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EXPOS EXHIBITION - CARTOON - ENTREVISTA INTERVIEW HOW & NOSM - GALLERY - MOF


Photo: Bianca Hoffmann - flickr.com/biah _hr


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Criado Por / Created By: RDoisÓ - flickr.com/rdoiso

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www.orappa.com.br


Goze colorido! É com enorme gratidão e tristeza que anunciamos que estamos encerrando os trabalhos com essa nona, e última, edição. Os motivos que levaram a esse fim são muitos, mas o que realmente vale a pena celebrar é o colorido das páginas nessas nove edições. E deixamos aqui nosso muito obrigado a todos que sempre colaboram e curtiram nosso trabalho. Nem podemos chamar de trabalho algo tão gratificante! Deixamos registrado nessa edição a importância e o significado dos multirões de graffiti, representando tudo que o graffiti e os grafiteiros devem ser. Também batemos um papo com os irmão gêmeos How e Nosm, visitaram o Rio de Janeiro algumas vezes e deixaram registrada nas paredes seus inconfundíveis traços. Como brinde vão poder conferir um presente, uma história em quadrinhos ilustrada pelo também grafiteiro Gustavo Gut. Além da melhor parte do show, na nossa opinião, a galeria de fotos que vem recheada com o melhor do graff nacional. Bem, esse é o final. Nós despedimos aqui mas fica a esperança de voltarmos num futuro melhor. Um Grande abraço a todos que pintam por amor, seguindo o conselho do mestre Ozi: Goze colorido! 08 400ML

It is with enormous gratitude and sadness that we announce that we are shutting down our doors with this ninth and final issue. The reasons for that are many, but what is really worth celebrating is the colorful pages of these nine issues. And here let us thank you to everyone who has ever enjoyed our work and collaborate. We can´t even call something so rewarding as work! We leave in this issue reported the significance of graffiti task forces, representing all the graffiti scene and the graffiti writers must be. Also hit a chat with the twin brother and How Nosm, who have visited Rio de Janeiro a few times and on the walls left their unmistakable traces. As a bonus you will be able to give a gift, a comic book illustrated by fellow graffiti artist Gustavo Gut. Besides the best part of the show, in our opinion, the photo gallery that comes packed with the best graffs nationwide. Well, that’s the end. We said goodbye but we’re still hoping to return for a better future. A big hug to all who paint for love, following the advice of the master Ozi: Enjoy colorful!


Ozi - flickr.com/graffitivivo


28Out - 12Fev Fermata

OsGemeos At / Local: Museu Espirito Santo

Vale - Vila Velha

Fotos: Lost Art www.osgemeos.com.br www.museuvale.com

A nova exposição intitulada Fermata dá seqüência ao incrível trabalho feito pelos irmãos e é inspirada nas tradições e mitos do Brasil. Além das ruas de São Paulo e das histórias de familiares e pessoas ao redor da dupla. A Expo é totalmente inédita e pensada especificamente para o espaço do Museu, mas garantem que tem diálogo com tudo o que fizeram até agora. Como diz Gustavo: “Cada exposição é como mais um capítulo de um grande livro que vamos escrevendo com nosso trabalho: tem a ver com os anteriores e também com os que vêm a seguir.” The new exhibition called Fermata gives continuity to the incredible work done by the brothers and is inspired by the traditions and myths of Brazil. Beyond the streets of Sao Paulo and the stories of family and people around the pair. The Expo is completely new and designed specifically for the space of the museum, but ensure that it dialogues with all they have done so far. As Gustavo says: “Every show is like another chapter of a great book that we write with our work: it has to do with the previous ones and also with those who follow.”


14Set - 14Out Contendo

Arte

Expo Coletiva

At / Local: Parque

Vaca Brava; Parque Flamboyant; Praça do Bandeirante

Goiânia

www.plusgaleria.com.br

Esse é o conceito da Contendo Arte: transformar containers em galerias de arte sustentáveis, situadas em três pontos de intensa circulação na cidade de Goiânia. A mostra, que acontece de 14 de setembro a 14 de outubro, integra a segunda edição da Grande Revirada Cultural de Goiânia – Arte a Gosto. A realização é uma soma entre a Secretaria de Cultura da Prefeitura de Goiânia e a Plus Galeria, com apoio da FAV/UFG. This is the concept of the exhibition Containing: transforming containers into sustainable art galleries, located at three points of intense circulation in the city of Goiania.The show, which runs from September 14 October 14, includes the second edition of the event Great Cultural Overturned Goiânia - Arte a gosto . The performance is a sum of the Secretariat of Culture of the Municipality of Goiânia and Plus Gallery , with support from ACF / UFG.


