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Fabio Pen * Ronaldo MiRanda * eugenio aMaRal

Skate

rau Finha e o SandtidoAG A rAmpA per Stanley inacio o CidAdão do mund leGitime BraSília Ar renovAdo roGerio lemoS LAdo A LAdo

por

toda

vida

Agno Abrão M e r d n A x e l A

chorão 1971

2013

evandro martins, fs fifty ano 22 • 2013 • # 210 • r$ 8,90

www.triboskate.com.br

índice //

abril 2013 // edição 210

eSpeciaiS> 40. rogerio lemoS  lado a lado 46. legitime em braSília rENovaNdo o ar 52. chorão skatE para sEMprE 62. Stanley inacio ENtrEvista pro 76. indiana Finha a proCura do saNto grau SeçõeS> Editorial ...............................................................12 Zap ............................................................................16 luZ ............................................................................70 Casa Nova .............................................................84 Hot stuff...............................................................92 MaNobra do bEM................................................94 Jpg + Mov ...............................................................96 skatEboardiNg MilitaNt ..........................................98

Capa: Evandro Martins é força de Curitiba e estava em Brasília pra tour da Legitime. O amedontrador corrimão com tranco é desejado por muitos, mas ele foi o único que pôs pra baixo. Fs fifty, numa área com muita gente. Um dos skatistas que recentemente participou de a Casa da MTV, conquista sua capa, com méritos. Foto: Camilo Neres NO iNsErT: alexandre Chorão faz falta. Foto: Jerri rossato Lima ÍNdiCE: assim que a nova praça roosevelt foi inaugurada, este noseslide alpinista do Gian Naccarato ficou gravado na memória dos poucos que participaram da session. agora ele é compartilhado da melhor maneira possível: impresso em papel couché 90g, de alta qualidade. Gian merece. Foto: robson sakamoto

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editorial //

Kim, Alexandre (filho do cara), Chorão, Sagaz, Vini, Not Dead, Gyrão e Bruno.

Os bravOs também choram Por Cesar Gyrão // Foto Jerri rossato Lima

E

ntre as melhores sessions da minha vida, sem dúvida, duas têm um carinho especial: foram na piscina Classe D, ambas com participação do Chorão. Uma delas foi a gravação do clip da música “Não Viva em Vão” e outra na mesma pegada, mas desta vez para o filme “O Magnata”. Foram momentos intensos, desde a limpeza do velho clube abandonado de Itapecerica da Serra, até as rasgaceiras de grandes personagens de nosso querido skate. Tais sessions estão na história, elevadas à categoria de arte (videoclip, cinema, fotos e matérias na revista), mas garanto para qualquer um que estar presente naqueles dias, é completamente diferente. Fomos abençoados. Movimentamos nossas habilidades, músculos e ossos, mas pode acreditar que os corações e mentes foram abalados pro resto de nossas vidas. E, agora que o Chorão se foi, cada um de nós, nesse imenso Brasilzão e mundo afora, está sentindo falta do maluco. Muitos de nós engolimos a notícia em seco, naquela manhã… Sem problemas se escaparam algumas lágrimas! Elas fazem parte e ninguém é menos bravo porque chora. Esta edição é dedicada ao Chorão, por tudo que ele fez pela Tribo Skate e pela sua galera. Sua matéria foi pilotada pelo Bolota, com o texto de apresentação puxado do fundo da alma da Cecília e fotos do Jerri, com algumas fotos especiais do livro que vinha construindo com o Chorão e o seu Charlie Brown Jr. Chore conosco.

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ANO 22 • ABRIL DE 2013 • NÚMERO 210

Editores: Cesar Gyrão, Fabio “Bolota” Britto Araujo Conselho Editorial: Gyrão, Bolota, Jorge Kuge Arte: Edilson Kato Redação: Chefe de redação: Junior Lemos Marcelo Mug, Guto Jimenez Fotografia: Marcelo Mug, Junior Lemos Colaboradores: Texto: Cecília Mãe, Camilo Neres, Rodrigo Kbça  Fotografia: Camilo Neres, Jerri Rossato Lima, Robson Sakamoto, Pablo Vaz, Paulo Tavares, Marianna Kirmse, Juliana Lima, Felipe Puerta, Flavio Gomes, Rodrigo Kbça, Carlos Taparelli, Paulo Macedo, Leonardo Laprano, Diogo Groselha, Guilherme Puff, João Brinhosa, Ramon Ribeiro, Pedro Macedo, Erick Bollmann

JB Pátria Editora Ltda Presidente: Jaime Benutte Diretor: Iberê Benutte Administrativo/Financeiro: Gabriela S. Nascimento Circulação/Comercial: Patrícia Elize Della Torre Comercial: Daniela Ribeiro (daniela@patriaeditora.com.br) Eduardo Câmara (eduardo@patriaeditora.com.br) Cibele Alves (cibele@patriaeditora.com.br) Fone: 55 (11) 2365-4123 www.patriaeditora.com.br www.facebook.com/PatriaEditora Empresa filiada à Associação Nacional dos Editores de Publicações - Anatec

responda: Qual o nome do último vídeo da osiris? a rESpoSta cErta vai concorrEr ao SEguintE kit

1 boné, 1 camiseta e 1 tênis da marca osiris EnviE nomE complEto E numEração dE calçado para triboskate@triboskate.com.br. SE for EScolhido, SolicitarEmoS aS informaçõES para Enviar o kit para Sua caSa. acompanhE ESSa promoção no SitE www.triboskate.com.br E no facebook/netshoes

Impressão: Gráfica Oceano Bancas: Fernando Chinaglia Distribuidora S.A. Rua Teodoro da Silva, 907, Grajaú Rio de Janeiro/RJ - 20563-900

Distribuição Portugal e Argentina: Malta Internacional

resultado: 29 dE maio dE 2013 Deus é grande! São Paulo/SP - Brasil www.triboskate.com.br E-mail: triboskate@triboskate.com.br

A Revista Tribo Skate é uma publicação da JB Pátria Editora. As opiniões dos artigos assinados nem sempre representam as da revista. Dúvidas ou sugestões: triboskate@patriaeditora.com.br

zap //

ronaldo miranda ConheCi esta fiGura em Londrina, no iníCio dos anos 90. foi amizade instantânea, pois tínhamos muitas afinidades, prinCipaLmente a de fazer peLo skate. da sua mão, reCebi um fanzine no formato tradiCionaL meio-ofíCio, impresso em GráfiCa rápida. isso, o LoCaL skate zine que eu me Lembro (e tenho na CoLeção até hoje), não era fotoCopiado, Como os que fazíamos nos anos 80. a Cena do skate paranaense deve muito ao ronaLdo, um Cara sempre ativo que passou por “n” marCas, deCoLando a partir da maha, partiCipou da Criação de assoCiações e foi Levar o skate para a mídia (rádio e tv). seu proGrama skate session, reGuLa Com a idade da tribo skate e está sempre Cavando novos espaços. entre aLGumas das boas infLuênCias do ronaLdo, está o empurrão em parte da Carreira do danieL vieira, o várias vezes Campeão europeu e brasiLeiro de street pro que aGora o Chamou pra trabaLhar em sua marCa, a broken. é fáCiL arranCar uma risada do ronaLdo, pois está sempre de bem Com a vida e sorrindo. mereCe. // Por Cesar Gyrão

Pablo Vaz

Como estão os joelhos velhos? Tá fazendo sessão direto? Depois de quase 40 anos andando de skate e grande parte no Gaúcho fiquei com tendinite crônica nos patelares dos joelhos, então o que rola hoje é um rolezinho quando bate aquela “gufa”, mas depois é uma semana com dores, mas vale a pena. O último evento que você competiu foi o Drop Dead Origins, em 2011? Você foi o vice e quase venceu. Como foi isso? Casa de ferreiro, espeto de pau... Eu tenho uma linha na pista que eu não

Este moskit numa das tetas da pista do Gaúcho, durante o Drop Dead Origins, em 2011, foi uma de suas armas pra ficar em segundo entre os legends.

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erro nunca, na hora do rockslide no cano do Gaúcho consegui errar na minha volta e nas duas vezes. Meu, fiquei irado e com o segundo lugar (risos) Normalmente, os caras que passaram dos 46 anos têm mais a base de vertical, pouquíssimos tiveram foco no street skate. Lembro de você mais como um cara do street. Por quais modalidades você passou desde o início, em 1974? Eu nasci ao lado do Ambiental, mas na minha época não existiam pistas e a gente andava mesmo era na rua. Só não pratiquei freestyle, o resto passei por tudo. Não costumamos ver você nos eventos old school mais tradicionais,

como os de Guará e da Swell. Por que você não aparece? Sou DJ nas horas vagas, e quase todos os finais de semana rola uma festa ou um evento. Abri os shows do Pennywise e do NOFX e alguns destes eventos caem, às vezes, nas mesmas datas dos campeonatos. Mas vou falar a verdade: já viajei pra campeonato pelo mundo inteiro e quando posso, quero ficar em casa com as meninas. O Local Zine era você e outro cara, mas lembro apenas de você. Que ano surgiu? A primeira edição da Local Skate Zine saiu em agosto de 1990 com Miguel “Catarina” Zaffari Junior na capa, quando junto com ele e o Franco, fiz minha primeira viagem (de muitas) para um campeonato de skate em Londrina, onde tive o prazer de conhecer o atual presidente da CBSK Marcelo Santos (vert rider) e seu vice (Ed Scander), cidade onde também conheci você no primeiro campeonato profissional da história do Paraná. Antes disso a revista era um fanzine (fanatical magazine) sobre rock. Quando entrei, vendi todos os anúncios e virei sócio. Como eu dizia sempre: o Leonardo Teles colocou a Local Skate Zine no mundo e eu me casei com ela; ficamos juntos até 1995. Foi você que criou o site da Maha? Quando entrei na Maha em 92, a primeira coisa que criamos foi um catálogo com papel jornal, onde os atletas da época (Miguel Catarina, Carlos de Andrade “Piolho”, Franco Bertagnoli, Marcelo Kosake e Marcio Caballero) usam a coleção da época de roupas e shapes. Qual foi o primeiro canal do Skate Session? Em 1992 entramos no ar pela extinta rádio Estação Primeira FM (primeira rádio rock da capital), com um programa semanal que falava de skate e tocava as músicas mais ouvidas em campeonatos na época. Fui o pioneiro no meu estado na criação deste tipo de programa e também fiz a primeira transmissão ao vivo por telefone em 1995 para a mesma rádio, direto da Alemanha, do Munster Monster Mastership, quando o Digo Menezes destruiu no vert e trouxe o título pra o Brasa. Há quanto tempo você entrou na Broken? Além da Broken você atua com as demais marcas do grupo? O Daniel Vieira faz parte de uma família antiga da região da pista do Gaúcho a qual conhecia muito antes dele começar a andar de skate; na época eu ainda estava na Maha e o vi com oito anos de idade andando de skate e com um pequeno repertório de manobras e um skate que mal dava pra andar. Já o tinha como um parente e fiz um “upgrade” nas coisas dele e o joguei na pista literalmente. Quando se tornou profissional, levei-o para seu primeiro Mundial em 2000 na Alemanha (MMM) e, desde então, trabalhamos juntos. Organizou eventos? Uns quantos? Que época? Desde 1989 até hoje promovo e organizo campeonatos e demos. Entre competições profissionais, amadoras e free sessions, já passei dos 200. Somente em um ano fizemos pela Maha mais de 30 eventos, no início dos anos 90. Foi locutor de muitos eventos? Foi a base pra ir pra TV? Ainda dou uns gritos em eventos, mas como Mestre de Cerimônias (MC), na maioria das vezes. Alguns amigos continuaram o meu trabalho: Marcelo Calazans (Ganso), Orlei de Andrade, Willian ET e Marcos Matoso, o “Cão”. Acho que fiz escola pra eles. A TV aconteceu um ano depois da rádio, em 1993. Como tínhamos uma boa audiência, entramos na CNT em rede nacional e, desde então, foram mais de 500 horas de skate na TV e no rádio. Atualmente assinei com a afiliada da Rede Globo (RPCTV) aqui em Curitiba e estrearemos em abril ou maio a 21ª temporada do Skate Session, junto a um circuito amador pelas pistas públicas da capital. Agradecimentos: Gyrão, agradeço a você por sempre me reconhecer como um skatista de verdade. Agradeço ao ao meu irmão Luciano Haluch, pela força de sempre, ao Maguila por ir me buscar em casa para trabalhar, naquela que na minha opinião, foi a maior e melhor marca de skate do país (Maha). Ao Daniel Vieira por se transformar no homem de família e atleta que é, fazendo valer todo meu esforço, quando ninguém mais botava fé que eu estava acreditando no cara certo. Ao meu grande amigo Rosemar, da Mormaii Óculos, que há 12 anos acredita no meu trabalho e me dá condições até hoje de fazer o que gosto, andar e trabalhar com skate. Agradeço minha mulher, Leca e as minhas filhas Michelle (que hoje mora em SP) e a Manuella, que nunca deixaram eu baixar a cabeça pra nada. E a Deus por ter colocado um skate na minha frente e me deixar viver disso. Obrigado.

