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E D I TO R I A L A Revista F. #17 chega com inspiração escandinava, funcional, minimalista. Vai ser possível notar até mesmo no nosso projeto gráfico: mais limpo, conciso, simples. Simples: esse adjetivo de dois gêneros, mas que poderiam ser muitos. Tantos quantos você quiser que existam. E aí que o mundo fashion “bugou” com o assunto e achou que o papo era de, mais uma vez, vestir meninas como meninos e viceversa. Mas o assunto “gênero e identidade” é mais que isso - a agenda agender do momento representa o apagamento das definições pré-concebidas. É a real tentativa de apagamento dos preconceitos. Não há como negar que exista mesmo esse trânsito entre guarda-roupas, mas é preciso dizer, também, que não tem mais essa de roupa masculina ou roupa feminina. Roupa é roupa. Seria tão mais fácil se as lojas de departamento não dividissem mais as seções, para cada um escolher o que quisesse sem “demarcações de território”. Não seria mais simples? Já está acontecendo. Mas voltando à cultura escandinava, que permeia essa nossa história por aqui, podemos dizer que sua simplicidade repousa num estilo que, observando com calma, veste com facilidade - e democracia - biotipos diversos. Identidades diversas. Sem cair na história de sempre do feminino e do masculino. Tudo dentro de uma paleta tranquila, de um horizonte cinza quase branco, mirando o mar que bate num fiorde norueguês... Só que estamos no Brasil. Porém, tudo indica que esse pensamento effortless vai ser necessário em muitos sentidos - na educação, na economia, na política. Na relação com o outro. Com o mundo carente de recursos e com os humores afetados como estão, a chamada pelo livre pensamento pode ser a única forma de sobrevivência. Aliás, a moda livre – em que homens, mulheres e crianças vestem o que quiserem, fruto de um comércio justo - é uma das facetas da moda do futuro, além da tecnologia. Assim, simples. Você não sabia? Boa leitura, Raquel Gaudard

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DIREÇÃO GERAL DE MODA ALINE FIRJAM - alinefirjam@fworksprodutora.com.br CONCEPÇÃO E EDITORIA DE CONTEÚDO RAQUEL GAUDARD (MTB 17010) - jornalismo@fworksprodutora.com.br DIREÇÃO DE ARTE VINICIUS ROMÃO - arte@fworksprodutora.com.br ESTILO VINICIUS RODRIGUES - geral@fworksprodutora.com.br PRODUÇÃO E CENOGRAFIA ANESLEY PEREIRA - producao@fworksprodutora.com.br COMERCIAL DELAINE LOPES - delainelopes@fworksprodutora.com.br ALINE LISBOA - comercial@fworksprodutora.com.br OPERAÇÃO COMERCIAL MARÍLIA GUEDES - contato@fworksprodutora.com.br REVISÃO DE TEXTO HELLEN KATHERINE CAPA Foto por Marcio Brigatto Modelos: Júlia Vida – Elyseè Model Management – e Guilherme Benevenutte Beauty: Edição de moda, styling e produção por equipe F.Works Produtora de Moda AGRADECIMENTOS ESPECIAIS: www.trendstop.com TIRAGEM: 8 mil IMPRESSÃO: Gráfica América DISTRIBUIÇÃO: Mix Alternativo e Linder Panfletagem Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da revista. Fica expressamenteproibida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia do conteúdo editorial. Todos os direitos reservados. A F. Cultura de Moda não se responsabiliza pelo conteúdo dos anúncios publicados na revista.


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SUMÁRIO

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STREET STYLE MEMORY

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PENSATA - O MAL NÃO TANGÍVEL DO CAMPO DAS IDEIAS

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ESTILO - LUXO CASUAL

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ESTILO - GENDERFUL

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DESIGN - FUNKIS

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BELEZA - NATURAL MOOD

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PUBLIEDITORIAL - ETIQUETA

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EDUCAÇÃO - EDUCAR PRA VIDA É VIDA

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PUBLIEDITORIAL - INFANTIL

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INCOMING - MODA DE AUTOR

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EDITORIAL DE MODA - AGENDA AGENDER

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MODA E NOVAS TECNOLOGIAS - WEARABLE OU NÃO - EIS A QUESTÃO

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MEETING - UM ENCONTRO NADA CONVENCIONAL COM JOÃO PIMENTA

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PUBLI - GASTRONOMIA

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GASTRONOMIA - INGREDIENTE TEMPO

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F. INDICA - LIVROS, CINEMA, SÉRIES E MÚSICA

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ONDE ENCONTRAR


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STREET

Te x t o e N a y a n a

STYLE

F o t o s p o r M a m e d e

MEMORY

É como vestir informação, onde a escolha de cada peça conta a história, faz a referência, revela a influência. Nossas origens, gostos, ideais, militâncias, excentricidades. E como eu buscava histórias, acabei trazendo poucas, mas boas, na bagagem como a da Eliza, que aderiu, em seu look, a uma peça que foi encontrada na rua, superexclusiva, uma versão “pink deluxe” do boné da Pastelaria Mexicana. Temos também a Alice, o Fabrício e a Hanna, que não só criam aquilo que vestem, mas também vendem suas ideias e criações, propagando suas referências pelo mundo.

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Eliza Mîller

Cada um tem suas histórias, referências, influências e, mesmo que tentássemos nos dedicar a contá-las diariamente a alguém, continuaríamos sendo desconhecidos, pois são inúmeros e infinitos os elementos intangíveis que nos cercam. Mas de alguma forma, é possível fazer um resumo, um prefácio da obra, e acredito cada vez mais que o “vestir-se” é o caminho de contar aos outros quem somos. Sim, concordo também que muita gente se veste pelo simples fato de não poder sair nua às ruas, mas percebo cada vez mais uma vontade de incorporar elementos com significados às vestes do cotidiano.

Alice Ruffo

Bem no meio daqueles dias cinzas, a previsão do tempo indicava a temperatura mais baixa dos últimos anos em Juiz de Fora. Porém, tivemos um dia de sol. Ainda frio, mas com sol. Pego meu equipamento e saio para a rua. Busco nas pessoas alguns sinais, histórias corriqueiras. Uma nota mental que me persegue diariamente é o fato de que somos todos desconhecidos entre nós.


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Hanna Coura

Fernanda Ciribelli

Junior Souza

FabrĂ­cio Nunes


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Lucas Lopes

LetĂ­cia Menezes

Leonardo Morais


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Samuel Lima

Mariana Peixoto

Maria Fernanda Manna


P E N S ATA

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D a n i e l l e

M a g n o

O MAL NÃO

TANGÍVEL

DO CAMPO DAS IDEIAS “QUANDO SE OLHA MUITO TEMPO PARA UM ABISMO, O ABISMO OLHA PARA VOCÊ.” (NIETZSCHE) Força imagética é um termo praticamente autoexplicativo: considerar o poder de persuasão emocional de uma imagem. É possível citar vários exemplos: das crianças correndo nuas depois da bomba de Hiroshima a também crianças à espreita da morte na África. Essas imagens são duras e podem criar discursos dos mais significativos. Existe uma ciência que estuda tais forças da imagem: a semiótica. E mesmo que a gente não compreenda a complexidade da semiótica de Pierce, por exemplo, somos perfeitamente capazes de ver a força de uma mulher negra, Tess Asplund, 42 anos, sozinha com punho em riste, indo de encontro à marcha do movimento de resistência nórdica - um grupo fascista contra políticas imigratórias, aos moldes da eugenia nazista. Uma única mulher produziu mais força simbólica que 300 homens marchando. E essa única mulher também nos faz pensar na imagem contumaz que temos. Pensando na Europa setentrional, mais precisamente os nórdicos, a nossa imagem pré-existente é das mais belas. O melhor IDH – Índice de Desenvolvimento Humano - do mundo (Noruega) e destaque em educação (Suécia). Mas se esconde algo perverso. Os movimentos fascistas estão lá, e nem “adormecidos”. Em 2011, a Noruega ficou estarrecida com um ato terrorista que matou mais de 70 jo16

vens num congresso da juventude trabalhista. Num manifesto imenso e confuso, o autor se declara simpatizante do regime nazista, critica o marxismo, o multiculturalismo e a política da Noruega em relação a imigração - até o Brasil ganha menção se referindo à nossa miscigenação, relacionando-a com o índice de criminalidade e a “preguiça” de uma nação. O texto é um grande “copy+paste”, mas mostrou uma Noruega onde, mesmo com o melhor IDH do mundo, a coisa não vai bem no campo das ideias. A “benevolência” com a qual a Noruega tratou o assassino também revela que eles não sabem lidar, em parte, com o ocorrido. O assassino processou o país por que foi, segundo ele, tratado de forma degradante na prisão, constantemente solitário. Sim, para o terrorista norueguês e para o país - que considerou justa a reivindicação -, ele teve seus direitos feridos por conta do seu isolamento. Na corte, o assassino fez o gesto de saudação nazista. E esta é a imagem que fica. A Noruega dando protagonismo a um terrorista racista e xenófobo. Direitos humanos realmente foram quebrados por lá, mas não os do assassino - numa prisão considerada exemplar de modelo de dignidade -, mas das famílias dos jovens assassinados. O processo foi público, assim como a foto da saudação e o manifesto do terrorista. Foi exatamente nesse ponto, legado de ideias, que a

