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Desde 1929

Publicação especial comemorativa dos 85 anos da Associação de Imprensa Campista - Campos dos Goytacazes, Maio/Junho de 2014 - Circulação gratuita e dirigida

Especial Memória

AIC chega aos 85 anos honrando trajetória plural Entidade, que sempre esteve aberta a diferentes tendências políticas e culturais, relembra momentos históricos Conquista da Sociedade Wellington Cordeiro

Acervo do Monitor está de volta para casa

A Associação de Imprensa Campista completa 85 anos no dia 17 de junho de 2014. Nesta trajetória, desde a fundação por um grupo de jornalistas da sucursal do jornal “O Estado”, em 1929, a entidade consolidou um comportamento democrático e plural, abrindo seu espaço para vozes de diferentes correntes. Nesta edição, uma sequencia especial de matérias e artigos reúne pedaços desta memória. Alguns dos ex-presidentes contam as suas experiências, uma matéria mostra o dia em que a AIC tirou Luiz Carlos Prestes da chuva, outra mostra o trabalho de estudantes que pesquisam os arquivos da casa dos jornalistas e texto do blog da associação registra momentos históricos.

Páginas 9 a 12

Página 3 História Imprensa Box Umada Coluna lk

Festival Doces Palavras Box Uma Coluna lk

Concurso faz homenagem a Prata Tavares

Proposto pela AIC, Bienal lança FDP

A Câmar a de Vereadores de Campos dedicou a edição deste ano do Prêmio de Cultura Amaro Prata Tavar es à história do jornalismo campista do século XIX. Qualquer interessado pode inscrever monografias sobre o tema, independentemente da formação escolar. A premiação está prevista para o mês de agosto e soma dez salários mínimos. As informações sobre regulamento e prazos podem ser obtidas no site do Poder Legislativo Municipal (www.camaracampos.rj.gov.br). Amaro Prata Tavares foi jornalista muito atuante nos meios culturais da cidade e presidiu a Associação de Imprensa Campista.

Em 2013, a Associação de Imprensa Campista levou para a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turístico de Campos, a ideia de promover o FPD! - Festival Doces Pala vras, iniciativa que tem o apoio da Academia Campista de Letras. O resultado é o de que, nesta bienal do livro de 2014, o poder público e as entidades anunciam a realização, em 2015, da primeira edição do evento, que se propõe a reunir doces e literatura no Jardim São Benedito. A proposta é ser uma espécie de “lado B” da bienal, acontecendo sempre nos anos ímpares, em for mato mais despojado e com foco em editoras médias e pequenas.

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Todas as honras

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Banner gigante na fachada do Legislativo anuncia exposição do Monitor

Cássio Peixoto Editorial

Uma senhora atrevida de 85 Página 2

a

Semana da Imprensa na 24 edição Página 5


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Campos dos Goytacazes, Maio/Junho de 2014

EDITORIAL

Os 85 anos de uma senhora atrevida Este Jornal da AIC é um registro modesto do esforço de várias gerações que garantiram a vida vigorosa da Associação de Imprensa Campista e a permite agora, no dia 17 de junho, completar 85 anos. Parte dessa história é contada em quatro páginas especiais, com artigos de ex-presidentes da entidade e com matérias sobre esta trajetória. E como história é uma construção permanente, o Jornal da AIC também traz matérias que mostram as atividades contemporâneas da instituição. Nos últimos anos, a associação esteve presente em lutas de grande relevância social, como a que buscou impedir a "descontinuidade" da circulação do Monitor Campista, em 2009, e, neste 2014, a que possibilitou o retorno do seu acervo para o município. Também têm sido objeto de atenção da entidade os acervos dos jornais A Cidade e A Notícia e das emissoras TV Norte Fluminense e Rádio Cultura. A entidade formalizou pedido de tombamento cultural destes materiais ao Coppam (Conselho de Preservação do Patrimônio Arquitetônico e Histórico do Município de Campos dos Goytacazes). Além de se manter vigilante na defesa da preservação da memória da imprensa local, a AIC se manifesta sempre quando a liberdade de imprensa é atacada, inclusive por veículos de comunicação, servindo de aliada constante dos jornalistas e do bom jornalismo. A entidade ampliou a sua presença no curso de jornalismo do Centro Universitário Fluminense (Uniflu), o único da cidade, com a realização de edições recentes da Semana da Imprensa com grande participação dos estudantes, que se reaproximaram da AIC e conheceram o seu valor e seu legado. Também tem contribuído para este diálogo constante entre profissionais e estudantes a realização, desde 2009, do Cine Jornalismo AIC, um encontro mensal para assistir e discutir filmes sobre jornalismo. A casa do jornalista, a sede histórica da AIC, passou por reformas que melhoraram a sua segurança e aparência, embora ainda seja sonho da categoria a sua ampliação, por meio de um projeto que respeite as suas características arquitetônicas, dos anos 40, ao mesmo tempo em que permita uma utilização moderna em atividades culturais e administrativas.

Situação dos acervos da mídia preocupa associação

A AIC tem mantido ainda a sua tradição se exercer influência na vida pública de modo independente em relação às correntes políticas locais, estimulando a pluralidade e o debate democrático. Em 2013, a associação formalizou propostas para a Lei Orgânica do Município, com ênfase na área cultural e de preservação do patrimônio histórico, e tem sido uma presença permanente em conselhos comunitários, como o Conselho Municipal de Cultura e o Conselho do Parque Estadual da Lagoa do Açu. Neste ano de 2014, a AIC trabalha a convite da Câmara de Vereadores de Campos na edição de um livro com biografias de jornalistas pioneiros da imprensa local, de autoria do jornalista e professor Orávio de Campos Soares, expresidente e atual vice-presidente da casa, e realiza a 24ª Semana da Imprensa em parceria com a Prefeitura de Campos, com parte da programação dentro da 8ª Bienal do Livro. Outra atividade importante neste ano é o lançamento do FDP! (Festival Doces Palavras), uma proposta da Associação de Imprensa Campista, abraçada com entusiasmo pela Academia Campista da Letras (ACL), e que será realizada pela Prefeitura de Campos em 2015. O conceito do evento será apresentado e discutido com o público ainda dentro da 8ª Bienal do Livro, e sua organização será desenvolvida nos próximos meses. A ideia é a de que a cidade passe a contar, nos anos ímpares, quando não é realizada a Bienal, com um festival de doces e de literatura, articulando públicos e tradições diferentes em um mesmo ambiente irreverente e intelectualmente estimulante. A proposta é a de que o evento seja realizado em local aberto, como o Jardim São Benedito, e tenha a participação de editoras médias, pequenas e universitárias, privilegiando ainda a produção local e os novos autores. Nestas 12 páginas, um pouco de todas essas ações serão expostas, no desejo de que este trabalho seja inspirador para a mobilização da sociedade na defesa do que de melhor há em Campos dos Goytacazes, a sua cultura e a sua história. A AIC, uma senhora atrevida de 85 anos, se orgulha de fazer parte desta missão.

AIC tem tradição de pluralidade e independência política

Expediente Jornal da AIC é uma publicação especial comemorativa dos 85 anos da Associação de Imprensa Campista, entidade fundada em 17 de junho de 1929, com circulação nos meses de maio e junho de 2014. Editora Patrícia Bueno Coordenação de Pauta Claudia Eleonora, Wellington Cordeiro e Vitor Menezes Diagramação Wellington Cordeir o Tiragem 5 mil e xemplares Comercialização Ímpar Comunicação Impr essão Gráfica PH Gomes Editora Ltda

Financeiro – Cláudia Eleonora Diretor de Cultura – Wellington Cordeiro Diretor de Formação – Patrícia Bueno Diretor Com unicação – Alicinéia Gama Diretor de Relacionamento Estudantil – Alexandro Florentino Suplentes: 1º – Álvaro Marcos; 2º – Wesley Machado; 3º – Paulo César Oliveira; 4º – Wilson Renato Heidenfelder

Diretoria da AIC Presidente – Vítor Menezes Vice-Presidente – Orávio de Campos Soares Diretor Administrativo e

Sede Rua Tenente Coronel Cardoso, 420, Centro - Campos dos Goytacazes (RJ). Contato: aic@ig.com.br / (22) 27227372. Acervo da AIC

Diretoria 2012-2015 Paulo César Oliveira, W ilson Heidenfelder, Paulo Thomaz (ren unciou em de zembro de 2012), Wesley Machado, Orávio de Campos, Vítor Menezes, Patrícia Bueno, Alicineia Gama, Cláudia Eleonora Alves, Alvaro Marcos, Alexandro Florentino e Wellington Cordeiro.

(22) 27227372


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Campos dos Goytacazes, Maio/Junho de 2014

Acervo Histórico

Campista de volta a Campos Acervo do Monitor, jornal que registrou quase dois séculos de história da cidade e do País, retornou para o município Fotos Wellington Cordeiro

Patrícia Bueno

Rua João Pessoa, Centro de Campos. Em um dos centros nervosos do comércio campista, onde hoje funciona uma sapataria, está localizado o prédio que sediou aquele que até 2009 ostentava o honroso título de terceiro jornal mais antigo do país em circulação. Foi nessa época que o jornal Monitor Campista, um dos veículos do tradicional Grupo dos Diários Associados, encerrou suas atividades, desaparecendo das bancas. O fechamento do jornal teve mais um lamentável episódio. Desde então, o valioso acervo com edições datadas de 1834 até o fechamento foi levado para a sede do Jor nal do Commercio, no Rio de Janeiro. Despedia-se de seu berço o mais importante registro impresso da História da cidade. A boa notícia veio quase cinco anos depois, com o retorno do acervo a Campos, graças, principalmente, ao empenho de entidades como a Associação de Imprensa Campista e a Câmara Municipal de Campos. Atualmente, as coleções com os exemplares estão em uma sala climatizada na sede da Câmara, que funciona no antigo Fórum Nilo Peçanha. São r elíquias da data de fundação – quando o jornal ainda se chamava O Campista – até o jornal de 15 de novembro de 2009 - quando foi às bancas pela última vez sob o melancólico título “Um dia que ficou na História”. Nas páginas que resistem à ação do tempo, o passado manda notícias do Brasil Império, da escravidão, dos primórdios do período

republicano, passeia por coberturas de guerras mundiais, Ditadura Militar, eleições diretas, descoberta do petróleo na Bacia de Campos. Nelas estão também registradas assinaturas de grandes personalidades como o abolicionista José do Patrocínio, a jornalista Nina Arueira, o escritor José Cândido de Carvalho, o humorista Chico Anysio e muitos outros nomes de peso, que assinavam artigos no Monitor. A volta do arquivo aconteceu no dia 16 de abril de 2014, quando uma cerimônia especial foi realizada na Câmara, celebrando um trabalho de a proximadamente dois meses, coordenado pelo diretor de Cultura do Legislativo, Wilson Hendenfelder. Em seu discurso, o presidente da Câmara, vereador Edson Batista, falou sobre a importância da união entre o Legislativo, Executivo, Associação de Imprensa Campista (AIC) e Conselho de Preservação do Patrimônio Arquitetônico Municipal (Coppam) para tornar realidade a volta do acervo. “Sem força política esse momento não teria acontecido” disse.

