Sustos de Pandemia & Surtos de Poesia

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CONVITE


SUSTOS DE PANDEMIA SURTOS DE POESIA

A BILBIOTECA ESCOLAR (BE) LANÇA O DESAFIO A TODA A COMUNIDADE EDUCATIVA PARA PARTILHAR CONNOSCO AS EMOÇÕES VIVIDAS EM TEMPO DE PANDEMIA. ENVIEM PARA A BE ATÉ 15. NOVEMBRO.2O2O, UM A4 POR PARTICIPANTE COM UM TEXTO POÉTICO, NARRATIVO, ACRÓSTICO, OU MESMO UMA CANÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA, INGLESA, FRANCESA, ESPANHOLA OU ALEMÃ. IMPORTANTE É PARTICIPAR.

b.e.ribadouro@gmail.com

2O2O – 2O21


SUSTOS DE PANDEMIA E SURTOS DE POESIA é uma práxis pedagógica transversal à BE, ao SPO e à CIDADANIA, com a ambição de envolver a Comunidade Educativa e Parceiros da Casa da Amizade, do Centro Social Paroquial de Nossa Senhora da Vitória, e do Grupo de Escolas Pitabel de Luanda. Grata atividade, testemunho do Varal da Alma, ode poética, idiossincrasias, esperança e resiliência num hino à valorização da Vida vivida em tempo de pandemia, encorajada pela sensibilidade de cada um, encontro intergeracional, avós, netos, estudantes, professores e funcionários fizeram-se ouvir e o resultado é este casario emocional. Poemas com a vida de histórias que merecem ser escutadas e arquivadas na memória Ribadouro, assinaladas pelo sofrimento e pela saudade, pela finitude antecipada da vida, contemporâneas da Covid-19, mas marcadas pela esperança “ Eu canto porque o instante existe.” (Cecília Meireles) COORDENADORA DA BE MARIA OLINDA


PARTICIPAÇÃO COMUNIDADE EDUCATIVA


Quem quererá recordar? Dois mil e vinte, cheio de receios, passará… Mas receio que todo o receio irá continuar… Seja como for… na memória ficará Mas quem o quererá recordar? O vírus invisível parou o tempo… Parou as gentes… Quis transformar-me em boneco manipulado, De olhar vazio e de sorriso oculto, Colocado num alto palanque, Onde os doces e ternos abraços, Daqueles que me fazem viver, Não conseguissem chegar… Tudo fez para me roubar a alegria… Mas o meu coração continuou A sentir o conforto do Sol, A escutar a música reconfortante Das vozes que trago no coração… A sonhar os meus sonhos De irmã, de tia, de mãe e de avó.

Maria Porto, 10.Novembro.2020


DE POETA MAS…CARADO RIMANDO NA QUARENTENA, OLHOS SÓS, SÓ METEM PENA, SOU SEM ROSTO E DIZ…CARADO










FIM


Conquistei família, Filhos, netos e bisnetos. Teci redes de afetos, Sorrisos, alegrias, Lágrimas também, Quem as não tem? Lutei por eles, Segui com eles meu rumo. Venci ventos e tempestades E não assumo que um vírus, Um tudo que é nada, Me esvazie a vida. Maria Noémia Ribeiro ( 93 anos)


Minha avó, meu porto de abrigo, Minha luz, Encontro com a minha paz interior. Teu olhar firme liberta otimismo, Salva-me de qualquer abismo. A magia dos teus dedos Quando acariciam As teclas do meu piano São a música que abafa O horror desta pandemia. Sabes ser a minha terapia Nos dias em que te faço a fisioterapia. Dizes ter passado atribulações maiores, Que tudo isto é passageiro. O confinamento não valorizas, já estavas habituada. E queres fazer-me crer Que o encontro com as tuas memórias, No teu quarto, frente à janela, Por onde entram os ramos da japoneira, Tão antiga quanto tu, e onde me contavas histórias Saídas da alma, Nas tardes de verão, são assim tão reais quanto então. Rita Teixeira


A VIVER EM PANDEMIA, COM SUSTOS JÁ ME ASSUSTEI. TANTOS SURTOS QUE PASSEI SÓ A FINGIR QUE VIVIA.

A METRO E MEIO “FALAMOS”, COLEGAS E PROFESSORES! VAI-TE VÍRUS, QUANDO FORES, JUNTOS, JUNTINHOS FICAMOS.