Eric bollman

// zap

// CuRRiCuluM Skatae Jornalista Esportivo desde 1990 • Representante de marcas de skate desde 1992 • Fundador e Presidente da Associação de Skate de Curitiba – 1990 • Revista Tribo Skate - correspondente - Ago/1990 a jul/1992 Promotor das marcas em Curitiba: • Psico Street, Drop Dead, Maha, NSS, Volcom, Globe Shoes, Rude Boy, No Fear, Bad Boy • Atualmente com patrocínio da Mormaii Óculos (desde 2001), manager da Broken Skates, Allyb Skates e maker e editor do Skate Session Competições, Prêmios e Títulos: • Amador em Curitiba - 1974 a 1995 • Profissional de skate - 1995 a 2002 • Master desde 2003 • Legend desde 2006 - Vice campeão 2011 do Drop Dead Origins Honra ao Mérito: • ABESK (Associação Brasileira das Empresas de Skate) - 1992 Destaque na Mídia – 1993: • Câmara de Municipal de Curitiba • Caderno Fun – Gazeta do Povo Destaque na Mídia – 1995: • Associação de Skate Do Paraná Destaque na Mídia – 2003: • Associação de Skate Do Paraná • Caderno Fun – Gazeta do Povo • 100% Skate Mag • Conexão – Jornal do Estado Destaque na Mídia 2009: • Caderno de esportes – Gazeta do Povo • Revista Freex Destaque na Mídia 2012: • E Paraná - TV Educativa • Revista Freex Destaque na Mídia 2013 • E Paraná - TV Educativa • ÓTV - RPCTV (Globo) // Ronaldo MiRanda 46 anos, 38 de skate skatista, Manager e Jornalista esportivo Curitiba/pr Casado CoM leCa pai de MiChelle e Manuella

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zap //

Junior lEmos

coloca no mercado nacional a confecção para as garotas com a Narina Angels. • O insano das ladeiras Sergio Yuppie volta a ralar sem dó os tênis Qix na lixa e no asfalto das ruas, do Brasil e do mundo, por onde ele desliza seu skate. • Já o skatista de Santo André/SP Giovanni Galera foi anunciado como o primeiro patrocinado pela Vision Street Wear Brasil, ele que usa os tênis da marca para manobrar no street. • Enquanto isso, Zezinho Martins prepara junto com a Hocks o lançamento do primeiro model de tênis assinado pelo profissional. • Mais um skatista assina contrato com um time de futebol: Kelvin Hoefler agora também ostenta o escudo do Santos entre os seus patrocinadores, ele que é prata do litoral paulista. • [02] Já está nas lojas o shape da Alfa Skateboards pro model do Silas Ribeiro, também conhecido como Bisteca. • O skatista, jornalista e fotógrafo Edilson Grão entra para o time dos pais com o nascimento da maravilhosa Ella, sendo que a cegonha também visitou o sul do país trazendo a felicidade com nome de Surya para o casal de skatistas Gugu Ramos e Ohana Subhadra. • A Quadra da Gang (QG) vem fazendo o trabalho certinho em Criciúma, Santa Catarina, oferecendo aulas de skate e produzindo vídeos no skate park indoor construído especificamente para isso. Quem quiser conferir, os caras atualizam direto a página com novos vídeos: facebook.com/QGskate. • [03] Sandro Dias encarou de camionete o trecho entre São Paulo e Santiago no Chile para demonstração de vertical no Jump Festival, super evento que rolou por lá no dia 24 de março, com presença de Tony Hawk, Neal Hendrix, Lincoln Ueda, Mitchie Brusco, entre outros. O evento foi tão bombástico que o público destruiu a proteção da rampa e invadiu o espaço, na tentativa de garantir alguma lembrança do feito até então inédito para o skate do Chile. • A Seed Culture fez uma supresa daquelas para apresentar o primeiro pro model de shape do piauiense Thyago Costa. Escondeu a madeira na geladeira e pediu que o skatista pegasse uma cajuína, bebida típica do norte brasileiro. • Diego Oliveira também comemora, mas no caso é pelos dois models de shapes com sua assinatura pela Wood Light. • A DC Shoes Brasil fez festa na Matilha Cultural em São Paulo para exibir o vídeo que confirma a passagem do skatista paulista JP Dantas ‘Anjinho’ para a categoria profissional.

André Genovesi e Gian Naccarato, cicerones do lançamento.

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FlaVio nascimEnto

[01] A Narina lança novos modelos de bonés, camisetas e também

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Mariana Maita.

de pai pra filho

[03]

// Por junior Lemos

De 1995 para 2013. Anfitriões de peso em um ambiente style! André Genovesi, Gian Naccarato, Patrick Vidal, JP Dantas e Pedro Biagio receberam com muito estilo a galera do skate que foi até a 2 Ases Skate Shop, loja que fica na Vila Madalena em São Paulo, mesmo sendo aquele sábado com tempo entre o chove e o não molha. Todo esse movimento foi para conferir o lançamento oficial das madeiras Son Skateboards, mas a parada teve outras boas surpresas. E como todo lançamento, rolou aquela água e refrigerante geladinhos, mais o chopp classe A servido por ninguém menos que o Alexandre Spock. Sem esquecer do live rap com Don Cesão e Pizzol, mais Dj Sleep nas pick ups. Mas as paradas styles não ficaram só nisso! A primeira boa surpresa foi o vídeo de duração bem curta mas com a caixa de ferramenta toda lá dentro, exibição que rolou no estilo cinema lotado. É um breve ‘revival’ do Open Your Mind, relembrado em manobras de cada um dos que fizeram parte da marca, mais o novo teaser com imagens inéditas da equipe marretando picos no Brasil, Espanha e EUA, que leva a assinatura do Plinio Higuti. Já a segunda boa surpresa foi inesperada também para o próprio skatista: pouco antes de começar a exibição do vídeo, André sacou o primeiro pro-model do JP Dantas, materializando assim a profissionalização do skatista de São Paulo que é, junto com o amador Pedro Biagio, um dos novos destaques brasileiros do skate de rua, sem dúvida nenhuma! E assim rolou essa que foi mais uma demonstração de que o mercado nacional de skate precisa de marcas que valorizem seus skatistas, em todos os sentidos, assim como o pai investe em um filho, afinal os skatistas são peças fundamentais para que essa grande máquina funcione corretamente.

GuilhErmE PuFF

marianna mikaii

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Euli, Jéssica e Rodrigo da CT Culture, em Campinas.

GuilhErmE PuFF

Festa no encerramento do evento em Campinas/SP.

Juliana lima

Garotas reunidas no Tancredão em Vitória/ES.

Marta Linaldi colou em Campinas só pra manobrar: wallride to fakie.

Skate no mês delas // Por junior Lemos Março é recheado de homenagens direcionadas especificamente para as mulheres tendo em vista que é o mês em que se comemora o dia internacional delas. E como o pessoal do skate é sempre bem antenado, não faltaram eventos para aquelas que tornam o nosso ambiente ainda mais agradável. Destacamos três deles! // SupeR StReet 2013 A pista de São Bernardo do Campo recebeu no dia 9 de março, um sábado de muito sol na região metropolitana de São Paulo, a terceira edição do evento exclusivo para elas que acontece todo ano. E além da modalidade street para as categorias feminino 1 e 2, desta vez também rolou competição de bowl incluindo aí a disputa para as profissionais do vertical. Destaque para as vencedoras Gabriela Mazetto (fem 1), Laura Marciano (fem 2), Nicole Santana (bowl fem 1) e Karen Jonz (bowl pro). // 2º enContRo de Skate FeMinino Vitória, no Espírito Santo, tem fama de ser a capital nacional do mármo-

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re e a mulherada paulista foi conferir de perto essa qualidade que define a cidade. Mas a visita não foi apenas para isso: Jéssica Florêncio, Euli Vieira, Emilie Pipa e Ligiane Xuxa foram até a cidade pra participar do festival feito especialmente para as skatistas de todo o estado, que contou com palestras, sessões de skate e disputas que foram realizadas com a intenção de proporcionar uma troca de experiências entre as garotas locais e as visitantes. // ladieS oF the StReetS Campinas tem uma dos picos de street mais styles do estado de São Paulo. A Praça das Águas, um dos que participaram do Converse My Square 2011, é um lugar amplo com blocos na transversal de um lado e no resto do espaço a galera local construiu e mantém obstáculos que complementam a área propícia para o desenvolvimento do street skate. E foi nesse ambiente de muita descontração que 17 garotas da região e da capital competiram no domingo (24) neste evento realizado pela loja CT Culture. Jéssica Florêncio e Euli Vieira julgaram as competidoras, Karen Feitosa levou a parada e Marta Linaldi compareceu apenas para manobrar, fechando com muita classe e atitude o evento que fechou extra-oficialmente o mês das mulheres skatistas.

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marcelo mug

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Skate Plaza Roosevelt Em meio a polêmicas, debates e discussões, chegou-se a um acordo para que o skate não seja proibido na Roosevelt. Um espaço pra nós já foi definido e logo mais uma reforma adaptará a área, com previsão que até junho tudo esteja pronto. Aproveitando o ‘teco’ de banco que sobrou, Marcelo Formiguinha aplica um fs 180 ollie to switch crooked saindo de halfcab flip, combo que voltará ainda mais técnico com a tão esperada Skate Plaza no centro de São Paulo. 2013/abril TRIBO SKATE | 25

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Contato direto Com nossos Leitores, a páGina da revista no faCebook reCebe diariamente diversas suGestões de fotos, vídeos e tudo mais. hora propíCia então para trazer aLGuma dessas imaGens para nossa audiênCia.

A loja Aztec Skate Shop mostra um pequeno skatista fazendo aquela leitura básica da edição 205/ novembro de 2012. O leitor, skatista e fotógrafo Clairton Passos Rodrigues compartilhou esse fs air do Jansen Reis na pista de skate do Gama/DF.

Gabriel Nascimento confere um ar mais artístico à foto antes de nos mostrar este fs noselide no corrimão.

instaGam.com/tonyhawk

Quer ver sua foto aqui? Compartilhe conosco: facebook.com/triboskate

Red Carpet: Tony Hawk e a esposa, durante a cerimônia.

Hawk e Bob: A favela do saudoso Wellington Sinistrinho, morto na guerra do tráfico há alguns anos, tem novamente um sopro de alegria, com a visita dos ilustres skatistas.

os embaixadores unidos Pela primeira vez em sua história, o Laureus World Sports Awards 2013, tem sua cerimônia de méritos esportivos realizada no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, antecipando os megaeventos que serão realizados em 2014 e 2106 na Cidade Maravilhosa - a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas. Entre os pesos pesados de todos os esportes olímpicos e das modalidades radicais, estão dois skatistas: o brasileiro Bob Burnquist, eleito em 2002 como ‘o cara’ dos esportes de ação e o norte-americano Tony Hawk, a lenda que faz parte da academia do Laureus e que visita o Brasil pela terceira vez, nesta ocasião aproveitando mais sua passagem por aqui como numa visita a uma

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das obras proporcionadas pela fundação criada pelo prêmio: o Complexo Esportivo da Rocinha. O Prêmio Laureus World Sports é o principal evento do esporte mundial de distinção aos maiores esportistas, homens e mulheres, de cada ano. Os vencedores do Prêmio Laureus World Sports são selecionados por um júri composto por grandes esportistas – os 46 membros da Academia Laureus World Sports –, verdadeiras lendas vivas do esporte que homenageiam os melhores atletas em atividade no momento. Os prêmios são concedidos em uma cerimônia anual com a participação de personalidades mundiais do esporte e do entretenimento, transmitida para 120 países e territórios.

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nada meLhor que pesquisar no instaGram para se ter uma ideia de onde a GaLera anda manobrando ou tirando um Lazer. taLvez a Conferida no apLiCativo na hora Certa Garanta enContrar aLGum skatista na sua área; andando no piCo que só voCê ConheCe, ou naqueLe que apareCe em todos os vídeos. vai saber!

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f a. a caminho de volta de Madureira, o Cesinha Chaves parou pra mostrar essa joia. pista de skate de 1979. @bobburnquist b. F/s feeblegrind. @vcards C. tarde Maringá!!! @thecast d. switchheel sp. @carolinoskate e. nas #ruas @kauecossa f. eu e meu mano #zezeh, na missão ontem! @jay_alves G. @aguerosp dando um trampo antes de começar a missão. @futureskateboards h. dragon crooked. @enxaquecaxv

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FEliPE PuErta

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EugEnio amaral Eugenio Amaral, o Geninho, é o atual comentarista dos canais Globo em transmissões de skate vertical. É skatista profissional de longa história na modalidade e trabalha como analista financeiro. E mesmo com tantos compromissos o cara anda de skate até hoje e certamente as músicas que ele escuta são responsáveis por manter o skate pulsando eternamente em suas veias.

Fotos Junior lEmos

Method no RG Skate Park.

Chico Science, Da Lama ao Caos Charlie Brown Jr., Como Tudo Deve Ser Chico Buarque, Cotidiano Cone Crew Diretoria, Falo Nada Emicida, 9 Círculos Criolo, Subirusdoistiozin CPM22, Alguns Quilômetros de Lugar Nenhum Marcelo D2, 1967 Racionais MC’s, Vida Loka parte 2 Kamau, Por Onde Andei Dinosaur Jr., Freak Scene Dinosaur Jr., Been There All the Time The Geraldine Fibbers, Dragon Lady Built To Spill, Car The Afghan Whigs, Conjure Me Bob Seger, Night Moves David Bowie, Five Years Lissie, Pursuit Of Happiness Jay-Z, Public Service Announcement Yuck feat. Lil Wayne, 2 Chainz

Pegue o bilhete e boa viagem Tristan Zumbach, o suiço mais brasileiro de todos, cumpriu o prometido e voltou ao Brasil para mais uma série de exibições do seu quarto filme de skate, o Passengers. Passou por Caçapava/ SP, Florianópolis, Ilhéus/BA e Campinas/SP. A última delas com direito a muito skate na Praça das Águas, presença da equipe Urgh, incluindo um dos ‘passageiros’ Flavio Lopes, e também do profissional que passa a régua no vídeo: Marcelo Amador Formiguinha.

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Fotos Paulo taVarEs

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Capital + Roots.

Sagaz corta a fita com esse ignorante lien air.

a rampa da roots Dá pra notar a diferença quando uma loja é gerenciada/administrada por um ou mais skatistas. Na Roots Skate Shop, em Anápolis/GO, essa disparidade vem fazendo a cena do skate crescer a cada dia, graças ao trabalho dos skatistas Juan Martínez e Vitor Sagaz. E o futuro é promissor! Em março rolou a inauguração da minirrampa (coberta) que fica no fundo da loja, com direito a alto astral e muito rolê pesado já que estiveram presentes os skatistas da Capital Skateboards, os profissionais LP Aladin, Jay Alves, Juliano Amaral mais o amador Samuel Jimmy. A festa ainda contou com imagens do fotógrafo e também skatista brasiliense Paulo Tavares. Ficou com vontade de dar um rolê? A Roots Skate Shop fica em Anápolis/GO na Rua Leopoldo de Bulhões, 166, Centro.

