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TRANSIÇÃO EM PORTUGAL

NEWSLETTER Nº1 Verão 2013

Bem-vindos à primeira newsletter da Transição em Portugal!

CONTEÚDOS . Bem-vindos! . Ajudada em Portalegre . O que é uma Ajudada? . Depoimentos da Ajudada . Ajudada aqui e acolá . Associação Rio Vivo . Da ITT ao CCT . A Parceria Local de Telheiras . Convergir para a Sustentabilidade

“Uma iniciativa de transição é um processo consciente de uma comunidade (cidade, vila, aldeia, bairro, rua...) com o objectivo de aumentar a sua resiliência, torná-la cada vez mais forte e feliz. Está a acontecer um pouco por todo o mundo – desde cidades na Austrália até bairros em Portugal, cidades no Brasil até comunidades rurais na Eslovenia, desde áreas urbanas na Inglaterra até ilhas na costa do Canadá.” (In: Transition Networks) E neste crescimento viral surge assim a primeira newsletter da Transição em Portugal!

Esta newsletter tem como principal objectivo partilhar experiências, vivências, aprendizagens, projectos e muitos outros, desenvolvidos no âmbito da Transição, sobretudo em Portugal. Contribuições de iniciativas de transição de outros países são igualmente bem-vindas, especialmente numa perspectiva de enriquecer e oferecer novos olhares ao caminho de transição que estamos agora a realizar. Vive das contribuições de cada um de nós, seja com a sua disponibilidade para ler, para escrever, dar feedback, divulgar, etc. A partilha de pequenas ideias, projectos, aprendizagens podem fazer uma grande diferença no Todo. O tempo o dirá...

. Panantropolis . Celebração . Encontro Nacional Transição . Próximo Número

“Porque é que ninguém nos avisou?” Nota: Imagem de cabeçalho da newsletter da autoria de Elizabete Agostinho.

Neste número vamos descobrir um pouco do que foi o grande evento “Ajudada em Portalegre” com os depoimentos e vivências de inúmeros participantes que por lá passaram. Vamos conhecer um pouco a “Associação Rio Vivo” e os seus desafios na vida comunitária de uma aldeia. Iremos descobrir como surgiu o Centro de Convergência em Telheiras a partir da Iniciativa de Transição em Telheiras – “Do ITT ao CCT: mudam-se as siglas, mudam-se as estratégias”. Iremos focar a nossa atenção em projectos específicos e lições apreendidas como na “Parceria Local de Telheiras” e o “Encontro Convergir para a Sustentabilidade”. Descobrir os diferentes projectos já implementados na iniciativa Gaia em Harmonia - “ Rotas da Co-Criação de Panantropolis” e o seu sonho para 2014: realizar um Ecovillage Design Course (EDE) em Portugal. E terminar em grande festa com o convite à “Celebração” do Grupo Madeira em Transição. Quem sabe aproveitar para ir até ao Festival Tempo d’Aldeia a decorrer agora em Rio Seco – Almeida, na primeira semana de Agosto e dar um pezinho de dança? Depois da celebração (e Verão), vem aí uma nova etapa: tanah tanahhh - Encontro Nacional de Iniciativas de Transição, 22 de Setembro em Linda-a-Velha! Ficamos à espera de artigos para o Próximo Número da Newsletter que gostaríamos de lançar no Outono – ver última página. Estamos numa fase experimental, por isso todo o feedback e sugestões construtivas são bem-vindas. Só depende de cada um de nós manter esta newsletter Viva... Venha daí o Verão em Transição!

“Diz-se que tudo tem um preço. Mas qual é o verdadeiro valor das coisas? In Ajudada, http://www.ajudada.org/pt/

AJUDADA EM PORTALEGRE Crachá da Ajudada.

“AJUDADA foi um encontro internacional que decorreu nos dias 14, 15 e 16 de Junho de 2013 em Portalegre. Os participantes trouxeram a Portalegre a sua visão e os seus saberes para planear, em conjunto com toda a comunidade, soluções reais de desenvolvimento, buscando inspiração nos valores da dádiva e da partilha.” Adaptado de http://www.ajudada.org/pt/

Embora a AJUDADA tenha sido organizado por um conjunto de elementos alguns dos quais independentes do movimento de transição, a verdade é que muitos membros de diferentes iniciativas de transição em Portugal estiveram presentes e participaram activamente na realização deste evento. A iniciativa Portalegre em transição foi incansável! E muitos Membros de várias iniciativas de transição presentes na Ajudada. Foto tirada por Adriana Marins, aquando membros de outras iniciativas de transição por lá passaram e deram uma o final do encontro expontâneo, em frente à sede da ‘mãozinha’ (ou até duas!): Coimbra, Linda-a-Velha, Cascais, Madeira, FT-CUL, Iniciativa de Transição em Portalegre. São Luís, Aldeia das Amoreiras, Covilhã... Rapidamente, durante a Ajudada surgiu um encontro expontâneo com alguns membros das várias iniciativas presentes e no qual nasceu a Newsletter ‘Transição em Portugal’. Assim, neste primeiro número da newsletter ‘Transição em Portugal’ partilhamos um pouco do que foi a Ajudada, não só com os testemunhos de vários membros da transição, mas também recolhendo aqui e ali opiniões de diferentes participantes, bem como alguns excertos de artigos sobre a AJUDADA já publicados. Procuramos cruzar diferentes Escreve-nos olhares, perspectivas e vivências criando um mosaico ‘multicolorido’ do que foi e está a ser a AJUDADA por Portugal e esse Mundo fora! Newsletter Transição em Portugal (NTRP) [Email address] [Web address]

O QUE É UMA AJUDADA? Gonçalo Pais Linda-a-Velha em Transição Email: transicao.lav@gmail.com Site: http://transicaolav.blogspot.pt No dicionário está: Substantivo feminino (de ajudar) Auxílio que a um lavrador prestam os outros, seus vizinhos, em trabalhos de campo; adjutório, adjunto. É isso mesmo: um auxílio comunitário, uma mão que lava a outra e ambas lavam a cara. E se aplicássemos isso à economia de uma comunidade? Ou seja como é que uma iniciativa de Transição pode prosperar quando há tanto desespero económico e tantos problemas sociais? Foi esta a questão colocada em Portalegre no passado fim-de-semana de 14 a 16 de Junho e a resposta foi colectiva.

