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Regis Amora

Marília Oliveira

Director of photography at Ifoto. Founding member of Descoletivo. Facilitator of courses/ workshops of photography. The artist has participated in collective and individual expos in Fortaleza, in addition to having works exhibited in Paraíba (Pomar de Corpos), Spain (Corpos) and Portugal (Para Jablonsky, umacidade); has had works published in newspapers, such as O POVO and Jornal da Paraíba, and magazines, such as Revista Digital Photographer Brasil and RevistaOlho de Peixe; experiments, yet, with the audiovisual media. With Descoletivo, he has participated of the Festival Encontros da imagem, in Portugal, in September of 2014, with an exhibition in MuseuPio XII.

Director of IFOTO – Institute of Photography in Ceará –, where she teaches courses of basic photography and develops educational and promotional activities of photography. Founding member of Descoletivo, collective of photographers which executes performances of urban intervention, bringing travelling exhibitions to the streets. She participates in the photographic publication Olho de Peixe, pioneer of its kind in Ceará, currently in the third edition; studies ethnographic research since 2007 with a focus on infancy at extreme risk situations, mapping out Ceará state through the daily experiences of socially vulnerable children and victims of violence. She has participated in Encontros de Agosto, of 2013, with the work “Francisco e Eu”; has participated in collective exhibitions at Centro Cultural Dragão do Mar, Memorial da CulturaCearense, UECE, Etufor, Travessa da Imagem, SESC and at MuseuPio XII, Portugal – at Festival Encontros da Imagem, together with Descoletivo –, and in Joãopessoa, Paraíba, at Festival Mundo.

Marília Oliveira Regis Amora Diretor de Comunicação do Ifoto. Membro fundador do Descoletivo. Facilitador de Curposições individuais e coletivas em Fortaleza, além de trabalhos expostos na Paraíba (Pomar de Corpos), Espanha (Corpos) e Portugal (Para Jablonsky, uma cidade). Teve trabalhos publicados nos jornais O POVO, Jornal da Paraíba, Revista Digital Photographer Brasil e Revista Olho de Peixe. Experimenta, ainda, a linguagem do audiovisual. Com o Descoletivo, participou do Festival Encontros da Imagem, em Portugal, em setembro de 2014, com exposição no Museu Pio XII.

do Ceará -, onde ministra cursos de fotograbro fundadora do Descoletivo, coletivo de fotógrafos que realiza ações de intervenção urbana trazendo à rua exposições itinerande Peixe, pioneira no Ceará, atualmente em sua terceira edição. Investe em pesquisa em situação de risco, mapeando o estado do Ceará através das experiências cotidianas de crianças socialmente vulneráveis e vítimas de violência. Participou do Encontros de Agosto

Apoio cultural

Realização

Patrocínio

Integrou exposições coletivas no Centro Cultural Dragão do Mar, Memorial da Cultural Cearense, UECE, Etufor, Travessa da Imagem, SESC e no Museu Pio XII em Braga, Portugal – no festival Encontros da Imagem, junto ao Descoletivo –, e em João Pessoa, Paraíba, no Festival Mundo.


Fortaleza/CE 2015


© Copyright by Afetos Urbanos Impresso no Brasil / Printed in Brazil Expressão Gráfica e Editora Rua João Cordeiro, 1285 - Aldeota - Fortaleza - Ceará CEP: 60110-300 - Tel.: (85) 3464.2222 E-mail: arte@expressaografica.com.br Diagramação Eletrônica Francisco (Taliba) Capa Maíra Ortins Projeto gráfico Maíra Ortins Intervenções Acidum Project Produção executiva Cristiane Pires Produção Thyago Ribeiro Revisão de Texto Marília Oliveira Tradução João Luiz Designer material pedagógico e projeto multimídia Eduardo Oliveira Curadoria Fernando Jorge Tratamento de Imagens Sem Título Impressão Fine Art www.afetosurbanos.com.br Catalogação na Fonte Bibliotecária: Perpétua Socorro Tavares Guimarães

O 524 a Oliveira, Marília Afetos urbanos /Marília Oliveira e Régis Amora.- Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2015. 80 p. : il. Isbn: 978-85-420-0645-2 1. Fotografias- Temas específicos

