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AGRO www.agroemfoco.com.br No 01 | fevereiro & março 2012 | R$ 20,00

em foco

LOGÍSTICA » Desafios de Infraestrutura e Logística para o Crescimento Sustentável do Agronegócio » A logística da soja no Brasil

A revista sobre Gestão do Agronegócio

da empresa rural OPORTUNIDADES PARA MAXIMIZAR O RETORNO ECONÔMICO

MARKETING E AGRONEGÓCIO O verdadeiro negócio

FINANCIAMENTO DO AGRONEGÓCIO Antes da porteira

CADEIA DA CARNE BOVINA O próximo desafio no Brasil

GESTÃO DE RISCO

Agregando valor ao Agronegócio

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

Um alicerce para o futuro das fazendas

SUSTENTABILIDADE

Desafios da produção agropecuária

e mais:

Crise de Gestão Produtor rural ou gerente de projetos? Seguro Rural no Brasil Canais de Distribuição

carta aos leitores

N

esta edição de lançamento, e para iniciar, gostaria de agradecer a todos que contribuíram para que o projeto da revista AGRO em Foco evoluísse e se tornasse realidade. Agradecimentos especiais aos grandes profissionais que participam da equipe técnica, aos anunciantes e autores dos artigos desta primeira edição, que acreditaram e apostaram neste projeto. Com a revista AGRO em Foco a Editora pretende ressaltar a importância da Gestão do Agronegócio. Em um país que está sendo considerado “a bola da vez” no Agronegócio mundial, a gestão de toda a complexidade que envolve o tema ainda deixa a desejar. Sim, temos excelentes gestores do agronegócio, mas não na quantidade que necessitamos. É neste ponto que a revista AGRO em Foco pretende auxiliar. Publicando artigos sobre temas variados e necessários a um gestor do agronegócio, pretendemos auxiliar estes profissionais a se capacitarem e desta forma estarem mais preparados para a grande oportunidade que está sendo anunciada ao nosso país. Esperamos cumprir nossa missão! Em nossa edição de lançamento, e não poderia ser diferente o tema de capa é “Gestão da Empresa Rural”, onde o autor discorre sobre a necessidade da profissionalização da Empresa Rural para enfrentar os novos rumos e desafios, e a nova visão empresarial necessária às organizações rurais. Também tratamos de um tema fundamental para o Agronegócio: Logística. Nesta edição dois artigos tratam deste tema. No primeiro, “Desafios de Infraestrutura e Logística para o Crescimento Sustentável do Agronegócio”, o autor fornece o cenário atual e futuro do que temos e precisamos para escoar nossas produções – e as informações não são nada animadoras, como todos já imaginam. No segundo, “A logística da soja no Brasil”, os autores discorrem sobre a logística na cadeia produtiva da soja, seus gargalos e possíveis medidas atenuantes. A edição ainda conta com excelentes artigos sobre marketing, crise de gestão, cadeia de carne bovina, canais de distribuição de insumos, financiamento, gestão de risco, planejamento estratégico, gerenciamento de projetos, seguro rural e sustentabilidade. Boa leitura!

Marco Antonio Guapo Editor guapo@agroemfoco.com.br

Editor e Diretor-Executivo/ Marco Antonio Guapo Equipe Técnica/ Carlos Eduardo de Araújo, Ernani Carvalho da Costa Neto, Everton Molina Campos, José Alexandre Fagundes Loyola, Marco Conejero, Maria Flávia Tavares, Priscilla Biancarelli Colaboradores desta Edição/ Adriano Vecchiatti Lupinacci, Alicia Calle, Amaury Cézar Macedo, Carlos Araújo, Célio Gomes Floriani, Elizeu Vicente dos Santos, Ernani Carvalho da Costa Neto, Frederico Domingues, Jorge Duarte, José Alexandre Fagundes Loyola, José Luiz Tejon , Luiz Fernando Abussamra, Marcelo Duarte Monteiro, Paulo E F Loureiro, Rogério Martins Maurício, Vanderlei Daniel Sebben Filho Projeto e Desenvolvimento Gráfico/ Adoro Design www.adorodesign.com.br Jornalista Responsável/ Débora A. R. Dias – DRT 3793

