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Nº 07 • Ano 02 •Jun/Jul/Ago 2006

Editorial reportagem de capa da sétima edição da revista Movimento Médico traz todos os detalhes do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos da categoria médica aprovado pela Assembléia Legislativa do Estado. Uma conquista histórica de todos os médicos pernambucanos. Movimento Médico traz também uma entrevista com o novo presidente do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco, Carlos Vital. A cada cinco anos, os médicos pernambucanos escolhem, por eleição direta, o corpo de conselheiros. E, por disposição regimental, a cada dois anos e meio ocorrem eleições internas para renovação ou continuidade da diretoria. No dia 31 de março passado, Vital, que era o vicepresidente de Ricardo Paiva, assumiu a presidência e Paiva passou a ser coordenador de Projetos Sociais. A vice-presidência ficou com André Longo (abaixo foto com a nova diretoria). Na sua entrevista como presidente do Cremepe, Carlos Vital dá a dica sobre o seu novo papel à frente do Conselho: “Nosso grupo seguirá a mesma linha de planejamento definida há dois anos e meio, já que de fato não existe uma velha ou nova gestão. Ou seja, apenas a continuidade de trabalhos anteriores, com uma coordenação renovada”. E você vai ler ainda nesta edição de Movimento Médico um perfil e uma entrevista com Alex, colunista do Jornal do Commercio, sobre a experiência dele nos mais de cinqüenta anos de carreira como jornalista. A revista traz ainda uma novidade: a coluna História da Medicina Pernambucana, que vai mostrar os primórdios das várias especialidades médicas e as curiosidades que marcaram o início delas no estado.

A

Capa: Foto de Hans Manteuffel

EXPEDIENTE Conselho Editorial Cremepe Presidente: Carlos Vital Vice-presidente: André Longo Assessoria de Imprensa: Joane Ferreira - DRT/PE 2699 Carla Leão - DRT/PE 3680 Simepe Presidente: Mário Fernando Lins Vice: Antônio Jordão Assessoria. de Imprensa: Chico Carlos - DRT/PE 1268 Ampe Presidente: Jane Lemos Vice: Bento Bezerra Assessoria de Imprensa: Elisabeth Porto - DRT/PE 1068 Fecem Presidente: Assuero Gomes Assessoria de Imprensa: Evelyne Oliveira - DRT/PE 3456 APMR Presidente: Adriana Marques Vice: Marizon Armstrong Trauma Coordenação: João Veiga e Fernando Spencer Damuc/UFPE Coordenação: Berta Maria Brunet e Maria Pirauá A. Gonçalves DA/UPE Coordenação: Renan Eboli Lopes e Carlos Tadeu Leonidio Redação, publicidade, administração e correspondência: Rua Conselheiro Portela, 203, Espinheiro, CEP 52.020-030 - Recife, PE Fone: 81 3241.5744 Edição Geral: VERBO Assessoria de Comunicação. Fone 81 3221.0786. - verbo@verbo.com.br. Jornalistas responsáveis: Beto Rezende e Lula Portela Projeto Gráfico/Arte Final: Luiz Arrais - DRT/PE 3054 Reportagem: Nathalia Duprat, Joane Ferreira, Carla Leão, Evelyne Oliveira, Elizabeth Porto, Chico Carlos e Débora Lobo Tiragem: 15.000 exemplares Impressão: Intergraf Coordenador Editorial: José Brasiliense Holanda Cavalcanti Filho

Da esq. para a dir.: Luiz Antônio Wanderley Domingues, Nair Cristina Nogueira de Almeida, José Carlos Barbosa de Alencar, André Longo Araújo de Melo, Carlos Vital Tavares Corrêa Lima, Helena Carneiro Leão e Silvia da Costa Carvalho Rodrigues

Todos os direitos reservados. Copyright © 2006 - Conselho Regional de Medicina Seção Pernambuco

Foto: Hans Manteuffel

Sumário

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Entrevista Carlos Vital fala dos planos para o futuro à frente do Cremepe

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Capa PCCV: conquista histórica dos médicos Foto: Marcos Michael

Seções

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01

Opinião

03

Zeppelin e o Recife: uma tradição ainda de pé

Entrevista

04

Capa

07

14

História

10

Científica

Científica

14

Índice de Mortalidade Materna ainda é alto no Brasil

Cremepe

16

Simepe

22

22

Ampe

26

Sindicato

História da Medicina Pernambucana 30

Reprodução

Editorial

História

75 anos do Simepe: há muito para comemorar

Trauma

32

32

Diretórios

34

Trauma

Fecem

35

O modelo do sistema de saúde pública do Canadá

Cultura em Foco

36

Humor

39

36

Última página

40

Cultura em foco Cinqüenta anos depois, o Rock continua fazendo sucesso

Opinião Valdecira Lucena*

Residência médica num Brasil de todos modelo atual de Residência Médica deve ser repensado para adequar-se aos novos tempos. Tempos onde não cabem soluções improvisadas, médicos-residentes acomodados e objetivos ambíguos. Ao surgir, a Residência Médica tinha por objetivo proporcionar ao jovem recémformado vivência prática do exercício da medicina, sob a orientação de um médico experiente. Esta experiência internacional foi adotada pelos cirurgiões, seguida pelos pediatras. Tal modelo resultou em queda da mortalidade dos pacientes internos, resolubilidade eficaz e um médico mais capacitado. O Brasil importou esse tipo de formação, mas atrelou o programa pedagógico ao serviço hospitalar do professor. Assim, nascia a Residência Médica hospitalocêntrica, evidenciada em comentários de colegas: “fiz minha residência no serviço do Professor tal’’ ou “fui médico-residente no hospital X‘’ - significando : “fui muito bem treinado”. Nenhum curso médico tem caráter terminal, somos eternos aprendizes. Mas podemos fixar metas a serem cumpridas gradualmente e definidas por estas ques-

O

tões: O que queremos? Para quem? Quais necessidades por especialidade nos próximos 10 anos? Que modelo adotar? Hospitalocêntrico, apenas ambulatorial ou um misto de hospital/ambulatório? Todas as especialidades médicas hoje oferecidas são mesmo residenciáveis? A interiorização é fundamental, mas deve ser feita de forma responsável, preparando-o para o exercício da profissão com dignidade, humanidade, seriedade, respeito ao próximo. A concentração de grandes parques tecnológicos obriga o recém-formado a dispensar o raciocínio clínico, resultando em insegurança e afastando-o da realidade interiorana. Agimos como se apenas nos grandes centros houvesse doença e somente os aparelhos pudessem diagnosticá-las. Defendo a tecnologia de ponta, mas insisto na atenção primária à saúde ou à doença. Nos Estados onde há interiorização, ela é tímida e o treinamento pouco procurado, exceto em alguns programas do Sudeste, que devem ser imitados. Questiono a “teorização’’ dos conteúdos programáticos de residência médica. No treinamento em serviço, o programa teórico com 10 ou 20% da carga horária é de bom tamanho. Caso contrário, perde-se a oportunidade de aprender praticando.

Precisamos formar com prática supervisionada. É na figura do supervisor e do preceptor que os médicos residentes hão de espelhar-se. A apatia do médico residente causa-me profunda irritação. Esse período de sua vida é a base do sucesso profissional. É preciso largar a idéia de residência médica meramente pautada em bolsa, em complementação salarial e mergulhar de fato na qualificação. Faço aqui uma deferência especial à minoria dos residentes que levam à frente o movimento de sua categoria. O tempo para o residente é curto, uma semana ou meses representam imenso prejuízo na formação. É preciso menos marasmo e mais agilidade nas decisões. Com isto ganham a Instituição, o residente e a sociedade. No mundo globalizado, o jeitinho brasileiro da improvisação não é mérito, é incompetência. O residente deve assumir seu papel de aprendiz; as Instituições, o de órgão formador e os mantenedores, a função de financiador voltado para as necessidade do modelo de saúde instalado. *Coordenadora dos Programas de Residência Médica da FCM/UPE Coordenadora da Região Nordeste III pela Comissão Nacional de Residência Médica

Aos Editores da Movimento Médico, Como estudante quero parabenizar a revista Movimento Médico pelo seu conteúdo diversificado e sua linguagem clara e objetiva, assim facilitando a leitura dos jovens interessados. Não posso esquecer de ressaltar a parte humorística, a qual me identifiquei bastante com a sua descontração.

Cartas

Ana Sofia Alburquerque Melo a Aluna da 2 série do Ensino Médio

ENTREVISTA CARLOS VITAL TAVARES CORRÊA LIMA

Carlos Vital e as Perspectivas para o Cremepe

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ascido em 17/08/1950, Carlos Vital concluiu o curso de medicina no ano de 1975 na Faculdade de Ciências Médicas (UPE), fez pós-graduação em medicina do trabalho e exerce clínica médica em consultório e através de vínculo com a Secretaria Estadual de Saúde. É sócio fundador da Sociedade Brasileira de Bioética e da Associação Brasileira de Direito Médico. Exerceu os cargos de Consultor da Fundação Interiorana de Apoio Municipal (FIAM), de Médico do Trabalho nos Grupos BASF, Bosch-Siemens e Norberto Odebrecht. Foi Coordenador dos Comitês de Especialidades e da Comissão de Ética da Unimed Recife, Membro da Comisão de Ética e do Conselho Fiscal da Cooperativa de Clínicos (Coopeclin) e Membro do Conselho Fiscal da Sociedade de Medicina de Pernambuco. No CREMEPE, exerceu os cargos de Coordenador das Comissões de Defesa Profissional e de Divulgação de Assuntos Médicos, de Corregedor e Vice-Presidente, tendo assumido a presidência da Entidade em 31 de março deste ano. Entrevista ao jornalista Edwilson Ruas

Com intuito de manter e ampliar os projetos criados pelo CREMEPE, o presidente Carlos Vital acredita no investimento de um profissional mais ético e responsável. Ressaltando a responsabilidade da entidade em preservar o bem comum e o bem estar social, o médico que dedicou sua vida ao exercício da medicina busca conquistar, junto ao Sindicato dos Médicos e demais entidades médicas, uma melhor condição de trabalho e remuneração para a categoria. O novo representante dos médicos em Pernambuco também avalia, em entrevista, pontos pertinentes para os profissionais da categoria e demonstra como a Entidade deverá ser norteada nos próximos dois anos. Quais são os projetos definidos por esta nova gestão? Os atuais conselheiros do Cremepe estão na metade do seu mandato, com período de 5 (cinco) anos na gestão institucional, em busca de 4 Movimento Médico

uma prática médica valorizada, eficiente, humana e paritária. Os seus projetos são conhecidos e já definidos, desde o início da gestão deste grupo conselhal, há dois anos e meio, sob a coordenação do Dr. Ricardo Paiva, de forma consensual e coerente com as atividades precípuas da entidade. Em virtude das orientações regimentais do Órgão e da nossa filosofia de conduta, há uma nova coordenação de trabalhos a serem realizados nos próximos dois anos e meio, sob a minha responsabilidade. Esta coordenação, de perfil semelhante à que lhe antecedeu, será desenvolvida de modo obstinado pela consecução dos resultados desejados, com autonomia, sem subserviências a receios e sem veleidades de acréscimos ou reformas dos projetos.Todos os projetos, o da Caravana, os do CEAC, os judicantes, os pedagógicos, os dedicados aos portadores de especificidades, os políticos e os de fiscalização, estão em fase operacional, dimensionados para implan-

tação e consolidação no transcurso do exercício institucional, sem detrimento dos planos de incentivo às Comissões, Câmaras Técnicas, Delegacias e Representações Regionais. Que visão o senhor acha que a categoria médica tem do Cremepe? Os esforços envidados para preservação do prestígio da medicina e do bom conceito dos médicos são almejados e bem compreendidos pelo conjunto da categoria. As campanhas promovidas pelo Sindicato dos Médicos, em sinergia de ações com o Cremepe e apoiadas pelas demais entidades médicas, configuram-se em conquistas relevantes ao reconhecimento profissional. Exemplos mais recentes são: a progressiva inserção da CBHPM como referência de honorários, o Plano de Cargo e Carreira e os aumentos salariais dos médicos no Estado. Acredito que a categoria médica, consciente da importante participação da Insti-

Marcos Michael

Os esforços envidados para preservação do prestígio dos médicos são reconhecidos

tuição nas conquistas em seu benefício e da sociedade, tenha uma boa visão do Conselho, mas, a resposta a esta pergunta deverá ser obtida em breve, com maior legitimidade, em uma ampla pesquisa de opinião dos médicos. O engajamento do Cremepe junto à sociedade civil, às vezes é visto como uma extrapolação de suas funções. De que forma o Senhor avalia esta postura? As autarquias federais estão submetidas às disposições do artigo 37 da nossa Carta Magna, nas quais lhes são determinadas o zelo pelos princípios da moralidade e da legalidade na República. O bem comum e o bem estar social são questões de lei e moral.

A inércia de um sistema legislativo conturbado pela corrupção e sujeito às pressões dos grandes capitais, bem como os obstáculos levantados pela ANS, dificultam a tramitação desse projeto de lei no Congresso Nacional. Não obstante as dificuldades, a CBHPM, paulatinamente, está sendo adotada nas negociações feitas em todo o País. As operadoras de Planos e Seguros de Saúde não detêm mais o poder de império! Na intensificação da luta por mais rápidos e significativos avanços, há de se ter união, como disse o Padre Antônio Vieira no célebre sermão de Santa Engrácia: “sem união não haverá mister de mãos para nós, nem a nós nos hão de valer as nossas”. Qual a sua avaliação do Sistema de Saúde Estadual, tendo em vista problemas com superlotação de hospitais, ausência de vagas para UTI's, e incapacidade de prestar atendimento resolutivo à demanda? Há algum projeto oferecido pela Secretaria de Saúde? O Brasil constitui a 11ª economia mundial e ocupa, de maneira paradoxal, a 70ª posição em investimentos Posto que, por ordem constitucional, de recursos financeiros na área de as ações solidárias e políticas do saúde. Em face dos parcos recursos Cremepe, uma autarquia federal, são investidos, todos os sistemas governaparte integrante e fundamental às suas mentais de saúde evidenciam-se como gerência de uma inadequação entre a funções conselhais. demanda assistencial e a oferta de serComo será a relação do Cremepe viços, com reflexos mais negativos na com o CFM nesses próximos dois atenção às assistências de complexidade secundária e terciária. Os reanos e meio da sua coordenação? Essa relação interinstitucional, em cursos financeiros insuficientes, os alguns aspectos com vinculação hie- desvios de verbas, as estratégias rárquica de caráter legal, será pautada predatórias do sistema privado sobre o pelo respeito mútuo e consideração, sistema público, a ineficácia auditorial, independência financeira, adminis- a falta de controle social e de programas inter municipais em consórcios trativa e política. sem disputas político-partidárias de Como está a tramitação no Con- causas menores, conduzem os projetos gresso Nacional, do projeto de lei que existentes, entre os quais os da Seregula a relação entre médicos e cretaria Estadual de Saúde, à perspectivas de pouca resolubilidade. Operadoras de Planos de Saúde? Movimento Médico 5

Arquivo Cremepe

ENTREVISTA O Cremepe realizou a primeira Intervenção Ética em um hospital de Pernambuco. Em que circunstância se dá uma Intervenção Ética em um hospital? A interdição nosocomial, decorrente de diligência do Cremepe, se limita à suspensão do exercício profissional dos médicos no hospital e se materializa em circunstâncias extremas de precárias condições ambientais, técnicas ou de recursos humanos, incompatíveis com a observação dos ditames de seu Código de Ética. Que contribuição a Caravana do Cremepe, que já percorreu, em sua primeira fase, sessenta municípios e agora voltou ao Interior, poderá trazer para a população de Pernambuco? A Caravana do Cremepe é dirigida ao conhecimento mais preciso do índice de desenvolvimento humano dos nossos municípios e território. Procura identificar as prevalências epidemiológicas e as carências sócio-econômicas de cada um deles, como elementos de base à diagnose indispensável aos projetos de assistência à saúde e à dignidade humana. Sem diagnóstico não há tratamento metodológico.

