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UNESP Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” FAAC Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação Desenho Industrial - Programação Visual Aluno Dair José Biroli Júnior Orientador Professor Doutor Dorival Rossi Bauru, Novembro de 2007

AGRADECIMENTOS

Agradeço aos meus pais por tudo.

Agradeço minha Mãe pelo amor, por ter cuidado de mim sempre, pela força nas horas difíceis e por me estimular sempre ao melhor. A mulher mais forte que eu conheço. Agradeço meu Pai por ter me criado e lutado para que tivesse a melhor educação possível, moldasse meu caráter. Meu verdadeiro herói. Agradeço aos meus avós pela força e confiança. Torcendo por mim em qualquer decisão e comemorando toda vitória. Dedico esse projeto ao meu Avô Olívio que não me esperou formar mas sei que ficaria muito feliz. Agradeço a minha Família pela força e pelas alegrias vividas. Agradeço a todos meus amigos pela experiências, festas, risadas, aventuras e aprendizado. Agradeço ao Professor Dorival Rossi, meu Orientador, pela sabedoria e paciência. Toda minha admiração por seu trabalho.

Dair José Biroli Junior

Ciao!

PROJETO INTRODUÇÃO

11

JUSTIFICATIVA

17

HISTÓRICO

21

50

• O nascimento de uma idéia...

51

• Da infância ao Character Design

51

• Da Street Art ao Esquadrão Casco

53

• Os personagens

55

• Casco Fase I

58

• Oficina

59

• Revista

60

• Sticker e Stencil

61

• Logo

63

• Materiais

64

• A Cidade

66

• A Aventura

69

• A Web

70

• Arte de Rua

21

• Arte x Crime

23

• Stickers

25

• Stencil Art

27

• Character Design

28

• Japan Boom

30

• Mangá

31

• Anime

34

• Tokusatsu

37

• Super Sentai

38

CONCLUSÃO

71

• Toy Art

40

BIBLIOGRAFIA

72

Este projeto de conclusão de design intitulado Esquadrão Casco,

A cidade. O habitat humano, propicia (de certa forma e sob certa

consiste na criação de personagens e a aplicação deste em meio

medida) encontros entre as pessoas e o relacionamento delas em

urbano, realizando um estudo amplo sobre criação ou projeto de

diferentes níveis. Na cidade, todo espaço privado tem livre acesso

personagens (character design) e arte de rua (street art).

ao espaço público, desta forma é que se realizam os diferentes

Como metodologia implícita ao próprio projeto, uma espécie de

níveis de relações entre as pessoas. Nela surgiram as mais diversas

“deriva” pela cidade onde mapas outros podem ser recompostos e

e importantes criações, sendo o ambiente ideal para o desenvol-

entrelaçados levando-se em consideração o tempo como premissa

vimento humano, que pode ser compreendido como – metaforica-

para esta forma de desenho. O desenho é entendido como intera-

mente - extensão do sistema nervoso.

ção com outros códigos que regem o espaço urbano. O non sense “alinhava” aquilo que escapa. Procuramos experimentar e vivenciar os meandros do projeto

A rua. Espaço público que se opõe ao recinto privado. Aonde o direito de ir e vir é plenamente realizado, permitindo o encontro entre desconhecidos e cujas interações locais resultam no surgi-

do que simplesmente tecer teorias que se relacionam com o tema

mento das comunidades, das cidades, da diversidade, padrões no

proposto como as teorias da deriva, ou estudos sobre o público

tempo. A calçada. Rua pavimentada, caminho. Condutora primária

e o privado, e até mesmo sinergias entre o sagrado e o profano.

do fluxo de informações entre os habitantes, onde todos os dias,

Decidimos que nossa investigação se daria no próprio cenário,

diferentes pessoas se cruzam dentro do mesmo espaço-tempo,

o espaço urbano, onde passamos a entendê-lo pelos vetores de

imerso entre automóveis, construções, muros, propagandas,

tempo que se desenham pela cidade em velocidades distintas e

cartazes, arte de rua.

criam “camadas” de intenções. Intenções destituídas da noção de significado. Apenas ação de fazer sem saber ao certo onde vai dar. Mas não é esta a noção de projeto mesmo?

Arte de Rua. Ou street art. Definição de qualquer arte desenvolvida em espaços públicos, Apesar de sofrer cada vez menos 11

preconceito, é muitas vezes considerada vandalismo, pelo fato de usar espaço público (e privado) sem autorização prévia, servindo de meio artístico, transformando a cidade. As primeiras manifestações no séc. XX surgiram com a manifestação contra cultural em maio de 1968, mas só em meados da década de 80 surgiu o termo Street Art. O grafite, talvez considerada a mais reconhecida técnica de arte de rua, surgiu com a cultura Hip-Hop no final dos anos 60 no Bronx, Estados Unidos. A arte de rua inclui algumas técnicas: stencil, stickers (adesivos), projeções de vídeo, intervenções e instalações artisticas. Em comum todas tem um caráter efêmero, de curta ou imprevisível duração. Também possui um leque variado de estilos como iconográficas, signos, logos, personagens urbanos (urban characters) entre outros. Porém não há uma divisão definida entre eles aonde um ícone ao mesmo tempo pode ser um logo ou um urban character. Urban characters. São personagens criados e soltos na cidade por seus criadores. São monstros, heróis, vilões, pessoas importantes e retratos que vivem entre a gente, geralmente encontrados em muros, latas de lixo, postes, placas de trânsitos, basta andar atento. Os primeiros nasceram com o grafite e eram retirados das histórias em quadrinhos. Atualmente artistas e designers utilizam de todas as técnicas e estilos para criarem seus personagens aplicando eles não só nas ruas, mas também em vários produtos como camisetas, skates, quadrinhos, animações, games, etc. A criação do Personagem (Character Design) é quase sempre relacionada à criação de personagens apenas, porém, por definição a palavra pode significar a criação de uma marca, figura ou logo. Podemos citar o character design através dos tempos. A partir do Séc. XX muitos personagens se tornaram ícones globais (os chamados pop icons) como o Mickey Mouse, Pernalonga, Hello Kitty, pikachu, entre outros. Walt Disney ergueu um império bilhonário com a criação de seus famosos personagens. Porém hoje, com o desenvolvimento de recursos gráficos 2D e 3D e o aumento da velocidade de transmissão de dados pela internet permite não só o crescimento em qualidade e criatividade mas também na sua disseminação pela rede. O Esquadrão Casco, “meus” urban characters, são inseridos nesse contexto. 12

Temos hoje uma noção de futuro cada vez menos distante, como que se tudo o que planejássemos como ficção científica décadas passadas, por exemplo, se realizassem de forma distorcida na atualidade. E cada vez mais nossas fantasias e loucuras se tornam realidade em um espaço-tempo cada vez menor. O LP e o K7 sumiram dos aparelhos de som, e os computadores se desenvolveram de forma fantástica, do verde e preto dos enormes monitores às finas telas de alta resolução de lcd e plasma, sem mencionar aqui, celulares, notebooks, mp3 players. Vivemos em um mundo cada vez mais cíbrido, onde estamos todos conectados através das redes e sistemas on e offline. A televisão interativa, os videogames que reage ao movimento do corpo, já é realidade há algum tempo. A velocidade é alta, a economia e a ciência se desenvolvem a passos largos. Gerações diferentes nascem em um menor espaço de tempo. Crianças brincando nas ruas hoje é uma raridade. De casa ao trabalho, do trabalho a casa. O grau de abstração da realidade e do mapa “cidade” é muito grande. Uma pessoa transita de um ponto “A” a um ponto B em milésimos de segundos em suas casas, através dos messengers e webcams, crianças brincam tardes inteiras em seus MMORPGS ( massive multiplayer on-line Role playing game) com os colegas. Compras crescem cada vez mais e a vídeo locadora foi trocada pelos bucaneiros que disponibilizam qualquer filme lançado. A cidade como conhecemos está sendo extinta e o fruto dessa abstração é uma maior facilidade a cada geração no ingresso ao cyberspaço. A cidade extinta é o “cenário” do casco, personagens desbravadores desse “velho mundo”, super sentai das paredes, arte finalizados pelo fluxo. Os personagens do Esquadrão Casco foram inspirados nos heróis, especialmente japoneses que chegaram no Brasil nos anos 80 através principalmente da TV, games e mangás. Manga. Palavra usada para designar as histórias em quadrinhos japonesas. O mangá aborda todos os temas imagináveis: o cotidiano do estudante ao trabalhador, os esportes, o amor, a guerra, a história do Japão, as antigas lendas chinesas e até economia. A edição de mangás representa mais de um terço da tiragem e mais de um quarto dos rendimentos do mercado editorial do Japão. 13

Geralmente os mangas que fazem muito sucesso são transforma-

características para resolver um determinado problema, para os

dos em anime.

gregos o meio termo entre o homem comum e os Deuses.

Anime. São os famosos desenhos japoneses. São exportados

Super-heróis. Foi com o Super Homem, criado em 1938 pelos

para o mundo inteiro desde a década de 60 como Astro Boy, Robô

autores Joe Suster e Jerry Siegel que o termo começou a ser usa-

Gigante e Speed Racer. Outros sucessos mundiais como Sailor

do, para heróis uniformizados e mascarados. Personagens fictícios

Moon, Evangelion, Pokemon, Dragon Ball, e Naruto. Muitos desses

das Histórias em quadrinhos tanto ocidentais quanto orientais,

desenhos chegaram no Brasil na década 90, junto com os “Esqua-

sejam eles com poderes ou não, são os protetores da cidade. O

drões” Super Sentais.

cenário urbano das historias aproximou o leitor do seu super-herói,

Super Sentai. São as séries de televisão voltadas para o público

geralmente esconde sua identidade para poder agir sem colocar em

As histórias giram ao redor de um grupo de heróis que ganham

risco sua vida privada e as pessoas de que gosta dos vilões. Além

poderes especiais e usam uniformes com cores diferentes. Seu ob-

do uniforme e da máscara, todo super-herói possui um apelido,

jetivo é defender a Terra de Monstros e vilões oriundos dos confins

como Batman, Jiraya, Homem-aranha e muitos outros. A identidade

do universo que chegam para destruir o Planeta e seus habitantes.

secreta também é bastante comum entre outros interventores

Normalmente nesse seriados jovens normais são escolhidos para

urbanos, os artistas de ruas.

fazer parte do grupo que protegerá o planeta com suas habilida-

A arte. Contra cultural. Tem o papel de transcender e transfor-

des, armas e robôs gigantes. Suas identidades são secretas e seus

mar a realidade. Porém a arte de rua dentre as artes é aquela que

rostos protegidos por capacetes. Uma constante no universo dos

mais se aproxima de outro elemento contra cultural, o crime. Assim

super-heróis é a ocultação de suas identidades.

como o crime a arte de rua se apropria do espaço público e priva-

Heróis. O termo herói refere-se ao protagonista de uma obra 14

aumentando sua identificação com as histórias. Nelas o super-herói

infanto-juvenil no Japão.

narrativa ou dramática. É o arquétipo da figura que reúne em si

do, ignorando leis. Por isso muitas vezes as mensagens deixadas

são codificadas e muitas vezes para entender é necessário que a pessoa esteja inserida no universo dos artistas interventores. A intensidade do ruído é determinada pelo seu criador. Quanto

Assim como Ecko, banksy e “os gêmeos”, vários artistas de Rua entram no mercado, principalmente na área de criação. A Bagagem ganha nas ruas por essas pessoas, desde conhecimento tipográfico,

mais imagens possuir a mensagem, mais ela chega de forma clara

diversas técnicas e táticas de ilustração e cores, facilitam a inser-

ao observador comum. O pichador, por exemplo, utiliza normal-

ção deles no desenvolvimento de projetos relacionados à imagem.

mente a tag, uma assinatura para espalhar sua mensagem por

O design contemporâneo sofre enorme influência tanto da arte de

toda a cidade, com seu nome, ou o nome do grupo, muitas vezes

rua e sua criatividade latente e da cultura japonesa, inovadora e

determinando o domínio dessa área ou a invasão ao território

que influenciou milhares de jovens a começar a desenhar e a se

inimigo. Várias gangues e o tráfico de drogas se utilizam desta téc-

profissionalizarem nessa área.

nica, para marcar seu espaço, aumentando o preconceito quanto

Eu sou um deles, e no meu projeto de conclusão eu apresento o

ao artista de rua. No Brasil o ato de intervir em espaço público sem

Esquadrão Casco, personagens urbanos inspirados na cultura pop

autorização é punido por lei. Porém muitos artistas e designers são

japonesa e aplicados na cidade com técnicas e táticas da arte de rua.

internacionalmente conhecidos, principalmente grafiteiros, como os brasileiros Os gêmeos , os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, que viajam pelo mundo espalhando seus personagens por cidades

Sim, esse projeto é sobre colar desenhos na parede.

do mundo inteiro. Outro artista de rua famoso é o Inglês Banksy, artista de rua anônimo e o mais famoso do mundo atualmente, por suas intervenções urbanas utilizando stencil. Outro artista de rua reconhecido é Marc Milecofsky ou mais conhecido como Mark Ecko, famoso estilista e dono de império de marcas sobre a bandeira da Ecko Unltd, famosa marca de roupa.

