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A REVISTA SEMANAL D´A UNIÃO

www.auniao.com

ROCK FAMILIAR Lusitânia com sucesso apesar da crise. pag 04/05

edição 34.734 · 30 de abril de 2012 · preço capa 1,00 € (iva incluído)


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E-mail: clipraia@gmail.com • Telefone: 295 540 910 • Fax: 295 540 919

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EDITORIAL / SUMÁRIO

ABRIL GASTO TEXTO / Marco de Bettencourt Gomes | director@auniao.com

Caíram este ano alguns feriados nacionais. Ao que parece no próximo ano cairão alguns mais, nomeadamente religiosos. A decisão, embora envolva o Governo do país e implique o respeito pela concordata celebrada com a Santa Sé, não é uma medida política made in Portugal. Aliás, nem sequer é uma medida política. O argumento é outro: aumentar a produtividade e é imposta, cegamente, pela troika. Abril celebra a liberdade democrática e a emancipação dos portugueses e a recusa do fascismo. Por cá continua a ser difícil ser português. Por cá continua a ser difícil sonhar. Por cá continua Portugal a não tratar muito bem os seus filhos. Os trabalhadores não têm trabalho, os casais não têm segurança social, os idosos não têm acesso à saúde, os jovens são tratados como empecilho, os artistas não têm lugar para criar. Inventámos Portugal. Reinventámos Portugal. E agora? Tenho saudades do futuro de Portugal. A ocidental praia está deserta. Há que navegar para novos quadrantes.

SUMÁRIO lusitânia reencontra sucesso

04 deus é feio ou é belo?

08

resurfacing

importância dos tubarões

ambiente com sabores

10

21

“uma noite em ti”

23

a distância é já ali

25

o berço do cristianismo

26

11 bonecos de maio

29

bonita

13

saber arrendar uma casa

14

o corvo encanta

30

um dia

15

touradas de regresso

31

NA CAPA... Rui Soares / pág. 16

Maria nasceu no mundo da música ou não fosse filha e sobrinha de guitarristas de renome – Luís Bettencourt e Nuno Bettencourt, respectivamente. A sua voz e o seu estilo seguem sobretudo os sons do Rock. No futuro espera ver desenhada a possibilidade de gravar um álbum de originais. Mas, para já, a jovem de 18 anos, da Praia da Vitória, quer apostar nas vivências e aprendizagens inerentes à esfera musical. 30 abril 2012 / 03


REVISÃO

LUSITÂNIA REENCONTRA SUCESSO FOTOS / Fausto Costa

O Lusitânia poderá ter dois candidatos à presidência da direcção. O Sport Clube Lusitânia sagrouse campeão da Série Açores, quatro anos após a última participação neste escalão. Ruben Silva, responsável pelo futebol lusitanista, considera que o título da Série Açores é um feito “histórico” tendo em conta as dificuldades que o Lusitânia tem atravessado nos últimos anos. Em relação ao jogo que confirmou a conquista do campeonato, o responsável destaca, mais uma vez, a grande mobilização de adeptos lusitanistas na Praia da Vitória, que ultrapassavam os apoiantes da equipa da casa, naquela que foi uma tarde de festa para a família “verde e branca”. “Os nossos adeptos têm sido um verdadeiro12º jogador ao longo da época e mais uma vez estiveram connosco numa comemoração que demonstrou a grandeza do Lusitânia”. Quanto à próxima época e ao desafio de disputar a II divisão nacional, o dirigente diz que para já é hora de festejar o sucesso, dizendo apenas que “já temos ideias do que queremos para o futuro, vamos para um outro

patamar competitivo mas temos que ter muita moderação e não cometer loucuras de forma a não repetir alguns erros do passado”. Apesar do sucesso desportivo, o dia a dia da agremiação da Rua da Sé continua a ser marcado pelas dificuldades económicas e pelo facto do clube continuar sem uma direcção. O responsável pelo futebol afirma que a comissão continua com energia para continuar a trabalhar mas não deixa de manifestar a sua vontade de que “o sucesso no campo possa traduzir-se em mais ajuda para resolvermos os problemas que temos tido”

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REVISÃO

DISPUTA PELA PRESIDÊNCIA O Lusitânia poderá ter dois candidatos à presidência da direcção. Ao que o nosso jornal apurou, o ex-presidente Paulo Borges, que já admitiu publicamente a sua intenção de candidatura, poderá ter concorrência a uma hipotética corrida eleitoral. Neste momento, está a ser preparada uma lista que integra nomes como Ildebrando Ortins, Jorge Valadão e Mário Santos, faltando ainda escolher a personalidade que encabeçará a direcção. Paulo Borges, por seu turno, tem como intenção estabelecer contactos com os principais credores do Lusitânia com vista a viabilizar a situação económico-financeira da colectividade. A estratégia, de acordo com as nossas fontes, pode passar pela dilatação dos prazos de pagamento junto aos maiores credores. ALMOÇO VERDE A 12 DE MAIO À semelhança do que tem vindo a ser feito nos últimos anos, a Comissão Directiva do Lusitânia está a organizar o III Almoço Verde, a ter lugar no próximo dia 12 de Maio no Salão da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo, em São Carlos. Durante o almoço serão homenageados os elementos da actual equipa de futebol sénior, campeã da Série Açores 2011/2012.

Apesar do sucesso desportivo, o dia a dia da agremiação da Rua da Sé continua a ser marcado pelas dificuldades económicas e pelo facto do clube continuar sem uma direcção.

O BOM EXEMPLO DO ANGRENSE TEXTO / João Rocha / jrocha@auniao.com

O Angrense conseguiu remodelar a sua sede social mantendo o equilíbrio financeiro.

Há sensivelmente um ano o Angrense conseguiu, pela primeira vez no seu historial, o acesso à II Divisão “B” de futebol. O clube encarnado passou para um patamar competitivo superior sem alterar, um milímetro sequer, a filosofia existencial. Manteve uma gestão rigorosa, apostando essencialmente na figura do jogador local. O treinador João Eduardo Alves, com os meios à disposição, conseguiu que o Angrense apresentasse uma performance desportiva absolutamente digna, mesmo falhando o objectivo/ sonho da permanência. Além do mais, o Angrense conseguiu remodelar a sua sede social, mantendo o equilíbrio financeiro na gestão corrente do clube. Ou seja, para um clube ter sucesso há coisas bastante mais transcendentais da bola que batei ou não na barra da baliza…

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REVISÃO / OPINIÃO

EMPREGO OU A VÃ GLÓRIA EUROPEIA TEXTO / Carmo Rodeia

Escrevo “entalada” entre três acontecimentos que não estando totalmente ligados têm em comum as pessoas e um certo ideal de justiça social, de democracia e liberdade. 38 anos depois os portugueses assinalaram o 25 de Abril. Mais do que uma efeméride é um momento de afirmação nacional que importa reavivar. A revolução está feita mas muitos dos seus pressupostos continuam por cumprir: uma cultura de responsabilidade numa sociedade democrática livre, um estado austero e pouco gastador e uma economia ao serviço das pessoas e do desenvolvimento humano. Os tempos hoje são bem distintos. Preservamos (e bem!) o essencial: a liberdade. Mas, continuamos a desprezar a cidadania e a justiça social. O fosso entre ricos e pobres acentua-se e as dificuldades porque passa a esmagadora maioria dos portugueses, e dos açorianos, em particular, não nos dá tranquilidade. O 1.º de Maio que amanhã se comemora é por isso um momento de exaltação do direito ao trabalho de todos, fortalecido pelo dever de trabalhar para garantir um futuro melhor. Para nós e para os nossos filhos. Um país que não dá oportunidades aos jovens (35% de desempregados) e que lhes deixa dívidas diárias está a hipotecar-lhes o seu futuro. Os franceses dão sinais de que estão cansados de um estado faustoso mais atento aos privilégios, à sumptuosidade e aos radicalismos. A 6 de Maio dirão quem será o novo inquilino do Eliseu. Depois da vitória na primeira volta, o socialista François Hollande, com o apoio de toda a esquerda, parte em vantagem, embora os votos amealhados pela extrema-direita de Marine Le pen, sejam cruciais. É a primeira vez, desde o ínicio da quinta república francesa, em 1958, que um presidente recandidato não é reeleito à primeira volta. É sintomática a “raiva” que os franceses manifestaram contra Sarkozy. As pessoas não gostam de predestinados com missões proféticas, quase messiânicas, que nunca têm, dúvidas e raramente se enganam. Sejam de esquerda ou de direita. As pessoas gostam de ser ouvidas. Mais do que aquilo que os políticos possam pensar, quando se arrogam ao direito de serem donos da razão!