Artigos/ Se deseja escrever para a revista AGRO em Foco, envie sua sugestão para artigos@agroemfoco.com.br Contato/ Revista AGRO em Foco Rua Fernando Simas 705 /72 Curitiba - PR CEP: 80430-190 Tel.: 41 3029.9353 publicidade@agroemfoco.com.br comercial@agroemfoco.com.br Distribuição exclusiva no Brasil/ Fernando Chinaglia Distribuidora S.A.

A revista AGRO em Foco é uma publicação bimestral da Editora Mundo ISSN: xxxxxx O conteúdo dos artigos é de responsabilidade dos autores. Os softwares distribuídos via CD-ROM e encartes com a revista são de propriedade e responsabilidade de seus fabricantes, assim como o suporte e os direitos autorais.

AGRO em foco

www.agroemfoco.com.br No 01 | fevereiro & março 2012 | R$ 22,00

44.

A completa profissionalização da empresa rural no campo gerencial será um dos requisitos para a sobrevivência dessa organização frente aos novos rumos e desafios da humanidade.

da empresa rural

Por: Adriano Vecchiatti Lupinacci

06. O próximo desafio para a Cadeia da

Carne Bovina do Brasil A Pecuária de Corte chama a atenção, e ainda pode crescer muito com a gestão de nossas empresas rurais. Por:

Paulo E F Loureiro

14. Financiamento do Agronegócio SSaiba mais sobre as fontes de financiamento e principais tendências. Por: Ernani Carvalho da Costa Neto

20. Estratégia e planejamento de canais de

distribuição Estratégia e planejamento da rede de distribuição de empresas fabricantes de insumos agrícolas. Por: José Alexandre Fagundes Loyola

24. Desafios de Infraestrutura e Logística

para o Crescimento Sustentável do Agronegócio O pujante agronegócio brasileiro pode atingir a produção de 2,86 bilhões de tonelada em 2021 se não for impedido pelo apagão de infraestrutura e logística de transportes e portos. Por: Célio Gomes Floriani

33. A Crise de Gestão: a volta às origens A

crise atual é consequência de uma crise de gestão que teve início principalmente em função dos erros estratégicos e operacionais. Por: Carlos Araújo

36.

Desafios da Produção Agropecuária Sustentável A agricultura climaticamente inteligente poderia ser uma ponte entre os

ambientalistas e agropecuaristas brasileiros. Por: Amaury Cézar Macedo, Rogério Martins Maurício e Alicia Calle

42. Marketing e Agronegócio, o verdadeiro

negócio A quem pertence o maior de todos os desafios de marketing das corporações e das suas cadeias produtivas no agronegócio? Por: José Luiz Tejon

50. Seguro Rural no Brasil De polêmico a

desejado.Conheça mais sobre o assunto. Por: Frederico Domingues

56. Produtor rural ou gerente de projetos? A aplicabilidade da metodologia de gerenciamento de projetos no setor agrícola brasileiro Por: Elizeu Vicente dos Santos

66. Planejamento estratégico em fazendas:

um alicerce para o futuro As propriedades agropecuárias brasileiras precisam ser administradas de forma efetivamente empresarial. Por: Jorge Duarte

72. A logística da soja no Brasil O papel

da logística no desenvolvimento da cadeia produtiva da soja no Brasil. Por: Marcelo Duarte

Monteiro e Vanderlei Daniel Sebben Filho

80. Gestão de risco no agronegócio Uma

boa gestão dos riscos pode ajudar a eliminar a alternância de períodos de prosperidade e de fracasso, como também aumentar o resultado dos investimentos no agronegócio. Por: Luiz Fernando Abussamra

financiamento

Financiamento do Agronegócio I Financiamento antes da porteira Para produzir o agricultor ou pecuarista necessita de insumos. Para adquirir os insumos o produtor necessita dinheiro. Quais fontes de financiamento o produtor tem tomado e com quais motivações? O que tem de mais atual no financiamento do agronegócio antes da porteira e quais as principais tendências? Este artigo quer dar uma perspectiva atual e de mercado para poder ajudar o produtor e investidores a entenderem melhor a dinâmica financeira do seu negócio e assim tomar melhores decisões.

