessoas que têm algo em comum: o amor incondicional pela literatura. Fazer uma revista como esta não é, não está sendo e nunca será uma tarefa fácil. Pelo contrário, todo o processo é bastante árduo e muitas vezes pesado, especialmente porque ainda é feito nos bastidores do cotidiano de todos os envolvidos. Todos têm uma vida repleta com os mais típicos problemas que uma pessoa normal pode ter. Porém, mesmo assim, estas pessoas abraçaram com carinho e esperança o projeto e juntas estão fazendo a revista acontecer. Esta terceira edição traz como destaque a cobertura de eventos literários importantes como a Bienal do Livro 2010 e o Fantasticon. Ambos os eventos contaram com pessoas da revista espalhando a ideia pelos mais diversificados grupos de leitores, autores e editores. Contudo, não estivemos presentes apenas como espectadores, mas também como palestrantes e ativistas, o que mostra a boa aceitação do público para a ideia da revista. Lançamos também neste intermédio das duas edições o Papo FANTÁSTICA, que teve uma excelente aceitação e vem nos auxiliando de maneira eficaz na promoção da revista. Neste descontraído podcast podemos mostrar um pouco do lado humano dos desenvolvedores e nos aproximarmos mais dos leitores. Assim como qualquer pessoa comum, temos nossos gostos e desgostos dentro da literatura, porém, em momento algum, estas opiniões barram a participação de nenhum trabalho literário dentro da revista. Como o nome diz, são apenas opiniões. Muitas novidades e projetos novos vem por aí e esperamos sempre continuar levando a todos os leitores a fonte principal do seu amor: boas leituras. Apreciem sem moderação mais um trabalho nosso nesta terceira edição da FANTÁSTICA. Luiz Ehlers Editor-chefe da FANTÁSTICA

Equipe FANTÁSTICA Editor-chefe: Luiz Ehlers Editor e revisor: Dhyan Shanasa Editor de arte: Felipe Pierantoni Redatores: Dhyan Shanasa [autor de O Livro de Tunes] Felipe Pierantoni [autor de O Diário Rubro] Leandro Schulai [autor de O Vale dos Anjos] Luiz Ehlers [autor de Divindade das Chamas Gêmeas] Vincent Law [autor de O Mundo de Avalon]

www.revistafantastica.com contato@revistafantastica.com


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O livro pequeno, com poucas páginas, é geralmente indicado para os autores que iniciam a carreira. São mais baratos e facilitam a aquisição por parte do leitor. Por outro lado, a literatura fantástica é um meio de imersão dentro de um mundo inventado, o que dá vantagem ao livro grande e detalhado. Afinal, tamanho importa?

autor de O Livro de Tunes Volume 1 - Destino (214 pág.) Um livro extenso tem grandes vantagens sobre um livro mais curto; mas já declaro de antemão que extensão não é sinônimo de qualidade, nem resumo é sinônimo de originalidade. De certa forma, quando cria-se um mundo qualquer – chamemo-lo “Mundo-médio” -, necessita-se preencher diversas lacunas, sejam elas parte do enredo central ou meramente os alicerces que sustentam a obra. Nesta tarefa de construção deste Mundo-médio muitos autores vão se perder, ou já se perderam, no que não é essencial, e isso faz com que dezenas de obras sejam imensos elefantes brancos nas prateleiras de leitores. Há pessoas que se deliciam ao encontrar um livro de um palmo de largura numa estante. Seus inconscientes sugerem que livro longo é livro bom, pois como determinado autor poderia escrever tremenda obra e ela não ter nada? É uma verdade, mas a verdade tem sempre várias facetas de acordo com o ângulo do observador. Por experiência própria, já esbarrei com dezenas de livros curtos e maravilhosos, que deixam obras cavernosas de meia dúzia de volumes no chinelo. Não é o meu gosto pessoal que interfere nisso, é simplesmente o autor que não consegue escrever bem uma longa história, e isso destrói o seu Mundo-médio. Há uma coisa que devemos compreender de uma vez por todas: tamanho

não é documento. Esse jargão é antigo e tremendamente verdadeiro. Queria eu tê-lo dito a primeira vez nesse mundo, mas desgraçadamente não o fiz. Ignorando isso e seguindo o assunto, lembremos então que existem dois extremos que são terríveis de se dominar: De um lado está a obra curta, uma difícil arte de se desenvolver; do outro a obra extensa. Escrever um livro de 900 páginas mantendo a coerência e sem matar o leitor e a si mesmo de tédio é complicado. Por outro lado, ser ligeiro e claramente entendível sem pular o que é necessário é difícil, pois tendemos a nos enrolar e falar demais quando deveríamos nos calar. Creio que haja vantagens em ambos os lados, e evidentemente depende da capacidade do autor desenvolver o seu Mundo-médio. Imagino que um escritor que domina a própria arte prolonga sua obra não por querer que ela pese nos braços do leitor, e sim por ter muito a falar. Contudo, quando se refina de forma substancial, tende-se a cada vez ser mais simples e rápido, sem que isso faça perder a beleza do texto ou da história contada. Pode-se pôr a prova o que digo indo buscar nas fontes certas. Infelizmente nem todos escritores têm consciência disso, e continuam escrevendo mais para prolongar a embromação de seus mundos tediosos do que por terem o que dizer. Quem quiser que se equivoque.

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Leandro Schulai

Guilherme Topper

Gabriel Burani

autor de O Vale dos Anjos: O Torneio dos Céus - Parte 1 (416 pág.)

autor de Aurora e a Nova Humanidade (400 pág.)

autor de Hugo: O Vampiro As luzes na idade das trevas (120 pág.)

Tamanho importa, mas a importância varia conforme o publico alvo. No marketing dizemos que o consumidor precisa do “look and feel” (ver e sentir), que é a degustação do produto. Prova disso é que no Brasil mais de 99% dos livros são vendidos nas livrarias físicas. Isso demonstra que para o nosso leitor, comprar é uma experiência tátil e visual, onde há sim importância no layout e aparência do livro. Passear pelas prateleiras e ver uma bela capa ou um calhamaço chama atenção. “Não julgar um livro pela capa” é inconcebível em um mundo de hiperestímulos. Ler uma obra de 300 páginas com uma leitura agradável (tamanho de fonte, espaçamento etc), pode ser menos intimidador que ler uma de cem, mal diagramada. Se deseja escrever baseado na recepção de seu livro pelo público, deve-se levar em consideração o tipo de público alvo. Livros curtos intimidam menos quem não costuma ler, mas os leitores habituais (quem realmente compra livros neste pais), buscam uma experiência mais plena e completa. Mas há algo mais importante que tudo isso: por que você escreve? Por paixão? Por aprovação? Por ego? Aconselho que escreva por si, e faça um livro que seja memorável para si mesmo. Se não amar aquilo que escreve, como espera que os outros o façam? Portanto, escreva sem pensar em quantidade de páginas. Conte sua história de corpo e alma e deixe que ela te guie, e tenha quantas páginas precisar ter.

Literatura Fantástica o importante é seu enredo e conteúdo, não necessariamente, o tamanho físico do livro; grandes tratados em pesados tomos ou pequenas fabulas como as do Esôpo têm o mesmo valor. Partirei do objetivo que o livro deve ser atrativo aos leitores “assustados”. Por que leitor “assustado”? Desde os tempos da escola, a leitura era um drama: mesmo num livro fino a interpretação era enfadonha e assustava os leitores-mirins. Mais tarde, este leitor dificilmente optaria pela leitura espontânea de um livro grosso. A aparência de um livro fino é ideal, embora saibamos seu conteúdo pode não ser tão leve quanto seu peso físico. Se analisarmos os contos de fadas, por exemplo, encontraremos historias breves com enredos ricos e conteúdo impressionantemente complexo. Muitos autores condicionam o leitor iniciante com seus primeiros livros mais finos e os ensina a leitura de livros pesados, com sucesso. Livros maiores são atrativos para leitores mais experientes e glutões de letras. Ao leitor experiente, um livro fino e leve muitas vezes pode parecer desestimulante, entretanto, deve também saber saciar sua fome nestas pequenas porções. A criatividade, a imaginação e ao convite da viagem fantástica à mente do autor deve ser aproveitada, tanto em um percurso longo quanto em um mais curto.

O tamanho de um livro sempre foi algo que causou muita discussão entre os leitores. Antes do boom literário vindo com Harry Potter e O Senhor dos Anéis muita gente preferia livros mais curtos, pois eram mais rápidos e davam menos trabalho. Com o sucesso estrondoso causado por essas obras o que antes era um obstáculo passou a ser um trunfo na hora de comercializar um livro. Exemplo disso foi a comemoração dos fãs de Harry Potter quando souberam que o livro A Ordem da Fênix possuiria mais de 700 páginas e isso significaria mais leitura! Hoje, com a crescente aceitação do público para com os livros, começamos a encontrar diversas variações de obras bem sucedidas, que vão desde sagas extensas a originais curtos; não significando que um levará vantagem em relação ao outro. O livro A Cabana se tornou um fenômeno de vendas com apenas 240 páginas, o que é considerado um livro pequeno. Para completar tal linha de pensamento temos outro exemplo de história curta, mas de qualidade imensurável e de sucesso estrondoso não só na literatura, mas como também no cinema: As Crônicas de Nárnia. Hoje vendido como uma coletânea em um único volume com todas as suas histórias, As Crônicas de Nárnia eram originalmente livros separados, vendidos individualmente e mesmo com seu conteúdo não ultrapassando 150 páginas em cada história, não impediu a obra de se tornar um sucesso absoluto de vendas. Hoje ela é considerada uma das melhores histórias para crianças de todos os tempos, pois seu conteúdo aparentemente infantil ­- graças a presença de animais falantes e protagonistas infantis - possui uma 8

temática adulta e trata a criança como um indivíduo capaz de lidar com situações que seriam complexas até mesmo para adultos. Escrever um livro grande nem sempre é sinal de sucesso. Muitas vezes o autor se perde em sua história ou a detalha demais e o que era para ser uma vantagem acaba se tornando uma armadilha, consequentemente contribuindo para que a obra não obtenha tanto destaque. Além disso, em um livro grande, muitas vezes um leitor quando se depara com um começo ruim e que pouco o prende à história acaba largando-o, já que o tamanho acaba assustando e ele percebe que se o começo é ruim, não vale a pena ler inúmeras páginas e se decepcionar ainda mais. Com um livro pequeno, muitas vezes as pessoas acabam dando chances a ele e no final se surpreendem com o desenvolvimento eloquente e o encerramento elegante. Às vezes um livro, aparentemente pequeno, possui uma estrutura literária adequada e prende o leitor de maneira com que ele se apegue à história e a leia tão rapidamente que acabará ficando com aquele gostinho de quero mais. Isso fará com que ele indique o livro a um número maior de pessoas e a obra tende a ganhar notoriedade. Um livro não depende de tamanho para ser aceito dentro da literatura fantástica. O que ele precisa é de uma construção coerente, personagens interessantes, um enredo envolvente e principalmente uma história criativa que faça o leitor viajar e se divertir com aquele contexto criado. É indiferente se a história possuir 100, 200 ou mil páginas, tamanho não é documento, qualidade sim.

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Resenha por:

Felipe Pierantoni autor de O Diário Rubro

Dragões de Éter: Corações de Neve Sobre o autor: Raphael Draccon é romanceista e roteirista premiado pela American Screenwriter Association. Atualmente, trabalha com produtores nacionais e estrangeiros no desenvolvimento de roteiros cinematográficos e em universos de suas séries literárias.

Ficha técnica: Editora: Leya Páginas: 498

Sinopse: Nova Ether é um mundo protegido por poderosos avatares em forma de fadas-amazonas. Um dia, porém, cansadas das falhas dos seres racionais, algumas delas se voltaram contra as antigas raças. E assim nasceu a Era Antiga. Hoje, Arzallum, o Maior dos Reinos, tem um novo rei, e a esperada Era Nova se inicia. Entretanto, coisas estranhas continuam a acontecer... Uma adolescente desenvolve uma iniciação mística proibida, despertando dons extraordinários que tocam nos dois lados da vida. Dois irmãos descobrem uma ligação de família com antigos laços de magia negra, que lhes são cobrados. Duas antigas sociedades secretas que deveriam estar exterminadas renascem como uma única, extremamente furiosa. Após duas décadas preso e prestes a completar 40 anos, um ex-prisioneiro reconhecido mundialmente pelas ideias de rebeldia e divisão justa dos bens roubados de ricos entre pobres é libertado, desenterrando velhas feridas, ressentimentos entre monarcas e canções de guerra perigosas. O último príncipe de Arzallum resgata sombrios segredos familiares e enfrenta o torneio de pugilismo mais famoso do mundo, despertando na jornada poderosas forças malignas e benignas além de seu controle e compreensão. E a tecnologia do Oriente chega de maneira devastadora ao Grande Paço, dando início a um processo que irá unir magia e ciência, modificando todo o conhecimento científico que o Ocidente imaginava possuir. E o mundo mudará. Mais uma vez.

Desde que vi o primeiro livro de Raphael Draccon numa livraria, tive vontade de conhecer sua obra. Talvez fosse o desejo de descobrir como um autor nacional conseguiu tanto destaque. Talvez fosse a beleza intrigante de suas capas. Ou, quem sabe, tratava-se da vontade de descobrir aquela história, já que suas sinopses quase nada revelam sobre a trama. Resisti à curiosidade na época do primeiro volume, Caçadores de Bruxas. Quando o segundo volume chegou, contudo, eu cedi. E que bom que o fiz. Esta resenha aborda o segundo livro da trilogia, intitulado Corações de Neve. Mesmo sendo uma sequência, não é necessário ter lido o volume anterior, embora isso seja aconselhável. Não tive problemas em imergir no universo da obra, mas acredito que a experiência teria sido ainda melhor se já estivesse familiarizado com ele. Aproveitando a deixa, o universo em questão chama-se Nova Ether. O personagem principal, por sua vez, tem o nome de... Bem, aí é que está: não há um personagem principal. Isso me incomodou um pouco no início, mas, quando compreendi a proposta do livro, passei a enxergá-lo não como uma trama única, mas como uma rede de histórias entrelaçadas. Aí, tudo mudou. Dragões de Éter funciona como uma novela. São diferentes núcleos que se tocam no decorrer da obra e, consequentemente, unem-se num final épico. Há a história do rei recém-coroado e suas rixas políticas, do príncipe pugilista apaixonado por uma plebeia, do garoto João e seu primeiro amor, do ser estranho que veio voando de outro continente... Não há como descrever tudo aqui. Embora o arco mais palpável da trama seja um grandioso torneio de luta, os verdadeiros panos de fundo são o destino daquele mundo e – principalmente – as histórias de vida de cada personagem. Com o talento de Draccon, situações como o primeiro beijo são tão intensas como a final do mais importante torneio de luta. O responsável por isso é justamente o narrador, que conduz seu trabalho com uma atmosfera poética e espirituosa. Às vezes ele se faz presente em demasia, mas é certo que a história não teria a mesma força se contada de outra forma. O grande barato da série é a releitura de elementos e personagens clássicos. João e Maria, Robin Hood, Chapeuzinho Vermelho – todos são usados de maneira original e criativa. Simultaneamente, o leitor encontrará alusões ao nosso próprio mundo, como referências a Nirvana e Che Guevara. Corações de Neve é um livro instigante, muito bem escrito, e com coração. Recomendo-o não só para fãs de fantasia, mas para qualquer apreciador de uma boa literatura. Agora, posso afirmar que o sucesso obtido por Draccon é merecido e eu certamente irei atrás dos volumes 1 ­(que recebeu nova edição) e 3 (recém-lançado, intitulado Círculos de Chuva). 11


Resenha por:

Dhyan Shanasa autor de O Livro de Tunes

Gênese Pagã Sobre a autora: Simone O. Marques nasceu em São Paulo em 1969. Pedagoga (PUCSP) e Mestre em Educação (UFPR), lecionou em cursos de graduação e pósgraduação. Participou de projetos de alfabetização de adultos e formação de professores.

Ficha técnica: Editora: Biblioteca 24x7 Páginas: 266

Sinopse: O livro Gênese Pagã é o primeiro da saga Paganus. Ele trata do compromisso de uma missão e do que as pessoas são capazes de fazer para que o destino se cumpra. Ele narra a história de três mulheres, Gleide, Adele e Daniele, aldeãs portuguesas, pagãs, que enfrentam a Inquisição e tudo que ela produz. A crença das mulheres na Grande Mãe, na Deusa, as impulsiona a seguir por estradas por onde nunca haviam passado, a conhecer uma religião que está sendo imposta a todos, a aprender a diferença entre livre arbítrio e destino. A história caminha sobre temas como fé, fidelidade, amor, entrega, tolerância... é uma descoberta, uma busca..

Quando escolhi o livro de Simone O. Marques para comentar aqui, o fiz na mais pura ingenuidade. Confesso que não havia lido nada da autora até o momento, mas como procuro sempre lançar meus olhos para escritoras - pois a capacidade delas de nos apresentar algo útil e profundo para ler é alta - acabei mirando-a. O livro Gênese Pagã (Biblioteca 24x7), de Simone O. Marques conta o princípio da saga Paganus. De acordo com a própria autora, trata-se de um prólogo da trilogia ulterior a ele. Este volume fala de assuntos relativos a Adele, ainda grávida de Daniele, sua mãe Gleide, Alan, o pai da criança e de como foram duramente perseguidos pela Inquisição. Ajudadas por Diogo, um jovem nobre, saem em peregrinação pelas vilas e aldeias de Portugal em busca de um lugar onde possam adorar seus deuses e ajudar a pequena Daniele a cumprir uma importante missão. O livro tem uma carga emocional alta, o que não é sinônimo de profundidade no enredo, mas conduz a trama de maneira coerente e viva. Personagens como Dom Couto, Douglas e toda a canalha que os cerca causam-nos antipatia de imediato; assim como Diogo ou Gleide deixam-nos enternecidos; sinal de boa construção de caráter feita pela autora. Simone O. Marques tem um estilo de escrita detalhista que envolve sem cansar, transmite emoção sem ser piegas, nos diverte sem se tornar ridículo e consegue contar-nos o que se quer sem nos aborrecer. É flagrante a forma analítica que escreve, descrevendo tudo que se passa de maneira exaustiva. Certamente sua história tem méritos, pois ocorre numa época onde a Igreja Católica queimava todo e qualquer povoado – junto de seus habitantes -, por serem pagãos. No caso do Gênese Pagã, o foco fica sobre os personagens já citados que são caçados por adorarem a Grande Deusa, entidade que atende pelo nome Dana e que irrita profundamente a Igreja. Uma caça às bruxas é o plano de fundo do enredo que nos conduz por 264 páginas repletas de desesperos, triunfos, amores, dores, descasos, sacrifícios e de segredos vagarosamente revelados. Um dos pontos que me agradaram na obra é a linguagem adotada pela autora e os cenários em Portugal. Gosto de livros que contenham uma linguagem mais culta, mas sem ser pesada, e que nos permitam aprender mais de nossa própria língua. Simone conduz o texto de forma interessante, floreando aqui e ali com palavras bonitas e pungentes. É interessante dizer que apenas uma mulher poderia contar-nos com veracidade o que se passa com Adele e Gleide. Todo o desespero de uma mãe que vê a filha ser perseguida, todo o horror de um parto feito sob um teto em chamas, toda a dor de se perder o bem-amado, todas as ternuras femininas, bem como as sabedorias, só podem ser relatadas por uma autora. Se um homem ousar tal tarefa, parecerá medíocre. Assim, para os leitores ávidos por uma obra de cunho histórico e místico, o livro Gênese Pagã cumpre bem o seu papel, tendo em conta que suas pequenas falhas não revogam o mérito implícito em sua totalidade. 13


Ethernyt: A Guerra dos Anjos

O Vale dos Anjos: O Torneio dos Céus - Parte 1

Márson Alquati

Leandro Schulai

Ficha técnica:

Ficha técnica:

Editora: Giz Editorial Páginas: 343

Editora: Novo Século Páginas: 416

Sinopse: A contagem regressiva para o Fim dos Tempos já foi iniciada e não pode mais ser contida... Quando o agente especial Rafael Thomas aceita o encargo de investigar a morte de um diplomata estrangeiro em solo brasileiro, ele não imagina no que está se metendo. Aos poucos, a verdade vai surgindo e ele descobre que por trás daquele crime encontra-se uma poderosa seita de fanáticos, cuja única pretensão é valerem-se de uma antiga profecia apocalíptica para deflagrarem o Armagedon Bíblico. Começa então, uma incrível caçada pelos quatro cantos do globo, onde Thomas e os Escolhidos acabam envolvendo-se com sociedades secretas milenares, rituais macabros, mistérios e enigmas, assassinatos, perseguições, tiroteios e batalhas épicas de tirarem o fôlego. Até depararem-se com uma terrível revelação: Anjos e Demônios existem, são reais e estão prestes a destruírem a Terra na batalha definitiva entre o Bem e o Mal.