PARA QUE O SILÊNCIO SE TORNE GRITO TEXTO / Tomaz Dentinho

Faço parte do Comunhão e Libertação desde há 4 anos. Por volta desta altura do ano realiza-se um retiro com três lições e, no encontro deste ano no Vimeiro, tirei algumas notas que julgo valer a pena partilhar convosco. Na primeira lição partimos da constatação da nossa inconsistência, da diversidade de perspectivas e da persistência do mal, que se confronta com a nossa sede de ser mais e melhor e com a afirmação de que Cristo está e estará con-

nosco. De onde se conclui que o homem só consegue voltar a partir da queda e do erro partindo de Cristo, numa moralidade que parte da humilhação e da humildade para que Cristo preencha o nosso nada. Na segunda lição reafirmase que toda a realidade é feita para o homem e que Deus criou o mundo para afirmar a pessoa. Que importa ganhar tudo se nos perdemos? Para além do moralismo e da piedade precisamos ser leais à nossa humanidade. O eu livre e auto -consciente é tudo o que temos contra o poder efémero da autoridade e do dinheiro. Na terceira lição aprendemos que o Eu não deve ser reduzido ao saber de cada um, numa atitude farisaica de já sabido, mas tem de estar aberto ao espanto de Cristo. As BemAventuranças louvam a fome e a sede para colocar Cristo no coração e não são apenas uma reafirmação das regras morais da Lei de Moisés. E para estar aberto ao espanto é necessária uma caminhada atenta aos sinais de Cristo, que são a verdade, a realidade, numa ambicionada certeza do seu amor para com simples pecadores.

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FERRAMENTAS

O teclado protector TEXTO / Paulo Brasil Pereira

2 em 1: protecção e teclado

Já passaram umas semanitas desde que anunciamos aqui o lançamento do “novo Ipad”. Pelos vistos foi um sucesso de vendas em todo o mundo, foram 3 milhões em três dias. Só eu é que ainda não tenho um infelizmente. Portanto este artigo não é pra mim, nem para quem infelizmente não o comprou...ainda claro! Não existe Ipad sem a sua Smart Cover, que é sem mais nem menos, a capa de protecção que transporta o nosso tablet. Mas a logitech teve uma ideia genial e tornou a Smart Cover ainda mais Smart... tornou-a num teclado, ou seja, a sua capa de protecção é ao mesmo tempo um teclado. Sim, existem inúmeros teclados para

Ipads, mas este teclado é uma boa alternativa aos teclados que já existem no mercado, que são independentes do iPad e causam um volume maior na sua mala, ao contrário deste, que se liga através de bluetooth, tem uma bateria que pode durar até 6 meses (no caso de o utilizar 2 horas por dia) e até o protege de arranhões e poeira. Esta pequena maravilha chama-se Logitech Ultrathin Keyboard Cover, custa cerca de 99€ e começa a ser vendida no final deste mês. Uma outra boa noticia é que se tiver o Ipad 2, não terá que comprar o novo Ipad só para utilizar este teclado, ele é compativel com a versão anterior.

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CIÊNCIA / OPINIÃO

TÉCNICA MELHORA CICATRIZES, RUGAS E MANCHAS NA PELE

RESURFACING PARTE I

TEXTO / Rui Oliveira Soares / Dermatologista

O termo anglo-saxónico Resurfacing significa destruição controlada das camadas superficiais da pele da cara. Controlada, porque é possível determinar a profundidade de destruição, permitindo poupar a parte mais profunda dos folículos pilosos, onde se encontram células que permitem regenerar as camadas superficiais da pele. Esta técnica, que não é nova, pode ser útil na melhoria de cicatrizes, rugas, manchas, e lesões superficiais da pele (queratoses actínicas e lêntigos, por exemplo). Como se faz? A destruição pode ser efectuada de forma mecânica-dermabrasão, química-Resurfacing químico (com ácido tricloroacético, ácido glicólico, fenol, etc), ou usando LASER ablactivo (Erbium ou CO2). Em Portugal, os médicos com formação específica para efectuar estas técnicas são os dermatologistas e os cirurgiões plásticos. Onde se faz? Em bloco operatório ou sala de pequena cirurgia. Esta técnica não deve ser confundida com procedimentos a que ouvimos chamar “peeling”, “microdermabrasão”, “exfoliação” ou “limpeza com microgrânulos”, efectuados por esteticistas ou em casa, que retiram o conteúdo de pontos negros e melhoram ligeiramente manchas ou imperfeições muito superficiais – “poros”. Por vezes, estes procedimentos são oferecidos como panaceia para

envelhecimento cutâneo. No entanto, do ponto de vista científico, não existe evidência de que tenham efeito de médio ou longo prazo na pele, no que ao envelhecimento se refere. No entanto, no imediato, boa parte das pessoas nota um efeito positivo na textura da pele, levando a repetir periodicamente. Podem beneficiar do resurfacing as pessoas com acne já curado medicamente mas nas quais persistem cicatrizes. Algumas cicatrizes muito fundas (ice peaks) carecem de outros métodos além deste (excisão, soltar na profundidade a cicatriz e enchimento); quem tem pele envelhecida. Além de eliminar manchas de envelhecimento e rugas superficiais (não as de expressão), provoca remodelação e deposição de novo colagéneo na derme superficial; e pessoas com manchas pigmentadas extensas da face (Melasma). Embora o método seja eficaz a eliminar as manchas, a repigmentação é a regra no médio prazo. Preferimos, actualmente, para esta situação, utilizar preparados que envolvem três componentes – hidrocortisona, ácido retinóico e hidroquinona – com efeito de melhoria das manchas mais lento, mas mais duradouro. Colaboração: Clínica Médica da Praia da Vitória

Entre o Ser e o Ter TEXTO / Paulo Homem*

A trilogia do ser-pensar-agir é indissociável no ser humano. O homem pensa, pensa-se e age para ser livre. É nesta ação que afirma a sua especificidade, mas sendo natureza, ao agir sobre ela, age também sobre si próprio. Se a natureza é mera reação e impulso e o animal mero instinto - embora alguns animais sejam dotados de uma inteligência prática - o homem tem uma tarefa distinta inerente à sua condição de ser racional. Apesar de 30 abril 2012 / 08