SEM APERTO NO ABRAÇO, CONFINAMENTO É SAUDADE. AI GENTE DA MINHA IDADE, SEM AMIGOS JÁ NÃO PASSO.

SEM TRETAS DE COTOVELO, TU CÁ TU LÁ, NOS UNIA. JÁ BASTA DE PANDEMIA, O VÍRUS VOU JÁ CORRÊ-LO.

PESADELO HÁ DE ACABAR, CUIDA-TE E CUIDA DE NÓS. CIVISMO, RESPEITO E VOZ SÓ NOS RESTA RESPEITAR

QUE VIDA FEITA SAUDADE DE VIVER, MAS A SORRIR. Ó FUTURO, TENS QUE VIR, PÕE SORRISOS NA AMIZADE.

MASCARADO ATÉ NA VOZ, OLÁ, LÁ DIGO OLÁ. SE A GENTE NÃO É DE CÁ VAI COTOVELO ENTRE NÓS

CRONICANDO A QUARENTENA, CONFINADO EM SOLIDÃO, ESCREVO COM CORAÇÃO POUCO PAPEL E MAIS PENA.

CHEGUE O FIM DO CONFINAR, QUERO VOZ NO MEU ABRAÇO. QUE SACRIFÍCIO EU FAÇO SÓ VOS VER SEM ABRAÇAR.

NÃO ACORDEM MEU VIVER, SE SÓ VIVO UM SONHO MEU, MORTINHO POR MAIS SOU EU, VIDA SEM SONHO É MORRER.

K.SCHLÜSSEL


Sobra tempo ao ter tempo Na vida de um sem tempo Nada mais resta que o tempo De viver enquanto é tempo Sem tempo de passatempo Lá labuto tudo a tempo Não quero perder mais tempo Só para viver o meu tempo Não me vejo confinado, Finado…nem é proveito! Sem graça, sou desgraçado, Sem sonho, vivo sem jeito… K.Schlüssel


A pandemia transformou o mundo Nas relações, na afetividade e na proximidade. A videochamada não substitui presença. Tenho saudade das estradas de vir Trazer-me as coisas que dão vida à vida. Tenho saudade das coisas vulgares Tão importantes que nem eu sabia. Tenho o coração cheio de memórias Das conversas trocadas e tocadas com os meus avós, Da casa da aldeia, do cheiro do pão quente, Da fruta colhida da árvore, Das compotas da avó, Da porta aberta para o jardim e para a vizinhança, Dos passeios de bicicleta a sós com a paisagem, Que enchia de assombro os meus sentidos. Tenho saudade das histórias do avô Por terras distantes, que encheram o meu imaginário De uma África em que o perigo desafiava A sua coragem e tornei-o herói. Tenho saudade dos fins de semana de competição. Ganhar ou perder, tudo era satisfação, realização. Hoje treino e treino, meu sonho é grande. Sou hoquista principiante, mas não desisto. Descobri que só aquilo por que lutamos, E que realmente conhecemos, valorizamos; Que nada podemos dar por garantido, Que as coisas banais se escrevem com D de demais. Á se eu pudesse, Faria o maior jogo da minha vida Contra este inimigo Que, camuflado, bloqueia qualquer baliza E nos derrota dentro e fora do campo. Rodrigo Diogo Morais


ATEMPADAMENTE Este teu tempo de agora é tempo que eu já tive. O tempo que lá vou tendo, é já só tempo de avós! Voz da vida te dirá, que só então saberás o que o tempo fez de nós! Avô Carlos


Distanciamento, palavra que nos distancia, Dizem socialmente, eu digo fisicamente. Vejo-me confinado, separado dos meus avós Que tanto amo. Ouço-lhes a voz à distância, sei que me amam E o nosso amor passa pelos abraços. O meu coração está com eles, sempre, Mas faz-me falta tocar-lhes, Falar-lhes ao ouvido os nossos segredos. Beijos para os avós mais fixes do mundo. Luís Carvalho


