Issuu on Google+

952951_PT 05-08-2003 07:54 Pagina 1

Chove. Mil relâmpagos agitam o céu. Lila, a raposa, atravessa a planície a toda a velocidade. Procura um refúgio. Lá na quinta, claro, poderá abrigar-se ! Lila corre. Lila salta por cima do rio. Nesse momento, ouve uma vozinha. - Socorro… 1


952951_PT 05-08-2003 07:54 Pagina 2

Lila aterra na outra margem. Encharcada de água da chuva, volta para trás. - Alguém precisa de ajuda ? pergunta a raposa. - Socorro… Lila avista uma sombra. É a sombra de um pássaro. Tem umas patas enormes e um bico pontiagudo. Lila fica muito impressionada. - Socorro ! Socorro ! O salmão precisa de ajuda ! grita a garça. No rio, um enorme salmão sufoca. Tem os olhos tristes. Dir-se-ia que vai… Não, não é possível ! Lila salta para junto da garça.

2


952951_PT 05-08-2003 07:54 Pagina 3

- O que aconteceu ? pergunta Lila inquieta. - Socorro ! Suplica o salmão. Outros salmões… estão escondidos… ali... mais além… ah… no rio… na Nascente Vermelha… Eu vinha… procurar ajuda… ah… Lila fixa o salmão nos olhos. - Nós vamos salvar-te ! Tenho um amigo que tratará de ti ! Chama-se Toninho. - Toninho ? pergunta a garça. - Sim. Toninho. Vive nas margens do rio. Para aquele lado. Arranca-me uns pêlos ! ordena Lila à garça. - Hein ?

3


952951_PT 05-08-2003 07:55 Pagina 4

- ARRANCA-ME UNS PÊLOS ! grita Lila. A seguir, vais levá-los ao Toninho. Além. Mora na quinta casa da Cidade Merlim. Vai perceber que estou em apuros. Despacha-te, garça ! Por favor ! Senão o salmão vai… Oh ! Despacha-te ! A garça espeta o bico nos pêlos de Lila. Enquanto um relâmpago rasga o céu, bum ! a garça arranca três pêlos a Lila. Craque ! - Agora voa ! Voa até à Cidade Merlim ! E traz o Toninho ! grita Lila. A garça levanta voo. Passa no meio dos trovões. Um outro relâmpago rasga a noite. Não ! Não é um relâmpago. São os faróis de um automóvel. O automóvel pára ao pé do rio. Lila esconde-se. Saem três homens do carro. - Isto é uma catástrofe ! grita o primeiro homem. - Ainda é possível fazer qualquer coisa ! grita o segundo. - Rápido ! afirma o terceiro.

4


952951_PT 05-08-2003 07:55 Pagina 5

O primeiro homem tira um telemรณvel do bolso. Fala. Lila nรฃo ouve o que ele diz. Os homens voltam a entrar no carro, que se precipita a alta velocidade na noite. Lila estรก enregelada.

5


952951_PT 05-08-2003 07:55 Pagina 6

Nesse mesmo instante, a garça chega a Cidade Merlim. Conta as casas. Uma, duas, três, quatro e cinco ! É a casa do Toninho ! A garça espreita pela janela. Sim, Toninho está lá dentro, a dormir. A garça bate com o bico no vidro. Toninho avista-a. Abre a janela. A garça entrega-lhe os pêlos de Lila.

6


952951_PT 05-08-2003 07:56 Pagina 7

- Oh ! Isto são pêlos de… ! Lila corre perigo ? pergunta Toninho. - Não ! responde a garça. Mas precisa de ti ! Para salvar os salmões ! Segue-me ! Toninho enfia um casaco. Salta pela janela. A garça sobrevoa o rio. Toninho vai empoleirado nas suas costas. - Pronto, grita a garça ! É ali ! Ao pé da quinta ! - Lila ! grita Toninho. LILA ! Lila ouve a voz de Toninho. Um enorme alívio invadelhe a alma. Os olhos da raposa começam a brilhar de alegria. Lila volta-se para o salmão. - O Toninho chegou ! Em breve serás salvo ! A garça pousou. Encharcado, transido, Toninho corre para Lila. Toninho e Lila abraçam-se. Como é bonito o reencontro de dois amigos ! Muito rapidamente, Lila aponta para o salmão. - O salmão está doente, Toninho ! Se calhar o rio está poluído… - Que desgraça ! afirma Toninho inquieto. É preciso proteger o salmão desta catástrofe ! Seria boa ideia pôr o salmão num... num balde de água da chuva. - Há um balde no pátio da quinta ! responde Lila.

7


952951_PT 05-08-2003 07:56 Pagina 8

Toninho corre para a quinta. Pega no balde e levanta-o. Com dificuldade, transporta e coloca o balde mesmo ao lado do salmão. As pequenas mãos de Toninho envolvem o salmão delicadamente. Pronto, o salmão está a salvo, pelo menos por uns tempos. - Continuamos a precisar de ajuda ! diz Toninho. Toninho arrasta o balde até à quinta. Ufa, é pesado ! Toninho bate à porta. Alguém abre. É uma velhinha. - Oh, o que fazes tu aí fora, rapaz, a esta hora ? pergunta a senhora. 8


952951_PT 05-08-2003 07:56 Pagina 9

- É preciso dar o alerta ! A água do rio está poluída ! O salmão está doente ! É preciso tratá-lo ! - Mas que salmão, rapaz ? - O salmão que está no balde, ali ! A velhinha agarra num guarda-chuva e aproxima-se do balde. Toninho fala muito depressa. 9


952951_PT 05-08-2003 07:56 Pagina 10

- É preciso arranjar um refúgio seguro para o salmão. Podemos metê-lo na sua banheira ? - Banheira ? exclama a senhora. Mas... Eu não tenho água corrente aqui na minha quinta... Lavo-me com água da minha nascente... Não tenho banheira... - O quê ? Não tem banheira ? - Pois não, rapaz ! Nem torneiras ! - Quando eu for grande, venho instalar-lhe uma torneira, diz Toninho ! - Não preciso ! Eu cá arranjo-me muito bem assim...