Pioneirismo

Jornalistas querem ver publicação voltar a circular O jor nal que teve a primeira redação da América do Sul a ser beneficiada com a luz elétrica também teve, nestes últimos tempos, uma equipe afinada com os ideais do jornalismo ético e de qualidade. Uma equipe, sobretudo, orgulhosa da missão de ajudar a escrever a história de um veículo centenário. Em visita à exposição comemorativa, no foyer, ex-funcionários foram unânimes em suas opiniões: a volta do acervo é, sim, algo a se comemorar, mas ver o Monitor novamente circulando continua sendo o desejo maior, o grito que ficou na garganta desde aquela sexta-feira, 13 de novembro, quando a equipe se debr uçava sobre a última e penosa edição que chegaria aos leitores no domingo. Um fio de esperança, pelo menos de um ressurgimento da marca, veio das palavras do presidente da Câmara que, na cerimônia de boas vindas ao acervo, sinalizou positivamente sobre uma possível cessão do

Clichê

uso da marca Monitor Campista. “Não há nada definido, mas nossa intenção é que o Diário Oficial do Município tenha a logomarca Monitor Campista” disse, na época. Na visita à exposição, enquanto observavam as páginas que ajudaram a escrever em agitados plantões na redação da João Pessoa, os antigos funcionários do jornal con versaram sobre os bons tempos do chamado “Velho Órgão”. “Nunca consegui me recuperar”, confessou emocio-nada a revisora Míriam Cristina Ferreira, em determinado momento da conversa, na roda de amigos. O grupo apr oveitou para r elembrar momentos importantes do cotidiano do ambiente de trabalho e pessoas não menos marcantes. “Éramos uma família”, r esumiu o gerente administrativo do jor nal, Jairo Coutinho Maia. Pessoas ligadas por um sonho que começou lá atrás, nas oficinas da Typographia Patriótica e que, até hoje, é a grande e esperada manchete.

Edições eram montadas artesanalmente

Peso da história

Trabalhador desembarca os livros embalados pelos Diários Associados, na chegada do acervo à Câmara

Exposição mostrou fases do Monitor Uma antiga máquina de escrever, log o na entrada, conduzia a imaginação dos visitantes a tempos remotos. Em painéis estrategicamente instalados no foyer da Câmara, estavam impressos que ajudaram a contar a história do jor nal por meio de cadernos especiais, relembrando os aniversários de 173, 174 e 175 anos , além de relíquias que representam os primórdios da imprensa brasileira. As peças foram destaque na exposição “Memorial do Monitor Campista”, que permaneceu em cartaz do dia 16 até 30 de abril no foyer da Câmara e que foi aberta para dar as boas vindas ao acervo. Além de painéis, estiveram expostos alguns objetos e materiais da redação e da oficina do Monitor, desde suas linhas industriais antigas, algo bem longe da tecnologia dos tempos atuais. A proposta foi trazer de volta a ambientação e o contexto histórico da longa e significativa trajetória no Monitor Campista.

“Todo o rico acervo da exposição está preservado graças a ação de benfeitores da história regional, colecionadores e pesquisadores que viram na hora certa que era preciso preservar e guardar esta história que foi interrompida com o fechamento do jornal em 2009”, comenta o curador da Mostra, Wellington Cordeiro, citando nomes como os de Wellington Paes e Hélvio Cordeiro, referências em pesquisa. Um vasto material foi garimpado no Museu da Comunicação e da Imprensa Barbosa Guerra, além de peças de outros colecionadores da cidade. Chamar am bastante atenção dos visitantes as impressões originais dos jornais e suas manchetes com o linguajar da época, como o primeiro O Campista, de 4 de janeiro de 1834, bem como os curiosos equipamentos usados nas tipografias. Afinal, que apreciador de História não se encantaria ao ver, de perto, uma prensa ou os tipos móveis, as letras de chumbo da linotipo?

No tempo da máquina de escrever

Passado à vista

Mostra esteve na Câmara em abril

Equipamentos antigos também fizeram parte da mostra sobre o Monitor Campist a


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Campos dos Goytacazes, Maio/Junho de 2014

Estande da AIC na Bienal

Bate-Papo etílico-literário Opinião e Crime - A história da prisão do jornalista Avelino Ferreira Autor : Thiago Freitas - Ano: 2013 Sinopse: Livr o nar ra os acontecimentos que redundar am na prisão do jor nalista Avelino Ferreira, primeiro profissional da imprensa preso por crime de opinião. O fato, histórico, per manece até os dias atuais como único no Brasil, pela f orma como decor reu.

Uma Casa, muitas vozes: histórias dos primeiros 20 anos da Uenf Autor: Car los Gustavo Sar met Moreira Smiderle e Fúlvia Maria D'Alessandri Muylaer t - Ano: 2013 Sinopse: Com base em de poimentos de per sonalidades lig adas à história da instituição e em fontes documentais, os autor es resg atam f atos e v ersões de acontecimentos que marcaram a trajetória da Uni ver sidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

Câmara de Campos - 360 anos Autor: Avelino Ferreira - Ano da primeira edição: 2012 Sinopse: Livro f az registro sobr e os principais acontecimentos históricos e políticos da Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes , entre a sua fundação, em 1652, e 2012.

AIC promove encontro com jornalistas que lançaram livros recentemente, com um bate-papo descontraído regado a café e cachaça Arte Wellington Cordeiro/Divulgação

Reforçando a par ceria da Associação de Imprensa de Campos com a Bienal do Livro de Campos, foi programado para acontecer, no estande da AIC, um encontro etílico-literário chamado “Bate-papo, café e cachaça”. O objetivo é unir estas tradições num momento descontraído de conversa e degustação. Seis jornalistas que lançaram livros recentemente for am convocados para par ticipar do encontro, que acontecerá nos dois fins de semana de programação da Bienal. “A ideia foi mostrar a produção literária dos jornalistas numa situação de maior descontração, sem a formalidade de uma palestra”, afir mou Wellington Cordeiro, diretor de Cultura da AIC. Tanto o café quanto a cachaça são elementos do cotidiano do jornalismo, principalmente nos períodos chamados “jornalismo romântico”. Nas redações, a produção e as conversas eram alimentadas pela degustação de café e, in variavelmente, os jor nalistas também eram reconhecidos como boêmios inveterados, daí a ideia de se unir esta tríade num só lugar. A degustação etílica ficará por conta de uma parceria da AIC com o Engenho São Miguel, conceituado alambique localizado na cidade de Quissamã detentor de diversos prêmios.

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Legenda Fonte Arial 9 zxlcvkçzxcl çlk xzcj çalksdjçflaksdj çlaksdj gçalsdkjg

O direito autoral na comunicação social Autor : Alberto Diniz - Ano: 2014 Sinopse: Uma min uciosa e detalhada pesquisa sobr e a legislação que protege os direitos autorais e de propriedade intelectual, inc luindo os novos meios de infor mação on-line , via Internet.

O Ídolo de Madeira Autor: Guilherme Carvalhal - Ano: 2013. Sinopse: A história f ala de Terêncio, um homem misterioso car regando um caixão e que convence dois rapazes, Zerildo e Anualdo, a o acompanhar em em uma jornada atrás de um objeto místico . Atualmente, Guilher me Car valhal se pr epara para lançar seu quar to livr o, "Berço Esplêndido".

PROGRAMAÇÃO Sexta, 16 - Guilherme Carvalhal

Sexta, 23 - Avelino Ferreira

Sábado, 17 - Cássio Peixoto

Sábado, 24 - Thiago Freitas

Domingo, 18 - Adalberto Diniz

Domingo, 25 - Gustavo Smiderle

Estande da AIC, sempre às 17h.

Estado P ermanente de Tristeza Autor : Cássio Peixoto - 2013 Sinopse: Uma revista em HQ que mostra uma jor nada pr ofunda do nada pra lug ar nenhum, um passeio pela solidão e misantropia características de quase todo adolescente.

História e Cultura

Concursos para relembrar jornalistas Estão abertas as inscrições para os concursos literários que levam os nomes de Prata Tavares e Múcio da Paixão Antônio Leudo / Acervo do Monitor Campista

Claudia Eleonora Recontar a história da evolução da atividade jornalística de Campos desde o início até o século 19. Com esse objetivo a Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes promove a realização do Prêmio de Cultura Amaro Prata Tavar es 2014. Par a os org anizador es do concurso, o tema A Imprensa de Campos no Século 19 é um incentivo à produção cultural de pesquisas em busca de conhecimentos que possam ajudar a retratar a produção jor nalística da cidade, traçando uma linha cronológica das publicações e da atuação de persona gens que marcaram a história local. “A cidade chegou a contar com mais de 30 periódicos entre 1830 e 1886. Os dados estão em livros de autores como José Alexandr e Teixeira de Mello e são enriquecedores para a pesquisa. Estudos apontam que o município está entre os primeiros do país a possuir um jornal. O que reforça a importância e a força de Campos na política e cultura do Brasil” destaca Avelino Ferreira, dir etor geral da Câmara de Vereadores. As inscrições já estão abertas ao público e vão até o dia 31 de maio. A premiação, no valor de dez salários mínimos, vai acontecer no mês de agosto. Jor nalistas, historiadores, pesquisadores, profissionais de diferentes atividades podem par ticipar do prêmio com a produção de uma monografia que deverá obedecer às normas estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, a ABNT.

Sobre os homenageados

Prata Tavares

Nas pretinhas

Ofício do jornalismo proporciona o registro do cotidiano e da cultura

“A participação, principalmente de jornalistas da cidade, será de grande importância para recontar a rica história da imprensa local. Há indicações de fontes de pesquisas que podem ser consultadas e ajudar na conclusão do trabalho. A melhor monografia vai servir ainda de instrumento de estudo no resgate histórico, pois será publicada” conclui Avelino. As inscrições dos trabalhos devem ser feita na Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes, que fica na Avenida Alberto Tor res, 334 – Campos dos Goytacazes/RJ – 28.035-582, ou pelos Correios. Mais informações sobre o concurso podem ser obtidas através do site www.camaracampos.rj.gov.br

Concurso Múcio da Paixão Também estão abertas até o dia 31 de maio as inscrições para o “Prêmio de Cultura Múcio da Paixão” sobre a “Vida e obra de José Cândido de Carvalho”. Os trabalhos deverão ser apr esentados nas for mas de mono grafia e redação. Para a modalidade Monografia poderão se inscrever pessoas de qualquer se xo, idade, nacionalidade, formação ou profissão. Enquanto par a a modalidade R edação, somente estudantes do ensino fundamental e médio das escolas públicas de Campos. Os trabalhos devem ser de autoria do par ticipante inscrito, inéditos e originais.

O vencedor da melhor mono grafia será premiado com dez salários mínimos. Já a melhor redação de nível médio receberá três salários mínimos e a melhor redação de nível fundamental o equivalente a dois salários mínimos. “Fizemos um trabalho de divulgação com professores e gestores de escolas e faculdades de Campos. Com o centenário de José Cândido de Carvalho sendo comemorado este ano, os estudantes já estão estudando sobre ele e nas faculdades o tema também está em alta”, disse a assessora cultural da Câmara, Nana Rangel.

Amaro Prata Tavares nasceu em 24 de janeiro de 1926, no município de Conceição de Macabu, norte do Estado do Rio de Janeiro. Faleceu a 11 de julho de 1994. Após passar parte da infância em Siqueira Campos, no Espírito Santo, ele morou e estudou em Campos. Fez o curso Comercial Básico na Escola Técnica de Comércio de Campos e também ingressou no Colégio Batista Fluminense, onde concluiu o ginasial. Aos 24 anos foi para o Rio de Janeiro. Na capital f luminense fundou o grêmio Cívico-Literário Euclides da Cunha, do qual foi presidente. Em 1954 obteve o Prêmio Almir Soares, da Academia Pedralva de Letras e Artes como o conto “A Última Cena”. Pertenceu à União Brasileira de Escritores (UBE), RJ, foi sócio efetivo da Academia Pedralva, vicepresidente de cultura da União Brasileira de Trovadores (UBT), diretor do Departamento de Difusão Cultural da Prefeitura de Campos, diretor-chefe do jornal A Notícia, editor e criador da revista Momento Cultural, presidente do grupo UniVerso, foi membro do Instituto Campista de Literatura (ICL). Obras de Amaro Prata Tavar es: Seis poetas, de 1959; Oito trovadores, de 1960; Seis prosadores, de 1962; Passo e passo, de 1973; Ato 5, de 1979; e 4 em 1, de 1986.