Sinopse: Para muitas pessoas, a frase “até que a morte os separe” é a afirmação de que morrer é o fim de tudo, inclusive para o amor. A opinião do grego Dimitris Saloustros, no entanto, é diferente. Com uma morte precoce e uma promessa feita à sua amada, o rapaz parte em busca do desconhecido Vale dos Anjos, onde se encontram as maravilhas do paraíso e o medo e apreensão das oito prisões. Levado por esse mundo místico e cheio de novidades, como hierarquia de anjos e a presença de oito divindades intituladas “Anjos Deuses”, Dimitris procura seu pai falecido e uma maneira de voltar à vida para ficar ao lado de sua amada Mariah e cumprir a promessa que efetuara no dia de seu velório. Auxiliado pelo anjo guia de enterro Obelisco, pela cupido Anne e treinado pelo misterioso mestre Ramirez, Dimitris viverá uma jornada recheada de grandes belezas, pessoas marcantes e mistérios complexos, que o farão perceber que nada é por acaso e que sua estadia nesse misterioso local já era aguardada há muito tempo... 15


Resenha por Márson Alquati

Resenha por Leandro Schulai

O Vale dos Anjos: O Torneio dos Céus - Parte 1, de Leandro Schulai Acredito que não há melhor definição para O Vale dos Anjos do que surpreendente e revelador. Surpreendente por ter superado todas as expectativas e revelador por contar uma história original que me fez deslizar pelas suas mais de quatrocentas páginas sem sentir. Li o livro inteiro em três dias. Bem, O Vale dos Anjos (Editora Novo Século), é um trabalho primoroso que merece destaque entre as produções do gênero Fantástico Nacional. Um livro para todas as idades e gostos, onde o autor demonstra que para se escrever excelentes histórias não há a necessidade de linguagem obscena, palavrões e sexo. Uma trama recheada de suspense, mistérios, ação e aventura, sem deixar de lado o romance e o drama. Com uma trama inteligente, personagens muito bem construídos, cenários maravilhosos e linguagem simples e coesa, Leandro Schulai consegue transmitir uma linda mensagem. A trama parte da morte do personagem principal, o grego Dimítris Saloustros, num absurdo acidente de carro. E toma contornos espíritas citando questões como incorporação e mediunidade quando Dimítris começa a conhecer o que acontece após a morte. Conduzido por Obelisco, um anjo guia-de-enterro, ele se vê diante do Grande Julgamento, ao qual todas as almas desencarnadas precisam se submeter. Passado o Julgamento ele é guiado por Obelisco para o Paraíso, um lugar incrível repleto de beleza, onde existem várias dimensões, cada qual correspondente a um século da História Humana, e subdivida em países, cada qual correspondente a uma década do referido século. Um lugar onde ninguém mais precisa trabalhar, a comida, as roupas, as viagens e tudo o mais são de graça. Mas apesar de tudo isso, Dimítris

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continua inconformado por ter deixado a sua esposa Mariah sozinha na Terra e resolve partir em uma arriscada aventura em busca de uma forma de poder voltar à vida. É quando ele descobre a existência do Torneio dos Céus, onde o vencedor será agraciado com o cargo de anjo semideus, o que lhe dará o poder de se materializar por tempo indeterminado e, assim, voltar à vida e à sua amada. E então ele começa a treinar para o torneio com a ajuda de um mestre misterioso. Pontos positivos e interessantes: a entrada nas dimensões sempre se dá por hospitais, como se acredita na doutrina espírita. No paraíso, as pessoas possuem o poder da regeneração e só morrem se esgotarem toda a sua energia angelical. As hilárias discussões entre Obelisco e o anjo cupido Anne. As emocionantes missões de Obelisco e Anne no Japão e na Itália. Qualquer um pode se tornar anjo, desde que mereça e treine para tal. O treinamento com o mestre Ramirez é sensacional. A gradativa aquisição dos poderes e as descobertas de Dimítris são o ponto mais alto do livro, assim como as lutas do torneio, cada qual mais difícil do que a anterior. Os poderes ocultos dos anjos (controle dos oito elementos, capacidade de lançar jatos de água e vento, de criar clones de si mesmo, supervelocidade, capacidade de voar e de criar barreiras energéticas de proteção, entre outros), me lembraram muito as séries de animes japoneses Dragon Ball Z e Avatar; e o fato de cada ser possuir um poder relacionado a um dos oito anjos-deuses me lembrou os livros da série Percy Jackson. E, para encerrar, o final é totalmente imprevisível e instigante, deixando-nos com muitas questões em aberto e a promessa de uma grande continuação. Recomendadíssimo!

Ethernyt: A Guerra dos Anjos, de Márson Alquati Me deparei com Ethernyt: A Guerra dos Anjos (Giz Editorial) em um momento bastante peculiar. Além de ter acabado de lançar o meu livro, eu tinha acabado de ler A Batalha do Apocalipse e confesso que no começo fiquei imaginando como seria uma leitura com a temática dos anjos vinda em seqüência. E fui surpreendido com um livro extremamente criativo, cativante e totalmente diferente dos outros livros de anjo que havia visto. Márson realmente pesquisou bastante antes de começar a sua obra e isso é comprovado a cada detalhe do livro como as cidades, os veículos e as armas de fogo utilizadas pelos anjos e demônios. Sim, acreditem se quiser, mas nessa história os anjos apontam pistolas, fuzis, lança granadas e metralhadoras e isso é feito de uma maneira ágil e dinâmica. A história começa quando o agente da polícia federal brasileira Rafael Thomas é designado a cobrir uma investigação de uma chacina com requintes de crueldade atribuídas a um ritual satânico. Entrando de cabeça na investigação Thomas conhece a sua parceira Desirée uma elegante francesa que foi designada a cuidar do caso. O que eles não esperavam era que uma simples investigação os levaria a uma descoberta de proporções gigantescas: Os Anjos estão no meio de nós e estão se preparando para o final dos tempos! E aí é que entra o grande mérito da obra que foi justamente utilizar um assunto tão discutido e escrito que é o Armageddon utilizando-se de um prisma totalmente diferente. Confesso que quando descobri o que significa Ethernyt eu fiquei chocado! E muito feliz! Outro ponto interessante foi que eu pude identificar algumas influências de outros livros, filmes e séries. O primeiro deles é O Có-

digo da Vinci. Os mistérios apresentados no começo do livro me lembraram muito o estilo de Dan Brown e a maneira como Márson os construiu e os resolveu foram muito legais e ele também soube explorar alguns lugares da Terra que praticamente nunca foram explorados como o Congo e Israel moderno. Também pude presenciar uma boa dose de inspiração em filmes de ação principalmente na primeira metade do livro quando somos presenteados com grandes confrontos armados e grandes fugas mirabolantes. Era como se eu estivesse sentado em um cinema acompanhando um Máquina Mortífera ou Velocidade Máxima. Da metade para o final, o livro muda de estilo e passa a enfocar outro prisma. Nela percebi um pouco de Super Homem - principalmente em relação ao criometal -, e também um pouco de Transformers - por causa das raças e o conflito eterno entre elas. Em meio a tudo isso, estão sempre os humanos desempenhando um papel fundamental na trama. Os coadjuvantes são muito bem colocados na trama e com participações significativas não sendo apenas meros suportes para a história. Todos tem sua razão, motivação e sentimento próprio e Márson usufrui disso muito bem nos presenteando com belos combates e cenas hilárias protagonizadas por eles. Vale citar a cena do Duke sendo enganando ao bom estilo do filme A Múmia! Posso garantir que quem ler Ethernyt se divertirá em demasia e descobrirá até onde vai a imaginação de um escritor. É uma leitura totalmente recomendada a todos! 17


Por Leandro Schulai

21º BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DE SÃO PAULO

C o m públ i co recorde, a 21º Bi e n a l I n t e r n a c i o n a l d o Li v r o d e S P reg i s trou um a invas ão de pes s o a s n u n c a a n t e s v i s t a . Co m a t r a ç õ es p a ra t odos os gos tos , a literatu r a f a n t á s t i c a n a c i o n a l f e z b o n i to e m ostrou que o futuro pode n o s r e s e r v a r g r a n d e s a l e g r i a s .

A o cl i car n a i m ag em d o s v í d eo s d essa m at ér i a, v o cê s er á automaticam en t e en cam i n h ad o p ar a su a r esp ect i v a p ág i n a. A pr oveite!

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SÃO PAULO: A CAPITAL DA LITERATURA MUNDIAL

ESCRITORES NACIONAIS: PARA TODOS OS GOSTOS Com 350 stands expondo livros, cultura e diversão, o que não faltou foi a presença das editoras que possuem em seus catálogos livros de literatura fantástica nacional. Foram o caso das editoras Record, Novo Século, Giz Editorial, Multifoco, All Print, Baraúnas, Biblioteca 24 x 7, Usina das Letras, Scortecci, Idea e Leya. Com os mais diversos títulos, havia opções para todos os gostos.

Evolução. É com essa palavra que podemos definir os 11 dias que sucederam o maior evento literário da América Latina. Realizado no pavilhão de exposições do Anhembi, um ambiente com 60.000 m², a 21º Bienal de SP trouxe diversas atrações para todas as idades. O público marcou presença no evento e registrou a quantidade de 750 mil pessoas, um recorde para o evento, que bateu grandes realizações de SP como a Fórmula 1. O público foi atraído não só pela variedade de opções, mas também por causa do crescimento da leitura no Brasil e no mundo nos últimos anos. Um grande exemplo da presença massiva do público pôde ser comprovado no dia 21/08, onde nada mais nada menos que 80 mil pessoas estiveram presentes para conferir lançamentos, diversão e cultura.

Raphael Draccon

Eduardo Spohr

A FANTÁSTICA acompanhou de perto o que a nossa literatura apresentou nesses 11 dias de feira e através dos stands, escritores, blogueiros e leitores identificamos 4 novidades que fizeram a diferença no ano de 2010: O crescimento dos autores brasileiros, a presença dos blogs, a mídia digital e o interesse do público jovem pela literatura. 20

André Vianco

O grande diferencial desse ano foi que, com o crescimento da literatura fantástica no Brasil e no mundo, o número de autores publicando livros aumentou consideravelmente. Se antes encontrávamos dois, três ou no máximo cinco escritores em um evento assim, a Bienal 2010 de SP contou com pelo menos 30 autores de literatura fantástica nacional com eventos de autógrafos agendados pelas suas respectivas editoras. Isso não só gerou um aumento significativo de vendas como também a possibilidade do público leitor ter acesso a livros novos e criados por brasileiros, mostrando mais uma vez que temos sim condições de criar obras em pé de igualdade com qualquer país do mundo. O grande exemplo da força que a nossa literatura está alcançando pôde ser comprovado com a presença de três autores nacionais que geraram filas, ansiedade e curiosidade por parte dos visitantes na Bienal, algo só então alcançado por autores e livros internacionais. São eles: Raphael Draccon, André Vianco e Eduardo Spohr. Esse último conseguiu a façanha de quebrar o recorde de público presente em um evento de autógrafos, marca que pertencia à escritora Meg Cabot na Bienal do livro do RJ no ano de 2009. As filas para adquirir um autógrafo levavam horas e muitos dos curiosos que passavam por ali não acreditavam que tal feito era causado por um autor nacional, prova de que ainda temos um grande público leitor para conquistar e muito espaço para alcançar. 21


Abaixo, confira dois vídeos feitos por Adriano Siqueira, escritor, amante da literatura fantástica e das mídias digitais, onde podemos ter uma noção dos autores que estiveram presentes nessa Bienal.

A PRESENÇA DOS BLOGS

Entrevista: Márson Alquati

Entrevista: Simone O. Marques

Os blogs sempre foram uma ferramenta extremamente interessante para se debater sobre um assunto. Criado inicialmente com o intuito de promover as vidas particulares de seus donos, essas ferramentas virtuais foram evoluindo ao longo dos anos e hoje, junto com blogs de filmes e séries de TV, os blogs especializados em livros vêm ganhando um espaço considerável na internet. Essa expansão também extrapolou para eventos literários, como a Bienal do Livro de 2010, marcada por forte participação dos blogs. E quem pensa que os blogs continuam sendo mantidos por uma única pessoa estão muito enganados. Atualmente, muitos passaram a investir na aquisição de integrantes e de recursos com o intuito de virarem forças digitais. Existem grupos de até 11 pessoas comandando um único site com o objetivo de promover a literatura fantástica. A força dos blogs pôde ser comprovada de várias maneiras na Bienal, como pelas pessoas identificadas com camisetas de blogs e os diversos eventos organizados por blogueiros, desde encontros informais

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Distribuição de brindes 23


com seguidores em algum canto da Bienal como realizações de eventos oficiais de best-sellers internacionais dentro dos stands das próprias editoras.

Blog Bookaholic: Recados dos autores

A MÍDIA DIGITAL

Outro detalhe muito interessante e uma outra alternativa no mercado de livros tem sido a questão dos audiobooks. Com a intenção de atingir um público que possui pouco tempo e vontade de ler, os audiobooks se tornaram uma ação viável, visto que a história é exatamente a mesma, porém narrada com técnicas de áudio que fazem o livro passar mais rapidamente e de uma maneira diferente. O autor André Vianco, que não teve lançamento de livro na Bienal, lançou o audiobook do livro Os Sete. Isso mostra que tais mídias começam a atingir os grandes livros e prometem ser mais uma interessante fonte de divulgação dos livros nacionais de fantasia. Por último tivemos uma participação muito forte do portal Submarino. O site, que tem nos livros uma das suas maiores fontes de renda, contou com um stand extenso e bem localizado, onde, além da possibilidade de se realizar compras online, era possível ler em e-readers e se interar sobre o mercado de mídias digitais dentro do espaço do Gato Sabido, uma livraria onde são disponibilizados e-books para compra.

Que a mídia digital vem atraindo a atenção e curiosidade do público não é novidade. A própria FANTÁSTICA já debateu sobre o assunto na sua edição anterior e mostramos o quanto ela ainda tem a se expandir e o quanto essa novidade vem se tornando uma realidade no Brasil e no mundo. Na Bienal de SP, isso não passou em branco. Com espaços exclusivos para utilizações de e-readers, diversos visitantes puderam conhecer as novas tecnologias do mercado literário. O iPad, grande novidade da Apple para esse ano e ainda não lançado oficialmente no Brasil, era um dos aparelhos disponíveis gratuitamente para apreciação de quem ali estivesse interessado. Outro fator interessante para as mídias digitais foi a importância dada ao Twitter na Bienal. Não era nenhuma surpresa encontrar tweets de escritores durante a Bienal, anunciando o que estava fazendo direto do seu celular. O Twitter se tornou uma das ferramentas mais poderosas da mídia digital e um dos stands da Bienal permitia que os usuários acessassem suas contas e contassem ao mundo as suas novidades e peripécias. Hoje em dia, não só autores, mas também blogueiros e editoras usam o twitter para divulgar seus projetos e ­l ançamentos.

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INTERESSE DO PÚBLICO JOVEM

Ação voltada ao público jovem:

O que antes era visto como uma preocupação, hoje é a grande solução para o crescimento da literatura no mundo. O público jovem, que antigamente não era conhecido por possuir um gosto fluente pela leitura, tem sido o maior consumidor do mercado literário dos últimos anos. Tais acontecimentos só foram possíveis porque o mercado passou a enxergá-los como um público foco e diversas obras passaram a ser desenvolvidas pensando nessas pessoas. Na 21º Bienal do livro tivemos uma presença de jovens nunca antes vista. Atraídos pela oportunidade de conhecer grandes obras de literatura fantástica nacional e internacional, os jovens deram mais uma prova de que, com investimento e divulgação, o mercado literário ainda tem muito a crescer neste setor. Um grande exemplo da força jovem foi vista nos stands das editoras Intrínseca e Record. Com lançamentos há muito tempo aguardados pelo público jovem, como o livro Percy Jackson e o Último Olimpiano e Fallen, os stands eram lotados por jovens sedentos pelos livros, marcadores de página e brindes. E essa foi outra curiosidade detectada: a paixão dos jovens pelos marcadores. Parece algo tão simples, mas um marcador bem feito chama a atenção e ajuda e muito na divulgação de uma obra. Brindes e até mesmo objetos que compõem o livro também chamam a atenção e mostram que as editoras podem lucrar não só com as obras físicas, mas também com acessórios e até mesmo figurinos dos personagens. Os jovens também marcaram presença na maioria dos eventos de autógrafos dos escritores brasileiros. Uma amostra disso foi descoberta no stand da Leya, onde jovens fantasiados demonstravam ao público um pouco mais sobre o mundo criado por Raphael Draccon e os seus Dragões de Éter. Outro fator que atraiu muito a galera jovem foi a oportunidade de comprar livros mais baratos, o que com certeza auxiliou nas vendas e na divulgação do evento, que é conhecido como uma oportunidade de se pechinchar. Fica a lição às editoras: cuide bem do seu público jovem. Eles podem mudar o rumo de seus negócios. Para o bem ou para o mal.

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Fotos: Leandro Schulai, Leandro Reis

CONCLUSÃO Com muitas novidades e com a tecnologia andando nas sombras, pronta para ganhar mais espaço, a Bienal de SP trouxe uma perspectiva muito positiva de que estamos, a passos largos, fazendo com que os brasileiros se interessem pela leitura. Esse evento mostrou alternativas para atrair, de um povo tradicionalmente negligente aos livros, novos adeptos da literatura e uma certeza de que com paciência, divulgação e bons trabalhos, a tendência é quebrar o número de visitantes edição após edição.

Divulgação de Dragões de Éter

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Você está no...

Hugo Fox Vou confessar, não conheço muito bem esse tal de hall, mas de uma coisa eu sei: todo mundo quer chegar nele. O ideal de vida das pessoas é, praticamente, chegar lá. O caminho para o sucesso pode parecer longo e tortuoso (na verdade, é mesmo) e na literatura não é diferente, afinal, todos que se aventuram por essa estrada podem acabar se perdendo, ou infelizmente, desistindo de alcançar o horizonte projetado em seu final. Mas a persistência é bastante importante e a reunião de elementos interessantes ainda mais. Foi pensando nisso que escrevi essa matéria, uma seleta com os principais ingredientes para você, que sonha em chegar lá, conseguir alguns atalhos em seu caminho, ou pelo menos, um rumo ao qual seguir.

14 anos

J.K. Rowling parece feliz no hall

Os grandes sucessos literários seguem, por mais tênue que seja, um padrão de criação. As obras têm: o início que de cara é um pouco pacato, o desenvolvimento, onde os elementos da história vão ganhando vida, o clímax, onde tudo se torna mais emocionante e por fim, o final, onde na maioria das vezes o protagonista resolve tudo e fica com a mocinha, ou então não resolve nada e acaba morrendo, ou acaba do jeito que a mente do autor imaginar. Mas o importante é criar uma estrutura plausível para conduzir a história do livro e ter uma linha de raciocínio lógico e interessante que prenda o interesse do leitor desde a primeira página até a última.

HALL DA FAMA?