10Nov - 31Jan

A3+ (Super A3)

Expo Coletiva

At / Local: Galpão Rio de Janeiro

das Artes Urbanas Hélio G. Pellegrino

Fotos: Henrique Madeira www.?

A3+ é uma produção coletiva, que tem a impressão digital como matéria prima e explora a relação entre as artes urbanas e gráficas. Mais uma vez, a parceria une street art e reaproveitamento nas instalações da galeria. 25 artistas participam dessa primeira edição, com pôsteres 60 X 80cm. A expo contou também com projeções e intervenções. A3 + is a collective production, which has the fingerprint as raw material and explores the relationship between the urban and graphic arts. Again, the partnership combines street art and recycling facilities in the gallery. 25 artists participate in this first edition, with posters 60 x 80cm. The expo also included projections and interventions.


08Out - 16Dez

Caos: SP Sob Outros Olhares

At / Local: CCJ São Paulo

Ruth Cardoso

Melim Bravos

Fotos: Mek ccjuve.prefeitura.sp.gov.br flickr.com/melim_abc flickr.com/bravos_ad

Os artistas Daniel Melim e Bravos juntam técnicas distintas (pixo, grapixo, stencil) para transmitir com a mesma força e agressividade um recorte do caos urbano e da identidade da rua, possibilitando a todos interpretar a indignação e lutar pela indiferença às coisas que se perderam pela rotina da selva de pedra. Artists Daniel Melim Bravos and join their painting techniques (Pixo, grapixo, stencil) to transmit with the same force and aggression a portrait of urban chaos and the identity of the street, making it possible to interpret all the indignation and indifference to fight for things that missed by the routine of jungle.


tela pintada por Yumi


04Nov - 02Dez Infecção

Feik At / Local: Concreto São Paulo www.concretoart.com.br www.flickr.com/feik_ip

Parasitária


Passavam das 03h da madrugada no . . muro da DP.

Muitas vezes eu me pergunto porque ainda faço isso, mas essa tem um gosto especial. Hoje é por todos abusos que sofri nas mãos desses otários!

Sim, podia ser uma ação rápida, mas vale a pena correr o risco de passar uma mensagem bem clara e de brinde ainda deixo um retrato de quem realmente elas são! E além do mais, perigoso é mais gostoso. Algum tempo depois já tô bem longe dalí!


Criado Por / Created By: Gut - flickr.co/mafia44

- Não vai ficar barato. As esperanças de dias melhores estão renovadas agora. E ver a cara deles diante do muro já me basta!

*O ESTADO DA A LAVAGEM E OS PORCOS DE DELICIAM


Kash - Flickr.com/seven_dollars

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Nick - Sรฃo Paulo 2011

Artestenciva - Paranรก 2011


Oxy - Rio de Janeiro 2011


Dimas Forchetti - Brasil Chagas (2010) Acrylic in Wood - 2m x 90cm www.flickr.com/dimasforchetti

