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COISAS DE RAPAZES

N

inguém se lembrava de um início de Julho tão quente. O ar estava parado e era preciso aspirá-lo com força para se poder respirar. Nas ruas via-se pouca gente mas, em contrapartida, na praia da Marginal, onde corria uma brisa muito leve que espalhava no ar o perfume dos cremes e dos bronzeadores, quase não havia um metro quadrado de terreno livre para estender uma toalha. – Vou tomar banho ou ainda fico grelhado – disse o Jorge, a sacudir a areia das costas. Depois, deu uma palmada nas costas do Joel, que estava ao lado, e levantou-se para inspeccionar o areal. – Já viste bem a paisagem aqui à volta? É só saúde! Olha aquela com o biquini branco que vai a entrar na água… – Qual? – perguntou o Joel, à procura dos óculos na areia. – Ah! É bestial, mas um bocadito magra de mais… Preferia a loura que está a jogar jet-ball. – É gorda! – Qual quê! Tem tudo no sítio e eu gosto de ver carne, ossos já tenho eu! E ela não é gorda, tem as formas suaves, arredondadas… É como eu gosto! – Vamos até lá? Conheço uma das miúdas do grupo e podemos meter conversa facilmente. 7


– Não! – resguardou-se o Joel, à procura do relógio dentro de uma sapatilha. – Já te disse que tenho de estar em casa às seis. Ah! Já são seis horas. Que chatice, a esta hora já o avião do meu pai chegou ao aeroporto. Vou andando… – Deixa-te estar. Ele não foge. Quando chegares a casa, ele lá está… – Não posso. E já estou farto disto. Está muita gente, muito calor, tenho a certeza que se está melhor à sombra. Até logo. O Jorge fez um gesto de enfado e foi juntar-se ao grupo de surfistas, onde estava a Joana, enquanto o Joel agarrava os jeans, a t-shirt e as sapatilhas e partia em ziguezague pelo meio das toalhas e dos guarda-sóis. Já na rua, calçou as sapatilhas e lançou um último olhar à praia e à rapariga loura. E foi a pensar nela que desceu a Avenida Marginal, em direcção à paragem do “92”, mesmo por detrás dos luxuosos prédios de apartamentos daquela avenida. O velho largo tinha o cheiro habitual a fruta podre, por causa da feira de legumes de todas as manhãs. Por isso, o Joel passou ao lado das bancadas vazias com uma mão a tapar o nariz. Era melhor, no entanto, que a trouxesse na cabeça, porque veio pelo ar um tomate meio desfeito e aterrou-lhe em cima. Ele olhou à volta, espantado, e reparou que o tomate tinha vindo de um terreno baldio que havia em frente. Foi até lá e espreitou no sítio onde havia várias tábuas partidas. Mas fê-lo na pior altura e teve de se desviar para não ser atingido por um dióspiro podre, que se esborrachou logo a seguir contra um poste eléctrico. E atrás do dióspiro veio metade de uma meloa. Que seria aquilo? Aparentemente, tratava-se de um bombardeamento ou de um fuzilamento. Seria ele o alvo? Quando o bombardeamento parou, o Joel voltou a espreitar. Do lado de lá, havia um terreno largo, aplainado para a construção. No centro, erguia-se uma altíssima grua amarela e, amarrado a ela, com cordas, estava um rapaz franzino que aparentava ter nove ou dez anos. Afinal, era ele que estava a ser “fuzilado”. 8


