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Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação Projeto de Conclusão de Curso em Design Gráfico Junho de 2012 HELENA VAN KAMPEN Orientação: Claudio Goya

Dedico esse projeto a quem cruzou meu caminho e me deu boas lembranรงas para recordar.

.Agradecimentos: Ao meu pai, por me ensinar a lutar pelo que eu quero e a não desistir; À minha mãe, por me ensinar a ter amor e humildade; Aos meus irmãos, pela bagagem cultural que me instruíram; Aos meus amigos da minha república, Aila, Du, Cadu, Uva, Diego e Iron que conviveram comigo durante 4 anos e me ensinaram muito; Ao Felipe Pelisser (bozo), Ivy Kawakami e Renan, familiares e agregados por me ajudarem nas filmagens; Aos meus amigos de Florianópolis, Carla, Sarah, Pascal, Viktor e Shana; A todos os meus amigos que fazem parte da minha vida, que me fazem crescer cada dia mais, que trocam grandes experiências e são fundamentais para a construção do meu ser.

INTRODUÇÃO “A vida é mais viva e mais atraente quando estamos conscientes da morte, e a morte só possui significado porque há vida” Rollo May — Liberdade e Destino Meu tcc é a busca pelo verdadeiro significado do relacionamento humano. Nisso fui buscar quais perguntas eu teria que fazer para começar a pesquisar possíveis respostas. A procura girava em torno dos seguintes assuntos: liberdade, conformismo, felicidade e vulnerabilidade. Conectando essas palavras e relacionando-as à sociedade atual jovem descobri um padrão de comportamento das pessoas ligadas à internet que explicou muito do que eu mesma já começava a perceber: as pessoas estão se relacionando mais, se conectando mais, mas menos intimamente e mais superficialmente. A geração que nasceu nos anos 80 e 90 nasceu em uma época com prosperidade econômica e vários avanços tecnológicos. É a chamada geração Y, que carrega algumas características, como serem individualistas e ansiosos.  Naquela época, com a popularização dos computadores e dos celulares, as crianças curiosas começaram a se aproximar da tecnologia. Havia infinitas possibilidades no interior de aparelhos de metal, que respondiam aos nossos comandos, nos possibilitavam conectar com outras pessoas e faziam-nos sentir felizes de certa forma.

Posteriormente a globalização se intensificou, a internet se consolidou e houve a massificação dos computadores nas casas e nas empresas. As distâncias diminuíram: era possível falar com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo instantaneamente e por um preço razoável. Aos poucos foi-se criando uma sensação de que todos nós estamos conectados, estamos juntos, e não sozinhos. As redes sociais explodiram, e a vida foi sendo facilitada pela tecnologia.  Chegando nos dias atuais, o cenário é este: dormimos com o nosso celular do lado, ficamos muitas horas na frente do computador, tanto no horário de trabalho quanto fora dele e levamos a internet conosco para praticamente qualquer lugar. A tecnologia entrou de uma maneira tão intensa na nossa vida que já não percebemos o limite entre o real e o virtual. As relações humanas que são bagunçadas, exigentes e cheio de altos e baixos passaram a ter uma mediação: com a distância física temos a proteção e o conforto de falar o que se quer, pensar exatamente no que falar, criar uma máscara e ser alguém sem erros, sem emoção, invulneráveis.

