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CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS E GEOGRÁFICAS SOBRE O MUNICÍPIO DE

ALMIRANTE TAMANDARÉ-PR

ANTONIO ILSON KOTOVISKI FILHO

ANTONIO ILSON KOTOVISKI FILHO 30 DE OUTUBRO DE 2011

Revisão de texto Alessandra Angelo

Diagramação, Arte e Produção Editora Exceuni Ltda exceuni@exceuni.com.br exceuni@uol.com.br

Dados internacionais de catalogação na publicação Bibliotecária responsável: Mara Rejane Vicente Teixeira

Kotoviski Filho, Antonio Ilson. Considerações históricas e geográficas sobre o município de Almirante Tamandaré – PR / Antonio Ilson Kotoviski Filho. - Almirante Tamandaré, PR : Edição do autor, 2013. 568 p. : il. ; 21 x 30 cm. Inclui bibliografia. ISBN 1. Almirante Tamandaré (PR) – História. I. Título. CDD ( 22ª ed.) 981.622

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Agradecimentos _ _ _ _ _ _ _ _ _ _

Instituto Histórico e Geográfico do Paraná; Círculo de Estudos Bandeirantes; Ao historiador Sebastião Ferrarini; Nery Assunção, Diretor Curador do Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Junior (Cidade de Tibagi); Arquiteta Ivilyn Weigert; A toda equipe de bibliotecários e estagiários da Divisão Paranaense da Biblioteca Pública do Paraná; Polícia Militar do Paraná/Setor de Inativos; Ao Arquivo da Câmara Municipal de Curitiba; A toda equipe do Museu Paranaense/Governo do Estado do Paraná/Secretaria de Estado da Cultura; Ao imortal Túlio Vargas (in memoriam).

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Prefácio O povo de Almirante Tamandaré deve se sentir orgulhoso por poder contar, entre seus conterrâneos, com o destaque de um jovem escritor, Antonio Ilson, cujo lançamento da presente obra, de sua autoria, reflete bem o esforço e a dedicação que ele teve de despender, para concretizar tão significativo relato das condições históricas e geográficas da pequena comunidade próxima à região de Curitiba, sofrendo, portanto, das benesses e das mazelas de sua proximidade com nossa capital. A pesquisa, como se poderá constatar, foi intensa nos detalhes da evolução das condições geográficas e históricas que permearam a transformação de tão significativa coletividade, de variada origem étnica, o que, não obstante, não impediu a formação de uma consciência própria, permeada de momentos críticos. A presente obra desenvolve e completa sua obra anterior "Relatos de um Tamandareense", desta vez com uma visão menos pessoal e mais abrangente da realidade antropológica e política que permearam a evolução de nossos vizinhos metropolitanos. Como diria Sólon, famoso líder grego das leis sábias, se a glória de uma cidade repousa no valor de seus filhos, o exemplo que nosso Antonio Ilson, dá de sua dedicação ao desenvolvimento da cultura e da história de seu ecúmeno está a merecer o reconhecimento de todos seus conterrâneos. Na qualidade de integrante da Academia Paranaense de Letras, quero ser o porta-voz, por ocasião de nossas reuniões periódicas, da divulgação e de comentários sobre tão significativo trabalho literário, que vem enriquecer as pesquisas antropológicas dentro de nosso Estado. Que o exemplo dado por este jovem escritor possa se refletir em outras comunidades, incentivando-as a cultivar pesquisas sobre suas condições antropológicas, históricas e geográficas, o que seria uma conquista considerável em termos culturais. Por isso, com o lançamento desta obra, estamos todos de parabéns! Antonio Celso Mendes, da Academia Paranaense de Letras e do Círculo de Estudos Bandeirantes. 7

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Introdução e observações Escrevo agora sobre coisas de outrora que em tempo presente estão ausentes e perdidas em realidades dispersas resumidas em pequenas peças de um grande quebra-cabeça, esperando para serem montadas antes que desapareçam. Esta breve introdução conta a história de um lugar supostamente sem memória oficial, consequência do extravio "proposital" e da "guarda" ilegal de documentos oficiais que relatavam os primeiros passos do município (que com a morte de seus "vaidosos guardiões" em lixo se transformaram). Atitudes reprováveis ocultadas no contexto da extinção da Velha "Vila de Tamandaré" e por diversas e "providenciais" enchentes que de fato destruíram e inviabilizaram atas e documentos de caráter oficial. Neste contexto surge uma questão: E os documentos que deveriam ser o caminho fácil e de credibilidade que sobraram, onde estão? Em pleno ano de 2013 ainda não foi criado um arquivo público municipal! Diante destas adversidades nem tudo foi perdido ou extraviado, pois o passado ainda é possível ser encontrado. Tamandaré não era uma cidade de "faz de conta", tinha que dar satisfações ao Estado, União e a Justiça. Para ter valor os atos civis tinham que seguir as burocracias legais; os fatos conhecidos eram registrados pela imprensa paranaense e outras publicações interestaduais. Ou seja, o que se tentou encobrir e fazer desaparecer, não foi possível. Neste contexto, a presente obra histórica é uma pesquisa científica bibliográfica, de campo e descritiva não analítica do contexto social dos fatos. Procedeu inicialmente com um amplo processo de investigação da veracidade das informações orais colhidas junto aos moradores locais, cujo resultado norteou a produção textual fundamentada em um contexto probatório possibilitado junto aos arquivos de diversas instituições governamentais e privadas citadas no capítulo Referências Bibliográficas. Por efeito deste processo investigativo ocorrerá a circunstância em que a oralidade popular corrente se apresentará divergente do texto tecido baseado na fonte documental oficial, uma vez que, independentemente de motivação, quanto mais a história vai se perdendo, mais condicionadas a sofrer interpretações falhas ela fica. E por consequência o 9

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que era fato real vira lenda, e o que era lenda se torna fato real dentro de um contexto de contradições terríveis e daninhas no que tange o legado histórico deixado para as futuras gerações. Infelizmente, muitas informações presentes na "oralidade" colhida e investigada foram descartadas, portanto, não ganham campo na oficialidade, pois são estórias transmitidas por gerações, mas que podem serem resgatadas por outros historiadores que lograrem sorte em encontrar a necessária fundamentação para elas no futuro, ou seja, o meu trabalho foi o de descobrir até que ponto elas foram reais. O objetivo desta obra é fornecer subsídios históricos oficiais; criar um parâmetro responsável entre o que foi um fato histórico e o que é uma mera divergência de informações; possibilitar referências probatórias que afastem a possibilidade de serem preparadas futuras pesquisas que relatem acontecimentos que estejam divergindo com o que um dia aconteceu de fato. É por este motivo que a apresentação dessa obra histórico-geográfica que, apesar de elaborada para atender o universo leigo de forma objetiva, preservou sua essência científica no sentido das referenciações documentais e probatórias serem apresentadas notoriamente destacadas no corpo do texto. A obra se apresenta disposta didaticamente de acordo com o assunto relacionado aos referentes títulos. No contexto de cada capítulo existirão compilações de textos (devidamente referenciados na fonte original) os quais em sua maioria poderão carregar supostos erros gramaticais por vários motivos em especial: Textos e documentos anteriores à década de 1920 foram escrito sob a luz de outra norma e regra ortográfica não mais vigente atualmente; em certas ocasiões, para manter a credibilidade da fonte não foi alterada a redação original no contexto das compilações de notícias dispostas em periódicos; raramente serão utilizados relatos orais, mas os que foram utilizados possuem caráter ilustrativo em coerência com as fontes documentais de fé pública estando descritos parcialmente ou na íntegra, podendo carregar vícios da linguagem oral. Também poderão existir divergências de datas, na ortografia de nomes e sobrenomes, localização geográfica e contextos homônimos, as quais decorrem da fonte pesquisada. É necessário observar esta circunstância. Por ser uma pesquisa que investigou a oralidade corrente poderá ocorrer que a obra seja interpretada como de cunho político ou religioso, ou seja, que atenda ao interesse de um grupo ou pessoa. Diante desse fato é necessário o seguinte esclarecimento: As fontes bibliográficas e documentais disponíveis ao público existentes no município são escassas devido a extinção da cidade em 1938. Diante deste contexto, os documentos específicos que foram preservados pertencem a arquivos particulares (de posse legal), ou seja, que guardam a memória de um ente familiar específico falecido (não do adversário). Outros documentos fazem parte de atas de associações restritas que não podem ser divulgados na íntegra em respeito à própria regra de sigilo que fazem parte da mesma. As informações oriundas da Igreja Católica dizem respeito ao fato desta instituição possuir registros preservados de seus atos e observações de fatos conhecidos do cotidiano, os quais são de credibilidade devido a entidade ser a mais antiga e organizada da região e de notória autoridade nos séculos XVI-XIX, porquanto estava vinculada legalmente ao Império auxiliando indiretamente na organização das pioneiras povoações, ou seja, era uma época que não existia na região outra doutrina cristã de notória atuação. É necessária a consciência que a cidade, até a década de 1970, tinha uma população pequena em um contexto onde todos se conheciam, se não pessoalmente, mas por sobre10

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nome. Nos bairros que faziam parte da cidade existia uma realidade em que todos tinham ligações de parentesco, mesmo distante. Diante disso, por ser um filho nato desta terra, e meus pais serem filhos de pioneiros da cidade, eu seria hipócrita em não considerar e relatar a possibilidade de que muitos acontecimentos históricos se liguem a parentes, mesmo distantes. Infelizmente, para o leigo existe a ideia de que as informações estão fáceis e prontas a serem utilizadas, mas não é assim. É por este fato que mesmo uma pesquisa ampla como a desenvolvida, não consegue contemplar tudo, explicar e aceitar toda oralidade pura e simplesmente. Pois, como foi citado anteriormente, os documentos se tornam peças de um grande quebra-cabeça, o qual vai ganhando forma e amplitude conforme as informações são encontradas, por isto que aparenta parecer uma descrição histórica parcial ou superficial em determinados momentos. Porém, nunca se apresentarão conclusas em suposições (no "achismo"). Em referência a capa da obra, a imagem escolhida foi uma foto tirada por Antonio Ilson Kotoviski Filho e participou do concurso “2º Concurso de Fotografia Revelando Tamandaré 2012”, foi intitulada: “Do solo brotou o progresso”, pois o desenho da calçada da Prefeitura é um mosaico feito de petit-pavê (produto tamandareense) que representa a extração de minerais e a Natureza, ou seja, elementos de um processo histórico e geográfico que se ligam diretamente ao progresso da cidade. Já a outra imagem foi uma foto tirada por Thomas Guedes e intitulada “Um brilho que poucos enxergam”, ou seja, uma reflexão sobre as opiniões que permeiam a cidade. Diante do que foi exposto, a obra "Considerações Históricas e Geográficas sobre o Município de Almirante Tamandaré-PR", não é um relato na visão do autor, é uma pesquisa no contexto da visão documental oficial e de notória circulação. Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, março de 2002

Portal (trevo que liga a Av. Emilio Johnson com a Rodovia dos Minérios) inaugurado em 1999

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Localização Territorial

A localização geográfica do município brasileiro de Almirante Tamandaré se estabelece junto às coordenadas 25° 18' de latitude Sul e 49° 18' de longitude Oeste em relação ao Meridiano de Greenwich, sendo sua sede (Prefeitura Municipal) o marco referencial. A partir desta informação, o território tamandareense possui atualmente 191,11 km² estando estabelecido sobre o Primeiro Planalto Paranaense, limitado ao Sul pelo território de Curitiba, capital do Estado do Paraná; a Leste pelo território do município de Colombo; ao Norte pela cidade de Rio Branco do Sul; a Noroeste pelo município de Itaperuçu; e por fim a Oeste pela cidade de Campo Magro. 13

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Devido a essa localização, o município sofreu e sofre efeitos da proximidade com a Capital. Porém, esta condição não foi exclusiva dele e da região, uma vez que este era um efeito dos muitos relacionados com o processo de urbanização das grandes cidades e capitais que se desencadeou de forma notória na década de 1970. Em decorrência dessa nova configuração espacial do território nacional ocorreu o advento da Lei Complementar nº 14, de 08 de julho de 1973, sancionada pelo Presidente da República Emílio Garrastazu Médici, que expressava o estabelecimento das Regiões Metropolitanas das grandes cidades brasileiras. No que tange esta lei, o parágrafo 6º cita que o município de Almirante Tamandaré faz parte integrante da Região Metropolitana de Curitiba. Na atualidade, a partir das informações colhidas junto à Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (COMEC), o município se encontra com um grau muito elevado de integração com a Capital do Estado do Paraná.

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Evolução Territorial O atual território da cidade de Almirante Tamandaré é fruto de um processo de parcelamentos territoriais com gênese na pioneira meridional Capitania de São Vicente, pertencente inicialmente ao Capitão Donatário Martim Afonso de Souza. Porém, há que ressaltar que o território tamandareense não existia neste momento histórico, pois o mesmo integrava os "Campos do Coritiba", o qual era intensamente visitado por bandeiras e entradas. Entre as pioneiras se destacam a entrada de Aleixo Garcia, em 1524, e em seguida, em 1531, as expedições de Perô Lobo e Francisco Chaves. Nesta época, os únicos habitantes encontrados no Primeiro Planalto Paranaense se resumiam aos silvícolas tinguis. Porém, este panorama mudou devido ao anúncio da descoberta de ouro em 1646, nas encostas da região da Serra Negra, feito pelo Capitão Povoador Gabriel de Lara e as simultâneas notícias com o mesmo teor oriundos dos sertões do Açungui, que compreendiam os Campos do Coritiba. Por efeito, muitos arraiais antigos começaram a receber maiores levas de aventureiros e outros começaram a se formar na região, principalmente nas proximidades dos rios Açungui, Conceição, Atuba, Passaúna, Barigui, como relata o historiador Romário Martins: "Antes dele houve os que fundaram arraiais de mineradores mais ou menos estáveis na região aurífera atravessada pelos caminhos de Açungui e do Arraial Queimado (Bocaiúva do Sul)", a seguir Borda do Campo (Atuba) (...)". Neste contexto, com a instalação do ciclo do ouro e das pedras preciosas, vários arraiais surgiram sucessivamente no século XVII e se impôs a necessidade de uma administração organizada. Foi nomeado administrador das minas dos distritos do sul Eleodoro Ébano Pereira, que chegou aos campos de Curitiba em 1649 e se deparou com arraiais de mais de 20 anos de existência e concluiu que o planalto era "terra de todos". Em consequência desta nova condição, ocorreu que em 1654 foi fundado o povoado de Nossa Senhora da Luz e Bom Jesus dos Pinhais, ficando estrategicamente no local de encontro entre os mineradores e os negociantes de produtos agropecuários e extrativistas, sendo este povoado incorporado a Paranaguá em 1668. Porém, a descoberta mais relevante e diretamente ligada de fato à sorte da futura cidade 15

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de Almirante Tamandaré foi a "Descoberta da Conceição" em 1680, realizada pelo bandeirante Salvador Jorge Velho. Motivado por fatores ligados à exploração aurífera, não tardou para que as paragens (acampamentos de viajantes) e os pequenos arraiais existentes em Curitiba, mais especificamente na região que compreenderia o futuro território inicial de Almirante Tamandaré, começassem a evoluir para povoamentos permanentes, pois, ocorreu um interesse maior pelas terras próximas a esta região, as quais foram estrategicamente concedidas às pessoas influentes da Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais e da Vila de Paranaguá, que após a dividiam entre seus parentes. Diante desta nova condição, segundo as informações do "Boletim do Archivo Municipal de Curityba/Fundação da Villa de Curityba, 1668 a 1745. Vol. VII", elaborado por Francisco Negrão, a localidade de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais é elevada à categoria de Vila em 1693; o futuro território tamandareense se encontrava ainda vinculada a ela e estava parcelada em sesmarias, sendo as principais: Do "Bariguy", que foi concedida em partes a Matheus Martins Leme, cuja referência geográfica plausível se dava do lado esquerdo em relação à cabeceira do rio Barigui; e a Sesmaria do "Botiatuva", cedida em partes a familiares de Balthazar Carrasco dos Reis, que se dava do lado direito ao rio Barigui, tendo como orientação sua cabeceira, fora outras terras não tomadas posse pertencentes ao Marquês de Cascais (Dom Manuel José de Castro Noronha Ataíde e Sousa), que depois passaram a pertencer ao Conselho de Intendência, ou seja, a Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Em observância aos documentos de "transferências de imóveis", fica evidente que o atual território tamandareense no século XVIII era conhecido como "Terras do Butiatuba", em referência a sua provável ligação com a grande Sesmaria do Botiatuva, que a princípio tinha limites junto à margem direita do rio Barigui. Pois, segundo o contexto do documento oficial de medição do "Rossio de Curitiba", datado de 17 de setembro de 1721, assinado pelo escrivão da Câmara da Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, Gonçallo Soares Pais, existe a ocorrência de referência do possível marco inicial de Tranqueira localizado no antigo território do "Butiatuba", como é possível perceber no texto do referido documento: "(...) foram ao marco da outra banda do rio chamado rio da Vila no primeiro espigão onde tinham chegado com a medição, e daí mediram pelo mesmo rumo (nordeste) para o Mato Grosso, atravessando a estrada que ia do sítio de João Alves Martins para o Butiatuba chamada Tranqueira, onde puseram uma cruz um pau para se saber que por aí chegava o rossio e daí foram com a medição pelo Mato Grosso adiante ao rumo do rio de Barigui, mediram 900 braças craveiras, e do dito rio não passaram por servir o rio de testada e aonde chegaram afinal com a medição e onde fazia um córrego grande, e descamparam a dita barra, e lhe fincaram duas uvaranas verdes por marco, medindo a barra do dito córrego entre as duas estacas de uvaranas; outrossim, fizeram uma cruz em um pinheiro grande mesmo na dita barra" . Praticamente um ano depois, segundo o documento oficial transcrito na obra de José Carlos Veiga Lopes, p. 16, em "16 de outubro de 1722 era obtida por João Martins Leme uma sesmaria de uma légua de terra que começaria onde acabavam as terras do Conselho (Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais), fazendo testada pelo rio Barigui acima, até os campos de Butiatuba e da outra parte até entestar com terras de Diogo da Costa (que era dono da sesmaria do Bacacheri) e da outra parte a entestar com terras do capitão José 16

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Nicolau (dono de sesmaria entre os rios Atuba e Palmital) e de João Ribeiro Cardoso". Segundo informações contidas na p. 364 do "Diccionario Histórico e Geographico do Paraná", elaborado por Agostinho Ermelino de Leão é identificado onde hoje fica o território da sede tamandareense o Sítio Cercado, ou seja, era o "nome primitivo do local em que se acha a Villa de Tamandaré. O Sítio do Cercado, em 1728 pertencia a Euzébio Simões da Cunha, que o transpassou para Antônio Alves Martins pela quantia de 100$000. Esse sítio foi registrado 1855 na parochia de Curityba". Ainda no contexto do texto oficial adaptado à nova regra ortográfica portuguesa feito por José Carlos Veiga Lopes, p. 16-17, é identificado que em 1º de fevereiro de 1745, o Sr. José Palhamo de Azevedo obtém uma sesmaria na região com a seguinte justificativa em seu pedido: "(...) pra sustentar este não tinha terras para cultivar e nem com que acomodar a criação de gado que tinha e porque na paragem chamada Itagoá, termo desta vila, havia muitas terras para povoar, nas quais pretendia acomodar-se aproveitando-as, especialmente na sorte de terras que teria uma légua começando no rio Itagoá, que dava nome a paragem, donde fazia esta barra no rio Barigui, correndo rio acima pelo dito Barigui, fazendo testada ao rumo norte ao campo de Butiatuba ou conforme o rio andasse com o sertão ao rumo de oeste, cuja paragem e distância de légua se achava maninha e despovoada"(1). Nas proximidades da "Descoberta da Conceição" de forma oficial se observa na Lista de Ordenanças da Villa de Curitiba que em 1777 existia o estabelecimento do bairro da Conceição. Na Lista de 1785 é informado que o bairro da Conceição tinha 24 casas. Um pouco mais distante dali, no ano de 1791, aparece o bairro de Campo Magro com 8 casas. A mesma localidade serviu como ponto fiscal do ouro explorado. Com o tempo, povoamentos específicos da região do atual município de Almirante Tamandaré começam a ganhar o status de Quarteirão subordinados à Vila de Curitiba. Ou seja, segundo o Doutor em História, Wellington Barbosa da Silva, o "quarteirão era a menor unidade administrativa e, mais do que isso, policial do município - sendo constituído, no mínimo, por um conjunto de 25 casas ou fogos. Cada conjunto de três quarteirões formava um distrito. Vale salientar que, para fins eleitorais, entendia-se por fogo a casa, ou parte dela, em que habitava independentemente uma pessoa ou família, de forma que em um mesmo sobrado, por exemplo, poderiam existir dois ou mais fogos". Neste contexto, observando a informação do periódico "Dezenove de Dezembro, de 25 de novembro de 1854", a região curitibana referente ao 4º Termo Judiciário e Policial que abrangia uma parte do futuro território inicial tamandareense possuía uma demografia média a qual é possível observar na própria distribuição do povoamento, que dos 27 quarteirões curitibanos, 9 se dispunham em território tamandareense, ou seja: Campo Magro, Cachoeira, Boixininga, Marmeleiro, Butiatuba, Pacutuva (Pacotuba), Tranqueira e Conceição.

LOPES, José Carlos Veiga. Aconteceu nos Pinhais: subsídios para as Histórias dos Municípios do Paraná Tradicional do Planalto. Curitiba: Editora Progressiva, 2007, p.16. (Observação: a destacada obra utilizada como referência nesta pesquisa possui textos com pilados de documentos “adaptados à linguagem atual” sem alteração de seu teor em relação ao original extraído do BOLETIM DO ARCHIVO MUNICIPAL DE CURYTIBA).

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Porém, esta condição mudaria em virtude das notícias vindas do Rio de Janeiro, capital imperial, que expressavam que em 29 de agosto de 1853, havia sido aprovado o projeto de criação da Província do Paraná, proporcionada pela Lei Imperial nº 704, assinada por Dom Pedro II. No entanto, mesmo com a lei sendo aprovada, a Emancipação Política do Paraná ainda demorou quatro meses para se concretizar. Como resultado de Lei Imperial, em 19 de dezembro de 1853, a Província do Paraná desmembrou-se da Província de São Paulo, deixando de ser a 5ª Comarca de São Paulo.

Província do Paraná 1853/Fonte: PADIS, Formação de uma Economia Periférica, 1981, p. 34-35.

Em consequência deste fato, a cidade de Curitiba foi escolhida como capital da nova província. E, na mesma data da emancipação política da província, chegou à capital Zacarias de Góis e Vasconcelos, o primeiro Presidente do Paraná, que logo declarou que todos os seus problemas de administração poderiam ser resumidos em um só: "Povoar um território de 200.000 km² que contava com apenas 60.626 habitantes. Essa população distribuía-se principalmente nas cidades de Curitiba e Paranaguá". Este fato não era exclusivo do Paraná, mas um problema do Império. Em virtude disso ocorreu o advento do Decreto Imperial nº 1.318, de 30 de janeiro de 1854, que mandava executar a Lei Imperial nº 601, de 18 de setembro de 1850, conhecida como "Leis das Terras". Esta ação do Império recebeu críticas favoráveis, pois segundo a explicação publi18

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cada no jornal Dezenove de Dezembro (24 jun. 1854, p. 4), "a execução da Lei das Terras e o poder das conveniências farão brevemente refluir a população que buscava fortuna nos sertões longínquos para a repovoação de nossos terrenos ocupados, e para as terras ainda devolutas que jazem no meio deles encravadas". Nesta mesma época, a Princesa Isabel com olhos visionários idealizou a instalação de uma colônia agrícola nas regiões do Rio Ponta Grossa e da Ribeira, a qual, em 1860, criava a Colônia Açungui (município de Cerro Azul), que recebeu imigrantes europeus. A criação desta colônia, mesmo distante de Curitiba, foi a principal precursora do povoamento e desenvolvimento territorial da Região Metropolitana Norte, e influenciou diretamente a elevação da região do Pacotuba a Freguesia (distrito). Para chegar até ao Açungui era necessário uma estrada, e foi justamente um ramal da Estrada do Assunguy que cruzava o futuro território tamandareense que possibilitou o povoamento das terras ociosas existentes nas regiões marginais por onde ela passava. Isto se deu por dois motivos: O primeiro diz respeito à política de branqueamento e de atração de mão de obra europeia. O segundo determinava que a abertura das colônias estariam condicionadas às regiões por onde passassem estradas de tráfego intenso de carroções e que se ligassem à capital ou cidade com infraestrutura comercial e administrativa. Neste contexto, o território curitibano em região tamandareense começou a receber muitos imigrantes que se instalavam em colônias estatais. Ou seja, São Venâncio em 1871, Colônia Lamenha em 1876, Colônia Antônio Rebouças em 1878, Colônia Santa Gabriela em 1886, Colônia Antônio Prado em 1886, além das regiões do Butiatuba, Colônia Nova Roma (Romastak), Barra de Santa Rita, Areias, Conceição da Meia-Lua, Juruqui, Lamenha Pequena, Boixininga, Cercado (Sede). Diante desta nova perspectiva ocorreu um aumento de fluxo populacional para a capital e região. Da mesma forma que o progresso da capital, mesmo engatinhando, influenciava os povoados vizinhos. Percebendo isto com pouco mais de 22 anos de Província, o então presidente provincial Adolpho Lamenha Lins compreendeu a necessidade de elevar a categoria de algumas regiões da Província do Paraná, pois havia a necessidade de dar uma melhor estrutura administrativa no contexto de recepcionar os imigrantes que começavam a se intensificar no Paraná. Neste contexto, a Província seguindo a tendência herdada da administração lusitana de aproveitar a organização eclesiástica como braço de auxílio administrativo, observou a existência de uma Paróquia com sede no quarteirão do Pacotuba, na qual se verificou possível a instalação de uma estrutura administrativa civil (estatal). Foi nesta perspectiva políticageográfico-administrativa, que a localidade curitibana de "Pacotuva" foi elevada a categoria de Freguesia em 10 de maio de 1875, por intermédio da Lei nº 438, que legalmente compreendia os quarteirões de Pacotuba, Campo Novo, Campo Magro, Juruqui, Marmeleiro, Botiatuba, Barra, Conceição, Taperuçu (atual Itaperuçu), Boixininga, Butiatu-mirim, Morro Grande e Tranqueira. A Freguesia crescia e se desenvolvia a ponto de ter que receber uma estrutura civil mais ampla que foi sanada com a criação de um cartório em 13 de abril de 1882, como informa o texto "O Cartório" redigido por Hermenegildo de Lara e publicado na "Tribuna dos Minérios, de 15 de abril de 1982, p. 2". Neste contexto de progresso em decorrência da Lei nº 707, de 25 de novembro de 1882 é anexado o quarteirão de Serro Negro ao território da Freguesia, no entanto por intermédio da mesma, é desligado o quarteirão do Taperuçu (Itaperuçu). 19

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Mais tarde, devido ao Ato de 17 de março de 1885 ocorreu a criação do Distrito Policial de Veados (território do atual Colombo), e as localidades de Morro Grande e Butiatumirim deixaram de pertencer à Freguesia de Santana de Pacotuba. Devido ao desenvolvimento da região que transcenderam as perspectivas da época (final do século XIX), ocorreu a necessidade de remanejamento da sede da Freguesia de Sant'Ana de Pacotuba para o povoado vizinho do Cercado que possuía uma posição geográfica mais adaptada para facilitar o desenvolvimento do distrito, posto que ficava no cruzamento do antigo ramal da Estrada do Assunguy e a recém-construída estrada que seguia para São Venâncio, Cachoeira, Curitiba. Em decorrência desta nova condição determinada pela Lei Provincial n° 924, de 06 de setembro de 1888, assinada pelo presidente da Província Balbino Candido da Silva, ocorreu a redenominação do distrito para Nossa Senhora da Conceição estabelecida pela mesma lei supracitada. Não tardou muito (um ano praticamente), o distrito Nossa Senhora da Conceição do Cercado foi agraciado com o status de Vila (a região ganhou autonomia administrativa) em 28 de outubro de 1889 pela então Lei Provincial n° 957, sancionada pelo Presidente Conselheiro da Assembleia Legislativa Provincial, o Sr. Jesuíno Marcondes de Oliveira e Sá, o qual expressou em seu artigo: "Fica elevado à categoria de Villa, com a denominação de Villa de Conceição do Cercado, da Paróquia de Pacotuba, com a mesma divisa, e compreendendo as colônias São Venâncio e Antônio Prado e do distrito de Ribeirão da Onça". Neste momento histórico, o território tamandareense fazia fronteiras com: Ponta Grossa ao norte e noroeste; Votuverava ao norte e nordeste; Curitiba ao sul e ao leste e com o município de Palmeiras ao oeste e ao sul. Ou seja, o território tamandareense inicialmente compreendeu uma parte pequena do território do atual município de Colombo, que na época fazia parte de Curitiba. Mas por curto tempo, pois pelo Decreto Estadual nº 11, de 08 de janeiro de 1890, a Colônia Alfredo Chaves era emancipada política e administrativamente sob a denominação de Colombo as seguintes regiões territoriais do município de Tamandaré: Ribeirão das Onças, Veados, parte do Boixininga e Colônia Antônio Prado passaram a ser colombenses, de acordo com o Decreto nº 34, de 31 de janeiro de 1890, que definia as divisas de Tamandaré com Colombo. Neste contexto, o Decreto nº 41, de 12 de fevereiro de 1890, expressava de forma oficial as divisas do município de Tamandaré. Mas, a falta de precisão somada às pressões políticas e populares foram motivos para o Decreto nº 71, de 19 de abril de 1890, que definia as novas divisas com Colombo, o qual em menos de um mês teve que ser alterado novamente pelo Decreto nº 80, de 15 de maio de 1890.

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Província do Paraná 1889 Fonte: PADIS, Formação de uma Economia Periférica, 1981, p. 34-35.

Praticamente, o status de Vila possibilitou a localidade tamandareense dar um passo importante para ser reconhecido como cidade autônoma. Acabou sendo o último município criado na Província do Paraná sob regime imperial. No entanto, foi no período inicial republicano brasileiro, em 09 de janeiro de 1890, pelo Decreto nº 15 baixado pelo Capitão de Mar e Guerra, José Marques Guimarães, então Governador do Estado do Paraná, que o território da Vila Conceição do Cercado foi agraciado com a denominação de "Tamandaré". No entanto, só em 25 de janeiro de 1890 ocorreu a instalação oficial da autonomia da nova localidade sob o status de município. No ano seguinte a localidade de Cruzeiro, criada pela Lei nº 116, de 02 de outubro de 1890 com sede no Povoado do Botiatuvinha do município de Curitiba, foi extinta e anexada ao território de Tamandaré por Ato de 26 de dezembro de 1891. A Lei e o Ato citado no parágrafo também alteravam as divisas de Tamandaré com a cidade de Curitiba.

FUNDAÇÃO DA VILA DE TAMANDARÉ Oficialmente Tamandaré foi instalado em 25 de janeiro de 1890 como é possível observar na Ata de Fundação do Município que foi preservada graça a sua publicação em duas 21

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partes nas edições do jornal curitibano "A República, datado de 07 de fevereiro de 1890, nº 32 e 08 de fevereiro de 1890, nº 33", que prestava serviço como "diário oficial do Estado". Neste âmbito, será transcrito na íntegra o texto original mantendo dessa forma sua grafia de época e erros ortográficos que possivelmente ocorreram na lavratura do momento. Segue a histórica ata: "Acta da inauguração desta villa Tamandaré e installação da respectiva Intendência Municipal criada por Decretos números quinze e dezesseis de nove do corrente mez e anno. - Aos vinte cinco dias do mez de Janeiro de mil oitocentos e noventa. Primeiro da República dos Estados Unidos do Brazil, reunidos na mesma Igreja Matriz da Villa, os intendentes: João Alberto Munhoz, Vidal José de Siqueira, Eloy Artigas de Christo, Antônio Ennes Bandeira, Antônio Vieira Bittencourt , Antônio Candido de Siqueira e João Candido de Oliveira, nomeados pelo Governador deste Estado por Decreto de nove do corrente mez para formarem a Intendência Municipal desta nova Villa, pelo referido Decreto creado, com a denominação de Villa de Tamandaré, tomou a presidência o cidadão João Alberto Munhoz, especialmente designado para esse digo, para dirigir os respectivos trabalhos como se vê do acto do poder competente abaixo transcripto, e a portaria que acompanhou. - Primeira Secção Estado do Paraná. - Palacio do Governo - Curitiba nove de Janeiro de mil oitocentos e noventa. Para os devidos fins remeto-vos as inclusas copias dos Decretos números quinze e dezesseis de hoje datado, o primeiro denominando Villa de Tamandaré a de Conceição do Cercado, e o segundo nomeando uma Intendencia Municipal da qual sois Presidente. Saúde e fraternidade. - (assignado) José Marques Guimarães. - Ao Cidadão João Alberto Munhoz, Presidente da Intendencia Municipal da Villa de Tamandaré. Copia. - Decreto numero quinze. - O Capitão de Mar e Guerra José Marques Guimarães, Governador do Estado do Paraná usando das attribuições que lhe são conferidas pelo decreto numero sete, de vinte de novembro do anno findo. Decreta. - Art. 4º A Villa da Conceição do Cercado denominar-se-há Villa de Tamandaré, revogadas as disposições em contrários. - Palacio do Governador do Estado do Paraná, nove de Janeiro de mil oitocentos e noventa. - Primeira República. (assignado) José Marques Guimarães, Confere. - J. Ferraz. - Copia, - Decreto numero dezesseis. - O Capitão de Mar e Guerra José Marque Guimarães Governador do Estado do Paraná, usando das attribuições que são lhe conferidas pelo § primeiro do artigo segundo do Decreto numero sete de vinte de novembro do anno findo. - Decreta: - Artigo primeiro, é nomeado uma commissão Municipal na Villa de Tamandaré, que se comporá do cidadão João Alberto Munhoz, como Presidente, e dos cidadãos Eloy Artigas de Christo, Antônio Ennes Bandeira, Antônio Vieira Bitencourt, João Candido de Oliveira e Antônio Candido de Siqueira, como membros. - Artigo segundo, a essa commissão compete as attribuições conferidas pela lei de primeiro de outubro de mil oitocentos e vinte oito as Camaras Municipais, Sanccionados os seus actos pelo Governo do Estado fica reservado o direito de dissolver a sobre dita commissão logo que os seus serviços não se tornarem mais necessários. Artigo quarto - Ficão revogadas as disposições em contrario - Palacio do Governo do Estado do Paraná, nove de Janeiro de mil oitocentos e noventa, primeiro da República (assignado) José Marques Guimarães. Confere. - J. Ferraz. - Na presença do povo tendo antes o Sr. Presidente designado o respectivo secretário que deve interinamente servir neste acto o cidadão João Candido de Oliveira, por uma solemne proclamação em que assentou o progresso, adquirir sobre o regime Republicano e mais adoptado aos povos cultos e adiantados. Declaro que a grande República dos Estados Unidos do Brazil representa o espirito americano que constrangido suportava a monarchia - A revolução se fez sobre flores que tapisavão o solo Brazileiro em sua uniformidade de ideias. - Diz que os povos livres e de caractes regem-se por si mesmo e que neste meio civilizado em que nós achamo-nos, e o coração repellem a sujeição de um poder permanente e priveligiado. - Trata aqui e pede à Camara que signifique na acta seu voto e do povo na adhessã 22

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que prestão ao illustrado Governador deste Estado, Cidadão Contra-Almirante José Marque Guimarães, representa a vasta comprehensão de um governo recto, sabio e justo. - Assignala ainda o presidente o valor normal do nobre Governador cidadão Marques Guimarães, o invicto militar que deixou o seu nome assignalado na historia por actos de maior heroísmo praticados em defesa da Patria. - Disse que os vindouros recordem-se gratos e tenhão diante de si essa imagem do patriotismo. - Declarou altamente o Sr. Presidente: "Está installada a Villa de Tamandaré", nome dado pelo illustre Governador para que seja relembrado o venerando nome do Marquez de Tamandaré, um dos heróes da Esquadra Brasileira na Guerra do Paraguay. - O Sr. Presidente deu a palavra aos Srs. Intendentes e mais pessôas para pronnunciarem algumas palavras análogas ao acto, e fallaram os Srs. Eloy Artigas de Christo, e cidadão Leoncio Correia que foram collorosamente apllaudidos: o Sr. Leoncio, manifestou-se tão brilhantemente que foi enthusiasticamente apllaudido pelo auditório. Nesta ocasião o Sr. Presidente propôz que os dois primeiro actos da Camara fossem os seguintes: Denominando o Largo da Igreja Matriz. - Marques Guimarães, e a primeira rua Evaristo Gonzaga. - Diz que o primeiro deste nomes significa o marinheiro intrépido que ariotou tantos perigos para chegar a ter um nome que sinthetisa o seu heroismo e o do Dr. Evaristo Gonzaga, significa com enthusiasmo o typo do homem estoico no comprimento de seus deveres, a par de uma illustração e critério que relembram as tradicções históricas de uma ilustre e patriótica família. Esta indicação foi unanime e colorosamente aprovada. E nada mais havendo a tratar foi de baixo das mais ardentes acclamações encerradas esta acta por mim secretário interino (assignado) João Candido de Oliveira, assignando o Sr. Presidente, intendentes e cidadãos presentes que quiseram. - João Alberto Munhos, Presidente; Vidal José de Siqueira Vice-Presidente; Antonio Candido de Siqueira, Antonio Gomes Bandeira, Elcy Artigas de Christo, João Candido de Oliveira, Antonio Vieira Bittencourt, Leoncio Coreia, Florencio José Munhoz, Gustavo Won Krúger, Francisco Florencio Ferreira, Meniricio Lemos, João Augusto Stresser, Joaquim Florencio dos Reis, Benedicto Abranches Almeida, José Marcellino Machado, Mario E. Moreira Mendes, João Luciano Cardoso, João de Souza Dias Negrão, Angelina dos Santos Corrêa, Amélia Osorio de Almeida, Polyxena dos Santos Corrêa, Manoel Serapião de Christo, Brazilio Maria Cardoso, Vigilia Osorio de Almeida, Marcelino Liceria Cordeiro, Guilhermina dos Santos Corrêa, Maria da Conceição Ribas, Germanno de Mello Brobst, Roberto Heckvy, Pedro de Oliveira Godoy, Augusto Serfe, João Candido de Lara, Ildefonso Estevão de Christo, Miguel Gamber Filho, Carlos Augusto do Nascimento, Augusto Hodrego, João Evangelista Artigas, Gregor Dosolka, Affonso Bandeira Collin, Miguel dos Santos Corrêa, Alfredo Duarte Castro, Ricardo Lustosa de Andrade, Alexandre Cruz Machado, Antonio Pinto Ribeiro de Faria, Maria Magdalena de Moura, Adolpho Lamenha de Siqueira, João Franco de Moura Leite, Joaquim Araujo Faria, Antonio Baptista de Siqueira, Aprigio Alves, Januario das Chagas Barbosa, João Evangelista dos Santos Ribas, Zacarias Marcellino Machado, Sizinando Ozorio de Almeida, Marcellino Artigas de Christo, Friserup Manjosk, Manoel Antonio Barbosa de Brito Junior, Joaquim Fernandes da Costa, Antonio Anselmo de Araujo, José Duarte de Castro, Firmino do Monte Rodrigues, Cezar de Assis Teixeira, Eleuterio Moreira de Freitas, João Barbosa de Brito, Izaias Fernandes de Lima, Fredulpho Pereira da Silva, Manoel F. de Lima, Elia d'Oliveira Godoy, Joaquim de Souza Machado, Pedro de Paula Vaz, Claudio José Cordeiro, Luiz Guedes Cordeiro, Antonio José Alves d'Araujo, Pedro Teixeira Alves, Henrique Marcondes Coutinho, Manoel de Paula Cordeiro e João Marinho de Almeida. - Villa de Tamandaré, no Estado do Paraná, 26 de Janeiro de 1890 - E eu Carlos Augusto do Nascimento, secretário effectivo, fielmente extrahio o presente e o subscrivi - O Presidente João Alberto Munhoz". 23

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TERRITÓRIO AUTÔNOMO Inicialmente, em 1890, a cidade de Tamandaré possuía oficialmente 41 quarteirões segundo a resposta do Conselho da Intendência da Vila Tamandaré publicada no periódico "A República, de 06 de dezembro de 1890", que aprovava a divisão censitária dos 41 quarteirões em 12 Seções. Apesar de existir uma legislação específica que definia os limites de cada cidade, nem sempre eles eram observados. Diante deste contexto, em decorrência de a localidade curitibana de Campo Novo estar entre Tamandaré e o quarteirão tamandareense de Campo Magro, ocorreu uma divergência entre as Câmaras dos dois municípios, pois mesmo Tamandaré não tendo jurisdição sobre o quarteirão, ele tributava o comércio da região. Em decorrência deste fato ocorreu o advento da Lei nº 826, de 08 de junho de 1908, que anexou de fato e legalmente o quarteirão de Campo Novo ao território tamandareense. Em observância ao "Mapa dos Municípios do Estado do Paraná, com declaração de sua população, extensão provável e limites" presente no "Relatório elaborado pelo Secretário dos Negócios do Interior, Justiça e Instrucção Pública do ano de 1908", Tamandaré possuía 440 km² com os seguintes limites: "Ao Sul do Taboão pelo rio Bariguy; ao ribeirão de Antônio Rosa e Andrade; a Leste, o rio Atuba, limite da Villa Colombo; ao Norte, os limites da velha Villa de Votuverava; a Oeste, o Tijuco Preto, Morro do Olho d'Água, Córrego Fundo; rios Capivara, Assunguy, e os limites de Campo Largo". Este mesmo relatório destacava os "quarteirões" existentes nas cidades paranaenses, e em Tamandaré existiam: "Boixininga, Botiatuva, Campo Magro, Campo Novo, Conceição, Colônia Lamenha, Colônia Antônio Prado, Colônia São Venâncio, Colônia Gabriela, Marmeleiro, Meia-Lua, Ouro Fino, Pacutuba, Sumidouro, Santa Rita, Serro Negro, Tranqueira e Tijuco". Devido ao desenvolvimento demográfico da região de Campo Magro é baixada a Lei nº 970, de 09 de abril de 1910, que criou o Distrito Judiciário de Campo Magro. Depois, em decorrência do Decreto nº 182, de 15 de março de 1912, é criado o Distrito Policial de Campo Magro. Em virtude do status da região ocorreu o advento da Lei nº 1.184, de 13 de abril de 1912, que expressou os limites de Curitiba. Por efeito desta Lei foi baixado o Decreto nº 506, de 24 de maio de 1912, que determinava as divisas do distrito de Tamandaré. Após, a Lei nº 1.964, de 30 de março de 1920, "desliga o Distrito Judiciário de Campo Magro. Artigo Único: Fica desmembrado do município de Tamandaré e anexado ao da capital, o distrito judiciário de Campo Magro, compreendendo os quarteirões de Campo Novo, Campo Magro, Conceição e Ouro Fino, pelas suas respectivas divisas; revogada as disposições ao contrário". Com o advento da criação do município de Colombo e considerando a situação definitiva dos Distritos de Campo Magro e de Cruzeiro, a delimitação territorial de Tamandaré foi assim definida na década de 1920, segundo as informações de Augustinho Ermelino de Leão em seu "Diccionario Histórico e Geographico do Paraná/Volume VI", p. 2263: "Limita-se com o município de Curityba pela divisas dos districtos de Santa Felicidade e são Casemiro do Taboão; com Colombo pelo rio Atuba; com Rio Branco pela linha de Bacaetava - rio Ermida; com Campo Largo e Açunguy pelo rio Açunguy, Tijuco Preto, Morro do Olho d'água, rio Capivara". 24

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No entanto, em decorrência da Lei nº 2.178, de 02 de março de 1923, é revogada a Lei nº 1.964 e por efeito o Distrito de Campo Magro volta a pertencer a Tamandaré. Tamandaré continuava crescendo demograficamente. Em decorrência deste fato, a cidade foi elevada a Termo Judiciário por força da Lei nº 2.736, de 31 de março de 1930. Por efeito do artigo 4º da citada lei foi criado no município o ofício de Tabelião de Notas, Escrivão do Civil, Comércio, Órfão, Ausentes e Procuradoria.

Vila Tamandaré, década de 1920. Foto publicada no livro Álbum do Paraná, de José Pedro Trindade, 1927, p. 25.

Apesar da representatividade política que o município notoriamente possuía, vários fatos conspiraram na década de 1920 contra a Vila Tamandaré, pois segundo Sebastião Paraná, quando se referiu à cidade de Tamandaré na página 306 de sua obra, "Os Estados da República" em 1925, expressou "que era um lugar pouco importante". Esta observação era um reflexo da própria realidade do município que se apresentava desde a sua fundação, ou seja, tendo como referências os balanços anuais da arrecadação estadual e os orçamentos anuais da Vila de Tamandaré referentes aos anos de 1891 a 1937 publicados em periódicos diversos e Relatórios de Governos somados às informações descritivas da realidade administrativa municipal presentes em publicações diversas desse período. A cidade de Tamandaré possuía uma arrecadação de tributos estaduais baixa, o que era um reflexo de uma economia pouco diversificada, a qual ficava notória no contexto das perspectivas de arrecadação tributária municipal a dependência quase que exclusiva da erva-mate, exploração da cal, exploração e transporte de madeira e do comércio. A fabricação de vinho, transporte e criação de gado, produtos agrícolas, moinhos e engenhos e taxas para bailes públicos e corridas de cavalos complementavam a arrecadação que praticamente se exauria na manutenção de estradas e despesas burocráticas. Esta condição de pouca importância da localidade somou-se às diversas tensões políticas de âmbito nacional. Proporcionado pela Revolução de 30 e da Revolução Constitucio25

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nalista de 1932, que se agravaram com a crise econômica mundial ocasionando consequências para economia agroexportadora brasileira, a qual dependia dos recursos oriundos das exportações de café, desencadeada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929. Seu efeito trouxe consequências negativas para a política e economia paranaense, que foram sentidas pelos cofres públicos municipais onde muitos municípios tiveram imensa dificuldade de se manter administrativamente e autonomamente funcionando, gerando ônus e problemas políticos que acabavam estourando no próprio Estado. Diante desta condição, muitos municípios perderam seu status autônomo e foram anexados a outros, como um remédio provisório para se enfrentar a terrível crise política e econômica que se fazia presente em todo o Brasil. Deste contexto histórico, o município tamandareense foi vítima, pois desapareceu dos mapas paranaenses em dois momentos. O primeiro momento se deu pelo Decreto Estadual nº 1.702, de 14 de julho de 1932, sancionada pelo Interventor/Governador Manoel Ribas que suprimiu a Vila de Tamandaré, administrada nesta época pelo Interventor Prefeito Joaquim Age, gestão 12 de abril a 13 de julho de 1932. Este mesmo decreto carregava em seu corpo legal a justificativa da extinção do município: "O Interventor Federal do Estado do Paraná Manoel Ribas, considerando que o município de Tamandaré não está em condições de satisfazer as exigências do Código dos Interventores, e nem pode, em virtude da sua renda inferior a trinta contos de réis, atender convenientemente aos serviços prestados à sua própria existência". Os artigos 1º e 2º do mesmo, expressou que o território de Tamandaré passava a pertencer ao município de Rio Branco do Sul, e o território anexado ficou sob responsabilidade do Agente Administrativo Dalvino Correia (funcionário público de Rio Branco). No entanto, um breve alento soprou sobre a Vila com o advento do Decreto nº 931, assinado pelo Interventor/Governador Manoel Ribas, que expressava que a partir de 03 de abril de 1933 se restaurava a autonomia municipal tamandareense. A qual teve como primeiro administrador deste período pós-restauração, o Interventor Prefeito Serzedello Siqueira no período de 12 de abril de 1933 a 30 de janeiro de 1934. Em decorrência do Decreto Estadual nº 6.667, de 31 de março de 1938 que mandava demarcar quadros urbanos e suburbanos de cidades e vilas dentro do prazo de 60 dias e a posterior prorrogação do prazo por efeito do Decreto Estadual nº 6.986, de 08 de junho de 1938, ocorreu o Decreto Municipal nº 35, de 18 de julho de 1938 que delimitou as áreas urbanas e suburbanas do munícipio de Tamandaré. Mesmo gozando cinco anos desde o restabelecimento de sua autonomia, ocorreu um terrível golpe derradeiro oficializado e assinado novamente pelo então Interventor/Governador do Estado do Paraná Manoel Ribas, que através do Decreto Lei nº 7.573, de 20 de dezembro de 1938 extinguiu o município de Tamandaré, passando o mesmo a fazer parte do território de Curitiba. Sendo a região administrada pelo Agente Administrativo Hermenegildo de Lara no período de 1938 até 1943. Ocorreu que o Sr. Interventor/Governador Manoel Ribas assinou o novo Decreto-lei nº 199, o qual fazia que, a partir de 30 de dezembro de 1943, a localidade passasse a ser denominada de Timoneira. Neste mesmo ano, o território do extinto município passou a integrar o município de Colombo, o qual foi administrado pelo Agente Administrativo Silvio de Lara, em 1943. 26

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INSTALAÇÃO DO MUNICÍPIO DE TIMONEIRA Nove anos depois da extinção, na data de 11 de outubro de 1947, a Lei Estadual n° 02, inciso XXI, sancionada pelo Governador Legal em conformidade com a nova Constituição de 1946, Moyzés Wille Lupion de Tróia restaura a autonomia municipal, sendo seu território formado pelos Distritos Judiciários de Timoneira e Campo Magro. A solenidade de instalação oficial do município ocorre em 06 de novembro do mesmo ano, segundo a "Ata da sessão de Instalação do Município de Timoneira", como é possível observar abaixo: "Estado do Paraná Ata de sessão de instalação do município de TIMONEIRA criado por Lei Estadual número dois (2) de onze (11) de Outubro de mil novecentos e quarenta e sete. Aos seis dias do mez de novembro de mil novecentos e quarenta e sete, no edifício da Prefeitura de Timoneira, sob a presidência do Sr. João Batista Siqueira, Prefeito Municipal de Timoneira, para cujo cargo foi nomeado por decreto governamental de 08/10/1947, (seis dias do corrente mez) reuniram-se em sessão solene as autoridades e pessoas gerais dos abaixo assinados, com assistência popular, para fim de declarar instalado o município de Timoneira, que tem por Sede a cidade de mesmo nome, e bem assim o distrito de Campo Magro, que tem por Sede a vila de mesmo nome criada por Lei Estadual nº 2, de 11 de outubro de 1947. Aberta a sessão e de pé toda a assistência, foi ouvido o Hino Nacional, regendo uma vibrante sova de palmas. A seguir, o Sr. Prefeito, dizendo que o município de Timoneira e o seu distrito de Campo Magro, juntamente com os demais municípios e distritos criados pela mencionada Lei Estadual nº 2, de 11 de outubro de 1947, haviam sido declarados instalados pelo Excelentissimo Sr. Governador Estado, em sessão solene realizada em Curitiba, no dia 17 do (corrente) mez de outubro, próximos passado, fazendo-se agora, nesta oportunidade, a instalação na própria Sede deste município, a fim de que o seu povo tenha dêsse acontecimento direto conhecimento. Disse, ainda, que ficam fazendo parte integrante da presente ata, em anexo, os seguintes documentos relativos a instalação geral dos novos municípios e distritos levado a efeito na Capital do Estado: 1) - cópia fotostática da ata da sessão realizada na cidade em Curitiba, no dia 17 do (corrente) mez de outubro, próximo passado; 2) - cópia autenticada do discurso proferido naquela ocasião pelo Essimo Sr. Moisés Lupion, Governador do Estado; e 3) - cópia autenticada do discurso proferido também naquela ocasião pelo Sr. Secretário do Interior, Justiça e Segurança Pública, Dr. João Theophilo Gomy Junior. Proferiu então, o Sr. Presidente, as seguintes palavras inaugurais: "Na forma da lei, tendo em vista a salvaguarda jurídica dos interesses do Povo, e resguardado da tradição histórica nacional e a solidariedade que deve unir todos os brasileiros em termo dos ideais superiores de uma Pátria uma e indivisível bem organizada para defender-se, culta e progressista para fazer a felicidade dos seus filhos, eu João Batista de Siqueira, Prefeito Municipal de Timoneira declaro instalado in loco, para todos os efeitos na quadra territorial do Estado do Paraná, o município de Timoneira e o seu Distrito de Campo Magro, criado pela Lei Estadual nº 2, de 11 de outubro de 1947. Assim fique registrado na História da Pátria, para conhecimento de todos os brasileiros e perpétua lembrança das gerações vindouras. Honra ao Brasil uma e indivisível! Paz ao Brasil desejoso do bem e do progresso nos melhores sentimentos de solidariedade humana! Prolongadas salvas de palmas aplaudiram e festejaram o momento, exprimindo, assim, a solidariedade ao alto pensamento da formula pronunciada pelo Sr. Presidente. Tomou a palavra o Sr. Prefeito João Batista de Siqueira e falou o seguinte: Eu João Batista de Siqueira na qualidade de Prefeito desta localidade tenho grande prazer cordialmente pelo gesto cavalheiresco do Exmo Sr. Dr. Moisés Lupion ter nos favorecido com a promulga27

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ção desta Lei Estadual nº 2, de 11 de outubro de 1947, e sendo assim tenho o grato prazer de agradecer cordialmente em nome de todos os habitantes deste município e do distrito de Campo Magro que tão grandemente foi favorecido por este ato. E foi imposto para serem feito alguns ofícios com agradecimentos e para serem entregues as devidas autoridades. Ato continuo o Sr. Presidente agradeceu à assistência o seu comparecimento, enaltecendo o Sr. Presidente declarou encerrada a sessão, convidando os presente a ouvirem a leitura da ata e a assinarem, a qual (depois de lida) vai ser assinada pelo Sr. Presidente, demais autoridades, pessoas gradas e assistentes que desejam fazer. Eu José Brezezinski Sobrinho, funcionando como secretário ad doc, escrevi esta ata, lendo-a os termos da sessão solene, cuja realização aqui se registra: João Baptista de Siqueira, Iphigenio Garcez Ribas, Lauro Baptista de Siqueira, João Wolf, Symphronio de Andrade, Antonio Baptista de Siqueira Filho, Joana Siqueira, Arantes de Siqueira, Alice de Siqueira, Pedro Bini Sobrinho, Paulo Bini, Antonio Scucato, João Scucato Netto, Pedro Stocchero, José Zielkowski, José de Morais Seas, P.f. Gaspar M. Capuchinho, Durval Raymundo, João Fragyde, João Baptista Sobrinho, Camilo Perussi Neto, José Chevonica, Abilio de Barros Teixeira, Idacira de Barros Teixeira, Odalinda de Barros Teixeira, Armindo do Couto, João Batista de Santa, Paulo Wolf, Licio de Barros Teixeira, Frederico Manfron, Rosa Dalazuana Manfron, Lauro Nascimento, José Benati, João Benato, Leoni Benato, Margarida Muraro, Elizeo de Siqueira, José Floger, Randolfo Siqueira, Ivaldo José de Siqueira, Apolonia P. de Siqueira, Antonio Pupia, Antonio Candido de Siqueira, Alfredo von Kruger, Pedro Polaniski, Joesh Mocelin, Lucila L. de Siqueira, Aurora P. de Siqueira, Antonio Eduardo Trevisan, Juvina Siqueira Trevisan, Antonio de Lara Vaz, Odilon João Trevisan, Italia Julia Trevisan, Isumira Dalpra Trevisan, Odir Rosa Trevisam Pietrobeli, Alcides Pietrobeli, Jocelio de Barros Teixeira, João Vaz, Juvina Meira, Natair Cardoso Meira, Dulcidio Estevão da Cruz, Jeraldo Vaz, Rachel de Siqueira, Judite de Siqueira, Maria Nascimento T., Francisco Borges, José Vaz, Pedro Vaz, Jaime Alves Teixeira, Antonio Alves, Emilia Alves, Vicente Mocoski, Simão Mocoski, Osorio de Barros Techeira, Carlota V. Techeira, João de Barros, Nair de Barros, Manuel Lara, Genni de Barros Teixeira, Nadir Mario Soppa, Izaura de Barros Sopa". Neste mesmo ano em que a localidade de Timoneira restaurou sua autonomia administrativa ocorreu que os Prefeitos municipais de Rio Branco do Sul (Otavio Furquim) e do município de Timoneira (Sr. João Batista de Siqueira) fizeram um acordo em que a Prefeitura Municipal de Rio Branco do Sul tomaria conta até a localidade próxima da Igreja de Areias, mais precisamente na divisa com o Rio Barigui, não levando em conta a divisa oficial delimitada pela Serra do Betara. Em decorrência da Lei nº 2.644, de 24 de março de 1956 foi estabelecido a denominação Almirante Tamandaré que vigora atualmente. Mesmo estabilizada a condição autônoma do município de Almirante Tamandaré, ocorreu que em virtude do crescente desenvolvimento populacional e econômico do distrito de Campo Magro começaram a florescer apelos políticos e populares da própria região por autonomia para conseguirem um progresso mais efetivo. Neste contexto, depois da realização do plebiscito em 22 de outubro de 1995, que confirmou o anseio da população, ocorreu que no dia 28 de dezembro de 1995 o então Presidente da Assembleia Legislativa, o Deputado Aníbal Khury promulgou a Lei nº 11.221 com a seguinte súmula: cria o município de Campo Magro, desmembrado do município 28

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Fonte: Acervo Professora Josélia Kotoviski.

de Almirante Tamandaré. Ocorria assim a diminuição de 273 quilômetros quadrados de seu território, até então de 523,105 km². A partir deste fato, a superfície territorial tamandareense passou a ser de 194 km².

Mapa do território de Almirante Tamandaré antes da divisão territorial. Os rios Conceição, Juruqui, Passaúna, foram os principais marcos de delimitação ou fronteira na divisão do município

A última alteração territorial de fato no município teve início no ano de 2003 quando a Prefeitura de Almirante Tamandaré, na gestão do então Prefeito Cezar Manfron, reivindicou formalmente junto ao Tribunal Regional Eleitoral que fossem transferidas para o município tamandareense as respectivas secções eleitorais da localidade do Jardim São João Batista, cujo principal objetivo era que os votos para o pleito de Prefeito e Vereadores nas eleições de 2004 fossem computados para os candidatos do município tamandareense. Esta reivindicação se fundava na quebra de um acordo não oficial que envolvia a posse de fato do Jardim São João Batista, que na época ficava sob responsabilidade administrativa da Prefeitura de Rio Branco do Sul, mas que na delimitação oficial pertencia a Almirante Tamandaré. 29

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Em defesa dos interesses do município de Rio Branco do Sul, que por 57 anos investiram na localidade que não lhe pertencia oficialmente, mas que estava atendendo uma população aproximada de 4.600 pessoas, a Câmara Municipal rio-branquense desenvolveu um estudo onde argumentou que a referida transferência pleiteada pelo município de Almirante Tamandaré não poderia ser provida sem que fosse ouvida a população (plebiscito). Porquanto, supostamente seriam os que sofreriam a consequência direta daquela mudança. Mesmo ocorrendo um parecer favorável da Assembleia Legislativa através do relator Deputado Durval Amaral, em referência ao plebiscito, nada ocorreu e o pedido pleiteado por Almirante Tamandaré lhe foi concedido. No ano de 2005, os moradores do Jardim São João Batista começaram a sofrer com as consequências da disputa territorial e, por este motivo, pararam de receber de forma adequada os serviços públicos do município que pertencia até então ao território não oficial de Rio Branco do Sul. Diante desta circunstância, o Prefeito tamandareense, Vilson Goinski, acolheu os apelos populares e assumiu a responsabilidade pela localidade. Mas, isto se deu após a assinatura de um acordo de desistência da área em questão, feito junto ao Ministério Público das duas Comarcas, e com a presença dos Prefeitos das duas cidades (Vilson Goinski e Amauri Johnson). Por efeito desta circunstância, o município de Rio Branco do Sul restabelecia a posse do Jardim São João Batista oficialmente a Almirante Tamandaré. Diante deste histórico fato, se concretiza a efetivação da área do Jardim São João Batista como de responsabilidade legal do município através da Lei nº 1.342, de 14 de maio de 2008 de Almirante Tamandaré, que estabeleceu nova delimitação dos bairros do município, além de dar outras providências. Neste contexto, a localidade passou a pertencer ao território de Almirante Tamandaré oficialmente, mais especificamente ao território do Bairro de Areias.

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Características Geológicas e Geomorfológicas A história geológica da região onde se encontra o território de Almirante Tamandaré tem gênese em um passado muito longínquo, em tempos onde a vida se ensaiava a aparecer no planeta Terra e o continente africano estava há um pouco mais de 130 quilômetros da sede do município. A partir das informações de Adalberto Scortegagna, p. 29 foi provavelmente no final da Era Geológica denominada de Pré-Cambriano no Éon da Proterozoica que supostamente a base fundamental do relevo do Primeiro Planalto Paranaense onde se encontra o território tamandareense se formou. No que tange o informativo da Mineropar "Sítio Geológico/O Karst e a Formação Capiru/As rochas de Almirante Tamandaré" é informado "que a região de Almirante Tamandaré e do Circuito da Natureza, já foi mar. Um mar que existiu há 1 bilhão de anos, quando a distribuição dos continentes era muito diferente da atual. Difícil imaginar como era a paisagem, porém com certeza havia praias com areias, rios chegando ao mar, sedimentos de fundo do mar e recifes. Com o passar do tempo estes sedimentos os consolidaram e viraram rochas, inicialmente sedimentares (as areias viraram arenitos) e depois com os esforços originados pelos movimentos da Terra elas se transformaram em rochas metamórficas (o arenito se transformou em quartzito). Hoje as rochas originadas neste antigo ambiente são colocadas na Formação Capiru, um termo geológico para agrupar as rochas que tem uma mesma posição no espaço, no tempo de origem". Em relevância a este contexto, as características físicas que se apresentam em grande parte do seu território se dispõem sobre um relevo ondulado e montanhoso, com grandes desníveis altimétricos, pois o mesmo se encontra a 950 metros de altitude em relação ao Oceano Atlântico, sendo seu ponto culminante localizado no Bairro do Morro Azul junto às coordenadas 25º16'41.83"S e 49°19'34.72"O alcança 1.217 metros. Ele desenvolveu-se orientado por uma sucessão de espigões alongados e vales em "V" profundos (espigões separados por pequenas planícies e vales alongados). Pelo fato do território tamandareense estar localizado junto ao Primeiro Planalto Paranaense carrega diversas semelhanças dele, visto que o mesmo é caracterizado pela presença de relevo colonizo e pode ser dividido em duas subzonas distintas, uma exibe aspectos de 31

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Mar-de-Morros, relacionados às rochas magmáticas; a outra exibe colinas mais alongadas, com topos mais suaves. O terreno da cidade é na maior totalidade formado por solo de cambissolos, e uma pequena porção é de podzólica vermelho-amarelada, mais especificadamente, é predominante as seguintes classes de solo, segundo informa Pedro Martim Kokuszka em sua obra "Nos Rastros dos Imigrantes Poloneses", p. 155: "Ca5 - Cambissolo Álico Tb A proeminente textura argilosa; Lva 13 - Associação Latossolo Vermelho Amarelo Álico relevo ondulado + cambissolo Álico Tb textura argilosa; PE4 - Podzólico Vermelho-Amarelo Tb textura média argilosa, relevo forte ondulado e montanhoso; PV6 - Podzólico Vermelho-Amarelo Álico Tb, textura média argilosa, relevo suave ondulado e ondulado; Led3-Latossolo Vermelho-Distrófico textura argilosa, relevo suave ondulado. No contexto das informações presentes no "Inventário turístico municipal de Almirante Tamandaré - Paraná" elaborado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo, p. 16, o terreno da região de Almirante Tamandaré está assentado predominantemente sobre rochas calcárias com alto poder de dissolução, sendo comum nessas áreas notória presença de dolinas (depressões por subsistência de solo), sumidouros, ressurgências e cavernas típicas de terrenos cársticos. Ocorrem muitas lavras (pedreiras) que exploram as rochas calcárias (dolomíticas e calcíticas)”. Relacionado às informações mencionadas, o "Inventário turístico municipal de Almirante Tamandaré - Paraná" cita que em Almirante Tamandaré são encontradas duas unidades geológicas: Complexo Atuba ou Embasamento Cristalino, que abrange 7,17% do município, encontrado em sua parte sul; e o Grupo Açungui, que abrange 92,83% da área formando o aquífero karst (carste).

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Aquífero Karst Geologicamente, o Aquífero Karst origina-se das duas formações geológicas que faz parte denominadas Capirú e Itaiacoca, que são constituídas por rochas frágeis (os calcários) e por outras mais resistentes (os filitos e quartzitos). Estas rochas têm sua origem no Éon da Proterozóico em mares que existiram na região possivelmente em torno de 1 bilhão de anos atrás. Segundo Gil F. Piekarz no folheto informativo da MINEROPAR, "Sítio Geológico/O Karst e a Formação Capiru/As rochas de Almirante Tamandaré": "(...) os quartzitos são as antigas areias, os filitos correspondem aos antigos sedimentos de granulação mais fina (silte e argila) depositados no fundo do mar e os metas-dolomitos são os antigos recifes. É nos meta-dolomitos (karst) onde está o que havia de vida naquela época: os estramatólitos. Ou seja, são os sedimentos que se transformaram em rochas sedimentares e depois em rochas metamórficas. "Estas rochas não estão mais em sua posição original, pois foram dobradas, fraturadas e deslocadas pelos movimentos da crosta terrestre". Provavelmente, na Era Mesozoica no Período do Cretáceo, em torno de 130 milhões de anos, ocorreu a gênese do diabásio, que é uma rocha ígnea de coloração negra e muito resistente resultante da solidificação do magma durante o processo de separação continental entre a América do Sul e a África e o nascimento do Oceano Atlântico. Durante a separação formou-se nesta região um imenso arco. Este arqueamento propiciou o fraturamento da crosta terrestre, em fendas profundas de orientação noroeste-sudeste, por onde ascendeu o magma. Este magma, ao se solidificar no interior desta fenda, proporcionou o surgimento de poderosos maciços denominados de "diques de diabásio". Os diques de diabásio cortam verticalmente, em ângulo de 90º os quartzitos, calcários e filitos. A disposição de todas essas rochas na natureza acabou formando as paredes laterais desse grande reservatório natural, que é o aquífero. O relevo tamandareense carrega características ligadas diretamente a sua formação geológica, como já foi explicado. Na pesquisa científica de Maria Luiza Malucelli Araujo, p. 15 é citada que a característica mais marcante e que desperta muita atenção é o aquífero que abrange a "área de 147,78 km², correspondente a 77,44% da área total do município. As áreas de influência direta correspondem a 71,25 km² (37,29% da área do município) e as 33

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Fonte: SANEPAR/ informativo "Aquífero Karst água subterrânea de qualidade".

áreas de influência indireta correspondem a 76,73 km², (40,15% da área do município)". A partir destas considerações, é necessário entender as particularidades que envolvem o Aquífero Karst. Primeiramente, o termo "aquífero" significa grande reservatório natural de água, que são classificados conforme a característica das rochas presentes na sua formação. A dinâmica deles é simples: A água da chuva se infiltra na terra e circula em espaços vazios das rochas, que podem ser de três tipos: Fraturas, poros ou cavidades. Ou seja, no contexto das informações prestadas pela SANEPAR no informativo "Aquífero Karst água subterrânea de qualidade": "...quando chove, uma parte dessa água penetra no solo e através de fendas, se infiltra nas rochas. Em contato com a água, o calcário se dissolve lentamente, formando espaços vazios (condutos e canais). Esta mesma água circula apenas nos espaços vazios dos calcários, pois as outras rochas que estão ali presentes (filitos, quartzitos e diabásios) não sofrem o desgaste provocado pelo líquido. Ocorre com isso a formação dos reservatórios de água subterrânea do Aquífero Karst com uma característica única, já que a disposição das rochas dividiu o aquífero em compartimentos, como se fossem favos de mel, que não se ligam entre si. Cada um deles armazena uma determinada quantidade de água que só pode ser conhecida após estudos de geologia e de hidrologia".

A circulação da água no aquífero ocorre mediante circulação interna, por meio de pontos de absorção, como fissuras, dolinas etc., onde as águas superficiais desaparecem. Em pontos diferentes, próximos ou não, as águas ressurgem na superfície, através de fontes ou surgências

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Em referência ao fato do aquífero presente no subsolo tamandareense receber o nome de acordo com as características das rochas que o formam, ele foi batizado tecnicamente de "carste" (Karst), que é um termo adotado no jargão técnico nacional para definir este contexto geológico, segundo a explicação de Luis Marcelo Oliveira, o qual também explica na página 3 de sua pesquisa, "A gestão de riscos geológicos urbanos em áreas de carste", que a palavra possui "origem servo-croata e significa campo de pedras calcárias". Este é um conceito utilizado para designar a morfologia das formações calcárias encontradas ao norte do Mar Adriático, na Península de Istria, atual região da Croácia, Eslovênia e Itália, ao final do século XIX, segundo o artigo científico "Sistema aquífero cárstico: reservatório elevado da Região Metropolitana de Curitiba", elaborado por Lisboa em parceria com Bonacim publicado na Revista Sanare, nº 4 em 1995, p. 26. Atualmente, o conceito empregado se adapta à contemplação citada na página 153 pelo professor Antonio Christofoletti em sua obra "Geomorfologia". Ou seja, são "as áreas calcárias ou dolomíticas que possuem topografia característica, oriunda da dissolução destas rochas". Este conceito descreve de forma objetiva a formação geológica específica da Região Metropolitana Norte, em especial Almirante Tamandaré. A determinante característica do terreno cárstico, nas palavras de Luis Marcelo Oliveira, p. 3, é "a presença de uma drenagem de sentido predominantemente vertical e subterrânea (criptorréica), seguindo fendas, condutos e cavernas, com quase completa ausência de cursos de água superficiais". No que tange à paisagem cárstica, ela "apresenta aspectos ruiniformes e esburacados, preponderantemente desenvolvidos em formações calcárias", segundo o mesmo especialista. No contexto de uma universalidade padrão científica, o sistema cárstico é formado por três elementos fundamentais que se desenvolvem de maneira conjunta e interdependente: Os sistemas de cavernas, aquíferos de condutos e o relevo cárstico. Com gênese na lenta decomposição das suas rochas ao longo de milhares de anos, o karst apresenta topografia peculiar caracterizada pela existência de dolinas, uvalas, poljés, sumidouros, nascentes e formação de cavernas. No contexto da pesquisa de Maria Luiza Malucelli Araújo, p. 4, as dolinas se caracterizam como "depressões fechadas circulares ou elípticas que se formam na superfície, em função da dissolução de rochas solúveis, normalmente em subsuperfície". As quais "podem atingir de poucos metros a centenas de metros de profundidade por várias centenas de metros de diâmetro". Tendo por base o artigo de Luis B. Piló, p. 91, as uvalas são morfologias que "podem ser interpretadas como consequência da dinâmica de um conjunto de depressões de dissolução que, com o tempo, vão crescendo e coalescendo". O poljé é um conceito que é empregado para demonstrar uma planície cárstica que está caracterizada por "largas depressões fechadas, com comprimentos e larguras que chegam a dezenas de quilômetros de largura, com paredes abruptas, fundo plano rochoso ou, mais comumente, recoberto por argilas de descalcificação, aluviões ou depósitos lacustres". Em decorrência da existência de aluviões "os poljés são lugares preferidos para as culturas e localização dos núcleos urbanos", no contexto da observação feita por Antonio Christofoletti, p. 154. No que tange aos sumidouros, são áreas que podem passar gradualmente de um estado a outro, por uma série de transformações a partir de dolinas, que se caracterizam pela 35

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"grande capacidade de absorção e drenagem de águas", segundo observação de Luis Marcelo Oliveira, p. 8. As cavernas se apresentam como elementos e aspectos comuns às áreas cársticas se apresentando cientificamente, nas palavras do Professor Antonio Christofoletti, p. 155, como "um leito natural subterrâneo e vazio, podendo estender-se vertical e horizontalmente e apresentar um ou mais níveis. Atualmente, podem estar ou não ocupadas por rios".

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O relevo cárstico e sua história marcante no município Existem muitas estórias que se misturam com superstições relacionadas com ocorrências oriundas das referidas características do relevo cárstico, as quais tiveram gênese em ocorrências verídicas. Independentemente do grau de distorção que estes fatos sofreram até chegarem ao presente tempo, é necessário a contemplação que os fenômenos cársticos são reais e merecem atenção técnico-científico para possibilitar uma organização espacial da cidade no sentido de evitar prejuízos materiais e perdas de vidas. No começo da década de 1930 foi relatado um acidente cárstico por Hermenegildo de Lara em um texto denominado "Histórico: Fenômeno em Almirante Tamandaré", publicado na "Folha de Tamandaré, agosto de 1988, nº 66" com o seguinte teor: "Este fato estranho e surpreendente ocorreu mais ou menos em 1934, em dia e mês que no momento não podemos precisar, em um terreno de propriedade do Cel. João Candido de Oliveira, localizado no fundo de sua residência, na sede de Almirante Tamandaré. Eram mais ou menos quinze horas de um dia ensolarado de céu azul, quando inopinadamente o solo naquele local cedeu e começou a formar uma cratera, que chegou a atingir 6 a 8 metros de diâmetro e uma profundidade incalculável. Ao mesmo tempo desta abertura, começou a aparecer um jorro de água muito forte, que subiu a uma altura de 30 metros aproximadamente. Este fluxo se manteve por umas sessenta horas, até diminuir e cessar completamente. Esse fenômeno surpreendente atraiu para o local não só habitantes de Tamandaré, mas inúmeras pessoas vindas de localidades e municípios vizinhos, especialmente da cidade de Curitiba, sendo a ocorrência muito bem divulgada pelos jornais da época, "Gazeta do Povo", "O Dia" e outros jornais que reportaram o acontecimento, que também foi divulgado nacionalmente pela "Noite Ilustrada", do Rio de Janeiro, jornal bastante popular na época - que fez ampla reportagem sobre "O Fenômeno" ocorrido em Tamandaré". Apesar da cidade possuír uma baixa ocupação demográfica na época, estes acidentes cársticos não causavam prejuízos, porém existem relatos de "histeria popular" o qual segundo Noêmia Kotoviski "ocorreu que um imigrante que morava na região, ao saber do acontecimento, achou que o fim do mundo havia chegado e por este motivo começou a se 37

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desfazer e destruir os seus bens". Porém, foi um caso raro. Já os fenômenos seguiam o curso natural de seu processo, sem contar que havia um desconhecimento científico sobre o assunto entre a população local. Os relatos de Hermenegildo de Lara e de Noêmia Kotoviski ganham plausibilidade na reportagem do periódico "Correio do Paraná de 14 de agosto de 1933 capa e p.04" que explica que o fenômeno inicialmente foi interpretado pelo povo leigo como sendo a erupção de um vulcão devido aos estrondos e a água que jorrava. Tanto é que foram destacados 15 bombeiros sob o comando do Tenente Luiz Motta e do sargento Custódio Netto para socorrer os populares, caso se confirmasse o fato. O buraco possuía um raio de 120 metros e aproximadamente 12 metros de profundidade. Quanto a história de que fosse um vulcão, alguns moradores acreditaram a ponto de alguns tentarem se suicidar se jogando no buraco, segundo a reportagem presente na página 04 do referido periódico. Praticamente anos depois desse incidente, ocorreu outro em menor proporção no Botiatuba onde atualmente fica a "Piscina dos Padres". Porém, esta realidade mudou a partir da década de 1990, porque o aquífero existente no subsolo tamandareense se tornou objeto de análise científica e de preocupações entre os moradores da cidade e região que abrange. Principalmente, após as consequências geológicas ligadas a sua exploração devido à necessidade de abastecimento de água da população metropolitana. Diante dessa atual realidade, Maria Luiza Malucelli de Araujo, p. 1, cita que "foram declaradas novas áreas de mananciais como de interesse e proteção especial, dentre essas áreas, está incluída uma porção significativa do município de Almirante Tamandaré, que possui em seu território mananciais superficiais e subterrâneos" ligados ao Compartimento Karst que possui aquífero de excelente qualidade devido à água bicarbonatada calcomagnesiana(2) e se localizam ao norte da região metropolitana oficial. Neste contexto, o presente capítulo busca trazer informações que subsidiem a compreensão desta característica geológica e a sua influência no espaço territorial (principalmente o urbano) do município de Almirante Tamandaré, uma vez que o processo de urbanização tamandareense está diretamente ligado à ocupação e ao crescimento da vizinha capital do Estado do Paraná (Curitiba). No que tange esta condição, Maria Luiza Malucelli de Araujo, p. 1 explica que "Almirante Tamandaré sofreu um intenso e mal planejado processo de parcelamento do seu território a partir de meados da década de 1950. Sendo marcante a presença de inúmeras ocupações que ocorreram sobre áreas com alta declividade e fundos de vale que causaram impactos negativos direto no aquífero subterrâneo karst. Já que, ele possui alta fragilidade ambiental, seja pelas questões geotécnicas diante dos processos de urbanização, seja pela condição de vulnerabilidade à poluição". Apesar de existir uma consciência de proteção ao meio ambiente expressada no contexto do ensino público e artigos de periódicos populares, não havia uma contemplação abrangente entre a população leiga. Por este motivo que as legislações ambientais das décadas de 1970 e anteriores eram deficitárias em contemplar uma proteção mais efetiva e coerente da natureza. ÁGUAS DO PARANÁ. Karst. Disponível em: <http://www.suderhsa.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=52> Acesso em: 25 nov. 2010.

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Fonte: Para entender a Terra

Um exemplo desta condição é possível ser observada no contexto da Lei Orgânica Municipal nº 37, de 18 de setembro de 1979 que criava o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, o qual em seu Artigo 3º citava: "é expressamente proibido o lançamento, de resíduo em qualquer estado da matéria ou forma de energia, proveniente de atividades humanas, em corpos de água na atmosfera ou no solo em que venham implicar em qualquer forma de poluição ou contaminação do meio ambiente, de acordo com o artigo 2º". Como foi possível verificar a legislação municipal, na época não contemplava os instrumentos necessários para uma efetiva gestão do espaço que se agravaram em decorrência do desenfreado crescimento urbano, mineração e a exploração de água. Ou seja, atividades que devem ser cuidadosamente planejadas e controladas que constituem os principais desafios no contexto urbano cárstico. Estas atividades, somadas às ocupações inadequadas e até irregulares do restante do território, se apresentam como um desafio à sustentabilidade urbana do município de Almirante Tamandaré como atualmente são sentidas e se expressam em contradição entre as atividades humanas, o rechaçamento que projetam sobre o território e a capacidade do meio físico em dar suporte e, ao mesmo tempo, impor limitações a essas atividades. Isto ocorre por que? Em conformidade com especialistas e instituições oficiais, o relevo do ambiente cárstico é caracterizado por partes mais arrasadas que sofreram abatimento, intercalados por elevações constituídas por rochas menos solúveis. Essas porções mais planas são as áreas de maior fragilidade, que, se ocupadas, poderão apresentar grande vulnerabilidade e susceptibilidade a comportamentos geotécnicos indesejáveis, com abatimentos de terreno, trazendo riscos às comunidades instaladas, bem como a necessidade de desocupação de construções. Além disso, as áreas de carste possuem uma excelente estrutura armazenadora de água, que pode ser facilmente contaminada por ação de defensivos agrícolas e despejo de esgotos domésticos e industriais.

Relevo cárstico

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De forma didática e simples, o informativo elaborado pela SANEPAR, "Aquífero Karst, água subterrânea de qualidade" contextualiza a exposição com a prática no que tange as características de formação do Aquífero Karst que deixam o terreno instável e os resultados podem ser sentidos na superfície "nos períodos de estiagem ou secas prolongadas, o nível da água diminui naturalmente, secando fontes, reduzindo a vazão dos rios e rebaixando o nível da água armazenada no subsolo. Sem essa água, o solo pode se acomodar, resultante no aparecimento das dolinas, principalmente nas áreas planas chamadas de planícies cársticas. Casas construídas sem fundações adequadas podem sofrer rachaduras devido a essa movimentação do terreno". Segundo o informativo elaborado pela SANEPAR, "Aquífero Karst, água subterrânea de qualidade": "O risco de acomodações naturais se deve principalmente a variações de intensidades das chuvas, mas outros fatores podem acelerar este processo. Pois, o fenômeno pode acontecer pela extração descontrolada de água (poços caseiros ou clandestinos, sistemas de irrigações e usos industriais); pelo crescimento das cidades (construções e pavimentações de ruas evitam que a água da chuva se infiltre no aquífero) e pelas vibrações da mineração ou do tráfego pesado de caminhões e ônibus. Assim, por apresentar uma fragilidade ambiental, a área do Aquífero Karst exige certos cuidados antes de ser usada por qualquer atividade humana". Fonte: SANEPAR. Aquífero Karst água subterrânea de qualidade.

Esquema demonstrado a formação de dolina (afundamento do terreno

A TEORIA QUE SE SENTE NA PRÁTICA Ilustrando as mencionadas explicações técnicas, na década de 1970, foi perfurado o primeiro poço artesiano pela Sanepar onde hoje fica o escritório de atendimento ao públi40

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co da estatal no município. Em outubro de 1975 foi oficialmente inaugurado o sistema de abastecimento de água na cidade de Almirante Tamandaré na região da Sede segundo a informação da "placa inaugural". Depois, a Revista Paranaense dos Municípios: Especial Almirante Tamandaré, de fevereiro de 1986, apresentava em sua p. 11, que na gestão do então Prefeito Municipal Ariel Adalberto Buzzato (1984-1988), a SANEPAR para sanear o crescente abastecimento de água no município, perfurou mais três poços artesianos com vazão de 680 metros cúbicos por hora no centro da cidade. Porém, segundo Maria Luiza Malucelli de Araujo, p. 17, os problemas que assolam a cidade tiveram início em 1992, ano em que SANEPAR buscou tentar sanar o abastecimento de água da Região Metropolitana de Curitiba explorando a água do subsolo. Foi no começo da década de noventa até o início do novo século, que o centro de Almirante Tamandaré começou a sofrer um pequeno afundamento, mas com graves consequências, justamente causado por uma maior demanda de extração de água pela SANEPAR. Este período foi marcado pela interdição em 2003 do prédio recém-construído do Colégio Estadual Ambrósio Bini, que a propósito, a engenheira responsável pelo laudo de liberação do terreno onde seria executada a obra havia sido alertada, ainda antes do seu período de construção, que a região destinada para aquele fim, que ficava praticamente vizinha de onde se localizava a extração de água do subsolo feita pela Sanepar, poderia corromper a estrutura da edificação. Por este motivo não se deveria construir lá. Mas, a engenheira do município, com ar de arrogância proporcionado pelo status de carregar um diploma, mandou o Diretor de Obras municipal da época, Antonio Ilson Kotovski, (que não possuía competência legal para interditar a obra, pois se tratava de uma construção estadual, como também não era o Secretário de Obras), estudar engenharia, para depois palpitar em assuntos técnicos. Resumindo, atualmente o tradicional Colégio Estadual Ambrósio Bini se estabelece em prédios provisórios para atender seus alunos aguardando a morosidade burocrática e uma decisão resolutiva política de competência estadual para resolver o problema gerado pela falta de humildade de uma engenheira em admitir um possível erro de escolha de local da obra, que resultou na condenação estrutural de um prédio público, a ponto de inviabilizá-lo. Mas, o Sr. Antonio Kotoviski não foi o único a alertar o erro de escolha do terreno. O Sr. Valter Johnson de Bomfin também alertou e denunciou o problema, porém foi muito criticado, como é evidente na entrevista prestada e publicada no Jornal Folha de Tamandaré, em abril de 2003, sob o seguinte título: "Eu avisei o que iria acontecer com o prédio do Ambrósio Bini". "(...) Todos sabem da minha luta nesta área e não é novidade nenhuma o que acontece com o prédio do Colégio Ambrósio Bini, rachaduras nas paredes, barrancos cedendo, estrutura abalada, podendo até cair. Hoje, o problema está mais na cara que no nariz, e alguns estão lamentando até se mostrando surpresos, mas eu avisei antes de se colocar o primeiro tijolo, afirmando que a área era de erosão, porque a situação do Aquífero Karst era ameaçadora e que era um crime o Estado construir uma Casa de Ensino que iria abrigar crianças quando a desgraça seria maior, mas fui contestado por alguns e criticados por outros. Então pergunto: O Valter avisou e agora, quem assume?"

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Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, abril de 2011

Ruínas do Colégio Estadual Ambrósio Bini interditado em 2003, atual construção símbolo dos efeitos de construções feitas sobre áreas sensíveis do aquífero.

Ocorreram tentativas de se evitar a interdição, e o próprio Secretário da Educação do Paraná, Mauricio Requião, acompanhado pela Diretora técnica da Fundepar, Sandra Turra, do diretor presidente do DECOM/SEOP, Cezar Benoliel, e equipe técnica, visitou em 11 de fevereiro de 2003, o Colégio Estadual Ambrósio Bini. Mauricio Requião comentou na época estar "indignado com o estado que deixaram o prédio", pois o estabelecimento era novo, foi inaugurado em 1998, mas as estruturas estavam totalmente comprometidas, com grandes rachaduras nas paredes e depressões nos pisos. A partir dessa ocasião a Fundepar ficou responsável em tomar as providências necessárias para apurar as responsabilidades sobre a obra. Neste mesmo dia, o Secretário da Foto: Julio Covello/SECS, 11/02/2003. Educação do Estado do Paraná conversou com a diretora, professores, representantes de APMs, pais de alunos e lideranças da comunidade. A diretora do Ambrósio Bini, Célia Maria Bini Lugarine, disse que, pela primeira vez, recebe a visita de um secretário de Estado da Educação. "Achei ótima a visita do secretário. É importante conhecer o problema de perto, pessoalmente", declarou a diretora. Porém, o otimismo da sau- Sandra Turra, Cezar Bonoliel, Mauricio Requião (esquerda), dosa diretora infelizmente não se Sonia Bini Rose (no centro mostrando uma das rachaduras), converteu em êxito, pois semanas Célia Bini ao lado do Professor Sergio Ferraz depois, o prédio foi interditado definitivamente. Porém, este fato não foi o único, pois anteriormente, em 1992, várias residências de mais de 10 anos no centro de Almirante Tamandaré sofreram efeitos em sua estrutura, a qual gerou até um documentário no tradicional programa televisivo Globo Repórter (18 de fevereiro de 2005), que abordou este problemático assunto. Por efeito, esta reportagem 42

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de nível nacional gerou muitas indenizações para serem pagas pela SANEPAR aos moradores prejudicados pela extração da água. Além de forçar aos Prefeitos das gestões que depois destes fatos vieram e virão a reverem o contrato que permitia e permitirão à Sanepar extrair água do subsolo do município. Ocasionando também, a criação de legislações específicas que limitam a construções de residências tipificadas dentro de um porte específico em determinadas regiões do centro e proximidades da região de extração, a qual gera muitas discussões, uma vez que muitos moradores interpretam esta proibição legal e previdente, como perseguição política ou desnecessária. Outro local de assentamento de solo que também ganhou destaque nos meios de comunicações jornalísticos ocorreu ao lado do Rio Pacotuba, nas proximidades de sua foz na Sede. O prédio da Escola de Ensino Especial Professora Roza Bini de Oliveira, construído em 1994 e inaugurado junto com a fundação da escola em 19 de abril de 1995, começou a trincar devido ao afundamento do relevo que comprometeu suas estruturas no ano de 1997. No que tange às informações do documento escolar "Projeto Político Pedagógico, 2010" da citada escola, p. 7, a situação se agravou com a formação de um buraco de 2 metros de diâmetro que atingiu a instituição no ano de 2001. Em caráter emergencial ocorreu a interdição total e todas suas atividades foram transferidas para o prédio do CAIC junto à Rua Piraquara, nº 500, Fonte: Município em destaque 28/10/1996. no Jardim Roma, onde a princípio deveria ser um acolhimento provisório, porém se tornou permanente. Pelo fato do prédio da escola interditada ter sido feito de material pré-moldado, não demorou muito para que ela fosse desmontada. No entanto, não foi a prefeitura que fez isto, mas sim pessoas particulares que "se apropriaram" do material para usarem nas suas próprias residências. Atualmente, o terreno onde se encontrava Escola Especial Professora Roza Bini de Oliveira, localizada junto a a escola foi cercado e denomi- Rua Athayde de Siqueira esquina com a Av. Emilio Johnson no centro de Almirante Tamandaré nado de Praças das Dolinas. Em referência ao artigo "Colapso de solo afeta área do Aquífero Karst" noticiado no site da MINEROPAR, que relatou que em meados de junho de 2007, na parte norte do município ocorreu um dos maiores afundamentos de que se tem notícia na região, com forma elipsoidal, 50 metros de comprimento, 40 metros de largura e cerca de 30 metros de profundidade. Este afundamento, segundo o diretor técnico da Mineropar, Rogério da Silva Felipe, ocorreu naturalmente, em função da longa estiagem que estavam vivenciando. De acordo com ele, devido à seca, o nível da água que se encontrava nas cavidades da rocha calcária ficou baixo, e formou um espaço vazio entre o solo, resultando o colapso em epígrafe. 43

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A região afetada se localizava no bairro de Tranqueira, próximo ao Jardim Maria Luiza junto às coordenadas geográficas: 25°15' 10.19"S e 49°17' 19.52"O. Pelo fato do acidente cárstico ter ocorrido em área desabitada não ocorreu a divulgação de forma mais ampla. Em resumo foi uma parte de um morro que foi engolida pelo solo e formou-se um buraco no local com as medidas supracitadas. Fonte: Google Earth, 30/08/2011.

Panorama da área afetada pelo colapso de 2007

Na madrugada do dia 23 de dezembro de 2010, um afundamento de solo progressivo com mais de 3 metros de profundidade se formou na região da Rua Domingos Scucato interditando a mesma e atingindo o terreno da Escola Jaci Real Prado, além de comprometer por efeito o terreno das instalações provisórias do Colégio Ambrósio Bini localizado no fundo da primeira escola. A prefeitura tentou em vão fechar este mesmo afundamento para liberar a rua, no entanto, o mesmo se formou dias mais tarde a frente do lugar tapado. Na data de 30 de março de 2011, ocorre a interdição total das duas escolas. Mais de 2.000 alunos ficaram sem aulas. Foto: Paraná Online, dezembro 2010

Afundamento progressivo (surgimento de dolina) ocorrido em dezembro na Rua Domingos Scucato em frente à Escola Jaci Real Prado de Oliveira. Marco inicial da trajetória das interdições ocorridas em 30 de março de 2011.

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Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, setembro de 2011

Porém, a história das escolas ganhou novos capítulos em decorrência da medida preventiva de suspensão das aulas nas Escolas Estaduais Jaci Real Prado de Oliveira e do Ambrósio Bini. A Secretaria de Estado da Educação convocou uma audiência pública com a comunidade escolar das escolas no dia 1º de abril de 2011 no Ginásio de Esportes Buzatão, em Almirante Tamandaré. Esteve presente o Vice-Governador e Secretário de Educação do Estado, Flavio Arns, e afirmou que a audiência foi convocada para esclarecer a comunidade dos motivos que nortearam a SEED a tomar a decisão de suspender as aulas temporariamente e as providências para alcançar uma solução frente ao problema. "Não podemos ter dúvidas quanto à segurança dos nossos alunos e funcionários", disse o vice-governador. Nesta mesma oportunidade, o geólogo e professor Eduardo Salamuni, Presidente da Mineropar, explicou que a situação estava sendo monitorada desde dezembro de 2008, quando houve o surgimento da dolina, e que seriam realizados estudos complementares para decisão final sobre o destino dos prédios. Em 02 de maio de 2011, a Escola Jaci Real Prado, foi remanejada provisoriamente ao prédio estadual que anteriormente serviu de Posto de Saúde, Hospital, Fórum e depósito de medicamentos localizado junto à Rua Coronel João Candido de Oliveira. O Colégio Estadual Ambrósio Bini mantinha uma parte de seus alunos em um barracão denominado de Campus II, enquanto aguardava outras soluções. Em 2012, o Campus II, localizado junto à Rua Bertolina K. de Oliveira foi fechado. Esta providente e responsável interdição, que se fundamentava na preservação da vida de quem utilizava as instituições, foi interpretada por um grupo de pessoas, inclusive pessoas que carregam um diploma e repassam conhecimento, como um "ato de perseguição política contra os profissionais da escola"! No dia 10 de outubro de 2011, o Programa Custe o que Custar (CQC) da Rede Bandeirantes de Comunicação exibiu para todo o Brasil uma reportagem que demonstrava a indignação da comunidade escolar do Colégio Ambrósio Bini por não ter ocorrido soluções quanto a situação da instituição que se desenrola por 7 anos.

O reporter Oscar Filho do programa nacional da Rede Bandeirantes de Comunicação, CQC entrevistando a aluna Bruna Fidencio, do Colégio Est adual Ambrósio Bini sobre o buraco aberto no meio da Av. Domingos Scucato

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HISTÓRIA OU ESTÓRIA? A presença do relevo cárstico em Almirante Tamandaré, também influencia a cultura local, a qual se manifesta nos contos e lendas populares. Entre estes contos o mais famoso é o que se refere à Lagoa Feia, atualmente localizada em Campo Novo, na Cidade de Campo Magro. Esta manifestação oral teve origem em um colapso do solo na região, possivelmente no século XIX. Porém, com o tempo foi repassada e contextualizada com as superstições locais, chegando até os dias de hoje em várias versões. Uma dessas versões é contada por Odete Basso da Cruz: "Contava que ela e seus irmãos quando iam para escola passavam com medo perto da Lagoa Feia que fica na localidade de Campo Novo em Campo Magro, devido ao que os pais e as pessoas mais antigas contavam. Segundo o que ela escutava, aquela lagoa surgiu porque os moradores locais fizeram um baile na Quaresma, e usaram como salão a Igreja que ali existia. Lá pela tarde da noite enquanto todo mundo dançava, a igreja afundou. Morrendo todos os que dançavam. E no lugar onde estava o salão formou-se um buraco muito feio que foi enchendo de água, e os moradores do lugar passaram a chamar de Lagoa Feia". Um outro curioso fato relacionado ao afundamento de solo cárstico na cidade e que virou notícia nacional publicado no "Jornal do Brasil, de 18 de agosto de 1976" na reportagem "Tudo acontece em agosto?" relatou um fato verídico sobre um buraco de 8 metros de diâmetro e 25 metros de fundura que se formou no Juruqui em 17 de agosto de 1976. Nesta reportagem, o geólogo Henrique Popp, da Universidade Federal do Paraná explicou que "acomodações de cavernas calcárias nos subterrâneos serão comuns nessa região próxima de Almirante Tamandaré". Esta explicação científica refutava a teoria de muitos moradores da região, que segundo o mesmo Jornal do Brasil, "creditavam o buraco a um meteoro ou pelo disco voador visto no domingo anterior no Juruqui". Segundo consta, no terreno da ocorrência existia uma lavoura recém-plantada, na qual no dia seguinte, se escutou um estouro onde os donos foram ver e só encontraram um buraco.

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Hidrografia tamandareense Foto: Ari Dias, 2008

Uma das nascentes do Rio Passaúna localizada no Marmeleiro na propriedade da Família Trevizan

A influência do aquífero sob a superfície tamandareense se tipifica pela enorme gama de rios existentes em seu território, pois a origem dos mesmos se relaciona às fontes naturais. A quantidade é tanta, que uma parte deles sequer possui denominação oficial. Os rios tamandareenses são classificados como de planaltos, por este motivo dificultam a navegação, mas possuem potencial hidroelétrico. Possui como principais características a natureza perene, endorréica (escoa para o interior do continente) e a coloração de sua água o caracteriza como rio de água branca ou turva ("café com leite") que é o resultado da pesada carga de sedimentos na água. Diariamente, toneladas de sedimentos são levados pelos rios vindos de montanhas e córregos de áreas florestais, devido à chuva e outros fatores. A carga de sedimentos é ainda maior no que tange o efeito do desmatamento que deixa o solo desprotegido e enormes quantidades de solo são desgastados por causa das chuvas. 47

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A região possui uma rede hidrográfica bastante densa onde forma sub-bacias, sendo as mais abrangentes: a Bacia do Rio Capivara, a Bacia do Rio Conceição (rio campo magrense), a Bacia do Rio Barigui, a Bacia do Rio Passaúna e a Bacia do Rio Atuba, encaixados e movimentados, produzindo um cenário típico da região, que pertencem a Bacia do Alto Iguaçu (subdivisão da Bacia do Rio Iguaçu). Os principais rios que nascem ou passam pelo município são: Rio Barigui, Rio Antônio Prado, Rio da Fipa, Córrego dos Padres, Rio Venda Velha, Rio Meia Lua, Rio da Barra, Rio Marmeleiro, Arroio Olho d'água, Rio das Capivaras, Rio Passaúna, Rio Pacotuba, Rio Tanguá, Rio Atuba, Arroio Cachoeira, Rio Botiatuba, Rio Juruqui, Rio Pombas, Rio Pocinho, Rio Queimadinho, Rio Nossa Senhora do Carmo, Rio Ressaca, Rio Caximba, Córrego Santa Maria, Rio Uvaranal, Rio Córrego Fundo, Rio Arruda, Rio Taquari, Rio Maria Madalena, Rio Morro Grande, Rio Areias entre outros. Em referência ao parágrafo acima é necessário explicar que estou utilizando a palavra "rio" em sentido geral, pois isto se deve porque muitos destes corpos de água citados em grande maioria presentes no território tamandareense são pequenos córregos que deságuam principalmente nos rios Barigui, Passaúna, Atuba, Rio da Barra, Capivara. O maior rio tamandareense é o Barigui (Barigoihy como era conhecido em 1721 segundo o documento "Termo de medição da quadra do rusio, /1721 da Villa Nossa Senhora da Lux dos Pinhais"), cuja denominação tem origem no dialeto tingui, que segundo a pesquisa de Luiz Daniel Cleve publicada no "Almanach Paranaense 1896", p. 141, significa: "Yba - Braço/igui - deste, daquele, dele/hy - rio" que se apresenta com a literalidade: "Rio em forma de braço" ou "braço daquele rio" (referência a sua relação com o Rio Iguaçu). Porém, o vocabulário Tupi cita que o significado é "mosquito daquele rio" que possivelmente esteja ligado ao inseto díptero da família dos Psicodídeos, gênero Phleboto-mus conhecido popularmente por mosquito-palha, mosquito-pólvora, borrachudo entre outros. As duas explicações são confirmadas pelo periódico paranista "ALBA - Amigos do Livro e das Belas Artes de 1938 sob a direção de Romário Martins", p. 15, que cita a variação "mbarigui" mosquito, além de informar que na pesquisa de Macedo Soares é observado que existia uma tribo denominada de Barigui que habitava as proximidades do rio em Curitiba. O rio nasce na Serra da Betara no encontro com o Arroio Antônio Rosa no Bairro de Areias, cortando o município na direção norte-sul por aproximadamente 19 km e deságua no Rio Iguaçu em Araucária completando 67 km de extensão aproximadamente. O rio é afluente da margem direita do Rio Iguaçu. A área total de drenagem da bacia do rio Barigui é de 279 km², sendo 120 km² no município de Almirante Tamandaré, 144 km² no município de Curitiba, e 15 km² no município de Araucária. O padrão de drenagem é predominantemente dendrítico, ou seja, forma uma rede de drenagem cujos rios correm em todas as direções. Porém, existem rios que não alcançam 70 metros de extensão, como é o caso do Córrego dos Padres localizado no Botiatuba e que deságua no Rio Botiatuba, que é afluente do Rio Barigui. Os rios que passam ou nascem em território tamandareense foram muito importantes para o desbravamento do município, pois as expedições dos "bandeirantes" se norteavam pela trajetória do seu curso. Neste contexto, o Rio Atuba, que passa pelo município, o Rio Passaúna que nasce no Marmeleiro, o Rio Conceição e o Rio Barigui com suas centenas de tributários permitiram que o território tamandareense fosse conhecido no final século 48

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XVII. Há que ressaltar que, tanto o Rio Barigui, como o Rio Passaúna foram os principais demarcadores referenciais das "Sesmarias do Bariguy" e da "Sesmaria do Botiatuva", as quais compreendiam uma grande parte do território tamandareense atual. A FAUNA FLUVIAL A fauna fluvial tamandareense é bem diversificada, sendo assim é possível encontrar os seguintes peixes típicos e exóticos na sub-bacia do Alto Iguaçu, segundo informações do Dr. Vinícius Abilhoa pertencente ao Grupo de Pesquisa em Ictofauna, Museu de História Natural de Curitiba.

_ O popular "lambari", que na verdade é uma denominação leiga para as seguintes espécies: Astyanax bifasciatus, Astyanax minor, Astyanax serratus, Astyanax dissimilis, Bryconamericus sp. e a Hyphessobrycon reticulatus. Porém, existe a espécie Astyanax altiparanae que é exótica (introduzida); _ A rara "Piaba" que atualmente se encontra em processo de extinção que denomina a seguinte espécie Glandulocauda caerulea. Outra espécie de peixe que recebe popularmente o nome de Piaba é a Mimagoniates microlepis; _ O "saicanga" que é o peixe Oligosarcus longirostri; _ O "canivete" que cientificamente é conhecido por Choracidium zebra; _ O terror dos banhados a "traíra" conhecida cientificamente por Hoplias aff. Malabaricus; _ O raro e em processo de extinção "candiru" (Trichomycterus castroi). Porém, existe o Trichomycterus davisi e o Trichomycterus sp., que são mais "comuns" e em maior número nos rios do interior tamandareense; _ O "tamboatá" (Callichthys callichthys); _ As Coridoras: Corydoras paleatus e a Corydoras ehrhardti; _ Os "cascudos": Hypostomus derbyi e o Rineloricaria sp.; _ O "cascudo-roseta" (Ancistrus abilhoai); _ O "bagre" (Heptapterus stewarti); _ O "jundiá" (Rhamdia quelen); _ Os "tuviras": Gymnotus aff. Carapo e o Gymnotus pantherinus; _ Os "barrigudinhos" Phalloceros harpagos e o Poecilia vivipora; _ Os "carás" ou "acarás": Cichlasoma cf. paranaense, Geophagus brasiliensis e o alienígena Tilapia rendalli; _ O raro "muçum" Synbranchus marmoratus que até a década de 1970 era facilmente encontrado em córregos na cidade; _ O tradicional, porém alienígena à fauna fluvial o peixe "carpa" (Cyprinus carpio). Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, 2011

Além de peixes, a fauna fluvial tamandareense abriga crustáceos, e o principal é o caranguejo (Aegla schmitti e o Aegla sp.) no contexto das informações prestadas pela Bióloga Odete Lopes Lopes, especialista em crustáceos do Museu de História Natural de Curitiba. Também são encontrados moluscos como o marisco e a ostra de "água doce" identificados a partir das inforCaranguejo de rio (Aegla sp.) mações de Ismael Fabrício Zonardini na obra Boletim do Instituto de Defesa do Patrimônio Natural, p. 5-7, ou seja: Diplodon expansus, Anodontites tenetriocosa, Diplodon multistriatus, Diplodon charricams e a Diplodon susositus que ainda podem ser encontrados nos rios do interior do município, onde a poluição é menor. 49

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Vegetação natural de Almirante Tamandaré Em observância aos tipos de vegetação que formam os ambientes naturais do Estado do Paraná, na Região Metropolitana de Curitiba encontram-se áreas de Florestas com Araucárias ou Florestas Ombrófila Mista - FOM, Campos Naturais e áreas de Ecótomo (área de transição entre dois tipos de ecossistemas). Porém, originalmente ela foi bem mais abrangente e rica em espécies nobres a ponto de despertar comentários publicados no jornal "A República, de 23 de dezembro de 1912" onde era tecido que Tamandaré é um dos municípios onde as matas nunca tiveram um olhar protetor dos poderes locais e por isso mesmo a devastação é grande. A devastação ocasionada pela exploração de madeira era tão notória e presente que chegou a ser criada a Lei Municipal nº 4, de 21 de novembro de 1912 que criava tributos especiais referente à exploração e comercialização de madeira. Passado 71 anos, a cidade ainda possuía grandes áreas de vegetação original em seu interior, porém a sede municipal se encontrava com sua paisagem transformada. O que restou da paisagem pioneira foram algumas araucárias. Neste contexto, visando proteger alguns exemplares de outrora, em 14 de junho de 1993 o Prefeito Cide Gulin sancionou a Lei nº 214/1993 que em seu Art. 1º estabeleceu o seguinte: "Fica declarada imune de corte a árvore "Araucária angustifólia", Pinheiro-do-Paraná, localizada no lote 06 (seis) da quadra 03 (três) da Planta Vila Santa Terezinha, que faz frente para a Av. Emílio Johnson e frente para a Rua Lourenço Ângelo Busato, no centro desta cidade". Ou seja, o primeiro pinheiro especificamente protegido legalmente da cidade se encontra na atual Praça dos Evangélicos. Em termos gerais, a paisagem do município de Almirante Tamandaré apresenta ambientes naturais distintos e, ao mesmo tempo interligados: Os campos naturais, a floresta com araucária, as matas ciliares e os banhados. Esse domínio possui tal característica devido à variação climática e ao desnível altimétrico que ocorre em sua extensão territorial. Todos esses ambientes fazem parte do Domínio da Mata Atlântica, abrangendo originalmente quase todo o território do Paraná. A partir desta característica geral apresentada, as formações encontradas em Almirante Tamandaré segundo o "Inventário turístico municipal de Almirante Tamandaré - Paraná" 51

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elaborado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo em 2005, p. 17, são as "Florestas Ombrófila Mista ou conhecida como Floresta de Araucária devido à ocorrência do Pinheiro-do-Paraná (Araucária angustifólia). Outra formação encontrada a noroeste do município é o Ecótono ou transição entre a Floresta Ombrófila Mista e a Floresta Ombrófila Densa ou Floresta Pluvial Tropical. Até o ano de 2005 existiam 46% de remanescentes florestais de Mata Atlântica em território tamandareense". Os Campos Naturais são formados por vegetação herbácea, principalmente gramíneas nativas que, apesar de aparente simplicidade, compõem uma elevada diversidade. Em meio aos campos, formam-se os capões, ambientes florestais dominados pelas araucárias. Foto: Ari Dias, 2007

Campos Naturais (Mirante junto a Estrada do Marmeleiro). Paisagem natural (atualmente alterada)

A Floresta com Araucária é um ambiente típico do Sul do Brasil, também denominado como Floresta Ombrófila Mista. Começa na região de Curitiba, no Primeiro Planalto e estende-se pelo interior do Estado. Originalmente, a araucária estava associada à espécies como a imbuia, canela e erva-mate. Este ambiente de formação imponente caracteriza-se por dois estratos arbóreos e um arbustivo. No estrato superior domina a araucária, árvore frondosa que só ocorre a altitudes maiores de 600 metros. No outro estrato arbóreo, logo abaixo das araucárias, encontram-se outras espécies como a imbuia (Ocotea porosa), o sassafrás (Ocotea odorifera), o cedro-rosa (Cedrella fissilis), o pinheiro-bravo (Podocarpus lambertii), o pessegueiro-bravo (Prunus brasiliensis) a bracatinga (Mimosa scabrella Bentham). No sub-bosque predominam a erva-mate (Ilex paraguariensis), Timoneira (Ilex Theezans martius), pitanga (Eugenia uniflora), araçá (Psidium cattleianum), aroeira (Schinus terebinthifolius), araçazeiro (Psidium cattleianum), gabiroveira (Campomanesia xanthocarpa), fumo-bravo (Solanum mauritianum), Ipê Amarelo (Tabebuia chrysotricha) e o xaxim (Dicksonia sellowiana). Nas margens de rios estão as florestas ou Matas Ciliares. Neste ambiente, onde a presença da araucária é mais rara, predominam espécies melhores adaptadas aos terrenos 52

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úmidos, como o branquilho (Sebastiana commersoniana), os cambuís (Eugenia sp.), e o jerivá (Syaagrus romanzoffiana), e existe a formação dos campos de várzeas (áreas baixas junto às margens dos rios sujeitas a alagamentos naturais), que da mesma forma que os campos naturais possuem espécies de plantas características deste ambiente. Foto: Ari Dias, 2008

Mata ciliar próximo à nascente do Rio Passaúna no Marmeleiro

VEGETAÇÃO ALIENÍGENA Convivendo com a vegetação endêmica, existem exemplares exóticos notoriamente ocupantes de grandes áreas no município, ganhando destaque o Pinus maxininoi, Pinus oocarpa, Pinus taeda, Pinus chiapensis e o Pinus tecunumanii, cujo plantio é feito para fins de atender serrarias. Apesar de seu potencial econômico e da beleza das áreas onde se encontram concentrados, existe um grave dano ao ecossistema, visto que ele destrói o solo e concorre vorazmente com outras espécies não as deixando desenvolver. Existe também bastante difundido o Eucalipto representado por várias espécies, sendo as mais comuns: Eucalyptus benthamii, Eucalyptus denticulata, Eucalyptus dunnii, Eucalyptus nitens e o Eucalyptus viminalis, utilizados por madeireiras da região. Outra espécie exótica presente na paisagem natural são os cedros, sendo mais comum o Cedrus libani (principalmente para ornamentar jardins e para servir de cerca-viva) a frutífera ameixeira (nêspera ou ameixa amarela) Eryobothrya japonica e a "Eugenia" que se espalham naturalmente.