Noruega não soube lidar. Esse é um campo de batalha dos mais difíceis - o mal não tangível. Aí, recorro à “banalidade do mal”, termo de Hannah Arendt em seu livro sobre o julgamento de Eichmann. Ela fala sobre como a condição humana reflete políticas públicas, visão de mundo e de sociedade. Como se os seres humanos, protegidos pelo senso comum, desviados de ação e conduta política, aniquilassem a possibilidade de ver o outro. Sendo assim, a “banalidade do mal” reflete a impossibilidade de pensar no outro, uma multidão incapaz de fazer um raciocínio moral, ético, se escondendo na figura de um líder, ou líderes, e absolvendo qualquer ação, apenas seguindo ordens. “(…) Muito mais apavorante do que todas as atrocidades juntas (...) esse era um tipo novo de criminoso, efetivamente hostis generis humani, que comete seus crimes em circunstâncias que tornam praticamente impossível para ele saber ou sentir que está agindo de modo errado.” O radicalismo e a extrema direita racista crescem nos países europeus e também no Brasil. Anos sombrios nos esperam?


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ANÚNCIO EM ABERTO

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E S T I LO

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D a n i

S a r t o r i

LUXO CASUAL OVERVIEW UM

DA MODA ESCANDINAVA

A moda escandinava não anda só. Ela vem acompanhada de linhas minimalistas, funcionalidade e atemporalidade. Uma tríade tão atraente, quanto intangível que,

entre uma pesquisa e outra, te leva a um melhor entendimento da expressão “luxo casual”. Ele existe e tem suas bases na Dinamarca, na Noruega e na Suécia.

Com uma assinatura de fácil reconhecimento, a moda escandinava ganhou o mundo sob a ótica de grandes labels e produção notável de alguns estilistas.

HENRIK VIBSKOV www.henrikvibskov.com

Henrik Vibskov

“Nós não temos uma tradição de moda aqui, somos fazendeiros e pescadores. Mas, aos poucos, as coisas estão mudando. Estamos ficando mais coloridos.” O dinamarquês Henrik Vibskov, formado em 2001 pela Central Saint Martins, construiu uma produção relevante em sua trajetória. Com um caráter de vanguarda que se comunica, também, com o mundo das artes, Henrik é o único escandinavo a apresentar-se, atualmente, na Paris Men’s Fashion Week além de fazer parte da Chambre Syndicale de la Mode Masculine com sua marca homônima. O estilista não fica restrito à paleta de cores suaves, tão bem trabalhada e difundida pelo design escandinavo. A composição de cores somada às silhuetas singulares é um dos pontos fortes do seu trabalho, que preza pela engenhosidade com conforto.

Aúma ©Magne Risnes

Atualmente, Henrik Vibskov se dedica às suas criações e leciona na DSKD, além de atuar como palestrante e participar como jurado de instituições como a Central Saint Martins, em Londres, o IED, em Madrid, e a Royal Academy of Fine Arts Antwerp, entre outras escolas de moda consagradas no mundo.

AÚMA www.byauma.com

“Inspirado por atmosferas urbanas, a filosofia do nosso design é criar roupas versáteis que transmitem uma confiança sutil e uma ‘relaxed vibe’ em cada ocasião.” A marca norueguesa AÙMA, formada por Gloria Aùma, Raquel D’ Oliveira e Magne Risnes, cria peças que anarquizam as fronteiras entre o closet feminino e o masculino.

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As roupas de design clean insinuam uma androginia sutil e moderna, que transita entre os gêneros com naturalidade. Com uma capacidade produtiva em pequena escala, a grife preza pelo apuro da técnica e pela durabilidade de suas peças. O próprio trio se autodefine como experimental, e o resultado são criações minimalistas com

muito twist e originalidade. Uma boa tradução do design escandinavo - que leva em conta a inventividade e a sustentabilidade, uma das vertentes mais vibrantes de todo este movimento fashion. Um recorte para quem deseja mergulhar neste universo tão bem delimitado e, ao mesmo tempo, extenso.


ACNE STUDIOS

Acne Studios é uma etiqueta de luxo com uma produção em âmbito multidisciplinar, que inclui projetos de fotografia, arte, arquitetura e cultura contemporânea. Sob o comando do idealizador e diretor criativo Jonny Johansson’s, a marca, baseada em Estocolmo, produz uma alfaiataria surpreendente e elaborada, com tecidos inteligentes, tanto quanto inusitados.

Acne Studios

H&M

H&M

A gigante sueca do setor de fast fashion deu origem a seis diferentes marcas de grande expressão, como a COS e a Cheap Monday. A COS produz uma moda clean e, ao mesmo tempo, contemporânea (www.cosstores.com). Já a Cheap Monday é jovem, cool, com apelo street e grande foco em jeans (www.cheapmonday.com). #RESTARTFASHION SIGA ESTA HASHTAG Junto com toda a informação de moda e edificação de um estilo, existe outro viés que faz com que a moda escandinava esteja em voga. Iniciativa maravilhosa para repensar a indústria e a moda (www. copenhagenfashionsummit. com). ESCOLAS DE MODA Os sites das escolas de moda permitem pesquisar o que está sendo produzido pelos futuros neoestilistas, já que alguns trabalhos de final de curso são postados na rede. Além disso, eles podem funcionar como um bom termômetro do que está por vir. Todos os endereços online possuem versão em inglês: www.designskolenkolding.dk www.modeogdesignskolen.dk www.hb.se www.esmod.no

Cheap Monday

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Clรกudia Ronzani

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E S T I LO

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H e l l e n

K a t h e r i n e

GENDERFUL

A tendência virou realidade e, a princípio, a resposta parece simples: cada um veste o que quer. Mas o caminho entre a passarela e as vitrines traz uma gama de discussões. E não é difícil entender por que: estamos acompanhando o movimento que vai de encontro a um hábito de séculos, no qual códigos de gêneros vinham sendo rigorosamente respeitados por meio de regras indumentárias, até então, inquestionáveis. Azul para meninos, rosa para meninas. Mas o fim da definição de gêneros não traz só saias e vestidos para homens, e seria até simplista resumirmos a discussão genderless ao papel da roupa no nosso cotidiano. Focamos, claro, nas modelagens adaptadas, nos looks que gritam liberdade, na democratização das cores, mas a moda, nesse caso, é só uma plataforma de expressão de um novo momento, em que representatividade, círculos e dinâmicas sociais são afetados, tanto quanto os nossos guarda-roupas.

Adaptar esse contexto aos ideais de branding previamente estabelecidos, fugindo do óbvio, mas mantendo a identidade, talvez seja o grande desafio – especialmente, quando falamos de grandes marcas que ainda patinam no escuro para acertar nas campanhas, nos discursos e, por fim, nas peças. “A marca que

C& A - Junto e Misturado ©Divulgação

Na prática, o mercado está se adaptando aos novos desejos do consumidor, enquanto este se adapta às novas possibilidades. Nas passarelas, já fomos além da oferta de modelos – e há uma safra cada vez maior delxs, de Andrej Pejic a Erika Linder, passando por Jaden Smith a brilhar pela Louis Vuitton e pela vida. Para a última SPFW, vimos João Pimenta trazer a tradição e o charme de sua impecável alfaiataria em saias, babados e bordados que transitam, lindamente, do closet masculino para o feminino. Para a vida real, não são poucas as marcas a reinventar suas araras na busca por compreender o novo imaginário fashion jovem, o que faz seus corações acelerarem e o que os representa além do look. “Os jovens designers falam mais em personalidade do que em gênero, e aqui é onde a moda agender e a unissex se diferenciam”, explica Daniela.

Erika Linde r © Divu lgação

Pra quem duvida, a revolução acontece em números também. Hoje, 76% dos jovens

brasileiros não se importam com a orientação sexual alheia e 66% acreditam não haver barreiras claras entre masculino e feminino. Daniela Bernauer, WGSN Expert, é quem revela esses dados em entrevista à F., apontando, ainda, as novas gerações – millennials e Z’s - como responsáveis por desafiar as normas estabelecidas. “Toda a noção do gênero binário começa a ser vista de forma limitadora”, anuncia.

