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navios e descobrem novo mercado

FitnessBusiness LATIN AMERICA

jan/FEV 2011 no 51

publicação especial

E mais!

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Questão O QUE VOcÊ PRECISA SABER SOBRE A NOVA CLASSE MÉDIA BRASILEIRA, COMO ELA INVADIRÁ AS ACADEMIAS e sacudirá ainda mais a indústria do bem-estar

21ª fitness brasil internacional: a volta das aulas em grupo e das atividades

jan/fev 2011 | FITNESS BUSINESS 1 coreografadas, treinamento funcional, R$ 13 milhões em negócios, 80 mil visitantes

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Sumário CAPA O que você precisa saber sobre a nova classe média brasileira. O expert Renato Mairelles aponta a lição de casa que os empresários do setor precisam fazer para atender melhor os consumidores emergentes

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22 44

E mais: 05 Termômetro 06 Websurf 12 Vitrine - Protetores solares 14 Eventos 21ª Fitness Brasil Internacional Entrevista - Cláudio Risco 22 Mercado & Tendências Equipamentos para reabilitação 25 Blitz do Bem-estar Academias para crianças 30 Gestão Aluguel ou prédio próprio? 34 Marketing Como escolher o nome de sua academia 38 Políticas Públicas Modalidades olímpicas recebem investimentos: Tae Kwon Do 42 Caso de Sucesso Paulo Amato 44 Gestão/RH Cruzeiros: oportunidades de trabalho em alto-mar 48 Mercado & Tendências O que pensam os gurus 52 Equipamentos & Cia Anilhas 54 Artigo nov/dez 2010 | FITNESS BUSINESS

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Editorial O “C” da questão

E

mbora não seja nenhuma grande surpresa, tem gente que ainda duvida sobre o crescimento da chamada classe C no Brasil. Empresários, “marqueteiros”, estudiosos de mercado quase sempre torceram o nariz para essa ascensão que é fruto da estabilidade econômica que experimentamos nos últimos anos. Fato é que essa imensa camada impulsiona cotidianamente o surgimento de novos nichos de mercado. Os números impressionam: são consumidores que perfazem, juntos, cerca de R$ 427 bilhões de renda e gastos acumulados com produtos e serviços quase sete vezes maiores ao longo dos últimos oito anos, totalizando R$ 864 bilhões em gastos apenas em 2010, o equivalente a 41% do consumo nacional.

Mais de 30 milhões de brasileiros entraram no universo do consumo e passaram a integrar a chamada nova classe média que, por sinal, também quer qualidade de vida, bem-estar, equilíbrio. E nós, empresários do setor, com que meios estamos enxergando esse enorme potencial que está diante de nossos olhos: com óculos de sol, tapando o sol com a peneira, fazendo vistas grossas ou com precisão microscópica? Nesta edição, você confere em diversas reportagens o impacto desse contingente, apto a consumir, na vida de grandes grupos empresarias. E mais: uma entrevista com Renato Meirelles, um dos “papas” da comunicação, especializado nas classes emergentes, que promete revelar caminhos para quem deseja abocanhar essa fatia do bolo sobre a qual, aliás, pouquíssimos empreendedores do fitness brasileiro já se aventuraram a dar suas garfadas. A 21ª edição da Fitness Brasil Internacional, em Santos, também é destaque. Um evento que fará muitos profissionais repensarem o universo das academias sob o prisma das aulas coletivas (sim, eles estão voltando!), das atividades coreografadas e de lazer, do treinamento funcional e da atenção cada vez maior às populações especiais. A edição de 2011 do evento promete, anunciando o crescimento em 30% da área destinada aos estandes da maior feira de negócios da América Latina, esperando reunir 80 mil visitantes e movimentar mais de R$ 13 milhões. Então, mãos à obra e boa leitura! Waldyr Soares Presidente do Instituto Fitness Brasil

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FitnessBusiness LATIN AMERICA

Conselho Editorial

Presidente do Instituto Fitness Brasil: Waldyr Soares CEO e Presidente da IHRSA: Joe Moore Fitness Brasil Contato: Gustavo de Almeida gustavo@fitnessbrasil.com.br IHRSA Contato: Jacqueline Antunes ja@ihrsa.org

Projeto Editorial e Redação

Rua Sud Menucci, 154 – Vila Mariana CEP: 04017-080 – São Paulo – SP – Brasil Tel./Fax: (11) 5080-9100 Diretora de redação: Leila Gasparindo – MTB 23.449 legaspar@tramaweb.com.br Editora-chefe: Helen Garcia – MTB 28.969 helen@tramaweb.com.br Editor-assistente: Adriano Zanni – MTB 34.799 adriano@tramaweb.com.br Reportagens: Adriano Zanni, André Rosa, Bartira Betini, Cláudia Dias, Juliana Lanzuolo e Marcelo Jucá Projeto gráfico e diagramação: Arthur Siqueira e Clauton Danelli Revisão: Gisele C. Batista Rego (Istárion) Para assinar e/ou anunciar: assinaturas@fitnessbrasil.com.br Fone: (11) 5095-2699 ramal 635 Impressão: Gráfica Ideal A Fitness Business Latin America é uma publicação bimestral do Instituto Fitness Brasil em parceria com a IHRSA. É editada pela Trama Comunicação que não se responsabiliza por informações, conceitos ou opiniões emitidos em artigos assinados, bem como pelo teor dos anúncios publicitários. A tiragem desta edição, de 10 mil exemplares, é comprovada pela BDO Trevisan.

Parceiros Oficiais

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Cantando de galo na Granja Depois de anunciar faturamento de R$ 13 milhões no ano passado, totalizando 22 unidades próprias em todo o País (13 somente no Rio de Janeiro), a carioca Bodytech inaugura sua mais nova filial na Granja Viana, em São Paulo (SP). Com investimentos de R$ 5 milhões entre obras e equipamentos, a expectativa é ampliar os lucros da rede para cerca de R$ 170 milhões em 2011.

Fotos divulgação

Público infantil agita o mercado A garotada de Brasília (DF) ganhará um novo espaço para exercitar-se a partir de março. Há quatro anos dedicando-se ao público infantil, a Boobambu inaugura nova unidade com 300 m2 de área construída e capacidade para atender 300 alunos. Hoje, a rede fatura cerca de R$ 400 milhões ao ano. Com o novo espaço pretende chegar a R$ 1,2 bilhões de faturamento.

Elas estão na bronca Cerca de 30% das mulheres estão insatisfeitas com os serviços prestados pelo setor wellness. É o que revela uma pesquisa realizada pelo Grupo Bolsa de Mulher com 14 mil brasileiras, de diferentes idades e classes sociais. Lançado em outubro de 2010, o estudo traça um perfil acerca do maior mercado consumidor do País, revelando a importância do público feminino em cada segmento. A compilação dos dados pode ser vista com detalhes na obra Poderosas Consumidoras – o que quer e pensa a nova mulher brasileira (199 páginas, Rede de Mulheres Editora, preço sugerido: R$ 39,90).

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Fotos divulgação

websurf_

Enchendo o carrinho de compras Fazer compras pela internet já é uma realidade. Há algum tempo, empresas de vários segmentos apostam em e-commerce e investem na busca do consumidor dos mais variados segmentos, inclusive aqueles ligados ao wellness. A loja CoreStore, no ar desde dezembro de 2010, investiu R$ 100 mil para estruturação da equipe de trabalho e aquisição de produtos a serem comercializados no endereço: www.corestore.com.br. Por enquanto, são apenas acessórios em treinamento funcional Core 360º, como: balance cushion, bola medieval, corda para pular, tira de alongamento, entre outros. Mas a ideia é trazer livros, DVDs e cursos ligados ao tema em breve. A expectativa é de que, em um ano, o faturamento do portal seja de R$ 200 mil por mês.

Promoções em novo endereço virtual Além de conferir as últimas notícias sobre saúde e atividade física, o Portal da Educação Física agora também oferece o maior shopping virtual do segmento. O Shopping EF funciona como uma vitrine on-line, onde o internauta encontra produtos, ofertas, fabricantes e endereços de lojas. Assim, antes de efetuar qualquer compra no local escolhido, ele pode comparar informações sobre produtos, preços e promoções. Até o meio do ano, Leandro do Prado, líder do Portal, pretende disponibilizar 25 mil produtos que vão desde suplementos até equipamentos que atendam as necessidades dos profissionais. Aventure-se: www.educacaofisica.com.br

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treino monitorado A Movement acaba de lançar um aplicativo para gestão de atividade física e interação entre pessoas. Desenvolvido para a internet e também para celulares, o programa permite que professores e alunos criem e agendem treinamentos a distância, além de acompanharem o rendimento por meio do histórico de exercícios compartilhado na rede. Também é possível elaborar as séries antecipadamente, mandando mensagens de incentivo, ou ainda, combinar treinos coletivos com outros alunos. Basta entrar no site www.movementtrainer.com.br, instalar o aplicativo gratuitamente em um computador e efetuar o cadastro. Todo o programa de treinamentos e demais ações voltadas ao usuário poderão ser salvos, por exemplo, em um pendrive que poderá ser conectado aos aparelhos do fabricante.

Fitness Business | MAR/ABR 2010

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Entrevista Renato Meirelles

Patricia Stavis

O que você precisa saber sobre a cla$$e C Estudos realizados pelo Instituto Data Popular revelam que muitos empresários e executivos das agências de marketing não mergulharam ainda a fundo no universo desse contingente que representa mais de 55% da população brasileira. Ricardo Meirelles analisa quais nichos são os mais promissores para quem deseja vender produtos e serviços a estes consumidores exigentes Por Adriano Zanni

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É

, a gente não tem cara de panaca, a gente não tem jeito de babaca, a gente não está com a bunda exposta na janela pra passar mão nela.” A letra da canção composta por Gonzaguinha, tema da novela Vale Tudo, na década de 1980, pode perfeitamente ser o prefácio da cartilha para aqueles que desejam fazer a lição de casa e compreender melhor o comportamento de compra dos consumidores pertencentes à chamada classe C, tido como emergentes.

Nos últimos dez anos, com o incremento da distribuição de renda, eles deixaram os andaimes mais baixos da pirâmide social, galgando novos degraus. Passaram a ter acesso a produtos e serviços que, antes, eram restritos às classes A e B, incluindo nesse pacote as aulas de ginástica nas academias, os serviços de estética e os novos tratamentos de saúde. Hoje, no Brasil, eles já respondem por 43,2% da renda nacional e, até 2014, devem abocanhar outras fatias desse bolo. Haja fermento para dar conta dessa demanda! Mas não se engane: os consumidores da classe C não querem ser comparados a quem está no topo (para eles, um bando de perdulários). Eles possuem identidade própria, necessidades ímpares e quem não compreender isso está longe de conseguir uma abertura para comunicar-se com essas pessoas. Quem garante é Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular, comunicólogo com MBA em gestão de negócio e que, desde 2001, dedicase à pesquisa e ao desenvolvimento de estratégias de atuação focadas no mercado emergente brasileiro. Meirelles, antes de tudo, é um curioso e entende que o bom negócio é aquele no qual todos ganham: cidadão, empresas e sociedade.