Múcio da Paixão Famoso escritor campista, Múcio da P aixão nasceu em 15 de abril de 1870, na antiga Rua Imper atriz. Fez seus primeiros estudos no Colégio São Salvador e no Liceu Azurára, não podendo completá-los por moti vo d e tr abalho . Extraordinário exemplo de autodidata, mais tarde destac ouse na cátedra, no jornalismo e como escritor. Seu primeiro li vro f oi “Scenog rapho”, editado em 1905. A obra reúne alguns aspectos do teatro carioca, que ele freq uentou ainda na tenra idade . Autor de v ários livros , destacando-se “Mo vimento Literário em Campos” e “O T hea thro no Br asil”, deixo u alguns li vr os inéditos. Múcio militou na imprensa diária de Campos durante mais de 50 anos . E ra p r of essor de Escrituração Mercantil, temido lecionado História Uni versal e História do Brasil. Membro ef etivo da Academia F luminense de Letras, primeiro De putado eleito por um partido operário do Brasil, e como tal par ticipou da ela b o r ação da primeira Constituição do Estado do Rio. Múcio da Paixão faleceu em Campos no dia 23 de dezembr o de 1926. (Site Ururau)


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Campos dos Goytacazes, Maio/Junho de 2014

24ª Semana da Imprensa

Seleção de craques da crônica esportiva na Semana da Imprensa da AIC na Bienal Edição deste ano tem como tema o jornalismo esportivo e reúne atividades dentro da Bienal, no curso de Jornalismo e na AIC Fotos de Divulgação

Wesley Machado

A 24ª Semana da Imprensa da Associação de Imprensa Campista (AIC), com o tema “O Jor nalismo Esportivo no ano da Copa do Mundo no Brasil”, será realizada no período de 23 a 31 de maio de 2014. Nos dias 23, 24 e 25 de maio, a Semana da Imprensa terá sua programação realizada dentro da 8ª Bienal do Livro de Campos, em parceria com a Prefeitura de Campos. Serão três mesas no Espaço Jovem do Centro de Eventos Populares Osório Peixoto (Cepop). Uma das mais aguardadas será a mesa de abertura do evento, na sexta, 23, das 19h às 21h, com o tema “Bastidores do Jogo: O repórter esportivo in loco”, que terá a participação do repór ter da TV Globo, Eric Faria. - Quando eu era estudante gostava de ouvir professores que estiveram no mercado. E agora neste evento que terá a participação de estudantes de jornalismo, que eu gosto muito, espero ajudar a galera que está começando na carreira, estuda, batalha pelo espaço e poder tirar dúvidas sobre muitas coisas do nosso dia a dia, mostrar o que eles vão encontrar no trabalho de jornalista esportivo, a parte teórica e os bastidores, esclarecer o que acontece, plantar a sementinha do entusiasmo, incentivar de maneira bem realista. Estive algumas vezes em Campos a trabalho. Se perguntarem para qual time eu torço, direi que torço para o Goytacaz (risos) – disse Eric Faria, que trabalha há 17 anos na TV Globo, com passagens também pela Rádio MEC e CBN, e for mado há 20 anos pela Facha. Junto a Eric Faria, comporá a mesa sobre a repor tagem esportiva o campista, radialista da Rádio Globo e recentemente eleito presidente da Associação de Cronistas Esportivos do Brasil (ACEB), Eraldo Leite; e o também campista, r epór ter do Globoesporte.com, Cahê Mota, vencedor do Prêmio João Saldanha de Jornalismo Esportivo da Associação de Cronistas Espor tivos do Rio de Janeiro (ACERJ) no ano de 2011. Outro convidado de peso da 24ª Semana da Imprensa da AIC na Bienal é o escritor Carlos Eduardo No vaes, que tem 44 livros editados, tornando-se um dos maiores publicadores do

Craques da informação

Brasil. “Acho uma excelente idéia realizar uma Semana da Imprensa numa Bienal do Livro. Até porque Jornalismo e Literatura às vezes se fundem e confundem na palavra escrita. Tudo que for feito par a enriquecer uma Feira de Livros é sempre da maior impor tância para atrair mais pessoas na convivência com a sofrida Literatura”, afir ma Novaes. O escritor também contou que esteve em Campos várias vezes para lançamentos dos seus livros. “Gosto muito da cidade. Já par ticipei de uma Bienal, mas confesso que não me recordo quando. Minha e xpectativa é a melhor possível. Gostaria muito de falar sobre o livro que acabei de lançar, A In venção dos Esportes (editora Moderna), onde busquei - através de uma baita pesquisa - a origem das modalidades esportivas”, disse.

Jornalistas esportivos consagrados est arão nas mesas da Semana da Imprensa dentro da Bienal, entre eles alguns campistas

Programação completa do evento

24ª Semana da Imprensa da Associação de Imprensa Campista Tema: O Jornalismo Esportivo no ano da Copa do Mundo no Brasil Datas: de 23 a 31 de maio de 2014 Data: 23 de maio (sexta-feira), das 19 horas às 21 horas. Mesa: Bastidores do jogo: O repórter esportivo in loco. Com Eraldo Leite, radialista da Rádio Globo Rio e presidente da Associação de Cronistas Esportivos do Brasil (ACEB); Eric Faria, repórter do Globo Esporte, programa de TV da Globo; e Cahê Mota, repórter do site Globoesporte.com. Moderador: Antunis Clayton, radialista, repórter de campo. Data: 24 de maio (sábado), das 19 horas às 21 horas. Mesa: Histórias das Copas. Porque futebol também é cultura! Com Celso Unzelte, comentarista dos programas Loucos por Futebol, da ESPN Brasil, e Cartão Verde, da TV Cultura; Roberto Assaf, historiador do futebol, publicou vários livros, entre eles os sobre os clássicos Flamengo e Vasco e Fla-Flu e o livro sobre a História do Futebol Carioca; e Péris Ribeiro, jornalista, trabalhou na revista Placar e escritor, autor da biografia do campista bi-campeão mundial com a seleção brasileira, Didi “Folha Seca”. Moderador: Granger Ferreira. jornalista multimídia, plantonista de rádio, apresentador de programa de tv fechada e editor de esportes do site de notícias Ururau. Data: 25 de maio (domingo), das 19 horas às 21 horas. Mesa: Existe imparcialidade no jornalismo esportivo? E a “Flapress”? Existe? Com Carlos Eduardo Novaes, escritor, autor de “Uma Odisséia no Oriente”, livro sobre o título mundial do Flamengo; Paulo César Guimarães, jornalista e escritor, autor de “O Jogo do Senta – A verdadeira origem do chororô” (no prelo); e César Oliveira, editor da Editora Livros de Futebol. Moderador: Wesley Machado, jornalista e escritor, autor do livro “Saudosas Pelejas”. Local: Espaço Jovem da 8ª Bienal do Livro de Campos, no Centro de Eventos Populares Osório Peixoto (Cepop)

Data: 26 de maio (segunda-feira), às 19 horas. Gravação do Projeto Memória AIC com José Nunes da Fonseca, radialista esportivo mais antigo de Campos. Mediação de Álvaro Marcos. Local: Campus II (Filosofia) do Centro Universitário Fluminense Data: 27 de maio (terça-feira), às 19 horas. Mesa: A produção de livros no Jornalismo Esportivo campista Debatedores: Magno Prisco (Maguinho) e Wesley Machado. Moderação: Vitor Menezes. Local: Campus II (Filosofia) do Centro Universitário Fluminense. Data: 30 de abril (sexta-feira), às 20 horas. Tradicional Pelada Anual da Imprensa Local: Clube Folha Seca. Data: 31 de maio (sábado), às 16 horas. Cine Jornalismo AIC Especial Semana da Imprensa Jornalismo Esportivo - Filme: O Pai do Gol (Brasil, 2012), sobre o narrador esportivo José Silvério. Mesa redonda com Paulo Renato Porto, Arnaldo Garcia, com mediação de Álvaro Marcos. Local: Associação de Imprensa Campista (AIC).

Realização: Associação de Imprensa Campista (AIC), em parceria com a Prefeitura de Campos e com o Curso de Jornalismo do Centro Universitário Fluminense (Uniflu).


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Campos dos Goytacazes, Maio/Junho de 2014 Fernando Souza

Biografia

O jornalista Zé Cândido Biógrafo do imortal mostra o lado repórter do escritor campista Reprodução

Avelino Ferreira

No front

No canto esquerdo, sentado no chão, Felipe Sáles na cobertura de tiroteio

50 anos do curso de jornalismo do Uniflu

Alunos mandam notícias Formados na antiga Fafic contam o que marcou no curso Em fevereiro de 2015, o curso de jornalismo do Centro Univ ersitário Fluminense (Uniflu), antiga Faculdade de Filosofia de Campos, completa 50 anos. Nestas cinco décadas, centenas de histórias se cruzaram nos corredores e nas salas de aula da instituição, marcando definitivamente a vida e a trajetória profissional de muitos dos que produzem infor mação em veículos regionais e nacionais. Da África do Sul, Carlos Alberto Júnior, 44 anos, formado em 1991, manda notícias. Ele está no país para as gravações do documentário “Democracia em Família”, como diretor de conteúdo da produtora Cine Group. O filme acompanha as eleições africanas, 20 anos depois do fim do a par theid, com destaque para os chamados “Born Frees”, integrantes da geração que nasceu após 1994 e que vota pela primeira vez. O jornalista foi, ainda, editorexecutivo da série “Presidentes Africanos”, exibida no Brasil pela

Band e na América Latina e Europa pelo canal a cabo Discovery Civilization. A série, de 15 programas, ganhou o prêmio de melhor programa jornalístico/ documentário da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). For mado em 1996, Marcus Vinícius Pinto, 40 anos, é editor executivo do Portal Terra, no Rio, e se prepara para cobrir a Copa do Mundo do Brasil, que não será o seu primeiro grande evento esportivo internacional. A par tir de 1999, durante sete anos, ele foi correspondente na Europa, quando trabalhou para a webrádio Lance! e nas rádios Globo e CBN. Neste período, também atuou como assessor de relações internacionais do gr upo por tuguês Transportes Frade, com atuação em Por tugal, Espanha, Bélgica e Holanda. Além disso, foi assessor de imprensa do Rock in Rio-Lisboa 2004, em Portugal, e trabalhou na rádio RAC1 e na TV Fútbol Total, na Espanha. De volta ao Brasil,

Mar cus Vinícius foi chefe de reportagem esportiva da rádio Globo e apresentador da rádio CBN de janeiro de 2007 a janeiro de 2012. Todo este caminho, segundo ele, foi facilitado por experiências como a de ter trabalhado no jornal A Cidade, em Campos, e ter estudado for a de uma grande capital. “Estudar no interior foi importante para mim, porque aí se põe de verdade a mão na massa. Se apr ende logo o que é jornalismo de rua”, afirma. Outro que passou pela redação de A Cidade, enquanto ainda era aluno do curso de jornalismo do Uniflu, foi o jor nalista Felipe Sáles, 33 anos, for mado em 2004. Atualmente ele atua no Rio, como produtor da agência Casa Digital, responsável por conteúdos multimídia. Sáles passou pelas redações do Jornal do Br asil, de O Globo e do Extra, além de ter sido editor na Revista de História da Biblioteca Nacional. Publicou ainda trabalhos nas revistas Piauí e Carta Capital.

