Page 1

O REMÉDIO NOSSO DE CADA DIA

Notícias de Remédios

R1

2013


ROBERTO DELUCIA

Professor e Pesquisador de Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP

Autor & Organizador de livro: Farmacologia Integrada, Do Paraíso ao Inferno das Substâncias Psicoativas e Drummond Remédios Venenos, Clube de Autores.

Agradecimentos especiais O Autor agradece o inestimável espírito de colaboração de Amigos & Colegas nos livros publicados.

2


APRESENTAÇÃO O remédio faz parte do nosso dia-a-dia e está entre as notícias mais publicadas na mídia mundial. A ideia de comentar o noticiário sobre os remédios aconteceu a mais de cinco anos como desafio inicial de publicar blog post diariamente no “Blog da UOL: O Remédio Nosso de Cada Dia”. Os assuntos sobre os remédios foram selecionados em notícias de cinema, saúde, política, ciências, história, literatura, teatro, comportamentos dentre outras. Todos esses assuntos foram agrupados e atualizados para possibilitar melhor entendimento aos leitores e a participação ativa em comentários. Neste contexto, os remédios são genericamente conceituados como agentes de cura de natureza química e física (banho de sol), sendo incluídos os medicamentos. Ademais, outras categorias de remédios como as substâncias psicoativas conhecidas popularmente como “drogas” e os venenos a parte foram também abordados no livro. Vale lembrar que os remédios têm outros significados figurativos ou simbólicos como de solução ou tentativas de solucionar problemas de ordem pessoal ou social em diversos contextos.

3


SUMÁRIO 5 ● REMÉDIO & HISTÓRIA 17 ● REMÉDIOS & SAÚDE 51 ● SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS “Drogas”: Para Bem para o Mal 75 ● REMÉDIOS & DIVERSIDADES

4


R1

REMÉDIOS & HISTÓRIA

5


6


Arte de Curar Desde os primórdios da civilização nota-se que a cura e a proteção divina andavam de mãos dadas. Tanto que os ofícios religiosos se confundiam com as normas terapêuticas que muitos remédios eram venerados. Na mitologia grega as curas feitas por Esculápio (deus da Medicina) foram tão notórias que Zeus fulminou-o, sem contudo, impedir que Asclepíades, seus herdeiros, prosseguissem no mesmo mister. Hipócrates, o mais celebre dos asclepíades e pelos seus trabalhos pode ser considerado o Pai da Medicina. A descrição que fez de muitas doenças causa admiração até hoje e ele teve o mérito de considerar a saúde e a moléstia independentes de forças sobrenaturais, aconselhando a tomar sempre a natureza como guia na escolha dos remédios (Natura medicatrix). Mais tarde, a sabedoria de Shakespeare se revela na personagem Helena da peça teatral “Bem está o que o bem acaba” e quando diz: As vezes está em nós a medicina que em vão ao céu pedimos.

7


Alquimia e os Remédios A Alquimia ciência hermética, teve sua origem no antigo Egito. Os templos egípcios eram verdadeiros laboratórios de preparações medicamentosas. Sabiam-se dos efeitos, do óleo de cedro, da mirra e do aloés. Os fins primordiais da Alquimia eram a transmutação dos metais não nobres em ouro (pedra filosofal) e o elixir de longa vida. Como esses objetivos eram tão difíceis de ser atingidos, Paracelsus (1493-1541), iatroquímico, propôs uma mudança de rota, enunciando que: O homem é um composto químico e as doenças, a resultante de alteração desse composto, daí a necessidade de substâncias químicas medicamentosas para curá-las. Hoje, sabemos dos grandes avanços da Química Farmacêutica no desenvolvimento de novos medicamentos, mas um pouco da magia e criatividade dos alquimistas não faz mal nenhum. Não é?

8


Os Árabes e os Remédios Novos horizontes se abriram para arte de curar com o advento da Civilização árabe. Aos árabes devemos os purgativos de origem vegetal; sene e tamarindo, o álcool, os xaropes e os julepos. Entre as diversas contribuições medicamentosas destacam-se os seguintes estudos: Al-Kendi viveu até o ano de 860, procurou explicar a ação dos remédios através de proporções geométricas. Rhazés foi primeiro tratar o sarampo e a varíola com método simples: dieta, água fria e vapores aquosos. Avicenas estudou botânica na Bactriana, "onde nasceram muitas plantas medicinais" e no seu Canon existe grande repositório farmacêutico. Já se sabe também, que os árabes foram os divulgadores do hábito de tomar o nosso cafezinho de cada dia.

9


Novo Mundo e os Produtos Naturais A partir da descoberta do Novo Mundo (as Américas), vários medicamentos foram introduzidos em Terapêutica. Em 1517, o pau santo como substituto das fumigações mercuriais, em 1640, a quina ou “pó dos jesuítas”, era também conhecido como "pó da condessa", depois que a esposa do Conde de Chinchon, Vice-Rei do Peru foi curada da febre paludosa. A mais notável de todas as preparações vegetais foi o curare pelas propriedades miorrelexantes de largo emprego na anestesia. Entre as substâncias ativas de notável efeito estimulante, citam-se as folhas de coca (cocaína) mascadas pelos índios dos países andinos, também conhecida pelas propriedades anestésicas. Já, os astecas usavam o peylot (mescalina) em seus rituais religiosos. Vale mencionar as bebidas estimulantes que contem a cafeína como café, o chá mate do Paraguai e o nosso tradicional guaraná da Amazônia, região onde se encontra a maior biodiversidade de plantas medicinais do planeta Terra.

10


Placebo ou Medicamento? Nos meados do século XIX a lista dos medicamentos considerados eficazes era muito pobre. O efeito placebo era desconhecido neste tempo, e muitos medicamentos inofensivos recebiam o rótulo da eficácia, que eram passados de geração para geração sem crítica e aceitos primariamente por fé ou autoridade. Soma-se a isso, a ignorância sobre a história natural das doenças que leva também as conclusões erradas sobre as terapias. A palavra placebo (do latim, "agradar") foi usada para designar "terapêutica fictícia ou em branco". Somente a partir de 1950 é que começaram observações científicas sobre as influências de substâncias inertes (ex. comprimido de amido) sobre o organismo, semelhantes àquelas provocadas por medicamentos (substâncias ativas). A explicação para o efeito placebo pode ser dada pelo mecanismo da sugestão. Novas interpretações sugiram para o efeito placebo (endorfinas), porém o mais importante é que a garantia da eficácia dos medicamentos pode ser indubitavelmente comprovada.

11


Antiga Nova Ciência dos Remédios Os novos medicamentos são obtidos por vários processos, destacando-se, o acaso, a modificação molecular e o planejamento racional. Mais recentemente, o DNA recombinante que utiliza microorganismos ou mesmo células de mamíferos, geneticamente modificada, possibilitou a obtenção em larga escala de insulina, hormônio do crescimento e calcitonina, podendo avançar mais com os estudos do genoma humano. Nos primórdios da civilização, eram usados preparações vegetais ou animais na cura empírica das doenças. Muitos remédios de que hoje dispomos como vitaminas, antibióticos e alcaloides foram obtidos por processo de extração de fontes naturais. Há casos de medicamentos "antigos" no mercado farmacêutico que são relançados com mudanças nas formas farmacêuticas ou em novas indicações terapêuticas, como por exemplo, o verapamil (antihipertensivo). Assim, caminha unida a antiga e nova ciência dos remédios, que atualmente é denominada de Farmacologia, pensada como disciplina científica única.

12


Homeopatia: terapêutica alternativa No ano de 1796, Samuel Hannemann (17551843) tentou revolucionar a Terapêutica, estabelecendo os fundamentos da Homeopatia. Hannemann observou os efeitos da quinina em indivíduos sãos e comparou esses efeitos a sintomas observados em doentes febris, daí o famoso enunciado "similia similibus curantur". Vale a pena lembrar, que a conduta de terapêutica dessa Época era até esdrúxula e drástica aos doentes. Os tratamentos instituídos compreendiam cataplasmas, limonadas purgativas, clisteres, poções eméticas, estimulantes, inclusive sangria ou aplicações de sanguessugas. Tudo isso, gerou reações, como é o caso da Homeopatia, que apesar de não ter as bases científicas ainda comprovadas, perdurou até nossos dias como alternativa terapêutica.