O colaborador do livro Varejo para baixa renda e também autor da obra Um jeito fácil de levar a vida - o guia para enfrentar situações novas sem medo, da Editora Saraiva, falou com exclusividade à Fitness Business sobre como os empresários brasileiros ainda precisam se preparar melhor para atender as necessidades desse batalhão de consumidores. Fitness Business – A chamada classe C representa praticamente metade da população brasileira nos dias atuais. Como o senhor analisa a curva ascendente de crescimento por parte dessa camada socioeconômica? Até que patamar a classe C pode chegar, em termos de representatividade? Renato Meirelles - A classe C é a maior classe social brasileira. Ela representa 55,3% da população e 43,2% da renda nacional, e está em constante crescimento. Os principais motivos da ascensão da classe C são a economia aquecida, os programas governamentais, o acesso facilitado ao crédito e o aumento do número de empregos formais. Tudo isso fez que a renda da população aumentasse, o que repercutiu no poder de consumo. Estimamos que, em 2014, grande parte da população das classes D e E migrem para a C, que será ainda maior, sendo que a classe E estará próxima da extinção. Fitness Business – Nossa indústria, na ponta da cadeia do consumo, está preparada para atender a essa demanda? Corremos o risco de sofrer um apagão industrial em relação ao crescimento do consumo por parte da classe C? Renato Meirelles – A indústria brasileira, em todos os nichos, ainda não atende a demanda da classe C de forma satisfatória. Os executivos reconheceram a importância da população emergente somente nos últimos anos e

as empresas ainda estão se adaptando a esse novo mercado. Fitness Business – Qual é o comportamento de compra por parte da classe C nos dias atuais? Para que bens de consumo ela está mais voltada e quais os grandes nichos onde o consumo ainda pode ser alavancado? Renato Meirelles – Tanto a classe média quanto as classes baixas consomem de forma consciente. A população emergente tem o orçamento limitado, por isso compra o necessário e o que é de qualidade, pois não tem chance de errar. Entretanto, a classe C está tendo acesso a categorias de consumo que apenas as classes mais altas consumiam. Hoje, a população emergente já tem cartão de crédito, plano de saúde, automóvel, casa própria, computador, viaja de avião, frequenta academia, entre outros benefícios. Essas categorias têm muita chance de crescer nos próximos cinco anos. Fitness Business – O senhor acredita que ainda exista certo preconceito do empresário brasileiro em desenvolver estratégias de negócios para atingir consumidores de baixa renda? Renato Meirelles – O mercado brasileiro já percebeu que o verdadeiro consumidor é emergente, mas ainda existem muitas dificuldades para lidar com esse público. Uma pesquisa do Instituto Data Popular, feita com empresários de 100 empresas nacionais e internacionais, mostrou que os executivos não sabem lidar com as classes média e baixa. O estudo mostrou que apenas 20,7% dos empresários se consideram preparados. Além disso, 70% avaliam que existe algum tipo de preconceito por parte das empresas onde trabalham quando o assunto é atuar com baixa renda. jan/fev 2011 | FITNESS BUSINESS

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Entrevista Renato Meirelles Fitness Business – Esse cenário teria a ver com a seguinte frase: “milhões de consumidores com bolso de classe média e cabeça de baixa renda”? Em termos de comportamento de compra, essa ainda é uma realidade latente para o público da classe C? Renato Meirelles – A população emergente não pensa mais como baixa renda, já possui uma mentalidade própria. A classe C já percebeu o poder de consumo que detém em suas mãos; é exigente e busca apenas produtos de qualidade, mesmo que tenha de pagar mais caro. Diferentemente da baixa renda, que consome o necessário e o que dá para pagar. Fitness Business – Então, como cativar o consumidor da classe C? O que a publicidade brasileira ainda precisa aprender para seguir bem nesse rumo? Renato Meirelles – A publicidade brasileira precisa entender que a classe C, apesar de ter poder aquisitivo relevante, não tem a mesma mentalidade das elites. Percebemos que o grande problema para atingir a população emergente é a comunicação; é falar a mesma língua que a classe C. Os emergentes buscam o sentimento de inclusão, pertencimento, vantagens e razões concretas. Além de entender essas motivações, é necessário compreender os valores e o modo de vida desse público. Fitness Business – Qual a influência da internet e das mídias sociais no consumo da classe C? De que forma tais instrumentos podem se tornar eficazes para ampliar vendas para esse público? Renato Meirelles – A nova classe média brasileira já descobriu a internet como forma de facilitar sua vida, principalmente no que diz respeito à pesquisa de preços – o que evita horas de caminhada e conduções lotadas – e o próprio ato final da compra. Aos poucos, as compras virtuais vão se tornando parte do cotidiano das classes

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emergentes. Atualmente, as classes C, D e E juntas já representam mais da metade do contingente de brasileiros que acessam a internet para fazer compras. Para todas as classes, os valores das compras realizadas mensalmente variam de R$ 50 a R$ 500 reais. Investir nesse canal é uma boa opção, dependendo da modalidade de negócios.

Fitness Business – Vivemos sob a ótica do bem-estar, da qualidade de vida. O consumidor da classe C já entende esse conceito? De que forma isso pode ser trabalhado com essa fatia da população, já que temos ainda um grande número de pessoas para as quais ter acesso a determinados

orçamento restrito e visa ao custobenefício, essa filosofia ainda está aquém de sua realidade. O executivo tem de ter humildade para descer do topo da pirâmide e entender que os valores e referências da grande parte da população são diferentes. O Brasil de verdade fala outra língua e precisa de uma abordagem especial. Fitness Business – Quais são os desafios de inovação em serviços, recursos humanos, ações de relacionamento e comunicação para atingir as classes C, D e E? Renato Meirelles – O desafio consiste em se reinventar, pois alguns executivos ainda acreditam que a classe C quer ser a classe A, mas este pensamento está completamente equivocado. O consumidor da nova classe média, assim como o da base da pirâmide, quer melhorar de vida, sim, mas sua mentalidade é outra. Ele acha o cara do topo da pirâmide um babaca, perdulário. E é neste aspecto que consiste o grande erro em lidar com as camadas mais baixas.

PAULO MUMIA

serviços ou produtos ainda é o objetivo a ser alcançado? Renato Meirelles – O consumidor da classe C ainda não absorveu o conceito de sustentabilidade e qualidade de vida, pois, até o exato momento, não houve uma abordagem didática condizente com seus valores e

que fizesse parte de sua realidade. Ele não entende, por exemplo, porque um produto light, que tem menos calorias pode custar o dobro do tradicional, que dá “muito mais sustância”, ou que um caderno feito com papel reciclado custa três vezes mais que um feito com papel de primeira. Como tem

Fitness Business – Se fosse para aconselhar um investidor a colocar seu capital em um determinado nicho de negócio para a classe C, quais seriam as áreas mais promissoras nos próximos dez anos e por quê? Renato Meirelles – Primeiramente, o empreendedor deve entender que a classe C, há muito tempo, não é um nicho de mercado, ela é o próprio mercado. E dentro deste mercado as possibilidades são infinitas. Este consumidor descobriu que é possível transformar seus sonhos em metas concretizáveis, e estas não estão focadas num setor específico, e sim em vários. As possibilidades são infinitas. jan/fev 2011 | FITNESS BUSINESS

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vitrine_Protetores solares

Pele protegida o ano todo

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esmo com o verão quase chegando ao fim, dermatologistas são unânimes em recomendar o uso diário de protetor solar, principalmente para quem pratica atividades físicas ao ar livre, como corridas de rua ou em parques, uma partida de tênis em quadra descoberta, entre outras. Independentemente do tom de pele, protetores e bloqueadores devem ganhar espaço cativo na mochila destes esportistas. A grande novidade fica por conta de linhas de produtos específicas para os praticantes de exercícios que acabam de chegar ao mercado: o spray parece mesmo que veio para ficar!

Fotos divulgação

Coppertone Desenvolvido para pessoas que praticam atividades esportivas, Coppertone Continuous Spray Sport FPS 30 garante proteção contra os raios UVA e UVB e ultrarresistência ao suor e à água. Indicado para todos os tipos de pele, não escorre nos olhos e oferece uma aplicação rápida e fácil. Pode ser usado no rosto. Basta borrifar primeiramente nas mãos e depois espalhar. Preço: R$ 34,90 (177 ml) Onde encontrar: 0800 704 25 90

Natura Fluido Protetor Aerossol FPS 30 Nova tecnologia de filtros oferece proteção imediata contra os raios UVA e UVB em uma embalagem com spray contínuo, o que facilita a aplicação. A nova fórmula possui textura mais leve, não oleosa, fácil de espalhar e de rápida absorção. Com secagem rápida e fotoestável, que promove maior segurança por manter suas propriedades fotoprotetoras ao longo da exposição solar. Possui novo complexo antioxidante Natura (Vitamina E, Extrato de Café e Extrato de Cacau), que auxilia no combate aos radicais livres. Resistente à água por até duas horas. Preço sugerido: R$ 56,60 (175 ml) Onde encontrar: 0800 11 5566

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Sundown Para exercícios ao ar livre sem interrupções para reaplicar o protetor, a Johnson & Johnson oferece a linha Sundown Sport. Com uma formulação não oleosa que protege contra os raios UVA e UVB, o produto atende a algumas necessidades específicas do praticante como a rápida absorção, facilidade de aplicação e garante 5 horas de resistência à água e ao suor. Disponível na versão bisnaga com FPS 30 e no frasco spray contínuo. Preço: R$ 38 (spray contínuo) Onde encontrar: 0800 703 63 63

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Eventos

21ÂŞ Fitness Brasil Internacional

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O mercado

não é mais aquele Ainda duvida? Então, que tal dar uma passadinha em Santos, na Fitness Brasil Internacional, para conferir de perto as tendências que estão inovando a indústria do bem-estar. Aulas em grupo e com coreografia estão voltando à tona Por aDRIANO ZANNI E Bartira Betini

N

o universo da moda, estão aí os desfiles que não nos deixam mentir, várias são as tendências que podem ser revisitadas de tempos em tempos. A calça com a boca mais larga para as mulheres, as botas mais curtas na altura das canelas, até mesmo o “bolerinho” da vovó, enfim, peças que estavam guardadas lá no fundo do guarda-roupa sempre acabam voltando às ruas, de maneira repaginada. No fitness, esse movimento de vai e vem também começa a dar o ar da graça, sobretudo quando o conceito de bem-estar, de equilíbrio entre corpo e mente, da busca pela qualidade de vida nos aspectos físico e emocional encontra tamanha ressonância entre educadores físicos e empresários do setor. Nesse sentido, a edição 2011 da Fitness Brasil Internacional já é aguardada com ansiedade por profissionais, estudantes e demais interessados nos assuntos que desfilarão pela maior passarela do bem-estar, especialmente montada em Santos (SP), no Mendes Convention Center, entre os dias 21 e 24 de abril.

Fotos: Gabriela Nakamura e Val Luna

Ao todo, são esperadas mais de 80 mil pessoas para o evento, com 5 mil profissionais atuando nas atividades programadas para os quatro dias, que incluem palestras, workshops, workouts, lançamentos de produtos, além da feira de negócios com entrada aberta à população e que deve reunir mais de cem expositores. jan/fev 2011 | FITNESS BUSINESS

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Eventos

21ª Fitness Brasil Internacional

A 21ª edição da Fitness Brasil Internacional trará mais de 90 dos maiores palestrantes ligados à indústria brasileira do bem-estar, distribuídos em 91 cursos e palestras, cujos temas englobam musculação, personal training, treinamento funcional, políticas de gestão de pessoas, marketing, atividades esportivas, entre outros. Outros 12 palestrantes internacionais abordarão as novidades e tendências que invadem atualmente as academias do mundo todo.

para quem já está acostumado ao universo”, pontua Soares.

Waldyr Soares, presidente da Fitness Brasil, entidade realizadora do evento, diz que 2011 é um ano promissor para o setor wellness no País. “Tenho certeza absoluta de que nunca tivemos tantas oportunidades de crescimento e sucesso como agora – tanto na área de equipamentos, produtos e serviços, como também na área dos profissionais de saúde e bem-estar, que terão ao seu redor consumidores cada vez mais ávidos por informação e longevidade”, complementa.

salsa, verdadeira febre nos Estados Unidos e em mais de 110 países.