“O espetáculo apresenta-se como algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível. Sua única mensagem é “o que SOCIEDADE NARCISISTA aparece é bom, o que é bom aparece”. A “Nosso senso de realidade parece repousar, atitude que ele exige por princípio é aquela bastante curiosamente, em nosso desejo de aceitação passiva que, na verdade, ele já ser envolvidos pela ilusão representada de obteve na medida em que aparece sem realidade” réplica, pelo seu monopólio da aparência.” Christopher Larsh — A cultura do Narcisismo

Guy Debord — A sociedade do Espetáculo

O sociólogo Christopher Larsh compara, em seu livro “a cultura do narcisismo”, a personalidade narcisista com traços característicos da cultura contemporânea: como o medo da velhice e da morte, o senso de tempo alterado, o fascínio pela celebridade, o declínio do espírito lúdico, sensação superficial e medo do vazio interior. O livro cita que a geração que nasceu após os anos 80 não passou por guerras e repressões políticas, ela nasceu em meio à prosperidade econômica e ao senso de liberdade plena. Com escolha infinitas, começou-se a buscar a liberdade introspectiva: qualidade de vida. A publicidade vendia essa qualidade de vida com consumismo: é preciso ter muitas coisas, comprar, investir na aparência, trocar coisas velhas por novas e “melhores”. Foram atribuídos valores tangíveis para valores intrínsecos no sentido de preencher o sentimento de vazio, e o sucesso dessa publicidade trouxe a supervalorização da imagem. 

A essência das pessoas não pode ser traduzida em imagem, visto que é vivacidade. Mas a imagem tem um alto valor comercial. A economia foi degradada de “ser” para “ter”, porque o que você possui modela a sua imagem. E por isso é tão importante para os narcisistas abstrair o real e apegar-se à sua imagem idealizada, escapando do real.  A tecnologia contribuiu para isso evoluindo num ponto em que é possível estar em pleno estado de satisfação evadindo de si mesmo: Através da televisão, jogos, vídeo os sentimentos e as relações são substituídas. Numa relação virtual entre pessoas é possível manipular, pensar e retocar toda a informação para construir a sua imagem: pode-se manipular as fotos, pode-se direcionar as conversas e, então, perde-se toda a espontaneidade.

“Não obstante suas ocasionais ilusões de onipotência, o narcisista depende de outros para validar sua auto-estima. Ele não consegue viver sem uma audiência que o admire.” Christopher Larsh — A cultura do Narcisismo As redes sociais como o Facebook funcionam com alguns princípios do individualismo: ali estão os seus interesses, as suas atividades, suas idéias, o que você quer compartilhar. Você tem a liberdade de escolher o que quer participar e o que não quer. E o que é exposto para o mundo é a representação de como você quer que as outras pessoas te vejam. Ou seja, é uma imagem construída que está sujeita aos valores demagógicos da sociedade atual, os quais são: ter um corpo perfeito, ter dinheiro, fama e poder.  Compartilhando informações e construindo uma personalidade virtual o feedback dado pelas outras pessoas pode ser muito agradável para o ego. A partir daí é gerada uma vontade de viver mais experiências virtuais, de compartilhar mais e obter mais feedbacks. Mas se o caráter virtual não corresponder com o verdadeiro, o sujeito pode atribuir uma importância muito maior para a imagem idealizada, pois ele depende desse feedback para sua auto estima, e esse é muito maior na sua imagem irreal. Nessas condições, é criado um vício. AUTOR: DESCONHECIDO - FONTE: FACEBOOK

AUTOR: Fil Dunsky - FONTE: BEHANCE

“Ao contrário da comunidade, a rede é feita e mantida viva por duas atividades diferentes: uma é conectar e a outra é desconectar. E eu acho que a atratividade do novo tipo de amizade (o tipo de amizade do facebook como eu a chamo) está exatamente aí. Que é tão fácil de desconectar.” Zygmunt Bauman — Estratégias para vida

Segundo Baunman, essa facilidade dada pelo ambiente virtual de se desconectar de outra pessoa degrada os laços humanos. Numa relação real você passa por angústia, ansiedade, constrangimento para romper relações, é preciso explicações, passando assim por um conflito. Na relação virtual não há contato direto, cara a cara, não é preciso encarar as consequências na essência, apenas superficialmente. Sendo assim, não há trauma. Isso está relacionado ao fato de que nos acovardamos através da internet para não mostrar nossa verdadeira face, nossos defeitos e vergonhas. E muitas vezes preferimos manter um relacionamento apenas no campo virtual pois é mais confortável mantê-lo assim. Analisamos as pessoas por um perfil e criamos preconceitos que podem não ter exatamente a ver com o que a pessoa é, e nos limitamos a não levar a relação adiante, para o campo real, e com esse conforto, que não deixa você passar por constrangimentos (e nem alegrias), vamos deixando de ter novas conexões, novas emoções, no nosso dia a dia.

