Issuu on Google+

ISSN 2176-9451

Volume Volume 17, Number 17, Number 5, September 4, July/ /October August 2012

Edição Especial Dental Press International

v. 17, no. 5

Dental Press J Orthod. 2012 September/October;17(5):1-204

September/October 2012

ISSN 2176-9451

Indexação:

desde 1999

BBO

desde 1998

desde 2011

desde 2008

desde 1998

desde 1998

desde 2005

desde 2002

desde 2008

desde 2008

desde 2009

Dental Press Journal of Orthodontics v. 1, n. 1 (set./out. 1996) - . -- Maringá : Dental Press International, 1996 Bimestral ISSN 2176-9451 1. Ortodontia - Periódico. I. Dental Press International. CDD 617.643005

EDITOR-CHEFE

UFRJ - RJ - Brasil

Eduardo Franzotti Sant'Anna

David Normando

UFPA - PA - Brasil

UFRGS - RS - Brasil

Eduardo Silveira Ferreira

Hiroshima University - Japão

Emanuel Braga Rego EDITORA ASSOCIADA

Faculdade de Itauna - MG - Brasil

Enio Tonani Mazzieiro

Telma Martins de Araújo

UFBA - BA - Brasil

Univ. de Saint Louis - EUA

Eustáquio Araújo

Ajman University - Emirados Árabes Unidos

Eyas Abuhijleh EDITORES ADJUNTOS (revisão língua inglesa)

Fabrício Pinelli Valarelli

UNINGÁ - PR - Brasil

Flavia Artese

UERJ - RJ - Brasil

Fernando César Torres

UNICID - SP - Brasil

Ildeu Andrade

PUC - MG - Brasil

Giovana Rembowski Casaccia

ABO - RS - Brasil UERJ - RJ - Brasil

Gisele Moraes Abrahão EDITORES ADJUNTOS (artigos online) Daniela Gamba Garib Fernanda Angelieri

USP - SP - Brasil

Matheus Melo Pithon

UFF - RJ - Brasil

Glaucio Serra Guimarães HRAC/FOB/USP - SP - Brasil UESB - BA - Brasil

FOB/USP - SP - Brasil

Guilherme Janson Guilherme Pessôa Cerveira

ULBRA-Torres - RS - Brasil UFRGS - RS - Brasil

Gustavo Hauber Gameiro

Karolinska Institute - Suécia

Hans Ulrik Paulsen PUBLISHER Laurindo Z. Furquim

UEM - PR - Brasil

CONSELHO EDITORIAL CIENTÍFICO Adilson Luiz Ramos

UEM - PR - Brasil

Danilo Furquim Siqueira Jorge Faber Maria F. Martins-Ortiz

Helio Scavone Júnior

UNICID - SP - Brasil

Henri Menezes Kobayashi

UNICID - SP - Brasil

Hiroshi Maruo

ABO - PR - Brasil

Hugo Cesar P. M. Caracas

UNB - DF - Brasil

James Vaden

UnB - DF - Brasil

Jesús Fernández Sánchez

ACOPEM - SP - Brasil

Universidade de Michigan - EUA

James A. McNamara

USC - SP - Brasil

Universidade do Tennessee - EUA Univ. de Madrid - Madrid - Espanha UERJ - RJ - Brasil

Jonas Capelli Junior Jorge Luis Castillo

Universidad Peruana Cayetano Heredia - Lima/Peru

José Antônio Bósio

Univ. de Marquette - Milwaukee - EUA

CONSULTORES EDITORIAIS

José Augusto Mendes Miguel

Ortodontia

José Fernando Castanha Henriques Universidade de Hong Kong - China

A-Bakr M Rabie

Clín. partic. - DF - Brasil

Adriana Oliveira Azevedo Adriana C. da Silveira

Univ. de Illinois - Chicago - EUA

Adriana de Alcântara Cury-Saramago Adriano de Castro Airton Arruda Aldrieli Regina Ambrósio

UFF - RJ - Brasil UCB - DF - Brasil

José Nelson Mucha

UFF - RJ - Brasil

José Valladares Neto

UFG - GO - Brasil

Júlia Harfin Júlio de Araújo Gurgel

SOEPAR - PR - Brasil

Julio Pedra e Cal Neto

UFF - RJ - Brasil

Ana Carla R. Nahás Scocate

UNICID - SP - Brasil

Larry White

UFRJ - RJ - Brasil

Leandro Silva Marques

Andre Wilson Machado

UFBA - BA - Brasil

Leniana Santos Neves

Anne Luise Scabell de Almeida

UERJ - RJ - Brasil

Leopoldino Capelozza Filho

Universidade de Washington - EUA

Antônio C. O. Ruellas

UFRJ - RJ - Brasil

Armando Yukio Saga

ABO - PR - Brasil

Arno Locks Ary dos Santos-Pinto

UFSC - SC - Brasil FOAR/UNESP - SP - Brasil

Liliana Ávila Maltagliati Lívia Barbosa Loriato Lucia Cevidanes Luciana Abrão Malta Luciana Baptista Pereira Abi-Ramia

Björn U. Zachrisson

Univ. de Oslo - Noruega

Luciana Rougemont Squeff

Bruno D'Aurea Furquim

Clín. partic. - PR - Brasil

Luciane M. de Menezes Luís Antônio de Arruda Aidar

Camila Alessandra Pazzini

UFMG - MG - Brasil

Camilo Aquino Melgaço

UFMG - MG - Brasil

Carla D'Agostini Derech

UFSC - SC - Brasil

Carla Karina S. Carvalho

ABO - DF - Brasil

Luiz Sérgio Carreiro

Carlos A. Estevanel Tavares

ABO - RS - Brasil

Marcelo Bichat P. de Arruda

Carlos Flores-Mir Carlos Martins Coelho Cauby Maia Chaves Junior Célia Regina Maio Pinzan Vercelino Clarice Nishio Cristiane Canavarro David Sarver Eduardo C. Almada Santos

Universidade de Alberta - Canadá

Luiz Filiphe Canuto Luiz G. Gandini Jr.

Marcelo Reis Fraga

UFMA - MA - Brasil

Márcio Rodrigues de Almeida

UFC - CE - Brasil

Marco Antônio de O. Almeida

UNICEUMA - MA - Brasil Univ. de Montreal - Canadá UERJ - RJ - Brasil Universidade da Carolina do Norte - EUA FOA/UNESP - SP - Brasil

Clín. partic. - SP - Brasil

Univ. de Maimonides - Buenos Aires - Argentina

Karina Maria S. de Freitas

Ana Maria Bolognese

Anne-Marie Bolen

UFRJ - PR - Brasil

José Vinicius B. Maciel Julia Cristina de Andrade Vitral

Universidade de Michigan - EUA

Alexandre Trindade Motta

UERJ - RJ - Brasil FOB/USP - SP - Brasil

Marco Rosa Marcos Alan V. Bittencourt

UNICEUMA - MA - Brasil UFF - RJ - Brasil UNINGÁ - PR - Brasil AAO - Dallas - EUA UNINCOR - MG - Brasil UFVJM - MG - Brasil USC - SP - Brasil APCD - SP - Brasil Clínica Particular - MG - Brasil Universidade de Michigan - EUA Clín. partic. - SP - Brasil UERJ - RJ - Brasil Univ. Salgado de Oliveira - RJ - Brasil PUC/RS - RS - Brasil UNISANTA - SP - Brasil UFPE - PE - Brasil FOAR/UNESP - SP - Brasil UEL - PR - Brasil UFMS - MS - Brasil UFJF - MG - Brasil UNIMEP - SP - Brasil UERJ - RJ - Brasil Universidade de Insubria - Itália UFBA - BA - Brasil

Marcos Augusto Lenza

UFG - GO - Brasil

Margareth Maria Gomes de Souza

UFRJ - RJ - Brasil

Maria Cristina Thomé Pacheco

UFES - ES - Brasil

Maria Carolina Bandeira Macena

FOP-UPE - PB - Brasil ULBRA - RS - Brasil

Maria Perpétua Mota Freitas Marília Teixeira Costa

FOB/USP - SP - Brasil

Marinho Del Santo Jr.

Clín. partic. - SP - Brasil

Maristela S. Inoue Arai

Univ. Médica e Odontológica de Tokyo - Japão UFRJ - RJ - Brasil

Mônica T. de Souza Araújo

Epidemiologia Isabela Almeida Pordeus

UFMG - MG - Brasil

Saul Martins Paiva

UFMG - MG - Brasil

Fonoaudiologia Esther M. G. Bianchini

UVA - RJ - Brasil

PUC/PR - PR - Brasil

Orlando M. Tanaka

UFF - RJ - Brasil

Oswaldo V. Vilella Patrícia Medeiros Berto

Clín. partic. - DF - Brasil

Patricia Valeria Milanezi Alves

Clín. partic. - RS - Brasil UNOPAR - PR - Brasil

Paula Vanessa P. Oltramari-Navarro

UFPE - PE - Brasil

Pedro Paulo Gondim Renata C. F. R. de Castro

USC - SP - Brasil

Renata Rodrigues de Almeida-Pedrin

USC - SP - Brasil FOAR-UNESP - SP - Brasil

Renato Parsekian Martins

Implantologia Carlos E. Francischone

FOB/USP - SP - Brasil

Ortopedia Dentofacial Dayse Urias Kurt Faltin Jr.

Clín. partic. - PR - Brasil UNIP - SP - Brasil

Periodontia UEM - PR - Brasil

Ricardo Machado Cruz

UNIP - DF - Brasil

Maurício G. Araújo

Ricardo Moresca

UFPR - PR - Brasil

Mário Taba Jr.

UFJF - MG - Brasil

Robert W. Farinazzo Vitral

Clín. partic. - PR - Brasil

Roberto Hideo Shimizu

Univ. Tecn. do México - México

Roberto Justus

UFRJ - RJ - Brasil

Rodrigo César Santiago

FORP/USP - SP - Brasil

Prótese Marco Antonio Bottino

UNESP/SJC - SP - Brasil

Sidney Kina

Clín. partic. - PR - Brasil

UNINGÁ - PR - Brasil

Rodrigo Hermont Cançado

UFCG - PB - Brasil

Rogério Lacerda dos Santos

Clín. partic. - SP - Brasil

Rolf M. Faltin Sávio R. Lemos Prado

UFPA - PA - Brasil

Sylvia Frazier-Bowers

Universidade da Carolina do Norte - EUA

Tarcila Triviño Vladimir Leon Salazar Weber José da Silva Ursi Wellington Pacheco Won Moon

UMESP - SP - Brasil Universidade de Minnesota - EUA FOSJC/UNESP - SP - Brasil

Radiologia Rejane Faria Ribeiro-Rotta

UFG - GO - Brasil

COLABORADORES CIENTÍFICOS Adriana C. P. Sant’Ana

FOB/USP - SP - Brasil

Ana Carla J. Pereira

UNICOR - MG - Brasil

Luiz Roberto Capella

CRO - SP - Brasil

PUC/MG - MG - Brasil UCLA - EUA

Biologia e Patologia Bucal Alberto Consolaro Christie Ramos Andrade Leite-Panissi Edvaldo Antonio R. Rosa Victor Elias Arana-Chavez

FOB/USP - SP - Brasil FORP/USP - Brasil PUC/PR - PR - Brasil USP - SP - Brasil

O Dental Press Journal of Orthodontics (ISSN 2176-9451) é continuação da Revista Dental Press de Ortodontia e Ortopedia Facial (ISSN 1415-5419).

Bioquímica e Cariologia Marília Afonso Rabelo Buzalaf Soraya Coelho Leal

FOB/USP - SP - Brasil UnB - DF - Brasil

CEP 87.015-180 - Maringá / PR - Fone/Fax: (0xx44) 3031-9818 - www.dentalpress.

Cirurgia Ortognática Eduardo Sant’Ana Laudimar Alves de Oliveira Liogi Iwaki Filho

com.br - artigos@dentalpress.com.br. FOB/USP - SP - Brasil UNIP - DF - Brasil UEM - PR - Brasil

Rogério Zambonato

Clín. partic. - DF - Brasil

Waldemar Daudt Polido

Clín. partic. - RS - Brasil

Dentística Maria Fidela L. Navarro

FOB/USP - SP - Brasil

Disfunção da ATM José Luiz Villaça Avoglio Paulo César Conti

O Dental Press Journal of Orthodontics (ISSN 2176-9451) é uma publicação bimestral da Dental Press International. Av. Euclides da Cunha, 1.718 - Zona 5 -

CTA - SP - Brasil FOB/USP - SP - Brasil

Diretora: Teresa Rodrigues D'Aurea Furquim - Diretor Editorial: Bruno D’Aurea Furquim - DIRETOR DE MARKETING: Fernando Marson - ANALISTA DA INFORMAÇÃO: Carlos Alexandre Venancio - Produtor editorial: Júnior Bianco - Produção Gráfica e Eletrônica: Bruno Boeing de Souza - Diego Ricardo Pinaffo - Gildásio Oliveira Reis Júnior - Michelly Andressa Palma - Tatiane Comochena - submissão de artigos: Simone Lima Lopes Rafael - Márcia Ferreira Dias - Revisão/COPydesk: Adna Miranda - Ronis Furquim Siqueira - Wesley Nazeazeno - JORNALISMO: Beatriz Lemes Ribeiro - BANCO DE DADOS: Cléber Augusto Rafael - Internet: Adriana Azevedo Vasconcelos - Fernanda de Castro e Silva - Fernando Truculo Evangelista - CURSOS E EVENTOS: Ana Claudia da Silva - Rachel Furquim Scattolin - COMERCIAL: Roseneide Martins Garcia - BIBLIOTECA/ NORMALIZAÇÃO: Simone Lima Lopes Rafael - EXPEDIÇÃO: Diego Matheus Moraes dos Santos - FINANCEIRO: Cléber Augusto Rafael - Lucyane Plonkóski Nogueira - Roseli Martins - Secretaria: Rosana G. Silva.

A OrtOdOntiA dO futurO já à suA dispOsiçãO

Visite nOssO stAnd concorra a um Ipad 3

compass3d.com.br

08 | 09 | 10 | NOV | 2012 | EXPONOR | MATOSINHOS | PORTUGAL

CONFERENCISTAS CONVIDADOS PIERPAOLO CORTELLINI IT

PERIODONTOLOGIA | BIOMATERIAS

RICARDO MITRANI MEX

REABILITAÇÃO ORAL

PAOLO CASSENTINI IT

REABILITAÇÃO ORAL

DENNIS TARNOW USA

IMPLANTOLOGIA

MICHAEL NORTON UK

IMPLANTOLOGIA

SERGIO KUTLER USA

ENDODONTIA

MARGA REE NED

ENDODONTIA

FRANK SHWARTZ GER

REGENERAÇÃO ÓSSEA

RONALD JUNG CH

PRÓTESE FIXA E IMPLANTES

JACQUES NOR BR

ODONTOPEDIATRIA

ANDRÉ RITTER BR PABLO ECHARRI MEX UGO COVANI URU

DENTISTERIA ESTÉTICA ORTODONTIA CIRURGIA ORAL

www.omd.pt ORGANIZAÇÃO

PLATINUM SPONSOR

GOLD SPONSOR

SPONSORS

journal_

journal_v17n5.indd 1

14/09/12 12

Preve11tiva

dl10S Programa~ao:

27/10/2012 (Sabado} 08:15 - Abertura do Encontro + Surpresa dos 30 Anos + Homenagem do Curso de Ortodontia Preventiva e lnterceptiva 11:00- Dr. David Normando -A Estetica Facial na Perspectiva do Ortodontista e do Paciente 12:00- Brunch 14:00 - Dr. lose Valladares Neto - Apneia Obstrutiva do So no: Realidade, Sonho ou Pesadelo? 15:00- Dr. Tulio Lara - Resolu~ao Conservadora do Apinhamento na Dentadura Mista 15:20- Dr. Carlos Alberto Aiello - Reabsor~ao Radicular na Movimenta~ao Dentaria lnduzida 15:40- Dr. Flavio Ferrari - Aplica~ao do Protocolo Ngan na Tra~ao Reversa da Maxila 16:00 -lntervalo 17:00 - Ora. Vanessa Silva Grossi - Altera~oes Dimensionais da Maxila em Pacientes Tratados com Aparelho Tipo Haas Convencional e Expansor Borboleta 17:20 - Ora. Rita Lauris - 0 Aparelho Expansor Ortopedico Diferencial: Uma Op~ao na Corre~ao Transversal 17:40 - Ora. Daniela Garib - lrrup~ao Ect6pica dos Primeiros Molares Permanentes: Uma Heran~a Genetica 20:30 - lantar Dan~ante LocaL Salao Nobre da FOB- USP Al. Octavia Pinheiro Brisola, 9-7 5 - Bauru - SP

lnFoRma~iies

e lnscRI~iies: Website: www.ortopreventivabauru.blogspot.com.br E-mai l: encontropreventiva@gmai l.com

* MAGGNA APRESENTA<;:OES CRIATIVAS

l)f .

Of<'-

43

0

SILEIRO A R B

Encontro do Grupo Brasileiro de Professores de Ortodontia e Odontopediatria 11 a 14 de novembro de 2012 Orotour Garden Hotel Campos do Jordão, São Paulo O Grupo Brasileiro de Professores de Ortodontia e Odontopediatria é uma entidade cujo objetivo principal é congregar os professores de Ortodontia e Odontopediatria, trabalhando pela sistematização, aprimoramento do ensino e da pesquisa, e desenvolvimento das especialidades. Ao longo de 43 anos de história, o GRUPO tem acompanhado a evolução da Odontologia brasileira. Em 2012, no período de 11 a 14 de novembro, o Orotour Garden Hotel, em Campos do Jordão/SP, sediará o 43º Encontro do Grupo Brasileiro de Professores de Ortodontia e Odontopediatria, onde importantes questões relacionadas ao ensino e à pesquisa dessas especialidades serão debatidas.

ULO FACUL PA

DE DE SÃ IDA O RS

www.grupo.odo.br

Organização:

UNI VE

Informações:

A OGI OL

DE ODON DE T DA

09a12 da outubro 10 Centro de CIDWD\=111 delatai/RI

Hugo De Clerck - Belgica

Dr. Roberto Justus - Mexico

Promoc;ao:

ASSOCIAI;AO BRASILEIRA DE ORTODONTIA E ORTOPEDIA FACIAL

Dr!! Lucia H. S. Cervidanes- EUA

Dr. Eustaquio Araujo - EUA

Real izac;ao:

ABOR/RN

ASSOC I AQAO BRASILEIRA DE ORTODONTIA E ORTOPEDIA FACIAL

Se"ao - RN

Sumário 1

Editorial

2

Orthodontics Highlights

Matheus Melo Pithon

4

Insight Ortodôntico

Estética em Ortodontia: Pontos de Interesse, Pontos de Referência e Pontos de Discrepância

Carlos Alexandre Câmara

8

Entrevista / Paulo José d’Albuquerque Medeiros

Artigos Inéditos

24

Estudo da agradabilidade da face utilizando a análise facial frontal em fotografias padronizadas

Imara de Almeida Castro Morosini, Ana Paula Lazzari Marques Peron, Keila Rodrigues Correia, Ricardo Moresca

35

Padrão facial em pacientes com fissura pós-forame incisivo

Leopoldino Capelozza Filho, Rodrigo Silva Caldas, Rita de Cássia Moura Carvalho Lauris, Arlete de Oliveira Cavassan

43

Tratamento conservador de má oclusão Classe I, com 12mm de sobressaliência, sobremordida acentuada e apinhamento inferior severo

Marcos Alan Vieira Bittencourt, Arthur Costa Rodrigues Farias, Marcelo de Castellucci e Barbosa

53

Tratamento ortodôntico em adultos: restaurando a estética do sorriso

Leopoldino Capelozza Filho, Maria Fernanda Barros Aranha, Terumi Okada Ozawa, Arlete de Oliveira Cavassan

64

Impacto dos braquetes na estética do sorriso: percepção por leigos e ortodontistas

Seandra Cordeiro de Oliveira, Rachel D’Aurea Furquim, Adilson Luiz Ramos

71

Análise fotométrica aplicada na determinação do tipo facial

Luciana Flaquer Martins, Julio Wilson Vigorito

76 Alteração in vivo da coloração de ligaduras ortodônticas estéticas

Andréia Viana Martins da Silva, Giselle Vasconcelos de Mattos, Carlos Mario Kato, David Normando

81

Habilidade de ortodontistas e leigos na percepção da redução gradual da exposição dentogengival durante o sorriso

Elaine Cristina da Silva Barros, Marielly Damiana Oliveira de Carvalho, Karina Corrêa Flexa Ribeiro Mello, Patrícia Botelho, David Normando

87

Análise da proporção largura/altura e zênite gengival em pacientes com agenesia bilateral do incisivo lateral superior

Núbia Inocencya Pavesi Pini, Luciana Manzotti De-Marchi, Bruno Frazão Gribel, Adilson Luiz Ramos, Laurindo Zanco Furquim, Renata Corrêa Pascotto

94

Avaliação das alterações no sorriso após a expansão rápida da maxila

Ana Paula Morales Cobra de Carvalho, Fernanda Cavicchioli Goldenberg, Fernanda Angelieri, Danilo Furquim Siqueira, Silvana Bommarito, Marco Antonio Scanavini, Lylian Kazumi Kanashiro

102

Percepção estética e valorização econômica dos aparelhos ortodônticos por adultos brasileiros leigos

Daniela Feu, Fernanda Catharino, Candice Belchior Duplat, Jonas Capelli Junior

115

Influência de diferentes proporções de largura/altura dos dentes anterossuperiores na atratividade de sorrisos gengivais

Ana Carolina Guimarães Borges, Mayra Reis Seixas, Andre Wilson Machado

123

Influência da pigmentação in vitro de ligaduras ortodônticas estéticas na atratividade do sorriso

Camila Ferraz, Marcelo Castellucci, Márcio Sobral

131

Avaliação das alterações do perfil facial em pacientes tratados com extração de pré-molares superiores

Renata Rodrigues de Almeida-Pedrin, Luciane Brigueli Marrone Guimarães, Marcio Rodrigues de Almeida, Renato Rodrigues de Almeida, Fernando Pedrin Carvalho Ferreira

138

Largura dos corredores bucal e posterior: diferença entre casos tratados com extrações assimétricas e simétricas

Nuria Cabral Castello Branco, Guilherme Janson, Marcos Roberto de Freitas, Juliana Morais

145

Influência da dimensão do corredor bucal na estética do sorriso

Diana Cunha Nascimento, Êmeli Rodrigues dos Santos, Andre Wilson Lima Machado, Marcos Alan Vieira Bittencourt

151

Captura, análise e medição de imagens da dinâmica da fala e do sorriso

Vera Lúcia Cosendey, Stephanie Drummond, Jonas Capelli Junior

157

Avaliação das mudanças imediatas do tecido mole após expansão rápida da maxila

Ki Beom Kim, Daniel Adams, Eustaquio A. Araújo, Rolf G. Behrents

165

Tratamento da Classe II com biprotrusão alveolar por meio de extrações dentárias atípicas e ancoragem com mini-implantes

Jong-Moon Chae

178

Caso Clínico BBO

Má oclusão de Classe III com discrepância anteroposterior acentuada

Susana Maria Deon Rizzatto

190

Tópico Especial

Estética gengival: uma abordagem ortodôntica e periodontal

Máyra Reis Seixas, Roberto Amarante Costa-Pinto, Telma Martins de Araújo

202

Normas para publicação

A Estética e a Percepção Humana “Belo é aquilo que agrada de maneira desinteressada, sem ser originado por ou remissível a um conceito.” Humberto Eco

a induzir o paciente a um tratamento de necessidades que jamais ele havia sentido, tanto para a estética do sorriso quanto para a face. Explicar todas as possibilidades do tratamento, inclusive melhoras estéticas plausíveis, é uma das nossas obrigações, mas essa abordagem deve ser feita usando o bom-senso e sem imposições, pois entender que os pacientes pensam de forma diversificada, individual e subjetiva deve ser premissa de um relacionamento cordial, honesto e ético. Caso contrário, paira a sensação de que estaríamos sendo, simplesmente, ditadores de uma necessidade estética, em vez de expectadores e entendedores das necessidades dos nossos pacientes. A flutuação ou variabilidade da percepção estética está relacionada à formação educacional, cultural e socioeconômica, além da formatação emocional de cada indivíduo. Não é tarefa fácil compreendê-la. Na Ortodontia, não é suficiente apenas perceber o que interfere no sorriso, é necessário diagnosticar o que se encontra fora da normalidade, para que se possa estabelecer um plano de tratamento. Assim como nos problemas funcionais seguimos condutas que nos levam ao diagnóstico das anomalias, os problemas estéticos também necessitam de parâmetros para que encontremos os defeitos1. Nesse âmbito, as investigações científicas sobre os critérios utilizados pelo ortodontista e pacientes para definir um sorriso ou uma face como esteticamente agradável poderiam edificar uma sólida escada para o entendimento das diferenças entre a percepção do profissional e a do paciente. Esse número do Dental Press Journal of Orthodontics, edificado com artigos que envolvem a estética na Ortodontia, tem a pretensão de ser um desses degraus. Subamos...

A estética, do grego aisthesis, significa percepção, sensação. É a reflexão filosófica sobre beleza. No campo da saúde, a construção dos sentidos e valores acerca da estética corpórea está cada vez mais presente, influenciando a construção da identidade do indivíduo e a percepção que esse tem de si mesmo e do que ele entende como saúde. Na Ortodontia, a busca dos pacientes pelo primor estético tem aumentado incessantemente nos últimos anos. Esse aumento tem levado ortodontistas a buscarem novos conhecimentos nas demais especialidades da Odontologia e em outras áreas da saúde. O crescente interesse é fortemente motivado pela propulsão do consumo pela imagem, gerado pelo grande apelo da mídia, onde modelos com sorrisos “perfeitos” e “brancos” são apresentados à população. Percebe-se, e com certa preocupação, que esse apelo parece induzir o ortodontista a pensar meramente como “leigo”, fazendo-nos esquecer que somos, em princípio, profissionais da área da saúde. Os sentidos utilizados socialmente para compreender os cuidados com o que é considerado saudável sofrem influência crescente de parâmetros estéticos que, aparentemente, estão fora do campo das ciências da saúde. É indiscutível que a reabilitação estética do paciente é um dos objetivos primários do tratamento ortodôntico; entretanto, ela não pode ser o único foco. Assim como não é possível compreender a concepção de saúde e os cuidados que ela impõe na sociedade urbana contemporânea sem dar importância à moda, à sedução, ao espetáculo e ao consumo. Entretanto, o apelo do “marketing” baseado na estética, em sua essência, tem levado muitos a pensar dessa forma e adotar decisões baseadas exclusivamente na ansiedade e pressão desse mercado, sem o devido respeito às expectativas do paciente. A fragmentação da nossa visão profissional, em razão do apelo da mídia e do mercado, incita-nos, muitas vezes,

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

David Normando — editor-chefe davidnormando@hotmail.com

Referências 1.

Câmara CA. Aesthetics in Orthodontics: six horizontal smile lines. Dental Press J Orthod. 2010 Jan-Feb;15(1):118-31.

1

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):1

 Orthodontics Highlights  Matheus Melo Pithon1

Parâmetros utilizados para indicar pacientes à cirurgia ortognática Durante décadas, a Ortodontia baseou-se em medidas estáticas lineares e angulares para definir o plano de tratamento ortodôntico. Nos dias atuais, tem-se dado muita atenção à análise da face. Seguindo essa tendência, foi publicado um interessante artigo1 cuja proposta foi verificar a necessidade de encaminhar ou não pacientes Classe II divisão 1 à cirurgia ortognática, com base na observação da face em norma lateral. As conclusões advindas desse trabalho foram que o posicionamento para posterior do pogônio mole, do ponto B e o ângulo do perfil facial diminuído são fatores decisivos para os ortodontistas indicarem esses paciente para a cirurgia ortognática. Esses resultados sugerem que, na presença de casos limítrofes, é sempre importante fotografar o paciente de perfil e mostrar-lhe essa fotografia para que ele mesmo avalie sua face e defina, junto com o ortodontista, a conveniência ou não do tratamento cirúrgico.

maiores níveis de coloração e infiltração, apresentando, inclusive, diferenças quando comparado com o mesmo ácido fosfórico por um período de 15 segundos. Esses achados agregam mais vantagens aos agentes autocondicionantes, que se destacam pela praticidade e possibilidade de colagem em ambiente úmido. Os pacientes são os maiores responsáveis pelo aparecimento de manchas brancas Apesar dos muitos avanços alcançados pela Ortodontia nos últimos anos, descalcificações e lesões de mancha branca ainda são problemas frequentes nos consultórios de Ortodontia. A crescente substituição da bandagem dos dentes pela colagem, associada ao uso de materiais de colagem que liberam flúor, certamente reduziu o aparecimento dessas lesões; no entanto, muito ainda deve ser feito. Pensando nessa problemática, pesquisadores das universidades da Jordânia e da Virgínia3 decidiram verificar — com perguntas feitas a pacientes e seus pais, ortodontistas e clínicos gerais — de quem seria a responsabilidade pelo aparecimento das manchas brancas, seus métodos de prevenção e quem deveria tratá-las. Todos os grupos avaliados foram unânimes em dizer que as lesões de mancha branca depreciam a aparência geral do paciente ortodôntico, e que o paciente é o maior responsável pelo aparecimento e prevenção dessas lesões. Esses resultados nos trazem alívio, mas não nos eximem da responsabilidade para com esses pacientes (Fig. 1).

Agentes autocondicionantes produzem menores alterações de cor no esmalte após descolagem Uma preocupação constante ao se colar acessórios ortodônticos é se essa colagem alterará ou não a cor do esmalte ao final do tratamento ortodôntico. Várias são as técnicas e os materiais utilizados para condicionar o esmalte dentário previamente à colagem dos acessórios ortodônticos. Em um estudo recente2, pesquisadores egípcios avaliaram se os diferentes métodos e materiais alterariam ou não a cor do esmalte após a descolagem, além de verificarem o grau de penetração dos materiais de colagem no esmalte. Os resultados encontrados mostram que os agentes autocondicionantes apresentaram menores níveis de penetração e coloração do esmalte após descolagem, por sua vez o condicionamento com ácido fosfórico a 37% por 60 segundos apresentou os

1

A

Figura 1 - Fotografias intrabucais pós-tratamento ortodôntico de dois pacientes: A) dentes sem lesões de manchas brancas, B) dentes com lesões de manchas brancas (Fonte: Maxfield et al.3, 2012).

Como citar essa seção: Pithon MM. Orthodontics highlights. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):2-3.

Professor de Ortodontia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Mestre e Doutor em Ortodontia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Diplomado pelo Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial.

Enviado em: 20 de agosto de 2012 - Revisado e aceito: 5 de setembro de 2012

Endereço para correspondência: Matheus Melo Pithon E-mail: matheuspithon@gmail.com

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

B

2

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):2-3

Pithon MM

Extração de incisivo inferior afeta a estética ao sorrir Uma das opções bastante difundidas na literatura para o tratamento de apinhamento anteroinferior é a extração de um incisivo inferior. Apesar de ser um procedimento muito praticado, uma pergunta persistia, sobre como seria a receptividade por parte do paciente a esse método de tratamento. No intuito de elucidar essa dúvida, pesquisadores brasileiros4 simularam, com o auxílio de fotografias modificadas em

Imagem 1

programa de manipulação de imagens, a extração de incisivos inferiores. Os resultados encontrados mostram que, quando outras opções estão disponíveis, a extração de incisivos inferiores deve ser sempre descartada, devido ao comprometimento estético gerado e percebido pelos grupos avaliados (Fig. 2). Extrações dentárias modificam o vermelhão do lábio Reconhecida mundialmente por seus atributos estéticos, Angelina Jolie destaca-se pelos seus traços faciais delicados e lábios salientes. Por se tratar de uma atriz de Hollywood, seus atributos estéticos instigam mulheres de todo mundo a copiá-la. Nesse contexto, a cada dia mais mulheres aparecem nos consultórios médicos em busca dos lábios de Angelina Jolie. Mas você pode se perguntar: o que a Ortodontia tem a ver com os lábios? Foi na tentativa de elucidar essa relação que autores japoneses desenvolveram um trabalho5 avaliando a influência do tratamento ortodôntico com extração, em casos de biprotrusão, no vermelhão dos lábios. Os resultados evidenciaram influência das extrações dentárias no vermelhão do lábios, podendo, com isso, favorecer melhorias na estética facial.

Imagem 2

A

E

B

D

C

C

D

B

Referências

1.

Hodge TM, Boyd PT, Munyombwe T, Littlewood SJ. Orthodontists’ perceptions of the need for orthognathic surgery in patients with Class II Division 1 malocclusion based on extraoral examinations. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2012 Jul;142(1):52-9.

2. E

Enamel colour changes after debonding using various bonding systems. J Orthod.