Um dos motivos desse crescimento, segundo o executivo, é o acesso facilitado às academias não apenas por parte das classes A e B, mas também dos públicos C e D. “A economia se estabilizou e o poder de compra cresceu muito, criando esse novo nicho de mercado. É uma feira que irá apresentar tendências para estas pessoas e, ao mesmo tempo, repaginar outras tantas

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Zumba: lançamento que promete Uma tendência que voltou a ser discutida mundialmente ganhará espaço entre as atividades que serão apresentadas no evento: as aulas em grupo, com coreografia, focadas em entretenimento e lazer. Elas estão em alta novamente com o zumba, uma modalidade de dança que mistura reggae e

Durante a feira, um curso ensinará as bases e a fórmula para ministrar uma aula completa de zumba, amparada em seus quatro ritmos: merengue, salsa, cumbia e reggaeton. Com esta certificação, o profissional aprenderá a montar combinações e

O evento em números • Mais de 90 cursos e palestras • 95 palestrantes, sendo 12 internacionais • 5 mil profissionais inscritos no congresso • 80 mil visitantes na feira • Mais de 100 expositores • R$ 13 milhões em volume de negócios

a estruturar suas próprias aulas, além de obter a licença para trabalhar com o programa pelo período de um ano, sem nenhum custo adicional. Esta certificação inclui manual de treinamento Zumba, um CD de trilha sonora e um DVD do programa de aulas. Depois de tornar-se certificado, o profissional poderá opcionalmente se inscrever no ZIN (Zumba Instructor Network) que oferecerá inúme-

ros benefícios: certificações nas especialidades Zumba Aqua, Zumba Atomic e Zumba Ouro; materiais de Marketing on-line; DVDs de coreografias a cada dois meses e CDs de músicas a cada mês. Queimando calorias com ritmo Também pela primeira vez no Brasil, Tyrone Proctor, um dos idealizadores da dança Waacking, e Lockerwoo Samara, campeã das principais “batalhas” ligadas a este tipo de dança nos Estados Unidos, ministrarão o Imperial House of Waacking Workshop. Tyrone é a própria história viva do Waacking e trará para este curso todos os fundamentos, a trajetória e os segredinhos da modalidade que promete queimar muitas calorias dos praticantes. Lockerwoo é uma professora reconhecida internacionalmente

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Eventos

21ª Fitness Brasil Internacional

por desenvolver sequências de exercícios e coreografias explorando todo o universo da dança. Uma mistura que promete muito ritmo e que tem atraído a atenção de pessoas de todas as idades. Populações especiais Entre as opções de cursos disponíveis na 21ª edição da Fitness Brasil Internacional, a Atuação Multidisciplinar do Professor de Educação Física voltada ao Idoso merece destaque, uma vez que trata de questões relacionadas a uma excelente e vantajosa oportunidade para modificar o atendimento em academias voltado a pessoas dessa faixa etária. A iniciativa é do Insituto Fitness Brasil em parceria com a Support Nutridrink, da Danone. “A população brasileira está envelhecendo e temos cada vez mais alunos que necessitam de um atendimento profissional ajustado às características do idoso. Cabe ao professor de educação física dar a orientação adequada, baseada em conhecimento científico e estudos”, acredita Waldyr Soares. No curso, o profissional recebe prescrição de exercícios para a 3ª idade, integrando informações pertinentes sobre os aspectos fisiológicos, metodologias de aplicação de treinos, exercícios funcionais, elementos relacionados ao tipo de atendimento, itens de sociabilização e estratégias lúdicas. O módulo inaugura o Projeto de Capacitação Técnica promovido pelo Instituto Fitness Brasil, no qual oferece cursos especiais de extensão e certificação, com carga horária ampliada e com o título ICA (Inovação de Conteúdo Aplicado), sinalizando uma nova modelagem quanto ao processo de aprofundamento nas áreas do conhecimento aplicado à realidade de trabalho.

21ª fitness brasil De 21 a 24 de abril Mendes Convention Center – Santos (SP) Informações e inscrições: www.fitnessbrasil.com.br

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O que pensam os expositores? “Em todos os setores, está havendo um interesse de grandes empresas em mercados emergentes. No fitness não é diferente. O Brasil tem um dos maiores mercados do mundo e as empresas estão de olho. Os profissionais da área têm de se atualizar para se preparar para essa nova realidade, tanto professores, como gerentes, administradores, coordenadores. Hoje, existem academias que contratam profissionais específicos para cada área de atuação. Já vai longe o tempo em que o professor formado em Educação Física montava sua sala e dava aula. As mudanças também são claras nas empresas que vendem produtos e prestam serviços. Elas têm de estar atualizadas e prontas para enfrentar esses novos desafios. José Antonio Prado Fernandes, diretor geral da Toca Online Em tempo: A Toca Online estará na feira apresentando a Endo Rádio, que sonoriza salas de musculação, recepções e demais áreas comuns de uma academia, além do Top Club, que permite ao profissional cadastrado acessar e utilizar via internet um acervo com mais de 280 horas de música, sempre atualizado. O ano de 2011 está sendo impulsionado pelo desempenho do setor que foi totalmente favorável em 2010 e projetou ainda mais as expectativas positivas para os próximos nove anos. Considerando o desempenho do mês de janeiro de 2011, estamos certos que o caminho está aberto e o otimismo toma conta do mercado. Por isso, participar da Fitness Brasil Internacional, maior feira do setor na América Latina, é uma maneira de trazer parte do mercado para dentro da empresa e estreitar relacionamento com clientes e revendas. Gilson C. Carvalho, gerente nacional de Vendas da Supertech Fitness Em tempo: A Supertech possui uma linha de esteiras ergométricas, elípticos e bicicletas profissionais. Na feira, serão lançados quatro novos produtos. Participar da Fitness Brasil Internacional é entrar na maior janela do fitness brasileiro e emplacar de vez nosso negócio com uma visibilidade nacional, tendo acesso a um volume muito significativo de potenciais franqueados, pois pretendemos fechar nossa participação na feira com pelo menos 50 novos clientes. Givanildo de Holanda Matias, fundador da Test Trainer Em tempo: A Test Trainer é a única empresa voltada especialmente para o sistema de franquias ao profissional de educação física que atua como personal trainer.

Eventos/ ENTREVISTA

21ª Fitness Brasil Internacional

é nova patrocinadora máster Anúncio sobre parceria entre Vulcabras|azaleia e organizadores do evento ocorre ao mesmo tempo em que a marca expõe sua estratégia de penetração no cenário fitness

c

riada em 1975, a Olympikus configura-se como a maior marca esportiva brasileira e uma das grandes fabricantes de materiais e calçados esportivos da América Latina. Durante as mais de três décadas de existência, a marca pertencente à Vulcabras|azaleia já empreendeu diversas ações rumo à evolução dos negócios, ampliando consideravelmente sua capilaridade e o market share nos nichos onde atua.

Fot os d ivul gaç ão

Cláudio Risco, gerente de Marketing e Relações Esportivas da Olympikus: “ Em eventos dessa natureza, com grande circulação, conseguimos trabalhar com públicos diferenciados”

Nos anos 90, por exemplo, a Olympikus optou por fortalecer seu conceito perante os praticantes de esportes, desenvolvendo diversas tecnologias para atletas profissionais e amadores. Em 1997, a marca deu um grande salto ao firmar parceria com a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). Ao final da mesma década, outro importante passo foi concretizado com a entrada estratégica no Comitê Olímpico Brasileiro (COB), tornando-se a fornecedora oficial de uniformes e outros materiais de treino para as delegações do Brasil em diversos eventos como os Jogos Olímpicos. Em 2006, outro momento exponencial refere-se aos investimentos na linha de calçados e confecções de estilo esportivo casual. Para isso, criou a marca OLK com o objetivo de alcançar também um público jovem e ávido por consumir peças mais conceituais, adaptáveis ao cenário urbano. Agora, o voo é ainda mais alto: a Olympikus quer mergulhar fundo no cenário fitness e conquistar os adeptos das atividades físicas praticadas de maneira regular nas academias de ginástica, ou mesmo fora delas. Para isso, ocupará lugar de destaque como patrocinadora máster da 21ª Fitness Brasil Internacional, em Santos (SP).

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Eventos/ ENTREVISTA

21ª Fitness Brasil Internacional

A marca vem respaldada por substanciais indicadores de faturamento. Os mais recentes números aos quais a reportagem da Fitness Business teve acesso revelam que a Vulcabras|azaleia confirmou, no terceiro trimestre de 2010, a recuperação do ritmo de crescimento de vendas a patamares históricos, alavancado pelo aumento do consumo no mercado interno. A receita líquida no período somou R$ 560,4 milhões, 37,9% acima dos R$ 406,3 milhões registrados no ano anterior. A Vulcabras|azaleia S.A destaca-se também pelos investimentos maciços em tecnologia e aumento de capacidade produtiva. No terceiro trimestre de 2010, foram aportados R$ 37,3 milhões na aquisição de máquinas e equipamentos para modernização e atualização do parque industrial, integrado hoje por 45,1 mil funcionários em 26 fábricas.

com atletas de alta performance para associarem suas marcas a personalidades e alto rendimento.

Em entrevista, Cláudio Risco, gerente de Marketing e Relações Esportivas da Olympikus, há dois anos e meio no cargo, fala com exclusividade sobre as ações planejadas para 2011 e o potencial de crescimento com a ampliação da cultura do bem-estar.

Fitness Business – A 21ª Fitness Brasil Internacional conta agora com o patrocínio da Olympikus. Que ganho de imagem vocês adquirem apoiando eventos dessa natureza? Cláudio Risco – Em eventos dessa natureza, com grande circulação, conseguimos trabalhar com públicos diferenciados, tanto com os formadores de opinião, quanto com o consumidor final, pois são pessoas com grande paixão pela atividade esportiva, comprometidas com projetos atrelados à qualidade de vida.

Fitness Business – Como você analisa o marketing esportivo no Brasil? Até que ponto nos profissionalizamos em relação às práticas adotadas em outros países? Cláudio Risco – É um mercado em franca expansão, principalmente com a chegada de grandes eventos ao País, como as Olimpíadas e a Copa do Mundo. Mas a profissionalização desse segmento ainda deixa a desejar. Há poucas pessoas especializadas no segmento esportivo, sobretudo quando pensamos no cenário wellness. Nós vemos uma gama muito grande de cursos de especialização na área e as empresas estão começando a dar valor para a safra de profissionais que estamos formando. As agências internacionais estão de olho aqui no Brasil por conta desses eventos. Até mesmo para trabalharem com empresas de outros segmentos, mas que desejam lidar

Fitness Business – Como você analisa a preocupação do brasileiro com a questão da qualidade de vida e o que isso influencia no surgimento de novos nichos de negócio para a Vulcabras|azaleia? Cláudio Risco – A preocupação do brasileiro com o bem-estar é algo constante, distante daquele conceito inicial do culto ao corpo. As pessoas vivem em grandes centros, estão estressadas e desejam fazer atividades que lhes rendam prazer. Isso impulsiona nossos investimentos em P&D, em produtos que sejam capazes de aliar alta performance, conforto, comodidade e o desejo pelo bem-estar. Fitness Business – Mas ainda existe um imenso contingente de pessoas fora das academias. Como você acredita ser possível se comunicar com esse público?

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Cláudio Risco – Usamos muito os canais de televisão para atingir à grande massa. Sem dúvida, esse público ainda está diante da televisão e precisa ser incentivado, de alguma forma, à prática de atividade física. Fitness Business – Onde a Olympikus pretende chegar quanto à participação no mercado de materiais destinados ao fitness? Cláudio Risco – É um mercado ainda sem uma marca dominante. Não se trata de um mercado experimental, mas é algo que ainda carece de conhecimentos mais sólidos para todos os fabricantes. É preciso entendê-lo melhor, pesquisar. Fitness Business – Como o senhor analisa a ascensão das classes C e D ao universo das academias? O que isso deve impactar o negócio de vocês? Cláudio Risco - É visível o crescimento da demanda por academias e é natural que a oferta acompanhe. Neste aumento, surgem várias segmentações, inclusive a oferta de um serviço altamente rotativo dentro das academias, porém, com um valor bem abaixo do mercado. Este modelo está fazendo sucesso nas grandes capitais e está atraindo cada vez mais novos clientes, o que acelera em paralelo as vendas de produtos fitness. Por sermos uma marca 100% brasileira, conseguimos oferecer tecnologia, conforto e design a todos os públicos, entretanto, com um valor mais baixo do que as marcas internacionais. Esse é o impacto.

