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Até o final da década de 20, praticamente toda a infraestrutura para avião no Brasil era aquática, destinada aos hidroaviões. Em São Paulo, o único aeroporto público era o Campo de Marte. Mas você já viu esse filme mudo antes: por sua localização próxima ao rio Tietê, a pista sofria constantes inundações. Com projeto do engenheiro e mais tarde prefeito Prestes Maia, Congonhas nasceu nos anos 30, com forte presença de Art Déco – bebendo da mesma fonte arquitetônica e também dessa década são o Estádio do Pacaembu, a Biblioteca Mário de Andrade, o Viaduto do Chá e vários edifícios residenciais, principalmente no bairro de Higienópolis. Na época, a pujança econômica de São Paulo, com seus mais de um milhão de habitantes e 40 mil telefones, já era visível (hoje essa é a população de Congonhas/mês, com seus respectivos 40 mil celulares/dia entrando e saindo do aeroporto). E esse desenvolvimento literalmente decolou com a chegada dos primeiros aviões de fuselagem totalmente metálica, como os Junkers 52 e o Douglas DC 3, lançados comercialmente em 1935 e 1936, que pesavam 10 toneladas, tinham capacidade para 200 passageiros e atingiam até 200 km/h. (Não faço comparações com os jatos de hoje, porque minha atração por essas máquinas aladas é pequena. Em outras palavras, tenho medo de avião. Na verdade, tinha: certa vez viajei de primeira classe a convite de uma grande empresa e descobri que meu medo é de classe econômica. Primeira classe não cai.)

revista 29HORAS - ed.13 - novembro 2010  

Revista mensal com agenda cultural de São Paulo, distribuída no Aeroporto de Congonhas. Capa: Uma Ode a Congonhas

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