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Avaliação Motora em Educação Física Adaptada

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Instituto Phorte Educação Phorte Editora Diretor-Presidente

Fabio Mazzonetto Diretora Executiva

Vânia M. V. Mazzonetto Editor Executivo

Tulio Loyelo

Esta obra é recomendada pelo Conselho Editorial da Phorte Editora Ltda. Para verificação da composição, regulamentação e ato constitutivo acesse www.phorte.com/conselho

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Avaliação Motora em Educação Física Adaptada Teste KTK 2ª Edição revisada e ampliada

José Irineu Gorla Paulo Ferreira de Araújo José Luiz Rodrigues

São Paulo, 2009

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Avaliação motora em educação física adaptada: teste KTK Copyright © 2007, 2009 by Phorte Editora Ltda. 2ª edição: 2009 Rua Treze de Maio, 596 Bela Vista – São Paulo – SP CEP: 01327-000 – Brasil Tel/Fax: (11) 3141-1033 Site: www.phorte.com E-mail: phorte@phorte.com

Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou transmitida de qualquer forma ou por quaisquer meios eletrônico, mecânico, fotocopiado, gravado ou outro, sem autorização prévia por escrito da Phorte Editora Ltda. CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ ________________________________________ G682a 2.ed. Gorla, José Irineu, 1964Avaliação motora em educação física adaptada : teste KTK / José Irineu Gorla, Paulo Ferreira de Araújo, José Luiz Rodrigues. - 2.ed. - São Paulo : Phorte, 2009. 160p. : il. Anexos Inclui bibliografia ISBN 978-85-7655-234-5 1. Capacidade motora em crianças - Testes. 2. Capacidade motora em deficientes mentais - Testes. 3. Educação fisíca para crianças deficientes mentais. I. Araújo, Paulo Ferreira de. II. Rodrigues, José Luiz. III. Título. IV. Título: Teste KTK para deficientes mentais. 09-2645.

CDD: 796.0874 CDU: 796-056.26

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Impresso no Brasil Printed in Brazil

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Dedicatória À minha esposa, Josiane, e aos meus filhos, Rafaela e Daniel, dedico a alegria e a emoção deste momento, pela compreensão e pelo carinho com que me acompanharam ao longo da minha carreira acadêmica. Agradeço à minha família, Pai Irineu, Mãe Júlia, minha irmã, Maria Helena, meus irmãos, Marcos e Ricardo, parte fundamental do meu desempenho profissional.

José Irineu Gorla

Dedicar é a oportunidade de retribuir a atenção recebida, nesse sentido, dedico este livro à minha mãe, Eva Ferreira Roque, à minha esposa, Adélia Fernanda Pereira Araújo, e aos nossos filhos, Pedro e André Araújo, por tê-los como pontos de referência.

Paulo Ferreira de Araújo Embora busquemos na vida equilíbrio em nossas ações, temos consciência que toda produção científica pode provocar um desequilíbrio, que se não bem administrado, minimiza o nosso convívio familiar. Assim sendo, agradeço a minha esposa, Jandira, pelo apoio e compreensão pelas ausências, aos meus filhos Fabíola, Vinícius e Rodrigo, aos meus netos, Gabriel, Felipe, Carolina, Rodrigo e Maria Luiza que está a caminho, pelo incentivo. Agradeço em especial aos meus pais José e Angelina, pela educação recebida.

José Luiz Rodrigues

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Ao se lançar em um vôo, Não esqueça de seu ponto de partida Ele deve ser o seu ponto de referência Caso tenha que regressar, Pois voar é necessário E voltar às vezes é preciso.