“Nós esperamos mais da tecnologia e menos um do outro.” Sherry Turkle — Connected, but alone

Juntos, mas sozinhos. “Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo.” Zygmunt Bauman — Estratégias para vida Sherry Turkle escreve em seu livro “Alone Together” que as pessoas têm a necessidade de dividir sua atenção entre o que está acontecendo agora e em chats, redes sociais, rede de notícias, etc, através da tecnologia. Mas o que isso causa é que elas acabam se escondendo umas das outras. E preferem manter os outros a uma distância certa, não tão perto para incomodar e não longe no sentido de inalcançável. Essa distância certa é uma distância perigosa para crianças e adolescentes que ainda estão aprendendo a se relacionar. Muitos adolescentes que usam texto para quase tudo não gostam de ter conversas cara-a-cara pois elas acontecem em tempo real e não é possível controlar o que se vai dizer. E isso compromete nossa capacidade de auto-reflexão.

Hoje em dia é frequente a cena de um ambiente com pessoas reunidas mas cada um com sua atenção em seu aparelho eletrônico. Num ambiente de trabalho por exemplo, onde as pessoas estão nos seus dispositivos trabalhando, no que antes essas pessoas conversavam entre si sobre tanto assuntos de trabalho quanto assuntos pessoais, agora eles conversam pelos seus dispositivos. As pessoas se acostumaram a responder (um e-mail, um sms, mensagem eletrônica) somente quando for conveniente. Então iniciar uma conversa real pode ter o sentido de “incomodar”. Como as relações humanas exigem atenção, comprometimento, afeto, empatia; nos abstemos disso colocando nossa atenção nos aparelhos. A tecnologia é atraente pelo seu poder de conectar as pessoas, e assim tirar a solidão de cada um. Portanto quanto mais solitária uma pessoa se sente, mais ela conecta. Mas ao mesmo tempo, quanto mais ela conecta, mais ela se sente sozinha, pois essa conexão superficial não supre nossas necessidade de relacionamento humano, ela apenas dá uma sensação de afetividade. Esperamos que a tecnologia nos aproxime mais, mas não queremos nos aproximar sendo nós mesmos, com nossos defeitos.

“Para se tornar íntimo de alguém, precisamos deixar elas nos verem, realmente nos verem.” Brené Brown — The power of vulnerability BRENÉ BROWN - FONTE: WWW.TED.COM

“ “

Brené Brown diz em sua palestra “The Power of Vulnerability” que a vulnerabilidade é necessária pois ela nos torna merecedores de amor e empatia. Ela é a origem de sentimentos de humilhação, vergonha, derrota, mas também é o berço da alegria, contentamento e criatividade.  Não se pode ignorar seletivamente um sentimento, quando você ignora sentimentos ruins, você também deixa de sentir sentimentos de amor, felicidade, tudo. Deixar alguém nos conhecer de verdade nos leva a estar vulneráveis, mostrar nossos medos, vergonhas, alegrias, prazeres. Exige que você pare de ser a pessoa que os outros esperam que você seja para ser você mesmo, imperfeito.   A internet é tão atraente porque tira a nossa vulnerabilidade, o fato de conseguimos pensar duas vezes quando nos relacionamos virtualmente cria essa imagem perfeita de nós mesmos, e por mais que pareça que está tudo bem, na verdade estamos ignorando as experiências que poderíamos ter com o outro sendo nós mesmos, ignorando emoções reais. Mas ser vulnerável num mundo em que as pessoas ao seu redor, seus amigos, se tornaram rochas impenetráveis é, para a sociedade, sinal de fraqueza. É dificil lutar contra algo que está iminente em todos ao seu redor. É difícil buscar uma conexão profunda, intimidade, em quem é uma rocha.

