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Afinal, como os animais pensam e sentem? FooF, um museu que vocĂŞ ainda nĂŁo conhece! 10 dicas para um passeio tranquilo Mitos e verdades sobre os gatos Guia do filhote! O Shih-Tzu ĂŠ adorado pelos brasileiros!

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Editorial Pioneira, moderna, interativa, linda! Não são poucos os adjetivos para descrever a Mais Que Pet, primeira revista 100% digital do país para os donos de animais de companhia, que hoje, no Brasil, se aproximam de 60 milhões de pessoas! Completa, a Mais Que Pet vai trazer, bimestralmente, muita informação e novidades para cuidarmos ainda melhor de nossos amigos peludos! Nesta primeira edição você vai conhecer 10 dicas para um passeio tranquilo, saber mais sobre o Shih-Tzu – o cão adorado pelos brasileiros – e descobrir como evitar o diabetes, cada vez mais comum em cães e gatos. Vamos mostrar como atitudes, brinquedos e outros estímulos garantem o equilíbrio comportamental dos animais, a importância da escovação e dos cuidados bucais e como escolher um dog walker. Você também vai ficar por dentro de lançamentos incríveis, dos mitos e verdades sobre os felinos, vai aprender com nossos colunistas e conhecer um projeto de proteção animal que está mudando a realidade de um parque paulistano. Tudo isso – e muito mais – você vai encontrar nessa revista arrojada e tecnológica que foi feita especialmente para você! Boa leitura. Nos vemos em dezembro! Renata Marcondes P.S. A Mais Que Pet também é sua! Mande sugestões, comentários e críticas para o e-mail contato@maisquepet.com.br

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o que você vai

encontrar

nesta edição

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Conheça as causas, sintomas e tratamentos para o diabetes Dog walker: ele ajuda manter o bem-estar e a saúde dos cães e facilita o dia a dia dos donos

6 Você precisa saber 14 Adestramento 16 Lazer 20 Raças 26 Comportamento 30 Colunista de comportamento 33 Pet estrela 34 Mundo 40 Produtos e lançamentos 46 Saúde 52 Capa 61 Eles são exemplo 64 Colunista veterinário 66 Beleza 68 Atualidade 70 Felinos 76 Cuidados e higiene 78 Alimentação 84 Filhotes 89 Outros bichos 94 Proteção animal 98 Entrevista 103 Foi notícia 106 Dono famoso 110 Pets da edição

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Os felinos ainda estão cercados de mitos. Saiba o que é verdade e o que não é

miAu!

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você precisa saber

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Casa com pets. E em ordem. Com atitudes simples é possível manter a casa limpa e em ordem até quando há mais de um pet! Os sofás e poltronas, por exemplo, devem ter cores compatíveis com os animais. Quem tem cães e gatos pretos pode apostar em tons escuros, que disfarçam os pelos. As capas e mantas também são ótimas soluções para esses móveis – podem ser lavadas com frequência, e na máquina! Os melhores tecidos para revestimento são a microfibra e o couro ecológico, que são resistentes e não desfiam. Evite tecidos com tramas, pois ficam rapidamente marcados pelas unhas dos pets. Pisos lisos, como os cerâmicos e os de madeira, são mais fáceis de limpar e não acumulam pelos como os carpetes e tapetes. Escovar diariamente o animal reduz odores e também ajuda a manter a casa sem pelos. Gatos: cuidado e respeito com a sensibilidade. Sensíveis e exigentes, os gatos tendem a reagir mal a qualquer tipo de alteração no ambiente e no cotidiano. Ir ao veterinário, por exemplo, pode ser sinônimo de estresse, que deve ser evitado com medidas simples. O transporte de carro precisa ser feito sempre em caixas próprias – que tenham boa ventilação e espaço suficiente para o gatinho se movimentar – e que estejam presas ao cinto de segurança do veículo. Na clínica, não retire o gato da caixa se houver janelas e portas abertas ou outros animais no recinto, especialmente cães: o estresse pode favorecer fugas. Por fim, certifique-se de que o bichano seja examinado em um ambiente calmo, silencioso e seguro. Dica: para acostumar o gato à caixa de transporte, coloque-a no ambiente em que ele vive, sempre aberta e com brinquedos e petiscos dentro.

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você precisa saber Afinal, o pet pode dormir na cama do dono? Proprietários e veterinários divergem bastante sobre a questão do pet dormir com seu dono. E um dos primeiros questionamentos é em relação à saúde e higiene. “Não há problemas se o pet é vacinado e vermifugado e se toma banho regularmente”, diz a veterinária Letícia Rozensvaig Lopes. Já o veterinário Bruno Chomel, da Universidade da Califórnia, publicou em 2011 um estudo sobre o tema, intitulado Zoonoses in the bedroom (“Zoonoses no quarto”). Em sua tese, Bruno aponta mais de 100 doenças que podem ser transmitidas pelos pets aos humanos. Ele mesmo ressalva, contudo, que não há motivo de preocupação se o pet for devidamente imunizado. Há apenas uma exceção: os animais de estimação não devem dormir com os donos caso tenham algum tipo de alergia.

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Doação de sangue: essa ideia é animal! Cães e gatos podem precisar de transfusões de sangue, especialmente em casos de atropelamento, intoxicação, erlichiose (a “doença do carrapato”), insuficiência renal, entre outras. O problema é que muitas pessoas desconhecem que seus animais de estimação poderiam abastecer os 19 bancos de sangue existentes no Brasil e, assim, ajudar a salvar a vida de outros pets! Para que um cão seja doador de sangue, ele precisa ter entre 1 e 8 anos, pesar mais do que 25kg, ser dócil – uma vez que durante a doação não é feita sedação –, ser vacinado, vermifugado e estar saudável. O procedimento de coleta dura cerca de 30 minutos. Gatos devem obedecer aos mesmos critérios dos cães e pesar no mínimo 4,5kg.

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você precisa saber

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Checkups para a longevidade Para garantir a saúde e longevidade, cães e gatos jovens devem passar por um checkup simples anualmente. “Quando não há nenhuma doença crônica, solicitamos apenas hemograma e dosagem glicêmica para ambos. Para cães, complementamos com exames de funções renal e hepática; para gatos, pedimos dosagem de ureia e fosfatase alcalina” explica o veterinário Luiz Douglas Rodrigues Júnior. Em animais mais velhos – acima de 7 anos – o checkup deve ser realizado a cada 6 meses e exames complementares, como ultrassom, podem ser solicitados pelo veterinário. Seguindo a lei e garantindo a segurança Transportar e viajar com os animais no carro é coisa séria! O Código Brasileiro de Trânsito estabelece no artigo 235 que eles não podem ficar soltos dentro do veículo, e o inciso II do artigo 252 é bastante claro: conduzir animais à esquerda ou entre braços e pernas do motorista é infração média, acarretando 4 pontos no prontuário do condutor, mais pagamento de multa. Além de seguir a lei, conduzir os animais de forma correta protege a saúde e a integridade deles e dos passageiros. Os cães, principalmente, gostam de viajar com a cabeça para fora do veículo, o que pode causar otites, acidentes e há risco de fuga. Então, para transitar com os animais, devem ser usadas caixas de transporte (especialmente indicadas para gatos e cães pequenos) ou cintos de segurança específicos, que são atados aos cintos do banco de trás do veículo. Estes acessórios estão disponíveis em vários modelos: com ou sem colete peitoral, com adaptador de tamanho, etc.

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você precisa saber Redes sociais são aliadas na luta contra os maus-tratos A luta dos protetores dos animais contra os casos de maus-tratos tem como aliada uma valiosa ferramenta: as redes sociais. Diariamente, inúmeros casos são divulgados pelo Facebook e Twitter, levando à abertura de processos judiciais e ao resgate dos animais vítimas de violência. “Com a internet, o 4º poder, que é o poder da comunicação, foi tomado pela sociedade civil. A grande maioria das pessoas ama, respeita e se solidariza com os animais, que são inocentes e indefesos. Por isso, eles vêm conquistando espaço na web – pessoas que trabalham por eles se conectaram e os representam. Todos os dias eles ganham mais defensores através desse compartilhamento instantâneo de informações” explica Luli Sarraf, responsável pela ONG Celebridade Vira-Lata, de São Paulo.

12 Muito cuidado com a medicação! Medicar o pet sem orientação do veterinário pode levar a sérias consequências e, a intoxicação medicamentosa, pode levar a morte do animal. Isso ocorre porque alguns remédios de uso humano não são metabolizados por determinadas espécies, causando severas reações. É o caso de antitérmicos com paracetamol ou ácido acetilsalicílico (aspirina) na fórmula, quando usados em felinos. Incapazes de metabolizar essas drogas, os gatos têm o fígado comprometido, podendo até morrer. Outros casos semelhantes de intoxicação medicamentosa são muito comuns e, para evitar que eles aconteçam, o veterinário deve ser sempre consultado.

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Acesse o site e saiba mais: www.noticiaanimal.com.br

Proteção e respeito Nós também temos direitos.

adestramento

10 dicas

para um passeio

tranquilo Caminhar com os cães é essencial para o bemestar e a saúde deles. E com atitudes simples, esse momento se torna prazeroso também para os donos!

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Passear é fundamental para os cães. Eles fazem exercícios, gastam energia, se sociabilizam e... farejam! Para que o passeio seja tranquilo e prazeroso, confira nossas 10 dicas.

1. Os acessórios Os cães nunca devem sair sem coleira, guia e placa de identificação. Deixar o cão solto pode ser muito perigoso: ele pode fugir, ser atropelado, se envolver em uma briga com outro animal etc.

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andar imediatamente. Faça-o perceber que o passeio só irá continuar quando ele estiver calmo. Outra opção é fazer um “zigue-zague”: quando ele começar a te arrastar, vire-o rapidamente para o lado oposto. Isso vai frustrá-lo e ele vai entender que deve seguir o trajeto do dono.

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Placa de identificação na coleira, com o nome e telefone do dono, custa R$ 5, mas vale muito: pode ser a diferença entre encontrar ou não um animal perdido.

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2. Serenidade começa em casa Passeios tranquilos começam em casa! Se o cão estiver ansioso, certamente ele vai ter um comportamento eufórico na rua. Não faça “festa” ao pegar a guia, mantenha-se sereno e, se o animal demonstrar agitação, espere ele se acalmar antes de sair. Se mesmo assim não resolver, brinque com ele e “canse-o” antes do passeio,assim o cão sairá de casa mais calmo. 3. Liderança Você é o líder da matilha. Portanto, é você quem deve sair na frente e, na volta, entrar primeiro em casa. Na rua, mantenha-se sempre um pouco à frente do animal.

6. Latidos Se o cão late para outros animais ou para pessoas, mantenha-se sereno, não fale com ele e reduza o estímulo se afastando, fazendo o ziguezague ou atravessando a rua. Aos poucos, chegue mais perto de outros animais e, todas as vezes que ele não latir, recompense-o.

4. Recompense-o Basicamente a regra é: maus comportamentos devem ser ignorados e bons comportamentos devem receber recompensa. Sempre que o cão obedecer a seus comandos, agrade-o! Faça isso dizendo palavras de incentivo, acariciando o animal e permitindo que ele fareje o que deseja. Petiscos também podem ser usados, mas com moderação.

7. Cheiros Os inúmeros odores da rua são um verdadeiro banquete para os cachorros! Pelo faro, seu sentido mais importante, os cães conhecem o mundo. Por isso, é natural que ele queira cheirar tudo e todos. Se ele puxa muito para farejar, pare de andar e faça-o parar também. Somente quando ele se acalmar, permita que ele fareje gramados, postes e pneus.

5. Puxões Guias curtas permitem mais comando e controle e, as do tipo retráteis, devem ser usadas apenas em animais pequenos, que passeiam com tranquilidade. Se o cachorro puxar, pare de

8. E se ele empacar? Muitas vezes o cão está inseguro e simplesmente empaca! Esse comportamento é bastante comum nos filhotes. Estimule-o a passear com palavras de incentivo, puxe-o com delicadeza,

empurre o bumbum com cuidado e, quando ele começar a andar, recompense-o! 9. Frequência De forma geral, os cães devem passear duas vezes ao dia, por cerca de 30 minutos. Entretanto, isso pode variar. Cães maiores, que precisam de mais exercícios físicos, podem passear três vezes ao dia. Se há bastante espaço na casa, onde ele corre e brinca, pode passear somente uma vez. 10. Quando? O período da manhã e o final da tarde são ideais, já que eles são animais diurnos. Evite sair com o cão quando estiver muito quente. Além do risco de desidratação, ele pode queimar as patas – a temperatura do asfalto durante o verão pode chegar a 50ºC! Por fim, leve uma garrafinha de água para hidratá-lo e sempre recolha o cocô!

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lazer

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Enriquecimento ambiental Saiba como certas atitudes, brinquedos e outros estĂ­mulos garantem o equilĂ­brio comportamental e a saĂşde do seu animal de companhia

Desafios mentais, brincadeiras e um cotidiano com entretenimento são essenciais para garantir a qualidade de vida dos pets. O tédio causado pela falta de atividades pode levar a compulsões – lamber continuamente a pata é uma das mais comuns –, destrutividade – que inclui estragar móveis e objetos –, ansiedade de separação, hiperatividade, depressão e até agressividade. Latir ou uivar muito, correr atrás do próprio rabo ou andar em círculos e ingerir fezes também são sinais de que o pet não está recebendo os estímulos que necessita. Além disso, animais que têm recreação se movimentam mais, ajudando a afastar a obesidade e suas consequências negativas para a saúde. Interação A deliciosa interação com os donos – que inclui passeios, brincadeiras, carinhos, massagens e todos aqueles momentos gostosos que quem tem um animal de companhia conhece bem – é a recreação mais comum e corriqueira. Mas, o que fazer quando o pet fica sozinho ou quando as pessoas estão ocupadas com outras atividades? A solução é criar um espaço rico em distrações para entreter e aguçar o cão ou gato. E fazer isso é simples! Enriquecimento ambiental O enriquecimento ambiental envolve estimular os pets de formas variadas. Isso significa promover interação social com outros animais, instigar os sentidos como faro, tato e paladar, desenvolver a capacidade cognitiva por meio de desafios mentais e não descuidar da parte física, oferecendo múltiplos exercícios. Desafios Os chamados brinquedos inteligentes são ideais para estimular os animais de companhia, além de serem muito divertidos! Eles favorecem a concentração, obediência, raciocínio, memória e coordenação motora. Um dos mais conhecidos, o americano Kong, que já está disponível no Brasil, possui uma cavidade para as guloseimas. O cão

fica entretido durante bastante tempo buscando sua recompensa. A linha Busy Buddy, da Amicus, tem itens – Twist’n Treat (disco), Squirrel Dude (esquilo), Waggle (alteres) e Kibble Nibble – que também liberam petiscos aos poucos, garantindo o divertimento e instigando o raciocínio. Diferencial da Busy Buddy: fabricados com plástico de alta resistência e emborrachados nas laterais, os brinquedos não deixam marcas no chão. Construir esse tipo de brinquedo também é fácil! Basta fazer furos em uma garrafa pet vazia e limpa e colocar grãos de ração ou pedacinhos de petisco dentro. Certifique-se de que os buracos sejam grandes o suficiente para que o pet consiga pegar a recompensa sem desanimar ou desistir e, claro, prepare-se para o barulho! Outra opção de brinquedo inteligente são os quebra-cabeças, como o Dog Finder, que só liberam os quitutes depois que o cão resolver os desafios e “problemas” usando as patas, faro, olhos e boca. Gatos, que são brincalhões por natureza, podem ficar várias horas atrás de bolinhas de papel ou de pingue pongue! Para eles – e seu forte instinto de caça e perseguição –, também há brinquedos que giram, fazem barulho e acendem luzes. É diversão na certa! Explorando o espaço Uma boa forma de incentivar os cães a explorar o espaço – e, consequentemente, fazer exercícios – é espalhar ossinhos em diversos cantinhos da casa. Com um faro aguçado, eles vão procurar os agrados! No início, posicione o alimento em lugares simples e, com o tempo, dificulte a busca. Já os gatos adoram caixas e túneis, que podem ser improvisados com embalagens de sapato e outros objetos do dia a dia. Sociabilização Você tem amigos e familiares que também possuem animais de companhia e que ficam sozinhos por um período? Que tal combinar encontros frequentes, permitindo que eles passem esse tempo juntos, brincando e se divertindo? É possível até formar grupos de pets amigos, que fiquem cada dia na casa

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As bolinhas devem ter o dobro do tamanho da boca do gatinho ou do cão. 18

de alguém. Esteja presente nos primeiros encontros, para promover a socialização, e assegure-se de que todos eles estejam saudáveis, se deem bem e de que não haja brigas territoriais. Vamos variar? Passear por caminhos diferentes, levar o pet a lugares que permitem sua presença (como restaurantes, shoppings e outros estabelecimentos “pet friendly”), viajar juntos e proporcionar novas experiências sensoriais (como entrar em uma piscina ou passar o dia em uma creche cheia de atrações), são atitudes que enriquecem a vida do animal de companhia. Ele entra em contato com novos odores, conhece pessoas e outros pets – aumentando a sociabilização –, corre, se diverte. Resultado? Equilíbrio comportamental e saúde física. TV pra cachorro! Que tal deixar a TV ligada enquanto você trabalha, sabendo que seu cachorro ficará superentretido com a programação? Pois esse canal já existe, se chama Dog TV e está disponível

para as famílias americanas 24 horas por dia, 7 dias por semana. A Dog TV foi cientificamente produzida e traz animações, objetos em movimento e sons com frequências adequadas. Com isso, a programação da Dog TV promete expor os cães a estímulos, levar ao relaxamento e até reforçar comportamentos positivos. No Brasil, o canal pode ser acessado através do aplicativo para smartphones e tablets. Atenção à segurança Na hora de escolher brinquedos, todo cuidado é pouco! As bolinhas, por exemplo, devem ter o dobro do tamanho da boca do gatinho ou do cão. Novelos de lã, ao contrário do que muita gente acredita, são muito perigosos para os felinos! Se engolidos, os fios podem obstruir o sistema digestivo, criando uma emergência veterinária. Pontas e pedaços que podem se soltar também devem ser observados nos brinquedos. Já as piscinas precisam de atenção, porque nem todo animal sabe nadar ou consegue sair sozinho da água.