Depoimentos CARLOS ALBER TO JÚNIOR - 44 ANOS, FORMADO EM 1991 “Tenho excelentes lembranças dos quatro anos que passei na Filosofia. Foi um período bastante puxado, pois eu estuda va à noite e trabalhava no jornal A Cidade durante o dia, sob orientação de Hélio Cordeiro, com quem aprendi muito. Na faculdade, lembro especialmente de Edinalda Almeida, Orávio de Campos Soares, Fer nando da Silveira e Giannino Sossai”. MARCUS VINÍCIUS PINTO - 40 ANOS, FORMADO EM 1996 “Estudar no interior foi impor tante para mim, porque aí se põe de ver dade a mão na massa. Se aprende logo o que é jornalismo de rua. Acho que faculdades se ni velam de cer to modo e é o aluno que tem que buscar f azer diferença, buscando suas opor tunidades, lendo muito - eu devorei grande par te da biblioteca da faculdade em quatro anos -, e lutando par a melhorar o curso”. FELIPE SÁLES - 33 ANOS, FORMADO EM 2004 “Guardo ótimas lembranças do convívio com professores e pr ofissionais da ár ea. Aprendia bastante ouvindo histórias sobre a profissão , não necessariamente em sala de aula. Aliás, fora dela era até mais divertido. A faculdade era mais um ponto de encontro, o início de tudo, literalmente. A convivência era nosso melhor la boratório. Acho que o curso de Jornalismo ajuda a compreender nosso compromisso com a notícia, assim como a importância de seus desdobramentos.” GISELE BORBA - 38 ANOS, FORMADA EM 2010 “Nos quatr o anos em que frequentei o curso de jornalismo da Filosofia, certamente o que mais me marcou foi o contato com a lingua gem diferenciada do Jornalismo Literário, que reúne duas das minhas grandes paixões: a r eportagem e a literatura. Conhecer o gênero jornalístico híbrido foi decisivo, não somente para definir a minha mono grafia de conc lusão do curso, como a continuidade da minha vida acadêmica. ” CLEBER JUNIOR RODRIGUES, 24 ANOS, FORMADO EM 2011 “O que mais me marcou nos quatro anos de faculdade f oi a produção de um importante documentário sobre as desapropriações no Por to do Açu. O resultado disso f oi uma repercussão em massa sobr e o documentário “Narradores do Açu”. Ganhamos um prêmio de honra em um festival de documentários em Macaé e vídeo está com mais de 30 mil acessos no canal Youtube. Isso, sem dúvidas, cola borou para minha for mação profissional.” FERNANDO LEITE FERNANDES - 53 ANOS, FORMADO EM 1984 “Vivi, durante os qua tro anos da graduação, o momento mais rico político e existencial da minha juventude . Encontrei uma ger ação que viveu os escombros da Ditadura. Éramos rebeldes com causa e a faculdade f oi o grande vazadouro de nossas inquietações. A f aculdade era o centro nervoso das nossas discussões, era lá que nos formamos como cidadãos e militantes. Tenho uma ligação af etiva e definiti va com a Filosof ia.” RICARDO ANDRÉ VASCONCELOS, 53 anos, FORMADO EM 1984 “Minha turma se for mou em 1984, um ano simbólico por causa da campanha das dir etas e, que resume bem a trajetória de quatr o anos em que vivemos a efer vescência do processo de enterro da ditadura. Naqueles maravilhosos anos 80, era no auditório da Faculdade de Filosofia que desfilavam nossos ídolos políticos. Inesquecível conhecer Darcy Ribeiro e sua metralhadora v erbal, logo nos primeiros dias de faculdade em 1981. E ainda vimos e ouvimos Luiz Carlos Prestes.”

Quando se comemora o centenário de nascimento de José cândido de Carvalho, quarto imortal da Academia Brasileira de Letras e o maior expoente das nossas letras, tendo alcançado parte do mundo com apenas dois romances que escreveu durante toda sua vida – o terceiro, Rei Baltazar, ele não chegou a concluir – um dado importante parece escapar aos escribas daqui, ali e alhures: Zé Cândido era, antes de tudo, jor nalista. Para fazer gosto ao pai, Zé Cândido formou-se em advocacia. Desistiu da profissão log o no primeiro caso. Prezava tanto o diploma de advogado que perdeuo. Porém, amava o jornalismo. Desde os tempos de rapaz (16 anos) atuava em jornais. Primeiro, como revisor em O Liberal que, segundo o próprio Zé Cândido, “era um jornalzinho de cavação, picaretinha” que, depois, “veio a mor rer de fome, coitadinho, na beira da calçada”. Depois, “vendo que não dava para nada, eu digo: eu vou dar para alguma coisa. Então, vo u escrever”, conta o imortal campista para a jornalista Maria Cláudia, em depoimento para a Academia Brasileira de Letras, em 1987, dois anos antes de falecer. Brinca: “escrevia por necessidade, porque eu não gosto de escrever. A cho escrever hor roroso. Até hoje, acho escrever uma coisa chatérrima, É uma violação. Eu escrevo porque preciso”. Ele também se dizia um escritor copioso: “quer dizer, um escritor torrencial, que bota o papel na máquina – tá, tá, tá, tá – e dali a pouco está um livro. De jeito nenhum. Não dá pra mim. Para eu fazer um livro é uma desgraça. Eu morro em cima do livro. Faço uma página, no dia seguinte não gosto, volto a fazer. Daí você vê, eu publiquei o Coronel em 1964 e, 25 anos antes, eu tinha escrito esse pequeno romance Olha para o céu, Frederico!. Então, de 25 em 25 anos eu escrevo um livro...” Entre 1930 (quando tinha 16 anos) e 1937, José Cândido de Car valho trabalhou no já dito Liberal, na Folha do Commercio, O Dia, Gazeta do Povo e Monitor Campista. Casou-se em 1936 e, em 1937, nasce sua primeira filha, Laura Lione. Vai par a o Rio de Janeiro e, convidado pelo filho de Alzira Var gas, Vargas Neto (neto de Getúlio Vargas que, naquele ano, impõe ao povo brasileiro uma ditadura), inicia suas atividades na capital, como jornalista de A Noite, jornal com quatro edições diárias. Tendo como diretor do jornal o por tuguês Vasco Lima, amigo dos Vargas, José Cândido tornouse um notório jornalista, com sua maneira peculiar (única) de entrevistar. Observava o entrevistado, o ambiente ao redor e escrevia suas impressões. Os curiosos poderão ler Ninguém Ma ta o Arco-Iris, livro de entrevistas escolhidas entre as centenas escritas por ele nos

José Cândido

Romancista também fez perfis e reportagens

jornais que atuou, inclusive como editor da revista O Cruzeiro. Um exemplo de quando o jornalismo ainda tinha estilo, nos dá José Cândido. Ao entrevistar, em 1967, Chico Buarque, no auge a fama de A Banda, escreveu o papa g oiaba: “ag ora, com o estrelato a tiracolo, Chico não mora mais em São Paulo nem no Rio. Em verdade, não mora. Circula. Tem apar tamento na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. É uma peça simples, sem prosopopeias, muito ao jeito do seu dono. Visto assim sem cartão de visita, Chico parece feito tecnicolor: tem olhos verdes e sol de praia no rosto. Vou falando com ele, Chico de 1967. Enquanto afina o violão, diz: _ tenho uma conversa chata que é uma beleza!... Cá entre nós, o que Chico não tem é conversa. Fala aos pouquinhos, como quem quer poupar palavras. E gosta de passar as mãos sobre os cabelos. Dou uma olhadela pelo seu pequeno mundo de cimento armado. Vejo na parede um retrato a carvão de um certo político brasileiro. _ Admiração, Chico? _ Não. Raiva. Chico, como a Bíblia, diz que há tempo para tudo. Já houve nele o tempo de Bach. Agora, chegou o tempo de Beethoven. E é fumando cigar ros Luis XV que ele fala do homem da Sonata ao Luar. Fala manso, talvez par a não espantar Beethoven, que está derramado em seu sofá em forma de disco. Da rua, sem pedir licença, vem uma rajada intrometida de iê-iêiê. Beethoven aproveita a ocasião para ir embora. Chico não gosta de iê-iê-iê, mas não tem raiva dos que gostam dessa orquestra de gatos. Compreende. E até acha preferível Roberto Carlos a Elvis Presley. Justifica: _ Pelo menos esse é brasileiro. A gente não precisa consumir dólares com ele. Chico não diz, mas, pelo jeito, gostaria de passar pelo moedor de carne todo o iê-iê-iê da praça”. Como hoje, via de regra, jornalismo não paga mais que o aluguel, e José Cândido tornou-se

assessor político. Foi servir a Amar al Peixoto, genro de Vargas e comandante da política fluminense. Foi também redator do Depar tamento Nacional do Café. Mas não perdeu o vínculo com o jornal A Noite e, ainda, assumiu em 1942 a redação do jor nal O Estado. Em 1957, A Noite encerrou suas atividades e José Cândido foi convidado e assumiu o copidesque da revista O Cr uzeiro, à época, a de maior circulação no país. Logo depois, assume o lugar de Odylo Costa, filho, como editor internacional da r evista. Tornou-se, também, colaborador do Jornal do Brasil, onde escrevia crônicas. Escreveu na revista A Cigarra, a convite de Herberto Sales. Quando saiu de Santa Teresa e foi morar no bairro do Fonseca, em Niterói, elaborou seu romance O Coronel e o Lobisomem, que lançou em 1964. Porém, fez amizade com o Alberto Torres, dono de O Fluminense, jornal de circulação estadual com sucursais em vários municípios, inclusive em Campos. Passou a escrever para o jor nal e, anos depois, para o Monitor Campista, A Notícia, de seu amigo Hervé Salgado e a Folha da Manhã, fundado em 1978. Enfim, o José Cândido, filho único de Bonifácio de Carvalho e Maria Cândido de Car valho, nascido em Campos por acaso (já na bar riga da mãe, ia para a Ilha da Madeir a quando uma revolta dos negros da ilha forçou seus pais a a travessar o Atlântico e vir mor ar em Campos, onde residia um irmão de seu pai), na véspera de São Salvador, 05 de agosto, também véspera da eclosão da I Grande Guerra, foi um grande jor nalista. E, nas comemorações de seu centenário de nascimento, recebe de seus colegas de imprensa, esta matéria como homenagem. (A interessante história de José Cândido encontra-se unicamente no livro que escrevi sobre ele: José Cândido de Carvalho, Vida e Obra)

SÉRGIO MENDES, 55 ANOS, FORMADO EM 1984 “Era uma ano de muita efervescência política. Estertor es da ditadura. O curso foi a base que abriu caminhos para minha formação pessoal, politica e profissional. Tínhamos colegas valor osos na turma, como Ricardo André Vasconcelos, Fer nando Leite Fernandes, Fábio Ferraz de Oliveira, Jorge Luis Pereira dos Santos, Winston Rangel, e tantos outros, que contribuíram com a pr omoção de grandes debates internos acerca das ma térias lecionadas”. MAURO SILVA, 50 ANOS, FORMADO EM 1988 “Guardo com muito carinho as lembranças do meu tempo na Filosofia. Tive professores inesquecíveis, que, além de contribuir para minha for mação profissional, ajudaram a despertar em mim a paixão pela comunicação. Posso afirmar que não teria construído minha trajetória profissional sem a for mação acadêmica. Ainda que muitos defendam o fim da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo, acredito que o curso universitário é fundamental para quem quer vencer na profissão.”

