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ANO III โ€ข Nยบ 03/2009 R$ 12,00

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รndice

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Erico Monteiro Arquitetura Comercial

Ana Melo e Juliana Melo Design de Interiores

Entrevista com Paulo Angelim Espaรงo Viva

Arquiteto Luiz Deusdarรก Oca Viva

Casa Cor 2009

Marcos Casado Fala de sustentabilidade

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Editorial Casa Cor é sempre um motivo para inspirações. Retratar a beleza desse evento é uma responsabilidade dos veículos de comunicação em representar talentos que, muitas vezes, dispõe apenas de um espaço vazio para criar. Essa Casa Cor será marcada pela dimensão e qualidade dos materiais e projetos utilizados para construir um imenso acontecimento em uma bela mansão que uniu profissionais, fornecedores e empresas que apostam no glamour e no público formador de opinião capaz de avaliar e discernir o luxo do simples. Assim são projetados os ambientes, do requinte, que para muitos parece inacessível, um sonho, e para outros, um canal de novidades e belezas para incremento da casa ou empresa. Para aqueles que não observaram os detalhes, Kapa apresenta de modo único e com qualidade, uma cobertura da Casa Cor 2009. Na capa, apresentamos a imagem da Oca Viva. Espaço criado pelo arquiteto Luiz Deusdará, que representa muito bem a riqueza do talento e da cultura indígena produzida com as mãos de um profissional que expõe design e arquitetura de modo diferenciado e admirado por todos que frenquentaram a Casa Cor esse ano. Também apresentamos nessa edição trabalhos de Ana Melo e Juliana Melo, Érico Monteiro e contamos com a presença do Engenheiro Marcos Casado, gerente Técnico do Green Building Council Brasil. Divirtam-se! André Benevides e Luiz Deusdará

Direção Geral e Publisher André Benevides e Luiz Deusdará Direção Administrativa Marcelo Cherry Design Gráfico e Diagramação Assis Neto Direção de Arte e Tratamento de Imagens Xiko Gomes Supervisão de Produto Júlio César Maia Tecnologia e Produtos para Internet Venicios Ribeiro Fotografias (Casa Cor Ceará) Estúdio Robson Melo Fotografia - Fotográfos Pedro Toni e Firmino Jr. Colaboradores Érico Monteiro, Ana Melo e Juliana Melo, Cláudia Rebouças, Paulo Angelim, Casa Cor Ceará, Marcelo Fortuna, Lina Moscoso, Marcos Casado, Salinas Casa Shopping, Fabio Leão, Firmino Jr., Pedro Toni e Estúdio Robson Melo.

Capa Espaço Viva Casa Cor 2009 Foto Clic Fotografias

Distribuição e Circulação Informamos que a revista Kapa Concept é dirigida à público especifico com distribuição customizada por meio de malas diretas e com circulação em bancas e PDVs. Listagem de bancas disponível na empresa. Impressão Expressão Gráfica Relações Públicas Carol Nogueira (85) 3261 9577 / 9902 6775 email kapaconcept@gmail.com carol@mooveedicoes.com moove@mooveedicoes.com Acesse nosso site www.kapaconcept.com Kapa Concept é um produto da Moove Edições. Não nos responsabilizamos por opiniões emitidas nos artigos assinados. Não são permitidas cópias ou reproduções das imagens e conteúdos sem prévia autorização da diretoria.

Rua José Vilar, 473 - Meireles - CEP: 60.125-000 - 55 (85) 3261.9577 - Fortaleza - Ceará - Brasil

w w w. m o o ve ed icoe s . com 10

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Érico Monteiro A r q u i t e t o

O projeto de arquitetura de interiores desenvolvido pelo arquiteto Érico Monteiro contemplou a Clínica Dr. José Nilson. Visando muita praticidade e funcionalidade, o projeto atendeu a todas as necessidades da cliente, deixando os espaços arrojados e marcantes.

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Na recepção principal, um grande painel de madeira foi pensado como plano de fundo, emoldurando o balcão que ser resume a um tampo vertical executado em mármore Crema Marfil. A iluminação tênue pontuou alguns elementos e iluminou de forma mais geral o restante da edificação. Grandes luminárias pendentes desenvolvidas pelo artista plástico Maurício Coutinho, marcam a rampa de acesso ao pavimento superior.

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Na sala infantil, um grande painel sugere total interação com as crianças. Destaque para o painel de ursos que podem ser retirados da parede para uma rápida brincadeira. Os consultórios foram desenvolvidos de forma pratica e sofisticada, atendendo aos pedidos de urgência dos proprietários. Ênfase para as cadeiras da Kartel ( Ouvidor Interiores ).

Érico Monteiro Arquiteto 85 8659 24 79

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Fotos: Claudia Rebolรงas

Ana Melo e Juliana Melo 16

A modernidade soma-se ao clássico no apartamento projetado por Ana Melo e Juliana Melo para atender um casal jovem com dois filhos adolescentes. Portanto, a tecnologia e a alta qualidade são elementos inerentes ao espaço, uma forma de atender as necessidades deste público jovem. O roda-teto está em perfeita harmonia com os elementos da iluminação compostos por linhas retas.

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A sofisticação do apartamento provém das cores metálicas usadas pela arquiteta, juntamente com as peças decorativas de design. Todo o mobiliário tem acabamentos em madeiras nobres, pinturas de alta performance com ferragens e vidros italianos. Todos os espaços da casa seguem uma linha própria com elementos constantes que são o piso em granito, típico do Ceará, as cortinas em tom metálico e a mistura do clássico com o moderno. Conforto, funcionalidade, beleza e tecnologia descrevem o projeto.

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Um espaço reservado para receber amigos foi inserido ao ambiente. É uma pequena sala de recepção aconchegante e bem funcional, uma novidade idealizada por Ana Melo e Juliana Melo para tornar o apartamento ainda mais versátil e agradável.

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Os tons claros dão leveza ao lugar. O tom cru, por exemplo, usado nas paredes que são forradas com tecido, e nos tapetes, dá um ar natural ao ambiente fazendo a composição com as cadeiras de ratan, além também do sintético branco presente nas cadeiras.

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Objetos distribuídos nas paredes dos quartos criam a identidade de cada cômodo. As designers trabalham com peças inusitadas fixadas nas paredes, como o violão e a guitarra, uma forma de contar um pouco da personalidade dos usuários, adolescentes que gostam dos instrumentos. 24

O tom sobre tom ĂŠ destaque nos quartos. Uma perfeita harmonia entre mobiliĂĄrio, colchas, cortinas, paredes e objetos. Um dos cĂ´modos utiliza cores mais claras e os outros mais escuros.

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O quarto do casal prima pela sutileza. É um ambiente mais clean que conta com o romantismo do salmon, misturado ao branco e também com a presença dos tons metálicos que remetem à modernidade e ao mesmo tempo harmoniza o espaço com o resto do apartamento.