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Presente em milhares de casas brasileiras, o Shih-Tzu está ganhando cada vez mais espaço. As características básicas desse cão originário da China fazem dele uma boa opção para quem mora em apartamento: é pequeno, carinhoso, alegre e adora companhia. Origem Originário da China Ocidental, o Shih-Tzu se desenvolveu, provavelmente, a partir do cruzamento do Pequinês com o Lhasa Apso, cães que também têm origem asiática. Durante muito tempo, a raça foi a preferida dos imperadores, que a criavam na Cidade Proibida de Pequim. Nesta época, a responsabilidade pelos cuidados com os Shih-Tzus era atribuída aos eunucos, que competiam pelos cães mais vistosos os quais, por sua vez, eram oferecidos ao imperador. O Shih-Tzu foi cão de companhia de vá-

Ele é adorado pelos brasileiros e conquista pela docilidade, beleza e esperteza rias casas nobres, além da família real, durante toda a dinastia Ming. Durante a revolução, milhares de cães foram assassinados e a raça só não foi extinta graças aos ingleses, que haviam importado alguns animais. Considerados sagrados, ainda hoje eles são oferecidos aos Lamas, no Tibet. Seu nome significa “cão leão” em mandarim. Temperamento e comportamento Dócil, leal, esperto e alegre, o Shih-Tzu é um ótimo cão de companhia. Nada agressivo, ele convive muito bem com crianças, idosos ou outros animais. Além disso, a raça não necessita de atividades físicas intensas e é bem silenciosa – raramente um Shih-Tzu late, chora ou uiva. Reconhecido como um cão independente, ele tolera bem algumas horas sozinho. Por outro lado, sente grande apego aos donos e costuma acompa-

nhá-los pela casa. Ser muito observador e brincalhão são outras características desse cãozinho, que deve ter brinquedos e desafios sempre à sua disposição. Crepuscular. E calorento! O Shih-Tzu é um cão dorminhoco e se mostra mais disposto quando a temperatura está amena. Por isso, ele é considerado um cão de comportamento crepuscular, ou seja, fica mais ativo no final do dia, quando o sol está se pondo. Por ter uma farta pelagem, também é muito sensível ao calor. As caminhadas devem ser feitas no começo do dia ou final da tarde e, no verão, a chamada “tosa bebê” é aconselhada. Outro aspecto importante: por possuir nariz achatado, o Shih-Tzu é um cão braquicefálico. “Essa característica anatômica merece atenção no verão, pois o cão pode ter dificuldades respiratórias sob esforço físico intenso” explica a veterinária Patrícia Ferreira Ybáñez. Mais um motivo para não fazer exercícios nos horários mais quentes e sempre manter água fresca – que pode até conter pedras de gelo – à disposição do pet. Saúde Como acontece com a maioria das raças, o Shih-Tzu pode apresentar questões específicas de saúde. Entre os problemas ortopédicos, podemos destacar a luxação da patela, que ocorre quando a rótula (patela) desloca-se, e a displasia coxofemoral, que é uma anormalidade genética na formação das articulações coxofemorais, localizadas na pelve do cão. Segundo Patrícia, a luxação da patela pode ser tratada com cirurgia, se for severa, e o tratamento da displasia coxofemoral inclui fisioterapia, controle do peso do animal, uso de anti-inflamatórios, analgésicos e, em casos mais graves, também é possível recorrer à cirurgia. Infecções de ouvido (otites), insuficiência renal e hérnia umbilical também podem surgir, assim como dermatites e alergias. Olhos que merecem atenção No Shih-Tzu, a anatomia dos olhos – expostos e grandes – predispõe a problemas oftalmológicos. Conjuntivite e úlcera de córnea podem ocorrer, assim como os olhos secos,

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Infelizmente, o Shih-Tzu é suscetível a um problema complexo: a coprofagia. também conhecidos como “ceratoconjuntivite seca”. “A causa é a baixa produção das lágrimas que mantém a lubrificação ocular. Os principais sintomas são olhos vermelhos e irritados, além de infecções constantes” completa Patrícia. A ceratoconjuntivite seca pode ser tratada com colírios lubrificantes. Já as infecções necessitam de medicação específica, que deve ser prescrita pelo veterinário. A catarata juvenil – opacidade ou perda total ou parcial do cristalino, com solução cirúrgica – e o entrópio – doença que ocorre quando a pálpebra dobra sobre si mesma, também com solução cirúrgica – são outros problemas oftalmológicos que podem acometer os Shih-Tzus. Por fim, outro cuidado que vale a pena ser tomado é prender os

pelos no topo da cabeça, evitando, assim, que eles irritem os olhos. Cuidados Com pelos longos e fartos, o Shih-Tzu deve ser escovado diariamente para evitar nós e ativar a circulação. Os banhos podem ser quinzenais, se o cãozinho não tiver contato com terra, ou semanais, se ele brinca no quintal ou se suja muito. “Como a raça tem uma grande quantidade de pelos, é preferível que eles ocorram em um pet shop, onde a secagem é mais adequada” orienta Patrícia. As orelhas podem ser limpas delicadamente com gaze ou algodão e os olhos devem receber gotinhas de soro fisiológico todos os dias. A escovação diária dos

dentes, com creme dental próprio, completa os cuidados. Em nossa matéria de “Beleza” desta edição, você vai encontrar mais informações para cuidar bem dos pelos do seu pet. E na seção “Higiene” vai saber como preservar a saúde dental do seu animal de estimação.

idade dele – filhote, adulto ou sênior – e oferecida em 2 porções diárias. A quantidade vem especificada pelo fabricante, na embalagem. Algumas indústrias possuem rações específicas para Shih-Tzus, com os nutrientes que a raça necessita e grãos em tamanho e formato especiais para o tipo de mordida do cão.

Alimentação Ração de qualidade é essencial para manter a saúde do pet. Ela deve ser própria para a

Coprofagia, um problema sério Infelizmente, o Shih-Tzu é suscetível a um problema complexo: a

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coprofagia. O termo refere-se ao hábito de comer fezes, que podem ser a do próprio cão, ou a de outros animais. Embora os especialistas não saibam com certeza a razão desse comportamento, acredita-se que ele esteja associado à fatores como exploração do ambiente – mais comum em filhotes –, busca pelo equilíbrio da flora intestinal, deficiências nutricionais, presença de verminose, ansiedade, estresse. Para evitar ou tentar solucionar o problema, algumas medidas são muito eficazes. Em primeiro lugar, é importante verificar como está a saúde do pet. Descartados problemas físicos, é necessário avaliar o equilíbrio do cão. Para seu bem-estar, ele precisa de afeto, liderança, atividades físicas, desafios mentais, sociabilização e espaço físico condizente com seu tamanho. A partir disso, outras atitudes podem ajudar: manter o ambiente limpo e sem fezes e administrar medicamentos próprios para o problema, chamados anticoprofágicos. De acordo com a veterinária Patrícia, eles tornam as fezes aversivas para os cães e, quando forem usados, as fezes devem ser deixadas no ambiente por um período, para que eles “percebam” seu novo odor e sabor. Outras opções para tratar a coprofagia são mudar a ração – algumas parecem deixá-las mais atraentes do que outras –, distrair o pet com brincadeiras assim que ele fizer cocô e não oferecer outro tipo de alimento, para que as fezes não fiquem ainda mais “saborosas” para eles. Importante: não brigue com o pet se ele comer o cocô. Ele pode interpretar a punição como uma forma de receber atenção e passar a repetir o comportamento.

Outras opções para tratar a coprofagia são mudar a ração, distrair o pet com brincadeiras assim que ele fizer cocô e não oferecer outro tipo de alimento, para que as fezes não fiquem ainda mais “saborosas” para eles

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comportamento

o risco de

humanizar

os pets

Tratar os animais de estimação como crianças pode causar distúrbios de comportamento

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Eles convivem conosco há milhares de anos, mas somente nos últimos tempos ganharam status de membros da família. Para os animais, especialmente os cães, esta evolução trouxe uma significativa mudança na qualidade de vida. Eles deixaram de habitar somente os quintais, não se alimentam mais de restos de comida e recebem cuidados veterinários e estéticos. Mas, será que todos os serviços e produtos disponíveis são mesmo adequados para nossos pets? Eles realmente precisam de joias, perfumes, massagens, esmalte nas unhas e até sapatos? Em relação ao comportamento, a atenção deve ser redobrada: tratá-los como crianças traz sérios problemas. O que está acontecendo? A humanização dos animais de estimação pode ser classificada, segundo os especialistas, como antropomorfismo, que é quando são atribuídos a eles características, comportamentos e sentimentos humanos. As mudanças sociais e as novas configurações familiares estão entre as causas do problema. As famílias têm cada vez menos filhos e, muitas vezes, os animais recebem a dedicação que há poucas décadas era dispensada somente às crianças. Os idosos, que hoje vivem mais e melhor, também são um exemplo das mudanças. Muitos deles encontram no pet sua companhia mais frequente. O número de pessoas que vivem sozinhas é cada vez maior. Outro motivo para fazer do pet muito mais do que um amigo. Por fim, devemos refletir sobre sentimentos como confiança, entrega, lealdade. Não é incomum que os donos de animais de estimação transfiram para os bichinhos algumas – ou muitas – de suas dificuldades e frustrações. Nessa relação não há traição, crises, discussões, desconfortos, divergências. O amor é incondicional. O risco, entretanto, é isolar-se e evitar vínculos profundos com outros seres humanos. Nesse caso, todos perdem. Desequilíbrio Cães são animais de matilha, que necessitam de liderança para ter uma vida

equilibrada. Quando o dono, que deve agir como o líder do grupo, não oferece limites, eles podem apresentar distúrbios de comportamento. A agressividade é um dos sinais mais comuns, além das neuroses e da ansiedade de separação. Um exemplo clássico é a destruição de objetos da casa. Sem regras sobre o que pode ou não ser feito, os pets tornam-se emocionalmente desequilibrados porque a natureza canina anseia por limites! E quando os limites não existem, os cães se impõem, afinal, são geneticamente programados para isso. Alexandra Horowitz, professora de Psicologia da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, PhD em Ciência Cognitiva e autora do livro “Inside of a Dog”, ou “A cabeça do cachorro”, título em português, explica: “É inapropriado tratar os cães como se eles fossem pequenas pessoas. Eles não querem as mesmas coisas que nós”. A psicóloga, que em seu livro usa o termo “descachorrar” para se referir à humanização dos animais de estimação, defende que o segredo para convivermos bem com os cães – e fazê-los felizes – é conhecê-los cada vez mais e atender às suas 27 necessidades, não às nossas. Respeitando a natureza dos animais Outro aspecto essencial é respeitar a natureza orgânica e fisiológica dos pets. Muitos dos cuidados que os donos oferecem são prejudiciais à saúde deles. O faro dos cães, por exemplo, merece destaque. Com cerca de 80 a 220 milhões de células olfativas, enquanto Do que um cão precisa para ser feliz? • Amor, atenção e afeto • Alimentação de qualidade e água fresca • Cuidados veterinários regulares e em casos de emergências ou doenças • Passeios e exercícios físicos • Conforto térmico no inverno e no verão • Viver em um ambiente limpo e seguro • Liderança e disciplina • Estímulos mentais

“No ambiente natural, os animais não desenvolvem problemas comportamentais. Não se veem elefantes neuróticos. Isso também não se aplica aos lobos, aos cães selvagens das savanas e até aos cachorros de rua: eles podem ser magros, mas não têm distúrbios psicológicos. Os cães tornaram-se problemáticos porque seus donos, em geral, não suprem sua necessidade de disciplina, exercícios regulares e desafios mentais”. César Millan

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Gostar de cães inclui aceitar sua natureza. A perspectiva humana não serve pra eles. Mesmo domesticados há milênios, são de outra espécie.

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Bom senso Sem dúvida alguma, o avanço nos serviços e produtos oferecidos melhorou muito a qualidade de vida dos pets. Rações de boa qualidade ajudam a preservar a saúde e aumentam a longevidade, camas garantem conforto, caixas e bolsas de transporte, segurança. Brinquedos os estimulam e os distraem, reduzindo o estresse, e as creches podem ser uma boa alternativa para os animais que passam muitas horas sozinhos. Adestramento e assessoria comportamental às vezes são necessários. Cães com pelos curtos podem sentir bastante frio. Nesse caso, roupinhas são bem-vindas no inverno. Além disso, muitos dos produtos disponíveis também facilitam a vida cheia de compromissos dos donos. Não há nada de errado em adquirir itens que embelezem a casa ou ter coleiras cheias de charme. A dica é ter bom senso e sempre se perguntar se determinado produto pode fazer mal à saúde do pet, se vai incomodá-lo, se contraria a sua natureza, se é realmente necessário.

Dic

que os seres humanos possuem de 2 a 10 milhões, eles têm um dos melhores olfatos do mundo animal. Perfumes, loções e excesso de cosméticos podem, portanto, causar alergias e desconforto. “Cobrir seu cheiro os priva de seu odor, que é a sua identidade perante outros cães”, completa Alexandra Horowitz. A tosa artística é outro exemplo: ela demora muito para ser feita e pode estressar o pet, desnecessariamente. Esmaltes e tinturas também não são indicados. Embora específicos para eles, esses cosméticos podem causar alergias. Além disso, cabe a pergunta: por que pintar as unhas de um animal ou tingi-lo de cor de rosa? Esses adornos e acessórios agradam alguns donos, mas não traduzem a natureza dos cães e gatos.

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colunista de comportamento

Soraia Mergulhão

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Como escolher

o cão ideal Nossa especialista em comportamento dá dicas importantes para quem quer aumentar a família!

O que é melhor? Comprar ou adotar? Filhote ou adulto? Bem, isso é uma escolha pessoal mas, antes de tudo, eu recomendo uma análise séria e honesta sobre como você é e como é sua vida. A decisão de incluir um cão na sua família é bem séria, já que irão viver juntos por 10 anos, pelo menos. Então, antes mesmo de passarmos para a escolha do cão, responda a essas perguntas:  - você gosta de exercício? - tem horários livres e paciência? - tem espaço em sua casa/apartamento? - tem uma situação financeira estável?  Não pense que estou querendo demais com essas simples perguntas, apenas vejo as pessoas tomando decisões com bastante cautela na hora de comprar uma casa /apartamento/carro e... Até mesmo um sapato! Mas então ouço as pessoas explicarem porque compraram um filhote de São Bernardo: “Ele era tão fofinho e meu filho de 4 anos se apaixonou por ele!”. Seis meses depois, o filhinho deles pode ir para a escola montado no “cãozinho fofinho”! Não pensem que estou fazendo piada, já perdi a conta das vezes em que presenciei uma família toda em crise porque a filha adolescente foi ao shopping com o namorado e voltou com um filhote a tiracolo. Portanto, antes de tudo, pensem nas perguntas que fiz e tentem respondê-las sinceramente. E não se esqueça de incluir as despesas nos cálculos. Quando seu “filhotinho fofinho” for um senhor idoso de 14 anos, ele vai precisar de acompanhamento veterinário constante. Sim, caros leitores, cães também envelhecem! Embora seja óbvio, poucos se lembram do fato até que aconteça. Agora, encerrado essa preliminar, vamos às opções:   Cães filhotes ou adultos?  A vantagem do filhote é que você poderá educá-lo a seu modo e, no caso das famílias com crianças, elas terão uma criançacão para acompanhar suas vidas e brincadeiras. Por outro lado, um filhote exigirá mais de sua paciência e disciplina para educá-lo e, prepare-se, ele provavelmente irá destruir alguns objetos de sua

casa (não adianta negar, isso vai acontecer). Já o cão adulto tem menos chance de destruir as coisas (não é regra geral); muitas pessoas preferem um cão mais velho por ser menos infantilizado por também não precisar ficar preso em casa até acabar aquele tempo de “quarentena”, devido ao esquema de vacinação. Porém, os cães adultos precisarão de um tempo de adaptação à casa nova. Esse tempo pode variar entre 15/20 dias, para cães sem maus tratos ou outros traumas, e alguns meses, para aqueles que sofreram abandono ou maus tratos.   Comprar ou adotar? Se você quer comprar um cão, provavelmente ele será de alguma raça, então, o melhor a fazer é pesquisar (via Internet é fácil) para saber as qualidades e defeitos de cada uma delas. Eu recomendo que procure por um criador ou alguém que já tenha experiência na área há alguns anos. Obtenha indicações de veterinários, treinadores e outros profissionais para encontrar alguém idôneo. Estou falando isso porque criar cães não é simplesmente juntar um macho e uma fêmea e vender 31 os filhotes. Existem muitos detalhes – tanto sobre a saúde física dos pais quanto seus temperamentos – que devem ser levados em consideração para que os filhotes levem alegria às famílias e não problemas. Outro ponto importante é não procurar por um cão de raça só porque viram em um filme e acharam bonitinho, porque seu vizinho comprou um e você quer igual ou porque você quer demonstrar status por ter algo exótico. Cada raça foi desenvolvida para executar um trabalho: de guarda, pastoreio, tocaia, para buscar caça, espalhar caça etc. Quando um criador se dispõe a manter a pureza de uma determinada raça, significa que ele estará mantendo não só as qualidades físicas, mas também as psicológicas. Um exemplo: ao comprar um labrador de um bom criador, você terá um cão “ativo, seguro de si, teimoso, que recolhe toda a caça, esteja na água ou na terra” – só estou citando uma parte da definição padrão do Labrador Retriever. E o que isso tudo significa? O Labrador é um cão que precisa de atividade física, é “teimoso”, ou seja, você

Eu sou a favor da adoção, já que temos uma enorme quantidade de animais abandonados neste país irá mandá-lo sair de cima do sofá 20 vezes, e ele subirá pela 21ª vez cinco minutos depois; recolher caça não significa, necessariamente, patos ou galinhas, mas também o celular novo que você acabou de comprar e ainda não pagou, ou a sandália nova com a qual você ia ao casamento, claro, meia hora antes de você sair! Citei o Labrador apenas como exemplo. Com isso, quero mostrar àqueles que 32 acham que ao escolherem um cão de raça estarão livre de problemas. Mesma coisa acontece com os pastores: são em geral cães que latem muito porque é a forma de se expressar e intimidar as vacas, cabras etc.   E adotar?  Eu sou a favor da adoção, já que temos uma enorme quantidade de animais abandonados neste país, mas não basta só ter amor para adotar. Um cão adulto, que foi abandonado, requer também paciência, disciplina e, muitas vezes, o acompanhamento de um profissional na área de adestramento/comportamento. Já fui testemunha de muitos casos em que um cão adulto adotado se tornou melhor que outros cães de raça, pois parece-me que eles querem demonstrar sua gratidão por terem sido acolhidos. Eu mesma vivi uma situação dessas recentemente: resolvi ter mais um cão e, como trabalho com comportamento, procurei por um cão-problema, um cujas chances de adoção fossem poucas e, assim, daria um lar

a ele. Foi-me encaminhado um cão de uns dois anos, de porte grande e que já havia sido adotado e devolvido duas vezes sob o pretexto de que ele era agressivo com outros cães e animais. Achei perfeito, sabia que iria dar trabalho, mas, com um histórico desses, as chances de ele achar um novo lar eram mínimas! Bem, o tal cão agressivo apenas mostrou-se arredio nos três primeiros dias, depois foi logo fazendo amizade com os outros cães e com os outros animais, e hoje é um excelente pastor de galinhas, além de ser totalmente sociável! Estou muito feliz com a minha escolha e nem por um momento penso que ele não tem raça. Atualmente, por ser bem cuidado e ter uma vida saudável, é um cão muito bonito! Acho que este deve ser o pensamento de quem quer adotar; a pessoa tem que estar disposta a ver um pouco além das aparências. Em todos os casos descritos aqui vale a regra da auto-avaliação. Não importa qual seja a sua escolha, desde que se lembre de que você está trazendo para sua família uma criatura viva e com sentimentos e que estará sob sua responsabilidade para o resto da vida dela!

Soraia Mergulhão trabalha com animais há mais de 15 anos e é discípula de Daniel S. Mills, Ph.D. em Comportamento Animal pela Lincoln University, no Reino Unido.

- um cão da raça Hachiko, Akita, nasceu - em 1923, na cidade de Odate, Japão. Seu dono, o professor HidesaburoUeno, levou-o para Tóquio, onde lecionava em uma universidade, - que era um ano depois. Hachiko, chamado pelo diminutivo “Hachi”, acompanhava Ueno diariamente, desde a porta de casa até a estação de trem de Shibuya onde o professor sempre ia, retornando ao final do dia para encontrá-lo e, então, poderem ir juntos para casa. A amizade entre o cão e o professor era emocionante e chamava a atenção das pessoas que também usavam a estação. Em 21 de Maio de 1925, porém, o professor Ueno sofreu um derrame durante uma reunião e morreu. Diz a história que Hachiko- quebrou as portas de vidro da casa durante o velório e passou a noite deitado ao lado de seu amigo, recusandose a sair. Outro relato diz que, no momento de colocar vários objetos de Ueno no esquife – hábito oriental da época – Hachiko- pulou dentro do caixão e resistiu a todas as tentativas de removê-lo de perto do corpo. A imensa demonstração de fidelidade e amor continuou após o sepultamento do professor: o cão não se adaptou a outras famílias, voltando sempre para Shibuya. Nos 10 anos seguintes, Hachiko- foi à estação diariamente, com chuva, frio ou sol, esperar por seu dono. Ele procurava por Ueno entre os transeuntes, só saindo quando a fome se tornava insuportável. Os frequentadores do local, comovidos,

pet estrela

Amor e fidelidade A história de Hachiko é famosa. E é tão emocionante, que decidimos contá-la mais uma vez.

passaram a levar comida para o cão e a história ficou famosa após um jornal publicá-la. Em 1929, Hachiko contraiu sarna e quase morreu. Depois de tantos anos nas ruas, ele estava magro e com machucados das brigas com outros cães. Uma de suas orelhas já não se levantava mais. Em março de 1935, com 11

anos, muito fraco e doente, Hachikomorreu perto da estação e seus ossos foram sepultados ao lado de seu grande amigo. Além de ser considerado um herói no Japão e de receber homenagens anuais, a linda história do cão se transformou no filme “Sempre Ao Seu Lado”, com Richard Gere.