O primeiro dia foi dedicada à cabeça. Foram apresentados projetos de comunidade de Portalegre, realizada uma mesa redonda entre teóricos da economia da dádiva, do decrescimento económico e ativistas da Transição como Charles Eisenstein, Gary Alexander, Ana Reis e Anselm Jappe. O segundo dia, dedicado ao coração (o fator emocional), foi repleto em apresentações, tertúlias, jogos, poesia, música, partilha de projectos, vontades e sonhos. No terceiro e último dia da Ajudada, dedicado à s mãos (a aplicação visível de tudo o que foi discutido e partilhado), muitas pessoas transformaram um espaço cedido pela edilidade local num espaço limpo, pintado, mobilado e cheio de alma para receber projectos sem casa. Todo o evento foi organizado e realizado desafiando todas as normas que conhecemos, provando que há algo para além do que conhecemos e que o decrescimento económico não tem de ser algo negativo e mau. Parabéns e o nosso muito obrigado à Filipa Pimentel, à iniciativa de Transição de Portalegre e a todos que tornaram este evento possível e que agora depende de todos nós para se tornar "mainstream". A Ajudada só agora começou...

A “Gift Economy”/”Economia da dádiva” - é a prática de manter um fluxo de dádivas numa comunidade partilhando os recursos e as competências que nela existem. Numa economia da dádiva, TODOS têm um papel activo e são valorizados, não apenas aqueles que geram dinheiro, confiando-se no potencial de sabedoria e criatividade que cada um transporta consigo. Embora a troca, as moedas locais e outros mecanismos possam passar a desempenhar um papel mais importante, o paradigma que se promove neste evento é o da dádiva: a noção de que todos temos algo para contribuir, a compreensão de que através da cooperação todos nos sentiremos mais seguros, confiantes e realizados, ou seja, mais ricos (na acepção mais profunda do termo). A dádiva sempre foi parte integrante da economia comunitária e deveria ter um papel mais valorizado daquele que tem hoje. É este

aspecto que queremos realçar e não o desaparecimento total de outras expressões da economia. A palavra economia é hoje entendida em associação com uma vertente meramente “ mercantil”. Deve, no entanto, referir-se que, na sua origem, significa ‘gerir a nossa casa' comum. O dinheiro é apenas um instrumento da economia, mas os eventos recentes têm mostrado que não está de facto a cumprir uma função adequada. Serão necessários outros sistemas de entreajuda, outras formas de gerir as dádivas da comunidade.

O QUE FOI PARA TI A AJUDADA?

de Mudança, que não tem uma forma concreta, mas tem ideais e valores muito claros. Levo comigo uma vontade reforçada de direccionar as minhas energias para esta convergência e contribuir através de um trabalho para o esforço conjunto. Queria por fim saudar toda a organização por um trabalho magnífico. Tudo fluiu e encaixou em harmonia. Obrigada! Ps. Já posso dizer que tenho casa em Portalegre!” Anónimo “Um local e encontro de muitas vontades, ideias e desejos. Foi muito interessante perceber que já somos muitos e multiplicaremos esta energia no depois da Ajudada.

Encontros por aí com participantes na Ajudada. Fotos retiradas de: https://www.facebook.com/Ajudada2013/

“Gostei muito do jogo dos piratas. Porque tinha pistas e um tesouro. E o que era o tesouro? NÓSSS!!!” Miguel “A Ajudada é a semente para uma mudança global de pensamento.” Duarte Antunes “A capacidade de realização começa com a confiança de cada um nos grupos de trabalho e na resolução tranquila mas em tempo, dos problemas (ensinamento da Ajudada).” Anónimo “A Ajudada mostrou-me que o que parece impossível não o é, se as vontades individuais de mudança se conjugarem num esforço colectivo para o bem comum.

Deixo a minha história e experiência e levo inspiração. A melhorar será o envolvimento com a população local e talvez fazer ajudadas (uma por dia por exemplo) no concelho, em necessidades transmitidas pela população de Portalegre.” Anónimo “The gentleness of all the people present at Ajudada AND the people in the town of Portalegre is/was amazing and showing what a gift society can be at the very heart!” Anónimo “Coração aberto. Confiança Mútua. Voar.” Andreia

Foram dias muito especiais e o que mais me marcou foi ver como pessoas tão diferentes comungam no projecto

““Ajuda” quando “dada” com o coração (dádiva) é sempre uma iniciativa de grande mérito e merecedora de reconhecimento. Parabéns. “Ajudada em Portalegre” pela concretização de um feito tão grandioso nos caóticos e controversos tempos que todos atravessamos. Não obstante porém, a ajuda só poderá ser dada a quem”de coração” também estiver disponível para a receber. Ir aos encontros das necessidades mais básicas de cada um é, portanto, fundamental! Para isso há que envolver, aproximando-nos de quem sentimos

que necessita de ser “ajudado”. Atenção, Escuta, Empatia (colocarmo-nos no lugar do outro), Proximidade, no sentido da aferição dos interesses individuais e colectivos são aspectos essenciais para percorrer o caminho da “Ajudada”, enquanto conceito. Cabeça, Coração e Mãos juntos e em equilíbrio são os ingridientes para que a (R) Evolução seja bem sucedida! Da Ajudada saio enriquecida enquanto pessoa. Sou mais uma que em cooperação com outros “uns” podem dar origem ao Um, ao todo harmonioso para o qual pretendemos e estamos a caminhar. Á organização o meu profundo reconhecimento e gratidão pelas vivências (individuais e colectivas) que permitiu. Como observações quero salientar que: a) a diversidade e quantidade de actividades não me permitiu sentir a “união” e “convergência” que esperava encontrar e que me parece primordial em acontecimentos como este; b) sendo esta uma iniciativa em e para a região de Portalegre, porque é que a % de portalegrenses foi tão escassa? E deixo como hipóteses de questionamento: 1. A população foi enquirida quanto ao facto de querer uma Ajudada? 2. Que e de que forma foi realizada a divulgação do evento? “Ajudada” dei-te um pouco da minha cabeça, coração e mãos e comigo levo a oportunidade para continuar, de forma mais clara, a contribuir para a mudança de uma sociedade que vislumbro mais justa e onde o bem-estar de todos e cada um serão o primeiro e último fim! OBRIGADA :)” Anónimo “Ajudada is a radical and total peaceful approach to transform our world. NO MONEY WAS USED to create and incredible, beautiful, inspiring, heightened, gathering that unites creativity, wisdom and community building. New ideas were incubated, old wisdom shared and in a most loving and caring atmosphere. Thank you Ajudada.” Anónimo “Ajudada, a dádiva com o coração.” Anónimo

