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Clínica

Doença intestinal inflamatória – atualização

44

An update on inflammatory bowel disease Enfermedad intestinal inflamatoria – actualización

56

Comportamento

Estudo descritivo sobre a síndrome de ansiedade de separação (SAS) em cães

A descriptive study on anxiety separation syndrome (ASS) in dogs Estudio descriptivo sobre el síndrome de ansiedad por separación (SAS) en perros

Clínica

Alterações eritrocitárias oxidativas em cães – estudo retrospectivo de 62 casos (2009-2011)

66

Erythrocyte oxidative changes in dogs – retrospective study of 62 cases (2009-2011) Alteraciones oxidativas eritrocitarias en perros – estudio retrospectivo de 62 casos (2009-2011)

Toxicologia

Intoxicação de cão por uva – relato de caso

74

Grape intoxication in a dog – case report Intoxicación por uva en perros – relato de un caso

Cirurgia

Eventração de útero gravídico em uma gata – relato de caso

80

Eventration of pregnant uterus in a cat – a case report Eventración de útero grávido en gata – relato de un caso

Diagnóstico por imagem

Diagnóstico por imagem nas enfermidades tireoidianas em cães – revisão

86

Diagnostic imaging of thyroid diseases in dogs – review Diagnóstico por imágenes en enfermedades de la tiroides en perros – revisión bibliográfica

Diagnóstico por imagem

96

Princípios físicos da ultrassonografia com contraste por microbolhas – revisão de literatura

Physical principles of microbubble contrast-enhanced ultrasonography – a review Principios físicos de la ecografía de contraste de microburbujas – revisión de la literatura

6

Diagnóstico por imagem 108 Ultrassonografia contrastada na medicina veterinária – revisão

Contrast-enhanced ultrasonography in veterinary medicine – a review Ecografía de contraste en medicina veterinaria – revisión

Errata No artigo Fatores prognósticos no mastocitoma cutâneo canino - revisão de literatura, publicado na edição n. 100 de 2012, na página 66, no subtítulo “Índice mitótico”, o parágrafo deve ficar assim: “A contagem de figuras de mitose por campo ou índice mitótico (IM) é realizada para avaliação proliferativa das neoplasias e tem sido utilizada tanto para fins diagnósticos quanto para indicação de prognóstico 15. Em uma pesquisa demonstrou-se correlação entre o índice mitótico (IM), os graus histopatológicos 1. Posteriormente, um outro estudo revelou que a média de sobrevida de cães com amostras com IM ≤ 5 foi significativamente longa (70 meses), comparativamente àqueles com IM > 5 (2 meses), independentemente do grau histológico. Portanto, quanto maior o IM, menor será a sobrevida 16.

@ Na internet FACEBOOK www.facebook.com/ClinicaVet TWITTER www.twitter.com/ClinicaVet Site www.revistaclinicaveterinaria.com.br

Contato Editora Guará Ltda. Dr. José Elias 222 - Alto da Lapa 05083-030 São Paulo - SP, Brasil Central de assinaturas: 0800 891.6943 cvassinaturas@editoraguara.com.br Telefone/fax: (11) 3835-4555 / 3641-6845

Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, novembro/dezembro, 2012

Notícias

• Simpósio Agener com dr. Hélio Autran • Hill’s Pet Nutrition leva veterinários aos EUA • Especialista brasileiro irá coordenar dois grandes livros nos EUA • Hospital Veterinário Pet Care Pacaembu • Hospital Veterinário Pet Center Marginal • Naya Especialidades: 1º aniversário • Registros na Pet South America 2012 • Congresso da ABRAVAS reuniu participantes de três países sul-americanos

Saúde pública

Controle da leishmaniose visceral no Brasil: recomendações do BRASILEISH

Interação homem-animal

36

Empresa cria ação coordenada de apoio a ONGs e protetores de animais Do utilitarismo ao abolicionismo: as origens e a evolução das principais correntes de pensamento a respeito de proteção animal nas últimas décadas

Livros

Lançamentos

128

Guia veterinário

129

Vet Agenda

136

PAF-ECF, como ele afeta meu negócio ?

28

122 124 126

Gestão, marketing e estratégia

Bem-estar animal

Acumuladroes de animais (Animal hoarders)

Comportamento

Comportamentos caninos indesejáveis: prevenção na consulta veterinária

32 34

Medicina veterinária do coletivo

8

14

• Seu cachorro é o seu espelho • Duda – a reencarnação de uma cachorrinha • Tem planta que virou bicho! • Saúde bucal • Controle de pulgas • Alimentos para cães e gatos

Produtos e serviços para o mercado pet e veterinário www.guiavet.com.br

Eventos nacionais e internacionais www.vetagenda.com.br

Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, novembro/dezembro, 2012

O

final do ano está próximo e muitos já começam a pensar nos presentes. Inevitavelmente, animais são adquiridos com esse objetivo. Por isso, nesse período é fundamental que não falte informação sobre a guarda responsável. Alguns bons exemplos são os livros O cachorro do menino, de César Obeid; Cão de família, de Alexandre Rossi e Alida Gerger (www.probem.info) e o vídeo Fulaninho, o cão que ninguém queria, entre outros (www.petvettv.com.br). O incentivo à guarda responsável é benéfico para os animais, gera demanda de profissionais especializados e promove a saúde da comunidade. Infelizmente, no Brasil, a família multiespécie não é reconhecida e, consequentemente, a comunidade brasileira carece de políticas públicas que promovam uma saúde única. Acreditar que nós, médicos veterinários, podemos mudar o cenário nacional, visando saúde tanto para as famílias quanto para os animas de rua, não deve ser uma ilusão, mas uma determinação. Um exemplo real de que isso pode existir é a recente publicação do artigo Consolidação de diretrizes internacionais de manejo de populações caninas em áreas urbanas e proposta de indicadores para seu gerenciamento, Rev Panam Salud Publica [online]. 2012, v. 32, n. 2, p. 140-144. ISSN 1020-4989, de Rita de Cassia Maria Garcia; Néstor Calderon e Fernando Ferreira, que destaca a importância do manejo populacional dos cães de rua, ação que exige estratégias políticas, sanitárias, etológicas, ecológicas e humanitárias que sejam socialmente aceitas e ambientalmente sustentáveis. Também destaca a integração do controle das zoonoses como raiva e leishmaniose, inserindo o conceito de "uma só saúde", que beneficia tanto os animais quanto as pessoas das comunidades.

A recém-eleição de candidatos conscientes da importância das ações focadas nos animais e na saúde única é uma excelente oportunidade para que esse tema evolua e não saia de pauta. A participação de todos é vital para que essa evolução ocorra e permaneça.

Feliz Natal, abrigos vazios e famílias completas... Curta e compartilhe! Arthur de Vasconcelos Paes Barretto

EDITORES / PUBLISHERS

Arthur de Vasconcelos Paes Barretto editor@editoraguara.com.br CRMV-MG 10.684 - www.crmvmg.org.br

Maria Angela Sanches Fessel cvredacao@editoraguara.com.br CRMV-SP 10.159 - www.crmvsp.gov.br

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EDITORAÇÃO ELETRÔNICA / DESKTOP PUBLISHING Editora Guará Ltda.

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Clínica Veterinária é uma revista técnico-científica bimestral, dirigida aos clínicos veterinários de pequenos animais, estudantes e professores de medicina veterinária, publicada pela Editora Guará Ltda. As opiniões em artigos assinados não são necessariamente compartilhadas pelos editores. Os conteúdos dos anúncios veiculados são de total responsabilidade dos anunciantes. Não é permitida a reprodução parcial ou total do conteúdo desta publicação sem a prévia autorização da editora. A responsabilidade de qualquer terapêutica prescrita é de quem a prescreve. A perícia e a experiência profissional de cada um são fatores determinantes para a condução dos possíveis tratamentos para cada caso. Os editores não podem se responsabilizar pelo abuso ou má aplicação do conteúdo da revista Clínica Veterinária.

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Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, novembro/dezembro, 2012

CONSULTORES CIENTÍFICOS Adriano B. Carregaro

Ceres Faraco

Geraldo M. da Costa

Julio Cesar de Freitas

Mary Marcondes

Alceu Gaspar Raiser

César A. D. Pereira

Gerson Barreto Mourão

Karin Werther

Masao Iwasaki

Alessandra M. Vargas

Christina Joselevitch

Hannelore Fuchs

Leonardo Pinto Brandão

Mauro J. Lahm Cardoso

Alexandre Krause

Cibele F. Carvalho

Hector Daniel Herrera

Leucio Alves

Mauro Lantzman Michele A. F. A. Venturini

FZEA/USP

DCPA/CCR/UFSM Endocrinovet FMV/UFSM

FACCAT/RS

UAM, UNG, UNISA IP/USP

UNICSUL

DMV/UFLA

ESALQ/USP

Instituto PetSmile

Univ. de Buenos Aires

UEL

FCAV/Unesp-Jaboticabal Merial Saúde Animal FMV/UFRPE

Alexandre G. T. Daniel

Clair Motos de Oliveira

Hector Mario Gomez

Luciana Torres

Alexandre Lima Andrade

Clarissa Niciporciukas

Hélio Autran de Moraes

Lucy M. R. de Muniz

Cleber Oliveira Soares

Hélio Langoni

Luiz Carlos Vulcano

Cristina Massoco

Heloisa J. M. de Souza

Luiz Henrique Machado

Daisy Pontes Netto

Herbert Lima Corrêa

Marcello Otake Sato

Iara Levino dos Santos

Marcelo A.B.V. Guimarães

Universidade Metodista

CMV/Unesp-Aracatuba

Alexander W. Biondo UFPR, UI/EUA

Aline Machado Zoppa FMU/Cruzeiro do Sul

Aloysio M. F. Cerqueira UFF

Ana Claudia Balda FMU, Hovet Pompéia

Ananda Müller Pereira

Universidad Austral de Chile

Ana P. F. L. Bracarense DCV/CCA/UEL

André Luis Selmi

Anhembi/Morumbi e Unifran

Angela Bacic de A. e Silva FMU

Antonio M. Guimarães DMV/UFLA

Aparecido A. Camacho FCAV/Unesp-Jaboticabal

A. Nancy B. Mariana FMVZ/USP

Arlei Marcili FMVZ-USP

Aulus C. Carciofi

FCAV/Unesp-Jaboticabal

Aury Nunes de Moraes UESC

Ayne Murata Hayashi FMVZ/USP

FMVZ/USP

ANCLIVEPA-SP EMBRAPA

Salles Gomes C. Empresarial FMV/UEL

Daniel C. de M. Müller UFSM/URNERGS

EMV/FERN/UAB

Dep. Clin. Sci./Oregon S. U. FMVZ/UNESP-Botucatu FMV/UFRRJ

ODONTOVET

Koala H. A. e Inst. Dog Bakery

Daniel G. Ferro

Iaskara Saldanha

Daniel Macieira

Idael C. A. Santa Rosa

ODONTOVET FMV/UFF

Denise T. Fantoni FMVZ/USP

Dominguita L. Graça FMV/UFSM

Edgar L. Sommer PROVET

Edison L. P. Farias UFPR

Eduardo A. Tudury DMV/UFRPE

Elba Lemos FioCruz-RJ

Elisangela de Freitas FMVZ/Unesp-Botucatu

Fabiano Montiani-Ferreira FMV/UFPR

Fabiano Séllos Costa DMV/UFRPE

Fernando C. Maiorino FEJAL/CESMAC/FCBS

Provet, Lab. Badiglian UFLA

Ismar Moraes FMV/UFF

Jairo Barreras FioCruz

James N. B. M. Andrade FMV/UTP

Jane Megid

FMVZ/Unesp-Botucatu

Janis R. M. Gonzalez FMV/UEL

Jean Carlos R. Silva UFRPE, IBMC-Triade

João G. Padilha Filho FCAV-Unesp-Jaboticabal

João Pedro A. Neto UAM

Jonathan Ferreira Odontovet

Jorge Guerrero

Universidade da Pennsylvania

Benedicto W. De Martin

Fernando de Biasi

José de Alvarenga

Berenice A. Rodrigues

Fernando Ferreira

Jose Fernando Ibañez

Camila I. Vannucchi

Flávia R. R. Mazzo

José Luiz Laus

FMVZ/USP; IVI

Médica veterinária autônoma FMVZ/USP

Carla Batista Lorigados FMU

Carlos Alexandre Pessoa Médico veterinário autônomo

DCV/CCA/UEL FMVZ/USP Provet

Flavia Toledo

Univ. Estácio de Sá

Flavio Massone

FMVZ/Unesp-Botucatu

FMVZ/USP

FALM/UENP

FCAV/Unesp-Jaboticabal

José Ricardo Pachaly UNIPAR

José Roberto Kfoury Jr. FMVZ/USP

FMVZ/USP

FMVZ/Unesp-Botucatu FMVZ/Unesp-Botucatu FMVZ/Unesp-Botucatu FM/UFTO

FMVZ/USP

CMV/Unesp-Araçatuba FMVZ/USP

FALM/UENP

Psicologia PUC-SP

ODONTOVET

Michiko Sakate

FMVZ/Unesp-Botucatu

Miriam Siliane Batista FMV/UEL

Moacir S. de Lacerda UNIUBE

Monica Vicky Bahr Arias FMV/UEL

Nadia Almosny FMV/UFF

Marcelo Bahia Labruna

Nayro X. Alencar

Marcelo de C. Pereira

Nei Moreira

Marcelo Faustino

Nelida Gomez

Marcia Kahvegian

Nilson R. Benites

Márcia Marques Jericó

Nobuko Kasai

Marcia M. Kogika

Noeme Sousa Rocha

Marcio B. Castro

Norma V. Labarthe

Marcio Brunetto

Patrícia Mendes Pereira

Marcio Dentello Lustoza

Paulo César Maiorka

Márcio Garcia Ribeiro

Paulo Iamaguti

Marco Antonio Gioso

Paulo S. Salzo

Marconi R. de Farias

Paulo Sérgio M. Barros

FMVZ/USP FMVZ/USP FMVZ/USP FMVZ/USP

UAM e UNISA FMVZ/USP UNB

FMVZ/USP-Pirassununga Biogénesis-Bagó Saúde Animal FMVZ/Unesp-Botucatu FMVZ/USP PUC-PR

FMV/UFF

CMV/UFPR

UBA-Argentina FMVZ/USP FMVZ/USP

FMV/Unesp-Botucatu FMV/UFFe FioCruz DCV/CCA/UEL FMVZ/USP

FMVZ/Unesp-Botucatu UNIMES, UNIBAN FMVZ/USP

Maria Cecilia R. Luvizotto Pedro Germano CMV/Unesp-Aracatuba

FSP/US

M. Cristina F. N. S. Hage Pedro Luiz Camargo FMV/UFV

DCV/CCA/UEL

Maria Cristina Nobre

Rafael Almeida Fighera

M. de Lourdes E. Faria

Rafael Costa Jorge

Maria Isabel M. Martins

Regina H.R. Ramadinha

FMV/UFF

VCA/SEPAH

DCV/CCA/UEL

FMV/UFSM

Hovet Pompéia FMV/UFRRJ

Carlos E. S. Goulart

Francisco J. Teixeira N.

Juan Carlos Troiano

M. Jaqueline Mamprim

Renata Afonso Sobral

Carlos Roberto Daleck

F. Marlon C. Feijo

Juliana Brondani

Maria Lúcia Z. Dagli

Renata Navarro Cassu

Carlos Mucha

Franz Naoki Yoshitoshi

Juliana Werner

Marion B. de Koivisto

Renée Laufer Amorim

Cassio R. A. Ferrigno

Geovanni D. Cassali

Julio C. C. Veado

Marta Brito

Ricardo Duarte

FTB

FCAV/Unesp-Jaboticabal IVAC-Argentina FMVZ/USP

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FMVZ/Unesp-Botucatu UFERSA Provet

ICB/UFMG

UBA - Argentina

FMVZ/Unesp-Botucatu Lab. Werner e Werner FMVZ/UFMG

FMVZ/Unesp-Botucatu FMVZ/USP

CMV/Unesp-Araçatuba FMVZ/USP

Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, novembro/dezembro, 2012

Onco Cane Veterinária

Unoeste-Pres. Prudente FMVZ/Unesp-Botucatu Hovet Pompéia

Ricardo G. D’O. C. Vilani UFPR

Ricardo S. Vasconcellos CAV/UDESC

Rita de Cassia Garcia FMV/USP

Rita de Cassia Meneses IV/UFRRJ

Rita Leal Paixão FMV/UFF

Robson F. Giglio

Hosp. Cães e Gatos; Unicsul

Rodrigo Gonzalez

FMV/Anhembi-Morumbi

Rodrigo Mannarino FMVZ/Unesp-Botucatu

Ronaldo C. da Costa CVM/Ohio State University

Ronaldo G. Morato CENAP/ICMBio

Rosângela de O. Alves EV/UFG

Rute C. A. de Souza UFRPE/UAG

Ruthnéa A. L. Muzzi DMV/UFLA

Sady Alexis C. Valdes ICBIM/UFU

Sheila Canavese Rahal FMVZ/Unesp-Botucatu

Silvia E. Crusco UNIP/SP

Silvia Neri Godoy ICMBio/Cenap

Silvia R. G. Cortopassi FMVZ/USP

Silvia R. R. Lucass FMVZ/USP

Silvio A. Vasconcellos FMVZ/USP

Silvio Luis P. de Souza FMVZ/USP, UAM

Simone Gonçalves Hemovet/Unisa

Stelio Pacca L. Luna FMVZ/Unesp-Botucatu

Suely Nunes E. Beloni DCV/CCA/UEL

Tilde R. Froes Paiva FMV/UFPR

Valéria Ruoppolo

Int. Fund for Animal Welfare

Vamilton Santarém Unoeste

Vania M. de V. Machado FMVZ/Unesp-Botucatu

Viviani de Marco

UNISA, Hosp. Vet. Pompéia

Wagner S. Ushikoshi

FMV/UNISA e FMV/CREUPI

Zalmir S. Cubas Itaipu Binacional

Instruções aos autores A Clínica Veterinária publica artigos científicos inéditos, de três tipos: trabalhos de pesquisa, relatos de caso e revisões de literatura. Embora todos tenham sua importância, nos trabalhos de pesquisa, o ineditismo encontra maior campo de expressão, e como ele é um fator decisivo no âmbito científico, estes trabalhos são geralmente mais valorizados. Todos os artigos enviados à redação são primeiro avaliados pela equipe editorial e, após essa avaliação inicial, encaminhados aos consultores científicos. Nessas duas instâncias, decide-se a conveniência ou não da publicação, de forma integral ou parcial, e encaminham-se ao autores sugestões e eventuais correções. Trabalhos de pesquisa são utilizados para apresentar resultados, discussões e conclusões de pesquisadores que exploram fenômenos ainda não completamente conhecidos ou estudados. Nesses trabalhos, o bem-estar animal deve sempre receber atenção especial. Relatos de casos são utilizados para apresentação de casos de interesse, quer seja pela raridade, evolução inusitada ou técnicas especiais, que são discutidas detalhadamente. Revisões são utilizadas para o estudo aprofundado de informações atuais referentes a um determinado assunto, a partir da análise criteriosa dos trabalhos de pesquisadores de todo o meio científico, publicados em periódicos de qualidade reconhecida. As revisões deverão apresentar pesquisa de, no mínimo, 60 referências provadamente consultadas. Uma revisão deve apresentar no máximo até 15% de seu conteúdo provenientes de livros, e no máximo 20% de artigos com mais de dez anos de publicação. Critérios editoriais Para a primeira avaliação, os autores devem enviar pela internet (revistaclinicaveterinaria.com.br/concurso) um arquivo texto (.doc) com o trabalho, acompanhado de imagens digitalizadas em formato .jpg . As imagens digitalizadas devem ter, no mínimo, resolução de 300 dpi na largura de 9 cm. Se os autores não possuírem imagens digitalizadas, devem encaminhar pelo correio ao nosso departamento de redação cópias das imagens originais (fotos, slides ou ilustrações – acompanhadas de identificação de propriedade e autor). Devem ser enviadas também a identificação de todos os autores do trabalho (nome completo por extenso, RG, CPF, endereço residencial com cep, telefones e e-mail). Além dos nomes completos, devem ser informadas as instituições às quais os autores estejam vinculados, bem como seus títulos no momento em que o trabalho foi escrito. Todos os artigos, independentemente da sua categoria, devem ser redigidos em língua portuguesa e acompanhados de versões em língua inglesa e espanhola de: título, resumo (de 700 a 800 caracteres) e unitermos (3 a 6). Os títulos devem ser claros e grafados em letras minúsculas – somente a primeira letra da primeira palavra deve ser grafada em letra maiúscula. Os resumos devem ressaltar o objetivo, o método, os resultados e as conclusões, de forma concisa, dos pontos relevantes do trabalho apresentado. Os unitermos não devem constar do título. Devem ser dispostos do mais abrangente para o mais específico (eg, “cães, cirurgias, abcessos, próstata). Verificar se os unitermos escolhidos constam dos “Descritores em Ciências de Saúde” da Bireme (http://decs.bvs.br/). Revisões de literatura não devem apresentar o subtítulo “Conclusões”. Sugere-se “Considerações finais”. Não há especificação para a quantidade de páginas, dependendo esta do conteúdo explorado. Os assuntos devem ser abordados com objetividade e clareza, visando o público leitor – o clínico veterinário de pequenos animais. Utilizar fonte arial tamanho 10, espaço simples e uma única coluna. As margens superior, inferior e laterais devem apresentar até 3cm. Não deixar linhas em branco ao longo do texto, entre títulos, após subtítulos e entre as referências.