Fachada do Cremepe

6 Movimento Médico

Como funcionará e quais os objetivos da recém criada Escola de Ética Médica do Cremepe? A Escola Superior de Ética Médica do Conselho (ESEM), criada pela Resolução Cremepe 03/2005, de 05/12/2005, tem dois principais objetivos pedagógicos: •O primeiro desses objetivos é o preenchimento de um espaço vazio na formação acadêmica do médico, desprovida de privilégios ao aprendizado deontológico, bioético e do Direito Médico, necessários à uma atividade profissional desempenhada com domínio das suas implicações jurídicas, éticas e morais; •O segundo objetivo, não menos estimulante, é o de interagir com o Poder Judiciário e o Ministério Público, oferecendo-lhes cursos específicos aos interesses comuns de justiça. A prática médica sob a disciplina do Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078/90, é analisada à luz de novas doutrinas jurídicas que contrariam mais de dois mil anos de Direito Romano com fulcro no instituto da culpa. Confirmam-se, muitas vezes, as previsões de Esculápio, de que os seus discípulos seriam julgados pelas causalidades do destino. Com magnitude e prioridade social, o Direito e a Medicina foram as primeiras ciências a serem ensinadas nas escolas medievais e por terem princípios analógicos, a sua interação, de característica hermenêutica, é recomendável a uma melhor interpretação e aplicação das normas à realidade hipocrática contemporânea. Os cursos da ESEM deverão ser ministrados em nível de pós-graduação em lato senso, por meio de convênios e intercâmbios culturais com Secretarias de Saúde, Ministério Público, Tribunal de Justiça, Associações e Escolas de Magistratura, Sociedades de Especialidades, Cooperativas e Escolas Médicas.

Fotos: Chico Carlos

CAPA

PCCV mobiliza médicos Conquista histórica da categoria médica de Pernambuco Chico Carlos*

Q

uarta-feira, dia 29 de março. O sol por testemunha sobre o prédio da Assembléia Legislativa de Pernambuco (Alepe). O relógio marcava 14h30. No pátio externo, os servidores públicos se aglomeram nas entradas que dão acesso às galerias da Casa de Joaquim Nabuco para acompanhar a votação do projeto de lei do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) dos servidores da Saúde, Detran e Universidade de Pernambuco (UPE). Expectativa e angústia pairam no ar. A polêmica gira em torno de uma emenda complementar ao projeto de lei nº 1258 elaborada pelo deputado estadual Isaltino Nascimento (PT) que tinha por objetivo de equiparar a

progressão dos benefícios salariais de médicos e demais servidores da saúde, incluindo enfermeiros, farmacêuticos, psicólogos, fisioterapeutas. Indignados, muitos servidores e estudantes ligados a essas profissões, criticavam abertamente a categoria médica. Outros inconformados exibiam faixas sobre o 4º cargo e o Ato Médico. Confundiam alhos com bugalhos. Contrário à emenda, o Sindicato dos Médicos de Pernambuco – Simepe – mobilizou a categoria, através de nota oficial, e, ao mesmo tempo, cobrou bom senso aos parlamentares integrantes das Comissões de Justiça, Saúde, Administração e Finanças para a manutenção do projeto original enviado pelo Executivo. Os médicos denunciaram que, na prática, teriam

Deputados em plenário

os seus salários reduzidos de R$ 1,4 mil para R$ 900,00 e chamaram a proposta do petista de equivocada e inconstitucional. Começa a sessão na Casa de Joaquim Nabuco. Galerias lotadas. Profissionais de imprensa ocupam seu espaço. Diante da polarização e bate-boca entre alguns parlamentares, o presiMovimento Médico 7

Fotos: Chico Carlos

CAPA

Parlamentares no momento da discussão do projeto

Movimento grande do lado de fora da Assembléia legislativa

Representantes do Cremepe e do Simepe acompanharam a votação

8 Movimento Médico

dente da Alepe, o deputado Romário Dias interveio e chamou as lideranças partidárias para uma breve reunião em plenário. Em seguida, avisou que projetos seriam votados naquela tarde. O líder da bancada da oposição, Isaltino Nascimento (PT), acabou retirando a matéria antes da votação e alegou a falta de diálogo com o Governo do Estado em busca de uma solução negociada. Foi contestado pelos deputados Pedro Eurico (PSDB) e Sílvio Costa (PMN), que afirmaram que a emenda não tinha sustentação legal e constitucional para ser aprovada. O clima ficou ainda mais tenso. Depois de mais duas horas de debates, os deputados aprovaram, por unanimidade, o projeto de lei nº 1258, com substitutivo do deputado Sebastião Oliveira (PL), que garante os mesmos direitos do PCCV aos trabalhadores da saúde que tenham atividade no SUS fora da Secretaria Estadual de Saúde. O PCCV estipula ajustes salariais e regras para crescimento na carreira dos médicos que vão continuar com uma tabela salarial

diferente da dos outros profissionais de nível superior O então presidente do Sindicato dos Médicos/PE, André Longo, comentou a importância da aprovação do projeto enviado pelo Executivo à Assembléia Legislativa e reafirmou que o PCCV não é o ideal, no entanto, é um avanço para os médicos da carreira SUS. “A unificação das gratificações em nosso salário-base foi conseguida após muitos anos de luta e nunca passou pelo confronto com as demais categorias profissionais do serviço público, reconhecendo a luta de todos por melhores condições de trabalho e salários” acrescentou. Fim de tarde. Depois da votação, reina a tranqüilidade. Servidores públicos se retiram. As manifestações e o clima de agitação foram esquecidos nas galerias da Alepe. Não há vencidos, nem vencedores. A luta pela valorização dos servidores no Serviço Público é permanente e deve ser pautada pelo entendimento, liberdade e autonomia sindical de cada entidade. *Chico Carlos é jornalista

A aprovação do PCCV Sebastião Oliveira*

o mês de abril, os servidores da Saúde do Estado de Pernambuco tiveram uma vitória com a aprovação do projeto de Lei 1258/06, que concede o Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) para os servidores das categorias. O PCCV contempla cargos de nível auxiliar, médio e superior integrantes do Quadro Próprio de Pessoal Permanente do Poder Executivo, que estejam em exercício, em funções inerentes ao Sistema Único de Saúde (SUS), nos hospitais universitários estaduais, nas instituições privadas, sem fins lucrativos, prestadores de serviços de assistência à saúde e nas Secretarias Municipais de Saúde do Estado de Pernambuco. A única emenda aprovada para o projeto-de-lei foi a elaborada por mim, justamente a que prevê que o PCCV seja estendido aos servidores da Saúde que estão lotados em outros órgãos, desde que estejam a serviço do SUS. A referida emenda vem para possibilitar que os servidores efetivos integrantes das carreiras de saúde, que se encontrem em exercício nos hospitais universitários estaduais, nas instituições privadas, sem fins lucrativos, prestadores de serviços de assistência à saúde e nas Secretarias Municipais de Saúde do Estado de Pernambuco possam usufruir dos benefícios do PCCV. Os Planos de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) de que trata a emenda estabelecem a nova estrutura de cargos, funções, vencimentos e institui instrumentos e critérios para a progressão, que possibilitem um melhor desempenho funcional do servidor, considerando aspectos de qualificação e de titulação para o ingresso e desenvolvimento nas carreiras. A criação dos Planos de Cargos, Carreiras e Vencimentos tem por objetivo dinamizar a estrutura das carreiras dos servidores, destacando a sua profissionalização, valorização e qualificação, elevando a auto-estima de forma adequada, visando à melhoria da qualidade dos serviços prestados à sociedade. Cada PCCV vem para valorizar a carreira dos servidores, dotando o órgão ou entidade de uma ordem de cargos compatíveis com a respectiva estrutura organizacional, além de estabelecer mecanismos e instrumentos que regulem o desenvolvimento funcional e remuneratório. Para adotar os princípios da habilitação, do mérito e da avaliação de desempenho para o desenvolvimento na carreira. Os dos Planos de Cargos, Carreiras e Vencimentos manterão o corpo profissional com alto nível, dotado de conhecimento, valores e habilidades compatíveis com a responsabilidade político-institucional do órgão ou entidade. E por fim, integrar o desenvolvimento profissional de seus servidores ao desenvolvimento das missões institucionais do órgão ou entidade.

DNilton Lemos

N

*Deputado Estadual do PL e médico

Movimento Médico 9

Mispe/Fundarpe/Reprodução

HISTÓRIA

Foi decretado feriado municipal quando o Graff Zeppelin atracou, pela primeira vez na cidade do Recife

A dança silenciosa dos Zeppelins na Torre do Jiquiá Com 70 anos de existência, a Torre do Jiquiá aguarda restauro da Fundarpe Nathalia Duprat*

10 Movimento Médico

N

o dia 22 de maio de 1930, era o nome de Júlio Prestes, recém proclamado Presidente da República, que tomava conta da imprensa nacional. No Recife, porém, os jornais locais estampavam em suas capas uma notícia que provocava muito mais rebuliço entre a população: a chegada do Graf Zeppelin na cidade. O interesse tinha uma justificativa: era a primeira vez que o dirigível atracava em um país da América do Sul. Foram os ventos contrários que trouxeram o Graf Zeppelin a Pernambuco. Com suas marchas retardadas, o destino original, Rio de Janeiro, precisou ser modificado. Coube ao seu comandante, Hugo Eckener, tomar a decisão de desviar a rota

Hans Manteuffel

Tombada pela Fundarpe e aguardando restauro, a torre no campo de Jiquiá é a única no mundo que ainda está de pé

para Recife – onde o assunto já havia se tornado o preferido entre o povo – e entrar de vez para a história da cidade. Logo começou o corre-corre para a chegada da mais luxuosa aeronave já vista até então. O prefeito Francisco da Costa Maia decretou feriado municipal e todas as autoridades se empenharam nos preparativos para a recepção da tripulação e dos passageiros. Quando o Graf Zeppelin despontou sobre a cidade, mais de 15 mil pessoas já estavam reunidas, aplaudindo em direção ao céu. Eram

19h35 quando o dirigível atracou na Torre do Jiquiá e foi recebido pelo sociólogo Gilberto Freyre – então chefe de gabinete do Governador Estácio Coimbra – que desejou as boas vindas em nome do povo pernambucano. ESTRUTURA – A torre em que o Graf Zeppelin atracou começou a ser montada apenas algumas semanas antes de sua chegada, no Campo do Jiquiá, pela equipe de Ernest Besch, engenheiro da companhia aérea. Sua estrutura metálica media

16,5m de altura e pesava cerca de 3,5 toneladas. Além do mastro, a infraestrutura criada para receber dirigíveis de grande porte contava ainda com uma plataforma para as operações de atracação, abastecimento de gás, eletricidade e água, sala de embarque e despacho de carga e correspondência, dormitório, cantina, posto de assistência médica, estação de rádio-telegrafia e fábrica de gás hidrogênio e gasômetro. Em 1936, seis anos após sua construção, a Torre do Jiquiá cedeu. Como Recife era o principal ponto Movimento Médico 11

Mispe/Fundarpe/Reprodução

Reprodução

HISTÓRIA

Muitas fotos registram a passagem dos Zeppelis pela cidade do Recife, um dos mais importantes pontos de pouso e partida da América Latina.

de escala na América do Sul para os dirigíveis vindo da Europa, logo uma outra foi montada em seu lugar. Com três metros a mais que a anterior, a nova torre foi erguida com peças vindas da Alemanha e tinha capacidade para atracar, além dos Zeppelin, os novos modelos Hindenberg que estavam sendo lançados na época. A nova Torre do Jiquiá, entretanto, só funcionou ativamente durante um ano. Em 1937, nos Estados Unidos, depois que um raio atingiu um Hindenberg – que explodiu no ar, matando 37 pessoas – o transporte por dirigíveis foi suspenso e mais de cem aeronaves do tipo foram retiradas de uso em todas as partes do mundo. 12 Movimento Médico

TEMPO – Dispensadas de sua função, as bases para atracação de dirigíveis aos poucos foram sendo desativadas. A Torre do Jiquiá é a única ainda existente no mundo. Em 1983, foi tombada pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). A ação do tempo, porém, prejudicou sua estrutura de ferro, severamente corroída pela ferrugem. Em 2003, a Fundarpe, junto ao Ministério Público, deu início a um processo de restauração da Torre do Jiquiá. Segundo Jobson Figueiredo, restaurador e artista plástico que coordena o projeto, um laudo técnico e um plano de trabalho já foram feitos. “Infelizmente, o processo burocrático

é muito lento. Estamos aguardando resoluções para que possamos, enfim, dar início às obras”, desabafou. Setenta anos após sua construção, a Torre do Jiquiá não desperta mais os olhares de outrora, quando reunia em torno de si dezenas de visitantes, entusiasmados com a presença dos imensos charutos prateados no céu. Sua força histórica, no entanto, não desapareceu; permanece depositada em cada centímetro de sua estrutura, aguardando apenas um mínimo de atenção das autoridades, para poder testemunhar, silenciosamente, as cenas que tanto presenciou: a dança compassada e graciosa dos antigos zeppelins. *Natalia Duprat é jornalista.