MONTRA / OPINIÃO

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também reagir por impulso, o homem tem imperativos intrínsecos à sua condição que o obrigam a ser mais que isso: tem a responsabilidade não só de re-agir mas também de agir; não só ser mero instinto, mas pensar esse instinto e agir em conformidade com o pensamento. Não fazê-lo é ser “anti-natura”, pois o ser humano foi dotado de capacidades únicas, de estruturas que lhe permitem ser, no dizer do filósofo Max Scheler, qualitativamente diferente dos outros seres animados. Contudo, na sociedade moderna o

im dit,interessa veniendae simaximod que é Ter. Ostentarmolorpo marcas ressund igendis non conessit reperae de classe, promover a saturada imacuptatur? voluptur? Poreium gem em Siminte detrimento de dimensões am, quas mi,éticas, voluptus, as porrorenis valorativas estéticas, políticas pra dolut quam, quia derum, natibuse religiosas. toÉ illa nonecea cusdam alignimporro a Filosofia que inscreve esses valoque ex etum ut lam lam res no mundo para que aaut vidalaborias humapedignimenis excea volorro ma na ultrapasse a simples posse dederobnatquam aut molesequata dis acende repuda jectos e seja plena. É ela que sam voleceriae magnimpos a luzresera que permite ver eidtocar o outro: sum sincit quas alitemod ipsundiverdadeiro motor de umet percurso tium explabo. Ebit fugit, sitiae eicim “com-sentido”. dem simus eicit qui aut aut expelit as et *porio. Offictur? sadaa aluno de Filosofia e Illaut Culturaquatur Portuguesa lendam Aniatur aut modi cuptat Universidade dos Açores

21 30janeiro abril 2012 2012//09 09


CIÊNCIA

IMPORTÂNCIA DOS TUBARÕES TEXTO / Ricardo Cordeiro*

O crescente aumento nas capturas de tubarões pelágicos nos Açores tem levantado questões relacionadas com a necessidade da sua protecção, pelo que convém explicar a importância ecológica dos tubarões nos oceanos. Os tubarões estão presentes nos oceanos há cerca de 400 milhões de anos. Desde então, têm desempenhado o papel de predador de topo nos ecossistemas marinhos onde se inserem, sendo responsáveis pela regulação e manutenção do equilíbrio dos oceanos. Os tubarões ao limitarem as populações das suas presas, afectam as presas desses animais e assim por diante, num efeito de cascata ao longo da estrutura da comunidade marinha. Uma vez que a sua função é regular a abundância, distribuição e diversidade das espécies dos níveis inferiores da cadeia alimentar, os tubarões influenciaram a evolução da maioria das espécies que vivem nos oceanos. O desaparecimento dos predadores de topo num ecossistema marinho pode potenciar a predação desmesurada por organismos de níveis inferiores da cadeia ali-

OS TUBARÕES ESTÃO PRESENTES NOS OCEANOS HÁ CERCA DE 400 MILHÕES DE ANOS mentar, o herbivorismo excessivo e o aumento da concorrência por espaço e alimento, o que acaba por afectar a riqueza e abundância de espécies dentro do sistema. Devido ao seu crescimento lento, tardia maturação sexual e baixa capacidade reprodutiva, os tubarões são muito vulneráveis à pesca comercial, que tem sido responsável pela redução dos efectivos populacionais e pelo risco de extinção de inúmeras espécies. Estima-se que anualmente são capturados mais de 100 milhões de tubarões. Em conclusão, o papel dos tubarões na manutenção do equilíbrio ecológico dos oceanos não pode ser subestimado. A depleção ou desaparecimento dos tubarões é susceptível de desestabilizar irreversivelmente os ecossistemas marinhos. Convém lembrar que 50% do oxigénio que respiramos provém dos oceanos. Em última análise, poderá estar em causa a sobrevivência do Homem. *Biólogo marinho

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MESA

UMA NOITE COM LINA CAVALIERI TEXTO / Joaquim Neves

Ópera seria um tema de fundo, Paglacci definitivamente não.

21 x 7 olhos

Com três amigos bávaros fomos jantar ao Ambiente com Sabores. No restaurante, não nos apeteceu ambiente verde fresco saladas primaveril, nem estávamos com pressa de vermelho almoço, nem dada à hora romantismos também vermelhos caídos em tentações de chocolates e Maria Amélias. Optamos por uma serenidade tranquila calma de cinza. Mas mais de 21 vezes 7 pares de olhos acompanhavam-nos. Não eram intimadores. Nem críticos, nem acusadores. Olhos que preferiam partilhar só na sala ao lado. Cátia, a dona do Ambientes, esclareceu-me tratarem-se dos olhos de Lina Cavalieri, cantora de ópera italiana, reapresentada pelo designer Fornasetti. Estreou-se, quem diria em Lisboa, ano 1900 como Nedda em Pagliacci de Ruggero Leoncavallo, e no mesmo ano casou com um paspalho dum príncipe russo. E lá foi cantando mundo fora. E pode-se reencontrar na Terceira, exactamente onde estava, no Ambiente com Sabores. Canta, baixinho, encanta. Assim, gratui-

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MESA

tamente, silenciosamente cantava para mim, nós e quem vem sentar-se nesta sala. Come com os olhos e com os sabores. Se a Lina por si só já é um regalo de olhos, também a comida. Quando olhos comem, paladar corresponde e ambiente envolve o mundo está certo e em ordem. Qualquer tentativa de descrever a originalidade dos pratos e sua apresentação, coragem de experimentação e originalidade de combinações resumem-se a excelente. Por isso só surpreendente. Ópera seria um tema de fundo, Paglacci definitivamente não. O jantar não caiu em tragédia, caiu mais em graça a todos nós. O prólogo foi a apresentação a escolha e decisão sobre provar vinho branco regional. O primeiro acto quatro variantes de entradas frias e quentes, partilhadas em troca de garfos, que no segundo acto acelerou e rodopiou quatro variantes de pratos entre peixe, carne e massas, sucessivamente trocados e passados adiante entre nós ao olhar atento da Lina que não nos deixava por um momento só. Introduzimos à ópera um terceiro acto: doces, não terminando em facadas à Neda ou uns aos outros, nem terminamos exclamando Pagliacci o Canio: “ A comédia acabou.” Mas merecia uma introdução como no segundo acto da ópera com tambores. Se cai em traição como Neda, só pode ser a mim mesmo, trai-me reconhecer um lugar ou ambiente onde se cozinha muito melhor do que eu seria capaz de fazer. Para nós acabou o jantar, se pudéssemos, repetiríamos do princípio para saborear tudo mais uma vez. É uma ópera, quero dizer jantar, que poderia ouvir, quero dizer degustar muitas vezes mais. Lina pode sempre voltar jantar comigo e lhe exclamarei: “ O jantar começou.” Nota: Ambiente com Sabores, rua Direita, Angra.

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LINA

Receita

Chocolate = Tentação = Mousse

Henri de Toulouse-Lautrec, artista, inventou a mousse de chocolate no início do séc. XX, a que inicialmente chamou de maionese de chocolate. A Mousse, do francês que quer dizer espuma, feita de ovos e/ou nata em combinação com outros ingredientes que lhe dão sabor, como o chocolate ou frutas. As claras de ovos são batidas em neve e depois incorporadas aos outros ingredientes. Refrigerado, mantém-se alterado. De tantas formas de fazer só uma sugestão: Junte meia a uma colher de chá de pimenta cayenne ou piri-piri em pó. Ingredientes: 200g de chocolate meio-amargo; 100g de manteiga com sal; 9 gemas; 6 claras; 8 c. de sopa de açúcar. (variantes cheirinho: baunilha ou nozes, amêndoas, avelãs torradas; porto, brandy, cognac, verdelho etc…) Derreta o chocolate em banhomaria com a manteiga. Bata as gemas com o açúcar até esbranquiçar. Adicione o chocolate derretido, a pimenta, e mexa bem. À parte, bata as claras muito bem em castelo e depois incorpore gentilmente com a outra parte e variantes. Coloque como achar melhor, taça ou tacinhas, leve a resfriar. Que quando comer vai aquecer. Eu ainda gosto bater chantilly para pôr por cima… e a cereja só mesmo se pedido.