Eri ka Li nder © Di vulgação

Todos os anos, desde 2000, a Pantone divulga a cor que, segundo a empresa, vai dominar as escolhas dos meses seguintes em variados segmentos, como arte, design, decoração e moda. Com base em estudos de comportamento, a ideia é que ela esteja totalmente conectada com o zeitgeist global. Para 2016, pela primeira vez, o posto foi ocupado por duas seleções: rosa quartzo e azul serenity. Ou melhor, a mistura delas, simbolizando o borrão entre gêneros e a fluidez nas representações sociais do nosso tempo.

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A polêmica campanha Junto e Misturado da C&A ©Divulgação

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E S T I LO

G E N D E R F U L

que o consumidor sabe o que é real – e uma peça masculina com a tag genderless não funciona.

souber se transformar e adaptar sua comunicação e seus produtos não estará atendendo apenas a uma demanda, mas se posicionando de acordo com a evolução da compreensão atual de gêneros. É uma adaptação ao comportamento humano”. Daniela reforça

Joao Pim enta SPFW N41 @Al i Kar akas

Joao Pim enta SPFW N41 ©Agencia FOTOSITE

Jaden Smith ©S askia Lawaks

Jaden Smith GQ B ritânica Março 2016 ©Divulgação

O processo é lento e cheio de ajustes, claro, mas é fato que as mudanças na frente do espelho vêm revirando, borbulhando e atualizando os parâmetros de consumo. Varejistas de moda infantil e baby já têm alterado

suas etiquetas e vitrines, focando em layouts menos separatistas. A Disney eliminou, ainda em 2015, indicações de gênero em suas fantasias infantis. O Facebook nosso de todo dia incluiu mais de 70 opções distintas para seus usuários se definirem em seus perfis. 26

E, assim, uma realidade nova e cheia de sentido faz transbordar, de vez, as fronteiras entre os gêneros. “Por isso, falamos não só em genderless, mas também no termo genderful”, revela Daniela, fazendo referência aos múltiplos “eles” e “elas” dentro do combo ele+ela. É tempo de azul+rosa. Ou roxo. Ou qualquer outra cor que a gente quiser.


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L.Book KORPACO

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L.Book GW BOLSAS

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L.Book CRAVO D.

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L.Book R. ALFAIATE

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MM Arq

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DESIGN

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R a q u e l

G a u d a r d

FUNKIS

ESCANDINÁVIA AO ALCANCE DAS MÃOS O design escandinavo não tem a ver só com a Ikea, mas muito - ou quase tudo - do seu pensamento está ali. Simples, nem por isso menos belo - ou talvez mais elegante ainda, justamente e portanto -, é inspirado pela natureza e pelo clima do extremo norte. A filosofia do design escandinavo é ser acessível e estar disponível para todos: uma visão contemporânea e até, digamos, futurista do mundo. Um mindset que valoriza o coletivo acima do individualismo, associando materiais naturais e artesanato tradicional.

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Longos invernos e poucas horas de exposição à luz do sol levaram os designers escandinavos a criar ambientes claros, iluminados e práticos. A ideia era (ou é) transformar o espaço doméstico num lugar o mais funcional possível, com todos os objetos ao alcance das mãos. Casa prática, como deve ser para viver, e confortável na medida, para receber. O mundo à nossa volta está cada vez mais complexo e, por isso, o espírito do tempo vem em busca da essência das coisas, do

lado mais simples, effortless, descomplicado da vida. A literatura especializada conta que o estilo escandinavo atual é filho das artes decorativas do princípio do século XX, aquelas mais sutis e das linhas elegantes que dominaram a estética do período entre guerras. O termo FUNKIS reflete bem a ânima do design escandinavo, cujo foco repousa sobre a necessidade ou função das coisas. Mas podemos ir mais atrás na linha do tempo do mundo real, para entender a origem de tudo isso também.


GOKSTAD Gokstad é o nome de uma embarcação viking (800-1100 a.C.), símbolo da cultura normanda: trata-se de um barco pequeno – se comparado às grandes naus que geralmente eram utilizadas para os mesmos fins -, leve e veloz, construído para viagens longas, para singrar os mares carregando apenas o essencial, entre seu próprio peso, dimensões e espaço interno. Há aí uma metáfora interessante, assinalada por Kenneth Clark, em seu livro “Civilização”: “Se quisermos um símbolo do homem do Atlântico em contraste com o homem do Mediterrâneo – um símbolo que se oponha ao templo grego,

estático, pesado – teremos de procurá-lo no barco viking”. Isto posto, vale lembrar também que os vikings eram nômades e invasores, em constante fluxo. Não eram dados a construir casas ou escrever livros – características consideradas símbolos de uma civilização. No entanto, encontram-se vestígios de habitações, construções que, mesmo precárias, estabeleciam a ligação desse povo com um ponto situado no tempo e espaço, uma ligação entre um futuro e um passado.

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DESIGN

CASA COR E NÃO SÓ

F U N K I S

Seguindo mais adiante na história, agora mesmo em 2016, e nos descolando um pouco da estética noir e tribal dos antepassados escandinavos – apesar de Ragnar Lodbrok seguir como protagonista no imaginário do fandom assíduo da série “Vikings” –, é no design de interiores, talvez, que o scandi style ganhe mais espaço hoje em dia. A Casa Cor São Paulo edição 2016 apresentou muitos ambientes com referência ao estilo, um reflexo desse revival da influência vinda dos mares do norte - não só no Brasil, mas no mundo todo. Revival, pois, vale lembrar, nomes como o designer Arne Jacobsen e sua clássica cadeira Egg, por exemplo, desde os anos 50 fazem sucesso e representam bem o design escandinavo no resto do mundo.

De fato, na Europa ele está em todas as casas graças a Ikea, mas, por aqui, importantes arquitetos e designers de interiores assinam projetos com franca inspiração no estilo: é o caso de Marília Pelegrini e Bruno Gap. A arquiteta Marília Pelegrini assinou o am-

Marília Pellegrini ©Christian Maldonado Bruno GAP ©Rafael GAP

biente “Cozinha Essencial” na Casa Cor, utilizando madeira, superfícies brancas e muita luz natural, mesmo que simulada através de backlight. “Cozinha de conversação” é a tradução exata da palavra “cozinha” para os dinamarqueses. “Não é um espaço apenas para cozinhar, mas um espaço de vivência, em primeiro lugar”, afirma Marília. A arquiteta conta, ainda, que sua motivação foi sua completa identificação com os preceitos do design escandinavo: mínimo, prático, conciso, claro e de formas perfeitas.

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“Talvez seja meu Pinterest tendencioso, pois sou completamente apaixonado por essa vertente”, confessa o arquiteto Bruno Gap, sobre o fato de ter se inspirado no estilo escandinavo na hora de criar seu ambiente na Casa Cor SP: “Cinema em Casa”. “A simplicidade perfeita é o que mais me encanta. Nada de cores fortes, com preferência para tons acinzentados que preencham o espaço sem ofuscar os detalhes mais sóbrios”.


Para Bruno, o estilo escandinavo é tudo aquilo que ele gosta de fazer e ser: simples. Entretanto, com a sofisticação e aconchego na medida de quem habita o local, através de fotos, quadros e texturas sobrepostas em tecidos, madeiras e pedras, Bruno acredita que o ambiente é um reflexo da personalidade íntima de cada um.

Marília Pellegrini ©Christian Maldonado

“O olhar do natural e focado no uso racional é encantador e me faz questionar o excesso que vivemos todos os dias e que nos cerca. Por que não simplificar tudo e manter o que é básico e necessário?” - questiona. A pergunta está lançada. ALGUMAS DAS MELHORES ESCOLAS DE DESIGN DO MUNDO ESTÃO NA ESCANDINÁVIA, COMO A BERGEN ACADEMY OF ART AND DESIGN (NORUEGA), A ALTO UNIVERSITY (FINLÂNDIA) E A KONSTFACK UNIVERSITY (SUÉCIA) – TODAS GRATUITAS.

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BELEZA

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H e l l e n

K a t h e r i n e

NATURAL

Um movimento interessante vem sendo observado, já há algum tempo, entre beauty lovers. Ao contrário do que acontecia há alguns anos, o posto de fonte oficial de tendências - até então ocupado, quase que exclusivamente, pelas passarelas – está sendo dividido com os chamados millennials, grupo de influenciadores que não sai, necessariamente, dos editoriais das revistas. Fiéis à cultura das selfies e imediatistas, são reconhecidos por disseminarem uma nova referência estética, compartilhada no Instagram, Snapchat, Periscope e por aí vai. É a geração apaixonada por experiências e que, por isso, não quer perder muito tempo na frente do espelho.

