Page 40

História

Fotografia 1 - Troneira: orifício por onde disparavam os primitivos canhões, ou trons. Para a sua construção usou-se uma pedra ou estela funerária, (à direita), onde se pode observar, esculpida, uma cruz orbicular da Ordem do Templo.

Em demanda da primitiva Igreja Matriz de Santa Maria de Foxem Em 1261 D. Gil Martins de Riba de Vizela acordou com o bispo de Évora, D. Martinho Pires, a divisão dos rendimentos da refundada igreja Matriz de Santa Maria de Foxem. Na ausência de documentação que claramente localize esse templo na nova vila que então lentamente crescia, alguns autores supuseram-na no local onde esteve a ermida de S. João, hoje escola com o mesmo nome. No último destes artigos apresentámos alguns argumentos em que refutávamos tal possibilidade. Vejamos agora onde é que ela se poderia ter situado. Em artigo publicado no jornal local O Transtagano, em 1929, o erudito vianense Alberto Carvalho escrevia: “… existe um rude vão de mainel, da arte românica, tão rara no Sul, no ângulo interno, do caminho de ronda, a nordeste e sob o adarve oriental, pertencendo, como mostra a sua disposição, a fragmentos dum edifício anterior ao referido Castelo, bem como, à sua entrada, os capiteis, simbolizando os leões guardando a árvore da Vida, tema traduzido das sedas e tapetes persas, e mais a elegante porta de ogiva equilateral, do gótico primário.” A perspicácia de Alberto Carvalho fê-lo supor, e bem, que a construção logo à esquerda da entrada Norte do Castelo, onde esteve instalada a capela de Nossa Senhora da Assunção e que hoje se usa como Posto de Turismo, seria anterior à própria fortaleza. Com efeito o tal vão, ou janela, de arte românica, foi notoriamente entaipado com a construção do pano nordeste da muralha o que, só por si, significa que já existiria aquando da construção desta (fotografia 2). Para os leitores menos informados cabe aqui esclarecer que, de uma forma muito geral e no que respeita à sua arquitectura, o castelo e a igreja matriz se podem inserir no chamado estilo gótico; o estilo românico é mais antigo e, em Portugal, está mais presente no Norte. Por outro lado existem no castelo, embutidas nas tor-

40

res e fazendo o papel de troneiras, diversas pedras que mostram, gravadas, as cruzes orbiculares da Ordem do Templo e que, pelas suas formas, terão sido reaproveitadas de antigas estelas funerárias de sepulturas (fotografia 1). Os Templários existiram até 1312, ano em que foram suprimidos e, em Portugal, reformados por D. Dinis na Ordem de Cristo. As estelas funerárias serão, pois, anteriores àquela data, até porque a cruz usada posteriormente pelos cavaleiros de Cristo era diferente, ainda que dela adaptada, da dos Templários. Outras estelas, semelhantes, têm sido identificadas espalhadas um pouco por toda a Vila (fotografia 3). Aquando do grande vendaval do último Inverno, que destruiu alguns metros das ameias do lado de nascente, apareceram mais duas pedras, de feição igualmente funerária e que estavam incrustadas da parte superior do adarve. Todos estes indícios apontam no sentido de ter sido mesmo ali, naquela antiga pequena ermida, que se instalou a primeira igreja matriz de Foxem/Viana, com Santa Maria como orago. Isto sem prejuízo de, terminada essa função nos inícios do século XVI, com a construção da nova Matriz, o edifício ter conhecido muitas outras utilizações. Em seu redor distribuía-se o cemitério paroquial, hoje desaparecido mas do qual conhecemos, como vimos, muitas das suas antigas pedras funerárias; refira-se ainda que a natureza macia dos solos que envolvem aquele lugar,

Profile for Municipio de Viana do Alentejo Viana do Alentejo

Boletim Municipal de Viana do Alentejo Setembro 2013  

Boletim Municipal de Viana do Alentejo Setembro 2013

Boletim Municipal de Viana do Alentejo Setembro 2013  

Boletim Municipal de Viana do Alentejo Setembro 2013

Profile for 67482
Advertisement