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ANO XVI - Nº 140 - Junho/2011 - R$ 6,00

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A crise dos Pepinos Adalberto Goulart Juntos e Separados Rosângela Dória O voto libertador de Carlos Britto Marcos Cardoso Carlos Cauê, contista de vida e morte Gilfrancisco São João e Natal, duas festas divinas Elton Coelho

Euza

missano A Justiça em delicadas mãos

Estreia

home life Um estilo de vida

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ste ano, o Forró Caju chega à sua 18ª edição. 133 atrações vão se apresentar no grande arraial montado entre os mercados municipais, no Centro Histórico da capital sergipana, para um público médio de 100 mil pessoas por noite. O arrasta-pé será comandado por bandas e artistas renomados nacionalmente e pelos principais e mais talentosos artistas sergipanos. Tem forró de todos os estilos, para agradar aos mais variados gostos. Para ampliar a participação das atrações locais, a Prefeitura de Aracaju, além de mater o palco alternativo e o arraial montado no mercado Thales Ferraz, reservou ainda mais espaço para os artistas sergipanos nos palcos principais da festa.

17 de junho (sexta-feira) Palco Luiz Gonzaga 21h - Clemilda 22h - Orquestra Sanfônica de Aracaju 23h - Flávio José 00h30 - Aviões do Forró Arraial 17h - Iracema do Forró Ivanildo do Acordeon

Palco Gerson Filho 18h - Eugênio Bispo 21h - Zé Américo de Campo do Brito 23h - Waltinho do Acordeon 00h30 - Zuerões do Forró 02h - Forró Bis

18 de junho (sábado) Palco Luiz Gonzaga 21h - Casaca de Couro 23h - Estakazero 00h30 - Mastruz com Leite 02h - Cavaleiros do Forró Arraial 17h - Trio Catuense Trio Pantanal

Palco Gerson Filho 18h - Robertinho dos 8 Baixos 21h - Forró Bregão 23h - Luiz Paulo 00h30 - Nino Karvan 02h - Forró dos Gordinhos

19 de junho (domingo) Palco Luiz Gonzaga 21h - Erivaldo de Carira 23h - Rojão Diferente 00h30 - Cintura Fina 02h - Mulheres Perdidas Arraial 17h - Cassiano do Forró Trio Nordestino do Ritmo Palco Gerson Filho 18h- Trio Chico & Forró Chic-Chic 21h - Luiza Lú 23h - Edgard do Acordeon 0h30 - Balança Eu 02h - Forró Maria Gazzulina

21 de junho (terça-feira) Palco Luiz Gonzaga 21h - Passarada do Ritmo 23h - Petrúcio Amorim 00h30 - Fogo na Saia 02h - Calcinha Preta

24 de junho (sexta-feira) Palco Luiz Gonzaga 21h - Zé Tramela 23h - Alceu Valença 00h30 - Banda Calypso 02h - Gatinha Manhosa

Arraial 17h - Trio Piauí Trio João da Paraíba

Arraial 17h - Trio Campim Canela Trio os Três da Vaquejada

Palco Gerson Filho 18h - Beskua do Acordeon 21h - Jailson do Acordeon 23h - Zé Rosendo e Marluce 00h30 - Forró Tô aqui 02h - Forró Candeeiro de Prata

Palco Gerson Filho 18h - Os Brasas Nordestinho 21h - Batista do Acordeon 23h - Sena 00h30 - Valter Nogueira 02h - Forró Mala Pronta

22 de junho (quarta-feira) Palco Luiz Gonzaga 21h - Lourinho do Acordeon 23h - Marciel Melo 0h30 - Paulinha Abelha e Marlus 02h - Forró Maior Arraial 17h - Trio Borborema Trio Ravengar Forró Doce Aracaju

Palco Gerson Filho 18h - Trio Pé Quente 21h - Marcos Guedes 23h - Cobra Verde 00h30 - Antônio Carlos D´Aracaju 02h - As Patricinhas do Forró

23 de junho (quinta-feira) Palco Luiz Gonzaga 21h - Dominguinhos 23h - Xote Baião 00h30 - Zé Ramalho 02h - Forró da Pegação

25 de junho (sábado) - ao vivo na Globo Palco Luiz Gonzaga 21h - Genival Lacerda 23h - Fagner 00h30 - Danielzinho Quarto de Milha 02h - Garota Safada Arraial 17h - Trio Bebero da Paraíba Trio Ceará

Palco Gerson Filho 18h - Correia dos 8 Baixos 21h - Trio Itapoã 23h - Joésia Ramos 00h30 - Mestiça Raiz 02h - Forró 10 Adônis

26 de junho (domingo) Palco Luiz Gonzaga 21h - Rogério 23h - Targino Godim 00h30 - Forró dos Plays 02h - Cia do Calypso

Arraial 17h - Trio Canal do Forró Trio Itaporanga

Arraial 17h - Trio Repente Trio Nordeste Independente

Palco Gerson Filho 18h - Trio Asa Branca 21h - Virgínia Fontes 23h - Sergival 00h30 - Luiz Fontinelli 02h - Aconchego do Forró

Palco Gerson Filho 18h - Trio Mala e Cuia 21h - Forró Pé de Moleque 23h - Bago de Jaca 00h30 - Forró Sensação.Com 02h - Forró Paraxaxá

27 de junho (segunda-feira) Palco Gerson Filho 21h - Naurêa 23h - Geraldinho Lins 00h30 - Samfonada 02h - Forró do Muído

Arraial 17h - Trio Karmem Oliveira Edinho do Acordeon

Palco Gerson Filho 18h - Trio Ave Rara 21h - Caçula do Forró 23h - Forró Skema de Três 00h30 - Fábio D´Estância 02h - Forró Corpo de Mulher

28 de junho (terça-feira) Palco Luiz Gonzaga 21h - Trio Juriti 23h - Jorge de Altinho 00h30 - Elba Ramalho 02h - Saia Rodada

Arraial 17h - Trio Coração do Nordeste Trio Vassoral

Palco Gerson Filho 18h - Ismael e os Filhos do Nordeste 21h - Café Suado 23h - Forró Tudo de Bom 00h30 - Zé Manoel 02h - Forró Grupo Jota

29 de junho (quarta-feira) Palco Luiz Gonzaga 21h - Trio Nordestino 23h- Adelmário Coelho 00h30 - Falamansa 02h - Limão com Mel

Arraial 17h - Trio Espinho de Mandacaru Trio Acauã

Palco Gerson Filho 18h - Nilson do Forró 21h - Forrozão Catolé 23h - Joseany D´Josa 00h30 - Trem Baum 02h - Rastro de Fogo

editorial

Publisher Hugo Julião hugojuliao@uol.com.br

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resultado desta edição é fruto da observação gabaritada de brilhantes profissionais, para os mais variados temas. Matérias que falam sobre o cotidiano que, de uma forma ou de outra, afetam nossas vidas. Um exemplo, é a entrevista com a incansável promotora do Ministério Público Estadual, Euza Missano, que nos deu a honra de compartilhar suas ideias, seu precioso tempo e, ainda, o seu charme para a nossa capa. É tempo de estreia nas páginas da Aracaju Magazine com um novo e sofisticado caderno: Home Life - um estilo de vida, assinado pelo interior designer Wilton Fonseca. Não vamos tecer considerações, vá até a página 113 e confira. E a cultura continua sendo um dos principais focos da nossa editoria. Nesta edição, temos artigos, crônica, crítica, conto, ensaio fotográfico, tudo devidamente assinado por jornalistas conceituados em nosso imenso Sergipe. E vamos que vamos que tem muito mais. Consumo ,beleza, dicas de compras, de leitura, de vídeos, de música e de moda, apresentadas em um formato sempre leve, lindo e solto. A Aracaju Magazine traz também registros de festas e eventos que movimentaram a cidade, como o aniversário de nossa editora-chefe Thaïs Bezerra, que deu o que falar nas rodas sociais. E, claro, vamos falar de São João, uma festa que movimenta os quatro cantos do estado, mostrando que Sergipe é mesmo o Pais do Forró. Quer uma dica? Vire a página e confira no Sumário porque a Aracaju Magazine é a revista Top de Sergipe. Boa leitura.

Hugo Julião hugojuliao@uol.com.br

Diretores Hugo Julião Mel Almeida

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Publisher Hugo Julião Editora-Chefe Thaïs Bezerra Reportagem Theo Alves Comercial Mel Almeida mel.almeida@uol.com.br (79) 9924-0339 Produção Juliano Azuma Marcel Azuma Diretor de Arte Marcos Ribas Fotógrafo Alexandre Ribas Revisão Juliano Azuma Colaboradores Adalberto Goulart, Allan Renato, Álvaro Villela, Amâncio Cardoso, Anderson Adler, Benjamin Teixeira, Carlos França, Cláudio Nunes, Francisco Carlos, Gilfrancisco, Ilma Fontes, Jaime Santana Neto, Lindolfo Amaral, Lineu Lins, Luís Eduardo Costa, Marco Cavalcanti, Rodrigo Gama Goulart, Rosângela Dória, Tanit Bezerra, Wilton Fonseca Diretor de Relações Institucionais Diego da Costa Administração Alcenira Andrade Barreto Cristina Souza Arruda Impressão Gráfica Santa Marta Jornalista Responsável Thaïs Bezerra - DRT-SE 364. Esta edição da revista ARACAJU Magazine é uma publicação da Cultura Editora e Gráfica Ltda-ME, CNPJ 01.101.741/0001-21, com sede à rua B, 37, Jardim Mar Azul, Farolândia, escritório comercial à rua Capitão Benedito Teófilo Otoni, 477, bairro 13 de julho, Aracaju/SE. Distribuição através de assinaturas e em bancas de Aracaju, Salvador e Brasília. Sugestões e cartas para a redação, enviar para endereço, fax ou e-mail acima. Não nos responsabilizamos por conceitos emitidos em artigos assinados. Junho/11. Tiragem: 12.000 exemplares ISSN 1517-9036

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ste efusivo cumprimento entre o governador Marcelo Déda e o prefeito Edvaldo Nogueira aconteceu em evento realizado no Palácio do Planalto, logo após Edvaldo ter falado em nome dos prefeitos do país, durante o lan-

Roberto Stuckert Filho

Uma sólida amizade çamento do Programa Brasil sem Miséria, principal projeto social do Governo Federal. Ele foi elogiado publicamente pelo governador, em mensagens no Twitter, e pela presidente Dilma - ainda durante a cerimônia - quando ela se referiu a

uma expressão utilizada pelo prefeito, em seu discurso, para definir o Programa: uma “nova abolição”. Depois do abraço, Déda e Edvaldo saíram para almoçar, desmontando os boatos sobre um suposto afastamento entre os dois.

Retalhos Juninos

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Guerra de Espadas

etalhos Juninos é o nome da exposição da repórter fotográfica Maria Odília que está sendo realizada na Galeria de Arte do Sesc, situada na rua Dom José Thomaz, nº 235, no bairro São

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Cesar Leite e a Burrinha Caçarola

José, Aracaju/SE. A mostra reúne fotografias realizadas por Odília durante suas andanças pelo estado, quando fazia cobertura jornalística dos festejos juninos para o Jornal da Cidade, onde trabalha. O resultado é

Maria Odília

uma bela apresentação estética das diversas facetas da mais tradicional das festas populares de Sergipe. A exposição permanecerá até o dia 29 de julho e poderá ser visitada de segunda a sexta-feira, das 10 às 19h.

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Panorama Conversando com o Lojista Em encontro na CDL, no mês de maio, o senador Eduardo Amorim fez uma brilhante explanação sobre a necessidade de se executar a Reforma Tributária no Brasil e impressionou os empresários do comércio ao tratar o assunto com riqueza de detalhe e conhecimento da causa. O senador atendeu convite da CDL/ Aracaju, dentro do programa Conversando com o Lojista, realizado mensalmente para abordar questões de interesse da classe - que clama por melhorias e redução da carga tributária.

Convenção

A 52ª Convenção Nacional do Comércio Lojista, o maior evento do varejo brasileiro, que será realizado de 11 a 14 de setembro, em Fortaleza, foi discutido amplamente por ocasião da visita de um dos seus promotores, Francisco Honório Pinheiro, presidente da FCDL do Ceará, a Sergipe. O encontro serviu para troca de idéias entre os lojistas sergipanos, que estavam representados através das CDLs de Itabaiana, Propriá, Glória, Tobias Barreto, Simão Dias, Lagarto, Estância, Dores, Poço Verde, Aracaju, Neópolis, Laranjeiras, dentre outros municípios. A reunião contou com a presença do deputado estadual Zezinho Guimarães, que representa a classe lojista na Assembléia Legislativa de Sergipe. Eles foram recepcionados pela FCDL/Sergipe, por meio do presidente Gilson Figueiredo, e pela CDL/Aracaju, através do presidente Samuel Schuster.

Zezinho Guimarães, Francisco Honório Pinheiro e Gilson Figueiredo

ASEOPP assina convênio com a Fase

Ticiane (FASE), Luciano Barreto e Fernando (FASE)

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A Associação Sergipana dos Empresários de Obras Públicas e Privadas (ASEOPP) assinou um convênio com a Faculdade de Sergipe (FASE) que permite que colaboradores das empresas associadas tenham acesso a todos os cursos de graduação e pós-graduação ofertados pela instituição de ensino, com 20% de desconto no valor das mensalidades. Serão também beneficiados os cônjuges, companheiros, filhos e dependentes. Um passo importante na busca da educação e qualificação dos trabalhadores. Que sirva de exemplo para outros segmentos. Na foto, o presidente da ASEOPP, Luciano Barreto, entre Fernando Monteiro e Ticiane Tojal, respectivamente diretor e gerente comercial da Fase.

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Alameda das Árvores

Região perfeita para viver

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os últimos anos, é visível o desenvolvimento de Aracaju: o turismo está em evidência, inúmeros edifícios são erguidos, praças construídas, ruas abertas e o grande fluxo de veículos que (surpreendentemente) chama atenção. Segundo dados do IBGE, a capital sergipana tem o melhor índice de veículos por habitante, entre as principais capitais nordestinas: existe 1 carro para cada 4,8 pessoas, o que totaliza 119.476 veículos. Em contrapartida, dirigir em Aracaju tornou-se um ‘exercício de paciência’, já que o fluxo da cidade pode ser comparado às grandes metrópoles, principalmente nos horários de pico. Assim, fica claro que é necessário cuidar do bem-estar da população e buscar mecanismos para que, realmente, o conceito de ‘capital da qualidade de vida’ seja colocado em prática. Para fugir do desconforto do trânsito, poder caminhar com tranqui-

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lidade, andar de bicicleta, praticar esporte e ter um contato com a natureza, existe em Aracaju uma excelente opção de moradia, criada especialmente para quem deseja viver com privilégios. É a Alameda das Árvores, uma aconchegante região mantida e criada pela Construtora Celi, entre as avenidas Hermes Fontes e Nova Saneamento, considerada uma das mais elegantes áreas residenciais. Ela é estrategicamente recuada das grandes avenidas, fazendo com que as pessoas ‘fujam’ do trânsito e, até mesmo, possam estacionar com facilidade. A Alameda das Árvores é tão especial que (a pé) dá para levar os filhos ao colégio, ir até o supermercado, farmácias, clínicas, academias ou até mesmo aproveitar o amanhecer para fazer uma boa caminhada ou renovar as energias no entardecer na Praça da Alameda. Tudo isso em um cenário repleto de verde e ar puro.

Uma visão em perspectiva do Living Residence

A opinião de quem mora ou futuramente morará na Alameda das Árvores é única: é maravilhoso viver na região. “Não existe nada igual que chegar a seu apartamento e ter a certeza que podemos ir a qualquer lugar com segurança e descer até a praça para cuidar da nossa saúde. Sentar na praça e sentir o frescor é uma delícia! Minha família escolheu a Alameda por ser uma área especial e que a cada dia se valoriza mais e mais”, comemora Adriana Dantas, moradora. E não faltam motivos para a Alameda das Árvores ser uma das mais requisitadas regiões onde é possível viver (muito) bem. Localização, facilidade e segurança são as características que valorizam bastante uma área residencial. Se associados a estes aspectos, sofisticados empreendimentos estabelecem o prestígio da região. Da Celi, por exemplo, são sete ao todo, sendo que (para a satisfação completa dos clientes) quatro já foram entregues. A Alameda das Árvores é uma excepcional opção para quem busca viver com excelência. E para engrandecer ainda mais esta região única, está em fase de pré-lançamento mais um produto que leva a marca da sofisticação, qualidade e pontualidade Celi: o Living Residence, um grande marco na vida de muitos sergipanos que primam viver com privilégios.

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Panorama Tanit Bezerra, diretora de Turismo da Funcaju, a convite do diretor regional do Senac/SE, Paulo do Eirado, e do instrutor Paulo César Oliveira, falou aos alunos da entidade sobre políticas públicas, programas do Ministério do Turismo, parcerias entre a prefeitura e o governo estadual. Ela também discorreu sobre o trabalho que a Funcaju vem realizando em Aracaju, portão de entrada para as maravilhas de Sergipe. Os alunos eram do Curso Técnico em Guiamento em Turismo Regional do Programa Senac de Gratuidade (PSG), uma parceria com o Governo Federal que visa qualificar pessoas de baixa renda para o ingresso no mercado de trabalho.

Força e Fé Jeferson Fonseca de Moraes, procurador aposentado do Estado de Sergipe, lançou o seu primeiro livro no espaço do Instituto Luciano Barreto Junior, no dia 14 junho. Uma noite concorrida, com a presença de autoridades e muitos amigos. O título - Dando a volta por cima, superando o câncer e outras dores pela fé – é o resumo, em uma frase, do seu conteúdo: um exemplo de como ajudar as pessoas a dar a volta por cima com serenidade e coragem.

Coleção Fun Arraiá

As divertidas festas juninas ganharão novamente um cheirinho especial com os produtos de O Boticário. A marca trouxe para as cerca de 800 lojas do Nordeste, em edição limitada, a Coleção Fun Arraiá. O lançamento exclusivo traz Fun Arraiá Acqua Desodorante Colônia Maçã do Amor e mais dois kits: um com dois hidratantes corporais, Maçã do Amor e Correio Elegante, e outro com três itens da linha de maquiagem Intense. Além de receberem os produtos exclusivos, as lojas de O Boticário no Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas e Bahia estarão ambientadas com bandeirinhas coloridas e balões. E pela primeira vez, os produtos da coleção também estarão disponíveis na loja virtual (www.oboticario.com.br) e poderão ser entregues em todo o país.

Macarons em Aracaju

Ao contrário do que muitos pensam, a origem dos Macarons é italiana, mas foi na França que ganharam notoriedade. Lá, eles são tradicionalmente feitos com farinha de amêndoas, ingrediente pouco disponível no Nordeste brasileiro. Foi então que a empresa Mon Macaron, depois de muitas experiências, bolou uma receita a partir da farinha de castanha. Hoje, o delicado doce já é comercializado em Aracaju, em vários tamanhos e sabores. Por enquanto, a Mon Macaron apenas trabalha sob encomendas, através do e-mail monmacaron@yahoo.com.br Quem já experimentou garante: é uma delícia!

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Roberto Silva/SENAC-SE

Turismo e educação

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Comemoração e homenagem A Associação dos Defensores Públicos do Estado de Sergipe (ADPESE) realizou um animado encontro, no mês de maio, para comemorar o Dia do Defensor Público. O almoço de confraternização foi no restaurante Buana, com a presença de diversos membros da classe. Na ocasião, os defensores públicos também homenagearam o colega Elber Batalha, em função da sua aposentadoria como defensor.

Na foto, Raimundo Veiga, Elber Batalha, Elber Filho e Gláucia Andrade

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ARACAJU MAGAZINE indica Nas videolocadoras...

Burlesque Burlesque conta a história de Ali (Christina Aguilera), uma jovem sonhadora que escapa de um futuro incerto para tentar a carreira de cantora em Los Angeles. Por acaso, ela descobre o The Burlesque Lounge: um mix de teatro e casa noturna que apresenta números de dança burlesca. Contratada como garçonete, logo Ali se destaca e mostra o seu talento, tornando-se a principal estrela do local.