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Shock Snek - S達o Paulo 2011

Kovok Crew - Rio de Janeiro 2011

Relic57 Cute- Bahia Miker 2010 Berone Hush Gerabohhh - 2010 Dimak Mrf Under


Cr창nio - S찾o Paulo 2011

Boxe - Amazonas 2011


Bolacha Leo Rizo Vejam - Santa Catarina 2012

Efixis Caze - Rio de Janeiro 2011

Drig Origi Ets - S達o Paulo 2011


RDoisÓ Reis - Rio de Janeiro 2011 Feto - São Paulo


DonGelato Ror - S창o Paulo 2011

BrunoArte - S창o Paulo 2011 SubStencil - Rio de Janeiro 2012

Emol - Pernanbuco 2011


Shock - S達o Paulo 2011


Gut - Rio de Janeiro 2011

Feik Perera - Minas Gerais 2011 Dingos - S達o Paulo 2010


Sebรก - Rio de Janeiro


Wow Snupi Next2 Arem Soneka Ch2 Sowtto JonhyC Eco Rdoze - Rio de Janeiro 2010


www.howandnosm.com

Eu vi no seu site que vocês têm viajado desde que nasceram. Como isso afetou sua maneira de ver o mundo? E quando e onde é que vocês viram pela primeira vez um graffiti? Sendo descendentes de alemães nascidos em San Sebastian, no país de uma região basca do norte ocupado pela Espanha, sempre nos sentimos um pouco deslocados e de certo modo tratados como estrangeiros não muito bem-vindos. Senti-me semelhante quando me mudei à Alemanha com seis anos de idade. Nosso conhecimento de alemão não era muito grande já que espanhol tinha sido o nosso primeiro idioma , então foi clara a tortura psicológica que as crianças causavam naqueles que eram diferentes. Especialmente na Alemanha, com as suas opiniões ultrapassadas e visão conservadora, sem contar suas opiniões racistas. Viajando desde cedo percebemos que o mundo não é tão grande quanto parece ser. Também conseguimos entender desde cedo que ser de outro contexto cultural e de um lugar diferente do mundo é uma coisa bonita e muito inspiradora também. Você começa a entender o mundo como uma unidade complexa. Foi assim, na Espanha quando visitava amigos nas nossas férias de verão que vimos os primeiros rabiscos e escritos em um parque de skate perto de um trilho de trem. Como vocês começaram a pintar? Nós nos envolvemos com o graffiti por volta dos 13 anos através de amigos mais velhos em um subúrbio pequeno de Duesseldorf. Nós tínhamos visto o filme Wildstyle, mas não tinha entrado em nossas mentes ainda. Naquela época também começamos a andar de skate e a maioria dos skatistas começaram a fazer tags de modo que fomos apresentados a diferentes estilos e à história do movimento por alguns escritores mais experientes.

Por: Glauci Miyata Fotos: How and Nosm

As I read on your website you guys have been traveling since you were born. How did that affect your way of seeing the world ? And when and where did you guys first saw a graffiti? Being born of German decent in San Sebastian, the country of Basque a Northern region occupied by Spain, we always felt a little misplaced and somehow treated as not too welcomed foreigners. It felt similar when moving to Germany by the age of six. Our knowledge of German was not really great since Spanish had been our first mother language so it is obvious what psychological torture children can put on those who are different. Especially in Germany with its old fashioned and conservative views not to say racist opinions. Traveling that early we realized that the world is not as big as it seems to be. We also got to understand from a young age that being from another cultural background and from a different place of this world is a beautiful thing and a very inspirational one as well. You get to understand the world as one complex unity. It was then in Spain when visiting friends for our summer vacation that we saw our first scribbles and writings at a skate park close to a train track. How did you guys start painting? We got involved into graffiti around the age of 13 through older friends in a small suburb of Duesseldorf. We had seen the movie Wildstyle, but it hadn’t clicked in our minds yet. Back then we were also skateboarding and most skaters were tagging as well so we got introduced to different styles and to the history of the movement by some more experienced writers. Getting around on our skateboards and putting up tags was a good way to get up. Slowly we made our name through tagging and doing throw ups, and after a year or two we did our first pieces. 400ML 49


Andando nos nossos skates e fazendo tags foi um bom modo de começar. Lentamente, fizemos o nosso nome através dos tags e throw-ups e depois de um ano ou dois fizemos nossos primeiros pieces . As coisas se desenvolveram muito rapidamente a partir de então, e nos mudamos do nosso bairro para Düsseldorf, onde começamos a focar cada vez mais em produções. Ao pintar ilegalmente, era difícil terminar uma enorme produção ao longo de trilhos de trem em uma noite, é por isso que começamos a fazer murais legais durante o dia, e continuamos a satisfazer o nosso desejo para o ilegal em diferentes superfícies. Encontramos o nosso equilíbrio em nossa expressão artística. Irmãos gêmeos geralmente têm uma forte ligação e alguns dizem que pensam como se fossem uma só pessoa, vocês se sentem assim? Como é o processo de suas pinturas juntos? Irmãos gêmeos têm uma ligação muito forte, mas assim como todos os irmãos que têm quase nenhuma diferença de idade. Eles simplesmente compartilham os mesmos interesses. Gêmeos não têm diferença de idade por isso é mais comum que eles tenham os mesmos interesses, ao mesmo tempo. Crescendo juntos eles compartilham mais experiências de sua infância então as pessoas se confundem e tendem a acreditar que gêmeos pensam igual. Eles pensam de forma semelhante, mas não igual. Apesar de nós trabalharmos como um só na maior parte do tempo nós podemos trabalhar como indivíduos também. Ao longo dos anos, criamos nossos próprios estilos que tinha muitas semelhanças, mas foram criados individualmente. Nós fazíamos o nosso próprio nome nos pieces e personagens e depois juntávamos tudo. Esse tipo de trabalho em equipe nos levou a fazer pieces e personagens juntos e misturar totalmente nossos próprios estilos individuais e idéias em um único e tornar difícil para as pessoas descobrirem quem criou o quê. O mundo nos conhece como HOW e NOSM mas também como HOWNOSM. Por enquanto e nos últimos 2-3 anos temos utilizado mais a versão HOWNOSM. O que pintar trens significa para vocês? Bem, muitos escritores e artistas de rua de hoje não entendem a importância da pintura de um trem na carreira de um artista. Não só é o fato de que ter pintado trens significa ter os créditos e o respeito da comunidade do graffiti, mas também se pode relacionar com os dias do passado com uma melhor compreensão de autenticidade e originalidade. Para ser capaz de criar uma obra de arte em apenas um curto período de tempo e em condições tão difíceis como as medidas de segurança e escuridão nos dá como escritores uma vantagem sob os outros que não têm a prática da disciplina mais importante do movimento. Ao contrário dos chamados artistas de rua , para o escritor de trem o individuo não é o importante, mas o segredo individual que foi criado. 40 400ML