No caso de todo o material ser remetido pelo correio, devem necessariamente ser enviados, além de uma apresentação impressa, uma cópia em CD-rom. Imagens como fotos, tabelas, gráficos e ilustrações não podem ser cópias da literatura, mesmo que seja indicada a fonte. Devem ser utilizadas imagens originais dos próprios autores. Imagens fotográficas devem possuir indicação do fotógrafo e proprietário; e quando cedidas por terceiros, deverão ser obrigatoriamente acompanhadas de au torização para publicação e cessão de direitos para a Editora Guará (fornecida pela Editora Guará). Quadros, tabelas, fotos, desenhos, gráficos deverão ser denominados figuras e numerados por ordem de aparecimento das respectivas chamadas no texto. Imagens de microscopia devem ser sempre acompanhadas de barra de tamanho e nas legendas devem constar as objetivas utilizadas. As legendas devem fazer parte do arquivo de texto e cada imagem deve ser nomeada com o número da respectiva figura. As legendas devem ser autoexplicativas. Evitar citar comentários que constem das introduções de trabalhos de pesquisa para não incorrer em apuds. Procurar se restringir ao "Material e métodos" e às "Conclusões" dos trabalhos. Sempre buscar pelas referências originais consultadas por esses autores. As referências serão indicadas ao longo do texto apenas por números sobrescritos ao texto, que corresponderão à listagem ao final do artigo – autores e datas não devem ser citados no texto. Esses números sobrescritos devem ser dispostos em ordem crescente, seguindo a ordem de aparecimento no texto, e separados apenas por vírgulas (sem espaços). Quando houver mais de dois números em sequência, utilizar apenas hífen (-) entre o primeiro e o último dessa sequência, por exemplo cão 1,3,6-10,13. A apresentação das referências ao final do artigo deve seguir as normas atuais da ABNT 2002 (NBR 10520). Utilizar o formato v. para volume, n. para número e p. para página. Não utilizar “et al” – todos os autores devem ser relacionados. Não abreviar títulos de periódicos. Sempre utilizar as edições atuais de livros – edições anteriores não devem ser utilizadas. Todos os livros devem apresentar informações do capítulo consultado, que são: nome dos autores, nome do capítulo e páginas do capítulo. Quando mais de um capítulo for utilizado, cada capítulo deverá ser considerado uma referência. Não serão aceitos apuds. A exceção será somente para literatura não localizada e obras antigas de difícil acesso, anteriores a 1960. As citações de obras da internet devem seguir o mesmo procedimento das citações em papel, apenas com o acréscimo das seguintes informações: “Disponível em: <http://www.xxxxxxxxxx>. Acesso em: dia de mês de ano.” Somente utilizar o local de publicação de periódicos para títulos com incidência em locais distintos, como, por exemplo: Revista de Saúde Pública, São Paulo e Revista de Saúde Pública, Rio de Janeiro. De modo geral, não são aceitas como fontes de referência periódicos ou sites não indexados. Ocasionalmente, o conselho científico editorial poderá solicitar cópias de trabalhos consultados que obrigatoriamente deverão ser enviadas. Não utilizar SID, BID e outros. Escrever por extenso “a cada 12 horas”, “a cada 6 horas” etc. Com relação aos princípios éticos da experimentação animal, os autores deverão considerar as normas do SBCAL (Sociedade Brasileira de Ciência de Animais de Laboratório). Informações referentes a produtos utilizados no trabalho devem ser apresentadas em rodapé, com chamada no texto com letra sobrescrita ao princípio ativo ou produto. No rodapé devem constar o nome comercial, fabricante, cidade e estado. Para produtos importados, informar também o país de origem, o nome do importador/distribuidor, cidade e estado

Revista Clínica Veterinária / Redação Rua dr. José Elias 222 CEP 05083-030 São Paulo - SP cvredacao@editoraguara.com.br

Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, novembro/dezembro, 2012

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NOTÍCIAS

Simpósio Agener com dr. Hélio Autran A Agener União realizou, nos dias 31 de agosto e 1º de setembro de 2012, o 1º Simpósio Agener União de Medicina Interna, com o prof. dr. Hélio Autran. Foram 16 horas de palestras com temas direcionados ao sistema renal e cardiorrespiratório. O evento foi realizado no Hotel Blue Tree Morumbi, em São Paulo (SP) e contou com a participação de mais de 400 veterinários, superando as expectativas da empresa. Pode-se afirmar que foi mais um evento de sucesso promovido pela

Público atento aos ensinamentos do dr. Hélio Autran

Agener União, pois a média geral de satisfação foi de 97%.

Hill's Pet Nutrition leva veterinários aos EUA conhecer o Pet Nutrition Center (PNC), centro de pesquisa e desenvolvimento da Hill’s na cidade de Topeka, no Kansas. Esses profissionais foram escolhidos para fazer parte da viagem por meio de diversos critérios (líderes de opinião, maior número de inVeterinários brasileiros em Topeka, Kansas dicações dos produtos, concursos inNo mês de agosto, a Hill´s Pet ternos etc.). Além disso, a Hill’s tamNutrition levou cerca de 30 veterinábém proporcionou esta experiência a rios de diversas regiões do Brasil para um de seus VBAs (Veterinary Business

Advisors) a partir de uma análise do desempenho deles ao longo do ano. O vencedor foi Juliano Oliveira, de Porto Alegre. Durante o tour, os veterinários participaram de diversas palestras sobre temas relacionados à área e conheceram o processo de produção e desenvolvimento de produtos da Hill’s. Todo ano a Hill's promove outras duas versões dessa viagem, uma no Brasil e outra que contempla os outros países da América Latina.

Especialista brasileiro irá coordenar dois grandes livros nos EUA O dr. Ronaldo Casimiro da Costa, professor e chefe do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia Veterinária da Ohio State University, nos Estados Unidos, foi convidado a participar de dois grandes projetos editoriais. Ele será o coordenador da seção de neurologia da 8ª edição do Ettinger & Feldman, Tratado de medicina interna veterinária. O dr. Ronaldo recebeu o convite diretamente do dr. Ettinger, que também pediu que ele escrevesse mais um capítulo, além do que consta na 7ª edição, publicada em 2010. O dr. Ronaldo vai avaliar todos os capítulos de neurologia da edição atual e determinar que capítulos 14

deverão ser adicionados, modificados ou expandidos e selecionar os autores que os escreverão. Além do convite para coordenar o Ettinger, mais recentemente o dr. Ronaldo foi convidado para ser o coeditor do maior livro de neurologia veterinária da atualidade. O convite partiu do dr. Dewey, da Cornell University de Nova York. O livro do dr. Dewey, Neurologia de cães e gatos, já foi traduzido para vários idiomas, inclusive o português. O dr. Ronaldo vai expandi-lo e torná-lo ainda mais completo (três novos capítulos serão adicionados, e a expectativa é que a 3ª edição, que será toda em cores, tenha entre 800

e 900 páginas). O título do livro em inglês será: Dewey & da Costa, A Practical Dr. Ronaldo Guide to C. da Costa Canine and Feline Neurology, 3ª ed. (Ames: Wiley-Blackwell). A expectativa é que ambos os livros sejam publicados nos Estados Unidos entre 2013 e 2014. Informações adicionais sobre neurologia veterinária podem ser encontradas na internet na página do especialista – neuronaldo.com.br

Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, novembro/dezembro, 2012

NOTÍCIAS

Hospital Veterinário Pet Care Pacaembu Em setembro, foi inaugurado um novo hospital veterinário Pet Care na Av. Pacaembu, 1.839, em São Paulo (SP). Esta é a segunda unidade do grupo, que atua há 22 anos no bairro do Morumbi. Com 550 m2 de área total, o Pet Care Pacaembu funcionará 24 horas e terá capacidade para realizar 3 mil atendimentos por mês. A obra levou oito meses e a estrutura dispõe de estacionamento com manobrista, cinco salas de atendimento, duas salas de cirurgia, quatro salas de diagnóstico por imagem, incluindo radiografia digital, ultrassonografia, ecodopplercardiograma e tomografia, salas de observação emergencial com estrutura de UTI, pronto-atendimento de emergências, laboratório e área de apoio tipo

hospitalar, fisioterapia, etc. As instalações seguem os mesmos padrões de hospitais humanos, com piso emborrachado antiderrapante com cantos arredondados e pintura padrão, que seguem regras que garantem assepsia e fácil manutenção dos ambientes e controle de infecção hospitalar. Além disso, o Pet Care oferece UTI com total monitoramento, com os mesmos equipamentos e estrutura utilizada na UTI neonatal humana, com veterinários intensivistas exclusivos 24 horas. O Pet Care tem um corpo clínico formado por grandes especialistas do Brasil, com direção da dra. Carla Berl, assessorada pelo médico veterinário Cleber Fontana. “Trabalharemos em todas as novas unidades o mesmo con-

ceito da nossa sede no Morumbi, replicando nossa forma de trabalho. Toda a nossa estrutura e conhecimento visam considerar sempre o animal em primeiro lugar”, destaca a diretora. Os hospitais Pet Care serão um centro de apoio para veterinários, que poderão encaminhar seus pacientes para exames, especialistas, casos críticos e urgência e emergência, tendo todo o suporte do corpo clínico do Pet Care. “Além de oferecer um relatório detalhado sobre todos os procedimentos que estão sendo realizados, para que o veterinário acompanhe o caso, temos profissionais responsáveis pelo atendimento, disponíveis para falar com os responsáveis 24 horas, se for necessário”, garante a dra. Carla Berl.

Hospital Veterinário Pet Center Marginal

O Grupo Pet Center Marginal inaugurou, no dia 9 de outubro, hospital veterinário localizado na Av. Pacaembu, 1140, São Paulo (SP). Este é o primeiro da rede não vinculado a uma loja e dispõe de serviços inovadores na medicina veterinária, como a ala vip na área da internação, permitindo que o

dono possa se hospedar no hospital para acompanhar a recuperação de seu animal de estimação. Outra novidade no hospital veterinário é a equipe de cirurgiões ortopédicos preparada para realizar diversos procedimentos, inclusive a colocação de próteses de quadril em cães e gatos.

O hospital conta ainda com laboratório de análises clínicas, exames de imagem, como a radiografia digital e a ultrassonografia, veterinários de diversas especialidades e sala de imunização com recepção separada para atendimento de filhotes.

Naya Especialidades: 1º aniversário

Em agosto de 2012, a Naya Especialidades completou um ano de atendimento. Dentre os principais objetivos dos fundadores, que nortearam o surgimento da empresa, estão o atendimento clínico especializado de excelência, trabalhando com equipe multidisciplinar, e a promoção de educação continuada nas referidas especialidades, com realização de palestras, cursos e desenvolvimento de projetos de pesquisa. A equipe da Naya Especialidades compreende ao todo dez médicos veterinários: • cardiologia: prof. dr. Ronaldo Jun Yamato, prof. dr. Guilherme Gonçalves 16

Pereira, prof. MSc. Luciano Pereira, MV Renata Marin Medrano e MV Caroline Manha Infantozzi; • endocrinologia: profa. dra. Viviani De Marco e MV MSc Fabrício Lorenzini; • neurologia: prof. MSc. Wagner Sato Ushikoshi; • oftalmologia: profa. dra. Andrea Barbosa; • laboratório clínico: MV Priscila Assis Lopes. A sede da Naya Especialidades está localizada na Rua Conde de Porto Alegre, 1761, Campo Belo, São Paulo. Telefones: (11) 3562-0010 e 5093-6456. Site: www.nayaespecialidades.com

Da esquerda para a direita, sóciosproprietários da Naya Especialidades: Ronaldo Jun Yamato, Guilherme Gonçalves, Viviani De Marco, Wagner Sato Ushikoshi, Luciano Pereira. Todos formados há mais de 15 anos, com ampla experiência como docentes de universidades e com mestrado e/ou doutorado pela FMVZ-USP, especializados em três diferentes áreas: cardiologia, neurologia e endocrinologia

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NOTÍCIAS

Registros na Pet South America 2012

Mais de 20.000 pessoas circularam pela Pet South America 2012, que ocorreu de 16 a 18 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo, SP. Os visitantes puderam conferir as

novidades em alimentação, serviços, saúde e acessórios para animais de estimação. Destaca-se também a realização do Congresso Paulista das Especialidades,

Grande movimento no stand da Cão Cidadão e muitas fotos com Alexandre Rossi, o dr. Pet

organizado pela Anclivepa-SP e pela SPMV, que recebeu 1.600 congressistas. Confira, a seguir, alguns registros realizados durante a maior feira pet da América do Sul.

No stand do Tecsa, novidades em diagnóstico veterinário

Novidades da PremieR na feira: Golden Gatos (sabor carne) e Golden Gatos Duo (sabores cordeiro e salmão)

Cristiano Felix, da Nutripharme e a profa. dra. Flávia Saad, que participou de um grande lançamento da empresa: a linha Support filhotes Demonstração do colchão de posicionamento cirúrgico. Novidade no stand do Cetac

Na Total, destaque para a linha Equilíbrio Veterinary e o programa Max em ação

Radiologia digital e outras inovações tecnológicas foram destaque no stand da Bio Brasil 18

Na Brasmed, várias ofertas tanto de produtos de fabricação própria quanto de importados de alta qualidade, como a bolsa para examinação de gatos

Na Supra, várias opções para a alimentação saudável de cães e gatos

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NOTÍCIAS

Certifect, da Merial, seguindo o caminho de sucesso do Frontline Equipe Vetnil. A empresa aproveitou o evento para lançar novos produtos: Periovet Gel e Aurivet Clean

A Bayer marcou presença divulgando produtos inovadores e a saúde de toda a família. Inclusive dos inseparáveis pets

No centro, um novo integrante da equipe da Novartis: o médico veterinário Oclydes Barbarin, que assumiu o cargo de Diretor de Marketing da Divisão de Saúde Animal

A Organnact participou com sua ampla variedade de produtos para pets. Calmyn Cat foi um dos destaques

Lançamentos e produtos consagrados da Agener União atraíram grande público

A MSD deu ênfase à divulgação do Activyl, novo produto que combate a pulga agindo no seu interior

A Ouro Fino concentrou-se em divulgar seu grande lançamento: o Protetor Pet, produto indicado para o combate de pulgas. O princípio ativo do Protetor Pet é o dinotefuran A Virbac do Brasil, que recém-comemorou 25 anos de história no mercado veterinário brasileiro, esteve presente com o lançamento do Effipro 20

A Pfizer divulgou produtos novos, mostrou-se solidária ao combate da leishmaniose visceral canina e, junto com médicos do Hospital Veterinário Santa Inês, promoveu o conceito de centro de imunização, pelo qual a conservação da vacina é monitorada em tempo integral por software integrado ao refrigerador e a vacinação é feita em local exclusivo para este fim

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NOTÍCIAS

O espaço SEBRAE e o seu entorno contou com a participação de produtos inovadores

Novidade na Pet South America: moderno sistema de aquecimento de água para aplicação em serviços de banho e tosa ou até mesmo para o aquecimento de piscinas, desde que devidamente dimencionado

O médico veterinário Dalton Ishikawa marcou presença com produtos inovadores e inéditos desenvolvidos na sua empresa, a Pet Game. Destacam-se o Pet Ball e Big Pet Ball: inovadores comedouros e brinquedos, que visam melhorar o bemestar físico e mental de cães e gatos atiçando o instinto básico de procurar alimentos Pela primeira vez a Pet South America teve a participação de uma empresa que oferecesse produtos baseados na nanotecnologia. A pioneira no segmento é a Nano Vet, empresa dirigida pelo médico veterinário Yves Miceli de Carvalho, que também está empenhado na YMPET, nova empresa focada em produtos e acessórios para o mercado pet

A Rojas Pet teve destaque oferecendo produtos sofisticados e de alta qualidade para o mercado pet

Pet Móvel: todos queriam dar uma olhadinha.... 22

Flexi: internacionalmente conhecida e procurada Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, novembro/dezembro, 2012

NOTÍCIAS

Congresso da ABRAVAS reuniu participantes de três países sul-americanos

Necropsia de baleia-jubarte

Pela primeira vez Santa Catarina recebeu o Congresso da ABRAVAS (Associação Brasileira de Veterinários de Animais Selvagens). Em sua 15ª edição, o evento, apoiado pelo CRMV-SC, trouxe o tema “Zoonoses em Animais Selvagens” e reuniu um público aproximado de 200 pessoas no Praiatur Hotel, de 30 de setembro a 5 de outubro de 2012. Além de palestrantes internacionais, congressistas sul-americanos (Peru e Paraguai) e de 17 estados brasileiros prestigiaram o evento. Durante os dois primeiros dias, aconteceu o pré-congresso com dois cursos: "Zoonoses em Animais Selvagens e a Medicina da Conservação" e "Necropsia em Animais Marinhos". Os cursos foram muito bem avaliados e tiveram como destaque a necropsia de uma baleia-jubarte, dentre vários outros animais marinhos, como pinguins e golfinhos. Os congressistas, junto com as médicas veterinárias Juliana Marigo e Cristiane Koleniskovas, se deslocaram até Barra Velha (SC) e puderam colocar em prática as técnicas necroscópicas demonstradas durante o ciclo teórico do curso. Este ano a novidade foi o prêmio “Ouro Fino” – Melhor Relato de Caso Clínico – e dois workshops sobre “Medicina de peixes” e “Formação de banco de dados para diagnóstico de enfermidades em animais selvagens”. Como resultado do primeiro workshop, evidenciou-se a escassez de estudos e 24

pesquisas veterinárias abordando a sanidade e clínica de peixes. Durante o segundo workshop, debateu-se sobre a necessidade de otimizar as coletas de amostras biológicas e a necessidade de maior divulgação e conhecimento dos pesquisadores brasileiros e dos laboratórios ou instituições de pesquisa que trabalhem com diagnóstico de patógenos silvestres. Por conta disso, foi sugerida a criação de uma comissão formada por médicos veterinários filiados à ABRAVAS responsável por construir um banco de dados com pesquisadores e laboratórios, disponibilizando-o no próximo congresso da ABRAVAS. Como evento paralelo, apoiado pela ABRAVAS, ocorreu o II Encontro de Grupo de Estudos de Animais Selvagens do Brasil, que reuniu mais de 50 estudantes de medicina veterinária e representantes de 14 GEAS. Ciente da importância dos estudantes na Associação e do reconhecimento dos graduandos para o crescimento da medicina veterinária de animais selvagens, a atual diretoria da ABRAVAS instituiu e referendou em AssembleiaGeral Ordinária, uma Comissão Estudantil com três membros compostos pelos diretores do GEAS Brasil.