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A flora tamandareense na medicina doméstica A flora tamandareense é muito rica em espécies vegetais. Muitas dessas espécies são popularmente usadas como remédio fitoterápico. A utilização dessas plantas é um costume que está enraizado na cultura popular local e que tem origem na cultura indígena, como também na cultura do colonizador europeu que adaptou-se à flora colonial. Diante deste exposto serão citadas apenas "algumas das tradicionais" plantas (independentemente de endêmicas ou exóticas) que são utilizadas e facilmente encontradas nos quintais e matas pela população, fundamentado na obra "A Flora Nacional na Medicina Doméstica", de autoria do Professor Alfons Balbach: _ O Alecrim-de-Jardim (Rosmarinus officinalis, Rosmarinus hortensis, Rosmarinus latifolius). É indicado nos casos de clorose, disminorréia, dispepsia, debilidade cardíaca, escrofulose, febre tifoide, gases intestinais, histerias, inapetência, tosse. O decoto das folhas é usado em loção, contra as chagas gangrenosas; em banhos, contra o reumatismo articular. As folhas secas, reduzidas a pó, são boas para cicatrizar feridas. As gotas do suco das folhas também são boas para o mesmo fim. O chá também se usa para lavar feridas. Para combater a sarna, prepara-se uma pomada tomando-se 10 partes de gordura vegetal para uma parte de suco de alecrim. O chá se prepara com 15 gramas para 1 litro de água por infusão; 4 a 5 xícaras por dia. (BALBACH. Alfons. p. 442) _ A Arruda (Ruta graveolens, Ruta montana, Ruta sativa, Ruta hortensis, Ruta latifólia). O chá de arruda é bom calmante dos nervos. Extremamente aplicado, um chá em dose mais forte (20:1000) mata piolho. O pó das folhas secas serve para o mesmo fim. Para afugentar lombrigas, fervem-se 20 gramas de arruda em 1 litro de azeite comestível, e tomam-se 2 a 3 colherinhas, das de chá por dia. Clisteres do cozimento das folhas de arruda (8-10:1000) também ajudam a combater os vermes intestinais. Para combater a sarna, prepara-se um chá (20:1000), no qual se embebe um pano ou algodão, que se passa sobre as partes afetadas. O mesmo chá é bom para lavar feridas. Também as folhas frescas, machucadas, aplicadas sobre feridas velhas, são de bom efeito curativo. O chá para tomar é preparado com 2 a 3 gramas para um litro de água, por infusão; duas xícaras por dia. Porém, se faz um alerta, trata-se de uma planta muito ativa, a qual deve 55

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ser administrada com muita prudência, quando usada internamente (tomada como chá). Merece atenção a seguinte observação: "Mulheres grávidas ou com suspeita de gravidez não devem nunca tomar chá de arruda, pois o mesmo é abortivo". (BALBACH. Alfons. p. 476-477) A Camomila-Romana (Anthemis nobilis, Ormenis nobilis, Chamomilla nobilis). É utilizada para aliviar cãibras do estômago, cólicas provocadas por ventosidades, cólicas espasmódicas, constipação atônica, clorose, dismenorreia, febres, histerismo, indigestão, vermes intestinais. Usa-se também como emoliente, em fomentações e compressas quentes na gota e no reumatismo. Nestes casos, o óleo das sementes da camomila é igualmente indicado. A parte usada são os capílos florais, em infusão, 10 a 15 gramas para 1 litro de água; 4 a 5 xícaras por dia. (BALBACH. Alfons. p. 525) O Capim-Limão (Andropogon schoenanthus). Possui propriedades sudoríficas. Suas folhas frescas são utilizadas em infusão. (BALBACH. Alfons. p. 533) O Dente-de-Leão (Taraxacum officinale). As folhas proporcionam uma salada muito saudável, de efeito depurativo do sangue. Tanto a salada como o suco das folhas são um bom remédio contra enfermidades do fígado, especialmente contra a congestão hepática e a icterícia. Nas hidropsias, usa-se o taraxaco como diurético. É útil também contra a acidose. As partes usadas são as folhas e a raiz. Sendo a dose de suco de duas a três colheradas de suco por dia. (BALBACH. Alfons. p. 596-598) Erva-Cidreira-Verdadeira (Melissa officinalis). Emprega-se nos seguintes casos: afecções gástricas e nervosas, amenorreia, arrotos, cãibras intestinais e da matriz, debilidade geral, dispepsia, desmaios, dores de cabeça, dores reumáticas, enfermidades do baixo ventre, epilepsia, enxaquecas, espasmos, flatulências, hipocondria, histerismos, icterícia, má circulação do sangue, palpitação do coração, pericardite, paralisia, resfriado, tosse, vertigens. Folhas frescas aplicadas sobre as pálpebras acalmam as dores em caso de inflamação dos olhos. Lavagens intestinais mornas com o chá geram bons resultados contra o tenesmo e diarreia com sangue. Bochechos com um pouco de chá quente acalmam as dores de dentes. As folhas frescas são usadas na quantidade de 20 gramas para um litro de água; 4 a 5 xícaras por dia. (BALBACH. Alfons. p. 604-606) O Eucalipto (Eucalyptus globulus). Em chás, as folhas verdes têm aplicação nos seguintes casos: Asma, asma cardíaca, afecções catarrais, adenites, bronquite, coqueluche, coriza, catarro da bexiga, cistite, disenteria, diabetes, febres, gripes, leucorreia, maleita, nefrite, rinite, tuberculose. Nas afecções das vias respiratórias, inclusive na sinusite. A parte usada é a folha verde em infusão, 20 gramas para 1 litro de água; 4 a 5 xícaras por dia. (BALBACH. Alfons. p. 625) A Hortelã (Mentha piperita). Prescreve-se a hortelã como remédio na atonia das vias digestivas, flatulências, timpanite (especialmente a de causa nervosa), cálculos biliares, icterícia, palpitações, tremedeiras, vômitos (por nervosidade), cólicas uterinas, dismenorreia, prostatite, laringite, expectorante, vermes intestinais. As mães que amamentam devem tomar este chá, para aumentar a secreção de leite. Partes usadas: Folhas e sumidades floridas, por infusão. Dose: Folhas, normal; flores, 10 gramas para um litro de água; 4 a 5 xícaras por dia. (BALBACH. Alfons. p. 657-658) A Língua-de-Vaca (Chaptalia nutans, Tussilago nutans, Chaptalia integrifólia). É indicada na blenorragia, catarro pulmonar, dermatoses, erupções cutâneas de origem sifilítica, tosse. Externamente emprega-se o decoto para lavar ulceras e tumores. As folhas 56

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frescas, aquecidas, colocadas sobre as têmporas, aliviam a dor de cabeça e facilitam o sono. É usada toda a planta, sendo 20 gramas para 1 litro de água; 4 a 5 xícaras por dia. (BALBACH. Alfons. p. 689-691) _ A Losna (Artemisia absinthium). Emprega-se contra: catarros, cólicas, diarreia, envenenamentos, escrófulas, estômago (perturbações gástricas diversas), flores-brancas, falta de apetite, fígado (afecções diversas), gripe, hidropisia, histerismo, mau hálito, menstruação difícil e dolorosa. Em doses maiores que a indicada, age como emenagogo, febrífugo, vermífugo. Partes usadas: Folhas e flores, 20 gramas para um litro de água. Toma-se uma colher, das de sopa, de hora em hora. (BALBACH. Alfons. p. 692)

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A fauna terrestre Foto: Pedro Luiz de Souza, década de 1950 Ligado intimamente à vegetação típica, as características do relevo, hidrografia e clima tamandareense está a sua fauna terrestre muito rica em espécies, a tal ponto de ser sido um dos lugares prediletos para o desenvolvimento da caça. Porém, esta realidade mudou com a Portaria nº 117 da Divisão da caça e pesca do Ministério da Agricultura datada de maio de 1951 que proibia a caça em determinadas cidades, entre elas foi citada a cidade de Timoneira no Paraná. Esta atitude governamental foi fundada principalmente pelo fato das características do município propiciar a existência de espécies em processo de extinção e exclusivas da região, Caçadores carregando um veado (Mazama spp) como exemplo o caso do pequeno caracol, que se encontra nas folhas de verduras, em lugares úmidos próximos geralmente a entulhos. Consta que, oficialmente, em 1952 o pesquisador da natureza paranaense Frederico Lange de Morretes, p. 109-126, identificou na região compreendida do Pilarzinho (Curitiba) ao Juruqui uma nova espécie de molusco denominada cientificamente de Mirinaba curytibana (popular caracol), a qual apresenta "concha oval-acuminada, dorso-ventrealmente comprimida, delgada, com 4 ¾ voltas, coloração olivácea-amarelada, com estrias espirais microscópicas. O maior exemplar mede 48,0mm de comprimento por 25,0 mm de diâmetro. A massa cefalopediosa é de cor castanho ferruginosa, com tentáculos escuros e opacos. Encontrados em florestas de araucárias da Mata Atlântica, sob vegetação, entre folhas caídas em decomposição". É um animal que pertence cientificamente ao Filo: Molusca; Classe: Gastropoda; Ordem: Stylommatophora; Família: Strophocheilidae.

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Este típico animal da fauna tamandareense possui o status de ameaçado de extinção pelo Ministério do Meio Ambiente desde março de 2003, segundo o "Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção", p. 479. Outros invertebrados típicos da região que estão ameaçados de extinção são a libélula (Minagrion mecistagastrum) e o piolho-de-cobra (Peridontodesmella alba). No entanto, no ano de 1992, foi um aracnídeo que fez a cidade de Almirante Tamandaré se tornar notícia nacional. Ocorreu uma "invasão" de escorpiões na região do Jardim Monte Santo. Esta invasão, como noticiou o jornal Gazeta do Povo, de 21 de novembro de 1992, p. 40, ocorreu em dois momentos. Uma no início daquele ano, a qual foi controlada e a outra em novembro. Em ambas invasões ocorreram vítimas. Outro aracnídeo que merece cuidado é a Aranha-Marrom (Loxosceles sp), pois a mesma gosta de se abrigar em sapatos, roupas, roupas de cama, cantos e atrás de armários e quadros... causando sérios danos à saúde das vítimas e até morte. Entre os vertebrados existem muitos mamíferos ameaçados de extinção que ainda são vistos pela região interiorana do município. Porém, existem outros que praticamente desapareceram do município e região, como Foto: Marco A. Freitas o caso da suçuarana (onça amarela) (Puma concolor capricornensis). O avistamento mais famoso ocorreu nas margens do Rio Tanguá, nas proximidades da atual Rua Alberto Krauser na década de 1940 ou menos, a qual foi morta, empalhada e guardada no prédio da Sociedade Tanguá por um período. Ainda é possível encontrar no interior da cidade os seguintes animais ame- Onça-parda (Puma concolor capricornensis), espécie clasaçados de extinção segundo o "Livro sificada como "Vulnerável" na lista de animais ameaçados Vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção de extinção": Cachorro-do-mato (Speothos venaticus) e o (Cerdocyon thous), jaguatirica (Leopardus pardalis mitis), Gato-do-mato (Leopardus tigrinus), Gato-maracajá (Leopardus Wiedii), Veado Mão Curta (Mazama nana), Veado (Mazama spp), o qual foi visto em 2011 Fonte: História do Paraná, Vol.II, p. 304

1ª foto Irara (Eira barbara); 2ª foto Paca (Coelogenis paca)

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na região das Pombas (morto por atropelamento) e um vivo na região do Sumidouro/ Boixininga em 2012; Rato-do-mato (Akodon spp), (Oryzomys spp), (Scapteromys tumidus) e (Wilfredomys oenax). Existem outros mamíferos que ainda são vistos com frequência como: Irara (Eira barbara), Mão-pelada (Procyon cancrivorus), Furão (Galictis cuja), Cutia (Dasyprocta azaral), Ouriço-cacheiro (Sphiggurus villosus), (Coendou villosus), Preá (Cavia aparea), Tatu-mulita (Dasypus septemcinctus), Tatu-galinha (Dasypus novemcinctus), Tatu-de-rabo-mole (Cabassous tatouay), Capivara (Hidrochaeris hydrochaeris), Gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris), Gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita), Cuíca (Gracilinanus microtarsus), a rara Paca (Coelogenis paca) e o Serelepe (Sciurus ingrami) e (Guerliguetus ingrami), Lontra (Lutra paranensis). Dentre estes animais citados, se destaca historicamente a capivara por deixar de legado o nome ao "Rio das Capivaras" que corre no norte, noroeste do município no início do século XIX. Merece destaque também a paca, por inspirar o nome da localidade do Pacotuba. Infelizmente é um animal raro, pois Jayme de Loyola e Silva na obra História do Paraná, volume II, p. 432, observava e relatava em 1969 que "as pacas existem em todo o Estado do Paraná, não em tão grande quantidade como há alguns anos, pois é uma carne muito apreciada, mais ou menos como a de leitão e além disso a caça muito atraente". Outro mamífero que ganha destaque no contexto dos contos e lendas locais de forma indireta é o serelepe, como é relatado na obra histórica oral "Tamandaré: Contos e Lendas de um Povo", elaborada e coordenada pela Mestra Josélia Kotoviski: Algumas pessoas antigas relatam "que quando é tempo de pinhão aqui em Almirante Tamandaré, os saci-pererês saem de noite para comer. Eles ficam em cima do pinheiro e comem até se encher. Por isto que quando as pessoas saíam para pegar pinhão encontravam alguns no chão e outros comidos". Ou seja, este pinhão comido caído, é na verdade o resto que o serelepe comeu, que é um animal típico da floresta de araucária. Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, 2013 Existe na cidade o mamífero voador denominado de morcego. No artigo de Michel Miretzki, "Morcegos do Estado do Paraná, Brasil (Mammalia, Chiroptera): riqueza de espécies, distribuição e síntese do conhecimento atual", foi possível identificar aproximadamente 17 espécies no município, sendo duas na região do Juruqui: Sturnira lilium e o Molossus molossus. Este animal se vincula muito de forma direta e indireta às crenças locais, que dizem traz má sorte se entra nas casas, e por isso é um animal sacrificado em oferendas e trabalhos de magia. Nos contos locais aparece de forma indireta e oculta pela personagem "bruxa" ou pelo "saci-pereSerelepe (Sciurus ingrami) rê", como é possível identificar no conto "As bruxas do Haras Tamandaré" presente na obra histórica oral "Tamandaré: Contos e Lendas de um Povo" elaborada e coordenada pela Mestra Josélia Kotoviski: "Na época que o Parque Ambiental Anibal Cury era uma propriedade particular denominada de Haras de Tamandaré, trabalhou um rapaz de nome Daniel. 61

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Como era rotineiro, toda manhã ia soltar os cavalos. Em uma dessas ocasiões, quando chegou nos estábulos achou estranho ao observar que os cavalos estavam com as crinas todas trançadas. Os seus colegas que também lá trabalhavam contaram que isto havia acontecido várias vezes e acreditavam serem as bruxas que à noite trançavam as crinas dos cavalos por pura diversão". Na verdade, as trancinhas feitas nas crinas dos cavalos foram obras de um morcego enquanto sugava o sangue do mesmo. É uma característica especial dele, mas que para o leigo, é visto como coisa sem explicação ligada ao sobrenatural. A cidade é muito rica em aves, entre elas estão as de rapina: Gavião-carijó (Rupornis magnirostris), Gavião-peneira (Elanus leucurus), Gavião-carcará (Polyborus plancus), ÁguiaCinzenta (Harpyia coronata), Coruja-do-mato (Ciccaba virgata) e a Coruja-suindara (Tyto Alba) que segundo a superstição local, quando ela canta à noite e acorda alguém é um aviso que algum conhecido faleceu. Além dos citados existem em abundância: Sanhaço (Thraupis sayaca), Sabiá (Turdus rufiventris, Turdus fumigatus e a Turdus leucomelas), Pardal (Passer domesticus), Chupim (Molothrus bonariensis), João-de-barro (Furnarius rufus), Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus), Quero-quero (Vanellus chilensis), Gralha-azul (Cyanocorax caeruleus), Pintassilgo (Carduelis magellanicus), Saracura (Aramides saracura), Anu-preto (Crotophaga ani), Ticotico (Zonotrichia capensis), Tiziu (Volatinia jacarina), Curruira (Troglodytes aedon), Siriri (Machetornis rixosa), Canário-da-terra (Sicalis flaveola), Guaxo (Psarocolius decumanus), Inhambu-chororó (Crypturellus parvirostris), Jacutinga (Aburria jacutinga), Jacu (Penelope superciliares), Urubu-rei (Sarcoramphus papa), Urubu Preto (Coragyps atratus). Existem anfíbios como o Sapo-verde (Bufo marinus), Sapo (Bufo ictericus), o hoje raro Sapo-untanha (Ceratophrys dorsata), as Pererecas, pertencentes ao gênero Hyla, e a Rã (Leptodactylus ocellatus) que é comestível e foi muito caçada no município nas décadas anteriores a 1980 para fins comerciais, que segundo Jayme de Loyola e Silva na obra História do Paraná, volume II, p. 407 é citado que as rãs são caçadas à noite, "com uma lanterna ilumina-se o chão e a rã atingida pela luz fica paralisada. Neste momento, o caçador cravalhe nas costas uma palmatória de madeira com nuFoto: Tribuna dos Minérios, 09/06/1972 merosas pontas de pregos. Um modo muito selvagem de caçar rãs, mas ainda hoje (1969) praticado. Depois são vendidas aos restaurantes que preparam somente as perninhas (...)" Os répteis são representados na localidade pelos quelônios, entre eles o Cágados pescoço-de-cobra (Hydromedusa tectifera) leigamente conhecido como Tartaruga de rio, assim como o Cágado (Hydraspis hilarii); a alienígena (africana) Lagartixa doméstica (Hemidactylus mabouia); e os sáurios, entre eles, o Lagarto-teiú (Tupinambis teguixim). Porém, são as Serpentes que ganham notoriedade, entre elas se destacam: Urutu-cruzeiro (Bothrops alternatus), a qual ganhou fama popular, pois "quan- Professor Zambon Libero ao lado do Predo não mata, aleija", Jararaca (Bothrops jararaca), feito Antonio Johnson que segura uma víJararacuçu (Bothrops jararacussu), Cotiara (Bo- bora Urutu-cruzeiro 62

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throps fonsecai), Coral-verdadeira (Micrurus corallinus), a hoje rara Cascavel (Crotalus terrificus) e as inofensivas Cobras d'água, pertencente ao gênero Helicops. Segundo consta na "Tribuna dos Minérios, 09 de junho de 1972", nº 98, no final de maio de 1972, alunos do município e populares tiveram uma palestra com o Professor Zambon Libero do Ofidiário Dr. Vidal Brasil Mineiro da Campanha, que abordava o reconhecimento de cobras venenosas ou não, captura e primeiro socorros. Sua demonstração contou com animais vivos. Neste mesmo dia, o Prefeito anunciava que os postos de saúde do município contariam com soro contra a mordida de cobras, uma vez que nesta época era comum ocorrerem acidentes com cobras. Existe a necessidade de ressaltar que não estão presentes todos os animais existentes na fauna tamandareense, pois a identificação é complexa e o número de espécies praticamente necessitaria de um livro à parte para serem apresentadas, por este motivo a exposição foi superficial.

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Clima tamandareense As características climáticas tecnicamente apuradas relativas ao município se apresentam como: Subtropical úmido mesotérmico, mais especificamente o "cfb" (subtropical super úmido mesotérmico) de verões frescos e com ocorrência de geadas severas e frequentes, não apresenta estação seca. A média das temperaturas dos meses mais quentes é inferior a 22º C. Neste período se destaca o mês de fevereiro como o mais quente, com temperatura média de 21º/22º C. O período dos meses mais frios é inferior a 18º C, sendo julho o mês mais frio, com temperatura média de 12º/13º C. Existe a possibilidade de neve, mas é um fenômeno raro, apesar de haver tal possibilidade. A umidade relativa do ar varia entre 80% a 85%. Em relação à densidade pluviométrica, atualmente é registrado que os meses de maiores precipitações são dezembro, janeiro e fevereiro, quando os índices variam de 550 mm a 600 mm. As menores médias pluviométricas são registradas nos meses de junho, julho e agosto, quando as precipitações variam de 250 a 300 mm. A precipitação média anual varia entre 1.200 mm a 1.300 mm. No que tange o comportamento dos ventos que passam pela região, existe sempre preocupação com ventanias de velocidade média acima de 60 km/h e não raros pequenos tornados de curta duração. Porém, existem registros oficiais de tornados de nível EF-3 com média de velocidade de 120 km/h que devastaram a cidade em determinados períodos históricos. Segundo informações o principal motivador deste não raro fenômeno em Almirante Tamandaré é a variação térmica que ocorre nos períodos de transição do outono para o inverno (mais comum) e no período de transição do inverno para a primavera (raro, porém possível como ocorreu em 1983). Porém, em sua normalidade o comportamento do vento é calmo o ano todo.

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Foto: Folha de Tamandaré, nº 141, (Capa) 18/04/1992 (Observação: a presente edição da Folha foi editada com data errada).

Fenômenos climáticos históricos

Registro histórico da Folha de Tamandaré sobre os acontecimentos que marcaram a vida do povo da Lamenha Grande, Lamenha Pequena, Cachoeira e Campina do Arruda

Fim de domingo, sempre ia dormir cedo, pois minha jornada começava às 6 horas da manhã. Em 1992, eu estudava na Escola São José do Abranches. Naquele tempo, o problema não era ir para escola ou levantar cedo. Mas sim, ter que enfrentar o superlotado ônibus Jardim Paraíso, às 6h20min. Poderia pegar o ônibus de 6h50min, mas era mais lotado. Naquele domingo, não estava conseguindo pegar no sono em definitivo, pois, ventava muito forte, a ponto de ter caído à luz e derrubado o lustre externo da casa. Lá pelas 23 horas da noite, só escutei a tampa da caixa de água ser espatifada. Foi um bate porta e assovios irritantes causado pelo vento. Só de madrugada consegui dormir. No outro dia, no caminho de ida até a escola, comecei achar estranho que na altura do Jardim Buenos Aires o ônibus "Paraíso" não parava para pegar as pessoas, (pois, não tinha 67

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ninguém nos pontos). Foi aí,que percebi, ao ver o terreno ao lado da Capela São João Batista, na Lamenha, um monte de Araucárias arrancadas com raiz caídas no chão e até um pinheiro entrelaçado a outro. Porém, pela Rua Wadislau Bugalski, não se podia entender o que aconteceu. Tanto é, que dentro do ônibus, todo mundo achava que só foi uma ventania que atingiu a região. Chegando ao colégio, vi alguns professores perguntando para conterrâneos se estavam tudo bem com eles e a família. Achei estranho e pensei que eram outras coisas, menos o óbvio. Em sala de aula, meus colegas chegaram perguntando como eu sobrevivi. Achei estranho e mandei-os verem se eu estava na esquina (não foi bem isso que falei!). Eu não estava entendendo até que me explicaram. Cheguei em casa e fui assistir logo os noticiários de meio-dia. Era a manchete principal, tanto do Jornal Estadual, quanto do Jornal Hoje, do Jornal Nacional, dos jornais da Rede Bandeirantes e da Rede Manchete e até na BBC de Londres. Resumindo, por uma semana a cidade virou manchete nacional. Foi capa de revista e tabloides. Segundo o contexto da notícia "Tamandaré entra em estado de Emergência e conta os feridos" publicada no Jornal Zero Hora, de 19 de maio de 1992, p. 38, um tornado da classe EF3 (com ventos superiores a 118 km/h), atingiu uma área de 80 km², arrasando 7,5 km², o qual, segundo a "Folha de Tamandaré, Furacão: Destruição e morte em Tamandaré, nº 141, 18 de abril de 1992", p. 4-5, em apenas pouco mais de 2 minutos deixou uma notória destruição e mortes: 480 casas foram totalmente destruídas; 105 pessoas gravemente feridas; 6 pessoas encontradas mortas; mais de 1.700 pessoas desabrigadas aproximadamente; além de carros tombados, casas destelhadas, plantações destruídas, árvores arrancadas, postes de energia elétrica arrancados, em seu ápice, no trajeto Lamenha Grande, Lamenha Pequena, Jardim Bela Vista, Jardim Taiza, Planta Urucape, Cachoeira e Tanguá, em 17 de maio de 1992. Foto: Folha de Tamandaré, nº 141, de18/04/1992. (Observação: a folha de Tamandaré foi editada com data errada).

O alvorecer de 18 de maio de 1992

Em 18 de maio de 1992, pela primeira vez na história do município, era oficialmente decretado pelo Prefeito Roberto Perussi, o Estado de Calamidade Pública. Porém, na noite do dia 17 de maio, 500 desabrigados foram alojados no Colégio João Candido de Oli68

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veira e receberam cuidados e alimentos da Prefeitura Municipal e Defesa Civil coordenado pelo Coronel Wantuil Borges. A situação vivida naquele momento pelas pessoas das regiões atingidas gerou comoção nacional. A principal ajuda teve origem no Ministério da Ação Social que destinou para a cidade Cr$ 320.000.000,00 (trezentos e vinte milhões de cruzeiros); a Associação das Senhoras dos Deputados Estaduais doou à Prefeitura Municipal Cr$ 7.000.000,00 (sete milhões de cruzeiros), entregue pela Sra. Niva Sabóia Khury (esposa do Deputado Anibal Khury) acompanhada do Deputado Algaci Túlio. Outra captação de recurso foi a abertura de uma conta no Banestado para o depósito de auxílio aos flagelados (agência 201-X, C/C 5676-5). Porém, existiram pessoas que se aproveitaram da tragédia para tirar proveitos políticos, uma vez que era ano eleitoral. Uma dessas situações foi publicada na Folha de Tamandaré nº 141, de 18 de abril de 1992, p. 8, que citou que um específico saudoso vereador da cidade distribuiu lotes de outras pessoas localizados em áreas irregulares (banhados e morros). Na semana da tragédia, os moradores mais antigos comentavam sobre vendavais fortes que assolaram a cidade, e o mais lembrado foi o ocorrido em um sábado datado de 21 de maio de 1938 o qual segundo a reportagem de capa "O Cyclone da Morte!" presente no periódico "Correio do Paraná, de 23 de maio de 1938", é citado que o mesmo começou a se formar e destruir a partir das 21:00 sobre Tamandaré, Cachoeira, Colombo, Santa Candida e Atuba. Deixou 18 mortos. Este tornado passou pela região da Varova (mais ou menos onde atualmente se encontra a praça de provas equestres Dom Camilo, da Família Lovato). A oralidade local no contexto do vendaval mencionado faz referência a uma casa que teve o banheiro arrancado, e a banheira deste foi encontrada na região da Cachoeira. Porém, também foram encontradas pessoas penduradas em cercas de arames ou enroladas neles, ou seja, Nelson Vitor (17 anos) e Fabio de Souza (12 anos) citados no periódico "Correio do Paraná, de 23 de maio de 1938, p.08". No entanto, a destruição não foi tão grande, porque a região por onde passou este tornado na época era pouca povoada. Este mesmo tornado abalou as estruturas do novo colégio das freiras no Botiatuba e machucou muitas pessoas segundo o relato do saudoso João Bugalski Sobrinho, presente na p. 117 da obra "Nos Rastros dos Imigrantes Poloneses". Ou seja, o tornado passou fraco por Pacotuba, se fortaleceu no Botiatuba (trincou a cozinha de alvenaria do Seminário), passando pela Varova, onde causou vítimas e seguiu para a Cachoeira alcançando seu ápice de destruição no Atuba. Infelizmente, este fenômeno é um ciclo do cotidiano climático tamandareense, o qual às vezes passa fraco, mas às vezes se manifesta extremamente destrutivo. NEVE, GRANIZO E FRIO Em uma quinta-feira de um outro dia 17, porém do mês de julho de 1975, os moradores tamandareenses foram acordados não com destruição, mas com uma rara e bela surpresa proporcionada pela neve. Apesar de nossa região apresentar um inverno bem rigoroso, ele não apresenta as con69

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dições propícias para a precipitação da neve. Diante disso, foi uma novidade que dificilmente se veria de novo.

A Neve de 1975 Foto do Álbum da Família de José Ido da Cruz. Observem o telhado branco das casas. Nesta época, a Rua Coronel João Candido de Oliveira ainda não era asfaltada. Pousaram para esta histórica foto tirada pelo Moizés Bini com a câmera fotográfica de seu Zé Ido, em frente à delegacia, os Srs. Luiz Arcélio da Cruz, Francisco Dalke (Chico-Loco), Antonio Ilson Kotoviski, soldado Silvio Siqueira, soldado Ademar Ferreira da Silva, seu Generoso Cândido de Oliveira e o Sargento José Sabadim.

Neste contexto, poucas imagens foram registradas desse momento único até os presentes dias na cidade, com exceção da foto do arquivo familiar (álbum) da família do seu José Ido da Cruz, o qual ilustrou e ilustra alguns documentos de divulgação do município. É lógico que devem existir outras fotos em outros álbuns familiares, que também mostre a beleza desse dia. No entanto, pelo desconhecimento do seu valor histórico não são expostas. Foto: Álbum de fotos da Família Kotoviski, 17 de julho de 1975 Porém, merece lembrança a nevasca de 31 Casa de seu José Ido de julho de 1928, proda Cruz, Rua Didio vavelmente a maior Santos, esquina com Emilio Johnson. que se teve registro Nesta histórica foto oficial. se observa a neve soEm referência aos bre os carros, no fenômenos ligados ao chão e telhados; o morro de seu Pedro frio, saibam que no Jorge ainda sem as começo da década de marcas da extração 1900 e 1910, foram do saibro, e a rua registradas temperatuDidio Santos ainda não asfaltada e o moras muito baixas como inho de cereais do demonstra o "ANNUseu Zé Ido, ao lado ARIO ESTATÍSTIde sua casa. CO DO BRAZIL" ela70

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borado pelo Ministério da Agricultura, Industria e Commercio/directoria Geral de estatística, publicado em 1916, p. 33: "(...) em 18 de agosto de 1908, se registrou (-3.1°); em 23 de maio de 1909 o mesmo (-3.1°); em 19 de julho de 1910 (-3.9°); em 24 de junho de 1911, a população experimentou (-4.5º) (neste ano a média do inverno foi de 6.6°). Em 1912, a média do inverno subiu para (7.0°), e a menor temperatura registrada foi de (-2.8°), em 03 de novembro". Outro fenômeno não tão raro, mas que muitas vezes, por sua excessiva precipitação acaba trazendo muitos prejuízos para a agricultura e moradores é a chuva de granizo. Mais ou menos em 1992 ocorreu uma forte chuva de pedras que atingiu a Sede e proximidades. Parecia que havia nevado, pela tamanha quantidade de gelo que se acumulou no chão. ENCHENTES Um típico fenômeno que atinge a cidade de forma natural e normal, mas que quase sempre costuma dar muito prejuízo são as chuvas de janeiro e fevereiro. Infelizmente, pelo Centro de Tamandaré estar muito próximo às zonas de várzea do Rio Barigui e Pacotuba é quase comum quando chove forte e por um tempo além do normal alagar a região. Porém, se engana quem pensa que este fenômeno é recente. Isto acontece há décadas e causa transtornos graves para a população e para a administração pública, principalmente porque algumas dessas enchentes atingiram o prédio da Prefeitura Velha enquanto Sede administrativa, onde muitos documentos oficiais se perderam, visto que alguns possuíam importância histórica que revelariam fatos das gestões do início da cidade. Se história ou estória, há que destacar que muitos documentos importantes que sumiram nesta época, segundo alguns relatos, não foi a enchente que levou. Mas a culpa foi dela! Em contexto burocrático e legal, alguns documentos que se perderam serviam para provar o tempo de trabalho prestado por muitos servidores públicos no advento da solicitação da aposentadoria. Porém, este fato possui um mecanismo para resolução que está sendo utilizado e garantindo o direito Foto: Hedeson Alves, 30/01/2010 do servidor. Em 30 de janeiro de 2010, a enchente foi tão forte que o Prefeito Vilson Goinski decretou estado de emergência na cidade. O centro ficou alagado, assim como muitos bairros por onde passam rios, e o km 3 da Rodovia dos Minérios por onde passa o Rio Pacotuba ficou intransitável por 8 horas, o Terminal João de Barros Teixeira, ficou inacessível por mais de 6 horas. Centenas de pessoas desabrigadas foram alojadas no Ginásio de Esportes Buzatão. Infelizmente, existem no município Apartamentos do Motel Chalé junto à Rodovia dos Minéáreas que sofrem com o mesmo proble- rios no Bomfin cobertos pela água do Rio Barigui 71

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ma de alagamento. No entanto, os moradores antes de forçosamente se assentarem nesta localidade sabiam disso, pois se instalaram em local que não é possível ser regularizado, justamente porque está protegido por lei ambiental, em virtude de ser área de várzea e de terreno com elevada inclinação, ou seja, com histórico natural de alagamento e desmoronamento. Mas, mesmo assim se instalam invadindo, porque no município existe uma indústria da invasão e de exploração politiqueira da desgraça alheia, a qual acaba fazendo o povo humilde, sem muito conhecimento e que não tem para onde ir, sofrer. Porém, há situações em que o dono do terreno impróprio para habitação humana, na impossibilidade de lotear legalmente, porquanto a prefeitura não libera, cria mecanismo para burlar a lei usando as brechas na legislação. Ou seja, loteia por conta própria, transmitindo apenas um documento de posse de uma determinada área delimitada dentro do terreno, através de um contrato de compra e venda registrado em cartório. O portador daquela carta de posse, depois do decorrer de um determinado período legal de habitação contínua e mansa, deixa o status de posseiro para o status de proprietário de fato e direito, que deve ser lavrada em registro oficial. Raro é o juiz que consegue observar a maracutaia e não conceder tal direito. SECAS Apesar de uma regular distribuição de chuvas no município durante o ano, houve épocas em que ocorreram períodos prolongados de seca que prejudicaram a economia local, uma vez que até final da década de 1970 o município dependia dos recursos gerados pelos produtos do campo. Em referência a este fato chama a atenção o relato feito pelo Frei Vital Basso no Livro Tombo nº 1 da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré, p. 81-82: "Dia 15 de setembro, após quase sete meses de seca, parece que vai chover. Além da seca, geada após geadas, fogo. Foram arrasados pelo fogo plantações (...)"

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Povoadores da região A população da cidade de Almirante Tamandaré decorre de um complexo processo de povoamento que transcende a colonização portuguesa. Atualmente os nascidos e domiciliados no município são identificado pelo gentílico "tamandareense". O IBGE também considera o termo "almirantense", no entanto este gentílico não é utilizado. As estatísticas do povoamento pioneiro encontradas sobre o município de Tamandaré são raras, mas revelam um povoamento elevado em relação à realidade do Paraná no século XIX, como é possível observar junto ao "Mappa estatístico da população da Parochia de Nossa Senhora da Luz, Curityba, capital da Província do Paraná, 1º de agosto de 1872, segundo recenseamento a que procedeu de conformidade com o Regulamento de 1870", onde serão considerados os Quarteirões que se localizavam na área territorial que se tornou Tamandaré (Boixininga, Botiatuba, Cachoeira, Campo Magro, Campo Novo, Conceição, Juruqui, Marmeleiro, Pacotuba e Serro Negro), ou seja, existiam na área correspondente ao futuro município 3.072 pessoas contadas, sendo 2.917 livres, 155 escravos e 10 estrangeiros. O "Relatório apresentado ao Exmo Sr. Dr. Francisco Xavier da Silva, Governador do Estado do Paraná pelo Dr. Octavio Ferreira do Amaral e Silva/ Secretaria de Estado dos negócios do Interior, Justiça e Instrucção pública, em 31 de dezembro de 1901/ Quadro demonstrativo do recenseamento feito nos diversos municípios do Estado do Paraná em 31 de dezembro de 1900, com declaração dos que são cidades ou villas" cita que a Vila de Tamandaré, apresentou os seguintes dados em relação a sua população: Em 31 de dezembro de 1900 moravam 3.239 pessoas. Após, a cidade de Tamandaré contou com 2.664 pessoas morando em seu território, segundo a tabela com dados oficiais publicada no jornal "A República, de 13 de maio de 1901". Em referência ao "ANNUARIO ESTATÍSTICO DO BRAZIL", elaborado pelo Ministério da Agricultura, Industria e Commercio/directoria Geral de estatística publicado em 1916, p. 373, expressa que em 1907 moravam na cidade 5.854 habitantes; 1908 foram relatadas 5.927 pessoas; em 1909 habitavam o território 6.075 pessoas; em 1910 foram 73

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contadas 6.227 habitantes; em 1911, o município chegou a ter 6.382 moradores. No que tange o "Diccionario Histórico e Geographico do Paraná", elaborado por Agostinho Ermelino de Leão em 1926, p. 283 e 2263, em 1912 o município cresceu e alcançou 6.542 habitantes, e naquele ano nasceram 200 crianças, houve 1 natimorto, ocorreram 71 casamentos e 62 óbitos. No ano de 1914, a população de Tamandaré diminuiu para 6.078 habitantes e em 1920, foram registradas 8.479 pessoas no município (somando a Sede e o distrito de Campo Magro). Em 1929 foram calculados 6.000 habitantes segundo edital da "Diretoria Geral da Secretaria dos Negócios do Interior, Justiça e Instrução Pública de 18 de dezembro de 1929". No censo organizado pelo IBGE em 1950 é possível concluir que no período no município de Timoneira, a população pouco cresceu, sendo de apenas 8.857 habitantes. Demograficamente se distribuíam numa proporção de 18,18 pessoas por km², o que caracterizava as localidades povoadas em Timoneira, mais como comunidade do que propriamente como aglomeração populacional de grande escala. Ou seja, a evolução populacional da cidade estagnou em relação à realidade paranaense. Porém, a partir da década de 1980, a cidade sofreu um crescente aumento de sua população, que se descaracterizava com as perspectivas de crescimento que se forjou em mais de cem anos de povoamento da região. Em 1991, o município tamandareense registrou, segundo o IBGE, 66.159 habitantes. No ano de 1995, o município possuía 473 km² de território ocupado por uma população de 67.000 habitantes (IBGE 1990). No ano de 1997, a população era de 73.018 habitantes, sendo 36.597 homens e 36.421 mulheres (IBGE). Em 2003, com área territorial menor de 188, 652 km², foram observados 50 km² de área urbana. O restante era abrangido pela área rural. O território mesmo menor estava ocupado por 89.410 habitantes, dos quais 80.058 ocupavam a área urbana e apenas 9.532 a área rural. No que tange o ano de 2010 o IBGE informou que o município possuía 103.245 habitantes, espalhados pelos 194,75 km². Neste ano ocorreram 420 casamentos legais, 45 separações e 47 divórcios. A partir desta estatística oficial e do contexto histórico que permeia o povoamento da cidade de Almirante Tamandaré, não seria absurdo dizer que a cidade possui um perfil cosmopolita. Não raro é se deparar com descendentes de pioneiros imigrantes europeus, migrantes vindos de todas as partes do Brasil e até de outros lugares fora do país, que se estabelecem ou estão de passagem pela cidade. Esta mesma observação foi verificada pelos historiadores Ruy Wachowicz na sua obra História do Paraná, 2001, p. 19, que afirmou que a região de Curitiba é o "maior laboratório étnico do Brasil ou do mundo, onde se realizou uma das maiores experiências étnicas"; e Wilson Martins em sua obra "Um Brasil Diferente: Ensaio sobre fenômenos de aculturação no Brasil. São Paulo: Anhembi Limitada", p. 3, expressa que o Paraná foi "um dos Estados mais ricos de povoamento imigratório". Quando o autor se refere a Curitiba, ele se refere às Colônias fundadas no século XIX, que eram anteriores à existência de Tamandaré autônoma, sendo algumas localizadas em território tamandareense. Mas, isto não é exclusividade dos nossos tempos, pois a História de Almirante Taman74

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daré se forjou desta maneira, principalmente em períodos anteriores ao século XX. Independentemente de quem se fixou primeiro em terras tamandareenses, é fato para qualquer pesquisador que o povoamento humano da região de Almirante Tamandaré possui períodos bem distintos e notórios, os quais se ligam diretamente à sorte da ocupação do Primeiro Planalto. A exploração aurífera, formação e estabelecimento de Curitiba e posterior ocupação mais intensiva da Região Norte da mesma foram os principais fatores que possibilitaram o surgimento de vários povoados de fato onde hoje se encontra o município tamandareense.

OS NATIVOS DA TERRA TAMANDAREENSE Os primeiros seres humanos a povoarem a região tamandareense foram os silvícolas Tinguis, que segundo o "Dicionário A Língua tupi na geografia do Brasil" elaborado por Orlando Bordoni, cita que a origem de seu nome vem do próprio Tupi-Guarani que se interpreta em nossa língua como "nariz afilado". Esta denominação, segundo o artigo de Romário Martins publicado na "Gazeta do Povo, de 08 de novembro de 1932, capa", foi dada pelos próprios silvícolas, devido a notória característica que os diferenciavam dos demais grupos humanos locais. No contexto observado no artigo "Tinguhy" redigido por Romario Martins, publicado no periódico "Ilustração Paranaense", nº 2, datado de fevereiro de 1928, os tinguis viviam "(...) após a escarpa do Mar, no altiplano de Curityba, o Tinguhy senhoreava campos e pinheiros". Ou seja, se espalhavam pela parte ocidental da Serra do Mar, por toda a região dos Campos de Coritiba, que hoje corresponde a Região Metropolitana Norte, que em tempos que transcendem a época do Descobrimento do Brasil, a região era coberta por duas formações vegetais originais: A Mata de Araucárias na maior parte do território ao sul e a Floresta Estacional Semidecidual, os quais a população leiga conhece como campo (e ainda pode ser observada no Morro do Sumidouro). Assim também era a região da cidade de Curitiba, que na realidade daquela época, pertencia a um único lugar, os Campos do Tindiquera e Campos de Coritiba (Curitiba) como é possível interpretar no que tange a p. 10 da obra "O Paraná e seus municípios" elaborada por João Carlos Vicente Ferreira. Na região de Almirante Tamandaré, documentos de posses de terra datados de 1817 relatavam a presença de silvícolas tinguis nas áreas compreendidas de Capiara (Capivara), Pacotuba e Boixininga. Por ser um povo da floresta, se diferenciava um pouco do povo nativo encontrado no litoral, mas que possuía a mesma origem Tupi-Guarani. Apesar deles terem a mesma gênese, o povo da floresta (Tinguis) ainda se comportava dentro de um contexto característico seminômade. Ou seja, caçavam, pescavam, coletavam alimentos da mata, e conheciam a agricultura, mas a utilizavam apenas como atividade secundária de sobrevivência e não como a principal. Por este motivo que eram seminômades. Caracterizavam-se por ser um povo guerreiro e se organizavam em grupos que se abrigavam nas tindiqueras (buraco de tingui) que na verdade eram covas abertas no chão, como é possível observar na informação do artigo "Tinguhy" redigido por Romario Martins publicado no periódico "Ilustração Paranaense", nº 2, datado de fevereiro de 1928: "Milhares 75

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de arcos lhe garantiam essa posse, milhares de cóvas abertas no seio fecundo do sólo eram os seus lares, resguardados em meia-agua por tendas de palha de Butiá com face para os ventos para a chuva e para a neblina caminhantes do oceano. Por cem léguas em torno dos acampamentos, ecoavam a fama das suas armas e a tradição dos seus heróes. O Carijó, encurralado no litoral, jamais subiria a Serra que a não decesse em fuga, dizimado a frechada". As guerras entre os nativos geralmente ocorriam em defesa do território, como é apresentado no artigo "Tinguhy" redigido por Romario Martins publicado no periódico "Ilustração Paranaense", nº 2, datado de fevereiro de 1928: "As suas obras pacificas como a sua defesa indomavel, provinha do seu amor à terra, aos campos largos e luminosos, aos pinherais eris, generosos de fructos e bellos de fórmas... O Tinguhy amava, pois, a bellesa. Para defender, combatia os seus terríveis combates victoriosos. Nesses dias de luctas e de glórias selvagens, as inubias acordavam as madrugadas vermelhas do nosso céo de planalto e os guerreiros pompeavam os mais ricos cocáres de pennas de gavião-pennacho. Abatiam-se então as tendas. As hordas desciam de todas as direcções, acompanhando os maracás dos pagés e os Iaperêpês de pluma multicores distinctivos das malócas, as inubias troavam. As canções guerreiras erguiam antecipados hymnos à victoria e gemia o trocano roufenho a onomatopéa das agonias. Nesse dia o sol se ofuscava sob nuvens de fréchas, tantas que pareciam fincadas e vibravam no ar". Graças à observação feita dos hábitos alimentares dos tinguis, foi possível identificar vegetais e animais exóticos (certas espécies vegetais e animais eram desconhecidos para os portugueses), e a partir deste fato, o colono, conseguiu classificar o que era comestível ou não. Um exemplo, é o hábito que a população da nossa região possui de se alimentar com o pinhão, fruto da Araucária, árvore símbolo do Paraná. Neste contexto, também se observou a correta utilização da mandioca e sua posterior utilização pelo colono como alimento. Em documentos oficiais da época da colonização da Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais (Curitiba), os Tinguis foram descritos como um povo pacífico, que apesar de andarem nus, não carregavam a malícia do europeu "civilizado". Eram simpáticos e acessíveis. Tão acessíveis que acabaram virando serviçais do colonizador da região. Ou seja, apesar de serem guerreiros e nutrirem notória rivalidade a outros grupos nativos, eles não hostilizavam os colonos, segundo é possível interpretar das informações do artigo "Tinguhy" redigido por Romario Martins publicado no periódico "Ilustração Paranaense", nº 2, datado de fevereiro de 1928, que cita: "(...) o Tinguhy pacífico e laborioso". Em decorrência da exploração que sofreram de seu trabalho no contexto da atividade da mineração aurífera e de outras atividades econômicas; do constante contato que tinham com os colonizadores dos povoamentos que iam se formando, devido a sua simpatia, docilidade e inocência, eles aos poucos foram se condicionando civilizados aos moldes dos colonizadores; outros que vagavam foram transformados em escravos pelos bandeirantes; outros se misturaram a outros grupos indígenas ou até mesmo aos colonizadores, pois eram seminômades; alguns grupos foram catequizados por jesuítas, uma vez que existem marcas da passagem desses sacerdotes no município (Recanto Marista ou Parque Santa 76

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Maria e em Tranqueira) e por fim, a doença trazida pelo europeu trouxe a morte aos grupos mais retirados. Ou seja, os tinguis foram supostamente absorvidos, e não exterminados, pela nova realidade que raiva na região. Neste contexto, o que sobrou dos tinguis foi seu legado genético que muitos moradores da região carregam em seu sangue e a expressam em características físicas e até em costumes e comportamentos herdados deles. Um exemplo de identificação com estas características é mencionado por Romário Martins no artigo publicado na "Gazeta do Povo, de 08 de novembro de 1932, capa e p. 6", onde ele observou o seguinte: "Seus descendentes caboclos constituem grande parte da laboriosa população rural dos municípios citados e de outros, e guardam certas recordações de suas origens. Não vai longe o tempo que o caboclo da freguesia do Iguaçu (Araucaria) de alhurus, lealmente avizava o contendor de suas rixas: "Cuidado que eu sou Tinguí". Também é possível perceber de forma notória, o que sobrou de sua língua, nas expressões que denominam coisas, comidas e lugares. Um exemplo é a denominação que recebem alguns bairros tamandareenses: Botiatuba, Pacotuba, Boixininga, Tanguá, Juruqui, Humaitá. No entanto, infelizmente, não existe mais uma cultura pura que represente o Povo Tingui. Não existe uma teoria científica que certifique como ou de onde vieram estes indígenas. O que existem são hipóteses que ganham plausibilidade no meio acadêmico, as quais dentro de complexas análises técnicas consideram que a população nativa encontrada tanto por portugueses, quanto por espanhóis na América, provavelmente tenham vindo do continente asiático e da Oceania. Segundo estas teorias, o ser humano chegou na América através do Estreito de Bering, ainda no período que o planeta Terra sofria com o fenômeno da Glaciação. Nesta época, o mar que banha a região estava congelado. Ou seja, na busca por alimentos e pela própria sobrevivência, grupos humanos asiáticos nômades, provavelmente no processo de seus deslocamentos, atravessaram sem perceber, a "ponte de gelo" que ligava a Ásia e a América, que atualmente é o traiçoeiro e perigoso Mar de Bering. Na América, espontaneamente continuaram caminhar para o sul sempre satisfazendo as necessidades de sobrevivência. Alguns grupos, conforme iam se adaptando às regiões por onde passavam, nela permaneciam, e começavam por vários motivos ainda não elucidados de forma plausível a se tornarem sedentários. Outros, por não se adaptarem, continuavam nômades, e cada vez mais adentrando e se espalhando pelo território americano. Alguns destes grupos, em sua trajetória de sobrevivência se adaptaram tão bem, que conseguiram desenvolver cultura e conhecimentos avançados demasiadamente para o período que viviam (Maias, Astecas, Incas). No entanto, outros continuaram estagnados, praticamente poucos evoluíram em relação ao período da migração continental. Este processo se desenvolveu em um contexto de aproximadamente 15.000 anos. Contudo, existem divergências quanto à data do estabelecimento do homem na América, principalmente porque existem cientistas, como a pesquisadora Niéde Guidon, que defendem que o homem faz parte do cotidiano da América há mais de 50.000 anos. Independentemente de ser 15.000 ou 50.000 anos, a ciência ainda não tem certeza se o homem realmente só chegou pelo caminho do Estreito de Bering na América. Isto porque surgiu a Teoria dos Diversos Caminhos, a qual expõe que o homem, além de ter atravessado o Estreito de Bering, também se deslocou da região sul da Ásia e da região da Polinésia 77

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por via marítima, navegando com canoas de ilha em ilha, até chegarem na porção sul do continente americano, onde também começaram a se espalhar, só que no sentido leste, norte e sul. No entanto, ainda não foi descartada a possibilidade de que o homem americano teve origem na própria América. Porém, falta uma prova concreta e objetiva para fundamentar esta teoria. Muitas dúvidas pairam entre os cientistas e pesquisadores do homem americano, principalmente, porque na cidade de Natividade Paulista, região da Serra do Mar, foi encontrada a base estrutural que fundamenta o início da construção de uma suposta pirâmide . Isto porque, os nativos encontrados na região do atual território brasileiro, principalmente no que tange a região costeira, eram ainda bem pouco evoluídos no contexto de dominarem técnicas de construções daquele porte encontrado, como também sequer eram sedentários. Resumindo, o nativo encontrado no Brasil, os quais denominamos erroneamente de índio, provavelmente tenha aparecido em nosso território vindo em consequência dessas migrações de grupos nômades que se processaram por milhares de anos. É muito difícil descrever o passado partindo de fonte não escritas, porém algumas delas podem nortear pistas e comprovações parciais de hipóteses, principalmente no que tange a origem de um povo, desde que não estejam destruídas. Em relação à consideração supracitada, em meados da década de 1980, um ilustre político tamandareense havia se metido em uma enorme confusão, pelo fato de seus funcionários, que desempenhavam a sua função de explorar calcário, terem dinamitado uma pedreira na região da Ermida, onde se localizava uma gruta calcária, cujas paredes estavam dispostos raros exemplares de desenhos rupestres, feitos em tempos ainda não datados. O qual gerou até um processo judicial movido pelo Ministério Público, motivado pela denúncia de um grupo de pessoas que pesquisavam aqueles desenhos. Mas, esta não é a única prova da presença nativa em Almirante Tamandaré, pois no Botiatuba existem e foram encontrados artefatos soterrados pré-históricos com características neolíticas. Porém, em relatos de várias pessoas que vivem da agricultura, existe a Foto: Pedro Martim Kokuszka, 2001 confirmação que até a década de 60 era comum achar nos campos de cultivo no Pacotuba e Botiatuba "pedras" com formato cilíndrico ou parecidos com faca, machado "pareciam ser feitas por uma pessoa". Ou seja, esta observação vai de encontro à informação do artigo "Tinguhy" redigido por Romario Martins publicado no periódico "Ilustração Paranaense", nº 2, datado de fevereiro de 1928: "Ninguém fazia melhores machados e os utensilhos de pedra, que ainda se encontram nos "tindicuéras" de Araucaria, Atuba, Putunã, Canguiry, Cajuru, Pacutuba, Timbu, Capivara, Xaxim, em zona que abrange varios municípios Artefatos de pedras pré-históricos encontrados no Botiatuba de agora". (3) SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DO PARANÁ. Jornal Gazeta do Povo. Sítio Arqueológico em São Paulo intriga pesquisadores. Disponível em: <http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/roteiropedagogico/recursometod/415_Piramides.pdf> Acesso em: 26 nov. 2010.

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OS IBÉRICOS Com a oficialização da descoberta do Brasil em 22 de abril de 1500, ficaram oficializadas as expedições de reconhecimento e busca de metais preciosos ou outra coisa que desse lucro em território colonial. Em 1524, as entradas portuguesas pesquisavam o primeiro planalto. Independentemente da data, era notória a presença do "homem europeu ibérico" no litoral próximo às atuais terras paranaenses. No entanto, mesmo nas regiões onde não havia traços de povoamentos, era sabido que uma das atividades principais dos habitantes da Capitania era a busca por índios e metais preciosos. O que motivava o português vir para a colônia não era o sonho de uma vida nova no Brasil, mas sim, o enriquecimento, fama e reconhecimento pelas suas façanhas, as quais lhes trariam o respeito e a honra perdida em Portugal. Ou seja, os colonos que vieram para o Brasil e ficaram até a sua independência, não vieram para ficar, mas para um dia voltarem para Portugal, agraciados de fama e fortuna, como relata Frei Vicente do Salvador, p. 59. No entanto, o problema é que uma grande maioria não voltou, e aqui ficou alimentando o sonho de um dia voltar e agindo como se fosse um dia voltar, pois nada faziam para melhorar ou facilitar sua "estadia" em terras brasileiras. Talvez este comportamento explique porque hoje muitos dos que passam e em pouco tempo se vão de Almirante Tamandaré para outros locais, nada deixam de colaboração para melhorar a cidade, pois "porque fazer se daqui a algum tempo não vou mais morar aqui!" Esta atitude de outrora, ainda hoje é repetida. Porém, foi este comportamento ingrato que mais motivou e deu coragem aos pioneiros colonos a desbravar as terras paranaenses e, consequentemente, deixar suas marcas pelos caminhos. Na ânsia pela fortuna e fama, muitos esqueceram o tempo, e foram absorvidos e acorrentados pelo chão que vieram "parasitar". Muitos arraiais se formaram e caminhos foram abertos, tendo como guia os rios que cortavam o planalto. No entanto, o surgimento dos arraiais (acampamentos de expedições bandeirantes), não visava o povoamento da região. O fato, dos arraiais se tornarem permanente e gerarem pequenos povoados foi uma consequência desencadeada pelos aventureiros frustrados, que não tinham mais para onde ir diante do impacto do fracasso. Porém, se destaca o bandeirante capitão Salvador Jorge Velho, cujas informações prestadas pela ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. Curitiba -PR. IBGE, Vol. XXXI Paraná, p. 139, que por mais de vinte anos explorou a região, a qual lhe proporcionou a "Descoberta da Conceição", em 1680. Mas, para se descobrir algo, tem que se procurar primeiro. Diante desta condição era relatado por Ébano Pereira, em 1649, a presença de arraiais na região norte de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais com mais de vinte anos de existência. Ou seja, mesmo timidamente e especificamente povoado, a região tamandareense era conhecida. No entanto, até início do século XIX, a região de Tamandaré estava presa a muitas concessões e sesmarias, o que inviabilizava um povoamento mais intenso. OS AFRICANOS Junto com os portugueses chegaram na condição de escravos pessoas do Continente 79

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Africano. Porém, diferente de outras regiões do Brasil Colonial, era baixa a utilização de mão de obra escrava africana na localidade onde se encontra o município e seus vizinhos. Isto se deve à condição econômica que os moradores tinham nos séculos XVII e XIX. Esta região da colônia era uma localidade que pouco oferecia ao Reino de Portugal. Não havia o sistema agrícola de monocultura para atender o mercado externo. Eram apenas pequenas plantações que mal atendiam o mercado interno e utilizando a mão de obra indígena, que era muito mais barata (pois, um escravo africano, valia quatro escravos indígenas), além da criação de gado, um comércio e uma exaurida e efêmera extração aurífera. Ou seja, escravo africano, só era utilizado por pessoas muito ricas e no contexto de serviços domésticos com rara exceção (isto na região de Curitiba). A condição onerosa e burocrática de possuir um escravo, com o tempo passou a ficar cada vez mais pesada. Como exemplo, em 08 de janeiro de 1886, a "Gazeta Paranaense" informava que a Coletoria das Rendas Gerais da cidade começava a executar o regulamento que baixou junto com o Decreto nº 9.517, de 14 de novembro de 1885 onde os escravos existente em Curitiba, Arraial, Campina Grande, Votuverava, Açungui e Pacotuba deveriam ser dados à nova matrícula do dia 30 de março de 1886 até 30 de março de 1887. Os escravos não matriculados dentro do prazo seriam considerados libertos e gozariam desde logo a liberdade, independentemente de qualquer formalidade. Além desta condições havia outras: Era proibido matricular escravo maior de 60 anos; matricular pessoa livre; era obrigado a pagar os devidos tributos e taxas referente ao número de escravo que possuísse, os quais variavam conforme a idade, ou seja, quanto mais novo o escravo, mais caro eram os tributos sobre ele. Em referência ao "Mappa estatístico da população da Parochia de Nossa Senhora da Luz, Curityba, capital da Província do Paraná, 1º de agosto de 1872, segundo recenseamento a que procedeu de conformidade com o Regulamento de 1870", constam as seguintes localidades pertencentes a Almirante Tamandaré com a presença de escravos: Cachoeira, 658 pessoas livres, 1 escravo, 1 estrangeiro; Campo Magro, 197 pessoas livres, 7 escravos; Conceição, 577 pessoas livres, 27 escravos; Boixininga, 208 pessoas livres, 8 escravos; Boixininga, 120 pessoas livres, 2 escravos; Juruqui, 155 pessoas livres, 11 escravos; Marmeleiro, 182 pessoas livres, 3 escravos; Marmeleiro 216 livres, 4 escravos; Serro Negro, 291 livres, 7 escravos; Botiatuba, 168 livres, 10 escravos, 5 estrangeiros; Botiatuba, 148 livres, 30 escravos, 3 estrangeiros; Campo Novo, 178 livres, 1 escravo, 1 estrangeiro, Tranqueira, 155 livres, 31 escravos; e Pacotuba, 196 livres, 10 escravos. No ano de 1876, o total de escravos na Província era de 19.560. Destes, 921 eram escravos no município de Curitiba. Naquela época, o atual território tamandareense pertencia à Capital. Um dos raros relatos que se tem disponível da presença de escravos africanos na cidade foi observada no contexto de uma entrevista de cunho científico realizada em 2002 no contexto do Projeto Tamandaré: Contos e Lendas, onde seu Generoso Cândido de Oliveira, contou o que escutava sobre a sua bisavó, Maria dos Anjos. Ela era dona de escravos negros (não de indígenas), antes de 1840. Esta senhora recebeu o apelido de Sinhá do Terço, porque todo final de tarde ia rezar o terço na pequena capela de estuque que havia feito em sua propriedade. Como era uma senhora de idade, sempre andava na companhia de dois escravos que lhe ajudavam chegar até a capela. Outro relato contado pelo saudoso Sr. Generoso C. de Oliveira na mesma entrevista, 80

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diz respeito a um ex-escravo em idade avançada e não muito bom da cabeça, que em meados da década de 1910 ficou vagando na busca de seu antigo senhor, a ponto de confundilo com o Coronel João Candido de Oliveira, que o abrigou em suas terras, mas em uma tarde de domingo saiu e não voltou mais. Em vários trechos da obra histórica "Campo Magro: um município para ser conhecido e amado", elaborado por Sérgio Roberto Calado é relatada a utilização da mão de obra escrava africana em território tamandareense no começo do século XIX (na época era Curitiba e hoje é Campo Magro), porém para fins de mineração aurífera relacionada à própria história do português Gaspar Correia Leite. A presença africana na região de Almirante Tamandaré (atualmente município de Campo Magro), ficou marcada pela consFoto: Antonio Ilson Kotoviski, outubro de 2011 trução da humilde Capela de São Benedito (Igrejinha dos Pretos) na Conceição de Meia Lua provavelmente na primeira década do século XIX, em virtude da proibição dos escravos africanos não poderem assistir missa onde os moradores livres "brancos" frequentavam. A denominação popular de "Igrejinha dos Pretos" se relaciona ao fato mencionado. Na data de 10 de fevereiro de 2012, ocorreu uma tempestade na região que provocou a queda de uma árvore sobre a histórica Cape- Capela de São Benedito era conhecida popularmente como "Igrejinha dos Pretos". Não existe mais. la, a destruindo. OS IMIGRANTES A região tamandareense estava timidamente povoada até meados do século XIX. Esta realidade mudou radicalmente com o advento da Estrada do Assunguy e com as novas condições para assentamentos de imigrantes no Paraná. Entre elas as determinações do governo do Paraná legalmente estabelecidas: "As colônias não mais deveriam se estabelecer afastadas dos centros consumidores; os terrenos deveriam ser localizados às margens de estradas carroçáveis; uma escola e uma igreja seriam construídas nas colônias mais afastadas (...)" Em consequência a estas novas condições, muitas áreas de sesmarias e concessões não tomadas posse e até áreas particulares de grande extensão nas proximidades com a sede da capital foram utilizadas para assentar os imigrantes. As terras não foram doadas, mas vendidas e pagas de forma parcelada. As primeiras parcelas das dividas foram quitadas com dinheiro oriundo da prestação de serviços realizados pelos próprios imigrantes relacionados à abertura de estradas coloniais. Pioneiramente chegam 160 imigrantes entre alemães, poloneses e suecos para ocupar 81

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31 lotes de área 9,98 (ha) da Colônia São Venâncio, localizado em uma região de 300,08 (ha) na Cachoeira, em 1871. A denominação São Venâncio só é oficializada para a colônia em 1877. Destacam-se também, os poloneses oriundos da Silésia (Região Sul da atual Polônia) e alemães num total de 746 pessoas, que se instalaram em 139 lotes de área com 7 (ha) numa região de 921,41 (ha) na Lamenha. No ano de 1886, 180 imigrantes italianos e poloneses também ocupam o antigo Sítio Ressaca às margens do Rio Barigui, para fundarem a Colônia Santa Gabriela, que possuía inicialmente 40 lotes com tamanhos que variavam de 7 a 8 (ha) distribuídos em uma área de 216,00 (ha). Também desde 15 de agosto 1886 existia a Colônia Antônio Prado, composta de imigrantes de 26 famílias polonesas e 12 famílias italianas que ocuparam 54 lotes de tamanho que variavam de 5 a 8 (ha) em uma área de 415,67 (ha). Porém, esta última compreendia tanto o território tamandareense quanto o do atual município de Colombo, segundo o Relatório de Governo de 1886. É graças ao constate estudo que se faz sobre as imigrações que ocorreram na região, que foi possível descobrir um passado, apagado pela própria extinção da cidade em meados do século XX. Ou seja, é por causa destas informações que se consegue rastrear documentos oficiais e estabelecer marcos de realidades que transcendem aos próprios imigrantes. Ou seja, os imigrantes não legaram apenas seus hábitos culturais, físicos e filosofias; eles guardaram uma parte da história de Almirante Tamandaré em sua própria história. Porém, com o advento da Primeira Grande Guerra (1914-1918) e Segunda Grande Guerra (1939-1945), o Estado do Paraná recebeu novas levas de imigrantes de nacionalidade italiana, russa, ucraniana, polonesa e alemã. Almirante Tamandaré se tornou o destino de muitos italianos e ucranianos nessa época. Diante de tais fatos, não era raro encontrar na zona rural de Almirante Tamandaré pessoas falando polonês, italiano e ucraniano nesses períodos citados. Em 1950, o censo demonstrava a presença de 56 estrangeiros e 16 brasileiros naturalizados. Outro fator que colaborou para o assentamento de imigrantes no município foi o clima parecido com o Europeu. Um exemplo foram os imigrantes islandeses representados pela família Johnson que se estabeleceram em Tamandaré justamente pelo clima mais ameno.

OS SOBRENOMES ESTRANGEIROS Um fato curioso no contexto dos imigrantes é que muitos sobrenomes são escrito de várias maneiras, mesmo pertencendo à mesma família. Exemplos: Kotovski - Kotoviski Kotowski - Kotowiski - Kotovicz; Busato - Busatto - Buzato - Buzzato - Buzatto; Lipinski Lipski; Bregenski - Brzezinski. Afinal, qual é o certo? Nos documentos oficiais, como por exemplo do TRE-PR, expressa: No relatório de 1982, Ariel Adalberto Buzzato; em 1976, Ariel Adalberto Busato; Lourenço Alberto Buzato em 2000; Antonio Kotowski em 1972, Josélia Kotovski em 2004; Mileck (TER-PR) - Milek. Independentemente de qual está certo ou errado, fica um aviso. Atualmente, como as famílias do município são conhecidas, este irrelevante fato não faz diferença nenhuma, porém, daqui a 200 anos? São estas variações que influenciam outras, 82

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que podem ter efeitos em fatos de interpretação futura. Neste contexto, em uma entrevista realizada em 2011 com seu Valter Johnson Bomfin, foi observado um erro que é cometido no contexto do sobrenome Bomfin. O certo, segundo ele, é Bomfin e não Bonfim ou Bonfin. Porém, o bairro que oficialmente recebe o nome em referência à pioneira família estabelecida naquela região, está como Bonfim. Estas interpretações fazem efeito, pois na busca por cidadania o pedido esbarra nesta variação de sobrenomes. Um exemplo que surpreende é que nenhum representante direto da família "Kotoviski" possui a mesma ortografia do sobrenome carregado pelo ancestral da família. Observando a assinatura do Sr. Damião, percebe-se que o sobrenome é "Kotovcz". Neste mesmo documento em que ele assina seu nome, que é a Carteira de Identidade para estrangeiro, aparece seu sobrenome "Kotowski", no contexto de preenchimento pelo funcionário responsável. Curiosamente, segundo o relato de sua nora, Noêmia Kotoviski, uma das maiores preocupações de seu sogro, Damião Kotovcz, era manter vivo o sobrenome da família. Acervo: Família Kotoviski

Carteira de identidade de estrangeiro expedida apenas em 16/10/ 1942, praticamente 45 anos depois da chegada de Damião no Brasil (1897), vindo de território ucraniano com seus pais, Nestor Kotovcz e Anastácia e duas irmãs, Parashik a e Tekla (faleceu solteira)

Há que ressaltar que são estas pequenas informações que, às vezes, se tornam um "bode expiatório" para derrubar a credibilidade de um fato no contexto falacioso de muitos argumentos de pseudos-historiadores. Como também separam dentro do contexto legal e burocrático famílias que possuem parentesco comum. E o pior é que estes erros se fazem presentes em documentos oficiais diversos. Deve-se destacar que muitos nomes foram escritos "errados" em virtude do cartorário ou responsável pelas confecções dos documentos legais, na época da chegada dos imigrantes. Um exemplo é o relato em 2011 do ex-Prefeito do município, Cide Gulin, que é filho de imigrantes italianos, quando expressou que o sobrenome Goulim surgiu de um erro do cartorário, porém, que tanto Gulin quanto Goulim é mesma coisa. No entanto, a variação de alguns nomes, principalmente aos de imigrante italianos vindos a partir da década de 1930, se dá em virtude de uma estratégia contra uma possível perseguição política, que muitos achavam que poderia ser feita aqui no Brasil por parte de partidários de regimes diversos na Itália. No entanto, a "perseguição" partiu do próprio Estado Federal, que proibiu, fundamentado em uma política de integração e nacionalização cultural, a utilização de nomes estrangeiros em estabelecimentos comerciais até na restrição à liberdade e locomoção, principalmente a alemães, italianos e japoneses. 83

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Outra expressão da perseguição se deu no contexto de confisco de bens de súditos do Eixo; proibição de falar em público utilizando língua estrangeira, como é citado pela Dr. Milena Kanashiro na p. 255 da Tese de doutorado intitulada "Paisagens étnicas em Curitiba: um olhar histórico-espacial em busca de entopia". Mas, isto não é uma informação de livro apenas. Foi uma realidade que ainda se faz presente na memória local, como relatou em 2011, Odete Basso da Cruz (descendente de italianos): "(...) durante a guerra os italianos eram vigiados e até procurados a ponto dos parentes terem de ficar escondidos nas regiões mais afastadas da Sede (nos matos) para não sofrerem repressão das autoridades". OS MIGRANTES REGIONAIS Atualmente, a terra tamandareense, por estar muito próximo da capital do Estado do Paraná, recebe muitos migrantes do interior do Estado, migrantes do Estado de Santa Catarina e de São Paulo e em pequena quantidade do norte e nordeste do Brasil, os quais buscam com sua migração melhorar de vida, pois querendo ou não, a Região Metropolitana e a Capital possibilitam esta chance. Em consequência disso, pelo imóvel na capital possuir um custo mais elevado, muitos migrantes se estabelecem na cidade nas regiões mais humildes por serem localidades com imóveis mais baratos devido as características acidentadas dos terrenos. Tanto é que este fluxo migratório atingiu a cidade na década de 1970, onde na primeira gestão do Prefeito Roberto Luiz Perussi (1977-1983), ocorreu uma enorme gama de liberações de loteamentos na região da Cachoeira motivado pela exploração comercial de grandes áreas por imobiliárias da capital. Ocorreu também a migração forçada, como denunciou a Tribuna dos Minérios, janeiro de 1970, nº 28 na reportagem "Erradicação de favelas em Curitiba está prejudicando o município tamandareense": "Na gestão do Sr. Ivo Arzua como Prefeito de Curitiba foi iniciada a erradicação das favelas dos bairros curitibanos. Pelo que se sabe, os favelados eram levados e deixado em localidades afastadas da Cidade Sorriso em caminhões da prefeitura local. Naquela ocasião, Cachoeira foi o local preferido para este tipo de despejo. Mas com a mudança de Prefeito de Curitiba notou-se uma trégua neste sentido; no entanto agora reiniciou-se esta atividade com muito ânimo. E Cachoeira continua sendo o ponto predileto para o abandono dos menos favorecidos pela sorte. Semanalmente, Cachoeira recebe inúmeras mudanças desses infelizes trazidos por caminhões daquela prefeitura. Os caminhões chegam com este povo, alguma madeira velha, chegam ao local, geralmente capoeira, esvaziam o veículo e boa sorte... Disto tudo o que mais se lamenta é que o município de Almirante Tamandaré, do qual Cachoeira é subordinada, ser tão desprovido de recursos para dar a estes infelizes o que realmente precisam, e o que nos parece, nem um acordo entre o Prefeito de Tamandaré e de Curitiba foi feito; de uma coisa sabemos: de que a condução que realiza este transporte pertence a Prefeitura de Curitiba, e o fazem com autorização assinada; disto temos provas". Em decorrência da falta de estrutura econômica do município em atender de forma digna novas áreas de povoamentos independentes de legais ou invadidas, ocorreu que 84

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oficialmente a liberação para novos loteamentos, na década de 1990 foi extremamente diminuída, em virtude da Lei nº 429, de 20 de maio de 1996 de Almirante Tamandaré assinada pelo Prefeito Arcidíneo Félix Gulin que institui o plano diretor de desenvolvimento urbano, estabelecendo objetivos, instrumentos e diretrizes para as ações de planejamento do município de Almirante Tamandaré e dando outras providências, permitindo a liberação de loteamentos que atendessem condições mínimas e seguras para a habitação humana e não prejudicassem o meio ambiente. Essa liberação foi reforçada pela Lei Complementar nº 03, de 03 de outubro de 2006, que dispõe sobre o código de parcelamento do solo urbano, sobre remembramento e condomínios horizontais no município de Almirante Tamandaré e a Lei Complementar nº 05, de 20 de dezembro de 2006, que dispõe sobre o código de obras e edificações do município de Almirante Tamandaré, ambas assinadas pelo Prefeito Vilson Rogério Goinski. Por este motivo, a partir da gestão de Arcidíneo Félix Gulin até às gestões atuais foram abertos poucos loteamentos sob a luz legal. O problema foi que mesmo se buscando proteger legalmente a integridade das pessoas, muitas localidades foram estabelecidas no período posterior ao advento da Lei Municipal nº 429/1996, por meio de invasões em terrenos que não oferecem nenhuma segurança ao morador, pelo fato de serem construídos junto a morros e em brejos. Ou seja, em áreas que legalmente estão protegidas, seja pela lei de zoneamento ou pela lei ambiental, mas que por influência de pseudos "movimentos sociais" e "falsas pessoas bem intencionadas que possuem o poder da oratória e de ideologias", que exploram nas pessoas mais humildes o sonho delas possuir um terreno próprio, os inspiram a invadir localidades não aptas a receber moradias. Como resultado, a manutenção destas localidades irregulares se torna um problema para o município, pois se trata de uma área irregular por ser um terreno particular invadido (podendo até acarretar ao governante crime administrativo), e, consequentemente, causam efeitos negativos para imagem de qualquer governante que não fizer algo para a comunidade ali existente. Outro fato constante são as enchentes (os brejos estão ocupados, e estes são áreas naturais de alagamentos e manutenção do volume de água do aquífero) e desmoronamentos de casas (pois, estão na inclinação exagerada dos morros e encostas). Porém, esta situação poderia ser evitada pelas autoridades. No entanto, é uma medida que se torna impopular, pois muitas pessoas por interesses políticos diversos acabam propagando tal atitude a seu melhor interesse. Exploram de forma negativa o remanejamento dos moradores para outra localidade da região irregular e de risco com a expressão "expulsão" em seus comentários, sem se referirem às condições de invasão, irregularidade e de risco nos mesmos comentários. Independentemente desta questão habitacional, o fluxo de migrantes que passa por Almirante Tamandaré é muito grande. Por este motivo, os censos realizados não conseguem ser precisos quanto ao número de sua população existente na cidade, visto que variam muito de ano para ano, devido as extremas entradas de novos moradores e ao mesmo tempo as extremas saídas. CARACTERÍSTICAS ÉTNICAS ATUAIS Em respeito ao contexto histórico apresentado, a população atual tamandareense é ex85

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tremamente mestiça. Encontram-se cafuzos, mamelucos e mulatos em grande quantidade, assim como se encontram negros puros das mais diversas etnias e brancos puros das mais diversas origens. Ocorre também a presença de asiáticos puros e mestiços que diretamente também contribuíram e contribuem com esta impressionante mistura de raças e a formação da cultura na cidade. Os hábitos de outras regiões são carregados por estes migrantes, e com os hábitos locais se integram. Ou seja, dentro de uma analogia, Almirante Tamandaré se tornou uma Babilônia cultural. No entanto, nem sempre foi assim. Até as décadas do ano 1960, Almirante Tamandaré possuía notórios traços de seus primeiros povoadores, que foram em grande parte os colonos portugueses e europeus, o que pode ser observado na estatística do Censo do IBGE de 1950, que contou 7.794 brancos em uma população geral de 8.812 habitantes. Provavelmente descendentes dos primeiros desbravadores que habitaram a Capitania de São Vicente e ainda no remoto século XVI e das campanhas de imigração da década de 1870 em diante promovida pelo Estado. Registra-se também a presença de traços negros, oriundos diretamente de descendentes do Continente Africano, porém estes em pequena quantidade, apenas 129 pessoas segundo o censo de 1950. Quanto à presença indígena nos traços do tamandareense nato é significativa baixa. Foram registrados nesta época apenas 840 moradores pardos, entre eles cafuzos, mamelucos e mulatos. Isto se deve em grande parte às predatórias caçadas aos primitivos habitantes ainda no século XVI e XVII, a qual praticamente exterminou toda uma cultura e inviabilizou uma miscigenação realmente significativa entre brancos e índios tinguis em época mais recente. Porém, segundo Romário Martins em sua obra: "Quantos somos e quem somos: Dados para a história e estatística do povoamento do Paraná, p. 131", é referenciado que a localidade de Pacotuba era uma antiga povoação mameluca. Relevando as informações expressadas, as características étnicas culturais que estes diversos povos deixaram como herança são extremamente visíveis nos dias atuais. Do nativo tingui ficaram as lendas e o vocabulário quando referente aos nomes de rios, animais, plantas e regiões. Exemplos: Rio Barigui, Bairro do Tanguá, Juruqui, Pacotuba, Botiatuba, Bracatinga etc., e hábitos alimentares como o de comer pinhão, utilizar a erva-mate e plantas medicinais. Do africano herdamos as crenças e superstições ligadas às manifestações religiosas africanas (talvez seja por este motivo que acreditamos em simpatias), a culinária. Do europeu português, a língua, o dom de comercializar e negociar diplomaticamente, a religião cristã católica. Dos poloneses, alemães e ucranianos herdamos técnicas de cultivo do solo e a produção de novas culturas como a beterraba e cenoura, a percepção visionária, o protestantismo; dos italianos herdamos o hábito de falar alto, falar simultaneamente se expressando com as mãos, o desenvolvimento da cultura da uva e derivados dela, as filosofias políticas. Outro fator que também colaborou para que o tamandareense nato, filho dos filhos das décadas anteriores a 1980 carregasse estes traços europeus tão marcantes foi o fato que os imigrantes vindos a partir de 1870, vieram para se estabelecer definitivamente no território, não para enriquecer e um dia voltar à terra natal. Também deles herdamos as características de sermos um povo fechado, sério, porém muito amigo e fraterno. Quanto às características físicas predominante do povo de Almirante Tamandaré, são muito diversificadas. Na região rural predominam pessoas de pele branca, olhos claros 86

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(verdes ou azuis), cabelos loiros, bem típico poloneses, ucranianos e italianos do norte da Itália, uma vez que estas regiões até o presente momento não sofreram tanto a influência da descontrolada urbanização sofrida pelo município, porém se encontram muitos pardos (cafuzos). Na região sede do município, até meados de 1980, eram típicas as características portuguesas, pele clara, cabelos negros, olhos castanhos e escuros. Nas regiões urbanas de intenso povoamento, a partir da década de 1980 ficou difícil distinguir o que predomina, porém, o que o censo revela é a predominância parda em suas três manifestações (mameluco, cafuzo e pardo). No entanto, o que se percebe, é que dentro de Almirante Tamandaré, existem vários tipos de realidades étnico-culturais. No desempenhar da atividade de professor, consegui observar bem esta realidade. Por exemplo, na Escola Estadual Lamenha Pequena, predominam nos alunos as características da imigração ítalo-polonesa; no Colégio Vila Ajambi, predomina a característica parda e a forte migração de pessoas do Norte do Estado do Paraná; no Colégio Jardim Paraíso, existe uma mescla entre pardos do interior do Estado, pardos filhos de Tamandaré e alunos que ainda carregam traços dos imigrantes poloneses na região. Ou seja, atualmente, se predomina no município o homem pardo. De forma involuntária, cada um que passa pelo município deixa um pouco de si, mesmo não querendo. Foi assim que surgiu esta população gigantesca, e por causa dela que Almirante Tamandaré progride e tende a progredir mais. Este fluxo migratório trouxe muitos problemas ao município, mas foram estes que, quando resolvidos, melhoraram e modernizaram a cidade. Antes, Almirante Tamandaré era dos Tinguis, então chegaram os portugueses e mais tarde os eslavos e germânicos. Porém, hoje a cidade é cosmopolita, mesmo sendo um adjetivo exagerado, a cidade é e sempre foi, porque sempre passou por estas bandas gente de todas as partes do Brasil e do mundo. Se não foi assim, por que então nosso povo possui características tão diversificadas e mesmo assim consegue conviver com este fato de forma harmônica? O CARTÓRIO Devido a evolução econômica e social do Distrito do Pacotuba, o governo da província estabeleceu um cartório em sua Sede (Pacotuba) na data de 13 de abril de 1882, no qual foi possível realizar casamentos civis, registros de contratos gerais e registro de nascimento e óbito. Até o advento do Decreto nº 9.886, de 1888, o registro de católicos era feito pela igreja. O registro dos não católicos era feito pelos cartórios segundo a Lei nº 1.144, de 1861. Até 1995, o pioneiro Cartório que carregava funções gerais (menos de registro de imóvel) foi dirigido pelos seguintes tabeliões: Benedicto João de Oliveira; Tiburcio de Paula Cabral; Américo Antunes da Costa; Iphigênio Garcez Ribas; João Cristovam Sobrinho; Lauro Baptista de Siqueira e Eurípedes de Siqueira. Após, com o desenvolvimento da cidade ocorreu a necessidade da criação de novos cartórios e o Distrito de Campo Magro e Tranqueira foram os locais escolhidos. Com o advento da Comarca de Almirante Tamandaré ocorreu a criação de cartórios com funções específicas na Sede.

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CASA PARA PESSOAS COM BAIXA RENDA Com o aumento do fluxo migratório, problemas como a falta de moradia adequada e pessoas morando em áreas irregulares começaram se tornarem notórias. Diante deste contexto, a partir de uma parceria entre o governo do estado e a Prefeitura de Almirante Tamandaré foi assinada em 26 de novembro de 2011 a ordem de serviço para a construção de 69 moradias para famílias de baixa renda do município que se encontravam domiciliadas em áreas de risco. Participaram da solenidade o Governador Beto Richa, Prefeito na época Vilson Goinski e o presidente da Câmara Aldnei Siqueira entre outras autoridades. Na data de 03 de setembro de 2013, na gestão do Prefeito Aldnei Siqueira no Bairro Campina do Arruda é inaugurado o condomínio popular. Este condomínio foi denominado Residencial Vereador Neninho Siqueira, homenagem ao sr. Reimundo Prestes de Siqueira que foi uma personalidade da sociedade tamandareense de muito destaque e respeito. Foi pioneiramente eleito vereador com 447 votos no pleito de 15 de novembro de 1976 representando a ARENA e reeleito vereador nas eleições de 15 de novembro de 1982 com 579 votos representando o PDS. Quatorze anos depois em 03 de outubro de 1996 pleiteou a vereança pelo PPB e se elegeu com 529 votos, sendo reeleito ao mesmo cargo nas eleições de 01 de outubro de 2000 com 829 votos, a qual lhe possibilitou o seu último mandato, já que, a eleição seguinte ao cargo legislativo foi disputada e ganha por seu filho Aldnei. Tamandareense nato, seu Neninho contraiu matrimonio com a Professora Dolores Siqueira, com quem teve três filhos: Aldnei Siqueira, atual prefeito, Jocimari Siqueira (in memória) e Eduardo Henrique. Escreveu seu último parágrafo de sua história na vida pública ocupando o cargo de Secretário de Obras do Município.

Na primeira imagem, casas populares já em processo de acabamento/Foto: Antonio Kotoviski/2013 – Na segunda imagem, o saudoso homenageado Neninho Siqueira/Foto: Família Siqueira.

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Bairros oficiais do município Almirante Tamandaré é uma cidade composta por diversas localidades, as quais muitas vezes são confundidas como se fossem bairros ou consideradas uma só, como é o caso da Cachoeira. Porém, o município possui uma divisão oficial, a qual foi reformada em 2008. Neste contexto, se observa que a reforma foi uma consequência da contemplação do Jardim São João Batista como território de fato e direito ao contexto de responsabilidade municipal. No que tange esta nova condição, as alterações foram mínimas após a autonomia municipal em 1947, sendo a única exceção o desmembramento do território de Campo Magro em 1995. Diante deste exposto, a Lei Ordinária de Almirante Tamandaré nº 1.342, de 14 de maio de 2008, estabeleceu 44 localidades como bairros oficiais, os quais são: BAIRRO ÁGUA BOA Água Boa possui uma área 8,47 km². Sua denominação é um hidrotopônimo inspirado na expressão "lugar com água limpa", ou "naquele local tem água boa para se beber ou usar". Neste sentido a região passou com o tempo a ser denominada popularmente de "Água Boa". Nas informações prestadas por Agostinho Ermelino de Leão no "Diccionario Histórico e Geographico do Paraná/volume VII", p. 4, em 1920 foram citados dois estabelecimentos rurais em Tamandaré figurando como proprietário Luiz Cordeiro e Laurindo José Cordeiro. A origem da localidade se deu no parcelamento de sesmarias ainda no século XIX. Atualmente é uma região rural parcelada em chácaras. O território do bairro foi assim definido: "Inicia-se na esquina da Rua Antenor Manfron com a Estrada do Morro Azul; segue pela Estrada do Morro Azul em sentido antihorário, margeando o Rio Capivara, até encontrar a linha referente ao prolongamento de um córrego, afluente do rio Capivara; pende à esquerda e segue por essa linha e pelo 89

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referido córrego até encontrar uma estrada rural municipal; segue por esta estrada municipal até encontrar a Rua Antônio Eduardo Trevisan; segue por esta rua até encontrar a linha referente ao prolongamento de um córrego; pende à esquerda e segue por essa linha, pelo referido córrego e por outra linha que vai encontrar outro córrego; pende novamente à esquerda e segue por este córrego até encontrar a Rua Antônio Guedes; pende à esquerda e segue por esta rua até encontrar uma Estrada Municipal; pende à direita e segue por esta estrada até encontrar a Rua Francisco de Lara Vaz; pende para a esquerda novamente e segue pela referida rua até encontrar a Rua Antenor Manfron, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 8,47 km²". BAIRRO ALTO SÃO SEBASTIÃO O Bairro Alto São Sebastião é uma localidade com Foto: Albino Milek, 1982 área de 4,16 km², possui uma denominação hagiotopônima recente em substituição à antiga denominação popular que recebia (Veados), uma vez que a mesma podia ser interpretada de forma preconceituosa por quem desconhecia o real significado do nome da localidade. O atual nome é provavelmente de ênfase religioso, ligada ao padroeiro da Capela localizada na região. Inicialmente, a localidade de Veados pertencia ao quarteirão da Campina de Santa Rita, como é possível observar na publicação de um Edital de Leilão, comunicado cidadão Augostinho Pereira de Lima, 2º Suplente do Juiz de Execução de Curitiba no periódico "A República, de 16 de dezembro de 1890", Capela de Alto São Sebastião (popularmenque qualificava imóveis ao pregão. Ou seja: "Um for- te Igreja dos Veados), construção de 1971 no de cal com duas partes de terras lavradias e herval no lugar Veados do quarteirão da Campina de Santa Rita que foi de Joaquim Gouvea e sua mulher (...)" Apesar de ser uma área conhecida no século XVIII, o bairro só teve seu povoamento de fato a partir de assentamentos de imigrantes europeus (italianos e poloneses) no final do século XIX, que se dedicaram à agricultura. Esta atividade ainda é predominante na região. Segundo informações colhidas junto à Paróquia Nosso Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré, tem início no ano de 1902 uma Comunidade Católica na localidade. A região do bairro era denominada de "Veados" com o sentido "terra dos veados", pelo fato de ser comum encontrar o animal veado (Mazama nana). Atualmente este animal ainda é visto nas regiões interioranas do território tamandareense. Com o advento do Decreto Estadual nº 458, de 05 de junho de 1991, que criou da Área de Proteção Ambiental do Passaúna (APA), praticamente 50% de seu território em sua porção leste e sudeste está protegida legalmente contra os abusos da urbanização sem planejamento.

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Fonte: Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré, 1971 O bairro foi assim delimitado: "Inicia-se na Rua Luciano Perussi, esquina com a Rua Vereador Arlindo França; segue pela Rua Vereador Arlindo França, em sentido anti-horário até encontrar a Rua José de Morais Seixas; pende à esquerda e segue por esta rua até encontrar a linha referente ao prolongamento de um córrego afluente do Rio Passaúna; pende à esquerda e segue por essa linha e pelo referido córrego, aproxi- Inauguração da Capela de São Sebastião em alvenaria ainda sem a torre. madamente 120,00 m (cento e vinte metros), e pende à esquerda por uma linha até encontrar a Rua Afonso Perussi; pende à esquerda e segue por esta rua até encontrar a Rua Luciano Perussi; pende novamente à esquerda e segue por esta rua até encontrar a Rua Vereador Arlindo França; ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 4,16 km²".

BAIRRO DE ARARAS O Bairro de Araras possui uma área de 4,86 km². Seu nome a princípio é um zootopônimo, que indica que a localidade foi inicialmente identificada pela notória quantidade de araras ou pássaros que se assemelham a elas. É uma região pouco povoada e apresenta pedreiras (minas de extração de minério da cal e calcário). A legislação definiu a delimitação do bairro da seguinte maneira: "Inicia-se no Rio Barigui no ponto onde encontra-se com a Rodovia dos Minérios (PR 92), próximo à Planta Jardim São João Batista; segue pelo Rio Barigui em sentido anti-horário e margeando a Rodovia dos Minérios até a confluência com o seu afluente; pende à esquerda e segue pelo afluente do Rio Barigui até encontrar outro córrego; pende à direita e segue por este córrego, cruza uma estrada e continua pelo córrego até encontrar uma linha imaginária que encontra a Estrada da Fábrica de Giz; pende à esquerda e segue pelo prolongamento da referida Estrada até encontrar um córrego que faz divisa com o município de Colombo; pende à esquerda e segue pela divisa com o município de Colombo e depois pela divisa com o município de Rio Branco do Sul até encontrar o prolongamento de um córrego; pende à esquerda e segue por esse prolongamento e depois pelo referido córrego, e em seguida segue por uma linha imaginária que encontra outro córrego afluente do Rio Barigui; segue por esse córrego até a sua confluência com o Rio Barigui onde se encontra com a Rodovia dos Minérios, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 4,89 km²".

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BAIRRO AREIAS Na divisa com o município de Rio Branco do Sul se Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, abril de 2011 encontra o Bairro de Areias, o qual possui 3,62 km², cuja localidade inicialmente pertenceu ao território riobranquense até 1947, mas se encontrava timidamente habitada desde o século XVIII. Oficialmente, o "Registro de terras feito de acordo com a lei de 18 de setembro de 1850 na parochia de Curytiba", menciona várias posses com esse nome. No que tange o "Arquivo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré", em 1900 é fundada uma Comunidade Católica na localidade. Porém, seu expressivo povoamento se deu em virtude da localidade ter servido ao propósito de assentar imigrantes europeus (italianos), pois a localidade ficava próxima à Estrada do Assunguy. Inicialmente o bairro era tipicamente rural. Segundo informações de Agostinho Ermelino de Atual Capela São João Batista em Areias construída em 1957, em substituição Leão prestadas no "Diccionario Histórico e Geographi- à pioneira feita de madeira pelos imico do Paraná/volume I", p. 136, a população do bairro grantes italianos e moradores ali domiem 1916 foi estimada em 90 habitantes, mas de acordo ciliados pioneiramente em julho de com o censo escolar de 1920, apurou-se 165 habitan- 1911. Em 17 de julho de 2011 foi comemorado seu primeiro centenário. A tortes dos quais 33 em idade escolar. re foi erguida em 1961 A partir do contexto da p. 98-99 do "Relatório da Província do Paraná apresentado à Assembleia Provincial do Paraná pelo Vice-Presidente Henrique de Beaurepaire Rohan, em 1º de março de 1856", é possível interpretar que a origem do nome do bairro se refere a um hidrotopônimo que supostamente se relaciona a um ponto de referência ligado ao ribeirão das "Arêas" (Areias) que era um marco divisório da Paróquia de Curitiba com a de Votuverava (Rio Branco do Sul) em 1856. O nome deste rio está ligado a uma notória concentração de areia observada pelos primeiros desbravadores ou medidores do Rossio da Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Porém, existe a possibilidade da denominação da localidade estar ligada às características do solo encontrado pelos primeiros habitantes no século XVIII, como é possível observar no comentário de Romário Martins em relato publicado no periódico "A República, de 08 de setembro de 1906": "Areias é um nome bem posto àquele sítio, profusamente arenoso, a tal ponto, que as rodas do carro se enterram no solo até boa altura, em alguns trechos". O território oficial de Areias se dispõe da seguinte forma: "Inicia-se na Rua Frederico Domingos Gulin esquina com a Rodovia dos Minérios (PR 092); segue em sentido antihorário por uma linha que prolonga a referida rua, cruzando a Rodovia dos Minérios até encontrar o Rio Barigui no limite com a Planta Santo Antônio; segue pelo Rio Barigui até encontrar a foz de um afluente; pende à direita e segue por este afluente até encontrar a Rua Jacob Camilo Benato; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar outro afluente do Rio Barigui, em um dos limites da Planta São João Batista; pende à esquerda 92

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e segue por este afluente até encontrar uma linha que corresponde ao prolongamento de outro afluente do Rio Barigui; pende à direita e segue por esta linha e depois pelo afluente do Rio Barigui até encontrar novamente o referido rio, após cruzar a Rodovia dos Minérios (PR 092); pende à direita e segue pelo Rio Barigui, margeando a citada rodovia até encontrar um lago, na confluência com outro afluente; segue por este afluente em uma linha sinuosa paralela à Rua Bortolo Muraro até encontrar uma linha imaginária, correspondente ao prolongamento de outro afluente do Rio Barigui; pende à direita e segue por esta linha imaginária e sinuosa até encontrar o referido corpo d`água, afluente do Rio Barigui; segue por este corpo d`água até encontrar a Rua Frederico Domingos Gulin; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rodovia dos Minérios (PR 092), ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 3,62 km²". BARRA DE SANTA RITA Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, 15 de novembro de 2011 O Bairro da Barra de Santa Rita possui uma área de 5,93 km². Inicialmente Campina de Santa Rita e Barra de Santa Rita era uma única região de Curitiba denominada de "Santa Rita", o qual, devido aos constantes parcelamentos territoriais oriundos do surgimento e extinção de distritos e municípios, acabou se dividindo. Ou seja, pelo Decreto nº 116, de 02 de outubro de 1890, ocorreu a divisão territorial da região, Capela de Santa Rita construída ao lado do prédio que funcionavisto que a parte tamandareense va a Escola Municipal Rural da Barra de Santa Rita. da localidade foi denominada de "Barra de Santa Rita", em referência geográfica ao rio Santa Rita, que é tributário do Rio Conceição, que historicamente serviu de divisa com a Freguesia do Cruzeiro. A parte esquerda em referência ao Rio da "Barra" foi denominado de Campina de Santa Rita pertencente à Freguesia de Cruzeiro. A pioneira denominação "Santa Rita" é um hagiotopônimo inspirado na antiga denominação da localidade legada da devoção dos pioneiros que povoaram a localidade desde o século XIX. Santa Rita foi uma mulher de nacionalidade italiana, devotada como protetora dos casos impossíveis e contra os desentendimentos em família. No final do século XIX, esta área assentou imigrantes italianos; "Barra" foi em relação às características da nova localidade originada na referida divisa. Ou seja, é um hidrotopônimo, pois a região é marcada pelo encontro de vários pequenos rios que deságuam no rio Santa Rita formando uma "barra". Diante disso, o rio foi popularmente denominado de Rio da Barra de Santa Rita, em virtude justamente por herdar o nome de referência da localidade. Segundo a "Ata da Sessão Extraordinária da Câmara de Curitiba, datada de 05 de agosto de 1834", o Sr. Manuel José de Ávila exercia a função de Inspetor de Quarteirão na localidade Santa Rita.

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Agostinho Ermelino de Leão em seu "Diccionario Histórico e Geographico do Paraná/ volume I", p. 2060, citava a localidade como "bairro da antiga parochia de Curityba". O "Registro de terras de 1854" mencionou 8 posses existentes na localidade". Por ser um território grande no século XIX, a região de Santa Rita também fez parte do Quarteirão do distrito judiciário de Campo Magro. Agostinho Ermelino de Leão, p. 2060 citava que o recenseamento escolar de 1920 apontava 220 habitantes. Nesta localidade, funcionava uma Escola Pública criada pela Lei nº 1.304, de 04 de abril de 1913, de proposição do Deputado Estadual João Candido de Oliveira em sua primeira legislatura. O "Arquivo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré" informa que em 1899 formou-se uma Comunidade Católica na localidade. O bairro foi delimitado da seguinte forma: "Inicia-se na esquina da Rua Vereador Arlindo França com a Estrada Valeriano Ferreira da Silva; em sentido anti-horário segue pela Rua Vereador Arlindo França até encontrar a Rua Lindolfo Monteiro na divisa com o Foto: Álbum Familiar de Albino Milek, fevereiro de 1982 município de Campo Magro; segue pela referida rua, fazendo divisa com o município de Campo Magro, e cruzando o gasoduto por duas vezes até encontrar um córrego; pende à direita e segue por este córrego até encontrar um afluente deste córrego; pende à direita e segue por esse afluente até encontrar o prolongamento de uma estrada municipal rural; segue por esta estrada rural até encontrar a Estrada Valeriano Ferreira da Silva; pende à direita e segue por esta estrada até enconCapela Santo Antônio de Pádua (não existe mais), estrar a Rua Vereador Arlindo França, pon- tando em frente o saudoso Frei Lourenço Kachuba. Esta to inicial desta descrição, perfazendo uma capela foi reconstruída em 1952 e desmontada em dezembro de 1994. área aproximada de 5,93 km²". BETARA O Bairro de Betara possui área territorial de 2,72 km², cujo nome deveria ser um zootopônimo, pois betara é um peixe de água salgada. Diante disto o nome Betara provavelmente se liga a outro elemento inspirador, como possivelmente seja um apelido que possuía o dono da área ou de alguém que lá vivia, então neste caso seria um antropotopônimo. Esta região se destaca por guardar a nascente do Rio Barigui e por sua imponente serra que era um marco divisório natural entre o município de Tamandaré e Votuverava. É uma área conhecida desde o século XVII. Está assim definido o território do bairro: "Inicia-se na Rodovia dos Minérios no ponto onde faz divisa com o município de Rio Branco do Sul; em sentido anti-horário segue pela divisa do município até encontrar uma linha correspondente ao prolongamento de um corpo d`água, afluente do Arroio Itaperuçu; pende à esquerda e segue por este corpo d`água e por uma linha correspondente ao seu prolongamento até encontrar outro corpo 94

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d`água, por onde segue até encontrar a Rua Pedreira do Bom Jardim; cruza a referida rua até encontrar um córrego que a margeia; pende à esquerda e segue por este córrego e depois por uma linha correspondente ao seu prolongamento até encontrar outro córrego, afluente do Rio Barigui; segue pelo referido córrego, e depois por uma linha que o prolonga até encontrar a divisa da Planta São João Batista no final da Rua Jacob Camilo Benato; pende à esquerda e segue por esta divisa até encontrar uma Estrada Municipal; pende à direita e segue pela referida estrada e depois por um córrego até encontrar o Rio Barigui, margeando a Rodovia dos Minérios; pende à esquerda e segue pelo referido rio até encontrar um afluente do Rio Barigui; pende à direita e segue pelo referido afluente do Rio Barigui, até percorrer aproximadamente 1.200 m (um mil e duzentos metros), quando pende à esquerda e segue por uma linha reta que vai encontrar outro corpo d`água; segue por este corpo d`água até encontrar a divisa entre os municípios de Almirante Tamandaré e Rio Branco do Sul; pende à esquerda e segue pela referida divisa até encontrar a Rodovia dos Minérios (PR 092), ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 2,72 km²". BETARINHA O Bairro da Betarinha, que a princípio deveria ter área menor que a localidade de Betara, porém possui uma área maior, ou seja, 4,69 km². Esta região provavelmente possui a mesma lógica em sua denominação. O território está assim definido pela legislação municipal: "Inicia-se na divisa entre os municípios de Almirante Tamandaré e Itaperuçu, próximo à Estrada do Morro Azul; segue em sentido anti-horário pela referida divisa e depois pela divisa com o município de Campo Magro, até encontrar uma estrada municipal; pende à esquerda e segue por esta estrada até encontrar novamente a divisa com o município de Itaperuçu, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 4,69 km²". BOIXININGA O bairro Boixininga possui uma área de 5,42 km², foi uma região de fato habitada por silvículas tinguis, como é possível obser var em documentos de posses de terra datados de 1817, que oficialmente relatavam a presença deste grupo humano na região. Em virtude da colonização lusitana, a re-

Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, 21/11/2011

Construção centenária do início de século XX, que pertenceu à família Brotto, ao fundo o barracão onde se fazia e guardava vinho para ser comercializado. Desde 1980, estas construções históricas pertencem à sede campestre do Sindicato dos Empregados no Comércio de Curitiba

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gião se tornou uma sesmaria não tomada posse até o início do século XIX, que logrou a sorte de ser parcelada entre os municípios de Colombo e Almirante Tamandaré no decorrer de sua história, pois até 1889 pertencia ao território de Curitiba. Com a criação da Vila de Tamandaré em 28 de dezembro de 1889, o território passou a ser de Tamandaré. Com o advento da criação da Vila de Colombo, em 08 de janeiro de 1890 e o posterior Decreto nº 34, de 31 de janeiro de 1890, o território do bairro começou a fazer parte de Colombo. Com o advento da Cidade de Timoneira, a região foi dividida entre as duas cidades. Ou seja, tanto a parte tamandareense quanto a colombense são localidades homônimas com a mesma origem. Com o tempo, a localidade adquiriu o status de "Quarteirão", contando com uma autoridade denominada "Inspetor de Quarteirão", a qual em 1836 exerceu a função o Sr. Antônio Manuel de Abreu. Em 1877, a função era exercida pelo Sr. Francisco França Leite. No ano de 1853, a localidade de Boixininga é referenciada pertencente ao 4º Termo Judiciário e Policial, sendo um dos 27 quarteirões existentes em Curitiba. Segundo o documento do Arquivo Público do Paraná denominado de "Registro de Terras da Parochia de Curytiba: Livro nº 0001, ano 1956, fl.108" é apresentado no contexto do Registro nº 346, de 18 de março de 1856, informações que possibilitam identificar antigos donos e até uma atividade econômica comum a eles, como é percebido nas linhas oficiais que seguem: "Nasário Ribeiro é legítimo possuidor de uma parte de terrenos de ervais de mate, que possui por data que lhe fez seu finado sogro Salvador Manoel dos Santos e que os possui em comum com outros herdeiros, sítos na paragem denominada Boixininga, distrito desta Cidade de Curitiba, os quais dividem com os Cordeiro". Segundo informações do documento do Arquivo Público do Paraná denominado de "Registro de Terras da Parochia de Curytiba: Livro nº 0001, ano 1956, fl.108" é apresentado o "Registro nº 500, de 05 de abril de 1856", que revela a existência de outros pioneiros que transcende anos anteriores a 1850: "Benedito Ribeiro Cardoso declara que é possuidor de parte de um campo, por compra que fez de Antônio Manoel de Abreu na paragem denominada Boixininga, dividido com terrenos dos Cordeiros ao sul; com Salvador Pinto ao norte; à nascente com João de França; e ao poente com Salvador Pinto". Com a passagem da Estrada do Assunguy pela localidade na década de 1860, ocorre a chegada de imigrantes ainda no início do século XX. No "Mappa estatístico da população da Parochia de Nossa Senhora da Luz, Curityba, capital da Província do Paraná, 1º de agosto de 1872, segundo recenseamento a que procedeu de conformidade com o Regulamento de 1870" foi informado 338 pessoas morando na localidade, sendo 10 escravos e 328 livres. Existiam 78 casas nesta localidade. Ermelino Augustinho de Leão, 1926, p. 214-215 informa o resultado estatístico da região do ano de 1920 como fica evidente em seu comentário: "(...) com esse título foram registradas algumas posses de terra na antiga paróquia de Curitiba. A população do bairro orça 440 almas, tendo o rescenseamento escolar de 1920 apurado 88 crianças de 7 a 14 anos de idade". As posses a quais se referia Ermelino de Leão possivelmente seriam dos pioneiros de fato na região. Em referência aos relatos de Estélio Brotto em 2002, prestados ao Projeto Tamandaré: Contos e Lendas de um Povo, a denominação do bairro é muito antiga e deriva do dialeto tingui que significa "cobra grande". Este nome se relaciona ao fato de ser uma localidade onde existiam muitas cobras. Segundo a pesquisa de Luiz Daniel Cleve publicada na p. 96

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142 do "Almanach Paranaense 1896", é citada a palavra "Buxininga: boio - cobra / cininga - chocalho. Possivelmente a palavra signifique cascavel". O bairro se dispõe: "Inicia-se na PR-509 (Rodovia do Calcário) no ponto onde cruza o córrego que faz divisa com o município de Colombo; pende à esquerda e segue em sentido anti-horário pela referida divisa até encontrar um corpo d`água; pende à esquerda e segue por esse corpo d`água até encontrar um córrego, afluente do Rio Barigui; pende à esquerda e segue por esse córrego até encontrar a Rua Frei Beda de Gavelo; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Aleixo Broto; pende à direita e segue pela Rua Aleixo Broto até encontrar o Rio Barigui; pende à esquerda e segue pelo Rio Barigui até encontrar a Rua Antônio Ferro; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a PR 509 (Rodovia do Calcário); pende novamente à esquerda e segue pela referida Rodovia até encontrar a divisa com o município de Colombo, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área BOIXININGA DOS FRANÇAS O Bairro Boixininga dos Franças com 2,79 km² possui a expressão "dos Franças" para designar que a área pertencia à pioneira família França estabelecida na região, provavelmente em data anterior a 1850. A localidade surgiu em consequência dos parcelamentos que a região do Boixininga original sofreu no que tange sua ligação com os destinos de Almirante Tamandaré e Colombo. O bairro está assim delimitado: "Inicia-se na PR-509 (Rodovia do Calcário) no ponto onde cruza o córrego que faz divisa com o município de Colombo; segue em sentido antihorário pela referida rodovia até encontrar o acesso para a Rua Campina das Flores; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua José Real Prado; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar um corpo d`água; pende à esquerda e segue por este corpo d`água até aproximadamente 562,00 m (quinhentos e sessenta e dois metros); pende à direita e segue por uma linha reta até encontrar outro corpo d`água; segue por este corpo d`água até encontrar o Rio Antônio Prado, o qual faz divisa com o município de Colombo; pende à esquerda e segue pela referida divisa intermunicipal, até encontrar novamente a PR-509 (Rodovia do Calcário), ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 2,79 km²". BOMFIN Descrição da Cachoeira do Bomfin feita pela Tribuna dos Minérios, nº 29, de fevereiro de 1970, no contexto da manchete "Festa do Bonfim": "CACHOEIRA DO BONFIM está localizada próxima da Rodovia dos Minérios que liga Curitiba a Rio Branco do Sul. Pertence a

Foto: Tribuna dos Minérios, nº 29, fevereiro de 1970

Capela de São Sebastião (foi substituída por uma de alvenaria no mesmo local), comemorando o dia de festa do padroeiro, em 18 de janeiro de 1970

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Almirante Tamandaré porém, Paróquia do Abranches (Curitiba). Lugarzinho humilde mas, calmo e com um pequeno bosque tão aprazível que vale a pena marcar em nossa "anotações" as épocas de festas para não perdermos a oportunidade de conhecer e frequentar sempre as festividades ali realizadas todos os anos duas ou três vezes". Cachoeira do Bomfin era a denominação conhecida que corresponde a localidade do atual Bairro do Bomfin, que é uma região recente que surgiu em meados do século XX, cuja denominação se liga aos antigos donos da área que pertencia à família Bomfin, o qual é cortado pelo rio Barigui, um ribeiro de planalto onde, naturalmente em seu trajeto, se encontram cachoeiras. Por causa de uma cachoeira aonde as pessoas iam se divertir somado ao fato relatado por Valter Johnson Bomfin em abril 2011, que antes da construção da Rodovia Estratégica, as pessoas para encurtar o caminho entre a Lamenha e a Cachoeira, expressavam "vamos varar pelos Bomfin", a região foi popularmente denominada pelo topônimo de "Cachoeira do Bomfin". Porém, com o tempo passou a ser só Bomfin. Este bairro possui uma área de 3,02 km². O nome da localidade também possui outra curiosidade. Segundo o Sr. Valter Johnson Bomfin, existe um erro que é cometido no contexto do sobrenome Bomfin. Pois, o certo é Bomfin e não Bonfim ou Bonfin. O bairro: Inicia-se na Rodovia Vereador Admar Bertolli (Rodovia do Contorno Norte) no ponto onde cruza o Rio Barigui; segue em sentido anti-horário pelo Rio Barigui até encontrar o córrego que faz divisa com o município de Curitiba; pende à esquerda e segue pela referida divisa até encontrar o ponto que corresponde ao prolongamento da Rua Sebastiana P. Ribeiro; pende à esquerda e segue por essa linha e depois pela referida Rua até encontrar a Rua Antônio Rodrigues Dias; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a Rua Rosalina de Lara Prodocimo; pende à esquerda e segue pela referida rua por aproximadamente 100,00 (cem metros); pende à direita e segue por um fundo de vale até encontrar um córrego, afluente do Rio Barigui; pende à esquerda e segue pelo referido córrego até encontrar o leito do Rio Barigui; pende à direita e segue pelo Rio Barigui até encontrar a Av. São Jorge no limite do loteamento Parque São Jorge; pende à esquerda e segue pela Av. São Jorge até encontrar a PR-092 (Rodovia dos Minérios); pende à esquerda e segue pela referida rodovia até aproximadamente 1.200 m (um mil e duzentos metros); pende à esquerda e segue por uma linha reta até encontrar a Rua João Vicki na divisa entre os loteamentos Jardim São Caetano e Jardim Marrocos; pende à esquerda e segue pela Rua João Vicki até encontrar a Rua Santos Dumont no loteamento Jardim São Carlos; segue pelo limite do referido loteamento até o final da Rua Visconde de Mauá onde encontra um córrego, afluente do Rio Barigui; pende à esquerda e segue pelo referido córrego até encontrar a Rua Rio Branco no loteamento Jardim Nápolis; pende à direita e segue pela Rua Rio Branco até o final da Rua Rio Negro no loteamento Jardim Amazonas; segue pelo prolongamento da Rua Rio Branco até encontrar a Rua Rio Paraná no loteamento Jardim Valma; segue pela Rua Rio Paraná e depois pelo seu prolongamento no limite do loteamento Jardim Dragão Verde até encontrar um córrego; pende à esquerda e segue por este córrego até encontrar outro corpo d`água; pende à direita e segue pelo referido corpo d`água até encontrar a Rodovia Vereador Admar Bertolli (Rodovia de Contorno Norte); pende à esquerda e segue pela referida rodovia até encontrar o cruzamento com o Rio Barigui, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 3,02 km²". 98

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BOTIATUBA Foto: Albino Milek, 1982 A região do Botiatuba (região do atual município) era conhecida desde o século XVII recebendo seus pioneiros moradores portugueses no século XVIII, como é possível perceber na "Lista de Ordenanças de Curitiba de 1776", que denuncia a existência da casa do cabo Manuel Machado e mais 39 casas. José Carlos Veiga Lopes, p. 17 na adaptação linguística feita frente aos textos da "Lista de Ordenanças de Curitiba" apresenta o documento O terceiro prédio da atual Capela do Divino Espírito Santo, datado de 27 de agosto de 1781, construído em local diferente, ou seja, onde se localizava a "João Machado Castanho e sua mu- antiga escola das freiras (Nossa Senhora das Graças). Popularmente conhecida como a Igreja Redonda do Botiatuba, cuja lher Ana de Siqueira Cortes vende- solenidade de benção dos alicerces ocorreu na data de 13 de ram para Lucas Peres Pedroso um janeiro de 1974, a qual em seu marco foi feito um breve histópedaço de campos com casas cober- rico, assinado por membros da comunidade e depois colocado tas de palha, sito na paragem cha- dentro de uma garrafa e enterrada junto com a pedra fundamental mada Butiatuba, desde a restinga que partia com o campo grande pertencente aos vendedores, correndo pelo ribeirão do Pacheco abaixo até entestar na restinga seca que partia com o campo que foi do defunto Francisco de Siqueira Cortes, com suas capoeiras e matos lavradios, correndo seu rumo para a parte do norte e entestar com o Rio Pacotuba, que possuíam de transpasse que lhes fizera Pascoal Fernandes Leite, herdeiro possuidor, como constava da escritura que os vendedores tinham em seu poder". José Carlos Veiga Lopes, p. 17 identifica junto à "Lista de Ordenanças de Curitiba", que na data de 09 de setembro de 1784, "Antônio Martins Lustosa e sua mulher Isabel Maria de Andrade venderam para o sargento-mor Simeão Gonçalves de Andrade, 200 braças de terras lavradias com meia légua de sertão, que corria para o rio de Passaúna, na paragem chamada Butiatuba, que partiam de uma parte com terras de Francisco Correia e de outra com terras do Tenente Manuel Rodrigues Seixas; a possuíam por dádivas de seu sogro e pai Antônio Rodrigues de Andrade; Antônio era filho do guarda-mor Francisco Martins Lustosa, que explorou as minas do Descoberto da Conceição". Segundo a Lista de Ordenanças da Vila de Curitiba de 1793, no Bairro de Butiatuba moravam o cabo Francisco Martins Pinto e o alferes Manuel Machado, além de outras famílias. Em referência ao compromisso de "compra e venda de imóvel datado de 20 de fevereiro de 1822", Francisco Teixeira Alves vendeu um terreno para Roberto Jacinto Lanhoso no Campo Grande (onde fica atualmente o Jardim Formosa). No "compromisso de compra e venda lavrado em 06 de junho de 1827" são destacados os seguintes moradores do Bairro Botiatuba: Joaquim de Christo Leite, Gabriel da Costa Rosa, Angelo da Costa Rosa, Floriano Pereira, Domingos José de Faria, Joaquim da Costa Rosa e Ana Francisca da Piedade.