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Apresentação à 2ª Edição A segunda edição do livro Avaliação Motora em Educação Física Adaptada, enriquecida em relação à primeira, revela a maturidade acadêmica dos seus autores em, incansavelmente, oferecer informações com base científicas, numa área ainda tão escassa em material desta qualidade. Com efeito, isso revela continuidade de esforços em favor do crescimento das possibilidades de intervenção segura, consistente e confiável, mediante o conteúdo inicialmente viabilizado em 2007, tão importante que em pouco tempo se esgotou a primeira edição. Tendo origem na tese de doutorado de José Irineu Gorla, orientado por Paulo Ferreira de Araújo e, em cuja defesa tive a honra de não apenas estar presente, mas de participar como membro titular da banca, a presente obra mostra a ousadia de investigar a capacidade de coordenação corporal numa população especial de pessoas com deficiência intelectual. Ora, se a coordenação corporal pode ser entendida com a interação harmoniosa e econômica do sistema musculoesquelético, do sistema nervoso e do sistema sensorial, de modo a produzir equilíbrio e precisão na ação motora, imagina-se então estudar tais capacidades numa grande amostra como foi o caso da pesquisa realizada, mas com todas as características que naturalmente dificultam o controle dos movimentos de tais sujeitos amostrais. Assim, avaliar a manifestação motora possível, com tanto critério e rigor científico, que demandou forte incursão na análise estatística dos dados, trouxe, felizmente, indicadores não apenas importantes mas indispensáveis aos profissionais em tão nobre área. Permito-me nesse âmbito referir que Kiphard, já na década de 70, dá a entender com muita propriedade, dois relevantes aspectos com certeza considerados pelos autores: primeiro, o ser humano, apesar de qualquer tipo de limitação, não é completamente descoordenado, mas pode manifestar insuficiência de coordenação importante; segundo, o ambiente pode ser favorecedor ou limitante, pois a privação ambiental como diz esse autor, reflete consideráveis dificuldades na capacidade de coordenação corporal. Nota-se que, na área de Educação Física e Esportes, muitos têm sido idealistas e possuem, pela sua experiência e conhecimento, argumentos que não apenas justificam, mas também e, principalmente, atestam a necessidade da área de Educação Física, valorizar a ação junto à escola e

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à escola especial, com respeito à metodologia do ensino contextualizado e com ênfase no valor educativo da exploração do movimento e do esporte, o que se configura essencial a qualquer dos grupos de crianças e jovens. Dentre eles, Bento, Graça Guedes e Moura e Castro (este último atuou fortemente na área da Educação Física Adaptada, na Universidade do Porto, com cegos), ainda que Bento e Graça Guedes não atuaram na área especial mas observaram esse valor e reconhecem certamente. Aliás, observa-se tão grande empenho dos protagonistas (professores /treinadores e atletas) pelos resultados obtidos nas Paraolimpíadas, bem superiores aos dos nossos atletas nos jogos Olímpicos. Ao abordar a pessoa com deficiência intelectual jovem, estudando com profundidade as suas possibilidades e não apenas descrevendo uma dada situação e, ainda, encontrando indicadores sólidos, os autores abrem espaço e dão apoio científico a investimentos futuros para a pesquisa nesta área, oferecendo parâmetros que assegurem novas propostas, envolvendo a avaliação que considera o contexto dessa realidade. Evidente que outros instrumentos condicionados aos fatores de aplicação prática, características da população e possibilidades de avaliação, intervenção e nova avaliação devem ser considerados, uma vez que a ciência não tem fronteiras e é flexível consoante instrumentalização e outras variáveis pontuais em cada foco de pesquisa; também, da pesquisa imprimir a possibilidade da sua aplicação em busca dos reais benefícios. Importa finalmente referir, que ao analisar a coordenação motora, avaliar a motricidade desses sujeitos projetando seus pares e propondo uma nova classificação do teste de coordenação corporal KTK, foi atingido um aprofundamento que constitui um marco, o qual representa um divisor de águas já enaltecido por José Luiz Rodrigues, quando da apresentação que muito bem fez, na oportunidade da primeira edição. Na certeza de que, a Educação Física Adaptada recebe avanços consideráveis com o presente conteúdo, recomendo sua utilização como referencial e parabenizo seus autores, pelo auxilio que prestam na construção do conhecimento de tão importante área da Educação Física.