10


952951_PT 05-08-2003 07:57 Pagina 11

- Não, não e não ! diz Toninho. Quando a senhora for muito, muito velha, precisará de uma torneira ! É que, se calhar, já não conseguirá ir até à sua nascente. - Isso é boa ideia… Vou ter muita sorte, pois disseram-me que muita gente no mundo não tem água ao pé de casa... Há crianças como tu, Toninho, que têm de andar quilómetros para irem buscá-la… - Minha senhora, rápido, precisamos de ajuda ! repete Toninho. - Ah, é verdade… Já ia esquecendo… diz a velhinha.

11


in l,stzg b d elch ao rm p e a o s m ru p  n u  vc.ih 

952951_PT 05-08-2003 07:57 Pagina 12

Av

.

- Bom ! V a minha cozinha e v grande panela...

- Numa grande panela ? repete Toninho inquieto. -A Vamos dar Ă gua da minha nascente.

12

!


É j iq d  th t se g u ru a m c o e q u n a s v lN . .  h  h C p g m o c z n a ie n r e p l v  fa d b  ‌ A ,r.O lg sa ‌

952951_PT 05-08-2003 07:57 Pagina 13

A velhinha agarra no balde e o grupo em peso Oh, a chuva parou ! As nuvens desaparecem. A Av -

A

. Por

el.

enta, - É ver e que lavo os responde Toninho. dentes tenho o cuidado de fechar a torneira. eciosa, como... ouro.

- Oh ! grita a v deixou de se mexer !

13


iD hq leup.iaP LÉod np o am elm rrstd svc g!bN g ,A icho… b tst?uuA p o n aad cnd!selhm vor

952951_PT 05-08-2003 07:57 Pagina 14

T assustados.

egalam os olhos,

- NÃO É POSSÍVEL ! grita Toninho. - NÃO ! grita Lila.

A

disca uma barbatana do peixe. .

- Hein ? O que se passa ? per

Bum ! Bum ! Bum ! Oh ! O que elos olhos da velhinha perpassa uma certa . Pelos vidros da janela, luzes laranja e pr azuis chegam dentro de casa. É a luz rotativa de um v . A velhinha abre a porta. T vestidos de branco entram na cozinha. Um deles . Us grandes botas.

eis pela Vimos preveni-la de um perigo ! e ter deitado produtos perigosos no sua nascente e provocar-lhe dores de barriga.

- Minha senhora

!

-

grita Toninho. Venham depressa !

14


o onith eqm puraote salm

952951_PT 05-08-2003 07:58 Pagina 15

T o homem olha para Toninho.

. Acocorado,

- Foste tu, rapaz, que troux ? pergunta o homem. - Sim, senhor‌

- Penso que lhe salvaste a vida‌

15


lu h tA

e p sr… n o a r.D m p o m e ,id .cn i… ltu … h  a s

952951_PT 05-08-2003 07:58 Pagina 16

De r -

tomar banho… na Nascente Vermelha…

O homem endir 16

dens com um ar severo.


i h b i  n a s e o r a p g o r a n e a m s g u a , d  t r p m s v c  o   l t g u f o ,jN d  s r le  i‌ a o m

952951_PT 05-08-2003 07:58 Pagina 17

-M da sua nascente ! Temos de a analisar o mais el ! Simples pr ! Max, el no nosso carro ! M ece alguns litros a esta senhora ! ascente Vermelha ! J . Temos de salvar todos os outr O homem quer agradecer a Toninho. - Chiu ! sussurra a velhinha. E

17


d izO EhU voj. o u sctrfelN apm .cisleajpnm

952951_PT 05-08-2003 07:58 Pagina 18

O sol nasceu. Toninho acor que ele socorr salvar todos os outr homens e mulher aproxima-se deles.

.F el m grupo de . Toninho

- Quando poderemos tomar banho no rio outra vez ? pergunta Toninho. - Calma, rapaz ! r É pr ! Isso leva tempo ! Calma... Sempre com pressa, hein ? Mas se tu nos ajudares...

18


d b tefaisp o erlim p vn rad s

952951_PT 05-08-2003 07:59 Pagina 19

- Ajudar-vos ? pergunta Toninho.

- Estou com uma certa fome ! diz o homem a sorrir. Toninho compreende. Precipita-se para a padaria da Cidade M com chocolate e vinte sumos de fruta: «É para os trabalhadores do rio !» exclama. «É a minha maneira de os ajudar !».

19


defatlb,im frta.N PozdeuLm god,scnilm srh‌ p sbilcO e

952951_PT 05-08-2003 07:59 Pagina 20

Do alto da colina, Lila contempla a Cidade Merlim. Avista Toninho de longe. O seu amigo corre carregado

transportar tudo aquilo gulhosa de ter um amigo como o Toninho. Porque sem o Toninho h ! Lila prefere nem pensar nisso. A raposa fecha devagarinho as e os seus olhos castanhos e pensa apenas: ÂŤObrigada, Toninho, por nos protegeresÂť. A Um lindo raio de sol atrav de todos, div -H

20

!

.


O Salmão da nascente vermelha_conteudo