Experiências pessoais “A vida é uma aventura ousada ou então não é nada.” Hellen Keller Na minha experiência buscando relacionamentos humanos, tentando dar um significado maior à minha vida criando relações com outras pessoas, descobri que somente quando você está mais vulnerável que você cria laços profundos com outros. Faz amigos de verdade. Quando viajei para florianópolis (SC) para trabalhar 3 meses, havia ido completamente sozinha, e meus amigos, minha família e as pessoas que podiam contar continuaram em São Paulo. Quando você está num ambiente em que é um desconhecido total, você se arrisca mais, pois não há ninguém para julgar suas atitudes, suas emoções. Então motivado pela sobrevivência, você precisa se comunicar com outras pessoas, descobrir como ir e vir, onde dormir, o que comer, onde é seguro. E lá, por ser uma cidade litorânea movimentada, atrai muitos turistas e intercambistas. Conheci lá muitos que, como eu, haviam ido completamente sozinhos para o lugar. E quando você encontra alguém assim, você se apega, você cria um laço muito forte, essas pessoas viram quase a sua família, viram pessoas que você pode contar. Sozinhos, uns contam com os outros para proteger,

festejar, conhecer. Criei um laço muito forte com 3 pessoas em florianópolis, um francês, uma americana e uma alemã. Sozinhos naquele lugar, a tecnologia facilitou para conectar com os nossos familiares de outro lugar, mas se algo acontecesse à nós lá, é uns com os outros que contaríamos. E íamos conhecer lugares novos juntos, e nesses lugares conhecíamos mais gente na mesma situação, e mesmo que temporariamente, em muito pouco tempo as pessoas já pareciam melhores amigos. Quando você está sozinho, longe da sua zona de conforto, é quando você está mais vulnerável. E é nessa hora que você está completamente jogado ao acaso, e as coisas acontecem espontaneamente. É impossível prever que pessoa vai aparecer em um determinado lugar, com quem você vai falar para conseguir algo, para se virar, para sobreviver, e pode ser que essa pessoa que você comece a se relacionar tenha uma história impressionante. Tudo pode acontecer. É um risco que se corre, para vivenciar um lugar novo. E foi nesses pequenos pedaços temporários em que eu estive jogada ao acaso que as coisas mais impressionantes me aconteceram. É claro que não é preciso somente viajar para obter laços profundos com outras pessoas, é possível encontrar em qualquer ambiente novo, em que você esteja disposto a mostrar vulnerabilidade e haja a possibilidade de encontrar pessoas dignas. Os laços que você já tem, é preciso conservar, manter real. Conversar virtualmente com quem você se relaciona bem realmente é bom, pois ajuda a mostrar que você está presente na vida da pessoa. Até na internet é possível descobrir pessoas vulneráveis dispostas a conectar-se, mas é preciso trazer essas pessoas para sua

VIVÊNCIA - VIAGEM PARA FLORIANÓPOLIS

vida real, conhecer ela de verdade. A tecnologia trouxe muitos benefícios, ela aproximou as pessoas, manteve-as conectadas, trouxe segurança. Ela precisa ser usada para melhorar nosso jeito de viver no mundo real. Pela facilidade que se tem de se comunicar virtualmente, é preciso usar isso para promover encontros reais. Como por exemplo o site couchsurfing, que é uma rede social destinada à disponibilizar seu “sofá” ou uma cama para viajantes na sua cidade. Funciona assim: ao se cadastrar, você oferece um espaço na sua casa para algum viajante ficar por um pequeno tempo, substituindo o hotel, e você tem direito de ficar na casa dos outros usuários cadastrados em vários lugares do mundo. O site tem umas medidas de segurança, é claro, e funciona. As pessoas gostam de usar esse dispositivo online para achar uma pessoa interessante para se hospedar, e, assim, conhecer uma cidade nova com a perspectiva de um morador local, aproveitando tudo o que a cidade tem de melhor. Também as redes sociais do tipo facebook são facilitadoras para