13


Arte do Envenenamento: passado e presente Os antigos conheciam venenos extraídos dos três reinos da natureza (animal, vegetal e mineral). Sabiam os efeitos dos venenos das áspides, dos sapos e das salamandras, das plantas tóxicas da família das solanáceas (estramônio e beladona) conhecidas com o nome geral de mandrágoras. A cicuta relatada por Platão quando da morte de Sócrates e os venenos minerais como arsênico, cinabre e a cal viva. A verdadeira arte do envenenamento começou nos tempos de Nero com Locusta, aprimorada por Cesar e Lucrécia Borges, tristes célebres envenenadores. Shakespeare, em Otelo, fala do passado, mas vai até o presente, quando Iago diz: Certos conceitos são por natureza verdadeiros venenos que, de início, não provocam nenhuma repugnância, mas logo que no sangue atuam, queimam como mina de enxofre". Hoje, a arte do envenenamento está presente nos acontecimentos do mundo moderno. Contudo, tudo isso, nos faz pensar que os homens evoluíram muito pouco em relação ao passado, apesar de grandes esforços humanitários despendidos.

14


Venenos Animais: breve evolução O antigo conhecimento sobre os venenos e os antídotos tornou-se clássico em Farmacologia com a descoberta do mitridatismo (Mitrídates, rei do Ponto), que significava o costume a determinados medicamentos e é sinônimo de tolerância adquirida. No Instituto Butantã, foi que o estudo de venenos animais tomou grande impulso com a obra de Vital Brazil. Particularmente, os venenos ofídicos constituíram preciosa fonte de indagações farmacológicas, como a descoberta da bradicinina em 1949 (Rocha-Silva, M. & colaboradores). Do veneno da cascavel (Crotalus durissus terrificus), a indagação científica de Cury, Y & colaboradores, possibilitou o isolamento de substâncias analgésicas com potencial terapêutico no alívio da dor. Ademais, Gallacci, M & colaboradores, Instituto Biociências, UNESP-Botucatú, observaram a redução do efeito miotóxico causado por fração do veneno. Merece destaque ainda, o estudo do veneno de escorpião (titiustoxina) por grupo de pesquisadores em Belo Horizonte-MG. Os estudos de venenos animais é um terreno bem cultivado entre nós e no mundo, e continuam fértil e promissor para novas descobertas.

15


Tempo Tempo Tempo Para ajustar ao Tempo Universal Coordenado, no final do ano de 2005, foi adicionado 1 segundo em todos os relógios. Parece pouco tempo, mas é de grande importância para os satélites artificiais em orbita e na telefonia. Aparentemente, tal ajuste não acarreta significante alteração em nossos ritmos biológicos, uma série de eventos orgânicos que se sucedem no tempo. Pois, sabemos que o nosso "relógio biológico", adapta-se aos fenômenos ambientais periódicos e recorrentes, representados pelos ciclos geofísicos: ciclo dia e noite, estações do ano e ciclos lunares. Dependendo, da hora, dia ou mês, os parâmetros fisiológicos e comportamentais podem ser diferentes para um mesmo indivíduo, como também a sua capacidade de reação face aos estímulos ambientais, como foi demonstrado para vários agentes, por exemplo, medicamentos, toxinas, radiações e ruídos. Neste contexto, a Cronofarmacologia & Cronoterapêutica possibilitam a escolha do melhor horário para administração dos medicamentos. Em tempo real, vai uma dica do Millor: Aproveita a vida irmão. Já passou mais tempo do que você pensa ...

16


R1

REMÉDIOS E SAÚDE

17


18


Homens, Mulheres e Enxaqueca A enxaqueca é uma síndrome neurológica específica, que incide em 4 entre 100 homens e mais entre as mulheres, 16 entre 100, devido principalmente a variação hormonal dos estrógenos. O transtorno se manifesta em diversos tipos: enxaqueca com ataque agudo de aura; aura prolongada ou sem aura; enxaqueca sem cefaleia e outros tipos raros. O ataque enxaquecoso pode durar horas ou dias e ser seguido de intervalos de dor livre. Felizmente, alguns medicamentos são eficazes no tratamento da enxaqueca, destacando-se os triptanos (Sumatriptano, Zolmitriptano e Naratriptano) relacionados à serotonina (5-HT) que é o mediador chave na origem da enxaqueca. Uma dica para homens e mulheres: Controlar a enxaqueca não é tarefa fácil, mas conhecer seus próprios padrões representa metade da batalha ganha.

19


Pílulas de Emagrecimento: fórmula mágica? A obesidade é um transtorno alimentar que atinge amplas camadas da população do mundo industrializado, sendo fator de risco no desenvolvimento da síndrome metabólica: diabetes melito, hipertensão arterial e alguns tipos de neoplasias (câncer). O tratamento da obesidade depende da diminuição do ganho de energia sob a forma de alimentos ("fechar a boca") em relação ao gasto de energia. Para atingir essa meta, são adotadas medidas tais como, dietas de baixa caloria, exercícios físicos e orientação psicológica para mudanças de hábitos alimentares (reeducação alimentar) e anorexígenos. No Brasil, foram usados abusivamente os anorexígenos tradicionais (dietilpropiona, femproporex) e suas associações em formulações magistrais chamadas popularmente de "pílula para emagrecimento", que continham principalmente ansiolíticos, diuréticos, purgativos, hormônios tireoidianos e fitoterápicos (Centella asiatica). A legislação brasileira (ANVISA) proíbe a prescrição e o aviamento da associação ("pilula") pela falta de fundamentos racionais terapêuticos.

20


Mulheres: vale quanto pesa? As mulheres sofrem forte pressão para se adequar aos padrões estéticos vigentes (magreza) na sociedade moderna. Em razão disso, elas foram as maiores consumidoras de formulações magistrais para emagrecimento ("pílulas de emagracer"). Como mostrou levantamento de que 35% das mulheres já recorreram as "fórmulas mágicas" que na verdade eram constituídas por diferentes classes de medicamentos, segundo a terapia da "espingarda "(polifarmácia), com finalidade da perda do peso corpóreo. Os riscos para mulheres se agravam com a idade (50-70 anos), pois a presença de hormônios tireoidianos, usados prolongadamente, pode levar a perda óssea e a associação com os inibidores do apetite (anorexígenos) acarreta problemas cardíacos, e outros transtornos alimentares (anorexia, bulemia). Afinal, estas perdas de saúde para as mulheres, valem quanto pesa?

21


Inibidores de Apetite ou Placebo? Depois que a obesidade, passou ser uma pandemia nos países industrializados do mundo, estabeleceu-se uma verdadeira corrida pela Indústria Farmacêutica na procura de novos inibidores de apetite (anorexígenos). Mais de 150 novos inibidores de apetite se encontram em fase de experimentação clínica, dentre eles chama atenção a hoodia, princípio ativo extraído de um cacto, lançada nos EUA como condimento alimentar para o tratamento auxiliar do emagrecimento. Situação similar ocorreu no Brasil com os fitoterápicos Centella asiatica e o banido "Chá de Porongaba", comprovadamente desprovidos de ação anorética, verdadeiros placebos. Ademais, estudos clínicos controlados mostram que o efeito placebo não é desprezível na perda de peso corpóreo durante o tratamento de emagrecimento. Afinal, em relação ao custo/benefício, talvez a escolha melhor seja aquela que pese menos no bolso do consumidor!

22


Dia de Dieta Segunda-feira emagrecimento!