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Mercado & tendências Equipamentos para reabilitação

Eles podem

expandir o negócio

Indústria de equipamentos de ginástica começa a olhar com maior atenção para o potencial de mercado alavancado pelas chamadas populações especiais, cada vez mais presentes nas academias. Investimentos em linhas específicas para reabilitação ajudam a diversificar carteira de clientes

Fotos divulgação

Por André Rosa

Lat Pull, da Cybex, aparelho projetado para cadeirantes realizarem múltiplos exercícios

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oi-se o tempo em que apenas clínicas de fisioterapia ou hospitais dispunham de equipamentos altamente modernos, com design arrojado e uma biomecânica eficaz, destinados a pessoas que estão em fase de recuperação de lesões ou com doenças crônicas. Por conta da crescente demanda, as linhas de aparelhos com foco em reabilitação estão cada vez mais inseridas nas academias. Sorte dupla: para aqueles que dispõem agora de tecnologia de qualidade de forma ainda mais acessível e para os próprios fabricantes que descobriram uma nova alternativa para aumentar a carteira de clientes. Há 59 anos no mercado, a CyberGym é umas das principais empresas brasileiras a fabricar e a comercializar equipamentos específicos à reabilitação física. Para esta finalidade, a empresa conta com a linha Biodelta que tem cerca de 40 aparelhos. “Além dessa linha, temos também equipamentos que possibilitam adaptações para técnicas de reabilitação”, afirma Fernando Augusto Afonso, diretor da CyberGym, que ressalta a eficiência dos aparelhos certificados como referência em biomecânica e ergonomia, além de conforto e segurança. A CyberGym decidiu investir nesse mercado em 2005. Hoje, aproximadamente 30% do faturamento da CyberGym vem dessa linha específica para reabilitação. A empresa investe 5% de seus recursos em novas pesquisas e desenvolvimento de dispositivos voltados para a questão. Todo o desenvolvimento técnico da linha Biodelta foi realizado pelo professor José Maria Santarém, especialista em reumatologia e fisiatria pela Universidade de São Paulo (USP). Ele explica que quando os equipamentos obedecem corretamente aos princípios da biomecânica é possível aliviar as dores ou lesões nas articulações. “É importante que os exercícios não forcem ligamentos e cápsulas. Portanto, é necessário que os aparelhos não produzam vetores de força que levem à sobrecarga nos ligamentos”, observa Santarém. Outra fabricante que investe neste nicho de mercado é a Cybex. Reconhecida internacionalmente como uma das pioneiras no ramo, possui a linha Total Access, considerada mista, já que dispõe

de equipamentos tanto para pessoas com limitações físicas ou sensoriais quanto para aquelas sem nenhum tipo de deficiência. “A linha tem 12 aparelhos entre musculação e cardiovascular. É projetada para ser acessível a pessoas com necessidades especiais como, por exemplo, deficientes físicos e idosos. Porém, sua aplicação não exclui as pessoas sem deficiência”, explica Rodrigo Doering, supervisor comercial da FIT4, empresa que detém, com exclusividade, a revenda de equipamentos e acessórios da marca Cybex no Brasil. Para Doering o setor de reabilitação já é muito expressivo nos Estados Unidos, o principal mercado fitness do mundo. “Hoje, existe uma grande tendência de crescimento do mesmo nicho no mercado brasileiro. A decisão de investir nessa linha de equipamentos deu-se pelo fato de atrair uma clientela que não tem tradicionalmente máquinas adequadas a suas necessidades”, conta o supervisor comercial da FIT4.

Aparelho Leg Curl, da Cybex

O maestro da banda O conceito de bem-estar é quem rege o desenvolvimento dos aparelhos com este enfoque. “Queremos fornecer equipamentos inovadores, diferenciados, produtos premium e programas que ofereçam uma experiência única ao consumidor que procura, além do seu bem-estar físico, o aumento da funcionalidade, do desempenho e, ainda, atividades de lazer”, garante Doering. “Por conta dos investimentos na biomecânica, nossos equipamentos proporcionam uma excelente reabilitação, juntamente com o fortalecimento de articulações. Assim, com o tratamento sendo bem orientado, chega-se ao bem-estar desejado, ao equilíbrio físico e emocional”, garante Fernando Augusto Afonso, diretor da CyberGym. A qualidade dos aparelhos é fundamental não só para pessoas em tratamento, mas também para quem sofre de problemas crônicos, como explica o professor Santarém. “Cada vez mais temos na população um número muito grande de pessoas com artroses, lesões de mejan/fev 2011 | FITNESS BUSINESS

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Mercado & tendências Equipamentos para reabilitação nisco, tendinites e hérnias de disco, entre outros problemas. Daí a responsabilidade em desenvolver equipamentos calcados em estudos técnicos e pesquisas científicas, firmando parcerias entre indústria e universidade. Esse é o caminho”, constata o fisiatra. Mercado “premium” O crescimento deste nicho de mercado tem exigido dos fabricantes a adoção de estratégias diferenciadas para se comunicar com os mais variados públicos, muitos deles ligados ao segmento

Cadeirantes podem praticar exerciícios para músculos peitorais no Chest Press, da Cybex

VENDEMOS, EM MÉDIA, 85 MÁQUINAS DA LINHA BIODELTA POR MÊS

Fernando Augusto Afonso, CyberGym

premium, ou seja, consumidores que podem pagar por tratamentos de reabilitação e que buscam o acesso a tais aparelhos a qualquer preço. “Nosso foco é a tecnologia que disponibilizamos para alcançar os melhores resultados em menor tempo, assim como a segurança do usuário ao utilizar nossos aparelhos”, explica Rodrigo Doering, da FIT4. Fernando Augusto Afonso, da CyberGym, acredita que a venda de aparelhos para reabilitação física abriu um novo mercado de oportunidades para a empresa, aumentando o número de clientes, entre os quais estão clínicas de fisioterapia, hospitais e academias. “Vendemos, em média, 85 máquinas da linha Biodelta por mês”, garante Afonso. Um bom exemplo do sucesso entre as estratégias averiguadas se reflete na parceria de mais de 20 anos entre a Cybex e a rede de academias Companhia Athletica que trabalha com aproximadamente 50 equipamentos específicos para reabilitação, importados dos Estados Unidos. “Decidimos trazer para o Brasil esses aparelhos, por conta da eficiência biomecânica e menores riscos de lesões durante o processo de reabilitação dos nossos clientes. São equipamentos com tecnologia altamente eficaz que ajuda muito nos treinamentos e recuperação física”, conta David Costa, fisioterapeuta da Companhia Athletica. Ele diz que, após a implementação desses aparelhos exclusivos para tratamento de lesões, o número de alunos só aumentou. “A cada ano cresce bastante a procura. Cerca de 80% dos nossos matriculados são indicados por médicos que veem a nossa estrutura como referência para o tratamento de problemas crônicos e aumento da qualidade de vida”, ressalta.

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Blitz do Bem-estar

Academia para crianças

A academia é todinha deles, mas

a decisão de compra é inteira dos “marmanjos”. A blitz do bem-estar foi conferir de perto o funcionamento de uma academia de ginástica voltada exclusivamente para crianças e descobriu como os proprietários estão se virando para tornar o espaço multifuncional e, assim, melhor fidelizar os papais Por Juliana Lanzuolo

Fotos divulgação

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Academia para crianças

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ram por volta das 9 horas da manhã de uma sexta-feira qualquer. O ambiente estava calmo, como sempre. A recepcionista os cumprimenta, desejando boa aula. Uma paradinha no bebedouro para hidratar e, então, Ruth e Miguel já estavam prontos para o alongamento. A música passava longe do repertório que embala as corridas frenéticas na esteira, mas nem por isso deixava de contagiar os alunos que seguiam descalços para o tatame colorido que delimita a sala de aula, diga-se de passagem, um ambiente completamente sem espelhos, alteres ou anilhas. Ali, ambos os alunos passam boa parte do tempo livre que possuem, exercitando a questão da consciência corporal, criando novos círculos de amizade e o melhor: deixando a mãe com uma parte do dia à inteira disposição para cuidar dos afazeres domésticos ou de outros assuntos pessoais. A “maromba” propriamente dita aqui é outra! E, minutos mais tarde, averiguaríamos que a “ralação” para manter fiéis estes pequenos usuários ao ambiente de uma academia exclusiva para crianças e adolescentes também é um pouco diferente do habitual.

Muita ludicidade, harmonização entre os ambientes e um planejamento focado nas necessidades e desejos da infância fazem parte do script do negócio. Mas há muito empresário que se esquece de um detalhe: embora o lugar pertença exclusivamente às crianças, a decisão de compra, óbvio, fica mesmo a critério dos papais. Talvez pelo fato de o Brasil ainda engatinhar nesta segmentação de mercado, uma vez que somente nas últimas duas décadas os profissionais começaram a se dar conta sobre o incremento de obesos na população infantil do País. De acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o excesso de peso já atinge também uma em cada três crianças brasileiras entre cinco e nove anos de idade e um quinto dos adolescentes.

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Problema de saúde pública? Sem dúvida. Mas também um enorme nicho para ser explorado à medida que os próprios pais ou responsáveis vão tomando consciência sobre a necessidade de matricularem seus filhos em atividades de lazer e esportivas com vistas ao bem-estar e à qualidade de vida. A My Gym, rede norte-americana que há dois anos chegou ao Brasil com uma filosofia de trabalho diferenciada, começa a colher frutos dessa visão. Quando abriu as portas, em março de 2009, tinha cerca de 30 alunos. Hoje, já são aproximadamente 400 nas sete unidades localizadas na capital paulista. Em abril, o número sobe para oito. “Durante dois anos, investimos mais de R$2 milhões, sendo R$ 800 mil em estratégias de marketing e ações de fidelização. Atualmente, estimamos que a taxa de retenção de alunos seja de 75%”, destaca Japequino. A arena lúdica de que falamos no início da reportagem, por exemplo, é uma das benfeitorias cuidadosamente projetadas. Foi toda acarpetada e os equipamentos emborrachados para não machucar os pequenos. As quinas foram cuidadosamente revestidas.

Há duas opções de aulas para todas as faixas etárias: o Playtime (período de uma hora para a criança brincar livremente na piscina de bolinhas, cama el��stica, na barra, trave etc.), e as aulas dirigidas em que os professores elaboram atividades que estimulem coordenação, equilíbrio, trabalho em equipe, além de trabalhar noções de partilha, de saber esperar sua vez e socialização. As instalações são móveis e, a cada semana, os equipamentos e objetos que compõem a arena são trocados para que a criança não enjoe. “As aulas mudam semanalmente. Durante dois anos, a criança nunca repete uma aula e já é chegada a hora de mudar de turma, conviver com outra faixa etária”, afirma Leandro Japequino, CEO da academia na América Latina. Brincando de aprender Ainda sobre a metodologia, Japequino explica que a criança é estimulada por meio de atividades divertidas que ela reconheça para que haja interesse, sempre com um propósito de ajudar em seu desenvolvimento global. “É importante entender o limite de cada um e fazer com que eles se desenvolvam brincando com prazer. Quando colocamos

uma criança na barra, por exemplo, observamos a idade para decidir sua espessura, e assim trabalhar a coordenação motora fina ou grossa, adequadamente”, explica. Para ele, uma criança pequena que não tenha sido estimulada a trabalhar a coordenação fina, terá dificuldades na hora que entrar na escola e tiver de pegar um lápis para escrever. “Se a criança não refinou esta coordenação, terá dificuldade em manipular um lápis e, consequentemente, levará mais tempo para ter destreza no movimento e uma letra legível”, enfatiza. Não muito distante dali, na Vila Olímpia, em São Paulo (SP), há 14 anos, a Bem Me Quer Sports também atende exclusivamente a criançada de 2 aos 12 anos, mas com foco na prática esportiva, com aulas de balé, judô e natação. “Disponibilizamos o perío-

do integral para complementar o período escolar da criança. Os pequenos almoçam e fazem a lição de casa supervisionados por um professor, e depois seguem nas modalidades esportivas de sua afinidade”, explica Marcello Cafaro, proprietário da academia. Enquanto as crianças se divertem entre a quadra de esportes e a cama elástica, o cliente já foi captado, afinal, foram os pais quem decidiram matricular seus filhos. Neste sentido, o ponto de partida de ambas as empresas é a necessidade, e porque não dizer, os desejos dos casais modernos. “Esse é um serviço que facilita a vida dos pais, pois as crianças estão seguras e desenvolvendo habilidades motoras e em convívio social com outros colegas.”, diz Cafaro. A My Gym aposta em um espaço onde os pais possam se integrar com o filho em uma