E de repente, pior que um tsunami, Um vírus vindo lá do Oriente, Confinou o mundo. Impôs novas maneiras de ver, sentir e ser. Fazendo de um amigo um potencial inimigo, Bem longe do digital virtual. O medo do Outro tornou a palavra empatia Uma palavra vã. O respeito pela inclusão, tão in Palavra mais que aceitável, respeitável, Incontestável, marcava o mundo globalizado, Um mundo para Todos, Onde a igualdade e a equidade Iam ser verdade. Não ao racismo, ao fascismo, ao xenofobismo, Nenhum ismo que cortasse liberdade Que levantasse muros, Erigisse fronteiras. Abriram-se frestas para ele passar, Cerraram-se portas, quando se propagou. Calaram-se vozes. O silêncio estrondoso da saudade Das coisas que eram belas E das mais banais atordoou corações. Uns partiram por antecipação Outros nasceram em tempo de inquietação. Isabel Maria Horta


Confinamento Palavra maldita, lamento Sentimentos contidos Pandemia de isolamento Solidão, corações partidos A esperança insiste Na luta pela vida Com força persiste Na felicidade prometida Humanidade mais unida Humanidade mais resiliente A pandemia só será banida Com amor paciente Esperança no futuro Num planeta curado Sem festejo prematuro Não quero ficar enclausurado. Roy Pitch, 10 de novembro de 2020


SUFOCADOS OS QUE VIVEM Sufocados os que vivem Pairando sobre a morte Temendo o que é sem Ignorando o que é forte Sufocados os que na vida A percorrem sem paixão Crendo ser causa perdida Não desenvolvem o seu dom Sufocados os imortais Alheios à sua condição Acreditando serem mais Perecem numa ilusão Vivos são os sufocados Eternamente desesperados Face à sua condição Não buscam uma distração Combatem o absurdo E sabem que é surdo Procuram a mudança Onde não há esperança Clamam a sua essência Mas recusam clemência Sofredores do silêncio Autênticos heróis são Gabriel Oliveira Reis


O mundo tremeu Quando o coronavírus chegou, De epidemia em pandemia se transformou. A ordem mundial colapsou, A ciência vacilou, A sociedade desequilibrou, A economia arrasou, A tecnologia triunfou. O Futuro é agora E quem não estiver dentro, fica fora. Não há mais tempo para fazer o futuro. O mundo mudou. Ponto. Não se compadece com o medo Nem com angústias, nem ansiedades Nem inquietações, Nem desespero. E se o inverno chegou na primavera E se a primavera não mais voltar, Não te espantes, O mundo mudou. Ponto. Se o que tinhas por certo foi posto em causa, Não te penalizes. Não foste tu que desististe Perante o inimigo devastador, Que assusta toda a gente, Com máscara ou sem máscara, Afastamento físico e social, Confinamento, Higienização total, nada vale. Nesta luta desigual, Cuida de ti e de nós. Venceremos! Sei que não acreditas. Tudo é indecisão, Instabilidade. Eis a pura verdade: O mundo mudou. Ponto. Da Leninha para a BE


A Covid- 19 trouxe-nos uma sensação de desconforto geral. A pandemia instalou-se com brutal ansiedade e descontrolou o presente e o futuro daqueles que vivem o pão nosso de cada dia. Afetou pobres, remediados e ricos, quando lhes bateu à porta. Espalhou o medo, retirou aos idosos os abraços dos filhos, dos netos e sobrinhos. Ninguém se sente seguro na vida, desconfiamos uns dos outros, não vá o bicho tecê-las. Não confiamos nos Lares, nos Hospitais e até as vacinas que estão para chegar não são seguras para muita gente. O remédio é viver cada dia, dando o nosso melhor, amar os que queremos com mais intensidade e agradecer profundamente a quem nos fez bem. É isso que eu faço em família, no trabalho e na vida. Maria José Mendes Pinto


0CANÇÃO RAP Olá, muito boa tarde a todos. Para os Sustos e Surtos Vou fazer a apresentação: O Gomes, o Vilhena e eu sou o João. Feita a apresentação Dizer que esta canção é única. Não está na Net, Não está em lugar nenhum. É uma canção diferente Ninguém a fez como nós. Optamos por fazê-la Com a nossa própria voz. Da liberdade vou falar E acho que é um direito de verdade. Prefiro viver numa prisão sem cela, Mas respeitar a minha vontade. Racismo não faz sentido Parem com isso que só traz dor. Enquanto houver racismo, Continuaremos a viver num mundo sem cor. Para quê continuar com manifestações E protestos insanos. Isso não faz sentido, Pois, lá no fundo, todos somos humanos. Lutemos juntos, vamos fazer a diferença. Para viver num mundo melhor. Não gozar por se ser diferente, Pois ser diferente não é ser pior. Ser gordo ou magro, bonito ou feio, Ter outra etnia ou ser de outra raça. Se todos formos iguais, Onde é que está a graça? (cont )