PALAVRAS

BONITA TEXTO / Miguel de Sousa Azevedo

Passo os dedos, ao de leve, por um rosto meigo ... Imagino flores e sóis de mil cores, luas-doces com sabores, tudo que o faça brilhar tudo que o possa despertar, acordá-lo ao amor de uma manhã. Cabelos lisos e macios, ao de leve, tapam e enfeitam o rosto meigo... Imagino uma viagem ao vento, por um chão sem lamento, tudo que os faça voar.

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Rua da Palha, 25 • 9700-144 Angra do Heroísmo Telefone: 295 212 544 • Fax: 295 216 424

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RETRATO

SABER ARRENDAR UMA CASA TEXTO / ACRA / Angra do Heroísmo

O arrendamento de uma casa para habitação constitui uma opção alternativa para quem, por alguma razão, não pretende avançar para a compra de um imóvel. Mas, antes de celebrar um contrato de arrendamento, tenha em atenção: nunca deixe de ler, com toda a atenção, o conteúdo do contrato,

pois grand e parte do regim e legal d o arrendamento pode ser afastado pelas condições estabelecidas nesse contrato; verifique o estado da casa e, caso esta esteja deteriorada e tenha defeitos, inclua no contrato uma cláusula que os descreva; vaso se trate de uma casa já mobilada, junte ao contrato um documento onde descreve todo o mobiliário e equipamento, bem como o seu estado; não se esqueça: Se o contrato não estabelecer nada em contrário, a lei presume que a casa, o mobiliário e todo o equipamento lhe foram entregues em bom estado. O contrato de arrendamento tem de ser celebrado por escrito, caso tenha uma duração igual ou superior a seis meses. Se for inferior a seis meses não tem de ser escrito. É obrigatório ficar estabelecido no contrato a data de celebração, a sua duração e o preço da renda; Se o contrato nada referir sobre a realização de obras e estas forem necessárias para a conservação ou manutenção geral da casa o inquilino deve solicitá-las ao senhorio, através de carta registada com aviso de recepção, estabelecendo um prazo razoável.

VIVER “SOZINHO” NO MEIO DOS OUTROS TEXTO / Adriano Batista

ISOLAMENTO COMUNITÁRIO

Vivemos inseridos numa sociedade cada vez mais comodista e consumista, onde as pessoas vivem isoladas umas das outras. A maior parte de nós nem os vizinhos conhece. Vivemos num isolamento humano profundo e nunca antes visto. Vamos diariamente a um determinado café, e a conversa com o/a funcionário/a é sempre a mesma. “Olhe, um café por favor”, isto se houver o mínimo de educação, pois educação é algo que se procura, algo que aparece já nos anúncios publicitários como “perdido”. Vamos a uma tabacaria comprar o jornal, e apenas abrimos a boca para perguntar “quanto custa” o dito jornal, ou eventualmente para dizermos um “até amanhã”. Vamos a um supermercado, “entulhamos” o carrinho de compras com o que necessitamos, chegamos à caixa de pagamento, e nem abrimos a boca porque o funcionário fá-lo primeiro dizendo aquilo que queremos saber, o preço de tudo o que levamos. Assim sendo limitamo-nos a “puxar” o dinheiro ou o cartão de crédito, pagamos e andamos. Vendo bem as coisas, entramos em 10 lojas durante um dia, e proferimos 10 ou 15 palavras. Um simples “obrigado”, um “quanto custa” entre outros… É esta a sociedade que nos deixaram e será esta a sociedade que vamos deixar aos outros se a mudança não partir de nós próprios. Temos nós de ser “o fermento na massa”, ou continuaremos inevitavelmente a viver “sozinhos” no meio dos outros… 30 abril 2012 / 14


OPINIÃO

UM DIA TEXTO / Pe. Teodoro Medeiros

ruptos? Isso fazia sentido? “Com tanta descredibilização que a vida política vai conhecendo, quem se arriscaria a fazer uma afirmação dessas?” O promotor de justiça sorriu, com assentimento, e perguntou-lhe se estranharia se o tribunal decidisse aplicar-lhe a pena máxima prevista. X retorquiu que tinha muitas esperanças de ser declarado inocente. “Como será isso se há provas e já admitiu a sua culpa?” “A verdade é que o meu jornal é uma obra de ficção: não me podem acusar de nada”. Burburinho. Silêncio. Burburinho e silêncio quase simultâneos e remexer dos papéis do processo, a ver alíneas e leis e olhares, uns atrapalhados, outros meramente incrédulos. E eis que X explica devidamente o seu ponto de vista inesperado: o jornal estava devidamente assinalado como puro exercício literário. Era um espaço de criatividade, sem mais. Mas como chegara tão longe o processo judicial? Como fora possível que ninguém se tivesse dado conta? Quem tinha falhado? O plano funcionara em cheio: durante meses a fio, o site tinha assumido uma rara componente noticiosa. Foi o suficiente para que todos se esquecessem do declarado propósito de inventar. Não leram as letras pequenas. Lixaram-se. X pediu para falar ainda uma vez. Explicou que acreditava no poder da palavra. Que se fala e escreve muito mas se comunica pouco. Que os homens são ilhas. Referiu que o Homem não criou o amor nem a esperança. Recordou que a linguagem é a invenção maior da humanidade. Que é a arma do espírito. Que é desprezada por muitos. Que não conhece limites e constrói redes invisíveis nos retalhos da civilização. Houve quem o aplaudisse de pé. E foi citado em todos os jornais.

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O promotor de justiça apresentou com calma os factos: tinha escrito várias notícias falsas sem nenhum aviso. “Concorda que é um comportamento condenável?” foi-lhe perguntado. Ele retomou o mesmo ar sereno que o caracterizava desde a juventude. Transpirava tranquilidade e paz, como se a vendesse, como se a oferecesse. Pediu para se levantar e isso lhe foi prontamente concedido. Quando falou, tinha presente tudo o que fora referido. Tinham sido várias peças noticiosas apresentadas no jornal digital, consumo de todos os internautas do mundo. Tinha sido cuidadoso: as suas notícias tinham tido título, lead e o revestimento de verosimilhança que provocara os enganos e sustentava as acusações. Começou por referir ao tribunal um exemplo: a notícia de 25 de Abril. Nesta, descrevera como o Presidente da República em exercício teria declarado que tal feriado era “inútil”. Os quê, quem, quando e onde não podiam ser mais explícitos: dava até espaço a interpretação e às famosas entre-linhas. Aqui, como se compreende, esta crónica evita referências a nomes, a ver se não se incorre em erro semelhante. X assumiu que era matéria grave e subversiva o referido texto: poderá alguém difundir ideias erróneas sobre a sociedade? Poderá fazê-lo colorindo frases próprias com o nome da mais alta figura do Estado? Isso era agora afirmação própria apresentada com voz firme e clara. Antecipara as conclusões. Mas porque se mantinha calmo? Dava até a impressão de se sentir feliz. Em abono da verdade, prosseguia ele, deveria ter sido descoberto muito antes. Quem acredita numa notícia que destaca, em manchete, que um membro de um gabinete governamental assumia que todos os políticos são cor-


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ROCK FAMILIAR


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O seu tipo de sangue é Rock e flui ao som de bandas como Beatles ou Led Zeppelin. Com 18 anos de idade, Maria Bettencourt dá continuidade a uma família de músicos açorianos, artistas de guitarra, espalhados pelo mundo, entre os quais o seu pai Luís e o seu tio Nuno. A jovem residente na Praia da Vitória começou a cantar ao lado do segundo, há oito anos, e vai traçando o seu percurso ao toque dos acordes musicais do primeiro. Embora familiar, diz que a relação em palco é sobretudo profissional. Há concertos principalmente nas ilhas Terceira e São Miguel. São intimistas e primam pelo talento e pela naturalidade dos seus intérpretes. Um dia pretende gravar um álbum de originais. Mas sem pressas. Interessa-lhe muito mais a música, o palco e a aprendizagem. Os Açores representam o seu cenário de origem e o seu aconchego. Considera que ser ilhéu reside no sentimento e, por isso, desvaloriza uma possível explicação. Possui (até ao momento) seis tatuagens no corpo – um vício confessado. E um coração em flor.

