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História

Figura 1 - Brasão municipal de Viana de Foxen, depois Viana do Alentejo.

Figura 2 - “Grosso” (moeda) de prata de D. Afonso V, de 1457.

A Herança dos Riba de Vizela AS ARMAS DA VILA DE VIANNA DE FOXEN O primeiro donatário da Vila de Viana de Foxen foi, como já tivemos ocasião de ver, D. Gil Martins de Riba de Vizela (1235-1274). Seguiu-se depois na posse o seu filho, Martim Gil (1255-1295) e, finalmente, o seu neto, de seu nome também Martim Gil, conde de Barcelos. Na ausência de descendência va­ ronil deste último reingressou na posse da coroa, em 1313, reinava então D. Dinis. Durante cerca de meio século a vila e o seu termo tinham permanecido nas mãos dos de Vizela. Da sua herança ainda se guardam hoje algumas memórias, a mais expressiva e visível de todas, sem dúvida, alguns dos elementos heráldicos que integram o brasão de armas do município vianense. Olhemos atentamente para o velho brasão em pedra que decora a parede principal dos antigos Paços do Concelho de Viana, na nossa Praça da República e que se pensa ser produção do século XV (figura 1). Foi obrado em baixo re­ levo, sobre uma pedra quadrada de mármore verde local, com cerca de 55 cm de lado. Inscritos num campo “cruciforme tetra-lobado”, isto é, uma cruz formada por quatro círculos, podem ver-se, ao centro, um leão, a que se juntam lateralmente duas cruzes e, por cima e por baixo, uma estrela dita de “Salomão”. Este formato “cruciforme”, derivado do símbolo sagrado dos cristãos, esteve muito em voga entre os séculos XII e XV, aparecendo tanto nas chancelas com que se validavam, sobre lacre ou cera, os documentos, como também em numerosas moedas que nesses séculos circularam. No primeiro caso, o mais famoso será provavelmente o sinal de validação dos documentos condais e régios portugueses de D. Afonso Henriques, datado de 1142 (figura 3). No segundo, a moeda conhecida popularmente por “grosso” de prata de D. Afonso V, de 1457, (figura 2), em que as cinco quinas que constituem as armas de Portugal se inserem num campo idêntico ao das nossas armas municipais. O leão central, em posição dita de “andante” e as duas

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cruzes, do tipo “pateado”, serão os elementos heráldicos presentes no nosso brasão que terão sido decalcados das armas dos Riba de Vizela, segundo opinião de Luís Gonzaga de Lancastre e Távora, expressa na sua obra O Estudo da Sigilografia Medieval Portuguesa (1983, p.127). O leão, figura principal das armas da ordem de S. Bento (figura 4), terá passado a constar nas dos Riba de Vizela a partir do momento em que o Mosteiro Beneditino do Pombeiro passou a integrar os seus bens, em 1102. O conjunto das armas de Viana é completado por dois signos de Salomão, também comummente conhecidos por “estrelas de David”. Testemunham a existência, logo na fundação da Vila, de uma expressiva comunidade judaica que se manteve, pelo menos, até aos inícios do século XVI. Recordemos que muito do repovoamento que se seguiu à reconquista dos territórios do Sul de Portugal, nos meados do século XIII, foi conseguido pelo recurso à deslocação de grupos de judeus. Para além de se evitar a sua excessiva concentração nas grandes cidades, conseguia-se também exercer sobre eles um melhor controlo, ao mesmo tempo que os emergentes povoados podiam tirar partido das suas capacidades empresariais e dos seus “cabedaes” (capitais). Na legenda externa do brasão da Praça pode hoje ler-se, a

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