O conde Ferdinand von Zeppelin que criou o dirigível foi um dos pioneiros da aviação comercial

Pequena trajetória do Zeppelin Os dirigíveis da companhia Zeppelin foram criados no final do século XIX, na Alemanha, pelo conde Ferdinand von Zeppelin. O vôo inaugural da primeira aeronave do tipo foi feito no dia 2 de julho de 1900, sob o Lago Constança. Sua estrutura em forma de cilindro era feita de alumínio, revestida de um tecido de seda envernizada, com capacidade para transportar em média nove toneladas de carga, 20 passageiros e 26 tripulantes. O Graf Zeppelin que pousou no Recife media 235m de comprimento, 33,5m de altura e 30,5m de diâmetro. Sua velocidade podia atingir no máximo 130km/h, voando a cerca de 150m a 200m do solo. No primeiro vôo que fez para o Recife, o dirigível chegou à marca, considerada espantosa na época,

de 110km/h e a viagem foi considerada um grande sucesso: conseguiu fazer a travessia do Atlântico no tempo recorde de três dias. A partir dali, o Graf Zeppelin faria incontáveis viagens entre o Brasil e a Europa, passando quinzenalmente pela Torre do Jiquiá, no Recife. Parece uma baleia se movendo no ar! Parece um navio avoando nos ares! Credo, isso é invenção do cão! Ô coisa bonita danada! Viva seu Zé Pelin! Vivaôôô. (Ascenso Ferreira) Movimento Médico 13

Foto: Reprodução

CIENTÍFICA

Assistência materna é ineficaz no Brasil Carla Leão*

s índices da Mortalidade Materna (MM) sofreram uma pequena diminuição no Brasil, mas mesmo assim é considerado alto para a Organização Mundial da Saúde (OMS). Grávidas, principalmente com idades entre 20 e 30 anos, acabam falecendo por falta de assistência obstétrica adequada, quer seja no pré-natal, parto ou no puerpério, transformando este problema em um dos mais graves do país, além da diferença social. De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID), de 1994, é considerado Morte Materna quando a mulher falece “ou durante a gravidez ou dentro de um período de 42 dias após o término da gestação”, podendo ainda ser estendido este período até um ano do final da gestação. Isso porque algumas mulheres adoecem no ciclo grávido-puerperal, mas somente morrem algumas semanas ou meses após as complicações iniciadas no período. Para a médica do hospital das clínicas da UFPE, Sandra Valongueiro, muitos

O

14 Movimento Médico

casos de MM poderiam ser evitados. “A morte materna, evitável em mais de 90% dos casos, revela a falência da assistência à saúde reprodutiva e representa uma violação dos direitos humanos das mulheres.” – ressaltou. Muitas questões, além da assistência obstétrica ineficaz, estão ligadas à MM. Uma delas está relacionada com a falta de acesso à informação e à pobreza. Aqui no Brasil, específicamente, à criminalização do aborto. O aborto entra na lista das causas de morte materna porque por ser ilegal, e quando realizado é de forma insegura, expõe as mulheres a maiores riscos. Uma outra questão importante é a subnotificação das mortes maternas. O Banco Mundial tem registros de mortes maternas por causa de malária, principalmente no Norte do país, cujos dados não aparecem no sistema de informação do SUS (Sistema Único de Saúde). No início da década de 90, em Pernambuco, foram observados vários esforços no sentido de implementar o Sistema de

Muitas questões, além da assistência obstétrica ineficaz,estão ligadas à MM. Uma delas está relacionada com a falta de acesso à informação e à pobreza. Aqui no Brasil, especificamente, a criminalidade é a maior responsável. Informação sobre Mortalidade – SIM – no entanto, elevados níveis de subregistro e sub-informação ainda são identificados, em óbitos maternos. A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco, juntamente com o Comitê Municipal de Estudos sobre Morte Materna do Recife, com o apoio do Cremepe, definiu através da Portaria Estadual (SES-PE, 1995), que os óbitos de mulheres em idade reprodutiva deveriam passar pela investigação dos departamentos de epidemiologia de todos os municípios. Assim, em 1996, técnicos de epidemiologia foram capacitados para a investigação de óbitos maternos sob a coordenação da antiga Divisão de Saúde da Mulher e Adolescente e do Departamento de Informações da SES-PE. A finalidade é implantar um sistema de vigilância da MM. De acordo com o manual dos comitês de MM, há duas formas de identificar se determinado caso é considerado morte materna ou não. São as chamadas mortes diretas,

Ano 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005*

Òbitos maternos 27 16 15 27 23 17 18 10 15 21 21 10

Nascidos vivos 28429 28079 27540 27197 26152 27565 25428 25140 24191 24550 22841 20758

CAUSAS - No Nordeste, em 2002, 60% das causas de MM foram hipertensão na gravidez, hemorragias, infecções, doenças cardiovasculares e aborto, é o que confirmam dados do SIM/DATASUS. Um outro dado interessante é que em Pernambuco o óbito materno apresenta uma estabilidade em relação aos outros estados do Nordeste. Já que, estados como Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas tendem à queda e estados como Bahia, Sergipe e Ceará os índices crescem. Mesmo com todos os esforços em melhorar a qualidade das informações sobre a MM, é incerto o número exato de mortes maternas. A tabela mostra aproximadamente os óbitos maternos entre os anos de 1994 e 2005. Além do fluxograma sobre passo a passo da investigação dessas mortes.

quando são causadas por doenças provenientes da gravidez, como exemplo a pré-eclâmpsia. E mortes indiretas, quando a mulher portadora de determinada doença, esta se agrava durante a gestação ou parto, como o lupus eritematoso sistêmico. Os Comitês de Estudos sobre a Morte Materna foram criados com o objetivo de “melhorar a qualidade da informação sobre MM” mapear medidas que possam envolver os profissionais de saúde de forma efetiva. Uma parceria firmada entre o Comitê Municipal, Gerência de Atenção à Saúde da Mulher, Vigilância à Saúde/SMS realiza um conjunto de trabalho constante para o combate à MM, como seminários e visitas nas unidades onde acontece algum óbito ou onde a mulher foi atendida. Nos encontros, são entregues relatórios com a intenção de sensibilizar os gestores das unidades para o problema, além de divulgar o trabalho do Comitê Municipal de Estudos sobre Morte Materna.

*Carla Leão é jornalista. Com informações retiradas das Metas de Desenvolvimento do Milênio - Região Nordeste; De Sandra Valongueiro e Gertrudes Monteiro. Julho/2005 (Prelo); Informações do site: http://www.scielosp.org.br

INÍCIO: 1994

RMM 94,97 56,98 54,47 99,28 87,95 61,67 70,79 39,78 62,01 85,54 91,94 48,17

Ocorrência de óbito em mulher entre 10 e 49 anos Notificação

Declaração de Óbito ; Unidades de Saúde; PSF; PACS; População; Imprensa.

SMS

Investigação Confidencial do Óbito pelo Setor de Mortalidade (SIM)

Discussão dos Óbitos

- em domicílio, unidades de saúde, serviços de necrópsia; - envolvimento de Núcleos de Epidemiologia Hospitalar, Comiss ões Hospitalares de Estudo da Mortalidade Materna.

Comitê Municipal de Estudo da Mortalidade Materna Unidades hospitalares Distritos Sanitários

Processamento Análise dos Dados Divulgação e Uso da informação

Relatório de Caso Perfil Epidemiológico

Movimento Médico 15

CREMEPE

Fotos: Marcos Michael

Humanização em Saúde: sucesso já na primeira edição

Evento organizado pelo CEAC contou com a participação de representantes de diversas entidades ligadas ao tema Joane Ferreira*

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participação de mais de 700 pessoas durante o I Congresso Pernambucano de Humanização da Área de Saúde mostrou que o tema atrai, cada vez mais, pessoas interessadas em melhorar e tornar mais humanas as condições de atendimento e cuidados com a saúde da população. Realizado pelo Centro de Estudos Avançados do Cremepe, entre os dias 16 e 18 de março, no Centro de Convenções de Pernambuco, o evento contou com a presença de representantes de entidades ligadas à área da humanização de todo o país. Durante três dias, foram abordados 18 temas em mesas redondas. Entre eles “Convivendo com as singularidades humanas”, que abordou diversidades e conquistas da cidadania e a linguagem dos sinais. Para Manoel

16 Movimento Médico

Aguiar, coordenador da Superintendência Estadual de Apoio à Pessoa com Deficiência (SEAD), a discussão de temas como esse é muito importante para que os profissionais saibam lidar melhor com as diversidades das pessoas. “Discutir o tema é uma forma de conscientizar o profissional da área de saúde que deve ser bastante humanizado para saber lidar com a diversidade e a singularidade humana”, enfatizou Aguiar. Outros temas debatidos foram “Humanização em saúde: dádiva e reciprocidade”, “Lidando com as perdas, cuidando do paciente terminal”, “Estresse no profissional de saúde” e “Políticas de Humanização e a realidade cotidiana nos serviços de saúde”. Desse último, participou o coordenador nacional da política de humanização do Ministério da Saúde, o

Humaniza SUS. Adail Rollo parabenizou a iniciativa pernambucana pela realização do Congresso. “O Centro de Estudos do Cremepe saiu na frente em todo o país. Pernambuco agora está na vanguarda do Brasil com a realização de um evento como esse. Seria maravilhoso se todos os estados pudessem realizar um congresso com esse tema para passar aos profissionais de saúde as vivências em humanização, expandindo ainda mais esse trabalho que é feito para o bem de toda a população”, comentou. Nos intervalos das mesas redondas eram realizados momentos sócio-culturais, onde foram mostrados vídeos – como o do espetáculo Menina Abusada, contra o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes, e o documentário do médico Wilson Freire Uma Cruz, uma História, uma

Caravana volta a percorrer Pernambuco té o mês de julho a Caravana do Cremepe/Sindicato dos Médicos e Secretaria Estadual de Saúde vai percorrer 50 municípios de todas as regiões de Pernambuco, para fazer um levantamento sobre diversos serviços prestados à população. O trabalho da Caravana 2006 segue a mesma linha das ações desenvolvidas durante a primeira Caravana, no ano passado. Estão sendo realizadas fiscalizações nos hospitais e unidades de saúde das cidades visitadas, além de encontros com prefeitos, secretários municipais e conselheiros de saúde, juízes e promotores dos municípios. Os representantes da Caravana também colhem opiniões dos moradores das cidades sobre diversos aspectos sociais dos municípios (educação, projetos sociais, saneamento básico e violência) com ênfase nos serviços de saúde. As cartilhas de direitos do paciente e de humanização são distribuídas durante as visitas. Outra ação da Caravana é a apresentação do Grupo de Teatro Roda Mundo, com o espetáculo Menina

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Estrada. Também houve poesia, música, teatro, coral, dança do ventre, de salão e a Dança de Cadeirantes da Paraíba, que emocionou o público com as suas evoluções. O I Congresso Pernambucano de Humanização também ofereceu aos participantes oficinas, sessões de filmes e documentários, trocas de experiências em humanização e apresentação de pôsteres, trabalhos, pesquisas de iniciação científica e projetos de extensão. Os integrantes do grupo de humanização do CEAC, Adrião Albuquerque, Jurandir Brainer, Roberta Villachan, Suzana Azoubel e Tânia Lago-Falcão estavam à frente da organização do evento. SUCESSO - Com as inscrições esgotadas dois dias antes do início do Congresso, os coordenadores já começaram a pensar como será feito o segundo Congresso. Segundo Jurandir Brainer, para o próximo evento será necessário um lugar ainda maior para atender a todos os interessados. “Na realidade, nós não esperávamos tanta gente. Quando formos montar o próximo evento teremos que pensar grande e tentar organizar o II Congresso em um lugar onde possamos receber todas as pessoas que queiram se inscrever”, finaliza Brainer.

Ônibus que levou a Caravana do Cremepe pelas cidades na primeira fase.

O coordenador da Caravana, Ricardo Paiva, em reunião com representantes da Secretaria Municipal de Saúde, Conselho Municipal de Saúde e Conselho Tutelar, na Câmara Municipal de Terra Nova.

Abusada, contra o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. Depois de passar por todos os municípios, será elaborado um relatório com os dados coletados. A partir daí as entidades envolvidas vão aos poderes federais, estaduais e municipais mostrar e pedir soluções para os problemas encontrados. * Da Assessoria de Imprensa do Cremepe

Fotos: José Brasiliense

Muita gente prestigiou o evento

* Da Assessoria de Imprensa do Cremepe. Paisagem de Santa Maria da Boa Vista, uma das cidades visitadas

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José Brasiliense

CREMEPE

na escala de plantonistas aos domingos.

Fachada do hospital

Cremepe interdita hospital de Rio Formoso Com 14 pacientes internados e sem nenhuma assistência, hospital estava em situação crítica uma decisão inédita, o Cremepe interditou o Hospital de Rio Formoso, na Mata Sul do Estado. Após mais de 40 dias fechado, uma decisão judicial determinou que, com a reabertura, o hospital ficasse sob a administração da Secretaria de Saúde do Município. De acordo com a secretária de Saúde do Município, Maiena Tenório, o Hospital de Rio Formoso poderá realizar partos normais e internamentos. Cirurgias como cesarianas não estão ainda sendo feitas porque o Cremepe interditou o bloco cirúrgico. A Secretaria de Saúde de Rio Formoso denunciou em fevereiro, ao Cremepe, a precária situação do hospital. O Cremepe acionou a Vigilância Sanitária, que oficializou o fechamento da unidade. A equipe de fiscalização do conselho foi ver de perto como os pacientes estavam sen-

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do atendidos pelos profissionais. De acordo com os inspetores do Cremepe, havia 14 pacientes internados, mas sem assistência. “O hospital estava numa situação muito crítica e não havia médicos de plantão” – ressaltou José Carlos Alencar, coordenador da fiscalização do Cremepe. Ainda de acordo com Alencar, nenhum profissional apareceu na troca de plantão. “E o que compareceu foi chamado às pressas e não estava escalado para aquele dia e só possuía registro no Cremal (Conselho Regional de Medicina de Alagoas)” – contou. Outros problemas, como enfermaria sem refrigeração adequada, macas e camas enferrujadas, falta de medicamentos e criança sem acompanhamento diário de um profissional foram constatados. Entre plantonistas na escala, apenas um possuía o registro no Cremepe. Havia também desfalque

Outras Interdições – Alguns Conselhos Regionais também fizeram interdições éticas em hospitais. Entre eles, estão os Conselhos de Medicina do Rio Grande do Norte e do Rio Grande do Sul, além de São Paulo. O Cremern fechou o hospital de Pescadores, que é uma unidade municipal, devido à falta de registro. Mas a prefeitura já regularizou a situação junto à entidade. Já no Cremers, a unidade de Saúde Pequena Casa da Criança foi fechada porque estava havendo fornecimento de receitas para remédios controlados sem consulta médica, além da falta de segurança aos médicos que trabalhavam no local. Além disso, foi feita uma reforma cujo custo foi de R$ 65 mil para melhor atender os pacientes. Hoje em dia a unidade atende 100 pacientes por dia. No Espírito Santo o Conselho Regional de Medicina (Cremes) encaminhou à imprensa, Ministério Público e à Vigilância Sanitária a denúncia de que os hospitais públicos de Vitória São Lucas, Infantil, Dório Silva e HABF estavam em péssimas condições de atendimento, mas não chegou a fechar essas unidades. Em São Paulo, foi diferente. O Cremesp fez interdição ética na Santa Casa de Misericórdia de Franca, em janeiro. O motivo foi que a direção da unidade não aceitou a posse do médico escolhido através de processo eleitoral, Walter Oliveira, e nomeou Marcelo de Pádua, desobedecendo assim a resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), nº 1.481/97, que determina ser a escolha do Diretor Técnico feita através de processo eleitoral.