15

Início. Este projeto é compreendido como conclusão de um ciclo,

Nesse mesmo ano fui ao meu Primeiro N design (encontro

um retorno à infância, aos primeiros rascunhos, a decisão de se

nacional de estudantes de Design), em Brasília. Foi onde tive meu

profissionalizar, as descobertas e os conhecimentos adquiridos na

primeiro contato mesmo com a arte de rua (street art). No en-

faculdade de Design. Esse trabalho também é sobre o retorno a

contro Dezenas de designers tinham espaço para apresentar seus

cidade, e ao aprendizado que ela me proporcionou através das

trabalhos, não apenas grafites, mas também stencils (ver pág. 27)

noites a procura de espaços, da adrenalina, experiências novas.

e stickers (ver pág. 25). Ao invés de levarem seus portfólios com

Durante a faculdade presenciei e participei na criação de

seus melhores trabalhos, eles imprimiam ou desenhavam na hora

diversos personagens de muitos amigos e a inserção deste em

e espalhavam pela UNB, que ficou tomada por diferentes estilos de

diversos meios como quadrinhos, animação, games, RPG, etc.

intervenções urbanas, de diversos designers do Brasil e do Mundo.

Nesse trabalho eu apresento minhas aventuras junto aos meus

Isso me fez interessar muito pelo assunto.

personagens pela cidade. Rascunho. O casco nasceu em meados de 2006. Na época

Na volta comecei a pesquisar pelo assunto em livros e pela internet sobre o assunto. Descobri trabalhos de diversos artistas

lembro de comprar um caderno para desenho e começar

e designers famosos por utilizar da arte de rua um meio de expor

a rabiscar e fazer estudos de personagens. Comecei a me

seus trabalhos para o público. Lá descobri os diversos estilos e

interessar pela criação de personagens (character design), um

técnicas utilizadas, e suas inúmeras e excêntricas aplicações.

resgate a época que nem sabia o que era “desenho industrial”

Dentre os diferentes estilos, me interessei pelo chamado Urban

ou “design”, onde apenas uma folha em branco e um lápis

Character, algo como Personagens urbanos, aonde a criação de

qualquer me faziam perder horas criando meus personagens,

personagens e a arte de rua se unem. Nela as paredes da cidade

meus mundos imaginários.

se tornam lar de diversos tipos de seres, como monstros, heróis, 17

vilões, pessoas, sombras, fantasmas, etc. vivendo por entre os ha-

O êxito do projeto não é determinado somente pelo desenho con-

bitantes o dia-a-dia a experiência urbana. Dentre os vários nomes

cluído ou produto concluído, mas tambem pelo seu processo, seu

estão Flying Fortress, nano4814, Patrick Smith, Plank, entre outros.

deslocamento, o lugar.

Minha primeira experiência com uma técnica de intervenção, foi

anônimo na cidade, escondendo minha identidade. O protagonista

misetas. Com a ajuda de veteranos, aprendi a técnica e a recortar

do meu próprio jogo. Um CASCO. Uma frase do Flusser prota-

a máscara impressa com o estilete, pintando com tinta acrílica,

goniza bem este processo: “Se tudo é produto do acaso cego,

fazendo minhas próprias camisetas. Tempo depois comecei a

e se tudo leva necessariamente a nada, onde há espaço para a

utilizar o sticker, aonde o desenho pode ser criado no computador

liberdade?”(Flusser, 2007).

ou a mão livre, podendo colá-lo na cidade com papel adesivo ou produzindo a própria cola. Em 2007 comecei a projetar o meu Urban Character. O Esquadrão Casco surgiu em um dos meus estudos de personagens em meus cadernos. Desenhava diferentes seres, monstros, heróis, animais,inspirados nos meus heróis de infância, trajando capacetes. O capacete foi uma constante na minha infância em frente a tv, ora nos seriados japoneses, ora nas corridas de f-1. O capacete tinha o desenho de monstrinhos, semelhante aos pokemons, como se um personagem fossem dois ao mesmo tempo. Por isso dei o primeiro nome dessa série de desenhos de Casco, Capacete em italiano. O próximo passo foi transferir esses personagens para o meio urbano. A primeira intervenção com o casco foi chamada de fase I, aonde eu colei posters com capacetes em branco. Depois disso promovi uma oficina Sobre Criação de Character design em meio urbano para as oficinas do pré-interdesigners promovidas pela empresa Junior N Design. Na disciplina projeto VI, eu produzi uma revista sobre o meu futuro Trabalho conclusão, chamada Casco Protótipo. Em 2008 começou realmente minha aventura. Decidi que minha cidade natal, São José do Rio Preto - SP seria o primeiro lar dos meus personagens. Para as intervenções eu utilizei principalmente as técnicas e táticas do sticker e do stencil. Pelas noites comecei vagar em busca dos lugares ideais, a cidade não é tão silenciosa assim, os perigos enormes, os sustos igualmente. Ser rápido e hábil é essencial. Carrego comigo meus itens. A cada personagem aplicado uma sensação de prazer. O jogo cada vez mais divertido. 18

Assim acabo me tornando um brinquedo perdido, mais um ser

o stencil. Porém não comecei intervindo em paredes, mas sim ca-

• ARTE DE RUA

que improvisa com as suas rimas, o DJ ou Disc Jockey, que instrumenta e mixa as musicas, o Breaking, a dança e o grafite, que são os desenhos e mensagens deixadas pela cidade como forma de

Arte de Rua. Ou Street art. Definição de qualquer arte desenvolvida em espaços públicos. Apesar de sofrer cada vez menos

expressão social. Além do Grafite tradicional, a arte de rua inclui algumas outras

preconceito, é muitas vezes considerada vandalismo, pelo fato de

técnicas: O stencil, stickers, projeções de vídeo, intervenções e ins-

usar espaço público (e privado) sem autorização prévia, servindo

talações artísticas, entre outras. Em comum todas tem um caráter

de meio artístico, transformando a cidade.

efêmero, de curta ou imprevisível duração, são brinquedos na mão

A palavra grafite é de origem italiana. Os antigos romanos tinham o costume de protestarem escrevendo com carvão nas paredes de suas construções. No séc. XX, as primeiras manifestações

do caos urbano, sumindo assim como nascem, desviando o olhar de alguém, imerso ao fluxo cotidiano da cidade e das pessoas. Há também uma diversidade de estilos, como iconográfico, logos,

surgiram com a manifestação contra cultural em maio de 1968,

signos, personagens urbanos (urban characters) entre outros.

em Paris. Entretanto o termo street art foi usado pela primeira

Iconográfico. Como a diz a palavra, é quando a linguagem visual

vez somente nos anos 80 para descrever qualquer arte criada em

some, são geralmente ícones do dia-a-dia desde o mais comum re-

ambiente urbano e não quando surgiu o Grafite, como muitos

lacionado à religião, ciência, ícones pop como os rostos de artistas

pensam. A mais famosa das artes de rua nasceu antes do termo,

e políticos até simplesmente objetos comuns, brinquedos, animais,

em Nova York, no distrito do Bronx, no final dos anos 60, junto a

comidas ou marcas famosas.

cultura Hip-Hop. A cultura Hip-Hop é composta é composto por quatro manifestações artísticas: O MC ou mestre de cerimônias,

logos. São as marcas pessoais dos artistas ou designers deixadas na cidade. A tag, ou assinatura é a essência disso, onde o interven21

tor deixa seu nome ou de sua gangue escrito para marcar espaço ou ser reconhecido pelos seus. O logo, como um símbolo também tem esse caráter de ser copiado e colado pelo meio urbano, disputando espaço com os anúncios publicitários, podendo ser um simples pictograma ou um personagem que identifique o autor. Urban characters. São personagens criados e soltos na cidade por seus criadores. São monstros, heróis, vilões, pessoas importantes e retratos que vivem entre a gente, geralmente encontrados em muros, Latas de lixo, postes, placas de trânsitos, basta andar atento. Os primeiros nasceram com grafite e eram retirados das histórias em quadrinhos. Atualmente artistas e designers utilizam de todas as técnicas e estilos para criarem seus personagens aplicando eles não só nas ruas, mas também em vários produtos como camisetas, skates, quadrinhos, animações, games, etc. Como se pode constatar, quanto aos estilos não há uma divisão definida aonde um ícone ao mesmo tempo pode ser um logo ou um urban character. Até a década de 80, havia uma divisão quanto a mensagem expressa ao redor do mundo. Em Nova york heróis e a Pop Art dominavam muros e trens. Já em Berlim, o muro que dividia o mundo ideologicamente era marcado com mensagens de ambos os lados por artistas e pessoas comuns pedindo o fim da guerra fria. No Brasil, especificamente em São Paulo, com a decadência da ditadura, varias intervenções políticas e artísticas, inspiradas por artistas ao redor do mundo tomaram a metrópole, tornando a umas das capitais mundiais do grafite da arte de rua, uma galeria de arte para todos. A cada dia essa a arte de rua vai se tornando cada vez mais globalizada, a popularização do internet, tornou a rede mundial de computadores uma extensão das cidades, aonde qualquer pessoa de qualquer lugar pode trocar e conhecer trabalhos de artistas e designers do mundo inteiro em segundos, inspirando cada vez mais jovens de todos os lugares. A arte de rua tem uma extensão social ampla. Desde a década de 70 quando artistas e designers nova iorquinos como Jean-Michel Basquiat, Keith Haring que pintavam trens inteiros, levando arte 22

através dos trilhos aos subúrbios das cidades, inspirando da periferia jovens a se a desenvolverem seu próprio estilo e linguagem culturais. Muitos jovens ganharam fama por grafitar muros e foram inseridos ao mercado de alguma forma, e são internacionalmente conhecidos, como os brasileiros Os gêmeos , os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, que viajam pelo mundo espalhando seus personagens por cidades do mundo inteiro. Outro artista de rua famoso é o Inglês Banksy, artista de rua anônimo e o mais famoso do mundo atualmente, por suas intervenções urbanas utilizando stencil. Outro artista de rua reconhecido é Marc Milecofsky ou mais conhecido como Mark Ecko, famoso estilista e dono de império de marcas sobre a bandeira da Ecko Unltd, famosa marca de roupa. Hoje a arte de rua se expande cada vez mais além das fronteiras da cidade. Intervenções urbanas aparecem em vídeos e ilustrações. A web se torna a grande metrópole aonde milhões de pessoas podem se expressar e brincar com o lúdico no limiar das cidades.

