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Saúde Animal

Foto cedida pela autora

Ser Ganadeiro – Criar Gado Bravo com Paixão “Ser ganadeiro é como ser artesão”, diz Pedro Abreu Clemente, proprietário da ganadaria Pedro Clemente, sediada em Reguengos de Monsaraz.

Até para nós, profissionais dos cuidados médicos, é difícil definir a rentabilidade de tratamentos numa raça que cada vez menos tem apoios.

Quando se tem 40 vacas no efetivo é fácil “ligar” os filhos às mães. Com efetivos maiores torna-se mais difícil. Na opinião deste ganadeiro é preferível não industrializar.

Falando de veterinária... Quando chamados para intervenções nas reses bravas, resumimo-nos a determinadas e escassas patologias e situações. Feridas provocadas por lutas, abcessos, problemas dermatológicos, tudo o que sejam afecções que motivam rejeição à inspeção de entrada nas praças de toiros. Na maioria das vezes é necessário sedar/anestesiar, quando não é possível levá-los à manga.

A genética, a identificação, o comportamento, o controlo diário de cada vaca é trabalho de paixão de cada produtor, contudo o papel do Médico Veterinário é importante neste acompanhamento. O gado bravo, seja em efetivo pequeno ou grande, deve ser acompanhado de perto. Identificar comportamentos a campo, de forma a conseguir loteá-las antes das “tentas” (altura na qual se testa a bravura das reses fêmeas) é o que ocupa grande parte do dia de observação. Conhecer cada vaca, identificar atempadamente alte­ rações de forma a poder chamar o Médico Veterinário prevenindo, assim, perdas no efetivo são atitudes essenciais para o sucesso de uma boa ganadaria. Aprofundando a genética... Determinadas características de comportamento e morfologia passam pela escolha afincada e determinada de mães e pais. Não quer dizer com isso que todas as vacas que escolhamos juntamente com os toiros que ficam para sementais com todas as características escolhidas originem bons bezerros. É necessário ir “refinando e apurando” a escolha. Infelizmente, hoje em dia, também há a necessidade de ir adaptando as características morfológicas e sobretudo comportamentais às exigências dos mercados, com isto quer dizer, dos toureiros. O público continua a gostar de ver toiros “à antiga”, é um facto, mas a falta de toureios a quererem pôr a “carne no assador” começa a ser evidente. Para nós veterinários de campo, amantes do toiro bravo, amigos do ganadeiro que há muito deixou de ganhar di­ nheiro com a criação deste exemplar, é dificil aceitarmos o rumo para o qual se dirige esta produção.

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Bons profissionais no maneio diário dos animais (os chamados “Maiorais”) é mais do que meio caminho para que tudo corra bem durante a sua criação. Estes, sim, são os importantes do dia-a-dia. São eles que são responsáveis por toda a criação, crescimento, treino, alimentação e bem-estar. São também eles os primeiros a detectar os primeiros sinais de mau estar de algum dos animais que vigiam com tanta dedicação. Assim, concluímos nesta pequena reflexão, que para além de todo o investimento tanto financeiro como pessoal e logístico que implica a criação do toiro bravo, é imperativo que haja o dito “amor à camisola”. Manter a tradição das corridas de toiros é o motor para que a raça se mantenha. Os médicos veterinários que se dedicam a este, também, nobre animal, é imperativo que ajudem os ganadeiros da forma que puderem. Um feliz ano de 2014 é o que vos desejo! Não se esqueça, para qualquer dúvida contacte sempre o Médico Veterinário. Drª Erica Rebelo Médica Veterinária Diretora Clínica de “Vivet Alentejo” *Este artigo não utiliza as normas do novo acordo ortográfico

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