Médicos denunciam o Hospital Dom Malan

Toma posse nova Diretoria do Cremepe

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o dia 31 de março de 2006 o Conselheiro Carlos Vital assumiu a presidência do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco na gestão 2006 – 2008. “Nosso grupo seguirá a mesma linha de planejamento definida há dois anos e meio, já que de fato, não existe uma velha ou nova gestão. Apenas, a continuidade de trabalhos anteriores, com uma coordenação renovada. Com o natural acréscimo de ações destinadas a consecução dos nossos compromissos éticos e sociais. A Escola Superior de Ética Médica, a Caravana do Cremepe, os empreendimentos do Centro de Humanização, entre outros projetos, serão objetos dos nossos maiores esforços”, comentou Vital. Para ele “o Cremepe é hoje uma entidade de relevância à nossa Sociedade Civil organizada onde, atualmente, são feitas diligências em áreas além do âmbito judicante e fiscalizador do nosso exercício profissional”.

A nova diretoria fica assim composta: Carlos Vital Tavares Corrêa Lima Presidente André Longo Araújo de Melo - VicePresidente Nair Cristina Nogueiira de Almeida - 1ª Secretária José Carlos Barbosa de Alencar - 2º Secretário Helena Carneiro Leão - Tesoureira Luiz Antônio Wanderrley Domingues Corregedor Silvia da Costa Carvalho Rodrigues Corregedora Adjunta

pós a denúncia, feita por médicos que atuam no Hospital Dom Malan (HDM), em Petrolina, os presidentes do Cremepe e do Simepe, Carlos Vital e Mário Fernando Lins, respectivamente, foram constatar de perto as dificuldades enfrentadas não só pelos profissionais, como também pelos pacientes que precisam da unidade. Além disso, reuniram-se com membros do Ministério Público, da Secretaria Municipal de Saúde e do corpo clínico do hospital em busca de soluções para os problemas confirmados pela vistoria. Entre as dificuldades enfrentadas pela unidade, de acordo com o relatório da Delegacia Regional do Cremepe em Petrolina, há falta de medicamentos e de materiais básicos, além da escassez de recursos humanos. Um outro problema é que as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) precisam de manutenção e o ambiente não está devidamente climatizado. Com isso, os médicos dobram a carga de trabalho e os pacientes ficam

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Parecer Conselho Regional de Medicina - CREMEPE Publicação de Penalidades Públicas Ref. Processo Ético Profissional n.º 12/00 EDITAL DE APLICAÇÃO DE PENALIDADE DE CENSURA PÚBLICA EM PUBLICAÇÃO OFICIAL PENA DISCIPLINAR APLICADA À MÉDICA DRA. CRISTIANE CARLOS DE ALBUQUERQUE VIEIRA SANTOS CREMEPE n.º 9.240 CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DE PERNAMBUCO - CREMEPE, no uso de suas atribuições que lhe confere a Lei n.º

sem medicamentos e o acompanhamento necessário. Segundo Carlos Vital, alguns pacientes têm de comprar os remédios em função do desabastecimento, o que acontece com freqüência. Segundo Vital a saúde do povo merece mais atenção. “É lastimável que óbitos venham ocorrendo devido à falta de sensibilidade política para com a ética da responsabilidade social” - disparou. Para o presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Mário Fernando Lins, além dos problemas relacionados com a saúde da população, verificou-se, na ocasião, que não existiam vínculos empregatícios da Prefeitura de Petrolina com os médicos; os contratos eram virtuais. “É imperativo que o gestor municipal encaminhe de imediato um Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) que contemple o corpo clínico do Hospital Dom Malan” acentuou. A Prefeitura de Petrolina pretende abrir um novo hospital. Mas, ainda sem data marcada.

jurídico 3.268/57, regulamentada pelo Decreto n.º 44.045/58, e em conformidade com o Acórdão proferido nos autos do PEP n.º 12/00, julgado em Sessão Plenária da 1.ª Câmara do Tribunal Superior de Ética, realizada em 13 de Setembro de 2005, vem aplicar à médica DRA. CRISTIANE CARLOS DE ALBUQUERQUE VIEIRA SANTOS - CREMEPE n.º 9.240, a pena de CENSURA PÚBLICA EM PUBLICAÇÃO OFICIAL, prevista na letra “c”, do art. 22, da Lei 3.268/57, por ter a mesma cometida as infrações previstas nos arts. 2.º, 29, 33, 34, 57 e 62 do Código de Ética Médica. Recife, 24 de janeiro de 2006. Ricardo de Albuquerque Paiva Presidente do CREMEPE

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Fotos: Carla Leão

CREMEPE

Protesto - manifestantes na frente do Palácio

IACE faz protesto contra violência Carreata contra violência no Estado mobilizou mais de 500 veículos

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Luto pelas vítimas da violência

Mais de 500 carros estavam no protesto

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arreata, bandeiras pretas e buzinas. Esses foram os instrumentos utilizados pelos colaboradores do Instituto Antônio Carlos Escobar (IACE) para o protesto contra a violência. A mobilização aconteceu em fevereiro, dois meses depois do assassinato do médico-psicanalista Antônio Carlos Escobar, num semáforo em Boa Viagem, após tentar impedir um assalto a duas pessoas que estavam num carro parado à frente do dele. Mais de 500 veículos participaram da carreata. A concentração foi na Praça de Casa Forte. De lá seguiram para Boa Viagem e a manifestação terminou na frente do Palácio das Princesas, onde foram colocadas cerca de três mil bandeiras pretas, que sim-

bolizaram o luto pelas vítimas da violência. A carreata foi bastante organizada e pacífica, mas mesmo assim, houve a intervenção policial, tentando impedir que os manifestantes chegassem próximo ao Palácio do Governo na praça da República. No final do protesto, os participantes gritavam em voz alta “Segurança, Sim. Omissão, Não!”. Assim como familiares e amigos do psicanalista, vítimas da violência também participaram do protesto. A viúva de Antônio Carlos Escobar, Maria Tereza Guimarães, disse que a carreata foi bastante positiva e cumpriu o papel de protestar contra a violência em Pernambuco .

Notas do Cremepe

da Silva, pedindo a verba necessária para a continuidade do experimento. O Ministério de Ciência e Tecnologia liberou para as linhas de pesquisa no Brasil R$ 791,7 milhões, porém, os estudos no Recife não foram comtemplados. Para a continuidade dos testes na cidade, são necessários R$ 5 milhões.

do Cremepe, que encontrou elevado índice de prostituição infantil nas cidades do interior pernambucano. A peça teatral não tem fim lucrativo. Vannuchi garantiu que este ano serão liberados R$ 120 milhões para investimentos em programas voltados para os direitos humanos. Legistas fazem paralisação

Estudo contra AIDS ameaçado

Cremepe pede verba para os Direitos Humanos

No Laboratório de Imuno Keiso Asami – LIKA/UFPE, na cidade Universitária, aconteceu em fevereiro a mobilização do Fórum de Articulação AIDS. O ato, que teve o apoio do Cremepe, reivindicou continuidade do experimento de vacina anti-AIDS. Um estudo feito em 21 pacientes voluntários, pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em setembro de 2001, comprovou que os efeitos colaterais nesses voluntários diminuíram. A segunda fase dos testes, que estava prevista para março deste ano foi transferida para outubro por falta de recursos. O conselheiro do Cremepe, Ricardo Paiva disse que o Cremepe vai encaminhar uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula

Em visita ao Recife, o ministro-chefe da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), Paulo Vannuchi, foi recebido pelo presidente do Cremepe Carlos Vital e pelo conselheiro Ricardo Paiva. Na ocasião, Vital e Paiva pediram a liberação de verbas para a intensificação da campanha contra o abuso e exploração sexual infantil e ao trabalho escravo no Estado. Além disso, Ricardo Paiva pediu ao ministro que marcasse uma reunião com o presidente Lula para que as entidades engajadas no movimento possam mostrar os projetos elaborados. O ministro elogiou a iniciativa do Cremepe em criar a peça teatral Menina Abusada. A idéia surgiu com a Caravana

O movimento feito em março pelos legistas de atrasar as necrópsias, levou o então governador do Estado, Jarbas Vasconcelos, a colocar a polícia militar dentro do Instituto de Medicina Legal (IML). A partir disso, os legistas alegaram que não iriam trabalhar sob pressão da polícia, já que não havia greve, mas sim um movimento-padrão de lentidão na entrega dos corpos. A categoria reivindicou a implantação imediata do percentual de gratificação de função policial, dos atuais 165% para 225% em cumprimento à decisão judicial; pagamento em folha do valor retroativo alusivo à gratificação policial do 13º mês e dos meses de dezembro de 2005 e janeiro, fevereiro e março, entre outros itens.

História do Mercado de São José contada em livro Lançado no último dia 10 de março o livro Mercado de São José: História e Cultura Popular. De autoria de Sinésio Roberto (foto), locatário há meio século, e também presidente da Comissão Permanente do Mercado. No livro o autor agradece o incentivo da revista Movimento Médico – que em maio do ano passado publicou a reportagem “Tem de tudo no Mercado de São José”, mostrando a riqueza e variedade dos produtos comercializados no lugar, além das histórias dos locatários mais antigos. O Mercado de São José completa 131 anos no próximo mês de setembro. O livro pode ser encontrado nas grandes livrarias e no Mercado de São José.

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Chico Carlos

SIMEPE

75 anos de lutas e conquistas Sindicato dos Médicos é referência no Estado e no país Chico Carlos e Débora Lobo*

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uta e reivindicação pelos direitos da classe médica em todo o Estado. Assim é marcada a história do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), que sempre atuou junto aos profissionais médicos e buscou humanizar ainda mais a medicina. Historicamente, o Simepe é o segundo Sindicato do Brasil e foi fundado no dia 14 de outubro de 1931, às 20 horas, na Sala de Reuniões do Departamento de Saúde Pública. Naquela ocasião, uma Assembléia, reunindo 33 médicos e liderada por uma comissão eleita pela Sociedade de Medicina de Pernambuco composta pelos médicos – Barros Lima, Edgar Altino, Ageu Magalhães, Geraldo de Andrade e Jorge Lobo – fundou o Sindicato dos Médicos de Pernambuco, tendo como seu primeiro presidente o professor João Marques, que viria renunciar por

22 Movimento Médico

motivos pessoais em 17 de maio de 1932. Este ano, as comemorações não são apenas pelas conquistas ao lado dos profissionais sindicalizados. A festa tem mais um motivo: os 75 anos da instituição. Com as bodas de diamante do Simepe vieram também algumas novidades. Uma delas foi a criação da nova logomarca do Sindicato. Produzida pela Raio Propaganda, o novo símbolo traz um design moderno e diferenciado. E as mudanças não pararam por aí. Esse também foi o ano das eleições para renovação daa Diretoria Executiva e Diretores Sindicais de Base. A chapa única intitulada “Dignidade Médica – A Luta Continua”

teve como presidente Mário Fernando da Silva Lins e como vice Antônio Jordão de Oliveira Neto. Há seis anos atuando na Diretoria do Simepe, Mário Lins, participou de várias conquistas e transformações da entidade sindical. “O Simepe teve atuação expressiva junto à categoria médica. Um exemplo disso foi em relação ao salário dos profissionais. Só nesse período em que estive aqui conseguimos que ele aumentasse mais de 100%. Outras lutas memoráveis foram pela implantação da CBHPM, participação na Caravana do Cremepe, a implantação do Plano de Cargos, Carreira, Vencimentos e Salários da Saúde (PCCVS), no âmbito estadual do

mento estudantil e aos médicos residentes, pela defesa dos hospitais públicos e universidades públicas de qualidade, pela defesa do Ato Médico e da Emenda Constitucional 29, além da realização de congressos, seminários, debates, entre outros. A nova diretoria do Simepe programou, inclusive, a realização do Seminário de Planejamento de Gestão, que acontece em maio, onde participam diretores e funcionários. Também está prevista uma semana de comemorações quando do aniversário do Simepe, ou seja, no dia 14 de outubro.

Empossada a nova diretoria do Simepe

Vale destacar que desde a sua fundação até os dias de hoje, o Sindicato tem papel decisivo na mobilização dos profissionais de Saúde, principalmente, dos profissionais médicos. Vale destacar que os nomes mais expressivos da medicina de Pernambuco transformaram-se em sindicalistas, empunhando a bandeira do Simepe como trincheira de luta. Eles fizeram nossa história consolidar-se ao longo de décadas. Chico Carlos - jornalista/Simepe Débora Lobo - estagiária de jornalismo/Simepe

Divulgação

SUS; apoio na criação do Instituto Antonio Carlos Escobar – IACE. Tudo isso fez com que o Simepe venha ocupando a posição de segundo Sindicato dos Médicos do país em credibilidade, segundo recente pesquisa promovida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM)” Para a nova gestão, ele tem alguns projetos, como por exemplo: a luta em defesa da valorização do trabalho médico, com salário digno e a implantação do Plano de Cargos, Carreira, Vencimentos e Salários da Saúde (PCCVS), no âmbito municipal do SUS; dar apoio integral ao movi-

Seminário de Planejamento de Gestão foi uma das metas iniciais m clima de alegria e emoção, foi empossada, na noite do dia 20 de abril, a nova diretoria do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe). A cerimônia aconteceu nas dependências da Arcádia do Paço Alfândega (Edifíciogaragem do Paço, na Avenida Alfredo Lisboa) e contou com a presença de personalidades das mais representativas do mundo social, político e sindical. Uma festa em grande estilo. Os médicos André Longo (ex-presidente) e Mário Fernando Lins (presidente empossado) realizaram a transmissão de posse e depois apresentaram seus discursos, enfocando, principalmente, a trajetória, a importância e o compromisso histórico do Simepe que completa em 2006 75 anos de luta em defesa da categoria médica. Em seguida, houve uma sigela homenagem ao ex-pre sidente André Longo, por sua atuação combativa e determinada à frente do Sindicato em duas gestões. O médico/vereador Mozart Sales representou os dirigentes sindicais que estiveram ao lado de André Longo nos últimos quatro anos no Simepe. Foi exibido um vídeo, mostrando toda a ação sindical realizada pelo ex-presidente. Emoção e entusiasmo tomaram conta de todos. Por fim, os presidentes da Fenam, Héder Murari, e Carlos Vital, do Cremepe, entregaram a medalha e o certificado de mérito sindical a André Longo e destacaram sua atuação e responsabilidade no movimento sindical médico.