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Marcelo Fortuna

Contato e comentários: marcelo@marcelofortuna.com.br

a Casa do

Casa Cor

Quando eu era pequeno, junto com o meu amigo Antônio, gostava de explorar terrenos baldios e casas em construção próximas a nossa casa. Tinha lá meus dez, doze anos. Invadir era fascinante. Era uma possibilidade de ser ladrão em vez de ser polícia, por algumas horas. Pular o muro, entrar, ver o que os outros vão fazer, onde vão habitar. A gente levava panela, ovo, pão, fósforos, roupa de frio. Lá pelas tantas, fazíamos uma fogueira e nos esquentávamos olhando o fogo, no inverno, enquanto o ovo cozinhava e sujava as panelas das nossas casas, de foligem. Era sempre de manhã muito cedo enquanto todo mundo dormia. Era uma operação fantástica. Brincar na realidade. Invadir o novo era fascinante, mas invadir o velho é mais ainda. Invadir o velho nos põe face a face com os resíduos, com a vida que ora descansa. Tem algo imensurável ali, tem algo que as palavras têm dificuldades de expressar. É como se olhássemos pela brecha da janela, com permissão do dono. A casa do Casa Cor é uma aula de arquitetura a céu aberto. Não tem professor pra falar. Ali só as paredes falam, e o chão, as janelas, os brises. Pra quem quiser ouvir. São quarenta anos de vida. Nasceu com grife, sob os pensamentos do Borsói, já Janete, do Burle Marx. Há muito ali. Piso de madeira, de pedra, tetos curvos, escadas generosas, detalhamento impecável. As janelas são de aço, com persianas por dentro. Elas

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foram detalhadas em prancheta, à mão e estão lá... funcionando. Para verem isto, precisam ser curiosos e subir as cortinas que maldosamente às tampam. Casa de Casa Cor não tem paisagem, mas tem muitas cortinas. Para verem os pisos de madeira, em alguns ambientes, podem levantar o tapete. A casa se curva à beleza do entorno. Em 1969 estas árvores eram pequenos gravetos, mas cresceram e a casa – que já acreditava nisso - ficou esperando. Arquitetura e paisagismo envelhecem invertidos e juntos. Não existe paisagista apressado. As árvores deveriam ser tombadas pelo patrimônio público, o muro, deveria desaparecer. A arquitetura e o paisagismo deveriam ser disponibilizados para todos - para o pobre e para o rico. O poder público deveria isentar o imóvel de impostos e tentar organizar com a família algo que sem dúvida poderia entrar para o circuito de lazer da cidade. Um restaurante a céu aberto, com mesas embaixo das árvores, sei lá, alguma coisa assim. Ali algo poderia acontecer, mesmo que em torno da família, contando a sua saga, seus registros, mas, para uma cidade castrada de praças, de paisagismo, olha... seria um presente e tanto. Quem sabe, as pessoas entenderiam que uma árvore sem podas é mais bonita que estes bonsais gigantes todos esconsos, que parecem uns monstros, espalhados pelas nossas calçadas. O cearense deveria saber que ficar embaixo de uma sombra é bom, mas só anda de carro e então... os galhos vão para o chão. Talvez, em longo prazo, até uma mudança na mentalidade arquitetônica pudesse acontecer. Quem sabe, as pessoas que moram em condomínios tipo casa de pombo, todas coladas umas nas outras, com telhados de telhas brancas, com fachadas pintadas de bege e branco, reentrâncias no telhado, desenhos de reboco e jardineiras embaixo da escada, possam passar a se incomodar com a sua própria casa, quando entrarem na casa do Borsói e passarem pelo seu jardim interno, ou quando passarem as mãos em suas paredes de pedra. Quem sabe os arquitetos se incomodem com a sua produção e passem a dar outras respostas aos programas que se apresentam. Eu destaco o espaço Oca Viva do arquiteto Luiz Deusdará e o ambiente Loja Casa Cor, dos arquitetos Max Frota e Itatiene Garcia, onde o projeto de arquitetura de interiores dialoga em alto nível com a casa do Borsói.

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A sensibilidade

de um arquiteto

transmitida

ao mercado

imobiliário

Indiferença é o único sentimento incompatível para quem visita a CASA COR CEARÁ 2009, e se depara com a OCA VIVA. É mais fácil encontrarmos nos visitantes deste espaço estados de contemplação, curiosidade, indagação, espanto, alegria, até repulsa. Mas indiferença, não! E as razões para este caleidoscópio emocional são muitas. Criado pelo arquiteto Luis Deusdará para abrigar a amostra de empreendimentos imobiliários da VIVA Imóveis, a OCA VIVA surpreende pela ruptura dos traços, formas, materiais e cores, quando comparada aos outros espaços apresentados na CASA, que, digamos, causam efeitos mais esperados, nem por isso, menos encantadores. A OCA VIVA marca também, dentre as várias novidades apresentadas pela CASA COR neste ano, o início de um novo espaço de promoção de empreendimentos imobiliários, voltados para um público seleto, e que compõe o extrato mais alto da pirâmide social. Nesta matéria você conhecerá um pouco mais deste espaço, que tem sido referência iconográfica desta edição da CASA COR, pela perspectiva de seus dois principais idealizadores, os arquitetos Luis Deusdará e Paulo Angelim, sócio-diretor da VIVA Imóveis.

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KAPA – Como surgiu a ideia de patrocinar esta edição da CASA COR? Paulo Angelim – Já conheço Neuma e Maria Neusa, as organizadoras da CASA COR CEARÁ, a quem eu chamo carinhosamente de “as meninas”, desde sua primeira edição, e tenho com elas um relacionamento de amizade, e parceria. No começo deste ano, elas me chamaram para uma simples consulta sobre a possibilidade de realização de uma amostra imobiliária na CASA COR. Quando vislumbrei a oportunidade da VIVA estar dentro do evento, não hesitei. Disse de imediato: “Deixem comigo. Isto eu resolvo.” Bem, fui para lá só para ser consultado, e saí da reunião como a primeira imobiliária no Ceará a patrocinar oficialmente uma edição deste evento. E idéias boas são assim. Quando elas têm tudo para funcionar, pegam gás, e se inflamam rápido. KAPA – Como se deu a aproximação com o arquiteto Luis Deusdará, para o desenvolvimento do espaço? P.A. – Conversando com as organizadoras do evento, vimos a necessidade de buscar um projeto diferente, que se sobressaísse e que deixasse o lugar comum. Algo que denotasse ousadia e arrojo. Passeando pelas várias boas opções de profissionais que correspondessem esta expectativa, nossos olhos brilharam quando, quase em uníssono, colocamos o nome do Luis na mesa. É este o nome! Fechamos de imediato. Fizemos o convite, ele aceitou, e aí está o resultado. Um espetáculo a parte, que tem sido capa e foto principal de várias publicações impressas que fazem alusão à CASA COR CEARÁ. KAPA – Você também é arquiteto. Como foi a relação com Deusdará? Dizem que o pior paciente é o médico. O pior cliente do arquiteto é outro arquiteto? P.A. – É possível que sim. Mas eu me comportei bem direitinho (risos). Mas é verdade. Às vezes, o excesso de conhecimento sobre certa matéria, e a vontade do cliente participar mais diretamente, sob o pretexto ou não de querer imprimir sua identidade, pode castrar a liberdade do autor do projeto. Como eu já sentei do outro lado da prancheta, apesar de que não existe mais prancheta, dei total liberdade para ele trabalhar no conceito do projeto, nas formas e materiais. E convenhamos. Quem conhece a produção artística do Luis, sabe que a possibilidade dele não ser feliz em um projeto é mínima. Apenas dei a orientação de como deveriam ser os fluxos, as funções do espaço, pois n ele não poderia ser só contemplativo, para apreciação. Ele seria feito para funcionar. KAPA – Por falar nisso, o que está funcionando na OCA VIVA? P.A. – Reunimos 10 incorporadores locais, desejosos de divulgarem não só institucionalmente suas marcas corporativas, como também seus empreendimentos. Tivemos a preocupação de selecionar empreendimentos e empresas que tivessem identidade com o público que normalmente circula na CASA COR. E o resultado não poderia ter sido melhor. O evento é especialíssimo. Reúne o público de maior poder aquisitivo de nossa cidade. Eu não hesito dizer que é o evento mais elitizado que existe no Ceará. E o que está ocorrendo é isso. Os visitantes são atraídos pela beleza da arquitetura do espaço, e quando entram se deparam com várias opções de empreendimentos residenciais, e comerciais. Neste instante, eles se transfiguram de visitantes

