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Ano 2 - N° 21 - Outubro de 2012

www.odontomagazine.com.br

CIOBA 2012: informação e atualização técnico-científica

9 772179 879602

Entrevista

ISSN 2179-8796

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comunicação integrada

Ponto de Vista A saúde bucal dos brasileiros

Reportagem

Ortopedia e Ortodontia para a dentição decídua capa21.indd 1

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Editorial Edição: Ano 2 • N° 21 • Outubro de 2012

Os desafios da prática diária

Presidência & CEO Victor Hugo Piiroja e. victor.piiroja@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7501 Gerência Geral Marcela Petty e. marcela.petty@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7502 Marketing Ironete Soares e. ironete.soares@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7500 Financeiro Rodrigo Oliveira e. rodrigo.oliveira@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7761 Designers Gráficos Débora Becker e. debora.becker@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7509 Bob Nogueira e. bob.nogueira@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7521 Web Designer Robson Moulin e. robson.moulin@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7509 Sistemas Wander Martins e. wander.martins@vpgroup.com.br t. +55 (11) 4197.7762 Editora e Jornalista Responsável Vanessa Navarro (MTb: 53385) e. vanessa.navarro@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7506 Publicidade - Gerente de Contas Vivian Ceribelli Pacca e. vivian.pacca@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7769 Conselho Científico Alice Granthon de Souza, Augusto Roque Neto, Danielle Costa Palacio, Débora Ferrarini, Diego Michelini, Éber Feltrim, Fernanda Nahás Pires Corrêa, Francisco Simões, Henrique da Cruz Pereira, Helenice Biancalana, Jayro Guimarães Junior, José Reynaldo Figueiredo, José Luiz Lage Marques, Júlio Cesar Bassi, Lusiane Borges, Maria Salete Nahás Pires Corrêa, Marina Montenegro Rojas, Pablo Ozorio Garcia Batista, Regina Brizolara, Reginaldo Migliorança, Sandra Duarte, Sandra Kallil Bussadori, Shirlei Devesa, Tatiana Pegoretti Pintarelli, Vanessa Camilo, Wanderley de Almeida Cesar Jr. e William Torre. A Revista A Odonto Magazine apresenta ao profissional de saúde bucal informações atualizadas, casos clínicos de qualidade, novas tecnologias em produtos e serviços, reportagens sobre os temas em destaque na classe odontológica, coberturas jornalísticas das mais importantes feiras comerciais e eventos do setor, além de orientações para gestores de clínicas. É uma publicação da VP Group voltada para profissionais de odontologia das mais diversificadas especialidades. Conta com a distribuição gratuita e dirigida em todo território nacional, em clínicas, consultórios, universidades, associações e demais instituições do setor.

E

m primeiro lugar cumprimento todos os colegas cirurgiões-dentistas por seu dia! Em 25 de outubro comemora-se no Brasil o “dia do cirurgião-dentista”. Vocês sabem, por curiosidade, o motivo desta data? Em 25 de outubro de 1884 foram criados os primeiros cursos de Odontologia em faculdades do Rio de Janeiro e da Bahia. Cada um de vocês teve o seu motivo para escolher e seguir a profissão, em outubro comemore o seu trabalho dedicado à área da saúde! Somos muitos no Brasil. Segundo os dados do Conselho Federal de Odontologia, consultados em 30/09/2012, estão inscritos no país 244.660 cirurgiões-dentistas. É para todo esse contingente de trabalhadores e trabalhadoras que deixamos as reflexões abaixo a respeito dessa profissão. O cirurgião-dentista é um profissional essencial na equipe de saúde, atua nos serviços de saúde públicos e/ou privados, ofertando atenção à saúde bucal da população. Realiza ações individuais e coletivas, de promoção, prevenção, tratamento e recuperação da saúde bucal da população. Também atua em outras áreas não clínicas, como a da vigilância em saúde, a da gestão da saúde, dentre outras. São diversos os desafios da profissão: manter condições físicas e mentais para realizar o atendimento clínico ou executar atividade de gestão; estudar e atualizar-se para a atuação diária; incorporar o trabalho em equipe; decidir atuar na iniciativa pública e/ou privada; etc. A partir da minha experiência, poderia listar outros os dilemas, porém, ao meu ver, é preciso refletir sobre o importante desafio da profissão, ou seja, interferir (positivamente) na saúde das pessoas, na saúde bucal de cada brasileiro. Temos que ter consciência de que atuamos no cotidiano dos serviços de saúde (públicos ou privados) para a melhoria da saúde dos cidadãos. Se adotarmos o conceito ampliado de saúde, perceberemos que, para promover saúde, é preciso interferir no complexo processo saúde-doença condicionado por determinantes e condicionantes biológicos, mas também por determinantes sociais, ambientais, comportamentais e os relacionados ao uso/acesso aos serviços de saúde. Partindo da consideração acima, torna-se complexa e desafiadora a tarefa diária do profissional da saúde bucal na comunidade. No Brasil, historicamente, a oferta de serviços de Odontologia privados não permitiu o acesso de toda a população brasileira a esses serviços. Felizmente, nos últimos anos temos avançado no acesso à atenção em saúde bucal, com a implantação da Política Nacional de Saúde Bucal, conhecida como Brasil Sorridente. O Brasil Sorridente tem estimulado a adição de flúor no tratamento de águas de abastecimento público; a reorganização da Atenção Básica (ampliação das Equipes de Saúde Bucal na Estratégia Saúde da Família); a organização da atenção especializada (implantação de Centros de Especialidades Odontológicas e Laboratórios Regionais de Próteses Dentárias); dentre outras frentes de ação. A ampliação do acesso aos serviços de saúde bucal é importante, mas, se isolada de outras ações que interfiram na qualidade de vida das pessoas, terá grandes limitações para promover a saúde bucal da população. A complexidade da vida e dos problemas apresentados pela sociedade demanda respostas intersetoriais que modifiquem também o processo saúdedoença próprio da saúde bucal. É longa a caminhada em prol da melhoria da saúde bucal da população brasileira! Você já se perguntou se você e seus gestores públicos (municipal, estadual e federal) estão fazendo a sua parte?

Odonto Magazine Online s. www.odontomagazine.com.br Tiragem: 37.000 exemplares Impressão: HR Gráfica

Regina Vianna Brizolara Membro do Conselho Científico

Alameda Amazonas, 686, G1 - Alphaville Industrial 06454-070 - Barueri – SP • + 55 (11) 4197 - 7500 www.vpgroup.com.br outubro de 2012

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Sumário

Outubro de 2012 • Edição: 21

pág.

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Reportagem

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Entrevista

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Editorial

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Programe-se

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Notícias

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Odontologia Segura

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Produtos e Serviços

16 pág.

Ortopedia e Ortodontia para a dentição decídua

Casos Clínicos

CIOBA 2012: informação e atualização técnico-científica

44 Tratamento microinvasivo de lesão cariosa proximal com conceito de infiltração.

Antístenes Albernaz Alves Neto

32

Raphael Vieira Monte Alto, Gustavo Oliveira dos Santos, Mariana Canano Séllos e Vera Mendes Soviero

Espaço equipe

Saúde bucal e saúde mental: aproximação e identificação

48 Instrumentação recíproca utilizando sistema WaveOne: eficiência e praticidade

Danielle Palacio e Ligia Maria Vieira

34

Relacionamento

38

Ponto de vista

Manoel Eduardo de Lima Machado, Mario Francisco de Pasquali Leonardo e Cleber Keiti Nabeshima

Instituto Sorrir para Vida

52 Confecção de contato proximal em restaurações estéticas diretas posteriores

A saúde bucal dos brasileiros José Eduardo P. Pelino

40

Colunista Marketing

Éber Eliud Feltrim

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Paulo Vinícius Soares, Marina Ferreira de Lima Naves, Vitor Laguardia Guido Faria, Lívia Fávaro Zeola, Alexandre Coelho Machado, Rodrigo Sversut de Alexandre, Luis Alexandre Maffei Sartini Paulillo

58 Normas para publicação Os artigos e as entrevistas são de inteira responsabilidade do autor e/ou entrevistado, e não refletem, obrigatoriamente, a opinião do periódico.

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Programe-se

Outubro 8º Congresso Internacional de Odontologia – CIO 01 a 05 de outubro de 2012

Desde 2005, o curso de Odontologia da UNIBAN Brasil promove o Congresso Internacional de Odontologia, evento que tem como objetivo principal aprofundar o conhecimento de temas relevantes na área odontológica, buscando favorecer uma boa formação profissional.

São Paulo - SP

www.futurodentista.com.br

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Congresso Brasileiro de Células-tronco e Terapias Celulares 03 a 06 de outubro de 2012

O VII Congresso Brasileiro de Células-Tronco e Terapia Celular será promovido por duas entidades que são referência nacional e internacional sobre o tema. Por isso mesmo, reunirá pesquisadores de altíssimo nível, membros de agências reguladoras de saúde, médicos e demais profissionais da área para expor as últimas novidades, mostrar avanços, apresentar pesquisas e trocar ideias.

São Paulo – SP

www.celulastronco2012.com.br

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única de conhecer os colegas virtuais e de se capacitar assistindo renomados palestrantes nacionais e internacionais.

A  APCD-Bauru promove o 2º Encontro Científico, que contará com um ciclo de palestras.

Bauru – SP

www.apcd-bauru.com.br

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11º COPAC – Congresso Paulista de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial

Implante Sul 2012 - II Encontro de Implantodontia do Sul Fluminense

Diversos nomes de excelência nacional e internacional estarão juntos para o 1º Encontro LatinoAmericano Zirkonzahn & Friends, promovido pela parceria entre a Talmax e Zirkonzahn. Profissionais de todo o Brasil, América Latina e Europa se encontrarão para discutir as últimas tendências das reconstruções estéticas realizadas em zircônia.

18 a 20 de outubro de 2012

Curitiba – PR

www.rootssummit2012.com

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A segunda edição do evento reunirá importantes nomes da Implantodontia nacional em um lugar deslumbrante, que proporcionará momentos de conhecimento aliados a diversas opções de lazer.

Volta Redonda - RJ

www.implantesul.com.br

Campos do Jordão – SP

www.copac2012.com.br

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Roots Summit 18 a 20 de outubro de 2012

O Roots é um fórum virtual que discute temas relacionados à endodontia com membros do mundo inteiro. É uma oportunidade

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www.talmax.com.br/encontro

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16º Congresso Internacional de Odontologia da Bahia 27 a 30 de outubro de 2012

4° Congresso Brasileiro de Fissuras Labiopalatinas

Renomados professores nacionais e estrangeiros farão parte do conclave, sem descuidar da parte referente à indústria e comércio especializados, mostrando a tecnologia de ponta para uso clínico e cirúrgico.

19 e 20 de outubro de 2012

Salvador - BA

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O evento contará com a presença de profissionais que discutirão com maestria as fissuras labiopalatais e as deformidades craniomaxilofaciais.

Salvador - BA

(71) 9204-1719 ou (71) 3358-8138

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26º Congresso Odontológico de Bauru 20 de outubro de 2012

O evento receberá as palestras “A busca da excelência na estética de áreas anteriores reabilitadas”, ministrada pelos professores Paulo Fukashi e Daniel Hiramatsu, e “Desvendando os limites entre a manutenção dentária e a implantodontia”, ministrada pelos professores Mario Tanomaru Filho, Eduardo Ayub e Mario Taba Jr.

Bauru – SP

www.cobusp.com.br

11 a 13 de outubro de 2012

A Comissão Científica organizou minuciosamente o encontro, com temas contemporâneos no mundo sofisticado da Cirurgia Bucomaxilofacial. Os convidados estrangeiros foram escolhidos entre os melhores da Cirurgia Mundial.

26 e 27 de outubro de 2012

Foz do Iguaçu - PR

2º Encontro Científico – APCD Bauru 05 e 06 de outubro de 2012

1º Encontro Latino-Americano Zirkonzahn & Friends

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EMCOD 2012 - Encontro Multidisciplinar Catarinense de Odontologia 25 a 27 de outubro de 2012

A ABO – Chapecó promove nos dias: 25,26 e 27 de outubro o Encontro Multidisciplinar Catarinense de Odontologia, que reunirá profissionais do oeste catarinense. Serão dois eventos simultâneos: a III Jornada Acadêmica de Odontologia Unochapecó e o III Encontro de Reabilitação Bucal do Oeste Catarinense.

Chapecó - SC

www.emcod.com.br

www.cioba2012.com.br

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12ª Jornada Odontológica do Centro de Atendimento a Pacientes Especiais – FOUSP 30 de outubro de 2012

A programação científica conta com renomados profissionais de saúde bucal.

São Paulo – SP www.fo.usp.br

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Novembro II Congresso Internacional de Auxiliares e Técnicos em Saúde Bucal 03 e 04 de novembro de 2012

O evento é totalmente dedicado à equipe auxiliar.

São Paulo – SP

www.ciatesb.com.br

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IV Congresso Brasileiro de Odontologia do Trabalho de Pernambuco 15 a 17 de novembro de 2012

Com o tema “Saúde, Qualidade de Vida e Sustentabilidade”, o evento interdisciplinar contará com presença de grandes nomes nacionais da área de Saúde e Segurança do Trabalhador.

Recife – PE

cbotpe2012@hotmail.com

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Notícias

Ortodontia: crescimento e conhecimento Nos dias 27, 28 e 29 de setembro foi realizada a 18ª edição do Congresso Brasileiro de Ortodontia, no Expo Center Norte, em São Paulo. Com o tema “Crescimento Profissional com a Ortodontia”, o congresso contou com a presença de professores brasileiros e estrangeiros, pesquisadores e profissionais de destaque no cenário ortodôntico. “O evento possibilitou uma troca de conhecimento e práticas científicas muito interessantes. Valeu a pena participar”, observa Juarez F. W. Köhler, ortopedista facial e ortodontista, membro especialista da Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial (ABOR), filiada a World Federation of Orthodontists (WFO - USA). Ortodontistas do Brasil e do mundo foram premiados com 400 horas de atividades científicas oferecidas pelo evento. Foram 11 cursos internacionais e 15 cursos nacionais de quatro horas cada; 150 conferências especiais; 427 painéis científicos e mais de 100 atividades corporativas em paralelo. “A atualização na área é fundamental para aplicar os novos conhecimentos no cotidiano da profissão, proporcionando tratamentos cada vez mais modernos aos pacientes”, destaca Juarez, que também integra a equipe interdisciplinar da Köhler Ortofacial, com o ortodontista e ortopedista facial Gerson Köhler e a fonoaudióloga Nilse Waltrick Köhler, especialista em Distúrbios Miofuncionais da Face. O Orto 2012-SPO, segundo evento mais importante do mundo em Ortodontia, apresentou renomados especialistas do segmento ortodôntico, que discutiram sobre o privilégio de transformar significativamente a vida de seus pacientes. Ancoragem absoluta com mini-implantes, aparelhos orto-

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dônticos autoligáveis, biomateriais na prática ortodôntica, oclusão e ATM, Ortodontia lingual, distúrbios do sono, estética facial, fios ortodônticos e gestão de negócios foram os principais temas abordados durante os três dias do encontro. Para Juarez, o congresso foi especialmente importante, pois teve conotações interdisciplinares e multiprofissionais. “Um assunto de destaque veio de uma fonte que não atua exatamente  em Ortodontia. Elisa Altmann - fonoaudióloga mioterapeuta - apresentou palestra sobre exercícios miofuncionais, área de Nilse  Köhler, na atuação interdisciplinar da equipe Köhler sobre as questões da apneia obstrutiva do sono. A retonificação da base lingual e do palato mole é essencial no tratamento do problema, já que eles são os grandes vilões do ronco e da apneia. Isto reafirma os princípios usados na Köhler Ortofacial, pois esta estratégia já é aplicada por Nilse nos pacientes apneicos tratados em contexto médico-odontológico-mioterápico”, acrescenta o ortodontista. Tratamento lingual foi um dos destaques do evento Alexandre Moro, Doutor em Ortodontia, professor da UFPR e Universidade Positivo e presidente da Associação Paranaense de Ortodontia, dissertou sobre três temas durante o Congresso Brasileiro de Ortodontia. Ministrou uma palestra sobre Ortodontia Lingual Computadorizada (aparelhos Harmony e Incognito), comparando a técnica com as formas convencional e simplificada de montagem do aparelho. “Por meio de casos clínicos, apresentei que situações são indicadas para cada um dos aparelhos”, explica Moro. A grande vantagem do aparelho lingual é que o

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Notícias

Mais de 100 empresas ocuparam o pavilhão de exposições para apresentar as novidades no mercado ortodôntico

braquete é colado na parte de trás do dente, sem prejudicar o sorriso. Outra palestra que teve à frente o profissional foi sobre técnica de Ortodontia Lingual Simplificada, no estande da empresa alemã Forestadent. A técnica vem ganhando muitos adeptos no Brasil, principalmente por sua relação custo x benefício. “É indicada nos casos onde o paciente deseja apenas um alinhamento dos dentes anteriores, sem necessidade de corrigir a mordida – ou seja, o encaixe dos dentes posteriores já está correto”, orienta Moro. Já no estande da americana 3M, como speaker da empresa, o ortodontista ministrou três palestras sobre o aparelho Forsus para correção da má oclusão de classe II. “Mostramos as últimas novidades e modificações na utilização clínica do aparelho Forsus, para tratamento dos dentes inferiores que são mais para trás em relação aos superiores, sendo um dos mais utilizados no mundo para corrigir esse problema. “O aparelho, que é fabricado nos Estados Unidos, tem uma mola de aço inoxidável que fica presa nos arcos superior e inferior ao mesmo tempo. Dessa forma, ele empurra os dentes superiores para trás e os inferiores para frente. Essa técnica traz vantagens em relação ao tradicional uso de elásticos, que além de corrigir mais devagar, depende da colaboração do paciente na sua utilização. Como o Forsus fica fixo nas arcadas, as forças atuam por 24 horas, acelerando a correção”, afirma.