O

desenvolvimento da atividade agropecuária notadamente depende de recursos para custear os investimentos e os insumos necessários à produção. Ano após ano um novo plano agrícola é anunciado e tem seus desembolsos acompanhados pelo Ministério da Agricultura com a presente cobertura dos veículos de comunicação. No campo, vemos a aplicação dos recursos oficiais e uma gama de fontes alternativas ocupando espaço. Este artigo pretende analisar o momento atual deste tópico que é determinante no sucesso e sustentabilidade dos empreendimentos ao longo da cadeia do agronegócio. A análise conduz o leitor a entender as principais tendências e melhores práticas na obtenção de capital de giro dentro deste setor. Inicialmente, o autor aborda as principais fontes e aplicações de recursos e avalia como é atendida a necessidade de capital de giro além de destacar peculiaridades do setor. Para aprofundar o entendimento, é analisada a propensão e atitude dos produtores quanto ao financiamento e sua relação com os bancos. Fi14

nalmente, as modalidades de financiamento são visitadas, notadamente, crédito rural, títulos do agronegócio e operações estruturadas (barter e trade finance), para concluir como uma avaliação das tendências do financiamento de agronegócios.

Crédito rural e produção Ao longo da cadeia de valor do agronegócio existe uma vasta gama de operações que atendem aos empreendimentos e que são oportunidades de investimento para quem fizer com os atores certos. Entretanto, para a atividade de produção agropecuária no Brasil, nenhuma outra modalidade tem o histórico e a onipresença do crédito rural. Definido pelo Portal Brasil do Governo Federal: O crédito rural é um financiamento destinado a produtores rurais e cooperativas ou associações de produtores rurais. Seu objetivo é estimular os investimentos e ajudar no custeio da produção e comercialização de produtos agropecuários. Para conseguir o crédito, o tomador deve ser idô-

Ernani Carvalho da Costa Neto | ernani.costa@alumni.insead.edu Administrador de empresas formado pela UFRGS, tem pós-graduação em Marketing pela ESPM e graduou-se em seu MBA pelo INSEAD na França. Atualmente atua como gestor e consultor de agronegócios além de docente tendo trabalhado anteriormente como executivo na Bayer CropScience no Brasil e da divisão Agro da BASF S.A. Sua experiência anterior, a indústria de insumos, foi desenvolvida em agentes financeiros do agronegócio com suas experiências pelo Grupo Rabobank e pelo Sicredi.

neo, apresentar um projeto, plano ou orçamento que justifique o valor pedido. São também beneficiárias do crédito rural empresas agropecuárias de pesquisa ou produção de mudas, sementes e de sêmen para inseminação artificial, de prestação de serviços mecanizados e inseminação artificial e outras companhias com finalidade comercial no ramo da pesca, aquicultura, medição de lavouras e atividades florestais. Os juros dependem da fonte de recursos, para os recursos controlados provenientes dos saldos médios de depósito à vista dos milhões de correntistas dos bancos, para o Plano Agrícola 2011/12 estão no nível de 6,75% a.a., e PRONAF de 1,0% a 5,5% a.a. Destacam-se pelos custos reduzidos quando comparados aos juros praticados no mercado de capital de giro em que facilmente chegam a 20% a.a. O volume de recursos para crédito rural que teve evolução errática na década de 90 por questões conjunturais e de desvio na aplicação vem desde a década passada crescendo constantemente a partir do momento que sua destinação passou a ser exclusivamente a utilização na produção. A figura 1 mostra esta evolução de 2000 a 2010 e compara o nível de produção agrícola no período. O nível de correlação é significativo, chega a 0,92, o que ratifica a conclusão da neces-