A

2012 Jun;39(2):82-8.

Figura 2 - Avaliação das imagens modificadas. Imagem 1: A) com os quatro incisivos; B) sem qualquer alteração na largura dos três incisivos restantes; C) com aumento dos três incisivos inferiores na mesma proporção; D) com aumento mesiodistal no incisivo central e nenhuma alteração nos incisivos laterais; E) com aumento mesiodistal dos incisivos laterais e sem qualquer alteração no central. Imagem 2: E) com aumento mesiodistal dos incisivos laterais e sem qualquer alteração no central; D) com aumento mesiodistal no incisivo central e nenhuma alteração nos incisivos laterais; C) com aumento dos três incisivos inferiores na mesma proporção; B) sem qualquer alteração na largura dos três incisivos restantes; A) com os quatro incisivos (Fonte: Pithon et al.4, 2012).

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

Zaher AR, Abdalla EM, Abdel Motie MA, Rehman NA, Kassem H, Athanasiou AE.

3.

Maxfield BJ, Hamdan AM, Tüfekçi E, Shroff B, Best AM, Lindauer SJ. Development of white spot lesions during orthodontic treatment: perceptions of patients, parents, orthodontists, and general dentists. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2012 Mar;141(3):337-44.

4.

Pithon MM, Santos AM, Couto FS, da Silva Coqueiro R, de Freitas LM, de Souza RA, dos Santos RL. Perception of the esthetic impact of mandibular incisor extraction treatment on laypersons, dental professionals, and dental students. Angle Orthod. 2012 Jul;82(4):732-8. Epub 2011 Dec 12.

5.

Trisnawaty N, Ioi H, Kitahara T, Suzuki A, Takahashi I. Effects of extraction of four premolars on vermilion height and lip area in patients with bimaxillary protrusion. Eur J Orthod. 2012 May 9. [Epub ahead of print].

3

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):2-3

insight ortodôntico

Estética em Ortodontia: Pontos de Interesse, Pontos de Referência e Pontos de Discrepância Carlos Alexandre Câmara1

É fundamental para os ortodontistas e todos os profissionais que estão envolvidos com a estética facial, bucal e dentária conhecer a forma como os indivíduos observam as estruturas dentofaciais. Sendo assim, será o objetivo desse artigo apresentar e descrever os pontos de Interesse, de Referência e de Discrepância. Com o conhecimento e percepção desses pontos, será mais fácil para os ortodontistas criar canais convergentes de comunicação com os seu pacientes. Palavras-chave: Estética. Beleza. Ortodontia.

demonstrado interesse, como o trágico, o sublime, o gracioso, o risível, o humorístico, etc., reservando-se o termo belo para aquele tipo especial caracterizado pela harmonia, pelo senso de medida, pela fruição serena e tranquila2. A Estética é, então, essa espécie de reformulação da Filosofia inteira em relação à beleza. Em vista da complexidade do campo da Estética, surge o dilema criado pela tentação irracional: a beleza está nos olhos de quem observa ou é inerente ao objeto? Embora essa questão não possa ser solucionada de uma maneira fácil, pois trata-se de uma forma filosófica que cada indivíduo interpreta de maneira própria, ela pode e deve ser auxiliada na sua concepção, principalmente para os ortodontistas, que trabalham, no exercício da sua profissão, com a estética dentofacial.

Estética é o estudo racional do belo, quer quanto à possibilidade da sua conceituação, quer quanto à diversidade de emoções e sentimentos que ele suscita nos homens1. Essa definição aparentemente simples do significado da palavra estética, que pode ser encontrada no dicionário1, esconde um sentido extremamente amplo. O estudo e a busca pelo seu real significado no mundo ocidental remontam aos filósofos gregos, como Platão, Aristóteles e Plotino. A complexidade do termo estética é fruto de diversas teorias filosóficas que buscaram encontrar uma explicação consistente para o seu significado. O adjetivo estético passou, então, a designar o campo geral da Estética, que incluía todas as categorias pelas quais os artistas e pensadores tivessem

Como citar este artigo: Câmara CA. Esthetics in Orthodontics: Interest points, reference points and discrepancy points. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):4-7. 1

Especialista em Ortodontia (FO-UERJ). Enviado em: 22 de junho de 2011 - Revisado e aceito: 10 de agosto de 2012

» O autor declara não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

Endereço para correspondência: Carlos Alexandre Leopoldo Peersen da Câmara E-mail: cac.ortodontia@digi.com.br

4

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):4-7

entrevista

uma entrevista com

Paulo José d’Albuquerque Medeiros • Graduado pela Faculdade de Odontologia da UFRJ – Praia Vermelha, 1978. • Especialista em Cirurgia Bucomaxilofacial pela UERJ, 1979. • Residência em Cirurgia Bucomaxilofacial pela Universidade do Texas, EUA, 1981-1984. • Mestre e Doutor pela Faculdade de Odontologia da UFRJ, 1991 e 2001. • Professor da UFRJ e da UERJ desde 1979. • Professor Titular de Cirurgia Bucal da Faculdade de Odontologia da UERJ desde 1995. • Autor dos livros “Cirurgia Ortognática para o Ortodontista”, “Cirurgia dos Dentes Inclusos”, “Atualidades em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial”. • Clínica particular no Rio de Janeiro desde 1979. • Ministrante de inúmeros cursos e palestras no Brasil e no exterior.

O professor Paulo José d’Albuquerque Medeiros é filho de Paulo Pinho de Medeiros e Conceição Rosário d’Albuquerque Medeiros, nascido no Rio de Janeiro em 7 de março de 1957. É casado há 31 anos com a odontopediatra Patrícia Leão Medeiros, e tem dois filhos: Alessandra Leão Medeiros Parente, 30 anos, juíza de Direito; e Bruno Leão Medeiros, 28 anos, economista. Gosta de música e cinema e canta muito bem. Tem um gosto apurado para bons vinhos, sendo o Chateau Palmer o seu preferido. Tem como atual livro de bolso o “1001 vinhos para beber antes de morrer”. Seu maior desafio da vida: “manter a motivação de ensinar, que é a minha vocação”. Marco Antonio Almeida

Como citar esta seção: Medeiros PJD. Interview. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):8-23. Enviado em: 2 de julho de 2012 - Revisado e aceito: 7 de agosto de 2012 » Os pacientes que aparecem na presente seção autorizaram previamente a publicação de suas fotografias e radiografias.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

8

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):8-23

Medeiros PJD

ESTÉTICA A maior procura dos pacientes é por estética ou por função? (Antenor Araújo) A motivação da maioria dos pacientes é por melhoria estética. Vale lembrar como é difícil para o ortodontista fazer um indivíduo aceitar um tratamento ortocirúrgico, ainda que ele possua algum tipo de má oclusão, sem que haja comprometimento da estética facial. Quais parâmetros você considera mais importantes na análise da estética facial? (Carlos Estevanell Tavares) Ainda que eu pudesse citar vários aspectos, prefiro destacar o sorriso, que é o nosso “cartão de visitas”. Já tive alguns pacientes que, após a correção do excesso vertical da maxila, passaram a ser questionados por amigos se estavam usando lentes de contato (Fig. 1). Parece que um sorriso antiestético consegue “apagar” outros traços faciais interessantes. O chamado “corredor bucal”, que por vezes é tratado por meio da disjunção ortocirúrgica (Fig. 2) e, em outras situações, apenas melhorando a forma das arcadas por meio da movimentação dentária, também influi sobremaneira no sorriso e na estética facial (Fig. 3).

A

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

Figura 1 - Paciente Classe II com excesso vertical da maxila e deficiência anteroposterior (A-P) da mandíbula (A). Após o procedimento cirúrgico de reposição superior da maxila e avanço mandibular, os olhos ganharam maior destaque (B).

B

9

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):8-23

Medeiros PJD

Antenor Araújo » Pós-Doutor em Cirurgia Bucomaxilofacial, University of Texas.

Referências

1.

Gornic C, Nascimento PP, Melgaço CA, Ruellas ACO, Medeiros PJD, Sant’Anna EF. Análise cefalométrica das vias aéreas superiores de pacientes Classe III submetidos a tratamento ortocirúrgico. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):82-8.

Arno Locks » Doutor em Ortodontia, UNESP. Pós-Doutor, Royal School of Dentistry University of Aarhus. Carlos Elias Ferreira de Freitas » Professor de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS-BA). » Professor de Cirurgia Ortognática dos Cursos de Especialização em Ortodontia da UFBA e da ABO-BA. » Coordenador do Serviço de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (HGRS) - SESAB. » Coordenador Geral de Cirurgia & Traumatologia Bucomaxilofacial do Hospital da Bahia. Carlos Estevanell Tavares » Doutor em Odontologia, UFRJ. Marco Antonio Almeida » Pós-Doutor em Ortodontia, University of North Carolina. Weber Ursi » Doutor em Ortodontia, USP.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

23

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):8-23

artigo inédito

Estudo da agradabilidade da face utilizando a análise facial frontal em fotografias padronizadas Imara de Almeida Castro Morosini1, Ana Paula Lazzari Marques Peron2, Keila Rodrigues Correia3, Ricardo Moresca4

Objetivo: esse estudo foi desenvolvido com o propósito de verificar se a análise facial numérica realizada em fotografias frontais é sensível em detectar a atratividade da face. Métodos: a amostra foi composta por fotografias faciais padronizadas, frontais e laterais, em posição natural da cabeça, de 85 mulheres brasileiras, leucodermas, com idades entre 18 e 30 anos, sem histórico de cirurgia plástica facial. A idade média da amostra foi de 23 anos e 9 meses. As fotografias foram classificadas de acordo com o grau de atratividade da face por uma banca composta de cinco especialistas em Ortodontia, cinco leigos e cinco artistas plásticos. A partir dessa classificação, os indivíduos foram divididos em três grupos: esteticamente agradáveis, esteticamente aceitáveis e esteticamente desagradáveis. Em seguida, foram realizados os traçados fotométricos por meio computadorizado. As médias das variáveis lineares, proporcionais e angulares propostas foram comparadas estatisticamente entre os grupos. Resultados: pela análise subjetiva, 18,8% da amostra foram classificados como esteticamente desagradáveis, 70,6% como esteticamente aceitáveis e 10,6% como esteticamente agradáveis. Na maioria das variáveis, não observou-se diferenças entre os grupos. Em apenas três delas houve diferenças estatisticamente significativas. Todas as diferenças encontradas relacionaram-se ao terço inferior da face e ao padrão facial. Conclusão: no presente estudo, a análise facial numérica utilizada isoladamente não foi sensível na detecção de padrões de atratividade, já que os critérios de beleza parecem ser altamente subjetivos. Palavras-chave: Análise facial. Atratividade. Estética facial.

Como citar este artigo: Morosini IAC, Peron APLM, Correia KR, Moresca R. Study of face pleasantness using facial analysis in standardized frontal photographs. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):24-34.

Especialista em Ortodontia, UFPR. Mestre em Odontologia, UFPR. Professora do curso de Especialização em Ortodontia, Universidade Positivo.

1

Especialista em Ortodontia, UFPR. Mestranda em Ortodontia, PUC/PR. Professora do curso de Especialização em Ortodontia, Universidade Positivo.

2

Enviado em: 27 de julho de 2008 - Revisado e aceito: 01 de junho de 2012.

Especialista em Ortodontia, UFPR.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

3

Doutor em Ortodontia, FOUSP. Professor Adjunto de Graduação e Pós-graduação em Ortodontia, UFPR. Professor Titular do Programa de Mestrado em Odontologia Clínica da Universidade Positivo.

4

» Os pacientes que aparecem no presente artigo autorizaram previamente a publicação de suas fotografias faciais e intrabucais. Endereço para correspondência: Imara de Almeida Castro Morosini Av. Cândido Hartmann, 1465 – Bigorrilho – Curitiba/ PR CEP: 80.710-570 – E-mail: imaracastro@terra.com.br

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

24

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):24-34

Morosini IAC, Peron APLM, Correia KR, Moresca R

INTRODUÇÃO Desde o início do século XX, tem-se observado na Ortodontia uma grande preocupação com a estética, envolvendo, principalmente, conceitos de equilíbrio e proporcionalidade da face2,21,27. Os critérios de beleza são altamente subjetivos, refletindo as particularidades culturais de uma população, da região onde ela vive e de um determinado período de tempo11. Com o passar dos anos, ocorreram mudanças significativas nos padrões estéticos faciais, portanto, os ortodontistas devem estar inteirados do que a população considera uma face ideal20. Do ponto de vista dos pacientes, a estética tem sido a principal motivação para a procura do tratamento ortodôntico26,28. Por isso, é recomendado que o tratamento ortodôntico seja planejado a partir de uma avaliação global da face, atentando às necessidades estéticas, bem como às questões cefalométricas e funcionais. Por meio do diagnóstico, o profissional deve tentar identificar as características faciais desagradáveis que podem ser alteradas com o tratamento ortodôntico, bem como os aspectos considerados agradáveis e que devem ser preservados durante o tratamento. É importante, entretanto, que essa avaliação seja realizada considerando-se características étnicas e individuais do paciente, tentando utilizar os mesmos parâmetros de avaliação estética do paciente e da sociedade à qual ele pertence29. Diversos estudos foram desenvolvidos focando tanto a análise facial numérica quanto a subjetiva, buscando estabelecer valores de referência para as medidas da face e verificar as preferências estéticas nas populações estudadas1,3,4,5,7-11,16,22,23,26. Há estudos avaliando a estética por meio de exame clínico e de medidas realizadas diretamente na face3,8,25. Também há estudos com técnicas de varredura a laser16 e métodos computadorizados17,18. Outros autores optaram pela utilização de fotografias faciais para a avaliação da estética4,9,29, considerando que os registros fotográficos permitem avaliar medidas e proporções detalhadamente, o que seria difícil de realizar diretamente na face. As fotografias permitem a observação do relacionamento harmonioso entre os tecidos duros e moles da face, contando com a participação do tecido adiposo, além de não expor o paciente à radiação nociva e apresentarem baixo custo9.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

Esse estudo foi desenvolvido para avaliar a agradabilidade facial e as características da face de mulheres por meio de fotografias padronizadas, de forma a: 1) Caracterizar a amostra estudada, segundo conceitos subjetivos de estética facial, em esteticamente agradável, esteticamente aceitável e esteticamente desagradável, considerando as fotografias frontais e laterais em conjunto. 2) Verificar o nível de concordância entre as avaliações subjetivas realizadas por ortodontistas, artistas plásticos e leigos. 3) Verificar as possíveis diferenças entre as médias das variáveis propostas nos três grupos estudados, considerando apenas as fotografias frontais. 4) Verificar se a análise facial frontal numérica é sensível em detectar a atratividade da face. MATERIAL E MÉTODOS Material O presente trabalho fez parte de uma série de pesquisas realizadas com o objetivo de estudar a estética facial em mulheres, empregando diversas análises faciais, tanto numéricas quanto proporcionais. Foram utilizadas fotografias padronizadas da face de 85 indivíduos do sexo feminino, brasileiros, leucodermas, residentes na cidade de Curitiba, com idade entre 18 e 30 anos, sem histórico de cirurgia plástica facial. A idade média da amostra foi de 23 anos e 9 meses ± 3 anos e 2 meses. Todos os indivíduos aceitaram participar voluntariamente da pesquisa e assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido, informando-os sobre os objetivos do estudo.   Métodos Fotografias Para a obtenção das fotografias (frontais e laterais), os indivíduos permaneciam sentados em um banco, olhando diretamente para seus olhos refletidos em um espelho colocado à frente6,14,30, mantendo uma postura ereta e normal, com ambos os braços livres ao lado do tronco9. Essa posição corresponde à “posição natural da cabeça de Broca”. Empregou-se uma tela branca de projeção para padronização do fundo, evitando, dessa forma, que o ambiente influenciasse na avaliação das imagens. Para a referência da linha vertical verdadeira, foi utilizado um fio de prumo14.

25

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):24-34

Estudo da agradabilidade da face utilizando a análise facial frontal em fotografias padronizadas

artigo inédito

Referências

1.

Ackerman JL, Proffit WR. Soft tissue limitations in orthodontics: treatment planning

17.

guidelines. Angle Orthod. 1997;67(5):327-36. 2.

Angle EH. Classification of malocclusion. Dent Cosmos. 1899 Apr;41(2):248-

1992 May;101(5):431-40.

64, 350-357. 3.

18. Nanda RS, Ghosh J, Bazakidou E. Three-dimensional facial analysis using a vídeo

Arnett GW, Bergman RT. Facial keys to orthodontic diagnosis and treatment

imaging system. Angle Orthod. 1996;66(3):181-8.

planning - Part I. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1993 Apr;103(4):299-312. 4.

19. Nguyen DD, Turley PK. A quantitative method for the evaluation of the soft-tissue

Bishara SE, Jorgensen GJ, Jakobsen JR. Changes in facial dimensions assessed from

facial profile. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1998 Aug;114(2):208-17.

lateral and frontal photographs. Part I - Methodology. Am J Orthod Dentofacial

20. Nguyen DD, Turley PK. Changes in the Caucasian male facial profile as depicted in

Orthop. 1995 Oct;108(4):389-93. 5.

fashion magazines during the twentieth century. Am J Orthod Dentofacial Orthop.

Colombo VL. Análise facial frontal em repouso e durante o sorriso em fotografias

1998 Aug;114(2):208-17.

padronizadas [Monografia de Especialização]. Curitiba (PR): Associação Brasileira

21. Peck H, Peck S. A concept of facial esthetics. Angle Orthod. 1970

de Odontologia; 1998. 6.

Out;40(4);284-317.

Cooke MS, Wei SH. The reproducibility of natural head posture: A methodological

22. Reche R. Análise do perfil facial em fotografias padronizadas. R Dental Press Ortod

study. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1988 Apr;93(4):280-8. 7. 8.

Ortop Facial. 2002 Jan-Fev;7(1):37-45.

Cox NH, Van Der Linden FPGM. Facial Harmony. Am J Orthod. 1971

23. Reis SAB. Análise facial numérica e subjetiva do perfil e análise da relação oclusal

Aug;60(2):175-83.

sagital de Brasileiros, adultos, leucodermas não tratados ortodonticamente

Farkas LG, Kolar JC. Antropometrics and art in the aesthetics of women’s faces.

[Dissertação]. São Bernardo do Campo (SP): Universidade Metodista de São Paulo,

Clin Plast Surg. 1987 Oct;14(4):599-616. 9.

Faculdade de Odontologia; 2001.

Ferrario VF, Sforza C, Miani A, Tartaglia G. Craniofacial morphometry by

24. Ricketts RM. Planning treatment on the basis of the facial pattern and an estimate

photografic evaluations. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1993 Apr;103(4):327-37.

of its growth. Angle Orthod. 1957 Jan;27(1):14-37.

10. Foster EJ. Profile preferences among diversified groups. Angle Orthod. 1973

25. Suguino R, Ramos AL, Terada HH, Furquim LZ, Filho OGS. Análise Facial. R Dental

Jan;43(1):34-40. 11.

Motoyoshi M, Namura S, Arai HY. A three-dimensional measuring system for the human face using three-directional photography. Am J Orthod Dentofacial Orthop.

Press Ortod Ortop Facial. 1996 Set-Out;1(1):86-107.

Martins LF. Análise fotométrica em norma frontal, de adultos, brasileiros,

26. Verona J. Análise facial frontal masculina em repouso e durante o sorriso, métodos

leuodermas, não tratados ortodonticamente, classificados pela estética facial

manual e computadorizado, em fotografias padronizadas. [Monografia de

[Dissertação]. São Bernardo do Campo (SP): Universidade Metodista de São Paulo,

Especialização]. Curitiba (PR): Associação Brasileira de Odontologia; 2004.

Faculdade de Odontologia; 2001.

27. Wuerpel EH. On facial balance and harmony. Angle Orthod. 1937;7:81-9.

12. Matoula S, Pancherz H. Skeletofacial morphology of attractive and nonattractive

28. Silva NCF, Aquino ERB, Mello KCFR, Mattos JNR, Normando D. Habilidade de

faces. Angle Orthod. 2006 Mar;76(2):204-10.

ortodontistas e leigos na percepção de assimetrias da mandíbula. Dental Press J

13. McKoy-White J, Evans CA, Viana G, Anderson NK, Giddon DB. Facial profile

Orthod. 2011 July-Aug;16(4):38.e1-8.

preferences of black women before and after orthodontic treatment. Am J Orthod

29. Reis SAB, Abrão J, Claro CAA, Capelozza Filho L. Avaliação dos fatores

Dentofacial Orthop. 2006 Jan;129(1):17-23.

determinantes da estética do perfil facial. Dental Press J Orthod. 2011 Jan-

14. Moorrees CF. Natural head position - a revival. Am J Orthod Dentofacial Orthop.

Feb;16(1):57-67. 30. Pereira AL, De-Marchi LM, Scheibel PC, Ramos AL. Reprodutibilidade da posição

1994 May;105(5):512-3. 15. Morihisa O. Avaliação comparativa entre agradabilidade facial, Proporção àurea e

natural da cabeça em fotografias de perfil de crianças de 8 a 12 anos, com e sem o

padrão facial [Dissertação]. São Bernardo do Campo (SP): Universidade Metodista

auxílio de um cefalostato. Dental Press J Orthod. 2010 Jan-Fev;15(1):65-73.

de São Paulo, Faculdade de Odontologia; 2006.

31. Almeida MD, Farias ACR, Bittencourt MAV. Influência do posicionamento sagital

16. Moss J P, Linney AD, Lowey MN. Uso das técnicas tridimensionais na estética

mandibular na estética facial. Dental Press J Orthod. 2010 Mar-Apr;15(2):87-96.

facial. In: Sadowski PL, Peck S, King G, Laskin DM. Atualidades em Ortodontia. São Paulo: Premier; 1997. p. 89-97.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

34

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):24-34

artigo inédito

Padrão facial em pacientes com fissura pós-forame incisivo Leopoldino Capelozza Filho1, Rodrigo Silva Caldas2, Rita de Cássia Moura Carvalho Lauris3, Arlete de Oliveira Cavassan4

Objetivo: avaliar e determinar o padrão de crescimento facial de indivíduos com fissura pós-forame incisivo. Métodos: esse estudo transversal retrospectivo usou fotografias frontais e de perfil de uma amostra de 71 pacientes matriculados no HRAC-USP (Bauru/SP), sendo 22 indivíduos do sexo masculino e 49 do feminino, jovens adultos brasileiros, com idade média de 17 anos e 8 meses, sem tratamento ortodôntico prévio ou síndromes associadas. O método utilizado foi o diagnóstico facial subjetivo, baseado em conceitos técnicos, constando da análise morfológica qualitativa da face. Os indivíduos foram classificados, por dois ortodontistas do HRAC/USP, com base no conceito de padrão sugerido por Capelozza Filho: Padrão I, II, III, Face Longa e Face Curta. Resultados: a distribuição na análise morfológica frontal encontrada foi: Padrão I (69%), Padrão II (6%), Padrão III (7%), Padrão Face Longa (18%) e Padrão Face Curta (0%). Na análise morfológica de perfil, a distribuição encontrada foi: Padrão I (35%), Padrão II (38%), Padrão III (10%), Padrão Face Longa (17%) e Padrão Face Curta (0%). A distribuição no aspecto frontal foi muito positiva, já que os indivíduos Padrão I predominaram. Na análise do perfil, as displasias anteroposteriores foram expressas em essência, aumentando significativamente sua participação. Já o Padrão Face Longa manteve um equilíbrio em ambas as avaliações e o Padrão Face Curta não foi encontrado na amostra utilizada, provavelmente devido à baixa prevalência na população geral. Conclusão: a prevalência dos diversos padrões faciais para os pacientes com fissura pós-forame incisivo foi semelhante à encontrada para indivíduos sem fissura. Palavras-chave: Fissura palatina. Ortodontia. Crescimento.

Como citar este artigo: Capelozza Filho L, Caldas RS, Lauris RCMC, Cavassan AO. Facial pattern of patients with post-foramen incisor cleft. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):35-42.

1

Coordenador do Curso de Especialização em Ortodontia da PROFIS e da Universidade do Sagrado Coração USC, Bauru/SP.

2

Especialista em Ortodontia, Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP), Bauru/SP.

Enviado em: 09 de abril de 2009 - Revisado e aceito: 12 de abril de 2010

3

Estudante de doutorado em Ciências da Reabilitação, Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP), Bauru/SP.

» Os pacientes que aparecem no presente artigo autorizaram previamente a publicação de suas fotografias faciais e intrabucais.

4

Mestre em Ortodontia, Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo, USP/Bauru.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo. Endereço para correspondência: . Leopoldino Capelozza Filho Rua Dr. Sérvio Tulio Carrijo Coube, 2-70 – Infante Dom Henrique – Bauru/SP CEP: 17012-632 – E-mail: lcapelozza@yahoo.com.br

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

35

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):35-42

Padrão facial em pacientes com fissura pós-forame incisivo

artigo inédito

INTRODUÇÃO As fissuras de lábio e/ou palato são anomalias congênitas que ocorrem no período embrionário e que acarretam uma série de sequelas que podem acompanhar o indivíduo durante toda a vida. A alteração morfológica manifestada clinicamente é variável, podendo envolver o lábio, o palato ou o lábio e o palato28. A fissura isolada de palato, que corresponde a cerca de 23% dos pacientes com fissura9, motivo de estudo do presente trabalho, aparece na vida pré-natal, entre o final do período embrionário e o início do período fetal, mais especificamente entre a oitava e a décima segunda semana gestacional, período em que se fusiona o palato secundário. A formação do palato secundário envolve: 1) o crescimento de dois processos palatinos individuais, um de cada lado, oriundos da parte interna dos processos maxilares; 2) a elevação desses processos palatinos posicionados obliquamente em cada lado da língua e, 3) finalmente, a horizontalização acima da língua, com o crescimento em direção à linha média até o encontro dos dois processos palatinos, o que culmina com o desaparecimento do epitélio que os reveste e os individualiza, caracterizado por um mecanismo biológico denominado “mesodermização”. Esses eventos ocorrem até a décima segunda semana de vida pré-natal. A ausência de fusão dos processos palatinos, por falha em quaisquer dos eventos citados, determina a fissura de palato, cuja diversidade morfológica varia em extensão desde uma úvula sulcada até o comprometimento integral do palato, quando alcança o forame incisivo (Fig. 1)3. Elas podem ser classificadas como completas ou incompletas, agravando-se de posterior para anterior. Acredita-se na etiologia extragenética para a fissura de palato, muito embora tenha sido mencionado que vários genes estão envolvidos na formação do palato11,18. O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC-USP) fixou uma rotina terapêutica que estabelece a realização da palatoplastia aos 12 meses de idade. Parece evidente a lógica de recompor a morfologia para, então, buscar uma adequação das funções desenvolvidas pelo sistema nasofaríngeo19. A restauração anatômica da fissura isolada de palato visa o desenvolvimento normal da fala, proteção da mucosa nasal respiratória e melhor funcionamento da tuba auditiva. Existe consenso de que quanto mais precoce for realizada a palatoplastia, melhores serão as respostas funcionais16.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

Em pacientes com fissura isolada de palato, a palatoplastia pode influenciar negativamente no comportamento sagital da maxila, de acordo com a análise da projeção malar na face, muito embora não chegue a comprometer o comportamento do padrão facial29. A configuração das características dentofaciais dos pacientes com fissura de lábio e/ou palato tem sido estabelecida com base na cefalometria. Nesse contexto, o padrão cefalométrico dos pacientes com fissura isolada de palato exibe diferença em relação ao padrão cefalométrico normativo27. Em virtude da escassez de relatos na literatura descrevendo o padrão facial dos pacientes com esse tipo de fissura, denotou-se a necessidade de um estudo mais amplo que não fosse baseado unicamente no padrão cefalométrico, e sim na morfologia facial. OBJETIVO O objetivo dessa pesquisa consistiu em diagnosticar o tipo de padrão facial em pacientes com fissura pós-forame incisivo, utilizando a análise morfológica da face, por meio das avaliações frontal e de perfil, definindo a classificação com base no conceito de padrão sugerido por Capelozza Filho5. MATERIAL E MÉTODOS Para esse estudo transversal retrospectivo, após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do HRAC-USP, conforme parecer 140/2008, e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido de todos os participantes ou responsáveis, foram selecionadas fotografias em norma frontal e de perfil, com base em documentação já existente, de 71 pacientes regularmente matriculados no HRAC-USP (Gráf. 1), sendo 22 indivíduos do sexo masculino e 49 do feminino, brasileiros, leucodermas, adultos jovens no estágio oclusal de dentição permanente, com idade média de 17 anos e 8 meses, sem histórico de tratamento ortodôntico e sem síndromes associadas. A distribuição amostral está de acordo com relatos da literatura, em que há consenso quanto à maior frequência das fissuras pós-forame nas mulheres26,27. As alterações morfológicas pós-operatórias, tão marcantes nas fissuras de lábio e palato8 que acabam por redesenhar a maxila ao longo do crescimento, não comprometem esteticamente a maxila nas fissuras de palato, comprovando que a palatoplastia não induz

36

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):35-42

Padrão facial em pacientes com fissura pós-forame incisivo

artigo inédito

CONCLUSÃO Esse estudo constatou a prevalência dos diferentes padrões para os indivíduos com fissura pós-forame incisivo por meio da análise facial morfológica qualitativa, podendo sugerir que: • A prevalência dos diversos padrões para os pacientes com fissura pós-forame incisivo foi semelhante à encontrada para indivíduos sem fissura. • Do ponto de vista estético, a distribuição no aspecto frontal foi muito positiva, já que os indivíduos Padrão I predominaram.

• Na análise do perfil, as displasias anteroposteriores foram expressas em essência, aumentando significativamente sua participação. • O Padrão Face Longa, por apresentar uma discrepância vertical visível nas avaliações frontal e de perfil, manteve um equilíbrio em ambas as avaliações. • O Padrão Face Curta não foi encontrado na amostra utilizada, provavelmente devido à baixa prevalência na população em geral.

Referências

1.

Bishara SE. Cephalometric evaluation of facial growth in operated and non-

17.

operated individuals with isolated clefts of the palate. Cleft Palate J. 1973

18. Linder-Aronson S, Woodside DG. Excess face height malocclusion: etiology,

Jul;10:239-46.. 2.

Bishara SE. The influence of palatoplasty and cleft length on facial development.

diagnosis and treatment. Chicago (IL): Quintessence, 2000. 19. Miettinen PJ, Chin JR, Shum L, Slavkin HC, Shuler CF, Derynck R, Werb Z..

Cleft Palate J. 1973 Oct;10:390-8. 3.

Bishara SE. Ortodontia. São Paulo: Ed. Santos; 2004.

4.

Bittner C, Pancherz H. Facial morphology and malocclusions. Am J Orthod

Epidermal growth factor receptor function is necessary for normal craniofacial development and palate closure. Nat Genet. 1999 May;22(1):69-73. 20. Piazentin SHA. A influência da palatoplastia primária nas alterações do ouvido

Dentofacial Orthop. 1990 Apr;97(4):308-15. 5.

Capelozza Filho L. Diagnóstico em Ortodontia. Maringá (PR): Dental Press; 2004.

6.

Capelozza Filho L, Cardoso MA, An TL, Bertoz FA. Características cefalométricas

médio [Dissertação]. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; 1989.

do padrão face longa: considerando o dimorfismo sexual. Rev Dent Press Ortodon

21. Reis SAB, Abrão J, Capelozza Filho L, Claro CAA. Análise facial numérica do

Ortop Facial. 2007 Mar-Abr;12(2);49-60. 7.

perfil de brasileiros Padrão I. Rev Dent Press Ortodon Ortop Facial. 2006 Nov-

Capelozza Filho L, Cardoso MA, An TL, Lauris JRP. Proposta para classificação,

Dez;11(6):24-34.

segundo a severidade, dos indivíduos portadores de más oclusões do Padrão Face

22. Reis SAB, Abrão J, Capelozza Filho L, Claro CAA. Análise Facial Subjetiva. Rev Dent

Longa. Rev Dent Press Ortodon Ortop Facial. 2007 Mar-Abr;12(4);124-58. 8.

Press Ortodon Ortop Facial. 2006 Set-Out;11(5):159-72.

Capelozza Filho L, Cavassan AO, Silva Filho OG. Avaliação do crescimento

23. Reis SAB, Abrão J, Capelozza Filho L, Claro CAA. Estudo comparativo do perfil

craniofacial em portadores de fissura transforame incisivo unilateral: estudo

facial de indivíduos Padrões I, II e III portadores de selamento labial passivo. Rev

transversal. Rev Bras Cirur. 1987 Mar-Abr;77(2):97-106. 9.

Dent Press Ortodon Ortop Facial. 2006 Jul-Ago;11(4):36-45.

Capelozza Filho L, Silva Filho OG. Abordagem interdisciplinar no tratamento das

24. Reis SAB. Análise facial numérica e subjetiva do perfil e análise da relação oclusal

fissuras labiopalatinas. In: Mêlega JC. Cirurgia plástica fundamentos e arte: cirurgia

sagital de brasileiros, adultos, leucodermas, não tratados ortodonticamente

reparadora da cabeça e pescoço. Rio de Janeiro: Medsi; 2002. p. 59-88.

