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ESDRAS Introdução Plano do livro Capítulo 1 Capítulo 4 Capítulo 2 Capítulo 5 Capítulo 3 Capítulo 6

Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9

Capítulo 10

INTRODUÇÃO I. COMPILAÇÃO E DATA Estes dois livros constituíam, originalmente um único, sugerindo os versículos iniciais, que repetem os versículos finais de Crônicas, que foram compilados pelo cronista como parte da sua narrativa. A data da compilação pode ser deduzida da lista de sumo-sacerdotes em Ne 12.1022. Esta lista prolonga-se até Jadua, que, segundo Josefo (Antiguidades 11.8.4), foi sumo-sacerdote no tempo de Alexandre, o Grande (cerca de 330 A.C.). Por outro lado, tem-se afirmado que o Jadua de Ne 12 não é o mesmo que o mencionado por Josefo, mas anterior. II. FONTES Estes livros parecem ter sido compilados a partir de várias fontes. Há recordações pessoais de Esdras e Neemias escritas na primeira pessoa do singular; incidentes acerca de Esdras, Neemias e outros, escritos na terceira pessoa; cartas, decretos, genealogias e outros documentos. Duas seções de Esdras (4.8-6.18 e 7.12-26) vêm escritas em aramaico, sendo quase inteiramente constituídas por cartas e decretos. O aramaico, uma língua originalmente falada a leste e nordeste da Palestina (ver, por exemplo, Gn 31.47), veio a ser o idioma diplomático do Próximo Oriente. Havia uma forma convencional desta língua que se empregava nas comunicações escritas. Existem todos os motivos para crer que o compilador destes livros, que contêm quase tudo quanto se

Esdras (Novo Comentário da Bíblia) 2 sabe acerca da história dos judeus entre 538 e cerca de 430 A.C., transcreveu neles as cartas originais. III. COMPARAÇÃO COM 1 ESDRAS Para estudar estes livros a sério, é preciso compará-los, em certa medida, com 1 Esdras, um livro integrado nos apócrifos. Trata-se de uma versão grega de parte de Crônicas, Esdras e Neemias, abrangendo de 2Cr 35.1 até ao fim de Esdras, e acrescentando Ne 8.1-12 até ao final. Além das variantes secundárias em relação ao texto hebraico, há certos acrescentamentos substanciais. Nos capítulos de abertura, a marcha dos acontecimentos é reconstruída. Assim, Ciro permite o regresso sob o mando de Sesbazar, enquanto que Dario incumbe Zorobabel de ir construir o templo e a cidade. A ordem dada a Zorobabel segue-se à famosa história dos três soldados que, um após outro, dizem a Dario e sua corte o que julgam ser a coisa mais forte deste mundo. O primeiro diz que é o vinho; o segundo que é o rei, enquanto que o terceiro (Zorobabel) afirma que as mulheres são mais fortes do que ambas as coisas, mas que a verdade é o que há de mais forte. Mas, embora 1 Esdras situa o regresso de Zorobabel no reinado de Dario, inclui também a declaração de Esdras de que este esteve ativo em Judá "todo o tempo que Ciro viveu" (1Ed 5.70-73). Em vista desta confusão, é melhor aceitar a ordem apresentada no livro de Esdras da nossa Bíblia. Não se deve confundir 1 Esdras com a outra versão grega que segue de perto o texto hebraico e que é geralmente considerada a versão da Septuaginta de Esdras e Neemias, embora C. C. Torrey veja nesta versão a tradução de Theodotion do segundo século da nossa era e em 1 Esdras a tradução original da Septuaginta. A forma como se faz referência a estas diferentes versões é confusa, mas pode ser explicada como se segue: 1 Esdras dos nossos Apócrifos vem na Bíblia grega sob a designação de Esdras, e na Vulgata sob a designação de 3 Esdras. Na Vulgata, o nosso Esdras é 1 Esdras, e o nosso Neemias é 2 Esdras. Na

Esdras (Novo Comentário da Bíblia) 3 Bíblia grega, o nosso Esdras-Neemias aparece sob a designação de Esdras. IV. ENQUADRAMENTO Josefo, cujo livro, As Antiguidades dos Judeus, foi escrito em finais do I século a.C., constitui uma autoridade secundária para esta época. Foi ele um escritor judaico que teve possivelmente acesso a algumas fontes de informação sem serem os registros bíblicos; todavia é ponto geralmente aceito que deve ser usado com cuidado (ver, por exemplo, a nota sobre Ne 13.28). Entre os documentos contemporâneos, contam-se o cilindro de Ciro que relata, entre outras coisas, como esse imperador reenviou os povos cativos para os seus países de origem, juntamente com os seus deuses; e os papiros elefantinos, que são cópias de cartas trocadas com uma colônia judaica na ilha de Yeb, no alto Egito, perto de Assuão, escritas em aramaico, pertencem a finais do século V a.C., fazendo referência a Sanblat e seus filhos, a Bigvai, governador de Jerusalém, e a Joanã, sumo-sacerdote (ver nota sobre Ed 10.6). V. CRONOLOGIA Para compreender bem a ordem dos acontecimentos, convém notar as datas dos reis da Pérsia. 538-529 529-522 522-521 521-486 486-465 464-424 424-423 423-404 404-359

Ciro. Cambises. Gaumata (pseudo-Smerdis). Usurpador. Dario I (Histaspes). Xerxes I (Assuero). Artaxerxes I (Longímano). Xerxes II. Dario II (Nothus). Artaxerxes II (Mnémon).