Malu de Bicicleta Baseado em livro de Marcelo Rubens Paiva, Malu de Bicicleta conta a história de um empresário da noite paulistana que coleciona casos amorosos, mas não se envolve emocionalmente com ninguém. Até que um dia, de passagem pelo Rio de Janeiro, é atropelado por uma jovem que lhe desperta uma grande paixão. Dirigido por Flávio Tambellini, o filme tem no elenco os atores Marcelo Serrado, Fernanda de Freitas, Otávio Martins, Marjorie Estiano, Daniele Suzuki, Maria Manoella, Thelmo Fernandes e Daniela Galli.

Cisne Negro Um dos grandes destaques do Oscar 2011, Cisne Negro é um thriller psicológico ambientado no mundo do balé. Natalie Portman interpreta uma bailarina aficionada pela perfeição, que vê na personagem de Mila Kunis uma perigosa rival. Dirigido por Darren Aronofsky, Cisne Negro ainda traz os atores Winona Ryder, Vincent Cassel, Barbara Hershey e Benjamin Millepied no elenco.

Bruna Surfistinha Baseado no livro O doce veneno do escorpião, Bruna Surfistinha narra a história de Rachel Pacheco, uma garota da classe-média paulistana que resolve deixar a família para ganhar a vida como garota de programa. Sucesso de bilheteria, o filme é protagonizado pela atriz Deborah Secco e marca a estreia de Marcus Baldini como diretor de cinema. No elenco também estão os atores Drica Moraes, Danielle Winits e Cássio Gabus Mendes.

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indicam para ver e ouvir...

DVD I AM... WORLD TOUR Depois de Diamante Duplo no Brasil com mais de 520.000 cópias vendidas do I Am... Sasha Fierce e Platina Duplo com o DVD I Am...Yours, Beyoncé lança o terceiro “I Am...”. I Am...World Tour é o registro da mundialmente aclamada turnê de 108 shows, que passou por 32 países e 6 continentes, quebrando recordes no mundo todo. No Brasil, foram 5 shows esgotados. Assistido por mais de 150.000 pessoas, o DVD traz grandes sucessos como Halo, If I Were A Boy, Ego, Single Ladies, além de cenas dos shows de Florianópolis, Rio de Janeiro e São Paulo. Hoje, a superstar é recordista do Grammy Awards com 16 prêmiações. Em 2009 foi escolhida a “Mulher do Ano” pela Billboard e em sua carreira já vendeu mais de 130 milhões de cópias no mundo.

Caetano Zii & Zie - MTV Ao Vivo Caetano Veloso, o maior cantor e compositor brasileiro, está de volta. Uma parceria com a MTV num novo CD e DVD ao vivo. O Show Zii e Zie foi gravado no palco da casa de shows Vivo Rio, no Rio de Janeiro. A direção é de Helio Eichbauer, Moreno Veloso e Fernando Brasileiro. Caetano regravou grandes sucessos como: Força Estranha, Eu Sou Neguinha, Trem Das Cores, entre outros.

cd LUAN SANTANA - Ao Vivo no Rio Este projeto Luan Santana – Ao Vivo no Rio foi gravado no HSBC Arena em dezembro de 2010. Absolutamente lotado, o local recebeu cerca de 15 mil pessoas e os ingressos foram esgotados uma semana antes do evento. Com orçamento de cerca de R$ 2 milhões, o show chamou atenção pelas novidades tecnológicas, pelo uso de truques de ilusionismo e pelas participações especiais de Ivete Sangalo, Zezé Di Camargo & Luciano e da cantora espanhola, erradicada no México, Belinda. Quase todas as músicas do espetáculo são inéditas.

MARIA GADú - Multishow Ao Vivo Sucesso da grande revelação da MPB com o lançamento do Multishow Ao Vivo Maria Gadú. Após os lançamentos do CD Single, do DVD e do Kit Premium, lança um CD exclusivo, apenas com os extras do show realizado pela cantora em julho de 2010 no Credicard Hall (SP). Na maior parte das 11 faixas deste disco, Gadú canta com alguns de seus parceiros prediletos. Em Paracuti, música que abre o CD, ela divide o microfone com Luiz Murá. Outro destaque fica por conta dos Varandistas (Áureo Gandur, Gugu Peixoto, Tomas Lenz, Fred Sommer, Luiz Kiari e Leandro Léo), que participam das belas A culpa e Maze.

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indicam para ler...

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ÁGUA PARA ELEFANTES - Sara Gruen Desde que perdeu sua esposa, Jacob Jankowski vive numa casa de repouso, cercado por senhoras simpáticas, enfermeiras solícitas e fantasmas do passado. Por 70 anos, Jacob guardou um segredo. Ele nunca falou a ninguém sobre os anos de sua juventude em que trabalhou no circo. Órfão, sem dinheiro e sem ter para onde ir, ele deixa a faculdade antes de prestar os exames finais e acaba pulando em um trem em movimento - o Esquadrão Voador do circo Irmãos Benzini, o maior espetáculo da Terra. Admitido para cuidar de animais, Jacob sofrerá nas mãos do Tio Al e de August. É também sob as lonas dos Irmãos Benzini que Jacob vai se apaixonar duas vezes - primeiro por Marlena, a bela estrela do número dos cavalos e esposa de August, e depois por Rosie, a elefanta que deveria ser a salvação do circo.

MAESTRO - Roger Nierenberg O maestro Roger Nierenberg inspirou-se na própria experiência para contar a história de um executivo que consegue melhorar os resultados de sua empresa após conhecer um regente fora de série. O diretor enfrentava problemas para aumentar as vendas e nenhuma abordagem usada no passado funcionava com sua equipe. Os gerentes eram especialistas e orientavam muito bem os subordinados, mas, quando a questão ultrapassava o próprio departamento, os processos empacavam e ninguém se entendia. O inesperado convite para assistir ao ensaio de uma orquestra o leva a repensar o papel do líder. Encantado com o mundo da música clássica, ele se vê arrebatado pela autoridade do regente e por sua atitude aberta e atenciosa.

O DIA EM QUE NATE ENTROU PARA A HISTÓRIA Lincoln Peirce

Nate sabe que nasceu para fazer coisas importantes. Mas a vida nem sempre é do jeito que se quer só porque se é o máximo. Parece que os problemas perseguem Nate, mas ele não quer nem saber. Leu num biscoitinho da sorte que está destinado ao sucesso.

Fora do comum - Tony Dungy / Nathan Whitaker Escrito por um dos maiores técnicos do futebol americano, ele fala sobre a essência da vida, valores humanos, a força da fé e a importância de se liderar pelo exemplo. Tony Dungy possui uma retidão de caráter admirável e conquistou os maiores títulos do esporte sem jamais se deixar seduzir pelo caminho mais fácil. É muito comum atletas ficarem deslumbrados com a fama e o dinheiro e acabarem metendo os pés pelas mãos. Dungy é um campeão de recordes e acumulou diversos prêmios ao longo de sua bemsucedida carreira. Extremamente exigente em campo, sabe muito bem o que esperar de cada jogador. Disciplina, responsabilidade e comprometimento são algumas de suas palavras-chave.

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Motorola Droid Batizado de Droid, este celular da Motorola vem com a versão 2.0 do Android e com a promessa de desafiar o iPhone. Será? Bom, uma certeza nós temos: nessa disputa quem sai ganhando é o consumidor.

Pulse O porta-retratos Pulse da KODAK vem com recursos de rede social, tela LED touchscreen de 7 polegadas, capacidade de armazenamento de até 4.000 fotos e também conexão Wi-Fi. Sim, ele já está à venda no Brasil.

Swatch by Jeremy Scott Jeremy Scott, designer americano queridinho das celebridades, firmou parceria com a Swatch e criou uma linha de relógios inspirados nos ícones pops da década de 90. O resultado fez tanto sucesso que novos modelos vêm por aí.

Fuji Finepix X100 A Fuji Finepix X100 é uma câmera digital cheia de recursos: lente 35mm f/2 (equivalente), sensor APS-C e 12.3 megapixels. Mas, o que chama a tenção mesmo é o seu design, bem no estilinho retrô. 22 aracaju

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Persol Depois de cair na graça de estrelas hollywoodianas, a italiana Persol conquistou o consumidor brasileiro e se tornou um acessório cult. Aproveite para adquirir o seu modelo antes que vire febre.

Dryzun Para os eternamente apaixonados, a joalheria Dryzun criou a linha SHE LOVES ME / HE LOVES ME. O destaque da coleção fica por conta das alianças com mensagens escritas, que podem ser presenteadas separadamente.

VPC-F215FB O VPC-F215FB, primeiro notebook 3D da Sony, acaba de chegar ao Brasil e já tem lista de espera. Também, não era para menos... Ele possui tela LED-LCD de 16’’ com resolução Full HD 3D (acompanha óculos especiais), 6GB de memória e não só reproduz como grava Blu-ray.

Pen drive Baby Clock Owl Assinado pelo design Maiko Kuzunishi, o Baby Clock Owl é um dos mais procurados artigos de decoração do Decoylab (www.decoylab.com). Para quem não quer perder a hora, e muito menos o estilo, este relógio é uma excelente opção.

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Com capacidade de 4GB, este pen drive comemorativo da edição 2011 do Rock in Rio traz design moderno e diferenciado para os fãs armazenarem suas músicas, fotos e vídeos, além de ser uma lembrança do maior evento musical do mundo. À venda no site Submarino e nos pontos de vendas licenciados do Rock in Rio em todo Brasil.

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PARA OUVIR...

The Fall Depois de ter anunciado que ia aposentar o Gorillaz, Damon Albarn surpreendeu a todos com o lançamento de mais um disco do seu bem-sucedido projeto paralelo. Intitulado The Fall, o álbum foi gravado pelo próprio músico, que também lidera o grupo Blur, em seu iPad. As canções são quase todas instrumentais, com exceção para a bela Bobby in Phoenix, que traz Bobby Womack nos vocais. O disco já é considerado pela imprensa especializada o menos convencional da carreira do Gorillaz.

Clímax Aos 55 anos, Marina Lima volta ao mercado fonográfico com o seu Clímax. O tão aguardado álbum da cantora carioca já é considerado pelos críticos o mais romântico da sua carreira. Nas entrelinhas, o disco também é uma ode à cidade de São Paulo, onde Marina vive e pela qual é assumidamente apaixonada. Destaque para a faixa Pra Sempre, canção composta e cantada pelo músico Samuel Rosa, líder do grupo Skank.

The Ghost Who Walks The Ghost Who Walks é o álbum de estreia da cantora/modelo inglesa Karen Elson. Para este disco, ela contou com o auxílio luxuoso de Jack White, com quem foi casada durante seis anos. Além de assinar a produção musical, White também atuou como baterista na banda da sua ex-mulher. Dona de uma voz etérea, Karen interpreta belissimamente suas próprias composições. Destaque para faixas como Stolen Roses, Mouths to Feed e Pretty Babies.

Eu Menti pra Você Considerada uma das grandes cantoras da nova safra da música popular brasileira, a pernambucana Karina Buhr flerta com diversos estilos musicais em Eu Menti pra Você, seu primeiro disco como artista solo. Das cirandas às batidas eletrônicas, ela mostra sua versatilidade como cantora e musicista. Desde a faixa-título, que abre o CD, à belíssima balada Mira Ira, Karina traz uma interpretação despretensiosa e suave.

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POR AÍ

esta edição, a Aracaju Magazine desembarca em Brasília e é muito bem recebida pela sergipana Ericka Menezes. Há cinco anos morando na capital do Brasil, ela deixou Aracaju para assumir o cargo de assessora da Liderança do PSB (Partido Socialista Brasileiro) na Câmara Federal. Apaixonada pelos prazeres da vida, Ericka conhece o que é bom e sabe muito bem como ocupar as suas horas vagas. Ninguém mais indicado para nos guiar pela terra dos candangos, não é?

Shopping Iguatemi Restaurante Oliver - Clube de Golfe Com uma localização privilegiada no Clube de Golfe de Brasília, esse restaurante possui uma belíssima decoração, com peças do artesanato mineiro. A música é um grande atrativo do Oliver, que oferece desde um bom jazz a um maravilhoso chorinho. Dica: durante a semana, não deixe de pedir o Bacalhau Zé do Pipo. Oliver - Setor de Clubes Esportivo Sul, Trecho 2, Lote 2, Brasília Golfe Center. Tel (61) 3323 5961

Pontão do Lago Sul Sem dúvida, um dos locais mais agradáveis de Brasília, em frente ao lago Paranoá. Todos os meses, o Pontão recebe, em média, cerca de 200 mil pessoas. Lá, o visitante pode se divertir com inúmeros e variados atrativos, que vão desde restaurantes e bares à exposições, shows e eventos esportivos. Pontão do Lago Sul - SHIS, QL 10, LT. 1/33, Tel: (61) 3364-0580

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O recém inaugurado e belíssimo Shopping Iguatemi reúne todas as qualidades que um bom shopping deve ter. Para quem gosta de ler um bom livro, a livraria Cultura oferece um ambiente agradável. Na gastronomia, destaque para os restaurantes Pobre Juan e Gero. Além disso, grandes nomes da moda, como Missoni, Burberry e Louis Vuitton, já ilustram as vitrines do Iguatemi. Shopping Iguatemi Brasília- SHIN CA 4 - Lote A Lago Norte, Tel (61) 3577 5000

Brasília Isso sim é a melhor coisa de Brasília, a própria Brasília! Não tem como enumerar pontos preferidos dessa cidade, ela é, por completo, deslumbrante. Pegar o carro e sair pela cidade acalma a alma. Passar pela Esplanada dos Ministérios, pelo palácio da Alvorada, Granja do Torto, Tribunal de Contas da União, o Memorial JK, o Catetinho, olhar a beleza arquitetônica e a imponência dos prédios dessa cidade é emocionante e nunca, nunca cansa. Tudo nela mexe muito comigo. É um caso de amor... Espero eu, que eterno!

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Euza Missano A Justiça em delicadas mãos Por Thaïs Bezerra e Theo Alves

á quase duas décadas integrando o Ministério Público do Estado de Sergipe, a promotora de Justiça Euza Gentil Missano Costa vem galgando, com visível relevância, a sua trajetória profissional. Personagem frequente na mídia sergipana, seu discurso transluz um pouco da sua personalidade: forte e consistente, mas sem descartar a delicadeza. Mãe de Sílvia (15 anos) e Rodrigo (12 anos), ela é o protótipo da verdadeira mulher contemporânea. Consegue exercer com maestria a sua profissão sem desmerecer a vida comum de uma mulher casada e com filhos. A partir de agora, conheça um pouco mais de Euza Missano, a entrevistada desta edição da Aracaju Magazine. Aracaju Magazine - Quando e como resolveu se tornar uma promotora de Justiça? Euza Missano - Concluí o curso de direito em 1989. Pratiquei o nobre e invejável exercício da advocacia por pouco tempo - eu adorava! No entanto, em 1990 fiz concurso para o Ministério Público, sem pretenções maiores, pois, da carreira conhecia apenas as nobres atribuições caldeadas pela Constituição de 1988. Ou seja, não tinha grandes expectativas. Mas o resultado final do concurso, a confirmação na carreira e tudo mais, promoveram significativa transformação em minha vida. Fui completamente conquistada pela minha nova atividade, paixão que mantenho até hoje e tentarei

manter até os últimos dias, com a renovação do meu compromisso de servir à sociedade. AM - Hoje, se você resolvesse mudar de profissão, para qual área seguiria? EM - Tenho certeza absoluta que somente somos mais felizes quando ajudamos a construir a felicidade de outras pessoas. A paz que sentimos quando conseguimos tocar e transformar a vida do nosso irmão, faz toda a diferença. O ministério de serviço ao povo proporciona isso todo dia, tocamos e somos tocados por múltiplas experiências, crescemos, somos transformados. Se não exercesse o cargo de promotora de Justiça em meu estado, exerceria

qualquer outra profissão: professora, doméstica, médica... Desde que pudesse manter a essência do fazer diferente, transformando vidas. AM - Na época em que você era apenas uma estudante, de alguma forma, alguém lhe influenciou a exercer o cargo que hoje ocupa? EM - Na adolescência, não se consegue vislumbrar grandes perspectivas profissionais, e os desejos ficam por conta, na maioria das vezes, em repetir a trajetória de pessoas que admiramos e respeitamos profissionalmente. Nessa linha, jamais pensei em ser promotora de Justiça. No último ano do ensino médio, desenvolvendo contato mais próximo com meu avô mater-

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“ Tenho certeza absoluta que

somente somos mais felizes quando ajudamos a construir a felicidade de outras pessoas. A paz que sentimos quando conseguimos tocar e transformar a vida do nosso irmão, faz toda a diferença”

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no, Emílio Gentil - italiano naturalizado brasileiro, advogado, firme em sua conduta e de personalidade decidida - passei a admirar a carreira jurídica, faltava somente um toque direto da professora de história (Josevanda, amiga que admiro) para firmar a decisão pelo curso de direito. AM - Através do seu trabalho, você já presenciou episódios bastante polêmicos como, por exemplo, a crise da pediatria em Sergipe. Qual deles mais marcou a sua trajetória profissional? EM - Episódios marcantes são sempre aqueles onde estamos totalmente presentes, física e espiritualmente, e engajados em solucioná-los da melhor maneira possível. Assim, certa vez, perguntaram para uma mãe de muitos filhos qual era o seu preferido? Respondeu que o filho preferido era o que estava doente, até que bom ficasse, o que chorava, até que voltasse a felicidade... Dessa forma, respondo que os episódios mais marcantes são aqueles em que estou, no presente, tentando resolver, até que consiga entregar à sociedade a pacificação total, em resposta rápida e eficaz, satisfazendo as expectativas. Todos os problemas apresentados ao Ministério Público são urgentes e importantes, seja para um único cidadão ou mesmo para toda a coletividade. Não podemos falhar em nenhum deles. AM - Em Sergipe, todos já conhecem esse seu engajamento pelo bem-estar coletivo. Pelo que você tem visto no MPE, a nova geração de promotores também vem com essa consciência? EM - Não somente a nova geração que ingressa no Ministério Público

Família, o porto seguro de Euza Missano

“Minha família de origem e a família que tive oportunidade,

por Deus, em formar, constituem o meu maior orgulho. Eles representam o combustível da minha vida. Fico com eles a maior parte das minhas horas”

possui a visão social do exercício de suas atribuições, mas todos os membros foram contagiados pela relevância das funções ministeriais. Manter o foco sempre na solução adiantada do problema, formar convicções fora do gabinete - na presença das pessoas interessadas e no ambiente que deverá ser modificado, construindo democraticamente alternativas - constitui a nossa rotina profissional. Atualmente, fazemos reuniões para discutirmos problemas sociais com o procurador-geral, coordenador-geral, ouvidor, corregedor-geral... Temos procuradores em comissões específicas para

assuntos de relevância e promotores em reuniões nas comunidades, auscultando o povo, identificando as suas necessidades para garantir a assistência digna. Foi uma conquista democrática e alcançada através do empenho de diversos colegas. Hoje, participamos de um momento impar no Ministério Público Estadual. Pela primeira vez, seguimos o comando administrativo de um promotor de Justiça. Não houve traumas nessa passagem e continuamos avançando em nossas necessárias conquistas, partilhando decisões no esforço conjunto de procuradores e promotores de Justiça.