em clientes potenciais. Temos sempre corretores VIP preparados para prestar todas as informações sobre os produtos expostos, e o que planejávam os está acontecendo: vendas. E nada melhor do que escolher o imóvel dos sonhos, em um evento que é um verdadeiro deleite em beleza de interiores. As duas coisas andam bem casadas. KAPA – Podemos apostar então em uma repetição da participação da VIVA nas próximas edições da CASA COR? P.A. – Sem dúvida alguma. Já fechamos com as organizadoras a parceria para o próximo ano. Se depender da VIVA, estaremos aqui todos os anos. Ah, e com o Deusdará também. KAPA – Para concluir, fale um pouco do mercado e dos planos da VIVA para 2010? P.A. – 2010 tem tudo para ser um ano de muita atividade econômica. Além de, no plano macro-econômico, o Brasil ter saído bem da crise financeira internacional, o próximo ano é de eleições. Ou seja, uma derrama de dinheiro em obras e ações governamentais, nas duas esferas, estadual e federal. Outro ponto é que estamos com condições excepcionais para nosso mercado habitacional. Temos crédito barato e de fácil acesso, uma conjunção de variáveis como nunca antes vista em nosso país. Nós, na VIVA, estamos nos preparando diariamente, em nossas três filiais, com nossos mais de 150 corretores, para corresponder à altura as expectativas de nossos clientes incorporadores, e compradores finais. Nosso foco está na qualidade. Nós acreditamos que a quantidade é conseqüência de um trabalho diferenciado. Apesar de sermos, hoje, a maior imobiliária de capital cearense, não focamos nisso. Veja só. A VIVA é a primeira imobiliária no Brasil a ter uma parceria com o cartão TAM Fidelidade, pontuando todos os clientes que compram conosco. É a dentre as imobiliárias locais, a empresa que mais investe em treinamento de seus profissionais. É a que tem hoje uma política mais agressiva em ações de marketing de guerrilha, e estamos sempre presentes nas feiras e eventos existentes em Fortaleza. Enfim, acho que por isso tudo crescemos neste ano de 2009 quase 50% em relação a 2008. Vamos trabalhar para superar esta marca em 2010, mas sem jamais abrirmos mão da qualidade de nosso trabalho. 33

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foto: Claudia Rebouças

OCA VIVA Quando Paulo Angelim, em nome da Viva Imóveis, me convidou para participar da Casa Cor com a proposta de unir 10 das maiores empresas do mercado imobiliário em um espaço de vendas para divulgação de empreendimentos, seria a segunda vez que participaria desse grande evento. Para nós arquitetos é sempre um desafio participar da Casa Cor, pois nos deparamos com nós mesmos, sem nenhuma interferência externa, sem nenhum limite.

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O conceito da Oca Viva foi baseado em pesquisas de moradias primitivas. No Brasil existe uma grande variedade de fibras como ouricuri, embira, carnaúba, taquara, babaçu, bananeira, taboa, cipó entre outras. Essas fibras possuem uma infinidade de técnicas e são usadas para fazer os mais diversos tipos de objetos como chapéus, esteiras, espanadores, cestas de todas as espécies, redes, miniaturas, enfim, o que a imaginação permitir unida ao talento de profissionais que retratam nessas peças a arte muitas vezes encobertas pela simplicidade e necessidade de sobrevivência.

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O trançado surge em todas as tribos indígenas por sua acessibilidade e abundância de matéria prima. É uma área de grande importância histórica e cultural do nosso país. Ele assume formas que narram as lendas dos nossos mitos originais e contam a história dessas tribos. O ato de trançar uma fibra está profundamente ligado à trama do destino e à história dos homens. Quem faz o trançado está de certa forma, criando uma história. Os objetos produzidos por uma cultura podem falar muito sobre ela. A diferença básica na produção de utilitários dos índios para

a nossa é que eles faziam tudo com as próprias mãos. A construção da Oca Viva exigiu um planejamento com dedicação da equipe MD Concept, desde a formatação da idéia, planta baixa e maquete. Eu, pessoalmente, fiz questão de participar da montagem toda do processo com as próprias mãos colaborando no trançado da base ao topo. Trabalho árduo e cansativo, mas que me serviu de experiência para valorizar ainda mais essa rica cultura que muitas vezes passa despercebida aos olhos dos que desconhecem a produção da arte com as mãos.

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O projeto era audacioso. Para os índios parece fácil, mas quando se usa matéria prima diferenciada, não é tão simples assim. A iluminação pensada para causar os devidos efeitos visuais, piso de vidro, peixes circulando por toda a base, enfim, Oca Viva se tornou um verdadeiro abrigo para os visitantes curiosos que de longe despertavam interesse em saber o que haveria dentro daquela grande cabana. A idéia foi um sucesso. Objetivo atingido, já que, queríamos que pessoas freqüentassem o espaço e ao entrarem passavam a conhecer os empreendimentos à mostra em forma de maquetes e vídeos. No interior, profissionais preparados aguardavam as visitas para abordar e informar sobre cada projeto seja de casas de condomínios ou edifícios residenciais. Arquitetura é isso. Tem que ter essência. Tem que ter alma.

Não adianta expor um lugar lindo e cheio de tecnologia se não há fundamento que justifique sua construção. Uma obra com origens que retratam o sentido da criação. O uso da matéria prima moderna, recursos de projetar e tecnologia em um ambiente devem fazer parte do contexto sem ocupar o lugar principal no conceito do espaço. Oca Viva se destacou pelo conjunto de empresas envolvidas que, juntas, apostaram em um público seleto e formador de opinião onde representamos muito bem essa necessidade de expressão atrativa com a cultura de moradia primitiva em forma adaptada ao novo. No interior foram utilizados móveis confortáveis para acomodação dos visitantes que se deslumbravam com mais de 100 borboletas gigantes atirantadas à estrutura metálica. 39