Esdras (Novo Comentário da Bíblia) 359-338 Artaxerxes III (Ócus). 338-331 Darío III (Codomano).

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Nesta data, o império persa foi derrubado por Alexandre o Grande da Macedônia. PLANO DO LIVRO I. O REGRESSO DOS EXILADOS A JERUSALÉM - 1.1-2.70 II. ENCETA-SE O TRABALHO DA RESTAURAÇÃO - 3.1-13 III. O TRABALHO PARALISADO - 4.1-24 IV. RECOMEÇA-SE E CONCLUI-SE A CONSTRUÇÃO DO TEMPLO - 5.1-6.22 V. ESDRAS VEM A JERUSALÉM - 7.1-8.36 VI. O PROBLEMA DOS CASAMENTOS MISTOS - 9.1-10.44 COMENTÁRIO I. O REGRESSO DOS EXILADOS A JERUSALÉM 1.1-2.70

Esdras 1 a) O Decreto de Ciro (1.1-4) Em 538 a.C., Ciro conquistou Babilônia, e um dos seus primeiros atos foi permitir que todos os povos cativos, que ali encontrou, regressassem aos seus países de origem, conforme vem registrado no chamado "cilindro de Ciro". O texto deste decreto, tal como reproduzido em Esdras, poderia sugerir que Ciro cria em Jeová. No entanto, sabemos pelas inscrições do próprio Ciro que ele também atribuiu as suas vitórias ao deus babilônio Marduque. É provável que Ciro sentisse respeito por vários deuses em geral e redigisse os seus decretos numa linguagem que agradasse a todas as nações. Provavelmente pediu a qualquer dirigente judaico (quem sabe se Daniel) para redigir o decreto de forma que este

Esdras (Novo Comentário da Bíblia) 5 fosse aceitável para os judeus. Ver também nota sobre 6.3-5. Os versículos 1 a 3 são praticamente idênticos a 2Cr 36.22-23, e servem para ligar os dois livros. No primeiro ano de Ciro (1); isto é, o ano em que conquistou Babilônia. Antes disso, era rei da Pérsia. Por boca de Jeremias (1); ver 25.12; 29.10. Tinham-se passado quase setenta anos desde que Jeremias proferira a sua profecia no quarto ano de Joaquim (Jr 25.1), ou seja, 605 a.C. Me encarregou (2); Cf. Is 44.28; 45.13. Todo aquele que ficar (4); todos os que haviam sobrevivido ao cativeiro. Cf. Ag 1.14. Fosse qual fosse a região do império em que vivessem, os seus vizinhos deveriam ajudá-los, se desejassem regressar. b) O regresso de Babilônia (1.5-11) Ciro tirou os vasos da casa do Senhor (7). No cilindro de Ciro, diz o rei que devolveu todos os ídolos aos povos cativos, aos quais permitiu que regressassem à respectiva pátria depois de ele haver conquistado Babilônia. Uma vez que os judeus não tinham ídolos, este versículo mostra que lhes foi permitido levar, em vez deles, os seus vasos sagrados. Cf. 2Rs 24.13; Jr 27.19-22; Dn 5.3. Sesbasar (8) em 1Ed 2 é-lhe dado o nome de Sanabassar. Há três opiniões acerca dele, dizendo alguns comentadores que deverá ser identificado com Zorobabel, o que é improvável à luz de Ed 5.14 onde, apesar de Zorobabel pertencer ainda ao número dos vivos, faz-se referência a Sesbazar como havendo já morrido. Outros comentadores identificam-no com Senazar, filho do rei Joaquim (1Cr 3.18). Zorobabel pertencia à família real (1Cr 3.18-19; Mt 1.12). Se Sesbazar morreu pouco depois do regresso, Zorobabel, homem de ação, seria o seu sucessor natural. A terceira teoria é que se trata de um funcionário persa nomeado para superintender na fixação dos judeus na antiga pátria. Ver também a nota introdutória a Ed 5. Príncipe de Judá (8). É o que se refere naturalmente a alguém que pertencesse à linhagem real de Davi.

Esdras (Novo Comentário da Bíblia) 6 Todavia, a palavra "príncipe" (nasi') tem larga aplicação, e, a aceitar-se a terceira hipótese, isso indicaria apenas que Sesbazar foi colocado numa posição de autoridade sobre todo Judá.

