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ser um classificado de jornal. Ana Rosa, a mãe, ficou pensativa, como alguém poderia trocar um beijo por um cheiro? Nessa questão, uma vizinha sempre resolve. Quando interrogada sobre o sentido do anúncio, a vizinha respondeu: Ah! É uma proposta para a troca de mortalha, do bloco de carnaval Beijo pelo Cheiro de Amor. – Mortalha? Na linguagem da gaúcha, mortalha é a roupa com que se enterra o defunto. – É. Aí ficou evidente, “com essa roupa vou brincar até morrer” metaforicamente, claro. Isso em 1980, porque, hoje, ninguém mais diz mortalha para a roupa do bloco de carnaval. Agora é abadá. E qual o significado de abadá? Em nagô, é um camisolão folgado, no estilo da roupa oficial de Nigéria; também é o nome do uniforme do capoerista. Em árabe, significa grande derrota ou escravo. Em hebraico, o sentido é de pai, de guia. Qual será o sentido que mais se aplica ao abadá do carnaval baiano? Só quem sai no bloco pode saber. Nilza Cercato

Variedades socioculturais ou diastráticas Ocorrem num plano vertical, isto é, dentro da linguagem de uma comunidade específica urbana ou rural. Essas variações podem ser influenciadas por fatores ligados diretamente ao falante ou à situação ou a ambos simultaneamente. As variações socioculturais devem ser consideradas segundo os aspectos a seguir:

Fala e escrita, variação, registro, níveis de formalismo

Mas a oposição fundamental com relação às variedades geográficas está entre linguagem urbana/linguagem rural: a primeira, cada vez mais próxima da linguagem comum, pela influência de fatores culturais, como escola, meio de comunicação de massa; a segunda, mais isolada e conservadora, pode extinguir-se ao longo do tempo com a chegada do progresso e da tecnologia. Com a televisão e a internet, essa linguagem pode desaparecer, podendo-se perder uma riqueza em comunicação. Há um movimento de pesquisa cujo interesse é preservar o dialeto dos pequenos grupos rurais.

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Comunicação e Expressão