• ARTE X CRIME

e acessível ao observador comum. Já uma “tag” a assinatura do criador, é um código feito para ser decifrada pelos seus, grafiteiros, artistas de rua, pichadores, imersos na sua própria cultura, onde a rubrica na sua obra urbana é o apelido ou grupos que se escondem

A arte, contra cultural, tem o papel de transcender e transformar a realidade. A arte de rua dentre as artes é aquela que mais se aproxima de outro elemento contra cultural, o crime. Assim como o crime a arte de rua rompe o sistema, se apropria

por trás da clandestinidade do ato. Antes de comunicar uma mensagem, intervenção visual caracteriza seu autor, não importa com que técnica visual. É a marca de uma pessoa, de um grupo, da existência de alguém enquanto ela

do espaço, ignora as regras determinadas. Imagens aparecem in-

sobreviva ali. A mensagem urbana nunca é definitiva, é efêmera

tencionalmente em paredes de casas, edifícios, ônibus, trens, pos-

como a própria arte de rua.

tes. A apropriação de espaço público é considerada por muitos um ato de vandalismo, normalmente pela não permissão do governo. O presidente da Republica sancionou uma lei ambiental, de número 9.605, que entrou em vigor no inicio de 1998, conceituando o grafite, stencil (arte urbana) e pichação sem estabelecer distinção alguma, declarando-os crime contra o meio ambiente passível de penalidades. As leis não proíbem a prática do crime, mas a tipifica e aplica uma pena ao fazê-la. Porém o impedimento contribui para que os artistas continuem, novamente pela questão da ação ser ilegal, muitos a justificam pelo fato de haver uma proibição, que o ilegal é legal. A arte de rua pode ter intenção de estetização quando, por exemplo, a área do trabalho é cedida ou de sabotagem quando garotos escalam prédios para colocar sua marca no lugar de maior visualização no meio urbano. Por isso muitas vezes as mensagens deixadas são codificadas, coligadas, entender certas abreviaturas é quase impossível se a pessoa não estiver inserida dentre os próprios grafiteiros. Na decodificação da mensagem existe sempre um lado criativo e subjetivo. Ela é interpretada segundo a formação particular do observador, sua vivência, gostos e emoções ou segundo o acaso. Essa relação acaba provocando ruído entre a idealização do criador e o olhar do observador, sendo esse ruído diminuído quanto mais esse observador conhecer sobre a arte de rua. A intensidade o ruído é determinada pelo seu criador, por exemplo, adicionando desenhos a mensagem chega de forma mais clara

• STICKERS Nascido do grafite, o sticker (adesivo) é uma das mais recentes intervenções utilizadas pelos artistas e designers do movimento da cultura underground para exibirem sua arte. Ao passar do tempo o sticker ganha mais adeptos principalmente pela facilidade de criação e aplicação em meio urbano. Tudo se resume a colar um papel em muros, latas de lixo, postes, placas de trânsitos, todo tipo de obstáculo urbano, com mensagens e imagens, seja elas de protestos, criticas sociais, desenhos. Um meio de expressão para o artista conversar e expor seus conceitos pela cidade e seus habitantes. A origem do sticker é incerta, porém Shepard Fairey e o Obey Giant, referência e precursor dessa arte surgiu na década de noventa espalhando seus stickers, pôsteres e lambe-lambes por todo

denominar Sticker o adesivo com cola e de tamanho menor, geralmente grudado em placas, postes e semáforos. A imagem é criada em algum programa de ilustração vetorial ou manipulação de imagens e impresso, xerocado ou serigrafado em papel adesivo com a cola. Já os lambe-lambes são pôsteres artísticos de diversos tamanhos que são pintados individualmente com caneta, tinta látex, spray ou guache ou produzidos em série através de foto copiadoras ou silk-screen. Geralmente são colados com cola de polvilho ou de farinha devido ao seu custo reduzido. Os stickers fazem parte das novas linguagens da arte de rua contemporânea, influenciando artistas da moda e do design gráfico atual.

Estados Unidos e Europa. No Brasil alguns dos precursores foram os coletivos SHN, Faca e Projeto Cha, no começo do ano 2000. Não há diferença entre sticker e lambe-lambe. Costuma-se 25

• STENCIL ART O stencil é um molde usado para reproduzir símbolos, letras,

não costuma dar entrevistas e fez da contravenção uma constante

formas e padrões várias vezes. Os Stencil são formados removendo

em seu trabalho, sempre provocativo. Sua obra é carregada de

do molde a impressão criando um negativo. A tinta preenche os

conteúdo social expondo sua aversão aos conceitos de autoridade

espaços removidos, formando a imagem e é aplicado em diversos

e poder. Banksy foi influenciado pelo artista francês Blek lê rat

lugares. Ele ganhou durante os séculos várias utilidades: estampa

que começou seus trabalhos em 1981 e tem grande influência no

de roupas, assinar documentos em série, e na decoração de casas,

grafite e na guerrilla art atuais. O americano John Fekner artista

principalmente nos EUA e Europa.

multimedia, espalha por Nova York seus símbolos, imagens e men-

A técnica já era utilizada antes do ano 500 d.C em países

sagens utilizando spray e stencil.

orientais como China e Japão e por grandes pintores, inclusive no

No brasil Alex Vallauri nos anos 70 recupera para a arte con-

renascimento. Com revolução industrial o processo evoluiu fazendo

temporânea a técnica do Stencil Art. criador de figuras e simples

surgir novas técnicas como a serigrafia. Porém não caiu em desuso,

e ao mesmo tempo complexas, abriu caminho para uma legião de

sendo utilizado em aplicações mais simples, como a sinalização

artistas, que em vez de usar os materiais convencionais da arte

urbana. Como intervenção urbana, durante a segunda guerra o

usaram a cidade como suporte para as suas obras. Uma forma

movimento fascista utilizou a técnica como propaganda e a marinha

de expressão do cotidiano urbano, seus signos, imagens com

americana para demarcar o território, avisando que certa compa-

interpretações e leituras diferentes, que têm como meta principal

nhia havia atingido seu objetivo.

simplesmente embelezar a cidade de São Paulo.

Assim como o grafite, o stencil preenche o espaço urbano com

Muitos artistas de rua espalhados pelo planeta utilizam o stencil

suas marcas em tinta spray. A rapidez da técnica é fundamental

pela facilidade de criação e aplicação e baixo preço, preenchendo o

em locais onde não só a arte é repreendida, servindo de arma na

espaço urbano com suas marcas e histórias.

mão de anarquistas, feministas, estudantes e muitos outros grupos como forma de expressão urbana. Na argentina, o stencil é utilizado para convocar sua população a fazer manifestações como em 2001, quando o país passou por uma grave crise financeira. Mesmo sendo considerado por muitos argentinos um meio de expressão político mais do que uma manifestação artística, vários artistas argentinos começam a ganhar seu espaço nas ruas, fazendo o stencil ser muito mais popular do que o grafite por lá. Na Europa um dos mais conhecidos artistas que utiliza o stencil é Banksy. Nascido em Bristol, Reino Unido em 1975 seus stencils são facilmente encontrados nas ruas de Londres. Banksy que começou as intervenções aos 14 anos não revelou sua identidade, 27

• CHARACTER DESIGN A criação do character é quase sempre relacionada a criação de

mas também na sua dissiminação pela rede, onde seus criadores

personagens apenas. Porém, por definição a palavra pode significar

que vão de crianças à profissionais, expõem seus trabalhos em

a criação de uma marca, figura ou logo.

sites pessoais ou em sites como o mojizu (www.Mojizu.com) que

Podemos citar vários characters através dos tempos, persona-

possibilita qualquer pessoa a criar seus personagens e distribuí-los

gens muito famosos na história da humanidade (os chamados pop

pela internet. Outro site famoso no assunto é o pictoplasma (www.

icons), com fama maior que muitos chefes de estados, religiões e

pictoplasma.com), uma verdadeira enciclopédia de characters,

países, afinal de contas você já ouviu falar mais do Mickey Mouse

sendo esta publicada no formato de livro como uma enciclopédia

ou de myammar? Por trás do logo do ratinho mais famoso do mun-

formal com trabalhos de diversos designers e artistas pelo mundo.

do existe um império de bilhões de dólares espalhados pelo mundo

No processo de desenvolvimento de um character design,

por parques e produtos com as criações de Walt Disney. Porém

importa o desenho mas este encontra-se aliado às outras fontes

a internet tirou o foco desses grandes impérios e hoje qualquer

interiores donde emanam esta força e o desejo de fazer. A des-

moleque em questão de horas pode conquistar fama com seus

carga de adrenalina do inesperado enquanto se realiza é a parte

personagens criados em seu próprio quarto.

mais emocionante do projeto. As dicas para se fazer um character

A velocidade de transmissão de dados da internet e o desen-

design não encontra-se portanto na discussão sobre desenho e sim

volvimento de recursos gráficos em 2D e 3D, possibilitou não só

a expansão do próprio ato, extrapola o próprio corpo! Nossas dicas

um aumento na qualidade e criatividade na criação dos characters,

seriam: Crie no período de tempo que quiser. Que o faça durante

anos ou o mais rápido possível, mas o faça! Sinta a magia. Dissemine-o viroticamente pelo universo, seja por internet, pelas paredes através de street art ou apenas um desenho numa folha para uma pessoa especial, afinal cada um de nós é um universo diferente. Coopere com os amigos, crie junto com eles, quanto mais pessoas, maior a capacidade criativa e a possibilidade de um bom trabalho (coletivo inconsciente). Aprofunde-se sobre seu character, crie universos para ele, faça características que o tornem único e não necessariamente contar histórias. Pense nele como um jogo, um “tamagochi” que você desenvolve com o tempo e você como jogador evoluindo junto a eles. E principalmente, se divirta! Seja feliz!

• JAPAN BOOM A partir da metade do século XX, o fluxo de informação global aumentou de forma espantadora, com a criação da TV, dos computadores e da internet. E no período pós-Segunda Guerra mundial houve um grande boom econômico e industrial na reconstrução dos paises envolvidos, entre eles o Japão. No começo do século XXI com o aumento do fluxo de informações e vanguarda tecnológica (automóveis, eletroeletrônicos e nanotecnologia),os japoneses também se tornaram-se assim como os EUA exportadores de sua própria cultura, uma simbiose de artes marciais, folclores e lendas antigas, robôs, histórias envolvendo alta tecnologia, futuro, cotidiano e trabalho em grupo. As historias saíram da ilha e invadiram o mundo assim como o cinema hollywoodiano, com seus três principais gêneros: O Manga, O anime e Os Super Sentai. 30

• MANGÁ O mangá é a palavra usada para designar as histórias em quadrinhos japonesas. Ela tem suas raízes no período Nara (século VIII d.C.) com a aparição dos primeiros rolos de pinturas japonesas chamadas emakimono. A denominação “mangá” significa “desenhos irresponsáveis” e foi inventada por Katsushika Hokusai, precursor da estampa de paisagens, nomeando assim suas célebres caricaturas publicadas de 1814 a 1834 em Nagoya. Dessa época já vem a prevalência da imagem assegurando sozinha a narração uma das características mais importantes dos mangás. No entanto sua forma atual que surge no início do século XX sob influência de revistas comerciais ocidentais, provenientes dos Estados Unidos e traziam humor e sátiras sociais e políticas em curtas tiras de um ou quatro quadros. Os ponchi-e como eram chamados foram populares até a metade dos anos quarenta, quando toda a imprensa foi submetida à censura do governo, assim como todas as atividades culturais

ção de seus temas. O mangá aborda todos os temas imagináveis:

e artísticas sendo utilizadas somente em propagandas pelo

o cotidiano do estudante ao trabalhador, os esportes, o amor,

próprio governo durante a Segunda Mundial.

a guerra, a história do Japão, as antigas lendas chinesas e até

Foi no pós-Guerra que surgiu o chamado mangá moderno. Os

economia. A edição de mangás representa hoje mais de um terço

mangakas ou desenhistas de mangás, sofrem grande influência das

da tiragem e mais de um quarto dos rendimentos do mercado edi-

histórias em quadrinhos ocidentais da época, traduzidas e difundi-

torial do Japão, sendo a Shonen Jump da editora Shueisha (Dragon

das em grande quantidade. Jovens artistas são influenciados por

Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Yu Yu Hakusho,Naruto, One Piece, Ble-

Walt Disney e revolucionam a linguagem e a expressão do Mangá.

ach e Death Note), a Shonen Sunday da editora (Shogakukan) e a

Dentre os mangakas, o mais famoso, Osamu Tezuka possui em

Nakayoshi da editora Kodansha (Sailor Moon ,Sakura Card Captors)

suas obras características faciais semelhantes aos dos desenhos de

as publicações com maior publico e lucro no arquipélago.