é

o

dia

de

dieta

para

Infelizmente, a maioria das pessoas se decepciona em acreditar nos milagres das novas dietas de emagrecimento que apregoam rápida perda de peso e diminuição da circunferência abdominal (cintura). Por outro lado, o mercado farmacêutico apostou no lançamento de um novo medicamento, Rimonabant, bloqueador de receptor de canabinoides (CB1) que inibe o apetite (anorexígeno) e reduz fatores de risco (lipoproteína da alta densidade (HDL) e triglicérides) relacionados às doenças cardiovasculares (aterosclerose e dislipidemias). Sabe-se que todos os medicamentos apresentam efeitos adversos, o Rimonabant não foge à regra, produz ansiedade, depressão e náuseas. Paradoxalmente, o mercado estimou vendas de 6 bilhões de doláres/ano para o Rimonabant, que era superior ao gasto em alimentação dos usuários do medicamento. No final, a ANVISA determinou a retirada do o Rimonabant do mercado farmacêutico brasileiro para decepção dos fabricantes.

23


Tempo de Verão É verão em tudo e em todos! É tempo para pensarmos em cuidados de saúde, principalmente na proteção da pele, como os agentes fotoprotetores (ou antissolares), que absorvem ou bloqueiam a irradiação ultravioleta de onda longa e onda curta, antes mesmo que ela provoque ação eritematosa ("vermelhidão"), em última análise, interferindo com a pigmentação. A eficácia dos fotoprotetores é definida pelo fator de proteção solar que variam de 2 (menor proteção) a 50. Na proteção contra água pode ser usada uma formulação de silicone e vaselina que forma delgado filme inerte na superfície cutânea impermeabilizando a ação da água. Não se esquecer da proteção labial, onde o creme de manteiga de cacau já está superado por outras substâncias mais eficazes. Depois, retornaremos a conversar, pois é verão, e o poeta Mario Quintana escreveu o poema “Matinal”: (...) Entra o sol, gato amarelo, e fica...

24


Vamos Fazer um “Bronze” O sol convida para um bronzeamento! A combinação de agentes melanizantes ou recorantes para estimular a produção de melanina e a radiação luminosa é o casamento perfeito. As principais substâncias recorantes são extraídas de plantas, as furocumarinas como a bergapteno (Citrus bergamota) e os psoralenos (Ruta graveolens), como trimetilpsoraleno são usados topicamente em banhos por 10 minutos ou em loções a 1%. Uma nova substância, melanotan semelhante a melatonina está sendo pesquisada, para bronzear sem a necessidade de uma prolongada exposição solar. A boa receita para o bronzeamento da pele se completa com alimentação saudável, hidratação e fotoprotetores ou antissolares.

25


Beijo tem Risco? O prazer de beijar é revelado na peça “Antônio e Cleópatra” de Shaskespeare. Entre dois beijos abrimos mão de reinos e províncias. O lado obscuro do prazer pode ocultar a possibilidade do surgimento de doenças orais (cárie e periodontite) e a transmissão de outras no ato de beijar? Uma jogada de marketing, em véspera de Carnaval é o lançamento de um spray a base própolis (substância antibacteriana) para diminuir o "risco" de contaminação durante os beijos. Os especialistas da área (dentistas) afirmam que não há possibilidade "risco zero" de contaminação e recomendam uma cuidadosa higiene bucal e o uso eventual de solução de bochecho (enxaguatório). Parodiando a letra da música de Chico Buarque: Vamos se preparar e se aguardar quando o Carnaval chegar ... Que tal beijar!

26


Úlcera Gástrica: tratamento e prevenção Em 2005, o prêmio Nobel de Medicina foi para dois pesquisadores Marshal e Warnic. Eles propuseram que causa da úlcera está relacionada a uma bactéria (Heliobacter pylori) e não ao estresse ou tensão emocional como se acreditava. Assim, o tratamento pode ser feito pela associação de antibiótico (Tetraciclina), quimioterápico (Metronidazol) e citrato de bismuto. Todavia, o tratamento medicamentoso tradicional permanece com os bloqueadores de receptor histamínico H2 (Ranitidina), inibidores da bomba de prótons (Omeprazol), antiácidos e outros medicamentos. Outras medidas preventivas são importante no tratamento de rotina da úlcera péptica como a redução da tensão emocional (estresse), adoção de dietas leves, refeições fracionadas e reprovação do hábito fumar e de bebidas alcoólicas em excesso.

27


Hepatites e a Lei A hepatite C é um grave problema de saúde pública, na sua forma crônica atinge de 170 milhões de pessoas no mundo inteiro. No Brasil, é de 5 milhões os portadores de hepatite C, sendo que 5 a 7% dos indivíduos podem desenvolver cirrose hepática ou hepatocarcinoma (câncer). Há vacina para as hepatites A e B, mas ainda foi desenvolvida uma eficaz para hepatite C (vírus HCV). A associação de interferons com o antiviral, ribavirina mostrou-se eficaz em 40% dos casos. A boa notícia é que a chamada "Lei das Hepatites" (11.255/05) foi sancionada pelo Presidente da República, determinando que o Serviço Único de Saúde (SUS) auxilie integralmente, inclusive forneça gratuitamente os caros medicamentos aos usuários. Agora, vamos continuar cobrando para que a lei seja realmente exercida.

28


Arte e a Ciência de Envelhecer O filme documentário "O Fim e o Princípio", registra uma comunidade do sertão da Paraíba, cujos habitantes idosos falam sobre eles mesmos (memória emotiva). Até aí, nada especial! O que importa são as discussões sobre a vida e a morte, as marcas do envelhecimento e as buscas de "remédios" para alma. Religião, solução? A sonhada "pílula da juventude eterna", ainda não foi descoberta. Em razão disso, alguns cuidados é necessário, quanto se utilizam doses diárias suplementares de vitamina A e C e betacaroteno, pois essas substâncias podem interagir desfavoravelmente com medicamentos que porventura estão sendo usados concomitantemente. Opiniões a parte, seja qual for o remédio, o humor é importante, como diz Millor: A alma enruga antes da pele.

29


Artrose e o INSS Dados recentes revelam que a artrose é responsável por cerca de 20% dos benefícios concedidos pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Segundo a OMS, a artrose incapacita mais de 50% da população adulta, mas os jovens trabalhadores estão sujeitos a doença. A artrose é doença degenerativa que destrói as cartilagens, causando dores constantes especialmente em regiões como as mãos, joelhos, quadril e coluna vertebral. A doença é crônica e não há "cura definitiva", sendo na maioria dos casos o tratamento é paliativo. No alívio da dor, recomendam-se os analgésicos antiinflamatórios e medidas simples como a atividade física e controle do peso corpóreo. Em casos mais graves, a cirurgia é indicada. Quanto mais cedo a doença for diagnosticada é melhor para o paciente, para isso uma simples radiografia resolve parte do problema.

30


Doença de Chagas e Plantas Medicinais A doença de Chagas, conhecida também como tripanossomíase americana, é um dos problemas sanitários mais importantes para o Brasil e vários países latino-americanos, pois afeta de 16 a 18 milhões de indivíduos. É considerada uma zoonose das mais típicas, devido a sua transmissão se processar dos animais ao homem e vice-versa. A transmissão ocorre pelas fezes do inseto "barbeiro" (triatomídeos) e ainda por mecanismos: leito materno, transplacentária e transfusão do sangue. Recentemente, ocorreram alguns casos de transmissão por via oral devido à ingestão de caldo de cana infectado pelo parasita Trypanosoma cruzi. Na procura urgente de novos medicamentos foi realizado estudo de triagem de 19 plantas medicinais usadas tradicionalmente no Brasil, sendo que os extratos de capim limão, camomila, pariparoba, taneceto e erva dos vermes apresentaram efeito marcante contra o parasita, segundo Nakamura & colaboradores (UEM). Essas e outras plantas são fontes alternativas de novos medicamentos para o tratamento da moléstia de Chagas.

31


Dengue: novos casos ou epidemia? È verão, a dengue está por aí. A preocupação é geral! Contudo, as autoridades sanitárias, afirmaram que não havia epidemia de dengue no Rio de Janeiro e muito menos no Brasil em 2006. Os argumentos é que o número de novos casos de dengue em todo o Estado do Rio somava 109, e que no Brasil foram registrados cerca de 1700 casos. Agora, todo cuidado é pouco, a campanha a exemplo de Oswaldo Cruz no início século passado, deve começar o trabalho de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, pela zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, local de maior registro de casos. O tradicional faz parte da campanha, aplicação de inseticida e larvicida e distribuição de folhetos explicativos para prevenção e tratamento (medicamentos) da doença. Hoje, sabemos que a mobilização da população é fundamental, mais do que isso, a conscientização de que dengue chegou para ficar.