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Presidente da AORP recebe Prêmio da Sociedade Paulista de Ortodontia A presidente da AORP – Associação Odontológica de Ribeirão Preto, Dra. Renata Fronzaglia Lollato, recebeu o Troféu Reynaldo Baracchini, entregue pela Sociedade Paulista de Ortodontia (SPO) aos cirurgiões-dentistas que abraçaram com carinho e denodo as filosofias de Angle e Korkhaus, considerados “pais da Ortodontia”. O Prêmio de Honra ao Mérito foi criado em 2004 para destacar e reconhecer a contribuição de pesquisadores e autoridades nacionais e internacionais em seus campos de atuação. Desde então, o prêmio vem recebendo o nome de grandes personalidades que abraçaram causas, colaborando para o crescimento da Odontologia no Brasil, como Miguel Santiago Nobre, Emil Razuk, Placidino Guerrieri Brigagão e Paulo Affonso de Freitas. Em 2012, o Comitê Organizador do Congresso fez uma justa homenagem ao Dr. Reynaldo Baracchini, pela sua relevante contribuição para o desenvolvimento da Ortodontia no Brasil e seu memorável trabalho à frente da Sociedade Paulista de Ortodontia (SPO). Novidades no mercado Congressistas e visitantes tiveram a oportunidade de acompanhar de perto as novidades das mais de 100 empresas organizadas nos 14.000 m2 da ExpOrto 2012-SPO. Durante os três dias de evento, os ortodontistas tiveram acesso ao que há de mais moderno e avançado no mercado ortodôntico.

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Notícias

Capacitação na área de prótese dentária O Ministério da Saúde repassará R$ 6 milhões às secretarias estaduais de Saúde para capacitar profissionais na área de prótese dentária, por meio da Portaria n. 2010 de 17 de setembro de 2012. A iniciativa faz parte do Programa de Formação Profissional de Nível Técnico (Profaps). A meta é que com os recursos seja possível qualificar em um ano cerca de 2 mil novos técnicos em prótese dentária em todo o País. A carga horária do curso terá no mínimo 1.200 horas, que serão distribuídas entre carga horária teórica e prática. Além desta carga horária, o curso contará com estágio supervisionado complementar. As secretarias estaduais de Saúde poderão utilizar as suas escolas técnicas que tenham curso na área e, na ausência destas, contratará escola técnica que tenham este curso reconhecido pelo Conselho Estadual de Educação. “A ampliação de vagas vem contribuir para o programa Brasil Sorridente e permitirá que tenhamos mais profissionais capacitados a prestar um serviço de qualidade em saúde bucal à população”, afirma o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde, Mozart Sales. Os dados devem ser encaminhados ao Ministério da Saúde em até 60 dias a partir da publicação da Portaria para liberação dos recursos. O projeto apresentado deve seguir as diretrizes da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde e as orientações para a elaboração dos projetos constantes no anexo da portaria.

Fonte: Agência Saúde

Informática em saúde

Estão abertas as inscrições para o XIII CBIS, que será realizado entre 19 e 23 de novembro, em Curitiba (PR). O evento, que terá como tema  “Ciência e Tecnologia da Informação Contribuindo para Avanços na Saúde”,  é uma realização da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde com apoio, entre outras entidades, do Conselho Federal de Odontologia,

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do Conselho Federal de Medicina, do Conselho Regional de Medicina do Paraná, da Associação Médica do Brasil e da Agência Nacional de Hospitais Privados. Seguindo sua tradição estabelecida desde o primeiro congresso em 1986, o CBIS 2012 contará com uma ampla programação técnica e científica, reunindo palestras e conferências de renomados profissionais da Informática em Saúde brasileira e internacional, assim como a apresentação de centenas de trabalhos de alta qualidade em sessões orais e pôsteres. Haverá também uma grande área com a exposição de empresas e soluções do setor. Uma novidade do CBIS neste ano será a composição de tracks segmentados em diversos temas, como prontuário eletrônico, gestão estratégica, soluções para o setor público, PACS/ RIS e soluções móveis, entre outros, o que proporcionará ao congressista a oportunidade de assistir a palestras específicas dentro de sua área de interesse, assim como conhecer soluções voltadas a tais segmentos. O CBIS 2012 irá reunir profissionais e acadêmicos, empresas e universidades, fornecedores e usuários, tanto do setor público como privado, para promover um amplo debate de ideias, fundamentos, aplicações e políticas relacionadas à Informática em Saúde no Brasil e no mundo.

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Notícias Dentistas e a Hepatite C Cirurgiões-dentistas têm campanha gratuita para detecção do vírus da Hepatite C. A Hepatite C é uma doença silenciosa que atinge um em cada 33 pessoas no planeta. É transmitida pelo vírus VHC, transmitido quando o sangue contaminado entra na corrente sanguínea. Entre 70% e 85% das infecções pelo vírus da Hepatite C transformam-se em casos crônicos, podendo até evoluir para doenças mais graves, como cirrose e câncer de fígado. No Brasil, aproximadamente 3 milhões de pessoas podem ter tido contato com o VHC. Profissionais de saúde, como os cirurgiões-dentistas, expostos ao risco ocupacional, formam um dos grupos de alto risco, por estarem constantemente em contato com sangue. O mesmo vale para seus auxiliares e equipes de limpeza. Preocupado com essa importante questão de saúde pública, o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) inicia, em 22 de outubro, a Campanha para detecção do Vírus da Hepatite C em vários pontos de São Paulo. “É uma iniciativa da maior importância, pois a detecção precoce amplia as chances de cura”, comenta Emil Razuk, presidente do CROSP. “É um exame rápido, com resposta em menos de 10 minutos. É imprescindível que todos façam. Lembro que também realizaremos o teste para os familiares dos nossos colegas, sem quaisquer custos”.

www.crosp.org.br

Clareamento dental é assunto sério O clareamento dental, realizado por meio de produtos químicos aplicados diretamente nos dentes, começa a se popularizar graças ao barateamento do preço dos serviços. Mas o que deveria ser encarado como uma alternativa para deixar os dentes saudáveis e o sorriso mais bonito está preocupando especialistas em Odontologia de todo o Brasil. A popularização dos clareadores dentais e sua venda indiscriminada, diretamente ao consumidor, podem causar sérios danos à saúde dos pacientes. “Por isso é fundamental que o alerta seja dado agora, enquanto o processo ainda está no início e possamos revertê-lo por meio da educação da população”, adverte Dr. Mauro Piragibe, Diretor da ABO-RJ. “O procedimento deve ser feito somente por profissionais especializados. É uma terapia que, quando feita com agentes químicos, precisa ser encarada com muito cuidado, desde o diagnóstico, escolha da opção correta, doses e posologia indicadas individualmente e com decisões de tratamento também individualizadas baseadas em evidências científicas e clínicas de qualidade”, argumenta Dr. Mauro. Um dos riscos é que o paciente compre o clareador sem orientação profissional e o aplique indiscriminadamente, sem qualquer indicação de um profissional especializado. “O primeiro pensamento do leigo é achar que deve usar um volume grande de clareador para conseguir resultados mais rápidos, e é justamente aí que começam os problemas”, comenta. Quanto mais concentrada a solução clareadora e quanto maior o tempo de uso, maiores são os riscos de efeitos colaterais, como sensibilidade dolorosa, irritação nas gengivas, prejuízo ao esmalte do dente e restaurações e próteses mais escuras, que certamente terão que ser substituídas e custeadas pelo usuário. “Em crianças e adolescentes os efeitos de sensibilidade podem ser mais intensos, porque a polpa dentária é maior e o esmalte mais permeável”, alerta o especialista. O essencial para o sucesso do tratamento é o diagnóstico clínico bem feito e bem documentado e executado tecnicamente. “Este diagnóstico depende de uma série de fatores, como histórico do paciente, idade, seus hábitos de vida, além dos exames clínicos e radiológicos”, finaliza o Dr. Mauro.

Fonte: Assessoria de Imprensa

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Odontologia Segura

Coqueluche: uma doença reemergente no mundo Lusiane Borges Biomedicina - UNISA / UNIFESP - Escola Paulista de Medicina, São Paulo. Odontologia – UMESP, São Bernardo, SP. Especialização em Microbiologia – Faculdade Oswaldo Cruz, São Paulo. Especialista em Controle de Infecção em Saúde – UNIFESP, São Paulo. Pós-Graduanda em  Prevenção e Controle de Infecção em Saúde – UNIFESP, São Paulo. Coordenadora de Cursos de ASB/TSB desde 2000 (sete Regionais APCD, ABO São Paulo e Santos e ALAPOS). Membro do Conselho Científico da Odonto Magazine, São Paulo. Autora-coordenadora do livro “AST e TSB – Formação e Prática da Equipe Auxiliar”,2012. Consultora em Biossegurança em Saúde – Biológica, São Paulo, SP. Coordenadora Científica – ALAPOS (Associação Latino-americana de Pesquisas em Odontologia e Saúde), SP. Consultora Científica da Oral-B, Fórmula & Ação, Sercon/Steris e outros. Representante do Brasil na OSAP (Organization for Safety, Asepsis and Prevention), EUA.

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coqueluche, também conhecida como tosse comprida é uma doença altamente contagiosa que causa episódios de tosse violentos e graves. O agente etiológico é a bactéria Bordetella Pertussis. Embora, atualmente, adolescentes e adultos sejam frequentemente afetados, lactentes muito novos, ainda não completamente imunizados, podem contrair a infecção, geralmente transmitida por um membro da família, e evoluir para um quadro grave, que pode levar ao óbito. Atualmente a coqueluche tem sido considerada uma doença reemergente. Em alguns países desenvolvidos com alta cobertura vacinal, a doença tem ressurgido. Há relatos de aumento de incidência especialmente entre adolescentes e adultos jovens. Na França, estudos recentes evidenciaram casos de coqueluche em crianças cujas fontes de infecção foram pais, irmãos adolescentes, avós e babás. Hoje, de acordo com a OMS, entre 20 milhões e 40 milhões de casos são registrados anualmente em todo o mundo, dos quais entre 200 e 400 mil óbitos. Na Califórnia, em 2010, ocorreu epidemia com 9.100 casos e 11 óbitos em bebês. No Brasil, a morbidade da coqueluche já foi elevada. Na década de 1980 foram notificados mais de 40 mil casos anuais. Em 1973, com a instituição do Programa Nacional de Imunização (PNI), quando a vacina tríplice bacteriana DTP (difteria, tétano, coqueluche) passou a ser preconizada para crianças menores de sete anos, houve um declínio da incidência da coqueluche, com queda acentuada, principalmente a partir de 1983. A faixa etária de maior risco é a de menores de um ano. A letalidade também é mais elevada neste grupo etário, principalmente nos menores de seis meses. Tem-se observado, no Brasil, nestes dois últimos anos, uma elevação do número de casos. O sistema de notificação de casos (SINAN/SVS/MS) registrou 427 casos em 2010, 80% em menores de um ano. O Estado de São Paulo teve aumento de 83% entre 2006 e 2010.

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Novas recomendações sobre a vacina tríplice bacteriana acelular uso adulto (dTap) Em 27 de setembro de 2011, o Comitê Assessor de Práticas de Imunização do CDC (ACIP) e a Academia Americana de Pediatria (AAP) fizeram uma revisão de suas recomendações sobre o uso da vacina tríplice bacteriana acelular do adolescente e do adulto (dTap). O “Grupo de Pertussis do ACIP” baseou estas recomendações em estudos publicados sobre a imunogenicidade e segurança da vacina, em ensaios sobre a vacina e em experiências clínicas. Também revisaram a epidemiologia atual do Pertussis. Principais recomendações » Baseado na revisão do comitê de ensaios clínicos e outros estudos que não citam excesso de reações adversas quando a dTpa é aplicada em um período curto após a aplicação do toxóide tetânico e diftérico, a recomendação é “não existir mais intervalo mínimo entre a administração da dupla adulto-dT- (difteria/tétano) e a dTap”. » Para proteger pessoas suscetíveis ao pertussis, a AAP e o CDC recomendam “uma simples dose de dTap para crianças entre sete e 10 anos que são subimunizadas”, isto é, que não receberam a série total recomendada de DTaP ou DTP antes dos sete anos ou que têm uma história vacinal incompleta ou desconhecida. » “Mulheres grávidas de qualquer idade devem receber dTap”, pois a mãe fica protegida, desenvolvendo anticorpos que serão transferidos para o bebê. » A idade de recomendação para a dTap é agora “estendida para pessoas de 65 anos ou mais que têm contato com crianças menores de 12 meses”, como avós, cuidadores, etc. » Continua a recomendação para “vacinação de adolescentes, inclusive adolescentes grávidas”. A dose do adolescente deve, preferencialmente, ser dada entre 11 e 12 anos”. » “Uma simples dose de dTap deve ser dada para adultos de qualquer idade que não tenham recebido dTap previamente”.

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Em alguns países desenvolvidos com alta cobertura vacinal, a doença tem ressurgido Esquema padrão da vacina tríplice bacteriana » Dois, quatro e seis meses. » Primeiro reforço: de 15 a 18 meses. » Segundo reforço: Quatro a seis anos. » dTap: 11 a 12 anos. » A dTap agora está aprovada para sete anos e mais. » Está também sendo estendida para pessoas de 65 anos e mais e trabalhadores de saúde de todas as idades. Com a instituição dos programas de vacinação, a incidência da Coqueluche diminuiu muito, ocorrendo uma redução de mais de 90%. Ainda assim, a doença permanece endêmica com picos epidêmicos a cada três a cinco anos. Importante: A eficácia da vacina é de 80 a 85% após três doses. Com uma ou duas doses, a eficácia é mais baixa. Importante que pais de crianças ou todos que vivem com os pequenos estejam protegidos da Pertussis. Até a próxima!

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Produtos e Serviços Sanifill apresenta escova dental sustentável O tema sustentabilidade está cada vez mais presente na vida dos brasileiros. Pequenas ações individuais, como reciclagem e redução no consumo de água e energia, geram significativos resultados para garantir a preservação ambiental. Pensando nisso, a Sanifill, tradicional marca brasileira de higiene oral, apresenta uma inovação no mercado de escovas dentais: a Ecodent, escova sustentável com cabo reutilizável. Com uma proposta ecologicamente correta, a Ecodent possibilita a troca da “cabeça” da escova, parte onde estão localizadas as cerdas e que deve ser substituída, em média, a cada três meses. Desta forma, o cabo anatômico e emborrachado pode ser reutilizado, evitando o descarte desnecessário de materiais na natureza. Outro diferencial do produto está em sua dupla função: ao retirar a cabeça de cerdas, o cabo da Ecodent se transforma em um raspador de língua, que ajuda na remoção das bactérias causadoras do mau hálito. Segundo Vesper Trabulsi, Diretora de Marketing de Sanifill, o desenvolvimento da Ecodent está alinhado com as aspirações dos consumidores que, cada vez mais conscientes da importância de ações sustentáveis, priorizam o consumo de produtos que não impactem o meio ambiente. “A nova escova dental não terá um custo elevado por ser sustentável. O preço será menor se comparado ao valor gasto com a compra de três escovas separadamente. Sem contar o benefício que sua utilização trará para o meio ambiente, com a efetiva redução do descarte dos cabos”, finaliza. SAC: 0800 011 11 45

White Class em mais duas concentrações A FGM lançou mais duas versões do clareador dental White Class, agora em 4% e 10%, complementando as versões já existentes – 6% e 7 1/2%. White Class é um clareador dental de uso caseiro desenvolvido para proporcionar maior comodidade e agilidade no tratamento, devido a sua formulação em peróxido de hidrogênio. Possui pH neutro, alto teor de água, aloe vera, nitrato de potássio e fluoreto de sódio como dessensibilizantes. O diferencial deste produto é a adição de cálcio à sua formulação, que tem a finalidade de minimizar em até três vezes o processo de desmineralização do esmalte dental (Prof. Dr. Marcelo Giannini FOP-UNICAMP-Brasil). Nas versões em kit, contém exclusivo estojo, porta-moldeira e marcador de próxima consulta personalizado, quesitos essenciais para satisfazer ainda mais seu paciente. www.fgm.ind.br

Lançamento Bio-Art: Arco Facial Elite O novo Arco Elite traz um sistema de articulação e fixação do garfo que permite um registro mais rápido para o profissional e confortável para o paciente. Possui um conjunto de transferência que elimina a necessidade do arco no processo de montagem dos modelos no articulador, tornando este processo mais prático e estável. Seu Relator Naziun, com altura ajustável aliado ao indicador infraorbital, torna o registro ainda mais preciso. O arco é equipado com um sistema de deslizamento suave (abertura e fechamento) que facilita o seu manuseio. Suas aurículas são anatômicas, removíveis e esterilizáveis quimicamente. www.bioart.com.br

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Produtos e Serviços Cimento resinoso autoadesivo A 3M ESPE, divisão de produtos odontológicos da 3M, lança o cimento resinoso autoadesivo RelyX U200. Essa é a nova geração dos consagrados RelyX Unicem e RelyX U100. Os cimentos resinosos autoadesivos dispensam a necessidade de realizar o condicionamento ácido e a aplicação de primer/ adesivo em esmalte e dentina, tornando o procedimento mais prático e reduzindo o risco de sensibilidade pós-operatória. O cimento RelyX U200 mantém as características de facilidade de uso dos cimentos autoadesivos da 3M ESPE, além de manter resistência ao manchamento e baixa solubilidade, entretanto, a resistência de união ao esmalte e dentina e as propriedades mecânicas estão ainda melhores. A alteração no escoamento das pastas possibilitou a apresentação em Seringa Automix, que possui pontas misturadoras intraorais e intracanal, permitindo que o cimento seja aplicado diretamente dentro do conduto, preenchendo-o completamente, o que garante uma união muito superior e livre de bolhas de ar. A apresentação em Clicker, que permite a dosagem uniforme das pastas, continua disponível, e agora a mistura manual das pastas está ainda mais fácil. As indicações de cimentação definitiva continuam as mesmas: inlays, onlays, coroas e próteses fixas, núcleos metálicos e pinos. www.3mespe.com.br