sidade de capital de giro da atividade primária. Em uma perspectiva distinta, ainda que haja uma incontestável correlação positiva entre volume de recursos aplicados em crédito rural e a produção agropecuária, tal relação não acontece de forma homogênea em todos os estados produtores do País. Para fins de ilustração deste último ponto, vamos analisar a situação de dois importantes estados da Federação: RS e MT. O primeiro utiliza a linha de crédito rural em larga escala para financiamento de sua atividade. O acesso dos produtores aos bancos, diretamente e por meio de suas cooperativas, faz com que esta forma de financiamento seja preponderante e relativamente mais importante que em outros estados produtores. Como o caso do MT, os produtores acabam recorrendo a tradings interessadas em comprar grãos, a fornecedores e a linhas de financiamento à exportação. Segue a prova do contraste entre os dois estados. O MT produz em torno de 31 milhões de toneladas de grãos e tomou em linhas de crédito rural para custeio agrícola em 2010 aproximadamente R$ 2 bilhões, enquanto o RS tem uma produção de 29 milhões de toneladas e os desembolsos para custeio foram superiores a R$ 5,5 bilhões. Isto significa que o MT utiliza R$ 65 mil por mil tonelada produzida para mais de R$ 190 mil no estado gaúcho.

90mil

160

80mil

140

70mil

120

60mil

100

50mil

80

40mil

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30mil 20mil

40

10mil

20

0

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

em milhões detoneladas

em milhões de R$

Evolução dos recursos de crédito rural e quantidade produzida de cereais, leguminosas e oleaginosas no Brasil 2000-2010

0

produção crédito rural

Figura 1. Fonte: Conab e Bacen. 15

Trava (Hedge) do custo de produção Produtor sem troca = RISCO

Produtor com troca = segurança

setembro | R$ 50/sc

ABRIL | R$ 25/sc

setembro | R$ 50/sc

ABRIL | R$ 25/sc

CUSTO RECEITA R$3.000 R$5.000

CUSTO RECEITA R$3.000 R$2.500

CUSTO RECEITA R$3.000 R$5.000

CUSTO RECEITA R$1.500 R$2.500

60 SCS

120 SCS

60 SCS

60 SCS

100 SCS

LUCRO | R$ 2.000

100 SCS

PREJUÍZO | R$ 500

100 SCS

LUCRO | R$ 2.000

100 SCS

LUCRO | R$1.000

Figura 2. Exemplo de demonstração gráfica simplificada da trava para produção de soja.

Perfil dos produtores Como já mencionado, a atividade agropecuária é tomadora de recursos e especificamente na etapa de produção, seu tamanho está até mesmo condicionado à disponibilidade de crédito. Uma análise mais cuidadosa, entretanto, mostra que esta situação apresenta variações encontradas para diferentes casos de produtores de acordo não somente com seu nível de capitalização, mas também com sua atitude pessoal em relação a endividamento e relação com bancos. Para elaborar melhor este ponto, adicionamos outra dimensão diretamente relacionada à tomada de recursos – o pagamento com a produção ou troca de insumos por grãos. Também comumente chamada de barter (escambo em Inglês), esta operação teve início na década de 90 fomentada por fornecedores e tradings e tem hoje notoriedade pelas vantagens de oferecer hedge ao produtor ao estabelecer uma relação de paridade do insumo com a produção agrícola. A figura 2 traz uma demonstração de como a trava é efetivada em uma operação de Barter. Note que o produtor que utilizou a ferramenta de Barter para se proteger teve seus custos “travados” e 16

deixou de correr o risco da variação dos preços do grão. Completamos esta análise juntando a atitude do produtor com relação a dívidas com suas preferências em termos de forma de pagamento. Para fins didáticos, segmentamos em quatro perfis a partir da matriz da figura 3. No eixo vertical, são segmentados os produtores pelo seu comportamento e sua situação financeira, isso os dividem em tomadores que são os que efetivamente utilizam as linhas de crédito disponíveis, e os aplicadores, que preferem condições mais favoráveis à vista e dispõem de recursos para tal. No eixo horizontal, a segmentação está na preferência pela forma de pagamento, aqueles que vêm vantagens no pagamento por grãos e aqueles mais avessos a essas modalidades. No quadrante superior esquerdo, encontramos os produtores que tipicamente buscam financiamento em