Um fator importante para o sucesso de um livro é perceber a tendência da época em que o livro está sendo escrito (nós estamos cercados de fallens e vampiros apaixonados) e captar o que o público deseja ler, qual é a escolha para sua prateleira e, a partir daí, criar uma história que agrade a massa de leitores ativos. As histórias para adolescentes estão em alta e o escritor, se quiser conquistar tal público, deve seguir certa linha de raciocínio: primeiro, ter um herói (protagonista) legal, que o leitor possa se identifi-

Tendência da última temporada 29


car, afinal, quanto mais nos identificarmos com quem vive a história, mais ela parece ser real. Segundo, o protagonista precisa de ajuda e de preferência a ajuda de uma garota, que torne as coisas, digamos... Mais interessantes. Terceiro, ter um mistério envolvente a ser solucionado, que nos deixe com vontade de ler a próxima página e depois a próxima e mais uma para saber se a resposta será revelada, então, quando percebemos, o livro já está no fim, o que prova que somos tão curiosos a ponto de ler desenfreadamente apenas para tirar a pulga detrás da orelha; mas assim é a vida, a curiosidade às vezes pode revelar boas respostas. Desafios! Quão monótona seria a vida sem eles! Agora imaginem em um livro! Para início de conversa, uma obra nem deveria começar a existir sem um desafio, pois se o propósito de um livro de fanMistérios... Sempre eles... tasia é contar uma história, como seria essa história sem algo pelo qual lutar? São os desafios que movem o herói por sua jornada, os desafios levam aos objetivos, e sem eles não haveria emoção alguma na história. Eu, sinceramente, não consigo imaginar como seria uma história em que a vida do personagem principal fosse um mar de rosas do início ao fim. Algo que também dá um bom tempero para uma obra é colocar um sujeito de intenções duvidosas, a sensação de desconfiança frequente é muito relevante, é esse sujeito duvidoso que nos deixará ora zangados, ora satisfeitos e, na minha opinião, é esse o tipo de personagem que mais prende a atenção de quem está lendo. Outra coisa que acende a chama em nossas mentes leitoras é o fato de algo novo ser apresentado. Renovar, fugir dos temas batidos, apresentar mundos novos; essa é a magia da literatura fantástica: mandar-nos para uma realidade que encante, nos deixe com vontade de viver aquela história e esperar avidamente por uma continuação. Se juntarmos, então, todos esses elementos, teremos uma ótima história (bem, essa parte depende também do autor, pois sua dedicação para melhorar sempre conta muito nessa hora), que em parceria com uma boa editora pode Agora, o tempero final: sinceridade levar o livro ao topo da lista dos mais vendidos. Por último, e talvez o mais importante de tudo, é ser você mesmo ao escrever seu livro, porque mesmo sendo importante haver alguns elementos comerciais em uma história, ela deve, primeiramente, refletir o que você quer passar às pessoas, escreva o que tiver vontade de escrever e lapide certas coisas se necessário. Enfim, use e abuse da arte de escrever, faça dela uma grande obra, e terá então um caminho bem mais tranquilo, rumo ao tão estimado lá. 30

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Jovens leitores, ávidos leitores

Victor Schlude

16 anos

É inegável que, cada vez mais, são lançados livros e sagas voltadas para o público juvenil (aproximadamente dos 12 aos 25 anos). Os temas variam: seres sobrenaturais, conflitos da própria idade, segredos reveladores que criam muitas confusões e etc. Estes conseguem cativar a todo tipo de leitor. Sempre existem aqueles que declaram não gostar de ler, porém, certo dia, vi um fato muito surpreendente. Um colega de classe que tinha preguiça de textos comuns, do dia a dia, viu o livro A mão esquerda de Deus (Editora Suma de Letras) e o comprou, lendo-o em uma semana. Fiquei impressionado. Percebi que, afinal, a variedade de temas e livros que exisUm bom livro faz milagres tem para os jovens é tão grande que consegue suprir todos os gostos. O mercado já está voltado para os jovens. Existem blogs com conteúdo exclusivo, editoras com ramos especializados nessa faixa etária (como, por exemplo, a Rocco jovens leitores, Galera Record, Sextante Infantil e Ficção e etc.), capas atraentes e personagens que se identificam com o leitor. Agora, fica uma dúvida: qual o motivo de terem tantos livros para jovens e, por que eles estão lendo mais do que todos os outros possíveis públicos?

Juventude: Tempo para viver e... Ler

Ramos editoriais especializados em livros para adolescentes, protagonistas na flor da idade, conflitos típicos da juventude e capas que atraem a moçada. O que os jovens têm de tão especial ? O que faz com que leiam tanto ? Por que apostar o mercado editorial neles?

Atualmente, as pessoas tendem a ficar bem mais ocupadas do que antigamente. Empregos que prendem o funcionário por várias horas ou mais de um emprego, que exaure e retira o tempo livre da população economicamente ativa. O trabalho retira boa parte do tempo livre dos adultos, sendo o tempo livre dos mesmos tão pouco que não são muitos os que o aproveitam para abrir um livro. Existem vários livros para adultos, mas não tantos que os leem. Agora, vamos para o outro lado, a parte da população ainda não inserida no mercado de trabalho. Um palavra simplifica o termo anterior: jovens. Tendo como ocupação obrigatória o estudo, mesmo se dedicando arduamente à escola e às atividades extras, os jovens têm bem mais tempo de ler do que os adultos. No recreio, depois dos deveres e estudos diários, na espera do início das aulas extras, antes de dormir, são vários os momentos que eles têm para ler, não contando com os fins de semana e feriados – a maior 33


parte dos feriados suspende a escola e, muitas vezes, não o trabalho. Eles estão ali, com tempo de sobra e, com a famosa expressão “entediados”. O que fazer para entretê-los e, claro, ganhar algum dinheiro com isso? Jogos, filmes e séries de televisão são uma forma de entretenimento barato que pode substituir a leitura em algum dos casos, certo? Bem, sim, mas como competir com uma atividade prazerosa que, além de entreter, exercita o cérebro, ajuda na interpretação, redação, amplifica o vocabulário e ainda gasta algumas calorias? (disse algumas, não vá fazer dieta dos livros). Não há como. Isso foi percebido. Havia oportunidade, um público, só faltavam os livros. Faltavam? Não mais no passado.

Livros jovens, escritores novos A maior parte dos livros e sagas que mencionei são estrangeiras. Os chamados best sellers obtiveram uma boa resposta no exterior, vindo para cá com uma possibilidade muito grande de faturamento para as editoras. Se um livro ganhou 500 milhões de leitores lá fora, é quase certo que irá conquistar um número proporcional de leitores aqui, certo? Por isso, elas hesitam ao apostar em uma obra nacional, digo, uma obra nova, nunca antes apresentada ao mercado. É péssimo, sei disso, mas pensando como um capitalista dono de uma editora, compreensível.

O começo de uma era

Livros jovens Se pegarmos as séries de livros que mais fazem sucesso hoje em dia, veremos sempre um jovem (na faixa etária que disse anteriormente, de 12 a 25, aproximadamente), com problemas típicos da idade. A partir desse ponto, há uma bifurcação: ficção, não ficção. A história pode continuar com os problemas normais do adolescente, somente os agravando e mostrando uma solução ou, pode adicionar uma pitada de “mágica”. Vampiros, imortais, fantasmas, zumbis, viajantes do tempo, anjos, deuses, enfim tudo pode se encontrar com o adolescente – ou até mesmo ser o próprio –, e complicar ainda mais sua vida, tornando as coisas difíceis, porém, fantásticas e extremamente atraentes.

Jovens para jovens 34

Os romances de ficção são os de mais sucesso. Isso se dá pelo simples fato de que, com eles, podemos escapar de nossa realidade e admirar pelo menos em quanto perto daquelas páginas o mundo mágico e diferente que estamos lendo e queremos viver. Vai dizer que nunca sentiram vontade de ir para Hogwarts? Não quiseram acompanhar Frodo na busca pelo Anel de Poder? Ou mesmo dar a mão para – não é meninas? - o sedutor Edward? Então, é disso que estou falando. A máxima proximidade que temos daquelas histórias, daquelas vidas é quando lemos e degustamos sua discrição, sua história. Por isso, mais leitores são cativados e viciados por ­certos livros.

De uns tempos para cá, o número de escritores nacionais vem crescendo bastante e eles realmente estão ganhando espaço no mercado editorial. Nada mais que certo, uma vez que os americanos conseguem publicar a torto e direito no país deles. Estamos conquistando um espaço cada vez maior no mercado editorial, porém, ainda há muito pela frente. Uma das maneiras de ajudar isso crescer são os leitores. Com um público disposto a comprar as obras nacionais não há porque hesitar ao publicar uma. Portanto, um aviso ao nossos jovens leitores: Valorizem os escritores nacionais! Temos pessoas tão competentes e capazes quanto as que vemos lá fora. Obviamente, não famosas como elas, mas talentosas. Da próxima vez que estiver disposto a devorar um livro, dê uma olhada nas obras nacionais. Garanto que com a nossa capacidade de ler tantos livros, ler obras nacionais e internacionais na mesma proporção não é nenhum desafio.

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Hanai A s hvick:

Em cartaz:

Aura de Asíris: A Batalha de Kayabashi roteiro por Rafael Lima

Wag n er Mo u r a Wagner Moura já provou que tem inúmeras virtudes como ator e uma delas é saber fazer filmes de ação. Porém, para essa empreitada, o global terá que deixar de lado a fúria do capitão Nascimento se quiser mandar bem no papel de Hanai Ashvick, pai adotivo e mestre zen/sábio/super-poderoso de Yin Ashvick.

Yin A s hvic k : Jer em y S u m p ter Embora haja melhores opções para o papel (o difícil é encontrá-las), Jeremy Sumpter não deixa de ser uma

Sinopse do filme: Há séculos, banshees e furous guerreiam ao norte de Asíris, mundo governado por uma avançada tecnologia e permeado por uma energia chamada Aura. Apesar dos banshees terem vencido a maior parte das batalhas, algo está para mudar. Uma antiga lenda, que prevê o nivelamento de forças entre as duas raças e, consequentemente, o fim desta que é conhecida como a Grande Guerra, aparenta ser verdadeira quando os furous inexplicavelmente se tornam mais poderosos e capazes de derrotar seus inimigos pela primeira vez na história. A partir daí, uma batalha sem precedentes eclode em uma região conhecida como Deserto de Kayabashi. Neste cenário de tensão e expectativa surge Yin Ashvick, um menino de doze anos que pode ser a única esperança de todos.

boa. O ator só precisará voltar à infância e usar lentes de contatos cor-de-mel se quiser encarnar o corajoso e predestinado órfão. Ao fazer Peter Pan, talento para ser herói ele já mostrou que tem. 37


I r w in d He a tb o lth :

Je s s L e mon t :

Dwa y n e “ Th e Ro c k ” J o h n s o n

A d r i en B r o d y

E daí que ele fez Doom? O importante é que Dwayne “The Rock” Johnson tem know-how em trucidar caras maus e, o que é melhor, de formas

O utro do clube sei-fazer-film e -c a b e ç a -e -blockbusters. D epois de Pre d a d o re s , o que são centenas de furous p a ra e n c a ra r? A drien Brody tem o charme e s e re n id a d e

variadas.

necessários para dar vida ao s o ld a d o q u e c a i de para-quedas na B atalha d e K a y a b a s h i.

Durão é a palavra mais adequada para caracterizar tanto o

A ljolie Galbia nne:

ator quanto o general do Exército Real

A l i ce B r ag a

Banshee.

A brasileira tem experiênc ia e m filme s de ficção científica e é a me lh o r e s c o lh a

S a ra : Ch l o e M o r e t z

para atuar como a doce e d e te rmin a d a e n fermeira A ljolie. Será que a q u ímic a e n tre ela e Brody (Predadores) s e ma n te rá e m Aura de Asíris – A Batalha d e K a y a b a s h i?

É verdade que, dessa vez, a adolescente não sairia tocando o terror como fez em Kick Ass – Quebrando Tudo. Estará em cena por

Se r ph Guidr agón:

saber transmitir, ao mesmo tempo, fra-

Jer em y I r o n s

gilidade e solidez

D epois se adaptar a mund o s fa n tá s tic o s

interior, principais características

da

última humana de Asíris.

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(Eragon e D ungeons & D ra g o n s ), Iro n s arrebentará em Aura de Asír is – A Ba ta lha de K ayabashi como o R e i d e M a h a ni.

Pose

autoritária,

cara

de

d é s p o ta

(só cara) e bravatas? É co m e le me s mo .

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N in a Ga rth :

D ire tor:

An g e l i n a J o l i e Q uem mais poder ia inter pr etar a habilido-

S t ev en S p i elberg

sa membr o da F or ças E speciais do Exér-

P a r a o d i r e t o r f a v o r i t o d o a u t o r, s ó f a l t a

c ito Real Banshee senão a S r a. P itt? A

rodar uma película tecnofantástica para

moça sabe pegar em uma ar ma como pouc as ( no bom sentido) e, de quebr a, possui a ptidão par a cenas dr amáticas. P er feita.

se consagrar (isso se ele ainda não o fez). O p a i d e E . T. e J u r a s s i k P a r k c o n d u z i rá o projeto multimilionário com pulso firme e o levará ao merecido estrelato.

F u ro u s : Lo c u s t Nesse

caso,

a

melhor

solução

é

pe-

gar emprestado o design dos famiger a d o s L o c u s t , d o j o g o G e a r o f Wa r s . Os reptilianos cairiam como uma luva na

tarefa

de

servirem

de

base

L oc aç õe s : C an ad á, D eser t o d o S aar a e P am p as G a úchos A lém, é claro, de muito (e põe muito nisso) chro m a k e y e C G .

visu-

al para os arquiinimigos dos banshees.

M o rn k io n : CG/ m a q u i a g e m c a r r e g a d a P ar a desenvolver o sádico vilão não tem j e ito, há de ser empr egado o uso de computação gr áf ica. P ar a algumas cenas, uma boa maquiagem pr opor cionar ia r esultado melhor. De pr ef er ência, super visionada por Guiller mo Del Tor o e Tom S av ini.

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Por Luiz Ehlers

As

profissões por trás da escrita

Cada vez mais o sonho de se tornar escritor tem estado presente em muitas pessoas. A escrita é, a princípio, uma arte “fácil” aos olhos leigos, pois tudo que o aspirante a ela precisa é de uma ideia e um espaço para escrevê-la. Ao contrário de um filme ou de uma música, que precisam de habilidades mais específicas, na escrita se encontra uma tentadora maior facilidade, pois, a priori, todos sabemos escrever e todos temos sempre uma história para contar. Porém, todo aquele glamour e reconhecimento de grandes escritores não é algo simples de se alcançar. Pelo contrário, viver de escrita é muito complicado, especialmente em países com pouca tradição de leitura, como é o caso do Brasil. No entanto, o amor pela escrita sempre fala mais alto e motiva o aspirante a esta arte, que quando têm algum retorno financeiro de seu trabalho soa-lhe até difícil de acreditar. Por estas dificuldades é vital para o escritor uma “outra vida”, ou seja, outra profissão que garanta o sustento para se poder dedicar a tão amada arte de criar histórias. Será que os autores são plenamente inertes diante destas “outras vidas” ou será que elas acabam definindo de alguma forma sua escrita?

Analisando uma amostragem de cerca de 50 autores nacionais com obras publicadas de literatura fantástica, identificamos quais as profissões que estão por trás dos nossos autores e tentamos saber se realmente a profissão faz diferença. Como era até intuitivamente esperando há uma grande concentração de escritores na área da Educação (professores, pedagogos) e no Jornalismo, que são profissionais ligados diretamente à escrita. Porém, com relação aos professores há uma grande abrangência, indo desde profissionais de História até matérias mais exatas como Física e Matemática. É o caso do autor do livro Imortal (21 Editora), Anderson Santos que é professor de matemática e também de Andrés Carreiro, autor da A Essência do Dragão (Novo Século), que tem formação em Física. Quando questionado sobre qual razão desta concentração de escritores na área da educação, Anderson Santos ressaltou que educadores acabam se voltando para a escrita por estarem em constante transformação, dadas as experiências trocadas com seu público. “...Em geral, educadores são pessoas que gostam de estudar, de ler, de se atualizar, e se a máxima "para ser um bom escritor é preciso, primeiro, ser um bom leitor" for verdadeira, este é um bom caminho para se perseguir na busca de respostas para esta pergunta...” Além da Educação há uma concentração de profissionais de Publicidade e Design que aparecem bastante presentes na literatura fantástica brasileira. Ambas as profissões acabam sendo muito úteis dentro do meio, pois não há ninguém melhor para se pensar em promoção do livro do que um publicitário. Ou mesmo quem mais poderia criar bons sites, ilustrações ou capas que um designer? Todos estes elementos são hoje essenciais para o sucesso de um livro de fantasia e proporcionam até certa vantagem aos com esta formação. Pode até soar surpreende pra alguns, mas a escrita não está predominantemente nos profissionais das áreas humanas, há uma grande concentração de autores de áreas mais exatas como Informática, Medicina e até Engenharia, estes ocupam inclusive praticamente um terço na pesquisa. Estes autores sempre arrancam uma expressão surpreendente dos leitores quando descobrem a sua formação. Existe certo preconceito de que profissionais exatos não sabem escrever, ou mesmo, não se interessam por leituras não técnicas. Será mesmo que existe uma diferença na escrita de autores com formação humana dos de formação exata? De forma suas outras profissões influem na escrita? Questionamos alguns autores sobre isso. 43


Como sua formação profissional reflete na sua escrita?

Juliano Sasseron Autor de: Crianças da Noite Profissão: Engenheiro Agrônomo

Simone O. Marques Autora de: Agridoce Profissão: Pedagoga

Gabriel Burani Autor de: Hugo: O Vampiro Profissão: Psicólogo 44

Em sua opinião, há uma diferença entre um livro feito por um autor de formação exata para um de formação humana?

Prefiro deixar minha imaginação livre, sem os preceitos de determinados padrões. Porém, há sempre o caso que exige uma explicação científica ou mesmo a descrição de um ambiente no qual minha formação e vivência torna o texto mais realista.

Não. Acredito que para escrever, antes é necessário viver. Não importa em que área atue, coisas fantásticas, intrigantes ou hilárias sempre acontecem a nossa volta. O escritor apenas utiliza as palavras certas para transmitir tal sentimento ao leitor.

Minha formação está refletida totalmente na minha escrita, pois como pedagoga sempre me preocupei em alcançar os alunos, ajudá-los a compreender, aprender. Então quando escrevo, quero que o leitor seja alcançado, que se sinta próximo do texto, dos personagens e claro, goste deles!

Minha experiência pessoal diz que uma pessoa da área de exatas tem uma maneira mais objetiva de se expressar, de descrever sentimentos, o que pode se acentuar num autor com a formação em humanas. Já quando é necessária uma descrição física, geográfica a pessoa com formação em exatas é mais cuidadosa. Mas muitas vezes isso é feito de maneira sutil e não percebemos numa primeira leitura!

Sou psicólogo e minha formação influi no criar e moldar a personalidade de meus personagens com toques reais.  A psicologia me ajudou a analisar pessoas e situações, bem como as causas, atitudes e influencias que as levou até elas. Isso me ajuda. É interessante, como se identificar com algumas atitudes de um personagem ficcional; Descobrir como e quais características colocar em um personagem para que ele pareça tão real quanto um vizinho, um amigo ou conhecido que temos, é divertido e perigoso.

Não acredito que existam diferenças profundas. Escritores da área humana costumam ver o abstrato de uma forma, enquanto os Exatos de outra. Acredito que o talento de escrever e a capacidade de criar todos temos; uns de forma mais métrica e outros de forma mais subjetiva.

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Como a sua formação profissional reflete na sua escrita?

Anderson Santos Autor de: Imortal Profissão: Matemático

Victor Maduro Autor de: Além da Terra do Gelo Profissão: Médico

Em sua opinião, há uma diferença entre um livro feito por um autor de formação exata para um de formação humana?

Como professor de matemática, sempre em busca de conhecimentos étnicos e éticos na minha prática, acabo tendo um cuidado por vezes excessivos nos detalhes de descrição de tempos e espaços. Se meu leitor perseguir os passos de minhas personagens, será capaz de realizar as mesmas ações no mesmo tempo que elas. Acredito que essa verossimilhança credite muito uma história.

Acredito na diferença entre a escrita de pessoas com enciclopédias diferentes. O que faz a diferença na escrita são as influências num todo. Dois profissionais de exatas que vivenciam experiências completamente diferentes terão escritas diferentes. A dicotomia exatas e humanas não é uma influência assim tão marcante. Basta lembrarmos que, em relação à história da humanidade, o período em que a divisão Filosofia/Matemática ocorre é mínimo. Infelizmente, confunde-se muito raciocinar com racionalizar.