2. Fotografias- Afetos urbanos CDD — 910


Sumário Textos críticos ........................................................................................................................................................08 Exposição Afetos Urbanos................................................................................................................................ 14 Contos fotográficos [Régis Amora] ............................................................................................................ 36 Contos fotográficos [Marília Oliveira] ........................................................................................................ 56


“Os Correios, reconhecidos em prestar serviços postais com qualidade e excelência aos brasileiros, também investem em ações que tenham a cultura como instrumento de inclusão social, por meio da concessão de patrocínios. A atuação da empresa, cada vez mais destacada, visa não só fortalecer sua imagem institucional, mas, sobretudo, contribuir para a valorização da memória cultural brasileira, democratização do acesso à cultura e o fortalecimento da cidadania. É nesse sentido que os Correios, presente em todo o território nacional, apoiam, com grande satisfação, projetos desta natureza, e ratificam seu compromisso em aproximar os brasileiros das diversas linguagens artísticas e experiências culturais que nascem nas mais diferentes regiões do país. A empresa também se orgulha de disponibilizar à sociedade seus Centros e Espaços Culturais, onde ocorrem manifestações artísticas variadas, ocasião em que se consolidam como ambientes propícios ao fomento e à preservação da identidade cultural do país”

Afetos Urbanos

Espaço Cultural Correios Fortaleza

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Afetos Urbanos 7


Se um viajante numa noite de inverno é um romance de Italo Calvino que conta a história de Leitor, o personagem principal, e suas tentativas de concluir, por sua parte, dez textos diferentes. Por razões diversas, Leitor nunca consegue finalizar suas - claro - leituras e, tal como um quebracabeças, vai entrando e saindo de textos à medida em que se envolve e desapega deles. A Leitora, encontrada pelo Leitor na livraria ao tentar devolver um livro supostamente defeituoso, padece do mesmo problema: a impossibilidade de concluir suas - óbvio, novamente - leituras. Segue citação, a fala de um personagem, o Tradutor: “Como fazer para derrotar não os autores, mas a idéia de que atrás de cada livro há alguém que garante a verdade daquele mundo de fantasmas e ficções pelo simples fato de nele ter investido sua própria verdade, de ter se identificado com essa construção de palavras?” Troquemos textos por fotos, palavras e letras por luz. Tentemos nomear esses dois personagens, um homem e uma mulher: Observador e Observadora? Olhador e Olhadora? A obviedade: Fotógrafo e Fotógrafa? Talvez eu seja um Tradutor - cujo sonho é “uma literatura composta exclusivamente de obras apócrifas”, mas que sabe não poder lutar contra algo além de suas possibilidades: a leitura. Talvez sejamos Tradutores, todos nós, na possibilidade de existirmos somente no plural; criaturas no Plural. Tentemos novamente.

Afetos Urbanos

Régis e Marília.

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Fernando Jorge Curador


A rua, o meio do mundo, o redemoinho. Uma fotografia fragmentada, tal qual um texto quebrado, pode conversar mais do que qualquer três por quatro apolíneo. Parece não querer dizer nada, enquanto diz. Conta, narra, confunde, explica, versa, rima, compartilha. Oferecese inteira, ainda que aos pedaços. Para cruzar a ponte, conta Marco Polo, é preciso falar das pedras. Das partes. Se da raiva se faz carinho? Imaginem. Em “Afetos Urbanos”, Marília Oliveira e Régis Amora abraçam um corpo que é também o nosso. É do miolo da Fortaleza que enxergam os calcanhares, os tapas na cara, os arranhões nas costas. O centro das memórias e dos esquecimentos. Carne e olhos do mesmo território. O grito rouco, o riso verde, a noite de borboletas florescentes. A fome que embranquece a vista, estoura o céu, transforma em sombra. Refazem a cegueira do meiodia na cabeça do anjo. Investigam os rastros do poeta. A chupeta esquecida já não é invisível. É das gentes que aprendem a luz. Neste percurso, devolvemnos as dúvidas e nos convidam a uma dança esquisita, conhecida como vida. Misturam linguagens para inventar uma voz que ecoa em mil.. Um passo mais e outro depois. Passam sem fim: ébrios de realidades, bailarinos de corpos amputados, refeitos, costurados, outra vez decepados. Sonham o que se sonha junto, no Centro ninguém está só. Não é revitalização: nada aqui está morto. É essa a peleja: tudo vibra apesar da palavra que se quer assassina, do gesto que machuca, daqueles que esquecem. Neste rosário de carinhos, o mundo faz -se visível aos olhos de quem tem cada vez mais pressa e menos fôlego. Contemplar é um ato de resistência. De mãos dadas, pode ser revolução. Se tudo fosse um verso, qual seria? A rua, o meio do mundo, o redemoinho. Repetiria até virar mantra ou imagem: a rua, o meio do mundo, o redemoinho. Um pedaço Rosa, outro asfalto. É daí que saímos e para onde voltamos. Voltemos. À rua, ao meio do mundo, ao redemoinho. Afetos Urbanos