Disney, onde olhos, boca, sobrancelhas e nariz são desenhados de

A classificação das publicações ocorre de acordo com seu

maneira exagerada para aumentar a expressividade dos persona-

público-alvo. Os Shounen são para garotos jovens, adolescentes,

gens. É ele quem introduz elementos gráficos, como linhas que dão

e normalmente são de histórias de ação, amizade e aventura. Os

a impressão de velocidade, onomatopéias que se integram com a

shoujo são para garotas e têm como características marcantes as

arte, alternância de planos enquadramentos como os usados no

sensações e sensibilidade da personagem e do meio. Porém nada

cinema e longas histórias divididas em diversos capítulos.

impede que garotos leiam shoujos e garotas leiam shounen. Nos

Os mangás cresceram com seus leitores e diversificaram-se se-

mangás atuais, essas barreiras são cada vez menores, onde a um

gundo o gosto de um público cada vez maior, alcançando todas as

aprofundamento e uma atenção maior aos relacionamentos nos

classes sociais e gerações graças ao seu preço baixo e a diversifica-

shounen (por exemplo Vídeo Girl AI de Masakazu Katsura) e muita 31

como Pokémon, Dragon Ball Z, Naruto, One Piece, Bleach, Shaman King, InuYasha, Cavaleiros do zodiaco ou Saint seiya , Sakura Card Captors , Digimon, Evangelion e Death Note. Nos EUA existem editoras que publicam somente mangás como Tokyopop, Viz ,ADV e a versão americana da Shonen Jump da editora japonesa shueisha. Além destas há editoras como a Dark Horse, Digital Manga, Broccoli Books, Del Rey, que não trabalham exclusivamente com mangas. As duas mais famosas editoras de quadrinhos americana também têm sua fatia nesse mercado. A Marvel já está no mercado há algum tempo, e tem trabalhado com soluções híbridas como a contratação de artistas como Kya Asamiya (Uncanny X-Men) e artistas de mangá americanos como Phillip Tan e o universo Mangaverse e Tsunami. Já a DC aposta suas fichas no popular Jovens titans tanto nos quadrinhos quanto na animação, também um hibrido de anime. No brasil a primeira associação relacionada a mangá, a Assoação, suspense e aventura em grupo ( por exemplo X/1999 do

ciação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações, foi criada

CLAMP). Já o gekigá possui histórias voltadas ao público adulto,

em 3 de fevereiro de 1984 embora o “boom” dos mangás no Brasil

os Seinen para homens e o josei para mulheres. Nos mangás para

aconteceu por volta de dezembro de 2000, com o lançamento dos

adultos geralmente não são encontrados os traços típicos das

títulos Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco pela Editora Conrad).

histórias cômicas (olhos grandes, expressões caricatas), a não ser

Porém, esses não foram os primeiros a chegar aqui. Alguns clás-

os pornográficos chamados por lá de Poruno ou Ero, mas mais

sicos foram publicados nos anos 80 e começo dos anos 90 como

conhecidos no mundo todo por Hentai. Há também o yuri e o yaoi

Lobo Solitário, Akira, Crying Freeman, entre outros. Depois disso a

que abordam a relação homossexual de mulheres e homens res-

publicação de vários títulos foi interrompida por vários anos abrindo

pectivamente. Com essa grande diversidade de Gêneros e títulos

espaço para a pirataria. Mas hoje com o enorme crescimento do

tanto o manga quanto o anime (animação) saíram dos limites da

mercado mundial o número de editoras no país aumentou, além da

ilha e conquistaram o planeta.

Conrad publicam também mangás a JBC, Panini e Mythos, mas com

No ocidente (até o final da década de 90) a ordem manga x anime foi trocada. Diferente do Japão em que os

ainda não alcançaram a popularidade que têm os mangas em paí-

mangás de maior sucesso viram anime, aqui, dependendo

ses como a Itália e a França, os maiores mercados de mangá fora

sucesso, os animes (geralmente shonen e shoujos)tem seus

do Japão, onde as vendas são sete vezes maiores que nos EUA.

quadrinhos importados. Além das animações e quadrinhos

32

em uma quantidade bem inferior a dos EUA. Mesmo assim os EUA

Na França a influência dos mangas é tanta que existe um movi-

importados também vinham na cola inúmeras publicações espe-

mento artístico chamado la nouvelle manga criado por Frédéric Boi-

cializadas, produtos e brinquedos de séries como Speed Racer,

let através da combinação dos mangás maduros com o estilo tra-

astroboy e princesa e o cavaleiro até os mais recentes sucessos

dicional de quadrinhos Franco-Belgas, influenciando tanto artistas

europeus quanto artistas japoneses. Nos EUA artistas quadrinhos

nipônicos é o site pictoplasma (www.pictopasma.com) que junta

alternativos como Frank Miller, criador da mini série Ronin (1983),

milhares de personagens criados por gente do mundo todo em uma

foram de alguma maneira influenciada pelos quadrinhos japoneses.

enciclopédia todo ano, muitos deles influenciados, por exemplo,

Outros artistas americanos são muito influenciados pelo estilo e

pelo Pokémon. Clientes como MTV, Warner Bros. Vh1, Nickelode-

têm recebido muitos aplausos por fãs de fora dos mangás. Histórias

on, Cartoon Network, procuram o trabalho desses designers, que

em quadrinhos americanas com estética dos mangás são chamadas

muitas vezes são criticados em seus países por não desenvolver um

de OEL Manga (Original English-Language mangá) ou Amerimanga.

“estilo único, nacionalista”, deixando de lado as origens e produzin-

Já na Coréia do sul a influência dos mangás é tão forte, que certos

do um trabalho além fronteiras, globalizado, percorrendo diversas

manhwas (quadrinhos coreanos) estão fazendo muito sucesso pelo

culturas. Até a própria indústria cultural japonesa esta se rendendo.

planeta. No Brasil apesar do número de fãs, a publicação de obras

Cada vez mais animes e mangás são produzidos com uma

nacionais no estilo manga ou inspiradas nele são mínimas, fazendo

visão de sucesso planetário. O foco cada vez mais distante de

parte da publicação de títulos nacionais de quadrinhos em geral.

Tóquio e seus personagens migrando para França, China, EUA,

Porém em vários países, incluindo o Brasil, uma geração de artistas

Brasil. Abrindo portas para roteiros estrangeiros com desenhis-

que cresceram assistindo anime e jogando videogames utilizam

tas nipônicos e vice versa. O mangá cada vez mais fazendo

suas experiências em frente a TV em suas obras.

parte de uma cultura internacional comum.

Por exemplo na Argentina, estúdios de design e coletivos reconhecidos no mundo todo como Punga e DOMA, são influenciados pela cultura, sendo sua obras inspiradas pela arte de rua , pela arte digital e pela utilização de personagens (character design) no estilo japonês. Outro grupo que tem trabalhos inspirados nos quadrinhos 33

• ANIME O Animes são os famosos desenhos japoneses apresentam características bastante distintas, como o uso de uma direção de arte ágil, enquadramentos ousados, muitos movimentos de cena e a abordagem de temas variados, como, ficção científica, aventura, terror, infantil, romance, etc. Porém para os próprios japoneses, qualquer tipo de animação, seja nacional ou estrangeira é denominada anime. Com a ocupação dos EUA no fim da Segunda Guerra Mundial, muitos artistas japoneses tiveram contato com a cultura ocidental e foram influenciados pela cultura pop americana, desenhistas em início de carreira começaram a conhecer os quadrinhos e desenhos animados. Havia negociantes que contrabandeavam rolos de filmes americanos, entre eles animações da Disney. Entre os principais artistas que se envolveram com a tal arte, estavam, Osamu Tezuka, Leiji Matsumoto e Shotaro Mori. Estes três jovens, mais tarde, foram consagrados no mercado de mangá (Quadrinhos japoneses). Na década de 1950, influenciados pela mídia que vinham do ocidente, diversos artistas e estúdios começaram a desenvolver 34

projetos de animação experimental.

o Studio Ghibli. Suas histórias belíssimas fizeram com que recebesse o apelido de “Disney” japonesa. Fundado em 1985 o Estúdio é comandado pelos diretores Hayao Miyazaki e Isao Takahata, sendo boa parte dos longas-metragens em animação japoneses famosos no mundo de autoria dos Estúdios Ghibli como as obras-primas como Nausicaä, Laputa e a A Viagem de Chihiro. Já o Estúdio Pierrot é famoso por ser responsável pela produção de algumas das mais importantes séries de anime de todos os tempos, como Urusei Yatsura, Kimagure Orange Road ,Naruto e Bleach. Dos estúdios mais “jovens” temos a GAINAX, famosa pela genialidade e qualidade no uso de poucos quadros. Com pouco dinheiro no início do estúdio produziu séries clássicas como Furi Kuri, Karekano e Neon Genesis Evangelion, sua obra máxima. Também temos a GONZO estúdio que em 2006 fez um grande acordo com o canal de animês Animax, para a exibição de seus animes no canal, presentes em varias filiais pelo mundo, incluindo EUA, América Latina e Brasil. O primeiro anime exibido nos EUA foi o clássico Astroboy de Osamu Tesuka, nos anos 60. Nessa época, Tezuka, fã e inspirado pela Nesse contexto o manga (Quadrinhos japoneses) reinava como

obra de Walt Disney, teve seu anime Kimba, sobre um pequeno

principal mídia no Japão. Até hoje o normal é que, quando um

bravo leão branco e suas aventuras na selva africana importado e

manga alcança sucesso considerável de vendas no Japão, ele seja

exibido na TV americana. Entretanto anos depois, Kimba foi plagia-

transformado em anime e se este também obtiver êxito, é traduzido

do pela própria disney, que trocou apenas o nome do protagonista,

e distribuído a outros países. Osamu Tesuka, em 1 de janeiro de

o também leão “simba” no clássico filme Rei leão de 1994. Speed

1963 , lançou a animação Tetsuwan Atom, também conhecido como

Racer e o oitavo homem dessa época são muito populares até

Astro Boy, baseado em seu mangá, já com a estética de perso-

hoje. Gatchaman e patrulha estelar foram os grandes sucessos nos

nagens de olhos grandes e cabelos espetados. Astro Boy acabou

anos 70. A década de 80 foi considerada a era de ouro do anime

tornando-se o propulsor da maior indústria de animação do mundo,

pelo grande número de animes exibidos. Nessa época foi criada a

conquistando também o público dos Estados Unidos, fazendo de

técnica chamada “splicing”, onde três ou mais animes eram edita-

Osamu um ídolo nacional japônes. A partir daí os mangas e animes

dos e suas histórias recriadas, montando apenas uma série. Dentre

se espalharam por todo o planeta sendo Speed Racer ou Maha Go

os mias famosos splicing estão Force five (união de cinco séries

Go Go de 1967, produzido pelo estúdio Tatsunoko, o primeiro anime

diferentes) e Robotech que utilizou o clássico Macross misturado

com grande projeção no exterior, abrindo portas para muitos outros

a outros dois animes. Já os anos 90 são conhecidos como “a nova

como gatchaman, A princesa e o cavaleiro, etc. Fundado em 1963 o

era”. Animes como Dragon Ball Z e Sailor Moon fizeram bastante

nome Tatsunoko significa “cavalo marinho”, mascote da companhia

sucesso, abrindo caminho a faixas de horário destinados a ani-

ou filho de Tatsu” cada anime é criação de Tatsuo Yoshida, o fundador.