Guapimirim, Rio de Janeiro – dados preliminares”; na categoria ABRAVAS – Ourofino (relato de caso) Gabriela Fredo, com o relato “Leptospirose em um Galactis cuja (furão brasileiro): Aspectos anátomo-patológicos e imunofluorescência direta como método diagnóstico”; na categoria Adauto Luís Veloso Nunes (jovem pesquisador), Camila Vieira Molina, com o trabalho “Levantamento soroepidemiológico de brucelose, leptospirose e toxoplasmose em bugios (Alouatta caraya) e sagui-detufo-preto (Callithrix penicillata) de vida livre do Estado de São Paulo”; e na categoria Alcides Pissinatti (profissional), com o trabalho “Zoonoses parasitárias causadas por nematoides em aves piscívoras e peixes no Pantanal Matogrossense”. Ainda no Congresso da ABRAVAS, foi apresentada a Comissão Nacional de Animais Selvagens (CNAS) do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). Durante o encontro, o médico veterinário Isaac Manoel Barros Albuquerque falou sobre os projetos da comissão recentemente criada (2012) e enfatizou a importância de parcerias entre a CNAS e a ABRAVAS. A ABRAVAS, por meio do seu presidente, o médico veterinário Lauro Leite Soares Neto, acredita na importância de parcerias entre a comissão, para agregar mais força política de assuntos específicos da área de animais selvagens.

II Encontro do GEAS congregou mais de 50 estudantes de medicina veterinária

Como ganhadores dos prêmios, tivemos na categoria Eliana Reiko Matushima (banner) Silvia Bahadian Moreira com o trabalho “Parâmetros hematológicos de Didelphis aurita (Didelphimorphia, Didelphidae) de vida livre procedentes do município de

Apresentação da Comissão Nacional de Animais Selvagens (CNAS) por Isaac Albuquerque

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SAÚDE PÚBLICA

Controle da leishmaniose visceral no Brasil: recomendações do Brasileish Vitor Márcio Ribeiro1, Sydnei Magno da Silva2, Ingrid Menz3, Paulo Tabanez4, Fábio dos Santos Nogueira5, Manfredo Werkaüser6, André Fonseca7 e Filipe Dantas Torres8,9

1-Escola de Veterinária PUC Minas - Brasil 2-Instituto de Ciências Biomédicas, Universidade Federal de Uberlândia - Brasil 3-Médica veterinária autônoma 4-Médico veterinário autônomo 5-Médico veterinário autônomo 6-Médico veterinário autônomo 7-Escola de Veterinária Universidade Federal Mato Grosso do Sul - Brasil 8-Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, Fundação Oswaldo Cruz – Brasil 9-Universidade de Bari - Itália No dia 26 de outubro de 2012, médicos veterinários clínicos e pesquisadores, membros do Brasileish – Grupo de Estudos em Leishmaniose Animal, se reuniram no Conselho Regional de Medicina Veterinária de Minas Gerais,

em Belo Horizonte, para discutir inúmeros aspectos sobre a situação da leishmaniose visceral canina (LVC) no Brasil. Dentre eles, foram abordadas questões sobre as limitações dos testes sorológicos atualmente preconizados no país, a recomendação da eliminação canina como medida de controle, a limitação do tratamento a drogas não utilizadas no tratamento humano e não registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a não utilização da vacinação como medida de controle. Esse encontro precedeu o IX Simpósio Internacional em Leishmaniose Visceral

Canina, realizado nos dias 27 e 28 de outubro de 2012, na Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais. Nesse evento, foram debatidos diversos aspectos relacionados à LVC, desde a patogenia até as questões jurídicas relacionadas ao seu controle. Em face das recentes evidências científicas nacionais e internacionais, e baseados nas discussões realizadas por ocasião desses dois encontros, nós, membros do Brasileish, elaboramos as seguintes recomendações para o manejo e controle da LVC no Brasil.

Recomendações: 1. Educação em saúde: Realização de ações de educação em saúde em áreas endêmicas. Essas ações devem ser realizadas em conjunto pelos agentes de saúde, os quais devem ser adequadamente preparados para informar a população sobre as principais medidas de controle da leishmaniose, incluindo medidas de proteção individual (uso de mosquiteiros, telagem de janelas e portas, evitar atividades externas no período crepuscular e noturno, dentre outras). Essas ações devem ser permanentes e realizadas junto às associações de bairros e lideranças comunitárias. Visitas domiciliares e palestras em escolas públicas ou privadas devem ser realizadas com objetivo de educar a população sobre posse responsável, bem-estar animal e todos aspectos relacionados à prevenção da leishmaniose visceral em cães e no homem.

2. Controle da população canina: Cadastramento individual dos cães domiciliados e semidomicialidos por meio de microchips para que se obtenha melhor controle da população canina de cada comunidade e para que cada proprietário seja responsabilizado pelos seus animais de estimação. A vacinação canina contra zoonoses como a raiva, leptospirose e leishmaniose visceral e doenças letais aos cães, como cinomose e parvovirose, deve ser promovida por meio de campanhas, associadas a ações de desverminação e controle de pulgas, piolhos e carrapatos. A criação de hospitais veterinários públicos para o atendimento de animais oriundos de comunidades carentes deve ser incluído na agenda de prioridades para o cuidado da saúde animal e consequente controle de zoonoses. Esses hospitais deverão fornecer atendimento veterinário e procedimentos

de esterilização para cães e gatos.

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3. Diagnóstico e tratamento canino da LVC: O diagnóstico deve ser feito por profissional médico veterinário, com base na presença de sinais clínicos compatíveis e confirmação parasitológica, sorológica e/ou molecular. A padronização dos testes sorológicos para reduzir ao mínimo a possibilidade de reações cruzadas (falso positivos) é fundamental. Animais positivos no teste de imunofluorescência indireta na diluição de 1:40 devem ser considerados suspeitos e submetidos a outros testes. Título quatro vezes maior que o ponto de corte (1:40) deve ser considerado diagnóstico. Dessa forma, somente pode ser considerado positivo títulos de 1:160, quatro vezes maior que o ponto de corte que é 1:40. Em áreas endêmicas para Leishmania braziliensis ou outras leishmanias, a confirmação

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do diagnóstico etiológico é fundamental para evitar a eliminação de cães não infectados por Leishmania infantum (= Leishmania chagasi). Aos proprietários de cães infectados deve ser garantido o direito de escolha entre a eutanásia ou o tratamento responsável do seu animal. Quando a opção for a eutanásia, deve ser realizada dentro dos princípios éticos e por profissional médico veterinário. Quando a opção for o tratamento, deve ser realizado com protocolos que confiram melhora ou cura clínica do animal e redução da carga parasitária, as quais devem ser avaliadas por meio de exames clínicos e laboratoriais. 4. Combate ao vetor: O combate ao vetor deve ser realizado por meio do manejo ambiental (construção de casas longe de áreas de mata, limpeza e reorganização do peridomicílio), da adoção de medidas de proteção individual (telagem das portas e janelas, uso de mosquiteiros impregnados com inseticidas em áreas de alto risco) e do uso de inseticidas no ambiente em situações específicas (risco de epidemias, transmissão intradomiciliar). O uso de inseticidas (colares, pipetas, sprays) nos cães é imperativo e deve ser fomentado pelo governo em áreas carentes. Certamente, a situação da leishma-

niose visceral no Brasil reflete a ineficácia do Programa Nacional de Controle da Leishmaniose Visceral. Instituído há mais de 50 anos, esse programa precisa ser completamente reformulado em face dos novos conhecimentos científicos e ds novas ferramentas disponíveis para o controle dessa doença. Reuniões anuais sobre a situação das leishmanioses no Brasil devem ser realizadas, envolvendo a participação de médicos e veterinários, sejam esses clínicos ou sanitaristas, e outros agentes promotores de saúde coletiva. É de suma importância que o Brasil adote o conceito de “Uma Saúde” (One Health) na elaboração de medidas de controle de zoonoses como as leishmanioses. Toda e qualquer ação de manejo e controle deve se respaldar em dados científicos e/ou em medicina baseada em evidências. Nesse sentido, pesquisas sobre novos métodos diagnósticos, protocolos terapêuticos e ferramentas de controle e prevenção (vacinação e controle do vetor) devem ser encorajadas, financiadas pelos órgãos públicos de fomento e priorizadas pelas autoridades competentes e comitês de ética. Através da educação e de ações eficazes será possível reduzir o impacto das leishmanioses no Brasil. Por último, ressaltamos que conforme enfatizado há mais de dez anos

pelos doutores Carlos Henrique Nery Costa, presidente eleito da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, e João Batista Furtado Vieira, atual gerente da Coordenação Geral da Hanseníase e Doenças em Eliminação do Ministério da Saúde, é preciso mudar. É preciso investir em vigilância, educação em saúde e qualidade de vida das populações em risco. Bibliografia sugerida

1. Costa CH. How effective is dog culling in controlling zoonotic visceral leishmaniasis? A critical evaluation of the science, politics and ethics behind this public health policy. Rev Soc Bras Med Trop. 2011;44(2):232-42. 2. Dantas-Torres F, Solano-Gallego L, Baneth G, Ribeiro VM, de Paiva-Cavalcanti M, Otranto D. Canine leishmaniosis in the Old and New Worlds: unveiled similarities and differences. Trends Parasitol. 2012. 3. Passantino A, Russo M, Coluccio P.Canine leishmaniosis and euthanasia in Italy: a critical legal-ethical analysis. Rev Sci Tech. 2010;29(3):537-48. 4. Quinnell RJ, Courtenay O.Transmission, reservoir hosts and control of zoonotic visceral leishmaniasis. Parasitology. 2009; 136(14):1915-34. 5. Romero GA, Boelaert M. Control of visceral leishmaniasis in latinamerica - a systematic review. PLoSNegl Trop Dis. 2010;4(1):e584 6. World Health Organization: Control of the Leishmaniasis. Geneva: WHO (Technical Report Series 949); 2010:104.

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MEDICINA VETERINÁRIA DO COLETIVO

Acumuladores de animais (Animal hoarders)

A

medicina veterinária do coletivo (shelter medicine) tem proporcionado um espaço apropriado para que se trabalhem tópicos e temas nunca antes abordados no Brasil. Afinal, qual a relação dos "acumuladores" (Hoarders, canal A&E 1) e "acumuladores de animais" (Animal hoarders, canal Animal Planet 2) com a medicina veterinária? Muita. Esses temas já estão inseridos no ensino de medicina veterinária de vários países, fornecendo subsídios para que esses profissionais possam orientar gestores, sociedade e principalmente o Ministério Público a entender e saber diferenciar os acumuladores dos verdadeiros defensores dos animais. Acumuladores, em termos gerais, podem ser definidos como pessoas que "apresentam um comportamento patológico que se caracteriza por uma necessidade compulsiva de obter e controlar coisas, associada à incapacidade de reconhecer seu próprio sofrimento" 3. Em geral, os acumuladores, temporários ou permanentes, sofreram algum trauma no percurso da vida (perda, abandono, violência, etc.), e procuram nesses objetos algo que possa compensar a dor que se criou dentro deles. E a compulsão

de acumular esses objetos funciona como uma ferramenta de autocompensação, segundo esses pesquisadores 3. Os acumuladores de animais são indivíduos que sofrem dessa síndrome, mas cuja compulsão os compele a acumular inclusive animais. Essa compulsão é, portanto, um transtorno psicológico caracterizado por: (1) ausência de padrões mínimos de saneamento, espaço, alimentação e cuidados veterinários; (2) incapacidade de reconhecer os efeitos dessas falhas no bem-estar dos animais, na família e no meio ambiente; (3) obsessão por acumular cada vez um número maior de animais, independentemente da progressiva deterioração das condições; e (4) negação dos problemas 3. Por se tratar de um distúrbio psicológico, pode acometer, inclusive, médicos veterinários e pessoas que se intitulam protetores de animais. Frequentemente o acúmulo de animais pode estar associado a um grande número de objetos no local (jornais, lixo, roupas e alimento) que inibem o movimento normal na casa e prejudicam a manutenção do lar e a preparação dos alimentos de forma adequada, aumentando o risco de acidentes e de

Figura 1 - Acumuladora de animais TSSC, 57 anos, moradora do município de Guarulhos, SP, que possui 150 cães e 18 gatos. Detalhe para o declive do terreno onde vivem os animais e a grande quantidade de material acumulado ao fundo 32

propagação de doenças 4 (Figura 1). Na maioria das vezes, o acumulador se recusa a entregar os animais para adoção (há casos em que nem os animais mortos são retirados do local) e evita situações que poderão expô-lo, procurando sempre manter as janelas da casa fechadas (Figura 2) ou evitando receber visitas. A quantidade de animais encontrados com os acumuladores pode variar de alguns a dezenas ou centenas e, em casos extremos, milhares de animais 4 (Figura 3). A superlotação ocasiona, além da falta de espaço, impacto no bem-estar do animal (Figuras 1, 2, 3 e 4), além de facilitar a ocorrência de agressões por disputa de território e a propagação de doenças, incluindo zoonoses. A gestão dos resíduos é ausente em praticamente todos os casos, e pode haver ainda falha no fornecimento de água e comida. A desnutrição leva ao aumento da suscetibilidade a doenças, culminando na morte dos animais. As situações de acúmulo de animais podem se refletir em uma série de problemas sanitários, sociais e econômicos da comunidade, e por isso o tema deveria ser mais bem estudado e abordado pelos médicos veterinários e pelas próprias

Figura 2 - Animais acumulados no quarto de TSSC, 57 anos, moradora de Guarulhos, SP. Detalhe do ambiente fechado e da falta de estrutura para abrigar os animais

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Figura 3 - Acumuladora de animais moradora do município de São José dos Pinhais, PR, região metropolitana de Curitiba, que possui aproximadamente 50 cães. Detalhe da grande quantidade de animais aglomerados em um ambiente fechado

autoridades brasileiras. Além disso, o médico veterinário deve estar preparado, capacitado e pronto para atuar nesse tipo de situação de modo propositivo e resolutivo, respaldado por conhecimentos técnicos e com amparo social, institucional e governamental. Os acumuladores de animais representam um problema de saúde pública, pois trazem prejuízos para a família, os vizinhos, a comunidade e os próprios animais. Experiências bem sucedidas na intervenção e no monitoramento desses casos no Brasil preveem uma abordagem holística de toda a questão e têm envolvido equipes multiprofissionais compostas por assistentes sociais, psicólogos, oficiais de controle animal, fiscais sanitários e médicos veterinários, entre outros. Estudos internacionais demonstram que a solução reside na abordagem multidisciplinar, desde a investigação até a resolução, e no monitoramento a longo prazo, para prevenir a reincidência, muito comum nesses casos 5. Mas, por ser ainda pouco entendida e diagnosticada nas comunidades brasileiras, essa desordem psicológica e todas as suas consequências acabam sendo negligenciadas. Parte disso pode estar associada ao despreparo do gestor público para diagnosticar e agir precocemente de forma propositiva e dentro das leis municipais, estaduais e federais. Sendo assim, é crescente a demanda por estratégias efetivas para o encaminhamento desses casos, incluindo o estabe-

Figura 4 - Acumuladora de animais TSSC, 57 anos, moradora do município de Guarulhos, SP, que possui 150 cães e 18 gatos. Detalhe para a grande quantidade de objetos acumulados, inclusive fogões e peças de veículos

lecimento de novos conceitos, novas abordagens e novo embasamento legal para diferenciar com precisão os acumuladores e os protetores de animais. Com o objetivo de aprimorar o conhecimento a respeito desse tema e de suas consequências, soluções e medidas de prevenção, a Universidade Federal do Paraná e o Instituto Técnico de Educação e Controle Animal estão promovendo a III Conferência Internacional de Medicina Veterinária do Coletivo, que ocorrerá nos dias 23, 24 e 25 de novembro de 2012, em Curitiba, e tratará de temas como os acumuladores de animais e a formulação de políticas públicas para manejo de fauna urbana no Brasil, incluindo discussões voltadas às ações de saúde pública e proteção animal. A medicina veterinária vive um momento único no Brasil, pois deve responder prontamente aos anseios da sociedade, da saúde da família e de si própria perante todos esses desafios, sem perder a sintonia com as novas e crescentes demandas sociais.

Psychology Review, 29 (2009), 274–281. 05 - Castrodale, L.; Bellay, Y.M.; Brown, C.M.; Cantor, F.L.; Gibbins, J.D.; Headrick, M.L.; Leslie, M.J.; Macmahon, K.; O'oquin, J.M.; Patroneck, G.J.; Silva, R.A.; Wright, J.C. and Yu, D.T. General public health considerations for responding to animal hoarding cases. Journal of Environmental Health, 72 (2010), 14-18.