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José Carlos Veiga Lopes, p. 20 cita que em 27 de maio de 1833 "Mateus Ferreira e sua mulher Maria da Conceição venderam para Manuel Francisco de Abreu e sua mulher três propriedades no bairro de Butiatuba, a saber: uma casa na saída de Butiatuba, de dois lanços, coberta a metade de palha e a metade de telha; outra sita no campo, de três lanços, coberta de telhas, com seu potreiro e suas benfeitorias e esterqueiras e bem assim umas capoeiras, campinas e matos na paragem Roça Grande, principiando de abaixo do campo por um córrego chamado o Cercadinho, abaixo ia dar de mato a rumo de sul até entestar com o rio Passaúna, correndo Passaúna acima até no fundo das campinas a rumo de noroeste, desde a frente das campinas até entestar com Joaquim José Rodrigues no fundo do campo de Butiatuba, cujos compreendiam um forno de cal que tinha nas ditas campinas". Em 1836, Jerônimo Cardoso Pazes exercia a função de Inspetor de Quarteirão no Botiatuba. Moravam nesta época Angelo da Costa, Joaquim da Costa e Joaquim de Cristo entre outras pessoas. José Carlos Veiga Lopes, p. 21-22 identifica que na data de 02 de março de 1849, "João Antonio Bicudo e sua mulher Cecilia Maria Cordeiro venderam para Ana Ferreira Bueno terreno na Butiatuba. Em 11 de abril de 1849, Lourenço José da Rosa e sua mulher Francisca de Paula venderam para Ana da Costa uma morada de casa na estrada de Butiatuba que compraram do falecido Jeronimo Cardoso Pazes. Em 06 de março de 1852, Luis de França e sua mulher Maria da Luz venderam para José Maria Vieira terras na Butiatuba. Em 30 de junho de 1853, Maria da Conceição vendeu para Joaquim de Paula Vaz uma parte de campo e mato no quarteirão do Butiatuba, cuja parte se achava em comum com José Pedro, que houve por herança de sua falecida mãe Maria da Luz". No ano de 1854, o Quarteirão curitibano do Botiatuba pertencia ao 4º Termo Judiciário e Policial. José Carlos Veiga Lopes, p. 22 identifica a informação datada de 02 de janeiro de 1856 onde "Angelo da Costa e sua mulher Francisca Maria Aires venderam para Carlos Pedroso de Moraes uma parte de campo e mato e benfeitorias que se achassem, no lugar denominado Campo Grande, quarteirão do Butiatuba, cuja parte lhes pertencia por falecimento do sogro e pai Roberto Jacinto Lanhosa e Gertrudes Maria Aires, que se achava em comum com os mais herdeiros". Habitado intensamente desde meados do século XIX, pois era vizinho da Colônia Lamenha e localizava-se às margens da Estrada do Assunguy, o que permitiu o parcelamento da localidade em pequenas chácaras para atender o programa de assentamento de imigrantes (poloneses em sua maioria). O "Mappa estatístico da população da Parochia de Nossa Senhora da Luz, Curityba, capital da Província do Paraná, 1º de agosto de 1872, segundo recenseamento a que procedeu de conformidade com o Regulamento de 1870", realizado pelos Srs. Francisco Pedroso de Morais e João Machado de Araujo, foram contadas 80 casas na localidade, habitadas por 365 pessoas, distribuídos em 316 livres, 8 estrangeiros e 41 escravos. O "documento de transferência de imóvel" cita que na data de 10 de fevereiro de 1873, o Sr. Damião José de Sant'Anna e sua esposa Josepha Felix vendem a sua propriedade localizada "no lugar denominado de Butiatuva na margem direita da Estrada que vai para o Assunguy" aos Srs. Antônio José Rodrigues e José Fernandes Loreiro. Esta área atualmente se localiza no endereço junto a Av. Wadislau Bugalski nº 2.011 e nº 2.013. O "Relatório de Manoel Antonio Guimarães, Vice-Presidente da Província do Paraná, 100

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apresentado na Assembleia Provincial do Paraná em 17 de fevereiro de 1873", cita a existência de uma Escola do Sexo Masculino em Botiatuva, cujo professor designado era o Sr. Gustavo Von Krüger. No ano de 1877 exerceu a função de Inspetor de Quarteirão o Sr. Elias D'Oliveira. Na data de 19 de outubro de 1883, a Lei nº 731 estabelecia o seguinte na região do Butiatuva: "Art. Único - Fica criada uma cadeira de instrução primária do sexo masculino, no bairro da Botiatuba, distrito do Pacotuba: revogadas as disposições em contrário". Agostinho Ermelino de Leão, em seu "Diccionario Histórico e Geographico do Paraná", p. 231, informa que em 1916 existiam 62 crianças em idade escolar que se distribuíam em duas escolas subvencionadas; no ano de 1920, o número de crianças aumentou para 89. Segundo consta nos "Arquivos da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré", tem início no ano de 1899 uma Comunidade Católica na região. Nas informações organizadas pelo Frei Doroteu de Pádua no documento eclesiástico "Crônicas da Capela de Botiatuba", em 17 de setembro de 1973, os primeiros imigrantes oriundos da Lamenha Grande foram os poloneses José Gelanski e João Gavlik, em 1894. Nesta época a localidade se chamava "Butiatuba", legada do nome como era conhecida a região do atual território tamandareense, localizado junto à margem direita do rio Barigui. A denominação da localidade, segundo Leon Francisco Rodrigues Clerot, "Glossário Etimológico Tupi/Guarani, Volume 143", p. 103, "tem origem indígena fitotopônima, pois significa terra de muito butiá ou abundância de butiá". No ano de 1953, os Srs. Hamilton S. Araújo, Prudente S. Corrêa e Almicar de Corrêa lotearam seus terrenos, surgindo assim o Jardim do Norte. No ano de 1987, surge o Jardim Santa Maria, cujo nome foi inspirado no Parque Santa Maria, com o qual o loteamento faz divisa. Atualmente, o bairro possui uma área de 4,85 km². Em seu território nasce um pequeno riacho que leva o mesmo nome da localidade e deságua no rio Barigui. Foto: Bernadete Govatiski, década de 1950 O bairro: "Inicia-se na Rua Frei Jacinto Govaski esquina com a Av. Vereador Wadislau Bugalski no limite do Jardim Santa Maria; em sentido anti-horário segue pela Av. Wadislau Bugalski contornando o Jardim Santa Maria até encontrar um córrego; pende à direita e segue pelo referido córrego por aproximadamente 165 metros; pende à esquerda e segue por uma linha perpendicular por aproximadamente 100,00 m (cem metros); pende novamente à esquerda e segue por uma linha reta até encontrar um Largo da segunda Capela Católica em louvor ao Divino Espícórrego afluente do Rio Barigui; pen- rito Santo no Botiatuba, construída em 1934 em substituide à esquerda e segue pelo referido ção à capela menor no mesmo local em 1911 córrego passando novamente pelo limite do Jardim Santa Maria, e depois contornando um lago até encontrar o limite do loteamento Jardim do Norte; pende à direita e segue pela divisa do referido loteamento por um córrego, depois margeando o Lago Santa Maria até encontrar a Rua João Govaski Filho; pende à direita e segue pela referida rua por 101

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aproximadamente 615,00 (seiscentos e quinze metros), quando pende à esquerda e segue por uma linha reta correspondente ao prolongamento do limite do loteamento Jardim Central e depois por este limite até encontrar a Av. Wadislau Bugalski; pende à esquerda e segue pela referida avenida por aproximadamente 140,00 m (cento e quarenta metros); pende à direita e segue perpendicularmente por uma linha reta até encontrar a Rua José Gaviliki no limite do loteamento Jardim Silvana; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua dos Pinheiros; pende à direita e segue pela referida rua por aproximadamente 1.155,00 m (um mil, cento e cinquenta e cinco metros), quando pende à esquerda e segue perpendicularmente por uma linha reta até encontrar a Estrada Sete Lagoas; segue pela referida estrada até encontrar a Estrada da Ressaca; pende à esquerda e segue pela referida estrada até encontrar a Rua Pedro Jorge Kotowski; pende novamente à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Frei Jacinto Govaski; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a Av. Wadislau Bugalski, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 4,85 km²". CACHOEIRA Foto: Luiz Bassetti, maio de 2008

Réplica da Antiga Estação Ferroviária da Cachoeira construída em 2005, atual Biblioteca Municipal Santos Dumont

Com 2,89 km² de área existe na divisa com Curitiba o Bairro da Cachoeira, cuja denominação é um hidrotopônimo inspirado nos acidentes físicos existentes no Arroio Cachoeira e no Rio Belém (cachoeira), o qual resultou de uma referência geográfica comum e evidente de localização no contexto da lavratura do documento de Medição do Rossio da Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais ainda no século XVIII. No contexto das informações de Agostinho Ermelino de Leão em seu "Diccionario Histórico e Geographico do Paraná", p. 234 é apresentado que a localidade de Cachoeira inicialmente teria sido uma das zonas suburbanas povoadas desde o começo do século XVIII. O sítio mais antigo foi fundado pelo Capitão Antônio Rodrigues Seixas e sua espo102

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sa Maria Soares Paes, que em 1733 fizeram do mesmo doação ao seu cunhado, o Capitão João Ribeiro do Valle. Após, outros sítios foram fundados no bairro; em 1754, figuraram como proprietários na localidade Manoel Alves, Marcelino Luiz de Siqueira, Antônio Luiz da Costa, Tenente Coronel Braz Domingues Velloso e Nicolau Esteves dos Reis, segundo a mesma fonte referida. José Carlos Veiga Lopes, p. 20 identifica que na data de 19 de março de 1831, "Joaquim Álvares de Araujo e sua mulher, Ana Joaquim de Jesus, moradores na sua fazenda da Borda do Campo, ratificaram a venda que haviam feito em 20 de dezembro de 1928 para o ajudante Antônio Antunes Rodrigues de uma sorte de terras lavradias na paragem Cachoeira, com 500 braças em quadra, obtida por compra que havia feito por escritura ao falecido tenente Estevão José Ferreira, em qualidade de tesoureiro da confraria de São Miguel e Almas, que tinha princípio onde acabavam 1000 braças de sertão pertencentes aos herdeiros do falecido Manuel Joaquim de Jesus, partindo do lado direito com terras de Dona Maria Caetana de Jesus e do lado esquerdo com o rio Barigui, por ele acima até onde fazia uma pequena cachoeira". Em 1853, a região aparecia como um dos 27 quarteirões de Curitiba abrangidos pelo 4º Termo Judiciário e Policial. Em 1854, segundo o registro de imóveis, existiam diversos donos de terrenos na região. No "Mappa estatístico da população da Parochia de Nossa Senhora da Luz, Curityba, capital da Província do Paraná, 1º de agosto de 1872, segundo recenseamento a que procedeu de conformidade com o Regulamento de 1870", existiam 66 casas na localidade, totalizando 360 moradores, sendo 358 livres, 1 escravo e 1 estrangeiro. No século XIX, a localidade possuía uma escola pública criada por lei. Como território tamandareense, a área foi resultado de um desmembramento da Cachoeira original em 1899. Porém, até 1908 o seu território ainda pertencia à Curitiba. Sendo assim, é por este motivo que existe bairro homônimo vizinho. Porém, devido à exploração imobiliária e a concentração intensa existente na região e bairros próximos, a localidade aparenta ser muito maior. Por este motivo que atualmente é identificada não oficialmente de Grande Cachoeira. Em julho de 1932, o território do bairro pertenceu ao município de Colombo até o advento da autonomia de tamandareense em 11 de outubro 1947. Atualmente, a área do bairro se encontra com um alto grau de conurbação com a capital. Com o crescimento demográfico do bairro e uma maior necessidade de atenção do poder público na região, ocorreu que na primeira quinzena de agosto de 1989 foi inaugurada a subprefeitura da Cachoeira para atender aproximadamente 20.000 moradores; localizava-se junto ao lado da Escola Coronel João Candido de Oliveira, a qual foi coordenada inicialmente pelo Sr. Zair José de Oliveira. As delimitações são as seguintes: "Inicia-se na Rua Antônio Johnson, esquina com a Rua Santo Antônio no loteamento Parque São Jorge; segue em sentido anti-horário pela Rua Santo Antônio até encontrar um córrego afluente do Rio Barigui; pende à esquerda e segue pelo referido córrego até encontrar um fundo de vale; pende à direita e segue pelo referido fundo de vale até encontrar a Rua Rosalina de Lara Prosdocimo; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Antônio Rodrigues Dias; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a Rua Sebastiana P. Ribeiro; pende à esquerda e 103

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segue pela referida rua até encontrar o córrego que faz divisa com o município de Curitiba; pende à esquerda e segue pela referida divisa intermunicipal até a Rua Barra dos Coqueiros, no limite do loteamento Jardim São Vicente; pende à esquerda e segue pela referida rua até a confluência da Av. José Milek Filho e Rua Prof. Alberto Piekarz; daí segue pela Av. Alberto Piekarz até encontrar a Rua Maurício Rosemann; pende à esquerda e segue pela Rua Maurício Rosemann contornando os loteamentos Jardim São Venâncio II e Jardim São Venâncio até encontrar a Rua Antônio Johnson; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a Rua Santo Antônio, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 2,89 km²". CAMPINA DE SANTA RITA A Região do Bairro da CamFoto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, novembro de 2011 pina de Santa Rita possui uma área de 3,56 km², seu hagiotopônimo de conotação religiosa, legada pelos imigrantes italianos que ali se estabeleceram. É uma área habitada timidamente desde o século XVIII. Depois, no século XIX se tornou uma colônia de imigrantes italianos que participaram da "política das portas abertas" adquirindo através de compra, junto ao governo Escola Rural Municipal José Air Colodel ao lado da Capela Católiimperial, áreas para o plantio e ca, construída por Amarildo Colodel na década de 1980, em substituição a uma antiga de madeira localizada em outro terreno povoamento. Sua história até o advento do "Decreto nº 116, de 02 de outubro de 1890", se confundia com a história da Barra de Santa Rita, pois era uma única região. Agostinho Ermelino de Leão em sua obra "Diccionario Histórico e Geographico do Paraná", p. 272, informa que em 1855 existiam várias posses denunciadas pelo registro de terras. O que fez com que o Governo Estadual criasse por lei uma escola. Em 1920, o censo verificou que existiam 52 crianças de 7 a 14 anos. Na atualidade, aproximadamente 20% de seu território em sua porção sudeste está abrangido pela Área de Proteção Ambiental do Passaúna. O bairro está assim delimitado: "Tem início na Rua Lindolfo Monteiro esquina com uma Estrada Municipal que faz divisa com o município de Campo Magro; segue em sentido anti-horário pela referida divisa intermunicipal até encontrar outra Estrada Municipal que também faz divisa com o município de Campo Magro; pende à esquerda e segue por esta estrada por aproximadamente 1.500,00 m (um mil e quinhentos metros); daí pende à esquerda e segue por uma linha reta perpendicular até encontrar o final da Rua Afonso Perussi; pende à esquerda e segue pelo prolongamento da referida rua até encontrar um corpo d`água; pende à esquerda e segue pelo referido corpo d`água e depois por uma linha que vai encontrar a Rua José de Morais Seixas; daí segue pela referida rua até encon104

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trar a Rua Vereador Arlindo França; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Lindolfo Monteiro, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 3,56 km²". CAMPINA DO ARRUDA O Bairro da Campina do Arruda aparentemente possui uma denominação fitotôponima. Porém, sua denominação não se liga ao vegetal arruda, mas sim ao Rio Arruda, que banha a região e que é tributário do Rio Atuba. Neste sentido, a denominação que se estende a região é um hidrotopônimo ligado às características físicas da região, que é uma campina. É um bairro que possui uma área de 2,21 km². Provavelmente pela proximidade com o rio Atuba, seu território era habitado ou conhecido desde antes do século XVIII. Segundo consta na p. 142 do "Diccionario Histórico e Geographico do Paraná" elaborado por Agostinho Ermelino de Leão, o atual bairro era inicialmente um Quarteirão do município de Colombo, onde foi fundada a Colônia Antônio Prado. A mesma fonte cita que existiam registros de vários terrenos legítimos, sendo um com área de 1.674.500 m² pertencente a José Francisco Guimarães, datado de 1º de maio de 1902; outro com área de 58 hectares pertencentes a Mathias Antônio da Silva. Porém, o "Livro de Registro de Terras da Parochia de Curityba de 1856" revela que a região era amplamente habitada para a época como pode ser observado nos parágrafos infracitados: "Registro nº 1.087, de 13 de maio de 1856": "Joaquim Rosa do Carmo e outros declaram que possuem em comum com seus irmãos Manoel Lourenço, José Lourenço, Francisco Lourenço e Balbina Maria uma sorte de terras lavradias na passagem denominada Arruda, que obtiveram de seus pais que se divide de um lado com João Francisco Guimarães, de outro com Antônio da Roça Grande, pelo rio abaixo por outro lado com os herdeiros dos Luz, de cujas terras vêm fazer declaração para ser registrada na forma da Lei...." O "Registro nº 128, de 22 de fevereiro de 1856" dispõe o seguinte: "João Francisco Guimarães declara que possui uma sorte de terras lavradias na paragem denominada Arruda, possuidor por compra, com seiscentas braças de frente e setecentas de fundo, mais ou menos, as divisas são as seguintes: do lado do Nascente com a família de Antônio Lourenço e com a família de Lisboa; principia no rio Atuba por um córrego acima findado, segue a quebrada até a Cachoeira; dali a rumo do Norte e encontra-se com a Cachoeira de uma barraca que se acha no sito rumo; tem uma vertente em um pinheral; no fundo divide com Joaquim Bandeira, Manoel Bueno e Antônio dos Santos..." Augustinho Ermilino de Leão na obra supracitada informa, na p. 142 que em 1916 a população do bairro era de 405 habitantes. O censo escolar de 1920 demonstrava a existência de 81 crianças em idade escolar. Atualmente, o bairro se encontra altamente conurbado com a Capital do Estado e a cidade de Colombo. O bairro está assim delimitado: "Tem início na Av. Prof. Alberto Piekarz esquina com a Rua Alvorada; segue em sentido anti-horário pela Av. Prof. Alberto Piekarz até encontrar a Rua Barra dos Coqueiros no limite do loteamento Jardim São Vicente; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar o córrego que faz divisa com o município de Curi105

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tiba; pende à esquerda e segue pelo referido córrego de divisa até encontrar o Rio Atuba, na divisa com os municípios de Colombo e Curitiba; pende à esquerda e segue pelo Rio Atuba na divisa com o município de Colombo até encontrar um córrego próximo à Rodovia de Contorno Norte; pende à esquerda e segue pelo referido córrego, cruza a Rodovia do Contorno Norte, segue pela divisa entre os loteamentos Jardim Alvorada II e Distrito Industrial III até encontrar o prolongamento da Rua Alvorada; pende à direita e segue pela Rua Alvorada até encontrar a Av. Prof. Alberto Piekarz, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 2,21 km²". CAMPO GRANDE Com 8,00 km² de baixa intensidade demográfica, o Bairro de Campo Grande é possivelmente uma consequência de um desmembramento de sesmarias conhecido no século XVIII, porém timidamente habitado nesta época. No contexto dos "Relatórios de Governo dos períodos de 1860-1880 e da Lista de Ordenanças da Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais" e "Atas de Reuniões" da respectiva Câmara, é notória a interpretação que pelo seu território cruzava a estrada que ia para Votuverava, da mesma forma que no século XIX esta estrada se ligou com a Estrada do Assunguy. Segundo informações da "Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré", a localidade teve uma Comunidade Católica iniciada em 1911. Seu nome é um geomorfotopônimo simples relacionado a característica física que serviu de referência aos medidores do Rossio de Curitiba. O bairro está assim disposto: "Iniciase na Rua Antônio Stocchero, esquina com a Rua Gervásio Celusniak; segue em sentido anti-horário pela Rua Gervásio Celusniak até encontrar um córrego; pende à esquerda e segue pelo referido córrego e depois por uma linha reta até encontrar a Rua Francisco de Lara Vaz; pende à esquerda e segue pela referida

Foto: Arquivo de Albino Milek, fevereiro de 1982

Capela São Sebastião (não existe mais, substituída por uma mais moderna de alvenaria), tendo a sua frente o saudoso Frei Lourenço Kachuba Foto: Arquivo Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré, 1935

Capela São Sebastião (não existe mais, substituída por uma mais moderna de alvenaria), tendo a sua frente o saudoso Frei Lourenço Kachuba Capela São Sebastião, 1935 (não existe mais).

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rua por aproximadamente 345,00 m (trezentos e quarenta e cinco metros); pende à esquerda e segue por uma linha até encontrar o final da Rua Presidente Tancredo Neves; deste ponto pende um pouco à direita e segue por uma linha reta até encontrar a Rua Antônio Stocchero; cruza a referida rua e segue até encontrar um córrego afluente do Rio Barigui; pende à direita e segue pelo referido córrego até encontrar a Rua Jacob Camilo Benatto; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar um córrego no limite do loteamento São João Batista no final da Rua Antônio de Oliveira Cruz; pende à esquerda e segue pelo referido córrego até encontrar outro corpo d`água; pende à esquerda e segue pelo referido corpo d`água e depois por um prolongamento deste até encontrar outro corpo d`água e por ele seguir até encontrar outro corpo d`água margeando a Rua Pedreira do Bom Jardim; pende à direita e segue pelo referido corpo d`água até encontrar a divisa com o município de Rio Branco do Sul; pende à esquerda e segue pela referida divisa intermunicipal até encontrar a Rua Antônio Stocchero; pende novamente à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Gervásio Celusniak, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 8,00 km²". CAPIVARA DOS MANFRON No que tange os documentos de posses de terra datados de 1817 informado por Romario Martins na fundamentação de seu artigo publicado na Gazeta do Povo, de 08 de novembro de 1932, capa e p. 6, é observada a presença de silvícolas tinguis na área compreendida e conhecida como Capiara (Capivara). Esta área era conhecida e povoada por lusitanos desde o final do século XVI, pois moradores referenciados da localidade, participaram da fundação da Vila Nossa Senhora da Luz e Bom Jesus dos Pinhais, como é possivel interpretar do artigo de Romário Martins publicado em 1986 no Boletim do Arquivo do Paraná, ano X, número 19, nas páginas 29 e 30. Com área atual de 8,46 km², a Capivara dos Manfron possui origem semelhante a de Campo Grande, com a diferença que a localidade foi batizada popularmente pela identificação "terra dos Manfron". Porém, esta localidade herda o nome do rio das Capivaras, provavelmente batizado pela existência deste animal na região. Sendo assim, a Capivara dos Manfron é um hidrotopônimo, por causa do rio, não do animal. No entanto, há que ressaltar que o território da Capivara era grande, e a Capivara dos Manfron herdou o nome do território inicial parcelado. Na região marginal do rio formou-se o antigo bairro da Capivara, que figurava no Registro de Terras de 1855 com 53 posses, segundo informações contidas na p. 325 do "Diccionario Histórico Procissão em louvor a Nossa Senhora do Rocio em frente à antiga Capela da Capivara. e Geographico do Paraná", elaborado por Agosti- Arquivo da Paróquia Nossa Senhora da Connho Ermelino de Leão. ceição de Almirante Tamandaré, (s/d) 107

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Além deste rio ter colaborado com o povoamento da região, ele também foi um marco limite estabelecido pelo "Decreto nº 41, de 12 de fevereiro de 1890". Em 06 de novembro de 2012, a localidade foi palco do primeiro acidente aéreo em território tamandareense. Um avião de origem da cidade de Dourados-MS, pertencente à empresa Taxi Aéreo Hércules, transportava uma quantia de 5,5 milhões de reais, e depois de bater na copa de um pinheiro caiu na região antes de pousar no aeroporto do Bacacheri em Curitiba. Três vítimas morreram com a queda e a quarta faleceu no hospital. Segundo consta, a partir de várias fontes de notícias estaduais e nacionais, mesmo em meio à tragédia muitas pessoas da região começaram a juntar o dinheiro e malotes de valores espalhados devido ao acidente. Após, as autoridades conseguiram recuperar uma parte, a outra não foi encontrada. Os limites do bairro foram assim definidos: "Inicia-se na Rua Antônio Stocchero esquina com a Estrada João Govatski, na divisa com o município de Itaperuçu; segue em sentido anti-horário pela divisa intermunicipal até encontrar a Estrada do Morro Azul; pende à esquerda e segue pela referida estrada até encontrar a Rua Antenor Manfron; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Estrada João Govatski; pende à esquerda e segue pela referida estrada até encontrar a Rua Antônio Stocchero, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 8,46 km²". CAXIMBA O Bairro da Caximba é uma área com 2,93 km², Foto: Antonio Kotoviski Filho, abril de 2011 o único bairro com denominação de origem africana, mais especificamente banta. Deriva da palavra "cachimba" com origem em "cacimba" que significa "poço cavado até o lençol" segundo as informações da p. 236-239 do "Novo dicionário banto do Brasil: contendo mais de 250 propostas etimológicas acolhidas pelo Dicionário Houaiss", elaborado por Nei Lopes. Porém, existe uma variação citada pelas "Diretrizes de Planejamento da Regional", elaborada pelo IPPUC/Prefeitura Municipal de Curitiba, que explica que a toponímia tem origem na linguagem tupi-guarani que significa "mato que gruda", no Oratório de São Sebastião localizado no Bairentanto, esta explicação se reverte a denominação ro da Caximba. de um bairro curitibano distante da cidade de Almirante Tamandaré. É uma localidade conhecida e habitada desde o século XVIII. Neste bairro existe o Oratório de São Sebastião, cuja construção recente, da década de 2000, substituiu a antiga capelinha construída pela Família Bueno há mais de sete décadas. Em seu interior se encontra uma imagem de São Sebastião com mais de 100 anos. Nesta comunidade, ainda se mantém a tradição das pessoas se reunirem e rezarem uma vez por semana. Segundo as informações de moradores, o encontro ocorre toda segunda-feira às seis da tarde. 108

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No que tange as disposições legais do Decreto Estadual nº 458, de 05 de junho de 1991, o território do bairro se encontra totalmente abrangido pela Área de Proteção Ambiental do Passaúna. As limitações do território são as seguintes: "Inicia-se na Rua Luciano Perussi esquina com a Rua Miguel Poppia; segue em sentido anti-horário pela Rua Luciano Perussi, e, após passar pela Rua Afonso Perussi segue por aproximadamente 1.000 m (um mil metros) até encontrar um córrego, afluente do Rio Passaúna; pende à esquerda e segue por este córrego até encontrar o leito do Rio Passaúna; pende à direita e segue pelo Rio Passaúna até encontrar outro córrego, afluente do Rio Passaúna, pende à esquerda e segue pelo referido córrego, cruza a Estrada da Ressaca e segue pelo mesmo córrego e depois por uma linha reta até encontrar o prolongamento da Rua Adolfo Inácio de Faria; pende à esquerda e segue por este prolongamento até encontrar a Rua Miguel Poppia, na esquina com a Rua Adolfo Inácio de Faria; pende novamente à esquerda e segue pela Rua Miguel Poppia até encontrar a Rua Luciano Perussi, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 2,93 km²". CENTRO Foto: Antonio Kotoviski, julho de 1975

Sede, quadras entre as Ruas Didio Santos, Frei Mauro, Fridolin Wolf e Antonio Zem no dia da neve

Segundo informações contidas na p. 364 do "Diccionario Histórico e Geographico do Paraná" elaborado por Agostinho Ermelino de Leão, a origem do território da Sede começa com o Sítio Cercado, ou seja, era o "nome primitivo do local em que se acha a Villa de Tamandaré. O Sítio do Cercado, em 1728 pertencia a Euzébio Simões da Cunha, que o transpassou para Antonio Alves Martins pela quantia de 100$000. Esse sítio foi registrado 1855 na parochia de Curityba". No ano de 1877 exerceu a função de Inspetor de Quarteirão o Sr. José Marcelino Machado. 109

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A partir da Lei Provincial n° 924, de 06 de setembro de 1888, a região se tornou a sede do distrito em decorrência de se encontrar no cruzamento da Estrada do Assunguy e da recém-construída Estrada da Cachoeira. Foi denominada de Conceição do Cercado, pois era uma área que estava cercada, a qual só foi totalmente integrada à localidade para habitação na década de 1950 com a doação do terreno feita pelo Estado na gestão do Governador Bento Munhoz da Rocha Netto, após solicitações do Prefeito Ambrósio Bini. Esta área corresponde a Vila Santa Terezinha. No ano de 1972, o Sr. Antonio Ilson Kotoviski loteia sua área de terra na Sede, surgindo desta forma o Jardim São José. Em meados da década de 1970 começa a ser loteado a área do Jardim Monte Santo que pertenceu a João Candido de Oliveira. O nome do loteamento não possui ênfase religioso na cidade, pois o mesmo foi denominado inspirado na cidade natal do dono da imobiliária, que nasceu em Monte Santo de Minas-MG. O Centro possui uma área de 1,87 km². Foto: Ari Dias

Sede de Almirante Tamandaré em 2005

A Sede está oficialmente delimitada da seguinte forma: "Inicia-se na PR 092 (Rodovia dos Minérios) esquina com a Rua João Antônio Zem; segue em sentido anti-horário pela referida rodovia até encontrar a Rua Rachel Cândido de Siqueira; pende à direita e segue pela continuação desta, ou seja, pela Av. Wadislau Bugalski até encontrar a Av. Rafaela; pende à esquerda e segue pela referida avenida até encontrar o limite do loteamento Jardim Rafaela; pende à esquerda e segue pelo limite do referido loteamento até encontrar o limite do loteamento Jardim Colonial; pende à direita e segue pelo referido limite, cruza a PR 092 (Rodovia dos Minérios), e segue até encontrar o leito do Rio Barigui; pende à esquerda e segue pelo referido rio até encontrar o prolongamento da Rua Silvestre Do110

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makoski; pende à direita e segue pelo referido prolongamento e depois pela própria Rua Silvestre Domakoski até encontrar a Rua Domingos Scucato; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua São Leopoldo; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a linha férrea; pende à direita e segue pela referida linha férrea até encontrar a Av. São João; pende à esquerda e segue pela referida avenida até o limite do loteamento Jardim Arvoredo na Av. José Real Prado; cruza esta rua e segue em linha reta até encontrar um córrego afluente do Rio Barigui; pende à esquerda e segue pelo referido córrego, margeando a linha férrea e contornando o loteamento denominado Planta Sede até encontrar a PR-509 (Rodovia do Calcário); pende à esquerda e segue pela referida rodovia até encontrar o córrego afluente do Rio Barigui no limite do loteamento Planta Herdeiros de Siqueira; pende à direita e segue pelo referido córrego até encontrar a Rua João Antônio Zem; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a PR 092 (Rodovia dos Minérios) ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 1,87 km²". CERCADINHO O pequeno Bairro do Cercadinho possui uma pequena área de 0,44 km². Segundo informações contidas na p. 364 do "Diccionario Histórico e Geographico do Paraná" elaborado por Agostinho Ermelino de Leão, a localidade recebeu esta denominação por possuir uma área requerida e cercada por seu dono (Joaquim Manoel Araujo) ainda no século XIX. Inicialmente pertenceu ao município de Colombo. Os limites territoriais do bairro estão assim definidos: "Inicia-se na Rua Antônio Ferro no ponto onde cruza a linha férrea; segue em sentido anti-horário pela Rua Antônio Ferro até encontrar um córrego, antes da Rua João Tomé de Morais; pende à esquerda e segue pelo referido córrego até encontrar a Rua Aleixo Broto; cruza a referida rua e continua seguindo pelo córrego por aproximadamente 340,00 m (trezentos e quarenta metros); daí pende à esquerda e segue em linha reta até encontrar a linha férrea; pende à esquerda e segue pela referida linha até encontrar a Rua Antônio Ferro, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 0,44 km²". COLÔNIA ANTÔNIO PRADO O Bairro Colônia Antônio Prado possui uma área de 4,56 km², foi uma localidade planejada pelo governo provincial do Paraná para assentar imigrantes (poloneses e italianos) estabelecida em território curitibano onde hoje se encontra a cidade de Almirante Tamandaré. Porém, em virtude dos processos de criações e extinções de municípios o qual o município tamandareense vivenciou, a região fez parte de Colombo e voltou a fazer parte de Curitiba em meados do século XX. O núcleo colonial Antônio Prado, foi fundado e inaugurado em 15 de agosto de 1886 pelo Vice-Presidente da Província do Paraná, em exercício da presidência Joaquim de Almeida Faria Sobrinho. A denominação da localidade foi uma homenagem prestada ao ilustre Ministro Imperial da Agricultura Antônio da Silva Prado, que se encontrava vivo 111

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na ocasião, sendo justificada e explicada na solenidade de inauguração da colônia como será observado nos parágrafos posteriores. A "Gazeta Paranaense, datada de 19 de setembro de 1886", noticiou que seus limites técnicos se dispunham da seguinte maneira: "Ao Norte, pelo rio Atuba, campina ou terras de Manoel Francisco Caetano, em direção Este-Oeste a encontrar uma lagoa, descendo pelo arroio Maria Madalena até o marco da divisa com José Francisco Guimarães; a Leste, pelos terrenos deste, que começam no marco plantado à margem direita do referido arroio, em direção Este-Oeste na extensão de 782 m até encontrar a estrada geral, seguindo por esta até o Rio Atuba, desce pelo mesmo rio até um vale e por este até os limites do Núcleo São Venâncio, em um tronco de cedro que serve de marco, próximo a uma árvore de jaboticaba, e daí a rumo N 10º E com 396 m até encontrar outro marco (nº 2), seguindo a rumo N 17º E na extensão de 346 m a encontrar uma árvore de sassafrás e dali a rumo N 48º E na extensão de 1.926 m até o Rio Atuba". A colônia foi dividida em 54 lotes de tamanho que variavam de 5 a 8 (ha) em uma área de 415,67 (ha), inclusive um reservado para casa escolar, morada do professor e capela. Os lotes maiores eram para compensar o terreno acidentado. Inicialmente foram assentadas 181 imigrantes divididos entre 26 famílias poloneses, 12 famílias italianas e 2 nacionais. Segundo a Gazeta Paranaense, de setembro de 1886, "todos os lotes do núcleo têm água e compõem-se de mato, do que se aproveitarão os imigrantes nos primeiros tempos em que não podem tirar recursos de suas lavouras, vendendo a lenha promovem os meios de subsistência". A área desta colônia de assentamento se dispôs na localidade conhecida como Arruda que atualmente corresponde a um pedaço do Bairro da Campina do Arruda., onde no qual existiam posses legitimas que tiveram que ser indenizadas pela Província. Estas indenizações foram publicadas pela Gazeta Paranaense, de 21 de setembro de 1886, capa com a seguinte informação: "Os terrenos foram comprados a 12 rés a braça quadrada. Foi pago ao Sr. Roberto Lunkmoss a quantia de 10:288$032 (dez contos, duzentos e oitenta e oito mil e trinta e dois réis), correspondentes a 857.336 braças quadradas dos terrenos que formam o Núcleo Antônio Prado e mais 558$300 (quinhentos e cinqüenta e oito mil e trezentos réis) da morada existente em tais terrenos, totalizando a quantia de 10:846$332." Ainda, "(...) foram pagos ao Dr. Cândido Ferreira de Abreu para serviços 2:542$000 e 400$000 referentes à medição dos lotes, aberturas de caminhos no referido núcleo, 10$000 para o carro que conduziu o Padre José Maria Tedeschi que celebrou a missa no dia da inauguração". Preocupado com o sucesso do empreendimento colonial, ocorreu que no início do segundo semestre de 1886, o Vice-Presidente em exercício da Presidência na Província, Joaquim de Almeida Faria Sobrinho, empenhou-se para o aceleramento dos trabalhos de assentamentos de imigrantes na colônia como expõe a Gazeta Paranaense, de 16 de julho de 1889: "Solicitou à Tesouraria que a mesma adiantasse ao Dr. Cândido Ferreira de Abreu, encarregado dos serviços no Núcleo Antônio Prado para a localização de imigrantes, a quantia de 500$000 (quinhentos mil réis)". O mesmo fez questão de visitar as obras, no dia 17 de julho de 1886, como relata a Gazeta Paranaense, de 20 de julho de 1886, p.02. 112

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"Desta visita, S. Exª. voltou satisfeito por ver o bom e regular andamento que tem tido os trabalhos, graças à atividade e zelo que há desenvolvido o Dr. Cândido Ferreira de Abreu, encarregado da direção dos mesmos. As casas provisórias do novo núcleo estão, em grande número, quase concluídas. Os trabalhos do mesmo vão sendo feitos pelos próprios imigrantes, que para ali foram removidos, e vão assim vencendo salário, que lhes serve de grande auxilio para sua manutenção". Em virtude do bom andamento do projeto, foi marcado para o dia 15 de agosto de 1886 a solenidade de inauguração, a qual foi descrita da seguinte forma pela Gazeta Paranaense, de 19 de agosto de 1886, p.03: "No dia 15 do corrente inaugura-se o novo núcleo de imigrantes - "Antônio Prado". Situado em ubérrimos terrenos, comprados pelo Exmo Sr. Dr. Faria Sobrinho ao Sr. Lunkmoss, na Cachoeira, distrito desta cidade, o novo núcleo promete e tem todos os elementos para prosperar, porquanto as terras são de excelente qualidade e os imigrantes ali localizados estão muitíssimo satisfeitos, segundo o que deles mesmo ouvimos. O novo núcleo está dividido em 59 lotes, e destes estão ocupados 37 por 170 indivíduos que constituem 36 famílias. Estes imigrantes são italianos e polacos, povos que mais se têm dedicado, entre nós, à agricultura, exclusivamente. O novo núcleo ocupa uma área de 4.349.000 m² de terreno bastante ondulado, porém, todo ele de excelente qualidade. Cada lote tem área média 74.000 m² ou 3 ½ alqueires mais ou menos. A posição geográfica desse núcleo é a seguinte: ao norte limita-se com terras do Sr. José de Christo. Ao sul divisa-se com o núcleo provincial São Venâncio. A este com terrenos do Sr. José Francisco Guimarães e núcleo Alfredo Chaves. A oeste limita-se com terras do Sr. José de Christo e com o núcleo São Venâncio. As condições do solo e a qualidade dos terrenos de reconhecimento uberdade asseguram aos imigrantes ali localizados um futuro próspero, que também lhes é garantido pelo devotamento ao trabalho da agricultura, que tanto tem distinguido e recomendado a imigração polaca e italiana entre nós... À chegada, foi S. Exa. Sr. Dr. Vice-Presidente recebido pelo inteligente engenheiro da província, Dr. Ferreira de Abreu, pelo infatigável agente oficial de colonização, o Sr. Candido Rodrigues Soares Meirelles, e por muitos imigrantes e suas famílias, que ansiosos esperavam a primeira autoridade da província. À entrada de um espaçoso largo, em frente a uma casa de imigrante e um pouco aquém da capela, elevava-se um arco de folhagem, do qual pendia uma bandeira com a seguinte inscrição: Núcleo Antônio Prado. No centro, um outro arco igualmente de folhagem continha esta inscrição: Povoar e libertar, eis a divisa; e um outro arco no caminho da capela lia-se Hosanos ao Dr. Faria Sobrinho. Chegados a este ponto, dirigiram-se todos para a capela, onde o revmo. Padre José Tedeschi celebrou o santo sacrifício da missa que foi ouvida por S. Exa. Sr. Vice-Presidente da Província; da porta da capela, dirigindo a palavra aos imigrantes os aconselhou ao trabalho e, declarando inaugurado o núcleo "Antônio Prado", disse: "Esta denominação significa não só um preito de reconhecimento, como também uma 113

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justa homenagem, que, em nome da Província, julguei dever render ao emérito cidadão assim chamado; porque, a bem dos relevantes serviços se têm recomendado ao País, há favorecido ao Paraná com os recursos precisos para o estabelecimento de imigrantes, concorrendo, portanto, na importante pasta que ocupa, para que esta Província possa auferir as incontestáveis vantagens da imigração". Em seguida foi servido um lauto almoço a S. Exa. e a toda comitiva, durante o qual foi o Exmo Sr. Dr. Faria Sobrinho saudado muitas e repetidas vezes (...)" No que tange a capela em que foi anunciada a inauguração da colônia, ela não existe mais, pois em seu lugar foi construída uma de alvenaria como explica o texto do "Inventário turístico municipal de Almirante Tamandaré - Paraná", Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo, 2005, p. 30. Complementando as informações do referido documento temos que a Igreja de Santo Antônio conhecida também como Igreja do Prado foi estabelecida junto ao Lote 24. No ano de 1930, a pequena Igreja foi ampliada passando por uma reforma, dando início a construção em alvenaria tendo seu término em 29 de setembro de 1933 (atual Igreja). Nela foram preservados o teto e o assoalho sem a presença de pregos. Em seu interior encontram-se preservados os altares, as imagens, os castiçais de madeira, o coro e o sino. O cemitério ao lado da igreja também existe desde a fundação da comunidade, com túmulos e muros de pedras em forma de blocos. Fundamentado nas informações Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, abril de 2011 de assentados contidos no Livro nº 4, Cadastro do Núcleo Antônio Prado, e seu conteúdo citado por Sebastião Ferrarini em sua obra "O munícipio de Colombo", p. 191-194 temos os seguintes pioneiros na colônia: _ Lote nº 1 - Francisco Schlichting, recebe título definitivo aos 25/01/ 1899. _ Lote nº 2 - José Schlichting, recebe título definitivo aos 26/01/ 1899. _ Lote nº 3 - Miguel Kubis, Stephano Kubis, pago por conta 59$000, 20/12/1889. _ Lote nº 4 Pedro Corradacio, pago Igreja de Santo Antônio por conta 70$000, aos 08/11/1889. _ Lote nº 5 - Floriano Commis (Maria Commis), pago por conta 50$000, aos 30/12/ 1898. _ Lote nº 6 - Paulo Klimeck, pago por conta 55$000, aos 12/12/1898. _ Lote nº 7 - Gregor Daska, recebe título definitivo aos 27/05/1895. _ Lote nº 8 - Ignácio Fillip, Joana Fillip, recebe título definitivo aos 22/11/1899. _ Lote nº 9 - Antonio Corradacio (João Schelichting), assinado pela autoridade aos 12/ 12/1898. _ Lote nº 10 - Rozalia Kampa, deu por conta 94$000 aos 13/05/1899. _ Lote nº 11 João Schlichting, pago por conta 40$000 aos 12/12/1898. 114

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_ Lote nº 12 - Valentim Wistuba, pago por conta 66$000 em dezembro de 1898. _ Lote nº 13 - Antonio Capelari, recebe título definitivo aos 18/12/1899. Registro de Terra, fl.51, L.17 Antônio Prado - Colombo (L. 238 - AP) _ Lote nº 14 - Adalberto Piekosch, pago por conta 53$000 aos 26/12/1898. _ Lote nº 15 - Blasius Balzieck, Thecla Balzieck, pago por conta 59$000 aos 20/12/1898. _ Lote nº 16 - Rigon Domenico e Roberto Manika, assinado por autoridade aos 12/12/ 1898. _ Lote nº 17 - André Kubis (Valentim Wistuba) pago por conta 120$000 aos 12/12/1898. _ Lote nº 18 - Jacome Antoniacome recebe título definitivo aos 28/12/1899. Registro de Terras, fl. 32, L. 17, Antônio Prado, Colombo. _ Lote nº 19 - Miguel Koslonski (Jacob Antoniacome), pago por conta 180$000 aos 23/ 11/1898. _ Lote nº 20 - João Zocich (Luiz Pavoni), pago aos 07/12/1898. _ Lote nº 21 Luiz Pavoni, pago aos 17/12/1898. _ Lote nº 22 - Vantim Santo, Luiz Pavoni, deu por conta 200$000 aos 16/07/1896. _ Lote nº23 - Assanitte Augustinho, Maria Assanitte, deu por conta 150$000 aos 11/01/ 1899. _ Lote nº 24 - Reservado (Mitra da Arquidiocese de Curitiba). Capela de Santo Antônio. _ Lote nº 25 - Thomaz Corradacio, Pedro Corradacio, pago por conta 615$000 aos 20/ 12/1898. _ Lote nº 26 - Bruno Mieleck, pago em 07/12/1898. _ Lote nº 27 - Francisco Filla (Alberto Piekosk) pago por conta 78$000. _ Lote nº 28 - Roberto Manica, pago por conta 60$000, 20/12/1898. _ Lote nº 29 - Perissuto Giovanni, pago por conta 250$000, 13/03/1899. _ Lote nº30 - José Kyla, pago por conta 70$000 aos 26/01/1899. _ Lote nº 31 - Luiz Antoniacome deu por conta 50$000, aos 16/02/1901. _ Lote nº 32 - Frederico Wincart, pago aos 04/01/1901. _ Lote nº 33 Simão Pampusch deu por conta 67$000 aos 20/12/1898. _ Lote nº 34 - Antonieta Maria (João Schrvank) deu por conta 70$000 aos 10/01/1899. _ Lote nº 35 - João Baptista Vanelli, é da viúva Lucia Vanelli, recebe título definitivo aos 13/01/1900. _ Lote nº 36 - Leão Kuroswiski, pago aos 10/08/1905. _ Lote nº 37 - Pedro Antoniacomi recebeu título aos 13/01/1900. _ Lote nº 38 - João Vanelli recebe título definitivo aos 13/01/1900. _ Lote nº 39 - João Kosubeck, pago em dezembro de 1898. _ Lote nº 40 - Miguel Felkner deu por conta 50$000 aos 07/12/1898. _ Lote nº 41 - João Kawaleski deu por conta 60$000 aos 26/01/1899. _ Lote nº 42 - Francisco Kila, pago aos 03/03/1900. _ Lote nº 43 - João Kila, pago aos 12/03/1900. _ Lote nº 44 - Francisco Kila recebeu título definitivo aos 03/03/1900. _ Lote nº 45 - Marciele Bobato, José Jambiski, deu por conta 68$500, aos 20/12/1898. _ Lote nº 46 - Clemente Bobato (João Mickna), pago aos 12/12/1898. _ Lote nº 47 - Gerolamo Bobato (João Killar) deu por conta 70$000, aos 12/12/1898. _ Lote nº 48 - Francisco Kamoski recebeu título definitivo aos 18/04/1900. _ Lote nº 50 - Paulo Przypiski recebeu título definitivo aos 08/08/1900. 115

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Lote nº 51 - Antônio Hongaro (Paulo Przypiski) deu por conta 60$000 aos 26/12/1898. Lote nº 52 - João de Santa recebe título definitivo aos 13/01/1900. Lote nº 53 - Ignácio Neumann deu por conta 40$000 aos 26/01/1899. Lote nº 54 - José Fabris recebeu título definitivo aos 02/12/1902. No contexto administrativo, a partir do Decreto nº 67, de 16 de abril de 1900, parte da Colônia ficou sob jurisdição do 2º Distrito do Ahú. Segundo informações contidas na p. 103-104 do "Diccionario Histórico e Geographico do Paraná" elaborado por Agostinho Ermelino de Leão, em 1920 foram registrados os seguintes números relativos à população infantil: 28 crianças correspondente a uma população global de 140 pessoas do lado de colombense e 25 crianças de uma população de 125 habitantes do lado de Tamandaré. Em 1923 funcionavam 2 escolas, sendo uma federal com 50 alunos matriculados. A Lei nº 1.121, de 21 de março de 1912, concedeu a Manoel de Macedo o privilégio para construir uma estrada econômica, ligando esta e outras localidades de Curitiba. Em 1913, o território da Colônia estava dividida entre Tamandaré e Colombo. Tal fato gerava algumas questões de jurisdição, como a que foi publicada no jornal "A República, de 27 de outubro de 1913", onde a Câmara de Colombo reclamava do Inspetor Escolar de Tamandaré pelo fato dele ter comunicado ao Diretor Geral de Instrução Pública que a escola da colônia estava sob sua jurisdição. Para defender a jurisdição colombense ela argumentou que "a referida cadeira sempre esteve sob a jurisdição escolar de Colombo visto pertencer a uma colônia que está dentro dos limites do mesmo. Se por falta de uma casa apropriada no lugar competente à aludida cadeira está à margem direita do rio limítrofe, não quer dizer que esteja sujeita a jurisdição escolar de Tamandaré". Nesta época, a professora regente da localidade era a normalista Elvira Schmidt, a qual casou-se com o Inspetor de Tamandaré, o Sr. Generoso Candido de Oliveira. Atualmente, o bairro está assim delimitado: "Inicia-se na Rua Alvorada esquina com a Av. Prof. Alberto Piekarz; segue em sentido anti-horário pela Rua Alvorada por toda sua extensão e segue pelo seu prolongamento até encontrar um córrego no limite do loteamento Vila da Glória; pende à esquerda e segue pelo referido córrego pelo limite do loteamento Distrito Industrial III até encontrar a Rodovia do Contorno Norte; segue pelo córrego cruzando a referida rodovia até encontrar o Rio Atuba, no limite com o município de Colombo; pende à esquerda e segue pelo referido rio na divisa intermunicipal cruzando diversas ruas até encontrar um córrego; pende à esquerda e segue pelo referido córrego e depois por uma linha reta até encontrar outro córrego; pende à esquerda e segue por este córrego até encontrar a Rua Bracatinga no loteamento Jardim Chico Mendes; pende à esquerda e segue pela referida rua até o limite do referido loteamento, contornando-o até encontrar a Rua Tancredo de Almeida Neves; pende à direita e segue por uma linha reta até encontrar a continuação da Rua Alfredo Valente; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a Rua Pedro Antoniacomi; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Av. Prof. Alberto Piekarz; pende à direita e segue pela referida avenida até encontrar a Rua Alvorada, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 4,56 km²". 116

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COLÔNIA SANTA GABRIELA Na data de 07 de fevereiro de 1886, 180 imigrantes (sendo maioria italianos e poloneses) foram assentados legalmente junto ao antigo Sítio Ressaca às margens do Rio Barigui, para fundarem a Colônia Santa Gabriela, que possuía inicialmente 40 lotes com tamanhos que variavam de 7 a 8 (ha) distribuídos em uma área de 216,00 (ha). O engenheiro responsável pelo projeto foi o Sr. Manoel Francisco T. Correia. A denominação da localidade se vincula a uma homenagem à Sra. Gabriela d´Escrangnolle Taunay, mãe do Presidente da Província do Paraná, Alfredo Taunay. Anexou-se a expressão Santa para enfatizar o aspecto religioso. Fonte: Os rituais de tombamento e a escrita da história. Márcia Scholz de Andrade Kersten, p. 257.

Segunda Capela da Colônia denominada de São Francisco Xavier construída por imigrantes italianos em 1906 em substituição à de madeira datada de 1886. Não existe mais, pois foi substituída pela atual em 1979.

A área original da colônia, segundo a descrição fisiográfica demonstrada na Gazeta Paranaense, de 11 de fevereiro de 1886 era a seguinte: "Ao Norte, com terras de F. Meira, Fridolin Wolff e João Lustoza de Andrade. a Leste, com Bortholo Stochero e o rocio de Curitiba. Ao sul com o rocio de Curitiba, com as terras de Linus Seifert, Antônio Martins Franco, Alberto Krause e no núcleo Lamenha (pequena). A Oeste, com quatro prazos de terras vendidas a imigrantes por Fridolin Wolff e Lustoza. Posição Magnética Principal N. 80º O - S. 80º E em uma extensão de 4.850 m. N. 10º E - S. 10º O em uma extensão de 1.600 m. Rios principais: O Barigui que faz divisa para Este e parte do Sul, entre o núcleo e terrenos do rocio de Curitiba, com uma largura de 17 m, tendo 6 afluentes que banham o núcleo. O Tanguá, que corre de Norte a Sul e atravessa o centro mais ou menos do núcleo, com uma largura de 4 m, tem três afluentes com diversas ramificações que banham o núcleo. Serve de motor a diversos estabelecimentos industriais, próximo à Santa Gabriela. O Taquari, com uma largura de 3 m, Oeste a Este, e depois de Norte a Sul. 13 afluentes com diversas ramificações. 117

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O núcleo Lamenha (grande) fica ao norte de Santa Gabriela em uma distância de 440 m, aproximadamente, sendo proprietário do terreno intercalado F. Meira. Existe uma estrada, pela qual comunicam-se parte dos habitantes do núcleo Lamenha com a cidade de Curitiba, atravessando o terreno de Meira e Santa Gabriela, cuja estrada margeia, no núcleo Santa Gabriela, o rio Tanguá". Esta região descrita recebeu 118 imigrantes em Santa Gabriela no dia 31 de dezembro de 1885, conforme "Ofício do Agente Oficial de Colonização, Candido R. Soares Meirelles, comunicando ao Sr. Presidente da Província no Paraná", presente na pasta de Correspondência Oficial, L.758, fl. 246 (Arquivo Público do Paraná), que expressou o seguinte: "(...) Seguiram hoje para o novo núcleo Santa Gabriela 118 imigrantes, ficando na Hospedaria quatro. Despendeu-se com o transporte desses imigrantes e suas bagagens a quantia de 126$500 (cento e vinte e seis mil e quinhentos réis)..." Antes da inauguração oficial da nova colônia, ocorreu a visita de verificação da mesma pelo próprio Presidente Taunay, como relata a Gazeta Paranaense de 10 de janeiro de 1886: "O Exmo Sr. Presidente da Província visitou ontem o núcleo Santa Gabriela e verificou o estado dos trabalhos, que, com efeito, encontrou adiantados. Percorreu grande parte do novo estabelecimento a pé; deu algumas ordens sobre a feitura da estrada central que se está abrindo e mandou apressar a construção das casas provisórias. Vários imigrantes escolheram seus lotes e com toda a atividade e alegria estão ajudando a prontificação das habitações. O núcleo apresenta pontos lindos; é muito cortado de águas. S. Exª Sr. Presidente recomendou que se derrubassem matos madeireiros possíveis". A nova colônia, segundo a Gazeta Paranaense de 12 de janeiro de 1886, se dispunha da seguinte forma: "Os 39 lotes do novo núcleo foram distribuídos por 84 polacos, 84 italianos, 9 austríacos e 3 alemães, perfazendo o total de 180 imigrantes. Um lote, que completa o total de 40 e que é todo coberto de bonitos pinheiros, ficou reservado, por ordem do Presidente, para fim especial". O referido lote de nº 40 é onde foi estabelecida a Igreja de São Francisco Xavier. Após a inspeção da localidade, foi comunicado através da Gazeta Paranaense, de 31 de janeiro de 1886 a data oficial da solenidade de inauguração do novo núcleo de assentamento de imigrante, que se daria em 07 de fevereiro de 1886. Tal comunicação chamou atenção da sociedade, visto que um integrante da sociedade curitibana se destacou pelo seguinte fato relatado pela Gazeta Paranaense, de 06 de fevereiro de 1886, que destacava que "o Sr. Assis Teixeira ofereceu para esse núcleo um belo crucifixo de mais de metro de altura, com um Cristo esplendidamente esculpido. S. Exª Sr. Presidente da Província agradeceu esse donativo que, além do caráter religioso, tem cunho artístico". Graças à preservação do exemplar datado de 09 de fevereiro de 1886, da Gazeta Paranaense, foi possível trazer à tona a descrição do momento histórico de inauguração da Colônia Santa Gabriela, que foi relatado da seguinte forma: "(...) a festa inaugural desse núcleo, a qual se realizou no domingo, 07 de fevereiro corrente, como estava anunciado. Apesar da manhã daquele dia apresentar-se chuvosa e úmida, partiram de Curitiba muitos cavaleiros e carros, levando grande número de convidados e membros da Sociedade de Imigrantes desta capital. Às 9 menos um quarto, saiu do palácio S. Exª o Sr. Presidente com os Srs. Dr. Chefe de 118

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Polícia e major Polydoro. Tomando a Estrada do Assunguy, às 9 ½ passaram o Barigui e chegaram às terras do núcleo, em cuja entrada se erguia um elevado arco de folhagem, todo embandeirado, em que se lia de um lado o seguinte dístico: SANTA GABRIELA e, do outro, À Exma Sra. BARONESA DE TAUNAY, D. GABRIELA d'ESCRAGNOLE TAUNAY, HOMENAGEM FINAL. Junto ao arco, tocava num coreto a música o 3º Regimento de Artilharia, e os ecos da mata e do pinhal repercutiam animadas melodias, ao passo que, nos ares, estrugiam centenas de foguetes. Tomando-se a estrada colonial, que tem bons declives e bem traçada, começou-se a perceber o núcleo, em cujos lotes, bem delimitados por numerosos postes, viam-se casinhas de pinho bem feitas e confortáveis. E, em cada uma estavam os imigrantes a cuidarem dos misteres da vida e com um terreno lateral mais ou menos preparado para a cultura daquelas excelentes terras. Um quilômetro adiante, chegou S. Exª ao centro do núcleo, no Taboão, no meio da formosa mata, onde, em área toda adornada de bandeiras e flâmulas, estavam preparados uma capelinha rústica e, defronte desta, um imenso caramanchão, todo de folhagem em que se estendia mesa de mais de 200 talheres. Já se achava reunida grande quantidade de pessoas convidadas e imigrantes, alguns do próprio núcleo, outros de Abranches e Lamenha, com os quais este núcleo confina. Num coreto, a música do 3º Regimento tocava escolhidas peças, e o efeito daqueles sons e o troar de foguetes, bem no meio da frondosa mataria, causavam em todos as mais gratas impressões. S. Exª Sr. Presidente foi acolhido com entusiásticos vivas. Neste tempo, cessara a chuva, o céu desanuviara-se e de vez em quando raios de sol vinham dar mais vida e alegria a todo aquele belo quadro. Às 11 horas, o Padre Gurowski celebrou o sagrado Sacrifício da Missa, acompanhado por cânticos e preces dos polacos, tocando ambas as bandas o Hino Nacional, ao levantarse a Hóstia. Finda a cerimônia religiosa, distribuiu-se para todos a seguinte e inspirada poesia impressa em papéis de cores, alguns com letra de ouro, lavra de um amigo nosso: "Ao Exmo Sr. Dr. Alfredo d'Escragnole Taunay Permiti-nos, Senhor, que agradecido Venha hoje contente o imigrante Em vós saudar aquela, cujo nome Neste Núcleo espargiu luz tão brilhante! Sim, Taunay! Vossa Mãe é vossa estrela E seu brilho ilumina estes lugares; Em nossos corações se ergueu um sábio Venerada será em nossos lares! Abriu-nos ela a porta do porvir Neste dia p'ra nós de felicidade, E nas brisas que passam lhe enviamos Os mais sinceros votos d'amizade. 119

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E vós, Senhor, que heis sido a esperança Nossa fanal, a nossa animação, Recebei estes votos que traduzem A mais viva e ingente gratidão." Procedeu-se, depois, a distribuição dos títulos de posse provisória, que estão muito bem organizados, com o preço de cada lote, e sua área certa, número de marcos que o dividem e, a dívida total que cada imigrante tem para com a Província, dívida que discriminada e por parcelas, começaria a ser impreterivelmente cobrada, em começo de 1888, e paga em cinco prestações anuais. O Sr. Meirelles ia lendo os nomes, e o Sr. Presidente da Província entregando os títulos aos imigrantes, muitos dos quais choravam de contentamento e buscavam beijar as mãos do Sr. Dr. Taunay. Foram distribuídos 40 lotes de 3 ½ a 4 alqueires cada um, quase todos com mataria. Um deles contém um pinhal inteiro, e só por isso é uma verdadeira riqueza(...)" Às 2 ½ da tarde, estavam todos de volta à Curitiba, satisfeitíssimos por terem assistido a tão bela e prometedora festa, que só agora a Província do Paraná vê reproduzir-se, após tantos e tantos anos de indiferentismo e abandono do gravíssimo assunto, que mais o deverá, contudo, preocupar: a imigração." O jornal Gazeta Paranaense, de 11 de fevereiro de 1886, apresentava em suas folhas as seguintes informações sobre a área da colônia: "Ficou reservada uma área de 20.144,2 braças quadradas, importando pois, a terra comprada em 12:968$580. O custo das casas foi de 60$000 cada uma; o de 6 quilômetros de caminhos: 240$000. Medições, verificações e eventuais: 700$000. (...) total 16:308$580. As dívidas cobradas darão 18:000$000". O livro Cadastro do Núcleo Santa Gabriela, 1888 existente no Arquivo Público do Paraná e seu conteúdo citado por Sebastião Ferrarini em sua obra "O munícipio de Colombo" p. 176-179, relata os seguintes pioneiros: _ José Andreata, 22 anos, casado com Catharina, 32 anos, italianos. Domiciliados no lote 6 em fevereiro de 1886. Cultivavam: milho, feijão. _ Luiz Stori, 35 anos, casado com Thereza, 33 anos, filho: Octavio, 7 anos, italianos. Domiciliado no lote 7 em fevereiro de 1886. Cultivavam: centeio, milho, feijão. Tinham dois cavalos e carroça. _ José Bonato, 34 anos, casado com Justina, 32 anos, filhos: Amélia, 8 anos, Victória, 6 anos, Antonia, 5 anos, italianos; Maria, 2 anos, brasileira. Domiciliados no lote 8 em fevereiro de 1886. Cultivo: centeio, milho, feijão. Tinham 1 cavalo. _ Bortholo Cunico, 42 anos, casado com Angela, 42 anos, filhos: Domingos, 19 anos, Anna, 16 anos, Angelo, 14 anos, Maria, 13 anos, Antonio, 11 anos, Nina, 7 anos, Bortholo, 5 anos, italianos; Angela, 2 anos, brasileira. Domiciliado no lote 11. Cultivo: centeio, milho, feijão. Tinham um cavalo. _ Agostinho Giocondo, 33 anos, casado com Eugênia, 25 anos, filhos: João, 6 anos, italianos; Francisco, 2 anos e Joana, 1 mês, brasileiros. Domiciliados no lote 12 em feverei120

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ro de 1886. Cultivavam, milho, centeio, feijão, batata. Tinham um cavalo e uma carrocinha. Antonio Mazzaroto, 46 anos, casado com Angela, 46 anos, filhos: Angelo, 20 anos, Lúcia, 18 anos, Luiza, 16 anos, Angela, 14 anos, José, 12 anos, italianos. Assentados no lote 15 em janeiro de 1886. Cultivavam: milho, centeio, feijão, batata. Angelo Gasparin, 43 anos, casado com Joana, 40 anos, filhos: José, 18 anos, Ema, 16 anos, Amélia, 14 anos, Ricardo, 12 anos, Antonio, 9 anos, Jerônimo, 8 anos, italianos. Assentados em janeiro de 1886. Cultivavam: milho, centeio, feijão. Tinham dois cavalos. João Baptista Rositin, 29 anos, casado com Joanna, 29 anos, filhos: Maria, 6 anos, Maria, 6 anos, italianos; Ângela, 1 ano, brasileira. Nesta mesma propriedade moravam José, 53 anos, casado com Maria, 52 anos, filhos: José, 19 anos, Francisco Baptista, 32 anos, Maria Baptista, 7 anos, italianos. Assentados em janeiro de 1886 no lote 17. Cultivavam: centeio, milho, feijão, batata. Tinham três cavalos e uma carroça. Guerra Prosdocimi, 29 anos, casado com Ângela, 24 anos, filhos: Victor, 3 anos, italianos; Emília, 2 anos, Maria, 4 meses, brasileiras. Assentados no lote 18 em fevereiro de 1886. Cultivavam: centeio, milho, feijão, batata. Tinham um cavalo. Domenico Sartori, 55 anos, casado com Cândida, 51 anos, filhos: João, 18 anos, Marieta, 14 anos, Pedro, 12 anos, italianos. Assentados no lote 19 em fevereiro de 1886. Cultivo: centeio, milho, feijão, batata. Tinham uma vaca e dois cavalos. Domingos Devegnia, 45 anos, casado com Margarida, 48 anos, filho: Pedro, 10 anos. A viúva Estela, de 84 anos residia junto, italianos. Assentados no lote 21 em fevereiro de 1886. Cultivo: centeio, milho, feijão, batata. Tinham um cavalo. Francisco Bonato, 44 anos, casado com Úrsula, 36 anos, italianos. Assentados desde outubro de 1878 no lote 22. Cultivo: milho, feijão. Tinham um cavalo. João Baptista, 36 anos, casado com Luiza, 31 anos, italianos. Assentado no lote 23 em janeiro de 1886. Cultivavam: centeio, milho, feijão, batata. Pedro Patulsky, 43 anos, casado com Helena, 43 anos, filhos: Verônica, 18 anos, Carolina, 17 anos, Lucia, 16 anos, Francisca, 14 anos, poloneses. Assentados em fevereiro de 1886 no lote 24. Cultivo: centeio, milho, feijão, batata. Bens: paiol e dois cavalos. João Baptista Segundo, 32 anos, casado com Antonia, 30 anos, italianos, filho: Jacinta, 4 meses, brasileira. Assentados no lote 25 em fevereiro de 1886. Cultivo: milho e feijão. Adolf Nistcke, 35 anos, casado com Anna, 33 anos, filhos: Gustavo, 8 anos, Anna, 4 anos, alemães. Assentados em janeiro de 1888 no lote 26. Cultivo: centeio, milho, batata. Bens: paiol, uma vaca, um terneiro. José Dscisher, 30 anos, casado com Margarida, 23 anos, filhos: Jacob, 3 anos, Anna, 4 anos, alemães. Assentados em janeiro de 1878 no lote 27. Cultivo: centeio, milho, batata. Bens: Dois cavalos, uma carroça, uma vaca, um terneiro. José Harpstein, 75 anos, casado. Filhos: Maria, 17 anos, José, 15 anos, Joseja, 1 ano, alemães. Assentados no lote 28 em janeiro de 1888. Cultivavam: centeio, milho, batata. Bens: paiol, uma vaca, um terneiro, um porco, um cabrito. Francisco Slozak, 48 anos, casado com Agesca, 54 anos, filhos: Pedro, 19 anos, Francisca, 16 anos, poloneses. Assentados no lote 30 em janeiro de 1888. Cultivo: centeio, milho, feijão, batata. Bens: paiol, uma vaca, dois porcos. 121

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_ João Sabota, 49 anos, casado com Tecla, 55 anos, filho: Pedro, 11 anos, poloneses. Assentados em janeiro de 1888 no lote 31. Cultivo: centeio, milho, feijão, batata. Bens: paiol, dois porcos, um terneiro. _ Norberto Skora, 42 anos, casado com Adwirges, 45 anos, filhos: Thomaz, 15 anos, Margarida, 9 anos, poloneses; Elizabetha, 2 anos, brasileira. Assentados desde fevereiro de 1886 no lote 32. Cultivo: centeio, milho, feijão, batata. Bens: dois porcos. _ Andreas Vrietschmer, 50 anos, casado com Cristhina, 44 anos, filhos: Francisco, 17 anos, Pedro, 12 anos, Maria, 8 anos, austríacos. Assentados em janeiro de 1888 no lote 33. Cultivo: centeio, milho, feijão, batata. Bens: paiol, um carroção, um cavalo, um terneiro, dois porcos. _ Henrique Franchic, 36 anos casado com Catharina, 36 anos, filhos: Josefina, 9 anos, Maria, 7 anos, Pedro, 5 anos, Paulo, 3 anos, poloneses; André, 1 ano, brasileiro. Assentados em fevereiro de 1886, lote 34. Cultivo: centeio, milho, feijão, batata. Bens: uma vaca. _ André Henike, 32 anos, casado com Francisca, 30 anos, filho: Maria, 3 anos, poloneses. Assentado em janeiro de 1888 no lote 35. Cultivo: centeio, milho, feijão, batata. Bens: uma vaca, um porco. _ João Fritos, 66 anos, casado com Maria, 63 anos, poloneses. Assentado em janeiro de 1888 no lote 36. Cultivavam: centeio, milho, feijão, batata. Bens: uma vaca, um porco. _ André Brenny, 54 anos, casado com Francisca, 54 anos, filhos: Maria, 24 anos, Stephanio, 15 anos, Eva, 12 anos, poloneses. Assentados em fevereiro de 1888 no lote 37. Cultivo: centeio, milho, feijão, batata. Bens: paiol e dois porcos. _ Alexandre Schervinsky, 25 anos, casado com Francisca, 26 anos, poloneses, filhos: Leocádia, 2 anos, Anna, 4 meses, brasileira. Assentados em fevereiro de 1886 no lote 38. Cultivo: centeio, milho, feijão. Bens: um cavalo, dois porcos. _ Karl Tryloff, 28 anos, casado com Maria, 23 anos, filho: Monica, 6 meses, poloneses. Assentados em fevereiro de 1888 no lote 39. Cultivo: centeio, milho, feijão. Bens: paiol, uma vaca e um porco. _ Cristiano Vacholy, 43 anos, casado com Anna, 44 anos, filhos: Felta, 16 anos, Frederico, 14 anos, Augusta, 12 anos, Rodolfo, 10 anos, Augusto, 8 anos, Anna, 6 anos, poloneses. Assentados em fevereiro de 1888 no lote 40. Cultivo: centeio, milho, feijão, batata. Bens: dois porcos. _ Júlio Strtaioto, 34 anos, casado, com Maria 34 anos, filhos João, 5 anos, José, 4 anos, italianos; Angela, 4 meses, brasileira. Assentados desde fevereiro de 1886. Cultivo: centeio, milho, feijão. Bens: um cavalo. _ Garim Chignin, 38 anos, casado com Maria, 38 anos, filhos: Luiza 13 anos, Carolina, 9 anos, Carlos, 2 anos, italianos. Assentados em 1886. Cultivo: centeio, milho, feijão. Bens: um cavalo. _ José Andrade, 22 anos, casado com Catharina Andrade, 32 anos, brasileiros, estabelecidos na região. Em 09 de junho de 1887, a Gazeta Paranaense noticiou a visita do Cônsul da Áustria no Brasil, Zdenco Ianiczek, o qual percorreu os núcleos coloniais do Abranches, Pilarzinho e Santa Gabriela com a intenção de verificar as condições de vida dos colonos assentados. "A Colônia Santa Gabriela, há um ano formada, quando Presidente da Província o Exº 122

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Sr. Senador Taunay, para nós foi causa de surpresa, quanto mais para o visitante que, conhecendo o sistema de colonização de outros países, e as condições dos terrenos, mostrou-se satisfeitíssimo, reconhecendo que os imigrantes ali estabelecidos estão em ótimas condições. Neste centro de imigrantes, o ilustre Sr. Zdenco visitou habitação por habitação daqueles colonos estabelecidos à margem da estrada geral, conversando com eles viu como estão contentes de sua sorte e da de suas famílias. A muitos colonos o Sr. Zedenco perguntou se não tinham saudades da pátria, e eles responderam que tinham saudades. Porém, sabiam que ali não poderiam ser tão felizes como são aqui, onde encontram o pão para si e futuro para seus filhos, abrigados da miséria! A alguns colonos, estabelecidos há pouco mais de um ano, o Sr. Zdenco perguntou-lhe se vendiam alguma coisa. Responderam-lhe que não podiam ainda vender cousa alguma que valesse a pena. Porém, em compensação não tinham necessidade de comprar cousa alguma para sua manutenção e subsistência!" Com o crescimento da localidade ocorreu a necessidade de uma autoridade para manter a harmonia entre os moradores, diante disto o periódico "A República, de 19 de maio de 1911" cita a existência do cargo de Inspetor Policial na Colônia Santa Gabriela ocupado pelo Sr. Antonio E. da Silva, nomeado pelo Subcomissário do Distrito do Pilarzinho. Apesar de ser antiga, os descendentes dos pioneiros imigrantes assentados relembraram o histórico acontecimento, com a Festa do Centenário da Imigração Italiana comemorada em 08 de dezembro de 1985, a qual contou com comidas típicas, danças. Atualmente, o bairro possui as seguintes delimitações: "Inicia-se no Rio Barigui, no limite do loteamento Jardim Nossa Senhora de Fátima, na divisa com o município de Curitiba; segue em sentido anti-horário pelo Rio Barigui, até encontrar um córrego próximo à Rua das Laranjeiras; pende à esquerda e segue pelo referido córrego, cruzando a Rua das Laranjeiras até encontrar o prolongamento da Rua Rosa Bugalski da Silva; pende à esquerda e segue por uma linha reta pelo referido prolongamento até encontrar um córrego afluente do Rio Tanguá; pende à esquerda e segue pelo referido rio até encontrar a Rua Elízio Ferreira do Nascimento; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Prof. Alberto Krause; cruza a referida rua e segue contornando o limite do loteamento Jardim Nossa Senhora do Pilar, no final da Rua Frei Caneca; pende à esquerda e segue por uma linha reta até encontrar o limite entre os loteamentos Vila Martha e Jardim Nossa Senhora de Fátima; em seguida segue contornando o limite do loteamento Jardim Nossa Senhora de Fátima até encontrar novamente o Rio Barigui, na divisa com o município de Curitiba, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 2,57 km²".

COLÔNIA SÃO VENÂNCIO No "discurso do Presidente da Província do Paraná, Venâncio José de Oliveira Lisboa na abertura da 1ª Sessão da 10ª Legislatura da Assembleia Legislativa da Província do Paraná, na data de 15 de fevereiro de 1872", ele se referiu ao bairro da seguinte maneira: "Núcleo Colonial São Venâncio - A fim de estabelecer diversas famílias alemãs, contratei a compra dos terrenos de propriedade dos herdeiros do falecido José Antônio Ferreira, situ123

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Foto: Raioxnews, setembro de 2010 ado no lugar denominado Cachoeira e determinei a 30 de junho a tesouraria provincial que comprasse esses terrenos pela quantia de 6:000$000, e depois de medidos em todos de 20.000 braças quadradas, fossem vendidos a essas famílias de colonos, a prazo de 4 anos; adicionando ao custo das terras a importância das despesas de escritura de compra e medição, devendo as terras e benfeitorias ficar hipotecadas à Província até o final do pagamento. A 10 de outubro foram distribuídos 27 lotes e no dia 20 do mesmo mês os Inauguração do Centro Administrativo Vereador Dirceu últimos 4 lotes. Infelizmente o terreno Pavoni, realizado em um sábado, datado de 04 de setemnão chegou para dar a todos que solici- bro de 2010, localizado praticamente nos limites entre o Bairro da Cachoeira e de São Venâncio. taram, e como não pudesse dispor da quantia necessária para a aquisição dos terrenos contíguos, não foi possível satisfazer a grande parte dos pedidos. Sendo este núcleo estabelecido em terrenos de fertilidade reconhecida, perto do mercado da capital, atravessando-lhe o centro a estrada que vem da Colônia Assungui e colocado à certa distancia da Estrada da Graciosa e além disso composto de indivíduos trabalhadores e morigerados, tem todos os elementos de prosperidade. Foi fundado com 31 famílias, composta de 138 indivíduos". Ermelino de Leão cita que "O núcleo fica a margem do Rio Bariguy, a 15 kilometros de Curityba. As despezas da fundação de São Venâncio orçaram em 16.476$000". A partir de instrumentos oficiais de "compra e venda no contexto de quitação dos títulos de terras específicos da colônia" existentes no Arquivo Público do Paraná foram identificados os seguintes imigrantes entre 1872-1877: Augusto Hecke 03/04/1872; Frederico Paplor 03/04/1872; Andreata Millaerg em 05/04/1872; João Ruttger e Joaquim Frederico Rhotkyen em 16/07/1872; João Sass em 19/02/1873; Christino Frederico Heynn em 19/02/1873; Frederico Joeks Filho em 06/04/1876; Carlos Millaerg 10/04/1876; Guilherme Lulnon em 13/11/1876; José Isamronsni em 13/11/1876; Roberto Hecke em 16/ 03/1877; Henrique Millaerg em 16/05/1877 e Guilherme Heyn em 19/06/1877. O "Relatório de 15 de fevereiro de 1874 elaborado por Frederico José Cardoso de Araujo Abranches, utilizado no discurso de abertura da 1ª Sessão da 11ª Legislatura da Assembleia Provincial do Paraná", citava que a Colônia São Venâncio estava confiada à direção da tesouraria, visto que o lote nº 11 estava destinado à fundação de uma capela e escola. As 29 famílias que habitam estavam cultivando. Além de criar uma expectativa de ampliação da colônia com a compra de outras propriedades particulares. Segundo o "Relatório de 15 de fevereiro de 1876, apresentado pelo Presidente da Província Lamenha Lins", a população da colônia contava com 139 pessoas, 114 alemães (68 homens e 48 mulheres) e 25 suecos (13 homens e 12 mulheres). Neste período, os colonos reclamam o aumento de seus lotes e criticam a estrada de rodagem para capital que estava "muito estragada".

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O "Relatório de 15 de fevereiro de 1877, apresentado pelo Presidente Lamenha Lins", citava que os colonos estavam animados pela sua produção, "reclamavam entretanto contra um defeito, que é proveniente da primitiva divisão de lotes: não há estrada de comunicação entre os lotes, de sorte que um colono para sair da colônia tem as vezes de passar por dentro de dois ou três lotes vizinhos". Tal problema foi prontamente solucionado pelo governo provincial. Neste mesmo ano, em decorrência do "aviso do Ministério da Agricultura, nº 41, de 25 de agosto", foi criada uma escola que estava provida e funcionando. Oficialmente, o núcleo colonial São Venâncio foi fundado em 10 de outubro de 1871. Pioneiramente chegam imigrantes alemães e suecos para ocupar 31 lotes de área 9,98 (ha) da Colônia São Venâncio, localizado em uma região de 300,08 (ha). A denominação São Venâncio é oficializada para a colônia no mesmo ano a partir de uma homenagem promovida pela Câmara Municipal de Curitiba. A qual se inspira em homenagem não especificamente ao santo. Mas ao Presidente da Província Venâncio José de Oliveira Lisboa. Porém, com a anexação da expressão "São", para enfatizar o aspecto religioso. Atualmente este bairro se dispõe por uma área de 1,99 km². Ermelino de Leão cita que a localidade tinha "escola pública instituída por Lei nº 818, de 07 de maio de 1908. O recenseamento escolar de 1920 menciona 77 educandos neste núcleo, cuja população actual deve exceder de 400 almas". Neste mesmo ano figurava 34 estabelecimentos rurais. O pioneiro bairro está assim delimitado: "Inicia-se na Av. Prof. Alberto Piekarz esquina com a Rua Maurício Rosemann; segue em sentido anti-horário pela Av. Prof. Alberto Piekarz até encontrar a Rua Pedro Antoniacomi; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Alfredo Valente no limite do loteamento Jardim Gramados; pende à direita e segue contornando o referido loteamento, por um córrego até encontrar a Rua Araucária, na divisa entre os loteamentos Jardim Roma e Jardim Anita Garibaldi; segue pela referida rua, cruza a linha férrea e segue pelo seu prolongamento (Rua Oito) até encontrar a Rua Antônio Johnson; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Maurício Rosemann; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a Av. Prof. Alberto Piekarz, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 1,99 km²". CÓRREGO FUNDO O bairro de Córrego Fundo é uma região que era conhecida desde o século XVII, porém habitada apenas no século XIX. Possui uma ligação com as primeiras pesquisas de exploração aurífera. Sua origem resultou de um desmembramento de sesmarias e posteriores parcelamentos. Atualmente, esta região possui uma área de 6,78 km². Seu nome é um hidrotopônimo que expressa a característica do rio que lhe inspirou o nome. Como explica Ermelino de Leão: "localidade da antiga parochya de Curityba banhada pelo ribeiro do mesmo nome". Ermelino de Leão, 1926, p. 423 informa que o Rio Córrego Fundo possui importância histórica para o município, pois foi o "ribeiro indicado como divisa do município de Tamandaré pelo Decreto nº 41, de 12 de fevereiro de 1890". As delimitações do bairro estão definidas da seguinte maneira: "Inicia-se no Arroio 125

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Olho D`Água, divisa com o município de Itaperuçu, no ponto onde cruza a Estrada do Morro Azul; segue em sentido anti-horário pelo referido arroio até encontrar uma Estrada Municipal Rural; pende à esquerda e segue pela referida estrada até encontrar a Rua Lindolfo Monteiro, divisa com o município de Campo Magro; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar um córrego; pende à esquerda e segue pelo referido córrego, e depois por uma linha imaginária que liga à outra Estrada Municipal Rural; segue por esta estrada até encontrar o Rio da Barra; pende à esquerda e segue por este rio até encontrar outra Estrada Municipal; segue pela referida estrada por aproximadamente 430,00 m (quatrocentos e trinta metros) até encontrar outra Estrada Municipal; segue por esta estrada por aproximadamente 410,00 m (quatrocentos e dez metros); daí pende à esquerda e segue por um córrego e depois pelo seu prolongamento até encontrar a Estrada do Morro Azul; pende novamente à esquerda e segue pela referida estrada até encontrar a divisa com o município de Itaperuçu, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 6,78 km²". HUMAITÁ Na "Grande Cachoeira" se encontra o Bairro do Humaitá, perfazendo uma área de 2,03 km². Sua origem se liga ao parcelamento de sesmarias no século XIX. Da mesma forma que seu território recebe o nome em virtude do próprio desenvolvimento da centenária Estrada da Cachoeira ou do Humaitá (atual Domingos Scucato, Antônio Johnson e Francisco Kruger) e da também centenária estrada de ferro. Pois, sua denominação está ligada ao tipo de rocha encontrada inicialmente na região, ou Foto: Correio de Notícias, 1979.

Capelinha do Humaitá (não existe mais), provavelmente de 1882.

Fonte: Brasinha, dezembro de 2005

Capela Nossa Senhora Aparecida.

seja, no vocabulário tupi-guarani Humaitá significa "agora a pedra é negra", ou "pedra negra". Segundo consta, no século XIX foi erguida uma Capelinha de estuque onde hoje se encontra a Caixa de Água da SANEPAR. Com o desenvolvimento populacional da localidade, esta capela serviu para a realização de missas, pois até 1978 eram feitas no local festa em louvor a Santo Antônio. Na data de 16 de outubro de 1979, o Correio de Notícias publicou uma curiosa matéria: "Almirante Tamandaré na trilha do ouro", o qual no seu contexto informava que a Capela do Monte Santo estava sendo destruída por "caçadores de tesouros". Segundo consta, existiu no passado a prática de se co126

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locar dinheiro, ouro e joias em panelas de ferro e enterrá-las para proteger do confisco forçado na época das Revoluções. Porém, algumas panelas foram esquecidas. Diante deste fato, muitas histórias e estórias se criaram sobre as ditas cujas "panelas de ouro", a ponto de pessoas da cidade e da capital perderem o seu tempo na busca por elas. Por destino, existia uma lenda que debaixo da Igrejinha do Humaitá existia uma panela de ouro. Em abril de 1979, ela foi fechada pela Cúria Metropolitana, o que resultou no seu abandono resultando maiores facilidades para a sua derradeira destruição. Só para constar, os "caçadores de tesouros", antes de seu fechamento, chegaram a arrombar, quebraram o assoalho e fizeram um buraco dentro da mesma! Com o fim da capelinha, a comunidade do Jardim Monte Santo só conseguiu construir outra em 12 de outubro de 2005 quando foi inaugurada a Capela Nossa Senhora Aparecida construída em terreno comprado com esforços da comunidade junto a Rua São Bartolomeu, com missa realizada pelo frei Darci Roberto Catafesta. Realizou-se, então, neste dia um antigo sonho da comunidade católica, a qual se expressava desde o ano de 1985. Antes da construção da capela, as missas eram realizadas nas casas de moradores. Se dispõe o bairro em território tamandareense da seguinte forma: "Inicia-se na Rua Antonio Johnson, esquina com a Rua Oito; segue em sentido anti-horário pela Rua Oito até encontrar a Rua Araucária; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar um córrego; pende à esquerda e segue pelo leito do referido córrego até encontrar a Rua Alfredo Valente; pende à esquerda e segue pela referida rua por aproximadamente 115,00 m (cento e quinze metros), em curva; pende à esquerda e segue por uma linha reta até encontrar a divisa entre os loteamentos Jardim Anita Garibaldi e Chico Mendes; pende à direita e segue pelo limite do loteamento Chico Mendes até encontrar a Rua Bracatinga; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar um córrego; pende à direita e segue pelo referido córrego até encontrar um outro córrego; pende à esquerda e segue pelo referido córrego até encontrar a linha férrea; pende à direita e segue pela linha férrea até encontrar a Rua São Leopoldo; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Domingos Scucato; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Tiatuva; pende à direita e segue pela referida rua e pelo limite do loteamento Jardim Alto de Pinheiros até encontrar a Rua Timoneira; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a rua Santa Catarina; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a Rua Atuba; segue pela referida rua até encontrar a Rua Antônio Johnson; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a Rua Oito, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 2,03 km²".

JURUQUI Na divisa com Campo Magro e Curitiba existe o Bairro Juruqui, o qual perfaz 7,17 km², cujo nome foi herdado do rio que nasce e cruza sua terra. O topônimo significa segundo "o artigo Paraná Indigena, inserto no "Almanach Paranaense de 1897", corrigido por Luiz Daniel Cleve, provem de juru - papagaio e caa - mato. Quer nos parecer que o termo se aplica a um rio de barra fina ou pequena: juru - bocca cui fina, aguda ou então a papagaio pequeno", citado na p. 1079 do "Diccionario Histórico e Geographico do Paraná" elaborado por Augustinho Ermelino de Leão. O periódico paranista "ALBA - Amigos do Livro e 127

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Foto: Família Manosso, década de 1920 das Belas Artes de 1938 sob a direção de Romário Martins" p. 23, explica que Juruqui significa: ajurú - papagaio; iíqui, fruto de ikí, isto é, como forma de coco. Sua história se relaciona à pesquisa da exploração aurífera, e tem origem em uma grande sesmaria doada ainda no século XVII, que depois foi parcelada, porquanto foi oficialmente tomada posse. Porém, seu povoamento só ocorreu timidamente no início do século XVIII. Como é possível perceber no "requerimento feito por Antônio José de Andrade junto ao Termo de Vereança de Nossa Senhora da Luz na data de 14 de junho de 1783", "onde ele dito tem suas lavouras adjunto com seu irmão Lourenço Ribeiro de Andrade. Manoel Leme, com seus animais tem estragado uma roça do seu irmão ao qual ele direto tem avisado e o denunciado assim mesmo con- Capela particular da Família Manosso, no Bairro Juruqui tinua indo contra as leis estabelecidas (...)" (Campo Magro), construída no Pois, segundo o Termo de Vereança da Câmara da Vila século XIX por Davi Manosso. Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, datado de 15 de janeiro Ao redor desta capela, foram ende 1785, pela região passava a estrada que levava até o Desco- terradas algumas crianças recém-nascidas. Em frente, a seberto da Conceição. nhora Joana Manosso. Em meados do século XIX, a região serviu de assentamento para imigrantes italianos (maioria) e poloneses, que continuaram a se instalar até a década de 1920, uma vez que estava próximo da Colônia Nova Romastak, Botiatuba, São Miguel, Lamenha Pequena e da Estrada do Assunguy não muito longe dali. Esta área possui um homônimo na parte do território campo magrensse, o qual surgiu do parcelamento do município de Almirante Tamandaré em 1995. Em virtude das diversas alterações territoriais que o município tamandareense sofria, assim como os municípios vizinhos, a localidade aparece descrita na p. 1079 do "Diccionario Histórico e Geographico do Paraná" elaborado por Augustinho Ermelino de Leão como "bairro do município de Campo Largo. Em 1856 existiam ahi 13 posses que foram registradas na parochia de Curityba. A estrada que se dirige a essa localidade servia de divisa à freguezia do Cruzeiro (Decreto nº 116, de 02 de outubro de 1890)". No contexto do "Mappa estatístico da população da Parochia de Nossa Senhora da Luz, Curityba, capital da Província do Paraná, 1º de agosto de 1872, segundo recenseamento a que procedeu de conformidade com o Regulamento de 1870", sob responsabilidade de Manoel Vas de Araujo, existia a ocorrência de 27 casas, totalizando 167 moradores, sendo 156 livres e 11 escravos. No ano de 1877 exerceu o cargo de Inspetor de Quarteirão, Orias Pinto Rebello. Segundo informações da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré, no ano de 1914 tem início uma Comunidade Católica na localidade. Com o advento do Decreto Estadual nº 458, de 05 de junho de 1991, seu território está abrangido praticamente em 98% pela Área de Proteção Ambiental do Passaúna. O bairro está oficialmente delimitado: "Inicia-se na Rua Miguel Krizanoski, esquina com a Rua Justo Manfron, na divisa com o município de Campo Magro; segue em sentido anti-horário pela Rua Miguel Krizanoski até encontrar a Rua Izidoro da Silva; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Pedro Jorge Kotowski; pende à

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esquerda e segue pela referida rua até encontrar um córrego, afluente do Rio Passaúna, paralelo à Rua José Brejenski; pende à direita e segue pelo referido córrego até encontrar o Rio Passaúna; pende à direita e segue pelo referido rio até encontrar outro afluente; pende à esquerda e segue pelo referido afluente até encontrar a Rua Luciano Perussi; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a Rua Afonso Perussi; pende novamente à esquerda e esquerda e segue pela referida rua por aproximadamente 2.000 m (dois mil metros); daí pende à esquerda e segue por uma linha reta até encontrar a divisa com o município de Campo Magro; pende à esquerda e segue pela referida divisa até encontrar novamente a Rua Miguel Krizanoski, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 7,17 km²". LAMENHA GRANDE A Colônia Lamenha foi assim descrita na página 88 do "Relatório apresentado à Assembleia Legislativa do Paraná em 15 de fevereiro de 1877 pelo Presidente da Província Adolpho Lamenha Lins": "Foi estabelecida em junho do ano findo e fica a margem da Estrada do Assunguy, a 8 quilometros desta cidade. As terras são magníficas, apropriadas a todos os gêneros de cultura, estão cobertas de boas madeiras, e são cortadas pelos rios Barigui, Poça-Una (Passaúna) e Tanguá. Está dividida em 146 lotes, e tem um terreno reservado para a capela, escola etc. A população da colônia é a seguinte: polacos prussianos - 385 homens, 361 mulheres, total 746. Além da estrada geral, com 6 quilometros de extensão e 6 metros de largura construiuse mais 31.073 metros de estradas vicinais, de 4,40 metros de largura para comunicação dos lotes. A estrada geral melhorou muito o trânsito para o Assungui, porque exatamente neste ponto o viajante encontrava dificuldades em subir o morro de São Miguel, o hoje faz comodamente por uma estrada de rodagem. Nas estradas fez-se 55 pontilhões, além de uma ponte sobre o Rio Barigui. O preço das estradas feitas pelos próprios colonos, foi de 227 rs. Por metro corrente, termo médio. Não querendo os colonos perder o tempo próprio para a plantação dos cereais (junho) dedicaram-se logo a esse trabalho, antes de construírem as casas, tendo para habitação um grande rancho que mandei fazer para esse fim. Isto explica o fato de ver-se hoje na colônia plantações de cereais, batatas e legumes, tendo apenas a colônia 6 meses de existência. Atualmente a maior parte das casas dos colonos estão feitas e os lotes cercados. Torna-se necessário a construção de uma capela e casa para escola". O custo final da Colônia Lamenha para a Província do Paraná segundo o relatório mencionado: Compra de terreno (1ª prestação): ..................................................................... 3:046$000 Serviços de caminhos, medição, levantamento de plantas, roçada, etc ....... 17:875$076 Hospedagem, alimentação e dieta aos colonos: ............................................. 13:835$500 Transporte de colonos e suas bagagens: ............................................................... 872$000 129

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Pontes e pontilhões: ............................................................................................... 911$000 Compra de ferramentas: ........................................................................................ 415$080 Casas provisórias: ................................................................................................... 716$000 Auxílios aos colonos:......................................................................................... 16:990$000 Diversas despesas: ................................................................................................... 226$900 Total: ........................................................................................................ 54:987$576 Neste contexto, o bairro da Lamenha Grande surgiu do programa de assentamento e povoamento do Paraná com imigrantes europeus ainda no tempo em que o território tamandareense estava integrado a Curitiba. Sua área atual é de 6,31 km². Ou seja, em junho de 1876 foi fundada às margens da Estrada do Assunguy a 9 quilômetros da sede de Curitiba a Colônia Lamenha. Este núcleo de imigração assentou os poloneses oriundos da Silésia e alemães num total de 746 pessoas, que se instalaram em 146 lotes de área com 7 (ha) numa região de 921,41 (ha) na Lamenha. Esta divisão foi projetada pelo engenheiro Luiz A. J. Azambuja Parigot. Inicialmente foi criada com a denominação de Colônia Lamenha cujo antropotoponímia se liga à homenagem prestada ao fundador da colônia, o Presidente Lamenha Lins sendo esta a primeira colônia em sua denominação a carregar a homenagem ao proprietário da gleba original. A alteração do nome para Lamenha Grande ocorreu devido a divisão da Colônia logo em seguida. A nova parte que surgiu foi a Lamenha Pequena, a qual faz divisa com a região homônima de Curitiba. Segundo a pesquisa de Pedro Martim Kokuszka que resultou na obra de referência imigratória polonesa "Nos Rastros dos Imigrantes Poloneses", p. III (Introdução), pioneiramente foram assentados os seguintes poloneses na Colônia Lamenha em 1876: Pedro e Otilia Pluzik, Francisco e Francisca Bienek, Francisco e Margarida Bugalski, Miguel e Julia Kamienski, Paulo e Catarina Paczkowski. Em 1877: Maria Muszynka, João e Maria Krzyzanowski, Pedro e Inês Paluchowski, Martim e Suzana Popyja, Antonio e Ana Wloch, José e Francisca Grabowski, José e Maria Paczek. Em 1878: Martim e Madalena Brandt, Miguel e Josefa Blonski, João e Bárbara Knut, João e Joana Ossowski, Matias e Ana Popija, Miguel e Ana Borkowski, Jacó e Ana Dabrowski, Jacó e Barbara Homam, Miguel e Antonia Kleina, Miguel e Paulina Borkowski, Martim e Madelena Brajta, Pedro e Ana Gapski, José e Catarina Grochowski, José e Maria Purkot, Otília Offmann, Matias e Susana Kuchenny, Francisca e Júlia Dlugonski, José e Ana Domachowski, Martim e Maria Kamienski, Carlos e Maria Krause, Jacó e Ana Ormianin, Domingos e Maria Gapski, José e Maria Purkot, José e Maria Polakowski, João e Rosa Kamienski, João e Maria Puckowsk, José e Maria Jablonecki, João e Augusta Pucha, Paulo e Maria Slowienski, Francisco e Dorotea Noch, André e Maria Grabowski, João e Bárbara Kukul, Paulo e Catarina Kuchta, Miguel e Catarina Grabowski, Paulo e Dorotea Dabrowski, Augusto e Mari Bakowski, Francisco e Matilde Treder, Miguel e Maria Kaminski, José e Josefa Sochaczewski, Bras e Paulina Polak, Onofre e Francisca Flizik, Guilherme e Maria Polakowski, Joãpro e Anapssowski, Antonio Kolasa, Martim e Catarina Borowski. Há que ressaltar que nas listagens supra-apresentadas não estão compreendidos os alemães. 130

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Em decorrência das particularidades de contexto colonial, existia na colônia uma autoridade policial denominado de subdelegado, o qual segundo o periódico a "A República, de 1º de novembro de 1888" estava sendo exercido pelo Sr. João Onofre Flizikoski. O mesmo periódico datado de 19 de maio de 1911 cita a existência do cargo de Inspetor Policial na Lamenha Grande ocupado pelo Sr. Ignacio Krzyzawoski, nomeado pelo Subcomissário do Distrito do Pilarzinho. Pelo fato da Colônia Lamenha pertencer ao Distrito de São Casemiro do Taboão, seus moradores qualificados como eleitores votavam na 17ª Seção em Curitiba, no Pilarzinho, segundo o edital publicado no jornal a "República, de 17 de setembro de 1892", após passou para a 10ª Seção, também no Pilarzinho, segundo o periódico "O Município (Órgão da municipalidade de Curitiba), datado de 26 de fevereiro de 1898". No ano de 1920, a população era de 640 habitantes e existiam 56 estabelecimentos rurais. Com o desenvolvimento da localidade, migrantes regionais começaram a se estabelecer em loteamentos abertos oficialmente no bairro junto aos antigos terrenos rurais dos colonos que eram vendidos ou parcelados pelas imobiliárias, como é possível perceber no requerimento do protocolo 165/1975, de 19 de setembro de 1975 que resultou o Decreto nº 59/1975, de 30 de setembro de 1975 que aprovava a planta do loteamento denominado Vila Monterrey de propriedade do Sr. Adyr Parolim e responsabilidade técnica do Engenheiro Pedro Ivo Casagrande. Segundo o Decreto, esta área originalmente pertenceu à Cachoeira do Bomfin, atualmente por força da Lei Ordinária de Almirante Tamandaré nº 1342, de 14 de maio de 2008, esta localidade pertence ao bairro Lamenha Grande. Na data de 26 de outubro de 1997, ocorreu no município uma expressiva comemoração em lembrança aos 120 anos da chegada dos primeiros poloneses ao Núcleo Lamenha, a qual foi organizada pela BRASPOL, que nesta época estava presidida pelo saudoso tamandareense descendente de poloneses João Bugalski Sobrinho. Em respeito ao historiador e especialista em imigração polonesa, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Paraná e Cidadão Honorário de Almirante Tamandaré, o professor Pedro Martim Kokuszka, que assistiu e ajudou a organizar o evento, transcrevo o seu relato sobre este histórico dia presente no livro de sua autoria "Nos Rastros dos Imigrantes Poloneses" p. 43-44: "Foi em 1997, na capela de São Miguel, com desfile de carroças enfeitadas com cincerro dando a melodia característica, com gaiteiro em cima da carroça, tocando músicas polonesas. Em outra carroça desfilaram os noivos lembrando que todos os casamentos de antigamente não dispensavam o tradicional veículo dos poloneses. Assim foi a abertura antes da missa. Posteriormente, foi descerrado placa comemorativa com a presença do Prefeito Municipal de Almirante Tamandaré Cezar Manfron, Padre Benedikt Grzimkowski coordenador da Missão Polonesa no Brasil, Presidente nacional da Braspol Rízio Wachowicz e Prefeito de Araucária. Ex-Prefeito de Almirante Tamandaré Arcidínio Félix Gulim, João Bugalski Sobrinho Presidente da Braspol de Almirante Tamandaré e demais autoridades. Logo após, teve a Santa Missa acompanhada do magnífico coral da matriz do Abranches que cantava músicas sacras em polonês. No salão de festas, foi por nós organizada, uma exposição com cento e vinte fotografias das casas antigas ainda existentes na Lamenha Grande, Lamenha Pequena, Gabriela, Pacotuba, Cachoeira, Botiatuba e Mato Dentro. 131

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Na oportunidade, também foram expostos, objetos dos imigrantes... Lá estava o livro de chamada do professor polonês Ignácio Lipski, a cruz, que foi trazida pelos imigrantes poloneses e números ímpar de objetos possibilitando as pessoas conhecerem e imaginarem verdadeiras epopeias vividas pelos nossos ancestrais. E não ficou apenas nisso, o grupo folclórico polonês de Balsa Nova "SZAROTKA" fantasticamente reavivou e reascendeu nossos brios mostrando que a Polônia tem muitas raízes culturais, especialmente na arte de dançar, sob espectro folclórico enquanto a festa continuava, o povo dançou no matinê aos acordes de uma banda polonesa". Atualmente, o bairro Lamenha Grande possui as seguintes delimitações legais: "Iniciase na Rua Izidoro da Silva, esquina com a Rua Irmã Jacobina; segue em sentido antihorário pela Rua Irmã Jacobina até encontrar o leito do Rio Tanguá; pende à esquerda e segue pelo referido rio até encontrar um córrego, afluente seu; pende à esquerda e segue pelo referido afluente e depois por uma linha reta até encontrar outro córrego, afluente do Rio Barigui, no prolongamento da Rua Rosa Bugalski da Silva; pende à direita e segue pelo referido córrego até encontrar o prolongamento da Estrada dos Bugalski; pende à esquerda e segue pelo referido prolongamento e depois pela Estrada dos Bugalski; cruza a Rua Luiz Bugalski e segue por uma linha reta até encontrar um o leito do Rio Barigui; pende à esquerda e segue pelo referido rio até encontrar a Rodovia de Contorno Norte; pende à esquerda e segue pela referida rodovia até encontrar outro córrego, afluente do Rio Barigui; pende à direita e segue pelo referido afluente e depois por outro até encontrar o final da Rua Paraná no limite do loteamento Dragão Verde; segue pela Rua Paraná e seu prolongamento até encontrar a Rua Rio Branco; segue pela referida rua até encontrar um córrego no limite do loteamento Jardim Nápolis; segue pelo referido córrego até encontrar o final da Rua Visconde de Mauá no loteamento São Carlos; pende à direita e segue pelo limite do referido loteamento até encontrar a Rua João Vicki; pende à esquerda e segue pela referida rua até a altura da Rua E no loteamento Jardim São Caetano; pende à direita e segue por uma linha reta até encontrar um córrego; segue pelo referido córrego por uma distância aproximada de 612,00 m (seiscentos e doze metros); daí pende à esquerda e segue em linha reta por uma distância de 200,00 m (duzentos metros); pende à direita e segue por outra linha reta por uma distância de 110,00 m (cento e dez metros); pende novamente à direita e segue em linha reta por uma distância de 162,00 m (cento e sessenta e dois metros) até encontrar o limite do loteamento Jardim Santa Maria; pende à esquerda e segue pelo referido limite até encontrar a Av. Wadislau Bugalski; pende à esquerda e segue pela referida avenida até encontrar a Rua Izidoro da Silva; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a Rua Irmã Jacobina, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 6,31 km²". LAMENHA PEQUENA O Bairro Lamenha Pequena tamandareense possui 2,25 km², e seu nome deriva da parte territorial inicial antes da divisão. Sua separação se deu em virtude de uma nova leva de colonos na região, sendo estes italianos e poloneses, que formaram inicialmente a Colônia Nova Romstak pertencente a região, segundo o PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO da Escola Estadual Lamenha Pequena/histórico da comunidade escolar e da Instituição. 2009, p. 11. 132

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A mesma fonte citada explica que a denominação não oficial da região surgiu de um fato curioso: Os primeiros italianos que se instalaram se referiam à localidade como "Nova Roma" e reconheciam a localidade com esta versão. Porém, quando no processo da distribuição de lotes para os eslavos, os funcionários do governo perguntavam se eles queriam as terras que ficavam na região da Lamenha conhecida como Nova Roma. Naturalmente a resposta era: "tak" e repetiam "Roma tak" (Roma sim, em polonês). E para não sair do costume, o povo mais simples, popularmente começou a expressar involuntariamente de forma "aportuguesada" a palavra "Romastak", por causa da curiosa história e em um contexto cômico. Ou seja, a área da Lamenha teve que ser ampliada devido à chegada de novos imigrantes. Mas, oficialmente a região era definida como Lamenha Pequena, uma analogia a filho grande (mais velho) e filho pequeno (mais novo) no caso Lamenha "Pequena", que por ser homônima a região de Curitiba na divisão, começou a ser redenominada oficialmente a partir de como eram popularmente conhecidas algumas partes de seu território em Tamandaré (Tanguá, São Miguel e Romstak (que possui uma parte em Curitiba). Nas descrições de Ermelino de Leão iniciadas no início do século XX, a localidade possuía uma escola pública criada por lei (proposição do Deputado Estadual João Candido de Oliveira), e sua população em 1920 era pouco inferior a 300 habitantes e contava com 17 estabelecimentos rurais. Atualmente, a localidade possui um alto grau de conurbação com Curitiba, pois o bairro ainda possui denominação homônima ao seu vizinho da capital, que a princípio teve a mesma origem. A Lamenha Pequena possui as seguintes delimitações: "Inicia-se na Rua Justo Manfron, na divisa com o município de Curitiba; segue em sentido anti-horário no fundo do lote 01 do loteamento Montparnasse - Residências, segue confrontando com todos os lotes da referida quadra até o Rio Tanguá e margeando todo limite do loteamento Marinoni; até encontrar a Rua Afonso Mathuzcewski, segue em sentido anti-horário pela mesma rua até encontrar novamente o limite do loteamento Marinoni; segue pelo referido limite até encontrar o limite do loteamento Colina do Sol; pende à esquerda e segue pelo referido limite até encontrar a Rua José Kleina; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Travessa Kleina; pende à direita e segue pela referida travessa e depois por uma linha reta até encontrar a Rodovia de Contorno Norte; cruza a referida rodovia e segue por um córrego, afluente do Rio Tanguá, por aproximadamente 1.885,00 m (um mil, oitocentos e oitenta e cinco metros); pende à esquerda e segue por uma linha reta perpendicular ao córrego, até encontrar a Rua Justo Manfron, divisa com o município de Curitiba; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar o ponto inicial nos fundos do lote 01 da quadra 01 do loteamento Montparnasse - Residências, perfazendo uma área aproximada de 2,25 km²". MARIANÃ O Bairro de Marianã é uma região de povoamento que transcende o século XIX, porém de baixa demografia devido ao seu terreno acidentado. Sua denominação é uma antropotoponímia que surgiu da identificação do lugar fundada por uma curandeira que morava 133

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na região de nome Maria, com características físicas de anã. Diante deste fato, muitos moradores quando tinham que ir para a região expressavam: "Estou indo para as terras de Maria anã". Ou seja, com o tempo, esta palavra se tornou uma só Marianã. Sua área atual é de 3,96 km². Seus limites são: "Inicia-se em uma Estrada Municipal Rural, esquina com a Estrada Valeriano Ferreira da Silva; segue em sentido anti-horário pela Estrada Municipal até encontrar outra Estrada Municipal Rural; pende à esquerda e segue pela referida estrada até o seu final; pende à esquerda e segue por uma sequência de linhas retas até encontrar outra Estrada Municipal, que margeia o leito do Rio da Barra; segue pela referida rua e depois pelo leito do referido rio até encontrar outra Estrada Municipal Rural; pende novamente à esquerda e segue pela referida estrada até encontrar a Estrada Valeriano Ferreira da Silva, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 3,96 km²". MARMELEIRO Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, abril 2011

Casa da Família Trevisan no Bairro do Marmeleiro. Na parte inferior na década de 1950 funcionava uma mercearia

O Bairro Marmeleiro é um dos mais antigos povoamentos da cidade, pois por ser uma região que faz divisa com as nascentes do Rio Passaúna, provavelmente esta localidade foi um acampamento de expedições que buscavam o ouro desde o século XVII. Porém, seu povoamento se deu em meados do século XVIII. A "Lista das Ordenanças da Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de 1836", considerava com status de Quarteirão, sendo o Sr. Manuel José de Ávila nomeado a exercer a função de Inspetor de Quarteirão na localidade. No ano de 1853, Curitiba contava com 27 quarteirões, sendo o Marmeleiro confirmado na "Lista das Ordenanças" desse ano. Em 1854, o quarteirão pertencia administrativamente ao 4º Termo Judiciário e Policial. Na p. 1257 do "Diccionario Histórico e Geographico do Paraná" elaborado por Augustinho Ermelino de Leão, é informado que em 1855 foram registradas 21 posses. Segundo o "Mappa estatístico da população da Parochia de Nossa Senhora da Luz, Curityba, capital da Província do Paraná, 1º de agosto de 1872, segundo recenseamento a 134

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que procedeu de conformidade com o Regulamento de 1870", sob responsabilidade dos Srs. José Ignácio Faria e Antônio Mendes existiam na localidade 67 casas, com 405 moradores, sendo 398 livres e 7 escravos. No ano de 1877, exerceu a função de Inspetor de Quarteirão, o Sr. Manoel Ignácio de Faria Sobrinho. O "Livro 0882, p. 221" existente no Arquivo Público do Paraná cita a abertura de uma escola em 07 de fevereiro de 1890, sendo contratado o Sr. João Evangelista dos Santos Ribas para a função de professor. A denominação da localidade é um fitotopônimo, que se liga à árvore da família das rosáceas com denominação de "Pé de Marmelo" ou Marmeleiro. Muito provavelmente, os primeiros desbravadores para identificar o local e criar um ponto de referência observaram uma concentração notória desta árvore no local e batizaram com este nome. Sua área atual corresponde a 6,81 km². No contexto das informações da "Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré", oficialmente tem início uma Comunidade Católica na localidade em 1902. Porém, não oficialmente, esta comunidade se fazia presente desde 1882. Ermelino de Leão cita na p. 1257 que em 1916 a sua população era de aproximadamente 400 habitantes. Nesta época, a localidade era considerada como um bairro florestal. Com o advento do Decreto Estadual nº 458, de 05 de junho de 1991, seu território está aproximadamente 45% abrangido pela Área de Proteção Ambiental do Passaúna em sua porção sul. O bairro possui as seguintes demarcações: "Inicia-se na Rua Miguel Poppia, esquina com a Rua Adolfo Inácio de Faria; segue em sentido anti-horário pela Rua Adolfo Inácio Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, abril de 2011

Placa tradicional, de 26 de setembro de 1996, no Bairro do Marmeleiro, demonstrando que a área que pertence a Família Trevisan possui uma história centenária.

de Faria por aproximadamente 800,00 m (oitocentos metros); pende à esquerda e segue por uma linha em curva até encontrar um córrego; segue pelo referido córrego e depois por uma linha até encontrar a Rua Antonio Eduardo Trevisan; pende à esquerda e segue pela referida rua, por aproximadamente 700,00 m (setecentos metros), até encontrar a bifurcação com uma Estrada Municipal; pende à direita e segue pela referida estrada municipal por aproximadamente 2.200 m (dois mil e duzentos metros) até encontrar outra estrada municipal; pende à esquerda e segue pela referida estrada municipal até encontrar a Estrada Valeriano Ferreira da Silva; pende à esquerda e segue pela referida estrada até encontrar a Rua Vereador Arlindo França; pende novamente à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Luciano Perussi; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a Rua Miguel Poppia; pende à esquerda até encontrar a Rua Adolfo Inácio de 135

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Faria, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 6,81 km²". MATO DENTRO Com 6,90 km², o Bairro do Mato Dentro, é uma região povoada desde o século XIX, pois serviu de assentamento para imigrantes italianos. Sua denominação deriva da expressão "segue mato adentro". Foto: Álbum de Albino Milek, fevereiro de 1980

Pioneira Capela de Santo Antônio, erguida em 1979 em terreno doado por Antoninho Lara. Para a construção foram organizados muitos eventos que cont aram com a colaboração das indústrias e comércio do município.

Este bairro possui as seguintes delimitações: "Inicia-se Rodovia dos Minérios, esquina com a Rua João Antônio Zem; segue em sentido anti-horário pela Rua João Antônio Zem até encontrar um córrego, afluente do Rio Barigui; segue pelo referido córrego até encontrar a Rua Rachel Cândido de Siqueira, no limite do loteamento Planta Herdeiros de Siqueira; pende à esquerda e segue pela referida rua e pela sua continuação, a Rodovia do Calcário - PR 509, até encontrar a Rua Pedro Teixeira Alves; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Antônio Gedeão Tosin; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a Rua Antônio Ferro; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a linha férrea; pende à direita e segue pela referida linha férrea até encontrar um córrego, afluente do Rio Barigui; pende à esquerda e segue pelo referido córrego por aproximadamente 2.100,00 m (dois mil e cem metros); daí pende à esquerda e segue por uma linha curva até encontrar uma estrada municipal, que leva à Estrada do Morro Azul; pende à esquerda e segue pela referida estrada até encontrar a Rua Ari de Lara Vaz; pende à direita e segue pela referida rua por aproximadamente 550,00 m (quinhentos e cinquenta metros); daí pende à esquerda e segue por uma linha reta até encontrar um córrego, afluente do Rio Barigui; segue pelo referido córrego até encontrar a Rua Alfredo José de Freitas; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rodovia dos Minérios; pende à direita e segue pela referida rodovia até encontrar a Rua João Antônio Zem, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 6,90 km²". 136

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MORRO AZUL O maior Bairro de Almirante Tamandaré é o Morro Azul com 12,23 km², porém sua demografia é baixa. Área de parcelamento de sesmaria conhecida desde o século XVIII, porém que só foi habitada de fato com o advento do desenvolvimento da Estrada do Assunguy que passava por Tranqueira. Foto: Álbum Albino Milek, fevereiro de 1982

Capela de São Pedro, estando em frente o saudoso Frei Lourenço Kachuba.

Na p. 1369 do "Diccionario Histórico e Geographico do Paraná" elaborado por Augustinho Ermelino de Leão é citado que em 1854 figurava no registro de terras 2 posses. No contexto de informações da "Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré" em 1974 é registrada o início da Comunidade Católica na região. É uma área de serra, o que se identifica na primeira expressão de seu nome "Morro". A expressão "Azul" se relaciona à coloração azul do minério de calcário encontrado em abundância na região. O qual é confirmado em partes por Ermelino de Leão quando se refere à localidade: "Localidade do município de Tamandaré, assim denominado em virtude do cerro do mesmo nome". As delimitações do bairro são as seguintes: "Inicia-se na Rua Francisco de Lara Vaz, esquina com a Rua Antenor Manfron; segue em sentido anti-horário pela Rua Francisco de Lara Vaz por aproximadamente 305,00 m (trezentos e cinco metros) até encontrar uma Estrada Municipal Rural; pende à direita e segue pela referida estrada até encontrar a Rua Antônio Guedes; pende à esquerda e segue pela referida rua, por aproximadamente 260,00 m (duzentos e sessenta metros), até encontrar um córrego; pende à direita e segue pelo referido córrego, e depois por uma linha reta até encontrar outro córrego, percorrendo uma distância aproximada de 2.600,00 m (dois mil e seiscentos metros); pende à esquerda e segue pelo referido córrego e depois por uma linha curva até encontrar a Rua Ari de Lara 137

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Vaz; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar uma Estrada Rural Municipal; pende à esquerda e segue pela referida rua por uma distância aproximada de 640,00 m (seiscentos e quarenta metros); pende à direita e segue por uma linha até encontrar um córrego, afluente do Rio Barigui; pende à esquerda e segue pelo referido córrego até aproximadamente 450,00 m (quatrocentos e cinquenta metros), até encontrar outro córrego; pende à esquerda e segue pelo referido córrego e depois por uma linha reta até encontrar a Rua Francisco de Lara Vaz, pende à esquerda e segue pela referida rua por uma distância aproximada de 350,00 m (trezentos e cinquenta metros); pende à direita e segue por uma linha reta até encontrar o leito do Rio Capivara; segue pelo referido rio até encontrar a Rua Gervásio Celusniak; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Antenor Manfron; pende novamente à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Francisco de Lara Vaz, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 12,23 km²". PACOTUBA Foto: Albino Milek, 1982

Capela do Pacotuba, construção de 1967. Em frente o pároco Frei Lourenço Kachuba.