“É uma boa iniciativa, um bom começo, para um mundo que está em MUDANÇA. É uma inspiração para quem está no começo desta jornada. Confiança, Amor, Liberdade!” Sara Peralva “A Ajudada foi muito fixe! Gostei muito de dormir no carro. Nunca tinha feito.” Alice “ A Ajudada foi uma experiência muito positiva”. Conheci muitos projectos interessantes e pessoas maravilhosas. É uma prova como o novo paradigma da sociedade, uma sociedade solidária, mais autêntica está a chegar, e é para ficar. Depende de todos nós que este projecto possa ser replicado por Portugal e pelo mundo. Viva a Ajudada!” Anónimo “I believe something significant has happened at Ajudada – another “tipping point” toward Our Transition. For Portalegre, Portugal and the World. I believe also that Ajudada will grow amplifying the sharing of gifts and a sense of abundance. Here and around the world. Felicidades AJUDADA!” Anónimo

AJUDADA AQUI E ACOLÁ Excertos de vários artigos já publicados em jornais, blogues, etc. Fotos retiradas de: https://www.facebook.com/Ajudada2013/

“Pode a actual crise dos mercados, apesar das dificuldades que está a gerar à existência de tantos seres humanos, constituir uma oportunidade para testar modelos alternativos mais solidá¡rios e sustentáveis? Em Portalegre, uma pequena cidade do centro interior de Portugal, junto da fonteira com Espanha, onde os efeitos da difícil situação económica que o país atravessa mais se fazem sentir, a esperança parece

renascer graças a um movimento de cidadãos que está a criar uma rede comunitária de partilha e entreajuda.” In: Carlos Baptista, Jornal Belga, https://www.facebook.com/notes/ajudada/tradu%C3%A7%C3%A 3o-artigo-carlos-baptista-revista-belga-mo/195101737316003.

"Hola a todos... Como sabeis, mi país, Portugal, está luchando. Y Portalegre, en el Alto Alentejo, está todavia en peores condiciones. En los últimos cinco o diez anos, casi toda la industria local ha ido cerrando. Supongo que muchos de los jovenes con agallas se han ido. Y no es sorprendente que en el pueblo se respire la negatividad y la falta de iniciativa. Hay estudios que vaticinan que en 20 anos Portalegre puede incluso dejar de existir". "Ante esta situacição, la pregunta es: Como puede prosperar una iniciativa de transicão cuando hay tanta desesperacion económica y social?". La respuesta es la 'Ajudada' (...) In: Carlos Fresneda, “El Poder de la Ajudada”, http://www.elmundo.es/

com centenas de forasteiros que vieram dos mais variados lugares (Espanha, Inglaterra, Estados Unidos da América, Austrália, Alemanha, Paquistão, Nova Zelândia, Áustria, Brasil, Argentina, etc.), todos, para a celebração da AJUDADA, o encontro internacional que aconteceu de 14 a 16 de Junho na nossa cidade. (...) Porquê em Portalegre, a realização deste evento? Pareceu à organização que não fazia grande sentido desenvolver este trabalho numa grande cidade, como por exemplo, Lisboa. Aí, toda a essência seria facilmente diluída. Portalegre, talvez fruto da sua interioridade, possui ainda muito do espírito subjacente à AJUDADA e, daqui poder-se-ia projetar todo este trabalho para outras comunidades, quer nacionais, quer internacionais: AJUDADA, palavra que já traz em si a essência do que se pretende transmitir: Ajudar, dando, com o coração, de forma colaborativa inovadora, mas radicada nos princípios ancestrais da dádiva em comunidade.” (...) Preparado ao longo de uns escassos oito meses, contou com a presença de cerca de 50 voluntários que, divididos em grupos, trataram da Conceção, Planeamento, Procura de Recursos e Ligação de pessoas e projetos, numa sensibilização da população, em geral, e das instituições, em particular. (...) Importante ainda, é referir que a AJUDADA não pretende ser um ponto de chegada, mas um ponto de partida. É preciso continuar a acreditar, a ligar, a unir pontes, a estabelecer relações de vizinhança mais fortes, a ser mais solidário e participativo. In: Isilda Garraio/Manuela Lã Branca, “Encontro Internacional Ajudada”, Semanário da região de Portalegre “ Fonte Nova” 18 de Junho 2013.

“Foi um fim de semana intenso de atividade para a nossa cidade. Ao contrário do que estamos habituados, as pessoas saíram à rua onde puderam encontrar-se

“The core of Ajudada, a 3-day international transition gathering in Portalegre, Portugal (not Porto Alegre in Brazil), was to imagine a new economic model based on the core values of community-based life, namely giving and sharing are the key ingredients of a prosperous society. Bringing economy back to its origin, as in the Greek word Eikos for house, economy thus meaning: managing our common home. (…) Ajudada was inspired by the concept of the gift economy, in which people give and receive and share resources and skills within a community. An economy, where people are not separate(d), as in the current market economy, where goods and services are exchanged for money, but where people are part of and connected to eco-systems and to others.”

effect on Portalegre, on Portugal and on all of us who were there.” In: Gary Alexander, My http://earthconnected.net/

Overall

reactions

to

Ajudada,

In: Ans, “Head, Heart and Hands and putting community-based economy into practice at Ajudada!”, http://cycloasis.org/

DESAFIOS 1. O que é que a Transição trouxe para ti e para a tua comunidade? O que mudou na tua vida e na tua comunidade? Responde para newsletter.trp@gmail.com para publicarmos no próximo número.

2. Sabemos que há muitos artistas por aí e “I was totally blown away by the event, and still haven’t come down to Earth. Perhaps most powerful for me was the depth of connection I found with people, so many of whom I now think of as very good friends. And such interesting, intelligent and committed people they all are! And of course everyone came and contributed at their own expense, out of commitment to the idea of the event. (…)There was a sense of like minded people from the whole country coming together, to help Portalegre and also to find out how they can work together afterwards. (…)We don’t know what this will all lead to in the future, but we had a taste of a living gift economy, and the unpredictability of it is a large part of its charm. The mood and openness of everyone was wonderful. I am sure that it will have a wonderful

queremos mostrar como são criativos. Estamos a receber propostas para a capa dos próximos números da newsletter . Envia a tua proposta para o nosso email newsletter.trp@gmail.com até ao final de Setembro.