Graziela Ribeiro Cunha MV, residente em Medicina Veterinária do Coletivo na Universidade Federal do Paraná graziela.ribeiro@ufpr.br

Rita de C. M. Garcia MV, Msc, PhD ITEC - Instituto Técnico de Educação e Controle Animal itecbr@gmail.com

Bibliografia sugerida

01 - A&E: http://www.aetv.com/hoarders/ 02 Animal Planet: http://animal.discovery.com/tv/confessions-animal-hoarding/ 03 - Patronek, G. J.; Loar, L.; Nathanson, J. N. Animal Hoarding: Structuring interdisciplinary responses to help people, animals and communities at risk. Hoarding of Animals Research Consortium, 2006. 04 - Patronek, G. J.; Nathanson, J. N. A theoretical perspective to inform assessment and treatment strategies for animal hoarders. Clinical

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Alexander Welker Biondo MV, MSc, PhD. professor da Universidade de Medicina Veterinária do Coletivo na Universidade Federal do Paraná abiondo@illinois.edu

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Bem-estar animal

Empresa cria ação coordenada de apoio a ONGs e protetores de animais

No final do mês de setembro, a Total Alimentos lançou um programa nacional de apoio a protetores independentes e ONGs de proteção animal: o Programa Max em Ação. O lançamento ocorreu no dia 23, na capital de São Paulo, durante o 1º Max ENAPA – Encontro Nacional de Apoio a Protetores de Animais. O evento trouxe para a cidade pessoas, instituições e veículos de mídia envolvidos com a causa animal, proteção e educação em guarda responsável. O encontro foi organizado pela Max (www.facebook.com/Max TotalAlimentos) e contou a participação de envolvidos com a área de proteção animal e guarda responsável, vindos de Alagoas, Fortaleza, Campinas, Rio de Janeiro, Guaíba (RS), Maceió, Curitiba e Belém, Alfenas (MG), Belo Horizonte e várias outras cidades do país.

Conheça o Programa Max em Ação Ao comprar o alimento Max, o consumidor deve identificar na embalagem do produto (Max Cães ou Gatos) o selo do Programa Max em Ação na frente da embalagem, e atrás haverá um vale-ração que poderá ser doado para uma das ONGs de proteção animal cadastradas no programa. O vale pode ser recortado e depositado em uma urna no próprio pet shop onde a ração foi adquirida. A urna será de uma ONG de proteção animal parceira do programa e a pessoa receberá um login e uma senha por email, para poder acompanhar sua doação pela

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www.maxemacao.com.br

internet, no site do programa. Os valesração também podem ser entregues diretamente às ONGs ou protetores de escolha do cliente, contanto que estejam também cadastrados no programa. Dessa maneira, o Programa Max em Ação fomenta a consciência sobre guarda responsável de animais, pois envolve os consumidores de Max com as ONGs de proteção animal e as causas defendidas por elas. O já conhecido programa de identificação de cães e gatos, Max Identidade, assim como o

Programa Max nas Escolas (que leva os conceitos de guarda responsável de animais para escolas de ensino infantil e fundamental), fazem parte desse guarda-chuva que engloba as ações sociais da Total Alimentos – o Programa Max em Ação.

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INTERAÇÃO HOMEM-ANIMAL

Do utilitarismo ao abolicionismo: as origens e a evolução das principais correntes de pensamento a respeito de proteção animal nas últimas décadas Introdução A inclusão dos animais na esfera moral da sociedade é algo recente do ponto de vista histórico, o que se torna compreensível se considerarmos que, até pouco mais de um século atrás, mesmo os seres humanos (mulheres, negros, judeus e tantas outras etnias) foram, de diferentes formas, excluídos dessa esfera em diferentes sociedades. Os séculos XIX e XX foram marcados por mudanças políticas, econômicas e sociais que inegavelmente remodelaram nossos parâmetros morais. A II Guerra Mundial trouxe não só os horrores do genocídio declarado, mas, como toda guerra, obrigou mais uma vez o mundo todo a repensar aquilo que chamamos de direitos humanos. Todavia, bem mais além, a fome e a miséria produzidas pelas duas grandes guerras deram início a uma nova relação com os alimentos 1,2 e a sua forma de produção. Em seu livro Eating animals, Foer 3 discorre a respeito da força da cultura alimentar e do significado do alimento para pessoas da geração de sua avó, sobrevivente judia da Segunda Guerra, fugida da Europa para os Estados Unidos: “Durante a guerra era o inferno na terra, e eu não tinha nada. Eu deixei minha família, você sabe. Estava sempre correndo, dia e noite, porque os alemães estavam sempre logo atrás de mim. Se você parasse, morria. Nunca havia comida suficiente. Fui ficando cada vez mais doente por não comer, e não falo só de estar pele e osso. Eu tinha feridas por todo o corpo. Ficava difícil mover-me. Eu não tinha escrúpulos de comer de uma lixeira. Eu comia as partes que outros não comeriam. Se você se servisse, você poderia sobreviver. Eu comia aquilo que encontrasse. Comi coisas que não contaria a você.” Depois da fome e da crise mundial gerada pelas grandes guerras, após 1945 o mundo deparou com a necessidade de produzir muito alimento, e alimento barato. Desenvolveramse o que chamamos hoje de factory farms: a criação de animais em sistemas de alta densidade populacional e alta produtividade (carne, ovos, leite e derivados) a baixo custo, com sérias consequências para o bem-estar dos animais. Para o consumidor, no entanto, a imagem tradicional da fazenda com diversas pequenas criações ao ar livre pareceu perdurar por muito mais tempo. Com algumas raras exceções, a maior parte dos movimentos de proteção animal surgiu por volta da década de 1980: a International Organization for Animal Protection (Organização Internacional para a Proteção Animal – OIPA) 4, assim como a People for the Ethic Treatment of Animals (Pessoas a Favor do Tratamento Ético dos Animais – PETA) 5 , surgiram em 1981; a World Society for the Protection of Animals (Sociedade Mundial de Protecção dos Animais – WSPA) 6, outra instituição de atuação mundialmente 36

conhecida, surgiu logo após, em 1986. O movimento pelos direitos dos animais teve início bem mais cedo na Europa, e em seguida nos Estados Unidos, sendo bem mais recente no Brasil. A Oeuvre d’Assistance aux Bêtes d’Abattoirs (Trabalho de Assistência aos Animais de Abatedouro – OABA) 7 existe na França desde 1961, e o Farm Animal Welfare Comittee (Comitê de Bem-estar dos Animais de Produção – FAWC) 8 existe na Grã-Bretanha desde 1979. Em 1964, Ruth Harrison lançou na Inglaterra o livro Animal machines 9. Trata-se do primeiro livro a denunciar os maus-tratos infligidos aos animais de produção para a população consumidora, que inaugurou um debate ético a respeito da produção animal. A publicação teve tamanho impacto que, em seguida, o Parlamento britânico criou o Comitê Brambell 10, visando examinar as condições de criação dos animais de produção e decidir sobre o estabelecimento de padrões mínimos de bem-estar animal (BEA) 11. O exemplo de Ruth Harrison mostra como uma iniciativa bem-sucedida em termos de comunicação tem o poder de modificar o sistema de produção, seja diretamente, pela pressão do consumidor, seja pela legislação (por sua vez, também determinada por pressão da população). Principais concepções sobre bem-estar animal Até os anos 1990, a literatura – mais especificamente, a proposta de Tom Regan – descreve o conceito de BEA como uma tríade. Por um lado, há a visão ocidental antropocêntrica, isto é, a proposta conservadora, defendida pelos que entendem não haver necessidade de mudança na atual condição dos animais não humanos. Há então a visão compassiva, baseada na convicção de que um ser vivo capaz de sentir também é capaz de sofrer. Esse grupo foi posteriormente definido como reformista – que propõe uma reforma no bem-estar dos animais, mas ainda dentro de um contexto de exploração. E temos finalmente a abordagem definida como biocêntrica, que afirma que todos os animais merecem respeito como seres portadores de valor intrínseco. Esta última, conhecida como corrente abolicionista, defende a cessação de todas as práticas que usam os animais não humanos como objetos ou instrumentos para os propósitos humanos. Assim, são duas as grandes vertentes em que se dividem os defensores dos direitos dos animais: bem-estar animal e abolicionismo animal, com suas respectivas complexidades 11,12. A concretização de verdadeiras escolas de pensadores voltadas especificamente para a questão do BEA e dos direitos dos animais é algo notório da década de 1970 até os dias de hoje, e merece especial atenção neste trabalho. O blog do grupo de estudos sobre direitos dos animais da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) oferece aos internautas um resumo dos principais pensadores da

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atualidade sobre bem-estar e direitos dos animais 13. O próprio blog já é um interessante exemplo de veiculação de informações acerca do BEA (ainda que voltado especificamente para os direitos dos animais), ocorrendo a partir da universidade, mas aberto ao acesso da população (internautas). Valemo-nos desses textos, bem como de outras contribuições, para contextualizar como vem ocorrendo o fluxo de informação no meio acadêmico acerca do BEA desde meados do século XX, e a grande repercussão que as publicações desses autores podem ter na cultura alimentar da população mundial, sobretudo de países desenvolvidos. Jeremy Bentham O filósofo e jurista inglês Jeremy Bentham (1748-1832) foi quem primeiro elaborou o princípio do utilitarismo. Para mensurar a diferença entre o prazer e o sofrimento, Bentham sugeriu um cálculo utilitário, que consiste em fazer um balanço do prazer e da dor para cada pessoa envolvida, somando em seguida os resultados de modo a obter um balanço final. No caso de o balanço final privilegiar o prazer em vez da dor, a ação será moralmente correta, caso contrário ela será uma má ação. O utilitarismo defende ser a ação moralmente correta aquela que tem como consequência um bem maior para todos, inclusive para o agente. Em sua forma mais típica, que foi o utilitarismo hedonista de ação proposto por Jeremy Bentham, bem e mal são interpretados em termos não morais respectivamente como prazer e sofrimento, o que redunda em uma naturalização da moral 13. Bentham não abordou a fundo a questão dos direitos dos animais (não humanos), mas serviu de inspiração aos principais pensadores da escola de pensamento utilitarista e ao movimento bem-estarista, cujo representante mais conhecido é Peter Singer. Peter Singer Impulsionado pelos bons resultados alcançados por movimentos de emancipação civil na década de 1960 (a chamada "revolução dos direitos"), o tema "direitos dos animais" começou a ser discutido como movimento social no início da década seguinte por um grupo de filósofos da Universidade de Oxford, do qual faziam parte Peter Singer e o psicólogo Richard D. Ryder. Entretanto, a ideia geral que se fazia em torno do tema era bastante difusa. Não era, por exemplo, centrada na noção de valor intrínseco dos animais. Dessa forma, o movimento se assemelhava às reivindicações anteriores restritas à melhora do bem-estar dos animais. Exemplo disso pode ser visto na Declaração Universal dos Direitos dos Animais 14, proclamada pelo Unesco em 1978, que define regulamentação para a criação e exploração econômica de animais. Os trabalhos de Peter Singer foram influenciados pelos filósofos Jeremy Bentham (1748-1832), John Stuart Mill (1806-1873) e Richard Hare (1919-2002). Geralmente se aceita que Singer é um utilitarista de preferência, isto é, que considera como moralmente corretas as ações que produzem as consequências mais favoráveis às preferências dos seres

envolvidos. De forma geral, podemos dizer que, na ética utilitarista, um interesse poderia ser sobreposto por outro, desde que o bem resultante fosse significativo. Peter Singer é muitas vezes considerado o precursor do movimento de libertação animal, ou o "pai do movimento de direitos dos animais". Ironicamente, Singer não reconhece os direitos dos animais em seus trabalhos. Essa fama, entretanto, se deve à popularidade de seu livro Animal liberation 15, no qual ele propõe o princípio de igualdade de consideração, às vezes confundido com um direito. Tal livro é, de fato, um marco no movimento de defesa dos animais, ao difundir entre o público leigo as diferentes atrocidades que os animais não humanos sofrem de forma institucionalizada nas mãos dos seres humanos e propor uma mudança de atitudes em relação a isso. Por outro lado, Singer não vê motivos para os animais serem considerados sujeitos de direito. De fato, a teoria de direitos dos animais ou direitos humanos jamais foi considerada em suas obras, por ser incompatível com a visão utilitarista. Singer considera, assim como Jeremy Bentham, que o fundamental em filosofia moral não está em determinar se um ser tem a capacidade de raciocinar ou falar, mas simplesmente a capacidade de sofrer. Assim, a capacidade de sentir dor é condição suficiente para que um ser seja levado em consideração em questões morais. Nesses termos, desconsiderar alguns animais apenas por causa de sua espécie é uma forma de discriminação, conhecida como especismo (termo cunhado em 1970 pelo psicólogo e filósofo britânico Richard D. Ryder) 13. Singer está preocupado sobretudo com a redução do sofrimento dos animais. Essa preocupação também é compartilhada por aqueles que defendem direitos. Como forma de manter sua coerência na linha de raciocínio utilitarista, Singer não vê problemas éticos na exploração animal, desde que os animais envolvidos não sofram ou, mesmo que sofram, se o benefício resultante dessa exploração for significativo. Isso serve especialmente para animais não humanos que, segundo Singer, não teriam um interesse em ter uma vida continuada (como têm os seres humanos). O princípio da igual consideração de interesses defendido por Singer preconiza que os direitos dos animais estão fundamentados no respeito, no bem-estar, no valor intrínseco, na compaixão, na sensibilidade ao sofrimento, na inteligência e em outros conceitos de ordem moral, tendo estreita relação com a produtividade e a saúde dos animais não humanos. Ou seja, a questão está atrelada aos deveres do ponto de vista ético e não do direito 13. Dessa forma, Singer conduziu, pode-se dizer, o auge do chamado movimento bem-estarista, que busca melhores condições de vida e tratamento a animais não humanos, mas rejeita a abolição da exploração animal. Esse modo de pensar começa a ser desafiado pelo movimento de direitos dos animais iniciado pelos filósofos Tom Regan e Gary Francione. Tom Regan A teoria sobre direitos dos animais como a que conhecemos atualmente é decorrente dos trabalhos pioneiros de Tom Regan, tido como o fundador do movimento.

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Tom Regan é um dos maiores nomes da bioética, professor emérito de filosofia da Universidade da Carolina do Norte. Entre suas obras mais proeminentes estão: Defending animal rights 16, Animal rights, human wrongs: an introduction to moral philosophy 17 e The case for animal rights 18. Seu livro Empty cages: facing the challenge of animal rights 19, em português, Jaulas vazias: encarando o desafio dos direitos animais 20, foi considerado como a melhor introdução aos direitos animais já escrita 13. Nessa obra, Regan começa mostrando que alguns animais, tais como os mamíferos com pelo menos um ano de idade, certamente são seres sencientes, possuem interesse em vida continuada e outros desejos que os tornam no mínimo pacientes morais (atualmente ele estende a senciência também às aves). Em outro capítulo, Regan critica duramente a escola utilitarista de "deveres diretos”, cujo representante é Peter Singer. Regan afirma que os direitos dos animais, assim como os direitos humanos, não podem ser defendidos segundo uma visão utilitarista consistente. Regan então apresenta a teoria de direitos com base numa extensão da ética de Kant, dessa vez considerando a noção de animais como sujeitos de uma vida, isto é, seres sencientes com características cognitivas avançadas. Essa ética é deontológica, isto é, é uma ética na qual o conceito de dever é mais importante do que as consequências resultantes das ações. Ela se fundamenta nos chamados imperativos categóricos de Kant, tais como a lei fundamental: "Age de tal modo que a máxima da tua vontade possa valer sempre ao mesmo tempo como princípio de uma legislação universal". Esse é o princípio de uma teoria baseada em direitos, que afirma que um direito deve ser respeitado mesmo que a sua violação possa trazer um benefício a terceiros. Desse modo, utilizar um animal (humano ou não) em um procedimento de vivissecção será sempre imoral, mesmo que disso resulte a cura do câncer ou de outra doença grave 11. Em outra obra sua, The case for animal rights, já mencionada, Regan trava uma negação da concepção cartesiana de que os animais não têm consciência e, por isso, não seriam sencientes. Estabelece, nessa mesma obra, a teoria dos direitos (rights theory), atribuindo valor intrínseco ao indivíduo (humano ou não) e o respeito às suas liberdades, não importando se a sua exploração será benéfica a outros 13. Bernard Rollin Rollin faz uma análise filosófica rigorosa, também partindo de uma extensão da ética de Kant, somada ao uso do conceito de telos, de Aristóteles, para mostrar que os animais não humanos são sujeitos de direito. Neste caso, é a natureza do telos, e não a razão ou capacidade de cognição, que insere os animais não humanos na nossa esfera de consideração moral. Dependendo do telos de cada ser, o interesse será diferente (e.g., interesse em vida continuada, interesse em não sentir dor). Mas, em todos os casos, o fato de possuir um interesse já é suficiente para fazer parte de uma comunidade moral. A princípio, o pensamento de Rollin parece ser semelhante ao de Regan e Francione – os mais importantes defensores 38

da abolição da exploração animal –, embora seja muito menos conhecido do que estes. O discurso de Rollin é a favor da abolição de toda forma de exploração animal, seja para alimentação, vestuário, esporte, entretenimento ou pesquisa científica. Por outro lado, historicamente ele tem participado da elaboração de leis de regulamentação de exploração animal, chamadas de "leis de bem-estar animal." Ele foi, por exemplo, o principal articulador das mudanças na lei federal estadunidense Animal Welfare Act, em 1985. Recentemente, leis como essa começaram a ser criticadas por defensores de direitos dos animais, notadamente pelo professor Gary Francione, pelo fato de tornarem a exploração mais eficiente para os exploradores, ainda que aparentemente sugiram um melhoramento nas condições de tratamento dos animais explorados. O professor Rollin, assim como Peter Singer, acredita nos avanços obtidos nas últimas décadas pela legislação bem-estarista. A filosofia de Rollin é nitidamente radical ao reconhecer os animais não humanos como sujeitos de direito, mas na prática as concessões que ele faz às leis bem-estaristas e sua omissão quanto à prática do ativismo vegano (para evitar confrontos e não parecer tão radical) passam uma ideia de inconsistência de ações 12. Gary Francione Francione é um dos mais proeminentes filósofos preocupados com os direitos dos animais e a teoria moral da atualidade, e é o proponente da teoria de direitos dos animais atualmente conhecida como teoria abolicionista, cuja base moral é o veganismo – estilo de vida no qual se evita o consumo de produtos de origem animal e as práticas associadas à exploração animal. Ele é conhecido por ter cunhado o termo "esquizofrenia moral" para se referir ao modo como a maioria dos seres humanos se relaciona com os animais não humanos: embora todos afirmem adotar o princípio de que o sofrimento desnecessário é errado, na prática o uso que é feito dos animais não pode ser defendido como necessário em nenhum sentido plausível. Francione também é conhecido como um dos maiores críticos das leis de regulamentação de bem-estar animal e do status de propriedade que essa legislação confere aos animais não humanos. Para Francione, as leis que regulamentam essa exploração não estão interessadas na abolição da exploração animal, mas apenas reafirmam essa exploração e a tornam mais competitiva economicamente, como mostram as estatísticas de aumento de produção e consumo de produtos de origem animal no mundo em 200 anos de existência de legislação de bem-estar animal. Essa posição vai de encontro ao pensamento de outros filósofos (como Peter Singer, David Favre, Cass Sunstein e Bernard Rollin) que acreditam que tais leis são pequenos avanços que poderão futuramente levar à abolição da exploração institucionalizada de animais não humanos, ou que consideram como admissível uma condição de exploração com sofrimento "mínimo" aos animais 12. Ao abordarem conceitos como “sofrimento desnecessário” e “tratamento desumano", as leis anticrueldade, como o Animal Welfare Act, estabelecem um equilíbrio entre o BEA e os interesses humanos, sendo que só estes últimos são