por Lina Moscoso A 11ª edição da Casa Cor Ceará se resume a um verdadeiro paraíso verde. O motivo é a homenagem prestada pelo evento ao centenário do paisagista Roberto Burle Marx em 2009. O jardim da residência, onde foi contemplado um conjunto de plantas e lagos, é assinado pelo paisagista e teve a sua essência mantida para a mostra. Sendo assim, o tema do evento só poderia ser a sustentabilidade, palavra de ordem no mundo atual. Todos os 61 ambientes da Casa Cor têm a preocupação em preservar o meio ambiente. Os espaços aproveitam para apresentar as principais tendências do segmento que são ecologicamente corretas, como, por exemplo, as lâmpadas LEDs – mais econômicas - e o piso de limestone. Nessa perspectiva, todos os ambientes recebem pintura com tinta especial produzida a base de água, além de materiais reutilizados. O local escolhido para abrigar a mais importante mostra de arquitetura, decoração e paisagismo da América Latina é a casa projetada pelo arquiteto carioca Acácio Gil Borsoi, em 1968, de propriedade do Grupo J. Macêdo que fica no bairro nobre da Aldeota. A residência é considerada uma obra-prima da arquitetura moderna em Fortaleza. O jardim foi revitalizado com base no projeto original de Burle Marx. O destaque do projeto original foi a parceria entre Borsoi e Burle Marx, uma união entre arquitetura e paisagismo. A Casa Cor, realizada entre os dias 30 de setembro e 10 de novembro, também homenageia dois cearenses: o arquiteto, urbanista e músico Fausto Nilo, cujos títulos das canções de sua autoria batizam diversos ambientes, e o médico neuro-cirurgião Mairton Lucena. Em 4.200 m² de área construída, o evento apresenta três setores: residencial, entretenimento e hotelaria. O Hotel, que é uma das grandes novidades deste ano, possui cinco suítes (Master, Serra, Mar, Design e Nupcial). Na área de entretenimento, que ocupa o térreo do edifício comercial, ficam os espaços de lazer e gastronomia que incluem restaurante, café, boulevard e oficina de arte. Tudo regado a muita sofisticação e conforto.

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Fotos: Firmino Jr. e Pedro Toni

Sustentabilidade na Casa Cor 2009

“O Tempo e o Lugar” - Recepção e Bilheteria Andréa Alencar / Natália Mota

Como porta de entrada do evento, “O Tempo e o Lugar”, ambiente criado pelas profissionais Andréa Alencar e Natália Mota, utiliza materiais ecologicamente corretos provindos da reutilização de outros materiais, uma proposta da Casa Cor Ceará 2009. Preocupadas com o meio ambiente, as profissionais voltam as atenções para o uso racional dos recursos naturais. Eficiência energética, racionalização de água, qualidade ambiental, bem como materiais e espaços sustentáveis foram as principais preocupações ao idealizar o espaço.

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“Coisa Acesa” – Luminotécnica da Fachada Roslavo Araújo Brilhante e Ricardo Santana

Com um conceito moderno de iluminação, a luminotécnica da fachada da casa foi projetada pelos profissionais Roslavo Araújo Brilhante e Ricardo Santana. Criar uma luz suave através da utilização de refletores e lâmpadas de última geração que tem um consumo baixo de energia, os chamados LEDs, é a proposta dos profissionais. O objetivo é proporcionar uma cor especial aos ambientes dos jardins e dar ênfase aos elementos construtivos externos mais significativos do conjunto arquitetônico. Equilíbrio entre o edifício e seu entorno é o principal objetivo da luminotécnica.

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“Meninas do Brasil” - Lounge (Homenagem a Janete Costa) Aida Andrade / Cristiane Alves / Marilia Eskinazi O lounge “Meninas do Brasil” faz uma homenagem à arquiteta Janete Costa que valorizou o artesanato no design de interiores, além de contribuir de forma incisiva para a valorização de artesãos e comunidades. Utilizando o artesanato de forma elegante e diferenciada, as profissionais Aida Andrade, Cristiane Alves e Marilia Skinazi procuraram criar um ponto de encontro.

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Cores fortes e alegres, mobiliário aconchegante de palhinha e combinação inusitada de revestimentos marcam o ambiente. As luminárias de design inovador proporcionam conforto visual e o tapete, especialmente desenvolvido para o lounge, alcança status de revestimento nobre, decorando as paredes do espaço.

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“ Pedras que Cantam” - Vestibulo com Escada Marcelus Caracas A mistura de branco, prata e preto cria o sofisticado vestíbulo. É o ambiente “Pedras que Cantam”, de Marcelus Caracas. O vestíbulo contém móveis de design moderno, como as poltronas, e iluminação cênica com destaque para os grandes tocheiros e lustre sobre a escada.

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O espaço é ao mesmo tempo luxuoso e aconchegante. O luxo está no mármore que reveste a escada e o aconchego, nos tapetes e papeis de parede.

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“Santa Fé” - Adega Érico Monteiro A adega costuma ser o lugar de lazer da casa. Pensando neste conceito, Érico Monteiro criou o espaço “Santa Fé”, ambiente contemporâneo que contempla a sofisticação e, sobretudo, o conforto. Uma grande mesa de centro torna-se objeto indispensável para reunir amigos que pretendem apreciar uma boa bebida.

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A iluminação tênue e cênica deixa o ambiente ainda mais propício para um bate-papo. Um antigo depósito de cadeiras foi tratado e climatizado para armazenar vinhos e champanhes.

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Living Roberto Pamplona O ano da França no Brasil inspirou Roberto Pamplona a projetar o living com influências francesas. De móveis com releituras clássicas mixados a mobiliário contemporâneo fazem parte do sofisticado ambiente.

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Destaque para coleção de fotos P&B de cenas parisienses e imagens da cidade de Fortaleza com influência francesa, como os trabalhos dos fotógrafos Lais Pontes e Esdras Guimarães. Os livros com capa em “petit poá” preto e branco estão por toda parte.

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“Casa, Comida e Paixão” - Sala Jantar Rodrigo Maia

A sala de jantar original da residência, intitulada “Casa, Comida e Paixão”, projetada por Rodrigo Maia, perfaz um ambiente de 30m2. O piso, em assoalho de sucupira, foi preservado e recuperado. Para valorizar o forro de concreto armado em forma de abóbada, o profissional investiu na iluminação difusa que conta apenas com um lustre de cristal. Paredes revestidas com papel floral, espelhos prata recortados e um painel na cor berinjela com obras de artistas consagrados como Antônio Bandeira, Aldemir Martins e Rubens Gerchman completam o ambiente. Finalizando a sala de jantar, tapete francês, cortinas em veludo e peças em Murano, prata e cristal.

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“Tudo com você” Family Room Dora São Bernardo Criar um ambiente para reunir a família: esta foi a proposta de Dora São Bernardo ao idealizar o family room “Tudo com Você”. Com o máximo de aconchego, conforto e funcionalidade, a profissional dispôs os móveis de maneira centralizada para deixar espaço livre no contorno do vão, já que se trata de uma circulação entre os quartos. Há dois ambientes no espaço, um de estar com TV e som, e o outro é uma grande mesa formada pelo entrelaçamento de mesas circulares de diversos tamanhos que desempenham funções distintas. As paredes, onde não se pode encostar móveis por causa da circulação, foram usadas para colocar as fotos da família e uma vitrine com lembranças de viagens.

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“Um desejo só não basta” - Suíte do Casal Paulo André Salles

Requinte, sofisticação e aconchego caracterizam a ambientação da suíte do casal “Um Desejo Só Não Basta”, de Paulo André Salles. Com seus 78 m2 bem definidos entre materiais contemporâneos e peças antigas. Os tons de marrom e bege, equilibrados com o preto, traduzem o bem estar do espaço. Transparência e vãos amplos dão sensação de liberdade e continuidade entre suíte, closet e sala de banho, onde cada peça assume o seu papel e importância, enriquecendo todo o conjunto.