O rapaz tinha um lenço a tapar-lhe a boca e apenas gemia aflitivamente. Em frente a ele, estavam três outros rapazes da mesma idade. Eram eles que lançavam as frutas podres na direcção do condenado e, como estavam lado a lado, lembravam um pelotão de fuzilamento. O Joel não queria acreditar no que via: o fuzilamento de um inocente com legumes. Não se conteve e foi até lá, muito decidido. – Que merda é esta? – perguntou ele ao lado do prisioneiro, que gemia ainda mais alto na ânsia de ser libertado. Os elementos do pelotão, quando se viram descobertos, pousaram os tomates que ainda tinham na mão e bateram em retirada. Só um deles, o do meio, não tinha pressa. Era o mais forte e talvez fosse o comandante daquele estranho grupo. Só era pena que gaguejasse um pouco: – Que m… me… merda é esta o… q… quê? – disse ele a olhar com desprezo o Joel, de longe. – O q… que é que tens a ver com isto? Ainda é… és muito novo para te ar… ar… mares em paizi… nho. – Pois claro! – disse outro, ganhando coragem. – Nós somos uma sociedade secreta, temos o nosso território e as nossas leis, e aí o Bebé sabe bem quais são. Se não quer ter problemas que não meta o nariz onde não é chamado. O Joel estava cada vez mais espantado e olhou para o tal Bebé, que aparentava ter, pelo menos, nove anos. Depois, começou a desamarrá-lo e o rapaz que gaguejava aproximou-se para fazer uma última ameaça: – Desta v… vez f… foi assim mas para a pró… próxima é com ovos. Ou… ouvis…-te? O Bebé soltou uma blasfémia horrível logo que o Joel lhe tirou o lenço da boca. E acrescentou, aos gritos: – Hei-de subir à grua sempre que me apetecer e sempre que puder. Ouviram? Seus merdas! Julgam-se o quê? Os do pelotão de fuzilamento já iam longe e não o ouviram. Talvez por isso o Bebé mostrasse tanta coragem. Era um rapaz 9


baixo e franzino, mesmo para a idade dele. Tinha um ar frágil e uma voz fina e talvez por isso lhe pusessem a alcunha de Bebé. Só o cabelo negro, espetado no ar, é que lhe dava um ar de coragem e de rebeldia, que realmente tinha. O Joel olhou para ele, à espera de uma explicação, mas teve de esperar que ele sacudisse as grainhas da fruta, sempre a injuriar os outros três. – Quem são eles? – perguntou o Joel. – São o Grupo da Chave. Uma seita secreta, não ouviste? – Qual chave? – A chave da grua! – Qual grua? Desta vez, o Bebé não respondeu porque o Joel estava encostado à grua. Limitou-se a sorrir e a abanar a cabeça. – E para que diabo serve a chave da porcaria da grua? – voltou o Joel, impaciente. – Sim, afinal para que querem vocês chegar lá acima? – Ai, ai – suspirou o Bebé a olhar para as traseiras do edifício de apartamentos que havia do outro lado da rua. – É o panorama, a paisagem que se vê lá de cima. É espectacular. O Joel não percebeu à primeira. Olhou então para a torre de apartamentos com atenção. A cabina da grua, lá em cima, era como um miradouro sobre todas aquelas janelas. Seria esse o tal panorama espectacular de que falava o Bebé? – Não estou a perceber – disse o Joel, a fingir ignorância. E o Bebé explicou-se. Os outros tinham arranjado uma das chaves da grua e usavam-na como posto de observação depois das cinco, quando já não havia gente na obra. O Bebé descobriu e tentou juntar-se a eles. Mas os outros não o aceitaram. Agora tinha sido apanhado a forçar a entrada, que só era permitida aos três membros da seita. E pronto, o resto já o Joel sabia. O Bebé foi julgado e condenado. Depois, foi fuzilado com fruta podre como mandavam as leis da seita. – Muito interessante! – disse o Joel a abanar a cabeça quando já iam os dois a caminho, em direcção à Avenida Marginal. 10