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Posse em clima de alegria e emoção

O presidente Mário Lins tem alguns projetos em pauta: a luta em defesa da valorização do trabalho médico, com salário digno e a implantação do Plano de Cargos, Carreiras, Vencimentos e Salários da Saúde (PCCVS), no âmbito municipal do SUS; ampliação da Defensoria Médica e dos serviços, visando maior apoio à atividade do profissional médico; dar apoio integral ao movimento estudantil, aos médicos residentes e aos médicos inativos. Além da realização de congressos, simpósios, seminários, jornadas e debates, entre outros; sempre em aliança com a AMPE, o Cremepe, a Fecem, as Unimeds e outras entidades representativas. A nova diretoria do Simepe terá uma gestão de dois anos (biênio 2006/2008) e teve como meta inicial promover o Seminário de Planejamento de Gestão, no mês de junho, com a participação de diretores e funcionários. Estão previstas também, comemorações festivas e culturais durante a semana de aniversário do Simepe em outubro próximo. Movimento Médico 23

SIMEPE

Taxa de Vigilância Sanitária é adiada Fotos: Chico Carlos

TVS passa a ser cobrada somente de pessoas jurídicas e estabelecimentos cadastrados

Diretoria do Simepe e Cremepe em reunião com o vereador Mozart Sales

Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) após ter recebido centenas de reclamações dos médicos associados, no que diz respeito à TVS – Taxa de Vigilância Sanitária – a qual foi cobrada juntamente com o ISS dos profissionais autônomos, foi à luta em defesa da categoria. Em conjunto com a Diretoria do Cremepe marcou uma reunião com os secretários de Saúde, Gustavo Couto e de Finanças, Elísio Soares, da Prefeitura da Cidade do Recife, com o objetivo de encontrar uma solução negociada para resolver o impasse. Após ampla discussão se chegou ao consenso de que a referida TVS somente deve ser cobrada das pessoas jurídicas ou de estabelecimentos. De imediato, o prefeito do Recife, João Paulo, prorrogou para o segundo semestre de 2006 a cobrança da Taxa em tela, bem como uma Comissão específica para solucionar o problema. A Comissão concluiu os trabalhos encaminhando proposta de acréscimo e modificação do 137 do

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Código Tributário Municipal, a qual deve ser encaminhada pelo Poder Executivo à Câmara Municipal do Recife para apreciação e aprovação. Essencialmente, a alteração determina que a TVS será devida por estabelecimentos (consultórios médicos) independentemente do número de profissionais que nele trabalhem, assim como a não incidência no caso de profissional autônomo que preste serviços exclusivamente no domicílio dos clientes. Essa Comissão é presidida pelo secretário de Finanças, Elísio Soares, representantes do Simepe, Cremepe, CRO e da Vigilância Sanitária do Recife. O presidente do Simepe, Mário Fernando Lins e o advogado da Defensoria Médica, Diógenes Junior, participaram das discussões junto à Prefeitura da Cidade do Recife. Na opinião do presidente do Simepe, foi importante a mobilização das entidades médicas, no sentido de pressionar a municipalidade a discutir o problema e encontrar uma resposta satisfatória para os médicos.

De olho na notícia Eleição do HUOC A chapa 1 “Avançando HUOC – União e Participação” liderada pelo médico Ricardo Coutinho e pela enfermeira Adriana Conrado venceu às eleições para diretor e vice, respectivamente,do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC). Foi vitoriosa nos segmentos dos professores, alunos e funcionários, em pleito realizado no último dia 10 de março. Parabéns! Prêmio Simepe Os estudantes Alfredo de Oliveira Neto e Carla Rezende de Araújo, concluintes do curso de Medicina da UFPE receberam em janeiro passado o Prêmio SIMEPE de Participação Coletiva/2005 pelo reconhecido trabalho às causas estudantis. Este prêmio, foi instituído pelo Sindicato dos Médicos de Pernambuco em 1995. Inexpressivo O Simepe classificou como inexpressivo o salário-base de R$ 797,12 oferecido pela Prefeitura do Paulista à categoria médica, através de Concurso Público a ser realizado no mês de abril deste ano. O Sindicato negocia reajuste salarial e melhores condições de trabalho junto à Prefeitura do Recife e ao Governo do Estado. Onde est��o as promessas de valorização dos médicos e demais profissionais do Paulista? Gradil do pólo médico O Sindhosp, a SDS e a Prefeitura da Cidade do Recife, assinaram um convênio de cooperação para a construção de um posto avançado da Polícia Militar localizado embaixo do Viaduto João Paulo II, na Ilha Joana Bezerra. Como também para a instalação do gradil na área de manguezal entre o Real Hospital Português e o Hospital Esperança/Hope. A obra visa coibir os constantes assaltos no entorno do pólo médico e custará cerca de R$ 30 mil aos cofres da PCR.

Oftalmologistas reagem contra curso técnico Sindicato dos Médicos de Pernambuco participou da Audiência Pública realizada em fevereiro pelo Ministério Público – Promotoria de Justiça e Cidadania da Comarca de Paulista – com a finalidade de discutir sobre Curso Técnico de Óptica Oftálmica ministrado pelo Instituto Optométrico de Pernambuco (IOPE), no município do Paulista. Depois de mais de duas horas de discussões, com pedidos de informações e esclarecimentos dos interessados, a promotora Maria de Fátima de Araújo Ferreira, encaminhou procedimento administrativo, com o anexo de dossiês e material da audiência. A promotora oficializou pedido à Secretaria Estadual de Educação,

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Oftalmologistas durante audiência pública

Universidade Federal Rural de Pernambuco e ao próprio IOPE, requerendo grade curricular do curso técnico de óptica oftálmica (carga horária, nomes, titulação dos professores e número de alunos matriculados). Foi solicitado ainda informações à Vigilância Estadual Sanitária e do Mu-

Entidades lutam em defesa do Procape, HUOC e Cisam

Entidades defendem na Alepe concurso público antes das eleições

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epresentantes do Simepe, Cremepe, Afuoc, D.A de Medicina/UPE, Adupe e da Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores do Recife foram à Assembléia Legislativa de Pernambuco solicitar empenho do presidente Romário Dias e dos deputados Sérgio Leite, Teresa Leitão e Pedro Eurico para aprovação do Projeto de Lei enviado pelo Governo do Estado ao Poder Legislativo durante o período de convocação extraordinária, assegurando a realização do Concurso Público da Universidade de Pernambuco (UPE) em 2006 antes do período eleitoral. Eles também estiveram reunidos no gabinete do secretário de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, Cláudio Marinho. Dias depois foi anunciada a publicação do edital do Concurso Público a ser realizado no mês de abril do ano em curso. Além da transferência de 207 profissionais do setor de Cardiologia do Oswaldo Cruz para o Procape, o que deve possibilitar a abertura da Emergência da unidade antes mesmo da seleção e a contratação de 290 terceirizados para as áreas de limpeza, cozinha e vigilância. Vale salientar que o Concurso Público destina-se ao preenchimento de 1.481 vagas do complexo hospitalar da UPE que envolve o HUOC, Procape e Cisam.

nicípio do Paulista sobre o funcionamento do curso, com visita ao local e elaboração de laudo no prazo de 30 dias. Participaram da audiência pública, os representantes do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, da Sociedade Pernambucana de Oftalmologia, do Conselho Regional de Medicina, Instituto Optométrico de Pernambuco, da Secretaria Estadual de Ciência e Meio Ambiente e da Secretaria de Saúde do Paulista. Balanço da Defensoria Médica (jan/fev de 2006) Audiências: 53 Audiência Cível: 10 Audiência Cremepe: 27 Audiência Criminal: 4 Audiência Trabalhista: 12 Consultas: 265 Consulta Cível: 80 Consulta Cremepe: 31 Consulta Criminal: 18 Consulta Trabalhista: 136 Petições: 46 Petição Cível: 16 Petição Cremepe: 18 Petição Criminal: 0 Petição Trabalhista: 12 Homologações: 37 Diligências Externas: 66 Diligência Externa Cível: 15 Diligência Externa Cremepe: 10 Diligência Externa Criminal: 2 Diligência Externa Trabalhista: 39 Total Geral: 467 Movimento Médico 25

AMPE JC Imagens

reito do Recife, poderia parar de trabalhar e viver viajando, ou só pintando seus quadros ou lançando mais um livro de crônicas. Mas seu prazer é continuar escrevendo. Revela que já viajou muito. Conhece a Europa, Estados Unidos e o Japão. Sente-se bem e útil editando sua coluna no JC. Numa conversa informal, em sua casa, Alex falou para Movimento Médico sobre sua vida pessoal e profissional, de sua admiração por atrizes das décadas de 30 e 40, da sua decepção na entrega do Oscar desse ano, e explicou porque, num momento muito difícil da sua vida, decidiu deixar sua coluna social para outro colega e ficar com um espaço menor no Jornal do Commércio.

Alex sentencia: a Alta Sociedade morreu Jornalista fala de suas dificuldades e conquistas do cinema e da sociedade Elizabeth Porto*

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alta sociedade não existe mais. Há, apenas, novos ricos vivendo com muito cuidado para não serem assaltados, devido ao aumento da violência no País. Quem garante isto é o jornalista José de Sousa Alencar, que adotou o pseudônimo de Alex, há 50 anos, foi crítico de cinema e é pioneiro do colunismo social do Jornal do Commercio de Pernambuco, onde permanece atuando. Alex nasceu em Alagoas na cidade de Água Branca. Filho único de Filomena de Sousa Alencar também alagoana, conhecida como Dona Sinhá que morreu há 14 anos. Alex que entre seus familiares é chamado de Zito, fala sobre sua mãe com muito amor, admiração e saudade. Porém, ao relembrar seu pai Joaquim Aureliano Alencar, falecido, que era um homem rico do sertão alagoano afirma que o relacio-

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namento com ele não foi bom. Na fachada de frente da casa onde Alex mora, na Rua Dom Bosco, desde 1946 está escrito: Casa de Dona Sinhá em homenagem a sua mãe. No primeiro andar da sua residência há uma exposição de mais de 40 quadros pequeninos de artistas plásticos famosos, como o de Gil Vicente, Francisco Brennand, João Câmara, entre outros. Entrando um pouquinho mais na sua casa (está sendo reformada) há quadros pintados por Alex e num cantinho de uma das salas uma máquina de escrever antiga, ainda, utilizada por ele. Alex não se apaixonou pela informática. Há também muitos livros, revistas, jornais, papeis e imagens de santos belíssimas em toda parte da sua casa antiga. É o seu espaço amado e reservado com “cheiro” de tradição. Alex que além de jornalista é advogado formado pela Faculdade de Di-

Por que você não ficou com a sua página social inteira no JC? Há nove anos tive câncer de próstata. Ninguém na redação, na época, ficou sabendo. Tirei férias normais e fui operado em São Paulo. Fiquei curado. Mas decidi não fazer mais a página social. Quando voltei das férias falei com o editor geral Ivanildo Sampaio sobre o meu problema e pedi para escrever numa coluna menor. Indiquei o nome de Orismar Rodrigues para ser meu substituto. Ivanildo concordou e eu fiquei com 1/4 de página como eu queria. Também decidi não colocar na minha coluna nova fotos de casamento, de bodas e de 15 anos. Você começou sua carreira no jornalismo escrevendo como crítico de cinema. Como nasceu a sua dedicação com o cinema? Quando eu tinha 7 anos em Maceió fui vizinho de um homem que tinha um cinema. Com o consentimento da minha mãe ia com ele assistir os filmes dos anos 40. Gostava muito dos filmes de piratas com Erol Flin. Também não perdia os filmes com o mito Greta Garbo. Foi essa paixão pelo cinema desde a minha infância que me transformou em crítico de cinema.

Você admirava outras atrizes? riam ser comparados as produções de Sim. Marilyn Monroe, Katherine Hollywood. Hepburn, Bette Davis e a mais eleVocê vai muito ao cinema ? gante das atrizes daquela época Audrey Ia muito. Mas com o aumento da Hepburn. violência no Recife e a falta de eduTem algum ator preferido? cação das pessoas, principalmente dos jovens, dentro das salas de cinema, hoMarcello Mastroianni. je, prefiro locar o DVD e assistir o filE cineasta? me na minha casa. Fui obrigado a Ettore Scola. mudar de hábito. Outro problema que eu vejo na produção cinematográfica é Quais os jornais que trabalhou o exagero de filmes de violência e de como crítico de cinema? sexo explicito. Comecei escrevendo no Diario de Você gosta de teatro? Pernambuco. Depois o Jornal do Commércio me convidou para ser o titular da Gosto muito. Mas também consisua coluna sobre cinema e eu aceitei. dero o teatro em fase de decadência. Eu estudava Direito em 1952 e já es- Posso citar como exemplo a decepciocrevia sobre cinema. Também partici- nante peça A Casa dos Budas Ditosos pei, como assistente de direção do filme com a filha de Fernanda Montenegro Canto do Mar, de Alberto Cavalcanti, falando e exibindo com gestos tudo conhecido internacionalmente. que faz no sexo com os homens.

nha, no jornal Diário da Noite. Dr. Pessoa de Queiroz de início não quis aceitar a coluna social no JC mas depois concordou através dos argumentos positivos do secretário de redação Esmaragdo Marroquim. Eu fui então convidado para ser o titular da coluna. Altamiro já estava com idade avançada e eu comecei a ser o referencial do colunismo social em Pernambuco. Você foi colunista social antes de João Alberto? Sim. Quando João Alberto começou no colunismo social a minha coluna já existia há 15 anos. É verdade que fez escola no nordeste? Sim. Jota Epifânio, no Rio Grande do Norte, Lúcio Brasileiro, em Fortaleza, Cândida Palmeira, em Alagoas e Pergentino Holanda em São Luis foram alguns dos meus seguidores.

Para você como vai o cinema hoje? Em fase de decadência. A entrega do Oscar deste ano foi horrível. Deram três prêmios para King Kong na 3ª versão da história de um macaco. Um Oscar para o melhor som: a pedra caindo na cabeça de King Kong. Foi terrível. Fiquei decepcionado.