Todos temos direito de seguir o nosso coração, Enquanto os ignorantes só querem seguir o padrão. Não seguir maus exemplos, aprender a dizer que não, Se não aprenderem sozinhos, o mundo vai dar uma lição. Todos temos direito De seguir a nossa paz. Viver o presente e o futuro E o mal deixar para trás. Para muitos, chatear já é piada, Mas pensa se fosse contigo. Ser chateado todos os dias, Pode fazer pensar no suicídio. Tantos se foram por essa razão, E não parece uma partida merecida. Pensa se queres ficar Com o peso de tirar uma vida. Pode ter um casaco rosa, com pelo Ou até de couro. Em vez de gozares, contribui Para o sorriso do outro. Todos somos diferentes Ninguém foi planeado pra ser maquete, Por isso não temos que gozar, E mandar piadas na Net. Chateiam porque não fala, Mas isso não é correto. Esquecem que a boca é fechada, Mas a mente é aberta. Agora vou falar dos direitos da mulher, Um ser vivo de tanta beleza. Muitos a discriminam, mas esquecem-se Que muitas vezes põe a comida na mesa. Tantas coisas lhes fazemos que As fazem chorar. Choram rios, Quando parvos se esquecem que piropos Não são elogios. (cont )


Elas merecem carinho e amor, E atenção todos os dias. Não ligar pra banhas ou estrias Olhar para o que têm de valor. A criança também tem direitos, Todas merecem o nosso respeito. Maltratadas é que nunca, Isso é que eu não aceito. Têm o direito de ser felizes De poder brincar Aprender, ter cultura Pra no futuro trabalhar. Máximo respeito pelas crianças Que nascem sem condições. Aprendem a brincar sem nada E a dormir sem colchões. No meio de tanta seriedade O nosso rap foi eleito. Passamos horas a fazê-lo Para ele ficar direito. João Regalado


CENTRO SOCIAL PAROQUIAL NOSSA SENHORA DA VITÓRIA

O HOMEM O MUNDO E A PALAVRA



Neste Tempo de Tormenta Que PAZ é esta que me faz lago? Flutuar na dor como nenúfar Sonhar sonhos em cor azul Borboleta em sua flor Que PAZ é esta que me faz deserto? Buscando oásis no areal Rasgando o vento como valente Deitar cansada ao sol queimante Que PAZ é esta que me faz humana? Ser lúcida, mais inquieta Olhar a fraga, o arranha céus Perscrutar o homem no seu mistério Que PAZ é esta que me fere a alma? Por sentir gente que não a encontra Que chora, desespera Querer a morte em vez da vida Que paz é esta que me descansa? Me dá sossego, me encanta Me abraça, mima, faz-me sua filha Que PAZ é esta ... Oh; Deus! Oh, Deus! Obrigada! Obrigada! Bé Galvão


Cenário perfeito, Casa perfumada com amor, Quartinho decorado a preceito. Perfeito. Idealizado um sonho, realizada uma Tríade perfeita. Mas tantos o sonharam, avós, irmãos, tios E amigos também Mediam futuro, Corações abertos para o Nascimento. Uma chama de Luz inundou o espaço e o tempo E um estendal de sonhos ao Sol, Celebra a Vida Num sonho de poesia perfeito. Bem-vindos sejam os que nasceram, Os que ousaram existir Perpetuando o milagre da vida. Maria Olinda