marcar um evento em que as pessoas irão se encontrar realmente. Se usada dessa maneira, a tecnologia realmente melhora nossa vida. Apenas temos que estabelecer um limite em que a tecnologia não seja usada para se esconder do mundo real. Por isso é tão difícil escapar desse sistema criado pelas redes sociais. O seu círculo social usa diariamente a rede para divulgar encontros, compartilhar informações e mandar mensagens. Se você tenta acabar somente com a parte relacionada à sua imagem, o perfil e os textos e imagens manipulados, a qual você compartilha e “curte” as imagens compartilhadas de outras pessoas, você acaba também com esse meio de comunicação que é onde se marca os encontros. E cada vez que você entra nessa rede, várias informações novas são compartilhadas, e a curiosidade (ou a carência) te faz perder tempo lendo as informações, sendo que muita informação são superficiais, são futilidades.

VIAGEM PARA FLORIANÓPOLIS - EXPERIÊNCIAS COM FOTOGRAFIA

DIAGRAmA - ExpERImENTO Depois de toda a pesquisa, vi que esse estilo de vida de algumas pessoas se encaixa num diagrama. O diagrama mostra a experiĂŞncia de vida acumulada em anos, e como ela reflete na sua vida atual.

sentimentos

anos

Os eixos são: Sentimentos, que podem ser bons ou ruins. Exemplos de sentimentos bons: empolgação, excitação, felicidade, orgulho, paixão, admiração, afeição, etc. Exemplos de sentimentos ruins: raiva, vergonha, medo, agonia, dor, repulsão, etc. O outro eixo são os Anos, para uma criança a vida é um turbilhão de sentimentos, portanto a experiência só começa a ser contada a partir da hora que ela adquire consciência da

origem desses sentimentos, para poder ter possibilidades de escolha (início da liberdade adulta). Ao longo dos anos na vida de uma pessoa, ela vai experimentando diferentes sentimentos, e dependendo da presença desses sentimentos e da intensidade, o diagrama forma uma curva com maior ou menor comprimento. O comprimento total é a experiência de vida da pessoa.

28 anos loucos ousada regular pouca experiência, vida linear comprimento = experiência de vida acumulado

regular ousada loucos

gênios

Uma pessoa que se arrisca bastante, que abraça sua vulnerabilidade e está sujeito ao acaso da vida acumula muito mais experiência do que quem tem uma vida branda, sem altos e baixos. Os sentimentos ruins não significam somente sofrimento, significam que surgiu um obstáculo ou algo que causa essa sensação ruim, e é necessário enfrentar e superar. Por isso as pessoas que são ousadas são obrigadas a pensar, a se relacionar mais, a descobrir a solução, e acabam tendo mais picos de sentimentos bons também. No caso das pessoas geniais, elas erraram muito antes de acertar, e elas aprenderam mais com os erros dos que com os acertos, por isso elas tem uma experiência de vida maior. Mas, se vivida uma vida com nenhuma regularidade, com picos de amor e ódio a todo instante, leva a loucura.