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“O Elefante” - Quarto do Bebê Magaly Gentil

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O que mais chama atenção no quarto do bebê “O Elefante”, projetado por Magaly Gentil, é a falta de toalete. Em substituição, há um espaço prático para a higiene do bebê. Com estilo e a praticidade necessária, o quarto leva cores sóbrias, móveis brancos, papéis de parede e carpete. O ambiente de 24m² prima pelo conforto e aconchego. Com iluminação discreta, simplicidade e a praticidade dos adornos, o espaço é ideal para qualquer bebê.

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“ Frenesi” - Suíte da filha que vai casar Ana Claudia Canamary / Karina Peres / Conceição Garcez e Garcez Filho

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Mais uma vez, a preocupação com a sustentabilidade toma conta dos projetos da Casa Cor. A suíte da filha que vai casar, que leva o nome de “Frenesi”, foi pensada com elementos que remetem à natureza. Proporcionar bem-estar é a proposta dos profissionais Ana Claudia Canamary, Karina Peres, Conceição Garcez e Garcez Filho que criaram um ambiente clássico-contemporâneo. Aliando beleza, sofisticação, modernidade e funcionalidade, o espaço possui uma sala de banho que é integrada ao quarto com uma belíssima banheira em mármore estilo Século XV.

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“Eu e meu rádio” - Suíte do filho internauta Claryanne Aguiar

Inspirada em um jovem internauta universitário, Claryanne Aguiar projetou um espaço moderno e aconchegante. O inusitado está na integração entre quarto e banheiro sem closet. A profissional usa apenas um vidro com película amarela para dividir os espaços, dando a sensação de amplitude. O ambiente “Eu e Meu Rádio”, com predominância das cores preto e cinza, quebradas pelo amarelo, é leve. Pensando na economia de energia e no calor, a profissional usou LEDs na maior parte da iluminação.

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“ Palavras de amor” - Sala de bem estar Luce Galvão De Sá

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Luce Galvão de Sá criou em 38m2 um espaço versátil para a família receber, relaxar e conviver. A sala de estar “Palavras de Amor” conta com tons grafite contrastando com o mobiliário em tons de bege. Porém, a cor de destaque é o turquesa.

O resultado é uma atmosfera aconchegante. O projetor de alta definição dá o toque tecnológico do ambiente. A iluminação é intimista e destaca as réguas de madeira e espelhos verticais que giram e fazem um jogo duplo de profundidade no ambiente. Fotos em preto e branco descansam sobre o mármore.

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Ala dos Hospedes Marcilio Lopes

Sofisticação aliando modernidade e refinamento traduzem a ala dos hóspedes, projeto de Marcílio Lopes. A ambientação partiu da criação das luminárias laterais da cama. O espaço é composto por uma suíte e um terraço, que também traz as luminárias que compõem os arcos em aço corten o que dá uma leitura moderna ao ambiente. A ala dos hóspedes é decorada com móveis de fibra

sintética, obras de arte e artesanato. O banheiro da suíte é outro ponto marcante desse ambiente. Tem paredes com revestimento em mármore craquelado e é separado do quarto por divisória em aço inox polido que lembra os antigos gradis da arquitetura neoclássica. O ambiente ainda traz uma banheira de hidromassagem e spa de alta tecnologia.

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Escritório Renata Rôla / Paola Souza Apesar de ser um local voltado para o trabalho, nada impede que também ofereça lazer. Portanto, o escritório possui uma adega climatizada. Projetado pelas profissionais Renata Rôla e Paola Souza, trata-se de um ambiente multifuncional. A mistura de texturas e cores resulta em um desenho limpo e marcante. A funcionalidade faz parte do projeto: o espaço conta com diversos nichos para guardar livros, documentos e objetos. Os materiais naturais, como o piso em limestone com acabamento levigado, e a madeira escura dos móveis conferem aconchego, sofisticação e sobriedade, com um toque de modernidade dado pelos delicados papéis de parede.

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Fitness da Casa Ligia Silveira

A harmonia é privilegiada no fitness criado por Ligia Silveira. Para promover o bem estar, cores, materiais, iluminação, todos os elementos remetem ao relax. A luz filtrada e as cores em sintonia com a cromoterapia conferem uma aura especial ao ambiente. Academia Zen é o lema da profissional que opta por materiais ecologicamente corretos. O ambiente possui elementos próprios para atividades que contemplam a alma, como tatame para yoga, massagem e meditação. 69

“Bateu No Paladar” - Cozinha da Familia Gina Paiva / Aline Almeida

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A cozinha “Bateu no Paladar”, assinada pelas profissionais Gina Paiva e Aline Almeida, é aconchegante, intimista e moderna. O espaço tem tudo o que uma cozinha deve ter: ser prática, despojada e multifuncional. Integração, praticidade e bem estar foram as premissas para criar este projeto baseado nos princípios do dynamic space. São cinco áreas de trabalho distintas: despensa, armazenamento, lavagem, preparo e cocção. Tudo para organizar e facilitar o uso do espaço. A modernidade, evidente nos eletrodomésticos com acabamento em aço e espelhados, contrasta com as cores voltadas para o marrom e bege e móveis rústicos.

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Cozinha Gourmet Cristina Brito / Renata Targino

A Cozinha Gourmet é o mais novo conceito, que tem como característica principal servir de ponto de encontro entre o cozinheiro e seus convidados. Ao lançar mão deste conceito, as profissionais Renata Targino e Cristina Brito criaram uma ilha central que permite reunir pessoas em torno do chef de cozinha. Portanto é um ambiente interativo e funcional. Com estilo contemporâneo, o projeto leva materiais diversificados e possui um layout simples. Outra característica forte da cozinha é que os utensílios, eletrodomésticos e condimentos ficam expostos, como parte da decoração. O charme fica por conta da adega. A integração entre o externo e o interno foi de extrema importância para a concepção do projeto.

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“ Vida Boa” - Spa Vânia Franck / Mayra Soares e Marcella Lima O “Vida Boa” Spa traz um conceito “bell far nient”, unindo sustentabilidade e simplicidade. O uso de novas tecnologias pelas profissionais Marcella Lima, Mayra Soares e Vânia Franck garante conforto ao usuário. Tudo muito natural, como a madeira de refugo, o tecido em algodão e a eco lareira, que acabam agregando bossa e requinte ao ambiente. Até mesmo a iluminação é ecologicamente correta: as lamparinas são de materiais reciclados, combinadas com velas e mais a econômica LED, a lâmpada do futuro. A harmonia está presente em toda a ambientação do espaço.

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“Casa tudo azul” - Loft Marcelo Franco Cinco espaços em um só, esta é a proposta do loft. Concebido pelo arquiteto Marcelo Franco, o projeto partiu de uma localização escolhida para o escritório. A integração de todo o espaço é o ponto-chave do “Casa Tudo Azul”. A edificação está envolvida por um espelho d’água, o que a torna despojada, informal e até mesmo multifuncional. Estar/jantar, cozinha, suíte, varanda e WC/closet reunem-se perfazendo um ambiente casual, minimalista e bem comercial.