Acredito que como médico acabo tendo acesso a um vocabulário mais extenso, principalmente no que me concerne ao corpo humano, traumas, lesões. Além disso, tenho conhecimento de doenças e consequências de traumas, cirurgias, e assim posso enriquecer muito o texto.

Tenho muitos amigos tanto em exatas quanto em humanas, e eu pertenço a área de biológicas, e é engraçado que pensamos de maneira bem parecida. Acredito que possa haver sim alguma diferença na escrita devido ao conhecimento prévio diferente de cada um, mas essa diferença fica limitada aí. Não acho que a área de formação seja o fator decisivo na diferença entre os autores, tanto que pode ser que haja mais diferenças entre dois autores da mesma área do que dois de áreas diferentes.

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As respostas dos autores convergem em uma conclusão até s i m p l ó r i a : es crita é mais vivência do que qualquer outra coisa. Não imp o r ta a s u a fo rmação, cada autor é acima de tudo uma pessoa e como ta l e stá s u j e i ta a s mais diferentes influências e experiências de vida. Não é uma formação em letras que lhe fará um bom autor o u m es m o u m a for mação em engenhar ia lhe fará um mau. A capacidade d e e s cr i ta e stá mais ligada a alma, ao poder de obser var, aprender e p a s s a r a o l ei to r, proporcionando-o um momento de entretenimento agradável . A q u e l e q u e tiver sucesso nessa façanha será então um bom autor.

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fusões do Saci podem provocar, por mais inocentes que pareçam, vai encontrar nele um personagem rebelde e dado à todo tipo de brincadeira de mau gosto. Uma autêntica assombração, bastante digna de arrepiar cabelos.

Começando do óbvio ululante, há mais assombrações enterradas em nossas quintas interiores do que imaginamos a princípio.

Que brasileiro não ouviu falar, mesmo que de pequeno, nas estripulias do Saci-Pererê? Personagem de origem duvidosa, foi aproveitado pelo mais tradicional dos escritores de fantasia brasileiro, ainda que seja uma fantasia voltada para o público infantil: Monteiro Lobato. A pena do escritor transformou o gênio mau-caráter num simpático sujeito, provando que o mito tinha a simpatia popular necessária para isso. O mesmo Saci foi devidamente aproveitado pela TV, quando o Sítio do Pica-Pau Amarelo se transformou em série, e pelo cartunista e escritor Ziraldo, que publicou na segunda metade do século XX o “Pererê”, história em quadrinhos onde o herói era a nossa assombração mais conhecida. Contudo, o Saci-Pererê original nada tem de simpático. Endiabrado, ele se dedicava a infernizar a vida dos moradores das fazendas, talhando leite, trocando talheres de lugar, trocando sal por açúcar, trançando a crina dos cavalos e fazendo com que o gado desembestasse correrias assombradas que cansavam os animais de lida e diminuíam o ritmo de trabalho no dia seguinte. Qualquer pessoa que dedique um mínimo de tempo a pensar no que as con-

Saci-Pererê

Mula-sem-cabeça

Boitatá

Sombrias tropicálias Por Simone Saueressig Elfos, dragões, cavaleiros andantes, bruxas, fadas, monstros, unicórnios. Quando um leitor se introduz no mundo espetacular da Literatura de Fantasia, geralmente seu primeiro contato é este rol de impressionantes seres que habitam os livros dos autores mais conhecidos do gênero. De J.R.R. Tolkien a Neil Gaiman, passando por Michel Ende, C.S. Lewis e Michel Moorckok – só para citar alguns dos nomes mais tradicionais nas estantes onde pululam torres assombradas, castelos mágicos, cristais encantados e livros diabólicos. Eles são populares, imortalizados pelas palavras antigas de obras como Beowolf e ilustrados ao longo dos séculos pelos artistas que amam o fantástico, nos mais diversos suportes: das iluminuras dos incontáveis medievais à 3D, as criaturas do imaginário europeu ocupam um lugar de destaque na vitrine interna de nossos sonhos e pesadelos. Justificavelmente, aliás: faz séculos que eles estão na mídia, mudando de roupa, personalidade e função à cada época. Eles estão nos livros sagrados e na Internet. Em todas partes. Contudo, o escritor interessado na Fantasia como canal para a sua arte, e o leitor que procura novidades dentro do gênero, não deve descartar uma fonte quase inesgotável de material pronto para ser usado e, por enquanto, pouco explorada: o Fol-

clore Americano. No caso do Brasil, especificamente, um folclore que reúne influências culturais de quase todo o mundo. Basicamente, a parte mais conhecida se constitui de folclore europeu, mas há também um aporte substanciosos, composto pelo imaginário indígena, presente nestas terras desde bem antes de qualquer português ousar adentrar as florestas tropicais que se erguiam além das praias. Em se plantando, tudo dá neste país, inclusive incríveis criaturas e maravilhosas noções que reúnem num mesmo personagem ou lugar a força dos velhos mitos e das novidades inexploradas.

A Mula-sem-cabeça é outra criatura cheia de magia e terror. Capaz de enlouquecer quem a vê, de estraçalhar com as patas afiadas os incautos que se põe no seu caminho, ela é também a personificação de uma maldição, um castigo divino, cuja salvação requer coragem, sangue frio e determinação. O Boitatá – tema de cançãozinha doce no Rio Grande do Sul –, se fosse europeu, teria mitologia própria. Então não é de assustar uma criatura feita de fogo azulado e frio, associado aos gases emanados dos cemitérios, quando explicado cientificamente? O Boitatá devora os olhos das criaturas, buscando a luz que neles se esconde, devorador de luz que ele é, assombrando os caminhos ermos e fazendo estremecer os viajantes solitários. E se a Iara – invenção poética dos autores do Romantismo brasileiro –, costuma surgir com toda a sua beleza em contos infantis, que

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tal travar conhecimento com sua origem mítica, os Ipupiaras, os habitantes dos rios, de aparência humana, que levam os seres humanos para o fundo das águas, não para transformá-los em seus companheiros perpétuos, mas para afogá-los e devorar-lhes os dedos, o nariz, os olhos e os genitais. E por falar em água, não podemos deixar jamais de lado a Cobra Grande da Amazônia, personificação da força das águas com tudo o que isso significa. A Cobra Grande é um dos mais importantes mitos da região amazônica, imensa criatura que assombra os rios e charcos, afunda embarcações e devora o coração dos homens. Ela é a criadora da noite, de acordo com o imaginário indígena, e essa escuridão é a que guarda todas as estranhas criaturas noturnas, inclusive as assombrações. Muito mais romântico é o Boto, cetáceo que se faz homem para ir namorar as moças nas festas e perto dos rios. Mas é um amor curto, porque ao amanhecer o Boto volta a ser um ser das águas e deixa para trás a moça recém conquistada. Imaginemos por um momento, que maravilhosa história de amor e preservação ambiental se pode escrever, não para crianças, como pode estar pensando o leitor mais desavisado, mas para adultos com toda a dose de beleza e erotismo que o Brasil tem para oferecer, sem esquecer que se na TV todos os pecados são perdoados, na vida das pequenas localidades isoladas as coisas são bem diferentes. A tragédia, a honradez, a dignidade ainda são valores pulsantes capazes de fazer mover a roda das narrativas. Não são poucas as lendas que falam de amores impossíveis, de per-

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das irreversíveis. A fantasia também vive destes temas pulsantes que, mesmo com toda a permissividade de nossos dias, segue sendo latente no nosso interior. Também no que diz respeito às noções mágicas, o Brasil tem muito a oferecer. Na Amazônia sobrevive o mito do “rio dormindo”, a ideia maravilhosa de que os rios, às vezes, dormem, e dormindo, sonham. Com o que sonha um rio que percorre uma floresta tropical e deságua, oceano, no mar? Com o que sonha um rio de margens de concreto, poluído e sem vida? E não esqueçamos que no quesito “objetos mágicos” também estamos bem servidos. Basta lembrar do muiraquitã, bicho de lama confeccionado pelas amazonas para dar de presente aos seus amantes, e que, uma vez exposto aos raios da Lua cheia, tornam-se duros como pedra: transformam-se em jade, a pedra sagrada da Mesoamérica. E por fim, depois de apenas levantar o véu dessa Fantasia tão próxima e tão pouco conhecida, vale lembrar o mito imortal dos guaranis, a Terra Sem Males, onde as flechas voam sozinhas até a caça e todos os dias são dias de festa na maior e mais bela tribo que alguém conseguir imaginar. Há fartura de comida, lá ninguém envelhece, ninguém adoece, ninguém morre. Alcançá-la, contudo, é apenas para os bravos. Ou para os que, sem esquecer a maciez do pelo dos unicórnios, ou o calor do fogo dos dragões, também experimente explorar o mundo dos anhangás e das sombras tropicais. Sombrias tropicálias, nossas tropicálias, esperando apenas por nossos olhos para se revelar.


por Luiz Ehlers

O evento é organizado por Silvio Alexandre, em uma realização da Biblioteca Pública Viriato Corrêa, do Sistema Municipal de Bibliotecas e da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Com o apoio da Fly Cow Produções Culturais, revista Movie, Cálamo Editorial, GELF (Grupo de Estudos de Literatura Fantástica), Moonshadows Livraria, Universidade Anhembi Morumbi e da TV Cronópios. A principal proposta do evento, que parece crescer a cada edição, é discutir temas relacionados à literatura fantástica nacional em suas mais variadas formas como ficção científica, terror e a fantasia propriamente dita. O sucesso do evento em suas edições anteriores adicionou nesta quarta edição um dia extra ao evento, que contou com a abertura do escritor gaúcho Moacyr Scliar, autor de Os Deuses de Raquel (L&PM Pocket)e Centauro no Jardim (Companhia das Letras), responsável por uma grande produção dentro da literatura fantástica em um período no qual ela ainda era pouco difundida no Brasil. O Fantasticon contou com a presença de inúmeros autores de literatura nacional fantástica e ativistas do meio, além da presença de blogueiros. Entre os presentes, estavam Eduardo Spohr (A Batalha do Apocalipse) e Raphael Dracoon (Dragões de Éter), que foram sucesso absoluto de público na Bienal e têm suas obras entre as mais vendidas nacionalmente.

Agosto foi marcado como um mês ativo dentro da literatura nacional. Além da Bienal do Livro, ele contou também com um dos eventos mais importantes para a literatura fantástica nacional: o IV Simpósio de Literatura Fantástica, o Fantasticon. O evento ocorreu em três dias (de 27 a 29 de agosto) em São Paulo e contou com a presença de inúmeros leitores, escritores, blogueiros, editores e amantes da literatura fantástica, que se juntaram para falar de seu assunto favorito: livros.

Spohr participou, ao lado da FANTÁSTICA, do debate sobre os multi-meios na literatura. A discussão contou ainda com a presença de Tiago de Castro, idealizador do projeto Universo Insônia e Christopher Kastensmidt, que, além de escritor, também tem em seu currículo a criação de jogos de vídeo game.

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O debate analisou a importância dos multi-meios para o autor, que cada vez mais tem que encontrar formas de promoção de suas obras (sites, book trailers, jogos, etc), a exemplo do que o próprio Eduardo Spohr fez com seu livro A Batalha do Apocalispe (Verus Editora), que encontrou o reconhecimento do público através de uma promoção via internet, através do site Jovem Nerd. A FANTÁSTICA também abordou questões como a obrigatoriedade da leitura de clássicos dentro das escolas e da importância da união dos autores nacionais para o fortalecimento da literatura fantástica nacional. A presença feminina foi marcante dentro do evento, que contou com um painel composto exclusivamente pelas vozes do vampirismo: Martha Argel, Giulia Moon, Nazareth Fonseca, Flávia Moniz e Laura Elias. O painel foi apresentado com muito bom humor e simpatia pelas grandes “damas vermelhas” do vampirismo nacional. Elas focaram bastante no crescimento da força feminina no vampirismo, tanto com a presença de escritoras como de vampiras poderosas, o que representa a força da mulher. Contudo as presenças femininas não estavam apenas concentradas no vampirismo, o evento trouxe também Jeanette Rozsas (As Sete Sombras do Gato, Editora Idea),

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Fernanda Matias além de Rosana Rios, que coordenou um painel sobre Contos de Fadas, e uma das autoras mais presentes e importantes dentro da literatura fantástica nacional: Helena Gomes. Ela possui uma grande lista de renomadas sagas de literatura nacional como A Caverna de Cristais, Kimaera e Lobo Alpha. Helena esbanjou sua clássica simpatia e, ao lado de Rosana Rios, autografou o lançamento Sangue de Lobo. Da mesma forma como ocorreu na Bienal, a presença de blogs de literatura também foi marcante dentro do evento. Presenças como a de Bianca Briones (redomadecristal.com.br) e das meninas do Psychobooks (psychobooks.com.br) comprovaram que os blogs já são parte-integrante do cenário literário. Com o humor sagaz e debochado, o autor Eric Novello foi o moderador do painel de debates que tentou encontrar definições para os sentidos da Fantasia. O debate contou com Douglas MCT (Necrópolis) e Valter Tierno (Cira e o Velho), que analisaram suas influências e objetivos dentro da Fantasia. O autor Raphael Draccon, que também estava presente, roubou a atenção da plateia com uma análise profunda e pessoal de sua forma de enxergar a arte da fantasia, definida por ele como uma metáfora dos sentimentos e vivências do autor. “ A maior influência de um escritor é nada mais do que sua vivência” afirmou Draccon. O evento também contou duas oficinas literárias oferecidas gratuitamente. No sábado (dia 28), Sérgio Pereira Couto e Gianpaolo Celli (Tarja Editorial) coordenaram a importante oficina O escritor: pesquisa e criação literária. No último dia do evento, o reconhecido escritor André Vianco ministrou a oficina Como montar a estrutura de um romance de fantasia que atraiu uma longa fila de fãs e jovens aspirantes a escritores, que além de aprender com o autor de best-sellers como Os Sete, também puderam conseguir autógrafos.

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O Fantasticon vem se tornando um dos eventos mais importantes e interessantes no meio literário fantástico nacional. Além de apresentar autores e discutir temas relevantes no setor, o evento apresenta uma farta e barata livraria com um número impressionante de obras nacionais de literatura fantástica, que iriam surpreender os mais céticos. A grande vantagem do evento com relação a outros maiores como a Bienal do Livro é a proximidade física com os autores, o que é bastante complicada e tumultuado em outros eventos. Poder conversar de perto com o seu autor favorito é algo sem preço e neste evento isto é possível e, ainda, sem custo algum. O Fantasticon é, na verdade, um grande ponto de encontro da comunidade literária fantástica e os contatos e conversas que os bastidores permitem são tão importantes e relevantes quanto os temas discutidos nas palestras. O evento coordenado pela intensa dedicação de Sílvio Alexandre à literatura fantástica é também o reflexo da paixão de todas aquelas pessoas pela leitura. No meio das inúmeras conversas paralelas, o mais presente em todas elas são os brilhos nos olhos de todos, que não é nada mais do que o bom e velho amor por este objeto tão fantástico: o livro.

Fotos: Leandro Reis 56

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A arte de seduzir

NOS BRAÇOS DO VAMPIRO Parte 1 Por Juliano Sasseron “Provavelmente oriundo do folclore húngaro, o vampiro passou por várias mudanças ao longo dos anos. Hoje, estão mais presentes do que nunca: belos, misteriosos, horrendos... Mas como os autores nacionais têm retratado esta figura mística? Quais são as concepções e poderes dos vampiros brasileiros? Conheça o personagem que vem dominando nossas páginas.” Quando o romance Drácula foi adaptado para o cinema na década de 1930, tornou-se responsável pela grande divulgação das histórias de vampiros, porém o personagem criado por Bram Stoker é apenas uma das muitas faces dos seres noturnos. John Polidori escreveu a história chamada The Vampire (New Monthly Magazine, 1819) onde o personagem lorde Ruthven era um nobre que atacava donzelas indefesas por onde passava. Afetado e arrogante, esse vampiro sabia ser desagradável e repulsivo. O romance Carmilla, publicada em 1872 por Sheridan Le Fanu, foi responsável pelo surgimento de um dos elementos mais conhecidos nas histórias de vampiro: a estaca. Na história também há outra característica usada por muitos autores: a capacidade do amaldiçoado se transformar em animais (nesse caso, um gato). Escritora excelsa, Anne Rice deu charme e glamour a seus vampiros, apresentando-os como indivíduos com suas paixões, teorias, sentimentos, defeitos e qualidades como os seres humanos, mas com a diferença de lutarem pela sua sobrevivência por meio do sangue de suas vítimas e sua própria existência, que para alguns deles é um fardo a ser carregado através das décadas, séculos e até milênios, e assim definiu o padrão utilizado na maioria das histórias vampirescas além de servir como inspiração aos personagens do mais famoso RPG do tema: Vampiro – A Máscara. A transformação mais recente veio na saga Crepúsculo. A criatura que antes causava medo nas pessoas acabou virando objeto de desejo. O vampiro poderoso que recusa se alimentar de sangue humano brilha ao sol e é dotado de um charme divino que cativou o coração de diversas adolescentes. A lenda sobre os vampiros é mutante por natureza, talvez por isso o personagem seja tão aclamado. É verdade que nunca saiu de moda, mas também jamais foi tão explorado como atualmente. O monstro que não come alho, não se vê no espelho e foge da cruz como o diabo é o mais tradicional, mas obedecer às regras do gênero não é obstáculo – nem dever – para qualquer autor.

Os escritores de vampiros no Brasil estão aparecendo nas livrarias desde 2000, mas antes já existiam livros do gênero. Um exemplo é O manual prático do vampirismo escrito por Paulo Coelho em parceria com Nelson Liano Jr., que apesar de ser recolhido das livrarias na década de 80, trouxe muitas curiosidades sobre os vampiros. Outro marco importante foi a criação de um grupo de escritores que começaram a postar seus contos na internet, atraindo interesse de vários leitores. O Tinta Rubra reunia aficionados pelos seres noturnos e seu diferencial foi o contato direto entre autores e leitores. Dono de uma bela coleção sobre vampiros, Adriano Siqueira foi um dos membros desse grupo e seus contos já atraíram milhares de leitores. Em suas histórias os vampiros sofrem inúmeros desafios que os levam a enfrentar as mais diversas aventuras no campo físico. Irônicos, perigosos e dotados de um charme irresistível, eles costumam exibir seus poderes para atrair suas vítimas humanas. A coisa mais importante para um vampiro desse tipo é seu próprio ego, o que gera destruição mesmo quando há uma paixão intensa entre os personagens. Existe também um toque místico e sobrenatural quando certos artifícios são utilizados, um exemplo é a hipnose que geralmente transforma o medo de uma pessoa em admiração e submissão ao vampiro. Esses poderes se enfraquecem com as suas dúvidas impostas por algumas lembranças ou tormentos, levando a Adriano Siqueira um final surpreendente. “Gosto de escrever em dois ambientes: o medieval e o urbano. Meus vampiros são sempre convencidos, prepotentes e poderosos. Isso talvez faça com que sejam surpreendidos pelas armadilhas dos humanos”. Adriano Siqueira

Neve em Osasco

André Vianco

Autor de vários livros de vampiro, André Vianco tem nos personagens de Os Sete sua trupe mais famosa. A obra está erroneamente classificada como terror, já que os elementos predominantes são de ação. Como o título diz, são sete imortais, cada qual com um dom diferente: Inverno, Lobo, Gentil, Tempestade, Acordador, Espelho e Sétimo. A grande sacada do escritor foi acreditar que uma trama com vampiros portugueses daria certo. Pensando bem, por que não daria? Em 1500 aportaram inúmeras criaturas que sugaram muitas de nossas riquezas. Com uma narrativa simples e ágil, a história trans59


porta os leitores por cidades brasileiras e cria possibilidades infinitas quando os vampiros utilizam seus poderes em nossas terras. Com uma sequência frenética de acontecimentos, a história nos prende não só pelo pescoço, mas através da curiosidade o leitor se apaixona pela história. Os seres sombrios, que ludibriavam as donzelas, acabaram infiltrados na sociedade moderna, combatendo o crime organizado (ou controlando-o) quase como os super-heróis dos quadrinhos. Percebemos que o mito do vampiro varia ao longo dos anos, seguindo a idéia de que devemos inovar, o autor se inspirou numa lenda aborígene australiana, em que seres fantásticos bebem o sangue de suas vítimas e depois as engolem, para criar os sanguessugas em outro livro seu. Os vampiros de Bento não chegam a deglutir seus alvos, mas os caçam do alto das árvores, como faziam seus ascendentes da Austrália. Usando o mesmo artifício de manter seus leitores curiosos, os notívagos sofrem mutações, transformam-se em dragões e passam a devorar os que encontram pela frente.