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Euza Missano e o seu marido, o conselheiro Estadual da OAB, Sílvio Costa

AM - Atualmente, você está na Promotoria de Justiça dos Direitos à Saúde. Como avalia a situação da saúde em Sergipe? EM - O exercício das atribuições da defesa dos direitos à saúde constitui desafio importante em minha vida profissional, mas tenho conseguido apoio dos órgãos da administração superior do Ministério Público e partilhado o labor com dois diletos e competentes colegas: Alessandra Pedral e Nilzir Soares. Os avanços são significativos, principalmente pelo nível atual de interlocução com os gestores estadual e municipal, o que possibilita a formação de Termo de Ajustamento de Conduta, patrocinando a reparação eficaz do dano e a pacificação do problema, independentemente da judicialização da matéria, com tempo de resposta importante. O Judiciário também tem garantido a concessão de liminares imprescindíveis para satisfação do direito de relevância social. AM - Percebe-se que você está muito à vontade no cargo que hoje

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ocupa. Mesmo assim, tem alguma outra Promotoria que lhe desperte interesse? Por quê? EM - Todas as Promotorias especializadas do Ministério Público despertam o meu interesse. Representam a reserva de garantia da dignidade humana na defesa dos interesses sociais mais relevantes. A Promotoria da Saúde, atualmente, tem patrocinado grandes transformações em meu caráter. Conhecer as dores, os problemas urgentes da população, garantindo respostas imediatas e satisfatórias, é compromisso envolvente. Tenho paixão pela Promotoria de Defesa do Consumidor, Promotoria onde firmei a minha formação, re-

questão de sentar à mesa para a principal refeição, com meus filhos e meu marido, todos juntos. Mantenho sempre contatos com o meu único e querido irmão, além da família de meu marido que, após trinta anos de convivência feliz, faz parte da minha vida e é responsável pela minha felicidade. AM - Você costuma planejar o seu futuro ou deixa que o tempo se encarregue disso? EM - Gosto de planejar, não fico muito segura com improvisos, mas admito que é bom ser surpreendida. Assim, levo a minha vida. Há momentos e determinadas situações onde os planos são inevi-

“Admiro, sinceramente, todos os sergipanos que

conseguem viver dignamente com o fruto do seu trabalho e, ainda, possuem tempo para multiplicar alegrias, auxiliando o próximo em dificuldade”

presentando muitas reflexões. Na verdade, onde eu estiver, irei sempre buscar fazer o melhor de mim, adorando antecipadamente. AM - Nós estamos acostumados a vê-la sempre no papel da promotora de Justiça. Mas, nas horas vagas, o que faz a mulher Euza Missano? EM - Minha família de origem e a família que tive oportunidade, por Deus, em formar, constituem o meu maior orgulho. Eles representam o combustível da minha vida. Fico com eles a maior parte das minhas horas. Adoro desenvolver minhas tarefas sempre com eles. Caminho toda manhã com minha mãe e faço

táveis, é sinal de amadurecimento e tentativa de fazer o melhor acontecer. Todavia, sempre seremos o atirador de flechas; apuramos a mira de forma equilibrada no alvo, mas sempre existe o vento soprado por Deus. AM - Em Sergipe, teria alguém por quem sinta admiração? EM - Tenho o hábito de admirar as pessoas pelo resultado de suas condutas, voltadas para o bem comum. Em Sergipe, seria injusto citar nomes de pessoas que admiro, pois rendo minhas homenagens a tantas almas bondosas, pessoas anônimas que fazem nosso dia ser diferente, seja deixando seus

problemas domésticos para nos auxiliar em nosso trabalho, seja tomando decisões que representarão mudanças na vida coletiva. Admiro, sinceramente, todos os sergipanos que conseguem viver dignamente com o fruto do seu trabalho e, ainda, possuem tempo para multiplicar alegrias, auxiliando o próximo em dificuldade. AM - A vida da mulher moderna é muito atribulada: profissional, mãe, dona de casa e esposa. Além disso, tem que estar bonita e bem cuidada. Como você consegue? EM - Nem sei se consigo... Com o amadurecimento a carbureto que a vida nos proporciona, aprendemos a ser mais tolerantes com os

nossos erros e passamos a aceitar mais os nossos limites. Tudo isso é importante para que possamos desenvolver nossas tarefas diárias, nos livrando da culpa, principal inimiga da mulher atual. Se estamos bem com o nosso trabalho, achamos que deixamos de lado os nossos filhos. Se nos entregamos plenamente aos filhos e marido, pensamos que estamos sem compromisso com o trabalho. Nada disso é fácil, mas com um pouco de bom humor para os nossos erros e direcionamento de nossas energias, o céu é o limite! AM - Como é educar e criar os dois filhos na era da internet, com tanta informação?

EM - Acho fantástico os avanços tecnológicos e as ferramentas que podemos utilizar a nosso favor, notadamente com o uso racional e direcionado da internet. É impossível, a meu sentir, falar em socialização de nossos filhos excluindo o uso da internet nos dias atuais. Penso que a utilização racional em cotejo com a educação renovada, firmada em confiança e responsabilidade, permite usarmos a internet, de forma inteligente, a nosso favor. Na educação de nossos filhos, discutindo os assuntos veiculados, proporcionando exemplos bons e guerreando os impróprios, mas sempre informando que o contato humano físico jamais poderá ser substituído pelo virtual.

Euza Missano veste: Maison Cherry Cabelo e Maquiagem: Thómaz Silva / Chez Ivan Fotos: Studio Osmar Produção: TB e Mel Almeida

Euza Missano com a amiga Thaïs Bezerra

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Por Elton Coelho jornalista e professor de História

duas festas divinas 19 de março. Um cheiro de fumaça estreava no ar. Naquele dia, me dei conta de que, em minha terra, queimar fogueira começava cedo. Era dia de festejar São José. Mais que isso. Era também o início do plantio do milho e do feijão. O cantor e forrozeiro sergipano, Coelho dos 8 Baixos, anuncia: “No dia 19 de março, eu festejo o São José, pra plantar milho e também plantar feijão, pra nóis comer na noite de São João”. dessa forma que milhares de sergipanos, ou os que adotaram esta terra como lugar de moradia, jamais se esquecerão de que, até o final de suas vidas, em Sergipe, São João começa sim, bem mais cedo. Tanto que a festa, que já ganhou proporções e caráter gigantescos, atraindo milhares de turistas num só período, pode ser muito bem comparada a outra festa tão rica e apelativa no coração do povo: os festejos natalinos.

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Isso mesmo. São João, em Sergipe, é o nosso 1º Natal. O nascimento de Jesus Cristo tem significado especial no mundo católico e nos países que professam a cristandade. Neles, o Natal é o momento maior, onde pessoas, famílias, trabalhadores, toda a gente se prepara para celebrar a união, reunir em torno de si as pessoas de quem gostamos e amamos. Essa digressão tem um sentido. Igualmente ao Natal, é no São João de Sergipe que tamanha grandeza

Tanit Bezerra

de fato se repete. No trabalho, na festa de rua, no arraial improvisado, nos eventos privados ou públicos com o intuito de juntar multidão -, a palavra é uma só: festejar São João e São Pedro. Em Sergipe, a característica vem de forma especial. Assim como o ato de “queimar fogueira” em homenagem a São José já se antecipa em 19 de março de cada ano, fato que ocorre geralmente em residências cujos moradores se chamam José ou têm parentes com o mesmo nome, no São João e São Pedro essa tradição só tende a aumentar. Antes mesmo, não há de se esquecer que um outro santo, invocando igualmente a questão religiosa sob o pretexto de comemorar os festejos, também é chamado à participação: Santo Antônio, em 13 de junho,

tradicionalmente evidenciado por ser o “santo casamenteiro” e dos que possuem nome “Antônio”. Nesse particular, são acesas fogueiras e realizam-se procissões religiosas em cidades cujo padroeiro é Antônio - Itabaiana, por exemplo - ou em “forrós” com conotação pública e privada. Em verso e prosa, o consagrado “Rei do Baião”, Luiz Gonzaga, assim cantarolou mostrando o apego dos nordestinos aos santos e festejos juninos;

“No dia de Santo Antônio Já tem fogueira queimando O milho já está maduro Na palha vai se assando No São João e São Pedro A festa de maior brilho Porque pamonha e canjica completam a festa do milho”

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André Moreira

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Arraiás e forrós E quem julga pensar que estamos perdendo os costumes para as grandes festas organizadas com a participação do poder público, terá que se dobrar às nossas tradições em transformar os festejos juninos num momento ímpar e singular, que se repete a cada ano quando o assunto é queimar fogueira, botar bandeirinha e reunir famílias. Senão, vejamos: aracajuano que é aracajuano sabe muito bem que quando resolvemos fazer uma festa junina, ela sempre ocorre na rua onde moramos, no local de trabalho, no Clube ou até mesmo nos sítios e fazendas que se especializam em “juntar gente” para comemorar o festejo. Ato ou atitudes semelhantes, parecidas ao ritual do Natal, umbilicalmente ligado à religiosidade do povo. Primeiro, porque há o culto aos santos juninos (José, Antônio, João

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e Pedro), depois, com os mesmos costumes de aprontar a festa,, há a confraria familiar. Tudo é previamente decorado. Bandeirolas, chapéus, balões, bananeiras e palhas de coqueiro completam o cenário junino. Por assim dizer, devemos lembrar, sem qualquer realce ao saudosismo, fatos que continuam tornando o nosso festejo como um dos mais sagrados do país. Ruas totalmente enfeitadas, organizadas pelos moradores, dão essa conotação. Na Carlos Burlamarqui, antiga rua Vitória, Centro de Aracaju, há décadas isso ocorre. Assim como na ruas Siriri, Japaratuba (bairro Santo Antônio) e em dezenas de outras que, incontavelmente, traduzem essa alegria espontânea e popular. “O local onde ocorre a maioria dos festejos juninos é chamado de arraial: um largo espaço, ao ar livre, cercado ou não, e onde barracas são erguidas

ninas, organizadas de uns dez anos para cá, potencializam essa maneira especial dos aracajuanos brindarem o São João e São Pedro, em paralelo ao que constatamos nos festejos de final de ano.

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Palestina, do Licor da Gabriela e do Amor, ambos no bairro Suissa, a mais famosa de todas as ruas enfeitadas e comemoradas - Rua São João -, o Arraial da Caixa D’Água (Centro de Criatividade) e até outras festas ju-

Casamento do Matuto

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para o evento; ou um galpão já existente, com dependências apropriadamente construídas e adaptadas para a festa. Geralmente, o arraial é decorado com bandeirinhas de papel colorido, balões e palha de coqueiro ou bambu. Nos arraiais, acontecem as quadrilhas, os forrós e os casamentos matutos”, relata muito bem a Wikipédia, ou enciclopédia livre, quando o assunto são as reuniões com caráter junino. Pois bem, nesse aspecto, estamos confortavelmente abastecidos. Exemplos são diversos. O Arraial do Grageru, que originou pelo menos duas quadrilhas juninas conhecidas - a Ciganos do Amor e Maracangaia -, o Forró dos Inocentes, do Oratório de Bebé, o do conjunto Médici, da avenida Maranhão, Forró de Josa, O Vaqueiro do Sertão, o do bairro José Conrado de Araujo, da Veneza, do D.Pedro I, do Arraial Jubiabá, no 18 do Forte (rua Tenente Cleto), da

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Para fechar esse ciclo de espontaneidade e compromissos juninos anuais, é bom ressaltar os costumeiros casamentos caipiras, aqui por nós chamados de “matutos”, onde improvisados noivos e textos são alvo de partilha da festa, sempre acompanhados por pessoas que curtem o ritual. Acrescido a esse fato, o tradicional “desfile de carroças” já frutifica há anos nos festejos da rua Riachão, bairro Getúlio Vargas, na rua de São João, bairro Santo Antônio. e até naqueles organizados por escolas particulares, envolvendo pais, alunos e professores.

Poder público e privado Ganha impulso e dimensionamento interessante o que estamos assistindo atualmente ante a participação do poder público, seja ele na esfera estadual, municipal ou federal, quanto à realização desses festejos, especialmente na cidade de Aracaju, que experimentou o seu principal

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produto, o Forró Caju, pular de uma simples festa organizada na praça Fausto Cardoso, na gestão de Jackson Barreto, em 1983, para entrar ao calendário nacional do forró, competindo hoje em pé de igualdade com arraiás a céu aberto existentes em Caruaru (PE), Campina Grande (PB) e Juazeiro do Norte (CE), festas anteriormente já consolidadas. Estima-se que, por noite, o Forró Caju atraia de 100 a 150 mil pessoas, um ingrediente a mais ao festejo comemorado de forma coletiva. Essa inserção do poder público em Aracaju, também originou espaços graciosos onde a população festeja e enaltece a sua cultura, a exemplo dos tradicionais concursos de quadrilhas juninas. Hoje, já são mais de 20 quadrilhas só na capital sergipana, que competem efusivamente em espaços como a rua São João, Centro de Criatividade, Centro Cultural Gonzagão ou arraiás populares em bairros. A impulsão da iniciativa privada - con-

Pedro Leite

Tanit Bezerra

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cursos da TV Sergipe, TV Atalaia, Shoppings RioMar e Jardins - são igualmente eventos que experimentam a potencialidade desses grupos como forma de atrair pessoas, gerar negócios e inseri-los nos contextos socioeconômico e cultural. Embora tenham se caracterizado por reunir milhares de pessoas num só local e em dias consecutivos, os espaços públicos como o Forró Caju, Arraial do Povo, na Orla de Atalaia, rua São João, Centro de Criatividade e Gonzagão, estão complementando a festa do 1º grande Natal dos aracajuanos, e por que não dizer, dos sergipanos, que são efetivamente o São João e São Pedro, os festejos juninos. Com uma diferença importante. Nosso “Natal” antecipado ocorre no mínimo durante 20 dias do mês de junho. Assim sendo, não há o que reclamar: Anarriê, alavantu, prepare a fogueira que a festa só está começando.

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gestão

Torre Empreendimentos Compromisso com o meio ambiente

s Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) são diariamente gerados em hospitais, clínicas, laboratórios, consultórios odontológicos e veterinários, farmácias, postos

de saúde e outros similares. Por oferecer risco de contaminação, esse tipo de lixo deve ser manuseado com extrema cautela até o seu destino final. Para isso, apenas profissionais capacitados e munidos de uma estrutura especializada estão

aptos ao serviço. No estado, a Torre Empreendimentos foi a pioneira no segmento de transporte e tratamento de RSS, o que só confirma o comprometimento da empresa com a qualidade de vida dos sergipanos.

Unidade de tratamento, denominada autoclavagem

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Segundo a Legislação Brasileira, é de competência de todo gerador de RSS elaborar o seu Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS), um documento que aponta e descreve as ações necessárias ao manejo de resíduos gerados nas instituições de saúde. Para facilitar o gerenciamento, os RSS são classificados em cinco grupos: Grupo A - resíduos com a possível presença de agentes biológicos; Grupo B - resíduos contendo substâncias químicas que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente; Grupo C – os rejeitos radioativos; Grupo D - resíduos que não apresentam risco biológico, químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente; e Grupo E - materiais perfurocortantes ou escarificantes. Atualmente, os RSS produzidos são, na sua maioria, submetidos a uma desinfecção química ou térmica. Em Sergipe, a tecnologia utilizada pela Torre, em sua moderna unidade de tratamento, chama-se autoclavagem: um procedimento térmico que consiste

Processo de encaminhamento do lixo hospitalar para local licenciado de resíduos sólidos urbanos (RSU)

em manter o material contaminado sob pressão à temperatura elevada até destruir todos os agentes patogênicos. Com isso, o lixo hospita-

lar pode ser encaminhado para o destino final em local licenciado de resíduos sólidos urbanos (RSU) sem qualquer perigo para a saúde pública. Licenciada pelo órgão estadual de meio ambiente, de acordo com a Resolução Conama nº 237/1997, a Torre Empreendimentos é a única empresa sergipana que atua na área de transporte e tratamento de Resíduos dos Serviços de Saúde. Atuando de forma segura e utilizando a tecnologia apropriada, a Torre não só cuida da segurança dos seus funcionários como também trabalha em benefício da sustentabilidade do nosso ecossistema. Processo de desinfecção química ou térmica, realizado na moderna unidade de tratamento da Torre

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sebrae

Aquicultura

Criadores sergipanos participam de feira mundial

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articipar de um congresso internacional buscando adquirir novas informações e descobrir possibilidades de negócios é um objetivo ainda distante para grande parte dos empreendedores. Mas para um grupo de aquicultores (criadores de camarão, ostras e peixes) sergipanos esse desejo tornouse realidade. Entre os dias 7 e 9 de junho eles tiveram a oportunidade de participar da World Aquaculture 2011 (WAS), a maior feira da aquicultura do mundo, em Natal (RN). O evento reuniu representantes de 13 países e incluiu em sua programa-

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ção palestras, cursos, visitas técnicas a propriedades e exposições de produtos e equipamentos. A participação dos sergipanos no encontro foi viabilizada pelo Sebrae e integra as atividades do projeto de Aquicultura e Pesca desenvolvido pela entidade. Entre os criadores a opinião foi unânime: o evento mostrou que a atividade é viável e poderá trazer resultados ainda mais animadores nos próximos anos. Isso porque somente entre 2008 e 2009 a produção brasileira de pescado cresceu 15,7%, atingindo 1,24 milhão de toneladas. Para 2011, a previsão é alcançar a meta

de 1,43 milhão. Sergipe, segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), produziu, em 2009, 13,2 mil toneladas e a previsão para este ano é chegar às 14 mil. “Percebemos que o mercado da aquicultura é bastante promissor. A atividade é difícil e exige muita dedicação, mas há muito espaço para crescimento. Conhecemos na feira novas tecnologias e técnicas de manejo que serão muito úteis”, explica Autran Gomes, proprietário de um pequeno criadouro de camarões em Nossa Senhora do Socorro. A oportunidade de trocar informações e compartilhar as dificuldades e conquistas com outros empresários foi o que mais chamou a atenção do piscicultor José Agnaldo Santos. “Quando conversamos com outras pessoas percebemos que muitos dos problemas que elas enfrentam são os mesmos que presenciamos em nossas propriedades. Esse contato ajudou a descobrir algumas soluções para os problemas”.

Negócios Além da aquisição de novos conteúdos, muitos aproveitaram a feira para analisar possibilidades de negócios. É o caso dos criadores de tilápias José Agnaldo Santos e José Venceslau, que possuem duas uni-

a evolução tecnológica, o mercado e investir constantemente em capacitação”.

Novidades

Evento permitiu aos criadores trocar informações e conhecer novidades do setor

dades em Areia Branca e Campo do Brito. No evento, eles descobriram um modelo de tanque feito com plástico, utilizado para armazenar as espécies, apresentando durabilidade e custo benefício bastante atraentes. “As peças que usamos hoje são de madeira e duram em média 15 anos. Aqui, conhecemos algumas com um preço pouco superior ao que gastamos para confeccionar os nossos e que podem ser usadas por até três décadas. Agora, vamos analisar como poderemos adquirir essas peças e integrá-las à nossa produção”, diz Venceslau. O criador de ostras Tarsis Éder, que desenvolve a atividade no povoado Pontal, em Indiaroba, também encontrou na WAS uma oportunidade para incrementar seu trabalho. Uma máquina construída para realizar a limpeza das espécies o encantou.

“Hoje fazemos isso manualmente e com esse equipamento poderemos melhorar ainda mais a qualidade do produto que chega ao consumidor”. Há também entre os empreendedores aqueles que a partir do evento escolheram uma atividade para investir. É o caso do pescador Márcio Santos, de Neópolis, que descobriu na criação de tilápias uma oportunidade de negócio bastante viável. “Assistindo às palestras e conversando com donos de empresas e outros criadores vi que o negócio traz resultados. Agora, é analisar a melhor forma de dar início ao trabalho”. Para Lauro Vasconcelos, superintendente do Sebrae em Sergipe, a instituição cumpre uma programação de abertura de mercado e de troca de conhecimento que beneficia diversos setores produtivos. “Os produtores precisam acompanhar

Durante os três dias, eles também receberam uma notícia que poderá trazer resultados ainda melhores para os seus negócios. A liberação da exigência de licença ambiental para pequenas propriedades sergipanas dedicadas à aquicultura, um desejo antigo da categoria, deverá ser discutido ainda este ano entre os governos federal e estadual. De acordo com o Ministério da Pesca, o assunto já foi discutido com representantes de 13 unidades da federação e as demais, incluindo Sergipe, deverão receber a visita de uma comitiva ministerial até o final de 2011. Atualmente os pequenos criadores necessitam cumprir as mesmas exigências a que estão submetidos os proprietários de grandes propriedades dedicadas à atividade. Outra novidade que deverá beneficiar o setor é a possibilidade de realização do I Seminário Regional de Aquicultura (SE/BA/AL) em Aracaju no segundo semestre de 2012. A proposta foi discutida entre técnicos do Sebrae desses Estados e representantes da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil. O evento deverá tratar de temas como comercialização, acesso a mercados, produção e licenciamento ambiental. “Sergipe apresenta um grande potencial para a aquicultura e precisamos envolver todos os órgãos que lidam com o tema para garantir apoio aos produtores. Os resultados estão aparecendo, mas temos condições para avançar ainda mais”, ressalta o diretor técnico do Sebrae, Emanoel Sobral.