Em família Ao lado de sua mãe Maria Cândida


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Campos dos Goytacazes, Maio/Junho de 2014

Festival Doces Palavras

Ações da AIC

Wellington Cordeiro

Espaço de Cultura e interação social

AIC planeja projeto arquitetônico para sua sede

A céu aberto

A proposta é que o evento aconteça no Jardim São Benedito, no entorno da ACL, em ambiente mais informal

Doces Palavras no Jardim Associação de Imprensa Campista propôs e a Prefeitura de Campos acatou a proposta de realizar evento em anos ímpares, intercalados com a Bienal do Livro Alexandro Florentino

Segundo a historiadora Sylvia Paes, o termo “jardim da infância” surgiu no Jardim São Benedito, praça pública na região central de Campos dos Goytacazes. Isto ocorreu quando o campista e expresidente Nilo Peçanha deu início ao que hoje conhecemos como educação infantil. Na ocasião, as crianças tomavam suas primeiras lições escolares onde atualmente é o prédio da Academia Campista de Letras (ACL). Como não havia edificação, apenas uma cobertura, as crianças tinham aulas, literalmente, em um jardim, surgindo, deste modo, o “jardim da infância”. E como se o Jar dim São Benedito fosse vocacionado ao transgressor, no melhor dos sentidos, levando à praça pública o que usualmente é restrito aos grandes eventos ou salas de aula, ele será palco, em 2015, do FDP (Festiv al Doces Palavras). O festival, programado para ocor rer sempre em anos ímpares, assim, ocorrendo sempre em anos que não haja Bienal do Livro na cidade, irá unir duas tradições Campistas: Doces e Literatura. A proposta, de iniciativa da Associação de Imprensa Campista (AIC), com apoio da Academia Campista de Letras, pretende se tornar o lado B da Bienal, com isto, elaborando, de acordo com o presidente da AIC, Vitor Menezes, um festival capaz de promover a

literatura, especialmente a local, e ao mesmo tempo resgatar a memória do doce em Campos. - Imaginamos ter oficinas de doceiras ao lado de oficinas de criação literária. Gente produzindo chuvisco ao lado de gente produzindo crônicas ou poesias. Mesa discutindo o legado das usinas e mesa discutindo a preservação da produção da goia bada. Tudo misturado num mesmo tacho, em lugar aberto e infor mal - explica Menezes. Porém, este for mato de evento literário, que pode se consolidar no cenário cultural de Campos, tem sido cada vez mais disseminado no Brasil. Os festivais e feiras literárias têm sido implementados como meio de incentivo ao turismo, desenvolvimento social e promoção da cultura de diversas cidades brasileiras. De acordo com levantamento feito pela Fundação Biblioteca Nacional, 10 milhões de leitores visitam feiras de livro, a cada ano, no país, um reflexo do projeto “Circuito nacional de Feiras de Livro”, lançado no ano de 2011 pelo Ministério da Cultura em parceria com a Fundação Biblioteca Nacional, que no primeiro ano de atividade contava com 75 eventos e hoje conta com mais de 200 eventos cadastrados. Fato que tem movimentado mais de R$ 100 milhões para o setor apenas em feiras. Em Campos, a expectativa em torno do FDP é a de que o evento possa ser elemento catalisador da diversidade cultural do município,

Entrevista - Analice Martins

Evento menos glamourizado Este modelo de evento literário não é novidade Brasil afora, contudo, em Campos é algo novo. Na sua opinião, qual a importância desta “aposta”? Inaugurar , em Campos dos Goytacazes, outros for matos ainda não experimentados de eventos literários menos engessados e submissos à venda de livros. Dar espaço a propostas interessadas na formação de leitores diversificados, na discussão mais próxima de questões ligadas ao cotidiano e que atravessam o universo da leitura. Para tanto, é necessária uma organização conhecedora

Analice é Coordenadora do Curso de Licenciatura em Letras do IFF

desses novos formatos, como a “Primavera dos Livros” e sua pareceria com pequenas editoras ou até mesmo a FLUPP.

a par tir da junção das características da cultura local, que é múltipla e vai da cultura dos doces, do Jongo, da cana-de-açúcar à literatura, que tem como ícone de grande expressão o jornalista e escritor José Cândido de Carvalho. - Sugerimos envolver o máximo de instituições e universidades, e fazer um evento de baixo par a cima, onde a sociedade se sinta e seja efetivamente construtora, nas suas mais diferentes tendências e representações. A ideia é que não seja um festival da AIC, da ACL ou da Prefeitura, mas que seja um festival abraçado por toda a cidade e que se consolide no calendário do município, como ocorreu com a Bienal - afirma Vitor Menezes. Resistência A AIC e a ACL são duas instituições de bastante longevidade e, muitas vezes, socialmente vistas como tradicionais, assim, podendo fazer algumas pessoas não acreditarem na realização de um pr ojeto cultural inovador como o pr oposto pelas duas instituições. Contudo, segundo o presidente da ACL, Hélio Coelho, a tradição destas duas instituições se dá pela resistência histórica, de permanência do espírito de realizar seus objetivos sempre situados num horiz onte utópico-estratégico, forçando seus membros ao movimento de resistir e ir além, sem desistir jamais, ainda que seja uma tarefa difícil, sobretudo para seus dirigentes, desta for ma, sendo

E a união de Doces e Literatura (tidas como duas tradições de Campos), dá enredo? Pode se tornar um evento importante para o município? Sem dúvida. Afinal, são duas grandes narrativas que constroem nosso imaginário local. É um evento para entrar em nosso calendário municipal. Como coordenadora do curso de Licenciatura em Letras do IFF, um evento com a proposta do FDP pode contribuir nas a tividades desenvolvidas no curso? De que modo? Como disse antes, são for matos menos engessados, portanto capazes de oferecer aos alunos, futuros professores, uma experiência de participação menos contemplativa e midiatizada como nas bienais atuais. Acredito que a possibilidade de interação seria

necessário fazer apostas no novo. - Estamos apostando no Festival na certeza de que a Bienal, ao ser instituída e preservada, representou um importante avanço cultural par a Campos, mas é preciso ir além, dar um passo adiante, criar um clima de festa cultural com um formato mais flexível, expressando o barulho das ruas, o cheiro das flores, o sabor dos doces, o aço das pala vras e a sensação de ar fresco oxigenando a criação artística, literária, enfim o ambiente cultural. Trazer e reforçar o que já é consagrado reafirmando sua excelência, e ao mesmo tempo abrir espaços - não necessaria-mente mercadológicos - para os novos talentos da terra de tantos “cabr uncos danados de bão”. É uma aposta em que todas irão g anhar. Um ano Bienal, no outro Festival Doces Palavras, e assim caminharemos para um novo horizonte cultural. E que os par teiros do futuro avaliem o acerto dessa nossa aposta complementa Coelho. E o evento, acordado com a prefeitura de Campos para que esta o viabilize por intermédio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo, promete sacudir a cidade e conclama a população de Campos para par ticipar e construir este momento cultural importante, pois “a pr aça é do povo, é preciso ocupar a praça e o festival reforça este espaço de resistência” conclui o presidente da Academia Campista de Letras.

A sede da Associação de Imprensa Campista g anhou pintura em sua fachada no ano passado, o que valorizou imensamente o prédio. O próximo passo será a pintura de janelas e portas, como também a pintura de sua lateral. Vale ressaltar que toda área inter na já havia recebido pintura nova recentemente. Com esse trabalho, a associação cumpre seu papel de respeito ao patrimônio histórico local, mantendo o prédio em boas condições estruturais. Toda a pintura foi r ealizada com recursos próprios, que não são muitos, mas que são administrados com a maior seriedade possível. Fica o r egistr o e o ag radecimento da doação feita pela Casa das Tintas, de parte das tintas utilizadas na reforma. Outro passo importante foi a elaboração de um projeto arquitetônico para r evitalizar a sede da AIC, que começou com a visita do estudante de Arquitetura, Geraldo Ribas, coor denador do Escritório Modelo do curso de Ar quitetura do Uniflu. As duas instituições discutem a formalização de uma parceria para a implantação desse projeto. A ideia é criar novos espaços par a o primeiro piso e for mas de acessibilidade para o Salão de Prata, no segundo piso. A meta é promover um restauro que recupere, ao máximo possível, as car acterísticas originais da edificação, dos anos 40 do século XX.

Cine Jornalismo Em 2009, a Sede da AIC passou a reunir amantes do cinema, sempre no último sábado de cada mês. O motivo? Assistir a um bom filme e, no final, trocar figurinhas com os coleguinhas mais experientes. Esta é a proposta do Cine Jornalismo, evento criado pelo presidente da entidade, Vitor Menezes, e que acaba de entr ar na sexta temporada. A proposta é exibir filmes que tenham o jor nalismo como protagonista ou persona gens jornalistas que propiciem uma reflexão sobre a profissão. Ao longo desses anos, passaram pela telona, produções como: “O quarto Poder”, “A Montanha dos Sete Abutres”, “Muito Além do Cidadão Kane”, “Doces Poderes”. A pr og ramação completa da edição 2014 está no blog da AIC.

Doação de livros Em 2012, a AIC promoveu uma campanha de doação de li vros para os adolescentes atendidos pela Casa do Pequeno Jornaleiro, em Campos . A entrega aconteceu no dia 21 de dezembro com a participação da contadora de histórias, Iara Souza Lima, da Jornalista Gisele Borba, do radialista Nino Bellieny, além dos diretor es da AIC, Vitor Menezes, Alexandro Chag as Florentino e Wellington Cordeiro. Além dos livr os, os assistidos saborearam um lanche preparado pela assistente social Verônica Azeredo. A campanha tem caráter per manente. Quem quiser fazer doações, basta pr ocurar a AIC (de segunda a sexta, à tarde).

maior, o contato com palestrantes e debatedores mais próximo, intimista e menos “glamourizado”. Haveria também a participação nas oficinas e atividades artísticas previstas. Assim, nossos alunos teriam a oportunidade de, for a de sala de aula, acompanhar o entrelaçamento de infor mações acadêmicas e artísticas. Como você vê a realização de um festival literário em meio aos “canteiros”do Jardim São Benedito? Acho for midável o aproveitamento do espaço público, das praças e jardins. Além do aspecto poético fundador já destacado por você, há a possibilidade de uma convivência mais heterogênea e múltipla, premissa de uma for mação cidadã.

Balada Cur ta Uma das atividades culturais pr omovidas pela AIC é o “Balada Curta”, que sempre reúne uma galera animada interessada em conferir a produção cultural local. No evento, e xibição de documentários; apresentação musical, mostra fotog ráfica e “micr ofone aberto” para que o público possa se manifestar. Participação em conselho e fundação A Associação de Impr ensa Campista (AIC) participa do Conselho Municipal de Cultura (compondo a Câmara Técnica de Artes Áudio Visuais), do Conselho Consultivo do Parque Estadual da Lagoa do Açu (PELAG) e da Fundação Benedito Pereira Nunes.


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Campos dos Goytacazes, Maio/Junho de 2014

Acervo da AIC

Década de 70 Diretores da AIC acompanham, no gabinete do então prefeito de Campos, Raul Linhares (e), visita de Austregélilo de Athayde, então presidente da ABL (Academia Brasileira de Letras) e Barbosa Lima Sobrinho, então presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa)

Pioneiros Primeiro presidente da AIC, Sylvio Fontoura, um dos fundadores da entidade junto a jornalistas da sucursal de “O Estado”

Memória AIC

Memória

Registros para uma história Muito da trajetória da AIC ainda está por ser pesquisada e contada. Registros na bibliografia campista dão conta das ações dos pioneiros na construção da Casa Do Blog da AIC*

Nascida em 17 de Junho de 1929, a formação da Associação de Imprensa Campista (AIC) se deu por iniciativa de trabalhadores da imprensa reunidos na filial de Campos dos Goytacazes do jornal “O Estado”, de Niterói. Sua primeira diretoria foi formada pelos jornalistas Sylvio Pélico Fontoura (presidente), Alcindor de Moraes Bessa (vice-presidente), Roberto Findlay (primeiro secretário), Antenor Vianna de Carvalho (segundo secretário), e Silvio Cardoso Tavares (tesoureiro), como registrou Jorge Arueira, no livro “Viver é ter amigos”, onde relata passagens do seu pai, o jornalista Latour Arueira.