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Quando você começou a escrever Quando a televisão chegou no como colunista social? No começo dos anos 50 começa- Recife nos anos 60 você tinha um proram a surgir no Rio de Janeiro os colu- grama. Poderia falar sobre sua atuação nistas sociais Ibrahim Sued e Jacinto na TV? Quando a televisão chegou no ReThormes, e em São Paulo, o pernambucano José Tavares de Miranda. cife fui eu que fiz toda recepção da Faziam um colunismo diferenciado. inauguração da TV. Tive um proNo Recife era famoso Altamiro Cu- grama Hora do Coquetel que entreE o cinema brasileiro vai bem ? vistava personalidades sociais e artistas. O cinema brasileiro até que está inO programa era ao vivo e era preciso A atriz Audrey do bem. Mas, na minha opinião ainda ter muito jogo de cintura. Hepburn não pode concorrer com Hollywood. Você também escolhia as 10 Gostei muito do Jardineiro Fiel, de Fermulheres mais elegantes do Recife? nando Meirelles, um brasileiro com talento que foi contratado para fazer Sim. Há 20 anos, era fácil escolher um filme estrangeiro. Seu filme consemulheres elegantes. Mas hoje, depois guiu o Oscar de melhor atriz coad dessa moda fashion é impossível. As juvante para Raquel Weisz. Gostei. mulheres variam demais na maneira de Também admiro o trabalho de Walter vestir. Salles. Na época da ditadura você sofreu algum problema por divulgar alguma Destaca algum cineasta em notícia indesejável para os militares? Pernambuco? Comigo ocorreu um problema. DiNão conheço nenhum cineasta de vulguei na minha coluna que o presidestaque atualmente. Mas posso lemdente da República marechal Castelo brar que em 1927 Pernambuco produBranco, viúvo, estava para casar novaziu filmes mudos excelentes que podeMovimento Médico 27

AMPE mente com uma professora da Universidade Federal de Pernambuco. O coronel Hélio Ibiapina não gostou e mandou me prender. Fiquei dois dias à disposição dos militares. Mas depois o próprio Castello Branco telefonou para mim com delicadeza e disse que estava a minha disposição em Brasília. Você teve boa convivência com seus pais? Quando meu pai casou com minha mãe já era viúvo e tinha 10 filhos. O casamento não deu certo. Quando minha mãe pediu a separação meu pai falou que ela podia ir embora mas também não daria nenhuma ajuda financeira para ela e olhando para mim (com 7 anos de idade) disse: nem para esse aí. Não teve nenhum gesto de afeto comigo. A minha convivência com minha mãe foi ótima.Ela sempre ficou do meu lado. Fui amado pela minha mãe que trabalhou muito para me criar. Foi muito doloroso para mim quando ela morreu. Você morou em Maceió? Depois da separação dos meus pais eu e minha mãe deixamos o sertão alagoano e fomos morar em Maceió. Eu tinha 8 anos. Fiquei em Maceió até completar 16 anos de idade. Estudei no Colégio Guido, de padres. Nesse colégio fundei uma revista chamada Mocidade. Eu tinha 16 anos e já demonstrava minha habilidade para escrever. Mas nesse mesmo período minha mãe decidiu vir morar no Recife. Eu também tinha um irmão adotivo, mais velho, que faleceu há alguns anos. Para você a alta sociedade não existe mais. Como são os novos ricos? Existem novos ricos que merecem destaque. Sabem se comportar com classe, com categoria. Posso citar como exemplo a família Bezerra de Melo. Mas a maioria dos novos ricos têm apenas dinheiro. 28 Movimento Médico

O cronista Alex em programa de TV nos anos 60

Como vivia a alta sociedade e como era sua convivência com a elite? Até a década de 60 os clubes Internacional e Português eram freqüentados por famílias da alta sociedade. O Rotary Clube do Recife era seletivo. Hoje tem Rotary clube em todo lugar. Perdeu o referencial. Tudo realmente foi decaindo. Naquela época eu ia ao clube Internacional como convidado de pessoas da alta sociedade. Iam para o Internacional as famílias Pessoa de Queiroz, Batista da Silva, Carneiro Leão e de Dulce Sampaio entre outras. Existia no clube Internacional Uma Noite de Carnaval freqüentado só pela alta sociedade. Hoje a decadência total dos clubes Internacional e Português é uma realidade cruel. Naquela época as festas de casamento da elite eram realizadas nas mansões da família da noiva? Sim. Era na casa da noiva. Fui ao casamento de Cídia Maranhão, filha de Lídia Maranhão. A festa foi belíssima na sua mansão. Fui também aos 4 casamentos das filhas de Jorge Batista da Silva. Até a comida servida naquela época era diferente porque era feita por cozinheiras que vinham de usinas engenhos e fazendas que sabiam preparar doces e salgados com perfeição. Hoje esses buffês contratados para os casamentos dos novos ricos não oferecem a mesma qualidade das cozinheiras das mansões de antigamente.

Você já viajou muito para Europa. Qual o país europeu que considera mais bonito ? A Itália. É na Itália que conheci cidades belíssimas como Veneza, Florença, Milão, Nápoles. A França é limitada. Só admiramos Paris. Você já teve uma paixão muito grande por alguém ? Tive. Só não revelo o nome. Fui muito apaixonado por uma pessoa. Não deu certo. Sofri. Mas passou. Estou bem. Como é a solidão para você? Minha solidão é consentida. Tenho liberdade. Saio sempre que tenho vontade. Na segunda metade da vida (não falo em datas, ano, nada com o calendário) os sonhos, os fatos, as aventuras, tudo fica surgindo e desaparecendo a cada momento. Basta ter criatividade. Ou vou brincar horas seguidas com o caleidoscópio, rodando sempre, vendo as variedades de pedras, cores e o brilho intenso. É fantástico. Às vezes as pessoas pedem para ver o caleidoscópio e eu tenho de confessar que não tenho mais nenhum, ficaram na minha infância. A capacidade de inventar beleza é o que salva e o que importa em nossas vidas. *Elizabeth Porto é jornalista

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Assédio moral e violência no ambiente de trabalho Assunto é profundo e, muitas vezes, de difícil comprovação Sirleide Lira*

o ponto de vista do direito do trabalho, o assédio moral por afetar a vítima, desencadeando uma série de distúrbios, os quais poderão ser determinantes e considerados doenças profissionais ou ocupacionais é definido como sendo todo tipo de ação, gesto ou palavra que atinja, pela repetição, a auto-estima e a segurança de um indivíduo, fazendoo duvidar de si e de sua competência, implicando em dano ao ambiente de trabalho e à evolução de sua carreira profissional. Os estudiosos têm conceituado este tipo de assédio, como a exposição de um indivíduo a situações humilhantes, constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, em ambientes onde predominam condutas negativas, relações antiéticas e desumanas de chefes que têm hierarquia autoritária, geral-

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mente dirigida a um subordinado, desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho. O assediado moral é hostilizado, ridicularizado, inferiorizado, culpado e desacreditado diante dos seus colegas, fato que caracteriza violência bastante perversa e que vem ocorrendo nos mais diversos ambientes de trabalho no Brasil. As pessoas que padecem desse tipo de assédio quando não abandonam o emprego sofrem vários danos psicológicos, apresentando-se pessimistas, tornando-se ineficientes, deprimidas e desestimuladas. Carreiras brilhantes, construídas inegavelmente por mérito, são arrasadas de forma impressionante. O assunto é profundo e, muitas vezes, difícil de comprovação. Já foi discutido por juristas e advogados trabalhistas e as regras sobre o assunto encontram-se regulamentadas

na Lei nº 8.213/91, enfrentando dificuldades e grandes resistências em se fazer cumprir senso necessário, para levar a sério a batalha contra o assédio moral. Espera-se consenso dos governantes, entidades sindicais de trabalhadores e do patronato, advogados, juízes, médicos do trabalho e órgãos da mídia a fim de se unirem no intuito de combater a degradação deliberada das condições de trabalho que leva a vítima a perder a sua dignidade como trabalhador e como pessoa. É preciso resgatar o ambiente de trabalho, tornando-o saudável, saneado de riscos e de violência, e que seja sinônimo de solidariedade, identidade e cidadania, pois respeitar é um dever e ser respeitado, um direito à personalidade. *Conselheira do Cremepe e 3ª Vice-Presidente da Ampe

Movimento Médico 29

HISTÓRIA DA MEDICINA PERNAMBUCANA

Neurologia e Neurocirugia Marcelo Moraes Valença*

Equipe médica da Clínica Neurológica e Neurocirúrgica do Hospital Pedro II, UFPE. 1, Luiz Ataíde; 2, Célio Spinelli; 3, Guilherme Abath; 4, Manoel Caetano de Barros; 5, Salustiano Gomes Lins; 6, José Grinberg; 7, Mussa Hissa Hazin; 8, Alcides Codeceira

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escola de Neuropsiquiatria que surgiu em Pernambuco na primeira metade do século XX foi de grande importância para o desenvolvimento das Neurociências no Brasil. Aliás, das terras de Pernambuco nasceram grandes homens que muito contribuíram para o desenvolvimento da Medicina Nacional. Alguns estudiosos sustentam que a Santa Casa de Olinda foi a primeira Instituição do Brasil a prestar assistência à saúde para nossa população (1539). Como existem apenas indícios históricos, “oficialmente” se considera como a primeira a Santa Casa de Misericórdia de Santos. Outros falam que a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Olinda foi a primeira do Brasil (1540) e seu hospital foi fundado em 1560, situando-se nas proximidades da Sé e do Colégio dos Jesuítas (hoje conhecido como Seminário de Olinda). Desde o século XVII, durante o período da ocupação holandesa, a então capitania de Pernambuco tornou-se o espaço onde se realizaram os primeiros trabalhos de pesquisa científica no Brasil, de autoria

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dos naturalistas Guilherme Piso (médico da colônia batava) e George Marcgraf; citados por Leduar de Assis Rocha como pais da nossa medicina, iniciadores da literatura médica e fundadores da história natural brasileira. Octávio de Freitas chama Piso como o mais antigo médico e naturalista que possuímos, cuja obra descreveu as doenças da época em Pernambuco, considerando ainda o Recife como o berço inconteste da Medicina brasileira. O primeiro livro sobre medicina brasileira, e provavelmente das Américas, foi De Medicina Brasiliensi, publicado por Piso e editado em Amsterdã em 1648, juntamente com Historia Naturalis Brasiliae, do naturalista George Marcgrave. A participação de pernambucanos no ensino médico e na criação das especialidades Neurologia e Neurocirurgia é por dizer surpreendente. Foi um pernambucano de Goiana, José Corrêia Picanço, o fundador do Ensino

Médico no Brasil. Como era médico da corte real, influenciou D. João VI na criação das duas primeiras escolas de medicina (Bahia e Rio de Janeiro), em 1808. Em Pernambuco, uma das primeiras iniciativas voltadas para o ensino médico data do ano de 1817, por ocasião da Revolução Pernambucana. Nesta época foi criado o Hospital Militar em Recife, onde funcionou uma Escola de Cirurgia Prática. Outro pernambucano ilustre, o Prof. Antônio Austregésilo Rodrigues Lima, nascido no Recife, é considerado o “pai da Neurologia Brasileira”. Diplomou-se pela Faculdade Nacional de Medicina em 1899, e em 1912 assumia a Cátedra de Neurologia, criada pela primeira vez no Brasil como disciplina independente, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Homem de uma cultura geral louvável, foi membro da Academia Brasileira de Letras. O Prof. Antônio Austregésilo também contribuiu de uma

Fotos: Reprodução

Da esq. para a direita os médicos Corrêia Picanço, Manoel Gouveia de Barros, Ulysses Pernambucano de Melo Sobrinho e seu filho Jarbas Pernambucano de Melo

maneira fundamental na criação da especialidade em Neurocirurgia no Brasil. Em 1928, convidou Alfredo Alberto Pereira Monteiro, brilhante cirurgião-geral e catedrático em Anatomia, e o ainda jovem José Ribe Portugal para criar a especialidade no Brasil. O Ribe Portugal considerava Antônio Austregésilo o estimulador e o pai espiritual da Neurocirurgia no nosso País. Muitos foram os que se destacaram na área da Neuropsiquiatria em Pernambuco na primeira metade do século XX, porém a figura do Prof. Ulysses Pernambucano de Melo Sobrinho foi o destaque maior. Ocupou a cadeira de Semiologia Neuropsiquiátrica da antes chamada Faculdade de Medicina do Recife, quando Manoel Gouveia de Barros era catedrático de Neurologia e Alcides d'Ávila Codeceira da Cadeira de Psiquiatria. Após a morte de Manuel Gouveia de Barros, Ulysses Pernambucano assumiu a respectiva cadeira. Foi o criador, em 1938, da revista Neurobiologia, a mais antiga revista da área neuropsiquiátrica em circulação da América Latina. Sucedendo Ulysses Pernambucano, seu filho Jarbas Pernambucano de Melo, foi aprovado em concurso com a Tese Estudo anátomo-clínico das atrofias cerebelares. Jarbas Pernambucano criou a Clínica Neurológica da Enfermaria São Miguel do Hospital D. Pedro II. Após a morte de Jarbas Pernambucano, em 1958, Manoel Caetano Escobar de Barros, um ano após, faz concurso para a cátedra de Neurologia com a tese Contribuição ao Estudo da Impressão Basilar Associado à Mal-Formação de Arnold-Chiari. Como afirma o neurocirurgião Ian

Pester, grande interessado na história da Neurocirurgia no nosso estado, foi o Prof. Manoel Caetano de Barros o primeiro médico que, em 1947, decidiu se dedicar exclusivamente à Neurocirurgia no Nordeste do Brasil. Por sua vez, o Prof. Manoel Caetano convence e motiva o então estagiário Mussa Hissa Hazin para se especializar em Neurocirurgia e, em 1957, juntam-se ao grupo Célio F. Spinelli e Aluízio Freire. Em 1989, o Prof. Wilson Farias da Silva passa a ser o Professor Titular com a tese Estudo Comparativo entre Aspectos Clínicos da Enxaqueca Clássica e Comum. O Prof. Wilson Farias houvera defendido em 1974, a tese de Docência-Livre Contribuição ao Estudo dos Eletroencefalogramas Intercríticos nas Cefaléias Vasculares. O Professor Wilson, grande cefaliatra, tem uma extensa produção científica, com publicação de vários livros na área da cefaléia (incluindo o primeiro livro de cefaléia no Brasil). Recentemente recebeu o título de Professor Emérito. O ensino em Neurologia e Neurocirurgia também recebeu grande influência da Faculdade de Ciências Médicas de Pernambuco, fundada em 1950, hoje chamada Universidade de Pernambuco (UPE). Esta Instituição tinha à frente da Disciplina de Neurologia I eII Zacarias Maciel e Pacífico Pereira. Houve participação de outros grandes neurologistas como José Alberto Maia, Alcides Codeceira Jr e Luiz Ataíde, este último regeu a cadeira, chegando a ser catedrático das duas disciplinas até 1993. O Prof. Alcides Codeceira Jr foi agraciado com o título de Professor Emérito recentemente. O Professor Hildo Rocha Cirne de Azevedo Filho é atualmente o Professor Titular em Neurocirurgia da UPE.

Pernambuco também se destaca na área da Neurofisiologia Clínica. O Professor Salustiano Gomes Lins foi o pioneiro da epileptologia e eletroencefalografia e é referido como o criador do primeiro laboratório para o estudo do sono no Brasil. Alguns neurologistas pernambucanos ocuparam a presidência da Academia Brasileira de Neurologia, como: Manoel Caetano de Barros (1966-1968), Amauri Batista da Silva (1976-1978) e Luiz Ataíde (1980-1982). Mais recentemente o Prof. Gilson Edmar Gonçalves e Silva foi eleito presidente do próximo Congresso da Academia Brasileira de Neurologia, a ser realizado no Recife em 2006. O Prof. Othon Coelho Basto Filho publicou em 2002 o livro História da Psiquiatria em Pernambuco e outras Histórias, que de uma forma elegante bem descreve como psiquiatras do estado de Pernambuco se destacaram no cenário científico nacional. Não cabe aqui repetir o que nas páginas desse livro é narrado. Vale aqui lembrar que o primeiro Instituto de Psiquiatria do Brasil foi fundado em Recife em 1922 e que o primeiro Departamento de Psiquiatria da América do Sul com clínica ambulatorial ativa foi também aqui inaugurada em 1932. Com estas escassas palavras tentamos escrever “um pouco” da história da Neurologia e Neurocirurgia de Pernambuco; Porém, muitos são os nomes de homens e mulheres que não foram mencionados, mas, que muito contribuíram para a formação desta grande Academia de Neurociência que temos em nosso estado. * Marcelo Moraes Valença é médico.