Reconstituição óssea A Blanver Farmoquímica abriu o leque de atuação. Tradicionalmente, a empresa fornece insumos para os setores alimentício e farmacêutico, e, agora, passará a fabricar a hidroxiapatita sintética, um tipo de fosfato de cálcio utilizado em larga escala nas áreas odontológica, ortopédica, cosmética e farmacêutica. Os dentistas utilizam o mineral para reconstituição óssea após restauros e implantes. Na ortopedia, o produto pode ser usado como revestimento de próteses metálicas para acelerar a ligação entre o tecido vivo e o material implantado. “Nossa grande vantagem é que oferecemos uma hidroxiapatia nanoestruturada, que possui maior superfície de contato e, por isso, é mais rapidamente absorvida pelo organismo e o osso se regenera em menos tempo”, explica Sérgio Frangioni, diretor-presidente da Blanver, O componente, que não tem concorrentes no Brasil, já está em fase de fabricação e será comercializado a partir do primeiro semestre de 2013 no país e no exterior, sobretudo Europa e Estados Unidos. A hidroxiapatita é vendida por quilo e o custo médio é de R$ 240. Em um implante dentário, por exemplo, são utilizados aproximadamente cinco gramas do produto. A Blanver é uma das três maiores produtoras de excipientes do mundo e tem um faturamento médio anual de R$ 200 milhões. Hoje, as exportações respondem por 40% do faturamento da empresa que também terceiriza etapas de produção de medicamentos e é a responsável pela fabricação e distribuição para o governo federal do Tenofovir, medicamento que integra o coquetel antiaids e também é utilizado no tratamento da hepatite B. www.blanver.com.br

Planejamento cirúrgico A Protótipos 3D, instalada na Incubadora Raiar da PUCRS, apresenta o P3Dental, software desenvolvido pela empresa e destinado aos profissionais de implantodontia para o uso em cirurgias guiadas. Com essa ferramenta, a cirurgia é realizada sem cortes, em menor tempo e com mais conforto e segurança ao paciente e ao implantodontista. A empresa oferece aos clientes e prototipagem rápida, tecnologia que pode ser aplicada em diversos setores do mundo, tais como odontologia, medicina, engenharia, design, arquitetura, farmácia, química, física, entre outros. Através da utilização de um software e de uma impressora tridimensional, a empresa fabrica modelos com extrema precisão e qualidade. www.prototipos3d.com.br

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Cuidados com a primeira dentição A técnica de escovação anteroposterior com escova de cerdas multiníveis é mais eficiente no combate à placa bacteriana nos primeiros molares das crianças, quando comparada à técnica tradicionalmente indicada pelos dentistas, chamada transversal. Esse resultado foi obtido em estudo da Faculdade de Odontologia (FO) da USP, realizado pela dentista Alessandra Reyes. Ela analisou os primeiros molares em erupção — os que ainda estão nascendo, em linguagem popular — de 33 crianças entre cinco e sete anos. A técnica anteroposterior tem de ser aplicada com uma escova com cerdas de diferentes níveis, que conseguem chegar ao dente que ainda está crescendo e, portanto, está em um nível mais baixo em relação aos demais. É o caso das escovas Bambinos 1, 2 e 3 fabricadas pela Condor, que atendem desde bebês de seis meses até crianças maiores de cinco anos. As escovas Bambinos 1 e 2 oferecem tufos frontais mais altos, justamente para facilitar a higiene dos dentes mais difícies de alcançar. Já a Bambinos 3 possui cerdas macias com corte diferenciado para a remoção da placa bacteriana entre dentes de diferentes tamanhos (de leite e permanentes). “Além de eficazes na higienização, as escovas da linha Bambinos, estampadas com personagens das marcas Hot Wheels, Lilica Ripilica e Tigor T. Tigre, despertam a atenção das crianças e incentivam o hábito de cuidar da saúde dos dentes desde cedo”, afirma Gerson Grohskopf, coordenador do segmento de higiene bucal da Condor. www.condor.ind.br

Tinta AntiBactéria A Suvinil apresenta o Suvinil Acrílico AntiBactéria, que reduz 99% dos microorganismos na superfície da parede por dois anos. O produto revoluciona o mercado como o primeiro a ter aprovação da Anvisa que atesta sua segurança e eficácia, e reforça o pioneirismo da marca em surpreender o consumidor de tintas. Agora, além da qualidade e tecnologia já conceituadas e das mais de 1.500 cores que permitem fazer da parede um item de decoração importante para o ambiente, a Suvinil oferece bem-estar e a segurança de que a saúde dos usuários estará protegida. Fruto de um amplo estudo de pesquisa e desenvolvimento, motivado pelo conceito constante de inovação enraizado na cultura da marca, o Suvinil Acrílico AntiBactéria possui fórmula exclusiva composta por agentes antibacterianos que atuam na parede, eliminando 99% a manifestação desses micro-organismos. A tinta pode ser lavada sem que perca a sua ação, o que a torna ideal para ser utilizada também em hospitais, consultórios odontológicos, escolas e clínicas pediátricas. Eugenio Luporini Neto, Vice-Presidente de Tintas e Vernizes e Repintura da BASF para a América do Sul, reforça a relevância do produto para o segmento de mercado. “O mercado de produtos antibactérias cresceu 25% nos últimos três anos. Como líderes do mercado de tintas, saímos na frente para garantir que os anseios dos consumidores sejam atendidos também no nosso segmento. Este é o primeiro e único produto com essas características do Brasil”, explica ele, que reforça ainda a revolução que o Suvinil Acrílico AntiBactéria causa no mercado ao promover a conformidade e transparência para as tintas antibacterianas. “A inédita aprovação da Anvisa avaliza a eficácia e segurança do produto e certifica a comercialização desse tipo de tinta no país”, finaliza. O Suvinil Acrílico AntiBactéria foi testado e aprovado conforme os parâmetros da norma JIS 2801:2000 (Japanese Industrial Standard), do Japão, para produtos antimicrobianos. O teste para atividade e eficácia garantiu o poder da tinta. “As bactérias podem formar biofilmes na superfície da tinta e esta metodologia permite verificar a eficácia do produto aplicado na superfície da parede contra as principais bactérias”, explica Viviane Alves da Silva, do Laboratório de Microbiologia da BASF. O Suvinil Acrílico AntiBactéria está disponível no mercado em todas as cores Selfcolor desde julho. www.suvinil.com.br

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Halitose e a saúde bucal O CETH – Centro de Excelência no Diagnóstico e Tratamento da Halitose desenvolveu um sistema de última geração que é capaz de identificar com precisão um problema que afeta milhões de pessoas em todo o País. O OralChroma é um aparelho moderno e eficaz que consegue separar os três principais gases que compõem o hálito e determinar a presença ou não da halitose e suas origens O aparelho é portátil e foi desenvolvido no Japão pela FIS Inc., uma empresa voltada ao seguimento de análise de gases, e teve seu modelo de diagnóstico reestruturado pelo CETH – entidade que se dedica aos estudos da halitose, buscando identificar as causas do problema e a pesquisar formas de prevenção e tratamento. O OralChroma permite fazer o que os especialistas chamam de “cromatografia gasosa”, que mede, separadamente, cada um dos compostos sulfurosos existentes no hálito (Sulfidreto, Metil Mercaptana e Dimetil Sulfeto). “O procedimento completo de medição leva apenas oito minutos. Através da análise de seus resultados é possível diagnosticar a presença ou não da halitose www.cethsaude.com.br/halitose.php

Design, ergonomia e tecnologia A Belliz Company apresenta mais uma novidade para a higiene bucal, transformando a rotina de escovar os dentes em algo diferente. O hábito de escovar os dentes corretamente é importante para o nosso bem-estar, já que ajuda a evitar cáries, remover placa bacteriana e a prevenir outros problemas bucais. E para esses cuidados diários, a marca Kess lança as escovas dentais Kess Style, perfeitas para transformar esse momento tão simples em uma rotina diferente. O lançamento apresenta três modelos com cabos estampados, coloridos e com desenhos diferentes para agradar a todos os estilos. As escovas possuem cerdas “Maxi Tips”, que são mais alongadas nas extremidades, alcançando melhor os dentes posteriores, além do massageador de gengivas e raspador de língua e bochechas, que garantem a higienização completa da boca. Todos os modelos acompanham capa protetora de cerdas. Kess é a marca de produtos de higiene oral da Belliz Company, que traz design, ergonomia e tecnologia para o cotidiano. Todos eles podem ser encontrados nas grandes redes de farmácias e drogarias de todo o Brasil.  www.bellizcompany.com.br

Caneta de alta rotação com baixo nível de vibração e ruído Com parque fabril próprio e máquinas de última geração, a Dentflex desenvolve produtos de acordo com as rigorosas normas internacionais de qualidade, tendo como resultado final, equipamentos que atendem às exigências do mercado e que proporcionam total satisfação do cliente. Possui uma ampla linha de produtos, sendo que um dos seus destaques é a Sigma Air (caneta de alta rotação), com alto torque e baixo nível de vibração e ruído. Seu corpo é confeccionado em alumínio. As versões disponíveis atualmente são: SIGMA AIR 1S (1 spray), SIGMA AIR 1S PB (1 spray, com push button), SIGMA AIR 3S (3 sprays) e SIGMA AIR 3S PB (3 sprays, com push button). www.dentflex.com.br

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Sorrimos com você

Nestes 9 anos, fizemos boas parcerias e construímos grandes amizades.

Estas parcerias se fortaleceram. As amizades se solidificaram. E isso nos manteve focados, satisfeitos e, principalmente, felizes. Agradecemos a todos os profissionais que confiaram e confiam em nossos produtos, mas principalmente em nosso trabalho, pois só assim conseguimos estreitar nossos vínculos. Este agradecimento é a nossa forma de parabenizar à todos os Es dentistas, que permitem que as pessoas demonstrem a felicidade, em suas parcerias e amizades, com apenas um gesto: o sorriso.

25 de Outubro | Dia do Dentista

Uma homenagem Equipe OdontoAtual

(44) 3026-3580

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Ortopedia e Ortodontia para a dentição decídua Os tratamentos dentários devem ser realizados desde a primeira dentição. A Revista Odonto Magazine procurou a Dra. Silvia José Chedid*, mestre e doutora em Odontopediatria pela Universidade de São Paulo – USP, para falar sobre os principais temas relacionados a esse período. Por: Célia Gennari

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m qualquer momento da vida, os pais devem ser coparticipes e corresponsáveis pelos tratamentos dentários de seus filhos. E nessa relação pais - filhos - dentistas, o dentista tem a obrigação de discutir o diagnóstico e o seu plano de tratamento com seu cliente, e quando tiver idade para isso, com seu paciente, para que ele possa entender e participar das decisões, bem como da evolução no atendimento. O fato é que a estética facial é importante na sociabilização infantil e do indivíduo e a estética geral impacta na qualidade de vida. Alterações faciais decorrentes da síndrome do respirador bucal podem afetar a saúde geral, o desenvolvimento da criança e sua vida adulta. Portanto, cuidar do desenvolvimento harmônico e simétrico da face, da oclusão e do sorriso configura-se em cuidados básicos para o bem-estar. Dra. Silvia José Chedid, autora do livro “Ortopedia e Ortodontia para a Dentição Decídua – Atendimento Integral ao Desenvolvimento da Oclusão Infantil” lembrou que vários fatores influenciam o desenvolvimento da face [arquitetura facial]: genéticos, correta aquisição das funções de sucção, respiração, deglutição, fala, posição da língua, mastigação bilateral e vigorosa, dentre outros. Para ela, o acompanhamento profissional dos devidos processos de aquisição das citadas funções e correto posicionamento de língua, podem minimizar, ainda na primeira infância, muitas alterações nos estágios de desenvolvimento das dentições, que são: decíduo, misto e permanente. Cada estágio apresenta suas próprias características. No caso da dentição decídua, por exemplo, seu acompanhamento pode ajudar na prevenção da instalação de problemas das arcadas e da mordida, que poderão impactar significativamente na adolescência e na vida adulta do paciente. Os dentes decíduos são fundamentais para o desenvolvimento ósseo das arcadas e estabelecimento da oclusão. O acompanhamento da sequência de erupção dos dentes decíduos até a sua completa dentadura pode contribuir muito para o desenvolvimento harmônico e simétrico da face, das arcadas ósseas, estabelecendo uma implantação adequada dos dentes em suas bases ósseas, o que definirá uma oclusão saudável. “Quando qualquer alteração deste equilíbrio ocorre, em um acompanhamento criterioso é possível redirecionar o crescimento com pequenas intervenções, evitando que desvios do crescimento se estabeleçam em problemas esqueléticos mais difíceis ou complexos de serem tratados”, alertou Dra. Silvia José Chedid. Desde a amamentação até a completa definição da dentadura decídua, os dentes apresentam uma grande importância para o desenvolvimento da face e das arcadas. Dra. Silvia explicou que, na amamentação a criança deve realizar o vedamento labial, que proporciona o vácuo necessário para a sucção do leite. O esforço da sucção estimula o desenvolvimento de todo o siste-

ma estomatognático. O movimento de ordenha do leite materno propicia estímulo motor muscular deste sistema complexo que envolve a sucção, respiração, deglutição e desenvolvimento ósseo craniofacial. Na erupção dos primeiros dentes anteriores inicia-se o estabelecimento da guia incisal, que deve ser acompanhado pelo profissional para o adequado estabelecimento da guia e do trespasse anterior. Na erupção de molares e caninos é importante que haja uma evolução adequada da textura dos alimentos para o estabelecimento da mastigação mais vigorosa e bilateral. Quando tudo isto ocorre naturalmente, o sistema estomatognático está em plena função. Com o processo gradual de introdução das diferentes texturas dos alimentos, inicia-se o estímulo mastigatório e bilateral dos músculos da mastigação e da face. Todo este sistema, em pleno funcionamento, estimula o crescimento e o desenvolvimento esquelético facial e das arcadas de forma simétrica. A amamentação é fundamental para a aquisição da maioria das funções descritas acima pela Dra. Silvia José Chedid. Quando a criança realiza a pega correta do mamilo, consegue o devido vedamento labial. Este vedamento proporciona a possibilidade de ao realizar a sucção promover o vácuo suficiente para a ordenha do leite. Neste complexo movimento, a língua é posicionada de forma a comprimir o mamilo contra o palato e realizar a ordenha. A conformação das arcadas começa a se definir e todo este estímulo nesta fase ajuda no desenvolvimento ósseo maxilar e mandibular, alargando-o. Para realizar todo este movimento para se alimentar, a criança deve, obrigatoriamente, respirar pelo nariz. Assim, o “exercício” de se alimentar no peito materno proporciona um estímulo motor adequado para incentivar a respiração pelas vias aéreas e o crescimento ósseo das arcadas (preparando o arcabouço ósseo dos rodetes gengivais para a chegada dos dentes). Quando o ar passa corretamente pelas vias aéreas, chega ao pulmão aquecido (devido ao trajeto mais longo) e mais limpo (microfilos destas vias vão filtrando o ar das impurezas). Assim, o ar aquecido e mais limpo previne problemas pulmonares tão comuns em crianças que respiram pela boca. Além disso, a respiração nasal e sucção de ordenha do leite estimulam e exercitam ao correto posicionamento lingual, aquisição das funções de sucção e deglutição. Portanto, vale lembrar que, a respiração nasal interfere na postura cervical e a respiração bucal altera toda a conformação da arcada maxilar, de equilíbrio postural de posicionamento e tônus labial e lingual, influenciando negativamente no desenvolvimento da oclusão infantil.

Oclusopatias na primeira infância Por diversos motivos, muitas mães não amamentam com a mes-

* Dra. Silvia José Chedid é mestre e doutora em Odontopediatria pela Universidade de São Paulo – USP, especialista em Ortopedia Funcional dos Maxilares pelo Conselho Federal e Conselho Regional de São Paulo – CFO/CROSP, especialista em Ortodontia pelo Centro de Estudos, Treinamento e Aperfeiçoamento em Odontologia – CETAO, especialista em Ortodontia pela Roth Williams Center – USA/CHILE, membro da Roth Williams Center Brasil, membro da diretoria da Associação Paulista de Odontopediatria – APO, membro do grupo de estudos da Sociedade de Pediatria de São Paulo – SPSP, coordenadora do Centro Internacional de Ensino e Pesquisas Avançadas em Saúde – CIEPAS. Autora do livro “Ortopedia e Ortodontia para a Dentição Decídua – Atendimento Integral ao Desenvolvimento da Oclusão Infantil”, da Editora Santos, integrante do Grupo GEN.