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mundo

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FooF

o museu do cão! Foof é o primeiro museu do mundo dedicado exclusivamente aos cães. Inaugurado recentemente, ele está situado ao sul da cidade de Mondragone, província de Caserta, a 188 Km de Roma, Itália. O museu celebra, de formas variadas, os diferentes aspectos da relação secular que existe entre o cão e o homem. O Foof também aborda a questão da adoção de animais abandonados – no parque do qual o museu faz parte, há um canil que as famílias podem visitar e dar uma nova chance a esses cachorros. Por dentro do Foof O Foof está situado em uma propriedade que inclui uma clínica veterinária, além do próprio museu. Do portão de entrada segue-se por um hall que oferece um primeiro

conjunto de objetos e imagens que introduzem o visitante ao maravilhoso mundo dos cães. As paredes de um grande corredor expõem os filmes mais famosos cujos protagonistas são cachorros, enquanto as largas janelas do Foof permitem que os visitantes vejam os cães livres na área de lazer! O percurso é composto por uma série de seções temáticas: “Era uma vez”; “Arte cão”; “O cão ator”; “Um pouco de ciência”; “Filhotes”; “Coleiras”; “Trabalhando?” e “Foof é cool”. Os diferentes temas são narrados por meio de uma série de exposições, objetos e documentos recolhidos ao redor de todo o mundo que facilitam a leitura da história do museu, respeitando o forte valor científico, direcionando, principalmente, para o universo infantil. O percurso termina em uma charmosa livraria de 70 m², onde se vendem livros e gadgets.

Fotos:Raffaele Mariniello

Conheça – em primeira mão no Brasil! – um espaço cultural dedicado inteiramente aos cães, localizado na Itália.

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Interatividade que encanta O moderno museu foi projetado para descrever a evolução da relação homem-cão através de imagens, acessórios e vídeos históricos. No local há atividades esportivas, workshops e ações lúdicas feitas sempre com o auxílio do “melhor amigo do homem”, que pode ser o famoso Aibo, o cachorro-robô, ou os cães do museu. Naturalmente, as crianças e visitantes adoram a experiência e a interatividade!

Fotos:Raffaele Mariniello

20 mil metros quadrados de aprendizado! O parque que abriga o Foof possui, em 20 mil m² de área, oficinas educativas, área de lazer, espaço para refeições, anfiteatro e um playground. As oficinas, ministradas por profissionais da área pet, aproximam as crianças dos cães através do conhecimento e respeito pelo diferente. Os idealizadores do museu acreditam que uma correta interação com o animal reduz o risco de mal-entendidos na comunicação e de possíveis

experiências traumáticas tanto para a criança como para o cão. Os projetos transmitem – através de jogos e brincadeiras – os princípios de colaboração, diversidade e conhecimento. O Foof parece ser o lugar certo para se divertir e, ao mesmo tempo, aprender a respeitar os animais! A história dos cães em diversas abordagens O museu também possui um local especial destinado a mostrar diferentes abordagens da evolução dos cães. A história a partir de uma abordagem científica, por exemplo, possui um espaço onde acontecem exposições e reconstruções, mostrando o desenvolvimento do pet, a seleção de raças, a distribuição geográfica no mundo e as funções e papéis do animal no decorrer da história. Já o espaço histórico traz a figura mitológica da loba de Rômulo e Remo, uma impressionante exposição de coleiras centenárias – o acervo do Foof inclui uma coleção de coleiras com peças de 400 d.C.! – e fotos que ilustram

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O museu é uma idealização da Vivimondo, uma associação de promoção social apartidária e sem fins lucrativos, responsável pela realização de atividades de utilidade social. a importância do animal ao longo da trajetória da humanidade. O espaço da visão artística destaca – além das pinturas e esculturas – o cinema, onde os cachorros muitas vezes foram protagonistas! O da leitura social é dedicado à utilidade do cão na vida do homem como um companheiro de trabalho e também como um objeto do egoísmo humano, representado pelo abandono e pelo uso dos cachorros em lutas e brigas. Por fim, no delicioso local dedicado às crianças, elas aprendem com seus parceiros de vida conceitos educativos e de comportamento, sempre através dos desenhos animados e de brincadeiras com filhotes! A associação Vivimondo O museu é uma idealização da Vivimondo, uma associação de promoção social apartidária e sem fins lucrativos, responsável pela realização de atividades de

utilidade social. A associação tem como objetivo principal a proteção dos animais, a afirmação e defesa dos seus direitos e a luta contra todas as formas de exploração e violência ao meio ambiente. A Vivimondo também estimula a convivência adequada entre o homem e a natureza e entre o homem e outros animais. O próximo passo da associação será criar um movimento de opinião pública em favor dos direitos de todos os animais, para promover e implementar iniciativas em vários campos de defesa zoológica.

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produtos e lançamentos

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Casinha comestível para roedores e coelhos Os roedores e os coelhos caíram no gosto de crianças e adultos como animais de estimação. Dóceis, carinhosos e fáceis de lidar, eles dão um toque de alegria no lar. Pensando nos cuidados para essas espécies, a Nutriconpet lançou um produto que promete deixar a vida dos animais mais nutritiva e divertida: a casa comestível Nutrihome! Composta por sementes encontradas na natureza e feno de alfafa, a casinha é indicada para hamster, topolino, gerbil, chinchila, entre outros roedores. Com a casinha, os pets satisfazem a necessidade natural de roer, com muito sabor, e também ficam abrigados.

Passeios em grande estilo! Para passear com os pets de pequeno porte com segurança e graça, as bolsas e mochilas são uma ótima opção. Moderna e prática, a Mochila Canguru possui rodinhas para facilitar o transporte, podendo também ser usada nas costas. O acessório é resistente e superconfortável, e ainda possui diversos bolsos. Para as fashionistas de plantão, a Bolsa Paris vai carregar o pet com muito estilo. A peça é confeccionada em courino e possui entrada frontal e superior. Além disso, tem bolso para guardar petiscos e brinquedos e telas laterais que garantem boa ventilação e permitem a visualização do ambiente.

Rock pets Os porta-copos da LoopDay vão dar um toque muito divertido às refeições! Supercoloridos e com estampas de pets imitando celebridades da música, como Adele, Elvis Presley, Amy Winehouse, Kiss e Katy Perry, os conjuntos Song Pets e Hard Rock Pets esbanjam humor. Desenvolvidos a partir de materiais sustentáveis, com cortiça na base e bordas de eucalipto, são revestidos com melanina polida e resistentes ao calor.

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produtos e lançamentos Comedouro com requinte e sofisticação Para servir a ração com charme e levar elegância para a casa e para a hora das refeições, o Comedouro Dubai é o acessório ideal! O produto é feito em couro, contém um recipiente de porcelana – que facilita a limpeza – e pode servir como comedouro ou bebedouro, mantendo, nesse caso, a água sempre fresca. Disponível nas cores prata e dourado, o comedouro vem com pés antiderrapantes, que evitam a movimentação e facilitam ainda mais a alimentação dos pets.

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Kit de viagem garante praticidade Viajar com o pet fica mais simples e prático com o Kit Viagem da Dog’s Care, uma marca amiga da natureza, cujos artigos produzidos minimizam o impacto gerado ao meio ambiente. O Kit é composto por uma bolsa de transporte, feita com lona reciclada de garrafa pet, que se transforma em uma pequena cama. Ele ainda vem com uma nécessaire exclusiva para levar os acessórios de viagem (escova, brinquedo, ração, biscoito, produtos de banho, fralda etc), um bebedouro e um comedouro portáteis, um porta ração de 1kg, uma biobag (sacolinhas higiênicas) e ainda traz um Exclusivo Guia de Viagem no verso da embalagem, com dicas importantes para que o passeio seja tranquilo e sem surpresas. Além disso, possui um checklist para evitar que os donos se esqueçam de alguma coisa.

Livro traz dicas e orientações sobre o Golden Escolher o animal que mais combina com o modo de vida e também com o perfil do dono é muito importante. Afinal, os pets se tornarão dependentes de quem os escolheu. Por isso, é imprescindível conhecer as opções que mais se adéquem a cada família. Também é importante saber que cuidar de qualquer animal requer atenção, cuidado, carinho, paciência e muita dedicação. Com a proposta de ajudar na escolha e no cotidiano, a Prata Editora traz uma série de livros que dão dicas simples e extremamente necessárias para a boa convivência entre o animal e seu dono, todos escritos pelo veterinário Márcio Infante Vieira. No livro sobre o Golden Retriever você vai saber como garantir a saúde e bem-estar desse cão irresistível!

Gatito, charme e praticidade! Além de arrojado, o comedouro e bebedouro Gatito tem o diferencial da praticidade: ele pode ser desmontado para facilitar a limpeza. Com haste em forma de cauda, a peça contém pratinhos para água e comida, é atóxica e pode ser encontrada nas cores azul, rosa, preto e branco.

Fashion e descolada, bandana garante charme extra aos pets Com tantas novidades no mercado pet, não há quem resista aos mimos para agradar e embelezar os animais de estimação. A bandana da Zee.Dog – marca que desenvolve produtos funcionais e modernos, aproximando cães e pessoas – vai dar um toque de estilo e personalidade aos bichinhos! A peça, confeccionada em tecido 100% algodão, é confortável e versátil. Seu pet vai arrasar nos passeios, atraindo todos os olhares!

Arranhador divertido Que os gatos têm o instinto de esticar suas garras em algum lugar e sair arranhando os objetos pela casa, todos já sabem. Mas por que deixar que isto seja feito no sofá novíssimo da casa? O arranhador Gato possui o formato de um gatinho e é uma maneira natural e charmosa de aparar as unhas dos felinos, ajudando na ação antiestresse. As “pernas” do gatinho possuem cordas, e o “corpo” é um aconchegante nicho de pelúcia. Além de alegrar o bichano, o acessório vai descontrair a decoração da casa. Medidas: 46cm de altura, 25cm de largura, 30cm de profundidade. À venda na www.petshop.com.br

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produtos e lançamentos Conforto e aconchego, com design! As camas para os pets estão cada vez mais elaboradas e com design que lembra os móveis da casa! Com armações em madeira e acabamento em veludo e capitonê, ou em material que imita vime, além, claro, das almofadas, as caminhas proporcionam conforto e aconchego aos cães e gatos, e ainda dão mais beleza para a casa. Da Dubai.

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Diversão certa para as calopsitas Charmosas, as calopsitas são ótimos animais de estimação. Mas para que mantenham o equilíbrio e o comportamento dócil, os donos devem investir em brinquedos interativos, pois a ave é muito curiosa e está sempre procurando algo para fazer. Se não houver nada dentro da gaiola para a sua distração, ela pode ficar entediada e com problemas comportamentais. Para deixar a rotina da calopsita mais ativa, o Playground é uma ótima opção. O brinquedo de madeira garante divertimento certo para aves de bico torto, que, devido a esse formato, gostam e precisam roê-lo para manter o seu tamanho. À venda na www.petshop.com.br

Ergolite Pet facilita a limpeza de lares com animais de estimação A Electrolux criou uma edição especial de aspirador de pó para ajudar na limpeza dos lares que possuem animais domésticos: o Ergolite Pet. O produto acompanha um bocal miniturbo especial, capaz de aspirar os pelos das mais difíceis superfícies, como carpetes, tapetes, sofás e cortinas. O acessório é muito eficaz graças a uma escova com cerdas que limpam profundamente áreas com fibras em tecidos, retirando até aqueles pelos menores, que parecem impossíveis de aspirar. O Ergolite Pet ainda contém tubo metálico retrátil, mangueira flexível, bocal 2 em 1 para cantos e frestas e bocal para todos os tipos de pisos.

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Diabetes: os pets também têm saúde

O diabetes não é um problema exclusivamente humano. Ele também atinge os cães e gatos e, se não controlado, pode causar sérios danos e levar até a morte. Conheça as causas, sintomas e tratamentos para a doença. O diabetes mellitus (ou melito) é uma doença que atinge o pâncreas, órgão que produz o hormônio insulina. O papel da insulina no organismo é levar a glicose (açúcar) do sangue para 46 dentro das células, onde é utilizada como fonte de energia. Quando a glicose não chega às células, o organismo é privado de energia e vários problemas surgem. Assim como acontece nos seres humanos, o diabetes que atinge os pets pode ser de dois tipos. “No diabetes tipo I, o pâncreas deixa de produzir insulina ou a produz em quantidade insuficiente porque suas células produtoras do hormônio foram destruídas parcial ou totalmente. No tipo II, há produção de insulina, mas o organismo não responde à sua ação e a glicose não entra nas células”, explica a veterinária Camilla P. Camargo, especialista em Nefrologia e Homeopatia. Sem atuar nas células, a glicose torna-se muito alta na corrente sanguínea. Causas De forma geral, o diabetes tipo I tem causas genéticas e o diabetes tipo II está associado à obesidade, sedentarismo e idade avançada. Outros fatores, porém, podem estar envolvidos no surgimento da doença. Dentre eles podemos citar: o uso de medicamentos – como corticoides (diabetes

medicamentosa) –, disfunções do pâncreas, alterações hormonais – especialmente nas fêmeas – e doenças autoimunes. Além disso, raças caninas, como Spitz, Golden Retriever, Labrador, Samoieda, Dachshund, Schnauzer, Beagle e Poodle são mais suscetíveis ao problema. Entendendo os sintomas do diabetes Entre os principais sinais do diabetes nos animais de companhia estão: sede excessiva, emagrecimento, aumento no volume de urina, cansaço, apatia, infecções frequentes, pelagem rala ou opaca. A fadiga assim como os pelos sem viço e quebradiços são resultados da glicose que fica circulando no sangue sem cumprir uma de suas principais funções dentro das células – gerar energia e substratos. Sem o “combustível”, o sistema imunológico também fica enfraquecido e podem surgir infecções recorrentes, especialmente no trato urinário. “O aumento no volume e frequência de urina – sintoma clássico do diabetes – ocorre porque a glicose se acumula na corrente sanguínea a ponto de os rins não conseguirem mais filtrá-la e reabsorvê-la. Em excesso, ela “transborda” para a urina, que pode ficar tão açucarada a ponto de atrair até formigas!”, conta Camilla. E para eliminar a

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glicose através do xixi, o organismo do animal precisa de líquido. Resultado? Ele passa a beber mais água para não ficar desidratado, outro sinal comum da presença do diabetes. Consequências O diabetes é uma doença metabólica e, quando não é diagnosticado e controlado da maneira certa, tem consequências sérias para os animais de companhia. Podem ocorrer comprometimento da visão, como catarata e cegueira, desidratação, insuficiência renal, problemas neurológicos e cardíacos e cetoacidose (acidez generalizada). Além disso, há alterações nos níveis de colesterol e triglicérides, que podem causar aterosclerose. Diagnóstico e controle O diagnóstico, que deve ser feito pelo veterinário, é realizado através da análise dos sintomas que citamos e, principalmente, por meio da dosagem do nível de glicose no sangue. Segundo Camilla, os valores ideais ficam entre 60 mg/

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Entre os principais sintomas do diabetes nos animais de companhia estão sede excessiva, emagrecimento, aumento no volume de urina, cansaço, infecções frequentes e pelagem rala ou opaca

dL e 110 mg/dL e números diferentes desses indicam a presença da doença. Embora o diabetes não tenha cura, é possível proporcionar ao pet uma vida com qualidade! O tratamento consiste, basicamente, no consumo de ração diet, uso de insulina e exercícios físicos diários.

Rações terapêuticas As rações para pets diabéticos, essenciais no tratamento, não têm açúcar e contém carboidratos complexos, nutrientes que fazem o açúcar chegar ao sangue mais lentamente, driblando os picos de glicose. A quantidade diária do alimento deve ser prescrita pelo veterinário. A insulina Novos hábitos são essenciais para que o animal de companhia com diabetes tenha uma vida saudável e longa! Além da ração específica e de atividade física regular, a nova rotina do pet também inclui a aplicação diária de insulina injetável, procedimento que, a princípio, pode assustar os donos, mas que se mostra simples com a prática. E embora muitas pessoas utilizem insulina humana no tratamento dos pets, já existe no Brasil uma insulina de uso veterinário, a Caninsulin®, produzida pela MSD Saúde Animal. A reposição do hormônio supre a deficiência do organismo e garante qualidade de vida ao animal. As dosagens são estabelecidas pelo veterinário e exames regulares devem ser feitos para garantir um acompanhamento correto. Tempos modernos Assim como acontece com as pessoas, a vida moderna – com sua grande oferta de alimentos e pouca prática de exercícios físicos – também causa um impacto negativo na saúde dos animais de companhia. E a obesidade, que predispõe ao diabetes, está atingindo os pets de forma preocupante! Apesar de não existirem dados no Brasil, uma pesquisa da Associação de Prevenção à Obesidade dos Animais de Companhia, feita nos Estados Unidos, mostrou que 45% dos cachorros e 58% dos gatos americanos estão obesos. Por isso, é sempre bom lembrar: os animais de companhia devem se alimentar somente de ração, oferecida na quantidade e frequência estipulada pelo veterinário ou fabricante, e precisam de passeios diários!

A obesidade, que predispõe ao diabetes, está atingindo os pets de forma preocupante!

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Tulinha e sua adotante – Focinhos de Luz / Rio de Janeiro

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10 dicas para uma posse responsável de cães

Flor e sua nova família – ABPA / Salvador

Pretinha também ganhou a chance de ser feliz! – Focinhos de Luz / Rio de Janeiro 1. Jamais adote um animal por impulso. 2. Cães vivem em média 12 anos ou mais e não são descartáveis. 3.Converse com todos os membros da família ou das pessoas que vivem com você. Um animal muda a vida de todos. 4. Informe-se sobre peculiaridades do animal escolhido - tamanho comportamento, espaço físico necessário ou necessidades especiais. 5. Cuide da saúde física do cão alimentação, higiene, vacinas, abrigo e visitas periódicas ao veterinário. 6. Dê atenção e carinho a ele. 7.Cachorro não é gente - ele precisa de alimentação e cuidados específicos para cães.

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8. Não deixe seu cão solto pelas ruas. Durante os passeios, que são momentos especiais para eles, use sempre guias e coleiras. Algumas raças grandes exigem fucinheiras. 9. Eduque seu cão com carinho e recompensas. Ele não precisa destruir seus móveis ou incomodar o vizinho para ser amado. 10. Adote um cão com o qual você simpatizou. Não é pelo falo de ele não ter uma raça definida ou ter vindo de um abrigo que deve ser menos amado por você. Fonte: Programa Pedigree Adotar é tudo de bom.

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Afinal, como os animais pensam e sentem?

Conheça as mais incríveis descobertas da ciência sobre as capacidades cognitivas, afetivas e sociais do mundo animal Há alguns anos, acreditava-se que muitas características nos diferenciavam dos animais. A capacidade de amar, de sentir compaixão, de manipular, de criar estratégias, entre outras, pareciam exclusivas da raça humana. Nas últimas décadas, entretanto, vários estudos estão mostrando que, sim, os animais têm habilidades cognitivas, emocionais e sociais surpreendentes! Dessa forma, o que realmente parece nos distinguir é a complexidade de nossas capacidades. Em outras palavras: somente nós, por exemplo, dominamos a fala e a escrita. Mas eles também se comunicam.