Things developed really quickly from then on, and we moved from our suburb to Düsseldorf—where we started to focus more and more on productions. When painting illegally ,it was difficult to finish a huge production along train tracks in one night, that’s why we started doing legal murals in the day time, and continued to satisfy our urge for the illegal on different surfaces. We found our balance in our artistic expression. Twin brothers usually have a strong connection and some say they think as if they’re one person, do you guys feel that way? How’s the process of your paintings together? Twin brothers do have a really strong bond but so have all brothers who have almost no age difference. They simply share the same interests. Twins have no age difference so it is more common for them to have the same interests at the same time.Growing up together they share most experiences of their childhood so people get it confused and tent to believe that twins think the same. They think similar but not the same.Even though we work as one unit most of the time we can work as individuals as well. Throughout the years we created our own styles that had lots of similarities but were created individually. We would do our own name pieces and characters and then melt them together. That kind of teamwork led us to do pieces and characters together and totally mix up our own individual styles and ideas into one and make it difficult for people to find out who created what. The world knows us as HOW and NOSM but also as HOWNOSM. As for now and the last 2-3 years we have been using more the HOWNOSM version. What does painting on a train mean to you? Well, many writers and street artists of today do not understand the importance of painting a train in an artists’ career. Not only is it the fact that to have painted trains means to have the credits and respect from the graffiti community but one can also relate to the days of the past with a better understanding for authenticity and originality. To be able to create a piece of art in only a short period of time and under such difficult conditions as darkness and tough security measures bring gives us as train writers an advantage to others who have not practice the most important discipline of the movement. In contrary to the so called street artists, for the train writer not the individual is important but the secret individual that has been created. Active train bombers stay incognito, others “out” themselves to be recognized and celebrated by the art community. With that said, the pure act and the infamous status that is gained by painting trains is the sole purpose of this kind of behavior. Besides, it being the rawest, most radical and only original illegal art form it means that you are painting for your own pleasure with no financial gain. Train painting will never be able to be sold or imitated for galleries. Its purpose is selfish and against all laws. It


Verdadeiros (ativos) bombers de trens cotumam ficar incógnitos, outros fazem de tudo para serem reconhecidos e celebrados pela comunidade artística. Dito isso, o simples ato e o status infame que é adquirido pintando trens é o único propósito desse tipo de comportamento. Além disso, sendo a forma de arte mais crua, mais radical e única forma ilegal original de arte significa que você está pintando para o seu próprio prazer, sem ganho financeiro. A pintura em trem nunca será capaz de ser vendida ou imitada para as galerias. Sua finalidade é egoísta e contra todas as leis. Ela representa uma forma de revolução, especialmente quando se considera o seu movimento em todo o mundo e táticas organizadas. Aos nossos olhos ela reflete a liberdade pura. Como vocês se sentiram quando lhe pediram para fazer parte da TATS CRU? Foi uma honra para nós fazer parte de uma crew tão lendária que inclui não apenas grafiteiros, tais como BIO, NICER, TOTEM2 mas também músicos como Goldie, Fat Joe e Afrika Bambaataa... O que mudou nas vidas e na maneira de vocês enxergarem e trabalharem com grafite quando se mudaram para Nova York? Em 1997, na nossa primeira visita à “Grande Maçã”, ficamos fascinados com toda a grandeza que Nova Iorque tem para oferecer. Como muitos nós passamos por uma espécie de lavagem cerebral pela mí44 400ML