A vossa participação é indispensável para dar continuidade a este projeto. Obrigado

ASSOCIAÇÃO RIO VIVO Bruno Gomes Fotos - João Ferreira e Lara Batista Associação Rio Vivo Blog: http://www.riovivo.pt Um movimento de transição é um caminho e não uma chegada, claro está. Não se constrói com um manual que dita as regras, quando muito constrói-se com a partilha de experiências e momentos que nos indicam as decisões para construir parte da resiliência necessária a todo o caminho. Apenas parte, porque o todo tem de ser feito pela inspiração local.

A Associação Rio Vivo nasce sobre os fundamentos da transição, mas será uma associação de uma aldeia em transição? Estes fundamentos criam o sentimento de algo imposto. Uma associação, pessoas que se associam, dificilmente dará resposta às ânsias de mudança de todos os que se lhe associam. É portanto um projecto que tendo algumas linhas de orientação, terá de percorrer apenas o melhor caminho. A transição pode ter tantas caras e iniciar-se de formas tão diferentes quantas as diferenças que existem em cada um. A associação é formada também por pessoas que em nada tinham um vínculo à aldeia de São Pedro do Rio Seco. E é, contudo, uma associação desta aldeia para esta aldeia, ainda assim na esperança da mudança regional que possa promover. Qual a razão para esta aposta? É uma oportunidade de intervir entre dois pontos: quem acredita e investe, quem desacredita e aguarda. A palavra investir e aguardar podem ser encarnadas em tantas caras e podem ocorrer de formas tão diferentes quantas as diferenças que existem em cada um. “Desafio” é a resposta. Agora, há que cativar as gentes de São Pedro para actividades, expressões artísticas, movimentos culturais e eventos que fogem ao que é habitual a esta região. Tenta-se também reavivar o espírito comunitário

independente da influência religiosa, não por oposição, mas porque a espontaneidade do espírito comunitário, revalorizado, existe por si só. A questão que se coloca todos os dias é se os movimentos comunitários de São Pedro, que sempre existiram e existem, necessitam de algum empurrão. Os cuidados à vinha e respectiva vindima, a apanha da batata, a ceifa e enfardamento do cereal, a colecta da lenha entre tantas outras actividades que se repetem todos os anos, só são possíveis graças a este espírito comunitário. Estas actividades e a reunião das gentes que obriga é assim um forte movimento sustentável de uma pequena comunidade. Mas desengane-se quem transforme esta imagem num quadro bucólico. É um espírito comunitário dividido, muitas vezes por grupos estanques.

A Associação Rio Vivo é assim encarada, localmente, como apenas mais um grupo. O esforço passa por mostrar e oferecer a associação e o seu trabalho a todos, tentar deixar claro que não é um grupo estanque e que não se limita a quem a dirige e a quem se lhe associa. O Festival Tempo d’Aldeia é um manifesto oposto àquela divisão comunitária. Não tem um vínculo religioso e não é feito por um grupo para um grupo. Pretende reunir todos e o saber de todos, pretende acima de tudo realçar um “espírito comunitário comum”. É uma celebração e o reforço do trabalho desenvolvido ao longo de todo o ano, na tentativa de criar uma ponte sólida entre grupos. Um projecto ou um desafio deste tipo, exige a humildade de afirmar que o seu sucesso não é certo. Nota da NTRP: A segunda edição do Festival Tempo d’Aldeia está a decorrer agora de 31 de Julho a 4 de Agosto, em São Pedro de Rio Seco, Concelho de Almeida. Mais informações em: http://tempodaldeia.wix.com/2013

DA ITT AO CCT: MUDAM-SE AS SIGLAS, MUDAM-SE AS ESTRATÉGIAS Filipe Matos e Luís Pereira Centro de Convergência de Telheiras Email: geral@vivertelheiras.pt Site: www.vivertelheiras.pt Olá, olá! Decidimos participar nesta 1ª newsletter com duas notícias e um ponto de situação. Para começar o melhor é fazermos um apanhado dos últimos anos da Iniciativa de Transição em Telheiras (ITT): 

A ITT começou no final de 2010, apoiada na Associação de Residentes (que na verdade trabalha a “transição” há 25 anos, nas suas vertentes comunitária, ambiental, de consumo, etc) Depois de um ano de 2011 cheio de actividades (oficinas, encontros comunitários, palestras, acções de sensibilização), descobrimos que tínhamos 3 calcanhares de aquiles: i) não tínhamos maneira de chegar facilmente às pessoas e mobilizar as pessoas do bairro; ii) os vários projectos e instituições do bairro não se conheciam nem interagiam entre si; iii) como era tudo voluntário, rapidamente se tornava secundário.

Do núcleo duro (6 ou 7 pessoas) 3 emigraram e outras seguiram com novos projectos interessantes e “de transição” também (ex: Re-Food, loja de bicicletas).

Houve um relatório de mestrado sobre as experiências da ITT, que pode ser consultado aqui: http://repositorio.ul.pt/handle/10451/5871.

Em 2012 decidimos hibernar a ITT, por falta de pessoas, de motivação, e para pensar uma estratégia que ajudasse a ultrapassar os nossos calcanhares de aquiles. No seguimento de tudo isto dois membros da ITT começaram a criar um novo projecto, o Centro de Convergência de Telheiras (CCT) (nome inspirado num projecto que todos bem conhecemos ;) ), que foi lançado de forma “visível” (através do site vivertelheiras.pt) em Maio. Mas o CCT surge como e porquê, e qual é a sua (curta) história? 

Tinha de haver um investimento na comunicação, chegar às instituições e às redes sociais do bairro.

Tínhamos de gerar rendimento sustentabilidade ao projecto.

Apresentámos o projecto a dezenas de pessoas: amigos e familiares, investigadores, potenciais investidores, o que nos ajudou a estruturar melhor o projecto.

Candidatámo-nos a diversos fundos de empreendedorismo social, inovação social, etc., sem qualquer sucesso.