Hervé Salgado Rodrigues, na obra “Campos – Na Taba dos Goytacazes”, afirma que a intenção da associação não era desenvolver atividades sindicais, “mas apenas defender a imprensa, seus direitos, sua liberdade”. Além dos citados integrantes da primeira diretoria, participaram da reunião de fundação os jornalistas Julio Nogueira, Gastão Machado, Thiers Cardoso, Lily Tavares, Mucio da Paixão, Evandro Barroso, Theophilo Guimarães, Abdelkader Magalhães, Raimundo Mag alhães Júnior, Cesar Tinoco, Horacio Souza, Prisco de Almeida, Carivaldino Mar tins, Ulisses Martins, Claudinier Martins, Osvaldo Tinoco, Ev eraldo Tinoco, Gumercindo Freitas e Por phirio Henriques. Ao longo da sua história, alguns dos mais ilustres profissionais da imprensa e personalidades das letras e das artes passaram pela presidência da entidade, entre eles Otacílio de Alcântara Ramalho, Godofredo Nascentes Tinoco, Alcides Carlos Maciel, Oswaldo de Almeida Lima, Hervé Salgado Rodrigues, Latour Ar ueira, Herbson Freitas, Amaro Prata Tavares, Hugo de Campos Soares, José Dalmo, Hélio Gomes Cordeiro e Orávio de Campos Soares. Atualmente, a AIC é presidida pelo jor nalista e professor V itor Menezes. Waldir P. de Carvalho registra, no livro “Campos depois do centenário”, que em 25 de setembro de 1943, a AIC, “que durante anos vinha funcionando em salas cedidas por outras entidades de classe da cidade, inaugurava sua sede (transitória) na Av. 7 de Setembro – altos da Confeitaria Francesa”, em solenidade que contou com as presenças do prefeito de Campos à época, Salo Brand, e o diretor do Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda, Marcos Almir Madeira, recepcionados pelo então presidente da entidade, Alcides Carlos Maciel. Desde os anos 30, no en-

tanto, como aponta Hervé Salgado R odrigues, a Prefeitura de Campos ha via doado à Associação de Imprensa Campos o terreno na Rua Tenente Coronel Cardoso. E uma obra lenta e polêmica, que gerou trocas de acusações entre os jor nalistas Silvio Fontoura e Otacílio Ramalho, chegando a pr ovocar a destituição deste último da pr esidência da entidade, foi iniciada. Depois de breve passagem de Godofredo Tinoco pela presidência, também em período controverso, segundo Rodrigues, Maciel assumiu a entidade, dando impulso à construção da sede definitiva da associação, no terreno doado pela municipalidade. A escritura do imóvel confirma a doação do terreno, feita em 15 de agosto de 1931, por meio do decreto número 88, do prefeito Oswaldo Luiz Cardoso de Melo, la vrada em cartório dois dias depois (Livro 168, folha 77). A doação foi condicionada à utilização para área par a a construção da “Casa do Jornalista”, “sob pena de, na falta de cumprimento desse compromisso, ser o imóvel revertido à doadora”. O compromisso foi cumprido. Marco ainda presente no hall edifício registra: “Casa do J ornalista – Construção iniciada na administração Otacílio Ramalho e concluída pelo presidente Alcides Carlos Maciel – 23/08/44”. Mas somente em 15 de maio de 1965, a escritura definitiva foi emitida, “retificando e ratificando” a doa-

ção, uma vez que os propósitos de utilização do imóvel haviam sido cumpridos e o terreno poderia, enfim, pertencer “sem embaraços” à Associação de Imprensa Campista. Casa aberta Ar ueira registra o funcionamento, na sede da AIC, de entidades e movimentos como o AA (Alcóolicos Anônimos), Ordem Rosa-Cruz, Associação dos Idosos, Academia Pedralva-Letras e Artes, União Brasileira dos Trovador es, Grupo de Oratória, Clube de Poesia, entre outras. E Avelino Ferreira, no li vro “Faria tudo outra vez”, lembra que a sede da associação serviu de espaço de reuniões para o movimento “O petróleo é nosso” em Campos, liderado pelo Centro de Defesa do Petróleo, fundado no município por J oão Bar celos Martins, Heraldo Viana e João de Faria. No período da Ditadura Militar, serviu de abrigo para iniciativas ousadas para época, como a de sediar Conferência do Centro Nor te Fluminense para Conservação da Natureza (CNFCN), em 14 de dezembro de 1979, com palestra do deputado federal Modesto da Silveira, que fazia pregação contrária ao projeto Jari, na Amazônia, defendido pelos militares e, em Campos, pelo deputado federal Alair Ferreira, como afir ma Delso Gomes no livro “História do Par tido Comunista em Campos”. Também é de Delso Gomes o relato sobre a palestra realizada pelo líder comunista Luiz Carlos Prestes no auditório da Associação de Imprensa Campista, em 5 de abril de 1980. A sede da entidade também abrigou, em 1° de Maio de 1994, assembléia histórica de jornalistas que fundaram o Sindicato dos Profissionais em Comunicação Social do Norte e Noroeste Fluminense (Sicom), que, no início dos anos 2000, viria a deixar de existir em razão de ter a sua base territorial reivindicada pelo

Sindicato dos Jor nalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro. Também esta última entidade se utilizou dos serviços da sede da AIC, tendo ali funcionado uma das suas delegacias sindicais. Mais recentemente, a entidade se empenhou em campanhas como a do movimento “Viva Monitor”, contra o f echamento do jornal Monitor Campista, ocorrido em 15 de novembro de 2009, e integrou, com o a Câmara de Vereadores e o Conselho de Preservação do Patrimônio Arquitetônico Municipal (Coppam), o grupo de trabalho que viabilizou o retorno ao município do acervo do jornal. Ao longo destes 85 anos, a AIC tem sido cenário de resistência democrática e de defesa do papel da imprensa. Além disso, centenas de reuniões partidárias e de movimentos sociais, a gitações e coletivos culturais, tiveram espaço na sede da associação. Seu mais tradicional evento, a “Semana da Imprensa”, realizada no período em que se comemora o Dia da Imprensa, em 1° de Junho, chega à 24ª edição em 2014. E no sexto ano está o projeto Cine Jor nalismo AIC, que promove, de março a novembro, exibições de filmes sobre jornalismo e encontros com jornalistas e estudantes de jornalismo todo último sábado do mês. Outro evento na sede da entidade, o “Balada Curta”, que reúne várias expr essões culturais, com ênfase na vocação de promover a produção audiovisual campista, teve a quatro edições realizadas, integrando campanha de arrecadação de livros infantis e infanto-juvenis para a Casa do Pequeno Jornaleiro. Muito da história da AIC, no entanto, ainda está por ser contada. Está colocada a demanda para os pesquisadores que possam se interessar por esta tarefa e contribuir para a memória da entidade e do município.

* Originalmente publicado em associacaodeimprensa.blogspot.com.

Onde ler mais sobre a história da AIC Viver é ter amigos – Latour Arueira Jor ge Ar ueira São João da Barra (RJ): Edição do autor, 2005. Campos depois do centenário Waldir P. de Car valho Campos dos Goytacazes (RJ):

Edição do Autor, 1991. Faria tudo outra vez Avelino Ferreira Campos dos Goytacazes (RJ): Edição do autor, 1995. História do Partido Comunista em Campos – Memórias de um Partido

Revolucionário Delso Gomes Campos dos Goytacazes (RJ): Edição do Autor, 2000. Campos – Na taba dos Goytacazes Hervé Salgado Rodrigues Niterói (RJ): Imprensa Oficial, 1988.

Quando a AIC livrou Prestes da chuva Página 10

Dalmo lembra tempo de presidência Página 10

Herbson registra histórias pioneiras Página 10

Alunos de jornalismo exploram arquivos Página 11

Amadores gigantes segundo Cordeiro Página 12

Orávio e as vidas de jornalistas fundadores Página 12


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Campos dos Goytacazes, Maio/Junho de 2014

Visita histórica

Quando a AIC tirou Prestes da chuva Após ter abrigos recusados em tempos sombrios, líder comunista foi recebido pelo então presidente Amaro Prata Tavares Reprodução Folha da Manhã / Acervo Público Municipal

Vitor Menezes

O tempo ruim na política e nos céus de Campos dos Goytacazes, em um distante 6 de abril de 1980, acabou por proporcionar à Associação de Imprensa Campista uma visita que entraria para a história da entidade: a do líder comunista Luiz Carlos Prestes. O registro da presença do lendário político está no livro “História do Partido Comunista em Campos”, e também pode ser conferido em jornais locais da época, como A Cidade, A Notícia, Folha da Manhã e Monitor Campista. Era uma manhã de domingo. O então integrante da direção nacional do PCB estava em Campos desde a véspera para reuniões com correligionários, em campanha interna pelo fortalecimento das suas posições no partido, e em campanha externa pelo a poio da sociedade pela legalização da sigla, ainda na informalidade, mesmo após a Anistia de 1979. A obra conta que o local agendado para a palestra de Prestes era a Academia Campista de Letras. Na última hora, no entanto, a ACL desautorizou o evento em sua sede, reflexo dos tempos sombrios da política da ditadura. Os militantes, então, optaram por ouvir o líder no entorno da entidade, a céu aberto, no Jardim São Benedito. Foi então que o céu de Campos fez a sua parte, ameaçando os participantes com uma chuva, o que obrig ou os organizadores a procurar uma alternativa. O então presidente da AIC, Amaro Prata Tavar es, deu a solução: levou a todos para a sede da Associação de Imprensa Campista, na rua Formosa, a poucos quarteirões da ACL. Delso na AIC Mais de 34 anos depois, em uma tarde recente, o homem que presidiu a mesa de trabalhos na AIC, durante a visita de Prestes, e é o autor do livro que registrou o evento, o militante comunista e líder classista Delso Gomes, retor-nou à sede da associação para conversar sobre aquela manhã. Aos 88 anos, suas pernas firmes subiram a tradicional escadaria da entidade. Ao final dela, seus olhos se desprenderam dos degraus em direção ao Salão de Prata, justamente o Prata que autorizara a palestra de Prestes. E após as primeiras saudações, o entrevistado manifestou-se com a objetividade dos antigos militantes, perguntando pela entrevista marcada. Gomes afirmou que o momento político era delicado para Prestes, que estava em curso de rompimento com a direção nacional do PCB. Par cela significativa do partido, formada por dirigentes que haviam passado pelo exílio na Europa, tendia a se afinar com o eurocomunismo à maneira italiana, com tons sociais democratas. Prestes, por sua vez, que estivera na União Soviética, estava mais à esquerda do que os demais camaradas. De acordo com Gomes, Prestes também percebia que outros partidos estavam tomando o espaço da esquerda no País, como o recém nascido PT, de Lula, e o PDT, de Leonel Brizola. Ele acreditava que o PCB deveria reafirmar sua posição tradicional à esquerda, par a não ser tragado pelos demais – o que de certa maneira viria a acontecer anos depois, obrigando o partido a rever suas posições políticas e até mesmo a mudar a sua sigla, tornando-se PPS. Delso conta que a AIC ficou

lotada para ouvir Prestes. A Folha da Manhã do dia 7 de abril de 1980 registrou a presença de aproximadamente 200 militantes na palestra. Ele se recorda das presenças de Amaro Prata Tavares, Orávio de Campos Soares, Anthony Garotinho, Jacy Barbeto, J. Costa, Antônio João de Faria, Joel Melo, Hélio Coelho e dezenas de outros líderes políticos, sindicais e intelectuais. E destaca o espírito democrático da associação. “A AIC sempre manteve uma posição de independência, nunca se aliou com governo nenhum, tendo por tradição a liberdade de imprensa, e franqueava o espaço da sua sede a todos os eventos, fosse da esquerda ou da direita, liberal ou social democrata, conservador ou não. Eu lembro ainda que nos anos da campanha do Petróleo é Nosso, e depois na campanha em defesa dos minerais estratégicos, aqui era sempre um ponto de referência para palestras e debates”, disse. Ele também se lembrou da figura do jor nalista Amaro Prata Tavares, a quem atribuiu uma grande capacidade de diálogo e um espírito democrático. “Prata sempre teve uma posição muito aberta, muito arejada. Tinha umas posições bem evoluídas do ponto de vista político. Ele não era agarrado a nenhuma posição par tidária, mas politicamente tinha um pensamento bem avançado. Era um democrata em sua essência, de diálogo muito fácil e uma pessoa muito modesta, apesar do seu grande conhecimento”, afirmou Gomes.