As batatas da ilha de Koshima Em 1953, na Ilha de Koshima, no Japão, os cientistas observaram um fato que mudaria para sempre a maneira como entendemos os animais, especialmente os primatas. Um grupo de macacos recebia dos pesquisadores batatas-doces que ficavam sujas de areia. Um dia, uma jovem primata chamada Imo lavou sua batata em um pequeno riacho. Ao longo do tempo, ela passou não apenas a mergulhar a batata na água para retirar a areia, como a esfregar o tubérculo. Três meses depois, os cientistas verificaram que a atitude de Imo estava sendo repetida pelos irmãos, pela mãe e por outros macacos do grupo. Em cinco

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Algumas espécies, como golfinhos e elefantes, parecem ter autoconsciência, ou seja, sabem quem são. Já macacos da espécie rhesus demostraram sentir solidariedade e compaixão

Somente os humanos dominam a fala e a escrita. Mas os animais também se comunicam anos, mais de três quartos dos jovens primatas da ilha lavavam as batatas exatamente como Imo e, hoje, comer batata limpa é um hábito das novas gerações de macacos da ilha. Para os cientistas que observaram o feito, não havia dúvidas: o que aconteceu em Koshima mostra uma habilidade que parecia ser exclusivamente humana: a de transmitir conhecimento, ou seja, produzir cultura! Habilidades políticas e sentimentos complexos Jane Goodall, primatóloga, etóloga e antropóloga britânica, estudou a vida familiar e social dos chimpanzés em Gombe, na Tanzânia, durante 40 anos. Em seu trabalho – que era basicamente de observação e coleta de dados – Jane verificou que os macacos dessa espécie possuem um elaborado código social, linguagem com mais de 20 sons diferentes, expressões faciais e várias estratégias para conseguir alimento. Uma das mais importantes descobertas de Jane, entretanto, é a de que os chimpanzés estabelecem relações políticas no grupo. Eles têm conflitos de interesses, fazem alianças e acordos, se desentendem e se reconciliam. Além disso, a pesquisadora observou na espécie a presença de sentimentos complexos como inveja e vergonha e ainda afirma: a única verdadeira diferença entre nós e os chimpanzés é a nossa linguagem sofisticada. O mito da falta de autoconsciência A autoconsciência – noção de quem somos – parecia ser outra característica exclusiva da raça humana. Apenas parecia, porque também há estudos que mostram que alguns animais sabem quem são. Os golfinhos, por exemplo, se reconhecem no espelho. Em um estudo realizado no Aquário de Nova York, eles foram capazes de procurar em seus corpos, olhando-se no espelho, as marcas de tintas que

haviam sido feitas pelos cientistas! Vale lembrar que chimpanzés e elefantes também reconhecem seu reflexo. A controversa Temple Grandin A norteamericana Temple Grandin formou-se em Psicologia, possui vários livros publicados, é Ph.D. pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, e desenvolveu uma técnica humanitária para o abate de animais que é muito utilizada naquele país. Já seria uma trajetória e tanto, que se torna ainda mais emocionante pelo fato de Temple ser portadora de uma forma leve de autismo. E baseada em sua própria história é que ela defende uma teoria que criou polêmica no meio científico: a de que os animais veem o mundo e têm mecanismos de pensamento semelhante ao dos autistas, especialmente na maneira de processar as informações visuais 55 que chegam ao cérebro. Segundo ela, o fato de animais e autistas terem o neocórtex cerebral pouco desenvolvido explicaria as peculiaridades no processo do pensamento. Os pesquisadores que discordam de Temple – e não são poucos – afirmam que sua teoria não tem embasamento cientifico e é fundamentada somente em sua experiência pessoal. Emoções Além da autoconsciência, comunicação e regras sociais, estamos descobrindo como funcionam os sentimentos e as emoções no mundo animal. Helen Fisher, professora de antropologia e pesquisadora do comportamento humano na Rutgers University, nos Estados Unidos, estudou a atração romântica por mais de 30 anos e diz que os mamíferos e as aves possuem dois estimulantes naturais do cérebro – a norepinefrina e a dopamina – que desempenham um papel essencial na excitação sexual. Na linha evolutiva, esse cenário seria o precursor do amor romântico e explicaria as

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O que aconteceu na ilha de Koshima mostra uma habilidade que parecia ser exclusivamente humana: a de produzir cultura preferências que também existem entre os animais. Compaixão, solidariedade e amizade também parecem fazer parte do repertório emocional dos bichos. Em um estudo realizado pela Universidade Northwestern, também nos Estados Unidos, os macacos da espécie rhesus precisavam apertar um botão para receber comida. Cada vez, porém, que um macaco ganhava comida, outro do grupo levava um pequeno choque. Ao longo dos dias, alguns macacos deixaram de apertar o botão que infligia desconforto aos companheiros. Um deles chegou a ficar 12 dias sem comer para que outros macacos não recebessem choques. E, por fim, quem tem cachorro

em casa sabe a festa que eles fazem depois de poucas horas de separação. Isso não seria um tipo de saudade, mesmo que primitiva? Cães têm sentimentos semelhantes aos das crianças O mais recente estudo – e, possivelmente, um dos mais importantes – sobre as emoções dos animais concluiu: os cães têm sentimentos semelhantes aos das crianças! Durante 2 anos, Gregory Berns, professor de neuroeconomia da Emory University, nos Estados Unidos, e sua equipe utilizaram uma máquina de ressonância magnética para entender o

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Chimpanzés têm conflitos de interesses, fazem alianças e acordos, se desentendem e se reconciliam

A capacidade de experimentar emoções positivas, como afeto e recompensa. mostra que os cães têm um nível de sensibilidade comparável ao de uma criança humana

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funcionamento de cérebro canino. Os resultados dos exames mostraram que os cães usam a mesma parte do cérebro humano para sentir prazer: o núcleo caudado. Essa região cerebral é rica em receptores de dopamina e costuma ficar, em humanos, mais ativa diante de situações que envolvam comida, amor e dinheiro. Durante o estudo, o núcleo caudado dos cães ficou estimulado diante da possibilidade de receber petiscos ou de reencontrar o dono. Para Berns, a capacidade de experimentar emoções positivas, como recompensa e afeto, mostra que os cães têm um nível de sensibilidade comparável ao de uma criança humana. Curiosidade: como os cachorros analisados no estudo não podiam ser sedados para não comprometer os resultados, eles foram longamente adestrados para ficar imóveis durante todo o procedimento de ressonância magnética. Mais surpresas • Segundo uma pesquisa realizada na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, as ovelhas são capazes de distinguir os rostos de pelo menos outras 50 ovelhas do grupo. • A teoria de que o tamanho do cérebro seria responsável pelas capacidades cognitivas está caindo por terra. Papagaios têm um cérebro que pesa cerca de 10g e podem ter um vocabulário – que vai além da simples repetição das palavras – equivalente ao de uma criança de 2 anos. • Algumas espécies vivem o luto assim como os humanos. Elefantes fazem vigília junto a um membro do grupo que morreu e elefantinhos que presenciarem a morte da mãe podem passar por episódios de pânico. Chimpanzés também sofrem com as perdas e são capazes de ficar horas e até dias se despedindo dos pais ou filhotes mortos. No Zoológico de São Paulo, há alguns anos, uma fêmea da espécie leopardo-das-neves perdeu seu companheiro e por meses vocalizou a falta que sentia. • Famosos por sua inteligência, capacidade de aprendizado e sistema de comunicação, os golfinhos também apresentam um comportamento que

Algumas espécies vivem o luto assim como os humanos. Elefantes fazem vigília junto a um membro do grupo que morreu poderia ser classificado como sadismo ou “humor negro”. Eles são capazes de dar verdadeiros “caldos” em gaivotas! E há relatos de que fazem isso também com mergulhadores desavisados. • Os batimentos cardíacos dos cavalos caem quando eles são escovados, mostrando relaxamento e prazer. Nós e os cães: uma relação longa! Há cerca de 15 mil anos, o homem descobriu a agricultura, começou a se organizar em grupos e abandonou a vida nômade. Morando em pequenas vilas, passou a gerar lixo, que incluía, claro, restos de comida. Esses 59 alimentos não atraíam apenas insetos e ratos, eles eram um “prato cheio” para os lobos! Com o tempo, e seguindo a evolução natural, os lobos que nasciam sem medo dos humanos foram se aproximando dos povoados. E aqueles que não possuíam características selvagens, como precisar de muita energia para sobreviver ou ter temperamento caçador, passaram a viver perto das pessoas. Foi então que algo muito importante aconteceu: fomos seduzidos pelos filhotes! Além das explicações atávicas, nossa paixão por todos os tipos de bebês tem uma causa biológica. Perto desses seres pequenos e rechonchudos, liberamos ocitocina, um hormônio que causa bemestar e sensação de vínculo, o mesmo secretado pelas mulheres durante o parto e a amamentação. Esse conjunto de fatores fez, então, com que uma parte dos lobos passasse a ter uma vida doméstica, em companhia dos humanos, que também desejavam sua presença. Nascia o Canis familiaris, descendente do Canis lúpus.

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Fotos: Lucas Leite

Eles são exemplo

Vida e missão dos

cães terapeutas Quando a maioria das pessoas ouve a palavra “milagre”, logo faz associação com espiritualidade, crença ou religião. Alguns, mais céticos, associam esse conceito à medicina ou ainda ao desenvolvimento tecnológico. O fato é que muitos milagres da vida independem de tudo isso. Eles podem acontecer através das emoções, afinal, a alegria é um poderoso remédio para humanos e animais. É a partir dessa ideia que a pet terapia foi criada, desenvolvida, aprimorada e aplicada: gerar, com fins terapêuticos, a perfeita combinação entre humanos e animais. E, acredite, a partir desta harmoniosa união, muitos milagres são capazes de acontecer!

A história de Daniel Em Campinas (SP), uma entidade filantrópica que atua com cães terapeutas foi idealizada em 2005 a partir de uma experiência pessoal da bióloga Silvia Jansen, mãe de Daniel, que é portador da Síndrome de Asperger. A condição, classificada como um transtorno do espectro do autismo, tornava difícil a interação social do rapaz. E foi com o apoio de uma filhote da raça labrador, chamada Luana, que gradualmente Daniel aprimorou sua capacidade cognitiva. “Essa interação propiciou mais segurança, afetividade e socialização para o meu filho, ajudando-o na execução e na apresentação de sua dissertação de Mestrado, na área de Ecologia Marinha, na Universidade Estadual de Campinas UNICAMP. Ele tornou-se o primeiro autista brasileiro a

Saiba mais sobre os animais que transformam vidas!

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Fotos: Lucas Leite

defender uma dissertação de Mestrado”, conta Silvia. Orgulhosa com a realização profissional do filho, Silvia apostou suas fichas na pet terapia, fundando o Instituto para Atividades, Terapias e Educação Assistida por Animais de Campinas (ATEAC), uma organização sem fins lucrativos, cujo objetivo é aprimorar a qualidade de vida de pessoas e animais. Atualmente a ONG conta com um grupo formado por 60 cães terapeutas e 68 voluntários das mais diversas profissões, sendo algumas muito adequadas ao trabalho desenvolvido pela entidade. “Contamos com duas psicólogas, uma médica, quatro veterinários, um adestrador de cães, uma bióloga, uma pedagoga e uma professora de Educação Física”. Nesse quadro de voluntários, Silvia declara que gostaria de agregar também profissionais das áreas de fisioterapia, fonoaudiologia e terapeutas ocupacionais. A formação profissional desses voluntários contribui com cerca de mil atendimentos realizados por mês nas nove instituições assistidas pela entidade. São elas: ADACAMP (que trabalha com pessoas autistas); Pestalozzi (que assiste pacientes 62 com deficiências múltiplas); CEVI (entidade de saúde vinculada à Prefeitura de Campinas, que trata de pessoas com deficiências mentais); Hospital Ouro Verde (nos setores de pediatria, ortopedia, psiquiatria, clínica geral e pronto atendimento); Hospital das

Clínicas da Unicamp (no setor de pediatria); Centro Corsini (na Unidade de Apoio Infantil, assistindo crianças cujos pais são portadores de HIV/Aids); Clínica Gênesis (que oferece cuidados a idosos); e Hospital Mário Gatti (trabalhando no setor de pediatria). Além das fronteiras do município, a ATEAC atua também no Hospital Municipal de Nova Odessa (no setor de pediatria). Um perfil específico Cães terapeutas possuem um perfil muito típico. Além de serem tratados e examinados constantemente para atestar sua saúde física e higiene, quesitos fundamentais para a interação com humanos em clínicas e hospitais, os cães são avaliados pelo temperamento. “Eles devem agradar e conquistar os pacientes de maneira gentil, demonstrando empatia imediata com os sentimentos das pessoas assistidas”, explica o veterinário Dr. Fábio Nakabashi, responsável pela saúde dos animais que atuam na ATEAC. O profissional explica ainda que uma característica comum aos cães terapeutas é relacionarem-se de forma mais intensa com humanos do que com outros animais, dedicando a eles total confiança. E é a partir desse perfil que esses cães mantêm auto-controle e foco nos seus proprietários, exercendo suas atividades

Cães terapeutas possuem um perfil muito típico. Além de serem examinados constantemente para atestar sua saúde física e higiene, são avaliados pelo temperamento. conforme o treinamento que lhes é aplicado. “O cão terapeuta é um instrumento de trabalho para garantir mais humanização e participação do paciente no tratamento. De forma generalizada, o cão aceita ser manipulado e passa um sentimento de alegria e gratidão pelo carinho recebido”, conta o veterinário ao falar sobre o treinamento do animal. Ele ressalta ainda que o cão não é um instrumento que atua de maneira solitária com o paciente. “O trabalho com Terapia Canina é obrigatoriamente multidisciplinar. Envolve o médico que acompanha o paciente, a enfermeira que lida com ele diariamente, o psicólogo que fará a avaliação da interação cãopaciente, o fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional que indicará o exercício mais apropriado para o desenvolvimento do paciente e o médico veterinário que examinará o cão em seu aspecto clínico e comportamental, além de avaliar se o exercício é ergonometricamente correto para o cão. Além disso, um adestrador pode ser necessário para preparar o animal, dependendo do exercício proposto”, conclui Nakabashi. Cães que promovem milagres Com o perfil comportamental ideal, saúde adequada e treinamento apropriado, os cães terapeutas parecem adquirir superpoderes! Eles tornam-se aptos a trabalhar com qualquer tipo de paciente, oferecendo suporte para crianças, idosos e pessoas com as mais variadas deficiências ou síndromes. Mas como então escolher qual cão é mais adequado para assistir determinada instituição? De acordo com o médico veterinário

Nakabashi, a escolha se dá, muitas vezes, observando dois fatores: o tamanho dos animais e o local onde eles vão atuar. “Em hospitais, por exemplo, buscamos selecionar cães menores, já que animais maiores não podem subir no leito do paciente e ficam limitados a passeio nos corredores ou terapia em salas específicas”, explica. “Os cães mais alegres e com maior nível de energia são direcionados para atuarem com crianças em boas condições físicas”, conta. O objetivo é sempre proporcionar a reciprocidade para criar o poderoso efeito curativo provocado pela alegria mútua entre o cão e o paciente. Portanto, o sucesso da pet terapia deve-se à melhora da qualidade de vida humana associada à satisfação do cachorro. “Essa é uma interação de duas vias. E isso é uma das coisas mais importantes quando se seleciona um animal. Notar o prazer e a alegria quando ele está presente na terapia, com o rabo abanando, o olho no olho e a vontade do cão de se aproximar do assistido”, complementa a fundadora da entidade, Silvia. Além de testemunhar o sucesso da pet terapia com o seu filho autista, Silvia teve o prazer de participar 63 de histórias emocionantes ao longo do curso das terapias proporcionada pela ATEAC. Ela conta que um dos casos que mais a marcou nessa trajetória foi o de uma menina autista de 10 anos que nunca tinha falado. “Foi um caso emocionante! Após três sessões de pet terapia, realizadas em um intervalo de três semanas, a paciente começou a balbuciar ‘au-au’ quando chegava o cão que a atendia. Com isso, ela mostrou a todos, inclusive aos pais, que tinha plena capacidade de falar e se relacionar. Seu quadro foi progredindo desde então, e, passados dois meses, ela começou a chamar o animal pelo nome. Seis meses depois ela já construía pequenas frases, como ‘Luana (o cão) joga bola’, progresso que chama a atenção pela figura central do animal no quadro evolutivo”, conta com entusiasmo a fundadora da ONG. São casos como esses que nos fazem novamente refletir sobre o conceito de “milagre”. Um fenômeno positivo que pode ocorrer pela pura alegria.

colunista veterinário A doença do carrapato é bastante comum nos consultórios veterinários. Apesar de ser potencialmente grave e de não haver ainda nenhuma vacina que a evite, ela tem cura e o animal pode ter uma vida normal e sem sequelas após o tratamento. Existem dois tipos de doença do carrapato, a Erliquiose e a Babesiose. A diferença entre elas é o agente do problema: a primeira é causada por uma bactéria e, a segunda, por um protozoário. Além disso, a Babesiose infecta e destrói os glóbulos vermelhos e a Erliquiose destrói os glóbulos brancos do sangue. A transmissão de ambas acontece quando o carrapato – que é o vetor – pica um cão doente, se contamina e então pica um animal sadio, difundindo a doença. Sinais clínicos A Erliquiose pode ter 3 fases: aguda, subclínica e crônica. Na fase aguda, que é o início da infecção e que pode durar até 1 mês, o cão pode apresentar febre acima de 39,5ºC, apatia, falta de 64 apetite e perda de peso. Hemorragia pelo nariz e urina também ocorrem nessa fase, embora sejam menos comuns. A fase subclínica, em geral, não tem sintomas e a fase crônica, que acontece quando o animal não consegue eliminar a bactéria, tem os mesmos sintomas da fase aguda, porém mais leves. Na Babesiose, o carrapato libera os protozoários na corrente sanguínea do animal, fazendo que eles rompam os glóbulos vermelhos durante sua proliferação. Os principais sintomas da doença são: perda de apetite, apatia, anemia, aumento do baço, icterícia (pele e olhos amarelados) e urina escura, com tom amarronzado.

Doença do

Luiz Douglas Rodrigues Júnior

Diagnóstico A doença do carrapato tem sintomas semelhantes a várias outras enfermidades. Por isso, o diagnóstico é feito através de exame clínico, da observação da presença de carrapatos no animal e no ambiente, e de exame de sangue. De forma geral, pouca quantidade de plaquetas – abaixo 180.000 / mm³ – é um forte indício da presença da doença. Para chegarmos ao diagnóstico de Erliquiose ou Babesiose, solicitamos um exame chamado PCR – Pesquisa de Bactéria Agente. Tratamento A Erliquiose é tratada com antibióticos, e o de escolha é a doxiciclina. Ele deve ser ministrado diariamente – em dosagem que varia de acordo com o peso do animal – e a duração do tratamento é de, em média, 30 dias. Ao fim desse período, o exame de sangue deve ser repetido. No caso da Babesiose, o tratamento inclui o uso de piroplasmicidas e o manejo terapêutico das complicações da doença. Em ambas as situações, é muito importante que o animal receba um bom suporte nutricional, com ração de alta qualidade. Controle ambiental Os carrapatos encontram no verão as condições ideais de reprodução. Por isso, o controle ambiental deve ser intenso! O uso de desinfetantes, especialmente nos locais onde o animal fica, é indispensável, assim como manter jardins limpos, com a grama bem aparada. Se há uma grande infestação do parasita no ambiente,

carrapato

Todo cuidado é pouco: casos da doença aumentam no verão

A transmissão acontece quando o carrapato – que é o vetor – pica um cão doente, se contamina e então pica um animal sadio, difundindo a doença

Você sabia? • Os carrapatos medem entre 0,35 e 1,5 centímetros • Durante a vida adulta, uma fêmea – que é bem maior do que o macho – pode colocar até 4 mil ovos • Os ovos podem sobreviver no ambiente por até 3 anos • No Brasil, as espécies mais comuns de carrapato são Rhipicephalus sanguineus, Dermacentor reticulatus, Ixodes ricinus e Ixodes hexagonus • O carrapato também pode infectar bois, cavalos, galinhas e até o ser humano. Em pessoas, a doença se chama Febre Maculosa e é considerada grave • Alguns tipos de carrapato podem viver até 12 anos!

uma dedetização pode ser necessária. Nesse caso, o animal deve ser retirado do ambiente e devem ser usados produtos que não ofereçam risco de intoxicação posterior. Faça uma “vistoria” Como um único passeio é suficiente para que um carrapato suba no animal, é muito importante observar, diariamente, a região das orelhas, nuca, pescoço e entre os dedos. Essas áreas são as preferidas dos parasitas porque têm a pele mais finas e possuem grande fluxo sanguíneo. O

uso de produtos tópicos ou coleiras antiparasitárias é imprescindível para evitar os carrapatos, e o tempo de vida útil desses produtos deve ser sempre observado. O que fazer ao encontrar um carrapato no animal? O carrapato só deve ser arrancado com uma pinça, depois de aplicar um pouco de vaselina no local. Então, deve-se torcer lateralmente o carrapato e retirálo sem puxar. Caso contrário, podem ficar “pedaços” do parasita no corpo do animal. Depois de retirado, ele deve ser descartado no vaso sanitário ou em um recipiente com álcool e as mãos devem ser bem lavadas. Aconselho ainda que na região da pele do animal onde ele estava instalado seja aplicado um antisséptico. Luiz Douglas Rodrigues Júnior é especialista em clínica médica terapêutica e cirúrgica de pequenos animais.