32


Atenção Pré-Natal Dezembro 25 é o dia da natividade! Vamos celebrar o espírito natalino em todos os dias do ano, principalmente com a atenção pré-natal as mães das comunidades mais pobres do país. Essa luta que se traduz em amor e esperança, visando à orientação ao desenvolvimento de saúde, da educação e da cidadania. Um exemplo disso tudo é os mais de 250 mil voluntários da Pastoral da Criança. Nessa linha, na cidade de São Paulo, as mães de baixa renda recebem gratuitamente passes para fazer as visitas médicas e receber os medicamentos. Está na hora, vamos compartilhar dessa luta gloriosa.

33


Brasil, campeão! O Brasil é campeão mundial em várias modalidades esportivas, é também em número de mortes causadas por sepse grave, conhecida antigamente por septicemia ou infecção generalizada. A sepse é uma resposta inflamatória exacerbada frente a uma infecção, por exemplo, uma pessoa com pneumonia ou outra infecção pode desenvolver sepse. Os sintomas comuns são febre, taquicardia, respiração rápida, confusão mental, pressão baixa e menor volume urinário. Na ausência ou inadequação de tratamento, o processo pode progredir e comprometer outros órgãos causando a disfunção orgânica múltipla, que é a sepse grave. Em qualquer ramo das atividades humanas, os bons resultados são obtidos através de treinamento pessoal, no caso específico as UTIs e adotando medidas simples de tratamento, por exemplo, antibióticos seletivos, repositores hidroeletrolíticos (hidratação) e de inotrópicos positivos para melhorar as funções cardiovasculares. Contudo, os riscos são ainda grandes, quando os pacientes atendidos nos hospitais recebem apenas um antibiótico (Bezetacil) e são enviados para casa.

34


R1

REMÉDIOS & POLÍTICA

35


36


Uso Racional de Medicamentos Esta na ordem do dia o uso racional de medicamentos! Uma proposição ousada em Saúde Pública para obter maior efetividade e segurança de medicamentos disponíveis no mercado farmacêutico. Tudo isso, passa pela competência de pesquisadores treinados em Farmacologia para carreiras produtivas nas Universidades, Empresas Farmacêuticas e Agências Governamentais (ANVISA), profissionais da área de Saúde e principalmente dos usuários dos remédios organizado sem defesa da Saúde Pública. Medicamentos Essenciais Para simplificação geral do trabalho nas farmácias e facilitação do receituário médico, os medicamentos essenciais são catalogados com a nomenclatura dos genéricos. Assim, pode-se reduzir a manipulação comercial envolvida com o nome de fantasia dos produtos farmacêuticos. O mais importante é não rotular os medicamentos essenciais como "remédios para pobres", pois inviabiliza os programas de Assistência Farmacêutica no Brasil.

37


Receitas Legais ou Ilegais. Eis a Questão? A lei determina exclusividade dos médicos, mas os dentistas também podem receitar especialidades farmacêuticas indicadas no tratamento dentário. Em programas de Saúde Pública, os enfermeiros podem prescrever com aprovação da instituição responsável pelo projeto. Contudo, é muito comum na rotina das farmácias o recebimento de prescrições ilegais. Essa prática vem sendo incorporada por nutricionistas, enfermeiros, psicólogos e fisioterapeutas e outros profissionais. Chama a atenção, as receitas de falsos médicos, nesse caso a denúncia para a Vigilância Sanitária é obrigatória, pois estamos diante de uma questão de Saúde Publica.

38


Remédios têm Problemas? Os usuários de medicamentos têm agora a oportunidade de notificar em mais de 100 Farmácias Notificadoras do Estado de São Paulo. As notificações são sobre as reações adversas de medicamentos (RAMs) e a falta de qualidade dos produtos como alterações no cheiro, cor e na apresentação de embalagens. Esse tipo de iniciativa é de inestimável valor para saúde do consumidor e em última análise quem ganha é a população. Erros de Medicação Nos EUA e outros países desenvolvidos, pesquisas recentes mostram que cerca de 20 a 30% dos pacientes com doenças graves receberam medicação errada durante o tratamento. Outras queixas foram os altos custos dos medicamentos que faz com que muitos pacientes desistem do tratamento, inadequado tratamento, atraso na realização dos exames laboratoriais e falta de orientação por parte dos profissionais de saúde. Pergunta que cabe agora: como se situa o Brasil nessa problemática?

39


Não é Bom para os EUA. E para o Brasil? O órgão do governo norte-americano que controla alimentos e medicamentos (FDA) está alertando os usuários do país, a não usar dois medicamentos importados do Brasil para o tratamento auxiliar da obesidade. Embora, os produtos são comercializados como "suplemento alimentar", eles contem na sua formulação, medicamentos de uso controlado como antidepressivo (fluoxetina), ansiolítico (clordiazepóxido) e anorexígeno-estimulante (femproporex). Um dos produtos é o Emagrece Sim, conhecido como "pílula de emagrecimento brasileira", e o outro o Herbathin. Os produtos são vendidos no mercado norteamericano pela internet e distribuídos pela Emagrace Sim Laboratories, Miami. Atenção: O FDA recomenda aos usuários a não trazerem os produtos para os Estados Unidos, devido ao impedimento fiscal estabelecido. Que tal, a nossa ANVISA, recomendar a reciprocidade para os usuários brasileiros!

40


Faltam Remédios?

Informações

sobre

o

Uso

dos

Os usuários em geral, reclamam com justa razão, da falta de informações para a utilização de medicamentos comercializados em "balcão (ou gôndola)" das farmácias. Embora, por lei esses produtos farmacêuticos devem ser acompanhados da bula para orientação do usuário. Recentemente, a ANVISA está recomendando aos fabricantes, inclusões de informações nas embalagens dos produtos para facilitar o entendimento dos usuários. A medida adotada é questionável, pois este procedimento pode acarretar a automedicação indesejável ou a famigerada "empurro terapia" pelos balconistas. Vale a pena lembrar, que a atenção farmacêutica exercida pelo Farmacêutico responsável seria solução mais adequada para esta situação. Vamos começar!

41


Quem tem Medo dos Genéricos? No passado recente CADE multou 20 Empresas Farmacêuticas por boicote a entrada de medicamentos genéricos no mercado farmacêutico. O curioso é que a legislação brasileira estabelece o medicamento genérico desde 1999 e a resistência a entrada por razões mercadológicas não parece ser justificável. Em outro contexto político, a questão foi debatida na peça teatral “Andorra” (Durremat, F.): Quando se tem mais medo da mudança, o que fazer com o medo ? As notícias atuais dão conta que a participação de Empresas Farmacêuticas está mudando em relação aos genéricos. Meno male!

42


O Preço Real do Medicamento O mercado farmacêutico obedece ao modelo internacional com as principais características: internacionalização, diversificação e concentração. Os preços dos medicamentos são consequências da estreita relação da configuração e dinâmica competitiva desse mercado. A principal estratégia competitiva das empresas farmacêuticas é a concorrência "extra-preço", cujos mecanismos se fundamentam na diferenciação de produtos associada ao marketing. Na questão dos preços dos medicamentos, destaca-se o poder de fixação dos preços por parte das Empresas farmacêuticas, assim como a intervenção do Estado se faz necessário. Para se ter uma ideia de tudo isso, o jornalista Elio Gaspari conta que um cidadão "sul-maravilha" entrou numa farmácia no sertão nordestino pediu um sabonete medicinal. O balconista trouxe e perguntou ao cliente: O preço é R$ 9,50. Em quantas vezes o senhor quer pagar?

43


Remédio é a Solução? Será que existe remédio para nossa política? Antes de responder, o interessante é que os remédios são utilizados simbolicamente como solução para nossos problemas políticos. Por exemplo, o jornalista Gaspari em sua coluna semanal, analisa que o Governo brasileiro em geral, utiliza-se de soluções paliativas (dietas) para os problemas econômicos (inflação), devido a ineficácia das medidas, socorre da quimioterapia radical (juros altos) do Banco Central. Millor Fernandes escreveu: A morte cura a doença, e os médicos cobram os honorários (conta). Falando nisso, é bom lembrar que os remédios curam as doenças, mas em overdoses podem matar o paciente. No contexto da Saúde, o uso racional de remédio é a solução!