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cidadania

Agora todos passam pela catraca

capital sergipana está prestes a reforçar o conceito de cidadania presente no direito à gratuidade dos idosos no transporte público. Tal feito é fruto do trabalho conjunto que a Prefeitura do Município de Aracaju e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Município de Aracaju - Setransp -, deram início, no dia 6 de junho: o cadastramento biométrico das pessoas que possuem a partir de 60 anos. Tal procedimento possibilitará que todos os usuários cadastrados passem pela catraca e usufruam por completo do ambiente interno do ônibus. Não mais ficando restritos à parte dianteira do veículo. A novidade, que também dispensa a apresentação da carteira de identidade aos motoristas, a fim do usuário provar ser portador do benefício, agradou aos que fazem parte da terceira idade. “Acho muito bom poder passar pela catraca. Como a parte

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Fotos: Ascom/Setransp

SMTT e Setransp cadastram usuários a partir dos 60 anos. Por meio da impressão digital e do cartão Mais Aracaju Gratuidade, idosos poderão usufruir de todo o ambiente interno do ônibus

Cadastramento de digital está sendo feito de forma tranquila e ordenada na sede do Setransp e Cras da PMA

da frente do ônibus também é destinada às pessoas com deficiência e gestantes, os idosos nem sempre encontram lugar. Agora vai ficar mais fácil viajar sentado”, acredita a dona de casa Maria Aparecida Souza. O aposentado Marcos Roberto Silva também aprovou a ideia. “Achava complicado ter que mostrar a carteira de identidade toda vez que precisava descer do ônibus. Sentia-me pe-

dindo favor. Agora vai ser muito mais simples. Entrarei no ônibus como qualquer outro passageiro”, declara Marcos demonstrando entendimento do intuito da iniciativa. O projeto visa, de fato, dar aos idosos uma maior comodidade em todos os momentos da viagem, seja no embarque, desembarque ou trajeto. “O sistema chega para trazer cidadania, conforto e tranquilidade aos usu-

ários do transporte coletivo. É uma forma de qualificar ainda mais nossos serviços e de respeitar os nossos clientes”, frisa o superintendente do Setransp, José Carlos Amâncio. O mesmo tratamento será dado aos demais portadores de gratuidade prevista por lei, como é o caso das pessoas com deficiência física, policiais, oficiais de Justiça, bombeiros e carteiros. Cada uma dessas categorias de usuários, em momentos específicos desde meados no ano passado, vem sendo convocada a passar pelo cadastramento da impressão digital. Com essa informação, criteriosamente captada pelo Setransp, e o cartão Mais Aracaju Gratuidade em mãos, todos passarão pela catraca.

Locais do Cadastramento O cadastramento dos idosos está sendo realizado de modo bastante ordenado nos Centros de Referência de Assistência Social - Cras - da Prefeitura de Aracaju e na sede do Setransp. O atendimento no sindicato, que fica na Rua F – D.I.A, acontece de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Já nos Cras, o atendimento varia de acordo com um cronograma estabelecido pela Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito - SMTT. O primeiro ponto de cadastramento foi o Cras do Conjunto Augusto Franco, situado na Avenida Canal 4, de 6 a 10 de junho. De 13 a 17, outros dois CRAS realizaram o cadastramento, o Terezinha Meira, localizado Rua João Ferreira Lima, 125 - Bairro Veneza I e o João de Oliveira Sobral, localizado da Rua Senhor do Bomfim, s/n° Bairro Santos Dumont. Até o fechamento dessa edição, a SMTT não havia informado os próximos endereços de cadastramento, porém, essa e outras informações podem ser obtidas no Setransp, pelo

rem em um Terminal de Integração no qual os equipamentos (validador e leitor de digital) estejam instalados devem, primeiramente, encostar o cartão no validador. Feito isso, é só passar o dedo cadastrado (indicado pelo equipamento) no leitor de digital, girar a catraca e seguir viagem. Cartão Mais Aracaju. Gratuidade confere cidadania aos idosos que utilizam o transporte público

telefone 3045-2550. Para o cadastramento, é necessário ter 60 anos ou mais. É preciso portar RG, CPF e comprovante de residência. Todos os documentos devem ser originais. Após o cadastro, com cerca de 30 dias úteis o cartão Mais Aracaju Gratuidade estará sendo entregue aos usuários que poderão transitar livremente nos ônibus que atendem à capital sergipana e região metropolitana, ou seja, os municípios de Aracaju, S��o Cristóvão, Nossa Senhora do Socorro e Barra dos Coqueiros.

Passar pela catraca é simples Após cadastrar a digital e estando de posse do cartão Mais Aracaju, os usuários do transporte coletivo que embarcarem nos ônibus ou adentra-

Estudantes também ganharam identificação biométrica Os estudantes, que pagam meia passagem, também estão ganhando identificação digital. Para esses usuários, o sistema apresenta a vantagem de agilizar a passagem pela catraca, já que dispensa a liberação por parte do cobrador. Não é preciso nem mesmo a retirada do cartão da carteira, pois o chip do cartão é acionado à distância pelo validador, bastando apenas a aproximação. Outra vantagem bastante significativa diz respeito à segurança. “A identificação biométrica é a garantia que somente o titular do cartão poderá fazer uso do Mais Aracaju Escolar”, explica Andrea Aragão, gerente de Produto do Setransp. Assim, no caso de perda ou furto, não haverá mais o risco de perderem créditos antes do bloqueio do cartão.

Novidades agradam idosos

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turismo

A Secretaria de Estado do Turismo (Setur) e a Empresa Sergipana de Turismo (Emsetur), vem realizando, desde o mês de maio, a capacitação de agentes de viagens e operadores de turismo de várias cidades do Sul, Sudeste e Nordeste do país, com o intuito de promover Sergipe como um dos principais destinos turísticos do Brasil. O projeto, denominado Embaixadores de Sergipe, tem a meta de treinar, somente em 2011, mais de três mil profissionais da área do turismo de todas as regiões.

Por Danilo Silva Equipe dos Embaixadores de Sergipe

o mês de maio, o projeto percorreu seis cidades nordestinas em forma de caravana onde os festejos juninos foram o carro chefe da viagem. Somente nestas visitas foram

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capacitados cerca de 1,2 mil especialistas no turismo, superando todo o ano de 2010, quando foram capacitados um total de 1,1 mil pessoas. O ciclo de divulgação teve início nas cidades baianas de Feira de Santa-

na (17/5) e Salvador (18/5). Depois, seguiu para Natal (23/5), João Pessoa (24/5), Recife (25/5) e encerrou em Maceió, no dia 26 de maio. A caravana também passou por duas vezes na capital paulista e esteve em

Curitiba, no dia 11 de maio. Para aperfeiçoar a divulgação, o estado de Sergipe foi dividido em cinco roteiros: Aracaju, destino indutor; cidades históricas, Laranjeiras e São Cristóvão; Rota do Sertão com Serra de Itabaiana, Parque dos Falcões, a trilha de angico, o cânion do São Francisco e o Museu Arqueológico de Xingó; Litoral Norte, com Pirambu e a Foz do rio São Francisco; e o Litoral Sul, com as praias da Caueira, em Itaporanga D’Ajuda, e Abaís e Saco, em Estância. Para Elber Batalha Filho, secretário de Estado do Turismo, capacitar quem vai vender Sergipe como destino é primordial: “Nossa meta é atingir, apenas neste ano, mais de três mil profissionais em diversos estados brasileiros. Conhecendo Sergipe melhor, essas pessoas vão vender o nosso estado com mais segurança e tranqüilidade. E, paralelo a isso, também conseguimos aumentar o número de vôos para Aracaju, potencializando ainda mais o turismo sergipano”. Para o presidente da Associação Brasileira de Agentes de Viagens (Abav), seccional Sergipe, Alberto Balbino, que esteve presente no evento de Recife, todos os agentes e operadores precisam conhecer um pouco mais Sergipe. “Acreditamos que o mínino de informação já é um grande negócio para nosso estado, porque temos belezas naturais incomparáveis. Todos se apai-

xonam”, frisou. Presente durante toda a caravana, a presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) de Sergipe, Kátia Pimentel, garante que o contato pessoal conquistados nessas capacitações é primordial.

País do Forró O São João e o São Pedro sergipanos também se destacaram pelas praças por onde passou a caravana. Aracaju - com o Forró Caju, o Arraiá do Povo, a Marinete e o Barco do Forró - e Canindé do São Francisco, com o seu São João Encantado, enviaram representantes e, por isto, foram os carros-chefe na divulgação dos festejos do estado. As festas de Itaporanga D’Ajuda, Estância, Capela, Areia Branca e o Forró Siri, em Nossa Senhora do Socorro, também foram apresentadas, mostrando que Sergipe é o verdadeiro país do forró.

Recife/PE

João Pessoa/PB

Parceria A caravana do programa Embaixadores de Sergipe no Nordeste foi formada pela Setur, Emsetur, Associação Brasileira da Indústria de hotéis (ABIH) - Seccional de Sergipe, oito hotéis do estado (Parque dos Coqueiros, Celi Praia Hotel, Hotel Aquários, Rede Real de Hotéis, Hotel Pousada do Sol, Aruanã, Momento de confraternização em Maceió/AL

Xique-Xique e Xingó, duas prefeituras (Aracaju, através da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Esportes (Funcaju), e Canindé do São Francisco), uma operadora de turismo e um agente receptivo.

Barco do Forró, uma das atrações divulgadas

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evento

André Barros

O

jornalista André Barros comemorou, no último dia 28 de maio, mais um aniversário na companhia da mulher Cristine Britto e das filhas Luiza e Clara - além dos muitos amigos que aproveitaram a deliciosa feijoada, servida no Condomínio Morada do Rio, no Mosqueiro, e foram abraçá-lo e desejar felicidades. André, Alan Barros, Petrônio (pai) e Petrônio (irmão)

Cristine Britto e Clara

Eloisa Galdino, André e Jorge Santana

André, João Alves e Marlene Calumby

Robson, Cris, Taty, André e as crianças

Denise Britto e André

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Cris, Valquiria Miron e André

Cris, André, Miriam Ribeiro e Marize

Rogério Carvalho, André e Emanuel Oliveira

André e Cris com Lauro, Luciano e Gustavo Barreto

Waleska, André Carvalho e André Barros

Carol, Cris, André e Valber (CVC)

evento

Vitória Fontes Franco

G

ata bonita, antenada e inteligente, Vitória Fontes Franco completou 15 e comemorou com familiares, amigos e colegas da escola, no Restaurant Château Blanc. A festa foi idealizada e organizada pela sua expert mamãe, Suely Fontes, com o apoio do irmão Matheus, de quem ela é fã incondicional. A decoração foi de Domingos e Maria de Lourdes, com o perfeito som do DJ Ednaldo e fotos de Vovô Monteiro. Vitória é geminiana de personalidade forte, bonita e muito doce.

Suely, dra. Eliana Porto Fonseca, Vitória e Mateus

Com a avó, Aldemira

Com a amiga, Vitória Reis

Com os tios, Silvana e André, e os primos, Maria Clara e Pedrinho

Com as amigas, Karina e Paloma

Com as amigas, Ana Paula, Ticiane e Luiza

Com Rafaela Rocha

Vitória com a mãe, Suely, e o irmão, Mateus

Com o primo, Gustavo

Com Mateus e Aline

Com a dra. Zalda Goulart

Com a prima Maria Antônia

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TB gente

Pipo e Rafa

Professor Anderson e dona Cacilda

Pablo Marcel

Wagner Bravo Oliveira

Alda Cecília Barreto

Maria Luiza e Silvestre Frittole Coutinho

Lédice, Lorena, Milena e Melissa

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Thainá de Araújo Diniz

TB gente

Paulo Eduardo

Dilma Rousseff e Marcelo DĂŠda

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evento

Thaïs Bezerra s estrelas e o firmamento conspiraram - juntamente com os deuses, orixás, anjos e todas as forças do bem - em favor do sucesso da festa de aniversário de TB. Noite de céu limpo e estreladíssimo, assim como as presenças cintilantes dos amigos. O convite foi comentado na cidade, porque sugeria o presente em dinheiro e a resposta dos convidados foi uma verdadeira tempestade de envelopes. A Aracaju Magazine registra os melhores flashes, pelas lentes de Osmar Matos, desse precioso momento da nossa editora-chefe.

Acácia Barbosa, a filha, Renata, e o genro Mário Augusto Moraes

Dora Seixas e Tiane Andrade

Madalena Sá

Mel Almeida, Hugo Julião e a filha Melzinha

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Fabiano Oliveira

Com as manas, Tamar, Tânia e Tanit

Solange e Pedro Andrade, Cristina e Tony Almeida

Élber Batalha, Hugo Julião, Samuel Schuster, Emanoel Oliveira, Jackson Barreto e Waldoílson Leite

Walter Franco

Eugênio Hermínio e Carla Quiroga

Clauteniz Oliveira e Fátima Silva

Dinho Santana e Tereza Franco

Roberto e Virgínia Gurgel

Luiza Dias, Priscila e Felizola

Mário Britto

Miriam Ribeiro

Acácia Farias e Lucécia Oliveira

Hamilton Merlo e Zuma

Paulo Bedeu

Ieda Prado e a neta, Marcela

Dedé Fonseca, Ieda Guimarães e Vandira Peixoto

Soraya Rezende a filha, Ingrid

Bete e Gilson Figueiredo

Sílvia e Marco Aurélio

Tanit Bezerra e a filha Júlia

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Antônio Tavares e Dulciana

Henrique Garcia e Constace

Lilian Wanderley, Wilma e Fernando Sobral

Riane e Juliano César Souto

Fernanda e Marcos Franco

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Robson Toscano

Nick Passos

Dr. Cardoso e dona Conceição Leão

Soledade Hora e Lealdo Feitosa

Ozanildes Oliveira e Renato

Aroldo Franca e Delane

Norma Andrade e Hélio

Ricardo Franco e Aninha

Eduardo Freitas e Ana Geni

Marcelo Liberato e Maysa Reis

Rose Prado e Lourdes Franco

Wilton Fonseca e Bianca

Manoela e Cristina Castro

Zalda e Adalberto Goulart

Iranice Pereira e Chiquinho Ferreira

Rogel Dias e Josy

Iolanda Guimarães e o filho, Vítor

Hamilton e Guadalupe Salgado

Samuel Schuster e Guida

Márcio Lyncoln e Hudson Mauad

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Waldoílson Leite e Luciana

Benjamin de Aguiar e o marido, Wagner

Luciana Gonçaves, Rafael Melo, Élber Batalha e Tatiana Fraga

Max Levita e Elisa, Luzia e Everaldo Torres

Erick Ricarte e Jéssica Amaral

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Ademir Conceição

Cristiane Carmelo e amigos

Sucupira e Betânia da Costa Leite

João Gomes Barreto, Olga e Selma Matos

Tânia e Tamar Bezerra

Paulinho Calumby e Léa Paim

Isaías Rodrigues e Thaís Carvalho

Pedro Dornas e Thassya Bezerra

Osmar Matos em ação

Angélica e Lila Moura

Walter Lopes e Sandro

Solange Gomes e Laís Maciel

Anaceli Melo com as filhas, Melina e Marceli

Rita e Arturo Abuawad

Sabrina, Viviane e Gel

Kleiber e Acácia Brandão

Falcão e Marta Cardoso

Charles e Thaysa Bezerra

Mário Concha e Washington Almeida

Joubert Moraes e Tanit Bezerra

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moda

Para elas Vá de Clutch

A

pesar de, normalmente, a clutch ser uma bolsa pequena, o efeito que ela dá ao look vale a economia. Até no dia-a-dia, as pequeninas já saem por aí esbanjando charme. Existem modelos para todas as ocasiões, dos mais requintados aos mais despojados. É só escolher o mais adequado à sua necessidade e ficar atenta para não exagerar.

Angelina Jolie

A atriz Deborah Secco

Olivia Palermo

Bottega Veneta

Um dos modelos da Hermès

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Gwen Stefani

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Camila Pitanga

Metalizada

E

ntra estação, sai estação e as peças metalizadas continuam brilhando no guarda-roupas feminino. Seja nos bordados, na malharia ou até mesmo no couro, a atmosfera cibernética deixou de ser exclusividade dos filmes de ficção científica e caiu nas graças das mais antenadas.

Kate Moss em um editorial para a Vogue Paris

A atriz Blake Lively

Balmain

A atriz Cameron Diaz Talie NK para Heaven

aracaju Diane Kruger

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moda

Delas também

N

ão é de hoje que o guarda-roupas masculino deixou de ser exclusividade dos homens. O oxford, por exemplo, tornou-se uma das principais opções de conforto para os pés femininos. No inverno, então, ele é o queridinho das mulheres. O modelo pode vir baixinho ou com os saltos altos. Ou seja, tem para todos os gostos!

A atriz Sienna Miller

A atriz Mila Kunis

A cantora Taylor Swift

Arezzo

Modelo Christian Louboutin

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Keira Knightley e seu oxford retrô

Katie Holmes

BELEZA á quatro anos no mercado, a maquiadora paulistana Fê Guedes tem experiência de sobra para apontar o que de melhor existe no mercado dos cosméticos. Além de trabalhar em editoriais de moda e campanhas publicitárias, ela ainda dá aulas de auto-maquiagem, viaja o Brasil treinando revendedoras da Avon e presta consultoria para a Sack’s, representante da Sephora no Brasil. A convite da Aracaju Magazine, Fê selecionou cinco produtos que mais a agradam no momento. Ficou alguma dúvida? Basta acessar o endereço eletrônico www.feguedes. com.br e conferir as dicas da maquiadora.

Maquiadora formada pelo Senac, Fê Guedes trabalha na área há 4 anos

Cremeblend Blush, da MAC

Gosto muito da textura e, principalmente, da variedade de cores que a marca disponibiliza no mercado.

Lápis de olho Le Crayon Khôl (preto ou marrom), da Lancôme Textura é algo que me toca muito e este lápis a tem com muita qualidade. Além disso, as cores disponíveis são em abundância.

Corretivo Effacernes Longue Tenue, da Lancôme Ele tem uma textura mais fina, por isso não carrega na make e tem uma cobertura incrível. De todos, é o que eu mais amo.

Máscara de Cílios Grow Luscious, da Revlon Ela é nova e eu estou adorando. O pente é grande, o que ajuda a pegar todos os cílios e dar bastante volume. Ideal para quem gosta de um look mais carregado.

Pro Longwear Lipcreme, da MAC Acho que batom a gente tem que ter vários, de muitas cores. Mas, se você quiser um que dure bastante tempo, a minha sugestão é a linha Pro Longwear Lipcreme, da MAC, uma marca que eu gosto muito.

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moda

Para eles À la James Dean

A

pesar do nosso clima não ser tão propício, qual é o homem que não gostaria de bancar o James Dean de vez em quando? Mesmo para quem mora em lugares onde o inverno praticamente não existe, comprar uma jaqueta de couro é, sim, um bom investimento. Hoje, você já encontra diversos modelos, em variadas cores e preços.

O ator Ryan Gosling

Junior Lima

Modelo da Levi’s

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Mark Ronson

Nas ruas

O ator Russell Brand

Indispensável

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ão tem como fugir, a camisa xadrez é um item indispensável no guarda-roupas masculino. A cada estação, ela reaparece com modelagem e cores diferentes. No inverno, prefira os modelos mais sóbrios, um pouco menos descontraídos. Aproveite o clima para usá-la sobreposta a uma t-shirt.