– E tu achas bem, andarem a espreitar para dentro das casas das pessoas? – Eu não tenho que achar bem nem mal. Tenho nove anos e faço o que posso. E não digas que me vais pregar uma lição de moral, pareces o meu velhote! E o meu tio, e o meu padrinho. São todos iguais! Para eles, sexo é um assunto para maiores de cinquenta. – Bem, cinquenta anos é um exagero, mas tu ainda és muito novo, até te chamam Bebé e tudo. Afinal, o que é que tu queres saber? – Tudo. Quero saber tudo. Uma vez fiz uma pergunta directa ao meu velhote… – E ele? – Deu uma grande gargalhada. – E depois? – Deu outra gargalhada. – E não disse nada? – Nadinha! – É. Às vezes os velhotes são assim mesmo. O Joel já tinha dúvidas sobre o que estava certo ou errado. E cada vez achava mais graça ao Bebé. Tentou lembrar-se de como era quando tinha a idade dele, mas não se lembrava de quase nada. Entretanto, tinham chegado à esquina da Avenida Marginal e era aí que se deviam despedir. – Ouve lá! – disse o Joel. – Há seitas onde o novo membro tem de fazer uma oferta para ser admitido. Porque é que não arranjas qualquer coisa que interesse a esses três parvalhões? Sabes como é, se não os podes vencer, junta-te a eles. – Mas o quê? Já tentei com um livro sobre sexo, que havia lá em casa, e não deu resultado. Quer dizer, nesse dia deixaram-me subir lá acima com eles. Mas foi a única vez. Também o livro era chato. Manual de não sei quê sexual. Terapia… “Manual de Terapia Sexual”, foi o que consegui arranjar. Mas era muito complicado. Às tantas, começámos a teimar uns com os outros por causa do “clítoris”, por causa da “frigidez” ou lá o que é isso, e 11


por causa da “impotência”. Diz-me lá tu: “impotência” não é quando nós, homens, temos potência a mais e… – Nós, homens? – interrompeu o Joel. – Claro, que eu saiba ou se é homem ou se é mulher. E eu ainda há bocado tive a certeza do que era. Eles acertaram-me com um tomate aqui… aqui em baixo. Ainda me dói… O Joel riu-se muito alto. Aquele Bebé era realmente engraçado. E muito precoce. Mas estava enganado. – Impotência é quando os homens, “como nós”, não têm vontade – esclareceu o Joel. E o Bebé abriu a boca de espanto: – Não têm vontade? Porquê? – Sei lá – disse o Joel a olhar à volta, muito embaraçado. De qualquer modo, estava na altura da despedida. – Adeus! – disse o Bebé, a estender-lhe a mão. – Foi um prazer! – respondeu o Joel com verdadeira sinceridade. E voltou as costas, partiu a correr em direcção à paragem dos táxis. Atrasado como estava, só podia ir de táxi. Mas, ao terceiro passo, parou. E voltou-se de repente: – Descobri! – disse ele muito sorridente. O Bebé não percebeu, mas aproximou-se outra vez. – Descobriste o quê? – Já sei do que precisas para eles te deixarem entrar no grupo. – Revistas da Playboy? – arriscou o Bebé. – Nada disso. Tens de arranjar uns binóculos!

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UM ESTRANHO ACONTECIMENTO

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ns binóculos…! – murmurou o Bebé, com os olhos postos no vazio. – Como é que eu não me lembrei há mais tempo? O meu tio Henrique tem uns, talvez mos empreste. E assim é garantido, eles têm de me admitir. Já viste como vai melhorar a nossa visão lá em cima? És o meu salvador. Hoje já me salvaste a vida por duas vezes e eu ainda nem sequer sei o teu nome… – Joel – disse o Joel. E escreveu o número do telefone dele numa senha de autocarro que estendeu ao Bebé. – Já que sou o teu salvador, telefona-me a dizer se deu resultado ou se ainda precisas de salvação. O Joel olhou para o relógio e ficou horrorizado: já eram seis e meia. Se o avião que o pai pilotava tivesse aterrado à hora ele já devia estar em casa. Olhou para a rua à procura de um táxi, mas não viu nenhum. E as surpresas ainda não tinham acabado. – Ah! – gritou o Bebé, a apontar para um “Rover” preto que tinha estacionado em frente à porta principal de um dos maiores prédios de apartamentos. – Que foi? – perguntou o Joel. – Outra boa notícia – disse o Bebé, sem tirar os olhos de uma mulher lindíssima que saiu do carro com uma mala e uma pequena estatueta na mão. 13