Jay Alves, mayday.

diVulGação

nike koston 2

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Englobando uma campanha muito bem feita, com vídeo onde até o Neymar aparece, o lendário skatista naturalizado norte-americano Eric Koston faz 38 anos em abril e recebe um puta presente antecipado: seu segundo modelo de Nike. Desenvolvido com base nas características do skatista, o tênis contém as mais recentes inovações da marca, o que resultou em um calçado com amortecimento de altíssima qualidade, que suporta altos níveis de impacto, além de ser durável e confortável desde o momento que sai da caixa. A sola é feita em borracha com grande resistência, oferecendo ótimo atrito com o shape. A palmilha anatômica em lunarlon, elemento fundamental nos tênis de corrida da Nike há vários anos, foi redesenhada proporcionando impactos sem acréscimo de peso ou volume. A proteção no ante e arco do pé também foram reforçadas aumentando a precisão na aterrissagem. O que se resume em um controle maior das manobras, sem deixar de lado a proteção para seus seus pés!

zap //

Fabio pen no finaL de 2012 fabio pen teve um perfiL espeCiaL no proGrama skate paradise (espn), que o CoLoCou novamente em evidênCia. por mais que eLe não tenha apareCido muito nas mídias nos úLtimos tempos, o Cara está sempre na ativa, mantém seu skate em dia em pistas e piCos de rua, fazendo ComerCiais para tv (Como o reCente do ChevroLet soniC) e atuando Como ConsuLtor na baLboa boards. Certo dia eLe estava na Loja de ConveniênCias de um posto de GasoLina, depois de uma sessão em são bernardo, e roLa um assaLto. o Gerente do posto reaGe e os bandidos pipoCam tiros pra dentro do reCinto. um deLes peGa nas suas ferramentas de trabaLho: sua perna e mão! esta é apenas uma fração da história deste profissionaL pauLista que se reCuperou deste aCidente à base de muito vídeo e revistas de skate e o Cuidado de sua famíLia, por LonGos 12 meses. profissionaL desde 1993 Com pro modeL até hoje peLa anti aCtion, pode ser enContrado em sessions no skate park das áGuas espraiadas, no butanCLan (Ceu butantã) e reCentemente voLtou a CaLçar os qix shoes, marCa que marCou sua trajetória por muitos anos. esta LonGa miLitânCia do pen no skate foi muito bem retratada em várias tribo skate, em entrevistas, muitas fotos e artiGos pubLiCados. fabio também teve aLGumas partes de vídeos que viraram história, entre as que mais marCaram as do vídeo pLuG, do aLex kundera. skate & fabio pen, vem que tem!

// FotoS marCeLo muG • Seu estilo de skate antigamente era mais de street. Por que você mandava tanto heelflip? Quase todas suas fotos eram de variações de heelflips! Você teve patrô de marca de surf, a Stanley, ainda continua com esse apoio? (Felipe Thiago Albuquerque, Mogi/SP) – Meu estilo continua sendo mais street. Mas gosto muito de andar em transição também. Quanto as variações de heelflips, é o que tenho mais facilidade por isso me identifico mais. Mas não deixo de fazer outras variações de flips. Fiz parte da equipe Stanley por 4 anos. Tinha um reconhecimento no surf, porém já com uma equipe de street bem forte nos anos 80. Me desliguei da marca em 2011. Hoje faço parte da Rogue Apparel. • Você foi o protagonista de um curta metragem (Hoje) filmado em Atibaia e vencedor do festival de curtas da cidade. Um filme que envolve o skate, porém não para mostrar manobras e sim falar do dia a dia de um skatista e da vivência do skater e seu material de trabalho! Você, skatista profissional, como vê a cena dos vídeos brasileiros atualmente? (André Peixe, São Paulo/SP) – Vejo que realmente houve uma grande evolução. Mais profissionalismo em edição e captação de imagens, favorecendo e qualificando de forma adequada o trabalho do skatista, que vem com um nível técnico muito elevado. • Você já viveu grandes histórias em décadas de skate,

// Fabio de oliveiRa paeS 38 anos, 26 de skate patroCínio: anti aCtion, rogue apoio: Qix international, balboa boards são paulo, sp Casado CoM Fernanda Caloni pen pai de brenno

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como vê a cena do skate atual e o nível dessa galera? (Rafael Moreira, São Paulo/SP) – Sim. Já passei por algumas gerações, e evolui com elas. A cena do skate atual está muito forte, a confirmação está na revelação de novos skatistas com uma grande frequência. • Você é um guerreiro urbano por diversas razões, mas tem uma que eu acho a mais punk: quando foi baleado. Como você se fortaleceu e seguiu adiante na sua recém iniciada carreira pro? (Marcos ET, Atibaia/SP) – Sim. Realmente quem me conhece, sabe que sou um guerreiro. Quanto ao acidente, foi uma fase muito complicada. Fazia um ano que havia me tornado profissional. Estava naquela febre de andar o dia todo, de repente me vejo em uma cama de hospital imobilizado por quatro meses, sem saber se voltaria a andar. Minha vontade de andar de skate e seguir a carreira de skatista, não me deixou pensar na possibilidade de nunca mais andar. Com o apoio da família, amigos e muita fisioterapia e disciplina, saí deste pesadelo sem sequela alguma e nenhum pino ou parafuso no corpo. Voltei com tudo. E assim continuo até hoje! • Tô ligado que você cria várias tricks e tem umas que só você manda! Tem alguma nova vindo por aí? (Fabio Bellan, São Paulo/SP) – Sim! Já criei algumas, tentando outras. Sempre tento mesclar uma manobra à outra, formando alguns combos. Nestas criativas tentativas, saiu uma manobra que eu nunca havia visto e acredito que eu que inventei, foi o bs nose blunt shovit to tail reverse, em transição. • Hoje em dia você consegue viver só de skate e patrocínios? Por muitos anos você foi linha de frente na Qix e hoje vejo alguns atletas antigos voltando para marca. Pode explicar sobre isso? (Flavio Marques, São Paulo/SP) – Além dos patrocínios e apoios que tenho, também trabalho como consultor de skate. Realmente fui linha de frente da Qix por muitos anos. A marca completou 20 anos este ano e recontratou alguns atletas que fizeram parte desta história. Quem sabe não serei o próximo? Afinal, “fui o linha de frente da marca”, tanto que tenho meu nome muito vinculado com o da Qix. • Como você faz pra manter o nível do seu skate por tanto tempo? (Eric Schneider, São Paulo/SP) – Dedicação, disciplina, força de vontade, amor pelo esporte e muito treino. • Sou do tempo em que ele tinha umas 11 tattoos, só. Isso lá em 1996, se não me engano! Quantas são agora, qual foi a

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Fabio pen Com o apoio da família, amigos ‘‘ e muita fisioterapia e disciplina, saí

deste pesadelo sem sequela alguma e nenhum pino ou parafuso no corpo. voltei com tudo.

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última e qual é a que marca o período mais importante da sua vida? (Fátima Conte, São Paulo/SP) – Hahaha, realmente faz tempo que tenho mais que 11. Não sei o número exato de tattoos que tenho hoje. A última foi uma cruz que tenho do lado direito do abdômen. A que mais marcou foi a homenagem que fiz no lado esquerdo do peito para meu filho Brenno “My son eternal inspiration”. • Além de representar algumas marcas, trampar em alguns campeonatos como juiz, você fez alguns comerciais pra TV. Este tipo de trabalho é regular? Quanto influencia no seu sustento? (Claudio Albuquerque, Rio de Janeiro/RJ) – Sim. Das marcas que represento, recebo uma ajuda de custo. Os campenatos, além de me divertir, reencontrar amigos e andar de skate, me proporcionam uma verba a mais. Quanto aos comercias de TV e outras mídias, não é um trabalho regular, porém é um adicional que sempre complementa. • Eu flagro o Fabio Pen desde as lendárias sessions na Prestige. Gostaria de saber como o skate entrou em sua vida? E completo dizendo que curto seu street consistente. (Alê Fumaça, São Paulo/SP) – O skate começou como uma brincadeira, que tomou uma proporção gigantesca na minha vida. Tanto que vivo dele até os dias de hoje. Fiz do skate minha qualidade de vida, meu círculo de amizades, me proporcionou conhecer o Brasil inteiro e alguns outros países. Fico feliz por esta qualificação ‘consistente’ que você me deu. • Na sua opinião o que falta no Brasil para o skate ser verdadeiramente reconhecido? Digo pela grandes empresas e a mídia de forma geral; já que dizem que o skate é o segundo esporte mais praticado no país? (Nota do editor: o skate não é o segundo esporte mais praticado no país, mas está entre os 10 mais.) (Marcos Garms, São Paulo/SP) – Um pouco mais de seriedade por parte dos empresários e atletas. No sentido de comprometimento e reconhecimento. As grandes empresas investem muito no skate vertical (por visualmente ser mais fácil entender as manobras), acredito que falta mais informação para os leigos sobre as duas modalidades: street e vert . Além de que realmente é um dos esportes mais praticado no país, por ser também usado como meio de transporte e de diversão, pelo fácil acesso ao skate (hoje em dia). • Explica pra gente de onde vem o Pen. É seu sobrenome ou mais um daqueles apelidos que aparecem nas sessões de skate? (Ricardo Watanabe, São Paulo/SP) – Nenhum dos dois! É um apelido que ganhei desde pequeno, que tem dois sentidos: Pen de caneta (por ser muito magro quando pequeno) e Pen de pentelho (por ser o menor da galera que eu andava, sempre chamando os caras para andar muito cedo). • Sua imagem foi associada por muito tem com a da Giuliana. O que aconteceu com o casal de skatistas mais descolado dos anos 90? (Márcia Siqueira, São Bernardo do Campo/SP) – Na época éramos um casal jovem e tatuado que andava de skate (isto era raro), por isso nos destacávamos. Eu por ser profissional e ela por ser uma das poucas meninas que andavam bem na época. Há nove anos nos separamos. Daí, desde então, não tenho mais conhecimento sobre ela. próxiMo enFoCado: Rodil FeRRugeM. envie suas perguntas para tRiboSkate@tRiboSkate.CoM.bR CoM o teMa linha veRMelha – Rodil FeRRugeM. ColoQue noMe CoMpleto, Cidade e estado para ConCorrer ao produto oFereCido pelo proFissional.

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May day crail grab, Butanclan.

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RogeRio Lemos

Lado a Lado Profissional do skate e skatista Profissional. de um lado o skate, de outro o design! ele é um daqueles caras que foi criado lendo revistas de skate, treinando seu olhar nas Páginas da Yeah, overall, Big Brother, thrasher, entre outras. e foi em uma delas que ele teve Pela Primeira vez a noção do que seriam suas ocuPações Profissionais atuais: skatista master e designer gráfico. Primeiro veio o skate, dePois os tramPos que o Puxaram ao Profissionalismo, isso aos 38 anos. conheça agora um Pouco da história desse sangue noBre que ‘mexe o doce’ em sorocaBa, interior Paulista. Por Junior Lemos // fotos FLavio Gomes

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das antigas // perfil pro

C

omo o skate cruzou seu caminho? Em 1986 estava em uma banca de jornal e dei de cara com a revista Yeah!. Quando abri vi um anúncio com o Sergio Negão dando um fs air. Desacreditei no que vi! Já havia tido contato com skate antes, mas nunca imaginei que pudesse voar com aquilo. No mesmo ano ganhei meu primeiro skate, um HProl (nem rolamento tinha, eram as temíveis bilhas!) e comecei a andar nas ruas perto de onde morava, Higienópolis, Perdizes... Os primeiros ollies, boneless. E desde então nunca mais parei de andar. Em 87 me mudei para Sorocaba e de cara conheci, no Colégio Salesiano, alguns caras que estavam começando também a andar (Sheo, Ota, Gais...) e também toda a velha guarda do skate sorocabano: Dado, Ronie, Rochinha, Nal... Os caras foram locais do Mirante em Jundiaí, fizeram as suas próprias rampas nos anos 80, andaram no Wave Park, no Wave Cat. O Ronie tinha um arsenal das antigas Skateboarder, as primeiras Thrasher... Eu ficava pirando nas revistas e nas histórias deles. E foi aí, então, que o skate entrou de vez na veia e nunca mais saiu. Qual sua relação com a cena local? Sempre fui bastante participativo na cena local, já fiz diversos campeonatos, organizei muitos eventos. Mas infelizmente Sorocaba passa por um período bem ruim onde, por exemplo, o prefeito anterior prometeu 20 pistas de skate e fez um monte de miniquadras com rampas minúsculas, péssimas. A pista do Parque das Águas, que era a melhor que tínhamos, agora está cheia de infiltrações, alagamentos constantes, toda destruída e esburacada... Isso é bastante desanimador. E mesmo assim tem surgido uma geração de grandes skatistas que estão despontando no cenário. Minha última contribuição foi ajudar no projeto e na construção do bowlzinho da Vila Haro. Ficou menor do

Definitivamente, a Kako’s Pool não é um lugar docinho pra se andar. A piscininha feita por Gui em homenagem ao seu irmão Leo Kakinho é rápida e traiçoeira. Fs grind, Vert In Roça, Guaratinguetá.

que eu queria mas muitos já vieram de fora pra andar e gostaram bastante. E devido a isso estou vendo uma molecada que está andando muito nas curvas, linhas fluídas de bowl, é muito bom ver isso por aqui! Agora estamos nos mobilizando para montar uma associação, o Alexandre Franja está correndo com isso e me pediu ajuda para tentarmos melhorar a cena local. A paixão pelo design também veio cedo? Sim, surgiu cedo justamente vendo revistas de skate. Eu pirava nos gráficos dos shapes, principalmente aquele famoso do Gonz, nos anúncios com as artes do Jim Phillips, nas capas das revistas. Gostava de customizar capas de caderno com anúncio de skate e encartes de discos. Até hoje me arrependo de ter passado a tesoura no encarte do álbum branco dos Dead Kennedys, só pra ter um visual de caderno mais decente! Outro cara que me inspirou muito no design foi David Carson, ele foi diretor de arte da Transworld e da Surfer e trouxe uma linguagem muito agressiva e moderna para o mundo do design gráfico. Qual foi o primeiro trampo de publicidade no skate, aquele que você pensou: “Agora vai”? O primeiro de todos que eu me lembre foi para a loja Action Now do Éder Botelho, em Campinas. Eu fazia cartazes de campeonatos e algumas estampas para os shapes da marca. Creio que meu primeiro site de skate foi o dele também. Mas quando fechei pra fazer o site da marca californiana Pocket Pistols e o site brasileiro da Vans percebi que o canal tinha se aberto de vez, que eu estava no caminho certo e realmente pensei “agora vai!”. Não posso deixar de citar a Balboa Boards, a Devotion, a Wave Boys, a Gardhenal e a Drop Dead (e sua Drop Family) que há 3 anos venho desenvolvendo um trabalho no site deles com atualizações, layouts e banners. 2013/abril TRIBO SKATE | 41

Tinha uma transição pelo meio do caminho. Fs crail block, Sorocaba.