Uma das áreas de povoado mais antiga e importante para a história do município é o Pacotuba, pois inicialmente, segundo documentos de posses de terra datados de 1817, ocorria a presença de silvícolas tinguis na área compreendidas de Pacotuba. Depois, começou a ser habitada estrategicamente desde o início de século XVIII. José Carlos Veiga Lopes, p. 18, cita que em 1818 é identificado na localidade uma área pertencente a Joana Maria medindo 50x50 braças; e outra área pertencente a Ângelo da Costa Rosa, medindo 100x100 braças. Na mesma pesquisa realizada por José Carlos Veiga Lopes, p. 18, é citado que na data de 14 de outubro de 1823, "Antonio Joaquim da Costa vendeu a Antônio Manuel de 138

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Abreu uma sorte de terras sita no bairro de Pacutuba por compra que delas havia feito a José Alves e cujas terras partiam por uma parte com Maria Fernandes por uma quebrada e pela parte da serra dividia pelo combro de um morro com a família do falecido Jeronimo da Costa Rosa, e pela outra parte se dividia com a família de José Valente cortando pelas cabeceiras de um córrego por um cerne em pé a rumo de um pinheiro que estava no combro do morro". Da mesma forma José Carlos Veiga Lopes, p. 19, identifica que em 14 de maio de 1826, "Maria do Terço, viúva de Francisco Fernandes, vendeu para Francisco Teixeira Alves um sítio no bairro de Pacutuba, com uma casa coberta de palha e com um pequeno campo, cuja propriedade possuía uma parte por dádiva que lhe fez sua mãe Rosa Pereira, outra parte por dádiva que lhe fez seu irmão Francisco da Silva, bem como a parte principal do dito sítio que foram cultivados dela ortogante; cujos campos partiam de um lado com o comprador e de outro lado principiava de um pequeno morro de pedras, de umas imbuias descendo por uma quebrada por ele abaixo até o córrego do Tanque onde fazia represa e daí atravessando um pedaço de campo frechando direito ao capão que estava na beira da estrada dos moradores de Pacutuba seguindo por uma quebrada abaixo até entestar com o comprador". Segundo a "Ata da Sessão Extraordinária da Câmara de Curitiba, datada de 05 de agosto de 1834", o Sr. José Pinto de Abreu era o Inspetor de Quarteirão, no ano 1836 exercia a função de Inspetor de Quarteirão o Sr. Pedro Monteiro. Em 1853, a localidade era considerada como um dos 27 quarteirões de Curitiba, integrando o 4º Termo Judiciário e Policial. Na data de 1854, figuravam nos registros 18 posses registradas na "Parochia de Curityba". Existia e ainda existe no lugar uma capela consagrada a Sant'Anna. Existem registros publicados em editais oficiais, os quais eram pregados na porta da Igreja, sendo o mais antigo identificado (até o presente) o afixado na porta da Igreja de Nossa Senhora Santa Ana, que era a Matriz da Paróquia do Pacotuba, como é possível observar em uma referência presente na Gazeta Paranaense, de 28 de outubro de 1887. O nome da localidade foi inspirado no Rio que nasce e corta a região e que foi encontrado uma efêmera quantia de ouro. A palavra "pacotuva" possui várias interpretações. Pacotuba na forma como se expressa se refere à região de muita banana, ou sítio de banana. Porém, "atualmente" isto não cabe para a região. Talvez, a localidade onde o rio nasce possuísse uma concentração notória de bananeira a ponto de receber este nome, para servir de ponto de referência. No entanto, se levar em consideração que em trezentos anos o nome pode ter sido distorcido até chegar à forma como os conhecemos. Poderia ser Pacotuba igual à Pacotuva que teve origem na palavra "pacatuva", que significa região de pacas. Atualmente, esta literalidade tem mais sentido, pois não raro é ver pequenas pacas atravessarem o rio. Porém, Ermelino de Leão identificou uma localidade denominada "Bacotuva", que era um terreno registrado na "Parochia de Curityba" em acordo com o regulamento de 1854. Ele achava que seria "uma corrupção da palavra Pacotuba". Atualmente, o bairro possui uma área de 9,27 km². No que tange o "Mappa estatístico da população da Parochia de Nossa Senhora da Luz, Curityba, capital da Província do Paraná, 1º de agosto de 1872, segundo recenseamento a que procedeu de conformidade com o Regulamento de 1870, Arquivo Público do Paraná", 139

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existiam 40 casas, 206 moradores, sendo 196 livres e 10 escravos. No ano de 1877, exerceu a função de Inspetor de Quarteirão o Sr. Marco Luiz Ribeiro. Foi elevada à sede de Freguesia em 10 de maio de 1875, pois existia uma Paróquia na localidade conhecida por Nossa Senhora de Santa Ana. Mais tarde, foi transferida para Conceição do Cercado, posterior Vila de Tamandaré. Esta transferência se deu devido a melhor posição geográfica do povoado vizinho em relação à Estrada do Assunguy. A população do povoado em 1920 era de 215 habitantes. As limitações territoriais são: "Inicia-se na Rodovia dos Minérios, esquina com a Rua Alfredo José de Freitas; segue em sentido anti-horário pela Rua Alfredo José de Freitas até Foto: Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré, de 15 de julho de 1962

Antiga Capela do Pacotuba

encontrar um córrego, afluente do Rio Barigui; pende à direita e segue pelo referido córrego e depois por uma linha reta até cruzar a Rua Dalzira Sila; segue pela continuação da linha, agora em curva, até encontrar um outro córrego, afluente do Rio Pacotuba; segue pelo referido córrego, e depois por uma linha reta até encontrar outro córrego; segue por este córrego até encontrar a Rua Antônio Eduardo Trevisan; cruza a referida rua e segue por uma linha reta até encontrar o leito do Rio Pacotuba; pende à esquerda e segue pelo referido rio por uma distância aproximada de 400,00 m (quatrocentos metros) até encontrar outro afluente; pende à direita e segue pelo referido afluente e depois por uma linha em curva até encontrar a Rua Adolfo Inácio de Faria; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a Rua Miguel Poppia; cruza a referida rua e segue por uma linha reta até encontrar um córrego; segue por este córrego até encontrar um lago, próximo à Estrada Sete Lagoas; pende à esquerda e segue por uma linha reta até encontrar a Rua dos Pinheiros; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Theolindo Baptista de Siqueira na esquina com a Estrada do Pântano Preto; no limite do loteamento Jardim Valença; pende à esquerda e segue pela referida estrada até o final do loteamento; pende à direita e segue pelo limite do loteamento, e depois por uma linha reta até encontrar o limite do loteamento Recanto dos Papagaios; segue pelo referido limite até encontrar um córrego, afluente do Rio Barigui; pende à esquerda e segue pelo referido córrego até encontrar a Rodovia dos Minérios; pende novamente à esquerda e segue pela referida rodovia até encontrar a Rua Alfredo José de Freitas, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 9,27 km²". 140

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RESSACA O Bairro da Ressaca que possui 1,62 km² é uma região conhecida desde o século XVIII como "Ressaca do Butiatuba", porém deve ter tido a mesma sorte do bairro Juruqui e Marmeleiro, devido à proximidade com o Rio Passaúna e com estas regiões. Seu nome deriva do contexto em que ressaca significa calmaria, empregada para explicar que quando os primeiros pioneiros passaram pela região, tiveram um trajeto calmo sem nenhuma adversidade natural ou climática. Com o advento do Decreto Estadual nº 458, de 05 de junho de 1991, seu território está aproximadamente 25% abrangido pela Área de Proteção Ambiental do Passaúna em sua porção sudoeste. Oficialmente o bairro possui as seguintes delimitações: "Inicia-se na Rua Pedro Jorge Kotowski, esquina com a Estrada da Ressaca; segue em sentido anti-horário pela Estrada da Ressaca até encontrar a Estrada Sete Lagoas; pende à direita e segue pela referida estrada por uma distância aproximada de 835,00 m (oitocentos e trinta e cinco metros); daí segue por um prolongamento em linha reta até encontrar um lago; pende à esquerda e segue por pelo referido lago e depois por um córrego, afluente do Rio Barigui, por uma distância aproximada de 735,00 m (setecentos e trinta e cinco metros); pende à esquerda e segue em linha reta até encontrar um córrego, afluente do Rio Passaúna; segue pelo referido córrego até encontrar o Rio Passaúna; pende à esquerda e segue pelo referido rio até encontrar outro afluente seu; pende à esquerda e segue pelo referido afluente, margeando a Rua José Brejinski, até encontrar a Rua Pedro Jorge Kotowski; pende novamente à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Estrada da Ressaca, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 1,62 km²". RESTINGA SECA A Região da Restinga Seca é um bairro com 2,30 km². Área conhecida no século XVIII, e timidamente povoada nesta mesma época em virtude de ser uma área considerada do Quarteirão do Botiatuba, ou seja, era parte de várias fazendas como é possível perceber na posição geográfica descrita no documento de "compra e venda datado de 27 de agosto de 1781", "João Machado Castanho e sua mulher Ana de Siqueira Cortes venderam para Lucas Peres Pedroso um pedaço de campos com casas cobertas de palha, sito na paragem Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, maio de 2011

Capela São Francisco de Assis, prédio de 1997, porém seus alicerces datam de 11 de dezembro de 1984. Antes da Capela as missas eram realizadas nas casas de moradores da comunidade. Na data de 06 de outubro de 1985, era inaugurado o Centro Social São Francisco de Assis (salão da Igreja), com missa realizada pelo Frei Lourenço Kachuba, que a partir desta data serviu para os cultos. O terreno foi doado pelo Sr. Vicente Govatiski e familiares onde, em 07 de outubro de 1984, começou a construção do Centro Social.

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chamada Butiatuba, desde a restinga que partia com o campo grande pertencente aos vendedores, correndo pelo ribeirão do Pacheco abaixo até entestar na restinga seca que partia com o campo que foi do defunto Francisco de Siqueira Cortes, com suas capoeiras e matos lavradios, correndo seu rumo para a parte do norte e entestar com o Rio Pacotuba, que possuíam de transpasse que lhes fizera Pascoal Fernandes Leite, herdeiro possuidor, como constava da escritura que os vendedores tinham em seu poder". Por ser uma área próxima à antiga Estrada do Assunguy, no século XIX e após, serviu para assentar imigrantes poloneses. Seu nome expressa a característica natural da região de notória identificação presente em documentos oficiais do século XVIII como marco de referência geográfica, ou seja, uma região física depressiva (um buraco em meio aos morros). "Seca", porque não estava preenchida com água. Esta região se parecia com uma restinga costeira, por isto da denominação analógica dos primeiros desbravadores que passaram pela região. A "Lei nº 887, de 26 de agosto de 1952, DO 144, de 28 de dezembro de 1952", "autoriza o poder Executivo a doar ao município de Timoneira um terreno com área de 14 alqueires, situado em Restinga Seca, distrito da sede do aludido município", o qual foi parcelado e loteado timidamente. A partir de meados da década de 1970 sofreu um intensivo povoamento provocado pela exploração imobiliária. Oficialmente, os limites territoriais do bairro são: "Inicia-se na Rodovia dos Minérios, esquina com a Av. Vereador Wadislau Bugalski; segue em sentido anti-horário pela Rodovia dos Minérios, por uma distância aproximada de 900,00 m (novecentos metros) até encontrar o córrego Pacutuba, afluente do Rio Barigui; pende à esquerda e segue pelo referido córrego até encontrar o limite do loteamento Recanto dos Papagaios; pende à direita e segue pelo referido limite e depois por uma linha reta até encontrar a Estrada Pântano Preto, no limite do loteamento Jardim Valença; pende à esquerda e segue pela referida estrada até encontrar a Rua Theolindo Baptista de Siqueira; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a Rua dos Pinheiros; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua José Gavilik; pende à esquerda e segue pela referida rua até a divisa entre os loteamentos Jardim Silvana e Jardim Paraíso; pende à direita e segue por uma linha reta até encontrar a Av. Wadislau Bugalski; pende à esquerda e segue pela referida avenida até o limite do loteamento Jardim Central; pende à direita e segue pelo referido limite contornando o Jardim Central até encontrar a Av. Rafaela; pende à esquerda e segue pela referida avenida até encontrar novamente a Av. Wadislau Bugalski; pende à direita e segue pela referida avenida até encontrar a Rodovia dos Minérios, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 2,30 km²". SÃO FELIPE O Bairro São Felipe é uma localidade recente parcelada por imobiliária, uma vez que este se deu em meados década de 1970, no entanto, esta região era conhecida e habitada no século XIX, pois a mesma pertencia a Candido Machado de Oliveira, pai do Coronel João Candido de Oliveira, como é possível observar em um documento oficial de 1856 com o seguinte teor: "Candido Machado de Oliveira, morador do Cercado, cadastrou uma sorte de matos de erval por compra que fizera de Miguel Félix da Costa Rosa e sua mulher 142

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Joana de Cristo, tendo de extensão 200 braças em quadra mais ou menos, divisando pela frente com uma lomba de São Felipe, por um lado com José Tomé de Cristo e por outro com uma lomba e pelo fundo com terras de Joaquim José Pinto Bandeira". Como é possível perceber no documento referido, o nome do bairro possivelmente foi inspirado em um alto de morro (lomba) que lembrava uma "corcunda" que se ligou a uma característica física do apostolo Felipe, ou seja "lomba de São Felipe". Sua área é de 2,18 km². As delimitações oficiais estão assim estabelecidas: "Inicia-se na Av. São João, no ponto onde cruza com a linha férrea; segue em sentido anti-horário e segue pela linha férrea, que coincide com o limite dos loteamentos Jardim do Monte Santo e Jardim Campo Verde, até encontrar um fundo de vale localizado aproximadamente a 150,00 m (cento e cinquenta metros) do final do loteamento Jardim Campo Verde; pende à esquerda e segue pelo referido fundo de vale até encontrar um córrego, afluente do Rio Atuba; pende à esquerda e segue pelo referido córrego até encontrar a Rua José Real Prado; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Campina das Flores; pende à direita e segue pela referida rua por uma distância aproximada de 870,00 m (oitocentos e setenta metros); daí pende à esquerda e segue por uma linha reta até encontrar um córrego afluente do Rio Barigui; segue pelo referido córrego e contorna o loteamento Jardim Tatiana até encontrar o leito do Rio Barigui; pende à esquerda e segue pelo referido rio até encontrar novamente a linha férrea; pende à esquerda e segue pela referida linha férrea até encontrar a linha correspondente ao prolongamento da Av. São João; pende à direita e segue pelo referido prolongamento e depois pela Av. São João até encontrar a linha férrea, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 2,18 km²". PARQUE SÃO JORGE Na "Grande Cachoeira", o Parque São Jorge ou o Bairro São Jorge, foi criado em 1950 como região de loteamento. Mas era uma área habitada desde o século XIX. Atualmente sua área perfaz 0,99 km². Segundo a oralidade popular, seu nome é um hidrotopônimo ligado à pequena Cachoeira de São Jorge que existia na região no terreno de seu Altair Barros, que era devoto do santo e último dono da área do bairro antes de seu parcelamento em pequenos lotes, como consta nos "instrumentos de compra e venda" de terrenos da localidade. Este bairro tem as seguintes delimitações: "Inicia-se na Rua Antônio Johnson, esquina com a Rua Santo Antônio; segue em sentido anti-horário pela Rua Antônio Johnson até encontrar a Rua Atuba; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a linha que corresponde ao prolongamento da Rua Nossa Senhora da Luz; pende à esquerda e segue pelo referido prolongamento e depois pela Rua Nossa Senhora da Luz até encontrar a Rua São Manoel; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a Rua Santa Catarina; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar o limite do Parque Ambiental Aníbal Khury; pende à esquerda e segue contornando os limites do referido parque até encontrar a Rodovia dos Minérios; pende à esquerda e segue pela referida rodovia até encontrar a Av. São Jorge; pende novamente à esquerda e segue pela referida avenida até o ponto onde cruza o Rio Barigui; pende à direita e segue pelo referido rio até encontrar um 143

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afluente do Rio Barigui; pende à esquerda e segue pelo referido afluente até encontrar a Rua Santo Antônio; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Antônio Johnson, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 0,99 km²". SÃO MIGUEL Fazendo divisa com o Bairro do Juruqui, o Bairro de São Miguel, que perfaz 5,19 km², foi uma região conhecida desde o século XVIII, pois teve a mesma sorte do Botiatuba e Juruqui. Porém, seu povoamento começou forte com as primeiras famílias de poloneses em 1876 oriundas das constantes levas de imigrantes que chegavam da Polônia. Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, abril de 2011

Igreja de São Miguel, localizada no Bairro de São Miguel. Inaugurada em 13 de maio de 1954, em substituição à antiga capela ali existente que inspirou o nome da localidade.

Seu território inicialmente pertencia à Colônia Lamenha, como é possível observar na Escritura de doação de terreno onde está a atual Capela de São Miguel, datado de 1923 registrada no "Livro nº 194, p. 50 (M. J. Gonçalves, 1º Notário - Curitiba, estabelecido na época junto à rua Marechal Floriano Peixoto, nº 3)", porém, com características próprias de relevo que o isolaram da abrangência denominativa destas localidades, que consequentemente, com o tempo resultaram em um topônimo de ênfase religioso que foi inspirado na Capela de São Miguel, a qual possivelmente foi homenagem ao Arcanjo Miguel. Se coincidência ou não, a pessoa que mais lutou e até brigou com o padre José Góral para ele abençoar a pioneira capela na região foi o Sr. Miguel Krzyzanowski, que também fez parte como sócio fundador da Sociedade São Miguel. Ou seja, possivelmente a escolha do Santo Patrono da Igreja se inspirou no nome deste líder comunitário e político da época que desenvolveu a ideia de trazer para região coisas que facilitassem a vida do morador local. Seu Miguel Krzyzanowski possui este nome em louvor a São Miguel. A denominação da localidade se estende desde o ano de 1914, quando ficou pronta a capela de madeira. A atual foi erguida na década de 1950 ao redor desta que era bem menor, a qual só foi desmanchada quando a cobertura do novo templo em alvenaria foi montada. 144

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A legislação municipal estabeleceu os seguintes limites: "Inicia-se na Av. Wadislau Bugalski, esquina com a Rua Frei Jacinto Govaski; segue em sentido anti-horário pela Rua Frei Jacinto Govaski até encontrar a Rua Pedro Jorge Kotowiski; pende à esquerda pela referida rua até encontrar a Rua Izidoro da Silva; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a Rua Miguel Krizanoski; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Justo Manfron; pende à esquerda e segue pela referida rua por uma distância aproximada de 170,00 m (cento e setenta metros); daí pende à esquerda e segue por uma linha reta até encontrar um córrego, afluente do Rio Tanguá; pende à direita e segue pelo referido córrego até encontrar a Rodovia de Contorno Norte; pende à esquerda e segue pela referida rodovia até encontrar o ponto onde cruza com o Rio Tanguá; pende à esquerda e segue pelo referido rio por uma distância aproximada de 140,00 m (cento e quarenta metros) até encontrar um córrego, afluente do Rio Tanguá; pende à esquerda e segue pelo referido córrego até encontrar a Rua Irmã Jacobina; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a Rua Izidoro da Silva; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a Av. Wadislau Bugalski; pende à esquerda e segue pela referida avenida até encontrar a Rua Frei Jacinto Govaski, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 5,19 km²". SUMIDOURO O Bairro Sumidouro possui 3,63 km² e surgiu em decorrência da passagem da Estrada do Assunguy pelo seu território no século XIX, o qual trouxe os imigrantes italianos para se estabelecerem na região. No entanto, o nome deriva da característica da região que é cortada pelo Rio Barigui, que encontra ali uma grande área de várzea. Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, janeiro de 2011

Vale por onde corta o rio Barigui às margens da rodovia do Calcário no Bairro Sumidouro.

Porém, a característica marcante que denomina o local é ligada diretamente a uma antiga dolina que lá existia e que conseguia captar água. Segundo a explicação de Luis 145

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Marcelo Oliveira em sua pesquisa "A gestão de riscos geológicos urbanos em áreas de carste", p. 8, "os sumidouros são áreas que podem evoluir de dolinas, possuem uma 'grande capacidade de absorção e drenagem de águas'. Da mesma forma, se observar a formação de vale por onde passa o Rio Barigui, tem-se a impressão de que a água some. Por esta razão, a localidade foi denominada de Sumidouro. A região do Sumidouro foi referenciada em 1926 por Ermelino de Leão, p. 2255, como "localidade do município de Tamandaré com 11 estabelecimentos rurais". Sua área de delimitação foi assim estabelecida: "Inicia-se na Rua Pedro Teixeira Alves, esquina com a Rua Antônio Gedeão Tosin; segue em sentido anti-horário pela Rua Pedro Teixeira Alves até encontrar o leito do Rio Barigui; pende à esquerda e segue pelo referido rio, passa entre o limite dos loteamentos Cíntia Mara e Jardim Tatiana até encontrar um córrego, afluente do Rio Barigui; pende à direita e segue pelo referido córrego e depois por uma linha reta até encontrar a Rua Campina das Flores; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rodovia do Calcário - PR 509; pende à esquerda e segue pela referida rodovia até encontrar a Rua Antônio Ferro; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a Rua Antônio Gedeão Tosin; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Pedro Teixeira Alves, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 3,63 km²". TABOÃO Fonte: Primeira imagem Wilcélia Weigert Nicolau (década de 1970); Segunda imagem Banner de inauguração da nova ponte, 2006

Antiga ponte do Taboão no final da década de 1970, obra realizada na gestão do Prefeito Domingos Stocchero. Ao fundo, no lado tamandareense, a tradicional serralheria, que nesta época pertencia à família Macionki.

O menor Bairro de Almirante Tamandaré é o Taboão com apenas 0,35 km²; a região derivou do parcelamento territorial da cidade de Curitiba, criação e jurisdições de distritos, em virtude da autonomia de Tamandaré e depois da criação de Timoneira. Foi uma região de assentamento natural de imigrantes, pois estava entre as Colônias Lamenha e Abranches. Ou seja, nesta época não existia o São Casemiro do Taboão, apenas "Taboão". Em 1854, existiam várias posses na localidade. 146

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Diante disso, o Taboão tamandareense é um homônimo de seu vizinho curitibano separado pelo Rio Barigui, o qual influenciou diretamente na denominação da região, pois havia uma estrada que levava até a localidade de Votuverava; houve a necessidade de se fazer uma ponte. A região provavelmente ficou conhecida como Taboão devido às tábuas grossas de madeira que foram utilizadas para construir as pioneiras pontes no século XVIII e que constantemente eram levadas pelas enchentes. Esta denominação é um ergotopônimo derivado da expressão: "Vamos passar pelo taboão". O Taboão era sede do Distrito de São Casemiro do Taboão que fez parte integralmente do território da recém-criada cidade de Tamandaré em 1889. Porém, por Ato Governamental, de 17 de dezembro de 1890, que definiu suas novas divisas, a região passou a fazer parte de Curitiba. Em virtude deste Ato ficou assim definido o distrito: "Pela parte desta cidade, com o distrito do Norte, a começar das casas de Pedro Gapeppa e Carlos Trilot, seguindo pela estrada respectiva até José Wolf, onde se acham estabelecidos alguns alemães, indo ao 2º engenho de serra do mesmo Wolf à casa de moradia do pai deste - Daí segue pela estrada pública abrangendo os moradores de suas margens até a casa de Simão Penkot, ultima do quarteirão do Pilarzinho e fazendo uma curva pelos fundo da cerca de terrenos de João Schafer, dirige-se ao engenho de João Carvalho, e em linha reta vai à casa do falecido Joaquim Cabral, no quarteirão do Ahú, com direção à ponte do Juveve, seguindo pela margem esquerda da estrada da Graciosa, cortando parte da Colônia Argelina e dai à casa de Antonio Vaz, desta até o Atuba, compreendendo toda a Colônia Santa Candida ao engenho de serra de Guilherme Weigert - Dai segue por uma picada até a Colônia Antônio Prado abrangendo os moradores das margens da estrada principal à ponte do Atuba, da Colônia Antônio Prado vai até a casa do negociante Francisco Patza, dividindo ai com a Colônia São Venâncio, de onde segue a dividir-se com o Distrito de Tamandaré, compreendendo toda a Colônia Lamenha, conhecida por grande e pequena dividindo-se esta com terras pertencentes ao comendador Antonio Martins Franco". A localidade teve escrituração pública criada pela Lei nº 318, de 09 de abril de 1872. Em referência ao Ofício da Secretaria de Polícia do Paraná, de 13 de outubro de 1885, publicado na "Gazeta Paranaense, de 14 de outubro de 1885" o qual solicitava a criação de um Distrito Policial na localidade e que abrangesse a região da Lamenha, Pilarzinho, Abranches e Santa Cândida com a denominação de São Casemiro do Taboão, o qual a justificativa da denominação se fundava no seguinte: "(...) do nome proposto, portanto S. Casemiro é um dos Santos mais populares na Polonia, o que significa por parte da autoridade brasileira uma delicada homenagem à infeliz e heroica nacionalidade polaca, cuja força de trabalho e o espirito ordeiro tanto tem sido apreciado aqui na Província do Paraná." Em referência ao supracitado ofício, por Ato Governamental, de 14 de outubro de 1885 foi criado o Distrito Policial e nomeado o subdelegado e suplentes respectivamente: Onofre João Flisizko; 1º Vidal José de Siqueira, 2º Simão Grabouski, 3º Estevão Kahil. Após o Decreto nº 147, de 02 de março de 1891 foi criado um Distrito de Paz em São Casemiro do Taboão, município de Tamandaré, com as mesmas divisas do atual Distrito Policial. Em 1900 o distrito foi dividido (Taboão e Pilarzinho) por força do Decreto nº 67, de 16 de abril de 1900 que por efeito definiram novas divisas que mais tarde foram alteradas pela Lei nº 1.184, de 1912. No período de coleta de dados feita por Ermelino de Leão na década de 1910, a população do distrito era de 6.500 habitantes, sendo 1.445 crianças. 147

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O Taboão era cruzado pela Estrada do Assunguy, por este motivo muitos negociantes de cal, madeira e gado passavam pela localidade. Diante desta realidade crescente, em 1883, segundo o "Relatório apresentado pelo Presidente da Província Luiz Alves Leite de Oliveira Bello" se cogitou a criação de uma Barreira Fiscal na região, a qual se concretizou em virtude da Lei nº 710, de 31 de outubro de 1884, que fixou a taxa sobre veículos que passarem pela Barreira da Estrada da Capital à Vila do Açungui. Seus limites oficias estão dispostos da seguinte forma: "Inicia-se na linha correspondente ao prolongamento da Estrada dos Bugalski, no ponto onde encontra um córrego afluente do Rio Barigui; segue em sentido anti-horário pelo referido córrego até encontrar o leito do Rio Barigui, na divisa com o município de Curitiba; pende à esquerda e segue pela referida divisa até encontrar a linha correspondente ao prolongamento da Estrada dos Bugalski; pende à esquerda e segue pelo referido prolongamento, cruzando a Av. Wadislau Bugalski, segue pela Estrada dos Bugalski e novamente segue pelo prolongamento desta via até encontrar o córrego afluente do Rio Barigui, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 0,35 km²". TANGUÁ Na divisa com Curitiba, existe o Bairro Tanguá com área de 3,43 km², cujo sua origem e povoamento se fazia desde o século XVIII por portugueses devido a proximidade com o Foto: Antonio Ilson Kotovski Filho rio Barigui. Porém, sua ocupação mais intensa ocorreu com o advento do surgimento da Colônia Lamenha e Santa Gabriela. A denominação do bairro é antiga e referenciada oficialmente em 1877 sendo a localidade conhecida como "Rio Tanguá" como é possível observar no abaixo-assinado elaborado por residentes da localidade endereçado ao Diretor de Instrução Pública e publicado na "Gazeta Paranaense, de 14 de novembro de 1885, p. 2". Teve como inspiração o próprio Rio Tanguá, que era um ponto de referência que nasce na Lamenha e passa bem abastecido pelo território do atual bairro. A expressão "Tanguá" é uma corrupção da Capelinha do Tanguá de 1941, localizada no cruzamento palavra "taguá", que segundo inforentre a Rua Alberto Krauser e a Rua Roberto Drescheler, mação do periódico paranista restaurada pela 4ª vez em 2008 (está sem a cruz devido a um "ALBA - Amigos do Livro e das Becaminhão que esbarrou e quebrou no começo de 2011). las Artes de 1938, sob a direção de Romário Martins", p. 27, deriva da palavra "taguada" terra de comer; barreiro. Ou seja, condiz com as características da localidade, pois é cortada por vários rios. 148

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Ainda no que tange a denominação do rio de "Tanguá", existe uma grande probabilidade de que o nome derive de uma corrupção da antiga denominação "Itagoá" que significa "Itaguá", a qual segundo informação do periódico paranista "ALBA - Amigos do Livro e das Belas Artes de 1938, sob a direção de Romário Martins", p. 22, possui a seguinte interpretação: Itá - pedra, argila; guá - redonda ou em certos casos, cores variadas. Tal fato é possível observar no contexto do texto oficial adaptado à nova regra ortográfica portuguesa feito por José Carlos Veiga Lopes, p. 16-17, o qual relata que em 1º de fevereiro de 1745, quando o Sr. José Palhamo de Azevedo obtém uma sesmaria na região com a seguinte justificativa em seu pedido: "(...) pra sustentar este não tinha terras para cultivar e nem com que acomodar a criação de gado que tinha e porque na paragem chamada Itagoá, termo desta vila, havia muitas terras para povoar, nas quais pretendia acomodar-se aproveitando-as, especialmente na sorte de terras que teria uma légua começando no rio Itagoá, que dava nome a paragem, donde fazia esta barra no rio Barigui, correndo rio acima pelo dito Barigui, fazendo testada ao rumo norte ao campo de Butiatuba ou conforme o rio andasse com o sertão ao rumo de oeste, cuja paragem e distância de légua se achava maninha e despovoada". Atualmente a localidade possui alto índice de conurbação com Curitiba. Este tradicional bairro tamandareense possui os determinados limites: "Inicia-se no fundo do lote 01 da quadra 01 do loteamento Montparnasse - Residências, situado na Rua Justo Manfron, na divisa com o município de Curitiba; segue em sentido anti-horário pela Rua Justo Manfron até encontrar a Rua Graziele Wolf; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Professor Alberto Krause; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar a ponte do Tanguá, sobre o Rio Barigui; pende à esquerda e segue pelo referido rio até encontrar a rua projetada nº 05, no final do loteamento Jardim Nossa Senhora de Fátima; pende à esquerda e segue pela referida rua projetada e contorna o limite do referido loteamento até encontrar o limite do loteamento Vila Martha; segue pelo limite e depois por uma linha reta até encontrar a Rua Frei Caneca; pende à direita e segue pela referida rua até o final do loteamento Jardim Nossa Senhora do Pilar; pende à esquerda e segue pelo limite do referido loteamento até encontrar a Rua Elízio Francisco do Nascimento; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar o leito do Rio Tanguá; pende à direita e segue pelo referido rio até encontrar a Rodovia de Contorno Norte - PR; pende à esquerda e segue pela referida rodovia por uma distância aproximada de 1.200,00 m (um mil e duzentos metros) até encontrar o ponto que corresponde ao prolongamento da Travessa Kleina; pende à esquerda e segue por uma linha perpendicular à rodovia até encontrar a Travessa Kleina; segue pela referida travessa até encontrar a Rua José Kleina; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Marta Kleina; pende à direita e segue pela referida rua até o limite do loteamento Colina do Sol; pende à esquerda e segue pelo limite do referido loteamento até encontrar o limite do loteamento Marinoni; pende à direita e segue pelo limite do referido loteamento até o Rio Tanguá, margeando com todos os lotes da quadra 01 da Planta Montparnasse - Residências até chegar nos fundos do lote 01 da Rua Justo Manfron, na divisa com o município de Curitiba, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 3,43 km²".

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TIJUCO PRETO Afastado da sede municipal, o Bairro de Tijuco Preto possui uma área de 1,76 km², e seu povoamento transcende o século XIX. Seu nome se refere a um lamaçal cortado por uma estrada, a qual pela posição das árvores e a forma que elas se sobrepõem em relação a elas e a estrada, faz parecer um túnel, ou seja, aquele trecho de estrada escurece muito, mesmo em dias extremamente claros. Deste fato então nasce à explicação para "preto". Tijuco significa terra pantanosa ou lamaçal. Esta característica da região denominou o rio principal que passa pela localidade. Este rio do mesmo nome serve de divisa aos municípios de Tamandaré e Colombo, de acordo com o Decreto nº 41, de 12 de fevereiro de 1890. No contexto do trabalho de Agostinho Ermelino de Leão apresentados no Diccionario Histórico e Geographico do Paraná, p. 2381, é citado que na década de 1910 existiam 15 estabelecimentos rurais, visto que a parte pertencente à Tamandaré era populosa, estimada em 850 habitantes. Existia no início do século XX, escola criada por lei que atendia 121 crianças. Atualmente vizinho ao bairro tamandareense existe o seu homônimo na cidade de Itaperuçu, que possui a mesma história, portanto, antes da separação era uma mesma região. A delimitação oficial relativa ao bairro é a seguinte: "Inicia-se na Rua Antônio Stocchero, esquina com a Rua Gervásio Czelusniak; segue em sentido anti-horário pela Rua Antônio Stocchero até encontrar a Estrada João Govaski; pende à esquerda e segue pela referida estrada até encontrar a Rua Antenor Manfron; pende à esquerda e segue pela referida rua até encontra a Rua Gervásio Czelusniak; pende novamente à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Antônio Stocchero, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 1,76 km²". TRANQUEIRA A localidade de Tranqueira era conhecida como uma paragem e possivelmente habitada desde o século XVII. Segundo o contexto do documento de medição do "Rossio de Curitiba", datado de 17 de setembro de 1721", presente na "Lista das Ordenanças da Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais", aparece a seguinte informação: "(...) foram ao marco da outra banda do rio chamado rio da Vila no primeiro espigão aonde tinham chegado com a medição, e daí mediram pelo mesmo rumo (nordeste), para o Mato Grosso, atravessando a estrada que ia do sítio de João Alves Martins para o Butiatuba chamada Tranqueira onde puseram uma cruz um pau para se saber que por ai chegava o rossio e daí foram com a medição pelo Mato Grosso adiante ao rumo do rio de Barigui, mediram 900 braças craveiras, e do dito rio não passaram por servir o rio de testada e aonde chegaram afinal com a medição e onde fazia um córrego grande, e descamparam a dita barra, e lhe fincaram duas uvaranas verdes por marco, medindo a barra do dito córrego entre as duas estacas de uvaranas; outrossim, fizeram uma cruz em um pinheiro grande mesmo na dita barra". Na "Lista das Ordenanças da Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais" é referenciado que em 1772, existe a ocorrência da fazenda pertencente a Sebastião Alves de Araujo, distante 4 léguas do centro da Vila de Curitiba. Na relação de proprietários da "Lista das Ordenanças de 1818" é disposta as proprieda150

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des em Tranqueira, pertencente: a Mateus Ferreira, onde morava, medindo 300x400 braças; pertencente a João Rodrigues do Espiro Santo, onde morava, medindo 50x50 braças; pertencente a Bento José Machado, onde morava, medindo 600x700 braças; pertencentes a Manuel Machado Bonfim, onde morava, medindo 50x100 braças; pertencente a Gonçalo José Guimarães, onde morava, medindo 150x350 braças. Na pesquisa realizada por José Carlos Veiga Lopes, p. 18, é citado que "(...) em 29 de setembro de 1820, Antônio Santos Costa e sua mulher Gertrudes Maria dos Anjos venderam a metade de um sítio no lugar denominado Tranqueira, que houveram por compra que fizeram a seu mano e cunhado Fortunato Souto dos Santos, o qual houvera por herança de seu Pai". Também é identificado na pesquisa realizada por José Carlos Veiga Lopes, p. 18, que "(...) em 14 de dezembro de 1824, Francisco José de Almeida e sua mulher Maria Joaquina venderam para Manuel de Godoi uma sorte de terras lavradias na paragem Tranqueira por herança que ele obteve por falecimento de seu pai Angelo Machado, principiando do fundo das capoeiras do mesmo comprador Manuel Godói, partindo de uma parte com Mateus Ferreira a rumo de norte e da outra parte com o irmão dele vendedor de nome Joaquim Manoel". Na mesma pesquisa realizada por José Carlos Veiga Lopes, p. 21,"(...) em 02 de abril de 1834, Maria Clara de Araújo, viúva de Manuel Guedes, vendeu para Isidoria Maria do Espirito Santo, mulher de Francisco dos Santos, ausente para o continente do sul, um campo no Bairro de Tranqueira que lhe tocou por herança de seu pai Sebastião Alves de Araújo e tendo dele havia onde era a sua morada, de cuja metade fazia agora venda; dividia do lado esquerdo cortando da casa a rumo de nascente, entrando nesta venda um piquetezinho que ficava ao pé da casa de José Vaz de Araújo, que se servia do mesmo, o qual por compromisso que houve na repartição do dito campo se convencionou ela vendedora com o primeiro comprador da outra metade do mesmo campo trocar o dito piquete pelo lugar onde o mesmo comprador Gonçalo José Guimarães havia feito sua casa com a esterqueira ao pé da porta, pelo haver feito na parte do campo dela vendedora, qual o que vendia então". Em 1836, foi nomeado o Sr. Antônio Francisco Guimarães a exercer a função de inspetor na localidade. Segundo consta, José Francisco Guimarães possuía fazenda de criar na Tranqueira, onde morava com a mulher Francisca com quem tinha 4 filhos. Era dono de 5 escravos. Produzia milho, feijão, erva-mate e fumo, além de animais. Em 1853, a localidade de Tranqueira continuava sendo considerada como um dos 27 quarteirões de Curitiba, pertencente ao 4º Termo Judiciário e Policial. É possível identificar o proprietário de um sítio na região no contexto da informação de uma publicação no periódico "Dezenove de Dezembro, de 13 de janeiro de 1855", que cita que o Sr. Miguel Felício da Costa Rosa procurava um cavalo que fugiu. Ermelino de Leão descreveu que a localidade era um povoado com 16 sítios registrados na "Parochia de Curityba", em 1856. Em referência ao "Mappa estatístico da população da Parochia de Nossa Senhora da Luz, Curityba, capital da Província do Paraná, 1º de agosto de 1872, segundo recenseamento a que procedeu de conformidade com o Regulamento de 1870, (Arquivo Público do Paraná)", de responsabilidade de Manoel José Machado, foram contados 22 casas, 186 moradores, sendo 155 livres e 31 escravos. 151

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No ano de 1877, exerceu a função de Inspetor de Quarteirão o Sr. João José de Faria. No final da década de 1910, a população era de aproximadamente 380 pessoas. O recenseamento escolar de 1920 apontou 62 educandos, pois contava com escola pública criada por Lei, que em 1916 iníciou com 40 alunos e em 1923 contava com 63. Nesta época, a localidade contava com 27 estabelecimentos rurais. Atualmente o bairro possui uma área de 5,61 km². Após, Ermelino de Leão identifica a localidade de Tranqueira ao destacar que era uma "serra atravessada pela Estrada de Rodagem do Açunguy", sendo uma região muito importante para a Província em meados do século XIX. Pela Estrada do Assunguy passavam muitos viajantes, negociantes e tocadores de gado bovino, suíno e aves, vindos da Colônia Açungui, Votuverava e região, além de comerciantes ambulantes. Diante desta realidade crescente, no início do século XX foi criada uma Barreira Fiscal na região. Esta Barreira estrategicamente disposta trancava a estrada com uma porteira, a qual tinha uma particularidade, pois não era bem vista, se considerar que as porteiras eram comuns naquela época. Pois, eram elas que não permitiam a dispersão do gado da tropa. A porteira de Tranqueira era lembrada e odiada, uma vez que para passar com a tropa era preciso pagar o devido tributo. Consta que aproximadamente no ano de 1901, o empreendedor e político Antônio Stocchero construiu um prédio de dois pavimentos para fins de comércio e hospedaria. Como citado em parágrafo mencionado, a localidade era um ponto estratégico devido ao posto de cobrança de impostos. Diante disso, os viajantes ali paravam para descansar. Foto: Dossiê histórico de Tranqueira, novembro de 1986.

Hospedaria e casa comercial do Sr. Antônio Stocchero datada do início do século XX.

Em relação à denominação da localidade ocorrem muitas divergências de informações. Porém, após a descoberta de documentos que citavam a denominação da localidade de forma clara em 1721, é plausível concluir que a origem da denominação não possui ligação com o "tropeirismo", como se acreditava até então, devido as estórias e histórias que se fundamentavam em acontecimentos reais e acabavam ganhando uma "falsa credibilidade", 152

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mas que enriqueceram a cultura local. Resumindo, a partir desta descoberta sobre a localidade, a origem de sua denominação está relacionada a um ponto de referência. Ou seja, ao invés de ser chamada de "cercado" como era costumeiro, a região ganhou a denominação pelo fato da Estrada do Botiatuba (nome primitivo do ramal que se ligou em meados do século XIX a Estrada do Assunguy) passar por um dos terrenos notoriamente cercados. A palavra tranqueira possui o seguinte significado, segundo o glossário da obra "Meu Paraná provinciano, histórias com chiste", p. 72, elaborada por Olavo Alberto de Carvalho: "Tranqueira - pedaço de tronco de árvore firmemente implantado na terra". Singificado que ganha sentido quando observado o "artigo 113 das posturas da Câmara Municipal de Ypiranga de 1899", que citava: "Por cerca de lei se entenderá muro, cercas de taboas ou costaneiras, tranqueira com fechame ou fio, de pao a pique com 8 palmos de altura". Os limites legais municipais do bairro estão assim definido: "Inicia-se na Rua Frederico Domingos Gulin, esquina com a Rua Vereador João C. Antoniacomi, no limite do loteamento Planta Maria Luiza; segue em sentido anti-horário pela Rua Frederico Domingos Gulin até encontrar a Rodovia dos Minérios - PR 092; cruza a referida rodovia e segue por um córrego, afluente do Rio Barigui, até encontrar o Rio Barigui; pende à direita e segue pelo referido rio até encontrar outro córrego, afluente do referido rio; pende à esquerda e segue pelo mencionado córrego até cruzar com a Rua Jacob Camilo Benito; daí continua seguindo pelo referido córrego e percorre aproximadamente 680,00 m (seiscentos e oitenta metros); pende à esquerda e segue por uma linha reta que cruza perpendicularmente a Rua Antônio Stocchero, percorrendo uma distância aproximada de 770,00 m (setecentos e setenta metros) até encontrar o final da Rua Presidente Tancredo de Almeida Neves; pende à esquerda e segue por uma linha reta por uma distância aproximada de 2.400,00 m (dois mil e quatrocentos metros) até encontrar um córrego, afluente do Rio Barigui; pende novamente à esquerda e segue pelo referido córrego, cruza a Rodovia dos Minérios - PR 092, e segue até encontrar a linha férrea; pende à esquerda e segue pela referida linha férrea até encontrar a Travessa João Marinho Almeida; pende à direita e segue pela referida travessa até encontrar novamente o leito do Rio Barigui; pende à esquerda e segue pelo referido rio até encontrar um córrego afluente do Rio Barigui; pende à direita e segue pelo referido córrego até encontrar a Rua Frei Beda de Gavelo; pende à esquerda e segue pela referida rua até a esquina com a Estrada da Fábrica de Giz; pende à esquerda e segue por um córrego, afluente do Rio Barigui, até encontrar a Rua Frederico Domingos Gulin, no limite do loteamento Planta Maria Luiza, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 5,61 km²". VAROVA Próximo à sede Municipal, existe um bairro denominado Varova, que foi um braço pertencente ao antigo quarteirão do Botiatuba, por onde passava uma "ligação vicinal" não oficial entre a Estrada do Assunguy e a Estrada do Humaitá. Porém, o caminho era feito entre carreiros, que não existe mais. Segundo o documento eclesiástico "Crônicas da Capela do Botiatuba", desde o ano de 1894 existia no local denominado de Alto da Varova uma capela de barro dedicada ao Divino Espírito Santo. Pela sua posição geográfica frente aos limites oficiais atuais do 153

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Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, abril de 2011 Bairro, esta capela que não existe mais pertenceu à Varova. Porém, em seus primórdios atendeu a região do Botiatuba, a qual estava vinculada. O documento "Crônica da Capela de Botiatuba" foi elaborado em 1973, neste contexto confirma sua localização, segundo a informação geográfica da capela dada pelo autor, o frei Doroteu de Pádua, que citou Portal de entrada do Parque Ambiental Aníbal Khury, antigo Haque a capela se localizava no ras Tamandaré. lado esquerdo da Rodovia dos Minérios (sentido Curitiba Rio Branco do Sul), no terreno pertencente na época ao Sr. Antônio Sipla. Diante disso, a região era conhecida no século XVII, uma vez que seu tímido povoamento se deu em meados do século XIX quando uma grande área de terra pertencente a um pioneiro português foi parcelada em áreas menores para acolher 3 famílias de imigrantes poloneses. Desde aquela época, o bairro manteve-se pouco populoso, visto que sua área é quase que 80% tomada pelos terrenos do Recanto Marista (Parque Santa Maria) e do Parque Ambiental Aníbal Khury. Este bairro possui uma área de 3,88 km². Seu nome é um fitotopônimo, inspirado na árvore da família das rosáceas, popularmente denominada de Pessegueiro do Mato ou Fruta de Bugre. Em guarani, varova significa "fruta amarga". Oficialmente o bairro tem os seguintes limites: "Inicia-se na Rua Domingos Scucato, esquina com a Rua Tiatuva, no loteamento Jardim Alto de Pinheiros; segue em sentido anti-horário pela Rua Domingos Scucato até encontrar a Rua Silvestre Domakoski; pende à esquerda e segue pela referida rua, e depois pelo seu prolongamento até encontrar o leito do Rio Barigui; pende à esquerda e segue pelo referido rio até o limite do loteamento Jardim Colonial; pende à direita e segue pelo limite do referido loteamento até encontrar o limite do loteamento Jardim Rafaela; pende à esquerda e segue pelo limite do referido loteamento até encontrar o limite do loteamento Jardim Central; segue pelo limite do referido loteamento por uma distância aproximada de 270,00 m (duzentos e setenta metros); daí pende novamente à esquerda por uma linha reta até encontrar perpendicularmente a Rua João Gowaski Filho; pende à direita e segue pela referida rua até encontrar o final do loteamento Jardim do Norte, próximo ao Lago do Santa Maria; pende à esquerda e segue contornando o loteamento Jardim do Norte e depois por um córrego que contorna o loteamento Jardim Santa Maria até encontrar a Rua João Vicki no loteamento Jardim São Caetano; pende novamente à esquerda e segue pela referida rua até encontrar o limite do loteamento Jardim Marrocos; pende à esquerda e segue perpendicularmente por uma linha reta até encontrar a Rodovia dos Minérios; pende à direita e segue pela referida rodovia por aproximadamente 875,00 m (oitocentos e setenta e cinco metros); daí pende à esquerda e segue pelo limite do Parque Ambiental Aníbal Khury, contornando o limite do loteamento Vila Teffé, do Parque São Jorge e Jardim Alto de Pinheiros até encontrar novamente a Rua Tiatuva, esquina com a Rua Domingos Scucato, ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 3,88 km²".

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VENDA VELHA Foto e fonte: Brasinha, dezembro de 2005, p. 10

Capela de São Pedro no Bairro da Venda Velha, imagem do dia da inauguração, datado de 06 de novembro de 2005, ocorrida às 10h30min com missa solene realiza pelo Frei Darci Roberto Catafesta. Terreno doado por Hezidio e Ana Margarida Cavalli em 1995, projetista da capela: Engenheiro Civil Vitor Hugo.

Por fim, o antigo Bairro da Venda Velha com área de 7,11 km², o qual logrou a sorte da passagem da Estrada do Assunguy por algumas partes de seu território. Esta localidade possui esta denominação inspirada em uma antiga casa comercial que remonta o século XIX e que servia de apoio aos viajantes. A delimitação oficial do bairro é a seguinte: "Inicia-se na Rua Frei Beda de Gavelo, esquina com a Rua Aleixo Broto; segue em sentido anti-horário pela Rua Frei Beda de Gavelo por uma distância aproximada de 1.200,00 m (um mil e duzentos metros) até encontrar um lago; pende à direita e segue pelo lago e depois por um córrego percorrendo uma distância aproximada de 600,00 m (seiscentos metros) até encontrar outro córrego; pende à direita e segue pelo referido córrego até encontrar a divisa com o município de Colombo; pende à esquerda e segue pela referida divisa até encontrar um córrego; pende à esquerda e segue pelo referido córrego até encontrar a Estrada da Fábrica de Giz; pende à direita e segue por uma linha curva até encontrar outro córrego; pende à esquerda e segue pelo referido córrego até encontrar o limite do perímetro urbano municipal; pende novamente à esquerda e segue pelo referido perímetro e depois por um córrego até encontrar a Rua Frei Beda de Gavelo; pende à esquerda e segue por uma distância aproximada de 500,00 m (quinhentos metros) até encontrar uma Estrada Rural; pende à direita e segue pela referida estrada até encontrar um córrego, afluente do Rio Barigui; pende à esquerda e segue pelo referido córrego até encontrar o Rio Barigui; cruza o referido rio e segue pela Travessa João Marinho Almeida até encontrar a linha férrea; pende à esquerda e segue pela referida linha férrea por uma distância aproximada de 1900 m (um mil e novecentos metros); daí pende à esquerda por uma linha reta até encontrar o leito do Rio Barigui; pende à direita e segue pelo referido rio até encontrar a Rua Aleixo Broto; pende novamente à esquerda e segue pela referida rua até encontrar a Rua Frei Beda de Gavelo, 155

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ponto inicial desta descrição, perfazendo uma área aproximada de 7,11 km²". Estes foram os 44 bairros oficiais do município, porém apresentados de forma resumida, pois cada localidade possui características e histórias próprias que não caberiam em um único livro.

LEGENDA: 12345678910111213141516171819202122-

Betarinha Córrego Fundo Capivara dos Manfron Tijuco Preto Betara Campina Grande Areias Araras Venda Velha Tranqueira Morro Azul Água Boa Marianã Marmeleiro Alto São Sebastião Campina de Santa Rita Juruqui Caximba Ressaca Pacotuba Restinga Seca Botiatuba

23242526272829303132333435363738394041424344-

Varova Mato Dentro Sede Sumidouro Boixininga Boixininga dos França Colônia Antonio Prado São Felipe Humaitá Colônia São Venâncio Campina do Arruda Cachoeira São Jorge Bonfim Lamenha Grande Colônia Santa Gabriela Tanguá Lamenha Pequena São Miguel Barra de Santa Rita Cercadinho Taboão

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MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ PREFEITURA DE ALMIRANTE TAMANDARÉ SECRETARIA MUNICIPAL DE URBANISMO E PLANEJAMENTO Área do Município: 191,11 km² Área de Influência do Aquífero Karst 166 km² (86% do território), corresponde às partes escuras do mapa. MAIO 2008

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Localidades que pertenceram a Almirante Tamandaré O município de Almirante Tamandaré em sua centenária história passou por diversos processos de parcelamentos e integrações. Diante deste quadro, quando se tece sobre a história municipal involuntariamente se apresenta informações sobre locais que atualmente não existem mais ou que pertencem a outros municípios ou que são cidades. No entanto, existem localidades que mesmo não fazendo mais parte do território tamandareense foram historicamente muito importantes ao município que desprezá-los seria deixar de contar uma parte da história que se busca resgatar. Neste contexto ganham destaque por sua relevância histórica as localidades: CONCEIÇÃO Ligado diretamente ao desenvolvimento autônomo da cidade de Almirante Tamandaré, o atual bairro campo magrense possui uma história diretamente ligada à gênese e ao processo de povoamento de Almirante Tamandaré e Campo Magro. Nos relatos de Ermelino de Leão, o primitivo povoamento de Tamandaré foi devido ao empreendimento minerador relacionado ao ciclo das explorações auríferas. No que tange as informações da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, Curitiba-PR, IBGE, Vol. XXXI, p. 139,"(...) o Descoberto da Conceição teve lugar, segundo narra Pedro Taques em 1679, antes da partida de D. Rodrigo de Castel Blanco para São Paulo, sendo atribuído a Salvador Jorge Velho, que por mais de vinte anos explorou a região". Motivado por esta descoberta, não tardou nas proximidades da região se desenvolver um arraial, que provavelmente deu origem a um povoamento fixo. Na "Lista das Ordenanças datada de 1765" encontramos no bairro Descoberto da Conceição as casas do guarda-mor Francisco Martins Lustoso, Antônio Cordeiro Matoso, Roque de Siqueira Cortes, Lourenço Alves de Oliveira, Manuel Rodrigues Pena, Catarina Mendes Barbuda, Laureano de Castilho Valença, Luzia Cardosa, Lourenço Correia Malta, Gonçalo da Silva, Antônio Martins Lustosa, Francisco Fernandes de Siqueira, Gaspar 157

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Correia Leite, Manuel Rodrigues de Pina, Caetano Moreira de Abreu, Manuel Ferreira Barbosa, Manuel Gomes de Oliveira, Maria de Jesus, Luis de Souza de Meneses. Destaca-se no relatório mencionado, o Sr. Gaspar Correia Leite e sua esposa Esmenia Ferreira, que acompanhados de seus escravos, saíram de suas terras buscando novas riquezas. Depararam-se com inúmeras dificuldades, pois a região era desabitada, com matas virgens, mas com muitas riquezas minerais. Devoto de Nossa Senhora, Gaspar chamou a região de Nossa Senhora da Conceição, e logo construiu uma capela de pedra para colocar as duas imagens que trouxe consigo: Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora da Luz, realizando assim novenas e adorações. Gaspar adquiriu as terras para a extração do ouro, trabalho realizado por escravos e alguns índios. Para facilitar a extração do ouro mais fino, foram construídos no rio Conceição paredões de pedra em torno do leito e das margens, além da mudança no curso do rio, que teve seu leito dividido em dois. Com o decorrer do tempo, a comunidade fundada por Gaspar aumentou, fazendo com que a localidade de Nossa Senhora da Conceição passasse a se chamar Conceição dos Correias. Através do trabalho escravo, Gaspar abriu estradas para carros de boi, ligando a região a Bateias, local onde o ouro era conduzido para ser beneficiado. Após alguns anos, Gaspar partiu para Curitiba, deixando em seu lugar o filho Antônio Correia. Gaspar faleceu em 18 de junho de 1819, aos 72 anos, deixando para trás uma experiência de luta que gerou frutos significantes para a história do município de Campo Magro e de Almirante Tamandaré. Na "Lista das Ordenanças da Vila de Curitiba do ano de 1776" aparece a localidade contando com 17 casas, não mais morando o guarda-mor Francisco Martins Lustosa. Nas informações prestadas pelo "Diccionario Histórico e Geographico do Paraná" elaborado por Agostinho Ermelino de Leão, p. 2263-2264, "(...) em 1780 estava a zona em completa decadência com as lavras exauridas e com diminuta população, como denunciava o recenseamento então procedido. Os principais moradores do bairro eram o Guardamor Francisco Martins Lustosa, Francisco Marques Limeira, tronco da família Marques dos Santos, Gaspar Correia Leite em torno do qual as lendas tecem uma história de tesouros ocultos". Na "Lista das Ordenanças da Villa de Curitiba do ano 1785" é informado que o bairro da Conceição tinha 24 casas. A "Lista das Ordenanças da Vila de Curitiba datado de 1798" relata decadência da extração supracitada quando comparada com a de 1800: "(...) encontramos no bairro da Conceição o Sargento José Cardoso Pases, roceiro de mantimentos, com sua família; também Gaspar Correia Leite, solteiro, dois filhos, mineiro com lavra de ouro, nas quais tirou esse ano 100 oitavas e tinha 33 escravos (...)". Na Lista de 1800 é possível perceber que a extração estava se exaurindo, pois "(...) vemos que o ouro de Gabriel Correia Leite estava diminuindo, pois só obtivera nesse ano 20 oitavas; moravam com ele o filho natural Antônio e Maria (...)". Nas informações prestadas pelo "Diccionario Histórico e Geographico do Paraná" elaborado por Agostinho Ermelino de Leão, p. 2264 em 1825, o bairro da Conceição tinha uma ermida sob a invocação da Senhora Sant'Anna. No ano de 1836, exercia a função de Inspetor de Quarteirão o Sr. Joaquim dos Santos que também assistia ao Quarteirão de Ouro Fino. Em 1853, Conceição era considerado um dos 27 quarteirões de Curitiba pertencente ao 4º Termo Judiciário e Policial. Em 1855 existiam 35 posses na localidade. No contexto das informações citadas pelo "Mappa estatístico da população da Parochia 158

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de Nossa Senhora da Luz, Curityba, capital da Província do Paraná, 1º de agosto de 1872, segundo recenseamento a que procedeu de conformidade com o Regulamento de 1870. (Arquivo Público do Paraná)", de responsabilidade de Antônio Correia Leite, foram contadas 74 residências, 404 moradores, sendo 377 livres e 27 escravos. Em 1877, exerceram a função de inspetor de quarteirão os Srs. Filisberto Jacinto Mira e Ricardo José Mathoso. No que tange a Lei nº 970, 09 de abril de 1910, a localidade foi integrada como Quarteirão do Distrito de Campo Magro, município de Curitiba. Em referência ao topônimo "Conceição" que denominou a região, essa palavra, considerada na forma como é empregada, diz respeito a um termo que derivou de uma corrupção da expressão "de concessão" que significava terra doada pelo rei. Esta terra era vista como uma dádiva na Colônia, devido a sua extrema qualidade e benefícios. Por este motivo, o topônimo ganha ênfase religioso que se vincula como sinônimo de benção recebida, uma vez que se deriva do latim, concepção, pois a concepção de uma nova vida é sempre uma bênção. Contextualizando com a "doação de terra" significa oportunidade de uma nova vida que a terra possibilita. Por este motivo, os colonos, em sua totalidade católicos, se referem a Maria Mãe de Cristo como Virgem Imaculada da Conceição ou Nossa Senhora da Conceição, e expressam isto através de homenagens informais. Este topônimo identifica as regiões da Conceição original que está em território de Campo Magro até os dias que aqui estão se tecendo estas palavras, (Conceição dos Correias, Conceição dos Freitas, Conceição da Meia Lua, Conceição dos Laras, Conceição dos Túlios etc.). Estas expressões denominavam a quem aquelas terras pertenciam. Um exemplo, Conceição dos Correias, pertenceu a Gaspar Correia Leite. A Conceição da Meia Lua foi uma doação concedida no século XIX aos imigrantes poloneses e italianos. Recebe a denominação de "meia lua", porque esta se tratava de uma medida agrária corrente na época. Como foi possível perceber em parágrafos mencionados, Ermelino de Leão faz referência às lendas sobre um tesouro escondido na região em 1926. Ou seja, estas estórias ou histórias ainda hoje são lembradas, porém contadas em várias versões. Uma das versões a ser apresentada é a contada pelo Sr. José Ido da Cruz: "(...) ele conta que na localidade da Conceição, na época Curitiba, hoje Campo Magro, havia um dono de escravos. E esse comandante tinha o nome de Gaspar, o mesmo tinha muitos escravos e tiravam ouro do rio Conceição. Quando foi um dia ele resolveu esconder sua riqueza e mandou fazer um buraco próximo a um riozinho e colocou todo o ouro dentro e perguntou para os escravos se havia algum que teria coragem de cuidar de seu tesouro. Mal terminou de perguntar, mais que depressa um dos escravos que estava ali presente se levantou, abanou com a mão dizendo: Eu, cuido! E o Sr. Gaspar lhe falou, então fique aqui cuidando de meu ouro. Naquele mesmo instante sacou sua arma e atirou na cabeça do escravo o enterrou junto com o ouro. Dizem, que hoje em dia ninguém pode se aproximar do local. Pois, é apedrejado e cai uma forte tempestade ou venta demais. Apesar disso ser provavelmente uma lenda, muitos vão verificar se é ou não. Porém, pelo que se sabe, nunca encontraram nada". A segunda versão é relatada pelo Sr. Antônio Candido de Siqueira (Seu Tono) a partir 159

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das recordações que possui das histórias contadas por seu pai, o Sr. Itaciano, que por sua vez ouvia ser contada por seu pai também. "Esta é uma estória do Sr. Gaspar, um grande minerador da região da Conceição e dono de muitos escravos, hoje esta região pertence ao município de Campo Magro. Este senhor existiu e está enterrado na Catedral Metropolitana de Curitiba. As marcas de sua extração aurífera ainda são visíveis no Bairro da Conceição. Contava que o Sr. Gaspar havia deixado um grande tesouro enterrado numa certa região da Conceição e um escravo foi sacrificado para cuidar do ouro. E devido a cobiça por fortunas, muitos buscam encontrar este tesouro enterrado. Porém, segundo alguns relatos dos que resolveram tentar a sorte em encontrar o ouro deixado pelo Sr. Gaspar, começa um grande vendaval no local e barulhos estranhos acontecem. Uma vez, um desavisado chegou a achar o "tesouro" deixado pelo minerador, só que quando ia carregá-lo apareceu um negro que disse: Daqui você não leva nada, o tesouro eu cuido! O tesouro ficou por lá mesmo, e nunca mais foi achado". CAMPO MAGRO A denominação Campo Magro é um geomorfotopônimo de taxionomia de natureza física (Campo) complementado por um somatotopônimo de taxionomia de natureza antropo-cultural (Magro), referenciados em documentos de transferências de imóveis infracitados datados de 1693, 1727 e 1732. Era um sítio e paragem dos viajantes que passavam pelo caminho para Conceição, que evoluiu para "estrada", como é possível perceber nas informações do "Termo de Vereança da Câmara da Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, datado de 15 de janeiro de 1785", que faz referências de uma estrada que passava pelo Juruqui que ligava o centro de Curitiba até o Descoberto da Conceição. Ou seja, em referência à posição geográfica, esta estrada passava pela "paragem" no sítio Campo Magro e terminava na Conceição, não se ligando com nenhum outro lugar dentro de um contexto oficial na época. Diante deste fato, a denominação era apenas um marco geográfico de localização utilizado pelo medidor do Rossio da Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais na lavratura do documento imobiliário, porquanto a observação se deu provavelmente devido as próprias e notórias características geográficas da localidade presentes ainda hoje, que possui campos estreitos (magros), pois se encontram entre cadeias de montanhas muito próximas, diferentes dos "campos largos" ao oeste depois das serras citadas. Diante deste exposto, a denominação Campo Magro se dava em virtude do legado do nome do pioneiro sítio que ficava onde é a atual Sede. O município de Campo Magro, que praticamente por mais de 70 anos acompanhou o destino de Almirante Tamandaré em sua jornada histórica, possui uma história iniciada na Descoberta da Conceição. Algumas personalidades políticas curitibanas da época fundaram sítios na região próxima à Conceição. Segundo informações do IBGE/Departamento Estadual de Estatísticas do Estado do Paraná, Sinopse de estatísticas do município de Curitiba 1950, p. 9, um pioneiro sítio pode ter sido fundado pelo escrivão da "Vila de Curitiba", o Capitão Antônio Rodrigues Seixas em 1693. 160

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Porém, nas informações prestadas pelo "Diccionario Histórico e Geographico do Paraná", elaborado por Agostinho Ermelino de Leão, p. 284, considera que o pioneiro a fundar um sítio foi Francisco Diniz Pinheiro em 1727, o qual vendeu ao Capitão Antônio Rodrigues Seixas. Independentemente de quem chegou primeiro, o que é possível perceber é que a região era habitada desde o século XVI. Em 1732 existia um oratório em um sítio de Campo Magro, onde moradores celebravam terços. Com o crescimento da região em virtude da proximidade com Conceição, no ano de 1791 era considerado como "bairro de Campo Magro", no qual existiam 8 casas. A mesma localidade serviu como ponto fiscal do ouro explorado. A "Lista das Ordenanças de 1836" citava que exercia a função de Inspetor de Quarteirão o Sr. Joaquim dos Santos. Em 1853, Campo Magro continuava identificado como um dos 27 quarteirões de Curitiba pertencente ao 4º Termo Judiciário e Policial. Em referência ao "Mappa estatístico da população da Parochia de Nossa Senhora da Luz, Curityba, capital da Província do Paraná, 1º de agosto de 1872, segundo recenseamento a que procedeu de conformidade com o Regulamento de 1870. (Arquivo Público do Paraná)", de responsabilidade do Sr. Antônio Baptista Diniz, foram contadas 40 casas, 204 moradores, sendo 197 livres e 7 escravos. No ano de 1877, exerceu a função de Inspetor de Quarteirão o Sr. João Carvalho Franco. A partir da Lei nº 795, de 17 de outubro de 1884, era criada uma escola pública na localidade. Porém, Ermelino de Leão identificou uma escola particular na localidade que funcionava em Cachoeira de Campo Magro. Foi elevado à categoria de freguesia pelo Decreto nº 116, de 02 de outubro de 1890. Pela Lei nº 826, de 08 de maio de 1908, o Quarteirão de Campo Novo é anexado a Campo Magro. Em 09 de abril de 1910 é elevado a Distrito Judiciário pela Lei nº 970, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição compreendendo os quarteirões de Campo Magro, Campo Novo, Ouro Fino, Conceição, Juruqui e Campina de Santa Rita. Em 1912, se torna distrito policial pelo Decreto nº 182, o qual o desmembrou de Tamandaré. Porém, em 1920 voltou a integrar novamente o território tamandareense. Neste contexto, eram quarteirões do Distrito de Nossa Senhora da Conceição: Cachoeira de Campo Magro, que em 1916 possuía uma escola e 36 crianças; Campo Novo, era bastante populoso para a época, visto que as Leis: nº 795, de 17 de outubro de 1884 e a nº 251, de Dezembro de 1897, criaram escolas na localidade; Ouro Fino de Serro Negro, que em 1854 existiam 52 posses na localidade, em 1916 foi estimado 220 habitantes; em 1920 foram contabilizadas 250 pessoas; Conceição (ver capítulo próprio); Juruqui (território primitivo do bairro tamandareense dividido em 28 de dezembro de 1995); Campina de Santa Rita (primitiva Santa Rita, dividida em Campina e Barra, parcelada em 28 de dezembro de 1995) e Campo de Santo Antônio. Eram limites da localidade com o distrito de Santa Felicidade as Estradas do Juruqui e do Javacaem. Ermelino de Leão descrevia o município (meados da década de 1910) com terrenos acidentados, com dificuldades de comunicação e rural. Estas características o tornavam diferente das demais partes do município de Curitiba. Sua economia se resumia à exploração de madeira, cereais e criação de suínos. Era notória a existência de várias capelas. Em 1920, a população do distrito chegava a 2.730 habitantes, sendo 536 crianças com idade escolar. 161

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Por força da Lei de 04 de abril de 1924, Nossa Senhora da Conceição volta a ser denominada de Campo Magro. Por estar vinculado de vez a Tamandaré, logrou a sorte do mesmo, quando por Decreto Estadual nº 1.702, de 14 de julho de 1932, o município de Tamandaré foi suprimido. Pelo Decreto Lei nº 7.573, de 20 de dezembro de 1938, ocorreu a extinção do município tamandareense, passando a fazer parte do território de Curitiba. O mesmo decreto (decreto-lei estadual nº 199, de 30 de dezembro de 1943), que mudava o nome de Tamandaré para Timoneira, também criava o distrito judiciário de Campo Magro vinculando-o ao distrito de Santa Felicidade e transferindo-o para o município de Colombo. No dia 11 de outubro de 1947, a Lei Estadual n° 02, inciso XXI, sancionada pelo Governador Legal em conformidade com a nova Constituição de 1946, Moyzés Wille Lupion de Tróia, ocorre a restauração da autonomia tamandareense sob a denominação de Timoneira. E por efeito, Campo Magro volta a ser distrito de Tamandaré (Timoneira). Por intermédio da Lei Municipal nº 44, de 16 de abril de 1949, é criado no Distrito de Campo Magro os seguintes quarteirões: Urbano da Sede, Ouro Fino, Cerro Negro, Conceição, Queimadas, Vargem, Campo Novo, Colônia D. Pedro e Passaúna. Em 08 de dezembro de 1981, é criada a Paróquia Imaculada Conceição de Campo Magro. Porém, a importância da localidade se expressava notoriamente, como é possível perceber com um fato histórico publicado na Folha de Tamandaré, Administração Regional Sub-Prefeitura leva atenção ao homem do interior, 15 de abril de 1989, nº 74, p. 7, que noticiava que em virtude do desenvolvimento do município de Almirante Tamandaré, ocorreu a necessidade de regionalizar a administração, principalmente porque o Distrito de Campo Magro e região haviam crescido muito. Diante deste fato, nos primeiros dias de abril de 1989, era assinado pelo Prefeito Roberto Perussi no momento da própria solenidade, a criação da subprefeitura que inicialmente esteve a cargo do Sr. Geraldo Karpeski. Foto: Folha de Tamandaré, abril de 1989.

Inauguração da subprefeitura: Vereador Tadeu Boza e esposa Sueli Boza, Primeira-dama Sueli Perussi e o Prefeito Roberto Perussi.

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Depois, devido às pressões populares e políticas que geraram uma inicial discussão para emancipação de Campo Magro em 08 de abril de 1994, na Câmara Municipal de Almirante Tamandaré, teve um parecer favorável, devido a localidade contemplar todos os requisitos legais para receber autonomia, foi encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral um pedido para a realização de um plebiscito visando a criação do município de Campo Magro. Por unanimidade, os juízes em 31 de agosto de 1995 fixaram a data de 22 de outubro de 1995 para a realização do plebiscito. Foram cadastrados para votarem 1.295 eleitores, porém 1.097 votaram, sendo 806 optantes pela autonomia de Campo Magro e 168 contra. Votos nulos e brancos somaram 43. Ou seja, 79% dos eleitores referendaram a criação da nova cidade. Este resultado oficialmente foi encaminhado para a Assembleia Legislativa do Paraná que sustentava o Projeto de Lei nº 450/1995, que logrou êxito em 07 de novembro de 1995. Em 11 de dezembro de 1995, promulgou a Lei nº 11.221 com a seguinte súmula: Cria o município de Campo Magro desmembrado de Almirante Tamandaré, às 15h35min, no gabinete do Presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, o Deputado Anibal Khury. Porém, sua autonomia se deu na data de 28 de dezembro de 1995, quando a mesma lei foi publicada no Diário Oficial do Estado. Sua população inicial era de 16.394 que habitavam um território de 277,03 km², limitados pelos municípios de Curitiba ao Sul, Itaperuçu ao Norte, Campo Largo a Oeste e Almirante Tamandaré a Leste. Ficando inicialmente formado pelas seguintes localidades que pertenciam a Almirante Tamandaré: Açunguizinho, Barra de Santa Rita, Cachoeira de Campo Magro (Sede), Calcit, Campina, Campo de Santo Antônio, Campo do Cascavel, Campo Novo, Capivara, Colônia Dom Pedro, Colônia Rodrigues, Conceição da Meia Lua, Conceição dos Correias, Conceição dos Freitas, Conceição dos Túlios, Costa, Freguesia, Freguesia dos Lara, Fundão, Hervalzinho, Jacuzal, Jardim Boa Vista, Jardim Bom Pastor, Jardim Cecília, Jardim D'água Boa, Jardim Novos Horizontes, Jardim Pioneiro, Jardim Veneza, Jardim Viviane, Juruqui, Lagoa da Pedra, Macaco, Morro da Palha, Ouro Fino, Ouro Fino de Baixo, Ouro Fino do Cerro Negro, Painas, Passaúna, Pedreiras, Queimadas, Retiro, Santaria, São Benedito, São João, Terra Boa, Tigre e Várzea. No que tange as informações do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, "Resultado das eleições de 03 de outubro de 1996, Campo Magro", no dia 03 de outubro de 1996, o município viveu sua primeira eleição como território autônomo. Participaram 7.856 eleitores que escolheram com 3.222 votos a dupla do PDT formada pelo candidato a Prefeito Louvanir Joãozinho Menegusso e seu vice, Tadeu Boza, os primeiros governantes da cidade. Seu concorrente foi a dupla formada pelo ex-Prefeito de Almirante Tamandaré, o Sr. Roberto Luiz Perussi do PFL e seu vice Jadir Almeida que captou 2.977 votos. Oficialmente, segundo o TRE/PR, formaram a primeira Câmara Municipal os Srs. Edivaldo Boza, do PDT com 424 votos; Lufrido Menegusso, do PFL com 424 votos; Rilton Boza, do PSDB com 378 votos; Odair de Paula Cordeiro, do PDT com 261 votos; Adão Joaquim de Cristo, do PPB com 201 votos; Miguel Bueno de Lara, do PFL com 196 votos; Amarildo Pase, do PSDB com 195 votos; Sergio Luiz Campestrini, do PDT com 191 votos; e José Santos Raganhan, do PPB com 190 votos. Nesta particular e histórica eleição, o candidato a Prefeito derrotado Roberto Luiz Perussi, recorreu do resultado devido à pequena diferença de votos, o que resultou em uma nova contagem. Nessa época, ainda se usava cédula de papel para votar. 163

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Fonte: Gazeta Ancorado, 07/01/1997

Primeiros administradores do município de Campo Magro. Da esquerda para a direita: Vereadores Miguel de Lara, Edil Boza, Vice-Prefeito Tadeu Boza, Prefeito Louvanir Menegusso, Vereadores Sergio Campestrine, Amarildo Pase, Rilton Boza, Lufrido Menegusso.

Com o advento do surgimento da cidade de Campo Magro, alguns políticos conseguiram a façanha de ser vereador em Almirante Tamandaré e depois em Campo Magro, são eles: Amarildo Pase e Arlei Bueno de Lara, como também, o Sr. Geraldo Karpeski, que foi vereador em Tamandaré e Vice-Prefeito em Campo Magro, assim como o Sr. Tadeu Boza foi Vice-Prefeito na primeira gestão do município. DISTRITO DE CRUZEIRO O Distrito Policial de Cruzeiro foi estabelecido pelo Decreto nº 116, de 02 de outubro de 1890, assinado pelo Governador Provisório do Estado do Paraná Inocêncio Serzedelo Correia, quem criava uma freguesia em Curitiba que compreendia o efêmero município de Botiatuvinha (Sede) e após, Santa Felicidade. Seus limites eram os seguintes: "Com a freguesia de Curitiba, o rio d'Uvu até a barra do arroio situado nos fundos da casa de Mariano Pereira de Jesus, por este arroio acima até a estrada da Colônia Santo Inácio, por esta estrada até o arroio próximo à casa de José Pereira de Basto, por este arroio abaixo até no pontilhão, deste por uma vertente acima, até a linha divisória da Colônia Santo Inácio, por esta linha até os limites da Colônia D. Pedro, pela linha divisória desta colônia até o lugar denominado Recado; com a freguesia de Campo Largo por uma linha reta até o rio Verde, por este acima até o tanque, deste pelo caminho que se dirigia ao lugar denominado Javacaenzinho, deste lugar pelo caminho que se dirigia à estrada do Ouro Fino e pela estrada velha até o córrego Frio e por este abaixo até o rio Açungui; com a freguesia da Vila Tamandaré pelo rio Açungui abaixo até 164

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a barra do rio Santa Rita, desta pela mesma estrada ao Juruqui, deste lugar, ainda pela mesma estrada, até o rio Barigui e por este abaixo até a barra do rio d'Uvu". O Ato de 16 de outubro de 1890, criou na Freguesia do Cruzeiro um distrito policial com as mesmas divisas supracitadas. Porém, a Junta Governativa formada por Roberto Ferreira, Bento José Lamenha Lins e Joaquim Monteiro de Carvalho e Silva assinaram o Ato de 26 de dezembro de 1891, que extinguia a Freguesia de Cruzeiro e integrava o seu território ao do município de Tamandaré. Depois, pelo Decreto de 08 de maio de 1893, o território do distrito é anexado ao da Nova Polonia e desmembrado de Tamandaré. No ano de 1899, o Deputado Estadual Ventura Torres apresentou um projeto para determinar definitivamente as divisas dos municípios de Tamandaré e Curitiba. Segundo justificativa publicada no jornal "A República, de 09 de julho de 1899", com a criação do município de Butiatuvinha em qual fazia parte o distrito de Cruzeiro e posteriores decretos de extinção e criação (...) o município de Tamandaré começou a ultrapassar seus limites administrativos cobrando tributos nas localidades abrangidas pela Freguesia de Cruzeiro. Porém, a dita localidade naquele momento histórico pertencia à Curitiba. Em comum acordo as Câmaras das duas cidades resolveram o seguinte: Curitiba cobrava tributos até os limites de Campo Novo pertencente ao quarteirão de Campo Magro, que era de competência de Tamandaré. No entanto, devido as contraditórias interpretações do Decreto nº 116, de 02 de outubro de 1890, ocorria discórdia entre as duas Câmaras. Após, o projeto em 22 de abril de 1899 foi rejeitado e o problema foi repassado às Câmaras das duas vilas resolverem como demandava a lei, o qual por Ofício informaram ao Congresso Estadual que a questão já estava resolvida. No entanto, o distrito policial de Cruzeiro continuou existindo até o Governador Francisco Xavier da Silva o suprimir através do Decreto nº 88, de 1903. Porém, o Governador Joaquim Monteiro de Carvalho e Silva o restabelece ao assinar o Decreto nº 494, de 23 de outubro de 1907. A partir da década de 1920, voltou a integrar Curitiba fazendo parte do Distrito Judiciário de Santa Felicidade. Atualmente, esta localidade não existe mais como distrito ou bairro. Existe uma região homônima ao norte do Bairro Cidade Industrial de Curitiba na divisa com o Botiatuvinha, que talvez pela coincidência geográfica seja o que restou dessa pioneira e histórica localidade. Foi uma região que recebeu imigrantes italianos devido a proximidade com a Colônia Santa Felicidade fundada em 1878. A região de Cruzeiro começou receber italianos em 1879, segundo constam nas páginas 19-21 da obra "Famiglia Ceronato 116 Anni Dopo! 1877-1993", elaborada por Edilson José Ceronato. Ou seja, no conFonte: Famiglia Ceronato 116 Anni Doppo! 1877-1993, 1993, p. 20. texto desta informação a família Ceronato assentada em 06 de maio de 1877, junto à Colônia Nova Itália em MorCentenária retes, migraram para a Vila ruína dos alicerces da casa de Curitiba, "(...) onde ticonstruída nham ouvido dizer pelos tropelos Ceronapeiros que desciam ao litoral, to em Cruzeique as terras eram mais semero com pedras do Rio lhantes com a sua terra natal, Passaúna. norte da Itália, então se aven165

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turaram de Morretes à Curitiba, caminhando 70 quilômetros e depois de Curitiba a Santa felicidade mais 10 quilômetros até o local denominado "Freguesia do Cruzeiro", região do Passaúna, onde mais tarde, também estabeleceram-se os Culpi e os Segalla". Em março de 1879, Gaetano, Giovanna, Marguerita, Giuseppe e Gaetanello estavam estabelecidos em Cruzeiro. Construíram uma pequena casa de alicerces feitos com pedras do rio Passaúna, as quais eram transportadas numa espécie de "padiola" por uma distância de 300 metros ladeira acima. Passaram a cultivar milho, feijão e batata, além de extraírem bracatinga para comercializarem a lenha. Só para constar, Gaetanello, que era o mais jovem, casou com Luiza Budel e teve oito filhos, cuja descendência está toda radicada em Santa Felicidade, Almirante Tamandaré e Campo Magro.

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A política A política é o principal foco de atenção do povo da cidade, principalmente pelo fato do município não ser grande economicamente e possuir outras atividades de maior ênfase que concorram com ela, como é o caso dos grandes centros urbanos. A política local herdou traços da própria política nacional, pois sempre foi norteada por legislações específicas que fundamentaram os diversos processos eleitorais e relações de poder em território brasileiro. Porém, apesar de sempre existirem legislações, a política em Tamandaré sempre foi corrompida por atitudes ilegais e a politicagem. Não muito diferente do que ocorre em outras cidades no Brasil. A priori, a política é um objeto técnico/legal que dispensa nessa obra uma apresentação mais elaborada. No entanto, o presente capítulo se restringirá ao seu contexto prático com ênfase em fatos inusitados e conhecidos relacionados à disputa de poder que contaminam outros setores da sociedade. Esta contaminação pode ser exemplificada e observada nos pleitos eleitorais para escolha de Diretores de Escola municipais (estabelecido pala Lei Municipal nº 1.104/2005) e estaduais. As mesmas atitudes e comportamentos de uma campanha eleitoral aos poderes executivo e legislativo são repetidas por aqueles que deveriam ensinar a forma correta do exercício da cidadania. Ou seja, existe fraude, propagação de ofensas pessoais, compra de votos, perseguições dos "inimigos", interferência (auxílio) de políticos municipais no pleito para tirar proveito no sentido de captar eleitores para sua futura campanha etc. Também relacionados e interligados à política municipal estão os pleitos para as escolhas dos integrantes do Conselho Tutelar e dos Presidentes de Associações de Bairros, onde o "auxílio" de políticos é mais frequente, visto que muitos presidentes de associações se tornam cabos eleitorais destes políticos. No entanto, existem casos em que o presidente da associação prepara o seu campo para se lançar candidato. A partir destas exposições se percebe o seguinte: Diretores de escolas, Presidentes de Associações de Bairros, Conselheiros e até Presidentes de clubes de futebol amador da região são cabos eleitorais de Vereadores e Prefeitos. Estes Vereadores e Prefeitos, por sua vez, nas campanhas eleitorais estaduais e nacionais se tornam cabos eleitorais dos Deputa167

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dos estaduais, federais, Senadores e Governadores. É uma troca de favores, uma vez que na época de eleição municipal os vereadores e prefeitos são ajudados pelos Deputados, Senadores e Governador que receberam seu auxílio. Porém, a política no município não se limita apenas aos órgãos públicos e aos próprios entes da República Federativa do Brasil. Ela se estende aos clubes de futebol profissional. Em virtude do sistema sócio torcedor implementado pelos três grandes clubes da Capital (Atlético, Coritiba e Paraná), a cidade se tornou um importante reduto eleitoral devido a grande quantidade de sócios existentes. Tal fato pode ser observado na passagem do Candidato à presidência do Atlético Paranaense, Mario Celso Petraglia, em 25 de novembro de 2011, onde na oportunidade realizou sua campanha eleitoral expondo o projeto da Chapa CAP Gigante a mais de cem atleticanos reunidos no Castelinho Eventos. Os atleticanos tamandareenses representavam 7,2% do colégio eleitoral do Clube Atlético Paranaense em 2011.

Título de eleitor do ano de 1937, pertencente ao Sr. Fernando Araújo Roehnelf.

A política em Almirante Tamandaré era muito disputada antes de sua autonomia. Um fato que ilustra tal consideração é que os quarteirões curitibanos do Botiatuba, Juruqui, Boixininga e Pacotuba ganharam destaque na capital do Império (Rio de Janeiro) através da reportagem publicada no jornal carioca "A Reforma (órgão democrático), de 27 de outubro de 1827", que se referiu ao grande número de pessoas não qualificadas que votaram. Ou seja, segundo a publicação um escravo de nome Joaquim pertencente a D. Rosa Vaz residente no Juruqui votou em lugar do cidadão Felix Gonçalves, qualificado no quarteirão de Serro Negro; o cidadão Domingos Antonio de Faria, morador do Boixininga votou em nome de Domingo José Faria, morador qualificado no Botiatuba; um menino 168

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que interrogado declarou ter 20 anos foi admitido a votar pelo Joaquim Eugenio Bernardo qualificado de 38 anos no quarteirão do Pacotuba. A "Gazeta Paranaense, de 21 de dezembro de 1887", denunciava que nas eleições para Deputados de dezembro foram "(...) informados da fraude de que fizeram os liberais na paróquia do Pacotuba, tendo a sua frente o bacharel Tertuliano Teixeira de Freitas (...) feito o recolhimento de cédulas e apuradas, não sendo o resultado tão agradável como esperavam os liberais, retiraram-se o 2º juiz de paz, que entregue àquele bacharel presidia a eleição e os dois mesários liberais, depois fecharam a igreja e conduziram os livros para irem lavrar a ata em casa e alterarem o resultado da votação (...)". Depois, ocorreu um tempo em que o acirramento político na cidade se dava por dois cargos: O de Prefeito e o de camarista mais votado (substituto do Prefeito), mesmo sem este receber salário (apenas uma verba, para cobrir despesas burocráticas). O status de camarista mais votado diz respeito ao fato de, naquela época, não existir a figura do VicePrefeito. Neste caso, o camarista mais votado tinha por direito garantido a sucessão ao cargo de Prefeito, caso este deixasse o cargo e não ocorresse a nomeação para o cargo por força do Governador (ou Presidente) do Estado. Sendo assim, os poucos que disputavam o pleito, assim o faziam para ter privilégios legais e políticos, além de provar fidelidade partidária e de amizade, como também para provar força de representatividade (ostentar status social) junto ao governo estadual. Antes da instituição da prefeitura existiam as Intendências Municipais, cujos membros (Presidente, Vice-presidente e Vogais) eram nomeados pelo Governador do Estado. Neste contexto, em períodos de eleições estaduais costumavam ocorrer muitas fraudes, a ponto de serem relatadas por periódicos diversos. Ilustrando tal fato cita-se o jornal "A República, de 05 de maio de 1891, capa" que tece denuncias de abusos cometidos nas Eleições para Deputados ao Congresso Constituinte Estadual Paranaense e Deputados Federais em 10 de abril de 1891, onde é destacada, entre outras cidades, Tamandaré. Em matéria continuada no periódico "A República, de 06 de maio de 1891, p. 3" é citado que ocorreu uma enorme presença de forças estaduais com o intuito de impedir que a oposição comparecesse para votar. Tamandaré e Assunguy de Cima se destacaram, pois segundo o mesmo periódico não houve sequer eleições, foram simplesmente lavradas atas e apresentados os resultados junto à mesa apuradora na capital em 05 de maio. As fraudes eleitorais em Tamandaré eram notórias e revoltantes. Os resultados das eleições para o executivo e legislativo estadual e federal apresentavam números suspeitos, ou seja, só a situação recebia votos, a oposição zerava! Este fato pôde ser observado em diversos periódico do período de 1892-1900. Teve uma eleição em que 3 deputados da situação coincidentemente captaram 166 votos cada um, a oposição não conseguiu nenhum. Este fato se agravou com o advento da Revolução Federalista (1893-1894), a qual mesmo solucionada deixou consequências na relação de poder dentro das cidades. Na Vila de Tamandaré, os efeitos eram evidentes na relação de poder e pessoal entre João Candido de Oliveira, que inflamava seu pessoal contra a facção de seu cunhado Antônio Candido de Siqueira (casado com Dona Luiza Candido de Oliveira) e contra os filhos de sua irmã, Dna. Rachel Candido de Siqueira. Ou seja, a rivalidade era mais familiar do que propriamente por poder. Neste contexto, o jornal curitibano "O Commercio" entre os anos de 1908 e 1909 serviu como ferramenta de difamação ao postar colunas sobre Tamandaré patrocinadas por 169

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João Candido de Oliveira, onde de forma parcial eram feitas críticas à administração do Prefeito Frederico Augusto de Souza e Vasconcellos, partidário de Antônio Candido de Siqueira (Benzinho), que gerou resultados com a hegemonia do Coronel João Candido de Oliveira na política tamandareense em toda década de 1910. Passados um século, esta prática de utilizar meios de comunicação como ferramenta "eleitoreira" ainda persiste. Em observância aos noticiários publicados no periódico "A República", do período entre dezembro de 1909 e abril de 1910 referentes a Tamandaré, o ano de 1910 foi marcado por muitos conflitos violentos motivado por questões politicas. Tudo começou quando foi formada uma comissão para promover devida revisão eleitoral no município. Para que os trabalhos fossem iniciados, a Câmara teve que ser arrombada (resumindo: Oposição investigando a situação). Por efeito, começaram a ocorrer atentados contra a vida de diversos envolvidos no processo. Em relato publicado no periódico "A República, de 23 de fevereiro de 1910", o Coronel João Candido de Oliveira (oposição) denunciava uma quinta tentativa de atentado contra sua vida ocorrida às 17 horas do dia 22 de fevereiro de 1910, próximo à estação quando passava com seu cavalo, sendo ferido na região parietal com um tiro vindo do mato por um partidário do candidato a presidente, Hermes da Fonseca. Ilustrando esta situação, é possível identificar um atentado de motivação política, uma vez que ele voltava de uma excursão eleitoral no Marmeleiro. O problema era que o incidente estava generalizado, e no dia 27 de fevereiro começou a ocorrer um conflito (tocaias e tiroteios) entre partidários das facções do Coronel João Candido de Oliveira e de Salvador Teixeira (situação) às 16 horas sem precedente no Botiatuba, onde o Chefe de Polícia da capital destacou o Alferes José Agostinho do Nascimento em substituição ao subcomissário João Teixeira de Farias às 21h40min do mesmo dia, acompanhados de praças e com a ordem explícita de não se envolver no conflito, apenas observar para posterior apuração dos responsáveis pela desordem. Principalmente porque em 1º de março ocorreram eleições presidenciais. Outro fato que agravava a situação é que não votava na pessoa e, sim, em um grupo. Pois, diferentes dos dias atuais, na velha Tamandaré até meados da década de 1930 eram montadas chapas formadas pelo Prefeito, camaristas, suplentes de camaristas, juízes distritais. Ou seja, o eleitor votava na chapa e após no camarista da chapa escolhida para ver quem seria o substituto do Prefeito caso o mesmo se ausentasse do cargo. Neste contexto, participava do governo somente o grupo da chapa ganhadora. O grupo (chapa) que perdia teria que esperar a próxima eleição para ver se conseguia o poder. Esta rivalidade política familiar só acabou com o advento do falecimento dos velhos coronéis, a extinção da cidade na década de 1930 e o natural envelhecimento dos principais personagens e posterior consciência das novas gerações adaptados a uma nova realidade. A partir da década de 1970, isto mudou em todo o Brasil, pois com a obrigatoriedade do salário para os Vereadores e Prefeitos, o pleito chamou a atenção de outros populares, que em virtude do salário poderiam se dedicar à política sem isto trazer consequência ao sustento da família. Neste contexto, pessoas dos mais diversos setores da sociedade, independentemente de classe social, puderam também fazer parte da democracia ativa. A implantação obrigatória de salário para Vereadores e Prefeitos na década de 1970, diminuiu a elitização dos cargos de representatividade pública. Neste contexto, alguns hábitos do tempo do coronelismo se tornaram mais conhecidos, como fraude e violência entre os partidários dos candidatos. Porém, a partir da própria 170

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evolução da sociedade, a Justiça Eleitoral contava com mais autonomia a ponto de coibir de forma enérgica estas ações. No entanto, alguns fatos ilegais e notórios marcaram os diversos pleitos eleitorais no Brasil. Em Almirante Tamandaré isto não foi diferente. Não raro na década de 1990, em período de campanha eleitoral municipal na época dos grandes comícios, um grupo partidário rival daquele que se apresentava no palanque cortava os cabos de energia no poste que abastecia o palco para impedir que o comício se realizasse, pois geralmente era feito à noite. Como resposta, o grupo partidário vitimado, fazia o mesmo em resposta. "Presenciei estes fatos supracitados, porque em uma dessas oportunidades, eu lecionava à noite no Colégio Estadual Jardim Paraíso. Lá pelas nove e meia da noite, mais ou menos, a luz acabou. Motivo: Tinham atirado no transformador de energia para impedir um comício que se realizava nas proximidades". A partir das eleições de 1993 ocorreu a utilização do circo para atrair o eleitor e ao mesmo tempo serem realizados os comícios depois que as apresentações circenses ocorriam. Relacionado a isto, ocorreu um fato na década de 1990, em que ao invés do pessoal envolvido diretamente na disputa eleitoral cortar a luz do comício, fizeram a lona do circo cair em Campo Magro. Por sorte, ninguém se machucou. Nos tempos dos grandes comícios, onde além de se escutar as propostas dos candidatos, a coligação contratava cantores para se apresentarem, como também cedia espaço para grupos musicais, cantores ou artistas locais mostrarem sua arte. Era divertido. A partir de 2006, os grandes comícios seguidos de apresentações musicais e artísticas foram proibidos. No entanto, o auge ocorreu no pleito de 2004, quando se apresentaram em território tamandareense, o cantor Alexandre Pires no comício no Bairro Bonfim, as duplas sertanejas Milionário e José Rico, Willian e Renam, e Cezar e Paulinho; houve apresentação do humorista Maquito entre outros. Não raro havia também shows pirotécnicos. Os circos também foram proibidos. Destacaram-se neste período o Circo Áurea e o internacional Le Cirque. Nas eleições de 1996, se propagou uma prática irritante: O furto de placa de propaganda de candidato. Era colocar uma placa para ajudar um candidato e no outro dia ela não estava mais lá. Independentemente se estava posta para dentro da cerca, ou fora da propriedade particular. As placas eram arrancadas e até queimadas. Porém, muitos arrancadores foram pegos pela polícia. Mas, mesmo assim, isto continuou acontecendo. O mesmo ocorria com pintura em muros. Era pintar num dia e no outro estava manchado com tinta. Porém, nesta história de placa e muro, se criou uma imoral prática: A venda do espaço onde a placa seria colocada. Ou seja, o morador deixaria desde que o cabo eleitoral pagasse. Então, não era raro verificar casas de esquina ou em avenidas importantes do município, com placa de três ou mais candidatos. Pelo menos até a noite! Este fato, não era exclusivo de grupo x ou y, mas sim era uma prática de partidários. Devido ao custo, transtornos e consequências que esta prática poderia acarretar, os chefes de coligação entraram em acordo para, pelo menos desde 2000, não pintarem mais muros. Outro fato desagradável que ocorre em dia de eleição é a compra de voto. Mesmo muitos sendo presos por isto, esta é uma prática comum centenária. Porém, a propaganda de boca de urna é a que mais dá serviço para os fiscais do Tribunal Eleitoral e mesários. Para ilustrar esta prática, merece destaque um episódio que mais parece conto que his171

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tória, mas aconteceu. Em um desses pleitos eleitorais, no período da manhã, um candidato da região da Campina do Arruda, na busca por alguns votos de última hora, tentou a sorte ao ver se aproximar da secção eleitoral uma senhora muito elegante e bonita. Aproveitando o momento que os fiscais não se faziam presentes interceptou a senhora no caminho e lhe ofereceu um santinho. A senhora, surpresa, perguntou se o candidato não estava brincando. Com uma postura séria e educada falou que não e ainda argumentou que não seria um voto desperdiçado. A senhora também de forma séria expressou: "O senhor então está preso!". Resumindo, o candidato foi fazer boca de urna e ofereceu santinho justamente para a juíza eleitoral responsável pelo pleito no município! Outro relato de fato histórico verídico que mais parece uma estória foi a situação ocorrida no contexto de impugnação de uma urna na região da Freguesia (atual Campo Magro). A impugnação se deu fundamentada no "voto corrente" (prática que consistia em repassar uma cédula original preenchida, para um eleitor, que recebia algo em troca. Este ainda tinha que trazer a sua cédula dada pela mesa sem estar preenchida, para depois ser entregue a outro e recomeçar o ciclo). No contexto da denúncia, verificou-se após a abertura oficial das urnas que realmente o fato procedia. Diante disto, por ser um crime eleitoral, o candidato foi chamado pelo juiz e lhe foi explicado que ele tinha se utilizado da fraude do voto corrente, porquanto as letras de preenchimento existentes nas cédulas eram iguais. "Sabiamente", o candidato para se defender, olhou para o juiz e expressou: "Não tenho culpa que meus eleitores estudaram com a mesma professora. Por isto que escrevem tudo igual!". Antes da utilização da urna eletrônica, quando a contagem era manual e a possibilidade de fraude era grande, os responsáveis pelos pleitos eleitorais criaram o seguinte mecanismo: Os votos de Almirante Tamandaré eram contados por pessoas convocadas de Rio Branco do Sul. Os votos de Rio Branco do Sul, eram contados por convocados da cidade de Almirante Tamandaré. Geralmente era um processo de um dia inteiro. E que quando ocorria a vitória de um candidato a Prefeito por uma diferença pequena, geralmente ocorria recontagem. Apesar desses transtornos, a política no município vem evoluindo dentro de uma civilidade. No entanto, ainda existe a prática de compra de voto. Porém, há que ressaltar que isto só é praticado porque existem pessoas que "inocentemente" colaboram com ela. Ou seja, se não existir o "cliente", não existe o aliciador. Pois, infelizmente, muitos populares acham que estão fazendo um grande negócio vendendo o voto, quando, na verdade, estão cometendo um crime que não pode ser entendido como "não sabia que era crime!", visto que, tanto nas escolas, quanto pelos mais variados meios de comunicação, é divulgado amplamente que esta prática é criminosa. No contexto da mentalidade política do povo leigo, existe ainda a ideia que o candidato bom para ser votado é o que tem mais propaganda (presença). Diante disso, a quantidade de placas e a quantidade de carros participante em uma carreata, geralmente provocam efeitos positivos no caminho para se eleger como Prefeito. Porém, desta forma de divulgação surgiu a prática da "doação de combustível" (gasolina) em troca da pessoa andar com um adesivo do candidato colado em seu automóvel e participar de carreata. A maior carreata registrada até o presente momento foi promovida pela Coligação Novo Tamandaré (Aldnei Siqueira) em setembro de 2012 e contou com aproximadamente 4.000 carros, praticamente 16 km de fila de automóveis. 172

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RELATOS DO AGENTE ADMINISTRATIVO HERMENEGILDO DE LARA A Folha de Tamandaré, "Histórico", de 30 de agosto de 1989, nº 82, p. 2, apresentou o seguinte relato do Sr. Hermenegildo de Lara: "Por volta do ano de 1939, logo que assumi a administração da chefia da ex-Agência Distrital de Tamandaré, época em que o território do município de Almirante Tamandaré foi anexado ao município de Curitiba, com a colaboração do inesquecível Frei Barnabé de Maria, de saudosa memória, o qual naquela época era Diretor do Colégio Seráfico Santo Antônio de Butiatuba, tendo sido constatado que no Cemitério Municipal da sede de Tamandaré, não existia nenhuma arborização, foram ali, plantadas tecnicamente, aproximadamente trinta mudas de ciprestes, árvores de grande tamanho e de forma cônica, própria para ornamento de Cemitério, cujas árvores cresceram rapidamente e lá pelo ano de 1944, época em que a referida Agência foi extinta, aquelas árvores estavam bem crescidas e eram bastante admiradas por todos. Mas, infelizmente aconteceu o que não devia ter acontecido, foi lá pela década de 1960, não sabendo até hoje porque razão, a administração municipal daquele tempo, determinou que as mencionadas árvores fossem derrubadas e incineradas, o que muito surpreendeu a todos os habitantes da antiga Vila de Tamandaré. Pois, na verdade foi um desrespeito para aquele Campo Santo. O que é muito estranhável também é que decorridos tantos anos daquela ocorrência, nenhuma outra administração municipal determinou que fossem plantadas outras árvores no mencionado Campo Santo. Tudo de bem e de bom que é feito por uma administração, de forma nenhuma deve ser destruída por outras administrações, pois tudo o que é feito custa dinheiro que o povo trabalha para ganhar". O relato citado, porém, em especial o último parágrafo mencionado, demonstra bem a rivalidade política existente na cidade. Pois, na contramão do progresso, atualmente existe ainda na cidade a antiga prática do governo presente, destruir o que o governante anterior fez ou destruir e consumir com placas de inauguração e marcos de gestão. Um fato praticado relatado por muitos populares que serviram às antigas administrações diz respeito a destruição de documentos burocráticos e que fundamentavam projetos gerais para que a gestão que assumisse começasse do zero. Outro relato que confirma este fato foi dado pelo ex-Prefeito Cezar Manfron em fevereiro de 2012, quando comentou que: "Pelo menos quatro a cinco vezes por ano tinha que mandar fazer placas inaugurais e recolocá-las nas obras realizadas na sua gestão que foram retiradas por seus rivais e não por vândalos para vender como sucata, como se imagina". EMISSÃO DE TÍTULO DE ELEITOR Em novembro de 1996, ocorreu a instalação do sistema para emissão de títulos de eleitor, o qual permitiu ao cidadão um ganho de tempo, pois o mesmo não perdia mais de cinco minutos de espera. Pelo antigo sistema, o documento demorava no mínimo 90 dias para ficar pronto. Naquele momento histórico, era um programa único no país que se implantava no Estado do Paraná. Fez-se presente na implantação do sistema o Presidente do TRE/PR (Desembargador Luiz José Perroti), os Prefeito de 173

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Tamandaré Cide Gulin e o Prefeito eleito de Campo Magro que assumiria em 1997, Sr. Louvanir Menegusso, além do Juiz Eleitoral da Comarca Dr. Osvaldo Nallim Duarte entre outras autoridades. FÓRUM ELEITORAL DESEMBARGADOR JORGE ANDRIGUETTO Em consequência da autonomia política e judiciária do município, ocorreu na data de 17 de março de 2006, a entrega ao povo tamandareense do Fórum Eleitoral Desembargador Jorge Andriguetto, construído em uma área de 800 m², cedida pela prefeitura de Almirante Tamandaré, localizado na esquina da Rua Lourenço Angelo Buzato, com a Rua Bertolina Kendrick de Oliveira. A solenidade contou com a presença do presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, Desembargador Clotário de Macedo Portugal Neto e o presidente do Tribunal de Justiça, Desembargador Tadeu Marino Loyola Costa, que junto com o Prefeito Vilson Goinski, Juíza Eleitoral Elisiane Minasse e demais autoridades representantes dos três poderes inauguraram o Fórum Eleitoral de Almirante Tamandaré. Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, abril 2011 O patrono do Fórum o Desembargador Jorge Andreguetto, segundo informações do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, "nasceu na cidade de São José dos Pinhais em 15 de junho de 1925, filho de Antonio Andreguetto e Lucia Andreguetto. Iniciou sua vida pú- Fórum Eleitoral Desembargador Jorge Andriguetto. blica como Escrevente Juramentado do Cartório do então Tribunal de Apelação do Foto: Galeria dos Presidentes do TribuParaná, em março de 1945. Ainda acadêmico de Direito, passou a nal Regional Eleitoral do Paraná, s/d. exercer o cargo de Promotor Público em São José dos Pinhais, em janeiro de 1946. Seguiu pelas Comarcas de Pitanga e Ipiranga. Em janeiro de 1951 classificou-se em 4º lugar no concurso de Promotor Público. Em 1952 obteve o 1º lugar no concurso para juiz de Direito Substituto de 1ª Entrância da Comarca de São João do Triunfo. Foi o primeiro Juiz da Comarca Peabiru e prosseguiu a carreira nas Comarcas de Apucarana e Curitiba. Em 05 de setembro de 1970 foi nomeado por merecimento, para o cargo de Juiz do Tribunal de Alçada, onde foi eleito Vice-presidente e Presidente no ano de 1974. Desembargador JorEm junho de 1978, por antiguidade, foi nomeado Desembargador ge Andreguetto. do Tribunal de justiça do Estado do Paraná. Exerceu no biênio 1980174

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1981 o cargo de Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. Criou e dirigiu a Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana. Assumiu a Presidência da Associação dos Magistrados do Paraná em 1981. Exerceu o Magistério Superior como Professor Titular de Direito Comercial da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Foi agraciado com a Cruz do Mérito Judiciário. Faleceu no Rio de Janeiro, em 30 de novembro de 1994, após a defesa de sua dissertação, "Lei Eleitoral Brasileira", na Escola Superior de Guerra . Era casado com Paulina Magdalena Cenovicz Andriguetto, com que teve três filhos: Jorge Andreguetto Júnior, Paulo César Andriguetto e Rosana Andriguetto de Carvalho". Esta saudosa personalidade também é patrono de um colégio estadual no município de Fazenda Rio Grande. AUMENTO DE VEREADORES Pela legislação o número de representantes do povo no legislativo de um município deve ser proporcional a sua população. Neste contexto a primeira Câmara municipal (Intendência) possuía 7 representantes (Vogais), sendo que, o Presidente da casa exercia as funções de prefeito. Com o advento do cargo de Prefeito a Câmara a partir de 1892 passou a ter 6 cadeiras (Camaristas). Com a restauração do município em 1947, ficou definido que o número de vereadores seria 9. Quantidade que só mudaria a partir das eleições de 1992 quando a Câmara ficou com 11 cadeiras. Com o crescimento da cidade o número de cadeiras aumentou para 13 a partir de 2000. No entanto, devido a uma determinação federal nas eleições de 2004 o número de cadeiras caiu para 11, ficando assim até o término o ano de 2012. Pois, na data de 21 de setembro de 2011 ocorreu na Câmara Municipal de Almirante Tamandaré a votação e a aprovação do aumento no número de vereadores da casa. A partir da legislatura 2013, a população começou a ser representada por 15 vereadores. Com uma hora e meia de atraso, a votação transcorreu sem grandes problemas, apesar da presença de líderes comunitários contrários ao aumento no número. Porém, antes do início da votação, o Presidente da Câmara Aldnei Siqueira fez uma consulta à galeria composta por cerca de 40 a 50 pessoas. A grande maioria, aproximadamente, 90% dos presentes, optaram por 15 cadeiras. Segundo a Folha de Tamandaré, Quem votou contra ou a favor do aumento do número de vereadores, Ano XXVI, 1º a 15 de outubro, nº 697, p. 2, foram seis votos a favor da mudança e apenas um contrário, como é possível verificar: Antonio Angelo Prodoscimo votou por 15; Aldair de Souza (Dário) votou por 15; João Marcelo Bini votou por 15; Leonel Siqueira votou por 11; Nereu Osni Colodel, faltou; Francisco Nunes da Silva votou por 15; Osvaldo Stival votou por 13; Antônio Claret Giordano Todeschi (Tonhão), faltou; Edson dos Santos Vieira votou por 15 e o Vereador Walter Ortiz de Camargo votou por 13. Dois votos foram registrados para o número de 13 vereadores, como era até 2004, antes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar a redução. O parlamentar Osvaldo Stival (PSDB) credita o aumento ao crescimento no número de eleitores de Almirante Tamandaré. "É uma maneira de a cidade ficar melhor representada, já que após o recadastramento eleitoral o número de eleitores passou de 55 mil para 70 mil". O presidente da Câmara, Aldnei Siqueira, que defendia o aumento para 13 parlamen175

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tares, não contestou a votação. "O número era suficiente para a representatividade, mas a democracia devia ser respeitada". DEPUTADOS DA TERRA Em sua centenária história, a cidade foi representada por quatro Deputados Estaduais, sendo dois pelo antigo município de Tamandaré e dois pela efêmera cidade de Timoneira. Sob a denominação de Almirante Tamandaré até o presente momento não houve nenhum representante, apesar das tentativas de diversos cidadãos tamandareense que disputaram pleitos eleitorais para este cargo. Segundo os "Arquivos da Assembleia Legislativa do Paraná", o primeiro Deputado Estadual a representar Tamandaré foi o Tenente Coronel Antônio Ennes Bandeira eleito nas eleições de 10 de abril de 1891, com 6.788 votos segundo Edital Oficial publicado no "Diario do Commercio, de 08 de maio de 1891, p. 3", ficando no cargo por dois anos (1891 e 1892) onde inicialmente foi 2º Secretário da mesa do Congresso Estadual. No contexto das informações colhidas junto à Polícia Militar do Paraná, homenagem póstuma publicada no periódico "A República, de 06 de setembro de 1909", e posteriores informações colhidas no contexto desta pesquisa, Antônio Ennes Bandeira nasceu em 1825, no Rio Grande do Sul. Veio para o Paraná em 1953 fazendo parte do Corpo de Foto: Policia Militar do Caçadores para aqui expedido na ocasião da instalação da província. Paraná/Comandantes Antes de ser Vogal, Presidente da Intendência Municipal de Tamandaré (Ato Governamental de 31 de outubro de 1890) e após Deputado pela nova cidade, foi o 7º Tenente Coronel da Guarda Nacional, no período de 03 de abril de 1882 a 04 de setembro de 1885, atual Polícia Militar. Assinou a ata de instalação do município de Tamandaré e a de inauguração da Ferrovia Norte do Paraná, ramal Curitiba-Rio Branco. Antônio Ennes Bandeira contraiu casamento em 1857 com Felicidade Ferreira Borges, dona do terreno na antiga região do Taquaral, que foi vendido em novembro de 1878 para assentar imigrantes italianos, cuja localidade ficou conhecida como Santa FeliciDeputado Estadual, dade (atual bairro de Curitiba), que, a propósito, foi uma homenaVogal e Presidente gem prestada à ilustre senhora com ênfase religioso expressando a fé (Prefeito) Antônio católica dos italianos. Antônio faleceu aos 74 anos em Curitiba às Ennes Bandeira. 12h00, de 06 de setembro de 1909. O segundo deputado a representar a cidade no ano de 1912 a partir de informações dos Arquivos da Assembleia Legislativa foi o Sr. João Cândido de Oliveira, natural da localidade desde antes dela se tornar autônoma se elegeu Deputado Estadual na Legislatura 1912 a 1913. Nesta época, o Paraná era governado pelo Presidente Carlos Calvalcanti de Alburquerque. No contexto da mesma fonte referida, na Legislatura Estadual de 1930-1931, o cidadão João Cândido de Oliveira representou mais uma vez a Vila Tamandaré como Deputado Estadual, em um período em que o Estado do Paraná estava sendo governado pelo Interventor Mário Alves Monteiro Tourinho. Nas informações de Maria Nicolas em sua obra "Cem Anos de Vida Parlamentar. Depu176

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tados Provinciais e Estaduais do Paraná, 1854-1894", p. 475, na legislatura de 1951-1955, assumiu uma cadeira o tamandareense Sr. Cândido Machado de Oliveira Netto, casado com a Sra. Jupira Martins de Oliveira. Era filho do Coronel João Cândido de Oliveira com Bertolina de Oliveira, nascido em 04 de agosto de 1911. Cursou o primário no Grupo Escolar de Tamandaré e o ginasial no Ginásio Paranaense e diplomou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Paraná. Foi Promotor Público em São José do Triunfo, Reserva e Clevelândia. Depois, também representou a cidade na legislatura de 1955-1959 e 19591963. Destaca-se seu filho, Luiz Alberto Martins de Oliveira (nascido em Clevelândia), Deputado Estadual na legislação 1974-1978 e Senador da República 1995-1996. No ano de 1955, se encerrava o mandato do Prefeito Ambrósio Bini, o qual se candidata a Deputado Estadual no pleito estadual de 1955. Porém, inicialmente não logrou êxito com sua votação de 2.098 votos, segundo informações prestadas por Cesar Augusto Bini fundamentado em seu acervo histórico sobre o seu pai. Mas conseguiu voto o suficiente para se tornar suplente direto ao cargo, o qual ocorreu no ano posterior, segundo informações dos Arquivos da Assembleia Legislativa do Paraná. Desta forma, o Sr. Ambrósio Bini se tornava o quarto Deputado Estadual nascido em Tamandaré a representar o município na história de Almirante Tamandaré e o segundo do efêmero município de Timoneira. Apesar de ter exercido efemeramente o mandato de Deputado Estadual, o Sr. Ambrósio Bini ganhou destaque nacional por meio de vários periódicos, entre eles se destaca o veículo de notícias carioca "Semanário de 26 de dezembro a 02 de janeiro de 1958" que publicou reportagem intitulada "Vitória do povo contra os trustes de energia elétrica", o qual possuía o seguinte teor: "A uma comissão composta dos deputados estaduais Waldemar Daros, Ambrósio Bini e Soboscinski e dos vereadores à Câmara Municipal Aristides Simões representando o Prefeito major Ney Braga, Ondim Camargo e João Gasparini Filho declarou o diretor da Divisão de Águas do Ministério da Agricultura ter ficado decidida a revogação do aumento das tarifas fixadas pela Companhia de Força e Luz do Paraná, subsidiaria da Bond and Share que explora este serviço em Curitiba. Aquela comissão, que vinha liderando a campanha popular nesse sentido, aqui chegou no dia 18 (dezembro de 1957), devidamente credenciada pela Assembleia Legislativa Estadual, por aquela Câmara Municipal e pela Prefeitura da Capital paranaense, entrando diretamente em contato com o Ministro da Agricultura e o diretor da Divisão de Águas, os quais reiteraram os apelos que haviam feito em nome da população curitibana (...)". O historiador e ex-agente administrativo Hermenegildo de Lara descreveu seu cunhado Ambrósio Bini da seguinte forma: "Dados Bibliográficos do inesquecível Sr. Ambrósio Bini. Nasceu o cidadão Ambrósio Bini, em Tamandaré, no dia 06 do mês de agosto do ano de 1922. Filho legitimo do Sr. Antônio Bini e de Dona Margarida Scarpin Bini. Estudou no antigo Grupo Escolar da sede de Tamandaré. Foi casado com a distinta e prendada Srta. Adair de Lara, filha legitima do Sr. João Antunes de Lara e de Dona Ananias de Cristo Lara. Do feliz consórcio nasceram os seguintes filhos: Roseli, Cleusa, Célia, Ambrósio, Sérgio, Denise, César, Regiane e Regina. Em sua vida, dedicou-se muito à indústria, tendo sido sócio gerente de uma das grandes 177

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Foto: João Domingos Scucato, s/d. indústrias de Almirante Tamandaré, na época denominada de Produtora de Cal Tamandaré Ltda, proprietária do primeiro forno contínuo de fabricação de cal, que foi construído em 1912. Durante o período em que esteve no exercício de Deputado, apresentou diversos projetos em beneficio ao seu município, inclusive para instalação de luz elétrica, canalização de água e esgoto (...)". Faleceu em pleno exercício de Prefeito em 14 de novembro de 1963. Hermenegildo de Lara e seu cunhaEm consequência da Lei Ordinária nº 3.263, de 19 do Ambrósio Bini (camisa branca), de agosto de 1968, é denominado um logradouro públiem visita ao litoral. co no Bairro do Capão Raso em Curitiba, do Prefeito Ambrósio Bini. No ano de 1974, durante a administração da Diretora Roza Bini de Oliveira, o Ginásio Alvarenga Peixoto passa a chamar-se Colégio Estadual Ambrósio Bini.