44


Acesso aos Remédios A sociedade brasileira é profundamente desigual no uso fruto das suas riquezas. Especificamente, no caso de medicamentos cerca 2/3 da população não tem acesso pleno aos medicamentos, embora o acesso igualitário é garantido pela Constituição Federal de 1988. Em razão disso, é crescente o número de mandatos judiciais impetrados contra o Estado para a aquisição de medicamentos. Contudo, a maioria de usuários do SUS não é beneficiada, mas a minoria que solicita novos medicamentos inexistentes no mercado por influencia dos fabricantes e sociedades de consumidores. O problema agrava-se devido a falta de política de Assistência Farmacêutica à população, garantindo o acesso e o uso racional de medicamentos.

45


Remédios para os Países Pobres Finalmente, a Organização Mundial do Comércio (OMC) vai flexibilizar os contratos nos países pobres devastados pela HIV/AIDS, para possibilitar a produção de remédios através da aquisição de cópias genéricas de países exportadores. A medida representa um avanço para Saúde Pública desses países, pois, até o momento, era possível apenas a quebra de patentes de remédios no mercado interno de países pobres ou em desenvolvimento. A OMS (Organização Mundial da Saúde) preconiza também a todos países uma relação de medicamentos essenciais para assistência da saúde primária, secundária e terciária das populações, que não é exercida plenamente pelas dificuldades econômicas e sociais dos países pobres. Além disso, é preciso ficar atento a rotulagem infeliz de "remédios de pobres" que inviabiliza por descrédito qualquer programa de Assistência Farmacêutica nesses países isso, em nome da competição.

46


Remédios e Inovação O governo brasileiro definiu os medicamentos e fármacos como uma das opções estratégicas de sua política industrial. Para tanto, destinou ao programa Profarma nada menos de R$ 240 milhões de reais. Outras iniciativas complementares foram tomadas em diversas agências federais (CNPq, FINEP) e estaduais (FAPESP) de apoio, financiamento e fomento à pesquisa, no tocante ao desenvolvimento e inovação de fármacos e medicamentos. Tudo isso, é resultado do reconhecimento histórico da capacidade inventiva brasileira na área de ciência e tecnologia que se expressa pelo sistema de pós-graduação (stricto sensu) e pelo notável aumento produção científica nos últimos anos. Ademais, a implementação dessa política no campo das Ciências Farmacêuticas é importante para estimular ações, especialmente envolvidas em inovação nas Instituições de Ensino Superior Pública e reorientar o setor industrial farmacêutico em pesquisas em todas as etapas da produção dos fármacos.

47


Guerra dos Analgésicos No mercado farmacêutico, os analgésicos ocupam lugar de destaque entre os cinco medicamentos mais consumidos no mundo inteiro. Uma verdadeira guerra, por meio de Propaganda & Marketing é travada pelas Empresas Farmacêuticas que disputam os bilhões de dólares no mercado de analgésicos. Nesta batalha, os estudos clínicos comparativos entre os analgésicos concorrentes, dão enfase aos efeitos adversos severos desses medicamentos. Por exemplo, entre os analgésicos tradicionais, a irritação gástrica da Aspirina (ácido acetilsalicílico), hepatoxicidade do Tylenol (paracetamol) e anemia aplástica da Novalgina (dipirona). Quanto aos novos análgésicos, inibidores seletivos da COX2 (Celocoxiba) a guerra é mais suja. Em resumo, “Guerra é guerra", dirão alguns marqueteiros, contudo, esperamos que as baixas não fossem contabilizadas em nós, os usuários.

48


Plantas Medicinais Brasileiras. Desafios Após o descobrimento do Brasil, a nossa flora medicinal passou ser estudada por vários Naturalistas. As biografias foram escritas no livro "Plantas e substâncias vegetais tóxicas e medicinais"(Hoehne, 1939). É sabido, que hoje mais 80% da população brasileira são usuária de fitoterápicos e o mercado desse setor movimenta cifra de milhões de reais/ano. Neste contexto, podem ser também incluídos mais recentemente os alimentos funcionais ou nutracêuticos. Não há dúvidas, de que a imensa biodiversidade de plantas medicinais brasileiras representa o grande desafio para estabelecimento de uma política de pesquisa de princípios ativos naturais.

49


50


R1

SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS (DROGAS): Para o Bem ou para o Mal

51


52


Aniversário: 50 Anos dos Tranquilizantes Desde lançamento do clordiazepóxido (Librium) em 1960, iniciou-se a chamada “revolução dos benzodiazepínicos". Os remédios conhecidos popularmente por “tranquilizantes” ou "calmantes", usados para diminuir ansiedade, tensão e o estresse da vida moderna, ou seja, para acalmar ou tranquilizar! Ao longo de cinco décadas, esses remédios foram os campeões de venda, 50 milhões de pessoas diariamente em todo mundo tomam um comprimido. Tranquilização geral, todo mundo "calminho", será legal isso? Apesar da boa aceitação por parte dos clínicos e usuários, continua instigar a controvérsia para o bem ou mal.

53


Ansiedade e Transtornos Mentais A ansiedade é a principal manifestação psicopatológica em várias categorias de transtornos mentais. Por exemplo, no transtorno da síndrome do pânico, ela se manifesta no ataque típico por um sentimento de perigo ou catástrofe iminente e um anseio por escapar. Os sintomas somáticos de ansiedade exacerbada são os seguintes: palpitações, sudorese, tremores ou abalos, sensações de falta de ar ou sufocamento, sensação de asfixia, dor ou desconforto torácico, náusea ou desconforto abdominal, tontura ou vertigem, medo de perder o controle e medo de morrer. Os sintomas psicológicos são: irritabilidade, alterações do sono, medo e insegurança. Alguns desses sintomas estão presentes no transtorno de pânico, outros nas crises de fobias e outros na dor psicogênica ou nos transtornos somatomorfos. Como o transtorno do pânico e a depressão (transtorno do humor) são, praticamente, da mesma família psicopatológica, o tratamento pode ser duplamente direcionado com antidepressivos pelos psiquiatras ou ansiolíticos pelos clínicos gerais.

54


Antidepressivos, Depressão e Genética Nos últimos anos, inúmeros estudos buscaram determinantes genéticos para uma boa ou má resposta ao tratamento farmacológico da depressão patológica (transtorno afetivo unipolar), que aflige 17 milhões de norte-americanos. Por exemplo, a verificação de diferenças interindividuais nos mecanismos farmacocinéticos (variantes funcionais nos genes das isoformas de enzimas envolvidas no metabolismo dos antidepressivos como o CYP2D6) e farmacodinâmicos (genes codificando seus sítios de ação dos antidepressivos como a proteína transportadora de serotonina). Mais recentemente, os níveis da proteína p11 relacionada à serotonina podem desencadear a depressão. Portanto, esses estudos podem fornecer importantes subsídios para a individualização da escolha de medicações e dosagens utilizadas no tratamento da depressão patológica, como também o desenvolvimento de novos antidepressivos. Cabe sempre lembrar que depressão normal é muito importante para os indivíduos confrontar a patologia. Em razão disso, ela não pode ser aliviada por antidepressivos.

55


Lítio: Eficaz e Barato Há relatos de que na Antiguidade alguns pacientes eram enviados a estações hidrominerais romanas para tratamento. Hoje, sabe que as águas de muitas fontes eram ricas em lítio (pedra, do latim) e diminutas quantidades são encontradas nos alimentos. Contudo, somente em 1948-49, Cade relatou que o carbonato de lítio apresentava efeito específico no episódio de mania do transtorno afetivo bipolar. O fato de o lítio ser medicamento barato e apresentar baixo índice terapêutico não despertaram grande interesse comercial no mercado farmacêutico. O uso clínico disseminado se deu em 1970, após vários estudos que confirmaram sua eficácia e segurança. Atualmente, o lítio é utilizado na mania e na prevenção de episódios recorrentes no transtorno afetivo bipolar e pode ser empregado para potencializar os efeitos de antidepressivos no transtorno afetivo unipolar (depressão). Estudo preliminar atribuiu ao lítio efeito preventivo na doença de Alzheimer.