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das antigas // perfil pro Qual o trampo fudido dentro do skate que você gostaria de ter feito e por que? O design do shape do Mark Gonzales, aquele primeiro da Vision. Aquilo é uma obra prima! Gosto demais desse desenho criado por Andy Takakjian, é um estilo meio jogado, meio misturado e largado, bem do jeito que eu gosto. Mas se tem um trampo que tenho muita vontade de fazer é o site do Jim Phillips. Eu acredito que um dia esse trampo vai rolar, penso sempre nisso! Quais as diferenças do design aplicado pelo mercado brasileiro de skate ontem e hoje? Antigamente tinha muita cópia, muita ideia “chupada”, infelizmente sabemos o resultado negativo disso no passado, mas mesmo assim tínhamos alguns caras como o Billy Argel, por exemplo, que mantinham a ordem e o propósito. Hoje o mercado cresceu e aumentou o número de profissionais de design que são skatistas. As marcas investem mais, existem mais eventos, e tudo isso aumenta a participação do design na cena do skate. Nos últimos tempos surgiram grandes designers que fizeram e fazem um excelente trabalho como o Sesper, o Marcos Ubaldo (RIP), o Barnero, os caras do RTMF e da Drop Family (Pablo, Diego, Bruno), o Marcus Aviador, que desenhou o gráfico do meu model de shape lançado recentemente pela Gardhenal... São caras que trabalham sério para cultivar e manter a arte e a cultura do skate brasileiro sempre viva e original. Como chegou ao profissionalismo no skate? Minha relação com o skate profissional veio diretamente do meu trabalho com o mercado do skate como designer. Até meus 28 anos nunca pensei em me profissionalizar, eu sempre andei por puro prazer, skate de alma mesmo... Mas percebi que quanto mais eu participava da cena como skatista, mais trabalho como designer eu conseguia. E nisso eu comecei a andar mais, me dedicar mais, participar mais de eventos e naturalmente um dia, aos 38 anos de idade, surgiu a oportunidade de virar pro e agarrei, pois sabia que era aquela hora ou nunca mais. Como um skatista master se prepara pras disputas e quais os eventos que você participa hoje? Cara, honestamente falando, eu comecei a fazer um trabalho de preparo físico há poucos meses na academia EstúdioW, o treino lá é pesado! Tenho feito o tal do Treinamento Funcional, é uma parada diferente que não envolve apenas pesos, fico me equilibrando numas camas elásticas e outros aparelhos que simulam os movimentos em cima do skate, dá pra suar bem, viu! Em pouco tempo venho notando uma boa melhora, tem sido muito bom. Quanto às competições eu gosto de ir pra me divertir, rever os amigos e fazer novos contatos de trabalho. Dois eventos que gosto muito são o Swell Old is Cool em Viamão/ RS e o OSSJ em Guaratinguetá/SP. E ainda falando em eventos, ano passado fiquei em primeiro lugar no ranking Old School da CBSk, na categoria Legends. Você também movimentou a cena no interior paulista com o evento Rheumatic Hard Core Session. Como surgiu a ideia de realizar uma doideira dessas? Está em qual edição já? Um dia eu estava no telefone com o Evandro Ota e fiquei tentando convencê-lo a voltar a andar de skate, voltar para a sessão com os amigos antigos. E o cara me diz: “Sessão? Só se for no médico pra curar o reumatismo!”. E nessa surgiu o nome e acabei fazendo um churrasco com os skatistas das antigas daqui de Sorocaba no dia da inauguração do saudoso Big House Skate Park. E assim surgiu o RHCS, um churrasco que virou uma skate party para masters com direito a prêmios, onde o espírito de diversão era o principal fator motivante. Depois de três edições, a Big House fechou e transferi o evento para Piracicaba, na famosa minirrampa da Rua do Porto, e com isso entrou na parceria do evento o Cristiano Pira, que foi o primeiro pro da cidade. Agora está indo para a sexta edição no geral, a terceira em Piracicaba. O evento está crescendo muito, está se fixando como um dos principais eventos “core” na cena nacional. Já tivemos skatistas de quase todo o Brasil participando e com grandes presenças de profissionais como Cristiano Mateus, Ari Bason, Ragueb Rogerio, Adnan Paniágua, Daniel Kim, Masterson Magrão e muitos outros. Só quem já foi sabe a festa animal que é! E esse ano teremos novidades, aguardem! Qual a expectativa pra viagem aos EUA? Essa viagem começou a ser planejada desde o ano passado quando recebi um convite do Steve Van Doren para o Protec Pool Party. Fui me organizando pra fazer essa viagem acontecer e ver esse grande evento de perto. Tenho uma lista de locais que quero conhecer e andar, de preferência em pools e ditches, que é a raiz de tudo! Vou aproveitar também para reciclar minhas referências de design, conhecer mais de perto algumas marcas, revistas e designers de lá. O que o aspirante a design tem que ter para progredir no mercado de skate? Na real o cara que trabalha com design tem que se especializar sim, mas tem que ter feeling pra coisa. E se for trabalhar com skate saiba que tem que amar o carrinho e fazer isso por prazer, mas nunca deixar se vender barato para marcas que querem sugar seu sangue. Se valorize sempre. Projetos futuros? Alguma carta na manga? Planejei muitas coisas para 2013 e aos poucos vem acontecendo. Estou desenvolvendo o novo site da revista Tribo Skate, já ouviu falar? Rsrs. Fiz toda a

parte de layout e design, logo menos está no ar. Paralelo a isso minha empresa de comunicação, a RL/MKT&COM, tem conquistado novos clientes, não só no mercado de skate, e tem sido um grande avanço poder desenvolver meu trabalho para outros setores, é um desafio que eu gosto de encarar. E quanto ao skate não tenho planos definidos, quero continuar andando, viajando pra conhecer novos picos e sempre evoluindo pra voltar pra casa depois de uma sessão cabreira e dormir com o sorrisão no rosto, skate pra mim é isso, simples assim! Algum recado ou mensagem final? Quero agradecer o suporte de algumas marcas e pessoas que acreditam no meu skate e no meu trabalho, como é o caso da Gardhenal (Ragueb), da Indy (via Drop Family, Eduardo Alemão e Marco Cruz), da Crazy Beer BBQ (Mauro Loriato), do EstúdioW (Whisner Cesar), do Cristiano Pira, do Eduardo Pacheco, da minha esposa Gabriela, dos meus pais, do meu filho Lucas e de tantos outros grandes e verdadeiros amigos que sempre estão comigo (vocês sabem quem são!) e que fazem com que eu tenha ainda mais motivação para continuar trabalhando, andando de skate e mandando meus grinds por mais 40 anos, quem sabe... Skate na veia! Vida simples sempre prevalece. // roGerio Lemos 40 anos, 27 de skate PuBlicitário, designer gráfico e skatista nasceu em são Paulo, mora em sorocaBa/sP Patrocínio/aPoio: gardhenal skates, indePendent trucks, crazY Beer BBq, estúdioW skate atual: shaPe gardhenal “lemos Beer”, eixo indY 149, rodas Pig Wheels 55mm e rolamento indY 7’s

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legitime // brasília

Renovando o aR Fazer uma tour pelos picos de Brasília pode parecer comum entre skatistas em Busca de Boas imagens. mas ao invés do tradicional, renovamos o ar e partimos em direção à casa de um amigo com o intuito de visitá-lo e ver como estão as coisas por lá. e Foi com este pensamento que evandro martins “gringo”, gaBriel gomes e patrick vidal juntaram-se à lehi leite, reunindo assim toda a equipe legitime no dF, capital do Brasil e cidade do tempo seco!

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// texto e Fotos Camilo Neres

visita durou pouco mais de uma semana e nesse tempo eles fizeram questão de quebrar o clima de tour agindo como se estivessem em casa, assim como seu anfitrião. Isto fez com que as sessões rolassem naturalmente, desde o momento em que todos se reuniram no (Setor) Bancário passando pela hora de voltar para casa e até quando checavam as imagens produzidas durante o dia. O resultado dessa visita que a Legitime fez, com o direcionamento do Lehi, vocês conferem agora e também no vídeo exclusivo da tour disponível no triboskate.com.br e na página da marca (facebook.com/legitimewheels).

O Setor Bancário Sul é a salvação do rolê em dia de chuva, mesmo assim é preciso cuidado para não se molhar.

Unir a equipe em uma tour é isto: motivação, força e alegria.

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Lehi Leite revela aos visitantes o caminho certo pra deslizar toda borda no Setor Bancรกrio Sul: nollie flip noseslide nollie heel out.

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legitime // brasĂ­lia

Patrick Vidal agradece a estada, fs ollie fakie nosegrind.

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Gabriel Gomes entendeu bem as dicas do anfitri達o, segue o caminho certo e despreza o banco de nollie hard heelflip no Conic.

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brasília // legitime

Moment na capa, sequência na pauta! Gringo põe pra baixo o fifty, agora em movimento.

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chorão // 1971 - 2013

Espírito 220

num corpo 110 Bocudo e humilde, pavio curto e generoso, desengonçado e chique, e, infelizmente, lindo de morrer. É o que acontece com um espírito de 220 num corpo de 110. a diferença de voltagem castigou a carne atÉ a merda do curto circuito que, finalmente, o transformou na luz que sempre foi. Bicho solto, “marginal alado”, está por aí em tudo que Brilha no universo. azar da gente, que continua nessa terra cada vez mais sem graça, sem caráter e sem culhões. nossas lágrimas são por nós, que ficamos. afinal, somos nós os chorões. então, chega. o cara vivia dando aquela gargalhada escancarada e fazendo a gente rir o tempo todo. não É justo. quer detalhe mórBido? fofoca picante? errou de revista. por CeCília Mãe // fotos Jerri rossato liMa

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chorão // 1971 - 2013

Parte do livro que estava pronto e Chorão não viu sua obra impressa: skate-rock na veia... Fazendo uma jam com Mike Vallely!

Chorão é apelido! Durante anos, o Parque do Ibirapuera foi o maior foco de resistência do skate na capital paulista. Era um grupo pequeno de freestylers e streeteiros, extremamente chatos e inteligentes, que triavam os novatos através de uma tortura mental e física constante. Não com violência, mas com brincadeiras exaustivas. Bolota, Folha, Bê, Eddie Gralha, Pastel, Jorge Kuge, Edu Brito, Hatsuo Pop e outros eram verdadeiros mestres na arte de atormentar quem quisesse sobreviver ao pente fino. Ao longo dos anos, vi o Thronn passar por isto, o Daniel Kim e vários outros que não aguentaram dois fins de semana de provações. Só que os dois souberam superar o ritual. Agora, o tal de Alexandre Magno, céus! Reclamava de tudo, ficava questionando, aporrinhando os moleques e, por isto, ninguém nunca mais o chamou pelo nome do RG, desde que o Bolota o batizou de Chorão. Em campeonatos, era muito pior! Pobres juízes. Em compensação, ele se tornou um legítimo Ibira Boy. O mais legal é que a tradução deste título bilíngue é “Menino-Árvore”. No parque existem muitos chorões, aquelas árvores que parecem estar sempre olhando seu reflexo nos lagos. Não por vaidade, mas em busca de auto-conhecimento. Ibira Boy, mesmo. CinCo Conto Como muitos skatistas e simpatizantes, ele vivia duro. Não se sabe como, ia para eventos em todo canto, dormia não sei onde e comia sei lá o que. Se é que comia. Uma vez, referindo-se a esta época, uma mulher falou: “Nossa, você era tão magrinho...” E ele, à queima-roupa: “Eu não era magro, era pobre!”. E tanto era, que muitos chamavam o moleque de “Cinco conto”, a quantia que ele vivia pedindo emprestado. Graziela, sua namorada de anos antes da fama e esposa depois, sempre rachava com ele o ticket refeição. Coitada, devia sobrar uma merreca pra ela. O bicho dava um prejú em rodízio... Por falar nisto, lasanha Este foi ideia do Thronn, seu mestre, amigo e fonte constante de inspiração, que trabalhou um tempão com a banda. Afinal, o moleque sentava num restaurante e pedia: um filé com fritas, um risoto de frutos do mar e uma

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lasanha. Daí, olhava em volta e perguntava: “E vocês, o que vão querer?”. Além de limpar os pratos, ainda dava umas garfadas no jantar dos outros! Quantas vezes ele saía de uma churrascaria, entrava na van e parava numa pizzaria, na sequência? VoCê sabia? • Ele aprendeu a cantar em um karaokê de verdade. E olha que os japoneses frequentadores do lugar cantavam junto, o que é um grande elogio. • Ele teve algumas profissões, antes de começar a ganhar pra fazer o que nasceu pra fazer. De vender cartão de Natal de porta em porta a corretor imobiliário, que tentava empurrar apartamentos naqueles prédios de Santos que vão entortando com o tempo, devido à movimentação da areia. • Uma vez, quando era office boy de uma agência de publicidade, foi encarregado de ir ao McDonald’s trazer lanche para toda a equipe de filmagem que estava rodando um comercial na Paulista. Depois de fazer o pedido de quilos de sanduíche e litros de refri, ele errou quando foi preencher o cheque e teve que voltar pra pegar outro. Era longe... Quando voltou à lanchonete, tinham jogado o pedido fora e tiveram que fazer tudo de novo. Foi a fast food mais demorada da história. • A primeira vez que eles tocaram para um público respeitável foi abrindo o show do Planet Hemp. Sabendo que a banda ia tocar em Santos, Chorão chegou no hotel e pediu pra falar com o Marcelo D2. Quando o recepcionista perguntou quem ele era, não teve dúvida: “Fala que é um skatista, amigo do Tai Tai”. Com esta senha, ele subiu, levou a fita demo [soberba] e, naquela noite, dividiu o palco com os cariocas. • Primeira fita demo: Muitas das letras eram do Eddie, grande mestre de mil oitocentos e Ibira. Outras influências poderosas em sua vida foram o Pois é, o Glauco e o Paulinho Rude. Pra se ter uma ideia, uma das músicas chamava Rude Boy e ele foi padrinho do Gustavo, primogênito do Paulinho e da Chris, que sempre o hospedavam em épocas de vacas magras. Um trecho de “Festa”: “Meu mano Thronn, meu mano Glaucon, Ibira Boys, São Bernardon, meus manos de Santos. Muita cerva, muita erva, muita perva, muita bason”. • Ele queria dividir o dinheiro e o sucesso com todo mundo, assim que ficou famoso. Era comum ele doar pistas e material de skate, tirar a roupa do

Sua pista, sua casa. Chorรฃo conhecia cada canto da รกrea. Wallride pra cima da plataforma.