Backstage Isabela Capeto SPFW N41 - P aulo Reis ©Agência Fotosite

MOOD

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© Divulgaçã o

Estamos falando de uma parcela de jovens menos preocupados com os sinais da passagem do tempo, a favor do lema “seja quem você é” e do natural look sem preconceitos – esse mood já dava os primeiros passos há algumas temporadas, com cabelos brancos e make-nada dominando a cena, quem lembra? Por focarem no presente, as rugas e linhas de expressão


Junte tudo isso com alguns muitos followers e seja bem-vindo (a) à tendência non-beauty, das telas dos smartphones diretamente para as ruas e desfiles de moda. A atitude effortless dessa geração inspira novos modelos de beleza e altera os parâmetros de consumo desse mercado. Tudo é muito rápido, mas tudo é registrável – vale lembrar que eles cuidam da própria imagem nas redes tal como o marketing faz com as marcas, num quase ofício diário de apresentação de um lifestyle autêntico e inspiracional. E, assim, vivemos a era de ouro dos tais produtos “milagrosos”, que corrigem pequenos incômodos na velocidade de um clique.

A pele perfeita dá lugar à pele natural, limpa e cheia de personalidade. Por isso, vale apostar em itens práticos, capazes de fazer correções rápidas e leves: BB creams, para rosto e olhos, e corretivos iluminadores estão no topo dessa lista, mestres em garantir essa sutileza com ar espontâneo. Não é à toa que o famoso contorno “kardashiano” está dando lugar ao strobing, técnica que consiste em nada mais que iluminar os pontos certos do rosto. A ideia é que os pequenos defeitos sejam disfarçados, mas não totalmente cobertos – ou seja, sardas e pintas aparecem à vontade. O gloss volta ao posto de indispensável no próximo verão, ainda mais multifuncional. Boca, pálpebras e maçãs do rosto ganham leves toques do produto, para um resultado saudável e equilibrado. Aliás, é a hora certa para adquirir uma das muitas op-

ções 3-em-1 disponíveis nas prateleiras. Itens de cores fáceis que funcionam como sombra, batom e blush simbolizam toda a praticidade desejada nesses novos tempos e prometem fazer parte da nossa lista de must-haves. Tudo muito easy! E os fios seguem a mesma linha. A expectativa é de que o bad hair day esteja, assim, com os dias contados. A regra para os cabelos é não ter regra, mas um truque ajuda: quanto menos produto, melhor. O styling natural é, agora, nosso melhor amigo. Talvez até valha um secador rápido aqui, um spray de textura ali, mas, em geral, manteremos as ondas mais rebeldes em um rabo de cavalo podrinho ou em um coque despretensioso. Sem coincidência, o it do momento é o shampoo seco, aquele volume bom pra levar na bolsa nos dias mais corridos. Coisa rápida, pra postar logo.

Ba ckstage Pa ula Raia SPFW N41 ©Agê ncia F otosite

do futuro não são uma preocupação - e o impacto no mercado de skin care é direto, abrindo um espaço extra para as brands de maquiagem que apostam em lançamentos de benefícios quase imediatos.

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Etiqueta

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E D U C AÇ ÃO

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M a g n o

EDUCAR PARA A VIDA É VIDA

“NÃO HÁ BASICAMENTE, EM NENHUM NÍVEL, UMA EDUCAÇÃO QUE NÃO SEJA A AUTOEDUCAÇÃO.” RUDOLF STEINER

Estamos habituados a entender educação como algo “conteudista”, herança da filosofia positivista que impregna a escola e seus currículos como algo “funcional” e “utilitário”. Durante muitos anos, passaram no país diversas perspectivas pedagógicas, algumas com metodologias rígidas, de “sucesso” escolar, envoltas em técnicas, e outras mais libertárias, de valorização do aluno, promovendo seu protagonismo. Do bê-á-bá da cartilha ao construtivismo, muita coisa rolou. A experiência de vida do aluno, suas vivências, seu ambiente familiar, sua relação com os amigos e tudo que o cerca viraram preocupação. Assim, perspectivas de uma educação mais pautada na vida cotidiana, além do espaço da sala de aula, e nos interesses dos alunos cresceram. Sobretudo na educação infantil, que, por muitos anos, foi relegada a um segundo plano, sem um sentido maior. No entanto, é justamente na primeira infância que a criança constrói sua identidade e este é um período essencial, de acordo com muitos psicólogos. Freud era um deles. Experiências de outros países sempre vieram para cá. Nos últimos anos, a perspectiva de educação escandinava, especialmente da Su-

écia - onde existe um movimento chamado “escola para a floresta” -, está em alguns debates no país. Alguns de seus objetivos, como elementos de valorização e protagonismo infantil, são pontos de reflexão fortes. Neste cenário, as crianças são encorajadas a descobrir o mundo que as cerca e uma relação direta também com a natureza, tocando, cheirando, provando - experiência esta absolutamente sensorial, lúdica, respeitando o ritmo do aluno, a curiosidade natural e fomentando independência mediada por um adulto. Numa pesquisa recente, descobriu-se que as crianças pouco ficam “lá fora”, ou seja, estão “presas” em suas casas e nas salas de aula. Essa metodologia valoriza justamente isso: vamos aprender também fora da sala? Claro que quando pensamos “ah, mas isso é na Suécia...”, a gente desanima. Porém, no Brasil, já existem algumas experiências semelhantes ao modelo sueco. A pedagogia Walfdorf é um dos exemplos mais próximos. Apesar de estar presente de forma significativa em escolas particulares, já existem escolas públicas sob essa metodologia, inclusive em Minas Gerais.

A CRIANÇA E O MUNDO NA PERSPECTIVA WALDORF A pedagoga Nina Veiga, doutora em educação, afirma que a Waldorf pensa a criança em sua multiplicidade, e também em sua singularidade - a criança de forma completa: seu pensar, sentir, querer e agir. Nina pondera que isso não significa que a criança está por conta própria, a relação com o mundo precisa ser mediada por um adulto. Assim, ela poderá se desenvolver de forma com-

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pleta, seu corpo físico, emocional e intelectual. Nina diz que “as crianças precisam estar preparadas, prontas para o estímulo que o mundo lhes dá”. Essa mediação na Waldorf começa no maternal, onde a educadora está presente realizando diversas atividades não usuais aos demais educadores de escolas com outras


metodologias, como cantar, varrer, costurar e cozinhar. Enquanto a criança brinca livre o tempo todo, vê adultos ao seu redor realizando estas atividades cotidianas, de acolhimento, dando o aspecto de conforto de casa - não de uma instituição. Pode parecer até um pouco absurdo se levarmos em conta a maneira tradicional de ensinar das escolas e seus conteúdos, mas para a mãe de um aluno inserido nessa perspectiva, é absolutamente libertadora a forma como conduzem o aprendizado. Luiza Miguel é mãe de dois filhos, o mais velho estuda numa escola de me-

todologia Waldorf e ela diz que a escola vai ao encontro das coisas em que acredita, até porque conta com a participação dos pais em sua gestão e suas decisões. Para Luiza, o aprendizado se desenvolve através de uma formação humana completa, respeitando a criança, não invadindo seu espaço. Ela ressalta que isso não significa que as coisas são soltas, pelo contrário. São rigorosos, mas não repressores, tudo tem um sentido na realização de atividades, um horário e uma rotina. Luiza diz que há encantamento, há espaço para o onírico, próprio da infância, para o tempo

de pensar e agir do seu filho. A criança não fica restrita apenas à sala de aula, todo o espaço é para brincar e aprender. Claro que recursos materiais são essenciais para implementar qualquer metodologia educacional, e talvez este seja o argumento maior dos defenestradores de perspectivas pedagógicas mais libertárias, como a sueca. Mas a forma como o professor, na verdade, o educador - o que, em última análise, é um professor – age e pensa suas aulas, sua relação com os alunos e família e seu modo de avaliar e estabelecer objetivos é muito mais importante.

©Maurice Sendak - Onde Vivem os Monstros (Harper Collins)

Nina Veiga diz que mais do que ensinar, referindo-se a conteúdos, segue a orientação de um currículo comum no país: o como ensinar é que faz a diferença. Segundo Nina, a formação humana com relação à diversidade sexual, de gênero e raça dentro da pedagogia Waldorf tem como premissa a singularidade e a multiplicidade do ser, onde o que faz sentido é ser singular. “A tendência é não trazer questões de forma objetiva à experiência da criança, mas tratar de modo inclusivo todo ser singular. Ser singular é a única lei que o rege, a dele mesmo”, pondera. A educadora aponta que, por estar inserido na cultura, o ambiente da escola Waldorf pode

estar, sim, permeado por estas questões, especialmente porque as crianças reproduzem a cultura familiar. “O currículo da escola Waldorf já é por si generalista, não setoriza atividades por gênero, ou necessidades. As meninas, os meninos, as crianças com necessidades especiais, todos eles têm a oportunidade de fazer as suas atividades na possibilidade da sua própria singularidade”, explica. Um exemplo disso são as artes manuais domésticas, predominantemente consideradas femininas no âmbito da cultura e realizadas na sala de aula por meninas e meninos. Meninos e meninas fazem tricô, crochê, costura e bordado, assim como nos anos mais avançados do ensino médio há mecânica e metalurgia.

