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Espaço à Memória

Confraria do Santíssimo Sacramento de Aguiar Livros dos Irmãos 1680-1786

As antigas confrarias da vila de Aguiar As confrarias, que existem em Portugal desde a Idade Média, são organizações de cristãos que se foram formando espontaneamente, conforme as vontades locais, nas mais diversas terras do reino. Podem ser designadas pelo nome do santo sob a invocação do qual se colocam (ex. Confraria de São Pedro) ou usar a designação do fim religioso para o qual foram constituídas (ex. Confraria das Almas, se tinham como fim rezar pelas almas do Purgatório1). Muitas das mais antigas associavam indivíduos da mesma profissão (ex. Confraria dos Sapateiros) para as quais existiam também santos patronos2 que os membros de cada uma das confrarias veneravam. Estas associações tinham como fins garantir a entreajuda entre os confrades, promover o culto religioso (orações, missas, procissões) e, em muitos casos, ajudar o próximo (não confrade) através da gestão de albergarias (para acolher peregrinos) e hospitais (para doentes pobres); da distribuição de esmolas, de roupa e de alimentos aos pobres; da visita aos presos e aos doentes ou, até, do pagamento dos funerais dos indigentes. Todos objetivos imbuídos de 1 - A crença no Purgatório, lugar intermédio entre o Céu e o Inferno, desenvolveu-se no século XII. De acordo com a mesma, aí se purificam as almas que, não merecendo o Inferno, não podem, contudo, entrar no Céu sem expiarem a culpa. Rezar pelas almas que penam no Purgatório apressa a sua ascensão ao Céu e ao descanso Eterno.

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2 - Por exemplo, para o caso dos sapateiros, os santos patronos são S. Crispim e S. Crispiniano, dois irmãos que, tendo sido sapateiros e cristãos, foram martirizados pelos romanos por professarem a sua fé, o que fez com depois tenham sido canonizados. Na catedral de Portalegre existe uma capela dedicada aos dois santos cuja construção do retábulo foi paga pela Confraria dos Sapateiros da cidade.

um espírito cristão, dentro do qual as orações eram uma das ações de maior auxílio, sobretudo as rezadas pelos que já tinham partido deste mundo. Para a prossecução dos seus objectivos, nomeadamente de culto, e para maior promoção da devoção religiosa possuíam capelas ou altares. Estes espaços podiam estar sedeados em igrejas catedrais, na matriz de uma localidade, em igrejas paroquiais, em igrejas conventuais ou em ermidas rurais. Se a confraria fosse economicamente mais desafogada podia, inclusive, possuir igreja própria. A construção, o embelezamento e a manutenção destes edificados eram custeadas pelas confrarias, que nelas promoviam ações de culto em determinadas datas do ano, nomeadamente as relacionadas com a vida do santo patrono. Para a entreajuda entre os confrades, para o auxílio dos mais necessitados e para as despesas com obras e acções de culto, as confrarias administravam bens de diversa natureza: propriedades rústicas e urbanas, gado, rendas e foros. A origem deste património estava nas doações dos fiéis, sobretudo dos que eram membros destas instituições, que faziam doações em vida ou, mais comumente, por testamento. O objectivo fundamental de tais dádivas estava na solicitação de que, em troca e após a morte dos doadores, as confrarias mandassem dizer missas por sua alma, o que contribuiria para a sua salvação. As misericórdias, que surgiram em 14983, são também confrarias, imbuídas do mesmo espírito religioso, mas cri3 - A primeira misericórdia foi fundada em Lisboa em 1498.

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