Prestes na AIC Luiz Carlos Prestes na sede da AIC, em 6 de abril de 1980, após proferir p alestra para aproximadamente 200 milit antes políticos, sindicalistas e intelectuais Reprodução A Notícia / Arquivo Público Municipal

Casa plural Prata Tavares, então presidente da AIC, precisou dar explicações públicas sobre o fato de ter recebido Prestes. "No momento em que as minorias são esmagadas arbitrariamente em todo o mundo, não seríamos nós que iríamos contribuir para isso", disse Prata Vitor Menezes

De volta ao salão

Abrigo polêmico Mesmo após a palestra, ainda havia setores da sociedade que questionavam a atitude da AIC em abrir as portas para Prestes. Em matéria do dia 8 de abril, o jornal A Notícia registrou a defesa feita pelo presidente da Associação de Imprensa: "Prata considerou a cessão do auditório como um fato muito natural, compatível com as tradições e os fundamentos da AIC. (...) Disse Prata Tavares que não pactua da ideologia comunista e até refuta seus princípios, mas não pode deixar de reconhecer que se trata de uma corrente política que faz parte de um dos segmentos da sociedade brasileira que não pode ser desconhecido e embora constituído de uma minoria do povo brasileiro nem por isso deve ser proibido de se manifestar". "No momento em que as minorias são esmagadas arbitrariamente em todo o mundo, não seríamos nós que iríamos contribuir para isso", disse Prata Tavar es ao jornal. A polêmica sobre o local onde se realizaria o evento com Luiz Carlos Prestes, naquele abril de 1980, acabou por ocupar mais espaços nos jornais do que o próprio conteúdo da palestra. A AIC chegou a ser citada entre as entidades que se recusariam a abrigar o evento, mas o equívoco foi esclarecido depois por Prat a Tavares, que explicou que havia decisão da diretoria de não em-

O militante histórico do PCB, Delso Gomes, retornou ao Salão de Prata da AIC, recentemente, p ara relembrar o dia em que o local recebeu a visita de Prestes

prestar o auditório por três meses, para qualquer evento, muito antes de se cogitar a visita de Prestes, em razão de questões internas da entidade, mas que a excepcionalidade da situação permitiu a exceção para o líder comunista. O auditório da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima também foi negado a Prestes. A Academia Campista de Letras publicou nota oficial nos jornais Folha da Manhã e Monitor Campista para negar que o seu auditório seria utilizado para o encontro: "A Academia Campista de Letras comunica ao povo de Campos ser totalmente inverídica a notícia de que o sr. Luiz Carlos Prestes irá pronunciar uma conferência no seu auditório, pois, até o momento, nenhuma solicitação foi feita nesse sentido. Esclarece, por outro lado, que o comunismo é a negação do espírito acadêmico, razão por que as portas da Academia Campista de Letras estarão sempr e fechadas para aqueles que estão imbuídos de uma concepção dialética e materialista do mundo", disse à época a entidade, então pre-

sidida pelo advogado Godofredo Tinoco. Na edição do dia 6 de abril de 1980, mesmo dia da palestra, o então secretário da ACL, Fernando da Silveira, publicou artigo no Monitor Campista para defender a posição da academia no episódio, em estilo eloquente muito representativo da temperatura do debate político do momento. "Não! Uma Academia de Letras não é um lugar adequado par a pronunciamento de comunistas. É possível até que estejamos fazendo o jogo deles, negando-lhes a sede, pois faz parte da técnica comunista passar por vítima. Mas, seria sobretudo uma traição a Campos permitir que um inimigo da tradição falasse num local que o historiador Barbosa Guerra cultuou, genuflexo, o nosso passado! Uma traição à Beleza consentir que a voz cavernosa de Luiz Carlos Prestes ecoasse nas paredes que parecem ainda vibrar com a retórica maviosa e cintilante de Nelson Rebel! Uma traição à Inteligência admitir que os períodos quilométricos do Cavaleiro do Mau Gosto Literário conspurcassem as

jóias literárias do inconfundível estilista Álvar o Duarte Barcelos!", disse Silveira no artigo. Até o presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Austregésilo de Athayde, que estava em Campos dos Goytacazes, no Solar da Baronesa, comentou a polêmica, defendendo a posição dos imortais campistas: "Se fosse um encontro ou visita para falar sobre temas literários ou culturais, Carlos Prestes deveria ter acesso à Academia (...). Uma academia de letras não é o lugar apropriado para pronunciamentos de natureza política. Compete às pessoas que estão organizando buscar outros foros para este tipo de palestra", disse Athayde, em entrevista à Folha da Manhã, publicada também em 6 de abril de 1980. Aos olhos de hoje Em entrevista para esta matéria do Jor nal da AIC, o advogado e jornalista Fernando da Silveira, que também foi diretor da Associação de Imprensa Campista, explicou a sua atitude na época em que era secretário da Academia Campista

de Letras: “Nós tínhamos preocupação com a exacerbação, que poderia levar a um retorno do ambiente de 1964. Temíamos um endurecimento da extrema direita. Em 1980 ainda havia essa possibilidade”, afirmou, lembrando que sua verve afiada a té o levou a uma provocação a Prestes no final do seu artigo, ao af irmar que o líder comunista ficaria melhor se fosse falar em uma escola de samba, mas que não iria fazer esta sugestão "em respeito às escolas de samba". O atual presidente da ACL, Hélio Coelho, que não pertencia à Academia na época e era vereador pelo PTB — e que, em reunião secreta, recebeu Prestes em sua residência, na véspera da palestra —, sorri quando se lembra do episódio, e comenta: "não existe isenção, as instituições são feitas por pessoas. Se eu fosse presidente da ACL naquele período, teria recebido Prestes com grande alegria cívica. É uma visita que engrandece qualquer entidade".


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Campos dos Goytacazes, Maio/Junho de 2014

Pesquisa

Correspondentes do passado Estudantes de jornalismo do Uniflu mergulham nos arquivos da AIC para desvendar a história da imprensa e da entidade Alexandro Florentino

Inegavelmente vivemos tempos, onde, segundo o filósofo Gilles Lipovetsky, “predominam os valores individualistas do prazer e da felicidade, da satisfação íntima, não mais a entrega da pessoa a uma causa, a uma virtude austera, a renúncia de si mesmo”. Contudo foi o oposto deste individualismo que proporcionou a criação de projetos coletivos, como o da Associação de Imprensa Campista (AIC), que ao longo de seus 85 anos tem tido um papel importante como local de legitimação da atividade jornalística no município de Campos dos Goytacazes, além de ser um ambiente tradicionalmente plural de debates sobre as questões públicas. Porém, a AIC não tem o mesmo vigor de seu passado bastante efervescente. E isso se dá pelo fato de a construção de alternativas coletivas de convívio e sociabilização não serem mais tão atraentes, como aponta a pesquisa, em andamento, realizada por Aldir Gomes, Letícia Nunes e Paula Vigneron, todos estudantes de Jor nalismo. O individualismo faz com que jornalistas estejam “dormindo para a AIC”, como sustenta Letícia, importando-se mais com os projetos individuais ao invés de se engajarem na colaboração com ideais, como os pregados pela Associação de Imprensa Campista. E isto, como salienta Vigneron, “é um perigo par a a formação da história da imprensa e da cidade, que se trona cada vez menos conhecida e valorizada”. Ainda sem decidirem se buscarão reconstituir a histó-

ria da instituição durante a ditadura militar, especificamente na década de 1970, ou compreender a dinâmica da entidade durante a década de 1990, quando se deu início a tradicional “Semana da Imprensa”, os estudantes se debr uçam sobre jornais antigos, incluindo o próprio “Jor nal da AIC” que circulou durante a década de 1990, documentos da entidade e fotografias com foco na realização de trabalho de conclusão de curso como requisito para obtenção do título de jornalistas. De certo mesmo é o entusiasmo de perceberem a entidade enquanto “uma ‘casa dos jornalistas’, como se dizia antigamente, que continua”, segundo Aldir, “abrigando nossa classe, nossas lutas, nossos desesperos, nossas terapias de grupo”. Deste modo, eles seguem desvelando histórias da AIC e também da cidade, “pois os jornalistas que ajudaram a escrever a trajetória da entidade participavam,

enquanto profissionais e seres humanos, dos acontecimentos políticos, culturais e sociais da cidade, construindo, também, a história de Campos. A AIC carrega a história da imprensa e, também, a história local. Não tem como separar uma da outra, pois elas foram construídas simultaneamente”, afirma Paula, evidenciando a possibilidade de se ter um panorama da realidade de Campos em diferentes períodos com base nos documentos encontrados no prédio da Associação. Par a o presidente da AIC, Vitor Menezes, “a opor tunidade de ter estudantes buscando pistas do passado em nossos arquivos é excelente para conhecermos mais sobr e a nossa entidade e sobre o jornalismo praticado na cidade. Par a os estudantes de jornalismo, é também uma for ma de estabelecer laços com este legado, para seguir sua construção”. Patrimônio tombado Em 17 de Outubro de 1977, a Câmar a de Vereadores de Campos considerou a Associação de Imprensa Campista “de utilidade pública”. Já em 27 de Dezembro de 2011, o Conselho de Preservação do Patrimônio Municipal (COPPAM) promoveu o tombamento da AIC como Patrimônio Cultural do Município de Campos dos Goytacazes, enquanto entidade promotora de arte e cultura, considerada de grande expressão cultural e histórica.

ARTIGO

Meu tempo de presidente José Dalmo Q. Azevedo* Sempre fui um admirador da imprensa e essa admiração levou-me a procurar a me entrosar com velhos jornalistas, fazendo com que, embora advogado, passasse por quatro importantes jornais da minha época: Folha do Povo, Folha do Comércio e Correio de Campos, este último semanário. Todos eles extintos. E O Fluminense, de Niterói-RJ. Fui colaborador, gerente e cronista social durante a minha trajetória jornalística. Talvez por isso, levado pelo saudoso e querido Hugo de Campos Soares, passei a sócio da Associação de Imprensa Campista e, por dois mandatos, presidente da entidade máxima dos jornalistas da região. Presidente da AIC, em duas fases difíceis, procurei, com ajuda de amigos, também jornalistas, fazer o possível para “não deixar a peteca cair”, isto porque, infelizmente, a categoria do meu tempo e ainda hoje, deseja é um sindicato de classe para lutar por melhores dias para todos e fiscalizar atentamente o exercício da profissão, impedindo o trabalho daqueles que gostam de trabalhar de graça, chamados “penetras”. Graças ao inesquecível Hugo de Campos Soares, do saudoso Amaro Prata Tavares e do companheiro Herbson Freitas, entre

outros que, infelizmente, não me recordo no momento, fiz o possível para levar a minha “mensagem a Garcia”. Não contei com ajuda de fora. Aliás, alguma coisa recebida, não foi completada e a casa ficou em péssimo estado, porque uma reforma iniciada não foi terminada. Agora, graças a Deus e ao empenho dos últimos presidentes, a AIC tem outra situação financeira e pode proporcionar algum benefício ao seu quadro social, o que não era possível antes. Mas fiz o que tinha que fazer, mantendo a entidade de pé e defendendo o exercício livre da profissão. Se muita coisa não fiz, pelo menos dei o pontapé inicial para as reformas que o prédio-sede sofreu, hoje com oito salas que, com pequenos aluguéis, mantém a entidade funcionando e servindo dentro de suas possibilidades aos jornalistas e a todos os campistas.

Categoria deseja sindicato para ter melhorias

* Advogado e jornalista, ex-presidente da AIC.