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Chorão sempre dominou grandes plateias, com milhares e milhares de pessoas mirando seu som e sua paixão pelo skate.

corpo para dar a moradores de rua, pagar comida para quem precisasse e cruzasse seu caminho. • A criatura tinha pavor de viajar de avião. Até porque toda a equipe que passou a acompanhar o Charlie Brown Jr. era a mesma dos Mamonas Assassinas. Isto acabou logo que marcaram o primeiro show no Nordeste. Era mais fácil encarar o medo que dois dias de estrada... • Ele ficou desconfortável com os sapatos sociais que usou para se casar e trocou pelos tênis do Thronn. Claro, sob protestos, mas o padrinho da cerimônia não poderia negar, né? • Quando o Bam Margera esteve por aqui, o Bob levou o cara pra andar na pista do Chorão. O gringo fez o maior tipinho e o moleque na maior humildade, como sempre. Passaram-se as horas e, como tinha um estúdio no andar de cima do skatepark, a banda deu uma canja para os convidados. Os olhos dos gringos foram arregalando, os pescoços sacudindo, os egos murchando e, no fim, adivinha quem saiu pagando pau pra quem? • Ele adorava os fãs e conhecia muitos pelo nome. Ficava um tempão abraçando os que chegavam chorando, dava conselhos, incentivo e não interessava o quanto estivesse cansado, nada era mais importante. No fim, ele estava certo. Os fãs eram e acho que ainda são seus amigos mais íntimos. Era no palco que ele se abria, com a confiança de quem sabe que pode contar com aquele amor incondicional que, tenho certeza, nunca vai morrer. Portanto, quem usou as frases dele pra xavecar, quem reconheceu sua própria história de vida nas letras dele, quem muitas vezes foi consolado por sua poesia, continue cantando. Do contrário, por favor, cale-se para sempre. // depoiMentos Chorão era como Sol, quente e tempestuoso. Discípulo dos princípios dos skateboarders, caridoso, sentimental, poético, contestador, skate punk, selvagem. Quando se fala lealdade, o nome dele é o melhor exemplo disso. Mas poderia ser seu pior inimigo. Viveu pensando no próximo, essa era sua busca,

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fazer o bem e alertar os jovens. Chorão foi o maior diamante do meu colar, Ibiraboy sempre e nunca descansará. Pode colar aqui estou atento. Valeu, Lasanha. (Antonio dos Passos Junior “Thronn”)

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Estou muito triste em saber da morte do Chorão. Eu realmente não sei o que dizer. Mas eu sei que ele teve uma intensidade sobre ele que eu entendi e respeito. Nós só nos cruzamos algumas vezes e foram episódios muito interessantes, para dizer o mínimo. Boas lembranças e boas histórias. (Mike Vallely)

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Ser autêntico em um mundo cheio de pessoas fraudulentas, será sempre mal compreendido. Esse cara autêntico era o Chorão. Muito mais skatista que qualquer um, levou nosso lifestyle para a grande massa, sempre passando a verdadeira mensagem do skate. Meu grande amigo, fique em paz. Você sempre estará na minha memória e no meu coração! (Ari Bason)

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Na manhã da notícia de sua morte me peguei um pouco perdido ao saber que um amigo e parceiro de muitas alegrias já não estaria nesse plano pra desfrutar das amizades que tanto privava. Uma grande emoção me tomou e nem mesmo sabia que gostava tanto daquele “maluco”. Além da parceria no skate pude ir além, através das oportunidades oferecidas por ele. Seguimos relembrando os grande momentos e celebrando a permanência de sua sabedoria que segue intocável, a cada música tocada ou através de suas frases voando pela internet. Descanse em paz meu amigo, estaremos por aqui fazendo o que fazia de melhor que é festejar a vida a cada momento e em cada session de skateboard. (Allan Mesquita)

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O que falar de um cara que já sabia o gosto do sucesso? Em 2006 quando conversamos um pouco durante uma premiação destinada a pessoas que colaboravam com o crescimento do skate, um cara que se declarou meu fã e queria nos ajudar na missão do Social Skate? Um cara que liga na sua casa e pede para você ir andar de skate com ele no sábado, pois no domingo ele trabalharia? Um cara que se preocupa com você e sua família? Talvez o úni-

1971 - 2013 // chorão

Uma das intensas sesssions apenas entre amigos. Com o australiano Jake Brown, no skatepark do Emissário, Santos.

co cara que entendeu a urgência de estarmos bem para poder cada vez mais fazer o bem. Desculpe o chamado ‘rei da música’, Roberto Carlos, mas esse cara não é você, esse cara é o Chorão. (Sandro Testinha)

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Eu conheci o Chorão em um dos eventos da Mega Rampa que o Bob (Burnquist) fez no Brasil e, assim que eu o conheci, tivemos uma sintonia imediata. Antes de voltar pra casa, eu fiquei uma semana a mais para ficar com ele e passamos grandes momentos no Brasil. Rolou muito skate em pistas legais; fiquei nos palcos acompanhando os shows da banda; encontrei seus amigos e familiares e fomos para algumas das partes mais pobres da cidade, onde ele havia construído rampas de skate para as crianças e deu ‘toneladas’ de skates pra essa molecada. Também vi as rampas que ele havia dado para as prisões (Fundação Casa), as crianças que ele patrocinava. O amor que tinha pelo seu povo era inigualável, comparado com qualquer pessoa que eu já tenha conhecido. Ele me entrevistou para o seu documentário que estava produzindo e cheguei a ficar emocionado quando eu falei sobre mim. Toda vez que eu voltava ao Brasil, eu tentava encontrar e sair com ele. Foi impressionante quando soube de sua passagem. Comecei a beber logo depois (08h00) e continuei bebendo durante todo o dia, colocando seus shows no youtube e ouvindo a música que fizemos juntos no estúdio várias vezes no dia. Com certeza, o Brasil inteiro vai sentir falta dele tanto quanto eu, e é verdadeiramente um dia triste para uma ótima pessoa. Vamos nos encontrar do outro lado, onde com certeza ele foi recebido com amor! RIP my brutha, LTFU for ever! (Jake Brown)

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Complicado falar do Choris. Falem bem, falem mal, mas falem de mim. Esse era o Choris polêmico, amigo mau, colega visionário, empreendedor no rock e no skate. O sonho dele era ver todo mundo da Família 013, que não são poucas pessoas, envolvidas. Amigos, fãs, skatistas, músicos, familiares, enfim, ele sempre quis que todos da Família Charlie Bronw Jr tivessem o reconhecimento devido e merecido, nem que por isso tivesse que brigar com

tudo e com todos. Eu briguei com ele mil vezes! Rsssrsr! A vida era assim, na alegria e na tristeza. Obrigado por ter feito parte dessa vida de conquistas e choros. Só sei que a música e o skateboard perdeu um dos seus maiores fãs: o próprio Choris. Vida eterna em nossos corações e histórias para contar. Obrigado! (Rafael T. Pacheco “Pingo”)

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Tive a oportunidade de conviver com ele como profissional e como amigo. O Chorão era uma pessoa rara nos dias de hoje. Fora o talento e a criatividade, era uma pessoa transparente, emotiva, passional mesmo. Em alguns momentos este jeito dele pode ter prejudicado ele, mas fez dele o que ele representa e foi! Um cara com muita energia e paixão pelo que fazia; tudo isto estava nas letras das suas músicas e nas suas atitudes, pois quem o conhecia via que ele colocava todos seus sentimentos nas letras. Com certeza é melhor lidar com pessoas que te falam o que sentem e pensam. Vai fazer muita falta, não só pela música, mas pela pessoa dele mesmo. (Luiz Campos Pinga)

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Como ele dizia: ‘O Skate é meu escudo e o microfone minha espada’. Assim conseguiu colocar sua música e o nosso skateboard em lugar de destaque. Muita humildade e amor em tudo que fazia. Perdemos muito! (Felipe Vital)

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Eu só passei alguns dias com o Chorão, mas parecia que a gente se conhecia há anos. Ele me levou para o Brasil com o Jake (Brown) e eu era um de seus skatistas favoritos. Nós nos tornamos amigos imediatamente, como todo skatista deve ser. Vi coisas incríveis que fez para o skate, como a construção de pista de skate em comunidades pobres e fazer shows em frente a uma quantidade enorme de pessoas, fazendo freestyle com os manos que sempre tiveram uma boa atitude. Eu acho que o mundo nunca mais vai ser o mesmo sem o Chorão. Ele tocou os corações de muitas pessoas e eu, com certeza, sou um deles. Você vai fazer falta, meu amigo, e eu estou muito feliz que eu te conheci. Eu vou sempre lembrar de você! Rip In Paradise Chorão! (Peter Smolik)

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Tá querendo mais emoção? Então toma um bonelles na cara!

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1971 - 2013 // chorão

Arquivo Pois é

Depois de um show no Rio e da sessão de skate na madrugada, uma pausa antes de amanhecer. Sem largar o microfone, impulso no palco.

Reprodução da primeira demo-tape.

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Chorão era a luz e a sombra. Chorão era oito ou oito mil. Como tudo o que fez na vida, Chorão amava o skate com total intensidade. Amava andar de skate, era uma enciclopédia de conhecimento sobre o universo do carrinho. Esta paixão pelo skate o levou a investir muito dinheiro em marcas, skatistas, eventos e a nunca desistir de bancar durante tantos anos sua pista em Santos. Convivendo com o Chorão durante sete anos, eu tive um longo aprendizado do que fazer e do que não fazer, um aprendizado de ousadia, criatividade e entrega visceral a alguma forma de expressão. Chorão era a própria dualidade personificada, o cara que usava uma camiseta com as palavras Amor e Ódio. Com o Chorão eu aprendi que não dá pra mudar uma pessoa, mas é possível mudar o meu próprio modo de agir e desta forma fazer a pessoa ver em mim a mudança que eu gostaria de ver nela. Com o Chorão eu aprendi a observar sem julgar. Pelos bons e pelos maus exemplos, acredito que muita gente vai continuar aprendendo com o Chorão. (Jerri Rossato Lima)

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O que falar do Alexandre, ops, Chorão? Um dos corações mais generosos e bondosos que já conheci. O cara era animal, muito bom no que fazia. Se garantia mesmo. Cara, tive o prazer de conhecê-lo na época da Rude Boy (Paulinho, Edsinho, Marcos, Mikuim). Eu era criança, ele tinha uma banda que nem

Com Alexandre Pois é.

me lembro o nome, mas foi nessa época que nos conhecemos. Ele fazia parte da Rude Boy Family. Lembro da gente fazendo uma demo em Santos, abrindo o show do Chico Science, muito da hora! Dali não nos separamos mais. Várias viagens juntos. No começo, ele morria de medo de avião, então levava a gente, os amigos mais próximos pra tudo que é lado. Lembro do primeiro carro que comprou; depois deu pro pai dele. O cara era fogo. Eu tive o prazer de estar e falar muito com ele nos últimos dias; consegui dar alguns conselhos, orar com ele, almoçar, dar muitas rizadas. O mais importante que eu podia fazer: apresentar Jesus a ele. Só tenho a agradecer a Deus por ter deixado eu viver esse tempo com ele. O maluco era embaçado. Quebrador de tudo, profissional, kkkkkkkk. Valeu Chorisssss, ops, até logo. (Marcio Tarobinha)

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Bom, falar do Chorão… Amigo, skatista desde os tempos da ladeira. Ibiraboy nato, além de grande amigo desde nossos 16, 17 anos de idade. Passamos por várias juntos e são esses momentos que ficarão pra sempre! Super talentoso, realmente um ídolo da música que sempre colocou o skate em ênfase! Nesses últimos dois meses, passamos bastante tempo juntos. Não só pra nós, mas para o Brasil, foi uma grande perda. Quem o conheceu, sabe do que estou falando. Prasemprechorão: só os loucos sabem. RIP. (Alex Pois é)

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chorão // 1971 - 2013

“Meu skate é Meu escudo e o Microfone, Minha espada!”

