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Butterfly Chronicles – Crónica Primeira: Hanako ficheiro QA_ButterflyChronicles1_PT_v05.pdf autor João Mascarenhas revisão e paginação Qual Albatroz fontes Astro City Int e Swis721 formato PDF

título original

Oeiras, Agosto de 2013 978-989-95581-8-2

edição digital isbn

É muito fácil piratear os nossos ficheiros, mas ainda assim a maioria dos nossos leitores oferece-nos o seu precioso apoio, e nós estamos gratos por isso. Pode comprar os nossos livros em www.qualalbatroz.pt/qualoja

©2013, Qual Albatroz, Lda.

www.qualalbatroz.pt ninho@qualalbatroz.pt


Prefácio Ciência. Ficção na ciência. Humanidade. Condição humana. Memória. Preservação da memória. Memória de um indivíduo, memória de uma espécie. Salto no conhecimento, máquina, (i)mortalidade… Tópicos sobre os quais sempre reflecti. Não gosto do ciclo vital que caracteriza a espécie humana – embora ele seja comum à maioria das espécies que habitam o planeta. Eu explico: enquanto jovem, o ser humano está no auge do vigor e da energia física, as suas “asas” são do tamanho do mundo. Porém, na altura em que poderia lançar-se em altos voos, faltam-lhe algumas qualidades que só a experiência de uma vida lhe poderá conferir. Inversamente, no crepúsculo da vida, quando essa experiência foi adquirida, o homem já não tem as asas que finalmente lhe permitiriam voar em pleno, transcendendo os seus limites. É o exacto contrário das borboletas. Com efeito, estas, no início das suas vidas, são seres de mobilidade limitada, mas os seus horizontes e capacidades logo se ampliam com a sua metamorfose alada. Como eu gostava que fôssemos como as borboletas… Nestas Crónicas, as várias personagens vão lidar com algumas destas questões e trilhar novos caminhos, promovendo um salto no conhecimento. Não serão estes saltos afinal (alguns deles inicialmente meras especulações) que produzem os avanços da humanidade? Ainda que para tal o ser humano se apoie em suportes vitais distintos dos actuais invólucros de carbono. Em robôs, por exemplo!

Agosto de 2013 João Mascarenhas


Cr贸nica Primeira:

Hanako


Há sempre uma razão para tudo o que acontece. Uma razão nem sempre evidente.

Sou delicada. Nessa subtileza reside a minha força.


Quantas vezes as coisas fazem sentido apenas para mim.

E digo coisas que os outros n達o conseguem acompanhar.


Os meus pensamentos sĂŁo instantes, mais rĂĄpidos que as palavras.


A mudança nem sempre se faz de uma forma suave.

Perdi alguĂŠm de quem gostava muito.


Mas aprendi a seguir em frente. E aprendi que as contrariedades não são o fim, apenas o início de um novo caminho.

Diferente.

Às vezes… demasiado diferente.


Como lamento a natureza humana… No início da vida somos fortes, jovens e capazes do impensável. Levamos bem alto as nossas asas. No entardecer da existência, quando a aprendizagem de toda uma vida nos poderia dar outro ânimo, faltam-nos as asas e já não conseguimos voar.


Ao contrário da borboleta.

No início, o seu horizonte não vai além da planta da qual se alimenta.

Depois nascem-lhe as asas, metamorfoseia essa vivência inicial em destinos sem limites.


Eu agora sou borboleta.


Mas, no fim do dia, continuo a ser a garotinha que, em silêncio, contempla o céu escuro e vê as estrelas a polvilhá-lo com as suas presenças de luz.


Mesmo que essas estrelas sejam, afinal, t達o terrenas quanto eu.


Eu sou Hanako!

a continuar...


As parecenças de algumas personagens com pessoas reais, se não são exactas, é porque foram mal desenhadas pelo autor.



Butterfly Chronicles