Resolvemos não esperar por financiamento e constituímo-nos como associação em Janeiro 2013.

que

desse

O projecto que montámos assenta em 3 pilares: comunicação de proximidade, parceria local, e observatório. Isto acompanhado de um plano de negócios, sobretudo associado ao eixo da comunicação e da formação, que dê rendimento (a médio-prazo) para ter pessoas a trabalhar. Também há um projecto de doutoramento a acompanhar o projecto. Em Maio tivemos uma reunião com os poucos membros da ITT que ainda cá estão em que decidimos que era tempo de encerrar a actividade da ITT, preservando a

sua memória, organizando a informação produzida, etc (o que ainda teremos de fazer).Na conversa surgiu a ideia de o CCT substituir a ITT como representante telheirense no movimento de transição. Ou seja, essencialmente decidimos montar este projecto que, nesta fase, está mais direccionado para construir uma rede de comunicação e de parceiros que consiga identificar mais facilmente as necessidades e vontades de quem aqui vive. (se quiserem conhecer o melhor o projecto vejam www.vivertelheiras.pt!).

A PARCERIA LOCAL DE TELHEIRAS Filipe Matos e Luís Pereira Centro de Convergência de Telheiras

A Parceria Local é um um dos projectos do Centro de Convergência de Telheiras. Pretende ser a plataforma de comunicação entre várias instituições com intervenção no bairro para dar seguimento à parceria institucional que se formou durante 2010 e 2011 por ocasião da candidatura do bairro de Telheiras à Agenda XXI Local da Câmara Municipal de Lisboa. Nessa altura houve duas reuniões entre várias destas instituições e percebeu-se desde logo que havia vontade de trabalhar mais em conjunto. Desde que lançámos o Centro de Convergência de Telheiras, em Janeiro de 2013, tivemos duas reuniões: uma a 5 de Abril e outra a 6 de Junho. A primeira reunião, com representantes de 12 instituições, serviu para nos conhecermos todos um bocadinho melhor, para nós apresentarmos a visão e a proposta para esta Parceria, para darmos a conhecer o site ViverTelheiras.pt como plataforma de informação e comunicação do bairro (disponível para todos os Parceiros colaborarem), para planearmos o nosso primeiro evento conjunto (Festival de Telheiras, que podem conhecer melhor no artigo que lhe é inteiramente dedicado (no próximo numero da newsletter).

A segunda reunião, com representantes de 11 instituições (duas delas novos membros), serviu principalmente para fazermos um mapeamento de recursos e necessidades de cada uma das instituições, com o objectivo de nos conhecermos melhor a nível institucional e para vermos de que forma os recursos de uns podem ajudar a suprir as necessidades de outros, quais estão subaproveitados, e como é que isso pode melhorar o trabalho das instituições junto da comunidade.

Após estas duas reuniões há algumas coisas que sentimos claramente: há já um grande à-vontade entre a maior parte das pessoas e as reuniões têm um equilíbrio muito bom de formalidade e informalidade (tivemos sempre uns bolinhos para petiscar!); as várias instituições sentem que têm pouca visibilidade junto da população e sentem-se sozinhas na sua actuação; por isso estão todos com muita vontade de trabalhar em

conjunto; apesar da vontade nota-se que a participação neste tipo de plataformas não é algo a que a maior parte das pessoas esteja habituada. Agora voltamos a reunir em Setembro para preparar o nosso Magusto de bairro e no final do ano esperamos estar em condições para desenvolvermos todos juntos um Plano de Actividades para 2014. Este é um projecto que nos tem dado imenso gozo, porque sentimos que estamos verdadeiramente a criar comunidade e que trabalhando em conjunto conseguimos ter um impacto positivo muito maior do que se estivermos todos isolados! Neste momento pertencem à Parceria Local: Agrupamento de Escolas; Associações de Pais, Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa; Associação de Residentes; Biblioteca Municipal; Câmara Municipal de Lisboa, Centro Comunitário; Centro de Convergência de Telheiras; Escola Técnica Psicossocial; Esquadra PSP; Fundação Vox Populi; Julgado de Paz; Junta de Freguesia; Paróquia; Parque Hortícola; Rede Social de Lisboa; Re-food; Voluntários de Protecção Civil de Telheiras.

conteúdo produzido durante o encontro, vale a pena partilhar o processo de como foi planeado e operacionalizado. “Uma função suportada por vários elementos – a interdependência da convergência” Apesar da ideia do encontro ter surgido pela equipe do projecto da horta de permacultura da FCUL, este foi coorganizado por diversas entidades representantes de diferentes grupos de pessoas: anfitriões (a Faculdade de Ciências – FCUL e a Universidade de Lisboa - UL), estudantis (Associação de estudantes da FCUL - AEFCL, a Associação Académica da Universidade - AAUL e o Núcleo de Estudantes de Biologia - NEBULis), sustentabilidade (Transição Universitária – TU-FCUL e Universidade Verde - UVL), investigação (Grupo de investigação - CCIAM e o projecto europeu - BASE) e externos (“Yoga for all” e “Yammy Clouds”). O encontro contou também com diferentes grupos de trabalho com funções distintas e complementares. Os “Focalizadores” constituído por um grupo pequeno, dinâmico e comprometido que desde o início do processo teve como função focar o evento no seu objectivo principal, liderar os trabalhos antes do evento servindo também de conector entre os vários co-

ENCONTRO CONVERGIR PARA A SUSTENTABILIDADE

organizadores e os diversos grupos de trabalho (ex.: visualizar e planear o evento, delinear uma estratégia de comunicação, convocar e facilitar reuniões com os co-

David Avelar, António Alexandre e Rui Monteiro Rede Convergir Email: info@redeconvergir.net Blog: http://www.redeconvergir.net

organizadores, etc). Os “Facilitadores” foram pessoas com experiência em facilitar dinâmicas de grupo que ao longo do evento foram orientando a organização do evento (ex.: explicar dinâmicas de grupo, regras de

Na Universidade de Lisboa foi um dia integrador, diversificado, produtivo e bem passado!” No dia 10 de Maio de 2013 convergiram na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa cerca de 100 pessoas de 30 entidades e instituições diferentes, interessadas em debater, reflectir e celebrar as questões da sustentabilidade. Foi um dia de grande produtividade, partilha e animação que serviu como berçário de ideias, facilitador de desenvolvimento de novas redes e criação de um momentum positivo nos participantes e na Universidade. Mais do que o

trabalho, horários, etc). convidados

cujas

diferentes

(desde

Os “Oradores” foram

origens

eram

professores

completamente universitários

e

representantes de projectos alternativos da sociedade civil)

convidadas

para

virem

partilhar

o

seu

conhecimento e experiência e virem inspirar os participantes. Em geral tentou-se convidar pessoas cujo círculo de influência abrangesse a universidade (ex.: directores, professores, funcionários e técnicos). Os “Mapeadores de Ideias” foram sobretudo estudantes que tinham como função no evento anotar todas as ideias que iriam surgindo nos grupos de discussão

aquando da metodologia de Espaço Aberto, para que estas não se perdessem após a realização do mesmo. Estes voluntários receberam uma pequena formação sobre “Mapas Mentais” antes do evento para que assim trouxessem uma nova forma criativa de cristalizar ideias, que não uma simples e limitada lista de pontos.