Esdras 2 2) O rol dos que regressaram (2.1-70) Este rol vem reproduzido com ligeiras variantes em Ne 7.6-73 e 1Ed 5.4-46. Fora evidentemente integrado nos arquivos oficiais, e o historiador incluiu-o aqui no lugar que lhe pertence. Neemias também o cita nas suas recordações pessoais, que o historiador igualmente reproduz. Alguns comentadores, como C. C. Torrey, classificam-no de pura invenção. L. W. Batten considera-o uma lista completa de todos os que haviam vindo para Judá desde o tempo de Zorobabel até ao tempo de Esdras. Galling vê, neste rol, a lista dada pelos nacionalistas a Tatenai, quando este pediu os nomes construtores (Ed 5). Não cabe dentro do âmbito deste comentário fazer uma análise das ligeiras variantes que ocorrem em alguns dos nomes e números constantes dos três registros. Todas as listas de nomes e algarismos são muito sujeitas a pequenos erros de transcrição, mas veja-se a nota sobre o versículo 64. 1. ZOROBABEL E OS SEUS COMPANHEIROS (2.1-2). Zorobabel, Jesua (2); algumas versões não separam estes dois nomes com uma vírgula, o que é um erro. Os dez nomes são os dos companheiros de Zorobabel. Em 3.2 e noutros passos chama-se a Zorobabel filho de Sealtiel, mas em 1Cr 3.19 é filho de Pedaías. Se Sealtiel não teve filhos, Pedaías foi o seu irmão que contraiu um casamento de levirato com a viúva. Jesua, ou Josué, é o sumo-sacerdote que colaborou com Zorobabel. Neemias (2); não se trata da famosa personagem desse nome.

Esdras (Novo Comentário da Bíblia) 7 2. CLASSIFICAÇÃO DO POVO POR FAMÍLIAS E CLÃS (2.3-19). Paate-Moabe (6), ou, traduzindo ao pé da letra, dirigente de Moabe. Provavelmente um seu antepassado fora governador de Moabe, quando esta região estivera sob o domínio de Israel. 3. CLASSIFICAÇÃO DO POVO CONSOANTE AS LOCALIDADES A QUE PERTENCIA (2.20-35). Betel (28); mencionado também em Zc 7.2. Ono (33); ver Ne 6.2. 4. LISTA DE SACERDOTES (2.36-39). Jesua (36). Um Josué mais antigo do que o contemporâneo de Zorobabel. 5. AS TRÊS DIVISÕES DOS LEVITAS (2.40-42). Só 341 levitas regressaram, por contraste com os sacerdotes, dos quais 4.289 voltaram à pátria. Esdras refere-se em Ed 8.15 a uma relutância semelhante da parte dos levitas. Receariam eles que, na comunidade renovada, a sua posição perdesse importância? Podemos contrastar os números relativos de sacerdotes e levitas no "Código Sacerdotal" do Pentateuco. No entanto, P reflete supostamente as condições existentes depois do exílio. Asafe (41); ver 2Cr 29.30. Ver também os cabeçalhos dos Sl 1; 73-83. 6. OS NETINEUS (2.43-54). Excetuando Esdras e Neemias, vêm mencionados apenas em 1Cr 9.2. Não se sabe quem eram, mas talvez fossem descendentes dos gibeonitas de Js 9.27. O nome significa "dado", e em Ed 8.20 lemos que Davi e os príncipes os haviam dado ou nomeado para o serviço dos levitas. Compare-se com Nm 31.30. 7. A CLASSE CONHECIDA PELO NOME DE SERVOS DE SALOMÃO (2.55-58). Vêm mencionados novamente em Ne 11.3. Alguns comentadores pensam que eram descendentes dos cananitas mencionados em 1Rs 9.21.

Esdras (Novo Comentário da Bíblia) 8 8. OS DE GENEALOGIA INCERTA (2.59-63). Barzilai (61). Ver 2Sm 17.27; 19.32-39; 1Rs 2.7. O tirsata (63). Cf. Ne 7.65,70; 8.9; 10.1. Um título persa, exprimindo provavelmente respeito e equivalendo a "Excelência". Aqui refere-se a Sesbazar ou Zorobabel. Não comessem das coisas sagradas (63). Eram atribuídas aos sacerdotes certas porções dos sacrifícios (ver Lv 2.3,10; 6.26, etc.). Talvez haja também aqui uma referência ao sacrifício realizado na sagração dos sacerdotes (ver Êx 29.31-37). Estes homens não podiam ser sagrados sacerdotes. Até que houvesse sacerdotes com Urim e com Tumim (63). Os Urim e Tumim faziam parte do vestuário dos sumo-sacerdotes (Êx 28.30), e eram utilizados, não sabemos como, para descobrir a vontade do Senhor (1Sm 28.6); era evidente que se haviam perdido ou tinham sido destruídos na destruição de Jerusalém. Uma vez que estes indivíduos não tinham documentos que comprovassem a sua condição de sacerdotes, cumpria-lhes aguardar que estivessem novamente em operação os meios divinamente determinados para descobrir as decisões de Deus. Ver a nota especial sobre os Urim e Tumim em 1Sm 28.6. 9. VÁRIOS TOTAIS (2.64-70). Apesar das variantes do conteúdo da lista, o total é o mesmo para Esdras, Neemias e 1Esdras. Mas em nenhuma das listas esse total é de 42.360. Ver nota introdutória a este capítulo "Cantores e cantoras" (65); serviam para divertimentos profanos, distinguindo-se dos cantores levitas do versículo 41. Cf. 2Sm 19.35; Ec 2.8. Dracmas (69), ou melhor, dáricos. O dárico era uma moeda persa que valia cerca de três dólares. Pode existir qualquer confusão no texto do versículo 70, visto ser de esperar qualquer referência a Jerusalém. A passagem paralela em 1Ed 5.46 diz: "Assim habitaram os sacerdotes e levitas e alguns do povo em Jerusalém e no campo; os cantores também e os porteiros; e todo o Israel nas suas aldeias".