dia e já tínhamos estereótipos posistivos e negativos em nossas membranas que nos levou a acreditar New York representava todo o Estados Unidos. Mas acreditem em nós o resto dos EUA é ainda pior. Conforme fomos ficando mais tempo essas visões eram mais e mais transformadoras. Não só tínhamos presenciado toda a injustiça para com as chamadas minorias (que é como a América chama os milhões de não-caucasianos) pelo seu governo, mas também começamos a perceber que para entender o “porquê” nós tínhamos que fazer nossas próprias atividades comunitárias. A forma como as comunidades têm de viver em Nova York, sob pressão constante e intensa em todos os aspectos da vida é ultrajante e errado.Nós temos vivido sob condições dos países de terceiro mundo nesta cidade e podemos realmente afirmar que este não é um país de primeiro mundo como ele é retratado inúmeras vezes em todos os gêneros de meios de comunicação. Tendo estudado boa parte dessas condições nos vemos introduzindo e expressando esses aspectos mais e mais dentro da nossa arte. Nós evoluímos para artistas mais críticos onde os trabalhos não têm de expressar qualquer emoção política, por exemplo. Por isso, é um conflito dentro de nós mesmos, quando grandes empresas nos abordam para fazer um trabalho comercial. Obviamente temos que trabalhar e quando o trabalho pessoal não vende tão bem como o esperado, então não tem jeito a não ser abrir exceção. No entanto mantemos nossa integridade como artistas e como seres hu-


represents a form of revolution especially when considering its worldwide movement and organized tactics. In our eyes it reflects pure freedom. How did you guys feel when asked to be part of the TATS CRU? It was an honor for us to be part of such a legendary crew that includes not only writers such as BIO, NICER, TOTEM2 but also musicians such as Goldie, Fat Joe and Afrika Bambaataa... What changed in your lives, and your way of seeing and working with graffiti when you moved to New York? In 1997,our first visit to the big apple, we were fascinated by all the greatness New York has to offer. As many we were kind of brainwashed by media and had already positive and negative stereotypes in our membranes that led us to believe New York was reflecting all of the United States. But believe us the rest of the USA is even worse. As we got to stay longer those visions were more and more transforming. Not only had we witnessed all the injustice towards the so-called minorities (that’s how America calls the millions of non-Caucasians) by its government but also we became to realize that to understand the “why” we had to do our own community outreach. The way communities have to live in New York under constant and intense pressure in all aspects of life is just outrageous and wrong. We have ourselves lived under 3rd world country conditions in this city and

can truly state that this is not a first world country as it is portrayed over and over again in all genres of media outlets. Having studied those conditions to a good extent we see ourselves introducing and expressing those aspects more and more into our art. We have evolved into more critical artists where murals did not have to express any political emotion for example. So it is a conflict within ourselves when corporate companies approach us to do commercial work. Obviously we have to work and when personal work doesn’t sell as well as expected, then there is no other way than to except. Nevertheless we keep our integrity as artists and as human beings. Speaking of the graffiti scene in New York, we can only say that the good days are over once again. The train era passed away long time ago and after the late nineties not much has emerged since then. Considering the boom from the old days the quality and the quantity has stagnated. Other cities and countries have definitely topped New York’s Graffiti movement. But looking back at New York’s history we are certain that it will return once again. People have to consider that New York has been around for more than four decades. It is almost impossible to stay on top at all times. Fact is, writers get older, pursue their own professions, form families and simply said they loose interest. It’s up to a new generation to take it back to the streets... and not directly into the galleries. What are your inspirations to create a drawing? We have been asked this specific question so many times and it is never an easy one to explain. Inspira400ML 45