[Dissertação]. São Paulo: UMESP; 2001.

10. Cardoso MA. Epidemiologia do Padrão Face Longa em escolares do ensino

25. Reis SAB, Capelozza Filho L, Cardoso MA, Scanavini MA. Características

fundamental do município de Bauru – SP [Tese de Doutorado]. Araçatuba (SP):

cefalométricas dos indivíduos padrão I. Rev Dent Press Ortodon Ortop Facial.

Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Odontologia; 2007. 112f. 11.

2005;10(1):67-78.

Cardoso MA, Capelozza Filho L, An TL, Lauris JRP. Epidemiologia do Padrão Face

26. Shibasaki Y, Ross RB. Facial growth in children with isolated cleft palate. Cleft

Longa em escolares do Ensino Fundamental do município de Bauru - SP. Dental

Palate J. 1969 Jul;6:290-302. 27. da Silva Filho OG, Cavassan AO, Normando ADC. Influência da palatoplastia no

Press J Orthod. [online]. 2011;16(2):108-19 . 12. Christensen K, Fogh-Andersen P. Isolated cleft palate in Danish multiple births,

padrão facial de pacientes portadores de fissura pós-forame incisivo. Rev Bras Cirur. 1989 Nov-Dez;79(6):315-22.

1970-1990. Cleft Palate Craniofac J. 1993 Sep;30(5):469-74. 13.

Dahl E. Craniofacial morphology in congenital clefts of the lip and palate: an x-ray

28. da Silva Filho OG, Cavassan AO, Sampaio LL. Avaliação do padrão cefalométrico

cephalometric study of young adult males. Acta Odontol Scand. 1970;28:Suppl 57:11.

em pacientes portadores de fissura pós-forame incisivo, não operado. Rev Bras

14. Donner A, Eliasziw M. A goodness-of-fit approach to inference procedures for the

Cirur. 1989 Maio-Jun;79(3):137-47. 29. da Silva Filho OG, Ferrari Junior, FM, Rocha DL, Souza Freitas JAS. Classificação

Kappa statistic: confidence interval construction, significance-testing and sample size estimation. Stat Med. 1992 Aug;11(11):1511-9.

das fissuras lábio-palatais: breve histórico, considerações clinicas e sugestão de

15. Fitzpatrick BN. The long face and V. M. E. Aust Orthod J. 1984 Mar;8(3):82-9.

modificação. Rev Bras Cirur. 1992 Mar-Abr;82(2):59-65.

16. Fleiss JL, Levin B, Paik MC. Statistical methods for rates and proportions. 3rd ed.

30. da Silva Filho OG, Rosa LA, Lauris Rde C. Influence of isolated cleft palate and

Hoboken (NJ): John Wiley; 2003.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

Jolleys A. A review of the results of operations on cleft palates with reference to maxillary growth and speech functions. Br J Plast Surg. 1954 Oct;7(3):229-41.

palatoplasty on the face. J Appl Oral Sci. 2007 Jun;15(3):199-208.

42

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):35-42

artigo inédito

Tratamento conservador de má oclusão Classe I, com 12mm de sobressaliência, sobremordida acentuada e apinhamento inferior severo Marcos Alan Vieira Bittencourt1, Arthur Costa Rodrigues Farias2, Marcelo de Castellucci e Barbosa3

Introdução: paciente do sexo feminino, 12 anos e 2 meses de idade, apresentava molares em relação de chave de oclusão e caninos em relação de Classe II de Angle, sobressaliência acentuada (12mm), sobremordida profunda (100%), excessiva retroinclinação e extrusão dos incisivos inferiores e projeção dos superiores, com leves diastemas interincisais. Ambas as arcadas apresentavam-se constritas e a discrepância dentária inferior era de -6,5mm. Do ponto de vista facial, apresentava grande exposição dos incisivos superiores em repouso, interposição e eversão do lábio inferior, ângulo nasolabial agudo e perfil convexo. Objetivo: apresentar um caso clínico de má oclusão de Classe I com sobremordida e sobressaliência acentuadas, além de apinhamento severo, tratado com método conservador. Métodos: o tratamento foi constituído de leve retração e intrusão dos incisivos superiores, e projeção dos incisivos inferiores até que todo o apinhamento fosse eliminado. Resultados: obteve-se sobremordida e sobressaliência satisfatórias, manutenção da relação de chave de oclusão nos molares e obtenção dessa relação nos caninos e linhas médias coincidentes. As características faciais obtidas foram positivas, originando um perfil bastante agradável, com selamento labial passivo, promovido pela leve retração do lábio superior e projeção do lábio inferior, melhorando o ângulo nasolabial e o mentolabial. Conclusão: a abordagem conservadora, sem exodontias, mostrou-se efetiva e resultou em sensível melhora do relacionamento oclusal e da estética dentária e facial da paciente. Palavras-chave: Má oclusão Classe I de Angle. Ortodontia corretiva.

Como citar este artigo: Bittencourt MAV, Farias ACR, Castellucci e Barbosa M. Conservative treatment of a Class I malocclusion, with 12 mm overjet, overbite and severe mandibular crowding. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):43-52.

» Os pacientes que aparecem no presente artigo autorizaram previamente a publicação de suas fotografias faciais e intrabucais. Doutor e Mestre em Ortodontia, UFRJ. Professor da disciplina de Ortodontia, UFBA. Coordenador do curso de Especialização em Ortodontia, UFBA. Diretor do Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial (BBO).

1

Enviado em: 20 de maio de 2009 - Revisado e aceito: 11 de julho de 2012 » Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

Especialista em Ortodontia, UFBA. Estudante de mestrado em Odontologia, UFRN. Ortodontista da Unidade de Deformidades da Face, UFRN.

2

3

Endereço para correspondência: Marcos Alan Vieira Bittencourt Av. Araújo Pinho, 62 – Faculdade de Odontologia da UFBA – 7° andar – Canela Salvador/BA – CEP: 40.110-150 E-mail: alan_orto@yahoo.com.br

Mestre em Odontologia, UFBA. Especialista em Ortodontia, PUC Minas. Estudante de doutorado em Odontologia, UFBA. Professor do curso de Especialização em Ortodontia, UFBA.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

43

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):43-52

artigo inédito

Tratamento conservador de má oclusão Classe I, com 12mm de sobressaliência, sobremordida acentuada e apinhamento inferior severo

Referências

1.

Angelle PL. A Cephalometric study of the soft tissue changes during and after

11.

orthodontic treatment. Trans Eur Orthod Soc. 1973:267-80. 2. 3.

Hershey HG. Incisor tooth retraction and subsequent profile change in post-

12. Riedel RA. Review of the retention problem. Angle Orthod. 1960;30(4):179-99.

adolescent female patients. Am J Orthod. 1972 Jan;61(1):45-54.

13. Riedel RA, Little RM, Bui TD. Mandibular incisor extraction: post retention

Houston WJ. Mandibular growth rotations: their mechanisms and importance. Eur

evaluation of stability and relapse. Angle Orthod. 1992 Summer;62(2):103-16.

J Orthod. 1988 Nov;10(4):369-73. 4.

14. Roos N. Soft tissue profile changes in Class II treatment. Am J Orthod. 1977

Levin RI. Deep bite treatment in relation to mandibular growth rotation. Eur J

Aug;72(2):165-75.

Orthod. 1991 Apr;13(2):86-94. 5.

15. Ruellas ACO. O movimento distal de molares em oposição à projeção de incisivos e

Little RM, Riedel RA, Stein A. Mandibular arch length increase during the

expansão do arco (casos de má oclusão de Classe I). [Dissertação]. Rio de Janeiro

mixed dentition: postretention evaluation of stability and relapse. Am J Orthod

(RJ): Universidade Federal do Rio de Janeiro. Faculdade de Odontologia; 1995.

Dentofacial Orthop. 1990 May;97(5):393-404. 6.

16. Ruellas ACO. Ruellas RMO, Romanoll FL, Pihonl MM, Santos RL. Extrações

Marques LS, Barbosa CC, Ramos-Jorge, ML, Pordeus IA, Paiva SM. Prevalência da

dentárias em Ortodontia: avaliação de elementos de diagnóstico. Dental Press J

má oclusão e necessidade de tratamento ortodôntico em escolares de 10 a 14 anos

Orthod. 2010;15(3):134-57.

de idade em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil: enfoque psicossocial. Cad Saúde

17.

Pública 2005;21(4):1099-106. 7.

Moreira TC, Quintão CCA, Menezes LM, Anamaria B. Comparação entre dois

18. Shapiro PA. Mandibular dental arch form and dimension. Am J Orthod. 1974 Jul;66(1):58-70.

1997;3(4):149-56.

19. Strang R. The fallacy of denture expansion as a treatment procedure. Angle Orthod.

Nanda SK. Growth patterns in subjects with long and short faces. Am J Orthod

1949 Mar;19(1):12-22.

Dentofacial Orthop. 1990 Sep;98(3):247-58. 9.

20. Thilander B. Biological basis for orthodontic relapse. Semin Orthodont. 2000

Pinto MR, Mottin LP, Derech CD, Araújo MTS. Extração de incisivo inferior:

Sep;6(3):195-205.

uma opção de tratamento. Rev Dental Press Ortodon Ortop Facial. 2006 Jan-

21. Tweed CH. Indications for the extraction of teeth in orthodontic procedure. Am J

Fev;11(1):114-21.

Orthod Oral Surg. 1944-1945;42:22-45.

10. Proffit WR, Fields Junior HW. Ortodontia Contemporânea. 2a ed. Rio de Janeiro:

22. Wisth PJ. Soft tissue response to upper incisor retraction in boys. Br J Orthod. 1974

Guanabara-Koogan, 1995. p. 596.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

Shah AA, Elcock C, Brook AH. Incisor crown shape and crowding. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2003 May;123(5):562-7.

instrumentos para medição das distâncias intercaninos e intermolares. Rev SBO 8.

Proffit WR, White Junior RP, Sarver DM. Tratamento contemporâneo de deformidades dentofaciais. Porto Alegre (RS): Artmed; 2005.

Oct;1(5):199-204.

52

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):43-52

artigo inédito

Tratamento ortodôntico em adultos: restaurando a estética do sorriso Leopoldino Capelozza Filho1, Maria Fernanda Barros Aranha2, Terumi Okada Ozawa3, Arlete de Oliveira Cavassan4

Introdução: a procura de tratamento ortodôntico por pacientes adultos é cada vez maior. Essa demanda pode ser justificada por vários fatores, mas o mais relevante foi a mudança do conceito de normal, permitindo a opção por metas terapêuticas mais conservadoras, simples e consistentes. Essa evolução conceitual, mais os avanços tecnológicos, permitiram melhora no manejo ortodôntico, tornando-o mais efetivo, rápido e confortável. A conscientização, por parte da sociedade, das vantagens desse tratamento e o aumento da exigência estética entre os adultos, com uma vida social, afetiva e profissional cada vez mais longa e ativa, cria um contexto onde fica absolutamente estabelecida a necessidade de uma Ortodontia para os indivíduos adultos. Objetivo: o objetivo desse artigo foi relatar as nuances de diagnóstico e tratamento ortodôntico em um paciente adulto, dentro de uma perspectiva reformadora. Nessa abordagem, o objetivo é o resgate da forma, ou seja, estabelecer condições oclusais que, provavelmente, estariam presentes se o paciente tivesse sido assistido em épocas adequadas, na fase de crescimento e erupção dentária. Palavras-chave: Ortodontia. Estética do sorriso.

INTRODUÇÃO A prevalência de má oclusão é, com certeza, maior em adultos. Pode-se dizer que a má oclusão é diretamente proporcional à idade e que suas características refletem os cuidados, ou ausência deles, para com os dentes, desde os primórdios da dentição decídua. No Brasil, temos a primeira geração de indivíduos que, em número significativo, alcançam a idade adulta e

principiam a envelhecer com todos, ou quase todos, os dentes presentes na boca. Como reflexo, começam a ter — assim como ocorre nos países mais desenvolvidos na escala social — más oclusões caracterizadas por apinhamento dentário. Proffit et al.8 fizeram um estudo baseado em um levantamento epidemiológico para determinar a prevalência da má oclusão e a necessidade de tratamento ortodôntico na população americana,

» Os pacientes que aparecem no presente artigo autorizaram previamente a publicação de suas fotografias faciais e intrabucais.

Como citar este artigo: Capelozza Filho L, Aranha MFB, Ozawa TO, Cavassan AO. Orthodontic treatment in adults: Restoring smile esthetics. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):53-63.

1

Coordenador do Curso de Especialização em Ortodontia da PROFIS e da Universidade do Sagrado Coração USC, Bauru/SP.

2

Aluna de Especialização em Ortodontia, PROFIS.

3

Ortodontista e responsável pela Divisão Odontológica do HRAC-USP.

4

Mestre em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Bauru-USP. Ortodontista do HRAC-USP.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

Enviado em: 30 de junho de 2009 - Revisado e aceito: 26 de junho de 2012. » Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo. Endereço para correspondência: Leopoldino Capelozza Filho Rua Dr. Servio Tulio Carrijo Coube, 2-70 – Jd. Infante D. Henrique – Bauru/SP CEP: 17.012-632 – E-mail: lcapelozza@yahoo.com.br

53

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):53-63

Capelozza Filho L, Aranha MFB, Ozawa TO, Cavassan AO

Figura 20 - Forma das arcadas um ano após o tratamento, com uso noturno da placa de Hawley e manutenção do 3x3 com extensão distal até o dente 37, preservando o espaço para implante que o paciente ainda não colocara.

A

B

A

B

C

D

E

F

G

H

I

Figura 21 - Fotografias intrabucais comparativas do início do tratamento (A, B, C) e no controle de um ano pós-tratamento (D, E, F) e os efeitos positivos sobre o sorriso (G, H, I).

Conclusão O tratamento ortodôntico em pacientes adultos é uma realidade cada vez mais frequente. Para atender às expectativas desse pacientes, que geralmente são ligadas a uma busca por mais estética, tempo de tratamento reduzido e mínimo de desconforto durante o uso do aparelho, deve-se ter uma abordagem de tratamento direcionada e eficaz. O caso clínico apresentado mostrou uma mecânica consistente, norteada por objetivos reformadores, essenciais e possíveis de serem obtidos de uma maneira relativamente rápida, proporcionando ao paciente qualidade estética no sorriso e estabilidade oclusal potencial. Na arcada superior, a extração dentária executada foi absolutamente necessária para permitir os resultados obtidos e atender à queixa do paciente.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

Referências 1.

Andrews LF. The Six keys to normal occlusion. J Orthod. 1992 Sept;62(3):296-309.

2.

Braga AS, Capelozza LF, Cavassan AO, Ozawa TO. Tratamento Ortodôntico em Adultos: uma abordagem direcionada. Rev Dent Press Ortodon Ortop Facial. 2001 Set-Out;6(5):63-80.

3.

Capelozza Filho L. Diagnóstico em Ortodontia. Maringá: Dental Press; 2004.

4.

Capelozza Filho L, Silva Filho OG, Ozawa TO, Cavassan AO. Individualização de braquetes na técnica straight-wire: revisão de conceitos e sugestões de indicações para uso. Rev Dent Press Ortodon Ortop Facial. 1999 Jul-Ago;4(4):87-106.

5.

Capelozza Filho L, Capelozza JAZ. DIAO: Diagrama individual anatômico objetivo. Uma proposta para escolha da forma dos arcos na técnica de Straight-Wire, baseada na individualidade anatômica e nos objetivos de tratamento. Rev Dent Press Ortodon Ortop Facial. 2004 Out-Nov;3(5):1-9.

6.

Kokich VG. Entrevista. Rev Dent Press Ortodon Ortop Facial. 2006 Nov-

7.

Proffit WR. Contemporary orthodontics. St. Louis (MO): CV. Mosby; 1993.

8.

Proffit WR, Fields HW Jr, Moray LJ. Prevalence of malocclusion and orthodontic

Dez;11(6):19-23.

treatment need in the United States: Estimates from the NHANES III survey. Int J Adult Orthodon Orthognath Surg. 1998;13(2):97-106. 9.

Spear FM, Kokich VG, Mathews DP. Interdisciplinary management of anterior dental esthetics. J Am Dent Assoc. 2006 Feb;137(2):160-9.

63

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):53-63

artigo inédito

Impacto dos braquetes na estética do sorriso: percepção por leigos e ortodontistas Seandra Cordeiro de Oliveira1, Rachel D’Aurea Furquim2, Adilson Luiz Ramos3

Objetivo: esse estudo analisou a influência dos aparelhos ortodônticos na estética do sorriso em avaliação por adolescentes, adultos e ortodontistas. Métodos: foram utilizadas fotografias faciais do sorriso de uma jovem mulher, usando-se as seguintes combinações: aparelho ortodôntico de metal com ligaduras de diferentes cores (verde, vermelho e cinza); aparelho ortodôntico cerâmico (ligadura transparente); e sem aparelho — resultando em cinco fotografias de 15x20cm. Para a avaliação das fotografias, 16 adolescentes leigos, 16 adultos leigos e 16 ortodontistas foram selecionados de forma randômica. As fotografias foram aleatoriamente organizadas em um álbum, acompanhadas de uma escala visual analógica (EVA) para o registro das notas. As notas das duas avaliações de cada grupo (adolescentes, adultos e ortodontistas) foram submetidas à análise de erro (teste pareado de Wilcoxon) e comparação múltipla de grupos pelo teste de Kruskal-Wallis com significância de 5%. Resultados: ortodontistas, adultos e adolescentes concordaram em suas opiniões, porém, os ortodontistas deram notas menores em suas avaliações. Pôde ser observado que os braquetes cerâmicos foram mais aceitos, considerando-se a estética do sorriso, uma vez que os braquetes metálicos tiveram as menores notas. Conclusão: ortodontistas, adultos e adolescentes parecem preferir soluções estéticas durante o tratamento ortodôntico. Palavras-chave: Percepção visual. Braquetes ortodônticos. Estética dentária.

1

Especialista em Ortodontia, Associação Maringaense de Odontologia.

2

Mestranda em Odontologia Integrada, Universidade Estadual de Maringá.

3

Professor Adjunto do Departamento de Odontologia, Universidade Estadual de Maringá. Coordenador de Pós-Graduação em Odontologia Integrada, Universidade Estadual de Maringá.

4

Como citar este artigo: Oliveira SC, Furquim RD, Ramos AL. Impact of brackets on smile esthetics: Laypersons and orthodontists perception. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):64-70. Enviado em: 09 de abril de 2010 - Revisado e aceito: 05 de junho de 2012 » Os pacientes que aparecem no presente artigo autorizaram previamente a publicação de suas fotografias faciais e intrabucais.

Professor de Ortodontia, Universidade Estadual de Maringá. » Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

mL

Endereço para correspondência: Rachel D’Aurea Furquim Rua Carlos Chagas, 247 – Zona 5 – CEP: 87.015-240 – Maringá/PR E-mail: rachelfurquim@odontoestetica.com.br

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

64

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):64-70

Oliveira SC, Furquim RD, Ramos AL

INTRODUÇÃO Uma das principais razões que motivam os pacientes a iniciar o tratamento ortodôntico é o fator estético1,2,3, assim como disfunções da ATM e a melhora da saúde dentária como um todo4. Pacientes que procuram por tratamento ortodôntico apresentam uma percepção própria, tanto da face quanto dos dentes, maior do que as pessoas que não procuram tratamento. Esse fato sugere que os pacientes que buscam o tratamento ortodôntico, de maneira geral, são mais exigentes quanto à aparência estética5. O sorriso tem influência importante, uma vez que faces com sorrisos mais agradáveis são consideradas esteticamente mais aceitáveis6,7 e podem ser associadas a características psicológicas8,9. Mesmo considerando-se que o conceito de beleza é um tanto quanto subjetivo e está associado a vários fatores, o profissional tem a responsabilidade de capturar o real desejo do paciente, sendo esse seu objetivo principal no tratamento. Uma vez que o paciente inicia o tratamento ortodôntico por razões estéticas, é sensato afirmar que, durante o tratamento, ele também estará preocupado com sua estética. O uso dos braquetes pode prejudicar sua aparência, mesmo que temporariamente. Os tratamentos longos e a aparência antiestética dos braquetes metálicos são as principais razões que desmotivam pacientes adultos a iniciar o tratamento ortodôntico4. Com isso, a indústria de materiais está procurando oferecer alternativas para que o tratamento se torne esteticamente mais agradável, desenvolvendo tecnologias e técnicas específicas de tratamento, assim como aparelhos linguais, alinhadores transparentes e braquetes estéticos10. Um recente estudo concluiu que pacientes adultos pagariam mais para usar um dispositivo alternativo e braquetes cerâmicos, já que são considerados mais aceitáveis e atraentes do que os convencionais metálicos11. Uma pesquisa alemã (composta principalmente por indivíduos do sexo feminino) mostrou que 97% dos pacientes desejam ter suas más oclusões corrigidas por razões estéticas, mas que 62% rejeitam o tratamento com dispositivos aparentes12. Na Suécia, uma pesquisa com 160 adultos de 27 anos de idade, dos quais 76 haviam sido submetidos a tratamentos ortodônticos durante a adolescência, mostrou que

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

67% deles provavelmente teriam utilizado braquetes visíveis, se necessário. Entretanto, com base somente na aparência dos braquetes, 33% dos adultos não gostariam de usar braquetes visíveis, se preciso. O mesmo grupo demonstrou que 84% provavelmente usariam braquetes visíveis durante a adolescência, se necessário13. Essas respostas sugerem a dicotomia entre a aceitação dos dispositivos ortodônticos por adolescentes e adultos. No entanto, até a presente data, nenhum estudo foi publicado sobre o impacto real desse tipo de aparelho ortodôntico na estética do sorriso, na avaliação de adolescentes em comparação com adultos ou ortodontistas. Até mesmo sobre braquetes metálicos, os quais são usados em grande escala nas clínicas odontológicas, existe uma pequena quantidade de trabalhos. Ziuchkovski et al.14 publicaram o primeiro artigo sobre o assunto e observaram que a atração dos dispositivos ortodônticos varia significativamente de acordo com a hierarquia dos tipos de dispositivos: aparelhos alternativos > aparelhos cerâmicos > aparelhos de aço inoxidável e aparelhos autoligáveis. Entretanto, esse estudo foi composto por uma amostra a partir dos 18 anos de idade. Em outro estudo, Berto et al.15 avaliaram o impacto dos braquetes ortodônticos na estética facial durante o sorriso, com e sem extração de pré-molares, em avaliação por adultos leigos e ortodontistas, concluindo que braquetes ortodônticos de metal não afetaram a estética facial. Paradoxalmente, descobriram que os braquetes cerâmicos foram significativamente menos agradáveis aos leigos. Para ortodontistas, os braquetes cerâmicos não influenciaram negativamente na estética facial. Os mesmos autores também concluíram que a percepção de adultos leigos e ortodontistas foi diferente15. Percebendo a falta de estudos sobre o impacto dos braquetes ortodônticos na estética do sorriso, particularmente na percepção dos adolescentes, é difícil para os ortodontistas informar seus pacientes, com base em evidências científicas, sobre qual braquete escolher. Essa escassez também se torna relevante quando consideramos os altos investimentos que estão sendo feitos pelas indústrias de materiais dentários na tentativa de desenvolver e comercializar braquetes ortodônticos mais imperceptíveis aos olhos humanos.

65

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):64-70

Impacto dos braquetes na estética do sorriso: percepção por leigos e ortodontistas

artigo inédito

Mostra-se pertinente citar que, no presente estudo, todos os braquetes foram colados provisoriamente, fotografados e, posteriormente, removidos. Dessa forma, não estiveram sujeitos às intempéries decorrentes do tempo e do próprio tratamento ortodôntico, o que seria mais significativo para os braquetes cerâmicos, uma vez que eles estão sujeitos a sofrer alterações, principalmente na coloração do conjunto braquete/amarrilho elástico transparente, que poderiam afetar sua percepção estética. Esse fato sugere que mais estudos deveriam ser conduzidos com o objetivo de avaliar a percepção da estética desses dispositivos em longo prazo.

estatisticamente insignificantes em todos os grupos. Quando os sexos dos avaliadores foram comparados, somente os braquetes metálicos com ligaduras verdes apresentaram diferença significativa no grupo feminino, que pontuou-os como menos atrativos do que o grupo masculino. Nesse estudo, os avaliadores julgaram as fotografias de toda a face, não limitando-se a enquadramento do sorriso. Desse modo, os sorrisos são avaliados como uma parte integrante da estética facial. Em fotografias com enquadramento aproximado do sorriso, há uma sobrevalorização de certas características do sorriso em questão, especialmente dos aspectos negativos20. Apesar dos métodos diferentes de avaliação, nossos resultados corroboram os de Rosvall et al.11 e Ziuchkovski et al.14, em que ortodontistas e leigos classificaram os dispositivos em uma hierarquia onde a atratividade diminui com o aumento da quantidade de metal presente. Ao contrário, Berto et al.15 mostraram que leigos preferem braquetes metálicos aos cerâmicos, porém, sítios de extração estavam presentes nas fotografias, o que pode ter interferido na percepção.

CONCLUSÕES » Considerando-se o aspecto estético, sorrisos com dispositivos de metal apresentaram notas menores do que sorrisos sem braquetes e com braquetes cerâmicos. » Adolescentes, adultos e ortodontistas mostraram percepções similares na avaliação do impacto dos braquetes na estética do sorriso.

Referências

1.

Prahl-Andersen B, Boersma H, van der Linden FP, Moore AW. Perception of

13. Bergström K, Halling A, Wilde B. Orthodontic care from the patients’ perspective:

dentofacial morphology by laypersons, general dentists, and orthodontists. Am

perceptions of 27-year-olds. Eur J Orthod. 1998;20(3):319-29. 14. Ziuchkovski JP, Fields HW, Johnston W, Lindsey D. Assessment of perceived

J Dent Assoc. 1979;98:209-12. 2.

Giddon DB, Sconzo R, Kinchen JA, Evans CA. Quantitative comparison of

orthodontic appliance attractiveness. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2008

computerized and animated profile preferences. Angle Orthod. 1996;66:441-8. 3.

Apr;133(4 Suppl):S68-78.

Reis SAB, Abrão J, Capelozza Filho L, Claro CAA. Análise facial subjetiva. Rev

15. Berto PM, Lima CS, Lenza MA, Faber, J. Esthetic effect of orthodontics appliances

Dental Press Ortodon Ortop Facial. 2006;11(5):159-72. 4.

on a smiling face with and without a missing maxillary first premolar. Am J Orthod

Khan RS, Morrocks EN. A study of adult orthodontic patients and their

Dentofacial Orthop. 2009 Apr;135(4 Suppl):S55-60. 16. Aitken RC. Measurement of feelings using visual analogue scale. Proc R Soc Med.

treatment. Br J Orthod. 1991 Aug;18(3):183-94. 5.

Varela M, Garcia-Camba JE. Impact of orthodontics on the psychologic profile

1969;62(10):989-93.

adult patients: a prospective study. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1995

17.

Aug;108(2):142-8. 6.

Shaw WC, Rees G, Dawe M, Charles CR. The influence of dentofacial

18. Parekh S, Fields H, Beck F, Rosenstiel S. The acceptability of variations in smile arc

appearance on the attractiveness of young adults. Am J Orthod. 1985

and buccal corridor space. Orthod Craniofac Res. 2007 Feb;10(1):15-21.

Jan;87(1):21-6. 7.

19. Kokich VO, Kokich VG, Kiyak HA. Perceptions of dental professionals and

York J, Holtzman J. Facial attractiveness and the aged. Spec Care Dentist. 1999

laypersons to altered dental esthetics: asymmetric and symmetric situations. Am J

Mar-Apr;19(2):84-8. 8.

Orthod Dentofacial Orthop. 2006 Aug;130(2):141-51.

Dong JK, Jin TH, Cho HW, Oh SC. The esthetics of the smile: a review of the

20. Flores-Mir C, Silva E, Barriga MI, Lagravere MO, Major PW. Lay person´s

recent studies. Int J Prosthodont. 1999 Jan-Feb;12(1):9-19. 9.

perception of smile aesthetic in dental and facial views. J Orthod. 2004

van der Geld P, Oosterveld P, Van Heck G, Kuijpers-Jagtman AM. Smile

Sep;31(3):204-9; discussion 201. 21. Keim RG, Gottlieb EL, Nelson AH, Vogels DS 3rd. 2002 JCO study of orthodontic

attractiveness. Self-perception and influence on personality. Angle Orthod. 2007 Sep;77(5):759-65.

diagnosis and treatment procedures. Part 1. Results and trends. J Clin Orthod. 2002

10. Maltagliati LA, Feres R, Figueiredo MA, Siqueira DF. Braquetes estéticos:

Oct;36(10):553-68. 22. Djeu G, Shelton C, Maganzini A. Outcome assessment of Invisalign and traditional

considerações clínicas. Rev Clín Ortodon Dental Press. 2006;5(3):75-81. 11.

Anderson KM, Behrents RG, McKinney T, Buschang PH. Tooth shape preferences in an esthetic smile. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2005 Oct;128(4):458-65.

Rosvall MD, Fields HW, Ziuchkovski J, Rosenstiel SF, Johnston WM.

orthodontic treatment compared with the American Board of Orthodontics

Attractiveness, acceptability, and value of orthodontic appliances. Am J Orthod

objective grading system. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2005 Sep;128(3):2928; discussion 298.

Dentofacial Orthop. 2009 Mar;135(3):276.e1-12; discussion 276-7. 12. Meier B, Wiemer KB, Miethke R. Invisalign—patient profiling. J Orofac Orthop.

23. Howells DJ, Shaw WC. The validity and reliability of ratings of dental and facial

2003 Sep;64(5):352-8.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

attractiveness for epidemiologic use. Am J Orthod. 1985 Nov;88(5):402-8.

70

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):64-70

artigo inédito

Análise fotométrica aplicada na determinação do tipo facial Luciana Flaquer Martins1, Julio Wilson Vigorito2

Introdução: em Ortodontia, a determinação do tipo facial é um elemento-chave na prescrição de um diagnóstico correto. Nos primórdios de nossa especialidade, a observação e a medição das estruturas craniofaciais eram feitas diretamente na face, em fotografias ou em modelos de gesso. Com o desenvolvimento dos métodos radiográficos, a análise cefalométrica foi substituindo a análise facial direta. Visando legitimar o estudo dos tecidos moles faciais, esse trabalho comparou a determinação do tipo facial pelos métodos antropométrico e cefalométrico. Métodos: a amostra constou de sessenta e quatro indivíduos brasileiros, adultos, leucodermas, de ambos os sexos, que aceitaram participar da pesquisa. De todos os indivíduos da amostra foram feitas telerradiografias laterais e fotografias faciais frontais, e os tipos faciais determinados pelo Índice Vert (cefalometricamente) e pelo Índice Facial (fotografias). Resultados: pela análise de concordância (Kappa), feita para os dois tipos de análise, encontramos uma concordância de 76,5%. Conclusões: foi possível considerar que o Índice Facial pode ser utilizado como um coadjuvante do diagnóstico ortodôntico, ou como método alternativo para pré-seleção de uma amostra, evitando que os sujeitos de pesquisas sejam submetidos a exames desnecessários. Palavras-chave: Técnicas de diagnóstico e procedimentos. Ortodontia. Antropometria.

INTRODUÇÃO Por inúmeras gerações, o homem se ocupa em observar e medir as características físicas do corpo humano1,2,3. Na Renascença, Leonardo da Vinci fez uma série de estudos sobre o corpo humano, caracterizando proporções e índices das estruturas anatômicas. Entre esses estudos,

podemos encontrar desenhos de diferentes tipos faciais, bem característicos, que até os dias de hoje podem ser encontrados em nossa sociedade4 (Fig. 1). Angle1, em 1899, salientou que, para que o ortodontista fosse capaz de diagnosticar corretamente as más oclusões, ele deveria, além de estar familiarizado

» Os pacientes que aparecem no presente artigo autorizaram previamente a publicação de suas fotografias faciais e intrabucais.

Como citar este artigo: Martins LF, Vigorito JW. Photometric analysis applied in determining facial type. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):71-5.

Doutora em Ortodontia, FOUSP. Professora Coordenadora de Especialização em Ortodontia, Faculdade CIODONTO – Unidade Santo André/SP.

Enviado em: 11 de junho de 2010 - Revisado e aceito: 06 de agosto de 2012.

1

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

Doutor em Ortodontia, USP. Professor de Ortodontia, FOUSP.