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Esdras 3 II. ENCETA-SE O TRABALHO DA RESTAURAÇÃO - 3.1-13

a) Construído o altar; observada a festa dos tabernáculos (3.1-7) É possível que, durante o exílio, se realizassem ocasionalmente sacrifícios no local do templo. Veja-se, por exemplo, Jr 41.5. Agora, porém, o objetivo era reinstaurar a ordem de sacrifícios divinamente prescrita. O sétimo mês (1), isto é, do ano de 537 a.C.. Como está escrito (2); ver Nm 29.1-6. Porque o terror estava sobre eles (3); estavam convencidos de que, colocando Deus em primeiro lugar, seriam libertos das ameaças dos inimigos que os cercavam. A festa dos tabernáculos (4); ver Lv 23.33-36; compare-se com Ne 8.14-17. 1Ed 5.53 relaciona a última frase do versículo 5 com o versículo seguinte: "Todos os que haviam feito um voto a Deus começaram a oferecer-lhe sacrifícios a partir da lua nova do sétimo mês", isto é, agora que o altar havia sido levantado, o povo já podia pagar quaisquer promessas que tivesse feito, como, por exemplo, para uma viagem segura até Jerusalém. Segundo a concessão (7); está mencionada no decreto mais pormenorizado em 6.4. b) Postos os alicerces do templo (3.8-13) Começaram Zorobabel... (8-9). O texto hebraico aqui não é absolutamente claro, mas parece que os ex-exilados confiaram aos levitas em geral a responsabilidade da construção (8), e que quatro famílias de levitas - Jesua, Cadmiel, Hodavias e Henadade - se encarregaram de levar a tarefa a bom termo. Conforme a instituição de Davi (10). Ver 1Cr 16.4-5; 25.1 que mencionam vários instrumentos de música, como címbalos, saltérios e alaúdes. Quanto às trombetas, ver Nm 10.8.

Esdras (Novo Comentário da Bíblia) 10 E cantavam a revezes (11), o que parece indicar que cantavam dois coros respondendo um ao outro. Ver Sl 136.1 e a profecia de Jr 33.11. Choraram (12), ou de alegria ou pelo fato do o novo templo ser tão pequeno (ver Ag 2.3).

Esdras 4 III. O TRABALHO PARALISADO - 4.1-24 Devem-se notar cuidadosamente as datas indicadas pelo autor neste capítulo e compará-las com a lista de reis persas na introdução. a) Oposição ao trabalho de construção (4.1-5,24) O autor refere-se aos adversários, aos quais chama o povo da terra (4). Era este o uso aceito da expressão no seu tempo, enquanto que, no de Ageu (520 a.C.), ela se aplicava aos judeus que não haviam ido para o cativeiro (Ag 2.4). Os que desejavam ajudar na reconstrução eram descendentes das raças que os reis assírios haviam importado para o reino do norte (2Rs 17.24-41). É provável que alguns dos israelitas que não foram para o cativeiro, se tivessem mantido livres da idolatria, uma vez que alguns deles tomaram parte na celebração da Páscoa por Josias (2Cr 35.17-18); de uma maneira geral, porém, os recém-vindos esmagavam numericamente o núcleo de habitantes primitivos. Isto é evidente à luz de 2Rs 17, que se refere à situação no tempo do escritor. Assim, Zorobabel e Jesua recusaram-se a permitir-lhes participar na reconstrução do templo de Jeová. Foi este o povo mais tarde conhecido sob o nome de samaritanos. Esar-Hadom (2), um rei assírio que reinou de 680 a 668 a.C. Não vem mencionado por nome em 2Rs 17.24, mas Ed 4.10 refere-se a Asnapar, cujo nome se parece com o de Assurbanipal (668-626 a.C.). Uma vez que Samaria caiu em 721 a.C., houve considerável lapso de

Esdras (Novo Comentário da Bíblia) 11 tempo antes que chegassem os novos colonos, ou então, mais provavelmente, estes vieram em várias vagas. Todos os dias de Ciro... até ao reinado de Dario (5). As datas abrangem o período 536-520 a.C. A nova referência a Dario no verso 24 mostra que esta narrativa é retomada naquele ponto. b) Exemplos ulteriores de oposição semelhante (4.6-23) O autor achou aconselhável apresentar aqui dois outros exemplos de oposição, mas teve o cuidado de os datar. Ocorreram eles nos reinados de Assuero (6), ou Xerxes, e do seu sucessor Artaxerxes I (7), isto é, entre 486-424 a.C. O conteúdo da carta mostra que a queixa dizia respeito, não ao templo, mas à reconstrução das muralhas da cidade (12,16). O incidente do versículo 23 talvez ocorresse pouco antes da chegada de Neemias. Ver também as notas sobre Ne 1. Bislão, Mitredate, Tabeel (7); os dois primeiros são colonos estrangeiros que não tornam a ser mencionados. Tabeel ("Deus é bom") pode ser o mesmo Tobias ("Jeová é bom") que se opôs a Neemias (ver Ne 2.19, etc.). Na língua siríaca (7), isto é, em aramaico. Não só a carta que se segue vem em aramaico como toda a passagem até 6.18 nos surge escrita neste dialeto. O versículo 8 indica que a carta foi ditada por Reum, chanceler ou, talvez, Mestre de Decretos, ao seu secretário Sinsai e remetida em nome dos colonos enviados pelos reis assírios. Não é possível identificar todos os povos aqui mencionados. Alguns comentadores traduzem os primeiros quatro como se segue: "Juízes, dirigentes, cronistas e secretários". Arquevitas (9), talvez o povo de Erec, em Babilônia, susanquitas (9), oriundos de Susa, capital do Elão. Deavitas (9); uma pequena emenda daria: "isto é", pelo que o texto seria: "os susianos, isto é, os elamitas". Asnapar (10); ver a nota do verso 2. Em tal tempo (10), expressão que, no original, talvez signifique "e assim por diante", ou "etc.". Ocorre novamente nos versos 11 e 17.