Paradigmas estão sendo quebrados, estamos vivendo momentos em que o protagonismo dos alunos, sua etnia e gênero estão sendo discutidos e respeitados. E apesar das pauladas diárias que a educação pública no país recebe, com leis que promovem até a “mordaça” no professor, impedindo o livre pensar e o diálogo, é possível uma educação humana e humanista, que ministre conteúdos e conceitos, mas sob uma perspectiva que valorize a diferença, promova a igualdade, crie oportunidades de aprendizado para todos e encoraje o lúdico. Criança é criança em qualquer lugar do mundo, barreiras culturais não impedem isso. A abertura de perspectivas e ações e abraçar o diferente caminham juntos para uma educação que cumpra sua principal função: pensar. 45


Cristiano Ramos

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MODA DE

AUTOR

A LADA / RESSIGNIFICAÇÃO E NOVO LUXO A moda surgiu desde cedo nas vidas de Hanna Coura e Juliana Furtado. As duas são de Juiz de Fora, cursaram faculdade de moda na cidade e, juntas, decidiram criar a marca A Lada, em junho de 2015. Elas contam que, apesar de nunca terem sido tão focadas em tendências, sempre sentiram a presença da moda de maneira natural. “Desde jovens, trabalhamos o nosso senso estético na maneira em que nos vestíamos, nos expressando através dela”, explica Hanna. Antes de criarem a marca A Lada, Juliana e Hanna já traziam uma pequena bagagem referente às suas áreas específicas. Hanna conta que trabalhou por algum tempo na fábrica de sua mãe e que, desde pequena, teve contato com a criação de peças em tricô. Já Juliana trabalhou com marketing e criação para outras marcas, agregando o conhecimento da publicidade à moda. Foi depois disso que surgiu a inspiração para o projeto em conjunto. “A marca nasceu do desejo de desenvolver peças com materiais que,

©L ucas Assis F otogr afia

A LADA - Hana Coura e Juliana Furtado

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normalmente, seriam descartados indevidamente pela maioria das empresas do mundo têxtil. Nós tentamos, principalmente, ir contra o grande fluxo de desperdício que já se tornou frequente para as grandes marcas. Essa proposta, além de contribuir para uma produção consciente, resulta em peças únicas e de grande qualidade, cada uma com sua característica e sua história”, conta Juliana. Indo contra os padrões de lançamentos de coleções em épocas específicas, elas explicam que desejam seguir um caminho diferente. “Preferimos criar pequenas coleções de tempos em tempos do que nos prender à ditadura das tendências de cada mudança de estação. Criamos aquilo que temos vontade de usar, nenhuma peça é produzida apenas para fazer volume na arara. Temos carinho e desejo por todas elas, chega a ser até difícil conseguir resistir a pegar todas para nós!” Atualmente, as duas dedicam-se exclusivamente à marca, acompanhando o processo de produção na fábrica - que é todo ma-


©Lucas Assis Fotografia

nual, passando pelo corte até chegar às etiquetas. Hanna comenta sobre as dificuldades pelas quais já passaram durante a trajetória da marca. “Começar um empreendimento em tempos de crise não foi uma tarefa fácil e, por sermos jovens, demoramos um pouco para conquistar a credibilidade de clientes em potencial”. Mesmo assim, entre os planos para o futuro, elas buscam a expansão. “Desejamos realmente viver e concretizar nossas ideologias, não usando isso como uma ‘jogada de marketing’. Buscamos a expansão, tanto como marca, quanto como seres humanos, sem deixar para trás nossa essência e nossas raízes, aprendendo cada dia mais com nossos erros e acertos”, completa Hanna.

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INCOMING

M O D A

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A U T O R

LARISSA SIMÃO / NOVAS FORMAS E FUNÇÕES PARA O DESIGN E A MODA Ainda estudante do Bacharelado em Moda da UFJF, outro nome que trazemos em destaque nesta coluna é o de Larissa Simão. Prestes a concluir o curso no próximo semestre, ela foi, pouco a pouco, construindo sua trajetória na moda, principalmente através da pesquisa e da experimentação de formas e funções. “Em meus estudos, tento ampliar os horizontes. Como iniciei no design, me relacionava bem com a parte mais técnica dos projetos, o que tentei desconstruir assim que mudei para artes, buscando mais liberdade criativa. Mas, com o tempo, percebi que um pensamento complementa o outro e que deveria fazer uso do conjunto para obter resultados mais completos. Na moda, fui então construindo a consciência de pensar em produtos que possuam um diferencial, tanto de forma, quanto de função. Estudar as maneiras de produzir e os impactos da criação, consequentemente, nos faz pensar em um mercado diferenciado, menos competitivo e mais consciente.” Em 2014, Larissa tornou-se integrante do grupo de pesquisa Cor e Forma, no Instituto de Artes e Design da UFJF, mesclando fundamentações teóricas com exercícios práticos. Unindo as áreas de arquitetura, moda, design e educação, as pesquisas passaram a dar prioridade à atemporalidade, ao consumo saudável e à relação emocional da pessoa com o produto. Seu projeto foi o Casaco Mutação, iniciado em produção livre do tecido sobre o manequim. A conclusão culminou em um artigo publicado e, também, no 1º lugar no Prêmio Bornancini de Design. Ela conta que decidiu participar do prêmio por perceber que tinha em mãos um vestível diferente. “Logo pensei que valia a pena tentar e experimentar ser avaliada por um júri, colocando minha ideia em prova. O Casaco Mutação é multifuncional, pode ser ©Diego Ribeiro

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Larissa Simão

usado como casaco ou colete. Seu conceito parte da ideia de adaptação a diferentes situações que enfrentamos em nossa jornada: mudanças de tempo, praticidade na mala de viagem (já que se leva uma peça com mais de uma forma de uso) e variações de aparência com versatilidade para sentir-se confortável transitando em diferentes ambientes. O casaco também foi pensado para durar por várias estações. Alheio aos modismos, contribui para reduzir o consumo excessivo, se contrapondo à produção em massa da indústria.” Profundamente inserida no campo acadêmico, Larissa comenta que aproveita a disponibilidade de orientação dos professores para aprimorar o pensamento e a execução das ideias que tem, além de estudar melhor as questões do mercado em que pretende se inserir. “Minhas inspirações e referências são sempre bastante diversas, não necessariamente sigo algum criador ou corrente estética, mas deixo somar toda nova informação visual que me agrada. As ideias surgem de alguma necessidade que encontro ou da criação livre. Meu processo criativo é muito baseado na experimentação. A observação é um ponto bastante importante, gosto de analisar os detalhes, visualizar as formas com calma e interferir até que se tornem agradáveis ao olhar. Observar a reação das pessoas em relação a meus produtos também costuma indicar novos caminhos e correções.” Entre os planos para o futuro, ela conta que está no processo de desenvolvimento de uma marca própria, de produção manual, que funcionará como um atelier. “A Maria Pissolati irá reunir tudo que gostei de fazer até hoje, principalmente as roupas, mas também acessórios e uma produção mais artística - por exemplo, de croquis. Pretendo fazer uso das técnicas que aprendi de frivolité, bordado e estamparia, somando-as aos produtos. Acredito que o principal desafio para quem estuda moda é saber definir exatamente com o que se quer trabalhar. É preciso transitar e experimentar para se encontrar. Já para ingressar na carreira como criador, o desafio está na manutenção de um diferencial que conquiste um lugar de estabilidade no mercado, para conseguir fazer da moda o seu meio de vida.”

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BLAZER, RICHARDS; CAMISA, BOBSTORE. CAMISA, RICHARDS.

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ESQ. BLAZER, OSKLEN; CAMISA, DUOMO; GRAVATA, ACERVO PRODUÇÃO; PANTACOURT, SKUNK; SAPATO, AREZZO. DIR. CAMISA, RICHARDS; CALÇA, ANIMALE, LÍVORI; FAIXA, LÍVORI. 60


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BLAZER, RICHARDS; CAMISA, BOBSTORE; CALÇA, BOBSTORE.

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CAMISA, RICHARDS; COLAR COS PONTO CRUZ; CALÇA, OSKLEN; SAIA, RICHARDS; SAPATO, RICHARDS. 63


64 BLAZER, RICHARDS; BLUSA, MOB, LÍVORI; CALÇA, RICHARDS; SAPATO, AREZZO.


CAMISA, RICHARDS; CHAVEIRO USADO COMO GRAVATA, AREZZO; PANTACOURT, LE LIS BLANC; SANDÁLIA, MELISSA. CAMISA, DUOMO; COLAR DE PÉROLAS, LE LIS BLANC; CALÇA, LANÇA PERFUME, ZURETTA; SANDÁLIA, MELISSA.

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SOBRETUDO, SPEZZATO, LÍVORI; BLUSA, LANÇA PERFUME, ZURETTA; CALÇA DUOMO.