Imortal refinado

Kizzy Ysatis

Para Kizzy Ysatis a origem dos vampiros é mais angelical do que pensamos. Descentes de um Anjo amaldiçoado, eles são prepotentes ao extremo e não podem entrar no local se não forem convidado (devido à proteção de um anjo que cada pessoa tem). Outra característica muito bem lembrada é aquela em que o vampiro deve contar os grãos de arroz antes de se retirar. Também é ressaltado o medo do noturno perante o sol (na verdade a presença do Serafim é quem causa isso). Encarnação da cultura gótica, o vampiro Luar é sedutor, elegante e demonstra um caldo intelectual único nas histórias vampirescas nacionais.

“— Culpa? Certo? Errado? Moral? Imoral? Ah! Essas coisas são para os vivos, não para os mortos, muito menos para os mortos-vivos. Aos mortos não lhes cabe o medo de morrer; e aos vampiros, não há o medo de um inferno, dum castigo. Somos párias, portanto nem a moral se aplica a nós. Segundo Oscar Wilde, a arte não é moral nem imoral, mas amoral; assim são os vampiros. Aos mortos lhes cabe o descanso; aos mortos-vivos, perturbar os vivos. É isso que esperam de nós. Não lhes dou nada menos do que a morte, tão suave e bela. Às vezes levo vários dias, vejo a moça definhar na cama, aos pouquinhos, como musa romântica, vai-se aos beijinhos... Não vim para fazer o bem nem o mal. Não livro o mundo dos maus ou dos feios. Prefiro os belos. Ah, esses sim, eu os livro da maldição de envelhecer. Morrem jovens. Quem gosta de coisa passada que não seja o vinho? Que vam60

piro, na plena consciência de si mesmo, beberia sangue vulgar? Que vampiro, pleno de si e livre de qualquer tratado moral, social, religioso, humano ou divino, deixaria de atender aos seus próprios desejos e a sua liberdade póstuma? Não, minha cara. Não existe tal vampiro. Eu escolho pela beleza. Há quem escolha ao acaso, mas escolher por moral? Por culpa? Ora, me poupe!” (Diário da Sibila Rubra, pág 191) “Maus, belos e sobrenaturais. No tocante ao comportamento, observando a questão num sentido mais abrangente, substituiria a palavra “mau” pela “amoral”, pois aí teremos dois gêneros neste adjetivo”. Kizzy Ysatis

Consciência X Convicção O futuro depende das escolhas que fazemos no presente. Com um tocante mais filosófico, a máxima também serve para os vampiros da série Alma e Sangue. A cada lua que surge no céu, tais seres optam por uma trilha para seguir e, dessa forma, escrevem no livro do Destino os amores que encontram pelo caminho e as aventuras que enfrentam a cada noite, deixando suas histórias marcadas para sempre. Apesar de frios e poderosos, a humanidade interior de cada ser ainda existe, por isso não são isentos de sentir amor, ódio e dor. Diante da imortalidade, eles conhecem prazeres e limites, alimentam-se de sangue, Nazarethe Fonseca dormem tanto em caixões como em camas. O que mais marca é a possibilidade da escolha, a capacidade de se manterem lúcidos ou se deixarem vencer pela animalidade. Utilizando-se de metáforas, podemos crer que os vampiros são uma espécie além da humana, com a capacidade de permanecerem quase incógnitos e, apesar dos hábitos alimentares, de nos observarem como o referencial de onde vieram e para onde jamais voltarão. “Dentro do universo da Série Alma e Sangue, são encontrados vampiros, mortais, caçadores, homens-lobos, bruxas e alguns demônios. Afinal, seria hipocrisia nos acreditarmos longe de onde habitam as sombras”. Nazarethe Fonseca

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de um Escritor. Esta nova seção é uma forma de acompanhar e mostrar como é o processo da escrita, desde a sua criação até a dura batalha por uma publicação. A nossa “cobaia” selecionada foi o jovem aspirante a escritor: o carioca Luiz Teodósio, também conhecido na internet como Luiz Dreamhope. De origem simples, Luiz tem 20 anos, reside no Rio de Janeiro e irá prestar vestibular para a Faculdade de Letras ainda este ano. Ele é adorador de histórias fantásticas e o seu desejo por uma publicação está exposto em seu blog (luizdreamhope.blogspot.com), onde o autor faz resenhas e expõem novidades do mundo literário. Sua grande inspiração para a escrita veio do fascínio por animações japonesas como o sucesso Os Cavaleiros do Zodíaco (Saint Seiya), que encantou toda uma geração nas batalhas impossíveis dos cavaleiros de bronze na proteção da deusa Athena. “... Com o contato com os Cavaleiros do Zodíaco que minha mente começou a bolar histórias e outros universos. Isso passou a ser mais frequente quando criança, tomando as imagens em estilo anime e montando histórias na minha cabeça. Acabei, então, sorvendo este estilo em minhas criações...” afirma Dreamhope.

O desejo de ser um escritor tem se mostrado muito presente nos dias de hoje. Muito se fala que estamos na época onde mais se escreve de todos os tempos. Junto com o aumento deste desejo pela escrita surgem muitas dúvidas e equívocos. Embora seja um sonho de muitos, na verdade, poucos sabem realmente como proceder de forma correta neste árduo caminho para se tornar um escritor. Tomados pela ansiedade de ver a sua obra em uma estante ou mesmo tocar fisicamente em seu livro, alguns autores iniciantes acabam deixando de lado o profissionalismo e o aperfeiçoamento que a profissão, como outra qualquer, exige. Bombardeada com uma série de dúvidas e vontades de inúmeros leitores que cada vez mais abraçam com carinho a arte da escrita, a FANTÁSTICA resolveu criar uma espécie de “reality show”: A Jornada

Luiz é um exemplo do leitor moderno que tem na internet uma grande aliada para a leitura. Ele conta que através dela pode preencher a vontade de ler, pois muitas vezes, por questões financeiras, não tinha acesso aos livros que queria. Ele possui dois projetos de livros intitulados Ventura e o Mundo Sombrio, sendo que este segundo, Luiz planeja seguir o exemplo do escritor William Nascimento e lançar um e book. Luiz está no processo de escrita e criação do Mundo Sombrio, que já tem algumas páginas. Vamos acompanhar a cada edição o andamento do trabalho deste jovem aspirante a escritor, como tantos que existem hoje. A cada capítulo da Saga de um Escritor, Luiz irá mostrar o seu progresso na escrita e suas dúvidas. Ele, então, receberá dicas e apoio de escritores nacionais de literatura fantástica com obras publicadas, que conhecem bem este árduo processo. Sejam bem-vindos e conheçam a Jornada de um Escritor. 63


Depoimento de Luiz Dreamhope “Você é louco?!”, foi o que muitos disseram a mim quando revelei estar escrevendo uma série literária que englobaria dezenas de volumes. Este é o resultado de viver sete anos da minha vida ao lado de um mundo de Fantasia. Simplesmente não posso viver sem ele, não mais. Meu projeto literário se chama Mundo Sombrio, uma trama de Alta Fantasia tendo magos como protagonistas. Claro que haverá outras raças, porém, elas ainda estão vagas, e estou trabalhando para não repetir raças habituais deste gênero, como anões, elfos e outros; gostaria de criar raças próprias, talvez tomando as conhecidas como embasamento. Este universo já tomou tantas proporções em minha mente, que procurei centralizar o enredo e fazê-lo lentamente se enraizar. O maior impasse de criar uma história tão grande é encontrar o ponto inicial para começar a contá-la, e demorei longos anos pra isso. Foi engraçado, porque cada vez que iniciava a história de um marco cronológico diferente, eu regressava anos atrás na trama, o que me ajudou a montar boa parte do passado dos personagens. Este passado que antes escrevi, hoje virou presente e por isso consigo dar uma boa pincelada nos acontecimentos principais durante os volumes. O Mundo Sombrio recebeu grandes influências dos animes. Gosto muito do estilo das histórias apresentadas, e obrigatoriamente, sem64

pre assisto alguns para manter o nível de inspiração regularizada. E como se não bastasse, as trilhas sonoras presentes nos animes me ajudam bastante na hora de escrever algumas cenas; e aproveito trilhas de filmes também. Acho a música uma boa fonte de ajuda para entrar no clima de uma cena. O que acontece é de em casa ser interrompido frequentemente pelo irmão caçula, pai, mãe ou qualquer outro. Houve uma semana em que contei 26 interrupções. Quase surtei! E tem também o lance de meu quarto receber barulho facilmente da casa (ele não tem porta, rsrs), aí complica mais ainda. Tenho que ser muito paciente até sentir que tudo está em silêncio. (Viva a madrugada!). Voltei a trabalhar esta semana, o que vai me render uma diminuição no tempo de escrita. Acho que não passarei de 900 palavras por dia. Às vezes chego nove ou dez horas da noite e só penso em calma. Fica complicado escrever assim. O publico alvo que espero alcançar são jovens, mas creio que a série agradará a qualquer idade; mas não infantil. Conforme eu for amadurecendo como escritor e conforme também a própria trama madurar, pegarei em temas um pouco mais pesados. Estou iniciando a série com um e-book gratuito (Mundo Sombrio – A tragédia de Ashval Greime). A história será uma introdução detalhada do primeiro capítulo do volume um. O gênero mais saliente é o romance; há também um pouco de suspense, drama, e ação, claro. Então é provável que agrade a um público mais feminino por conta disso. Por enquanto, me encontro com 60% dele finalizado. Tenho o piloto dos capítulos escritos, mas sempre acabo por alongar ou mudar algumas coisas do começo. Talvez eu termine a história dentro de dois meses. Acredito que com esta estratégia conseguirei “pré-leitores” para o meu primeiro livro (Mundo Sombrio – Volume 1). Mas tudo dependerá do resultado final do e-book, pois se não estiver satisfatório, babou. Vai ser um trabalho difícil, colocar uma história que não para de crescer, com volumes insondáveis. É provável que, como escritor, só consiga escrever esta série na vida. Será que em 100 anos eu termino? Tomara que inventem uma fórmula da juventude até lá, pois tenho outras histórias também na cabeça e gostaria de passá-las ao papel. 65


Recado de: Creio que esteja no rumo certo, Luiz Dreamhope. Até mesmo seu nome condiz com o que faz. Certamente, pelo que falou, O Mundo Sombrio tem potencial e deve ser lapidado. Primeiramente, tente não se apressar. Se você ama o que escreve, se preza a qualidade do que está criando, ignore o tempo que pode levar para construir tal coisa. Não creio que Deus tenha criado o mundo em sete dias, então não faça de sua obra um aranzel de coisas feias por pressa. Levei 10 anos para escrever o primeiro volume de minha trilogia e ele possui apenas 214 páginas. Isso prova o que digo, pois originalmente o livro tinha mais de 700. Contudo, com o passar do tempo e a medida que fui amadurecendo pessoalmente e no sentido literário, o que havia escrito foi tornando-se feio e desmedido. Temos a tendência errônea de prolongar demais os assuntos, talvez com medo de que sendo sucintos sejamos mal compreendidos. Isso pode ser verdade, mas depende de você fazer-se claro de forma ligeira. Se teu livro é extenso, redobre a atenção, pois a primeira função do escritor é não aborrecer o leitor, e isso quase sempre ocorre em obras longas. Faça de teu livro o teu mundo próprio e cotidiano, caminhe por ele como se caminhasse na rua de sua casa, observe-o em seus detalhes, imagine-o em todos os lugares, mas jamais se prenda a ele de forma fixa e final. Lembre-se que tudo na vida tem um preço e se você se propuser a isso, será cobrado no fim das contas. Seja como for, procure não só a originalidade sonhada por todos, mas também a simplicidade e sinceridade do bom escritor.

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Recado de: Gostei bastante da tua proposta de trabalho, Luiz. E entendo perfeitamente a vontade de já começar escrevendo uma série. Aconteceu comigo também... Claro que criar um universo próprio e em detalhes é importante, mas também é importante se preocupar em “como” contar a história. Não sei como você vai dividir abnner 100% nos livros a história principal, se será por período (livro 1: era X, livro 2: era Y etc.) ou por personagem (livro 1: história do fulano, livro 2: história do beltrano etc.). Seja qual for sua decisão, acho legal que, em cada livro, aconteça uma história com começo, meio e fim, ligada, claro, à história principal e sempre deixando uma pontinha para a continuação. Isto é necessário porque nem sempre se consegue publicar uma série inteira no Brasil sendo autor brasileiro. Então, caso um livro 1 saia por uma editora e, se você tiver de publicar o livro 2 por outra, não será tão complicado. Era o que eu devia ter feito, sabe, quando escrevi a saga A Caverna de Cristais. Acabei optando em contar uma história diferente a cada dois livros e isto não se revelou a melhor escolha. Outra coisa: não se preocupe demais em classificar o que você escreve (se é Alta Fantasia ou outro subgênero). Isto você deixa para os especialistas. Você deve estar centrado na história, no desenvolvimento dos personagens (que precisam parecer pessoas reais, com qualidades e defeitos), no ritmo narrativo (capítulo a capítulo e no livro todo), na ambientação, nos diálogos e no que revelar ou não e em qual momento da trama.

O primeiro quesito do bom escritor é amar o que faz acima de tudo. Se você tem essa convicção, marche em frente sem pestanejar, pois se duvidar em algum momento da sua capacidade criativa ou do potencial do que escreve estará fadado ao fracasso.

Por último: tudo bem traçar uma ideia geral do que vai acontecer na série toda, mas, após escolher o que vai em cada livro, dedique-se a um livro de cada vez. Isto agilizará o processo de escrita e te ajudará a não se perder no meio de tanta coisa.

Boa sorte!

Bom, é isso. Grande beijo e um ótimo trabalho para você! 67


Recado de:

Recado de:

É ótimo ver a ambição e a vontade de escrever do Luiz Dreamhope. A paixão dele pelo universo e a história parece transparecer na apresentação. Mas sou obrigado a me juntar ao coro de vozes que questiona: saga literária em dezenas de volumes? Isso parece um pouco grandioso demais, para a primeira empreitada. Mesmo que dê resultado, é um projeto muito grande, que tomaria muito tempo. Como ele tem vinte anos, não podemos presumir que vá ter os mesmos interesses daqui a cinco ou dez anos. Então a saga pode perder um pouco do seu apelo. Eu recomendaria começar com algo menor. Escolher não uma história épica que engloba o passado de um mundo inteiro, mas um episódio, um “instantâneo” passado nesse mundo. Deixar o leitor conhecer toda essa riqueza naturalmente, aos poucos. Senão o próprio peso da obra pode acabar esmagando o autor! Se eu tiver que apontar outro problema em potencial, é a falta de citação a referências literárias. A mídia dos animes é realmente muito presente hoje em dia, e seus temas certamente cativam (no mínimo) toda uma geração. Não há problema em inspirar-se no gênero. Mas seria interessante pesquisar mais a fundo outros autores que lidam com a alta fantasia, a ação e até mesmo o exagero que são característicos de uma parcela da animação japonesa.

Parabéns ao Luiz pela coragem e empolgação! Primeiro de tudo, “Você é louco?!”; Publicar séries é realmente difícil, mas não é impossível. Se você acredita nela, então faça. O mais importante é você estar satisfeito e feliz com o que está escrevendo, pois a sua paixão estará registrada em seus livros e será ela, somada à sua dedicação e talento, que farão do livro um sucesso. Por ora, tenho duas dicas. A primeira delas é que você faça uma “time-line”. Já que teu mundo tem tanta história cronológica, pegue uma folha bem grande, risque uma linha e coloque os datas e acontecimentos. Isto ajudará muito no seu planejamento. A segunda é uma dica para ajudar nos primeiros livros: faça suas primeiras histórias para publicação em um só livro. Trilogias e afins são excelentes, mas de difícil aceitação pelas editoras. Você pode até conseguir. Eu, a Helena e o Caldela somos exemplos disto, mas a dificuldade será menor se você começar por livros únicos e, depois de consolidado escritor, partir para trilogias, quadrilogias e afins.

Como pontos positivos, para mim se destacou a clareza e correção do texto do autor. Isso pode parecer óbvio (e é mesmo), mas é fundamental - e muita gente não possui essa qualidade. O primeiro passo (ter uma história na cabeça, e as ferramentas para contá-la em palavras) aparentemente ele já deu. Vamos esperar para ver o resto da jornada. Boa sorte! 68

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Recado de: Oi Luiz! Primeiro, parabéns pela sua iniciativa e por manter os sonhos presentes em sua vida, pois eles nos movimentam. Ser escritor no Brasil, como deve ter percebido, não é uma tarefa fácil mesmo, mas como deve estar sentindo, o prazer de escrever está além desses problemas. Achei bastante interessante a ideia de sua história e tenho dois conselhos a lhe oferecer: 1) Não deixe em aberto o número de volumes. Tente definir algo que possa se concretizar e dê um panorama da obra ao leitor (dezenas de volumes é algo meio assustador para o leitor que vai começar a te conhecer); 2) Não diga que um livro, por que tem algum romance, agradara principalmente às mulheres. Isso passa um certo preconceito literário que mais afasta do que atrai leitores. Homens e mulheres gostam de pitadas de romance e sensualidade mesmo em livros de fantasia, pode acreditar. Então, não feche seu público e não o subestime. Minha dica é: selecione leitores beta, que não sejam seus amigos ou parentes, e peça a opinião deles. Você pode se surpreender. Ouça o que eles têm a dizer e depois volte a olhar para o que escreveu. Essa experiência é realmente fantástica. Não desista de escrever, não desanime no meio do caminho, por mais pedregoso que ele possa ser e seja o seu principal crítico, procurando melhorar sempre! 70


Por Luiz Ehlers

convidada:

Helena Gomes

autora de: A Caverna de Cristais

Helena mora em Santos-SP e é escritora, jornalista e professora universitária. Já ministrou oficinas de escrita e é uma das autoras brasileiras com o maior número de obras pulicadas em fantasia. Seu primeiro livro foi O Arqueiro e A Feiticeira (Editora Idea), que dá início à saga A Caverna de Cristais. Seu mais recente trabalho Sangue de Lobo, 17º livro de sua carreira, foi publicado em co-autoria com a escritora Rosana Rios. e lançado recentemente na Bienal e no Fantasticon em agosto de 2010.

A Caverna de Cristais é uma das mais ambiciosas e interessantes séries brasileiras de fantasia. Composta por sete livros, ela conta a trajetória de um jovem arqueiro chamado Thomas, que vive em um mundo futurista medieval, que nada mais é do que a nossa Terra. Thomas vê-se diante do despertar de uma antiga guerra contra os temíveis nergais, liderados por Mudu-za. Simultaneamente, o rapaz descobre os seus próprios poderes e, com isso, transforma a batalha contra os nergais em sua missão de vida, enquanto viaja através dos mais diversos mundos. Com um grande e marcante elenco de personagens, a série tornou-se um dos marcos da fantasia nacional.

Luiz – A literatura é a arte de passar ideias ou mensagens através da palavra. Todo texto, por menor que seja, passa algo. Sempre gosto de perguntar aos autores: você consegue identificar este “algo” que a sua longa saga A Caverna de Cristais quer passar? Helena Gomes – Em primeiro lugar, agradeço pela oportunidade de falar sobre meu trabalho e respondendo: este “algo” é a reflexão que o leitor pode fazer de sua própria realidade a partir de situações apresentadas na trama, como contrastes sociais, opressão e violência. Luiz – Os três livros lançados da saga têm uma linguagem clara, dinâmica e surpreendente. Costumo dizer que o grande mérito da história é sua correlação de situações e personagens, formando uma grande novela, no melhor sentido da palavra. Como é o processo de criação desta rede de situações entre eles? Em sua opinião, qual o segredo para surpreender o leitor?