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TEXTO / Sónia Bettencourt sonia@auniao.com FOTOS / Rui Soares

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DESTAQUE

Revista “U” (U) - O José Cid canta “eu nasci para a música”. Este sentimento aplicase à Maria Bettencourt? Maria Bettencourt (MB) – Sem dúvida! Não me lembro de ter decidido “quero ser cantora” ou “quero fazer carreira no mundo da música”. É algo que esteve presente na minha vida desde criança. U – A edição de 2004 do Festival Maré

cia, tentarei fazer o melhor que sei. U – No seu percurso, quase a somar uma década, e partilhando sempre o palco com o seu pai, em diferentes ilhas dos Açores e vários pontos do continente, quais foram as mudanças mais significativas a nível de interpretação, estilo, referências e de visão da área musical nos Açores e no mundo?

Seis tatuagens. Nada comparado com as que ainda pretendo fazer

de Agosto, em Santa Maria, marcou a sua estreia em palco. E neste caso ao lado do seu tio Nuno Bettencourt então membro dos Extreme. O que guarda na memória desse dia? MB – Lembro-me praticamente de tudo! Tinha 10 anos na altura. Os Extreme dedicaram-me o concerto antes de subirem ao palco. Cantei Bring Me to Life, dos Evanescence, às 6h00 da manhã, com o Gary Cherone a empurrar-me, porque não queria subir ao palco de maneira nenhuma. Era demasiada a vergonha. Mas ainda bem que o fiz, pois vai permanecer na minha memória, sobretudo por ter partilhado o palco com o meu tio, um dos meus músicos preferidos. U – Passados três anos, é a vez de subir ao palco para cantar com o seu pai Luís Bettencourt, na Praia da Vitória. Como funcionou a vossa relação: pai e filha ou dois músicos? MB – Como dois músicos. É óbvio que tenho um orgulho enorme em partilhar o palco com o meu pai, não só pelo músico que é mas também por ser da minha família. Mas tento olhar para ele como mais um membro da banda. Da parte dele há muito respeito, se bem que chocamos algumas vezes por termos feitios parecidos, ou mesmo iguais. Ele, por seu lado, trata-me também como um membro da banda e não como filha e isso ajuda-me bastante a manter o profissionalismo. U – Sente mais responsabilidade por descender de uma família com nome, trabalho e talento reconhecido além-mar na música? MB -Tento sempre dar o meu melhor quando subo ao palco. Umas vezes sintome satisfeita com o meu trabalho, outras não, como tudo na vida. Mas não sinto muito essa responsabilidade, porque independentemente da minha descendên-

MB – O cenário musical tem crescido imenso nos Açores. Cada vez existem mais bandas e mais gente interessada em trabalhar na música, e com qualidade. Muitas delas estão ligadas ao Rock, o que é óptimo! A nível mundial, a coisa está mais complicada. Qualquer pessoa faz música devido à facilidade das novas tecnologias. Muitas vezes a quantidade interessa mais que a qualidade. U – Neste sentido, actualmente, o número de jovens interessados em cantar ou tocar parece mais elevado do que nunca. Podemos por um lado referir fenómenos como Justin Bieber e Hannah Montana e, por outro lado, a promoção de programas televisivos como Ídolos ou Operação Triunfo. Estamos a falar de talentos musicais realmente ou de oportunidades de fama e dinheiro? MB – Embora não oiça Justin Bieber e Hannah Montana/Miley Cyrus, considero ambos possuidores de grandes vozes. São alvos de muito ódio por parte dos Média e até do público, mas por alguma razão alcançaram o topo. De resto, admito que não sou grande fã de programas de televisão do género.

Sinto que tenho muito para aprender

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São mais uma máquina de fazer dinheiro. Valorizam a aparência face à voz. Não tirando o valor de todos que por lá passam, é claro. U – Qual é o seu género musical preferido e quais são os ‘covers’ que ocupam o top 5 da sua tabela? MB – O Rock, sem dúvida alguma. Mas interesso-me muito também por Pop e R&b. Em relação aos covers, a pergunta já é mais difícil. Talvez Gravity, do meu tio; Rock & Roll, de Led Zeppelin; Domino da Jessie J; Lucy in the Sky With Diamonds, dos Beatles e Jar of Hearts, da Christina Perri. Se bem que este meu top é relativo porque estou sempre a mudar de opinião em relação às músicas que mais gosto de cantar. Tudo depende da minha disposição. U – Para quando a apresentação de temas originais? Há perspectivas? MB – Por enquanto não há nada preparado. Sinto que tenho muito para aprender com o meu pai e com os músicos com quem tenho o prazer de partilhar o palco, como o Michael, o Raul Cardoso, o Ricardo Silva e o Paulo Fonseca, entre muitos outros. Mas é algo que quero fazer. Tudo a seu tempo. U – Vai a caminho dos 19 anos de idade. A ideia é prosseguir os estudos académicos nos Açores ou fora da região? MB – A ideia, por enquanto, é continuar nos Açores e subir palcos ao lado do meu pai e um dia mais tarde ir viver para Londres, ou Boston e tentar a minha sorte na música. Não pretendo prosseguir os estudos. A minha área é mesmo o palco. U - É relevante para si a presença constante do mar e da bruma? MB – Sempre tive o mar e a bruma perto de mim. É a tal magia dos Açores... E não os troco por nada. Ser ilhéu não se explica, sente-se. Não podemos fugir disso. U – A Maria possui um estilo e uma imagem muito próprias que evidenciam a sua ligação à música sobretudo ao rock. Trata-se de uma afirmação natural enquanto jovem ou um complemento artístico inseparável do meio musical? MB -É uma afirmação natural. Quando comecei a ter este estilo mais ‘rock’, muita gente dizia que era uma “fase”, “a fase do preto”, mas a verdade é que essa “fase” já dura há mais de cinco anos, quase seis. Não me esforço para parecer assim. É desta maneira que me sinto confortável sendo claro que o Rock influencia muito isso, mas é uma coisa natural e não um complemento artístico. U - Ao todo são quantas as suas tatuagens? E o que a motiva a fazer esta forma de arte no corpo? MB – Vou em seis. Nada comparado com as que ainda pretendo fazer. Nem sei bem porque comecei com isto. Aos 14 anos pedi aos meus pais para fazer uma pequena tatuagem no pulso relacionada com música. Assim aconteceu e, a partir dali, nunca mais parei. É realmente um vício, mas o mais importante é ser uma forma de expressão e de arte. É algo de que aprecio.