“Usar e valorizar a diversidade – um encontro com diversos momentos” Dado que se pretendia que os participantes investissem um dia da sua vida neste encontro, tentou-se que o encontro fosse um conjunto de diversos momentos de natureza e dinâmicas diferentes para assim potenciar a produtividade e criatividade do encontro. Assim o Os “Participantes convidados” ou key-listeners foram

encontro teve 7 grandes momentos. Começou pelo

convidados especiais que a organização achou que seria

momento “Yoga” pela manhã para que os participantes

de extrema importância estarem presentes para

pudessem iniciar o longo dia de trabalho com uma

absorver as ideias que iriam surgindo no encontro. Por

actividade ao ar livre de sincronização de mentes.

fim, o grupo geralmente invisível mas de extrema

Assim, ao invés da habitual azáfama e constantemente

importância para o sucesso do encontro que foi o grupo

atrasadas palestras iniciais, começou-se com um

“Cuidar das pessoas” que durante o encontro teve

momento de relaxamento onde os participantes à

como função receber os participantes, persentia-los

medida que iam chegando iam-se juntando ao grupo.

com umas bolsas artesanais que continham o programa

Foi escolhido para o programa deste encontro abordar-

do encontro, canecas e outros artefactos, tratou das

se 4 temáticas relevantes para a questão da

várias refeições do evento, maioritariamente biológicas

sustentabilidade: a social, alimentar, económica e

e confeccionadas com produtos locais, e esteve atento a

energética.

toda

transdisciplinaridade é conseguida sobretudo quando se

a

logística

participantes.

do

evento

e

bem-estar

dos

juntam

Dado

que

pessoas com

é

sabido

enquadramentos

que

a

diferentes

orientados para resolver problemas concretos, focaramse estas temáticas segundo a lógica de desafios. Assim, começou-se pelo “1º Desafio - Social” onde se convidou o próprio reitor da Universidade de Lisboa e um dos directores da Faculdade de Ciências a darem as boas vindas ao mesmo tempo que partilhavam a sua visão para uma universidade futura mais sustentável. Todos os desafios tinham a presença de apenas 2 oradores privilegiando de seguida o espaço aberto de discussão em pequenos grupos de trabalho onde se tentou

responder a perguntas muito concretas (colocadas pelos próprios participantes aquando do acto de inscrição). Esta metodologia foi então aplicada aos restantes desafios, como o “2º Desafio - Alimentar” onde se teve mais um painel de oradores, se discutiu esta questão a fundo e se aproveitou o mote para se seguir para o 3º momento que foi o “Workshop - Horta de Permacultura FCUL”.

“Integrar ao invés de segregar – economia como ferramenta conectora” Dada a complexidade de organização deste evento e dada a necessidade de obtenção de recursos que suportassem o evento decidiu-se que estes potenciais problemas (complexidade e sustentabilidade financeira) pudessem ser na verdade uma excelente oportunidade Este momento, foi realizado em paralelo com o almoço,

para integrar todos os elementos e momentos

onde os participantes ouviram falar do conceito de

anteriormente descritos. Assim, todos os participantes

permacultura aplicado à agricultura com o caso prático

foram co-responsabilizados a decidirem quando é que

da horta da FCUL.

queriam investir no evento (entre 5€ a 20€) através da

Para

celebrar

os

participantes

fizeram

chamada “Economia da dádiva”. Este é um modelo

espontaneamente um círculo à volta deste pequeno-

arriscado porque há sempre o receio de não se

grande projecto. Já de tarde foram abordados o “3º

conseguir cobrir as despesas do evento, mas é sem

Desafio – Económico” e o “4º Desafio – Energético”

dúvida o modelo mais interessante que temos

que são de extrema importância quando se fala de

actualmente, porque nem todos os participantes têm o

sustentabilidade. Para que qualquer evento possa

mesmo poder de investimento, logo o preço não deve

fechar o seu circulo e para que os participantes saiam

ser igual segundo o princípio da equidade de

ainda com mais energia do que aquela com a qual

oportunidades (no encontro houve desde voluntários

entraram, terminou-se o encontro com um grande

que não pagaram mas ajudaram na organizadores a

momento de “Celebração” onde foi criado espaço para

participantes que investiram o máximo) e onde o

convívio, promoção de artes e muita e boa música.

espírito de confiança dos organizadores sai sempre reforçado (porque a única solução é simplesmente confiar!). Para além disso, para que os participantes se conectassem entre eles e com os vários momentos e para garantir a sustentabilidade da gestão dos recursos alimentares, foi criativamente criada uma “Moeda do encontro – O Girassol”. Esta serviu aos participantes para gerirem a sua alimentação durante as pausas e refeições. Ou seja, cada participante recebeu à partida

20 sementes de girassol na sua bolsa (correspondente ao valor máximo da inscrição mas também ao valor mínimo segundo a taxa de câmbio 1€ = 4 sementes, ou seja 5€ = 20 sementes) que geriu segundo o seu apetite e vontade. É interessante anotar que durante o evento viram-se bastantes participantes a trocarem sementes entre eles. Para além disso, pessoas externas ao evento, puderam assim interagir com este durante as pausas, trocando € por sementes para adquirirem um bolo, sumo ou sandes, ao mesmo tempo que serviu como mais uma fonte de rendimento para a sustentabilidade económica do encontro.