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protegidos por direito. Pelo fato de os animais não humanos serem desprovidos de direitos (no uso corrente do termo), as restrições ao uso dos animais ocorrem como no uso de qualquer bem (propriedade). Segundo o autor, as leis bem-estaristas seguem uma lógica de maximização do valor da propriedade, refletindo a importância da propriedade na nossa cultura, e não um preceito ético. Como resultado, vemos que “a regulamentação do uso dos animais não transcende o nível de proteção que facilita a exploração animal mais eficiente economicamente” 13. Francione também pensa de modo diferente do filósofo Tom Regan, que tem ideias mais próximas das suas. A teoria de Francione se aplica a todos os seres sencientes (isso inclui todos os mamíferos, animais dotados de sistema nervoso central e até mesmo insetos), enquanto a de Tom Regan se aplica apenas a animais que possuem habilidades cognitivas sofisticadas, como os mamíferos, as aves e, possivelmente, os peixes 12. Francione questiona a falta de ideais claros no atual movimento de libertação animal, o que pode ser percebido nas formas de ação utilizadas por diferentes grupos de defesa de direitos dos animais, como o uso de violência à propriedade

(e.g. praticados por membros do Animal Liberation Front – ALF), o uso de propagandas sexistas (como as veiculadas pela People for the Ethical Treatment of Animals – PETA), a concessão de prêmios e menções honrosas a exploradores de animais e, contrastando com essas ações, a indulgência entre os próprios membros desses grupos em relação ao consumo de produtos de origem animal tais como leite e seus derivados (produtos cujo sofrimento associado é maior do que o decorrente da carne obtida de gado de corte, segundo Francione). O professor Francione foi o primeiro acadêmico a lecionar teoria de direitos animais em uma faculdade de direito nos Estados Unidos. Curiosamente, embora seja um professor de direito, Francione acredita que a mudança do status moral dos animais deve começar individualmente, por meio da adoção de um estilo de vida vegano, e não unicamente por meio da mudança da legislação. Suas obras mais conhecidas são: Animals as persons: essays on the abolition of animal exploitation 21; Introduction to animal rights: your child or the dog? 22; Animals, property, and the law 23; e Rain without thunder: the ideology of the animal rights movement 24. Os movimentos de proteção dos animais que surgiram a

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partir da década de 1980 (com alguns movimentos pontuais e vanguardistas anteriores) acabaram por se dividir em vertentes que tornam hoje o panorama da defesa dos animais algo mais complexo. A divisão que hoje observamos entre as correntes de pensamento bem-estarista e abolicionista traz ao debate questões pertinentes: as leis recentemente instituídas em alguns países em BEA podem ser consideradas pequenos avanços em direção à abolição ou uma legitimação e institucionalização de práticas que, a rigor, perpetuam a exploração? Quando falamos em defesa dos animais, estamos concordando com o abolicionismo? O que é “sofrimento desnecessário”? Os animais podem ou devem ser considerados sujeitos de direito? O estilo de vida vegano é a única solução? Segundo Gary Francione, as leis bem-estaristas caminham em consonância com a valorização da propriedade, o real centro da nossa cultura, e não refletem uma proposta ética, como já mencionado. Considerações finais Como se percebe, há muita dúvida e polêmica nesse âmbito. Isso justifica muito da aparente falta de ideais claros no atual movimento de libertação dos animais, e a dificuldade de abordar o tema com mais objetividade. A distinção entre a defesa de uma conduta ética nos sistemas de produção animal e a defesa do que hoje entendemos por direitos dos animais é um ponto importante, reflexo das vertentes bem-estaristas versus abolicionistas que existem atualmente, deixando ainda a questão: seria o bem-estarismo um passo em direção ao abolicionismo ou, de fato, uma vertente oposta (como defendem os últimos)? Aonde queremos chegar? Do utilitarismo de Bentham ao direito dos animais de Francione galgaram-se muitos degraus, tanto em termos filosóficos e legislativos quanto tecnológicos, tornando altamente dispensável grande parte dos produtos de origem animal. Observa-se uma tendência histórica das sociedades em ampliar cada vez mais a sua esfera moral (corroborada pelos avanços na ciência): animais como máquinas, animais como seres que sentem dor, animais como seres que sentem medo e angústia, animais como sujeitos de direito. O sistema de exploração animal institucionalizada, tal como nos moldes do pós-guerra, vem sofrendo um questionamento progressivo, sobretudo em países onde a fome já não é mais uma realidade. A essa revisão de conceitos vêm sendo acrescidos também a legislação dos países, o padrão de consumo e o estilo de vida de suas populações – o que leva o debate a uma esfera ambiental, inclusive. Tanto as mudanças legislativas quanto o boicote aos produtos de origem animal pressupõem um consumidor consciente e disposto a optar. Seguramente, ainda há muita informação quanto aos sistemas de produção animal que não chega ao consumidor final, impedindo-o de se tornar um fator decisivo de pressão por mudanças. Os impactos econômicos da informação do consumidor e da redução no consumo de produtos de origem animal (e um suposto aumento em produtos substitutivos) são temas para novas discussões. 40

Estudos em BEA com abordagens diversas, inclusive a econômica e a sociológica, são de grande importância em diversos sentidos: tornar o tema mais presente na comunidade científica, oferecer uma nova e valiosa ferramenta às instituições que trabalham com informação do consumidor e proteção animal, ampliar o alcance desses trabalhos e proporcionar maior credibilidade e respaldo científico às iniciativas em BEA. Bibliografia sugerida

1- GAMEIRO, A. H.; “Análise econômica e bem-estar animal em sistemas de produção alternativos: uma proposta metodológica”; In: XLV Congresso da SOBER "Conhecimentos para Agricultura do Futuro", 2007; 2- MOLENTO, C.F.M.; “Bem-estar e produção animal: aspectos econômicos revisão”; In: Archives of Veterinary Science, v. 10, n. 1, p. 1-11, 2005; 3- FOER, J. S. Eating animals; Back Bay Books/ Little, Brown and Company, 2009; 4- http://www.oipa.org/ - Acesso: 05.07.2011 5- http://www.peta.org/ - Acesso: 05.07.2011 6- http://www.wspa-international.org/ - Acesso 05.07.2011 7- http://www.oaba.fr/ - Acesso: 05.07.2011 8- http://www.fawc.org.uk/ - Acesso: 05.07.2011 9- HARRISON, R.; Animal machines, Editora Vincent Stuart, Londres,1964; 10- RUSHEN, J.; “Farm animal welfare since the Brambell Report” In: Applied Animal Behaviour Science; v. 113, Issue 4 , p. 277-278; 2008; 11- EWER, T. “Farm Animals in the Law”; New Scientist, vol 60, nº 868, pp 178-179; 18 de outubro de 1973; 12- RODRIGUES, D. T. “Os animais não-humanos como sujeitos de direito sob enfoque interdisciplinar”;In:http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/handle/1884/12358/DANIELLE%20TETU%20RODRIGUES2.pdf?sequence=2; (Acesso: 20.07.2011) Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2007; 13-http://direitosanimaisunicamp.blogspot.com/2009/12/filosofos-sobre-direitos-animais-peter.html - Acesso: 20.07.2011; 14- http://www.propq.ufscar.br/comissoes-de-etica/comissao-de-etica-na-experimentacao-animal/direitos (Acesso: 20.07.2011); 15- SINGER, P. Animal liberation ; Editora Avon, Nova York, 1975; 16- REAGAN, T. Defending animal rights, University of Illinois Press, Champaign, 2001; 17- REAGAN, T. Animal rights, human wrongs: an introduction to moral philosophy, Rowman & Littlefield, Lanham, 2003; 18- REAGAN, T. The case for animal rights, University of California Press, Berkeley ,1983; 19- REAGAN, T. Empty cages: facing the challenge of animal rights, Rowman & Littlefield, 2005; 20- Jaulas vazias: encarando o desafio dos direitos animais, Lugano, Porto Alegre 2006; 21- FRANCIONE, G. Animals as persons: essays on the abolition of animal exploitation, Columbia University Press, Nova York, 2008; 22- FRANCIONE, G. Introduction to animal rights: your child or the dog? , Temple University Press, Philadelpia, 2000; 23- FRANCIONE, G. Animals, property, and the law, Temple University Press, Philadelphia,1995; 24- FRANCIONE, G. Rain without thunder: the ideology of the animal rights movement, Temple University Press, Philadelphia, 1996;

Bruna Arnizant Dezorzi graduanda da FMVZ/USP brunadezorzi@msn.com

Augusto Hauber Gameiro

engenheiro agrônomo, mestre, dr., prof. Depto. de Nutrição e Produção Animal da FMVZ/USP-Pirassununga gameiro@usp.br

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Clínica Doença intestinal inflamatória – atualização An update on inflammatory bowel disease Enfermedad intestinal inflamatoria – actualización Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, p. 44-54, 2012 María Cecilia Ricart MV, becaria, doctorado endovete@gmail.com

Silvia Martha Feijoó

MV, especialista Hospital Escuela - FCV/UBA sfeijoo@fvet.uba.ar

Nélida Virginia Gómez

MV, doctora, profa. tit. Hospital Escuela - FCV/UBA ngomez@fvet.uba.ar

Resumo: A doença intestinal inflamatória acomete cães e gatos e caracteriza-se por apresentar sinais gastrintestinais de semanas de evolução, infiltrado inflamatório na histopatologia e inadequada resposta a terapias anti-helmínticas e mudanças de dieta. Não se conhece a etiologia, mas acredita-se que poderia ser causada por um distúrbio no funcionamento normal do tecido linfoide gastrintestinal, ou por uma resposta imunológica agressiva exacerbada contra antígenos luminais que causam inflamação, alterando a motilidade intestinal. O diagnóstico da doença é feito por meio de exame coproparasitológico, ecografia abdominal, endoscopia ou laparotomia com obtenção de amostra para biópsia completa da parede intestinal e histopatologia. O objetivo do presente trabalho de revisão é atualizar os conhecimentos a respeito dessa enfermidade de diagnóstico complexo. Unitermos: cães, gatos, diagnóstico, endoscopia, biópsia Abstract: Inflammatory bowel disease is a chronic disorder in dogs and cats characterized by gastrointestinal signs, inflammatory mucosal changes detected on histopathology and inadequate response to anthelmintics or dietary therapies. Etiopathogenesis is unknown, but it is believed that the condition could be caused by abnormal function of the gut-associated lymphoid tissue, or by an overtly aggressive immunological response against inflammation-causing luminal antigens, which would in turn affect intestinal motility. Diagnosis is achieved through fecal parasitological examination, blood analysis, abdominal ultrasonography, endoscopy or laparotomy for retrieval of samples from the complete intestinal wall, and histopathology. The aim of this article is to provide an update about this complicated disease. Keywords: dogs, cats, diagnosis, endoscopy, biopsy Resumen: La enfermedad intestinal inflamatoria afecta a perros y gatos y se caracteriza por signos gastrointestinales de varias semanas de evolución, infiltrado inflamatorio en la histopatología e inadecuada respuesta a terapias antihelmínticas y al cambio de dieta. No se conoce la etiología pero se postula que podría deberse una disrupción del normal funcionamiento del tejido linfoideo gastrointestinal o bien a una agresiva respuesta inmunológica hacia antígenos luminales que produce una respuesta inmunológica e inflamación, lo que altera la motilidad intestinal. El diagnóstico de la enfermedad se efectúa por: examen copro-parasitológico, ecografía abdominal, endoscopia o laparotomía con toma de muestra para biopsia de espesor completo y la histopatología. El objetivo del presente artículo de revisión consiste en la actualización de los conocimientos acerca de esta enfermedad de diagnóstico tan complejo. Palabras clave: perros, gatos, diagnóstico, endoscopía, biopsia

Introdução A doença intestinal inflamatória (DII) é o termo que descreve os transtornos caracterizados por sinais gastrintestinais persistentes ou recorrentes (vômitos e/ou diarreia) e pela evidência histopatológica de inflamação na mucosa digestiva. Apesar de não haver resultados precisos da sua prevalência devido à dificuldade do diagnóstico definitivo, considera-se que esta é elevada entre caninos e felinos 1. Existem diversas suposições sobre a etiopatogenia da doença, porém ainda não se tem certeza sobre a sua origem. O diagnóstico definitivo da DII representa um desafio per44

manente para clínicos e patologistas, motivo pelo qual há décadas os caminhos diagnósticos continuam sendo motivo de estudo em todo o mundo 1. Na atualidade se define a DII como uma enfermidade com sinais gastrintestinais recorrentes ou persistentes, com sintomas de evolução crônica (três a quatro semanas), evidência de inflamação na histopatologia, impossibilidade de confirmar outras causas da inflamação gastrintestinal, resposta inadequada a dieta, a antibióticos ou a terapias anti-helmínticas realizadas, assim como uma falta de resposta clínica a drogas anti-inflamatórias ou imunossupressoras 1.

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Fisiologia O tecido linfoide associado ao sistema gastrintestinal é o encarregado de manter não somente a proteção imunológica contra patógenos, mas também a tolerância antigênica contra bactérias normais e ao alimento. Os linfócitos T CD4+ são fundamentais para a homeostasia da mucosa digestiva, uma vez que, por meio das diversas citosinas, influenciam

Figura 1 - Cão com enteropatia por perda de proteínas devido a gastrenterite linfoplasmocitária. Observar mau estado geral e presença de ascite Silvia Martha Feijoó

Características da DII em caninos e felinos Apresentação clínica O vômito e a diarreia são os sinais clínicos mais frequentes da DII em cães e gatos; porém a enfermidade pode se apresentar com uma ampla variedade de sinais digestivos, desde pequenas alterações do apetite até anorexia, hematêmese, hematoquezia, fezes mucosas, melena, tenesmo e, inclusive, perda de peso progressiva sem causa aparente. Alguns animais podem manifestar uma combinação desses sinais, dependendo da área digestiva comprometida. Os casos com infiltrado inflamatório severo na mucosa gástrica ou duodenal costumam apresentar vômitos incoercíveis, diarreias intensas ou anorexia; os casos mais leves podem evidenciar dor abdominal pós-prandial como único sinal 1,2,5. A matéria fecal pode ser aquosa ou esteatorreica, com aumento do volume das evacuações e diminuição progressiva de peso, podendo o animal apresentar vômitos esporádicos, mesmo quando não há comprometimento direto do estômago 1-3,5. Nos casos em que o cólon possui infiltrado inflamatório, pode-se detectar tenesmo, presença de muco e sangue fresco na matéria fecal (hematoquezia), aumento do número de evacuações diárias, anorexia parcial ou apetite normal e vômitos intermitentes. A diminuição de peso costuma ser menos frequente nesses pacientes 1,2. Nos gatos com quadros severos, além dos sinais descritos, pode-se observar letargia e depressão 5. Acredita-se que a enfermidade não apresenta predisposição sexual em caninos e felinos, porém tem sido observada uma

maior incidência em animais de meia-idade. É possível que pacientes com diagnóstico de DII apresentem na anamnese poucos sinais gastrintestinais intermitentes que tenham respondido, pelo menos no começo, a uma mudança de dieta 6. É aceito que a DII pode se apresentar em qualquer tipo de paciente, mas ainda assim está associada às raças antes mencionadas 7,8,9. Segundo a experiência dos autores, a doença é também frequente em cães sem raça definida e felinos comuns europeus 2. Em alguns pacientes, durante a avaliação clínica, podem ser visualizados sinais de desnutrição, mau estado geral, cobertura pilosa de mau aspecto ou uma evidente perda de peso (Figuras 1 e 2) nos animais com doença severa ou de longa evolução.

Silvia Martha Feijoó

Há diversos tipos de sinais gastrintestinais, de intensidade variável, conforme a severidade do caso. Os mais frequentes são vômitos, diarreia, anorexia, perda de peso, alterações do apetite, hematoquezia ou muco nas fezes (em casos de alterações de cólon). A doença não apresenta predisposição sexual em nenhuma das duas espécies, atingindo com maior frequência pacientes de meia-idade. Há relatos de predileção racial em pastores alemães, basenjis, wheaten terriers de pelo suave, sharpeis e felinos da raça siamesa; essa doença também atinge animais sem raça definida. O intestino grosso se apresenta alterado com maior frequência em cães, e o intestino delgado é o mais atingido em gatos 2. Nas últimas décadas, diferentes aproximações diagnósticas têm sido postuladas para essa enfermidade, sem que ainda exista uma prova padrão ouro. Tentativas diagnósticas tem sido realizadas por meio de ultrassonografia abdominal, exames de sangue (hemograma e bioquímica), endoscopia e histopatologia 2. Essas dificuldades levaram a comunidade científica a procurar consensos na interpretação dos resultados de ecografias, exames endoscópicos, obtenção de amostras de biópsia endoscópica e no processamento histopatológico 3. Além disso, estudos imuno-histoquímicos que possibilitam maior acurácia diagnóstica vêm sendo desenvolvidos 4. A obtenção de uma metodologia diagnóstica definitiva da DII é prioritária para guiar as estratégias terapêuticas e prover um prognóstico para nossos pacientes 5. O objetivo da presente revisão é atualizar os conhecimentos a respeito dessa enfermidade de diagnóstico complexo.