2

Endereço para correspondência: Luciana Flaquer Martins Rua das Caneleiras, 1074 – Santo André/SP – CEP: 09.090-050 E-mail: luflaquer@uol.com.br

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

71

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):71-5

Martins LF, Vigorito JW

CONCLUSÕES Nesse estudo, observou-se que a determinação do tipo facial pelo método fotométrico (Índice Facial) apresentou-se confiável quando comparado ao método cefalométrico (avaliado por meio do Índice Vert). Contudo, a análise facial fotométrica deve ser coadjuvante, ou complementar, e não substituta ao método cefalométrico, uma vez que, principalmente nos casos onde os valores do Vert são limítrofes entre um tipo facial e outro, os tecidos moles podem mascarar as características ósseas. Esses resultados corroboram a tendência atual de se fazer uma análise morfológica, onde a utilização de fotografias faciais para estudos ortodônticos e de cirurgias faciais é um aliado essencial para um diagnóstico seguro e com resultados satisfatórios. Outra possibilidade para a utilização de fotografias faciais padronizadas para a determinação do tipo facial consiste na seleção de amostras de estudos científicos de uma maneira menos invasiva para os pacientes, que não necessitarão de uma dose extra de radiação para saber se são elegíveis ou não para participar de um estudo que envolva dados referentes aos diferentes tipos faciais.

DISCUSSÃO A avaliação das características faciais é essencial para a execução de um bom diagnóstico ortodôntico, uma vez que o posicionamento das estruturas ósseas e dentárias certamente influencia na aparência dos tecidos moles1,2,6,7,10. Como a estética facial é um dos objetivos que devem ser alcançados pelos ortodontistas ao final do tratamento, uma boa análise facial, tanto qualitativa1,2,4 quanto quantitativa10,11,13, deve ser observada ao se delinear o plano de tratamento. Historicamente, os estudos ortodônticos foram sendo direcionados para a avaliação das características radiográficas dos tecidos duros do complexo craniofacial e para a comprovação científica de como essas características poderiam influenciar no posicionamento dos tecidos moles e sua influência na estética facial6,7. Dentre os estudos cefalométricos, está a determinação do tipo facial, que é decisiva para o planejamento ortodôntico. Uma das formas possíveis de determinar qual o tipo facial dos indivíduos por meio de análises cefalométricas é pelo cálculo do Índice Vert6,7. Outro método de definir-se o tipo facial é a determinação do Índice Facial fotométrico5,8-11. A fotometria é uma ferramenta da antropologia com a qual é possível se quantificar as características corpóreas dos indivíduos por meio de fotografias. A vantagem de se utilizar fotografias faciais orientadas nos estudos ortodônticos é que, além dos estudos de diagnóstico iniciais, é possível comparar o mesmo indivíduo em tempos diferentes do tratamento ou de seu crescimento, além de comparar indivíduos diferentes e encontrar características semelhantes entre eles, qualificando esses indivíduos como um grupo singular1,2,11. Como encontramos os tecidos duros influenciando no posicionamento dos tecidos moles, podemos deduzir, com esse resultado, que os tecidos moles faciais também podem dissimular características ósseas10. A porcentagem de diferença encontrada entre os tipos faciais determinados pelos métodos cefalométrico e fotográfico, a princípio, deve-se ao fato de que, cefalometricamente, há o estudo de estruturas ósseas em perfil, enquanto em fotografias avaliamos os tecidos moles dos indivíduos em norma frontal. Essa é a importância de vincularmos ao diagnóstico as análises cefalométrica e fotométrica.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

Referências

1.

Angle, EH Classification of malocclusion. Dent Cosmos. 1899;41:248-64.

2.

Angle EH. Treatment of malocclusion of the teeth: Angles System. Philadelphia (PA:

3.

Hohenstatt P. Masters of Italian Art - Leonardo da Vinci. Könemann:

4.

Herzberg BL. Facial esthetic in relation to orthodontic treatment. Angle Orthod.

5.

Montangu A. A handbook of anthropometry. Springfield: Thomas Publisher III; 1960.

6.

Ricketts RM. A foundation for cephalometric communication. Am J Orthod.

7.

Ricketts RM. Cephalometric synthesis. Am J Dentofacial Orthod. 1960;46(9):647-73.

8.

Farkas LG, Bryson W, Klotz J. Is photogrammetry of the face reliable? Plast Reconstr

9.

Daruge E, Zallaf CF. A biometria aplicada na identificação. RGO. 1985;33(2):153-55.

S.S. White Dental; 1907 Verlagsgesellschft; 1998. 1952;22(1):3-22.

1960;46(5):330-57.

Surg. 1980;66(3):346-55. 10. Jacobson A. Planning for orthognathic surgery - art or science? Int J Adult Orthodon Orthognath Surg. 1990;5(4):217-24. 11.

Martins LF. Análise fotométrica em norma frontal, de adultos, brasileiros, leucodermas, não tratados ortodonticamente, classificados pela estética facial [Dissertação]. São Bernardo do Campo (SP): UMESP, Faculdade de Odontologia; 2001.

12.

Gregoret J. Ortodontia e cirurgia ortognática. São Paulo (SP): Ed. Santos; 1999.

13.

Rino Neto J, Freire-Maia BAV, Paiva JB. Método de registro de posição natural da cabeça para obtenção da radiografia cefalométrica lateral – Considerações e importância do método no diagnóstico ortodôntico-cirúrgico. Dental Press. 2003;8(3):67-71.

75

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):71-5

artigo inédito

Alteração in vivo da coloração de ligaduras ortodônticas estéticas Andréia Viana Martins da Silva1, Giselle Vasconcelos de Mattos2, Carlos Mario Kato3, David Normando4

Objetivo: avaliar as alterações de cor ocorridas em elastômeros estéticos de quatro marcas comerciais, quando expostos ao meio bucal. Métodos: foram examinadas as quatro marcas comerciais mais citadas por ortodontistas — Morelli, Uniden, American Orthodontics (AO) e TP —, em 25 pacientes consecutivos. Os elastômeros foram distribuídos de forma aleatória e ordenados nas quatro hemiarcadas de cada paciente, permanecendo no meio bucal por 30 dias. Após esse período, duas unidades de cada marca em todos os pacientes foram fotografadas de forma padronizada para, posteriormente, serem analisadas através de avaliação visual quanto à variação de cor, por escores (0, 1, 2, 3), por um painel de quatro examinadores. Os escores médios dos examinadores foram analisados estatisticamente por meio da ANOVA e teste de Tukey, com p<0,05. Resultados: os escores médios de pigmentação, após 30 dias no meio intrabucal, obtidos para os elastômeros Morelli (1,80±0,78) e Uniden (1,92±0,66) não foram estatisticamente diferentes entre si. Entretanto, essas marcas estavam significativamente mais pigmentadas após 30 dias no meio intrabucal (p<0,01) quando comparadas às marcas importadas, American Orthodontics (0,97±0,6) e TP (0,83±0,79). Conclusão: apesar de todas as quatro marcas apresentarem uma indesejável pigmentação após 30 dias no meio intrabucal, as marcas American Orthodontics e TP apresentaram alterações de cor menos significativas do que as marcas Morelli e Uniden. Palavras-chave: Elastômeros. Pigmentação. Percepção visual.

1

Graduada em Odontologia, UFPA.

2

Especialista em Ortodontia, EAP/ABO-PA.

Como citar este artigo: Silva AVM, Mattos GV, Kato CM, Normando D. In vivo color changes of esthetic orthodontic ligatures. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):76-80.

3

Professor do curso de Especialização em Ortodontia, ABO-PA.

Enviado em: 08 de agosto de 2010 - Revisado e aceito: 13 de setembro de 2010

4

Especialista em Ortodontia, PROFIS-USP/Bauru. Mestre em Clínica Integrada, FOUSP. Doutor em Ortodontia, UERJ. Professor Adjunto de Ortodontia, UFPA. Coordenador do Curso de Especialização em Ortodontia, ABO-PA.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo. Endereço para correspondência: Andréia Viana MArtins da Silva Travessa Três de Maio, 1782, apto 3002 – São Braz – Belém/PA CEP: 66.063-390 – E-mail: andreia_vms@yahoo.com.br

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

76

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):76-80

Silva AVM, Mattos GV, Kato CM, Normando D

INTRODUÇÃO O avanço da Odontologia Estética e o aumento da procura pelo tratamento ortodôntico por pacientes adultos têm forçado a indústria a buscar novos produtos no mercado com o objetivo de tornar o aparelho ortodôntico cada vez esteticamente menos perceptível. Os braquetes colados pela face lingual dos dentes, os sistemas de alinhadores transparentes e os braquetes estéticos, produzidos com policarbonato, compósito, porcelana ou safira, exemplificam alguns desses produtos lançados pela indústria com o intuito de satisfazer as necessidades estéticas dos pacientes. Entretanto, a despeito da qualidade amplamente testada desses materiais antes do uso clínico, o ortodontista clínico reconhece que alguns desses produtos podem sofrer diversas alterações de suas propriedades, principalmente a alteração de cor por manchamento decorrente da ingestão de alimentos ou pelo contato com os fluidos bucais. Preocupações têm sido levantadas quanto à qualidade dos produtos e se uma empresa é superior à outra em termos de eficácia ou custo-benefício. Muitos estudos têm avaliado os efeitos do meio intrabucal nas propriedades elásticas de elastômeros, tais como declínio de força, atrito e alterações dimensionais1-7. Entretanto, a literatura revela uma preocupação menor dos pesquisadores quanto à análise do comportamento dos materiais ortodônticos após exposição ao meio bucal, principalmente sobre as mudanças no padrão estético. Os braquetes cerâmicos têm se tornado mais populares na clínica ortodôntica, nas últimas décadas, devido à sua boa estabilidade de cor; e uma queixa clínica muito comum entre ortodontistas e pacientes diz respeito às mudanças de cor dos elastômeros utilizados para amarrar os arcos ortodônticos a esses braquetes. A exposição prolongada a refrigerantes à base de cola é, comprovadamente, uma causa de mudanças de cor em compósitos restauradores, assim como especiarias e temperos podem causar manchas extrínsecas nos dentes8,9. Em Ortodontia, alguns estudos laboratoriais têm demonstrado que elastômeros de cor clara apresentam alteração de cor após serem mergulhados em líquidos com alta capacidade de pigmentação10,11,12. Esses estudos foram conduzidos in vitro, o que pode não representar outros inúmeros fatores presentes no meio bucal que poderiam contribuir para a alteração de cor, tais como a flora bucal, o efeito mecânico da escovação, os alimentos sólidos e semissólidos, também pigmentadores, entre tantos outros.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

Assim, parece inevitável admitir que um estudo in vivo representa uma análise mais realística da real mudança de cor desse material ortodôntico, após o seu uso clínico. Objetivo Analisar alterações de cor de elastômeros estéticos de quatro marcas comerciais, após a exposição ao meio bucal por um mês, por meio de uma análise visual. Material e Métodos Esse estudo avaliou quatro marcas comerciais de elastômeros ortodônticos estéticos: Morelli, lote 1268512 (Sorocaba/SP); Uniden, lote 040209E1-4 (Sorocaba/SP); American Orthodontics, lote 00182559 (Sheboygan, EUA); e TP, lote 1419028 (La Porte, EUA). Esses foram utilizados por 25 pacientes consecutivos em tratamento ortodôntico no Curso de Especialização em Ortodontia da ABO-Pará. As marcas foram selecionadas após pesquisa via e-mail, enviada a 100 ortodontistas brasileiros. Desses, 44 ortodontistas responderam à seguinte questão: Qual ligadura elástica estética você utiliza nos braquetes estéticos? Dois respondentes informaram que não usavam braquetes estéticos. Foram selecionadas as duas marcas comerciais nacionais e estrangeiras mais citadas pelos demais 42 ortodontistas. As marcas citadas nessa pesquisa foram: » Morelli (Sorocaba/SP) = 10. » Uniden (Sorocaba/SP) = 2. » TP (La Porte, EUA) = 8. » American Orthodontics (Sheboygan, EUA) = 11. » GAC (Bohemia, EUA) = 6. » 3M Unitek (St. Paul, EUA) = 3. » Orthosource (North Hollywood, EUA) = 1. » Tecnident (Porto Alegre/RS) = 1. O desenho do estudo foi do tipo split-mouth, randomizado, triplamente cego. Em cada paciente, as quatro marcas foram distribuídas por hemiarcada, de maneira aleatória ordenada (Fig. 1), permanecendo no meio bucal por um período de 30 dias. Os indivíduos participantes da pesquisa não obedeceram nenhum tipo de dieta específica. Após 30 dias, as ligaduras foram retiradas do meio bucal, separadas por hemiarcada, identificando-se as marcas por meio de números. Foram selecionadas para análise duas ligaduras, utilizadas nos dentes anteriores, de cada hemiarcada.

77

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):76-80

Alteração in vivo da coloração de ligaduras ortodônticas estéticas

artigo inédito

de um paciente para outro (Fig. 1). Isso pode ter ocorrido devido à dieta e hábitos de higiene bucal diferentes entre os participantes da pesquisa, o que pode interferir no grau de pigmentação apresentada por esse material ao longo do período do experimento. Estudos que correlacionem a dieta e a pigmentação dos elastômeros por meio da divisão em grupos experimentais poderiam ser realizados a fim de se determinar que tipos de alimentos teriam maior contribuição para a degradação estética desse material. Diante dos resultados obtidos, a indústria de materiais ortodônticos, principalmente a brasileira, deveria investir mais na busca de uma solução para a manutenção da estabilidade da cor clara dos elastômeros utilizados em braquetes cerâmicos. Essa proposição iria ao encontro da população de adultos que atualmente buscam tratamento ortodôntico, com uma exigência estética cada vez maior.

As marcas nacionais (Morelli e Uniden) tiveram um desempenho semelhante, porém inferior ao das marcas importadas (American Orthodontics e TP) que, por sua vez, também apresentaram manchamento similar (Tab. 2). A análise visual desenvolvida nessa pesquisa permitiu uma comparação direta entre quatro marcas comerciais mais utilizadas, segundo um questionário prévio respondido por e-mail, e responde a um questionamento muito comum entre os ortodontistas, sobre qual marca garante ao paciente uma maior estabilidade estética durante o período que se estende entre duas consultas de manutenção do aparelho ortodôntico. Tentativas prévias foram realizadas no sentido de examinar os resultados por meio da espectrofotometria (Minolta)10 e por meio de fotografias analisadas pelo software Adobe Photoshop, versão 10.0 (Adobe System Inc., San Jose, EUA)11. Entretanto, os resultados apresentaram uma alta variabilidade no exame de teste-reteste, principalmente para a espectrofotometria, devido a limitações da técnica, que exige uma área relativamente grande para análise da cor e sofre influência da curvatura dos elastômeros, conforme citado anteriormente11. Grandes variações no comportamento de elastômeros da mesma marca comercial foram observadas

Conclusão Os resultados dessa pesquisa revelaram que todas as quatro marcas apresentaram uma indesejável pigmentação após 30 dias de exposição ao meio intrabucal, embora as marcas American Orthodontics e TP tenham apresentado uma pigmentação menor do que as marcas Morelli e Uniden.

Referências

1.

Baccetti T, Franchi L. Friction produced by types of elastomeric ligatures in

7.

treatment mechanics with the preadjusted appliance. Angle Orthod. 2006 Mar;76(2):211-6. 2.

Jan;111(1):1-11.

Baty DL, Volz JE, von Fraunhofer JA. Force delivery properties of colored

8.

elastomeric modules. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1994 Jul;106(1):40-6. 3.

Dowling PA, Jones WB, Lagerstrom L, Sandham JA. An investigation into the

9.

10. Ardeshna AP, Vaidyanathan TK. Colour changes of orthodontic elastomeric module

Eliades T, Eliades G, Watts DC. Structural conformation of in vitro and in vivo aged

materials exposed to in vitro dietary media. J Orthod. 2009 Sep;36(3):177-85.

orthodontic elastomeric modules. Eur J Orthod. 1999 Dec;21(6):649-58. Eliades T, Eliades G, Silikas N, Watts DC. In vitro degradation of polyurethane

6.

De Genova DC, McInnes-Ledoux P, Weinberg R, Shaye R. Force degradation of

Abu-Bakr N, Han L, Okamoto A, Iwaku M. Color stability of compomer after immersion in various media. J Esthet Dent. 2000;12(5):258-63.

Aug;25(3):197-202.

5.

Fay RM, Servos T, Powers JM. Color of restorative materials after staining and bleaching. Oper Dent. 1999 Sept-Oct;24(5):292-6.

behavioural characteristics of orthodontic elastomeric modules. Br J Orthod. 1998 4.

Taloumis LJ, Smith TM, Hondrum SO, Lorton L. Force decay and deformation of orthodontic elastomeric ligatures. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1997

11.

Kim SH, Lee YK. Measurement of discolouration of orthodontic elastomeric modules with a digital camera. Eur J Orthod. 2009 Oct;31(5):556-62.

orthodontic elastomeric modules. J Oral Rehabil. 2005 Jan;32(1):72-7.

12. Lew KK. Staining of clear elastomeric modules from certain foods. J Clin Orthod. 1990 Aug;24(8):472-4.

orthodontic elastomeric chains a product comparison study. Am J Orthod. 1985 May;87(5):377-84.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

80

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):76-80

artigo inédito

Habilidade de ortodontistas e leigos na percepção da redução gradual da exposição dentogengival durante o sorriso Elaine Cristina da Silva Barros1, Marielly Damiana Oliveira de Carvalho1, Karina Corrêa Flexa Ribeiro Mello2, Patrícia Botelho3, David Normando4

Objetivo: avaliar a diferença na percepção de ortodontistas e leigos quanto à redução da exposição dentogengival no sorriso. Métodos: no total, 60 avaliadores de ambos os sexos (30 leigos e 30 ortodontistas) avaliaram fotografias do sorriso espontâneo de dois indivíduos, um do sexo masculino e um do feminino. A partir das imagens originais, a altura do sorriso foi modificada usando-se um programa de manipulação de imagens. Os examinadores emitiram notas de 0 a 10, conforme o nível de agradabilidade. A reprodutibilidade do método foi examinada através do teste de Wilcoxon, enquanto os testes de Friedman e Wilcoxon (P<0,05) foram utilizados para observar as diferenças intra e interexaminadores, respectivamente. Resultados: os resultados demonstraram não haver diferença entre os grupos de avaliadores com relação à estética quando a altura de ambos os sorrisos foi modificada. Entretanto, o sorriso do indivíduo do sexo masculino teve menor aceitabilidade do que o sorriso feminino. Uma suave redução na exposição dentogengival no sorriso (2mm) não foi percebida por leigos ou ortodontistas (p>0,05). Conclusão: o sorriso do indivíduo do sexo feminino recebeu notas mais altas do que o do masculino; entretanto, amostras envolvendo um maior número de indivíduos em cada grupo são necessárias para confirmar se a observação estaria relacionada ao sexo do indivíduo examinado. Palavras-chave: Estética dentária. Sorriso. Ortodontia.

Como citar este artigo: Barros ECS, Carvalho MDO, Mello KCFR, Botelho P, Normando D. The ability of orthodontists and laypeople in the perception of gradual reduction of dentogingival exposure while smiling. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):81-6.

Graduada em Odontologia pela UFPA. Especialista em Ortodontia pela EAP/ABO-PA.

1

Graduada em Odontologia pela UFPA. Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial pela EAP/ABO-PA. Professora do curso de especialização em Ortodontia da EAP/ABO-PA. Mestranda, Faculdade São Leopoldo Mandic, do programa de pósgraduação em Radiologia.

2

3

Enviado em: 13 de dezembro de 2010 - Revisado e aceito: 12 de julho de 2012 » Os pacientes que aparecem no presente artigo autorizaram previamente a publicação de suas fotografias faciais e intrabucais.

Graduada em Odontologia pela UFPA. Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial pela APCD São José dos Campos/SP. Mestranda em Imaginologia Orofacial pela SLM Campinas/SP.

4

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

Especialista em Ortodontia pela PROFIS-USP/Bauru. Mestre em Clínica Integrada pela FOUSP. Doutor em Odontologia (Ortodontia) pela UERJ. Professor Adjunto da Disciplina de Ortodontia da UFPA. Coordenador do Curso de Especialização em Ortodontia da ABO-PA.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

Endereço para correspondência: David Normando Rua Boaventura da Silva, 567, apto 1201, CEP: 66.055-090 - Belém/PA E-mail: davidnormando@hotmail.com

81

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):81-6

artigo inédito

Habilidade de ortodontistas e leigos na percepção da redução gradual da exposição dentogengival durante o sorriso

Referências

1.

Pinho S, Ciriaco C, Faber J, Lenza M A. Impact of dental asymmetries on the

17.

perception of smile esthetics. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2007;132:748-53. 2.

PecK S, Peck L. Selected aspects of the art and science of facial esthetics. Semin

Dez;11(6):130-56.

Orthod. 1995;1:105-26. 3.

18. Câmara CA. Estética em ortodontia seis linhas horizontais do sorriso. Rev Clín

Tjan AHL, Miller GD, The JGP. Some esthetic factors in a smile. J Prosthet Dent.

Ortodon Dental Press. 2010 Jan-Feb;15(1):118-31.

1984 Jan;51(1):24-8. 4.

19. Bos A, Hoogstraten J, Prahl-Andersen B. Expectations of treatment and satisfaction

Isiksal E, Hazar S, Akyalçin S. Smile esthetics: Perception and comparison of treated

with dentofacial appearance in orthodontic patients. Am J Orthod Dentofacial

and untreated smiles. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006;129:8-16. 5.

Orthop. 2003;123:127-32.

Rosenstiel S F, Pappas M, Pulido M T, Rashid R G. Quantification of the esthetics of

20. Panossian AJ, Block MS. Evaluation of the smile: facial and dental considerations. J

dentists’ before and after photographs J Dent. 2009;37 Suppl 1:e64-9. 6.

Oral Maxillofac Surg. 2010;68:547-54.

Cardoso IL. Desenho estético do sorriso: identificação dos parâmetros de

21. Schabel BJ, McNamara Jr JA, Franchi L, Baccetti T. Q-sort assessment vs visual

normalidade. Rev Clín Ortodon Dental Press. 2009 Out-Nov;8(5):68-73. 7.

analog scale in the evaluation of smile esthetics. Am J Orthod Dentofacial Orthop.

Sarver DM. The importance of incisor positioning in the esthetics smile: the smile

2009;135:S61-71.

arc. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2001;120:98-111. 8.

22. Caetano SRO, Telles CS. Estética do sorriso: relação dos lábios com os dentes e

Loi H, Nakata S, Counts ML. Effects of buccal corridors on smile esthetics in

alinha do sorriso. J Bras Ortodon Ortop Facial. 2005;10(58):421-9.

Japanese. Angle Orthodontist. 2009;79(4):628-33. 9.

23. Rodrigues CDT, Magnani R, Machado MSC, Oliveira Jr OB. The perception of smile

Van der Geld P, Oosterveld P, Heck G V, Kuijpers-Jagtman A M. Smile

attractiveness. Angle Orthodontist. 2009;79:634-39.

attractiveness. Angle Orthod. 2007;77(5):759-65.

24. Desai S, Upadhyay M, Nanda R. Dynamic smile analysis: Changes with age. Am J

10. Peck S, Peck L, Kataja M. The gingival smile line. Angle Orthod. 1999;62(2):91-100;

Orthod Dentofacial Orthop. 2009;136:310.e1-310.e10.

discussion 101-2. 11.

Câmara CALP. Estética em ortodontia: diagramas de referências estéticas dentárias (DRED) e faciais (DREF). Rev Clín Ortodon Dental Press. 2006 Nov-

25. Ackerman M B, Brensiger C, Landis R. An evaluation of dynamic lip-tooth

Peck S, Peck L, Kataja M. Some vertical lineaments of lip position. Am J Orthod

characteristics during speech and smile in adolescents. Angle Orthodontist.

Dentofacial Orthop. 1992;101:519-24.

2004;74:43-50.

12. Pagani C, Bottino M C. Proporção áurea e a odontologia estética. J Bras Dent Estet.

26. Hunt O, Jonhston C, Hepper P, Burden D, Stevenson M. The influence of

2003;2(5):80-5.

maxillary gingival exposure on dental attractiveness ratings Eur J Orthod. 2002

13. Ker A J, Chan R, Fields H W, Beck M Rosenstiel S. Esthetics and smile

Apr;24(2):199-204.

characteristics from the layperson’s perspective. JADA 2008; 139(10): 1318-1327.

27. Schabel B J, Franchi L, Baccetti T, McNamara Jr J A. Subjective vs objective

14. Kokich VO Jr, Kiyak HA, Shapiro PA. Comparing the perception of dentists and lay

evaluations of smile esthetics. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2009;135:S72-9. 28. Kokich VO Jr., Kokich VG, Kiyak HA. Perceptions of dental professionals and

people to altered dental esthetics. J Esthet Dent. 1999;11:311-24. 15. Geron A, Atalia W. Influence of sex on the perception of oral and smile esthetics

laypersons to altered dental esthetics: asymmetric and symmetric situations. Am J

with different gingival display and incisal plane inclination. Angle Orthod.

Orthod Dentofacial Orthop. 2006;130(2):141-51.

2005;75(5):778-84.

29. Peck S. An evaluation of smiles. Angle Orthod. 1993;63(3):190.

16. Silva NCF, Aquino ERB, Mello KCR, Mattos JNR, Normando D. Habilidade de ortodontistas e leigos na percepção de assimetrias da mandíbula. Dental Press J Orthod. 2011 Ago;16(4):38e1-38E8.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

86

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):81-6

artigo inédito

Análise da proporção largura/altura e zênite gengival em pacientes com agenesia bilateral do incisivo lateral superior Núbia Inocencya Pavesi Pini1, Luciana Manzotti De-Marchi2, Bruno Frazão Gribel3, Adilson Luiz Ramos4, Laurindo Zanco Furquim5, Renata Corrêa Pascotto6

Objetivo: o propósito desse estudo foi analisar, por meio de modelos de estudo e paquímetro digital, a proporção largura/altura e o zênite gengival (ZG) em pacientes com agenesia bilateral do incisivo lateral superior após o tratamento. Métodos: a amostra consistiu de 52 voluntários divididos em 3 grupos: GBR (n=18), pacientes com agenesia bilateral tratados com reanatomizações dentárias; GBI (n=10), pacientes com agenesia bilateral tratados com implantes; e GC (n=24), grupo controle. Os dados foram avaliados por meio dos testes de Shapiro-Wilk, Wilcoxon, Kruskal-Wallis, teste t, ANOVA (p<0,05) e correlação de Spearman. Resultados: para a proporção largura/altura dos incisivos laterais, o GBI apresentou menores valores (0,72 direito e esquerdo), quando comparado aos demais. Porém, a comparação intergrupos revelou diferenças estatisticamente significativas para o incisivo lateral direito (GBI x GC) e para o canino (GBR x GC). A avaliação das medianas obtidas para o ZG demonstrou que o GBR foi o mais destoante (0,5 direito e 0,48 esquerdo), e que o GBI (0,95 direito e 0,98 esquerdo) e o GC (0,98 direito e 0,8 esquerdo) apresentaram valores semelhantes, sem diferença estatisticamente significativa (p>0,05). Os valores obtidos para os lados direito e esquerdo foram considerados iguais dentro de cada grupo. Conclusão: embora não tenham sido encontradas diferenças estatísticas na comparação entre os grupos, pela análise descritiva dos dados, o GBI foi o grupo que apresentou as medidas mais destoantes dos demais em relação à proporção largura/altura, sendo que, para o zênite gengival, a maior diferença observada foi no GBR. Palavras-chave: Anodontia. Ortodontia. Implantes dentários.

Como citar este artigo: Pini NIP, De-Marchi LM, Gribel BF, Ramos AL, Furquim LZ, Pascotto RC. Analysis of width/height ratio and gingival zenith in patients with bilateral agenesis of maxillary lateral incisor. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):87-93.

Estudante de mestrado em Dentística na FOP/Unicamp.

1

Mestre em Odontologia Integrada, UEM. Professora do Departamento de Odontologia do Cesumar.

2

3

Enviado em: 09 de abril de 2011 - Revisado e aceito: 28 de janeiro de 2012.

Mestre em Odontologia, PUC/MG. Aperfeiçoamento em Post Doctoral Resident, University of Michigan. Estudante de doutorado em Radiologia na FOP/Unicamp.

4

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

Mestre em Ortodontia, FOB/USP. Doutor em Ortodontia, UNESP. Professor Adjunto de Graduação em Odontologia, UEM. Professor de Especialização em Ortodontia, UEM, AMO e CESUMAR.

Endereço para correspondência: Núbia Pavesi Pini Rua Madre Cecília, 1560 – bloco F, apto. 43 – Centro CEP: 13.400-490 – Piracicaba/SP E-mail: nubiapini01@gmail.com

Doutor em Patologia Bucal, FOB/USP. Professor Adjunto de Graduação em Odontologia, UEM. Professor de Especialização em Ortodontia, UEM, AMO e CESUMAR.

5

Mestre e Doutora em Dentística, USP. Professora Adjunta de Graduação em Odontologia, UEM.

6

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

87

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):87-93

artigo inédito

Análise da proporção largura/altura e zênite gengival em pacientes com agenesia bilateral do incisivo lateral superior

INTRODUÇÃO As agenesias dentárias na região anterossuperior comprometem o equilíbrio e a simetria do sorriso, interferindo negativamente nos relacionamentos interpessoais e na autoestima do paciente1,2. Atualmente, a estética do sorriso está relacionada a diversos parâmetros e, dessa forma, todos os profissionais envolvidos no tratamento da agenesia dos incisivos laterais buscam alcançar os objetivos estéticos dentofaciais. A proporção largura/altura dos dentes e o zênite gengival adequados são características desejáveis para o sorriso, segundo a literatura atual na área da cosmética. Podem, então, ser referências para o tratamento reabilitador estético3,4,5, como o necessário para pacientes com agenesia. Diferentes autores6-12 vêm estudando esses princípios estéticos mencionados, contudo, há pouca informação sobre como eles têm sido aplicados para o tratamento reabilitador de pacientes com agenesia. O tratamento de pacientes com agenesia unilateral ou bilateral de incisivos laterais superiores é um desafio interdisciplinar que requer correto diagnóstico e um planejamento individual que possa devolver a função e estética do sorriso em longo prazo13,14,15. As opções de tratamento comumente indicadas para esses pacientes são o fechamento de espaços e reanatomização dos caninos em incisivos laterais, ou a abertura/manutenção dos espaços para colocação de implantes dentários16-20. Seja qual for a opção escolhida, os procedimentos realizados pelo ortodontista são necessários para melhor posicionar o canino (torque de coroa adequado e nivelamento da margem gengival) previamente à sua transformação em incisivo lateral, ou para adequar a largura da área da agenesia receptora do implante à largura de um incisivo lateral natural15,21,22. O presente estudo se propôs a analisar a proporção largura/altura e o zênite gengival dos dentes anteriores de pacientes com agenesia do incisivo lateral superior após o tratamento com fechamento de espaço e reanatomizações dentárias ou com a abertura de espaço e colocação de implantes; e, ainda, discutir a aplicabilidade de tais princípios estéticos e o seu relacionamento com a estética final dos pacientes com agenesia do incisivo lateral superior.

vididos em dois grupos, de acordo com o tratamento realizado: GBR (n=18), pacientes com agenesia bilateral tratada com fechamento ortodôntico de espaços e reanatomizações dentárias; e GBI (n=10), pacientes com agenesia bilateral tratada com abertura de espaço e colocação de implantes. O grupo controle (GC) foi composto por 24 pacientes, selecionados usando-se os seguintes critérios: (1) o paciente nunca realizou tratamento ortodôntico ou ortopédico; (2) não apresenta histórico de dor facial no último ano; (3) não faz uso de placa de bruxismo; (4) presença de todos os dentes na boca, exceto terceiros molares; (5) sem discrepância de bases ósseas; com (6) bom alinhamento dentário. Os pacientes do grupo GBR e GBI foram avaliados, em média, por 5,03 anos e 3,08 anos, respectivamente, após a conclusão do tratamento reabilitador interdisciplinar. Todos os pacientes foram convidados a participar dessa pesquisa e assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Estadual de Maringá (Parecer n° 582/2009). Para a avaliação dos princípios estéticos, foram obtidos modelos de estudo confeccionados em gesso ortodôntico (Asfer – Asfer Indústria Química Ltda, São Caetano do Sul/SP), a partir de moldagens com alginato (Jeltrate Plus – Dentsply, Petrópolis/RJ), de todos os pacientes. A largura (L) e a altura (H) dos dentes foram medidas nos próprios modelos, com auxílio de um paquímetro digital (Mitutoyo, São Paulo/SP), e a proporção largura/altura (L/H) de cada dente foi calculada pela divisão da largura pela altura. O nível do zênite gengival (ZG) dos incisivos laterais superiores (ILS) foi avaliado em relação a uma linha tangente aos ZG dos caninos e incisivos centrais, desenhada nos modelos de estudo dos pacientes (Fig. 1). A distância entre essa linha e o ZG dos ILS foi medida com um paquímetro digital sob magnificação de 4x.