Helena Gomes – Sim, é mesmo uma novela. E imensa! (risos) Não há segredo, na verdade. É só questão de decidir quando e como revelar cada aspecto da trama. Luiz – A saga A Caverna de Cristais, com seus sete livros, é bastante longa. Além disso, engloba uma história dinâmica, cheia de mundos e personagens. Tudo já está planejado na sua cabeça até o final? Como é o seu “arquivo mental”? Há uma razão especial para a saga ser do tamanho que é? Helena Gomes – Não gosto muito de planejar a história inteira. No caso da saga, fui escrevendo conforme as ideias vinham; no máximo, eu planejava dois ou três capítulos por vez. Depois, ia arrumando as pontas para deixar tudo redondinho. Somente quando escrevo em parceria é que fazemos uma sinopse capítulo a capítulo e cena a cena para o livro inteiro, o que facilita bastante na hora de dividir o trabalho. 73


Luiz – Além de A Caverna de Cristais, você também escreveu outras sagas como Lobo Alpha (Editora Rocco) ou Kimaera (Editora Jambô), que têm, inclusive, sequências. O lançamento destes outros livros foram concorrentes aos de A Caverna de Cristais. Para você, não há nenhum tipo de confusão para escrever sagas paralelas? Não acredita que alguma delas possa sair prejudicada de alguma forma, tanto na criação quanto na divulgação?

Luiz – Acredito que jamais podemos criar nada muito distante de nós mesmos, mesmo que a criação seja o nosso oposto. Onde está a Helena Gomes dentro de toda a saga? Está no Thomas, na Erin ou mesmo no Will? Helena Gomes – Sim, a Helena está lá, em vários aspectos. É que dar personalidade a uma criação sua requer um mergulho igual ao de um ator para interpretar seu personagem. Você tem de se sentir esse personagem quando está escrevendo para ele. Então, meu trabalho é retirar o que há em mim (partes da minha personalidade, sentimentos, experiências de vida, etc.) e também buscar esses elementos em outras pessoas, próximas ou não. A observação de como as pessoas reagem às situações do cotidiano me ajuda muito no processo de construção de personagens.

Helena Gomes – Não é concorrência. Olha só: Kimaera, por exemplo, está trazendo novos leitores para a saga de A Caverna dos Cristais, assim como Lobo Alpha também traz. Quem gosta das minhas histórias geralmente procura outros livros meus. A divulgação tampouco sai prejudicada. Pelo contrário, é fortalecida, porque se baseia no fato de que meu trabalho está crescendo. E não existe confusão na hora de escrever. É como ter filhos, um diferente do outro. Luiz – No prefácio do primeiro livro, O Arqueiro Não dá para confundi-los. e a Feiticeira, há uma definição interessante da

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Helena Gomes – As capas, em geral, são responsabilidade das editoras. Elas é que escolhem os capistas e aprovam o resultado final. No caso das capas de A Caverna de Cristais, gosto bastante do trabalho do Nakata. Ele capta e transforma detalhes e cenários da saga em uma imagem que sintetiza a mensagem central da obra. Sobre o público, sempre tive em mente que seria o jovem leitor, tanto de idade quanto de espírito. Meu trabalho é Helena Gomes – É preciso ter primeiro uma para pessoas que curtem ler aventura, sem se ideia fundamental de ambiente e idealizar preocupar em atender as exigências de gênecenários sempre dentro desta linha central, ros e subgêneros literários. para que o leitor se sinta dentro dos lugares descritos. A pesquisa, portanto, é fundamen- Luiz – A saga A Caverna de Cristais tem um tal neste processo, mesmo que a história se número grande de personagens, porém, passe em um mundo alternativo, totalmente “magicamente”, você consegue trabalhar ficcional. Por exemplo, quando escrevi O Ar- inúmeros deles, dando espaço e desenvolqueiro e a Feiticeira, pesquisei sobre a cons- vendo suas histórias sem prejudicar a claretrução de castelos, peças de armaduras e za da história. Você inclusive declara a sua outras coisas relacionadas ao ambiente me- alegria quando a personagem Rita Skeefyr ganha seu devido espaço no terceiro livro, O dieval. Despertar do Dragão (Idea Editora). Ela não Luiz – Em uma entrevista, o escritor Dhyan apenas ganhou seu espaço como se tornou Shanasa afirmou sabiamente que Fantasia fundamental para o desenrolar da saga. Você não tem idade, porém as imagens das capas declarou também que tem uma “queda” pelo remetem a uma história infantil, o que em Vince de Angelis, o Will. Sei que normalmenminha concepção é uma impressão errada, te não existe, pois no fundo o autor ama topois a saga A Caverna de Cristais é uma histó- dos (risos), mas eu pergunto o oposto, qual o ria mais adulta. Você consegue explicar a ra- personagem menos querido por você? Exiszão das capas e há um público específico que te algum que dá mais trabalho? Como é dar personalidade a tantos? visou quando escreveu a saga? saga como uma história de ficção científica, pois o mundo de Britanya nada mais é que um futuro até apocalíptico de nossa civilização. Esta característica reforça a credibilidade, que é importante para a fantasia existir na mente do leitor. Como é o seu processo de pesquisa para a criação de mundos tão ricos quantos os da saga? Há uma forma de sistematizar a criação de mundos e lugares?

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Ficha técnica:

seção:

JOGO-RÁPIDO Um livro que adoraria ter escrito... A Trilogia de Merlin, de Mary Stewart Um filme que sem ele A Caverna de Cristais não existiria... O Feitiço de Áquila O casal mais interessante de A Caverna de Cristais... Thomas e Erin (nos livros 1 e 2)

Editora: Idea Páginas: 288

Uma cena de batalha cinematográfica marcante... “Luke, I am your father” em O Império Contra-Ataca Um grande vilão... Alexis (Joan Collins), de Dinastia, e Sylar, de Heroes Uma grande cena de A Caverna de Cristais... A sequência do confronto com Mudu-za no livro 2 A cena mais romântica da saga... Parte final do epílogo do livro 4

Helena Gomes – Quando escrevi algumas cenas do Stark, cheguei a passar mal: é que, no processo para desenvolvê-lo, me coloquei no lugar dele, vi o mundo por seus olhos... E o cara tem uma energia ruim, pesada. Na época, foi complicado de lidar com isso. Hoje já é mais fácil. Mesmo assim, às vezes acontece algo parecido. Para você ter uma ideia, um dos meus contos narra a trama pelo ponto de vista de um pedófilo. Acredita que há dias em que não consigo reler o texto? Aquele personagem é nojento. Luiz – Livros de literatura fantástica têm crescido muito no Brasil, porém no topo dos mais vendidos ainda estão os livros internacionais como a saga Crepúsculo, da editora Intrísceca. Em sua concepção, o que falta para chegarmos a este topo? Será que realmente vamos chegar? Helena Gomes – Ainda falta o grande público descobrir que há excelentes autores brasileiros de Literatura Fantástica. De qualquer forma, as 76

perspectivas são boas: as editoras têm investido em autores nacionais que abordam este gênero, principalmente em obras destinadas ao público jovem. Agora é esperar os resultados e ver o que acontece. Luiz – O que podemos esperar da saga A Caverna de Cristais? Este é o ano da Tríade (4º livro)? Helena Gomes – Temos neste livro algumas revelações importantes, como o verdadeiro motivo da guerra entre eloras e nergals. Também soluciono questões desenvolvidas nos três primeiros livros e, claro, resolvo o grande confronto entre heróis e antagonistas. É praticamente o livro final desta parte da saga. Os livros 5 e 6 contam outra história, mas relacionada a todo o universo da saga e com participação de alguns personagens “antigos”, como Mudu-za, Thomas e Razeel. Aliás, é nestes dois volumes que descobrimos a verdadeira história de Razeel, que terá sua conclusão final no último livro, o 7º.

Thomas em uma palavra... Amadurecimento Erin em uma palavra... Liberdade

Editora: Idea Páginas: 592

Will em uma palavra.... Coração Mudu-za em uma palavra... Diversão Loxian em uma palavra... Autoridade Tolkien em uma palavra... Pai Rita Skeefyr em uma palavra... Curiosidade Arakis em uma palavra... Charme

Editora: Idea Páginas: 423

Díllon em uma palavra... Magia 77


Agridoce

Diário de um Anjo

Sobre a autora:

Sobre a autora:

Simone O. Marques nasceu em São Paulo em 1969. Pedagoga (PUCSP) e Mestre em Educação (UFPR), lecionou em cursos de graduação e pósgraduação. Participou de projetos de alfabetização de adultos e formação de professores.

Mandy Porto é viciada em livros. Tanto em ler e quanto em escrever. Vive em uma pequena cidade perto de Porto Alegre, onde mora com sua grande família e quatro cachorros. Apesar de jovem, tem muitos projetos em andamento.

Ficha técnica:

Ficha técnica:

Editora: Multifoco Páginas: 282

Editora: Novo Século Páginas: 304

Sinopse: Agridoce não é apenas mais um livro de vampiros, é uma obra repleta de aromas, sabores e sensualidade, que transcorre em ritmo viciante e irresistível,mantendo os leitores presos até a última página. Os personagens fazem parte de uma trama que envolve: Portadores de uma necessidade especial (Vampiros) que despertam para a condição determinada por uma predisposição genética (a necessidade de sangue), Escravos (doadores), pessoas que despertam fisicamente dependentes dos Portadores, doar o sangue é uma condição vital para eles, e Antagonistas (caçadores) que, assim como os outros dois elementos da trama, despertam, mas para a necessidade de eliminar o Portador, mesmo que não tenham consciência disso. São elementos de um triângulo dependente de sangue e a história do que são capazes de fazer por ele. É uma incursão pelo mundo dos vampiros que respeita o mito, mas que foge de clichês. Tudo isso temperado com muito suspense, ação e terror.

Sinopse: Elizabeth sempre soube que era diferente, mas a certeza disso acontece no seu aniversário de 18 anos, descobrindo que seu pai era um Anjo. E ainda por cima descobre que ela mesma é um Anjo depois da visita de seu protetor lindo chamado Luke. Com o passar dos dias Elizabeth descobre mais sobre seu novo mundo e que em um dia próximo uma guerra irá acontecer entre Anjos e demônios. Será que ela vai conseguir ajudar na guerra? E será que vai sobreviver? Irá encontrar o seu grande amor entre tanto caos? Elizabeth conta tudo em “Diário de um anjo”.

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Mundo de Avalon: Caminho da Gnose Sobre o autor: Vin c e nt Law nas ceu em Icaraí, no R io de Janeiro, no ano de 1981. É té cnico e m info rm ática, e s crito r e g rande apre ciado r da f ilo s o f ia. Para s ua s aga, ins piro u- s e na cabala e no liv ro Pistis S o phia.

Neon Azul Sobre o autor: Eric Novello é carioca, mas mora em São Paulo. Além de escritor, é tradutor e roteirista. Já escreveu outras obras e participou de diversas antologias. Como crítico de cinema, música e literatura, desenvolve textos para o Jornal de Arte Aguarrás.

Ficha técnica:

Ficha técnica:

Editora: Draco Páginas: 168

Editora: Baraúna Páginas: 512

Sinopse:

80

Sinopse:

No passado, uma corrente se espalhou, e os mais fracos foram dominados pelos mais fortes. Hostilidades foram declaradas e generais destruíram nações inteiras. O Mundo de Avalon é um lugar onde vivem seres humanos que foram manipulados por um Divino, que se intitulou o Criador de Tudo. Um mundo selado, que os humanos tentaram desvendar no passado, mas que agora só pensam em conquistá-lo. Nesses continentes existem cinco nações, onde seus generais, considerados os mais fortes dentre todos os Despertos, lutam batalhas sangrentas, e são chamados de “Os Intocáveis”.

“Neon Azul” é uma boate onde habitam os seus mais sombrios desejos e tentações. É um lugar diferente, repleto de acontecimentos estranhos, mas que poderia estar na esquina da sua casa ou no caminho entre o trabalho e o metrô. Enquanto acompanha a história do bar e de funcionários e clientes peculiares, descubra que realizar seus desejos pode ter efeitos colaterais imprevisíveis. Homens de negócio, prostitutas, artistas e boêmios imersos em uma solidão que só quem passeia pela noite já experimentou, um sentimento comum aos que vivem cercados de gente, com um sorriso no rosto e um copo na mão.

Mas há um Desperto em especial, Leon, um soldado do Império de Sililvânia. Contudo, ele se encontra perdido entre dois sonhos: um lhe diz que ele será a ruína daquele mundo, enquanto o outro suplica para que se dirija a um determinado lugar. Os seus amigos o acompanharão nessa viagem, que terá a duração de quinze dias, neste primeiro volume. Porém, algo mais que um simples mundo selado será descoberto. Os sete Cavaleiros, que são conhecidos como os protetores daquela região, entrarão no caminho da humanidade e colocar-se-ão como um grande obstáculo às nações. Os Dez Illuminati, protetores da falsa Deusa, com toda a sua imponência, irão adentrar o caminho de Leon e de seus amigos.

Nesse jogo de luzes e sombras que revelam a fantasia e encobrem a realidade, está nas mãos do leitor a decisão de acreditar ou não no que lê e decidir quem conta as verdades e as mentiras ao longo da história. Assim como o insone gerente do bar, o leitor terá muito o que lembrar quando deitar na cama e fechar os olhos por própria conta e risco.

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Aos Olhos da Morte Sobre o autor: M D A mad o é analista de s istem as. De s de 1996 m antém o s ite E stro nh o e Es qués ito, o nde o nde publica tex to s e curio s idade s , além de abrir es paço para e s crito res nacio nai s div ulgarem s e us trabalho s .

Ficha técnica:

Vaporpunk Autores participantes: Octávio Aragão Flávio Medeiros, Eric Novello, Carlos Orsi Gerson Lodi-Ribeiro Jorge Candeias Yves Robert João Ventura

Ficha técnica:

Editora: Literata Páginas: 122

Editora: Draco Páginas: 312

Sinopse:

Sinopse:

Quem nunca teve medo da morte? Ou estremeceu a simples menção dessa palavra? Descubra, através destas páginas, o quanto você teme o inevitável. Está preparado para enfrentar a morte? Se vista de coragem, familiarize-se com ela, mergulhe nestes parágrafos e descubra a dor e a beleza em cada conto. Sinta o hálito gélido da morte, encare seus olhos e deixe-se beijar.

Com força mundial, a estética steampunk vem angariando cada vez mais fãs brasileiros e portugueses. Seu apelo visual e o rico conteúdo inspirados no século XIX são o combustível certo para a produção de uma literatura que pode ser intensa, mas também descontraída.

Neste livro, M. D. Amado nos revela as várias facetas da morte e todos os sentimentos que provoca no ser humano: dor, ódio, medo, saudade, revolta... E amor. Tudo maravilhosamente escrito em 21 contos emocionantes e surpreendentes, sem limites entre o mórbido e o belo.

Descubra o que oito autores maquinaram nesse intricando conjunto de engrenagens que é a imaginação. Organização por: Gerson Lodi-Ribeiro e Luis Filipe Silva

Entre, seja bem-vindo. Afinal, a morte nos espera...

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Exatamente um ano atrás, na bienal do Rio de Janeiro, conheci pessoalmente vários autores que já faziam parte do meu círculo de amizades cibernéticas e com os quais, acabei criando um vínculo muito gratificante. Eram eles, James Andrade, autor de Getsêmani - A Verdade Oculta e Joaquim Modesto, - um dos aclamados autores do livro Amor Vampiro.

Saudações amados mortais!

Fui apresentada a eles em 2008 via internet, pelo também autor Nelson Magrini. Amigo e parceiro da “Tríade dos Imortais”, que divide com os dois, a administração do site Fontes da Ficção. Neste mesmo dia, onde descobri esses novos amigos, reencontrei também outros autores queridos, como Martha Argel, Giulia Moon, J.P.Balbino, Leonardo Brum, Gerson Couto e Higor Porto Montes. Não poderia deixar de citá-los, afinal eles já faziam parte do meu mundo “Fantástico”, por assim dizer. Mas, retomando... Dizia eu que conheci na bienal esses autores fantásticos, que já eram meus amigos virtuais. Em 2008 conheci uma parte do trabalho de J. Modesto, quando li seus textos no livro, Amor Vampiro.  Até então eu não havia lido nada de James, até conhecer seus textos, no Fontes da Ficção. Na verdade, eu só descobri o que ele representava  de verdade, quando no mesmo dia da bienal, comecei a ler seu romance, Getsêmani, que a propósito, levei 3 dias para terminar...uma leitura ávida e emocionante! James Andrade & J. Modesto, são na minha modesta opinião, exemplares de peso da Litfan nacional contemporânea e merecem nossa reverência e respeito, por suas trajetórias. Aconselho a todos vocês, adorados mortais...a mergulhar em uma viagem sem medo, pelas mentes fantásticas desses dois magníficos autores, exemplos de talento e criatividade, de nossa amada Litfan.

Seguindo a trilha que começamos na 1ª edição da FANTÁSTICA, retomamos agora, a trajetória dos autores fantásticos nacionais.  Começamos falando de André Vianco, Giulia Moon, Nelson Magrini e Martha Argel. Mas, além desses magníficos escritores, temos outros desta mesma geração de autores muito expressivos, que deram uma contribuição ímpar a nossa Litfan. 

A antologia Amor Vampiro e Kaori, de Giulia Moon, na Bienal do Livro 2009 (RJ) [Fonte: Adorável Noite] 85


J. Modesto Nasceu em 1966, na cidade de São Paulo. Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Belas Artes, resolveu transportar para as páginas a estética cinza das selvas de pedra. Desde criança, tem demonstrado profundo interesse por fenômenos sobrenaturais. Na literatura, o seu fascínio vem dos gêneros terror e suspense. Entre suas influências estão H. P. Lovecraft, Bram Stoker, Stephen King, Anne Rice, Mary Shelley e Edgar Allan Poe. Fã ardoroso de histórias em quadrinhos e literatura fantástica, decidiu transformar um de seus contos de horror em um romance, de onde deu origem ao livro Trevas. Seu segundo livro, Anhangá - A Fúria dos Demônio foi um dos destaques da Giz Editorial para a 20ª Bienal do Livro de São Paulo 2008. Nos primeiros dias após a fundação da vila de São Paulo de Piratininga, o Padre Jesuíta José de Anchieta tenta acalmar um indiozinho aflito que se escondera no pequeno barracão do colégio. O medo do maléfico demônio Anhangá é o motivo do pavor do menino de pele avermelhada. Com todo o carisma que possuí, o jesuíta acolhe o pequenino enquanto a natureza, lá fora, demonstra toda a sua fúria através de uma tempestade que castiga impiedosamente a vila, sem saberem que o Mal está bem próximo. Neste livro o leitor vislumbrará a maravilhosa narrativa acompanhando as aventuras e combates envolvendo tribos indígenas, feiticeiros, deuses e demônios numa terra ainda inexplorada.