Figura 2 - Gato com enterite linfoplasmocitária severa. Observar má nutrição e cobertura pilosa de aspecto ruim

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Comportamento Estudo descritivo sobre a síndrome de ansiedade de separação (SAS) em cães A descriptive study on anxiety separation syndrome (ASS) in dogs Estudio descriptivo sobre el síndrome de ansiedad por separación (SAS) en perros Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, p. 56-62, 2012

Paulo Roberto Spiller

acadêmico CMV-Campus de Sinop/MT paulo_spiller@hotmail.com

Adriana Alonso Novais MV, profa. adj. II FMV-Campus de Sinop/MT aanovais@terra.com.br

Viviane Mota dos Santos Moretto acadêmica CMV-Campus de Sinop/MT vi_pipinha@hotmail.com

Resumo: O objetivo desta pesquisa foi verificar a ocorrência da síndrome de ansiedade de separação (SAS) na população de cães de Sinop, MT. Para identificar o problema, foi desenvolvido um questionário que foi aplicado a proprietários ou guardiões de cem cães, machos e fêmeas, de raças puras e sem raça definida (SRD), oriundos de clínicas do referido município e do Hospital Veterinário da UFMT – campus Sinop. Os resultados obtidos demonstraram uma prevalência de 28% de cães positivos para a SAS. Os sinais mais frequentes foram vocalização excessiva (60,7%), micção inapropriada (50%), destruição de objetos (35,7%) e defecação inapropriada (17,8%). Todos os animais considerados positivos apresentavam hipervinculação aos seus donos e nove (32,1%) sofriam também de transtorno compulsivo. Tais resultados indicam que existe uma prevalência significativa de SAS na população de Sinop, devendo ser elaboradas novas pesquisas para mensurar o seu impacto sobre os animais e a sociedade. Unitermos: animais de estimação, comportamento animal, estresse Abstract: The aim of this study was to verify the occurrence of anxiety separation syndrome (ASS) in dogs from Sinop/MT, Brazil. For this purpose, a questionnaire was developed and applied to owners of one hundred male and female dogs of both pure breed and mixed breeds from local veterinary clinics or from the Veterinary Hospital of UFMT, Campus Sinop. Results showed 28% prevalence of ASS among the studied population. Most frequent symptoms were excessive vocalization (60.7%), inappropriate urination (50%), destructive behavior (35.7%) and inappropriate defecation (17.8%). All positive dogs showed owner hyperattachment, and 32.1% (9 animals) had compulsive disorder. Results indicated a significant prevalence of ASS in dogs from Sinop; further research should be developed to measure its impact on animals and human society. Keywords: pets, animal behavior, stress Resumen: El objetivo de este trabajo fue verificar la incidencia del síndrome de ansiedad por separación (SAS) en la población de perros de la municipalidad de Sinop, Mato Groso - Brasil. Para identificar el problema se desarrolló un cuestionario al que fueron sometidos los propietarios o responsables de cien perros, tanto machos como hembras, de razas puras y mestizos, atendidos en consultorios del referido municipio y en el Hospital Veterinario de la UFMT del campus Sinop. Los resultados obtenidos mostraron una prevalencia de un 28% de perros positivos al SAS. Los signos más frecuentemente encontrados fueron vocalización excesiva (60,7%), micción inapropiada (50%), destrucción de objetos (35.7%) y defecación inadecuada (17.8%). Todos los animales considerados positivos, presentaban hipervinculación con sus dueños, y nueve de ellos (32,1%) sufrían también de trastornos compulsivos. Estos resultados indican que existe una prevalencia significativa del SAS en el municipio de Sinop, y que deberían ser realizadas nuevas investigaciones para medir su impacto sobre los animales y la sociedad. Palabras clave: mascotas, comportamiento animal, stress

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Clínica Alterações eritrocitárias oxidativas em cães – estudo retrospectivo de 62 casos (2009-2011) Erythrocyte oxidative changes in dogs – retrospective study of 62 cases (2009-2011) Alteraciones oxidativas eritrocitarias en perros – estudio retrospectivo de 62 casos (2009-2011) Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, p. 66-72, 2012 Nathália Spina Artacho MV, residente Hovet/FMU

nathalia_artacho@hotmail.com

Angela Bacic MV, profa. Hovet/FMU

angelbac2002@yahoo.com.br

Claudia Aravena

médica veterinária autônoma

claudiaaravena.vet@hotmail.com

Ana Cláudia Balda MV, profa. FMV/FMU

anabalda@terra.com.br

Resumo: As alterações eritrocitárias oxidativas podem decorrer da ingestão de toxinas, substâncias da dieta, doenças metabólicas, neoplásicas e fármacos. Objetiva-se relatar a sua ocorrência na rotina de um hospital veterinário e sua possível associação com o uso de fármacos e doenças associadas. Após a análise de 3.300 prontuários, foram identificados 62 (1,8%) casos de alterações oxidativas (excentrócitos, corpúsculos de Heinz). Na maioria destes, observou-se a associação de vários fármacos, incluindo dipirona, em animais com doenças crônicas, como infecções, neoplasias e doenças degenerativas. Sugere-se a monitoração hematológica constante dos animais doentes, principalmente os previamente anêmicos e hiporéticos que necessitam da administração a longo prazo de vários fármacos em combinação e cujos proprietários inadvertidamente possam tentar fazer uso de substâncias oxidantes para estimular a ingestão alimentar. Unitermos: anemia, excentrócitos, corpúsculos de Heinz, dipirona Abstract: Oxidative erythrocyte alterations may result from the ingestion of toxins, oxidants in the diet, metabolic and neoplastic diseases, as well as drugs. The aim of this study is to report the prevalence of erythrocyte oxidative changes in a veterinary hospital and its possible association with drug use and associated diseases. After analysis of 3,300 reports of blood counts, we identified 62 (1.8%) cases of eccentrocytes and/or Heinz bodies. In most of these, a combination of drugs was used, including dipyrone, in animals with chronic diseases such as infections, neoplasia and degenerative diseases. We suggest careful hematologic follow-up of animals with such diseases, especially those with prior anemia and hyporexia that may need longterm treatment with a combination of drugs, and which are also at risk of being given oxidant substances in their diet to stimulate food ingestion. Keywords: anemia, eccentrocytes, Heinz bodies, dipyrone Resumen: Las alteraciones oxidativas eritrocitarias pueden ser ocasionadas por la intoxicación por toxinas, sustancias de la dieta, enfermedades metabólicas o neoplásicas y fármacos. Este trabajo tiene como objetivo relatar su incidencia en un hospital veterinario, así como su posible asociación con el uso de fármacos y enfermedades asociadas. Después de analizar 3.300 fichas clínicas, fueron identificados 62 casos (1,8%) de alteraciones oxidativas (excentrocitos, cuerpos de Heinz). En la mayoría de estos se pudo observar que existía asociación con la administración de varios fármacos, incluyendo la dipirona, con la presencia de enfermedades crónicas como infecciones, neoplasias y enfermedades degenerativas. Se recomienda el monitoreo hematológico constante de los animales enfermos, principalmente aquellos con anemias y poco apetito, que necesitan de administración por largos períodos de muchos medicamentos, y que los propietarios puedan inadvertidamente intentar utilizar sustancias oxidantes para estimular la ingestión de alimentos. Palabras clave: anemia, excentrocitos, corpúsculos de Heinz, dipirona

Introdução Anemia (do grego, an = privação, haima = sangue) é o termo utilizado para definir um decréscimo do número de he66

mácias, da concentração de hemoglobina e do hematócrito do sangue total circulante. Dispneia, taquicardia, intolerância ao exercício e palidez de mucosas são manifestações clínicas

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Toxicologia Intoxicação de cão por uva – relato de caso Grape intoxication in a dog – case report Intoxicación por uva en perros – relato de un caso Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, p. 74-77, 2012

Luiz Carlos Pereira médico veterinário

luizcarlosvet@hotmail.com

Ana Luiza Sarkis Vieira MV, mestre

luizasarkis@gmail.com

Cinthya Brillante Cardinot médica veterinária

cinthyabri@bol.com.br

Roberto M. Carvalho Guedes MV, mestre, PhD, pós-doutor EV/UFMG guedes@vet.ufmg.br

Resumo: As intoxicações por alimentos destinados ao consumo humano são comuns e ocorrem frequentemente logo após o proprietário os oferecer ao animal. A uva (Vitis vinifera) in natura e desidratada (uva-passa) é uma fruta que pode causar intoxicação em cães, mas seu potencial tóxico ainda é pouco conhecido pelos médicos veterinários. Neste trabalho relata-se um caso em que um cão da raça spitz, de cinco meses de idade, desenvolveu sinais clínicos de insuficiência renal aguda após ingerir um cacho de uvas. O quadro clínico foi caracterizado por vômitos, diarreia, anúria e aumento de ureia e creatinina. Após dezoito horas de internação, o animal veio a óbito. O exame anátomo-histopatológico constatou necrose tubular aguda com focos de mineralização. Em conjunto, os achados clínicos, laboratoriais e anátomo-histopatológicos são consistentes com insuficiência renal causada por ingestão de uva. Unitermos: canino, Vitis vinifera, insuficiência renal aguda Abstract: Animal poisoning by consumption of human food occurs often and is generally caused by owners themselves. The grape (Vitis vinifera) can cause poisoning in dogs both in natura and in its dehydrated form (raisin), but its potential toxicity is still little known by veterinarians. This paper reports the case of a fivemonth-old Spitz that developed clinical signs of acute renal failure after eating a bunch of grapes. The clinical course was characterized by vomiting, diarrhea, anuria and increased levels of creatinine and urea. The animal died 18 hours after admission. Anatomical and histopathological exams showed acute tubular necrosis with foci of mineralization. Together, the clinical, laboratory and pathological findings are consistent with a case of renal failure caused by grape ingestion. Keywords: canine, Vitis vinifera, acute renal failure Resumen: Las intoxicaciones por alimentos destinados al consumo humano suelen ser frecuentes, y se producen comúnmente después de que el propietario se los ofrece al animal. La uva (Vitis vinifera), tanto en su forma natural como deshidratada (pasa de uva), es una fruta que puede producir una intoxicación en los caninos, aunque su potencial tóxico aún es poco conocido entre los médicos veterinarios. En el presente trabajo se relata el caso de un perro de raza Spitz, de cinco meses de edad, que desarrolló un cuadro clínico con vómitos, diarrea, anuria y aumento de la urea y creatinina. Después de dieciocho horas de internación, el paciente falleció. Durante el examen anatomopatológico se pudo comprobar la presencia de necrosis tubular renal aguda, con focos de mineralización. El conjunto de signos clínicos, de laboratorio y anatomopatológicos llevaron al diagnóstico de una insuficiencia renal causada por la ingestión de uva. Palabras clave: canino, Vitis vinifera, insuficiencia renal aguda

Introdução Casos de intoxicação em cães são frequentes e muitas vezes causados por plantas não comestíveis ou vegetais que constituem a alimentação humana. A exposição a esses tóxicos frequentemente são consequência de seu oferecimento ao animal pelos proprietários, que desconhecem o risco potencial de alguns alimentos para os cães 1. Dentre os alimentos potencialmente tóxicos para os cães citam-se, entre outros: cebola, alho, chocolate, cafeína, macadâmia, uva e uva-passa 2,3. 74

A toxicidade da uva e da uva-passa (Vitis vinifera) para os cães tem sido relatada desde 1998, mas seu componente tóxico ainda não foi identificado. Os cães intoxicados por essa fruta apresentam sinais clínicos que incluem vômito poucas horas após a ingestão, associado a anorexia, diarreia, letargia e dor abdominal 4. A dose ingerida parece não estar relacionada à severidade dos sinais clínicos, já que os animais afetados podem ter ingerido quantidades que variam de 3 a 30g/kg de peso vivo. Devido à grande variação individual na resposta

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clínica a diferentes quantidades ingeridas de uva, é razoável considerar que virtualmente qualquer dose é capaz de levar à ocorrência dos sintomas de intoxicação 4. Ela pode ser causada por uvas orgânicas ou comerciais, brancas ou vermelhas, trituradas ou fermentadas 5. O objetivo do presente trabalho é relatar um caso de intoxicação por uva em um cão da raça spitz de cinco meses de idade.

Parâmetro ALT amilase AST bilirrubina total cálcio colesterol creatinina fosfatase alcalina fósforo GGT glicose proteína total albumina globulina ureia * Synermed, 2007

Valor 105 406 53 0,06 9,4 181 3,9 96 12,4 5,0 146 4,8 2,1 2,7 218

Parâmetro Volume globular Hemoglobina Hemácias VCM CHCM HCM RDW * Synermed, 2007

Valor 26 8,1 3,9 65,3 31,1 20,4 16

Referência* 37 - 55 12 - 18 5,5 - 8,5 60 - 77 32 - 36 19,5 - 24,5 12 - 15

Figura 2 - Perfil hematológico de cão da raça spitz 24 horas após consumo de um cacho de uvas Roberto Maurício Carvalho Guedes

Relato de caso Um cão da raça spitz de cinco meses de idade foi encaminhado ao Hospital Veterinário da Universidade Federal de Minas Gerais (HV/UFMG) com histórico de prostração e vômito iniciados na véspera. Durante a anmanese, foi constatado que o animal tinha ingerido um cacho de uvas fornecido pelo proprietário. No exame clínico, o animal apresentava temperatura e frequência cardíaca e respiratória dentro dos parâmetros de normalidade. Observaram-se também linfonodos não reativos, tempo de perfusão capilar menor que dois segundos e mucosas normocoradas. O turgor cutâneo estava discretamente diminuído. O animal foi internado e após cinco horas de internação o quadro clínico piorou. Ele se mostrava prostrado, as mucosas estavam hipocoradas, teve diarreia de coloração amarelada, mostrava moderada sensibilidade à palpação abdominal, a bexiga urinária encontrava-se sempre vazia à palpação e a temperatura retal era de 36°C, razão pela qual foi submetido a aquecimento. Foram realizados exames complementares (hemograma e perfil bioquímico), e constatou-se aumento de ureia e creatinina (Figura 1) e anemia (Figura 2). Com base nos achados clínicos foi firmado um diagnóstico de insuficiência renal aguda e o animal recebeu terapia de suporte com o uso de fluidoterapia intravenosa (ringer lactato), metoclopramida (0,2mg/kg), ranitidina (1mg/kg), amoxicilina com clavulonato (15mg/kg) e manitol (5mL – solução 20%/kg) e, posteriormente, furosemida, inicialmente a 2mg/kg, aumentando-se a dose a cada hora até 6mg/kg. Após dezoito horas de internação, o animal veio a óbito.

Após o óbito, o animal foi encaminhado ao Setor de Patologia do HV-UFMG para necropsia. Durante a avaliação post mortem constatou-se palidez de carcaça e vísceras, como coração e rins, estriações corticais renais evidentes (Figura 3), edema moderado de tecido subcutâneo e pulmões, além de cavidade abdominal com 20mL de líquido seroso (hidroperitônio). Foram coletados fragmentos de pulmões, fígado e rins para exame histopatológico. Os fragmentos foram fixados em formalina 10%, desidratados em álcool, diafanizados com xilol, incluídos em parafina e corados por hematoxilina e eosina. O exame histopatológico revelou pulmões com congestão e edema moderados e fígado com degeneração microvacuolar discreta e difusa. Os rins tinham células tubulares com moderada picnose nuclear e algumas com cariorrexia (Figura 4), caracterizando uma necrose tubular de curso agudo e intensidade moderada. Observaram-se também focos de mineralização intratubular (nefrocalcinose discreta). Com a coloração de ácido periódico de Schiff (PAS), foi verificada a preservação da membrana basal dos túbulos afetados. Com base nos achados clínicos e anatomopatológicos, foi firmado um diagnóstico de insuficiência renal aguda associada a ingestão de uva.

Referência* 0 - 110 500 - 1.500 0 - 100 0,1 - 0,5 9,1 - 11,7 135 - 278 0,5 - 1,5 0 - 160 2,9 - 5,3 0 - 25 76 - 119 5,4 - 7,5 2,3 - 3,1 2,7 - 4,4 20 - 56

Figura 1 - Perfil bioquímico do sangue de cão da raça spitz, 24 horas após consumo de um cacho de uvas

Figura 3 - Rim de cão com intoxicação por uva. Observase moderada palidez do órgão e estriações transversais corticais evidentes

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Cirurgia Eventração de útero gravídico em uma gata – relato de caso Eventration of pregnant uterus in a cat – a case report Eventración de útero grávido en gata – relato de un caso Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, p. 80-84, 2012

Wagner Costa Lima

Resumo: Foi atendida em um hospital veterinário universitário uma gata com aumento de volume no dorso. O exame ultrassonográfico identificou a presença de fetos vivos no local do aumento de volume. O diagnóstico foi de eventração com deslocamento do útero gravídico para a região dorsal. Devido ao risco de ruptura uterina, o animal foi imediatamente encaminhado para correção cirúrgica da eventração, que foi realizada após ovário-salpingo-histerectomia. O animal teve uma boa recuperação, contudo os fetos não sobreviveram. No caso relatado, o aumento uterino devido à gestação resultou no deslocamento dorsal do órgão. Não foi possível explicar por que a migração uterina ocorreu em direção ao dorso e não para a região inguinal, como se observa em cadelas com histerocele gravídica. O caso foi considerado raro porque não foram encontrados relatos de eventração em felinos com insinuação de útero gravídico. Unitermos: felino, útero, ovário-salpingo-histerectomia, hérnia abdominal

MV, doutorando UFPI

atsocamil@yahoo.com.br

Ana Maria Quessada

MV, profa. associada Depto. Clín. e Cir. Vet., CCA/UFPI quessadavet@gmail.com

Dayanne A. Silva Dantas Lima MV, doutoranda UFPI

dayannevet@yahoo.com.br

Catarina Rafaela Alves da Silva MV, doutoranda UFPI

catarinarafaela@hotmail.com

Marcos Daniel de Sousa Ferreira MV, doutorando UFPI

marcos__daniel@hotmail.com

Deyse Naira Mascarenhas Costa MV, doutoranda UFPI

missmascarenhas@hotmail.com

Videlina Rodrigues de Sousa MV, mestranda UFPI

videlinda@hotmail.com

Gisllyana Medeiros Azevedo médica veterinária autônoma gisllyana@yahoo.com.br

Abstract: A female cat was presented with a swelling on the back at a teaching Veterinary Hospital. Ultrasound examination identified the presence of live fetuses at the site of swelling. The diagnosis was eventration with displacement of the pregnant uterus to the dorsal region. Due to the risk of uterine rupture, surgical correction of the eventration was performed following bilateral salpingo-oophorectomies. The animal had a good recovery, but the fetuses did not survive. In this case, the increase in the size of the uterus resulted in dorsal displacement of the organ. It is not possible to explain why uterine migration occurred toward the back and not toward the inguinal region, as seen in bitches with hysterocele during pregnancy. The case was considered rare because similar reports of eventration in cats with pregnant uteruses could not be found. Keywords: feline, uterus, ovariohysterectomy, abdominal hernia Resumen: Una gata con aumento de volumen en la región dorsal, fue recibida para atención en un hospital universitario de veterinaria. Durante el examen ecográfico pudo identificarse la presencia de fetos vivos en la región donde se encontraba el aumento de volumen. El diagnóstico fue de una eventración con desplazamiento del útero grávido hacia la región dorsal. Debido al riesgo de ruptura uterina, el animal fue derivado inmediatamente para que se realizara la corrección quirúrgica de la eventración, y una ovariohisterectomía. El paciente tuvo buena recuperación post operatoria; no obstante los fetos no sobrevivieron. En el presente caso, el aumento uterino debido a la gestación llevó al desplazamiento dorsal del órgano. No se pudo explicar porqué el desplazamiento del útero se produjo hacia el dorso del animal y no hacia la región inguinal, tal como se suele observar en las perras con histerocele gravídico. El caso fue considerado raro, ya que no se encontraron relatos de eventración en felinos con presencia de útero gravídico. Palabras clave: felino, útero, ovariohisterectomía, hernia abdominal

Introdução Hérnia é a protrusão de um órgão ou de uma parte dele através de um defeito na parede da cavidade anatômica na qual ele se situa. A maioria das hérnias envolve a protrusão de conteúdos abdominais através da parede abdominal, do diafragma ou do períneo. As hérnias são constituídas de três partes: o anel, o saco herniário e o conteúdo. O anel é o 80

defeito na parede de limitação; o saco herniário consiste nos tecidos que envolvem o conteúdo, constituído dos órgãos ou tecidos que se moveram para a localização anormal 1. Um dos tipos de hérnias que podem ser encontradas na prática clínica de cães e gatos são as hérnias abdominais traumáticas, que não possuem saco herniário revestido por serosa completa 2,3. Devido à inexistência de saco herniário,