Penn Badgley

Stone Bonker

O ator Joshua Jackson e a sua namorada Diane Kruger

Robert Pattinson

Mormaii James Franco

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perfil modernidade

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Por Theo Alves o contrário do que normalmente acontece com muitas bandas, a Bicicletas de Atalaia não estreou, ela foi surgindo aos poucos. Primeiro, os irmãos Leo e Bruno Mattos, sergipanos radicados em São Paulo, lançaram cinco faixas-demo no Myspace. Depois, o videoclipe caseiro da música Alcoholic Dreams foi postado por eles no Youtube. Mas, foi só em agosto de 2009 que veio o primeiro show do grupo. “Com o fim da Rockassetes, banda da qual eu e meu irmão fazíamos parte, sentimos a necessidade de montar um novo projeto. Eu já havia escrito algumas músicas, coisas bem diferentes do que eu produzia. Entramos no estúdio e nem tínhamos uma formação completa ainda. Inclusive, chamamos o João Melo (ex-baixista da Rockassetes) para gravar conosco”, conta Bruno. O mesmo desprendimento que os irmãos tiveram ao lançar o grupo, parece não ter servido na hora de decidir como esse se chamaria. Impregnado de referências, o nome Bicicletas de Atalaia é uma visível homenagem ao bairro de Aracaju. Fora isso, a expressão “de atalaia” significa “estar de olho”, “observando”, “de vigília”; bem no espírito dos meninos, que também se inspiraram no longa-metragem de animação “As Bicicletas de Belleville” para batizar a banda.

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perfil modernidade

Em sua atual formação, a Bicicletas de Atalaia ainda conta com os músicos Kaneo Ramos (guitarra) e Augusto Passos (baixo). Segundo Leo e Bruno, “pessoas fantásticas para criar, compor e tomar uma cervejinha a qualquer hora”. Sem estilo musical definido, o grupo flerta com o samba, a bossa nova, o jazz e o funk. Tudo isso emoldurado pela verve roqueira tão característica dos irmãos sergipanos. Atualmente, a banda comemora a boa repercussão que o videoclipe da música Diga-lhe que mando a meia vem conquistando. Inclusive, com direito a estreia na MTV e tudo mais. Além disso, essa mesma composição foi selecionada para participar da coletânea do Compacto.Rec (selo virtual do coletivo Fora do Eixo), em parceria com a Funarte, da qual fazem parte os também sergipanos Ferraro Trio e Alex Sant’anna. Para o futuro, Leo e Bruno ainda pretendem pedalar muito com a sua Bicicletas de Atalaia. Até o fim do ano, por exemplo, eles devem lançar o primeiro CD da banda e mais alguns videoclipes. Então, é bom ficar atento (a)! Seja nas redes sociais ou na mídia especializada, a talentosa dupla de músicos sergipanos, ao lado dos seus companheiros de grupo, ainda vai nos dar mais alguns motivos para vibrarmos de orgulho.

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emsurb

Aracaju tem interve Ana Denise - praça Tenente Rodrigues (antigo Farol)

No dia 11 de fevereiro de 2011, a cidade de Aracaju recebeu intervenções artísticas com o “Caju na Rua”, tornando a cidade ainda mais bonita e atrativa para moradores e turistas

dealizado pelo artista plástico Fábio Sampaio, o projeto consiste na exposição de 11 grandes esculturas do fruto símbolo da capital sergipana: o caju. Como grande incentivadora da arte e da cultura local, a Prefeitura de Aracaju apoiou a iniciativa com o patrocínio de 10 obras - elaboradas por

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nção artística com responsáveis: “Desde que a idéia me foi apresentada, achei genial, pois faz com que nossa sociedade dê valor à cultura local. Além de ser a capital brasileira da qualidade de vida, Aracaju agora é uma

Alan Adi - Orlinha do Bairro Industrial

Ascom Emsurb

De acordo com o prefeito Edvaldo Nogueira, a iniciativa é fruto do trabalho incansável dos profissionais e amantes da arte, estimulados pelos órgãos públicos e por empresas privadas socialmente

Ascom Emsurb

renomados artistas sergipanos - e a Construtora Celi patrocinou a confecção de um deles. A Agência de Comunicação Voz e Gafaio Soluções Artísticas também foi parceira do projeto.

Madureira - Parque da Sementeira

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Ascom /Emsurb

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As esculturas são feitas de fibra de vidro, medem cerca de 1,80 metros, e estão espalhadas em 10 pontos estratégicos da cidade

José Fernandes - Mercados Centrais

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Fabião - Aeroporto

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João Valdênio - Centro Cultural da Orla

galeria de artes a céu aberto”. “Todos os artistas envolvidos na elaboração dos cajus merecem a nossa homenagem. Mas estendo meus parabéns a todos os outros artistas que ajudam a tornar nossa cidade cada vez melhor e mais bonita. Estou muito feliz em comemorar meus cinco anos como prefeito de Aracaju com a inau-

Elias Santos - Farolândia (av. Beira Mar)

guração dessas grandes obras”, complementou Edvaldo.

Cultura e Turismo Segundo o artista plástico Fábio Sampaio, idealizador do projeto, a concretização desse sonho só foi possível graças ao apoio recebido. “Temos muito a agradecer à Prefeitura de Aracaju e à Agência Voz

por reconhecerem a importância da arte para o desenvolvimento de nossa cidade. Eles aceitaram meu sonho e decidiram levar à frente. Também temos que reconhecer o esforço dos artistas, que atenderam ao chamado”, disse Fábio. Além do lado artístico, o projeto também tem valor turístico. Para a diretora de Turismo da Fundação

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Ascom/ Emsurb

de Cultura, Turismo e Esporte (Funcaju), Tanit Bezerra, as obras se transformam em um elemento atrativo para o desenvolvimento turístico da cidade: “É uma forma de aproveitar a presença dos turistas para mostrar, nas ruas, a arte e cultura de artistas sergipanos”. Segundo a presidente da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), Lucimara Passos, as obras ficarão expostas por tempo indeterminado. “Ainda não sabemos o dia da retirada dos cajus. O projeto é feito não apenas para o turista, mas também para os moradores de Aracaju, por isso não temos pressa para a retirada”, disse Lucimara, ressaltando que cada caju será vigiado por guardas municipais.

Hortência Barreto - Mirante da 13 de Julho

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Tanit Bezerra

Lizia Martin

Edidelson - Passarela do Caranguejo

Cruz - Colina do Santo Antônio

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ormado pelos fotógrafos Alejandro Zambrana, Ana Lira, Marcelinho Hora e Zak Moreira, o Trotamundos Coletivo vem, há cerca de um ano, desenvolvendo projetos nas áreas de produção fotográfica, estudo de linguagem, formação e discussão crítica no estado de Sergipe. Além disso, o Coletivo tem desenvolvido ações que estão sendo reconhecidas por colaborar com a criação de um público interessado em fotografia, inclusive nas esferas periféricas de Aracaju. Para saber mais sobre o trabalho do Trotamundos, basta acessar o endereço eletrônico www.trotamundoscoletivo.com.

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Jr. Beiramar

Em sua trajetória artística, Diane admite ter vivido muitos momentos marcantes. Segundo ela, não tem como eleger apenas um, só o fato de estar em cena, já é muito especial.

Uma atriz em vários atos t u a r s e m p r e f o i a s u a v o c a ç ã o. C om o p r i v i l e giado incentivo dos pais, Diane Velôso teve a oportunidade de conhecer o mundo das artes ainda criança. Hoje, aos 36 anos, além de integrar o grupo Caixa Cênica, ela está à frente do programa televisivo Olha Aí (Aperipê TV) e encarna a diva melodramática com A Banda dos Corações Partidos. “Eu recebo muitas críticas com relação ao tanto de coisa que eu me meto a fazer: ‘Mas ela desafina... Ela é até boa atriz, por que vai se meter a fazer tudo? Cantar, apresentar programa, fazer preparação de elenco...’. Ouço muito o que vão falando por aí, mas eu tô cagando e andando (às vezes, me dói um pouco, risos). Eu faço porque acredito fazer com muita dignidade e por ser uma grande curiosa”, desabafa. Além das coxias, Diane vez ou outra também circula pelos sets de filmagens. Segundo ela, seu envolvimento com o cinema surgiu com o convite da cineasta Gabriela Caldas, da qual também é parceira na Aperipê TV, para atuar no curta-metragem experimental Elipse. Daí em diante, outros projetos semelhantes começaram a surgir. “Depois, vieram os longas: no Orquestra dos Meninos eu atuei e fiz produção de elenco local, no Senhor do Labirinto também atuei e fiz produção do elenco local e, por último, teve o Aos ventos que Virão, onde fiz produção de elenco junto com Antônio Leite e com o próprio Hermano Penna, diretor do filme”. Com um currículo tão vasto, Diane Velôso é a prova de que se pode sim viver de cultura em Sergipe. Sobre a cena local, ela vê com bastante otimismo as mudanças que estão acontecendo: “Nós começamos a ter uma freqüência de público espontâneo e pagante, nos diversos segmentos da arte produzida no estado, que eu nunca

tinha visto (claro, tivemos isso em outros momentos, de bravos e talentosos artistas). Para mim, isso é reflexo da relação com o poder público - que não é perfeita, mas que já deu um salto - e de um maior amadurecimento das obras em si. Estamos nos fazendo ouvir, estamos criando a necessidade e a importância de sermos vistos e ouvidos, tanto pelo público como pelo poder público”. Em sua trajetória artística, Diane admite ter vivido muitos momentos marcantes. Segundo ela, não tem como eleger apenas um, só o fato de estar em cena, já é muito especial. Já sobre o futuro, a artista alega ser muito desorganizada para planejar o que pode vir a fazer: “Eu vivo o agora”. E, nesse agora, ela está prestes a lançar o primeiro CD da sua Banda dos Corações Partidos e a estrear um novo projeto do grupo Caixa Cênica. Então, tem muita Diane para a gente ver e ouvir.

Diane Velôso é assumidamente uma grande curiosa

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attler Lima NOME: João Carlos S IDADE: 41 anos gipano Naturalidade: Ser rio PROFISSÃO: Publicitá

E

m um primeiro conta-

da Odonto Fantasy, considerada

A objetividade também é uma

to, a figura enérgica do

uma das maiores festas a fantasia

das características visíveis na per-

publicitário João Car-

do país. Vez ou outra, o intrépido

sonalidade de João Carlos. Tanto

los Sattler Lima pode

publicitário também encarna o

no seu ambiente de trabalho como

assustar. Ele fala rápido, faz piada

apresentador de TV, sempre com

em sua vida pessoal, ele procura

de si próprio e capricha nas ca-

uma irreverência sagaz e o humor

evitar o desperdício de tempo, tão

ras e bocas. Mas, quem consegue

afiado.

escasso em sua agitada rotina.

compartilhar da sua intimidade ou

Nas poucas horas vagas que a

Sobre o futuro, o publicitário sabe

tem a oportunidade de trabalhar

sua rotina lhe permite, JC carre-

muito bem o que deseja: “Eu deixo

ao seu lado, percebe que por trás

ga seu iPod e sai correndo pelas

a vida me levar, desde que ela me

de tanta jovialidade e descontra-

ruas de Aracaju. Quando a agenda

leve para onde eu quero ir”.

ção existe um workaholic sério e

consegue ser um pouco mais ge-

extremamente competente.

nerosa, ele carimba o passaporte e

Considerado um dos publici-

fotografa o destino escolhido com

tários mais bem sucedidos de

o seu olhar apurado. “Nada me-

Sergipe, JC sempre demonstro

lhor que conhecer novas culturas

interesse pela área que hoje do-

e, ainda mais, tirar fotos legais”.

“Desde a adolescência, eu já acompanhava o mer-

mina. “Desde a adolescência, eu

Aos 41 anos, João Carlos ainda

já acompanhava o mercado publi-

preserva a desenvoltura de um

cado publicitário em São

citário em São Paulo. Com isso,

garoto. Sempre conectado com o

Paulo. Com isso, me inte-

me interessei pela área e comecei

hoje, ele consegue discorrer sobre

a fazer cursos em outros estados.

os mais variados temas. De moda

ressei pela área e comecei

Assim que abriu o curso de Pu-

à economia, sua opinião sempre

blicidade em Sergipe, entrei na

renderá boas discussões. Duvida?

estados. Assim que abriu

primeira turma com o objetivo de

Basta tornar-se um dos seus se-

unir a prática à teoria”.

guidores no twitter (@jc_insight).

o curso de publicidade em

Hoje, além de ser um dos donos

Por lá, o publicitário despeja suas

da agência de publicidade Insi-

idéias e, às vezes, tumultua acerca

ght, João Carlos também é sócio

de alguma polêmica.

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a fazer cursos em outros

Sergipe, entrei na primeira turma com o objetivo de unir a prática à teoria”

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perfil

Determinada e capaz Por Nick Passos

esde pequena, ela queria ser médica e apostava que faria a diferença na vida do ser humano. A herança familiar lhe garantiria cômodo legado na carreira jurídica – o avô, o deputado federal Jocelino Carvalho, e os pais, Giselda Carvalho e Curt Vieira, já estavam consolidados na profissão de advogados -, mas Thais Carvalho Vieira Rodrigues preferiu a Medicina. Graduou-se pela Universidade Federal de Sergipe e fez especializações em cardiologia e ecocardiografia na aristocrática e paulistana Beneficência Portuguesa, nos conceituados Instituto do Coração (Incor) e Hospital das Clínicas, também em São Paulo, e no Instituto de Cardiologia de Laranjeiras, no Rio de Janeiro. O carinho, a minúcia e a didática para se comunicar, fez dela uma referência na relação com os idosos. Ela emociona-se com esse reconhecimento: “Assim como nós, eles querem e precisam de atenção, ternura, paciência … que gostemos deles como são”. Sente-se completa quando absorve suas lições de vida e garante que todos evitariam dor e arrependimento se ouvissem os mais velhos. Libriana, admira o belo na arte, em todas as suas expressões. Isto também se manifesta no prazer que, desde pequena, tem em estar sempre bem arrumada. Personaliza seu vestuário e não persegue o modismo das estações - prefere as peças que transcendem tendências. Considera-se clássica e desconversa quando é elogiada pelo glamour natural da sua presença. Pratica alimentação saudável, atividade física e atenção à familia, sua companhia diária às refeições. Ouve e orienta seus filhos, elogia e discorda quando necessário, na infalível fórmula de educar sem permissividade

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absoluta. Diz ‘não’ se for preciso e deixa claro, através de atitudes, conselhos e reprimendas, que eles são a razão de sua vida.Reinventa diariamente o caminho para a felicidade e ensina que é importante lutar muito e encontrar satisfação no que lhe foi reservado, pois nem tudo que se deseja é possível. Sempre agradece, incansável, a Deus e a Nossa Senhora de Fátima, de quem é devota. Inspira-se na maneira justa e humana com que seu pai trata as pessoas, sem distingui-las pela classe social. Ela o chama de seu porto seguro. Partilha com o marido, o empresário Izaias Rodrigues, as alegrias e dificuldades - é o melhor dos amigos que já teve. Admira sua tenacidade e pureza de coração. Com Valéria, irmã e amiga, divide as frustrações e conquistas de ser mãe e vê um pouco de si em cada um dos quatro filhos: Thamires, Curt Neto, Gabriel e Rodrigo. Renova-se nas viagens de lazer com a família e nas que realiza para participar dos principais congressos de cardiologia do mundo - nacionais, americanos e europeus. Gosta de relaxar na casa de praia com filmes, inventando pratos ou improvisando atividades que descontraiam e reforcem os laços. Gosta de ler generalidades, poesia e ficção, mas vive às voltas com publicações médicas. O mais recente livro de cabeceira é de autoria de Noah Gordon. Por deparar-se diariamente com a morte, aconselha, verdadeiramente, “viver como se fosse o último dia e procurar fazer a diferença nas pessoas que se aproximam, para partir em paz quando chegar a hora”. Profissionalmente, sugere auto-confiança, perseverar para vencer, saber se sacrificar para conquistar e nunca desistir - levando em consideração o que o coração determinar, pois ele é o único caminho para a felicidade.

Juliano Oliveira

“Viver como se fosse o último dia e

procurar fazer a diferença nas pessoas que se aproximam, para partir em paz quando chegar a hora”.

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Por Marcos Cardoso www.infonet.com.br/marcoscardoso

O voto libertador de Carlos Britto or dez votos a zero, e a abstenção de um ministro, o Supremo Tribunal Federal, seguindo o voto do relator Carlos Ayres Britto, reconheceu a relação entre pessoas do mesmo sexo como “entidade familiar” e concedeu aos pares estáveis homoafetivos os mesmos direitos e deveres da união entre casais heterossexuais. O voto de Carlos Britto, um denso argumento de 49 páginas, foi dividido em quatro partes. Na primeira, ele expõe que ninguém pode ser discriminado em função da opção sexual. Na segunda parte, o ministro sergipano explica que, legalmente, duas pessoas do mesmo sexo podem constituir uma família. Na terceira e na quarta parte do voto ele deixa em aberto a possibilidade de casamento e adoção de filhos por duas pessoas unidas homoafetivamente.

O sexo Carlos Britto inicia seu voto, didaticamente - e poeticamente, explicando que há na praça um novo substantivo: homoafetividade. “Verbete de que me valho no presente voto para dar conta, ora do enlace por amor, por afeto, por intenso carinho entre pessoas do mesmo sexo, ora da união erótica ou por atração física entre esses mesmos pares de

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seres humanos. União, aclare-se, com perdurabilidade o bastante para a constituição de um novo núcleo doméstico, tão socialmente ostensivo na sua existência quanto vocacionado para a expansão de suas fronteiras temporais. Logo, vínculo de

caráter privado, mas sem o viés do propósito empresarial, econômico, ou, por qualquer forma, patrimonial, pois não se trata de uma mera sociedade de fato ou interesseira parceria mercantil. Trata-se, isto sim, de um voluntário navegar por um rio sem margens fixas e sem outra embocadura que não seja a experimentação de um novo a dois que se alonga tanto que se faz universal”. O sexo das pessoas, prossegue Carlos Britto, “salvo expressa disposição constitucional em contrário, não se presta como fator de desigualação jurídica. É como dizer: o que se tem no dispositivo constitucional é a explícita vedação de tratamento discriminatório ou preconceituoso em razão do sexo dos seres humanos. Tratamento discriminatório ou desigualitário sem causa que, se intentado pelo comum das pessoas ou pelo próprio Estado, passa a colidir frontalmente com o objetivo constitucional de ‘promover o bem de todos’”. O homossexual não podia constituir família por preconceito, substantivo que embute o significado de conceito prévio. “Uma formulação conceitual antecipada ou engendrada pela mente humana fechada em si mesma e por isso carente de apoio na realidade. Logo, juízo de valor não autorizado pela realida-

“ pois não se é mais

digno ou menos digno pelo fato de se ter nascido mulher, ou homem. Ou nordestino, ou sulista. Ou de pele negra, ou mulata, ou morena, ou branca, ou avermelhada.”

tar pelo não-uso puro e simples do seu aparelho genital (absenteísmo sexual ou voto de castidade), para usá-lo solitariamente (onanismo), ou, por fim, para utilizá-lo por modo emparceirado. Logo, a Constituição entrega o empírico desempenho de tais funções sexuais ao livre arbítrio de cada pessoa, pois o silêncio normativo, aqui, atua como absoluto respeito a algo que, nos animais em geral e nos seres humanos em particular, se define como instintivo

ou da própria natureza das coisas. Embutida nesse modo instintivo de ser a ‘preferência’ ou ‘orientação’ de cada qual das pessoas naturais”. O ministro lembra que proibir a discriminação em razão do sexo, como faz a Constituição, é proteger o homem e a mulher como um todo psicossomático e espiritual que abarca a dimensão sexual de cada qual deles. “Por conseguinte, cuida-se de proteção constitucional que faz da livre disposição da sexualidade do indivíduo um autonomizado instituto jurídico. Um tipo de liberdade que é, em si e por si, um autêntico bem de personalidade. Um dado elementar da criatura humana em sua intrínseca dignidade de universo à parte. Algo já transposto ou catapultado para a inviolável esfera da autonomia de vontade do indivíduo, na medida em que sentido e praticado como elemento da compostura anímica e psicofísica (volta-se a dizer) do ser humano em busca de sua plenitude