Material e Métodos Para esse estudo, foram selecionados 28 pacientes com agenesia bilateral do incisivo lateral superior, di-

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

Figura 1 - Análise do zênite gengival do incisivo lateral superior obtido a partir de uma linha tangente aos ZG dos caninos e incisivos centrais, desenhada nos modelos de estudo dos pacientes.

88

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):87-93

Pini NIP, De-Marchi LM, Gribel BF, Ramos AL, Furquim LZ, Pascotto RC

princípios de proporções estéticas no tratamento de pacientes com agenesia do incisivo lateral superior. É preciso continuar essas análises tanto com um maior número de pacientes, para que as diferenças intergrupos e padrões possam ser estabelecidas, como com um controle desses pacientes, para que a estética dos tratamentos também seja avaliada em longo prazo.

pacientes com agenesia bilateral de incisivos laterais tratados com reanatomização (GBR) ou implantes (GBI) e o grupo controle (GC); porém, comparando-se as medianas encontradas para os incisivos laterais, o GBI apresentou valores menores que o GBR e o GC. » Em relação ao zênite gengival, o GBR foi o grupo mais destoante dos demais, apresentando valores negativos para esse dado, o que evidencia que a reposição dos incisivos laterais e caninos por caninos e pré-molares reanatomizados, respectivamente, não contempla a formação do triângulo gengival, como preconizado esteticamente.

Conclusões De acordo com os resultados obtidos na avaliação dos três grupos, pode-se concluir que: » Não houve diferença estatisticamente significativa para a proporção largura/altura entre os

Referências

1.

Araújo EA, Oliveira DS, Araújo MT. Diagnostic protocol in cases of congenitally

19. Nordquist GC, McNeill RW. Orthodontic vs. restorative treatment of the

missing maxillary lateral incisors. World J Orthod. 2006;7:376-388. 2.

congenitally absent lateral incisor – long term periodontal and occlusal

Cunningham SJ, O’Brien C. Quality of life and orthodontics. Seminars in Orthod.

evaluation. J Period. 1975;46:139-43.

2006;13(2):96-103. 3.

20. Tuverson DL. Orthodontic treatment using canines in place of missing lateral

Fradeane M. Evaluation of dentolalabial parameters as part of a comprehensive

incisors. Am J Orthod Dentof Orthop. 1970;58:109-27.

esthetic analysis. Eur J Esthet Dent. 2006;1(1):62-69. 4.

21. Sunguino R, Furquim LZ. Uma abordagem estética e funcional do tratamento

Magne P. Bonded porcelain restorations in the anterior dentition: a biomimetic

ortodôntico em pacientes com agenesias de incisivos laterais superiores. R

approach. Chicago (IL): Quintessence; 2002. 5.

Goldstein RE. Esthetics in Dentistry. 2nd Ed. London: Hamilton; 1998. p. 11-49.

6.

Chu SJ, Tan JHP, Stappert CFJ, Tarnow DP. Gingival zenith positions and levels of

Dental Press Ortodont Ortop Facial. 2003;8(6):119-57. 22. Zachrisson BU. Improving the esthetic outcome of canine substitution for missing maxillary lateral incisors. World J Orthod. 2007;8:72-9.

the maxillary anterior dentition. J Esthet Restor Dent. 2009;21(2):113-120. 7.

23. Ker AJ, Chan R, Fields HW, Beck M, Rosentiel S. Esthetics and smile

Mattos CML, Santana RB. A quantitative evaluation of the spatial displacement

characteristics from the layperson’s perspective: A computer-based survey

of the gingival zenith in the maxillary anterior dentition. J Periodontol.

study. J Am Dent Assoc. 2008;139:1318-27.

2008;79(10):1880-5. 8.

24. Cappiello M, Luongo R, Di Lorio R, Bugea C, Cocchetto R, Celltti R. Evaluation of

Zlataric DK, Kristek E, Celebic A. Analysis of width/length ratios of normal clinical

peri-implant bone loss around platform-switched implants. Int J Period Restor

crowns of the maxillary anterior dentition: Correlation between dental proportions

Dent. 2008;28(4):346-55.

and facial measurements. Int J Prosthod. 2007;20:313-5. 9.

25. Guirado JLC, Yuguero MRS, Zamora GP, Barrio EM. Immediate

Hasanreisoglu U, Berskun S, Aras K, Arslan I. An analysis of maxillary anterior

provisionalization on a new implant design for esthetic restoration and

teeth: Facial and dental proportions. J Prosthet Dent. 2005;94:530-8.

preserving crestal bone. Impl Dent. 2007;16(2):155-64.

10. Magne P; Galluci GO. Belser UC. Anatomic crown width/length ratios of unworn

26. Hermann F, Lerner H, Palti A. Factors influencing the preservation of the

and worn teeth in white subjects. J Prosthet Dent. 2003;89:453-61. 11.

periimplant marginal bone. Imp Dent 2007;16(2):165-175.

Sterret JD, Oliver T, Robinson F, Fortson W, Knaak B, Russel CM. Width/length

27. Kokich VO, Kokich VG, Kiyak HA. Perceptions of dental professionals and

ratios of normal clinical crowns of the maxillary anterior dentition in man. J

laypersons to altered dental esthetics: Asymmetric and symmetric situations.

ClinPeriodontol. 1999;26:153-7.

Am J Orthod Dentofac Orthop. 2006;2:141-51.

12. Gillen RJ, Schwartz RS, Hilton TJ, Evans DB. An analysis of selected normative tooth

28. Kokich Jr VO, Kiyak HA, Shapiro PA. Comparing the perception of dentists and

proportions. Int J Prosthodont. 1994;7:410-7.

lay people to altered dental esthetics. J Esthet Dent. 1999;6:311-24.

13. Sabri R. Management of missing lateral incisors. J Am Dent Assoc. 1999;130:80-4.

29. Sarver DM. Principles of cosmetic dentistry in orthodontics. Part 1: Shape

14. Turpin LT. Treatment of missing lateral incisors. Am J Orthod Dentofacial Orthop.

and proportionality of anterior teeth. Am J Orthod Dentofacial Orthop.

2004 Feb;125(2):129.

2004;126:749-53.

15. Rosa M, Zachirisson BU. Integrating esthetic dentistry and space closure in

30. Davis NC. Smile design. Dent Clin N Am. 2007;52:299-318.

patients with missing maxillary lateral incisors. J Clin Orthod. 2001;35(4):221-33.

31. Richardson G, Russel KA. Congenitally missing maxillary lateral incisors and

16. Robertsson S, Mohlin B. The congenitally missing upper lateral incisor. A

orthodontic treatment considerations for the single-tooth implant. J Can Dent

retrospective study of orthodontic space closure versus restorative treatment. Eur J

Assoc. 2001;67:25-28.

Orthod. 2005;22:697-710. 17.

32. Thilander B, Ödman J, Lekholm U. Orthodontic aspects of the use of

Araújo EA, Oliveira DS, Araújo MT. Diagnostic protocol in cases of congenitally

oral implants in adolescents: a 10 year follow-up study. Eur J Orthod.

missing maxillary lateral incisors. World J Orthod. 2006;7: 376-88.

2001;23(6):715-31.

18. Senty EL. The maxillary cuspid and missing lateral incisors: Esthetics and occlusion.

33. Kinzer GA, Kokich Jr VO. Managing Congenitally Missing Lateral Incisors Part

Angle Orthod. 1976;46:365-71.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

III: single-tooth implants. J Esthet Rest Dent. 2005;17:202-10.

93

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):87-93

artigo inédito

Avaliação das alterações no sorriso após a expansão rápida da maxila Ana Paula Morales Cobra de Carvalho1, Fernanda Cavicchioli Goldenberg2, Fernanda Angelieri3, Danilo Furquim Siqueira4, Silvana Bommarito5, Marco Antonio Scanavini6, Lylian Kazumi Kanashiro7

Introdução: esse estudo avaliou as alterações das características do sorriso de pacientes com atresia maxilar submetidos à expansão rápida da maxila (ERM). Métodos: a amostra consistiu de 81 fotografias extrabucais do sorriso máximo de 27 pacientes, com idade média de 10 anos, antes da expansão e aos três e seis meses após a fixação do parafuso expansor. As análises das fotografias foram realizadas por meio do programa Cef X 2001, e as seguintes medidas foram analisadas: dimensão transversal do sorriso, corredores bucais, quantidade de exposição dos incisivos superiores, exposição gengival dos incisivos superiores, altura do sorriso, espessuras dos lábios superior e inferior, simetria e arco do sorriso. As alterações no sorriso durante as diferentes fases foram avaliadas por meio da análise de variância (ANOVA), seguida pelo teste de comparações múltiplas de Bonferroni, com nível de significância de 5%. Resultados: a ERM promoveu aumento estatisticamente significativo da dimensão transversal do sorriso e da quantidade de exposição dos incisivos centrais e laterais superiores; manutenção da simetria entre os lados direito e esquerdo e da falta de paralelismo entre a curvatura das bordas dos incisivos superiores e a do lábio inferior. Conclusão: a ERM beneficiou a estética do sorriso com o aumento da dimensão transversal do sorriso e da quantidade de exposição dos incisivos centrais e laterais superiores. Palavras-chave: Ortodontia. Sorriso. Ortodontia interceptora.

1

Mestre em Ortodontia, Universidade Metodista de São Paulo.

2

Doutora em Ciências, Unifesp.

3

Professora Associada do Programa de Pós-graduação em Odontologia, área de concentração Ortodontia, Universidade Metodista de São Paulo.

4

Professor do Programa de Graduação e Pós-graduação em nível de Especialização e Mestrado, usc/Bauru.

5

Professora Adjunta II do Departamento de Fonoaudiologia, Unifesp/epm. Professor responsável pelo Ambulatório de Motricidade Orofacial do curso de Fonoaudiologia, Unifesp/epm.

6

Coordenador do Programa de Pós-graduação em Odontologia, Universidade Metodista de São Paulo.

7

Mestre e Doutora em Ortodontia, fousp. Professora e Doutora em Ortodontia, fousp.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

Como citar este artigo: Carvalho APMC, Goldenberg FC, Angelieri F, Siqueira DF, Bommarito S, Scanavini MA, Kanashiro LK. Assessment of changes in smile after rapid maxillary expansion. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):94-101. Enviado em: 07 de novembro de 2011 - Revisado e aceito: 28 de junho de 2012. » Os pacientes que aparecem no presente artigo autorizaram previamente a publicação de suas fotografias faciais e intrabucais. » Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo. Endereço para correspondência: Ana Paula M. C. de Carvalho Rua Cantagalo, 630, ap. 102 – Tatuapé CEP: 03.319-000 – São Paulo/SP E-mail: anapaula1007@hotmail.com

94

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):94-101

Carvalho APMC, Goldenberg FC, Angelieri F, Siqueira DF, Bommarito S, Scanavini MA, Kanashiro LK

Referências

1.

Sabri R. The eight components of a balanced smile. J Clin Orthod. 2005;39(3):155-67.

2.

Ackerman MB, Ackerman JL. Smile analysis and design in the digital era. J Clin

17.

e aplicações clínicas. São Paulo (SP): Ed. Santos; 1996. p. 49-57.

Orthod. 2002;36(4):231-6. 3.

18. Dahlberg G. Statistical methods for medical and biological students. New York

Sarver DM. The importance of incisor positioning in the esthetic smile: the smile

(NY): Interscience; 1940.

arc. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2001;120(2):98-111. 4.

19. Neter J, Kutner MH, Nachtsheim CJ, Wasserman W. Applied Linear Statistical

Sarver DM, Ackerman MB. Dynamic smile visualization and quantification: part

Models. 4th ed. Chicago (IL): Richard D. Irwing; 1996.

2. Evolution of the concept and dynamic records for smile capture. Am J Orthod

20. Singer JM, Andrade DF. Analysis of longitudinal data. In: Handbook of Statistics:

Dentofac Orthop. 2003;124(2):116-27. 5. 6.

Bio-Environmental and Public Health Statistics. Amsterdam: PK Sen and CR Rao;

Wong NKC, Kassim AA, Foong KWC. Analysis of esthetic smiles by using

2000. p. 115-60.

computer vision techniques. Am J Orthod Dentofac Orthop. 2005;128:404-11.

21. Geran RG, McNamara Jr JA, Baccetti T, Shapiro LM. A prospective long term study

Haas AJ. Palatal expansion: Just the beginning of dentofacial orthopedics. Am J

on the effects of rapid maxillary expansion in the early mixed dentition. Am J

Orthod. 1970;57(3):219-55. 7.

Orthod Dentofac Orthop. 2006;129(5):631-40.

Martins LF. Análise fotométrica em normas frontal de adultos brasileiros,

22. Haas AJ. The treatment of maxillary deficiency by opening midpalatal suture.

leucodermas, não tratados ortodonticamente, classificados pela estética facial

Angle Orthod. 1965;35(3):200-17.

[Dissertação]. São Bernardo do Campo (SP): Universidade Metodista de São Paulo,

23. Berger JL, Pangrazio-Kulbersh V, Thomas BW, Kaczynski R. Photographic analysis

Faculdade de Odontologia; 2002. 8.

of facial changes associated with maxillary expansion. Am J Orthod Dentofac

Moskowitz ME, Nayyar A. Determinants of dental esthetics: a rationale for smile

Orthop. 1999;116:563-71.

analysis and treatment. Comp Cont Ed Dent. 1995;16:1164-86. 9.

24. Sarver DM, Ackerman JL. Orthodontics about face: the re-emergence of the

Basting RT, Trindade RS, Flório FM. Comparative study of smile analysis by

esthetic paradigm. Am J Orthod Dentofac Orthop. 2000;117(5):575-6.

subjective and computerized methods. Oper Dent 2006;31(6):652-9.

25. Ritter DE, Gandini Jr LG, Pinto AS. Analysis of the smile photograph. World J

10. Sarver DM, Ackerman MB. Dynamic smile visualization and quantification: part

Orthod. 2006;7(3):279-85.

1. Evolution of the concept and dynamic records for smile capture. Am J Orthod

26. McNamara Jr AJ, Ackerman MB, Baccetti T. Hard and soft tissue contributions to

Dentofac Orthop. 2003;124(1):4-12. 11.

Viazis AD. Avaliação do tecido mole. In: Viazis AD. Atlas de Ortodontia: Princípios

the esthetics of the posed smile in growing patients seeking orthodontic treatment.

Cohen M, Silverman E. A new and simple palate splitting device. J Clin Orthod.

Am J Orthod Dentofac Orthop. 2008;133(4):491-500.

1973;7(6):368-9.

27. Brandt S. Interview with Dr. Andrew J. Haas. J Clin Orthod. 1973;7(4):227-45.

12. Haas AJ. Rapid expansion of the maxillary dental arch and nasal cavity by opening

28. Chang C, Font B. Skeletal and dental changes in the sagittal, vertical, and transverse

the midpalatal suture. Angle Orthod. 1960;31(2):73-90.

dimensions after rapid palatal expansion. Am J Orthod Dentofac Orthop.

13. Trevisan F. Análise Fotogramétrica e subjetiva do perfil facial de jovens brasileiros,

2004;126:569-75. 29. Silva Filho OG, Villas-Boas MC, Capelozza Filho L. Rapid maxillary expansion in the

leucodermas, com oclusão normal [Dissertação]. São Bernardo do Campo (SP): Universidade Metodista de São Paulo, Faculdade de Odontologia; 2003.

primary and mixed dentitions: a cephalometric evaluation. Am J Orthod Dentofac

14. Chui CS, Clark RKF. Reproducibility of natural head position. J Dent. 1991;19:130-1.

Orthop. 1991;100:171-81. 30. Wertz RA. Skeletal and dental changes accompanying rapid midpalatal suture

15. Lundström A. A comparison between estimated and registered natural head posture. Eur J Orthod. 1991;13:59-64.

opening. Am J Orthod. 1970;58(1):41-61.

16. Strauss RA. Variability of facial photographs for use in treatment planning for orthodontic and orthognatic surgery. Int J Adult Orthod Orthog Surg. 1997;12(3):197-203.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

101

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):94-101

artigo inédito

Percepção estética e valorização econômica dos aparelhos ortodônticos por adultos brasileiros leigos Daniela Feu1, Fernanda Catharino2, Candice Belchior Duplat3, Jonas Capelli Junior4

Objetivo: avaliar a percepção de brasileiros adultos leigos para diferentes aparelhos ortodônticos e sua influência na valorização econômica do tratamento, considerando o nível socioeconômico, idade e sexo dos avaliadores. Métodos: oito combinações de aparelhos ortodônticos e alinhadores foram colocadas em um adulto com bom alinhamento dentário, e fotografias frontais foram feitas para compor um álbum de imagens de pesquisa. Uma amostra de adultos (n = 252, mediana = 26 anos) classificou cada imagem por (1) atratividade, em uma escala visual analógica, e (2) disposição a pagar a mais para realizar o tratamento com um aparelho estético em relação a um aparelho metálico e em relação a um alinhador. Comparações da atratividade dos aparelhos foram realizadas utilizando-se o teste de Friedman e o post-hoc de Dann. A correlação entre a valorização econômica, nível socioeconômico, idade, sexo e percepção estética foi calculada com a análise de correlação de Spearman. Resultados: a atratividade dos aparelhos ortodônticos variou significativamente, na seguinte hierarquia: alinhadores > aparelhos de safira > aparelhos metálicos tradicionais e autoligáveis > aparelhos dourados. A correlação entre a atratividade dos aparelhos e a disposição em pagar mais por eles foi fraca. Contudo, ter melhor nível socioeconômico e idade entre 17 e 26 anos aumentou significativamente a disposição de pagar dos avaliadores. Conclusões: alinhadores e braquetes de safira com fio estético foram considerados as opções de maior atratividade para essa amostra. Entretanto, os avaliadores não estiveram dispostos a pagar a mais para realizar seus tratamentos com os dispositivos que julgaram mais estéticos, sendo, contudo, significativamente influenciados por seu nível socioeconômico e idade. Palavras-chave: Aparelhos ortodônticos. Estética. Ortodontia corretiva. Análise de custo-benefício.

Como citar este artigo: Feu D, Catharino F, Duplat CB, Capelli Junior J. Esthetic perception and economic value of orthodontic appliances by lay Brazilian adults. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):102-14.

Mestre em Ortodontia e Doutorando em Ortodontia, UERJ.

1

Mestre em Ortodontia e Doutorado em Ortodontia, UERJ. Professora do Departamento de Ortodontia da Faculdade Bahiana de Odontologia.

2

Enviado em: 02 de abril de 2012 - Revisado e aceito: 28 de junho de 2012.

Especialista em Ortodontia, UERJ.

3

» Os pacientes que aparecem no presente artigo autorizaram previamente a publicação de suas fotografias faciais e intrabucais.

Doutor em Ortodontia, UERJ. Professor Associado do Departamento de Ortodontia da UERJ.

4

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo. Endereço para correspondência: Daniela Feu Rua da Grécia, 85, apt. 1101 – Barro Vermelho – Vitória/ES CEP: 29.057-660 – Email: danifeutz@yahoo.com.br

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

102

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):102-14

Percepção estética e valorização econômica dos aparelhos ortodônticos por adultos brasileiros leigos

artigo inédito

Agradecimentos Os aparelhos utilizados nesse estudo foram gentilmente oferecidos por Fábio Barreto, da OrthoAdvanced Especialidades Ortodônticas. Também gostaríamos de agradecer à Deise Campos Caldas e Priscila Pamela Braga Jambo, pela ajuda na realização desse estudo.

9.

Mugonzibwa EA, Kuijpers-Jagtman AM, Van t Hof MA, Kikwilu EN. Perceptions of dental attractiveness and orthodontic treatment need among Tanzanian children. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2004;125:426-433.

10. Robinson R. Economic evaluation. What does it mean? Br Med J. 1993;307:670-3. 11.

Zarnke KB, Levine MAH, O’Brien JO. Cost-benefit analyses in 
the health care literature: don’t judge a study by its label. J Clin 
Epidemiol. 1997;50:813-22.

12. Whynes DK, Frew EJ, Wolstenholme JL. Willingness-to-pay and 
demand curves: a comparison of results obtained using different 
elicitation formats. Int J Health Care Finance Econ. 2005;5:369-86. 13. Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP). Critério de Classificação Econômica Brasil. São Paulo; 2003. 14. Hetherington EM, Parke RD, Locke VO. Child psychology: a contemporary viewpoint. 5th ed. New York: McGraw-Hill; 1999. 15. Tayer BH, Burek MJ. A survey of adults’ attitudes towards orthodontic therapy. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1981;79:305-315. 16. Lew KK. Attitudes and perceptions of adults towards orthodontic treatment in an Asian community. Comm Dent Oral Epidemiol. 1993;21:31-35. 17.

Kerosuo H, Hausen H, Laine T, Shaw W C. The influence of incisal malocclusion on the social attractiveness of young adults in Finland. Eur J Orthod. 1995;17: 505–512.

18. Keim RG, Gottlieb EL, Nelson AH, Vogels DS 3rd. 2007 JCO orthodontic practice

Referências

study. Part 1: trends. J Clin Orthod. 2007;41:617-26. 19. Kravitz ND, Kusnoto B, BeGole E, Obrez A, Agrane B. How well does Invisalign

1.

Russel JS. Current Products and Practice Aesthetic Orthodontic Brackets. J Orthod.

work? A prospective clinical study evaluating the efficacy of tooth movement with

2005;32:146-163. 2.

Invisalign. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2009; 135:27-35.

Sarver DM, Ackerman JL. Orthodontics about face: the re- emergence of the

20. Sheridan JJ. The readers’ corner. 2. What percentage of your patients are being

esthetic paradigm. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2000;117:575-6. 3.

treated with Invisalign appliances? J Clin Orthod. 2004;38:544-5.

Rosvall MD, Fields HW, Ziuchkovski J, Rosenstiel SF, Johnston WM. Attractiveness,

21. Berto PM, Lima CS, Lenza MA, Faber J. Esthetic effect of orthodontic appliances

acceptability, and value of orthodontic appliances. Am J Orthod Dentofacial

on a smiling face with and without a missing maxillary first premolar. Am J Orthod

Orthop. 2009;135:276.e1-12. 4.

Dentofacial Orthop. 2009;135:S55-60.

Ziuchkovski JP, Fields HW, Johnston WM, Lindsey DT. Assessment of perceived

22. Rodrigues CDP, Magnanib R; Machado MSC,Oliveira Jr OB. The Perception of Smile

orthodontic appliance attractiveness. Am J Orthod Dentofacial Orthop.

Attractiveness. Angle Orthod. 2009;79:634–639.

2008;133(Suppl):S68-78. 5.

23. Dong JK, Jin TH, Cho HW, Oh SC. The esthetics of the smile: a review of some

Bergstrom K, Halling A, Wilde B. Orthodontic care from the patients’ perspective:

recent studies. Int J Prosthodont. 1999;12:9-19.

perceptions of 27-year-olds. Eur J Orthod. 1998;20:319-29. 6.

24. Thomas JL, Hayes C, Zawaideh S. The effect of axial mid- line angulation on dental

Jeremiah HG, Bister D, Newton JT. Social perceptions of adults wearing orthodontic

esthetics. Angle Orthod. 2003;3:359–64.

appliances: a cross-sectional study. Eur J Orthod. 2010;33:476-482. 7.

25. Walton DK, Fields HW, Johnston WM, Rosenstiel SF, Firestone AR, Christensen

Kiyak HA. Comparison of esthetic values among Caucasians and Pacific-Asians.

JC. Orthodontic appliance preferences of children and adolescents. Am J Orthod

Community Dent Oral Epidemiol. 1981;9:219-223. 8.

Dentofacial Orthop. 2010;138:698.e1-698.e12.

Miguel JAM, Sales HX, Quintão CC, Oliveira BH, Feu D. Factors associated with

26. Whynes DK, Frew EJ, Wolstenholme JL. Willingness-to-pay and demand curves: a

orthodontic treatment seeking by 12-15-year-old children at a state university-

comparison of results obtained using different elicitation formats. Int J Health Care

funded clinic. J Orthod. 2010; 37:100-106.

Finance Econ. 2005;5:369-86.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

114

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):102-14

artigo inédito

Influência de diferentes proporções de largura/altura dos dentes anterossuperiores na atratividade de sorrisos gengivais Ana Carolina Guimarães Borges1, Mayra Reis Seixas2, Andre Wilson Machado3

Objetivo: avaliar, entre leigos e ortodontistas, a influência da alteração das proporções largura/altura dos dentes anterossuperiores na atratividade do sorriso, em fotografias do sorriso aproximado de três mulheres leucodermas adultas, com 4mm de exposição gengival. Métodos: as fotografias dos sorrisos aproximados foram manipuladas em computador e seis imagens foram criadas para cada sorriso com as proporções largura/altura dos dentes em 65%, 70%, 75%, 80%, 85% e 90%. Em seguida, todas essas imagens foram novamente manipuladas e criou-se uma máscara preta cobrindo todos os dentes da arcada inferior. As imagens foram, então, julgadas por 60 avaliadores, 30 ortodontistas e 30 leigos, que aferiram, em uma escala visual analógica, o nível de atratividade de cada imagem. Resultados: os resultados encontrados, em geral, demonstraram que as proporções de 75%, 80% e 85% receberam as maiores notas enquanto a de 65% recebeu as menores notas, para os dois grupos de examinadores (p<0,05). Quando os ortodontistas e leigos foram comparados, não foi encontrada, na grande maioria das situações, diferença estatística significativa entre seus julgamentos (p>0,05). Ainda, a comparação entre as notas aferidas aos sorrisos com e sem os dentes inferiores mostrou que, para todas as situações, não houve diferença estatisticamente significativa entre elas (p>0,05). Conclusão: para pacientes com sorriso gengival, as proporções largura/altura dos dentes anterossuperiores consideradas mais estéticas foram as de 75%, 80% e 85% para leigos e ortodontistas, e a presença ou não dos dentes inferiores não influenciou no nível de atratividade dos sorrisos pesquisados. Palavras-chave: Sorriso. Estética dentária. Gengiva.

Como citar este artigo: Borges ACG, Seixas MR, Machado AW. Influence of different width/height ratio of maxillary anterior teeth in the attractiveness of gingival smiles. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):115-22.

Especialista em Ortodontia, UFBA.

1

Mestre em Ortodontia, UFRJ. Diplomado pelo Board Brasileiro de Ortodontia.

2

3

Enviado em: 31 de março de 2012 - Revisado e aceito: 31 de maio 2012

Professor Adjunto de Ortodontia, UFBA. Doutor em Ortodontia, UNESP/UCLAEUA. Mestre em Ortodontia, PUC-Minas. Professor colaborador do Mestrado em Ortodontia, UCLA-EUA.

» Os pacientes que aparecem no presente artigo autorizaram previamente a publicação de suas fotografias faciais e intrabucais. » Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo. Endereço para correspondência: Andre Wilson Machado Av. Araújo Pinho, 62 – 7º Andar – Canela, Salvador/BA CEP: 40.110-150 – E-mail: awmachado@gmail.com

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

115

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):115-22

artigo inédito

Influência de diferentes proporções de largura/altura dos dentes anterossuperiores na atratividade de sorrisos gengivais

Referências

1.

Machado AW, Santos TC, Araujo TM, Gandini Júnior LG Integração Ortodontia e

15. Lombardi RE. The principles of visual perception and their clinical application to

Dermatologia na busca da excelência na estética labial. Rev Clín Ortodon Dental 2.

denture esthetics. J Prosthet Dent. 1973 Apr;29(4):358-82.

Press. 2010 Jun-Jul;9(3):47-56.

16. Rufenacht CR. Fundamentals of esthetics. Chicago (IL): Quintessence; 1990.

Hulsey CM. An esthetic evaluation of lip-teeth relationship present in the smile.

17.

Am J Orthod. 1970 Feb;57(2):132-44. 3.

Legan HL, Burstone CJ. Soft tissue cephalometric analysis for orthodontic surgery. J

18. Levin EL. Dental esthetics and golden proportion. J Prosthet Dent. 1978

Oral Surg. 1980 Oct;38(10):744-51. 4.

Sep;40(3):244-52.

Mackley RJ. An evaluation of smiles before and after orthodontic treatment. Angle

19. Maple JR, Vig KW, Beck FM, Larsen PE, Shanker S. A comparison of providers’ and

Orthod. 1993;63(3):183-189. 5.

consumers’ perceptions of facial-profile attractiveness. Am J Orthod Dentofacial

Levine RA, Macguire M. The diagnosis and treatment of the gummy smile.

Orthop. 2005 Dec;128(6):690-96.

Compend Contin Educ Dent. 1997 Aug;18(8):757-62. 6.

20. Simon Z, Rosenblatt A, Dorfman W. Eliminating a gummy smile with surgical lip

Ahmad I. Geometric considerations in anterior dental aesthetics: restorative

repositioning. J Cosmetic Dentistry. 2007;1(23):100-8. 21. Polo M. Botulinum toxin type A in the treatment of excessive gingival display. Am J

principles. Pract Periodontics Aesthet Dent. 1998 Sep;10(7):813-22. 7.

Peck S, Peck l, Kataja, M. The gingival smile line. Angle Orthod. 1992; 62(2):91-100.

8.

Graber TM, Vanarsdall JR. Ortodontia: princípios e técnicas atuais. 3a ed. Rio de

Orthod Dentofacial Orthop. 2008 Feb;133(2):195-203. 22. Kokich VO, Kokich VG, Kiyak HA. Perceptions of dental professionals and

Janeiro: Guanabara Koogan; 2002. 9.

laypersons to altered dental esthetics: asymmetric and symmetric situations. Am J

Câmara CALP. Estética em Ortodontia: Diagramas de Referências Estéticas

Orthod Dentofacial Orthop. 2006 Aug;130(2):141-51.

Dentárias (DRED) e Faciais (DREF). Rev Dental Press Ortodon Ortop Facial. 2004

23. Rodrigues CDP, Magnani R, Machado MS, Oliveira OB. The perception of smile

Nov-Dez;11(6):130-56.

attractiveness. Angle Orthod. 2009 Jul;79(4)4:634-9.

10. Geron S, Atalaia W. Influence of sex on the perception of oral and smile esthetics

24. Ker AJ, Chan R, Fields HW, Beck M, Rosenstiel S. Esthetics and smile

with different gingival display and incisal plane inclination. Angle Orthod. 2005

characteristics from the layperson’s perspective: a computer-based survey study. J

Sep;75(5):778-84. 11.

Am Dent Assoc. 2008 Oct;139(10):1318-27.

Kokich VO, Kiyak HA, Shapiro PA. Comparing the perception of dentists and lay

25. Parekh SM, Fields HW, Beck M, Rosenstiel S. Attractiveness of variations in the

people to altered dental esthetics. J Esthetic Dent. 1999 Nov;11(6):311-24.

smile arc and buccal corridor space as judged by orthodontists and laymen. Angle

12. Suzuki L, Machado AW, Bittencourt MAV. Perceptions of gingival display aesthetics

Orthod. 2006 Jul;76(4):557-63.

among orthodontists, maxillofacial surgeons and laypersons. Rev Odonto Ciênc. 13.

King KL, Evans CA, Grace V, Begolle E, Obrez A. References for vertical position of the maxillary lateral incisors. World J Orthod. 2008;9(2):147-54.

26. Pinho S, Ciriaco C, Faber J, Lanza MA. Impact of dental asymmetries on

2009 Jul;24(4):367-71.

the perception of smile esthetics. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2007

Suzuki L, Machado AW, Bittencourt MAV. An evaluation of the influence of gingival

Dec;132(6):748-53.

display level in the smile esthetics. Dental Press J Orthod. 2011 Sept-Oct;16(5):37.e1-10. 14. Seixas MR, Costa-Pinto RA, Araújo TM. Checklist dos aspectos estéticos a serem considerados no diagnóstico e tratamento do sorriso gengival. Dental Press J Orthod. 2011 Mar-Abr;16(2):131-57.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

122

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):115-22

artigo inédito

Influência da pigmentação in vitro de ligaduras ortodônticas estéticas na atratividade do sorriso Camila Ferraz1, Marcelo Castellucci2, Márcio Sobral3

Objetivo: avaliar, através de fotografias clínicas, entre estudantes de Odontologia e ortodontistas, o grau de influência que ligaduras elásticas estéticas pigmentadas exercem sobre a atratividade do sorriso. Métodos: foram utilizadas 16 fotografias clínicas faciais do sorriso e 16 de sorriso aproximado de um único paciente portando braquetes ortodônticos de porcelana monocristalina, fio de NiTi teflonado e ligaduras elásticas estéticas de cinco marcas comerciais diferentes, distribuídas em oito grupos, G1 a G8 (Morelli, Ortho Technology, TP Orthodontics, 3M/Unitek clear, 3M/Unitek obscure, American Orthodontics clear, American Orthodontics pearl e American Orthodontics metalic pearl). Foram utilizadas 20 ligaduras de cada grupo, totalizando 160 ligaduras. Metade delas foi utilizada em estado natural e a outra metade após pigmentação in vitro. Todas as fotografias foram julgadas por 40 avaliadores, sendo 20 ortodontistas e 20 estudantes de Odontologia. Resultados: para ortodontistas, as ligaduras American Orthodontics pearl (G7) foram as que menos influenciaram o grau de atratividade do sorriso nos dois tipos de fotografias utilizadas. Para os estudantes de Odontologia, nas fotografias faciais do sorriso, as que obtiveram o melhor desempenho foram Morelli (G1), American Orthodontics clear (G6) e American Orthodontics pearl (G7) e, nas fotografias de sorriso aproximado, American Orthodontics pearl, metalic pearl e clear (G7, G8 e G6, respectivamente). Conclusões: tanto para ortodontistas quanto para estudantes de Odontologia, a pigmentação das ligaduras elásticas influenciou de forma negativa o grau de atratividade dos sorrisos nos dois tipos de fotografias clínicas avaliadas. Palavras-chave: Elastômeros. Estética. Pigmentação. Fotografia. Sorriso.