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A Cristiane Bezerra

B Cristiane Bezerra

Relato de caso Uma gata de quatro anos de idade, sem raça definida, não castrada e pesando 3,5kg, foi atendida no Hospital Veterinário da Universidade Federal do Piauí, apresentando um aumento de volume localizado na região dorsal (Figura 1A). Segundo o proprietário, a alteração observada tinha curso de aproximadamente um mês, com crescimento gradativo. O exame clínico revelou um aumento de volume de aproximadamente 20cm de comprimento ao longo do dorso e 10cm de largura (Figura 1B). À palpação observou-se contorno irregular e consistência variável, com áreas macias e outras mais firmes. Não foram detectadas outras alterações clínicas no animal. Pela palpação, suspeitou-se de presença de fetos no aumento de volume. O exame ultrassonográfico da massa revelou a presença de útero gravídico, verificando-se a presença de pelo menos três fetos viáveis com tempo gestacional de 45-50 dias (Figura 1C). Na ultrassonografia abdominal foi constatada a presença de um feto vivo em posição fisiológica dentro da cavidade abdominal. O exame radiográfico demonstrou ossificação

Cristiane Bezerra

esse tipo de hérnia pode ser considerado uma eventração 4, embora na literatura de clínica cirúrgica de pequenos animais elas sejam denominadas hérnias abominais traumáticas 2,3. A incidência de hérnia abdominal traumática ou eventração na parede abdominal em cães e gatos é baixa 2,5, sendo que a maioria se origina da ação de objeto rombo 2,3, podendo também estar associada à deiscência de sutura 5. Nas hérnias abdominais traumáticas pode ocorrer estrangulamento; no entanto, em uma revisão de 21 casos desse tipo de hérnia em cães e gatos, não houve evidência de obstrução ou encarceramento vascular. A maior parte das hérnias abdominais traumáticas causadas por objetos rombos ocorre na região abdominal caudal ventro lateral (áreas inguinal ou pré-púbica) e paracostal 6. Em alguns casos particulares de traumas caudais e ventrais, ocorre herniação por ruptura de tendão pré-púbico 7-9. Nas hérnias traumáticas abdominais, o principal sinal clínico observado é a massa saliente sob a pele ou a assimetria do contorno abdominal. O histórico e a palpação são úteis para o diagnóstico, sendo que pela palpação é possível discernir o conteúdo da massa e localizar o defeito abdominal 2,3. Devido à origem traumática desse tipo de hérnia, é importante que o animal seja minuciosamente examinado para que se detectem lesões concomitantes 2,7-9. O exame radiográfico pode auxiliar no diagnóstico, mas o exame fundamental para diagnosticar hérnia traumática abdominal e seu conteúdo é a ultrassonografia 2,3. O tratamento primário de hérnia abdominal é cirúrgico, sendo que a técnica cirúrgica deve ser selecionada de acordo com o caso clínico, levando-se em consideração o conteúdo herniado. No entanto, se o animal apresentar alterações sistêmicas graves, como choque, o tratamento dessas condições precede a correção cirúrgica da hérnia 2,3. Resolveu-se relatar este caso porque foi considerado raro, uma vez que não foram encontrados na literatura consultada relatos de eventração em felinos com insinuação de útero gravídico.

C Figura 1 - A e B) Gata sem raça definida, de quatro anos e 3,5kg, apresentando aumento de volume no dorso. C) exame ultrassonográfico do aumento de volume determinando a presença de fetos

dos esqueletos fetais. O diagnóstico foi de eventração, tendo como conteúdo o útero gravídico. Devido ao risco de ruptura

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Diagnóstico por imagem Diagnóstico por imagem nas enfermidades tireoidianas em cães – revisão Diagnostic imaging of thyroid diseases in dogs – review Diagnóstico por imágenes en enfermedades de la tiroides en perros – revisión bibliográfica Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, p. 86-94, 2012

Thiago Rinaldi Müller

Resumo: Com o rápido desenvolvimento das modalidades de imagem para auxiliar no diagnóstico médico e, por conseguinte, na medicina veterinária, os diagnósticos de diversas enfermidades estão se tornando cada vez mais acessíveis e precisos. Diferentes modalidades de imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética e cintilografia, podem ser utilizadas no diagnóstico de enfermidades tireoidianas, sendo que cada uma possui vantagens e desvantagens. O diagnóstico por imagem é ferramenta auxiliar para o diagnóstico, o tratamento e o prognóstico de doenças tireoidianas. O objetivo do presente trabalho é refletir sobre as limitações e benefícios de cada modalidade de imagem que se encontram disponíveis para o médico veterinário, assim como expor as novas modalidades, a fim de maximizar e tornar mais preciso o diagnóstico de enfermidades tireoidianas. Unitermos: canino, imagem diagnóstica, glândula tireoide

MV, mestre, doutorando Depto. Diagnóstico por Imagem FMVZ/Unesp-Botucatu mullerusa@hotmail.com

Livia Pasini Souza

MV, mestranda Depto. de diagnóstico por Imagem FMVZ-Unesp/Botucatu li.pasini.vet@gmail.com

Danuta Pulz Doiche

Abstract: The diagnosis of various diseases has become more accessible and accurate with the rapid development of imaging modalities aiming to assist in medical diagnosis, and thereby in veterinary medicine. Different diagnostic imaging modalities such as ultrasonography, computed tomography, magnetic resonance imaging and scintigraphy can be performed to obtain information about thyroid diseases, each one with advantages and disadvantages, depending on the thyroid disease in question. Diagnostic imaging is a tool that not only assists in the diagnosis, but also helps treatment and assessment of prognosis of thyroid diseases. The aim of this article is to discuss the limitations and benefits of each diagnostic imaging modality available in the veterinary medical field, and also to present the newest diagnostic imaging modalities in order to maximize and make more accurate diagnosis of thyroid diseases. Keywords: canine, imaging diagnostic, thyroid gland

MV, mestranda Depto. de diagnóstico por Imagem FMVZ-Unesp/Botucatu danpulz@yahoo.com.br

Maria Jaqueline Mamprim

MV, profa. adj. Depto. Diagnóstico por Imagem FMVZ/Unesp-Botucatu jaquelinem@fmvz.unesp.br

Natalie Bertelis Merlini

MV, mestranda Depto. de Cirurgia e Anest. Veterinária FMVZ-Unesp-Botucatu natalie_merlini@hotmail.com

Resumen: Debido al rápido desarrollo de diversas modalidades de diagnóstico por imágenes en medicina humana y, consecuentemente en medicina veterinaria, el diagnóstico de diversas enfermedades está siendo cada vez más accesible y preciso. Existen diferentes modalidades de imagen, como la ecografía, la tomografía computada, la resonancia magnética y la centellografía, que pueden ser utilizadas para el diagnóstico de enfermedades tiroideas, aunque cada una de ellas presenta sus ventajas y desventajas. El diagnóstico por imágenes es una herramienta auxiliar para el diagnóstico, tratamiento y pronóstico de las enfermedades tiroideas. El objetivo del presente trabajo fue analizar las limitaciones y beneficios de cada una de las técnicas de imagen que se encuentran disponibles para el médico veterinario, así como la presentación de nuevas modalidades, con el objetivo de maximizar y hacer más preciso el diagnóstico de las enfermedades tiroideas. Palabras clave: canino, imagen diagnóstica, glándula tiroides

Introdução Com o avanço das modalidades de imagem na medicina veterinária, os diagnósticos de diversas enfermidades estão se tornando cada vez mais acessíveis, precisos e rápidos. Enfermidades que antigamente não eram diagnosticadas por 86

modalidades de imagem hoje são diagnosticadas com mais agilidade, devido à evolução e ao aumento da tecnologia dessas técnicas 1. A glândula tireoide pode ser acometida por diferentes tipos de moléstias, como neoplasias, inflamações, cistos,

Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, novembro/dezembro, 2012

Diagnóstico por imagem Princípios físicos da ultrassonografia com contraste por microbolhas – revisão de literatura Physical principles of microbubble contrast-enhanced ultrasonography – a review Principios físicos de la ecografía de contraste de microburbujas – revisión de la literatura Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, p. 96-106, 2012

Cristina Satiko Iuamoto Takeda MV, pós-graduanda CEU-Inbrapec

c_satiko@yahoo.com.br

Cibele Figueira Carvalho médica veterinária IR/FM/USP

cibelefcarvalho@gmail.com

Maria Cristina Chammas médica veterinária IR/FM/USP

mcchammas@hotmail.com

Resumo: A ultrassonografia é um meio de diagnóstico por imagem que reflete e incorpora inovações tecnológicas rapidamente. O uso de agentes de contraste ultrassonográfico é relativamente recente na medicina humana, e ainda mais inovador na veterinária. A técnica vem apresentando resultados otimistas na diferenciação de lesões benignas e malignas. No Brasil, a utilização do contraste ultrassonográfico depende apenas da liberação por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No entanto, o seu uso está condicionado à presença de recursos especiais nos equipamentos, que, em geral, requerem complexidade tecnológica. Com essa expectativa, vimos revisar a literatura publicada a respeito dos princípios físicos da ultrassonografia com contraste por microbolhas, a fim de melhorar a compreensão dessa nova técnica, assim como os potenciais efeitos colaterais dos agentes de contraste atualmente utilizados. Unitermos: microbolhas, ultrassonografia, meios de contraste Abstract: Ultrasonography is an imaging diagnosis technique that reflects and incorporates technological innovations very fast. The use of ultrasound contrast agents is relatively recent in human medicine and even more so in veterinary medicine. This technique has presented promising results in the differentiation between benign and malignant lesions. In Brazil, the use of ultrasound contrast agents depends only on approval by the National Agency for Sanitary Vigilance (ANVISA). However, their use is conditioned to the presence of special features in the equipment, which in general require technological complexity. We therefore reviewed the literature on the physical principles of medical ultrasonography with contrast by microbubbles, in order to improve the understanding of this new technique, as well as the potential side effects of contrast agents currently used. Keywords: microbubbles, ultrasonography, contrast media Resumen: La ecografía es un medio de diagnóstico por imagen que rápidamente incorpora innovaciones tecnológicas. El uso de agentes de contraste ecográfico es una técnica relativamente reciente en la medicina humana, y es aún más innovador en veterinaria. La técnica presenta resultados optimistas en la diferenciación de lesiones benignas y malignas. En Brasil la utilización de contraste ecográfico depende sólo de la aprobación de la Agencia Nacional de Vigilancia Sanitaria (ANVISA). No obstante, su uso está condicionado a la presencia de recursos especiales en los equipos, que en general necesitan de una tecnología altamente compleja. Con esa expectativa, hemos realizado una revisión de la literatura respecto a los principios físicos de la ecografía de contraste por microburbujas, con el objetivo de mejorar la comprensión de esta nueva técnica, así como evitar los potenciales efectos colaterales de los agentes de contraste que se usan actualmente. Palabras clave: microburbujas, ecografía, medios de contraste

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Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, novembro/dezembro, 2012

Diagnóstico por imagem Ultrassonografia contrastada na medicina veterinária – revisão Contrast-enhanced ultrasonography in veterinary medicine – a review Ecografía de contraste en medicina veterinaria – revisión Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, p. 108-114, 2012

Cristina Satiko Iuamoto Takeda MV, pós-graduanda CEU-Inbrapec

c_satiko@yahoo.com.br

Cibele Figueira Carvalho médica veterinária IR/FM/USP

cibelefcarvalho@gmail.com

Maria Cristina Chammas médica veterinária IR/FM/USP

mcchammas@hotmail.com

Resumo: Nas últimas duas décadas, a ultrassonografia apresentou diversas inovações tecnológicas, algumas até bem acessíveis economicamente. Estudos recentes comprovam que a ultrassonografia com contraste por microbolhas possibilita a avaliação da perfusão dos órgãos e, quando associada ao Doppler, aumenta a capacidade de detecção da sua vascularização. Esses novos conceitos permitem estudar o comportamento hemodinâmico de lesões focais em relação ao tecido normal, e a principal utilização se relaciona à diferenciação de tumores. Os resultados dessa técnica parecem promissores, sugerindo acurácia diagnóstica semelhante à de outros métodos de diagnóstico por imagem, como a tomografia contrastada e a imagem em ressonância magnética. Este trabalho teve como objetivo rever na literatura veterinária as principais possibilidades diagnósticas de utilização dessa técnica nos órgãos da cavidade abdominal de pequenos animais. Unitermos: contraste, microbolhas, animais, tumores Abstract: In the last two decades, there have been several technological improvements in ultrasonography, some of which are very accessible economically. Recent studies show that contrast-enhanced ultrasonography with microbubbles enables the assessment of perfusion, and increases the detection of organ vascularization when used in combination with Doppler. These new concepts allow the study of hemodynamic behavior of focal lesions in relation to the normal tissue, and its main use is related with tumor differentiation. The results of this technique seem promising and suggest similar diagnostic accuracy as other imaging methods, such as computed tomography and magnetic resonance imaging. The aim of this work was to review the main diagnostic possibilities of this technique in the abdominal cavity organs of small animals. Keywords: contrast media, microbubbles, animals, tumors Resumen: En las últimas décadas la ecografía ha presentado diversos tipos de innovaciones tecnológicas, algunas de éstas accesibles desde el punto de vista económico. Recientes estudios comprobaron que la ultrasonografía de contraste con microburbujas permite el estudio de la perfusión de los órganos y que, cuando se la asocia al Doppler, aumenta la capacidad de detección de la vascularización. Estos nuevos conceptos permiten estudiar el comportamiento hemodinámico de las lesiones focales en relación al tejido normal, siendo su utilización principal la diferenciación de tumores. Los resultados de esta técnica parecen ser prometedores y se sugiere que su capacidad diagnóstica es semejante a la de otros métodos de diagnóstico por imágenes, como la tomografía contrastada y la resonancia magnética. Este trabajo tuvo como objetivo revisar la literatura veterinaria respecto a las posibilidades diagnósticas de esta técnica en la evaluación de los órganos de la cavidad abdominal en pequeños animales. Palabras clave: medios de contraste, microburbujas, animales, tumores

Introdução Com as inovações tecnológicas dos aparelhos de ultrassonografia, tem surgido a oportunidade de utilização de novas ferramentas diagnósticas associadas a imagem ultrassonográfica. A ultrassonografia contrastada é uma nova tecnologia diagnóstica que se baseia na utilização de agentes de 108

contraste ultrassonográfico (Acus). Esses agentes são soluções que contêm um gás estabilizado dentro de uma concha constituída de material inerte. Essas microbolhas agem intensificando a resposta acústica e o sinal Doppler, evidenciando a vascularização dos tecidos. Porém, na imagem ultrassonográfica em modo B (convencional ou em escala de

Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, novembro/dezembro, 2012

www.revistaclinicaveterinaria.com.br

cinza), a detecção do contraste ultrassonográfico no tecido é restrita, pois o comportamento acústico das microbolhas em um feixe ultrassonográfico é complexo e exige técnicas de imagem específicas para a avaliação. As microbolhas são eliminadas por meio do processo de respiração pelos pulmões e os componentes estabilizantes são metabolizados pelos rins e pelo fígado. Durante a circulação desses Acus, ocorre intensificação dos ecos refletidos dentro dos vasos sanguíneos e com isso é possível observar e mensurar o tempo que o contraste demora para entrar e sair de um órgão ou permanece dentro de uma lesão focal específica. Encontram-se diversas marcas de Acus (Definity®, Sonovue®, Sonazoid®) no comércio. Elas se diferenciam quanto ao tipo de gás utilizado e ao material que o envolve e mantém estável (Figura 1). Os Acus aumentam a capacidade de detecção da vascularização dos órgãos, possibilitando a avaliação da sua perfusão 1,2, tanto por meio da ultrassonografia convencional como da associada ao Doppler. Atualmente, a literatura veterinária já apresenta algumas pesquisas na área. Embora os primeiros trabalhos publicados tenham sido com ecocardiografia, atualmente podemos citar pesquisas principalmente em relação à avaliação do fígado 2-9 e do baço 3,5,6,10-12. Há ainda alguns trabalhos realizados em cães relatando o uso do contraste para avaliação do coração 13,14, dos rins 15-17, da próstata 18-20, dos linfonodos 21-23, da vesícula urinária 24 e do pâncreas 2, e no diagnóstico de desvios portossistêmicos 25,26. Nome

Definity® Sonazoid® SonoVue®

Fabricante

Dupont Merck; ImaRx Amersham Medical Bracco; Altana

Gás

Assim, esta revisão teve como objetivo revisar as informações publicadas na literatura veterinária sobre o uso da ultrassonografia com contraste por microbolhas, a fim de compilar as principais indicações clínicas e as possibilidades diagnósticas da utilização dos Acus nos órgãos da cavidade abdominal de pequenos animais. Fígado As lesões focais hepáticas são muito comuns em cães. No entanto, a imagem convencional nem sempre é capaz de diferenciar a imagem de hematomas, abscessos, áreas focais de necrose hepática, neoplasias primárias e metástases. O diagnóstico diferencial dessas lesões é necessário para determinar o tratamento adequado. A principal indicação do uso dos Acus no fígado é a detecção de malignidade em lesões focais 2. Fases do exame ultrassonográfico contrastado do fígado O padrão ultrassonográfico contrastado do fígado de cães normais evidencia a existência de suprimento sanguíneo duplo: pela artéria hepática (responsável por 20 a 30%) e pela veia porta (que fornece 70 a 80%), sendo possível detectar fases vasculares distintas e subsequentes 2. A primeira fase, denominada fase precoce (early phase), é dividida em dois tempos. No cão, o primeiro tempo ocorre de 7 a 10 segundos após a injeção de contraste e persiste até 10 a 15 segundos. É denominado fase arterial, por ser Camada protetora

sulfur-hexafluorido

lipossomas

perfluoro-carbono sulfur-hexafluorido

lipídio fosfolipídios

Estágio de desenvolvimento

aprovado para ecocardiografia na América do Norte desenvolvimento clínico no Japão aprovado uso na Europa e na Ásia, exceto Japão

Figura 1 - Relação dos agentes de contraste ultrassonográficos citados no texto

Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, novembro/dezembro, 2012

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Dermatologia Uso do iodeto de potássio no tratamento da esporotricose em cão refratário ao cetoconazol e itraconazol – relato de caso Use of potassium iodide in the treatment of sporotrichosis in dog after failure treatment with ketoconazole and itraconazole – a case report Uso del ioduro de potasio en el tratamiento de la esporotricosis en un perro refractario al ketoconazol e Itraconazol – relato de caso Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, p. 116-120, 2012 Martha Hathaway Grassani médica veterinária

marthahg@globo.com

Ana Lucia C. de Azevedo Juppa MV, dra.