Reprodução

ARTIGO

AIC: Um pouco de história Herbson Freitas* A Associação de Imprensa Campista (AIC) nasceu de um velho desejo de um grupo de jornalistas campistas, precisamente no dia 17 de junho de 1929, decorridos 21 anos da fundação da Associação Brasileira de Imprensa, com o objetivo de defender, orientar e unir a categoria que, naquela época, não tinha nenhum órgão de proteção. Independentemente disso, a entidade tinha (e ainda tem) o dever principal de lutar pela liberdade de imprensa e pela plena democracia, de acordo com os seus estatutos, atualmente revistos e atualizados. A AIC não é só uma simples associação de jornalistas profissionais e colaboradores de imprensa, ela fez (e ainda faz) parte de movimentos comunitários, como Conselhos Municipais, sempre participando e prestando a sua preciosa colaboração jornalística ou não. Essa idéia não é de agora. Os primeiros passos foram dados por Manuel Múcio da Paixão Soares, nos altos da antiga Agência Sant´Anna de Jornais e Revistas, na Avenida 7 de setembro, que, infelizmente, não passou da vontade de um pequeno grupo. Mais tarde, surge a atual AIC – “A Casa do Jornalista Campista” –, com toda a força, a caminho hoje dos seus 85 anos de existência, tendo passado pela sua presidência, pela ordem, com algumas reeleições, os jornalistas Sílvio Fontoura, Octacílio Ramalho, Godofredo Tinoco, Alcides Carlos Maciel, Oswaldo Lima, Hervé Salgado Rodrigues, Latour Arueira, Herbson Freitas, Amaro Prata Tavares, Hugo de Campos Soares, José Dalmo Azevedo, Hélio Gomes Cordeiro, Orávio de Campos Soares e, atualmente, Vitor Menezes. A AIC é, sem dúvida, uma entidade amiga, sempre presente na vida social, política, cultural e, principalmente, jornalística de

Princípios

Fundada em 1929, AIC teve o seu primeiro estatuto finalizado em 1930

Campos, destacando-se na promoção “Semana da Imprensa”, todos os anos no mês de junho. Entre muitas coisas que fez e faz, já deu abrigo ao AA, Ordem RosaCruz, As-sociação dos Idosos (hoje 3ª Idade), Academia Pedralva, UBT - Seção de Campos, Grupo de Oratória de Campos, Instituto Campista de Letras e Artes, Clube de Poesia de Campos, Academia Campista de Letras, Instituto Histórico de Campos dos Goytacazes e SINCOM – Sindicato dos Profissionais em Comunicação de Social do Norte e Noroeste Fluminenses. No passado, curiosamente, abriu as portas, também, para companhias teatrais: Iracema de Alencar e Anthony Vasconcelos; ensaios de programas radiofônicos da antiga Rádio Cultura de Campos; noites litero-musicais; palestras do prof. Hélio Gomes, dos drs. Ulisses Martins e Plínio Bacelar da Silva, esta teatralizada, e Luís Carlos Prestes, independentemente da realização de constantes jantares e a visita, quando Chefe do Executivo fluminense, do governador Ernani do Amaral Peixoto, que doou a oficina de clichês que a entidade possuiu, além de outras importantes visitas, como as de José Cândido de Carvalho (1978), Barbosa Lima Sobrinho, Austregésilo de Athayde e Raimundo Magalhães Júnior (1979), entre outras ilustres figuras. Eis aí, um pouco da História da AIC.

Casa teve de Prestes a José Cândido de Carvalho

* Jornalista, e x-presidente da AIC por 14 anos , e um dos mais antigos sócios da entidade.


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Campos dos Goytacazes, Maio/Junho de 2014

ARTIGO

Pedaços de uma história de gigantes Helio Cordeiro* Sem comprometimento com o passado, presente e futuro nenhuma história nasce, cresce, nem atinge a posteridade. Vejamos a Imprensa de Campos dos Goytacazes, cujo celeiro de personalidades do tempo da “pena” romântica, mais adiante das “pretinhas”, se renova nas impr essões digitais. E neste contexto avultam saudosas figuras formadas nos bancos das oficinas de jornais. O parágrafo inicial abre trabalho de nossa autoria (Riquezas em pedaços de uma história de gigantes), publicado em junho de 2008 na Revista da Academia Campista de Letras (ACL), da qual, com muita honra, fazemos parte. Talvez, se a vida ainda nos der tempo, venha faz er parte de um livro, cujos textos estão sendo “construídos” há anos, em uma embromação que só Deus sabe. E atendendo a uma “intimação” feita “agora para já”, não há outra saída, a não ser publicar (a partir do próximo parágrafo) parte, neste espaço precioso e não menos honroso oferecido pela histórica Associação de Imprensa Campista (AIC). A história da imprensa brasileira estaria incorreta se dela não constassem, em caixa alta, apontamentos que vão de Campos (considerada “espelho do Brasil” pelo presidente Getúlio Var gas) ao Norte do Estado do Rio de Janeiro. São sequências

de páginas, ricas páginas de uma nobre trajetória embalada pelas mãos da autenticidade. As digitais da antiga Vila não desbotaram, simbolizam resistência, através do “Gigante Polegar”, daquele que veio a ser o terceiro jor nal mais antigo do país: o Monitor Campista, “o Velho Órgão” (infelizmente sepultado por força da insensibilidade de quem não tem compromisso com a História). Na essência do “recordar é viver”, o trânsito no túnel do tempo – sujeito a eventuais equívocos e omissões – vai ficando congestionado de passagens marcantes, algumas de níveis sobremaneira elevados, ao lado de situações pitorescas e irreverentes, sob as bênçãos de Silvio Fontoura, Gastão Machado, Godofredo Tinoco, Múcio da Paixão, Horácio de Souza, Theóphilo Guimarães, Salema Araújo e tantos outros. Figuras excepcionais de uma época em que a for mação jornalística nascia das esferas intelectuais ou das oficinas de gráficos ousados, cujos diplomas eram, literalmente, o sangue com cheiro de tinta que corria nas suas veias de autodidatas. Desses jornalistas filhos das oficinas, dois deles povoam a minha saudade como exemplos que dignificam a História da Imprensa Campista: Waldemar Pereira da Silva e Vivaldo Belido de Almeida. O primeiro fundou a manteve por mais de duas décadas o semanário

História da imprensa brasileira incompleta sem Campos

Correio de Campos; o segundo dirigiu, durante anos, A Cidade, fundado pelo Capitão Júlio Nogueira (...) ambos da era de exemplos, como João Corrêa, Hugo de Campos Soares, Fernando José Gomes, Hervè Salgado Rodrigues, Oswaldo e Everaldo Lima, Prata Tavares, Ar y Bueno, Genaro Vasconcelos, Walter Siqueira, Aluysio Cardoso Barbosa. A história que o prelo da memória imprime percorre longa estrada, inigualável no glamour, romantismo, paixão e comprometimento, ainda que os avanços estejam se atropelando num tempo cada vez mais veloz. Até os episódios hilariantes envolvendo “nossos heróis” daquela época esbanjavam inteligência. Perdia-se um amigo, mas não se perdia a piada. Às vezes, afastando-se até da ética. Os anais revelam, com riqueza de detalhes, a pr esença de uma imprensa altiva a coroar uma cidade “for mosa, intrépida amazona” – assim distinguida nos versos de Azevedo Cruz em “Amantia Verba”. Quem poderá negar que Campos dos Goytacazes tornou-se um alfobre, um viveiro de filhos ilustres como José do Patrocínio, Benta Pereira, Saldanha da Gama, Nina Ar ueira e Nilo Peçanha? Registra, a partir do Monitor Campista (1834), dezenas de jornais, a refletirem a pujança moral e intelectual da gente goitaca. Hoje, contamos com apenas três que se confrontam na

Privilegiados os batizados nos altares das oficinas dos jornais

for mação de opinião: O Diário, A Notícia e Folha da Manhã. O amadorismo na Imprensa Campista é, verdadeiramente, o embrião do pr ofissionalismo de décadas. Alimentavase da intensa vida cultural lavrada, segundo pesquisadores, das agitações fecundas da época do Boulevar d da Imprensa, hoje Francisco de Paula Carneiro, onde articulações nasciam principalmente, nos diversos cafés – Americano Clube, Clube dos Políticos, Chat Noir, Café Leme e Café High Life – e nos teatros Orion e Trianon. Bons tempos de uma história enriquecida ainda pela revista Aurora Lettras-Artes-Sciencias de Theóphilo Guimarães, prestigiada pela intelectualidade que nos deixou em suas páginas marcantes produções literárias e jornalísticas. Privilegiadas podem-se considerar todas as “criaturas” da Imprensa Campista batizadas nos altares das oficinas de jornais. São páginas que gerações de lá para cá (em um quadro de feliz maioria) estão sabendo dar continuidade com dignidade, na missão de for mar opinião. Eis aí um tiquinho (atualizado) de letras numa história de gigantes.

* Jornalista, diretor de jornalismo de O Diário e ex-presidente da AIC .

ARTIGO

A crise cultural e o jornalismo romântico de Múcio da Paixão Orávio de Campos Soares* Estamos vivendo um tem tempo atípico em que as coisas antigas já passaram, mas as novas ainda estão acontecendo, provavelmente em razão da aceleração dos meios científicos e tecnológicos que não nos permitem marcar um tempo dentro na escala da evolução humana. Nesse sentido o passado é pouco importante, a té pelo ponto de vista antropológico, se não tivermos a capacidade de atualizá-lo na contemporaneidade. A reflexão, proposta pelo filósofo da web, Pierre Lévy, vem a propósito de se verificar, na hodiernidade, uma tendência de alguns setores sociais, pelo menos os mais intelectualizados, que, vez por outra estão se referindo ao pretérito como um escaninho onde guardamos as coisas mais significativas da vida de cada um, deixando o presente como uma dádiva eivada de recordações e sem nenhum rasgo de renovação. Agora mesmo, o município passa por uma crise (que esperamos não ser paralisante) no campo cultural, quase vazio de boas

produções, com raríssimas e felizes exceções, é claro. Os atuais atores da cena intelectual estão com os cabelos brancos e expressam no hoje o fazer de outras gerações mais produtivas e, para vencer as bar reiras da criação, o poder público, por falta de demanda, sente dificuldades no seu planejamento. A própria Câmara Municipal, em boa hora, para evitar o nítido processo de esquecimento, deseja oferecer ao presente/futuro, registros de figuras mais expressivas da sociedade, em diferentes áreas de atuação. No que tange aos eméritos jornalistas do passado, a AIC desafiou seus associados a apresentar opções de personalidades da urbe e concluiu que a tarefa não se faz tão fácil como se divisava à primeira vista. As novas gerações (os filhos diletos da web) por falta de acesso às fontes mais significativas, nem conhecem os nomes listados por este escriba que, no entanto, confessa ter se alimentado no livro “Movimento Literário de Campos”, de Múcio da Paixão, um dos maiores intelectuais

Livro de Múcio da Paixão merece reedição

deste município, cujo mérito foi o de ar rolar, em alentado inventário, os principais jornalistas e intelectuais do século XVIII até os primeiros anos do século XX. A gente fica imaginando se o professor Múcio (1870-1926) não tivesse escrito seu trabalho de pesquisa, enfatizando uma das épocas mais pr odutivas da intelligentsia campista, dificilmente os jornalistas do presente teriam a oportunidade de apresentar sua listagem ao Legislativo. O fato, por si só, justificaria a reedição do livro, até mesmo num for mato online para ser acessado por uma maioria de leitores que, hoje, se utilizam desses meios para atualização de conhecimento. Se tivéssemos de apresentar a biografia da lista apresentada, inicialmente como sugestão, teríamos que percorrer os caminhos percorridos por Múcio, eleito o primeiro deputado constituinte da velha província pelo Par tido Operário - um embrião do

A cidade tinha uma imprensa atuante no sec. XIX

PT atual. Nesse caso, ao registrar a fonte, estaria, então, praticamente, copiando o que o ilustre professor do Liceu de Humanidades de Campos escreveu. Preferimos, aqui, neste momento, sugerir, atualizando o que o mestre político de Adão Pereira Nunes e de tantas outras figuras impor tantes do Estado do Rio, que a obra, escrita até 1906 e somente editada em 1924 com prefácio de Sylvio Romero - seja finalmente reeditada, inclusive podendo se constituir num dos fascículo d’As Goytacazeanas, idéia do historiador Barbosa Guerra destinada a reunir as principais obras sobre a história da cidade. Neste momento de crise cultural, Múcio pode ser um grande alento, até pelas lembranças de um tempo em que a cidade tinha uma imprensa atuante em nome do jornalismo romântico e se ufanava de ser a capital intelectual da Velha Província. Atualizar o autor de “O Teatro no Brasil”, significa lembrar um dos momentos mais pródigos da literatura brasileira em Campos. Dos Goytacazes... * Jornalista e professor, vice-presidente da AIC .

Jornal da AIC  

Publicação especial da Associação de Imprensa Campista em comemoração pelos 85 anos da entidade - Maio/Junho de 2014