Ela baixou a cabeça à altura da janela da porta da frente e ficou dobrada a conversar com o condutor, que não se distinguia por causa dos reflexos do Sol no vidro. – Não há dúvida, a minha sorte está a mudar – acrescentou o Bebé. – Já resolvi o problema da entrada na seita e agora chega a “chinesa”. Tu já viste bem? Aquilo é que é uma mulher! O Joel olhou melhor e concordou imediatamente. Aquela mulher tinha um rosto lindo, mesmo visto de perfil, com um toque exótico e oriental devido ao desenho dos olhos e da boca. Talvez por isso os rapazes lhe chamassem a “chinesa”. Os cabelos eram negros, muito lisos, cortados pelos ombros. E o vestido branco, quase colado ao corpo, realçava todas as formas do seu corpo. – É uma obra-prima da Natureza – disse o Bebé a olhar, extasiado. – É modelo. Famosa. Trabalha no estrangeiro e tudo, anda sempre em viagem. Mas, quando cá está, o espectáculo da grua melhora logo. Os tipos da seita dizem que ela faz ioga nua… – O quê? – perguntou o Joel meio distraído. Não estava a dar atenção ao Bebé nem à “chinesa”, mas ao “Rover” preto, que lhe era familiar. Entretanto, a mulher despediu-se do condutor e agarrou a mala com a mão esquerda, já que continuava a abraçar contra o peito, com a outra mão, uma pequena estatueta. O carro arrancou para a frente uns dois metros, inverteu a marcha e passou para a outra faixa. Fez a curva muito perto deles, e puderam ver o homem que ia ao volante. – Quem será este morcão? – perguntou o Bebé. – É o meu pai! – respondeu o Joel. E não chegou a fechar a boca. Ficou ali assim, paralisado pela surpresa e pela rapidez daquilo tudo. Houve um instante em que ele podia ter acenado para o pai, mas não reagiu. Quando deu sinal de si, já o “Rover” ia ao fundo da avenida. – Desculpa, não sabia que era o teu velhote – disse o Bebé. – E nem sequer é assim muito morcão… Mas de onde é que ele conhece a “chinesa”? 14


– Sei lá! Nem sabia que ele a conhecia – respondeu o Joel ainda meio atordoado pela surpresa. O pai era um viúvo alegre, mas empedernido. Ninguém lhe tinha conhecido uma mulher desde que a esposa faleceu. Mas, enfim, era um homem e um homem ainda novo, apesar do Bebé lhe chamar velhote. “Talvez ela fosse apenas uma amiga da TAP”, pensou o Joel, “ou uma pessoa que ele conheceu durante a viagem, uma relação sem importância.” Voltou a despedir-se do Bebé e preparou-se novamente para partir. Mas o movimento continuava. – Olha! – gritou o Bebé, a apontar para a porta do prédio. Quando a mulher ia a entrar, um homem que passava deu-lhe um encontrão e depois tentou arrancar-lhe a estatueta. Ela resistiu, apesar de ter caído nas escadas de pedra da entrada, mas o homem era forte e arrancou-lha das mãos. Só que a largou no instante seguinte, porque foi agarrado por um brutamontes que veio não se sabe de onde. Parecia um filme. O ladrão tentou libertar-se do brutamontes e conseguiu. Chegou à berma em dois saltos e subiu para o banco de trás de uma mota “Harley Davidson” onde já estava sentado outro calmeirão barbado. A “Harley Davidson” saiu dali a voar e desapareceu num instante, pelo meio das duas faixas da avenida. O brutamontes que defendeu a rapariga ainda veio a correr até à berma, mas já não podia fazer nada. E limitou-se a levantar uma velhinha que o outro tinha derrubado. – Tu viste aquilo? – disse o Bebé. – Eu sempre disse que esta tipa era esquisita. Tudo aquilo se passou em poucos segundos e, apesar do movimento da rua, ou talvez por isso, poucas pessoas se aperceberam. Os rapazes aproximaram-se mas, quando lá chegaram, já a “chinesa” tinha entrado no prédio. O brutamontes salvador também já tinha desandado dali. Seria alguém que ia a passar? E porque quereriam os outros a estatueta? Se fossem ladrões vulgares, talvez se tivessem interessado mais pela mala. 15