Pessoas que têm tudo, não enfrentaram dificuldades na vida, só tem emoções boas, não sabem o que é frustração de verdade, por isso têm uma vida regular. Se tiverem emoções ruins, vão enfrentar frustrações, mas vão aumentar a experiência de vida. Pessoas que só sabem o que é sofrimento são frustradas se não conseguiram superá-lo. Quando chega uma hora, um determinado período em que é preciso acomodar e criar objetivos como por exemplo ter uma família, se a pessoa já possui uma certa experiência de vida acumulada, ela vai enfrentar com muito mais facilidade essa nova fase da vida, podendo ter uma vida linear e feliz, livre de frustrações. A espontaneidade causa os picos de sentimentos, pois no cotidiano vive-se construindo o futuro e prevendo que coisas boas

ou ruins vão acontecer, mas quando algo que você não está esperando acontece, o sentimento é muito intenso. Espontâneo = Experiência Na internet, a possibilidade de controlar tudo e viver emoções superficiais não criam o acaso a não ser que através da relação virtual seja possibilitado o relacionamento real. Por exemplo amigos, namorados, que se conheceram pela internet mas utilizaram-na para trazer a relação para o real e, assim, criaram um laço humano. Pois é somente através da experiência real, em carne, osso, cheiros, incertezas que o reações espontâneas acontecem. Quando você não controla o ambiente, você está sujeito ao que vai acontecer todo o tempo. Quando se está imerso em um outro mundo (virtual), é possível que haja alguns altos e baixos, mas eles são muito menos intensos, pois há muito menos vulnerabilidade.

pRODUTO A tecnologia pode ser usada de uma maneira mais interessante na nossa vida, como compartilhar experiências pessoais no sentido de inspirar as pessoas a buscarem essa experiência para elas mesmas. Foi pensando nisso que resolvi elaborar um vídeo para tentar inspirar as pessoas a desligarem o computador e viverem mais desconectadas. REFERêNCIAS Já tinha visto alguns vídeos interessantes de referência, mas foi somente quando assisti o “Manifesto Holstee” que minha idéia ganhou forma. Esse vídeo é uma edição bem bonita que contém o seguinte manifesto: (ao lado) Outra referência foi o filme “Na Natureza Selvagem”, do diretor Sean Penn, que mostra as aventuras e descobertas numa jornada para a natureza. Algumas frases do filme: “O núcleo do espírito de um homem vem de novas experiências” “A felicidade só é plena quando compartilhada”. Também o filme “Diários de Motocicleta” mostra o amadurecimento pessoal e como a experiência vivida reflete nas próprias ações.

AUTOR: HOLSTEE - FONTE: WWW.HOLSTEE.COM

PREPARAÇÃO Então eu tinha duas vontades: Escrever e filmar. Usei dois equipamentos para as filmagens: Câmera Canon DLRS T2i com as lentes EFS 18-55mm e a lente 50mm f/1.8 Câmera GoPro HD Hero Com a Canon eu gravei cenas de pessoas se divertindo, andando de skate, no parque, de bicicleta, e a GoPro, que é uma câmera feita para ser acoplada em algum lugar e filmar como se fosse em primeira pessoa, filmei eu mesma andando de skate, de snowboard e bicicleta. Filmes as cenas nos seguintes lugares: Parque villa lobos - São Paulo - SP Parque do ibirapuera - São Paulo - SP Ruas de Holambra - Holambra - SP Anhangabaú - São paulo - SP Rota São paulo - Santos - Bicicleta - São Paulo - SP Santiago - Chile Fiz uma viagem para o Chile a fim de complementar minhas experiências e filmar snowboarding, fui em junho/2011 e filmei nos seguintes lugares: El Colorado Ski Center, e Valle Nevado Ski Resort, filmei snowboarding e conheci a capital do chile, muito bonita, com um povo bastante acolhedor!

CÂMERA USADA PARA FILMAGEM EM PRIMEIRA PESSOA FONTE: WWW.GOPRO.COM

STILL FRAMES DE ALGUNS FILMES

Primeira Edição e Roteiro Com um bom numero de sequências de filmagens, comecei a fazer a primeira edição: Selecionei as melhores cenas e coloquei em sequência junto com uma música. Fui ajeitando e colocando outras cenas até ter uma sequência bonita e interessante. Ainda precisava escrever, comecei com alguns rascunhos no sketchbook, tentando deixar as palavras aparecerem livremente. O ponto inicial foi na viagem para florianópolis, que comecei a tirar várias fotos em sequência de um mesmo assunto, somente movimentando um pouco a câmera. Na foto abaixo duas fotos tiradas em sequencia sobrepostas.