Iana Soares fotógrafa e jornalista

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textos críticos/inglês


If on a winter’s night a traveler is a novel by Italo Calvino which tells the story of Reader, the main character, and his attempts to conclude, by himself, ten different texts. For several reasons, Reader is never able to finalize his –off course – readings, and, like in a puzzle, goes in and out of texts as he feels involved and repulsed by them. The female Reader (Ludmilla), met by this first Reader in a bookstore while he was attempting to return a supposedly defective book, is ailed by the same affliction: the impossibility of concluding her – again, obviously – readings. Here follows a freely translated quotation from another character, the Translator: “How does one go about defeating not the authors but the very idea that behind each book there is someone who guarantees the truth of that world of ghosts and fictions by the simple fact of having invested in it his/her own truth, of having identified one’s self with this particular construction of words?” Let us exchange text for photographs, words and letters for light. Let us name this two characters, a man and a woman: Observers, both? Watchers? The obvious: Photographers? Maybe I am a Translator – whose dream is “a literature composed exclusively of apocryphal works”, but who knows not to fight against something that is beyond his possibilities: reading. Perhaps we are Translators, all of us, in the possibility of existing solely in plural form, creatures of plurality. Let us try again.

Afetos Urbanos

Regis and Marília.

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Fernando Jorge Curator


The road, the middle of the world, the maelstrom. A fractured photograph, like a broken text, may converse more than any Apollonius three by four. It seems to not want to say a thing, while it does say. Tells, narrates, confuses, explains, verses, rhymes, shares. Offers itself whole, even if all in pieces. To cross the bridge, tell us Marco Polo, it is necessary to speak of stones. Of pieces. If it angers, if it cuddles? Imagine. In “Afetos Urbanos”, Marília Oliveira and Régis Amora hug tighly a body that is also ours. It is of the core of Fortaleza that they see the ankles, the slaps to the face, the scratches in the back. Downtown to memories and forgetfulness. Flesh and eyes of the same territory. The hoarse scream, green laughter, butterfly florescent night. The hunger that whitens the view, blacks out the sky, turns to shade. Remake the blindness of midday in the head of an angel. Investigate the traces of the poet. The forgotten pacifier is no longer invisible. It is of the peoples who learn the light. Through this route, they return to us the doubts and invites to a weird dance known as life. They mix languages to invent a voice that echoes by the thousands. Another step, then another. They pass endlessly: drunk of reality, amputee ballet dancers, remade, sown, cut off again. They dream what is dreamt together, Downtown nobody is alone. It is not a revitalization: nothing here is dead. That is the struggle: all vibrates despite the word that intents murder, the gesture that injures, those who forget. In this rosary of cuddles, the world makes itself visible to the eyes of those who are increasingly in a rush and out of breath. To contemplate is an act of resilience. Holding hands, it might make for revolution.

Iana Soares Photographer and journalist

Afetos Urbanos

If it all were verse, which would it be? The road, the middle of the world, the maelstrom. It would repeat itself until it became mantra or image: the road, the middle of the world, the maelstrom. One piece Rosa, another asphalt. From thence we emerge, to it we return. Let us. To the road, to the middle of the road, to the maelstrom.