mação japonesa e híbridos em canais especializados em cartoons

Outro Estúdio japonês famoso no mundo todo por suas obras é

como o cartoon network. Outro anime exibido foi Pokemon, anime 35

baseado no Jogo da nintendo, fez tanto ou mais sucesso nos EUA

fenômeno da década teve início: Pokémon de 1997, gerou uma

do que no japão, vendendo milhões de jogos e produtos. O suces-

grande febre entre crianças, jovens e adultos, com seus inúmeros

so de um anime nos EUA é importante, pois quanto mais a série

jogos e produtos.

fizer sucesso, mais chance ela tem de chegar ao mercado latino americano e ao Brasil. No Brasil, os primeiros animes começaram a chegar no fim

fórums especializados, já traduzidos com legenda em diversas

dos anos 60 como nos EUA. É dessa primeira leva clássicos como

línguas por fansubbers (grupo de fãs que traduzem anime)

Oitavo Homem de 1963, Ás do Espaço de 1964, entre outros. Na

espalhados pelo mundo todo. Animes são exibidos em canais

década de 70, a invasão continuou, com títulos como A Princesa e

de todo planeta seja no sinal aberto, via satélite ou a cabo. O

o Cavaleiro de 1967, Speed Racer de 1967 Sawamu - O Demolidor

canal Animax tem sua programação voltada somente a exibição

de 1970 .Na década de 80, relativamente poucos animês foram

de animes 24 horas por dia.

lançados, mesmo assim, vieram clássicos como Zillion, Patrulha Estelar de 1978). Nos anos 90, parecia que os animês estavam ao esquecimento. Mas em 1994, pela TV Manchete, o título Saint Seiya, mais conhecidos por aqui como Cavaleiros do Zodíaco, em 1986, iniciaria a maior explosão do anime no Brasil, de maneira devastadora e definitiva. Com uma onda de fanatismo sem precedentes, qualquer coisa ligada a Cavaleiros vendia como água, incluindo os brinquedos e principalmente revistas. Em 1999, outro grande 36

Hoje qualquer animação que seja exibida no Japão em poucas horas já está disponível em sites de troca de dados e

(ver mais na página 38) Shotaro Ishinomori, criador do gênero e de suas três primeiras séries, se inspirou em sua primeira criação, Kamen Rider, para criar o gênero Sentai. O Kamen Rider ( Motoqueiro Mascarado) fez um estrondoso sucesso, sendo considerado junto ao ultraman, os super-heróis nacionais japoneses. Assim como a família Ultra o Kamen Rider possui diversas versões ao decorrer das décadas. No Brasil foram exibidas as series Kamen Rider Black e Kamen Rider Black RX. O gênero ficou fora da televisão japonesa por algum tempo no Japão, porém, após a morte de seu criador, ela retornou reformulada e com um visual que lembra muito o Metal Hero. O Metal Hero é o gênero de maior sucesso no Brasil cujo protagonista é um herói solitário de armadura prateada, denominado “detetive espacial” que protege a terra de alienígenas vindo dos confins do espaço. No Brasil foram exibidas varias séries como Sharivan, spielvan, Jiban, Jiraya e Jaspion. Jaspion foi o metal hero que fez mais sucesso por aqui, ao contrario do Japão, onde

• TOKUSATSU

não foi tão popular. As ultimas séries exibidas por aqui foram Winspector e Solbrain em meados da década de 90. A Toho Films, P-Produtions e Takara são produtoras de

Tokusatsu é a abreviatura da expressão japonesa tokushu satsuei que pode ser traduzido como “filme de efeitos especiais”.Tokusatsu são séries de super-heróis produzidas no Japão, com bastantes efeitos especiais, como explosões, utilização de maquetes (atualmente virtuais) e computação gráfica. A Tsuburaya Productions, produz apenas o gênero Ultraman, família de guerreiros gigantes que vieram da Nebulosa M-78 e aqui na Terra procuram um hospedeiro para combater os mais diversos monstros. A Tsuburaya vem a cada temporada aperfeiçoando cada vez mais seu herói, talvez o mais popular super-herói do Japão, com qualidade de produção similar a poderosa Toei. Toei Company é a maior produtora de tokusatsu, possuindo os melhores patrocinadores e subsídios, criadores das series mais tradicionais e famosas da televisão japonesa. Os gêneros mais famosos que a Toei produz são os Super Sentai, Kamen Rider e Metal Heroes. Os Super Sentais são um de jovens heróis uniformizados que defendem a Terra de ameaças inimigas, geralmente do espaço sideral

menor expressão no Japão, porém produzem uma infinidade de series, muitas delas inspiradas nas famosas series da Tsuburaya e da Toei. Os gêneros produzidos por esses estúdios são os Kyodai Hero e Henshin Hero. Kyodai hero são as séries com heróis gigantes que não pertencem ao gênero Ultraman. Já os Henshin Hero são todos os heróis que não se encaixam em nenhum dos gêneros acima. A palavra Henshin, que significa transformação, comum todos os seriados do gênero. Diversas séries foram exibidas no Brasil como Lion Man, Machineman, Bicrossers, Cybercops e Patrine. A industria de Tokusatsu continua firme e forte, com Sentais, kamen Riders e Ultramans com novas aventuras a cada temporada na televisão japonesa. Os EUA continuam a importar e a modificar os Tokusatsu para um padrão “ocidentalizado”, como vem fazendo desde a década de 90, com Power Rangers (Super Sentai) e Masked Rider (Kamen Rider). Em 2008, o mais perto de um Tokusatsu exibido por aqui é uma das Temporadas de Power Rangers, sendo Ultraman Tiga, o último Tokusatsu originalmente japonês exibido por aqui em 2000. 37

• SUPER SENTAI

Dentre as inúmeras características desse tipo de série, a principal é que todo elemento novo que faz sucesso em uma série, provavelmente será utilizado em todas as demais futuramente. A

Super Sentai são as séries de televisão voltadas para o público infanto-juvenil no Japão. Essas séries estão no ar desde 1975, sendo produzida uma série diferente a cada ano. As histórias sempre giram ao redor de um grupo de heróis (normalmente cinco) que ganham poderes especiais, usam uniformes cada coloridos, escondem suas identidades atrás de capacetes ou máscaras, e possuem várias armas, incluindo robôs gigantes (mechas). Os super Sentai geralmente lutam contra inimigos alienígenas ou da própria Terra. A palavra Sentai, significa “esquadrão” e é composta por dois ideogramas “sen” (guerra) e “tai” (grupo). As séries Super Sentai surgiu junto com as também famosas mundialmente franquias Kamen Raider e Metal heroes, todas apelidadas de séries tokusatsu. Shotaro Ishinomori, criador do Gênero Supersentai e de suas três primeiras séries (GoRanger, JAKQ e Battle fever J), foi mangaká e além do Kamen Rider criou também a série cyborg 009 ambos mundialmente famosos. 38

terceira série (Battle Fever J), por exemplo, é importante porque pela primeira vez o termo Super Sentai e o famoso Robô Gigante foi utilizado. Na quarta série (Denziman), os uniformes passaram a ser padronizados, mudando apenas as cores e alguns detalhes e robôs desmontáveis. A quinta série (Goggle Five) foi o primeiro Sentai a adotar a cor preta no personagem, que no Japão significa morte. Já o vermelho, cor do pavilhão da nação japonesa, geralmente é o líder do grupo. Goggle Five também foi a primeira série a passar no Brasil, sem muito sucesso. Já a oitava (Changeman,1985) e nona (flashman,1986) temporadas, fizeram um sucesso estrondoso por aqui. Changeman chegou ao país em 1988 e os heróis tinham seus uniformes inspirados em seres mitológicos como pégasus, Dragão e Fênix. Foi a primeira série a ter uma arma de fogo para derrotar inimigos. Flashman foi exibida no ano seguinte e contava a história de cinco jovens terrestres treinados em distantes planetas do universo,

que após vinte anos retornam ao planeta para defendê-la. Foi a primeira série a ter um segundo robô. A décima série (Maskman) foi a primeira a possuir um sexto elemento e um robô formado por cinco partes diferentes. Porém Maskman não fez o mesmo sucesso das duas temporadas anteriores e foi o último Sentai produção 100% japonês a ser exibido no Brasil. Foi o último 100% nipônico porque em 1993, uma produtora americana chamada Saban comprou os direitos da exibição da décima quinta temporada (Zyuranger) no ocidente, e adaptou os estilo super sentai para o público americano, chamando a de Mighty Morphin Power Rangers. A série tornou-se sucesso mundial e até hoje a franquia utiliza as cenas dos Originais japonês a cada nova temporada.

• TOY ART A“Toy Art”, “Designers Toys” e “Urban Vinyl” são alguns dos nomes para classificar a um nova geração de brinquedos feitos em edições limitadas para coleção por artistas e designers para um público adulto. São bonecos de vinil, plástico e outros materiais, geralmente produzidos em séries limitadas, de personagens de histórias em quadrinhos underground, ou criaturas imaginadas por ilustradores e artistas urbanos. Criada no Japão nos idos dos anos 90, a Toy Art logo se espalhou pelo mundo botando em dúvida a opinião de muitos críticos que a consideraram apenas como uma moda passageira. Misto dos 3 pilares do design (produto, gráfico e interiores) possui ainda como referência a moda e o estilo urbano, além é claro de um forte saudosismo dos personagens da infância e adolescência ( já que seu público são os adultos). São confeccionados com uma gama variada de materiais como vinil, tecidos, madeira e plásticos, resultantes de processos industriais ou de técnicas artesanais. No Brasil vem ganhando adeptos entre jovens designers, artistas plásticos, decoradores e grafiteiros. Quanto a origem da arte, alguns apontam a China como país de origem, sendo eles criados a partir de bonecos estilizados da série clássica G.I.Joe (comandos em ação no Brasil). No entanto não se encontra material de pesquisa a respeito e a data apontada, 1996, é posterior ao ano de lançamento dos primeiros toys da pintora e designer gráfica japonesa Keiko Miyata, 1994. Alguns nomes famosos na criação de toys são Michael Lau (Hong Kong) , Devilrobots ( Japão),e James Jarvis (Inglaterra) além de inúmeros artistas espalhados pelo globo, inclusive no Brasil.