CORONELISMO Dia de eleição, a rotina de sempre, pegar o título de eleitor e seguir até a secção eleitoral para votar. Chegando ao local, um movimento frenético de eleitores e fiscais, e a natural fila ocasionada pelo enorme número de candidatos a serem votados, que sempre acaba confundido quem não está acostumado com a urna eletrônica. Neste contexto, o jeito era esperar. Na fila várias pessoas aguardavam a vez, e lembravam o tempo de seus tataravós, onde o voto tinha que ser falado em voz alta para os mesários. Escutando isto, comecei a pensar o quanto era complicado ser eleitor naquela época, pois a pessoa não poderia prometer voto para todos os candidatos que pediam, como também todo favor que recebia de um político, era um compromisso com o mesmo. Neste sentido, a traição lhe custava o preço de ser perseguido pelo candidato traído, se este viesse a ganhar o pleito. Ou seja, "para os amigos tudo. Para o inimigo a lei". Talvez esta frase centenária, seja o melhor exemplo que explique o que era o coronelismo. O coronelismo ou mandonismo local foi um sistema de poder político que encontrou alicerces na política da República Velha (1889-1930), caracterizado pelo enorme poder concentrado em mãos de grupos de "poderosos" de uma localidade. Geralmente grandes comerciantes, pessoas de posses ou riquezas com empreendimentos prósperos ou de boa influência política junto a grupos de poderosos de maior hierarquia na administração estadual ou nacional. Marion Brepohl de Magalhães em sua pesquisa "Paraná: política e governo" p. 25, explica que o coronelismo é a manifestação patriarcal e do poder privado a serviço da política notoriamente representado pelos senhores de posses que coexiste com um regime político de extensa base representativa. Refere-se especificamente a uma estrutura agrária que fornecia os alicerces de sustentação do poder privado no interior do Brasil. Caracterizava-se, como um compromisso, uma troca de proveitos entre o Poder Público, progressivamente fortalecido. E a influência social dos homens fortes locais, notadamente 178

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dos senhores de posse e riquezas. A força dos coronéis provinha dos serviços que prestavam ao chefe do Executivo, para preparar seu sucessor nas eleições, e aos membros do Legislativo, fornecendo-lhes votos e assim possibilitando sua permanência em novos pleitos, o que tornava fictícia a representação popular, em virtude do voto "manipulado", segundo Marion Brepohl de Magalhães, p. 26. Certas competências legais, como eleger o governador, deputados e o Prefeito, criar específicos impostos, foram suprimidos do poder central e delegados em definitivo para os Estados e municípios. Essa descentralização, introduzida pela República, fortaleceu o poder local. Neste contexto, os grupos formados por homens de posses ou riquezas interferiam utilizando-se de vários mecanismos nas eleições (violência, perseguição, troca de favores, cada região era uma estratégia), além de manipularem os votos através de diversas artimanhas para ganharem as eleições. Neste contexto citam-se como exemplos ilustrativos os fatos narrados retirados de periódicos de época supratranscritos na parte introdutória do capítulo "A Política". Ou seja, documentos eram falsificados para que menores, escravos e analfabetos pudessem votar; pessoas que tinham morrido eram escritas como eleitores; pessoas de outras secções se passavam por eleitores; urnas eram violadas e votos adulterados; muitas artimanhas eram feitas na contagem de votos, eleições que só eram realizadas no papel (se lavrava uma ata e estabelecia o melhor resultado). Em Tamandaré, a principal estratégia era alistar o maior número de eleitores possível e após fazer uma eleição "só no papel". Porém, ocorreram episódios quando o grupo se dividiu na cidade, em que nos pleitos estaduais, o governo central estadual costumava deslocar a força pública (policiais) para garantir resultados favoráveis no pleito (fato que gerava posteriores discussões e explicações no Congresso Estadual) como é possível ser observada explicitamente na "Ata do Congresso Legislativo do Paraná, de 23 de março de 1908", publicada no periódico "A Notícia, de maio de 1908". Esses grandes homens de posse ou riquezas eram denominados de coronéis e seu sistema de dominação, o coronelismo, cujo papel principal cabia aos coronéis. A partir das informações de Raymundo Faoro em sua obra "Os donos do Poder", confrontado com a realidade em Tamandaré entre os anos de 1890-1930, é possível concluir que os coronéis acabaram herdando um grande poder. O "coronel" era uma pessoa que impunha extremo respeito, uma figura local, que propagava sua influência nas cidades. Nessas localidades, onde a influência do Estado era pequena, específicas funções públicas, tais como polícia, justiça e outras passaram a ser exercidas de forma exclusiva, pelos "coronéis". Ou seja, o coronel tinha de mandar e ser obedecido, era a prática do "mandonismo local". Estabeleceu-se uma relação de dominação pessoal do "coronel" sobre seus dependentes. Quando se perguntava a alguém: "Quem é você?", a reposta era: "Sou gente do coronel fulano". Essas pessoas constituíam a clientela do "coronel". Um exemplo ilustrativo desta manifestação de poder é denunciado no relato de seu Antônio Candido de Siqueira (seu Tono), prestado ao "Projeto Tamandaré: contos e lendas de um povo em 2002", que conta uma passagem em que um influente coronel das três primeiras décadas do século XX, ao constatar que o resultado seria apertado, pediu ao mesário para ver quem estava faltando votar; identificando na lista que um dos eleitores era sua gente ordenou, esbravejando, para que seus jagunços fossem buscar o "polaco ma179

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landro" onde estivesse para votar (há que ressaltar que as palavras usadas não foram estas para se referir ao saudoso cidadão filho de poloneses). Existia uma gama enorme de coronéis espalhados pelos municípios brasileiros. Nem todos os coronéis tinham o mesmo poder de influência, nem todos eram amigos entre si. Neste contexto, não raro na disputa pelo poder ser comum explodir conflitos entre bandos de jagunços de coronéis adversários. Ao final, o coronel mais poderoso e de melhor sorte nestas ocasiões, acabava por se impor na região em disputa. Geralmente, o coronel mais importante estabelecia alianças com outras pessoas influentes para eleger o líder maior do Estado. As características genéricas do coronelismo eram mais notórias nas regiões menos desenvolvidas economicamente. Nesses lugares, a população possuía poucas alternativas de sobreviver fora da agricultura. Nas regiões mais urbanizadas, a população gozava de mais independência política, pois podia encontrar empregos no comércio e na indústria. Porém, se o "coronel", não era de fato coronel, de onde então surgiu esta denominação? Rodolpho Telarolli explica em sua obra "Poder local na República Velha", que o coronelismo institucional surgiu com a formação da Guarda Nacional, criada em 1831, como resultado da abdicação de Dom Pedro I, ocorrida em abril daquele ano. Porém, o governo da regencial (1831-1842) dispôs os postos militares à venda, possibilitando aos homens de posse e riquezas e seus próximos adquirirem os títulos de tenente, capitão, major, tenente-coronel e coronel da Guarda Nacional (não havia o posto de general, prerrogativa exclusiva do Exército). Em um contexto genérico, com o tempo o coronel passou automaticamente a ser visto pelo povo comum como um homem poderoso e em específicas regiões do Brasil, a quem todos os demais eram dependentes. Em Tamandaré, a patente militar equivalia a um status social, apesar disso as pessoas que carregavam este título o receberam em grande parte no contexto da Revolução Federalista de (1893-1894), outros carregavam este título por terem feito parte de fato do corpo do exército. Um exemplo dessa condição é o Major João Evangelista dos Santos Ribas, que segundo as informações da "Cer tidão de Óbito. Matricula 08178601551928400005189000004288", faleceu aos 77 anos, às 04h25min do dia 02 de agosto de 1928, em sua residência na Sede, devido à aterosclerose. Ele era filho do casal Antônio dos Santos com Gertrudes Ribas. Foi casado com Maria da Conceição Garcez, com quem teve três filhos: Iphigênio Garcez Ribas (Tabelião na cidade), João e Joaquim. Foi Prefeito substituto (1927-1928), como militar fez parte do corpo do 3º Batalhão de Infantaria na função de Major-fiscal, Camarista, Juiz Distrital, Juiz seccional federal, auxiliar do procurador da República, Secretário da Câmara e da Prefeitura e Subcomissário no município, mesário da primeira eleição do município, assinou a Ata de Instalação do Município e professor. No entanto, o coronelismo que existiu na Vila de Tamandaré, não era tão radical como foi no nordeste do Brasil. Porém, o sistema encontrou as mesmas facilidades para se desencadear aos moldes apresentados. O coronelismo na Vila de Tamandaré se apresentou centralizador, porém limitado ao poder estadual, devido à proximidade com a capital e a própria característica da população, que apesar de agrária, possuía posse e sobrevivência independentemente da ajuda ou não do poder local. Tal fato era naturalmente público; o povo pouco ligava para a política, pois indepen180

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dentemente dela, tinha que trabalhar e buscar formas diversas de conseguir recursos. Infelizmente, no período final do século XIX até meados da década de 1940, a região tamandareense era pouca habitada, possuía uma produção agrícola e pecuária voltada para o próprio sustento, iniciava a exploração da cal e comercializava com a capital produtos agrícolas, porém, trazia de Curitiba, produtos manufaturados. Resumindo, para o povo, o coronel era um político. Porém, com fama adquirida devido aos conflitos gerados pelas disputas de poder e problemas pessoais de ordem familiar entre os próprios coronéis no contexto da Revolução Federalista (1893-1894). Diante destes expostos, não raro é perceber nos depoimentos das pessoas que tiveram ancestrais que presenciaram este momento em Tamandaré e comentários em periódicos diversos. Relatos demonstrando que os coronéis que por aqui pisaram eram pessoas de boa convivência na comunidade, pois eram em grande parte negociantes, ativos solucionadores de problemas locais e predispostos voluntários em causas diversas (social, religiosa, judicial, comunitária). Porém, longe de haver contradição na informação, eles se tornavam intolerantes na relação de convivência e disputa pelo poder entre eles próprios (especificamente, os que eram parentes) nos períodos de pleitos para o Congresso Estadual, Governo Estadual e Municipal. Neste contexto, não raro, era encontrar famílias da mesma origem desses políticos nesta época que não se falavam, pois se tratavam como inimigas. E também não era ficção entrar em contato com histórias contadas pelos mais antigos, de filhos de coronéis inimigos, que acabavam se casando escondidos para evitar a dura repreensão dos pais, ou briga de irmãos por causa de herança que se misturavam com política e se radicalizavam. Segundo relatos do saudoso Generoso Candido de Oliveira (Nenê), filho do Coronel João Candido de Oliveira, prestado ao "Projeto Tamandaré: Contos e Lendas de um Povo"; seu pai não se dava muito bem com sua irmã mais velha, Dona Rachel Candido de Siqueira, em virtude de divergências pessoais do primeiro casamento entre seu pai e Dona Amélia. Ou seja, o jovem João Candido de Oliveira pertencia a uma família rival politicamente da família da senhorita e futura esposa Amélia Abranches Almeida. O futuro Coronel era maragato (partidário do federalismo) e a enérgica e política Dona Rachel era pica-pau (partidária republicana do poder central forte), a qual comandava todo mundo e era firme em suas decisões, uma característica de sangue da família. O Sr. João Candido de Oliveira e Dona Rachel só fizeram as pazes, motivados pela eminência da presença da morte que se aproximava para Dona Rachel, o qual chamou seu irmão para por um fim nas mágoas guardadas por décadas. Esta história marca uma das maiores rivalidades políticas que existiram no município onde os protagonistas eram parentes de sangue! O Major Antônio Baptista de Siqueira era um portador desta rivalidade, pois era filho do comerciante Theolindo Baptista de Siqueira com Rachel Candido de Oliveira (irmã do Coronel João Candido de Oliveira). No contexto oficial da "Certidão de Óbito. Matricula O817860155192740000517000000 48 64", Antônio B. de Siqueira era casada com Francisca Popia, com que teve 8 filhos: Theolindo, Athayde, Arantes, João, Lauro, Antônio, Ottilia e Urcina. Faleceu aos 52 anos na data de 24 de dezembro de 1927, às 23h20min devido a colapso cardíaco. Segundo consta na oralidade popular e relatado pelo seu neto, Joel Siqueira, junto ao "Projeto Tamandaré: contos e lendas de um povo", "(...) o Prefeito Antônio Baptista de Siqueira gostava muito de jogo de truco e no dia de seu aniversário (ou ceia de Natal), ele 181

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Foto: Galeria dos Prefeitos fez uma festa muito grande. Lá pelas tantas estavam jogando quando de repente ele abaixou a cabeça sobre a mesa. Todos pensavam que ele estava cansado por ter demorado a levantá-la, mas quando foram vê-lo estava morto. Pessoas da época contam que o velório foi acompanhado por um número muito grande de carroças, coisa nunca vista na região". O personagem principal que ficou gravado na oralidade popular foi o Coronel João Candido de Oliveira, que, segundo relatos de seu Generoso, recebeu o comando da Guarda Nacional do governo federal. Isto ocorreu, porque naquela época não existia quartel nas Prefeito Antônio cidades pequenas, e como o Brasil estava passando por recente tranBaptista de Siqueisição de sistema governamental, existiu a necessidade do governo ra, negociante, Precentral garantir que esta transição se concretizasse. Apesar de ser feito, Camarista, juiz distrital e assimaragato, o governo confiou a instrução militar da cidade a ele e nou a Ata de Instatambém a outros homens politicamente fortes da época, pois era lação do Município. uma das prerrogativas do Prefeito esta competência. Porém, um dos motivos que lhe caracterizaram a fama de autoritário foi justamente esta ordem de promover a instrução militar de civis. Diferente dos dias de hoje, todo cidadão brasileiro que completa 18 anos deve se alistar, porém nem sempre é convocado. Naquele tempo, havia alistamento, seguido de um sorteio, onde o "sortudo", deveria se apresentar. O problema é que muitos não apareciam, e diante desta situação, o coronel era obrigado por lei a buscar o fulano onde é que se encontrasse utilizando-se dos métodos que melhor se adequassem, independentemente da vontade do sorteado em não querer ir. Outro motivo era que o então Coronel João Candido de Oliveira era muito disciplinado e cumpridor do que lhe era confiado. Em decorrência disso, era muito exigente e enérgico, pois necessitava ver as coisas do jeito que lhe fora ordenado pelo governo central. No entanto, isto não foi uma ação exclusiva dele, pois outros Prefeitos e camaristas tiveram por ordem que exercer esta prerrogativa, cujas instruções eram feitas na rua mesmo, pois não havia local próprio. Auxiliavam os "coronéis", sargentos (militares de fato) destacados da capital. Eram poucos que gostavam desse treinamento militar. Porém, era a lei que com o tempo foi perdendo importância, e talvez por este motivo que algumas autoridades do período de final da década de 1920, deixaram de serem reverenciados ou considerados "coronéis", pois não eram mais vistos dando instrução militar na rua. O Sr. Generoso Candido, expressou que seu pai, "o Coronel João Candido de Oliveira era um homem de personalidade que quando chegava a algum lugar impunha respeito. Transmitia uma segurança e firmeza, percebida por todos e respeitada. Era um homem sincero, leal. Não falava bobagem, tampouco mal dos inimigos na política. Respeitava os inimigos como adversário político. Por este motivo que ele era sempre considerado, mesmo na derrota. Mudava governo, mas ele sempre tinha prestigio com o governo que assumia. Principalmente em reconhecimento pelo trabalho que exercia. Com os próprios filhos ele era também muito enérgico. Mas tinha um coração bom. Não judiava de ninguém, não maltratava ninguém. Se o procurassem, ele sempre atendia. Ele ajudou a organizar o município em 1889". Porém, apesar de ser bem visto, não pelo fato de ser coronel, mas porque era um negociante e pessoa respeitada no cenário paranaense, sofreu alguns atentados. Não de popula-

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res, mas de inimigos familiares e políticos que se aproveitavam nos momentos de maior tensão política local, que estavam mais com cede de vingança que o de eliminar adversário tão poderoso e popular. A partir da informação da lápide do jazigo onde descansa o Sr. João Candido de Oliveira com sua segunda esposa junto ao Cemitério Municipal da sede de Almirante Tamandaré, ele nasceu em 15 de outubro de 1865, vindo a falecer na data de 18 de outubro de 1958. Filho de Candido Machado de Oliveira com Gertrudes de Moura Oliveira. Casou duas vezes; a primeira vez com a Amélia Abranches de Almeida (filha do Coronel Benedicto Abranches de Almeida com Mecias Alves Osório) e foi morar em Rio Branco do Sul (Votuverava), para apagar o incêndio criado com seu proibido casamento, onde montou um armazém e depois se meteu na política com o sogro. Deste consórcio, nasceram Stela casada com Clemente Ritz; Generoso Candido casado com a professora Elvira Schmidt; Acácio casado com Maria Julia Franco; Maria da Luz casada com Antônio Daros e Prudente de Oliveira (solteiro). Depois disso, se estabeleceu na Vila Tamandaré novamente, onde se tornou um importante político estadual do quadro de represen- Foto: Família Cândido Oliveira tantes do Partido Liberal. Devido às extremas rivalidades políticas, sua esposa, Dona Amélia junto com seu filho foram mortos por engano numa tocaia feita para assassinarem João Candido. No final da década de 1900, numa noite bateram no portão e chamaram pelo Coronel João Candido. Como o mesmo não estava, Dona Amélia e seu filho, ao abrirem a porta para ver o que aquelas pessoas queriam, foram surpreendidos por tiros que fatalmente os acertaram. Depois daquele dia, o Coronel mudou sua personalidade radicalmente. Em segundas núpcias, casou-se com Bertolina Agner Kendrick João Candido de Oliveira lavrou a nascida em 25 de agosto de 1887 (filha de Jorge Kendrick com FranAta de Instalação do cisca Agner) que geraram os filhos: Hercília casada com Bortolo StocMunicípio, compôs chero; Juvenil casada com João Baptista Bini; Candido Machado de a primeira Câmara Oliveira Neto casado com Jupira Martins de Oliveira; Zair Candido Municipal (Conselho de Intendência), casado com Jaci Real Prado e Generoso (Nenê) casado com Roza vice-presidente da Bini. Dna. Bertolina faleceu em 05 de janeiro de 1964. Intendência, PrefeiEste pequeno resumo da vida do nosso mais ilustre Coronel, não to, Deputado estaé uma particularidade dele, mas sim, um reflexo de como era a polídual, Vereador, inspetor de educação, tica em sua época na Villa de Tamandaré, a qual, independentemennegociante, subcote de personagem ou fato mais radical (ou menos), o cenário era missário. sempre o mesmo. Neste contexto, o coronelismo existente na Vila de Tamandaré era institucional. Sua base de sustentação não se baseava na posse de terra ou riquezas simplesmente, mas, sim, advinha da própria prerrogativa de competências que se faziam necessárias na época. Existia o autoritarismo e perseguições políticas. Porém, estas características não se igualavam ao contexto apresentado na região nordeste do país ou regiões mais afastadas dos grandes centros como Rio Negro, Guarapuava, Palmas. Infelizmente no período entre 1890 até 1930, Tamandaré, Assunguy de Cima, Votuverava, serviram estrategicamente aos governos estaduais nos períodos eleitorais. Na cidade aparentava existir dois grupos distintos de poderosos, mas na verdade só existia um, onde 183

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a divisão deste ocorriam conforme os interesses em jogo. Era uma troca de lado sem precedentes. Amigos hoje, inimigos amanhã, novamente amigos, não muito diferente dos dias atuais. Em 1929, a partir de várias informações publicadas nos periódicos "A República, Diário da Tarde, Gazeta do Povo etc.", são unânimes as observações e comentários referentes à união entre os políticos de Tamandaré e o fim da radical disputa de poder local. Esta calmaria só foi rompida efemeramente em 1936, quando ocorreu a última eleição no município antes dele ser extinto. PICA-PAUS X MARAGATOS Com o advento da Revolução Federalista (1893-1894), a Vila de Tamandaré logo sentiu as consequências diretas e indiretas devido à proximidade com Curitiba. Segundo as informações prestadas por David Carneiro em sua obra "O Paraná e a Revolução Federalista", começaram a ocorrer formações de diversos batalhões que aderiram às causas rebeldes, nesta época representada pelos federalistas, denominados popularmente "maragatos". Ganha destaque na obra supracitada a informação: "O interior e o litoral exibiram o mesmo ardor revolucionário: em Tamandaré foi criado um Batalhão (...)". No final do mês de novembro de 1893, a cidade vivenciou um conflito, pois segundo o noticiário publicado na Gazeta Polska, de 02 de dezembro de 1893: "Em Vila Tamandaré, os revolucionários sublevaram-se e depuseram o governo local. O governo, a 19 de novembro de 1893, enviou para a localidade 14 soldados. Os revolucionários mataram dois. Foram então enviados 200 soldados com seis armas de grosso calibre. Dada a diferença de forças, os revolucionários dissolveram-se e desta feita não houve conflito. Foi preso um colono polonês, por ter se declarado abertamente partidário dos revolucionários. Os chefes desse movimento foram Manoel Luiz Agner, Benedicto Abranches e Adam Berttold" . No contexto do relato do jornal "A República, de 26 de novembro de 1893" o reforço legalista enviado para Tamandaré foram: O Batalhão Patriótico, parte da Guarda Nacional, o 8º Batalhão de Cavalaria e duas peças de artilharia. A obra histórica "Floriano - Memória e Documentos". Ministério da Educação, Vol. VI - Imprensa Nacional - 1941. Documentos nº 81 e 85, p. 365 e 367, apresentava dentro de uma contextualização que a situação foi controlada na cidade e o governo local restabelecido, nesta época representado pelo Capitão Antônio Candido de Siqueira. Esta revolta ocorrida era prevista pelo Exército segundo o telegrama do Comandante Chefe das forças legalistas, General Argolo, em ação na Lapa, enviado em 25 de novembro de 1893 ao Marechal Floriano Peixoto, Presidente da República: "(...) mandei pedir incontinenti trem especial em que seguiram 100 homens do regimento segurança que devem chegar a Palmeira às 8 horas da manhã. Esta revolta preparada naturalmente quando supunham minha coluna distanciada em território catarinense, combinado com o que se deu há dias em Tamandaré, próximo à Curitiba (...)". O jornal do Partido Republicano "A República, de 24 de novembro de 1893", apresentou o acontecimento mencionado aos leitores com o seguinte teor: "Os tresloucados que nessa localidade se ergueram há dias promovendo desordens e trepolias obrigando partidas de forças desta capital para ali, desapareceram espavoridos a aproximação do destemido Batalhão Patriótico. 184

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São assim a coragem e o patriotismo desses perturbadores da ordem, facínoras e bandidos... Fugiram... não horrorizados ante os crimes que ali praticaram, como o do assassinato do Cabo Francisco por eles degolado e infamemente mutilado, mas pelo temor que tem toda essa caterva de anarquistas em enfrentar com os defensores da ordem e das leis". O jornal "A República, de 1º de dezembro de 1893", publica o relatório do comandante do Batalhão Patriótico, o Tenente Coronel Domingos Nascimento que depois do incidente promoveu um reconhecimento da localidade, ou seja, é informado que no "dia 21 de novembro às 10 horas da manhã partiu pela Estrada do Assunguy, acampou as 3 horas da tarde na vila de Tamandaré, ocupando-se durante o resto do dia, e toda a noite em exploração pelas estradas, tendo efetuados várias prisões e tomando algum armamento em poder dos revoltosos que se achavam refugiados. No dia 22/11 pelas 9 horas da manhã, levantou acampamento e seguiu para Tranqueira. Montou acampamento às 2 horas da tarde e procedeu o reconhecimento das estradas e matos circunvizinhos. Dia 23/11, dividida a coluna em duas partes, a ala direita com uma força da cavalaria e a seção de artilharia comandados pelo Tenente do 8º Regimento de cavalaria Bruno Stellfeld, partiu em direção à Rocinha, sede dos Revoltosos, tudo sob o comando do Capitão Fiscal João Tapitanga. Essa ala depois de ocupar o morro de Santaria e verificar a não existência de forças contrárias seguiu com direção a Rocinha e ai acampou as 11 da manhã. A ala esquerda comandada pelo Sr. Capitão Espinola precedida de uma força de cavalaria, composta pelo pessoal do 8º Regimento e da Guarda Nacional, bem como de alguns cidadãos que se apresentaram voluntariamente, partindo pelo caminho do Itaperuçu, chegando a essa povoação às 11 horas, e depois de fazer outros reconhecimentos, seguiu em direção à Lavinha, onde constava haver um grupo de seiscentos revoltosos. Aí acamparam às 4 horas da tarde ocupando o povoado e não encontrando nada voltaram a juntar-se com as tropas na Rocinha e seguiram para Tamandaré às 6 horas do dia 24/11 onde acamparam. Dia 25/11 partiram para Curitiba". Em 25 de novembro de 1893, o jornal "A República" denunciava um foco maragato na cidade, pois publicou que "Nenhuma impressão de terror causou entre nós a façanha de revoltosos reunidos em "quilombos" na Vila de Tamandaré (...)" Após, o "Diario do Commercio, de 27 de janeiro de 1894", noticiava que "o Sr. Coronel Antonio Ricardo do Nascimento, logo que se retirou o general Pego, abandonando a cidade, dirigiu-se para Tamandaré, a fim de tomar uma peça de artilharia, munições e forças, que o mesmo general levava consigo (...) o que de fato realizou, trazendo além disso 50 e tantas praças, que acompanhavam o mesmo general, e que se renderam ao Coronel Nascimento e a sua gente". Longe de Tamandaré, segundo a obra "Revolta da Armada" elaborada por Hélio Leôncio Martins, p. 289, na data de 11 de janeiro de 1894, "Gumercindo Saraiva fez a primeira investida contra Tijucas, sendo repelido com tais perdas que o fizeram pensar em suspender o cerco. Laurentino, entretanto, pressionou-o, chamando-o aos brios (sua reação foi: se queres pelear, peleamos), persistindo nos ataques os revolucionários mais numerosos que os sitiados, contando com destacamento de marinheiros operando a artilharia". No dia 14, Gazeta Polska, ano II, nº 22, Curitiba, 02 de dezembro de 1893. Texto redigido em língua polonesa, traduzido por Pedro Martim Kokuszka, em seu artigo “Os Imigrantes Poloneses na Revolução Federalista de 1893-94”, publicado no Boletim do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná. V.1 –LIV, 2003, p. 183.

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o Coronel Adriano Pimentel, veterano da Guerra do Paraguai se apresentou para lutar pelo governo, trouxe para Tijucas um reforço de 200 homens e assumiu o comando da praça. A resistência continuava grande. Uma surtida dos sitiados aumentou o número de mortos e feridos de ambos os lados. Nesta ocasião se fez presente o Tenente Coronel João Alberto Munhoz servindo Capitão da Guarda Nacional. Com Paranaguá tomado pelos maragatos e posterior avanço rumo a Curitiba, em 20 de janeiro de 1894, o vice-Presidente em exercício do Paraná Vicente Machado deixa Curitiba utilizando a Estrada do Assunguy como rota de deslocamento até Castro, porém chegando em Cerro Azul se dirigiu a São Paulo, "segundo o telegrama de 24 de janeiro de 1894 repassado de Apiaí em que comunicou a Floriano Peixoto a transferência da Capital Paranaense para Castro". A ação maragata notoriamente se espalhava, neste contexto ganha destaque em 1894 as tropas rebeldes do Coronel João Candido de Oliveira, as quais receberam a missão de reforçar o Destacamento de Jocelim Morocines Borba em Cerro Azul, no limite Paraná São Paulo. Dadas as dificuldades de comunicações na época, não foi avisado da saída de Gumercindo Saraiva de Curitiba (menos de 30 km), e de sua retirada de Jaguariaíva. Ofereceu resistência heroica, dias depois, às forças militares do general Everton Quadros, que reconquistara a Capital do Paraná, fato que lhe acarretou o exílio até a anistia proposta pelo presidente Prudente de Morais. Segundo consta nas informações colhidas junto ao "Almanach do Paraná, 1896", no mês de fevereiro de 1894, o Presidente nomeado da Província do Paraná João Meneses Dória lançou diversos decretos relativos às operações de guerra e criou alguns corpos para a defesa do governo provisório, entre os quais recebe destaque os Voluntários de Tamandaré comandado inicialmente pelo Tenente Coronel Antônio Ennes Bandeira, após Silveira da Motta; Miguel de Jesus; Meneses Dória; Antônio Ricardo do Nascimento (mais tarde substituído pelo Coronel Jocelym Borba); Saldanha da Gama e por fim, pelo Dr. Antônio Marques Camacho. A Revolução com o tempo começou a ser sentida pelos federalistas (maragatos), como é possível observar no contexto da existência de uma comissão encarregada de recorrer donativos aos federalistas feridos na cidade de Tamandaré, que estava composta pelos seguintes membros: Presidente Virginia Ozorio de Almeida; Tesoureira Brazilia Maria Cardoso e Secretária Idalina Marinho de Almeida, publicado no periódico "Diario do Commercio, de 19 de março de 1894". Este mesmo periódico publicou uma lista dos colaboradores que possibilitou a arrecadação de 120 mil réis, ou seja: "Virgilia Ozorio Almeida, 40.000; Brazilia M. Cardozo, 5.000; Idalina M. Almeida, 5.000; João C. Lara, 5.000; João L. Cardozo, 5.000; Germano Probst, 5.000; Joaquim M. Rosa, 10.000; José C. Rosa, 10.000; Anna Maria da Costa, 5.000; Bento D. de Castro, 5.000; Izadora C. Vaz, 5.000; Maria C. Christo, 5.000; Florisbella M. do Espirito Santo, 5.000; Joaquim de Araujo, 2.000; Bento Duarte de Castro, 2.000; José C. Sobrinho, 2.000; Leopoldina R. de Deus, 2.000; Joanna S. Artigas, 2.000; Francisca Marques, 2.000; Gertrudes L. de Souza, 1.500; Leopoldina A. Guimarães, 1.500; Joanna A. Guimarães; um anônimo, 1.000; Francisco M. Martins, 1.000; Manoel P. de Paula, 1.000; Mariano Ferreira, 1.000; Manoel dos Santos, 1.000; João Baptista do Prado, 1.000; Josepha R. dos Anjos, 1.000; Augustinho V. de Bomfim, 1.000; Eduardo de Bomfim; Ubaldina R. de Deus, 1.000; Maria R. da Annunciação, 1.000; Benedicta G. de França, 186

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1.000; Hygina Honorato Alves, 1.000; João B. dos Santos, 1.000; Joaquim Ribeiro, 1.000; Maria do R. Alves, 1.000; Timotheo Pereira de Faria, 1.000; Paulina de Oliveira Faria, 500; Eulalia L. de Souza, 500; Maria Chila, 500; Catharina dos Santos, 500 e João Cazinsk, 500". Diante deste contexto, os primeiros passos políticos da antiga cidade de Tamandaré ficaram por conta de duas famosas facções: Partidos dos Maragatos (Federalistas ou oposição) e Partidos dos Pica-Paus (Republicanos ou situacionistas). Verdadeiras guerras aconteceram durante a participação de ambos. Hermenegildo de Lara publicou um texto na Folha de Tamandaré: "Políticas e políticos", Edição Especial - 1º Centenário, Ano V, 28 de outubro de 1989, nº 85, p. 7, informando que no auge do coronelismo na cidade década de 1890 a meados da década de 1920, se destacaram os seguintes chefes políticos: O partido da Facção dos Maragatos era chefiado pelos cidadãos Dr. Generoso Marques e o Coronel João Candido de Oliveira. A facção dos Pica-Paus era chefiado pelos cidadãos Dr. Randolfo Pereira Serzedelo e o Coronel Theóphilo Fabiano Cabral. No que tange o "Livro de Atas nº 1, período 1890 a 1904", p. 44, sob a guarda da Câmara Municipal de Colombo, e as informações complementares colhidas junto ao "Album do Paraná, 1927", o Sr. Theóphilo Fabiano Cabral nasceu em 08 de junho de 1869, filho do casal formado pelo Ten. Cel. João Fabiano Cabral e Anna de Siqueira. Segundo Francisco Negrão em sua obra "Genealogia Paranaense", p. 444, foi casado com a Sra. Rosa Guimarães, com quem teve um filho: Waldomiro Guimarães Cabral, nascido em 05 de janeiro de 1900 e falecido a 30 de abril de 1920. Theóphilo Fabiano Cabral foi influente político em Bocaiuva do Sul, Colombo e Tamandaré, sendo eleito Prefeito de Tamandaré, Prefeito do município de Colombo no período de 21 de setembro de 1896 a 21 de setembro de 1900. Porém, seu ápice político se deu em meados do ano de 1924 quando assumiu o posto de Deputado Estadual, o qual ficou até 1925. Foi professor da cadeira masculina de Itaperuçu em 1890, comerciante, Presidente da Força Pública e Coletor da 2ª Coletoria Estadual em 1926-1927. Era maçom participante da extinta Loja Fraternidade Paranaense nº 0555 fundada em 1897 e extinta em 12-1947(5). Faleceu em 23 de maio de 1932. Foto: Estado do Paraná, 1923, São Paulo: Capri & Olivero, Empreza Editora Brasil, 1923.

Deputado Estadual e Prefeito de Tamandaré Tenente-Coronel Theophilo Fabiano Cabral. Museu Maçônico Paranaense. Par ticipantes da Loja Frater nidade Paranaense, n. 0555. Disponível em: <http:// www.museumaconicoparanaense.com/MMPRaiz/LojaPRate1973/0555_0breiros.htm>. Acesso em: 22 jun. 2012. (5)

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Sistema de Governo A INTENDÊNCIA MUNICIPAL A primeira administração governamental da Cidade de Tamandaré foi a Legislativa, estabelecida oficialmente em 25 de janeiro de 1890 junto com a instalação oficial e de fato da autonomia da nova localidade sob o status de município. Depois, a administração municipal deveria seguir a regra de organização conforme o estabelecido pelo Decreto Estadual nº 97, de 04 de julho de 1890, que expressava: "Art. 1º Até a definitiva Constituição dos Estados Unidos do Brasil, o poder municipal no Estado do Paraná será exercido por Conselhos de Intendência, cujas funções são gratuitas, compostos de cinco ou sete membros nas vilas e de sete nas cidades, tendo cada um deles um presidente e um vice-presidente que, assim como os demais intendentes, são de nomeação do Governador do mesmo Estado. Art. 2ª - Os Conselhos de Intendências deliberarão sobre tudo que era da competência das Câmaras municipais pela lei de 1º de outubro de 1828 e mais disposições em vigor, podendo nomear comissões de pessoas estranhas para superintenderem, sob a fiscalização de seu Presidente, nos determinados ramos da administração municipal. Art. 3º Os Conselhos só poderão deliberar no paço municipal, reunida a maioria de seus membros... Art. 11 - O Governador do Estado reserva-se o direito de modificar, ampliar, suprimir e revogar uma ou todas as atribuições conferidas neste decreto aos Conselhos de Intendência, quando assim convenha ao bem público e aos interesses do município". Nesta época, as Câmaras Municipais exerciam um número bem maior de funções do que atualmente, exercendo de fato as funções da administração pública executiva, legislativa e judiciária. Neste contexto, não existia a figura do atual "cargo de Prefeito" que exerce exclusivamente funções do Poder Executivo separadas do Poder Legislativo. Diante deste

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fato, o que existia era o status de Presidente do Conselho de Intendência que era o Intendente indicado pelo Governador. Os Presidentes possuíam funções muito semelhantes ao atual cargo de Prefeito. Neste período histórico, os Intendentes não eram remunerados. Em virtude do município iniciar como território autônomo, o primeiro Conselho de Intendência do Municipal de Tamandaré foi nomeado pelo Decreto Estadual nº 16, de 09 de janeiro de 1890, assinado pelo Governador José Marques Guimarães, que definiu como Presidente da Intendência o Sr. João Alberto Munhoz, auxiliado por Vidal José de Siqueira (Vice-Presidente nomeado pelo Ato de 22 de janeiro de 1890) e os Intendentes denominados de "Vogais": Antônio Cândido de Siqueira, Antônio Ennes Bandeira, Antônio Vieira Bittencourt, Eloy Artigas de Christo e João Cândido de Oliveira, nos períodos de 18901892. No que tange a informação do jornal A República, de 27 de fevereiro de 1890, nº 48, ocorreu que em observação a Lei de 1º de outubro de 1828 expressar que era proibido dois irmãos servirem na mesma Intendência Municipal, o Governador do Paraná através do Ato datado de 1º de fevereiro de 1890 exonerou o Vogal da Intendência Antônio Candido de Siqueira pelo fato dele ser irmão do Vice-Presidente Vidal José de Siqueira. Para o seu lugar foi nomeado o Sr. Manoel Francisco Dias. Após, por "Ato de 11 de junho de 1890" é aceito o pedido de exoneração do cargo de Vogal feito pelo Sr. Eloy Artigas de Christo. Em seu lugar é nomeado pelo mesmo Ato, o Sr. Luiz Frederico de Souza e Vasconcellos. Em referência à publicação oficial disposta no jornal "A República, de 09 de julho de 1890, nº 159", é informado que por Ato datado de 28 de junho de 1890, o governo atende o pedido de exoneração do cargo de Vogal feito por João Candido de Oliveira. Em seu lugar é nomeado Tibúrcio de Paula Cabral. Depois, por "Ato de 07 de julho de 1890" é aceito o pedido de exoneração feito pelo Vogal Antonio Ennes Bandeira, em seu lugar é nomeado Manoel Boaventura Vaz. O jornal "A República, de 28 de novembro de 1890, capa" trazia a seguinte informação oficial: Por Ato de 31 de outubro de 1890: "O Governador do Estado do Paraná resolve nomear presidente da intendência municipal da vila de Tamandaré, o cidadão Antonio Ennes Bandeira em substituição ao cidadão João Alberto Munhoz, que pediu exoneração - Comunicou-se". Em publicação oficial apresentada pelo periódico "A República, de 03 de dezembro de 1890", a Intendência Municipal de Tamandaré informa a posse em 31 de outubro do Sr. Antônio Ennes Bandeira no cargo de Presidente. Em decorrência do Ato Governamental, de 20 de dezembro de 1890 foi nomeado Vogal da Intendência de Tamandaré o Sr. João Evangelista dos Santos Ribas em substituição ao Vogal Manoel Boaventura Vaz que solicitou por Ofício, de 13 de dezembro de 1890 sua exoneração. O "Diario do Commercio, de 30 de março de 1891" publicou na p. 2 a exoneração do Vogal Tibúrcio de Paula Cabral e a nomeação Luiz Gomes Cordeiro. O "Diario do Commercio, de 08 de maio de 1891, p. 3" informava o Ato Governamental, de 06 de abril 1891que possuía o seguinte teor: "O governador do Estado do Paraná resolve demitir Antonio Vieira Bittencourt e Vidal José de Siqueira, este vice-presidente e aquele Vogal da Intendência de Tamandaré e nomeia os cidadãos João Candido de Oliveira para vice-presidente e João Francisco de Moura Leite, Vogal". Após, o Ato Governamental, de 08 de abril de 1891 exonerou os Vogais Frederico Augusto de Souza e Vasconcellos 190

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e Manoel Francisco Dias, sendo nomeados para substitui-los os Srs. João Marinho de Almeida Ribeiro e Francisco Pedroso de Moraes.

Presidente da Intendência João Alberto Munhoz: 16/01/1890 - 31/10/1890 Foto: Galeria dos Prefeitos O primeiro Presidente de Tamandaré, João Alberto Munhoz, nasceu em 10 de dezembro de 1852, era filho do casal formado pelo Ten. Cel. Caetano José Munhoz e Francisca Cândida de Assis Franco Munhoz. Ele foi casado com Maria Eulalia Moreira Munhoz, com quem teve 8 filhos: Alfredo, Valdívia, Francisca, Maria, Carmem, Lydia, Albertina e João. Presidiu o município tamandareense em 25 de janeiro de 1890. Era comerciante. Gozava de fato e de direito o posto de Tenente Coronel do Exército, sendo destacado em dura missão no contexto do Cerco das Tijucas servindo como Capitão da Guarda Nacional. Foi maçom fundador e participante da Loja Apóstolo da João Alberto MuCaridade jurisdicionada ao Grande Oriente e Supremo Conselho do nhoz, primeiro Presidente da Inten- Paraná (1902-1920). Governou Tamandaré no período de 16 de janeidência da Vila Ta- ro de 1890 até 31 de outubro de 1890. Exerceu o cargo de professor, mandaré. oficial dos correios e por fim nomeado Diretor da Secretaria do Interior do Governo do Estado do Paraná em 28 de maio de 1892, assumindo o cargo em 20 de junho de 1892, onde se aposentou. Faleceu em 12 de julho de 1909. Vice-Presidente Vidal José de Siqueira 16/01/1890 - 08/08/1891 Segundo consta na pesquisa do saudoso Dr. Harley Clovis Stocchero, que fundamenta a "Galeria dos Prefeitos", é referenciado o Tenente Vidal José de Siqueira como segundo Prefeito (Presidente da Intendência no período compreendido entre 20/06/1892 a 19/ 09/1892). Porém, o segundo presidente foi o Sr. Antônio Ennes Bandeira, nomeado por Ato Governamental de 31 de outubro de 1890. Vidal José de Siqueira era filho do casal João Manoel de Siqueira com Anna Joaquina Fontoura. Nasceu no Pacotuba, em 1839. Foi casado com Felicidade Furquim, com quem teve 11 filhos: Benedicto Furquim de Siqueira, Manoel, Diamiro Furquim, Alfredo, Amélia Augusta, Vidal Furquim de Siqueira, Esmenia, Bonifácio, Eudoxia, João e Julieta Furquim de Siqueira. Em 1889, foi nomeado Subdelegado do Distrito de São Casemiro do Taboão onde estava domiciliado e, após, Inspetor Literário de Tranqueira em 1890. Era maçom participante da Loja 27 de Dezembro em Curitiba, jurisdicionada à Grande Oriente do Brasil, fundada em 27 de dezembro de 1873. Faleceu em 08 de agosto de 1891. Informações colhidas junto ao histórico trabalho de Francisco Negrão conhecido por "Genealogia Paranaense", Volume III, 10-11 (fundadas em Certidões de Óbitos). O PREFEITO MUNICIPAL A Constituição Nacional de 1891 trouxe algumas mudanças. Uma delas foi a separação dos poderes, a qual foi notória nos municípios. Principalmente com o advento do Artigo 68 nela presente que determinava que "os Estados organizar-se-ão de forma que fique assegurada a autonomia dos municípios em tudo quanto respeite ao seu peculiar interesse". 191

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Neste contexto, foi promulgada em 07 de abril de 1892, a nova Constituição Política do Estado do Paraná, que norteou a organização política municipal, ou seja, foi definido no Art. 98 que "a eleição do Prefeito se fará conjuntamente com a da Camara Municipal". O seu mandato será de quatro anos e poderia ser reeleito segundo o texto do artigo 99. O Prefeito era responsável com exclusividade pelo poder executivo municipal, separando este poder do legislativo que continua ao encargo das Câmaras Municipais. Porém, ainda existia uma coincidência entre o cargo de Prefeito e o de Presidente da Câmara, ainda que ele agora seja um líder comum para dois poderes distintos, o executivo e o legislativo, tendo sob seu poder, portanto, duas máquinas independentes uma da outra. Segundo o artigo 103, alinea "a", competia ao Prefeito convocar, abrir, presidir e encerrar as sessões ordinárias e extraordinárias das Câmaras Municipais, não tendo, porém, voto, senão no caso de empate. Em relação à Câmara Municipal, o artigo 93 definia a denominação de seus membros de "Camaristas" e a fixação do número de cadeiras de acordo com a população do município. O artigo 94 definia que os camaristas seriam eleitos por sufrágio direto do povo, de acordo com o que for determinado por lei do Estado, com mandato de quatro anos. Porém, o cargo de camarista era gratuito, segundo o artigo 97. Segundo o artigo 122, para concorrer à Câmara Municipal, haveria a necessidade da pessoa ser brasileira, possuir 21 anos, ser residente no município por mais de dois anos, estar gozando todos os direitos políticos e civis e não estar obrigado com dívida, contrato ou qualquer responsabilidade com os cofres municipais. Com o advento da nova Constituição, o município teve que se adequar legalmente, uma vez que a "Lei Municipal nº 20, de 30 de maio de 1892" definiu que: "a Camara se comporá de seis camaristas, cujo mandato durará quatro annos". O Prefeito era designado pelo presidente de cada Estado da Federação, geralmente para evitar conflitos em época de notória transição política nacional, era indicado quem o povo escolhia. Segundo o "Relatório da Secretaria dos Negócios, Interior, Justiça e Instrucção Pública, de 29 de setembro de 1894, apresentado ao Governador Francisco Xavier da Silva", no período de 1892 a 1893, o município de Tamandaré contava com apenas 294 eleitores; brasileiros, maiores de 21 anos, que sabiam ler e escrever, e que no momento do alistamento eleitoral estivessem residindo no seu respectivo distrito por mais de um ano segundo os artigos 108, 109 e 110 da Constituição Estadual do Paraná 1892. Nesta época, o voto segundo o artigo 111, era de escrutínio secreto, mas era garantido ao eleitor assinar sua cédula se assim quisesse. Tamandaré teve dois Prefeitos neste período: Antônio Candido de Siqueira, 21 de setembro de 1892 a 21 de setembro 1896; e Manoel Francisco Dias, 21 de setembro de 1896 a 21 de setembro de 1900 e 21 de setembro de 1900 a 21 de setembro de 1904. QUADRIÊNIO 21/09/1892 A 21/09/1896 Em 15 de junho de 1892, foi realizada eleição para escolha de Senador, pois o "Correio Oficial do Paraná, de 27 de abril de 1892", nº 251, p. 3, publicou em Edital que o município de Tamandaré contava com duas secções eleitorais e 348 inscritos para o pleito eleito192

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ral dividida da seguinte forma: 1º Secção possuía 176 eleitores, sendo o local de votação a sala da escola pública de Dona Thereza Corrêa Machado; 2ª Secção possuía 172 eleitores sendo utilizado a casa do cidadão Benedicto Abranches de Almeida, onde funciona a Intendência Municipal. O "Correio Oficial do Paraná", de 18 de maio de 1892, nº 296, p. 3, publicava que os mesários das secções tamandareenses seriam: 1ª Secção, mesário: Antônio Ennes Bandeira, José de Oliveira, Tibúrcio de Paula Cabral, Benedicto Augusto de Andrade e Irineo de Souza Machado. Suplentes: Miguel dos Santos Correia, Antônio de Christo Rosa e Paulino José da Silva. A 2ª Secção, mesários: João Evangelista dos Santos Ribas, Antônio Teixeira, Frederico Augusto de Souza e Vasconcellos, Joaquim da Costa Cabral e Bento José Euzébio de Lara. Suplentes: Alfredo Duarte da Costa, Eloy Artigas de Christo e João Oligario Vaz. No contexto das informações do "Relatório apresentado ao Exmo Sr. Dr. Francisco Xavier da Silva - Governador do Estado do Paraná por Caetano Alberto Munhoz, Secretário de Negócios do Interior, Justiça e Instrucção Pública, 31 de agosto de 1895. Quadro demonstrativos das Câmaras Municipais do Estado do Paraná, respectivos Prefeitos, Camaristas e data de Criação dos Municípios, 21 de setembro de 1892 a 21 de setembro de 1896", que teve por fundamento os resultados da eleição de 21 de setembro de 1892 para Prefeito, camaristas e juízes distritais, foi nomeado a Prefeito da Vila de Tamandaré o Capitão Antônio Candido de Siqueira. A Câmara da Vila de Tamandaré ficou composta pelos seguintes cidadãos: Lourenço Bueno Mattoso, Irineo Souza Machado, Pedro Oliveira Godoy, Honorato Dias da Rosa, Manoel de Paula Cordeiro e Roberto Hecke. Na publicação do periódico "A República, de 07 de março de 1895" Foto: Jazigo da Família Siqueira localizado no aparece o camarista Pedro Oliveira Godoy "servindo de Prefeito Cemitério do Abranches, março de 2011 municipal" e promulgando a Lei de Novas Receitas em 31 de dezembro de 1894. Em referência ao Prefeito Antônio Candido de Siqueira, foi por duas vezes administrador máximo de Tamandaré, nos período de 21 de setembro de 1892 a 21 de setembro 1896 e de 21 de setembro de 1904 a 09 de fevereiro de 1908. Em 12 de julho de 1900 foi nomeado Subcomissário de Polícia , Presidente da Junta de Alistamento Eleitoral e suplente de juiz distrital no período de 21 de setembro de 1908 a 21 de setembro de 1912. Segundo informa a "Certidão de Óbito. Matricula Capitão Antônio 0817860155191440000 4007000104698", era filho de João Manoel Candido de Siqueide Siqueira com Anna Joaquina Fontoura. Casou-se com Luiza de ra (Benzinho), PreOliveira com quem teve sete filhos: Egreyvi Brigido, Targino, Zozifeito de Tamandaré, Vogal, Subcomissáma, Itaciano, João, Rondolpho e Serzedello de Siqueira. Faleceu aos rio e Juiz Distrital. 64 anos à 1h00min, na data de 08 de julho de 1914 em seu domicílio no Quarteirão do Pacotuba. QUADRIÊNIO 21/09/1896 A 21/09/1900 Em 21 de setembro de 1896, assumiu a Prefeitura o Sr. Manoel Francisco Dias, segundo 193

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informações do "Almanach Paranaense, 1900", p. 135 e 136, que também cita que a Câmara Municipal estava composta pelos seguintes cidadãos: Joaquim de Araujo Faria (Presidente), Adolpho Siqueira, Miguel Pedroso, João Ignácio Faria, Elias Leandro de Siqueira, Manoel de Paula Cordeiro e Salvador Teixeira Farias. QUADRIÊNIO 21/09/1900 A 21/09/1904 Pelo Decreto nº 97, de 04 de maio de 1900 eram marcadas as eleições para o dia 28 de julho de 1900 para a escolha de Prefeitos, camaristas e juízes distritais no Paraná. Segundo o "Relatório apresentado ao Exmo Dr. Francisco Xavier da Silva, Governador do Estado, pelo Dr. Octavio Ferreira do Amaral e Silva, Secretário de Negócios do Interior, Justiça e Instrucção Pública, em 31 de dezembro de 1900 Quadro demonstrativos das Câmaras Municipais do Estado do Paraná, respectivos Prefeitos, Camaristas e data de Criação dos Municípios, 21 de setembro de 1900 a 21 de setembro de 1904", foi reeleito Prefeito o Sr. Manoel Francisco Dias. A Câmara ficou compostas pelos Srs. Joaquim da Costa Cabral, João Machado de Araujo, Antonio João Lourenço, Miguel dos Santos Correia, Henrique Von Kruger e Antonio Leandro Siqueira. Por dois quadriênios consecutivos, o Prefeito do município a estar submetido às regras da Constituição Estadual do Paraná de 1892 foi o Sr. Manoel Francisco Dias, o qual segundo a "Certidão de Óbito. Matrícula 08178601551913400003175000108258", era filho de José Joaquim da Costa e Maria Regina. Foi casado com a Sra. Francisca Ruiz Dias com quem teve 7 filhos: Maria Dias (de Freitas), Octavio Francisco Dias, Escolástica Dias (Garcia), Candida Dias, Olímpia Dias (de Siqueira), José Francisco Dias e Amélia Dias. Faleceu com 75 anos às 02h30mim do dia 17 de julho de 1913, em sua residência no Quarteirão do Pacotuba. Foi Vogal em 1890, Subdelegado em 1890, nomeado Juiz Distrital de Tamandaré em 21 de setembro de 1895 e Ajudante do Procurador da República em 1905. A INSTITUIÇÃO DA PREFEITURA MUNICIPAL No ano de 1905, é instituída a Prefeitura Municipal. Não mais há a coincidência entre os dois cargos, o de Prefeito e o de Presidente da Câmara. No entanto, ao mesmo tempo em que os membros da câmara municipal eram eleitos pelo povo, o Prefeito continuava a ser apontado pelo Presidente do Estado, como previa o Artigo 59 da Lei Municipal nº 2, de 11 de novembro de 1906. Ou seja, o Presidente do Estado geralmente apenas confirmava com o resultado do pleito eleitoral. No que tange a Lei Municipal nº 2, de 11 de novembro de 1906, sancionada pelo Prefeito Capitão Antônio Candido de Siqueira que tratava do Regimento Interno da Câmara Municipal da Villa de Tamandaré, citava em seu Artigo 1º que a "Camara (...) se comporá de seis camarista, cujo mandato durará quatro annos, como preceitua a lei nº 20, de 30 de maio de 1892". O Artigo 2º da referida lei expressa que "se elegera uma mesa composta de um Presidente e as eleições da terão logar no primeiro dia da sessão de cada anno assim (6) Relatório apresentado ao Exmo Sr. Dr. Francisco Xavier da Silva, Governador do Estado do Paraná pelo Dr. Octavio Ferreira do Amaral e Silva, Secretaria de Estado dos negócios do Interior, Justiça e Instrucção pública, em 31 de dezembro de 1901. Quadro nominal do Comissários e Subcomissários de polícia do Estado do Paraná com data de suas nomeações.

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como das comissões permanentes cujos cargos exercerão pelo mesmo tempo que os da mesa". Depois, o Art. 3º define que: "Depois de apurada a eleição dos camaristas, reunir-se hão no edificio da Camara, em dia e hora previamente designados, os que houverem terminado o seu mandato, para darem posse aos novos eleitos". A escolha do presidente permanente da Câmara se dava da seguinte forma, conforme o Art. 6º da supracitada lei: "(...) reunidas os camaristas em número legal, o Presidente annunciará a eleição da mesa effectiva, que se realisará da seguinte forma: Os camaristas votarão em lista com a designação, para Presidente. Esta lista serão recolhidas em uma urna, que depois de verificadas pelo Presidente se o número das cédulas confere com o dos camaristas presentes, se procederá a leitura dos nomes votados, sendo em seguida proclamado eleito e empossado o que tiver maior votação. O Presidente eleito passará a ocupar o lugar da presidencia que é a cabeceira da mesa". O Parágrafo único alertava que: "Em caso de haver empate se procederá imediatamente a segundo escrutínio, somente entre os camaristas empatantes, sendo então proclamado o que reunir maior número de votos. Se houver novo empate considerar-se-á eleito o mais velho". Foram Prefeitos neste período: Antônio Candido de Siqueira, de 20 de setembro de 1904 a 09 de fevereiro de 1908; João Cândido de Oliveira, de 11 de fevereiro de 1908 a 20 de setembro de 1908; Frederico Augusto de Souza e Vasconcellos, de 21 de setembro de 1908 a 21 de setembro de 1912; João Cândido de Oliveira, de 21 de setembro de 1912 a 21 de setembro de 1916 e 21 de setembro de 1916 a 21 de setembro de 1920; João de Barros Teixeira, de 21 de setembro de 1920 a 21 de setembro de 1924; Theophilo Fabiano Cabral, de 21 de setembro de 1924; Antônio Baptista de Siqueira, de 1924 a 25 de novembro de 1927; João Evangelista dos Santos Ribas, de novembro de 1927 a 02 de agosto de 1928; Miguel Pupia, de agosto de 1928 a 21 de setembro de 1928; João Baptista de Siqueira, de 21 de setembro de 1928 a abril de 1930; e João de Barros Teixeira, de abril de 1930 a 07 de outubro de 1930. QUADRIÊNIO 21/09/1904 A 21/09/1908 Nas eleições realizadas em 20 de julho de 1904, foi eleito o Capitão Antônio Candido de Siqueira, que assumiu o cargo em 21 de setembro de 1904 e que deveria só deixar em 21 de setembro de 1908. Porém, em decorrência do Decreto nº 78, de 11 de fevereiro 1908 foi exonerado do cargo. Em seu lugar, através do Decreto nº 76, de 11 de fevereiro 1908 foi nomeado o Coronel João Candido de Oliveira (Maragato). Em referência ao "Relatório d'Estado dos Negócios do Interior, Justiça e Instrucção Pública relativo ao ano de 1904, apresentado em 13 de janeiro de 1905, elaborado pelo Sr. Bento José Lamenha Lins, p. 17 e Mapa nº 7", no mesmo pleito eleitoral de 20 de julho de 1904 ficou composta a Câmara Municipal com os seguintes cidadãos: Iphigênio Garcez Ribas, Salvador Teixeira de Faria, Pedro Von Krüger, João Antunes de Lara, João de Barros Teixeira e Antônio Machado de Araujo. Em 1905, é referenciado pelo periódico "A República, de 19 de novembro de 1905" como Presidente da Câmara o Sr. Iphigênio Garcez Ribas. Destaca-se a presença nesta Câmara do Sr. João Antunes de Lara, nascido no dia 27 de janeiro de 1877, no Quarteirão do Pacotuba. Foi casado com Ananias de Christo Lara, 195

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com quem teve os seguintes filhos: Izauro, Almira, Adília, João Jr., Rômulo, Victor (Secretário Municipal na gestão do prefeito Eurípedes de Siqueira), Hermenegildo de Lara, Silvio de Lara (agentes administrativos) e a Sra. Adair de Lara (esposa do Prefeito e Deputado Estadual Ambrósio Bini). Faleceu em 11 de março de 1953. Em 08 de fevereiro de 1907 foi encerrada a qualificação eleitoral, cujo resultado foi publicado no periódico "A República, de 14 de fevereiro de 1907", a qual informava a existência de 435 eleitores na cidade.

Foto: João Domingos Scucato, 1953

João Antunes de Lara, negociante, juiz de paz e camarista.

QUADRIÊNIO 21/09/1908 A 21/09/1912 A Lei nº 761, de 02 de abril de 1908, tornou eletivo o cargo de Prefeito Municipal, uma vez que o Decreto nº 336, de 09 de maio de 1908, fundada na Lei nº 707, de 02 de abril de 1907 marcou para 21 de junho de 1908 o pleito eleitoral para eleger Prefeito, Camaristas e Juízes Distritais, visto que os eleitores listados na 1ª Secção votaram na Câmara Municipal e os da 2ª Secção no prédio da Agência de Rendas, segundo o Edital assinado pelo Prefeito João Candido de Oliveira em 1º de junho publicado no jornal "A República, de 1º de junho de 1908". A disputa ao cargo de Prefeito foi entre o Sr. Frederico Augusto de Souza e Vasconcellos da Chapa Serzedello contra o candidato da Coligação Republicana do Tamandaré o Sr. Antônio Ennes Bandeira. A princípio, quem ganhou as eleições foi a Coligação Republicana, e por efeito, o candidato a Prefeito, Antonio Ennes Bandeira. Porém, o periódico "A República, de 22 de julho de 1908", publica um fato ocorrido nas eleições que tirou a vitória dos republicanos, ou seja: "A Camara Municipal excedeu da sua competência, excluiu da apuração geral os votos dos eleitores residentes no Quarteirão de Campo Novo, anexado ao município de Tamandaré pela Lei nº 826, de 08 de maio de 1908. Em virtude desse abuso foram expedidos diplomas aos candidatos da chapa vencida no pleito de 21 de junho (...)" Mesmo ocorrendo reclamações formalizadas junto ao juízo eleitoral do Estado, manteve-se o resultado original que confirmou a vitória da Chapa Serzedello e por efeito o cargo de Prefeito ao Sr. Frederico Vasconcellos. Em referência as informações do "Relatório apresentado ao Exmo Sr. Dr. Francisco Xavier da Silva, Presidente do Estado do Paraná pelo Coronel Luiz Antonio Xavier, secretário d'Estado dos Negócios do Interior, Justiça e Instrucção Pública em 1908/ "Quadro nº 6 das Câmaras Municipais, dos respectivos Prefeitos e Camaristas que servirão o quadriênio 21 de setembro de 1908 a 21 de setembro de 1912", o resultado do pleito eleitoral estabeleceu para a função de Prefeito o Sr. Frederico Augusto de Souza Vasconcellos. A Câmara ficou formada pelos seguintes Camaristas: Antônio Baptista de Siqueira, José 196

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Bregenski, Lourenço Bueno Mattoso, José Kochanny, Pedro Laurindo Cordeiro e José Aleixo Machado. Sobre o Prefeito, Frederico Augusto de Souza e Vasconcellos, nasceu em 1839, era negociante e aos 79 anos (1918) encontrava-se domiciliado em Campo Magro, segundo "Edital de Alistamento Eleitoral" publicado no jornal "A República, de 27 de fevereiro de 1918". Em sua passagem por Tamandaré, exerceu o cargo de Vogal da Intendência, Camarista, Prefeito, Subcomissário, Juiz Distrital, Inspetor de Ensino e Professor. Serviu ao corpo de jurados e mesário da primeira eleição no contexto da cidade estando autônoma. QUADRIÊNIO 21/09/1912 A 21/09/1916 As eleições municipais para Prefeito, camaristas e juiz distrital deste quadriênio foram marcadas pelo Decreto nº 428, de 02 de maio de 1912 para serem realizadas em 20 de junho de 1912, sob as regras do Decreto nº 452, de 15 de abril de 1912. É informado pelo "Annuario Estatístico do Brazil" elaborado pelo Ministerio da Agricultura, Industria e Commercio/Directoria Geral de estatística, p. 57, que existiam no município em 1912, apenas 6 seções eleitorais. Em 1914, o "Diário da Tarde, Coritiba, 06 de abril de 1916, Capa" informava que o número de eleitores era de apenas 799. Pelo regulamento das eleições dispostas pelo Decreto nº 792, de 05 de setembro de 1912, estava clara e expressa no seu Art. 1ª que os camaristas seriam eleito pelo voto direto. O parágrafo único do mesmo artigo citava que existia a exceção quanto ao cargo de Prefeito que continuava sendo nomeado e de livre escolha do Presidente do Estado, porém esta era uma regra que confirmava o resultado do pleito eleitoral. O "Relatório da Secretaria de Estado dos Negócios do Interior, Justiça e Instrucção Pública relativo ao ano de 1913, apresentado em 31 de dezembro de 1913", cita em sua página 110 o resultado das eleições para o quadriênio de 21 de setembro de 1912 a 21 de setembro de 1916. No contexto deste documento foi eleito ao cargo de Prefeito, o Sr. João Candido de Oliveira. Os eleitos para as seis cadeiras da Câmara foram: Luiz Guedes Cordeiro, Antônio Stocchero, Júlio Ferreira de Andrade, Alfredo de Souza Von Krüger, Geraldo Euclides de Christo e Reynaldo Von Krüger. Inicialmente, Antonio Stocchero foi presidente da Câmara, como informa o jornal "A República, de 25 de setembro de 1912". Após, o cargo é assumido pelo Sr. Luiz Guedes. A secretaria da casa ficava sob responsabilidade do Sr. João Evangelista dos Santos Ribas. Um fato importante foi que o ilustre João Candido de Oliveira exercia dois cargos: Prefeito e Deputado Estadual. QUADRIÊNIO 21/09/1916 A 21/06/1920 O "Relatório apresentado a Affonso Alves de Camargo Presidente do Estado do Paraná pelo Dr. Eneas Marques dos Santos, Secretário d'Estado dos Negócios do Interior, Justiça e Instrucção Pública, em 31 de dezembro de 1916, p. 70", informava que a eleição para Prefeito, Camaristas e Juiz Distrital realizada em 21 de junho de 1916 apontou o seguinte resultado para o quadriênio de 21 de setembro de 1916 a 21 de setembro de 1920: Prefeito 197

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João Candido de Oliveira. A Câmara ficou composta pelos seguintes cidadãos: Antônio de Christo Rosa, Benedicto Pereira de Andrade, Fredolin Wolf, Antônio Meger, Domingos Scucato e Lindolfo José da Silva. Os suplentes dos Camaristas eleitos eram: Daniel de Christo Rosa, Pedro Teixeira Alves, Mathias Puppia, José Pereira de Andrade, Augostinho Monteiro de Christo e Orlando Guimarães Correia. QUADRIÊNIO 21/09/1920 A 21/09/1924 As eleições de quadriênio foram marcadas para o dia 21 de junho de 1920. Existiam no município duas Seções: na sede no edifício da Prefeitura e em Campo Magro, no edifício da Escola Mista de Campo Magro. Segundo o "Quadro de Prefeitos Municipais em Exercício" presente na página 12 do Relatório da Secretaria Geral do Estado do Paraná, elaborado pelo Secretário Geral Alcidez Munhoz e apresentado ao Governador em 31 de dezembro de 1924", é citado que o cargo de Prefeito de Tamandaré era ocupado por João de Barros Teixeira desde 21 de setembro de 1920. Foto: Galeria dos Prefeitos No que tange as informações de José Pedro Trindade presentes na revista "Álbum do Paraná, ano 2, número 12 de 1921", as cadeiras da Câmara Municipal se encontravam ocupadas pelos seguintes Srs. Manoel Gomes Pereira (Presidente), Lourenço Bueno Mattoso, Pedro Von Kruger, Elysio Ferreira do Nascimento, Laurindo Pereira Machado e Serzedello de Siqueira. A partir das informações presentes na "Certidão de Óbito. Matrícula 081786 01 55 1941 4 00008 037 0000039 72", o Sr. João de Barros Teixeira era filho de Mariano de Barros Teixeira e Ana PedroSr. João de Barros Teixeira, Prefeito de sa. Foi casado com a Sra. Cornélia Bueno de Freitas. Morava no Tamandaré. Quarteirão do Pacotuba quando faleceu aos 82 anos de idade, por morte natural sem assistência médica às 0h00mim do dia 16 de julho de 1941. Foi juiz distrital, juiz de paz, produtor de cal, negociante, subdelegado e camarista. QUADRIÊNIO 21/09/1924 A 21/09/1928 O Decreto nº 541, de 15 de maio de 1924 marcou as Eleições para Prefeito, Camarista e Juiz Distrital para 21 de junho de 1924. Neste ano, segundo informações do Almanach dos Municípios, 1927, p. 108, o colégio eleitoral tamandareense contava com 780 eleitores. Foi eleito para este quadriênio ao cargo de Prefeito de Tamandaré o Tenente-Coronel Theophilo Fabiano Cabral. A Câmara Municipal ficou composta pelos seguintes Srs. Antônio Baptista de Siqueira, João Aleixo, João Evangelista dos Santos Ribas, Miguel Pupia, Joaquim de Barros Teixeira e Henrique Von Kruger. O cargo de presidente da Câmara ficou inicialmente com o Major Antônio Baptista de Siqueira. Neste mesmo ano de 1924, o Prefeito eleito Theophilo Cabral é eleito Deputado Esta198

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dual, em virtude deste fato o "Substituto Legal do Prefeito", o Major Antônio Baptista de Siqueira (por ter tido a maior votação entre os camaristas) assumiu a prefeitura, segundo a obra estatal "Estado do Paraná, 1923" (sem paginação, capítulo Tamandaré e informações referente a 1924). Em 25 de novembro de 1927, assinava como Prefeito municipal em exercício o Camarista João Evangelista dos Santos Ribas (por ter tido a segunda maior votação), como é possível perceber na assinatura do texto legal do "Regulamento de Chauffeur", presente na "Carteira de Chauffeur de 1927" (carteira de motorista) que na época era de competência legal do município. Em virtude das particularidades que envolveram o quadriênio no que tange às substituições dos Prefeitos, a Câmara, praticamente no seu último ano de trabalho, estava bem diferente da mencionada que foi eleita, ou seja, em referência às informações prestadas por José Pedro Trindade em sua obra "Álbum do Paraná, 1927", p. 25, a Câmara ficou formada pelos Srs. Miguel Pupia (Presidente), Itaciano de Siqueira, Joaquim de Barros Teixeira, Roberto Vaz, Henrique Von Kruger e Antônio Felix de Barros. Com a desistência do cargo de Prefeito eleito feita pelo Coronel Theophilo Fabiano Cabral e o posterior falecimento em 24 de dezembro de 1927 do "Substituto do Prefeito", o Sr. Antônio Baptista de Siqueira, o Major João Evangelista dos Santos Ribas continuou exercendo o cargo de Prefeito, porém faleceu em 02 de agosto de 1928. Em seu lugar assumiu a função de Prefeito, o Camarista e Presidente da Câmara naquele momento histórico, o Sr. Miguel Pupia como "substituto legal" em exercício do Prefeito, o qual ficou até 21 de setembro de 1928. O Sr. Miguel Pupia nascido em 1884, segundo o alistamento militar publicado no jornal "A República, de 23 de fevereiro de 1918", é referenciado na obra de Pedro Martim Kokuszka, "Nos Rastros dos Imigrantes Poloneses, p. 100-102", como sendo filho dos imigrantes poloneses Mathias Popija (Pupia) com Ana Budzien. Casou-se com Paulina Dugonski com quem teve nove filhos: Estanislau, Bernardo, Silvestre, José, Antônio, Casemiro, Maria, Carolina e Teresa. Morou no Pacotuba e Marmeleiro. Foi Juiz de Paz, comerciante e fabricante de cal. Em referência à "expressão substituto legal do Prefeito", era o nome dado à pessoa que substituiria o Prefeito, caso este se desligasse de sua função. Era uma espécie de VicePrefeito, porém com características diferentes desta condição, uma vez que era o camarista mais votado que recebia este status, sem este perder a sua função legislativa. QUADRIÊNIO 21/09/1928 A 21/09/1932 Em uma quinta feira datada de 21 de junho de 1928 foi eleito para o cargo de Prefeito o Major João Baptista de Siqueira. A Câmara Municipal ficou formada da seguinte forma: Presidente Joaquim de Barros Teixeira; Vice-Presidente Alcides Ferreira de Andrade; João Antônio Zem, João de Barros Teixeira e Serzedello de Siqueira (substituto legal do Prefeito). Em 21 de novembro, ativamente como Prefeito, o Sr. João Baptista de Siqueira aprova o orçamento de receitas e despesas da Vila de Tamandaré para 1929 publicada no jornal "A República, de 08 de maio de 1929". Em diversos periódicos existem referências que o 199

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exercício do cargo do Major João Baptista de Siqueira se estendeu até abril de 1930. Porém, o Coronel João de Barros Teixeira, em 1930, assumiu efemeramente a função de Prefeito, no entanto, não terminou o quadriênio, pois foi cassado seu mandato pelo art. 1º do Decreto nº 13, de 07/10/1930, publicado no DOE, em 14 de outubro de 1930. O motivo desta cassação se deu por questões políticas vinculadas à Revolução de 1930. Os políticos locais, em sua grande maioria, não apoiaram Getúlio Vargas nas eleições presidenciais de 1º de março de 1930, o qual ficou evidente no resultado das urnas e artigos publicados na Gazeta do Povo, de 04 de março de 1930, capa. Segundo esta publicação, o resultado em Tamandaré foi: Julio Prestes 2.352 votos contra 50 (cinquenta) votos captados por Getúlio Vargas. Este resultado expressivo no "terceiro" maior colégio eleitoral do Estado, provocou desconfiança e por efeito questionamentos junto aos órgãos do governo que os publicou. Mas Tamandaré não foi a única cidade onde isto ocorreu. De acordo com as publicações da capa da referida Gazeta Povo, os situacionistas do Estado utilizaram de todos os recursos para tentar eleger o Sr. Julio Prestes ao cargo de Presidente do Brasil. O CARGO DE PREFEITO INTERVENTOR Com a Revolução de 1930 e o início da Era Vargas, ocorre o advento do "Prefeito Interventor", ao qual continuam a ser atribuídas as funções executivas do município, como tangia o Decreto nº 855, de 23 de dezembro de 1930/DO 58, de 26 de dezembro de 1930, "o cargo de Prefeito municipal é de livre nomeação de missão do Interventor Federal", o qual deveria segir as normas de administração local predispostos no Decreto federal nº 20.348, de 29 de agosto de 1931/DO 251, de 06 de novembro de 1931. O Prefeito, a partir da Constituição de 1934, passa a ser escolhido pelo povo, mas na prática o cargo continuou a ser preenchido por apontamento dos governos federal ou estadual. Pois, a política administrativa tamandareense na década de 1930 sofria os efeitos diretos da realidade nacional agitada por revoluções. O município de Tamandaré neste período teve dois Prefeitos. O primeiro foi o Sr. Serzedello Siqueira, nomeado pelo Interventor do Estado do Paraná Mario Tourinho através do art. 2º do Decreto nº 13, em 07 de outubro de 1930 publicado no Diário Oficial do Paraná, nº 1, Ano I, de uma terça-feira datada de 14 de outubro de 1930. Após, pedido de renuncia feito pelo próprio Prefeito Serzedello e publicado no jornal "Correio do Paraná de 13 de abril de 1932, p.03" com o seguinte teor: "Ao sr. Manoel Ribas, Interventor Federal, foi endereçado o seguinte oficio pelo sr. Serzedelo Siqueira que até agora exerceu a contento o cargo de prefeito do vizinho Município de Tamandaré: Tenho a honra de comunicar-lhe que renuncio nesta data as funções de Prefeito do Município de Tamandaré, para cujo cargo fui nomeado pelo Exmº. Snr. General Mario Tourinho, digno antecessor de Vª. Exª. Tenho reiteradamente pedido a V.Exa. a minha exoneração, e embora honrado com a sua confiança, insistindo pela minha continuidade naquele cargo, declino dessa honra pelos motivos que pessoalmente já lhe expus. Deixo, portanto de exercer de hoje em diante as funções de Prefeito daquele Município, conservando fechado o edifício da Prefeitura, cujas chaves entregarei ao sucessor que V. Exa. Me designar. Saúde e Fraternidade". 200

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Foi exonerado do cargo em 13 de abril de 1932 por força do Decreto nº 851. Em seu lugar foi indicado o Funcionário Público Estadual Joaquim Age nomeado pelo Decreto nº 858, de 13 de abril de 1932, publicado no Diário Oficial do Paraná, de 16 de abril de 1932, o qual administrou o município até o advento do Decreto Estadual nº 1.702, de 14 de julho de 1932, que suprimiu Tamandaré. Segundo a obra de Francisco Negrão, "Genealogia Paranaense", Volume III, p. 12 e 13, Serzedello de Siqueira era filho de Antônio Candido de Siqueira com Luiza de Oliveira. Casou-se com a prima de primeiro grau Julieta Furquim de Siqueira (filha de Vidal José de Siqueira e Felicidade Furquim) com quem teve sete filhos: Eulina, Lory, Loriana e 4 falecidos. Tamandareense nascido no Quarteirão do Pacotuba. Faleceu Foto: Galeria dos Prefeitos com 52 anos na data de 12 de agosto de 1946. Foi comerciante e dono de serraria no Marmeleiro. O segundo Prefeito Interventor do município, Joaquim Age, nasceu em 03 de maio de 1903, em Campo Largo-PR. Era filho de Felipe Joaquim Age com Sofia Schepansky Age(7). Seus avós paternos foram Joaquim Age e Nemenon Muscaia Age; seus avós maternos foram Mariano Schepansky e Victória Schepansky. Ele teve quatro irmãos e seis irmãs, sendo o segundo de onze filhos. Ele morreu com a idade de 60 anos em 20 de agosto de 1963. Morou em Curitiba em Serzedello de Simeados de 1925, em maio de 1928 viajou para Dionísio Cerqueira, queira, o primeiro a acompanhado de sua esposa, Ema Age, e sua única filha, Enir Esmecarregar o status de ralda Age, para exercer o cargo de Coletor das Rendas Estaduais. No Prefeito Interventor no município. ano de 1948, residiu no Rio de Janeiro. Foi radiotelegrafista da Marinha do Brasil. OS INTERVENTORES PÓS-RESTAURAÇÃO Com a restauração da autonomia municipal tamandareense em consequência do advento do Decreto nº 931, de 03 de abril de 1933, a cidade vivenciou um período político administrativo denominado de Intervenção. Tinha por características a extinção das Câmaras Municipais e o Prefeito continuava a ser indicado pelo Governador Interventor do Estado, porém, nem sempre o interventor escolhido para a cidade era morador local. O mesmo tinha que apresentar uma espécie de relatório ao Interventor Estadual por força do Decreto nº 1.474, de 16 de junho de 1933 DO 720, de 19 de junho de 1933, que expressa: "Ficam as Prefeituras do Estado obrigadas a organizar de acordo com as instruções que vierem a ser ministradas, de modo sistemático a sinopse, completa e minuciosa, dos fatos da maior relevância na vida municipal, bem como, da respectiva legislação e documentos administrativos". Em decorrência do Decreto Estadual nº 2.346, de 10 de novembro de 1933, publicado no Diário Oficial de 14/11/1933, é constituído o Conselho Consultivo do município de Tamandaré que possuía função parecida à da Câmara Municipal, no sentido de fiscalizar as ações do Prefeito Interventor. Este mesmo Decreto nomeou os seguintes membros: (7)

FAMÍLIA AGE – CAMPO LARGO – PARANÁ. Joaquim Age (1903). Disponível em:<http://g7age.com/age/> Acesso em: 16 mar. 2012.

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Abilio de Barros Teixeira, Juvenal do Amaral e Silva e Domingos Scucato. Na data de 14 de outubro de 1934, foi realizada uma eleição para escolha de Deputados Estaduais, Federais e membros das Câmaras Municipais. Porém, o Prefeito continuava sendo escolhido e nomeado pelo Interventor Estadual. Neste pleito foram listadas as pioneiras eleitoras tamandareenses, como é possível observar na listagem de eleitores publicada no Diário Oficial de 11 de outubro de 1934, p. 8-11. Este período político tamandareense ainda estava conturbado, sendo que a realidade deste momento histórico pode ser observado na carta de renuncia ao cargo de Prefeito Interventor escrita pelo sr. Serzedello Siqueira e endereçada ao Governador Interventor Federal que foi publicado no jornal "Correio do Paraná 27 de janeiro de 1934, p.08", com o seguinte teor: "Exmo. Snr. Interventor Federal do Paraná. Serzedelo Siqueira, Prefeito Municipal de Tamandaré, vem depor em vossas mãos o referido cargo, e assim decide: a) Porque nem o abaixo assinado nem seus amigos podem fazer parte do Diretório atualmente organizado naquele Município pelo Diretório Central. b) Porque é impossível acordo feito por esse Diretório Central com os inimigos políticos que ainda na eleição para Deputado a Constituinte nos hostilizaram abertamente. O Partido Social de Tamandaré por mim chefiado continua coeso, firme e inabalável na sua diretriz revolucionaria e só obedecerá naquele Município o já existente e chefiado pelo abaixo assinado e que foi aprovado por esse Diretório Central. Tudo continuará como está e a nossa política não sofrerá neste Município solução de continuidade. O meu pedido de demissão do cargo de Prefeito é irrevogável. Curitiba, 26 de janeiro de 1934. Saúde e Fraternidade. (a) Serzedelo Siqueira". Foram os últimos cinco anos de autonomia da pioneira Cidade de Tamandaré. Enquanto Tamandaré esteve neste período autônomo, governaram os Prefeitos Interventores: Serzedello Siqueira, no período de 12 de abril de 1933 a 26 de janeiro de 1934; Tenente Coronel Manoel Miguel Ribeiro, de 29 de janeiro de 1934 a 31 de outubro de 1934; o industrial João Antônio Zem, de 31 de outubro de 1934 a 26 de dezembro de 1935; e o industrial Fridolin Wolf, de 23 de dezembro de 1935 a 29 de janeiro de 1936. Interventor Municipal Tenente-Coronel Manoel Miguel Ribeiro 29/01/1934 - 31/10/1934 Pelo Decreto nº 173, de 29 de janeiro de 1934 era nomeado a Foto: Museu Histórico de Tibagi. exercer as funções de Prefeito Municipal de Tamandaré o Tenente Diretor Curador: Neri Assunção Coronel Manoel Miguel Ribeiro (29 de janeiro de 1934 a 31 de outubro de 1934), o qual segundo informações da "Polícia Militar do Paraná/Setor de Inativos obtida da Pasta Funcional" teria nascido em 1894 em Santa Catarina e falecido na data de 18 de março de 1956. Entrou para o efetivo da Companhia de Bombeiro em 17 de março de 1913 como voluntário por três anos, tornando-se comandante da mesma, anos mais tarde. Participou efeInterventor Tenentivamente no combate ao fogo que destruiu o Cassino Curitiba, em te-Coronel Manoel 30 de maio de 1913. Foi exonerado do cargo de Prefeito de TamanMiguel Ribeiro. daré pelo Decreto nº 2.339, de 31 de outubro de 1934. Porém, na 202

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data de 14 de novembro de 1934, foi nomeado Prefeito de Tibagi, onde ficou até 29 de dezembro de 1934. Os feitos do Tenente-Coronel Manoel Miguel Ribeiro são carregados pela homenagem prestada na forma de denominação de uma rua com o seu nome no bairro do Bom Retiro, em Curitiba, estabelecida pela proposição do Vereador curitibano Alfredo Kramer, que logrou êxito com o advento da Lei Ordinária nº 3.153/1967, de 27 de dezembro. Interventor Municipal João Antônio Zem 31/10/1934 - 23/12/1935 Foto e fonte: Gazeta do Povo, 13 de novembro de 1934

Autoridades e populares (não identificados pela fonte) no interior da velha prefeitura no dia da posse do Interventor Municipal João Antônio Zem (no centro da imagem).

Com a saída do Interventor Coronel Manoel Miguel Ribeiro, assume o posto de Prefeito Interventor por força legal do Decreto nº 2.340, de 31 de outubro de 1934 publicado no Diário Oficial, de 07 de novembro de 1934, o Sr. João Antônio Zem. Segundo informações da "Justificativa do Projeto de Lei nº 316/1977, Câmara Municipal de Curitiba/Arquivo", foi nascido na Província de Treviso, na Itália, no dia 10 de abril de 1888. Chegou ao Brasil em 1891, acompanhando seus pais que acolheram o Brasil como sua nova pátria. Como lavradores, se estabeleceram no Distrito de Santa Felicidade, em área divisória com o atual município de Almirante Tamandaré. Com técnicas adquiridas na terra natal, a família dedicou-se ao cultivo de parreiras e a fabricação de vinho. João Antônio Zem casou em 1913, estabelecendo-se com armazém na localidade do Juruqui. Prosperou rapidamente graças ao seu dinamismo em seus negócios. De pequeno comerciante passou a industrial, pecuarista e madeireiro. Participou ativamente nos movimentos políticos e sociais do município de Tamandaré e Timoneira. No ano de 1958 foi candidato a Deputado Estadual, chegando a ser suplente, e por motivo de doença não conseguiu desenvolver sua campanha e veio a falecer em 19 de agosto de 1958, deixando os seguintes filhos: Maria, Luiz, José, Ângela, Carlos e Ilda. Por sua história de vida, João Antônio Zem foi homenageado em Curitiba através da Lei Ordinária nº 5.825, de 1º de julho de 1978, que denominava uma rua do Bairro Lame203

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nha Pequena com o seu nome. Esta lei foi proposta pelo Projeto de Lei nº 316/1977 de autoria do Vereador curitibano João Derosso. O mesmo ocorreu em Almirante TamandaFoto: Galeria dos Prefeitos ré, com a denominação de uma das ruas da sede do município (antiga Estrada do Pacotuba trecho Rodovia dos Minérios/Av. Emilio Johnson), na década de 1980. Em decorrência do Decreto nº 1.751, de 23 de dezembro de 1935, era exonerado o Prefeito Interventor João Antonio Zem e ao mesmo tempo nomeado a exercer interinamente o cargo de Prefeito interventor, o industrial Fridolin Wolf, para assumir um efêmero mandato de um pouco mais de um mês, que durou até 29 de janeiro de 1936, quando foi exonerado e substituído pelo Prefeito eleito, o comerciante Domingos Scucato, que administrou o município Prefeito Interventor provisoriamente no período de 29 de fevereiro a 19 de maio de João Antônio Zem, um italiano que ad1936. ministrou Tamandaré.

A EFÊMERA DEMOCRACIA Este período contou com dois Prefeitos eleitos: o comerciante Domingos Scucato, de 29 de fevereiro a 19 de maio de 1936 e o industrial Fridolin Wolf, de 19 de maio de 1936 a 28 de fevereiro de 1938. Com o advento da Lei Estadual nº 15, de 09 de outubro de 1935, ocorreu mudança na administração dos municípios. A primeira era a separação de fato dos poderes Legislativo e Executivo, além de criar o cargo de Vereador como dispunha o artigo 9º em suas alíneas a e b. Outra alteração foi na escolha de Prefeitos e vereadores. O Art. 10 expressava: "Os cargos de Prefeitos e vereadores serão electivos, procedendo-se a eleição simultaneamente por suffragio directo secreto e proporcional, de quatro annos em quatros annos, secenta dias antes do termino dos mandatos, não podendo o Prefeito ser reeleito para o quadriennio immediato". Quanto ao número de vereadores, o Art. 12 definia uma relação de 1 por 3.000, estando limitadas as Câmaras a um número mínimo de 6 e no máximo 16. O Art. 13 expressava que para concorrer ao cargo de Prefeito ou Vereador a pessoa deveria ser domiciliada no município por mais de 2 anos, ser brasileira nata e ter mais de 21 anos, e por fim o Art. 16 obrigava o Prefeito eleito a residir na sede do município. Porém, anterior à supracitada lei, foi marcada para uma quinta-feira datada de 12 de setembro de 1935, em todo Estado do Paraná as Eleições Municipais para escolha de Prefeitos e Vereadores. Segundo a Gazeta do Povo, de 25 de setembro de 1935, p. 8, os candidatos que pleitearam o cargo de Prefeito foram: Domingos Scucato do C.M.T (Concentração Municipal de Tamandaré); Fridolin Wolf do P.S.D (Partido Social Democrata) e Angelo Brotto Sobrinho representando a A.I.B (Ação Integralista Brasileira). Saiu vitorioso do pleito, o Sr. Domingos Scucato. Porém, só assumiu o cargo em 29 de janeiro de 1936 para, provisoriamente, administrar o município. Segundo a matéria "Caso dos Títulos" publicada no jormal Gazeta do Povo, de 03 de março de 1936, é relatado que no Distrito de Nossa Senhora da Conceição (atual Campo 204

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Magro) ocorreu a apreensão feita por cabos eleitorais de títulos de eleitores, cujas consequências diretas foram sentidas na 3ª Secção, a qual foi anulada e ocasionou a derrota de Fridolin Wolf. Devido às denúncias, foi aberto um inquérito que colocou sub judice o resultado do pleito. Segundo a matéria "Violência em Tamandaré" publicada na Gazeta do Povo, de 30 de abril de 1936, ocorreu que o Tribunal Regional Eleitoral anulou duas secções do colégio eleitoral denunciado e marcou uma Eleição Suplementar para 1º de maio de 1936. Porém, a mesma reportagem denunciava que o Delegado de Polícia de Tamandaré, a fim de impedir que os eleitores da Concentração Municipal de Tamandaré exercessem o direito do voto, procedeu a apreensão de Títulos Eleitorais e efetuou prisões sem justa causa, ou seja, afrontou a legislação eleitoral, o que gerou base para o requerimento de habeas corpus preventivo, que garantiu aos filiados da C.M.T o exercício eleitoral pleno. O resultado deste conflituoso pleito apontou para o cargo de Prefeito o industrial Fridolin Wolf, que assumiu oficialmente em 19 de maio de 1936. A Câmara Municipal, segundo a obra comemorativa "Paraná Politico Econômico. Homenagem aos eleitos para os Governos Municipais, elementos de real projeção dos Partidos Políticos do Estado", p. 83-84, ficou composta por 6 membros: José Zem, José Colodel, Cel. João Candido de Oliveira, Miguel Krzyzanowski, Lourenço Ângelo Buzato e João Stival (todos do P.S.D). Segundo a "Justificativa da Lei Ordinária nº 3.114/1967. Câmara Municipal de Curitiba/Arquivo", Fridolin Wolf foi lavrador, pecuarista, madeireiro e industrial. Foi sócio de João Antônio Zem e do Sr. Imério Lugarini. Era proprietário de vasta área de terras, nas quais viviam grande número de famílias humildes e laboriosas praticando a agricultura, quase que independentemente, pois lhes eram exigido apenas o aproveitamento efetivo do solo de maneira racional e produtiva, sem que para isto tivessem que efetuar qualquer pagamento. A justificativa parlamentar referida foi elaborada pelo Vereador curitibano João Stival para fundamentar seu Projeto de Lei nº 229, de 14 de novembro de 1967, que gerou a Lei Ordinária nº 3114, de 15 de dezembro de 1967, que denominava a rua conhecida como "Estrada do Kinzel" no Distrito de Santa Felicidade como Av. Fridolin Wolf. Este seu exemplo de trabalho e honestidade perante o povo tamandareense, trouxe uma nova fase em sua administração, cujo prestígio veio a refletir-se quanFoto: Galeria dos Prefeitos do seu filho, João Wolf, foi eleito por duas vezes Prefeito Municipal. Dois de seus genros foram eleitos a Deputado Federal e Senador e mais dois de seus filhos ocuparam cargos de vereador na Câmara Municipal de Almirante Tamandaré (Mario Wolf e Fridolin Wolf Junior). Filho do casal Fridolin Wolf e Sophie Gabriel, nasceu em 08 de dezembro de 1881 na "Colônia Alemanha Pequena" (Lamenha Pequena), nesta época Curitiba. Em 18 de fevereiro de 1911, contraiu matrimônio com Wanda Ludovika Witolasvoski, do qual teve 11 fiPrefeito eleito Fridolhos: Robin, Arthur, Helena, João, Fridolin, Mario, Lydia, Raul, Paulin Wolf. lo, Waldemar e Maria Edite. Faleceu em 24 de maio de 1943. Além da homenagem citada feita por Curitiba à memória de Fridolin, também na sede do município tamandareense existe uma rua que leva o seu nome. 205

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O ÚLTIMO INTERVENTOR Infelizmente, o município apresentou as duas previsões legais dispostas no artigo 5º da Lei Estadual nº 15, de 09 de outubro de 1935, "os municípios extinguem-se: a) quando sua população baixar de 10.000 habitantes; b) quando sua receita mínima não attingir cincuenta contos de réis". A partir de informações da obra "Paraná Político Econômico. Homenagem aos eleitos para os Governos Municipais, elementos de real projeção dos Partidos Politicos do Estado", p. 84, em 31 de janeiro de 1936, Tamandaré apresentou uma receita mensal de 8:678$500, ou seja, mais de oito contos de réis (equivalente na atualidade a R$ 600.000,00/ seiscentos mil reais). Porém, anualmente sua receita beirava perigosamente aos cinquenta contos de réis (aproximadamente R$ 2.800.000,000/dois milhões e oitocentos mil reais anuais), não alcançando a média legal em 1937 e 1938. Outro problema se dava em virtude de que a população na década de 1930 até meados de 1950, oscilou entre 8.000 a 10.000 moradores no município. Devido a sua força política, antes de ser extinto, o município de Tamandaré ainda teve a administração de um Interventor para tentar resolver sua derradeira situação a pedido da Câmara Municipal de Tamandaré. Ou seja, em respeito ao artigo 51 da Lei nº 15 que citava que: "O Estado intervirá nos municípios: a) nos casos de impontualidade nos serviços de empréstimos por elle garantido; b) em falta de pagamento, por dois annos consectivos, da divida fundada nos municípios; c) quando solicitada pela Camara Municipal". Diante deste fato, o Interventor Governador do Estado do Paraná Manoel Ribas, invocou a força legal do artigo 52 e 53 da Lei Estadual nº 15, de 09 de outubro de 1935, e após a aprovação da Assembleia Legislativa designou em 1º de março de 1938 o jovem Pedro Moacyr de Gracia Gasparello para assumir o posto de autoridade máxima do município de Tamandaré. Sua gestão durou até 20 de dezembro de 1938, e em virtude dos irremediáveis problemas financeiros e demográficos de Tamandaré foi decretada a Lei nº 7.573, de 20 de dezembro de 1938, que expressava que o município era extinto e seu território foi integrado ao município de Curitiba. Apesar desta efêmera passagem pelo município, o saudoso filho Foto: Arquivo da Coordenação de Agronomia da UFPR do Funcionário Público Pedro Gasparello e Mercedes de Gracia Gasparello, deixou uma particularidade histórica interessante e que pela legislação atual não pode ser repetida. Pois, o nobre Interventor nascido no Distrito do Portão em Curitiba na data de 04 de abril de 1914. Formou-se Engenheiro Agrônomo em 15 de novembro de 1937 pela antiga Escola Agronômica do Paraná, sendo após indicado ao cargo de interventor da cidade de Tamandaré em 1º de março 1938, permanecendo no cargo até 30 de dezembro de 1938. Ou seja, foi o administrador mais novo que a Inter ventor Pedro cidade contemplou, visto que possuía apenas 23 anos e 11 meses Moacyr de Gracia quando assumiu a intervenção. Porém, teve o destino de ser a última Gasparello. autoridade a administrar a Cidade de Tamandaré.

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AGENTES ADMINISTRATIVOS Os períodos em que o território de Tamandaré ficou subordinado à administração dos Agentes Administrativos foram as épocas em que a cidade estava suprimida e após extinta. Diante deste contexto, o cargo de Agente Administrativo era exercido por um funcionário público lotado na prefeitura da cidade que anexou o território do município suprimido ou extinto, sendo a sua função principal de administrar a localidade, subordinado sempre ao Prefeito, a legislação municipal e aos interesses do município que está lotado. Devido ao Decreto Estadual nº 1.702, de 14 de julho de 1932, que suprimiu Tamandaré, o município passou a pertencer ao município de Rio Branco do Sul, o qual foi administrado pelo Agente Administrativo Dalvino Correia (que era funcionário público municipal e diretor teatral) no período 1932 até sua restauração em abril de 1933. Porém, após 5 anos de autonomia, ocorre o golpe derradeiro assinado pelo então Interventor/Governador do Estado do Paraná Manoel Ribas que através do Decreto Lei nº 7.573, de 20 de dezembro de 1938, extinguia o município, passando a fazer parte do território de Curitiba. Inicialmente o Prefeito da cidade de Curitiba indicou através do "Ato nº 112 de 31 de dezembro de 1938" o Engenheiro Agrônomo Francisco Maravalhas Neto para o cargo de Agente Administrativo, segundo consta na publicação oficial citada pelo jornal "Correio do Paraná de 02 de janeiro de 1939, p.08". Este mesmo periódico informava que o "Ato nº 115 de 31/12/1938" indicava o sr. Hermenegildo de Lara para o cargo de auxiliar da Agência de Tamandaré. No entanto a pedido do Engenheiro Francisco o Prefeito de Curitiba através do "Ato nº 06 de 02/01/1939" publicado no "Correio do Paraná de 10 de janeiro de 1939, p.07" exonerava o mesmo do cargo. Diante deste acontecimento assumiu a Agência Administrativa de Tamandaré o sr. Hermenegildo de Lara em janeiro de 1939 onde ficou até dezembro de 1943. Devido a sua íntegra e importante trajetória de vida, Hermenegildo de Lara foi homenageado pela Câmara Municipal de Curitiba onde a justificativa legislativa do Vereador curitibano Paulo Frote para obter êxito em sua proposição no contexto do Projeto de Lei nº 09.00116.2007 que virou Lei nº 12.476, de 05/11/2007: "Denomina de Hermenegildo de Lara, um dos logradouros públicos ainda não nominado" no bairro curitibano do Xaxim, na Vila São Pedro, foi a seguinte: "O Agente Administrativo Hermenegildo de Lara, nasceu em 01/06/1909, no sítio denominado Campina, nas proximidades da vila de Tamandaré - PR. Começou a sua carreira profissional aos 17 anos trabalhando em Cartório de Registro Civil de Nascimento, Casamento e Notas. Em 1928, exerceu o cargo de escrivão de polícia na Delegacia de Polícia do 1º Distrito de Tamandaré. No ano de 1935, pelo mesmo tabelião, foi-lhe concedido o título de oficial maior com exercício naquele cartório. Em 1938 deixou o Cartório para ser nomeado a exercer o cargo de Delegado de Polícia de Tamandaré, prolongando seu mandado por mais de 04 anos. Em 1944, entrou para o quadro de funcionários efetivos da Prefeitura de Curitiba, ocupando os seguintes cargos: escriturário, fiscal de rendas, revisor, tributário, oficial administrativo e chefe de serviços. Aposentou-se em 13 de outubro de 1958, exercendo o cargo de Chefe de Divisão do Departamento da Fazenda, da mesma Prefeitura. Nos seus 87 anos de vida, faleceu em 24 de março de 1997. Hermenegildo de Lara foi um líder comunitário em Curitiba, onde fundou a Associa207

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ção dos Funcionários da Prefeitura Municipal de Curitiba e o 2º Grêmio Recreativo Juvevê, Urca, Boca Maldita. Lutou pela implantação do bebedouro da Praça da Ordem e atuou como conselheiro de diversos políticos de renome municipal, estadual e nacional". Em referência a esta bem elaborada justificativa parlamentar, existe a necessidade de fazer uma breve correção, o histórico cidadão nasceu no Córrego Fundo (região do atual bairro tamandareense de mesma denominação) como é informado no texto de sua autoria intitulado: "Pequeno resumo da minha simples e modesta vida" datado de 1959 e conservado por Marilde Virginia Scucato de Lara. O Agente Administrativo Hermenegildo de Lara, provavelmente Foto: publicada Folha de Tamandaré. Nossa Gente. foi um dos primeiros ou o primeiro filho da Vila de Tamandaré a se novembro de 1985. preocupar em registrar a história do município, deixando um legado muito importante que hoje serve para ajudar a contar uma parte da história da Cidade de Tamandaré. Porém, este legado poderia ser muito maior se as autoridades que entraram em contato com ele antes de seu falecimento tivessem realizado seu cívico desejo: "o de ser criado um museu na cidade para guardar o material coletado por ele sobre a cidade durante a sua gloriosa vida". No entanto, não ocorreu o interesse por parte dos governantes. E por este fato, muito deste valioso material se perdeu com a sua morte. Agente AdministraApesar de não ter escrito um livro específico sobre o assunto e do tivo Hermenegildo material histórico coletado durante anos ter se perdido com sua de Lara, pioneiro morte, conseguiu deixar seu conhecimento para a posteridade em historiador tamandareense. artigos publicados na Folha de Tamandaré, Tribuna dos Minérios e em artigos históricos preservados junto a sua família e amigos. Com o Decreto Lei de nº 199, de 30 de dezembro de 1943, além de redenominar a localidade com o nome de Timoneira, a fazia integrar o território do município de Colombo, o qual foi administrado pelo Agente Administrativo Silvio de Lara no período de 1943 até outubro de 1947, quando a localidade de Timoneira, voltou a ser autônoma. O Agente Administrativo Silvio de Lara nasceu na data de 16 de fevereiro de 1921, no Sítio Campina em Tamandaré, era filho do Sr. João Antunes de Lara com Annanias de Cristo Lara. Irmão do Sr. Hermenegildo de Lara. Estudou no GruFoto: Família de Silvio de Lara, 2011 po Escolar. Casou-se com Glacir Rosi Berno com quem teve a filha Vera Lúcia de Lara, casada com Carlos Roberto Porto, os quais têm três netos: João Carlos, Carlos Alexandre e Vanessa. Morou com a filha em Cornélio Procópio-PR. Foi funcionário público a serviço de Colombo, onde assumiu com 22 anos o posto de Agente Administrativo do Distrito de Timoneira por quatro anos. Além de atuar na Secretaria da Agricultura no Departamento de Produção Vegetal Agente Administrade 1947 a 1966, onde se aposentou. Faleceu em um domingo datativo Silvio de Lara. do de 20 de janeiro de 2013 em Cornélio Procópio. MUNICÍPIO DE TIMONEIRA A partir dos trabalhos de Didio Santos e Harley Clóvis Stocchero que resultou no rela208

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tório oficial de governo e obra histórica denominada de "Estudo histórico, estatístico, econômico, descritivo do município de Timoneira", é relatado que com o advento do restabelecimento da autonomia municipal foram as pioneiras autoridades no município na gestão do Prefeito eleito João Wolf (Filho de Fridolin Wolf): Sra. Ildemar Irene Wolf (presidente da APMI 1949-1951); Jaci Real Prado de Oliveira (Presidente da Secção Municipal da Legião Brasileira de Assistência, 1951); Dr. Eliseo Bittencourt de Camargo (MédicoChefe do Subposto de Higiene (1948-1950) e o Dr. Fernando Veiga Ribeiro assistente do Posto de Puericultura (1951); Delegados: Angelo Brotto Sobrinho (1951) e Generoso Candido de Oliveira em 1951. Inspetor de Ensino em 1950: Professor Odair do Amaral e Silva e após seu Harley Clóvis Stocchero; Juiz de Paz: Antônio A. da Silva Guedes; Coletores Estaduais: Antônio de Araújo Junior 1948-1949, Arnaldo Pisseti (1950-1951). Fiscal Classificado de produtos da Secretaria de Agricultura: Zair Candido de Oliveira (1951); Juiz Eleitoral Preparador: Adelmar Teixeira (1951); Agente de Estatísticas: Domingos Arnaldo Péres (1948 e 1949), Antônio Johnson (1949-1951); Secretário-Contador da Prefeitura; Didio Santos (1948 a 1951); Agente do Departamento de Correio e Telégrafos: Rosa Scucato Ziocowski (1948 a1951); Guarda Sanitário do Posto Misto de Higiene: Galdino Arruda; Agente da R.V.P.S.C. Ismael Pinto (1948 a 1951) e Oficial do Registro Civil: Lauro Baptista de Siqueira. No Distrito de Campo Magro era o Subinspetor Escolar: João Favoreto e o Oficial do Registro Civil era o Sr. Rubens Torres. Foto: Arquivo do Seminário Santo Antônio

Distrito de Timoneira em 1945.

PERÍODO DEMOCRÁTICO Restaurada a autonomia político-administrativa do território da extinta Tamandaré sob a denominação de Timoneira em 1947, o município desde então convive com um sistema político de eleição aberta para escolha dos membros do poder Legislativo e do Poder Executivo. Contrastando com as alterações de regimes políticos vividos pela União. Com exceção do primeiro administrador pós-autonomia João Batista de Siqueira que foi indicado pelo Governador através do Decreto nº 667, de 18 de outubro de 1947 e 209

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assumiu de fato segundo o "Termo de Promessa" em 22 de outubro 1947 para sanar algumas questões relativas ao processo de transição que a localidade sofria e organizar a futura eleição que definiria quem seria o primeiro Prefeito e os primeiros representantes do povo na Câmara Municipal de Timoneira. Foto: Galeria dos Prefeitos Em referência à obra histórica de Francisco Negrão "Genealogia Paranaense", Volume III, p. 20, o Sr. João Baptista de Siqueira nasceu em 06 de janeiro de 1881, filho do casal Theolindo Baptista de Siqueira com Rachel Candido de Oliveira. Era casado com Maria dos Anjos Nascimento, com quem teve os filhos: Judith, João e Valdomiro. Destacou-se na vida pública como Prefeito de Tamandaré entre 1928-1930 e primeiro Prefeito de Timoneira em 1947, Delegado de Polícia onde exerceu esta função por oito anos, Substituto Legal de Prefeito (Vice-Prefeito), Juiz Distrital, além de desempenhar Prefeito João Batista de Siqueira (Jango), por onze anos a função de Inspetor Escolar. Faleceu em 25 de maio primeiro Prefeito de de 1963. Timoneira. Neste contexto, ocorreram os seguintes pleitos eleitorais a partir de 1947 disponibilizados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná e complementados por dados específicos da Câmara de Vereadores de Almirante Tamandaré: PLEITO DE 16 DE NOVEMBRO DE 1947 (TIMONEIRA) O município Timoneira foi primeiramente administrado por um curto período de dois meses por João Batista de Siqueira, de 22 de outubro de 1947 a 06 de dezembro de 1947, o qual ficou responsável em organizar o processo de transição e garantir a boa ordem do primeiro pleito eleitoral após a restauração da autonomia que contava com colégio eleitoral de 1.662 eleitores, marcado para a data de 16 de novembro de 1947. Participou o industrial Sr. João Wolf do PSD, que foi eleito com 584 votos, contra o também industrial o Sr. Antônio Zem da UDN, que ficou em segundo com 524 votos. Nesta mesma data, se elegeram os integrantes da Câmara Municipal de Timoneira, que ficou composta da seguinte maneira: Lauro Baptista de Siqueira, (PSD) com 230 votos; João Batista de Santa, (PSD) com 79 votos; Estefano Witoslawski, (PSD) com 72 votos; Frederico Manfron, (PSD) com 38 votos; Miguel Freitas, (PSD) com 35 votos; Hemetério Torres, (UDN) 175 votos; Sebastião Zem, (UDN) 105 votos; José Ziolkowiski, (UDN) com 70 votos e Angelo Broto Sobrinho, (UDN) 49 votos. Alfredo Lugarini, Gustavo Joppert e o Sr. Odilon João Trevizam, foram suplentes que exerceram o mandato, com destaque ao Sr. Gustavo Joppert, que foi presidente da Câmara em 1951. Os outros distintos cidadãos tamandareense que exerceram a presidência da Câmara dos Vereadores de Timoneira, nesta gestão foram: Lauro Baptista de Siqueira 1948 e 1949 e o Sr. Hemetério Torres em 1950. Desta histórica votação, votaram 1.136 eleitores, dos quais 1.108 votos foram válidos ocorrendo à abstinência de 526 eleitores, ou seja, 38% do eleitorado não votou, o que totalizou 1.662 eleitores. Outro fato interessante diz respeito à votação do Sr. Lauro Baptista de Siqueira, o qual ostenta a maior votação de um candidato a vereador no município, pois, apesar de ter computado "só" 230 votos (na comparação das votações atuais), isto 210

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representava uma proporção de 25.4% de votos validos. Em um comparativo, com a eleição de 05/10/2008, o candidato a Vereador Aldnei José Siqueira, pegou 1975 votos (foi o vereador mais votado), porém este número só representou 4,29% dos votos válidos. O vereador Lauro Baptista de Siqueira era filho do Prefeito Antônio Baptista de Siqueira com Francisca Puppia. Nasceu em 25 dezembro de 1914 e casou-se com a Sra. Alice, com quem teve três filhos: Otilia Francisca, Joel Jeová e Juares Jorge. Era tabelião. Faleceu na data de 17 de junho de 1989.

Foto: Arquivo Família do Sr. Joel Jeová de Siqueira.

Lauro Baptista de Siqueira.

PLEITO DE 22 DE JULHO DE 1951 (TIMONEIRA) Em 22 de julho de 1951: 49ª Zona (composta de 13 urnas e 13 secções), 2.807 eleitores dos quais apenas 723 não compareceram. Totalizando apenas 2.064 votos válidos, pois 10 foram nulos e 10 foram brancos. Disputaram o cargo de Prefeito: o Sr. Ambrósio Bini obtendo 698 votos; Lauro Baptista de Siqueira obteve 672 votos; João Antônio Zem alcançou 500 votos e o Sr. Abel da Silva obteve 184 votos. Deputado Estadual e A Câmara Municipal ficou composta por três representantes do Prefeito Ambrósio Partido Social Trabalhista: Frederico Manfron com 149 votos, EucliBini (Ioio Bini). des Ribas Machado com 95 votos e Odilon João Trevisan com 93 votos. Os representantes do Partido Social Democrático foram: José Jarecki com 88 votos, Manoel Freitas com 78 votos e o Sr. Severino Menegusso com 60 votos. A União Democrática Nacional, contou com Alexandre Meger com 61 votos e Alfredo Lugarini com 59 votos. E o único representante do Partido Republicano foi o Sr. Pedro Erthal com 89 votos. Foram presidentes da Câmara: os Vereadores Odilon João Trevisan e Frederico Manfron. Foto: Galeria dos Prefeitos.

PLEITO DE 03 DE OUTUBRO DE 1955 (TIMONEIRA) Na eleição de 03 de outubro de 1955 ocorreu o último pleito eleitoral da cidade com o nome de Timoneira. Elegeu-se pela segunda vez o Prefeito o João Wolf do Partido Social Democrata com 1.105 votos. As 9 vagas na Câmara Municipal ficaram assim divididas: 4 vagas para o Partido Social Democrático (991 votos), 2 vagas para o Partido Trabalhista Nacional (577 votos) e 3 vagas para o Partido Democrata Cristão (615 votos); Hemetério Torres com 214 votos; João Wolf, primeiro Prefeito eleito após a Mario Wolf com 150 votos; Agostinho Túlio com 107 votos e João restauração da auto- Batista de Santa com 91 votos, representaram o Partido Social Denomia municipal. mocrático. As 3 vagas do Partido Democrata Cristão ficaram com Domingos Natal Stocchero com 177 votos; Wadislau Bugalski com 78 votos e José Jarecki Foto: Galeria dos Prefeitos

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com 63 votos. O Partido Trabalhista Nacional teve como seu representante: Atílio Bini com 153 votos e Orlando Bonifácio Colodel com 110 votos. Foram presidentes da Câmara os vereadores: 1956 e 1959 Hemetério Torres, 1957 Atílio Bini e em 1958 - Domingos Natal Stocchero. Camilo Perussi Neto do PSD, que pegou 90 votos, assumiu o cargo de vereador, uma vez que estava na suplência. No que tange as pontuais e históricas informações da "Folha de Tamandaré. Eleição em Almirante Tamandaré. Ano II, 29 de outubro de 1988, p. 2", nesta eleição ocorreu um fato interessante, a diferença entre João Wolf e seu adversário Frederico Manfrom foi de apenas 17 votos na apuração realizada em Colombo. Devido a pouca diferença, o candidato derrotado pediu a recontagem dos votos, o que resultou na sua vitória. Frente a contradição de resultados, a questão foi parar na Capital da República (Rio de Janeiro) onde a vitória foi dada a João Wolf. O Prefeito eleito era tamandareense nascido em 24 de junho de 1917, de tradicional e antiga família de pioneiros que se radicaram na região do Tanguá, era filho de Fridolin Wolf com Wanda Witolasvoski. Exerceu a atividade industrial com o ramo de serraria e agricultura nas localidades de Tanguá e Conceição da Meia Lua no período em que as regiões ainda encontravam-se no início do seu desenvolvimento. João Wolf era casado com a Sra. Ildelmar Irene Wolf (que foi a primeira presidente da APMI 1949-1951), com quem teve 2 filhos, Celso e Kárin Wanda. Destacou-se na vida pública quando exerceu os mandatos, tendo sido responsável por diversas obras que acrescentam e destacam seu curriculum. Cidadão atuante e homem de bem, de hábitos simples, realizou diversos projetos quando à frente do Executivo Municipal. Acervo Família Kotoviski.

Título eleitoral do ano de 1958. Pertencente a Pedro Jorge Kotovski, o qual disputou o pleito para vereador em 22/07/1951, representando a legenda do PSD, captando 32 votos, (2,5% dos votos validos), ficando apenas como suplente. Este título eleitoral teve valor até 15 de novembro de 1978.

PLEITO DE 04 DE OUTUBRO DE 1959 (ALMIRANTE TAMANDARÉ) O pleito eleitoral municipal de 04 de outubro de 1959 foi o primeiro do município sob a nova denominação de Almirante Tamandaré. Foram registrados 2.598 votantes que compareceram, sendo 2.542 votos validos. Para a o cargo de Prefeito o Sr. Ambrósio Bini do PDS recebeu 1.009 votos, Hemetério Torres do PSD, captou 947 votos e o Sr. Antônio Johnson do PTB recebeu 589 votos. 212

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A Câmara Municipal foi composta por Domingos Natal Stocchero com 197 votos; Atílio Bini com 151 votos e o seu Arlindo de França Machado com 132 votos, representantes do Partido Democrata Cristão. O Partido Social Democrata fez cinco cadeiras na campanha de José Nelepa com 163 votos; Mario Wolf com 161 votos; Fridolin Wolf Junior com 145 votos; Antenor Colodel com 137 votos e Camilo Perussi Neto com 132 votos. A única vaga do Partido Trabalhista Brasileiro, ficou com Antônio Dalazuana que alcançou 87 votos. Foram presidentes da Câmara: 1960 - Fridolin Wolf Junior; 1961 -Domingos Natal Stocchero; 1962 - Arlindo França Machado e em 1963 - Atílio Bini. Os suplentes que exerceram mandato: Reinaldo Buzatto com 105 votos, Galdino Arruda com 91 votos e Carlos Zem com 84 votos, ambos do PDS. Em 1963, Atílio Bini, Presidente da Câmara de Vereadores, exerFoto: Galeria dos Prefeitos ceu o efêmero mandato de Prefeito em decorrência do falecimento do seu irmão e Prefeito Ambrósio Bini. O Vereador eleito e Prefeito Atílio Bini era filho legitimo do Sr. Antônio Bini e de Dona Margarida Scarpin Bini. Nasceu na localidade do Sumidouro em 09 de agosto de 1918. Casou-se com Jacy Ramos com quem teve 15 filhos: Celso, João Antônio, Atílio Jr., Arlei, Neusa, Arlete, Sônia, Jacira, Lucia, Marlene, Lucimara, Angela, Renato, Luis Carlos e Dinora. Foi industrial do calcário. Faleceu Atílio Bini, Presidente da Câmara de em 08 de junho de 1977. Em reconhecimento a sua expressiva colaVereadores e Prefeiboração para com o município, a Lei nº 566, de 1º de dezembro de to de Almirante Ta1997, em seu inciso IV expressa o seguinte: "ESCOLA MUNICIPAL mandaré. "VEREADOR ATÍLIO BINI", localizada na Rua 02, nº 80, no Jardim das Oliveira, neste município, para Ensino de 1º Grau". Atualmente a Rua 02 foi denominada Rua Jacy Ramos Bini, esposa do Sr. Atílio e madrinha de 196 afilhados. PLEITO DE 06 DE OUTUBRO DE 1963 Na eleição de 06 de outubro de 1963, existiam no município 4.462 eleitores, apenas 3.711 votaram, nas 21 secções existentes no município. Elegeu-se Prefeito o Sr. Domingos Stocchero da coligação PDC/ UDN, com 1.334 votos, seguido de Frederico Manfron do PTB com 1.187 votos e Antônio Johnson do PTN com 1.080 votos. A Câmara apresentou a seguinte composição: Fridolin Wolf Junior com 213 votos e Lauro Baptista de Siqueira com 148 votos, ambos Prefeito Domingos do Partido Trabalhista Brasileiro. O Partido Democrata Cristão fez Stocchero (Mingo). duas cadeiras assumidas por Alido Lindner com 147 votos e João Favoreto com 140 votos. A União Democrática Nacional fez três cadeiras na votação de Sebastião Bueno com 142 votos, Arlindo Machado com 141 votos e Atílio Bini com 132 votos. E por fim, as duas vagas pertencente ao Partido Trabalhista Nacional ficaram com Hemetério Torres com 138 votos e seu Reinaldo Buzato com 137 votos. Foram presidentes da Câmara: 1963 Atílio Bini; 1964 e 1966 Alido Lindner; 1965 Foto: Galeria dos Prefeitos

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João Favoretto; 1967 Arlindo França Machado; e em 1968 Lauro Baptista de Siqueira. Os suplentes que exerceram mandato: Mario Chiquim (UDN) que pegou 100 votos e o Sr. Camilo Perussi Neto do PTN, que conquistou 134 votos. O Prefeito eleito Domingos Natal Stocchero é filho do casal Antonio Stocchero Sobrinho e Clara Ferreira, nasceu em Capivara. Casou-se com a Sra. Ivone Favoreto, possui 10 filhos. PLEITO DE 15 DE NOVEMBRO DE 1968 Fonte: Tribuna dos Minérios, 1971

Prefeito Antônio Johnson (Nico), recebendo solenemente duas motoniveladoras do Sr. Minore Takada representante da Transparaná S/A, a qual foi abençoada pelo Frei Davi Nogueira Barboza.