LÁGRIMA Março de 2020 chegou ensombrado pela Covid-19, afetando todo o mundo. Fechou sorrisos, abriu portas ao sofrimento. Deixou exaustos os nossos heróis de capa branca, atingiu os nossos idosos sem dó nem piedade. Dia 13 de março e o confinamento prestes a chegar. Na minha escola, onde o trabalho me faz feliz, o ambiente tornou-se pesado, a expressão de medo rompia em cada rosto. Encerrámos a escola com um cartaz de esperança que fizemos com as crianças, mas o registo das nossas mãos demarcava incerteza. Compreendi que realmente algo estranho acontecia. O despedir foi tão marcante que não contive uma lágrima. O silêncio das ruas e as notícias anunciavam um tempo novo e assustador, uma triste e difícil realidade. Ficaram para trás os abraços, os beijos e o carinho dos tempos de ternura, o vírus proibiu o contacto entre as pessoas, era altamente contagioso. Perante esta dura realidade, minha alma chora. Respeito e cumpro todas as normas de proteção e cuidados que nos são impostos pela DGS. Protejo-me porque sei que ao fazê-lo estou a proteger o próximo. E foi assim que regressámos à escola, a porta a distanciar-nos dos familiares e os abraços com que aconchegava “os meus meninos” todos os dias, na chegada, já não existe. A máscara tapou-me o sorriso. Não, não aceito proibição para o afeto. Meu ser é feito de amor, sou feliz com a ternura que dou e recebo. Reaprendi que é possível acarinhar “os meus meninos” e os que amo, sorrindo com o olhar e aconchegando com as palavras e somos felizes neste cativar. O amor é a essência da vida, não pode acabar. À noite pesam-me sonhos. Até quando viveremos com este vírus? A esperança no êxito da vacina, que está para chegar, acende uma luz na escuridão desta luta. E quando a pandemia passar e a poesia regressar, o mundo não será o mesmo. Lutamos pela vida com todas as capacidades da ciência e foram evidentes as nossas limitações, a fragilidade do nosso ser individual, das nossas realizações pessoais, das nossas estruturas políticas, económicas e científicas. Reconhecemos que só juntos sobreviveremos. Cláudia Queirós


SUSTOS DE PANDEMIA

SURTOS DE POESIA Que os sustos de Pandemia, A palavra do ano – confinamento, A nova normalidade, A quarentena, A saudade de um beijo, A carência de um abraço, O isolamento social, O testar positivo, Os casos sintomáticos e assintomáticos Nos tragam Surtos de Poesia. Nos adocem Nos humanizem Nos unam Nos pacifiquem Nos façam valer a pena Nos permitam recomeçar, renovar, renascer, Nos façam regressar ao amor. Oriana Justino Alves


SURTO… que do costume nos furtou, da expectativa nos afastou, e para o desconhecido nos lançou. MEDO… porque o amanhã é ameaça mesmo que escudados com uma máscara, que do espontâneo abraçar nos aliena e ao sorriso não entendido nos condena. ESPERANÇA num término que não se avista, no encalço de um abraço que não se alcança, daquele que nos atrai e apela a estar, ser e permanecer no sopro que nos assiste e insiste no suceder dos dias em que nos faz erguer. DESESPERO numa espera que exaspera a vontade que tudo move e que a estrada não percorre porque murada e condenada a um não lugar que quase tudo suga, num tempo que não para e cujo envelhecimento não estagna. CONFIANÇA que o que é nosso no tempo a nós seja a tempo devolvido. Que o abraço e o beijo impedidos, e por sentimentos esculpidos, mas na insularidade contidos, voltem a aproximar corpos nos quais o segredo da vida habita. Que não venhamos a ser uma miríade de ilhas sem elos entre si, num arquipélago de ausência de emoções pelo corte nas relações empunhado pelo surto que num curto tempo tudo no tempo mudou.

Mafalda


The world, as we knew it, no longer exists. It is infected by the worst killer we could ever imagine, a virus. Some believe it is not that bad, I mean, how can something we can’t feel or see be able to kill hundreds of people on a daily basis. That is why we were sent home. Away from everything and everyone trying to escape this invisible killer, but after some days in quarantine, our house started to feel more like a prison, whose sentence seemed to have no end. We’ve been forced to wear masks for the past few months. There is no longer the excitement of talking to people and understanding what they feel by looking at their face, there’s no longer that freedom of being able to walk on the street and hugging each other with no worries ... Sometimes I even forget what that feels like... When all of this started, I have to admit I never thought it would be this hard. I miss the past, but it feels so far away... it’s like it never existed. It comes to the point that if someone told me that we were in another dimension, I would probably believe. We are going through really hard times. I’ve always been the observer kind of person. Now all I see is sadness in people’s eyes. I’ve heard that our eyes are the mirror of our souls and that is true. There is no longer a spark in people’s eyes, we no longer hear people laughing as loud as they used to, as if they had forgotten how to do it... Some people say this virus came here to open our eyes, to make us see and realize the harm we are causing to the world and to each other. Somehow, I agree. Even though people are sadder, they are there for each other, they make them understand they are not alone, that they matter and they can do it. This virus is obviously awful, however, we you have to look at the bright side. So, here’s a reminder to all of you who are reading this: look around you. Look again. You are not alone, you have people, your people. Reach out. Spill your thoughts out. Make yourself heard. There is a window of opportunity in front of you, don’t close it just because you think it’s too windy outside. And remember, there’s no such thing as forever, especially when it comes to the toughest times.