Ser ilhéu não se explica, sente-se


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Rua da Rosa, 19 9700-144 Angra do Heroísmo Colaboradores: tel. 295 216 222 ACRA - Angra, Adriana Ávila, Adriano Batista, fax. 295 Lima, 214 030 António Carlos Elavai, Carmo Rodeia, Duarte Nuno Chaves, Filipe Leite, Francisco Nogueira, Frederica Lourenço, Gianfranco Ravasi, email. u@auniao.com Joaquim Neves, José Couto, José Júlio Rocha, Juliana Couto, Leocádia Regalo, Colaboradores desta edição Miguel de Sousa Azevedo, Paulo Brasil Pereira, colaborador 1, colaborador 2, Ricardo Cordeiro, Rildo Calado, Sónia Narciso, colaborador 3 Teodoro Medeiros, Tomaz Dentinho e Valéria Rocha Design gráfico Contribuinte n.º 512 066Lourenço 981 Frederica n.º registo 100438 Assinatura mensal: 9,00€ Preço avulso: 1€ (IVA incluído) Tiragem desta edição 1600 exemplares Média referente ao mês anterior: 1600 exemplares

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ENSAIO

DEUS É FEIO OU É BELO? TEXTO / Gianfranco Ravasi / Presidente do Conselho Pontifício da Cultura Tradução / SNPC

A arte é, se quisermos, a narração visual da experiência de encontro com um rosto, uma palavra, uma imagem verdadeiramente visível porque incarnada. São Paulo irá mais longe, completando cristológica e cristãmente a doutrina da “imagem-ícone” de Deus desenvolvida em Génesis 1,27 («Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher»). De facto, ele afirma que os cristãos, como filhos adoptivos de Deus, são predestinados a serem “uma imagem (eikôn) idêntica à do seu Filho, de tal modo que Ele é o primogénito de muitos irmãos” (Romanos 8, 29). O cristão é, por isso, imagem da imagem de Deus e a arte é o ícone da imagem da imagem, pois através dos vários rostos humanos ela recompõe o rosto de Cristo que é revelação do rosto divino. Como afirmava Macário, o Grande, na sua Iª Homilia, «A alma que foi plenamente iluminada pela beleza inexprimível da luminosa glória do rosto de Cristo, fica cheia do Espírito Santo (...) e torna-se toda ela olhos, toda luz, toda rosto» (Patrologia Graeca XXXIV, 451). Façamos aceno a uma pergunta talvez ingénua mas, sem dúvida, fascinante: é possível dizer algo mais sobre o rosto de Deus, através da Incarnação [de Jesus], para que a arte adquira uma espécie de cânone figurativo? Há um silêncio nos Evangelhos que não dedicaram nem uma linha ao perfil físico de Jesus de Nazaré, nem sequer o Evangelho de Lucas, dito o “pintor” (de acordo com a tradição). Ora, a cultura cristã enveredou não por uma, mas por duas vias e antitéticas. Ambas têm, todavia, uma sua verdade. Primeiramente, a partir do século III, os Padres da Igreja quebraram o silêncio visual e imaginaram o rosto de Cristo moldado pelo

Ábside com Pantocrator

seu sofrimento redentor, o rosto da paixão e morte que o célebre passo de Isaías, do canto quarto do Servo Sofredor, ilumina: “Sem figura nem beleza. Vimo-lo sem aspecto atraente ... diante do qual se tapa o rosto” (53,2-3). Orígenes resumiu isso de forma lapidar: Jesus era pequeno, feiote, semelhante a um zé-ninguém. Pode ser surpreendente, mas aqui chegados, devemos dizer que até a fealdade pode salvar o mundo, invertendo assim a célebre e citadíssima afirmação de Dostoievski. A lógica da Incarnação compreende também o sofrimento de Deus, o corpo martirizado, a posteriora Dei, como Lutero ousava definir

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ENSAIO

o perfil de Cristo crucificado. O seu rosto reflecte a face banhada de lágrimas dos irmãos e irmãs do “primogénito entre muitos irmãos”. Neste sentido, é uma “fealdade” nobre que fala de Deus e que impede todo o kitsch devocional, todo a esteticismo triunfalista, todo o maneirismo. Contudo, é preciso reconhecer que o ponto de chegada da vida de Cristo não é a Sexta-feira Santa, mas “o Domingo da vida”, para usar livremente uma locução hegeliana, ou seja, o alvor da Páscoa que é por excelência o definitivo “dia do Senhor” (Apocalipse 1,10). Não é por acaso que a Primeira Carta de João define Deus como Luz (1,5). A partir daqui inaugurouse uma outra estrada figurativa que os Padres da Igreja exaltaram a partir do século IV, e fizeram prevalecer na tradição artística posterior. Usando os modelos da estética clássica greco-romana, absorvendo até frequentemente a tipologia figurativa das divindades pagãs ou dos filósofos da antiguidade, propôs-se um Deus belo e radioso, um Cristo apolíneo, irradiando luz como o sol, segundo o passo do Salmo 45,3, submetido a uma releitura alegórico-messiânica: “Tu és o mais belo dos filhos dos homens”. Apesar de Santo Agostinho repetir que “ignoramos totalmente qual seja o rosto” real de Cristo, foi esta a imagem divina que se impôs, reforçada em milhares de representações admiráveis em séculos da melhor arte cristã, mas também na superabundância monótona e repetitiva dos copistas. Na verdade, os dois itinerários iconográficos oferecem um contributo para representar o Deus bíblico que é, sim, transcendência e luz, mas também é Emanuel, pronto a caminhar pelos percursos da história e a tocar os corações com o

Cristo invertido de Salvador Dali

seu Filho feito homem. À luz desta perspectiva torna-se emblemática a síntese operada pelos vários Pantokrator colocados nas absides das grandes basílicas antigas: o Cristo triunfante e glorioso aparece em todo o esplendor da sua beleza, mas traz bem visíveis os estigmas ensanguentados da sua paixão. Deus invisível e visível, transcendente e próximo, glorioso e sofredor. Eis a arte, a quem cumpre não só apresentar o fenomenológico, mas o mistério subentendido (o Inconnu, como dizia o poeta francês Laforgue). Quando a arte se faz religiosa, deve procurar sempre unir de maneira harmoniosa o Infinito e a carne, o Eterno e a história, o Filho de Deus que é Jesus de Nazaré.

REM – Losing my religion, director - Tarson Singh, 1991

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FOTÓGRAFO

“UMA NOITE EM TI” TEXTO / José Couto FOTO / Jorge Medeiros

um pavor à alegria, uma solidão, um tudo feito de nada. Descobri-me na assimetria desta tua existência.

E pareceu-me cheirar jasmins e ouvir pássaros nas escadas das tuas coxas redondas.

Sufocaste-me no tempo que existe atrasado em ti. No latejar das veias deixei-me esvair em convulsões de prazer. E cansado deixei-me morrer dentro de ti.

E pareceu-me cheirar jasmins e ouvir pássaros As palavras dormiam inclinadas so- nas escadas das tuas coxas redondas. bre os sonhos, como serpentes que se dobravam no Mas afinal eram glicínias nos teus olhos teu cabelo. Beijei-te a boca em soluços e em es- e uma fogueira do santo ofício que me ardia em culpa pasmos dormi contigo. por não te ter resgatado do sono. Os teus lábios de vinho eram ventre E ali fiquei… à espera que o tempo passasse de fogo. Em cada pedaço de ti havia uma noi- a deixar espalhar a noite nos meus próprios dias te sacrificada, 30 abril 2012 / 23