Como citar este artigo: Ferraz C, Castellucci M, Sobral M. Influence of in vitro pigmenting of esthetic orthodontic ligatures on smile attractiveness. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):123-30.

Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial, UFBA. Estudante do mestrado em Odontologia da UFC.

1

Mestre em Odontologia, UFBA. Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial, PUC/MG. Professor do curso de Especialização em Ortodontia, UFBA.

Enviado em: 31 de setembro de 2011 - Revisado e aceito: 06 de agosto de 2012.

Mestre em Ortodontia, UFRJ. Professor do Curso de Especialização em Ortodontia, UFBA. Diplomado pelo Board Brasileiro de Ortodontia.

» Os pacientes que aparecem no presente artigo autorizaram previamente a publicação de suas fotografias faciais e intrabucais.

2

3

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo. Endereço para correspondência: Camila Ferraz Rua Dr. Gilberto Studart, 1369/702 – Cocó – CEP: 60.192-095 – Fortaleza/CE E-mail: dracamilaferraz@hotmail.com

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

123

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):123-30

Influência da pigmenta��ão in vitro de ligaduras ortodônticas estéticas na atratividade do sorriso

artigo inédito

INTRODUÇÃO As ligaduras elásticas são acessórios comumente utilizados na Ortodontia e têm grande aplicação na fixação dos arcos aos braquetes. Alguns trabalhos laboratoriais já comprovaram que esses materiais elastoméricos são suscetíveis à pigmentação quando em contato com alguns pigmentos, saliva e bactérias1,2,3, o que faz com que sua vida útil diminua e haja comprometimento da estética no decorrer do tratamento. Tais alterações têm relação direta com a composição, qualidade de matérias-primas e grau de tecnologia empregada em sua fabricação que, por sua vez, varia muito de acordo com cada fabricante4,5,6. Com o objetivo de mascarar essas pigmentações, muitos fabricantes acrescentam cores às ligaduras, porém esse procedimento as torna inadequadas ao uso em aparelhos estéticos. Além disso, a aceitação do uso de ligaduras coloridas varia bastante de acordo com o sexo e a idade dos pacientes7,8. O conhecimento sobre as alterações em suas propriedades físicas e mecânicas é de grande interesse para a aplicação clínica desses materiais, uma vez que poderão permanecer, em média, 30 dias na cavidade bucal e, nesse intervalo, é muito importante que tais propriedades mantenham-se estáveis em relação à elasticidade e à estética1,4,5,6,9,10,11. Avaliações realizadas através de fotografias podem ser utilizadas para análise de alterações na cor de diversos tipos de materiais odontológicos, bem como na análise da atratividade e estética facial e do sorriso antes, durante e após tratamento ortodôntico pelos mais diversos grupos de examinadores possíveis8,12-17. Sabendo que o fenômeno cor é uma resposta psicofísica da interação luz/objeto que depende da percepção subjetiva individual do observador, e com o objetivo de obter um maior conhecimento sobre a influência estética desses materiais elastoméricos pigmentados sobre a aparência do sorriso do paciente durante o tratamento ortodôntico, torna-se necessária a realização de estudos clínicos sobre o referido tema. Baseados nessa premissa, o objetivo dos autores com o presente trabalho foi avaliar por meio de fotografias clínicas, entre estudantes de Odontologia e ortodontistas, a influência que ligaduras elásticas estéticas submetidas a processo de pigmentação exercem sobre a atratividade do sorriso.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

MATERIAL E MÉTODOS O presente estudo caracteriza-se por uma abordagem experimental em que foram utilizadas fotografias clínicas faciais do sorriso e de sorriso aproximado de um único paciente adulto, com face e sorriso harmoniosos14, com alinhamento e nivelamento dentário adequado na arcada superior, que necessitava de tratamento ortodôntico fixo e desejava fazer uso de aparelho estético. A amostra constituiu-se de 16 fotografias clínicas faciais do sorriso (12,8cm x 17,1cm) e 16 de sorriso aproximado (19,2cm x 9,07cm) de um único paciente. O aparelho ortodôntico foi composto por braquetes de porcelana monocristalina (Ortho Technology, Tampa, EUA), fio de NiTi 0,016” teflonado (PTFE – politetrafluoretileno), na cor A2 (Beijing Smart Technology CO, Pequim, China) e ligaduras elásticas estéticas de cinco marcas comerciais diferentes, distribuídas em oito grupos, G1 a G8 (Morelli [Sorocaba/SP]; Ortho Technology [Tampa, EUA]; TP Orthodontics [La Porte, EUA]; 3M/Unitek clear; 3M/Unitek obscure [St. Paul, EUA]; American Orthodontics clear; American Orthodontics pearl; e American Orthodontics metalic pearl [American Orthodontics, Sheboygan, EUA]). Foram utilizadas 20 ligaduras de cada grupo, totalizando 160 ligaduras. Metade delas foi utilizada em estado natural e a outra metade submetida a processo de pigmentação in vitro, conforme anteriormente realizado por outros autores 2, através de imersão em solução composta por 250ml de cada uma das seguintes soluções: café, chá preto, vinho tinto, refrigerante Coca-Cola sem gás, infusão de fumo de rolo e saliva artificial. As ligaduras foram colocadas em copos plásticos descartáveis previamente identificados, e separadas por grupos. A solução pigmentante homogeneizada foi depositada em cada um dos copos e todos eles foram armazenados em recipiente plástico, recobertos com filme de PVC (cloreto polivinil), tampados e colocados em estufa (Biomatic, Santo André/SP) a 37°C, por cinco dias18. A definição de cinco dias de imersão foi feita após a realização de um estudo piloto em que ligaduras de todos os grupos passaram por um processo de pigmentação durante dez dias. Apenas no quinto dia houve diferenciação visual evidente quanto ao grau de pigmentação entre as ligaduras de cada um dos grupos avaliados.

124

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):123-30

Influência da pigmentação in vitro de ligaduras ortodônticas estéticas na atratividade do sorriso

artigo inédito

CONCLUSÕES » Segundo os ortodontistas, houve alterações no grau de atratividade do sorriso de forma bastante expressiva quando do uso de ligaduras pigmentadas. » De acordo com os estudantes de Odontologia, essas diferenças foram menores. » As ligaduras que mais comprometeram clinicamente o grau de atratividade do sorriso após

pigmentação, tanto para ortodontistas quanto para estudantes de Odontologia, foram Ortho Technology (G2) e 3M/Unitek obscure (G5) nas fotografias faciais do sorriso. Nas de sorriso aproximado, os ortodontistas apontaram as marcas Ortho Technology (G2), 3M/Unitek clear (G4) e TP Orthodontics (G3), e os estudantes de Odontologia, as da Ortho Technology (G2) e Morelli (G1).

Referências

1.

Ardeshna AP, Vaidyanathan TK. Colour changes of orthodontic elastomeric module

13. Delalíbera HVC, Silva MC, Pascotto RC, Terada HH, Terada RSS. Avaliação estética

materials exposed to in vitro dietary media. J Orthod. 2009 Sep;36:177-185. 2.

de pacientes submetidos a tratamento ortodôntico. Acta Sci Health Sci. 2010;

Cavalcante J. Avaliação da suscetibilidade à pigmentação de ligaduras elásticas

32(1):93-100.

ortodônticas utilizando fotografia digital [Dissertação]. Salvador (BA):

14. Havens DC, McNamara Jr JA, Sigler LM, Baccetti T. The role of the posed smile in

Universidade Federal da Bahia, Faculdade de Odontologia; 2009. 3.

overall facial esthetics. Angle Orthod. 2010 Mar;80(2):322-328.

Kim S, Lee Y. Mensurement of discoloration of orthodontic elastomeric modules

15. Maple JR, Vig KWL, Beck FM, Larsen PE, Shankere S. A comparison of providers’

with a digital camera. Eur J Orthod. 2009 May;31:556-562. 4.

and consumers’ perceptions of facial-profile attractiveness. Am J Orthod Dentofac

Martins MM, Mendes AM, Almeida MAO, Goldner MTA, Ramos VF, Guimarães

Orthop. 2005 Dec;128(6):690-96. 16. Rosvall MD, Fields HW, Ziuchkovski J, Rosenstiel SF, Johnston WM. Attractiveness,

SS. Estudo comparativo entre as diferentes cores de ligaduras elásticas. Rev Dental Press Ortodon Ortop Facial. 2006 Jul-ago;11(4):81-90. 5.

acceptability, and value of orthodontic appliances. Am J Orthod Dentofac Orthop.

Taloumis LJ, Smith TM, Hondrum SO, Lorton L. Force decay deformation

2009 Mar;135(3):276-7.

of orthodontic elastomeric ligatures. Am J Orthod Dentofac Orthop. 1997

17.

Jan;111(1):1-11. 6.

Wong AK. Orthodontic Elastic Materials. Angle Orthod. 1976 Apr;46(2):196-204.

7.

Elekdag-Turk S, Ozkalayci N, Isci D, Turk T. Color Preferences of Patients Receiving

individuals. Angle Orthod. 2011 Jan;81(1):86-90. 18. Libório AO. Avaliação da suscetibilidade à pigmentação de brackets estéticos

Elastic Ligatures. Eur J Dent. 2010 Apr;4:171-4. 8.

utilizando a fotografia digital [dissertação]. Salvador (BA): Universidade Federal da

Walton DK, Fields HW, Johnston WM, Rosenstiel SF, Firestone AR, Christensen

Bahia, Faculdade de Odontologia; 2006. 19. Ackerman JL, Ackerman MB, Brensinger CM, Landis JR. A morphometric analysis

JC. Orthodontic appliance preferences of children and adolescents. Am J Orthod Dentofac Orthop. 2010 Dec;138(6):698-9. 9.

of the posed smile. Clin Orthod Res. 1998 Aug;1(1):2-11.

Loriato LB, Machado AW, Pacheco W. Considerações clínicas e biomecânicas de

20. Costa MCC, Barbosa MC, Bittencourt MAV. Avaliação da proporção facial vertical:

elásticos em ortodontia. Rev Clín Ortodon Dental Press. 2006 Fev-Mar;5(1):43-55.

relação das alturas tegumentar e esquelética. Rev Dental Press Ortodon Ortop

10. Renick MR, Brantley WA, Beck FM, Vig KWL, Webb CS. Studies of orthodontic

Facial. 2011 Jan-Fev;16(1):99-106. 21. Scott SH, Johnston lE. The perceived impact of extraction and nonextraction

elastomeric modules. Part 1: Glass transition temperatures for representative

treatments on matched samples of African American patients. Am J Orthod

pigmented products in the as-received condition and after orthodontic use. Am J Orthod Dentofac Orthop. 2004 Sep;126(3):337-43. 11.

Zange SE, Ramos AL, Cuoghi OA, Mendonça MR, Suguino R. Perceptions of laypersons and orthodontists regarding the buccal corridor in long- and short-face

Dentofac Orthop. 1999 Sep;116(3):352-8.

Souza EV, Mendes AM, Almeida MAO, Quintão CCA. Percentual de degradação

22. Montini RW, McGorray SP, Wheeler TT, Dolce C. Perceptions of orthognathic

das forças liberadas por ligaduras elásticas. Rev Dental Press Ortodon Ortop Facial.

surgery patient´s change in profile. Angle Orthod. 2007 Jan;77(1);5-11.

2008 Mar-Abr;13(2):138-45. 12. Berto PM, Lima CS, Lenza MA, Faber J. Esthetic effect of orthodontic appliances on a smiling face with and without a missing maxillary first premolar. Am J Orthod Dentofac Orthop. 2009 Abr;135(4)supl.1:S55-S60.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

130

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):123-30

artigo inédito

Avaliação das alterações do perfil facial em pacientes tratados com extração de pré-molares superiores Renata Rodrigues de Almeida-Pedrin1, Luciane Brigueli Marrone Guimarães2, Marcio Rodrigues de Almeida3, Renato Rodrigues de Almeida4, Fernando Pedrin Carvalho Ferreira5

Objetivo: avaliar as alterações do perfil facial decorrentes do tratamento ortodôntico com extrações de dois primeiros pré-molares superiores, sob a óptica de ortodontistas, cirurgiões-dentistas e leigos. Métodos: foram traçados os perfis faciais das telerradiografias pré- e pós-tratamento de 70 pacientes com má oclusão de Classe II, divisão 1, e foi montado um álbum com as silhuetas dos 70 pacientes, de forma aleatória, sendo dois perfis em cada folha do mesmo paciente. A seguir, 30 ortodontistas, 30 cirurgiões-dentistas e 30 leigos escolheram o perfil facial mais estético (A ou B), e a quantidade de alteração que percebiam entre os dois perfis pré- e pós-tratamento, de acordo com a escala visual analógica (EVA). Resultados: os resultados revelaram que 83 examinadores preferiram o perfil pós-tratamento, sendo que somente três cirurgiões-dentistas e quatro leigos escolheram com maior frequência os perfis pré-tratamento. Assim, os ortodontistas escolheram mais frequentemente os perfis pós-tratamento, seguidos pelos cirurgiões-dentistas, sem diferença estatisticamente significativa entre cirurgiões-dentistas e leigos. Houve diferença estatisticamente significativa intragrupos na preferência do perfil pré- e pós-tratamento. Além disso, os três grupos de avaliadores indicaram que os perfis pré- e pós-tratamento não diferiram substancialmente. Conclusões: o tratamento da má oclusão de Classe II, divisão 1, com extração de dois primeiros pré-molares produziu um efeito positivo na estética do perfil facial. Palavras-chave: Extração dentária. Má oclusão Classe II de Angle. Ortodontia corretiva. Percepção.

Como citar este artigo: Almeida-Pedrin RR, Guimarães LBM, Almeida MR, Almeida RR, Ferreira FPC. Assessment of facial profile changes in patients treated with maxillary premolar extractions. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):131-7.

Pós-Doutora em Ortodondia, FOB-USP. Professora da Graduação e Pós-graduação em Odontologia, USC-Bauru.

1

Especialista em Ortodontia.

2

Enviado em: 16 de novembro de 2009 - Revisado e aceito: 04 de julho de 2012 3

Pós-Doutor em Ortodontia, FOB-USP. Professor de Pós-graduação em Ortodontia, UNOPAR-Londrina.

4

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

Livre Docente. Doutor em Ortodontia e Odontologia em Saúde Coletiva, USP. Professor de Pós-graduação em Odontologia, UNOPAR-Londrina.

Endereço para correspondência: Renata Rodrigues de Almeida-Pedrin E-mail: renatinhaalmeida@uol.com.br

Doutor em Ortodontia, USP.

5

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

131

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):131-7

artigo inédito

Avaliação das alterações do perfil facial em pacientes tratados com extração de pré-molares superiores

INTRODUÇÃO Por muitos anos, os ortodontistas têm estudado o perfil tegumentar em pacientes tratados ortodonticamente, buscando a harmonia facial, além do correto posicionamento dentário16. No passado, a estética do perfil facial foi descrita muito subjetivamente, e o conceito de beleza aproximava-se da figura do deus grego Apolo de Belvedere. Porém, os modelos de beleza sofreram alterações, possivelmente devidas à miscigenação de raças, mídia globalizada, costumes, religião e época; tornando-se mais marcantes, em vez de com traços retos, como os dos gregos. A aparência facial exerce um importante papel no julgamento da atratividade pessoal e, também, no desenvolvimento da autoestima18. A percepção da aparência, principalmente da face, afeta a saúde mental e o comportamento social, com implicações significativas na área profissional e da educação, bem como na vida afetiva14. A má oclusão de Classe II pode comprometer a harmonia facial em diversos graus, de acordo com a intensidade da sobressaliência dentária (overjet) e de sua interação com os tecidos moles, interferindo na imagem e autoestima do paciente1. Assim, o tratamento dessa má oclusão é importante para a ressocialização do paciente e de grande interesse para os ortodontistas, sendo que a demanda pelo tratamento é significativa na clínica ortodôntica. Essa má oclusão apresenta-se como a mais frequente nas clínicas ortodônticas de todo o mundo, alcançando índices de 55%7. Entre as formas de tratamento da Classe II, divisão 1, encontra-se como alternativa terapêutica a extração de dois primeiros pré-molares superiores5,24. O debate sobre extrações dentárias estende-se por muitos anos e há pesquisadores a favor da não extração, pois acham que essa forma de tratamento tende a tornar a face côncava (com lábios retruídos). Por outro lado, aqueles favoráveis à extração presumem que, no tratamento sem extração, os lábios ficam demasiadamente protruídos, em decorrência da vestibularização dos incisivos23. A literatura sobre o dilema da extração em Ortodontia é farta, e a maioria dos estudos mostra poucas alterações tegumentares na avaliação pós-tratamento em pacientes com e sem extrações2,12. Apesar de estudos cefalométricos exibirem diferenças principalmente no componente dentoesquelético entre os

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

pacientes tratados com e sem extração, um ponto importante seria verificar qual o efeito dessas terapias na estética facial, do ponto de vista dos ortodontistas, dos cirurgiões-dentistas e de leigos, visto que os estudos nessa área são escassos. A busca por um perfil facial equilibrado é um constante desafio para os ortodontistas, que continuam a debater o tema das extrações para melhorar as relações dentoesqueléticas. No entanto, a literatura apresenta-se ainda escassa sobre o efeito das extrações de dois primeiros pré-molares superiores na estética do perfil facial em pacientes com má oclusão de Classe II. Portanto, torna-se necessário para os profissionais da Ortodontia o conhecimento acerca das possibilidades das alterações no perfil facial decorrentes desse protocolo de tratamento. Assim, objetivou-se, nesse estudo, avaliar as alterações do perfil facial decorrentes do tratamento ortodôntico com extração de dois primeiros pré-molares superiores, sob a óptica de ortodontistas, cirurgiões-dentistas e leigos. MATERIAL e Métodos A amostra constituiu-se de 140 telerradiografias em norma lateral, de 70 jovens brasileiros de ambos os sexos, provenientes do acervo do Centro Odontológico Rodrigues de Almeida (CORA). As telerradiografias foram obtidas no mesmo aparelho de raios X, antes da instalação do aparelho ortodôntico e após a sua remoção. Os critérios para seleção da amostra basearam-se nas seguintes características: 1) Os jovens apresentavam, inicialmente, má oclusão de Classe II de Angle de origem dentoalveolar, sem comprometimento esquelético, avaliada clinicamente e por meio dos modelos de estudo. 2) Leucodermas, descendentes de italianos, portugueses ou espanhóis. 3) Ausência de agenesias ou perdas de dentes permanentes. 4) Tratados com extração de dois primeiros pré-molares superiores. Os 70 pacientes, sendo 38 do sexo feminino e 22 do masculino, com má oclusão de Classe II foram tratados com aparelhos ortodônticos pré-ajustados (Straight-Wire) prescrição Andrews e canaleta 0,022” x 0,030”, seguidos de extrações dentárias apenas na arcada superior (primeiros pré-molares).

132

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):131-7

Almeida-Pedrin RR, Guimarães LBM, Almeida MR, Almeida RR, Ferreira FPC

Conclusão Com base no método empregado e na análise dos resultados, pôde-se concluir que o tratamento ortodôntico da má oclusão de Classe II, divisão 1, com extração de dois primeiros pré-molares superiores produziu efeito positivo na estética do perfil facial, pois a maioria dos ortodontistas, cirurgiões-dentistas e leigos preferiu os perfis pós-tratamento ortodôntico.

Considerando os resultados dessa pesquisa, denota-se que a avaliação do perfil facial deve ser um processo contínuo de aprendizagem para os ortodontistas, uma vez que os pacientes estão cada vez mais preocupados com o efeito que o tratamento ortodôntico pode induzir na estética facial. A opinião dos pacientes deve ser sempre imperativa no planejamento ortodôntico.

Referências 1.

Almeida-Pedrin RR, Pinzan A, Almeida RR, Almeida MR, Henriques JFC. Efeitos do

14. Mejia-Maidl M, Evans CA, Viana G, Anderson NK, Giddon DB. Preferences for

AEB conjugado e do Bionator no tratamento da Classe II, 1ª divisão. R Dental Press

facial profiles between Mexican Americans and Caucasians. Angle Orthod. 2005

Ortodon Ortop Facial. 2005 Out;10(5):37-54. 2.

3.

Nov;75(6):953-8.

Bishara SE, Jakobsen JR. Profile changes in patients treated with and without

15. Okuyama CC. Preferência do perfil facial tegumentar, em jovens leucodermas,

extractions: Assessments by lay people. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1997

melanodermas e xantodermas de ambos os sexos, avaliados por ortodontistas,

Dec;112(6):639-44.

leigos e artistas plásticos [Dissertação]. Bauru (SP): Universidade de São Paulo,

Boley JC, Pontier JP, Smith S, Fulbright M. Facial changes in extration and

Faculdade de Odontologia de Bauru; 1995. 94 p

nonextraction patients. Angle Orthod. 1998 Dec;68(6):539-46. 4.

16. O’Neill K, Harkness M, Knight R. Ratings of profile attractiveness after functional

Bowman SJ, Johnston LE Jr. The esthetic impact of extraction and nonextraction

appliance treatment. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2000 Oct;118(4):371-6;

treatments on Caucasion patients. Angle Orthod. 2000 Feb;70(1):3-10. 5.

discussion 377.

Scott Conley R, Jernigan C. Soft tissue changes after upper premolar extraction in

17.

Class II camouflage therapy. Angle Orthod. 2006 Jan;76(1):59-65. 6.

Methods to evaluate profile preferences for the anteroposterior position of the

Foster EJ. Profile preferences among diversified groups. Angle Orthod. 1973

mandible. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006 Sep;130(3):283-91.

Jan;43(1):34-40. 7.

18. Reis ASB, Abrão J, Capelozza Filho L, Claro CAA. Análise facial subjetiva. R Dental

Freitas MR, Freitas DS, Pinheiro FHSL, Freitas KMS. Prevalência das más oclusões

Press Ortodon Ortop Facial. 2006 Set-Out;11(5):159-72.

em pacientes inscritos para tratamento ortodôntico na Faculdade de Odontologia

19. Schlosser JB, Preston CB, Lampasso J. The effects of computer-aided

de Bauru-USP. Rev Fac Odont Bauru. 2002;10(3):164-9. 8.

anteroposterior maxillary incisor movement on ratings of facial attractiveness. Am

Hall D, Taylor RW, Jacobson A, Sadowsky PL, Bartolucci A. The perception

J Orthod Dentofacial Orthop. 2005 Jan;127(1):17-24.

of optimal profile in African Americans versus white Americans as assessed

20. De Smit A, Dermaut L. Soft-tissue profile preference. Am J Orthod. 1984

by orthodontists and lay public. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2000

Jul;86(1):67-73.

Nov;118(5):514-25. 9.

21. Soh J, Chew MT, Wong HB. Professional assessment of facial profile attractiveness. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2005 Aug;128(2):201-5.

Howells DJ, Shaw WC. The validity and reliability of ratings of dental and facial

22. Spyropoulos MN, Halazonetis DJ. Significance of the soft tissue profile on facial

attractiveness for epidemiologic use. Am J Orthod. 1985 Nov;88(5):402-8. 10. Kerr WJS, O`Donnell JM. Panel perception of facial attractiveness. Brit J Orthod.

esthetics. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2001 May;119(5):464-71.

1990 Nov;17(4):299-304. 11.

Orsini MG, Huang GJ, Kiyak HA, Ramsay DS, Bollen AM, Anderson NK, et al.

23. Stephens CK, Boley JC, Behrents RG, Alexander RG, Buschang PH. Long-term

Knight H, Keith O. Ranking facial attractiveness. Eur J Orthod. 2005

profile changes in extraction and nonextraction patients. Am J Orthod Dentofacial

Aug;27(4):340-8.

Orthop. 2005 Oct;128(4):450-7.

12. Kocadereli I. Changes in soft tissue profile after orthodontic treatment with and

24. Tadic N, Woods MG. Incisal and soft tissue effects of maxillary premolar extraction

without extractions. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2002 Jul;122(1):67-72.

in Class II treatment. Angle Orthod. 2007 Sep;77(5):808-16.

13. McKoy-White J, Evans CA, Viana G, Anderson NK, Giddon DB. Facial profile

25. Türkkahraman H, Gökalp H. Facial profile preferences among various layers of

preferences of black women before and after orthodontic treatment. Am J Orthod

turkish population. Angle Orthod. 2004 Oct;74(5):640-7.

Dentofacial Orthop. 2006 Jan;129(1):17-23.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

137

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):131-7

artigo inédito

Largura dos corredores bucal e posterior: diferença entre casos tratados com extrações assimétricas e simétricas Nuria Cabral Castello Branco1, Guilherme Janson2, Marcos Roberto de Freitas3, Juliana Morais1

Objetivo: verificar se há diferença na largura dos corredores bucal e posterior em casos tratados com extrações de um e quatro pré-molares. Métodos: por meio de fotografias do sorriso posado de 23 pacientes Classe II, subdivisão, tratados com extração de um pré-molar, e de 25 pacientes Classe I, Classe II e Classe II, subdivisão, tratados com extração de quatro pré-molares, calculou-se o percentual da largura dos corredores bucais e dos corredores posteriores. Os dois protocolos de extrações foram comparados quanto à largura dos corredores bucal e posterior por meio do teste t independente. Resultados: não houve diferença estatisticamente significativa na largura dos corredores bucal e posterior entre os pacientes tratados com extrações simétricas e assimétricas. Conclusão: o corredor bucal e o corredor posterior não diferiram entre os protocolos de extrações avaliados. Palavras-chave: Ortodontia. Extração dentária. Pré-molar.

Como citar este artigo: Branco NCC, Janson G, Freitas MR, Morais J. Width of buccal and posterior corridors: Differences between cases treated with asymmetric and symmetric extractions. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):138-44.

Mestre e estudante de doutorado em Ortodontia pela FOB-USP.

1

Professor Titular do Departamento de Odontopediatria, Ortodontia e Saúde Coletiva, FOB-USP. Coordenador do curso de Mestrado em Ortodontia, FOB-USP. Membro do Royal College of Dentists of Canada.

2

Enviado em: 13 de abril de 2009 - Revisado e aceito: 13 de outubro de 2009.

Professor Titular do Departamento de Odontopediatria, Ortodontia e Saúde Coletiva, FOB-USP.

» Os pacientes que aparecem no presente artigo autorizaram previamente a publicação de suas fotografias faciais e intrabucais.

3

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo. Endereço para correspondência: Nuria Castello Branco Departamento de Odontopediatria, Ortodontia e Saúde Coletiva Al. Dr. Octávio Pinheiro Brisola, 9-75 – CEP: 17012-901 – Bauru/SP

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

138

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):138-44

artigo inédito

Largura dos corredores bucal e posterior: diferença entre casos tratados com extrações assimétricas e simétricas

CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS Havia um dogma de que o tratamento com extrações resultava na constrição da arcada dentária e levava a um aumento do corredor bucal27. No entanto, diversos estudos já mostraram que não há diferença na largura do corredor bucal entre casos tratados com e sem extrações de quatro pré-molares e um grupo controle11,12,14. Esse trabalho demonstrou que entre indivíduos tratados com extrações de um e quatro

pré-molares também não há diferença na largura dos corredores bucal e posterior, eliminando uma possível crítica ao protocolo de extrações assimétricas em más oclusões de Classe II, subdivisão. Conclusão A largura dos corredores bucal e posterior não foi influenciada pelos protocolos de extrações de um ou de quatro pré-molares.

Referências

1.

Ackerman MB, Ackerman JL. Smile analysis and design in the digital era. J Clin

16. Lombardi RE. The principles of visual perception and their clinical application to

Orthod. 2002 Apr;36(4):221-36. 2.

denture esthetics. J Prosthet Dent. 1973 Apr;29(4):358-82.

Andrade F, Souza D, Nascimento AP, Gomes A. Percepção estética entre as

17.

especialidades odontológicas. UFES Rev Odontol. 2006;8(1):46-54. 3.

Bishara SE, Cummins DM, Zaher AR. Treatment and posttreatment changes in

patients. Angle Orthod. 1993 Winter;63(4):257-72. 18. McNamara L, McNamara JA Jr, Ackerman MB, Baccetti T. Hard- and soft-tissue

patients with Class II, Division 1 malocclusion after extraction and nonextraction treatment. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1997 Jan;111(1):18-27. 4.

contributions to the esthetics of the posed smile in growing patients seeking

Dahlberg G. Statistical methods for medical and biological students. London (UK):

orthodontic treatment. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2008 Apr;133(4):491-9. 19. Moorrees CF. Natural head position--a revival. Am J Orthod Dentofacial Orthop.

G. Allen & Uniwin; 1940. 5.

Frush JO, Fisher RD. The dynesthetic interpretation of the dentogenic concept. J

1994 May;105(5):512-3. 20. Paquette DE, Beattie JR, Johnston LE Jr. A long-term comparison of nonextraction

Prosthet Dent. 1958;8(4):558-2. 6.

Gianelly AA. Arch width after extraction and nonextraction treatment. Am J

and premolar extraction edgewise therapy in “borderline” Class II patients. Am J

Orthod Dentofacial Orthop. 2003 Jan;123(1):25-8. 7.

Orthod Dentofacial Orthop. 1992 Jul;102(1):1-14.

Graber LW, Lucker GW. Dental esthetic self-evaluation and satisfaction. Am J

21. Pinho S, Ciriaco C, Faber J, Lenza MA. Impact of dental asymmetries on

Orthod. 1980 Feb;77(2):163-73. 8.

the perception of smile esthetics. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2007

Gracco A, Cozzani M, D’Elia L, Manfrini M, Peverada C, Siciliani G. The smile buccal

Dec;132(6):748-53. 22. Ritter DE, Gandini LG, Pinto Ados S, Locks A. Esthetic influence of negative space in

corridors: aesthetic value for dentists and laypersons. Prog Orthod. 2006;7(1):56-65. 9.

Houston WJ. The analysis of errors in orthodontics measurements. Am J Orthod.

the buccal corridor during smiling. Angle Orthod. 2006a Mar;76(2):198-203.. 23. Roden-Johnson D, Gallerano R, English J. The effects of buccal corridor spaces

1983 May;83(5):382-90. 10. Hulsey CM. An esthetic evaluation of lip-teeth relationships present in the smile.

and arch form on smile esthetics. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2005

Am J Orthod. 1970 Feb;57(2):132-44. 11.

Luppanapornlarp S, Johnston LE Jr. The effects of premolar-extraction: a long-term comparison of outcomes in “clear-cut” extraction and nonextraction Class II

Mar;127(3):343-50.

Işiksal E, Hazar S, Akyalçin S. Smile esthetics: perception and comparison of treated

24. Sarver DM. The importance of incisor positioning in the esthetic smile: the smile

and untreated smiles. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006 Jan;129(1):8-16.

arc. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2001b Aug;120(2):98-111.

12. Johnson DK, Smith RJ. Smile esthetics after orthodontic treatment with and

25. Sarver DM, Ackerman MB. Dynamic smile visualization and quantification: part

without extraction of four first premolars. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1995

1. Evolution of the concept and dynamic records for smile capture. Am J Orthod

Aug;108(2):162-7.

Dentofacial Orthop. 2003a Jul;124(1):4-12..

13. Kerns LL, Silveira AM, Kerns DG, Regennitter FJ. Esthetic preference of the frontal

26. Spahl TJ. Premolar extractions and smile esthetics. Am J Orthod Dentofacial

and profile views of the same smile. J Esthet Dent. 1997;9(2):76-85.

Orthop. 2003 Jul;124(1):16A-17A; author reply 17A.

14. Kim E, Gianelly AA. Extraction vs nonextraction: arch widths and smile esthetics.

27. Spahl TJ, Witzig JW. The clinical management of basic maxillofacial orthopedic

Angle Orthod. 2003 Aug;73(4):354-8.

appliances. Litteton (MA): PSG Cop; 1987.