M

chamada What’s Up? para divulgar na revista, que por coincidência, era o nome da coluna da revista. O som era totalmente voltado para o hardcore de bandas do skate-rock e sua influência musical direta, como Suicidal Tendencies, TSOL, Agent Orange (veio a tocar depois com todas essas bandas que cresceu ouvindo), com uma pegada para o metal, mas com as letras cantadas em inglês. Nessas idas e vindas pra falar com a gente, o pai do Chorão queria que ele fosse sócio da revista, pra dar oportunidade ou ter uma ocupação na vida. Sorte dele que não rolou a sociedade, pois a primeira banda também não vingou, mas com certeza, trouxe experiência para o que viria em um futuro não muito distante, a chamada Charlie Brown Jr. Depois de tocar em diversos campeonatos de skate pelo Brasil e a banda começando a bombar, fez questão de colocar o skate também em evidência em inúmeras letras das músicas, inserindo tanto nos clips que produzia para a TV, quanto nos shows. O skate sempre foi o “sexto” integrante da banda e o sucesso não o fez perder o amor pelo carrinho. Pelo contrário, pois contratava skatistas para andar no palco durante as apresentações da banda e não eram poucos. E pra manter ainda mais forte a sua raiz e origem no skate colocou o amigo e skatista Thronn, como o “sétimo” integrante da banda durante mais de 5 anos. Era uma maneira de ter ao seu lado a “essência” do skate no dia a dia... A inquietação que tinha por natureza e uma capacidade de fazer negócios, fez com que lançasse modelo assinado de tênis de skate, investisse nas marcas Doce e Plata e chegou a realizar um evento profissional de street na Bahia, o Doce Skate Pro, com direito a hotel cinco estrelas e show da banda. Lembro como se fosse hoje, a frase que usou pra falar da iniciativa de construir o Chorão Skatepark: “Essa pista vai ser pra GENTE andar de skate!” E essa frase não era por egoísmo, mas sim, que seria uma pista “fácil”, com curvas e paredes doces e ele realmente fez uma pista para se divertir com os amigos! Mesmo com a pista fechada e sem movimento no caixa, bancou todos os custos desde sempre. A grande mídia fazia questão de veicular sua imagem a brigas e atritos, mas pra quem o conhecia, sabia do lado bom samaritano e amigo, preocupado com causas nobres em ajudar sem pensar às pessoas que tinham necessidade. As dificuldades do passado, o remetiam sempre a se posicionar do lado dos que necessitavam. Não era santo, mas se tinha algo que o tirava do sério - e era melhor não estar por perto pra ver o que poderia acontecer - era falar mal da banda e do skate. Talvez esses tenham sido sempre os maiores motivos de expor e deixar claro seu temperamento explosivo e personalidade forte. Não queria estar na pele de quem fazia essa afronta a ele e isso ele sempre deixou bem claro, tanto que uma das suas frases de efeito, sempre marcantes entre diversas, foi: “Meu skate é o escudo e o microfone, a minha espada”. Posso dizer com toda convicção, que entre essas e muitas outras histórias, Chorão fez muito mais pelo skate com verdadeiro prazer e amor, do que muitos que deveriam fazer até por obrigação e não fazem. Obrigação para o Chorão não era o caso, era paixão. O Brasil perdeu um dos melhores músicos que o país já teve, e um uma espécie de “último dos moicanos”, com sua autenticidade, sem hipocrisias e papas na língua, coisa rara no meio musical que beira o colapso pela falta de qualidade; mas perdeu também, um das pessoas mais apaixonadas pelo skate que já passaram por esse planeta e que sabia que era o que era pela influência total do skate. Descanse em paz, amigo, skatista e Ibiraboy nato! Sua história será sempre lembrada! marcelo mug

uito difícil falar de alguém que se foi e fazia parte da nossa história de maneira tão intensa e participante. Me sinto um pouco mais à vontade pra falar do Chorão não sobre sua a banda e sua bem sucedida carreira musical, mas sim, sobre a parte que era muito mais a alma e coração, remetendo a quando ele começou a andar de skate. E tudo começa exatamente aí, pois o skate tem essa particularidade de influenciar na personalidade das pessoas e dos praticantes de forma categórica. E pra uma criança que ele era nos anos 80, quando começou a andar de skate em uma época totalmente contracultural, odiado por muitos mas glamurizados por poucos, “entrou” em um universo totalmente discriminado pela sociedade. Alexandre Magno Abrão (nome de batismo antes do apelido que ganhou no skate), ainda com seus 15 anos de idade, pegou e absorveu essa fase punk do skate que envolvia música e atitude, entendeu sobre o localismo nos picos e de ter que brigar por aceitação e conquistar o seu território para andar. Filho direto dos remanescentes dos Ibiraboys, skatistas locais do Parque do Ibirapuera, que foi um dos últimos redutos do skate pós declínio do skate dos anos 70, foi aceito quando absorveu toda a postura de como era ser um skatista em uma galera de elite do skate naquele momento. Brigar pela causa e valorizar o local que se andava, era e sempre foi a palavra de ordem. Naquele período, não havia várias “portas” de entrada para se andar de skate. Pelo contrário, havia muito poucas e pra entrar, tinha que ter identidade, perseverança, personalidade e, acima de tudo, gostar de skate e andar de verdade. Não havia “coleguismo” para ajudar pregos. Enquanto alguns imploravam pra entrar e outros eram expulsos do parque, ele carimbou seu “passaporte” com esses requisitos, fazendo freesyle com personalidade, sua modalidade até então. E, como todo bom skatista em geral, tinha que ter um apelido, ter dado o apelido de Chorão não foi difícil. Bastava olhar pra cara dele, mas não lembrava que eu que o tinha “batizado”, até começar a divulgar nas entrevistas pra falar da banda e sobre a origem do apelido. Muitos anos depois perguntei se era isso mesmo e respondeu daquele jeito: “Você não lembra desse dia? Quem ‘bate’ nunca lembra...” Pra muitos que chegaram a duvidar se ele era skatista de fato, Chorão correu campeonatos do circuito brasileiro nos anos 80, foi patrocinado pela H-Prol, uma das maiores marcas de skate da época e, na revista Yeah, teve um pôster de página dupla fazendo freestyle. Quando se mudou para Santos, continuou um legítimo Ibiraboy. Uma história interessante, entre infinitas outras, foi quando o Thronn ganhou o primeiro campeonato brasileiro de street profissional em 1987, no famoso Campeonato Brasileiro de Guaratinguetá e fomos direto para Ubatuba comemorar essa vitória do nosso amigo Ibiraboy. Com meu carro, descemos a serra, eu, o Thronn, o Chorão e o Lance, outro Ibiraboy. Não existia celular na época; não havia internet para enviar e-mail e avisar à família. Quando voltamos pra São Paulo dias depois, a família do Lance e do Chorão já tinham colocado a polícia pra procurar a gente... Good times! Mas no final dos anos 80 e com o declínio do mercado brasileiro com o famoso Plano Collor, que colocou o skate em decadência novamente, Chorão se aventurou quase que sem querer para a música. Como uma obra do destino, cantou em um bar para substituir um vocalista de uma banda e agradou muito. Em 1992, quando já estávamos fazendo a revista Tribo Skate, Chorão subiu para São Paulo e trouxe uma fita demo no bolso da primeira banda que ele havia montado,

// Por Fabio bolota

Sentado na mesa da Tribo Skate, com o Bolota, por volta de 2003.

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Reprodução da Tribo Skate 3, com a banda What’s Up?

No palco, vestindo a camiseta da revista.

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stanley inacio // entrevista pro

Stanley InacIo

Cidadão do mundo AlgumAs pessoAs se deixAm levAr pelAs circunstânciAs ou pelA mAré. stAnley é conduzido pelo skAte. e foi o próprio skAte que o fez conhecer meio mundo. hoje, o skAtistA nAscido em pirAcicAbA, divide seu tempo entre As sessions nA europA e As visitAs Aos Amigos brAsileiros à cAdA começo de Ano e, é clAro, AndAr nAs imperfeitAs ruAs do brAsil. sem nuncA perder A suA essênciA e o seu bom humor, stAnley inAcio, contA um pouco do que está fAzendo no velho continente e sobre A experiênciA de vidA em umA dAs cidAdes fetiche de muitos skAtistAs, bArcelonA, onde forAm feitAs As fotos que ilustrAm essA entrevistA. bienvenidos Al mundo de stAnley inAcio: cidAdão do mundo! // texto e fotos RodRigo K-b-ça

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entrevista pro // stanley inacio

V

ocê é de Piracicaba, mas está na Europa faz algum tempo. O que anda fazendo da vida? Sou natural de Pira, mas desde moleque sempre estava viajando para os primeiros campeonatos amadores. Sempre me jogava pro Sul, Curitiba, Floripa e Porto Alegre. Ia muito para Curitiba e São Paulo, porque tinha meus patrocínios nessas cidades. Para a Europa, depois da primeira vez, fui quase todos os anos para andar ou correr os campeonatos. Há dois anos estou vivendo em Barcelona com a minha mina. Lá, além de ser o melhor lugar para andar de skate, também tem ela e é bem parecido com o Brasil. Acabei entrando para uma marca de lá, a Kinetik Supply, que me ajuda. Mas todo ano venho para cá e fico uns meses trampando no Brasil, pois também tenho patrocínios aqui, além da minha família e amigos, então vivo aqui e lá. Gosto desse estilo de vida, de estar sempre viajando. Mas teu plano agora é passar um tempo na Alemanha. Isso tem a ver com a crise na Espanha? Foi uma decisão em conjunto, por causa da situação econômica da Espanha. Ela queria ficar mais perto da família e, além disso, surgiu uma boa oportunidade de trabalho para ela. Fora isso, curto conhecer e aprender coisas sobre lugares novos. Aprender o idioma e conhecer novas pessoas. Você chegou a estudar alemão, né? Fiz um intensivo durante um mês e agora vou entrar em um curso quando chegar lá. Aos poucos vou aprendendo! (risos) Todo mundo sabe que Barcelona é um dos melhores picos pra andar de skate. Mas como é viver no país como clandestino? Os espanhóis são meio encanados com isso porque lá tem muitos imigrantes. Pode-se dizer que são meio preconceituosos até, mas dá para entender, principalmente pela quantidade de pessoas de outros países que vivem lá e não demonstram interesse em adaptar-se à cultura local. Dominam tudo! Eles até têm certa razão nisso. E as vezes você se sente meio desconfortável, mas isso é porque você não está no seu país. Você tem passado mais tempo na Europa que no Brasil. Como é o choque cultural quando visita o Brasil? Quando você volta, fica meio assim, mas na real mesmo, não muda muita coisa. O Brasil está melhorando, evoluindo em umas coisas, mas mesmo assim o processo é muito lento. Acha que existe uma ilusão no exterior em relação ao crescimento do Brasa? Acho que eles pensam que está quase tipo China por aqui, mas quando você está aqui, vê que muita coisa básica ainda precisa mudar. Uma coisa é certa: trampo não falta e é difícil alguém passar fome. Em relação à educação, saúde, corrupção e outras coisas, acho que só piorou nos últimos tempos. Como é um dia normal de skate em Barcelona? Acorda e faz as coisas que devem ser feitas em casa de manhã, além de marcar a sessão com amigos, tipo umas 12h00, 13h00, isso quando não é mais cedo. Nos trombamos no Paral-lel ou no Macba e vamos para os spots mais longes ou novos para nós, que ficam em cidades próximas a Barcelona. Às vezes vamos de um canto da cidade para outro, cortando de metrô ou trem. Isso é a melhor coisa! Ainda sobra tempo de voltar, passar no Macba, trocar ideia, fazer um solo com os amigos e beber aquela Xibeca fria!!! (risos) E essa parada de filmar e editar? Você sempre curtiu mesmo ou foi uma necessidade? Sempre curti, mas deixava pra lá, até que chegou um tempo em que senti a necessidade de agilizar pra ajudar nos meus trampos e no dos meus amigos... Sempre que algum amigo precisa, faço algum vídeo, seja pra marca, loja ou só de rolê mesmo, além de fazer alguns vídeos para os sites. Você acha que o estilo de vida em Barcelona é mais skate que no Brasil? Com certeza! Você anda mais de skate, praticamente o dia todo! Você vai no mercado, praia, curso, trabalho, onde seja, de skate. Já cheguei a andar de skate por 12 horas num dia várias

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“em barcelona Você Vai no mercado, praia, curso, trabalho, onde seja, de skate. já cheguei a andar de skate por 12 horas num dia Várias Vezes!” vezes! No Brasil é difícil de fazer isso. Todos os dias você anda de skate e, quando não “anda, vai no Macba ou no Paral-lel fazer um solo (risos)!” O skate rola solto, mas também falta aquela vontade de “trampar” que o brasileiro tem. Você não sente falta disso? A relação do europeu com o skate, é diferente da do brasileiro? Isso é ruim. Quem vive Barcelona é bem chillin mesmo, porque lá quase não tem game. Alguns vivem lá por isso mesmo. Sinto falta de sair numa missão pra filmar e fazer fotos tipo trabalho mesmo. Aqui no Brasa é mais sério... Isso até rola lá, mas é menos intenso né? Por isso, quando os brasileiros colam por lá no verão europeu, é da hora! A galera está o tempo todo na pegada! Rola de sentir falta do ritmo de lá quando está aqui no Brasil? Rola de sentir falta dos spots bons e da facilidade de chegar neles! (risos) O que tu classificarias como ponto negativo no skate na Europa? O mercado não é tão grande quanto no Brasil. Também existe a dificuldade de envolver-se com as poucas marcas e revistas de lá. E as pessoas são frias como se costuma pensar? Sim, sem dúvida! Mesmo entre eles, porém tratam o brasileiro melhor que qualquer pessoa de outro país. Pelo menos eles gostam de brasileiros seja onde for... Isso é bom! O que te faria voltar para o Brasil de maneira definitiva? Acho que saudades, família... (risos) Trabalho... A hora que eu achar que devo voltar... O mercado do skate não seria um dos motivos? Sim, também, mas é muita panela, como sempre. Além de rolar pouco investimento nos skatistas, que são os caras que movimentam de verdade o skate. Morar fora do país está mais para sonho ou para ilusão? Depende. Se o cara for achando que vai ser “Disneylândia”, se fode! Agora, se fizer o corre certo, é uma grande experiência de vida! Como acha que será a vida na Alemanha? Que cidade tu vais morar? Certamente não será igual a Barcelona, mas vai ser bom. É em Frankfurt e já conheci alguns filmers e também tenho amigos do Brasa morando lá. Vai ser menos correria, mas ao mesmo tempo será mais de boa para manobrar, porque terá menos pessoas nos spots. (risos) Também terei oportunidade de aprender um idioma e estudar mais os trampos de edição também. Fora que o lance é tirar sempre as coisas positivas de cada experiência de vida, né? Claro! Só penso nisso! Se ficar pensando nas negativas, nem vou! (risos) Algum agradecimento? Agradeço a oportunidade e espero que a galera curta as ideias e as fotos. As imagens sairão logo menos no vídeo que estamos finalizando, o VTV (Vai Trabalhar Vagabundo), que é a segunda edição do vídeo da Família No Name. O primeiro foi o Dorme Sujo, Acorda Limpo. Valeu!

Poucos andam nesse pico por causa da mureta no ch達o em frente, pico da pequena cidade de Tiana. Stanley acerta o fs nosegrind, volta direitinho e foi ninja pra desviar da dificuldade extra.

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Switch flip na escada de Santa Coloma, que fica pr贸xima dos picos mais famosos como o Beer Banks.

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stanley inacio // entrevista pro

Fs smith no corrimão apresentado pelo próprio Stanley, que fica em L’Hospitallet de Llobregat, cidade ao lado de Barcelona.

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O Stanley já deu várias cabreiras nesse pico de Barcelona, que é ideal pra sessão séria ou só para se divertir mesmo. Feeble shovit 360 out passa a régua e fecha a conta!