ana.crissiuma@gmail.com

Denise Amaro da Silva MV, mestre, doutoranda PPGPCDI/IPEC/Fiocruz

denise.silva@ipec.fiocruz.br

Fabiano Borges Figueiredo MV, doutor LPCDAD/IPEC/Fiocruz

fabiano.figueiredo@ipec.fiocruz.br

Resumo: A esporotricose é uma doença que acomete o homem e os animais de forma subaguda ou crônica, sendo considerada a micose subcutânea mais comum na América Latina. No estado do Rio de Janeiro, assumiu proporções epidêmicas, sendo o gato infectado o principal transmissor da doença. No cão, a doença é menos frequente, entretanto, estudos descrevem que desde 1998 houve um aumento do número de casos. O tratamento de infecções micóticas em animais é um desafio aos veterinários, uma vez que a maioria dos agentes antifúngicos sistêmicos apresenta efeitos adversos importantes. Este estudo relata um caso de esporotricose canina que foi refratário ao uso de cetoconazol e itraconazol, tratado em seguida com iodeto de potássio. Com esse relato, verificou-se que nos casos refratários ao tratamento convencional com cetoconazol e itraconazol, o iodeto de potássio em capsulas é uma alternativa para o tratamento da esporotricose canina. Unitermos: canino, terapêutica, Sporothrix schenckii Abstract: Sporotrichosis is a disease that affects humans and animals in a subacute or chronic form. It is considered the most common subcutaneous mycosis in Latin America, having reached epidemic proportions in the state of Rio de Janeiro. The infected cat is the main transmitter of the disease. Although it occurs less frequently in dogs, studies report an increase in the number of cases since 1998. The treatment of fungal infections in animals is a challenge for veterinarians, since the majority of systemic antifungal agents have significant adverse effects. This study reports a case of canine sporotrichosis that was refractory to the use of ketoconazole and itraconazole that was treated with potassium iodide. We conclude that potassium iodide in capsules is an alternative for the treatment of canine sporotrichosis in cases that are refractory to conventional treatment with ketoconazole and itraconazole. Keywords: canine, drug therapy, Sporothrix schenckii Resumen: La esporotricosis es una enfermedad que afecta tanto al hombre como a los animales de forma subaguda o crónica, siendo considerada la micosis subcutánea más común en América Latina. En el estado de Río de Janeiro se ha transformado en una enfermedad epidémica, siendo el gato infectado el principal agente transmisor. En el perro es menos frecuente; no obstante existen estudios comprobando que desde 1998 ha habido un aumento en el número de casos. El tratamiento de las infecciones micóticas en animales es un desafío para los médicos veterinarios, ya que la mayoría de los agentes antifúngicos sistémicos suelen presentar importantes efectos adversos. En el presente relato se presenta un caso de esporotricosis canina que fue refractario al tratamiento con ketoconazol e itraconazol, que posteriormente recibió tratamiento con ioduro de potasio. En este trabajo se pudo comprobar que en los pacientes refractarios al ketoconazol e itraconazol, el ioduro de potasio en cápsulas representa una alternativa para el tratamiento de la esporotricosis canina Palabras clave: canino, tratamiento, Sporothrix schenckii

Introdução A esporotricose é uma doença causada pelo Sporothrix schenckii, considerado um fungo dimórfico, saprofítico ambiental, presente no solo em associação com vegetação mor116

ta e em decomposição, como esfagno, feno, palha e espinhos de roseira 1,2. Na forma saprofítica ou em meio de cultura a 25 °C, o fungo cresce como colônias filamentosas, enquanto em

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COMPORTAMENTO

Comportamentos caninos indesejáveis: prevenção na consulta veterinária

C

omportamentos indesejáveis são aqueles considerados irritantes ou inaceitáveis pelo tutor ou guardião ou a sociedade humana. Não são determinados por patologias comportamentais e podem ser comportamentos normais para a espécie ou aprendidos na convivência com pessoas e outros animais. Estes incluem os pulos, as vocalizações e os conflitos com outros animais ou pessoas, dentre outros. Mas qual o melhor momento para iniciar a prevenção? Uma excelente oportunidade é a primeira consulta veterinária. Simultaneamente ao exame clínico e às orientações gerais sobre saúde, o veterinário deve informar sobre o manejo adequado e o comportamento normal de um cão. A maioria dos tutores nada sabe sobre o comportamento normal de animais de companhia e muito menos sobre como lidar com os pequenos problemas que certamente surgirão. Estes, quando mal manejados, aumentam em frequência e severidade, afetam o vínculo com a família e dificultam as ações e prescrições veterinárias. Dessa forma, nas primeiras consultas é necessário que o médico veterinário aborde junte aos tutores os aspectos comportamentais, fornecendo-lhes informações sobre comportamento normal, ontogenia do comportamento, significado de reforço e punição, como reconhecer potenciais problemas de comportamento e como tentar mudá-los logo que são identificados.

Primeira consulta: excelente oportunidade para promover a prevenção de comportamentos indesejáveis

Quadro de sugestões sobre conteúdos para aconselhamento comportamental nas primeiras consultas veterinárias COMPORTAMENTO CANINO Ontogenia do comportamento em períodos sensíveis, importância da exposição gradual a estímulos sociais e ambientais no período de socialização (3 a 16 semanas de idade). Formas de estabelecer um bom vínculo. Incentivar a generalização do apego de uma pessoa específica para todos os membros da família. Promover habilidades de comunicação adequadas entre tutores e cães. Conhecimentos sobre a mímica canina: comunicação visual e não verbal (posturas, gestos etc.). Importância do enriquecimento ambiental e de brincar. Liderança sem medir forças. É importânte o tutor tomar a iniciativa e controlar recursos (espaço, alimentação). EDUCAÇÃO CANINA Tipos de reforço e punição. Efeitos negativos da punição e do reforço negativo. Condicionamento clássico e operante: aspectos básicos de aprendizagem. Tutor inicia interações: decide quando brincar com o cão, acariciá-lo, dar-lhe comida etc. Efeitos negativos das solicitações persistentes e do comportamento de busca de atenção pelo cão. Socialização intra e interespecífica (caminhar com frequência em áreas públicas e permitir interações sociais se o cão não mostra comportamento agressivo). Higiene: levar o cachorro com frequência ao local do banheiro, especialmente após as refeições e períodos de repouso; não punir o cão por evacuar na casa; recompensea-lo imediatamente após a evacuação no local correto. Habituação a ficar só deve começar o mais cedo possível. Aumento gradual do tempo, deixando alguns brinquedos/estímulos disponíveis. 122

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A informação de qualidade transmitida por médicos veterinários pode afetar positivamente o tipo de vínculo que se estabelece, bem como propiciar a integração do animal na vida diária das pessoas com mais facilidade. Segundo alguns estudos, os problemas com animais de companhia ocorrem e se intensificam por alguns motivos relacionados com a família humana, como: falta de conhecimento sobre as necessidades biológicas e sociopsicológicas dos animais, falsas expectativas dos tutores projetadas sobre os animais (quer em relação à espécie ou a um animal específico) e interações incorretas com o animal de estimação. Contrariamente às expectativas de muitos tutores, os cães não sabem instintivamente como interagir e se comportar no

Profa. dra. Ceres Berger Faraco

Instituto de Saúde e Psicologia Animal (INSPA) www.psicologiaanimal.com.br Médica veterinária, clínica de comportamento animal, doutora em psicologia e presidente da AMVEBBEA (Associação Médico-Veterinária Brasileira de Bem-Estar Animal) www.amvebbea.com.br

ambiente humano, e a educação apropriada (ministrada pela família) é necessária para estabelecer uma interação aceitável e positiva. O entendimento da gênese e a manutenção de um forte vínculo entre os seres humanos e os animais de estimação são de suma importância para os médicos veterinários, por razões éticas e econômicas. Portanto, o aconselhamento comportamental deve ser considerado como uma ferramenta eficaz e um serviço que deve ser oferecido pelos médicos veterinários a seus clientes. Referências:

1-SERPELL, J. ; JAGOE, A. Early experience and the development of behaviour. In: SERPELL, J. The domestic dog: its evolution, behaviour and interactions with people. 1. ed. Cambridge: University Press, 1995. p. 131-138. 2-LANDSBERG, G. Behavior problems in pets. A growing veterinary concern. Veterinary Medicine, v. 10, p. 988, 1991. 3-JAGOE, A. ; SERPELL, J. Owner characteristics and interactions and the prevalence of canine behaviour problems. Applied Animal Behaviour Science, v. 47, n. 1-2, p. 31-42, 1996. 4-TURNER, D. C. Treating canine and feline behaviour problems and advising clients. Applied Animal Behaviour Science, v. 52, n. 6, p. 199-204, 1997.

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GESTÃO, MARKETING & ESTRATÉGIA

PAF-ECF, como ele afeta meu negócio?

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m 2012 muitas empresas tiveram uma desagradável surpresa ao encomendar talões de notas para venda ao consumidor (tipo D-1), pois não obtiveram a permissão da Sefaz (Secretaria da Fazenda) para imprimilos. Isso ocorreu porque elas já eram obrigadas, há muito tempo, a usar a impressora de cupom fiscal (ECF), e estavam adiando o processo. Ao ficar sem a possibilidade de imprimir o talonário fiscal, tais empresas tiveram que informatizar suas vendas num curto espaço de tempo, adquirindo sistemas, computadores e equipamentos e gastando recursos não previstos no orçamento. Os equipamentos de ECF estão em uso há muitos anos, e sua regulamentação muda constantemente, conforme a evolução da tecnologia e as exigências crescentes da fiscalização. Sua principal função é gerar o cupom fiscal, documento que comprova a venda de produtos, permitindo ao consumidor a troca ou a garantia da mercadoria e ao fisco um controle maior sobre o faturamento da empresa. Além disso, esses equipamentos permitem o controle da forma de pagamento, do estoque e das transações realizadas por meio de cartão de crédito, quando associados a equipamentos de transferência eletrônica de fundos (TEF) – aquelas máquinas de passar o cartão de crédito que vemos em lojas e supermercados. O ECF faz basicamente duas coisas: imprime o cupom e armazena informações. Por isso é registrado e lacrado por empresas credenciadas na Sefaz de cada estado. O ECF recebe informação de um software de automação comercial que está instalado em um computador ou PDV ligado a ele. Em 2008 ocorreu uma grande mudança na regulamentação do ECF: o Convênio ICMS 15/2008, assinado por todos os Estados, com exceção de Mato Grosso, regulamentou os requisitos necessários para a troca de informação entre os aplicativos comerciais (programa aplicativo fiscal – PAF) e os ECFs. O principal objetivo desse convênio é

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A evolução para os equipamentos de ECF tem como característica básica a impressão de cupom fiscal e armazenamento de informações

uniformizar em todo o Brasil as regras necessárias para que um software envie informações para o ECF sem permitir que o usuário tenha alternativas que possam configurar fraude ou evasão fiscal. Desse modo, agora é necessário que o sistema PAF-ECF passe por uma série de testes e somente após essa homologação poderá ser registrado em cada Estado para posterior comercialização, sendo que o roteiro de testes é continuamente aperfeiçoado, exigindo a renovação anual da certificação. Cada estado pode determinar quando e quais empresas estão obrigadas ao uso do PAF-ECF homologado. Na maior parte do país, a data limite foi o ano de 2012, e no caso do mercado veterinário a obrigação atinge as empresas que atuem com venda de rações, produtos e medicamentos veterinários ao consumidor final: pet shops, farmácias, casas agropecuárias e clínicas veterinárias que comercializem tais produtos. Em muitos estados o uso do ECF é vinculado ao faturamento anual da empresa, ficando as de menor porte momentaneamente dispensadas de seu uso. O ideal é consultar o contador ou o site da Sefaz do

seu estado para saber quais são as regras e o cronograma de implantação. Além dos produtos, em algumas situações (quando existir convênio entre o estado e o município) poderá também ser criado no ECF o cupom fiscal referente à prestação de serviços como banho e tosa, hospedagem e até atendimento veterinário, dependendo de como a empresa é constituída. Isso ocorre devido à tendência de uniformização e integração do processo de arrecadação entre a federação, os estados e os municípios. A implantação de um sistema de PAF-ECF não é difícil, mas exige das empresas veterinárias uma organização a que a maior parte delas ainda não está acostumada, pois partem da premissa de que toda venda será faturada e de que o controle de estoque ficará armazenado na memória do ECF. Quando houver a prestação de serviços veterinários, além da venda de produtos, será muito importante ter uma noção clara sobre o que é comprado e vendido por cada uma das empresas ou entre o veterinário (pessoa física) e a empresa (pessoa jurídica). Isso evita que uma mercadoria seja comprada por uma empresa e vendida por outra, erro muito frequente em nosso meio. Apesar do custo inicial com aquisição de sistemas e equipamentos, o uso do PAF-ECF trará, ao contrário do que se pensa, muitos benefícios, por exigir maior profissionalização dos processos no setor: maior controle da empresa, diminuição da concorrência desleal de empresas que não pagam seus impostos adequadamente, economia de papel e melhor controle do estoque.

Renato Brescia Miracca renato.miracca@q-soft.net

Médico veterinário, bacharel em direito, MBA Q-soft Brasil Tecnologias da Informação www.qvet.com.br

Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 101, novembro/dezembro, 2012

LIVROS

Seu cachorro é o seu espelho Em Seu cachorro é o seu espelho, Kevin Behan propõe um modelo radical e inédito para a compreensão do comportamento canino. Com ideias originais e uma escrita cativante, o livro está destinado a mudar completamente a maneira de ver o melhor amigo do homem. O autor usa toda a sua experiência para forçar-nos a uma reflexão sobre quem realmente somos, o que os cães representam em nossa vida e por que estamos sempre tão atraídos um pelo outro. Fugindo das teorias tradicionais, que há anos tentam explicar as ações dos cachorros, Behan traz à tona a ideia de que as atitudes caninas são movidas por nossas emoções. Segundo o autor, o cão não responde ao seu dono com base no que ele pensa, diz ou faz: o cão responde àquilo que o dono sente. Este livro

abre a porta para uma compreensão entre as espécies e, talvez, para uma nova compreensão de nós mesmos. É um livro muito interessante para entender a metodologia proposta por Behan, que também está exposta em outro livro do autor, ainda não publicado em português: Natural Dog Training. Na página de Kevin Behan na internet (http://naturaldogtraining.com) é possível encontrar depoimentos sobre o livro, que tem como título original Your Dog Is Your Mirror. Um deles constitui um aval muito importante: segundo Marc Bekoff, o autor de A vida emocional dos animais, da Universidade do Colorado: “Eu aprendi muito com este livro abrangente e único”. ProBem: 0800 891 6943 www.probem.info

Duda – a reencarnação de uma cachorrinha Na edição n. 100 da Clínica Veterinária, nas páginas 38 a 42, foi publicado o artigo Tanatologia – A ciência da morte e do morrer e a medicina veterinária. Esse artigo foi muito importante para fomentar a conscientização e o preparo do médico veterinário para lidar com esse momento, pois, para algumas pessoas, passar por isso é muito terrível. Duda, a reencarnação de uma cachorrinha é um livro bastante apropriado para quem está passando por essa situação de “perda”, pois traz

conforto e serenidade. Não é por acaso que a questão da espiritualidade dos animais tem despertado a atenção de milhares de pessoas. Na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, por exemplo, há um grupo de estudos, coordenado pela profa. dra. Irvênia Prada, que se dedica à medicina veterinária e à espiritualidade: MEDVESP. Leia e emocione-se com a história de Duda. ProBem: 0800 891 6943 www.probem.info

Em Duda, a reencarnação de uma cachorrinha, a médium Tanya Oliveira conta sua experiência de afeto e dedicação à sua amiguinha inseparável, Duda

Tem planta que virou bicho! Há algum tempo, a revista Clínica Veterinária vem divulgando livros infanto-juvenis que trazem temas relacionados aos animais. Todos os títulos divulgados estão envolvidos com temas como a guarda responsável, a conservação da natureza, o desenvolvimento sustentável, o respeito aos animais etc. Tem planta que virou bicho! – v. 2 é

tão criativo e envolvente como o v. 1. Ambos os volumes encantam adultos pela leveza e ritmo de seus textos e pela criatividade das imagens, convidando os leitores a um alegre passeio pelo mundo da imaginação, onde a magia do faz-deconta é a energia transformadora que dá mais vida às coisas. ProBem: www.probem.info

Tem planta que virou bicho! é um bom título para recomendar ou para ter à venda no pet shop. A obra incentiva hábitos saudáveis de alimentação e fala das coisas da natureza enquanto passeia pelo universo lúdico, onde o que vale de verdade é a vontade de acreditar. Nos rodapés, informações nutricionais sobre os alimentos e formas divertidas de consumi-los 126

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LANÇAMENTOS

SAÚDE BUCAL

CONTROLE DE PULGAS

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Vetnil acabou de lançar o Periovet Gel. Já disponível na forma líquida, a novidade agora é o produto no formato de gel. A inovação, considerada um gel dental para pets, é pioneira no Brasil. Trata-se de um gel, sabor menta, para auxílio da manutenção da saúde bucal e do controle da halitose. O Periovet Gel é capaz de promover a higienização da cavidade oral através da aplicação sobre as superfícies dentárias e gengivais. Vetnil: www.vetnil.com

Periovet Gel é encontrado em embalagens de 25g

A

Virbac do Brasil, ao completar 25 anos de história, traz mais um grande lançamento para o Brasil: o Effipro. Sucesso na Europa no controle de pulgas e carrapatos, agora está disponível no Brasil. Uma campanha de sucesso para o Effipro® foi desenvolvida, com ações para divulgação do produto em todo o território nacional junto com veterinários, distribuidores e lojistas. A embalagem é um fator decisivo na prateleira, com cores vivas, com emoção, como o Brasil. Uma pesquisa com as raças mais queridas entre os brasileiros foi realizada, resultando nos animais escolhidos para as caixas. Effipro tem em sua fórmula fipronil, hoje o ectoparasiticida mais conhecido pelos médicos veterinários de todo o mundo, sendo uma ótima opção de escolha para o médico veterinário no controle da dermatite alérgica por picadas de pulgas. Virbac: www.virbac.com.br

Effipro® apresenta-se em pipetas de dose única

ALIMENTOS PARA CÃES E GATOS

A

Total Alimentos apresenta a NOVA MAX, marca mais conhecida da empresa e com 17 anos de história no mercado nacional e mundial - agora totalmente reformulada e com inúmeros diferenciais alinhados com as necessidades do consumidor. “O estudo das necessidades e expectativas do consumidor foram fatores de extrema importância em todo o processo de desenvolvimento e lançamento da NOVA MAX”, afirma Anderson Duarte, COO da empresa. Tanto a 128

linha de cães quanto a linha de gatos foram extensivamente estudadas para esse grande redesenho e lançamento e cada produto traz diferenciais inéditos no mercado. Dentre as novidades da nova Max estão a logotipia e a linguagem visual inovadoras, que transmitem ao consumidor tudo que a marca representa: qualidade, alegria, energia e sabor. “Sabor e aroma são chaves para uma boa alimentação, por isso a nova Max possui versões com um exclusivo aroma de carne grelhada, que dá um

cheirinho gostoso de comida caseira. Também temos a Max Fillet ao Molho, que pode ser servida seca ou com um delicioso molho cremoso”, complementa Anderson. Além disso, a nova Max chega ao mercado juntamente com o lançamento de um programa exclusivo de apoio aos Protetores e ONGs de Proteção Animal, o Programa Max em Ação: www.maxemacao.com.br . Total Alimentos: www.totalalimentos.ind.br

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