Professor Dr. Vanildo Rodrigues Pereira

Docente do Departamento de Educação Física Universidade Estadual de Maringá-UEM.

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Apresentação à 1ª Edição

É com muita satisfação que aceitei o convite para fazer a apresentação desta obra. Além de gratificado, sinto-me honrado pela participação, uma vez que seguramente este livro preencherá lacunas nessa área ainda carente e especialmente no que se refere à verificar, medir, testar e avaliar o ser humano. As últimas décadas foram marcadas pela velocidade e transformação, aspectos que se mal cuidados poderão, obviamente, ter repercussão desastrosa. Nos vários segmentos e permeando os diversos setores de atividades, é necessária, atualmente, objetividade, clareza dos fatos e busca de motivos ou causas reais que originaram certos acontecimentos, que os impediram ou que “simplesmente” minimizaram seus efeitos. Ter claros esses elementos garante a diminuição dos erros, aumentando, dessa forma, nossa possibilidade de acerto. Permeando, portanto, todos os setores de atividades, é necessário um preciso diagnóstico do problema, situação ou evento, fornecendo indicadores a fim de garantir maior êxito na intervenção. O preciso diagnóstico de um problema, situação ou evento estabelece indicadores que possibilitam e asseguram uma intervenção mais criteriosa e bem sucedida, realimentando o ciclo: avaliação/intervenção e intervenção/reavaliação. Essas considerações fornecem a exata dimensão do valor e da complexidade do tema abordado, quando considerado todo o contexto do avaliar, ponto que podemos assegurar, entre tantos outros, que foram criteriosamente cuidados pelos autores. Fico à vontade e tranqüilo com a responsabilidade da apresentação e da indicação desta obra, entendendo que tão importante quanto o produto (livro) é o processo com que todo o conhecimento foi pesquisado, reunido e apresentado. Processo que vi acontecer bem de perto e que em alguns momentos, fiz parte.

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Posso afirmar que tanto a trajetória do Professor Gorla, da qual tive a honra de ser seu orientador no mestrado, bem como a do Professor Paulo Araújo, que há mais de 25 anos compartilho anseios, frustrações e êxitos, dão a credibilidade para abordar o assunto em questão com rigor e técnica necessária, sem, contudo, desconsiderar que o objeto dessa avaliação é a pessoa, cujo desempenho depende de fatores que vão além dos aspectos físicos e orgânicos. Outro ponto importante a ser considerado, além do valor intrínseco do instrumento apresentado, é a praticidade do mesmo, tornando sua efetiva aplicação bastante viável em escolas, clubes e academias, levando em conta a ação do professor, o baixo custo e a fácil confecção do material que compõe o kit para o teste de coordenação motora. Concluindo, como apontado pelos autores, além de todas as ponderações já feitas, essa obra possibilita e suscita a continuidade de estudos tão necessários e esperados, envolvendo de forma mais ampla o tema Avaliação. Parabéns, portanto, Paulo e Gorla, se assim me permitem tratá-los, como amigos/ irmãos, por brindarem a Educação Física e em “especial” a área de estudo da Educação Física Adaptada com essa importante obra, que seguramente dentro do tema proposto auxilia na construção do conhecimento, fornecendo indicadores para que a Educação Física como um todo reencontre seus reais valores. Alinhados às idéias dos autores, entendemos que essa obra retrata os anseios e ensinamentos de Ysseldyke: “Bem Avaliar para Bem Intervir”.

Professor Dr. José Luíz Rodrigues

Docente do Curso de Especialização de Educação Física Adaptada – UNICAMP. Coordenador do Centro de Habilitação e Treinamento Profissional e Transição para a Vida Adulta, da Associação de Reabilitação Infantil Limeirense – ARIL.