Esdras (Novo Comentário da Bíblia) 12 Na resposta (17-22), o rei ordena que se pare com os trabalhos, mas no versículo 21 deixa aberta a possibilidade de retirar essa ordem. De fato, Artaxerxes cancelou-a em Ne 2. Explicitamente lida (18), ou seja, traduzida. Ver nota sobre Ne 8.8. A força de braço e com violência (23); os opositores dos judeus interpretaram a carta como uma ordem de recorrer à violência, se necessário. Se isto teve lugar pouco antes da chegada de Neemias, a descrição em Ne 1.3 revela os estragos causados naquela altura.

Esdras 5 IV. RECOMEÇA-SE E CONCLUI-SE A CONSTRUÇÃO DO TEMPLO. (5.1-6.22) a) Ageu e Zacarias promovem nova arrancada (5.1-5) Estamos agora em 520 a.C. (ver 4.24; Ag 1.1). Para estes acontecimentos, temos os relatos contemporâneos de Ageu e Zacarias, que possivelmente haviam chegado pouco antes a Jerusalém. Sobretudo Ageu mostra como o povo precisava de ser animado depois dos reveses dos últimos dezesseis anos. Trabalhara-se tão pouco no novo templo, que se procedeu a nova cerimônia de fundação (Ag 2.18). Geralmente supõe-se que Zorobabel (2) fora agora nomeado governador (Pehah), em lugar de Sesbazar (versículo 14), visto lhe ser dado este título em Ag 1.1 e 2.2. Todavia, Rudolf, no seu Esras und Nehemia, argumenta que, se Zorobabel fosse governador, ele, e não os outros dirigentes, teria sido consultado por Tatenai nesta altura. Por isso, em seu entender, o título referido em Ageu exprime apenas cortesia. Tatenai (3), governador persa de toda a região, a ocidente do Eufrates. A palavra indica aqui claramente o Sátrapa. Ver nota sobre 8.36. Setar-Bozenai (3), provavelmente seu secretário. Cf. 4.8.

Esdras (Novo Comentário da Bíblia) 13 Então assim lhes dissemos (4), talvez citação direta de uma carta. A Septuaginta tem: "disseram". b) Uma carta do governador persa a Dario (5.6-17) Afarsaquitas (6); ver 4.9, nota. Possivelmente deverá traduzir "dominadores". Esta carta respeita unicamente a reconstrução do templo. Contraste-se com 4.12. O governador deseja vivamente descobrir quem dirige agora a construção, e se, conforme se alega, Ciro alguma vez deu permissão a Sesbazar, de regresso, para reconstruir o templo. Esta oposição do governador persa e outras entidades é provavelmente o "monte grande" de Zc 4.7, que, como era evidente, levava o povo a pensar que jamais lograria acabar o edifício. Desde então para cá se está edificando (16). Os judeus, é claro, não queriam enfraquecer a sua causa confessando que haviam descurado o trabalho por completo durante dezesseis anos. Nos faça o rei saber a sua vontade (17), isto é, se se descobrisse o decreto de Ciro, pede-se a Dario que diga se o deseja ratificar.

Esdras 6 c) Dario dá ordem para que o trabalho seja apressado (6.1-12) Na chancelaria (1). Utilizam-se aqui duas palavras diferentes para designar o rolo. Procurou-se nos arquivos, e o decreto foi encontrado escrito num rolo. A maior parte dos documentos oficiais era guardada sob a forma de placas de barro, mas, por qualquer motivo, este decreto havia sido escrito em papiro ou couro. Acmetá (2); o mesmo que Ecbatana, capital de Média e residência de verão dos reis persas. Impossível dizer por que razão os arquivos haviam sido transferidos para ali, mas a menção inesperada de Ecbatana constitui uma indicação de autenticidade.

