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História

Escritura de partilha, entre D. Gil Martins de Riba de Vizela e o bispo de Évora D. Martinho Pires, dos rendimentos da Igreja de Santa Maria de Foxem, feita em 1261 - Arquivo Nacional da Torre do Tombo, “Gavetas I”, Maço 1, Número 9.

A “vila a que chamam de Foxem e o seu termo” Como tivemos oportunidade de ver no último destes pequenos artigos, o local onde hoje se ergue a vila de Viana do Alentejo era conhecido, em meados do século XIII, por Herdade de Foxem. Essa herdade foi entregue, em 1259, pelo concelho de Évora a D. Gil Martins - tudo indica que a mando de D. Afonso III -, a título de pagamento dos bons serviços que aquele terá prestado à Coroa. Durante cerca de cinquenta anos a terra ficou na mão da família dos Riba de Vizela. Foi a partir da divisão do imenso território da kwra islâmica de Yabura / Évora (ver artigo publicado no Boletim Municipal de Dezembro de 2012), que na segunda metade do século XIII surgiram novos concelhos: Alvito, em 1251, com uma doação de D. Afonso III ao seu chanceler Estêvão Eanes, alcançou depois, em 1280, um primeiro foral. Portel, concedido em 1257 pelos concelhos de Évora e Beja a D. João Peres de Aboim, recebeu deste e de sua mulher uma carta de foral, em 1262. Alcáçovas, com um primeiro foral a ser outorgado pelo Bispo D. Martinho, de Évora, em 1259. Ou Aguiar, com carta de foral de 1269, dada por Estevão Rodrigues e D. Marinha Martins. E muitos mais. O mesmo sucedeu, como já vimos, com o antigo concelho de Viana do Alentejo. Depois de ter recebido a herdade de Foxem de Afonso III, Gil Martins de Riba de Vizela terá logo tratado de a mandar povoar, uma vez que naqueles tempos só pelo trabalho dos homens uma propriedade poderia produzir riqueza – uma lógica hoje invertida por determinadas ins­ tancias que premeiam a ociosidade e o abandono da exploração da terra… Para a implantação da sede do novo concelho a opção tomada foi a da construção, de raiz, de um novo aglome­ rado populacional, em detrimento da continuação da

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ocupação do povoado existente na zona da Senhora d’ Aires. Para tal decisão devem ter contribuído, em nossa opinião, pelo menos duas razões: a primeira, a conveniência em situar a nova vila num local de fácil defesa, mesmo que para tal fosse necessário dotá-la de um perímetro de muralhas. Ora a (actual) herdade das Paredes, sendo uma zona plana e exposta seria, à partida, de muito mais difícil protecção. A segunda razão, porventura a mais importante, terá sido a facilidade do acesso à água – bem essencial ao desenvolvimento da comunidade –, de tal forma escassa nas Paredes que se tornou necessário aos seus antigos habi­ tantes conduzi-la para lá a partir da Fonte Figueira. Ao escolherem este pequeno e suave planalto no sopé da Serra de S. Vicente, rico em nascentes que corriam durante todo o ano, os fundadores de Viana garantiam ao novel povoado o fornecimento, ininterrupto e abundante, de água de grande qualidade. Da história dos primeiros tempos de vida da actual Viana do Alentejo pouco se sabe. Um documento que, contudo, oferece poucas dúvidas quanto à sua origem e datação é o da criação da que se pensa ter sido a sua primeira igreja matriz. Com efeito, em 30 de Abril de 1261, D. Gil Martins de Riba de Vizela, o primeiro senhor de Foxem, fez uma

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Boletim Municipal Viana do Alentejo Junho 2013  

Boletim Municipal Viana do Alentejo Junho

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