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beleza

A importância da 66

escovação

Ela garante mais do que pelos sedosos: possui efeito relaxante e fortalece o vínculo com o pet A escovação deve fazer parte dos cuidados regulares com os cães. Além de deixar a pelagem bonita e brilhante, estimula a circulação e o nascimento de novos pelos e ajuda a manter a higiene dos pets, evitando maus odores e banhos excessivos. Ela também colabora para que a casa fique limpinha e ajuda a evitar alergias, uma vez que menos pelos ficam no ambiente. Por fim, a escovação ajuda a melhorar o comportamento canino e fortalece o vínculo com o dono. Massagem Além de ser uma ótima forma de dedicar tempo e atenção ao pet, a escovação regular tem o efeito relaxante de uma boa massagem. Por isso, quando feita da maneira correta, reduz o estresse, acalma e é excelente para cães hiperativos ou que

sofrem com a ansiedade da separação, medos e agressividade. Ao ser escovado, o pet aprende que quando está relaxado, recebe carinho e atenção. Ao ser manipulado, também compreende que o dono é o líder da matilha. Além disso, manterse quieto durante a prática é um bom treino para banhos e tosas no pet shop. A escovação também pode ser usada como uma ferramenta para dessensibilização. Se o animal tem medo de barulhos específicos, por exemplo, o dono pode inserir esses sons – CDs de fogos de artifício, secador de cabelo, liquidificador – gradualmente, enquanto escova o cão. Ele irá associar o barulho a algo positivo e o medo irá diminuir. Onde, como, quando A escovação dos cães é

uma tarefa simples, que deve ser prazerosa e que não tem uma frequência “correta”. Do ponto de vista estético, cães com pelo longo, que embaraçam com facilidade, precisam de cuidados frequentes e os que têm pelo curto, não necessitam de escovação regular. Porém, para o bem-estar do pet, e se houver disponibilidade do dono, a prática deve ser diária. Para começar, basta escolher um lugar calmo e confortável e deixar todos os objetos à mão. Se o cão for pequeno, pode ser colocado sobre um móvel. Se for grande, o dono pode optar por sentar-se no chão. Permitir que ele cheire as escovas e passar a mão na pelagem deixam o pet mais tranquilo antes da escovação. Esta deve começar no dorso, com movimentos no sentido do pelo, depois no sentido contrário e novamente no sentido de nascimento dos pelos. Patas, caudas, cabeça e orelhas são regiões mais sensíveis e podem ser deixadas para o fim, sempre evitando que a escova toque na pele do animal, para não causar desconforto. Se houver nós, é importante agir com delicadeza, tentando desfazê-los da raiz ao final do pelo. Alguns produtos

É importante aproveitar o momento da escovação para observar se há pulgas, carrapatos, dermatites ou outras alterações na pele do cãozinho desembarançantes, encontrados em pet shops, são muito úteis nessa tarefa e deixam o pelo sedoso e fácil de pentear. Se o animal estiver com a pelagem bem embaraçada, entretanto, vale a pena levá-lo antes ao pet shop para uma boa tosa. As escovas As chamadas escovas de pino, que não têm bolinhas de plástico na ponta, são indicadas para cães de pelo longo. As rasqueadeiras, que possuem dentinhos de aço bem fininhos, ajudam a desfazer nós e são ideais para pets com pelagem cheia. Já as escovas de cerdas são ótimas para cachorros com pelos curtos e lisos. Estrutura dos pelos Os cães possuem 2 tipos de pelagem: simples ou dupla. A pelagem dupla subdivide-se em 2 tipos de pelo: o principal e o subpelo (ou secundário). O pelo principal é mais duro, grosso e áspero, independente de ser longo ou curto. Já o subpelo é mais fino, denso e macio. Cães com pelagem dupla, como Collie, São Bernardo e Sheepdog, têm mais tolerância às baixas temperaturas. Já os pets com pelagem simples só possuem o pelo principal.

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atualidade

Como escolher um

Dog walker?

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Muito popular nos países da Europa e nos Estados Unidos, o dog walker, ou “passeador de cachorro”, está se tornando conhecido também no Brasil. E o que muitas vezes representava somente uma atividade extra, especialmente para estudantes, começa a ser valorizado como profissão. Conheça as vantagens de contratar um dog walker e saiba como escolhê-lo. O papel do dono Cães precisam passear. E muitas vezes os donos não têm tempo para essas caminhadas

que devem acontecer diariamente, às vezes mais de uma vez por dia. Além disso, podem ocorrer viagens, compromissos ou imprevistos. Nessas situações, contratar um dog walker é uma solução muito eficaz. É importante lembrar, porém, que ele não deve substituir o dono na dedicação ao animal de estimação. Ele é um coadjuvante do seu bemestar e deve ser escolhido depois que vários aspectos forem avaliados. Confira: Tenha referências Evite contratar um dog walker somente através de anúncios. Se o fizer, peça telefones de clientes para obter referências. Veterinários, funcionários de pets shops e adestradores podem indicar um bom profissional. Verifique se ele é um líder Cães são animais que esperam por liderança! Por isso, é importante que o dog walker esteja sempre no comando da situação e que conheça ordens básicas de disciplina, como “sentar”, “deitar”, “ficar” etc. E que aja com serenidade, firmeza, equilíbrio e afeto. Observe seu conhecimento Um bom dog walker deve conhecer a espécie canina. Isso significa entender o comportamento dos cães, sua linguagem corporal, suas necessidades e características únicas de personalidade. Ele também deve saber identificar quando algo está errado com a saúde física ou com o equilíbrio emocional do animal. Fique de olho no “grupo” Alguns profissionais passeiam com mais de um cão, aproveitando aqueles que moram no mesmo bairro, por exemplo. Essa situação é muito positiva especialmente para pets que são “filhos

Ele ajuda a manter o bem-estar e a saúde dos cães e facilita o dia a dia dos donos. Mas é importante saber avaliá-lo

únicos” e podem, assim, se socializar. Observe, entretanto, se há excesso no número de animais, o que pode comprometer a atenção que cada um deve receber. Também certifique-se de que todo o grupo esteja saudável, vacinado e vermifugado. Por fim, se o pet não convive bem com outros cachorros,

Se o cão tem boa saúde, o passeio deve durar de 30 a 40 minutos, em temperatura agradável. Cães obesos, idosos ou com problemas articulares precisam de um ritmo mais leve e da orientação do veterinário para os exercícios mais adequados.

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solicite um passeio exclusivo para não criar situações estressantes. Atenção aos detalhes Certos “detalhes” são muito importantes e devem ser levados em conta. O dog walker observa os horários e evita sair com os cães quando está muito quente? Carrega água para hidratá-los? Checa a condição das coleiras e guias antes do passeio e não abre mão da medalha de identificação? Recolhe o cocô? Varia o trajeto “oferecendo” novos odores e cenários ao pet? Como o cãozinho reage quando o vê? Demonstra alegria e excitação ou fica tenso e acuado? Analisando todos esses aspectos, é possível escolher um

bom profissional e garantir momentos muito gostosos e saudáveis para seu melhor amigo! Por que os cães devem caminhar diariamente? O exercício físico proporcionado pelos passeios é necessário para a saúde cardiovascular, para a manutenção da musculatura, fortalecimento da ossatura e controle do peso. Durante as caminhadas os cães farejam – e através disso conhecem o mundo –, se sociabilizam com pessoas e outros animais, gastam energia e relaxam, evitando a ansiedade e o estresse.

Foto:Vit贸ria Guidugli Godoy

felinos

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Eles são elegantes, divertidos, curiosos e se adaptam muito bem aos ambientes pequenos. Além disso, apesar de adorarem a companhia dos donos, não ficam tristes se deixados algumas horas sozinhos, ao contrário da maioria dos cães, que prefere a companhia constante dos humanos. “Por ter essas características, são os animais de estimação ideais para quem trabalha fora e mora em apartamento. Os custos com alimentação também costumam ser menores. Considerando uma ração de qualidade super premium, um cão de porte grande pode comer até 500g por dia, enquanto um gato come cerca de 60g” explica a veterinária Raquel Redaelli, de Caxias do Sul, RS, especializada em felinos e autora do blog www.blogfelino.com.br. Apesar de tantas qualidades, os gatos ainda estão cercados de mitos. Descubra conosco o que é verdade e o que não é. Gatos conseguem calcular grandes alturas e nunca caem das janelas MENTIRA. Eles são muito hábeis e espertos, mas podem se desequilibrar, cair e até morrer na queda. Muitas vezes o acidente acontece, inclusive, durante um cochilo do bichano ou na tentativa de caça. Por isso, todas as sacadas e janelas da casa devem ter telas de proteção. Eles enxergam no escuro EM TERMOS. Eles não conseguem ver no escuro total, mas são capazes de enxergar em ambientes com pouquíssima luz. Isso ocorre porque, no escuro, suas pupilas se dilatam e o tapetum lucidum, estrutura presente na retina, reflete a luz, “aproveitando” toda a quantidade de luminosidade disponível, mesmo que mínima. Os gatos têm uma visão noturna 10 vezes melhor do que a dos humanos!

 Eles dormem muito VERDADE. Os gatos podem passar até 16 horas por dia dormindo. Eles alternam entre cochilos leves (cerca de 70% do tempo) e sono profundo, quando ocorrem os movimentos rápidos dos olhos (REM, sigla em inglês). É nesta fase que ocorrem os sonhos e, por causa deles, movimentos das patinhas, orelhas e até unhas. Segundo os cientistas, um dos motivos possíveis para tanto sono é a natureza caçadora dos felinos (um gato selvagem pode fazer cerca de 30 tentativas de caça ao dia!). Eles seriam geneticamente programados para poupar o máximo de energia para o momento do embate.   Eles precisam tomar leite MENTIRA. Apesar de adorarem o alimento, muitos gatos têm dificuldade em digerir o leite de vaca e podem ter problemas gastrointestinais, como diarreia. “Para uma alimentação saudável, eles não precisam de nada além de ração de qualidade e muita disponibilidade de água fresca. Se os donos quiserem agradá-los, é melhor dar petiscos próprios. E com moderação” explica Raquel. Gatos são traiçoeiros MENTIRA. Poucos mitos são tão inverídicos! Gatos têm uma personalidade independente e muitas vezes podem não desejar carinho no momento em que os donos querem afofá-los. Eles, inclusive, sinalizam fisicamente que não querem contato. Este comportamento, porém, não tem nada de traiçoeiro, é apenas uma manifestação da natureza dos felinos.  Eles adoram brincar VERDADE. Eles são curiosíssimos e adoram tudo que se movimenta! Mesmo depois da infância, continuam fascinados por bolinhas e outros brinquedos e objetos. Para os donos que ficam muito tempo fora de casa, esta é

Gatos:

mitos e verdades Os adoráveis felinos ainda estão cercados de mitos. Descubra conosco o que é verdade e o que não é

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Uma nova paixão: Segundo a ABINPET, Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação, a população de gatos cresceu 8,19% entre 2010 e 2011. Atualmente há 20 milhões de gatos domésticos no país e a projeção da entidade é de que esse número chegue a 21,4 milhões ainda em 2013. uma excelente maneira de distraí-los: deixando vários brinquedos disponíveis. Gatos ronronam quando estão felizes EM TERMOS. O ronronar é uma forma de comunicação – já nas primeiras semanas de vida o gatinho ronrona para transmitir informações à mãe – e é usada para expressar sentimentos. Em geral, os gatos ronronam em sinal de afeto, amizade, alegria e vínculo com o dono. Porém, em algumas situações de dor e desconforto, como medo, ansiedade ou doença, eles também podem ronronar. Eles ronronam nessas situações porque o ato estimula a liberação de endorfina, que promove o bem-estar. 

Gatos não gostam de água EM TERMOS. Depende da raça, da personalidade e dos hábitos. Se eles forem acostumados desde pequenos a ter contato com água, como no banho, provavelmente não terão nenhum receio. Há raças como a Turkish Van e a Maine Coon, que adoram água! Esses gatos podem até entrar em piscinas voluntariamente.  Eles sempre caem em pé MENTIRA. A origem desse mito está na impressionante capacidade que os gatos têm de virar o corpo durante uma queda para chegarem ao chão em pé. Porém, eles precisam de uma altura mínima para conseguir tal façanha, que é mínima mesmo: apenas 30cm. Essa habilidade é resultado de ações de vários órgãos: primeiro, o sistema vestibular, responsável pelo equilíbrio, que envia sinais ao cérebro, avisando que o corpo está desalinhado em relação ao solo. Depois, os músculos corrigem, sob ordem do cérebro, a postura do felino – primeiro ele vira a cabeça e depois o corpo. Tudo isso em frações de segundos. Eles podem ser adestrados VERDADE. Segundo os adestradores – e há aqueles que são especialistas em felinos – os gatos podem ser adestrados e aprendem

os mesmos truques que os cães. Basta usar as técnicas corretas e ter um pouco de paciência. Gatos vivem mais que os cães EM TERMOS.  Atualmente, gatos que vivem protegidos de riscos, como os de apartamento, e que recebem boa alimentação e cuidados veterinários regulares, como vacinas, podem chegar aos 20 anos de idade, embora a média seja de 15 anos de vida. Com os cães, a longevidade depende do porte: quanto maiores, menor o tempo de vida. Por isso, é mais raro encontrar um cãozinho com 20 anos do que um gato. Eles nunca se sentem sós MENTIRA. Como já contamos, os gatos têm um forte senso de independência. Mas isso não significa que devam ficar muito tempo sozinhos ou que não sintam falta dos donos. “Embora eles tenham uma tolerância maior à solidão, também podem ficar deprimidos, como os cães. Há gatos que podem se beneficiar da presença de outro gato para companhia e há aqueles que preferem ser os únicos da casa. Se toda a família trabalha fora, é importante brincar e estimular

o felino sempre que estiver em sua companhia e enriquecer o ambiente com brinquedos, túneis, prateleiras etc” diz Raquel. Eles adoram beber água corrente vERDADE. Basta deixar uma torneira aberta e eles se deliciam com a água corrente! Embora não exista nenhuma comprovação científica, acredita-se que este é um comportamento milenar, adquirido durante a evolução da espécie. Gatos que bebiam água corrente viviam mais, pois não se contaminavam com parasitas e bactérias presentes na água parada. Para não precisar deixar as torneiras abertas, vale a pena investir nos bebedouros com fonte, que mantêm a água sempre em movimento. “Os gatos adoram e sua ingestão hídrica aumenta, ajudando a evitar problemas renais e urinários” conta a veterinária.  Eles gostam da casa, não dos donos MENTIRA. Gatos também estabelecem vínculos afetivos com os donos e desejam sua companhia. Alguns são, inclusive, tão afetuosos quanto os cães.

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Todos os gatos têm problemas renais MENTIRA. Embora a espécie tenha mais tendência a apresentar o problema do que os cães, muitos gatos passam a vida toda sem apresentar insuficiência renal. Para ajudar a evitar o quadro, entretanto, é importante oferecer ração de boa qualidade, estimular o consumo de água e fazer avaliações periódicas da saúde do bichano. Crianças alérgicas não podem ter gatos EM TERMOS. Depende do grau de alergia e da comprovação de que a criança é realmente alérgica a gatos (curiosidade: é possível que a alergia seja à saliva do animal, não aos pelos). Às vezes é recomendável esperar um pouco para ter um gatinho, uma vez que boa parte das alergias melhora com o tempo. Por outro lado, segundo pesquisadores de Detroit, nos Estados Unidos, o contato de crianças com cães e gatos no primeiro ano de vida reduziu a possibilidade de algumas delas desenvolverem alergia. A pesquisa, que tranquilizou muitos pais, foi realizada por cientistas do Hospital Henry Ford e analisou dados de 565 crianças, do nascimento até os 18 anos. Os resultados mostraram que, no caso do contato com gatos, o risco de alergias caiu pela metade. Além disso, vale lembrar que conviver com animais de estimação traz, comprovadamente, importantes ganhos emocionais para as crianças como responsabilidade, generosidade, autoestima fortalecida, senso de justiça e compreensão do ciclo da vida. Muitas vezes, alguns cuidados simples, como impedir que o animal durma na cama da criança e mantê-lo sempre limpo e escovado, resolvem o problema. Eles precisam tomar banho VERDADE. Apesar de se limparem constantemente, os gatos também precisam

de banho! Segundo Raquel, recomenda-se banhos com intervalo mínimo de 40 dias para gatos de pelos longos e banhos a cada 8 meses para gatos de pelos curtos. O ideal é que ele seja dado no pet shop, por pessoas especializadas no manejo de felinos. Observe se o estabelecimento possui horários específicos para eles, evitando o estresse causado pelo contato com os cães, se usam produtos próprios para gatos e se o enxágue é feito com bastante água, uma vez que o pelo é mais denso.   Mulheres grávidas não devem conviver com gatos sob o risco de contraírem toxoplasmose MENTIRA. Outro grande mito! Vamos entender. O gato é o hospedeiro final do parasita Toxoplasma gondii que causa a toxoplasmose, potencialmente perigosa para as gestantes. O parasita fica instalado no intestino do felino. “O gato portador do Toxoplasma gondii elimina os cistos nas fezes somente uma vez na vida, durante duas semanas. Além disso, os cistos apenas se tornam infectantes após 72 horas em contato com o ar” explica Raquel. Portanto, para que uma gestante se contamine com toxoplasmose, ela precisa ter contato direto com as fezes de um animal doente. E isso pode ser evitado de forma simples: lavando as mãos após limpar a caixinha higiênica do gatinho (ou usar luvas) e desinfetando o recipiente regularmente. “O risco de contrair toxoplasmose é muito maior ingerindo verduras mal lavadas e carne mal cozida, do que pelo contato direto com gatos de apartamento” diz a veterinária. Vale lembrar que um simples exame de sangue pode detectar a toxoplasmose em gatos. “Se o felino costuma comer carne crua, é importante congelá-la por 48 horas antes de servir” completa Raquel.

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cuidados e higiene Escova de dente e creme dental devem ser usados diariamente para evitar o mau hálito e a doença periodontal, que leva à perda dos dentes e pode causar doenças sérias nos animais de estimação.