Esdras (Novo Comentário da Bíblia) 14 Há uma diferença natural entre este decreto (3-5) arquivado com os documentos oficiais e o anúncio público feito nos documentos judeus no capítulo 1. Aqui não se emprega o nome de Jeová, mas, uma vez que o rei subsidiava a reconstrução, este registro oficial não deixa de indicar o quantitativo exato do subsídio. Ao reafirmar o decreto e o subsídio, Dario faz acrescentamentos de conta própria (9-10). Alguns reis persas desejavam fomentar os cultos religiosos dos povos que lhes estavam sujeitos. Os papiros de Elefanta de cerca de 400 a.C. contêm as instruções de um rei persa aos judeus do Egito, relativamente à observância da festa dos pães asmos. Alguém cujo cargo correspondia ao de Secretário de Estado para Assuntos Judaicos facultaria a Dario os informes de que ele precisava e que vêm nos versículos 9 e 10. d) Conclusão e consagração do Templo (6.13-18) 1Ed 7.12 acrescenta um pormenor interessante à informação dada no versículo 13, de que os governadores que haviam escrito a carta de queixa "superintenderam nas obras sagradas, trabalhando muito cuidadosamente com os anciãos dos judeus e governadores do templo". A referência a Artaxerxes (14) parece ser devida a um erro de escriba, baseando-se numa interpretação errônea de 4.7. Não pode haver verdadeiramente uma alusão a 4.7-23, visto ali Artaxerxes prejudicar a construção com o seu decreto. Mas este versículo poderia antecipar-se a 7.21 e segs. O sexto ano... de Dario (15), o que significa que o templo foi concluído em 516 a.C. As oferendas na dedicação (17) foram muito inferiores às feitas por Salomão em 1Rs 8.5,63. A maior parte dos sacrifícios, em tais ocasiões, era consumida pelos próprios adoradores durante as comemorações, e a comunidade nesta altura era muito pequena. Do livro de Moisés (18), especialmente Nm 3 e Nm 8. Do primeiro mês (19); a cerimônia segue-se naturalmente à conclusão do templo no 12° mês, ou seja, o mês de Adar (15).

Esdras (Novo Comentário da Bíblia) 15 e) Celebração da Páscoa (6.19-22) Todos os que a eles se apartaram (21), possivelmente prosélitos mas, com mais probabilidades, judeus e israelitas que não haviam estado no cativeiro e que se encontravam prontos a cortar de vez com a idolatria e o culto deturpado de Jeová dos samaritanos e povos circundantes. Do rei da Assíria (22), título estranho aplicado ao rei da Pérsia, mas provavelmente empregado aqui com o propósito de lembrar ao leitor que a ação do rei persa havia desfeito o que fora encetado pelo rei da Assíria. Os monarcas persas dominavam agora no antigo-império assírio. V. ESDRAS VEM A JERUSALÉM - 7.1-8.36

Esdras 7 a) Artaxerxes envia Esdras com uma carta de encargo (7.1-28) A data é agora 458 a.C., e entre os capítulos 6 e 7 medeiam 60 anos. Não temos informações certas acerca do que sucedeu neste intervalo, embora o livro de Malaquias talvez deva ser colocado em finais desse período. Não sabemos quem sucedeu a Zorobabel como governador ou dirigente, embora Ne 5.15 referia a uma sucessão de governadores. Nestes capítulos finais de Esdras não há qualquer referência a um governador. Alguns comentadores supõem que a vinda de Esdras se seguiu, na realidade, à de Neemias, e a opinião corrente é que o escritor confundiu Artaxerxes I com Artaxerxes II, de forma que Esdras teria chegado verdadeiramente a Jerusalém em 398 a.C. Todavia, é quase incrível que o autor cometesse semelhante erro. A última data razoável para a composição deste livro é cerca de 300 a.C. Se Esdras tivesse, de fato, ido para Jerusalém em 398 a.C. e se mantivesse ativo durante o tempo suficiente para granjear a reputação que granjeou, a sua morte teria ocorrido ainda em memória de algumas pessoas então vivas em Jerusalém, e muitas outras teriam ouvido seus pais dizer que o haviam conhecido pessoalmente. Neemias, porém, pertenceria ao passado, e

Esdras (Novo Comentário da Bíblia) 16 seria inútil o cronista reconstruir a história de molde a fazer crer que Esdras tivesse precedido Neemias. Devemos supor que escreveu a sua narrativa para leitura pelos seus contemporâneos (embora, naquele tempo, não houvesse nada que se parecesse com a vasta disseminação dos livros da atualidade) e não poderia esperar que o erro passasse despercebido. Além disso, não podemos descortinar por que motivo o cronista deveria fazer semelhante alteração. Uma sugestão menos drástica é que Esdras se situa entre os dois períodos em que Neemias foi governador (Ne 13.6); mas tal reordenação é desnecessária, e neste comentário parte-se do princípio que a ordem bíblica está certa. Abordar-se-ão onde ocorram as opiniões que se ache militarem contra ela. 1. A VIAGEM DE ESDRAS A JERUSALÉM (7.1-10). A genealogia de Esdras (1-5) vem nitidamente abreviada, como não raro sucede nas Escrituras. Escriba hábil (6). O termo "escriba" significava originalmente um mero secretário ou escrivão (ver, por exemplo, 2Sm 8.17). Antes do exílio, o termo talvez fosse mais largamente empregado num sentido mais amplo, designando aqueles que tratavam da interpretação da lei e a copiavam (Jr 8.8). A aplicação deste título a Esdras tem este significado, e, a partir da sua época, passou a ocupar um lugar cada vez mais destacado. Netineus (7); ver nota referente a 2.43. 2. A CARTA DE ARTAXERXES (7.11-26). O conteúdo da carta vem em aramaico. Ver 4.7 e segs. Dos seus sete conselheiros (14); o conselho privado do rei. Cf. Et 1.14, e Heródoto 3.84. Para fazeres inquirição (14). É provável que Esdras ocupasse na corte persa uma posição correspondente à de diretor do departamento que tinha a seu cargo todos os assuntos judaicos. Foi agora enviado em missão oficial para investigar a situação em Judá.