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Prefácio à 2ª Edição Educação Física Adaptada é um dos campos da Ciência da Atividade Física e do Desporto que tem evoluído muito nas últimas décadas. Apesar dessa evolução, nossa literatura ainda não é suficiente para fundamentar com dados científicos todo o processo de desenvolvimento das atividades praticadas pelas pessoas com deficiência. Compete a nós irmos em busca de medidas e estratégias que possibilitem aos profissionais dessa área uma maior criteriosidade na elaboração de suas atividades por meio de testes motores, especificamente a coordenação motora. O conteúdo desta segunda edição está estruturado em seis capítulos, descritos a seguir e com a inclusão da tabela de referência para avaliação do teste KTK em escolares da rede regular de ensino. No primeiro capítulo, é feito um breve relato sobre a construção do teste de coordenação motora KTK e são apresentadas diferentes propostas de estudos de abrangência populacional que envolveram a utilização do teste no Brasil e em outros países, com o intuito de desenvolver uma análise com relação aos delineamentos utilizados e as perspectivas quanto à generalização de seus resultados. No segundo capítulo, são examinados e discutidos aspectos sobre a avaliação motora e a deficiência intelectual. No terceiro capítulo, fezse uma abordagem em relação à coordenação motora. No quarto capítulo, são apresentados os procedimentos metodológicos empregados na realização do estudo descritivo. As questões que se depreendem com as características da população estudada, a amostra envolvida, as medidas e os testes na coleta de dados são descritas detalhadamente, procurando alcançar o mais alto nível de qualidade das informações a serem analisadas. No quinto capítulo, analisamos os resultados quanto aos aspectos da coordenação motora em relação à idade e ao sexo da amostra avaliada. Em um primeiro momento, são realizadas análises inter-sexos para cada item observado; depois, são notadas informações de cada item nos diferentes grupos etários das crianças e adolescentes de ambos os sexos.

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Na sequência, são apresentadas propostas de indicadores referenciais, por meio de modelos matemáticos que possam ser empregados em futuras análises, com base nas informações obtidas na amostra estudada. Espera-se com esse procedimento atender uma das necessidades mais prementes do professor de Educação Física que atua nas escolas especiais, que atendem pessoas com deficiência intelectual. Dessa forma, pretende-se que este livro possa contribuir dentro das limitações de seu âmbito, com explicações qualitativas e quantitativas sobre a coordenação corporal em pessoas com deficiência intelectual.

José Irineu Gorla Paulo Ferreira de Araújo

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Sumário Introdução.............................................................. 17

Capítulo 1

Importância dos Estudos Populacionais................... 23

Capítulo 2

Coordenação Motora............................................. 47

Capítulo 3

Avaliação Motora em Educação Física Adaptada...... 77

Capítulo 4

Medidas Antropométricas........................................ 93

Capítulo 5

O Teste de Coordenação Motora KTK (Körperkoordinationstest für Kinder)..................... 103 Referências............................................................. 123 Anexos ................................................................... 139

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Introdução O estudo de grupos populacionais, no que se refere à coordenação motora, tem se centrado, na maior parte dos casos, na descrição e análise de cada um dos seus traços. Isto é, a partir de uma perspectiva estritamente unidimensional. Tabelas referenciais são consideradas meios para serem utilizados na avaliação da coordenação motora global, pela comparação de seus resultados individuais com as normas para sua idade e sexo. Desse modo, é possível verificar qual é o desempenho que o aluno revela de coordenação motora, adequada ou não à sua faixa etária e sexo. A coordenação corporal entendida como a interação harmoniosa e econômica do sistema músculo-esquelético, do sistema nervoso e do sistema sensorial, com o fim de produzir ações motoras precisas e equilibradas e reações rápidas adaptadas à situação, exige: a) uma adequada medida de força, que determina a amplitude e a velocidade do movimento; b) uma adequada seleção dos músculos que influenciam a condução e a orientação do movimento; c) a capacidade de alternar rapidamente entre tensão e relaxamento muscular (Kiphard, 1976). Os estudos de Kiphard e Schilling (1970 e 1974); e Kiphard, (1976) sobre o desenvolvimento da coordenação e suas insuficiências nas crianças em idade escolar, levaram à elaboração de uma bateria de avaliação da capacidade de coordenação corporal. Na sua concepção, tiveram como objetivo, examinar uma função motora básica, a qual desempenha um papel importante no desenvolvimento motor da criança conforme a idade avança (Kiphard e Schilling, 1974). Após vários estudos empíricos usando a análise fatorial exploratória como método de análise de dados, esses autores identificaram um fator designado por coordenação corporal que continha os quatro testes atuais da bateria KTK (Körperkoordination Test für Kinder). A descrição da coordenação motora para pessoas portadoras de deficiência intelectual tem sido escassamente estudada, encontrando-se poucas referências a esse respeito.