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Mau hálito merece atenção! O mau hálito é comum em cães e gatos, mas não deve ser menosprezado pelos donos, pois indica a presença de bactérias na cavidade bucal. Essas bactérias fermentam os restos alimentares liberando enxofre, originando o odor desagradável. Além disso, elas produzem toxinas que causam lesões à várias estruturas da boca, como gengiva, osso e cemento da raiz dos dentes. Esse quadro é chamado de doença periodontal e pode levar a problemas sérios como a perda dos dentes e dor, além de danos aos rins, fígado, coração e articulações dos pets. Já o tártaro, outro sintoma da doença periodontal que também causa o mau hálito, se forma quando a placa bacteriana, presente na superfície dos dentes, sofre um processo de mineralização, tornando-se mais dura. Como tratar o problema? A doença periodontal deve ser acompanhada e tratada pelo veterinário. Em geral, após sedação, é feita uma limpeza do tártaro e, durante a limpeza, uma avaliação para verificar a necessidade ou não de extração de algum dente. A partir

Cuidados

bucais!

disso, é feito um acompanhamento veterinário, normalmente a cada 6 meses. A escovação, que deve fazer parte do dia a dia do animal, também é essencial para evitar o problema. Escovação O ideal é que os pets se acostumem com a escovação dos dentes desde filhotes. Porém, eles podem se familiarizar com o hábito mesmo quando adultos. Para instituir a prática, é importante adquirir escova e creme dental próprios para animais. Os de uso humano não devem ser utilizados por eles! O primeiro passo para que os pets fiquem tranquilos e receptivos, é manipular a região da boca e do focinho, de forma carinhosa e com palavras de incentivo. À medida que o pet se acostumar com esse tipo de manipulação, até os dentes devem ser tocados pelo dono. Isso pode ser feito regularmente durante alguns dias, sempre oferecendo uma recompensa no final, que pode ser mais um agrado ou um petisco. A próxima etapa é apresentar ao pet o creme dental: basta colocar um pouco na ponta do dedo e oferecer para que ele cheire e até coma. Após esse contato com o produto, o creme deve ser delicadamente esfregado em todos os dentes do cão ou gato, primeiro com o dedo e, depois de alguns dias, com uma gaze, para que aumente o atrito na região, promovendo, dessa forma, uma limpeza mais eficaz. Alguns dias depois, com o animalzinho já habituado à gaze, é hora de

introduzir a escova dental. Esta também deve ser de uso veterinário, já que elas têm formato, alcance e tamanho adequados para os pets. A pasta deve ser colocada entre as cerdas, para que o cão ou o gato não coma o produto no primeiro contato com a escova. Os movimentos devem ser circulares e de trás para frente, sempre de forma suave. Para escovar os dentes posteriores, não é necessário tentar abrir a boca do animal, basta afastar a bochecha e introduzir a escova com cuidado. A escovação deve ser diária, de preferência após a última refeição do dia. Vale lembrar que esse método deve ser usado somente em cães e gatos mansos. Em aninais bravos ou ariscos é preciso orientação profissional para a dessensibilização antes de começar a ter o hábito da escovação. Em geral, os filhotes de cães e gatos nascem sem dentes. Entre

a 3ª e a 4ª semana de vida, os dentinhos de leite começam a nascer. Cachorrinhos têm 28 dentes e os gatinhos, 26. Esses dentes são pequenos, bem pontiagudos e a família deve ficar atenta para que não quebrem durante as brincadeiras – cheias de curiosidades e agitação – dos filhotes. Brinquedos de borracha são a melhor opção para eles, que também não devem ter acesso aos fios elétricos, pois podem causar acidentes graves e até levar à morte.

Cães e gatos precisam de cuidados com os dentes e a gengiva para terem uma vida longa e saudável

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alimentação Oferecer uma alimentação saudável e balanceada para os pets é essencial para a saúde, o bem-estar e a longevidade. Esses cuidados, porém, vão além da escolha da ração! É muito importante que cães e gatos não tenham acesso a alimentos – além de produtos químicos e plantas – que são potencialmente tóxicos para eles e causam sérios problemas e reações. “Nem sempre os donos oferecem esses alimentos aos animais, mas eles podem estar ao alcance dos pets mais curiosos e também dos filhotes, que querem conhecer tudo à sua volta. Várias intoxicações ocorrem dessa forma, assim como acontece com as crianças” explica o médico veterinário Luiz Douglas Rodrigues Júnior. Fique de olho! Chocolate Adorado pelos humanos, mas

78 extremamente perigoso para cães e gatos, o

chocolate deve ficar bem longe do alcance dos pets. O grande vilão do doce é um alcaloide derivado do cacau chamado teobromina. “Parente da cafeína, o teobromina é um estimulante do sistema nervoso central, vasodilatador e diurético. E ele não é metabolizado pelos cães e gatos, ao contrário de nós, que conseguimos “quebrá-lo” e excretá-lo” conta Luiz Douglas. Após a ingestão, o alcaloide é absorvido, estimulando o cérebro e o coração. Resultado? Com apenas 50g de chocolate para cada

quilo de peso do animal, podem ocorrer taquicardia, espasmos musculares, diarreia, vômito, distensão e dor abdominal, aumento da temperatura corporal e da frequência respiratória, excitação e consumo excessivo de água. “Além disso, por conter muita gordura, o chocolate é extremamente prejudicial para o fígado e pâncreas do animal” completa Luiz Douglas. Não há tratamento específico para a intoxicação por teobromina – cujos sintomas podem surgir de 6 a 12 horas após a ingestão do chocolate – apenas ações de suporte e preservação das funções vitais enquanto a substância não é totalmente eliminada. Segundo Luiz Douglas, hidratação intravenosa, indução de vômito e medicamentos que controlem os sintomas, como anticonvulsivantes, podem fazer parte do protocolo de atendimento. “O socorro rápido é essencial” completa. Vale lembrar que quanto mais cacau há no chocolate, mais tóxico ele é para os pets. Os do tipo amargo e meio amargo causam reações mais severas, porque contêm maiores concentrações de teobromina, mas até os achocolatados em pó devem ficar longe do alcance dos animais. “Os cães demonstram mais interesse por doces, mas os gatos e os filhotes – das duas espécies –, são mais curiosos. A solução é guardar o produto em locais bem fechados” diz o veterinário. Dica: os chocolates próprios para cães não contêm teobromina. Mas, os animais ficam familiarizados com o odor do petisco, muito semelhante ao do chocolate para humanos e, sem saber diferenciar um do outro, ficam ainda mais atraídos pelo alimento tóxico. Se você costuma oferecer este

Fique de olho!

a do @q u

Dic

e

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achorro

Olho vivo no passeio! Seu cão pode engolir, em segundos e sem que você veja, comida estragada, água contaminada e até isca com veneno.

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Alguns alimentos são tóxicos para cães e gatos e podem causar sérios problemas

mimo para o pet, redobre a atenção com os outros chocolates. Cebola e alho A cebola e também o alho, embora este último em menor quantidade, contêm uma substância chamada dissulfeto de n-propil, que pode causar um tipo grave de anemia nos pets. O dissulfeto altera a hemoglobina, provocando a destruição de glóbulos vermelhos, levando a sangramentos. O tratamento do problema é complexo e o animal pode precisar de transfusões de sangue. Para evitar a intoxicação, não dê comida humana aos cães e gatos e não armazene cebolas e alhos em fruteiras que fiquem ao alcance deles. Pimentas Alguns donos cometem o erro de usar a pimenta como elemento disciplinador para cães. Além de não funcionar, faz mal à saúde deles. Uvas e uvas-passas Embora o ativo tóxico para os pets encontrado nas uvas e uvas-passas ainda não tenha sido identificado, ele causa uma séria complicação renal, que pode levar à morte. “Outros sintomas do problema são: diarreia, vômitos, falta de 80 apetite, dor abdominal e letargia profunda” explica o veterinário Luiz Douglas. Café, chá e refrigerante do tipo cola Essas bebidas possuem cafeína, “prima” do

teobromina, presente no chocolate, que causa sintomas semelhantes: diarreia, vômito, aumento da temperatura corporal e da frequência respiratória, taquicardia, distensão e dor abdominal, espasmos musculares, excitação e consumo excessivo de água. Tomate O tomate é tóxico principalmente para os gatos, que podem ter sérios distúrbios gastrointestinais com uma quantidade bem pequena do vegetal. Cogumelos Nos meses mais úmidos do ano,

Nem sempre os donos oferecem esses alimentos aos animais, mas eles podem estar ao alcance dos pets. Várias intoxicações ocorrem desta forma, assim como acontece com as crianças. os cogumelos podem crescer – em poucas horas! – nos gramados, canteiros e até no jardim. Ou seja, é um risco durante os passeios com os pets e também dentro de casa! Se ingeridos, eles podem causar alucinações, insuficiência hepática, convulsões, salivação excessiva, insuficiência renal, danos ao coração, hiperatividade, além de diarreia, vômitos e perda do controle da urina e das fezes. “É um quadro grave que, dependendo do seu peso e da quantidade ingerida, pode levar à morte do animal.” completa Luiz Douglas. Laranja, limão e frutas cítricas Podem causar vômito e diarreia. Ovos Ovos não são tóxicos, mas, quando crus, possuem uma enzima chamada avidina, que pode diminuir a absorção da vitamina B, levando a problemas de pele e nos pelos. Além disso, podem conter salmonela. Abacate O abacate possui na polpa, semente e folhas, uma substância chamada persina, que é especialmente tóxica para os gatos. Pode causar problemas gastrointestinais.

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Sementes de frutas É preciso ter um cuidado especial com a maçã. No estômago dos animais, as sementes liberam cianeto, que causa alterações gastrointestinais e no sistema nervoso central. Batatas As batatas, mandioquinhas, inhames e carás crus contêm uma substância chamada solanina que, mesmo em pequenas quantidades, pode causar distúrbios gastrointestinais e depressão do sistema nervoso central. A solanina fica concentrada em maior quantidade nas cascas esverdeadas desses legumes e a dica é, novamente, tomar cuidado com vegetais que ficam expostos em cestas e fruteiras. Os filhotes, especialmente, são muito curiosos e podem morder e ingerir esses alimentos. Fermento Presente nas massas, se expande no organismo dos animais, causando gases. Em casos extremos, pode levar à ruptura do estômago ou intestino. Nozes em geral Podem provocar vômitos e diarreia, além de problemas respiratórios. No caso da macadâmia, o risco é maior: uma toxina pode 82 causar paralisia muscular em cães, além de tremores, confusão mental e dores abdominais. Sal Causa desequilíbrio eletrolítico e leva a tremores, convulsões e até a morte. Xilitol O xilitol é um tipo de adoçante usado em balas e chicletes “sem açúcar”, em vários alimentos industrializados e até em cremes dentais. Quando consumido pelos animais, provoca sérios danos: letargia, fraqueza, perda de coordenação motora, convulsões e colapso respiratório. “Se o animal sobreviver, ainda há

risco de graves sequelas hepáticas. E somente alguns gramas de xilitol podem causar tudo isso em um cão pequeno” alerta o veterinário Luiz Douglas. Outros alimentos que oferecem riscos aos pets Peixe cru e brócolis em excesso; bebidas alcoólicas em qualquer quantidade; alimentos açucarados; espinafre, especialmente para gatos com problemas renais; frituras; fígado, em grandes quantidades; pipoca, que pode causar engasgos; restos de gordura, que podem levar à pancreatite; berinjela, para gatos e espigas de milho, que podem causar obstrução gastrointestinal.

Gatos, que são naturalmente curiosos, e filhotes, que estão descobrindo o mundo, são mais suscetíveis às intoxicações por alimentos ou plantas. É preciso atenção dobrada! As plantas tóxicas podem estar presentes no ambiente e também oferecer risco aos cães e gatos. Quando ingeridas, causam envenenamento, que pode ser fatal. Se houver algumas dessas espécies na sua casa, procure substituí-las por outras ou mantê-las bem longe do acesso dos pets. Abioto, Acácia-bastarda, Açafrão-do-prado, Ac onite,Acónito,Actaea,Açucena,Aesculus,Agro temma,Alfeneiro, Alfena, Algoz-das-Árvores, Amargoseira,Cinamomo,Aroeira,Árvore-da-morte,Astereae,Astragalus,Ave-do-paraíso/ Strelitzia,Azáleas, Azevinho, Beladona, Calumba,

Cambará-de-jardim, Camelina, Carvalho, Castanheiro-da-índia, Cerejeira negra, Conium, Consolida, Crotalaria, Daphne,Delphinium, Dicentra cucullaria, Dieffenbachia, Digitália, Dedaleira, Ervilha do Rosário, Figueira-do-inferno, Filodendro, Glicínia, Glória-da-manhã, Goji, Hera, Holcus lanatus, Íris, Jacinto, Jasmim amarelo, Jatropha, Junco, Laburnum, Leite-de-galinha, Lepidium, Lírio-de-um-dia, Lírio dos vales, Loureiro, Macieira, Mamona, Rícino, Mostarda, Narciso, Oleandro, Loendro, Orelha-de-elefante, Palmeira-de-sagu, Phytolacca, Poinsétia, Estrela-do-natal, Polygonum, Prímula, Prunus virginiana, Ranúnculo, Rododendro, Rosa de Natal, Ruibarbo, Sabugueiro, Solano, Ginjeira-do-Brasil, Solanum carolinense, Sorgo, Sanguinaria, Sanguinea, Teixo, Tinhorão, Tremoceiro, Veratrum viride, Visco, Visgo, Zigadenus.

Nunca é demais lembrar: produtos de limpeza e medicamentos também devem ficar fora do alcance dos cães e gatos!

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filhotes

Guia do

filhote! Sua família cresceu e há um novo (e fofinho!) membro! Mas, como cuidar bem do cachorrinho e atender às suas necessidades no começo da vida? Este verdadeiro guia vai tirar as maiores dúvidas dos novos donos e dar dicas valiosas para que o cãozinho tenha saúde, equilíbrio e alegria! A relação com a mãe Os filhotes não devem ser separados da mãe antes de 8 semanas de vida. Nessa fase, sua alimentação é exclusivamente o leite materno, que fortalece o sistema imunológico e oferece todos os 84 nutrientes que ele necessita. Além disso, ela provê a higienização e a manutenção da temperatura corporal dos bebês. O contato com a mãe e os irmãos também é importante para o desenvolvimento emocional: a cachorra ensina os limites, e os irmãos, a hierarquia da matilha. Muitos especialistas em comportamento animal defendem, inclusive, que os filhotes fiquem o maior tempo possível com a “família”. A separação precoce levaria a uma personalidade insegura e arredia na vida adulta. Primeiras noites em casa: o famoso choro Eles são irresistíveis e trazem muita alegria à casa. Mas, as primeiras noites podem ser difíceis, pois os cãezinhos sentem falta da mãe e dos irmãos. Por isso, o choro – mais intenso à noite, quando ele fica sozinho – pode acompanhar essa fase inicial. Vale lembrar que, além do medo, o choro é uma forma de comunicação que ele usava com a mãe, sendo prontamente atendido por ela. Para resolver o problema é preciso, antes de tudo, paciência. Mantenha o filhote em um lugar confortável e aquecido, de preferência naquela que será sua caminha.

Saiba como cuidar do cãozinho para que ele tenha saúde, equilíbrio e alegria Se estiver frio, coloque uma bolsa de água quente junto dele, além de sons suaves que possam acalmá-lo, como um relógio com tic-tac ou rádio com música bem baixinha. Procure distraí-lo com brincadeiras antes de dormir, para que ele fique cansado e, se possível, ponha junto ao filhote um paninho que tenha estado com a mãe e adquirido seu cheiro. Ursinhos de pelúcia e brinquedos (sem partes que possam se soltar!) também o ajudam neste período, trazendo aconchego. Nas primeiras noites, e se houver choro persistente, os especialistas em comportamento animal sugerem que o filhote não seja deixado sozinho. O excesso de medo pode enfraquecer o sistema imunológico. Além disso, o pet que é poupado desse estresse tende a crescer mais confiante. Para não reforçar o comportamento, leve-o com sua cama para o chão do quarto no momento em que ele não estiver chorando. Alguns dias depois, quando o filhote já estiver familiarizado com a casa e as pessoas, deixe-o dormir no próprio espaço e não ceda se houver choro. Mantenha-se sereno e firme. Ele vai aprender rapidamente e tudo ficará bem. Alimentação Após 8 semanas de vida, o filhote deve receber ração própria que, além de ter grãos menores, mais macios e fáceis de mastigar, contém todos os nutrientes de que ele precisa para se desenvolver.

Se você tem crianças em casa, supervisione o contato delas com os filhotes. Eles são encantadores, elas ficam apaixonadas e, se forem muito pequenas, podem machucá-los sem querer!

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Os filhotes só devem passear após a imunização básica. Saiba como ensiná-los a se comportar na rua em nossa matéria de Adestramento desta edição!

Esse tipo de ração possui boa quantidade de proteína, essencial para o crescimento, e minerais como cálcio, necessário para o desenvolvimento dos ossos e dentinhos. Como o crescimento é um processo que despende bastante energia, e o estômago do filhote 86 comporta apenas uma porção pequena de comida, ele precisa ser alimentado 4 vezes ao dia até atingir 4 meses de idade, 3 vezes ao dia até os 6 meses e, depois, 2 vezes ao dia. A quantidade de ração – proporcional ao seu porte – vem especificada pelo fabricante, na embalagem do produto. Mantenha água fresca sempre à disposição, mostre ao filhote onde ela está, e deixe o comedouro e bebedouro longe do local que será usado como banheiro: eles não gostam de fazer suas necessidades perto da comida. Importante: o filhote pode apresentar diarreia ao chegar à casa nova. Isso ocorre devido à mudança na alimentação e ao estresse da separação da mãe e dos irmãos. Se a diarreia persistir após 24 horas, consulte o veterinário. E resista à ideia de oferecer leite de vaca: isso também pode causar problemas gastrointestinais. Xixi e cocô no lugar certo Um dos principais erros dos donos de cães é acostumálos a fazer xixi e cocô na rua, durante o passeio. Esse hábito acaba tolhendo a liberdade dos moradores da casa, que não podem se atrasar, dormir até mais tarde ou

relaxar enquanto chove lá fora. Outro aspecto importante: cães que têm esse hábito costumam “segurar” o xixi por horas, o que, além do enorme desconforto, pode causar infecções urinárias e até problemas renais. Portanto, a infância é o momento certo para ensiná-los onde é o “banheiro”. Para isso, escolha um local adequado, como um cantinho da área de serviço, e forre-o com jornais, tapetes higiênicos ou sanitários próprios para cães. Quando perceber que o filhote está apertado – ele fica inquieto e pode andar em círculos – ou com vontade de fazer cocô – o que ocorre, em geral, após a refeição – leve-o até o local. Se ele fizer no lugar certo, agrade-o e comemore. Caso contrário, continue tentando. Não dê broncas: ele pode, com medo da repressão, fazer suas necessidades escondido. E no lugar errado.

Socialização Cães precisam de socialização para que se tornem dóceis. Para isso, é importante que conheçam inúmeras situações diferentes durante a infância. Alguns especialistas em comportamento sugerem que eles tenham contato com até 100 pessoas nos primeiros 3 meses de vida! Proporcione momentos tranquilos para ele não se assuste com estranhos e não associe essa interação com uma situação de risco. Amigos e familiares podem, inclusive, oferecer um petisco ao filhote, para ganhar sua confiança. O mesmo deve acontecer com os barulhos. Mantenha a rotina da casa e siga ouvindo música, usando aspirador de pó, secador de cabelo e liquidificador. Não valorize o medo! Brinque com o pet nessas horas, sirva sua refeição e mantenha-se relaxado e com postura confiante. Já a socialização com outros animais requer mais cuidado. Se um cão adulto ou gato se aproximar, mesmo que seja para brincar, o cãozinho pode se assustar. Primeiro, certifique-se de que o outro animal calmo e de que é manso. Depois, deixe que o filhote se aproxime no seu ritmo. Esse convívio precisa de supervisão até que os dois animais estejam totalmente acostumados um com o outro. Outro comportamento muito comum nos filhotes são as mordidas. E elas não devem ser incentivadas! Quando ele começar a morder – ou a latir e rosnar – ignore-o. Por outro lado, quando não estiver mordendo, ofereça vários brinquedos e interaja com o cãozinho. Ele vai entender que é assim que se deve brincar e que é assim que receberá atenção e carinho. Controle parasitário Saúde é coisa séria e o filhote deve receber vários cuidados. Segundo o veterinário Luiz Douglas Rodrigues Júnior, os vermífugos devem ser usados quando o cãozinho completar 30 dias, durante 3 dias seguidos. Após um intervalo de 15 dias, ele precisa receber outra dose – desta vez única – do medicamento. A dosagem deve ser cuidadosamente receitada por um veterinário, e os produtos líquidos são os mais indicados nessa fase. Já os ectoparasitas (pulgas e carrapatos) precisam ser combatidos com o uso de produtos tópicos específicos para filhotes, que podem ser aplicados a partir do 30º dia de vida, com reaplicação mensal.