No dia da Proclamação da República foi realizado o pleito de 1968 (15/11/1968). O eleitorado era de 6.117, onde 5.483 apareceram para votar nas 24 secções do município, elegendo o advogado Antônio Johnson do MDB e seu Vice, Frederico Manfron com 2.615 votos, seguido por Alido Lindner e seu Vice, Fridolin Wolf Junior da ARENA com 2.587 votos. Na composição da Câmara, a Aliança Renovadora Nacional levou a melhor com seis das nove cadeiras disponível. Os ocupantes: Arzemir Francisco Gulin com 353 votos; João Chevônica Antoniacomi com 337 votos; Alceu Milek com 309 votos; Joaquim Bueno de Lara com 297 votos; Reinaldo Buzato com 249 votos e seu Vicente Kochany com 245 votos. O Movimento Democrático Brasileiro foi representado pelos cidadãos: Sebastião Bueno com 308, Francelido Ribas Machado Netto e Rogério Alfredo Tiemann. Presidentes da Câmara: 1969 Reinaldo Buzatto; 1970 Rogério Alfredo Tiemann e em 1971 e 1972 Alceu Milek. O Prefeito Antônio Johnson nasceu na localidade de Campo Grande no extinto município Tamandaré em 29 de setembro de 1926 e faleceu às 11h00 horas do dia 06 de setembro de 1973. Era filho de Emilio Johnson com Luíza Chevônica. Em 1946, ingressou nas fileiras do Exército, dando baixa em 1950 como 3º Sargento. Voltou a estudar, quando inicialmente fazia 6 km a pé para tomar o ônibus que o levava a Curitiba, onde concluiu o Ginásio, Científico e a Advocacia. Foi Agente de Estatística na primeira gestão pós-restauração da autonomia municipal. 214

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Seu "Nico" Johnson era casado com a professora normalista Maria Luiza Gaudencio que geraram três filhos: Mariza, Maria Inês e Victor Hugo. No que tange a Primeira Dama do município, ela nasceu em 21 de dezembro de 1925, natural de Santa Catarina, formouse normalista (foi aluna da professora e poetiza Helena Kolody) além de promover a filantropia. PLEITO DE 15 DE NOVEMBRO DE 1972 Foto: Escola Municipal Eurípedes de Siqueira Nas primeiras eleições da década de 1970 realizadas em 15 de novembro de 1972 de um partido só, o eleitorado era de 8.443 votantes, compareceram 7.315 para votar e eleger Prefeito o tabelião Eurípides de Siqueira e seu Vice, Domingos Natal Stocchero, da ARENA I com 3.825 votos contra os 3.022 do Sr. Federico Manfron e seu Vice, Alceu Milek da ARENA II. A Câmara formada pela Aliança Renovadora Nacional ficou assim composta: Arzemir Francisco Gulin com 540 votos; Gumercindo Boza Posse do chefe do executivo e membros do legislativo (vereadocom 526; Camilo Perussi Neto com res) e alguns secretários. Na primeira fila da esquerda para a direita: Álido Lidner, Augostinho Rodrigues, Deputado Esta514 votos; João Chevônica Antoni- dual Fabiano Braga Côrtes, Prefeito Eurípides Siqueira, Viceacomi com 497 votos; Rogério Al- Prefeito Domingos Stocchero e o vereador Arzemir Gulin. Na fredo Tiemann com 490 votos; Joa- segunda fila: Dr. Diniz Mehl Andrusko, Victor de Lara, Joaquim Bueno de Lara com 478 vo- quim Bueno de Lara, Rogério Tiemann, Francelino Ribas Machado, João Chevônia Antoniacomi. Na terceira fila: Gumertos; Pedro Piekas com 422 votos; cindo Boza, Reinaldo Busatto, Pedro Piekas. Foto tirada em Francelino Ribas Machado Netto frente ao Ginásio Alvarenga Peixoto. com 396 votos e Osvaldo Avelino Trevisan com 381 votos. Os presidentes da Câmara foram em 1973 e 1974 Arzemir Francisco Gulin e em 1975 e 1976 João Chevônica Antoniacomi. Os suplentes que exerceram mandato: Reinaldo Buzatto com 372 votos; Joaquim Bueno Timóteo com 353 e Gerônimo Jarek com 312 votos. Nascido em 16 de agosto de 1939, o Prefeito eleito Eurípedes de Siqueira era filho do casal João Baptista de Siqueira Sobrinho e Maria Tereza Dugoinski. Foi casado com a Sra. Rosa Milek, filha de Francisco Milek com Mariana de França Costa. Possuía seis filhos: Jane (enteada), Iara, Leonel, Hélio, Gisele e Eurípedes Eloi. Profissionalmente se destacou como Tabelião e Juiz de Paz. Faleceu na data de 20 de dezembro de 1999.

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PLEITO DE 15 DE NOVEMBRO DE 1976 Foto: Uol Política, 2012 Nas eleições de 15 de novembro de 1976, volta a ter dois partidos disputando o pleito para um mandato de 6 anos, porém com subdivisões dentro deles. A 49ª Zona eleitoral contava com 12.399 eleitores dos quais compareceram 10.966 para votar nas 42 urnas espalhadas no município. A dupla do MDB I formada pelo Prefeito Roberto Luiz Perussi e o Vice Sebastião Natal Colodel alcançou 3.779 votos, a dupla do MDB II Alfeu Antônio Cezarini e seu Vice Miguel de Freitas captaram 701 votos e o MDB III formada por João Wolf e Osmar Joppert receSebastião Natal Coberam 590 votos. A dupla da ARENA I formada pelo Sr. Pedro Jorge lodel. e Arzemir Francisco Gulin receberam 3.806 votos e a dupla Reinaldo Buzato e Valério Milek, receberam 1.133 votos. Mas daí vem o questionamento, o candidato Pedro Jorge pegou mais voto que seu Roberto Perussi, então, por que seu Pedro Jorge não se tornou Prefeito? É porque nesta eleição se procedia da seguinte maneira: Somavam-se os votos das duplas. Neste caso, as três duplas do MDB captaram 5.070 votos contra 4.939 das duplas da ARENA. Diante disto, pelo fato da chapa formada pelo candidato a Prefeito Roberto Luiz Perussi e seu vice Sebastião Natal Colodel terem sido a dupla do MDB mais votada, foram eles então eleitos. A Câmara ficou distribuída assim: cinco vagas conquistadas para a ARENA pelos candidatos: Ariel Adalberto Buzato com 498 votos; Joaquim Bueno de Lara com 493 votos; Raimundo Prestes de Siqueira com 447 votos; Jorge Jarek com 366 votos e Rogério Alfredo Tiemann com 361 votos. O MDB, ficou representado pelo Wilson Moro Conque com 652 votos; Reinaldo Purkote com 523 votos; Euclides Fávero com 370 votos e José Air Colodel com 361 votos. Este pleito eleitoral também contou com a primeira mulher a concorrer ao cargo de vereador e se tornar suplente: Professora Terezinha Pinto de Camargo do MDB que recebeu 244 votos. Foram presidentes da Câmara em 1977 e 1978 Wilson Moro Conque; 1979 e 1980 Joaquim Bueno de Lara e em 1981 e 1982 Reimundo Prestes de Siqueira. O Prefeito eleito Roberto Luiz Perussi, nasceu em 06 de agosto de 1947 no Pacotuba. Filho de Camilo Perussi Neto e de Ana Kochany Perussi. Tem 05 irmãos: Zico, Floripa, Matilde, Adeliria e Nilda. Foi motorista de caminhão. Trabalhou na Prefeitura Municipal como motorista de ambulância e caminhão. Carrega a honra de ter sido o Prefeito do Primeiro Centenário Municipal. É casado com Sueli Regina Perussi e pai de quatro filhos: José Roberto, Mauro, Telma e Reginaldo. Merece destaque nesta gestão o Vice-Prefeito Sebastião Natal Colodel o qual segundo a manchetes "S. Colodel é o novo Prefeito" publicado na Tribuna dos Minérios, de 28 de maio de 1981, nº 211. Ele assumiu o cargo com "status de exercício" em maio de 1981 onde ficou até o fim do mandato (31/12/1983). Em referência ao Sr. Sebastião Natal Colodel, ele nasceu em 23 de dezembro de 1947, casado com a saudosa Iara do Rocio B. Paixão. Foi servidor público municipal.

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PLEITO DE 15 DE NOVEMBRO DE 1982 Fevereiro, 1986 No dia 15 de novembro de 1982 ocorreu outro pleito com somatória. Porém, aparecem novos partidos disputando vagas para o executivo e legislativo para um mandato de 6 anos. O número do eleitorado dobrou em relação a 1976, sendo um total de 24.048, onde 19.197 votaram nas 83 secções da 49ª zona eleitoral. Com chapa única formada pelo candidato a Prefeito, o industrial do calcário Ariel Adalberto Buzato e o seu Vice, o industrial Pedro Jorge, o PDS alcançou 7.236 votos contra 7.123 votos das três duplas do PMDB: Moisés Torquato e Antônio Waintuk receberam 3.692 Prefeito Ariel Adalvotos; Jovino Estevão da Cruz e Osmar Joppert com 2.385 votos e berto Buzzato. Harley Clovis Stocchero e Osmar de Siqueira com 1.049 votos. O PDT alcançou 225 votos com a dupla Ludovico Kowalski e vice Agenor Tissot. Por fim as duas duplas do PT formadas pelo Sr. João Batista Menezes e Valdomiro de Assis que conquistou 47 votos e Adão Figura e Waldemar Crisante Sinhori captou 39 votos, somando 86 votos. A Câmara ficou formada por João Sabino com 598 votos; Zair José de Oliveira com 572 votos; João Batista de Siqueira Neto com 557 votos e Fridolin Wolf Junior com 507 votos ambos do PMDB. O PDS ficou representado por: Antonio Carlos Buzato com 637 votos; Reimundo Prestes de Siqueira com 579 votos; Wilson Moro Conque com 571 votos; João Chevônica Antoniacomi com 543 votos e Gerônimo Jarek com 496 votos. Foram presidentes da Câmara em 1983 e 1984 Wilson Moro Conque; 1985 e 1986 Antonio Carlos Buzato e em 1987 e 1988 Gerônimo Jarek. O suplente que exerceu mandato foi o Sr. Odair Ribas Machado do PMDB, com 504 votos. O Prefeito Ariel Buzzato casado com a Sra. Jurandy Stocchero, nasceu em 26 de março de 1941. Filho do casal Etore Buzzato e Irene Gabardo. Além da política se destacou como respeitado empresário do ramo da exploração da cal.

PLEITO DE 15 DE NOVEMBRO DE 1988 Na última eleição realizada na histórica data de 15 de novembro de 1988, Almirante Tamandaré passou a ser a Zona Eleitoral 156; esta iniciou com 26.052 eleitores, onde 24.046 apareceram para votar. Com pleito simples para Prefeito para um mandato de 4 anos, a chapa do PDT formada por dois ex-Prefeitos Roberto Luiz Perussi e o Vice Eurípedes de Siqueira pegaram mais votos que as outras quatro chapas concorrentes juntas, ou seja, 9.258 votos. A chapa do PTB, formada por Moisés Torquato e João Lalico pegaram 3.659. A chapa do PMDB formada pela dupla Wanderley A. Oliveira e Antonio Carlos Buzato receberam 3.373 votos. A dupla do PT formada por Nazário Schimiguel e Felício Neris de Lima captou 545 votos e a dupla do PSC formada por José Roberto Caxiado e Vicente Assunção somou apenas 210 votos. Formaram a última Câmara composta por nove Vereadores: Tadeu Edison Boza com 217

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897 votos; Dirceu Pavoni com 774 votos; Vicente Romano Lovato com 655; João Antonio Bini com 576 votos e João Carlos Bugalski com 571 votos ambos do PDT. O PTB foi representado por Celso Augusto Vaz com 570 votos e Lauro Barchik com 268 votos. Gerônimo Jarek com 538 votos e João Chevônica Antoniacomi pegou 304 votos, ambos do PMDB. Foram presidentes da Câmara: Em 1989 e 1990 João Carlos Bugalski e em 1991 e 1992 João Chevônica Antoniacomi. Os suplentes que exerceram mandato foram Benito Antonio Buzato do PTB com 233 votos e seu Zair José de Oliveira do PDT com 550 votos. Foto: Epaminondas Matos, publicado na Folha de Tamandaré de 31 de maio de 1989

Na cabeceira da mesa o Prefeito Roberto Perussi, ao seu lado direito os vereadores João Carlos Bugalski, Celso Vaz, Lauro Barchik e João Chevônica Antoniacomi. Em seu lado esquerdo Dirceu Pavoni, João Antonio Bini, Tadeu Boza, Vicente Romano Lovato e Gerônimo Jarek.

Um fato marcante da legislatura da Câmara foi o Projeto de Decreto Legislativo 01/ 1992 que alterou o número de vereadores da casa de 9 para 11 membros. A justificativa parlamentar foi: "Aumento populacional da cidade". Esta nova regra passava a valer a partir do pleito de 03 de outubro de 1992. PLEITO DE 03 DE OUTUBRO DE 1992 Com nova data, o pleito agora se realizava em 03 de outubro de 1992, o município contava com um eleitorado de 34.962; nesta eleição votaram 29.065. Mas só foram válidos 23.944. Foi eleito com 8.853 votos do PDT, o industrial do calcário Arcidíneo Felix Gulin (Cide Gulin) para um mandato de 4 anos sem o direito de disputar a reeleição, seguido de Antonio Cezar Manfron de Barros do PRP com 7.338 votos, Ariel Adalberto Buzato do PST com 5.304 votos, Miguel Siqueira Donha do PSDB com 828 votos, Irio Decker do PT 218

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com 592 votos, Jaime Goes Maciel do PTR com 143 votos e Nilton Luis Pienegonda do PV com 140 votos. A Câmara, que agora possuía 11 vagas, ficou formada por: Dirceu Pavoni com 1.142 votos; João Carlos Bugalski com 585 votos e Tadeu Edison Boza com 437 votos ambos do PDT. O PST colocou Benito Antonio Buzato com 404 votos; Lauro Barchic com 347 votos e Amarildo Pase com 341 votos. O PFL foi representado por Vicente Romano Lovato com 537 votos e Geraldo Karpeski com 395 votos. O PTB teve como representante Luiz Carlos Czelusniak com 595 votos. O PL teve Arlei Bueno de Lara com 479 votos, e por fim, Alfredo de Mattos Farias do PRP com 413 votos. Foi presidente da Câmara em 1993 e 1994 João Carlos Bugalski; Tadeu Edison Boza 1995-1996 e Amarildo Pase 1996. Os suplentes que exerceram mandato foram: Jadir Ribeiro de Almeida do PFL com 273 votos, Celso Augusto Vaz do PST com 339 votos, Allan Gaissler de Queiros do PL com 397 votos e a Sra. Jane Gonçalves do PDT com 421 votos. Nesta eleição ocorreu um fato novo, pois foi a primeira vez que os candidatos a Prefeito de Almirante Tamandaré participaram de um debate transmitido pela televisão. Porém, o fato marcante foi a utilização de panfletagem realizada ocultamente na véspera da eleição que mostrava um suposto passado nefasto de um dos candidatos cotados para ganhar o pleito. O candidato atacado não ganhou; esta tática passou a ser rotineira nos pleitos posteriores gerando tensão entre as coligações. O Prefeito eleito Cide Gulin (Arcidíneo Felix Gulin) nasceu em Santa Felicidade (Curitiba) em 26 de novembro de 1938, é o segundo filho de um total de sete (Arzemir, Odair, Adalzi, Marilene, Ioreme e Sueli) do casal Frederico Domingos Gulin e Pascoa Budel. É casado com a Sra. Clarice Kotoviski Gulin, com quem teve três filhos: Luciano, Rogério (in memoriam) e Alessandro. Começou a vida como agricultor e depois passou para o ramo da cal onde se tornou um empresário muito respeitado no setor. Foi Presidente da Sociedade Operária Beneficente Abranches no biênio 1987-1989. Fonte: Acervo de Carlos Rodolfo da Cruz

Santinho ou volante de propaganda eleitoral, utilizado no pleito eleitoral de 1992, o qual ainda utilizava cédulas de papel.

Em referência à reportagem histórica citada pela "Folha de Tamandaré. A primeira 219

Foto: Formandos do Ginásio Estadual Alvarenga Peixoto - Turma Professora Roza Bini de Oliveira 1975

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Jane Gonçalves

vereadora do município. Almirante Tamandaré, Ano IX, nº 220, 31 de janeiro de 1995, p. 5", Jane Gonçalves, esposa do Deputado Estadual Algací Túlio entra para a história do município e da Câmara Municipal de Almirante Tamandaré ao tomar posse como a primeira vereadora do município, oficializada pelo Presidente da Câmara, o Vereador Tadeu Edison Boza. Ela exerceu a vereança em substituição ao Vereador João Carlos Bugalski, que na data de 26 de janeiro 1995 assumia a Secretaria de Obras Públicas e Urbanismo da cidade. PLEITO DE 03 DE OUTUBRO DE 1996

Em 03 de outubro de 1996, o número de eleitores era 32.734. Porém, só votaram 28.550 sendo os votos válidos 25.078. Foi eleito Prefeito com 12.224 votos o Bacharel em Direito Antonio Cezar Manfron de Barros do PPB; Dirceu Pavoni do PDT alcançou 10.581 votos; João Carlos Bugalski do PTB obteve 1.323 votos e Luiz Romeiro Piva do PT alcançou 950 votos. Os 11 vereadores foram: Zair José de Oliveira com 506 votos e Allan Gaissler de Queiros com 743 votos representando o PDT; Vicente Romano Lovato com 699 votos e João Antonio Bini com 549 Prefeito Antonio votos ambos do PMDB. Vilson Rogério Goinski com 610 votos e Cezar Manfron Osni Philipps com 376 votos, representantes do PTB. Reimundo Preste de Siqueira com 529 votos; Osvaldo Stival com 493 votos e Romildo Sebastião Brito com 407 votos ambos do PPB. Wilson de Paula Cavalheiro com 505 votos e Celeste Gregório Marcilio com 278 votos ambos do PFL. Foto: Folha de Tamandaré, 15 Foi presidente da Câmara em 1997 a 2000 Wilson de Paula de dezembro de 2001 Cavalheiro. Os suplentes que exerceram mandato foram Alfredo Matos Farias do PDT com 438 votos; Antonio Angelo Prodóscimo do PMDB com 524 votos; Lauro Barchik do PTB com 358; Matilde Leite Czorne do PPB com 397 e Osvaldir Pedroso do PDT com 330 votos. A cabeleireira, Sra. Matilde, com o fato de assumir através da suplência o cargo de vereadora, se tornou a segunda mulher na história do município a realizar tal façanha. Outro fato histórico diz respeito à pioneira candidatura de Jane Gonçalves ao cargo de ViceVereadora Matilde Prefeito (chapa Dirceu Pavoni e Jane). Leite Czorne O Prefeito eleito Antonio Cezar Manfron de Barros nasceu no Pacotuba em 1º de junho de 1962. Filho de Santino de Barros e Ilda Manfron de Barros. Estudou na escola Rural do Marmeleiro, um ano depois mudou para a sede do município onde completou o 1º grau, vindo a terminar seus estudos na capital porque na época não havia 2º grau no município. É formado em Direito e Ciência Contábeis. Casou-se com Neli Xavier Simões (irmã do Deputado Estadual Carlos Simões e do Deputado Federal Iris Simões), com quem teve duas filhas até a presente pesquisa: Vithoria Simões Manfron de Barros e Nathalia Simões Manfron de Barros. Foto: Folha de Tamandaré, agosto de 2001

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PLEITO DE 1º DE OUTUBRO DE 2000 Foto: Folha de Tamandaré, 15 de Na última eleição do século XX, em 1º de outubro de 2000 dezembro de 2001 eram 49.526 eleitores, mas 41.727 apareceram para votar, para eleger Antonio Cezar Manfron de Barros com 20.927 votos, contra 15.862 votos de Dirceu Pavoni. Os 13 eleitos para a Câmara foram: Maria Bernadete Afornali Pavoni com 1.620 votos; Walter Ortiz de Camargo com 1.489 votos; José Amauri Lovato com 1.180 votos; Osvaldo Stival com 960 votos; Aldair de Souza com 946 votos; Antonio Angelo Prodoscimo com 922 votos; Matilde Leite Czorne com 916 votos; João Antonio Bini com 915 votos; Reimundo Prestes de Siqueira com 829 votos; Lourenço Alberto Buzato com 763 votos; Zair José de Oliveira com 709 votos; Clarice Gulin com 544 votos e Luiz RoVereadoras Matilde Leimeiro Piva com 415 votos. te Czorne e Clarice Gulin, sendo homenageaForam presidentes da Câmara em 2001 Osvaldo Stival; 2002 das em 2001. Lourenço Buzatto e em 2003 a 2004 Lourenço Buzatto. Os suplentes que exerceram mandato foram Francisco Nunes da Silva do PDT com 709 votos e João Gerônimo Filho com 579 votos. Este pleito foi histórico, porque apresentou no quadro dos eleitos as três primeiras mulheres a ocupar o cargo de vereadora no município de forma direta, sem necessitar ser pelo exercício da suplência. Foi a primeira eleição municipal do município que utilizou o sistema eleitoral de urna eletrônica e o resultado da apuração se processou três horas depois do término da votação.

PLEITO DE 03 DE OUTUBRO DE 2004 A primeira eleição municipal do século XXI de 03 de outubro de 2004, contou com um eleitorado de 46.362, mas os votantes foram 42.902 sendo os votos válidos 39.739. Foi marcada pela redução de cadeiras para o legislativo de 13 para 11 vagas. Com 20.659 votos é eleito o candidato a Prefeito do PMDB, o advogado Vilson Rogério Goinski; seguido de José Amauri Lovato do PTB com 11.032 votos; Lourenço Alberto Buzato do PSDB com 3.578 votos; Antonio Claret Giordano Todeschi do PTC com 2.324 votos e Roberto Luiz Perussi do PSC com 2.146 votos. O pleito eleitoral para o executivo foi marcado pelo fato de, pela primeira vez na história do município, uma mulher ter atingido o cargo de Vice-Prefeito. A detentora desta marca é a Sra. Maria Bernadete Afornali Pavoni. Na Câmara ficou o seguinte: Walter Ortiz de Camargo do PTB com 1.449 votos; Aldnei José Siqueira do PL com 1.243 votos; José Luiz Tavares do PFL com 990 votos; Matilde Leite Czorne com 771 votos e Osvaldo Stival do PSDB com 962 votos; Francisco Nunes da Silva do PRP com 915 votos; Antonio Angelo Prodoscimo com 866 votos e Osni Philipps com 820 votos do PMDB; Marino Raulino do PTN com 771 votos Adir Paulo de Lara do PSC com 604 votos e Vilmar Perboni do PP com 726 votos. Foi presidente da câmara o Sr. Antonio Angelo Prodoscimo. O suplente que assumiu 221

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foi o Professor de História Luiz Romero Piva do PT com 718 votos. Em referência ao Prefeito eleito Vilson Rogério Goinski, nascido em 09 de janeiro de 1970, em Almirante Tamandaré, filho do casal formado por Leonardo Goinski e Maria Helena Bugalski. Em 1977, iniciou seus estudos na extinta Escola Municipal Rural de Santa Gabriela. Depois, estudou no Instituto São José do Abranches, no Seminário Menor São Vicente de Paula em Araucária, no Colégio estadual Sebastião Saporski, e por fim, no Colégio Estadual do Paraná. Formado em Direito pela PUC/PR, Especialista em Administração (Fundação Getúlio Vargas), Especialista em Direito Administrativo (Faculdades Curitiba) e Especialista em Ciência Políticas (IBPEX). No campo profissional, foi Office-boy no Hospital das Clínicas de Curitiba, estagiou na Secretaria de Estado do Trabalho e da Ação Social, foi Assessor da Câmara Municipal de Almirante Tamandaré, Chefe de Gabinete do Prefeito Cide Gulin, Chefe de Gabinete do Deputado Estadual Edson Strapasson, Chefe da Secretaria de Estado da RMC, Professor de História e Sociologia no Colégio Estadual Tancredo Neves e CEEBJA Ayrton Senna. E casado com Patrícia Bandolin, com quem tem uma filha (Luisa) até o presente momento. PLEITO DE 05 DE OUTUBRO DE 2008 Foto: Ari Dias, 2008 Na data de 05 de outubro de 2008, o colégio eleitoral tamandareense contava com 55.047 eleitores dos quais 49.549 votaram, porém só 36.410 foram validos. Este pleito eleitoral foi marcado por um fato histórico importante. Pela primeira vez na história do município, a propaganda eleitoral foi transmitida pelo rádio. A emissora responsável foi a Rádio Barigui no prefixo AM 1560 MHZ. Foi eleito o Prefeito Vilson Rogério Goinski com 32.048 votos contra 4.362 do candidato do PSOL, Luiz Romero Piva. Vice-Prefeita Dete Pavoni e o Porém, também concorreu ao pleito, o Sr. Antonio Cezar de Prefeito Vilson Goinski. Barros Manfron, o qual obteve 10.797 votos, que foram considerados nulos. A Câmara de vereadores ficou formada da seguinte forma: Aldnei José de Siqueira, com 1.975 votos; Antonio Angelo Prodoscimo com 1.769 votos; Osvaldo Stival com 1.438 votos; Walter Ortiz de Camargo com 1.432 votos; Antonio Claret Giordano Todeschi com 1.344 votos; Nereu Osni Colodel com 1.166 votos; Leonel Wandley de Siqueira com 1.142 votos; João Marcelo Bini 976 votos; Francisco Nunes da Silva com 925 votos; Edson dos Santos Vieira com 666 votos e Aldair de Souza com 642 votos. Foi presidente da Câmara o Sr. Aldnei José Siqueira.

PLEITO DE 07 DE OUTUBRO DE 2012 Com um colégio eleitoral de 65.474 eleitores distribuídos em 177 secções foram realizadas no domingo de 07 de outubro de 2012, eleições para escolha de um Prefeito e 15 vereadores para administrar o município. Foram computados 57.151 votos: brancos 3.789; nulos 3.318 e validos 50.044. A abstenção somou 8.323 votos. 222

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Foto: Ari Dias, 2012 O resultado para o cargo de Prefeito ficou da seguinte maneira: Aldnei Siqueira e o Vice-Prefeito Antonio Claret Giordano Todeschi (Tonhão da Saúde) captaram 18.580 votos (37,13%); Gerson Colodel e o Vice-Prefeito Walter Ortiz de Camargo (Walter Purkote) alcançaram 14.328 (28,63%); Maria Bernadete Afornali Pavoni (Dete Pavoni) e Vanderlei José Giaretta alcançaram 7.328 votos (14,64%); Sidnei Trevizan e Vergilio Manfron Bisneto (radialista Iujo) alcançaram 6.125 votos (12,24%) e Luiz Romero Piva e a Vice Lucimeri Prefeito Aldnei Siqueira e o Costa Schulmaister (Professora Méri) conquistaram 3.683 vo- Vice-Prefeito Tonhão. tos (7,36%). A Câmara ficou formada pelos seguintes cidadãos: João Marcelo Bini 1.782 votos (PTB); Claudevir Macedo Martim Garcia (Tiriva) 1.244 votos (PRB); Claudeci Aparecido Rodrigues (Claudinho Zoinho) 1.195 votos; Antonio Angelo Prodoscimo 1.012 votos (PMDB); Osvaldo Stival 989 votos (PSDB); Debora Pereira de Araujo (Debora Purkote) 969 votos (PSB); Amauri Lovato 959 votos (PSC); Valtemir Honório dos Santos (Polaco) 945 votos (PTN); Aparecida Sabadin de Lara (Cida Sabadin) 909 votos (PP); José Roberto Perussi (Zé Bico) 888 votos (PSB); Pedro Paulo Guerreiro Carneiro 882 votos (PTB); Francisco Nunes da Silva 755 votos (PTN); José Carlos Stresser (Carlão Stresser) 666 votos (PT); Amilton Rosa dos Santos 582 votos (PR) e Abel Ferreira Pacheski (Abel da Associação) 525 votos (PV). Inicialmente assumiu a presidência da Câmara o Sr. Amauri Lovato. Este pleito foi marcado pelo fato da candidata Dete Pavoni ter entrado para a história do município por ter disputado pioneiramente o cargo de Prefeito. Outro fato interessante foi a "guerra de pesquisa e enquetes eleitorais" como tática de propaganda, ou seja, havia uma contradição de informações. No último dia da campanha, enquanto que os carros de som de um dos candidatos informava a pesquisa oficial registrada no TRE, os carros de som do candidato adversário tentavam abafar com o jingle de campanha no máximo volume. Este pleito também foi marcado pela propaganda nas redes sociais da internet, onde os cabos eleitorais mais radicais propagavam informações e ofensas ao candidato rival. Em referência ao Prefeito Aldnei José Siqueira, ele é natural de Almirante Tamandaré, nascido em 15 de março de 1964. Filho do casal formado por Reimundo Prestes de Siqueira (Neninho Siqueira) e Dolores de Faria. É tataraneto do Capitão Antônio Candido de Siqueira. Casado com Angela Aparecida Cunico, onde até o presente momento possui três filhos: Guilherme, Roger e Micheli (in memoriam). Empresário do ramo de autoescola. Formado em Gestão Pública.

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GALERIA ATUALIZADA DE PREFEITOS · INTENDÊNCIA (PRESIDENTES) João Alberto Munhoz ....................................................... 16/01/1890 – 31/10/1890 Antônio Ennes Bandeira ................................................. 31/10/1890 – 20/09/1892 · PREFEITURA Antônio Candido de Siqueira ......................................... 21/09/1892 – 21/09/1896 Manoel Francisco Dias ..................................................... 21/09/1896 – 21/09/1900 Manoel Francisco Dias ..................................................... 21/09/1900 – 21/09/1904 Antônio Candido de Siqueira ......................................... 21/09/1904 – 11/02/1908 João Candido de Oliveira ................................................ 11/02/1908 - 21/09/1908 Frederico Augusto de Souza e Vasconcellos .................. 21/09/1908 – 21/09/1912 João Candido de Oliveira ................................................ 21/09/1912 – 21/09/1916 João Candido de Oliveira ................................................ 21/09/1916 – 21/09/1920 João de Barros Teixeira .................................................... 21/09/1920 – 21/09/1924 Theophilo Fabiano Cabral .............................................. 21/09/1924 – (?/?/1924) Antônio Baptista de Siqueira .......................................... (?/?/1924) – (?/11/1927) João Evangelista dos Santos Ribas .................................. (?/11/1927) – 01/08/1928 Miguel Pupia ..................................................................... 02/08/1928 – 21/09/1928 João Baptista de Siqueira ................................................. 21/09/1928 – (?/04/1930) João de Barros Teixeira .................................................... (?/04/1930) – 07/10/1930 · INTERVENÇÃO Serzedelo de Siqueira ....................................................... 07/10/1930 – 13/04/1932 Joaquim Age ...................................................................... 13/04/1932 – 14/07/1932 · AGÊNCIA ADMINISTRATIVA Dalvino Correia (subordinação a Rio Branco) .............. 14/07/1932 – 02/04/1933 . INTERVENÇÃO Serzedelo de Siqueira ....................................................... 12/04/1933 – 26/01/1934 Manoel Miguel Ribeiro .................................................... 29/01/1934 – 31/10/1934 João Antônio Zem ............................................................ 31/10/1934 – 23/12/1935 Prefeitos Eleitos Fridolin Wolf .................................................................... 23/12/1935 – 29/01/1936 Domingos Scucato ............................................................ 29/01/1936 – 19/05/1936 Fridolin Wolf .................................................................... 19/05/1936 – 01/03/1938 · INTERVENÇÃO Pedro Moacyr de Gracia Gasparello ............................... 01/03/1938 – 20/12/1938 · AGÊNCIA ADMINISTRATIVA Hermenegildo de Lara (subordinação a Curitiba) ........ 02/01/1939 – 30/12/1943 Silvio de Lara (subordinação a Colombo) ..................... ?/?/1944 – 11/10/1947 · TIMONEIRA João Baptista de Siqueira ................................................. 22/10/1947 – 05/12/1947 João Wolf ........................................................................... 05/12/1947 – 05/12/1951 Ambrósio Bini ................................................................... 06/12/1951 – 05/12/1955 João Wolf ........................................................................... 06/12/1955 – 05/12/1959 · ALMIRANTE TAMANDARÉ Ambrósio Bini ................................................................... 06/12/1959 – 14/11/1963 Atílio Bini .......................................................................... 14/11/1963 – 06/01/1963 Domingos Stocchero ........................................................ 06/01/1963 – 30/01/1969 Antônio Johnson .............................................................. 31/01/1969 – 30/01/1973 Eurípedes de Siqueira ...................................................... 31/01/1973 – 31/01/1977 Roberto Perussi ................................................................. 01/02/1977 – 28/05/1981 Sebastião Natal Colodel ................................................... 28/05/1981 – 31/12/1983 Ariel Buzzato ..................................................................... 01/02/1983 – 31/12/1988 Roberto Perussi ................................................................. 01/01/1989 – 31/12/1992 Cide Gulin ........................................................................ 01/01/1993 – 31/12/1996 Cezar Manfron .................................................................. 01/01/1997 – 31/12/2000 Cezar Manfron .................................................................. 01/01/2001 – 31/12/2004 Vilson Goinski .................................................................. 01/01/2005 – 31/12/2008 Vilson Goinski .................................................................. 01/01/2009 – 31/12/2012 Aldnei Siqueira ................................................................. 01/01/2013 – 31/12/2016

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As casas dos poderes PODER EXECUTIVO A construção municipal mais importante, que inclusive é um patrimônio histórico e artístico do Estado do Paraná, desde 25 de março 1994, sob o processo nº 001/1993. Inscrição nº 119, Livro do Tombo Histórico, é a Prefeitura Velha. Foi construída na gestão do Prefeito João Candido de Oliveira em um terreno doado por ele ao município. Segundo aviso de inauguração da sede própria da Câmara Municipal e Prefeitura publicado no jornal "A República, de 18 de março de 1916", o dia da inauguração era para ser dia 25 de março em um sábado, porém como não haveria trem para conduzir os convidados para a solenidade, foi transferida para dia 26 de março (domingo) às 12 horas. Em seu ato solene, segundo a "Ata lavrada em 26 de março de 1916", contou com a presença do Presidente do Estado do Paraná, Affonso Alves de Camargo e do Senador da República Generoso Marques dos Santos, além de outras autoridades estaduais, as quais, de acordo com a reportagem do jornal "A República, de 27 de março de 1916", foram recepcionadas por alunos das escolas locais e gentis garotas que entregaram flores ao presidente e demais autoridades, em seguida acompanhado da multidão de populares seguiram da estação para o salão de festas do Coronel João Candido onde foi servido um abundante café com doces. Após, às 10h30min foram assistir a missa na Capela Matriz. Às 12 horas, foi inaugurada a prefeitura e posterior lavratura da Ata; após esta solenidade foi servido um grande banquete aos convidados no salão da recém-construída escola em frente à Prefeitura. Na despedida, a população presente acompanhou os convidados até a estação com grandes atos de saudação. Antes da construção do prédio da prefeitura, que foi colocado em prática a partir de um edital de licitação datado de 1º de agosto de 1913, e publicado no periódico "A República, de 06 de agosto de 1913", a mesma se localizava em uma casa alugada ou na casa do Prefeito de seu respectivo mandato. Inicialmente, foi em uma casa alugada, como pode ser observado nas despesas previstas no Orçamento da Intendência da Vila de Tamandaré, aprovado por "Ato de 05 de junho de 1890 e publicado no jornal "A República, de 11 de junho 225

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de 1890". Em 1892, a casa do Sr. Benedicto Abranches de Almeida era apontada pelo "Correio Oficial", de 27 de abril de 1892, nº 251, p. 3, como sede da Intendência Municipal. Porém, após sua desativação em 1986, na gestão do então Prefeito Ariel Adalberto Buzzato, o prédio da Prefeitura Velha abrigou a Biblioteca Municipal Santos Dumont, a qual foi remanejada para o bairro da Cachoeira ocupando o prédio da antiga estação ferroviária. Em seu lugar foi inaugurada no dia 27 de abril de 2006, com um acervo inicial de 1.711 livros, a Biblioteca Municipal Dr. Harley Clóvis Stocchero, assim denominada, como justa homenagem, a um cidadão filho nato da terra de Tamandaré, que carregou sua origem no contexto honroso de fazer parte da Academia Paranaense de Letras, na qual foi o 5º ocupante da Cadeira nº 6. Coincidência ou não, o poeta, escritor, advogado e funcionário público, seu Harley, faleceu no mesmo dia e mês (26/03/2005) que se inaugurou o prédio em que hoje se localiza a biblioteca que leva seu nome. Foto: ESTADO DO PARANÁ. Estado do Paraná, 1923. São Paulo: Capri & Olivero, Empreza Editora Brasil, 1923

Prefeitura Velha 1923

Na data de 15 de setembro de 1986, na gestão do então Prefeito Ariel Adalberto Buzzato, a cidade ganhou uma prefeitura nova, muito bem elaborada arquitetonicamente, que se tornou um marco do crescente progresso do município, que não era mais acompanhado pelo saturado e pequeno, porém, histórico prédio da Prefeitura Velha.

Prédio da Prefeitura de Almirante Tamandaré sendo construída. Foto: 1986.

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Durante a cerimônia de inauguração, foi prestada homenagem ao patrono da Marinha, Joaquim Marques Lisboa, o "Almirante Tamandaré". A homenagem foi oportuna, pois o município leva o seu nome. Portanto, nada mais justo que conhecer sua vida e obra, e isto foi feito através da leitura pelo escritor e advogado tamandareense Harley Clóvis Stocchero. Em continuação, houve o descerramento do busto do Almirante Tamandaré, pelo Prefeito Ariel Buzzato, pelo Capitão de Mar e Guerra Silvio Valente da Silva e pelo Ministro do Desenvolvimento Urbano, Deni Schwartz. O busto do Almirante Tamandaré foi doado pela Capitânia dos Portos. O prédio recebeu a Benção do Pároco Frei Moacir Antonio Nasato. As principais autoridades presentes: Senador Álvaro Dias, Senador Affonso Camargo Neto, Deputados Estaduais: Nestor Baptista, Kielse Crisostomo da Silva, Acir Mezzadri, Ervin Bonkoski e Erondi Silvério; Deputado Federal Mauricio Fruet; Prefeito de Curitiba Roberto Requião; ex-Governador do Estado José Richa; os Vereadores municipais: Wilson Moro Conque, Fridolin Wolf Junior, Zair José de Oliveira, Jerônimo Jarek; João Neto de Siqueira, João Chevonica Antoniacomi, João Sabino, Reimundo Preste de Siqueira e Antonio Carlos Buzato. PODER LEGISLATIVO Antes da construção do pioneiro prédio da Prefeitura, as reuniões legislativas eram realizadas na residência do Prefeito (que era a prefeitura ou em um prédio alugado). A guarda dos documentos ficava sob responsabilidade do Prefeito. Inicialmente, em 1890 a Câmara se estabeleceu em uma casa alugada a um custo anual de 72$000, segundo as despesas previstas no Orçamento da Intendência da Vila de Tamandaré aprovado por "Ato de 05 de junho de 1890 e publicado no jornal "A República, de 11 de junho de 1890". A princípio, a Câmara deveria estar estabelecida na sede municipal, porém, segundo a publicação do jornal "A República, de 07 de abril de 1905", ocorreu que na administração do Capitão Antônio Candido de Siqueira, a Câmara estava localizada a dois quilômetros fora da Sede, o que tornava nulo o alistamento eleitoral e as eleições no que tangia a nova legislação eleitoral, segundo o Ofício do Estado que alertava a mesma. Após, no contexto do "Ofício, de 04 de março de 1908", assinado pelo Prefeito João Candido de Oliveira remetido ao governo estadual publicado no jornal "A República, de 19 de março de 1908", é denunciado que as reuniões da Câmara Municipal de Tamandaré eram realizadas na localidade de Sumidouro; tal fato era contraditória à legislação vigente que determinava que a Câmara deveria estar estabelecida na sede municipal, em Conceição do Cercado. Por praticamente 111 anos, o Poder Legislativo Municipal teve que compartilhar o espaço com o Poder Executivo. Inicialmente, isto não fazia diferença, mas a partir da separação dos poderes ocorreu a necessidade de uma casa específica que abrigasse seus membros e suas atividades. Neste contexto, a Câmara Municipal de Almirante Tamandaré se estabeleceu em prédio próprio apenas em 15 de abril de 2000, na gestão do Prefeito Cezar Manfron, simbolizando a autonomia de fato do Poder Legislativo no município. 227

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Este prédio contemporâneo expressa de forma simbólica a cultura da cidade através dos Painéis de Cerâmica, que se dispõem nas paredes externas da Câmara. Um fazendo alusão à Prefeitura Velha (emancipação), junto a um forno rústico de cal, (economia), livro (história) e uma Araucária (natureza); o segundo painel faz alusão ao portal da cidade significando caminhos que trazem o progresso. Estes painéis foram criados pelo artista R. Hundsdorfe. Foto: Antonio Kotoviski Filho, abril 2011

Câmara Municipal de Almirante Tamandaré, localizada junto a Rua Lourenço Ângelo Buzato, n° 670, Sede.

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O Poder Judiciário Inicialmente, as demandas judiciais do município estavam presas à jurisdição da Comarca de Curitiba, nesta época o Juiz Municipal desfrutava de grande prestígio e tinha a função de resolver problemas de ordem Civil, porém não poderia proferir decisões, isto cabia ao Juiz de Direito que examinava e homologava com uma sentença o documento encaminhado à sede da Comarca. A princípio, a cidade de Tamandaré não possuía Juiz Municipal próprio, neste contexto vinha de Curitiba uma autoridade para resolver demandas civis, cujas audiências eram marcadas mensalmente e realizadas no edifício sede da Intendência. Nestas audiências eram convocados por edital pessoas influentes (autoridades locais) para auxiliar os serviços na função de jurados. Depois, com a instituição dos Juízes Distritais por força do Artigo 67 da Constituição Política do Estado do Paraná de 1892, as decisões sobre as demandas civis passaram a ser decididas mais rapidamente. Este mesmo dispositivo legal definia que os juízes distritais deveriam ser eleitos pelo povo a cada três anos, em número de três, cada um exercendo a função por, no máximo, um ano. O art. 68 da supracitada Constituição definia que auxiliava o juiz distrital dois de jurado, tirados na sorte entre os cidadãos da localidade. Até o ano de 1930, os juízes distritais eram eleitos pelo povo da localidade como expressava o artigo 67 das Organizações Judiciárias do Estado do Paraná, porém em número de quatro e por quatro anos. Era um cargo sem remuneração. Os primeiros juízes distritais do município foram eleitos em 21 de setembro de 1892. Em referências às informações prestadas pelos "Relatórios Governamentais da Província e Estado, dos períodos 1895-1924", foram eleitos e depois nomeados ao cargo de Juiz Distrital em 21 de setembro de 1895, os Srs. Manoel Francisco Dias, Frederico Augusto de Souza e Vasconcellos e João Antônio de Farias; em 1896, foram nomeados Juízes Distritais os Srs. Frederico Augusto de Souza e Vasconcellos, João Antônio de Farias e Antônio Leandro de Siqueira. Para o quadriênio de 1900-1904 foram eleitos os Srs. Frederico Augusto de Souza e Vasconcellos, João Antônio Farias, Honorato Dias da Rosa e Antônio Baptista de Siqueira. 229

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Para o quadriênio de 1908-1912 foram eleitos e nomeados os Srs. Salvador Teixeira de Faria, José Fernandes Correia Sobrinho, Henrique Von Krüger e Antônio Candido de Siqueira. O quadriênio 1916-1920 possuía as seguintes autoridades: no Distrito de Tamandaré: João Evangelista Artigas, Daniel de Christo Rosa, André Johnson e Antonio Vieira Bittencourt; no Distrito de Campo Magro: Benedicto Pereira de Andrade, José Aleixo Machado, José Antonio Vieira Leite e Manoel Vicente Ferreira. Em referência ao quadriênio 1920-1924 exerciam a função os Srs. Salvador Pereira de Faria, João Baptista de Siqueira e Henrique Von Kruger. Os eleitos para o quadriênio 1924-1928 foram os Srs.: João de Barros Teixeira, Manoel Gomes Pereira, João Manoel de Siqueira e João Baptista de Siqueira. No final da década de 1920 era responsável pela justiça distrital o Sr. João de Barros Teixeira. Com a extinção do município de Tamandaré surge o Distrito de Timoneira, estando subordinado à jurisdição da Comarca de Colombo criada pelo Decreto Lei nº 200, de 26 de janeiro de 1944. Em 1961, foi estabelecida a criação da Comarca de Rio Branco do Sul, a qual se oficializou concretamente 23 anos depois com advento da Lei nº 1.818/1984, publicada em 05 de julho de 1984. Sua instalação de fato foi em 11 de outubro de 1984. Diante deste contexto, Almirante Tamandaré passou ao termo jurisdicional desta comarca. Após 43 anos do restabelecimento da autonomia municipal, a Lei nº 9.309/1990 assinada pelo então Governador Álvaro Fernandes Dias, publicada no Diário Oficial do Estado do Paraná, nº 3.300, de 05 de julho de 1990, faz com que a cidade seja elevada à categoria de Comarca. Inicialmente, em homenagem aos 104 anos de aniversário de Almirante Tamandaré, foi entregue ao povo tamandareense o Fórum da Comarca de Almirante Tamandaré, em 28 de outubro de 1993, na gestão do Prefeito Municipal Cide Gulin (Arcidíneo Félix Gulin). Porém, pela falta de uma casa destinada ao Juiz, a Comarca não funcionou até resolver este problema burocrático. Apenas com o Decreto Judiciário nº 598, de 15 de setembro de 1995, assinado pelo Presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, o então Desembargador Claudio Nunes do Nascimento, ocorre de fato a instalação da Comarca no município. Oficialmente entregue às 11 horas da manhã do dia 28 de outubro de 1995 pelas autoridades: Prefeito Cide Gulin (Arcidíneo Félix Gulin), Deputados Estaduais Aníbal Khury e Algaci Túlio e o Desembargador Claudio Nunes do Nascimento, em comemoração aos 106 anos de Almirante Tamandaré. A Comarca foi criada para atender a crescente demanda judicial, que afogava a Comarca de Rio Branco do Sul, a qual o município tamandareense estava integrado jurisdicionalmente. Assumia como primeiro juiz da Comarca de Almirante Tamandaré que também abrangia com jurisdição a cidade de Campo Magro, o Dr. Osvaldo Nallim Duarte, uma vez que a Dra. Ketib Astir José teria apenas sido designada com o status de Juíza Substituta. O primeiro ato da comarca foi realizado sob o protocolo nº 001/1995, cujo feito foi possibilitado ao Dr. Wilson de Paula Cavalheiro, cidadão ilustre tamandareense, advogado de profissão e vereador da cidade na gestão 1996-2000. No que tange o Poder Judiciário, se destaca a nível Estadual um filho de Tamandaré que alcançou o cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná. Cito o Sr. 230

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Isidoro João Brzezinski, nascido em Tamandaré, em 17 de agosto de 1903, filho de imigrantes poloneses que inicialmente se instalaram na Colônia Lamenha: Pedro Brzezinski e Paulina Brzezinski. Foto: Folha de Tamandaré, 28 de novembro de 1995

Solenidade de Inauguração do Fórum. Rompendo a faix a inaugural: Prefeito Cide Gulin, Deputado Aníbal Khury e Deputado Algaci Túlio.

Em referência às informações prestadas pelo Tribunal Regional Eleitoral através da "Assessoria de Comunicação/ouvidoria", que informou o texto da "Placa Fundamental e Homenagem presente no Fórum Eleitoral Desembargador Isidoro Brzezinski em Toledo-PR", datado 12 de dezembro de 2004, temos que Isidoro João Brzezinski iniciou sua vida profissional em 1925 como auxiliar de cartório no Registro Civil da 2ª Vara Criminal, passando ser escrevente juramentado e escrivão interino. Em 1927, tornou-se Promotor interino em Paranaguá e no ano seguinte atuou em Clevelândia. Bacharelou-se pela Faculdade de Direito da Universidade do Paraná em 1929 e no mesmo ano atuou como advogado em Curitiba. Tornou-se em 1931, Juiz Municipal de Piraí do Sul, passando depois por Reserva, Mallet e Ipiranga. Aprovado em concurso público em 1938, atuou Foto: Galeria dos Presidentes do Tribunal Regional Eleitoral do como Juiz de Direito nas comarcas de Castro, Tibagi, Mallet, União Paraná, s/d da Vitória, Foz do Iguaçu, Ribeirão Claro, Wenceslau Braz, Ponta Grossa e Curitiba. Nomeado Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná em 1962. Tornou-se Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná em 1964 e Vice-Presidente do Tribunal de Justiça no biênio 1967-1968 e também exerceu o cargo de corregedor geral do Estado. Faleceu em 05 de julho de 1990. Como homenagem aos serviços prestados à Justiça do Estado, é patrono do Fórum de Campina da Lagoa e em decorrência do artigo Desembargador Isi5º da Resolução nº 458/2004 lhe foi concedido o patronato do prédoro João Brzezinski. dio do Fórum Eleitoral de Toledo-PR, inaugurado em 04 de dezembro de 2004.

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JUSTIÇA FEDERAL Segundo informações do "Almanak Laemmert, 1919-1920 - República dos Estados Unidos do Brasil Capítulo Paraná"(8) é informado que a Justiça Federal na cidade no final da década de 1920, possuía as seguintes autoridades: substituto do Juiz Seccional João Evangelista dos Santos Ribas sendo seus suplentes os Srs. Agostinho Monteiro de Christo, Salvador Monteiro de Christo e Pedro Laurindo Cordeiro. O ajudante do Procurador da Justiça, segundo a obra mencionada era exercido também pelo Sr. João Evangelista dos Santos Ribas. O Escrivão era seu filho Ephigênio Garcez Ribas. Depois, em 10 de agosto de 1922, foi nomeado ajudante do Procurador da República, o Sr. Itaciano de Siqueira. As referências existentes na página 572 do "Almanak Laemmer, 1930 - 4º Volume Estados do Sul", citam o Sr. Godofredo de Souza Machado como suplente de juiz seccional em 1929-1930. Fórum Regional de Almirante Tamandaré Desembargador Clementino Schiavion Puppi O Fórum de Almirante Tamandaré foi denominado de Desembargador Clementino Schiavion Puppi, o qual é descrito oficialmente pelo Tribunal de Justiça do Paraná da seguinte forma: "Filho de Luiz Puppi e de Victória Puppi, nasceu no dia 26 de novembro de 1919, na cidade de Campo Largo (PR). Casou-se com a Sra. Maria Küster Puppi. Bacharel pela Faculdade de Direito da Universidade do Paraná, colou grau no ano de 1945. Em 1953, ao ingressar na magistratura, foi nomeado para exercer o cargo de juiz de direito substituto na comarca de Londrina. Em 1954, foi promovido Foto: TJPR (Tribunal de Justiça do Estado do Paraná), s/d para a comarca de Santo Antônio da Platina. Até 1957 foi juiz de direito em Jandaia do Sul, Clevelândia e Prudentópolis. Em 1966, foi removido para Ponta Grossa e em 1967, foi removido para Curitiba. Em 1977, foi nomeado juiz do Tribunal de Alçada, e no dia 03 de maio de 1979, foi nomeado para o cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná. Presidiu o Tribunal Regional Eleitoral no biênio 1984/85. Desembargador CleFaleceu no dia 18 de junho de 1985. mentino Schiavion É patrono do Fórum de Almirante Tamandaré, do salão do júri Puppi. do Fórum de Clevelândia e do Fórum Eleitoral de Campo Largo". Desde a instalação de fato da Comarca de Almirante Tamandaré em 1995, ela nunca contou com uma sede própria e com uma infraestrutura adequada para atender melhor a população. O melhor exemplo dessa condição foi a constante utilização do plenário da Câmara Municipal de Almirante Tamandaré para a realizações de "júri popular". Diante desta situação, conforme os anos se passavam e as demandas judiciais aumentavam, ocorreu a necessidade da sede do fórum ser mudada por duas ocasiões. A primeira foi em 2010, quando o fórum foi remanejado da sua pioneira sede estabelecida em um prédio estadual erguido no Governo Moysés Lupion que foi inicialmente um posto de Higiene ANNUARIO Comercial, Industrial, Agricola, Profissional e administrativo dos Estados Unidos do Brasil e indicador para 1919-1920. Almanak Laemmert/1919-1920. 2. vol. Estados. 76. Anno, Empreza Almanak Laemmert, Rio de Janeiro, fundada em 1844.

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misto, junto a rua Coronel João Candido de Oliveira para um prédio maior e particular que abrigava a Escola Interação junto à rua Antonio Baptista de Siqueira, nº 347. O segundo remanejamento ocorreu em 2013, quando as atividades do fórum foram transferidas para uma sede própria junto à rua João Baptista de Siqueira esquina com a rua Antônio de Siqueira e Frederico Rose, no loteamento Vila Rachel na sede municipal. A história da sede própria da Comarca de Almirante Tamandaré começou a ser uma realidade quando o Presidente do Tribunal de Justiça, Desembargador Tadeu Marino Loyola Costa e o Prefeito municipal de Almirante Tamandaré, Vilson Goinski, assinaram, na data de 1º de junho de 2006 a escritura pública de doação do terreno de área de 8.698 m², que foi desapropriada pela Prefeitura do município no valor de R$ 434.482,00 para a construção da sede do Fórum Regional de Almirante Tamandaré. Neste terreno existia uma fábrica de cal e calcário. Durante o encontro com o Prefeito Goinski e as Juízas da Comarca, Dra. Josiane Ferreira Machado Lima e Dra. Elisiane Minasse, e a Procuradora Geral do município, Dra. Rosamaria Milleo Costa, o presidente do Tribunal de Justiça, Desembargador Tadeu Marino Loyola Costa, assinou a autorização para abertura do processo licitatório para construção de um prédio com uma área de 3.320 m² e um investimento de mais de 8 milhões de reais. Na data de 04 de outubro de 2011, ocorreu a assinatura da ordem de execução da obra, no gabinete do Presidente do Tribunal de Justiça, o Desembargador Miguel Kfouri Neto, com a presença do Prefeito Vilson Goinski, secretários municipais e do presidente da Câmara Aldnei Siqueira. Em 31 de janeiro de 2013, ocorreu a solenidade de inauguração do novo Fórum. A cerimônia contou com a presença do Desembargador Luiz Carlos Gabardo; do secretário do Tribunal Acir Bueno de Camargo; da Juíza Diretora do Fórum, Inês Marchalek Zarpelon; da Promotora de Justiça de Almirante Tamandaré, Cristiane Podgurski; do Prefeito de Almirante Tamandaré, Aldnei Siqueira; do Presidente da Câmara Municipal, Amauri Lovato; Presidente do Tribunal de Justiça, Desembargador Miguel Kfouri Neto; do Prefeito de Campo Magro, Louvanir Menegusso; da Juíza, Elisiane Minasse; autoridades diversas e populares. Foto: Folha de Tamandaré, 2013

Autoridades representando os três poderes em foto histórica. Dra. Silvia de Fatima da Silva, Prefeito Aldnei Siqueira, Juíza da Comarca Elisiane Minasse, Promotora de Justiça Cristiane Podgurski, Presidente do Tribunal de Justiça, Desembargador Miguel Kfouri Neto, a Juíza Diretora do Fórum, Inês Marchalek Zarpelon, Desembargador Luiz Zarpelon e ao fundo o Prefeito de Campo Magro Louvanir Menegusso.

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Servidores públicos INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DO MUNICÍPIO DE ALM.TAMANDARÉ (IPMAT) Quando o Governo Federal encaminhou ao Congresso Nacional a Emenda Constitucional nº 20, que tratava da Reforma da Previdência, a Prefeitura Municipal de Almirante Tamandaré foi uma das primeiras a discutir a questão com os seus servidores ativos e inativos. Em 2000, a Reforma da Previdência do Governo Federal foi aprovada, impondo aos municípios duas alternativas para garantir a aposentadoria dos seus servidores: Criar um sistema próprio de contribuição sob novos patamares ou contribuir para o Regime Geral de Previdência Social (INSS). O interesse do Governo Federal era que os servidores públicos ingressassem no INSS, para atender parte do seu acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Neste contexto, o IPMAT foi criado pela Lei nº 891/2002, de 09 de maio de 2002, uma vez que por ela é regido, bem como pelas demais legislações federais correlatas. A condução da questão previdenciária tamandareense foi marcada pela opção política da constituição do regime previdenciário próprio. Nesse sentido, a Prefeitura desencadeou um amplo processo de discussão, envolvendo a participação do funcionalismo e garantindo sua representação na gestão do Fundo de Pensão e Aposentadoria, bem como a possibilidade de continuidade da política salarial. O IPMAT é uma autarquia dotada de autonomia administrativa, patrimonial e financeira, com a finalidade de gerenciar e operacionalizar o Regime Próprio de Previdência Social do Município de Almirante Tamandaré, cujos segurados são os servidores públicos titulares de cargos efetivos dos órgãos dos Poderes Executivo, Legislativo, sua autarquia, assim como os seus beneficiários pensionistas. Esta Autarquia é a única unidade gestora que cuida especificamente dos assuntos previdenciários dos Servidores públicos municipais de Almirante Tamandaré, compreendendo os servidores da Prefeitura, Câmara Municipal e do próprio IPMAT, ou de qualquer outro órgão público municipal que venha a existir, desde que tenha servidores em cargos efetivos. O sistema previdenciário é contri235

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butivo e solidário, visto que todos contribuem para todos. O Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) é de grande valia para os servidores públicos, por estar próximo do servidor, onde este pode ter o controle e informações diretos através de seus representantes nos conselhos, como também por sua liquidez e segurança patrimonial. A administração do IPMAT é realizada através da Diretoria Executiva, Conselho de Administração, Conselho Fiscal e Comitê de Investimentos. Cuja primeira gestão (20022004) foi estabelecida pelo Decreto 034/2002, que definiu o conselho diretor da seguinte forma: Ernesto Antonio Rossi/Diretor Presidente; Nestor Cheiko/Diretor de Administração e Seguridade; Maria Rita Kochanny Lovato/Diretora de Finanças e Patrimônio; Conselho de Administração: Osvaldo Luiz Trevisan e Maria Silvana Buzato membros efetivos, Adriana Moro Conque e Gerônimo Teider Rocha membros suplentes. Conselho fiscal: Harley Clóvis Stocchero Filho/Presidente e Sandra do Rocio de Barros/ Suplente. ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES MUNICIPAIS DE ALM. TAMANDARÉ A Associação dos Servidores Municipais de Almirante Tamandaré (Assemat), localizada junto à Rua José Carlos Colodel, nº 108, Centro, segundo reportagem da "Folha de Tamandaré. Eleita Diretoria da Assemat. Almirante Tamandaré, nº 5, 12 de maio de 1985", p. 6, foi fundada em 15 de maio de 1985, sendo também nesta data aprovados seus Estatutos e ainda eleita a pioneira Diretoria para o período de um ano, e que ficou da seguinte maneira constituída: Presidente Agenério Araújo Filho; Vice-Presidente Wanderley Antunes de Oliveira; 1º Secretário Harley Clóvis Stocchero Filho; 2º Secretário Noeli Zuleika Busato Ayub; 1º Tesoureiro Berenice do Carmo Sabadim de Lara. Como membros efetivos do Conselho Fiscal foram eleitos os Srs. Deoclécio Aparecido Storte, Raulino Conte e a Sra. Floripa Perussi. Como suplente do mesmo Conselho Fiscal, o Sr. Dr. Carlos Takashi Hirafuji, Regiane de Fatima Bini e Audoreste Machado de Faria. Esta associação na Gestão de Roberto Perussi foi esquecida. Porém, na gestão do Prefeito Cide Gulim foi restabelecida pelo Diretor de Obras Antonio Kotoviski que, em consequência, assumiu a presidência da mesma. A sede da Assemat possui salão para festas e eventos, banheiros e churrasqueira coletiva, além de possuir uma cancha de grama sintética inaugurada em agosto de 2007.

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Símbolos do município As fontes históricas que permeiam uma análise e a posterior criação de um documento técnico, não necessariamente se prendem às fontes orais ou bibliográficas. Mas, referem-se muitas vezes ao contexto de imagens, símbolos e manifestações culturais existente no seio do objeto pesquisado. Neste contexto, o presente capítulo contempla os símbolos oficiais do município, os quais foram inicialmente definidos pelo artigo 6º da Lei Orgânica Municipal, de 03 de abril de 1990. Até o ano de 2010 eram três: A Bandeira, o Brasão e o Hino. Estes ainda deveriam possuir em sua expressão uma mensagem em lato sensu. Ou seja, expressar a cultura, economia, história e a autonomia municipal. Em 28 de setembro de 2010, é instituída pela Lei Ordinária Municipal nº 1.538, a Timoneira (Ilex theezans martius) como árvore símbolo da cidade. O HINO O atual hino tamandareense é uma obra recente, foi redigido em 1993, substituindo o velho símbolo motivado principalmente pela perda de sua melodia e seu desuso. Pois, tudo o que se tinha até este momento histórico era um hino que não acompanhou a evolução da cidade, e que havia sido criado entre os anos de 1964-1968, como é possível obser var na publicação da Tribuna dos Minérios, de 31 de outubro de 1975, p. 3, que noticiava que no dia 11 de outubro de 1975, às 9h30min, teve início as solenidades do 28º Aniversário de Emancipação do Município (contando como marco 11 de outubro de 1947), uma vez que o grupo de alunos do MOBRAL da Cachoeira homenageou o município e as autoridades cantando o Hino "Almirante Tamandaré", cuja letra e música foi uma realização da gestão do ex-Prefeito Domingos Natal Stocchero. Em relação ao hino antigo, cujo autor não foi identificado, ele se apresentava com a seguinte versificação encontrada em uma apostila de direcionamento para o desenvolvi237

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mento de um projeto de resgate histórico, elaborado pela Secretaria de Educação do Municipal de Almirante Tamandaré, datado de 1989: Hino de Almirante Tamandaré (Antigo) Almirante Tamandaré, És glorioso pertencente à nação. Almirante Tamandaré, Estarás para sempre no nosso coração, Almirante Tamandaré, És glorioso luzeiro de fé, Sua terra riqueza é, Tens o gado, tens o milho e o feijão, Almirante Tamandaré, És bonita, rica em proteção, Almirante Tamandaré, És glorioso luzeiro de fé. Sua gente feita de fé, Tem indústria que floresce do chão, Almirante Tamandaré, Para sempre lembrada por um mundo de irmãos. Almirante Tamandaré, És glorioso luzeiro de fé. O atual Hino municipal é um símbolo que ganha destaque por seu corpo metafórico possuir uma extrema capacidade de resumir os três elementos tipificados no 6º artigo da Lei Orgânica, em lato sensu (sentido amplo), sem perder a qualidade formal. Ele foi estabelecido junto à comemoração ao 104º aniversário do município, em 28 de outubro de 1993, pela Lei Ordinária nº 246, de 1993, assinada pelo então Prefeito Cide Gulin (Arcidíneo Félix Gulin), que foi primeiramente aprovada pela Câmara Municipal composta pelos Srs. vereadores: Dirceu Pavoni, Luiz Carlos Cezlusniak, João Carlos Bugalski, Vicente Romano Lovato, Arlei Bueno de Lara, Tadeu Edison Boza, Alfredo Mattos Farias, Benito Antonio Buzato, Geraldo Karpeski, Lauro Barchik e Amarildo Pase. A criação do hino satisfez o artigo 6º da Lei Orgânica Municipal, de 03 de abril de 1990, aprovada pela Assembleia Municipal Constituinte de Almirante Tamandaré, compostas pelos Sr. João Carlos Bugalski (presidente), João Chevônica Antoniacomi (relator), Celso Augusto Vaz, Dirceu Pavoni, Gerônimo Jarek, João Antonio Bini, Lauro Barchik, Tadeu Edison Boza e Vicente Romano Lovato, no então mandato do Sr. Prefeito Roberto Luiz Perussi. A letra deste hino foi elaborada pelo filho nato desta terra, pertencente à família pio238

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neira que desbravou a cidade. Cito o escritor, historiador, advogado e artista plástico diplomado pela Escola de Música e Belas Artes Santa Cecília, o Sr. Harley Clóvis Stocchero, que era membro da Academia Sul-Brasileira de Letras, da Academia Paranaense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná. HINO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ 1ª PARTE: No teu céu, que é tão belo e azul, Brilha sempre o Cruzeiro do Sul; quando Deus, ao compor o Universo, fez aqui o seu mais belo verso; e ao pintar, também, a natureza, pôs mais cor no pincel, com certeza... Nas tuas matas, no morro ou restinga, nasce, cresce e dá mel bracatinga, que, aliada à extração mineral, sua lenha vai produzir cal, desta terra maior produção que é exportada por toda a Nação. ESTRIBILHO: Almirante Tamandaré, o teu povo tem força e tem fé, conservando, na sua tradição, Nossa Mãe, Virgem Conceição. 2ª PARTE: Da união do minério e o trabalho por igual produzimos calcário; tendo aqui sempre boa produção nosso milho, a batata e o feijão; também forte é nossa lavoura o repolho, o tomate e a cenoura... o Tingui nos legou o amor que preserva o riacho e a flor; gralha azul nos plantou o pinheiro, que cresceu par ao céu, altaneiro; e os gorjeios de nosso sabiá tem beleza que em outros não há... Nesta terra abençoada e feliz vive um povo que ora e prediz a grandeza de Tamandaré no valor do trabalho e da fé. ESTRIBILHO: Almirante Tamandaré, o teu povo tem força e tem fé, conservando, na sua tradição, Nossa Mãe, Virgem Conceição. 239

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A melodia inspirada na obra Bodas de Fígaro, de Wolfgang Amadeus Mozart, foi composta por Paulo Rodrigo Tosin, outro filho desta terra, também de berço de família desbravadora desta localidade nascido na data de 15 de julho de 1976, sendo o primeiro filho de um total de três do casal Antonio Paulo Tosin com Valdeci de Oliveira. O ilustre compositor é músico diplomado pelo Conservatório de Música e Belas Artes do Paraná e radialista.

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Diante destas considerações, percebe-se que os criadores do hino tamandareense possuíam competência e conhecimentos necessários para elaborar o hino da cidade. Bem diferente de algumas cidades que por politicagem recorreram a um concurso cultural escolar, no qual se avalia a literalidade e palavras bonitas, que sequer atingem a verdadeira função que o hino deve possuir. Neste contexto, para o leigo ou para as pessoas que migraram para a terra tamandareense e que não possuem o conhecimento sobre a história da cidade, o hino possui uma versificação que não é entendida, e por isto muitos criticam. Porém, o hino possui um significado metafórico em contexto lato sensu, o qual irei explicar resumidamente para elucidar a lógica que ele contempla. Por exemplo: No contexto geográfico e geológico, a versificação inicial, apresenta um ponto de referência de localização da cidade no planeta, mesmo de forma ampla. Quando se refere à constelação do Cruzeiro do Sul, expressa que a cidade se localiza no hemisfério sul do mundo. Para quem não sabe, esta constelação só é visível em céu austral (países ao sul da linha do Equador). Nesta mesma versificação se apresentam traços gerais geológicos ao se referir a morros e restingas, além de características gerais da formação vegetal. São referenciadas ainda duas atividades econômicas interligadas, ou seja, a extração de madeira para a queima que alimenta os fornos da cal, que foi a principal base de sustentação dos filhos dessa terra no passado não muito distante. A versificação do "repolho, o tomate e a cenoura" são produtos agrícolas, com exceção do tomate que foram introduzidos em terras tamandareenses por imigrantes eslavos. Ou seja, no contexto deste verso se expressa a presença do imigrante. Estes produtos até podiam existir aqui antes da chegada deles, mas deixaram de ser exóticos a partir da chegada do imigrante. O estribilho tem uma particularidade metafórica genial. A qual conta a gênese de Tamandaré e a relaciona com o principal elemento forjador da cultura e valores locais que é o cristianismo. Se engana quem superficialmente considera que "Nossa Mãe, Virgem da Conceição", uma referência exclusiva à Nossa Senhora. Por que? "Nossa Mãe" se refere à terra original que nasceu a cidade, por este motivo "Virgem", ou seja, terra não desbravada, de uma concessão de sesmarias, cuja expressão "Conceição" era a utilizada para se referir à concessão, uma doação de terra, a qual era vista como uma dádiva na Colônia, devido a sua extrema qualidade e benefícios. E pelo fato desta terra ter sido perlustrada por portugueses e espanhóis que eram cristãos católicos, a referência ganhou conotação religiosa. E ficou como Conceição. Que a propósito foi a terceira denominação do município dada pela Lei nº 957, de 28 de outubro de 1889, quando a localidade foi elevada à categoria de Vila. Ou seja, "Conceição do Cercado". Que anteriormente se chamava Nossa Senhora da Conceição, dada pela Lei da Província do Paraná de nº 924, de 06 de setembro de 1888. Porém, este verso não carrega só isto em seu contexto, pois demonstra a presença cristã no município desde tempos que transcendem sua fundação. Para quem não sabe, os missionários da Companhia de Jesus (jesuítas), passaram por estas terras e deixaram suas marcas na região da Varova e de Tranqueira. Da mesma forma, foi graças à organização de comunidades católicas o principal elemento que facilitou a implantação da organização civil estatal e por efeito política que possibilitou mais tarde a autonomia da região. Em resumo, a versificação do hino esconde um conteúdo histórico, politico, econômico, cultural e social que o leigo não percebe. 241

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Foto: Folha de Tamandaré, 1993

Dr. Harley (no centro), em solenidade de entrega, do atual Hino de Almirante Tamandaré, em substituição ao antigo Hino de Tamandaré, ao então Prefeito Cide Gulin à esquerda.

O BRASÃO O Brasão de Armas oficial de Almirante Tamandaré teve sua gênese estabelecida oficialmente pela Lei Municipal nº 22, de 20 de agosto de 1948, que o explica da seguinte forma: "O símbolo compõem-se em um quadrilátero azul, contendo, no plano médio superior o escudo do Paraná, por coniver as cinco expressões de nossa natureza: o lavrador, símbolo de nossa atividade agrícola; o falcão "Nhapecani Thrasactus harpya L" a maior águia da América do Sul, e que era "bússola" que guiava os bandeirantes nos rumos do sertão; as montanhas agrupadas em três picos, significa os três terraços do planalto paranaense, o oriental de Curitiba, o central dos Campos Gerais e o ocidental de Guarapuava, e ao mesmo tempo simbolizando as três raças de nossa Fonte: Acervo da Biblioteca Harley Clóvis Stocchero formação étnica; o sol, símbolo americano, no qual os povos do novo mundo denominavam a fonte da vida e os ramos de mata e pinho, símbolo das riquezas naturais do Paraná. No plano médio inferior, um forno de cal contínuo, expressão da principal riqueza do município. No ângulo esquerdo inferior a inscrição "Município de Timoneira". Porém, antes do atual Brasão existiu um que inici- Na primeira figura o Brasão representanalmente se originou do Brasão de Curitiba, o qual do a recém-restaurada denominação da como Almirante Tamandaré. Muiestava o território vinculado. Era o primeiro brasão cidade to pouco alterado em relação ao primeiro do município, sendo alterado apenas com o advento brasão que não dispunha o forno de cal da restauração da denominação Almirante Tamanda- no centro e o dizer na faixa "Almirante ré em 1956. Esta alteração foi uma sobreposição de Tamandaré". O segundo Brasão serviu iniao município de Timoneira, senum escudo com um forno de cal no centro do escudo cialmente do após vinculado à realidade do municíantigo, e uma alteração na faixa de denominação abai- pio por contemplá-lo de forma mais comxo do escudo. Antes era Vila Tamandaré passando pleta. 242

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então a ser Almirante Tamandaré. Porém, este brasão não vingou por muito tempo, sendo utilizado o brasão do município de Timoneira. Em abril de 2013, por iniciativa do Poder Executivo Fonte: Prefeitura Municipal de Almirante Tamandaré municipal foi encaminhado à Câmara Municipal um projeto de alteração do Brasão da cidade sob a seguinte justificativa publicada na Folha de Tamandaré de 15 de abril de 2013, p. 2: "Como o antigo emblema é anterior ao descobrimento do aquífero Karst, os lençóis freáticos que o município abriga, não eram contemplados pelo símbolo anterior". A partir deste contexto, é aprovada a Lei Municipal nº 1681, e sancionada pelo Prefeito Aldnei Siqueira em 10 de abril de 2013. Por força legal da supracitada lei ficou determinada a seguinte interpretação dos elementos que formam o Brasão estabelecido pela Lei MuniciBrasão: "Artigo 1º Fica instituído o Brasão do municí- pal nº 1.681, de 10 de abril de 2013. pio, com a seguinte simbologia e disposição representativa: como menção à produção calcárea do município, temos a figura de um forno de cal (em marrom); do lado direito um curso hídrico subterrâneo, referindo-se aos lençóis freáticos existentes na região; em segundo plano aparecem duas lavouras aludindo à fertilidade do solo de Almirante Tamandaré; e por último, na porção central superior do brasão, pode-se ver o brasão do Estado, ou seja, que há lealdade daquele para com ele". Só para constar, a alteração do brasão causou manifestações de contestação nas redes sociais expressada por um grupo de pessoa, mas que não surtiu efeito entre a população. A BANDEIRA A bandeira do município de Timoneira foi um legado que sofreu uma pequena alteração. Ao invés de possuir as inscrições "Município de Almirante Tamandaré", possuía disposta a expressão "Município de Timoneira". Esta bandeira carrega a seguinte expressão: Na cor verde, a representação das riquezas naturais do município; o azul faz refe- Bandeira oficial da cidade, elaborada por João Roque Tozin. rência ao céu; ao centro da bandeira figura o brasão do município. Sobre o Brasão se destaca em branco a palavra "município" em fonte grande que abrange tanto a parte verde como a azul, representando seu status administrativo. Sob o Brasão, figura abrangendo a parte verde e azul em fonte grande na cor branca a expressão "Almirante Tamandaré", fazendo alusão ao nome do município. Esta bandeira foi elaborada pelo professor João Roque Tozin. Se coincidência ou não, seu Joãozinho (apelido como era carinhosamente chamado o professor e visionário João Roque Tozin) era avô do maestro Paulo Rodrigo Tozin, compositor da melodia do atual hino tamandareense. 243

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A ÁRVORE SÍMBOLO E, por fim, em 28 de setembro de 2010, por iniciativa do Gabinete do vereador Leonel Siqueira, é instituído pela Lei Ordinária Municipal nº 1538 à Timoneira (Ilex theezans martius) como árvore símbolo da cidade.

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Toponímia "Sumé era o pai dos gêmeos Tamandaré e Aricute. Tamandaré era calmo e vivia para cuidar da família. Aricute era um guerreiro valente que gostava de guerrear. Certo dia, Aricute ao regressar de uma batalha, insultou seu irmão Tamandaré, atirando contra sua cabana o braço de um inimigo que havia decepado. Irritado, Tamandaré bateu com o pé no chão, fazendo nascer uma fonte de água que inundou a Terra. Quando as águas começaram a subir, os índios procuraram o cume dos montes, tentando salvar-se. Tamandaré, que fora advertido pelo deus Tupã da iminência do dilúvio, pediu aos fugitivos que permanecessem na planície. Mas ninguém lhe ouviu. Somente Tamandaré ficou e subiu com sua esposa numa palmeira bem alta. A terra sumiu e até as montanhas foram cobertas pelas águas. Só se avistava água e o colmo da palmeira que sustentava Tamandaré e sua esposa, flutuando à tona. Quando cessou a inundação, eles desceram e povoaram novamente toda a terra. O povo tupinambá possui a crença que descendem de Tamandaré (Tamendonaré). Ou seja, Tamandaré, é o Noé dos indígenas, e significa aquele que repovoou a terra". A presente introdução é uma lenda do povo Tupinambá, habitantes do litoral pernambucano, local de origem da palavra Tamandaré que denomina a cidade e gênese do título nobiliárquico oficializado em 14 de março 1860, em um contexto prestado em forma de homenagem por iniciativa de D. Pedro II ao oficial maior da Marinha do Brasil, Joaquim Marques Lisboa (Almirante Tamandaré), que relembra o lugar onde, com bravura, havia tombado seu irmão, o Major Manoel Marques de Lisboa, quando este chefiava a defesa do porto de Tamandaré, na costa pernambucana. A palavra "Tamandaré" é uma expressão que possui uma variação em tupi nascida da expressão "tamanda-ré" e também de outra versão "t'-amana-ri", que significa dentro de uma contemplação ampla: "Que veio depois da chuva", ou em tupinambá "Tamendonaré", que possui o mesmo significado e uma variante (que veio depois da chuva ou povoador da terra). Estes significados possuem origem no personagem Tamendonaré (Tamandaré), que faz parte de uma lenda Tupinambá. Não existe relação alguma entre o nome da cidade e sua origem no dialeto tingui. 245

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UM MESMO LUGAR, MAS DIVERSIFICADAS DENOMINAÇÕES Campos do Coritiba, era assim que os desbravadores ibéricos se referiam ao território que encontraram no primeiro planalto paranaense e onde, consequentemente, se encontra a cidade antes do povoamento em meados do século XVI. A região ganhou importância em virtude da Descoberta da Conceição, atualmente em território campo magrense o qual inspirou a denominação que até hoje persiste na região. Por efeito, arraiais que após tornaram-se povoados que vingaram nas "terras curitibanas do Butiatuba, Barigui e Boixininga", como é destacado por diversos documentos de medição do "Rossio da Parochia de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais", por muitos anos foram assim referenciados até o surgimento e desenvolvimento de quarteirões no território destas específicas regiões. Em virtude de existir no quarteirão de Pacotuba uma paróquia denominada de Sant'Ana, o Estado, como de costume na época, resolveu aproveitar a organização eclesiástica e oficializou uma organização civil que abrangesse os limites paroquiais. Neste contexto, a localidade curitibana de "Pacotuva", foi elevada à categoria de sede de Freguesia em 10 de maio de 1875, por intermédio da Lei nº 438, que citava que a denominação do distrito seria Pacotuba e sua invocação seria Sant'Ana, ou seja, "Freguesia de Sant'Ana do Pacotuba". A expressão Sant'Ana significa "Santa Ana", que segundo consta foi a mãe de Maria, e por efeito, avó de Jesus Cristo. A denominação "pacotuva" é um hidrotopônimo com variável no dialeto tingui. Ou seja, a região recebeu o nome por causa do Rio Pacotuva (Pacotuba). Porém, o rio provavelmente foi denominado desta maneira devido à existência de um ponto de referência ter uma abundante população de pacas em região específica. Ou seja, o rio recebeu um zootopônimo em um contexto de ponto geográfico de referência. Depois a Freguesia de Sant'Ana do Pacotuba sofre uma alteração de sede e por efeito de denominação, passa a ser chamada de Nossa Senhora da Conceição instituída pela Lei Provincial n° 924, de 06 de setembro de 1888, como é possível observar na lei mencionada em seu Artigo Único: "A sede da Freguesia de Pacotuba será o povoado denominado "Cercado", e a sua invocação passa a ser a de Nossa Senhora da Conceição; revogadas as disposições em contrario." Ou seja, a denominação da localidade passa a ser "Nossa Senhora da Conceição do Cercado". A denominação Nossa Senhora da Conceição foi inspirada no grande número de concessões existentes no território, que popularmente recebiam o nome de "conceições" ou "Conceição", que geralmente era anexado o sobrenome familiar do beneficiado. Ou seja, pelo fato de Conceição denominar o distrito se vinculou os prefixos "Nossa Senhora" a palavra Conceição para dar ênfase religioso e representar a ideia de território "concebido" a todos como benção. Deriva do latim, "concepção", pois a concepção carrega a ideia que uma nova vida é sempre uma benção. Por este motivo que os católicos se referem à Maria, mãe de Cristo, como Virgem Imaculada da Conceição ou Nossa Senhora da Conceição. Os primeiros aventureiros que aqui chegaram se referiam às sesmarias, que era uma concessão de terras feita pelo Rei de Portugal ou pelo Capitão Povoador ou por um donatário que resolveu doar uma parte de sua posse de terra a quem bem entendesse. Pelo fato de serem muito grandes, os terrenos ao mesmo tempo eram férteis. Esta concessão era expressa como "Conceição", posto que era um trocadilho ligado à ideia de benção, religiosidade vinculada à imagem que se fazia a mãe de Cristo. Em decorrência de promissoras perspectivas de progresso, o distrito foi elevado à cate246

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goria de Vila (município) tendo seu território desmembrado da Capital do Estado em 1889, inicialmente e efemeramente com a denominação de "Conceição do Cercado", estabelecida pela Lei Provincial n° 957, de 28 de outubro de 1889. Esta denominação estava vinculada ao "Sítio do Cercado", datado de 1728, que se dispunha onde atualmente se localiza o Jardim Santa Terezinha na Sede. Esta área de terra que margeava Estrada do Botiatuva e futuro ramal da Estrada do Assunguy (atual trecho da rua Rachel Candido de Siqueira), curiosamente foi cercada para evitar invasões de aventureiros ainda no período que ocorria a busca por ouro na região. Porém, a denominação "Conceição do Cercado" soava contraditória ao contexto republicano, uma vez que carregava características do regime monárquico. No entanto, a mudança de nome ocorreu por questões íntimas de amizade. Por esse fato, em 09 de janeiro de 1890, pelo Decreto nº 15 baixado pelo Capitão de Mar e Guerra José Marques Guimarães, então Governador do Estado do Paraná, o território da Vila Conceição do Cercado, é agraciado com a denominação de "Tamandaré". Segundo a "Ata de Fundação da Vila de Tamandaré, de 25 de janeiro de 1890", a homenagem prestada em vida ao "Velho Marinheiro" e Patrono da Marinha do Brasil, tinha a seguinte justificativa: "(...) nome dado pelo illustre Governador para que seja relembrado o venerando nome do Marquez de Tamandaré, um dos heróis da Esquadra Brasileira na Guerra do Paraguay (...)". Almirante Tamandaré era amigo, mentor, e colega de campanhas militares do então governador. Ou seja, a cidade começou a ser conhecida por "Tamandaré" (Vila de Tamandaré) e não de Almirante Tamandaré como é atualmente. O município manteve seu status quo autônomo até o advento do Decreto Lei nº 7.573, de 20 de dezembro de 1938, quando foi extinto e, por consequência, seu território passou a fazer parte novamente do território de Curitiba até 30 de dezembro de 1943. No entanto, só no dia 11 de outubro de 1947, por força da Lei Estadual n° 02, inciso XXI, que o território voltou a ser autônomo novamente, mas sob a denominação de Timoneira estabelecida pelo Decreto-lei de nº 199, de 1943. A denominação Timoneira foi uma consequência da perca da autonomia, da localidade. Porém, não existe uma explicação oficial do motivo do nome, mas segundo a oralidade popular, a nova denominação possuía conotação irônica resultante de divergências política entre os locais e integrantes do governo interventor estadual. A palavra Timoneira expressava de forma clara o seguinte sentido: "Feminino de quem governa o timão de uma embarcação", dando a ideia de que a cidade estava sem um comandante (e realmente estava, pois não era autônoma quando recebeu este nome). Segundo o historiador João Carlos Vicente Ferreira em sua obra "Municípios paranaenses: origens e significados de seus nomes", o nome dado ao município de Timoneira tem origem na denominação antiga da erva-mate colhida nos arredores de Curitiba, significando "erva que está à mão", caracterizava-se por ser mais fraca que as demais. Espécie vegetal natural da região, oficialmente se chama "Ilex theezans martius", popularmente conhecida como Caúna, Caúna da Folha Amargosa, Congonha, Erva de Timoneira e Timoneira. Foi muito utilizada como energia para alimentar os fornos da queima da cal e na produção de cabo de ferramentas. Mesmo sendo largamente explorada, ainda existe nas matas pouco exploradas da cidade. No entanto, a localidade havia construído uma história. E por este motivo, atendendo às reivindicações populares da época, no que tange o descontentamento com a denomina247

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ção hilária de "Timoneira", expressadas pessoalmente em conversas pelo então Prefeito da época João Wolf e seu secretário Didio Santos junto ao então Governador Moysés Lupion, os quais como argumentação explicaram o seguinte: "O município não pode ter um nome de uma erva de chimarrão de segunda classe, esta denominação é pejorativa". O governador sensibilizado com a história, após sancionou a Lei nº 2.644, em 24 de março de 1956, que restabelecia a denominação Almirante Tamandaré, sendo esta publicada no Diário Oficial do Estado do Paraná na segunda-feira, do dia 26 de março de 1956. Ao invés de ser denominado simplesmente de Tamandaré, foi acrescentada a palavra "Almirante" ao nome, para se diferenciar de localidades homônimas. O PATRONO ALMIRANTE TAMANDARÉ O gaúcho da localidade de Rio Grande de São Pedro do Sul (atual São José do Norte), oficial da Marinha Imperial Joaquim Marques Lisboa, recebeu o apelido de Tamandaré, em virtude do título nobiliárquico dado em 14 de março 1860, que lhe conferia a denominação de Barão de Tamandaré, homenagem prestada por D. Pedro II ao Almirante Joaquim Marques de Lisboa, que relembra o lugar em que com bravura, havia tombado o irmão do Almirante, o Major Manoel Marques de Lisboa, quando este chefiava a defesa do porto de Tamandaré, na costa pernambucana, em 1824. A história de seu apelido teve origem quando o Imperador esteve em visita a Pernambuco, em 02 de julho de 1857, onde foi acompanhado pelo então Comandante Joaquim Marques Lisboa que comandava a Divisão que acompanharia o Imperador na sua visita às províncias do Nordeste (Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba). Foi na visita à localidade de Tamandaré (Pernambuco), um dos centros da reação contra os holandeses. O irmão do Comandante, o Major Manoel Marques Lisboa estava enterrado no cemitério ao lado da Igreja de Santo Inácio. Foi neste instante que o então Comandante Joaquim Marques Lisboa pediu permissão ao Imperador para transportar os despojos do irmão para a capital imperiFoto: Antonio Kotoviski Filho, janeiro de 2012 al. Dom Pedro II não só concedeu, como determinou que a translação fosse feita com as honras militares, correspondente ao posto que o homenageado possuía na revolução. Em seu histórico currículo, o "Velho Marujo" participou nas lutas da guerra da Independência do Brasil na Bahia, da Confederação do Equador e da repressão às revoltas ocorridas durante o Período Regencial: A Cabanagem, a Sabinada, a Farroupilha, a Balaiada e a Praieira. No plano externo, O busto do Almirante Tamandarestá presente em frente à Prefeitura Municipal, foi doado pela Capitania dos Portos do Rio participou da Guerra contra Ori- Paraná em 15 de setembro de 1986, nas solenidades de inaugube e Rosas e, com a eclosão da ração do prédio da Prefeitura. 248

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Guerra do Paraguai, comandou as forças navais em operação na bacia do Rio da Prata, em apoio à batalha do Passo da Pátria, à batalha de Curuzu e à batalha de Curupaiti. Nasceu em 13 de dezembro de 1807, e em sua homenagem é comemorada nesta data o Dia do Marinheiro. Foi Barão, Visconde, Conde e por fim Marquês. Faleceu aos 89 anos, em 20 de março de 1897. Pelos seus feitos, lhe são prestadas homenagens diversas, entre elas: Patrono da Marinha do Brasil, nomes de cidades (Almirante Tamandaré-PR; Almirante Tamandaré do Sul-RS e Tamandaré-PE), Biblioteca Municipal Almirante Tamandaré em Marabá-PA, nome de escolas etc., além de homenagens icnográficas (moedas, livros, estátuas).

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Estradas históricas As nostálgicas lembranças preservadas na oralidade do povo relatam histórias e cotidianos que se perderam, principalmente no que tange aos caminhos que levavam os tamandareenses até a capital. Eram tão comuns que ninguém teve a preocupação de escrever sobre eles. Diferentes dos dias atuais, as opções que ligavam Tamandaré a outros municípios até a década de 1950 eram poucas e de características que tornavam um simples deslocamento em uma grande "aventura" apesar de terem características de estradas, como é o caso da Estrada do Assunguy, Cachoeira, Colombo e para Conceição (estrada do Juruqui). As estradas que existiam eram dispostas de um trajeto muito complicado: Eram estreitas, tinham que passar por diversos sítios de moradores pioneiros, mato por todos os lados, subidas íngremes onde em dias de chuvas atolava até carroça. Em contrapartida, muitas estradas vicinais se assemelhavam mais a carreiros do que propriamente a uma estrada. O trajeto era feito a pé, de carroça ou a cavalo, pois até a década de 1930 e 1940 era raro ver um automóvel, apesar da Estrada do Assunguy dar condições para o tráfego do mesmo, como é possível observar em relato publicado no periódico "A República, de 08 de setembro de 1906", sobre uma excursão de mineralogia em que participaram Romário Martins e o geólogo Dr. F. de Paula Oliveira, cujo trajeto visitado foi feito de automóvel. O deslocamento de Tamandaré a Curitiba era demorado para quem dispunha apenas de cavalo ou carroça, a ponto de obrigar as pessoas a saírem de casa de madrugada para chegar cedo à capital, pois, a viagem durava em torno de duas horas e meia ou mais (hoje as pessoas se estressam por causa de 5 minutos a mais em um trajeto de 20 minutos!), dependendo da localidade de onde saiam. Para quem morava nas proximidades da estação de trem, perdia menos tempo, demorava uma hora mais ou menos entre Tamandaré até a capital, mas o transporte ferroviário só começou a operar a partir de 1909. Também não eram todos os dias. Porém, a ligação com a Capital era necessária. Não era possível se deslocar até ela simplesmente para passear como se faz atualmente. Ia-se comprar remédios, tecidos, ferramentas e outros produtos que não eram vendidos nas mercearias locais, além de aprovei251

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tar para ir ao médico, banco ou fazer algo que não era possível realizar em terras tamandareenses. Os comerciantes se deslocavam exclusivamente para buscar produtos encomendados por aquelas pessoas que não dispunham de tempo para se deslocar até a capital. Mas, estas encomendas não eram feitas exclusivamente a comerciantes. Geralmente eram feitas por pessoas que aproveitavam a ida de alguém conhecido para Curitiba, e pediam que lhe trouxesse algo. Outros comerciantes usavam a estrada para levar produtos agrícolas e minérios e também trazer produtos da capital. Não se perdia a viagem. Foto: Teodolindo A. Chimelli (Leleto), década de 1940

Descarregamento de Cal Extra Especial no Porto de Paranaguá. Observem que era transportado por carroças dentro de barris.

Na década de 1950, se destacou o Prefeito João Wolf, pela grande quantidade de ruas e estradas que foram abertas, além da construção de pontes e bueiros. Na década seguinte, no mandato Prefeito Domingos Stoccheiro, ocorreu o advento de uma lei municipal que retirava as porteiras que se faziam presentes em grande parte das estradas. Estas porteiras tinham como objetivo conter a dispersão do gado transportado por "tocadores de gado", genericamente denominados de tropeiros. Também servia para delimitar território, avisando o viajante que aquelas terras tinham dono. Porém, a partir de meados década de 1950, a condução de gado bovino e outros diminuiu e a necessidade de porteiras, perdeu seu principal objetivo.

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Fonte: SANTOS, Didio. STOCCHERO. Harley Clóvis. Estudo histórico, estatístico, econômico, descritivo do município de Timoneira, Timoneira: Prefeitura Municipal de Timoneira, dezembro de 1951.

Mapa Rodoviário de Timoneira de 1951.

As pioneiras estradas que colaboraram com o processo de desenvolvimento do município são: ESTRADA DO ASSUNGUY Uma das principais rotas terrestres de comunicação entre a cidade de Tamandaré e a capital era Estrada do Assunguy (com dois "SS"), que foi estabelecida não oficialmente junto a fundação da Colônia Assunguy no final dos anos de 1850, sendo ali seu marco zero. O nome da estrada tem gênese na expressão "estrada para o Assunguy", que por sua vez a localidade legou o nome de em um marco de referência, ou seja, do "Rio Açungui". Segundo informação do periódico paranista "ALBA - Amigos do Livro e das Belas Artes de 1938 sob a direção de Romário Martins" p. 15, a palavra "Assunguy" significa: Rio de água azulada segundo o Frei Francisco dos Prazeres Maranhão no seu Glossário de palavras indígenas (1890); ou "assú" - sangue, que Teodoro Sampaio traduz: "açugui" o sangue de gente; "assú (corruptela) sangue; í - rio". O rio de sangue. Assungui teve outra significação como vocábulo Tupi de uso popularizado entre sertanistas que para os descobridores dos campos de Palmas (Paraná) que significava "rio do ouro ou abundante em ouro". Vide um exemplo no Boletim do Archivo Municipal de Curytiba, Vol. V, p. 92 "(...) e pelo meio do dia passamos um ribeirão que possui grande demonstração de ouro, por cujo, propuz o nome de Assunguy". Em referência ao "Relatório que o Sr. José Francisco Cardoso apresentou ao Sr. Anto253

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nio Barbosa Gomes de Nogueira por ocasião de passar-lhe a administração da Província do Paraná em 18 de março de 1861", p. 49, citou que a Estrada do Assunguy era uma obra com o objetivo de preencher a necessidade instantaneamente reclamadas pelos colonos do Assunguy. Em respeito a este relatório temos que a gênese oficial tem início em referência ao cumprimento de ordens imperiais, sendo incumbido pelo Presidente da Província do Paraná José Francisco Cardoso em 1860 o major de engenheiros Marcolino Rodrigues da Costa de examinar a melhor a vereda por onde devia levar-se esta via de comunicação tendo em vista alguns trabalhos feitos. No dia 06 de outubro de 1860 foi apresentado o resultado do estudo, calculando em 18:200U000rs, a despesa a fazer-se para melhorar, encurtar e desviar a estrada das montanhas de alto declive. O qual foi colocada em prática conforme o projeto. Com a saída do major Marcolino do acompanhamento da obra, seu projeto foi alterado pelo novo engenheiro que buscou abri-la na vereda nova da Freguesia de Votuverava para adiante. A parte da estrada velha ficou plana e muito boa, desde as proximidades de Arêas (Areias) até Votuverava, daí por diante a estrada seguia por terreno montanhoso, sendo abertas veredas que comunicaram a velha com a nova estrada. A obra parou por falta de dinheiro em 1861. A estrada original do Açungui possuía uma extensão de 98,593 quilometros divididas em 11 seções de construção e manutenção, sendo quatro realizadas até 1866, segundo o "Relatório governamental da Província do Paraná de 1866". Fundamentados em "Relatórios Governamentais da Província do Paraná correspondentes aos períodos de 1860 a 1886" que reservam título específico para tratar de assuntos ligados a ela, temos que esta estrada que ligava a Colônia do Açungui com Curitiba, aproveitou trechos existentes que ligavam a sede de Curitiba até seus Quarteirões na sua região norte onde se encontravam os atuais territórios tamandareense, itaperuçuense e rio-branquense que estavam habitados desde meados do século XVIII. Porém, estes trechos referidos até o advento da construção da estrada de fato eram carreiros entre a mata, montanhas e rios, não lembrando nada as estradas atuais. O objetivo do projeto de engenharia foi o de transformar estes carreiros em estrada de fato, traçar rotas que passassem pelas laterais das serras e construções de pontes e pontilhões. Além de se ligar com "caminhos" existentes que levavam a outras regiões. Ou seja, a Estrada do Assunguy que passava por Tamandaré era um "ramal" mais antigo que ela (século XVIII), com quem a estrada oficial se ligava pela ponte sobre o rio "Arêas" na divisa de Votuverava (Rio Branco do Sul) com o Quarteirão curitibano de Tranqueira, seguindo pela estrada da Volta Grande por onde passava pelo Quarteirão do Boixininga até a altura da Estrada Colombo-Botiatuba onde seguia para cruzar o Quarteirão do Botiatuba, onde acabava na precária "ponte" sob o rio Barigui na atual região do Taboão seguindo pelo caminho que deu origem a Av. Mateus Leme em Curitiba até o Largo da Ordem que era o centro da capital na época. O "Termo de Vereança da Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais datado de 09 de março de 1782" faz a referência sobre a ponte junto ao rio Barigui na estrada para o Botiatuba. Em 1856, o ramal da Estrada do Assunguy era referenciado popularmente de Estrada do Botiatuba como aparece no "relatório do Vice-Presidente Henrique de Beaurepaire Rohan de 1º de março de 1856", página 147, o qual cita a estrada no que tange a uma ponte de madeira sobre o rio Barigui em péssimas condições feita pelos moradores da localidade. 254

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Pelo projeto original ela deveria ter seguido rumo a região da Cachoeira, o que não aconteceu, pois segundo os relatórios inicialmente citados, existia o obstáculo financeiro referente ao alto preço que os moradores do "Cercado" (atual Sede) estariam cobrando para ceder parte do seu terreno para a passagem da estrada. Porém, o Governo Provincial expressava uma perspectiva de que os moradores do Cercado cedessem aos apelos do governo em favor do progresso, como se percebe no "Relatório apresentado pelo Presidente da Província do Paraná Venâncio José de Oliveira Lisboa na abertura da 1ª Sessão da 10ª Legislatura da Assembleia Legislativa da Província do Paraná, na data de 15 de fevereiro de 1872", ao se referir sobre a Colônia São Venâncio: "(...) sendo este núcleo estabelecido em terrenos de fertilidade reconhecida, perto do mercado da capital, atravessando-lhe o centro a estrada que vem da Colônia Assungui e colocado a certa distância da Estrada da Graciosa e além disso composto de indivíduos trabalhadores e morigerados, tem todos os elementos de prosperidade". Porém, a Estrada do Assunguy só passou por lá 1883. Ou seja, não existia uma ligação oficial da insignificante localidade do Cercado na época com a Cachoeira. Existiam carreiros que passavam por diversos terrenos particulares. Só existia uma estrada que partia da Colônia de São Venâncio para Curitiba. Nem na colônia existia estrada! Pois, os próprios moradores reclamavam que para saírem de seus terrenos tinha que atravessar outros, da mesma forma reclamavam da precariedade da estrada que levava até a capital. Porém, a estrada que passava pelo Quarteirão do Botiatuba que era um "caminho de fato" apesar de possuir muitos trechos precários em meio a mata e ao natural, logrou a sorte da fundação da Colônia Lamenha em junho de 1876, pois com o advento do governo de Lamenha Lins, ocorreram novas determinações que abrangiam a política de imigrações, entre elas: "Os terrenos deveriam ser localizados às margens de estradas carroçáveis". Ou seja, a velha estrada do Botiatuba em seu trecho do rio Barigui (Taboão) até o Botiatuba foi transformado em uma estrada de fato como referida na página 88 do "Relatório apresentado a Assembleia Legislativa do Paraná em 15 de fevereiro de 1877 pelo Presidente da Provincia Adolpho Lamenha Lins": "Além da estrada geral, com 6 quilometros de extensão e 6 metros de largura construiu-se mais 31.073 metros de estradas vicinais, de 4,40 metros de largura para comunicação dos lotes. A estrada geral melhorou muito o transito para o Assungui, porque exatamente neste ponto o viajante encontrava dificuldades em subir o morro de São Miguel, o hoje faz comodamente por uma estrada de rodagem. Nas estradas fez-se 55 pontilhões, além de uma ponte sobre o Rio Barigui. O preço das estradas feitas pelos próprios colonos, foi de 227 rs. Por metro corrente , termo médio". Foi graças a esta estrada que a região norte de Curitiba, principalmente onde fica o território tamandareense teve condições de ser povoado mais intensamente. Inicialmente (meados do século XIX até o final da década de 1920), as características desta estrada eram bem precárias, pois era estreita e coberta em muitos trechos por mato. Os trechos mais movimentados se adaptavam em partes a noção que temos atualmente de estrada (estrada de chão), mas ainda tinha mato, não possuía revestimento da superfície com macadame, era disposta ao natural. As partes menos utilizadas se identificavam com "carreiros", mas passava carroça, cavalo, automóvel e gente. Com o aumento do "tráfego", a estrada começou a ganhar características de "estrada propriamente dita". 255

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Só para constar, a Estrada do Assunguy só foi inaugurada de fato apenas em 20 de janeiro de 1904, com a denominação de "Estrada do Cerro Azul" segundo a reportagem do jornal "A República, de 23 de janeiro de 1904". Esta tardia inauguração ocorreu em razão das perspectivas de sua conclusão até a sede da Capital que começava se estender a beira dos 30 anos. Neste período, muitos problemas interferiram diretamente em sua conclusão, como é possível observar no "Relatório do Presidente Manoel Antonio Guimarães, de 13 de junho de 1873". O primeiro era a sua manutenção, pois devido ao terreno montanhoso e acidentado por onde passava na região de Votuverava, eram constantes os desmoronamentos de encostas de morros, pontes destruídas por enchentes, limpeza da mata que insistia em nascer por falta de um tráfego mais intenso, buracos que se formavam devido a erosão natural do terreno, caminhos estreitos, que somados aos seus 98 km causavam questionamentos que se revertiam à própria existência da Colônia Açungui. Em 20 de janeiro de 1894, a Estrada do Assunguy foi a histórica rota de fuga em que o Vice-Presidente em exercício do Paraná Vicente Machado utilizou para abandonar Curitiba em virtude dos federalistas (maragatos) tomarem Paranaguá e se dirigirem para a capital. A fuga foi justificada pela transferência provisória da Capital do Estado para Castro. No entanto, ao chegar em Cerro Azul se dirigiu a São Paulo. No "Relatório de Governo apresentado em 1º de outubro de 1883 pelo Sr. Luiz Alvez Leite de Oliveira Bello", se faz menção da instalação de uma barreira de cobrança de impostos na estrada, a qual aguardava regulamentação. Depois, ocorre a Lei nº 710, de 31 de outubro de 1884, que fixava a taxa sobre veículos que passarem pela Barreira na Estrada da Capital a Vila de Açungui. Ou seja, na divisa entre Curitiba e o Taboão, começou funcionar oficialmente mais uma barreira na Província. Outras barreiras foram criadas depois; a barreira fiscal e de pedágio estadual na localidade de Tranqueira foi referenciada no contexto da reportagem "Excursão - Estrada de Cerro Azul - Inauguração" publicada no jornal "A República, de 23 de janeiro de 1904". A Barreira de Tranqueira foi consequência da onerosidade da manutenção da Estrada, que além de cobrar tributos sobre cargas transportadas por negociante e produtores de produtos agropecuário e mineral (cal), cobrava pedágio. Em decorrência do que se transportava (gado principalmente) a viagem se tornava cansativa. Muitas pessoas costumavam parar em Tranqueira, Botiatuba e mais tarde, em 1884, com a abertura do ramal original objetivado no antigo projeto supracitado, denominado de Estrada do Humaitá, no Cercado e Cachoeira. Foto: João da Silva e José Pedroso de Morais, década de 1960

Tocadores de gado genericamente denominados de "Tropeiros" na Estrada do Assunguy (região de Rio Branco do Sul), publicada na Tribuna dos Minérios, de 12 de novembro de 1971, com o título: "Tropeiros: Último Capítulo da Velha Estrada".

A imagem acima talvez seja uma das únicas; também se destaca pelo seguinte comentário tecido pelo Sr. José de Souza Mattos, no texto publicado na Tribuna dos Minérios, de 256

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12 de novembro de 1971, nº 76, que "dentro em breve, estas imagens despertarão saudades e servirão de motivo para cantigas folclóricas". Esta foto foi tirada justamente na época em que se inaugurou a nova estrada que ligava Rio Branco a Cerro Azul, que desconsiderou o traçado original da velha estrada. Dentro do município de Almirante Tamandaré, esta estrada começa na Ponte do Taboão na atual Av. Wadislau Bugalski, continuando pela atual Rua Rachel C. Siqueira até a Rua Pedro Teixeira Alves, entrando na Rua Antonio Bini, em direção à Rua Antonio Gedeão Tozin até chegar à região do atual Sindicato dos Comerciários no Boixininga (trecho de estrada que foi asfaltada na gestão do Prefeito Roberto Luiz Perussi: 1989-1992, mas que se perdeu devido à má conservação da via pavimentada), que se ligava à Estrada da Volta Grande margeando a atual ferrovia (atualmente só existe um pedaço dela denominada de Rua Gustavo Joppert), a qual se liga à Rua Antônio Stocchero no Bairro da Tranqueira, que se prolongava até a divisa com a atual cidade de Itaperuçu (que na época era Votuverava, Rio Branco do Sul), e seguia seu destino até a Colônia Assunguy (atual município de Cerro Azul). No contexto de um fato observado em um requerimento presente no "Arquivo de Requerimentos apresentados à Prefeitura municipal de Tamandaré a contar de 11 de novembro a 30 de dezembro de 1931", até 1930, a estrada original do Açungui, dentro de Tamandaré, que seguia margeando a ferrovia em seu km 25, na região do Boixininga (conhecida como Volta Grande), passava pela propriedade de Pedro Brotto de Andrade (atual Sindicato), que possuía livre passagem. Porém, com o advento da Revolução, este trecho da estrada foi fechado e nunca mais foi aberto, fato que gerou protesto do comerciante de madeira e lenha, Domingos Abdalla, da localidade do Itaperuçu, no município de Votuverava, que na argumentação de seu requerimento junto à Prefeitura de Tamandaré, cita que por 18 anos utilizou aquele trecho para o transporte de madeira. E que com seu fechamento, Fonte: Jornal do Bugalski (informativo de divulgação de necessita fazer uma volta muito grande, o campanha eleitoral), setembro de 1992 que dificultava seu trabalho. Na década de 1950, ainda passavam por esta estrada boiadas vindas do Açungui, quebrando a rotina dos moradores locais. Seu destino era o Frigorífico Blumenau (localizado no atual Bairro São Lourenço), onde hoje é o Supermercado Mercadorama, ao lado do Parque São Lourenço, que nesta época era um curtume. O Botiatuba era um importante local estratégico para o pouso dos tocadores de gado e de suas boiadas, que paravam nos campos de pastagem do Sr. Leão Zeigelboim, onde hoje é o Recanto Marista (Parque Santa Maria), que ficava às margens da Es- O patrono do trecho da antiga Estrada do Assunguy (Taboão-Sede) Vereador Wadislau Bugalski nascido trada do Assunguy. em 08/10/1924 ao centro, neto do professor Ignácio A urbanização da Estrada do Assunguy Lipski. Ao seu lado direito, sua esposa Lucia Sandri em território tamandareense teve três mo- Bugalski e os filhos Maria Helena, João Carlos, Marmentos distintos: Asfaltamento do trajeto tim Afonso, Rogério Fernando e Maria Luiza. 257

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ponte do Taboão ao cruzamento com a Rua Izidoro da Silva (antiga Estrada do São Miguel) e iluminação pública em 1989. Após, no final da gestão do Governador do Estado do Paraná Álvaro Dias (1987-1991), foi asfaltado o trecho entre a Rodovia dos Minérios e Estrada do Juruqui (rua Pedro Jorge Kotoviski), sendo implantado em 1989 (gestão Roberto Perussi) pela prefeitura neste trecho a iluminação pública. Em outubro de 1989, logra êxito a preposição do Vereador João Carlos Bugalski, que alterava a denominação da Antiga Estrada do Assunguy (trecho, ponte do Taboão ao km 15 da Rodovia dos Minérios) para Vereador Wadislau Bugalski, sob força legal da Lei nº 10/1989. Porém, ficou faltando um trecho que compreendia a rua Izidoro Silva até o cruzamento com a rua Pedro Jorge Kotoviski, o que deixava os moradores do recém-criado Jardim Santa Maria irritados, pois em decorrência do aumento da passagem de automóveis pelo trecho, se faziam nuvens contínuas de poeira. Diante desta situações começaram eclodir manifestações populares de pedidos e posteriores fechamentos do trecho com a queima de pneus, o que acabou resultando, no final do ano 1999 e início do ano de 2000, na pavimentação do trecho feita pelo município na primeira gestão do Prefeito Cezar Manfron. Com o tempo, o modelo urbano da Av. Wadislau Bugalski saturou e necessitou ser modernizada. Neste contexto, em 2007 teve início o projeto para a sua reforma. Às 9h30min de um sábado datado de 16 de julho de 2011, em solenidade realizada em frente ao Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Ruth Weigert, foi entregue oficialmente a obra concluída. ESTRADA DA CACHOEIRA A origem desta estrada possui vários capítulos. Ela começou quando em 1733, o Capitão Antônio Rodrigues Seixas e sua esposa Maria Soares Paes, tomaram posse de sua pequena concessão, e fundaram o primeiro sítio (sua morada). Em consequência, outros sítios também foram aparecendo. O caminho que se parecia com carreiro começou a se tornar a estrada por onde cavaleiros passavam para se deslocar até a Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais (Curitiba). Trechos desta rústica estrada, provavelmente deram origem à moderna Av. Anita Garibaldi. Esta via de comunicação terrestre entre Cachoeira e a sede de Curitiba em meados do século XIX se apresentava movimentada, visto que no século XIX, ou seja, anterior a 1853, a região aparecia como um dos 27 quarteirões de Curitiba. Porém, o que possibilitou que este caminho se tornasse uma estrada de fato foi a fundação de três núcleos de povoamento de imigrantes: Colônia São Venâncio em 1871; Colônia Santa Candida em 1875; e a Colônia Antônio Prado em 1886. A Estrada da Cachoeira provavelmente herdou a denominação que a localidade recebia, por passar por ela (ou por iniciar ou terminar nela) no século XVIII. De acordo com documentos e atas da Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais (Curitiba) e documentos de transferência de imóveis, não foi encontrada nenhuma referência oficial e não oficial que confirmasse, até a presente pesquisa, a existência de um caminho ou estrada que ligasse o povoado do Cercado com Cachoeira, referente ao atual trecho dos prolongamentos denominados de Domingos Scucato, Antônio Johnson e Francisco Kruger antes de 1880. 258

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A ligação entre a sede de Almirante Tamandaré e a localidade de Cachoeira era um projeto idealizado pelo governo provincial no contexto do projeto de criação da Colônia São Venâncio, no início da década de 1870, como pode ser observado no "Relatório apresentado pelo Presidente da Província do Paraná Venâncio José de Oliveira Lisboa na abertura da 1ª Sessão da 10ª Legislatura da Assembleia Legislativa da Província do Paraná, na data de 15 de fevereiro de 1872", o qual só não logrou êxito devido aos altos pedidos de indenizações que os donos dos terrenos por onde passaria a estrada pediram. Uma década depois, a realidade mencionada mudaria, pois em 04 de julho de 1882, o Presidente da Província Carlos de Carvalho autorizou o Agente Oficial de colonização desta Capital a mandar executar o serviço de que se obrigaram José Christo Leite e outros cidadãos e colonos de abrir o ramal da Estrada do Assunguy que atravessasse o lugar denominado Cercado, vindo servir a Colônia de São Venâncio. Em 1884, a estrada ficou pronta. Porém, apesar de passar o ramal da Estrada do Assunguy, desde 1884 a estrada passava por propriedades particulares demarcada por porteiras, que também serviam para impedir a dispersão do gado durante a passagem de tropas de negociantes locais e vinda do Açungui e Votuverava, principalmente. Não havia cercamentos dos terrenos às margens da estrada, porém, com o desenvolvimento populacional da região, muitos terrenos passaram a ser cercados, dificultando a paragem dos tocadores de boiadas na região, como é possível perceber na reclamação formalizada pelo requerimento do Sr. Moizés Collodel, junto à prefeitura de Tamandaré em 1931, presente no "Arquivo de Requerimentos apresentados à Prefeitura municipal de Tamandaré a contar de 11 de novembro a 30 de dezembro de 1931", no qual reclama que existe um terreno de invernada de gado, qual era utilizado há mais de 20 anos, e o mesmo teria sido cercado indevidamente, o que prejudicou a passagem de tropas pela estrada e que isto atrapalhou o comércio local. Na madrugada do dia 23 de dezembro de 2010, ocorreu um afundamento de solo ocasionado pelo desgaste de rochas cársticas que interditaram o trecho da "Estrada da Cachoeira", denominado de Domingos Scucato, que havia sido revitalizado em setembro do corrente ano com nova camada asfáltica e ampliada a largura das ruas. Foto: Outubro de 2011

Afundamento cárstico no meio da Av. Domingos Scucato em frente ao Colégio Estadual Jaci Real Prado de Oliveira.