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OPINIÃO

A DISTÂNCIA É JÁ ALI TEXTO / Pe. José Júlio Rocha

Os Açores não têm montanhas. Têm picos, cabeços, montes, serras. Ninguém chama montanha à Serra do Cume ou à de Santa Bárbara, ao Monte Brasil ou ao Pico da Bagacina. Etc. Porquê? Acho que porque os Açores não têm montanhas. Têm uma só Montanha. E todos sabemos qual é. Estive alguns dias na ilha do Pico e, como em todas as vezes que lá estive, fiquei preso a um respeito, algo primitivo, por aquela presença contínua, silenciosa de majestade. E depois há aquelas pedras negras, contorcidas à volta de si mesmas como massa de pão, a desafiar o mar todos os dias, naqueles movimentos estáticos. Numa fotografia, podemos ficar com a impressão de que o mar está parado e é a pedra que rebenta contra o oceano. É ali que nascem as vinhas, plantadas na pedra, mergulhadas nas fendas, pedra e mais pedra sobre pedra, um moinho flamengo a arrebitar, e, de vez em quando, casas de pedra. Há por ali um porto, num lugar chamado Calhau, todo ele em pedra negra rebordada a cal, como muitas vezes se vê nas casas de lá. É uma majestade sólida, escura, imponente sobre o mar. Faz lembrar, para quem viu, aquele porto do filme «A Amante do Tenente Francês», onde Meryl Streep se punha, mesmo na ponta do cais escuro, a olhar o negrume do mar bravio e o cinzento do horizonte, à espera que alguém volte ou, simplesmente, à espera de partir, coisas que nunca acontecem em certos filmes e, sobretudo, em certos portos escuros. Naquele porto, o Faial estende-se, não muito longe, suave, com a Horta aos pés, a trancar o horizonte. Uma grua escura envelhece sozinha. Não há um barco, um sequer para dinamizar a utilidade daquelas pedras ordenadas. Acho que assim é mais belo. Há uma solidão intrínseca à negrura daquelas pedras, um diálogo entre mar e pedra, sem terra nem outros intérpretes, para ali a medir a eternidade. Em São Mateus, a montanha aproxima-se demasiado. É quase insuportável. A ilha é grande, com pouca gente, e tem, ainda por cima, aquele colosso. Tudo é distante e parece que, mesmo quando segredamos, a montanha faz ecoar o som dos nossos sussurros. E persegue-nos, silenciosa e distante, como perseguiu Raul Brandão há quase noventa anos, para quem o Pico era «... a mais bela, a mais extraordinária ilha dos Açores, de uma beleza que só a ela lhe pertence», uma espécie de outro Adamastor que, no entanto, no seu silêncio, o estonteava: «Esmaga-me esta negra solidão. (...) É um sítio para estar calado...». Proximidade e distância, mar e terra em concubinato, imensidade desmesurada e eu ali, a ver o Pico tapar uma parte do céu, a sensação que, se gritasse, a montanha me devolveria o grito três vezes mais forte, três vezes mais lento, três vezes repetido. E depois há o mar que os homens do pico conhecem ao palmo, a rota das baleias que, em silêncio, dão ainda mais grandeza àquela ilha que parece sempre distante, mesmo quando se está lá. Há as ilhas em frente, que fazem o mar mais pequenino do que é quando, por exemplo, estamos aqui, na Terceira. Mesmo ao levantar vôo, acompamnha-nos aquela imensa massa de pedra que persegue o avião num silêncio. Há uns meses, se se lembram, o céu estava tão límpido e seco que se via São Miguel da Terceira. Nesse dia, de Angra para São Mateus da Calheta, parei para ver uma paisagem. Tratava-se do Sol que, em pleno inverno, se escondera por detrás da montanha do Pico. O contraste recortava a montanha de um negro absoluto. À volta, o céu estava de um vermelho que amarelava até ao azul e à escuridão mais acima. O mar tinha uma tonalidade azul turquesa, quase intenso, quase verde. Se calhar até há algum ou alguns lugares mais belos que os Açores. É possível. Arrisco até que seja provável. Há quem diga que certamente existem lugares mais belos que os Açores. Há também quem diga que não. 30 abril 2012 / 25


PARTIDAS

VOANDO SOBRE O BERÇO DO CRISTIANISMO TEXTO E FOTO / Leocádia Regalo

Cinco horas. A noite na Capadócia está sereníssima. Um luar difuso ilumina o céu ainda estrelado. Abro a janela do quarto de hotel e respiro o silêncio espantoso da paisagem, esculpida pelo vento e pela água em formações geológicas únicas, que se estendem por vales e desfiladeiros com formato de cones. São as chamadas “chaminés de fadas” a sobressair num mar de rocha, fantasmagórico, envolvidas em sombra, no recorte pronunciado dum horizonte de vértices. Curiosa, aventuro-me numa partida duplamente excitante. Como será voar uma hora de balão, em pleno ar, quando nasce o sol? Como será sobrevoar uma região surpreendentemente

fascinante, que constitui um peculiar museu ao ar livre, no coração da Anatólia? Chegados ao local da largada de balões, deparamos com um número elevadíssimo de turistas. Somos recebidos com café bem quente e saborosos bolos secos, enquanto os balões, estendidos sobre várias pistas, vão sendo insuflados e se preparam para descolar, à força de gás que incendeia em clarões a madrugada. Enormes, multicolores, exibindo a bandeira turca, com cestas para 24 pessoas, são dirigidos por pilotos competentíssimos, que os fazem subir, planar, descer, com uma perícia notável. Sinto uma emoção inexplicável – estamos a voar sobre o berço do Cristianismo. As igrejas rupestres, escavadas nas rochas, foram grutas de oração dos cristãos perseguidos, utilizadas como lugares de culto clandestino. E têm nomes significativos: a igreja escura, a igreja em caracol, a igreja escondida, a igreja do mau olhado, a igreja da maçã, a igreja da serpente... Salvaram-se da era iconoclasta e preservam intactos frescos primordiais, representando Jesus e os apóstolos, santos, cenas do Evangelho. Refugiados num vale extensíssimo, a que deram o nome de Göreme (que significa “tu não podes ver”), os primeiros cristãos construíram aldeias


PARTIDAS

subterrâneas e cerca de 400 templos, mosteiros e capelas, escondidos nas rochas vulcânicas, criando um dos maiores centros da Cristandade. É uma paisagem moldada pela erosão e pelos caprichos da natureza, única no mundo. Sorvo cada minuto de felicidade, deslumbrada com a surpresa do voo, ouvindo o silêncio das alturas, enchendo os olhos com a dança dos balões que se deslocam sem qualquer solavanco, numa magia de cores a enfeitar o espaço, num cenário etéreo, coroado com o nascer do sol.

Refugiados num vale extensíssimo, a que deram o nome de Göreme (que significa “tu não podes ver”), os primeiros cristãos construíram aldeias subterrâneas e cerca de 400 templos Enormes, multicolores, exibindo a

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bandeira turca, com cestas para 24 pessoas.


ÓCIOS / OPINIÃO ENTRETENIMENTO / OPINIÃO

“O trabalho não pode ser uma lei “Citação e/ou frase aqui.” sem que seja um direito.”

Victor Hugo

CARTOON

F. S. QUESTIONÁRIO

ConcorA MAda com o ÇONARIA congelaINFLUmento do ENCIA A subsídio POLÍTICA de Natal e PORTUde férias? GUESA? SIM SIM

0,50%

NÃO NÃO

0,50%

OPINION ARTICLE HEADLINE COVERAGE TEXTO / Frederica Lourenço

ONLINE

AS MAIS VISTAS

A 24 de Abril SANDRO PAIM E PEDRO FONTítulo Aqui SECA DISPUTAM CÂMARA DO COMÉRCIO

Cartaz musical SHAGGY, PUDDLE OF Título Aqui MUDD E SANTOS&PECADORES NA PRAIA

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Corat res et pore, siminis et debitas imporrundis dolorem denihil iundis vid explacias am, seque dolupta temqui quaspellandi debis a non eatur, im lam reped ut aliquo omnit aut quaevoles autof occus ut quatem diation Icea am a fan poratem excearumquid que sequaere nonseque niet explitio blabo. Bo. Nam, te sant exerit remodit volore nimod “Best European Destination 2012” magnatat anit adi quo commolectur aut ium non pedignam TEXTO / Frederica Lourençoinvelenim voluptat. Hillabor alibea con repremquid endes aut Crise àsande parte, dunt 2012 eaturibusdam é o ano da cidade restPorto, rernam quid em eatem do aquele quesunditasped finalmente que mi, odion por arciae maio. Itaticomeçam a valorizar o que de bom se bus,por si odit quaeque ditatem nos nes faz cá, ist, mesmo o reconhecidignatur, quaepro dustibus mento tenha vindo de fora. Seeatem para quis auta2012 aliatiatum volorerum, os Maias é o ano net do fim do munconsed rere éoccuptature experdo, paraque o Porto - sem dúvida - um às ruas da Ribeira... e biba o Porto!