manos. Falando sobre a cena do graffiti em Nova York, só podemos dizer que os bons tempos se foram mais uma vez. A era do trem passou há muito tempo e após o final dos anos noventa não surgiu muita coisa nova desde então. Considerando o “boom” dos velhos tempos a qualidade e a quantidade estagnaram. Mas olhando para trás na história do graffiti de Nova York estamos certos de que ela irá retornar mais uma vez. As pessoas têm que considerar que Nova York está na ativa há mais de quatro décadas. É quase impossível ficar no topo o tempo todo. Fato é, os escritores mais velhos, buscam suas próprias profissões, formam famílias e simplesmente perdem o interesse. Cabe a uma nova geração levar o graffiti de volta para as ruas ... e não diretamente para as galerias. Quais são suas inspirações para criar um desenho? Nos fizeram essa pergunta tantas vezes e nunca é fácil de explicar. Inspirações vêm de todos os tipos de ângulos da vida e de todas as experiências diferentes que a pessoa passa.Alguns dos nossos desenhos têm um significado claro e um propósito, então eles são criados para uma certa expressão e emoção.Eles são criados para essa única idéia. Depois, há outros, que vêm do subconsciente que não têm uma explicação. A arte não tem que ser explicada em nossa opinião, mas acho que a sociedade tem de rotular e pôr nome nas coisas a fim de obter alguma compreensão. Somente nós (e às vezes nem isso) entendemos alguns desenhos .... Na maioria das vezes tendemos a inspirar um ao outro. O que vocês sabiam sobre grafite brasileiro? Como foi a estadia de vocês aqui? Pixação! Sem hesitar, podemos confirmar que a pixação é a mais famosa e única arte de rua exportada do Brasil.Nós tínhamos visto algumas fotografias em 1999 e, em seguida, nos deparamos com uma entrevista d’Osgemeos em uma edição da revista 12oz Prophet mas foi só em 2004 que tivemos a chance de fazer a nossa primeira viagem ao Brasil com o nosso grande amigo DAZE. Obrigado! Este é um espaço aberto para vocês para enviarem uma mensagem, mandar um salve os brasileiros que curtem o trabalho de vocês … Em primeiro lugar temos que dizer que temos admiração por toda a cena dos escritores de grafite brasileiros. Têm uma energia incrível que a maioria dos outros países desejam obter. É um lugar como nenhum outro. Mas temos a certeza de muitos escritores de todo o mundo sentem o mesmo. Em segundo lugar, só podemos invejar este país quando se pensa em todo o espaço que o Brasil tem para oferecer para pintar livremente.Por essa razão nós tentamos fazer o máximo possível quando vamos aí.MUITO OBRIGADO por sua hospitalidade! VALEU!!!

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tions come from all kinds of angles of life and from all the different experiences one witnesses. Some of our drawings have a clear meaning and a purpose, so they are created for a certain expression and emotion. They are functioning for that one thought. Then there are others, drawn out of the subconcienceness that do not have an explanation. Art doesn’t have to be explain in our opinion but we guess society has to label and name things in order to get some understanding. We and sometimes not even that only understand some drawings.... Most of the time we tend to inspire each other. What are your inspirations to create a drawing? We have been asked this specific question so many times and it is never an easy one to explain. Inspirations come from all kinds of angles of life and from all the different experiences one witnesses. Some of our drawings have a clear meaning and a purpose, so they are created for a certain expression and emotion. They are functioning for that one thought. Then there are others, drawn out of the subconcienceness that do not have an explanation. Art doesn’t have to be explain in our opinion but we guess society has to label and name things in order to get some understanding. We and sometimes not even that only understand some drawings.... Most of the time we tend to inspire each other. What did you guys knew about Brazilian graffiti? How was your stay here? PiXAçãO! Without hesitating we can confirm that Pixacao is Brazil’s most famous and unique export. We had seen some photographs in 1999 and then shortly after we came across an Os Gemeos interview in a 12oz prophet issue but it wasn’t until 2004 that we got the chance to take our first trip to Brazil with our close friend DAZE. Thank you! This is an open space for you guys to send a message, say hello to the Brazilian admirers... First of all we have to give our admiration to the entire Brazilian writer scene. It has such an incredible energy that most other countries wish to obtain. It is a place like no other. But we are sure many writers around the world feel the same. Secondly we can only envy this country when thinking of all the space Brazil has to offer to just freely paint on. For that reason we try to do as much as possible when we visiting. THANK YOU VERY MUCH FOR YOUR HOSPITALITY! VALEU!!!