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Os estudos da literatura internacional referentes ao desenvolvimento da coordenação motora na idade de 5 a 14 anos originam-se de diferentes países e foram realizados, em sua maioria, nas décadas de 1970, 1980 e 1990, como Cratty (1969 e 1974); Kiphard e Schilling (1974); Bruininks (1978); Arnheim e Sinclair (1979); Hughes e Riley (1981); Ulrich (1985); Seaman e DePauw (1989); Henderson e Sugden (1992) e Fischer (1995), entre outros (ver Tabela 1.1). Esses estudos têm as seguintes características: a) Delineamento longitudinal ou misto (longitudinal e/ou transversal); b) Uma amostra inicial grande (1.234 a 4.689) e no final, menor (298 indivíduos); c) A elaboração de tabelas referenciais (normas) em percentuais das medidas realizadas, de acordo com o sexo e a faixa etária. São encontradas, também, pesquisas com delineamento transversal em relação ao tema, indicado por Kiphard e Schilling (1974), sendo que a maioria tinha por objetivo, segundo esses autores, a elaboração de tabelas referenciais das variáveis pesquisadas. De acordo com a revisão de literatura realizada, são encontrados diversos estudos referentes à elaboração de uma primeira norma referencial dos aspectos da coordenação motora, no entanto, não foram encontrados estudos dessa pesquisa no Brasil que verificassem a validade dessas normas para população. O estudo do perfil da coordenação motora em crianças e adolescentes portadores de deficiência intelectual e da influência de alguns fatores do envolvimento nos perfis parece justificar-se por duas razões: a primeira reside na escassez ou mesmo inexistência de dados acerca do perfil da coordenação motora, enquanto a segunda razão prendese à possibilidade, a posteriori, de concepção, desenvolvimento e articulação de programas de Educação Física contextualizados, não objetos desta investigação, que possam promover competências motoras e compensar perfis tidos como deficitários, de forma a potencializar as capacidades de cada um.