Quando colocamos as duas fotos em sequência repetida e rápida, temos impressão que a foto tem profundidade, pois a pequena variação de distância entre as duas fotos se assemelha com a distância entre os olhos, que nos auxilia para perceber a tridimensionalidade. Todo o conceito que percebi através dessas fotos me inspiraram para escrever a sequinte frase: “Why are you standing still, while everything around you moves.” Em português: “Por que você está parado, enquanto tudo à sua volta se move”. O conceito era que eu estava em movimento (eu, representando o mundo), enquanto o objeto estava parado. Quando você está na sua zona de conforto, com a atenção em um outro mundo, você está parado, sem movimento, inanimado. Enquanto a natureza, o mundo, está girando e pulsando, vivo. Escrevi a frase em inglês, em um caráter de desterritorialização, mas o manifesto queria escrever em português, portanto escolhi a frase traduzida. A partir disso, comecei a escrever mais. Depois de uma boa quantidade de texto, comecei a perceber algumas frases interessantes, que poderiam compor o que eu gostaria de dizer. Fui refinando os textos, e, um lugar que me ajudou muito a escrever foi a biblioteca do Centro Cultural São Paulo (CCSP). Depois de referências poéticas e com ajuda de familiares e amigos, cheguei no seguinte texto:

E, na busca por referências, achei um vídeo de Casey Neistat, videografista e “amante da vida” como diz o site Gizmodo, para a nike cujo título é “Faça valer (Make it Count)”. Com o dinheiro do investimento, ele e o amigo filmaram uma volta ao mundo em 10 dias, passando pelos Estados Unidos, Europa, África e Ásia. As frases que retirei do vídeo foram as seguintes (em inglês):

Enquanto você está aí parado, o mundo pulsa. Dentro de você há uma inquietude de sair do comum Tente algo novo, seja espontâneo, erre e aprenda, enfrente, confronte, e acima de tudo, sinta.

“Life is either daring adventure or nothing at all” Helen Keller “Buy the Ticket take the ride” Hunter S. Thompson  “You only live once but if you do it right once is enough” Mae West “Above all, try something”  Franklin D. Roosevelt “One who makes no mistakes makes nothing at all” Giacomo Casanova “Do one thing every day that scares you” Eleanor Roosevelt “In the end it’s not the years in your life that count, it’s the life in your years” Abraham Lincoln “If i’d followed all the rules i’d never have gotten anywhere” Marilyn Monroe  Resolvi usar duas frases no manifesto:

Acorde, liberte-se, divirta-se, viva.

“A vida é uma aventura ousada ou então não é nada” H. Keller “No fim, não são os anos em sua vida que contam, e sim a vida em seus anos.” A. Lincoln

storyboard e segunda edição

“A vida é uma aventura”

Enquanto você está ai parado...” O mundo pulsa.

Depois da primeira edição, que juntava vários pedaços dos vídeos em sequência, selecionei as melhores partes e o roteiro final para montar um storyboard cru do vídeo final:

3 cenas impactantes - rápido

Dentro de você, há um animal,

Você é instinto

de ser natural. de tornar-se real.

Dentro de você, há uma inquietude

???

unir-se à terra

renovação do ser

tente algo inexplorado (novo)

erre e aprenda seja expont창neo

enfrente

divirta-se

confronte

e acima de tudo, sinta

liberte-se viva

"No fim, n찾o s찾o os anos em sua vida que contam, e sim a vida em seus anos."