Carlos Humberto/Banco de Imagens

de, mas imposto a ela. E imposto a ela, realidade, a ferro e fogo de uma mente voluntarista, ou sectária, ou supersticiosa, ou obscurantista, ou industriada, quando não voluntarista, sectária, supersticiosa, obscurantista e industriada ao mesmo tempo. Espécie de trave no olho da razão e até do sentimento, mas coletivizada o bastante para se fazer de traço cultural de toda uma gente ou população geograficamente situada”, diz o ministro. De acordo com a Constituição, prossegue Carlos Britto, o sexo, assim como a origem social e geográfica das pessoas, a idade, a raça, a cor da pele, é um dado empírico que nada tem a ver com o merecimento ou o desmerecimento inato das pessoas, “pois não se é mais digno ou menos digno pelo fato de se ter nascido mulher, ou homem. Ou nordestino, ou sulista. Ou de pele negra, ou mulata, ou morena, ou branca, ou avermelhada. Cuida-se, isto sim, de algo já alocado nas tramas do acaso ou das coisas que só dependem da química da própria Natureza, ao menos no presente estágio da Ciência e da Tecnologia humanas”. Quanto ao uso do sexo nas três funções de estimulação erótica, conjunção carnal e reprodução biológica, a Constituição brasileira opera por um intencional silêncio, observa Carlos Britto. “Que já é um modo de atuar mediante o saque da kelseniana norma geral negativa, segundo a qual “tudo que não estiver juridicamente proibido, ou obrigado, está juridicamente permitido. (...) É falar: a Constituição Federal não dispõe, por modo expresso, acerca das três clássicas modalidades do concreto emprego do aparelho sexual humano. Não se refere explicitamente à subjetividade das pessoas para op-

Sessão histórica do Supremo Tribunal Federal

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existencial. Que termina sendo uma busca de si mesmo, na luminosa trilha do “Torna-te quem és”, tão bem teoricamente explorada por Friedrich Nietzsche. Uma busca da irrepetível identidade individual que, transposta para o plano da aventura humana como um todo, levou Hegel a sentenciar que a evolução do espírito do tempo se define como um caminhar na direção do aperfeiçoamento de si mesmo (cito de memória). Afinal, a sexualidade, no seu notório transitar do prazer puramente físico para os colmos olímpicos da extasia amorosa, se põe como um plus ou superávit de vida. Não enquanto um minus ou déficit existencial. Corresponde a um ganho, um bônus, um regalo da natureza, e não a uma subtração, um ônus, um peso ou estorvo, menos ainda a uma reprimenda dos deuses em estado de fúria ou de alucinada retaliação perante o gênero humano”. No seu voto histórico, Carlos Britto infere que, se as pessoas de preferência heterossexual só podem se realizar ou ser felizes heterossexualmente, as de preferência homossexual só podem se realizar ou ser

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felizes homossexualmente. “Ou ‘homoafetivamente’, como hoje em dia mais e mais se fala, talvez para retratar o relevante fato de que o século XXI já se marca pela preponderância da afetividade sobre a biologicidade”. Ele conclui a parte do voto sobre a questão do sexo, um verdadeiro arrazoado esclarecedor do tema, afirmando que nada mais íntimo e mais privado para os indivíduos do que a prática da sua própria sexualidade. “Implicando o silêncio normativo da nossa Lei Maior, quanto a essa prática, um lógico encaixe do livre uso da sexualidade humana nos escaninhos jurídicofundamentais da intimidade e da privacidade das pessoas naturais. Tal como sobre essas duas figuras de direito dispõe a parte inicial do art. 10 da Constituição, verbis: ‘são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas’”.

A família O constitucionalista Carlos Britto observa que a Constituição estabelece especial proteção estatal à instituição da família: “A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado” (caput do artigo 226). “Mas família em seu coloquial ou proverbial significado de núcleo doméstico, pouco importando se formal ou

No seu voto histórico, Carlos Britto infere que, se as pessoas de preferência heterossexual só podem se realizar ou ser felizes heterossexualmente, as de preferência homossexual só podem se realizar ou ser felizes homossexualmente.

informalmente constituída, ou se integrada por casais heterossexuais ou por pessoas assumidamente homoafetivas. Logo, família como fato cultural e espiritual ao mesmo tempo (não necessariamente como fato biológico)”. Segundo observa, mais que um singelo instituto de Direito em sentido objetivo, a família é uma complexa instituição social em sentido subjetivo. “Logo, um aparelho, uma entidade, um organismo, uma estrutura das mais permanentes relações intersubjetivas, um aparato de poder, enfim. Poder doméstico, por evidente, mas no sentido de centro subjetivado da mais próxima, íntima, natural, imediata, carinhosa, confiável e prolongada forma de agregação humana. Tão insimilar a qualquer outra forma de agrupamento humano quanto a pessoa natural perante outra, na sua elementar função de primeiro e insubstituível elo entre o indivíduo e a sociedade. Ambiente primaz, acresça-se, de uma convivência empiricamente instaurada por iniciativa de pessoas que se vêem tomadas da mais qualificada das empatias, porque envolta numa atmosfera de afetividade, aconchego habitacional, concreta admiração ético-espiritual e propósito de felicidade tão emparceiradamente experimentada quanto distendida no tempo e à vista de todos. Tudo isso permeado da franca possibilidade de extensão desse estado personalizado de coisas a outros membros desse mesmo núcleo doméstico, de que servem de amostra os filhos (consangüíneos ou não), avós, netos, sobrinhos e irmãos. Até porque esse núcleo familiar é o principal lócus de concreção dos direitos fundamentais que a própria Constituição designa por “intimida-

de e vida privada” (inciso X do art. 5º), além de, já numa dimensão de moradia, se constituir no asilo ‘inviolável do indivíduo’, consoante dicção do inciso XI desse mesmo artigo constitucional”. Britto lembra que a Constituição Federal não faz a menor diferenciação entre a família formalmente constituída e aquela existente ao rés dos fatos. Como também não distingue entre a família que se forma por sujeitos heteroafetivos e a que se constitui por pessoas de inclinação homoafetiva. “Por isso que, sem nenhuma ginástica mental ou alquimia interpretativa, dá para compreender que a nossa Magna Carta não emprestou ao substantivo ‘família’ nenhum significado ortodoxo ou da própria técnica jurídica. Recolheu-o com o sentido coloquial praticamente aberto que sempre portou como realidade do mundo do ser”. E conclui sua formulação acerca da possibilidade da família formada da união homoafetiva observando que “a isonomia entre casais heteroafetivos e pares homoafetivos somente ganha plenitude de sentido se desembocar no igual direito subjetivo à formação de uma autonomizada família. Entendida esta, no âmbito das duas tipologias de sujeitos jurídicos, como um núcleo doméstico independente de qualquer outro e constituído, em regra, com as mesmas notas factuais da visibilidade, continuidade e durabilidade”. Sob pena, diz ele, “de se consagrar uma liberdade homoafetiva pela metade ou condenada a encontros tão ocasionais quanto clandestinos ou subterrâneos. Uma canhestra liberdade ‘mais ou menos’, para lembrar um poema alegadamente psicografado pelo tão prestigiado médium brasileiro Chico Xavier”.

O casamento O casamento perante o Juiz, ou religiosamente celebrado com efeito civil, existente como forma de proteção da mulher, comparece como uma das modalidades de constituição da família. “Não a única forma, esse combate mais eficaz ao preconceito que teimosamente persiste para inferiorizar a mulher perante o homem é uma espécie de briga particular ou bandeira de luta que a nossa Constituição desfralda numa outra esfera de arejamento mental da vida brasileira, nada tendo a ver com a dicotomia da heteroafetividade e da homoafetividade. Essas duas objetivas figuras de direito que são o casamento civil e a união estável é que se distinguem mutuamente, mas o resultado a que chegam é idêntico: uma nova família, ou, se

se prefere, Uma nova ‘entidade familiar’, seja a constituída por pares homoafetivos, seja a formada por casais heteroafetivos”. “Não se proíbe nada a ninguém senão em face de um direito ou de proteção de um interesse de outrem. E já vimos que a contraparte específica ou o focado contraponto jurídico dos sujeitos homoafetivos só podem ser os indivíduos heteroafetivos, e o fato é que a tais indivíduos não assiste o direito à não-equiparação jurídica com os primeiros. Visto que sua heteroafetividade em si não os torna superiores em nada. Não os beneficia com a titularidade exclusiva do direito à constituição de uma família. Aqui, o reino é da igualdade pura e simples, pois não se pode alegar que os heteroafetivos perdem se os homoafetivos ganham”, reforça o ministro Carlos Britto.

A adoção Por fim, Carlos Britto afirma a possibilidade de adoção por pares homoafetivos: “A Constituição Federal remete à lei a incumbência de dispor sobre a assistência do Poder Público à adoção, inclusive pelo estabelecimento de casos e condições da sua (dela, adoção) efetivação por parte de estrangeiros (§5º do art. 227); E também nessa parte do seu estoque normativo não abre distinção entre adotante ‘homo’ ou ‘heteroafetivo’. E como possibilita a adoção por uma só pessoa adulta, também sem distinguir entre o adotante solteiro e o adotante casado, ou então em regime de união estável, penso aplicarse ao tema o mesmo raciocínio de proibição do preconceito”. Este é mais um voto histórico de Carlos Ayres Britto. De um valor humano e libertador incontestáveis. Não é preciso dizer muito mais.

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á mais brasileiros acessando a internet em casa e no trabalho. As pesquisas mais recentes apontam para algo em torno de 74 milhões de internautas até março deste ano. Não é pouco. O Brasil é o país que apresenta número expressivo de computadores em domicílios com aumento de 20,7%. Não é difícil perceber as mudanças que essa evolução digital representa nas relações sociais. Depois da febre do Orkut e Facebook, a onda agora é o Twitter, o maravilhoso mundo dos 140 caracteres e um milhão de possibilidades. Uma pesquisa sobre o Twitter revelou que o Brasil reúne o

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Por Rosângela Dória www.twitter.com/rosangeladoria ou apenas @rosangeladoria

segundo maior grupo de usuários da rede social, perdendo apenas para os Estados Unidos. Deste modo, os brasileiros representam a segunda população mais ativa da rede social, à frente da GrãBretanha, Canadá e Alemanha. No momento em que escrevia este artigo, quatro pessoas na minha casa estavam conectadas na internet: meu marido no Facebook, minha filha adolescente no Orkut e Twitter, meu filho jogando ‘on line’com três amigos e eu pesquisando. Gerações diferentes com interesses diferentes numa mesma rede. Esse é o sinal de que os tempos mudaram e longe de

mim querer condenar os avanços tecnológicos ou, em clima de nostalgia, pretender voltar à Idade da Pedra. A modernidade trouxe coisas maravilhosas e avanços que melhoraram a vida do mundo inteiro. Mas o que se percebe é o uso exagerado e muitas vezes desnecessário de tanta ‘interatividade’. Dia desses, num restaurante, passei a observar um grupo de amigos: quatro homens de pouco mais de trinta anos cada um. Chegaram com a aparente intenção de dividir mais que um bom almoço: tinham a expressão de que não se viam há muito tempo e, por isso, guardavam vários assuntos pendentes. Mas em pouco mais de uma hora e meia de ‘encontro’, não houve um minuto sequer em que os quatro estivessem realmente ‘juntos’ numa conversa. Cada um tinha dois celulares e se revezavam em ligações ‘importantes’. Às vezes um só, às vezes dois, três, mas na maior parte do tempo os quatro amigos estavam ocupados tratando de assuntos alheios ao almoço aparentemente tão aguardado. O celular, que virou ferramenta de conexão com as redes sociais, transformou aquele almoço num evento ‘on line’. A cada cinco minutos se sabia, pelo Twitter, o que acontecia naquela mesa e um deles tirou foto e postou a imagem de um

dos pratos. A conversa pouco fluía. O almoço foi realizado e ganhou certamente comentários no Twitter e fotos no Facebook de cada um deles. O cardápio foi divulgado via internet e a reunião virou mais publicidade e satisfação para os que não estavam, do que prazer para os que estavam juntos. Deve ter ficado ali também um compromisso do quarteto para uma próxima rodada, talvez! Já fui vítima disso. Almocei com uma amiga e em pouco mais de uma hora, perdi 30 minutos do tempo dela para o celular. Protestei e disse que estava sendo abandonada numa verdadeira solidão a dois! E a cena se repete em vários lugares, basta observar. Num show, há pessoas que passam mais de uma hora e meia gravando as cenas, para fazer sabe-se lá o que com as imagens. Puxa vida, a pessoa gosta muito do cantor e acaba perdendo tempo registrando cenas para certamente colocar no YouTube para mais uma vez mostrar para quem não foi, que ela estava lá! Não basta mais dizer: tem que ter fotos e vídeos e publicação nas redes sociais. A discussão é ampla e cada um pensa de um jeito diferente. A interatividade é divertida, afinal quem não quer pensar que ‘decidiu’ a cor da gravata de William Bonner ou escolheu o figurino primoroso de Patrícia Poeta? Eu mesma já acompanhei pelo Twitter uma festa inteira nos mínimos detalhes, com direito a ver docinhos e figurino. Amei! Quero deixar claro: adoro internet, sou tuiteira de plantão e divido ideias e ‘potocas’ com amigos e desconhecidos. Tenho mais de 800 seguidores. Sei que não são todos amigos, mas não me custa dividir com eles conhecimentos que julgo importantes. Converso com o marido, dou ordens aos filhos, re-

solvo questões domésticas, acadêmicas e muito mais! Vi uma grande ideia ganhar vida na internet: O SOS Criança, Movimento dos Pais pela Reabertura das Pediatrias no Setor Privado de Aracaju, foi articulado e teve toda a sua mobilização feita pela rede. E foi esse movimento que ajudou o Ministério Público Estadual (MPE) e a Advocacia Geral da União

“A modernidade

trouxe coisas maravilhosas e avanços que melhoraram a vida do mundo inteiro. Mas o que se percebe é o uso exagerado e muitas vezes desnecessário de tanta ‘interatividade’ ”

(AGU) a garantir que os planos de saúde dessem atendimento hospitalar às crianças. E tudo nasceu numa conversa no Twitter. A rede serve para múltiplas funções: encontrar animais, doadores de sangue, informações, emprego e grandes amores, não duvido disso. Concordo quando ouço que a mesma tecnologia que aproxima os que estão longe acaba afastando os que estão perto. O risco é a dependência de uma realidade apenas virtual e é comprovação científica: a internet vira doença quando o indivíduo não consegue mais se relacionar com o mundo real. É na rede que a maioria dos jovens se sente protegida, afinal

todas as inseguranças típicas da idade ganham uma barreira sólida , garantindo a muitos deles o anonimato necessário a sua vida criada no mundo da fantasia. A internet é um maravilhoso espaço para encontros e descobertas. Pessoas que não se encontram há anos vivem uma nova experiência, a exemplo de um argentino que localizou o filho graças ao Facebook, após 10 anos de buscas. O que discuto não é isso: o que discuto aqui é a substituição do encontro pelas redes. Observe festas em escolas: situação típica para pais que não perdem um só instante dos filhos. Fotografar é bom para guardar como lembrança. Gravar também, já fiz muito isso! Mas gente, passar o tempo inteiro da apresentação garantindo as imagens para dividir com quem muitas vezes nem tem interesse em ver as peripécias do seu filhote, é exagero demais! Quem tem filho sabe que eles ficam nos procurando e dizendo: “olha eu aqui”! Não perca a chance de estar de verdade com eles só para garantir um excelente enquadramento. Canso de ver gente pelo Twitter marcando encontros que a gente sabe, nunca vão acontecer. Afagos e mimos que não se concretizam na vida de verdade e interesses que não sobrevivem fora da rede. Já fiz, sim, amigos pela internet e o próprio Twitter serviu para estreitar relacionamentos, mas tudo começa ou acaba na relação com a presença física: ou você já conhecia a pessoa ou passa a conhecer. Com os amigos, agora adotei uma regra: no espaço virtual fotos, mimos, vídeos e tudo mais, mas na hora do encontro real quero privacidade, atenção. E mais: celulares e Twitter desligados por favor! Afinal minha saudade é de carne e osso e alma!

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crônica artigo

Por Adalberto Goulart Médico Psiquiatra e Psicanalista da International Psychoanalytical Association

A crise dos pepinos mas e outras do exministro-chefe da Casa Civil, companheiro Palocci (Dilma, eu bem que avisei...). Dilúvio em Aracaju. Despedidas de Petkovic e Ronaldo Fenômeno. Aprenda a fazer Pole Dance para o seu namorado após jantar no Château Blanc e apreciar as delícias do chef Maurice Barneau. Bombeiros furiosos no Rio. Adolescentes italianos achando que podem engravidar com um semplice baccio (o non cosi semplice). São João em Sergipe. Mas

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o fato é que nada esteve tão presente nos noticiários dos últimos dias quanto o pepino. Isso mesmo, o pepino! Concombre, cucumber, cetriolo, gurke, krastavac, agurk, komkommer, como queira chamar, caro leitor desta cada vez mais louca aldeia global. Originário das regiões montanhosas da Índia, o pepino tem sido cultivado desde a antiguidade. Fonte de vitaminas, tem efeito diurético e é ótimo para a pele, mas injustamente nunca havia chegado ao estrelato. Agora, após ter contraído núpcias

com uma malvada bactéria, ganhou a manchete de todos os principais jornais do mundo e tem sido mais comentado que o casamento da realeza de Buckingham. Coisa de cinema, diria Alvinho, e bem pastelão se o assunto do pepino não fosse tão sério. Mais de vinte pessoas sucumbiram ao pepino na Europa! Milhares juram que adoeceram por causa do outrora tão inocente vegetal. A maioria na Alemanha. União Européia em polvorosa! Cornelia Prüfer-Storks, responsável pela

Secretaria de Saúde de Hamburgo, acusou os pepinos espanhóis de estarem contaminados por uma variação bastante agressiva da bactéria Escherichia Coli, normalmente quase inofensiva. Uma mutação, ao que parece, tipo uma bactéria tiririca. Ninguém quer mais comprar pepino na Europa, especialmente se forem espanhóis, mas acredita-se que todo pepino europeu seja suspeito. Alguns exagerados dizem que todos os pepinos sempre foram suspeitos, vindos de onde vierem pepinos sempre serão pepinos. A Federação Espanhola de Produtores e Exportadores de Frutas e Hortaliças (Fepex) avaliou as perdas em cerca de 200 milhões de euros por semana e o amigo do Lula, José Luis Rodríguez Zapatero, chefe do governo espanhol, disse que irá exigir compensações às

autoridades da Europa pela quebra dos pepinos. Ele reconheceu ainda que a Espanha tem agora uma tarefa muito ambiciosa para restaurar o bom nome dos pepinos e salientou que o seu governo agiu de maneira rápida, sábia e vigorosamente pepinesca na crise dos pepinos. Aqueles mesmos exagerados dizem que os pepinos sempre estiveram em crise. Eu discordo. Mas Zapatero tem outros amigos. Direto de Baikonur, no Cazaquistão, astronautas japoneses disseram que planejam plantar pepinos na Estação Espacial Internacional. Satoshi Furukawa deve decolar nos próximos dias para quase meio ano orbitando ao lado do cosmonauta russo Sergei Volkov e do astronauta da Nasa Michael Fossum. Ao falar sobre experimentos agendados para os próxi-

mos meses, Furukawa disse que ele estaria plantando pepinos no espaço como parte de um estudo em andamento sobre como os futuros exploradores espaciais poderiam produzir sua própria comida. “Gostaríamos de poder comer os pepinos aqui, mas não nos deixaram”, disse Furukawa, que é médico, em uma coletiva de imprensa. E emendou que os pepinos podem estar desmoralizados na Terra, mas que no espaço será maravilhoso degustá-los. Tal declaração teria desmoralizado a reputação sexual do nipônico cosmonauta. Fossum e Volkov devem voltar para a Terra em meados de novembro, se não der pepino, quer dizer, se der pepino, bom você entendeu. Furukawa pretende morar lá para sempre ou pelo menos enquanto durar a crise dos pepinos por aqui.