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Exposição Afetos Urbanos

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MarĂ­lia Oliveira / RĂŠgis Amora

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Contos Fotogrรกficos


Afetos Urbanos

[RĂŠgis Amora]

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O centro da cidade tem uma cadência muito particular. O garoto de sorriso dormente teima em oferecer pacotes de TV pra quem não tem tempo de parar. Seu Pirrita olha o tempo passar, enquanto dá mais um trago antes de filosofar pra câmera da Marília. Uns com pressa de chegar, outros sem pressa pra ficar. Aos poucos, e sem saber nem notar, traçávamos rotas que iriam colidir. Eu e Kassiano. Encontro nele a criança em mim. Encontro nele o Régis que ia ao centro de mãos dadas com D. Regina, minha mãe, e que de vez em quando arriscava pedir alguma coisa, mas sempre com a preocupação de caber no orçamento. A diferença (grande) é que Kassiano não tem um “orçamento”. Na verdade não tem muitas coisas, mas as faltas não tiram suas vontades, seu passo apressado pra ver tudo de uma vez, pra ver muito, pra estar, pra conversar, pra sorrir. Kassiano ri com os olhos. Corre solto na Praça do Ferreira, sem céu, sem chão. Ele está entre e me atravessa com sua doçura e fôlego. Quando sacudo aquela poeirinha das lembranças, lembro de “Cuidado com o caroço da azeitona!” que minha mãe dizia quando eu estava pra dar a primeira mordida no pastel de carne quentinho do Leão do Sul. Ou de aprender a andar pelo Centro como adulto, com o Daniel, após as aulas no Colégio da Imaculada Conceição. A gente costuma chamar de “tempo bom” o tempo que passou, sem se dar conta das belezuras que o nosso tempo de hoje tem. Todo esse tempo vendo, revendo e conhecendo tanta gente no centro de Fortaleza com a Marília Oliveira vai se empoeirar daqui a uns anos e vai ser tempo bom também. Um tantinho de felicidade mais um tiquinho de saudade. Afetos Urbanos

Tempos bons.

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Régis Amora Fotógrafo


Downtown in our town has a very particular cadence. The boy with the dormant smile persists in offering TV signatures to those who have no time to stop. Mr. Pirrita stares at time pass while he bums another smoke before pouring philosophy to Marília’s camera. Some in a rush to get there, others without a hurry to stay. Little by little, and without noticing, we traced routs that were bound to collide. Kassiano and me. I find the child within me in him. I find in him the Régis who used to go downtown hand-in-hand with Mrs. Regina, my mother, and who every once and again would risk asking for something, always with the concern of fitting it into the budget. The (big) difference is that Kassiono has no “budget”. In fact, he has not got many things, though the lack of them does not strip him of desire, his hurried pace to see all at once, to see a lot, to be, to talk, to smile. Kassiano smiles with his eyes. He runs loose on Praça do Ferreira square, skyless, groundless. He is between and traverses me with candor and breath. When I shake the dust of the memories, I remember the “Watch for the seed inside the olive!” that my mother used to say when I was on the verge of the first bite of the meat pastry, hot from Leão do Sul. Or learning to walk through the downtown streets as a grown men with Daniel after classes at Colégio da Imaculada Conceição High School. We are used to calling “good times” those times passed, without realizing the beauties that our own time holds today. All this time seeing, re-seeing and knowing so many people in the downtown streets with Marília Oliveira will be covered in dust in a few years, and will be a good time also.

Régis Amora Photographer

Afetos Urbanos

An ounce of happiness, another bit of yearning. Good times

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I “Tem que ter amigo perto da gente.”


II “Do que eu não sei, não tenho voz para falar.”


III “Imagina a quantidade de história que eu já vi aqui, meu filho, nesses 20 anos.”


Afetos Urbanos

[Essa foto em cor]

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Contos Fotogrรกficos


[MarĂ­lia Oliveira]


O centro de Fortaleza é um organismo vivo, um personagem que teima em resistir e amalgamar as cicatrizes e os sorrisos que se perdem em suas zonas azuis. Os mercados, as praças que são casas, os restaurantes, os trabalhadores, os artistas de rua, as vendedoras de café, os quarteirões com diversas lojas exatamente do mesmo ramo, os furtos, as drogas, os bares, a noite soturna e o dia caótico. O centro é um rapaz que só diz sim. Assiste e se mistura às existências que abraça. Carrega as marcas do tempo que ainda é, sempre é. Alaga, interdita, reabre, recebe. Ele vive. Carrego-o na carne e ele a mim, somos produto um do outro, embora não nos limitemos a isto. Eu reconheço, nas entranhas das ruas, recortes de uma memória minha e me ponho também às memórias alheias que viveram junto comigo este tempo e lugar que se alarga e estreita enquanto teimamos em não perecer. Nenhuma fotografia há de contar a totalidade desse imenso feixe de relações. Ouvimos tantas histórias, nos detivemos a tantos bancos à sombra e ao sol, e ainda assim o que sabemos é mais sugestão e ensaio que verdade. A verdade é que estamos todos vivendo tempos diferentes e concomitantes: são tantos centros dentro de um. O pai que leva bonecas para o conserto, o menino que vende guarda-chuvas, a moça que toma um refrigerante enquanto descansa as sacolas. Tudo existindo ao mesmo tempo e, muitas vezes, sem se dar conta.