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Na data de 04 de novembro de 2011, engenheiros técnicos da COMEC autorizaram que a Prefeitura realizasse o fechamento do buraco na Av. Domingos Scucato sem proceder com a pavimentação no local, como medida provisória para trazer mais segurança aos moradores. Foi asfaltado depois. O trecho da antiga Estrada da Cachoeira, que se inicia na Sede, presta homenagem ao Sr. Domingos Scucato, o qual segundo informações presente na "Tribuna dos Minérios. Centenário de Domingos Scucato/por Verginia Siqueira Neta. Ano XII, nº 273, 23 de setembro de 1979, capa", nasceu em Morretes, na data de 30 de setembro de 1879. Era filho legítimo de João Scucato e de Maria Scucato. Casou-se em primeiras núpcias com Verginia Coradim Scucato, onde gerou: Maria, casada com Athayde de Siqueira; Pedrina, Foto: Galeria dos Prefeitos casada com José Alves; Rosa, casada José Ziokowski; João, casado com Adelina Santos; Antonio, casado com Olga; Ana, casada com Hermenegildo de Lara; Tereza, casada com Moizés Alves e Margarida, casada com Paulo Fiori. Seu Domingos Scucato em segundas núpcias casou com Ana Coradin. Em 1912, estabeleceu um armazém de secos e molhados, armarinhos e fazenda na Vila de Tamandaré até 1940, quando passou a residir em Curitiba, deixando o armazém a seus filhos. Foi sócio Domingos Scucato, da Firma Scucato & Cia, que possuía o primeiro forno de cal contícomerciante, indusnuo construído no Brasil, além de durante 30 anos ser agente do trial do calcário, CaCorreio na cidade. Foi nomeado Conselheiro Consultivo do Munimarista, Conselheicípio em 1933, eleito Prefeito de Tamandaré em 12 de setembro de ro Consultivo, Prefeito eleito. 1935, mas só assumiu em 29 de janeiro de 1936 ficando no cargo até 18 de maio de 1936. Faleceu na capital na data de 03 de julho de 1960. RODOVIA DOS MINÉRIOS A Rodovia dos Minérios (PR-92, trecho Curitiba-Rio Branco do Sul, cujo nome oficial é: Rodovia "Conselheiro Kielse Crisóstomo da Silva", denominada apenas em 2007, pela Lei nº 15.439, de 15/01/2007 (DOE nº 7.400) assinada pelo então Presidente da Câmara Legislativa do Paraná, Hermas Brandão), inicialmente era conhecida como "Estrada Estratégica". A denominação popular da rodovia recém-asfaltada, segundo a "Tribuna dos Minérios. Rodovia dos Minérios/Denominação. Almirante Tamandaré, ano III, nº 32, maio de 1970", p. 6, (que fazia a função de "Diário Oficial" dos municípios de Rio Branco do Sul e Almirante Tamandaré), na reportagem "Rodovia dos Minérios Denominação" foi "cognominada pelo seu idealizador e maior entusiasta da obra, Sr. José Pioli, de "Rodovia dos Minérios", e reconhecemos que nada mais justo ou mais característico poderia ter ocorrido, uma vez que a referida obra serve de escoadouro dos produtos minerais produzidos pela única região, no gênero, no Estado do Paraná, tendo o município riobranquense a cognominação de "Capital do Cimento" e o município tamandareense de "Capital do Cal", também bastante próprio e característico". Começa no Cemitério do Abranches em Curitiba e se prolonga até Rio Branco do Sul. 260

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No contexto do artigo da "Revista Brasileira de Geografia. Expedição Científica à Serra de Paranapiacaba e ao Alto da Ribeira (Cel. João de Mello Moraes). Ed. IBGE, Ano XIX, julho - setembro de 1957, nº 3", p. 10, ela foi construída pela Companhia de Cimento Portland Rio Branco (CCPRB) em parceria com o Estado, na época governado pelo Sr. Bento Munhoz da Rocha Neto. Foi aberta ao tráfego em 1953 e finalizada em abril de 1955, pelos funcionários denominados de arigós, nesta época era denominada como Rodovia Estratégica. Um nome legado da curiosidade do povo, pois quando os populares iam buscar saber mais sobre a estrada, os funcionários diziam que era uma "rota estratégica" que servia para melhorar o escoamento de cimento de Rio Branco do Sul para a capital. Diante desta explicação, os populares começaram a se referir a ela como "Estrada Estratégica". Com o aumento do fluxo de automóveis, principalmente de caminhões devido a maior exportação de cal e calcário para a capital e interior, o Prefeito de Rio Branco do Sul, José Pioli, no penúltimo ano de sua segunda gestão de governo em 1967, resolveu levar avante seu ideal de ver asfaltada a Estrada Estratégica. Segundo a reportagem da "Tribuna dos Minérios. Rodovia dos Minérios/Denominação. Almirante Tamandaré, ano III, nº 32, maio de 1970", p. 4, ele "procurou obter apoio para seu ideal além de sua área administrativa e foi feliz. Desta feita procurou o Sr. Prefeito de Almirante Tamandaré (Domingos Stocchero) e em seguida o Dr. Omar Sabbag, Prefeito de Curitiba, o qual mostrou-se disposto a colaborar para que tudo se tornasse realidade. Em seguida, o Sr. José Pioli procurou o Deputado Estadual da Região, Sr. Erondy Silvério, e então, ambos com o apoio dos Prefeitos de Curitiba e Almirante Tamandaré, obtiveram o SIM do Governo do Estado, Sr. Dr. Paulo Cruz Pimentel e o convênio fora estabelecido". Porém, só em 1969, na gestão do Sr. Paulo Cruz Pimentel, ela começa a ser asfaltada, uma vez que no trecho de 6 km aproximadamente, entre o Cemitério do Abranches até a ponte sobre o Barigui, na divisa dos municípios de Curitiba com Almirante Tamandaré, a pavimentação foi realizada por Curitiba. Os seus 14 km restantes foram pavimentados pelo Estado. Com estas palavras, o governador Paulo Pimentel iniciou seu discurso no obelisco alusivo à inauguração da obra registrado pela "Tribuna dos Minérios. Palavras do GovernaFoto: Tribuna dos Minérios, maio de 1970

Governador Paulo Pimentel inaugurando em 21 de abril a Rodovia dos Minérios, a sua esquerda, ao fundo, o Prefeito Antônio Johnson.

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dor. Almirante Tamandaré, ano III, nº 32, maio de 1970", p. 4, ou seja: "Rodovia dos Minérios, estrada que liga os municípios de Almirante Tamandaré e Rio Branco do Sul a Curitiba, abrindo o caminho para o escoamento da produção de minérios para os grandes consumidores. Esta estrada é o portão aberto para o desenvolvimento destes municípios e para a redenção econômica de toda uma região mineira. Sabíamos de sua importância e nos sensibilizamos diante desta reivindicação prioritária para o povo. A conquista da estrada, num prazo "recorde" de 300 dias, é, portanto, uma realização que nos orgulha". Sua inauguração oficial ocorreu em 21 de abril de 1970 em três etapas, segundo relatos do dia feito pela Tribuna dos Minérios, nº 32, de maio de 1970: "A caravana governamental parou inicialmente às 10h30min no marco situado na ponte do Rio Barigui, onde foi inaugurado o trecho construído pela Prefeitura de Curitiba, por administração direta. Em seguida, o Governador parou na entrada de Almirante Tamandaré, onde o Prefeito Antonio Johnson, incorporou-se à comitiva, que seguiu para a entrada do município de Rio Branco do Sul, onde foi realizada a solenidade oficial da inauguração da estrada. Após a solenidade, a comitiva se dirigiu para a sede de Rio Branco onde a população entusiasmada aguardava o Chefe do Executivo, oferecendo ao Governador Paulo Pimentel manifestações de carinho, culminadas com os discursos dos estudantes ginasiais Marilu Loher e Valdomiro Kolowiski, que agradeceram ao Governador Paulo Pimentel pela "rodovia que permitirá à juventude de Rio Branco do Sul e Almirante Tamandaré dar prosseguimento aos seus estudos na capital e, em igualdade de condições com os demais paranaenses, ganhar lugar nas Universidades". Após um coquetel no Ginásio Estadual de Rio Branco oferecido pelo Prefeito local, o governador regressa a Curitiba". Na Rodovia dos Minérios, nas proximidades do km 22, perto da Água Mineral Timbu, existe o Recanto Ismayr Brandalize, que é um bosque que serve para o motorista descansar ou para os moradores da região fazerem piqueniques, churrascos ou outras atividades de lazer. Atrás deste recanto existiu uma paisagem que foi fotografada de forma artística pelo Foto: Tribuna dos Minérios, maio de 1970

Palco inaugural para receber populares e comitiva governamental em Rio Branco do Sul.

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francês Jean Geneviève, morador da localidade, a ponto de em 11 de abril de 1987, esta foto ser utilizada para ilustrar a Capa do Talão de Cheque do Banco Banestado. Segundo a "Folha de Tamandaré. Alm. Tamandaré é capa de talão de cheque Banestado. Ano II, nº 48, maio de 1987", p. 3, na época foi um motivo de enorme satisfação para o povo do município, pois ocorreram até formalidades de lançamento do talão na própria Agência do Banestado do município, envolvendo sua autoridade executiva máxima (Ariel Adalberto Buzato), que recebeu o primeiro talonário. Este mesmo talonário foi distribuído aos clientes das Agências do Banestado no Brasil e no exterior. Ou seja, foi a primeira vez que uma paisagem natural tamandareense era divulgada de forma tão ampla, mesmo não existindo esta intenção. ESTRADA DO CERNE Foi pelo território tamandareense, ainda Fonte: DER-Paraná no tempo que a região de Campo Magro pertencia ao município de Almirante Tamandaré, que passou a principal estrada que ligava a capital do Estado ao Norte do Paraná até meados da década de 1960. A Estrada do Cerne construída na gestão de Manoel Ribas, em 1929, a qual oficialmente se chama Rodovia Engenheiro Angelo Ferrario Lopes nomeada apenas 53 anos depois de sua construção pelo Decreto Estadual nº 5.546, em 18 de outubro de 1982. No entanto, a denominação popular é Estrada do Cerne, o qual é um hidrotopônimo de taxionomia de natureza física resultante de acidente hidrográfico. A denominação, segundo informações colhidas junto ao DER/PR provém do Rio Cerne, uma vez que no Cerne (localidade de Campo Largo) existe um rio no km 35. A partir da conclusão do trecho Santa Felicidade-Cerne foi determinada a liberação da rodovia ao tráfego, o qual popularmente se originou da expressão "vou pela Estrada do Cerne", Construção da Estrada do Cerne. pois o trecho terminava no Cerne. Sua construção aproveitou alguns trechos existentes, traçados sobre os pioneiros caminhos que levavam até antigos povoados, que surgiram no contexto da busca pelo ouro desde antes de 1680. Sua inauguração ocorreu em setembro de 1940, a qual se tornou um importante ponto de escoamento da safra agrícola do Norte do Paraná por mais de 20 anos, a qual seguia para o Porto de Paranaguá, e não mais para o de Santos como era em outros tempos por falta de estradas no Paraná. 263

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RODOVIA DO CALCÁRIO A principal ligação que Tamandaré tinha com a região que originou o município de Colombo é muito antiga, pois segundo consta em um "Instrumento de transferência de imóvel datado de 1º de junho de 1757" presente na obra de José Carlos Veiga Lopes, "Aconteceu nos Pinhais: subsídios para as Histórias dos Municípios do Paraná Tradicional do Planalto p. 265-266", é referenciada a Estrada de Butiatuba como limite da área objeto do documento. Porém, esta estrada não corresponde totalmente ao atual traçado da Rodovia do Calcário, pois como foi possível identificar em outros documentos e relatórios governamentais posteriores, ela tinha início no sítio Palmital e terminava em um primitivo trajeto que foi aproveitado em parte pela atual Rua Antonio Ferro, que se ligava à Estrada do Butiatuba de fato, que depois, se tornou um ramal da Estrada do Assunguy, no Boixininga. A atual Rodovia do Calcário corresponde ao trecho que liga a sede do município de Almirante Tamandaré até a sede do município de Colombo. Ela aproveitou um pequeno trecho da pioneira estrada referida (aproximadamente 3 km). O restante da estrada resultou de obras feitas sobre terrenos indenizados pelo Estado no lado tamandareense em meados da década de 1980. Esta estrada perfaz apenas 8 km, iniciando no viaduto sob a Rodovia dos Minérios com o nome de Rua Rachel Candido de Siqueira, passando o viaduto sobre a rua Pedro Teixeira Alves, construída no governo do Governador Álvaro Fernandes Dias no final da década de 1980, e concluída sua ligação com a Rodovia dos Minérios no ano de 1996 no governo de Jayme Lerner. Administrativamente, a rodovia recebe a denominação de PR-509 que, com o advento da Lei n° 11.464, de 12/07/1996 (DOE nº 4.748) foi denominada de Rodovia do Calcário. CONTORNO NORTE A atual estrada conhecida como Contorno Norte foi idealizada para desviar o tráfego de caminhões que passavam por Curitiba. Teve seu primeiro trecho inaugurado (Colombo rodovia da Uva ou PR-417 até a Rodovia dos Minérios ou PR-092) em 07 de novembro de 1989, pelo então governador Álvaro Dias. No entanto, só em 21 de dezembro de 2005, que a ligação definitiva da rodovia com a PR-277, sentido Ponta Grossa foi entregue oficialmente à população do Estado pelo Governador Roberto Requião. Esta rodovia denominada de PR-418 foi batizada de Admar Bertoli (vereador de Curitiba falecido em 2003) e oficializada assim pela Lei Estadual nº 14.971, de 22 de dezembro de 2005. ESTRADA DO JURUQUI Segundo o "Termo de Vereança da Câmara da Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, datado de 15 de janeiro de 1785", passava pelo Juruqui uma estrada que ligava o centro de Curitiba até o Descoberto da Conceição. Por mais de três séculos a principal ligação que Tamandaré tinha com Campo Magro 264

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era pela antiga Estrada do Juruqui, a qual também começava na Estrada do Assunguy onde atualmente se dispõem a Rua Pedro Jorge Kotovski, no Botiatuba (até a divisa do Botiatuba com o Juruqui) prolongando-se pela Alexandre Meguer que atualmente termina no Juruqui e segue como Rua Maria Manosso (nome atual) em território de Campo Magro, mudando de nome conforme vai transpondo as localidades. Esta estrada margeava em seu começo a nascente do Rio Passaúna, onde após se desvinculava desta rota e cruzava o atual município de Campo Magro passando pela misteriosa Lagoa Feia, região do Campo Novo. Seu destino final era a localidade onde hoje se encontra a cidade de Campo Largo. No "Relatório do Vice-Presidente Henrique de Beaurepaire Rohan, de 1º de março de 1856", página 147, existe a referência sobre a estrada no que tange a uma ponte de madeira em péssimas condições feitas pelos moradores do Juruqui. Esta estrada herdou o nome da localidade e servia de divisa à Freguesia do Cruzeiro (Decreto nº 116, de 02 de outubro de 1890). Porém, na década de 1990 houve a sua redenominação que homenageou alguns moradores pioneiros da região. Entre eles o comerciante José Meguer. Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, 2011

Casarão centenário no Juruqui pertencente à Família Meguer, onde por muitos anos funcionou um armazém administrado pelo saudoso Alexandre Meguer (patrono de um trecho da Estrada do Juruqui) localizado na divisa municipal junto à Estrada do Juruqui. Pertence ao lado campo magrense.

Na parte que começa na Av. Wadislau Bugalski e segue até a divisa do Botiatuba com o Bairro Juruqui foi homenageado o comerciante Pedro Jorge Kotovski, nascido na data de 19 de outubro de 1913, filho do imigrante ucraniano Damião Kotovicz com a polonesa Francisca Brzezinski. Casou com Noêmia Cordeiro. Na sua juventude, serviu à Nação lutando na Revolução Constitucionalista de 1932, no período de 12 de julho de 1932 a 21 de outubro de 1932, no Histórico Cerco de Itararé, segundo o documento oficial do Exército Brasileiro denominado de "Caderneta militar do Cabo Artilheiro Pedro Jorge Kotovski. 1932 a 25 de abril de 1933", p. 47. Estava lotado na 5ª Divisão de Infantaria Quartel da Lapa, Brigada da 5ª Região Militar (atualmente 15º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado), compondo a 2ª Bateria do 5º Grupo de artilharia de montanha. 265

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Foto: Família Kotoviski Seu filho mais novo Otavio Kotoviski, lembra que o Sr. Pedro costumava contar detalhes dos acontecimentos mais marcantes enquanto estava em ação em Itararé: "(...) eis que, em uma patrulha que durou dias, começou haver a necessidade de racionalizar alimentos. No entanto, o alimento sempre estava disponível nos suprimentos dos soldados paulistas que eram encontrados mortos e propositalmente abandonados pelo caminho, porém, o Tenente não permitia que Pedro e seus colegas de campanha pegassem o suprimento dos mortos, pois os mesmos poderiam estar envenenados, uma vez que era uma tática de guerra usada pelos paulistas". Nesta mesma recordação, contava sobre a troca de tiros que seu pai teve que passar: "(...) estávamos intrincheirados, quando o Tenente se levantou e foi dar a ordem para atacar (...) coitado, quando falou para Cabo artilheiro Pedro Jorge Kotoviski em atacar, foi mortalmente atingido na cabeça. A sorte é Campanha em Itararé em julho de 1932. que tínhamos coberturas de outros grupos, que avançaram a posição...!"

ESTRADAS DO MARMELEIRO Com traçado sinuoso, subidas com grande grau de inclinação e acompanhando serras e rios, a Estrada do Marmeleiro por mais de três séculos serviu de caminho para muitos emigrantes e pioneiros colonos portugueses que buscaram a sorte de encontrar riquezas minerais ou simplesmente ter uma vida tranquila nas concessões que lhes eram doadas. A princípio, o começo dela era na Conceição, ainda no século XVII. Não surgiu como estrada, mas sim como carreiros que saíam das terras tomadas posse. E conforme iam se formado sítios ao longo desses carreiros, um caminho natural começava a se formar. Principalmente, porque se ligava a outros caminhos que se encontravam com ela. Por ser uma estrada disposta a partir de carreiros, com o tempo começou a não mais atender as necessidades da população, necessitando ser melhorada, como é possível observar no pedido de 04 de julho de 1862 presente na página 66 do "Relatório do Presidente Gomes Nogueira da Província do Paraná, na data de 15 de fevereiro de 1863", quando os habitantes do Quarteirão do Marmeleiro "pediram a necessária permissão para proceder aos desvios e melhoramentos nesta estrada, no intuito de encurtar a distância que há a percorrer", os quais foram atendidos. Em virtude deste tímido caminho, muitas terras foram distribuídas as suas margens e região, e os principais beneficiados foram os imigrantes italianos, poloneses e alemães. A própria localidade da Conceição da Meia Lua, por onde passa a Estrada foi um primitivo local de assentamento, assim como a região de Santa Rita e Marmeleiro. No início do século XIX, a Estrada do Marmeleiro se ligava com a Estrada do Assunguy. Atualmente, a Estrada do Marmeleiro é oficialmente conhecida como Antonio Eduardo Trevisan (trecho asfaltado entre 1996-1997), Rodovia dos Minérios até a divisa do Bairro 266

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Marmeleiro com o Bairro Alto São Sebastião (estrada de saibro) onde a estrada é denominada de Arlindo de França, seguindo até a divisa do município (Rio da Barra de Santa Rita) com Campo Magro.

Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, dezembro de 2011

Portal da Estrada do Marmeleiro, infelizmente depredado por vândalos que furtaram a placa de bronze inaugural.

ESTRADAS E RUAS IMPORTANTES A Rua Coronel João Candido de Oliveira localiza-se na sede do município. Em suas margens estavam estabelecidos o primeiro Grupo Escolar na Sede, o posto de puericultura e a Prefeitura. Recebeu esta denominação devido à doação do terreno para construção da Prefeitura e também porque a rua cruzava terras do Coronel ainda em tempos que o Coronel João Candido estava vivo, como consta na "Acta da Sessão Extraordinária de inauguração do edifício destinado à Municipalidade de Tamandaré. 26 de março de 1916". Esta via era na verdade um prolongamento da Estrada da Cachoeira que se ligava com a Estrada do Assunguy. Em novembro de 1976, na gestão do Prefeito Eurípedes de Siqueira foi concluída a pavimentação da Rua Coronel João Candido de Oliveira e da Rua Emilio Johnson, o que alegrou muito os moradores da Sede expressas nas palavras do próprio Prefeito que em entrevista para a "Tribuna dos minérios de 12 de novembro de 1972" relatou: "Felizmente aquele barreiro que tínhamos no centro da cidade nos dias de chuva, não se vê graça ao asfalto". Foto: Tribuna dos Minérios, 12 de novembro de 1976

Rua Coronel João Candido de Oliveira no período de acabamento da pavimentação.

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Segundo a "Tribuna dos Minérios. Asfalto em Almirante Tamandaré. Rio Branco do Sul, ano X, nº 206, 12 de novembro de 1976", capa e p. 4, foram 21.060 m² de asfalto num trecho de 1.320 metros de extensão. Foram instalados 2.800 metros de tubo de 40 e 60 para despejo de águas pluviais; Base: 40 cm de material compacto, 15 cm de pedra britada com concreto de cimento e 3 cm de capa asfáltica, ao custo de Cr$ 2.128.980,26 (Dois milhões, cento e vinte e oito mil, novecentos e oitenta cruzeiros e vinte e seis centavos). A Av. Emilio Johnson incialmente era denominada de "Rua 1". Foi criada em consequência da criação do Loteamento Santa Terezinha na década de 1950. A sua denominação foi uma homenagem prestada ao pai do Prefeito Antônio Johnson no final de seu mandato. Seu Emílio Johnson foi um imigrante islandês que escolheu a cidade para morar com a família em virtude do clima ser mais ameno. Casou-se com Luisa Johnson com quem teve sete filhos: Antonio, Rosa, Cecília, Guilherme, Vilson, André e João. Era carpinteiro e sua especialidade era construir rodas d'água para moinhos e engenhos, além de fazer remédios fitoterápicos. Exerceu a função de subcomissário no ano de 1919 e suplente de delegado na década de 1940. Foto: Floripa Lovato, década de 1960

Av. Emilio Johnson (Rua 1).

Na reportagem da "Folha de Tamandaré. Sede de Tamandaré com Benefícios. Ano II, nº 48, maio de 1987", p. 3, só 11 anos depois, em 1987, na gestão do Prefeito Ariel Buzatto, que foram asfaltadas as ruas que cruzam a Av. Emilio Johnson: Rua Antônio de Siqueira, Rua Lourenço Angelo Buzato, Rua Didio Santos, Rua Frei Mauro, Rua Fredolin Wolf, Rua Antônio Zem, Rua Athaíde de Siqueira e a paralela Rua José Carlos Colodel (obs. apenas a parte central). A Rua Rachel Candido de Siqueira foi asfaltada pelo Estado em 1996, na gestão do Prefeito Cide Gulin. A Rua Bertolina K. de Oliveira recebeu asfalto na 1ª gestão do Prefeito Cezar Manfron, assim como a Rua Paulo Bini, Rua João Baptista de Siqueira. Em novembro de 2011, a Rua Didio Santos recebeu uma complementação asfáltica a partir da Rua Rachel Candido de Siqueira até o cruzamento com a Rua Lauro Baptista de Siqueira. 268

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Foto: Revista Paranaense dos Municípios, p. 11

Av. Emilio Johnson, em 1986.

Com um projeto arrojado do Engenheiro Leonardo Regis Moreira, a avenida no ano de 1999 sofreu uma intensa reforma que também atingiu a antiga praça (o trevo) que lá existia, a qual continha apenas alguns marcos de organização como o Rotary Internacional, e trabalhadas pedras símbolos que representavam a extração do calcário. Esta obra foi inaugurada em 11 de setembro de 1999, na gestão do Prefeito Cezar Manfron. Foto: Antonio Ilson Kotoviski, outubro 2010

Nova Av. Emilio Johnson 2010.

A Estrada do Morro Azul é um importante trecho que liga o Morro Azul à Rodovia dos Minérios. Atualmente, é denominada de Rua Francisco de Lara Vaz, homenagem ao gran269

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de industrial do calcário e cal tamandareense que nasceu em 09 de agosto de 1918 e faleceu em 18 de agosto de 1984. Teve seu asfaltamento terminado em junho de 1988, e foi oficialmente inaugurada às 14h30min, de uma segunda-feira, datada de 27 de junho de 1988, pelo Sr. Ariel Adalberto Buzato junto com o Governador Álvaro Dias. A Estrada foi entregue oficialmente devido às fortes chuvas. Esta melhoria no sistema viário da localidade se deu devido ao grande desenvolvimento da exploração calcareira na região. Existiam outras estradas, não tão convencional à população da sede do município, mas que foram muito úteis aos colonos imigrantes. Elas se iniciavam na importante Estrada do Assunguy. Entre elas, a Estrada da Lamenha Pequena, que cruzava a Colônia Lamenha começando na atual Rua das Laranjeiras, em direção à Colônia Gabriela, seguindo pela atual Rua Professor Alberto Krauser, onde terminava em território de Curitiba, na Fredolin Wolf, seguindo até a atual Cruz do Pilarzinho, no Núcleo de Imigrante do Pilarzinho fundado em 1871. A Estrada da Lamenha Pequena foi também conhecida como Estrada do Tanguá. Teve sua abertura na década de 1870, com o parcelamento da Colônia Lamenha. A Rua Elizio Ferreira do Nascimento, que se inicia na Rua das Laranjeiras, teve sua origem como Estrada Colonial em 1886, com o advento do projeto de implantação da Colônia Santa Gabriela. Ligava a Santa Gabriela ao São Miguel e a Nova Romastak. ESTRADA DE FERRO NORTE DO PARANÁ (CURITIBA-RIO BRANCO DO SUL) Foto: Benedicto Severiano publicada no periódico carioca "O Malho, 14 de maio de 1910, n. 400"

Estação de Tamandaré, em 1910, com o trem de passageiros e ao chão do pátio, toras de Pinheiro-do-Paraná.

O "Relatório apresentado ao Exmo Sr. Dr. Francisco Xavier da Silva Presidente do Estado do Paraná em 31 de dezembro de 1909 pelo bacharel Claudino Rogoberto Ferreira dos Santos Secretário d'Estado dos negócios de obras públicas e colonização" traz em suas páginas 69-89, o histórico da Estrada de Ferro Norte do Paraná, o qual será relatado parci270

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almente, pois se trata de um texto fundado em legislações com adaptações a algumas particularidades locais. A origem da Estrada de Ferro Norte do Paraná foi uma resposta às dificuldades que permeavam o transporte terrestre entre a capital e a Colônia Açungui. No início do século XX isto iria mudar, com o advento da passagem do trem. Principalmente, porque se expressou através do Decreto Estadual n° 35, publicado em 03 de fevereiro de 1890, assinado pelo Presidente do Estado José Marques Guimarães, que especificava as condições e deliberava outras providências referentes à primeira concessão sobre a construção de uma estrada de ferro, que deveria ligar Curitiba ao Açungui (e consequentemente passava pela Vila Tamandaré), tendo previsto o início das obras em dois anos. Porém, o desejo expresso pelo recém-governo republicano do Estado do Paraná de desenvolver uma ligação moderna e eficiente utilizando um meio de transporte rápido entre Curitiba aos vales dos Rios Açungui e Ribeira, com a intenção de facilitar o escoamento das riquezas naturais, principalmente às de origem mineral e também o transporte de pessoas encontraram entraves burocráticos nas exigências constantes da cláusula segunda do contrato de concessão que especificava o prazo para início das obras, o qual fez prescrever as previsões legais do Decreto Estadual n° 35. Dois anos depois do fracasso da tentativa de construção da Estrada de Ferro Norte do Paraná, é assinado pelo primeiro Presidente do Estado do Paraná da Era da Nova Constituição Republicana, o Sr. Francisco Xavier da Silva, em 21 de dezembro de 1892, a Lei nº 75, que autorizava o Poder Executivo a contratar, por meio de concorrência pública, a construção, uso e gozo de uma estrada de ferro que se iniciava em Curitiba e seguia em direção à Vila de Açungui de Cima, com um ramal para Cerro Azul. A mesma poderia se prolongar até Jaguariaíva ou outro ponto mais conveniente da Estrada de Ferro São PauloRio Grande. No entanto, apesar dos privilégios concedidos no texto legal nº 75, não se apresentaram interessados. Entre estes privilégios se destacavam: Uso e gozo da referida linha por 50 anos; 20 metros de terras de cada lado da linha; garantia de 6% sobre o capital de 2.000$000$000 (dois mil contos de réis); e o direito à desapropriação, na forma da lei, dos terrenos indispensáveis à construção da linha. Não logrando êxito, principalmente pela falta de interesse relacionada à insignificância do capital de dois mil contos de réis, o governo paranaense elaborou uma nova estratégia onde o Congresso Legislativo Estadual do Paraná autorizou o Poder Executivo a garantir juros de 7% sobre o capital efetivamente empregado, desde que não excedesse a 25:000$000 por quilômetro, além das outras vantagens ofertadas. No contexto da Lei nº 133, de 28 de dezembro de 1894, foi autorizado o Poder Executivo a chamar concorrência pública sob as bases acima estabelecidas. Para surpresa, não apareceram interessados na empreitada. Porém, mesmo nos anos agitados que se seguiram a partir de 1894 até a restauração do governo legal em 1896, o sonho da estrada de ferro não havia acabado. O Deputado Arthur Almeida Sebrão apresentou um novo projeto o qual após algumas modificações, foi definitivamente adaptado por Lei nº 194, de 17 de fevereiro de 1896, sendo elevado o prazo da concessão a 60 anos, com garantia de 7% durante 30 anos, passando a ser propriedade do Estado a estrada e seu material rodante sem indenização alguma no fim do prazo. O preço quilométrico dos estudos foi elevado a 1:000$000. 271

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Publicados os editais de concorrência, a proposta da empresa Societè Anonyme de Travaux Dyle e Bacalan é aceita em 18 de julho de 1896. Sendo assim, foi formalmente lavrado e assinado o tão sonhado e debatido contrato. As principais cláusulas mandavam observar as condições técnicas estabelecidas pela Secretaria de Obras Públicas reservando-se, porém, ao Governo o direito de alterar a declividade máxima e raio mínimo, empregando um sistema mais econômico que permitisse o aumento da declividade e redução do raio; estabeleciam a obrigação de servir a zona povoada de Botiatuba, Tamandaré e Rocinha, consideradas ponto forçado, devendo alcançar à estação de Curitiba, sendo oportuno e conveniente do ponto de vista dos estudos, que foram concluídos pela empresa em 1897; sendo o valor da construção elevado, segundo o orçamento apresentado, o Governo Estadual resolveu adiar sua construção. Em mais uma tentativa de realizar o projeto dessa ferrovia, o Congresso Legislativo do Paraná, sob a luz da Lei nº 246, de 20 de novembro de 1897, autorizou novamente o Poder Executivo a contratar a construção da estratégica estrada de ferro. Para decepção total, foi contratada apenas a construção da primeira secção, de acordo com os estudos realizados, ou seja, de Curitiba até o povoado de Rocinha. Mais uma vez, a autorização do Poder Executivo de contratar uma empresa que construísse a ferrovia não foi utilizada. Diante disto, através da Lei nº 631, de 14 de março de 1906, finalzinho do governo de Vicente Machado da Silva Lima, foi consignada a verba Fretes e Passagens no orçamento da Receita do Estado do Paraná, para a necessária garantia de juros do capital a ser empregado. Com esse dispositivo legal foi baixado o Decreto nº 298, de 27 de julho de 1906, assinado pelo então presidente do Estado, o Sr. João Candido Ferreira, que concedia a Gaston de Cerjat, ou à empresa que o mesmo organizasse, os privilégios para a construção, uso e gozo da ferrovia. O traçado, segundo os estudos realizados, Foto: Álbum familiar de Ana Ramos Marguleski, década de 1950 deveria atingir uma zona geoeconômica bastante povoada por imigrantes poloneses dedicados à cultura de cereais em geral. Igualmente, acusava no percurso a existência de campos para a criação de gado e de rica vegetação propícia para a extração da erva-mate e madeiras de lei. Ainda nessa região, o subsolo é formado de rochas calcárias, capaz de fornecer mármore branco, cal e cimento. Em janeiro de 1907, chegava à Vila de Tamandaré as obras da linha férrea, e segundo o jornal "A República, de 14 de fevereiro de 1907", os obreiros da estrada de ferro foram recepcionados com grande alegria pelo povo e lhe foram oferecidas bebidas finas patrocinadas por conceituados comerciantes da Locomotiva da Viação Paraná-Santa Catarina passando pela antiga ponte de ferro sobre o Rio Barigui, localidade. próximo da esquina da Rua Coronel João Candido Porém, no que tange as informações da de Oliveira e a Estrada do Assunguy (atual Rachel "Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Candido de Siqueira). 272

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Almirante Tamandaré registradas no Livro Tombo, 1909, p. 20" o local onde ela estava sendo construída era muito próxima de uma capela ali existente desde 1863 (local onde se encontra a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré). Diante deste problema, com o advento da passagem do trem poderia ocorrer o comprometimento da estrutura da frágil edificação de estuque (uma mistura de barro com cal que cobre uma estrutura de varas entrelaçadas), o qual vinha ocorrendo com a passagem do trem de serviço (trem que transportava o material para a construção da ferrovia) em 24 de agosto de 1908, segundo a publicação do Prefeito João Candido de Oliveira disposta no jornal a "República, de 27 de agosto de 1908". A capela foi destruída e outra teve início mais à frente em 1914, e inaugurada em 1918. Tudo indica que umas das fontes de recursos para o advento da construção desta nova igreja tenha origem na indenização que a construtora da ferrovia pagou pelo terreno por onde ela passa, que pertencia ao Coronel João Candido de Oliveira. Nos relatos do Sr. Generoso Candido de Oliveira, ao "Projeto Contos e Lendas de um povo" em 2002, com o advento da construção da ferrovia adentrando em território tamandareense, o Sr. João Candido de Oliveira teve a oportunidade de fornecer os dormentes para a empresa que construía este trecho (divisa Curitiba até os limites com Rio Branco do Sul). O início da construção foi em 19 de dezembro de 1906 junto às comemorações do 53º aniversário da emancipação política da Província do Paraná, e seu término se deu em fevereiro de 1909 no segundo governo do presidente estadual Francisco Xavier da Silva, quando a obra alcançou a Vila Rio Branco. O primeiro trecho totalizou 43.397 metros, o que permitiu ser inaugurada em 28 de fevereiro de 1909 como expressa a "Ata de inauguração do tráfego da Estrada de Ferro Norte do Paraná"; em 02 de março de 1909 foi aberta ao público. A locomotiva inicial utilizada foi uma de seis rodas conjugadas, tipo Mogul pesando vazia (sem o tender) 22 toneladas, e em serviço, 26 toneladas. Foram compradas 2 a um custo de 120:000$000. Também foram comprados 2 carros de passageiros 1ª classe e 2 carros de 2º classe; 3 carros de bagagem; 20 vagões cobertos; 13 vagões plataforma 2 eixos e 20 vagões 4 eixos. O custo total da obra atingiu a importância de 3.573:573$492 contos de réis e pelo Decreto n º 183, de 21 de maio de 1907, assinado pelo presidente estadual João Cândido Ferreira ocorreu por força legal a transferência de sua concessão à Companhia Estrada de Ferro Norte do Paraná. O ponto inicial da linha era no quilômetro 18 daquela Estrada de Ferro do Paraná, seguindo em direção ao vale do Rio Juvevê, em demanda ao vale do Barigui, atingindo 1.035 metros acima do nível do mar, onde encontra a divisa das águas das bacias hidrográficas do Rio Iguaçu e do Rio Tacaniça, acompanha o vale deste rio até a zona compreendida entre os afluentes dos rios Cajuru e Rocinha, terminando na Vila Rio Branco, cuja estação está na altitude de 892,780 metros acima do nível do mar. A estrada originalmente possuía duas pontes com vãos de 40 e 20 metros respectivamente; 33 pontilhões e 150 bueiros. Os funcionários que faziam a manutenção da estrada de ferro eram chamados (apelidados) de turmeiros. Inicialmente, o abastecimento da caldeira se fazia no Boixininga. Depois, a sede de Almirante Tamandaré passou a ser muito importante para o funcionamento da ferrovia. 273

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Devido sua posição geográfica em estar praticamente na metade do caminho entre Rio Branco e Curitiba, era nesta localidade que o trem (Maria Fumaça) parava para abastecer com água sua caldeira e para repor seu combustível que alimentava o fogo: Lenha, principalmente bracatinga. Atualmente, é possível identificar próximo à ponte de ferro que passa sobre o Rio Barigui, a qual margeia a Rua Coronel João Candido, as estruturas que sustentavam as caixas de água que abasteciam o trem. Foto: Álbum familiar de Ana Ramos Marguleski, década de 1950

Locomotiva a Vapor da Viação Paraná-Santa Catarina parada para abastecer a caldeira junto à caixa de água de madeira não mais existente às margens da Rua Coronel João Candido de Oliveira.

Para o tráfego da Estrada de Ferro Norte do Paraná foram construídas cinco estações: Cachoeira (Av. Francisco Kruger, antiga Estrada da Cachoeira); Tamandaré, aberta com o ramal em 1909 (na atual Rua Pedro Teixeira Alves, antiga Estrada do Assunguy); Tranqueira (que ficava na Rua José Chevônica) estas três estações se localizavam na região de Almirante Tamandaré; Itaperuçu (na época território de Rio Branco do Sul) e Rio Branco (ponto final). Existia também uma parada no Boixininga denominada de Caixa da Água. Atualmente no município só existe uma réplica da Estação da Cachoeira para marcar o ápice do transporte ferroviário no município e onde se encontra a Biblioteca Santos Dumont. Na data de 12 de janeiro de 1991, o trem deixou de transportar passageiros. Antiga plataforma de embarque na Sede, onde ocorreu a recepção da comitiva inaugural que, solenemente, abriu o tráfego oficialmente através da pessoa de Carlos Ritz Teixeira de Freitas, em 28 de fevereiro de 1909 no ramal Tamandaré. Após, o comboio inaugural seguiu para Rio Branco para inaugurar a Estrada de Ferro. Em 2002, funcionava como moradia. Não existe mais, foi consumida pelo fogo em 2007. Foto da década de 1990, do acervo da ABPF-Paraná

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No contexto do relatório inicialmente citado, no primeiro ano de funcionamento foi registrado no período de 02 de março a 31 de dezembro de 1909, que as principais mercadorias transportadas em quilos foram açúcar (56.310), aves (4.950), carne seca (7.380), cereais (865.770), farinha de trigo (18.720), farinha de mandioca e outras (66.750), ervamate em rama (64.790), lenha (4.092.000), madeira (4.659.760), material de construção (1.360.640), toucinho (65.210), sal (98.020) e outras mercadorias (186.140). O número nesse período de passageiros transportados foi: 10.960; bagagens 2.722; animais 57; e carros 4. Após o incremento da comercialização da cal para outras cidades do Paraná e Santa Catarina, com a isenção de impostos pelo Governo do Paraná houve predomínio deste produto no transporte desta ferrovia. Com a incorporação da Estrada de Ferro do Paraná pela Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande ocorreu a formação de uma rede ferroviária no Paraná e Santa Catarina administrada pela Brazil Rilway Co. No governo do presidente estadual Carlos Cavalcanti de Alburquerque, foi baixado termo aditivo, de 06 de maio de 1913 para ampliação da linha, que, a princípio deveria partir da Vila Rio Branco, passar por Cerro Azul, com destino a Santo Antonio do Juquiá no Estado de São Paulo (porém, isto nunca ocorreu). A não realização deste segundo trecho da ferrovia se liga, em um primeiro momento, ao advento da Primeira Guerra Mundial, o qual se desencadeou em uma crise econômicofinanceira no Brasil e, consequentemente, diminuiu a entrada de capitais estrangeiros (principalmente o inglês, que era um dos "carros-chefes" da guerra). Por este motivo, não foi permitido o emprego de investimentos na ordem de 27 mil contos de réis, o que adiou as obras de execução de seu prolongamento. Porém, outros adventos históricos, políticos e econômicos ocorridos mais tarde, acabaram inviabilizando a construção do prolongamento até o Estado de São Paulo. Do ano de 1909 a 1942, a ferrovia estava sob responsabilidade da Estrada de Ferro Norte do Paraná. Do ano de 1942 a 1975 fez parte da Rede de Viação Paraná Santa Catarina. Do ano de 1975 até 1996, fez parte da Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima e, por fim, de 1996 até o presente instante, a concessão pertence à ALL América Latina Logística. Na década de 1930 ocorre um trágico acidente na ferrovia envolvendo o transporte de passageiros na região do Humaitá. O trem desencarrilhou e tombou. Segundo relato de Dona Noêmia Kotoviski, que viveu na pele o acidente, foi nesse dia que a Sra. Bertolina K. de Oliveira, esposa do Sr. João Candido de Oliveira, teve o triste destino de perder o seu braço. Segundo a publicação Brasinha (Informativo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição). A Saudade/ Harley Clóvis Stocchero. Ano III, abril de 2002, na década de 1940 existia uma banda de música que alegrava os moradores de Tamandaré aos domingos na estação de trem. A banda era comandada pelo Maestro Pedro Botério, e os músicos eram: Zacarias de Cristo, João David, Ico Scucato, Pedro Bini, Ambrósio Bini, Francisco Lopes, Américo Lopes, Adelmar Teixeira, Tonico Teixeira e Bortolo Stocchero.

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GUIA DE RUAS E SERVIÇOS Com o desenvolvimento urbano viário do município, começou a ser notória a necessidade de um guia de rua para facilitar a vida de motoristas e pessoas que buscavam achar endereços na cidade. Na Gestão do Prefeito Cide Gulin, com o apoio da Associação dos Servidores Municipais de Almirante Tamandaré (Assemat), em outubro de 1993, junto com a comemoração do 104º aniversário da cidade, Antonio Ilson Kotoviski e o diretor de imprensa Aristides Gustavo Machado lançam o primeiro guia de rua do município, que naquele momento histórico abrangia Campo Magro. Este guia foi distribuído pela prefeitura municipal de forma gratuita como é feito até os dias atuais (2012).

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Capa do 1º Guia de Ruas do Município, com a foto da atual prefeitura do município.

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Meios de transporte Os meios de transporte terrestres no município praticamente até o efetivo desenvolvimento das vias públicas foram de fundamental importância para o próprio avanço econômico e de comunicação da cidade. Diante deste contexto, na "Gazeta do Povo, 13 de novembro de 1934", é relatado o "notável número de veículos existente no município, mormente os de tração animal superior a 1.000, possui também um grande número de autocaminhões e automóveis particulares". CARROÇAS Por mais de 70 anos, desFoto: Estado do Paraná, 1923. ESTADO DO PARANÁ, São Paulo: Capri & Olivero, Empreza Editora Brasil, 1923, s. p./capítulo Tamandaré de a criação do município, o principal veículo de transporte foi a carroça, que foi um legado difundido pelo imigrante europeu em solo tamandareense. Na década de 1920 até a década de 1960, ocorria um fato curioso para nós nos dias de hoje. As carroças eram obrigadas por lei a serem emplacadas e pagarem tributo anual (uma espécie de IPVA), para atender a legisla- Carroça sendo utilizada para transportar o minério de calcário até o ção vigente no Estado do Pa- forno da Fábrica Mercúrio. raná. Um exemplo interessante é o requerimento junto à Prefeitura de Tamandaré em 14 de setembro de 1931, elaborado pelo lavrador Sr. Augusto Hecke, morador na localidade 277

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de São Venâncio presente no "Arquivo de Requerimentos apresentados à Prefeitura Municipal de Tamandaré a contar de 11 de novembro a 30 de dezembro de 1931", que solicitou uma nova placa (a mesma que usava em sua antiga carroça nº 282), pelo fato desta ter sido destruída pelo fogo que atingiu seu paiol. Esta placa serviu para colocar na nova carroça adquirida de seu genro que mora em Curitiba. Ele pagou 1.000 réis pelo requerimento. No que tange o supracitado arquivo de requerimentos, o Sr. Paulo Ribeiro de Castro, que possuía a carroça com a placa nº 02, solicita o fim da cobrança do tributo, em virtude da carroça não existir mais, pois foi destruída pelo fogo. TRANSPORTE COLETIVO Na "Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Almirante Tamandaré, PR. IBGE, Vol. XXXI Paraná, 1959", p. 26, é observado que na década de 1950, com a construção da Rodovia Estratégica, o transporte rodoviário melhorou a ponto de surgir uma empresa de ônibus (Expresso Rio Branco), que transportava pessoas de Tamandaré até Curitiba. Porém, como o ônibus só passava pelo trajeto da rodovia, os moradores do centro de Tamandaré tinham que ir até onde hoje fica o Portal de Almirante Tamandaré, no trevo para pegar o ônibus que passava apenas duas vezes por dia. Ou seja, vinha de Rio Branco do Sul catando o pessoal, e depois à tarde voltava em direção a Rio Branco do Sul. Com o advento da crescente industrialização da capital que se refletia em todos os setores da economia na década de 1960, ocorreu um aceleramento da urbanização. Um dos setores atingidos e que deveria ser modernizado rapidamente foi o do transporte coletivo, o qual era o principal responsável em dar condição para que as pessoas conseguissem chegar até seus empregos. A "Tribuna dos Minérios. Johnson inaugura linha de ônibus. Almirante Tamandaré, nº 101, 21 de julho de 1972", capa e p. 3, noticiou que na data de 02 de julho de 1972, às 11h00, no Parque São Jorge, era inaugurado pelo Prefeito Antônio Johnson, a pioneira linha de ônibus Parque São Jorge/Curitiba via Estrada da Cachoeira, que funcionava em dois horários: manhã e noite. A prestadora deste serviço era a Auto Viação Copa Verde. Porém, era uma prestação de serviço que não estava legalizada pelo DER no momento, como nunca foi. Fonte: Tribuna dos Minérios, 21 de julho de 1972

Inauguração da linha Parque São Jorge/Curitiba 02/07/1972.

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No contexto da notícia publicada na "Tribuna dos Minérios. DER apreende ônibus Tamandaré - Cachoeira. Ano XII, nº 273, 23 de setembro de 1979, capa, em 1979, a Auto Viação Copa Verde não havia conseguido ainda a autorização do DER para explorar a linha Tamandaré - Cachoeira. Após, a linha foi abandonada sem avisar o departamento competente da Prefeitura Municipal. Diante deste contexto, o Prefeito Roberto Perussi solicita que outra empresa preste o serviço, o qual é aceito pela Viação Carta Ribeiro. Porém, em virtude da precariedade da Estrada da Cachoeira, em períodos de chuvas o ônibus era obrigado a dar volta pelo asfalto da Rodovia dos Minérios até o Bomfin; e conforme as condições até o Abranches, onde entra para o ponto de Cachoeira via Barreirinha. Às 17h00 do dia 11 de setembro de 1979, fiscais do DER apreenderam o ônibus devido à falta de licença específica. O tempo da Auto Viação Copa Verde e posterior e efêmera Viação Carta Ribeiro eram difíceis, como é possível perceber no diálogo entre o historiador Pedro Martim Kokuszka e o Prefeito Cezar Manfron, eternizado na obra "Nos Rastros dos Imigrantes Poloneses", em sua página 389: "Em Almirante Tamandaré, também em tom de brincadeira trocamos farpas com o Prefeito. No gabinete ele diria: "Pois é Pedrão, quem diria eu, família pobre do Pacotuba aqui, Prefeito, e você escrevendo tantas façanhas desses imigrantes fantásticos". E eu contraponteando: Lembras, Prefeito, quando descíamos à pé das bandas da Cachoeira até Almirante Tamandaré, estrada de chão, escuridão e você dizia: Algum dia serei Prefeito dessa cidade. Não teremos essa escuridão, teremos ônibus até à vila. Naquele tempo eu cursava Administração de Empresas, onde o Luca foi meu professor. O atual Prefeito cursava na época o Segundo Grau. Almirante Tamandaré não era servido por linha regular de Curitiba via Cachoeira. Existia ônibus pela Rodovia dos Minérios e o último saía da rodoviária velha antes das 22 horas. Nós que estudávamos, a única alternativa era pegar ônibus que vinha até uma altura da Cachoeira e, depois, descíamos a pé..." "De Almirante Tamandaré até Cachoeira existia uma linha irregular de ônibus durante o dia. Era um sucatão vermelho escuro que vivia quebrado". Com o advento do asfalto na sede de Almirante Tamandaré, a Viação do Sul, que desde o início da década de 1970, adquiriu a concessão do transporte viário na Rodovia dos Minérios, criou em 1978 o itinerário Almirante Tamandaré/Curitiba, o qual partia do ponto final localizado na Av. Emilio Johnson, em frente à Cancha de Esporte (atual Praça Vice-Prefeito Frederico Manfron praça do skate) com saídas de segunda à sábado (menos 8h30) às 6h20; 7h25; 8h30; 10h30; 12h25; 15h30; 17h30 e 18h45; no domingo às 7h30; 9h00; 10h30; 13h45; 15h45; 17h30 e 18h45 onde seu destino em Curitiba era o atual Terminal Metropolitano do Guadalupe, antes Rodoviária Intermunicipal; ali também o primeiro ônibus de Curitiba com destino a Tamandaré saía de segunda à sábado às 6h55 e o último às 19h45. E no domingo, o primeiro era 8h25 e o último às 19h25. Se por acaso a pessoa perdesse o último ônibus para Tamandaré, tinha que espera a saída do Rio Branco do Sul às 23 horas. Em 30 de março de 1972, Antônio Johnson assinava o Decreto nº 06 e, depois, em 14 de setembro de 1972, o anexo que regulamentava o serviço de táxi no município, ambos publicados na "Tribuna dos Minérios, de 22 de setembro de 1972, nº 106, p. 4". Porém, o grande propulsor para o avanço do transporte coletivo foi a Lei Complementar nº 14, de 08 de julho de 1973, sancionada pelo Presidente da República Garrastazu 279

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Médici, que estabelecia Almirante Tamandaré como integrante da Região Metropolitana de Curitiba, possibilitando a Criação da COMEC (coordenação da Região Metropolitana de Curitiba) em 1974. Este fato alterou radicalmente o transporte coletivo intermunicipal, o qual se interligou ao de Curitiba com o advento da Rede Integrada de Transporte, em 1980. Em 1986, na gestão do Prefeito Ariel Adalberto Buzzato, ocorreu a construção do Terminal da Cachoeira, na atual Rua Francisco Kruger, esquina com a Rua Professor Antonio Rodrigues Dias. O Terminal só recebeu um nome oficial em decorrência do Projeto de Lei Estadual nº 197/2007, proposto pelo Deputado Estadual Edson Strapasson, aprovado em Lei nº 15.566, de 05/07/2007, publicada no Diário Oficial nº 7.518, de 20/07/2007, cujo em seu Art. 1º expressava o seguinte: "Fica denominado de VEREADOR DIRCEU PAVONI, o terminal de transporte coletivo da Cachoeira, situado na Av. Francisco Krüger, s/n, Bairro Cachoeira, sob a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba - COMEC, no Município de Almirante Tamandaré". A justificativa parlamentar para a denominação utilizada foi a seguinte: "Através deste projeto de lei venho prestar a justa homenagem ao Vereador Dirceu Pavoni, um grande líder comunitário buscando sempre o bem de sua comunidade. Dirceu Pavoni, nasceu em 09 de setembro de 1952, de tradicional família do grande Bairro da Cachoeira, foi casado com Dete Pavoni com quem teve dois filhos, Rodrigo e Rita. Desde a juventude sempre esteve envolvido com a comunidade, tentando resolver seus problemas e amenizar o sofrimento dos mais carentes. Como Vereador, por dois mandatos, trabalhou arduamente em prol dos direitos e necessidades de todos os munícipes. Sempre preocupado com o próximo, Dirceu Pavoni vivia para o povo e com o povo, sendo exemplo de simplicidade e humildade incomparáveis, esposo e pai exemplar, um cristão dedicado ao amor do próximo. Sendo uma pessoa muito alegre, querida e conhecida por todos do município, esse grande homem e líder inesperadamente faleceu em 13 de junho de 2003, deixando muita saudade, muitos amigos e marcas profundas em toda a comunidade, principalmente no Bairro Cachoeira, onde viveu sua vida inteira. Sendo portanto, muito justo o préstimo desta homenagem in memoriam". Foto: Revista Paranaense dos Municípios, p. 11

Terminal da Cachoeira recém-construído.

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Depois disso, no final da gestão do prefeito Cide Gulin (Arcidíneo Félix Gulin), o terminal se integrou em junho de 1993 a outros terminais na capital pelo sistema Rápido Metropolitano. Inicialmente, ele era abastecido pelas linhas São Jorge, Geanini, Monte Santo, São Francisco, Prefeitura, Gramado e Bonfim, pertencente à Viação Tamandaré. A inauguração do sistema integrado contou com a presença do Governador Roberto Requião, dos Deputados Estaduais Neivo Beraldin e Kleyton Kielse e dos Vereadores da cidade. No ano de 1996, chega a Linha Ligeirinho no Terminal da Cachoeira, ampliando a mobilidade do usuário do transporte público em Tamandaré. A criação do Terminal Rodoviário Metropolitano de Almirante Tamandaré, cujo nome oficial é Terminal Urbano João de Barros Teixeira, foi estabelecido pela Lei nº 758/2000, junto à rotária da Rua Domingos Scucato com a Av. Emilio Johnson, inaugurado em 26 de junho de 2000 na gestão do Prefeito Antonio Cezar Manfron de Barros. Com o Terminal, a população de Almirante Tamandaré ganhou novas alternativas de deslocamento utilizando o transporte público, pois agora poderia ir para Rio Branco do Sul, Itaperuçu, Colombo e Curitiba, sem contar o deslocamento para os bairros da cidade. AUTOMÓVEIS Foto: Álbum de Albino Milek, década de 1960

Joanim Busato, em frente a seus fornos (sociedade com Francisco Vaz) no Morrinho Vermelho (Boixininga).

Um fato narrado pelo Sr. José Ido da Cruz traz à tona que a existência de automóveis em Almirante Tamandaré se fazia desde 1929. Segundo o que ele escutava de seus pais, o seu Fredolin Wolf saiu à pé da Conceição (na época localidade pertencente ao município) até a Barra de Santa Rita. Ali pegou uma carona (de carroça) até a capital, onde foi comprar um Ford 1929 (zero). E na capital mesmo aprendeu a dirigir voltando guiando até a Conceição. Outro fato interessante a se destacar é que, apesar de existirem carros na década de 1920 até meados de 1960, havia muita dificuldade em abastecê-los. O posto mais próximo da sede de Almirante Tamandaré ficava na Estrada do Assunguy, em Curitiba, onde hoje 281

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é a Churrascaria do Ervin, na Av. Mateus Leme, 2746. Isto sem contar que não se abastecia só o carro. Os proprietários de automóveis levavam tambores para enchê-los ou pediam para quem fosse de caminhão para a capital buscar mercadoria que trouxesse combustível. Não só para os carros, mas para os geradores de eletricidade. Porém, isto só iria mudar a partir do começo de 1969, quando o seu Ernesto Wolf inaugura o primeiro posto de gasolina na sede do município sob a bandeira da distribuidora de derivados de petróleo Shell, localizado onde hoje é o atual posto L.M. de bandeira da distribuidora Pelikano, às margens da atual Rodovia dos Minérios, km 14,5. No entanto, também na década de 1970, seu Reinaldo Buzzato (ex-Vereador do município em vários mandatos), abre concorrência ao posto do Sr. Ernesto, com um novo posto sob a bandeira da distribuidora Esso (Posto Incasal), localizado também às margens da Rodovia dos Minérios no km 16, em frente aos fornos de cal. Este posto não existe mais. Há de se ressaltar que o primeiro posto no município foi aberto na região do Passaúna nas margens da Rodovia do Cerne, pelo Sr. Himério Lugarini, que possuía uma bomba de gasolina sob a marca da Texaco, isto na década de 1940. Em referência às informações prestadas por Didio Santos em parceria com Harley Clóvis Stocchero, no Relatório municipal de 1951, que tornou-se base da posterior obra histórica, "Estudo histórico, estatístico, econômico, descritivo do município de Timoneira. Timoneira: Prefeitura Municipal de Timoneira, dezembro de 1951", em 1948 existia: 3 automóveis, 18 caminhões e 2 caminhonetes. No ano de 1949, a frota pouco aumentou, pois existiam 4 automóveis, 17 caminhões e 5 caminhonetes. No ano de 1950, a frota quase dobrou, pois eram 4 automóveis, 27 caminhões, 7 caminhonetes e 1 motocicleta. No ano de 1956, segundo o censo, existiam 163 automóveis registrados na cidade, onde 141 eram caminhões e 22 eram carros de passeio. Destes 141 caminhões, um pertencia a Pedro Jorge Kotovski (Ford 46), seu José Francisco Kotovski tinha um BedFord 44, que utilizavam este meio de transporte para buscar mercadorias na capital para abastecer a mercearia de Pedro J. Kotoviski e também para levar mercadoria a outras localidades (Açungui), como fazia o Sr. José Kotoviski, além de transportar cereal e cal. O Sr. José Ido da Cruz, também era proprietário de um caminhão Ford 29 (à manivela), que também servia para trazer e levar mercadoria para a capital. Segundo o Sr. José Ido, ele fornecia ovo para a Fábrica Todeschini e para a Fábrica Lucinda. O Sr. Pedro levava erva-mate para o Açungui; levava laranja colhida no Córrego Fundo e para a fábrica de vinho de laranja em frente à Cruz do Pilarzinho. Porém, esta atividade realizada por estes pioneiros senhores não era exclusiva. Outras pessoas possuíam caminhões: Antonio Dunaiski (madeira), Francisco de Lara Vaz (madeira e calcário), Leandro Estefano Tosin (calcário), Estanislau Krizizanoski (verdura), Isidoro Goinski (verdura), Cal Macedo (calcário), fora outros não identificados, devido à inelegibilidade da fonte, os quais levavam sua produção de verdura, calcário, pedra brita, madeira, vinho para a capital. E dela também traziam mercadorias para abastecer mercearias mais retiradas na região tamandareense. Os automóveis de passeio identificados na década de 1950 pertenciam: Pedro Goinski, José Bregenski, Francisco Lara Vaz, Pedro Jorge Kotoviski, João Roque Tosin, Joanim Busato, família Wolf. No entanto, não faz parte desta lista, o dono do primeiro automóvel em Tamandaré. 282

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Realidade muito diferente da estatística do IBGE de 2010, que apresentou uma frota automotiva tamandareense caracterizada em: 19.171 automóveis; 1.125 caminhões; 247 caminhões trator; 74 micro-ônibus; 5.470 motocicletas; 859 motonetas; 198 ônibus; 6 tratores (fora os que estão na ilegalidade ou não estão registrados no município). O ÚLTIMO MOTORNEIRO Foto: Certificado de Reservista

O saudoso tamandareense Benjamin Cailesso (Carlesso) entrou de 3ª Categoria nº 60.458. para a história do transporte público no Paraná. Às 20 horas, do dia 23 de junho de 1953, na esquina da Rua 24 de Maio com Emiliano Perneta em Curitiba, os passageiros ficaram no ponto e o velho bonde disse adeus, dando lugar aos ônibus, mais confortáveis e rápidos. Em entrevista prestada ao Diário Popular, ele conta: "O último bonde quem recolheu fui eu. De uniforme amarelo-caqui, jaquetão e camisa creme, gravata preta e boné amarelo. O meu boné tinha o número 21 (...)". Benjamin Cailesso Só para constar, motorneiro é a denominação dada a quem con(grafia do nome e sobrenome de acordo duz bonde. com a assinatura do Em referência ao tradicional morador da Vila de Tamandaré Benmesmo). jamin Cailesso foram coletadas as seguintes informações pessoais disponibilizadas pelo "Certificado de Reservista de 3ª Categoria nº 60.458", sob a guarda do professor de História, Erico Peres Oliveira, filho de Célia Prado (Célia do Benjamin), que cita que ele nasceu em 23 de março de 1910, em Tamandaré. Seus pais eram os imigrantes italianos Pedro Antonio Cailesso e a Sra. Maria Angela Juliani Cailesso. Seu Benjamin, em 1934, era funcionário público estadual. Na década de 1970, trabalhou no Posto Rural Estadual que vendia implementos agrícolas. Foi casado com a Sra. Anna P. Cailesso. Faleceu em 21 de fevereiro de 1981. TRANSPORTE DUTOVIÁRIO Entende-se por transporte dutoviário o sistema que permite a movimentação de fluídos e gases através de uma linha de tubos ou dutos realizado por pressão sobre o produto a ser transportado ou por arraste deste produto por meio de um elemento transportador. No que tange esta modalidade de transporte, no ano de 1997, como estratégia do governo federal para implantar o uso do gás natural nas regiões de alta demanda de energia, começava cortar o município pelas regiões de Alto São Sebastião, Marmeleiro, Campina de Santa Rita e Barra de Santa Rita as tubulações do Gasoduto Bolívia-Brasil.

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Comunicações Apesar das comunicações mais modernas terem sido instaladas recentemente no município, seu impacto no cotidiano foi visível, pois tecnologias que até na metade da década de 2000 eram consideradas de luxo, hoje são acessíveis a diferentes classes sociais. No entanto, o suporte de infraestrutura dessas novas mídias ainda carece de melhoramentos, mesmo tendo ocorrido um progresso bem notório em relação às décadas anteriores. CORREIOS E TELÉGRAFOS A comunicação tradicional à longa distância sempre se fez por carta. Esta forma de comunicação transcende as origens do descobrimento, sendo assim, a comunicação por carta sempre esteve presente na história de Tamandaré. Inicialmente, esta comunicação era feita por particulares e pessoas comuns, que quando iam para a capital levavam as cartas aos endereçados e, consequentemente, traziam a resposta destes. Geralmente sem custo, porque era um favor feito aos conhecidos, sendo uma prática que ocorria mesmo com a existência de um agente oficial do Estado na região. No século XIX, com o desenvolvimento de quarteirões nas proximidades da Estrada Geral (velha Estrada do Botiatuba e posterior ramal da Estrada do Assunguy), o governo criou um sistema de correio que atendia (passava) os povoados de Votuverava, Taperussu (Itaperuçu), Tranqueira, Pacotuba e Taboão. Um agente era nomeado pelo governo estadual que tinha por função levar uma vez por semana as cartas desta localidade para a capital, e por efeito trazer outras dela. O posto de coleta e distribuição era a casa do próprio agente e do inspetor de quarteirão (nas localidades onde passava) ou de outra pessoa que aceitasse a responsabilidade. Este serviço possuía uma taxa e o transporte da correspondência era feita a cavalo. Auxiliavam os agentes dos correios os estafetas (entregadores de carta, carteiros). Com a autonomia da cidade, ocorreu por efeito a criação de uma Agência de Correios na cidade, e o jornal "A República, de 1º de junho de 1890", publicou a portaria de criação 285

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e seu respectivo agente nomeado, o Sr. Carlos Augusto do Nascimento. No mês de setembro 1891, insistentemente, o "Correio Official" publicou por vários dias um edital convocando pessoas que se interessassem a prestar o serviço de correio nas localidades citadas na publicação, para apresentarem propostas em outubro de 1891. Relacionado à Tamandaré, a concessão era "Assunguy/Curitiba - 5 viagens mensais" (via Estrada Assunguy). A partir de um texto redigido por "Hermenegildo de Lara, datado de 1984", são citados os seguintes estafetas: Waldomiro Cardoso no período de 1912-1918; Prudente Candido de Oliveira no período de 1918-1919; Arantes Baptista de Siqueira no período de 19241928; Paulino Johnson no período de 1929-1930; Lourenço Scucato no período de 19331935 e João Scucato Neto no período de 1935-1972. Com o advento do trem, estas respostas ficaram mais rápidas, pois toda semana o trem passava pela cidade para abastecer, ser carregado e pegar o malote de correspondências que tinham origem na caixa postal existente no início do século XX nas estações de trens (Cachoeira, Sede e Tranqueira). Para poder utilizar este serviço, era necessário que as cartas fossem seladas junto ao agente responsável. Um fato interessante envolvendo os Correios foi publicado no jornal "A Notícia, de 20 de novembro de 1906", foi que a diretoria do citado jornal advertia ao administrador dos Correios que na linha Curitiba-Tamandaré havia violação de malotes, onde edições do periódico sumiam ou não chegavam para os assinantes. Em 1912, foi nomeada a Sra. Maria Cândido de Oliveira para exercer a função de agente na Sede, onde permaneceu até 1918. Segundo as informações presentes na página 3352 do "Almanak Laemmert, 1919-1920 - República dos Estados Unidos do Brasil Capítulo Paraná", o correio passou a ser de competência federal, sendo os agentes responsáveis pelo serviço na cidade no final da década de 1910 os Srs. Narciso Antônio na Sede e Maximiano de Christo Rosa, em Tranqueira. A história da carta transcende o povoamento de Tamandaré. Porém, no contexto de emergência se utilizava o telégrafo, disponível na cidade desde a chegada da linha férrea na década de 1900, a qual era a única forma de comunicação rápida, mas limitada, que existia com a Capital e Votuverava (Rio Branco do Sul). Este serviço poderia ser utilizado na cidade nas estações da Cachoeira, Tranqueira e da Sede. Este sistema de comunicação inicialmente era controlado pela concessionária que administrava a ferrovia até o advento da Empresa de Correios e Telégrafos. Em 1931, é criado o Departamento de Correios e Telégrafos, o qual melhorou um pouco o serviço postal na cidade. Porém, continuou vinculado à Rede Ferroviária, no entanto, neste período se destacou seu Domingos Scucato, pois por 30 anos foi o principal prestador de serviço e agente do Departamento de Correios e Telégrafos em Almirante Tamandaré como cita o artigo publicado na "Tribuna dos Minérios. Centenário de Domingos Scucato. Ano XII, 23 de setembro de 1979, nº 273". No ano de 1934, constava em Tranqueira uma Casa de Correios sob a responsabilidade da Sra. Almerinda Kruger. No ano de 1967, foi criado o Ministério das Comunicações, que a partir de 1968 recebe em sua estrutura do já existente Departamento de Correios e Telégrafos DCT). Em 20 de março de 1969, o Departamento de Correios e Telégrafos, por meio do Decreto-Lei nº 286

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509 é transformado na empresa pública Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). O qual teve como principal agente o Sr. João Scucato, Rosa Scucato Ziolcowski no período de 1941 até 1952 e, após, Dona Zélia Viana. O trem foi utilizado como meio de transporte de malotes de correspondências até o advento da Estrada Estratégica em decorrência da passagem do ônibus da viação Expresso Rio Branco, que facilitou e agilizou o transporte dos malotes do correio. Na gestão do Prefeito Ariel Buzato foi instalado no município postos de serviços dos Correios e telégrafos nas seguintes localidades: Campo Magro, Tranqueira e Lamenha Grande como expressa a "Revista Paranaense dos Municípios. Especial Almirante Tamandaré, fevereiro de 1986, ano XVIII", p. 6. TELEFONE O telefone em Almirante Tamandaré foi uma consequência do próprio desenvolvimento desta tecnologia no Brasil, pois é muito recente e se confunde com a própria história da Telepar, em 27 de novembro de 1963. Neste período, 4,5 milhões de paranaenses dividiam 21 mil telefones. Constituída por capital público e privado, a Empresa iniciou a execução de um plano básico de telecomunicações. Multiplicaram-se as instalações e a TELEPAR passou a fornecer serviços locais e interurbanos de telefonia, até então operados precariamente por pequenas companhias, algumas delas somente com serviço local. Ou seja, desde 1887, existia telefone em Curitiba, implementado pelo próprio inventor do telefone, Alexander Graham Bell que ligava o Palácio da Presidência do Estado (esquina da Rua Barão do Cerro Azul e Carlos Cavalcanti) com a Secretaria de Polícia, o Quartel do 3º Regimento de Artilharia e a Estação da Estrada de Ferro. Em 1895, existiam 50 linhas de telefones particulares estaduais e telefones públicos. Em 1907, Ponta Grossa recebe a primeira Companhia Telefônica do Paraná. Em 1927, é criada a Companhia Telefônica Paranaense vendida em 1935. Com o advento da Telepar, o processo de modernização foi rápido. Pelo fato de Almirante Tamandaré estar próximo à capital, em 1966 foi beneficiado com o telefone, pois neste ano, segundo um dos pioneiros a ter telefone na cidade, o Sr. Albino Milek e participante da reunião entre os moradores da Sede, ao qual a Telepar fez a seguinte proposta: "Era necessário à localidade adquirir no mínimo 50 telefones, para que fosse implantada a telefonia na cidade". Neste contexto, a proposta foi aceita, e a prefeitura comprou dois, o Sr. Mario Veiga comprou 15 telefones. Neste marco inicial, o número de telefone só possuía dois dígitos. O fone da Prefeitura era 22. No começo dos anos 70, praticamente todo o Estado era pioneiro nos serviços interurbanos com Discagem Direta à Distância (DDD). A partir de 1971, isto mudou com o Plano de 1 Milhão de Telefones para Curitiba. Em 1975, quando o governo federal incorporou a Telepar ao Sistema Telebrás, encontrou uma empresa forte e moderna, com expressiva qualidade na prestação de serviços de telecomunicações. Neste começo de década, mais 50 telefones integraram a rede de Almirante Tamandaré, ocasionando a necessidade de acrescentar mais um digito no número. Por exemplo: o número da Prefeitura, referente ao gabinete do Prefeito era 262 e a da secretaria era 222, segundo o "Guia Telefônico do 287

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Paraná Região Sul 76/77. Almirante Tamandaré. Curitiba: GTB, 1976". É noticiado pela "Tribuna dos Minérios. 120 telefones para Almirante Tamandaré. 28 de março de 1975, nº 167", p. capa, que no ano de 1975, para atender a demanda de mais 120 telefones para a cidade, começa a ser construída na segunda quinzena de janeiro de 1975, a Central Telefônica junto à Av. Emilio Johnson na Sede e entregue em junho. O responsável técnico frente aos serviços foi o Técnico Miguel Quirino Barbosa. O convênio para esse empreendimento entre a Prefeitura Municipal e a Telepar deu-se no mês de outubro de 1974. Foto: Tribuna dos Minérios, 28 de março de 1975

Central Telefônica em fase de construção na Sede.

Com a Central Telefônica funcionando, foi possível que, em 1976, as 120 linhas previstas fossem disponibilizadas ao município. Porém, apenas na Sede, no segmento da Rodovia dos Minérios e em alguns pontos do município. Ou seja, Rodovia dos Minérios, na Rua Coronel João Candido de Oliveira, na Av. Emilio Johnson, na Rua Didio Santos, na Rua Pedro Teixeira Alves e na Rua Antonio Stocchero, na Travessa Tamandaré (atual Rua Frei Mauro), Rua Rachel de Siqueira, na Wadislau Bugalski, na estrada da Venda Velha, na antiga Estrada de Colombo, e no começo do Pacotuba. Campo Magro e região o serviço era prestado por outra central telefônica. Os telefones existentes na cidade eram 55 de proprietários particulares e 88 pertencentes às empresas, instituições públicas e religiosas (calcário, comércio, banco, prefeitura). Em 1978, os dígitos eram de apenas seis números; o número da prefeitura era: 57-1122 ou 57-1314, como é possível observar no "Guia Telefônico do Paraná Região Sul 77/78. Almirante Tamandaré. Curitiba: GTB, 1977". Nestes tempos, independentemente de condições financeiras, a linha telefônica era muito cara, a pessoa interessada tinha que esperar para comprá-la, pois dependia da implantação de ramal em sua rua ou localidade. No final da década de 1980, para promover o acesso ao telefone às pessoas moradoras em localidades mais retiradas, foram criados os postos telefônicos; para se comunicar com alguém naquela localidade, havia necessidade de ligar para o posto, dizer com quem queria falar, e aguardar o retorno da ligação. A atendente ia avisar a pessoa que recebeu o telefonema para esta retornar a ligação. Existia um posto telefônico no Marmeleiro, Retiro e Conceição. 288

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A "Folha de Tamandaré. Telefone Comunitário para Marmeleirinho, nº 198, 31 de março de 1994", p. 2, cita que em abril de 1994, foi inaugurado pelo Prefeito Cide Gulin, um posto telefônico na Rua Arlindo França, no Marmeleiro, o qual beneficiou os moradores do Marmeleirinho, Cachimba e Marmeleiro, sendo a responsável pelo posto a Sra. Terezinha Paulin Stival. Este posto possuía a disponibilidade de dez ramais, mas só sete foram utilizados, segundo informações do Sr. Osvaldo Stival em fevereiro de 2011. TELEFONE PÚBLICO Na primeira gestão do Prefeito Roberto Perussi a cidade começa a desfrutar de telefones públicos, sendo o primeiro da Sede localizado em frente ao Colégio Estadual Ambrósio Bini na Av. Emilio Johnson, nº 71, cujo funcionamento era com ficha metálica (uma moeda com dois cortes na cara e um corte na coroa). A partir das informações prestadas pela "Tribuna dos Minérios. Tamandaré ganha Telefone Público. 29 de outubro de 1981, nº 321", p. 4, os créditos por esta nova infraestrutura na cidade deveu-se ao empenho do saudoso Sr. Edson Dalke, que no dia 15 de outubro de 1981 viu seus esforços serem concretizados com a instalação do primeiro telefone público da cidade. O qual para conseguir esse benefício para a cidade, contou com a ajuda de alguns políticos e o apoio do Dr. Renato Johnson Secretário do Interior e Justiça. A solenidade contou com a presença do Dr. Renato A. Johnson, do Dr. Amaury Blay Piazeta, do Sr. José Glemio de Oliveira, do Engenheiro Deoclécio Storte da Prefeitura e de um grande número de populares. Neste mesmo período, também foi implantado um "orelhão" (apelido para o telefone público) na Cachoeira. Foto: Tribuna dos Minérios, 29 de outubro de 1981

Primeiro telefônico público da cidade (orelhão). Na foto: Marcelo (criança atrás da bicicleta, sobrinho de Edson), Sra. Aurora Helena (esposa do Sr. Edson), Edson Dalke e seus filhos Leandro (no telefone) e Priscilla.

Até o fim da década de 1980, o telefone público era uma tecnologia de comunicação extremamente importante, em razão de que a implantação do mesmo em uma localidade tinha que atender o status de "utilidade pública". Foi neste contexto que, em agosto de 1989, foi implantado um telefone público no Jardim Graziele, o qual foi "inaugurado" com a presença do Prefeito Roberto Perussi, do vice Eurípedes de Siqueira e do vereador 289

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Lauro Barchick, além de populares. Nesta ocasião ficou registrado pela Folha de Tamandaré, de 15 de agosto de 1989 a seguinte frase: "Telefone deixou Jardim Graziele mais perto do mundo". Em outubro de 1998, a Telepar lança os cartões telefônicos da Série Municípios do Paraná. Era uma coleção de 399 cartões. O cartão número 04 desta série era o da cidade de Almirante Tamandaré, que teve uma tiragem de 230.000 exemplares. A estampa ilustrativa foi uma cortesia da Prefeitura Municipal de Almirante Tamandaré. Acervo da coleção de cartão de Antonio Ilson Kotoviski Filho

Cartão da Série Municípios do Paraná 4/399.

TELEFONE CELULAR Em 1992, foi implantado o Serviço Móvel Celular no Paraná, com a ativação do serviço em Curitiba. Em 30 de janeiro de 1998, foi criado a Telepar Celular S.A, que a partir desta data passava a condição de Concessionária Pública da banda "A", para a prestação do Serviço Móvel Celular no Estado do Paraná. Porém, só em 1997 é concluída a torre (estação de Rádio Base), que permitiu ao povo de Almirante Tamandaré utilizar aparelho móvel celular no território da cidade, como é informado pela notícia publicada pela "Gazeta Ancorado. Telefonia celular. Ano II, nº 31, 24 de dezembro de 1996". INTERNET Nesses dias em que ligar o computador e se comunicar com o mundo em questão de segundos parece ocultar que toda esta tecnologia e facilidades de comunicação são recentes em nosso país e no mundo. No Brasil, a interligação de computadores só ocorreu em 1988, porém, ficaram restritas às universidades brasileiras com ligações às instituições norteamericanas. Em 1989, este sistema começa a abranger e interligar as instituições públicas. 290

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Uma dessas instituições públicas eram os bancos estatais (Banestado, Banco do Brasil). Segundo a "Folha de Tamandaré. Banestado se integra ao Banco 24 horas. 1ª quinzena dezembro de 1989, nº 87, em 15 de dezembro de 1989, as agências do Banco Banestado começavam a se integrar à Rede do Banco 24 horas. Em 1990, começava operar tanto no Banco Banestado, quanto no Banco do Brasil e também no Banco Bamerindus, o Sistema de Transferência Eletrônica on-line, cujo sistema operava em transmissões via-satélites. Porém, essa interligação digital só chegou ao município de Almirante Tamandaré no final de 1993. As instituições financeiras do município foram as primeiras a utilizar o sistema de interligação de computadores na cidade. Em 1992, através de um sistema interligado, as informações foram abertas ao público restrito, porém, se desenvolvia para atender interesses comerciais, como bancos em rede, instituições governamentais e universidades. Em 1995, o governo tentou abrir a Rede para acessos aos diversos servidores comerciais privados. Porém, só em 1997, com advento de infraestrutura necessária foi possível tornar popular o acesso à internet no Brasil e por efeito na cidade.

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Os jornais tamandareenses São 122 anos de histórias vividas pelo município. Porém, muito dessa história pereceu no tempo, morreu com quem a vivenciou, se ocultou em documentos e atas oficiais guardados por particulares. No entanto, aproximadamente um terço da história de Almirante Tamandaré foi guardada e descrita em páginas de periódicos que tiveram origem na própria cidade. Independentemente de filosofia, interesses e tempo de duração de cada um desses jornais, o que é importante ressaltar é o que os mesmos colheram benefícios com o tempo e expressam ou ainda propagam informações desde outubro de 1967. Atualmente transcenderam ao objetivo de informar e se tornaram úteis para resgatar a história deste município e região que quase foi perdida. Existe o registro de um jornal mais antigo, como é informado pelo periódico "A República, de 23 de outubro de 1906", que em 15 de novembro de 1906 circulou a 1ª edição do quinzenário noticioso de Tamandaré denominado "O Camponez" redigido por Francisco Salles Bizena e Clemente Ritz Teixeira de Freitas. No qual contia um vasto programa em prol do município e Estado. Este jornal durou aproximadamente três anos e era Órgão do Município, segundo o jornal "A Notícia, de 20 de novembro de 1906". Em janeiro de 1907, Clemente R. Teixeira de Freitas deixa a redação do jornal. Porém, infelizmente não foi encontrado até o momento um exemplar do mesmo. TRIBUNA DOS MINÉRIOS Na data de 27 de outubro de 1967, é fundado pelo saudoso, lutador e perseverante cidadão de Almirante Tamandaré, o Sr. José de Souza Mattos, o "Jornal de Cachoeira", que levava informações da cidade e região dos minérios. A redação estava estabelecida inicialmente junto à Rua Marginal, s/n, Vila Joly, Cachoeira, Almirante Tamandaré. Em fevereiro de 1969 é editado o exemplar nº 17, o qual foi o último com a denominação de Jornal da Cachoeira, passando a chamar-se Tribuna dos Minérios a partir do nº 18. No ano de 293

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Fonte: Acervo da Biblioteca Pública do Paraná/Divisão de Documentação Paranaense. 1973, se torna Órgão Oficial do Município de Rio Branco do Sul pela Lei nº 05/1973, e no ano de 1997, se torna Órgão Oficial do Município de Dr. Ulysses pela Lei nº 09/ 1997. Pioneiramente, prestou serviços de divulgação dos atos dos poderes públicos tamandareenses na gestão de Prefeito Antonio Johnson. Com o advento da Lei Municipal nº 04/ 1973, de 26 de março de 1973 foi interrompida a prestação do serviço. Após esta prestação de serviço foi oficializada pela Lei Municipal nº 32/1974, de 20 de dezembro de 1974, sancionada pelo Prefeito Eurípedes de Siqueira e publicada na Tribuna dos Minérios, de 27 de dezembro de 1974, nº 162, p. 4. Na atualidade, fazem Os quatro primeiros números do Jornal da Cachoeira eram mimeografaparte de seu repertório de dos. Em destaque o exemplar nº 3, de 29 de dezembro de 1967. notícias os municípios de Rio Branco do Sul, Itaperuçu, Cerro Azul, Almirante Tamandaré e Dr. Ulysses. A evolução do Jornal da Cachoeira é contada da seguinte maneira pelo saudoso José de Souza Mattos in memoriam, publicada na Tribuna dos Minérios, de outubro de 1969, nº 25, sob o título de manchete "Tribuna dos Minérios Vence Mais uma Etapa": "Foi em outubro de 1967, que este nosso jornal apareceu em público. No início era como sementinha de mostarda germinando, que ninguém dava nada por ele: duas páginas mimiografado, 35 exemplares etc. Ainda no início houve críticas e dúvidas. Porém, com as graças de Deus, começaram aparecer as cartas de incentivo, palavras de ânimo e até mesmo colaborações. Daí o nosso jornal passou a ter quatro páginas impressas, levando assim ao prezado leitor, uma aparência mais agradável. Seu primeiro nome era Jornal de Cachoeira. Isto porque seu propósito inicial estava restrito aos interesses deste bairro com o mesmo nome.

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Mas com o progresso sempre crescente (no que diz respeito aos leitores e simpatizantes), nosso órgão passou a interessar a todo município tamandareense, e em seguida a outros municípios. Assim, aliando as sugestões de amigos, o Jornal de Cachoeira mudou seu título para o atual, ou seja, "Tribuna dos Minérios". Esta mudança deu-lhe um impulso excepcional. E hoje ao completar seu 2º aniversário de fundação; ao passar para o 3º ano de sua existência, podendo com muita honra e orgulho, dizer: Nosso Jornal Venceu Mais Uma Etapa! Pois aquele mesmo jornal que pertencia apenas à Cachoeira! Aquele mesmo jornal que há dois anos (repetimos mais uma vez) tinha apenas duas páginas, com uma tiragem de 35 exemplares e, portanto, poucas pessoas o liam. Hoje, mais uma vez graças a Deus, este jornal já conquistou dois municípios, já possui outros simpatizantes, está sendo lido em mais de 15 municípios paranaenses, isto sem contar ainda com o Distrito Federal (Brasília), e outros Estados como Guanabara, Minas Gerais, Santa Catarina etc. É verdade que estes últimos são em proporções menores, mas sentimo-nos realmente satisfeitos.". O fundador do periódico foi o saudoso Sr. José Souza de Mattos, que em campanha eleitoral para vereador do município de Almirante Tamandaré, relatou sua história de vida no Jornal da Cachoeira, nº 13, de 19 de outubro de 1968, p. 3: "Natural de Miracema, Estado do Rio de Janeiro, filho de D. Joana Maria e Theodoro Carneiro de Souza; família pobre, mas honrada (seu pai era agricultor, barbeiro e professor). José criou-se no trabalho da lavoura. Aos 22 anos de idade casou-se com Odete Neves; deste matrimônio vieram sete filhos (três falecidos e quatro vivos). Em 1949, veio para o Paraná. Radicou-se em Mandaguari (Norte do Estado). Ali trabalhou na lavoura cafeeira, e fez um curso prático de Química Industrial. Em 1952 veio para Ortigueira, Comarca de Tibagi. Ali, mais uma vez trabalhou na lavoura e foi professor em uma Escola Isolada (três anos). Em 1956, por motivo de doença da esposa veio para Curitiba. Em 1959, enviuvou. Desnorteado e sem serviço, dirigiu-se à Casa do Estudante Universitário, à procura de emprego; encontrou-o, mas só por quatro dias e em troca de comida. Findo o prazo, pediram que ficasse trabalhando (agora com ordenado). Ali ficou três anos e meio. Fez seu ginásio no Colégio Estadual do Paraná (1960-64). Neste mesmo tempo fez o Curso de Catequese, pelo Curso Catequético Rainha dos Apóstolos de S. Pau- Foto: Jornal da Cachoeira, 19 de outubro de 1968 lo (correspondência). Em 1960, conheceu Terezinha Santos, aquela que em 1961 veio a ser sua segunda esposa com quem tem cinco filhos (3 vivos e 2 mortos). Em 09 de junho de 1965, foi acidentado quando uma Kombi o jogou a 30 metros dentro de uma valeta, fraturando sete costelas. Recebendo unção dos enfermos, esteve apenas três dias no hospital. Em agosto do mesmo ano veio para Cachoeira onde tomou uma recaída que quase o matou. Em 1966, em companhia do Ir. Miguel, iniciou suas atividades em prol da população Cachoeirense. Foi eleito 2º Secretário da APPP, Secretário da Comissão da Capela (reeleito), 1º Secretário da APM de Cachoeira, Professor de Alfabetização Noturna - Criou o Jornal em outubro de José Souza Mattos 1967". 295

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FOLHA DE TAMANDARÉ Foto: Folha de Tamandaré (Folha de Tamandaré comemora 20 anos), março de 2005, nº 507

Desfile do Centenário da Cidade na antiga Av. Emilio Johnson, em 28 de outubro de 1989.

"Um vazio que toma conta do povo de Almirante Tamandaré, é ocupado por um veiculo de comunicação que vai falar da cidade, dos seus bairros, das suas coisas e da sua gente. Vazio que não se justifica porque a cidade distante 15 km da capital é, na realidade, um bairro de uma das mais promissoras e modernas entre as capitais brasileiras. FOLHA DE TAMANDARÉ, jornal que chega sorrindo, prometendo e com certeza que promete e cumpre. FOLHA DE TAMANDARÉ, jornal que chega com oito páginas, no branco da paz, no preto de uma escuridão que impedia que nossa gente fosse conhecida e divulgada e que tanta coisa importante chegasse até nós, pela nossa própria fonte de informações. Ainda, o azul do céu. O é de esperança, o azul de novos horizontes a serem atingidos. FOLHA DE TAMANDARÉ que deste dia trinta e um de março, novo marco na história da nossa cidade, que abre caminho para nosso povo, que difunde as indústrias, que cala as ofensas, que democratiza a comunidade, porque aqui o preto ou branco, rico ou pobre, detentor ou oposição, são todos iguais. FOLHA DE TAMANDARÉ, nasce para mostrar muito do que Almirante Tamandaré possui de bom, importante, justo e promissor. Mas, pela linha de conduta imparcial, também terá o dever, nem sempre a gosto, de mostrar as coisas erradas. A indústria, comércio, órgãos públicos, patrões, empregados, ensino, vitoriosos, derrotados, festivos e oprimidos, aqui serão lembrados, aplaudidos, defendidos ou atacados. FOLHA DE TAMANDARÉ, sem grupo comprometedor e sem compromissos, a não ser se divulgar a cidade, região e incentivar o intercâmbio, será sobretudo um jornal democrático. Sua origem é humilde, porém, séria, decidida, atuante e com respeito como arma para liberar, sempre e sempre, na defesa da verdade. Sim, sempre a verdade. A verdade, sem retoque!" Os parágrafos introdutórios supracitados são da coluna Opinião (editorial) publicada no histórico exemplar nº 1, de 31 de março de 1985 da Folha de Tamandaré, que definiram a filosofia do mais tradicional jornal tamandareense. 296

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O principal jornal tamandareense "A Verdade sem Retoque/Folha de Tamandaré", fundado por iniciativa de Antonio Rodrigues Dias, teve seu lançamento oficial em 31 de março de 1985, data especialmente escolhida como homenagem feita à saudosa Professora Maria Balbina Costa Dias, que nasceu neste dia em 1914, esposa do fundador do jornal. A solenidade foi realizada na Sociedade Siqueira, estabelecida junto à Rua Paulo Bini, a qual foi narrada pelo próprio jornal, como é possível verificar na matéria "Muitos Amigos no Lançamento da Folha", publicada no exemplar nº 2, de 31 de março de 1985 a 14 de abril de 1985, p. 3. "No momento em que Massamy Takayama, vereador, e Eros, jornalista, representantes da cidade de Paranaguá, chegavam a Almirante Tamandaré, no histórico 31 de março de 1985, começava o encontro de "todas as gentes" tanto de nossa cidade quanto de outras localidades, representantes das mais diversas camadas sociais, esportivas, políticas, empresariais para as solenidades de lançamento Batismo oficial da Folha de TamandaréBatismo oficial da Folha de Tamandaré da FOLHA DE TAMANDARÉ. Foi um encontro que pontificou pela forma humilde, porém festiva e cheia de esperança de todos. Quer os tamandareenses, tanto quanto os visitantes, acompanharam com vivo interesse os diversos lances da solenidade que foi concluída com chopada. O Prefeito Municipal, Ariel Buzzato, foi o anfitrião e fez a mensagem de boas vindas ao novo jornal da sua cidade, e Algaci Túlio, em nome da FOLHA, disse dos Foto: Folha de Tamandaré, nº 2, 31/03/1985. objetivos. Outros oradores enalteceram o nascimento de um jornal sem compromisso, combativo e confiante". Participaram desta solenidade personalidades como o Sr. Hélio Cury (Presidente da Federação Paranaense de Futebol), Deputado Amadeu Geara, Deputado Nestor Baptista entre outros. A Folha de Tamandaré nº 1 possuía 8 páginas. Constava em seu expediente as seguintes informações: Folha de Tamandaré CGC 78.733.577/0001-29; Fundador: Antônio Rodrigues Dias; Diretor Proprietário: Leônidas Rodrigues Dias; Diretor Geral: Valdir José Cruz; Secretário de Redação: Roberto Kudri; Comercial: João Pinheiro Molinari; Superintendente: Luiz Batista; Administração: Dilson Mocelin; Setor Jurídico: Dr. Wilson Cavalheiro e Dr. Moisés Torquato; Artes Gráficas: João Carlos Agostinho e Luis dos Santos; Composição: Erlei Franceschi; Redação: Rua Coronel João Candido, fone 757-1256; Impresso nas oficinas da Editora Diário Popular Ltda. Patrocinadores: Motel Black Stalion, Calcoagro, Madereira Manfron, Albino Milek Ferragens e Tintas, Escritório Contábil Wilson Paula Cavalheiro, Auto Posto Mocelim, Escritório Contábil Costacurta, Mineração Morro Branco Ltda, Fanel Sports, Supermercado Astral, Auto Posto LM Ltda, Indústria de Cal San Francisco Ltda (Calcário Safra). As manchetes da capa: Tudo sobre o futebol dos Minérios; Viva 292 anos de Curitiba; Município e contribuintes ganham com promoção; Vereadores e partidos opinam na Fo297

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Fonte: Biblioteca Pública do Paraná - Divisão de lha; Polícia dormiu e bando fugiu; Resultados de ondocumentação paranaense tem. Na página nº 2, destaca-se a coluna Opinião (já referida) e as notícias: Ensino municipal vai bem; Tamandarelândia (Beco das fofocas); Palavras do Papa; Jovens da Madre recebem Butantã; Futebol em Campo Magro; Rádio Cultura no futebol amador. A página de nº 3 destacava: PDS enaltece Prefeito Ariel; Tancredo está melhor mas ainda comove País; PMDB parabeniza esta "FOLHA"; AL e Câmara com novos dirigentes; tabela de horários da linha Almirante Tamandaré-Curitiba via Cachoeira. A página 4 destacava a Coluna de Algaci Túlio (A verdade doa a quem doer); Delegacia pode cair até com vento; O Desavergonhado (coluna de José Domingos). A página número 5 trazia: Notas da ACARPA; Cadê a Sociedade de Almirante Tamandaré?; Jovens se reúnem em Campo Magro; Polícia barra os professores; Voltando com a Folha. Na página 6 se tinha a coluna Primeira edição da Folha de Tamandaré, 31/03/1985. Destaque; Tamandaré: Comarca de Rio Branco; Coluna Saudades; Os Injustiçados; I Torneio Aberto de Almirante Tamandaré; De Feola a Evaristo (Coluna de Barcínio Sicupira). Por fim a página 8 trazia a coluna do Deputado Nestor Baptista (CBF está acabando com a alegria do povo); Torcida carioca agora sabe respeitar o Coxa; Pinheiros; Colorado; Atlético. No mês de abril de 1985, a Assembleia Legislativa do Paraná, aprovou o Voto de Congratulação em favor da Folha de Tamandaré, proposto pelo Deputado Estadual Nestor Baptista, que em sua justificativa do voto expressou: "Necessário se faz lembrar que, com o lançamento da Folha de Tamandaré, que leva o nome do município, ir�� beneficiar a comunidade, elevando ainda mais a região dos minérios". Com o advento das festividades comemorativas do Primeiro Centenário de Almirante Tamandaré ocorreu o reconhecimento e a consagração da credibilidade deste jornal, porquanto a preposição do Vereador Gerônimo Jarek logrou êxito com o advento da Lei nº 25, de 05 de outubro de 1989, sancionada pelo Prefeito Roberto Luiz Perussi, que tornava a Folha de Tamandaré um órgão oficial do município. Porém, há de se ressaltar que o então Vereador Antonio Carlos Busato, no final da Gestão de 1983-1988, pioneiramente propôs um o pedido para tornar a Folha de Tamandaré Órgão Oficial do Município de divulgação dos atos públicos, no entanto, por motivos burocráticos do Legislativo, tal preposição não logrou êxito. Longe de demagogia, mas dentro de uma analogia, este fato representa que a Folha de Tamandaré possui um status no município equivalente ao que o Diário Oficial do Paraná possui para o Estado ou que o Diário da República possui para a União. A publicação dos atos oficiais da administração pública, independentemente de Poder no jornal, o qual muita gente acha chato e nem dá atenção, (assim como a Voz do Brasil no Rádio), atende ao Princípio Constitucional da Publicidade, expressado no Caput do Artigo 37 da Magna Carta Nacional de 1988. A Folha de Tamandaré cumpre com este papel no município ao divulgar os atos do Poder Executivo e Legislativo. Atualmente, o tradicional jornal cobre

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oficialmente os municípios de Bocaiúva do Sul, Tunas do Paraná e Campo Magro. Merece consideração que a Folha de Tamandaré também inspirou as poéticas homenagens do saudoso Imortal da Academia Paranaense de Letras, o Dr. Harley Clóvis Stocchero que eternizou a mesma com os seguintes versos publicados na Folha em abril de 1989 e novamente publicado em 1º de maio de 1994: HOMENAGEM À FOLHA DE TAMANDARÉ (31/03/1989). Na bela data, dileta, que a existência válida, nossa FOLHA, predileta, faz mais um ano de vida. Nossa Terra prestigiando, com calorosa emoção, a FOLHA vai conquistando amigos em profusão. Seu Diretor-Presidente, que só bondade extravasa, valoriza, bem consciente, a "Prata" de nossa Casa. Por isso, quanto mais cresce mais benesse vai semeando, prestigiando quem merece caminhos iluminados... Saudemos, pois, neste dia, o Jornal, sua direção, com carinhosa alegria, companheirismo e união! GAZETA ANCORADO Um cidadão tamandareense que colaborou com a preservação e divulgação dos acontecimentos marcantes do município, mesmo que efemeramente, foi o Sr. Nelson Becker. Na data de 26 de novembro de 1994, fundou o jornal "Gazeta Ancorado", com sede na Rua João Batista de Siqueira, nº 509, Jardim Colonial, Almirante Tamandaré, e que era distribuído gratuitamente. Porém, no final do ano de 1997, passou a se chamar "Gazeta Metrópole", o qual possuía distribuição semanal, mas com custo ao leitor. Chegou a se tornar Órgão Oficial do Município de Itaperuçu em 1998. Sua circulação neste período abrangia Curitiba e Região Metropolitana Norte. Prosperou até meados do ano 2000. 299

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PACTO E FATOS O Sr. Jorge Estevão de Souza fundou o "Jornal a Razão", datado de 1995 com efêmera duração de um ano. Em 15 de agosto de 2005, ele lança o "Jornal Pacto e Fatos", o qual circula na cidade até o presente momento, completando mais de 7 anos de existência. Possui distribuição gratuita e foi o primeiro periódico tamandareense a ser publicado na internet. O REPÓRTER Em julho de 2010 começou a circular na cidade o periódico "O Repórter", de propriedade de Gideão Publicações, sendo o Diretor Presidente o Sr. Jauto Moraes. O jornal entrou para história do município de forma mais abrangente pelo fato da Justiça Eleitoral ter determinado a retirada de circulação da edição nº 22, em acolhimento à denúncia do PTN contra o jornal O Repórter, que divulgou pesquisa eleitoral sem o registro no TRE. Segundo a decisão judicial proferida em 21 de outubro de 2011 pela Juíza Elisiane Minasse, Juíza de Direito, Supervisora da 171ª Zona Eleitoral, "a pesquisa é clandestina". Porém, esta decisão foi caçada e a edição nº 22 pôde continuar circulando, uma vez que não existe necessidade de registro de pesquisa em ano não eleitoral, segundo o que foi divulgado pelo "O Repórter. Sem liberdade a verdade não aparece. Ano II, outubro de 2011, nº 23", p. 16. BRASINHA Circula na cidade desde 1º de março de 1997, o jornal paroquial "Brasinha", que apesar de ser um informativo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré, carrega no seu contexto informações culturais, religiosas e de utilidade pública mensal e gratuitamente. JORNAIS EFÊMEROS Existiram também os periódicos "Tamandaré em Notícias", pertencente à Cidinha do Vale, com sede na Rua Antônio Gedeão Tosin, 555, datado de 1996, com efêmera duração de pouco mais de quatro anos; em agosto de 2006, circula na cidade o jornal a "Voz de Tamandaré", com sede na Rua Carmelina Carvassin, 321 Sl 03, Barreirinha, Curitiba, sendo o diretor responsável, o Sr. Zeno Soares. Este jornal teve efêmera duração de menos de um ano.

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Terra dos minérios Apesar do ouro não ter trazido a riqueza sonhada, foram os filhos das recentes gerações da terra de Tamandaré que encontraram no subsolo as riquezas que beneficiaram o município. As rodovias que passam pela cidade são consequências da exploração destes minérios, mesmo que uma delas tenha sido feita pela Companhia de Cimento. Foi por causa dos grandes calcareiros da década de 1960, que foi possível ser introduzido o telefone na cidade, pois este era muito caro, um artigo que poderia ser até alugado. Como foi também, no ápice da "Corrida do Calcário", que o Banestado se interessou em abrir uma agência no município em 1977, posto que começou existir um fluxo de valores altos circulando no município. Ainda por efeito das "firmas de cal", outras atividades econômicas foram se desenvolvendo. O plantio e exploração de bracatinga, o transporte rodoviário, o aparecimento de metalúrgicas que faziam britadores e outras peças metálicas para as firmas, posto de gasolina, emprego para população local. Se o ouro, trouxe as pessoas para as terras tinguis, a cal e o calcário lhe forneceram o desenvolvimento. É lógico que existem problemas ambientais causados por esta exploração. Porém, são fatos que estão sendo resolvidos, provocados principalmente pela legislação e pela própria característica do industrial na atualidade, que busca sempre atender as exigências de qualidade do mercado, a qual exige que os produtores produzam o mínimo possível de impacto ambiental. Porém, muito ainda deve ser feito. Atualmente, se percebe que calcário e a cal não permitem os mesmos lucros de outrora. Por este motivo, não raro é ver empresas fechando na cidade. Porém, as que sobrevivem, são aquelas que buscam sempre novas técnicas. Outra riqueza mineral é a água, que apesar da exploração ser antiga, Almirante Tamandaré tem na água mineral de mesa (engarrafada) um próspero investimento, assim como a própria água do subsolo que é explorada, mas que ainda pouco recurso traz para o município. Novos tempos raiam tímidos no horizonte para trazer a lembrança dos velhos tempos que ainda persistem no cotidiano deste povo que tem nos minérios, o seu caminho para o progresso. 301

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Romário Martins em relato publicado no periódico "A República, de 08 de setembro de 1906" sobre uma excursão de mineralogia em que participou na companhia do geólogo Dr. F. de Paula Oliveira, para verificar os grafitos e ferro existente no Museu Paranaense que provinham de Tamandaré e Votuverava (não especificado o local), descreveu a potencialidade mineral da região que décadas posteriores foi aproveitada economicamente: "No longo trecho percorrido na Estrada do Assunguy foi notada a presença de rochas sedimentares representadas pela argila, grés, xistos e calcários amorfos que ladeiam a estrada. Nas barrancas do rio Barigui já naquela altura de muito minguado curso, notam-se xistos metamórficos em contato com grés; e nas do Sumidouro, um riacho diminuto se observa cortando pela estrada, um belo dique de diorito. Daí em diante os calcáreos amorfos ladeiam, de contínuo a estrada, até que por fim aumentam prodigiosamente e começam a aflorar fortes veeiros de ferro concrecionado. Este é aí aproveitado em grandes blocos para alvenaria, como se verifica nas paredes de um forno para cal logo à esquerda da estrada. O xisto metamórfico de contínuo se substituem ao calcáreo e num dado ponto, aflui em vez dele a esteatita ou pedra sabão, que é um selicato de magnésia. À proporção que nos aproximávamos do lugar Areias, já no município de Votuverava, o calcáreo aumentava prodigiosamente. Areias é um nome bem posto naquele sítio, profusamente arenoso, a tal ponto que as rodas do carro se enterram no solo até boa altura em alguns trechos. Mas, o que nos entra nos olhos como um deslumbramento são as massas colossais de calcáreo cristalino, isto é de mármore branco, de que nos destacamos à marretada uma amostra lindíssima. A jazida imensa biparte-se no local que a estrada atravessa lado a lado desta, os dois maciços colossais se elevam brancos como se sobre eles tivesse estendido um lençol de geada desafiando toda a indústria humana com a presença estupenda da sua imensidade. Se as nossas artes esculto e arquitetural estão nesse belo mármore níveo perdendo uma matéria-prima admirável, é igualmente para penalizar a gente ver que nem mesmo a indústria encontrou ainda quem quisesse se valer dessa fonte inexaurível de incomparável elemento, para preparar cimento. Mas adiante, km 31, nos estava reservado uma outra maravilha: O ferro, maravilha pela sua superioridade como minério, mas, infelizmente, inexplorável pela diminuta quantidade evidenciada. Chama-se Santaria o lugar onde ocorre o precioso minério que tem cor cinzento metálica, brilhante nos lugares fendidos, magnético, parece ser manganesífero, o que vai ser verificado. Encontram-se pequenos blocos erráticos, rolando da jazida e aqui e ali sob a forma bem semelhante ao volfrâmio. A argila da encosta, à esquo contém incrustado, de parceria com a diabase, que ali se apresenta em francos derramamentos". O OURO Quando se olha para a região de Almirante Tamandaré, não se consegue imaginar que um dia ela foi uma imensa floresta. Porém, tampouco se consegue imaginar que foi o ouro 302

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encontrado por Salvador Jorge Velho, na Conceição, em 1680, na região do atual município de Campo Magro, antes Almirante Tamandaré, e o ouro encontrado na região do Pacotuba, os grandes responsáveis pelo interesse do português em "habitar" a terra tão hostil à sobrevivência humana, mesmo que temporariamente. Mas que acabou se tornando para muitos, seu estabelecimento vitalício. Porém, a exploração aurífera não prosperou mais do que 130 anos, pois segundo Agostinho Ermelino de Leão em seu "Diccionario Histórico e Geographico do Paraná". p. 22632264 é relatado que "em 1780 estava a zona em completa decadência com as lavras exauridas e com diminuta população, como denunciava o recenseamento então procedido." A "Lista das Ordenanças da Vila de Curitiba datado de 1798" relata sobre a decadência da extração referida quando comparada com a de 1800: "(...) encontramos no bairro da Conceição o Sargento José Cardoso Pases, roceiro de mantimentos, com sua família; também Gaspar Correia Leite, solteiro, dois filhos, mineiro com lavra de ouro, nas quais tirou esse ano 100 oitavas e tinha 33 escravos (...)". Na "Lista de 1800" é possível perceber que a extração estava se exaurindo, pois "(...) vemos que o ouro de Gabriel Correia Leite estava diminuindo, pois só obtivera nesse ano 20 oitavas; moravam com ele o filho natural Antônio e Maria (...)". Atualmente, o que se sabe sobre o ouro são histórias. Histórias que relatam que o ouro encontrado nestas terras mal conseguia sustentar quem o explorava, uma vez que a quantidade deste metal foi efêmera, mas suficiente para criar sonhos nunca possíveis de realizar. No entanto, os descendentes dos que ficaram, encontraram em outros minerais a riqueza e o sustento. Muito maior de fato, mas menos que o esperado, quando se sonha com o que o ouro pode prover. Praticamente é pela história de um dos últimos grandes mineradores da região, o português chamado Gaspar Correia Leite, que se consegue imaginar a realidade da época. O mesmo estabeleceu no interior do município, ao longo do rio Conceição, a extração do metal áureo. A mão de obra utilizada foi escrava, mais africana que indígena. No processo de exploração, alterou o curso do rio para facilitar a retirada do ouro, e com o auxílio de peles de carneiros extraíam o fino ouro do rio. A partir desse fato, mais tarde nascia a Trilha do Ouro, hoje um atrativo histórico natural do município de Campo Magro, onde é possível observar diversos vestígios (o muro artificial que divide o curso do rio) da exploração aurífera na região que, provavelmente, deu origem a Campo Magro e, consequentemente, Almirante Tamandaré. O SAIBRO Quem chega pela primeira vez na cidade e observa a imagem do topo do morro central de propriedade do saudoso Pedro Jorge que existe na Sede, percebe que aqui é uma terra onde se explora minério. Talvez pela fama da cidade, muitos devam pensar que aquela alteração naquele morro seja fruto da exploração do calcário. Porém, o morro só ficou daquela forma devido à exploração do saibro ocorrido no início da década de 1980, para atender exclusivamente as necessidades de construção de uma base sólida que sustentasse a pista de pouso do Cindacta II (Base Aérea do Bacacheri em Curitiba). Talvez, depois do forninho contínuo da cal, o símbolo que melhor represente a história econômica de Almirante Tamandaré esteja na imagem daquele morro. 303

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Foto: Antonio Kotoviski, janeiro de 2011

Morro do Sr. Pedro Jorge, 1.025 metros acima do nível do mar.

CAL E CALCÁRIO A primeira grande riqueza mineral depois do ouro a ser explorada efetivamente para fins comerciais no município foi a cal. Em observação feita de um instrumento particular de compra e venda de imóvel datado de 27 de maio de 1833, existe referência a um forno de cal no Quarteirão do Butiatuba próximo ao Rio Passaúna, pertencente a Mateus Ferreira. Porém, não foi caracterizado se era um forno contínuo ou intermitente (de barranco). Também é identificado em um inventário datado de 1868 decorrente do falecimento de Lino Teixeira Falcão, entre outros bens, um sítio na paragem Campo Magro com casa coberta de telhas, moinho, monjolo, paiol e forno para cal. Porém, outras localidades produziam cal, se observar uma demanda civil envolvendo a venda de um imóvel no Quarteirão de Boixininga, no Distrito do Pacotuba, publicado na "Gazeta Paranaense, de 08 de maio de 1886", onde é possível identificar a existência de um forno de queima de cal (não especificado se contínuo ou intermitente) em 1879, que pertencia a José Antonio Ribeiro Cardoso. Segundo é possível interpretar, os fornos de cal intermitentes no final do século XIX eram uma fonte de renda comum entre os moradores do Distrito do Pacotuba, pois esta condição fica plausível quando analisados os editais de demandas civis publicados nos periódicos de época. Um exemplo é a publicação da "Gazeta Paranaense, de 14 de junho de 1888", do edital de pregão, datado de 05 de junho de 1888, que leiloava o imóvel no quarteirão do Pacotuba, de propriedade do Sr. Carlos Soerger e esposa, no qual entre outras coisas se encontrava um forno de cal. A partir de uma propaganda de um depósito de materiais para construção localizado na Praça Tiradentes, 43, em Curitiba, que oferecia cal virgem de qualidade e fresco produzido em Pacotuva (nome como era referenciado a região de Tamandaré antes de sua autonomia), publicado na p. 4 do jornal a "República", de 09 de janeiro de 1892, é possível perceber que o produto era explorado comercialmente e exportado para outras cidades pelos produtores em Tamandaré. 304

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Porém, existe a necessidade de observar que a cal na região era conhecida muito antes do século XIX. Esta era extraída artesanalmente para fornecer a matéria-prima das construções de estuque que se faziam na região. A pioneira capela existente na Sede era de estuque. Graças ao advento do sonho da construção da estrada de ferro que cortaria o território da recém-criada Vila de Tamandaré, que em seus preliminares estudos geológicos em 1897 detectaram grandes reservas de rochas calcárias, cal e mármore branco passivos de exploração. Neste contexto, observando a necessidade de novas fontes de riquezas, tanto para o município, quanto particular. Alguns políticos da época e pessoas de posse que entraram em contato com este relatório resolveram iniciar a exploração comercial, baseadas nas técnicas existentes legadas pelos pioneiros portugueses. E que haviam sido iniciadas na vizinha cidade de Colombo desde 26 de fevereiro de 1890, pelo imigrante italiano João Ceccon como expressa a "Ata da Intendência de Colombo, do dia 03 de outubro de 1890". Segundo Sebastião Ferrarini em sua obra histórica "O Município de Colombo", p. 454, "supõe-se que o forno de João Ceccon era o forno do tipo escavado no barranco, a calcária mais primitiva possível". Oficialmente no ano de 1900 foram registrados 25 fornos para a fabricação de cal em Tamandaré, os quais produziam cerca de 3.000 metros cúbicos anualmente que rendiam aproximadamente 30:000$000 segundo o "Almanach Paranaense 1900", p. 135. Nesta época, as caieras na Vila (fornos intermitentes) eram bem rudimentares em relação aos modernos fornos de cal. Eles eram buracos (tipo um poço) feitos estrategicamente na beira de um barranco, onde na parte baixa desses barrancos, era o local onde se colocava o fogo, o buraco maior (poço) era enchido com pedras calcárias. Este processo de queima da pedra durava 4 dias (24 horas). Quando as pedras se transformavam em cal virgem, o fogo era apagado. Esperavam-se alguns dias para se retirar as pedras do forno em sua abertura, onde se colocava o fogo. Estas pedras eram colocadas em carroças ou no trem onde eram transportadas até Curitiba, as quais eram utilizadas nas construções, curtumes e como tinta. Nesta época se vendia a cal em metros cúbicos. Segundo o relato do Sr. Generoso Cândido de Oliveira, seu Antônio Baptista Siqueira possuía um forninho de barranco próximo onde hoje é a Estação de Telefonia da Oi. Antes dele, o Capitão Antônio Candido de Siqueira, possuía um forninho na antiga Estrada do Assunguy, praticamente na esquina com a atual Rua Coronel João Candido de Oliveira (antes de 1910). Porém, na década de 1920, existiam outras pessoas na região do Pacotuba, Marmeleiro e Boixininga que queimavam a cal, como pode ser percebido nos comentários feitos também por Sebastião Paraná em sua obra técnica-geográfica de 1925. Como é possível perceber, o minério de calcário inicialmente era transformado em cal para utilização em construções. Porém, ele não se restringia a este fim, pois a "Revista Agricola Imperial Instituto Fluminense de Agricultura, nº 1, de 1869, p. 27", destacava o calcário como principal substância para diminuir a acidez do solo. Depois, com o desenvolvimento econômico da agricultura, ocorreu a necessidade de corrigir solos ácidos para aumentar e qualificar a produtividade, neste sentido a revista mencionada "nº 4, de 1878, p. 135-138" explicava a importância do agricultor conhecer o solo e saber utilizar de forma correta o esterco, a cal, no contexto de melhorar a produção em sua lavoura. Este mesmo artigo, na p. 138, tecia elogios à eficiência da cal aplicada coerentemente no solo. 305

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O FORNO CONTÍNUO O primeiro forno contínuo construído na cidade foi obra do italiano de Eduardo Canziani, o qual construiu este forno fundamentado em uma planta feita por engenheiros na Itália trazida pelo seu filho, Zizi Canziani. Este fato remonta o ano de 1912 e também é confirmado nos artigos históricos de Hermenegildo de Lara sob o título: "Dados Biográficos do inesquecível Sr. Ambrósio Bini". Curitiba: 18 de abril de 1985, que explicava a denominação do Colégio Estadual Ambrósio Bini. Consta no "Livro Tombo nº 1 da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré", p. 23-24, que no dia 12 de setembro de 1912, o Padre Martinho Maiztequi fez a benção do importante empreendimento que foi denominado de Eduardo Canziani & Filho. Inicialmente, trabalharam dois foguistas e sua produção era de 200 a 250 toneladas mensais ou 9 metros diários, segundo as propagandas publicadas no jornal "A República no período de 1912-1913 ". A matéria-prima era retirada da pedreira dos Buzatos, cuja produção era escoada por trem até Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Este forno era quadrado e se localizava onde fica a atual empresa Cal Hidra, na rua Antonio Bini. Em 04 de agosto de 1913, Eduardo Canziane arrendou seu forno para Francisco Canziani, segundo publicação exposta no periódico "A República, de 05 de agosto de 1913". Sete anos depois, o forno foi comprado por Carlos Macedo recebendo o nome de Fábrica Mercúrio, sendo considerada a maior e a mais importante do ramo no Estado, como é referenciado na obra estatal "Estado do Paraná, 1923, sem paginação/capítulo Tamandaré". Segundo informações desta mesma obra, a fábrica produzia 20 toneladas de cal diariamente, praticamente 600 toneladas mensais, sendo o produto envasado em barricas de 180 quilos. Foto: Estado do Paraná, 1923. ESTADO DO PARANÁ, São Paulo: Capri & Olivero, Empreza Editora Brasil, 1923

Embarricamento de cal para ser exportado.