PLANTAÇÃO DE PEPINOS DO Furukawa

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Por Gilfrancisco Jornalista, professor universitário e membro do IHGSE e do IGHBA gilfrancisco.santos@gmail.com

literatura

Carlos Cauê,

contista de vida e morte Doze anos depois de estreia, público leitor aguarda novo livro onheci Carlos Roberto da Silva (Cauê) em dezembro de 1992, durante a apresentação do recital A Poesia Revisitada, uma espécie de tributo à poesia sergipana em suas diversas fases, realizado no Palácio Olímpio Campos. Ele fazia parte do Grupo Iñaron, juntamente com Ieda Maria Leal Vilela e Andréa Villela. Fui levado àquele sarau pela amiga e poeta Iara Vieira, que havia me convidado

a participar de um evento literário na capital sergipana. Pude ouvir, então, pela primeira vez, aquela voz meiga, doce, curta, declamando poemas de Núbia Marques, Jeová Santana, Ronaldson Sousa, Santo Souza, Marcos Vieira, Araripe Coutinho e Gilson Souza. Cauê me causou uma boa impressão pela maneira como recitava, talvez até pelo fato de ser o único homem do Grupo ou, quem sabe, pelo resultado do exercício de muitos anos com a palavra que carregava consigo desde os dezessete de idade, época em que ganhou o I Concurso de Redação promovido pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, em Alagoas.

O fato é que fiquei bastante impressionado pelo desempenho dos componentes do Iñaron como um todo. Por intermédio de Iara Vieira, soube que o Grupo se apresentava desde 1986 e que havia participado de diversos recitais nos festivais de São Cristovão e nos encontros de Laranjeiras – sempre com o objetivo de difundir a poesia por todos os espaços, tirá-la das gavetas, dos gabinetes e trazê-la ao público como um instrumento de expressão dos sentimentos. Meu segundo contato com ele foi em outubro de 1993, durante o V Fórum de Poesia, realizado no Centro de Criatividade. Eu participava como palestrante, falando sobre o poeta Vladimir Maiakóvski; ele com mais um recital de poesia, desta vez intitulado Centelha Rara. Anos depois vim a conhecer sua prosa e poesia através do Suplemento Cultural, dirigido por Célio Nunes, do Arte & Palavra e, mais tarde, nos Cadernos de Cultura do Estudante, publicado pela Universidade Federal de Sergipe.

Estreia

Ieda Maria Leal Vilela, Caue e Andrea Villela (1992)

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Contos de Vida e Morte foi publicado em 1999, pela Secretaria de Estado da Educação e do Desporto (SEED). A edição, com 120 páginas e muito bem cuidada, teve a apresentação de Maruze Reis, com abas

“ É possível acreditar nas

histórias de Carlos Cauê, no seu olho de ver o que está por traz da realidade de todo dia, escondido em camadas mais fundas.”

de Léo Mittaráquis e capa de Heyder Macedo. Trata-se de uma coletânea de trinta e três contos produzidos na fase estudantil do autor, quando ele vai se moldando, se revelando, buscando a intimidade com as palavras. Carlos Cauê estreou muito bem. Do rigor da forma da linguagem à estrutura narrativa, soube ultrapassar o círculo autobiográfico em que giram tantos contistas modernos. Manteve em sua literatura uma característica básica: falar - num palavreado claro, coloquial, mas exda vida e morte, com tal riqueza, que tremamente poético - do cotidiano cada frase desperta o interesse e a de pessoas que nos parecem muito emoção do leitor. Ele escreve rápido, familiares, em sua forma de sentir e não para mudar a vida, melhorar o reagir. São contos de amor, amizade, mundo, salvar almas. Escreve para perda, reparação, vida e morte, senviver suas lembranças presentes na timentos que nos ajudam imaginação, propora compreender melhor o cionando o prazer da mundo e, principalmente, leitura, que pode ser nós mesmos. traduzido naquilo que Tímido, reservado, fala a ficção se propõe: dido que gosta, escreve sovertir e emocionar. bre o que sente. É um esÉ possível acredicritor que quer realizar sua tar nas histórias de vida, por isso construiu um Carlos Cauê, no seu livro revelador, que refaz ou olho de ver o que está reflete o percurso vertical Capa do Livro por trás da realidade

Homem Político

J

ornalista e publicitário, Carlos Cauê é uma figura marcante em vários aspectos da sociedade: no início da década de oitenta, foi um dos fundadores do Partido Comunista do Brasil, em Sergipe; tem uma reconhecida atuação no cenário político do estado - onde foi um dos principais condutores de diversas campanhas políticas, de 1988 até os dias atuais; durante as comemorações dos 30 anos da Anistia no Brasil, em agosto de 2009, foi um dos jornalistas que contribuíram com textos para a exposição Anistiados, couro esquecido, com trabalhos de Bosco Rollemberg; seus contos serviram de base para o espetáculo Conto ou não Conto, dirigido pela atriz sergipana Tetê Nahas, em 2001; e cinco anos depois, escreve Viva, A vida em um

de todo dia, escondido em camadas mais fundas. Os enredos das histórias são muito simples em suas linhas gerais. O conjunto de contos, traz, geralmente, histórias contadas na primeira pessoa, sendo os próprios narradores personagens do relato – fator fundamental para que a ilusão do real se instale imediatamente, como se fosse um diálogo entre quem conta e o leitor. Espero que nesse intervalo de doze anos, desde sua estreia nas letras sergipanas e a publicação desta resenha, ele assuma, publicamente, que em breve nos brindará com um novo título, para uma nova viagem.

ato, monólogo interpretado pelo saudoso Luís Carlos Reis. Atualmente é o responsável pela Secretaria de Comunicação do governo estadual.

Cauê, Marcelo Déda e Lula

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conto literatura

Por Carlos Cauê damastor vivia sua vidinha pacata, de cidade em cidade, divertindo todos com graça e alegria. Adorava chegar a uma cidade nova, conhecer novas gentes, fazer seu desfile triunfal pelo centro, as fanfarras soando, os címbalos enchendo de eco as ruas e a gritaria que se processava. Os olhares curiosos de admiração e respeito das senhoras e a festa que logo mais à noite ocorreria. Bonachão como era, não pedia muito. Um pouco de comida que desse para manter seu enorme corpo e sua grande fome já bastava. E não precisava de pratos finos não. Nada de carnes ou outros requintes, um pouco de verduras e hortaliças ia bem. Banhar-se para ele era outra festa, agitava-se ao jato de água espalhando-a para todos os lados,

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aspirando-a com sua longa tromba e jogando-a em volta, molhando todos e divertindo-se com a brincadeira. As crianças particularmente adoravamno, ficavam horas e horas olhando-o, estupefatas, e ele, orgulhoso, sabendo ser o centro das atenções, divertia-se, inventando novas brincadeiras e travessuras. À noite, reinava solene. Seu número era aguardado com expectativa e emoção. Ele entrava feito um rei. Uma sela dourada trabalhada com pedrarias e tecidos finos prendia-lhe o enorme dorso e uma espécie de cabresto, feito com

o mesmo requinte, cobria-lhe parte da cabeça, alongando-se um pouco pela tromba. Era a glória, e Adamastor, como se risse feliz, esmerava-se na apresentação. Dançava, pulava, rolava pelo chão, brincava com objetos fazendo malabarismos, chutava bolas, sustinha-se em três patas, depois duas, depois uma e o público ia ao delírio, levantando-se entusiasmado, aplaudindo-o de pé. Depois se retirava, mais uma vez solene, fazendo mesuras de agradecimento ao público e afastando-se para trás em despedida. Ele era mesmo o centro de tudo! Mas a docilidade tem que encontrar a intolerância pelo caminho e Adamastor veio a ser mais uma confirmação da regra. É claro que todo aquele sucesso não acontecia sem que a inveja florescesse no coração de seu domador. Como é que ele que havia treinado o animal, que o ensinara a fazer tantos truques não recebia em troca nenhuma manifestação de aplauso, de agradecimento, não desfrutava, sequer minimamente, daquela glória? Doía-lhe suportar, no seu coração humano, toda aquela pompa do animal, todos aqueles festejos e carinhos para um bicho, ao qual ensinara tudo. E como uma erva daninha que vai medrando, a princípio lenta, e quando vemos já está devastando

“Mas a docilidade a plantação, a inveja do amestrador cresceu de uma ponta de sentimento, para uma idéia obsessiva. Começou a achar que o animal, compreendendo o mal que lhe causava, fazia isso de propósito. Chegava mesmo a vê-lo ensaiando coisas para ridicularizá-lo perante o público, para humilhá-lo, para fazer crescer seu sucesso e obscurecer a ele que era o seu mestre. Da ideia à ação, o domador começou a maltratar o bicho. Primeiro retomou o chicote que há muito deixara de usar e começou a fazer bom uso dele. Mesmo sem necessidade de treinar, pois Adamastor já sabia de cor todos os truques, insistia em fazê-lo por longas horas em que o animal sofria de suas chibatadas. Passou meses nisso e, sensível como era, Adamastor começou a assimilar o comportamento violento do domador. Na sua pobre cabeçorra, as coisas todas se confundiam. Ainda fazia com perfeição seu número, mas não era mais o mesmo. Perdera o ar solene das entradas triunfais e a infantilidade marota que era sua alma. Andava triste e sonolento, as crianças não mais o animavam e mesmo o desfile nas ruas das cidades não lhe causava a menor emoção. Aos poucos, a alegria e graça de Adamastor deram lugar a ranzinice e a indolência. Foi numa das muitas noites em que o circo fazia seu primeiro espetáculo em uma cidade que tudo aconteceu. A certa altura da apresentação de Adamastor, já próximo a finalizá-la, o domador deu-lhe o sinal para o número de ficar apoiado nas três patas. Ele executou-o com maestria. O domador, então, deu prosseguimento, anunciando que o animal ficaria em pé nas duas patas, ele o fez e o domador continuou a execução pedindo que ficasse em

tem que encontrar a intolerância pelo caminho e Adamastor veio a ser mais uma confirmação da regra. É claro que todo aquele sucesso não acontecia sem que a inveja florescesse no coração de seu domador”

uma só pata. Adamastor empacou. O domador repetiu o gesto e nada. Irritado, pegou o chicote e brandiu-o no lombo do elefante, nada. Uma, duas, três, dez chicotadas. Nada. Adamastor era um bloco de pedra, uma rocha inamovível. A plateia percebia o constrangimento e levantouse na expectativa. O domador rodeava o bicho, chicoteava-o de todos os lados, mas Adamastor não se movia. Como é de praxe nesses momentos em que alguma coisa não vai bem, a bandinha desatou a tocar uma marchinha, com o intuito de amenizar a tensão. De repente, como se houvesse sido tocado por uma mágica, Adamastor começou a mover-se ao som da música. Rebolava, brincava, chutava o ar, como se de súbito tivesse recuperado a alegria de viver. O público veio ao delírio em aplausos e o domador atônito, não sabia o que fazer, queria agradecer os aplausos mas estava confundido. Foi aí que o domador sentiu a pancada pesada da tromba em suas costas. No impacto voou longe estatelando-se no chão. Começou a levantar-se ainda zonzo, mas Adamastor já correra para ele e desferia novo golpe. O domador voltava a ser lançado. O

público aplaudia entusiasmado pensando tudo fazer parte do número, mais uma brincadeira do elefante. Adamastor, entretanto, brincava mesmo. Com sua tromba enlaçou o domador, levantando-o. Agora o sangue já escorria do corpo quebrado do homem, mas o elefante, indiferente, atirou-o novamente para longe. Ao ver o sangue espalhando-se no picadeiro, o público finalmente compreendeu o que se passava. Fez-se um silêncio no circo e o que era alegria e aplauso agora era desespero e pânico. A banda parou de tocar e a plateia gritava histérica. Adamastor, entretanto, continuava balançandose ao som de uma melodia imaginária, rebolando e dançando e foi dançando que ele avançou pela última vez para o corpo do domador no chão. Ainda dançando ergueu sua enorme pata e num único golpe esmagou-lhe o crânio. No outro dia, enquanto brincava inocente na sua jaula, um pequeno projétil, disparado do rifle do dono do circo, encontrou a enorme cabeça de Adamastor. Antes que ele se alojasse fatalmente no seu crânio, Adamastor ainda tentou brincar sacudindo todo o corpo. Mas foi só um estertor.

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artigo gastronomia

Por Rodrigo Gama Goulart omer bem é definitivamente um dos maiores prazeres que podemos ter na vida. A combinação perfeita de ingredientes, como numa verdadeira alquimia, faz com que cada papila gustativa se apresente, reativando lembranças, experiências afetivas, ou nos surpreendendo com o simplesmente

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novo e inusitado, percebendo cada tonalidade na variação de sabores. Além disso, a gastronomia não é outra coisa senão verdadeira arte, onde os ingredientes são previamente preparados para a elaboração do prato. Peguemos o carré de cordeiro, também conhecido como short rack, por exemplo. Trata-se de um corte de costela onde

se retira os resíduos de carne ao longo dos ossos, e mantém-se a parte inferior, incrivelmente macia e suculenta. Aproveitando a deixa, vou contar nesta edição como se prepara no Château Blanc Restaurant um surpreendente Carré de Cordeiro com Purê de Mandioquinha e Maçãs Glaceadas.

Chef Rodrigo Gama,

Restauranteur do Château Blanc Restaurant

C

oloque em uma frigideira uma colher de manteiga e duas colheres do azeite extravirgem e deixe aquecer. Tempere o carré com sal e pimenta do reino a gosto e grelhe em ambos os lados até que fique dourado. Cozinhe a mandioquinha com água e sal, apenas. Quando estiver bem cozida, retire do fogo e escorra a água. Feito isso, amasse a mandioquinha (pode-se utilizar um espremedor de batatas para facilitar). Leve o purê obtido a uma panela em fogo médio, adicione manteiga a seu gosto e mexa sempre, com uma colher, até que adquira consistência. Esta é a hora de corrigir o sal. 200 gramas de carré de cordeiro com os ossos; 1 cálice de vinho tinto seco; Azeite extravirgem; Manteiga; Sal e pimenta do reino a gosto; 100 gramas de mandioquinha sem casca; 2 maçãs cortadas em cubos; 50 gramas de açúcar.

Numa panela, adicione 100 ml de água, o açúcar e as maçãs em cubos. Se achar interessante, adicione um pouco de canela em pó para dar um toque especial. Deixe cozinhar em fogo alto por aproximadamente 15 minutos e retire as maçãs. Disponha o carré, o purê e as maçãs num prato, decore como sua criatividade quiser e surpreenda-se com este delicioso prato! Plaisir et bon appétit!

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MOSCOU UMA CIDADE FRENÉTICA E SURPREENDENTE

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A capital russa é um canteiro de obras e consumo em alta na Praça Vermelha e seus arredores ainda é uma grande emoção - pela bela arquitetura e por uma forma de vida que é um contraste em relação a tudo que havia antes. Vale a visita, embora, é bom lembrar, sejam necessários alguns cuidados.

TB e Mozart Santos com o tradicional gorro de pele de raposa da Sibéria

TB, com os amigos Mozart e Anaceli, Luis Eduardo e Eliane, num barco com o muro do Kremlin ao fundo

Ascom Emsurb

hegar a Moscou pode ser uma experiência única! Quem tinha na cabeça aquela ideia que se formou durante o longo período comunista, logo a desfaz no aeroporto - gigante, moderno e inóspito. Placas informativas em inglês e russo, facilitam a vida do turista no local, onde pouca gente ainda fala inglês. Há uma corrida pelo dinheiro e uma visível desorganização. É preciso ter muito cuidado, nunca aceitar os primeiros preços., fazer cara de paisagem e aparentar que desiste. Logo, vão lhe procurar com preços menores. É a velha pechincha. Numa tarde de sol resplandecente, não muito comum por aqui, as torres da Basílica de São Basílio parecem mais luminosas e, para nosso grupo - eu e os amigos queridos Mozart Santos, Anaceli Melo, o brilhante jornalista Luiz Eduardo Costa e sua mulher Eliane Moraes, foi o momento da emocionante chegada à Praça Vermelha. No balcão, bem no alto, onde ficavam os poderosos do Kremlin, em dias de parada, está sendo montada agora um gigantesco aparato de metal para um grande evento aguardado com expectativa pela juventude. Se Stalin passasse pela praça agora, morreria de raiva. Mas, grandes painéis de LED estão montados com fotos dos desfiles militares da época do comunismo. A lembrança pesada do passado, agora se transformou num “enfeite” da festa. Caminhar

Foto de TB da lendária Praça Vermelha e a Catedral de São Basílio

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Uma bela visão do Kremlin, registrada no passeio de barco no Rio Moscou Complexo comercial Goum

Lá, o comércio é variado e tem um shopping poderoso, com todas as melhores griffes do planeta - da Tiffany à Louis Vuitton, da H.Stern à Hermès, da Mont Blanc à Dior, da Armani à MaxMara, e tantas mais. Com muito luxo e preços elevadíssimos. Coisa de fazer inveja a Paris. Lembram, os velhos comunistas, que antes só havia o Goum – que era como se fosse um mercado popular, apontado como o grande sucesso dos tempos da cortina de ferro. E esse novo templo do consumo está localizado justo neste velho Goum, reformado e lindo! Os quiosques de souvenirs estão por toda parte, vendendo desde as Babouskas - aquelas bonequinhas russas rechonchudas - às peles verdadeiras de

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animais selvagens, sonho de consumo de muita mulher chique. É fácil comprar tanto a pele de um Mink quanto a de um enorme urso, com cabeça e tudo. Num país que tem mais de duas vezes o tamanho do Brasil e gigantescas florestas, essas coisas são fáceis, ainda mais porque nada disso é proibido. Matar urso já foi o esporte nacional. A frota de automóveis nas ruas de Moscou é de surpreender, novíssima e prá lá de cinco estrelas - todos de marcas famosas, inclusive o imbatível Rolls Royce. O nosso antigo conhecido Lada é objeto raro, vemos um ou outro, bem velho, a circular pelas frenéticas avenidas ou abandonados em lugares desertos. Os russos pisam no acelerador e estacionam onde querem, principalmente em cima das calçadas. Apesar de estarem muito avan-

çados no capitalismo, eles ainda não descobriram os pardais “assaltantes”. Os assaltantes são mesmo os taxistas, que só faltam colocar uma arma na sua cabeça, ameaçando o cliente e cobrando o preço que querem pela corrida. Um perigo, pegar táxi nas ruas de Moscou. Segurança somente com os registrados no hotel e chamados pela própria portaria. Andar de Metrô é uma grande aventura, pois todas as placas são em russo, apesar das estações serem luxuosas, feitas com granito e mármore. Foi construído na década de 30 e serve toda a cidade. Não há quem entenda absolutamente nada. Os moscovitas são de pouca conversa e não gostam de dar informação. Os hotéis das grandes cadeias internacionais se fazem presente na cidade: Ritz, Radisson, Hyatt, Sheraton, Ibis, Aquamarine, Holli-

Parque Gorki

day Inn e o belo e austero Kempinsky, localizado ao lado da Praça Vermelha. Nos restaurantes, nas ruas, nota-se uma nova classe em ascensão. São os tycoons russos, sempre bem vestidos e antenados com o mundo. As russas são lindas, modernas e super produzidas, como no ocidente. Já os russos chamam atenção pelo porte e os galanteios. A comunidade gay é fortíssima. O arco-íris é bandeira levantada com muito orgulho. Um detalhe: em Moscou a Internet funciona rápido e com perfeição - coisa que no Brasil ainda é capenga. Numa terra de louras deslumbrantes e esguias, todas querendo pisar os degraus da ascensão e usar as griffes famosas, o turismo sexual é inevitável e está presente nos hotéis mais classudos, onde, por toda parte, estão os folhetos de propaganda. Um detalhe a ob-

TB no monumental templo de consumo da Rússia capitalista

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O Teatro Bolshoi passa por uma reforma

A luxuosa Estação de Metrô Komsomolskaya

servar, que é anunciado no folheto: as louras chegam para o encontro com um indispensável atestado de saúde. Se ele não for apresentado, deixam bem claro, o cliente terá que assinar um termo de responsabilidade. Coisa de russo... Não deixem de fazer um passeio de barco pelo rio Moscou, que corta a capital russa. Não tem o charme dos bateaux-mouches parisienses, mas a paisagem moscovita é fantástica. Numa das margens, vemos uma desativada nave espacial. Passamos também ao lado do Parque Gorki, onde os jovens aproveitam o clima de verão para tomar sol. As cúpulas douradas dos templos católicos ortodoxos russos resplandecem por todo trajeto. O Teatro Bolshoi é parada obrigatória, apesar de estar passando por uma reforma, como grande parte dos prédios históricos da cidade. Mas os espetáculos continuam em cena num prédio ao lado. Imperdível um show dos cossacos, o folclore local. Assim como é preciso provar um autêntico strogonoff ou um frango à Kiev. No final, celebrar a vida com uma vodka russa estupidamente gelada, acompanhada de uma torrada com caviar Beluga. Da svdanya! (até breve)...