Esdras (Novo Comentário da Bíblia) 17 Artaxerxes mostrou o seu favor para com os judeus e para com Esdras ofertando quantias consideráveis em dinheiro e em vasos de metais preciosos (15-20). Os reis orientais oscilavam entre a extrema generosidade e a extrema crueldade. Com o versículo 22, comparar 6.34,8-10. As quantias máximas aqui fixadas são de cerca de 100.000 dólares, cerca de 800 alqueires de trigo e 2.800 litros de vinho e azeite. Note-se que, no versículo 24, é concedida isenção de impostos aos funcionários do templo. Esdras recebeu autorização, sempre que necessário, para nomear magistrados para todos os judeus na região a ocidente do Eufrates (25), sendo o objetivo assegurar a conformidade com a prática judaica reconhecida. Já se fez referência nas notas sobre 6.6-12 ao interesse dos reis persas na conformidade religiosa dos seus súditos. Mas, sem dúvida, o próprio Esdras teve certa intervenção na redação deste decreto e apontou a Artaxerxes a importância que atribuía à boa observância da lei. Nada indica que Artaxerxes estimulasse Esdras a introduzir uma nova versão da lei, como o Código Sacerdotal, arriscando-se, assim, a provocar a inquietação entre o povo. No versículo 26, faz-se referência apenas aos judeus. 3. UM EXTRATO DAS RECORDAÇÕES PESSOAIS DE ESDRAS (7.27-28). O resto do livro vem novamente escrito em hebraico.

Esdras 8 b) Registro dos que regressaram com Esdras (8.1-14) Há ligeiras diferenças entre a lista aqui apresentada e a de 1Ed 8.28-40. O total é aqui de 1.496, enquanto que, em 1Ed, é de 1.690. Os nomes das famílias constantes dos versículos 3-14 são praticamente os mesmos que em Ed 2. Hatus (2). Ligue-se com o versículo seguinte e leia-se: "Hatus, dos filhos de Secanias". No versículo 5, leia-se: "Dos filhos de Zatu,

Esdras (Novo Comentário da Bíblia) 18 Secanias, o filho de Jeaziel". É o que se lê em 1Ed 8.32 e na versão da Septuaginta. Cf. Ed 2.8. No versículo 10, leia-se: "Dos filhos de Bani, Selomit, filho de Josifias", tal como em 1Ed 8.36 e na Septuaginta. Compare-se com Ed 2.10. E dos últimos filhos de Adonicão (13), ou, segundo outra versão, "os filhos... que foram os últimos". O sentido é obscuro, mas talvez o ramo mais velho do clã tivesse já regressado, juntando-se-lhe o mais novo com Esdras. c) A reunião observa-se um jejum solene (8.15-23) Aava (15), localização desconhecida; talvez o nome de um canal perto de Babilônia. Dos filhos de Levi (15); ver nota sobre 2.40-42, mas, segundo 1Ed 8.42, Esdras verificou a ausência tanto de sacerdotes como de levitas. Casifia (17), localização também desconhecida. É evidente que havia ali um numeroso núcleo de levitas e netineus. Alguns comentadores supõem que existia mesmo, também, um templo, naquele local, realizando-se sacrifícios judaicos, como em Elefanta. Um homem entendido (18), em algumas traduções traduzindo como nome próprio, "Issequel". Expressos por seus nomes (20), ou, traduzindo à letra, "furados ou marcados com um ponto". À medida que se ia chamando o rol, punha-se uma marca ao lado de cada nome. Então apregoei ali um jejum (21), para que se humilhassem perante Deus. Com o versículo 22, contrastar Ne 2.7,9. Deus conduz as almas de maneiras diferentes. d) Maiorais nomeados para os donativos (8.24-30) O valor destes donativos foi calculado em cerca de três milhões de dólares, quantia esta, na verdade, plausível, pois eram vastas as reservas

Esdras (Novo Comentário da Bíblia) 19 do tesouro persa; Alexandre o Grande retirou dele uns 115 milhões de dólares. e) A viagem e a chegada a Jerusalém (8.31-36) A viagem de perto de 1.500 quilômetros levou cerca de quatro meses (7.9). A multidão seguiria a rota costumeira para evitar o deserto, entrando, assim, na Palestina, pelo norte. A diferença entre a data de partida neste versículo e a de 7.9 é explicada pela demora no rio Aava. Meremote (33); ver Ne 3.4,21. Recebia o dinheiro e as ofertas. Sátrapas (36), ou governadores provinciais. Não se sabe quantos havia nesta data. Judá estaria incluído na província que abrangia toda a Síria e Palestina, mas os sátrapas das províncias vizinhas do Egito e da Cicília precisariam de ser informados de quaisquer decretos referentes à província fronteiriça. Governadores (36), os administradores persas ou nativos dos vários distritos dentro de cada satrapia. Uma vez que não vem mencionado o nome de qualquer governador de Judá, é provável que Judá e Jerusalém estivessem integrados numa região mais ampla, possivelmente sob a administração de Sambalate. VI. O PROBLEMA DOS CASAMENTOS MISTOS. - 9.1-10.44