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Ortodontia funcional x ortopedia funcional Diferentes técnicas e filosofias de trabalho estão sendo desenvolvidas e podem ser eficazes. “Não é possível para um profissional que se especialize em oclusopatias conhecer somente uma ou outra técnica ou filosofia de trabalho”, orientou a Dra. Silvia José Chedid, também coordenadora do Centro Internacional de Ensino e Pesquisas Avançadas em Saúde – CIEPAS. “Todas as técnicas embasadas cientificamente podem ser úteis ou funcionais, dependendo do caso em que se aplica”. O diagnóstico é soberano e único. A forma de tratar vai depender de cada profissional, de sua habilidade técnica, da cultura familiar e da característica de cada paciente infantil. No entanto, é fundamental que o diagnóstico seja realizado de forma a efetivamente definir o problema do paciente: se esquelético ou dentário. Segundo a doutora, não é possível tratar oclusopatias na dentadura decídua observando somente dentes ou seu apinhamento. É muito importante que o profissional esteja apto a avaliar todo o complexo processo de crescimento e desenvolvimento em que a criança se encontra. A ortopedia funcional se aplica de acordo com o diagnóstico do caso. No entanto, Dra. Silvia entende que, durante o estabelecimento da oclusão infantil e o desenvolvimento da dentição decídua (fase de erupção dos dentes decíduos), ela se aplica com mais recursos para o redirecionamento do crescimento. No estabelecimento da dentadura decídua, a ortopedia funcional ou a mecânica são eficazes. Tanto a ortodontia quanto a ortopedia são fundamentais como meios auxiliares no restabelecimento e redirecionamento do crescimento quando este, por alguma razão, está em disfunção. “Hoje falamos em trabalho transdisciplinar, onde todas estas especialidades incluindo o otorrinolaringologista e o fonoaudiólogo, trabalham integradamente com o pediatra, ortodontista e odontopediatra para o correto diagnóstico”, afirmou. Para ela, este trabalho integrado ajuda muito na definição da hierarquia de atuação, definindo qual profissional atua primeiro e quando.

ma facilidade e frequência nos dias atuais. Muitos dos alimentos ingeridos pelas crianças apresentam consistência mole. Cidades como São Paulo, muito poluídas, desencadeiam problemas respiratórios infantis com frequência. Assim, dentre outras razões, as oclusopatias infantis vêm aumentando significativamente. Segundo a Dra. Silvia José Chedid, dados atuais demonstram que cerca de 67% de crianças até cinco anos de idade apresentam oclusopatias, chegando este número em algumas regiões do Brasil (região sul) a quase 72%. “Estes números são alarmantes e demandam ações privadas e públicas”, alertou. Há muita variabilidade na idade cronológica de erupção do primeiro dente decíduo. Em média, isto ocorre aos seis meses de idade. “Mas se ocorrer mais tarde ou mais cedo e a sequência de erupção for correta, não há nenhuma necessidade de preocupação por parte dos pais ou profissional”, explicou. Nas oclusopatias é preciso analisar a sequência de erupção, a oclusão e guias canina e incisiva; os movimentos de lateralidade e trabalho para observar se há equilíbrio na mastigação e bilateralidade; observar se a arcada é atrésica e se há espaços entre os dentes decíduos para a futura erupção dos dentes permanentes; radiografias

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Pesquisas e especializações Estão sendo realizadas pesquisas sobre a disfunção temporomandibular e dor orofacial em crianças. Devido as mudanças de comportamento da atualidade, muitas crianças passaram a apresentar dor de cabeça, problemas temporomandibulares e dor orofacial. Ainda assim, estes não se configuram problemas frequentes. É importante que o profissional esteja atento aos fatores de risco, como hipermobilidade e oriente quanto a condutas preventivas. Quando há um problema de degeneração articular e DTM/DOF instaladas, este paciente deve ser encaminhado aos especialistas da área. Há vários cursos de especialização nas diferentes técnicas ortopédicas e ortodônticas. Para esta faixa etária, no entanto, ainda há muita carência de estudos e pesquisas e informação. Segundo a Dra. Silvia José Chedid, a maioria dos recursos diagnósticos disponíveis para a dentição e dentadura decídua é adaptada da dentição mista e da dentadura permanente. O dentista que tratar oclusopatias deve ser apto ao manejo infantil. Como o tratamento ortodôntico não se configura em uma urgência odontológica, a adequação e condicionamento do paciente devem ser realizados, bem como o estabelecimento do vínculo entre o profissional e a criança. “Em geral, esta faixa etária é muito receptiva ao tratamento, o que facilita sua aceitação”. “Enfim, os índices de oclusopatias estão altos e crescendo. As alterações dos hábitos relativos a vida moderna e alterações no equilíbrio natural do desenvolvimento da oclusão infantil são importantes causas destas alterações. A prevenção é o melhor tratamento. Ao procurar ‘iluminar’ as outras especialidades para o olhar atento ao desenvolvimento da oclusão, potencializa as possibilidades de encaminhamento primário e redirecionamento de crescimento dentro da função natural”, concluiu.

panorâmicas e tele radiografias lateral e frontal. “Apesar de não haver exames radiográficos e de imagens específicos para esta faixa etária, observar radiografias, modelos, fotos e o exame clínico como recursos auxiliares para um bom diagnóstico da oclusopatia”, disse. “Tratando primariamente uma oclusopatia nos primórdios de sua instalação, podemos, com pequenos e simples procedimentos, evitar que esta se estabeleça em nível de alterações esqueléticas mais difíceis de serem tratadas no futuro”, comentou. No entanto, é muito importante que se realize o diagnóstico correto do problema. A avaliação das arcadas óssea e facial é fundamental para a definição de um problema esquelético ou dentário. Dessa forma será possível optar pelos diferentes tipos de tratamento. “Muitas vezes problemas dentários não tratados podem se estabelecer em problemas esqueléticos futuros, no entanto, problemas esqueléticos (genéticos ou não) requerem cuidados específicos e terapêuticas de longo prazo”.

“Muito se especula com relação à postura cervical e vertebral e sua influência no desenvolvimento da oclusão. Sem dúvida, saúde geral é muito importante para todo o organismo. No entanto, esta relação ainda carece de mais embasamentos científicos”.

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“Um dia sem sorrir é um dia desperdiçado” Charles Chaplin

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Entrevista

Informação e atualização técnico-científica O Centro de Convenções da Bahia, localizado na capital do Estado, recebe o Congresso Internacional de Odontologia da Bahia - CIOBA. A décima sexta edição do evento acontece entre os dias 27 e 30 deste mês. Por: Vanessa Navarro

Antístenes Albernaz Alves Neto Cirurgião-Dentista. 18º Presidente da ABO-BA. Presidente do CIOBA 2012. Professor das disciplinas de Odontopediatria e Ortodontia Preventiva e Interceptiva na UfBA - Universidade Federal da Bahia. Professor da Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública, disciplinas de Odontopediatria e Clínica da Criança II. Professor de Odontopediatria na UniABO.

Odonto Magazine - O Congresso Internacional de Odontologia da Bahia – CIOBA está na 16ª edição. Como pode ser definida a trajetória de sucesso do evento? Antístenes Albernaz Alves Neto - O CIOBA, segundo maior congresso do calendário oficial de eventos da ABO Nacional, cumpre um importante papel na educação continuada desenvolvida pela Rede ABO em todo Brasil, proporcionando para os participantes a oportunidade de conhecer o que há de mais atual no campo técnico-científico que o setor odontológico oferece, fruto de pesquisa de desenvolvimento de produtos e serviços que visam facilitar a vida dos profissionais da  Odontologia. O I Congresso de Odontologia da Bahia foi realizado na Biblioteca  Pública  localizada nos Barris,  patrocinado pela Federação Nacional dos Odontologistas  sob a presidência do Dr. Domingos Sestelo. O referido evento foi feito com muito amor, luta e trabalho de todos os participantes, uma vez que não tínhamos nenhuma empresa que nos orientasse nesse sentido.    Ao seu término foram lançados os Congressos Baianos com a indicação do Prof. Germano Tabacof para presidir o primeiro deles que aconteceu no Instituto Social da Bahia, em Ondina. Salvador ainda não possuía Centro de Convenções, motivo pelo qual o segundo foi realizado nas dependências do Colégio Antonio Vieira, no bairro do Garcia, presidido pelo cirurgião-dentista Lauro Araripe Pereira Filho. Ambos feitos com raça, dedicação plena, sacrifício e improviso de uma pleiada de abnegados da Odontologia Baiana. Vale salientar que, em todos esses eventos, os coordenadores e equipe passavam meses envolvidos neste trabalho, de tal maneira que muitas vezes fechavam temporariamente seus consultórios. Com o surgimento do Centro de Convenções, deu-se a expansão dos congressos, aumentando a participação

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de acadêmicos, profissionais e técnicos. A ABO  Bahia sempre cumpriu o seu papel como entidade de classe, contribuindo para o crescimento da profissão, elevando o conceito da Odontologia nacional e internacionalmente, aumentando o prestígio da Rede ABO, que já conta com cerca de 27 Secionais, 290 Regionais, 1328 consultórios, 78 Escolas de Aperfeiçoamento, onde se faz Assistência Social inteiramente gratuita e onde são ministrados mais de 1.000 cursos de Pós-Graduação por ano, com mais de 3.000 professores, doutores, livres docentes, mestres especialistas. São cerca de 90.000 associados em todo o Brasil.   Odonto Magazine - O evento espera receber mais de 10.000 participantes. Como foi elaborada a programação para atender as necessidades de todos os congressistas? Antístenes Albernaz Alves Neto - Uma vasta programação foi elaborada por várias equipes, buscando proporcionar momentos agradáveis de trabalho e lazer; um programa científico do mais alto nível nas diversas especialidades está sendo cuidadosamente preparado para atender aos colegas que prestigiam o nosso CIOBA.  Odonto Magazine - A 16ª edição traz como tema central “Responsabilidade Social: evoluções, desafios e escolhas”. Como o senhor avalia a importância deste assunto para o cirurgião-dentista? Antístenes Albernaz Alves Neto - A nossa ABO-BA tem uma responsabilidade muito grande com as pessoas que buscam a nossa entidade carentes de atendimento odontológico gratuito em todas as especialidades. Haja vista que damos assistência a 22 instituições de caridade com todo tipo de atendimento que os pacientes precisam. É uma entidade sem fins lucrativos,

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educacional e assistencial e considerada de utilidade pública pelo Governo Estadual e pela Prefeitura Municipal. São 21 cursos ministrados por ela entre atualização, aperfeiçoamento e especialização, que propiciam ao dentista obter seu desenvolvimento científico sem precisar se deslocar para outro estado em busca de novos conhecimentos. As sobras pecuniárias que estes cursos nos proporcionam revestem-se na aquisição de materiais e na manutenção dos nossos ambulatórios. Vale salientar que, recebemos estagiários da UFBA, EBMSP e FTC, que cumprem seus créditos acadêmicos com atendimentos orientados por preceptores do Governo do Estado e da Prefeitura Municipal de Salvador.   Odonto Magazine - Renomados profissionais de saúde bucal ministrarão palestras durante o 16º CIOBA. O que essa edição traz de diferente das edições anteriores em relação ao conteúdo científico? Antístenes Albernaz Alves Neto - Nossa entidade está sempre procurando evoluir com o crescimento da ciência, buscando o resultado de novas pesquisas científicas e trazendo profissionais nacionais e estrangeiros que fazem parte da elite odontológica mundial.   Odonto Magazine -  A Odontologia Hospitalar será um dos temas abordados durante o evento. Como o senhor avalia a qualificação dos CDs brasileiros nesta área da Odontologia? Antístenes Albernaz Alves Neto - Partindo do princípio que o ser humano é constituído não de um órgão, mas de um conjunto  e que havendo alteração sobre determinado órgão certamente repercutirá no todo. Assim, é condição indispensável

que o cirurgião-dentista participe ativamente da Odontologia Hospitalar, exercendo suas funções inclusive nas UTIs. Odonto Magazine - Aproximadamente 70 empresas estarão distribuídas nos em quase  2.000 m² de área de exposição comercial do evento. O que os expositores e os congressistas podem esperar em relação aos negócios entre os dias 27 e 30 de outubro de 2012? Antístenes Albernaz Alves Neto - Os congressos da Bahia sempre primaram pelo tratamento diferenciado aos expositores;  assim tivemos oportunidades de conversar com vários deles e ouvir que os negócios realizados em nossos eventos se enquadram como um dos melhores do Brasil. Tanto que temos o cuidado de realizar em nosso congresso o chamado “Coquetel dos Expositores”, ocasião em que nos confraternizamos sobre o sucesso das vendas realizadas e a satisfação geral de nossa classe. Odonto Magazine - O evento recebe profissionais de Odontologia de todas as partes do mundo. O senhor acredita que a Odontologia Brasileira é um exemplo para os dentistas que atuam em outros países do globo? Antístenes Albernaz Alves Neto - O Brasil é um país onde se pratica, talvez, uma das melhores Odontologias do mundo, pela habilidade manual, criatividade, ciência e busca para oferecer    uma melhor qualidade de vida ao nosso paciente. Evidente que temos de reconhecer, muitas vezes, as nossas limitações em termos de pesquisas, entretanto, buscamos nos aprimorar nos países de primeiro mundo, a fim de levar aos nossos pacientes o melhor da Odontologia global.

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Saúde bucal e saúde mental: aproximação e identificação Danielle Palacio Cirurgiã-Dentista. Interlocutora de Saúde Bucal do Instituto Israelita de Responsabilidade Social da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. Especialista em Saúde Coletiva. Mestranda em Saúde Coletiva. Coordenadora do módulo de Saúde Bucal da Especialização em Saúde da Família e Comunidade do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein. Docente da Equipe Biológica.

Ligia Maria Vieira Terapeuta Ocupacional formada pela PUC-Campinas. Especialista emTerapia Ocupacional em Psiquiatria pelo Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo. Atualmente atua como Especialista em Saúde Mental nos Programas Governamentais do Instituto Israelita de Responsabilidade Social da Sociedade Israelita Brasileira Albert Einstein.

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um grande desafio ser interessante e trazer algo de qualidade para dividir com tantos colegas constantemente. Sendo assim, este mês convidei uma profissional, que muito tem a agregar a nossa prática e dia a dia, para nos contar um pouco de suas experiências. O foco na integralidade e a certeza de que trabalhando juntos e com um amplo olhar foi decisivo na hora de selecionar quem teria algo de especial para dividir conosco. “Ao aceitar o convite da Danielle para escrever este artigo, não tinha ideia do desafio que seria. O pedido foi que eu falasse sobre saúde bucal do meu ponto de vista, a partir de minha experiência profissional. Questionei-me, então, sobre o que eu teria em comum com esta área. O primeiro ponto em comum: também sou uma profissional da área da saúde. Sou terapeuta ocupacional e atualmente atuo como interlocutora entre as Unidades Básicas de Saúde (UBS) com os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que são serviços de saúde especializados no cuidado em saúde mental, compõe a rede substitutiva ao hospital psiquiátrico. Ou seja, sou uma facilitadora e matriciadora no cuidado da saúde mental na atenção básica. A Atenção básica (AB) é o primeiro contato na rede assistencial, ou seja, tornou-se a porta de entrada, não só no que se refere aos problemas de saúde, mas também dos problemas sociais e questões de vulnerabilidade. Assim, tem-se caminhado para a constru-

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ção de um modelo que ofereça respostas sociais aos problemas e necessidades de saúde. Desafios, limites e inúmeras possibilidades de atuação estão presentes no cotidiano destes profissionais que atuam na AB, independente da categoria profissional. Isso tem exigido dos profissionais o olhar cada vez mais ampliado e integral. A ação conjunta entre diferentes disciplinas tornase imprescindível. Neste processo de integração dos saberes é importante a figura do interlocutor que, em síntese, tem o trabalho de estimular a clínica ampliada e o olhar integral no cuidado diário das famílias atendidas pela Estratégia Saúde da Família (ESF), facilitando a comunicação e a corresponsabilização entre os diferentes profissionais e serviços. Foi a partir da reflexão sobre meu trabalho que me deparei com o ponto de encontro com a Saúde Bucal. As equipes de Saúde Bucal que compõem a ESF também trabalham tentando aproximar a especificidade do conhecimento do

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cirurgião-dentista e seus técnicos e auxiliares no cuidado integral oferecido pelas equipes da ESF. A equipe de Saúde Bucal precisa encontrar um meio de compor, de se integrar à equipe da ESF, ou seja, precisa fazer uma interface multiprofissional, trazendo seu conhecimento específico para compartilha-lo com profissionais de diversas áreas. Foi neste momento, diante desta reflexão, que me senti próxima de vocês. Apesar de existir uma disponibilidade, tanto da população quanto dos profissionais da ESF para a saúde bucal, existe também um distanciamento. Poucos se interessam por compartilhar o cuidado. A população atendida delega o cuidado exclusivamente ao profissional que vai atendê-lo, não se corresponsabilizando por isso não, entendem os fluxos estabelecidos, não trabalham conosco para a prevenção, entendem o cuidado baseado na queixa conduta. Não precisamos divagar muito para visualizar este cuidado compartilhado. Por exemplo, o que você faria se uma mãe durante seu atendimento começasse a chorar, queixando-

-se que seu filho está com depressão, trancado dentro de casa há mais de seis meses, rejeitando a aproximação de todos, e, além disso, agressivo por tanta dor de dente? Este exemplo nos mostra como é possível e necessária esta aproximação das diversas áreas e do trabalho intersetorial. Quando isso acontece, o trabalho fica mais leve, pois dividimos as responsabilidades. Fica gratificante e o resultado é uma equipe mais integrada em um cuidado ampliado. Outro exemplo disso são os diversos casos de saúde mental que vêm sendo compartilhados pelas equipes da ESF com CAPS. Bem como os casos compartilhados entre as equipes de Saúde Bucal com as equipes da ESF. O projeto terapêutico para o cuidado destas famílias está sendo construído, cada vez mais, através de discussões entre os diferentes profissionais, ampliando o olhar e a atenção ofertada para este cuidado. Fiquei surpresa ao perceber que eu tinha muito mais em comum com a Saúde Bucal do que compartilhar o campo de atuação. Obrigada por esta oportunidade!”

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Sorrisos para a vida Criado em julho de 2007, o Instituto Sorrir para Vida proporciona cuidados odontológicos completos aos pacientes de baixa renda que recebem tratamento quimioterápico e/ou radioterápico, por consequência de algum tipo de câncer. Por: Vanessa Navarro

Marisa Helena de Carvalho Cirurgiã-Dentista. Atendimento Clínico-Ambulatorial  em Clínica Geral - caráter privado, Ortodontia, Odontopediatria (OSEC). Fundadora e Presidente do Instituto Sorrir para Vida.