56


Civilizações & Bebidas O desenvolvimento das Civilizações pode estar relacionado ao consumo de bebidas, as quais trazem informações importantes sobre comércio, religião, costumes sociais e progresso científico. As bebidas alcoólicas (etanol) relacionam-se as civilizações: egípcias (cerveja), a greco-romana (vinho) e as colonizações modernas (destilados) e as bebidas xantínicas (cafeína): o iluminismo (café), a britânica (chá) e a globalização (Coca-cola). Essas seis bebidas foram abordadas no livro (História do Mundo em Seis Copos, Standage, T). Todavia, não esquecer a água como bebida que terá grande importância estratégica para todas as civilizações no século XXI. Parafraseando o Millor: A civilização comecou quando todos os seres humanos começaram a beber (comer) em horas certas e não apenas quando tinham sede (fome)".

57


Vinho: Santo Remédio? Na Bíblia são encontradas várias passagens sobre o uso do vinho, inclusive o primeiro relato histórico de embriaguês alcoólica Quando Noé deixou a Arca, plantou uma vinha. E tendo bebido o vinho, embriagou-se... (Gênesis 9, 2021). O vinho aparece nas antigas Farmacopeias com mais de 100 indicações terapêuticas. Mais recentemente, em Cosmetologia, atribuí-se ao vinho efeito "antienvelhecimento", devido a presença em sua composição de flavonas, substâncias antioxidantes que combatem os radicais livres. Contudo, em grandes quantidades predispõe os consumidores a deficiências nutricionais. Daí a lição que Shakespeare escreveu: O bom vinho é um camarada bondoso e de confiança, quanto tomado com sabedoria (Otelo, Ato II-cena III).

58


A Nossa Cachaça De olho na classe A, a cachaça passou ser o nome oficial, inclusive para exportação, mas é também popularmente conhecida no Brasil por: Abrideira, água-que-passarinho-não-bebe, arrebenta-peito, birita, capote-de-pobre, goroboba, quebra-goela, pinga, remédio e suor de alanquibe etc. O processo de destilação permitiu a produção da cachaça com teor alcoólico entre 40 a 50% e de outras substâncias presentes na bebida (ácidos, cetonas, fenóis, aldeídos e outros alcoóis) conhecidas como congêneres, que não o álcool etílico. O processo envelhecimento da bebida facilita também o aparecimento dos congêneres, que contribuem para o gosto, cheiro e cor da cachaça. Experimentos mostram potencializam a ação do etanol.

que

os

congêneres

É bom lembrar que a nossa cachaça está também na história nacional (revoltas escravas), no cancioneiro e nas famosas piadas de bêbados.

59


Carnaval, Cinzas & Ressaca No início do século XX, o poeta e boêmio, Emílio de Meneses já dizia em seus versos: A canja sustenta mais que a laranja. Em dia de ressaca, até Deus, chupa laranja. Os ingleses recomendavam um trago de bebida para combater a ressaca, em razão disso usavam a frase: Morder o rabo do cão, que te mordeu. Isso tudo, demonstra como é antiga a procura de remédios para “curar” a ressaca. Uma lista infindável de substâncias foi recentemente testada, desde glicose, passando pela frutose e chegando ao extrato de ervas de alcachofra (cinarina), sem contudo, nenhuma delas apresentarem surpreendente eficácia no alívio dos sintomas desagradáveis da ressaca, o famigerado "Dia After". Parece que o melhor remédio, é ainda deixar o próprio organismo se recuperar, sem remédios.

60


Bebidas Alcoólicas & Propagandas Estudos recentes revelam que as bebidas alcoólicas são consumidas em 68,7 % dos domicílios brasileiros e de 77% de estudantes secundários já fizeram uso na vida (CEBRID). Considerando, os prejuízos sociais causados pelo uso abusivo das bebidas alcoólicas, a Comissão Antidrogas do Governo está organizando vários grupos de discussão para o equacionamento do problema. A proibição da propaganda no horário nobre da TV de bebidas alcoólicas (cervejas) é uma das medidas sugeridas, que tem gerado fortes reações dos fabricantes. Contudo, o problema envolve outras medidas mais abrangentes como a fiscalização na venda de bebidas alcoólicas aos menores de 18 anos, pois a idade média atual é de 11 anos, para as crianças experimentarem bebidas alcoólicas no Brasil. Um alerta visando redução de danos nas festas de FIM-de-ANO: Faça rodízio de abstinência alcoólica entre os amigos, para dirigir os veículos com segurança.

61


Café, Cafeína e Cafenismo A tradição nos ensina que foram os árabes os divulgadores do uso do café, hábito que por sua vez adquiram dos etíopes. Conta-se que um frade, conhecedor das propriedades estimulantes da planta (cafeína), recomendava aos companheiros de convento a fim de não dormirem durante durantes as matinas. Apesar de algumas proibições iniciais, o costume se difundiu por diversos países, sendo hoje, o Brasil o maior produtor mundial de café, e a cafeína, a substância de maior consumo no mundo inteiro. De olho no bolso do consumidor, modismos apregoam efeitos psicoativos da cafeína, sem a devida comprovação científica. Esse incremento de consumo pode levar ao uso abusivo ou cafenismo que acarreta nos usuários efeitos adversos indesejáveis como irritabilidade nervosa, insônia e problemas gástricos. A tradição também nos ensina para que haja moderação ao tomar o nosso cafezinho de cada dia.

62


Mercado Ilícito da Cocaína A queda de oferta de cocaína nos EUA fez aumentar em cerca de 20% o preço da substância (U$ 170 por grama) em 2005. Uma redução da pureza de 15% de cocaína comercializada foi observada como tentativa dos traficantes compensarem a escassez da substância no mercado ilícito. Esses dados oficiais foram fornecidos pela Casa Branca-EUA (Programa: Guerra às Drogas"), que estima em 2 milhões, os norte-americanos usuários de cocaína. No Brasil, o cenário é um pouco diferente, pois nos últimos anos o País passou ser rota de tráfico, sendo que uma parte fica para o consumo interno. Atualmente, o País ocupa o terceiro lugar no consumo mundial, perdendo apenas para os EUA e a Europa. Se o leitor quiser calcular o consumo mundial, multiplique os números acima, para obter resultados de bilhões de dólares!

63


Tráfico de Cocaína Com a prisão de um traficante colombiano pela Polícia Federal ficou claro que o Brasil tornou-se rota de tráfico de cocaína para os EUA e os países europeus como também entreposto de fabricação da substância. Diante dos fatos, uma política de prevenção ao uso de substâncias de abuso se faz ser implementada, como a redução de danos de usuários de cocaína e outras substâncias.

Cocaína + Pólvora Mistura "explosiva" (em duplo sentido), conhecida como “brown-brown”, inalada ou injetada em crianças e adolescentes para estimular atrocidades durante os combates na África. Há relatos do uso da mistura na década de 90 (OMS, Sierra Leone, 1991). Mais recentemente pode ser vista no filme "Senhor das Armas" (Lord of War) que estreou apressadamente em função da votação do referendo popular de venda de armas e munição no Brasil.

64


Déficit controvérsias

de

Atenção

e

Hiperatividade:

No período de 2000-2004, ocorreu um aumento de cerca de 1000% no consumo de medicamento (metilfenidato) indicado para o tratamento da hiperatividade com déficit de atenção (TDAH), transtorno que atinge de 3% a 5% de crianças e adolescentes no Brasil. Esse aumento na venda do medicamento tem gerado controvérsias entre os especialistas. Admite-se aumento de diagnóstico, prescrição exagerada da medicação e finalmente pais e professores não adotam medidas auxiliares do ponto de vista educacional, social e psicológica para as crianças hiperativas. Outra polêmica é se o metilfenidato (Ritalina), derivado anfetamínico desenvolve dependência. Estudos pré-clínicos sugerem que o uso abusivo de metilfenidato em adolescentes pode levar ao aumento da vulnerabilidade e ao desenvolvimento de dependência de outras substâncias ilícitas e essa vulnerabilidade pode persistir até a idade adulta (Planeta, C. S., UNESP). Em humanos, a questão está aberta, mas o desenvolvimento de medidas preventivas é imprescindível para vida dos usuários.