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“Passarim do Assaré” Sitio Alberto Bruno

Idealizado para resgatar a pitoresca vida rural em consonância com o moderno conceito de sustentabilidade, o sítio de Alberto Bruno engloba vários ambientes. Os espaços do “Passarim do Assaré” foram pensados levando-se em conta a preocupação com o meio ambiente. São todos projetados com base na minimização dos resíduos oriundos da obra, racionalização de energia elétrica através de fontes alternativas, uso racional da madeira, toda ela certificada, utilização também de madeira de demolição e luminárias confeccionadas de vidro reciclado, telhados feitos de “taubilha” e pintados com tinta ecológica branca à base de água, além dos tecidos in natura e fibras sustentáveis. Destaque para telhas de demolição retiradas de um casarão do ano de 1818.

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Lounge Tam Ana Fiuza / Celina Fiuza O conforto, a modernidade, a preocupação com a sustentabilidade e com o meio ambiente, traduzem o Lounge TAM projetado por Celina e Ana Fiúza. É tudo que a TAM quer transmitir aos seus clientes. Toda a vegetação local foi mantida e um espelho d’água implantado. A estrutura física e a decoração do lounge é composta por madeira 100% oriunda de reflorestamento e certificada. Os tapetes são feitos de garrafa PET. O ripamento de madeira utilizado nas paredes e no teto, permitiu que a luz e ventilação natural invadissem o espaço, sem precisar lançar mão de refrigeração de ar e de luz artificial em excesso. O piso de mármore travertino romano dá o clima de sofisticação ao ambiente. O mezanino sugere todo o conforto de uma viagem de primeira classe.

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Oficina de Artes Hidracor Marçal Barros

Envolvendo sustentabilidade e preocupação ecológica, novas tendências na arquitetura e design, a oficina de artes Hidracor de Marçal Barros utiliza madeira de reflorestamento no piso e carpete, e estrutura em eucalipto clavado com encaixes em aço e iluminação fria, usando LEDs. O projeto é um laboratório de cores móvel, montado de forma modular, podendo ser facilmente desmontado e transportado. As cores predominantes são o vermelho, laranja, azul e o verde que remetem à criatividade.

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Cozinha dos Cheffs Rosalinda Pinheiro

De forma minimalista e conceitual, a profissional Rosalinda Pinheiro criou a cozinha dos cheffs. Materiais, cores, formas e ícones de design formam uma apoteose no ambiente, uma tendência nos projetos contemporâneos.

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A cozinha está dividida em dois planos, evidenciados por desnível. O revestimento das paredes é em pastilhas de demolição intercaladas por molduras rebuscadas e douradas que funcionam como luminárias. Espelhos valorizam e ampliam o espaço da grande mesa composta da junção de nove mesas redondas que se interligam por elos de aço inox. O luxo é a nova tendência para cozinhas que foi aplicado na “Baião da Rua”.

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“Doroty Lamour” Restaurante Sophia Romcy O restaurante “Doroty Lamour” projetado por Sophia Romcy traz um clima atraente e intimista. O espaço entra em linha com a sustentabilidade utilizando o máximo de estrutura existente. Procurou-se reutilizar materiais para evitar desperdício. O destaque vai para as ilhas de convivência emolduradas por painéis e tecidos. O conforto e o design contemporâneo são convidativos.

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Café Nextel By Limone Odete Aragão Um espaço harmonioso, requintado e charmoso. Estas definições se encaixam ao Café da Nextel by Limone que tem em sua essência um design minimalista com suas linhas puras e simples. O projeto arquitetônico de Odete Aragão tem como premissa a sustentabilidade ambiental.

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Um espaço harmonioso, requintado e charmoso. Estas definições se encaixam ao Café da Nextel by Limone que tem em sua essência um design minimalista com suas linhas puras e simples. O projeto arquitetônico de Odete Aragão tem como premissa a sustentabilidade ambiental.

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Biblioteca de Um MĂŠdico (Homenagem Ao Dr.JoĂŁo Mairton Lucena) Rosalinda Pinheiro

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O ambiente da biblioteca de um médico foi pensado para possibilitar um convívio intenso com os livros, uma característica do homenageado Dr. João Mairton Lucena. Em referência ao arquiteto Frank Loyd Wright, Rosalinda Pinheiro usou uma grande estante para servir como divisória e que faz a distribuição do mobiliário no espaço. O uso da madeira é uma marca do projeto. A biblioteca tem, agregada a ela, uma varanda, dividida por uma esquadria de vidro. Uma imagem de São Francisco e a exposição de fotos dão ao ambiente a identidade pessoal do médico.

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Galerias com escadas do Hotel Casa Cor Ceará Liana Feingold / Laura Rios

A área das escadas em conjunto com hall e patamares, que compõem o Hotel Casa Cor Ceará, foi criada pelas profissionais Liana Feingold e Laura Rios. Elas procuraram preservar a originalidade dos materiais da escada. Em concreto aparente e mármore branco, o espaço traça linhas modernistas. A repetição de formas circulares em cores, escalas e texturas diferenciadas causam um efeito lúdico. Somada à escada está uma galeria de arte em grafite assinada por artistas locais. A inspiração está nos desenhos de Burle Marx. A iluminação recebeu um tratamento especial aliando a tecnologia das luminárias LED a um desenho ousado do forro onde o maior valor é a sustentabilidade e a liberdade de expressão.

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Lobby do Hotel Casa Cor Ceará Maria José Lopes Com cerca de 250m2, o lobby do Hotel Casa Cor é um largo ambiente com piso em mármore e granito projetado por Maria José Lopes.

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Dividido em circulação que dá acesso às lojas e às suítes, o espaço também possui um balcão de recepção, revestido em vidro preto e aço. Destaque para as chapas de ônix iluminadas. Há também um grande lounge com bar e espaço para acesso a internet, além de um ambiente de estar e entretenimento.

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Loja Casa Cor

Max Frota / Itatiene Garcia e Herbert Rocha Com a geometria desconstruída que resulta em um ambiente legível e confortável aos sentidos, a Loja da Casa Cor Ceará 2009 é uma caixa de surpresas. Os profissionais Itatiene Garcia, Max Frota e Herbert Rocha traçaram planos livres com formas puras costurados com luz. O desenho é que sugere o sentido do espaço.

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Os elementos arquitetônicos de piso, parede, teto e fenestras ajudam a marcar O muxarabi, o assoalho, o painel de azulejos e o combogó foram editados para construir um novo ambiente. Um pórtico branco, de formas retas e puras, marca a volumetria da fachada, convida a entrar e define uma escala mais aconchegante com seu pé direito mais baixo. O piso é um grande assoalho de madeira como nas construções tradicionais, mas a madeira usada é sintética, feita com a reciclagem de restos de madeira.

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Agência de Viagens Rachell Aguiar A agência de viagens por Rachell Aguiar traz o conceito de integração. Desta forma, o ambiente é trabalhado de maneira harmônica, conciliando a funcionalidade com o bom gosto e a estética duradoura. O resultado final é a otimização do espaço, com a utilização e o aproveitamento racional de materiais duráveis. Paineis em madeira, couro, vidros e espelhos criam o efeito sofisticado do ambiente.

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“Tua Sedução” - Loja Lingerie Ticiana Duarte

Dentro de um conceito diferenciado, a loja lingerie de Ticiana Duarte é uma novidade da Casa Cor 2009. A mistura de móveis antigos com desenho e materiais modernos que foram usados no balcão de recebimento faz parte do ambiente. As peças expostas parecem estar flutuando, já que os cabides e cabideiros são de acrílico transparente. As paredes são revestidas de tecido. O resultado da loja “Tua Sedução” é aconchegante, sedutor e intimista. 102

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SuĂ­te De Praia Teco Colossi

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A suíte de praia do Hotel Casa Cor é assinada pelo designer de interiores Teco Colossi que está em sua quarta participação no evento. O lema do projeto é comodidade, sem esquecer do requinte. O resultado é refinado e ao mesmo tempo despojado. O profissional optou por um forro trabalhado com luz indireta refletida em revestimento de palha. Para não abandonar os confortos da vida contemporânea, a suíte foi equipada com um moderno sistema de som, vídeo e automação..