By: Mariana Rocha 10ºA5


A Covid-19 trouxe solidĂŁo, pois sem estar com os meus amigos presentes, a minha vida nĂŁo brilha tanto. Ana Sena


Estranhos à nossa idade

Em 2020 é impossível não falar em Covid-19 Com Sustos de Pandemia. É impossível não pensar sobre o futuro Com o coração nas mãos. Surtos de Poesia, gritos da alma, Vão surgindo aqui e ali, em todo o mundo. Surtos mortais nos hospitais, Matam os mais frágeis, os vulneráveis, Os que são de risco. Que um vírus viesse era previsto, Mas assim tão poderoso, invasivo, Prolongado, inatacável, descarado, Baralhando médicos e cientistas, No século em que acreditávamos Que a ciência e a tecnologia tudo venceriam, Quem imaginava? Deixou pais desempregados, Famílias destroçadas, Jovens sem direito à juventude, Idosos sem direito ao carinho. Restringiu liberdades, Numa mudança cruel. Deixou-nos arrasados, Cansados de restrições e proibições. Hoje damos gargalhadas Para enganar a tristeza, Mas a máscara desmascara-nos. O distanciamento separa-nos Dos afetos do toque que vale mais que palavras. Culpam os jovens Do crescimento das estatísticas. Acusam- nos de irresponsáveis, irreverentes, Insensíveis, de não respeitarmos o próximo, Porque para nós tanto dá sintomáticos ou assintomáticos. Mas, acreditem, não é fácil viver assim, Nesta condição de estranhos à nossa idade. Leonor Regado Francisca Rodrigo Antunes José Manuel


TENS OS OLHOS DE ALGUÉM A BRILHAR Não sou uma boa poeta E nem sei rimar. Mas é com prazer que contigo Quero estar. Sei bem que no teu olhar Tens os olhos de alguém a brilhar. Um dia vais admitir Que o amor te chegou E uma chama de amor vai surgir E tu vais admitir. Nem uma pandemia consegue travar o amor, Pois os dois sereis mais fortes, E tu reconhecerás quanto vale a nossa amizade. Sê feliz enquanto podes, Pois o amor pode fugir. Nada é eterno, Nem esta pandemia o será.

Bruna Azevedo


Antes da Covid-19

Antes da Covid Tudo era mais fácil, Tudo mais autêntico. Não havia máscaras a taparem-nos o rosto, E por trás delas sorrisos sem gosto. O tempo que se foi Era o tempo em que cantava felicidade, Hoje canto lamentos. É o que gosto de fazer, Com o canto vou crescer, E permanecer pós-pandemia No palco da vida. Francisco Monteiro


Amo a liberdade Sei que é preciso cumprir as regras de segurança Para travar o surto pandémico que, De forma inesperada e dramática, Atingiu toda a Humanidade. Sei que são graves as consequências Económicas e sociais de desobediências. Sei que o Mundo se vestiu de negro, Que muitos partiram sem despedidas. Sei que a pandemia é brutal. Sim, sei tudo isso. Senti a dor do isolamento, Sinto que nada é normal, que a alegria se foi, Que os trilhos do futuro são incertos, Que todos os rostos, caminhos e lares Se cobriram de máscaras, Que o distanciamento nos bloqueia os afetos. Sim, eu sei, mas deixem-me gritar, Erguer a minha voz no silêncio. Quero viver. Amo a liberdade. Aguardo que a vacina seja a realidade Que limpe o Mundo desta maldade. Tomás



AGRADECIMENTO EXTERNATO RIBADOURO BIBLIOTECA ESCOLAR-BE SPO CIDADANIA Agradecem à Comunidade Educativa aos Parceiros da Casa da Amizade, do Centro Social Paroquial Nossa Senhora da Vitória, e do Grupo de Escolas Pitabel de Luanda, a preciosa participação nesta atividade em que compartilharam connosco vivências em tempo da pandemia que alterou significativamente as nossas vidas. São testemunhos/sopros de esperança que ficarão gravados na memória Ribadouro, assinalando o isolamento, o sofrimento e a saudade em tempos difíceis num hino à esperança, resiliência e confiança num futuro mais justo e solidário.


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