Odonto Magazine - Quando e com qual finalidade foi criado o Instituto Sorrir para a Vida? Marisa Helena de Carvalho - Sou dentista e sempre atuei basicamente em meu consultório particular. Fiz parte da diretoria de associações – APCD e CRON-OM, da equipe de aperfeiçoamento e especialização do Sindicato dos Odontologistas de SP e da cadeira de histologia da UNISA. Sempre fui preocupada com a carência da saúde bucal da população menos favorecida, por isso, dedico parte do meu tempo para atendimento de pacientes carentes em meu consultório. Em Julho de 2007, após o término do tratamento de um segundo câncer de mama, atendendo a um pedido da minha sobrinha, Drª Vanessa de Carvalho Fabricio, atendi, em meu consultório, o primeiro paciente oncológico, um menino de 16 anos com osteosarcoma e mucosite com grau III. Vanessa havia terminado sua especialização em Oncologia no MD Anderson, em Houston, e chegara ao Brasil muito preocupada com a saúde bucal e com o aparecimento da mucosite nos pacientes oncológicos. Vanessa faz parte da equipe de oncologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, onde atende pacientes de baixa renda com saúde bucal muito precária e sem acesso aos tratamentos odontológicos de qualidade. Começamos, eu e uma equipe de cirurgiões-dentistas da minha clínica, a atender gratuitamente alguns pacientes encaminhados por ela. Com a motivação dos profissionais envolvidos e doações financeiras de alguns pacientes particulares, resolvemos então, regulamentar o trabalho e criamos o Instituto Sorrir para Vida. Hoje, o ISPV é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Publico), com registro no CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) e Centro de Vo-

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luntariado de São Paulo com consultório próprio, três funcionários, seis dentistas voluntários, realizando uma média de 10 atendimentos diários. A instituição é mantida por doações de pessoas físicas e jurídicas, realização de eventos beneficentes, tais como bazares, jantares, almoços e eventos esportivos. Recebemos também recursos do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente) através da elaboração e execução de projetos. Odonto Magazine -  Qual é a missão principal do Instituto? Marisa Helena de Carvalho – O Instituto Sorrir para a vida tem como missões: » Proporcionar atendimento integral aos pacientes oncológicos, melhorando sua condição de saúde bucal. » Reduzir o número de óbitos por septicemia secundária à mucosite e outros problemas bucais. » Auxiliar familiares e pacientes em todos os aspectos que se fizerem necessários para a manutenção e melhoria de sua qualidade de vida. Odonto Magazine - Quais são os tratamentos realizados pelo Sorrir para a Vida? Marisa Helena de Carvalho – Somos uma equipe composta por médicos e dentistas. Realizamos todo tipo de tratamento odontológico para proporcionar uma boa saúde bucal aos pacientes. Temos, em nossa equipe, profissionais habilitados para todas as especialidades: Dentística, Endodontia, Periodontia, Reabilitação Oral e Cirurgias. Nos pacientes já em quimioterapia e/ ou radioterapia, realizamos irradiações laser para prevenção e tratamento da mucosite e xerostomia. Tudo isso com o suporte do médico oncologista.

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Odonto Magazine -  Quem são os pacientes atendidos? Como são definidas as prioridades de atendimento? Marisa Helena de Carvalho – Realizamos tratamento bucal em pacientes de baixa renda que estejam em tratamento de quimioterapia e/ou radioterapia, sendo eles, crianças, adolescentes, adultos e idosos. Os pacientes são priorizados de acordo com o grau da mucosite oral e demais problemas bucais. Odonto Magazine - Quais são as principais lesões bucais manifestadas devido à presença do câncer? Marisa Helena de Carvalho – A imunodepressão advinda do uso de drogas quimioterápicas facilita o aparecimento de infecções na cavidade oral, além de predispor à exacerbação de quadros infecciosos crônicos dentais e bucais, que podem complicar a evolução do caso no tratamento oncológico. A principal delas é a mucosite oral. A mucosite oral é uma severa inflamação que ocorre na mucosa oral, provocando dor intensa, febre e possibilitando o aparecimento de infecções secundárias, sendo que, algumas vezes, vem a interromper temporariamente o tratamento. É clinicamente representada por uma variedade de alterações na mucosa, que incluem desde eritema até lesões ulceradas em diferentes locais da boca, podendo restringir a alimentação e a fala e, muito frequentemente, servirem de sítio para sangramento, infecções e porta de entrada sistêmica para bactérias da boca. Dependendo da gravidade, pode ser necessária a utilização de alimentação enteral e analgesia, podendo o paciente precisar de intubação orotraqueal, em decorrência do sangramento e do edema da orofaringe, que levam à insuficiência respiratória. Má nutrição, higiene oral inadequada, dentes em mau estado, infecções crônicas e gengivite potencializam o risco de mucosi-

te, além de possibilitarem o aparecimento de infecções dentais agudas, que podem levar a uma septicemia nesta fase, devido à queda de resistência. Ocorre nos tratamentos oncológicos em geral, com maior incidência nos casos de quimioterapia em altas doses e tratamento combinado de quimioterapia e radioterapia. Sua incidência varia de 70 a 100% nos casos de tratamento de quimioterapia e 100% nos casos onde envolve radioterapia de cabeça e pescoço, sejam os pacientes crianças ou adultos, com gravidade variável, a depender das drogas e doses utilizadas. Odonto Magazine - Quem são os profissionais de saúde envolvidos nos tratamentos? Marisa Helena de Carvalho – Necessitamos de uma equipe multidisciplinar. Hoje contamos com os seguintes profissionais: » Médicos Oncologistas: Esses profissionais acompanham os pacientes e dão suporte aos dentistas para a realização dos procedimentos necessários. Embora o dentista tenha um conhecimento abrangente, necessitamos de um suporte clínico de um médico oncologista. » Cirurgiões- Dentistas: Temos em nossa equipe dentistas das diversas especialidades odontológicas que realizam todos os procedimentos necessários para a manutenção da saúde bucal nos pacientes do Instituto. » Enfermeira: Contamos com uma enfermeira habilitada com cursos e práticas em laserterapia que auxilia aos cirurgiõesdentistas nos atendimentos. Gostaríamos de contar, além do grupo acima citado, com profissionais Nutricionistas, Fisioterapeutas e Psicólogos para um suporte mais global ao paciente. Para isso, estamos sempre à procura de novos profissionais voluntários para compor nossa equipe.

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Relacionamento Odonto Magazine - O Instituto Sorrir para a Vida conta com “O Bem na Boca”, que atende crianças e adolescentes que estão em tratamento de quimioterapia e radioterapia. Quais são os objetivos deste projeto social? Marisa Helena de Carvalho – O objetivo principal do projeto é garantir o acesso de crianças e adolescentes com câncer, ao tratamento odontológico de qualidade, aumentando as chances de recuperação e cura da doença. Através do projeto “O Bem da Boca”, queremos oferecer orientação de higienização bucal, reduzir os focos infecciosos, como gengivite e cárie antes do inicio da terapêutica, diminuindo assim, a incidência da mucosite oral. Odonto Magazine - Como a questão da saúde bucal aliada à qualidade de vida é abordada pelos profissionais que atuam no projeto? Marisa Helena de Carvalho – Os profissionais do ISPV visam conseguir uma saúde bucal o mais próximo do ideal possível, melhorando a qualidade de vida dos pacientes oncológicos e, consequentemente, aumentando o percentual de cura. Em crianças e adolescentes, os efeitos colaterais são mais severos do que em adultos e idosos. A presença da mucosite oral acarreta grande número de complicações, como: desidratação, desnutrição, infecção, que exigem um uso maior de antibióticos, aumentando o número e tempo de internações e óbitos. Segundo o INCA, estima-se que a incidência dos tumores pediátricos no mundo varie de 1% a 3% do total de casos de câncer. O percentual mediano dos tumores pediátricos observados nos RCBP (registros de câncer de base populacional), brasileiros encontra-se próximo de 3%. Como, para o Brasil, em 2012, à exceção dos tumores da pele não melanoma, estimam-se 384.340 casos novos de câncer, depreende-se, portanto, que ocorrerão cerca de 11.530 casos novos de câncer em crianças e adolescentes até os 19 anos. Por isso, salientamos a importância do aperfeiçoamento do dentista para o tratamento destes pacientes. Odonto Magazine - Qual é a importância do bom relacionamento entre o profissional de saúde bucal e o oncologista do paciente assistido? Marisa Helena de Carvalho – O cirurgião-dentista necessita de segurança para atender os pacientes oncológicos. Precisamos de informações sobre o estágio da doença e do tratamento, saber o que podemos fazer e até quando podemos atuar. Eu, particularmente, acredito na atuação multidisciplinar, que se atuarmos em conjunto vamos conseguir um tratamento ideal. Muitas vezes presenciamos uma distância muito grande entre os profissionais, e quem sai prejudicado é o paciente. Tenho por convicção, que não só na oncologia, mas em todas as áreas, devemos ter um bom relacionamento entre os profissionais envolvidos. Não podemos achar que somos “deuses” e vamos resolver tudo sozinhos, devemos lembrar que a união faz a força. Uma troca de conhecimento gera um melhor tratamento para os pacientes, além de contribuir para um crescimento científico de todos. Odonto Magazine - Quais são as expectativas do “O Bem de Boca” em relação aos atendimentos para os próximos anos? Marisa Helena de Carvalho – O projeto “O Bem da Boca” realizou 858 atendimentos de maio de 2011 a abril de 2012. Continuamos nossa luta na captação de recursos para darmos continuidade a este projeto que tem beneficiado tantas crianças e adolescentes de baixa renda. Dependemos da colaboração de pessoas físicas

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e jurídicas para a manutenção do consultório de um modo geral. Em 2011, recebemos do FUMCAD (Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) o valor de R$ 165.000,00, proveniente da destinação do imposto de renda de uma empresa privada. Em 2012, o projeto não captou este recurso, por isso, hoje, ele é mantido com os recursos próprios. Temos uma estrutura bem organizada de voluntários dentistas, porém, temos capacidade de aumentarmos o atendimento se conseguirmos mais profissionais para abraçar esta causa. Nossa meta é de 15 a 20 atendimentos diários. Com esse número conseguimos impactar, de maneira efetiva, muitos pacientes que sofrem com os efeitos colaterais do tratamento oncológico. Odonto Magazine - O projeto conta com auxílios financeiros de organizações privadas ou governamentais? Marisa Helena de Carvalho – Sim. A instituição depende das doações feitas por pessoas físicas e jurídicas. Estas doações são mensais e algumas pontuais. Também temos três projetos em fase de captação no FUMCAD, desta maneira, as empresas e pessoas físicas também podem colaborar destinando de 1% a 6% do imposto de renda devido. Além das doações, são realizados inúmeros eventos beneficentes (jantares, almoços, bazares, pedaladas) que ajudam na divulgação e também na arrecadação de fundos. A instituição busca, frequentemente, novas ferramentas de captação de recurso, pois, no Brasil, ainda existem muitas dificuldades em fazer captação para o terceiro setor. Temos o cuidado de mostrar claramente o trabalho desenvolvido e a maneira com que o recurso é administrado. Contamos com a ajuda de 50 colaboradores, entre pessoas jurídicas e físicas. Nossa meta até o final de 2012 é chegar aos 100 colaboradores. Os valores de doações não são pré-estabelecidos, é o colaborador que decide o quanto vai investir neste projeto. Odonto Magazine – Os voluntários contam com programas de capacitação e/ou treinamento? Existe algum apoio de desenvolvimento científico? Marisa Helena de Carvalho – Instruímos todos os voluntários que ingressam na instituição a participarem de um curso de capacitação de voluntários, que acontece no Centro de Voluntariado de São Paulo. Este curso fala da importância do trabalho voluntário e como ele deve ser encarado com seriedade e comprometimento. Oferecemos um curso de capacitação em laserterapia, onde o CD irá aprender a lidar com pacientes oncológicos, pois a grande maioria dos profissionais não tem esta experiência. Paralelo a isso, existem os encontros mensais de discussão de casos clínicos, que proporcionam uma integração da médica oncologista que atua no instituto com os dentistas envolvidos no projeto. Odonto Magazine - Como deve agir o profissional de saúde bucal interessado em fazer parte do quadro de voluntários do “O Bem na Boca”? Marisa Helena de Carvalho – O profissional interessado deverá entrar em contato por meio do telefone (11) 3085-1255 ou pelo e-mail contato@sorrirparavida.org.br. Para obter mais informações sobre a instituição e os projetos em execução, os interessados podem acessar o nosso site www.sorrirparavida.org.br ou www.facebook.com.br/institutosorrirparavida. Venha fazer parte desta equipe e Sorrir para Vida!

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REALIZAÇAO

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Ponto de Vista

A saúde bucal dos brasileiros José Eduardo P. Pelino Mestre e Doutor em Dentística Restauradora pela UNESP – São José dos Campos. Doutor em Dentística Restauradora pela USP – São Paulo e UCSF (University of California, San Francisco). Pósdoutorado em Odontologia Restauradora pela UCSF - University of California, San Francisco. Gerente regional de Assuntos Científicos e Profissionais da Johnson & Johnson.

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adequada higiene bucal é o modo mais eficaz de se prevenir a doença periodontal e cáries, que são causadas por micro-organismos específicos encontrados no biofilme, popularmente conhecido por placa dental. Assim, a desorganização e a remoção regular deste biofilme representam estratégias relevantes envolvidas na prevenção e tratamento dessas doenças1-3. Métodos mecânicos caseiros de controle de biofilme, representados principalmente por escovação e uso do fio dental, são medidas fundamentais para a prevenção e controle das doenças periodontais. Há evidência de que a escovação associada ao uso do fio dental é capaz de controlar o acúmulo de biofilme dental, desde que seja realizada de maneira adequada e em intervalos de tempo regulares4. Atualmente, as escovas com cerdas macias, flexíveis e com pontas arredondadas são as mais aceitas5, sendo a técnica modificada de Bass a mais recomendada e, consequentemente, utilizada pelos brasileiros. Escovas elétricas e manuais podem ser utilizadas, e apresentam eficiência semelhante na remoção do biofilme. Contudo, independente do tipo de escova e da técnica utilizada, observa-se como resultado somente a higiene das superfícies vestibulares, oclusais e linguais dos dentes. Entretanto, as lesões de cárie, gengivite e periodontite se iniciam ou são mais graves normalmente na região interproximal. O grande desafio, portanto, é motivar os pacientes a utilizar de forma correta e checar se essa técnica que é recomendada e explicada para os pacientes nos consultórios durante o atendimento está sendo realizada de forma correta com o objetivo de promoção da saúde bucal. Por outro lado, quando analisamos a escovação isoladamente, podemos observar que é pouco eficaz na remoção de biofilme nas áreas interproximais, fazendo necessário o uso do fio dental6. Cumpre salientar que, no geral, a população exibe baixa aderência em relação ao uso do fio dental7 por diversos motivos. Oportunamente deve-se relembrar no que concerne o controle caseiro do biofilme, o que tradicionalmente chamamos de mecânico, representa, na verdade, um protocolo mecânico-químico, uma vez que associa o uso de escova, dentifrício e fio dental.

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A remoção mecânica do biofilme é mais eficiente, se associada à utilização de dentifrícios, pois estes contêm abrasivos (fosfatos, carbonatos, sílica, alumina, etc) e componentes ativos que auxiliam na prevenção da cárie (flúor), da gengivite (triclosan) ou no tratamento da hipersensibilidade (flúor, sais de potássio e estrôncio) e pigmentação dental (peróxido de hidrogênio). Infelizmente, mesmo após a escovação dental e o uso do fio dental, cerca de 67% das superfícies intrabucais ainda não são adequadamente higienizadas, sendo um dos motivos o tempo que o brasileiro leva em média para escovar seus dentes, que é 45 segundos, onde o recomendado e ideal são dois minutos8. Uma revisão sistemática, baseada em estudos com pelo menos seis meses de duração, demonstrou que a instrução de higiene bucal associada ao controle de placa profissional tem um efeito pequeno, embora significativo, na redução da inflamação gengival em adultos com gengivite9. Apesar de evidências clínicas mostrarem que higiene bucal mecânica caseira é fundamental no controle das doenças periodontais, deve ser lembrado que um controle ideal não é conseguido pela maior parte dos indivíduos. Os motivos podem ser a falta de motivação, falta de destreza manual ou tempo insuficiente, resultando em falha no cumprimento das recomendações sobre a higiene dental10. O nível socioeconômico e o conhecimento sobre o processo de doença também influenciam o padrão e a qualidade da higiene bucal11. Como consequência, observa-se a alta prevalência de gengivite na população, tanto em países desenvolvidos12 como naqueles em desenvolvimento13. Desta forma, o uso complementar de agentes químicos tem sido estudado como um modo de superar as deficiências nos hábitos mecânicos de limpeza praticados pelos indivíduos. Além destas razões, os dentes representam apenas 25% da área bucal, e o restante não tem praticamente benefício algum com a higiene oral mecânica, ou seja, com a escovação e uso do fio dental14. Os dados do levantamento epidemiológico nacional de saúde bucal no Brasil em 200415 demonstraram a presença de algum grau de inflamação gengival em 78% e 92% dos brasileiros adul-

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Ponto de Vista supragingival plaque removal on the composition of the supraand subgingival microbiota. J Clin Periodontol. 2000;27:637-47. 4. Van der Weijden F, Slot DE. Oral hygiene in the prevention of periodontal diseases: the evidence. Periodontol 2000. 2011 Feb;55(1):104-23. 5. Wolf HF, Hassell TM. Manual de Periodontia-Fundamentos, Diagnóstico, Prevenção e Tratamento. Editora Artmed.; 2008. 6. Axelsson P, Albandar JM, Rams TE. Prevention and control of periodontal diseases in developing and industrialized nations. Periodontol 2000. 2002;29:235-46. 7. Wilson TG Jr. How patient compliance to suggested oral hygiene and maintenance affect periodontal therapy. Dent Clin North Am. 1998 Apr;42(2):389-403. 8. Collins LM, Dawes C. The surface area of the adult human mouth and thickness of the salivary film covering the teeth and oral mucosa. J Dent Res. 1987 Aug;66(8):1300-2.

tos (35-44 anos de idade) e idosos (65 a 74 anos de idade), respectivamente. Os dados desse estudo de base nacional podem ser confirmados em localidades específicas. Por exemplo, em um dos poucos estudos de base populacional com amostra representativa de uma região metropolitana do Brasil é o Estudo das Condições Periodontais de Porto Alegre16,17, sendo observado que 87% dos indivíduos relataram escovar os dentes mais de uma vez ao dia. Porém, a média geral de placa visível foi de 60% das superfícies dentais e, apenas 5% dos indivíduos apresentaram menos de 20% das superfícies dentais com placa visível. Estes dados sugerem que, apesar de muitos indivíduos reportarem alta frequência de escovação diária (mais de uma vez/dia), a higiene bucal no Brasil, em nível populacional, mostrou-se insuficiente na remoção do biofilme, considerando-se 20% das superfícies com placa visível como sendo uma situação clínica aceitável do ponto de vista de saúde periodontal. É dever e responsabilidade do cirurgião-dentista informar, orientar e monitorar sempre seus pacientes a realizar a higienização bucal de forma correta e a motivá-los para a realização dos três passos da higiene bucal: escovação, uso do fio dental e enxaguatório bucal sendo reportados pela literatura científica mundial, quando realizados de forma correta, como uma rotina adequada para alcançar resultados superiores na remoção e controle do biofilme. Dessa forma, estamos controlando e prevenindo a saúde bucal do brasileiro de forma correta e simples contribuindo para a saúde e qualidade de vida da população.