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Introdução

Enormes dificuldades são encontradas para a análise da coordenação motora em indivíduos portadores de Deficiência Intelectual (DI). Isso se deve à instabilidade adaptativa e de controle postural apresentados por essa população. Presume-se também que as atividades motoras das crianças representem um dos pilares da proficiência motora, concretizando, dessa forma, um componente fundamental da criança como organismo biológico, e constitui-se como um fator importante do seu cotidiano em diferentes ambientes ou envolvimentos: casa, escola, amigos e parceiros, grupos organizados, etc. (Malina, 1980). Importa, desse modo, desenvolver estudos da coordenação motora, pois trata-se de um dado decisivo, não só porque é fundamental como suporte para a aprendizagem de um vasto leque de habilidades, como pode indicar insuficiências senso-neuro-musculares na resposta a situações que o envolvimento impõe (Kiphard, 1976; Meinel e Schnabel, 1984; Schmidt e Wrisberg, 2003). Se a competência, entendida do ponto de vista da coordenação motora, é expressão de um certo número de capacidades, estas dependem do estado de desenvolvimento da criança. O sistema de desenvolvimento comporta aspectos genéticos e do envolvimento, sendo esses últimos substantivos: cada indivíduo insere-se em um determinado envolvimento ao qual se adapta, com o qual interage e, ainda, sempre que possível, adapta-o às suas necessidades. A perturbação evidente no sistema postural aumenta muito a dificuldade de selecionar variáveis básicas envolvidas no padrão de equilíbrio, na coordenação dos membros inferiores, na energia dinâmica, na força, na velocidade em saltos, na lateralidade e na orientação espaçotemporal. Na área de deficiência intelectual, são raros os estudos nesse sentido e quando realizados, em geral, adotam observações diretas e sistemáticas, baseadas em critérios pré-determinados para a análise. Esses critérios são tomados de um referencial dos padrões de indivíduos “normais” ou de referências internacionais. Deve-se ter em mente que a base adaptativa do nível do indivíduo “normal” está submetida a uma dinâmica sistêmica diferenciada da do portador de deficiência intelectual. A expressão “deficiência intelectual” emprega uma condição de classificar um determinado grupo de pessoas incapacitadas. Essas pes-

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soas, de nenhum modo, constituem um grupo homogêneo quanto ao comportamento, função intelectual, habilidades físicas, níveis de desenvolvimento e outras características pertinentes. Ao longo dos anos, as pessoas com certas dificuldades intelectuais receberam distintas denominações e rótulos com diversos nomes, tais como: idiota, imbecil, débil-mental, subnormal, entre outros. Muitas denominações e rótulos foram influenciados por diferentes tendências sociais, por diversas teorias científicas e por diferentes escolas psicológicas. Termos deturpados socialmente, pois são originais da Psicologia e da Psiquiatria. A esses termos, tem-se acrescentado certos adjetivos para melhor precisar as possibilidades educativas e adaptativas do indivíduo. É freqüente a utilização de alguns desses rótulos, o que não tem feito mais do que limitar nossas expectativas docentes e, por sua vez, limitar as possibilidades e potencialidades das pessoas com deficiência. A utilização das diferentes terminologias para definir uma situação obedece à concepção que cada escola psicológica tem com respeito à etiologia da deficiência intelectual (DI). Nas publicações estrangeiras, tais como a de Seaman e DePauw (1989); Eichstaedt e Lavay (1992); Sherril (1998) e Luckasson et al. (2003), entre outros, aparece o termo “retardo mental”. Em nosso país, parece ser mais freqüente usar o termo deficiência intelectual. Desde muito tempo, considera-se que a pessoa rotulada como deficiente intelectual tem um futuro incerto. Mas conforme se adquirem maiores conhecimentos sobre a natureza dessa deficiência, as práticas educacionais aprimoram-se. Uma pessoa portadora de uma deficiência, isto é, de uma diminuição de adaptabilidade provocada por uma perda, de caráter permanente, de certa(s) capacidade(s), apresenta diferentes características quanto ao desenvolvimento do seu esquema corporal, da organização espacial, do equilíbrio, da agilidade e da força, entre outros, que podem ser consideradas, em certos casos, patológicas, isto é, desenvolvendo-se com particularidades e seqüências distintas do desenvolvimento considerado “normal”, e em outros simplesmente atrasadas, isto é, quando se verifica uma evolução em tudo semelhante ao desenvolvimento normal, mas defasada em relação à idade cronológica.

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Introdução

A presente busca poderá ser traduzida em contribuição para a futura preparação e capacitação de profissionais da área de Educação Física e de outros que atuam com o movimento, lembrando sempre que atualmente temos pessoas com deficiência nas escolas regulares de ensino. Dessa forma, pode-se utilizar os mesmos métodos de avaliação e intervenção, observando apenas a forma de aplicabilidade e instrução. Torna-se importante explicitar que nossa proposta de referenciais não se encerra em um modelo fechado, mas sim disponibiliza um material que venha a se constituir em parâmetro que possibilite investigar futuras adaptações e estudos.

