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Verdadeiros (ativos) bombers de trens cotumam ficar incógnitos, outros fazem de tudo para serem reconhecidos e celebrados pela comunidade artística. Dito isso, o simples ato e o status infame que é adquirido pintando trens é o único propósito desse tipo de comportamento. Além disso, sendo a forma de arte mais crua, mais radical e única forma ilegal original de arte significa que você está pintando para o seu próprio prazer, sem ganho financeiro. A pintura em trem nunca será capaz de ser vendida ou imitada para as galerias. Sua finalidade é egoísta e contra todas as leis. Ela representa uma forma de revolução, especialmente quando se considera o seu movimento em todo o mundo e táticas organizadas. Aos nossos olhos ela reflete a liberdade pura. Como vocês se sentiram quando lhe pediram para fazer parte da TATS CRU? Foi uma honra para nós fazer parte de uma crew tão lendária que inclui não apenas grafiteiros, tais como BIO, NICER, TOTEM2 mas também músicos como Goldie, Fat Joe e Afrika Bambaataa... O que mudou nas vidas e na maneira de vocês enxergarem e trabalharem com grafite quando se mudaram para Nova York? Em 1997, na nossa primeira visita à “Grande Maçã”, ficamos fascinados com toda a grandeza que Nova Iorque tem para oferecer. Como muitos nós passamos por uma espécie de lavagem cerebral pela mí44 400ML

dia e já tínhamos estereótipos posistivos e negativos em nossas membranas que nos levou a acreditar New York representava todo o Estados Unidos. Mas acreditem em nós o resto dos EUA é ainda pior. Conforme fomos ficando mais tempo essas visões eram mais e mais transformadoras. Não só tínhamos presenciado toda a injustiça para com as chamadas minorias (que é como a América chama os milhões de não-caucasianos) pelo seu governo, mas também começamos a perceber que para entender o “porquê” nós tínhamos que fazer nossas próprias atividades comunitárias. A forma como as comunidades têm de viver em Nova York, sob pressão constante e intensa em todos os aspectos da vida é ultrajante e errado.Nós temos vivido sob condições dos países de terceiro mundo nesta cidade e podemos realmente afirmar que este não é um país de primeiro mundo como ele é retratado inúmeras vezes em todos os gêneros de meios de comunicação. Tendo estudado boa parte dessas condições nos vemos introduzindo e expressando esses aspectos mais e mais dentro da nossa arte. Nós evoluímos para artistas mais críticos onde os trabalhos não têm de expressar qualquer emoção política, por exemplo. Por isso, é um conflito dentro de nós mesmos, quando grandes empresas nos abordam para fazer um trabalho comercial. Obviamente temos que trabalhar e quando o trabalho pessoal não vende tão bem como o esperado, então não tem jeito a não ser abrir exceção. No entanto mantemos nossa integridade como artistas e como seres hu-

400ml - 8°ed  

8# Edição / issue 400ML Graffiti Mag

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