40

• NASCIMENTO DE UMA IDÉIA Nascimento. Esse projeto de conclusão não é somente a apresentação de um produto final, mas o fechamento de um ciclo, uma volta à infância, as brincadeiras, aos sonhos e a criação através do espaço-tempo. O esquadrão casco transcende o período estipulado para o projeto, seja na busca de resquícios do passado, do aprendizado e relações do presente e da continuidade da aventura no futuro. Durante a faculdade presenciei a criação de personagens (Character design) por diversos alunos e a aplicação destes em projetos de design, seja em animações, historias em quadrinhos, marcas e jogos. Também na faculdade conheci a arte de rua, suas técnicas estilos e táticas. Aplicar meus personagens no mapa urbano, intervindo na cidade foi minha opção de projeto do qual venho estudando sobre o desde 2006. Desde o primeiro rascunhos até a intervenção nas ruas, relato aqui todos os conceitos e experiências vividas no processo de desenvolver o Esquadrão casco. 50

• DA INFÂNCIA AO CHARACTER DESIGN Durante a infância, estamos suscetíveis a qualquer tipo de

tais contrabandeadas que chegavam ao Japão nas décadas de 50

informação. A criança, principalmente após a década de 50 com o

e 60, preenchendo uma grande parcela do mercado ocidental de

incrível desenvolvimento dos meios de comunicação, passa cada

quadrinhos. Porém as expotações dos mangás aumentaram interna-

vez mais tempo utilizando e interagindo com esse meios, como a

cionalmente por causa do grande sucesso do anime e do tokusatsu,

televisão, os videogames e a internet, assimilando informação de

respectivamente os desenhos animados e as series de heróis pro-

forma cada vez mais rápida, provindas de todos os lugares.

duzidos no Japão. Famosas obras como Astroboy de Osamu Tezuka

O Japão, pais derrotado na II guerra mundial, sofreu no

e Speed Racer dos estúdios Tatsunoko foram exportadas para o

pós-guerra intensa influência cultural dos paises vencedores,

mundo todo e fizeram bastante no ocidente, tornando o Japão um

principalmente dos Estados Unidos. Artistas japoneses inspi-

dos maiores exportadores de animação no mundo.

rados nos personagens ocidentais como o super-homem e os

No Brasil, essas séries e desenhos começaram a ser exibidas na

personagens criados por Walt Disney como o famoso ratinho

década de 60 como nos Estados Unidos, porém foi no começo da

Mickey Mouse, começaram a criar seus próprios personagens,

década de 90 que chegaram aqueles que seriam uma das principais

criando o chamado Mangá Moderno.

inspirações desse projeto de Conclusão. Animes como Cavaleiros do

O mangá ou a historia em quadrinhos produzida no Japão é

Zodíaco (Saint Seiya), Yu Yu hakusho ,Dragon Ball e Pokemon junto

atualmente um dos principais produtos de exportação japonês,

a series super sentai como Changeman, Flashman e Jaspion fizeram

fazendo o caminho inverso das historias em quadrinhos ociden-

enorme sucesso na TV brasileira nessa época, fazendo milhares de fãs saudosos até hoje.

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Foi nessa época que comprando revistas especializadas em

camiseta ou numa intervenção urbana. O conceito e a velocidade

heróis como a Herói, Heróis do Futuro e Animax e “copiando” os

na criação de um projeto são diferentes conforme o tempo passa.

desenhos dos meus personagens preferidos, comecei a desenhar.

Walt Disney e seus personagens ganharam o mundo, Mickey Mouse

Algum tempo depois os desenhos foram melhorando, comecei a

o ratinho mais famoso do mundo e sua turma construíram um

criar meus próprios personagens e histórias em quadrinhos no

império de bilhões de dólares em produtos e parques relacionados

estilo mangá. Após o Ensino Médio decidi me profissionalizar, assim

aos personagens. Outro exemplo é a gatinha Hello Kitty cujos pro-

como muitos da minha geração que começaram a desenhar da

dutos são objetos de consumo de garotas do mundo inteiro pos-

mesma forma, ingressando no curso de Desenho Industrial.

suindo lojas exclusivamente com seus produtos. Marcas famosas se

Na faculdade ampliei infinitamente meus conhecimentos, aprendendo os mais diferentes conceitos e técnicas referentes ao design, sendo na classe de aula com meus professores ou com

eficiente e agradável ao cliente. Atualmente a criação dos personagens expandiu para além

os amigos que fiz, discutindo, produzindo e divulgando os mais

dos estúdios famosos e especializados em criação. Hoje qualquer

diferentes projetos.

garoto consegue criar e disponibilizar seus monstros, heróis e

Em 2006 “comecei” a estudar sobre Character design ou criação

vilões utilizando muitas vezes softwares de ilustração 2D e 3D,

de personagens. O conceito contemporâneo do character é expan-

divulgando-os em diversos sites especializados em character

dido podendo significar a criação de uma logo, figura ou marca.

design pela web.

O desenvolvimento abrange diversas áreas dentro de um projeto. A concepção conceitual e visual dos personagens como o model sheet e seus estudos de vistas, formas e expressões, o estudo de cores e a aplicação desses personagens em diferentes linguagens, seja numa história em quadrinhos, uma animação, um game, uma

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utilizam cada vez mais de personagens para chegar de forma mais

• DA STREET ART AO ESQUADRÃO CASCO O Esquadrão casco é um projeto de character design em meio urbano, também chamado de Urban character ou perso-

dia. Os Romanos quando irritados, costumavam escrever na parede

nagens urbanos, um dos estilos de intervenção urbana através

da cidade com carvão, graffito em latim. O nome grafite, a mais

da street art ou arte rua.

conhecida arte de rua vem daí, aonde jovens artistas desenhavam

Meu interesse pela arte de rua começou em 2006, em minha

trens com mensagens e desenhos, levando arte das áreas centrais

primeira participação no encontro nacional de estudantes de design

para os subúrbios de Nova york, inspirando a cultura jovem, fazen-

ou N design, em Brasília-DF. Lá muitos estudantes de design do

do parte de um movimento cultural criado nas ruas do Bronx, junto

Brasil e de outros paises divulgavam seus trabalhos através de sti-

a musica e a dança, o hip-hop.

ckers , stencil e grafite, intervindo por toda a UNB. O interesse pela

Alem do grafite tradicional, há diversas formas de intervenção

linguagem foi imediato, voltando para Bauru comecei a estudar

urbana como a tag, o stencil, o sticker, intervenções com vídeos,

sobre o assunto, sua historia, técnicas e estilos.

entre outros. A arte de rua possui também diversos estilos, como

O termo arte de rua surgiu nos anos 80, porem o ato de intervir

logos, ícones, urban characters, tipográficos que se mesclam,

no espaço publico vem desde a antiguidade. Na Pré-história o ho-

muitas vezes não havendo um limite do inicio de um e o começo do

mem já retratava nas paredes das cavernas imagens do seu dia-a-

outro, fazendo parte de uma linguagem visual única, tornando a

cidade um espaço lúdico para o artista e a uma galeria de arte

toy art é comum a customização, aonde cada um adapta seu

a céu aberto.

brinquedo ao seu gosto.

O Esquadrão casco nasceu em um desses estudos. Primeiro veio

O projeto de conclusão seria tirar esses personagens do

os riscos, rascunhos dos personagens, ruído daquilo que seria o

caderno e aplica-los na cidade. Durante o ano de 2007 estudei

casco. O nome casco vem do italiano, cujo significado é capacete,

como fazer desenvolver e criar os personagens através das

elemento que constitui todos os personagens desde os primeiros

técnicas e táticas envolvidas na arte de rua. Os urban cha-

desenhos em 2006. A idéia era criar personagens que se remete

racters ou personagens urbanos foi o foco da minha pesquisa,

a minha infância, sendo heróis, vilões e monstros, um universo

aonde milhões de personagens em volta do globo são inseridos nas

de personagens que escondem suas identidades por trás de

paredes, nas mais diversas técnicas, fazendo parte do cotidiano de

seus capacetes estilizados.

varias cidades.

Os seriados Super Sentai e os desenhos japoneses são minhas

O sticker e o stencil foram as duas técnicas que escolhi para produ-

principais inspirações e influencia direta no universo de criação do

zir o casco, pela sua facilidade de produção e aplicação. As primei-

Casco. Seu arquétipo construído em cima da identidade secreta

ras experiências com as técnicas foram anteriores ao casco através

de cada personagem trajando seu capacete-monstro, inspirados

da criação de camisetas em stencil. O sticker veio depois com o

em pokemon e na toy art, brinquedos criados em series limita-

primeiro teste que fiz com o Casco, através de posters colados pela

das e exclusivas, voltados para o publico adulto. No mundo da

faculdade com um capacete em branco, denominado casco fase 1. Tempos depois eu e outro aluno, Carlos Eduardo Lemos, produzimos uma oficina para o pré-inter designers sobre Character Design e a aplicação em arte de rua. Na disciplina Projeto VI cujo projeto era produzir uma revista, produzi o Casco Protótipo, cujas matérias eram sobre o Trabalho de conclusão com suas técnicas e conceitos. A produção mesmo iniciou-se em 2008, na cidade de São José do Rio Preto-SP minha cidade natal, com a produção dos primeiros personagens produzidos para serem aplicados. Algumas vezes sozinho, outras vezes com amigos, fui me “aventurar” pela cidade, na maioria das vezes a noite, para dar vida ao meus e concluir meus estudos sobre personagens urbanos.

• OS PERSONAGENS

dem suas identidades e rostos para proteger a cidade ou planeta dos vilões, surgidos dos mais diferentes cantos imagináveis. Os heróis japoneses geralmente usam capacetes para protegerem sua

Os personagens do Esquadrão casco são únicos, podendo ser

vida privada e os entes queridos. Existe uma subdivisão dentro

de qualquer espécie, raça ou universo. Porem para fazer parte do

dessas series como os Ultraman, kyodai heroes, henshin heroes,

esquadrão tem que usar o capacetes-monstro e sair pela cidade,

Kamen Riders, metal heroes e os Super Sentais.

onde vivem suas aventuras até desaparecerem. O casco foi criado em cima dos conceitos de construção de

O Ultraman são seriados criados na década de 60 que contam a história de um cara comum que vira herói gigante, criados pelo

personagens( character design) e arte de rua (street art)e inspi-

Tsuburaya Productions, a mesma que criou o Godzilla. Já os Kyodai

rados em personagens de programas de TV que foram exibidas

heroes (kyodai significa gigante), são personagens inspirados no

na televisão brasileira na década de 90. Series e desenhos como

sucesso que Ultraman na mesma época. Os Kamen Riders são he-

Jaspion, Changeman, Cavaleiros do zodíaco, pokemon entre muitos

róis de tamanho natural com capacetes e traje inspirados em inse-

outros, que me inspiraram a começar a desenhar. O Esquadrão

tos.Os Riders foram responsáveis pela criação de diversos gêneros

Casco é um retorno à infância, as brincadeiras de rua, aos rabiscos

como os Henshin Heroes, os Metal heroes e os Super sentais.

nos cadernos da escola. O capacete, do qual todos os personagens do Esquadrão Casco

Os henshin heroes, metal heroes e principalmente os super sentais, foram os que mais me inspiraram, com seus capacetes colori-

usam foram inspirados nas series japonesas sobre super herois

dos ou metalizados. Os henshin heroes são todas series inspiradas

chamadas tokusatsu. Nessas series, Inspirados pelo super-herois

nas series de herois produzidas pela Toei Company, entre elas

famosos do ocidente, como batman ou homem-aranha, que escon-

Cybercops e lionman. Os Metal heroes é um dos gêneros criados 55

pela toei company, maior produtora de tokusatsu do Japão, nele

Quanto aos desenhos dos personagens podemos separar em dois

um herói solitário de armadura prateada, denominado “detetive

grupos distintos: Os stickers com cola e os sem cola (lambe-lambe).

espacial”, protege a terra de alienígenas vindo dos confins do es-

Os stickers sem cola foram produzidos em tamanho maior em papel

paço sideral. As series Jiban e principalmente o Jaspion, foram as

para embalagem reciclado, sendo ilustrados com lápis 2b e arte

series do gênero que mais fizeram o sucesso no Brasil. Junto a eles

finalizados com Canetão e em preto e branco. Já os stickers com

no começo da década de 90 chegou outro gênero de super-herois

cola foram o personagens foram elaborados no Adobe Illustrator e

mascarados criados pela Toei Company, Os Super Sentais.

depois impressos em papel adesivo.