65


Metilfenidato: uso instrumental Em recente enquete publicada na revista Nature revelou o uso "instrumental" de metilfenidato (MFD) e outras substâncias psicoestimulantes por parte de cientistas. A finalidade era de aumentar a performance dos cientistas em suas atividade de pesquisa e consequentemente competindo com os colegas pesquisadores. O MFD é um medicamento de escolha usado no tratamento sintomático do transtorno de hiperatividade com déficit de atenção. Em contraposição, sabe-se que o uso abusivo de MFD se tornou é muito frequente entre os executivos que sejam melhorar suas atividades profissionais. Afinal, como fica a ética nos casos dos cientistas?

66


Tabagismo O Brasil vai ratificar a Convenção Antitabagismo da Organização Mundial da Saúde (OMS), com isso, regras rigorosas serão aprovadas e praticadas no combate do uso do tabaco. O tabagismo é principal causa de morte evitável em todo mundo, segundo a OMS. No Brasil, um terço da população adulta é fumante, sendo 11,2 milhões de mulheres e 16,7 milhões de homens. Uma boa notícia é diminuição desses números ao longo das últimas duas décadas. Sem fazer terrorismo, as consequências mais conhecidas do tabagismo são os derrames, câncer do pulmão e doenças coronarianas dentre outras na lista de malefícios. Diante disso, um alerta ao fumante, fuma-se ou viva-se!

67


LSD25 + 100 Anos A LSD25 (dietilamida do ácido lisérgico, sigla em inglês) é o mais potente dos alucinógenos e, por essa razão, considerado protótipo. O número 25 representa a data descoberta: 2 de maio. O químico suíço, Albert Hofmann nascido em 1906, responsável pela síntese química da LSD está completando 100 anos. Em 1943, quando Hofmann realizava experiências para desenvolver um analéptico (estimulante circulatório e respiratório), a partir de alcalóides do ergot, descobriu a LSD de forma acidental e acabou sendo "cobaia" de sua própria descoberta, relatando alterações visuais. Entre 1947 e 1966, Sandoz, empresa farmacêutica produziu a LSD nas formas de cápsulas e ampolas com finalidade de pesquisa médica no campo da psiquiatria. Entretanto, os resultados não conclusivos e seu uso abusivo determinaram a retirada do mercado farmacêutico. Nos anos 90, como substância de abuso a LSD e o ecstasy passaram ser populares nas danceterias ou festas noturnas (raves), mas as viagens desagradáveis (bad trips) são ainda temidas pelos usuários.

68


Viagens Psicodélicas Na década de 60, o termo psicodélico foi proposto para designar a "expansão da mente" sob o efeito dos alucinógenos (LSD, Mescalina), que se popularizou como algo visualmente extravagante. O novo credo "Liberdade espiritual e emprego livre da LSD" de Timothy Leary influenciou muitos adeptos entusiastas que acompanham em suas viagens psicodélicas. Na procura da invenção & criatividade, as viagens psicodélicas exerceram influências nas obras de artistas plásticos, escritores, músicos e cineastas. Uma dica de "good trip” (boa viagem) é o filme caleidoscópico "Pele de Asno" com a irradiante e bela Catherine Deneuve.

69


3 Gerações:LSD, Cocaína e Ecstasy Na evolução das sociedades surgem padrões comportamentais que podem refletir no uso abusivo de substâncias de abuso (drogas). Na década de 60, a busca da criatividade estava associada com o uso de alucinógenos como a LSD. Já nos anos 80, os ritmos energéticos marcaram os psicoestimulantes como cocaína e nos fins dos melancólicos anos 90, o ecstasy de ação alucinógena e estimulante. O filme argentino (Las mantenidas sin sueno) exibido na Mostra de Cinema BR retrata algumas dessas situações nas vidas de três de mulheres em conflito. As situações das três gerações começam pela avó que experimentou a LSD, a filha a cocaína. No contraponto, a neta, ainda menina moça, assume com maior responsabilidade que as outras duas gerações, os problemas da falimentar sociedade argentina.

70


Gravidez & Substâncias Psicoativas A duração normal da gestação humana é de 38 semanas. Durante esse processo complicado, podem ocorrer efeitos nocivos de vários medicamentos sobre o desenvolvimento do feto. No primeiro trimestre, pode desenvolver uma alteração estrutural, produzindo uma criança dismórfica e crescimento fetal alterado durante o segundo e terceiro trimestre da gravidez. Algumas substâncias psicoativas, já são conhecidas pelos seus efeitos teratogênicos, como anticonvulsivantes (carbamazepina, fenitoína, valproato, tremetadiona), o álcool e o lítio. Mais recentemente, foram relatados casos de antidepressivos (fluoxetina, paroxetina) usados no alívio de flutuações do humor durante gravidez. É sempre oportuno lembrar, os casos dos chamados "baby crack", gerados por mulheres usuárias de cocaína (crack). Em resumo, uso de qualquer medicamento durante gravidez é sempre uma questão ética, médicolegal e de segurança para mulher e o recém-nascido.

71


Esquizofrenia, Anfetaminas e Maconha Fatores ambientais, genéticos e alterações cerebrais e bioquímicas parecem influenciar de maneira variável o aparecimento e a evolução da esquizofrenia. Sabe-se que, as anfetaminas em altas doses exacerbam as concentrações de dopamina, neurotransmissor que desempenha papel patogênico na esquizofrenia. Ao mesmo tempo, que elas produzem uma psicose bastante semelhante à esquizofrenia paranoide e agravam os sintomas positivos em pacientes esquizofrênicos. Estudo recente mostrou que homens e mulheres usuários de maconha que se tornaram esquizofrênicos. Entretanto, não se pode afirmar que a maconha seja a causa do aparecimento esquizofrenia. Outros fatores determinantes no aparecimento do transtorno esquizofrênico, como a predisposição hereditária, o uso de outras substâncias de abuso ou condições socioeconômicas. Contudo, os resultados da pesquisa sugerem, segundo os especialistas, que a maconha poderia acelerar o avanço da esquizofrenia.

72


Estresse & Substâncias de Abuso O estresse é uma das características do modo de vida agitado do chamado mundo civilizado, sendo fator social importante para o desenvolvimento da dependência de substâncias de abuso (drogas). Pesquisas mostram que indivíduos que trabalham em condições de trabalho estressantes, por exemplo, atendentes, telefonistas e plantonistas apresentam maior predisposição para o uso de bebidas alcoólicas e tabaco e o estresse facilita as recaídas nos casos de dependentes. Para outras substâncias de abuso, como a cocaína e as anfetaminas existem relatos experimentais (Planeta & colaboradores, UNESP, Araraquara), sugerindo que o estresse torna os indivíduos vulneráveis ao abuso e dependência.

73


Os Políticos Descobriram as "Drogas"? O abuso e a dependência de substâncias psicoativas ("drogas") estão entre as cinco notícias mais publicadas na mídia internacional nos últimos anos. Até aí, nenhuma novidade, mas principalmente o crack passou a ser assunto de campanha dos candidatos, depois que a população brasileira manifestou sua preocupação. Fala-se das facilidades de tráfico nas fronteiras, ação enérgica policial, um blá blá populista da falida política antidroga conhecida como Guerras às drogas". Prezados eleitores, se o debate continuar neste baixo nível, o Brasil vai ficar mais uma vez sem uma política efetiva na prevenção e tratamento da dependência de "drogas".