Resolvi utilizar a técnica de animação 3D + animação 2D em motiongraphics para encaixar as frases no vídeo. Utilizei os softwares Adobe After Effects e Cinema4D. CAPA A capa deste relatório remete às montanhas chilenas, a qual representei por dobraduras em forma de pirâmides. Essas montanhas são a cordilheira dos andes que são vistas do avião vindo de São Paulo, a rota sobrevoa bem em cima delas. A visão foi tão bonita que me marcou e resolvi usar a inspiração na capa.

ADOBE AFTER EFFECTS CS5

TIPOGRAFIA A escolha tipográfica foi feita a partir do vídeo, sendo utilizada as fontes como arte. Escolhi as fontes pela personalidade de sua serifa, customizando-as com elementos condizentes com o conceito e espaço.

MAXON CINEMA 4D R13

CONCLUSÃO “All good things are wild and free.” Henry David Thoreau O que aprendi durante todo o processo do trabalho de conclusão foi que justamente as dificuldades que nós passamos são as que nos levam a crescer. Aprender coisas novas demoram: você se arrisca, se decepciona, se machuca e se alegra. Para viver de verdade é preciso coragem, não é fácil. É tentador se esconder atrás das imagens, não ser você mesmo, não se colocar em uma posição que está sujeita à decepções e à tristeza. Mas se você tem a coragem de viver enfrentando tudo o que vem pela frente, sendo plenamente você mesmo, você abraça as possibilidades e dá um sentido maior para a vida. As pessoas reclamam que estão solitárias, mas não fazem nada para mudar a situação. Você é responsável pela sua motivação de mudar. Minha intenção foi fazer um vídeo para viralizar na própria origem do problema, para tentar inspirar as pessoas que assistirem a viverem melhor e sem medo. Afinal, eu mesma fui inspirada a ir conhecer lugares, esportes e pessoas por vídeos online. Se eu conseguir atingir uma só pessoa, já terá valido a pena.

bibliografia LARSH, Christopher. A cultura do Narcisismo. Rio de Janeiro / Imago, 1983. MAY, Rollo. Liberdade e destino. Rio de Janeiro / Rocco, 1987. HALL, Stuart. A identidade cultural na pós Modernindade. Rio de Janeiro / DP&A, 2006. DEBORD, Guy. A sociedade do Espetáculo. Rio de Janeiro / Contraponto, 2002. FAUSTO NETO, Antônio. Interação e Sentidos no ciberespaço e na sociedade. Porto Alegre / PUC-RS, 2001. FREUD, Sigmund. Introdução ao narcisismo. São Paulo / Companhia das Letras, 2010. FILMES Na natureza Selvagem - Sean Penn, 2007 Diários de Motocicleta - Walter Salles, 2004 Onde vivem os monstros - Spike Jonze, 2009 INTERNET (Acessos entre janeiro e junho de 2012) TURKE, Shirley. Connected, But Alone Disponível em: <http://www.ted.com/talks/sherry_turkle_alone_together.html> BROWN, Brené. The power of Vulnerability Disponível em: <http://www.ted.com/talks/brene_brown_on_vulnerability.html> BAUMAN, Zugmunt. Estratégias para a vida Disponível em: <http://www.cpflcultura.com.br/evento/zygmunt-bauman-estrategias-para-a-vida>

Manifesto Holstee Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=QDmt_t6umoY> Make it Count Disponível em: <http://www.vimeo.com/40004005> Adéu, Barcelona! - LUCASLOMBARDI Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=zEpo4gExLT8> Welcome Trailer - ISENSEVEN 2011 Disponível em: <http://vimeo.com/21590604> Geração Y - Rita Loyola. Reportagem para Revista Galileu. Disponível em: <http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDG87165-7943-219,00-GERACAO+Y.html>

Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação Projeto de Conclusão de Curso em Design Gráfico Junho de 2012 HELENA VAN KAMPEN Orientação: Claudio Goya


O Valor do Espontâneo