James Andrade Nasceu em 1967, na cidade de Aparecida d´Oeste no Paraná. Desde muito cedo desenvolveu o gosto pela leitura. Fã de cinema, HQs e literatura de terror, sempre teve predileção por histórias que se aventuravam pelos tortuosos caminhos da religião e do misticismo. E agora resolveu, ele mesmo, trilhar estes caminhos. Com vários personagens bíblicos, revisitados sob a ótica dos textos apócrifos, o seu romance de estréia, Getsêmani - A Verdade Oculta (que teve seu pré-lançamento anunciado durante a II edição da FANTASTICON) é uma intrigante viagem a um dos momentos mais conhecidos e mal documentados da História. A história: ao despertar em uma cama de hospital e descobrir que está sem memória, um homem desconhecido inicia uma longa jornada em busca de seu passado. Uma aventura envolta em mistérios e perigos mortais. Caminhe lado a lado com este homem em sua árdua busca de si mesmo. Converse com intrigantes personagens, fuja de um inimigo implacável e não perca o sono com o que pode encontrar no fim da jornada. Beijinhos sangrentos e boa leitura. Por: Nana B. Poetisa, Celly Borges e Nelson Magrini

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Os Sete

O Turno da Noite Vol. 1

André Vianco

Os Filhos do Sétimo André Vianco

TOP - Mais lidos

leram

1

Eduardo Spohr

6

1226 leram

Sétimo

Sementes no Gelo

André Vianco

André Vianco

2531 leram

2

leram

A Casa

André Vianco

André Vianco

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3

Bento

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4

André Vianco

leram

leram

André Vianco

O Vampiro Rei Vol. 1 1391

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O Vampiro Rei Vol. 2

André Vianco

1700

7

1212

O Senhor da Chuva 2083

11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

Da queda do mundo ao crepúsculo do mundo

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9

leram

O Turno da Noite Vol. 2 Revelações André Vianco

5

955

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- O Turno da Noite Vol. 3 - O livro de Jó [André Vianco] - A Batalha do Apocalipse [Eduardo Spohr] - O Caminho do Poço das Lágrimas [André Vianco] - Os Vampiros do Rio Douro Vol. 1 [André Vianco] - Os Vampiros do Rio Douro Vol. 2 [André Vianco] - Amor Vampiro – Vários Autores [André Vianco & Martha Angel] - O Turno da Noite - Volume Único [André Vianco] - Um Mundo Perfeito [Leonardo Brum] - Kaori - Perfume de Vampira [Giulia Moon] - Anjo: a Face do Mal [Nelson Magrini]

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* Para estimular a interação entre autor e leitor, só são contabilizados livros cujos escritores possuam perfil no Skoob ** Contabilização fechada em 15 de setembro de 2010

Classificação das obras nacionais de ficção fantástica:

3900

A Batalha do Apocalipse

1897 vão ler

André Vianco

6

999 vão ler

O Vampiro Rei Vol. 2

André Vianco

André Vianco

vão ler

2

7

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Sétimo

Um Mundo Perfeito

André Vianco

Leonardo Brum

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3

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vão ler

O Senhor da Chuva

O Turno da Noite Vol. 3

André Vianco

O livro de Jó André Vianco

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4

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vão ler

O Vampiro Rei Vol. 1

O Véu

André Vianco

Willian Nascimento

1050 vão ler

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1

Bento

Os Sete 1490

TOP - Vou ler

Classificação das obras nacionais de ficção fantástica:

Visite o perfil da FANTÁSTICA no Skoob!

5

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- O Turno da Noite Vol. 1 [André Vianco] - O Turno da Noite Vol. 2 [André Vianco] - Diário de um Anjo [Mandy Porto] - Sementes de Gelo [André Vianco] - Amor Vampiro – Vários Autores [André Vianco & Martha Angel] - A Casa [André Vianco] - O Caminho do Poço das Lágrimas [André Vianco] - Rede de Sonhos [Felipe Pan] - A Caçadora - Sorriso de Vampiro [Vivianne Fair] - Os Vampiros do Rio Douro Vol. 2 [André Vianco]

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* Para estimular a interação entre autor e leitor, só são contabilizados livros cujos escritores possuam perfil no Skoob ** Contabilização fechada em 15 de setembro de 2010

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TOP - Desejados

O Silêncio das Mariposas

Classificação das obras nacionais de ficção fantástica:

Os Sete

Um Mundo Perfeito

André Vianco

desejam

Leonardo Brum

1

Sétimo

O Vampiro Rei Vol. 1

André Vianco

André Vianco

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O Senhor da Chuva André Vianco

205 desejam

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Bento 169 desejam

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desejam

O Vampiro Rei Vol. 2 André Vianco

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desejam

Amor Vampiro

André Vianco

Vários autores André Vianco & Martha Argel

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113

9

desejam

A Batalha do Apocalipse

O Caminho do Poço das Lágrimas

Da queda do mundo ao crepúsculo do mundo

André Vianco

Eduardo Spohr

160 desejam

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- Diário de um Anjo [Mandy Porto] - O Turno da Noite Vol. 2 [André Vianco] - O Turno da Noite Vol.3 [André Vianco] - O Turno da Noite Vol. 1 [André Vianco] - A Caçadora - Sorriso de Vampiro [Vivianne Fair] - Sementes no Gelo [André Vianco] - A Casa [André Vianco] - Crianças da Noite [Juliano Sasseron] - Os Vampiros do Rio Douro [André Vianco] - Os Guardiões do Tempo [Nelson Magrini]

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* Para estimular a interação entre autor e leitor, só são contabilizados livros cujos escritores possuam perfil no Skoob ** Contabilização fechada em 15 de setembro de 2010

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Resenha Skoober

274

Juliano Schiavo Editora: Multifoco

resenha por: Brum Niterói - RJ

Muito longe de ser apenas mais um romance vampiro – e nisso se deu minha vontade de lê-lo, pela proposta e pelo teaser divulgados –, O Silêncio das Mariposas tenta atrair o leitor pela abordagem das questões psicológicas, terrores e ansiedades no interior de uma personagem sem identificação por nome ou sexo. E de fato consegue. São só registros. Relatos, ricos em detalhes, das experiências vividas por um alguém que desde a infância é acompanhado pelos desejos característicos de cada fase da vida e contrastado com a obrigação de se encaixar em rótulos sociais. Com a intensa vontade de ir além do que se vê estampado nos rostos do grande Masquerade coletivo e motivado pelo sossego interior que almejava, esse indivíduo, que após encontrar uma face livre dos teatros da humanidade num vampiro e passar a viver num cenário de resquícios de vida em morte, agora experimenta as oportunidades de se libertar das cadeias de incerteza, medo e dor tentando dar silêncio à agitação de suas mariposas. Mariposas agitadiças que, na narrativa, são o retrato de um intrapessoal turbulento que havia sido comprimido numa máscara de adequação a visão alheia durante todo o tempo. Nas reflexões sobre os limites entre o frívolo e o virtuoso – e é nesse ponto inteligente que se dá o auge dessa obra -, de forma envolvente, o leitor é levado a examinar as relações onde personalidades são abafadas e diferenças sempre reprimidas pelo julgamento da sociedade que se alimenta de um silêncio falso expressado por cada um do coletivo. Pseudo-silêncio resultado dos padrões impostos que acabam por abafar a existência do individual. É interessante a mescla da busca por nomes como respostas aos questionamentos, resultados do conflito psicológico junto com a indução a refletir sobre a decadência da humanidade na falta de transparência e lisura. Diferencial que fez o livro ir além de ser só mais uma obra de romance. A ausência de nome e sexo da personagem principal – talvez um possível convite à auto-identificação por parte do leitor em alguns momentos da narrativa - pode causar certa sombra de confusão em alguns pontos da leitura, mas pela brevidade dessa estranheza, se acaba por provocar ainda mais a curiosidade devido as sacadas na dosagem certa do mistério que é constante. O jogo de detalhes nas descrições dos desejos, dos cenários e do estado de espírito das personagens é fora de sério. Apesar de confessar que, por algumas vezes durante a leitura, me questionei sobre a necessidade de tanta minúcia em certas partes, devo admitir que também foi nessa intimidade com os detalhes que eu me peguei envolvido do começo ao desfecho. É um livro que surpreende os que seguem com certa resistência a respeito de romances vampiros devido à quantidade incontável de boas produções atuais que invadem a literatura. 91


Quem tem imaginação?

Por Jow Cordeiro

CRIANDO TESTRÁLIOS

Quantos aqui, quando ouviram que uma pessoa próxima escreveu um livro, já disseram: “Nossa! Um livro?! Eu não tenho essa capacidade. Não tenho imaginação para isso”. Quem já fez isso, erga as mãos... E vejam como mostro que, FELIZMENTE, estão errados. Começo com uma pergunta simples, mas extremamente complexa: O que é importante em nossas vidas? O que te faz levantar da cama e seguir vivendo? Família? Saúde? Amigos? Não. Não sozinhos. O que faz cada um de vocês levantar de manhã para seguir o dia é a MOTIVAÇÃO! Um pai levanta e vai trabalhar com a Motivação de que voltará trazendo o dinheiro para o leite de sua família. Uma mãe levanta motivada a trazer o bem estar ao lar. Muitas vezes é o contrário. Sem drama. Um filho levanta pela manhã com a Motivação de um futuro promissor, e o orgulho dos pais, que tanto se dedicam com ele.

Alçando voos por universos fantásticos www.blogcriandotestralios.com

Claro que há outras fontes de Motivação, mas sem essas coisinhas simples da vida, para que viveríamos? A Motivação é o mais importante e a família e amigos são os nossos Motivadores... Nossa fonte de inspiração e Motivação. Um não funciona sem o outro. Percebam que são coisinhas mínimas e simples que fazem toda a diferença.

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É o mesmo na Imaginação.

Então vocês têm Imaginação.

Tem gente que acha que Imaginação é aquilo que se passa dentro de nossas cabeças. Tem gente que acha que Imaginação é aquilo que passa dentro das cabeças dos outros. Tem gente que acha que Imaginação é aquele arco-íris que aparece toda a vez que o Bob Esponja fala. Essas pessoas estão certas.

Para os que não estão muito certos que a Imaginação está em todos,

Imaginação é tudo aquilo que alguém é capaz de fazer. Seja em atos ou pensamentos. Afinal, é preciso Imaginação para escrever uma peça, mas também é preciso Imaginação para o ator conseguir transformar aquele palco em uma floresta, ou uma grande cidade, ou o céu rodeado de anjinhos.

Hum... E quem aqui sonha em quase toda a noite?

Já dizia o velho físico: Nesta vida, nada se cria e nada se perde. Tudo se... Copia, muito bem. Então usarei alguns exemplos que todos já ouviram:

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quem aqui dorme de olhos fechados [porque existem aqueles que você fala com ele, ele está te olhando nos olhos e, meia hora depois, ele te pede pra começar de novo porque perdeu o começo]?

Quem sonha de vez em quando? Quem sonha MUITO de vez em quando? Geralmente, os sonhos são coisas muito sinistras, não são? Tudo desordenado, com pessoas que nunca vimos na vida, fazendo coisas que

Tudo que construímos, começamos pela parte mais simples, ou a mais óbvia. Não adianta levantar uma casa pelo teto. Não faz sentido criar uma rede de esgotos se não começarmos pelos buracos, ou com a escolha dos canos adequados.

nunca fizemos... Fazendo coisas que nunca fizemos?! Vendo pessoas

“E como sei se tenho imaginação ou não?”, você me pergunta.

O que é o sonho, se não a forma mais simples de imaginar?

Simples: sejamos trágicos. Assim: Uma mulher está chorando em frente a uma casa desmoronada e você pergunta o que aconteceu. Ela diz que os dois filhos e o marido dela morreram.

Uma vez sonhei que era o Homem-Aranha... Mas não me lembro de ter

Quem pensou que eles morreram soterrados pela casa?

Mas enfim, na próxima edição, mostrarei alguns exercícios simples para

Quem pensou que morreram de alguma outra forma?

que exercitem sua imaginação...

Quem pensou nos sentimentos da mulher?

Garanto que funciona... Ao contrário de alguns shakes por aí...

Quem pensou que era uma pegadinha e sairia procurando a câmera escondida?

Texto por: Jow Cordeiro, colunista e crítico da Equipe CT

que nunca vimos?! Isso não me é estranho... Ah! Olha só, quem diria... Imaginação!

deixado metade da cidade cheia de teias...

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Falar de Bienal para viciados em livros como nós é como falar em “Copa do Mundo” para viciados em futebol ou visitar a “Fábrica de Chocolates” (acompanhada por Johnny Deep, claro!) para uma chocólatra.

P s ychobooks

Entendemos sua loucura!

A mágica que envolve cada esquina, cada corredor, cada estande é surreal. Uma mar de livros se segue nos formatos, cores e atrativos diferentes... Cada capa esconde um segredo, um mistério pronto pra ser revelado, desvendado pelo leitor que estiver em condições de pagar o preço de um sonho. E aí é que entra o nosso amigo (às vezes, nem tanto) dinheiro, e como ele nem sempre gosta de nos acompanhar onde vamos, muitos livros são deixados para trás, mas cada um que carregamos em nossas sacolas são tratados como relíquias e exibidos com orgulho. E não são só os livros que fascinam no evento! Os autores ao alcance de uma caneta e um autógrafo levam a Bienal a outro patamar de loucura. Ser abordado dentro de um estande de editora pelo autor de seu livro favorito é surpreendente e porque não dizer, mágico. E a tietagem rolou solta pelos corredores. Ficamos maravilhadas com as filas que se formavam para autógrafos. Nós também tivemos nosso momento “Blogueira famosa na Bienal” (aham.. Sonha...). Conversamos com alguns seguidores durante as semanas que antecederam a Bienal e resolvemos promover um Encontro. E nem imaginávamos a repercussão que esse Encontro teria. Na primeira semana, nos atrapalhamos um pouco e o Encontro foi bem corrido. Foram treze pessoas participando e quase todos saíram com um livro ganhado em sorteio.

Sim, se a capa da revista trata da Bienal, nada mais lógico que nossa conexão trate disso também, e nada mais claro que o enfoque seja voltado inteiramente para nós, blogueiras e ... ops... quero dizer... Nada mais claro que o enfoque seja voltado inteiramente pra a literatura nacional e o modo como ela foi citada e procurada nos corredores do evento. Bora?!

www.psychobooks.com.br 97


Na segunda semana estávamos bem mais preparadas. Foram trinta e duas pessoas que compareceram entre escritores, blogueiras e leitores do blog. Batemos papo, sorteamos livros, rimos, foi bem divertido.

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Apresentamos agora uma nova seção da Revista FANTÁSTICA. Trata-se da Conexão Alternada, um link entre revista e podcast onde Leandro Schulai, autor de O Vale dos Anjos e redator da FANTÁSTICA, e Thaís Fernandes, do blog Psychobooks, receberão e entrevistarão um blog literário. Enquanto a Revista apresenta de forma ligeira o blog convidado, o podcast entrevista e detalha o às vezes árduo caminho que os donos de blogs enfrentam. Nesta primeira edição do Conexão Alternada, convidamos Pâmela Gonçalves – dona e fundadora do blog Garota It -, para conversar e saber mais sobre sua trajetória no mundo dos blogueiros. Em outubro de 2009, Pâmela fundou o Blogando Livros, que foi o prelúdio do seu tão famoso Garota It, lançado pouco depois, em dezembro do mesmo ano. Após a mudança de nome no blog, Pâmela tratou de batalhar parcerias com editoras e autores nacionais, fazendo resenhas dos livros conhecidos pelo público como YA(Young adult), o que lhe rendeu uma ascensão rápida e inusitada. Com 19 anos e dona de um carisma ímpar, Pâmela além de cursar faculdade de Publicidade, tem um tremendo trabalho, pois administra o Garota It sozinha. Pode parecer pouco quando visto de fora, mas olhando mais atentamente vê-se toda uma junção de fatores e prestações de serviços, de dezenas de parceiros editoriais e virtuais, de uma infinidade de resenhas e promoções tratadas com atenção e mesura incontestáveis. Toda essa devoção explica-se pelo carinho que tem pelos livros, o que é no mínimo notável nos dias de hoje. No momento em que escrevo este pequeno artigo informativo, o blog Garota It conta com 1867 seguidores, uma média assombrosa de 750 acessos diários e 73 resenhas prontas para os leitores ávidos por informações literárias e novidades; nada mal para um blog com menos de um ano de vida. Para conhecer um pouco mais sobre o trabalho de Pâmela Gonçalves, a Garota It, ouçam o podcast Conexão Alternada abaixo e acessem www.garotait.com.br para prestigiar o blog. E depois de duas semanas a Bienal terminou... Fica aquela sensação estranha de perda, como se estivesse faltando algo, uma vontade imensa de voltar ao “Parque de Diversões Literário”. Agora só nos resta esperar o ano que vem. E que venha a Bienal do Rio de Janeiro. 98

Um grande abraço e até a próxima Conexão! Dhyan Shanasa

garotait.com.br

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por Edson "Druida das Pradarias" Lemes Júnior

Devido à falta de conhecimento e algumas vezes à falta de interesse dos próprios jogadores de RPG em explicar e ensinar como funciona uma partida, o jogo muitas vezes é rotulado como uma ferramenta de loucos, drogados ou até mesmo (devido a um erro grotesco da mídia) de satânicos e assassinos. Um equívoco muito grande, porém (e infelizmente) muito comum entre aqueles que desconhecem como funciona uma partida de RPG. O RPG é um jogo de interpretação de papéis e é exatamente o que nós fazemos o tempo inteiro – muitas vezes sem perceber. Quando você joga um vídeo game, por exemplo, está assumindo o papel do personagem principal daquele jogo e passa a controlar suas ações, correto? Quando lê um livro, passa a viver na pele do personagem principal, apesar de não poder alterar suas ações. Quando assistimos um filme, o mesmo efeito ocorre. Uma partida de RPG é exatamente isso, você assume o controle de um personagem fictício e controla as suas ações, fazendo o que acredita que ele faria baseado em sua história e personalidade. No RPG não há vencedores ou perdedores, os jogadores não jogam uns contra os outros e sim todos em favor de um objetivo único. Confuso? Vamos explicar melhor.

Como começar a jogar? A primeira coisa que você precisa pra começar a jogar é escolher um sistema de jogo. O sistema corresponde as regras que criam a física do mundo imaginário onde irão jogar. É através das regras do sistema escolhido que se sabe se um personagem foi ou não bem sucedido em determinada tarefa que ele execute.

“Como se joga uma partida de RPG?” Olá amigos leitores da revista Fantástica, nós da RPGBrasil.Org temos o prazer de retornar nesta 3ª edição da revista para falar sobre um pouco mais do jogo de interpretação de papéis conhecido como RPG. E nesta edição tentaremos explicar a você, amigo leitor, como funciona uma partida de RPG.

www.rpgbrasil.org

Exemplo: um jogador deseja que seu personagem dirija um carro. Ele irá verificar o valor de sua habilidade em dirigir carro (se este possuir a mesma), lançar os dados necessário e comparar com esse valor para saber se foi bem sucedido ou não. Dependendo de suas ações, ele poderá sofrer penalidades ou não em suas jogadas. Se ele deseja dirigir na contra mão, em alta velocidade, o teste será mais difícil e com isso ele sofrerá penalidades, diminuindo seu valor de habilidade em dirigir carros e aumentando as chances de falha. Atualmente existem diversos sistemas gratuitos na internet, os quais se pode baixar, imprimir e utilizar. Alguns deles são:

Tagmar

Old Dragon

Might Blade

Alchemia RPG

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A segunda coisa que você precisa fazer é escolher o cenário onde irá ocorrer as suas partidas de RPG. Mas como assim “o cenário”? Será que você irá precisar montar uma cidade cinematográfica no quintal da sua casa? Não, o cenário nada mais é do que a escolha do plano de fundo que usará em suas partidas de RPG. Por exemplo, se você deseja jogar com os Jedis, o cenário será a referência dos filmes de Star Wars e outras informações sobre ficção científica. O cenário pode ser qualquer estilo de jogo que você desejar. Pode ser o presente atual, para uma aventura policial, pode ser Londres de 1800 para uma aventura de terror, o Brasil colonial para uma aventura na época do descobrimento com os bandeirantes etc. Hoje existem diversos cenários disponíveis na web. O interessante de utilizar um cenário pronto é que você não precisará criar praticamente nada, você terá mapas geográficos, informações sobre locais importantes e sobre as pessoas que vivem nestes locais, isso facilita muito para jogadores iniciantes que ainda não tem muita experiência. Recomendamos o uso do cenário de Fantasia Medieval conhecido como ERA que o site da RPGBrasil. Org disponibiliza. A terceira coisa a ser feita é escrever uma aventura. Mas afinal de conta o que é uma aventura? A aventura nada mais é que uma história onde os personagens irão interagir entre si. É como se você escrevesse um livro ou um conto, porém definisse todos os possíveis rumos que esta história poderia tomar baseado nas ações dos personagens. Uma aventura raramente será linear, pois você dará a introdução aos jogadores e o desenrolar dela será baseado nas ações que estes jogadores forem tomar (baseado em seus próprios personagens). Exemplo de uma aventura: imagine se no filme Star Wars, O Império Contra-ataca. Se o Luke Skywalker fosse representado por um jogador, você teria de prever qual seria o desfecho da história se por acaso no combate entre Luke e Darth Vader, Luke derrotasse Vader. Como o jogo depende de dados, nem sempre podemos contar que aquilo que nós prevemos irá realmente acontecer. Por isso é necessário um Mestre (veja mais abaixo) para controlar a história.