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Academia para crianças

atividade dirigida. “A criança extravasa seus desejos, recebe novos estímulos e fica mais disciplinada. Dependendo da faixa etária elas têm até lição de casa. Esse conjunto de elementos que fazem com que pais e filhos se entendam de uma maneira diferente”, declara Japequino. Lá, os pais participam das aulas e vão se desligando conforme sentirem a autonomia dos filhos. O empresário explica que, depois de experimentar uma aula com seu filho, a criança e os pais entendem melhor a fase em que estão. “O pai se beneficia aprendendo a lidar com determinados comportamentos do filho relacionados à falta de sono, hiperatividade ou até mesmo com as birras. Ele aprende como um estímulo positivo surte efeitos positivos e que não é preciso reprimir a criança”, conclui. Estratégias de marketing Durante a blitz do bem-estar, a reportagem da Fitness Business preencheu um formulário no qual teve de especificar dados pessoais e do suposto filho que seria matriculado. Na ocasião, a instrutora explicou que o documento serviria para um futuro convite para eventos que a academia costuma organizar. “Nossa principal estratégia de marketing é tornar a metodologia conhecida pelos pais, e para isso desenvolvemos atividades que têm os ingredientes das nossas aulas e podem ser desenvolvidas fora das unidades. Então, fazemos isso em parques ou em instituições parceiras”, explica Japequino.

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Quanto aos meios de comunicação, as divulgações também são focadas em pontos comerciais frequentados por esse cliente em potencial. São elas: clínicas pediátricas, lojas de brinquedos, buffet infantil e escolas. Proprietários de academia que tenham interesse na metodologia da My Gym também podem inseri-la em seus estabelecimentos. Na Bem Me Quer Sports, 4% do faturamento bruto anual são investidos em ações de marketing e outras atividades para fidelização. O processo de preenchimento de formulário também é seguido para envio de mailing para alunos atuais, ex-alunos, pessoas que os procuraram por telefone ou pessoalmente. As ações são direcionadas a determinados públicos, conforme a demanda. “Fazemos convênios com escolas que queiram ser nossas parceiras. O aluno sai de lá e vem praticar esporte aqui. Neste caso, oferecemos vantagens e desconto nas mensalidades”, comenta Cafaro sobre seu negócio, que afirma ter crescido cerca de 10% ao ano. Fidelização e retenção Um dos grandes desafios das academias diz respeito não somente a captar, mas a manter seus alunos fiéis. Esse cenário repete-se nas academias infantis e ambos os proprietários afirmam que o segredo está no bom atendimento e na qualidade dos serviços prestados. “Para mim, a fidelização acontece quando fazemos nossas apresentações. Frequentemente, nós realizamos campeonatos, mostras de dança e também as au-

las abertas, nas quais convidamos os pais a participarem. E é neste momento que eles sentem a evolução que o filho teve no esporte que ele está praticando. Essas mostras contribuem para mantermos uma taxa de retenção de 85%”, explica Marcelo Cafaro. Já Leandro Japequino, refere-se também à liberdade que dá a seu cliente como justificativa principal para a fidelização. “Não temos multa de cancelamento. Agimos ao contrário do mercado: todo mundo aumenta a multa para evitar que o cliente cancele. Nós cancelamos a multa para deixá-lo livre e o atendemos bem, então, fidelizamos.” Os pais querem estimular os filhos por meio da brincadeira, querem tirá-los dos condomínios e dos apartamentos para resgatar os jogos de rua. Por isso, as academias foram agregando serviços para atender à demanda de mercado. A Bem Me Quer Sports incluiu atividades circenses, ginástica artística e capoeira. Já a My Gym oferece o “One night out” – Se os pais quiserem sair à noite, eles podem deixar seus filhos aos cuidados dos instrutores da academia. Outro diferencial são as festas de aniversário. “Recebemos 75 pessoas, durante 2 horas e meia nas quais pais, filhos e convidados se misturam nos tatames em atividades representativas da metodologia e focadas nas preferências do aniversariante. Cantamos os parabéns, tiramos fotos, mas tudo é contextualizado em um processo didático”, explica Japequino.

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Gestão

Aluguel ou prédio próprio?

O sonho da casa própria: será que vale a pena? Especialistas e empresários do setor confrontam prós e contras entre adquirir um imóvel, ou então, partir para o aluguel

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m 1977, o casal Sueli e Zacarias Xavier de Barros inaugurava a Academia Sueli, em Botucatu, no interior paulista. Era apenas o início de uma trajetória promissora como empresários do setor. Porém, na época, a falta de recursos financeiros os obrigou a alugar um imóvel. “No começo, a opção foi inevitável. Minha esposa ainda era professora voluntária em um clube da cidade, mas tinha a ambição de erguer o seu próprio negócio. Para isso, tínhamos de traçar metas, e ter nosso prédio era uma delas. Mas, certamente, seria concretizada em longo prazo”, afirma Zacarias Xavier de Barros, professor do curso de engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O início da carreira dos Barros ilustra fielmente o resultado da pesquisa feita pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Administração Esportiva (GPEA), da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Fitness Brasil. O estudo levantou que cerca de 70% das academias brasileiras são de pequeno ou médio porte, possuem apenas uma unidade e ainda estão distantes do “sonho da casa própria”.

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Barros conta que teve de fazer sacrifícios pessoais para investir capital na ampliação e modernização da academia e, ainda assim, só foi construir a piscina da unidade após o 20º aniversário do negócio que mantém com sua esposa. “O nosso foco como pequeno empresário estava na compra do imóvel, portanto, todo o rendimento que entrava se tornava investimento em nossas mãos. Deixei até mesmo de comprar automóvel para a família por conta disso”, afirma o empresário, alegando que o esforço parece ter valido a pena, já que a academia possui hoje 400 alunos. O valor do aluguel de imóveis residenciais e comerciais é reajustado pelo Índice Geral de Preço de Mercado (IGP-M), da Fundação Getulio Vargas. “Há alguns anos, temos observado uma deflação nas atualizações desse índice, o que deixa os valores defasados. Por isso, é comum proprietários e inquilinos fecharem negócio por um valor um pouco mais alto, porém, condizente com a região”, comenta Roseli Hernandes, diretora da Lello Imóveis, em São Paulo. Segundo ela, atualmente, o valor do aluguel de um imóvel adequado para abri-

shutterstoc k

Por Juliana Lanzuolo

gar academias pode variar entre R$ 7 mil e R$ 25 mil, dependendo da localização. Apesar de ter locado o imóvel por tantos anos, Barros elenca as vantagens do prédio próprio. “Você pode programar o crescimento de seu negócio, tem autonomia e pode oferecer mais qualidade de serviços e nas instalações aos alunos. Já como inquilino, você não pode alterar as estruturas do prédio sem autorização prévia”. Contrapartida Há cerca de dez anos, após a construção do Shopping Anália Franco, o bairro homônimo na zona leste de São Paulo passou por um intenso processo de ver-

ticalização e abriga empreendimentos residenciais de luxo no metro quadrado mais caro da região. É lá que está localizada a academia Modella Center, que há 18 anos é mantida por Sylvio Aparício. O empresário integra-se ao cenário revelado pela pesquisa, preferindo manter o contrato de aluguel a ter de investir na construção de uma unidade própria. “Se você tem capital de sobra para investir, é uma coisa. Agora, usar o dinheiro para comprar um imóvel e montar uma academia, eu não sei se é um bom negócio. Talvez, seja preferível alugá-lo e obter lucro sem montar uma empresa. Mas se decidir por estruturar um empreendimento em prédio próprio, há que se observar se o espaço está servindo ao teu negócio”, pondera Aparício. O empresário usa uma situação hipotética para exemplificar: “Se você tem um imóvel que lhe dá uma renda de R$ 10 mil por mês, o seu negócio tem de pagar esse valor e as demais despesas. Portanto, mesmo sendo proprietário, recomenda-se conjan/fev 2011 | FITNESS BUSINESS

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Gestão

Aluguel ou prédio próprio? divulgação

siderar no plano de negócios uma verba correspondente ao aluguel, que pode variar de 8% a 10% do valor do negócio”. A academia de Aparício tem 900 m2 e vale cerca de R$ 6 milhões. Atualmente, o espaço está em obras para aumentar as instalações em 200 m². “Prefiro investir na estrutura e na qualidade de serviço. Para isso, conto também com o aval do proprietário do prédio. Ele não inviabiliza minhas reformas, pois reconhece que estou agregando valor ao que é dele. Mas, nem sempre, é possível negociar isso”, ressalta. Virgínia Dualibe, presidente da Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI), diz que, em se tratando da relação custo-benefício que incide sobre o aluguel, há uma série de fatores de ordem econômica que devem ser levados em conta. “Não se resume apenas a uma questão de preferência. A maioria dos empresários não quer imobilizar seus ativos e opta por alugar, deixando a maior parte do seu capital livre para movimentar o negócio. São feitos, então, contratos de locação de longo prazo, que garantem ao inquilino usufruir por muito tempo do investimento em benfeitorias que realizar no imóvel que, em geral, são muito específicas e provavelmente terão aproveitamento futuro, se o próximo inquilino tiver a mesma atividade”, destaca Virgínia. On demand Roseli ratifica o resultado da pesquisa e explica que “a procura pelo aluguel é mais recorrente quando o empreendedor quer montar uma academia, pois o investimento inicial em equipamento, estrutura e funcionário já é alto. Então, muitas vezes, prioriza-se a localização onde os clientes em potencial já foram identificados e opta-se por adaptar casas antigas ou mansões”. Ainda relacionado aos pontos estratégicos, ou áreas nobres, há que se con-

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Valor do aluguel de um imóvel adequado para abrigar uma academia pode variar entre R$ 7 mil e R$ 25 mil na capital paulista, afirma Roseli Hernandes, Diretora da Lello Imóveis

siderar o boom imobiliário e a escassez de terrenos para construir. Este é o caso de Moema, Pinheiros, Sé, Consolação e Itaim Bibi, bairros disputadíssimos da maior cidade da América Latina. Sem contar que boa parte das regiões mais afastadas de inúmeras cidades carece da infraestrutura mínima necessária para que uma incorporadora se arrisque a erguer um empreendimento naquele local. Uma alternativa encontrada pelos empresários, neste caso, é encomendar um imóvel e o locador construir dentro do perfil da academia, ou seja, sob demanda. “Fazemos, então, um contrato em comum acordo entre as partes em que o proprietário do galpão faz um retrofit com esquema especial de construção voltado para academia. As alterações na estrutura do imóvel também são acordadas entre inquilino e dono. São

A maioria dos empresários não quer imobilizar seus ativos e opta por alugar, deixando a maior parte de seu capital livre para movimentar o negócio Virgínia Dualibe ABMI

contratos mais longos com data-início e data-fim, e, às vezes, o proprietário até oferece abono ou carência durante a reforma, porque também é interessante para ele deixar o imóvel modernizado e adaptado a um espaço comercial”, complementa Roseli.