Heron - São Paulo

Ago1ne - São Paulo

Babu Lua Toz - Paraná

Bocó - Paraná

Sativo - São Paulo


Calle - S達o Paulo

Digue - S達o Paulo

Mao Tum - S達o Paulo


Gomes - S達o Paulo

Stklixo - S達o Paulo


Aryz - ESP

Owen Dippie - AUS

Revok Pose - Canada


Locones - S達o Paulo 2010


Obey Ethos - USA


DMS 163

Minas Gerais - Brasil www.flickr.com/demelosantos


Toes - S達o Paulo 2011


Davi GoaBoy Alma Gal - Rio de Janeiro 2011

Kane Rdoze - Brasília 2011 Família - São Paulo 2010


DXTR Dennis Schuster Dusseldorf - Germany www.flickr.com/dxtrs


Eder Muniz - Bahia 2011


Paris Ekors - Paris 2011

Panika71 - Slovaki 2011


Core - Bahia 2011

Obey Cone Colante TeoRoXCrew Haru-Haru Zeta KBC


Meeting of favela meetingofavela.blogspot.com

Quebra de paradigmas, é o que promove o evento Meeting of Favela, popularmente conhecido como MOF, esta ação solidária vem posicionando seu espaço na cena carioca há mais de seis anos, idealizado e organizado pelos grafiteiros Bobi, Bunys, Kajaman, Combo, Next2 entre outros. O evento acontece na comunidade Vila Operária, cidade de Duque de Caxias, na baixada Fluminense do estado do Rio de Janeiro, reunindo um apanhado dos melhores grafiteiros e artistas contemporâneos do Brasil (na última edição tivemos mais de 500 artistas deixando suas criações), sejam eles do meio musical, plástico, entre outras vertentes, realizando, em um só momento um conjunto de manifestações culturais por toda a comunidade. Sendo assim, a comunidade se transforma em um enorme museu a céu aberto, no qual o morador tem total acesso à produção artística que por ali ocorre, ele se torna expectador, repórter, aluno, cúmplice desta grande intervenção com o estreitamento de uma arte qualitativa para o público local. “A cena do graffiti no Rio é bem diferente da de Brasilia, a primeira vez que fui ao Mof, nunca havia ido ao Rio de janeiro, outro clima outras pessoas. O MOF foi um aprendizado muito bom, valeu tambem o contato com a comunidade... E além disso tudo, ver a força do Graffiti, ver Vários Graffiteiros de outros estados indo simplesmente pelo prazer de Fazer graffiti.”, este foi o depoimento do grafiteiro RDoze - DF. Outra possibilidade que o MOF traz é a troca de conhecimento entre os artistas, independente da experiência que tenham, a repertório que cada artista traz consigo, culturalmente falando é um ferramenta fundamental na troca de informações. Um fato curioso, o termo MOF Meeting of favela, é uma criação inspirada em um evento europeu chamado MOS, que significa Meeting of style, porém, a versão brasileira se diferencia por se tratar de um evento aberto aos convidados, que trabalham voluntariamente.

Por: Diogenes Gene Fotos: Clarissa Piveta

Shift in paradigm, is what promotes the event Meeting of Favela, popularly known as MOF, this joint action has been positioning its place in Rio scene for over six years, conceived and organized by graffiti writers Bobi, Bunys, Kajaman, Combo, Next2 among others. The event takes place in the community called Vila Operária, city of Duque de Caxias, Fluminense lowlands in the state of Rio de Janeiro, bringing together a roundup of the best contemporary artists and graffiti writers from Brazil (in the last edition had over 500 artists painting their creations) from the music, fine arts scene, among other areas, performing in a moment a number of cultural events throughout the community. Therefore, the community turns into a huge open air museum, where the resident has full access to artistic production that occurs over there, he becomes a spectator, reporter, student, an accomplice of this great intervention with the narrowing of an art with quality to local audiences. “The graffiti scene in Rio is very different from Brasilia, the first time I went to Mof, had never been to Rio de Janeiro, another mood another people. The MOF is a very good learning, also beacuse you get in touch with the community ... And beyond all this, you see the strength of Graffiti, you see a lot of Graffiti writers from other states going just for the pleasure of Making Graffiti. “, This was the testimony of graffiti RDoze - DF. Another possibility that the MOF brings is the knowledge exchange among artists, regardless of experience that they might have, the repertoire that each artist brings with it, culturally speaking is an essential tool for information exchange. A curious fact is that the term MOF , Meeting of Favela, is a creation inspired by an European event called MOS, which stands for Meeting of style, however, the Brazilian version is different because it is an event open to the guests, who work voluntarily. 400ML 65