ROTAS NA CO-CRIAÇÃO DE PANANTROPOLIS Paula Soares Gaia in Harmonia - Iniciativas Criativas de Transição (Évora em Transição) Email: panantropolis@gmail.com Site: http://gaia-in-harmonia.blogspot.pt & http://academia-de-sofia.blogspot.pt/ Panantropolis... “Inserida na Alma profunda do Alentejo vê-se ao longe Panantropolis, uma pequena aldeia ecológica do futuro. As casas são do xisto da terra que as rodeia, fundem-se com ela, pela cor, pela forma. Envolta por jardins e lagos. Parece um fresco de Rafael esculpido na paisagem. As proporções são perfeitas. Em Panantropolis a energia é Solar. As águas residuais são metamorfoseadas em lagos com plantas que purificam a água para a rega dos jardins. Jardins de Permacultura, onde se semeia em função da proporção das plantas e da paisagem. As árvores mais altas sombreiam as mais baixas, as árvores mais baixas sombreiam os arbustos, os arbustos sombreiam as plantas do solo. E, assim, aquele pedaço do Alentejo é verdejante...” Paula Soares (2003), in “Para uma Biografia Fílmica de Wim Wenders”, Universidade de Évora.

Mais informações sobre o encontro no website (http://convergirsustentabilidade.fc.ul.pt/) ou em vídeo (http://www.youtube.com/watch?v=OFtOO9s5rVw)

Sonhar co-criar Eco-aldeias em 2003 em Portugal era habitar ainda o Reino da Utopia... Sonhar co-criar Comunidades Sustentáveis em 2013 em Portugal é objectivo prioritário num país em transformação / transição no terreno... terreno fértil e pleno de Projectos- Semente... Tal qual um grande mosaico orgânico... encontramos de Norte a Sul do país (incluindo as nossas queridas Ilhas no Atlântico) Iniciativas que emergem a partir dos Ideais e das Acções de pessoas que se agrupam localmente... para passo a passo... procurarem e experimentarem soluções que permitem explorar novos modos de nos relacionarmos uns com os outros e novos modos de nos relacionarmos com o Planeta... Foi como um marco na Rota de Panantropolis (a ‘polis’ do Ser Integral) que nasceu Gaia in Harmonia Iniciativas Criativas de Transição em Outubro 2011 em Èvora, após um épico Curso de Transição proferido pela May East em Setembro 2011 no Almaa Hostel em

Sintra... organizámos um Permablitz para semearmos Girassóis na esplanada da Sociedade Harmonia Eborense em pleno coração da cidade na Praça do Giraldo... Os vizinhos alentejanos de Portalegre em Transição apadrinharam o nascimento desta Iniciativa de Transição em Évora... Os primeiros Girassóis Gaia in Harmonia floresceram em Abril 2012...

Na Primavera 2012 organizámos um Evento de ‘Dragon Dreaming’ no Jardim das Canas em Èvora sob o lema da ‘Cidadania Criativa’... Lançámos as primeiras Sementes para Novos Projectos que melhorem a vivência em Comunidade em Èvora... Celebrámos com Didgeereedoo e Djambés a chegada da Primavera... Com o intuito de expandirmos os processos e os ideais de Transição também à Universidade Local... organizámos em parceria com o Projecto de Investigação-Acção ‘Academia de Sofia’ (CIEP-UE Centro de Investigação em Educação e Psicologia da Universidade de Évora) um Ciclo de Conferências na Universidade de Évora intitulado “Paradigmas do Século 21 na Academia”. Em Dezembro 2012 Tereza Guerra da Fundação Casa Indigo veio falar-nos de “Pedagogias Criativas para Crianças do Novo Milénio” abrindo com isso o debate à necessidade de co-criarmos Novas Pedagogias que respeitem a integridade de cada Ser potenciando a sua plena expansão criativa... Verbalizar estes assuntos na Academia constituiu-se como um momento histórico e inspirador... Em Janeiro 2013 no âmbito deste ciclo organizámos uma Conferência Pioneira sobre “Transição Universitária & Academias do Futuro” em parceria com

o CIEP-UE e a TU-FCUL na Universidade de Évora. Paula Soares e Gil Penha Lopes apresentaram referências e propostas para as Academias do Futuro que necessitam focar-se nos Conhecimentos de que a Humanidade e o Planeta em tempos de Transformação carecem... passando por isso por uma necessária fase de ‘Transição / Actualização’... Em Fevereiro 2013 organizámos em parceria com o Gil Penha Lopes da TU-FCUL uma Tertúlia aberta à Comunidade sobre “Design de Comunidades Sustentáveis” no Evorainn. Esta tertúlia ampliou as convergências entre as pessoas e as entidades locais interessadas em co-criar “Comunidades Sustentáveis em Évora”...

Em Abril 2013 tivemos o primeiro PDC Permaculture Design Course em Évora facilitado pelo Peter Cow e pelo Ruka e organizado pela Associação Círculos de Transformação que actua há mais de 7 anos de modo pioneiro no âmbito da Expansão da Consciência em Évora. Nesta sequência lançámos em parceria com a Associação Círculos de Transformação o 1º Hólon do ‘Fórum Academia de Sofia’ na Biblioteca do Pólo dos Leões na Escola de Artes Universidade de Évora em Maio 2013 com o tema: “O que é Permacultura?”. Peter Cow (The Permaculture Association UK) e Ruka fizeram uma apresentação pioneira sobre Permacultura na Escola de Artes contribuindo com isso para o crescimento do número de Cidadãos interessados em co-criar Comunidades Sustentáveis no Alentejo. Em Junho 2013 lançámos o 2º Hólon do “Fórum Academia de Sofia” na Biblioteca do Pólo dos Leões na

Escola de Artes da Universidade de Évora com o tema “Ecovillage Community - Live with Earth” apresentado pelo Rui Vasques (melhor aluno de Mestrado IADE 2012).

E cada “Fórum” que organizamos traz consigo mais elementos da Comunidade interessados em contribuir para o “Design Co-Criativo de Comunidades Sustentáveis no Terreno”... Os próximos Hólons do “Fórum Academia de Sofia” irão saltar os muros da Academia para mergulhos vivenciais nos Laboratórios em desenvolvimento no terreno em Évora e à volta de Évora...