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Marketing

Como escolher o nome de sua academia

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e l t r e i n d h a a p o S

Por Juliana Lanzuolo

Ele é a base fundamental para o sucesso de uma marca, pois uma escolha errada pode atrapalhar todo o negócio. Especialistas de marketing indicam o que levar em consideração ao definir o nome de uma nova academia

u

m substantivo próprio que determina a singularidade de cada cidadão perante o Estado, o modo pelo qual somos conhecidos, lembrados. Se a escolha do nome é fundamental para determinar a individualidade das pessoas, o mesmo se aplica à marca de um produto ou serviço. “O ponto de partida para a escolha do nome fantasia da empresa deve ser um bom planejamento estratégico. Esse pro-

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cesso demanda uma definição de dois aspectos cruciais: qual a proposta de trabalho da organização, que deve estar atrelada ao objetivo, e qual o público-alvo, que contempla a faixa etária, classe socioeconômica e repertório cultural”, explica Ronald Carvalho, presidente da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil, em Vitória (ES). Dentro do mercado wellness é consensual que as academias ofereçam produtos

e serviços dedicados à qualidade de vida, além da atividade física e hábitos saudáveis. “Embora haja um ponto comum, ainda é essencial que o nome reflita o posicionamento da academia, algo que esteja diretamente relacionado ao diferencial proposto. O proprietário vai apostar em modalidades que fujam do tradicional? Vai investir em inovação? Saúde? É isso que ele deve se perguntar antes de definir a identidade da empresa”, ressalta Sebastião de Oliveira Campos Filho, diretor da Oliveira Campos

Consultoria e Treinamento Empresarial, em São Paulo (SP). Ambos os consultores reuniram os principais aspectos que o empresário deve considerar e, sobretudo, evitar para acertar em cheio na hora de escolher o nome de sua academia. Confira!

Atenção! • Opte por nomes simples, de fácil memorização

Empresa e marca dentro da lei Ronald Carvalho alerta para os cuidados que se deve ter em relação à propriedade intelectual: “O nome não pode ser passível de ataques judiciais”.

• Recorra à memória afetiva, com opções atreladas aos sentimentos que melhor representem a atividade a qual a empresa se propõe • A atuação de um designer gráfico contribui para a representação correta da logomarca

Os proprietários também devem se cercar de cuidados legais antes de abrir a empresa. A marca ou nome fantasia devem ser registrados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), enquanto a razão social deve constar da Junta Comercial de cada Estado. “Recomenda-se não utilizar o mesmo nome jurídico para a marca, pois a empresa pode falir, mas se a marca for forte, ela ainda pode ser vendida. Além disso, o registro no Inpi é mais econômico e garante proteção nacional para a marca. A Junta Comercial protege a razão social apenas no Estado correspondente”, afirma Julio Guidi, advogado especialista no assunto.

Evite: • Títulos que possam ser associados a outras marcas • Misturar seu conceito com marcas já consagradas • Nomes que possam gerar preconceito ou rejeição por parte do público • Gostos pessoais e generalizações. Lembre-se que seu negócio atende aos desejos e e necessidades do público

Guidi alerta que o empresário deve fazer uma busca prévia antes de iniciar o processo no Instituto para conferir se já não há outra marca conflitante. Atenção também às proibições em relação à apresentação da marca: não é permitido o uso de brasões ou identidades que remetam a órgão público. O nome não pode ser genérico, quando atrelado à atividade correspondente. Por exemplo: “academia de ginástica”.

divulgação

Há quatro formas de apresentação para a marca: somente letras, somente figuras, registro misto (o logo e o nome, que é mais comum) ou marca tridimensional (mais usada para produtos). “A empresa pode iniciar as atividades logo após a entrada nos processos no Inpi, ou então, até seis meses antes, quando é jan/fev 2011 | FITNESS BUSINESS

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Marketing

Como escolher o nome de sua academia

considerada uma usuária de boa-fé da marca. Mas, quando o proprietário faz o depósito da marca, o órgão dá um prazo de até 60 dias para que qualquer pessoa ou entidade apresente uma oposição ao seu pedido caso possua outra igual ou parecida”, explica Guidi. Na ausência de oposição (também chamada impugnação) ao registro no Inpi, a concessão da marca demora em média um ano e meio. Mas, caso haja alguma ocorrência, o prazo pode aumentar para até seis anos. A validade é de dez anos após a data concedida, podendo ser renovado quantas vezes o proprietário quiser. Segundo Guidi, o depósito da marca custa por volta de R$ 120 e outros R$ 250 ao final do processo. O Inpi também possui um método de registro on-line que diminui

Recomenda-se não utilizar o mesmo nome jurídico para a marca, pois a empresa pode falir, mas se a marca for forte, ela ainda pode ser vendida. Além disso, o registro no Inpi é mais econômico e garante proteção nacional para a marca Julio Guidi, advogado

ainda mais os custos. Para responder a um recurso ou às oposições também são cobradas pequenas taxas. O advogado chama atenção para a necessidade de assistência jurídica até que o processo seja concluído e no momento da renovação, pois todos os passos do registro são publicados em uma espécie de Diário Oficial do Inpi. “O órgão não comunica o empresário por meio de carta ou telefonema. Se o empresário deixar de cumprir os prazos, não pagar a taxa final ou não cumprir as exigências, o processo é arquivado em definitivo e não tem recurso”, ressalta Guidi. Iniciativa própria Antes de abrir a academia Movimente, na zona oeste de São Paulo (SP), Marcelo Guimarães Peres muniu-se apenas da experiência de 18 anos como educador físico para atribuir o nome à empresa. Sem recorrer a nenhum profissional, decidiu que o título teria de traduzir seu produto e que faria as pessoas entrarem para conhecê-lo. “Na confecção da logomarca, quebrei o nome em dois: ‘movi’ para representar energia, movimento e ‘mente’ para compor o equilíbrio e a concentração”, detalha o empresário. Peres afirma que essa quebra traduz bem o diferencial da academia que se baseia em treinamento funcional. “Lembro-me de um comentário também muito pertinente de um colega que disse que os exercícios treinam movimento e não músculos, como os treinos tradicionais. De alguma forma, a observação contribuiu também para o nome, já que estilizamos o ‘V’ como o tronco de uma pessoa e o ‘I’ forma a posição de um exercício de Pilates”, atesta. O proprietário conta que, para compor as cores da logomarca, consultou um livro especializado no assunto e acabou escolhendo o laranja que, segundo a obra, está diretamente ligado ao movimento, além do verde, como representante da saúde e da cura.

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Políticas Públicas

Modalidades olímpicas recebem investimentos

Golpe de mestre Novo centro de treinamento para o tae kwon do, no Rio de Janeiro, deve alavancar a formação de jovens atletas e apoiar outras modalidades. Espaço também abrigará projetos ligados à qualidade de vida da população Por Juliana Lanzuolo

o

esporte brasileiro caminha a passos largos para o fortalecimento e a capacitação de atletas rumo às competições internacionais que se aproximam. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) inaugurou, em dezembro, o Centro de Treinamento Time Brasil. O novo espaço fará parte do complexo do Centro Olímpico de Treinamento que, por sua vez, abrigará instalações já existentes e outras que ainda serão construídas na área do atual Autódromo de Jacarepaguá, na capital fluminense. O ponto de partida de todo o complexo foi a inauguração do Centro de Treinamento de Tae kwon Do nas dependências do Parque Aquático Maria Lenk. “Há outras etapas que serão concluídas até maio, como a sala de força e de condicionamento físico, a de levantamento de peso, o Centro de Treinamento de Ginástica Artística e a primeira parte do Laboratório Olímpico”, diz Marcus Vinícius Freire, superintendente executivo de Esportes do COB. Até fevereiro, já haviam sido investidos R$ 250 mil, mas a intenção é ampliar o montante para R$ 12 milhões ao final de 2011. O espaço destinado ao tae kwon do tem aproximadamente 520 m² divididos em Dojan (área para treinamento especí-

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fico), sala de condicionamento físico, sala de avaliação e sala administrativa. Esta medida não inclui os banheiros, a copa, corredores nem as demais dependências que ainda devem abrigar outras modalidades como: natação, natação sincronizada, saltos ornamentais, polo aquático, levantamento de peso, boxe, ciclismo, patinação e ginástica artística. As modalidades que receberão tais investimentos foram escolhidas em função dos espaços disponíveis nas instalações construídas especialmente para os Jogos Pan-americanos de 2007 de modo a otimizar o legado esportivo deixado pelo evento. “O projeto conta com recursos do COB, do Ministério do Esporte, do Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), e de parcerias com empresas que acreditaram na proposta”, afirma Marcus Vinícius.

A medalhista olímpica de “tae kwon do”, Natália Falavigna, faz exibição durante a solenidade de inauguração do Centro de Treinamento Time Brasil, localizado nas dependências do Parque Aquático Maria Lenk

O Instituto Fitness Brasil foi uma das entidades que ajudou a viabilizar o projeto ao apresentar fabricantes de equipamentos esportivos ao COB. A Movement, por exemplo, doou diversos aparelhos para a sala de musculação, a 4 Fit entrou com equipamentos específicos para o treinamento da modalidade e a Ziva contribuiu com pesos e halteres. “Essas empresas contribuíram consistentemente para a primeira fase do projeto e propuseram-se a dar continuidade na parceria”, adianta o superintendente do COB. fotos Ismar Ingber

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Políticas Públicas

Modalidades olímpicas recebem investimentos

Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, confere as instalações na companhia de Eduardo Paes, Prefeito do Rio, dirigentes do COB e empresários

Para Waldyr Soares, presidente do Instituto Fitness Brasil, colaborar com a estruturação do Centro de Treinamento Time Brasil vai ao encontro do escopo que a entidade possui, que é o de facilitar e desenvolver projetos que melhorem a qualidade de vida da população. “Melhor ainda é poder ajudar por meio de doações, já que estamos diante do berço de futuros atletas que irão despontar nas competições sediadas pelo Brasil nos próximos anos”, complementa Soares. De atleta para atleta O projeto arquitetônico foi concebido pela ex-judoca e arquiteta Daniela Polzin que, por ter sido usuária das mesmas instalações, compreendeu a demanda e o fluxo de atividades de treinamento que ocorrem no Centro. “Equipamos um ambiente flexível e multifuncional capaz de acompanhar o dinamismo que o esporte pede. A maioria dos equipamentos, sobretudo os de funcional, é móvel e delimita as áreas das salas. A instalação elétrica é aparente e foi disposta de

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tal maneira a permitir futuras extensões de pontos. Cada item foi pensado para oferecer real suporte aos atletas”, detalha Daniela. Segundo a arquiteta e pós-graduada em marketing e administração do esporte, a maior dificuldade foi propor um espaço que abrisse um leque para diversas modalidades. Um local exclusivo para a prática de um único esporte pode gerar horários ociosos, já um multifuncional consegue abarcar mais participantes e render um aproveitamento mais satisfatório. Mas o resultado do trabalho foi positivo na medida em que a ordem das salas respeita o fluxo dos atletas entre um equipamento e outro, além de atender a demanda de alto rendimento. “O ambiente acompanha o dinamismo do esporte, e cada estrutura deixa seu legado para a sociedade esportiva brasileira”, ressalta Daniela. Natália Falavigna, medalhista olímpica em Pequim, foi uma das atletas selecionadas pelo COB a participar efetivamente do projeto com sugestões relacionadas à infraestrutura do Centro. A atleta usou a

experiência adquirida com a academia que montou em Londrina (PR) e com as viagens ao redor do mundo para opinar sobre o piso e equipamentos adequados. “Optou-se pelo piso oficial em três quadras de luta que atendem confortavelmente até 20 atletas, área de descanso, sala de fisioterapia, treino de musculação direcionado à pratica do esporte, entre outras dependências muito bem-estruturadas. Já pude conferir modelos semelhantes na Espanha e na Coreia do Sul, mas no Brasil não havia nada igual”, afirma Natália. Atualmente, a atleta tem usufruído do espaço para realizar seus treinos, mas deixa claro que o local está aberto aos esportistas em geral. Basta que a Confederação solicite o uso e, dentro das regras e da estrutura disponível para a montagem de treino adequado, a intenção é beneficiar mais pessoas. “O Centro de Treinamento oferece todo o respaldo que o atleta precisa para preparo, condicionamento físico e busca por melhores resultados. Hoje, o País consegue sediar grandes competições e participar de intercâmbios internacionais”, garante Natália.