Vacinação A vacinação evita doenças sérias, que podem até levar à morte, e deve ser ministrada somente por veterinários! A vacina do tipo V10 imuniza o cãozinho contra várias delas. Conheça o protocolo de vacinação da infância: • 45 dias de vida: 1ª dose da V10. • 66 dias de vida (21 dias após a 1ª dose da V10): 2ª dose da V10. • 87 dias de vida (21 dias após a 2ª dose V10): 3ª e última dose da V10 e 1ª dose da vacina contra a Giardíase. • 108 dias de vida (21 dias após a 1ª dose da vacina contra a Giardíase): 2ª e última dose da vacina contra a Giardíase e 1ª dose da vacina antirrábica. • 129 dias de vida (21 dias após a 2ª e última dose da vacina contra a Giardíase): 2ª e última dose da vacina antirrábica e dose única da vacina contra a Traqueobronquite infecciosa canina (Tosse dos Canis). Após a imunização básica, os cães devem receber uma dose única anual dessas mesmas vacinas. Até quando oferecer ração de filhote? A dúvida é frequente: até quando os cachorrinhos devem comer ração de filhote? Segundo os veterinários, até alcançarem 10 meses ou 1 ano de vida. “Nessa fase, a ração de filhotes oferece os nutrientes que ele precisa para crescer saudável, como um aporte maior de cálcio” explica o veterinário Luiz Douglas Rodrigues Júnior. “Além disso, sempre indico o consumo de uma ração de qualidade, para que não seja necessário o uso de complementos vitamínicos” completa o veterinário. A partir dos 10 meses de vida, o pet pode passar a receber ração de adultos, mas essa transição precisa ser gradual, para evitar desconfortos gástricos. Para isso, misture a ração para filhotes com a nova e vá diminuindo a porcentagem da primeira aos poucos, até que ele receba apenas o alimento de adultos. Lembre-se de que ele deve comer 2 porções diárias de ração – alimentar o cão somente uma vez ao dia pode causar torções gástricas, especialmente em raças grandes.

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outros bichos

Cavalos

parceria de longa data! Homens e equinos tĂŞm vĂ­nculos milenares de companheirismo e amizade

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O cavalo como conhecemos nos dias de hoje – Eqqus caballus – tem sua origem em animais menores, que surgiram há aproximadamente 60 milhões de anos, segundo estimativas científicas. A interação entre o homem e esse fantástico animal é registrada nos livros de história desde a Antiguidade. Na Grécia Antiga, por exemplo, o mito do centauro simboliza uma criatura supostamente perfeita, que mescla a inteligência humana ao vigor físico dos equinos. A figura do cavalo também esteve associada aos principais avanços da civilização humana. O domínio do animal, seja pela imposição da força física ou por um vínculo mais sentimental, ligado ao companheirismo, conduziu a formação de parcerias que tornaram possíveis as atividades de agricultura, transporte, guerra e esporte. Esses fatores eventualmente estimularam o homem a intervir no comportamento natural reprodutivo desses animais, selecionando o pareamento entre machos e fêmeas que deram origem a características genéticas específicas, formando, assim, as diferentes raças. Raças desenvolvidas no Brasil No Brasil, o chamado “melhoramento genético” teve seu início a partir da segunda metade do século IX com o desenvolvimento de raças tipicamente nacionais. A primeira delas foi o cavalo conhecido como Mangalarga, cujas características apresentavam variações entre o espécime paulista e o mineiro. Outras raças desenvolvidas no país foram denominadas Campolina, Crioula, Piquira, Pantaneira, Marajoara, Campeira, Nordestina e Brasileiro de Hipismo. Essas raças tomaram como base de seleção genética a criação de modalidades específicas, sendo que algumas seriam condicionadas ao apoio em serviços, outras ao esporte e, por fim, cavalos que serviriam unicamente ao lazer. Essas características levam em consideração não apenas o andar do animal (seja por trote ou marcha), como também a vitalidade, agilidade, capacidade de sustentação e comportamento. Sensibilidade Embora os fatores genéticos tenham

muita representatividade no perfil de cada equino, sabe-se que esses animais são dotados de uma sensibilidade muito apurada. E, por isso, a relação desenvolvida entre o homem e o cavalo acaba sendo decisiva na funcionalidade, seja ela qual for. É o que diz o médico veterinário especializado em comportamento e doma de equinos, Tiago Pes. “Quando desempenhamos uma ação pensando no resultado que desejamos, nosso corpo emite sinais, imperceptíveis a nossos olhos, mas muito claros para as espécies que dominam a linguagem corporal, como é o caso dos cavalos. Em outras palavras, pensar no resultado que buscamos, ajuda nosso corpo a comunicar nossas intenções”, explica o profissional. A doma gentil de Monty Roberts O conceito de “doma gentil de equinos” foi idealizado e difundido pelo norte-americano Monty Roberts, conhecido como “encantador de cavalos”. Sua técnica se baseia em convencer o equino a fazer voluntariamente o que se pretende, sem uso de força física. Mas como isso é possível? Segundo o domador Eduardo Moreira, discípulo de Monty Roberts no Brasil, a técnica tem como base o respeito ao comportamento selvagem dos cavalos. “Predadores costumam atacar cavalos principalmente em quatro regiões de seu corpo. São elas: a garupa (onde os grandes felinos atacam), a Você sabia? • Os cavalos têm uma excelente memória. Eles são capazes de reconhecer uma pessoa anos depois de tê-la visto pela última vez.  • Em média, os cavalos vivem 25 anos, embora já tenham sido registrados animais com até 40 anos de idade. • De forma geral, um cavalo adulto bebe 50 litros de água por dia. • A raça equina mais antiga de que se tem notícia é a árabe. Esses cavalos já eram usados pelos antigos egípcios e acredita-se que tenham sido os precursores de todas as raças modernas. 

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barriga (predada por lobos e cachorros selvagens), pescoço (área de ataque de pequenos felinos), e pernas (onde as cobras podem inocular seu veneno). Preservar essas partes do corpo pode salvar a vida dos equinos selvagens e, não coincidentemente, essas são as regiões onde a maioria dos cavalos apresenta maior sensibilidade”, conta o especialista. Dessa maneira, Moreira ressalta que a doma gentil deve ser realizada para conquistar a confiança do animal com o toque gentil dessas áreas mais sensíveis. “Quando domamos, ou mesmo lidamos em nosso dia a dia com cavalos, devemos usar técnicas que nos permitam tocar essas áreas de forma a ganhar sua confiança. Deve-se utilizar a técnica de instituir recompensas positivas, quando o animal tem atitudes que nos permitam acesso a essas áreas, e negativas (sem envolver violência), quando o acesso é recebido com uma atitude agressiva ou perigosa”, diz. Monty Roberts chama sua técnica “joinup” – cuja tradução significa “juntar” – que representa o momento no qual o homem ganha a confiança do cavalo e entre os dois se constrói um relacionamento de compreensão e respeito recíproco.

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A primeira raça desenvolvida no Brasil foi a Mangalarga. Outras raças desenvolvidas no país foram denominadas Campolina, Crioula, Piquira, Pantaneira, Marajoara, Campeira, Nordestina e Brasileiro de Hipismo.

O amor como técnica O cavaleiro ou a amazona podem nem sequer terem ouvido falar de Monty Roberts e suas técnicas para encantar cavalos, mas isso não os impede de obter sucesso no relacionamento com os equinos. É o caso de Martin Castro Filho, um senhor de 68 anos, que cultiva há mais de 20 um relacionamento amigável com equinos. “Já tive muitos cavalos na família. Mas o que mais me encantou foi o último, que ainda vive e tem cerca de 28 anos, segundo o proprietário do haras em que ele é mantido. Seu nome é Ícaro e é um Mangalarga de marcha suave. Comecei a cavalgar com ele há cerca de 12 anos, sempre respeitando a condição de exercícios saudáveis e moderados. Agora que ele está mais velho, e eu também, nos limitamos mais a passeios sem monta. Passo um tempo agradável com ele todos os fins de semana oferecendo-lhe cenoura, um alimento

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que agrada muito seu paladar. Vejo nos olhos dele o contentamento quando me vê. Isso me faz pensar que a reciprocidade de carinho entre um cavalo e um humano é incrível! Poucas pessoas, infelizmente, conhecem o potencial afetivo desse animal”, declara. A graduanda do quarto semestre de Medicina Veterinária da UNIP Campinas, Thais Oliveira, que sonha em trabalhar com grandes animais, concorda. “Durante minha experiência na universidade, acabei criando laços de amizade fortíssimos até com pacientes com os quais deveria manter um pouco mais de distância emocional. Mas é assim que eu ajo e conquisto a confiança de cada um deles. Primeiro eu entro, abaixo no piquete e espero que eles venham até mim e cheirem minha pele, já que o olfato é um sentido muito forte nesses animais. Deixo que façam isso até que se sintam plenamente à vontade com a minha presença. Daí eles começam a puxar meu cabelo e a morder levemente minhas costas por pura diversão! É uma alegria intensa que deriva de pura reciprocidade! Somente depois disso me sinto à vontade para coçar bem a superfície corpórea deles, deixando-os confortáveis para que eu possa manipular (e examinar) tudo que preciso. E é interessante, cada vez que conquisto a confiança dos equinos, eles passam a me reconhecer sempre que entro no piquete. E passam a brincar como se eu fosse um deles!”, relata.

O conceito de “doma gentil de equinos” foi idealizado e difundido pelo norte-americano Monty Roberts, conhecido como “encantador de cavalos”. Sua técnica se baseia em convencer o equino a fazer voluntariamente o que se pretende, sem uso de força física.

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proteção animal

Os voluntários Alessandra, Soraia e Fábio em um evento da Secretaria de Meio Ambiente, onde foi lançada a campanha contra o abandono de animais nos parques

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Os Cães do Parque Conheça o trabalho voluntário que está mudando a realidade dos cães abandonados em um parque estadual da cidade de São Paulo

sse: projeto ace e s s e r a d .org Para aju esdoparque www.osca

O trabalho primoroso que uma turma de protetores realiza em um parque paulistano – cujo nome e localização não são divulgados para não aumentar o número de cães no local – é um exemplo de cidadania. O grupo, batizado de “Os Cães do Parque” não é uma ONG, não aceita doações em dinheiro, não recolhe animais abandonados de outras procedências e não tem abrigo ou canil. Suas ações, entretanto, estão mudando a realidade dos cães abandonados em um parque estadual da cidade de São Paulo. O lugar, uma imensa unidade de conservação ambiental, que inclui, inclusive, área de lazer, sempre foi palco de abandono. Além disso, por ter água em

abundância, abrigo e restos de alimentos provenientes de piqueniques e latas de lixo, vários cães da região, em geral das comunidades carentes, também se refugiam no parque. O grupo Os voluntários que integram “Os Cães do Parque” se conheceram no local. Eles alimentavam e cuidavam dos cães de forma independente, informal e sempre com recursos próprios. Com o tempo, começaram a promover esterilizações e, com a ajuda das redes sociais, as adoções desses cães. Mais organizada, aprendendo a cada dia e com a ajuda de uma legião de simpatizantes, além de blogs e sites parceiros, a rede de colaboradores do time cresceu e está alcançando seu objetivo: reduzir a população de cães abandonados no local.

Ações Além dos cuidados diários com os animais que habitam o parque, que incluem alimentação e eventuais procedimentos veterinários, o grupo promove a esterilização dos cães, principalmente através do programa de castrações da Prefeitura de São Paulo. Após a esterilização, o grupo utiliza a internet para promover as adoções. Os candidatos respondem a um questionário, que é complementado com contatos telefônicos. Caso seja aprovado, o adotante assina um termo de adoção e guarda responsável – o objetivo é

assegurar que ele tenha condições de tutelar bem o pet. Animais em situação de risco, como filhotes ou doentes, são resgatados pelo grupo e abrigados até a adoção. A Mais Que Pet conversou com Fábio Pegrucci, coordenador da ação voluntária “Os Cães do Parque”. Confira! MQP: Há quanto tempo “Os Cães do Parque” existe? Fábio: Não existe uma data de “fundação” para “Os Cães do Parque”, mesmo porque jamais foi algo projetado para acontecer. Eu comecei a cuidar dos cães que viviam no parque em 2009, logo conheci outra pessoa fazendo o mesmo, depois outra. No início era uma coisa informal e fomos aprendendo à medida em que o trabalho se desenvolvia. MQP: Neste período, quantos animais encontraram novas famílias através de vocês? Fábio: Cerca de 250. MQP: Qual o papel da internet e das redes sociais no trabalho do grupo? Fábio: Importância total. Nós não participamos de feirinhas e outros eventos de adoção: não gostamos da ideia dos animais ‘expostos’ para serem escolhidos, nem temos 95 estrutura logística para esses eventos. Toda a comunicação de “Os Cães do Parque” é feita pela internet. Sem internet o grupo não existiria. MQP: Quais as maiores causas de abandono? Fábio: Sobretudo negligência: a pessoa tem uma cadela ou gata em casa, a deixa emprenhar e, não sabendo o que fazer com os filhotes, os abandonam em algum lugar público e onde tenha certeza de que não será repreendida. Há também quem resolva se livrar de um animal porque ficou velho, porque está doente, porque vai se mudar ou porque simplesmente não o quer mais. Independente da razão, é sempre um ato sem justificativa, cruel, egoísta e de total ausência de senso de cidadania. MQP: Qual é a situação atual? Houve redução do problema no parque? Fábio: No parque houve uma redução sensível nos últimos meses, depois que a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, atendendo às nossas sugestões, mandou instalar placas de alerta, o que, certamente,

intimidou quem, talvez, pretendesse abandonar um animal lá. Mesmo assim, eventualmente ainda acontece. MQP: Além das castrações provenientes da Prefeitura de São Paulo, vocês têm apoio de algum outro órgão público? Fábio: O programa de controle reprodutivo da Prefeitura de São Paulo não se trata de um “apoio”: é um serviço público ao qual todo cidadão paulistano tem direito. Nós o usamos sempre que possível, principalmente quando são realizados mutirões. No ano passado, em negociação direta junto ao secretário de Meio Ambiente do Estado, conseguimos que a secretaria lançasse uma campanha contra o abandono de animais em parques, com a instalação de placas de alerta e a distribuição de cartilhas: uma iniciativa ainda muito tímida, mas inédita, pois foi a primeira vez em que animais abandonados foram “oficialmente” tratados como questão ambiental – o que era uma luta nossa desde o início do trabalho. MQP: Na visão de vocês, quais ações são necessárias para a curto, médio e longo prazo reduzir a superpopulação de animais abandonados no país? Fábio: A implantação de programas de castração onde 96 eles não existem e a ampliação e aperfeiçoamento deles em cidades como São Paulo, onde existe um programa bom, mas ainda insuficiente. Esta é, sem dúvida, a mais eficiente forma de diminuir esse sofrimento que se vê pelas ruas das cidades. Mas deve-se também investir em educação, explicando às pessoas, não só a importância da castração, mas também o quanto sofre um animal abandonado à própria sorte. Deve-se ainda incentivar a adoção de animais, em contraposição à compra. Outra medida significativa, seria a de regulamentar

Jordana é uma linda pitbull à procura de uma família! As informações sobre ela estão no site do grupo

Gorda já é uma senhorinha de cerca de 15 anos, que vive no parque há muito tempo. É um dos cães monitorados diariamente pelos voluntários

A charmosa Gerusa vai dar muita sorte aos seus futuros adotantes!

nacionalmente a atividade dos criadores e comerciantes de cães e gatos “de raça”. Criadores e comerciantes ilegais, que criam e vendem animais sem qualquer critério, estão na base do problema do abandono. MQP: De que forma nossos leitores podem ajudar o grupo? Fábio: “Os Cães do Parque” não aceita contribuições financeiras em nenhuma hipótese. Mas é possível ser

Stella tem porte médio e é muito dócil. Ela está em busca de uma família amorosa!

lei revisto em is é crime p a im s. n a se e e d ias a 6 m Abandono ção de 15 d n te e d ) e iro d le com pena Penal Brasi do Código (Artigo 164,

voluntário oferecendo lar temporário a animais em processo de adoção. Também é possível doar produtos, como rações ou medicamentos. Pessoas que moram na Zona Norte de São Paulo podem até ser voluntários mais efetivos, no dia a dia. Em nosso site há uma seção falando disso e todos os contatos devem ser feitos por e-mail. “Eu não cuido de animais por falta de alternativa. Não transfiro para eles sentimentos paternais (ou maternais, como é mais comum no meio) não realizados. Não os vejo como criancinhas. Não projeto neles minhas frustrações amorosas, mesmo porque não as tenho. Não os protejo para sentir-me herói, para ser importante para alguém, para aparecer ou para ganhar respeito das pessoas. (...) Eu cuido de animais porque eu gosto deles, porque eles me divertem, porque o sofrimento deles me comove, porque eu me sinto capaz de alterar a realidade deles de uma forma mais ampla. Mas, sobretudo, porque eles fazem muito mais por mim do que eu sou - ou serei capaz de fazer por eles.” Fábio Pegrucci – “Os Cães do Parque”

Se você está lendo a Mais Que Pet em um dispositivo móvel, conheça a encantadora Jordana vendo esse vídeo! caso você esteja visualizando a Mais que pet no seu computador acesse o link abaixo no youtube http://www.youtube.com/watch?v=4Eemr6Ck3GU

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entrevista

Jaime Dias, Médico Veterinário

Duramune

®

está de volta! Farmacêuticas relançam a vacina Duramune® que, com exclusiva tecnologia, protege cães e gatos de doenças recorrentes e perigosas

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Em agosto, o mercado de pets ganhou uma poderosa aliada na proteção de cães contra doenças recorrentes e perigosas, como a cinomose. Em uma parceria inédita, Novartis e Boehringer Ingelheim se uniram para relançar nacionalmente a vacina Duramune®, oferecendo aos veterinários e donos de animais de companhia um produto de alta qualidade com uma tecnologia inovadora e exclusiva no Brasil. Reconhecida pela sociedade médica veterinária, Duramune® conta agora com um rigoroso padrão de qualidade e com a tecnologia exclusiva PureFilTM, que traz ao produto final maior pureza. O medicamento classificado como uma vacina V10, por proteger contra dez agentes infecciosos que causam diferentes doenças mantém sua formulação original e reconhecida, mas agrega novos conceitos de produção que minimizam a presença de proteínas e partículas indesejáveis no medicamento. Por conta disso, há um menor risco de efeitos colaterais, como nódulos no local da aplicação, que podem surgir com a aplicação de vacinas. Outro

diferencial é a proteção contra as cepas (variações) mais recentes de vírus e bactérias que atualmente estão em circulação no ambiente. Esse benefício significa maior segurança aos animais vacinados e menores alterações de humor ou possibilidades de dor, reações normais ao medicamento. Duramune® protege os cães de doenças frequentes, perigosas e potencialmente fatais, como a cinomose, hepatite, parainfluenza e parvovirose. Por se tratar de um produto biológico, a recomendação é que a vacina seja aplicada sempre por um médico veterinário. A parceria O relançamento de Duramune® marca a entrada da Boehringer Ingelheim no mercado de pequenos animais. “A companhia possui uma ampla experiência no mercado de suínos no Brasil, mas estamos muito satisfeitos em estender nossa missão de saúde, bem-estar e inovação aos pequenos animais.”, explica Camila Pontes, Diretora de Saúde Animal da Boehringer Ingelheim. “A ampla experiência da Novartis Saúde Animal no setor de animais de

DuramuneŽ protege os cães de doenças frequentes, perigosas e potencialmente fatais, como a cinomose, hepatite, parainfluenza e parvovirose