74


Redução de Danos vs. Guerras às Drogas No mundo atual, o uso e abuso de substâncias psicoativas (drogas) podem ser vistos em dois discursos, a redução de danos e o tradicional, conhecido como "Guerras às drogas". A redução de danos (RD) é uma política de saúde que visa reduzir os prejuízos de ordem biológica, econômica e social, decorrentes do uso e abuso de substâncias psicoativas. A RD aborda a não eliminação total do consumo de substâncias psicoativas, priorizando a saúde do usuário (maiores informações na PROAD). Já o discurso tradicional é uma política populista que adota posturas repressivas e de eliminação total do consumo ("Não, às drogas") visando criminalizar o usuário. O atual Governo brasileiro ainda não decidiu por nenhuma das políticas e cabe a pergunta: E o leitor?

75


76


R1

REMÉDIOS & DIVERSIDADES

77


78


Drummond Remédios Venenos Agora, o dia D 31.10.2012, Dia de Drummond passa ser em comemoração aos 110 anos de nascimento do poeta. Cabe lembrar que Carlos Drummond de Andrade foi bacharel em Farmácia, embora nunca exercesse o ofício farmacêutico. A partir deste fato surgiu ideia de pesquisar assuntos recorrentes sobre remédios e venenos em seus poemas escritos durante mais de 50 anos. Felizmente, foram encontradas inúmeras palavras relacionadas aos assuntos propostos: (...) O mundo não tem remédio (...) O veneno morde a fruta e morde o dente (...) Vale destacar que as trajetórias da notável obra poética de Drummond sobre estes assuntos podem ser apreciadas em livro ou (e-book) publicados no Clube de Autores.

79


Skakespeare e os Remédios As e não necessariamente expressam o pensamento do autor, contudo espelha a falas dos personagens grandeza da invenção do humano, segundo Bloom. Selecionando uma frase do livro (Skakespeare de A e Z): Não desperdiçarei o remédio a não ser com os doentes. (Como Gostais, 1599-1600, ato III, Cena II, Rosalinda).

Magia farmacêutica Os estimulantes de ontem e de hoje disputam um lugar ao sol com os Viagras no mercado farmacêutico. Na literatura ficcional, um casal deitado cama assiste a uma novela da TV. O marido lê a bula de Viagra, a mulher faz comentários desaforados ao seu desempenho sexual. Toda essa magia farmacêutica é retratada no conto do livro "Umidade".

80


Primavera Vinicius É tempo de primavera, é tempo de recordar Vinicius, diplomata, poeta de formação erudita ou "poetinha" como era chamado levianamente por alguns pelo seu gosto a música popular brasileira (MPB). O documentário filmado sobre sua vida "Vinicius", chega agora nas telas dos cinemas, retratando seus amigos, parceiros e amores. Não poderia faltar o cotidiano do poeta e o álcool, e daí a sua grande marca, o copo de uísque na mão, frente ao famoso "batalhão etílico" capitaneado por Tom Jobim & Cia. Já que o filme é de clima de bar, abordando a amizade, um trecho do poema inédito "For Fred" traduz a situação: Bebendo teu whisky Curtindo teu bar E namorando Marilyn Monroe em teu álbum Deixa que eu te diga Irmão... Paramount Obrigado, friend...

81


O Cinema é o Melhor Remédio! A 29a “Mostra Br de Cinema” está repleta de filmes para todos os gostos, 322 longas de 52 países. O filme nacional, "Cinema, Aspirinas e Urubus", retrata as aventuras de um alemão foragido da Segunda Guerra e o ajudante nordestino, que aceita vender aspirinas com a propaganda ("Fim de todos os males") e fazer exibições cinematográficas publicitárias ao ar livre no sertão brasileiro. Sem dúvida, o cinema é o melhor "remédio" para todos os males humanos. Para o bom cinema, não há contraindicação!

Selva Farmacêutica O assunto refere-se aos novos medicamentos lançados no mercado, que apesar dos avanços terapêuticos causam dramáticos problemas de informação farmacológica aos Profissionais de Saúde. Outra conotação é a lei da selva ou vale-tudo mercadológico, que é descrito no livro "O Jardineiro Fiel" (J. Le Carré) tema de filme homônimo.

82


As Viagens de J. P. Sartre Na década de 30, a má viagem (bad trip) de Sartre foi experimentar as alucinações visuais por meio da mescalina. A complicação do projeto que era publicação do livro "A Imaginação (L´Imagination) e outros problemas pessoais acabaram por desestabilizá-lo, mergulhando numa depressão que mais tarde foi controlada e sublimada pela literatura (ver, biografia escrita por Cohen-Solal, A). Nos anos 60, partiu para uma viagem de confrontação ao ideal do escritor Gustave Flaubert, de maneira furiosa, valendo-se de uma mistura bizarra de aspirina e anfetaminas, conhecida por Corydrane. A necessidade de viagem, a paixão pelo novo, o interesse pela cultura de outros povos levaram Sartre até nós. Em Araraquara-SP, após uma conferência, Sartre foi acompanhado de intelectuais ao boteco do "Pernanbuco", reduto de torcedores do time de futebol da Ferroviária. O bate-papo foi regado a uísque e cachaça até altas horas da madrugada, outra grande paixão da sua vida.

83


Sonho de Natal É Natal. O sentimento de paz, de alegria, de esperança se renova todos os anos pela magia do Natal. O sonho torna-se realidade na construção de um mundo mais digno, justo e solidário a todos. Por outro lado, o sonho pode virar pesadelo na estória: Os norte-americanos, depois de arrecadarem remédios durante o Natal inteiro, resolveram enviar um avião lotado de medicamentos para a Somália. Uma semana depois, o avião volta para os EUA, carregado de tais remédios. Então, as autoridades norte-americanas preocupadas perguntaram : - Mas o que é que houve, será que os remédios estavam vencidos, ou estragados? E vira-se o piloto (que era um magro somali) e diz: - Não, não havia problema nenhum quanto a qualidade dos remédios. Nós, só tivemos de devolver por um motivo muito simples: Na bula de todos esses remédios estava escrito "TOMAR APÓS AS REFEIÇÕES"...

84


Filme: Reis e Rainha Na verdade, o filme narra histórias paralelas e caóticas de uma rainha, diretora de galeria de arte e reis, quatros homens que ela amou. Um deles é músico com problemas psiquiátricos de quem ela se separa. Na fina linha entre a locura e a normalidade psíquica, o senso de humor está também presente, quando o músico discute com sua psiquiatra (Catherine Deneuve) as diferenças do comportamento masculino e feminino ou na invasão da Farmácia Hospitalar para uso abusivo de medicações psicotrópicas. Sentimentos confusos aparecem em situações complicadas que envolvem adoção, culpa, depressão e eutanásia. Nesse reinado melodramático, a sorte não é para todos súditos da rainha.

85


Fraudes Científicas As fraudes e falsificações aparecem com alguma frequência na história da Ciência. Na área de medicamento, o fabricante de Paxil, antidepressivo indicado para adolescentes, foi acusado de suposta fraude por omitir dos usuários, os efeitos adversos relacionados ao suicídio. Em 1988, o francês Jacques Benveneste, afirmou em artigo publicado em Nature que "água tinha memória", o que explicaria os princípios da Homeopatia. Como não houve reprodução dos experimentos, acabou sendo sinônimo de fraude acadêmica. A curiosa falsificação de vinho tinto pela adição de corante, a fenolftaleína, resultou na descoberta ao acaso de sua propriedade purgativa. Cabem algumas perguntas: Onde está o rigor científico das publicações? Devemos confiar em cientistas sob pressão de carreira e prestígio pessoal? Afinal, a fraude científica é uma questão de ética para as universidades?

86


Quem Somos Nós? É a pergunta que o filme (What the bleep do you know?) procura responder através das opiniões de vários cientistas, filósofos, teologistas e místicos. Ademais, os questionamentos de uma jovem fotógrafa sobre a existência humana. Os mistérios do mundo das partículas subatômicas e da mente, em particular os pensamentos, a química das emoções e as ações das substâncias psicoativas são discutidos numa tentativa para entender a (ir) realidade humana. Concluindo, Millor diz do “HOMEM”: Nem Deus, nem lombriga. O homem é só. O resto é uma intriga.

87


R1

88

O remédio nosso de cada dia - Roberto DeLucia  

E-book disponibilizado pelo autor para a Biblioteca do Conjunto das Químicas - Universidade de São Paulo. Consulta livre.

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you