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Capítulo 1 Importância dos Estudos Populacionais

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Neste capítulo, é feita inicialmente uma abordagem da importância e necessidade de levantamentos populacionais sobre a origem e validação do teste de coordenação motora KTK e os estudos envolvendo a utilização da bateria de teste. O conhecimento sobre as variações intra e interpopulações poderá enriquecer o conhecimento sobre o processo de desenvolvimento da criança e do adolescente portadores de deficiência intelectual.

Importância e Necessidade de Levantamentos Populacionais Algumas funções básicas devem ser destacadas em relação à importância e à necessidade de levantamentos populacionais envolvendo variáveis que procurem evidenciar as características da coordenação motora em portadores de deficiência intelectual. Uma das mais comuns é a oportunidade de detectar possíveis diferenças entre o status dessa população, bem como compará-la com outras; ou ainda, entre subgrupos dessa mesma população. O conhecimento sobre as possíveis variações poderá enriquecer o conhecimento sobre o processo de desenvolvimento da coordenação motora das crianças e adolescentes portadores de deficiência intelectual e a relativa importância dos fatores genéticos e moduladores ambientais. Outra importante aplicação desse estudo com essas características é a possibilidade de selecionar informações com o objetivo de produzir indicadores referenciais realmente confiáveis e que possam corresponder à realidade em que as crianças e adolescentes com DI vivem. Por fim, a aplicação das informações obtidas por meio do desenvolvimento de levantamentos populacionais, desde que realizados periodicamente, inclui a monitorização das alterações seculares, podendo servir como mecanismo de aferição do impacto de intervenções específicas a fim de melhorar a qualidade de vida da população em questão. No Quadro 1.1, pode-se observar alguns estudos que apresentam levantamentos populacionais.

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Origem do Teste de Coordenação Corporal para Crianças KTK O Teste de Coordenação Corporal para Crianças (KTK) surgiu de um trabalho estreitamente conjunto do Westfälischen Institut für Jugendpsychiatrie und Heilpädagogik Hamm e do Institut für Ärztl. Päd. Jugendhilfe der Philippe-Universität, frente à necessidade de diagnosticar mais sutilmente as deficiências motoras em crianças com lesões cerebrais e/ou desvios comportamentais. Quadro 1.1 Estudos que apresentam levantamento populacional

Estudo Roach e Kephart Cratty, B. J. Cratty, B. J. Cratty, B. J.

Número 297 355 crianças “normais” 38 deficiência intelectual leve 113 deficiência intelctual moderada

Sexo M/F M/F M/F

Idade Sem limite de idade 4 a 11 anos 5 a 20 anos

M/F

5 a 24 anos

Ano

País

1966

Indiana

Design

1969; 1974 1969; 1974

TesteRe-teste TesteRe-teste TesteRe-teste

1969; 1974

TesteRe-teste

Vodola

1.000

M/F

4 a 9 anos 1972

Gubbay

992

M/F

Kiphard e 1.283 Schilling

8 a 12 anos

1973; 1975

M/F

4.5 a 14.5

1974

Bruininks 765

M/F

4.5 a 14.5

1978

Vodola

1.000

M/F

4 a 9 anos 1978

Arnheim e Sinclair

1.563 (várias etnias, cultural, social e econômica)

M/F

5.5 a 12

1979

Projeto ACTIVE Austrália Alemanha

TesteRe-teste Não Reportada TesteRe-teste TesteRe-teste TesteRe-teste TesteRe-teste

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Importância dos Estudos Populacionais

Hughes e Riley

1.260

M/F

5.5 a 12.5

1981

U.S.A (Denver –Colorado)

TesteRe-teste

1983

U.S.A

TesteRe-teste

1985

U.S.A

TesteRe-teste

U.S.A

Interrater

Folio e Fewell

617

M/F

Nascimento até 6 anos e 11 meses

Ulrich

909

M/F

3 a 10

Werder e 281 Bruininks

M/F

Gans et al.