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Anos depois foi vendido para o seu Antonio Bini em sociedade com Domingos Scucato, Angelo Buzato e Bernardo Grarachenski. Após, a parte do Sr. Angelo Buzato e do Sr. Grarachenski foi vendida a seu Domingos e seu Antonio Bini. Diante deste fato, o artigo publicado na "Tribuna dos Minérios. Centenário de Domingos Scucato/por Verginia Siqueira Neta. Ano XII, nº 273, 23 de setembro de 1979", citava que a Firma Scucato & Companhia, possuía um dos primeiros ou o primeiro forno de cal contínuo construído no Brasil. Após, este forno pertenceu à Produtora de Cal Tamandaré Ltda, de sociedade formada pelos Srs. Ambrósio Bini e Atílio Bini (filhos de Antonio Bini) como é citado por Hermenegildo de Lara em seu artigo: Dados Biográficos do inesquecível Sr. Ambrósio Bini. Curitiba: 18 de abril de 1985. Em sua história, este saudoso forno quase foi tombado como patrimônio cultural do Paraná. Porém, segundo João Antonio Bini em relato prestado em abril de 2011, "o problema do seu não tombamento se deu pelo fato do Estado querer realizar isto sem proceder com a devida indenização para com os donos do terreno e do forno. Ou seja, o local seria simplesmente desapropriado de graça". Por ser mais prático e com maior capacidade para receber pedras, na década de 1940 se popularizou e se espalhou por outras regiões. Fundamentado nas informações do "Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 19471961 da Prefeitura Municipal de Timoneira", os principais donos de forno nesta época, o Sr. Francisco de Lara Vaz, Joanim Buzatto, Leleto Chimelli, Joaquim Dalledone. Foto: Estado do Paraná, 1923. ESTADO DO PARANÁ, São Paulo: Capri & Olivero, Empreza Editora Brasil, 1923

1º Forno contínuo de queima da pedra da cal da cidade localizado no Sumidouro (não existe mais).

CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A CAL E CALCÁRIO Segundo informações do "Almanak Laemmert, 1910 - Estados Unidos do Brasil - Capí307

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tulo Paraná" , página 50, os principais produtores de cal na cidade eram: Francisco Marques, Pedro von Kruger, Henrique Von Kruger, Theophilo Sprada, Joaquim de Araujo Faria Junior, Anastácio Pucha, João Melanski, Wencesllau Dittoiche, Francisco Megger, Joaquim Machado de Araujo, Ignacio Bregenski, João de Barros Teixeira e Américo Luiz Osorio. É possível observar no contexto da página 572 do "Almanak Laemmert, 1930 - 4º Volume - Estados do Sul" os principais fabricantes de cal no final da década de 1920, ou seja: Domingos Scucato & Cia, Joaquim Vaz do Nascimento, José Domingos Chimelli, Miguel Puppia, João Lourenço, Miguel Vaz, Theolindo Vaz e Pedro Teixeira de Faria. Segundo o "Relatório do decreto de concessão de pesquisa de jazida de calcário na região de Tranqueira (município de Colombo), Decreto nº 16.233, de 27 de julho de 1944". p. 1, em 1933, na região da Tranqueira, o Sr. Domingos Chimelli iniciou os trabalhos de exploração do calcário na pedreira do Sr. Guilherme Kulmam, sendo o produto final desta exploração exportada para Barra Funda, no Rio Grande Sul. No contexto das informações do "Livro da Coletoria Federal Vila de Tamandaré", são citados os seguintes proprietários de fornos e fábricas de cal: Alexandre Meger (02/01/ 1933) e Alberto Mukoski (19/06/1933) com fábrica no Juruqui; Joaquim Vaz do Nascimento um forno (23/01/1928) e José Domacoski (02/01/1933) fábrica no Marmeleiro; Miguel de Lara Vaz (28/06/1933) e Pedro Teixeira Alves (27/07/1934) fábrica no Sumidouro; Scucato & Cia (01/06/1933) fábrica na Sede. Além destes pioneiros donos, na Foto: Antonio Kotoviski, 2010. década de 40 foram identificados a partir do "Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961 da Prefeitura Municipal de Timoneira" os seguintes fornos de queima da cal: Na localidade do Juruqui, de propriedade de Francisco Pionlek; Forno de Calfinar no Quarteirão do Boixininga (1931); Forno na localidade do Marmeleiro de Ermelino José de Lara; Empresa R. Cal Ltda (Forno Continuo) em Tranqueira; Sociedade Cal Paraná (Forno Continuo) Mato Dentro; Irmãos Buzato A. C. Ltda (Forno Continuo) Mato Dentro; Irmãos Thá (Forno Conti- Forno de queima da pedra calcaria da década de 1950, pernuo) em Campo Magro; Heitor B. e tencente à família Dalledone. Frederico Manfron (Forno Continuo) na Barra de Santa Rita e José Ferro (Forno Continuo) em Campo Magro. (9)

(10)

(9) ANNUARIO Comercial, Industrial, Agricola, Profissional e administrativo dos Estados Unidos do Brasil e indicador para 1910. Almanak Laemmert/1910 – Estados Unidos do Brasil. 67. Anno, Empreza Almanak Laemmert, Rio de Janeiro, fundada em 1844. (10) ANNUARIO Comercial, Industrial, Agricola, Profissional e administrativo da Capital Federal e dos Estados Unidos do Brasil. Edição para 1930. Almanak Laemmert/1930. 4. vol. Estados do Sul. Ann086, Empreza Almanak Laemmert, Rio de Janeiro, fundada em 1844.

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Em decorrência do surgimento do forno contínuo, surge neste contexto, uma nova profissão, os construtores de forno, que cortavam pedras de basalto ou granito, para serem depois utilizadas na construção do forno. Pelo Decreto nº 24.226, de 17 de dezembro de 1947 assinado pelo Presidente da República Eurico Gaspar Dutra, é oficialmente autorizado o Sr. Pedro Busato a pesquisar reservas de minério de calcário nos municípios de Colombo e Timoneira, em suas propriedades e em duas áreas distintas. No Artigo 2º deste decreto, se referiu que o título da autorização de pesquisa, que será uma via autêntica deste Decreto, pagará a taxa de trezentos cruzeiros (Cr$ 300,00) e será transcrito no livro próprio da Divisão de Fomento da Produção Mineral do Ministério da Agricultura. O Decreto nº 30.712, de 03 de abril de 1952, autorizou os cidadãos brasileiros Reinaldo Busato e Angelo Antoniacomi a pesquisar calcário e associados no município de Timoneira, Estado do Paraná. A partir de informações do "Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961 da Prefeitura Municipal de Timoneira", no ano de 1950, as principais pedreiras pertenciam à Rafael Greca, Reinaldo G. Gonçalves e Salaquiel Domingos Chinasso (Cachoeira), Gaspar Sgoba e Manoel Ferreira do Nascimento (Lamenha Pequena), Angelo Salvaro (Santa Gabriela), Placido Cavassin e Gustavo Joppert (Tranqueira) e José B. Maximiliano Straioto (Botiatuba). No contexto das informações da obra elaborada pela Câmara de Expansão Econômica do Paraná denominada de "1º Centenário de Emancipação Política do Paraná", p. 163, em 1953, foram observadas com porte de indústria aos padrões da época, a existência de 9 empresas de cal, gerando emprego para 94 operários. Porém, não raro era encontrar caieiras de fornos intermitentes (forninho de barranco), localizadas na beira de estradas e da estrada de ferro referenciados pela "Revista Brasileira de Geografia. Expedição Cientifica a Serra de Paranapiacaba e ao Alto da Ribeira (Cel. João de Mello Moraes). Ed. IBGE, Ano XIX, julho setembro de 1957, nº 3", p. 5. Deve ser destacado como grande colaborador do desenvolvimento econômico no município o Sr. Antonio Gedeão Tosin, o qual, segundo muitos dos moradores antigos entrevistados, foi um dos primeiros tamandareenses a desenvolver a industrialização no município, que praticamente desenvolveu e se especializou na hidratação da cal. Segundo informações da Folha de Tamandaré, de 16 de janeiro de 1986 em seu nº 22, este tradicional cidadão foi o primeiro a construir uma Fábrica de Cal no Brasil (não confundir com o primeiro forno contínuo). Nasceu em Colombo, em 28 de julho de 1891, mas viveu praticamente sua vida toda em Tamandaré até seu falecimento, em 15 de outubro de 1974. No ano de 1968, algumas empresas de Cal de Almirante Tamandaré começam a produzir calcário em grande escala, utilizado para a correção de solos. Os maiores compradores deste produto inicialmente eram os grandes produtores agrícolas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em referência às informações do "Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961 da Prefeitura Municipal de Timoneira", é possível considerar como os pioneiros da produção deste novo produto no município, o Cal Chimelli Ltda e Gustavo Joppert Companhia Ltda de Calcário. A produção de calcário se difere da cal, pelo fato do minério extraído da pedreira ser diretamente moído, sem a necessidade de ser queimado primeiramente nos fornos. 309

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Foto: Estado do Paraná, 1923. ESTADO DO Inicialmente, o moimento tanto da pedra de calcário, quanto da cal era feita manualmente utilizando-se de marretas. Após, com o advento da energia elétrica, o moimento do minério bruto era até o ano de 1971 exclusivamente feitos pelos gigantescos moinhos de bolas, que consumiam muita energia, e a produção pouca. Este moinho era uma caixa de 4m x 4m, onde se encontravam bolas de aço que giravam batendo nas pedras ali depositadas, até elas virarem pó. Porém, com o advento do Calcário Santa Terezinha, de propriedade dos Srs. Albino Milek e Antonio Ilson Kotoviski, localizado na Av. Emilio Johnson, onde hoje se encontra a Loja de Ferragens Colodel, ocorreu uma revolução, pois o Sr. Antonio Kotovski, inspirado em um moinho de moer grãos, desenvolveu o primeiro protótipo do Moinho de Martelo (britador). Este pioneiro projeto foi levado ao metalúrgico Constante Bonatto, o qual, depois de muita insistência por parte de seu Antonio, começou a Extração manual da pedra calcária. montar o moinho com grelhas de aço 1045 temperado e os martelos em aço manganês. Tinha apenas um diâmetro de 70 cm por 50 de largura. Apesar do tamanho em relação aos gigantescos moedores de bola, este protótipo conseguiu a façanha de moer o minério de calcário 4 vezes mais por hora, com 50% menos de energia empregada. Devido a sua versatilidade, a Metalúrgica Rama tomou conhecimento deste moinho e, após, o desenvolveu maior e em um padrão industrial, sendo vendidos, consequentemente, às novas fábricas que se instalaram em Tamandaré, ocasionando uma histórica "CorriFoto: Estado do Paraná, outubro de 1991. da pelo Calcário". Com o advento do moinho de martelo, o custo para se montar uma empresa diminuiu muito, pois só o moedor de bola custava 10 vezes mais que o revolucionário britador. Neste período, o número de empresa de exploração de cal e calcário instalada só no municíAgronix localizada junto à Rodovia dos Minérios km 14,5, produzia calcário pio tamandareense calcítico. Não existe mais. chegou a 33.

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A extração inicial no começo do século XX era feita à base de marreta e picareta. Na década de 1930 e 1940 começou a ser utilizada a pólvora negra, com baixo impacto, mas o suficiente para explodir alguns metros de minérios. A partir da década de 1950, com o desenvolvimento industrial da exploração do minério de calcário, houve a necessidade de uma maior demanda de minério e, consequentemente, começaram a ser utilizados explosivos mais potentes. Em 1974, começou a ser produzido no município a cal concentrada, que era, na verdade, a cal virgem moída. Os maiores consumidores da cal eram Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Na década de 1990, ocorreu uma forte crise no setor devido à enorme queda de preço do calcário e da cal, ocasionado pelo excedente de produto no mercado, tendo como efeito direto o fechamento de muitas firmas pequenas na região dos minérios (Almirante Tamandaré, Colombo e Rio Branco do Sul). ASSOCIAÇÃO PARA A VENDA DE CAL VIRGEM Na data de 13 de outubro de 1888, foi registrado no "Livro 1" do Cartório do Distrito de Pacotuba um contrato entre os proprietários dos fornos do Distrito do Pacotuba para fins de criar uma diretoria para a venda da cal virgem produzida. Foram escolhidos os seguintes proprietários de fornos: Gustavo von Kruger, João Onoffre Frizkaski, Tertuliano Teixeira de Freitas. Seus substitutos: Candido João de Oliveira e Pedro Bregenski. A validade contratual acordada foi definida até 31 de dezembro de 1889. A partir deste instrumento contratual, é possível identificar os donos de fornos intermitentes no Distrito do Pacotuba em 1888: Os estrangeiros poloneses: João Soistoviski; Pedro Bregenski; João Silla; José Mirskoski; João Malanski; José Ducheski; João Ozofeski; Miguel Brorkoski e Francisco Brianchesk. Os brasileiros: João Onoffre Frizkaski; Gustavo von Kruger; Manoel Agostinho Vaz; Benedicto João de Oliveira; Joaquim Antonio B.; João Machado de Araujo; Elias de Oliveira Godoy; Américo Luiz Ozorio; Laurindo Rodrigues de Cristo; Joaquim de Souza e Machado; Urçulina Correia Leite e Tertuliano Teixeira de Freitas. Por ser uma associação, o resultado da venda era distribuído igualmente entre todos os proprietários. As reuniões para prestação de conta e distribuição dos lucros era realizado em todos os domingos. O PETIT-PAVÊ (MÁRMORE BRANCO) O petit-pavê é uma pedra que serve principalmente para a construção de calçadas. Um exemplo de seu uso é o Calçadão da Rua XV de Novembro, em Curitiba, cujas pedras se originaram na pedreira Santo Antônio de propriedade da família Cavassim, em Tranqueira. Sobre a exploração de pedras, é importante destacar que na cidade, também foi e ainda é explorado o mármore branco, na forma de petit-pavê. Os principais cortadores de pedras 311

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na década de 1940 foram a família Cavassim e o seu Leleto Chimelli. Segundo consta no relatório do Decreto nº 16.233, de 27 de julho de 1944, o Sr. Plácido Cavassim compra parte da área da pedreira do Sr. Domingos Chimelli, que inicialmente pertencia a Guilherme Kalmann, que passa a explorar pedra bruta para produzir o petit-pavê. No contexto do "Relatório do decreto de concessão de pesquisa de jazida de calcário na região de Tranqueira (município de Colombo), Decreto nº 16.233, de 27 de julho de 1944", p. 1, no ano de 1916, o alemão Guilherme Kalmann, na região de Tranqueira tentou utilizar as pedras de calcário como pedra mármore. Para este fim, montou próximo à pedreira uma pequena instalação de serra e máquina de polimento, o qual não logrou êxito devido à característica do minério. O CARVÃO MINERAL E O XISTO BETUMINOSO Da mesma forma que o ouro, outros minerais foram exauridos do subsolo tamandareense. Tudo o que restou foram relatos de jornais de época e documentos oficiais que citam a existência de alguns minerais que na atualidade sequer se imaginam que um dia existiu no município. Na publicação de 08 de março de 1887, presente na p. 2 da Gazeta Paranaense, é informado o pedido feito junto à Câmara Municipal de Curitiba e repassado ao governo imperial elaborado pelos Sr. Eduardo Augusto de Vasconcellos Chaves e Theolindo Baptista de Siqueira, os quais solicitavam permissão para a exploração de uma jazida de carvão de pedra existente no Pacotuba. Após, em 05 de maio de 1887, a Gazeta Paranaense publicou que a Câmara Municipal de Curitiba, para poder dar cumprimento ao aviso do Ministério da Agricultura nº 25, de 24 de abril de 1887, informava ao governo imperial o pedido feito por Bento Luiz da Costa Braga para permitir a exploração de linhito na Freguesia de Santa Ana do Pacotuba. O linhito é um tipo de carvão com elevado teor de carbono na sua constituição (65 a 75%). A sua cor é acastanhada e encontra-se, geralmente, mais à superfície, por ter sofrido menor pressão. A sua extração é relativamente fácil e pouco dispendiosa. Quando queima origina muita cinza. Em termos geológicos é um carvão recente. Trata-se do único tipo de carvão estritamente biológico e fóssil, formado por matéria orgânica vegetal. No entanto, outro mineral que chamou a atenção descoberto em solo tamandareense foi o xisto betuminoso, como é possível observar na "Gazeta Paranaense, de 29 de janeiro de 1887", no contexto do relatório publicado pelo Sr. S. P. da Motta Junior, representante do museu Sartorio, que investigou o imóvel do Sr. Carlos Soerger, no Botiatuba e confirmou a existência de uma grande jazida predisposta numa montanha, que se eleva a 20 metros acima de um riacho que passa em sua base, e acham-se em camadas sobrepostas de norte a sul. Em decorrência desta informação, o padre José Maria Tedeschi, que pesquisava o minério na região, resolveu solicitar junto ao presidente da Província, em 04 de fevereiro de 1887, o privilégio da exploração do mineral por 30 anos. Antes da concessão, o Presidente da Província estabeleceu um prazo de 30 dias para que algum interessado expressasse reclamações sobre o assunto, segundo a publicação oficial presente na "Gazeta Paranaense, de 02 de abril de 1887". 312

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Este requerimento gerou o protesto do imigrante naturalizado Carlos Soergel publicado na "Gazeta Paranaense, de 15 de abril de 1887, p. 2", o qual apelava junto ao Presidente da Província contra o privilégio requerido pelo padre José Maria Tedeski para extrair xisto betuminoso em jazidas descobertas no bairro do Botiatuba, Distrito de Pacotuba, dentro da área de sua propriedade. Da mesma forma reclamava sobre os louros da descoberta, uma vez que ele havia descoberto tal jazida e não o padre. A ÁGUA MINERAL Porém, nem só do minério de calcário, saibro e petit-pavê que se sustentou a economia mineral em Almirante Tamandaré. A água mineral é uma das mais importantes riquezas e com um futuro promissor. Pois, isto era percebido na década de 1950, onde no município foram encontradas duas fontes, em Tranqueira e em Pacotuba. Em referência às informações da obra elaborada pela Câmara de Expansão Econômica do Paraná denominada de "1º Centenário de Emancipação Política do Paraná", p. 191, uma das primeiras empresas a explorar esta riqueza foi a Água de Boixininga e a Água de Pacotuba na década de 1950. A mesma fonte informativa cita que a análise da água engarrafada Pacotuba se caracterizava por ser uma água mineral alcalino-terrosa, sendo sua composição: Bicarbonato de Cálcio (HCO³)² na proporção de 0.1139 grs, Carbonato de Cálcio (CaCO³) na proporção de 0.0200 grs, Bicarbonato de Magnésio Mg (HCO³)² na proporção de 0.1184 grs e Sílica (SiO²) na proporção de 0.0095 grs. Esta avaliação seguia a Lei nº 16.300. Porém, em 1962, na região de Tranqueira foram abertas as Águas Timbu, na época contando com apenas 5 funcionários que engarrafam esta riqueza mineral em garrafas de vidro de 1 litro. Atualmente conta com mais de 90 funcionários .

(11)

ÁGUA MINERAL TIMBU. Empresa. Disponível em:< http://www.aguatimbu.com.br/empresa.shtml> Acesso em: 10 jan. de 2011.

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Comércio As facilidades encontradas na atualidade para comprar o que se quer, ocultam os tempos em que, mesmo tendo dinheiro, nem sempre era possível adquirir na hora ou em dias o que se desejava. Não raro, é zangar-se quando surge a necessidade de ir até a capital para buscar algum objeto não disponível na cidade. Porém, nos dias de hoje a locomoção é tão fácil e rápida para a capital, que às vezes até o comércio local é deixado de ser privilegiado. O comércio na região onde se encontra Almirante Tamandaré, praticamente apareceu junto aos aventureiros que por estas bandas vieram atrás do ouro no século XVII. A busca pelo ouro não se contemplava em dias, mas sim em anos. Diante disso, os pequenos arraiais por servirem de pouso ao aventureiro cansado, posto que eram sua base e onde se localizava seu domicílio, dispunha de algum pequeno comércio ou atividade comercial ambulante, que fornecia o necessário para a sobrevivência daquele povoamento. Porém, provavelmente limitado às ferramentas vendidas sobre encomenda, couro, tecido, vinho, ou seja, produtos, que a princípio, não eram produzidos na localidade. Nesses tempos, muitos negócios eram feitos à base do escambo (troca). Às vezes, o aventureiro trazia alguma "droga do sertão" (erva-mate, hortelã), que eram trocadas por alguns metros de tecido, por exemplo. Ou seja, não era comum circular dinheiro nesses tempos. As coisas mudaram com o advento da Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, onde apareceram os primeiros armazéns do Primeiro Planalto Paranaense. Diante desse fato, produtos novos foram aparecendo, trazidos por negociantes da Capital que se deslocavam com carroças cheias de produtos, para serem vendidos ou trocados nas localidades mais afastadas da Vila (Curitiba). Com o desenvolvimento econômico das Vilas de Tamandaré, Votuverava, Assunguy de Cima e outras ao redor de Curitiba, a demanda de produto exportado para capital começava a ser maior do que era importado para as cidades citadas, diante disso, a Câmara Municipal de Curitiba achou por direito cobrar tributos sobre os produtos com origem nos municípios vizinhos, o que gerou protestos e embaraçosa atenção do governo estadual, como é possível observar na publicação de capa do "Diario do Commercio, de 13 de junho de 1892". 315

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No final do século XIX, começaram a aparecer na região da Freguesia do Pacotuba, armazéns bem abastecidos. No entanto, nas localidades mais afastadas o comércio era feito através de negociantes que passavam nestas localidades, ou os moradores se deslocavam até o armazém mais próximo para comprar o produto que necessitava. Porém, às vezes encomendava alguma coisa a alguém que estivesse indo até a Freguesia ou a capital. Existem referências documentais que na região tamandareense, no final do século XIX, havia um armazém pertencente ao português Theolindo Baptista de Siqueira (falecido em 22 de maio de 1888 no Açungui) casado com a Sra. Rachel Cândido de Oliveira, onde neste estabelecimento, além de provimentos alimentares e ferramentas, existiam fazendas de sedas, fio de casimira. Era uma mercearia muito movimentada, que dava pouso aos negociantes de produtos agropecuários que utilizavam a Estrada do Assunguy. A mercearia de Dona Rachel ficava bem às margens da Estrada do Assunguy (na atual esquina da rua Frei Mauro com a Rua Rachel Candido de Siqueira, onde existem as ruínas de uma antiga construção). Em 1º de setembro de 1892, é publicada a abertura de uma casa comercial de fazendas e armarinhos, secos e molhados, compra e venda de todo o gênero do pais no lugar denominado de Tranqueira pertencente à sociedade formada pelos Srs. Benjamim Lopes Victor e Francisco de Paula Faria. Infelizmente, este empreendimento fechou em 1893. Oficialmente, no ano de 1900, foram registradas pela agência fiscal estadual 30 casas comerciais, como informa o "Almanach Paranaense 1900", p. 135. Segundo informações do "Almanak Laemmert, 1910 - Estados Unidos do Brasil - Capítulo Paraná", página 50, possuíam comércio de secos e molhados no final da década de 1900 os seguintes Srs. Antonio Stocchero, Euclydes Cordeiro, Francisco Bregenski, Francisco José Ferreira, Francisco Navaret, José Fernandes C. Sobrinho, Joaquim Araujo Faria Junior, José Kochany, José Antonio de Castilho, Joaquim Alves de Araujo, José de Andrade & Cia, Julio Ferreira de Foto: Acervo particular da Família Viana Andrade, José Bregenski, João Constante Pinto, Manoel João de Castilho, Miguel Kuroski, Pedro José, Pedro Antonio Carlesso, Salvador Antunucio, Salvador Teixeira de Faria, Simão Antonio & Cia, Silvestre Kochany, Vicente Kochany e Vidal Prestes Ribeiro. Em referência ao artigo publicado na "Tribuna dos Armazém de secos e molhados que estava localizado na atual Rua Coro- Minérios. Centenário de nel João Candido de Oliveira do Sr. Domingos Scucato. Antonio Scuca- Domingos Scucato/por to, sentada Dona Maria Scucato Siqueira, atrás Rosa Scucato ao lado de Virginia Siqueira Neta. João Scucato (Joani), sentada a Sra. Pechina Coradin, em pé atrás a Srta. Ano XII, nº 278, 23 de sePiera Scucato Alves, sentado João Coradim, Domingos Scucato, a criança Margarida Scucato, Dona Ana Coradim Scucato e a criança Tereza tembro de 1979", em 1912, o Sr. Domingos Scucato se Scucato Alves. 316

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estabelece na cidade, abrindo um armazém de secos e molhados, armarinhos e fazendas. Foi um dos maiores e mais completos armazéns da Vila de Tamandaré, o qual possuía uma enorme variedade de produtos (desde ferramentas à gasolina). Ficava no antigo cruzamento da atual Rua Coronel João Candido de Oliveira com a Estrada do Assunguy (ao lado da ponte do Rio Barigui). No contexto das informações presentes na página 3352 do "Almanak Laemmert, 19191920 - República dos Estados Unidos do Brasil - Capítulo Paraná", os principais donos de armazéns de secos e molhados de Tamandaré no final da década de 1910 foram: Antonio Stocchero, Domingos Scucato, Francisco Fligiskoski, Francisco Kruger, Francisco Navaret, João Antonio Zem, João de Siqueira, João de Souza Rosa, Joaquim Araujo Faria, João Antonio Vieira Leite, José Kochany, José Colodel, José Madorni, Julio Ferreira de Andrade, Miguel Kuroski, Pedro Morem, Pedro Said & Cia, Salvador Teixeira de Faria, Simão Antonio e Silvestre Kochany. É possível observar no contexto da página 572 do "Almanak Laemmert, 1930 - 4º Volume - Estados do Sul", os principais armazéns de secos e molhados existentes no final da década de 1920: Joaquim Chevonica, João Kaunte, Primo Gasparino, Durvam Raymundo, Antonio Zem, Manoel Teveira, João Cavali, Joaquim de Barros Teixeira, Antônio Eduardo Trevisam, Serzedelo de Siqueira, João Manoel Siqueira, Antonio Rosa, Alcides Ferreira de Andrade, José Real Prado e Epominondas Loyola. Eram vendidas ferragens, louças e tintas nos comércios dos Srs. Domingos Scucato, Antonio Eduardo Trevisam, Serzedelo de Siqueira, João Manoel de Siqueira, José Pedroso de Souza, Antonio Rosa, Abilio de Barros Teixeira, Joaquim de Barros Teixeira e João Pedroso de Souza e Jeronymo de Souza Rosa. Segundo as informações contidas no livro da "Coletoria Federal Vila Tamandaré", existiam os seguintes proprietários comerciantes de secos e molhados no município: João Manoel Siqueira (02/05/1913) e Joaquim de Barros Teixeira (15/12/1933) no Pacotuba; Antonio Eduardo Trevizan (21/03/1916) e Serzedello de Siqueira (04/1925) no Marmeleiro; Domingos Chimelli (02/01/1920), Abílio de Barros Teixeira (24/09/1924), Juvenal de Barros Teixeira (02/06/1930), Tarquinio da Costa Christo (07/1931), José Mansur (15/12/1932), João Pedroso de Sousa (02/01/1933), Adolfo de Souza Machado (04/10/ 1933) e Luiz Leandro de Siqueira (14/05/1934) em Tranqueira; Angelo Brotto Sobrinho (02/04/1928) no Boixininga; Primo Gasparim (12/03/1921) e Angelo Ghiraldello (19/ 03/1929) Santa Gabriela; Pedro Barchik (25/02/1912), José Schelischtig (03/01/1925), João de Santa Filho (30/03/1931) e Affons Lamek 01/04/1931 Cachoeira; Domingos Scucato (20/01/1912), Honorio Jorge de Christo (14/09/1932), Manoel Teixeira de Faria (05/06/1933) e Antonio Teixeira (03/06/1934) na Sede; Durval Raymundo (01/01/1933) no Taboão; Himério Lugarini (01/01/1923) no Passaúna; José Real Prado (02/01/1928) no Botiatuba; José Colodel (02/01/1933) na Barra de Santa Rita; João Antonio Zem (01/ 1918); João Kubis (14/05/1934) em Lamenha Pequena; Elias Jorge (01/01/1933) na Queimada; Antonio Boza (08/04/1927) em Campo de Santo Antônio; Irmãos Abdalla (16/ 09/1933) e Diogo Pinto dos Santos (02/04/1934) na Conceição; José Ravanello (02/01/ 1933) e Paulino Alves Natal ( 02/01/1933) no Distrito de Nossa Senhora da Conceição; Moysés Colodel (30/05/1923) em Campo Novo e Nicolau Jorge (08/07/1933) em Ouro Fino. No dia 1º de julho de 1933, o Sr. Pedro Jorge Kotoviski, abriu um armazém na Capiva317

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ra. Após, segundo o "Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas 1947-1961 da Prefeitura Municipal de Timoneira", a partir de 1947, ele abriu um armazém de secos e molhados no Botiatuba, o qual possuía tudo que podia ser vendido, desde roupa, tecido, ferramenta, querosene, medicamentos, arma de fogo, pólvora, munição, rádio, bicicleta, peça de bicicleta, produtos que antes tinham que ser comprados diretamente em Curitiba. Nesta época, os produtos eram vendidos a granel, era raro e caro os produtos que vinham embalados. Nestes tempos, grande parte dos produtos chegavam aos comerciantes em sacos de 50 kg, ou em barris, no caso dos líquidos, como o vinho e a pinga, que depois eram engarrafados pelos próprios comerciantes. A pinga Scucato possuía este procedimento antes de 1950, além de também serem distribuídas a outros estabelecimentos. Foto: Álbum de Família de Antonio Kotoviski, 2002

Prédio do armazém de secos e molhados de Pedro Jorge Kotoviski, construído 1947 no Botiatuba e legalmente registrado para o seu funcionamento em 02 de março de 1951, requerido junto à Coletoria Federal com sede em Colombo. Não existe mais, ruiu devido à construção da nova Wadislau Bugalski.

Neste âmbito pode ocorrer uma má interpretação, pois foi citado no início deste texto que em Tamandaré não era fácil achar certos produtos. Realmente, porém, com o advento desses raros armazéns estratégicos, muitos produtos começaram a ser acessíveis aos moradores do município. No entanto, com a construção da Estrada Estratégica e o desenvolvimento dos carros e das linhas de ônibus, a existência desse tipo de armazém foi desaparecendo em meados da década de 1970. Nesta época, não existia o sistema atual de compra, onde o cliente se servia nas prateleiras. O cliente dizia o que queria e o balconista se encarregava de pegar a mercadoria. Segundo o "Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas 1947-1961 da Prefeitura Municipal de Timoneira", foram identificados outros comerciantes fortes na cidade: Sr. Alfredo Lugarini, na região do Passaúna; Frederico Manfron na região da Capivara; Gumercindo Boza e Jacob Manfron em Campo Magro, Jeronymo de Souza Roza (Tranqueira), José Ido da Cruz e Albino Milek na Sede, além de outros não citados, mas que foram importantes para o desenvolvimento econômico no município. 318

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Foto: Albino Milek, década de 1960

Armazém do Sr. Albino Milek (não existe mais), localizado na Sede, na esquina da rua Fredolin Wolf com a Av. Emilio Johnson.

Os atuais tempos não lembram nada do tempo em que a circulação do dinheiro em grande monta era escassa. Observando o relato do Sr. Albino Milek: "Muitas negociações envolvendo bens duráveis (imóvel ou móvel) eram a maioria das vezes feita à base de troca. No entanto, este tipo de negociação ainda era comum na década de 1960. Um exemplo para ilustrar o fato: se trocava alguns metros de madeira por um cavalo. Ou seja, os negócios ocorriam no contexto do interesse dos envolvidos. Porém, existiam valores de referência que norteavam as negociações". Merece registro que a prática do escambo também era realizada entre produtos básicos. Até meados da década de 1970, muitos colonos e moradores mais humildes pagavam suas compras nas mercearias com ovos, leite, manteiga, queijo, galinha, verdura, ou seja, com o que produziam e sobrava em seus sítios. A partir de 1960, o comércio começou encontrar um mercado mais forte no município, em virtude principalmente das indústrias de cal que se desenvolviam e geravam empregos na cidade. Em 1970, o comércio começava a se especializar em determinados produtos, principalmente o de material de construção. A partir de 1980, começam a aparecer papelarias, açougues, autopeças, banca de revistas, lojas de móveis. A evolução do comércio da cidade é uma consequência do desenvolvimento da exploração mineral e da desenfreada urbanização devido à proximidade com a capital. O IBGE em 2005 registrou 297 comércios varejistas e 24 comércios atacadistas. LEI Nº 16, DE 28 DE AGOSTO DE 1928 Cita-se esta lei pelo fato dela ser uma das provas do período em que o Sr. Miguel Puppia exerceu o cargo de Prefeito na cidade em virtude do falecimento do Prefeito João Evangelista dos Santos Ribas. A Lei nº 16, de 28 de agosto de 1928, foi publicada no Diário Oficial do sob o título: 319

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"Câmara Municipal de Tamandaré", presente na página 04, da publicação nº 4.687, datada de quarta feira, 12 de setembro de 1928, Ano XV, o qual trazia a Lei nº 16, assinada pelo substituto legal em exercício do Prefeito, Miguel Pupia. Em referência à Lei nº 16, de 26 de agosto de 1928, ela expressava o seguinte: "O Prefeito Municipal da Villa Tamandaré faz saber que a Câmara Municipal decretou e eu sancciono a lei seguinte: A Câmara Municipal da Villa Tamandaré usando das atribuições que lhe são conferidas por lei resolve modificar parte do Capítulo segundo, artigo segundo e seus paragraphos das Posturas Municipais em vigor e decreta artigo primeiro. Os estabelecimentos commerciais, Engenho de serrar madeira, Moinhos, fábricas de barricas, fornos de calcinar pedras e Olarias situadas neste município, bem como mercadorias importadas para o mesmo município, pagarão os impostos municipais a contar de 1º de janeiro de 1929 em diante, de conformidade com seus stoks de mercadorias e movimento comercial e industrial, annualmente pela forma seginte: Casas Comerciais, inclusive afferição de pesos emedidas 1º Classe ..................................................................................300$00 2ª Classe .................................................................................. 150$00 3ª Classe .................................................................................. 120$00 Botequins 1ª Classe ................................................................................. 100$00 2ª Classe ................................................................................... 80$00 3ª Classe ................................................................................... 50$00 Moinho 1ª Classe ..................................................................................300$00 2ª Classe ..................................................................................200$00 Fábricas de Barrica 1ª Classe ................................................................................. 100$00 2ª Classe ................................................................................... 75$00 3ª Classe ................................................................................... 40$00 Fornos de calcinar pedras 1º Classe ..................................................................................300$00 2ª Classe .................................................................................. 100$00 3ª Classe ................................................................................... 60$00 Engenho de serrar madeira 1ª Classe ..................................................................................500$00 2ª Classe ..................................................................................300$00 Açougue 1ª Classe ................................................................................. 100$00 2ª Classe .................................................................................... 50$00 Exportação Por carro ferroviário de lenha .................................................. 6$00 Por carro ferroviário de toras .................................................. 12$00

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Produção Por fábrica de vinhos: 1ª Classe .................................................................................400$00 2ª Classe ..................................................................................200$00 3ª Classe .................................................................................. 100$00 4ª Classe .................................................................................... 50$00 Vendedores ambulantes De Cerveja, licores, gengibirra, aguardente, café e outras bebidas .............................................................. 150$00 Vendedores ambulantes de pão, biscoutos, bolachas e caramellos ............................................................... 80$00 Importação Por sacco de assucar de 60 kilos .............................................. $200 Por saco de café de 60 kilos ..................................................... 1$000 Por caixa de Gazolina ou Kerozene ......................................... $300 Por saco de arroz de 60 kilos .................................................... $200 Por pipa de aguardente ........................................................... 4$000 Art. 2º - Todo o fabricante de vinho graspa e outras bebidas extrahidas de fructas ficam os seus productores obrigados a expor a venda seus productos puros sem outra matéria (mesmo não sendo nociva a saúde pública). Art. 3º - O fabricante que infrigir esta resolução fica sujeito a multa de um a dois contos de réis depois de competentemente analysada por Chymico de reconhecida competência. Art. 4º - Durante os mezes de Novembro e Dezembro de cada anno o Prefeito Municipal nomeará dentre os funcionários uma commissão composta de dois membros para fazer os lançamentos devidos. Os contribuintes que não concordarem com os lançamentos feitos poderão recorrer ao Prefeito Municipal no prazo de 15 dias. Art. 5º revogadas as disposições em contrario. Registre-se e publique-se. Gabinete da Prefeitura Municipal de Tamandaré, em 26 de agosto de 1928. Miguel Pupia, Substituto em exercício do Prefeito. Registrada e publicada nesta data. Secretaria da Camara Municipal da Villa de Tamandaré, 26 de agosto de 1928. Athayde Siqueira, Secretário". Graças a esta lei é possível observar os principais elementos formadores da economia tamandareense em meados da década de 1920 e como funcionava a cobrança de tributos. Da mesma forma que é possível identificar que existia a perspectiva de adulteração de produtos líquidos no município.

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COBRANÇA DE TRIBUTOS A infraestrutura e funcionamento administrativo de uma cidade é mantida por tributos cobrados no contexto das relações econômicas e de certos serviços prestados no âmbito do município. Neste contexto, o Orçamento da Intendência da Vila de Tamandaré aprovado por "Ato de 05 de junho de 1890" e publicado no jornal "A República, de 11 de junho de 1890", citava as principais fontes previstas de arrecadação de tributo no primeiro ano de autonomia municipal, ou seja: Alvarás para abertura de negócios e oficinas; alvarás para continuar anualmente; aferição de pesos e medidas; licença para abertura de engenho, moinho e forno de cal; licença para continuar anualmente; impostos sobre carros e carretas; licença para corrida de cavalos; licença para mascates de fazendas e joias; licença para mascatear folhas de flandres; licença para fandangos e bailes públicos; licença para abrir açougues e imposto sobre gado cortado e consumo. Não diferente dos dias atuais, existiam no município três tipos de tributos: Municipal, estadual e federal. Pelo "Decreto nº 6, de 17 de março de 1896", é criada uma agência fiscal estadual na sede da Vila de Tamandaré. O decreto "Relatorio apresentado pelo Secretário de Estado dos Negócios das Finanças, Commercio e Industria Luiz Antonio Xavier ao Governador do Estado do Paraná Dr. José Pereira dos Santos Andrade em 21 de setembro de 1896", citava o Agente Fiscal Estadual Manoel Furquim de Siqueira responsável pela fiscalização pelos tributos estaduais na localidade. Após, por "Ato nº 7, de 28 de março de 1898", é nomeado o Sr. Antonio Baptista de Siqueira e exonerado o Agente Fiscal Manoel Furquim de Siqueira. Em decorrência do Decreto nº 38, de 19 de julho de 1900, é exonerado Antonio B. de Siqueira e nomeado o Sr. Egrevy Brigido de Siqueira ao cargo de Agente Fiscal, o qual por ter questionado em 29 de setembro de 1902 uma irregular cobrança de tributos junto à Secretaria de Finanças que recaía sobre a Câmara Municipal e ter cancelado a mesma, foi exonerado pelo Decreto nº 87, de 18 novembro de 1902, e substituído pelo Sr. João Baptista Pereira de Souza. No ano de 1908, João Luciano Cardoso exercia a função de Coletor Federal. Em outubro de 1909, exercia a função Sr. Octavio Torres. Também exerceram a função de coletores estaduais no município: Manoel Andrade (1912-1913) e o cargo de coletor federal estava ocupado por Generoso Candido de Oliveira (1912 a 21 de junho de 1915) que devido ao seu falecimento foi substituído por Mariano Teixeira. No período de 1914-1915, a coletoria estadual estava sob responsabilidade de Acácio Cândido de Oliveira. No período de 1916-1920, o coletor estadual era Antônio Marcelino Domingues. A coletoria federal no período de 1917-1920, estava aos cuidados de João Sérgio de Christo. Os responsáveis pelo controle dos tributos no município no final da década de 1910, no contexto das informações presentes na página 3352 do "Almanak Laemmert, 1919-1920 República dos Estados Unidos do Brasil Capítulo Paraná" eram: Coletor Federal Mariano Teixeira da Costa auxiliado pelo fiscal José Francisco de Mattos. A Coletoria Estadual estava sob responsabilidade de Antonio Marcelino Domingues. No ano de 1921, a Coletoria Federal estava sob responsabilidade do Sr. João de Christo. A Coletoria Estadual ficava sob os cuidados do Sr. Manoel Aprígio Machado. No que tange as informações do Almanach dos Municípios, 1927, p. 108, em 1926, a Coletoria Estadual continuou sob a responsabilidade do Sr. Manoel Aprígio Machado. 322

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A Coletoria Federal ficou ao encargo do Juvenal do Amaral e Silva. No contexto das referências existente na página 572 do "Almanak Laemmer, 1930 - 4º Volume - Estados do Sul", o Coletor Federal em 1930 era o Sr. Juvenal do Amaral e Silva (onde permaneceu até 1939) auxiliado pelo escrivão Athayde de Siqueira. A Coletoria Estadual na mesma época ficava ao encargo do Sr. Manoel Aprigio Machado, auxiliado pelo escrivão Bortolo Stocchero, o qual em decorrência da Portaria nº 544, de 31 de dezembro de 1935, se tornou Coletor Estadual no município. Por Decreto Federal nº 4.656, de 08 de setembro de 1939, a Agência Fiscal é extinta, porém restabelecida, sendo o Sr. Athayde de Siqueira o responsável no período de 1940-1942. Também exerceram o cargo de Coletor Estadual os Srs. Orlando Florêncio Guimarães (1931); Bertholdo Adam Filho (1932-1933); Manoel Bittencourt Monteiro (1934-1935); Antonio Ribeiro (1936-1937); Bôrtolo Ferreira Stochero (1938); Frederico de Souza (1939-1940); Antônio Araujo Junior (1941-1949); Arnaldo Pisseti (1950-1951); Bôrtolo Ferreira Stocchero (1951-1955); Harley Clóvis Stocchero (1956-1961); Alfredo Millarch (1962-1969). Segundo a obra estatística/histórica do IBGE "Enciclopédia dos Municípios Brasileiros Vol. XXXI Paraná, Almirante Tamandaré", p. 26, apresentava que, na década de 1950, existiam na cidade, 62 estabelecimentos comerciais (armazéns, mercearias e bares). Nesta época (e anterior a ela), o sistema de cobrança de imposto tinha uma particularidade, pois o comerciante registrava as vendas em um livro, onde em seguida era calculado o imposto, o qual deveria ser pago com a compra de selos na coletoria que eram colados nestes livros e carimbados. Estes selos eram coloridos e cada cor representava um valor. Com o advento da autonomia da cidade com a denominação de Timoneira, o selo possuía como gravura em cor única o brasão da atual da cidade. Os selos anteriores, carregavam o antigo Brasão do Estado do Paraná. Curiosamente estes selos tarifários comprados na Coletoria também funcionavam informal- O primeiro selo foi utilizado a partir 1948, observar detalhe do bramente como moeda corrente. são. O segundo e o terceiro eram os selos utilizados na década de 1930, A BARREIRA FISCAL Outra forma de se cobrar tributos foi a barreira fiscal, a qual consistia em colocar uma porteira nas estradas principais do Estado, com o intuito de tributar e cobrar no ato a passagem do gado ou outra mercadoria transportada como madeira, minério e produtos agrícolas. Em 1883, segundo o "Relatório apresentado pelo Presidente da Província Luiz Alves Leite de Oliveira Bello", se cogitou a criação de uma Barreira Fiscal na região do Taboão, a qual se concretizou em virtude da Lei nº 710, de 31 de outubro de 1884, que fixou a taxa sobre veículo que passar pela Barreira da Estrada da Capital, a Vila do Assungui. 323

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Segundo a publicação oficial presente no jornal "A República, de 17 abril de 1902", é criada por Decreto uma barreira fiscal estadual na Estrada do Assunguy na localidade de Sumidouro. O "Decreto de 18 de abril de 1902" nomeou o cidadão João Pereira da Fonseca para exercer a função de agente na mesma. Em várias reportagem da mesma época é referenciada a Barreira de Tranqueira, a qual cobrava pedágio. No jornal "A República de 22 de dezembro de 1906", o administrador da barreira do Sumidouro, ao se defender das acusações feitas pelo correspondente do jornal "Diário da Tarde" expõe a difícil tarefa que é cuidar da barreira, pois segundo o mesmo, não raro é ele pedir reforço de praças para impedir que tocadores de gado passassem a força pela cancela; outros incitados por comerciantes a não pagar voltavam com suas tropas, outros resolvem passar à força de armas, os menos radicais apenas rasgam com raiva o recibo do tributo cobrado. Existiu também uma barreira fiscal em Campo Magro criada por Ato governamental estadual, de 21 dezembro de 1885, publicado na Gazeta Paranaense, de 23 de dezembro de 1885. Seu pioneiro administrador foi o Sr. Joaquim Carneiro do Amaral Junior, por Ato de 26 de dezembro de 1885. Segundo notícia publicada pela Gazeta Paranaense, de 30 de dezembro de 1885, a criação desta barreira causou naturais críticas dos jornais do Partido Liberal que era oposição naquele momento, cujo principal argumento foi que a barreira pouco rendimento dava à província chegando até a dar prejuízo. Porém, a Tesouraria Provincial rebateu com a seguinte justificativa: "O objetivo da barreira não era tanto o de cobrança de tributos, mas sim um meio de impedir o desvio de tropas e boiadas da barreira de Timbituva, o que tem provocado queixas e reclamações do fisco". Todas as barreiras que existiram no município eram de competência estadual.

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Atividades econômicas gerais Almirante Tamandaré, desde seus primórdios tempos, sempre dependeu do comércio e da exploração de minérios. Porém, foram os minérios que atraíram as pessoas para aqui viverem e, em consequência, empreender algo que garantisse a sobrevivência. Alguns optaram pela agricultura, outros por atividades do terceiro setor da economia. Outros, tirando os exploradores da cal, optaram e desenvolver pequenas fábricas de produtos básicos. OLARIAS A técnica de produção de blocos de argila (tijolo) para construção de casas e telhas para a cobertura das mesmas chegou com os colonos portugueses na região de Tamandaré. Com o tempo, esta atividade se tornou muito importante para a economia local. Principalmente pela abundância de matéria-prima existente nos rios que cortam a região. Porém, uma técnica que ficou marcada na cultura local, apesar das novas gerações desconhecerem foi a telha "feita nas coxas". Ou seja, o molde da telha era a própria coxa de quem a fabricava. Esta atividade estava ligada a um dos muitos serviços feitos por escravos. Porém, após a escravidão, esta técnica continuou sendo empregada por pessoas que não tinham condição de comprar telhas padronizadas. Apesar de ser uma alternativa barata, a telha feita nas coxas apresentava problemas de encaixe pelo fato de que o serviço não era realizado por uma única pessoa, mas por várias, ocorrendo desta forma a despadronização no tamanho e largura, posto que tinham por base coxas diferentes. O resultado geralmente eram muitas goteiras em dias chuvosos. No ano de 1900, o município contava com uma olaria segundo informa o "Almanach Paranaense 1900", p. 135. No contexto das informações presentes na página 3352 do "Almanak Laemmert, 19191920 - República dos Estados Unidos do Brasil - Capítulo Paraná", eram donos de olarias no final da década de 1910 os Srs. João Melanski e Wadislau Bregenski. Segundo a obra "Estado do Paraná, 1923 em seu capítulo Tamandaré", existe referência 325

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que em 1923, o Sr. Carlos Macedo estava montando uma fábrica de telhas e tijolos no terreno de sua propriedade no Sumidouro. Eram produtos que, além de servirem a população local, poderiam ser exportados para a capital. Neste contexto, é possível observar na página 572 do "Almanak Laemmer, 1930 - 4º Volume - Estados do Sul", a existência de uma olaria no final da década de 1920 pertencente a Fredolin Wolf. Na região da ponte do Taboão, existia a olaria Paulo C. Shimitz Cia Johnson, remontando a década de 1940. Segundo o "Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961 da Prefeitura Municipal de Timoneira", é identificada existência na sede do município da olaria do Sr. Pedro Jorge, que remontava a década de 1940. O "Arquivo de Requerimento apresentado à Prefeitura municipal de Tamandaré a contar de 11 de novembro a 30 de dezembro de 1931", faz referência que em 1950 existia a Irmãos Bini Ltda na Sede; Himério Lugarini no Passaúna e Indústrias R. Fredolin Wolf na Lamenha Pequena. SERRARIAS Outra forma de captar recursos foram as serrarias, as quais forneciam tábuas, sarrafos, vigas, ou seja, produziam matéria-prima para construções. O produto final feito no próprio município atendia o mercado local como também era exportado para outras cidades. As principais espécies vegetais exploradas foram a araucária, imbuia e canela, muito abundante nesta época, as quais eram cortadas na base do machado e serra manual a após transportadas. Como não existia energia elétrica em quantidade naquela época para alimentar motores, as serrarias funcionavam através de um sistema hidráulico (rodas da água), com serras vai e vem. Eram denominadas popularmente de engenho. No século XIX, na região do Pacotuba é relatado por moradores antigos da localidade a existência de uma serraria, movida a roda de água. No mesmo prédio, na parte superior (no sótão) existia um moinho. O dono deste moinho era um alemão, o Sr. Zeferino Zenf. Oficialmente, no ano de 1900, existiam 5 serrarias no município, segundo informa o "Almanach Paranaense 1900", p. 135. Segundo informações do "Almanak Laemmert, 1910 - Estados Unidos do Brasil - Capítulo Paraná", página 50, possuíam engenhos de serra no município no final da década de 1910: Antonio Stochero, José Candido Machado, Macedo & Bomfin e Manoel Gomes Pereira. Em referência à página 572 do "Almanak Laemmer, 1930 - 4º Volume - Estados do Sul", são identificados os principais exportadores e donos de serrarias no município no final da década de 1920: Gustavo Joppert, Antônio Zem, José Domingos Chimelli, Antônio Zatto, João Torres de Fructas e David Manosso. No contexto das informações prestadas pelo "Livro da Coletoria Federal Vila Tamandaré", são citados os seguintes donos de serrarias: Himério Lugarini no Passaúna em 1º de janeiro de 1923; Boleslau Machuk aberta no Taboão em 02 de janeiro de 1930; Honorio Joege de Christo na Sede em 14 de setembro de 1932 e João Antonio Xavier em 23 de março de 1935 no Juruqui. 326

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Foto: Família Lugarini, publicada na obra "Campo Magro: um município para ser conhecido e amado", elaborada por Sergio Roberto Calado.

Complexo Industrial Passaúna (engenho de erva-mate, olaria e serraria) pertencente ao Sr. Himério Lugarini, em 1930.

O "Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961 da Prefeitura de Timoneira", cita que na década de 1940, existia no município na região do Boixininga, a serraria do Sr. Pedro Broto de Andrade, onde hoje fica o Restaurante e Pesque-Pague do Broto. Na região da Conceição, existia a serraria da família Wolf; no Marmeleiro, existia a serraria da família dos Zem; e na Tranqueira, as serrarias pertenciam aos Stocchero; J. Domingos Chimelli (1928-1931); Davi Manosso possuía um engenho de serra no Juruqui. NEGOCIANTES DE LENHA A partir do desenvolvimento comercial da cal em grande escala, se desenvolve paralelamente a extração e plantação da bracatinga, que abastecia os fornos de queima de minério na cidade. Porém, a lenha não era direcionada só para os fornos, mas também para atender as locomotivas a vapor da Estrada de Ferro. No contexto das informações presentes na página 3352 do "Almanak Laemmert, 19191920 - República dos Estados Unidos do Brasil Capítulo Paraná", os principais negociantes de lenha de Tamandaré no final da década de 1910 foram: Antonio Bini, Antonio Stocchero, Arthur Teixeira de Freitas, João de Souza Rosa e José Chimelli. É possível observar no contexto da página 572 do "Almanak Laemmer, 1930 - 4º Volume - Estados do Sul", que os principais fornecedores de lenha e carvão no final da década de 1920 foram: Guerino Suffiati & Filhos, João Baptista de Siqueira e Antonio Trevisam. Na década de 1940, um dos principais fornecedores de lenha na década de 1940/60, segundo o "Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961 da Prefeitura Municipal de Timoneira", era o Sr. Bortolo Stival (comércio de lenha). Com o advento das leis ambientais na década de 1990, ocorreu uma diminuição do uso 327

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de lenha. Atualmente, os fornos são abastecidos em grande parte, pela serragem das madeireiras da região. FERRARIA Segundo informações publicadas na "Revista Ideias. Caminhos do Desenvolvimento. Ano VI, nº 118, agosto de 2011, p. 29", é citado que na região da ponte do Taboão em margem tamandareense, há mais de 100 anos existe uma ferraria, que por muitos anos se fez carroça, charrete, carrinho de mão, ferravam cavalo, faziam arado, ou seja, ferramentas agrícolas, de propriedade do Sr. Paulo Macionki. Ainda existe esta ferraria na forma de serralheria, porém ocupando um espaço menor que a pioneira, mas ainda pertencente à mesma família. No contexto das informações presentes na página 3352 do "Almanak Laemmert, 19191920 - República dos Estados Unidos do Brasil Capítulo Paraná", os principais ferreiros de Tamandaré no final da década de 1910 foram Emilio Diogo dos Santos e Moysés Colodel. Em referência à página 572 do "Almanak Laemmer, 1930 - 4º Volume - Estados do Sul", são identificados os principais ferreiros e donos de serralheria no município no final da década de 1920: Ctharino Natal, Emílio B. dos Santos e Sebastião Zem. Segundo o "Livro da Coletoria Federal Vila Tamandaré", existiam as seguintes ferrarias: José Zonatto, aberta em 22 de fevereiro de 1924 e Sebastião Zem, aberta em 16 de fevereiro de 1934, na Lamenha Pequena. O "Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961 da Prefeitura de Timoneira" cita que na década de 1940, existia na região do Taboão a ferraria pertencente ao Sr. Teófilo Sczepanski, no Juruqui existia a Ferraria Vacari Bevirato e Cia. Em 1950, existia a Francisco Lovato e Irmão na Tranqueira, Pedro Cavichiolo na Lamenha Pequena e Atílio Stela no Passaúna. FÁBRICAS DE SAPATOS E TAMANCOS Diferente dos dias atuais em que os calçados são produtos manufaturados e facilmente encontrados no comércio atendendo os mais variados gostos, tamanhos e especificidades, os anos anteriores à década de 1960 apresentavam realidade diferente, pois eram raros e caros os calçados manufaturados. Os sapateiros eram responsáveis em fabricar sapatos, botas, botinas, tamancos e sandálias sob medida e ao gosto do cliente na cidade, além de consertar sapatos, porque era caro fazer um novo. No Pacotuba, ainda no início do século, o Sr. Damião Kotovcz produzia calçados em sua Oficina de Sapato. No final da década de 1910, segundo as informações presentes na página 3352 do "Almanak Laemmert, 1919-1920 - República dos Estados Unidos do Brasil Capítulo Paraná", apresenta os seguintes sapateiros: Christiano Chipgnoski, Damião Kotovcz (Kotoviski), João Katzki e Primo Gasparino. Segundo o "Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pe328

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sos e medidas. 1947-1961 da Prefeitura de Timoneira", "existiu uma Fábrica de Tamanco na Colônia Santa Gabriela de propriedade de Bejamim Granato nas décadas de 1940 e 50". FÁBRICA DE BANHA E DERIVADOS Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, 2012 Outra atividade que proporcionou recursos às famílias no município foram as fábricas de derivados de carnes (banha, salame e linguiça), que existiam no município desde a década de 1940, segundo o "Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961 da Prefeitura de Timoneira", as mais antigas estavam localizadas na Cachoeira, na Rua Mauricio Rosemann, e pertencia ao Sr. Stanislau BoAntigo prédio da Fábrica de Banha aberta oficialmente em 27 de rowski, que depois foi comprada fevereiro de 1933, segundo o "Livro da Coletoria Federal da Vila pelo João Fruhwert (João Peixei- de Tamandaré", localizada em Tranqueira, fechada na década de ro); a outra fábrica se localizava 1980 pela vigilância sanitária. em Tranqueira, de propriedade do Sr. Stanislau Miclak. Elas eram abastecidas por gado vindo do Açungui e da região. No que tange o "Arquivo de Requerimento apresentado à Prefeitura Municipal de Tamandaré a contar de 11 de novembro a 30 de dezembro de 1931", é possível identificar que em Campo Magro existia a fábrica de Angelim Pianaro; Himério Lugarini no Passaúna e Antonio Alves na Sede. Segundo referência existente na página 572 do "Almanak Laemmer, 1930 - 4º Volume Estados do Sul", o Sr. Epaminondas Loyla era um exportador de carne seca no final da década de 1920. Segundo o "Livro da Coletoria Federal Vila Tamandaré", é informado a existência de um açougue no Distrito de Nossa Senhora da Conceição desde 30 de maio de 1921.

PADARIAS O pão é um alimento universal e de fabricação doméstica. Apesar desta característica, a fabricação de pão no município esbarrava na falta de trigo, mesmo existindo o cultivo no município, a produção não era suficiente para atender toda a população. Os moradores que possuíam lavouras também tinham que se preocupar em plantar outras culturas para poder trocar seus produtos por outros que necessitavam, como também para conseguir dinheiro. 329

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Fonte: Famiglia Ceronato 116 Anni Dopo! 1877-1993, p. 20. Mas, isto não quer dizer que a produção doméstica do pão era rara. Pelo contrário, era uma necessidade, o que deixou marcas na cultura local, como é o caso da "Broa" que é uma denominação do pão caseiro legado pelos imigrantes poloneses e que notoriamente está presente na oralidade local e regiões que receberam colonos europeus. Um alimento típico nas mesas de café de descendentes de imigrantes que ainda vivem na zona rural do município é a Tradicional forno de pão que fazia parte da realidade das famosa fatia de broa passada na banha casas em Tamandaré até meados da década de 1970. Centenásuína (o pão com banha). rio forno dos Ceronatos na antiga localidade da Freguesia de Também existia o pão de fubá ou pão Cruzeiro. de colono, característico dos imigrantes alemães, cuja receita é relatada no jornal "A República, de 18 de agosto de 1892, p. 3", o qual era preparado da seguinte forma: "Toma-se uma libra de massa de batatas, ou de cará ralado, lavada e misturada com duas libras de fubá fino, e juntando-se o fermento e água quente quanto baste, amassa-se e depois deixase crescer por espaço de 12 horas; amassa-se outra vez, antes de por no forno". A venda de pão era uma forma de arrecadar recursos também. Diante disso, no final da década de 1910, no contexto das informações presentes na página 3352 do "Almanak Laemmert, 1919-1920 - República dos Estados Unidos do Brasil Capítulo Paraná", eram padeiros no município os Srs. Francisco Navaret e Oscar Gario. Segundo referência existente na página 572 do "Almanak Laemmer, 1930 - 4º Volume Estados do Sul", no final da década de 1920 existia uma padaria no município de propriedade do Sr. Ernesto Teixeira. Nesta época a venda era ambulante. Segundo o livro da Coletoria Federal da Vila Tamandaré, são informados os seguintes donos de padaria: Cecílio Sanches a partir de 02 de janeiro de 1933, em Tranqueira e Jorge Leal desde 07 de maio de 1934, em Tranqueira. Em referência ao "Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e mediFoto: Arquivo de Juarez Traleski, s/d. das. 1947-1961 da Prefeitura de Timoneira", é possível observar a existência na década de 1940 de panificadoras, sendo Berlarmino uma de propriedaTraleski, fade de Maire Stocmoso entregachero, em Trandor de pão na queira e a Panificadécada de 1940-1970. dora Palanicheski, na Sede.

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BANCOS Em 16 de maio de 1977, é inaugurado na Av. Emilio Johnson, o Banco Banestado (Banco do Estado do Paraná). Os primeiros funcionários desta agência foram: Josélia Aparecida Kotoviski, Dioclécio Ferreira da Silva, Cesar Augusto Bini, Luiz Mozart Gobor, Gerente Benedito Mendonça, Jurez Campele, Luiz Fernando dos Santos. No ano de 2001, o Banestado se torna Banco Itaú, operando no mesmo local da antiga denominação. Em meados da década de 1980, o Banco do Brasil abre uma agência ao lado do Banestado. Por ser pequena e não acompanhar a demanda necessária para uma qualidade melhor de atendimento, o Banco do Brasil muda-se para a esquina da Av. Emilio Johnson com a Rua Fredolin Wolf (imóvel do Sr. Albino Milek, onde é atualmente é a Panificadora Reis). Por fim, em janeiro de 1989 muda-se para sua sede própria no endereço em frente, na própria avenida, onde existe até o momento. Em referência à manchete de capa do jornal "Folha de Tamandaré. Bamerindus seja bem-vindo! 30 de junho de 1989, nº 78 e reportagem, p. 5", é citado que em junho do ano de 1989 é inaugurado também na Av. Emílio Johnson no imóvel de propriedade do seu Albino Milek (onde hoje se encontra a Loja Santista), uma agência do extinto Banco Bamerindus. Este banco fechou em 1997, onde seus funcionários foram remanejados para a agência em Colombo sob o novo nome de HSBC. No dia 10 de maio de 2004, junto à Rua José Carlos Colodel, esquina com a Rua Lourenço Ângelo Buzato, se estabelece no município a Caixa Econômica Federal, com a denominação de Agência Pedra Branca, o qual segundo informações da "Folha de Tamandaré. Caixa Econômica agência em Almirante Tamandaré. Ano XVIII, nº 477, abril de 2004", p. 7, foi definido através de um concurso cultural promovido entre os alunos das Escolas da Rede Municipal de Ensino, em conjunto com a prefeitura. Seu primeiro gerente foi João Antonio Devita. Por fim, em julho de 2008, se estabelece no município o Banco Bradesco, tendo como primeiro gerente o Sr. Almir Jacson Blogoslowiski. Esta informação foi possível graça ao Sr. Reginaldo Bassetti, que também foi um dos pioneiros funcionários da agência. No artigo noticiado pela "Folha de Tamandaré. Banestado em Cachoeira. Mais uma conquista. Ano IV, 15 de agosto de 1989, nº 81", p. 6, em agosto de 1989, foi inaugurado no Bairro da Cachoeira um posto avançado do Banco Banestado, vinculado à Agência Banestado 202-X do centro de Almirante Tamandaré. A Conta nº 0001 foi aberta pelo Vereador Lauro Barchik. Na década de 1990, este posto deixou de funcionar. Antes da existência de bancos na cidade, os empresários locais tinham que se deslocar até a capital, para poder utilizar-se dos serviços bancários. ATIVIDADES GERAIS No final da década de 1910, no contexto das informações presentes na página 3352 do "Almanak Laemmert, 1919-1920 - República dos Estados Unidos do Brasil Capítulo Paraná", apresenta algumas atividades comerciais e prestações de serviço existente na cidade: Barbeiro Orlando Guimarães C.; Ferrador de Cavalos Santos Laio; Pedreiro Carlos 331

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Augusto Johnson; Modista Gasparina Laio Ferreira; e Dono de Restaurante Francisco Fligicoski. Segundo referência existente na página 571-572 do "Almanak Laemmer, 1930 - 4º Volume - Estados do Sul", a cidade contava com açougues pertencentes aos Srs. Reynaldo Von Kruger e Epaminondas Loyla; Loja de bombons, chocolates e balas pertencente à Sebastião Augusto Pimentel; Torrefação de café e distribuição ao Sr. Itaciano José de Siqueira; produção de mel pelos Srs. Manoel de França Costa e Mariano Jabinski; carpinteiros e marceneiros: Hugo Siqueira, Carlos André e Antônio Tosin. O "Arquivo de Requerimento apresentado à Prefeitura Municipal de Tamandaré a contar de 11 de novembro a 30 de dezembro de 1931", faz referência que, na década de 1920, na Lamenha Pequena, existiu uma fábrica de Barrica que foi fechada em 1931, de propriedade de João Antonio Zem. Na época, a barrica servia para se guardar vinho e outros líquidos, como também era utilizada para armazenar cal e calcário que eram exportados para outras cidades. Outro fabricante de barrica segundo o livro da "Coletoria Federal Vila Tamandaré" foi o Sr. Francisco Kruger estabelecido em 11 de junho na Cachoeira. Segundo o "Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961 da Prefeitura de Timoneira", na Sede, existiu uma fábrica de tinta (Irmãos Garibaldi Ltda) na década de 1940 até meados da década de 1950. O Sr. João Batista de Siqueira possuía uma Fábrica de Crina Vegetal no Mato Dentro. Outra atividade verificada foi: Alfaiataria de Leonardo Lewirkoski na Colônia Lamenha e a Alfaiataria de Brutus Clemens na Cachoeira. No contexto das informações do livro da "Coletoria Federal Vila de Tamandaré", têm-se as seguintes atividades econômicas: Antonio Mazzarotto possuía uma fábrica de móveis desde 10/03/1934, em Santa Gabriela; Antonio G. Tosin era dono de uma Carpintaria desde 15/07/1935, na Sede; Bortholo desde 04/05/1934, na Capivara; João Kruger desde 18/04/1935, na Cachoeira; João Julho Pedro desde 18/06/1934 em Tranqueira; Lino Andrade desde 29/03/1935, no Ouro Fino, Margarida Real Prado era retalhista desde 20/08/1935 no Botiatuba; Jacob Haas possuía uma fábrica de café em 03/04/1920, na Lamenha Pequena; João Paluski possuía uma charquearia em 08/05/1934, no Taboão. EVOLUÇÃO ECONÔMICA Em um contexto econômico geral da história da cidade, o município teve como principais atividades econômicas o comércio representado por mercearias, botequins, secos e molhados; a queima da cal e derivados; olaria; ferraria; depósitos e extração de lenha; exploração de pedreira; moinhos de cereal, a agricultura e fábrica de vinho como os carros chefes provedores de recursos ao seu povo. Existiam outras atividades que eram exploradas de forma solitária e limitada, mas que também colaboraram para o desenvolvimento da cidade. Na atualidade, a economia tamandareense está extremamente complexa, como é possível observar no levantamento do ano de 2006 elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que cita que o município conta: 18 indústrias de extração de minerais; 52 indústrias de produtos minerais não metálicos; 32 indústrias metalúrgicas; 4 indústrias mecânicas; 7 indústrias de materiais elétricos e de comunicações; 3 indústrias de materiais 332

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de transporte; 22 indústrias de materiais e do mobiliário; 5 indústrias do papelão, papel, editorial e gráfica; 10 indústrias da borracha, fumo, couros, peles, produtos sintéticos e indústria diversa; 17 indústrias químicas, produtos farmacêuticos, veterinários, perfumes, sabões, velas e materiais plásticos; 5 indústrias têxteis, vestuário e artefatos de tecido; 16 indústrias de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico e 6 serviços industriais de utilidade pública. Este mesmo censo registrou os seguintes números de estabelecimentos prestadores de serviços: 38 na construção civil; 4 instituições de crédito, seguro e de capitalização; 45 administradoras de imóveis, valores mobiliários, serviços técnicos profissionais e auxiliares ativos economicamente; 27 prestadores de transporte e educação; 69 serviços de alojamento, alimentação, reparo, manutenção, radiodifusão e televisão; 12 serviços médicos, odontológicos e veterinários; 8 de ensino e 16 prestadores de serviços de agricultura, silvicultura, criação de animais, extração vegetal e pesca. Como é possível observar nestas estatísticas e no cotidiano, fica evidente o acelerado desenvolvimento econômico que atingiu o município nas últimas três décadas. Porém, este desenvolvimento ainda deve ser aperfeiçoado para realmente trazer efeitos benéficos no contexto da realidade da cidade.

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Agricultura Muitos podem achar estranhos os versos do atual hino municipal, que contempla: "tendo aqui sempre boa produção, nosso milho, a batata e o feijão; também forte é nossa lavoura, o repolho, o tomate e a cenoura". Porém, estes versos não são rimas aleatórias, e sim, um reflexo histórico do legado do imigrante, o qual também reflete a atual produção destes produtos agrícolas que atendem as necessidades do município como também ajuda com boa parcela a complementar a demanda absorvida pela capital do Estado. A partir das características históricas a serem relatadas é possível perceber que até a segunda metade do século XIX, os habitantes da futura cidade de Tamandaré, se alimentavam especificamente de milho, feijão, arroz e mandioca. No contexto da obra científica histórica "Vida Material e Econômica", elaborada por Carlos Roberto Antunes dos Santos, p. 82, eram considerados produtos típicos de primeira necessidade, além do mate e naturalmente da carne (suína, bovina, ovina, caprina e de aves). Porém, isto não era uma alimentação exclusiva dos moradores da região do atual Tamandaré, mas sim, de todos os moradores da região da província paranaense que possuíam estes hábitos alimentares desde os tempos da formação da colônia. Mas, isto só mudou com a chegada do imigrante camponês europeu que introduziu novas culturas e técnicas agrícolas, como também o próprio crescimento da população que obrigou a produção em grande escala. Foi neste contexto, que Tamandaré em seus primórdios como Vila autônoma se sustentou economicamente e, depois, até a década de 1990, como cidade tipicamente de economia agrária. OBSTÁCULOS PARA A AGRICULTURA A agricultura na cidade sempre teve apoio governamental, no entanto possui um histórico de luta contra adversários terríveis como a seca, geada, granizo, tempestades e pragas, como o gafanhoto. Este último foi o inimigo número um entre os anos de 1900 a 1928. Os relatos mais antigos são feitos pelo jornal "A República, de 31 de outubro de 1906", que cita o estrago feito por gafanhotos em Campo Magro; o publicado no periódico "A Notí335

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cia, de 18 de outubro de 1907" que noticiou a devastadora passagem de uma grande e voraz nuvem de gafanhoto pela cidade. Provavelmente, esta nuvem que passou pela cidade, seja a mesma que foi noticiada pelo jornal "A Notícia, em 31 de outubro de 1907", a qual atacou vorazmente a Colônia Lamenha, como fica claro no publicado: "(...) fez pouso uma enorme nuvem de gafanhotos causando consideráveis prejuízos à lavoura que está quase inteira destruída. Na Colônia Lamenha, devido às chuvas que tem caído, os terríveis insetos acham-se sobre o solo em massas tão compactas que, em alguns pontos, impedem o trânsito. No Campo Novo, por iniciativa dos Srs. José Machado e Julio de Andrade, a população iniciou o extermínio dos gafanhotos aplicando querosene com ótimos resultados (...)" Em 19 de dezembro de 1907 os moradores da Lamenha Pequena e Campo Novo tiveram que recorrer à Sociedade da Agricultura para se protegerem do ataque dos gafanhotos. Após, no jornal "A Notícia, de 15 de abril de 1908", é narrada a chegada de uma grande nuvem de gafanhoto que passou pela Sede, assentou no Botiatuba e formando negras filas no céu, devastaram os campos da Lamenha e região. Por fim, o do contexto da história de construção do Oratório São Carlos Borromeu em 1939, que foi um ato de agradecimento pela ação divina no contexto de proteção contra os gafanhotos que costumeiramente atacavam as lavouras de Santa Gabriela nos anos iniciais de 1920. Em reportagem do periódico "A República, de 04 de dezembro de 1906", são relatadas as táticas de combate aos gafanhotos que deram certo, ou seja, o borrifamento de querosene sobre os mesmos. Outra técnica era o esmagamento em massa, mas esta não dava resultado, pois a praga voltava. O TRIGO Há muito tempo, o nosso município não desenvolve a cultura do trigo, com exceção do ano de 1988 que se tentou explorar novamente esta cultura, mas que não logrou êxito, segundo informações da "Folha de Tamandaré. Almirante Tamandaré incrementa plantio de trigo. Ano IV, nº 63, 15 de junho de 1988", p. 5. Em 1989, ocorreu mais uma tentativa e a família Schultz, no Botiatuba, se preparava para a colheita como informou a "Folha de Tamandaré. Almirante Tamandaré volta a plantar trigo. Ano V, nº 87, dezembro de 89". Ilustrando o tempo do trigo na cidade, o Sr. José Ido da Cruz conta com saudades de sua lavoura de trigo no Botiatuba em 1975-1976 e a beleza que ela proporcionava com a passagem do vento sobre ela. Outros moradores que presenciaram o tempo das lavouras de trigo, costumam inevitavelmente comentar o quanto era prazeroso ficar admirando o movimento do trigo. Porém, desde o começo do século XX o trigo era plantado em pequena quantidade na cidade, porém, com intuito de subsistência do morador local. Um dos motivos principais era porque o trigo que chegava à região, e por sinal no Paraná, era importado, e por este motivo era caro. No entanto, nas colônias de poloneses da cidade, esta realidade era em relação aos cereais mais cômodos, pois nelas era comum o cultivo de cevada, trigo, centeio e aveia, que eram o alimento essencial destes primeiros imigrantes, os quais dominavam a sua técnica de cultivo que trouxeram por efeito da Europa. Mas, isto no final do século XIX. 336

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O trigo naturalmente era plantado em terras paranaenses desde o período colonial, inicialmente trazido da Europa, o qual permitia bons lucros aos agricultores da região do primeiro planalto que lidavam com esta cultura. Porém, esta atividade no final do século XIX, não conseguiu mais atender a demanda da população. Um dos motivos foi ocasionado principalmente pela ferrugem (uma moléstia que atingia a planta e a matava). Sendo assim, vários programas de incentivo ao plantio de trigo foram desenvolvidos pelos governos paranaenses, entre eles se destaca o implantado pelo Sr. Max Rosenmann em 1917, o qual distribuiu sementes aos moradores da Lamenha, Santa Gabriela entre outras. Os resultados desta ação foram destacada pelo jornal "A República de 30 de janeiro de 1919, onde se comemorava a cultura regular do trigo. Em 1919, se destacaram os seguintes produtores na cidade: Dario Guetner (Cachoeira), plantou 1.000 kg e colheu 10.000 kg; Raphael Grecca (Cachoeira); José Gasparin (Santa Gabriela); Jacob Bubão (Lamenha Grande), plantou 6 ½ alqueires e colheu 45 alqueires; Luiz Guedes Cordeiro, plantou 2 alqueires, colheu 70 alqueires; João Sheliteck (Lamenha Grande), plantou 5 alqueires e colheu 50 alqueires; João Vike (Lamenha Grande), plantou 8 ½ alqueires e colheu 25 alqueires; Jacob Szwarça (Lamenha Grande), plantou 3 ½ alqueires e colheu 70 alqueires e José Mekel (Lamenha Grande), plantou 3 alqueires e colheu 60 alqueires. No entanto, o resultado ainda estava longe do desejado, a ponto de boa parte do trigo que vinha para o Paraná, tinha que ser importado. Neste sentido, é destacado pela obra comemorativa elaborada pela Câmara de Expansão Econômica do Paraná denominada de "1º Centenário de Emancipação Política do Paraná", p. 175-178, o desenvolvimento do programa Cruzada do Trigo, que a partir de 1924 modificou o panorama do cultivo do trigo, chegando a 25.949.50 kg em 1931, consolidando a produção de trigo no Paraná, que atingiu todas as cidades existentes na época. É evidente o auge da produção alcançada também por Tamandaré, na época Timoneira (1952), onde se alcançou uma safra de 61.200 kg no contexto de uma área de cultivo de 72 alqueires (correspondente à região do Botiatuba, São Miguel e Lamenha). No ano de 1956, a cidade era uma grande produtora de centeio (farinha preta) segundo a mesma fonte de referência, p. 26. O MILHO Este precioso alimento é um legado dos nativos americanos à nossa sociedade. Ou seja, ele se fez presente antes da chegada do português ao Brasil. Neste contexto foi percebido em vários trabalhos científicos, que a partir do século XIX, o Paraná e São Paulo eram os maiores produtores dessa planta no Brasil. Em toda parte do território nacional, o milho serviu e ainda serve para a engorda de animais e para a alimentação humana na forma de farinha de milho, fubá, óleo, amido e água-ardente (isto no século XIX). É informado pela obra comemorativa elaborada pela Câmara de Expansão Econômica do Paraná, denominada de "1º Centenário de Emancipação Política do Paraná", p. 180181, que em Almirante Tamandaré esta cultura se consolidou e sobrevive firme e forte até os dias atuais; em 1952, a produção alcançou 38.000 sacas de 60 kg. Em 1956, estes números dobraram. 337

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As regiões de maior produção nesta época foram: Freguesia, Conceição, Córrego Fundo, Marmeleiro e Barra de Santa Rita. Os produtores dessas regiões também destinavam uma parte da colheita para transformá-las em farinha biju e fubá. A farinha de milho biju era feita a partir de um sistema artesanal, onde o milho era socado no monjolo e depois torrado em um chapa de ferro. O milho destinado a ser fubá (farinha fina de milho), era moído junto aos moinhos. Em relação ao fubá, é a matéria-prima principal da polenta, prato típico do primeiro planalto e por efeito da cidade. Este prato foi introduzido pelos colonos italianos no século XIX, por ser um alimento barato. Com o tempo este prato foi sendo aperfeiçoado. ERVA-MATE Até final da década de 1960, alguns moradores da cidade de Almirante Tamandaré também constituíam renda com a Erva-mate (A Erva do Diabo, na visão dos jesuítas ainda no início da colonização das terras tinguis). Independentemente da opinião jesuíta, a erva-mate, desde o início da colonização Ibérica (Espanha e Portugal), se tornou uma bebida muito apreciada entre os colonos e naturalmente entre os índios. No século XIX, ocorreu a industrialização do mate, e os moradores da região de Curitiba (atual região metropolitana) vendiam sua produção aos engenhos. Em referências aos diversos instrumentos de compra e venda e cadastramento de terrenos de 1850 e posteriores, é clara a presença de relevantes ervais como "assessório de valorização dos referidos imóveis" nas localidades do Cercado, Boixininga, Botiatuba, Marmeleiro. A cultura da erva-mate foi importante fonte de renda para a recém-criada Vila de Tamandaré, pois segundo o "Almanach Paranaense 1900", p. 135, a cidade produzia 2 milhões de quilos anualmente que representavam o valor de 400:000$000 (média feita no ano de 1900). No contexto das informações presentes na página 3352 do "Almanak Laemmert, 19191920 - República dos Estados Unidos do Brasil Capítulo Paraná", eram produtores de erva-mate no município no final da década de 1910, os Srs. Francisco Vaz, Henrique Monteiro, Osorio de Christo, Osorio do Espírito Santo, Joaquim da Costa Cabral, Joaquim Vaz da Silva, Jorge Viriato, Laurindo José Cordeiro, Manoel da Costa Moreira, Manuel Vaz Cardoso e Quintino Ribeiro. Segundo referência existente na página 572 do "Almanak Laemmer, 1930 - 4º Volume Estados do Sul", os principais exportadores de erva-mate no final da década de 1920 eram: Serzedello de Siqueira, João Manoel Siqueira, Antonio Eduardo Trevisam e Joaquim de Barros Teixeira. O processamento do mate nos engenhos funcionava mais ou menos assim: Após a poda das folhas, estas eram levadas a um sapecador e depois levado ao moedor (feito de madeira cheio de "dentes"), movido por tração animal. O conjunto onde ocorria o processamento era conhecido como carijo. Uma pequena parte da produção era consumida dentro do município e a maior parte levada para a capital e Açungui. Com o tempo, a importância econômica da erva-mate diminuiu e a produção no início 338

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da década de 1950 na cidade se realizava em pequena escala, os poucos ervais tamandareenses que sobraram, entravam como complementação de renda da população agrícola. Um dos últimos produtores da cultura no município foi o Sr. Arlindo França Machado, na região do Marmeleiro. O FEIJÃO Uma cultura que transcende a própria história do município é a do feijão, o qual foi também um legado do nativo americano aos colonizadores, que facilmente apreciou o novo alimento a ponto de tornar a região autossuficiente nesta produção, possibilitando ser exportado para outros locais, principalmente para o litoral, que produzia muito pouco. No contexto das informações da obra comemorativa elaborada pela Câmara de Expansão Econômica do Paraná denominada de "1º Centenário de Emancipação Política do Paraná", p. 188, a produção das quatro cidades litorâneas existentes em 1952 (Antonina, Paranaguá, Morretes e Guaratuba), mal conseguiam superar a metade da produção de Timoneira, a qual correspondia a 5.750 sacas de 60 kg, porém, Timoneira era a menor produtora de feijão da Zona do Planalto de Curitiba. Geralmente, o feijão era uma cultura plantada depois da colheita do milho. A BATATA A batata é uma cultura de origem peruana, que primeiro teve que ir para a Europa em 1570, onde se popularizou, para depois voltar para o Brasil. Em consequência da população colonial do território português do sul estar muito próximo às povoações espanholas, o hábito e a cultura da batata começou a ser difundida também em território luso. Ou foi introduzido por índios capturados por bandeirantes, ou pelos próprios jesuítas oriundos de reduções da região do território de Guairá. Porém, o consumo deste alimento era ainda pouco apreciado na colônia, mas era conhecido. Porém, isto iria mudar no século XIX, com a chegada a imigração europeia no sul, mais especificamente no Paraná e na região de Curitiba, onde se encontrava a Colônia Lamenha, em futuro território tamandareense. Este fato se deve porque, além da cultura e tradições, os europeus também trouxeram seus hábitos alimentares. Neste sentido, ampliaram e desenvolveram na região a cultura da batata-inglesa, pelo seu fácil manejo, que se espalhou entre os colonos do Distrito de Campo Magro. No ano de 1956, Almirante Tamandaré se torna autossuficiente na produção desta cultura. Sendo a região de Campo Magro grande produtora, a ponto de atualmente se comemorar a Festa da Batatinha e o tradicional concurso da Rainha da Batatinha, realizado primeiramente em 11 de junho de 1972, tendo como primeira vencedora Elizabete de Fátima Pianaro Chiarello. Apesar da batata no atual momento não receber a mesma importância de outrora pelos produtores da cidade, devido à extrema queda de seu preço nos últimos anos (muito produto), é uma cultura consolidada no município e na própria cultura popular local, e não raro é escutar alguém se referir ao produtor rural descendente dos primeiros imigrantes, como "batateiro" ou "polaco batateiro". 339

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HORTIFRUTIGRANJEIROS Outro legado dos imigrantes europeus (principalmente o polonês) se desenvolveu e se consolidou desde a sua chegada ao século XIX foi o cultivo de hortifrutigranjeiro (cenoura, beterraba, repolho) como cultura suplementar à existente, que com o tempo se tornou autossuficiente, a ponto de abastecer a capital. A partir de meados de 1950, eram transportados em carroças para Curitiba, onde eram comercializados em uma feira que funcionava de madrugada na Praça 19 de Dezembro e também na Rua Sete de Setembro, onde futuramente seria o Mercado Municipal. Os produtores destas específicas culturas no município (região de São Miguel e Botiatuba) correspondem à quarta geração dos primeiros imigrantes, porém com a diferença que hoje a produção é mecanizada. Destaca-se a família Moçon, no Botiatuba, a qual na década de 1970 utilizava o sistema de irrigação mecânica, o que era evidente pelos relatos de muitos moradores, pois nos períodos de seca prolongada, os campos cultivados, estavam sempre verdes e produtivos. Curiosamente foi notícia no jornal "A República, de 05 de janeiro de 1918", um repolho de 9 quilos e 700 gramas, colhido pelo Sr. Primo Gasparin, morador e lavrador na Colônia Santa Gabriela. O repolho ficou exposto na vitrine da sede do Jornal A República, em Curitiba. A UVA Em termos de fruta, a cultura alienígena que mais se destacou e sempre esteve presente desde o advento da colônia no Brasil foi a uva, trazida e plantada por Brás Cubas em 1532, na Capitania de São Vicente. Porém, como Portugal estabeleceu leis severas e específicas que proibiam a produção na colônia de muitos produtos, a quase inexistente produção de vinho na colônia desapareceu, pois Portugal era um grande produtor de vinho na época. Sendo assim, a colônia não poderia concorrer com a metrópole, mas sim comprar dela (sistema do pacto colonial). A partir do século XVIII, isto mudou, o plantio de videiras se propagou e a produção de vinho no Brasil ganhou impulso. O Brasil se tornava Capital do Império Português e depois independente. A produção de vinho em Almirante Tamandaré também transcende a sua origem. No entanto, com o advento da chegada dos italianos, na Colônia Antônio Prado, Santa Gabriela, Nova Romastak, Juruqui, Campo Magro e Barra de Santa Rita e com os italianos na década de 1910, e após, no período da Segunda Guerra, a produção se tornou bem difundida a ponto de existir videira quase em todos os terrenos da cidade. Desta forma, os derivados de vinhos, como suco, vinho, doce, eram normais em qualquer casa, principalmente em casa de italianos. No contexto da oralidade de Odete Basso da Cruz é relatado que seus avós, na década de 1920, faziam vinho no processo tradicional, o qual se extraía o suco da uva a partir do procedimento de pisar sobre ela. Referente às informações presentes na página 3352 do "Almanak Laemmert, 1919-1920 - República dos Estados Unidos do Brasil Capítulo Paraná", eram fabricantes de vinho na cidade no final da década de 1910 os Srs. Angelo Broto, Davi Manosso e Felix Puppia. Segundo referência existente na página 572 do "Almanak Laemmer, 1930 - 4º Volume 340

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Estados do Sul", os principais produtores de vinho no final da década de 1920 eram: Angelo Busato, Angelo Broto, João Straioto e Antonio Zem. O "Livro da Coletoria Federal Vila Tamandaré" informa os seguintes fabricantes de vinho: Augusto Saldanha dos Santos (01/04/1931) na Conceição; Angelo Busato (29/02/ 1932) no Mato Dentro; Angelo Gulin (02/01/1933) em Tranqueira; Sebastião Bordignon (15/03/1929), Umberto Perim (04/1929), Leão Cavali (12/06/1934) e Angelo Brotto Sobrinho (02/05/1935) no Boixininga; Esther Mazzarotto (20/01/1929), José Gasparim (02/01/1930) em Santa Gabriela; Estefano Pupia (17/04/1933) no Botiatuba; João Antonio Zem (01/1918) na Lamenha Pequena e Paulo Bini (15/10/1932) na Sede. Na cidade, se destacaram como produtores de vinho em grande escala para o comércio segundo o "Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961 da Prefeitura de Timoneira": O Sr. Angelo Brotto Sobrinho e Domingos Carlesso no Boixininga e João Antonio Zem na Lamenha Pequena, e o Sr. Bortolo Vale na Lamenha Grande; Domingos Gulin e Irmão em Tranqueira; João Batista de Santa na Cachoeira; José Trevisam no Canavial; Humberto Herim no Pacotuba e Angelo Shiral Lello no Juruqui. Porém, até a década de 1960, as videiras se deram bem na região, no entanto com o advento, da doença Pérola-da-Terra, a produção de vinho sofreu um enorme impacto, principalmente porque o município vizinho de Colombo também comprava o excedente da produção de uva de Almirante Tamandaré, devido ser um grande produtor de vinho do Estado. CULTIVO DE FUMO A República, de 30 de outubro de 1909 cita a existência de uma fábrica de cigarro existente na Lamenha Grande, o qual era da marca Nordau. Segundo o comentário, era fabricado sem cola e com algodão isolando a nicotina, o que lhe tornava higiênico. Não foi referenciado quem era o dono da fábrica. No contexto das informações presentes na página 3352 do "Almanak Laemmert, 19191920 - República dos Estados Unidos do Brasil Capítulo Paraná", no final da década de 1910 existiu uma fábrica de cigarro, charutos e fumo pertencente a Josepho Butia Cardoso Gouveia. Não existem referências de como, quando e quem introduziu o cultivo do fumo em território tamandareense até o presente. No entanto, a página 572 do "Almanak Laemmer, 1930 - 4º Volume - Estados do Sul" cita os principais produtores no final da década de 1920 desta cultura na cidade, ou seja: Joaquim de Araujo Faria, Antonio Jorge de Christo, Domingos de Faria, Domingos Carlesso e Maria da Conceição Faria. TECNOLOGIA AGRÍCOLA Observando o uso de tecnologias na agricultura, no período entre a década de 1960 a meados da década de 1970, era extremamente raro a utilização de tratores agrícolas nos campos de cultivo da cidade. No entanto, existiam pessoas que possuíam tal maquinário e 341

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o alugavam prestando serviço de aração nos campos de quem solicitava o serviço. Um prestador de serviço, que por um período obteve renda com esta atividade foi o Sr. José Ido da Cruz, que possuía um trator. Porém, muitos produtores alugavam tratores da Companhia Café do Paraná. Na década de 1970, o Estado abriu um posto rural (FUNRURAL) que vendia implementos agropecuários na sede da cidade, em frente ao prédio onde atualmente se encontra a Escola Municipal Rosilda Kowalski. Era responsável por este posto o Sr. Benjamin Cailesso (Carlesso). Este posto foi fechado em meados da década de 1970 (1974-1975). Na década de 1980, é instituído o programa governamental do trator comunitário, o qual era emprestado pela prefeitura de forma gratuita esta tecnologia que facilita a vida dos agricultores mais humildes. Após, este programa continuou, mas sob outras denominações. O ASSOCIATIVISMO RURAL A existência de associações agrícolas no Estado do Paraná remonta o início do século XX, muitas delas tiveram início em sociedades formadas por imigrantes e nacionais com o objetivo de auxiliar seus associados em enfrentar as dificuldades no que tangia a produção e o comércio do que era produzido, além de abrangerem outras finalidades como a Educação. Esta condição é possível ser observada na edição de 24 de outubro de 1906 do jornal "A República", que informava que em 20 de outubro de 1906, foi criado uma Sociedade Agrícola na Lamenha Pequena denominada "Kolko Rolnicze" (União Agrícola), cujo objetivo previsto em seu artigo primeiro era o de comprar direto dos fabricantes artigos necessários para a agricultura indispensável e manter um negócio. Seu pioneiro presidente foi Sczepan (ilegível); vice-presidente Wojciech (ilegível); secretário Izydoro Zgoda; diretor Ludicick Szczerbowski; Michal (ilegível). Segundo o jornal a "República, de 10 de outubro de 1905", anteriormente a esta associação, na Colônia Lamenha Grande, em 07 de outubro de 1905, foi criada uma cooperativa agrícola denominada de "Circulo Rural". No contexto da mesma informação é citado que foi a primeira cooperativa criada por uma colônia na província. Na solenidade de inauguração se fizeram presentes: Secretário de Obras Públicas Gutierrez Beltrão; VicePresidente do Estado monsenhor Celso da Cunha; Consul austríaco Ockeky. Existem referências no periódico "A República, de 25 de julho de 1904" sobre a existência da Sociedade Nossa Senhora da Lamenha Pequena, cujo presidente era o Sr. Wlademiro Kuhn. Na Colônia Lamenha existia a Sociedade Agrocultural Santo Izidoro, fundada em julho de 1902, segundo "A República, de 09 de agosto de 1904". Porém, estas não eram cooperativas. Com o tempo, estas sociedades foram sendo substituídas por associações que abrangiam não só a agricultura, mas outros setores da economia. Na década de 1980, o Estado incentivou a criação de associações agrícolas com o objetivo das mesmas serem um canal de comercialização para os pequenos produtores, independentemente se associado ou não, bem como viabilizar a sobrevivência dos mesmos na atividade agrícola. Faziam parte da iniciativa, além da organização econômica do setor, o propósito de que as mesmas passas342

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sem a ser entendidas com caráter político, de representação dos pequenos agricultores, independentes dos setores patronais e do domínio das cooperativas. Neste contexto histórico, em 1985 é fundada a Associação dos Produtores Rurais de Almirante Tamandaré (ASTRO). Após a ela, segundo artigo do Técnico da EMATER, Pedro Martin Kokuszka, publicado na Folha de Tamandaré, de 15 de junho de 1988, para atender os interesses do trabalhador rural tamandareense, que para esclarecer dúvidas e pleitear direitos tinha que recorrer ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Branco do Sul, em 23 de abril de 1988, é fundado a partir de uma Assembleia Geral, que contou com a presença de mais de 300 trabalhadores rurais reunidos no Salão Paroquial da Igreja Matriz, o "Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Almirante Tamandaré". Neste dia foi aprovado o estatuto e eleita sua pioneira diretoria que ficou assim definida: Presidente Felício Tabolka; Secretário Genésio Galvan; Tesoureiro Osvaldo Stival; Conselheiros Fernando Dambrat, Conceição J. dos Santos e Francisco do Carmo. Neste histórico dia estavam presentes o Diretor Presidente da ASTRO, Bernardo Gogola Maeski; Diretor Presidente da FEPAR, Osvaldo Stival; Chefe Regional da EMATER, Cesar Amin Pasqualim; Gerente da EMATER, Cirino Correa Junior; Vereadores Jerônimo Jareck e Zair José de Oliveira; Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré, Frei Emídio e o Sr. ex-Prefeito Roberto Perussi. OS MOINHOS Até meados do século XX, os moinhos tiveram grande importância para os moradores de Tamandaré e região, uma vez que muitos cereais para serem consumidos deveriam ser moídos, como era o caso do trigo e do milho. Os moinhos também serviam para a produção de energia elétrica para consumo do proprietário e para carregar baterias para fins diversos. Até meados do século XIX nem todos os moradores da região curitibana correspondente ao atual território tamandareense dispunham dos serviços de um moinho. Esta situação se agravava e era notória na colônia Lamenha, como é possível perceber no contexto do Livro de Correspondências Oficiais do Governo do Paraná, nº 614, p. 93 e seguintes, pois através de requerimento assinados pelos colonos foi solicitado junto ao governo estadual "peças e pedras de moinho". Este requerimento foi encaminhado após junto a outras solicitações semelhantes de outras colônias através de um Ofício elaborado pela Província ao Ministério da Agricultura do Império. No entanto, tal solicitação feita no início de 1880 foi indeferida em 24 de abril de 1880 por falta de verba devido a mesma não ter sido contemplada no orçamento de "Terras públicas e colonização" daquele ano. Mesmo sem o investimento do governo imperial e estadual para construção de um moinho na colônia os colonos não deixaram de moer o trigo e o milho, pois alguns moradores visionários da localidade, percebendo a crescente necessidade do mesmo, resolveram investir em moinhos particulares para prestar o serviço e, por efeito, garantir uma fonte de renda. Neste contexto, a reportagem "Caminhos do Desenvolvimento, publicada na página 29 da Revista Ideias nº 118, de agosto de 2011", faz referências sobre a existência no Taboão 343

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de um centenário moinho impulsionado pelas águas do Rio Barigui, que além de moer grãos produzia energia elétrica; pertencente ao imigrante alemão Carlos Weigert, datado de 1892, próximo à atual ponte do Taboão, na divisa do município às margens da Estrada do Assunguy. Este moinho foi referenciado por um despacho do Secretário de Finança ao Agente Fiscal de Tamandaré em resposta às questões relacionadas aos tributos feitas pelo contribuinte Carlos Weigert, datado de 30 de julho de 1901, e publicado no jornal "A República, de 24 de agosto de 1901". Segundo consta no livro "Coletoria Federal da Vila de Tamandaré", oficialmente é registrado em "Tamandaré" a data de início do empreendimento (moinho de cereais) em 1º de janeiro de 1933, sendo o dono o Sr. German Weigert Sobrinho. Este moinho foi desativado por Waldomiro Weigert na década de 1970. Segundo informaFoto: Família de Wilson Weigert, início da década de 1980 ções do "Almanak Laemmert, 1910 - Estados Unidos do Brasil Capítulo Paraná", página 50, o Sr. Gaspar Cunha era dono de moinho na cidade no final da década de 1910. Os produtores de trigo da Vila Tamandaré, na década de 1920, levavam o seu produto para ser moído no moinho de cereais. Segundo consta no livro "CoMoinho da Família Weigert ao fundo a ponte de madeira do Taboão, constru- letoria Federal da Vila ído por Carlos Weigert, junto com a casa que existe ao lado. Atualmente, o de Tamandaré" possuímesmo está sendo restaurado pela família. Segundo a Arquiteta Ivilyn Wei- am moinhos: João Gragert, a atual estrutura é uma ampliação feita por Germano Rodolfo Weigert. bovski no Botiatuba datado de fevereiro de 1928, que ao falecer deixou de herança para Maria Grabovski (viúva), Izidoro Goinski e esposa Tereza Grabovski, João Goinski e esposa Polonia Grabovski, Francisco Graboski e Alexandre Grabovski. Após foi vendido a Pedro Jorge Kotoviski, em 19 de novembro de 1947, que vendeu ao irmão José Francisco Kotoviski na década de 1950; Antônio Stocchero Sobrinho, na data de 06 de abril de 1934, em Tranqueira e Jacob Hass, iniciaram um moinho em 03 de abril de 1920, na Lamenha Pequena. Em referência ao "Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961 da Prefeitura de Timoneira", além dos donos de moinhos citados anteriormente, foram identificados novos empreendimentos dos Srs. Antonio Gedeão Tosin no Sumidouro; Tertuliano Raimundo no Pacotuba; Frederico Manfron na Capivara; no Juruqui (da família Sandri); José Osorio Machado em Campo Magro; e na Barra de Santa Rita (Bonifácio Cruz). Estes moinhos eram movidos por tração animal ou pela força hidráulica. 344

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Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, maio de 2011 Em 16 de agosto de 1960, o Sr. Pedro Jorge Kotoviski vende seu moinho de fubá e farinha de milho localizado na Capivara para o Sr. Brazelino de Paula Lorenço. Em meados da década de 1970 o Sr. José Ido da Cruz possuía na Sede um moinho elétrico para moer cereais. O "Inventário tu- Moinho Nossa Senhora do Carmo, datado de 1948. rístico municipal de Almirante Tamandaré - Paraná", elaborado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo em 2005, p. 28, destaca por sua conservação o Moinho Nossa Senhora do Carmo, localizado junto à Rua Luciano Perussi s/nº no Marmeleiro, construído em 1948 pelo Sr. Nadir Gasparim Perussi, conhecido como seu "Natal", casado com a Sra. Hilda Zotto Perussi, que eram filhos de imigrantes italianos oriundos de Vêneto, os quais trabalharam anos arduamente para a construção do moinho sobre o Rio Passaúna destinado a mover e comercializar o fubá. A construção de base é toda de pedra retirada do próprio local, levando quatro anos para ser concluído. Tudo construído em momentos em que a lavoura não exigia tanta dedicação. Este estabelecimento também funcionou como mercearia, além de produzir energia elétrica para alimentar a própria residência e carregar baterias. Por anos produziu Fubá, Quirera, Canjica e Biju, sua força hidráulica era produzida pelas águas do Rio Passaúna, como relatou Antonio Perussi (filho do Sr. Nadir Gasparim Perussi), em maio de 2011.

OS MONJOLOS Existiram no município, desde o século XVIII, os pequenos engenhos de farinha de milho biju. Uma herança indígena. Esta farinha era fabricada com milho umedecido, onde era socado por um sistema chamado de monjolo, até virar uma pasta, depois torravam em uma chapa. A maioria das casas possuía esta fábrica artesanal. Quem não possuía, utilizava o monjolo de quem tinha, pois era comunitário. Existiu em grande quantidade na região do Córrego Fundo, Conceição, Marmeleiro, Barra de Santa Rita e Capivara. Na região da Sede, não existia esta atividade. Esta técnica existiu até meados da década de 1960, sendo substituída por modernas máquinas, o que extinguiu a produção artesanal para a venda em nosso município. Em referência à farinha de milho biju, ela é a matéria-prima para fazer um prato típico da região que recebe o nome de genérico na região de "pixé" ou farofa com ovo. Este prato é normalmente consumido no café da manhã ou no da tarde. Outras formas de consumo da farinha: mingau (leite com farinha) e, farofa de churrasco.

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A CRIAÇÃO DE GADO A criação de animais na cidade foi uma atividade advinda com o próprio povoamento e formação das primeiras propriedades rurais no século XVIII, serviu tanto para fins de subsistência e consumo interno, quanto para fins econômicos que trazia recurso financeiro para a economia local com as exportações de animais vivos até a capital. No contexto das informações presentes na página 3352 do "Almanak Laemmert, 19191920 - República dos Estados Unidos do Brasil Capítulo Paraná", foram criadores de gado na cidade no final da década de 1910, os Srs. Antônio Stocchero, Arthur Teixeira de Freitas, Benedicto de Oliveira e João Antunes de Lara. Segundo referência existente na página 572 do "Almanak Laemmer, 1930 - 4º Volume Estados do Sul", são citados os principais criadores na cidade no final do século 1920, porém não é especificado qual o tipo de gado criado. Neste contexto foram listados os seguintes cidadãos: Domingos Scucato, Angelo Busato, João Baptista de Siqueira, Serzedello de Siqueira, Randolpho de Siqueira, Joaquim Araujo de Faria Jr., Antonio Eduardo Trevisam, João Candido de Oliveira, Antonio Bini, Pedro Carlesso, Salvador Teixeira, Bernardo Bregenski, Ignacio Bregenski, Pedro de Barros Teixeira, João de Barros Teixeira e Antônio Gusso. Segundo a obra supracitada, o Sr. Antônio Gusso era veterinário.

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Saneamento básico REDE PÚBLICA DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA São raros os lugares no mundo onde se acha água com tanta facilidade como em Almirante Tamandaré. No entanto, o sistema de água tratada e encanada só foi implantado no município na década de 1970. Em qualquer casa do município nesta época possuía um poço de onde se retirava água. Porém, até a década de 1950 nem todos tinham poços, e muitos moradores da Sede tinham que utilizar a água de um velho poço comunitário que existiu nas proximidades da esquina da Av. Emilio Johnson com a Domingos Scucato, que segundo consta, foi cavado no século XIX por escravos, sendo suas paredes feitas de pequenas pedras pretas encaixadas perfeitamente. "Em meados de 1950, ocorreu um fato inusitado, eis que a Sede recebeu um novo morador que se estabeleceu nas proximidades do poço. Porém, para sobreviver além dos afazeres normais, criava porcos. Apesar de ser avisado para não soltar os animais próximo ao poço, continuou e por destino, em uma grande enxurrada, o poço foi contaminado, até a "fiscalização sanitária da época foi acionada". Após, o poço foi esgotado para tornar a água potável novamente e cercado e sua boca erguida alguns centímetros para evitar novos incidentes". Enquanto o poço esteve interditado, os moradores que não tinham poço tiveram que recorrer aos poços particulares que existiam na Sede. No entanto, com o processo de urbanização, esta realidade mudou, pois muitos loteamentos foram abertos. Grande parte destes novos habitantes que se estabeleceram na cidade não possuíam condições para construir um poço em casa e tampouco se servirem de um poço comunitário devido à falta do mesmo. Diante deste fato, às 12h00, de 11 outubro de 1975, junto às solenidades do 28º Aniversário de Emancipação do Município, é oficialmente inaugurado o sistema de abastecimento de água na cidade de Almirante Tamandaré na região da Sede, como informa a "Placa de Inauguração" e a Tribuna dos Minérios, de 31 de outubro de 1975, p. 3. O sistema de abastecimento era provido por um poço artesiano localizado junto à sede da Sanepar no município (Av. Emilio Johnson). No entanto, há de se ressaltar que a região da Cachoeira, 347

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nas proximidades com Curitiba, recebia água tratada oriunda do reservatório do Bacacheri, mas não toda a região. No dia da inauguração estiveram presentes o Presidente da SANEPAR, Engenheiro Gehard Leo Linzmeyer; Diretor Técnico Arnaldo Grassi; Deputados Fabiano Braga Cortes, Werner Wanderer e Alfredo Gulin; o Prefeito Eurípedes de Siqueira; Vice-Prefeito Domingos Natal Stocchero; Vereadores, Professores e populares. Segundo informações noticiadas pela Tribuna dos Minérios. "Monte Santo terá água", nº 278, 23 de setembro de 1979", p. 1, em setembro de 1979 um fato interessante ocorreu na cidade. O Prefeito municipal Roberto Luiz Perussi enviou um ofício à Sanepar solicitando a instalação de uma torneira pública no Jardim Monte Santo, a qual serviu para atender 60 famílias ali estabelecidas. Prontamente, a Sanepar instalou a torneira em outubro daquele mesmo ano. Após, uma rede de distribuição de água encanada mais complexa foi instalada na região. No que tange a informação da Revista Paranaense dos Municípios. "Especial Almirante Tamandaré", fevereiro de 1986, p. 6-7, no início da década de 1980 até 1986, a Sanepar executou aproximadamente 110 quilômetros de redes de água tratada, que eram abastecidas por 3 poços artesianos com vazão de 680 metros cúbicos por hora. A região da Cachoeira recebia água nesta época e ainda recebe do reservatório situado no Jardim Monte Santo, com capacidade de 1 milhão de litros, o que beneficiava inicialmente 3 mil famílias. Tranqueira era abastecida por um reservatório de 80 mil litros, atingindo 350 famílias e a rede de Campo Magro possibilitou aproximadamente 200 ligações na época. Neste período, apesar de existir esta extração de água do subsolo, não havia o perigo dos locais mais sensíveis de Tamandaré sofrerem afundamentos, como ocorrem atualmente. Naquela época, as dolinas e várzeas, que são pontos de abastecimento do aquífero em períodos de chuvas, não estavam aterradas, ou no caso das várzeas não estavam impermeabilizadas pela ocupação humana irregular e criminosa. Foto: Revista Paranaense dos Municípios.

Poço artesiano da Sanepar perfurado em 1985.

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Em 27 de maio de 2004, o Paraná Online publicou sob o título "Sanepar investe R$ 5,2 milhões em Almirante Tamandaré", onde o presidente da Sanepar, Stênio Jacob, ao participar de audiência pública na Câmara Municipal de Almirante Tamandaré, anunciou os investimentos da estatal em Almirante Tamandaré na ordem de R$ 5,2 milhões. Os quais, R$ 2,7 milhões foram utilizados para a construção de reservatório e de distribuição nas localidades de Mato Dentro e Monte Santo. Os outros R$ 2,5 milhões foram recursos para a construção do complexo Barigui, que inclui a Captação e a Estação de Tratamento de Água no Rio Barigui, com capacidade de produção de 200 litros por segundo. Estas obras foram consequência da necessidade de desativação de cinco poços artesianos existentes no centro da cidade, os quais estavam colocando em risco a própria existência da Sede. Em 2005, foi entregue a Estação de Tratamento Complexo Barigui. Com o advento desta estação de tratamento, ocorreu a execução de 80 quilômetros de rede coletora de esgoto e 5.377 ligações domiciliares, o qual gerou em um primeiro momento 1.250 empregos diretos e indiretos. Entre os 141 mil habitantes beneficiados com as obras estão os moradores da Vila Grécia, Botiatuba, Jardim Paraíso e do Jardim Silvana. Outro fato importante a se destacar, que com este sistema, ocorreu o desativamento de fossas domiciliares que possuíam uma grande capacidade de contaminar o aquífero, como também, o esgoto que irregularmente contaminava alguns rios da região (Rio Botiatuba e, consequentemente, o Rio Barigui, pois o Botiatuba é afluente do Barigui). Na região do Botiatuba, por exemplo, para se alcançar o aquífero, basta perfurar apenas 21 metros. Por este motivo, uma fossa possui uma grande capacidade de contaminar o aquífero. No ano de 2005, os domicílios com água tratada alcançaram 21.507 (93% do total, IBGE). Outro fato interessante a se destacar, é que até o início do século XXI, mesmo Almirante Tamandaré sendo vizinho de Curitiba, não possuía sistema de captação e tratamento de esgoto. SAÚDE PÚBLICA Em referência à "Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Almirante Tamandaré-PR. IBGE, Vol. XXXI Paraná, p. 26, a assistência médico-sanitária, registrada até início da década de 1950, se resumia a um farmacêutico e uma enfermeira atendente. Existiam apenas dois postos de Puericultura (ciência médica que se dedica ao estudo e cuidado com o desenvolvimento do ser humano, mais especificamente da criança), um subposto de higiene e

Fonte: SANTOS, Didio. STOCCHERO, Harley Clóvis. Estudo histórico, estatístico, econômico, descritivo do município de Timoneira, 1951.

Posto de Puericultura Imaculada Conceição.

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uma farmácia. Nesta época, a assistência especializada de um médico só havia na capital. Ou quando o médico vinha da capital para atender um grupo de pessoas. Caso contrário, o atendimento era feito por um enfermeiro e seus assistentes (não formados). Os partos eram feitos na própria casa das pessoas. As parteiras eram referenciadas como prestadoras deste serviço. Na década de 1910, existe referência na página 3352 do "Almanak Laemmert, 1919-1920 - República dos Estados Unidos do Brasil Capítulo Paraná", da prestação desse serviço feita pela Sra. Antonia Macedo Andrade no final da década de 1910. É possível observar no contexto da página 572 do "Almanak Laemmer, 1930 - 4º Volume - Estados do Sul"(12), que no final da década de 1920 prestava este serviço a Sra. Ida Benzer, no Pacotuba. Era esposa do imigrante alemão Sr. Walther Benzer, que era sócio de Arcelino Correia, ambos farmacêuticos, donos de uma farmácia (Correia e Benzer), na região do Pacotuba nas décadas de 1920-1930, como informa a obra citada. Outras parteiras identificadas, mas na região da Lamenha, foram as Sras. Verônica Scholochaski, Rosa Bugalski e Ernestina Piontek. Porém, na Sede e região a Sra. Luíza Chevônica Johnson se destacou como excepcional parteira, sendo tal a notoriedade que o Hospital das Clínicas pagava para esta senhora ensinar as enfermeiras a realizarem partos. Nos anos de 1993 foram realizadas 79.621 consultas e 13.795 crianças foram imunizadas contra a poliomielite; em 1994 foram atendidas 112.167 pessoas e 13.262 crianças foram imunizadas contra a poliomielite. No ano de 1995 ocorreram 142.443 consultas realizadas nos postos de saúde. A vacinação contra poliomielite atingiu 12.942 crianças de 0-5 anos. Em 1996, 14.889 foram imunizadas contra a poliomielite. HOSPITAL Em referência ao "Relatório do Governo do Estado do Paraná. A concretização do plano de obras do Governador Moyzés Lupion 1947-1950. (Arquivo Público do Paraná, Ano 1947-1950 MFN 1146, Moysés Lupion), p. 84, foi construído um prédio de alvenaria de 300 m², inaugurado no final de 1947 pelo Governador Moysés Willi Lupion de Tróia onde funcionou inicialmente o Posto Misto de Higiene de 2ª Classe que ficou sob responsabilidade do Dr. Eliseo Bittencourt de Camargo no período de 1948-1950. Atualmente, o prédio está localizado junto a Rua Coronel João Candido de Oliveira. Curiosamente, este prédio serviu para diversos fins: Serviu para abrigar a Escola Municipal Eurípedes de Siqueira (2011), Escola Jaci Real Prado de Oliveira desde 2011 a julho de 2012, o Depósito de Medicamento da Saúde em 2008, o Fórum da Comarca de Almirante Tamandaré em 1995. No início da década de 1970, a população tamandareense suplicava por um hospital, o qual começou a ser uma realidade a partir dos esforços de autoridades e principalmente do Dr. Diniz Mehl Andrusko. Em referência à matéria "Hospital de Tamandaré já é uma realidade" noticiado na Tribuna dos Minérios de 27 de fevereiro de 1976, p. 4, às 10h30, de 22 de fevereiro de 1976, era inaugurado o Hospital, o qual recebeu a benção do Frei

ANNUARIO Comercial, Industrial, Agricola, Profissional e administrativo da Capital Federal e dos Estados Unidos do Brasil. Edição para 1930. Almanak Laemmert/1930. 4. vol. Estados do Sul. Ann086, Empreza Almanak Laemmert, Rio de Janeiro, fundada em 1844.

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Foto: Alessandra C. de Souza, outubro de 1995. Fausto. Este hospital estava sob Direção da Associação Cristã Feminina e a participação do INPS e FUNRURAL. A chefia local do estabelecimento estava a cargo do Dr. Diniz Mehl Andrusko. Participaram da solenidade de inauguração discursando o Prefeito Eurípedes de Siqueira, Harley Clóvis Stocchero, Depu- Construção do final da década de 1940, que abrigou o primeiro hospital e maternidade da cidade e depois serviu para acomodar o Fótados Alfredo Gulin e Fabiano rum, Depósito da Saúde (2008-2009) e Escola Estadual Jaci Real PraBraga Cortes, Secretário Esta- do de Oliveira (2011-2012). dual da Saúde Arnaldo Faivro Busato e o Diretor do FUNRURAL Renato Ferreira. Também estiveram presentes vereadores e populares que após o discurso desfrutaram de um almoço no barracão da Igreja Matriz. Após, a instituição se tornou o Hospital e Maternidade Almirante Tamandaré, permanecendo como hospital até os primeiros anos da década de 1980 onde voltou a ser posto de saúde. O Hospital passou a funcionar no prédio localizado na Rua Lourenço Angelo Buzato. Antes da construção deste posto existia um posto de Puericultura denominado de Imaculada Conceição de Timoneira que se localizava ao lado da atual Escola Estadual Alvarenga Peixoto sob a responsabilidade do Dr. Fernando Veiga Ribeiro, assistente do Posto de Puericultura em 1951.

AMBULÂNCIAS Até a década de 1980, a falta de equipamentos e condições financeiras limitavam as ações do hospital local, nessa circunstância muitos pacientes deveriam ser deslocados até a capital para receberem um tratamento adequado. Neste contexto, a primeira ambulância posta para atender a população se deu na gestão do Prefeito Domingos Stocchero, sendo esta uma Rural Willis que estava sob responsabilidade do Sr. Sebastião Bueno, o qual curiosamente também fazia o translado de falecidos do hospital para a casa dos familiares.

Foto: Mariza Johnson, 1971.

Atrás da motoniveladora (patrola), a pioneira ambulância modelo Rural Willys, duas ferramentas de extrema necessidade no que tange a manutenção da infraestrutura municipal de saúde e transporte.

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Foto: Arquivo Gazeta Ancorado, 24/12/1996 É destacada pela Ga