Esdras 9 a) O desgosto e espanto de Esdras (9.1-5) Embora se suponha geralmente que os culpados eram descendentes dos que haviam regressado com Zorobabel, é possível que pertencessem ao grupo de Esdras. Mas embora 113 culpados (ver 10.1843) possam parecer pouco, após quase cem anos no país, era muito para aqueles que haviam regressado recentemente com Esdras. Príncipes (1); chefes de família ou clãs. As nações aqui nomeadas são aquelas com as quais o casamento e ligações íntimas eram vedados em passagens como Êx 34.16; Dt 7.1-3; 23.3. Embora todos estes povos

Esdras (Novo Comentário da Bíblia) 20 talvez ainda não existissem de forma identificável, os dirigentes sentiam que se justificava citar as determinações da lei. Magistrados (2), talvez simples sinônimo de "príncipes". Esdras exprime o seu horror ante a notícia com os sinais costumeiros de desgosto (3). Geralmente, rapava-se o crânio (Jó 1.20; Ez 7.18), mas Esdras arranca algum cabelo pelas raízes. O sacrifício da tarde (4), expressão que designa a oferta mencionada em Êx 29.41. Cf. 1Rs 18.29, onde indica apenas a hora. b) A oração e confissão de Esdras (9.6-15) A oração de Esdras deve ser comparada com orações semelhantes em Dn 9.4-19; Ne 9.6-38. Esdras vira, com razão, que a única esperança para a comunidade judaica de regresso residia na exclusividade da fé. A experiência passada e presente demonstrara que a verdadeira fé em Jeová era gravemente prejudicada pela miscigenação com os povos pagãos circunvizinhos. Exceções como a de Rute não autorizavam que se violasse a regra divina. Neemias exprime-se com a mesma clareza (Ne 13.23-28), como também Malaquias (Ml 2.11; 14.15). Semelhantemente, o Novo Testamento adverte contra os casamentos com descrentes (1Co 7.39), e os psicólogos modernos salientam que é imprudente o casamento entre indivíduos separados por fundas diferenças religiosas. Uma parede (9); uma vez que temos aqui uma palavra diferente da utilizada por Neemias para designar a muralha da cidade, muitos comentadores consideram que se trata de uma expressão metafórica designativa de proteção. No entanto, esta mesma palavra é aplicada às muralhas da cidade em Mq 7.11, e em Ed 4.7-23 há indícios de que, nesta altura, continuava-se a trabalhar na edificação das muralhas. As palavras citadas nos versículos 11-12 resumem o ensino da Lei e dos profetas. A história de Israel exprime uma luta constante entre a adoração pura de Jeová e as idéias deturpadas dos cananitas.

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Esdras 10 c) O povo partilha o desgosto de Esdras (10.1-5) E orando Esdras assim (1), ou, talvez melhor, "enquanto Esdras orava". Ainda há esperança (2), isto é, se nos arrependermos. Cf. Dt 30.110. Esforça-te (4); Cf. Js 1.6; 1Cr 28.10,20; 2Cr 19.11. No versículo 5, traduza-se "Os principais dos sacerdotes, dos levitas, e de todo o Israel". d) Convoca-se uma grande assembléia para ponderar o problema (10.6-15) Joanã (6). Os comentadores que colocam Esdras depois de Neemias (ver nota sobre 7.1-28) identificam este Joanã com Jônatas, neto de Eliasibe (Ne 12.10-11), e que foi sumo-sacerdote em 408 A.C., segundo os papiros de Elefantina. Mas neste versículo não se chama sumo-sacerdote a Joanã nem a Eliasibe, e, segundo Josefo (Antiguidades, 11.5.5), o pai de Eliasibe, Joaquim, era sumo-sacerdote quando Esdras chegou. Provavelmente Joaquim era agora um homem idoso. Eliasibe tinha, pelo menos, dois filhos crescidos – Jadua e Joanã – ambos com aposentos no recinto do templo. Jadua, sendo o filho mais velho, acabou por suceder a Eliasibe, e por seu turno, sucedeu-lhe o seu primogênito, que fora chamado Jônatas, ou Joanã, como o irmão de Jadua. Todos os homens de Judá e Benjamim (9). O povo fora convocado de toda a região circundante e de Jerusalém. A multidão era grande demais para as limitadas possibilidades de acomodação da cidade (Ne 7.4), e ficou exposta às grandes chuvaradas de dezembro. No versículo 14, propõe-se que os culpados sejam julgados pelos magistrados locais no sítio da sua residência.

Esdras (Novo Comentário da Bíblia) 22 Se puseram sobre este negócio (15), ou talvez, com maior correção, "se opuseram a este negócio". e) Nomeada uma comissão de inquérito: a lista dos culpados (10.16-44) O que se diz no versículo 19 acerca dos filhos dos sacerdotes (18) tenciona-se provavelmente que se aplique a cada um dos 113 culpados indicados nos versículos 18-43. Seguraram na mão do juiz como sinal de boa fé (compare-se com 2Rs 10.15; Ez 17.18), e ofereceram um carneiro como sacrifício de culpa (Lv 5.14-16). Este pecado podia ser considerado como resultante da ignorância (Lv 5.15), visto ter havido incúria geral na aplicação da Lei. O texto hebraico do versículo 44 é difícil. Em 1Ed 9.36 lemos: "Repudiaram-nas com os seus filhos". J. STAFFORD WRIGHT


Esdras - N. Comentario