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Suite Design

Germana Rabelo e Tassia Ferreira O espaço de 48m2 concebido por Germana Rabello e Tassia Ferreira tem em sua decoração objetos especiais, além da aplicação de revestimentos inovadores. Na suíte design, quarto e sala de banho se conectam com harmonia e retratam ousadia e sofisticação. Apesar de ser uma suíte de hotel, o ambiente é personalizado e ao mesmo tempo contemporâneo. A sustentabilidade aparece na iluminação através da utilização de lâmpadas tipo LED.

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SuĂ­te Master Neide Barbosa

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A mistura do luxo com elementos da cultura brasileira faz o diferencial da suíte master. O ambiente é multifuncional, já que desempenha diferentes funções: lazer, trabalho, passagem, descanso. O espaço consegue atingir o seu objetivo maior que é de oferecer conforto e bem-estar. Piso e móveis amadeirados e painéis com imagens vivas transformam o impessoal em global. Mesclar a tecnologia com o tradicional foi a forma encontrada pela arquiteta Neide Barbosa para fazer com que o hóspede se reconheça no espaço e sinta-se bem-vindo. Setorizada em ambientes, a suíte proporciona uma área de estar independente, interligada ao local de descanso. A comodidade está também na amplidão dos ambientes.

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Suíte da Serra Cibele Parreiras

O conceito de suíte na serra está explícito no uso das cores, materiais, mobiliário e adornos escolhidos pela arquiteta Cibelle Parreiras. O ambiente retrata uma verdadeira suíte de um local onde o frio predomina.

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“Mil e uma noites de Amor” Suite Núpcial Carolina Silveira e Chaguinha Silveira

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O conceito da suíte nupcial “Mil e Uma Noites de Amor”, de Chaguinha Silveira, Carolina Silveira e Intercon, é de um espaço totalmente aberto, limitado por três cinturões de uso. O da funcionalidade que abriga toalete, bancada e mini-bar.

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Há também o espaço da convivência, com cama e SPA - com ducha e banheira em LEDs e hidromassagem. Além do cinturão da contemplação que comporta escritório e lounge. A caixa externa, pintada de preto, dá ênfase à idéia de flutuação das áreas. A suíte é clean e ao mesmo tempo requintada.

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Joalheria

Valdo Figueiredo e Marcela Miranda O convencional não cabe no projeto da joalheria assinado por Valdo Figueiredo e Marcela Miranda. Ao contrário, o ambiente é moderno e conceitual. Os profissionais utilizam um novo conceito de expor jóias, através de linhas retas, traços simples e cores básicas. Simplicidade com uma pitada de ousadia faz o diferencial do espaço. Portanto a joalheria é inovadora. Peças de design, como luminárias e a própria fachada contribuem para o conceito impactante que o ambiente traz.

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Toiletts Social Amaury Jr e Henry Teixeira A quebra de paradigmas aliado a sustentabilidade dá o tom nos toilets social feminino e masculino projetados por Amauri Jr e Henry Teixeira. Características como a assimetria das bancadas, a variação das ferragens, a utilização de materiais ecológicos e o visual orgânico dos ambientes estão instrínsecas no projeto. Madeiras de reflorestamento, o mosaico vidrotil fabricado a partir da reutilização de material remanescente dos fornos, além do reaproveitamento de molduras antigas e a utilização de sobras de estruturas de aço enferrujado, cumprem o papel ecológico na composição dos ambientes. O tema natureza está presente nos espaços por meio de pergolado de madeira com detalhe simulando iluminação natural e na forma orgânica das bancadas. A funcionalidade e a ergonomia não deixam de fazer parte do projeto.

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Salão Nobre Jacaúna Aguiar O decorador Jacaúna Aguiar projetou o salão Maria Proença de Macêdo para atender a vários tipos de eventos. O projeto é dividido em três ambientes com propostas distintas, mas interligadas. Um lounge com piso em mármore, cortinas e sofás confortáveis para recepção.

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Um salão principal com decoração inspirada nas festas românticas, ornamentadas com flores e estátuas de bronze. E a sala para coquetéis e festas mais despojadas. 124

Banheiros Públicos Dayanne Santos e Kel Oliveira

A arquiteta Dayanne Santos e a designer de interiores Kel Oliveira fizeram uso de cores sóbrias, tais como o preto e o grafite, para trazer um ar de sofisticação ao Banheiro Público Masculino. A mistura de materiais, tais como pedras em formatos e texturas diferentes, bem como pastilhas de vidro, dá requinte e sobriedade ao ambiente. Já o Banheiro Público Feminino tem a moda como objeto de inspiração. Daí a predominância de cores fortes como o pink e o berinjela, ressaltando a originalidade do espaço. Numa linguagem contemporânea, o ambiente inova na mistura de materiais. Paredes revestidas com papel e pastilhas de vidro conferem charme e descontração ao ambiente. Os espelhos são coloridos e arrematados pela bancada em mármore. Desenhos de croquis de moda adesivados em portas ditam o clima de modernidade e sofisticação do lugar.

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“Retrovisor” - Garagem Bruna Pontes e Marissa Prudente

O conforto aliado a características originais e funcionais de uma garagem, faz do projeto “Retrovisor” um espaço despojado. O ambiente, criado pelas profissionais Bruna Pontes e Marissa Prudente é funcional, confortável e masculino. A preocupação em manter as características originais da casa é evidente na medida em que as intervenções no forro e nas alvenarias foram mescladas à estrutura já existente. Porém, sem perder de vista o original e o que foi acrescentado.

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Jardins das Rechonchudas Alex Sá

Após verificar a existência de dois belíssimos exemplares de Paineira, vulgarmente conhecida como árvore barriguda, não hesitei de que este seria o tema central a ser explorado no projeto. A Paineira, apesar de ser uma árvore originaria das florestas da América do Sul, é pouco conhecida do público em geral e menos ainda utilizada em projetos de arborização e paisagismo. Visando explorar ao máximo as formas inusitadas das barrigudas, passei a pesquisar outros vegetais, materiais naturais como sementes, cerâmicas e objetos de arte para compor este jardim temático. Com Relação ao nome dado, procurei ter um certo cuidado, haja visto que barrigudas seria um denominação não muito simpática, pensando assim, procurei utilizar um termo mais carinhoso para batizar o espaço.

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Praça “Fortaleza” Ana Carolina Façanha A praça Fortaleza, projetada pela arquiteta paisagista Ana Carolina Façanha, tem como ponto de partida o conceito de espaço público. É uma praça sustentável que utiliza paisagismo de baixo custo e fácil manutenção, uma vez que todas as espécies utilizadas são rústicas e pertencentes ao ecossistema da região. Com projeto do grande paisagista Roberto Burle Marx, o traçado original e as principais espécies bem como a cerâmica do piso foram mantidos. A simplicidade pode ser notada no mobiliário que tem desenho de linhas simples e é atemporal.