Afetos Urbanos

Seu Pirrita, dona Gorete, Cachorrão, Kassiano, seu Valdemar. O carioca pirógrafo que largou tudo pra morar no 10º andar de um prédio na Duque de Caxias. Nada pode dar conta da pulsação de vida que o centro contém. Ele, o personagem principal deste livro e da vida de tanta gente. Ele, que deixa que o olhemos apenas em parte, desvelando em seu emaranhado de cimento e vida lapsos de memória coletiva. Cada marca, cada pintura desbotada, cada recado apaixonado escrito em um muro conta um pedaço de existência. Com o olho através da câmera, mirando a parte invisível da casa-trabalho que o centro é, crescemos pra dentro e pra fora.

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Marília Oliveira Fotógrafa


Downtown Fortaleza is a living organism, a character which stubbornly resists and amalgams the scars and smiles that are lost in its parking spaces. The markets, the squares which are homes, the restaurants, the workers, the street artists, the vendors of coffee, the blocks with diverse stores exactly of the same line of work, the robbery, the drugs, the bars, the grim night and chaotic day. Downtown is a lad who only says yes. Watches and mixes to the existences he holds. Carries the markings of the time which stills is, always is. Floods, interdicts, reopens, receives. He lives. I carry it in my flesh and him me, we are one another’s produce, though we are not bound by it. I recognize, in the bowels of the streets, cut-ups of a memory of mine and put myself also in another’s memory, which lived with me this time and place that widens and narrows while we stubbornly do not perish. No photograph can tell the fullness of this immense gavel of relationships. We hear so many stories, we lingered in so many benches in sun and shade, and still, what we know is more suggestion and essay than truth. The truth is that we are all living different times and overlapped: there are so many Fortalezas within one. The father who takes dolls to repair, the boy who sells umbrellas, the lady who sips a soda while her bags lie resting. All existing at once and, many times, without realizing.

Marília Oliveira Photographer

Afetos Urbanos

Mr. Pirrita, Ma’am Gorete, Cachorrão, Kassiono, Mr. Valdemar. The Rio-born pyrographer who quit everything to live in the teeth floor of a building in Duque de Caxias street. Nothing can retain the pulse of life that downtown Fortaleza holds. It, the main character of this book and of so many people’s lives. It, who lets us stare at it, only partly, revealing in its tangly cement and life lapses of collective memory. Each marking, each faded painting, each lovingly message written on a wall tells a piece of existence. With the eye, through the camera, aiming the invisible part of the working-home the city is, we grow, inward and outward.

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I “O que eu mais gosto no centro é ficar olhando o movimento. Adoro esse monte de gente indo e vindo, esse povão todo.”


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II “O amor é um jogo de xadrez. Você bate nas pedras erradas até chegar na certa.”

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III “Cada vez que alguém passa aqui e fala comigo, meu coração se abre. A gente sente que tem amigo, que tem com quem contar aqui no centro”


"Facial - Facewall" Fortaleza | Centro | 2015


Gratidão é uma palavra bonita e afetiva. É um jeito de dizer que todo mundo caminha junto quando se mistura, se contamina, se dá – por um momento ou por toda a vida – as mãos.