Matriz do perfil de produtores para financiamento e pagamento pelos insumos, PROPENSÃO À TROCA DE INSUMOS POR GRÃOS

Vários fatores causam a diversidade como a ilustrada em nosso exemplo. Podemos citar o perfil dos produtores em tamanho, menores nos estados do Sul, o que possibilita a tomada de recursos obrigatórios dentro dos limites máximos estabelecidos na regulamentação, por exemplo, R$ 650 mil para soja por safra. Adicionalmente, a situação e as preferências do produtor além de sua relação com os bancos têm seu papel na forma de financiamento mais adotada. É o que exploramos nos próximos parágrafos.

TOMADORES QUE PAGAM EM GRÃOS

aplicadORES QUE PAGAM EM GRÃOS

TOMADORES QUE PAGAM EM REAIS

aplicadORES QUE PAGAM EM REAIS

DISPONIBILIDADE DE RECURSOS E AVERSÃO A DIVIDAS Figura 3. Elaborado pelo autor.

Títulos do Agronegócio Os títulos de crédito do agronegócio vêm crescendo significativamente. Algumas operações destes títulos são exemplificadas nos seguintes diagramas.

Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio - CDCA 4

PRODUTOR PAGA AO FORNECEDOR NA CONTA DO BANCO

2 FORNECEDOR EMITE CDCA PARA O BANCO

banco

3

1

fornecedor

FORNECEDOR ENTREGA INSUMO aO PRODUTOR

produtor/ cooperativa

BANCO ADIANTA RECURSO PARA FORNECEDOR ANTES DA PRODUÇÀO

APÓS A SAFRA/COMERCIALIZAÇÃO

Letra de Crédito do Agronegócio - LCA 5

4

investidor resgata investimento

agronegócio devolve ao banco

1

3

banco emite lca para investidor

investidor

2

banco

banco investe no agronegócio

produtor/ cooperativa fornecedor

investidor aplica no banco ANTES DA PRODUÇÀO

APÓS A SAFRA/COMERCIALIZAÇÃO

Cédula do Produtor Rural - CPR 5

comprador paga ao portador do título por meio de cessão

2

fornecedor

2

f/b/i entrega insumo ou $ ao produtor

banco

investidor

1

produtor entrega o grão ao comprador

produtor

produtor emite cpr

trading/ agroindústria

ANTES DA PRODUÇÀO APÓS A SAFRA/COMERCIALIZAÇÃO * agroindústria/trading pode figurar como financiador do produtor

Certificado de Recebíveis do Agronegócio - CRA 4

agronegócio devolve ao investidor

2 investidor

spe emite cra com lastro nos recebíveis**

3

1

spe compra recebíveis

spe*

produtor/ cooperativa

investidor transfere recursos ANTES DA PRODUÇÀO

APÓS A SAFRA/COMERCIALIZAÇÃO

* sociedade de propósito específico - securitizadora ** risco de operações é assumido pelo investidor