CAMISA, RICHARDS; CALÇA, RICHARDS; CINTO, FOSOLLO, ARQMAN; GRAVATA, CONCEPT; SUSPENSÓRIO, ACERVO PRODUÇÃO.

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COLETE, CONCEPT; BLUSA, RICHARDS; CALÇA, OSKLEN. COLETE, ROBERTO ALFAIATE; CAMISA, DUOMO; GOLA, LÍVORI.

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CALÇA, OSKLEN; SAPATO, AREZZO. COLETE E CALÇA, ROBERTO ALFAIATE; CAMISA, DUOMO; GOLA, LÍVORI.

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TRENCH COAT, SKUNK; CAMISA, ANIMALE, LÍVORI; LENÇO, ACERVO PRODUÇÃO; CALÇA, DUOMO; MALA, RICHARDS.

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O T O G R A F I A : M Á R C I O B R I G A T T O O D E L O S : J U L I A V I D A ( É L Y S É E M O D E L A N A G E M E N T ) E G U I L H E R M E B E N E V E N U T T E D I Ç Ã O D E M O D A : A L I N E F I R J A M T Y L I N G : V I N I C I U S R O D R I G U E S R O D U Ç Ã O : M A R I A C A R O L I N A V A R G A S G O M E S E N O G R A F I A : A N E S L E Y P E R E I R A A B E L O : A N D R É P A V A M A Q U I A G E M : S I L V I O P R A T E S ( A N D R E P A V A M A B E L E I R E I R O S ) I R E Ç Ã O D E A R T E : V I N I C I U S R O M Ã O O N C E P Ç Ã O : R A Q U E L G A U D A R D G R A D E C I M E N T O : R O B E R T O A L F A I A T E , I C H A R D S E E M Í L I A S O A R E S .

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Fundadores Vinaya

WEARABLE

OU NÃO – EIS A QUESTÃO Cada um guarda no seu imaginário uma projeção de como será esteticamente o futuro. E ainda que os filhos dos anos 80 e das distopias apregoadas por Blade Runner ou Mad Max costumem ter a visão de um cenário mundano tecno-trash ou cyberpunk dos dias que ainda virão, a geração de asseclas da Apple que os seguiram, na linhagem sucessória dos zeitgeists do mundo, ganhou da maçã que dominou o planeta uma paleta de cores claras e iluminadas para os seus sonhos – tudo “made by design”. Nosso futuro passou a ser branco, com alguns tons de cinza até, sempre funcional, sem desperdício de tempo e recursos, simples, clean, sem esforço. Utopia? A “máquina” não é mais a nossa inimiga e agora anda de mãos dadas com os artesãos dos finos ateliês parisienses de alta-costura. O tema da atual mostra do Costume Institute do Metropolitan Museum of Art de Nova York 72

(MET) - considerada uma das mais importantes para a moda - celebra o trabalho mútuo exercido pelas mãos dos homens e pelas tecnologias aplicadas à moda, desde a invenção da máquina de costura. “Manus x Machina: Moda na Era da Tecnologia” apresenta laços bem dados com o savoir fare dos artesãos e, atualmente, o mais alto e complexo bits and bites do universo binário, criando uma alta-costura com perfume avant-garde, pronta para usar. Quem assina a curadoria da mostra é Andrew Bolton e, ao contrário, do que pensavam os entusiastas das wearables e da Apple, patrocinadora oficial do evento, “Manus x Machina” deixou de lado essencialmente essa nova geração de tecnologias vestíveis. “O grande problema das wearables é a sua estética, o fato de serem, na verdade, geringonças, ao invés de algo com uma aplicação real em termos de moda”, Bolton declarou.

Bem verdade que a sutileza dessa colaboração entre cérebro-mão-máquina é contada pela mostra de uma forma que cai bem na relação do Instituto de Costumes do MET com as grandes maisons – e celebridades – que a patrocinam. Restava, então, transitar no território seguro da tradição, apresentando peças de beleza indubitável, explorando a dicotomia, questões e significados do que produzem as “ferramentas” homem e máquina, na criatividade da alta-costura e o ready-to-wear. Talvez a palavra “wearable” tenha sido absorvida pelo mainstream de forma a significar apenas as tais “geringonças” citadas pelo curador Andrew Bolton. Fato é que a mesma mostra assinada por Bolton apresenta peças consideradas wearables, sim, pela literatura especializada em tecnologias vestíveis, como modelos dos estilistas Iris Van Herpen e Hussein Chalayan.


SER HUMANO ANTES DA MÁQUINA

ZENTA

Uma tecnologia vestível pode ser definida, resumidamente, como peças de roupa ou acessórios que contenham um ou mais sistemas inteligentes embutidos no seu processo de criação ou aplicação no seu resultado final, afetando ou não sua estética. Kate Unsworth, CEO da startup Vinaya, é nome fresh nesse universo das wearables. Em entrevista exclusiva à Revista F., Unsworth nos conta sobre seu mais novo lançamento, a wearable Zenta, que superou em aproximadamente 100% (até o fechamento dessa edição) os 100 mil dólares necessários para o pontapé inicial do produto, através do crowdfunding Indiegogo. Zenta é uma pulseira que, antes da tecnologia, pensa no ser humano que a carrega. Ela funciona como um personal coach do seu corpo e de sua mente, te dando insights sobre você mesmo e seu estilo de vida, baseando-se em informações como sua social media, sua agenda, os lo-

cais onde você frequenta e mais. Na era da distração, a peça já nasce com ares “must-have”. Quanto mais você usa Zenta, portanto, mais acurados esses dados se tornam. Kate considera que a joia – sim, é uma joia – se difere da sua linha anterior, ALTRUIS, pelo fato de usar sensores biométricos que mantêm você informado e com o controle das suas emoções. “A característica mais importante de ALTRIUS é a liberdade que ela te dá. Você se torna realmente capaz de experimentar novas coisas ao invés de estar constantemente checando seu telefone, só para ter certeza de que você está ‘conectado’. Usando ALTRIUS, minha vida tornou-se novamente autêntica”, diz Kate. Sobre a estética das suas wearables, Kate afirma que ela mesma, seus sócios e equipe são muito influenciados pelo design escandinavo e pelo minimalismo. “Nossos produtos são clean, versáteis e modernos. Pensamos,

Kate Unsworth - CEO

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acima de tudo, num visual que as pessoas desejem usar e que combine com qualquer tipo de roupa.” Vinaya é baseada em Shoredicht, Londres, e já conta com grandes investidores, como o cofundador da rede social Bebo, Michael Birch, e o ex-Index Ventures, Robin Klein, alcançando, atualmente, a casa dos três milhões de dólares, segundo o Business Insider. “Comecei aos 25 como consultora de tecnologia, quando tudo começou. Eu estava sempre tão sobrecarregada de trabalho e sendo constantemente notificada sobre novas mensagens, que dormia muito mal e me afastava de eventos sociais.” Kate, hoje aos 27, afirma que alinhou sua paixão pela moda e a necessidade de ser menos grudada ao seu smartphone, para conceber a ideia de ALTRUIS. E como é ser uma “girl in tech”? “Eu amo! E tenho tido sorte o bastante por não enfrentar tanto preconceito. Apesar disso, foi sempre meio estranho em minhas aulas na universidade, pois eu era uma das poucas meninas nas aulas de matemática avançada. Espero que isso mude em breve, que no futuro nós possamos ver mais mulheres envolvidas em setores que até hoje são, predominantemente, ocupados por homens.”

ZENTA

Kate Unsworth – CEO

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UM ENCONTRO NADA CONVENCIONAL COM

JOÃO PIMENTA “NÃO SE PODE TER MAIOR DOMÍNIO QUE O EXERCÍCIO SOBRE SI MESMO.” Leonardo Da Vinci

Com o tema “Primitivismo - quando o desejo de fazer supera a técnica”, o estilista João Pimenta lançou o desafio para a turma que participou da sétima edição do Meeting, workshop realizado pela F.Works Produtora: construir uma coleção através do exercício criativo de técnicas não convencionais de corte e costura, promovendo o livre experimento. E pensamento. Os participantes, divididos em grupos, desenvolveram peças sem moldes ou máquinas de costura – coisa que, em 2016, é algo bem distante do aprendizado normalmente proposto pelas instituições de ensino. “Acostumado com os recursos eletromecânicos comuns à confecção de roupas e moldes com a forma da peça, me deparei com um pedaço de tecido, sem modelagem em papel, para desenvolvê-lo a partir dele mesmo, costurando tudo à mão”, relata Vinicius Silva, designer de moda juiz-forano, aluno do curso. O exercício era, segundo conta, uma forma de ultrapassar a barreira do medo, além de coordená-lo ao fator tempo, restrito, de que todos dispunham para desenvolver as peças. Fernanda Mansur, fotógrafa e stylist, já participou dos encontros promovidos pela F.Works com o estilista Dudu Bertholini e com a jornalista de moda Camila Yahn, em 2013 e

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2015, respectivamente. E confessa que também ficou com saudades do Meeting com João Pimenta. “A dinâmica de nos colocar em grupos fez com que nos conhecêssemos melhor e apurássemos a nossa criatividade, contando com diversos pontos de vista”, lembra.