CELEBRAÇÃO Verónica Lopes Madeira em transição Email: madeiraemtransicao@gmail.com Blog: http://madeiraemtransicao.wordpress.com

Sim, são foguetes antes da festa neste primeiro número da newsletter “Transição em Portugal”. O Grupo Madeira em Transição muito tem andado por aí a fazer coisas. É um facto! Bem que podemos falar de celebração! Ele é danças europeias, ele é permablitz, exibição de filmes, feiras de trocas, instalações artísticas, intervenções em áreas devastadas pelos incêndios, grupo de ajudadas, círculos de prossumidores, favores em cadeia, escola nova terra, workshops, conferências, cursos de permacultura, biodinâmica… e o que ainda há-de vir.

Sonhamos poder oferecer na Primavera de 2014 um Ecovillage Design Course (EDE) que será acolhido em rede e parceria com Projectos e Associações que partilham ideais semelhantes e que oferecem no terreno lugares de acolhimento adequadas... em crescimento orgânico, sistémico, integral... Nota da NTRP: Um EDE é “um curso introdutório de quatro semanas, que oferece aos participantes uma perspectiva sistémica de reflexões sobre o design necessário para implementar comunidades sustentáveis, debruçando-se sobre as quatro dimensões intrínsecas do ser humano: ecológica, social, económica e visão do mundo.” Adaptado de http://www.gaiaeducation.net/

Em cada encontro geral as ideias são tantas, a vontade de mudar o mundo, de trazer coisas positivas, de melhorar e envolver a comunidade, de acreditar! Como acionar o mais alto potencial de cada um, trazer ao de cima o melhor de todos? Procurar modelos alternativos, mais solidários, aumentar a resiliência, cuidar das pessoas, estimular a sustentabilidade. Partilhar sonhos e passar à ação, tomando as rédeas das nossas vidas, participando ativamente enquanto parte de um todo. O que nos inspira? Criar comunidades alegres, sustentáveis, resilientes, inclusivas e inspiradoras. O que nos propomos fazer? Criar redes de sustentabilidade, de partilha e oportunidades de crescimento, tendo em conta a participação

comunitária e a autossuficiência, salvaguardando o bem-estar humano e a bio diversidade, invertendo os processos de separação do homem da natureza. Andamos muito aplicados em escolher o caminho a seguir. Tanta inspiração e criatividade que às vezes temos de dizer: alto aí! Vamos fazer uma festa! E fazemos! Celebramos! Comes e bebes e bailaricos, luaus na praia em noites de lua cheia e até já fizemos uma curta-metragem só nossa! Este mês de julho vamos esticar as pernas numa caminhada até ao Pico Grande e ver golfinhos ao pôr-do-sol. Porque transição também é celebração, é juntar as pessoas, tratar as relações humanas, sorrir, brincar e ser amigo. Buscar inspiração na Natureza. É celebrar a vida! E venham todos porque é para todos. Aproveito agora os caracteres que ainda faltam para falar da feira de Trocas Verão, também em Julho e muito dada à celebração e bem-estar. E a muitas trocas, claro!

Convidamos os utentes do lar a vir ter connosco. Aceitaram e já estão a preparar uma camioneta para ir até à feira das trocas, para nos conhecerem e passar uma tarde em partilha. Para eles e todos os que queiram passar pela feira, temos propostas divertidas e bons conselhos nesse cantinho do bem-estar, como: aprender a descansar, fazer auto-massagem ajudando na mobilidade, e algo tão simples como… aprender a respirar. Isto promete! As feiras de trocas na Madeira têm contribuído não só para a troca de produtos, serviços, conhecimentos, mas também o dar e o receber… criar um ambiente familiar, um espírito de entreajuda, em que quando menos esperamos aparece sempre uma mão-amiga. Feira é ver tanta gente junta a trabalhar e a juntar forças, é ver trabalho feito com um bocadinho de cada um de nós, os abraços oferecidos, a música bem disposta, as danças…é a imagem de pessoas a conversar e a sorrir, a dos miúdos animados, das pessoas que perguntam como funciona a troca. A todos os movimentos de transição em Portugal, neste especial número um da newsletter um apelo muito especial: Celebrem! Ah e podem sempre convidar-nos, conhecer os vizinhos!

gostamos de

ENCONTRO NACIONAL DE TRANSIÇÃO É já no dia 22 de Setembro que se vai realizar o próximo encontro nacional de Transição. Este encontro de trabalho terá como foco o reatar dos trabalhos que já iniciados ou em fase de estudo resultantes das anteriores reuniões. Este encontro será em Linda-a-Velha e co-organizado A entrada da feira reverte a favor do Refúgio de S. Vicente de Paulo de Gaula - Lar de Idosos, uma IPSS com capacidade para cerca de 85 idosos, que acolheu com muito entusiasmo o nosso convite para ser a entidade de beneficência. A feira irá decorrer num belo jardim da cidade do Funchal! E como Verão lembra férias, descanso e boa vida, idealizamos já um cantinho muito especial para um dolce far niente!

pelas iniciativas vizinhas. É importante a representatividade das várias iniciativas para que se possa ir dando os passos tão desejados. Durante o mês de Agosto surgirão mais informações.

PRÓXIMO NÚMERO Gostaríamos de lançar o segundo número da Transição em Portugal no Outono, pelo que solicitamos que enviem os vossos artigos/notícias para newsletter.trp@gmail.com até dia 30 de Setembro. Sugerimos que os textos não excedam as 400 palavras e que incluam para além do nome do autor, a referência da iniciativa de transição, email de contacto e blog/site. Solicitamos que enviem até 3 imagens por cada artigo/notícia, em formato jpeg ( e não com a referência – ‘está no blog, é só escolher’), sendo que a sua sequência e localização no texto deverá ser indicada pelos autores. Mais do que descrever os projectos já realizados por cada iniciativa de transição, procuramos que sejam partilhados os processos, experiências, as lições

NEWSLETTER TRANSIÇÃO EM PORTUGAL (NTRP) newsletter.trp@gmail.com Margarida Sousa (Covilhã em Transição) Fernando Oliveira (Linda-a-Velha em Transição)

aprendidas... qualquer pessoa é livre de contribuir para esta newsletter, com a sua perspectiva, visão, sonhos, acções, celebrações... desde que no âmbito da transição! Feedback e sugestões, ou quem quiser auxiliar na concepção da newsletter, pode escrever para: newsletter.trp@gmail.com.

NOTA FINAL A todos os que incentivaram e contribuíram para este primeiro número da Newsletter Transição em Portugal um MUITO OBRIGADA!!!


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