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No mês de setembro o Salinas reuniu um grupo seleto de convidados para o evento de premiação da sua 2a. Mini Campanha 2009, onde contou com a presença de renomados arquitetos. Na oportunidade O Salinas apresentou o seu mais novo espaço de eventos, o Lounge Salinas. Decoração sofisticada, cozinha gourmet completa, open bar, climatizado, segurança 24 horas e estacionamento gratuito. O espaço leva a assinatura do arquiteto Roberto Pamplona.

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01 Cozinha Gourmet 02 Joaquim Campelo e Valderzei Wanderley 03 Magdalena Bonfim e Auci Ponce 04 Celina Fiuza, Sandra Mourão e Neide Barbosa 05 Wellington Gadelha, Magdalena Bonfim,Teco Colossi e Cristina Mota 06 Paola Souza, Gustavo Santos e Renata Rola 07 Liduina Melo e Monica Ferraz 08 Eveline Sampaio e Marcos Lima 09 Guilherme e Hugo Quindere

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Lara Leitão, Soraia Alencar e Ieda Coe Rosa Dias, Roberto Pamplona e Noira Jaqueline, Flavio Vidal, Vidal Júnior e Patrícia Vidal Carlos Otávio, Roberto Pamplona e Juliano Lopes Renata Rola, Rebeca Parente, Joaquim Campelo e Solange Parente Cristiane Silton, Celene Gurgel e Ana Moreno Elizandra Laitener, Gina Paiva e Aline Almeida Rafael Rodrigues e Agimiro Holanda Marcus Novaes e Agimiro Holanda Hermínia Lopes e Marcia Cavalcante

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Sustentabilidade

Green

Buildings

Antes tarde do que nunca!

A onda de prédios verdes “Green buildings”, chegou definitivamente no país. Conforme dados do Green Building Council Brasil, o número de empreendimentos registrados junto ao USGBC para obterem a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) cresce exponencialmente e o movimento da construção sustentável já faz parte da agenda mundial e felizmente não há mais como desprezar esse movimento. Ou as empresas do mercado se atualizam ou vão ficar obsoletas em um futuro próximo.

Marcos Casado

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Hoje no país há cerca de 150 empreendimentos registrados em vários estados brasileiros buscando a certificação de desempenho ambiental para seus empreendimentos, com uma previsão de ultrapassar 200 empreendimentos no final do ano. E até 2010 a meta mundial é que 100 mil construções estejam em processo de certificação LEED. Para receber a certificação, o empreendimento deve atender pré-requisitos e recomendações que avaliam o tipo de terreno, a localização, a infra-estrutura local, o uso racional de água, eficiência energética, qualidade do ar interno, reciclagem e diversas outras medidas que garantam eficiência operacional ao usuário e preservação do meio ambiente,

antes, durante e após a obra. Todos estes critérios começam a impulsionar e a transformar o mercado da construção civil e têm se tornado uma importante ferramenta educacional e de comunicação com o consumidor, além de criar parâmetros de qualidade para o mercado. A sociedade está chegando à conclusão de que, embora tenha trazido o maior desenvolvimento tecnológico que a humanidade já experimentou o século 20 também registrou a gênese daquele que vem sendo considerado o maior desastre ecológico do planeta. Quando acompanhamos os índices de poluição do ar, água ou solo, o consumo de recursos naturais e a capacidade do planeta de repor estas necessidades, temos realmente que nos preocupar. O novo contexto global exige, cada vez mais, por parte das empresas, governantes e sociedade a capacidade de levar em consideração fatores sociais, ambientais e econômicos de uma forma equilibrada em suas tomadas de decisões. Portanto, o desafio mundial para este século é conciliar o desenvolvimento tecnológico com a preservação dos recursos naturais, garantindo a aplicação de práticas sustentáveis por parte dos atores deste processo. Os impactos que o mercado da construção civil deixa ao planeta são imensos. O setor é responsável por até 35% das emissões de CO2 diretas ou indiretas em todo o mundo; as edificações no

Brasil consomem cerca de 21% de toda a água tratada, 42% da energia gerada e geram cerca de 70% dos resíduos. A construção civil começa a demonstrar que está se adequando cada vez mais aos conceitos de sustentabilidade que estão sendo impostos em todos os setores da economia e que a cada dia passam a ser uma exigência da sociedade, principalmente da nova geração. Os mais jovens estão começando a exigir de seus fornecedores uma postura mais correta em relação ao meio ambiente, desenvolvendo um dos maiores desafios corporativos deste milênio: o consumo consciente. Consultores, grandes construtoras de imóveis, empreendedores e incorporadores tanto comerciais quanto residenciais, fornecedores de materiais, insumos e tecnologias, estão aos poucos, desenvolvendo expertise nessa área, em um movimento que ganhou força nos últimos cinco anos e que hoje já começa a criar uma nova demanda no mercado da construção civil no Brasil. Além da certificação, que com certeza tem um peso importante nesta transformação, mas por si só não será capaz de resolver todos os problemas, é muito importante o desenvolvimento de iniciativas educacionais para disseminar informações sobre as melhores práticas e tecnologias sustentáveis, a fim de capacitar os envolvidos na concepção, construção, operação e manutenção das edificações e espaços construídos. Toda 135

essa nova visão começa a demandar a cada dia mais especialistas em áreas como, por exemplo, de comissionamento de sistemas de energia, profissionais especialistas em softwares de simulação energética e profissionais capacitados em consultoria para “green buildings” que no caso do LEED são os LEED AP´s, que também vem crescendo ano a ano no Brasil, porem os 62 profissionais LEED-AP´s no Brasil ainda são poucos, devido a demanda que o setor hoje esta exigindo. Além disso, é imprescindível o engajamento do governo neste processo de transformação, por meio de incentivos, bons exemplos e políticas públicas focadas no desenvolvimento da construção sustentável. O governo seja ele, federal, estadual ou municipal é detentor de uma grande percentual das edificações construídas e também responsável por uma importante parcela das novas construções, podendo além de praticar estes conceitos em suas construções, impulsionar o mercado para esta transformação, por meio de exemplos ou na criação de legislações que viabilizem e estimulam as novas construções ou reformas, atendendo esta nova realidade. Um empreendimento sustentável pode reduzir em 30% o consumo de energia, 50% o consumo de água, 35% das emissões de CO2 e até 70% o descarte de resíduos. Se os clientes finais também mudarem sua postura e passarem a exigir das construtoras uma posição mais sustentável, certamente veremos um movimento muito maior do mercado nesta direção. O futuro da construção civil já tem um caminho traçado e a sustentabilidade não será apenas um modismo. As boas práticas do mercado devem ser disseminadas, assim como o maior número de informações possíveis sobre as soluções implantadas, experiências de sucesso e iniciativas em prol da sustentabilidade. A construção sustentável veio para ficar, talvez um pouco tarde, mas com o engajamento de toda a sociedade, revendo nossas ações e atitudes, certamente alavancará a formação de uma nova cultura baseada na visão sistêmica preconizada pela sustentabilidade.

Eng. Marcos Casado é o Gerente Técnico do Green Building Council Brasil Pós-graduado em Gestão Ambiental Empresarial Pós-graduado em Administração de Empresas para Engenheiros Formado em Engenharia Civil Formado Técnico em Projetos Mecânicos 136

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Revista Kapa 03