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entrevista companhia resulta em uma forte parceria em benefício do profissional veterinário e da saúde dos pets. Por meio de uma sólida e estruturada rede de distribuição, a Novartis disponibilizará Duramune® em conjunto com suas já consagradas marcas de mercado.”, avalia Gustavo Tesolin, Diretor Regional da Novartis Saúde Animal. Em breve será lançada a vacina para gatos. Para conhecermos melhor a Duramune®, conversamos com Jaime Dias, Médico Veterinário, pós-graduado em Enfermidades Infecciosas dos Animais Domésticos pela FMVZ – UNESP – Botucatu ��� SP e Gerente de Serviços Técnicos da Novartis Saúde Animal. Confira! MQP: A Duramune® voltou ao mercado com inovações. Conte-nos sobre esses diferenciais. Jaime Dias: Duramune® retorna ao mercado brasileiro com uma grande inovação, a exclusiva tecnologia Purefil™. MQP: O que é a tecnologia Purefil™? Jaime Dias: A tecnologia Purefil™ foi desenvolvida 100 para reduzir as possíveis reações vacinais associadas à proteínas estranhas e debris celulares, além de envolver processos rigorosos de produção que garantem o padrão de qualidade em todos os lotes produzidos. MQP: A Duramune® Max protege os cães contra quais doenças? Jaime Dias: Parvovirose, Cinomose, Hepatite Infecciosa, Adenovirose, Parainfluenza, Coronavirose e Leptospirose causada pelos sorovares de Leptospira (L.) L. icterohaemorrhagiae, L. canicola, L. pomona, L. grippothyphosa. MQP: Há reações após a aplicação da Duramune®? Jaime Dias: As reações vacinais podem ocorrer após a aplicação de qualquer vacina. A linha Duramune® é produzida utilizando a tecnologia Purefil™, que reduz a possibilidade de reações pós-vacinais, trazendo mais

segurança para os pets. MQP: De que forma as vacinas agem no organismo dos pets, protegendo-os das doenças? Jaime Dias: As vacinas são responsáveis pela estimulação do sistema imunológico, promovendo a formação dos anticorpos que irão proteger os pets contra doenças específicas. MQP: Nós sabemos que as vacinas não são todas iguais. Quais as diferenças entre elas e por que os donos de animais de companhia devem ficar atentos a essas diferenças? Jaime Dias: Realmente, as vacinas não são todas iguais. As principais diferenças podem ser observadas quanto à massa antigênica e a atualização de seus antígenos (vírus e bactérias). Vacinas com alta massa sofrem menor interferência dos anticorpos maternos, enquanto a atualização dos antígenos que a constituem estimula uma proteção mais condizente com o desafio aos quais os animais estão sujeitos. A linha Duramune® possui as características citadas acima. MQP: Algumas pessoas vacinam seus animais em lojas de ração ou pet shops. Quais os riscos desse hábito? Por que é importante que a vacinação seja feita por um médico veterinário? Jaime Dias: Não existe problema algum vacinar o animal em lojas de ração ou pet shops desde que exista um médico veterinário realizando o procedimento. Somente este profissional, após uma avaliação clínica adequada, poderá atestar se o animal está apto ao processo de vacinação, além da orientação sobre o esquema vacinal ideal para o pet. As reações vacinais são raras, porém podem acontecer, e somente o clínico poderá identificá-las e realizar o tratamento adequado. Então, devido a estes fatos importantes, a realização da vacinação sem a presença do médico veterinário poderá ser arriscada e estar fadada ao insucesso. MQP: Em quais situações a vacinação deve ser adiada?

Os novos conceitos de produção da Duramune® minimizam efeitos colaterais, como nódulos no local da aplicação

A vacina oferece proteção contra as cepas (variações) mais recentes de vírus e bactérias que atualmente estão em circulação no ambiente Jaime Dias: Para que a vacinação seja realizada, os animais devem passar pela avaliação do médico veterinário e estar em perfeito estado de saúde. Algumas intercorrências podem fazer com que o profissional opte por adiar a aplicação das vacinas, como exemplo: animais doentes, em recuperação pós-cirúrgica, utilizando alguns medicamentos que possam interferir na imunidade – como os corticoides –, parasitados por vermes intestinais, pulgas e carrapatos, em condições de stress, dentre outras. MQP: De forma geral, recomenda-se que a vacinação seja feita anualmente. Porém, há profissionais, e até associações veterinárias internacionais, que defendem que a vacinação anual é desnecessária e excessiva. Quais os motivos dessa controvérsia? Jaime Dias: O que determina o intervalo de vacinação

é o desafio ambiental pelo qual o animal está sujeito. Em alguns países, onde algumas doenças estão praticamente controladas ou erradicadas, o intervalo entre doses passa a ser maior que doze meses. Nos Estados Unidos, por exemplo, há algumas regiões onde os intervalos entre doses são recomendados a cada três anos, já em outras regiões desse mesmo país, os reforços anuais são importantes devido a grande prevalência de doenças. No Brasil, devido a alta incidência de doenças, a vacinação anual é recomendada. MQP: Podemos aguardar, da parceria entre a Novartis e a Boehringer, vacinas também para os gatos? Jaime Dias: Sim, em breve teremos o lançamento da Duramune® Gato.

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Desfazendo um mito: Nenhum animal precisa acasalar antes de ser castrado!

motivos para castrar seu pet!

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Essencial para evitar o abandono de animais, a castração também tem outros importantes benefícios!

Impede a reprodução descontrolada, que aumenta o número de animais de rua Diminui comportamentos agressivos, especialmente em machos Reduz a necessidade de marcar território, como fazer xixi fora do lugar Diminuiu a incidência de câncer de mama Diminui a incidência de câncer de próstata Evita fugas motivadas pelo acasalamento e, consequentemente, o risco de atropelamentos Em cadelas, impede a piometra, uma grave infecção de útero Em gatas, evita os miados excessivos do cio, especialmente à noite Vários estudos mostram que animais castrados têm maior expectativa de vida Especialmente em machos, reduz a chance de brigas e suas complicações, como machucados, transmissão de doenças e até a morte Nos machos, impede o câncer de testículo Nas fêmeas, evita a gravidez psicológica Colabora para um comportamento mais dócil

foi notícia

Você vê aqui! Bebês que conviviam com animais de estimação mostraram menor tendência a adoecer e, quando ficavam doentes, necessitavam de menos medicação, além de se recuperarem com mais rapidez.

Novo cálculo para a

Bebês e animais de estimação: receita de saúde! Segundo um estudo finlandês recentemente divulgado, bebês que convivem com animais de estimação são mais resistentes à doenças, em especial às infecções respiratórias. A pesquisa, publicada na revista científica Pediatrics, observou recém-nascidos que nasceram em famílias que possuiam cães e gatos e mostrou que essas crianças tinham menor tendência a adoecer e, quando ficavam doentes, necessitavam de menos medicação, além de se recuperarem com mais rapidez. Um dos pontos altos do estudo foi a associação feita entre o convívio das crianças com cães que entram e saem de casa com bastante frequência, como os que vivem em residências onde há quintais: elas se mostraram ainda mais resistentes! “Perante esses resultados nós especulamos que, quanto mais tempo o cão passa ao ar livre, mais sujeira e micróbios ele traz para dentro de casa e, de alguma forma, esses micróbios podem estimular o sistema imunológico da criança, que fica fortalecido” esclarece Eija Bergroth, pediatra do Kuopio University Hospital, na Finlândia, e uma das autoras do estudo. As crianças envolvidas no estudo seguirão sendo observadas, já que essa investigação se integra a um trabalho mais amplo sobre alergias. Bebês que conviviam com animais de estimação mostraram menor tendência a adoecer e, quando ficavam doentes, necessitavam de menos medicação, além de se recuperarem com mais rapidez.

idade dos cães

Até pouco tempo, acreditava-se que para saber a idade canina equivalente à humana, bastava multiplicar o tempo de vida do pet por 7. Ou seja, um cachorrinho com 3 anos teria 21, se fosse uma pessoa. Depois, o cálculo passou a levar em conta o tamanho do animal, já que os cães maiores envelhecem mais rápido e morrem mais cedo. Agora, esta conta parece estar ainda mais precisa. Quando o jornalista Ben Carter, da BBC, perdeu seu cão, ele começou a investigar o ritmo de envelhecimento 103 levando em conta também as raças caninas. A partir disso, e com dados do Kennel Club do Reino Unido e do Veterinary Medical Database dos EUA, ele publicou, em julho, uma “calculadora” – disponível no site da BBC – onde é possível descobrir a idade real do cão e a sua expectativa de vida. A ferramenta foi criada para cães de raça pura. Os de raças misturadas vivem, em média, 1,22 anos a mais. Outro ponto a favor dos SRDs!

foi notícia

Divulgação

Você vê aqui!

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Comédia “Mato Sem Cachorro” contou com 54 cães “atores” diferentes Sucesso de público e crítica, a comédia romântica “Mato Sem Cachorro”, filme de Pedro Amorim, com Bruno Gagliasso, Leandra Leal, Gabriela Duarte e Danilo Gentili – estreando na telona – contou com 54 cachorros “atores” diferentes, das mais diversas raças. Apenas o protagonista, Guto, foi «interpretado» por sete animais distintos, sendo dois adultos e cinco filhotes. A produção importou o “ator” Duffy e seu irmão, Dusty, da raça English Sheperd, para o papel. Porém, como a raça não existe no Brasil, também foram utilizados nas cenas filhotes de Border Collie, parecidos com os English Sheperd. O adestramento dos cães foi feito pelo americano Boone Narr, responsável pelo treinamento do cachorro Akita que protagonizou “Sempre ao Seu Lado” e também pelos treinos do macaco que acompanha o capitão Jack Sparrow em “Piratas do Caribe”. Curiosidade: vários cães que participaram do filme foram adotados depois das filmagens, inclusive pelos protagonistas Bruno Gagliasso e Leandra Leal.

Quando viajam, mulheres sentem mais falta dos cães do que do companheiro Segundo uma pesquisa do site Skyscanner – líder mundial em busca de passagens aéreas – divulgada em julho, as donas de cachorros sentem mais falta de seus bichinhos que de seus companheiros, amigos ou familiares quando estão distantes. O site entrevistou mais de 1000 proprietários de cachorros e descobriu que, enquanto os homens sentem mais falta da parceira quando viajam sozinhos (37%), as mulheres não respondem da mesma maneira. Apenas 21% delas disseram que sentiriam mais falta do parceiro, sendo que 37% colocaram seus cachorros em primeiro lugar. E não para por aí. Donos de cachorros fazem grandes esforços para manter contato com seus bichos de estimação quando viajam. 40% deles ligam ou enviam SMS para checar se o pet está bem, enquanto 14% admitem ‘conversar’ com seus cachorros pelo telefone para que eles possam ouvir sua voz. 5% vão ainda mais longe e participam de chats pelo Skype com seus cachorros. “As pessoas criam relações muito fortes com seus cachorros. Por serem animais companheiros e fiéis aos donos, elas não gostam de passar muito tempo longe de seus amigos de quatro patas”, diz Mateus Rocha, Executivo do Skyscanner no Brasil.

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dono famoso

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Marilyn e seus pets Acredite, a paixĂŁo das celebridades pelos animais ĂŠ antiga!

Ela era linda, famosa, rica, sensível, atormentada. E apaixonada pelos animais! Marilyn Monroe, um dos maiores sex symbols da história, teve cães, gatos, aves, cavalos. Ela também adorava os macacos. Infelizmente, as histórias de sua relação com os pets não são totalmente precisas. A única certeza: eles acompanharam a vida da atriz em diversos momentos, e Maf, seu último cão, parece ter sido a única testemunha de sua morte controversa e misteriosa. Gatos Além do cavalo Ebony e do periquito Butch, Marilyn teve 3 gatos. Um branco persa chamado Mitsou e uma gata marrom que viveu ao seu lado em Nova York na década de 1950. Segundo Norman Rosten, amigo da atriz e autor do livro “Marilyn: A Única Estória Não Revelada”, Marilyn se desdobrou em cuidados quando a gata ficou prenhe. Ela passou a pesquisar sobre o assunto e até interrompia reuniões e compromissos profissionais para saber como a gata estava. Vários cães Os cães fizeram parte da vida de Marilyn Monroe desde a infância. Tippy, um SRD preto e branco que ela ganhou do pai adotivo, Albert Bolender, nos anos de 1930, a acompanhava até a escola e brincava com Marilyn durante o intervalo das aulas. Consta que Tippy foi assassinado a tiros por um vizinho da família sob

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Os cães fizeram parte da vida de Marilyn Monroe desde a infância. o pretexto de que ele estragava seu jardim. Na década de 1940, vivendo com a família Goddard, ela teve um Cocker Spaniel. Muggsie foi um Collie que Marilyn ganhou de um de seus maridos, Jim Dougherty. Alguns relatos dizem que Muggsie morreu depressivo, com saudade da diva que, nessa época, fazia sucesso como modelo. Em 1948, Marilyn adotou um Chihuahua e o batizou de Choo Choo. Ela já era casada com o dramaturgo americano Arthur Miller, dono de um Basset Hound chamado Hugo. Maf Quando Marilyn Monroe se separou de Arthur Miller, foi presenteada pelo amigo Frank

Sinatra com um cãozinho chamado Maf, nome que, segundo alguns biógrafos, era uma homenagem irônica à “máfia”. Maf era uma mistura de Scottish Terrier com Maltês, teria nascido na Escócia e sido importado pela mãe da também atriz Natalie Wood. Frank Sinatra teria comprado o pet em Los Angeles para presentear uma fragilizada e solitária Marilyn – ela até permitia que o cãozinho dormisse em um caríssimo casaco de pele de castor, presente de Miller. A relação de Maf e Marilyn é abordada no livro “A Vida e Opiniões de Maf, o cão, e da sua amiga Marilyn”, de Andrew O’Hagan, que desenhou “um

retrato original da mulher por detrás do ícone, e do cão por detrás da mulher”. A história, que mostra a vida da atriz sob a ótica do cão, deve virar filme. Maf viveu com Marilyn durante os dois últimos anos da sua vida, primeiro em Nova York e depois no regresso da atriz a Los Angeles. Ele a acompanhava em restaurantes, lojas, sessões de fotos, entrevistas e até em visitas ao então presidente Kennedy, suposto amante da diva. Maf esteve ao lado de Marilyn até sua morte, em 1962, e, segundo O’Hagan, foi a única testemunha de um fim cercado de mistérios. Após a tragédia, ele foi adotado por Frank Sinatra.

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pets da edição

Conheça a incrível história do

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cão Tozz e seu dono Heitor! Meu cachorro Eloy havia falecido há um ano, a ferida da tristeza já tinha se fechado e eu queria outro cachorro. Um dia, vi uma mulher jogando um frisbee a um cachorro preto e branco, esgotando todo o seu fôlego para pegá-lo ainda no ar. Decidi que queria um cão com aquela energia e passei a procurar por Border Collies, até que conheci o meu cão. O nome já havia sido escolhido: Tozz, uma homenagem ao atleta buscador de objetos voadores. No início, em casa, eu defendia as “mancadas” que ele dava, como cavar buracos e fazer sujeira. Com paciência, fomos nos entendendo e o Tozz passou a ser parte da família. Ele era um cão dócil e tinha muita facilidade para lidar

com as pessoas. Descobri, em alguns meses, que todos os cães dessa raça adoram qualquer objeto que se mova. Bolinha, disco, chinelo, almofada, galhos são exemplos de coisas que causam neles um tipo de “obsessão”. Em 2009 me senti estimulado a correr, mas não tinha parceiro que pudesse me acompanhar. Observei o Tozz e percebi que o meu parceiro estava ali. Uma bela oportunidade de convivência! Passamos a nos dedicar à corrida e por meses ele me acompanhou, fiel e alegre. Um dia, o chão estava quente e corremos tanto que suas patas esfolaram. Só percebi ao final de 15km e o carreguei até em casa. Sem qualquer reclamação ele havia finalizado aquela maratona com a garra de um atleta olímpico.

Fiquei entristecido por ter causado o machucado e providenciei botas personalizadas para que nunca mais isso acontecesse. Já sabia que o meu cão era especial. Recebia com entusiasmo meus amigos e se mostrava muito carinhoso com meus sobrinhos, sem nunca ter demonstrado qualquer estranheza com as crianças. Em um sábado de manhã, a tragédia aconteceu. Não notando a presença dele na porta, passei a chamá-lo. Não tive resposta. Procurei por toda a casa, ele não estava lá. No dia anterior o portão foi deixado aberto e ele saiu. Totalmente sem rumo, se perdeu no meio dos carros e foi pego. Esta era a única certeza. Rastreei rua por rua. O meu cão estava desaparecido. Coloquei

a notícia na internet. Logo recebi mensagens de conforto e sugestões de pessoas que já haviam passado por essa tragédia. Orientado, imprimi fotografias que foram distribuídas em todos os lugares que pudemos pensar. Fiz um banner imenso, enviei e-mail a todas as ONGs de proteção animal, liguei no CCZ e, por último, fiz um anúncio no jornal. Algumas semanas se passaram e nada. Eu não perdia a esperança, mas sabia que ele poderia estar em qualquer lugar. Podia sentir seus pelos permeando as minhas mãos e um único sentimento tomava conta de mim: saudade. Passaram-se seis meses e nada. Um dia, fui surpreendido com um recado de um rapaz dizendo estar certo sobre o paradeiro do Tozz. Ele passou o endereço e pediu para não ser identificado. O animal estava com um conhecido dele que o havia pego na mesma época da minha divulgação. Antes de mim, um amigo tomou a atitude correta e foi verificar se o animal realmente era o meu cachorro. Era o Tozz! Entramos na vizinhança onde ele estava e já não podia conter mais a ansiedade. Quando cheguei na casa ouvi um latido único. Nunca ouvi o Tozz latir duas vezes seguidas. O reconheci na hora e ele também, deitando-se no chão e me deixando muito feliz. Percebi que o portão estava apenas encostado e, sem perder tempo, o abri liberando o meu parceiro querido, que pulou no meu colo. Tínhamos certeza de que aquele era o Tozz. Foi quando o dono da casa apareceu. Eu não quis saber o nome, o motivo

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e nem como ele havia tratado o meu cão. “Esse cachorro é meu e eu vim buscá-lo” são as únicas palavras que me lembro ter falado. A rua parecia não existir, o Tozz estava comigo após seis meses desaparecido! Com aparência mais gorda, soltando muitos pelos e cheirando mal, o trouxemos

para casa. Estávamos todos contaminados pela felicidade e logo dei-lhe um belo banho. O Tozz estava comigo, que inacreditável! Aproveito para agradecer a todas as pessoas que participaram desta história emocionante, de um cão muito especial. Obrigado!

Heitor Cosenza – São José do Rio Preto / SP

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esta edição poupou árvores

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A Mais Que Pet tem um grande compromisso com o meio ambiente e seu formato digital é um exemplo disso. Para produzir uma tonelada de papel, cerca de doze árvores são derrubadas. A fabricação de papel também está entre os processos industriais que mais utilizam água: são necessários 540 litros para produzir apenas um quilo! Em um ano, a Mais Que Pet irá economizar 2.590 litros de água e muitas árvores, colaborando para o fim do desmatamento e do uso indiscriminado da água.

expediente GESTORA DE CONTEÚDO: Renata Marcondes | DIREÇÃO DE ARTE: Ana Paula Guidugli | REDAÇÃO: Renata Marcondes, Juliana Castro | REVISÃO: Talita Facirolli | PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO: Ana Paula Guidugli | COMERCIAL: João Paulo Vani | COLABORADORES DESSA EDIÇÃO: Luiz Douglas Rodrigues Júnior, Soraia Mergulhão, Lucas Leite | JORNALISTA RESPONSÁVEL: João Paulo Vani - MTB 60596-SP A Mais Que Pet não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados, bem como pelas informações ou conteúdo dos anúncios publicados. A reprodução total ou parcial do conteúdo desta obra é expressamente proibida sem prévia autorização. Mais Que Pet é uma publicação bimestral da Editora HN / (17) 3012-6184 / comercial@maisquepet.com.br

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O gigante (e lindo!) Maine Coon Conheça os tipos de ração e faça sua escolha A importância do controle parasitário Cães e gatos: essa mistura dá certo! Pulgas. O que fazer? Aquarismo: uma paixão E ainda: comportamento, lazer, notícias, novidades, adestramento, dono famoso, pet estrela e muito mais!

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Férias

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