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TRAUMA

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Atendimento ao trauma – O modelo canadense

Sistema público de gestão privada: o modelo de saúde canadense preza pela qualidade Fernando Spencer*

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endo em vista o interesse despertado pelo artigo anterior acerca do sistema de saúde do Canadá, a revista Movimento Médico convidou-me para falar especificamente sobre o Atendimento ao Trauma. Apesar da prevenção ser importante e ter ênfase em vários programas locais (e.g.: uso de álcool), o assunto será omitido deste relato devido ao limite de espaço. A partir da ocorrência de um trauma, o pré-hospitalar é acionado pelo telefone 911. Dirigem-se para o local uma unidade de bombeiros, uma ambulância e uma de polícia, cada um com uma função específica. Caso o acidente ocorra nas rodovias, usa-se ambulância aérea (helicóptero). No local, prestam-se os primeiros cuidados. As ambulâncias aéreas têm suporte médico, dando orientação aos socorristas por rádio ou menos fre-

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quentemente no local. Os socorristas das ambulâncias aéreas tem bom treinamento e são capazes de entubar/ventilar com uso de drogas, inserir linhas intravenosas, realizar punção para descompressão de pneumotorax hipertensivo, imobilizar/transportar e iniciar medidas para hipotermia. De acordo com a gravidade do acidente, os pacientes são transportados para: a) o hospital mais próximo para tratamento definitivo; b) hospital mais próximo para realização de procedimento (ex: drenagem torácica) seguido de transporte para o Centro de Trauma; c) Centro de Trauma. Sempre há comunicação prévia com o centro receptor. A maioria dos doentes traumatizados de baixo risco no país é atendida por médicos de emergência em hospitais mais próximos do trauma. Eles têm treinamento específico

No Sunnybrook Hospital (o maior centro de trauma do Canadá), obrigatoriamente fazem parte do atendimento inicial o líder, um anestesista, dois residentes de cirurgia, um residente de ortopedia, duas enfermeiras (uma só para anotar os dados e outra para atendimento direto) e um técnico de RX

(ATLS e pré-requisito) e são eficientes. Apenas os mais gravemente traumatizados vão para os Centro de Trauma. No Centro de Trauma eles são atendidos pela Equipe de Trauma. Esta é formada por um líder (não necessariamente cirurgião) e profissionais nas diversas especialidades. No Sunnybrook Hospital (o maior centro de trauma do Canadá), obrigatoriamente fazem parte do atendimento inicial o líder, um anestesista, dois residentes de cirurgia, um residente de ortopedia, duas enfermeiras (uma só para anotar os dados e outra para atendimento direto) e um técnico de RX. Esta equipe pode crescer de acordo com a complexidade do caso. Neste hospital só há 2 leitos para o atendimento inicial e os doentes são direcionados a outro local depois da avaliação inicial: UTI, semi-intensiva, enfermaria, sala de operação ou outro setor da emergência. Então a sala de trauma é limpa e preparada para o próximo paciente. Na Equipe de Trauma, todos tem função definida e o líder coordena as ações do grupo. Medidas de proteção

universal contra doenças infecciosas são usadas rotineiramente e cada um e responsável por descartar adequadamente os perfuro-contusos que usou (de enfermeiro a cirurgião). Para trauma fechado, cada vez se faz menos radiografias e mais tomografias. Basicamente se faz RX do tórax e pélvis no exame primário (verificando ventilação e circulação) e de extremidades caso seja necessário. Ultrassonografia do abdôme e pericárdio (avaliação da circulação) e rotina em todo paciente. Caso estável e comum o doente ser “tomografado” da cabeça a pelve (crânio, coluna cervico-toráco-lombar, torax e abdomen). Todo o processo de tomografia é em torno de 15-20 minutos incluindo transporte para o local e transferência entre as macas. Nas enfermarias o time é realmente multidisciplinar. Há enfermeiras apenas responsáveis por otimizar o fluxo de procedimentos, para que estes sejam feitos o mais breve possível. As equipes de assistência social, fisioterapia e reabilitação são fortes. Muitas vezes o paciente é encaminhado para

outros hospitais para reabilitação ou atendimento domiciliar de forma a encurtar a ocupação em leitos de alta complexidade. Mais importante de tudo: há um coordenador de trauma com com dois assistentes para coletar dados e colocá-los no computador a fim de gerar estatísticas que possam ser usadas em estudos científicos e na melhora do atendimento aos pacientes. Quando se compara a estrutura que é montada com o número anual de pacientes de trauma recebidos neste hospital (cerca de 1.100 por ano) é que percebe-se a atenção local para esta entidade em relação ao nosso estado/país. Levando-se em conta incidência, morbidade e mortalidade devido ao Trauma em Pernambuco, torna-se claro que a necessidade de melhoria das instalações e estrutura de atendimento público e urgente. Fernando Spencer é médico pernambucano em pós-graduaçãoo em Cirurgia do Trauma no Sunnybrook and Women's College Health Sciences Centre, Universidade de Toronto Canadá.

Movimento Médico 33

DIRETÓRIOS ACADÊMICOS

Ligas Acadêmicas Idéia é fortalecer o tripé ensino-pesquisa-extensão para construção do conhecimento científico Shirlene Mafra* um projeto que tem como base o mesmo tripé que fundamenta o currículo médico: a pesquisa, o ensino e a extensão. Dentro desse âmbito, vê-se que há, notoriamente, uma supressão da extensão dentro dos espaços das ligas e uma hipertrofia da pesquisa e/ou do ensino. O que temos percebido é o desconhecimento do que é extensão e em como fazer extensão dentro da universidade. Diversos projetos de ligas classificam como extensão cursos de educação continuada voltada para a comunidade acadêmica, atendimento ambulatorial e atividades meramente assistencialistas. Outro problema está no âmbito do ensino nas faculdades que estão em transformação curricular e há resistência de alguns docentes ao processo criando assim, um apêndice da disciplina fora do currículo, privilegiando apenas a poucos um ensino completo e de qualidade em relação a essa disciplina ministrada dentro do curso. Essa disputa leva a uma descrença por parte dos estudantes em relação ao currículo

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em transformação, encontrando nas ligas um mecanismo de fuga e meio de “tapar buracos” do seu aprendizado. Outro ponto a ser abordado é a super-especialização do estudante dentro da graduação que fere um dos paradigmas das diretrizes curriculares que é a formação do médico generalista. Observa-se a criação de ligas cada vez mais específicas e estudantes se responsabilizando com serviços de atendimento em enfermaria ou ambulatório o que toma muito do seu tempo, fazendo-o, muitas vezes, desprivilegiar o espaço curricular – aulas teóricas e práticas – para se dedicar às atividades da liga. Além disso, em muitos lugares há um domínio das indústrias farmacêuticas o que dificulta a imparcialidade das pesquisas realizadas pela liga, uma vez que é fato o quanto a indústria farmacêutica manipula e mascara os dados das pesquisas com objetivos claramente mercadológicos: o lucro. Por esse motivo ela investe bilhões de dólares por ano em propaganda direcionada para médicos. Outro fato é que dos 90% de dinheiro investido em pes-

quisa apenas 10% atendem às necessidades da população. Diante dessas problemáticas, a idéia de Ligas Acadêmicas vem sendo deturpada e desviada do seu caminho real. Extensão não é assistencialismo e sim uma troca de saberes entre a comunidade e os estudantes inseridos nessa realidade em busca de resolutividade para as dificuldades encontradas. Ensino é uma busca de educação continuada com a promoção de seminários, discussão de casos clínicos ou simpósios com uma visão ampliada de saúde, abordando não só a biomedicina, mas também as concepções biopsicossociais do sujeito enquanto ator do processo saúde-doença. E a Pesquisa deve surgir como uma necessidade observacional do ambiente em estudo, problematizada e questionada para a busca de um conhecimento que possa ser aplicado na prática e esse ambiente possa se beneficiar desse estudo. Por isso trabalhar verdadeiramente ligas acadêmicas é fortalecer o tripé ensino-pesquisa-extensão no seu conceito amplo para assim construir o conhecimento científico como aprendizado para a comunidade acadêmica, para a própria universidade como também para a comunidade participante. *Shirlene Mafra - Diretório Acadêmico Josué de Castro

FECEM

FECEM resgata credibilidade Cooperativas parceiras da Fecem são as maiores Evelynne Oliveira dia 11 de Abril de 2006 foi uma data importante para a Federação das Clínicas Médicas de Pernambuco – Fecem. Contando com representantes das principais entidades médicas atuantes no estado, chegou-se a um consenso sobre que rumos seriam dados a Fecem. O primeiro passo foi a criação de uma chapa de consenso os seguintes nomes: para o cargo de presidência Dr. Assuero Gomes da Cooperativa de Serviços Médicos Pediátricos de Pernambuco (Copepe); para o cargo de tesoureiro o Dr. Carlos Japhet da Cooperativa dos médicos cardiologistas de Pernambuco (Coopecardio); para a administração Dra. Aspásia Pires da Cooperativa dos médicos ginecologistas e obstetra (Copego) e o Dr. Alexandre Queiroz da Cooperativa dos médicos de especialidades clínicas (Coopeclin); e o Dr. Antonio Barreto da Cooperativa dos cirurgiões (Coopecir). A preocupação da chapa a ser eleita é resgatar a credibilidade da Fecem diante das federadas e do ambiente médico. “O cooperativismo está passando por um momento de dificuldade porque o governo sobrecarregou demais a ação cooperativa com impostos e mais impostos, além do momento de crise que vive a sociedade em geral refletindo na área de atuação médica, com a população tendo que deixar a medicina privada pelo alto custo e superlotando o sistema SUS, já precário. Por isso queremos buscar parcerias que ajudem a aumentar o campo de trabalho do médico; mas nosso primeiro passo será justamente

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resgatar a credibilidade da força da Fecem”, diz o doutor Assuero Gomes, candidato à presidência. A votação será feita por meio de Assembléia Geral marcada para o dia 18 de maio. Cooperativas ligadas a Fecem: Coopecir - Cooperativa dos médicos cirurgiões de Pernambuco. Fundada em dezembro de 1993, conta hoje com 680 médicos cooperados habilitado em 20 especialidades cirúrgico, e possui cerca de 30 empresas de planos e seguros de saúde conveniados. Av. Agamenon Magalhães nº 4775, 14º andar - sala 1401 - Tel: 21257483 Coopecardio - Cooperativa dos Médicos Cardiologistas do Estado de Pernambuco. Fundada em Março de 1995, conta com 320 médicos cooperados e 30 convênios. Av. Agamenon Magalhães, 4775 salas 1407/1408 - Ilha do Leite. Coopeclin - Cooperativa dos médicos de especialidades clínicas de Pernambuco. Fundada em dezembro de 1996, possui 455 médicos cooperados e quase 30 convênios. Av. Agamenon Magalhães, 4775 Salas 309/310 - Empresarial Thomas Edison - Ilha do Leite - Recife, PE. Copego - Cooperativa dos médicos ginecologistas e obstetras de Pernambuco. Fundada em outubro de 1993, conta atualmente com 355 médicos cooperados. Rua Benfica, 352, Madalena, Fone: 3446.1220 - copego@copego.com.br Copepe - Cooperativa de serviços pediátricos de Pernambuco. Fundada em novembro de 1994, conta com mais de 300 médicos cooperados.

Av. Agamenon Magalhães, 4775 salas 1409 - Ilha do Leite - Recife, PE - copepe@uol.com.br * Evelynne Oliveira é jornalista.

Cooperativas realizam eleições para diretoria Em Assembléia Geral Ordinária, três cooperativas vinculadas a FECEM realizaramnomêsdemarço,eleiçõespara o quadro da diretoria. A Copego (Cooperativa dos médicos ginecologistas e obstetras) reelegeu sua diretoria, que continua com os seguintes componentes até 2007: Na presidência Doutora Aspásia Pires; como vice-presidente Doutora Eliane Girão de Souza; Primeiro secretário: George Meira Trigueiro, e como segunda secretária Doutora Maria José de Souza Ferrera. A Copepe (Cooperativa dos médicos pediatras) também reelegeu sua diretoria, com os seguintes integrantes: na presidência Doutor Assuero Gomes; na diretoria administrativa Doutora Ana Lira Moraes Pimentel; como diretor financeiro doutor Armando José Franco Teixeira; E no quadro da Coopecir (Cooperativa dos Cirurgiões) ficaram os seguintes nomes: na presidência Doutor Antônio Barreto de Miranda; na direção administrativa doutor Mauro Pedro Chaves Sefer; suplentes: Pedro Geraldo de Souza Passos, Armando Cahen Sol, Roberto Santos Wanderley, Lindolfo Simões Costa. As Assembléias foram realizadas respectivamente nas seguintes datas: Copego dia 28 de Março de 2006; Copepe dia 31 de Março de 2006 e a Coopecir dia 13 de Março de 2006, permanecendo estadiretoria até o ano de 2007. Movimento Médico 35

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O Rock cinqüentão Apesar da idade, gênero continua atraindo multidões conforme demonstrado nas recentes turnês dos Rolling Stones e U2 Chico Carlos e Luiz Arraes ara quem vivia dizendo que “espero morrer antes de ficar velho”, conforme bradava Roger Daltrey do The Who na canção “My Generation” o Rock continua vivo e bulindo, já passando dos cinqüenta. Desde que ele arrebatou as rádios e as vitrolas com o primeiro compacto de Elvis Presley, em julho de 1954, nunca teve o espaço tão disputado quanto agora. O rock pegou na veia de todo o mundo – especialmente da juventude que naquele pósguerra pródigo buscava formas mais espontâneas e informais de existência, em oposição ao moralismo e ao puritanismo de seus pais. É inegável que o rock é um dos estilos mais abrangentes da música. O rock tem variantes criadas no mundo todo, mas, nasceu nos Estados Unidos. Os principais instrumentos utilizados originalmente no rock eram: guitarra, bateria e contrabaixo. Trata-se de um

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gênero musical que surgiu nos Estados Unidos, nos anos 50, misturando elementos da música negra (blues e rhythm'n'blues) à dos brancos (country e folk music). Logo alcança repercussão mundial. A partir da segunda metade da década de 60 o rock, que inicialmente era uma música feita exclusivamente para dançar, começou a evoluir técnica e musicalmente, passou a assimilar elementos de outras músicas e culturas, formando, em seus estágios mais avançados, uma só unidade. Os mais sábios dizem que rock é um estado de espírito, uma atitude. Indiscutível. Entenda-se por Rock’n’Roll um mix de vários estilos musicais, em contínuo desenvolvimento com temáticas comportamentais,

políticas e existenciais; e, ao mesmo tempo, movimenta bilhões de doláres como mais um bem cultura na cultura de consumo do sistema capitalista, movimentando milhões de adeptos em todo o planeta. O rock foi a trilha sonora da contracultura, que se insurgiu contra costumes e conceitos vistos pelos jovens como superados. Quebrou preconceitos. Nos anos 60 o rock explodiu pela primeira vez. A inquietação dos anos 50 era individualista, sexual e epidérmica. A dos anos 60 era coletiva, cerebral e transcendente. Uma outra geração. O rock desdobrou-se para atender à essas novas demandas. Já em 1967 os Beatles trocaram o estilo pseudo-ingênuo dos álbuns iniciais por um bem mais elaborado e ousado, cheio de sons dissonantes, imagens surreais e

crítica social, como faria também Bob Dylan, vindo do popular folk americano. Grupos mais agressivos, com uma sonoridade e uma atitude muito marcantes, como os Rolling Stones, foram tomando espaço. Janis Joplin gravou o standard “Summertime” em versão rascante e alucinada. Jimi Hendrix, vindo do blues, deu em 1970 o famoso show em Berkeley, fazendo literalmente o diabo com a guitarra. No rastro dos Beatles surgiram dezenas de minirrevoluções: estéticas, comportamentais, políticas etc. Ao mesmo tempo em que os Beatles – que têm a mesma importância dos Stones na história do rock – eram considerados bem-comportados, bons moços, de trajes e cabelos impecáveis, os Stones eram feios, sujos e mal-educados. Agressivos, não tinham receio de mostrar que usavam drogas, mas eram acima de tudo ousados, e conseguiam falar a uma juventude marcada pela política imperialista dos Estados Unidos na guerra do Vietnã e o conservadorismo da época, pré-era de Aquário, da revolução e liberdade sexuais.