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“as imagens sairão logo menos no Vídeo que estamos finalizando, o VtV (Vai trabalhar Vagabundo), que é a segunda edição do Vídeo da família no name.”

stanley inacio // entrevista pro

// Stanley inacio 31 Anos, 18 de skAte nAturAl de pirAcicAbA e cidAdão do mundo pAtrocínios: 220v energy drink, kinetik supply, ct culture skAteshop, nineclouds

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Luz Carlos Henrique, fs nosegrind, rio de Janeiro. foto: Pedro MaCedo

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Luz

feliPe oliveira, fliP bs tailslide, araCaJu. foto: raMon ribeiro

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viCtor sussekind, fs liPslide. foto: MarCelo Mug

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Luz luiz neto, bs boardslide, floriPa. foto: Jo達o brinHosa

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expedição // aventura

IndIana FelIx em buSca do

Santo Grau

Sai o chapéu e o revólver, entram boné e Skate! amboS continuam com SuaS funçõeS: proteger e Servir para Se chegar ao objetivo da expedição, ou Seria da SeSSão? rafael finha tranSforma o enredo do perSonagem de filmeS hollywoodianoS em realidade pauliStana do Século xxi ao dar vida a eSpaçoS degradadoS e deSconhecidoS, reinventando a hiStória milenar que procurava o caneco Sagrado. a última delaS foi para reviver o Skate em um pedaço de concreto e aço abandonado que um dia foi uma rampa, levando na bagagem a experiência de ter feito o meSmo em outraS miSSõeS: a prafinha, que completa 10 anoS em 2013, e a praça dina. por Junior Lemos // fotoS CarLos TapareLLi // a mais nova desCoberTa Dentro das diversas aventuras cotidianas que o skatista profissional encara em suas expedições urbanas estão aquelas feitas para deixar sua bomb (RFC) em muros e paredes. E foi em uma dessas que Finha ficou sabendo da descoberta: um ‘fóssil’ de rampa que ocupa a enconsta de uma comunidade na zona sul de São Paulo, visto pela primeira vez em uma foto de um grafite e indicado pelo artista que o fez. Até então o que era considerado entulho despertou no skatista a vontade de retomar a distante época ‘áurea’ da estrutura, quando a rampa ainda estava completa e de pé, servindo de base para que gerações passadas de skatistas evoluíssem gastando o uretano em sua superfície. // as expedições Final e começo de ano em São Paulo é a época mais tenebrosa

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pra qualquer skatista de rua. Isso porque chove a maior parte do tempo, água que vem do céu como garoa ou em volume absurdo que chega ao ponto de causar sérios problemas na vida da população como enchentes, congestionamentos e queda de energia. Caos instalado frequentemente na metrópole e que também foi o responsável por alongar ainda mais as expedições do Finha até a selva onde fica o spot. No total foram mais de dez idas e vindas até lá, descendo a pirambeira de boa, subindo na pressa pra correr da chuva, desviando do mato e dos entulhos que dividem o espaço com as ruínas. Correndo o risco de pegar tétano, dengue ou qualquer outra doença que certamente está ali, na espreita para fazer a próxima vítima, as tentativas de rolê foram sempre acompanhadas pelo fotógrafo Carlos Taparelli e também pela molecada local, que precisava ver com os próprios olhos o skatista em ação, para enfim acreditar que ali é possível manobrar.

A Rampa Perdida: cenário onde a expedição foi feita.

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aventura // expedição

Pra ter a velô certa, Finha saía do meio do mato, dava o sprint de três passadas pra subir no skate, dar o ollie na plataforma e aí sim chegar à transição, mandar outro ollie e cravar o nosegrind no coping ‘cabo de enxada’. Ufa!!!!

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O lugar do polejam já estava ali, faltou apenas adaptar o cano pro Finha lançar a trick na altura de uma pessoa. Pow!

// na bagagem Aventureiro urbano do século XXI que se preze leva na mochila o básico necessário e se vira com o que o local oferece; no caso dessa expedição não foi diferente! Água potável, vela, equipamentos, tripés e massa plástica foram os ítens levados por Finha e Taparelli. Os demais aparatos usados foram garimpados no lixo que domina o espaço, reciclando e transformando coisa inútil em obstáculo. O cabo de enxada virou coping block, o cano, pole jam. // o Legado Rafael Felix é daqueles skatistas que não só caçam picos inóspitos, ele também tem o dom de transformá-los! Foi assim que surgiu o street spot mocado próximo ao Real Parque, batizado de PraFinha, que aos poucos recebeu sangue, suor e dedicação do skatista - e de alguns poucos também bem intencionados, transformando o que antes era vazio em um espa-

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ço com vida e que em 2013 completa 10 anos porporcionando vivência para os skatistas. Recentemente o profissional começou ali uma escolinha no estilo Social Skate, para repassar sua experiência aos muitos jovens que vivem na região, verdadeiras ‘sementes do futuro’ sejam elas para o bem ou para o mal. Outro pico de skate bastante explorado hoje no qual foi o Finha um dos primeiros a velar suas bordas foi a Praça Dina: cimento, concreto e tijolos que ficarão lá até que sejam substituídos por um prédio, ou então esquecidos e degradados pelo tempo até que um dia seja descoberto e revitalizado por um aventureiro do skate, assim como Finha fez em mais esta continuação da saga em busca do ‘Santo Grau’. Agradecimentos: Kaverna, Jah, Teck, Rocha, Gian, Junior Boy, Mario Marques e Michel Brito, Cássio e Carlão, que ajudaram na limpeza e no apoio moral.

aventura // expedição

A base veio de casa e Finha teve que adaptar a lição ao novo terreno: nose manual to manual!

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expedição // aventura

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os demais aparatos usados foram garimpados no lixo que domina o espaço, reciclando e transformando coisa inútil em obstáculo. o cabo de enxada virou coping block, o cano, pole jam.

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Dificuldade maior que vir de pouco espaço, lançar o ollie pra cima de uma transição que é o puro choquito e aliviando a aterrissagem como se tivesse pulado de um muro de dois metros de altura é realmente pra fechar com chave de ouro a busca do ‘Santo Grau’.

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casa nova //

Stalefish no bowl do Sesi, o Núcleo Bandeirante, Brasília.

Enrico Carneiro // Fotos Paulo Macedo Ser skatista é: Não querer ser melhor que os outros, tentar evoluir sempre, se jogar nos picos, ter o seu próprio estilo e não se importar com o que os outros vão pensar! Quando não está andando de skate: Estou na escola, ou dormindo, porque o resto do dia eu estou com meu skate no pé! Por que do apelido: Na verdade não sei. Hahahah. Dificuldade em ser skatista na sua cidade: Em minha cidade não tem muitas pistas, e as que têm não são de qualidade. Já nos picos de rua, são todos perfeitos mas os porteiros ou ‘guardinhas’ não deixam andar. Skatista profissional que se espelha: Pedro Barros e Kevin Kowalski. Skate atual: Shape Creature 8.8, rodas SPF bones 56mm, rolamentos Red Bones e trucks Independent 149. Marca fora do skate que gostaria de ter patrô: Red Bull.

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Som pra ouvir na sessão: Joy Division, Shadowplay. Parceiros de rolê de skate: Paulo Macedo, Geraldo Cyrino, Vinícius Teles, Vitor Teles, Rayan Ribeiro, Rodrigo laroqui, Guilherme Reginatto, Rafael Oliveira, Yuri Areal. Melhor viagem: Quando eu fui para Florianópolis/SC, no começo do ano. Melhor pico de rua: Setor Bancário Sul. Melhor pista: Núcleo Bandeirante, Praça do DI. Sonha alcançar com o skate: Conseguir não só sobreviver com o skate mas sim viver dele, conhecer outros países, novas culturas, novas pessoas, novas pistas e claro, nunca parar de andar! Aquele salve: Para você que está começando a andar de skate agora, aprenda que skate nao é apenas um esporte, mas sim um estilo de vida, então se você quiser andar se entregue de cabeça pois skate é a melhor coisa que rola! Hahahah. // Enrico Vidal arriVabEnE “carnEiro” 16 anos, 3 E mEio dE skatE Brasília/dF

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skate and destroy!

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casa nova //

Varial heelflip, Campo Limpo Paulista/SP.

Hendrik Hanters // Fotos leonardo laPrano Ser skatista é: Uma evolução constante. Quando não está andando de skate: Às vezes faço um rolê com os meus parceiros aqui da city, jogo um bilhar, tomo umas brejas, dou umas risadas; suave. Por que do apelido: Vish! Meus parceiros de sessão achavam meu nome meio complicado e tals, daí começaram a me chamar de ‘Hanters’ e ficou assim mesmo. Dificuldade em ser skatista na sua cidade: Como a maioria das cidades aqui do interior, Jundiaí só tem uma pista de skate e vários campinhos de futebol. Se rolasse um investimento melhor no skate garanto que seria mais fácil para os skatistas da região. Skatista profissional que se espelha: Bryan Herman. Skate atual: Shape Anti Action 8.25, truck Thunder 174 low, rodas Bones 52mm e rolamentos Bones. Marca fora do skate que gostaria de ter patrô:

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Coca-Cola. Som pra ouvir na sessão: If There is Something, Roxy Music. Parceiros de rolê de skate: Akira Utida, Victor Trevisan, João Correia, Alex dos Santos, Yago Neves e outros mais! Melhor viagem: Campinas e Osasco; muitos picos e rende várias. Melhor pico de rua: Praça Roosevelt (São Paulo). Melhor pista: C-vida! Pista pública de Campo Limpo Paulista. Sonha alcançar com o skate: Muitas experiências boas, amizade e várias tricks é claro! Aquele salve: Minha família, Save Skateboards, Anti Action, Panette, Gabriel Pãozinho, Rafael Domingues, Denis Barbosa, Gustavo Brossi, Luis Skin, Cassino Tatoo, Shake Mama, Leonardo Laprano, Carlos Sabiá e os parceiros de Jundiaí, Campo Limpo, Campinas e Osasco; é nóis! // HEndrik MaranHo “HantErs” 22 anos, 11 dE skatE Jundiaí/sP PatroCínio: savE skatEBoards aPoio: anti aCtion

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Feed your head!

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casa nova //

marden // Fotos diogo groselha Ser skatista: É estar em harmonia com aquilo de bom que a vida pode e tem pra nos oferecer; amizade, zoeira, rolê, vivência, felicidade e muito mais. Quem é sabe! Quando não está andando de skate: Procuro estar o mais perto possível do mundo magnífico das quatro rodas através de vídeos, fotos, etc. Maior dificuldade em ser skatista na sua área: Vejo muita falta de incentivo e muito oportunismo. Skatista profissional que se espelha: Luan de Oliveira, Shane O’Neill, Carolino, TX. Skate atual: Shape Juice, trucks Venture, rodas Mystery e rolamentos Reds. Marca fora do skate que gostaria de ter patrô: Oakley. Som pra ouvir na sessão: Evidence, Mos Def, Rick Ross, Mac Miller. Parceiros de rolê: JB Santos, Alexandre Alvarenga, Thiago Lima, Hudson Epifânio, Iniman Junior. Melhor viagem: Curitiba em 2008, muita experiência. Melhor pico de rua: Praça da Savassi, em BH. Melhor pista: Bowl da Nova Floresta. Sonha alcançar com o skate: Me profissionalizar no que mais gosto de fazer na vida. Aquele salve: Deixo um salve pros que estão pra somar, aos que andam de skate por amar o que fazem; nunca perca sua essência. Skate or die! // MardEn MatHEus barbosa baliEiro 18 anos, 9 dE skatE dE são João dEl rEy/mG, mora Em BElo HorizontE PatroCínio: Paranoids skatE sHoP Flip crooked, Belo Horizonte.

‘‘tudo no seu tempo...’’ 88 | TRIBO SKATE abril/2013

hot stuff // abril

// oakley O lançamento do modelo de óculos Garage Rock foi inspirado nas guitarras elétricas que agitaram a década de 60 e chega como uma homenagem ao movimento musical dos jovens da época. Com estilo old-school, o produto traz para os olhos o design e a elegância das referências urbanas atuais. Oakley – (11) 4003-8225 / oakley.com

// Vans O Vans Rowley Pro chega ao Brasil nas cores preto e branco com detalhes em vermelho, e o todo branco leva a assinatura de Geoff Rowley em parceria com o Motorhead. Uma das lendas do rock britânico, esse tênis foi lançado em 2005, mas agradou tanto que rendeu uma série paralela Rowley x Motorhead e agora ganha também uma nova versão. Vans - (11) 3152-6266 / vansdobrasil.com.br

// anti-Hero A Plimax recebe mais uma leva de shapes Anti-Hero ‘Generic Yellow’, série que traz de volta recortes que revivem os modelos dos decks de antigamente. Plimax - edgar@plimax.com / (11) 3251-0633 ramal 114

// Pretty sweet Seguindo na linha dos produtos com a franquia do filme de skate mais festejado dos últimos tempos, a Plimax acaba de receber um lote grande de rodas Spitfire e eixos Thunder com a temática do vídeo. Plimax - edgar@plimax.com / (11) 3251-0633 ramal 114

92 | TRIBO SKATE abril/2013

abril

// hot stuff

// ViVa A Viva Rodas valoriza os pro-models e reforça ainda mais os profissionais que defendem a marca com a série de ‘redondas’ Estilo Original nos modelos do Vitor Sagaz, Mauricio Nava e Adelmo Jr. E nas lojas você também encontra as lixas da Viva, com a qualidade que só uma marca feita por skatistas pode oferecer. Viva Rodas – dietcorp.com.br

// rolamentos eVerlong A Everlong lança no mercado brasileiro rolamentos de alta qualidade especialmente desenvolvidos para street skate e longboard, fabricados com espaçador de nylon de alta performance e blindagem especial que proporcionam alta velocidade, para rodar lado a lado das principais marcas gringas. Everlong - (41) 3385-9352 / everlong.com.br

// ConVerse watCHes Com um ar mais militar, os modelos Full Court têm pulseira de silicone, máscara de vidro com o logo em contraste. O Full Court pode ser encontrado em quatro cores e é à prova d’água, ideal pro skatista que encara chuva e sol pra manobrar seu skate! Converse Watches - (11) 3218-0719 / conversewatches.com.br

2013/abril TRIBO SKATE | 93

manobra do bem // por sandro soares “testinha”*

O

lá amigos, é com toda certeza que afirmo nunca ter pensado e nem desejado escrever nessa coluna uma homenagem póstuma para alguém do universo que adoramos participar e viver, o skateboard. Ainda mais se essa pessoa, em algum momento de nossas vidas, participou de forma intensa de alguns de nossos melhores e mais importantes momentos. Claro que tem muitos skaters que conviveram com o Chorão há mais tempo e mais até do que eu. Porém, durante uns três anos em que realmente nos conhecemos e fizemos algumas coisas juntos, algumas experiências ficaram marcadas profundamente em nossas vidas. Alguns fatos não faziam sentido torná-los públicos até a sua desencarnação, outros não foram revelados porque era até mesmo um pedido dele, que jamais tentou se promover me ajudando da forma que fosse. Porém, após sua partida desse plano espiritual, acho justo e merecido compartilhar com vocês algumas histórias que passei junto desse amigo. 1. Na primeira década do novo milênio, em um desses eventos para homenagear pessoas que tiveram destaque no skate, fui chamado ao palco para falar sobre a função social do skate. Como sempre, “rasguei o verbo” pedindo mais atenção do governo e da sociedade para a situação da criançada das periferias e mostrando que o skate era uma alternativa real de caminhos bons para essa galera. Sai do palco aplaudido e na sequência fui chamado de canto pois uma das pessoas da plateia queria falar comigo em particular. Fui ao encontro da pessoa já na rua e quando vi era o já famoso Alexandre Chorão. Ele me chamou para sentarmos no meio fio da calçada e disse que queria conhecer melhor meu trabalho, anotou em um papel o número do telefone de minha casa. 2. Algum tempo depois, chegando em casa após mais uma missão com skate na Fundação CASA (Febem), minha esposa, surpresa, me avisa que tinha uma mensagem na caixa do telefone fixo de casa. Era o Chorão dizendo querer falar comigo. Infelizmente eu não tinha o número dele para retornar a ligação e aguardei um próximo contato! Na semana seguinte, enquanto voltava novamente para meu lar, prestes a entrar em um trem lotado no horário de pico e já portando um aparelho celular, o mesmo toca e ao atender ouvi aquela voz já conhecida das músicas me convidando para ir até sua casa, em Santos. Respondi de prontidão que iria sim mas precisava do endereço; anotei tudo e dois dias depois parti para Santos com o pedaço de papel na mão e o skate no pé.