À porta do prédio, ficaram meia dúzia de pessoas que discutiam o incidente com o porteiro. Para eles, tratava-se apenas de mais uma das muitas tentativas de roubo por esticão que havia naquela zona. Mas seria assim? O Joel tinha algumas dúvidas. Mas não houve tempo de as discutir. Naquele momento passou um táxi livre e ele pôs-se a esbracejar no meio da rua. Finalmente ia sair dali. – Estou ansioso por falar com o meu pai – disse ele ao abrir a porta do táxi. Daí a dez minutos chegava a casa e lá estava, estacionado à porta, o “Rover” preto do pai. Já em casa, ouviu a reprimenda habitual da tia Edite por causa do atraso. Mas não parou sequer e foi direito ao quarto onde o pai ainda desfazia a mala. – Então, velhote? – disse ele, abraçando-o junto ao guarda-fatos. – A viagem foi boa? Desculpa o atraso, tive vários acidentes no regresso da praia. E se soubesse que passavas tão perto tínhamos marcado lá um encontro. Eduardo Calafate atirou a camisa que tinha na mão para cima da cama. – Como é que sabes? Viste-me? – Claro, eu vejo tudo. E não se pode dizer que fosses mal acompanhado – respondeu o Joel com um sorriso malicioso. O pai corou. Era a primeira vez que o Joel o via assim tão embaraçado. – Viste-a? – perguntou ele, a medo. – Se vi, pai. Vi a “chinesa” e ainda mais alguma coisa… – A Silvana não é chinesa. É portuguesa, nascida em Macau, filha de pai português e de mãe chinesa. É modelo, faz passagens de moda e fotos de publicidade, mas é uma mulher inteligentíssima e muito culta. É espantoso o que ela sabe sobre arte chinesa e africana, sobre os impressionistas franceses e sobre os expressionistas alemães. – Quem diria! – interrompeu o Joel. – Uma mulher tão bonita… 16


– É verdade – confirmou o pai, cada vez mais entusiasmado. – Aquela mulher é a prova de que Deus existe. – Ei lá! – disse o Joel, a tentar pôr água fria naquela fervura toda. – Já percebi que não és cego, pronto. Mas o que é que Deus tem a ver com isso? – O que tem a ver? Não me digas que ainda não reparaste que as raparigas mais inteligentes e mais interessantes são, quase sempre, as mais feias? E que as outras, as bonitas, são só bonitas, mais nada. Até dá para duvidar que Deus exista… – Estou a ver – voltou o Joel, antes que ele começasse outra vez a divagar. – Mas, onde é que a conheceste? O pai sentou-se na cama e ficaram os dois da mesma altura. – Conheci-a em Moscovo, há dois dias, numa exposição de arte moderna, no meu hotel. Santo Deus, o que ela sabe sobre arte… E sobre poesia? Tu acreditas que ela cita de cor poetas chineses do século I e do século II? Não é incrível? Começámos a conversar e, vê lá tu a coincidência: ela regressava no voo do dia seguinte, o que eu pilotei. Não foi uma sorte? – E… – disse o Joel, a torcer o nariz. – Talvez a tua sorte esteja a mudar. E depois, que aconteceu? Conta, conta…

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