O rock na década de 1950 : primeiros passos É a fase inicial deste estilo, ganhando a simpatia dos jovens que se identificavam com o estilo rebelde dos cantores e bandas. Surge nos EUA e espalha-se pelo mundo em pouco tempo. No ano de 1954, Bill Haley lança o grande sucesso Shake, Rattle and Roll. No ano seguinte, surge no cenário musical o rei do rock Elvis Presley. Unindo diversos ritmos como a country music e o rhythm & blues. O roqueiro de maior sucesso até então, Elvis Presley lançaria o disco, em 1956, Heartbreaker Hotel, atingindo vendas extraordinárias. Nesta década, outros roqueiros fizeram sucesso como, por exemplo, Chuck Berry e Little Richard. O rock na década de 1960 : rebeldia e transgressão Esta fase marca a entrada no mundo do rock da banda de maior sucesso de todos os tempo : The Beatles. Os quatro jovens de Liverpool estouram nas paradas da Europa e Estados Unidos, em 1962, com a música Love me do. Os Beatles ganham o mundo e o sucesso aumentava a cada ano desta década. A década de 1960 ficou conhecida como Anos Rebeldes, graças aos grandes movimentos pacifistas e manifestações contra a Guerra do Vietnã. O rock ganha um caráter político de contestação nas letras de Bob Dylan. Outro grupo inglês começa a fazer grande sucesso : The Rolling Stones. No final da década, em 1969, o Festival de Woodstock torna-se o símbolo deste período. Sob o lema "paz e amor", meio milhão de jovens comparecem no concerto que contou com a presença de Jimi Hendrix e Janis Joplin. Bandas de rock que fizeram sucesso nesta época : The Mamas & The Papas, Animals, The Who, Jefferson Airplane, Pink Floyd, The Beatles, Rolling Stones, The Doors. O rock nos Anos 70 : disco music, pop rock e punk rock Nesta época o rock ganha uma cara mais popular com a massificação da música e o

surgimento do videoclipe. Surge também uma batida mais forte e pesada no cenário do rock. É a vez do heavy metal de bandas como Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple. Por outro lado, surge uma batida dançante que toma conta das pistas de dança do mundo todo. A dance music desponta com os sucessos de Frank Zappa, Creedence Clearwater, Capitain Beefheart, Neil Young, Elton John, Brian Ferry e David Bowie. Bandas de rock com shows grandiosos aparecem nesta época : Pink Floyd Genesis, Queen e Yes. Anos 80 : um pouco de tudo no rock A década de 1980 foi marcada pela convivência de vários estilos de rock. O new wave faz sucesso no ritmo dançante das seguintes bandas: Talking Heads, The Clash, The Smith, The Police. Surge em Nova York uma emissora de TV dedicada à música e que impulsiona ainda mais o rock. Esta emissora é a MTV, dedicada a mostrar videoclipes de bandas e cantores. Começa a fazer sucesso a banda de rock irlandesa chamada U2 com letras de protesto e com forte caráter político. Seguindo um estilo pop e dançante, aparecem Michael Jackson e Madonna. O rock na década de 1990 : fusões e experimentações Esta década foi marcada por fusões de ritmos diferentes e do sucesso, em nível mundial, do rap e do reggae. Bandas como Red Hot Chili Peppers e Faith no More fundem o heavy metal e o funk, ganhando o gosto dos roqueiros e fazendo grande sucesso. Surge o movimento grunge em Seattle, na California. O grupo Nirvana, liderado por Kurt Cobain, é o maior representante deste novo estilo. R.E.M., Soundgarden, Pearl Jam e Alice In Chains também fazem sucesso no cenário grunge deste período. O rock britânico ganha novas bandas como, por exemplo, Oasis, Green Day e Supergrass.

Época de transformação - Era o rock também instrumento de contestação, inclusive política, como em “Street Fighting Man”, que trazia referências (“pés marchando”, “hora de lutar”) às manifestações que começavam a ocorrer naquele período. Mas o caminho poderia ser individual também. “O que pode fazer um Movimento Médico 37

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O Rock através das décadas

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Robert Plant e Jimmy Page, do Led Zeppelin dividem o microfone. Abaixo, Kurt Cobain, do Nirvana, que se suicidou aos 30 anos, cheio da vida de rico

garoto pobre além de tocar numa banda de rock and roll?”, cantavam os Stones na mesma faixa, comparável a “Revolution”, dos Beatles. Então o rock se multiplicou ou se dividiu: vieram os movimentos – punk, metal, progressivo etc. – e, embora quase toda banda de rock “pesado” tenha feito algumas baladas lentas e lindas ou mesmo canções violentas, mas densas (Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple, The Doors, The Clash), a sutileza foi sumindo do mapa. Surgiram também bandas “alternativas”, como Pink Floyd, Emerson, Lake & Palmer, King Crimson, Moody Blues, Yes, Focus e outras, que com o tempo foram saindo de cena. Mas, mesmo assim, não por acaso, alguns dos melhores discos que ainda são chamados de Rock’n’Roll – ou seja, uma mistura de batida e balada, em que a articulação vigorosa entre ritmo e melodia predomina sobre a harmonia – são hoje feitos por veteranos, por nomes como Lou Reed, David Bowie e Neil Young, que já estão na estrada faz tempo. E que grandes ídolos do passado, como Paul McCartney, U2 e Rolling Stones, continuam a atrair multidões – para ouvir principalmente, seus “clássicos”, não suas composições mais re38 Movimento Médico

centes. Exemplo recente: os Stones, misturam riffs mais contemporâneos, modernos, mas nunca deixando as raízes de lado. Talvez seja esse o segredo de uma longevidade nessa banda repleta de conflitos de egos, crises e reviravoltas. Os “gêmeos brilhantes” –, como é conhecida a dupla Jagger e Richards, também têm a sua parcela de “culpa” nessa história. É claro que há boa música de rock, ou pop-rock, sendo feita por bandas novíssimas como White Stripes, Strokes, e Franz Ferdinand; por outras que já surgiram há algum tempo, Aerosmith, Guns N’ Roses, Oasis, RadioHead, Blur e Coldplay. Nos anos 80 é que se começou a falar mais ostensivamente em pop para designar a música comercial pós-rock, normalmente estruturada em bandas jovens compostas de guitarra, bateria, baixo e vocal, que nasciam como cogumelos em garagens do mundo inteiro. No Brasil, o chamado “roquinho nacional” – Paralamas, Titãs, Barão Vermelho, Ultraje a Rigor, Lulu Santos – parecia mais uma mistura de pop americano com MPB. Nos anos 90, apesar de sucessos como o Nirvana (cujo vocalista, Kurt Cobain, suicidou-se em 1994 por não querer ser estrela). De certo modo, o

que diz Neil Young, “Hey, hey, my, my/ Rock’n’Roll will never die”, é verdadeiro: o rock nunca vai morrer, porque será sempre uma referência de juventude e porque já deixou um bom número de canções – de entrelaçamentos de letras e notas que podem captar um espírito de época e injetar um amor pela vida intensa, em contraposição ao futuro sempre adiado. O rock é uma porrada na sensibilidade. Depois de cinco décadas, os ecos dessa explosão musical continuam martelando nossos ouvidos. Resistiu ao tempo e as imposições da ditadura de modismos, do consumismo descartável. Sobreviveu aos novos usos da tecnologia do som, sintetizadores, samplers e transformadores de voz. Em verdade, o rock vive uma era de vigor. Está mais vivo do que nunca. Talvez nunca deixe de estar, enquanto se lembrar da fórmula mágica da perpétua transformação. We Love The Rock!

Apolo Albuquerque os grotões do Nordeste é muito comum os pais botarem nos filhos nomes de ilustres americanos. São muitos os exemplos: John Kennedy, Washington Luiz, Franklin, Roosevelt (assim mesmo, separados) e tantos outros. Pois bem, certa uma vez uma dessas mães estava num consultório médico, na capital, aguardando a sua vez de ser chamada. A sala cheia de outros pacientes. A secretária do médico chegou com a ficha do garoto na mão e falou em alto e bom som: “WALDISNEI???”. Na segunda vez, aumentou ainda mais o tom “WALDISNEI?????????”. Terceira, quarta e nada!!!! De repente, ela resolveu chamar por dona Maria do Socorrro, a mãe do “Valdisnei”, que prontamente se levantou. “Eu chamei tanto por seu filho e a senhora nem respondeu?”. Dona Socorro, bem humilde,

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respondeu: “Me desculpe, mas eu não ouvi a senhora chamar por meu filho”. Chamei, sim, olha aqui “Waldisnei”. E dona Socorro, um pouco chateada, procurou esclarecer a situação: “O nome do meu filho, escolhido por mim e meu marido, é Walt Disney e não Waldisnei, como a senhora falou”. * O médico chega para o paciente: “Eu tenho duas notícias para lhe dar, uma boa e outra ruim!” “Qual é a ruim?” “Vamos ter que lhe amputar as duas pernas.” “Ai, meu Deus! Qual é a boa?” “Tem um enfermeiro do turno da noite que está querendo comprar os seus sapatos!” * Era alta madrugada e dois bêbados iam para casa no maior porre do mundo e de repente, sem que perce-

bessem, começaram a andar pela linha do trem. Um deles, já meio cansado, falou: “Que escada mais comprida”. Ao que o outro retrucou: “E o corre-mão é bem baixinho”. * Outra de bêbado. Depois de tomar quase uma garrafa de pinga, o cidadão entrou no ônibus e sentou-se ao lado de um padre. No sacolejo do ônibus, caiu várias vezes por cima do padre, deixando-o bastante irritado. Num certo momento, tentou puxar conversa com o representante da igreja e perguntou: “Padre, artrite mata?”. E o padre, aproveitando o gancho, desceu a lenha: “Mata, sim. Mata principalmente quem bebe. Não importa a quantidade”. E o bêbado, com os olhos cheios de lágrimas, olhou para o padre e disse: “Estou morrendo de pena do papa porque o jornal de hoje tá dizendo que ele está com artrite”. * Por falar em padre, a gafe de Toninho Cerezo ficou na história. Ao desembarcar em Belém, capital do Pará, o craque do futebol brasileiro beijou o chão e disse para toda a mídia paraense que o aguardava ouvir: “Que satisfação descer na terra onde Jesus nasceu”. * Apolo Albuquerque se despede desta vez com uma pérola de párachoque de caminhão: “Quem inventou a distância não sabe o que é a saudade”. Movimento Médico 39

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Gentil Porto

Num lugar do passado

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Arquivo Pessoal

ostumo dizer que ninguém é dono da vida – a vida é realmente dona da gente. Assim, por ela fui levado para vários lugares e deles guardo lembranças imorredouras – Brejo da Madre de Deus, onde nasci; Caruaru, onde me criei; Recife, onde estudei e me formei; Floresta, onde trabalhei, e Petrolina, onde também exerci o meu ofício. Considero-me um nômade telúrico. Faltava, entretanto, falar em Pesqueira, terra dos meus antepassados maternos, do meu avô Gumercindo Saraiva Duque, tabelião da cidade, gourmet por vocação, poeta consumado. Lembrome do seu caminhar pelas ruas e praças daquela cidade, sempre de paletó, bogari na lapela, charuto entre os dedos. E é de Pesqueira a história que vou contar, repassada pela minha tia Aliete Duque de Miranda, espírito folgazão, moleca de carteirinha. Pesqueira do meu tempo de criança era aquela cidade circundada por serras. Na parte mais alta, as fábricas Peixe da família Brito, o Colégio das Dorotéias e, mais embaixo, a formosa Catedral de St'Águeda, o Colégio Cristo Rei, o Clube dos 50 e as praças do entorno. Para se deslocar da parte mais alta para a parte mais baixa, usava-se um bonde movido a burros, alegria da criançada do meu tempo. Nas proximidades da praça, existia (e acho que ainda existe) uma sorveteria que também funcionava como bar. Ponto de reunião dos intelectuais, boêmios, lugar do “disse-me-disse” da cidade. Certa feita, conforme me contou tia Aliete, numa roda “movida” à cerveja, a conversa, que se iniciou amistosa, degringolou para grossa discussão. Daí para a pancadaria generalizada foi um passo. Empurra p'ra cá, empurra p'ra lá, sopapos, bofetões, copos quebrados, cadeiras ao chão. Um dos valentões estava literalmente incontrolável. A polícia foi chamada e imediatamente segurou o “tranca-rua”, que aos gritos exigia: “me larga, me larga!”. Não sendo atendido, soltou a tradicional “vocês sabem com quem estão falando?”. A polícia estacou e o beberrão com a maior firmeza: “eu sou irmão da rapariga do cabo de Sanharó!” (pequena cidade das adjacências). Haja autoridade!

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GENTIL ALFREDO MAGALHÃES DUQUE PORTO nasceu no Brejo da Madre de Deus, em julho de 1940. É formado em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desde 1963. Passou a infância em Caruaru. Ocupou vários cargos importantes na área de Saúde como a direção do hospital Álvaro Ferraz, em Floresta, Hopsital Dom Malan, em Petrolina (onde morou boa parte de sua vida) e a VII diretoria Regional de Saúde. Além disso, Gentil fundou o jornal "O Leão da Floresta". Trinta anos depois de viver no Sertão, tranferiu-se para o Recife, onde foi admitido como membro da Academia Recifense de Letras. Também é membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Sobrames, da União Brasileira de Escritores (UBE) e colaborador do Jornal do Commercio. Atualmente, Gentil Porto exerce o cargo de Secrtário Executivo de Assistência à Saúde da Secretaria Estadual de Saúde.

DIGNIDADE É O MELHOR REMÉDIO

Toda Terça, às 19 horas, na TV Universitária, Canal 11


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