206

M/F

Ayres

1.997

M/F

4 a 8 anos 1989

U.S.A

Seaman e DePauw

2.100, sendo 2% com deficiência

M/F

5 a 12

1989

U.S.A Não Re(Califórnia) portada

Henderson e Sugden

298

M/F

5 a 11

1992

U.S.A

TesteRe-teste

te

Henderson e Sugden

1.234

M/F

4 a 12

1992

U.S.A

TesteRe-teste

te ea

Haley et al.

412

M/F

0.5 a 7.5

1992

U.S.A

Between Interviewers

te

Fischer

909

M/F

3 a 10

1995

gn

te

te

te

2 a 12 1988 anos Todas idades/De- 1988 ficiência

te

te

te

O histórico do desenvolvimento do teste KTK foi traduzido de Motopädagogik, de Kiphard (s.d.), e ocorreu durante cinco anos de estudos em diversos estágios, com o apoio da Sociedade Alemã de Apoio à Pesquisa.

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Avaliação Motora em Educação Física Adaptada

Em busca de um procedimento motor consistente e confiável, Hünnekens, Kiphard e Kesselmann (1967) apresentaram o Hammer Geschicklich-Keitstest (Teste Hammer de Habilidades). Esse primeiro tipo de teste, construído na forma de uma escala nominal, não possibilitava, no entanto, uma diferenciação suficiente dentro de cada faixa etária dos 5 aos 8 anos. Nos anos de 1968 a 1972, foi realizada uma ampla revisão feita por Kiphard e Schilling (1974), de acordo com os pontos de vista das modernas teorias de testes. Com isso, foi abandonado o princípio da dificuldade da tarefa relativo à idade (medido pelo conseguir ou não conseguir) e, ao invés disso, assumiu-se uma diferenciação quantitativa do máximo de rendimento dentro de cada tarefa. Com a concepção de um novo teste, foi obtido o rendimento máximo do testando pela constante repetição das tarefas com dificuldade crescente, por meio de uma avaliação por pontos ou pela contagem das repetições por unidade de tempo, no Teste de Coordenação Corporal para Crianças (Hamm-Marburger Körperkoordinationtest für Kinder HammMarburger - MHKTK), apresentado por Kiphard e Schilling (1970). Pela elevação da dificuldade das tarefas, tornou-se possível ampliar o teste de 8 para 12 anos, podendo, mais posteriormente, ser estendido até os 14 anos. A concepção final do teste foi publicada em 1974 em Weinhein (Beltz-Verlag); ela está baseada na normatização (n. 1.228) de 1973-74, organizada por Schilling. Os estudos de Kiphard e Schilling (1970, 1974) e Kiphard (1976), sobre o desenvolvimento da coordenação motora e suas insuficiências nas crianças de idade escolar, levaram à elaboração de uma bateria de avaliação da capacidade de coordenação corporal. Com ela, os autores examinaram uma função motora básica, a qual desempenha um papel importante no desenvolvimento motor da criança conforme a idade avança. Após vários estudos empíricos desses autores, usando a análise fatorial exploratória como método estatístico de análise de dados, foi identificado um fator designado por coordenação corporal que continha os quatro testes atuais da bateria KTK. O teste atual leva cerca de 10 a 15 minutos para ser administrado e deve ser realizado em uma sala de aproximadamente 4x5 metros. Este evoluiu do teste de Oseretsky (Figura 1.1) pela facilidade de sua aplicação, ou seja, envolvendo todos os aspectos de coordenação corporal, que tem como componente o equilíbrio, o ritmo, a lateralidade, a velocidade e a agilidade que se distribuem em quatro tarefas.

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AVALIAÇÃO MOTORA EM EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA: teste KTK