caso de sucesso

Paulo Amato

Para crescer é preciso comer muita poeira A

relação de Paulo Amato com o mundo dos rallies começou há 15 anos. De lá para cá, foram dezenas de participações em provas até a estruturação de uma equipe especializada na organização desse tipo de competição esportiva. Para chegar ao topo, como competidor ou empresário do ramo, é preciso ter quilometragem rodada e vontade de “ralar” muito, garante o profissional. GRID DE LARGADA Minha história como piloto começou em 1996, quando comprei o primeiro jipe. Naquele momento, ainda longe das competições, a ideia era apenas desbravar as trilhas aonde apenas um 4x4 pode chegar. Porém, a competitividade já corria nas veias e logo passei a disputar provas de regularidade. Foram oito anos sentindo vontade de acelerar até que, em 2004, comprei minha primeira caminhonete de rally de velocidade e comecei a participar de todas as provas do calendário nacional. Em 2006, após ter sofrido um capotamento que me deixou ausente das competições, estava assistindo a uma etapa do Campeonato Brasileiro, em Santa Catarina, quando fui convidado a ajudar o pessoal da organização no fechamento de um dos trechos da prova. Nasceu ali outra paixão: a de organizar e coordenar campeonatos dessa modalidade do automobilismo. nov/dez2011 2010 42 Fitness Business | jan/fev

TERRENO ACIDENTADO As dificuldades para adentrar ao esporte são quase sempre financeiras. Largar em uma prova como o Rally dos Sertões, que é o segundo maior e mais difícil do mundo, é algo muito complicado. Você sabe que vai encarar os desafios de pilotar por quase dez horas seguidas e que isso se repetirá por dez dias. Encarar a estruturação de uma equipe para uma prova dessas que envolve de 12 a 15 pessoas, quatro carros de apoio, um motor home, um caminhão de peças, entre outras coisas. Tudo isso custa dinheiro. Todo o trabalho no final rende algum retorno de mídia, só que, infelizmente,

ainda é pouco no montante. Neste ano, firmamos uma parceria com a Petroball Distribuidora de Combustíveis. Eles estão investindo em várias áreas do automobilismo, do kart ao rally, e ajudaram a viabilizar tudo. Infelizmente, ainda vivemos no país do futebol. Se apenas 20% do espaço dado ao futebol nos meios de comunicação de massa fossem divididos entre todos os outros esportes, teríamos investimentos para o desenvolvimento de diversas modalidades. PIT STOP Quando comecei no rally, fiz uma projeção de crescimento do esporte e imaginava que precisaríamos de dez anos para chegar ao nível em que estava a Stock Car, por exemplo. Porém, me enganei. O rally se profissionalizou quanto aos investimentos em carros, equipes e estrutura de apoio aos competidores, mas, infelizmente, isso ocorreu apenas por conta dos

Fotos Rodolfo Bazetto

esforços provenientes do bolso de cada piloto. Estamos nos aproximando muito do nível internacional em termos competitivos. Porém, quem banca isso tudo são os pilotos e não os patrocinadores, como acontece lá fora. É o momento de repensar a estrutura. HOLOFOTES Com um pouco de espaço na mídia, tanto os campeonatos pequenos, quanto os maiores, teriam retorno. Hoje, temos o Campeonato Paulista de rally, o Brasileiro e mais algumas copas que acontecem pelo País. Mas quem sabe disso tudo? O rally ainda é barato para quem quer começar no esporte bancando tudo do bolso; mas, para começar a caminhar em busca de vitórias, é preciso investimento. Alguns poucos programas, na maioria em TVs fechadas, dão destaque para provas da temporada, mas ainda são espaços comprados pelos organizadores. QUE VENHAM OS TROFÉUS Em 2007, a sorte colocou-me apoiando gratuitamente a primeira etapa da

Copa Peugeot de rally de Velocidade em Campinas (SP) e não poupei esforços para fazer o trabalho da melhor maneira possível. Naquele ano, me propus a seguir o resto do campeonato, trabalhando para a Peugeot gratuitamente. Em 2008, fui contratado para assumir a coordenação completa da parte técnica da prova de velocidade da Peugeot, com a possibilidade de montar a equipe de trabalho da forma que eu idealizava. Hoje, tenho uma empresa nessa área que gera lucros e está pronta para acompanhar um eventual crescimento do mercado. Difícil dizer quanto dá para tirar por etapa ou prova. Posso garantir que a Peugeot e a Mitsubishi, que são as únicas que promovem rallies com carros de suas marcas, investem quantias milionárias anualmente e não poupam com a contratação dos melhores profissionais. WARM-UP Estamos montando, nesse momento, as equipes de trabalho para as provas que trabalharemos, que devem permanecer tendo como carro-chefe

a Copa Peugeot. Como piloto, minha meta para 2011 é focar todos os esforços no rally Internacional dos Sertões e estruturar melhor a equipe para disputarmos a ponta da categoria Super Production este ano. O Rally Dakar deve ser outra realidade por aqui. Dizem as conversas de bastidores que temos uma grande chance da largada da prova acontecer no Rio de Janeiro, em 2012. Esperamos que isso abra os olhos para o potencial que temos em nosso País. BANDEIRADA FINAL Sonho com um futuro onde todos possam manter suas equipes com dinheiro de patrocínio. Sonho com mais montadoras olhando para o rally como uma forma de mostrar a segurança e confiabilidade de seus carros para o consumidor final. Sonho em continuar crescendo e principalmente ajudando o esporte a crescer, porque o brasileiro é, sem dúvida, apaixonado por carro, apaixonado por velocidade, só falta conseguirmos fazer o link e mostrar para o grande público como é fascinante esse universo. jan/fev 2011 | FITNESS BUSINESS

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Gestão/RH

Oportunidades de trabalho em alto-mar

O mar está para peixe Brasil é o sexto país no ranking de cruzeiros marítimos. Esse mercado aquecido deve gerar 4 mil empregos diretos na temporada 2011, com impacto econômico de US$ 500 milhões. Bom para os educadores físicos que podem nadar de braçada nessa onda e entrar para tripulação dos navios espalhados pela costa brasileira Por ClaÚdia Dias

M

alhar em alto-mar virou mania nacional. Em um único navio, cerca de 3,8 mil passageiros embarcam nessa aventura, cheios de disposição. E o mercado de cruzeiros marítimos investe cada vez mais neste segmento em expansão.

Pioneira em pacotes turísticos marítimos voltados ao conceito wellness, a Costa Cruzeiros embarca anualmente 30 profissionais de educação física em um único navio para fazer os passageiros mexerem o esqueleto. “Há 16 anos, o público era formado predominantemente por famílias e pessoas da terceira idade. Resolvemos aproveitar o ‘boom’ das academias para atrair um novo público, trazendo os jovens para este cenário”, explica Paulo Henrique Ferreira da Silva, coordenador de fitness da Costa Cruzeiros. Até maio deste ano, 414 cruzeiros devem transitar pela costa brasileira com mais de 886 mil turistas a bordo. Com a proximidade da Copa do Mundo de 2014

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e das Olimpíadas de 2016, o mercado de turismo marítimo deve ganhar ainda mais impulso. A participação de turistas estrangeiros promete alavancar os pacotes montados pelas operadoras. As estimativas ainda não foram reveladas, no entanto, pode-se notar a curva de crescimento vertiginosa ao comparar os números da temporada 2004/2005 com os da temporada 2009/2010. De um total de 139 mil passageiros, apenas 14 mil eram estrangeiros em 2005. Já no último ano, 99 mil turistas de outros países visitaram a costa brasileira de um total de 720 mil. Surfando profissionalmente Há sempre muitos profissionais interessados em embarcar nessa aventura, mas poucos são realmente selecionados. Silva explica que os 30 treinadores que mais se destacaram durante o ano são convidados a participar do Cruzeiro Fitness. Já para os cruzeiros regulares são em torno de quatro profissionais.

Durante a 21ª Fitness Brasil Internacional, evento realizado de 21 a 24 de abril, em Santos, o Grupo Costa realizará o Qualifying Bem-Vindo a Bordo, que selecionará profissionais interessados em trabalhar no Cruzeiro Fitness em 2012. Para inscrever-se é preciso ser graduado em Educação Física, filiado ao CREF e ter experiência com aulas em grupos em academias ou clubes de lazer. Além da análise de currículo, os candidatos serão avaliados durante o Workout Fitness Show, atividade que integra a programação do evento.

Fotos divulgação

Para os educadores físicos que trabalham em cruzeiros regulares, a remuneração pode chegar a 1,2 mil euros mensais com contratos de até oito meses. E a grande vantagem é não ter gastos com moradia e alimentação. Não há muitas atividades que envolvam gastos financeiros, exceto quando o navio atraca e a tripulação pode visitar a cidade. Mas prepare-se: a seleção é acirrada e é indispensável a fluência em inglês devidamente comprovada, pois, além da costa brasileira, os navios viajam também por toda a América Latina e Europa. Vale lembrar que, em alguns cruzeiros temáticos voltados à prática esportiva, o sistema de remuneração é diferenciado e, na maioria das vezes, são feitas permutas. O educador físico fica uma semana em alto-mar, não tem qualquer custo com a viagem, hospeda-se nas cabines de passageiros e ministra algumas aulas por dia aos turistas, acumulando horas de experiência profissional no currículo. Pique de maratonista Não basta se inscrever nas seleções para dar aulas nos cruzeiros, é preciso ter fôlego para enfrentar uma verdadeira maratona. Pelo segundo ano, Larissa Ragonha, treinadora da Body Systems, participa do Mar & Ação, cruzeiro temático da MSC. A profissional destaca que, além de boa técnica, é preciso ser carismático jan/fev 2011 | FITNESS BUSINESS

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Gestão/RH

Oportunidades de trabalho em alto-mar

e ter facilidade no relacionamento com os alunos. “Somos avaliados durante as aulas e workshops que realizamos. Todos esses critérios fazem parte da escolha do time”, explica. A educadora física Milena Emídio, que já é veterana e participa há sete anos de cruzeiros, dá outras dicas: “o grande desafio do professor é transformar a aula em parte do entretenimento, fazer com que os exercícios sejam um motivo de diversão”. O improviso também é fundamental, pois, nem sempre, é fácil ministrar aulas para 50 ou 60 alunos que o professor nunca viu anteriormente. Larissa conta ainda que, para estar no pique, é preciso muito preparo físico, o que começa com um bom treino na academia e uma dieta saudável. Entre tantas habilidades requeridas, Paulo Henrique Ferreira da Silva, da Costa Cruzeiros, explica que o alto astral é efetivamente essencial. “Acredito que há três tipos de

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educadores físicos: o professor de fitness, o de wellness e o de happyness. Esse último tem o prazer em se exercitar e passa ao aluno esse sentimento”, diz. Navegar é viver A experiência profissional é garantida. Os cruzeiros temáticos voltados para este segmento reúnem cerca de 30 educadores físicos de todo o País. O con-

Aprendemos outras linguagens, outras formas de ministrar aulas, além de conhecer muita gente, fazer amigos e se reciclar durante 24 horas por dia MILENA EMÍDIO, personal trainer

tato com profissionais de outros estados possibilita a troca de técnicas que cada treinador traz na bagagem. “Aprendemos outras linguagens, outras formas de ministrar aulas, além de conhecer muita gente, fazer amigos e se reciclar durante 24 horas por dia. O aprendizado é tão rico que parece que estamos em uma convenção em pleno alto-mar”, declara a veterana Milena. Mas as experiências não ficam apenas no plano profissional. Os cruzeiros são ótimas oportunidades para fazer novos amigos, conhecer lugares por onde ele passa, entender peculiaridades de diferentes culturas do Brasil e, por que não, se divertir. Larissa conta que, por fazer amigos de diferentes cidades, surgiu o interesse de conhecer determinadas regiões e, após a temporada de 2009/2010, ela visitou Maceió e Recife para rever os amigos que conheceu no cruzeiro. “É um momento único, que sempre vale a pena relembrar”, conclui.

O CALENDÁRIO

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Bebida Esportiva

Mercado & Tendências O que pensam os gurus?