Referências 1. Loe H, Theilade E, Jensen SB. Experimental gingivitis in man. J Periodontol. 1965 36:177-87. 2. Thylstrup A, Fejeskov O. Tratado de cariologia, Rio de Janeiro: Editora Cultura Médica Ltda.; 1988. 3. Ximénez-Fyvie LA, Haffajee AD, Som S, Thompson M, Torresyap G, Socransky SS. The effect of repeated professional

9. Van der Weijden GA, Hioe KP. A systematic review of the effectiveness of self-performed mechanical plaque removal in adults with gingivitis using a manual toothbrush. J Clin Periodontol 2005: 6: 214–228. 10. Teles RP, Teles FR. Antimicrobial agents used in the control of periodontal biofilms: effective adjuncts to mechanical plaque control? Braz Oral Res. 2009;23 Suppl 1:39-48. 11. Addo-Yobo C, Williams SA, Curzon ME. Oral hygiene practices, oral cleanliness and periodontal treatment needs in 12year old urban and rural school children in Ghana. Community Dent Health. 1991 Jul;8(2):155-62. 12. Li Y, Lee S, Hujoel P, Su M, Zhang W, Kim J, et al. Prevalence and severity of gingivitis in American adults. Am J Dent. 2010 Feb;23(1):9-13. 13. Gjermo P, Rösing CK, Susin C, Oppermann R. Periodontal diseases in Central and South America. Periodontol 2000. 2002;29:70-8. 14. Collins LMC, Dawes C. The Surface Area of the Adult Human Mouth and Thickness of the Salivary Film Covering the Teeth and Oral Mucosa. J Dent Res. 1987 66(8):1300-1302. 15. Ministério da Saúde. Projeto SB Brasil. Condições de saúde bucal da população brasileira. Resultados Principais. 2003. 16. Susin C, Dalla Vecchia CF, Oppermann RV, Haugejorden O, Albandar JM.Periodontal attachment loss in an urban population of Brazilian adults: effect of demographic, behavioral, and environmental risk indicators. J Periodontol. 2004 Jul;75(7):1033-41. 17. Haas AN, Gaio EJ, Oppermann RV, Rösing CK, Albandar JM, Susin C.. Pattern and rate of progression of periodontal attachment loss in an urban population of South Brazil: a 5-years population-based prospective study. J Clin Periodontol. 2012 Jan;39(1):1-9. doi: 10.1111/j.1600-051X.2011.01818.x. Epub 2011 Nov 14.

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O melhor ponto para montar sua clínica

Éber Eliud Feltrim Graduado e pós-graduado em Odontologia (Unesp). MBA em Marketing (FGV e OHIO University). Cursos em Washington – DC (EUA), San Francisco – CA (EUA) e KOLN (Alemanha). Professor de Marketing Empresarial para o curso de pós-graduação em Administração de Empresas (Centro Hermes/FGV – Unidade Marília). Professor de Marketing para o Curso de Especialização em Dentística da Fundação Odontológica de Ribeirão Preto – (FUNORP/ USP). Professor convidado para ministrar aulas/cursos de Marketing na UNIP, ITPAC, UNIMAR, CESMAC, Centro Paula Souza, ANEO, APCD, UNESP e USP. Gestor do Grupo SIS – Consultoria em Marketing. www.sisconsultoria.net

S

e você vai mudar sua clínica de lugar ou vai começar a trabalhar num local novo, convido-o a parar uns minutos para ler este artigo. E se ao invés de alugar a sala, você vai comprar um imóvel, convido-o a dedicar muitos minutos nesta leitura. Algumas ferramentas poderão te ajudar a ter mais clientes e não perder os que você já conquistou até hoje. No Brasil, o problema não é o número de pacientes em falta ou profissionais em excesso, na verdade o que falta é acesso da população ao atendimento de saúde. E mais: via de regra as pessoas não priorizam a prevenção e em alguns casos, não priorizam a saúde. Montar um consultório não é tão simples. É preciso planejar o empreendimento, pois seu consultório é uma empresa, e deve ser administrado como tal. Qual(is) especialidade(s) sua clínica vai oferecer? Qual público pretende atender? Homens, crianças, mulheres, idosos, pacientes especiais? Você não pintaria sua clínica toda de roxo, não é mesmo? Mas pintaria de azul? Amarelo? Verde? Isso mostra que as cores também constituem outro elemento fundamental na apresentação de uma clínica. Se as cores são importantes para você, são para seus clientes também. Pesquisas (Canadian Colour Institute) mostram que o ser humano julga um ambiente nos primeiros 90 segundos de observação, isso é subconsciente, e esse julgamento em 62 a 90% é baseado exclusivamente na cor. Agora vamos pensar em uma clínica ao lado de uma penitenciária. Teria algum problema ou esse ponto não interfere nos resultados (lê-se lucro) da clínica? Você deve estar se perguntando o que tudo isso tem com você. Aparentemente não tem grande importância encontrar respostas para essas perguntas. Outros podem argumentar: os clientes estão preocupados com minha quali-

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dade técnica e não dão importância à localização da minha clínica. O ponto, que é a variável do marketing que se refere à localização, layout e evidências físicas da sala, interfere nos clientes que te procuram e os clientes interferem diretamente no resultado da sua clínica. E, por sua vez, o resultado vem da diferença entre receitas e despesas e pode ser lucro ou prejuízo. Quem define se a clínica terá lucro ou prejuízo é você! E isso é ótimo, pois obviamente você vai optar por ter lucro! O paciente não avalia uma única característica, mas a situação como um todo. É imprescindível considerar que o ser humano é sensorial e, portanto, responde de maneiras variadas aos diversos estímulos que recebe. Essas respostas estão vinculadas às cores, sons, localização e todas as demais características físicas do consultório. Segundo Brum, o consumidor pode perceber três dimensões importantes da empresa prestadora de serviços: » Características mentais subjetivas: o local de venda torna-se um veículo de comunicação com o consumidor, pois está carregado de significados e simbolismos; » Características funcionais: os desejos dos consumidores estão ligados à conveniência, à dimensão lógica, a um propósito ou função; » Estrutura visual: mensagens diretas que geram percepção através de todos os elementos. Assim, a arquitetura e a forma de exposição (decoração) apresentam absoluta importância na comunicação com o paciente, facilitando (ou dificultando) a venda dos serviços. Diante de tudo isso, por onde devo começar o projeto para minha nova clínica? » Primeiro: defina seu público-alvo. O público-alvo é for-

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Coluna - Marketing

mado por pessoas que assumem algumas características comuns entre si e estão dispostas a comprar o que a clínica oferece. Aqui, cabe planejar se você vai atender clientes particulares, convênios, apenas crianças ou idosos, entre outros. Você deve criar seus serviços de maneira específica para um grupo de pessoas, sob pena de oferecer algo que ninguém queira comprar e sua agenda ficar sempre vazia. Considerar uma correta segmentação do mercado, que consiste em identificar grupos de clientes com necessidades e preferências semelhantes, permitindo que a clínica adapte sua política de marketing ao seu público. » Segundo: planeje as salas necessárias. O primeiro passo para esse planejamento é fazer uma lista (escrever mesmo!) com os espaços mínimos necessários para atender o público que você selecionou acima. Não esquecer de seguir as exigências da Vigilância Sanitária. Você pode encontrar tais informações no site www.anvisa.gov.br. Lembre-se de ter espaço suficiente para paredes, áreas de circulação e corredores. Um profissional de arquitetura trabalhando junto com a Consultoria poderá programar adequadamente a questão. É muito comum encontrarmos clínicas com ar condicionado de 12.000 BTU em salas que poderiam ser muito bem refrigeradas com 9.000 BTU. A justificativa de comprar o de maior capacidade é que este tem o mesmo preço (ou quase o mesmo...) que o de 9.000

Montar um consultório não é tão simples. É preciso planejar o empreendimento, pois seu consultório é uma empresa, e deve ser administrado como tal

BTU. Até aí, é verdade, pois o preço tem pouquíssima variação. Vamos considerar que a clínica conta com apenas três salas (recepção, escritório e sala clínica). Pense no quanto de energia sua clínica gastará a mais mensalmente se você tiver um planejamento incorreto de refrigeração. Agora, dimensione para seis salas, sete salas. Ambientes

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superdimensionados geram despesas desnecessárias e subdimensionados geram desconforto para seu cliente, além de baixa produtividade. » Terceiro: depois de definir o público-alvo e planejar as salas necessárias, é hora de escolher o ponto propriamente dito. A pergunta aqui é onde montar o consultório? Conheça o local onde será seu consultório. Vá várias vezes e sempre acompanhado de outras pessoas, que poderão te mostrar “defeitos” que você não tenha percebido na primeira vez. Quem é o público deste bairro? O poder aquisitivo deste bairro é baixo ou mais alto? É coincidente com o público que você selecionou para atender? A estrutura física é apropriada ou apresenta muitos obstáculos ao cliente (portas, escadas). É iluminado? É um local de circulação de pedestres ou de carros? Essa pergunta oferece grande diferença na hora de escolher o ponto, pois se seus clientes irão de carro, o estacionamento é fundamental. Cuidado com negócios baratos demais. Milagres não existem e se o negócio é da China, qual o motivo de outros não quererem? » Quarto: nesta fase, já selecionamos o público que a clínica vai atender, sabemos exatamente a função de cada uma

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das salas que a clínica precisa e determinamos o ponto. Agora, precisamos legalizar a clínica. Providencie registro de autônomo junto à prefeitura da cidade que você pesquisou e escolheu para trabalhar. Faça sua inscrição junto ao INSS para recolhimentos mensais. Cuidado com orientações ‘empíricas’. Existe lei que regulamenta isso. Providencie o alvará de funcionamento da Vigilância Sanitária Municipal e do corpo de bombeiros. Legalize seu aparelho de Raio-X e tenha o laudo radiométrico sempre atualizado. » Quinto: a clínica ainda não está pronta para inauguração. Nesta fase, cabe criar um logotipo, a partir da escolha de um nome, providenciar seus registros junto ao INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) e conselhos de classe. Desenvolva toda a identidade visual da sua clínica, que envolve receituário, cartão de visita, envelopes, fichas clínicas e anamnese. Agora é ação! Com um plano de divulgação em mãos e uma estratégia de diferenciação competitiva, que serão assuntos para outra hora, você tem todos os requisitos para ter sucesso. Lembre-se, sempre faça as coisas com base em um planejamento seguro e jamais assuma dívidas além do seu potencial econômico!

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Caso Clínico

Tratamento microinvasivo de lesão cariosa proximal com conceito de infiltração

Raphael Vieira Monte Alto

Mariana Canano Séllos

Doutor em Dentística – UERJ. Professor Adjunto da Disciplina de Clínica integrada – UFF.

Mestre em Odontopediatria (UERJ).

Gustavo Oliveira dos Santos Doutor em Dentística – UERJ. Professor Adjunto da Disciplina de Clínica integrada – UFF.

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diagnóstico clínico e a decisão de tratamento para lesões cariosas devem estar respaldados em um conhecimento abrangente e atual sobre o processo carioso. Durante muitas décadas, apenas as lesões cavitadas em dentina eram registradas em um exame odontológico, baseado no conceito de que somente as cavidades óbvias necessitavam de intervenção profissional. Desta forma, o tratamento odontológico era estritamente restaurador e, uma vez que medidas para o controle do processo carioso não eram adotadas, os dentes entravam em um ciclo restaurador repetitivo. Considerando que o diagnóstico é o ponto de partida para a decisão quanto ao tipo de tratamento a ser realizado, há vantagens óbvias em se diagnosticar lesões não cavitadas, pois estas podem ser tratadas por meio de procedimentos não invasivos. O objetivo do presente artigo é apresentar um caso clínico em que um paciente adulto teve uma lesão proximal de um incisivo permanente superior tratada com Icon®, enfatizando os critérios de indicação e as etapas do procedimento clínico.

Caso clínico Paciente de 15 anos procurou atendimento odontológico na Universidade Federal Fluminense, solicitando avaliação clínica. Após exame clínico e radiográfico (figuras 1, 2 e 3) da região, foi verificada a presença de lesão cariosa não cavitada (escore radiográfico E2) na face mesial do incisivo lateral superior esquerdo. Foi indicado o tratamento microinvasivo de infiltração da lesão proximal com o intuito de promover a paralisação da progressão desta lesão. Para este procedimento, foi utilizado o infiltrante Icon proximal® (DMG), seguindo-se as recomendações de utilização do fabricante.

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Vera Mendes Soviero Doutora em Odontopediatria – UERJ. Professora Adjunta da Disciplina de Odontopediatria – FOUERJ.

Inicialmente, foi realizado isolamento absoluto da região anterior superior (figura 4). Esta etapa é essencial para a utilização segura e efetiva do produto. Em seguida, a separação dentária imediata dos elementos 21 e 22 foi realizada para se ter acesso direto à região proximal, utilizando-se a cunha plástica fornecida no kit do produto (figura 5). Após a separação, foi introduzida na região proximal uma matriz acoplada à seringa de ácido clorídrico (Icon Etch) a 15% (figura 6). A utilização da matriz durante o procedimento garante a preservação da superfície proximal adjacente à superfície tratada (figuras 7, 8 e 9). Após dois minutos de condicionamento com gel de ácido clorídrico, o local foi lavado abundantemente com água, a fim de remover todo o gel (figura 10), e secado em seguida. Para garantir a completa secagem da superfície, foi aplicado etanol a 99% (Icon Dry) por 30 segundos (figuras 11 e 12). Logo após o condicionamento e secagem, foi inserida uma nova matriz acoplada à seringa contendo o infiltrante (Icon Infiltrant) (figuras 13 e 14). A aplicação foi realizada durante três minutos. É importante que esta aplicação seja feita com a luz do foco desligada, para que não haja interferência na infiltração do produto na lesão cariosa. Em seguida, foi removido o excesso do produto com o fio dental (figura 15) e realizada a fotopolimerização por 40 segundos (figuras 16 e 17). A aplicação do infiltrante foi novamente realizada por um minuto, e a fotopolimerização repetida por mais 40 segundos (figuras 18 e 19). Após remoção do excesso do produto com o fio dental, foi removido o isolamento absoluto. O tratamento de infiltração proximal não pode ser observado clinicamente, e requer acompanhamento radiográfico periódico para acompanhamento da lesão e avaliação do sucesso do tratamento (figuras 20, 21 e 22).

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Caso Clínico

Figura 1

Figura 2

Aspecto inicial (vista vestibular).

Figura 3

Radiografia periapical.

Figura 5

Inserção da cunha.

Aspecto inicial (vista palatina).

Figura 4

Isolamento absoluto.

Figura 6

Matriz do sistema ICON.

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Caso Clínico

Figura 7

Figuras 8 e 9

Figura 10

Figura 11

Inserção da matriz.

Secagem.

Figuras 13 e 14

Aplicação do monômero.

Aplicação do ácido clorídrico.

Aplicação do etanol.

Figura 12

Secagem do etanol.

Figura 15

Remoção dos excessos.

Figuras 16 e 17

Fotoativação do monômero.

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Figuras 18 e 19

Repetição da aplicação do monômero.

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Figura 20

Aspecto final.

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Figuras 21 e 22

Aspecto final após a remoção do isolamento. 

Conclusão O procedimento de infiltração em lesões cariosas proximais se apresenta como uma alternativa microinvasiva aos procedimentos não invasivos convencionais, como o reforço na utilização do fio dental e a utilização de produtos fluoretados. A “O essencial é invisível aos olhos.” descrição do caso clínico apresentado demonstra que a técnica do Icon® é de fácil “O essencial é invisívelAntoine aosdeolhos.” Saint-Exupéry e rápida aplicação e evita a necessidade de futuros procedimentos restauradores, Tire suas Tiredúvidas: suas dúvidas: Antoine de Saint-Exupéry Tire suas dúvidas: Tire através da paralisação da progressão da lesão cariosa. faleconosco@peclab.com.br faleconosco@peclab.com.br TireTire suas dúvidas: Tire suas suas dúvidas: dúvidas: suas dúvidas:

faleconosco@peclab.com.br faleconosco@peclab.com.br Ligue: Ligue: (31) 3481-3749 (31) 3481-3749 faleconosco@peclab.com.br faleconosco@peclab.com.br faleconosco@peclab.com.br Ligue: (31) 3481-3749 Ligue: (31) 3481-3749 Compre Compre on-line: on-line: www.peclab.com.br www.peclab.com.br Ligue: (31)(31) 3481-3749 Ligue: (31) 3481-3749 Ligue: 3481-3749 Compre on-line: www.peclab.com.br Compre on-line: www.peclab.com.br Compre on-line: www.peclab.com.br Compre on-line: www.peclab.com.br Compre on-line: www.peclab.com.br

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Caso Clínico

Instrumentação recíproca utilizando sistema WaveOne: eficiência e praticidade

Manoel Eduardo de Lima Machado Professor Associado da Disciplina de Endodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo.

Mario Francisco de Pasquali Leonardo Mestrando em Endodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo.

Cleber Keiti Nabeshima Doutorando em Endodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo.