Aurilêda dos Santos Oliveira, Eduardo dos Santos Oliveira, José Wandembergue de Oliveira Júnior, José Wandembergue de Oliveira, Regina Célia Câmara Amora, Emílio Câmara Amora, Luiz Lourenço Amora Filho, Acidum Project, Iana Soares, Maíra Ortins, Cristiane Pires, Thyago Ribeiro, Luana Diogo, Fernando Jorge Silva, Helenira Medina, Seu Pirrita, Vagner Cachorrão, Cristina, Beto, Kauã e Kauane, Chicão, Tonho, Marta, Pirata, Ângelo, Mulambinho/ Benito Ribeiro, Gorete, Débora Sakura de Oliveira, Vanessa Andion, Ifoto, Silas de Paula, Marcelle Louzada, Sérgio Carvalho, Isabel Cunha, Ademar Assaoka, Beto Skeff, Bruno Gomes, Fauller, Diego Xerez, Colégio Estadual Justiniano de Serpa – corpo docente e dicente -, Travessa da Imagem, Sem Título Impressão Fine Art, Temístocles Anastácio, Arminda Serpa, Bosco Luna, Davi Bezerra Alenquer, Lennon Marques, Aretuza Alves, Anita Medina, Lara Vasconcelos, Andréa Fontenele, Mariana Morais, Aurizélia Cunha, Daniel Barroso, Lidianne Limaverde, Tárcia Freitas, Bruna Marques, Paulo Winz, Allan Diniz, Andressa Aguiar, Renata Rolim, Sibele Fernandes, Markos Montenegro, a todos da 3E Engenharia, Elton Gomes, Celso Oliveira, Igor Grazianno, Paulo Amoreira, Sara Síntique, Fernanda Taina, Fernanda Meireles.


Regis Amora

Marília Oliveira

Director of photography at Ifoto. Founding member of Descoletivo. Facilitator of courses/ workshops of photography. The artist has participated in collective and individual expos in Fortaleza, in addition to having works exhibited in Paraíba (Pomar de Corpos), Spain (Corpos) and Portugal (Para Jablonsky, umacidade); has had works published in newspapers, such as O POVO and Jornal da Paraíba, and magazines, such as Revista Digital Photographer Brasil and RevistaOlho de Peixe; experiments, yet, with the audiovisual media. With Descoletivo, he has participated of the Festival Encontros da imagem, in Portugal, in September of 2014, with an exhibition in MuseuPio XII.

Director of IFOTO – Institute of Photography in Ceará –, where she teaches courses of basic photography and develops educational and promotional activities of photography. Founding member of Descoletivo, collective of photographers which executes performances of urban intervention, bringing travelling exhibitions to the streets. She participates in the photographic publication Olho de Peixe, pioneer of its kind in Ceará, currently in the third edition; studies ethnographic research since 2007 with a focus on infancy at extreme risk situations, mapping out Ceará state through the daily experiences of socially vulnerable children and victims of violence. She has participated in Encontros de Agosto, of 2013, with the work “Francisco e Eu”; has participated in collective exhibitions at Centro Cultural Dragão do Mar, Memorial da CulturaCearense, UECE, Etufor, Travessa da Imagem, SESC and at MuseuPio XII, Portugal – at Festival Encontros da Imagem, together with Descoletivo –, and in Joãopessoa, Paraíba, at Festival Mundo.

Marília Oliveira Regis Amora Diretor de Comunicação do Ifoto. Membro fundador do Descoletivo. Facilitador de Curposições individuais e coletivas em Fortaleza, além de trabalhos expostos na Paraíba (Pomar de Corpos), Espanha (Corpos) e Portugal (Para Jablonsky, uma cidade). Teve trabalhos publicados nos jornais O POVO, Jornal da Paraíba, Revista Digital Photographer Brasil e Revista Olho de Peixe. Experimenta, ainda, a linguagem do audiovisual. Com o Descoletivo, participou do Festival Encontros da Imagem, em Portugal, em setembro de 2014, com exposição no Museu Pio XII.

do Ceará -, onde ministra cursos de fotograbro fundadora do Descoletivo, coletivo de fotógrafos que realiza ações de intervenção urbana trazendo à rua exposições itinerande Peixe, pioneira no Ceará, atualmente em sua terceira edição. Investe em pesquisa em situação de risco, mapeando o estado do Ceará através das experiências cotidianas de crianças socialmente vulneráveis e vítimas de violência. Participou do Encontros de Agosto

Apoio cultural

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Integrou exposições coletivas no Centro Cultural Dragão do Mar, Memorial da Cultural Cearense, UECE, Etufor, Travessa da Imagem, SESC e no Museu Pio XII em Braga, Portugal – no festival Encontros da Imagem, junto ao Descoletivo –, e em João Pessoa, Paraíba, no Festival Mundo.

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