15. Kokich VO, Kokich VG, Kiyak HA. Perceptions of dental professionals and laypersons to altered dental esthetics: asymmetric and symmetric situations. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006 Aug;130(2):141-51.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

144

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):138-44

artigo inédito

Influência da dimensão do corredor bucal na estética do sorriso Diana Cunha Nascimento1, Êmeli Rodrigues dos Santos2, Andre Wilson Lima Machado3, Marcos Alan Vieira Bittencourt4

Objetivo: avaliar a influência do corredor bucal na estética de sorrisos femininos e masculinos, de leucodermas e melanodermas, por meio de fotografias manipuladas, bem como comparar essa avaliação numa vista facial completa e numa vista aproximada da boca. Métodos: foram realizadas fotografias faciais do sorriso de quatro indivíduos adultos, sendo dois leucodermas e dois melanodermas, de ambos os sexos. As imagens geradas foram manipuladas a fim de produzir, a partir de cada sorriso original, três outros simulando gradações distintas de corredor bucal: estreito, médio e amplo. As imagens geradas, 12 retratando uma vista facial completa e outras 12 em vista aproximada da boca, foram avaliadas por um grupo de 60 examinadores, que indicaram, por meio de escalas visuais analógicas, o nível de atratividade de cada sorriso. Os dados foram submetidos aos testes estatísticos ANOVA e pós-teste de Tukey, para comparar os diferentes corredores bucais, e ao teste t de Student, para comparar os dois tipos de enquadramento. Resultados: os corredores bucais médios foram considerados os mais atrativos nos quatro indivíduos pesquisados, tanto na avaliação completa da face quanto na vista aproximada do sorriso (p<0,05). Na comparação entre os corredores bucais estreitos e amplos, em geral, não houve diferença estatisticamente significativa (p>0,05). Além disso, também não houve diferença estatisticamente significativa entre a análise feita pelos dois tipos de enquadramento (p>0,05). Conclusão: o corredor bucal exerceu forte influência na avaliação estética do sorriso, sendo o médio considerado o mais atrativo, não tendo havido influência da face, da etnia ou do sexo dos indivíduos. Palavras-chave: Estética dentária. Sorriso. Ortodontia.

1

Especialista em Ortodontia, UFBA.

2

Especialista em Periodontia, CEBEO/BA.

3

Professor Adjunto de Ortodontia, UFBA. Doutor em Ortodontia, UNESP/UCLAEUA. Mestre em Ortodontia, PUC-Minas. Professor colaborador do Mestrado em Ortodontia, UCLA-EUA.

4

Como citar este artigo: Nascimento DC, Santos ER, Machado AWL, Bittencourt MAV. Influence of buccal corridor dimension on smile esthetics. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):145-50. Enviado em: 31 de março de 2012 - Revisado e aceito: 06 de agosto de 2012 » Os pacientes que aparecem no presente artigo autorizaram previamente a publicação de suas fotografias faciais e intrabucais.

Professor Adjunto e coordenador do curso de especialização em Ortodontia, UFBA. Doutor e Mestre em Ortodontia, UFRJ. Diretor do Board Brasileiro de Ortodontia.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo. Endereço para correspondência: Marcos Alan Vieira Bittencourt Av. Araújo Pinho, 62 – 7º andar – Canela - CEP: 40110-150 – Salvador/BA E-mail: alan_orto@yahoo.com.br

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

145

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):145-50

Influência da dimensão do corredor bucal na estética do sorriso

artigo inédito

Mais recentemente, com a possibilidade da manipulação digital de imagens de um mesmo indivíduo, alterar a região do corredor bucal e submeter as imagens produzidas à avaliação é um método que vem sendo aplicado por alguns pesquisadores4,5,10,14. Porém, é imperativo lembrar que esse método utiliza imagens artificiais e, assim, não deve ser utilizado como parâmetro único para todos os pacientes. Os achados desses trabalhos são diretrizes, devendo ser aplicadas com cautela e levando-se em consideração, principalmente, as características individuais de cada paciente e seus anseios estéticos.

sugerem que, para avaliar a estética do sorriso por meio de fotografias, é mais indicado utilizar imagens limitadas aos lábios, com o intuito de focar o exame no sorriso e não distraí-lo com outros elementos da face. Por outro lado, alguns autores afirmam que o impacto estético da presença do dente é reduzido na vista facial completa, sugerindo, assim, o uso das fotografias faciais totais na avaliação de parâmetros da estética do sorriso26. Nessa pesquisa utilizou-se a escala visual analógica, o que permitiu uma medição rápida e simples, sendo de fácil leitura e entendimento por parte dos avaliadores. Recentemente, essa escala ganhou popularidade para mensurar diferenças sutis na atratividade dentária e facial10,13,19. Maple et al.19 afirmaram que o registro dos resultados como variável contínua, em milímetros, permite maior liberdade na análise dos dados, evitando vieses referentes aos valores preferidos, como ocorre na escala de intervalos numéricos. No passado, estudar a estética do sorriso era uma tarefa mais complexa, pois havia dificuldade em padronizar modelos reais e em alterar as variáveis de interesse.

CONCLUSÕES De acordo com os dados analisados nesse trabalho, os sorrisos considerados mais atrativos foram os que possuíam o corredor bucal médio. Considerando as outras duas gradações, constatou-se que, em geral, não houve diferença estatisticamente significativa entre o corredor bucal estreito e o amplo. Além disso, a análise dos sorrisos em imagens da face total ou aproximadas da boca não demonstrou diferença estatística entre si.

Referências

1.

Mondelli J. Estética e cosmética em clínica integrada restauradora. São Paulo (SP):

15. Ritter DE, Gardini LG, Pinto A, Locks A. Esthetic influence of negative space in the

Quintessence; 2003. 2.

buccal corridor during smiling. Angle Orthod. 2006 Mar;76(2):198-203.

Ong E, Brown RA, Richmond S. Peer assessment of dental attractiveness. Am J

16. Abu Alhaija ES, Al-Shamsi NO, Al-Khateeb S. Perceptions of Jordanian laypersons

Orthod Dentofacial Orthop. 2006 Aug;130(2):163-9. 3.

and dental professionals to altered smile aesthetics. Eur J Orthod. 2011

Ackerman MB. Buccal smile corridors. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2005

Aug;33(4):450-6.

May;127(5):528-9. 4.

17.

Gracco A, Cazzani M, D’Elia L, Manfrini M, Peverada C, Siciliani G. The smile buccal corridors: aesthetic value for dentists and laypersons. Prog Orthod.

Jan;129(1):8-16. 18. McLeod C, Fields HW, Hechter F, Wiltshire W, Rody W, Christensen J. Esthetics

2006;7(1):56-65. 5.

Parekh S, Fields HW, Beck FM, Rosenstiel SF. The acceptability of variations in smile

and smile characteristics evaluated by laypersons: a comparison of Canadian and

arc and buccal corridor space. Orthod Craniofac Res. 2007 Feb;10(1):15-21. 6.

US data. Angle Orthod. 2011 Mar;81(2):198-205.

Frush JP, Fisher RD. The dynesthetic interpretation of the dentogenic concept. J

19. Maple JR, Vig KW, Beck FM, Larsen PE, Shanker S. A comparison of providers’ and

Prosthet Dent. 1958 July;8(4):558-81. 7.

consumers’ perceptions of facial-profile attractiveness. Am J Orthod Dentofacial

Sarver DM, Ackerman MB. Dynamic smile visualization and quantification. Part 2:

Orthop. 2005 Dec;128(6):690-6. 20. Dunn WJ, Murchison DF, Broome JC. Esthetics: patients’ perceptions of dental

Smile analysis and treatment strategies. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2003 Aug;124(2):116-27. 8.

attractiveness. J Prosthodont. 1996 Sept;5(3):166-71.

Johnson DK, Smith R. Smile esthetics after orthodontic treatment with and

21. Tedesco LA, Albino JE, Cunat JJ, Slakter MJ, Waltz KJ. A dentofacial attractiveness

without extraction of four first premolars. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1995

scale. Parte II: consistency of perception. Am J Orthod. 1983 Jan;83(1):44-6. 22. Suzuki L, Machado AW, Bittencourt MAV. Avaliação da influência da quantidade

Aug;108(2):162-7. 9.

McNamara JA. Maxillary transverse deficiency. Am J Orthod Dentofacial Orthop.

de exposição gengival na estética do sorriso. Dental Press J Orthod. 2011 Sept/

2000 May;117(5):567-70.

Oct;16(5):37.e1-10.

10. Roden-Johnson D, Gallerano R, English J. The effects of buccal corridor spaces

23. Yang IH, Nahm DS, Baek SH. Which hard and soft tissue factors relate with

and arch form on smile esthetics. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2005

the amount of buccal corridor space during smiling? Angle Orthod. 2008

Mar;127(3):343-50. 11.

Isiksal E, Hazar S, Akvalçin S. Smiles esthetics: perception and comparison of treated and untreated smiles. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006

Jan;78(1):5-11.

Mendes WB, Bonfante G. Fundamentos de Estética em Odontologia. 2a ed. São

24. Telles D, Hollweg H, Castellucci L. Prótese Total: convencional e sobre implantes.

Paulo (SP): Santos; 1996.

São Paulo (SP): Ed. Santos; 2003.

12. Gianelly AA. Arch width after extraction and nonextraction treatment. Am J

25. Rodrigues CD, Magnani R, Machado MS, Oliveira OB. The perception of smile

Orthod Dentofacial Orthop. 2003 Jan;123(1):25-8.

attractiveness. Angle Orthod. 2009 July;79(4):634-9.

13. Kokich VO, Kiyak HA, Shapiro PA. Comparing the perception of dentists and lay

26. Flores-Mir C, Silva E, Barriga MI, Lagravère MO, Major PW. Layperson’s perception

people to altered dental esthetics. J Esthet Dent. 1999;11(6):311-24.

of smile aesthetics in dental and facial views. J Orthod. 2004 Sept;31(3):204-9.

14. Moore T, Southard KA, Casko JS, Qian F, Southard TE. Buccal corridors and smile esthetics. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2005 Feb;127(2):208-13.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

150

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):145-50

artigo inédito

Captura, análise e medição de imagens da dinâmica da fala e do sorriso Vera Lúcia Cosendey1, Stephanie Drummond2, Jonas Capelli Junior3

Introdução: a análise dinâmica do sorriso e da fala facilita a identificação de características da estética facial, possibilita o estudo de diferentes variáveis e viabiliza a observação dos efeitos do envelhecimento. Objetivo: o objetivo desse trabalho é apresentar um método de captura, análise e medição de imagens por meio de vídeos, para o estudo da dinâmica da fala e do sorriso. Métodos: foi padronizado o posicionamento da cabeça em posição natural com o auxílio de um cefalostato. A captura de imagens foi realizada por uma câmera de vídeo, acoplada a um tripé, posicionada a uma distância fixa de 0,90m. Os indivíduos foram treinados a pronunciar a frase “Tia Ema torcia pelo antigo time da Tchecoslováquia” e depois sorrir. As imagens geradas foram fragmentadas de forma a gerar quatro quadros que melhor representassem o repouso, a menor exposição de incisivo superior, a maior exposição de incisivos superior e inferior, e o sorriso posado. Para realização das medidas, utilizou-se um programa específico, chamado VideoMed. Conclusão: o método apresentado torna possível um registro eficaz para captura de imagens durante o repouso, a fala e o sorriso, possibilitando um maior entendimento sobre as alterações dos tecidos moles peribucais. Palavras-chave: Envelhecimento. Gravação em vídeo. Expressão facial.

Como citar este artigo: Cosendey VL, Drummond S, Capelli Junior J. Capture, analysis and measurement of images of speech and smile dynamics. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):151-6.

1

Mestre em Ortodontia pela UERJ. Instrutora clínica do curso de especialização em Ortodontia da UERJ.

2

Aluna do curso de Mestrado em Ortodontia da UERJ. Especialista em Ortodontia pela UERJ.

Enviado em: 02 de maio de 2011 - Revisado e aceito: 17 de agosto de 2012

Doutor e Livre Docente em Ortodontia pela UERJ. Professor Associado de Ortodontia da UERJ.

» Os pacientes que aparecem no presente artigo autorizaram previamente a publicação de suas fotografias faciais e intrabucais.

3

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo. Endereço para correspondência: Stephanie Drummond Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Faculdade de Odontologia Boulevard 28 de Setembro, 157/ sala 230 – Ortodontia CEP: 20.551-030 – Vila Isabel, Rio de Janeiro/RJ

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

151

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):151-6

Captura, análise e medição de imagens da dinâmica da fala e do sorriso

artigo inédito

Discussão A exposição gengival e de incisivos, assim como a forma do lábio, diferem muito na imagem da fala e do sorriso. Essas diferenças são passíveis de ser observadas ao avaliar-se as imagens obtidas do sorriso e na pronúncia de determinados fonemas7. Poucos estudos investigaram esses fatores e relataram a confiabilidade de seus métodos1. Estudos como esse apresentam dificuldades em função das características dentolabiais, da mobilidade facial e da complexidade de obter-se imagens que representem com fidelidade e reprodutibilidade essas características em cada indivíduo avaliado, e que possam ser repetidas em diferentes intervalos de tempo2. No presente método, a captura das imagens foi realizada por meio de filmagem com uma câmera de vídeo digital para que fosse possível obter registros mais representativos da observação da dinâmica facial durante uma conversação. Foi utilizado um cefalostato para padronização do posicionamento da cabeça em posição natural e ortogonal à câmera, com a finalidade de reduzir-se a variação nesse posicionamento, o que poderia alterar o ângulo de observação e, assim, a análise do arco do sorriso, margem gengival, comprimento dos incisivos e inclinação axial2,8,9. O desenvolvimento de um método que pudesse capturar, analisar e medir as imagens registradas de forma confiável e relativamente simples foi possível com a utilização de um programa desenvolvido no

Laboratório de Multimídia do Centro de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Com esse método, foi possível observar as imagens da dinâmica facial, na forma de um videoclipe, e fragmentá-las quadro a quadro, selecionando aquele que melhor representava a variável a ser analisada. Devido à grande dificuldade de capturar-se um sorriso reprodutível para análise das características dentolabiais, empregou-se, nesse estudo, o sorriso posado, ou social, por ser considerado mais estático e, assim, reprodutível3,10,11. A videografia padronizada fornece ao ortodontista clínico uma maior quantidade de imagens para a seleção de parâmetros da relação dentolabial. Devido às prováveis variações no sorriso de adolescentes, com o passar do tempo a fotografia torna-se insuficiente para a avaliação dos efeitos do tratamento ou das mudanças ocasionadas pelo envelhecimento7. Conclusões O método apresentado torna possível um registro eficaz para captura de imagens durante o repouso, a fala e o sorriso, além de permitir a análise e medição de diferentes variáveis. As informações obtidas nesses videoclipes podem trazer maior entendimento sobre as alterações dos tecidos moles peribucais, contribuindo para a aplicação desses conhecimentos na busca de resultados de tratamentos ortodônticos mais satisfatórios.

Referências

1.

Van der Geld PAAM, Oosterveld P, Van Waas MAJ, Kuijpers-Jagtman AM.

7.

Digital videographic measurement of tooth display and lip position in smiling and speech: Reliability and clinical application. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2007

Feb;74(1):43-50.

Mar;131(3):301.e1-301.e8. 2.

8.

Ackerman MB, Ackerman JL. Smile analysis and design in the digital era. J Clin 9.

Ackerman JL, Ackerman MB, Bresinger CM, Landis Jr. A morphometric analysis of

Sep;128(3):404-11.

Sarver DM, Ackerman MB. Dynamic smile visualization and quantification: Part

10. Hulsey CM. An esthetic evaluation of lip-teeth relationship in the smile. Am J

1. Evolution of the concept and dynamic records for smile capture. Am J Orthod

Orthod. 1970 Feb;57(2):132-144.

Dentofacial Orthop. 2003 Jul; 124(1):4-12. 5.

Wong NKC, Kassim AA, Foong KWC. Analysis of esthetic smiles by using computer vision techniques. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2005

the posed smile. Clin Orthod Res. 1998 Aug;1(1):2-11. 4.

Zachrisson BU. Esthetic factors involved in anterior tooth display and the smile: vertical dimension. J Clin Orthod. 1998 Sep;32(9):432-45.

Orthod. 2002 Apr;36(4):221-36. 3.

Ackerman MB, Brensinger C, Landis JR. An evaluation of dynamic lip-tooth characteristics during speech and smile in adolescents. Angle Orthod. 2004

11.

Maulik C, Nanda R. Dynamic smile analysis in young adults. Am J Orthod

Rigsbee OH, Sperry TP, Begole EA. The influence of facial animation on smile characteristics. Int J Orthod Orthognath Surg. 1988;3(4):233-239.

Dentofacial Orthop. 2007 Sep;132(3):307-315. 6.

Morley J, Eubank J. Macroesthetic elements of smile design. J Am Dent Assoc. 2001 Jan; 132(1):39-45.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

156

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):151-6

artigo inédito

Avaliação das mudanças imediatas do tecido mole após expansão rápida da maxila Ki Beom Kim1, Daniel Adams2, Eustaquio A. Araújo3, Rolf G. Behrents4

Objetivo: avaliar as mudanças imediatas no tecido mole após a expansão rápida da maxila (ERM) em pacientes em fase de crescimento, usando tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC). Métodos: vinte e três pacientes (10 do sexo masculino e 13 do feminino) tratados com ERM foram selecionados. Os pacientes foram escaneados por TCFC antes da implantação do expansor maxilar (T0) e imediatamente após a completa ativação do aparelho (T1). Pontos cefalométricos definidos foram localizados nas imagens pré- e pós-tratamento. As mudanças de posição desses pontos do pré- para o pós-tratamento foram, então, analisadas. Adicionalmente aos pontos, 10 medições diretas foram realizadas para determinar a mudança nas distâncias — independentemente da direção — nos tecidos moles dos lábios. Resultados: uma expansão transversal significativa foi notada na maioria dos pontos demarcados em tecido mole. Todas as medições apresentaram mudança significativa na posição labial, com um aumento da dimensão vertical do lábio superior e uma redução generalizada da espessura anteroposterior dos lábios inferior e superior. Conclusão: de fato, mudanças significativas do tecido mole ocorrem no tratamento com ERM. Há um alargamento transversal do terço médio da face e um afinamento dos lábios. Palavras-chave: Técnica de expansão palatal. Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico. Ortodontia corretiva.

1

Professor Assistente, Saint Louis University.

2

Clínica particular, Mesa, Arizona, EUA.

Como citar este artigo: Kim KB, Adams D, Araújo EA, Behrents RG. Evaluation of immediate soft tissue changes after rapid maxillary expansion. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):157-64.

3

Professor, Departamento de Ortodontia, Saint Louis University.

Enviado em: 26 de janeiro de 2011 - Revisado e aceito: 15 de agosto de 2011

4

Professor e Diretor do Departamento de Ortodontia, Saint Louis University.

» Os pacientes que aparecem no presente artigo autorizaram previamente a publicação de suas fotografias faciais e intrabucais. » Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo. Endereço para correspondência: Ki Beom Kim 3320 Rutger Street, Saint Louis, MO 63104, USA E-mail: kkim8@slu.edu

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

157

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):157-64

Avaliação das mudanças imediatas do tecido mole após expansão rápida da maxila

artigo inédito

Alterações nos lábios A extensão vertical do lábio superior também demonstrou um aumento significativo de 0,92mm. Esse achado corrobora o estudo de Berger15 usando fotografias digitais bidimensionais, que relatou um aumento médio de 1,0mm imediatamente após a fase ativa de expansão. A espessura de ambos os lábios, superior e inferior, apresentou uma diminuição significativa. O lábio superior mudou, em média, -0,92mm, enquanto o lábio inferior mudou -1,04mm, em média. Essa alteração provavelmente reflete o efeito da expansão transversal e do alongamento do tecido mole na boca. Embora a medida da comissura labial esquerda para a expansão transversal não tenha sido significativa (p=0,052), a média foi de 0,65mm, com apenas um indivíduo apresentando alteração de -4,6mm, o que provavelmente afetou a significância.

A comissura do lábio direito apresentou uma alteração significativa de 1,20mm, demonstrando que há alguma alteração transversal dos lábios, o que pode ser responsável por um afinamento desses. Esse estudo focou apenas nos efeitos imediatos do tratamento com ERM. Muitos estudos sugerem que os efeitos comumente vistos no tratamento com ERM têm um elevado nível de recidiva3,8,9,10,15,20,21,22. Futuros estudos sobre esse tema podem focar na recidiva após um certo tempo, para determinar a estabilidade das mudanças observadas em longo prazo. Conclusões Alterações significativas ocorrem no tecido mole durante a ERM. Há um alargamento transversal do terço médio da face e uma redução na espessura dos lábios superior e inferior.

Referências

1.

Gryson JA. Changes in mandibular interdental distance concurrent with rapid

13. Betts NJ, Vig KW, Vig P, Spalding P, Fonseca RJ. Changes in the nasal and labial

maxillary expansion. Angle Orthod. 1977;47:186-92. 2.

soft tissues after surgical repositioning of the maxilla. Int J Adult Orthodon

Adkins MD, Nanda RS, Currier GF. Arch perimeter changes on rapid palatal

Orthognath Surg. 1993;8:7-23.

expansion. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1990;97:194-9. 3.

14. Guest E, Berry E, Morris D. Novel methods for quantifying soft tissue changes

Geran RG, McNamara JA, Jr., Baccetti T, Franchi L, Shapiro LM. A prospective

after orthognathic surgery. Int J Oral Maxillofac Surg. 2001;30:484-9.

long-term study on the effects of rapid maxillary expansion in the early mixed

15. Berger JL, Pangrazio-Kulbersh V, Thomas BW, Kaczynski R. Photographic analysis

dentition. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006;129:631-40. 4.

of facial changes associated with maxillary expansion. Am J Orthod Dentofacial

Cross DL, McDonald JP. Effect of rapid maxillary expansion on skeletal, dental,

Orthop. 1999;116:563-.571.

and nasal structures: A postero-anterior cephalometric study. Eur J Orthod.

16. Moss JP. The use of three-dimensional imaging in orthodontics. Eur J Orthod.

2000;22:519-528. 5.

2006;28:416-25.

Davis WM, Kronman JH. Anatomical changes induced by splitting of the

17.

midpalatal suture. Angle Orthod. 1969;39:126-32. 6.

Haas A. Gross reactions to the widening if the maxillary dental arch of the pig by

2008;66:98-103.

splitting the hard palate. Am J Orthod. 1959;45:868. 7.

18. Haas AJ. Palatal expansion: Just the beginning of dentofacial orthopedics. Am J

Haas A. Rapid expansion of the maxillary dental arch and nasal cavity by opening

Orthod. 1970;57:219-55.

the midpalatal suture. Angle Orthod. 1961;31:73-90. 8.

19. Garib DG, Henriques JF, Janson G, Freitas MR, Coelho RA. Rapid maxillary

Krebs A. Midpalatal Suture Expansion Studies by the Implant Method over a

expansion--tooth tissue-borne versus tooth-borne expanders: A computed

Seven-Year Period. Rep Congr Eur Orthod Soc. 1964;40:131-42. 9.

tomography evaluation of dentoskeletal effects. Angle Orthod. 2005;75:548-57.

Wertz R, Dreskin M. Midpalatal suture opening: A normative study. Am J Orthod.

20. Haas AJ. Long-term posttreatment evaluation of rapid palatal expansion. Angle

1977;71:367-81.

Orthod. 1980;50:189-217.

10. Wertz RA. Skeletal and dental changes accompanying rapid midpalatal suture

21. Bishara SE, Staley RN. Maxillary expansion: Clinical implications. Am J Orthod

opening. Am J Orthod. 1970;58:41-66. 11.

Park JU, Hwang YS. Evaluation of the soft and hard tissue changes after anterior segmental osteotomy on the maxilla and mandible. J Oral Maxillofac Surg.

Dentofacial Orthop. 1987;91:3-14.

Karaman A. I. FAB, I Gelgör, A Demir. Examination of soft tissue changes after

22. Snodell SF, Nanda RS, Currier GF. A longitudinal cephalometric study of

rapid maxillary expansion. World J Ortho. 2002;3:217-22.

transverse and vertical craniofacial growth. Am J Orthod Dentofacial Orthop.

12. Grayson B, Cutting C, Bookstein FL, Kim H, McCarthy JG. The three-dimensional

1993;104:471-83.

cephalogram: Theory, technique, and clinical application. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1988;94:327-37.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

164

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):157-64

artigo inédito

Tratamento da Classe II com biprotrusão alveolar por meio de extrações dentárias atípicas e ancoragem com mini-implantes Jong-Moon Chae1

Introdução: os pacientes com Classe II e biprotrusão alveolar são, geralmente, tratados com extração de quatro primeiros pré-molares ou dois primeiros e dois segundos pré-molares, e retração dos dentes anteriores. Este relato de caso descreve o tratamento de um paciente adulto com biprotrusão alveolar, relação de caninos e de molares em Classe II e protrusão labial. Métodos: nesse paciente, o segundo molar superior direito precisou ser extraído devido a cáries extensas. Para criar espaço suficiente para retração dos dentes anteriores, os dentes posterossuperiores direitos foram distalizados com um mini-implante posterossuperior (1,2 ~ 1,3mm de diâmetro, 10mm de comprimento), que foi colocado na área da tuberosidade maxilar e permitiu uma retração em massa dos dentes anteriores. Resultados: em geral, mini-implantes podem fornecer ancoragem para produzir um bom perfil facial, mesmo sem extração adicional de molares em casos de Classe II com biprotrusão alveolar. Conclusão: o período total de tratamento foi de 42 meses e os resultados 34 meses após a remoção do aparelho foram aceitáveis. Palavras-chave: Parafusos ósseos. Extração dentária. Movimentação dentária.

Como citar este artigo: Chae JM. Treatment of Class II malocclusion with bialveolar protrusion by means of unusual extractions and anchorage mini-implant. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):165-77.

Professor do Departamento de Ortodontia, Faculdade de Odontologia, Universidade de Wonkwang, Iksan/Wonkwang Dental Research Institute, Coreia.

1

Enviado em: 27 de outubro de 2011 - Revisado e aceito: 15 de fevereiro de 2012 » Os pacientes que aparecem no presente artigo autorizaram previamente a publicação de suas fotografias faciais e intrabucais. » O autor declara não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo. Endereço para correspondência: Jong-Moon Chae E-mail: jongmoon@wonkwang.ac.kr.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

165

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):165-77

artigo inédito

Tratamento da Classe II com biprotrusão alveolar por meio de extrações dentárias atípicas e ancoragem com mini-implantes

INTRODUÇÃO A biprotrusão alveolar é uma condição caracterizada por incisivos superiores e inferiores protruídos e vestibularizados, e um aumento da protrusão labial. Os objetivos do tratamento ortodôntico da biprotrusão alveolar incluem a retração e retroinclinação dos incisivos superiores e inferiores, com uma diminuição de sua protrusão e convexidade do tecido mole1. Uma abordagem de tratamento comum para pacientes Classe II com biprotrusão alveolar é extrair dois pré-molares superiores ou dois pré-molares superiores e dois inferiores, e retrair os dentes anteriores utilizando a mecânica de ancoragem máxima2,3,4. No entanto, o plano de tratamento se torna mais complexo e controverso quando um paciente tem os segundos molares superiores condenados, e que devem ser extraídos, mas insiste em preservá-los. Para resolver essa situação, os dentes posterossuperiores devem ser distalizados. O movimento distal dos molares superiores é, muitas vezes, usado na correção das más oclusões de Classe II, com vários aparelhos tendo sido propostos pra isso. No entanto, o movimento distal dos molares tem sido considerado um dos problemas biomecânicos mais difíceis para se alcançar os objetivos do tratamento na Ortodontia clínica. A mecânica convencional de distalização ou depende da total cooperação do paciente ou gera movimento recíproco indesejado nos dentes de ancoragem no segmento anterior. Além disso, uma vez que a distalização molar tenha sido alcançada, a distalização dos dentes anteriores sem perda de ancoragem molar é um desafio. Podem ocorrer efeitos colaterais, tais como o movimento dos dentes anteriores para a frente durante a distalização dos pré-molares e o movimento para a frente dos molares distalizados durante a retração dos dentes anteriores, resultando em um tratamento prolongado5. A escolha do sistema de forças apropriado para distalização eficiente dos molares superiores e retração dos dentes anteriores em pacientes com má oclusão de Classe II baseia-se, principalmente, nas condições de ancoragem necessárias para atingir os objetivos do tratamento. A ancoragem esquelética absoluta, disponível 24 horas por dia, oferece um método alternativo para a distalização molar. O uso de implante osseointegrado6, miniplacas7, miniparafusos8,9 e mini-implantes10,11 como ancoragem tornou mais realista a distalização dos dentes

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

posteriores sem perda de ancoragem. Há poucos relatos de casos envolvendo a distalização dos dentes posterossuperiores com mini-implantes (MI) em pacientes com Classe II e biprotrusão alveolar. O relato desse paciente demonstra o uso de MIs em um caso de Classe II com biprotrusão alveolar com o segundo molar direito superior condenado (dente 17).

DIAGNÓSTICO Uma paciente de 40 anos de idade apresentou como queixa principal a protrusão labial. Facialmente, ela apresentava um perfil convexo com protrusão acentuada dos lábios, tensão do músculo mentoniano e incompetência labial, mas bom equilíbrio vertical das proporções faciais (terços médio e inferior) e incisivo superior apresentando-se adequado no sorriso. Intrabucalmente, tinha uma relação de caninos e molares em Classe II, com exceção do lado esquerdo, com relação molar em Classe I; sobremordida normal (2,5mm) e sobressaliência aumentada (10mm), não havendo desproporção dentária significativa, segundo a análise de Bolton. Sua higiene bucal era moderada, com recessão gengival em vários dentes, especialmente no canino superior direito e no primeiro pré-molar. Havia deficiência no comprimento da arcada de aproximadamente 2mm na arcada superior e 4mm de apinhamento na arcada inferior. A assimetria dentária estava presente com um ligeiro desvio da linha média dentária superior para a esquerda e da linha média inferior para a direita da linha média facial, devido ao apinhamento dentário. Assimetria facial e esquelética não foi percebida (Fig. 1). A radiografia panorâmica revelou a presença de cárie severa no segundo molar superior direito, assim como reabsorção óssea generalizada (Fig. 1). O cefalograma lateral (Fig. 1) e seu traçado mostraram Classe II com biprotrusão alveolar, mas com padrão esquelético de Classe I. O padrão esquelético foi normodivergente, como evidenciado pelo ângulo do plano mandibular (Frankfort) de 29,5° e pelo índice de altura facial de 60%. O ângulo do plano oclusal de 11,5° (esquerda) e 12,6° (direita) refletiu o padrão dentário vertical normal. O ângulo do incisivo inferior-plano mandibular (IMPA) de 98,1° refletiu a vestibularização dos incisivos inferiores. O ângulo Z de 65,6° quantificou o leve desequilíbrio facial (Tab. 1). Não havia sinais ou sintomas significativos de disfunções temporomandibulares.

166

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):165-77

Chae JM

fraturado e um torque reverso é aplicado ao MI para remover o fragmento. Se o fragmento invadir estruturas vitais, deve ser deixado no osso, considerando-se o fato de que os mini-implantes ortodônticos são feitos de titânio biocompatível20.

Todos os MIs permaneceram firmes ao longo do tratamento. Após o tratamento, eles foram removidos sem anestesia. No entanto, o MI posterossuperior direito instalado na área da tuberosidade maxilar havia se curvado gradualmente durante o tratamento e fraturou durante a remoção após o tratamento. O MI fraturado foi deixado em sua posição com o consentimento da paciente (Fig. 12). Exames complementares serão necessários para prevenir quaisquer condições patológicas. O fragmento de parafuso incorporado no osso cortical pode ser removido cirurgicamente: faz-se um rebatimento do retalho total, remove-se o osso em torno do MI

CONCLUSÕES Mini-implantes podem simplificar o plano de tratamento e fornecer ancoragem absoluta para o movimento distal em grupo dos dentes, bem como para a retração máxima dos dentes anteriores em tratamentos de Classe II com biprotrusão alveolar por meio de extrações atípicas de segundo molar superior.

Referências

1.

Bills DA, Handelman CS, BeGole EA. Bimaxillary dentoalveolar protrusion: traits

10. Park HS, Lee SK, Kwon OW. Group distal movement of teeth using microscrew

and orthodontic correction. Angle Orthod. 2005 May;75(3):333-9. 2.

implant anchorage. Angle Orthod. 2005 Jul;75(4):510-7.

Janson G, Brambilla AC, Henriques JFC, Freitas MR, Neves LS. Class II treatment

11.

success rate in 2- and 4-premolar extraction protocols. Am J Orthod Dentofacial

microimplant anchorage. Angle Orthod. 2007 Mar;77(2):367-76.

Orthop. 2004 Apr;125(4):472-9. 3.

12. Chae JM. A new protocol of Tweed-Merrifield directional force technology with

Janson G, Maria FRT, Barros SEC, Freitas MR, Henriques JFC. Orthodontic

microimplant anchorage. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006 Jul;130(1):100-9. 13. Bishara SE, Ortho D, Burkey PS. Second molar extractions: a review. Am J Orthod.

treatment time in 2- and 4-premolar-extraction protocols. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006 May;129(5):666-71. 4.