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s avanços tecnológicos e científicos objetivam o aperfeiçoamento de técnicas para facilitar o trabalho do profissional, mantendo qualidade e eficiência. Recentemente, foi introduzido na Endodontia, o sistema WaveOne, no qual idealiza a instrumentação do canal radicular com o uso de uma única técnica para todo o preparo. O conceito de cinemática utilizado é bastante simples: a lima é acionada num motor elétrico, no qual realiza movimentos por um ângulo rotacional de maior amplitude no sentido horário, que gera o avanço da lima ao conduto e um menor ângulo rotacional no sentido anti-horário, promovendo o corte da dentina. Este sistema está disponível em três limas que se diferenciam pelo seu diâmetro e índice de conicidade, nos quais estão ligados às indicações do caso clínico: a Small que possui ponta #21 e conicidade inicial .06 é indicada para casos onde a lima manual exploratória utilizada é #10 com resistência de penetração, a Primary com ponta #25 e conicidade inicial .08 é utilizada em maior parte dos casos, e a Large com ponta #40 e conicidade inicial .08 é utilizada quando a lima exploratória manual #20 penetrar facilmente até o limite de trabalho. Assim, os autores apresentam três casos clínicos de molares com indicação ao tratamento endodôntico que foram tradados em sessão única com o uso do sistema WaveOne.

Casos clínicos Caso clínico 1: dentes 16 e 17 com polpa viva Paciente AMS, sexo feminino, 38 anos de idade, apresentouse ao curso de Especialização em Endodontia do Hospital Geral do exército de São Paulo (HGeSP) relatando dor irradiada na arcada superior. Após realização dos exames clínicos (teste de sensibilidade pulpar, percussão e palpação) e radiográficos, foi diagnosticado pulpite irreversível nos dentes 16 e 17. Um aluno, com treinamento prévio ao sistema WaveOne, foi in-

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dicado para a realização do tratamento endodôntico. O paciente foi submetido à anestesia local utilizando mepivacaína 2% com epinefrina (1:100.000, DFL, Rio de Janeiro, Brasi), e o isolamento absoluto foi realizado com grampo e dique de borracha nos dentes 16 e 17, fazendo o uso de barreira gengival (White Gold Protector, Dentsply, Petrópolis, Brasil) para isolamento mais eficiente. A antissepsia do campo operatório foi realizada com hipoclorito de sódio 2,5% (Fórmula e Ação, São Paulo, Brasil). Desta maneira, foi realizada a cirurgia de acesso do dente 17, utilizando broca esférica diamantada (1016 HL, KG Sorensen, Barueri, Brasil) e endo-Z (Dentsply-Maillefer, Ballaigues, Switzerland). Para os sistemas recíprocos, não são necessários o uso de brocas para o preparo prévio do terço cervical e médio, sendo o preparo inteiro realizado com apenas uma única lima. Desta maneira, foi selecionada a lima WaveOne Primary (#25) (Dentsply-Maillefer, Ballaigues, Switzerland) acoplada ao motor (WaveOne, Dentsply-Maillefer, Ballaigues, Switzerland), configurado para o sistema WaveOne. A câmara pulpar foi preenchida com hipoclorito de sódio 1% e a lima introduzida na entrada do canal mésio-vestibular (MV). Já com a lima no canal, o motor foi acionado e com três movimentos passivos de “bicadas”, no qual foi facilmente preparando o terço cervical. Após estes três movimentos, a lima foi retirada do canal, limpa em gaze embebida por hipoclorito de sódio 1% e assim introduzida no canal disto-vestibular (DV), utilizando a mesma cinemática. Para o canal palatino (P), foi selecionada a lima WaveOne Large (#40), sendo realizado o mesmo procedimento dos canais vestibulares. Finalizado o preparo cervical dos três canais, eles foram abundantemente irrigados com 5 mL de hipoclorito de sódio 1% e explorados com a lima K10. Logo, as mesmas limas WaveOne (Primary nos canais vestibulares e Large no palatino) foram novamente introduzidas, realizando o movimento de bicada até aproximadamente 2/3

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Caso Clínico

do canal radicular. Os canais foram novamente irrigados com hipoclorito de sódio 1% (5 mL por canal) e as limas limpas em gaze. Neste momento, foi realizada a odontometria com uso de localizador apical (Novapex, RomiBras, Rio de Janeiro, Brasil), sendo confirmados com a radiografia periapical. O preparo químico cirúrgico foi finalizado com mais três movimentos de “bicada”, com os comprimentos chegando ao limite de trabalho. Os canais foram obturados pela técnica de cone único, utilizando cone principal #30 .06 nos canais MV e DV, e cone #45 .06 para o canal P, utilizando o cimento AH Plus (Dentsply DeTrey, Konstanz, Deutschland). O tempo de trabalho total, desde a abertura à obturação, foi de 40 minutos. As limas utilizadas foram descartadas, e na mesma consulta o

Os avanços tecnológicos e científicos objetivam o aperfeiçoamento de técnicas para facilitar o trabalho do profissional, mantendo qualidade e eficiência

dente 16 também foi submetido ao tratamento endodôntico, seguindo os passos do tratamento anterior, sendo também obturado em mesma sessão. Após uma hora e 25 minutos, os dois dentes já estavam obturados e com a restauração provisória estabelecida com coltosol (Coltène, Altstätten, Switzerland) e ionômero de vidro (Vidrion R, SSWhite, São Paulo, Brasil).

Figuras 1a e 1b

Endodontia nos dentes 16 e 17. A. Antes do tratamento. B. Pós-tratamento.

Caso clínico 2: dente 46 com polpa necrosada Neste segundo caso, paciente MAC, sexo feminino, 42 anos, apresentou-se sem sintomatologia dolorosa e com o elemento 46 apresentando cárie extensa na face distal e restauração coronária fraturada. O exame radiográfico apresentou ausência de tratamento endodôntico anterior, sendo diagnosticado como necrose pulpar com leve rarefação óssea periapical. Após anestesia local e isolamento absoluto realizado, como no caso anterior, o remanescente de material restaurador e esmalte sem suporte foram removidos utilizando broca esférica diamantada e endo-Z. Os canais foram localizados e explorados com uma lima K10, sendo encontrados dois canais mesiais e dois canais distais, sendo o disto lingual mais curto que os demais. A câmara pulpar foi preenchida com hipoclorito de sódio 1% e as limas WaveOne Primary foram utilizadas no terço cervical de cada canal, conforme a cinemática já descrita no caso anterior. Assim, a parte ativa da lima foi limpa com gaze estéril, e cada canal foi irrigado com 5 mL do hipoclorito de sódio 1% e explorado facilmente com lima K10. O WaveOne Primary foi novamente acionado nos canais com três movimentos de “bicadas”, avançando o terço médio, sendo novamente irrigados e explorados. Nesta fase, a odontometria foi realizada utilizando localizador apical e confirmada por tomada radiográfica periapical. Novamente o WaveOne Primary no canal foi acionado, e com mais três movimentos de “bicada” atingiu o limite de trabalho. A irrigação final foi realizada com 5 mL de hipoclorito de sódio 1%, seguido de 5 mL de EDTA-T, e mais 5 mL de hipoclorito de sódio 1% para cada canal, sendo todos ativados por ultrassom num tempo de 20 segundos cada. Na mesma sessão, os canais foram secos com cone de papel e

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Figuras 2a e 2b

Endodontia do dente 46. A. Antes do tratamento. B. Pós-tratamento.

obturados pela técnica de cone único, utilizando cone de guta percha principal #30.06 e cimento AHPlus. Após 40 minutos, os canais já estavam obturados e com a restauração provisória estabelecida com coltosol e ionômero de vidro. Caso clínico 3: dente 37 com pulpite e nódulo pulpar Paciente DRC, sexo masculino, 25 anos, encaminhado por um cirurgião-dentista requisitando tratamento endodôntico do elemento 37, apresentou-se com intensa dor pulsátil e irradiada no quadrante inferior esquerdo. No exame clínico, observou-se curativo temporário com óxido de zinco e eugenol no dente 37; e radiograficamente, o dente apresentava cavidade profunda na mesial com exposição do corno pulpar, e a presença de uma imagem radiopaca na entrada do canal distal, sugerindo um nódulo pulpar. O paciente foi anestesiado e o isolamento absoluto realizado, conforme o protocolo utilizado nos casos anteriores. O curativo foi removido e o acesso realizado utilizando broca esférica diamantada e endo-Z. Então, a polpa coronária foi removida utilizando uma cureta, e assim feita irrigação com hipoclorito de sódio 1%. O instrumento WaveOne Primary foi introduzido na entrada dos canais mesiais e assim acionado pelo motor elétrico, realizando a cinemática de três “bicadas” seguida de irrigação com 5 mL de hipoclorito de sódio 1% e exploração do conduto com lima K10. Na sequência, a lima WaveOne foi novamente introduzida, e com três “bicadas” avançou o terço médio, dando sequência à nova irrigação com mais 5 mL de hipoclorito de sódio 1% e exploração dos condutos. Assim, a Odontometria foi realizada com localizador apical e confirmação por radiografia periapical, sendo então o WaveOne introduzido ao canal, chegando ao terço apical. O nódulo pulpar na entrada do canal distal foi confirmado, e removido com auxílio de uma cureta. O canal foi explorado com uma lima K20, dando sequência à instrumentação com o WaveOne Large, no mesmo protocolo que os canais mesiais. A irrigação final de todos os canais foi realizada com 5 mL de hipoclorito de sódio 1%, seguido de 5 mL de EDTA-T, e mais 5 mL de hipoclorito de sódio 1% para cada canal, sendo assim secos com cone de papel e obturados pela técnica de cone único (cone #30.06 nos mesiais e #45.05 no distal) e cimento Endofil (Dentsply, Petrópolis, Brasil). Para finalizar a sessão, o dente foi provisoriamente restaurado com coltosol e ionômero de vidro, totalizando o tempo de trabalho em 45 minutos.

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Discussão É evidente e notável que a instrumentação do sistema de canais radiculares sofreu algumas modificações através dos tempos, no sentido de facilitar o trabalho do profissional, trazendo maior comodidade ao paciente. As chamadas técnicas apico-cervical foram substituídas pelas técnicas cervicoapicais, que mais tarde vieram a ser com-

Figuras 3a e 3b

Endodontia do dente 37. A. Antes do tratamento. B. Pós-tratamento

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Caso Clínico plementadas com o uso de brocas em baixa rotação para o preparo prévio dos terços cervical e médio1. No entanto, a mudança mais significativa veio com a introdução dos sistemas rotatórios acionados por um motor elétrico que trouxeram tratamentos extremamente rápidos2, com preparos mais cêntricos 3, e com boa performance no ponto de vista microbiológico 4. Contudo, a instrumentação mecanizada está sendo a cada dia mais aperfeiçoada e, atualmente, o conceito de instrumentação recíproca tem sido introduzido, no qual trabalha em uma cinemática muito próxima à instrumentação manual, porém sendo acionado também por um motor elétrico. Esta proposta parece ser bem interessante, pois une a facilidade e agilidade, como pode ser visto nos dois casos clínicos descritos, onde foi possível o tratamento endodôntico de um dente em 40 minutos, outro em 45 minutos e de dois dentes em uma única sessão em 1 hora e 25 minutos, contando com anestesia, isolamento, acesso, irrigação, instrumentação, odontometria e obturação. Um estudo prévio utilizando canais simulados confirma esta rapidez, onde foi possível a instrumentação do canal com WaveOne num tempo médio de 1 minuto e 51 segundos 5 . Note que esta diferença de tempo no trabalho prévio aos casos clínicos aqui apresentados, deve-se à ausência de passos, como anestesia e isolamento em canais simulados, e da não execução de odontometria e obturação na avaliação experimental. Outras avaliações também vêm sendo realizadas focando este mesmo sistema. Sob o aspecto de manutenção de curvatura, o WaveOne reduziu alterações da morfologia do canal curvo durante a instrumentação quando comparado ao sistema ProTaper 6; na avaliação de resistência à fadiga cíclica, o mesmo apresentou melhores resultados quando comparados aos sistemas rotatórios7; e sob o ponto de vista microbiológico, este sistema apresentou a média de redução bacteriana de 95,76% sem o uso de nenhuma substância química durante o preparo8. Assim, com todos estes dados, pode-se sugerir que o sistema WaveOne traz expectativas promissoras, visando uma Endodontia mais simples e eficiente.

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Referências 1. Machado MEL. Preparo cirúrgico do canal em Endodontia. In: Machado MEL. Endodontia da biologia à técnica. São Paulo: Editora Santos; 2007. pp. 250-1.

3E4 DE NOVEMBRO DE 2012

2. Guelzow A, Stamm O, Martus P, Kielbassa AM. Comparative study of six rotary nickel-titanium systems and hand instrumentation for root canal preparation. Int Endod J. 2005; 38(10):743-52. 3. Tasdemir T, Aydemir H, Inan U, Ünal O. Canal preparation with Hero 642 rotary Ni-Ti instruments compared with stainless steel hand K-file assessed using computed tomography. Int Endod J. 2005; 38(6):402-8.

Centro de Convenções Rebouças São Paulo – SP

4. Machado MEL, Sapia LAB, Cai S, Martins GHR, Nabeshima CK. Comparison of two rotary systems in root canal preparation regarding disinfection. J Endod. 2010; 36(7):1238-40.

Av. Rebouças, 600 – ao lado do Hospital das Clínicas (a 200 m do Metrô Clínicas) MAIS INFORMAÇÕES:

5. Machado MEL, Nabeshima CK, Leonardo MFP, Cardenas JEV. Análise do tempo de trabalho da instrumentação recíproca com lima única: WaveOne e Reciproc. Rev Assoc Paul Cir Dent. 2012 [in press].

www.ciatesb.com.br Tels: (11)3167.6997 e 5087.9497

6. Berutti E, Chiandussi G, Paolino DS, Scotti N, Cantatore G, Castellucci A, et al. Canal shaping with WaveOne Primary reciprocating files and ProTaper system: A comparative study. J Endod. 2012; 38(4): 505-9.

E-mail: selobiologica@uol.com.br PATROCÍNIO:

7. Kim H-C, Kwak S-W, Cheung GS-P, Ko D-H, Lee WC. Cyclique fadigue and torsional resistance of two new nickel-titanium instruments used in reciprocation motion: Reciproc versus WaveOne. J Endod. 2012; 38(4): 541-4.

REALIZAÇÃO:

8. Machado MEL, Nabeshima CK, Leonardo MFP, Machado FBL, Britto MLB, Cai S. Evaluation of mechanical action of single-file instrumentation (WaveOne system) in contaminated root canals. Il Dent Mod. 2012 [in press].

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PROMOÇÃO:

APOIOS:

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Confecção de contato proximal em restaurações estéticas diretas posteriores

Paulo Vinícius Soares

Alexandre Coelho Machado

Professor da Área de Dentística e Materiais Dentários – Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia.

Mestrando em Clínica Integrada – Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia.

Marina Ferreira de Lima Naves

Rodrigo Sversut de Alexandre

Graduanda em Odontologia – Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia.

Pesquisador colaborador da Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual Paulista, Araçatuba, Brasil.

Vitor Laguardia Guido Faria Graduando em Odontologia – Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia.

Lívia Fávaro Zeola Graduanda em Odontologia – Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia.

A

perda de estrutura dental reduz a resistência mecânica e rigidez da dentina e esmalte remanescentes1. A resistência máxima de um elemento dental está diretamente relacionada à quantidade de remanescente coronal da estrutura dental2,3. Surge, então, a necessidade de se restaurar o elemento dental, a fim de restabelecer o comportamento biomecânico do dente, utilizando materiais restauradores com módulo de elasticidade semelhantes à estrutura dental1,4,5. Em casos de perda de estruturas intracoronárias profundas, a redução de dentina é consideravelmente maior que esmalte. O material restaurador que melhor mimetiza biomecanicamente a dentina são os polímeros. Atualmente, existem diversos tipos de polímeros que são utilizados conforme suas necessidades específicas, tais como materiais restauradores diretos e indiretos, selantes, cimentos, materiais provisórios, dentre outros6. A introdução de técnicas restauradoras adesivas, como as resinas compostas, oferecem novas possibilidades restauradoras com propriedades físicas favoráveis, como a possibilidade de aumentar a resistência à fratura7-10. Em dentes posteriores, em que a cavidade é exposta à carga oclusal, as resinas compostas ganharam ampla aceitação, devido à evolução da matriz inorgânica com partículas de reforço na escala nano métrica e em maior quantidade em volume 6. A seleção do tipo correto de polímero no universo das resinas compostas contemporâneas requer do profissional o conhecimento e equilíbrio na análise de alguns critérios e características, dentre eles propriedades ópticas, propriedades mecânicas e longevidade clínica da interface adesiva. Antes de iniciar o procedimento restaurador direto, propriamente dito, é necessário também o

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Luis Alexandre Maffei Sartini Paulillo Professor do Departamento de Dentística, Faculdade de Odontologia, Universidade Estadual de Campinas, Piracicaba, SP, Brasil.

conhecimento do tipo de estrutura dental que será reabilitada estética e funcionalmente. O sucesso clínico de materiais poliméricos está diretamente relacionado ao conhecimento dos protocolos de uso destes materiais, instrumentais odontológicos adequados como isolamento absoluto, matrizes parciais pré-fabricadas metálicas e anatômicas, cunha, espátulas, indicação de proteção do complexo dentinho-pulpar, protocolos de aplicação dos sistemas adesivos, técnicas de foto ativação, técnicas de reconstrução das cúspides, crista marginal e reabilitação do ponto de contato. A correta reabilitação do ponto de contato é fundamental para a saúde gengival, o vedamento marginal, evitar impactação de alimentos e favorecer a estabilidade dos dentes adjacentes. O objetivo deste trabalho é apresentar um relato de caso clínico de restauração com resina composta de molares inferiores, destacando a técnica de confecção da restauração, instrumentais e materiais empregados.