A parte pelo todo Há pouco mais de dois meses, eles lançaram um livro que parece ser a receita para a busca de uma vida saudável. Fomos “beber na fonte” e ouvimos 5 dos 22 autores da mais recente obra sobre qualidade de vida, todos eles referendados pelo Instituto Fitness Brasil Por Marcelo Jucá

O

conceito wellness já conquistou muitos adeptos no Brasil e ao redor do mundo. Pessoas têm mudado completamente sua filosofia de vida, visando a hábitos mais saudáveis e ao melhor diálogo com o próprio corpo e com a mente. Porém, ainda há quem não tenha sido convencido dos benefícios de tamanha transformação.

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Nessa representativa fatia do bolo, encontra-se um público que denota algum tipo de resistência e isso o afasta do ambiente das academias, por exemplo. A questão não tem a ver

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com desinformação, mas sim com autoincentivo e, em muitos casos, com decisão de compra também. Esta e outras questões fazem parte do recém-lançado livro Ser + Saudável e Melhorar o seu Bem-Estar, uma coletânea de artigos de profissionais

experientes da área de saúde. Coordenado por Jô Furlan, Tavicco Moscatello e Waldyr Soares, do Instituto Fitness Brasil, a obra congrega 22 especialistas com diferentes focos, mas que discutem o bem-estar para todos os interessados em conhecer melhor suas práticas e benefícios. Para o médico e autor de artigos sobre inteligência e liderança comportamental, Jô Furlan, é impressionante como as pessoas ficam assustadas ao perceber que boa parte de seus comportamentos diários visa aumentar seu bem-estar direta ou indiretamente. Para ele, um dos grandes males da humanidade é não saber priorizar os desejos, e pior, não saber nomeá-los. “Entre a felicidade, o amor e o dinheiro, encontra-se o bem-estar, a sensação que todos procuram”, explica o articulista.

Mercado & Tendências O que pensam os gurus?

Dos males modernos que afastam as pessoas de um estilo de vida saudável, o consultor Guilherme Moscardi Monteiro lista logo o primeiro e mais resistente: o comodismo. Com ritmo de trabalho alucinado, estudos, trânsito e tantas outras razões, o sedentarismo persiste como influência da vida passiva. Aí entra o papel de preparadores físicos e empreendedores, que devem mostrar os benefícios dos exercícios e planos de treinos adequados aos horários deste público. “Nem todos precisam ou querem ser sarados, e isso deve ser entendido. Às vezes, esses estereótipos assustam o público, que não se sente confortável em praticar exercícios e frequentar aulas de ginástica, pois talvez acreditem que

nunca alcançarão o resultado almejado”, explica. Para Monteiro, os profissionais do bem-estar têm de saber qual o objetivo de cada um, “barriga tanquinho” ou “organismo saudável”. Nenhum dos dois está errado, mas cada pessoa tem sua preferência e, a partir desse desejo, é preciso incentivar o sucesso. “Assim, oferecendo o que cada um quer, mais pessoas vão procurar academias para os seus fins e um menor número de alunos desistirá das aulas”, completa. Começar cedo Do mesmo modo que o comodismo atrapalha o desenvolvimento do bemestar, a reclusão, outro mal moderno, também tem sua parcela de culpa.

Com a violência nas ruas e o crescimento do entretenimento virtual, o professor de educação física Luiz Rigolin destaca a importância que os profissionais de wellness têm ao oferecer e incentivar a prática de exercícios físicos na infância e adolescência. “Ao estudarmos todas as possibilidades, as soluções seriam as aulas de educação física nas escolas e turmas de iniciação em clubes, academias e condomínios”, afirma o especialista. “Atualmente, já existem condomínios que cobram uma pequena taxa a mais para oferecer atividades esportivas e lúdicas para os moradores. É um nicho que se desenvolve cada vez mais”, conta. Se o ambiente da academia, em princípio, não é sedutor ou adequado, os profissionais conseguem desenvolver seus trabalhos em outros locais. Mas para onde caminha o futuro do wellness? Os profissionais são unânimes quanto à resposta: para despertar cada vez mais o interesse de novos públicos, que antes não se sentiam parte deste universo das academias. “Diferentemente de modismos, o bem-estar é uma necessidade de vida e engloba o interesse de um mercado sintonizado com os tempos em que vivemos”, afirma Furlan.

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O bem-estar envolve esse laço saudável, criar vínculos e fazer dos momentos de treino momentos de descontração e amizade Jô furlan, consultor

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Populações especiais O professor de educação física André Leta conta que, com a evolução da medicina e a diminuição na taxa de mortalidade, uma das tendências é o trabalho com pessoas da terceira idade. Leta aponta que, atualmente, três gerações de famílias frequentam os treinos ministrados por ele: o avô, o filho e o neto. “E para incentivar o público que ainda não pratica, fazemos caminhadas para mostrar o bem-estar que os já praticantes sentem. É uma turma que não para de crescer. É um mercado interessante e com quem é possível fazer um trabalho diferente, totalmente direcionado, voltado especificamente para cada praticante, por mais que as práticas sejam as mesmas, como alongamentos, caminhadas e danças de salão”, explica. Para os estudiosos, a sensação de bem-estar alcançada por esse público é de outra ordem. “É uma vitória a cada dia manter-se saudável, mental e fisicamente”, completa Leta. Fernando Torres, por sua vez, destaca um outro público, o de pessoas com excesso de peso ou obesas. Para o especialista, por muito tempo, e ainda hoje, equívocos por

Nem todos precisam ou querem ser sarados, e isso deve ser entendido. às vezes, esses estereótipos assustam o público

guilherme moscardi monteiro, consultor

parte de médicos e de outros profissionais mascaram e prejudicam as tentativas de emagrecimento, o que causa frustração e, em muitos casos, a desistência dos alunos em praticar atividades físicas. “A primeira coisa é que tem de ter consciência. Sem esforço ninguém vai perder peso. Uma pessoa ganha peso por anos, então não vai perdê-lo em uma semana apenas. O exercício físico é a solução para emagrecer e restaurar a saúde”, completa. Neste filão, as academias devem repensar a forma de lidar com o público. Se um aluno sentir vergonha e quiser treinar isolado, a escolha é dele, mas o profissional tem de trabalhar o lado emocional, mostrando que a reclusão e

vergonha não devem prevalecer. A socialização faz bem também. Consciente e com objetivos do treinamento, aos poucos, o bemestar é readquirido. Furlan conclui que “os profissionais de academia e personal trainers devem compreender que o relacionamento com o aluno não deve apenas focar o físico, mas também o lado emocional”. Além de falar bom-dia e dar um sorriso, o especialista sugere dedicar mais atenção, conversar com o aluno e entender suas dificuldades. “O bem-estar envolve esse laço saudável, demonstra atenção, integrá-lo com outros alunos, criar vínculos e fazer dos momentos de treino momentos de descontração e amizade”, conclui.

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Anilhas

Design e funcionalidade ao alcance das mãos As anilhas variam em relação ao formato, revestimento, encaixe e pegada. Mas pouca gente sabe que o mais importante é a diferença de peso entre os pares, fator que pode trazer alguns danos à saúde dos praticantes de atividades físicas. Atente-se na hora de escolher o melhor equipamento para a sala de musculação Por Juliana Lanzuolo Colaborou Tavicco Moscatello

Acessório essencial para a prática de exercícios anaeróbicos, as anilhas estão por toda a parte nas academias. Elas permitem que o aluno varie e aumente a intensidade do treinamento, trabalhando grande parte dos grupamentos musculares. Sem dúvida, elas são as companheiras inseparáveis, de homens e mulheres, na busca por contornos mais delineados e qualidade de vida. Poucos sabem, entretanto, que é preciso atentar para a diferença de peso entre os itens que compõem o par escolhido, por exemplo. A variação, embora comum e já presumida, não pode ultrapassar 5%, e o ideal mesmo é que seja de apenas 2%. Além de funcional, quanto mais anatômica for a pegada das anilhas, menos dano irá causar ao praticante. Há casos de tendinites provocadas por excesso de peso e sobrecarga em relação a determinados músculos por conta de manipulação inadequada do acessório. Outro critério a ser observado por empresários e gestores na hora de decidir pela compra é se as peças são revestidas de um material resistente e flexível para aderir melhor às mãos. Dessa forma, o produto oferece mais conforto ao professor ou aluno, absorve melhor o impacto e diminui o dano ao piso do estabelecimento, em caso de queda, além de facilitar a limpeza. Nossa reportagem elaborou um quadro que apresenta diversos modelos de anilhas com dicas e novidades para você “acertar a mão” no material que oferecerá aos alunos! Há opções para todos os gostos e bolsos. Fotos divulgação

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Queens Fitness & Health

Ziva Life Brasil

KA Sports

Xtreme

Nimitz

100% borracha natural. Alta absorção do impacto

Poliuretano Premium não poroso

Poliuretano

Borracha

Borracha vulcanizada

Pegada anatômica

Possui 4

Possui 3 pegadas e contorno ergonômico

Possui 3

Possui 5 pegadas

O modelo Iron Heavy possui 3 pegadas

Variação de peso entre os pares

Até 100g

Até 2%

Até 2%

Até 2%

Tipo de encaixe

Para barras normais ou olímpicas

Olímpica com anel em aço inox

Olímpica

Olímpica com anel interno de aço inox

Furação olímpica e universal

Personalização da logomarca da academia

Não

Não

Sim

Não

Sim

R$ 13 o quilo

R$ 130,89 (peça de 5 kg); R$ 261,78 (peça de 10 kg); R$ 523,55 (peça de 20 kg)

A partir de R$ 40,90 (a unidade com 2,5 libras)

R$ 14 o quilo (em média)

Não divulgou

(11) 3034-0606

(41) 3024-3725 ou (41) 9623-4602

www.kasports.com.br

(11) 4051-1088

www.nimitzonline.com.br

Revestimento

Preço

Onde encontrar

jan/fev 2011 | FITNESS BUSINESS

53

Artigo Robson Queiroz

Onde investir em

2011

I

nício de ano: momento de parar e analisar as finanças pessoais para buscar as melhores oportunidades de investimento para suas economias. Mesmo para aqueles que possuem uma rotina tumultuada, analisar o que fazer e onde investir é uma necessidade importante. Antes de tomar qualquer decisão, além de olhar os objetivos pessoais de curto, médio e longo prazos, é necessário avaliar o cenário econômico interno e externo. Alguns fatos e acontecimentos políticos e econômicos afetam diretamente a rentabilidade dos investimentos e precisam ser considerados antes da decisão de onde alocar seus recursos. O mercado financeiro oferece duas opções de investimento: renda fixa e renda variável. Saber distribuir sua poupança entre essas duas categorias é o que vai determinar o melhor resultado.

Robson Queiroz é diretor operacional da SLW, empresa corretora de valores e câmbio, fundada há 39 anos

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Os investimentos em renda fixa, como o próprio nome diz, garantem um rendimento mensal e são consideradas as opções de menor risco. Eles podem ser divididos também em dois grupos: prefixados e pósfixados. Os prefixados incluem títulos que rendem uma taxa fixa predefinida. Os pós-

fixados acompanham as variações das curvas de juros praticadas no mercado. Assim, quando o assunto é renda fixa, o principal ponto de atenção é a expectativa com relação à taxa de juros básica da economia. Seja para investimentos via fundos ou para a compra de títulos públicos via Tesouro Direto, a condução da política monetária é o que determina a rentabilidade das aplicações. O cenário mais provável para a economia no começo deste ano com a pressão inflacionária é o aumento da taxa básica de juros, o que torna os títulos pós-fixados mais atraentes. As expectativas indicam que, ao longo deste ano, a taxa básica da economia deve subir dos atuais 10,75% ao ano para 12,75%, aumento de dois pontos percentuais. O mercado acionário (renda variável) oferece uma vasta lista de empresas cujas ações são negociadas na Bolsa de Valores (BVMF). Com o auxílio de análises fundamentalistas e gráficas oferecidas, é possível montar uma carteira de ações composta de companhias de diversos setores econômicos, levando mais proteção às aplicações.

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