“Conhecer um ídolo foi uma experiência inexplicável”, conta Vinicius. Para Fernanda, esse encontro foi uma lição para a vida. “Ao invés de se envergonhar e deixar para trás a sua origem humilde, Pimenta se inspirou nisso para fortalecer ainda mais o seu talento.”

Os alunos também contaram com uma aproximação do olhar do estilista, de forma muito especial. Cada um pode contar sobre a sua experiência e receber um feedback de Pimenta. “Ser fiel a mim mesma e ao meu estilo é o que vou levar de mais relevante desse aprendizado com o estilista, na minha vida prática”, aponta Fernanda.

Motivador, João Pimenta apresentou-se aos alunos em Juiz de Fora com a timidez e simplicidade típicas do interior de Minas, do ambiente rural. Porém, sem deixar de ressaltar a importância de ter tido coragem, desde o início, para correr atrás do que desejava, valendo-se do talento de artista que sempre foi, até obter reconhecimento nacional e internacional.

João Pimenta é de origem humilde, nascido em São Sebastião do Paraíso, Minas Gerais. Desfilou sua primeira coleção no SPFW em junho de 2010, chamando a atenção da crítica especializada por discutir outras formas de se apresentar a moda masculina, com novas possibilidades do vestir.

“O que levarei para o meu cotidiano é o enfrentamento dos desafios, a valorização dos elementos simples do nosso dia a dia, sem esquecer as tradições nacionais que enriquecem e valorizam tanto a moda brasileira - além de considerar o importante diálogo entre gêneros na produção de moda, coisa que tanto me inspira”, conclui Vinicius.

Seu menswear é contemporâneo, com acinturamentos, viéses, saias e vestidos. Com marca própria desde 2003, já no princípio sua proposta foi inovar e chamar atenção para a liberdade que deveria ter a moda masculina, além de usar a estranheza como palco para uma discussão mais aberta sobre o nicho.

E, talvez, as aspas finais do resumo desse encontro pudessem ser deixadas mais uma vez para Da Vinci, nos lembrando de que “a simplicidade é a última forma da sofisticação”. Assim, bem preciso.


Inverno 2016 João P imenta © Divulgação © Vinicius Rodr igues

Grupo formado pelos alunos Gisele Machado (de pé ao lado de João Pimenta), Vinícius Silva (sentado), Fernanda Mansur (de pé ao lado da modelo com peça criada no workshop). ©Vinicius Rodrigues

PA R A A N O TA R N A AG E N DA NO DIA 26 DE NOVEMBRO DE 2016, QUEM RETORNA AO LINE-UP DE SUCESSO APRESENTADO PELO MEETING DA F.WORKS PRODUTORA É ANDRÉ CARVALHAL. QUER PARTICIPAR? ACESSE WWW.FMEETING. COM.BR E FAÇA AGORA A SUA INSCRIÇÃO! 79


Souza Gomes

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S a r t o r i

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TEMPO As semanas de moda e suas incontáveis coleções, já há um tempo, são recebidas pelo público como repetitivas e carentes de inventividade. Um dos aspectos mais defendidos pelos criadores, que se protegem das críticas como podem, é a falta de tempo de maturação de ideias e do apetite insano por novidades. A dança das cadeiras das grandes maisons comandadas por grupos econômicos não deixa dúvidas. Fazendo um paralelo com a cozinha, aproveito a deixa para colocar outra questão na mesa. Esta falta de “sabor” e entusiasmo também chegou ao palato? Caixinhas de morangos em um tom de vermelho desmaiado já soam muito distantes do paladar de outrora. Isso tudo nos faz refletir e nos leva invariavelmente ao sentido de sazonalidade. Quais as épocas e o melhor momento de cada alimento? Respeitamos isso ou “embalamos” tudo para vender freneticamente durante todo o ano? Assim como um bolo precisa de tempo para ser assado, a fruta também tem o seu ciclo para tirarmos o melhor dela. O bolo pronto não perfuma a casa e nem encanta a vizinhança, assim como um fruto fora da estação – ele sustenta, mas nem sempre sacia. Impomos o “nosso” incompreensível tempo aos alimentos e, em troca, recebemos dissimulados sabores e aromas. Interessante pensar que, assim como algumas grandes marcas resistem ao tempo e à globalização, a jabuticaba me parece ser este elemento da natureza que ainda não cedeu aos desejos alheios. Ela tem o seu tempo próprio e nos resta esperar suas efêmeras colheitas anuais. Assim como aquela manga pequenina da região da Zona da Mata, dona de um amarelo-alaranjado, que só nasce em dezembro. Sejamos mais pacientes. Já diz o ditado: apressado come cru.

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M a g n o

LIVROS O escritor norueguês Karl Ove Knausgard é um fenômeno em seu país. Com uma população de pouco mais de cinco milhões de habitantes, ele conseguiu vender 500 mil cópias de seu romance autobiográfico, “Minha Luta” - o título é o mesmo da infame obra de Hitler, apesar disso, ou por causa disso, e o escritor tem consciência dessa provocação –, dividido em seis volumes. Knausgard não tenta ser o que não é. Sua narração é um ponto de vista masculino e, na Suécia, onde vive com esposa e filhos, sofreu críticas justamente pelo fato de escrever suas memórias sob a perspectiva masculina e sua relação com a família. Que seja, na obra ele não poupa ninguém, brutalmente honesto. Começa na sua infância e vai até a vida adulta. O escritor tinha apenas 39 anos quando começou a escrever o primeiro volume de “Minha Luta” e, talvez pela proximidade da meia idade, de acordo com ele, com a possibilidade da morte, resolveu pôr a vida em seis mil páginas. Ele já foi premiado por sua obra anterior, “Tudo tem seu tempo”, considerado um dos melhores livros noruegueses já escritos. Mas foi com “Minha Luta” que o autor entrou no rol dos grandes escritores deste século.

“NÃO EXISTE UMA BOA INFLUÊNCIA. TODA INFLUÊNCIA É IMORAL.” OSCAR WILDE

A crítica especializada não poupa a adjetivação, celebra o escritor e sua fúria ao escrever e chama o romance de “obra proustiana” - mesmo que ele refute, considerando Proust muito mais elegante, o fluxo da memória, recorrente em Proust, realmente encontra eco em sua obra. Knausgard finalmente esteve presente na Flip, a Feira Literária de Paraty, no dia 1º de julho, discutindo seu método de escrever e suas obras numa mesa. Ele já foi convidado outra vez, mas teve que cancelar a sua participação. No país, a obra está no quarto volume, “Uma Temporada no Escuro” - a narrativa deste não é cronológica, podendo ser lida independente dos outros livros já lançados por aqui: “A Morte do Pai” (Volume 1), “Um Outro Amor” (Volume 2) e “A Ilha da Infância” (Volume 3).

MINHA LUTA – VOLUME 4 UMA TEMPORADA NO ESCURO KARL OVE KNAUSGARD COMPANHIA DAS LETRAS – 2016 496 PÁGINAS

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M a g n o

MUITO MAIS QUE HISTÓRIAS DE VIKINGS

LIVROS Falar dos nórdicos e não citar A-ha, talvez o “produto” mais conhecido por nós, brasileiros, sobre a Noruega, seria um crime. E não é que a editora brasileira Faro conseguiu os direitos para a publicação da autobiografia de Morten Harket, cantor da banda, no começo do ano que vem? “My Take On Me” (sim, sim, nome da música icônica do grupo - 256 páginas, Faro Editora) fala sobre

a vida pessoal e carreira de Morten, e o Brasil está presente em alguns momentos, inclusive naquele que o cantor considera o mais importante de sua carreira: o show do A-ha para 198 mil pessoas, no Maracanã, durante o Rock in Rio de 1991 - recorde de público que foi parar no Guinness Book. Fãs, aguardem, a editora Faro pretende trazer Morten para o lançamento do livro no Brasil. U-hu.

CINEMA DOGMA 95

“A CAÇA” (2012)

Movimento do cinema dinamarquês contra firulas cinematográficas, um retorno ao cinema mais realista, valorizando histórias e personagens. O maior nome deste manifesto é Lars Von Trier, com dois excelentes exemplos: “Os Idiotas” (1998) e “Dançando no Escuro” (2000) este último com Catherine Deneuve e a cantora Björk. Contam que foi num filme estilo Dogma, “Dogville” (2003), que surgiu um grande problema: a atriz Nicole Kidman alegou que jamais trabalharia com Trier novamente. O estilo bem realista tem lá seu peso e demandas.