Caso clínico Paciente, M.F.S., 42 anos, gênero feminino, apresentou-se na Clínica Integrada do Programa de Pós-Graduação em Clínica Odontológica, Faculdade de Odontologia de Piracicaba, Universidade Estadual de Campinas (FOP-Unicamp), insatisfeita por possuir duas restaurações provisórias em dois dentes posteriores. Durante a anamnese, verificou-se a presença de duas restaurações de ionômero de vidro nos dentes 46 e 47, tipo classes II de Black, sendo no elemento 46 uma cavidade disto-oclusal e no elemento 47 uma mésio-oclusal (figura 1). O plano de tratamento foi discutido entre os profissionais e

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A resistência máxima de um elemento dental está diretamente relacionada à quantidade de remanescente coronal da estrutura dental

decidiu-se a indicação de restaurações diretas em resina composta nano híbrida. O plano de reabilitação direta funcional e estética dos elementos 46 e 47 obtiveram como referência a cor e anatomia dos dentes 36 e 37. Previamente à realização de qualquer procedimento relacionado às restaurações, foi analisada a cor da resina composta a ser utilizada, baseando-se na escala VITA Classic, onde foi confirmada a cor A2. Inicialmente foi realizado isolamento absoluto do campo operatório, com lençol de borracha (Angelus Ind., Brasil), arco de Young e grampos para isolamento de dentes posteriores (figura 2). O lençol foi perfurado com o perfurador de dique na região correspondente aos dentes 43, 44, 45, 46 e 47 e, após a instalação do lençol de borracha, o grampo foi colocado no dente 47 com a pinça portagrampo. Em seguida foi removido todo material provisório do elemento 47 com broca esférica tipo carbide número #4 (KG, Brasil) em alta rotação, com irrigação abundante. O tecido cariado foi removido com a mesma broca montada em motor de baixa rotação e manualmente com escavador dentinário (SSWhite Duflex, Brasil) até que fosse possível visualizar todas as paredes dentinárias hígidas da cavidade (figura 2). Após a remoção do material provisório do dente 47, foi inserida ao redor do dente uma matriz de aço 0,5cm, justaposta ao dente, presa por dispositivo porta-matriz tipo Tofflemire (SSWhite Duflex, Brasil). Percebeu-se que este dispositivo, associado com matriz metálica convencional não permitiu correta adaptação proximal (figura 3). Consequentemente, logo em seguida, o porta matriz e a matriz de aço foram retirados, optando-se por utilizar o sistema Unimatrix (TDV, Brasil) (figura 4). A matriz foi inserida com pinça, estabilizada mecanicamente pelo grampo circular do sistema Unimatrix associada com cunha de madeira (TDV, Brasil). Foi conferido o assentamento da matriz, que favoreceu também melhor adaptação marginal do preparo e proteção indireta do complexo dentinho-pulpar com ionômero de vidro modificado (Vitremer 3M Espe, USA) (figura 4). A profilaxia do preparo foi realizada com pasta de Pedra Pomes + Clorexidina 2%, manipulada em pote Dappen e aplicada com escova tipo Robson e taça de borracha. Foi realizada lavagem abundante por 30s e controle de umidade, sem ressecamento da dentina, com papel absorvente. Após preparar todo o campo operatório para receber a restauração, foi feita aplicação de ácido fosfórico 37% (Angelus Ind., Brasil), promovendo condicionamento total do preparo por 15 segundos

em esmalte e dentina. A cavidade foi lavada por 15 segundos com água e, em seguida, a remoção do excesso de umidade com papel absorvente (figura 5). Posteriormente foi aplicada solução de Clorexidina 2% (figura 6), aguardou-se 60s e removeu-se excesso. Foi realizada aplicação de sistema adesivo (figura 7) convencional 3 de passos (Schotbond, 3M Espe, USA), aplicando-se Primer com microbrush, aguardando 60s de volatilização. Com outro microbrush, o adesivo foi aplicado e removido o excesso com microbrush seco, fotoativação com LED (Radi Call, SDI, Austrália) por 40 segundos. A intensidade do LED foi mensurada com radiômetro específico para LED (Hilux, USA), resultando em 1620 mW/cm2. A resina composta nano híbrida de esmalte A2 NT Premium (Vigodent Coltene, Brasil) foi inserida inicialmente na caixa proximal, apoiada na matriz metálica com espátula SupraFill (SSWhite Duflex, Brasil) com dois incrementos oblíquos de aproximadamente 2,0mm, com cuidado de não unir paredes opostas e finalidade de reconstruir a parede mesial que havia sido perdida (figura 8). O sistema de matriz metálica parcial anatômica Unimatrix associado com grampo circular e cunha permitiu respeitar a anatomia levemente convexa da face proximal. A seguir, iniciou-se o processo de reconstrução da anatomia oclusal do elemento 47, que iniciará com inserção de resina composta A2 dentina (figura 9), por incrementos de acordo com a inclinação das vertentes das cúspides. Em seguida, a face oclusal foi então restaurada com a mesma resina composta A2 Esmalte com incrementos que não unam cúspides opostas (figura 10). Cada incremento foi fotoativado por 40 segundos, com o fotoativador LED (Radi Call, SDI). A figura de número 10 mostra a restauração imediatamente após o último incremento de resina ser inserido e fotoativado, podendo ser observado que toda a anatomia desse dente foi reconstruída e respeitada, conforme as características naturais que o dente possuía previamente à perda de estrutura. Posteriormente à restauração do elemento 47, foi dado início à restauração do dente 46, seguindo o mesmo protocolo usado na restauração do dente 47 (figuras de 11 a 14). A figura 14 evidencia a diferença do estado inicial e restaurações finais definitivas após ajuste oclusal. Foram conferidos os contatos e o ajuste oclusal foi realizado com pontas diamantadas (KG, Brasil). Após 48 horas foi realizado ajuste oclusal11, utilizando Kit de acabamento/polimento, que associa discos e pontas de silicone (TDV, Brasil).

Figura 1

Vista oclusal dos dentes 46 e 47, restaurações provisórias classes II, dente 46 cavidade OD e dente 47 cavidade OM.

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Figura 2

Isolamento absoluto e remoção do material restaurador provisório no dente 47.

Figura 3

Colocação da matriz de aço convencional montada em um porta matriz de Tofllemire. Observe a desadaptação da matriz na face proximal provocada pela associação deste sistema com grampo do isolamento absoluto.

Figura 4

Substituição da matriz convencional pela matriz parcial metálica anatômica Sistema Unimatrix (TDV, Brasil). Observe a função da curvatura da cunha associada com o grampo circular na adaptação da matriz na face proximal.

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Figura 5

Condicionamento total com ácido fosfórico 37% durante 15s, realizado após profilaxia da cavidade com pasta de Pedra Pomes e Clorexidina 2%. A seguir, realizou-se lavagem abundante com água durante 15s.

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Figura 8

Inserção de resina composta nano híbirda esmalte A2 na porção distal do dente 47 com dois incrementos oblíquos, favorecendo contorno da crista mesial perdida. Fotoativação por 40 segundos cada incremento.

Figura 6

Aplicação de Clorexidina 2% na cavidade do dente 47 após lavagem do ácido fosfórico.

Figura 9

Inserção da resina composta nano híbirda dentina A2 pela técnica incremental, respeitando as inclinações das vertentes das cúspides. Cada incremento foi inserido e fotoativado separadamente, com atenção para não união de cúspides opostas.

Figura 7

Aplicação do sistema adesivo com posterior foto ativação por 40 segundos.

Figura 10

Inserção de resina composta nano híbirda esmalte A2 reconstruindo a face oclusal. Finalização do dente 47. Observe o contorno da face proximal, fosseta mesial e sulcos secundários.

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Figura 11

Início da restauração do dente 46. Inserção do sistema Unimatrix.

Figura 12

Hibridização da cavidade no elemento 46. Protocolo idêntico ao dente 47.

Figura 13

Reconstrução da cavidade OD do elemento 46. Estratificação das camadas de resina composta nano híbrida, A2 dentina e A2 esmalte, e restabelecimento do ponto de contato.

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Figura 14

Vista oclusal das restaurações finalizadas após ajuste oclusal.

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Caso Clínico

Os padrões de beleza atuais fazem com que os pacientes procurem a reabilitação oral, exigindo qualidade de estética Discussão Nos últimos anos, os procedimentos restauradores não objetivam apenas a devolução da forma e da função dos elementos dentários. Os padrões de beleza atuais fazem com que os pacientes procurem a reabilitação oral, exigindo qualidade de estética mesmo em dentes posteriores. Com a evolução dos materiais odontológicos, as resinas compostas têm sido cada vez mais requisitadas no processo restaurador mesmo em dentes posteriores, sendo que o material restaurador direto permite restaurar adequadamente forma, função e estética, com a vantagem de ser um procedimento mais conservador. Aliando evolução técnica com maior compreensão das características deste material e dos tecidos dentários, é possível realizar uma abordagem artística da restauração, fazendo com que mimetizem cada vez mais com o dente na sua forma hígida. Além de questões estéticas e funcionais, a ampla utilização de resinas compostas, mesmo em dentes posteriores, substituindo o tradicional amálgama, dá-se também por causas biomecânicas, visto que materiais restauradores adesivos promovem retenção suficiente para unir as cúspides lingual e vestibular, que foram significativamente enfraquecidas, porque esses materiais possuem a capacidade de diminuir a deflexão das cúspides submetidas a grandes esforços oclusais, aumentando assim a resistência à fratura do dente restaurado1. Em se tratando de dentes em que houve perda de crista marginal, esse efeito de união causado pela resina se torna ainda mais importante, pois a crista marginal constitui um importante fator na contenção da deflexão das cúspides quando estas são submetidas à esforços oclusais. Este fenômeno de reabilitar a rigidez das cúspides por meio de restaurações adesivas é chamado pelos autores deste trabalho de “efeito crista”. Sendo a crista marginal a estrutura mais importante para a rigidez de cúspides em preparos intracoronários, a resina composta por meio do protocolo correto de adesão e inserção incremental na caixa proximal consegue mimetizar a crista, promovendo o “efeito crista”12. A seleção da resina composta a ser utilizada passa ainda por um processo criterioso, que avalia tanto a cor a ser empregada, quanto às características biomecânicas apresentadas pela resina e grau de conversão. Durante um procedimento restaurador em dente posterior, cujo material indicado é resina composta, um dos grandes cuidados que devem ser tomados é relacionado à sensibilidade pós-operatória, que pode ser causada por diversas falhas ao longo da técnica operatória, são elas: contami-

nação por saliva, aquecimento durante remoção do tecido cariado ou material restaurador, não lavar com água o ácido por tempo suficiente, ressecamento da dentina durante o processo de restauração, falta de proteção do complexo dentinho-pulpar em cavidades profundas ou não inserção da resina composta pela técnica incremental 6 . Ao ser indicada a resina composta como material restaurador, o cuidado com contaminação por saliva e outros fluidos deve ser muito maior, se comparado ao amálgama, visto que este não adere às paredes dentinárias, apenas permanece na cavidade por meios mecânicos, ao passo que resinas compostas aderem às paredes da cavidade por processos químicos, de maneira que uma contaminação pode atrapalhar esse processo, causando desde falhas na adesão à sensibilidade pósoperatória. Para evitar possíveis contaminações do processo restaurador, iniciou-se com isolamento absoluto do campo operatório, que possui como vantagens melhor visualização do campo operatório, maior comodidade durante o processo operatório e menor probabilidade de contaminação ao longo da técnica operatória. Para minimizar erros ao longo da confecção da face proximal, a superfície proximal com o dente adjacente pode ser adaptada com matriz de metal parcial anatômica estabilizada com cunhas interproximais e grampos circulares. O ponto de contato é uma região anatômica de extrema importância, pois evita entrada de alimentos, permitindo saúde gengival, e evitando desconforto ao paciente, por isso deve ser reconstruído com grande critério. Outro fator importante é que a aplicação de solução de digluconato de Clorexidina 2% pode aumentar a longevidade clínica da restauração adesiva. Estudos mostram que digluconato de clorexidina age inibindo enzimas chamadas metaloproteinases, que atuam degradando a camada híbrida. Outro fator é a utilização da técnica incremental para restaurações com resinas compostas, pois a contração de polimerização é característica natural dos materiais resinosos, mas as tensões de contração podem ser diminuídas com a correta utilização da técnica, que pode ainda melhorar a adaptação marginal, a cor e a anatomia da restauração. O emprego de resinas compostas nano híbridas favorece, além de melhor acabamento e polimento da superfície, também o aumento da resistência mecânica ao desgaste. Neste procedimento restaurador proposto foi optado por resinas compostas nano hibridas, devido suas características favoráveis de manipulação, resistência mecânica e textura de superfície.

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Caso Clínico NORMAS PARA PUBLICAÇÂO A seção CASO CLÍNICO da ODONTO MAGAZINE tem como objetivo a divulgação de trabalhos técnico-científicos produzidos por clínicogerais e/ou especialistas de diferentes áreas odontológicas. Gostaríamos de poder contar com trabalhos originais brasileiros, produzidos por cirurgiões-dentistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e médicos, para divulgar esse material em nível nacional por meio da revista impressa e pelo site: www. odontomagazine.com.br Os trabalhos devem atender as seguintes normas:

Conclusão Pode-se concluir que a seleção correta do material restaurador e o domínio da técnica restauradora adesiva favoreceram na reabilitação estética e funcional de molares inferiores com reduções parciais de estrutura dental. O emprego de resinas compostas nano híbridas, matrizes metálicas parciais anatômicas associadas com grampo circular e cunha de madeira e a fotoativação correta foram fundamentais para o sucesso da restauração, satisfação da paciente e equipe profissional.

Referências 1. Soares PV, Santos-Filho PC, Queiroz EC, Araújo TC, Campos RE, Araújo CA, Soares CJ. Fracture Resistance and Stress Distribution in Endodontically Treated Maxillary Premolars Restored with Composite Resin. Journal of Prosthodontics (2008) 114–119. 2. Ross IF: Fracture susceptibility of endodontically treated teeth. J Endod 1980;6:560-565. 3. Reeh ES, Messer HH, Douglas WH: Reduction in tooth stiffness as a result of endodontic and restorative procedures. J Endod 1989;15:512-516. 4. Lambrechts P, Braem M, Vanherle G. Buonocore memorial lecture. Evaluation of clinical performance for posterior composite resins and dentin adhesives. Oper Dent 1987;12:53-78. 5. Abe Y, Lambrechts P, Inoue S, Braem MJ, Takeuchi M, Vanherle G, Van Meerbeek B. Dynamic elastic modulus of ‘packable’ composites. Dent Mater 2001;17:520-5.

1) Ser enviados acompanhados obrigatoriamente de uma autorização para publicação na ODONTO MAGAZINE, assinada por todos os autores do artigo. No caso de trabalho em grupo, pelo menos um dos autores deverá ser cirurgião-dentista. Essa autorização deve também dar permissão ao editor da ODONTO MAGAZINE para adaptar o artigo às exigências gráficas da revista ou às normas jornalísticas em vigor. 2) O texto e a devida autorização devem ser enviados para o e-mail: vanessa.navarro@vpgroup.com.br. As imagens precisam ser encaminhadas separadas do texto, em formato jpg e em altaresolução. Solicitamos, se possível, que o artigo comporte no mínimo três imagens e no máximo 30. As legendas das imagens devem estar indicadas no final do texto em word. É necessário o envio da foto do autor principal do trabalho. 3) O texto deve seguir a seguinte formatação: espaço entre linhas simples; fonte arial ou times news roman, tamanho 12. As possíveis tabelas e/ou gráficos devem apresentar título e citação no texto. As referências bibliográficas, quando existente, devem estar no estilo Vancouver. 4) Se for necessário o uso de siglas e abreviaturas, as mesmas devem estar precedidas, na primeira vez, do nome próprio. 5) No trabalho deve constar: o nome(s), endereço(s), telefone(s) e funções que exerce(m), instituição a que pertence(m), títulos e formação profissional do autor ou autores. Se o trabalho se refere a uma apresentação pública, deve ser mencionado o nome, data e local do evento. 6) É de exclusiva competência do Conselho Científico a aprovação para publicação ou edição do texto na revista ou no site. 7) Os trabalhos enviados e não publicados serão devolvidos aos autores, com justificativa do Conselho Científico.

6. Ferracane JL. Resin composite—State of the art. Dental Materials 2 7 (2011) 29–38.

8) O conteúdo dos artigos é de exclusiva responsabilidade do(s) autor (res). Os trabalhos publicados terão os seus direitos autorais guardados e só poderão ser reproduzidos com autorização da VP GROUP/Odonto Magazine.

7. Assif D, Gorfil C: Biomechanical considerations in restoring endodontically treated teeth. J Prosthet Dent 1994;71:565-567.

9) Cada autor do artigo receberá exemplar da revista em que seu trabalho foi publicado.

8. Daneshkazemi AR: Resistance of bonded composite restorations to fracture of endodontically treated teeth. J Contemp Dent Pract 2004;5:51-58. 9. Trope M, Langer I, Maltz D, Tronstad L. Resistance to fracture of restored endodontically treated premolars. Endod Dent Traumatol 1986;2:35-8. 10.Lohbauer U, von der Horst T, Frankenberger R, Kramer N, Petschelt A. Flexural. 11. Fernandes Neto AJ et al., Roteiro de Estudos para iniciantes em Oclusao, 2006. www.fo.ufu.br Capitulos 03, 04, 05. 12. Soares PV, Santos-Filho PC, Gomide HA, Araujo CA, Martins LR, Soares CJ. Influence of restorative technique on the biomechanical behavior of endodontically treated maxillary premolars. Part II: strain measurement and stress distribution. J Prosthet Dent. 2008b;99(2):114-22.

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10) Os trabalhos, bem como qualquer correspondência devem ser enviados para: Vanessa Navarro ou Vivian Pacca – ODONTO MAGAZINE Alameda Amazonas, 686 – sala G1 Alphaville Industrial – Barueri-SP CEP 06454-070 11) Ao final do artigo, acrescentar os contatos de todos os autores: nome completo, endereço, bairro, cidade, estado, CEP, telefones e e-mail. 12) Informações: Editora e Jornalista Responsável Vanessa Navarro (MTb: 53385) e. vanessa.navarro@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7506 Publicidade - Gerente de Contas Vivian Ceribelli Pacca e. vivian.pacca@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7769

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Odonto Magazine 21- Outubro 2012