Os Super Sentais são séries produzidas para o publico infanto

Quanto a aplicação na cidade, os personagens maiores foram

juvenil, cuja a historia é sobre jovens (cinco jovens normalmente),

colados em áreas especificas, aonde já haviam algum tipo de

que são convocados a defender o Planeta Terra contra o mal, vindo

intervenção, seja um grafite , um personagem ou um stencil. Como

geralmente do espaço sideral para destruir ora o meio ambiente,

zonas perdidas em meio a cidade esses lugares, principalmente

ora o planeta , ora os Super Sentais. O nome desse Projeto de

espaços públicos, cercas madeira que protegem construções e

conclusão foi inspirado por esse gênero cujo nome Sentai significa

espaços privados abandonados se tornam bolçoes de criatividade e

“esquadrão” e é composta por dois ideogramas “sen” (guerra) e

pirataria criativa. O Esquadrão casco foi aplicado nessas áreas,

“tai” (grupo). Os personagens, todos trajados com seus unifor-

brincando no espaço junto a outras intervenções. Já os dese-

mes coloridos e capacetes diferentes, dos mais diversos temas,

nhos com cola foram aplicados em diversas formas que fazem

dependendo da temporada. As cores vibrantes, os Robôs que se

parte da cidade, como postes, caixas de luz, placas de transito,

transformavam, as grandes explosões e os efeitos especiais de bai-

interagido com a cidade, desviando um olhar perdido de alguém

xa qualidade marcaram a infância de diversas crianças na época.

que passe pelo local.

Na construção do arquétipo do personagem, todos os cascos

Quanto a duração de cada casco é impossível saber. Assim como

usam capacetes similares ao Super Sentais, uma homenagem

toda arte de rua, é impossível precisar sua duração ou vida, pelo

e também ligação entre o herói e o artista de rua, que assim

fato de ter um caráter efêmero, aonde a qualquer o momento o

como os heróis mascarados se escondem por trás de sua iden-

personagem pode desaparecer, seja pela ação do homem ou da

tidade secreta, por intervir no espaço publico, protegendo sua

própria natureza. É Incontrolável. Do mesmo jeito que o surgimento

identidade para continuar seus trabalhos sem ser atrapalhado

de algum tipo de intervenção em qualquer lugar de uma cidade.

ora por vilões, no caso dos heróis, ora pela lei e pela moral, no caso do artista de rua.

No estudo dos personagens fui tecendo ligações e consegui aos poucos abrir um novo mundo, uma nova fase, um mapa para que

Outra referencia do casco esta no capacete, que por si só é um

meus personagens brinquem com as pessoas. De livros teóricos

personagem. Todo Casco é um “monstrinho”, inspirado nos pocket

sobre física e manifestos contracultura, passando por seriados e

monters, mais conhecido como pokémon e na toy arte, brinquedos

festivais de dança, fui observando o movimento da vida e o contar

feitos em pequenas escala, customizáveis feito para adultos. O

das histórias humanas. Esses personagens se multiplicariam pela ci-

casco seria uma espécie de toy urbano que depois de colado per-

dade e estariam sujeitos como nós as intempéries do mundo atual.

tence ao mapa urbano, onde qualquer um pode tomar cuida-lo ou destruí-lo, pinta-lo. Os desenhos foram criados em preto e Branco nos lambe-lambes para que o meio interagisse de uma forma mais clara, podendo sofrer a intervenção de um outro artista ou pessoa. Um brinquedo do caos.

• CASCO FASE I O casco fase I foi o primeiro teste feito com intervenção urbana

piadinhas com este que escreve. Houve desenhos tanto dentro,

stickers (tamanho A2 aproximadamente), e foram colados com

na superfície e fora do stickers. Com diferentes visões e abor-

cola lamb lamb (cola a base de farinha e vinagre) lado a lado na

dagem, desde o rostinho dentro do capacete a auto-divulgação

parede de uma das salas da Universidade Estadual Paulista(UNESP)

de seus desenhos.

Campus Bauru. Cada sticker continha o desenho de um capacete,

A primeira fase acabou quando a faculdade foi pintada, como

cuja superfície nada havia desenhado, e uma informação no canto

acontece todos os anos. Porém antes, com tempo o casco foi se

(casco cooperação virótica fase I).

degradando e esboçando desaparecer em um prazo curto.

O local foi escolhido por haver um grande fluxo de estudantes na área de artes, arquitetura e design. Esse primeiro teste serviu para ver como se desenvolveria o projeto dentro de um ambiente com um fluxo criativo elevado e os resultados disso em um período curto de tempo. Os stickers foram colados dia 15 de outubro de 2007 e em poucos dias apareceram algumas ilustrações, rabiscos, outras interven58

ções como stencil, e pichações, além de alguns xingamentos e

com o Esquadrão casco (Casco fase I na época), por meio de

• OFICINA Apresentar alguns conceitos em relação à criação de personagens focando em idéias e materiais relacionados à arte de rua

funcionar como um mero ponto de estranhamento junto às paredes cinza da cidade.

(street art) como suporte para os produtos foi o foco da oficina

A oficina foi dividida em dois dias: No primeiro dia foram apre-

realizada nos dias 24 e 25 de outubro na Universidade Estadual

sentados os ideais da oficina expondo um quadro geral sobre o que

Paulista UNESP, pelo Grupo Guma formado pelos estudantes de

é o Character Design e a Arte de Rua em uma aula expositiva com

Design Carlos Lemos Jr Renan Gurgel e Dair Biroli.

apresentação de trabalhos mundialmente famosos na área, além de

O Character Design (a criação de personagens e desenhos icono-

trabalhos do próprio grupo. No mesmo dia os participantes come-

gráficos ou não) tem servido de diferentes propósitos para diversos

çaram seus rascunhos dos personagens/ logos/ stickers/ desenhos

suportes do Design moderno. Concomitantemente e se utilizando

iconográficos para uma posterior aplicação.

da Arte de Rua, o “character” se comunica com um público mais

No segundo dia houve o término dos rascunhos e apresentação

amplo e variado. Numa cidade engasgada de publicidade ele

de técnicas de “Lambe” e “Stencil” para a produção dos produtos

vira uma importante fuga para discussões sociais e liberdade de

propostos pela oficina. O fechamento da oficina foi a aplicação do

expressão. Porém, sabe-se que não só porque o artista usa desse

material feito pelos participantes na oficina pelo campus da UNESP.

tipo de arte pra divulgar seus desenhos que necessariamente ele tem que ter um fundo politizado e crítico. Ele pode ser feito para 59

• REVISTA A revista casco protótipo foi criada na disciplina de Projeto VI, aonde os alunos tinham que elaborar uma revista especializada em algum assunto. Decidi fazer uma revista sobre meu trabalho de conclusão, nomeando de Casco Protótipo. As divisões das matérias eram: Criando Casco, Processo Criativo Casco 86, Character Design, Street Art, Casco Fase I, Oficina, Toy Art. A Matéria Criando Casco, é um texto sobre os primeiros desenhos, esboços na construção dos personagens. Em Processo Criativo Casco 86, um dos nomes provisórios do esquadrão Casco, eu tecia meus objetivos futuros, como a aplicação dos personagens no contexto urbano. Em character Design era um texto sobre alguns artistas e designers ao redor do mundo que produziam e vivia a experiência de ser o próprio personagem como o friends with you e Doma. Na matéria sobre Street art o foco foram as técnicas, principalmente grafite, stencil e sticker, junto a receita da cola para colar lambe-lambe. Casco Fase I fala sobre os primeiros experimentos com stickers colados pela faculdade. A matéria chamada oficina era sobre a oficina realizada por mim e por Carlos Lemos Jr. para o Pré-interdesigners sobre criação de personagens e aplicação na arte de rua. A Matéria que fecha a revista é sobre o toy art e os pincipais brinquedos, objetos de desejo de colecionadores, principalmente designers. A revista tem um formato A5 (148 mm × 210 mm), impresso em papel reciclato, toda em cores.

60

• STICKERS E STENCIL

pida aplicação, principalmente pelo fato do desenho ser produzido anteriormente, sendo apenas aplicado em meio urbano de maneira muito rápida, ficando dentro do limite de tempo estipulado.

Durante o processo de criação do personagem a escolha da Téc-

O stencil é um molde produzido com diversos materiais planos,

nica certa é fundamental para o êxito na aplicação, principalmente

seja madeira, plástico ou papel, aonde é removida a imagem an-

se tratando de arte de rua aonde, aonde o tempo e a velocidade

teriormente impressa no molde, aplicando algum tipo de tinta que

são de extrema importância.

preenche os espaços removidos, formando a imagem da impressão.

Como os personagens do Esquadrão casco eram muitos e teriam

a técnica é muito utilizada na pintura de casas e na arte de rua

que ser aplicados em diversos lugares, com tempo o tempo limite

pela facilidade na produção em série de uma imagem. Na arte de

de 3 a 5 minutos no máximo para não causar problemas, técnicas

rua, um dos principais interventores que utilizam da técnica para

como a do grafite tradicional não funcionam muito bem com

se expressar é o famoso Banksy, apelido do artista anônimo que

esse limite de tempo, aonde necessita de um tempo maior para

reproduz seus stencils por todo mundo. No Brasil o imigrante Alex

a realização, pois o personagem é desenhado na hora. Diferente

Vallauri nos anos 70, um dos primeiros artistas de rua a intervir

do Bomb em que o grafitador assina sua marca de forma ágil com

artisticamente no país, utilizava da técnica do Stencil Art em seus

spray, o urban character, necessita e um tempo maior, dependendo

trabalhos.

da quantidade de material e detalhes do personagem, estourando esse tempo limite estipulado.

A primeira técnica que aprendi foi o stencil, produzindo camisetas com estampas desenhadas por mim. Diferente das camisetas que

Dentre as técnicas de intervenção escolhi o sticker (adesivo) e o

eram pintadas com tinta para tecido, no projeto eu utilizei spray

stencil como técnicas principais. As duas técnicas são de fácil e rá-

automotivo. O recorte das mascaras anterior a aplicação e o uso 61

do spray facilita a produção de desenhos em série, como logos e

foram colados com cola produzida a base de farinha em diversas

personagens mais simples. Porém não foi feita a aplicação direta da

partes da cidade.

tinta spray em muros e paredes, e sim em folhas de jornal, aplican-

Os stickers com adesivo foram desenhados em softwares de ilus-

do a tinta no papel e depois aplicando o papel com cola de farinha,

tração vetorial e tratamento de imagem sendo impressos em papel

técnica do lambe-lambe ou sticker.

adesivo. Os stickers foram colados em placas, caixas de luz, postes,

O sticker é uma das mais recentes intervenções utilizadas na arte de rua. Produzido e colado por artista de rua e designers, ele cada vez mais vem fazendo sucesso, principalmente pela fácil produção

Quanto a duração de cada sticker é impossível ser preciso, alguns estão expostos, outros foram arrancados algumas horas depois.

e aplicação. A Sticker Art não é nada mais que papel colado em

Mas pode se constatar que quanto maior o tamanho da inter-

alguma superfície urbana, como postes, placas, muros, latas de lixo

venção mais fácil a destruição, seja por outras pessoas, seja

entre outros, com alguma mensagem, seja visual, verbal, contra

pelo vento ou pelo calor.

ou a favor de algo, um personagem, qualquer coisa. O sticker se torna um meio de expressão para o artista ou designer, ou qualquer pessoa com uma boa idéia, de interagir com a cidade, divulgando sua mensagem através dela. Dentre os artistas mais populares Shepard Fairey e seu Obey Giant fizeram bastante sucesso, retratando imagens estilizadas de icones da sociedade como artistas e políticos, intervindo por toda Europa e Estados Unidos desde a década de 90. No Brasil o sticker vem crescendo, mas ainda tendo como precursores os coletivos SHN, Faca e Projeto Cha. A nomenclatura sticker serve tanto para o papel com cola, quanto para as intervenções feitas com cola de polvilho e farinha de trigo, o chamado Lambe-Lambe. A principal diferença entre o sticker com adesivo e o lambe-lambe, além da cola, é o tamanho, geralmente maiores nos lambes, e menores nos stickers com adesivo. Os lambe-lambe são pintados individualmente com caneta, tinta látex, spray ou guache ou produzidos em série através de foto copiadoras ou silk-screen. Nos stickers com adesivos a imagem é criada em algum programa de ilustração vetorial ou manipulação de imagens e impresso, xerocado ou serigrafado em papel adesivo com a cola. No projeto de Conclusão foi feita a opção pelos dois tipos de stickers. Nos lambe-lambe foram desenhados os personagens maiores em papel para embalagem ou jornal, utilizando canetão ou stencil, reproduzindo o desenho varias vezes. Os lambe-lambe 62

lata de lixo, em todo tipo de obstáculo urbano.