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Passeando de barco no rio Moscou: Luis Eduardo Costa e Eliane, Mozart Santos e Anaceli Melo

Mapa da Rússia

home Sala de Jantar - Projeto do arquiteto Jayme Barbosa, inspirado em Coco Chanel, diva do mundo da moda

Um estilo de vida

Casa Cor São Paulo 2011 Mostra comemora 25 anos de história

Entrevista

Pedro Ariel - Diretor de Redação da revista Casa Claudia

São Paulo

Um roteiro de cultura design• aracaju e MAGAZINE

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Casa Cor S茫o Paulo Mostra comemora 25 anos de hist贸ria 114

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ntre os dias 24 de maio e 12 de julho, foi realizada a 25ª edição da Casa Cor São Paulo. O evento, que aconteceu no Jockey Club da capital paulista, contou com uma estrutura de 56 mil m², 106 ambientes, 155 profissionais e quatro mostras simultâneas: a tradicional Casa Cor, com tendências em arquitetura, decoração e paisagismo; Casa Kids, com ambientes especialmente projetados para crianças de até 12 anos; Casa Hotel, destinada aos profissionais do setor de hotelaria e turismo; e Casa Talento, considerada uma vitrine para novos profissionais da arte e do design brasileiro.

Cabana Urbana - Projeto do arquiteto Fábio Galeazzo. Detalhes descritivos na página 119

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Este ano, ambientes que revelam o prazer de morar bem com tecnologia e conforto foi o tema da Casa Cor São Paulo. O público teve a oportunidade de perceber que a tecnologia, antes aplicada apenas em ambientes corporativos, também faz parte da rotina dos lares brasileiros, garantindo comodidade, economia de recursos e preservação do meio ambiente. Além disso, para celebrar a 25ª edição da mostra, a organização reuniu, em um ambiente especial, os momentos mais marcantes da trajetória do

evento. A curadoria dessa homenagem foi assinada pela jornalista e arquiteta Olga Krell, considerada a dama da decoração brasileira. Estima-se que cerca de 180 mil visitantes vão passar nesta edição da Casa Cor São Paulo. Para maior comodidade e diversão do seu público, a organização oferece alguns meios de locomoção, como carros elétricos e tuk-tuks, os famosos triciclos tipicamente indianos. Para os mais dispostos, a organização ainda disponibiliza, em pontos estratégicos do Jockey Club, alguns

bike parking, possibilitando o uso de bicicletas em todo o percurso da mostra. Como já é tradição, a gastronomia, mais uma vez, é uma atração à parte. Durante todos os 53 dias desta edição comemorativa da Casa Cor São Paulo, renomados restaurantes paulistanos, como o Bananeira, o Terraço Itália e o Limonn, também estarão instalados no Jockey Club, oferecendo as delícias dos seus cardápios aos visitantes. Confira alguns ambientes desta 25ª edição da Casa Cor São Paulo.

CASA COR - Descritivos dos Ambientes

E-Lounge | Fernanda Marques

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Homenagens

História Criada em 1987, Casa Cor é reconhecida como o maior evento de arquitetura e decoração das Américas e o segundo maior do mundo. As mostras são idealizadas pelo Grupo Casa Cor, dirigido pelos Grupos Abril e Doria, que gerem suas 17 franquias nacionais (Amazonas, Bahia, Brasília, Campinas, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) e 4 internacionais (Chile, Panamá, Peru e Punta Del Este).

Uma das marcas registradas da mostra é a homenagem às celebridades e personalidades brasileiras. Este ano, os escolhidos foram o empresário Álvaro Garnero; a bailarina Ana Botafogo; a cantora Claudia Leitte; o artista plástico Gustavo Rosa; o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; o jogador Neymar; o cantor Ney Matogrosso; a empresária Viviane Senna; a cantora Fafá de Belém; o apresentador Otávio Mesquita; e o ator Paulo Vilhena.

Em 38m², o E-LOUNGE trouxe o conceito de convivência possível entre habitantes e as novas tecnologias. Interconectividade entre os novos meios de comunicação (web, celular, tablets, aplicativos e screens interativos) foi a tendência apresentada pela arquiteta Fernanda Marques, que usou suas próprias experiências como base de pesquisa. Couros, peles, pedras e madeira foram os materiais presentes na obra que, junto com elementos naturais empregados em delicada combinação de texturas, configurou um ambiente aprazível.

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Restaurante Brasileiro | Bya Barros Uma mistura de estilos foi a aposta da arquiteta Bya Barros para o restaurante, que contou com um espaço de 350m². A pintura da parede do banheiro foi assinada pelo Grafiteiro Kobra e o mobiliário foi composto por peças vindas da Europa e América do Norte, sob curadoria de Fábio Souza. O ambiente teve também um bar em peça única, tora reaproveitada e tapete em lona reciclável com estampa de zebra. Uma pista dançante fez o diferencial do espaço.

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Cabana Urbana | Fábio Galeazzo Para estrear a Vila Casa Cor, Fábio Galeazzo criou uma pequena casa de 60m². A Cabana Urbana – idealizada para os amantes do lifestyle - propõe uma nova forma de morar. Em uma antiga construção pertencente ao Jockey, o arquiteto aplicou a técnica de retrofit, que introduz materiais novos à arquitetura existente, e complementou a estrutura com vigas e pilares em bambu gigante - oriundos do tradicional procedimento colombiano de construção - e utilizou como revestimento madeira de manejo sustentável, desenvolvida manualmente por artesãos Gaúchos, em contraste a granitos exóticos nacionais. Na decoração, espreguiçadeiras em forma de ninho gigante e uma cozinha giratória interagiram com o espaço, possibilitando inúmeras combinações entre área externa e interna.

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Concept Hall Deca | Roberto Migotto Ao conceber o Concept Hall Deca, a ideia de Roberto Migotto era descaracterizar o SPA e criar um anexo onde o anfitrião pudesse receber pessoas confortavelmente. Para isso, o arquiteto investiu em living, uma área gourmet e um deck com uma pequena piscina repleta de poltronas e chasies. O ambiente de 400m² foi todo rodeado por espelhos d’água, para dar a impressão de que ele estava flutuando. O toque final ficou por conta da estrutura em aço e paredes em marrom quebrando a hegemonia do branco - e piso em pedra cinza.

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Casa Container | Brunete Fraccaroli Brunete Fraccaroli criou vários ambientes construídos a partir de contêineres náuticos, reutilizados em tons de azul e turquesa. Os objetos formaram um caminho para que os visitantes circulassem interna e externamente pelos 300m² da Casa Container e experimentassem diversas sensações. A iluminação foi realizada com fibra óptica, material sinônimo de tecnologia e sustentabilidade, por proporcionar baixo consumo de energia elétrica.

Loft Rosita Missoni | Léo Shehtman

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Biblioteca do Ator | Patrícia Novoa Com um espaço de 32m², a arquiteta Patrícia Novoa projetou o ambiente para o ator e apresentador Felipe Folgosi, um aficcionado por viagens. A ideia da Biblioteca do Ator era inovar ao propor que a leitura de livros seja realizada de uma nova maneira, por meio de tablets. O ambiente chamou atenção para as duas telas, posicionadas na vertical, por onde passavam textos, jornais e livros. Outra característica deste móvel, desenhado com exclusividade, é a multifuncionalidade. Ele é painel / monitor, mesa, banco e uma peça escultural ao mesmo tempo. Também fica clara a preocupação com a sustentabilidade e reaproveitamento, pois toda madeira utilizada tem certificado e as poltronas são de tecido reciclável. O projeto luminotécnico foi estudado para dar a variação de luminosidade necessária de acordo com a atividade exercida.

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Cozinha Contemporânea | Fabiana Sá O projeto de Fabiana Sá visou criar um verdadeiro connoisseur da alta gastronomia. Moderna, sóbria e com equipamentos de extrema precisão culinária, a Cozinha Contemporânea é a síntese criada entre os elementos estéticos, os utilitários e os armários, sem deixar de lado a praticidade exigida nos dias atuais. Fabiana contemplou em seu ambiente o lado friendly dos espaços e seus moradores e, para tanto, não deixou de fora a alegria das cores e o contraste entre o preto absoluto e a intensidade do vermelho, a dureza das pedras naturais e a vida da horta indoor.

Loft do Homem Moderno | Kiko Sobrino O arquiteto Kiko Sobrino idealizou uma suíte para que o público se imaginasse dentro do cenário de uma galeria de arte, criando um diálogo entre esses dois mundos. Um dos grandes diferenciais do espaço foi a iluminação cenográfica e não arquitetônica. Além disso, mostrou, por meio de pequenas soluções, que a tecnologia é um conceito evolutivo que faz parte do ser humano. Ela esteve presente de forma a não ser notada como diferencial, integrada ao espaço com o objetivo de agregar valor. aracaju

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Pedro Ariel Santana Diretor de Redação da revista Casa Claudia sibilidade do arquiteto ou designer de interiores para interpretar a personalidade do cliente e a dinâmica da família. A decoração mais fria, com “cara de loja”, já não tem mais vez. Lembranças de viagem, peças herdadas de família e coleções - inclusive de artes - estão em alta. Enfim, coisas que refletem os desejos e a história do proprietário. Também vivemos um momento de volta ao passado, com a valorização de móveis e objetos vintage. A alta tecnologia no mobiliário cede espaço para peças mais simples e meigas, que remetem às casas dos anos 1950 e 60. Em Milão, este ano, a cor mais forte era o azul-clarinho, que indica uma busca de suavidade, de feminilidade e de volta ao aconchego da casa da mãe.

Home Life - Pedro, como o mercado de decoração está se comportando com esse aquecimento rápido dos negócios imobiliários? Pedro Ariel - Vivemos numa fase de expectativa, pois temos um grande número de novos empreendimentos imobiliários ainda em construção. Estamos ansiosos para começar a decorar esses imóveis. Entretanto, as revistas de decoração, inclusive a Casa Claudia, já estão começando a vender

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mais e mais, pois quem comprou um apartamento na planta já está planejando e sonhando com a casa nova. Em breve, tenho certeza, as lojas também vão começar a bombar! HL - Quais as principais tendências na decoração, hoje? PA - A palavra de ordem é personalizar a decoração. Ou seja, deixar a casa cada vez mais com a cara do morador. Ai entra a sen-

HL - Atualmente, o que é referência de tendência no Brasil? PA - O Brasil vive um grande momento nas artes plásticas. Artistas contemporâneos, como Beatriz Milhazes, Vick Muniz e Ernesto Neto, estão fazendo enorme sucesso lá fora e influenciando o mercado de arte e até de decoração. Fotógrafos-artistas, como Claudia Jaguaribe, Caio Reisenwitz, Christian Cravo e Rochelle Costi, também estão em alta. Aliás, a fotografia entrou de vez na casa das pessoas, decorando as paredes e também nos livros de arte sobre a mesa de centro.

HL - A Casa Claudia é a maior revista de decoração do país. Como é direcionar o leitor para essa evolução, ou melhor, essa democratização da decoração no Brasil? PA - Há 34 anos, Casa Claudia tem como missão ajudar o leitor a morar melhor e estimular uma relação agradável com a casa, que no fundo é o nosso refúgio, nosso porto seguro. Isso não mudou com o tempo. Por outro lado, temos que estar sempre nos renovando, pois o mundo da decoração tem evoluído rapidamente e buscamos estar sempre antenados com essas mudanças. Entretanto, o sentimento da importância de uma relação prazerosa com a casa não mudou. E o maior prazer é decorar, deixar a casa mais bonita e agradável para si e também para receber bem as vi-

“A palavra de ordem é personalizar a decoração. Ou seja, deixar a casa cada vez mais com a cara do morador. Ai entra a sensibilidade do arquiteto ou designer de interiores para interpretar a personalidade do cliente e a dinâmica da família” sitas. Outro grande prazer é saber o que está acontecendo nos grandes centros lançadores de tendência: quem são os grandes arquitetos e designers? O que eles estão criando? O que eles têm a nos dizer? Enfim, além de vivenciar com prazer a casa, queremos mostrar ao leitor o quanto o mundo da arquitetura e

do designer é fascinante. HL - Quem é Pedro Ariel? PA - Eu nasci no interior da Bahia, em Antas, bem pertinho de Sergipe, mas sempre sonhei em viver em uma grande cidade, como São Paulo ou Rio de Janeiro. O desejo de conhecer o mundo, de obter mais e mais cultura é o que me move até hoje. Desde pequeno, mostrava uma sensibilidade especial para as artes e para o belo, o que me levou a estudar arquitetura, em Salvador. Porém, sentia uma grande inclinação para o lado teórico da arquitetura e um desejo de contar pra todo o mundo quanta coisa bacana tem no universo das artes, da arquitetura e do design. Tornar-me um jornalista especializado nessa área foi, então, uma consequencia natural.

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São Paulo

Um roteiro de cultura e design

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Texto e fotos: Wilton Fonseca

m São Paulo, a inspiração para os projetos vem de um leve e suave passeio pelo centro de cidade. Na manhã de um domingo bucólico, por exemplo, você tem a oportunidade de descobrir as formas históricas da capital paulista. Para começar o dia lavando a alma, nada melhor do que uma visita à igreja do Pátio do Colégio, onde uma orquestra lhe recebe ao som de música clássica. Isso sim é um luxo! Ainda pelas redondezas, o almoço tem que ser no Terraço Itália. Lá, a comida é maravilhosa (o risoto de frutos do mar é de babar) e

a vista não tem preço. Falando em vista, não existe lugar mais indicado para apreciar a cidade, do alto, do que o clássico edifício Chopin. Depois do almoço, um café na Pinacoteca, ao som dos pássaros e sentindo a leve brisa de outono, sempre cai bem. Passear pela Estação da Luz, sem muita movimentação de pessoas, também pode ser surpreendente. Já no auditório do Museu da Língua Portuguesa, mais especificamente às 14h, não tem como não relaxar com a voz da atriz Fernanda Montenegro ao fundo, expli-

cando o significado da nossa língua. Para finalizar esse passeio pelo centro de São Paulo, é indispensável uma visita ao recém-restaurado Teatro Municipal, uma verdadeira joia da arquitetura. Quando o assunto é decoração, o destino na capital paulista chama-se Alameda Gabriel Monteiro da Silva. A cada loja,

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uma nova descoberta. Mas, o que realmente chama a atenção é a preocupação de todas as empresas com o meio ambiente. Ainda passeando pelas calçadas da Gabriel, você percebe também a miscelânea de materiais e novos conceitos na área da decoração. As vitrines são um espetáculo à parte, que nos deslumbram com tantos efeitos inimagináveis. A Conceito Firma Casa, por exemplo, faz nossos olhos brilharem para todos os cantos da loja. Simplesmente fantástico! Falando em São Paulo, não se pode esquecer do momento compras. Para isso, o meu lugar preferido é o shopping Cidade Jardim. Em

seu terraço, o pôr do Sol é maravilhoso. Já em seus suntuosos corredores, grifes como Giorgio Armani, Louis Vuitton, Hermès, Carolina Herrera e Chanel fazem a alegria dos consumidores mais requintados. Não menos glamuroso é o café da Livraria da Villa, também localizada no shopping. O local é lindo de morrer! Aproveite a visita e dê uma olhada nos livros. Tem para todos os gostos... Para jantar e finalizar o seu dia com estilo, isso se você não for cair na balada, existem opções de restaurantes para todas as tribos. Tem bistrô no bairro Jardins aberto 24 horas, tem o restaurante do requintado Hotel Fasano, com sua

atmosfera sofisticada e comida bem elaborada, tem o D.O.M de Alex Atala, um dos chefes mais bem conceituados do mundo, o Skye Bar e Restaurante do hotel Unique, com a sua famosa piscina vermelha, e tem o restaurante do hotel Hilton, uma opção para os mais abastados. Enfim, São Paulo, dentre outras coisas, é a capital brasileira da gastronomia. Além dessas dicas, confira o roteiro que eu elaborei para meus alunos do curso de Design de Interiores, da Universidade Tiradentes, com o objetivo de mostrar um novo conceito e formar profissionais mais bem preparados para um mercado cada dia mais exigente.

Oscar Freire A Oscar Freire é considerada a oitava rua mais luxuosa do mundo. Por lá, amantes da moda, da gastronomia e da arte se misturam. Além de ser o maior centro de consumo de luxo da capital paulista, a badalada rua também é uma

vitrine para os arquitetos. Um belo exemplo é o projeto da loja Havaianas, assinado pelo renomado Isay Weinfel. Com a originalidade do seu trabalho, ele consegue expressar, como ninguém, a diversidade do brasileiro.

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Ainda na Oscar Freire, em se tratando de acessórios e objetos para casa, o Espaço Santa Helena é o lugar ideal. Lá, você encontra produtos de alto nível, assinados pelas maiores grifes do mundo. Até um simples utensílio doméstico é exposto com conceito de classe e sofisticação.

Na ousada Galeria Melissa, um simples papel de recado se transforma em uma grande obra de arte. Coisas de uma rua antenada.

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Já na Galeria Romero Britto, você pode viajar nas cores, na excentricidade e no modernismo das curvas e traços do artista. No local, a arte torna-se um mero coadjuvante diante da história do seu criador.

Artefacto e sua 20ª Mostra de decoração

Logo na vitrine do local, uma surpresa: as cores blasé e o ambiente inspirado em Paris, assinado pela dupla de arquitetos Edgar Moura Brasil e Jorge Delmas; a clássica sobriedade de Clélia Regina Ângela; e a excentricidade de Rubens Leme. Nessa mostra, que viaja no universo das formas, texturas e cores, as fotos ocupam o papel principal.

Toninho Noronha se inspirou em um cubo geométrico que, na sua idealização, pode ser visto de qualquer ângulo.

Cris Hamoui, por sua vez, criou um apartamento onde o branco e o preto se entrelaçam de forma harmoniosa e sofisticada O contraste de materiais entre a madeira e o mármore fez do ambiente de Maithiá Guedes a cara da sofisticação e do aconchego, já que sua idéia era a de um family room.

Já Débora Aguiar resumiu o seu ambiente assim: “Um refúgio - casa, como escape da vida moderna, onde é possível criar e desfrutar do seu próprio mundo, com seus objetos e recordações históricas”.

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Museus e seus contrastes

O Museu de Arte Moderna (MAM) dispensa apresentação. Com suas janelas para o Parque do Ibirapuera, o local divide atenções com o lindo paisagismo de Burle Max. Na suas instalações, a morada ecológica apresenta projetos de vários arquitetos do mundo, mostrando como cada um deles lida com a questão da sustentabilidade. Muito bom, recomendo.

Bateu uma fome? No Museu da Casa Brasileira, o visitante faz uma viagem no tempo para conhecer as histórias de móveis tão presentes em nossos lares. É bastante curioso saber o porquê de cada objeto. São diferentes linguagens sob diversas influências, que vão desde a religião ao poder de seus proprietários.

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O D’olivino oferece um cardápio leve e natural, mas com um toque de contemporaneidade. Já para quem gosta de algo temático, a Lanchonete da Cidade é incrível. O hambúrguer de salmão com ervas, acompanhado por uma batata rústica, por exemplo, é uma ótima opção. Se você prefere comida com história, o lugar certo é o Dalva e Dito. Para esse restaurante, o arquiteto Marcelo Rosenbaum fez um projeto de cair o queixo. Sim, a culinária do lugar eu também recomendo muito! O porco na lata é uma das coisas mais gostosas que eu já comi... Mas, se a sua ideia é badalar, a dica é o Figueira Rubaiyat: lugar lindo, comida ótima e muita gente bonita.

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