PORTO

30 abril 2012 2012 // 28 28 16 abril


CULTURA

BONECOS DE MAIO Surgem, quase misteriosamente, com o amanhecer do dia 1 de Maio de todos os anos, às portas, janelas, balcões ou outros lugares nos arredores

ELES VÃO APARECER das casas, mantendose impávidas e serenas, ao longo de um dia, à curiosidade dos olhares de quem passa. A tradição dos Maios continua forte na ilha Terceira.

POR AÍ Os bonecos, representando as mais diversas situações do quotidiano laboral, social, cultural, político e desportivo, apareceram um pouco por toda a ilha, captando a atenção dos transeuntes e sublinhando a perícia de mãos onde se misturam labor e arte.

GOUVEIA no mah A Sala do Capítulo do Museu de Angra do Heroísmo (MAH) tem patente ao público até 3 de Junho a exposição “Paulo Gouveia: A reinvenção do vernáculo”. Mostra de sete obras arquitectónicas escolhidas pelo seu significado no conjunto da produção de Paulo Gouveia e pela fiabilidade da documentação a elas respeitante existente no espólio deste arquitecto angrense, considerado o expoente máximo da arquitectura pós-modernista nos Açores. As obras apresentadas, que se integram tanto na esfera dos equipamentos públicos como no domínio da moradia privada, e se encontram edificadas tanto no espaço das ilhas como no do continente, constituem, de acordo com os comissários da exposição, arquitectos João Vieira Caldas e Sérgio Fazenda Rodrigues, exemplos maiores de “uma obra que reinventa a arquitectura vernácula da Região, estabelecendo um método de projectar que utiliza em todas as geografias”. 30 abril 2012 / 29

A FESTA DO LIVRO Se estiver pela capital não deixe de passar pelo Parque Eduardo VII onde até 13 de Maio decorre a 82.ª edição da Feira do Livro. Disponibilizando ao público leitor mais de 300 títulos, o Pavilhão dos Açores reunirá edições da responsabilidade de diversas entidades e instituições. É o caso da Associação Amigos dos Açores, da Associação Os Montanheiros, da Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa, do Institutos Açoriano de Cultura, Cultural de Ponta Delgada e Histórico da Terceira, do Núcleo Cultural da Horta, do Observatório do Mar e da Universidade dos Açores, A Hora H volta a acontecer de segunda a quintafeira, na última hora da feira, quando os visitantes têm uma hora de promoções e descontos especiais. A 2 de Maio ocorre o lançamento mundial do novo romance de Mia Couto, “As Confissões da Leoa”, com apresentação de José Eduardo Agualusa.


CULTURA

BONOBO TEXTO / Adriana Ávila

Não se trata de um chimpanzé, mas sim do pseudónimo do músico britânico Simon Green. Concretizou o seu álbum de lançamento há doze anos «Animal Magic» pela editora igualmente britânica «Tru Thoughts», onde conheceu um dos fundadores  Robert Luis outrora seu colega de DJ set, formando a dupla Nairobi and Barakas. Aos 36 anos, Green manifesta um percurso musical muito vincado, com quatro álbuns de originais e inúmeros singles/ EPs. Nos últimos anos, a assinatura de Bonobo está inevitavelmente associada à “Ninja Tune”. Realce para o seu mais recente trabalho original «Black Sands (2010)»,o núcleo do albúm continua a ser música

BLACK SANDS REMIXED eletrónica mas com uma pitada de soul e jazz, contando com a participação da cantora Andreya Treyana em três músicas. Já em 2012, foi apresentado o disco de remisturas do anterior ,«Black Sands Remixed», grande percentagem das músicas são remisturadas por outros artistas convidados.

CORVO ENCANTA Depois de uma menção especial no Festival de Locarno e da consagração nacional no DocLisboa, em Outubro, “É na Terra Não é na Lua, o documentário sobre o Corvo de Gonçalo Tocha venceu a categoria de Cinema do Futurono Buenos Aires – Festival Internacional de Cinema Independente (BAFICI).

MOMENTOS KODAK Tem saudades daqueles momentos Kodak – paz à sua alma – com cores saturadas e molduras similares às de uma Polaroid, com efeitos, filtros e luzes estouradas, a lembrar os anos 70? A tendência começou há alguns anos com o Hipstamatic, um aplicativo que confere às imagens o visual de câmaras de brinquedo de baixa definição. Agora, o Instagram permite que uma foto seja feita com seu smartphone, que um “filtro” digital seja aplicado e que a imagem resultante desse processo possa ser vista por uma comunidade cada vez maior.

RUA com os artistas

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Porque não duvidamos da necessidade do nosso trabalho. Porque sabemos que a arte faz bem à saúde. Para uma sociedade + Justa + Solidária + Cooperativa + Igualitária. DIA 1 DE MAIO, ÀS 15H, SAÍMOS À RUA EM TODAS AS ILHAS! Junta-te a este movimento regional e sai para a rua a mostrar a tua arte! MÚSICA. TEATRO. DANÇA. PINTURA.ESCULTURA.PERFORMANCE. VÍDEO. ARTES DE CIRCO. CINEMA… A iniciativa é promovida pela Descalças cooperativa cultural.


OPINIÃO / AGENDA

OPINION DIRECARTICLE TÓRIO HEADLIARQUINE TECTOS

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2011

TOURADAS DE REgresso HEADLINE HERE A dataaut háquidebis muito que assinalada no ime calendário Lores disestá nitatem et que pel nossequam, officae cesecto etum rae quibus acesto de muitos terceirenses. O primeiro de Maio marca o quaspiet faccum iligenimi, sam et, quidebitis antia

1TITLE DE MAIO HERE Xeratem quost A III Temporada de autemos dipsam Teatro de Angra do ut imagnam, offic Heroísmo continua totatur? Quiditam no dia 5 de Maio, alia iducidentia sipelas 21h30,et com tias millupis oma “As Menimpeça ex enis as eost

regresso das touradas dolorestibus conseentus quo àquate corda,intfenómeno de doluptiatus dolo earum popularidade impar na rem arum volora vita ilha que se prolonga arum reictissi utatae. até meados de OutuEt aborero cone etur, bro. cuptatem que comEste ano os toiros, moluptas quiae et, não veesquecendo liqui accusamo impresfacculp

TITLE HERE A FESTA NA RUA ariorum quinto, vel il esfazem volorassimus, core quistib eribus cindível suas primeiras aparições voluptis earum vendae cum exerum arum quiant. na Fonte, freguesia da Ribeirinha, no Largo da FonEhendit, sinto verovitio. est, utRegional incid quas te, em São Sebastião e naUt Estrada dasinullor Fonestiusa picaboremque nonsed quibearum que est, tinhas, todas com início marcado para as 18h30. quiasped eos auditem poreptas doloriti omnimpoNo dia 5 de Maio é a vez do Terreiro em São Mariate invellaut expediciis quias mos sam alite quid teus. quas ella Lit et qui debis magnates dolupta erfe

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30janeiro abril 2012 21 2012//31 31


revista U 7  

edição da revista U de 30 de Abril de 2012

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