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Você pode encontrar algumas aventuras prontas no site da RPGBrasil.Org, tais como:

A Alvorada de Sangue O Guardião de Zentar

A Torre de Yonat O Templo do Homem Cobra

A  quarta coisa a ser feita é montar o seu grupo de RPG, que serão compostos por vários jogadores e um Mestre. É possível jogar RPG com apenas duas pessoas, mas pouco provável. É comum termos grupos de jogos que variam de 5 a 10 jogadores. Um grupo de RPG é composto pelo mestre, que na verdade é o jogador com maior conhecimento do sistema a ser utilizado, conhece bem o cenário (ou é o criador do mesmo) e é aquele que fará ou controlará as aventuras. Desta forma em um grupo de RPG teremos: Um mestre, que é o jogador que conhece tudo que ocorrerá na aventura. É ele que irá coordenar as ações dos personagens e fazer valer as leis da física (ou aqueles que regem o cenário em que jogam) sobre as ações dos jogadores. É também o responsável por adaptar os possíveis facetas que uma aventura pode tomar, por isso ele tem de ser um grande improvisador e contador de história. Os mestres também representam todos os personagens não jogadores que aparecem na história. Exemplo: se um personagem pretende falar com um policial na rua, o mestre é o responsável por interpretar esse policial, dar a ele uma personalidade e realizar as ações que o mesmo irá tomar baseado na conversa com o personagem do jogador. Os jogadores são os personagens dentro da história. Eles vivem a história que o mestre conta para eles. Eles jogam em grupo e não uns contra os outros. No RPG não existe vencedores ou ganhadores, é como ler um livro ou ver um filme, no final o que todos procuram é a diversão, a emoção de passar por desafios e superá-lo. Por isso o mestre é responsável por criar estes desafios, mas dosáMesa de jogo los para que não tornem impossível para os jogadores e o jogo perca a graça. A  quinta coisa necessária é um lugar para se jogar e os materiais necessários para o jogo. Como o jogo envolve vários jogadores conversando por mais de 4 horas, nem todos os pais, esposas ou maridos aceitam que ele ocorra em suas casas. Mas

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existem livrarias nas principais capitais com espaço para se jogar RPG, agora se você não mora em uma capital e ninguém quer acolher seu grupo, você poderá jogar em praças da sua cidade. Afinal o RPG não exige nada além de sua imaginação. Os materiais necessários para se jogar são: Lápis, borracha, um livro do cenário utilizado e do sistema utilizado (ou vários livros) e as fichas de personagens (que podem ser folhas de papel) mas geralmente já são impressas ou xerocadas de acordo com o sistema usado. Veja alguns modelos de fichas de personagens:

Curiosidades sobre RPG: – Você sabia que o RPG aparece no filme ET o extra-terrestre? Isso mesmo, pouco antes do garoto sair de casa para pegar a pizza (que é pedida pelos meninos jogando RPG), seu irmão e alguns amigos estão em torno de uma mesa jogando nada mais, nada menos que o famoso D&D ou Dungeons and Dragons. – Você sabia que o desenho Caverna do Dragão (que de tempos em tempos pas-

Sistema GURPS

Sistema D&D

Equívocos sobre RPG: – RPG não mata ninguém, quem mata alguém são pessoas com distúrbios psicológicos. Acusar o RPG como uma ferramenta de assassinatos é o mesmo que acusar o futebol como ferramenta que causa a morte de pessoas fanáticas. Qualquer coisa pode tornar-se uma válvula de escape para a loucura de alguém. O problema do RPG é que a mídia, erroneamente, vinculou um assassinato ocorrido (e isolado) com o jogo. Para aqueles que não conhecem a história, acho que não devemos esconde-la e sim mostrar o que a mídia pode fazer com alguma coisa quando a matéria é mal formulada e falta conhecimento por parte do repórter. Clique aqui para ler a matéria. – O RPG é pouco conhecido porque é um sistema de jogo que exige leitura e imaginação, o que torna o jogo algo pouco atraente as grandes massas. E as mídias atuais focam nas grandes massas da população, por isso raramente vemos o RPG ser anunciado na TV. – RPG não é seita ou religião, é um Hobby como qualquer outro, como aeromodelismo, como jogar futebol, como colecionar selos, fazer tricô ou jogar vídeo-game. Jogadores de RPG também tem família, trabalho, estudam, namoram, ouvem música como qualquer pessoa.

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sa na globo) é baseado no RPG mais famoso do mundo: Dugeons and Dragons que teve seu nome adaptado no desenho para o Brasil. – Em 2009 alguns filmes trouxeram o RPG em suas histórias. Uma comédia chamada Modelos nada Corretos onde um dos protagonistas joga um tipo de RPG conhecido como Live (podemos falar mais sobre isso em outra ocasião) e a séria Terminator, The Sarah Connor Cronicles, onde a I.A. denominada de John Henry aprende a jogar D&D. – Você sabia que famosos como Stephen King, Vin Diesel, Ewan Mcgregor, Robin Williams e até mesmo o Leando Reis “Radrak”, jogam ou já jogaram RPG. Confira a lista de famosos que jogam clicando aqui! – Porque o RPG tem tantos dados diferentes? Isso se deve ao fato da probabilidade. Quando maior o número de faces um dado tem, menor a chance de se obter um determinado número. Veja uma matéria interessante sobre isso na revista DESBRAVADORES DE ERA 02. Para saber mais sobre RPG, aprender a jogar e ter acesso a materiais, visite ­­ www.rpgbrasil.org, a sua conexão entre a literatura e os jogos de RPG. O que gostaria de ver na próxima coluna? Clique aqui e vote!

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Mensagem de: Felipe Kurachima – São Paulo – SP Olá, pessoal da Revista FANTÁSTICA. Foi por esses dias que conheci o trabalho de vocês, mais especificamente no lançamento do livro O Vale dos Anjos, do Leandro Schulai. Primeiramente, os parabenizo pela extraordinária e linda iniciativa que tiveram e ainda têm. Venho por meio desta mensagem falar sobre um livro que foi lançado recentemente e que me agradou e acredito que agradará várias pessoas: Crônicas de Senhores de Castelo, de G. Brasman e G. Norris. Por ter gostado muito resolvi mandar essa mensagem para vocês, a fim de que ajudem a divulgar mais este lançamento de autores nacionais. FANTÁSTICA – Felipe, primeiramente, obrigado pelos elogios. É sempre muito bacana receber este retorno das pessoas que prestigiam o nosso trabalho. Particularmente admiramos muito esta motivação de fã que escreve para recomendar um livro que gostou. Achamos isso muito nobre e legal para a literatura como um todo. Então, Felipe, aí vai o seu comentário. Abraços.

Mensagem de: Luciana Waack – Guaratinguetá – SP www.lubedarte.blogspot.com Uma sugestão de matéria seria sobre temas visuais que envolvem a literatura fantástica, algo mais sobre o trabalho dos ilustradores, que está muito inserido no universo criativo dentro do tema. Além de escritora, sou também ilustradora na área de criação de personagem. Assim, falo como alguém que escreve e também desenha. FANTÁSTICA – Obrigado pela ideia, Luciana. Temos intenção sim de fazer algo em cima de ilustrações e capas, possivelmente será uma matéria de capa no futuro. Interessante o seu ponto de vista sobre quem escreve bem desenha bem. Não sei se é verdade (risos), mas no sentido de que quem escreve bem conseguiria desenhar bem, uma vez que ambos exigem atenção e detalhismo, creio que concordaria com você. Abraços.

Mensagem de:

Simone Saueressig – Novo Hamburgo - RS www.porteiradafantasia.blogspot.com Antes de mais nada, meus sinceros parabéns. A revista está muito, mas muito bonita mesmo! Dá gosto abrir o arquivo e folhear a FANTÁSTICA. E agora, que tal um artigo sobre Fantasia com elementos brasileiros? Afinal, nem só de dragões e elfos vive o mundo da imaginação, mas de sacis-pererês também... FANTÁSTICA – Simone, missão cumprida e matéria publicada. Toda a fantasia é válida sim, existem espaços para todos os gostos, inclusive para estes seres tão brasileiros. Há alguns autores que justamente foram para esta linha e exploram estes elementos fantásticos “brazucas”. Grande abraço e obrigado pela contribuição e os elogios.

Mensagem de: Fernando Heinrich – Sorocaba - SP www.fernandoheinrich.blogspot.com Quando recebi o alerta de e-mail indicando a nova edição da FANTÁSTICA, parei o que estava escrevendo e rapidamente fui conferir o conteúdo. A leitura fluiu rapidamente e nem vi o tempo passar. Hugo Fox está arrebentando com seu humor simpático e natural. A matéria sobre “O futuro dos livros na era digital” realmente foi muito bem escolhida e abordada como tema principal. Há ainda toda uma cultura, ou um hábito a ser criado para a leitura digital. A própria revista FANTÁSTICA usa esse, digamos, novo veículo - mas não tão novo assim -, para chegar a milhares de computadores e leitores. Obrigado por esse belíssimo trabalho que é a FANTÁSTICA. Um grande abraço! FANTÁSTICA - Fernando, obrigado pelas suas opiniões tão lúcidas e constantes, já estamos quase lhe considerando um membro oficial. O nosso repórter mirim, Hugo Fox, realmente sabe se expressar muito bem, nem parece a idade que tem. Estamos começando a achar até que ele mentiu sobre isso (risos). Esse assunto de livros digitais rendeu muito e agora é esperar para ver o que pode acontecer. Grande abraço e, mais uma vez, obrigado pelo elogio e perdoe-nos pela versão menor da sua resposta, mas você se empolgou no email (risos).

Envie-nos também sua mensagem! Clique aqui! 107


Resenha por:

Felipe Pierantoni autor de O Diário Rubro

Destaque da edição:

Crianças da Noite:

O mundo proibido dos vampiros! Autor: Juliano Sasseron Editora: Novo Século Ano: 2008 Páginas: 288

Preço:

22,60 reais

Com autógrafo e dedicatória exclusiva! 47% mais barato do que nas livrarias! O frete é incluso!

Antes de Crianças da Noite, nunca havia lido um livro sobre vampiros – okay, tirando a saga Crepúsculo. Assim, curioso por conhecer como esse tema era abordado “tradicionalmente” pela literatura fantástica, agarrei uma cópia da obra de Juliano Sasseron e mergulhei em suas páginas. O título, publicado pela Editora Novo Século, cobre a busca de um grupo de vampiros por inscrições antigas, chamadas de “documentos do Início”. São relatos históricos descrevendo as origens e profecias sobre vampiros, com informações tão valiosas que o material é considerado praticamente sagrado. Simultaneamente, enquanto essa trama se desenrola, o livro se abrange e engloba maiores escopos, cobrindo todas as práticas, rixas e disputas da sociedade vampírica, oculta para os mortais comuns. O foco da obra não está nos personagens, nem nos diálogos, nem nas descrições. O foco está na ação. Crianças da Noite corre em alta velocidade, com uma sequência de perseguições, batalhas, fugas e disputas. Às vezes, o leitor pode se sentir perdido ou lutando para acompanhar o ritmo, como alguém que acaba de saltar de um ônibus movendo-se rápido demais. Contudo, basta não se preocupar e se deixar levar pela corrente. A personalidade da obra é exatamente seu ritmo acelerado. A escrita de Sasseron é clara, mas de uma maneira curiosa. Não se perde tempo com longas descrições enfadonhas ou jogos de palavras desnecessariamente complicados. Simultaneamente, o autor faz questão de explicitar determinados detalhes da história, como o modelo do carro que um personagem dirige ou as especificações do revólver de outro. Essa maneira de descrever me agradou, pois, enquanto se poupava detalhamentos exagerados, o leitor ainda tinha acesso a essas pequenas informações que ajudam a tornar a história mais realista. Outra característica intrigante da obra é o fato de não existir distinções entre os mocinhos e vilões. Cada personagem luta por seus próprios objetivos, não sendo possível separar quem está certo ou errado. Falando em luta, isso é algo que o autor fez questão de não poupar. Brutalidade, sangue, membros dilacerados – os fãs de terror encontrarão tudo isso e muito mais. Crianças da Noite não segue os moldes usuais de acompanhar apenas um ou poucos personagens. O grupo principal da trama é amplo e em constante mudança. Se por um lado isso dificulta a identificação com cada um deles, por outro expande a história, dando a dimensão de grandeza necessária para transmitir a história de não só determinados vampiros, mas de todos eles. Com uma trama ágil e acelerada através do submundo urbano do Brasil e de outras localidades, a obra de Sasseron se mostra entretida para ambos: apreciadores de vampiros e leitores aficionados por ação. Se o leitor couber nas duas categorias, melhor ainda. Aperte os cintos e curta a corrida. 109


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Histórias, lendas e mitos por Dhyan Shanasa

Um relance de olhos sobre a origem dos seres fantásticos

Parte II Na última edição tratamos de elfos e dragões que são, de longe, ícones da Alta Fantasia. Desta vez entremos no mundo mágico – literalmente -, dos magos, bruxos e feiticeiros. Não há como negar que elfos e dragões sejam explorados vastamente no universo da Fantasia. Contudo, os magos não ficam atrás, e só não estiveram na última edição por questão de espaço editorial. Após essa pequena introdução sobre “porquês”, falemos de uma vez do que importa. Mago, bruxo e feiticeiro; há alguma distinção entre eles? Para alguns povos, os bruxos eram maus, os feiticeiros ardilosos e os magos eram sábios conselheiros de reis. Isso me intriga um pouco, pois tecnicamente eles são a mesma coisa. Eu disse “tecnicamente”...

Ilustração: John Howe 119


Magos, bruxos e feiticeiros Quando falamos em magos lembramo-nos de Merlin e sua capa azulada ou mais recentemente de Gandalf, o Cinzento. Quando falamos de bruxos e feiticeiros vem-nos a memória as bruxas dos contos antigos dos irmãos Grimm ou Harry Potter. Olhando por este prisma enxergamos muitas diferenças entre eles, mas nem só de literatura vivem estes sujeitos de poderosa magia.

Em vista disto, ponhamo-nos atentos. A casta sacerdotal da Pérsia Sassânida eram os Magi que além disso possuíam profundo conhecimento em química, física e astrologia. Na Renascença vivei um tal Heinrich Cornelius Agrippa que trabalhava como médico, advogado, astrólogo e com curas através da Fé. Rapidamente foi acusado de bruxaria e conseguiu mais inimigos do que aliados. Em 1529 publicou “Sobre a Filosofia Oculta” onde afirmava categoricamente que era mais simples alcançar Deus através da Magia. Como de praxe a Igreja declarou-o herege. Agrippa serviu para que Goethe se inspirasse em sua figura e construísse a peça Fausto, que, digase de passagem, é estupenda, e na qual um homem da Ciência faz um pacto com o Diabo – muito semelhante, aliás, ao pacto feito por Voldemort em Harry Potter.

O fato é que a palavra Mago (Magi), vem do persa e significa tanto “imagem” quanto “homem sábio”. Diz-se que no século IV A.C. os seguidores de Zaratustra eram chamados desta forma. O leitor desatento precisa saber que Zaratustra foi um profeta nascido na Pérsia. Mais conhecido por seu nome em grego “Zoroastro”, Zaratustra foi tão notório que Nietzsche escreveu sua tão famosa obra “Assim falava Zaratustra”, trazendo ao Ocidente toda os ensinamentos desse profeta antigo. A civilização helenista associava su“Mago” vem do persa jeitos com a habilidade de e significa tanto ler estrelas e manipular o destino aos seguidores de “imagem” quanto Zoroastro, chamando-os “homem sábio” Magi. Qualquer significado anterior ao período helenista é incerto e confuso.

Zaratustra, pintado por Rafael 120

Na Irlanda conta-se que Cliodna – uma maga -, era tida como a deusa da Beleza e outras coisas mais; conta-se que ela possuía três pássaros encantados que curavam os enfermos.

Cornelius Agrippa

Merlin

A feiticeira Circe

Podemos citar também o tão afamado Merlin que é considerado pelos entendidos como um dos mais sábios magos a pisar no mundo; um Bruxo-mestre. De acordo com a lenda ele foi conselheiro não só do Rei Arthur, mas também do Rei Vortigern e do Rei Uther Pendragon. Sabemos, contudo, que o Merlin que conhecemos é um personagem da Fantasia, muito embora possa ter sido baseado n’algum sábio da época. Há quem diga que ele foi quem colocou as pedras de Stonehenge no lugar, ou que vivia invertido, do passado para o futuro, posto que já conhecia o Futuro das Coisas.

E já que estamos na literatura, falemos dos magos criados por J.R.R Tolkien. No ­imaginário de Tolkien os magos eram uma raça. Chamava-os de Istari, os Enviados dos Valar. Eles mesmos, os Istari, eram de fato Maiar (semideuses), que com ordem de Manw�� desceram à Terra-média na Terceira Era encarnados para vigiar o Inimigo e ajudar os fracos homens daquela época. Eram cinco os Istari na Terra-média: Galdalf, o Cinzento, Saruman, o Branco, Radagast, o Castanho e os dois Magos Azuis que Tolkien pouco explorou em sua mitologia. De todos eles o mais conhecido foi Gandalf que era o portador do Anel Vermelho e que descobriu Na Odisseia de Homero, Ulisses encontra a tempo a existência do Um Anel nas mãos de Circe, que é apresentada como uma deusa que Bilbo Bolseiro, como é contado em O Senhor vive numa ilha perdida. Ela é, evidentemente, dos Anéis. Há quem diga que Gandalf era, em uma feiticeira que verdade, o Maia dos trapaceia Ulisses e o Sonhos, de nome prende, ­juntamente Lórien, apesar de ele com sua tripulação, mesmo não se atinar na ilha com a força para isso estando de um encantamenencarnado na Terrato. Contudo, como média. Homero nos conta, Ulisses resiste a este Em Harry Potter viencantamento, e no mos de forma ampla final consegue esa arte da bruxaria. Ao capar junto de seus longo de seus sete homens as garras da livros, J.K. Rowling Saruman terrível bruxa. criou um mundo de 121


Harry Potter e Alvo Dumbledore

O Mestre dos Magos

formas mágicas, feitiços variados e intrigantes onde Harry enfrenta inúmeros desafios para barrar Valdemort, o Senhor das Trevas. A figura emblemática do Bruxo-mestre está presente nessa obra na figura de Alvo Dumbledore, que lembra Merlin e Gandalf, respectivamente em conduta e aparência. Certamente Harry Potter resgatou o mito do bruxo e o trouxe aos moldes contemporâneos de forma que as pessoas não encarem feiticeiros apenas como sendo maus.

com poderes de se transmutarem em águias ou lobos e curar sua gente. Na literatura fantástica infantil, as bruxas são quase que unânimes em maldades. Se há um inimigo terrível, eis a bruxa! Os irmãos Grimm têm miríades de contos onde falam delas como trapaceiras de má fé que engambelam uma bela princesa, mas que são vencidas ao final, vindo em seguida uma “moral da história” de praxe. Branca de Neve é uma famosa história imortalizada pelos Estúdios Disney.

Mas não adianta, da literatura à cultura real, passando pelos jogos de RPG, desenhos animados, jogos eletrônicos e filmes, os magos são figuras poderosas e praticamente irrefutáveis em sabedoria. Quem não conhece o Mestre dos Magos de Caverna do Dragão? E quanto ao bruxo Gargamel dos Smurfs? Há centenas deles espalhados por nosso mundo imaginativo e em qualquer canto que olOs magos e bruxos, bem como feiticeiros, hemos, atentos, veremos alguém que se não estão sempre presentes na literatura da Alta for um mago ou bruxo, nos remete a eles de Fantasia. Não os vemos misturados aos vam- imediato. piros, não da forma como habitualmente os conhecemos. Nas culturas ao redor do mun- Assim são os seres criados no imaginativo hudo eles não são tratados da mesma forma e mano, que perduram por séculos misturados nomenclatura. Exemplo disso são os Xamãs a nossa cultura transformando-se em seguida dos índios norte americanos, que não deixam em mitos melancólicos que tanto temos prazde ser grandes magos ou feiticeiros; sábios er de ler e explorar. Atualmente o termo Mago refere-se àqueles que praticam magia ou ocultismo, mesmo não tendo nada de mágico e oculto nisso. Contudo, a palavra banalizou-se de tal forma que a usamos para denotar, por exemplo, um ás em determinada coisa. Dizemos que fulano de tal é um “mago no xadrez” quando queremos exaltar suas habilidades fora do comum.

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“ O declínio da literatura indica o declínio de uma nação.” Goethe

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