A arte de rua sobrevive desse fluxo do aparecer e do desaparecer das intervenções buscando e reutilizando espaços a todo instante.

• LOGO O logo do Esquadrão Casco foi inspirado nos conceitos sobre arte de rua e na tipografia utilizadas nos títulos e logos das principais series tokusatsu produzidas. O logo precisava possuir elementos que caracterizassem ambos. Após uma serie de estudos tipográficos foi encontrado um elo em comum. Utilizando traços retos, típicos de trabalhos em stencil onde o desenho é realizado com o menor numero de curvas para facilitar o recorte. A utilização de uma cor de preenchimento sem borda, também é outra característica do stencil, facilitando a aplicação da tinta. Dos seriados japoneses a inspiração foi a perpectiva da fonte, similar em todos e o uso de linhas retas na construção dos ideogramas. O logo foi pintado com tinta spray, utilizando stencil aplicado em papel jornal, colados pela cidade cola para lambe.

• MATERIAIS

Ingredientes da cola lambe-lambe: 7 colheres de farinha de trigo.

Os materiais utilizados na produção do projeto são simples, encontrados em qualquer bazar ou papelaria. Podemos separar os materiais em dois grupos, os lambe-lambe (sem adesivo) e os stickers com adesivo: Lambe-Lambe Na produção dos Lambes foram utilizados papel para embalagem reciclado e jornal. Os desenhos produzidos no papel para embalagem foram feitos com lápis 2b e arte-finalizados com canetão (pincel atômico). No jornal foi utilizada a técnica do stencil, aonde a imagem do Casco e do logo foram repetidos em série, pintados com spray. Os lambe-lambe foram colados em diversas partes da cidade com cola produzida a base de farinha. 64

1 colher de sopa de vinagre, lisoform ou pinho sol para evitar bichos. 1 litro de água. Modo de preparo: 1-Ferva ¾ da água em uma panela grande. 2-Em um recipiente separado misture o ¼ restante da água (fria) com a farinha até dissolver tudo. 3- Quando ferver a água jogue a mistura com farinha na panela grande e misture por 5 minutos até engrossar. 4-Coloque o vinagre e mexa por mais 2 minutos. 5-Resfrie a cola antes de usá-la. Os lambe-lambe foram aplicados na parede com um rolinho de tinta, para agilizar o processo de passar a cola na parede e depois por cima do desenho para ele e fixar plenamente.

Stickers com cola Os stickers com cola foram criados e arte finalizados no Adobe Photoshop (manipulação de imagem) e Adobe illustrator (ilustração vetorial). Depois foram impressos em papel adesivo brilhante. Todos em cores.

• A CIDADE Durante as noites de trabalho, a cidade é o espaço lúdico das minhas criações, aonde jogo, design e desenho se misturam. A cidade foi o meio que escolhido para aplicar os personagens, para fazer parte dela. A cidade escolhida para ser lar do Esquadrão Casco foi

telefônica e de luz. Todo espaço por menor que seja, é aproveitado Artistas de rua normalmente fazem muitas intervenções em locais privados porem em muros de madeira, normalmente erguidos em construções e que alguns meses depois são

São José do Rio Preto-SP, minha cidade natal, onde passei a

retirados. Muros internos de terrenos baldios também são alvo

infância que inspirou esse trabalho. São José do Rio Preto fica

dos artistas de rua, cujo as artes desapareceram depois que

localizada no Noroeste Paulista e tem população aproximada

construírem algo local. Outro lugar muito visado por artistas

de 500.000 hab. Sua economia é baseada no setor terciário,

são construções abandonadas, muito encontradas na área

comércio e prestação de serviço, tendo uma grande área de

central na central de algumas cidades.

influência sob as cidades vizinhas. Rio Preto assim como varias cidades possui diversos espaços

Essas áreas são como bolsões artísticos aonde diversos artistas aplicam sua arte, mudando o olhar e o mapa do local,

aonde se encontra arte de rua. Alguns desses espaços foram

inserido arte aonde não havia nada. Esses locais podem ser

cedidos pela prefeitura, principalmente praças e escolas, como ato

encontrados em quase todo meio urbano, aonde surgem e

de promover a arte e a cultura entre os jovens. Outros espaços pú-

desaparecem de acordo como cidade cresce. Em são José do

blicos foram conquistados, principalmente áreas onde a prefeitura

Rio Preto há muitos bolsões para se divertir, com diversas

não faz manutenção a décadas, chamando atenção para deter-

intervenções espalhadas por toda cidade, conforme a cidade

minada área. Em umas das noites de intervenções um dos meus

cresce servindo de galeria para quem quiser.

personagens foi colado em um antigo painel da prefeitura, sendo que alguns dias depois ele foi retirado e o painel repintado. Normalmente por ética, artistas e designers não se utilizam de espaços privados, esses sendo alvo principalmente de pichadores. Os pichadores não seguem nenhuma ética, apenas espalha frases e seu nome em busca de fama. Os pichadores são os causadores de todo preconceito em torno da arte de rua, pois muitos traficantes demarcam suas áreas de influencia com pichações. No Bairro onde nasci em um dos acessos a ele há uma ponte onde estão diversas assinatura, entre elas uma, “o raposa”, é o nome de uma das gangues mais antigas de Rio Preto. O artista busca todos os lugares possíveis para expressar sua mensagem no espaço publico. Qualquer espaço é espaço para a arte, onde muitos artistas e designers aplicam seus adesivos ou 66

pintam seus stencil em postes, atrás de placas, em caixas de linha

• A AVENTURA

Antes de sair, algumas fotos são tiradas para marcar o momento em que o personagem existiu. Todos os materiais são guardados, começa a busca por outro lugar para ser lar de um outro Casco, o

Sair pelas ruas para aplicar os personagens não foi nada fácil. Tudo começa com a seleção dos desenhos a serem colados e os locais aonde vão ser aplicados. Há toda uma tática prévia para prever algum incidente, como passar algumas vezes pelo local, ou estacionar (carro ou moto) e esperar algum tempo. Com a “barra limpa” avançamos em direção ao alvo, o muro. O primeiro cadeado é o da moral e da sensação de ser abordado a qualquer momento, mesmo não sendo nada de “errado”, mesmo em grupo o clima fica tenso, principalmente na primeira intervenção da noite, onde tudo tem que dar certo. O desenho é escolhido ou previamente planejado dependendo do local, a cola é levada para perto da parede, aonde é passada uma mão de cola para fixar o personagem. Quase não há espaço para palavras, somente algum pedido de ajuda se o personagem dobrar em alguma parte ou rasgar. Depois de fixado passa-se o rolinho com cola por cima de desenho, para fixá-lo da melhor maneira possível.

que ficou agora pertence à cidade. Durante uma noite em média são colados de dois a quatro personagens dependendo do dia. O melhor horário para colar um sticker depende do seu tamanho. Quanto menor o sticker, mais fácil aplica-lo em qualquer horário, principalmente stickers com adesivo. Já os Stickers maiores são mais fáceis de serem aplicados a noite pela ausência de pessoas, porem há um trade off entre horário e segurança, onde a qualquer momento alguém pode aborda-lo. Mas fora isso os melhores horários da noite são o horário da novela das 9 e o fim da madrugada. Por alguns meses, apliquei diversos personagens sem ser abordado por ninguém, porem olhares acusadores não faltou. Muitas vezes sozinho, algumas vezes com amigos, um a um os personagens ganharam um lar. A cada personagem colado sensações diferentes, onde a adrenalina do momento e a o prazer de ver o personagem colado são constantes, nos tornando personagens da noite, tanto quanto o casco. 69

• A WEB Cada vez mais artistas e designers disponibilizam seus trabalhos, sejam fotos e vídeos dos personagens, sendo comum a troca de informações e técnicas novas. Existem diversos sites onde qualquer um pode disponibilizar, por exemplo, os personagens criados em sites como o mojizu (www. mojizu.com) e o pictoplasma (www.pictoplasma.com), sites especializados em character design contemporâneo. O pictoplasma reúne os melhores personagens produzidos e lança uma enciclopédia e um festival de animação só com personagens. Em sites como orkut, flickr, myspace, é muito fácil encontrar outras pessoas que produzem tanto arte de rua quanto character design, onde designers e artistas trocam informações diariamente. A troca de sticker, por exemplo, são muito comuns, aonde os adesivos são trocados por correio ou e-mail e aplicados em diversas cidades ao redor do mundo sem nunca os criadores estarem lá. Muitos artistas famosos como Banksy (www.banksy.co.uk) e Shepard Fairey (obeygiant.com), possuem seus sites pessoais, aonde mostram seus trabalhos aplicados nos mais diversos lugares do mundo e onde disponibilizam produtos para venda. A street art e o character design se expandem cada vez mais pela cidade virtual, inspirando outros artistas e designers na concepção de diversos outros projetos.

Concluo meu projeto em design após meses de trabalho,

quisada na internet, através de sites e fóruns. Lá encontrei diversos novos

pesquisando, desenhando, e principalmente me aventurando,

heróis,artistas famosos ou desconhecidos que espalham suas criações por

andando pela minha cidade natal, São José do rio Preto, em busca

diversos lugares do globo.

de ponto, um lugar, uma memória, em que pudesse expressar e aplicar meus personagens. Para criá-los voltei aos meus velhos desenhos, rabiscos, ruídos

Porem a grande pesquisa foi o jogo, as caminhadas pela cidade, sejam no centro comercial, quanto em áreas residenciais, sempre em busca de um lugar legal para ser lar dos meus personagens. Minha intenção foi

do que produzo hoje. Em pesquisas pela internet reencontrei e

aplicá-los de forma divertida, onde a alegria estivesse envolvida desde a

meus heróis de infância, fazendo o download deles e revendo

concepção dos personagens até a aplicação deles envolta a uma brinca-

diversas séries nostálgicas. Pela cidade virtual encontrei outros

deira moral onde a explosão em forma de euforia e adrenalina foram os

heróis, que não foram exibidos pela TV Brasileira, mas que fizeram

frutos, verdadeiros produtos deste projeto.

parte da infância de milhões pelo mundo. O tempo passou para

Muitos dos personagens que colei não existem mais ou não existirão

esses antigas series e desenhos, antes, super emocionantes

quando alguém estiver lendo isto. A efemeridade por natureza do projeto

com seus efeitos especiais e cenas de lutas ensaiadas. Hoje,

fez parte desde o começo e continua através da cidade que se desdobra,

as cores não são mais as mesmas, e os efeitos especiais ama-

apagando e criando novas áreas para novos projetos.

dores para o padrão atual. Porem ao assisti-los constatei que

Como esse trabalho é realizado somente em processos, ele não termina

não perderam o encanto e a graça, fazendo com lembranças

por aqui, espero continuar desenvolvendo meus personagens, e que esse

voltassem a tona e que a primeira fase do meu projeto, o

seja o primeiro documento sobre a jornada que se reinicia.

retorno a infância fosse completada.

Esquadrão Casco rumo ao mundo!

A segunda fase da viagem, a arte de rua, boa parte foi pesSejam felizes! 71

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Esquadrão Casco