Coprodução entre Suécia e Dinamarca, com indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro e Palma de Ouro, em Cannes, para o ator Mads Mikkelsen. Filme denso, retrata uma sociedade que faz condenação prévia. Sobre a jornada de um homem acusado injustamente de estupro de uma criança numa creche. É porrada filosófica do começo ao fim. Esse é o filme que colocou Mikkelsen como ator sensação no mundo, valendo depois um papel de vilão na franquia James Bond (“Cassino Royale”).

SÉRIES “FORBRYDELSEN” (“THE KILLING”)

A Escandinávia gosta também de dramas investigativos e, por isso, criou “Forbrydelsen”, que recebeu uma adaptação americana igualmente famosa e cultuada (“The Killing”). As duas versões são maravilhosas. Vale conferir a protagonista que vai fundo numa investigação de assassinato com suspense aterrador, mas também muitas falhas e quase nenhum recurso tecnológico. São três temporadas com investigações (casos) distintas. As séries são diferentes também na resolução de suas versões, ambas disponíveis no Netflix.

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“REAL HUMANS”

“BROEN” (“THE BRIDGE” – “A PONTE”)

Série sueca de ficção vendida para o mercado internacional com nome em inglês, tem premissa interessantíssima: robôs com inteligência artificial podem ser comprados por seres humanos para trabalhos e outras atividades. A reviravolta fica por conta dos robôs que, obviamente, não querem ser escravizados e desenvolvem o livre arbítrio. Exibida pelo canal por assinatura MAX.

O “nordic noir” não para e temos “Broen”, que também ganhou adaptação americana, e que também fala de assassinatos e investigações. O diferencial? A protagonista tem Síndrome de Asperger. Um corpo é deixado numa ponte que faz divisa entre a Dinamarca e Suécia, e assim começa a trama intrincada, que envolve política de ambos os países. É exibida no Brasil pela Globosat.


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MÚSICA TODD TERJE AND THE OLSENS - THE BIG COVER-UP (2016) [OLSENS RECORDS]

Os países nórdicos não são feitos só de paisagens extraordinárias, Björk, Abba e Sigur Rós. A região tem uma cena eletrônica e pop riquíssima, e na coluna desta edição vou falar de alguns músicos/bandas de lá. Começando com uma das estrelas do time da música eletrônica escandinava, falo de Todd Terje e mais um capítulo de sua trajetória genial com o lançamento do EP “The Big Cover-Up”.

Com seu habitual toque de Midas, o norueguês traz oito músicas criadas em estúdio, performances ao vivo e revisita algumas faixas dos anos 70, como o sensacional cover de “Baby Do You Wanna Bump?”, do Boney M., grupo histórico da disco music da Alemanha.

exímios multi-instrumentistas responsáveis por imprimir a sonoridade única dos produtores escandinavos à música eletrônica, recolocando o norte da Europa na rota da música mundial.

O EP traz ainda covers de “Firecracker” do Yellow Magic Orchestra, “Disco Ao apresentar no título a banda The Circus” de Martin Circus e “La Fete Olsen, Todd dá visibilidade aos músicos Sauvage”, originalmente gravada pelo que o acompanham em seus shows, lendário Vangelis. Além disso, remixes

de outros produtores, como o mexicano Daniel Maloso, Dan Tyler, Øyvind Morken e, como não poderia faltar, outra estrela escandinava, Prins Thomas, remixando “La Fete Sauvage”. O EP saiu pelo seu próprio selo, Olsen Records, e é garantia de sucesso para quem curte house music carregada em musicalidade, melodia, harmonia e classe.

KAKKMADDAFAKKA - KMF (2016) [BRILLIANCE RECORDS]

Outra boa banda da Noruega são os Kakkmaddafakka, que estão lançando, neste ano, seu quarto disco, “KMF”. O título remete a uma sigla de abreviação do nome impronunciável da banda, em um provável esforço de tornar mais acessível a referência em países de línguas distintas.

Esses noruegueses trilham o caminho do indie rock, incomum para bandas daquela região. O álbum lançado pelo selo de Oslo, Brilliance Records, traz doze faixas com uma sonoridade bem animada e solar, ainda que a voz do vocalista Axel Vindenes tenha alguma melancolia em seus timbres.

“KMF” é um disco de fácil audição, composto para momentos descompromissados, de diversão. Nesse sentido, as faixas mais dançantes são “Language” e “True”, mas também estão presentes trabalhos mais emotivos e belos, como “Galapagos”, “Young You” e “Lilac”. “No Cure” é a mais experi-

mental, fugindo da proposta global ao apostar em uma pegada reggae. Muito indicado para quem gosta de bandas como Friendly Fires, Franz Ferdinand, The Killers, The Strokes etc.

PRINS THOMAS - PRINCIPE DEL NORTE (2016) [SMALLTOWN SUPERSOUND RECORDS]

Desde que a música de Prins Thomas ultrapassou as fronteiras da gelada Oslo, o mundo pôde experimentar as maiores viagens sonoras de um dos produtores mais emblemáticos de sua geração. Para ouvir um disco de Prins Thomas, precisa-se estar preparado para ser transportado em uma viagem espacial que vai te lançar em algum lugar desconhecido do cosmos. Seu som, inicialmente taxado como space disco, ganha em “Principe Del Norte” seu contorno ainda mais espacial.

Nove faixas de longa duração que sequer ganham nomes, batizadas de “A” a “H”, abrem espaço para a liberdade criativa que chega próximo do indefinido. Arpejos retrôs em pacientes loops abrem a faixa “A1”. O som etéreo continua na faixa “A2”, com um clima misterioso que atravessa as faixas “B” e “C”, como se estivéssemos explorando um espaço desconhecido, quando sintetizadores começam a esboçar um princípio de melodia.

A sensação de solitude permeia o trabalho, quando, lentamente, a melodia começa a ganhar ritmo na faixa “D”, para receber a primeira batida marcada do álbum. A space disco tão característica começa a surgir nas faixas “E” e “F”, com seus arpejos contínuos em progressividade lá pelos 30 minutos de audição. Mas é na faixa “G” que o trabalho ganha um pouco mais de ritmo. Abandonando o clima desconhecido, aproxi-

ma o ouvinte de uma ambiência mais aconchegante, que se estende pelas duas faixas finais, de treze minutos cada, encerrando em “H” - uma espécie de techno lo-fi “viajandão”. Chamado pelo próprio produtor de “ode à ambient music experimental”, que teve seu auge no final dos anos 90, “Principe Del Norte” é um trabalho distante das pistas de dança e dedicado ao sensorial. Lembra trabalhos de Jean Michel-Jarre, Vangelis e The Orb.

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Aquantis

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E D I T O R I A L A G E N D E R

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AREZZO, Rua Barão de São João Nepomuceno, 364, (32)3211-3266; Avenida Independência 3600, Independência Shopping, L2, (32)3241-4724. ARQMAN, Avenida Barão do Rio Branco, 2189, (32)3234-8455; Avenida Independência 3600,Independência Shopping, L2, (32)3313-8070. BOBSTORE, Rua Morais e Castro, 583, Alto dos Passos, (32)3217-6543. CONCEPT, Rua Mr. Moore, 70, Mister Shopping, L2, (32)3215-1343. COS PONTO CRUZ, Site: www.cospontocruz.com.br; Instagram: @ cospontocruz; Facebook: cospontocruz DUOMO, Avenida Presidente Itamar Franco, Lj 217, Cascatinha, Independência Shopping, (32)3234-3477, Marechal Deodoro, 444, Lj 107, (32)3211-0589. LE LIS BLANC, Independência Shopping, L2, (32)3236-5501. LÍVORI, Avenida Presidente Itamar Franco, 2760, (32)3232-1363. MELISSA, Rua Independência 3600,Independência Shopping, L2, (32)3234-2655, (32)3236-5922. OSKLEN, Avenida Independência 3600, Independência Shopping, L2, (32)3313-8130. RICHARDS, Avenida Independência 3600, Independência Shopping, L2, (32)3231-1826. ROBERTO ALFAIATE, Galeria Azarias Vilela, nº 40/56 - 1º andar, sala 3 (ao lado do Cine Teatro Central), (32) 3232-3236.

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P U B L I E D I L O O K B O O K

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BU E BI MODA INFANTIL, Santa Cruz Shopping, (Galeria dos Correios), (32)3215-7944; Facebook: BueBi; E-mail: buebi2004@yahoo.com.br LILICA & TIGOR, Independência Shopping, L1, Lj 120, (32)3213-1108; Mister Shopping, Primeiro Piso, Lj 175, (32)3215-1539. MON PETIT, Rua Marechal Deodoro, 229, (32)32130924; Galeria Prefeito Álvaro Braga, 19, (32)32152467; E-mail: monpetitjf@gmail.com.br

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Simples: adjetivo de dois gêneros. Ou muitos, quantos você quiser. Nessa edição vamos contar como a cultura escandinava tem inspirado a moda...

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