E é neste caldeirão de expressões, unindo o hip hop ao Samba, grafiteiros a artistas circenses, B boyz com dançarinos de funk, que o MOF vem se tornando o maior evento da América Latina. Na última edição, o evento contou com um reforço por parte dos cantores de rap, isto por que ocorreram sessões improvisadas de rap, as populares “Batalha do Real”, onde com a ajuda dos idealizadores da Brutal Crew, realizaram além da batalha, apresentações com dos MCs Xará; Funkero; Mc Loco; Tony Mariano; Pira-Pura, Victor Bhing I; DJ LP; Tudo apresentado pelo MC Coé. Alem da Orquestra Voadora, Nascida da união de músicos que se conheceram tocando nos mais diversos blocos de marchinhas do carnaval de rua do Rio de Janeiro. “Tocar aqui foi sensacional. Esse tipo de evento, com a integração das artes e das pessoas é dos que eu mais gosto de participar e, para mim, é uma honra estar aqui com a Voadora”, disse Juliano Pires, o Juba, integrante da Orquestra Voadora”. Vejamos outro depoimento de um dos músicos: “O que mais gostei durante a nossa apresentação foi a interação dos B-boys fazendo um diálogo com a gente na base do improviso. Também foi legal quando acompanhamos a galera do hip hop, fazendo as rimas na hora. As pinturas são incríveis. A cultura se constrói na rua, que é um espaço público, e ocupá-la é um direito nosso”. Esta ação que o evento proporciona, traz a possibilidade de formação de futuros artistas e/ou profissionais do ramo. Isto se dá, porque os jovens da comunidade, tendo acesso a este apanhado de informações, muita das vezes se sente motivado a buscar conhecimento para sua capacitação, trazendo a possibilidade de formação profissional, a geração de renda e a redução na exclusão social. Mais um depoimento, desta vez com o grafiteiro Moska: “Participei do MOF pela primeira vez no ano de 2009. Foi uma experiência muito loca, até então não tinha participado de um mutirão de graffiti tão grande assim, e pude ver a importância de um evento desses para a comunidade e para nós artistas. Diálogo direto com a comunidade, troca de informações, fusão de conhecimentos vindos de vários estados com uma só intenção, proporcionarem um domingo ma-ra-vi-lho-so, com muita criatividade e disposição. Poder ver a satisfação dos moradores com o resultado dos trabalhos, dar várias risadas, fazer bons amigos e reencontrar os antigos, passar aquele domingão classe cercado de pessoas de boas intenções... É por essas e por outras que eu digo que o MOF É FOOOOOODA! Um salve em nome de toda a galera aqui do Espírito Santo, e que se tudo correr nos conformes colaremos em peso mais uma vez.” E o que será que a próxima edição nos reserva? Bom, isto é que todos nós estamos ansiosos para saber...

It is in this cauldron of expressions, combining hip hop with samba, graffiti artists with circus, B boyz with dancers of funk, the MOF has become the largest Latin American event. In the last edition, the event was enhanced with the participation of rappers, that occurred improvised rap sessions, the popular “Battle of Royal”, where with the help of the creators of Brutal Crew, performed beyond the battle, presentations with the MCs Xara; Funkero; Mark Loco, Tony Mariano, Pira-Pura, Victor Bhing I; DJ LP, All presented by the MC Coé. Besides the Flying Orchestra, born of the union of musicians who met playing in various blocks of the marching street carnival in Rio de Janeiro. Playing here was phenomenal. This type of event with the integration of the arts and the people is what I most like to participate and to me is an honor to be here with “Voadora”, said Juliano Pires, the “Juba”, member of the Orchestra “Voadora”. Another testimonial from one of the musicians:” What I liked more during our presentation was the interaction of B-boys doing a dialogue with us on the improvisation. It was also nice when we followed the crowd of hip hop, making the rhymes on the spot. The paintings are amazing. The culture is built on the street, which is a public space, and occupy it is our right. “ This action that the event provides brings the possibility of formation of future artists and / or industry professionals. This happens because the community’s youth, having access to this information, very often feel motivated to seek knowledge for their training, bringing the possibility of vocational training, the generation of income and reducing social exclusion. Another testimonial, this time with the a graffiti artist Moska: “I attended the first MOF in 2009. It was very crazy, which until then had not participated in a campaign for graffiti that big, and I could see the importance of such an event for the community and for us artists. Direct dialogue with the community, exchange of information, fusion of knowledge from various states with one intention, provide a wonderfull Sunday , with great creativity and willingness. Seeing the satisfaction of residents with the results of the work, give several laughs, make good friends and rediscover old ones, spend that great Sunday surrounded by people with good intentions ... It is for this and other reasons that I say that MOF is AWESOOOME! A big up on behalf of all the guys here in Espírito Santo, and that if everything goes in accordance we´ll be there again. “ And what can we expect for the next edition? Well, this is what we’re all anxious to know ...

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Jornalista Responsável Zilmar Marinho - 14097 Redação Glauci Myiata Mariano Lima Diagramação Thiago Mac Capa Atomic Monk Colaboração Clarrisa Pivetta Diogenes Gene Obep Sumário RDoisÓ Curadoria Thiago Mac Agradecimentos / Thanks To: Danilo Zéh Palito, Fábio Ema, Next2, R2ó, Nick, Henrique Madeira, Bives, Bravos, Feik, Gut, Dimas Forchetti, Pot, Shock, Cazé, How Nosm, Toes, Mafia44, Obep, Clarissa Pivetta, Diogenes Gene, Posse 471, Organização MOF e a toda galera que ajudou essa edição acontecer!

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