17

operações de Barter para prevenir os riscos de variação dos preços entre a compra dos insumos e a efetiva comercialização da safra. No quadrante inferior esquerdo, estão aqueles produtores que têm o grão físico disponível, e com este perseguem condições de preços dos insumos mais favoráveis. No quadrante superior direto estão os produtores que preferem especular com o preço das commodities agrícolas, usualmente aqueles com perspectivas sempre otimistas em relação ao preço da sua produção. Finalmente, o quadrante inferior direto tem o produtor que já comercializou e recebeu seus grãos da última safra, tem recursos disponíveis no banco e assim vai buscar nos fornecedores diretamente ou nas revendas de insumos as melhores condições para pagamento à vista. Vale ressaltar que o fator relacionamento com bancos pode levar o produtor a migrar de um segmento para outro. Um caso comum é o do produtor que tem recursos para o pagamento à vista, é assediado por ter uma situação econômica e financeira favorável, e acaba tomando recursos em crédito rural, por exemplo, e fazendo uma aplicação distinta para aqueles recursos que pagariam os insumos. No caso oposto em que a relação bancária não é favorável, encontramos o produtor que necessita insumos e precisa de prazo, e assim acaba contratando da forma que o fornecedor oferecer, o que vemos no Centro-Oeste em muitos casos, a preferência dos fornecedores por oferecer as linhas de Barter.

Tendências para o financiamento Várias formas de financiamento de agronegócios antes da porteira são possíveis e fontes que hoje têm menos expressão tendem a ganhar representatividade com o tempo. O carro-chefe dos financiamentos é e ainda será a linha de recursos obrigatórios do crédito rural pelo seu custo mais acessível e volumes disponíveis em larga escala. As operações estruturadas como as ofertas de Barter já são uma realidade como podemos constatar em sua contratação por produtores do Cerrado do Brasil. A vocação exportadora do agronegócio trouxe à tona linhas de financiamento com recursos do exterior, trade finance, que são formalizadas em contratos de ACC (adiantamento de contrato de câmbio), por exemplo. Mais recentemente também, com o vetor do interesse de investidores do Brasil e do exterior em colocar recursos no setor e assim diversificar suas carteiras de investimentos e obter retornos, vem “tomando corpo” 18

novos títulos que estruturam operações de financiamento da atividade – ver Quadro Títulos do Agronegócio. O Plano Agrícola e Pecuário divulgado pelo Ministério da Agricultura já é uma gama abrangente de linhas de financiamento. Um destaque é o Programa ABC (agricultura de baixo carbono) que incentiva ao produtor que adotar boas práticas agronômicas para minimizar o impacto da emissão de gases de efeito estufa, são R$ 3,15 bilhões na segunda edição do programa safra 2011/12, prazo para pagamento de até 15 anos (depende da destinação) e juros anuais de 5,5%. Por fim, os holofotes para o Brasil como forte competidor global do agronegócio têm atraído investidores de fora em estruturas para aplicação híbrida em ativos fixos como logística e produção e também para capital de giro. As vantagens dessas estruturas são os prazos longos e os juros mais acessíveis para tomadores que podem exportar e assim neutralizar a variação cambial. Por outro lado, a formalização dessas operações é complexa, requer pessoal especializado para montá-las e fazer a oferta aos investidores de fora com a venda certa de forma que é viável para produtores de grande porte ou cooperativas agropecuárias em favor de seus associados.

Considerações finais A relevância do tema financiamento para o agronegócio é inquestionável e este artigo se propôs a analisar, ressaltar e qualificar onde e como o tema se desenvolve. Cabe ao participante da cadeia de valor do agronegócio, em especial ao produtor, considerar diversas possibilidades de financiamento e buscar informação com fontes diversas e de preferência isentas antes de tomar suas decisões. Quero concluir reforçando que o financiamento é também uma ferramenta para gerenciar riscos da atividade. Gerenciar riscos com mais efetividade permite ao produtor ser mais produtivo e assim sendo contribuir ainda mais para produção de alimentos e energia do planeta com sustentabilidade. Referências http://www.brasil.gov.br/sobre/economia/financiamentos/credito-rural – Portal Brasil. Anuário Estatístico do Crédito Rural 2010 – Banco Central do Brasil. Série Histórica Grãos – Conab Companhia Nacional de Abastecimento. Plano Agrícola e Pecuário 2009/10 – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Plano Agrícola e Pecuário 2011/12 – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.


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