* Sandro Soares “Testinha” é o cabeça da ONG Manobra do Bem, em Poá, SP.

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Jerri rossato Lima

Pontes indestrutíveis

Amigos são mais amigos quando brincam juntos. Chorão e Testinha, em raro momento.

3. Após tocar o interfone no prédio e ser autorizado a subir, bati na porta do apartamento e fui recebido por uma senhora que ali trabalhava, muito simpática, que me convidou a entrar e pediu que sentasse no sofá da sala. Logo após, a Graziela (esposa do Chorão) surgiu, se apresentou e pediu que eu esperasse um minuto pois iria acordar o nosso amigo. Em instantes aparece o Chorão, que disse estar feliz com minha visita, me convidando para ficar para o almoço e posteriormente para uma longa conversa de apresentação de meus trabalhos sociais com o skate: foram cinco horas de conversas, para explicar como havia começado e o porque de realizar tudo aquilo, mesmo sem dinheiro e com o mínimo apoio. Ao final da conversa, como de costume nosso amigo se emocionou e chorou na minha frente, dizendo que, mesmo com o dinheiro que havia conquistado trabalhando muito, não tinha ainda na vida realizado trabalhos como o meu; que admirava muito tudo o que eu estava fazendo e que precisava me ajudar de alguma forma. Me ofereceu ajuda material, algumas das quais recusei por ética e filosofia de vida, como um carro para melhorar meus trabalhos. Disse que precisava de ajuda para o projeto e combinamos de conseguir rampas, skates e algum apoio financeiro, mas nada de mão beijada! Sugeri usar as roupas das marcas que ele estava lançando (Doce e Plata) em troca dessa ajuda e mais uma vez recusei o carro, pois estava para comprar um fiat Uno em 36 parcelas e que esse sonho de criança, de comprar um carro e pagar com o suor de meu trabalho, ninguém iria me tirar. Nessa hora ele me respondeu: “Pô moleque, sou seu fã. Tenho que andar com gente igual a você!” 4. Na ocasião em que meu filho mais novo, o Breno, ainda era um bebê de colo e passou mal, o levamos ao hospital pelo convênio médico que tínhamos e foi diagnosticado que ele estava com bronquiolite; teria de ficar internado. Como nosso plano era simples, ele ficou em quarto de enfermaria junto de outros pacientes, momentos difíceis para nós! Eu tive que cancelar alguns compromissos inclusive um com o Renato Taroba, que acabou comentando com o Chorão. Ele me ligou uma noite no hospital e queria ir até lá, ficar comigo, acompanhando meu filho. Eu disse que não precisava mas ele queria ajudar de qualquer jeito. Ele respondeu que se eu não aceitasse a ajuda pegaria um helicóptero para levar meu filho ao melhor hospital de São Paulo. Como eu já sabia que ele era capaz de fazer isso, comentei que meu plano de saúde era simples mas que tinha um atendimento pago à parte nesse hospital que era bem melhor, porém eu não tinha condições. Na hora ele me autorizou a passar meu filho para esse atendimento melhor, quanto tempo fosse preciso, e que a conta ele pagaria. Em dois dias o Breno ficou bom e, além de pagar o hospital, ele também custeou os remédios e aparelho de inalação, e o Breninho nunca mais teve problemas com isso.

APOIO CULTURAL

5. Em um fim de semana o Chorão me ligou e disse: “Consegui algumas rampas para suas aulas, você consegue um caminhão para vir buscar?” Fiz o corre junto com a fundação CASA e no outro dia fui na missão, junto dos skatistas Gian Naccarato e do Everton Maninho. Pegamos o Chorão no prédio dele em Santos, ele ficou amarradão em dar um rolê de caminhão. Fomos buscar as rampas em sua pista de skate e claro que antes rolou aquela sessão na pista, com o Gian criando lugares para manobrar que nem mesmo o Chorão havia imaginado ser possível existir. No caminho de volta pra SP o Chorão me ligou e pediu para que, ainda no mesmo dia, eu fosse no Memorial da América Latina, à noite, para assistir à entrega de um prêmio que ele iria receber. Aceitei o convite, terminei o trabalho com as rampas e parti para o local combinado! Durante o evento me sentei distante do palco e fiquei observando a premiação de grandes astros de varias áreas. Para minha surpresa e a de todos ali presentes, ao chamarem o Charlie Brown Jr. para receber o prêmio, o Chorão pegou o microfone, agradeceu aos fãs que votaram neles mas disse que queria repassar o prêmio para um trabalho que estava “salvando” vidas através do skate e me chamou no palco; minhas pernas tremeram. Fui ao palco pegar o prêmio e fiz um caloroso discurso, como de costume. 6. Na véspera de lançar o filme que ele dirigiu no cinema (O Magnata), o Chorão me pediu que fosse até Santos pegar os vips para a pré-estreia, mas que era para ir com o tal Uno, para ele ver como estava o carro! Nessa missão fomos eu, o Gian novamente, e o Pablo Pontes. Chegamos em Santos e fomos direto para a casa do Chorão. Porém, como o carro já era bem usado (1995), ele morria algumas vezes e tínhamos que empurrar pra pegar no tranco. O Chorão ligou para seu motorista e disse que naquela noite quem o levaria ao compromisso éramos nós, em meu velho e bom Fiat Uno. Só que quando estávamos no trajeto de levar o Chorão ao destino, o carro começou a morrer e claro que deixamos o Chorão e motorista dele e no carro, com o Gian e o Pablo descendo para empurrar o carango. Na terceira vez que o carro morreu o Chorão desceu do carro sozinho e empurrou com nós três dentro do carro até o veículo pegar; jamais algum artista faria isso com a humildade que ele fez. Um artista não, mas sim um skatista, com certeza, faria isso, e o Chorão sempre foi skatista; somente após muita luta e trabalho pesado que ele virou um artista. 7. Tem também o já conhecidíssimo vídeo do Chorão no Programa do Jô, onde ele destina boa parte de sua entrevista para falar de meus trabalhos com skate. Conseguiu fama e notoriedade e as usou para ajudar pessoas e, até mesmo o dinheiro que conquistou com seu trabalho, servia para ajudar projetos, amigos e até mesmo estranhos que encontrava pela rua. Esse era o Chorão: um cara grande, com personalidade forte, mas que chorava quando se emocionava e isso acontecia com certa facilidade. Um cara com o maior coração que já vi em um ser humano, nos tempos de hoje. Obrigado amigo, por tudo o que fez pelos mais humildes. P.S.: Pontes indestrutíveis é o nome de uma de suas músicas, a qual eu acho que mais se identifica com nosso trabalho. Grato sempre, Sandro Social Skate

Thiago anTunes, mais conhecido como Picomano, é um cara focado em seu skaTe. dias anTes de fazer esTa foTo fomos ao Pico, e sua organização e disPosição Para fazer a foTo aconTecer me imPressionaram. Tudo foi Pensado, massa PlásTica nas rachaduras maiores da borda, madeira Pra enTrada, Pra saída e aTé uma escada giganTe ele arranjou Para eu ficar no melhor ângulo. não Poderia Ter resulTado em algo menos imPressionanTe. TrinTa e quaTro degraus suPerados de swiTch noseslide não é Pra qualquer um! confira o vídeo no www.TriboskaTe.com.br e veja com seus PróPrios olhos. // TexTo, foTo e filmagem Diogo groselha

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skateboarding militant // por guto jimenez*

Fora, parasitas!

A

ntes de mais nada, gostaria de esclarecer uma coisa: não estava nada a fim de abordar o tema dessa coluna. É um assunto antigo e recorrente, que surge sempre que uma pista de skate é inaugurada e que, infelizmente, não muda com o passar do tempo. Pelo contrário, só tende a piorar quanto mais aumenta o acesso aos meios de divulgação instantâneos como os dos tempos que vivemos. Sei que irão me acusar de preconceituoso, intransigente e retrógrado, mas eu não ligo a mínima. Sei também que os politicamente corretos dirão que eu estou “fomentando o ódio e a intolerância entre membros de diferentes grupos” e, da mesma forma, não me importo nem um pouco. Como disse antes, é um tema delicado que ninguém gosta de abordar de maneira franca - mas alguém precisa fazer o trabalho sujo, por assim dizer. Já passou da hora de praticantes de bmx serem proibidos de andar em toda e qualquer pista de skate pública de concreto ou madeira. Os motivos saltam aos olhos de qualquer um que observe o conjunto que compõe essas bicicletas; guidons, pedais e pedaleiras são feitos de metal resistente e têm formatos que furam as pistas construídas pra se andar de skate. Basta bater poucas vezes no mesmo lugar, e cria-se uma rachadura que se transforma rapidamente em um buraco. Como todo skatista sabe, nada é pior numa transição ou num flat de pista do que um buraco o qual você tem de desviar já que é um perigo em potencial pras rodas menores e mais duras usadas nesses terrenos. Não engulo essa ladainha que inventaram de “somos todos da mesma tribo de esportistas radicais”. Isso foi invenção de um canal de tevê pra promover um de seus produtos, e é um conceito artificial por natureza. Skatistas e bikers pertencem a universos paralelos que não se encontram, ou não deveriam se encontrar... ... a não ser quando uma pista nova é inaugurada. Aí, eles surgem do nada como se tivessem saído de baixo da terra, apenas esperando o momento propício pra andarem em lugares nos quais não tiveram a menor participação no processo de conseguir a área, formular um projeto e executar a obra. Só aparecem pra se aproveitar dos esforços de skatistas, como os verdadeiros parasitas que são. Se você acha que estou pegando pesado, faça um exercício de memória ou então busque no Google pra ver quantas pistas de concreto ou madeira que os bikers agilizaram em sua história, principalmente no Brasil, e não se surpreenda com o resultado. Eu só sei de um único caso, o de uma rampa que ficava num sítio de um biker nos arredores de uma grande cidade brasileira. Não satisfeito em parasitar as pistas de skate que encontrasse em seu caminho, o dono da pista ainda teve a ousadia de colocar uma placa estilizada proibindo skate em sua rampa. Isso só prova que não há limites pra desfaçatez e pra cara de pau de algumas pessoinhas... Fora isso, é a mesma história de sempre. Skatistas formam associações, reivindicam a construção de pistas, elaboram projetos, executam e acompanham as obras das pistas de skate em todo o mundo. Já os bikers, só aparecem pra andar, cair e detonar as pistas. Isso é justo?! Nem aqui, nem na China e em nenhum outro lugar do planeta. Não consigo ser tolerante com isso. Acho um ABSURDO o fato do banks da Lagoa Rodrigo de Freitas ter demorado meses pra ser reformado, num traba-

lho conjunto entre skatistas e a prefeitura da cidade, e ter começado a ser esburacado de novo por bikers menos de 6 horas depois de sua reinauguração. Isso deveria ser um crime contra o patrimônio esportivo da cidade, mas infelizmente passou sem punição alguma pelo fato de ter sido feito tarde da noite. Agora, o alvo dos parasitas é a pista de Madureira. Algum palhaço colocou uma petição online “exigindo” que bmxs possam também usar do espaço que, repito, nenhum deles teve a menor participação construtiva. É inaceitável que isso seja sequer analisado, sob qualquer perspectiva que se apresente. Já conhecemos o enredo, que não muda desde os longínquos tempos em que as pistas de Campo Grande ou São Bernardo do Campo ainda eram novinhas. Nós construímos e eles só destroem – chega disso, né não?! Se bmxs fossem tão inofensivas assim às transições e aos pisos de pistas de skate, os donos de picos particulares da Europa e EUA não cobrariam o dobro (ou o triplo) do preço normal nas sessões dedicadas às bicicletas. Eles não são otários e sabem dos danos que as bicicletas causam; quem não concordar, que vá andar noutro lugar qualquer menos naquelas pistas, que geralmente são as únicas opções nas regiões onde estão localizadas. Simples assim, e eficaz ao extremo. Agora, como fazer isso aqui no Brasil, onde a imensa maioria das pistas é pública?! Como fiscalizar e vigiar se mal há policiais e guardas pra tomarem conta de nossas ruas?! Eu sugiro duas ações em paralelo: impedir o acesso noturno ao se apagar os refletores após uma determinada hora, e instalando-se correntes cruzando toda a pista. Sem dúvida alguma, seria um limite também aos skatistas, mas garanto que ninguém reclamaria se soubesse que a intenção é preservar os picos de seus piores predadores. Atitudes extremas, como estragar o trabalho dos outros, exigem medidas também extremas. Pelo bem das pistas de skate em todo o Brasil: fora, parasitas!

APOIO CULTURAL * Guto Jimenez está no planeta desde 1962, sobre o skate desde 1975.

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Tribo Skate Edição 210