1986 May;89(5):415-24.

Janson G, Janson M, Nakamura A, de Freitas MR, Henriques JF, Pinzan A.

14. Park HS, Bae SM, Kyung HM, Sung JH. Micro-implant anchorage for treatment of

Influence of cephalometric characteristics on the occlusal success rate of Class II

skeletal Class I bialveolar protrusion. J Clin Orthod. 2001 Jul;35(7):417-22.

malocclusions treated with 2- and 4-premolar extraction protocols. Am J Orthod 5.

15. Miyawaki S, Koyama I, Inoue M, Mishima K, Sugahara T, Takano-Yamamoto T.

Dentofacial Orthop. 2008 Jun;133(6):861-8.

Factors associated with the stability of titanium screws placed in the posterior

Bondemark L, Karlsson I. Extraoral vs intraoral appliance for distal movement

region for orthodontic anchorage. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2003

of maxillary first molars: a randomized controlled trial. Angle Orthod. 2005

Oct;124(4):373-8.

Sep;75(5):699-706. 6.

16. Kuroda S, Sugawara Y, Deguchi T, Kyung HM, Takano-Yamamoto T. Clinical use of

Oncağ G, Akyalçin S, Arikan F. The effectiveness of a single osseointegrated

miniscrew implants as orthodontic anchorage: success rates and postoperative

implant combined with pendulum springs for molar distalization. Am J Orthod

discomfort. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2007 Jan;131(1):9-15.

Dentofacial Orthop. 2007 Feb;131(2):277-84. 7.

17.

Sugawara J, Kanzaki R, Takahashi I, Nagasaka H, Nanda R. Distal movement of

Mar;76(20):191-7.

Orthod Dentofacial Orthop. 2006 Jun;129(6):723-33.

18. Chae J, Kim S. Running loop in unusual molar extraction treatment. Am J Orthod

Gelgör IE, Büyükyilmaz T, Karaman AI, Dolanmaz D, Kalayci A. Intraosseous screw-

Dentofacial Orthop 2007 Oct;132(4):528-39. 19. Kim TK, Park SH. Relief of soft-tissue irritation from orthodontic appliances. J Clin

supported upper molar distalization. Angle Orthod. 2004 Dec;74(6):838-50. 9.

Escobar SA, Tellez PA, Moncada CA, Villegas CA, Latorre CM, Oberti G.

Orthod. 2002 Sep;36(9):509.

Distalization of maxillary molars with the bone-supported pendulum: a clinical

20. Jolly TH, Chung CH. Peak torque values at fracture of orthodontic miniscrews. J

study. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2007 Apr;131(4):545-9.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

Poggio PM, Incorvati C, Velo S, Carano A. “Safe zones”: a guide for miniscrew positioning in the maxillary and mandibular arch. Angle Orthod. 2006

maxillary molars in nongrowing patients with the skeletal anchorage system. Am J 8.

Chae JM. Unusual extraction treatment of Class I bialveolar protrusion using

Clin Orthod 2007 Jun;41(6):326-8.

177

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):165-77

Caso Clínico BBO

Má oclusão de Classe III com discrepância anteroposterior acentuada* Susana Maria Deon Rizzatto1

O objetivo deste artigo é relatar o caso clínico de um paciente portador de má oclusão de Classe III esquelética com acentuada deficiência maxilar, causando redução do terço médio da face, associada a severo prognatismo mandibular. O preparo ortodôntico pré-cirúrgico foi composto, principalmente, pela expansão dentoalveolar da maxila e o reposicionamento dos incisivos na arcada inferior. Depois, foi realizada a cirurgia ortognática combinada maxilomandibular. Os objetivos do tratamento foram atingidos, com significativa melhora da oclusão e da estética facial, seguida de estabilidade pós-tratamento. Esse caso foi apresentado à Diretoria do Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial (BBO), como parte dos requisitos para obtenção do título de Diplomado pelo BBO. Palavras-chave: Classe III de Angle. Ortodontia corretiva. Cirurgia ortognática.

Como citar este artigo: Rizzatto SMD. Class III malocclusion with severe anteroposterior discrepancy. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):178-89.

* Relato de caso clínico, categoria 4, aprovado pelo Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial (BBO). 1

Enviado em: 19 de julho de 2012 - Revisado e aceito: 8 de agosto de 2012

Mestre e Especialista em Ortodontia pela PUCRS/UFRGS. Professora de Ortodontia da PUCRS. Diplomada pelo Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial.

» A autora declara não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo. » O paciente que aparece no presente artigo autorizou previamente a publicação de suas fotografias faciais e intrabucais.

Endereço para correspondência: Susana Rizzatto Rua Padre Chagas, 185/301 – Porto Alegre/RS – CEP: 90.570-080 Email: smdr@uol.com.br

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

178

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):178-89

Rizzatto SMD

tabela 1 - Resumo das medidas cefalométricas. Medidas

Padrão esquelético

Padrão dentário

Perfil

Normal

A

P

B

C

Diferença A/B

SNA

(Steiner)

82°

73°

73°

79°

81°

6

SNB

(Steiner)

80°

84°

84°

80°

80°

4

ANB

(Steiner)

-11°

11°

-1°

10

Ângulo de convexidade

(Downs)

-23°

27°

24

Eixo Y

(Downs)

59°

60°

63°

60°

61°

0

Ângulo facial

(Downs)

87°

91°

90°

90°

90°

1

Sn-GoGn

(Steiner)

32°

45°

45°

45°

45°

0

FMA

(Tweed)

25°

38°

39°

39°

39°

1

IMPA

(Tweed)

90°

57°

77°

69°

70°

12

1–NA (graus)

(Steiner)

22°

27°

26°

19°

22°

8

1.NA (mm)

(Steiner)

4mm

5mm

5mm

5mm

5mm

0

1–NB (graus)

(Steiner)

25°

25°

47°

20°

20°

5

1.NB (mm) 1 – Ângulo interincisal 1

(Steiner)

4mm

3mm

6mm

4mm

4mm

1

(Downs)

130°

160°

140°

145°

144°

15

1–APo (mm)

(Ricketts)

1mm

-6mm

-11mm

3mm

2mm

9

Lábio superior – Linha S

(Steiner)

0mm

-3mm

-6°

0mm

-1mm

3

Lábio inferior – Linha S

(Steiner)

0mm

4mm

8mm

1mm

1mm

3

CONSIDERAÇÕES FINAIS A má oclusão de Classe III é considerada a mais desafiadora para o ortodontista, principalmente quando existe envolvimento esquelético1. Nesse caso, o diagnóstico foi conclusivo na recomendação para cirurgia ortognática, devido ao fator etiológico dominante (discrepância sagital maxilo-mandibular acentuada), sendo esse o foco primário na estratégia do tratamento. Com a abordagem cirúrgica, os aspectos psicossociais relacionados à deformidade também podem ser favorecidos2 e é importante que o diagnóstico e o plano de tratamento sejam realizados em conjunto com o cirurgião bucomaxilofacial, visando maximizar os resultados e reduzir o tempo e as complicações inerentes ao tratamento3,4 . A cirurgia ortognática combinada maxilomandibular oportunizou que o tratamento ortodôntico fosse eficiente, atingindo seus objetivos, com sobressaliência e sobremordida adequadas e relação entre caninos e entre molares de chave de oclusão. A descompensação da inclinação dos incisivos inferiores, considerada de grau acentuado, não gerou alterações periodontais que comprometessem as estruturas de suporte. As imagens radiográficas final e de controle demonstraram níveis moderados de reabsorção radicular, o que

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

revela o baixo custo biológico do tratamento. A mudança do ângulo mentolabial, com o posicionamento do lábio inferior próximo da normalidade, colaborou na redução do grau de subjetividade da análise do perfil do tecido mole na fase pré-cirúrgica, potencializando o resultado estético final. A melhora na estética facial contribuiu para elevar a autoestima do paciente. O acompanhamento de quatro anos pós-tratamento denota estabilidade nas características oclusais, morfologia das arcadas e harmonia facial.

Referências

1.

Stellzig-Eisenhauer A, Lux Cj, Schuster G. Treatment decision in adult patients with Class III malocclusion: orthodontic therapy or orthognathic surgery. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2002;122:27-38.

2.

Bilodeau JE. Correction of a severe Class III malocclusion that required orthognathic

3.

Vig KD, Ellis E. Diagnosis and treatment planning for the surgical-orthodontic patient.

4.

Dann JJ, Fonseca R, Bell WH. Soft tissue changes associated with total maxillary

surgery: a case report. Semin Orthod. 1996;2:279-88. Dent Clin North Am. 1990;34(2):361-84. advancement: a preliminary study. J Oral Surg. 1976;34:19-23.

189

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):178-89

tópico especial

Estética gengival: uma abordagem ortodôntica e periodontal Máyra Reis Seixas1, Roberto Amarante Costa-Pinto2, Telma Martins de Araújo3

Introdução: nos dias atuais, as expectativas e exigências estéticas das pessoas têm aumentado substancialmente. Por isso, a Odontologia vem buscando maneiras de oferecer tratamentos com resultados excelentes e, consequentemente, necessita trabalhar, cada vez mais, de modo transdisciplinar. A inter-relação da Ortodontia com a Periodontia é evidente desde quando se compreendeu a biologia da movimentação dentária; contudo, em se tratando de estética do sorriso, tornou-se fundamental. Objetivo: evidenciar, clinicamente, como e quando a Ortodontia e a Periodontia devem trabalhar de modo integrado para a obtenção de sorrisos mais estéticos, considerando-se a exposição e a harmonia do contorno gengival. Palavras-chave: Ortodontia. Sorriso. Estética. Periodontia.

INTRODUÇÃO A Ortodontia, num passado recente, atribuía menor ênfase à saúde periodontal e à aparência estética da gengiva durante a finalização do tratamento. Os ortodontistas acreditavam que o alinhamento e o nivelamento dos dentes eram suficientes para a obtenção de bons resultados e, muitas vezes, desconsideravam que a estética do sorriso depende da harmonia de diversos fatores adicionais à exposição e arquitetura do tecido gengival aparente, como contorno, fenótipo, posição dos zênites e presença de papila interdentária1,2,3. Além disso, o número de pacientes ortodônticos adultos cresceu muito. Apesar de colaborarem mais

com o tratamento do que os adolescentes, apresentam um conjunto de desafios para o ortodontista: podem ter dentes perdidos, desgastados ou abrasionados, margens gengivais desiguais, perda óssea e de papilas interdentárias; enfim, problemas que podem prejudicar a aparência estética dos dentes após a remoção dos braquetes. Em função da complexidade desses tratamentos, do aumento das possibilidades terapêuticas e das maiores exigências estéticas desses pacientes, a abordagem transdisciplinar no tratamento ortodôntico tornou-se fundamental e a sua integração com a Periodontia quase uma obrigatoriedade4-10 (Fig. 1).

Mestre em Ortodontia, UFRJ. Professora do Curso de Especialização em Ortodontia, UFBA. Diplomada pelo Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial (BBO).

Como citar este artigo: Seixas MR, Costa-Pinto RA, Araújo TM. Gingival esthetics: An orthodontic and periodontal approach. Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):190-201.

Mestre em Ortodontia, UFRJ. Professor de Ortodontia, EBMSP. Professor do Curso de Especialização em Ortodontia, UFBA.

Enviado em: 19 de julho de 2012 - Revisado e aceito: 23 de julho de 2012

1

2

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

Doutora e Mestre em Ortodontia, UFRJ. Professora Titular e Coordenadora do Centro de Ortodontia Prof. José Édimo Soares Martins – UFBA. Ex-Presidente do Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial.

3

Endereço para correspondência: Máyra Reis Seixas Rua Leonor Calmon Bittencourt, 44, sala 1301, Cidade Jardim, SSA/BA CEP: 40.296-210 - Email: mayraorto@yahoo.com.br

» Os pacientes que aparecem no presente artigo autorizaram previamente a publicação de suas fotografias faciais e intrabucais.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

190

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):190-201

Estética gengival: uma abordagem ortodôntica e periodontal

tópico especial

A

B

C

D

Figura 16 - Paciente com história de doença periodontal, perda óssea e recessão gengival na região dos incisivos superiores (A, B). Redução das áreas de recessão gengival após a retração dos dentes anterossuperiores (C, D).

a decisão sobre a necessidade do recobrimento radicular pode ser tomada após a finalização do tratamento ortodôntico (Fig. 16).

aparelhos corretivos deve considerar as alturas apicais da gengiva dos dentes anterossuperiores e, para isso, recomenda-se a sondagem e o registro diagnóstico dos níveis gengivais previamente à colagem dos braquetes. O conhecimento sobre a Periodontia clínica deve ser constantemente revisado e atualizado para uma correta condução dos tratamentos e otimização dos resultados estéticos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS A obtenção da estética final do contorno gengival está relacionada a procedimentos ortodônticos e periodontais. Em Ortodontia, a montagem dos

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

200

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):190-201

Seixas MR, Costa-Pinto RA, Araújo TM

Referências

1.

Zanetti GR, Brandão RCB, Zanetti LS, Castro GC, Borges Filho FF. Integração orto-

13. Lindhe J. Tratado de Periodontia Clínica e Implantologia Oral. 5a ed. Rio de Janeiro:

perio-prótese para correção de assimetria gengival: relato de caso. R Dental Press

Guanabara Koogan; 2010.

Estet. 2007 Out-Dez;4(4):50-60. 2.

Borghetti A. Cirurgia plástica periodontal. Porto Alegre (RS): Artmed; 2002.

3.

Joly JC, Silva RC, Carvalho PFM. Reconstrução tecidual estética: procedimentos

14. Kokich VO Jr, Kiyak HA, Shapiro PA. Comparing the perception of dentists and lay people to altered dental esthetics. J Esthet Dent. 1999;11(6):311-24. 15. Tarnow DP, Magner AW, Fletcher P. The effect of the distance from the contact

plásticos e regenerativos periodontais e peri-implantares. São Paulo: Artes

pointto the crest of bone on the presence or absence of the interproximal dental

Medicas; 2010. 4.

papilla. J Periodontol. 1992 Dec;63(12):995-6.

Cohen M. Interdisciplinary treatment planning: principles, design, implementation.

16. Fradeani M. Estethic analysis: A systematic approach to prosthetic treatment.

Seattle: Quintessence; 2008. 5.

Chicago (IL): Quintessence Books; 2004.

Zachrisson BU. Orthodontics and periodontIcs. In: Lindh J, Karring T, Lang NP,

17.

Editors. Clinical periodontology and implant dentistry. 3rd ed. Copenhague (DK):

2000. 1996 Jun;11:18-28.

Munksgaard; 1998. p. 741-93. 6.

18. Seixas MR, Costa-Pinto RA, Araujo TM. Checklist dos aspectos estéticos a serem

Kokich VO, Kokich VG, Kiyak HA. Perceptions of dental professionals and

considerados no diagnóstico e tratamento do sorriso gengival. Dental Press J

laypersons to altered dental esthetics: asymmetric and symmetric situations. Am J

Orthod. 2011 mar-abr;16(2):131-57.

Orthod Dentofacial Orthop. 2006 Aug;130(2):141-51. 7.

19. Ericsson I, Thilander B, Lindhe J. Periodontal condition after orthodontic tooth

Kokich VG. Enhancing restorative, esthetic and periodontal results with orthodontic

movements in the dog. Angle Orthod. 1978 Jul;48(3):210-8.

therapy. In: Schlunger S, Youdelis R, Page R, Johnson R. Editors. Periodontal

20. Wennström JL, Lindhe J, Sinclair F, Thilander B. Some periodontal tissue reactions to

Therapy. Philadelphia (PA): Lea and Febiger; 1990. p. 433-52. 8.

orthodontic tooth movement in monkeys. J Clin Periodontol. 1987 Mar;14(3):121-9.

Kokich VG, Nappen DL, Shapiro PA. Gingival contour and clinical crown length:

21. Engelking G, Zachrisson BU. Effects of incisor repositioning on monkey

their effect on the esthetic appearance of maxillary anterior teeth. Am J Orthod.

periodontium after expansion through the cortical plate. Am J Orthod. 1982

1984 Aug;86(2):89-94. 9.

Jul;82(1):23-32. 22. Karring T, Nyman S, Thilander B, Magnusson I. Bone regenerations in

Kokich V. Esthetics and anterior tooth position: an orthodontic perspective, part II: vertical position. J Esthet Dent. 1993 Jul-Aug;5(4):174-8.

orthodontically produced alveolar bone dehiscence’s. J Periodontal Res. 1982

10. Kokich VG, Kokich VO, Spear F. Maximizing anterior esthetics: an interdisciplinary

May;17(3):309-15.

approach. In: McNamara JA, Kelly K Jr, editors. Frontiers in Dental and Facial

23. Wennström JL. Lack of association between width of attached gingival and

Esthetics. Ann Arbor (MI): Needham; 2001. 11.

development of gingival recessions. A 5-year longitudinal study. J Clin Periodontol. 1987 Mar;14(3):181-4.

Ramfjord SP. Changing Concepts in Periodontics. J Prosthet Dent. 1984

24. Claffey N. Decision making in periodontal therapy: the reevaluation. J Clin

Dec;52(6):781-6. 12.

Garber DA, Salama MA. The aesthetic smile: diagnosis and treatment. Periodontol

Ramfjord SP, Morrison EC, Burgett FG, Nissle RR, Shick RA, Zann GJ, et al. Oral hygiene

Periodontal. 1991;18:384-9.

and maintenance of periodontal support. J Periodontol. 1982 Jan;53(1):26-30.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

201

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):190-201

Normas de apresentação de originais — O Dental Press Journal of Orthodontics publica artigos de investigação científica, revisões significativas, relatos de casos clínicos e de técnicas, comunicações breves e outros materiais relacionados à Ortodontia e Ortopedia Facial.

1. Autores — o número de autores é ilimitado; entretanto, artigos com mais de 4 autores deverão informar a participação de cada autor na execução do trabalho.

— O Dental Press Journal of Orthodontics utiliza o Sistema de Gestão de Publicação, um sistema on-line de submissão e avaliação de trabalhos. Para submeter novos trabalhos visite o site: www.dentalpressjournals.com.br

2. Página de título — deve conter título em português e em inglês, resumo e abstract, palavras-chave e keywords. — não devem ser incluídas informações relativas à identificação dos autores (por exemplo: nomes completos dos autores, títulos acadêmicos, afiliações institucionais e/ ou cargos administrativos). Elas deverão ser incluídas apenas nos campos específicos no site de submissão de artigos. Assim, essas informações não estarão disponíveis para os revisores.

— Outros tipos de correspondência poderão ser enviados para: Dental Press International Av. Euclides da Cunha 1718, Zona 5 CEP: 87.015-180, Maringá/PR Tel.: (44) 3031-9818 E-mail: artigos@dentalpress.com.br

3. Resumo/Abstract — os resumos estruturados, em português e inglês, de 250 palavras ou menos são os preferidos. — os resumos estruturados devem conter as seções: INTRODUÇÃO, com a proposição do estudo; MÉTODOS, descrevendo como o mesmo foi realizado; RESULTADOS, descrevendo os resultados primários; e CONCLUSÕES, relatando, além das conclusões do estudo, as implicações clínicas dos resultados. — os resumos devem ser acompanhados de 3 a 5 palavras-chave, também em português e em inglês, adequadas conforme orientações do DeCS (http://decs.bvs.br/) e do MeSH (www.nlm.nih.gov/mesh).

— As declarações e opiniões expressas pelo(s) autor(es) não necessariamente correspondem às do(s) editor(es) ou publisher, os quais não assumirão qualquer responsabilidade pelas mesmas. Nem o(s) editor(es) nem o publisher garantem ou endossam qualquer produto ou serviço anunciado nessa publicação ou alegação feita por seus respectivos fabricantes. Cada leitor deve determinar se deve agir conforme as informações contidas nessa publicação. A Revista ou as empresas patrocinadoras não serão responsáveis por qualquer dano advindo da publicação de informações errôneas.

4. Texto — o texto deve ser organizado nas seguintes seções: Introdução, Material e Métodos, Resultados, Discussão, Conclusões, Referências, e Legendas das figuras. — os textos devem ter no máximo 3.500 palavras, incluindo legendas das figuras e das tabelas (sem contar os dados das tabelas), resumo, abstract e referências. — as figuras devem ser enviadas em arquivos separados (leia mais abaixo). — insira as legendas das figuras também no corpo do texto, para orientar a montagem final do artigo.

— Os trabalhos apresentados devem ser inéditos e não publicados ou submetidos para publicação em outra revista. Os manuscritos serão analisados pelo editor e consultores, e estão sujeitos a revisão editorial. Os autores devem seguir as orientações descritas adiante. ORIENTAÇÕES PARA SUBMISSÃO Dos MANUSCRITOS — Os trabalhos devem, preferencialmente, ser escritos em língua inglesa.

5. Figuras — as imagens digitais devem ser no formato JPG ou TIF, em CMYK ou tons de cinza, com pelo menos 7 cm de largura e 300 DPIs de resolução. — as imagens devem ser enviadas em arquivos independentes. — se uma figura já foi publicada anteriormente, sua legenda deve dar todo o crédito à fonte original. — todas as figuras devem ser citadas no texto.

— Apesar de ser oficialmente publicado em inglês, o Dental Press Journal of Orthodontics conta ainda com uma versão em língua portuguesa. Por isso serão aceitas, também, submissões de artigos em português. — Nesse caso, os autores deverão também enviar a versão em inglês do artigo, com qualidade vernacular adequada e conteúdo idêntico ao da versão em português, para que o trabalho possa ser considerado aprovado.

6. Gráficos e traçados cefalométricos — devem ser citados, no texto, como figuras. — devem ser enviados os arquivos que contêm as versões originais dos gráficos e traçados, nos programas que foram utilizados para sua confecção. — não é recomendado o envio dos mesmos apenas em formato de imagem bitmap (não editável).

formatação Dos MANUSCRITOS — Submeta os artigos através do site: www.dentalpressjournals.com.br — Organize sua apresentação como descrito a seguir:

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

202

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):202-4

Normas de apresentação de originais — os desenhos enviados podem ser melhorados ou redesenhados pela produção da revista, a critério do Corpo Editorial.

— todas as referências devem ser citadas no texto. — para facilitar a leitura, as referências serão citadas no texto apenas indicando a sua numeração. — as referências devem ser identificadas no texto por números arábicos sobrescritos e numeradas na ordem em que são citadas. — as abreviações dos títulos dos periódicos devem ser normalizadas de acordo com as publicações “Index Medicus” e “Index to Dental Literature”. — a exatidão das referências é responsabilidade dos autores e elas devem conter todos os dados necessários para sua identificação. — as referências devem ser apresentadas no final do texto obedecendo às Normas Vancouver (http://www.nlm. nih.gov/bsd/uniform_requirements.html). — utilize os exemplos a seguir:

7. Tabelas — as tabelas devem ser autoexplicativas e devem complementar, e não duplicar, o texto. — devem ser numeradas com algarismos arábicos, na ordem em que são mencionadas no texto. — forneça um breve título para cada tabela. — se uma tabela tiver sido publicada anteriormente, inclua uma nota de rodapé dando crédito à fonte original. — apresente as tabelas como arquivo de texto (Word ou Excel, por exemplo), e não como elemento gráfico (imagem não editável). 8. Comitês de Ética — os artigos devem, se aplicável, fazer referência ao parecer do Comitê de Ética da instituição.

Artigos com até seis autores Sterrett JD, Oliver T, Robinson F, Fortson W, Knaak B, Russell CM. Width/length ratios of normal clinical crowns of the maxillary anterior dentition in man. J Clin Periodontol. 1999 Mar;26(3):153-7.

9. Declarações exigidas Todos os manuscritos devem ser acompanhados das seguintes declarações, a serem preenchidas no momento da submissão do artigo: — Cessão de Direitos Autorais Transferindo os direitos autorais do manuscrito para a Dental Press, caso o trabalho seja publicado. — Conflito de Interesse Caso exista qualquer tipo de interesse dos autores para com o objeto de pesquisa do trabalho, esse deve ser explicitado. — Proteção aos Direitos Humanos e de Animais Caso se aplique, informar o cumprimento das recomendações dos organismos internacionais de proteção e da Declaração de Helsinki, acatando os padrões éticos do comitê responsável por experimentação humana/animal. — Permissão para uso de imagens protegidas por direitos autorais Ilustrações ou tabelas originais, ou modificadas, de material com direitos autorais devem vir acompanhadas da permissão de uso pelos proprietários desses direitos e pelo autor original (e a legenda deve dar corretamente o crédito à fonte). — Consentimento Informado Os pacientes têm direito à privacidade que não deve ser violada sem um consentimento informado. Fotografias de pessoas identificáveis devem vir acompanhadas por uma autorização assinada pela pessoa ou pelos pais ou responsáveis, no caso de menores de idade. Essas autorizações devem ser guardadas indefinidamente pelo autor responsável pelo artigo. Deve ser enviada folha de rosto atestando o fato de que todas as autorizações dos pacientes foram obtidas e estão em posse do autor correspondente.

Artigos com mais de seis autores De Munck J, Van Landuyt K, Peumans M, Poitevin A, Lambrechts P, Braem M, et al. A critical review of the durability of adhesion to tooth tissue: methods and results. J Dent Res. 2005 Feb;84(2):118-32. Capítulo de livro Kina S. Preparos dentários com finalidade protética. In: Kina S, Brugnera A. Invisível: restaurações estéticas cerâmicas. Maringá: Dental Press; 2007. cap. 6, p. 223-301. Capítulo de livro com editor Breedlove GK, Schorfheide AM. Adolescent pregnancy. 2nd ed. Wieczorek RR, editor. White Plains (NY): March of Dimes Education Services; 2001. Dissertação, tese e trabalho de conclusão de curso Beltrami LER. Braquetes com sulcos retentivos na base, colados clinicamente e removidos em laboratórios por testes de tração, cisalhamento e torção [dissertação]. Bauru (SP): Universidade de São Paulo; 1990. Formato eletrônico Câmara CALP. Estética em Ortodontia: Diagramas de Referências Estéticas Dentárias (DRED) e Faciais (DREF). Rev Dental Press Ortod Ortop Facial. 2006 nov-dez;11(6):130-56. [Acesso 2008 Jun 12]. Disponível em: www.scielo.br/pdf/dpress/v11n6/a15v11n6.pdf.

10. Referências — todos os artigos citados no texto devem constar na lista de referências.

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

203

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):202-4

Comunicado aos Autores e Consultores - Registro de Ensaios Clínicos 1. O registro de ensaios clínicos Os ensaios clínicos se encontram entre as melhores evidências para tomada de decisões clínicas. Considera-se ensaio clínico todo projeto de pesquisa com pacientes que seja prospectivo, nos quais exista intervenção clínica ou medicamentosa com objetivo de comparação de causa/efeito entre os grupos estudados e que, potencialmente, possa ter interferência sobre a saúde dos envolvidos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os ensaios clínicos controlados aleatórios e os ensaios clínicos devem ser notificados e registrados antes de serem iniciados. O registro desses ensaios tem sido proposto com o intuito de identificar todos os ensaios clínicos em execução e seus respectivos resultados, uma vez que nem todos são publicados em revistas científicas; preservar a saúde dos indivíduos que aderem ao estudo como pacientes; bem como impulsionar a comunicação e a cooperação de instituições de pesquisa entre si e com as parcelas da sociedade com interesse em um assunto específico. Adicionalmente, o registro permite reconhecer as lacunas no conhecimento existentes em diferentes áreas, observar tendências no campo dos estudos e identificar os especialistas nos assuntos. Reconhecendo a importância dessas iniciativas e para que as revistas da América Latina e Caribe sigam recomendações e padrões internacionais de qualidade, a BIREME recomendou aos editores de revistas científicas da área da saúde indexadas na Scientific Library Electronic Online (SciELO) e na LILACS (Literatura Latino-americana e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde) que tornem públicas estas exigências e seu contexto. Assim como na base MEDLINE, foram incluídos campos específicos na LILACS e SciELO para o número de registro de ensaios clínicos dos artigos publicados nas revistas da área da saúde. Ao mesmo tempo, o International Committee of Medical Journal Editors (ICMJE) sugeriu aos editores de revistas científicas que exijam dos autores o número de registro no momento da submissão de trabalhos. O registro dos ensaios clínicos pode ser feito em um dos Registros de Ensaios Clínicos validados pela OMS e ICMJE, cujos endereços estão disponíveis no site do ICMJE. Para que sejam validados, os Registros de Ensaios Clínicos devem seguir um conjunto de critérios estabelecidos pela OMS.

gistros de Ensaios Clínicos para a definição de boas práticas e controles de qualidade. Os sites para que possam ser feitos os registros primários de ensaios clínicos são: www. actr.org.au (Australian Clinical Trials Registry), www.clinicaltrials.gov e http://isrctn.org (International Standard Randomised Controlled Trial Number Register (ISRCTN). Os registros nacionais estão sendo criados e, na medida do possível, os ensaios clínicos registrados nos mesmos serão direcionados para os recomendados pela OMS. A OMS propõe um conjunto mínimo de informações que devem ser registradas sobre cada ensaio, como: número único de identificação, data de registro do ensaio, identidades secundárias, fontes de financiamento e suporte material, principal patrocinador, outros patrocinadores, contato para dúvidas do público, contato para dúvidas científicas, título público do estudo, título científico, países de recrutamento, problemas de saúde estudados, intervenções, critérios de inclusão e exclusão, tipo de estudo, data de recrutamento do primeiro voluntário, tamanho pretendido da amostra, status do recrutamento e medidas de resultados primárias e secundárias. Atualmente, a Rede de Colaboradores está organizada em três categorias: - Registros Primários: cumprem com os requisitos mínimos e contribuem para o Portal; - Registros Parceiros: cumprem com os requisitos mínimos, mas enviam os dados para o Portal somente através de parceria com um dos Registros Primários; - Registros Potenciais: em processo de validação pela Secretaria do Portal, ainda não contribuem para o Portal. 3. Posicionamento do Dental Press Journal of Orthodontics O DENTAL PRESS JOURNAL OF ORTHODONTICS apoia as políticas para registro de ensaios clínicos da Organização Mundial da Saúde - OMS (http://www.who. int/ictrp/en/) e do International Committee of Medical Journal Editors – ICMJE (http://www.wame.org/wamestmt.htm#trialreg e http://www.icmje.org/clin_trialup.htm), reconhecendo a importância dessas iniciativas para o registro e divulgação internacional de informação sobre estudos clínicos, em acesso aberto. Sendo assim, seguindo as orientações da BIREME/OPAS/OMS para a indexação de periódicos na LILACS e SciELO, somente serão aceitos para publicação os artigos de pesquisas clínicas que tenham recebido um número de identificação em um dos Registros de Ensaios Clínicos, validados pelos critérios estabelecidos pela OMS e ICMJE, cujos endereços estão disponíveis no site do ICMJE: http://www. icmje.org/faq.pdf. O número de identificação deverá ser registrado ao final do resumo. Consequentemente, recomendamos aos autores que procedam o registro dos ensaios clínicos antes do início de sua execução.

2. Portal para divulgação e registro dos ensaios A OMS, com objetivo de fornecer maior visibilidade aos Registros de Ensaios Clínicos validados, lançou o portal WHO Clinical Trial Search Portal (http://www. who.int/ictrp/network/en/index.html), com interface que permite busca simultânea em diversas bases. A pesquisa, nesse portal, pode ser feita por palavras, pelo título dos ensaios clínicos ou pelo número de identificação. O resultado mostra todos os ensaios existentes, em diferentes fases de execução, com enlaces para a descrição completa no Registro Primário de Ensaios Clínicos correspondente. A qualidade da informação disponível nesse portal é garantida pelos produtores dos Registros de Ensaios Clínicos que integram a rede recém-criada pela OMS: WHO Network of Collaborating Clinical Trial Registers. Essa rede permitirá o intercâmbio entre os produtores dos Re-

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

Atenciosamente, David Normando, CD, MS, Dr Editor-chefe do Dental Press Journal of Orthodontics ISSN 2176-9451 E-mail: davidnormando@hotmail.com

204

Dental Press J Orthod. 2012 Sept-Oct;17(5):202-4

Novos Tubos

Abzil

Design Superior

Nova Linha de Tubos Abzil

Desenvolvidos seguindo tendências internacionais e as sugestões de grandes nomes da ortodontia brasileira.

Entradas afuniladas e curva de conforto Marcações que facilitam o posicionamento .039 inch

1,00 mm = .039 inch

.039 inch

Base dupla curvatura com malha 80 mícrons

Conforto para seu paciente, precisão e confiança pra você!

 Televendas Abzil: 0800-111068 www.abzil.com.br / www.ortoevolucao.com.br e-mail: televendasabzil@mmm.com

twitter.com/ortoevolucao

facebook.com/ortoevolucao

Bretas

Prescrição Roth


v17n5-pt